Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

  

 

Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


AMANHECER EM CHAMAS / Gena Showalter
AMANHECER EM CHAMAS / Gena Showalter

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblio VT

 

 

 

 

Um atormentado passado deixou Thane com uma insaciável necessidade de violência, fazendo dele o mais perigoso assassino nos céus. Ele vive por um único código: nenhuma clemência. E quando solta sua fúria em seu mais recente captor, ele aprende que nenhuma batalha poderia tê-lo preparado para o escravo que ele salvaria das garras do seu inimigo. Uma beleza que alimenta o fogo de seus desejos mais escuros.

Elin Vale tem suas próprias cicatrizes profundamente enraizadas, e sua atração pelo requintado guerreiro que a libertou desafia todos os seus limites. Mas a firme determinação de Thane em protegê-la significa que ela deve enfrentar seus maiores medos, e entrar em um mundo em que paixão é poder, e vitória significa rendição empolgante.

 

 

 

 

Ele viveu sexo.

Respirou sexo.

Comeu sexo.

Ele era sexo.

Talvez este fosse seu nome.

Não. Isso não foi do quê ela o chamou. Ela: seu coração. Sua razão de ser.

Ela escarrancharia em sua cintura, alimentaria seu comprimento dolorido em seu corpo faminto, e diria “Meu escravo precisa mais de mim do que de ar para respirar, não é?”

Meu Escravo. Sim. Esse era seu nome.

Meu Escravo queria sua mulher. Ansiava-a como água para beber.

Necessitava tê-la.

Só ela o faria. Ele não podia viver sem seu odor de fumaça-e-sonhos... mmm, ou seu calor muito-perto-do-sol... ou suas garras ardentes. Quão profundamente aqueles pequenos punhais cortavam seu tórax nu. E suas presas peekaboo[1]... Quão deliciosamente elas beliscavam a veia em seu pescoço.

Ela era perfeita, e só quando ela estava com ele, seu corpo forte tomando e recebendo prazer, a fome roendo dentro dele ficava finalmente satisfeita.

Necessitava. Tê-la. AGORA.

Mas... Ele olhou ao redor. Ela não estava com ele. Ele tentou levantar da cama. Algo prendia seus pulsos e tornozelos novamente. Não corda. Não desta vez. Muito frio, muito duro. Aço? Ele não se importou o suficiente para olhar.

Problema. Solução. Meu Escravo friccionou seus dentes e empurrou com todo seu considerável poder. A pele rasgou, músculos romperam, e osso estalou. Dor. Liberdade. Ele sorriu. Sua mulher estava lá fora. Logo ele a acharia. Ele empurraria dentro dela e satisfaria sua necessidade dela. Novamente e novamente...

Nada e ninguém o deteria.

 

— Ele está solto novamente. — Alguém murmurou.

Na lagoa, lavando roupas e sonhando com cupcakes de caramelo salgado... E brownies polvilhados... E, oh, oh, oh, biscoitos de manteiga de amendoim, Elin Vale arrastou-se da água super quente. Grama frágil cobria o pequeno banco fornecido pelo magnífico oásis no deserto de Sahel, irritando seus pés nus. Quando o sol resplandeceu no claro céu matutino, dunas de areia douradas onduladas por todo lado, ela buscou sombra abaixo de um punhado de árvores. Uma brisa gentil levava mais areia do que ela era capaz de lavar.

Pelo menos existia uma fresta de esperança. Uma esfoliação diária gratuita significava que sua pele sardenta queimada pelo sol sempre brilhava.

Que bom para mim.

Agora, se apenas pudesse realizar suas metas de vida tão facilmente. 1. Escapar das guerreiras Fênix mantendo-a cativa, 2. fazer uma grande poupança, e 3. abrir uma padaria. Ela venderia sobremesas boas o suficiente para induzir orgasmos... exceto biscoitos de manteiga de amendoim, porque ela sozinha consumiria a fornada inteira.

A vida seria melhor que qualquer coisa. Estaria fazendo o que amava e comendo o que desejasse. Exceto, por um problema pequenino; ela ainda não conseguia riscar o número um de sua lista. Fênix eram imortais com habilidade de queimar até as cinzas e renascer dos mortos, mais fortes que antes. Eram malignas. E, ironicamente o suficiente, tinham sangue frio. Apreciavam pilhar e saquear, e matavam por sorrisos e irritação.

Elin viu o pior de sua obra muito de perto e pessoalmente e, ainda agora, um ano mais tarde, as memórias eram formidáveis o suficiente para quebrá-la. Memórias que não podia deter... Por favor, por favor pare... Mas elas estavam aí, relampejando por sua mente. A cabeça do seu pai rolando pelo chão, sem o corpo. O gemido cheio de dor de Bay ecoando em seus ouvidos enquanto ele caia no chão, uma espada saindo de seu tórax. O silêncio descendo. Tal silêncio temido.

Mesmo agora seu batimento cardíaco estava a todo vapor, com força suficiente para quebrar recordes. Vou vomitar.

— Peguem ele!

O grito frenético foi uma distração bem-vinda e maravilhosa, a única balsa de vida em um mar de horror, detendo o iminente colapso.

Seu olhar esquadrinhou lá.

Oh, caramba. Ele é magnífico.

Por causa da boca supostamente desrespeitosa de Elin, algumas pessoas não podiam tolerar a verdade, ela passou as últimas duas semanas metida dentro de um buraco pequeno, úmido, incapaz de ver o novo prisioneiro “que valia derrubar um império inteiro para possuir”.

A citação veio de cada fêmea na aldeia.

Pela primeira vez, Elin teve que concordar com seus captores. O escravo imortal da princesa era um deus no meio dos homens.

Ele pisou pela areia, lançando peritos soldados fora de seu caminho como se fossem completos animais. Ele o fez apesar do fato que seus pulsos e tornozelos pareciam carne de hambúrguer cru.

Sua carranca era escura, assustadora, e apesar de sua fascinação, ela instintivamente abaixou o olhar.

Oh, uau. Oi, ereção volumosa. A besta de nenhuma maneira estava escondida pela tanga de couro que o escravo vestia.

A habilidade de respirar a abandonou. Quem diria que pênis realmente vinham no tamanho magnum, como os livros de romances proclamavam? E, doce fantasia, enquanto o pedaço de pano deslizava... E deslizava... E eventualmente caiu de lado, ela viu um brilho de prata. Era a cabeça de seu eixo... Era! Estava realmente perfurado com uma longa barra de prata.

Seus joelhos ficaram um pouco fracos.

Estuprar com os olhos o escravo da princesa, pode? Realmente? Pare!

Primeiro, alimentar pensamentos luxuriosos por um homem de outra mulher era um crime punível com morte. Segundo, era 100% desprezível.

Por isso olharia para longe... em um segundo. Uma olhada no resto dele, isso era tudo que precisava. Ele tinha pelo menos dois metros de masculina agressão primitiva, com uma massa de músculo me-desafie-por-sua-conta-e-risco de um dedicado guerreiro de séculos de idade. Mas o que verdadeiramente roubou sua atenção, além do telão, é claro, eram as asas emplumadas do pérola mais luminoso e arcos dourados atrás dos largos ombros bronzeados. Reais, realmente asas, adequadas ao mais estimado dos anjos.

Mas, se os sussurros e risadinhas que ouviu sobre o macho fossem para ser acreditados, ele não era realmente um anjo, e o chamar assim seria um insulto, desde que anjos estavam mais abaixo no totem. Ele era um Enviado. Um filho adotivo do Altíssimo, o regente do reino mais alto dos céus.

Os Enviados eram especialistas em perseguição e matadores impiedosos de demônios. Defensores dos fracos e impotentes. Eram honestos ao ponto de parecerem brutais. E, certo, uau, isso era como uma listagem de coisas incríveis. Mas outras coisas supostamente eram específicas para o caráter deste macho: frio, calculista e demente. Não incrível.

Aparentemente, ele ria quando matava seus inimigos... E ria quando matava seus amigos.

Mas... Isso não poderia ser verdade. Poderia? Ele era muito bonito para ser tão cruel.

Muito superficial?

O que? Ela estava faminta. A mente era uma desordem quando o corpo estava com fome.

De acordo com a fofoca, ele era parte do Exército da Desgraça, EdD, uma das sete forças defensivas divinas do Altíssimo. Seis daquelas forças eram bem respeitadas e admiradas. O EdD, nem tanto. Eram um grupo de mercenários selvagens, indomáveis a perigo de perder suas casas, asas e imortalidade; em outras palavras, tempo permanente de suspensão por mau comportamento.

Os mais ou menos vinte homens e mulheres estavam em um ano de provação, toda sua ação observada. Mais uma falta, e seriam banidos para sempre.

Os boatos não paravam aí. O macho diretamente abaixo do Altíssimo era chamado de Germanus, e era o chefe dos Enviados. Ou melhor, foi. Germanus foi morto recentemente por demônios. Mas antes de sua morte, obviamente, controlava a Elite dos Sete, os sete homens e mulheres que eram os mais ferozes dos ferozes, e os líderes daquelas sete forças defensivas. Depois de sua morte, o Altíssimo designou um novo segundo no comando, Clerici, e este sujeito Clerici torceu algumas regras existentes há muito tempo.

Antes: Não prejudique ninguém ou nada, exceto demônios.

Depois: A menos que um Enviado da mesma categoria esteja sendo mantido contra sua vontade.

Então, e só então, a raça inteira podia ter uma Carta Branca para Matar Todo Mundo.

Pensamento de Elin: Uma vez que os amigos do exército de Sexo Sobre Pernas descobrirem o que aconteceu com ele, todo mundo na aldeia tomaria banho em sangue. E se a coisa de especialista em perseguição fosse verdade, o tempo do banho viria logo.

Tinha que estar distante até lá.

— Mulher! — Ele berrou, sua voz mais insubstancial que a matéria. E ainda, uma palavra gotejando com comando, expectativa e crua carnalidade animal.

Ela estremeceu com vibrante antecipação.

Reagindo a ele, também? Por que você só não corta fora sua própria cabeça e diz que isto é bom?

Ele pertencia à Kendra, a Viúva Alegre, Princesa do Clã Firebird; ela o viciou no veneno que seu corpo produzia, uma substância não letal, pior do que qualquer droga, fazendo-o desesperado pelo seu toque. Então ela selou o acordo enganando-o para matá-la.

Com Kendra, tudo começava e terminava em morte.

Logo depois de dar seu último suspiro, ela queimou até as cinzas, melhorou e levantou novamente, o laço entre mestra e escravo firmemente no lugar.

Aparentemente, ela fez o mesmo com seis de seus maridos; e atualmente estava fazendo isto com seu sétimo, que estava longe do acampamento no momento, o sortudo. Porque quando ela cansava de seus homens, ela cortava... e comia... seus corações, assegurando que continuassem mortos.

Um tremor rastejou pela espinha de Elin.

Como castigo, o antigo Rei Krull, pai de Kendra, a amarrou com correntes de escravo para anular suas habilidades e a vendeu no mercado negro.

Onde e quando o Enviado entrou em jogo, Elin não estava certa. Só soube que ele trouxe Kendra de volta para o acampamento décadas depois, soltando-a do céu e voando para longe. Krull pensou que o tempo distante a suavizaria, removeu as correntes e a deu para seu terceiro em comando, Ricker, o Exterminador da Guerra.

Mas com suas habilidades completamente restabelecidas, ela pôde viciar Ricker com seu veneno, e ganhou sua permissão para deixar o acampamento e caçar o Enviado.

A princesa era doce assim.

— Mulher! Agora!

Elin tragou um suspiro sonhador. Até atada com raiva e aborrecimento, a voz do Enviado produzia imagens de morangos imersos em chocolate morno, rico.

Mmm. Chocolate. Talvez eu devesse ajudá-lo.

O pensamento a atingiu, surpreendendo-a. Ela não estava exatamente em condições de falar de coragem, e para ser efetiva, teria que arriscar sua própria vida. Mas se pudesse livrar o macho do laço da princesa, podia usá-lo para escapar.

Elin meditou em cada pedaço de informações que coletou durante sua escravidão, mas encontrou só alguns caminhos para libertá-lo. Nenhum que fosse particularmente útil. Ela podia matá-lo, mas isso faria um buraco em seu plano, porque ele não voltaria à vida. Ela podia matar Kendra (novamente), mas a princesa voltaria para a vida, e Elin teria uma inimiga muito determinada pelo resto sua (provavelmente) pequena, (definitivamente) miserável vida. Como para o Enviado, morte era o fim para ela.

Elin era metade Fênix, metade fraca, humilde humana, com zero habilidade de mostrar sua ascendência dupla. E irritava, porque aqui, ou em qualquer colônia imortal, realmente mestiços eram uma abominação. Uma mancha contra a raça. Uma ameaça para o vigor da linhagem sanguínea.

Ela sabia que era meio imortal, mas não tinha nenhuma ideia que fosse tão menosprezada, vivendo na feliz ignorância até que um grupo de Fênix emboscou sua mãe, Renlay, há um pouco mais de um ano. Tudo porque sua mãe, uma guerreira puro sangue, se apaixonou pelo pai de Elin, um humano, e desertou de seu clã para ficar com ele. Como castigo, o grupo assassinou o pai de Elin, como também o doce e inocente Bay.

Tanta perda... Ela tentou ignorar o nó crescente em sua garganta.

Ela e Renlay foram feitas prisioneiras. Então, quatro meses atrás, Renlay experimentou a última morte. Acontecia para todas as Fênix eventualmente, ainda que seus corações não fossem comidos, deixando Elin só, tão só, sofrendo dos mais cruéis modos, batalhando contra a solidão, pesar, tristeza. Um coração partido.

Oh, coração partido. Era um companheiro constante. Cruel e impiedoso, escurecendo seus dias e encharcando suas noites com lágrimas.

Honestamente, os golpes e degradação não se comparavam com a tortura de suas emoções. Nem mesmo quando era tratada como cachorro, dita para comer sua comida em suas mãos e joelhos, sem usar suas mãos. Nem mesmo quando era forçada a cuidar das necessidades da sua bexiga na frente do público rindo.

Elin piscou as lágrimas longe.

De um modo doente, retorcido, ela meio que... dava boas-vindas ao abuso, supôs. Afinal, merecia isto. Seus pais e Bay foram fortes e valentes. Ela era uma covarde fraca.

Por que viveu e não eles?

Por que ela continuava a viver?

Como se você não soubesse.

Palavras finais da sua mãe ecoaram em sua mente. “O que quer que seja necessário, meu bem, faça. Sobreviva. Não permita que meu sacrifício seja em vão.”

— Mulher! Necessidade. Agora. — O Enviado uma vez mais a arrancou do passado. Ele se aproximou do rio... Se aproximou dela...

Logo passaria adiante, e a oportunidade seria perdida...

Sua mão contraiu enquanto ela debatia se entregava ou não o fragmento de vidro que outro prisioneiro, agora longe, deu a ela. Um fragmento que ela escondeu no tecido de seu vestido de couro, caso algum dos machos decidisse parar e olhar para ela e começar a se entusiasmar. Ela teria que fazer algo drástico para atravessar a obsessão do Enviado, o suficiente para capturar sua atenção. Talvez cortá-lo funcionasse. Talvez não. Talvez o enfurecesse, e ele estalaria seu pescoço com um movimento único de seu pulso.

Ela devia arriscar o castigo? Morte?

Tempo de decidir.

Pró: Não existia momento melhor para uma fuga. Muitos no acampamento estavam distraídos, como o Rei Ardeo, que substituía o antigo Krull, e tomou seus homens de mais confiança para quem-sabe-onde caçar Petra, tia de Kendra, a Fênix que assassinou Malta, viúva de Krull e mãe de Kendra e, por pouco tempo, a mais querida concubina de Ardeo.

Ugh! Que quebra-cabeça de nomes.

Ardeo esperou séculos para reivindicar Malta, só para perdê-la dois dias mais tarde quando uma Petra ciumenta a apunhalou em seu sono e, tomando uma página do livro de Kendra Como Ser Uma Psicótica, comeu seu coração.

Contra: Elin não possuía Congelação, um novo “medicamento” para imortais, e a única coisa capaz de diluir o veneno de Kendra.

Pró: Ela poderia ser capaz de obter algum.

Krull comprou um punhado de cubos logo depois do casamento de Kendra com Ricker. Kendra agora os mantinha dentro de um medalhão que usava a toda hora.

Se Elin pudesse roubar aquele medalhão...

Outro pró: Nunca mais terá que se preocupar sobre Orson.

Ele estava fora com Ardeo, mas quando retornasse...

Ela estremeceu quando recordou suas palavras de despedida para ela. “Eu terei você, mestiça, e o modo que a tomarei, não existirá nenhuma chance de um bebê.”

Inferno de vira-lata!

Contra: Ela poderia morrer horrivelmente.

O Enviado estava quase na frente dela. Qualquer segundo agora...

Se sua mãe estivesse viva, diria que Elin fosse por isto, apesar do risco.

Bem, então. Decisão tomada.

Se movendo tão rápido quanto seus reflexos permitiam, Elin passou o fragmento e bateu a extremidade dentada através do braço do Enviado.

Enquanto gotículas carmesim gotejaram abaixo de sua pele, ela fez silêncio. A vertigem a atingiu, e uma apertada queimação floresceu em seu tórax.

Pânico ameaçando consumi-la... Já restringindo suas vias aéreas...

Não! Não desta vez. Ela enfocou suas metas de vida: liberdade, dinheiro, padaria; respirou dentro e fora com propósito, e a tempestade passou.

O Enviado fez uma parada.

Ele é um escravo, como eu, e sou sua única esperança. Nossa, ele é minha única esperança. Posso fazer isto. Por minha família.

Ele girou sua cabeça, olhando para ela acima do arco de sua asa, e ela estremeceu. O cabelo loiro ondulado inocentemente emoldurava o rosto de um ser nascido para seduzir... Primoroso, sem defeito. Em contraste, seus olhos de cama estavam a meio-mastro, pedindo uma fêmea para perversão.

Qualquer coisa para você...

Muito mal que aqueles olhos estavam tão enevoados pelo veneno que ela não podia ver sua cor. Cílios longos, pontuados do mais fundo azeviche delineavam suas pálpebras, e seus lábios suaves e cheios praticamente imploravam por beijos despreocupados.

Um anel de furiosas cicatrizes circulava seu pescoço, e ela franziu o cenho. Evidência de um machucado, não importa o quão grande ou pequeno, normalmente não permanecia na pele de um imortal. Alguém tentou matá-lo antes dele ser velho o suficiente para regenerar?

Até com a imperfeição, era bonito. Um banquete visual. Um raro doce de olhar. Uma delicadeza para ser saboreada. E agora estou lutando para respirar novamente, afogando, seriamente afogando em sua masculinidade absoluta, e agora em culpa... Pesar... Eu não tenho luxúria por um homem desde Bay, meu doce, querido Bay, meu marido por só três meses, morto agora, e devia ter vergonha...

— Fêmea.

A voz esfumaçada a pegou desprevenida. O que estou fazendo? Se concentre!

— Qual é seu nome? — Ela perguntou, as palavras raspando contra sua garganta.

Carrancudo, o guerreiro a enfrentou completamente.

Nota para si mesma: Ganhar sua atenção é um erro.

Sua expressão era toda assustadora: Quente e sombria, radiando a maior das más intenções. Ela tragou, esperando ser jogada de lado como todo mundo tolo o suficiente para prendê-lo. Mas talvez ela fosse eviscerada primeiro.

Ao invés, ele estendeu a mão para tocar um cacho de seu cabelo, a cor escura um contraste intrigante contra o bronze de sua pele. Sua carranca suavizou. — Bonito.

Seu coração rebelde engatou em sua ainda-pulsante garganta. Outra criatura viva, tocando nela sem intento de prejudicar... A fazendo formigar... Tão perigosamente bom.

Quão faminta estava por algum tipo de afeto, ela percebeu.

Um grito distante o sacudiu, e ele soltou seu braço do seu lado. Ela tragou um soluço humilhante. Como uma viciada, ela já queria mais dele. Nada sexual. Nunca isto. Bay seria seu primeiro e último amante. Não existiria nenhuma segunda chance para ela. Mas ela não podia evitar querer as grandes fortes mãos do Enviado nela... Roçando sua nuca, talvez... Ou massageando seus ombros doloridos... Não, seus pés... Como um amigo! Só um amigo.

Um amigo com um corpo magnífico, verdadeiramente cinzelado em ouro sólido.

Tanto faz!

Ele se virou retomando seu caminho, Elin já esquecida. Não! Ela tentou embrulhar seus dedos ao redor do bíceps dele, mas não podia. Ele era tão grande, seus músculos tão nodosos com propósito. Mas, oh, sua pele era deliciosamente morna e lisa.

— Por favor. Qual é seu nome? — Ela sussurrou. — Pense.

Novamente ele parou. Sua cabeça balançou de lado, como se seriamente considerasse a pergunta. — Eu sou Meu Escravo.

— Errado. Qual seu nome real? — Quanto mais refletisse na resposta, mais rápido ele abriria caminho pela névoa. Sem a ajuda do medicamento que ela podia ou não ser capaz de roubar.

— Meu Escravo, — ele repetiu, bravo agora.

O-kay. Mensagem recebida. Conversa terminada.

Ele moveu-se quando um grupo de soldadas Fênix avançou mais perto dele, sua determinação em subjugá-lo de qualquer forma necessária evidente a cada passo.

Ele lançou-os de lado tão facilmente quanto lançou os outros.

Caçando sua presa, ele despedaçou várias barracas.

Na quinta, a infame Kendra se sentava na frente de um espelho de vaidade, escovando seu cabelo ouro-e-escarlate. Ela rolou seus olhos quando o Enviado se aproximou.

— Não teve permissão para deixar sua cama, — ela disse, permanecendo e olhando para ele. — Então, deve ser disciplinado. — Ela tamborilou as pontas do dedo contra seu queixo. — Eu sei. Passará uma noite inteira longe de mim.

Oh, não. Não isto. Qualquer coisa exceto isto, Elin secamente pensou.

Grunhidos baixos estouraram dele quando pegou Kendra pela cintura, girou e a lançou no colchão. Os músculos em suas costas e coxas ondulando com força. — Meu Escravo quer sua mulher.

— Thane! — Kendra subiu para seus joelhos, excitação agora ardendo em seus olhos. — Não teve permissão para me tocar, também. Se fizer isto novamente, terei que negar a você o luxo de meu corpo por uma semana.

Thane. Seu nome era Thane. Sedutor, como o próprio homem.

Ele se moveu na frente de sua mestre, respirando duro e rápido, suas mãos dobraram em punhos. Elin podia imaginar seu dilema. Queria cumprir o desejo da princesa, mas também queria, precisava, o que só ela podia dar a ele.

— Nada mais a dizer? Oh, como o poderoso caiu, — Kendra arrulhou, traçando com a ponta do dedo abaixo pelo centro do tórax dele. Ela deve ter esquecido sobre seu público, ou não se importava. — Queria que o macho que você foi pudesse encontrar o macho que se tornou. Perceberia então o quão desesperadamente deseja a mulher que uma vez abandonou. — Ela pensou por um momento, se iluminou. — Está com sorte. Posso organizar uma reunião. — Ela destravou o fecho do pendente de seu pescoço e tirou alguns flocos de Congelação sobre a ponta do seu dedo.

— Abra, — ela comandou, e ele obedeceu.

Ele gemeu com prazer quando ela esfregou os flocos contra sua língua.

Com uma quantidade tão pequena, estaria ciente de sua situação, um pouco pelo menos, mas incapaz de negar as necessidades do seu corpo. Muito mais seria exigido para quebrar o laço entre mestre e escravo.

Tensa, Elin assistiu. O que aconteceria quando a realidade golpeasse?

Um minuto se passou. Então outro. Então ele jogou sua cabeça atrás e rugiu com ira desenfreada.

A Congelação funcionou. Uma parte dele acabava de perceber o que se tornou.

Elin cobriu sua boca para deter um grito de desânimo.

— Está certo. Você adora uma mulher que menosprezou. — Sorrindo, Kendra esticou-se na cama. — Eu mudei de ideia. Você me terá, meu escravo. Você me terá agora, enquanto sua mente me amaldiçoa.

— Não, — ele rosnou, mesmo enquanto acariciava sua ereção.

— Oh, sim. Faça isto, — eu tom endureceu, — agora.

Apertando seus dentes, como se lutasse uma guerra dentro dele mesmo, ele rasgou sua regata e calção.

Como tratava uma mulher quando não era escravizado? Suavemente? Ele se importaria que outros o assistissem fazendo sexo? Ou que sua amante realmente pertencesse a outro homem?

— Não é divertido? — Kendra ronronou. Nunca uma pessoa emanou tanto mal.

O que aconteceu com ela para se tornar... isto?

Realmente não importava agora. Ela era o que era.

Todos eram.

Instinto de sobrevivência 101. Abaixe sua cabeça. Não veja nada. Não diga nada.

— Odeio você, — Thane cuspiu.

Kendra riu. — Realmente? Quando me amou tão completamente?

Crack. O olhar de Elin subiu. O guerreiro acabara de esmurrar um buraco na cabeceira.

— Agora, agora. Nada disto, — Kendra arrulhou. — Foi lhe dada uma ordem. Faça isto.

Thane a sacudiu acima e empurrou seu rosto em um travesseiro. Não querendo olhar para ela, embora ainda desesperado por ela? Ele colocou as pernas dela separadamente com seu joelho, e Kendra deu outra risada.

— Apenas do jeito que gosto disto, — ela provocava, olhava atrás, para ele, para sorrir.

Ele girou sua cabeça de lado, e Elin podia ver a humilhação e desgosto contorcendo suas feições.

Uma explosão contraditória de emoções correu por ela. Piedade por estar sendo forçado a isto. Raiva por estar sendo tratado deste modo. E determinação crua. Ele era um escravo, como ela, e precisava de um salvador.

Foda-se o instinto de sobrevivência.

Elin correu dentro da barraca. — Pare. Por favor, Thane. Pare.

Ele agarrou a base de seu eixo e posicionou-se na entrada.

— Thane! — Ela gritou, tentando novamente. Lute contra a atração de Kendra. Não dê a ela o que ela quer.

Ele se deteve pouco antes do dano ser feito, seu corpo inteiro vibrando enquanto resistia aos impulsos trovejando dentro dele.

— Por favor, — ela repetiu, e tocou seu ombro. — Você não tem que fazer isto.

Suas narinas chamejaram quando deu uma respiração afiada. Então lambeu seus lábios, como se apenas cheirasse uma comida mais gostosa.

Eu? Ela quase gritou.

— Como ousa falar com meu escravo, humana. — Kendra descobriu uma garra, pretendendo acertar a coxa de Elin. Thane apenas agarrou a princesa pelo pulso, salvando Elin de uma artéria cortada. — Ei! Solte.

— Não... machuque, — ele arranhou.

As Fênix guardas estalaram em atenção, percebendo que precisavam proteger sua princesa, e atacaram Thane juntas, jogando Elin de lado.

Com o estômago embrulhado pela visão do ataque, a vertigem nadando em sua cabeça, ela se arrastou da batalha e vadeou tremulamente na lagoa. Ela abaixou na superfície, submergindo, e jurou ficar debaixo da água até que seus pulmões permitissem.

Covarde!

Sim. Sim, ela era. Mas não existia nada que pudesse fazer sobre isto. A violência era sua criptonita, e se não se escondesse, se visse isto acontecer, ela desmaiaria.

Já não está?

Pelo menos a vida de Thane seria poupada. Em sua chegada ao acampamento, ele estava lúcido o suficiente para perceber estava no meio da tempestade de merda, e matou Krull, que não voltaria. Nunca.

Kendra merecia um castigo pelo que fez à Ricker e, para evitar isto, voltou aos seus velhos modos e comeu o coração do antigo rei. Ardeo então tomou o trono e como agradecimento pela parte de Thane no negócio inteiro, concedeu a ele vida eterna entre as Fênix. Como escravo, sim, mas vida era vida.

Pulmões...Queimando...

Elin emergiu pelo ar, ofegando, aliviada por ver que Thane e as guerreiras se foram. Ela enxugou as gotas de água de seus cílios e caminhou para a orla.

— Humana! — Kendra gritou. — Temos negócios.

Uh-oh. Tempo para meu mais novo espancamento.

Sua mente girou com um novo plano. Aguente qualquer coisa que acontecer a seguir, se recupere e roube os cubos do medalhão. Kendra tem que dormir algum dia.

Thane voltaria para seus sentidos e lutaria por sua fuga. Agradecido por seu serviço, levaria Elin com ele. Finalmente, podia começar sua nova vida.

 

Novas amarras.

Mesmo problema.

Mesma solução.

Meu Escravo arrancou seu caminho para a liberdade, ignorando a dor precipitando-se pelo seu corpo. Ele caminhou em direção à saída da barraca. Ele queria sua mulher com desespero.

Ele tropeçou de volta alguns passos, momentaneamente distraído. Ele franziu o cenho. Algo pequeno, quadrado e frio acabava de ser empurrado em sua boca; era doce. Ele gostou disto. Também existia um peso estranho puxando seus ombros. Por quê?

Ele fez o inventário. Alguma fêmea bloqueou seus braços ao redor dele, seu pequeno corpo apertado contra ele, suas pernas oscilando acima do chão.

Novo problema.

Nova solução. Ele a agarrou pela cintura com toda intenção de jogá-la acima de seu ombro. Mas registrou a doçura de suas curvas, e depressa mudou de ideia. Ela era delicada, como um pedaço de primorosa porcelana necessitando de proteção.

Ele não achou que já segurou algo tão refinado.

Cuidadoso, muito cuidadoso, embrulhou seus braços ao redor dela e segurou-a contra ele, usando seu corpo como uma proteção contra o mundo. Ele a protegeria.

Ela tomou uma respiração, como se o abraço a surpreendesse.

— Seu nome é Thane. Lembre. Por favor.

A voz dela, ele reconheceu. Era naturalmente rouca, como se tivesse o orgasmo mais intenso de sua vida e morreria sem outro. E era uma entonação que invadiu seus sonhos nas últimas seis noites, faiscando algo dentro dele para vida... Algo quase tenro... Dirigindo-o, despertando-o.

Uma estimulação que ele não entendia. Ela não era sua mulher.

— Thane, — ela disse em uma respiração trêmula. — Seu nome é Thane. Kendra triplicou sua dose de veneno, então preciso de você para se concentrar no frio agora derramando por você. Sente isto? Você sente o frio?

O frio... sim. Uma camada fina de gelo cobria seu interior. — Sim.

— Bom. Agora se concentre em mim, — ela disse, e ele era impotente para fazer o contrário. — Ouça o que digo. Você é um Enviado. Não está aqui por sua própria vontade. Foi drogado. Ainda está drogado. A mulher que deseja te fez um prisioneiro das Fênix. Clã Firebird.

Em algum canto esquecido de sua mente, as palavras capturaram seu interesse. Enviado. Drogado. Prisioneiro. Fênix.

As palavras eram acompanhadas por emoções.

Enviado... ânsia.

Drogado... confusão.

Prisioneiro... raiva.

Fênix... ódio.

— Ainda escutando? Você pode livrar-se, Thane. Existe um modo.

O frio intensificou, até uma tempestade de inverno assolar cada polegada dele. O tempo todo a fêmea continuava a falar. Sua voz, tão carnalmente perfeita, e ele começou a sentir como se estivesse flutuando mais alto e mais alto, sua cabeça finalmente olhando acima de um cobertor de nuvens escuras.

Seu nome era Thane. Ele era um Enviado.

Ele estava aqui por uma mulher. Não, pensou um segundo mais tarde. Estava aqui por causa de uma mulher.

Kendra. Sim. Era seu nome.

Ele menosprezou Kendra. Não é?

Não. Ele a quis. Só ela.

Mas... Se isso fosse verdade, por que ele estava agarrando a fêmea em seus braços?

A, oh tão tentadora, fêmea em meus braços. Ele correu seu nariz ao longo da linha de seu pescoço, inalando profundamente.

— O-o que está fazendo? — Ela perguntou em uma pequena inspiração. — Cheirando-me? Eu tomei banho. Juro que tomei.

Nenhuma sugestão de fumaça ou flores, só sabão e cerejas. Ela não cheirava como Kendra, e ele estava contente.

Ele esfregou sua bochecha coberta de restolho contra sua pele. Suave, ligeiramente morna em lugar de o quente chamuscar. Ela não parecia como Kendra. Mas... Melhor?

Sim, oh, sim.

Ele sacudiu sua língua através da tremulante pulsação. Mel derretido, fruta de verão. Ela não tinha o gosto de Kendra. Muito melhor.

— Pare. — Ela gemeu, e ele gostou disto, também. Quis ouvir isto novamente... E novamente. — Isso não vai acontecer entre nós, guerreiro. Vamos salvar um ao outro, nada mais.

O que ele ouviu: Vai acontecer entre nós.

Ele concordou.

Ele a levou para a cama e a deitou sobre o colchão. — Tenho você, — ele disse.

— Não, Thane. — Ela respondeu, cautelosa, e até mais ofegante.

Flutuando mais alto e mais alto...

Abaixando-se até ela, ele sentiu como se estivesse vendo-a pela primeira vez. Talvez estivesse. Ou, talvez seu foco fosse mais nítido a cada segundo que passava, novas partes de sua mente clareando, teias caindo.

Seus amigos a teriam chamado de... plana, ele pensou, mas para Thane ela era totalmente de tirar o fôlego.

Cabelo longo e escuro espalhado ao redor dela como uma cortina de meia-noite. Ela era humana. Delicada. Delicadamente afiada, como um camafeu. Sua pele pálida tinha sido queimada pelos raios severos do sol do deserto e tinha sardas. Ele podia traçar aquelas sardas com sua língua. Ela era jovem, talvez vinte, com grandes olhos cinza que o lembraram de espelhos de vidro esfumaçado. Ele podia ver a si mesmo naqueles olhos... A distância toda para sua alma danificada.

Algo nela chamava algo nele, gosto a gosto, e uma parte dele que nunca conheceu, uma parte escondida até daquele canto esquecido, respondeu. Era forte essa coisa. Estava viva. Exigindo. E estava dizendo, esta. Tome-a.

Ele assistiu quando o olhar dela disparou para sua ereção... E depressa voltou para cima. Um rubor manchava suas bochechas. A visão o despertou, iluminando um novo fogo em suas veias.

— Uh, se quiser ficar livre de Kendra, não pode fazer amor com ela. Não que isso seja o que tem feito com ela. Bah! Eu estou apenas dizendo que você tem que matá-la.

Ele teria que prosseguir com precaução. Ele podia facilmente machucar uma fêmea tão frágil.

Suas palavras foram registradas, e ele pausou. Matar... Kendra?

— Não há momento melhor. Ela está dormindo. Foi como consegui roubar a Congelação.

Mais alto...

Kendra... Seu amigo Bjorn achou-a no mercado de escravos. Estava atada por finas correntes, de alguma maneira irrompíveis, quando o guerreiro a apresentou para Thane como um presente.

Mais alto... Bjorn. Uma forte, pungente angústia arrasou o tórax de Thane. Bjorn e Xerxes. Seus rapazes. Seus únicos amigos. Eles lutaram contra demônios juntos, sangraram juntos. Compartilharam amantes e defenderam as costas uns dos outros. Os rapazes eram próximos como irmãos. Confiava neles com sua vida. Amava com tudo que era. Precisava deles mais que seu coração ou pulmões.

Eles se sentiam do mesmo modo sobre ele. Bjorn provavelmente se culpou pelo que aconteceu com a princesa.

Ele não deveria. Thane deu boas-vindas à Kendra em sua cama porque ela não se importava com seus gostos sexuais peculiares... Seu prazer por coisas que horrorizaram tantas outras. De fato, ela implorava por estas coisas terríveis que fazia com ela. Por mais. Mas ela também tornou-se possessiva e pegajosa, e decidiu deixá-la ir.

Para puni-lo por seu abandono, Kendra tentou incendiar seu clube, o The Downfall. Ele a impediu antes que qualquer dano permanente fosse feito e a arrastou para sua gente, feliz por se livrar dela.

Somente o pai dela a livrou de suas correntes, ela retornou para Thane. Com uso completo de seus poderes.

Algumas Fênix podiam mudar sua aparência com um só pensamento, e Kendra era uma delas. Novamente veio para Thane, nunca parecendo ser a mesma mulher, e todo tempo ele a tomou. Rapidamente ficou dependente do veneno ardente que seu corpo produzia.

Isso foi quando ela revelou sua armadilha.

Enfurecido a matou e, por sua vez, selou hermeticamente algum tipo de laço entre eles, dando a ela o que mais queria. Sua devoção servil.

Faíscas de ira pela lembrança o escaldaram.

Ela. O. Tinha. Escravizado. Prendeu sua mente tão seguramente quanto prendeu seu corpo. Somente que, as correntes em seus pensamentos eram invisíveis.

Ela era o inimigo.

Ela tinha que morrer.

 

Está funcionando. Ele está começando a entender.

A alegria de Elin era mais doce que a torta de nata e banana que Bay costumava fazer.

— Se eu matar a princesa, — Thane rangeu, — ela se tornará muito mais forte.

Elin debateu se arriscava ou não sentar. Deitada na cama enquanto um guerreiro superforte com uma volumosa ereção se elevava acima dela, beirava a estupidez. Ela estava vulnerável. E trêmula. E dolorida. Mas um movimento errado podia enviar este guerreiro em particular, a uma pirueta que o levaria de volta ao psicopata homem das cavernas que grunhia.

Estúpida ou não, ela permaneceu no lugar.

— Kendra se fortalecerá sim, mas sua ligação com você não. A ligação será cortada com sua segunda morte, e não retornará com sua próxima regeneração. Você estará livre, e então, se quiser, não sei, me escoltar, sua nova melhor amiga, de volta para a civilização, eu estaria para sempre agradecida.

Ele pensou por um momento, cada vez mais fúria desenrolando fora dele. — Você está certa que minha ligação com ela será quebrada?

— Sim. Mas caso se sinta voltando para seu feitiço, tome um destes. — Ela abriu sua mão, revelando os dois cubos restantes de Congelação.

Remover o remédio do medalhão de Kendra foi mais fácil do que ela imaginou. A Fênix bebeu até o estupor e não notou quando Elin andou nas pontas dos pés ao lado da cama e brincou com o medalhão.

Thane pegou os cubos e lançou-os em sua boca, engolindo.

Ou os coma agora. O que quiser.

A borda da tenda se ergueu, e entrou um guarda em patrulha.

Grande! Re-enjaulamento prematuro. Thane não estava pronto para uma rebelião completa.

Areia arremessou das botas do guarda quando ele andou na direção dela.

— Ei, — ele latiu. — Não deveria estar aqui.

Medo a dirigiu para o outro lado da cama. Cabeça baixa. Não veja nada. Não diga nada. O guarda a seguiu, desinteressado por Thane, assumindo que ele estava em outra agitação induzida pela luxúria de alcançar Kendra.

— Parece que alguém precisa de outra lembrança sobre onde é seu lugar. — Mãos fortes se envolveram ao redor do braço de Elin, seguramente a contundindo. Um soluço escapou dela. Foi empurrada para seus pés. — Terei muito prazer em... Humph...

Thane agarrou o guarda pelo pescoço e estalou sua espinha.

O aperto no braço de Elin quebrou, e o macho caiu por terra.

Não existia nenhuma poça de vermelho para mexer com seu pânico, e ela lançou um suspiro de alívio.

Talvez Thane estivesse pronto para uma rebelião completa afinal.

— Obrigada, — ela arfou.

Ele estava respirando muito fortemente para responder, sua atenção enfocada somente na cama. Elin se distanciou. Na hora certa. Talvez estivesse lembrando de todas as coisas horríveis que Kendra o obrigou a fazer, talvez não, mas o fio de seu controle se partiu. Com um rugido, esmurrou e arranhou as grades de ferro, até que só fragmentos de metal permaneciam. Ele rasgou o colchão em oito pedaços diferentes antes de voltar sua atenção para as paredes, rasgando o tecido, cortando em tiras a estrutura inteira.

Sem a barreira, luz solar brilhou acima, iluminando-o como um holofote. Partículas de pó fizeram um selvagem balé ao redor ele, como se celebrando o nascimento da vingança.

Eu me associei com um louco.

Uh-oh. Ela devia ter dito as palavras em voz alta. Ele focou nela, a névoa desaparecida de seus olhos... Olhos de um elétrico azul brilhante, bonito além da comparação e tão carregado e turbulento que podia sentir o crepitar até seus ossos.

— Fique aqui, e ficará segura, — ele disse por entre dentes cerrados. — Não corra. Eu pegarei você, e não acho que gostará dos resultados.

Oh, não. No que ela se meteu?

— N-não me ameace.

— Não corra, — ele reiterou.

Gritos soaram, chamando sua atenção. Ele marchou ao coração do acampamento. Elin assistiu, olhos arregalados, coração batendo, enquanto ele passava pelas massas, quebrando o pescoço de qualquer tolo o suficiente para ficar em seu caminho.

Isto realmente estava acontecendo?

Quando ele alcançou a barraca de Kendra, removeu o bloqueio com um único puxão brutal.

Sim. Isto estava acontecendo.

A princesa acordou. Ela estava na frente de um espelho de comprimento total, admirando seu reflexo, desavisada que seu medalhão estava vazio. Vendo Thane, sorriu afetadamente. — Alguém aprecia seus castigos um pouco demais, não é?

Ele envolveu uma mão ao redor de seu pescoço, erguendo-a, fazendo suas pernas oscilarem no ar. Apertou muito firmemente e seus olhos esbugalharam, sua pele rapidamente ficou azul.

Ela puxou o pulso dele, ele segurou firme.

Ela arranhou o rosto dele, ele segurou firme.

— Você vai morrer, e vai voltar, e então vamos ter alguma diversão. — Existia absoluto, extremo comando em sua voz. — Você me ouviu? Não ouse tentar me negar minha retribuição ficando morta. Se o fizer, localizarei seu espírito no inferno e arrastarei você de volta.

Sangue vazou de seus olhos e nariz e então... Então sua cabeça caiu para o lado. Seus movimentos cessaram, e Thane a soltou.

Elin lutou contra uma quente onda de pânico. Sangue... Sangue... Não muito, mas o suficiente. Fique tranquila. Ache um lugar feliz. Em algum lugar. Em qualquer lugar, exceto aqui.

Thane lançou sua cabeça atrás e soltou um faminto rugido de guerra.

Qualquer desavisado do que estava acontecendo de repente entendeu. Guerreiros perceberam seus camaradas caídos no chão e foram na direção de Thane. Suas costas estavam para eles. Ele não sabia que estava para ser agarrado.

Elin gritou, aflita. Então Thane enquadrou seus ombros, abriu suas asas, tão longas, tão gloriosas, arte em movimento, e girou, uma espada de fogo apareceu em uma mão, uma espada pequena na outra.

A Fênix se movia muito depressa para frear e evitar o choque.

Ele era calculista, metódico e letal enquanto fatiava a fileira de soldados. Membros caíram. Corpos seguiram. Sangue espirrou e esguichou.

Vertigem. Náusea. Mais calor.

Não grite. Por favor, não grite.

Ela testemunhou esta devastação antes, no dia que seu pai e marido foram mortos pelos homens, sendo desmembrados. A única razão por Elin ser poupada foi sua mãe. A bela Renlay concordou em retornar ao acampamento como reprodutora, dormindo com quem o rei desejasse, de forma que ela daria a luz a guerreiros puro-sangue para o resto de sua vida miserável.

Elin era sua apólice de seguros.

Renlay ficou grávida imediatamente. Entretanto, quatro meses atrás, ambas, ela e a criança morreram. Nenhum reviveu.

A agonia da perda de Elin estava ainda muito terrivelmente fresca. Um ferimento que ainda tinha que curar.

Um ferimento que talvez jamais curasse.

Finalmente, um pensamento veio. Ela devia apreciar isto.

Lágrimas deslizaram por suas bochechas, um dilúvio abrasador.

Um braço voando pelo ar, sem um corpo preso. Um pé logo juntou-se a isto. A pequena tranquilidade que ela conseguiu manter a deixou em uma lufada de fumaça, e ela curvou-se para vomitar.

Em uma tentativa desesperada para matar Thane, o último soldado lançou uma bola de fogo nele. Um movimento muito tolo. Criar a bola usou o resto da força do macho.

Thane facilmente a evitou, suas asas fecharam juntas. Então ele avançou, só para desaparecer de vista. Devia ter entrado no reino dos espíritos, ficando invisível aos olhos não sensíveis. Alguns segundos mais tarde, como se ele tivesse voado a distância, reapareceu diretamente na frente do culpado.

Cabeça... decepada. Sangue jorrou da artéria aberta.

Elin vomitou novamente, dizendo adeus ao resto de seu café da manhã desprezível... E talvez até partes de seu estômago. Pelo menos a batalha estava terminada. Violentamente. Brutalmente. Mas terminada e ponto.

Através do caminho, uma barraca estourou em chamas. Porcaria. A bola de fogo não se extinguiu. Fumaça rolou pelo ar, espessa e escura, se movendo na direção dela, fazendo arder seus olhos e nariz. Imóvel, permaneceu onde estava, da maneira que lhe foi dito. A ira e o desejo de sangue de Thane logo enfraqueceriam, por favor, enfraqueça, e ele lembraria dela. Ele.

Girou nos calcanhares para olhar de volta para ela, sua expressão escura com maníaca satisfação. Dedos gelados de temor rastejaram por ela. Este é o homem que confiarei para me escoltar de volta à civilização?

Ela deu um passo atrás, os restos dizimados da cama a parando.

— Fêmea. Venha aqui.

Antes de ela poder dar um passo adiante... ia realmente se mover mais perto? Dois outros Enviados apareceram no acampamento, reivindicando a atenção de Thane.

Especialistas em perseguição... Assassinos a sangue frio. Os machos eram tão altos quanto Thane, igualmente musculosos... Igualmente intimidantes. Talvez muito mais. Pareciam estar com um temperamento espumante.

A lembravam de lobos selvagens.

Ela tinha uma escolha a fazer: Brigar ou voar?

Ela realmente precisava pensar sobre isto? Voar! Sobreviver sozinha no deserto e safari circundante seria difícil, mas difícil que superar a loucura em qualquer dia.

Tão calmamente quanto possível, avançou ao lado, longe dos machos. Se deslizasse de suas vistas...

Cuidadosamente...

Outra polegada...

Ela congelou quando Thane apertou o ombro do sujeito à sua esquerda. Aquele com a pele de bronze com veias douradas e olhos multicoloridos brilhando com determinação violenta.

Aquele à direita movimentou a cabeça, como se respondendo à uma pergunta não dita. Seu cabelo branco estava penteado longe de seu rosto, revelando a pele mais pálida que ela já viu, com cicatrizes minúsculas cauterizadas por toda parte. Não exatamente um modelo de atração... A menos que estivesse fazendo uma campanha para a Revista Inferno na Terra. Seus loucos olhos vermelho neon foram retirados diretamente de um pesadelo.

Ela juntou a pouca coragem que possuía... E ganhou outra polegada.

Os três guerreiros viraram em direção um ao outro, formando um círculo privado latente com emoção. Uma emoção doce que a surpreendeu. Alegria. Alívio. Pesar. Amor. Tanto amor. Apesar de tudo que aconteceu, o pior de seus medos foi suavizado.

Sem uma palavra, os três machos separaram-se e desapareceram.

Elin girou, procurando por qualquer sinal da presença do trio, não achando nenhum. Perfeito. Ela se precipitou ao redor, juntando as coisas que precisava: um cantil de água, um cobertor e uma bolsa para levar comida.

Neon retornou, parecendo andar através do ar, e ela se sacudiu, um grito preparado atrás de sua garganta. Ele ergueu dois corpos imóveis do chão, desavisado ou desinteressado por sua presença, e lançou-os em sua direção. Eles aterrissaram aos seus pés, sangue vazando dos corpos, encharcando, rolando ao redor dela. Ela começou a tremer.

Arco-íris voltou pelos próximos, então Thane e o três continuaram a adicionar corpos na pilha. A morte... A destruição.

Não vomite. Você me ouviu? Não. Vomite.

Ela deve ter feito algum barulho. O olhar de neon a atingiu com a intensidade de um laser. Ofegando, ela soltou seu pacote e voltou para longe. Ele caminhou na direção dela, se movendo em torno da parede da morte. O grito finalmente se libertou... E somente... Nunca... Parou. Fortes dores devastaram sua garganta enquanto sua já danificada laringe protestava pelo abuso adicional.

Mãos fortes tocaram suas bochechas. — Fêmea.

A voz de fantasia à meia-noite de Thane penetrou a névoa de pânico.

Ela piscou, focando. Olhos azuis penetrantes a olhavam, duros como diamantes e determinados. Era tudo que ela via. Tudo que queria ver.

— Está protegida de minha ira. Eu disse a você isto.

Segura.

Sim. Respiração profunda dentro... fora... Sim, estava segura. Ele disse isso, e Enviados não podiam mentir.

— O-obrigada, — ela administrou.

Ele traçou seus polegares acima da subida de suas maçãs do rosto, mais contato, muito melhor que antes, cada célula de seu corpo veio para a inesperada, temida vida, impelidas pela magnética atração dele... Agarrando-o, desesperada, faminta...

Já vulnerável, ela não era páreo para sua escura e perversa sedução... Era tão inacessível quanto um sussurro, tão arrojado quanto uma carícia. Inegável. Inexorável. Tão poderoso que quase a pôs de joelhos.

Eu sinto muito, Bay. Prometi a você para sempre, e agora estou reagindo a outro macho. Sou suja. Não, sou pior que suja. Entretanto tudo que ela queria era ficar mais perto, e se forçou a arrastar-se do toque de Thane.

— Você tem duas escolhas, fêmea, — ele disse com uma carranca. — Retorne aos humanos e arrisque ser caçada e torturada pelas Fênix. Ou venha comigo para o terceiro nível nos céus e trabalhe em meu clube, onde será protegida.

Trabalhar para ele? Ficar com ele?

Determinação empurrou seu choque para o lado.

— Você me pagará? — Meta de vida número um: Fugir. Meta de vida número dois: Fazer dinheiro. Ele podia estar oferecendo ambos.

— Sim.

— Quanto? — Ela podia estar tentando o destino, mas nos últimos segundos, uma miniguerra sacudia seu cérebro, e a astúcia ganhou.

Sua carranca aprofundou. — Nós veremos isto.

Não era uma resposta. — Eu... Eu... Não sei o que fazer.

Seu olhar aguçou. — Não importa. Decidi por você. Virá comigo e ponto final.

— O que? Agora espere um segundo, menino anjo.

— Não sou um anjo. — Ele a apertou pela cintura, segurando, e passou-a para Neon. — Cuide para que ela chegue lá.

Então ele desapareceu, concluindo a conversa.

Bem, bem. Próxima parada: Os céus.

 

Rios infinitos de emoção cortavam diferentes caminhos por Thane, entretanto cada um deles cruzava com seu coração, um derramando no outro, até que ele não podia mais separá-los.

Ontem à noite, trinta e oito prisioneiras Fênix regeneraram, a mais velha e mais forte primeiro. Duas ainda tinham que se regenerar, e talvez tenham alcançado sua morte final.

Kendra foi a quarta a regenerar.

Uma por uma, Thane arrastou cada guerreira para o pátio na frente de seu clube; e prendeu-as no chão com estacas. Mãos, ombros, pélvis, joelhos e tornozelos. Ele assegurou que cada cabeça era sustentada com uma pedra... De forma que toda guerreira pudesse testemunhar o sofrimento de suas amigas.

Kendra era a primeira da linha.

As Fênix não morriam depressa. Como filhas de gregos, eram imortais. Por semanas, talvez meses, sofreriam de fome, o sol devastando sua carne exposta, corvos constantemente comendo seus olhos e, mais tarde, seus órgãos. E quando as guerreiras finalmente sucumbissem ao doce esquecimento da morte, elas regenerariam, e Thane estaria lá para repetir o processo inteiro.

Impiedoso, sim. Ele não se importava. Agora os inimigos pensariam duas vezes antes de desafiá-lo.

O problema era que isto chatearia Zacharel, o líder do Exército da Desgraça. Líder de Thane. Isto irritaria Clerici, o novo rei dos Enviados, Chefe de Zacharel, Thane estava abusando da mudança da lei: não matar, a menos que capturado. Agindo em um esforço para proteger outros do mesmo destino, exceto por vingança. Isto também desapontaria o Altíssimo, o chefe de todos eles.

Isto arriscaria o futuro de Thane.

Ele já estava na esquina entre a Última Chance e Condenado, e com um movimento errado, podia perder a única coisa que amou.

Seus rapazes.

Não podia ser separado deles.

Mas não podia deixar as Fênix irem, nenhuma delas. Não até que seu sofrimento apagasse as memórias odiosas que deram a ele.

Thane sentou no fim de sua banheira, água fervendo despejando do cano acima, chovendo sobre seu corpo desnudo. Suas mãos apertaram a extremidade da porcelana muito firmemente, que já estava rachada. Suas pernas estavam curvadas em seu tórax, sua fronte descansando contra seus joelhos. Estava em uma posição humilhante. Uma que ele conhecia bem.

Ele já devia ter se recuperado. Não era nenhum estranho em sexo e escravidão. Por quase um século achou um delicioso conforto no modo como a pálida carne feminina avermelhava sob suas ministrações. Adorou assistir pulsos e tornozelos puxarem contra amarras. Encantou-se ao ver o primeiro cintilar de medo nos olhos de sua amante... Sabendo que lágrimas logo seguiriam.

Uma bagunça? Sim. Entretanto, também apreciava estar na extremidade receptora desse tratamento.

Era provavelmente pior que uma bagunça, e não precisou muito para compreender o porquê. Os meses que passou dentro de uma prisão de demônios... Pare. Não. Cada músculo em seu corpo tencionou como se sua mente lutasse contra a direção detestável em que estava viajando, mas ele forçou-se a continuar. Lembrar mantinha suas emoções mais escuras na borda da lâmina, pronto para cortá-lo, fazê-lo sangrar.

Ele gostava de sangrar.

Lembrava do modo que mãos arranharam com força nele quando o arrastaram em uma cela úmida, o desnudaram, e o amarraram com correias em um altar. Lembrou de Bjorn, um estranho então, sendo esticado sobre ele, e esfolado. Ele lembrou do cheiro acobreado do sangue fresco, o calor enquanto gotejava sobre o rosto, tórax e pernas de Thane. Lembrou de Xerxes, também um estranho, sendo acorrentado na parede em frente a ele e repetidamente estuprado.

Um rugido de negação entupiu sua garganta. Thane esmurrou o lado da banheira, deixando um buraco aberto na porcelana. O que você sabe. Existia um limite até para o que ele podia aguentar.

A dor de seus amigos.

Enquanto os dias passavam dentro daquela prisão terrível, Thane nunca foi tocado. Ele lançou ameaças e insultos, mas os demônios riram em lugar de temer. Ele implorou, desesperado para mudar o foco dos outros homens, mas os demônios o ignoraram.

Sua frustração...

Seu ódio...

Sua ira...

Cada um escapuliu para o fundo de sua mente, e nunca o deixou. Eventualmente, depois de sua fuga, sua satisfação sexual se tornou ligada irrevogavelmente às coisas que foram negadas, criando um inferno de loucura.

— Eu coloquei sua humana com as garçonetes.

A voz gentil de Xerxes veio de dentro do banheiro, um conforto para ele.

— Obrigado. — Thane tinha perguntas para sua adorável, improvável salvadora. Como ela, uma humana, veio a viver com as Fênix? Qual era seu nome? Qual sua idade? Ela cheirava tão limpa e doce como ele lembrava?

Ela pertencia a um dos guerreiros prostrados lá fora, ou talvez a um dos soldados que saíram em caça com o novo rei?

Como ela ajudou Thane? Suas memórias eram nubladas. Por que ela o ajudou?

No momento que o desejo de tocá-la enfraquecesse, Thane a abordaria e perguntaria.

Agora mesmo, estava muito ciente dela. Também... Absorvido nela. Ela o fez se sentir suave, protetor e tenro, algo que não gostou; algo que menosprezava. E ainda, seus desejos sexuais nunca foram tão intensos. O desejo de jogá-la abaixo e tomá-la era quase ofuscante.

Por que a improvável coincidência?

Ela não era o tipo de mulher que ele normalmente procurava. Observe suas últimas cem conquistas, e cada uma seria alta, resumidamente musculosa e robusta. Esta menina era delicada em todos os sentidos.

Não fazia sentido.

Um grunhido subiu do fundo de seu peito. O instinto exigia que destruísse qualquer coisa que não entendia. O que não entendia, não podia controlar.

Controle era mais importante que água.

Mas não destruiria a menina, não queria destruí-la. Não depois de tudo que ela fez por ele.

Ele podia enviá-la para longe, ele supôs. Mas ela teria zero proteção.

Passo.

Ele podia a assustá-la e...

Não.

Passo.

Ela gritaria.

Uma vez, o grito de uma fêmea o teria excitado. Agora? Quando a menina escrava fez isto? Ele experimentou apenas ira.

Pelo menos ele entendia por que sua voz era tão rouca. Em um certo ponto em sua vida, ela gritou de tal forma, que danificou permanentemente suas cordas vocais.

— Coloquei guardas em torno do pátio. — A declaração de Bjorn o levou de seus pensamentos. O guerreiro entrou no banheiro atrás de Xerxes. — Eles nos alertarão quando alguém morrer.

Estes homens sempre o sustentaram, o amaram. Nunca o julgaram ou o empurraram para detalhes que ainda não estava pronto para compartilhar. Nenhum homem teve amigos melhores.

Uma pequena maravilha pela qual Thane estava disposto a morrer.

— Obrigado por virem por mim, — ele disse baixinho.

— Sempre iremos por você. — Xerxes andou e desligou a água. — Nós ouvimos sobre um Enviado que assolou um acampamento Fênix semanas antes, e então estávamos na área, procurando por você. Mas eles esconderam você bem. Se não nos dissesse onde estava...

Todos os Enviados podiam direcionar seus pensamentos nas mentes de seus irmãos, então, no momento que Thane retornou para seus sentidos e percebeu sua localização, usou a conexão mental para um grito de ajuda.

— Tempo para se secar, — Bjorn disse. — Você já está encharcado.

Quando Thane levantou, Xerxes ofereceu a ele uma toalha.

Ele enrolou o pano ao redor de sua cintura, uma lança de raiva cortou por ele. Kendra o vestiu com uma tanga e o forçou a desfilar ao redor, um alvo para qualquer carícia impertinente.

E as pessoas o acariciaram.

— Remova a bata de Kendra, — ele exigiu. — Deixe-a de sutiã e calcinha. — Olho por olho. Nenhuma clemência.

Xerxes assentiu com a cabeça. — Assim que eu deixá-lo, me certificarei que seja feito.

Para se distrair de seu humor negro, Thane estudou a opulenta suíte adicionada ao seu quarto. O vapor cobria o ar, enrolando para o teto em cúpula, com seu elaborado lustre suspenso no centro, brilhando com lágrimas petrificadas de unicórnio. As paredes e chão eram feitos do mesmo mármore de ouro venoso. Grandes arcadas emolduradas, leões de alabastro e levando a um closet, que armazenava seus... brinquedos. Um espelho dourado pendurado acima de uma pia esculpida em uma fusão de rubis, safiras e esmeraldas.

Ele projetou o espaço para as mulheres com quem se deitou. E ainda, nunca permitiu a uma única mulher entrar. Nem mesmo Kendra.

O que a humana iria pensar sobre a decoração...

Ele cortou aquela linha de pensamento antes de poder tentá-lo. Sua opinião não importava.

Na sala de estar, desabou sobre o sofá e, depois de pegar uma bandeja de biscoitos e pães, Bjorn sentou à sua esquerda. Xerxes serviu um copo de uísque misturado com ambrosia antes de reivindicar o lugar à sua direita.

Thane aceitou a oferta de ambos os homens com um aceno de cabeça em agradecimento. Devorou o pão e drenou o conteúdo do copo em um único trago.

— Você tem perguntas, estou certo, — Xerxes disse, sentando-se com um biscoito para si.

Homens crescidos com um fetiche por sobremesa, ele pensou com a primeira emoção de diversão em seu peito. Manimals[2] domesticados em seu hábitat natural. Bom.

— Muitas perguntas, — ele disse, mas começaria com o que mais o torturou. — Como você está aqui, Bjorn? — Thane não era o único a sofrer uma tragédia ultimamente. — Antes de eu acabar no acampamento Fênix, vi você desaparecer em uma ruela suja.

Uma noite fatal. Logo antes de Kendra morrer e ressurgir das cinzas, eficazmente escravizando Thane, ele e seus amigos lutaram com uma nova raça de demônio. Sombras que escapuliram ao longo do sujo concreto rachado, famintos por mais que sofrimento humano... Famintos por carne.

Bjorn foi ferido, o ferimento escoando algum tipo de substância preta pegajosa. Então ele desapareceu.

Thane e Xerxes ficaram frenéticos, mas antes de poderem procurar pelo guerreiro, o outro pedaço de seus corações, Kendra abriu seus olhos e comandou Thane a viajar para o acampamento Fênix.

Ele obedeceu sem questionar.

Oh, Kendra. As coisas vou fazer com você...

Com uma nova faixa de escravo presa ao redor da cintura dela, anulando seus poderes, estava tão impotente quanto ele foi.

— Não posso dizer a você o que aconteceu, ou explicar o que aconteceria a mim nos próximos meses, — Bjorn finalmente disse, e Thane ouviu o tormento em sua voz. — Prometi segredo.

Ele tragou uma maldição. Os Enviados nunca quebravam seus votos. Fisicamente, não podiam. Nem mesmo degenerados como eles. Thane conhecia Bjorn, e sabia que seu amigo nunca teria prometido a menos que aqueles que amou estivessem sendo ameaçados.

Este era outro crime para colocar em Kendra. Se Thane estivesse ao redor, poderia ter achado um caminho para salvar seu amigo de seu destino atual. — Se eu puder ajudar você...

— Eu sei, — Bjorn disse, triste agora. — Eu sempre soube.

Eu preciso fazer algo. Qualquer coisa que afetava a felicidade do seu amigo afetava a sua.

— Os demônios responsáveis pela morte de Germanus foram achados? — Ele perguntou, verbalizando o segundo assunto mais urgente. Antes de Kendra, caçar os seis demônios que emboscaram e decapitaram o antigo rei dos Enviados era seu único encargo e seu maior privilégio.

— Infelizmente, não, — Xerxes respondeu.

Tanto para fazer. Busque respostas para Bjorn. Ache os demônios. Castigue a Fênix. Converse com a menina escrava.

Esperava ansiosamente pelo último mais que tudo, e isso o irritou. Esperar ansiosamente uma interação com uma fêmea específica era o mesmo que esperar ansiosamente uma comida específica. Ele comeria, e teria um gosto bom, entretanto ele teria terminado.

Ele não precisava de uma situação pegajosa.

Talvez fosse melhor evitá-la agora e sempre, suas perguntas para sempre sem respostas.

Uma lança afiada de... algo... o atravessou, não era remorso, provavelmente não podia ser remorso, mas ele forçou-se a assentir com a cabeça. Ele a evitaria. E seria fácil. Dentro de uma hora, teria esquecido que ela estava aqui.

Com movimentos apertados, ele se debruçou e agarrou outro biscoito. Para iluminar o humor, ele disse: — Não tenho que perguntar o que estava fazendo durante minha ausência, Xerxes. Claramente, estava perdido sem mim.

— Claramente, — Xerxes disse, seu lábios arqueando nos cantos. — Oh, mas antes de você ir para seu quarto, precisarei de alguns minutos para mover minhas coisas. Aproveitei a oportunidade, eu quero dizer tragédia, de sua ausência para minha vantagem.

Ah!

— Transformou isto no quarto rendado dos seus sonhos?

Bjorn limpou seus lábios com a parte de trás da mão. — Se gostar de rendas agora, quero um suéter pelo Natal.

— Bem, muito ruim, — Xerxes disse. — Está conseguindo uma mordaça.

— Uma mordaça de suéter? Isto é efetivo, — Thane disse brincando. — Eu quero meias.

— Para esconder suas patas? — Bjorn casualmente perguntou.

Homem engraçado. — Terei você sabendo que tenho pés bonitos.

— Se ficar poético sobre a grande beleza de seus dedões do pé, eu levantarei. — Xerxes agarrou seu estômago em falso desgosto.

— Oh, pequenos porquinhos, — Thane disse, sua voz suave ainda dramática. — Tais doces tratos. Como deixa tantas mulheres... excitadas.

Bjorn repentinamente riu.

Xerxes agitou sua cabeça, claramente lutando com um sorriso. — Como nós embarcamos neste assunto, de qualquer maneira? O dia que eu aprender a tricotar é o dia que quero que vocês dois coloquem um punhal no meu coração.

Isto. Isto era por que Thane amava estes rapazes. A camaradagem fácil. A provocação. A aceitação.

— Feito, — ele disse com um riso cheio. — Mas o que devíamos fazer se você começar a estudar tecelagem de cesta?

 

— Você consegue acreditar...? Isso é apenas... Uau... Nunca vi qualquer coisa tão completamente magnífica. Tenho lágrimas nos olhos? Acho que tenho lágrimas.

Elin estudou as quatro mulheres apertadas contra a única janela na espaçosa e estranha decoração do quarto que compartilhavam. Octavia, a vampira; Chanel, a Fae; Bellorie, a Harpia; e Rosa de Savana, Savy, a Sereia.

Enquanto criança, a mãe de Elin a ensinou Quem é Quem das Diferentes Raças Imortais.

Fênix e Faes eram inimigos naturais de nascença, porque Faes eram descendentes dos Titãs, atuais governantes do nível mais baixo dos céus, este nível, e Fênix eram descendentes dos gregos, antigos regentes do nível mais baixo dos céus.

Harpias eram primas distantes dos vampiros, com um salpico de linhagem de demônio, e viviam para derramar sangue em vez de bebê-lo. Porém, precisavam beber sangue para curar ferimentos mortais.

Vampiros eram uma mistura de ambos DNA grego e Titã, e apesar da opinião humana, não queimavam repentinamente em chamas, ou brilhavam, quando ao sol. E diferentemente de outras raças, não escolheram viver em segredo. Eram os ilustres cães de caça de Mythtopia.

Mythtopia: Segundo nome de escolha de Elin para o mundo dos Imortais. Seu primeiro? Suckville.

Sereias eram reservadas, normalmente só emergindo de suas cavernas oceânicas uma vez ao ano para seduzir e matar humanos ingênuos.

No momento que Neon, vulgo Xerxes, empurrou Elin no quarto, dizendo: “Ela é humana, e ajudará vocês em torno do bar, não a machuquem” todas as quatro belezas foram boas para ela, dizendo a ela tudo sobre suas vidas.

Isto a chocou muito, a recepção descomplicada, e ainda estava titubeante.

— Elin, venha dar uma olhada, — Chanel disse, acenando para ela. — Se prepare para ser ferrada. — Ela sorriu timidamente. — E por favor perdoe minha falta de tato na fala. Savy me pôs em um programa de recuperação de palavrões, embora só perdedores vão para a recuperação.

As meninas riram silenciosamente.

Bjorn, vulgo Arco-íris, achou a Fae de cabelos claros e olhos azuis quando criança, depois que seus pais a chutaram fora de seu reino, Séduire, por razões que Chanel se recusava a dizer.

Com passos hesitantes, isto era um truque? Elin diminuiu a distância. As meninas deram lugar a ela, e de repente estava observando o mais deslumbrante pôr do sol. Rosa e púrpura derramavam através de uma expansão infinita de ouro e azul. As nuvens estavam no processo de estreitar e separar, tufos de branco formando um jogo complicado de conectar os pontos.

— Mais que belo. — Ela nunca viu o céu tão perto e pessoal.

— Não acho que estamos olhando para a mesma coisa, — Octavia disse. Thane salvou a morena explosiva de humanos determinados a martelar uma estaca gigante em seu coração. — Como matéria plasmática, acho que é adorável. E magicamente delicioso. Mas duvido que compartilhemos os mesmos gostos. Olhe para abaixo, pétala.

Pétala? Era melhor que Menina Empregada.

Ela olhou abaixo, e gritou. Fênix depois de Fênix enfileiradas no pátio em frente ao clube, cada corpo preso no lugar por múltiplas estacas. Sangue gotejava de cada uma das vítimas, criando charcos infinitos de vermelho.

Elin apertou um punho em sua boca para impedir outro grito de escapar. Quando seu estômago se agitou com náuseas, ela virou para longe da janela.

A maior parte das raças imortais é maligna, sua mãe uma vez disse isso a ela. Elas são predadores cujos instintos foram afiados por uma lâmina: a sobrevivência do mais apto. Lembre disto. E se eu não estiver presente para proteger você, não confie em ninguém e use todo mundo. Entende? É o único modo que sobreviverá.

O queixo de Elin tremeu. Os pensamentos da vida da sua mãe sempre vieram com pensamentos de sua morte. Eeee, lá estavam. A imagem de Renlay relampejou. Ela estava esparramada no chão de sua barraca, encharcada de suor e sangue, agarrando seu bebê morto nos braços, chorando enquanto sua vida era drenada.

Coração... Quebrado de novo...

— Uma coisa é clara, meninas, — Bellorie disse, arrastando Elin longe do lugar escuro para o qual ela correu. — Precisamos vestir botas de chuva da próxima vez que deixarmos o clube.

Isso era o que era claro?

— Soda quente e vinagre poderiam funcionar em manchas de sangue, — a menina continuou alegremente, — mas não funcionam em sangue encharcado.

Xerxes comprou a ruiva encantadora do mercado de escravos e deixou-a livre. Mas como Elin, sua família estava morta e estava só; ela escolheu vir para cá.

— Pensa que Thane saudará todas as prostitutas de fogo com uma estaca de agora em diante? — Savy era a mais jovem do grupo, e a mais delicada, com seu cabelo preto azulado, olhos dourados e pele caramelo. Ela uma vez ajudou Thane, o querido, durante uma missão, e ele a recompensou com uma casa e um trabalho.

O querido? Era difícil para Elin conciliar o magnânimo Thane que estas meninas descreviam, com o frio e fechado Thane que a empurrou com seu amigo, desapareceu, esqueceu dela, e então, oh, sim, decorou sua entrada com seres vivos.

Quem era o Thane real?

Ações importavam mais que palavras. Então. Este aqui, ela pensou, era o reflexo mais verdadeiro dele. Nenhuma dúvida disso. Ela estremeceu, horrorizada. Thane poderia fazer isto com ela, desde que ela cruzasse seu caminho.

Poderia? Ah! Ele era como um raio. Bonito de se olhar, mas perigoso e mortal. No primeiro sinal de tempestade, a atingiria.

— Sim. Provavelmente, — Bellorie finalmente disse. — Vingança aberta pintará alvos em suas costas.

Bem, isso era certo: Thane não poderia saber da herança mestiça de Elin.

Thane não deveria saber nunca.

Use as meninas para informação.

— Ele, hum, já fez qualquer coisa assim antes?

Uma por uma, elas giraram para enfrentá-la. Suas expressões variaram de piedade até resignação.

— Ele sempre foi brutal com seus inimigos. Quero dizer, ouvimos os resultados de algumas de suas sessões de tortura com demônios, — Savy respondeu. — Confie em mim, Enviados sabem como usar uma lâmina.

— E um martelo.

— E uma serra.

— E um arco e flecha.

— Mas ele nunca fez qualquer coisa violenta para tantos de uma só vez, — Savy terminou. — Pelo menos, não que eu saiba.

— Não se preocupe, pétala, — Octavia adicionou. — Ele é muito bom para seus empregados. Desde que não roube nada dele, você ficará bem.

— Ou minta para ele.

— Ou o traia.

— Ou insulte um de seus amigos.

— Ou tente fisicamente prejudicá-lo, — Octavia disse com um encolher de ombros.

Elin tragou um bocado de ácido. Eu uma vez o cortei com vidro.

Ele lembraria e retaliaria?

Ela decidiu então ser uma empregada tão boa, que ele nunca teria qualquer razão para castigá-la... Ou conversar com ela... Ou notá-la de qualquer forma.

Se eu alguma vez decidir escrever minha biografia, chamarei de Cabeça Mais Enterrada na Areia. Como o resto de mim estará, se não for cuidadosa.

— Oh, um conselho, — sacudindo um dedo em seu rosto, Bellorie disse, — não tente atrair Thane em sua cama.

— Ou armário.

— Ou sobre uma mesa da cozinha.

— Ou o chão.

Bellorie movimentou a cabeça completamente de acordo.

— Uh, não se preocupe, — Elin disse. A vida de Bay acabou de ser encurtada. A vida de Bay foi encurtada por causa dela. Ela! Porque ela se rendeu a seus sentimentos por ele, o arrastando na mira das Fênix.

Se ele não pudesse viver completamente, ela não viveria completamente, também. Justo é justo.

E, sim, era um castigo auto infligido; um terapeuta podia provavelmente escavar uma mina de ouro com suas neuroses. Mas ela se decidiu, e iria se apegar a isto.

Então, não estava suspirando por Thane e sua volumosa ereção?

Que seja. Uma mulher teria que estar em coma para não perceber Thane e sua ereção.

— De qualquer maneira, Thane não dorme com seu pessoal, — Bellorie continuou. — Não me entenda mal. Eu totalmente poderia seduzi-lo se tentasse. Eu sou muito boa. Mas escolhi diminuir minha atração sexual enquanto estiver aqui. Para sua informação, é por isso que você não saltou em mim, Elin. De nada.

Savy rolou seus olhos. — Está mais que equivocada, Foguete.

Apelido interessante. — Como você ousa! — Bellorie levantou-se. — Elin totalmente saltaria em mim se eu soltasse meus poderes completos!

A sereia beliscou a ponta de seu nariz. — Por que me aborreço? Eu não estava falando sobre seus poderes completos, idiota.

Imediatamente satisfeita, Bellorie acenou sua mão pelo ar. — Então pode continuar.

— Ele dorme com seu pessoal, — Chanel perturbou Elin, — mas só muito raramente. E uma vez que a ação é feita, a menina se vai. Ela nunca trabalha aqui novamente. Nem sequer volta para a porra de uma bebida, porque estará para sempre barrada nas fodidas premissas.

Entendi. Thane é um pegador em série e depois cai fora.

De acordo com seus amigos do colégio, precisava ser uma personalidade dura para ser um pecador repetidamente. A desonra dos corações quebrados deixados atrás e tudo mais.

Depois de um tempo, Elin desenvolveu um medo insalubre de ser usada. Não porque pensava que não pudesse lidar com a bagagem sentimental, mas porque sua mãe descobriria, Renlay sempre descobria, e iria à caça por vingança.

Renlay não poderia ser presa uma segunda vez por agressão e ser processada.

Sim. Tente ser aquela menina. Aquela cuja mãe quebrou o nariz de uma menina por torcer o nariz à sua preciosa filha.

Renlay podia viver entre os humanos, mas nunca seria completamente domesticada.

Um torno comprimiu o coração de Elin. Seus olhos enevoaram-se.

Quando Elin percebeu que as coisas com Baylor Vale eram sérias, sugeriu casamento, apesar do quão jovens eram. Ele a amava mais que qualquer coisa, ele disse, e fugiu felizmente para Vegas com ela. Três meses mais tarde, estava morto e ela escravizada.

Se ela soubesse o que estava vindo, o teria evitado.

Oh, Bay. Nunca saberá o quão arrependida estou.

— Eu não quero Thane dessa maneira, — Elin reiterou. Realmente. — E não irei. Nunca. — A determinação poderia derrotar uma luxúria grande como um tsunami, certo?

Savy e Bellorie sorriram para ela, todas certo-certo. Chanel agitou sua cabeça e suspirou, sua descrença óbvia.

Octavia suavemente segurou-a pelo queixo. — Todo mundo neste quarto alimenta uma séria excitação por ele.

Bom.

A menina continuou, — Noite após noite você assistirá ele entrar no clube, selecionar sua fêmea para a noite, e atraí-la para seu quarto especial. Você será atraída, também, pétala, garanto isto. Não se importará com o que ele gosta de fazer lá. Sugestão: As correntes são envolvidas. Você começará a desejar um convite que sabe que nunca conseguirá.

Espere. — O que ele faz com correntes?

Sorridente, Chanel sacudiu o dedo nela. — Fofoca é outra coisa que Thane detesta. Então, terá que descobrir por si mesma. E irá. Algumas manhãs, terá que entrar lá e limpar o quarto e a fodida mulher.

De maneira nenhuma. Apenas de maneia nenhuma. Limpar o ninho de amor não era o que Elin se candidatou. Isso nem pareceria bom em seu currículo.

— Certo, suficiente bate-papo. — Bellorie ancorou seu cabelo em um coque em cima de sua cabeça. — Vamos colocar nossa menina em um uniforme. O clube abre em algumas horas, e tenho a sensação que ela não está nem perto de preparada. Sem ofensa, — ela disse com um sorriso. — Mas você parece tão feroz quanto um coelho recém-nascido.

— Nenhuma ofensa. — Elin não estava preparada, e não podia negar que era branda e pronta para um abraço.

— Perguntas? Comentários? — Savy perguntou. — Não? Bom.

— Sim! — Ela apressou-se. — Tenho perguntas. — Mas faria só as primeiras mil delas. As próximas mil poderiam esperar.

— Não? — Savy disse novamente. — Bom. Hoje à noite você simplesmente nos sombreará, aprendendo como anotar os pedidos e como lidar com os clientes incontroláveis. Claro, isso significa que iremos ficar com todas as suas gorjetas. O dinheiro, o ouro. — Ela suspirou com prazer sonhador. — E as joias.

Ouro? Joias? Esqueça as perguntas. — Fale-me mais.

Bellorie abaixou o colarinho de sua camisa, revelando um pendente de caveira com ossos cruzados de safira. — Ontem à noite, um urso-shifter me deu esta pequena beleza só para adicionar mel à sua cerveja.

Doces brilhantes suculentos! Quanto mais um punhado dessas bugigangas poderia conseguir? Suficiente para financiar a padaria de Elin?

— Oh, antes que esqueçamos, — Bellorie disse, batendo palmas. — No fim de seu turno, pode levar para cama o macho de sua escolha, mas não pode trazê-lo para este quarto. Os clientes não são permitidos aqui e são mortos à primeira vista. Você pode partir com ele, e ir a qualquer lugar que deseje. Só tenha certeza que saiba como voltar. Desde que não é imortal, não queremos que você caia acidentalmente da extremidade de uma nuvem.

Nota para si mesma: Fique dentro do edifício para sempre.

— Não estou procurando por uma relação, — ela assegurou, — então não vou sair com ninguém.

Octavia curvou uma sobrancelha. — Retroceda, pétala. Ninguém disse qualquer coisa sobre relação.

Bom ponto.

Chanel pôs suas mãos nos quadris e estudou Elin mais atentamente. — Se bem conheço os homens, e eu conheço, realmente fodidamente bem você atrairá os tipos protetores. Você não é uma grande beleza, mas existe algo sobre você... Uma vulnerabilidade, talvez. Eles vão querer salvá-la.

Ela não estava ofendida pelo comentário, não é uma grande beleza. Ela lutou com sua condição plana muito tempo atrás e ajustou-se com uma incrível personalidade. Ou então gostava de pensar assim. — Não preciso de um salvador.

Todas as quatro meninas riram repentinamente.

— O que? — Ela exigiu, um pouco irritada. — Não preciso. — Não mais. Thane já riscou aquilo de sua lista de Metas de Vida.

Savy encolheu seus ombros delicados. — Se tiver quaisquer problemas, vá para Adrian, o chefe de segurança. Se não puder encontrá-lo, vá para Bjorn. Ele está encarregado dos empregados do clube. Se não puder encontrar qualquer um, vá para Xerxes. Qualquer coisa que fizer, não vá para Thane. Especialmente agora. — Ela olhou fora da janela e orgulhosamente sorriu. — Tenho a sensação que esta não é a última disputa que ele vai terminar com derramamento de sangue.

Grande! Agora Elin estava pensando sobre ser presa com estacas novamente.

Cometi um engano terrível vindo aqui? Deveria ter arriscado minhas chances no deserto, um alvo para Ardeo e seus homens?

Os olhos esmeralda, sem defeitos, de Octavia centelharam quando ela veio ficar ao lado de Elin. Batendo em seu traseiro, ela disse: — Vamos, humana. Vamos colocá-la em um uniforme. E enquanto está sendo equipada, podemos dizer a você a melhor parte sobre sua nova vida. A partir de agora, você é um membro do nosso time dodge-boulder[3],o Scorgasms Múltiplos!

 

Um berro o despertou.

Era áspero.

Era cru.

Veio dele.

Thane sacudiu-se para a consciência. Estava em seu quarto, em sua cama, e estava escuro. Ele estava encharcado de suor, seus pulmões desesperados por ar. Seus músculos doloridos... De debater-se.

Bjorn e Xerxes estavam ao lado dele, segurando-o no colchão.

Ele teve outro pesadelo, voltando ao seu tempo dentro do calabouço dos demônios. Para o cativeiro. Humilhação. Frustração. Piedade. Tristeza. Ira. Desamparo. Seus olhos ajustaram-se, e ele olhou abaixo, viu as marcas sangrentas em seu tórax. Como sempre, ele tentou arrancar seu próprio coração.

Qualquer coisa para terminar o tormento que ele era tão bom em esconder, até dele mesmo. Até sua guarda baixar...

Bem, suficiente. Ele tomaria uma amante hoje, decidiu. Ele não fez isso desde o retorno do acampamento Fênix, e estava sentindo os efeitos da abstinência. Ele se esvaziaria completamente, não teria forças para se mover quando o próximo pesadelo viesse.

E ele viria. Eles sempre vinham.

Bjorn e Xerxes sentiram sua mudança de humor e o soltaram; ele caiu, desossado sobre a cama.

— Obrigado, — ele administrou.

— Derrotar pesadelos é uma das minhas muitas especialidades. — Xerxes ligou a luminária lateral, um brilho dourado suave afugentando as sombras.

— Que tal quando você é o pesadelo? — Bjorn disse brincando.

— Eu nunca sou o pesadelo. Eu sou sempre a fantasia.

Bjorn bufou.

Um segundo mais tarde, o par amontoou-se sobre a cama, pouco dispostos a partir. Thane sabia por que. Eles estavam dispostos a renunciar a um muito-necessário descanso na esperança de distraí-lo.

Um homem não podia pedir amigos melhores.

— Qualquer outro se sente como meninas em uma festa de pijama? — Xerxes secamente perguntou.

O coração de Thane acalmou. Sorrindo, ele sentou-se e debruçou contra a cabeceira. — Se começarem a conversar sobre meninos bonitos e vestidos de baile, eu poderia atirar em vocês dois no rosto.

— Espere. Nós teremos um baile? — Bjorn perguntou. Ele deu um soco no ar. — Finalmente, uma chance de ser rei.

— Se alguém vai ser rei do baile, — Thane disse, a voz firme, — serei eu. Olhe para este rosto. É uma máquina de fazer dinheiro.

Colocando suas mãos atrás da cabeça, Bjorn disse, — Odeio estragar isto, menino anjo, mas até exibições de circo têm rostos para fazer dinheiro.

Thane o chutou para fora da cama. Poft. Xerxes riu quando Bjorn surgiu rosnando.

Bjorn cruzou seus braços acima do tórax, e estreitou os olhos em Thane.

— Sobre aquele baile... Devemos achar quem você coroará como sua rainha?

Thane endureceu. — Bom jogo, meu amigo. Bom jogo.

Bjorn Sorriu. — Este é o único modo que eu jogo.

 

A vida como garçonete era tanto agitada como uma porcaria.

O lado positivo: Gorjetas. Não que Elin ganhasse alguma para si ainda. Acompanhando as meninas nas últimas quatro noites, viu o potencial de seu pagamento, e estava praticamente espumando pela boca.

O lado negativo: O uniforme. Um sutiã estava tentando se fazer passar por uma camisa, e um pedaço de tule estava tentando se passar por saia. Elin estava certa que ela cobriria mais pele em uma praia de nudismo.

Mas, certo. Ótimo. O que fosse. Quando em Roma... Ou, em seu caso, nuvens.

As nuvens. Ugh. Embora Elin agora se ressentisse que a palavra espatifar e cair fossem praticamente uma maldição, convenceu-se para explorar o quintal. Lá, achou um jardim precisando de muita atenção, amor e carinho e passou horas tirando ervas daninhas, uma tarefa que costumava fazer com sua mãe em Harrogate, antes de sua família mudar para o Arizona.

Tinha sido bom, mas... Quanto tempo devia ficar aqui? Alguns meses? Um ano?

Não. Algumas semanas no máximo. Quanto mais tempo ficasse, mais provável que Thane descobrisse suas origens.

Prefiro morrer a enfrentar sua ira.

Mas existia uma vantagem em esperar. Se fosse sozinha, o rei Fênix seguramente a caçaria, então a torturaria por informações, disposto a qualquer coisa para saber o que Thane fez com sua gente.

Ela suspirou, odiando o pensamento de viver no limbo, suas metas uma vez mais na espera. Mas pelo menos estava segura no momento. Ela não foi espancada para falar a verdade... Ou mesmo... E não foi trancada em uma gaiola por algum crime imaginário, ou enterrada na areia, permitindo que as formigas de fogo mordessem a única parte exposta de seu corpo, que sempre era seu rosto. Ela não era tratada como um animal por causa de seu sangue humano.

Ela era regularmente alimentada, tinha acesso a televisão, sala de jogos, e um computador, com conexão surpreendentemente boa de internet, considerando seu local remoto, e estava passando tempo com quatro das mulheres mais cativantes dos céus, cada uma lembrando a ela de sua amada mãe, de algum modo.

Elin sorriu quando lembrou de novo de uma conversa que as meninas tiveram ontem à noite.

Bellorie: Então, veja. Um magnífico shifter tropeçou no bar. Ele já estava bêbado, e olhou fixamente para mim como se nunca tivesse visto qualquer coisa mais bonita. Porque, claro, ele não viu.

Savy: Até que eu entrei.

Octavia: Eu devo ter folgado no dia.

Chanel: Estou fodidamente certa que eu tinha saído com Octavia.

Bellorie: Uau. Vocês podiam ser mais narcisistas?

Chanel: Não sou narcisista. Sou perfeita.

Bellorie: De qualquer maneira. Ele me beijou, só para se afastar e murmurar uma desculpa. Ele disse que pensou que eu fosse sua esposa, “porque pareço exatamente como ela”. Eu dei-lhe uma joelhada nas bolas, e o chamei de mentiroso, bastardo de um troll. Ele então disse que eu falei exatamente como sua esposa.

Octavia: Aposto que você disse que ele trouxesse a fêmea com ele da próxima vez que visitasse o clube, porque ela tinha que ser a pessoa mais graciosa, mais esperta que existiu.

Bellorie, piscando ingenuamente: Então vocês estavam lá?

Divas imortais eram divertidas.

Mas as meninas eram mais que bonitas, e mais que cientes daquela beleza. Elas eram perigosamente amáveis, desinibidamente viciadas em perigo, e bastante competitivas. Eram sérias sobre seu clube dodge-boulder, que era exatamente o que soava. Queimada com pedras.

Se elas apenas fossem membros de um clube de jazz ao invés.

Elas praticavam todo dia. Praticavam arduamente, nisto. Correndo por resistência. Lançando seus corpos contra placas de concreto para aumentar sua resistência à dor. Percorrendo complicadas pistas de obstáculos enquanto evitavam as armas que as outras meninas lançavam nelas. Coisas como facas, estrelas de metal e martelos.

Estavam determinadas a se tornarem campeãs nacionais.

Elin mal sobrevivia às práticas, embora, por enquanto, só era permitida assistir.

Um ruído de pratos a tirou de suas reflexões.

Mente no jogo. Certo. Hoje à noite, uma banda ao vivo ia tocar. O grupo de cinco Enviados, Espiral da Vergonha, estava no processo de instalação. Elin achou-se constantemente olhando de volta ao vocalista.

Sexy nem começava a descrever. Ele tinha um sorriso lento, sensual e carregado com todos os tipos de sugestões impróprias.

Mente no trabalho, Vale.

Ela logo estaria servindo nas mesas, sozinha pela primeira vez. E poderia fazer isto. Ela sabia que poderia. Aprendeu muito. A lição mais importante? Ache uma personalidade e se enfie nisto. Cada uma das meninas tinha uma.

Bellorie paquerava escandalosamente.

Savy era um empregada severa.

Octavia agia timidamente.

Chanel fingia ser uma cabeça de vento.

Elin pensou que poderia ir para corajosa melhor amiga.

As meninas nunca pareceram se importar quando seus traseiros eram beliscados, ou quando eram arrastadas sobre colos, ou quando mãos masculinas viajavam em algum lugar que não deviam. Enquanto Elin desejava contato, não desejava maus tratos, e não poderia fingir o contrário. Ela choraria ou enlouqueceria, e os clientes seriam ofendidos. Ela perderia sua (provavelmente significativa) gorjeta e irritaria Thane. Então, seria melhor para todo mundo se parasse todas as potenciais tentativas de avanço.

Ela tamborilou as unhas contra o balcão de mogno feito para separar os empregados da clientela. A área recentemente sofreu consertos e agora brilhava como nova, apesar da obscuridade da atmosfera. As paredes de alabastro eram esculpidas com símbolos complicados. Os chãos de mármore eram polidos, e dispersos ao longo deste estavam mobílias novas.

Aparentemente, Kendra tentou incendiar o edifício inteiro antes de Thane devolvê-la ao acampamento, mas Adrian, o muito feroz chefe de segurança de Thane, conseguiu conter o dano.

Clientes chegariam a qualquer momento. Clientes pagantes! A miríade de kebabs[4] Fênix lá fora, atraía cada vez mais observadores toda noite. Alguns até pediram para ser fotografados no... pequeno jardim dos horrores.

Não ache que já me acostumarei a este mundo.

— Nervosa?

A voz grossa tirou um suspiro dela, e ela se virou para enfrentar o intruso.

Adrian. Uma grande montanha de homem que ela meio que considerava um Neandertal chique. Ele tinha uma fronte larga e sobrancelhas ligeiramente arqueadas. Um nariz afiado, proeminente. Lábios admiravelmente luxuriantes. E um queixo teimoso. Ele não era classicamente bonito de forma alguma, mas de alguma maneira era ainda mais bonito por isto. Talvez porque cada polegada dele gritava macho.

Ele era imortal. Irradiava poder demais para ser humano, as ondas de poder acariciando através de sua pele toda vez que se aproximava, surpreendendo-a. Mas ela não estava exatamente certa do que ele era.

Ela devia tentar usá-lo para proteção?

— Muito, — ela finalmente respondeu. Tão forte quanto era, poderia desvalorizá-la por pedir ajuda. Ou, como as Fênix, poderia usar seus medos e debilidades contra ela.

— Nenhuma razão para ficar. Thane não permite aqueles sob seu cuidado serem machucados sem consequências severas. O que quer dizer, nem eu permito. Só um bobo machucaria você.

— Este é o problema. O álcool cria bobos. E não sou como as outras meninas, capaz de se defender contra uma sala cheia de homens promíscuos sádicos. Não que todo mundo aqui seja sádico, — ela se apressou a adicionar. — Ou promíscuo. — Porcaria! Seu expediente nem começou, e já estava vomitando pela boca. — Eles não são. Realmente. — E além disso, como Thane saberia o que alguém fez para ela? Não havia nem sinal dele, ou de seus dois amigos.

Não que ela procurasse, em todo lugar.

Não que esperasse, ávida. Não que fosse para a cama desapontada toda noite, sentindo como se fosse abandonada por ele. O que era tolo! Mal o conhecia.

— As pessoas nunca esquecem minhas consequências, bêbadas ou não, — ele disse. — Mandaram-me cuidar bem de você, e o farei.

— Obrigada. Mas quem disse que você cuidasse bem de mim? — O Thane ausente tinha pensado sobre ela, enviando ordens em seu interesse?

— Xerxes.

Oh. Não se entregue a mais decepção. Especialmente desde que não existia nenhuma razão para a emoção! Xerxes e agora Adrian estavam cuidando dela. Para uma antiga escrava, isso era um sonho realizado.

— Tenho que adverti-lo, — ela disse. — Vou dizer a coisa errada hoje à noite. Os sujeitos vão assumir que meu traseiro é parte do pedido, e não poderei evitar. As brigas aparecerão inesperadamente, e no momento que aparecerem, vou me enrolar em uma bola e chupar meu polegar.

Seus lábios ondularam nos cantos. — Eu lidarei com isto.

Diversão? Realmente?

— Meu comportamento não afastará os clientes? — E me jogará no fogo? Talvez literalmente.

Thane praticou queimar na estaca, também?

Adrian estendeu a mão, como se quisesse bater levemente no topo da cabeça dela, mas parou antes mesmo do contato.

— Humana tola. Recomendo pensar antes de falar.

Ei! Suas perguntas eram bem refletidas, muito obrigado.

— Besta insultante, — ela murmurou.

Um risada rouca descascou dele. — Ou não pense. Gosto de seu espírito.

Pelo canto do olho, ela localizou três machos Faes entrando no clube, cada um com o cabelo pálido e olhos azuis requintados de sua raça, vestidos com tops emplumados coloridos e calças coladas no corpo.

Enquanto selecionavam uma mesa nos fundos, Adrian desapareceu para o segundo plano, e o nervosismo retornou para Elin, agora vários graus mais alto. Em seu interior praticamente chovia gelo coberto de ácido.

Ao menos a banda começou sua primeira canção. Uma canção de amor. Realmente, uma canção de sexo, e doces fantasias, arrepios aparecendo inesperadamente em cada polegada de sua pele. O vocalista, qual era seu nome?, tinha a voz de um sedutor nato.

— Filho de um troll, — Bellorie murmurou, de repente ao seu lado. — O trio terrível chegou.

Savy apareceu do seu outro lado. — Não seja odiosa. Eles são só terríveis para você, e todo mundo. Mas não há necessidade para qualquer uma de nós estar sujeita a isso hoje à noite. Temos que lançar nossa pequena E de cabeça, e esta é a melhor maneira. — Seu olhar se fixou em Elin. — Os Faes são regulares. Também são pretensiosos e exasperantes. A maioria de nós já fugiu de suas desprezíveis gorjetas de dez míseros dólares. Se você puder conseguir um centavo a mais, darei a você cada joia que ganhar hoje à noite.

— Eu, também, — Bellorie disse, batendo palmas. — Oh, isto vai ser divertido. Amo ganhar, e esta é uma aposta certa. Como Chanel depois de algumas bebidas.

Elin mentalmente esfregou as mãos. Ganhar suas joias? Sim, por favor. Sua poupança começaria logo com um estrondo.

— O que quer se eu perder? — Ela perguntou. — Lembre. Vim aqui só com as roupas sujas no meu corpo.

O sorriso de Savy era maligno. — Se perder, tem que servir aqueles Faes pelo resto de sua permanência. Sem exceção.

— Eles são seriamente muito ruins?

— Sim, — as meninas disseram em uníssono.

— O alto me chamou de feia, — Bellorie disse, seu nariz levantando.

Grande idiota!

— Você é magnífica. Você também é, — Elin anunciou.

Juntando sua coragem, fez seu caminho para a mesa.

— Ei, vocês. — Ela ofereceu seu maior e mais brilhante sorriso de corajosa melhor amiga. — Sou Elin, e estou aqui servir vocês hoje à noite.

Nenhum dos machos olhou para ela. Continuaram com sua conversa.

— O novo rei e rainha querem o quê? Não, eles devem ser detidos.

— Quem pode detê-los? Kane é um Senhor do Submundo e Josephina é uma drenadora.

— Três palavras. Rifle. Longa. Distância.

Por favor. Finjam que não estou aqui. Será divertido.

— Eu adoraria pegar algo para vocês beberem, — ela disse.

Novamente, foi ignorada.

Frustrada, olhou para o bar e pegou Bellorie sorrindo como uma velhaca. Elin esticou sua língua.

Bellorie brincou de mostrar-e-dizer[5] com seu dedo do meio.

Tossindo para cobrir uma risada, Elin considerou seu próximo movimento. Colocar sua cabeça entre os machos mais perto dela, e arriscar tornar-se o entretenimento da noite? Ou ir embora, voltar mais tarde, e arriscar perder sua gorjeta por causa do... serviço lento? Finalmente, ela colocou sua mão no ombro do sujeito à sua direita.

Ele endureceu, então sacudiu seu braço longe com tanta força que ela tropeçou atrás. — Toque e morra, garçonete.

— Anotado, — ela conseguiu guinchar através do amontoado crescente em sua garganta. Corra. Agora.

Vitória. Joias. Padaria.

Ela permaneceu no lugar. Um golpe de poder contra a parte detrás de seu pescoço a fez virar, e encarar o peito de Adrian. Ela tragou, esperando o fim chegar. Quando ele não deu coices nela por ousar tocar em um cliente sem permissão, ela se voltou para o Fae e soltou um suspiro de alívio.

Eles estavam olhando fixamente para Adrian com terror em seus olhos cristalinos.

— Então, hum, sim. O que posso pegar para vocês beberem? — Ela perguntou.

O sujeito mais perto dela pareceu piscar mil vezes antes de dizer — Uísque misturado com Ambrosia.

Ela ergueu sua mão para anotar, só para lembrar que caneta e papel não eram permitidos. Eram... muito humanos. Ela devia memorizar cada pedido e reabastecer consequentemente sem perguntar. — E você?

— Vodca misturada com Ambrosia.

Ela lembrou da advertência dura que Bellorie deu apenas esta manhã. Não prove a ambrosia. É bebida fermentada imortal e você morrerá. — Você?

— Surpreenda-me. E é melhor ser uma boa surpresa.

Maravilhoso.

— Claro. Não saberia como fazer uma surpresa ruim.

Ela andou de volta, esperando dar com Adrian, exceto que ele não estava mais atrás dela. Franzindo o cenho, retornou ao bar. Vagabundo. Bellorie desviou-se.

Ela disse ao garçom do bar o que precisava.

— O que quer que você faça para a terceira bebida, ponha um guarda-chuva colorido de arco-íris nele. — Isso era uma “boa” surpresa, certo?

O gostoso tatuado com cabelo rosa olhou ameaçadoramente para ela antes de encher três copos. Ele não adicionou um guarda-chuva.

O-kay. Nota para si mesma: O garçom do bar não está para bate-papo inativo... Ou sugestões.

Chanel mencionou que seu nome era “fodido McCadden” e ele era um Enviado-assassino-a-sangue-frio caído. Oh, e tinha um caso sério de amor pela deusa menor da Morte, quem quer que fosse. Também era prisioneiro de Xerxes, e por incrível que pareça, seu amigo, e não era para perturbá-lo.

Ela carregou sua bandeja. — Como deveria saber o que tem cada líquido? — Tudo era preto.

McCadden andou a passos largos para o fim do bar, desprezando-a.

Maravilhoso. Tudo bem! Ela girou e automaticamente olhou pelo palco. Uma multidão chegou, aparentemente entre uma piscadela e outra. Mulheres agora lotavam a extremidade do palco, lançando sua calcinha na banda e mendigando uma noite nos braços de... Merrick.

— O cantor é Merrick, entendi isto, — ela disse quando Bellorie surgiu ao lado dela para completar um pedido.

— Sim, realmente. Ele coleciona corações só para poder quebrá-los.

— Isto é triste.

— Isto é a vida.

— Bem, não tem que ser a minha vida. — Elin cuidadosamente retornou ao Fae, fazendo sua passagem pela multidão sem derramar uma gota. Murmúrios aumentaram e se misturaram, se adicionando ao caleidoscópio já caótico de barulho.

— O que tomou tanto tempo? — O que pediu uísque. Ela supôs que ele se recuperou do medo de Adrian.

Alguns minutos eram “tanto tempo”?

— As melhores surpresas. — De jeito nenhum. De jeito nenhum diria só isto. — Eu quero dizer, as melhores surpresas levam tempo. — Ela uma vez mais vestiu seu maior e mais brilhante sorriso enquanto colocava os copos no centro da mesa. Deixe os machos escolherem o seu próprio. — Existe qualquer outra coisa que posso pegar para vocês? Uma tigela de castanhas? — Quem sabe param em suas gargantas?

Violência sem derramamento de sangue. Ela podia aguentar.

Seu pulso foi agarrado, e posto debaixo do nariz do Vodca. — Você cheira especialmente doce. Que raça é?

Feche sua grande e gorda boca!

Ela quase gritou quando procurou por Adrian. Ele escutou? Quando ela viu que ele estava do outro lado da sala, inconsciente, se livrou do agarre do Fae. Ele era mais forte que ela, obviamente, e poderia tê-la segurado, e ela não poderia fazer nada sobre isto, mas ele deixou-a ir.

— Sou totalmente humana. — Apenas desista. Por favor, apenas desista.

O sorridente observou a declaração, e ela quase teve um ataque cardíaco. Este monte de idiotas de primeiro grau poderia arruiná-la.

— Thane nunca forçaria sua estimada clientela a sujar-se com uma simples humana, — Uísque disse.

Indo para tranquila e confiante ao invés de assustada e doente, ela arqueou uma sobrancelha. — Você o conhece tão bem, então? Conversa com ele regularmente?

Ele vacilou, claramente envergonhado por ser questionado na frente de seus amigos. Fae idiota: 0. Elin: 1. E agora, o tópico traiçoeiro mortal foi encerrado.

Sim, mas as joias... A padaria.

Ela perdeu a aposta, nenhuma dúvida disso, mas não sentia muito. Uma menina morta não podia viver seus sonhos.

— Então... Nenhuma castanha? — Ela perguntou, relampejando outro sorriso.

— Não posso imaginar Thane planejando ir para a cama com você. — Surpreenda-me acariciou seu queixo com dedos longos, magros. — Mas esta é a única razão que alguém como você ousaria falar conosco de tal maneira.

Seu tom condescendente a aborreceu, mas ela conseguiu manter seu sorriso. Se existia uma lição que foi martelada enquanto vivia com as Fênix, era agir como se fosse muito estúpida para perceber quando foi insultada, até enquanto estava morrendo por dentro.

— Não, realmente, o quão bem você o conhece? Porque tenho estado aqui por menos de uma semana, e adoraria saber mais sobre ele.

Tristemente, era verdade.

Vodca rolou seus olhos. — Se sobreviver a semana inteira, prometerei minha vida para meus novos rei e rainha sem um único enjoo.

Os três retornaram sua conversa.

Crise evitada.

Respirando um suspiro de alívio, ela se virou com toda intenção de achar uma das meninas e pedir uma mesa diferente. Jogando a toalha? Acenando a bandeira branca? Patético!

Tudo de uma vez, o clube inteiro ficou quieto, até a música pareceu enfraquecer no fundo.

A razão andou a passos largos pelo bar como se ele o possuísse. Porque possuía.

Thane chegou.

Foi sua primeira aparição desde o MdF, o Massacre das Fênix, e ele totalmente roubou seu fôlego. Vestia uma bata longa feita de tecido branco brilhante que devia ter escondido sua forçam mas de alguma maneira só acentuava toda a expansão deliciosa de músculos que possuía. Os cachos de inocente loiro emolduravam a beleza má de seu rosto, o contraste selvagem o suficiente para intrigar o mais morto dos corações.

Não estou intrigada e não estou afetada. Não estou, maldição.

Seus olhos azuis elétricos esquadrinharam o mar de clientes, só para parar abruptamente em Elin. Como se iluminada por um fósforo, sua expressão aqueceu.

Por um momento, ela se perguntou se ele finalmente descobriu a verdade sobre ela. Se ia prendê-la na frente de todas estas pessoas e a escoltaria ao Pátio dos Horrores. Os tremores a atingiram como raios. Então seu olhar acariciou suas curvas escassamente vestidas, vagarosamente, como se ele achasse algo merecedor de estudo adicional, e ela estremeceu.

Um... Isso era excitação o que via?

Apenas assim, o mundo ao redor dela desapareceu. Existia só Thane e a atração animal mútua. O ar pareceu carregar com eletricidade fundida, e seu corpo negligenciado clamou. Um toque. Apenas um.

— Thane, — ela sussurrou, e seu olhar subiu até seu rosto. O calor que viu antes? Nada comparado a este. Fogo tão abrasador, até desta distância.

Ela lambeu seus lábios repentinamente formigando. Um grunhido baixo originou-se dele. Ele deu um passo na direção dela. Ela não queria, mas deu um passo na direção dele. Um toque. Só um. Então ele se acalmou, nem mesmo parecendo respirar. Sua expressão endureceu, e suas mãos tornaram-se punhos em seu lado.

Ele se virou, eficazmente recusando-a.

Uma respiração pesada esvaziou seus pulmões. Ela foi recusada. E tão malditamente fácil.

A picada da rejeição sacudiu suas costas para a consciência. Estava em um clube. Um clube cheio de imortais, o clube dele. As pessoas a estavam olhando com ávida curiosidade agora. As pessoas que viram ele seduzir centenas... Talvez milhares... De outras mulheres.

Elin levantou seu queixo. Não o queria de qualquer maneira. Um toque? Nunca.

— Magnífico, — um shifter dragão ofegou. Ele estendeu a mão e deslizou suas pontas dos dedos ao longo da curva da asa de Thane.

Não é justo, ela pensou com um desejo que não podia negar, até agora.

Thane imediatamente reagiu, pegando o pulso do sujeito e quebrando com um único aperto. Um grito aflito arranhou suas orelhas, a fazendo se encolher de medo. Adrian apareceu ao lado do homem ferido, levando-o pelo pescoço e o arrastando fora do clube.

A cena inteira durou três segundos, no máximo.

O-kay, então. Asas: Fora dos limites.

E não existia nenhuma razão para fazer uma nota mental disto, desde que ela já decidira não tocar em Thane, ou deixá-lo tocá-la, jamais.

Ele retomou seu passeio pelo clube, parando para falar em uma mesa de Harpias. Elin não podia compreender as palavras que foram ditas, mas qualquer coisa que ele disse depois que as introduções foram feitas fez cada uma das fêmeas pasmar. Ele emitiu uma ameaça de morte? Sua expressão era severa, determinada.

Então ele esticou sua mão para a mais alta e mais forte à mesa. Uma loira notável.

A loira de boa vontade colocou seus dedos em sua mão, e, sempre cavalheiro, ele ajudou-a a levantar.

Não uma ameaça de morte, mas uma sedução. Uma lança de algo quente marcou com ferro o centro do peito de Elin. Raiva? Ciúme? Um pouco de ambos? Sim. Pregue isto.

Thane levou a mulher para fora do bar.

Para seu quarto especial?

Tão depressa? Tão facilmente?

Elin agarrou sua bandeja com tanta força que a borda rachou no centro.

Surpreendida, olhou abaixo para as duas metades denteadas. Ela estava com tanto ciúmes? Não, impossível. Ela não conhecia o homem, e certamente não o queria para si.

Ele não importava para ela.

Honestamente, não era nada além de um meio para um fim. Um assustador meio para um fim, era isto. O estúpido Thane estava recebendo sua estúpida Harpia e sua estúpida vida amorosa e seu estúpido quarto e seu estúpido prazer.

Ela o esqueceria da mesma maneira fácil que ele tomou aquela Harpia piranha.

Xingando? Quem é você? A loira era provavelmente tão doce quanto açúcar, uma mãe divorciada caseira só procurando por uma noite de diversão para dar à sua autoestima o impulso que precisava depois que seu marido a enganou com sua vizinha de porta.

Anime-se, Vale. Você tem Faes esnobes para encantar e joias para ganhar.

Encantar. Certo. Exceto, ela já falhou nessa tentativa.

Então... O que mais ela podia tentar?

O que sua mãe faria?

Fácil. Renlay mataria todo mundo.

Bem, isso não iria funcionar para Elin. Tinha que haver outro modo.

Enquanto ela considerava cuidadosamente isto, seus olhos alargaram. Existia outro modo. Poderia colocá-la em dificuldades sérias com Thane, mas no momento, ela não se importava exatamente.

Vitória, aí vou eu.

 

Thane puxou sua bata, seus movimentos estáveis apesar da irritação tentando sufocá-lo. A Harpia estava adormecida e desavisada de seu humor, graças ao Altíssimo. Ela ficaria apavorada, ou pediria o segundo round. Ele não estava no humor para lidar com qualquer um deles.

Qual era seu nome?

Não que ele se importasse. Não era como se fosse falar com ela novamente.

Ele a usou. Ela o usou. Prazer foi obtido. O problema era, ele não estava satisfeito.

Você alguma vez esteve?

Ele pressionou sua mandíbula. Sim, claro. Pelo menos um pouco. Por anos, ele trouxe mulheres aqui, para o quarto em frente ao seu. Foi onde manteve Kendra.

Ela foi a primeira, a única mulher que entrou por mais tempo que algumas horas, e ele permitiu isto só porque ela não experimentava nenhum remorso depois que seus desejos depravados eram satisfeitos. Não importa quanto ele assustasse... E arruinasse... ela. Não importa que coisas horríveis pedisse que ela fizesse para ele.

Uma união perfeita, pelo menos na superfície. E ainda, nunca realmente encaixaram, ou equilibraram um ao outro.

O mesmo com a Harpia. Enquanto ela possuía uma quantidade de desejo escuro, provado toda vez que ela corria a ponta de uma lâmina acima de sua pele, tão exigente, e sorrisse quando seu sangue brotasse, ela não o saciou. Nem quando ele a acorrentou, e ela lutou, esfolando seus pulsos e tornozelos, seus olhos lacrimejando, não só com medo, mas com incerta antecipação. Não quando ele mostrou uma fileira de armas e disse lentamente e baixinho o que iria fazer com elas, e as lágrimas fluíram abaixo em suas bochechas seriamente. Nem mesmo quando ele pôs as palavras em ação, e ela implorou por clemência... E por mais.

Seus choramingos não foram uma doce, doce música, como ele esperava. Seu medo não aumentou as chamas de sua paixão, e sua dor não acalmou a besta selvagem do lado de dentro.

Ela não deu qualquer coisa que ele precisava.

O que ele precisava?

Achou que soubesse.

Ele podia tomá-la novamente, mais duro, mais áspero, e finalmente, esperançosamente, se esgotar, mas ele recusava a cama à mesma mulher duas vezes. Nunca mais iria arriscar a escravidão.

Oh, sabia que existiam apenas um punhado de fêmeas como Kendra, capazes de prender com sexo, e nenhuma outra era Fênix. Mas e se a Harpia tivesse sangue de Fênix em sua linhagem? Como um homem saberia?

Além disso, por que tomar a Harpia uma segunda vez quando seu corpo desejava outra mulher?

A... Não diga isto... Ignore o desejo, e ele irá embora... Humana.

Ele teve que engolir de volta um grunhido irritado. Ele não podia ignorar, e não podia esquecer. De alguma maneira, ela marcou com ferro sua imagem na mente dele. O nome dela, de repente estava desesperado para saber. Desejava tê-la confrontado, hoje, ontem, todo dia, e beber cada palavra sobre ela.

O que era isso sobre esta fêmea?

No acampamento, ela olhou para ele com pânico selvagem e até medo, e ele odiou cada momento. Ele devia ter apreciado isto, como fez com outras mulheres, mas não. Ele não o fez. Então, não devia desejá-la. Mas mais cedo no clube ele olhou para ela e teve fome como se nunca comera.

Ela era mais bonita que se lembrava, e de alguma maneira sentiu seu cheiro através da sala. Teve que lutar contra a compulsão para diminuir a distância entre eles, varrê-la em seus braços e carregá-la para longe para saqueá-la.

Ela estava vestida provocativamente, sim, mas isso não devia ter qualquer importância na situação. Desde a abertura do clube, suas empregadas vestiram aquele escasso uniforme. Era como barulho estático para ele; estava lá, mas dificilmente era notado. E ainda, na humana, ele notou.

Apesar de sua constituição frágil, ela tinha luxuriantes peitos maduros feitos para as mãos de um homem e curvas perigosas feitas para embalar a parte mais dura dele. Suas pernas encaixariam perfeitamente ao redor de seu quadril, ancorando-o enquanto mergulhava nela...

Não!

Amanhã, ele a forçaria a vestir uma bata.

Ele não fodia mais as empregadas. Sempre podia achar uma amante, mas nem sempre podia achar uma empregada dedicada, fiel. E se tomasse a delicada humana do modo que gostava, do único modo que podia, faria mais que aterrorizar e assustá-la. A prejudicaria irrevogavelmente. Em corpo... E mente.

Não gostava do pensamento de sua pele de alabastro arruinada... Ou o medo em seus olhos de vidro esfumado.

Que singular.

Você poderia ser gentil com ela. Você poderia...

Não. Ele não poderia. Ele tentou isto antes, mas não funcionou. Ele nem podia terminar. Dor, ele percebeu, não era só um desejo; era uma necessidade.

Embora, achasse que realmente poderia gostar de ver a humana perdida na agonia da paixão. Ela se contorceria debaixo dele, suave, morna e molhada. Ele abriria suas pernas, e ela não lutaria, porque o quereria desesperadamente da mesma maneira que ele iria querê-la. Ele apreciaria a visão de seu corpo, flexível e ávido. Beijaria cada uma de suas sardas, então se moveria acima dela, empurrando dentro dela, indo devagar a princípio, saboreando cada sensação, antes de aumentar seu ritmo.

Seu eixo pulsou.

E o que vai acontecer quando seu controle deslizar, e voltar o hábito?

Ele empurrou o pensamento triste de sua mente e focou sua atenção nas coisas ao redor dele. Entretanto este quarto era menor que o seu, era muito mais luxuoso. Acima pendurava um lustre ostentando um buquê de diamantes em forma de rosa. As paredes eram folhas do mais puro ouro, manchas de arco-íris tão claros que pareciam estar presos do lado de dentro. A cama era formada por metais intricadamente trançados, feitos para uma rainha... Da noite. Ambos, cabeceira e pés, tinham anéis para tipos diferentes de correntes. Qualquer uma que preferisse usar durante qualquer encontro.

O suspiro sussurrado da Harpia mandou-o andando a passos largos para a porta. A chance de uma fria e limpa fuga ficava mais escassa no momento.

— Não quer... dormir comigo? — Ela perguntou, sua voz arrastada pela fadiga.

Muito tarde.

Ele olhou atrás. Ela ainda estava nua e amarrada à cama.

Pensamentos que ele previamente ignorou surgiram. Por que ela concordou em estar aqui? Ele não usou charme, como uma vez fez. Ele simplesmente disse, “Por algumas horas, farei coisas que farão você chorar e exigirei que faça o mesmo para mim. Apenas não chorarei. Amaldiçoarei você, e tomarei você mais duro que pensaria poder aguentar. Está dentro ou fora?”. Ela concordou mais rápido que qualquer outra mulher já fez. Não precisou de nenhum outro incentivo. Com apenas o mais leve encorajamento, suas amigas teriam concordado, também. Elas gemeram, Sortuda, enquanto ela levantava.

Talvez ele não devesse tentar analisar o porquê. A resposta provavelmente o entristeceria.

— Dormir junto não era parte de nosso acordo. — Ele nunca passou uma noite inteira com uma mulher, e nunca faria isso. O sono deixa você vulnerável. E ter alguém a pouca distância? Não. Seus sonhos eram extremamente violentos, suas reações extremamente fortes. Ele podia matar sua companheira sem perceber.

— Mmm... certo. Correntes?

Ele retornou para ela e desprendeu suas correias de tornozelo primeiro, então seus pulsos, com cuidado para não encostar contra ela. Ela o agarrou, agitou seu braço. Ele levantou antes do contato poder ser feito. Como ele podia oferecer consolo para outra pessoa quando não podia nem oferecer isto a si mesmo?

Com um suspiro, ela caiu no colchão.

Ele pegou uma gargantilha de diamante do bolsão aéreo que sempre levava com ele. Uma prateleira de espaço que pairava entre o reino espiritual e o natural, aberto e sustentado por sua energia, invisível ao resto do mundo. Ele colocou a quinquilharia na mesa de cabeceira.

— Agradeço pelo seu tempo.

— Brincos combinando? — Ela perguntou, antes de sua cabeça pender ao lado e o sono uma vez mais a reivindicar.

Ele colocou um par de brincos ao lado da gargantilha e deixou o quarto sem outra palavra. Bjorn e Xerxes esperavam por ele na antecâmara que compartilhavam. Os dois estavam no sofá, bebericando scotch perfeitamente envelhecido.

— Thane, meu amigo, você parece longe de satisfeito, — Bjorn disse. — De fato, parece comigo.

O macho apenas tolerava sexo, usando-o para esquecer o passado, mas nunca tendo sucesso suficiente.

— O que ele quer dizer é, você parece selvagem, — Xerxes reportou.

Para Xerxes, sexo era uma busca por conforto que nunca acharia realmente. Ele vomitava depois de todo encontro, agitado pelos efeitos da intimidade.

— Por uma vez, a aparência não engana. — Sua cabeça devia estar clara. Seu corpo devia estar relaxado. Uma certa garçonete morena, de olhos cinza devia ser exorcizada de sua mente.

Zero para os três não era aceitável.

— Então... Mais alguém notou o modo que nossa nova garçonete olha fixamente para Merrick? — Xerxes perguntou, seu tom astuto.

Thane endureceu. O vocalista da Espiral da Vergonha era um conhecido arrasa corações.

— Ela partiu com ele?

— Não, — Bjorn disse. Falando da mesma forma astuta de Xerxes ele adicionou, — Por que? Se chatearia se ela tivesse ido?

Cruzando seus braços acima do tórax, Thane permaneceu mudo.

Claramente tentando não sorrir, Xerxes disse:

— Qual é a próxima coisa na agenda? — Tendo pena nele.

— A reunião com Zacharel. — Seu líder enviou um aviso mental esta manhã. Minha nuvem. Dez. Não se atrase.

Estava na hora de Thane ser castigado por seus mais recentes pecados... Ou excluído dos céus. Um suor frio apareceu inesperadamente em sua pele, e ele lutou para nivelar sua respiração. Ele não podia ser excluído.

— Devo falar com Adrian antes de irmos. — E dizer ao macho para nunca mais convidar Espiral da Vergonha de novo. Sua música perdeu o atrativo.

Ele saboreou algo amargo em sua língua e franziu.

— Falará com Adrian sobre a menina humana? — Bjorn riu pela primeira vez em semanas. — Eu vi o modo que você olhou para ela mais cedo.

Xerxes riu silenciosamente. — Todo mundo viu.

— Precisamos resolver isto da maneira antiga, meninos? — Thane perguntou, uma sobrancelha curvada enquanto agitava um punho no ar.

— Quer dizer duelo de “breakdance”? — Bjorn perguntou.

Ele assentiu. — Exatamente.

Ambos os machos riram, aliviando seu humor sombrio.

Ele andou pelo corredor privado defendido por três vampiros que salvou de humanos assassinos, séculos atrás. Cada um movimentou a cabeça em reconhecimento enquanto ele entrava em um elevador construído para homens grandes com asas muito maiores.

As portas fecharam, e a caixa desceu com uma sacudida leve. Alguns segundos mais tarde, estava andando a passos largos pelo nível mais baixo do clube, serpenteando um canto, entrando no bar. Todos os clientes se foram. As luzes não estavam mais turvas, mas brilhando, iluminando os espelhos dourados em toda parede, as cadeiras de couro escuro dispersas, e as mesas altamente polidas.

Adrian, o Enlouquecido, um berserker[6] expulso de sua tribo por ser muito feroz; como se existisse verdadeiramente tal coisa, permanecia no canto distante, assistindo... Thane seguiu a linha de seu olhar fascinado, e rangeu os dentes. Assistindo o reflexo da nova garçonete, que estava em processo de colocar uma gargantilha de rubi ao redor de seu pescoço e olhando-se docemente em um espelho. Várias pulseiras de ouro e prata tiniram em seus pulsos, e diamantes piscavam em cada um de seus dedos; ela claramente gostava como eles pareciam.

Como uma garotinha brincando de vestir-se pela primeira vez.

Muito adorável para palavras. Uma dor não familiar floresceu em seu tórax. Adrian sentia algo semelhante?

Ele franziu as sobrancelhas. Talvez existisse essa coisa de muito feroz. Porque então, Thane arrancaria o rosto do macho... com suas mãos nuas?

Quem deu a ela coisas tão caras? Um admirador? Merrick?

Ele parou na frente de Adrian, bloqueando sua visão.

— Você levará Savy e Chanel para meu apartamento para ajudar a Harpia a se vestir e achar a saída, — Thane estalou. Fique calmo. Ele não fez nada errado. — Mas primeiro diga-me sobre as joias da humana.

No tempo de uma batida de coração, a expressão de Adrian mudou de suave e divertida para fria e dura. Ele achava o estilo de vida de Thane deplorável, nunca fez segredo disto, e não gostava que a menina estivesse no seu radar.

Bem, Thane não a queria no radar de Adrian. O berserker possuía força antinatural e tinha que ser cuidadoso com todo mundo que encontrava. Dele, até imortais tinham dificuldade de sobreviver a algo tão simples quanto uma batida leve nas costas.

— As joias, — Thane incitou. Se mencionasse Merrick...

— Bellorie e Savy fizeram uma aposta com a humana, — Adrian disse, — se ela pudesse conseguir mais de dez dólares de um trio Fae, ganharia suas gorjetas pela noite. Em apenas uma hora, ela conseguiu muito mais.

Ela ganhou uma aposta contra duas competidoras ferozes? O orgulho juntou-se à dor em seu tórax, confundindo-o.

Orgulho? Por que orgulho?

— Ela está usando três meses em valor de gorjetas, — ele assinalou.

Adrian ergueu seus ombros largos em um encolher de ombros.

— Os clientes estavam extremamente generosos hoje à noite.

Por que? Os machos já estavam tentando ganhar favores da humana?

A dor intensificou.

Adrian foi embora.

— As meninas estão na direção oposta, — Thane informou-o.

— Eu sei. Devo falar com Xerxes primeiro.

— Sobre?

Adrian parou, suspirou. — Ele disse que eu o informasse de quaisquer avanços impróprios feito na direção da humana.

O sangue de Thane esfriou em menos de um segundo.

— Avanços impróprios foram feitos?

— De certo modo. Ela foi agarrada.

Sua ira brotou alimentada pela dor, ambos crescendo exponencialmente.

— Onde? Como?

Adrian disse a ele dos três Faes regulares que apertaram seu braço e a cheiraram, então a empurraram longe.

Era algo que as outras garçonetes suportavam todo dia. Algo que ele sempre desprezou e as meninas lidavam. Agora, queria cometer assassinato.

— Você jogará o trio pela extremidade da nuvem da próxima vez que entrarem no bar.

Surpresa escureceu os olhos marinhos de Adrian. — Arrisca uma guerra com suas famílias.

— Tenho mais estacas.

— Eu não acho...

— Isto não é uma negociação, Adrian. Você tem suas ordens.

O berserker deu um duro aceno com a cabeça.

Nenhum outro empregado teria ousado argumentar, ou demorado para realizar suas ordens, mas Adrian tinha mais liberdade que a maioria, e eles dois sabiam disto.

Depois que Thane e seus rapazes se recuperaram fisicamente dos piores horrores de seu encarceramento, eles retornaram ao calabouço do demônio e livraram os outros prisioneiros que estavam dentro. Adrian estava entre eles, capturado após sua família expulsá-lo.

Thane andou em torno do canto e surgiu atrás da humana. O olhar dela encontrou o seu no vidro, e ela ofegou, girando para enfrentá-lo. Ela era mais bonita que se lembrava. Mais bonita que algumas horas atrás, até. Como isso era possível?

Da queda de seu sedoso cabelo escuro, perfeito para empunhar, a seus grandes olhos cinza que seguravam uma mistura de temor e medo, aos lábios como arco de Cupido que teria dado qualquer coisa para ter embrulhados ao redor de seu eixo, até as sardas pontilhando sua pele.

Como ela o atraiu de um modo que ninguém mais já conseguiu?

Diferenciava vários tons de rosa tingindo suas bochechas, cada uma adorável, totalmente cativante.

Ela pareceria deste modo depois do clímax?

Ele mordeu a parte de dentro da bochecha até que sentiu gosto de sangue. Calma. Controle.

— Qual é seu nome? — Ele vociferou mais severamente que pretendia.

Pânico chamejou nos olhos que pareceram sombrear com um sopro mais espesso de fumaça antes de ela olhar fixamente abaixo em seus pés, bloqueando suas emoções. Seu medo e pânico realmente apagaram seu desejo.

— Eu sou Elin.

E-lynn. Adorável. Delicado. Apropriado.

— E seu último nome, — ele disse, conscientemente usando um tom muito mais gentil.

Ela moveu-se várias polegadas longe. — Uh, bem, é Vale.

Por que a hesitação? Porque ela não queria ele escavando, achando sua família, e enviando-a para longe?

Uma ideia excelente. Finalmente a loucura pararia.

Exceto, a fúria era como gasolina sendo despejada acima dele, e medo era o fósforo. Pô-la na linha do perigo? Não. Aqui, ele poderia protegê-la. Aqui, poderia vigiá-la do modo que ela o vigiou no acampamento Fênix.

Ele devia a ela. Sim, essa era a razão que buscou protegê-la, quando ele nunca faria o mesmo por outro.

— Por que me ajudou? — Ele perguntou. — Como me ajudou?

Ela piscou, aparentemente surpreendida por suas perguntas.

— Você estava preso, como eu, e não gostei disto. Pensei que podíamos salvar um ao outro. — Ela mordiscou seu lábio inferior. — Eu roubei Congelação de Kendra.

— Congelação?

— Um novo medicamento que combate os efeitos do veneno como o dela.

Ele teria uma provisão de Congelação entregue no final do dia.

— Como conseguiu roubar isto?

— Eu deslizei na barraca de Kendra enquanto ela estava dormindo. E assim você sabe, era uma coisa de cada vez. Eu não roubarei nada de você, prometo!

Era sobre isso seu mal-estar?

— Eu não estou preocupado.

— Oh. Certo. — Seus ombros caíram com alívio.

— Você não tem nada a temer de mim. Eu te agradeço, Elin, — ele disse. — O que fez por mim...

Sua mandíbula caiu.

— Uh, não foi nada. Realmente. Nós estamos quites.

Ele desejou que ela pedisse um favor. Queria dar-lhe algo, qualquer coisa.

— Como conseguiu que o Fae te desse gorjetas tão boas? — Ele perguntou, mudando o assunto. Ele varreu a ponta do dedo ao longo da extremidade da gargantilha de rubi.

O rubor retornou às suas bochechas, atormentando-o. Minha humana é sensível ao toque.

Não. Não minha humana.

— Não porque fiz a eles o que você supostamente fez à Harpia, — ela murmurou.

A coragem era bem-vinda. A atitude, nem tanto. Ele correu sua língua acima de seus dentes. Alguém disse a ela suas preferências sexuais.

Alguém que morreria.

Com quem ele estava brincando? Todo mundo provavelmente falou.

O fato que ela saiba não importava. Você não vai seduzi-la. Seu desgosto é insignificante.

Verdade. Mas ainda o aborreceu.

— Ninguém tem permissão para questionar minha escolha de companheiras, ou minhas ações.

Ela encontrou seu olhar, inabalável. Suas pálpebras estreitadas, seus cílios quase fundindo.

— Entendi. Não acontecerá novamente, senhor. — Ela deu a ele uma animada saudação.

Ela estava... zombando dele?

— Além disso, o que sabe de tais coisas, hmm?

— Sei o bastante para entender, obrigada, — ela disse, seu tom afetado. — Mas está certo. Com quem faz não é da minha conta.

Quem, ela disse. Não o que. Ela não sabia dos pormenores. Seu alívio era palpável.

Vivendo aqui, porém, ela descobriria. E logo. Qualquer tranquilidade que ela teve com ele cessaria.

Mas o que ela queria dizer, com sabia o bastante para — entender?

— Por que o Fae deu gorjetas tão boas? — Ele repetiu.

Claramente inquieta, ela se moveu de um pé a outro.

— Bem... Veja só... foi assim. Eu disse a eles que você... Bem, que você tinha algumas estacas extras e as pessoas mais parcimoniosas no bar seriam convidadas a se juntar às Fênix no gramado.

Ele de repente quis... Sorrir?

— Você mentiu?

— Nunca! — Ela cruzou seus braços, agora desafiante. — Depois de tudo que testemunhei, existe uma boa chance que eu esteja certa.

E agora ela não desistiu. Fascinante.

— As meninas fizeram mais dinheiro que nunca, — Adrian chamou. Ele ainda não se moveu de seu poleiro. — Mas não estou certo se teremos clientes amanhã.

Adrian tomou Elin sob sua proteção? Estava esperando protegê-la? Até de Thane? Ou o macho a desejava, do modo que um homem normal desejava uma mulher?

O pensamento tranquilizou Thane, até mesmo enquanto o irritava. Outro defensor asseguraria que ela permaneceria segura. Mas outro admirador tentaria levá-la para a cama... E isto, Thane não permitiria. Ela precisava estar focada no trabalho.

Sim. Era por isso.

Ele lidaria com Adrian em um minuto.

— Além do Fae, alguém deu a você alguma dificuldade? — Thane perguntou a ela.

Silêncio reinou quando ela novamente mordiscou seu lábio inferior rechonchudo.

Queria fazer isso ele mesmo. Queira mordiscar outras partes dela, também. Não! Ele enquadrou seus ombros, as penas em suas asas arrepiando. — Elin?

Ela... Estava olhando fixamente para suas asas, ele percebeu. Curiosa sobre elas? Perguntando-se o quão suaves seriam? Todo mundo se perguntava. Ele refreou o desejo de chamejá-las orgulhosamente, mostrar apenas quão longas e fortes eram. Se vangloriar e impressioná-la. Ao invés, deu um passo adiante, mais perto dela.

— Uh, você fez uma pergunta, eu acho, — ela disse, assistindo o movimento com olhos arregalados. — Sim. Sim, você fez. E era... Oh, sim. Na maior parte, todo mundo foi realmente bom. — Enquanto falava, ela avançou na direção de um trecho de dourado abaixo. Pouco antes do contato, ela colocou ambos os braços atrás das costas e os manteve lá.

Ele franziu o cenho, não gostando da reação dela. Era como se de repente achasse o pensamento de tocá-lo repugnante.

— Toque a asa.

Ela veementemente balançou a cabeça. — De modo algum.

— Isto não é uma discussão. — Ele nunca discutia. Ele ordenava. E esperava. Usando os músculos em suas costas, fez o fim de uma asa se agitar mais perto dela. — Sinta. — Um comando.

Um comando que ela não deu atenção. — Isto é um truque?

Por que seria... Ah. A percepção floresceu. Ela o viu quebrar a mão do guerreiro dragão, e só podia assumir que faria o mesmo com ela.

— Nenhum truque. Você tem minha permissão; o shifter não tinha. Mas você não deve tocar outro Enviado deste modo. Ou de qualquer outro modo. Nem mesmo Bjorn e Xerxes. Entendeu?

— Sim. Anotado. — Ainda assim ela não o tocou.

— Não machucarei você, fêmea. Sinta, — ele exigiu. — Agora.

— Por que? — Ela insistiu.

Continuando a desafiá-lo. Que mistura estranha de coragem e medo ela era.

— Bem, — ela iniciou.

Porque ele descobriria se sua reação para ela era a mesma que para a Harpia em sua cama, não que ele permitisse à Harpia entrar em contato com suas asas. Enquanto sua pele esfregava contra a dele, ele permaneceu distante. Chateado.

— Faça isto, — ele respondeu, ignorando a pergunta de Elin.

Finalmente, ela obedeceu.

Não o mesmo, ele percebeu imediatamente.

Dedos trêmulos acariciaram acima de suas penas em um momento único e inocente de comunhão, inundando-o com sensações que nunca antes experimentou. Calor opressivo arqueou por suas asas, espalhando por seu corpo. Seu sangue crepitou e assobiou com algo similar à satisfação. Uma satisfação impossível. Seu eixo estava enchendo, ameaçando estourar.

Isto era prazer, ele percebeu, ofuscado. Prazer sem uma sugestão de dor.

Seu primeiro gosto verdadeiro. Outra impossibilidade. Sim? E ainda, tudo que sentiu antes foi uma fraca diluição.

Não. Seguramente não. Ele entendeu isto errado.

Tinha que ter entendido isto errado.

Nenhuma mulher o afetaria tão poderosamente com tão pouco.

— Elin, você é humana, sim?

A cor que ele muito admirou em suas bochechas drenou, e ela alisou vários fios errantes de cabelo atrás de sua orelha com uma mão trêmula. — Sim. Claro.

Ele não sentiu o gosto de nenhuma mentira.

— Por que?

— Não importa, — ele murmurou. Era só ela, então. Ela afetou ele.

Seu olhar encontrou suas mãos. Seis cicatrizes dentadas riscadas acima do topo, a carne levantada vermelha e brava, claramente de ferimentos recentes. Deviam ser cortesia de uma das Fênix.

Antes de ele perceber que se moveu, a pegou pelos pulsos para colocar suas mãos na luz. Não seis cicatrizes, mas onze. Cada uma era longa e espessa.

Mãos eram sensíveis, cobertas de nervos. Oh, como ela devia ter sofrido.

— Quem fez isto? — Ele exigiu baixo.

Ela se arrastou de seu aperto e uma vez mais colocou seus braços atrás dela. Envergonhada?

Ele... Lamentou a perda de seu calor e suavidade.

Era irritante. Confuso.

Não era para ser tolerado.

— Quem? — Ele insistiu, determinado em distribuir castigos. E ele não perdeu a ironia. Ele, de todas as pessoas, não tinha nenhum direito de condenar outro ser por causar dor.

Ela pensou por um momento, encolheu os ombros. — Não é como se eu tivesse qualquer lealdade à ela. Foi Kendra. Depois que a trouxe de volta para o acampamento, mas antes de ela fugir e retornar com você.

A bruxa vil. Hoje à noite, administraria olho por olho para a princesa.

— Por que ela fez isto?

— Eu murmurei.

Bem, então, depois que Thane fatiasse o dorso das mãos de Kendra, cortaria suas orelhas. Talvez fazer crescer um novo par a ajudasse a apreciar o presente que era escutar outros.

Está quase na hora. A voz de Xerxes passou por sua mente.

— Eu devo ir, — ele disse, — mas quando eu retornar nós falaremos. — E ele forçaria, permitiria que Elin tocasse sua asa novamente. Ele perceberia que ela o afetava tão pouco quanto todo mundo, que o primeiro contato foi uma divergência.

Ela olhou para ele com crescente horror. — Falar sobre o que?

Ele não estava acostumado a ser questionado, mas optou por perdoá-la. Só por isso.

— Você.

Ela voltou para longe dele até que suas coxas bateram na extremidade da mesa.

— Você vai me prender com estacas?

Ele franziu. — Não. Eu tenho mais perguntas para você.

— Que tipo de perguntas?

— O tipo que me ajudará a conhecer você melhor. Você é minha empregada, afinal.

— Oh. — Ela soltou uma respiração pesada. — Certo, então.

O que, ela esperava que ele a atacasse?

— Eu disse a você antes, kulta, não vou machucar você. Vou cuidar de você.

A admissão surpreendeu-a tanto quanto a ele.

Ele? Cuidar de uma fêmea? Algo que estava longe de mera proteção.

Mas mesmo que o surpreendesse, sentiu-se tão natural quanto respirar.

— O que kulta quer dizer? — Ela perguntou.

Doçura. Bebê. Querida. Preciosa. Quaisquer dessas coisas. Todas elas. Escolha.

Uma pequena maravilha que nunca usou o carinho antes. Ele não estava certo por que usou isto agora.

Ele era quem devia voltar desta vez. Somente, não parou. Enquanto andava a passos largos da sala, ele estalou, — Adrian, não recordo de dizer a você para esperar antes de obedecer minhas ordens. Vá. Agora.

 

Finalmente, Elin podia respirar.

A presença de Thane de alguma maneira tirou o oxigênio de seus pulmões. Ele era mais que um... homem. Grande e forte, inegavelmente perigoso, que pulverizava na atmosfera a mais feroz testosterona, fazendo com que toda mulher em sua vizinhança ficasse completamente intoxicada com hormônios, endorfinas e substâncias químicas.

De verdade. Queria-o para jantar. Sem deixar uma migalha atrás.

Imaginou-o estendido sobre a mesa. Se ele fosse uma comida, seria um filé de alto nível, com molho marinado e polvilhado com pimenta doce e picante.

Não. Não! Elin má. Mas... ele a olhou com sombrias intenções, apenas para tocá-la com sua terna generosidade. Ele quebrou o pulso de um homem apenas por roçar suas asa e queria que Elin as acariciasse.

Ele era um pacote de contradições. Mas então, ela era também, sentia medo dele e sentia-se atraída por ele. Uma atração que apenas a colocaria em problemas. Ele segurava seu futuro em suas fortes mãos de quebra-pescoço-com-um-só-estalar.

Ainda assim, não conseguia controlar as reações de seu corpo com ele. Em sua presença, o calor se fundia em seus ossos. E seu cérebro! Esquecia-se quem era, quem era ele, com uma faixa de “vou arruiná-la” e o grande perigo que representava para ela e concentrava-se apenas nas coisas que poderiam fazer um ao outro. Beijar, saborear. Lamber. Tocar. Acariciar.

Devorar.

Ela estremeceu com o pensamento. Então amaldiçoou.

Estes desejos imprudentes não significavam nada, não mudavam nada. Thane era seu chefe, e então estava fora dos limites. Também era um sociopata limítrofe com estacas extras, e a machucaria no momento que descobrisse suas origens. Mas além do eu-quero-ser-um-prego-no-seu-caixão e do voto a Bay? Ele era um mulherengo descarado.

Ele e a Loira claramente fizeram a festa entre os lençóis. Seu cabelo estava bagunçado, todo espetado. Havia marcas de garras em sua bochecha e marcas de mordidas em seu pescoço.

Elin ignorou a pontada em seu peito.

Ele não valia a angústia mental que com certeza causaria nela. Então, persegui-lo? Romper seu voto? Converter-se em uma entre milhares? Perder o trabalho que lhe dava dinheiro, para não falar das novas amizades, com as outras garçonetes? Não, obrigada.

Então, vamos seguir em frente. Elin pegou o resto das quinquilharias que ganhou e se dirigiu para seu quarto. Ela desesperadamente precisava de um cochilo.

Bellorie estava estendida em sua cama, usando um adorável pijama de flanela e lendo um livro “Decapitando Idiotas”, o que fez com que Elin se lembrasse momentaneamente da faculdade.

Ela frequentou a Universidade do Arizona no que parecia uma vida atrás, casou-se quando faltavam apenas seis tímidos créditos para o diploma de Administração de empresas e decidiu tomar um tempo livre e terminar depois. Afinal, seus melhores anos estavam à frente.

Sim. Certo. Se “os melhores anos à frente” fossem a resposta, então “as coisas estúpidas que as pessoas dizem” seria a pergunta.

Mudou-se dos dormitórios dos estudantes para o apartamento de Bay, mas oh! se esqueceu de como a companheira de quarto dele costumava empilhar caixas de pizza no canto. Apreciava fazer arte com as latas de cerveja vazias. Havia sempre milhares de mensagens na porta e pelo menos roupas de seis pessoas diferentes no chão. O choque de diversos estilos e gostos deveria ser assustador, mas foi reconfortante. Não havia nada para se preocupar, além dos testes parciais e portas trancadas.

Este novo dormitório era sempre uma variedade caprichosa. Uma das camas parecia ser feita de LEGO. Outra tinha um enorme urso panda de pelúcia como cabeceira. A única mesa auxiliar tinha pernas humanas de madeira, com vomito falso sobre ela. A poltrona de leitura era normal, mas a outra em frente a esta tinha forma de tartaruga, com a cabeça, braços e pernas saindo pela parte inferior.

— Ei. — Elin disse, notando que as outras meninas ainda não tinham chegado.

Olhos escuros se levantaram e caíram sobre ela. — Olhe para si mesma. Pequena puta. — A harpia acrescentou com um pequeno sorriso. — Olhe, fazendo alarde de seu prêmio tão descaradamente. Estou impressionada.

— Eu sei, claro. — Ela fez um giro, sabendo que os diamantes, esmeraldas, safiras e rubis faiscavam na luz. — Com ciúmes?

— Muito. — Uma Bellorie sorridente lançou o livro nela. Apesar do quão rápida e forte era, Elin conseguiu pular a tempo, fora do caminho. E foi uma boa coisa que teve sucesso, porque o canto da capa dura fincou na parede. Se fosse sua cabeça...

Morte instantânea.

— Oops. — Bellorie fez careta. — Por um minuto esqueci que você é humana. Mas está ficando boa em esquivar. Poderia ser uma membro decente do Scorgasms Múltiplos depois de tudo.

Muito duvidoso. Elin não era forte o suficiente para erguer pedras, muito menos lançá-las. E se alguém realmente a golpeasse com um daqueles projéteis da morte, seus órgãos internos estourariam. Agora mesmo, não tinha certeza de qual posição exatamente ela seria. Além da... isca? O que sabia era que não gostava do esporte. Era extremamente violento e um gatilho para as piores de suas emoções.

— Ah, e para sua informação, — acrescentou Bellorie, — jogaremos com o Spinnal Tappers neste fim de semana e com os Rockzillas no próximo.

— Sim. — Elin conseguiu levantar o punho de forma convincente. — Mas tem certeza que estou pronta? Talvez deva montar o pino para eles. Já sabe, para aprender mais com a observação.

— Não. Precisa experimentar um verdadeiro scorgasm próprio.

— Imagino. — Renlay teria querido que ela jogasse mal. Seu pai, um grande viciado em adrenalina, teria aplaudido como um louco. Bay beberia algumas cervejas para acalmar os nervos. Mas os três ficariam orgulhosos dela.

E... algo estava errado, pensou franzindo o cenho.

O quê?

Ela pensou em sua família e...

Não se lembrou imediatamente das suas mortes. Não chorou.

Algo não estava errado. Algo estava diferente. Por quê?

Antes de poder ponderar a resposta, um golpe soou na porta.

— Entre por sua própria conta e risco. — Bellorie respondeu.

Adrian entrou, seu tamanho surpreendendo Elin novamente.

— Onde estão Chanel e Savy?

Ele devia ter seguido diretamente atrás dela, e ela ainda não o ouviu. Preciso trabalhar em minha percepção.

— Chanel está em um encontro às cegas. — Bellorie respondeu. — O sujeito teve seus olhos removidos por seu irmão, ou algo assim. E Savy decolou logo depois de seu turno. Não sei para onde. Octavia está fora comprando sorvete, o que você não perguntou.

Amiga! Por que Octavia não se ofereceu para trazer uma bola de chocolate?

Adrian suspirou. — Muito bem. Preciso que você e Elin venham comigo para ajudar a remover o novo brinquedo de Thane.

Não! Primeiro instinto: sua curiosidade não precisava ser satisfeita.

Sim! Segundo instinto: preservação física.

Mental e emocionalmente, nada de bom poderia vir do tipo de garota que prefereria Thane, de perto e pessoalmente, depois que ele teve suas grandes mãos e a boca pecadora por toda parte dela. Elin não sentia ciúmes, não mais, maldição! Mas por causa de sua atração tola por ele, poderia começar a se perguntar o que sentiria ao ter as mãos e boca do homem por toda parte dela. Seria melhor apenas evitar todas as coisas de Thane até que seus sentimentos luxuriosos desaparecerem.

E iriam.

Teriam que desaparecer.

Quando pensava em um homem, queria um tranquilo. Normal.

Espere. Não. Ela não queria nada tranquilo. Não queria um homem. Nem mesmo um chamado “normal”. Queria ficar sozinha.

Certo?

— Estou muito cansada. — Ela disse, arriscando-se a um castigo. Não teve que forçar um bocejo. Veio sozinho. — Vocês dois podem ir, divirtam-se. Vão. Enviem um cartão postal, e todas estas coisas.

Bellorie rolou seus olhos. — Você virá, sua pequena sem vergonha e isto é definitivo. Este é seu trabalho e Adrian não tem permissão para tocar o sexo oposto.

Não? Por quê?

Elin olhou para ele, esperando por uma resposta. Ele deu a volta e se afastou, o que a obrigou a seguir Bellorie. Deveria perguntar a Bellorie diretamente por suas costas? Não mesmo. Ela esperaria. Seguramente escutaria alguém conversando sobre isto.

Espionagem acidental? Sim. Todas as crianças faziam isto hoje em dia.

A caminhada levou mais tempo que o esperado, cada corredor mais luxuoso que o anterior, cada conjunto de escadas mais elaboradas e sinuosas, até que chegaram a um corredor fortemente custodiado por um par de portas duplas. Do lado esquerdo o ferro torcido tinha forma de árvore. Os ramos se inclinavam todo o caminho até o lado direito, formando um caminho.

As portas se abriram para Adrian, dividindo a árvore, então se mantendo abertas para ela e Bellorie. Por belos vampiros fortes. Ou, como havia começado a pensar em bloodbarians, uma mistura de vampiro e bárbaro.

Quando Elin passou pelos homens, tentou não se importar com o fato de eles a olharem como se fosse um lanche liquido muito gostoso. Uma vez dentro do quarto, ela parou e abriu a boca. Este era o quarto de Thane? Porque... uau. O homem certamente sabia como mimar a si mesmo. Haviam sofás e cadeiras de veludo em tons de joias, com almofadas de plumas, uma mesa de café com pernas como patas de leão e um piso de madeira escura coberto por um tapete branco como a neve. Plantas e flores adornavam os cantos.

— Não quer se esfregar contra tudo como um gatinho? — Bellorie perguntou com um sorriso agradável. — Embora, não recomendo que realmente faça isto. Thane saberá, e ficará furioso.

— Escute-a. Ela descobriu da forma mais difícil. — Adrian disse.

Bellorie movimentou a cabeça. — É uma história verdadeira.

Ainda assim, Elin não pôde evitar o efeito fantasma na ponta dos dedos ao longo da suavidade de uma das almofadas do sofá. Um erro. Sua pele formigou e se aqueceu, desesperada por mais. Um rubor manchou suas bochechas. Não era um bom sinal que sua atração cercasse os pertences de Thane.

— O que Thane fez com você? — Ela perguntou. Era um delito tão pequeno. — E como descobriu? — Então posso ser duplamente cuidadosa com meus próprios segredos.

— Aura, talvez? Ele mantém tudo para si mesmo, então não podemos evitar seus métodos. E eu tive sorte. Apenas falou comigo durante uma hora. “Em algumas culturas, Harpia”, — a moça disse, fazendo sua melhor impressão de Thane, — “eles cortam fora as mãos por um crime como o seu, blah, blah, blah, isto não é um debate, blah, blah.”

Elin riu e se encolheu ao mesmo tempo, e tinha certeza que pareceu tão grotesca quanto soou.

— Desde então... — A garota continuou. — Eu sempre culpo um homem por meus crimes. Tenho ficado satisfeita com os resultados.

Eles alcançaram a primeira entrada abaixo do corredor mais longo. Bellorie entrou no quarto, e Elin se arrastou atrás, relutante. Adrian esperou do lado de fora. Para evitar a tentação?

O ar cheirava fortemente a sexo, o nariz de Elin se enrugou. Seu peito começou a doer. Ela não estava preparada para isto. Thane cheirava delicioso como sempre.

Esqueça-o. Mais luxo a saudou. Do tipo que não teria pensado possível. Pedras reluziam nas paredes e no veludo que cobria a enorme cama.

Uma cama atualmente em ruínas, como se um terremoto a tivesse golpeado. A loira ocupava o centro, com o corpo machucado e maltratado, enrolada como uma bola. O fôlego de Elin ficou preso enquanto suas mãos se enrolavam em punhos.

— Vamos. — Bellorie disse, arrastando-a o resto do caminho.

O que, exatamente, Thane fez com a mulher? — Ele a machucou...? Por que iria ele...? O que poderia ele possivelmente...? — Não conseguia formar uma frase inteira. O que ele fez? Não era sexy! Estava errado.

Amigo. Ela entendia o desejo por paixão feroz, selvagem. Mas isto? Isto era além de sua experiência.

— Eles adoram isto. — Bellorie disse, pegando uma pomada da gaveta superior para passar nos pulsos e tornozelos esfolados da garota. — Ele não faz nada que elas não queriam, eu garanto.

Como ela podia saber com certeza? Ela alguma vez...

Não, Elin pensou, com pequenas faíscas de ciúme, não podia ser ciúme, e apagou-as imediatamente. Ele não se envolvia com nenhuma garçonete do clube. Certo?

Bellorie deu um pequeno empurrão na direção do armário. — Seja amável e pegue um roupão de nossos clientes.

Elin obedeceu, surpresa por encontrar estantes após estantes cheias de roupas de diferentes tamanhos, ainda que cada uma fosse menor que qualquer coisa que Thane pudesse ajustar em suas asas e músculos. O que significava que comprou estas especificamente para suas mulheres.

Mais uma lembrança para as mulheres levarem para casa.

Sua atração por ele tomou outro golpe importante.

Mas... ele não podia ser o mesmo homem que segurou as mãos machucadas de Elin nas suas e a olhou como se ainda estivessem de alguma maneira bonitas. Como se quisesse matar a pessoa responsável.

Possibilidade: Eu vi só o que quis ver.

Irritada com ele, consigo mesma, ela entregou a roupa para Bellorie. A garota vestiu a Harpia e a ajudou a se levantar e Elin se apressou para agir como uma segunda muleta.

— Espere. Minhas joias. — A Harpia disse com voz rouca.

Bellorie roubou uma gargantilha de diamante e um par de brincos da mesa de noite e colocou no bolso do roupão. — Tudo pronto.

Ele pagava suas amantes? Para transformar o que fez em mais aceitável?

A atração quase se foi completamente.

Juntas arrastaram a garota corredor abaixo, depois para um elevador, e pelo clube.

Na saída, ela oscilou em seus pés. — Diga a Thane... mais... deve ter...

— Certo, certo. — Bellorie respondeu. — Você quer mais dele, morrerá se não o tiver. Entendi. O problema é, urso de açúcar e, por favor, saiba que estou dizendo para o seu bem, ele já esqueceu tudo sobre você.

Quando as portas se fecharam, Bellorie alfinetou Elin com um olhar lamentável.

— Eu disse. Elas amam isto. Cada vez mais. É só mais tarde que começam a odiá-lo, mas suspeito que seja porque ainda o querem.

Eu não. Nunca.

E ainda assim, parte de Elin lamentou a perda do Thane que ela esperou que fosse o homem que ela devia ter inventado em sua mente. O cavaleiro branco. O encantador. O... herói.

Lição aprendida: Sempre olhe além da superfície.

Um pequeno problema, porém. Seu corpo ainda o queria. Não sabia a diferença entre bom-para-Elin/ruim-para-Elin. Funcionava unicamente com as sensações.

Bem, teria que ser controlado.

E havia uma forma de satisfazer o pior de seus desejos... com outro homem.

O pensamento a golpeou, e ela balançou a cabeça. Não. Definitivamente não.

Definitivamente sim, disse uma voz sedutora, uma tentação que se construiu por dias, esperando pelo momento perfeito para atacar. Seu ser inteiro estava despertando e lembrando como se sentia ao ser beijada, tocada. Lembrando a... fome. Você precisa de um homem.

Elin apoiou a mão sobre o ventre, agora rodando. Odiava este caminho de seus pensamentos. Era como perdoar a si mesma por seu papel na morte de Bay. Pior ainda, era como dizer que sofreu o suficiente.

Ela não tinha ainda.

Tomar um amante não tinha que significar qualquer coisa mais que arranhar uma coceira.

Não.

Talvez o sexo pudesse ser outro tipo de castigo infligido. Thane certamente parecia achar que sim.

Certo, agora a tentação estava batendo onde mais doía. Eu mereço castigo.

Ela engoliu saliva, imaginando o que aconteceria se continuasse a não fazer nada. A tensão em seu corpo aumentaria... e aumentaria... e aumentaria. Ela iria explodir e se jogar sobre alguém... provavelmente Thane.

Não importava o que aconteceria.

Seria melhor arrumar um amante agora, enquanto tinha um pouco de controle... e poderia se odiar por isto.

Sim.

Ela respirou fundo, então lentamente soltou, a culpa parecia ter braços frios e úmidos ao seu redor, abraçando-a como um velho amigo... ou o amante que ela iria arrumar. Quem deveria escolher?

Alguém como Bay? Gentil. Feliz. Divertido. Mas então, ela estaria dando a este sujeito sem nome, sem rosto, o que ela foi incapaz de dar ao seu marido morto. Afeto e atenção.

Não. Não seria assim.

Ela teria que escolher alguém duro e áspero.

Como...Thane?

Não! Ele não era uma opção. Ele era a razão por estar neste aperto sim, mas não era uma opção. Teria que escolher alguém como Thane. Alguém do bar, talvez.

Como Merrick, o rompe corações, talvez.

Sim. Ele.

Ele faria.

Ele seria perfeito, realmente.

Então... da próxima vez que o grupo fosse ao bar...

Fechou os olhos para se proteger da inundação de culpa. Ela realmente iria subir na cama com outro homem.

Eu sinto muito, Bay. Amo você, e sinto tanto sua falta. Uma vez que fizer isto, uma vez que estiver terminado, nunca farei novamente. Eu posso voltar as coisas como eram.

 

Thane olhou para Zacharel, incrédulo.

— Vamos ver se entendi corretamente. Você não vai me chutar dos céus, e não vai me obrigar a liberar o clã Fênix sob meus cuidados?

— Correto.

Novamente, a surpresa o percorreu.

Seu líder estava em pé na frente de sua casa no céu, em uma grande nuvem, seus olhos verdes penetrantes olhando o mundo humano abaixo. O vento levantava as mechas negras de seu cabelo até suas bochechas e ao redor dos ombros. Asas gloriosamente douradas se arqueavam com orgulho, um testemunho de seu lugar exaltado em seu mundo.

Nos céus, havia uma hierarquia muito clara. O Altíssimo. Clerici. A Elite dos Sete, Zacharel entre eles. Então todos os demais.

Desobedecer ao édito de Zacharel era cortejar a ruína. Thane sabia disto. Mas o fez de qualquer maneira. E seria... perdoado?

Agora, olhava para Bjorn e Xerxes. Ambos estavam tão desconcertados quanto ele.

— Sei que Clerici permite a vingança, — Zacharel disse rigidamente, — também sei que viola o Código de ética do Altíssimo e terá consequências espirituais para nós todos.

Sim. No entanto, o Altíssimo não impedia Clerici de fazer o que Clerici queria fazer, todos tinham livre arbítrio. Ainda assim, todo ato contra suas regras colocava um Enviado sob seu guarda-chuva de proteção.

— A Fênix escravizou você, — Zacharel continuou, — o que agora permite semear sua morte.

— Eu o farei. — E iria. Inúmeras vezes.

Seu líder não se moveu.

— E tenho permissão para castigar você.

Perdoado, sim, mas não esquecido.

— O que fará?

Zacharel suspirou.

— Koldo foi chicoteado quando escravizou sua mãe. Que tipo de líder eu seria se permitisse que outro dos meus guerreiros, ainda que ele seja meu segundo no comando, renunciasse ao mesmo? — Ele encontrou o olhar de Thane. — Então, você receberá uma chicotada por todos os guerreiros que foram torturados em seu jardim.

Isso era para ser um castigo?

— Muito bem. — Ele não deixaria Zacharel saber quanto apreciaria isto. Ele controlaria a reação de seu corpo. De alguma maneira.

— Não os libertará por sua própria vontade?

— Não.

— Embora se lance de cabeça ao desastre?

Embora. Um dia, o rei dos Firebirds voltaria ao acampamento, o encontraria deserto, ouviria sobre o macabro pátio de Thane, e faria uma fogueira para ele. Aconteceria uma batalha horrível, por decreto de Ardeo, Thane se salvaria de um golpe mortal e se retiraria para a vingança. Mas Thane não renunciaria a seus cativos até então.

E todos ao redor seriam colocados na linha de fogo.

Ele não queria atenção. Queria a glória na indiferença ocasional que abrigou antes.

Mas... e se Bjorn ou Xerxes fossem feridos? Seria sua culpa.

Eles eram fortes. Poderiam se proteger.

E Elin? A humana frágil que era agora sua responsabilidade. Diferente de seus amigos, ela não se recuperaria se a Fênix a queimasse viva. Seu método preferido era eliminar alguém de outra raça.

Passou dois dedos por sua mandíbula, a ação tão feroz deixou arranhões. Ela é nada. Não significa nada.

Um gosto ruim cobriu sua língua, e desta vez sabia o que era. Uma indicação de uma mentira. Apesar do fato que não falou uma palavra. Irritado, confuso, apertou os dentes. Ela. Era. Nada.

O sabor se intensificou.

— Receberei as chicotadas. — Ele anunciou.

O aceno com a cabeça de Zacharel era sombrio.

— Muito bem.

Deixe-nos, ele projetou para Bjorn e Xerxes. Não queria que os dois vissem isto. Eles testemunharam o suficiente da torturas dos demais.

Ambos balançaram suas cabeças que não. Ficariam. Assistiriam. E o sustentariam.

— Tenho uma parte nisto. — Xerxes disse. — Também receberei o castigo.

— Assim como eu. — Bjorn disse.

— Não.

— Sim. — Eles disseram em uníssono.

A culpa se levantou. Eles não eram como ele. Não encontravam consolo na dor, e sofreram demais, quando Thane foi incapaz de ajudá-los. Agora, não podia deixá-los tomar seu castigo merecido, especialmente desde que era totalmente indigno.

Não façam isto, ele pleiteou.

Já está feito, Xerxes disse com uma sacudida determinada de suas asas.

Juntos até o fim, Bjorn disse, seus olhos de arco-íris ferozes.

Em uníssono, seus amigos removeram a parte de cima de suas roupas, deram a Zacharel suas costas, e ficaram de joelhos. Prontos.

Thane fechou seus olhos. Ele deveria deixar a Fênix ir. Ele...

Não podia.

Muito bem.

Odiando a si mesmo, Thane seguiu o exemplo. Abriu suas asas adiante, ao redor dos braços. Ele foi chicoteado primeiro, o couro em suas asas, e então, quando foram cortadas, atingindo sua pele.

Qualquer prazer que sentiu foi negado durante a vez de Xerxes, então de Bjorn. Nenhum exibiu qualquer tipo de reação, mas Thane não pode evitar estremecer a cada golpe.

— Agora. Negócios. — Zacharel disse depois que se vestiram. Como se nada tivesse acontecido. Ele fez um sinal para os carros ao longo das estradas sinuosas. Nada além de formigas em uma colina abaixo deles. — Alguns dias atrás, a filha de William,O Sempre Excitado, White, foi assassinada pela mesma pessoa que a Fênix usou para matar a concubina amada do Rei Ardeo.

Thane concentrou-se. William. Um imortal de origens questionáveis. Um homem sem lealdade ou consciência. Um homem com poder sem igual. Thane sempre o admirou. Ele viveu sua vida do modo como Thane desejava viver a dele. Sem remorsos.

— O nome da assassina era Petra. — Zacharel continuou. — Eu digo era, porque William e seus três filhos asseguraram que ela não regeneraria.

— Como?

— Eu não estou ainda certo.

Ainda, um pedaço interessante de conhecimento que Thane armazenou. Quando terminasse com Kendra, queria se assegurar que ela fosse incapaz de regenerar também.

— A filha de William, White... — Zacharel suspirou, — ... era a encarnação da submissão, e depois de sua morte seu espírito se rompeu em milhões de pedaços, cada um como um inseto, espalhando-se por Nova Iorque, infectando os humanos que tiveram a infelicidade de estar no seu caminho.

Seu líder empurrava as palavras dentro de suas cabeças, talvez sem querer que as informações flutuassem longe, na brisa, deixando em pânico aqueles que ainda não sabiam.

Os demônios estão usando essa submissão em sua vantagem e possuindo mais facilmente corpos humanos. O crime está agora em seu ponto mais alto, e já descobriram que um dos demônios responsáveis pelo assassinato de Germanus usa a violência como cobertura, tentando proteger seu paradeiro.

O que quer que nós façamos? — Bjorn perguntou.

Todos os membros de um exército podiam se comunicar desta maneira. Isto queria dizer que todos os membros de um exército estavam unidos por conexões mentais. Thane nunca gostou disto, queria tal conexão apenas com Bjorn e Xerxes. Porque se a voz pudesse viajar naquelas estradas, então podiam os pensamentos. Lembranças. Ninguém teria direito aos seus segredos.

Vão para Nova Iorque e cacem o demônio. Zacharel disse.

E então o que? Xerxes respondeu. Supõe que iremos entrar nas casas e empresas ao azar e esperar que tenhamos sorte?

Thane passou uma mão por seu rosto. O Altíssimo ofereceu detalhes?

Uma sacudida da cabeça escura de Zacharel.

— Posso dizer que o mal sempre deixa uma trilha. Encontre o início e logo chegará ao final.

Ele fazia soar fácil. Thane sabia que não seria. Nunca era. Mas ele e seus rapazes perseverariam. Sempre o faziam.

— Koldo, Axel, Malcolm, Magnus e Jamilla já estão lá, esperando por vocês.

Thane curvou uma sobrancelha.

— Esperando? — Os guerreiros mais impacientes de todo o tempo? — Em lugar de caçar?

— Percebi que cometi um engano enviando os meus para locais diferentes. Diminuiu nossos esforços. Então, deste momento em diante, trabalharemos juntos. Nos concentraremos na captura de apenas um dos seis demônios responsáveis pelo assassinato de Germanus. Uma vez que estiver feito, giraremos nossos esforços para o segundo e assim por diante.

O efeito da bola de neve. Uma vitória empolgaria todos para a próxima.

Sábio.

Com o cenho franzido, Zacharel balançou sua cabeça de lado.

— Vão. Vão agora. Os outros foram emboscados, e uma batalha está acontecendo.

 

Metal assobiava pelo ar da noite úmida. Passos determinados de um, dois... cinco indivíduos diferentes, ecoando. Passos de guerreiros, não o estalido de cascos de demônio. Um silvar de dor soou, seguido por um grunhido de satisfação.

Thane mergulhou na ruela escura, endireitando no último instante antes de cair em pé no meio da batalha violenta. Quando puxou uma espada de fogo, ele estalou suas asas ao lado dele, abrindo espaço para Bjorn e Xerxes.

Um olhar rápido revelou sombras se retorcendo encolhidas das espadas de fogo que os Enviados brandiam. Mas, no momento em que os Enviados ficaram ocupados com outro oponente, aquelas sombras agiram, deslizando garras enegrecidas.

Koldo lutava com o cálculo frio de um robô.

Axel lutava como se não tivesse nenhuma preocupação com sua própria vida, deixando-se totalmente aberto para contra-atacar, apenas para fazer uma única matança.

Os gêmeos Magnus e Malcolm estavam costas a costas. Depois que Magnus feria a presa, Malcolm terminava com ela.

Jamilla era imprevisível, impossível de predizer seus ataques, como se ela se esforçasse para matar tudo em seu caminho.

Rage fixou uma rota de colisão com Thane. A detonação iminente. Ele encontrou as sombras uma vez antes, um diferente tipo de demônio que o tipo mundano com o qual normalmente lutavam, isto aconteceu na noite que Kendra morreu com o punhal dele em seu intestino, o que fortaleceu o vínculo escravo... na noite que Bjorn desapareceu. Um simples arranhão poderia ter consequências devastadoras.

Thane avançou, pretendendo ajudar. Suas costas queimando; os ferimentos não tiveram tempo de se curar.

Não se junte à rixa, e não se mova deste ponto, Bjorn disse dentro de sua cabeça.

Apesar de ser um pedido estranho, Thane concordou sem vacilação. Ele confiava em seu amigo com sua vida, cada parte de sua vida, quaisquer que fossem as circunstâncias.

Bjorn arrastou-se para dentro do coração da batalha, somente que, em vez de produzir uma espada, ele abriu os braços. A ação disse, “Olhem para mim. Sabem quem sou e o que posso fazer. Obedeçam-me ou sofram.” — Basta!

As sombras reagiram imediatamente e violentamente, gritando e arremessando-se para fora do caminho, fora do alcance de Bjorn, antes de desaparecerem completamente.

Da última vez as criaturas não temeram o guerreiro. O que mudou? Por que isto tinha mudado?

Devo retornar, Bjorn disse, seu tom firme, com... algo. Não se preocupem. E então ele também se foi.

Thane trocou um olhar de preocupação e frustração com Xerxes. Queriam agir. Precisavam agir. Seu melhor amigo poderia estar em sérias dificuldades. Mas o que poderiam fazer? Até agora, Thane foi incapaz de descobrir quaisquer informações sobre o que aconteceu com Bjorn quando desapareceu, qual era a situação atual dele, ou até mesmo das criaturas. O que elas eram exatamente?

Mesmo enfurecido contra as circunstâncias, ele lançou sua espada. As chamas enfraquecendo.

— Alguém foi ferido?

Um coro de “nãos” ecoou.

— Cara! Temos lutado com aquelas sombras como nunca.

— Mais como uns cinco minutos, — Thane interrompeu.

— Alguns de nós um pouco mais habilmente que outros, mas que seja, — Axel continuou inalterado, seus olhos azul bebê cintilando quando realmente deu-se um tapinha nas costas. — Então o Sgt. Estraga Prazeres apareceu, e isto acabou? O que está acontecendo aqui?

Com os lábios curvados em uma careta, Thane abordou o guerreiro com ameaça em cada passo.

— Diga isto novamente. Eu te desafio.

— Então o Sgt. Estraga Prazeres apareceu...

— Não, — Koldo disse, cortando-o quando Thane atacou. O guerreiro se moveu para a frente de Axel, agindo como uma proteção viva. — Não.

Thane plantou os pés e forçou-se a permanecer no lugar. Os dois foram parceiros em algumas missões, e Axel até salvou a vida de Koldo, mas isso não significava que agora eram tão próximos como irmãos. Por que Koldo faria isto?

Um sorridente Axel alcançou em torno do ombro do grande sujeito e sacudiu Thane.

Koldo suspirou.

Talvez eles fossem tão próximos como irmãos. Um improvável par, o normalmente silencioso, sempre introspectivo Koldo e o irritante e irreverente Axel, mas não tão improvável quanto, digamos, um Enviado e um frágil humano.

— Agora estou dirigindo esta missão, — Thane disse. Como segundo no comando, de Zacharel, era justo. — Conte-me tudo que perdi.

Diferentes graus de raiva, diversão e indiferença propagaram. Mesmo assim, ele obedeceu sem questionar. Sua determinação para permanecer nos céus, com as asas intactas, era mais forte que suas emoções.

Se apenas isto fosse fácil para mim.

O que Thane aprendeu: as boates com as mais altas atividades demoníacas foram pesquisadas. Então as casas com as auras mais escuras. Um punhado de demônios foram capturados e torturados, mas nenhuma nova informação foi adquirida.

Resultado: os Enviados não estavam mais perto das respostas.

Se queria um resultado diferente, tinha que fazer algo diferente.

Se eu fosse a encarnação do mal, e acabasse de matar Germanus, o rei do meu maior inimigo, esperaria que o dito inimigo viesse atrás de mim, determinado a castigar-me. Então, onde eu me esconderia?

Primeiro Thane não se esconderia. Ele não era um covarde. Mas demônios definitivamente eram.

Então novamente, demônios também eram fanfarrões.

Então... o que prevaleceria? A covardia ou o orgulho?

Orgulho. Quase sempre prevalecia. E orgulho exigiria... o que?

Afagar o ego. Sim. Se o demônio não pudesse alardear sobre o que fez nos céus, ele recorreria a se gabar sobre o que fez aqui. Elogios humanos eram melhores que nenhum.

— O demônio que estamos procurando provavelmente possuiu um humano em algum tipo de posição de poder. Quero uma lista das cinquenta pessoas mais influentes na área. Estou disposto a apostar que alguém recentemente experimentou uma sombria metamorfose.

A raiva, a diversão e a indiferença mudaram para intriga.

— Farei isto, — Jamilla disse. Por ter sido torturada por demônios apenas alguns meses atrás, ela apreciaria toda a chance de retaliar. — Precisarei de pelo menos vinte e quatro horas para ir por nossos anais e juntar uma lista.

Os anais registravam todos os movimentos que todos os humanos faziam, até mesmo cada palavra que falavam. Mas porque o livre arbítrio sempre desempenhava um papel, a influência demoníaca não era mencionada com relação às decisões tomadas.

Ele assentiu.

— Koldo, converse com o resto do exército de Zacharel. Envie os soldados para vigiarem e protegerem o maior número de cidadãos de Nova Iorque possível. Axel converse com Clerici. Talvez ele possa falar com o Altíssimo e enviar anjos, também.

Ambos os guerreiros assentiram.

— Todos virão para o The Downfall amanhã à noite. Planejaremos nosso próximo movimento então.

Ele esperou até que recebeu algum de tipo de concordância de cada um dos guerreiros antes de alongar suas asas e se arremessar ao ar.

Alguns segundos mais tarde, Xerxes estava ao lado dele. Sei que está preocupado, apesar das palavras de Bjorn, assim como eu, mas isto aconteceu com ele várias vezes antes. Ele voltará para o clube antes de anoitecer.

Thane soltou um suspiro que não sabia que estava segurando. Como sempre, seu amigo sabia o ponto crucial de seu problema. Será que ele sofreu?

Ele deve, Xerxes respondeu honestamente. Após seu retorno, ele reagia como fazia depois do sexo.

Bjorn odiava ser tocado. Isso raramente o impedia de ter uma amante. Thane frequentemente pensava que seu amigo esperava provar algo para si mesmo. Mas sempre acabava se retirando para a escuridão de sua mente por dias, posteriormente.

Thane engoliu uma maldição quando caiu sobre o telhado do clube, uma faixa plana de vidro esfumaçado, como os olhos de Elin, que levava à sua ala privativa. Desejava tanto poder tomar o lugar de Bjorn.

Bjorn já tinha sofrido tanto, e estava cada vez mais próximo de seu ponto de ruptura. O desamparo familiar golpeou contra a compostura de Thane, a culpa como uma corda ao redor de seu pescoço, o sufocando.

— Cario, — Xerxes de repente rugiu. Ele saltou da borda do telhado e arremessou-se pelo céu da noite.

Thane procurou e encontrou a garota subindo pelo lado do edifício em um esforço para se mover furtivamente passando por uma das janelas.

Algumas semanas atrás, ela foi ao clube. Uma mulher de origem questionável, como William, O Sempre Excitado, e claramente poderosa, com a habilidade de ler o pensamento dos outros. Thane se insinuou para ela. Ela disse que não, mas ofereceu-se para Xerxes. Antes dos dois poderem se retirar para o quarto, ela cometeu o engano de revelar o que pretendia em seus pensamentos.

Isto enfureceu a todos eles.

Thane a chutou para fora e a proibiu de retornar. No caminho para fora, ela olhou para Xerxes e disse “Lembre-se de mim”.

Agora, ela percebeu a abordagem de Xerxes e gritou, soltando o tijolo para cair, abaixo, abaixo, arremessando-se em direção a terra.

Xerxes a seguiu, determinado a pegá-la.

Pobre menina. Quando conseguisse colocar suas mãos nela, ele a interrogaria... até a morte. Ela continuava voltando, e ele queria saber por que.

Talvez suas perguntas finalmente encontrassem as respostas.

Perguntas. Respostas.

Uma lembrança. A antecipação varreu através de Thane. Ele tinha seu próprio interrogatório para fiscalizar, não tinha?

 

Ugh. Convocada pelo Grande Queijo no chat venha-conversar-com-Elin.

Ela acabava de praticar com as Scorgasms Múltiplos. Três horas presa dentro do ginásio ao lado do clube de Thane. Hoje, não apenas aprendeu a arte de lançar pedras muito pesadas para que as erguesse, em alvos em movimento rápido demais para ela ver, como também foi apelidada. Bonka Donk.

Sim. Uma verdadeira vencedora.

Savy era Black Cawk. Não pergunte porque. As garotas riam silenciosamente toda vez que diziam o nome, e Elin tinha medo de rir também. Chanel era Alcoballic. Bellorie era O Pequeno Foguete Vermelho Que Podia, Foguete, abreviando. Octavia era Kobra Kai.

Eram tão sérias sobre seus apelidos como eram sobre suas vitórias.

Adrian manteve as portas duplas abertas, sua expressão em branco. Grande. Poderia dar-lhe uma dica sobre o humor de Thane tê-lo matado? Elin relutantemente entrou na sala de estar. Estou totalmente acostumada ao luxo agora. Não vou ficar emboscada. Não vou.

— Estarei esperando no corredor quando estiver pronta para retornar, — Adrian disse, e trancou-a do lado de dentro.

Thane estava relaxado na extremidade de um sofá sem encosto, seus cachos loiros surpreendentemente domados. Não quero correr meus dedos por aqueles cachos. O manto que ele vestia era de um branco brilhante, quase ofuscante, e sem uma mancha de sujeira. Não quero retirar o material do corpo dele e me refestelar nos músculos que ele exibia no acampamento.

Ela não estava atraída mais por ele.

A tensão irradiava dele, fazendo-o parece maior, mais forte. Mais agressivo.

Não estou intrigada com isto.

Não estou atraída por ele.

Estou assustada. Certo.

— Sente-se, — ele disse.

Entretanto ela queria fugir, porque estava assustada, e se maldizia por isto, então ela se forçou a reivindicar a cadeira na frente dele. O ar já parecia encharcado da champanhe mais cara, com sugestões de canela, fazendo sua cabeça nadar. E assim tão perto de Thane, os aromas apenas se intensificavam. Será que estavam nele?

Ela cruzou as pernas em uma tentativa vã de diminuir o calor remexendo em seu âmago.

Ela sempre reagiria a ele?

Não, por favor, não.

Pelo menos estava sem seu simplório uniforme e dentro do mais caro par de pijamas de flanela do mundo. Bellorie tinha vendido a roupa confortável e macia, por um broche de safira, uma gargantilha de rubi e uma pulseira de esmeralda. Separar-se das joias doeu. Muito. Mas não havia nenhuma maneira de ela aparecer neste encontro tão escassamente vestida, e não tinha nenhuma outra roupa.

Amanhã, ela e as meninas iriam fazer compras. Mal podia esperar.

Thane a olhou, seu olhar encoberto e sensual, mas escondendo seus pensamentos. A sobrancelha dourada dele curvada.

— Você não está curiosa sobre seu entorno?

— Para falar a verdade não. — Apesar de gostar de vê-lo em seu habitat natural. — Já estive aqui, examinando tudo.

Uma terrível espécie de quietude se apoderou dele.

— Você esteve. — Uma declaração, não uma pergunta.

Instintos de sobrevivência relampejaram uma luz amarela dentro de sua mente. Prossiga com precaução.

— Bem, sim. Tive que passar por aqui para chegar ao seu... — Ela fez um sinal para o quarto dele, ondulando a mão. — Uma tarde de deleite. Mas não toquei em nada! No geral.

Um vulcão de fúria estourou nos olhos dele, assustando-a.

— Adrian, — ele chamou em tom calmo. E ainda assim, ela ouviu a promessa de dor e sofrimento.

O macho entrou no quarto.

— Se esqueceu das minhas ordens? — Thane perguntou, ainda usando aquele tom de indução arrepiante.

Quais foram as ordens dele? O que estava acontecendo aqui?

Com a cabeça erguida, Adrian disse, — Não esqueci. Savy e Chanel se foram. Apenas Bellorie e Elin permaneceram.

Uh-oh. De alguma maneira, Elin o tinha deixado em apuros.

— Fiquei feliz em ajudar. Honestamente. — Mentirosa. — Bem, honestamente. Como eu disse, não toquei em suas coisas. Muito. E não quebrei nada. De verdade.

Thane a ignorou, dizendo para Adrian, — Nunca mais. Você entendeu?

Ela notou que ele não se preocupou com o “ou senão”. Entretanto, ele não deveria precisar.

Adrian assentiu e saiu do quarto, fechando a porta atrás dele.

— Nunca mais o que? — Elin perguntou. — Desobedeça você?

— Isto, também.

— Mas ele não o fez.

— Ele fez. E agora, esta linha de conversa está terminada. — Um momento se passou antes dos traços de Thane suavizarem, o brilho de raiva desaparecendo. Ele ainda conseguia emitir uma vibração desconfortável. Por quê? Porque ela viu seus restos de pós-coito?

Ele se levantou e os olhos dela arregalaram quando ele se aproximou dela.

Em sua mente, a luz amarela relampejou novamente. Amarelo. Amarelo. De repente vermelho. Ela endureceu. O que ele ia fazer?

— Sou inocente! — Ela gritou.

— Quantas vezes devo tranquilizá-la?

Ele simplesmente se sentou a mesa de café na frente dela, seus joelhos prendendo as pernas dela, e ela deu um suspiro de alívio. Isto não era tão ruim. Então ele colocou as mãos ásperas no topo das coxas dela. O contato a eletrizou, e ela teve que disfarçar um suspiro com uma tosse. E, oh, o cheiro de champanhe dele estava muito mais forte agora, deixando a dor muito pior.

— O que aconteceu com suas mãos? — Ela perguntou em um esforço para se distrair.

— O que foi devido.

C-certo. Mas por que ele mereceu ser cortado? E os ferimentos o machucaram? Agindo em impulso, ela beijou a ponta de seu dedo indicador e apertou-o ligeiramente no ferimento mais profundo, como sua mãe costumava fazer com ela.

— Pronto. Têm que melhorar agora.

Ele se sentou muito quieto, sua expressão congelada.

Isto a acertou então. O que ela fez, e para quem ela fez isto. Ela quase irrompeu em chamas de embaraço. — Uh, quero dizer... nossa, olhe a hora. Talvez eu deva ir?

As pálpebras dele ficaram meio abertas.

— Fique. — Enquanto a perscrutava, ele correu a língua pelos lábios. Então gemeu como se tivesse saboreado algo doce. A visão e o som foram inebriantes, quentes o suficiente para derreter qualquer mulher decidida, até mesmo ela. — E obrigado, — ele disse, em um sussurro suave.

Não uma repreensão. Um total choque.

— De nada, — ela suspirou.

Um momento se passou em silêncio, entretanto o batimento cardíaco dela ecoava em seus ouvidos. Então, com seu olhar atento estudando o rosto dela, ele disse, — Como é que você, uma totalmente humana, foi viver com as Fênix?

Totalmente humana.

Estava certa. Ele não tinha nenhuma ideia de que ela era uma mestiça. E tinha que manter isto deste jeito.

— Eles mataram meu... meu... — Um caroço cresceu em sua garganta. Suor brilhou em sua testa, e um grito brotou em sua garganta.

Suavemente ele segurou seu rosto, seus dedos polegares roçando sobre as maçãs do rosto.

— Isto novamente.

O contato centrou-a, encantou-a.

— Isto?

— O pânico. Por quê? — Ele perguntou. — Você não está realmente em perigo algum.

Ela fechou os olhos para fortalecer-se, e disse, — Eu estava lembrando quando estava em perigo. A Fênix matou meu marido e meu pai, e escravizou a mim e minha mãe.

— Você era casada? — As palavras chicotearam como um chicote. Ele a soltou como se descobrisse que era portadora da pior doença. — Quanto tempo?

Certo. Nenhuma pequena informação que esperava para reunir uma reação. Por que seu estado civil importava?

— Sim, fui casada. Pelos melhores três meses da minha vida.

— Por quê?

— Por quê? — Ela repetiu. Que tipo de pergunta era esta?

— Por que foram os melhores?

— Porque nós amávamos um ao outro. — Por que mais? — Ele era compassivo e atencioso, doce e gentil, e a melhor coisa que já aconteceu comigo.

Uma linha de desagrado passou pelas íris de Thane, enquanto ele esfregava dois dedos ao longo da curva de sua mandíbula.

Por que desagrado?

— Quantos anos você tem? — Ele perguntou.

— Vinte e um.

— Tão jovem. — Ele estendeu a mão e apertou uma mecha de seu cabelo, pinicando seu couro cabeludo. Acho que estava curada da doença. — Quanto tempo você ficou com as Fênix?

Ela resistiu ao impulso de afastar-se, e ao desejo mais forte de se debruçar mais perto.

— Um ano.

— Um ano. Doze meses. Cinquenta e duas semanas. Trezentos e sessenta e cinco dias. Tempo bastante para alguém de sua espécie. — Seu tom gentil tornando-se dolorosamente bondoso. — Quanto horror sofreu durante este tempo?

A umidade em sua boca secou. Ela queria contar. Talvez ele a confortasse.

Conforto, ela descobriu, era um bem muito mais precioso que sexo.

Não podia ir por aí com ele.

— Não quero falar sobre isto, — ela resmungou.

Ele suspirou, movendo a cabeça.

— Entendo.

Ele não iria forçar? Outro choque. Ele a fez querer abrir-se, apenas um pouco, sobre algo.

— Nós tivemos uma aliada no acampamento por algumas semanas. Havia uma menina, uma Harpia. Neeka, a indesejada. Você se lembra dela? — Ela não esperou pela resposta dele. — Ela ficou lá por pouco tempo antes de outro clã vir e levá-la para longe, mas ela foi boa comigo, e ouvi que foi boa com você durante sua pequena convergência. A palavra era que ela até mesmo apagava o fogo de Kendra, quase que literalmente, quando a princesa desfilava você ao redor do acampamento nu e...

— Quais eram seus deveres? — Ele exclamou, em tom severo.

Uh-oh. Ela tinha cometido um erro crítico, repetindo um de seus momentos mais humilhantes?

— Não vi isto, — ela tentou assegurar. — Apenas ouvi...

— Deveres, — ele retrucou.

Ela engoliu em seco.

— Eu limpava. E era o entretenimento, — ela acrescentou amargamente.

— Explique.

De jeito nenhum. Até mencionar aquele aspecto de seu cativeiro tinha sido um erro.

De quatro, cão. Agora latindo.

Um cão não usa o banheiro. Faça aqui.

Sem banho para você esta semana. Os cães lambem a si mesmos para se limparem.

— A princípio, — ela disse, como se ele não tivesse falado, — eu era responsável por todas as comidas. Então eles perceberam quanto apreciava cozinhar, e me fizeram parar.

Ele correu a língua sobre os dentes.

— Você cozinhará para mim.

Por “mim”, ela assumiu que ele queria dizer o bar inteiro.

— Uh, não, não irei. — Pare de discutir! Mas ela não podia manter seus lábios cerrados. — Adoraria fazer isto, de verdade, mas tenho a sensação que os cozinheiros não fazem tanto dinheiro quanto as garçonetes.

— Dinheiro novamente. Por que é tão obcecada com isto?

Dizer ou não dizer?

Você confia nele para não sabotá-la?

Bem, sim. Ele era frio e duro, mas não era cruel. Não com ela, de qualquer maneira.

— Um dia vou abrir minha própria padaria e chamá-la de Deixe-os Comer Bolo. Ou Felizes Para Sempre. Ou Rosquinha dos Sonhos. Não decidi ainda. Mas não importa o nome, vai ser gloriosa. As pessoas virão do mundo inteiro para provar minhas sobremesas surpreendentes.

Os olhos dele cintilaram com uma emoção que ela não conseguia nomear.

— Amanhã, antes de seu turno, você assará uma destas sobremesas surpreendentes para mim.

Obrigada por perguntar.

— Certo. Isto eu posso fazer. Por um preço.

Ele pareceu pronto a abrir um sorriso. — Quanto?

— Que tal... Cem dólares?

— Você está pedindo um conselho ou dizendo?

— Dizendo?

Ele cobriu a boca com a mão, seus olhos reluzindo. O sorriso aparecendo! — Muito bem. Cem dólares. — A expressão dele em branco. — O que você mais sentiu falta enquanto esteve no cativeiro?

O assunto mudou. Entendi. Sem perder o ritmo, ela disse, — Além de minha família? Comida.

Ele franziu o cenho confuso. — Família. Você disse que sua mãe foi levada cativa.

Uma onda de dor lavou por ela. — Sim. Mas quatro meses atrás, ela morreu.

Tudo nele suavizou. Ele ternamente segurou-lhe o queixo e passou o dedo polegar por sua bochecha. — Sinto muito por sua perda, Elin.

Seu queixo começou a tremer. Ele vai me desmontar. Ela se forçou a acenar com a cabeça.

Sentindo pena dela, ele disse, — que tipo de comida você deseja?

— Todo tipo. As Fênix apenas me alimentavam com restos.

Eeee, a suavidade desapareceu, a raiva tomando seu lugar.

— Igual por igual, — ele murmurou. Ele ergueu-se, caminhado para o telefone ao lado do bar e fez uma ligação, sua voz tão baixa que ela não conseguia entender as palavras.

Mesmo quando desligou, permaneceu no lugar, de costas para ela. Por vários minutos, ela se acovardou confusa, e a confusão ganhou. O que estava acontecendo?

Uma batida atingiu a porta.

— Entre, — Thane disse.

Uma bandeja grande foi carregada para dentro do quarto. Os aromas mais divinos flutuando até ela, e sua boca encheu de água.

Elin pulou de pé, a ação involuntária, e apressou-se. Pães, queijos, frutas.

— Tudo seu, — Thane disse, observando-a atentamente.

— Sério? De verdade? Porque nesse caso, você precisa desviar o olhar. As coisas estão prestes a ficarem estranhas. — Esperar que ele respondesse levaria muito tempo. Ela atacou a comida, uma selvageria total, até que não sobrasse nada.

Caramba. Ela gemeu com imensa satisfação enquanto esfregava a barriga.

— Eu e meu novo bebê de comida agradecemos do fundo de nossos corações cheios de colesterol.

— Acredite-me, o prazer foi meu. — A rouquidão na voz dele fez suas bochechas ruborizarem.

— Tudo que preciso agora é uma boa colherada de sobremesa ou uma dúzia de amendoins cobertos de chocolate.

Ele apontou para a cadeira que ela tinha desocupado. — Você gosta de chocolate?

— Quase mais do que respirar. — Uma vez que ela estava no lugar, ele recuperou seu posto na mesa de café. E inclinou-se mais perto. Ela engoliu em seco, insegura sobre ele... ou insegura de si mesma?

— Você tem um amante? — Ele perguntou, continuando a conversa como se nunca tivesse interrompido.

Eu posso fazer isto.

Sabia o que ele estava perguntando. Havia um homem lá fora entre a multidão no pátio que ela tentaria libertar?

— Não. Juro a você que não.

O olhar dele caiu para os lábios dela, demorando.

— Você quer um? — Então perguntou suavemente.

Uma chuva de calafrios deliciosos revolveu através dela. Ele estava tentando seduzi-la? Porque estava fazendo exatamente isto. O calor do corpo dele coçava sua pele. O apelo sexual do cheiro dele agradava seu nariz. A rouquidão de sua voz encantava seus ouvidos.

— N-não, — ela disse, segurando suas calças para não correr para ele. Não até que conheci você.

Quase em transe, ele traçou a ponta do dedo ao longo das cicatrizes da palma da mão dela, parando na pulsação que martelava em seu pulso. Seu interior formigava e queimava. Seu estômago tremia.

É tão bom.

— Você tem uma estrutura óssea esbelta, — ele disse em voz baixa.

A respiração dela estava tão superficial que ela se preocupou se pararia. Isto não fazia parte do plano, isto era totalmente anti-plano. Preciso ficar longe dele.

— Posso ir agora? — Ela praticamente guinchou.

Ele piscou, focando, balançando a cabeça. Então endureceu, o relaxamento dele com ela desaparecendo, o momento roubado de ternura quebrado. Ele se endireitou, cortando o contato.

— Sim, — ele rosnou, e acenou em direção à porta. — Vá.

Ela não esperou que ele mudasse de ideia, apenas estalou em pé e correu do quarto sem olhar para trás.

 

Xerxes entrou repentinamente na antecâmara, foi até o bar e colocou três dedos de uísque. Então outro. E outro. Seu temperamento sombrio se agitava sob a superfície de sua pálida pele cicatrizada.

— Ela escapou. — Thane disse.

— Sim.

Era engraçado, de uma maneira espantosa. Esteve pensando em muita coisa na última hora. Ela escapou. Mas em lugar de Cario, seu tormento se concentrava em Elin. Ele não se moveu da mesa de café. Ficou sentado ali sentindo a dor.

Dor por causa da proximidade, e ausência dela.

Dor devido à sua suavidade e calor que foram tirados dele.

Dor devido a que seu sabonete com cheiro de cereja que ficou com ele.

Mil vezes esteve a ponto de se levantar e persegui-la, a pequena humana muito bonita e frágil para seu próprio bem, uma força maior o puxava, exigindo que agisse. Mas resistiu. Ele não entendia as coisas que ela o fazia sentir. Obsessão. Ciúmes...

Sua dedicação ao marido morto...

Thane bateu o punho contra a mesa de café, rachando a pedra.

— Eu aprecio sua raiva. — Xerxes secamente disse.

— De nada. — Ele respondeu, distraído.

Como Elin se sentia sobre ele?

Ele sabia que ela o temia. Mas suspeitava, esperava, que parte dela o desejasse. Quando a tocou, sua respiração ofegou e seu rosto ficou vermelho. Mas no fim, o medo venceu e ela fugiu.

Foi o melhor. Ele olhou fixamente para as crostas em suas mãos. Neste dia, colocou seu talento para causar dor em bom uso e castigou Kendra por castigar Elin. A princesa lutou, especialmente quando ele foi por suas orelhas. Se Elin o viu então...

Elin, que usou seu dedo para lhe dar um beijo e fazê-lo se sentir melhor. Seu medo nunca desapareceria.

Tinha que desaparecer. Só então poderia se permitir tê-la.

Você planeja tomá-la agora? Sim. Não. Se tivesse que colocá-la em sua cama, ele chicotearia a doçura dela e a ideia o inquietava mais agora do que nunca.

Não tem porque ser assim. Em sua presença, seu desejo por dor era embaçado pelo desejo por prazer.

Por quê?

Sabe porque. Ela sofreu nas mãos da Fênix. Sofreu terrivelmente e o suficiente.

— O que aconteceu? — Ele perguntou para Xerxes. Tinha que tirar a garota da cabeça.

— Agora fala comigo. — Seu amigo sentou-se no sofá. — Eu não sei. Estávamos em queda livre. No meio do caminho a peguei. Ela segurou meu rosto, disse que se lembrava e desapareceu.

Então. A garota podia se tele transportar, mover-se de um local até outro com só um pensamento. Explicava muito.

— Lembrava o que?

Xerxes encontrou seu olhar e ergueu uma sobrancelha.

Certo. Se ele soubesse, não se sentiria tão frustrado.

— Eu a vejo, e tenho que me esforçar para olhar para o outro lado. — O guerreiro disse roçando o centro de seu peito. — Sou obrigado porque olhar para ela me traz dor. Em minha cabeça, e em meu coração.

Não posso suportá-lo com dor.

— Posso sugerir tricotar para ajudá-lo a esquecer de sua...

Xerxes lançou o copo em sua cabeça.

Rindo, Thane se esquivou com facilidade.

— Não? Então que tal um passeio pelo pátio?

Ele levou Xerxes para o pátio, e passearam ao redor. O cheiro de sangue, tanto antigo como fresco, saturava o ar. Os gemidos de agonia criavam uma sinfonia de horror. Não podia convocar um sorriso, apesar de a Fênix merecer tudo isto e mais.

Odiava-as.

Mas estava disposto a cair dos céus por elas?

Endurecendo, ele olhou para Xerxes.

— Você já se perguntou alguma vez o que teria acontecido se tivesse evitado ser capturado pelos demônios?

— O tempo todo. — Seu amigo respondeu, deslizando um ramo na mão e partindo-o pela metade. — Eu seria o homem de antes, feliz, satisfeito, mas estaria sem você e Bjorn, e isto não está bem para mim.

Um exemplo perfeito de encontrar beleza nas cinzas. O mundo podia ser uma rameira intrigante, tão malvada quanto um demônio, mas o amor a derrotaria a cada vez. O amor nunca falhava.

Chegaram ao lugar onde Kendra estava. Mas pela primeira vez, Thane não se sentiu satisfeito ao ver algo tão baixo. Ele a estava tratando exatamente como os demônios trataram seus amigos.

Pensamento tolo.

Franzindo o cenho ele estendeu suas asas e lentamente agachou sobre um joelho, encontrando o olhar de Kendra. Ela estava mais magra do que quando esteve no acampamento. As maçãs do rosto estavam marcadas. O cabelo loiro avermelhado estava bagunçado ao redor da cabeça. O sangue gotejava onde as orelhas deveriam estar. Cortes arruinavam os lábios e a sujeira manchava sua pele nua. Cada pedaço de pele exposta estava cheia de bolhas, alguns tão queimados que ficaram negros.

Ela estava acordada, lúcida.

— Se arrepende de como me tratou? — Ele perguntou, sabendo que ela não podia ouvi-lo.

Seus olhos estavam muito abertos, implorando. Podia imaginar as palavras que estava tentando projetar, com a garganta muito seca para deixar que se formassem. Thane por favor. Nunca tive a intenção de escravizá-lo, não percebi o que estava fazendo. Foi um acidente. Foi um mal entendido.

Não. Ela não se arrependia. Ela dava desculpas!

— Acredita que o novo rei virá por você? — Perguntou traçando os nós dos dedos por sua mandíbula. — Acha que vai lutar por você, filha de sua querida Malta? Que ficará ilesa? — Fez uma pausa para dar efeito. — Pense novamente. Ardeo lutará por todos, menos por você. Você é a sobrinha do assassino de Malta.

Quando ela tentou falar, sons incompreensíveis saíram. Ela começou a lutar contra as estacas, tentando se soltar. Apenas piorou suas feridas.

Sentiu uma pequena satisfação com isto.

— O que diz você, Xerxes? Deveria colocar fim à sua miséria?

— Se deseja que ela pague com um punhal, sim.

Sorrindo com frieza Thane levantou-se.

— Um dia. — Ele disse para Kendra. — Eu me cansarei de vê-la assim. Um dia, inclusive poderei deixá-la ir. Mas este dia não é hoje.

 

Serpenteando em um canto, Elin chocou-se com Thane. Chocou-se literalmente com ele, e quase deixou cair a torta que passou a ultima hora e meia assando. Depois de sair de seu quarto, o que necessitava era uma distração e a jardinagem não era uma, então optou por testar sua arte culinária.

O pessoal da cozinha protestou a princípio. Adrian a seguiu até ali e ainda que nunca dissesse uma palavra, sua presença inibia a todos.

Misturar os ingredientes, como costumava ver Bay fazer, não foi tão triste quanto gratificante.

Os braços fortes de Thane foram ao redor dela para segurá-la.

— Tenha cuidado. — Ele soltou suas costas e pegou a torta de morangos e baunilha de suas mãos.

Calor tingiu suas bochechas.

— Uh, desculpe por isto. — Seu corpo, o traidor, reagiu à sua proximidade, e como sempre, aqueceu e formigou. — Eu estava em uma missão e fui para frente sem prestar atenção. — Seu olhar foi para Xerxes, que permanecia ao lado dele. — Você gostaria de provar minha sobremesa? Eu a chamo de A Perfeita Perfeição. Marca de patente.

Ele olhou a torta e então para ela.

— Acho que vou deixar Thane atacar, quero dizer, se você deixar. — Era evidente que ele lutava contra um sorriso, deu um passo ao redor dela e saiu pelo corredor.

Thane permaneceu no lugar, tão quieto quanto uma estátua.

— Você a assou?

Havia traços negros em seu rosto e mãos. Carvão? E o que era esta tensão em seu rosto e o olhar sombrio?

— Sim. Eu sei que não está grande coisa. Ela quase caiu no momento que tirei a forma do forno e depois a parte superior cortou em tiras ao congelar. Mas tenho certeza que está uma delicia.

— Você não provou?

— Não. — A última vez que Bay fez uma, ela comeu de sua mão. Seu coração não podia mais lidar com suas lembranças. — Você será o primeiro. — Disse ela, impaciente para saber sua opinião. — Por favor...

— Claro. — Ele equilibrou a torta em uma mão e puxou um pedaço com a outra. Seus olhos se abriram muito enquanto mastigava.

Isto não era um bom sinal, ou sim?

— E?

— É... Hmm. — Engoliu saliva em um esforço óbvio. — Isto é o que vai vender em sua padaria?

— Sim. — Ela disse, tentando não usar um tom defensivo.

— A melhor do mundo?

— Sim. — Ela bateu o pé. — Por quê?

Ele ignorou a pergunta, perguntando outra coisa. — E você é quem vai fazê-la?

— Bem... sim. Era a torta favorita que meu marido fazia.

— Entendo. — Ele franziu os lábios. — E qual é a sua?

— Bem... — Ela disse. — Eu gostava de ajudar.

Fogo praticamente saiu de seus olhos.

— Sinto muito Elin, mas isto é... — Parou, pensou por um momento e suspirou. — Já comi piores.

Um modo cortês de dizer odiou.

— Odiou não foi?

— Eu... sim. Sinto muito.

Seus ombros caíram.

— Pelo menos você é honesto. — Ela rapidamente se recuperou. — Estou sem prática, isso é tudo. — Ela estalou os dedos. — Já sei! Vou assar algumas tortas por dia e vender as fatias aos seus clientes. Vou fazer em sua homenagem.

— Não tenho certeza...

— Vou te dar cinquenta por cento do lucro. — Saiu rapidamente. — E não se atreva a dizer que não ganhará nenhum beneficio. Não sou tão má.

— Muito bem. — Um cintilar de puro cálculo brilhou em seus olhos. — Temos um acordo.

Por que o cálculo?

— Ah, uh, sim. Bellorie mencionou que você tem uma biblioteca aqui. — Seria inteligente mudar de assunto antes de ele mudar de ideia. E prudente sair de sua presença, neste momento. — Pode me indicar a direção correta? Eu quero verificar alguns livros.

— Você gosta de ler?

— Muito. — Ela disse.

Uma de suas sobrancelhas se ergueu.

— Que tipo de livros?

Apenas o melhor de todos.

— Romances.

— Eu não tenho nenhum.

— Oh. — Ela disse, tentando não fazer beicinho.

— Mas posso consegui-los. — Ele acrescentou.

Ela se animou.

— Isto seria incrível. Obrigada. Certo. Bem. Suponho que isto seja uma boa noite. — Ela tentou dar um passo, apenas para observar a tristeza que viu antes voltar ao seu rosto. Um anseio de aliviar seu humor... sua carga... o que fosse... eclipsou o desejo de escapar. — Sr. Caído, precisamos que relaxe.

— E como sugere que façamos isto? — Sua voz mudou, passando para rouca e baixa.

Com excitação? Atração?

Por favor, não. Ela nunca poderia resistir assim. E se não pudesse resistir... Adeus, trabalho. Adeus novos amigos.

Adeus, Thane.

— Mostrarei a você. — Ela entregou o bolo para o guarda no fim do corredor. — Faça-me um favor e jogue no lixo. Faça a você mesmo um favor e não coma.

Então, na frente de Thane novamente, ela estendeu a mão. Quando ele hesitou, por que seu humor mudou muito de repente? Ela disse. — Vamos. Pegue. Esta pequena doce humana não está te levando para uma emboscada, prometo.

Ele franziu o cenho enquanto fechava os dedos ao redor dos dela. Houve um choque através de seu sistema no momento do contato, mas já era esperado. Já havia acontecido antes. E, no entanto, ela ainda estremecia quando o arrastou pelo edifício, ou melhor, labirinto, como começou a chamá-lo, e para o pátio traseiro.

Nunca teria imaginado um jardim crescendo em uma nuvem, mas coisas estranhas aconteciam, supunha.

— Sente-se. — Ordenou, apontando em direção ao único banco. A estrutura de pedra parecia como se houvesse crescido do chão. Havia ramos agarrados em suas pernas e uma rosa floresceu no canto direito.

Ele rompeu o contato e sentou-se. Aquelas asas adoráveis se arquearam em suas costas, as extremidades douradas tocavam o chão. O sol projetava raios dourados diretamente sobre ele, pagando um tributo à sua beleza crua, masculina, que o fazia reluzir como se houvesse diamantes em sua pele.

— Eu não quis dizer no banco. — Ela disse com um sorriso. — Mas na frente do banco.

Seu cenho se franziu novamente enquanto se agachava.

Ela ajoelhou ao lado dele. — Agora, vê isto? — Ela arrancou uma erva daninha da terra. — Estas todas são ervas daninhas. As ervas daninhas são ruins. Mas aquelas... — Ela disse, apontando para os talos de flor. — ...aquelas são boas. Neste momento, as ruins estão assassinando as boas, assim temos que entrar na guerra e ajudar.

Horror tocou suas feições. — Uma forma elegante de dizer que sou... ordinário? — Ele estremeceu.

— Será mais que isto, obrigada. Irá honrar algo bonito.

Ele a observou. — Remover ervas daninhas é importante para você?

— É muito importante. E não só para mim. — Fazendo um paralelo, Thane? Porque deveria. Minhas sugestões não são tão sutis.

Uma pergunta melhor: Está fazendo um paralelo para si, Vale? A culpa dos sobreviventes é uma erva daninha grande, com espinhos afiados.

O que fosse.

Enquanto trabalhavam, ela tentou não notar a forma como os músculos de Thane ficavam tensos sob a túnica. E no momento que terminou, duas horas mais tarde, a área ao redor do banco estava livre das ervas daninhas, e todas as partes de Elin estavam desesperadas por atenção.

Eu o desejo, gritavam.

Bem, muito ruim. Você não pode tê-lo.

Mas... mas... estava tão perto... tão bonito... e obviamente era hábil com as mãos. Que fácil seria apoiar-se nele e oferecer sua boca para sua posse. Ela conduziria no princípio, ele ficaria surpreso, entretanto seu desejo levaria vantagem e logo ele assumiria. Ele a saborearia, tocaria e a colocaria de costas. Ele não... Maldição. Pare!

Limpou a garganta.

— Enquanto está trabalhando, é difícil dizer que conseguiu algo, verdade? Tudo que pode ver são as coisas que deixou de fazer. Mas então, de repente, muito de repente, tchram. Isto acontece. O produto terminado. — Era o melhor que podia esperar. As vinhas coloridas finalmente prosperavam.

Ele movimentou a cabeça, sem revelar nada.

Ela colocou os punhos em seus quadris.

— Da próxima vez, prefere relaxar fazendo uma torta?

— Assim haverá dois de nós capazes de amordaçar meus clientes? Não.

O tom seco a fez bufar.

— Veja o Sr. Sério zombando da Sra. Cozinheira. — Murmurou, mas por dentro estava feliz. Seu plano funcionou! Ele realmente se divertiu e tinha um ar de satisfação pelo trabalho bem feito. — Vou melhorar. Tem apenas que esperar e ver.

— Kulta, você não poderia ser pior.

Ela começou a rir com encanto surpreendente.

— Você nunca me disse o que significa kulta.

Seus olhos brilharam com um triunfo que ela não entendia.

— Provavelmente nunca o farei.

Como se isso fosse impedi-la de adivinhar.

— Bruxa?

— Não.

— Menina malcriada?

— Nem perto.

— Mel do urso?

Seu sorriso floresceu lentamente, revelando as covinhas que a deslumbravam.

Ela disse depois de um momento.

— Você...você... Thane, você tem covinhas.

Como se ele não soubesse! Eram mais adoráveis que um panda bebê.

— Tenho?

Espere. Ele não sabia?

— Sim realmente você tem.

As covinhas fizeram outra aparição. Ela estremeceu consciente do suor grudado em sua pele. Da dor, a pele formigando.

— Você gosta de covinhas? — Ele perguntou.

Demais.

— Sim. — Ela levantou-se, decidida a colocar um pouco de distância entre eles. — Bom, acho que será melhor ir dormir um pouco. Já sabe, o sono da beleza é importante.

Ele abriu a boca, mas fechou-a. Seu olhar caiu sobre ela e franziu o cenho.

— Vá então.

Cer-to. Mudança total de estado de ânimo. Uma vez mais. Sem nenhuma razão! Ela sacudiu o cabelo sobre o ombro. — Por via das dúvidas, todo o objetivo deste exercício era mostrar o fato que todos têm em suas vidas ervas daninhas, incluindo você. É preciso tirá-las antes que seja tarde demais.

 

Na noite seguinte Thane tinha várias caixas de chocolate entregues no quarto de Elin.

Claro, ele imediatamente teve que lidar com o remorso do remetente. O que estava fazendo? Cortejando-a?

Dificilmente!

Mas não podia tirá-la de sua cabeça e nem as palavras de despedidas. Quais ervas daminhas tinha? Tinha que saber.

Entrou em seu apartamento, tirando a roupa enquanto caminhava para o banheiro e se colocava sob o jato de água.

Seu tipo não precisava tomar banho. Batas os mantinham limpos de cima abaixo, removendo tudo, exceto uma mancha na alma. Ou, como Elin disse, as ervas daninhas. Mas havia momentos, como agora, quando precisava sentir a água quente contra sua pele.

Seu mundo todo estava de cabeça para baixo.

Zombar de Kendra no dia anterior deu uma certa medida de satisfação, depois da primeira explosão de descontentamento, mas não durou muito e a culpa tomou seu lugar. Uma culpa que mais tarde resultou ser lenha para a raiva em constante ebulição dentro dele, alimentando-o cada vez mais. Porque deveria sentir-se culpado por devolver a afronta?

Porque Kendra também deveria ter ervas daninhas?

Ele não queria pensar sobre isto.

Ao invés, pensou em Elin, com seu sorriso doce e torta terrível.

Ela não sabia, mas fazia tortas para manter a lembrança de seu marido viva, não porque gostava de fazer e menos ainda porque tinha talento para isso. Sorriu ao se lembrar do choque de comer morangos salgados, casca de ovos e uma sobrecarga de baunilha na língua. Tentou esconder sua reação, porque não queria ferir seus sentimentos, mas ela era tão bondosa com todos, ele apenas quis brincar com ela.

Ele. Brincando com uma mulher. Era inconcebível!

Apenas esperava que ela deixasse seu “sonho” de fazer tortas enquanto atendia os inúmeros clientes do bar.

Se, quando, ela o fizesse, poderia colocá-la responsável pelos jardins. Inclusive poderia ajuda-la. Surpreendentemente gostou de ter suas mãos na terra e o sol em sua pele. Não tão surpreendente, gostava de ter uma mulher bonita ao seu lado, com músculos e mente concentrados em um único objetivo.

O que não gostou foi o desprezo de Elin depois. Quando ela se levantou e anunciou que iria embora, quis amaldiçoar. Cada vez mais, a despedida com ela requeria uma força interior que não possuía. E, no entanto, ela sempre parecia fazê-lo com facilidade.

Ele fechou a água com mais força que a necessária, e logo puxou uma nova túnica. O golpe em uma porta chamou sua atenção. Pegou uma espada de fogo enquanto saía do box. Bjorn, que estava ausente há muito tempo de acordo com Xerxes, estava a apenas alguns metros da entrada, de joelhos e com a cabeça inclinada. Thane guardou a espada e correu. Xerxes estava ali um segundo mais tarde, e juntos, ajudaram seu amigo a se levantar.

— Banheiro. — Bjorn disse com voz rouca.

Como muletas o levaram onde ele queria ir e o deixaram nos azulejos do chão. Bjorn rastejou pelo banheiro e esvaziou o conteúdo de seu estômago, lembrando a Thane da reação de Xerxes a um encontro sexual.

Thane segurou seu cabelo fora da linha de fogo, odiando o fato que não havia nada que pudesse fazer para aliviar o desconforto do homem. Ele encontrou o olhar de Xerxes. Tinha um aspecto triste e sombrio como o guerreiro?

— O que acontece quando você nos deixa? — Thane sussurrou.

Silêncio. Esperado.

Xerxes lavou o rosto de Bjorn com um pano limpo. — Não importa o que, nós estaremos sempre aqui para você.

Novamente, silêncio.

Thane guiou seu amigo para a cama. Uma respiração única, afiada, o impediu de puxar as cobertas.

— Asas. — Bjorn disse, e Thane ajudou o guerreiro a ficar sobre o estômago.

Tirou o cabelo do rosto do homem e olhou por cima de suas asas brancas e douradas. Não havia sinal de...

Infecção. Lá estava. Uma ferida de cada lado do tendão, uma crosta negra com um leve fio de sangue. Como se garras de metal o houvessem mantido no lugar.

A raiva regressou em um instante. Onde quer que Bjorn foi, sofreu. Algo tinha que ser feito, e logo.

Juntos, Thane e Xerxes o limparam e fizeram um curativo. Sentaram-se ao seu lado, falando sobre qualquer coisa, tudo e absolutamente nada até que um pouco da tensão desapareceu do guerreiro.

— Lembra-se da vez que teve que esconder suas asas com uma bolsa de ar e caminhar pelas ruas de Nova Iorque, visível a todos enquanto rastreava a herdeira de um demônio? — Disse Xerxes para Bjorn. — Você foi abordado por três agentes com a esperança de fazer com que se tornasse um modelo. Se fosse comigo, teriam cinco agentes se aproximando. Cicatrizes estão na moda.

A boca do guerreiro se torceu a um lado.

— Talvez. — Thane disse. — Mas os cachos de pequeno querubim e más atitudes acabariam com qualquer cicatriz, o que significa que teria dez agentes atrás de mim.

Enquanto discutiam amigavelmente sobre quem era mais bonito, Bjorn relaxou o suficiente para se mover e dormir.

Thane e Xerxes compartilharam um olhar cheio de tensão e o bom humor se foi.

— Eu ficarei com ele. — Xerxes sussurrou. — Cuidarei dele.

— Quando chegar...

— Não. — Cabelo pálido dançou sobre os ombros largos do homem quando ele balançou sua cabeça. — Os outros Enviados devem chegar. Precisam de você no andar de baixo.

Seus punhos se apertaram. Queria protestar. Não podia. Seu amigo estava certo.

Ele assentiu com rigidez.

— Mande me buscar em caso de problemas.

— Claro.

Ele se obrigou a ir embora.

Apesar da ameaça de Elin de fazer tortas, o bar estava cheio novamente esta noite. A cacofonia de vozes rapidamente tocou seus nervos já tensos, as mulheres competiam por sua atenção no pior dos momentos.

— Thane! Ouvi que você era quente, mas, oh, bebê, você está soltando fumaça.

— Doce Thane. Eh, Thane, olhe para mim. Olhe para o que eu posso fazer. Eu sou muito boa.

— Thane! Thane! Tenho cinco palavras para você. Eu. Deixarei. Você. Fazer. Qualquer coisa.

Se ele se afastasse esta noite sem cometer um assassinato, seria uma vitória.

Thane parou ao lado de Adrian. O berserker estava em alerta máximo esta noite enquanto observava as atividades de seu canto habitual.

— Eu preciso do quarto do canto. — Quando falou, procurou na multidão por Elin.

Ela estava em pé na mesa dos bruxos, de lado para ele. A deliciosa pequena humana. Seu cabelo estava peso em um coque no alto da cabeça e ela tinha farinha nas bochechas.

Seguramente estava com frio.

— Ela precisa de uma roupa quente. — Ele disse ao berserker.

— Conseguirei algo.

Ela levantou uma torta tão desigual quanto a última, fazendo todo o possível para tentar os homens.

Um dos bruxos estava mais interessado em seu corpo. Ele tentou passar a mão por seu traseiro.

Thane estava a meio caminho através do lugar, pronto para empurrar sobre a mesa e deixar o bruxo em pedaços, antes que percebesse o que estava fazendo e de má vontade desse um passo atrás. Se Elin queria a atenção do bruxo, ela podia tê-lo.

Era melhor que ela não quisesse sua atenção.

Viu quando ela golpeou a mão do homem e apontou o dedo para seu rosto. O bruxo fez um beicinho, mas não tentou nada mais.

Thane se forçou a relaxar.

— Alguém comprou uma de suas sobremesas?

— Sim. — Adrian respondeu. — E todos exigiram reembolsos, mais um extra pelos danos.

Não era assombroso.

— Compre o que sobrou e coloque na minha mesa. — Se a fizesse sorrir, comeria um pedaço. E assim o fariam seus homens. — Pelo resto da noite ela está a meu serviço, somente meu.

O guerreiro piscou com assombro, mas não ofereceu nenhum comentário.

— Oh. — Thane acrescentou, quase como uma reflexão tardia. Quase. — Corte a mão do jovem bruxo.

— Mas, senhor...

— Isto não é um debate. Está ficando muito sensível Ad? Nós dois sabemos que crescerá outra.

Adrian balançou a cabeça.

— E o que digo que é seu crime?

Thane pensou por um momento.

— Ele tocou o que é meu.

 

Elin entrou no quarto afastado, localizado no extremo do balcão, tentando não demonstrar seu nervosismo. Esconder suas origens de Thane, Bjorn, Xerxes e todos os clientes do bar era uma coisa. Tentar esconder suas origens em uma sala cheia de assassinos treinados era outra muito diferente.

Mais cedo ou mais tarde vou ser descoberta.

Seu olhar buscou Thane por sua própria iniciativa. Forte, bonito Thane, com as covinhas irresistíveis. Queria poder acreditar que não se preocuparia com sua herança mista, que a protegeria, acontecesse o que fosse. E talvez isso não fosse uma vã esperança como temia. O homem enviou várias caixas de chocolates. Quem fez isso? Um homem romântico e doce, que era quem?

Claro, fingiu que não existia desde então, assim que...

Melhor comportamento, Vale. Ninguém saberá. Você tem isto. Ela concentrou-se em seus amigos na frente dela. E, uau. Apenas uau. Nenhuma maravilha que Bellorie praticamente espumava de ciúmes.

Por um momento, Elin podia apenas olhar estupidamente.

Havia um grande, enorme... maior ainda que Adrian, maior até que um viking, com cabelo escuro longo e uma barba espessa negra com três pequenas perolas no centro.

Existiam os gêmeos, com uma herança asiática clara. Um balançava com um moicano verde, tatuagens e piercings, mas o outro era outra coisa, com cabelo penteado atrás e uma mandíbula bem barbeada.

Logo foi escolhido como o homem mais bonito que ela jamais viu em sua vida, se não foi ainda, deveria ser... e apenas se um entregador sexy de chocolate como Thane estivesse fora da competição. Tinha o cabelo negro e penetrantes olhos azuis.

Será que encontrou um candidato melhor para ame-os-e-deixe-os que Merrik?

— Grande trepadeira de fogo tem em seu jardim. — O mais bonito disse para Thane.

Trepadeira de fogo. Um nome depreciativo para Fênix. Junto com puta, demônio sombrio. Ela não sentia amor pela raça, então nem se ofendeu.

Thane deu um rígido assentimento antes de pegar um pedaço de sua mais recente torta. Gostaria? Odiaria?

Comentários chegaram toda noite.

“Eu comi terra mais gostosa.”

“Meus elogios para o chefe de cozinha. Não pensei que nada fosse pior que caçarola de besouros de esterco da minha sogra.”

Ele odiaria.

Ah! A frustração ameaçava superá-la, mas resistiu. Logo a realidade iria golpeá-la e todos iriam comer suas palavras, junto com a sobremesa! Apenas tinha que se concentrar.

A mulher sentada próxima a Thane sorriu com encanto frio antes de entregar uma pilha de documentos. Tinha cabelo negro enrolado, pele impecável e olhos dos mais surpreendentes.

— A lista está completa.

A lista? Que lista? Todas as formas como queria fazer amor com Thane?

Elin experimentou um desejo súbito de agarrar a garota pelo pescoço. Nem iria silvar, morder ou arranhar.

Apenas muito forte, Vale.

— Vamos riscar um plano de ataque depois que as bebidas chegarem. — Thane respondeu.

Meu sinal.

— Uh, eh, todo mundo. Estou aqui para servir, então vamos ouvir os pedidos.

Seu olhar finalmente encontrou o dela, com desesperada intenção e ela estremeceu. Por um momento, o resto do mundo sumiu. Odiava quando isto acontecia... porque adorava. Ela ficava super consciente de seu chefe, podia ver seu peito subindo e descendo com sua respiração, podia sentir o calor irradiando dele.

Seu corpo instintivamente respondeu. Seus seios começaram a doer e seu ventre estremeceu. Seus pulmões se estreitaram e onda após onda de calor percorreu suas veias e um lugar entre suas pernas. O ar diluiu, cheio de emoção e antecipação.

Thane ficou em pé, sua postura agressiva, com a mandíbula apertada. Era testosterona pura e... desejo? Como se lutasse contra um impulso de pegá-la pelos cabelos.

Ele a queria? Da forma como ela o queria?

Por favor, por favor, por favor.

Não. Não por favor!

Alguém riu.

— Cer-to. Está a meio caminho para desajeitado.

Com o cenho franzido, Thane desviou sua atenção dela e voltou a se sentar.

Bom. Isso era bom. Ela podia respirar novamente. A única diferença era que sua pele estava mais sensível... formigava, doía, como se ela e Thane estivessem de volta naquele jardim, sentados um ao lado do outro, próximos.

As conversas formais que tentou escutar em vez de ficar olhando como uma adolescente apaixonada cessaram, ela percebeu. Todos os olhos estavam colados nela.

— Onde está sua roupa? — Thane perguntou.

Então. Agora sabia por que Adrian tentou empurrar uma para ela.

— Está em algum lugar, onde ficará. — Uma bata significava pontas inferiores. — Agora, então. O que posso servir para vocês?

— Que tal algo agradável, um copo grande, moça bonita. — O mais bonito disse.

— Como se não tivesse ouvido isto antes. — Ela murmurou.

— Ai. Certo, vou aumentar meu jogo. Ou não. Eu sei que você me notou. — Ele suavemente continuou. — Todas o fazem. — Um sorriso lento, sedutor curvou sua boca sensual. Era um convite para frequentar a festa em sua calça, nenhuma dúvida sobre isto. — Agora a única pergunta é, a que horas você vai sair. Porque assegurarei que aconteça. Duas vezes.

Sim. Ela encontrou um candidato. Brincando com ele, ela disse.

— Certo. Um arsênico chegando.

Uma risada genuína de diversão saiu dele.

O mais bonito gostava da morte em seu álcool. Entendi.

— Voltarei por você mulher. — Disse. — Eu prometo.

Thane bateu uma mão contra a mesa e uma rachadura irregular se formou no centro. Surpresa, Elin gritou. Uh-oh. Garota estúpida! Ela realmente acabou de ameaçar seu amigo da mesma forma que ameaçava seus clientes regulares? Com o amigo não funcionou. Deveria ter ido com a namorada homicida.

— Eu realmente não ia trazer arsênico. — Ela disse depressa.

Mas o olhar de Thane não estava nela. Estava no mais bonito.

— Elin, envie Savy aqui, então diga a Adrian para escoltá-la até meu apartamento.

Espere. O que?

— Uh, bem...

— Sem argumentos. — Ele estalou, ainda sem olhar em sua direção.

— Quem disse que eu ia discutir? — Eu ia. Ia muito. Por que ele queira que ela fosse para seu apartamento? Para castigá-la em privado? Olhou para os seis ocupantes na pequena sala, no canto norte do bar, esperando respostas em concreto. Ninguém mais prestava qualquer atenção nela. Todos olhavam para Thane com interesse imperturbável. — Bem. Farei isto. — Pensei que erámos quase amigos, idiota! — Mas, estaria bem que pedisse a Bellorie ao invés?

Foi provavelmente um milhão de tipos de erros sugerir uma mudança. Provavelmente? Ah. Com Sr. Nenhum Debate, era. Mais que isto, guerreiros não gostavam de ser contrariados. E Thane era mais que um guerreiro!

Mas Bellorie era a favorita de Elin, e a garota gostava muito dela. E, realmente, Elin já estava em dificuldade. Que dano mais poderia causar?

Oh, merda. Um pouco mais de problemas poderia trazer muito mais dor. Como a vez que Kendra a chicoteou, e então a lançou em um banho de sal.

Por fim Thane a enfrentou. A eletricidade praticamente vibrou com a consciência. Fazendo-a mais se sentir nua que parcialmente vestida.

Fazendo seu corpo almejar tudo novamente...

Uma luz ilegível entrou em seus olhos, algo duro e quente. Carnal e perigoso. Em vez de ordenar que sentasse em seu colo e se desculpasse enquanto ele a espancava, como esperava, ele movimentou a cabeça.

— Traga Bellorie.

O mais bonito ficou olhando para Thane de boca aberta.

— Você acabou de mudar suas ordens? Por uma empregada?

Não esperando para ouvir sua resposta, Elin saiu correndo e buscou sua melhor amiga. A harpia borbulhante estava no bar, pegando uma bandeja de bebidas.

— Você está em cima, Foguete. — Elin disse a ela. — Thane quer que você sirva sua mesa esta noite.

A ruiva a olhou com a boca aberta.

— Eu? De verdade? Apesar de dar a Koldo uma dança erótica da última vez?

Quem era Koldo? O mais bonito?

— Sim, apesar disto.

Bellorie saltou de excitação. — Esta é a melhor noite.

— Apenas tenha cuidado. Thane está de mau humor. Definitivamente não ameace seus amigos.

— Por favor. — Bellorie puxou um tubo de batom vermelho claro de seu bolso. — Não tenho mais cinquenta anos. Nunca faria uma coisa tão infantil quanto ameaçar um Enviado.

Nossa. — Qual sua idade?

— Cento e três anos deliciosos. — Isto foi dito como se a idade avançada fosse perfeitamente normal. E ali, era totalmente.

Qual a idade de Thane? Ele viveu já toda uma vida, como Bellorie? Ou várias vidas?

De qualquer modo, ele viveria vários anos mais. Talvez Elin envelhecesse mais lentamente que o humano médio. Talvez não. Ela não tinha nenhum sinal externo de uma Fênix, nenhuma presa ou garras. Nenhuma habilidade de produzir chamas. Nenhuma marca de nascença. Então, por que teria alguns sinais internos, como a juventude eterna?

Isto era apenas outra razão para permanecer longe de Thane.

— Então, onde você estará enquanto os homens mais sensuais do céu estarão caindo loucamente apaixonados por mim? — Bellorie perguntou, afofando seu cabelo e verificando sua aparência no espelho acima do bar.

Não posso dizer a ela. Somente... não posso. Piedade, ou pior, horror, assumiria o comando de suas feições e Elin nunca encontraria a coragem para esperar por Thane e o castigo como ordenou. Um castigo que ela pacificamente não aceitaria!

— Cuidarei de algo para o Sr. Thane. — A verdade, sem detalhes. Amizade preservada. Ela deu à garota um empurrão em direção à sala privada. — É melhor ir antes que faça sua lista de merda.

— Não seria a primeira vez, Bonka Donk. — Sorrindo, Bellorie afastou-se.

Elin relutantemente abordou Adrian. Ele não olhou para ela, mas sua postura não mudou minimamente.

— Você deve escoltar-me até o apartamento estúpido de Thane para aguardar sua majestade estúpida como um capricho estúpido.

Um momento se passou. Então outro. Nenhuma resposta chegou. A princípio, ela pensou que ele não a ouviu. Então se afastou dela e entrou na sala privada. Ele voltou alguns minutos mais tarde, sua expressão dura como granito e mais áspera que lixa. Ele passou por Elin, quieto, sem uma palavra. Nada. Ela o seguiu.

— Tão cortês. — Ela murmurou. — O que você disse para ele? Você perguntou a ele se eu estava mentindo?

Houve uma pausa tensa. Então,

— Eu perguntei se ele tinha certeza que era isso que queria.

— E?

— E, ele ameaçou me castrar.

Ai.

— Eu sinto muito pelo que está por vir, humana. — Ele disse, quando finalmente alcançaram o apartamento. — Eu a levaria de volta para a terra se soubesse que faria alguma diferença. Mas ele a seguiria e nenhum de nós gostaria do que aconteceria quando ele a encontrasse.

— Isto não foi muito confortante.

— Neste momento, nada será.

Ela deu um passo além das portas. Ele voltou ao corredor e fechou a porta em seu rosto, prendendo-a do lado de dentro, antes de ela poder exigir detalhes.

 

Thane permaneceu na extremidade do sofá, olhando abaixo para uma Elin adormecida. Ele nunca cansaria de olhar para ela. O cabelo escuro caia ao redor de seus ombros delicados. Longos cílios projetavam sombras na doce definição de suas maçãs do rosto. Suas sardas acenavam. Seus lábios suaves separados quando ela lançou um sussurrado suspiro. Com o que ela sonhava?

E por que continuava a afetá-lo muito fortemente, mais fortemente todo dia? Hoje seu coração acelerou em uma batida selvagem pela primeira visão dela. Pior, enviá-la longe foi uma tortura.

Ele queria tanto ir para ela, mas deixou a reunião com os Enviados para falar com outro grupo de machos que ele... Confiava não era a palavra certa. Utilizava às vezes. Sim. Melhor.

Os Senhores do Submundo eram guerreiros imortais, possuídos por demônios uma vez trancados dentro da caixa de Pandora, e, surpreendentemente, estavam atualmente ao lado dos Enviados, que deviam ser seus assassinos. Lutavam contra o mal que hospedavam, em vez de encorajar isto, o que fazia deles aliados merecedores aos olhos dos guerreiros divinos.

Thane perguntou sobre as criaturas de sombra agora conectadas à Bjorn.

William estava lá, pálido e retirado, bebendo e tentando esquecer a morte de sua filha.

— Eu os conheço, — o macho disse. — Nasceram em um reino diferente de qualquer outro, escuro e sem qualquer sugestão de luz. São dispostos como uma colmeia. Têm uma rainha, e a obedecem sem questionar. Ela é... — Ele estremeceu. — Se estiverem receosos de seu soldado, então ele é protegido por ela, ou unido a ela. De qualquer modo, ele morto estaria em melhor situação. E castrado.

Thane fumegou toda a distância até a casa. Ele esperava achar uma fêmea no bar e se tranquilizar do único modo que sabia, um plano que na realidade desprezou. Entretanto lembrou-se de sua ordem para Elin e quase cortou seu pessoal inteiro em um esforço para alcançá-la.

E aqui estava ela. Sã e salva.

Madura o suficiente para ser colhida.

Seu cheiro de sabão-e-cerejas saturava cada polegada do quarto. Ele sempre se ressentia das fragrâncias estrangeiras em suas coisas, mas isto... Isto ele gostava.

Elin estava em uma posição vertical, sua cabeça descansando no encosto do sofá. Ela lutou com a necessidade do seu corpo por descanso, só para sucumbir onde se sentou?

Um pequeno fragmento de vidro apareceu através de um firme aperto de suas mãos. Ainda assustada com ele?

Com cuidado para não despertá-la ou cortar sua pele delicada, ele retirou o fragmento solto. Sua pele estava gelada, ele notou, e franziu o cenho. Com tão pouca roupa, e nenhum cobertor, o ar a esfriou.

Ele andou para seu quarto, o seu, não o que usava para as mulheres, e agarrou o cobertor mais suave que possuía. Vozes de machos rindo filtraram pela rachadura debaixo da porta de Bjorn quando ele andou a passos largos de volta para a sala de estar.

Graças ao Altíssimo. Seu amigo achou um pouco de leveza.

No sofá, ele desejou que sua bata se ajustasse ao seu corpo e se separasse em camisa e calças. Então removeu a camisa, querendo menos barreiras entre o calor de sua pele e a de Elin. Ele juntou-a em seus braços. Tão leve, tão suave. Tão confiante quanto uma criança, ela aconchegou sua cabeça no buraco de seu pescoço, buscando contato mais íntimo. Ele teve que morder a língua para silenciar um gemido de prazer.

Prazer. Com isto. O que estava errado com ele?

Voltando, ele girou e abaixou-se sobre o sofá, colocando a menina em seu colo. Ele dispôs o cobertor ao redor dela, apertando-a em um casulo de calor. Um erro! Seu cheiro ficou mais forte. Sua respiração soprou por seu tórax, tão erótica como uma carícia, e sua mão tremulou acima de seu eixo.

Ele endureceu instantaneamente.

Resista a ela. Sim, ele resistiria. Mesmo enquanto seu corpo tremia com inegável tamborilar de excitação. Ele iria esquentá-la, despertá-la, então escoltá-la de volta ao seu quarto. Então acharia uma mulher apropriada para alimentar seus desejos.

Elin esfregou sua bochecha contra seu peito e ronronou, sua boca perigosamente perto de seu mamilo.

Lamba-me. Saboreie-me.

Seus braços apertaram ao redor dela. Ele não queria uma mulher apropriada. Ele queria esta aqui. Mas...

Ele a imaginou acorrentada e lutando.

Ele estremeceu, mais horrorizado que nunca.

Ele a imaginou chorando e implorando que ele a ferisse, talvez deixando cicatrizes nela como Kendra fez.

Um tremor de repulsão o agitou.

Ele imaginou Elin em pé atrás dele, usando uma das diversas ferramentas para infligir dor nele, com deleite em seus olhos.

Suor frio cobriu sua pele.

Ele experimentou este tipo de reação antes. Com ela. Só ela. Mas estava começando a se espalhar para outras áreas. Como cada vez que pensava sobre as mulheres que dormiu, e como nunca realmente as conheceu. O tipo de vida que elas levavam. Despreocupadas... Ou atormentadas como a sua.

Ele acumulou mágoas em mulheres já machucadas? Sobrecarregou-as com tantas ervas daninhas que não podiam mais respirar?

A culpa...

Ele não podia fazer o mesmo com Elin. Não podia aumentar sua angústia. Não iria.

Mas ele precisava tê-la.

Tome-a, então. Suavemente. Talvez você goste disto. Talvez. De qualquer modo...

De qualquer modo, ela seria sua.

E ele podia assegurar que ela apreciasse isto, se ele gostasse ou não. Ele podia dar tanto prazer, ou mais, que seu marido.

Um pensamento perigoso: que ela poderia querer mais dele.

Um pensamento tentador: pela mesma razão.

Se começasse a se acostumar, como temia, pararia e iria embora. Ele a deixaria satisfeita, mas a deixaria.

Agora, tudo que tinha a fazer era convencer Elin.

 

Elin acordou gradualmente, vários fatos lentamente entrando em sua consciência. Ela estava aconchegada em um corpo morno, e aquele corpo morno não pertencia ao Bay de vinte anos, que foi magro como um corredor de longas distâncias. Era muito largo. Muito duro. Muito... Tudo. O corpo pertencia a Thane. Ela reconheceria seu perigoso perfume de champanhe em qualquer lugar.

Confusão a atingiu. Como acabou em seus braços? Ela se lembrou de ser fechada em seu apartamento, obrigada, Adrian. Devo uma a você. Ela se lembrou de passear, perguntando-se o que Thane planejava fazer com ela, e bocejou umas mil vezes, apesar de sua agitação. Ela se lembrou de amaldiçoar o fato que estava faltando a uma prática do Scorgasms Múltiplos. O time talvez nunca a perdoasse. Ela se lembrou de sentar no sofá para conservar sua energia. Então... Nada.

Agora... A mão forte de Thane acariciava ao longo de sua coluna, de cima a baixo, de cima a baixo, parando de vez em quando para tocar uma mecha de seu cabelo. Delicioso. Desejo há muito tempo negado rolou por ela, uma inevitável onda. Consumindo-a. Afogando-a. Mas, oh, que caminho bom para seguir.

Aqui estava tudo que desejou no último ano. Conforto. Contato. Conexão. Os três C’s da tentação.

Thane não era um candidato para dormir e abandonar... Mas era o único macho que ela queria.

Ficar com ele virá com um preço terrível.

Oh, sim. Engolindo um gemido que a teria envergonhado, ela se sacudiu para levantar. Seus braços, já enrolados ao seu redor, apertaram antes de ela poder levantar, bloqueando-a no lugar. Ignore o arrebatador toque dele. Desesperada, ela lançou o olhar através do quarto. As luzes foram escurecidas e agora lançavam só o mais suave, romântico brilho. Ele não a moveu do sofá, mas deslizou debaixo dela. Oh, droga, por quê?

— Olhe para mim, Elin, — ele exigiu, a tensão em sua voz pegou-a de surpresa.

Relutantemente ela o encarou, e então desejou não ter. Tão perto, podia ver tensão ramificando dos olhos e crepitando com eletricidade, e uma boca em linha dura. Ele parecia selvagem, feroz, capaz de qualquer ação escura... E ainda assim ela ansiava afundar mais íntimo nele, suas mãos por toda parte, e sentir as mãos dele por toda parte dela.

— Você vai me castigar? — Ela perguntou. Nada a lançaria fora de seu humor carinhoso mais rápido.

— Castigar você? — Sua expressão apertou, então fechou completamente. — Não. Por que você pensaria isto?

— Eu ameacei seu amigo com arsênico.

— Está certo. Você o fez. Obrigado pela lembrança.

Ela bateu sua palma contra a testa.

— Quão estúpida eu posso ser? A regra de ouro número um é nunca lembrar a um chefe de seus erros. Se ele não pode lembrar, você não devia, também.

— Eu gostei que você o ameaçou. Ele mereceu. — Seu olhar desceu para seus lábios. Suas pálpebras pareceram ficar mais pesadas no momento, e falta de emoção não era mais um problema. Ele chiou. — Mas não é isso que desejo discutir.

Oh.

— Então o que? — Ela perguntou, aliviada... Confusa.

Ele deu um olhar tão intenso, tão quente, que estaria para sempre marcado com ferro em sua mente.

— Eu pensei que poderia parar isto, mas não posso.

Parar isto. A atração.

A necessidade.

Ela sabia que era o que ele quis dizer, e calor empoçou abaixo em sua barriga.

Oh, não. Não, não, não. Um deles deveria ficar são.

— Você está se desperdiçando pela memória de um homem, kulta, — Thane continuou sedosamente, — e não vou suportar isto mais.

Matando-me...

— Você não precisa. Eu decidi ficar com alguém, — ela sussurrou.

Um canto de sua boca balançou acima.

— Eu. — Não era uma pergunta.

Ela hesitou, então admitiu, — Realmente, não. — Talvez a verdade detivesse a loucura.

Ele endureceu, e chamas começaram a crepitar em seus olhos. Chamas tão selvagens que eram realmente assustadoras.

— Quem?

A palavra foi como um soco.

Deveria ter mantido minha boca fechada. Não existia nenhum modo de fazer isto melhor. Mas isso era o que você procurou, certo?

— Uh, bem, uh, veja. Eu ainda estava decidindo entre um sujeito, você provavelmente nunca o encontrou. Eu quero dizer, sim, ele obviamente esteve aqui, você o contratou, mas...

— Contratou. Não Adrian, eu vi você com ele, e não existia nada sexual lá. Não McCadden. Ele é apaixonado por outra. — Ele pausou, outros nomes provavelmente rodando por sua mente. Então ele estreitou seus olhos, o fogo furiosamente brilhante, e cavou seus dedos mais fundos em sua carne. — Merrick.

Seus olhos alargaram. Como...? De nenhuma forma ele podia... Argh!

— Isso não vai acontecer, Elin. Você ficará comigo. — Ele a ergueu pela cintura e a forçou a escarranchar nele. — Nenhum outro.

Ela lutou por um momento, e percebeu que estava meramente moendo seu núcleo dolorido contra sua ereção. Seu corpo tranquilizou, escravizado pela nova posição... Enquanto seu coração inclinava em uma batida ingovernável. Um ritmo de acasalamento.

Ele sugou uma respiração. — É melhor do que eu imaginei.

— O que é? — Ela respirou. Mas ela já sabia, porque achou, também.

— Segurar você assim.

— Você imaginou isto? — Ele não apenas a queria, ela percebeu. Ele a queria desesperadamente. Era um pensamento inebriante.

— Muitas vezes.

— Eu, também, — ela admitiu suavemente, as palavras a deixando por própria iniciativa.

Suas mãos agarraram-na mais duro.

— Diga sim. Aqui. Agora.

Sim, sim, mil vezes sim. Toque-me. Por favor. Mas a autopreservação provou-se mais forte que o instinto primitivo.

— Sim para o que, exatamente?

— Para mim. Para nós. Eu quero ficar com você, Elin. Quero fazer coisas com você. Coisas que nunca teria sonhado ser possível.

Um gemido baixo quebrou por sua garganta. Eu quero que faça essas coisas comigo, também.

— Eu... — Estremecendo com antecipação. — Eu não posso, — ela se forçou a dizer. Embora esteja disposta a implorar por isto. — Eu sinto muito.

Seus olhos encobriram-se em desafio.

— Não sinta. — Ele beijou seu pescoço, ao mesmo tempo pressionando seu comprimento longo, duro mais firmemente contra seu núcleo. Apesar de sua declaração, ela balançou seus quadris em direção a ele, aprofundando o contato, fazendo isto durar mais. — Responda uma pergunta para mim.

— Sim. — A concordância pareceu boa em seus lábios.

— Você se dará a outro, mas não a mim? — Suas palmas roçavam as pontas de seus peitos. — Por quê? Para castigar-me pela Harpia?

Arrepios apareceram inesperadamente.

— Não. — Talvez. — Eu... — Dê um tempo. Pese os prós e contras. — Queria dar-me para você. Eu quero. — Esqueça os prós e contras. Eles não tinham tempo para formar-se. O desejo os queimou longe. A Queimou.

Ele acalmou-se. — O que a fez mudar de ideia?

— É o que sempre quis, — ela admitiu, brincando com as pontas de seu cabelo. — Só não vou mais lutar contra isto.

Triunfo chamejou em seus olhos. Ele mordiscou seu lóbulo da orelha, e alcançou abaixo, sustentando-a entre suas pernas. Ela ofegou como se uma lança quente de prazer a espetasse.

— Você me quer, e ninguém mais?

— Ninguém mais, — ela coaxou. Mas, uma vez mais a autopreservação levantou sua cabeça, forçando-a a adicionar, — eu irei para as preliminares com você tão duro. Mas é isto.

E então eu me sentirei tão culpada, e não terei que dormir com ninguém. Nunca.

Finalmente. Vencer ou vencer.

Thane poderia ter rachado de rir. Poderia não ter. De qualquer modo, ele estava acabado com o bate-papo.

Ele a agarrou pela nuca e puxou para ele, forçando seus lábios a encontrar os dele. Duro e inflexível, ele empurrou a língua dentro de sua boca. Saboreando, exigindo.

Ele dominou.

Ele controlou.

Ele possuiu.

Quando ela choramingou em êxtase, tão bom, ele suavizou seu agarre e abrandou suas punhaladas, permitindo-a conhecê-lo e saboreá-lo. Ela derreteu contra ele, encontrando sua língua com um mergulho da dela.

— Sim, — ele raspou, — assim. — Ele soou maravilhado.

Ela se sentiu maravilhada. Ela encontrou sua língua uma segunda vez, e era como lançar troncos ensopados de gasolina em um fogo já furioso, o beijo imediatamente ficou fora de controle. A urgência obscureceu o desejo de saborear. Eles começaram a morder e lamber um ao outro, seu gosto intoxicando-a, a desorientando pelo desejo, viciando-a para sua marca de suave agressão.

Não queira deixá-lo ir jamais. Tinha que tocá-lo. Em todos os lugares de uma vez. Dedos em seu cabelo. Alisando suas asas. Suas unhas raspando abaixo por seu tórax. Oh, doce fogo, suas mãos embrulhadas ao redor seu comprimento de aço duro.

Menina gananciosa. Um de cada vez. Ela começou com seu cabelo, esquadrinhando os dedos pelos sedosos fios. Ele rosnou sua aprovação quando sua paixão a forçou a puxar um pouco. Encorajada, ela fez seu caminho para suas orelhas, então abaixo para os músculos tensos de seu pescoço, antes de partir para as penas suaves de suas asas. Tantas sensações, cada uma adicionando combustível para seu desejo fervente.

— Suas sardas são deliciosas. — Ele beijou sua mandíbula, sua garganta, usando língua e dentes, e uma febre corou sua pele, fez seus ossos doerem.

Ela amou isto. Amou o calor e erotismo. Como ela passou um ano sem um homem? Um ano sem prazer e conforto. Um ano sonhando e desejando e negando e suprimindo. Agora, toda necessidade que ignorou veio rugindo para a superfície. Para tocar e ser tocada. Para dar e tomar. Para viver e sentir. Oh, sentir.

— Thane, — ela disse, um comando por mais. Ela esfregou contra a ereção de Thane, de cima abaixo, devagaaaar a princípio, tão lento e vagaroso, aliviando-se na sensação turbulenta, permitindo-se saborear, mesmo quando sua mente exigiu que ela se apressasse. Seu corpo abandonado podia apenas processar suas reações por ele. Mas paixão crua, animal, estava dirigindo-a mais fundo e mais fundo em um mundo de carnalidade, deixando-a desesperada por um pouco de alívio, e ela aumentou sua velocidade.

— Incrível, — ele disse, e ela nunca ouviu um tom tão áspero.

Mais rápido...

— Sim. — Seus pensamentos centraram ao redor de três palavras: Mais, agora, preciso. Um pouco mais rápido... Todo ponto de contato torceu um frenético suspiro dela. Mais rápido... — Mais.

— Mais que só a primeira base? — Seu tom era provocante.

— Agora!

— Com prazer, kulta. — Ele a colocou a algumas polegadas de distância, parando as doces, doces ondulações.

— Mas... — Ela choramingou. — Eu preciso.

— E então você deve ter. — Indo no modo homem das cavernas, ele rasgou sua camisa e sutiã longe, e lançou o material para o chão.

Sim!

Ele tragou duro quando deu uma olhada nela. Seus polegares circularam seus mamilos, fazendo-os enrugar, quando ele espalmou seus peitos nus. — Tão bonitos. Não me deixará arruiná-los.

Sua reverência absoluta quase a desfez, até quando as palavras reverberaram em sua mente embaçada de desejo. Arruiná-los. O castigo que ela mereceu por trair Bay. A coisa que precisava para evitar repetir esta experiência.

— Faça isto, — ela comandou.

Ele ficou quieto.

— Fazer o que? — As palavras eram calmas, atadas com ameaça.

Como ela podia explicar?

— O que você quer, Elin? Que eu a jogue abaixo? Que afunde dentro de você?

Sim! Não. Talvez. Ugh. Definitivamente sim.

— Porque eu não acho que você verdadeiramente quer o que penso que está tentando me dizer que quer, — ele terminou.

Pensamentos de elucidar sua necessidade de experimentar dor, aliviar sua culpa por se sentir tão subjugada de luxúria por este homem, desapareceu. Ao invés, um apelo escapou.

— Por favor. Eu já estou tão perto. Eu preciso apenas... Tenho que... Faz tanto tempo.

Sua expressão suavizou. — Eu cuidarei muito bem de você, kulta. — Ele agarrou seu traseiro e a puxou em sua ereção com uma mão, enquanto a outra apertava em seu estômago e a persuadia atrás, até que ela se sentou inclinada em suas coxas. Ele curvou-se adiante e chupou um de seus mamilos em sua boca, duro, mais duro, antes de sacudir a língua de um lado para outro, aliviando a leve picadura.

Prazer leve, e ainda afiado cortou por ela. Ela clamou. Mais. Por favor, mais. Ele voltou sua atenção para o outro mamilo, dando-lhe o mesmo tratamento.

Desespero estava deixando-a inquieta, e ela tentou mover-se contra seu eixo, esfregar novamente, ela tinha que esfregar, mas não podia mover seus quadris com seu peso sobre ela.

— Thane, — ela gemeu. Ela nunca quis um homem, um clímax, tanto.

Ele ergueu sua cabeça, seu lábios vermelhos, úmidos e inchados do beijo. Seu olhar encontrou o dela, suas íris ardentes com uma fome que era um espelho para sua própria.

De repente, ele levantou com ela agarrada ao seu peito, suas pernas embrulhadas ao redor de seus quadris, e girou em direção ao quarto. O Quarto dos Doces, Doces Horrores.

Realidade a esbofeteou. Simplesmente. Assim. Não muito tempo se passou desde que este homem transou com outra mulher e a deixou desossada na cama. Uma desossada, machucada. As coisas que deve ter feito para ela... Tudo que Elin achou que queria. E ainda assim, pânico esfriou seu desespero sensual e arruinou seu prazer, memórias de seu cativeiro a assaltando. Ela sentiu como se fosse encharcada com a água suja gelada.

O que ela tinha pensado, beijando-o? Implorando por ele?

— Não. — Elin lutou contra seu agarre. Ele franziu o cenho para ela mas permitiu que ficasse em pé e se afastasse dele. — Não. Nós não podemos.

— Não? — Seu mãos em punhos ao seu lado. — Nenhum não.

— Nós não podemos, — ela repetiu. — Por favor, entenda.

— Nós não devíamos, — ele corrigiu friamente. — Mas definitivamente podemos.

A evidência de suas palavras estava forçando contra suas calças. O corpo dela implorava para ela concordar.

— Thane...

— Eu quis ficar longe de você, kulta. Eu tentei. Eu falhei. Agora... Agora eu gostaria de uma chance com você.

Uma chance de relação? Matando tudo de novo.

— Você gostou do que eu estava fazendo para você, — ele continuou. — Eu podia cheirar sua excitação, ainda posso. Se fosse sentir entre suas pernas, sei que acharia você molhada. Pronta para mim.

Um calor traiçoeiro floresceu em suas bochechas.

— É verdade. — Como se ela pudesse realmente negar isto.

— E você ainda diz não?

Faça isto. Confirme. — Correto. — Não choramingue.

Seus olhos estreitaram, mas ele disse, — Vamos conversar sobre suas preocupações, então. Suas... Ervas daninhas?

— Não. Sim. Gah! — Ela respirou dentro e fora com resolução, tentando tranquilizar sua pulsação revoltada, e decidiu começar com o problema mais simples. — Eu não conheço você. Não realmente. E o que eu conheço...

Ele movimentou a cabeça rigidamente. — Você não gosta.

A dor nos olhos dele quase curvou seus joelhos.

— Eu não quis dizer isto desse modo, — ela disse. Só diga o que você pensou. Ponha para fora. — Thane, quando você dorme com mulheres, você está feito. Totalmente e completamente feito. Você me despedirá para livrar-se de mim. Eu já fui advertida.

E se ele dormisse com ela e depois descobrisse o que ela era? Ele se sentiria traído, e a castigaria pior do que as Fênix no pátio.

Ele estalou sua mandíbula, mas se estava irritado com ela ou consigo mesmo, ela não estava certa.

— Você tem minha palavra. Você não será despedida.

Sim, mas como ele a trataria? Como se ela não existisse? Como se desejasse que ela partisse? Isso poderia ser exatamente o que seu voto para Bay exigia, e poderia até ajudá-la a continuar a esconder suas origens, mas uau, ela estava tão cansada de estar desamparada. E o que aconteceria se, quando, Thane voltasse sua atenção para outra mulher? Talvez até no dia seguinte. Elin teria que assistir, impotente para fazer qualquer coisa sobre isto.

O pensamento dele com qualquer outra girou seu estômago, e eles nem dormiram junto.

— O que mais? — Ele exigiu.

Até conversar era quase mais do que ela podia aguentar. As palavras faziam isto real, em vez de uma ação abastecida só por paixão. E estupidez.

— Eu nunca tive um caso de uma noite, e enquanto isto é tudo que eu acho que deveria permitir a você, e tudo que você provavelmente quer, eu não sei como reagirei posteriormente. E se eu... — Ela estremeceu, dizendo, — me apegar?

Ele rolou seus ombros, pequenas ondulações através das penas em suas asas, hipnotizando-a. — Você nunca me ouvirá reclamar.

Seu coração engatou nas palavras. Nunca o ouvirá reclamar... o que significava que ele podia fazer isto, só não quando ela estivesse ao redor.

— Você preferiria ter um compromisso comigo? — Ele perguntou.

Não. Nunca!

— Sim, — ela achou-se dizendo. — Eu quero dizer não. — Componha sua mente estúpida! — Eu não sei. Eu prometi a mim mesma que nunca teria outro compromisso.

— Nenhum caso de uma noite. Nenhum compromisso. — Seus olhos estreitaram. — Você não está me deixando quaisquer opções.

Esse era o ponto. Nenhuma opção. Nenhum sexo.

— Talvez isto seja o melhor.

— Talvez sua promessa mereça um aperfeiçoamento, — ele quietamente disse, quase ameaçadoramente.

— Como, se em meu coração eu sempre serei fiel a Bay, mas meu corpo está livre para agarrar? — Notícias de última hora. Eu já tive uma reunião com minha diretoria e votei nisso, grandão.

Ele arqueou uma sobrancelha, todo, o que você acha?

Ela suspirou. — Você já foi parte de uma relação?

— Não, — ele admitiu.

— Já quis ser?

— Não.

Pelo menos ele era honesto.

E por que isso até mesmo importava? Esta não era uma estrada que ela viajaria. Era?

Ele suavemente apertou seu queixo e forçou sua cabeça acima, seu olhar encontrou o dele.

— Tudo é diferente com você. Nada é o que eu estou acostumado. — Ele pausou enquanto ela absorvia aquelas palavras maravilhosas, bonitas. — Mas nada se compara com um fato. Eu quero você, Elin. — Uma centelha de mal-estar relampejou em seus olhos, e de esperança. — Você me quer? Porque a resposta é a única coisa que importa agora mesmo.

Seu mal-estar quase a desfez. Ele estava tão ansioso para ouvir sua resposta? Mas foi a esperança que fechou hermeticamente o negócio. Quando se tratava de Thane, ela era fraca.

— Eu... Sim, — ela suavemente admitiu. — Sim, Thane, eu quero você. — Por que ela não podia ser certa sobre tudo mais? — Eu penso que provei isto.

A esperança intensificou, só para enfraquecer em uma piscadela.

— Diga a mim, então. O que é, exatamente, que você espera de mim?

Confusa, ela disse, — O que você quer dizer?

— Você viu a Harpa, — ele entonou, sua voz ficando fria, dura. — Ela estava algemada.

— Sim, — ela raspou.

— Você viu sua condição.

— S-sim.

— É disso que eu sempre precisei. Controle absoluto... Dor absoluta.

— Sempre?

Ele lançou uma respiração. — Até você.

O que? Ela quase gritou. O que a fez tão especial?

— Mas quando eu tive você em meus braços, — ele adicionou, — você fez parecer como se realmente pudesse desejar um pouco de dor e escravidão.

Ela olhou abaixo em seus pés, envergonhada. Ele tinha que ser tão franco? — Você está dizendo que você não me algemará, ainda que seja o que eu afirmo querer.

— Está certo. Eu não irei.

Isso era bom.

Não, isso era ruim.

Realmente, ela não sabia o que era.

— Por quê? — Ela perguntou. — E que tal a outra coisa?

— O desejo simplesmente não está lá. E não baterei em você, também. — Ele esticou a mão, tracejando as pontas dos dedos ao longo de sua bochecha. — Você teve suficiente disto.

Sim, ela teve. E ainda...

Ela não estava certa do que pensar sobre nada disto.

— O desejo já esteve ausente com outra mulher?

— Não.

— Porque elas não tiveram um passado como o meu?

Um flash de culpa em seus olhos, depressa desapareceu.

— Eu não estou certo. No momento, eu não me importei em conhecê-las. Com você, entretanto, me importo. Eu desejo todo detalhe.

Ele se importa. Por que não dizer tudo a ele? Só pôr tudo isso para fora? Ele podia dar uma olhada no jardim devastado em sua cabeça. Ele podia correr.

E se ele ficar?

— Você está correto sobre meus desejos. Em parte.

Sua testa franziu. — Explique.

— No acampamento, eu era espancada, empurrada e chicoteada pelas muitas pessoas responsáveis pela morte de meu pai e marido. Eu era chamada de nomes, e me trataram como um animal. Mas isso não foi o pior do abuso. — Ela retraiu uma respiração funda. Segurou... Segurou... — Eles me provocavam com detalhes da morte da minha família. Eles não permitiram que eu falasse com minha mãe, ou ela falasse comigo. Mas eu devia ter arriscado o castigo, e conversado com ela. Ela precisou de mim, e eu estava com muito medo para ajudá-la.

Emoção escureceu seus traços. Emoções que ela não podia ler.

— E agora você pensa que merece mais dor?

— Sim. Mas também pensei... Eu quero dizer, se sexo pudesse ser uma experiência que eu odiasse, nunca mais quereria trair Bay.

Ele foi para longe dela, separado de todo contato, levando seu calor maravilhoso.

— Thane? — Ela perguntou quando uma lágrima fluiu abaixo de sua bochecha. Ele está enojado por minha aceitação do destino. Ele me considera uma covarde, porque eu sou. — Eu sinto muito.

— Você precisa partir, Elin. Agora.

— Mas...

— Agora, — ele rugiu.

Ela correu do quarto.

 

Sua lágrima... Aquela solitária lágrima... Eu estou eviscerado. Isto trouxe Thane aos seus joelhos.

Ele soube naquele momento, quando Elin deixou o apartamento, que uma fêmea chorando nunca mais o excitaria. Ele sempre associaria a ação com a angústia de esmagar a alma da sua pequena humana.

Elin é justamente como eu. Ela pensa que merece castigo, não prazer.

Suas outras mulheres sentiram o mesmo? Ele perguntou-se antes, mas a verdade escapava. Ou talvez ele não quisesse enfrentá-la. Agora, a resposta era clara, e inegável. Elas sentiram. Ele não escolheu fêmeas baseado em seu exterior: altas, fortes e robustas. Ele escolheu aquelas com sombras em seus olhos, porque no fundo sabia que elas esperavam exorcizar demônios figurativos, da mesma maneira que ele.

Eles todos falharam.

Thane esmurrou um buraco na parede. Agora mesmo, tinha que se concentrar em Elin. Sua doce mortal estava precisando de conforto que ele não era capaz de dar. Quando ela conversou de seu tempo com as Fênix, sua ira foi tão grande, que ele quase saíra do quarto para assassinar cada homem e mulher em seu pátio.

Então Elin listou sua segunda razão para desejar dor. Até quando ela falou de compromissos e apego, ela queria odiar estar com ele, de forma que nunca mais seria tentada a trair seu marido.

Seu marido morto.

Suas mãos enrolaram em punhos. Se Thane fosse machucá-la, até por seu pedido, a mudaria. Entorpeceria seu sorriso brilhante. Nunca mais ela iria se sentir à vontade o suficiente para o importunar. Ela nunca mais iria assar um bolo ou puxar ervas daninhas no jardim com ele. Nunca mais falaria tão livremente com ele. Ela hesitaria com ele.

E se outro homem fosse machucá-la... O céu e Terra tremeriam dos efeitos da ira de Thane.

Tinha que provar que ela merecia boas coisas. Tinha que fazê-la desejar boas coisas.

Ele encaminhou-se para a cidade para comprar chocolates e romances. Várias horas passaram enquanto ele selecionava o melhor de ambos. Um homem dedica tempo ao que importa para ele, o que julga merecedor de sua atenção.

Quando terminou, ele perseguiu Merrick.

Um homem defende o que importa para ele.

Espiral de Vergonha estava se apresentando em outro bar aquela noite. Corpos dançando, e estroboscópios relampejavam luzes com as cores do arco-íris em toda direção.

Thane não se aborreceu forçando a multidão. Ele voou acima deles e caiu sobre o palco.

No momento que foi notado, a música parou.

Os olhos de Thane encontraram com um Merrick confuso.

— Afaste-se da garota.

O macho franziu e afastou-se do microfone, chegando mais perto.

— Você terá que ser mais específico. Que garota?

— A humana. Minha humana.

A confusão intensificou.

— Eu não tenho nenhuma ideia de quem você está falando.

Como se ele não tivesse notado Elin. Só um homem cego passaria por ela, mas ele perceberia quando pegasse a sugestão de seu cheiro.

— Aproxime-se dela, e eu darei a você mais disto. — Thane martelou um punho na mandíbula do Enviado.

A cabeça de Merrick chicoteou de lado e ele tropeçou. Se endireitando, ele estreitou seu olhar em Thane. Os outros membros da banda abandonaram seus instrumentos para flanquear seu amigo.

— Eu deixarei você com isso, — Merrick disse, roçando sua mandíbula, — porque existe uma boa chance que eu dormi com ela e a esqueci.

— Você não fez.

— Você está certo? Porque acontece. Muito.

— Você quer que eu te mate?

Merrick encolheu os ombros.

— Existem maneiras piores para morrer.

Como você assusta um homem assim?

Frustrado, Thane partiu.

No The Downfall, ele arrancou as rosas mais cheias, mais brilhantes do jardim e organizou-as em um vaso de diamante; a ação o acalmou.

Na próxima manhã ele teria os presentes entregues na cozinha, onde Elin estava ocupada assando.

Neste tempo, incluiu uma nota: “Eu nunca acreditei que tudo que acontece tenha uma razão. Os pais e maridos não devem ser assassinados, e mães não devem morrer na frente de seus filhos. Mas acredito que algo bom pode vir de algo ruim. Você, Elin. Você é meu bom. Dê-me uma chance, e eu provarei isto.”

 

Mais tarde naquela noite, Thane e seus rapazes voaram para as Indústrias de Rathbone em Nova Iorque. Iam sistematicamente checar nomes de sua parte da lista de Jamilla. Até agora estavam zerados.

O número sete era Ty Rathbone. Uma vez louvado por sua calma sob o pior tipo de pressão, agora era conhecido pelo seu temperamento violento. A mudança aconteceu em pouco tempo, seus amigos mais íntimos declaravam.

Demônios estavam definitivamente envolvidos. Mas era um dos assassinos de Germanus ou só algum menor?

As asas de Thane deslizaram sem problemas pelo céu noturno escurecido. O vento cortou por seu cabelo. Ele virou para evitar um bando de pássaros, embora tivesse passado direto. Ele estava ainda no reino dos espíritos, os pássaros no natural. O espírito e carne não eram sólidos um para o outro.

Seu tempo com a humana não foi bom, eu suponho, Bjorn disse dentro de sua mente. Julgando pelos sons que ouvi, não, não espiei, mas, sim, você devia ficar mais quieto, eu esperei que estivesse em um humor muito melhor.

O macho se recuperou do tempo com os demônios sombra, pelo menos. Nós concluímos... Mal. E ela ainda tinha que responder seus presentes.

Ele devia estar aliviado, supôs. Elin era quente e aliviada, e ele desprezou ambos. Um o empurrou através dos limites de seu controle. O outro fez ele desejar coisas que nunca quis antes. Conexão. Comunhão. Um futuro.

Ele teria culpado o veneno de Kendra, teria afirmado que ainda estava funcionando dentro dele, empurrando-o na direção da humana, mas ele tomou mais Congelação, e o fogo por Elin não estava nem perto de extinguir.

Ela rejeitou você? Xerxes perguntou, incrédulo.

Não.

Eu não entendo. Qual é o problema?

Ela quer o que faço a todo mundo.

Xerxes franziu. Novamente eu tenho que perguntar. Qual é o problema?

Eu quero dar a ela mais, ele admitiu.

Choque registrado. Você pode?

Suas mãos empunharam. Talvez. Por ela... provavelmente.

Pela primeira vez em sua existência, ele perdeu-se na beleza de um beijo, no gosto decadente e no toque carnal da fêmea em seus braços. No sons dos suspiros que ela fazia e no modo que seu coração batia fora de controle. Ele não teve nenhuma necessidade de dor. Não o excitou, e certamente não o manteve excitado.

Elin se perdeu nele, também?

Ele a excitou tão espetacularmente quanto o marido costumava fazer?

Ciúme o atingiu, tão maligno quanto um demônio. Todo ferimento purulento escondido dentro de Thane de repente parecia como se mergulhado em ácido.

Eu posso realocá-la, Bjorn disse. Seu tormento terminará e ela irá...

Não, ele gritou, confuso por sua veemência. Mais suavemente adicionou, Não. Ela fica no clube. Ele a queria ao alcance. Protegida e... Mimada.

Se estivessem em seu apartamento, seus rapazes o teriam considerado estranho, ele sabia. Ele não era do tipo de lutar para manter uma fêmea ao redor.

Deixe-me achar outra pessoa, Xerxes pediu.

Queria que fosse tão simples. Agora que provou a doçura de Elin, o pensamento de outras mulheres realmente o repugnava.

Bjorn escovou a ponta de sua asa acima da de Thane. Uma mulher é uma mulher que é uma mulher. Feche seus olhos, e são todas iguais.

Uma afirmação insensível, uma que teria concordado no passado. Mas agora? Agora sabia diferente. Elin tem algo que as outras mulheres não tem.

Ambos os machos estavam intrigados.

E isto é? Xerxes perguntou.

Thane sorriu sem humor. Minha confiança.

Seu destino apareceu adiante, eficazmente finalizando a conversa. Bom. Ele estudou o edifício. A base era da altura de cinco andares, e a torre de aço acima de quarenta e dois andares. Ele mergulhou abaixo, ultrapassou as paredes e entrou no átrio. Existiam dois guardas atrás da escrivaninha da recepção. Um homem com uma pasta escorada fora das portas. Uma fêmea clicando[7] acima do chão ladrilhado e entrando nos elevadores de vidro. Quando o elevador subiu, seguiu através de uma cachoeira.

Bonito, mas não o que chamou sua atenção. No reino dos espíritos, que os humanos não podiam ver, uma horda de viha, envexa, e pică espreitava o salão de entrada. Demônios de raiva, inveja e sem perdão. Nenhum deles era um dos seis que mataram Germanus; eles não eram poderosos o suficiente. Mas poderiam pertencer a um dos seis.

Doze demônios no total, variando em tamanho e forma. Dois tinham mais de um metro e oitenta e três de altura, mas a maioria eram curvados, como gorilas, usando as mãos e pés para mover-se. Alguns tinham chifres, torres de marfim como eram chamados às vezes, saindo de seus escalpos. Alguns tinham asas pretas, nodosas, estirando de suas costas. Alguns eram cobertos por uma mistura de pelo e escamas. Alguns tinham chifres crescendo de ombros e coluna.

Muito feio. Em breve, muito morto.

Uma batalha de sangue e ossos era exatamente o que Thane precisava para melhorar seu humor. Sorrindo friamente, ele estendeu sua mão e chamou sua espada de fogo. Bjorn e Xerxes fizeram o mesmo.

Um dos demônios notou os Enviados intrusos e riu. Não era uma reação típica. Os outros pararam o que estavam fazendo e procuraram o salão de entrada pela razão da diversão. Mais riso ecoou antes que passos arranhados ecoassem, criaturas correndo ao longe.

— Riso, — Xerxes disse pelos dentes cerrados, tão confuso quanto Thane.

— Sem tempo para perseguir e interrogar. Nós teremos que pegá-los no nosso caminho para fora. — Thane chamejou suas asas e voou acima, acima, acima dos muito andares, tomando nota dos tipos de demônios em cada piso. Para e grzech aqui. Medo e náusea. Slecht lá. Malignidade. Mais viha, envexa e pică.

Quanto mais alto no edifício, mais poderosos os demônios se tornavam, até que Thane estava certo que estava vendo o que as criaturas da escuridão eterna chamavam de seus “Alto Senhores”. Estes supostos senhores estavam só uma posição abaixo dos príncipes, os mais poderosos de todos.

Para demônios, um príncipe era o equivalente ao que um membro da Elite dos Sete era para um Enviado. Como Zacharel.

Thane nunca lutou com um. Ele e seus rapazes eram o equivalente a um alto senhor, e como assim, só batalhou contra um punhado desses.

Ele chegou à frente do banco de elevadores e varreu seu olhar pelo salão de entrada do Sr. Rathbone. Espaçoso, gritando com riqueza. Vários dos melhores Monet fixados nas paredes. Vasos de cristal empoleirados em mesas de metal. Um sofá de couro branco formava um C no canto longe. Carpete vermelho-sangue drapejava o chão de jacarandá. Não existiam demônios perambulando aqui em cima. Por quê?

Ele forçou sua bata a ajustar com seu corpo e separar em pedaços diferentes. Quando o tecido escureceu, estava vestindo um terno perfeitamente sob medida de riscas. Ele andou no reino natural. No reino dos espíritos, Bjorn e Xerxes permaneciam ao seu lado, não visíveis para olhos não sensíveis.

Uma jovem e bonita recepcionista levantou o olhar do documento que estava fingindo digitar, enquanto enxugava seus olhos e nariz, ela tinha chorado, e o encarou. Sua mandíbula caiu.

— Um... Uh, oi. Eu quero dizer, oi, e seja bem-vindo às Indústrias Rathbone.

— Eu verei o Sr. Rathbone agora. — Seu tom não deixou nenhum espaço para argumento.

Ela tragou. — Você tem um horário, Sr...?

Desperdiçando tempo. Ele andou longe dela sem outra palavra.

Ela gritou freneticamente, — Pare. Por favor.

Ele serpenteou pela esquina mais distante e entrou em um corredor que levava à várias salas de conferência diferentes. Ele podia ir para a esquerda ou direita. A esquerda oferecia mais portas. A direita terminava em um escritório grande de canto com paredes de vidro fosco. Aquele. Maldade picava atrás de seu pescoço.

Ele abriu a porta.

Um macho, não mais que vinte e cinco anos, sentava em uma escrivaninha de cerejeira ornamentada. Ele tinha cabelo escuro, cada fio em seu lugar, e olhos de ardósia cinza. Sua pele era profundamente bronzeada. Seus cotovelos escorados na escrivaninha, seus dedos tamborilando juntos à medida que ele esperava. Ele sabia que Enviados chegaram.

— Eu tenho esperado por você, — ele disse com um aceno elegante para indicar as cadeiras. — Por favor, se sente.

Primeiro pensamento de Thane: Não possuído, mas influenciado.

Demônios possuíam humanos entrando em seus corpos e controlando suas mentes por dentro. Um humano era influenciado se um demônio se prendesse ao seu lado, sussurrando em sua orelha para direcionar suas decisões. E agora mesmo um demônio permanecia atrás da cadeira do Sr. Rathbone. Um demônio diferente de qualquer outro que Thane já viu. Dois metros e dez de altura pelo menos, com pele que rivalizava com o brilho da maioria dos diamantes perfeitos no mundo. Cabelo branco caia para alcançar sua cintura.

Mesmo que Thane nunca visse tal criatura, sabia o que era.

Zacharel, ele projetou para seu líder. Acredito que achamos um dos demônios responsáveis pela morte do nosso rei. Mas existe um problema. Ele é um príncipe.

Parta. Agora, veio a resposta imediata, apavorada. Estou juntando a Elite dos Sete.

Thane contou mais de duzentos demônios no edifício.

As chances não estavam ao seu favor.

Partir? Precisamos de respostas, Thane disse.

Precisamos de você vivo, Zacharel estalou.

Muito bem. Ele partiria... Logo.

Ele não tinha medo. Ele não estava intimidado. Ele estava impaciente.

O demônio afagou dedos longos e magros pelo cabelo escuro do humano, e o humano sorriu devagar, friamente.

— Você demorou o suficiente para me achar. Eu me preocupei que não importasse quantas pistas deixei para você, você falharia.

A boca do demônio nunca se moveu, mas aquelas foram suas palavras. Então. O humano não era meramente influenciado, mas controlado. Como? Quando o demônio ainda vivia do lado de fora de seu corpo?

Um talento de todos os príncipes?

— Não finja que quis ser achado, — Bjorn disse, não precisando entrar no reino natural para ser visto pelo demônio. — Se esconder meio que acaba com o propósito, você não acha?

Nenhuma reação do príncipe.

Mas o humano disse, — Eu deixei pistas porque estava curioso para conhecer os guerreiros que seriam enviados para me capturar. Agora eu sei. Eu vi. E você viu. Uma nova batalha pode começar. Mas, Enviados... Vocês estão errados. Então muito errados. Você pensa que estive me escondendo, mas a verdade é que juntei um exército.

— Demônios mentem, — Xerxes estalou.

Às vezes, entretanto, adicionavam um pouco de verdade em suas mentiras, fazendo mais difícil achar a luz na escuridão.

— Sim, — o humano continuou. — Nós mentimos, mas até nós somos capazes da verdade ocasionalmente.

— Verdade que costuma usar para enganar.

— Acredite em mim... Ou não. Eu dificilmente me importo.

— Então por que não avança e nos diz por que está aqui? — Bjorn disse.

Um agradável aceno com a cabeça.

— Por muito tempo vocês policiaram os céus e a Terra, como se os possuíssem. Não mais. Minha espécie está pegando de volta seu mundo, e suas pessoas.

Se os demônios assumissem o comando, caos e morte reinariam.

— Foi por isso que matou Germanus? — Thane exigiu. — Para começar uma nova guerra? Para tomar o que pensa ser seu?

Neste momento, o humano permaneceu quieto.

Neste momento, o demônio sorriu devagar. — Não. Nós matamos seu Germanus por diversão.

A voz era totalmente má. Escura e retorcida, mil gritos escondidos nas palavras, na mentira. Com demônios, existia sempre um propósito.

Então o príncipe e o humano desapareceram.

O príncipe relampejou, Thane percebeu, levando o humano com ele. Uma habilidade que ele e seus rapazes não possuíam.

Um segundo mais tarde, o edifício inteiro começou a agitar-se.

Foi a única advertência que tiveram, antes da estrutura inteira desmoronar ao redor deles.

 

Elin maravilhou-se.

— É... é... — Quase tão legal quanto achar os chocolates, romances e rosas em seu quarto esta manhã. E a nota de Thane... Oh, doce fantasia, sua nota.

Ontem à noite, o homem a chutou fora de seu quarto. E ainda, no dia seguinte ele manda uma nota que dizia, “Você é meu bom”. O que havia com ele? Ele gostou dela ou não?

De qualquer modo, queria que ele parasse... Nunca parasse... Mas, oh, toda vez que ele fazia algo bom para ela, ela caia um pouco mais fundo em seu feitiço... E seu medo da descoberta intensificava.

— Cara, — Bellorie disse. — Você está olhando estupidamente, e está tirando a atenção de mim. No caso de não perceber isto, atenção é minha rachadura.

— Notícia de última hora. Percebi isso no primeiro encontro. Mas estamos nas nuvens, e é como Rodeo Drive encontrando com a Idade Média, e estou um pouco subjugada.

O sol reluzia brilhantemente, mas não estava muito quente. O céu era um claro azul-bebê, uma sombra tão tranquila. Homens alados, mulheres e criaturas voavam deste modo e assim. Ao longo das ruas de pedras, imortais de todas as raças tripulavam cabines, vendendo seus produtos, enquanto uma pletora de compradores potenciais andava relaxadamente por eles.

— Aula Imortal 101, por Professor Hotcakes, — Bellorie disse. — Existem três níveis diferentes nos céus. O clube de Thane está empoleirado na extremidade da terceira, a mais baixa, conhecida por seu hedonismo. Estamos agora a 1,6 quilômetros do The Downfall, em um shopping center ao ar livre com vendedores que vendem tudo, de waffles-no-espeto a passeios nas costas de escravos... seja o que for, escolha. Roupas opcionais. Você pode ter qualquer coisa se o preço for certo.

As outras meninas fizeram compras ontem, como planejado, mas a Harpia esperou Elin retornar de sua “incumbência” com Thane.

Seus lábios queimaram quando ela se lembrou do beijo. Seus peitos doeram. Sua pele formigou. Calor carnal agrupou entre suas pernas.

Embora eles pusessem fim a coisas. Não o fizeram? Aquela nota... Ela o desejou mais que nunca.

Por que ele não a buscou para conversar sobre as coisas?

— Então, onde quer começar? — Bellorie perguntou.

Elin puxou sua mente fora da sarjeta deprimente.

— Roupas. É onde quero começar e terminar. — Nenhuma razão para gastar seu precioso dinheiro em qualquer outra coisa. Exceto talvez naquela maçaneta. Tinha a forma e cor como uma mão humana. Très legal. O quarto que compartilhava com as meninas podia usar um pouco de sua personalidade.

Mas e se realmente fosse uma mão humana? Evite a maçaneta!

— Escolha excelente. — Bellorie movimentou a cabeça. — Eu estou ávida para ver você fora do estilo vagabundo clássico em que chegou.

Ela levou Elin rua abaixo, empurrando pessoas fora do caminho sem preâmbulo.

O ar espessou com perfumes e sobremesas e... Tortas de carne? Sua boca alagou.

— Mudei de ideia, — Elin disse, agarrando seu estômago roncando. — Vamos começar e terminar com comida. As roupas podem vir no meio.

— Muito bem. Mas precisamos te encher de dinheiro primeiro.

Depois de vender um de seus colares, ela consumiu três tortas de carne, que eram melhores que qualquer coisa que já saboreara, exceto Thane, então dois cupcakes de chocolate e quatro bolinhos de manteiga de amendoim — melhores até que Thane. Talvez.

— Onde você põe isto? — Bellorie perguntou, o olhar esquadrinhando suas curvas mínimas.

— Eu acho que descobriremos. — Ela não comeu assim em... Nunca.

— A propósito. O que atualmente está provando? Isto é comida real. O que está fazendo no clube é... Não é.

Ei!

— Eu estou melhorando.

— Bonka Donk, você está ficando pior. Estes bolos de chocolate da manhã podem ser usados em nosso próximo jogo de dodge-boulder.

Elin suspirou. Assar não era tão divertido quanto lembrava. Talvez estivesse na hora de reavaliar suas metas de vida.

Que loucura é essa? Bay sonhou em abrir uma padaria, e agora ela iria matar isto do modo que as Fênix o mataram? Não! Ela tinha que fazer isto, pela memória dele. Sua honra.

Especialmente desde que já o traiu com Thane.

Desespero dançou na extremidade de sua mente, mas ela deu uma de Bellorie e deu o dedo a isto. Este dia não seria estragado!

Com Bellorie a seu lado, ela conversou e riu enquanto gastava o resto de seu dinheiro, selvagem, em um novo guarda-roupa. Ela comprou pares de calça jeans, um par de calças de couro... O que? Uma dúzia de tops bonitos, alguns vestidos de verão, regatas de treinamento e shorts, lingerie, pijama, botas, tênis, sapatos de salto alto e uma bata.

— Tudo será entregue no clube ao final do dia, — Bellorie disse mais cedo.

Ela protestou. — Não, eu... — Ou melhor, ela tentou protestar.

— Não pode levar isto, você não tem os bíceps, — a garota interrompeu. — E eu não vou ajudar porque preciso da minha mão principal livre.

Mas ela odiou o pensamento de deixar os estimados artigos fora de sua visão, até por algumas horas. Meu, tudo meu.

— Vamos, — Bellorie disse agora, arrastando-a do Vladmir’s Closet. — Axel disse-me que tem uma barraca hoje, e não quero perder.

— Axel?

— Você o encontrou ontem à noite, na mesa de Thane. Cabelo escuro, penetrantes olhos azuis.

O Mais Bonito, o macho que ela ameaçou com arsênico. Ótimo.

Sua barraca era no fim da rua, lenços brancos atuando como paredes e dançando em uma brisa gentil. Ele não oferecia nenhuma roupa, nenhuma comida, nenhuma joia ou mobília. Ele estava sentado no centro da tenda vazia, inclinado em uma cadeira, suas mãos dobradas acima de seu centro, suas pernas esticadas, suas asas estendidas.

Ele sorriu quando as viu, seu rosto inteiro iluminou e, de alguma forma, o fez mais bonito.

— Bem, bem. Se não é minha Harpia favorita e a humana favorita de Thane. Não fomos corretamente apresentados, bela. Você é Elin. Eu sou Axel. E, não se preocupe. Eu sei como isto funciona. Eu digo a você meu nome, e você não diz nada... Porque você desfaleceu. — Ele pausou por vários segundos dramáticos, esperando.

Ela lutou com o desejo de rolar seus olhos.

Seu sorriso cresceu mais largo.

— Então como foi ontem à noite com Sr. Não-divido-meus-brinquedos?

Eu sou uma mulher forte, confiante e não vou ruborizar.

— O que você está vendendo? — Ela perguntou, ignorando sua pergunta.

— Boquetes, — ele respondeu sem perder uma batida, e ela piscou de surpresa.

Bellorie não lutou contra seu desejo... ela rolou os olhos.

— O que ele quer dizer é, está disposto a deixar as mulheres o chuparem se pagarem a ele com armamento novo e excitante.

— E aqui não tem uma fila? — Elin secamente perguntou.

Sem se ofender, ele bateu levemente em seu colo.

— Sente-se e eu mostrarei a você por que estou oferecendo um negócio tão excepcional.

Maldade cintilou em seus olhos... Sim, ela estava certa de visualizá-lo como um candidato. Ele claramente sabia o caminho ao redor de um corpo feminino. Mas só um homem a tentou a avançar completamente, e não foi Axel.

— Não, obrigada.

Ele encolheu os ombros, nem mesmo um pouco desapontado. — A perda é sua.

— Então, a razão que estamos aqui... — Bellorie iniciou. — Você queria informações sobre William, o Sempre Excitado, vulgo Derretedor de Calcinha, e eu ouvi algo ontem à noite. Um Fae entrou no bar, disse que a filha de William, uma menina chamada White, foi assassinada em seu domínio por uma Fênix chamada Petra.

Petra. Tia de Kendra. De acordo com a fofoca no bar, a menina estava morta. Tipo, nunca-voltando dos mortos. Alguém deve ter comido seu coração, o que significava que ela realmente tinha um. Surpresa, surpresa.

Axel sacudiu-se na vertical, a luz provocante extinta de seus olhos.

— Eu soube disto. Mas o que mais você ouviu?

— William, o Derretedor de Calcinha, e seus filhos, Red, Green e Black, desapareceram imediatamente depois. William foi visto depois com os Senhores do Submundo, mas os garotos não foram vistos ou ouvidos desde então.

Elin não tinha nenhuma ideia do que estavam conversando, e passeou para a barraca à esquerda. Seu olhar passou pelos artigos à venda, joias para cair só sobre um grande, forte Enviado. Merrick, ela percebeu, o vocalista da Espiral da Vergonha. O cabelo escuro emaranhado ao redor de um rosto que tinha que ser o epítome da beleza. Olhos de cílios longos, escuros olhos sombreados da prata mais luminosa.

Sua única imperfeição era a grande contusão arruinando sua mandíbula. Ele deve ter estado em uma briga.

Perfeito. Ele era um homem de briga. Podia ser um candidato novamente, desde que Thane foi de quente-e-frio para permanentemente frio.

Esquecendo a nota?

Não. Ainda mais confusa sobre isto.

Merrick sorriu quando a viu, o lento florescer de boas-vindas incrivelmente sensual.

— Eu me lembro de você, — ele disse, confundindo-a. Ele aproximou-se dela. — Você é a humana, e não dormi com você.

— Uh. Correto. — Ele cheirava bem. Muito, realmente bem. Escuro, romântico e picante, como se apenas saísse das Noites Árabes. Mas por alguma razão ele não fez nada aos seus hormônios.

— Eu nunca percebi que Thane era do tipo possessivo.

— Eu não entendo, — ela respondeu, sua frequência cardíaca subindo ao som de seu nome.

O sorriso de Merrick alargou.

— Ele me advertiu para ficar longe.

— Do quê?

— Você.

— Eu? — Ela bateu em seu tórax para ter certeza que estavam conversando sobre o mesmo.

— Você. Não sei o que deu a ele a impressão que planejei fazer um movimento...

Seu gemido o parou. Ela deu. Ela sabia. Ela mencionou o nome de Merrick para Thane.

Os olhos de Merrick centelharam.

— Mas você sabe, eu vejo.

— Sim, e eu sinto muito. Então desculpe. O que ele fez para você? — E por que estou estimulada pelo pensamento que Thane foi brigar com outro sujeito?

— Merrick, — uma lamentosa voz feminina chamou antes de Elin poder terminar sua réplica. — Eu já sinto sua falta.

Merrick tomou a mão de Elin, seus olhos cintilando com diversão quando beijou suas juntas.

— Faça Thane implorar por isto. As batalhas mais duras têm as vitórias mais doces. — Então ele estava fora.

Suas palavras, entretanto aparentemente entregues com um motivo oculto, aquela diversão não pressagiava nada de bom, assombrando-a muito depois. Fazer Thane implorar por ela? Sim, por favor. Não. Elin ruim. Mas... Ela queria ser um prêmio que valesse ganhar.

Componha sua mente já! Você o quer, você não quer, você o quer novamente.

Em um esforço para se distrair, ela caminhou para a próxima barraca. Milhares de peles a saudaram. Algumas eram de animais que ela reconheceu... Algumas ela não reconheceu.

Thane a queria toda para si?

Ugh. Não vá por aí, também. Ela levantou a mais bonita, um preto e branco em padrão hipnotizante, com brilho incrustado. Suave. Morno, como se fosse um cobertor elétrico. A etiqueta dizia que era feito de cabelo de um híbrido unicórnio e griffin.

Mas seriamente, Thane a queria toda para ele mesmo?

A proprietária a viu. Uma mulher guerreira amazona de um metro e noventa de altura.

Elin não tinha nenhum plano de comprar. Seu dinheiro foi na direção de necessidades, como sapatos de saltos e calças de couro, ou para a poupança. Fim da história. Ela olhou longe, esperando evitar a venda. Seu olhar capturou uma visão que esperava nunca ver novamente, e ela choramingou com desânimo.

Era Ardeo, o rei das Fênix. Entretanto ele parecia muito diferente do que ela lembrava, seu cabelo escuro arrepiado, seus olhos castanhos injetados de sangue, e suas bochechas uma vez cheias, agora magras. Ao lado dele estava Orson, o segundo em comando do exército Firebird.

Os dois machos espreitavam abaixo, pela fila das lojas, determinados, ameaça a cada passo. Eles esquadrinharam cada barraca, obviamente procurando por algo, ou alguém.

Thane?

Ou Elin?

E se disseram a Thane seu segredo?

Náusea deu luz ao pânico, ambos queimando seu tórax. Parte dela queria segurar seu fragmento de vidro e ir para o rosto de Orson, algo, qualquer coisa para castigá-lo por sua parte nas mortes do seu pai e Bay. Parte dela sabia que meramente criaria mais problemas.

O que quer que seja necessário, meu bem, faça. Sobreviva. Não permita que meu sacrifício seja em vão.

Decisão tomada. Elin lançou o resto de seu dinheiro na Amazona e disse, — Eu levarei o cobertor. Se isto não for suficiente, contate Thane no The Downfall e ele pagará. — Eu espero.

Enquanto corria para a barraca de Axel, Use-o para proteção, ela puxou a pele ao redor, cobrindo seu cabelo e protegendo a maior parte de seu rosto e corpo.

Por você, Mãe. Mas por dentro, Elin tinha vergonha por seu comportamento. Devia haver um modo melhor para se salvar. Um modo que não pisoteasse seu respeito próprio.

— ...convide os Senhores, nenhum problema, — Bellorie estava dizendo. — Uh, o que está fazendo, Bonka Donk?

— Esconda-me, — Elin comandou, de repente úmida. A Fênix podia arruiná-la de vários modos diferentes. — Não converse com os guerreiros, certo? Não converse com eles, e não os escute. Mande-os embora. Certo? Sim?

Bellorie franziu para ela.

Axel manteve sua pose casual.

Nenhum entendeu o nível do perigo.

Elin foi para o lado do Enviado, como se fosse seu escravo, e curvou sua cabeça. Cronometragem perfeita. Dois conjuntos de botas de couro desgastadas surgiram. Seu coração trovejou contra as costelas, entrando continuamente em contato com o calor do pânico, um fósforo iluminando e queimando-a.

Talvez ela fosse mais Fênix que humana afinal.

— Você é um Enviado. — A voz de Orson. Funda. Severa. Áspera.

Fazendo-a tremer. Com medo... E raiva. Não pode lutar contra um dragão antes de lutar contra um leão e urso.

— É o dia de Atestar o Óbvio? — Axel perguntou, e soou genuinamente curioso. — Nesse caso, quero minha vez. Você é feio e ridiculamente estúpido.

O guerreiro Fênix chupou uma respiração.

— Olhe sua língua, alado, ou você perderá isto.

Era de conhecimento comum que Enviados tinham permissão para matar demônios, e ninguém mais. A menos que, claro, fossem mantidos contra sua vontade. Agora mesmo, Axel não estava sendo mantido contra sua vontade. Ele estava em uma desvantagem importante.

— Estamos aqui por Thane. Você o conhece? — Orson exigiu.

Por que Ardeo não estava falando? Ele era o rei.

E o que queriam com Thane? Os presos? Provavelmente. Então... Talvez, se Elin ficasse longe da vista, ela não seria mencionada e seu segredo ficaria seguro.

— Bellorie, bem, — Axel disse, verificando suas cutículas. — Eles estão me chateando.

— Minha recompensa? — Ela perguntou, confundindo Elin.

— O dobro.

— Negócio fechado.

Um segundo mais tarde, antes de Elin poder até mesmo localizar os movimentos da garota por baixo do cobertor, Bellorie atravessou sua mão pelo tórax de Orson, agarrou seu coração, e empurrou-o. O órgão bateu duas vezes mais antes de parar.

O guerreiro desmoronou no chão, morto.

Sangue gotejou entre os dedos de Bellorie.

Sangue... Sangue... O sangue pulverizado da cabeça do seu pai à medida que rolava. O sangue gotejado do corpo quebrado de Bay quando caiu acima da mesa. O sangue manchando as coxas da sua mãe enquanto ela agarrava seu bebê morto.

Gelo apagou o calor dentro de Elin. Um grito se preparou atrás de sua garganta, escapando depressa. Outros seguidos de perto, então outro. Talvez Ardeo visse seu rosto. Talvez não visse. Ela não se importava mais. Não podia parar de gritar enquanto o rei Fênix apanhava seu segundo em comando e corria para longe, mais provavelmente esperando levá-lo a algum lugar seguro de forma que ele pudesse regenerar.

— Quieta, — Axel comandou.

Ela tentou obedecer, ela realmente tentou, mas os gritos só continuaram vindo. Sangue... Uma poça vermelha... O cheiro disto no ar... Moedas velhas. Familiar. Flutuando dos dois homens que ela amou mais que a vida. Então de sua mãe e único irmão... seu precioso irmãozinho.

Braços fortes seguraram ao redor dela e a ergueram do chão. Elin lutou com toda força, balançando seus braços, chutando suas pernas. Mordendo. Arranhando. Ela agiria como um guerreiro e lutaria até a morte. Sobrevivência a qualquer preço!

Os braços a libertaram, e ela caiu; devia estar mais alto do que percebeu, porque perdeu sua respiração quando aterrissou, dores bravas rasgando por seu lado. E ainda os gritos subiram, entretanto eram mais suaves agora, meras raspas de respiração quebrada.

— O que está errado com ela? — Ela pensou ouvir Bellorie perguntar.

— Eu não sei, mas chamei Thane, — Axel respondeu, seu tom severo.

— Ele não virá por um empregado inferior. Ele...

— Já está aqui.

De repente cachos loiros e olhos azul elétrico consumiram a linha de visão de Elin. O rosto bonito de Thane estava listrado por fuligem. Existiam cortes vívidos em sua fronte e bochecha, mas pelo menos a pureza de seu cheiro substituiu as moedas velhas, e o calor de seu corpo afugentou o frio do pânico.

— Elin, olhe para mim.

Lutando para respirar, ela focou na beleza dele ao invés dos danos.

— Você está segura agora. Eu preciso que fique tranquila.

Tinha que fazê-lo entender. — Ajude-me a tirar isto. Por favor, Thane. Ajude-me a tirar isto. — Ela percebeu que estava deitada de costas no meio da rua, e Thane estava abaixado ao lado dela, suas asas embrulhadas ao redor, protegendo-a da curiosidade dos outros.

— O que precisa que eu tire de você, kulta?

— O... O sangue. — Até a palavra odeio. — Tire isto.

— Eu não vejo nenhum sangue.

— Está lá. Eu sei que está. E eu preciso tirá-lo. Por favor. — Ela ofegou. O sangue se espalhou para ele. Suas asas... Estavam vermelhas. Tudo estava vermelho!

— Kulta.

Lágrimas quentes listraram abaixo de suas bochechas quando ela caiu em um arquejante monte desossado. — Por favor.

— Alguém machucou você? — Ele perguntou, seu tom tão baixo que ela mal o ouviu.

— Por favor.

Franzindo o cenho, ele ternamente limpou seu rosto com golpes de seu polegar.

— Certo. Eu a levarei para casa, e lavarei você.

— Odeio estragar a festa, — Axel disse, — Mas dois guerreirOs Fênix estavam aqui procurando por você, meu homem. Estavam bastante chateados.

Pânico bateu em Elin. Se Thane caçasse Ardeo e Orson... Se os três tivessem um pouco de conversa...

Seu segredo não seria mais um segredo.

Elin começou a lutar.

Ódio e determinação lutaram pelo domínio na expressão de Thane, mas ainda balbuciou suavemente para ela, reassegurando-a que estava lá, que não ia a qualquer lugar. Quando finalmente ela se acalmou, ele disse para Axel, — Leve Bellorie para Xerxes, e contate a guerreira Fênix. — Ele colocou Elin em seus braços, embalada perto de seu tórax, e lançou-se diretamente no ar.

 

Thane não podia acreditar no dia que teve. Ele e seus meninos quase morreram quando o edifício desmoronou. Se não fosse pela Água da Vida, teriam. Segundos depois de tomar um gole do agente curativo, seus ossos quebrados se repararam, músculos rasgados se juntaram e veias secas se encheram.

Uma vez curado, tirou os humanos dos escombros e os alimentou com uma gota de água, assim assegurando que não perdessem suas vidas. Por desgraça, as estações de noticias agora estavam a todo vapor com a história dos três homens de aspecto estranho que realizaram um dos maiores milagres do mundo.

Ele era um feixe de emoções. Aliviado pelos humanos que sobreviveram. Culpado por não conseguir seguir as ordens e, portanto conduzir à explosão e ao descobrimento. Depois de tudo, um erro que terminou bem e nem por isso menos que um erro. Inclusive estava preocupado. O que aconteceria depois? O que Zacharel diria? Seu líder o repreenderia? Ou finalmente o excluiria?

Justo neste momento, Thane se importou.

Sem sua força, suas asas, como protegeria Elin?

De volta ao clube, ele foi à procura dela, pensando em mantê-la ao seu lado pelo resto do dia, para o caso do príncipe decidir atacar em seu próprio terreno.

Mentindo para si mesmo? Não. Mas lidar com a verdade? Claro.

A verdade, sem qualquer floreio: Ele queria Elin em sua cama, nua. Queria suas mãos nela. Sua boca nela. Queria se empurrar dentro dela e ouvi-la gritar seu nome.

Quando o edifício Rathbone caiu ao seu redor, seu único pensamento foi que não podia deixar este mundo sem ter Elin em todos os sentidos.

Elin, que odiava sangue e não percebia que sua alma estava cheia dele.

Agora, a levava através de seu apartamento para o banheiro, colocando-a sobre a tampa do vaso. Ele enviou à Xerxes um comando mental.

Encontre Bellorie. Eu não a quero no clube.

Ela causou isto.

Você dormiu com ela? Xerxes exigiu, seu choque evidente.

Não. Sua presença me ofende.

Não havia nada mais que precisava discutir. Muito bem.

Elin estava em silêncio, provavelmente sua mente em outro lugar. No passado, com certeza.

Movendo-se tão rapidamente quanto possível, ele trancou as portas e preparou um banho quente. Ela não ofereceu nenhum protesto quando ele tirou sua roupa e a olhou de cima, em busca de lesões. Sua pele era pálida em alguns lugares e avermelhada em outros, com sardas. Mas seus bonitos seios, com mamilos rosados e seu estomago plano e suave, suas pernas longas e ágeis, eram maravilhosos.

— Elin. — Ele suavemente disse.

Finalmente um movimento. Ela envolveu os braços ao redor de sua cintura, para aquecer-se contra o frio do ar ou para proteger a si mesma? E viu o começo de um hematoma na parte direita.

Ele silvou em uma respiração. Elin... com dor...

Seus punhos se apertaram e algo dentro dele se rompeu. Ou, finalmente algumas das ervas daninhas foram arrancadas. Ele lembrou-se dos gritos de Elin, sua voz uma mistura de medo e estremecida nas bordas. O som não a despertou; o que não foi nenhuma surpresa. Não o fez no acampamento também. Mas o atormentou. Teria feito qualquer coisa para que parasse.

Lembrou-se da forma como algumas de suas amantes pareciam depois de um ano, como ele uma vez olhou para seus capturadores demônios. O que ele faria se Elin alguma vez olhasse para ele desta forma?

Morte, ele percebeu. Uma parte dele morreria. Seu último fragmento de decência, talvez. Não seria melhor do que os monstros contra quem lutou.

Está melhor agora?

O pensamento o sobressaltou. Ele estava. Agora. Finalmente. Antes, ele estava morto. Sufocado por aquelas ervas daninhas. Agora ele podia respirar. Estava vivo.

Ele se abaixou na frente de Elin e traçou os nós de seus dedos sobre suas costelas.

— Por que está assim, kulta?

Manteve o olhar nos azulejos do chão, dizendo suavemente.

— Eu não sei. Quero dizer, eu lutei contra Axel quando ele tentou me levantar e eu caí, e doeu. Talvez então?

Axel não protegeu o tesouro de Thane. Ele e Axel precisavam ter uma conversa.

Thane levantou Elin e a colocou na água quente. Ele sentou-se na borda da banheira, perguntando-se se deveria dar um banho nela ou simplesmente deixá-la.

— Junte-se mim. — Ela pediu.

As palavras eram suaves, apenas audíveis. Ainda assim, fez seu mundo inteiro tremer.

— Não, kulta. — Ele faria o banho sexual mais que reconfortante e neste momento ela estava muito vulnerável. — Você não está em um bom lugar neste momento. Suas decisões não são...

Os olhos dela esfumaçados encontraram os seus e atravessaram todo o caminho até sua alma.

— Por favor. Eu não quero ficar sozinha.

Minha mulher não deveria ter que pedir nada.

— Certo. — Era facilmente influenciável. Depois de um momento de vacilação, armando-se de coragem contra o que estava por vir, ele sentou-se atrás dela. Calor liquido percorreu sua pele enquanto a atraia para o meio de suas pernas e a colocava sobre seu peito.

Com cuidado. Ele ajustou sua posição, ou melhor, tentou, mas não gostou do ângulo, sua ereção pressionada contra uma parte dela. Estremeceu, lutando contra o impulso de esfregar-se contra ela. Não pode resistir. Ele tinha uma visão deliciosa de seu corpo. Uma mecha longa de seu cabelo da cor da meia noite se aferrava à sua pele úmida, caindo ao redor de um mamilo rosado. As águas brilhavam na superfície plana de seu estomago.

— Vou limpá-la. — Permanecer na margem. Ele ensaboou desde o pescoço até a cintura. Em um primeiro momento, conseguiu manter sua mente em outras coisas. A reunião com Zacharel no dia seguinte seria com respeito às suas ações nas Indústrias Rathbone.

Receberia outras chicotadas?

Isso levou seus pensamentos ao príncipe demônio e repartir chicotadas ele próprio. O tempo todo Elin permaneceu quieta e em silêncio, mas ela também era suave e doce, seu cheiro rivalizando com todas as distrações e não se passou muito tempo antes que sua resistência murchasse e acidentalmente roçasse seu mamilo com os nós dos dedos. Ela não reagiu.

Poria fim nisto. Ele despejou água quente sobre seu estômago, lavando a espuma.

— Terminei. — Ele disse com voz áspera.

— Obrigada. — Ela respondeu, seu tom um pouco automatizado.

Era claro que as lembranças ainda a atormentavam. Apesar de seu mal estado, não podia deixá-la assim.

Massageando seus ombros, ele suavemente perguntou.

— Por que você odeia sangue, kulta? — Em um esforço para purgar o passado.

Quieta, hesitante, ela disse.

— Uma Fênix entrou repentinamente na casa dos meus pais em meu vigésimo aniversário. Meu marido e eu estávamos lá para um jantar de celebração. Éramos apenas nós quatro. Mamãe me agarrou e me jogou debaixo da mesa, e fui tão covarde que fiquei lá enquanto papai e Bay... eles se levantaram para proteger suas mulheres. Os guerreiros decapitaram papai e apunhalaram Bay. Seu corpo caiu na mesa, e seu sangue, caiu sobre mim. Eu gritei tanto que poderia permanentemente danificar minhas cordas vocais.

Suas palavras pintaram uma imagem verdadeiramente horrorosa. Thane apertou seus olhos fechados em um esforço para limpar sua mente. Seu coração se encolheu. Ele sofria pela menina que ela foi. Tão jovem. Tão vulnerável.

Tão trágico.

— Você não é uma covarde, kulta.

— Eu sou. — Ela disse, soltando um punho na água. — Hoje, quando vi Ardeo e Orson, me escondi ao lado de Axel em vez de atacar.

— E foi sábia em fazer isso, não covarde. É uma humana sem treinamento, é...

— Tenho treinamento. — Ela respondeu. — Mas nunca tive coragem para aplicá-lo.

Um conhecimento humano para se defender contra outros humanos dificilmente era um treinamento para se defender contra os seres povoando seu mundo.

— Você se esconderia se Ardeo e Orson entrassem repentinamente neste banheiro?

— Não. Eu atacaria!

— Então já é uma pessoa diferente. Aprendeu com seus erros.

— Isto é... verdade. — Os nós dos músculos de Elin suavizaram e ela relaxou contra ele, enquanto ele ficava mais tenso a cada segundo.

Ele poderia ter rugido de triunfo. Ele a ajudou.

E talvez por isso, apesar do horror de sua conversa, seu eixo se manteve duro como um tubo de aço, palpitante, incentivando-o a se arquear contra ela.

— Obrigada Thane. — Ela disse, trêmula.

— De nada. — Ela sentiu a direção de seus pensamentos? Ou finalmente percebeu que tinha este homem plenamente excitado atrás dela?

— Então...como você me encontrou?

Não queria falar de sua busca por ela. A forma como cortou o clube, desesperado para vê-la. Ou que Chanel disse que Bellorie a levou às compras e que esteve no ar uns poucos segundos mais tarde.

No caminho, Axel falou em sua mente. Sua humana não para de gritar. O que gostaria eu fizesse com ela?

Proteja-a. Estou quase lá. Thane acelerou seu passo.

— Axel me chamou. — Ele finalmente disse. — Os Enviados podem se comunicar telepaticamente.

— Oh. Isto está bem. — Disse ela, movendo-se nervosa na água, como se pedindo... por mais.

Você está interpretando mal. Ele apertou os dentes.

Então ela se moveu novamente... e novamente, deliberadamente parecendo avivar seu desejo. Logo, ela roçou contra ele.

Thane colocou sua grande mão no estômago para pará-la. Ao invés, ele abriu os dedos, cobrindo tanto quanto possível, e a encorajou a se mover mais rápido. Ele lutou por controle. E falhou.

Ela arqueou com seu toque. — Thane.

A necessidade em sua voz...

Ele acariciou com a ponta dos dedos o vértice de suas coxas, aproximando-se cada vez mais do ponto doce, deixando que o pulsar do desejo saísse dele e filtrasse por ela. Ela gemeu.

— Nenhum de nós está pensando claramente neste momento. — Ele disse. — Agora é hora de parar.

Sua cabeça rolou contra seu ombro quando ela soltou outro gemido.

— Eu não quero parar. — Ela fez uma pausa. — E você?

— Eu não só quero você, kulta. Estou literalmente faminto por você. — Ele se empurrou contra ela para não ter nenhuma dúvida de suas palavras. — Eu prefiro morrer que parar.

Ela estremeceu na água ondulando.

— Você usará chicotes e algemas em mim? — Ela levantou a mão atrás, passando pelos cabelos dele.

— Não. — Nunca. — Tudo que preciso é de você. — Ele lambeu a concha de sua orelha.

— Mas...

— Nada de mas. — Ele segurou seu queixo e forçou sua cabeça para angular em direção a ele. Seus olhos na mesma altura, com os lábios entreabertos e prontos para a posse. O triunfo o percorreu. — Quando estivermos juntos, será você e eu. Ninguém mais. Nada mais. De acordo?

— Thane...

— Concorde, kulta.

Uma tortuosa pausa. Então, — Eu concordo. No momento.

No momento era bom o suficiente.

Se inclinando, ele pressionou a boca contra a dela. Ela abriu de imediato, como se não pudesse evitar e ele aproveitou, colocando a língua contra a dela. Exigiu. Consumiu. Devorou. Nunca teve uma mulher que o embriagasse mais. Ele lhe daria tudo. Faria tudo com ela, coisas que não fez com nenhuma outra. Ele tocaria e provaria cada centímetro dela, logo a deixaria tocar e provar cada centímetro dele.

Eles nunca mais seriam os mesmos.

Suas mãos saíram da água e moveu-se para os seios bonitos e segurou-os, apertando. A água os havia deixado um pouco vermelhos, a pele quente. Ou talvez o intenso calor que irradiava dele fez isto. Suas palmas queimavam com tanto ardor que temia queimá-la, mas enquanto rodeava seus mamilos entre os dedos, ela gemeu e arqueou seus quadris, sua excitação sem restrições.

— Não consigo ter o suficiente de você, kulta, e acho que, talvez, você não possa conseguir o suficiente de mim, também. — Beijou e lambeu um caminho por seu pescoço. — Estou certo?

— Sim. — Ela balançou sua cabeça para dar a ele melhor acesso. Enquanto ele chupava, seu pulso acelerou e cravou as unhas em seu couro cabeludo. — As coisas que me faz sentir. É como poesia...

Era bonito... aumentando a pressão, fazendo-o se esfregar contra ela com mais força. Ele sussurrou com a retidão da sensação. — Diga-me o que quer. — Sua voz não era nada além de um grunhido. — Eu farei. Farei qualquer coisa.

— Você. Seus dedos.

Seu olhar intenso seguiu um caminho até o centro de seu estomago e suas mãos pouco depois. Esteve com centenas de mulheres. Mordeu, arranhou e chicoteou, mas nunca tocou uma da forma como estava a ponto de tocar Elin. Sempre utilizou os instrumentos para tocar.

— Abra para mim.

Ela obedeceu, abrindo os joelhos ao máximo.

— Boa menina. — Ele fechou os dedos ao redor do montículo e gemeu. Ela estava quente o suficiente para queimá-lo.

— Thane. — Ela ofegou. — Sim. Assim. Mais para dentro.

Seu nome nos lábios dela... um som gutural...

Ele a abriu e colocou um dedo em seu apertado calor, pura seda e sentiu que ela estremecia ao seu redor. Absoluta. Perfeição. Quase chegou lá. Um grito rouco surgiu enquanto tirava o dedo... e entrava outra vez... e outra vez.

— Mova-se para mim. — Enquanto falava, moveu seu traseiro em um ritmo oscilante contra seu eixo. Para cima e abaixo, criando uma fricção perigosa... terrivelmente boa... que os impulsionou mais perto e mais ao limite sem retorno.

— Isto está bom, kulta. — Ele disse entre os dentes.

A água lambia a borda da banheira apenas para regressar sobre sua pele já sensibilizada. A água que não esfriou nenhum pouco. Apenas se aquecia mais.

— Sim. — Ela levantou as mãos para apertar os seios, como ele fez antes.

Era demais... não era o suficiente. Ele deveria fechar os olhos e tentar se acalmar, simplesmente desfrutar da sensação das paredes interiores ao redor de seu dedo, apertando-o. Mas a visão dela... tão erótica... não podia afastar o olhar e sua necessidade de satisfação continuou aumentando.

Ele lutou contra o impulso de agarrá-la pelos quadris, levantá-la e descê-la sobre sua ereção. Isso era o que ele precisava. Que ela o rodeasse. Que ela o molhasse. Mas ele se sentia como se fosse virgem, totalmente inexperiente e inseguro. Isto era ainda muito novo para ele. O prazer sem dor, sem sequer o desejo pela dor. Perder-se em uma mulher, seu cheiro, os pequenos gemidos que escapavam da parte posterior de sua garganta, a forma como ela se contorcia contra ele. Ele não apenas queria satisfazê-la. Tinha que satisfazê-la. Era uma necessidade tão grande como respirar.

— Diga-me que você gosta disto. — Ele exigiu.

— Muito.

Com alegria, ele colocou um segundo dedo e começou a trabalhar fora dela.

Mais rápido e mais rápido. Mais forte.

Ofegante ela arqueou para levá-lo mais fundo. O palma da mão apertada contra o coração de sua necessidade e ela gritou, as paredes molhadas apertando quase tão forte como um punho.

— Mais. Por favor, mais.

A visão dela, os sons que fazia, o empurrou além da razão. Não podia esperar nenhum minuto mais. Tinha que tê-la. Agora. Assim. Com os dedos ainda dentro dela, moveu seus quadris para frente, esfregando seu longo e duro pênis contra ela. Logo fez novamente. E outra vez. Forte e rápido. E outra vez. Uma vez mais. Durante todo o tempo ele continuava com seus dedos e palma.

— É tão bom, baby. Estou tão perto. — Ela disse.

Baby. Um carinho. De uma mulher. Por ele. Era tão novo quanto o prazer, e da mesma maneira intoxicante.

— Goze. — Ele ordenou. — Agora. Deixe-me sentir você. Ver você. — Ele empurrou mais forte, mais alto, a palma da mão pressionando-a.

— Thane! — Ela gritou, suas paredes internas apertando-o, todo o corpo se arqueando. Uma onda de calor liquido se derramou sobre seus dedos.

O conhecimento de que a levou ao clímax, a sensação disso, o enviou ao paraíso. Ele rugiu com uma sublime satisfação e aproximou-se mais dela. Atingiu o clímax com mais força do que jamais esperou acontecer.

Quando os últimos tremores pararam, caiu contra a banheira e percebeu que tinha Elin em um abraço mortal. Soltou um pouco os braços e retirou os dedos.

Na luz, os dedos brilharam. Sua boca encheu de água, com vontade de provar. Lambeu os lábios... e logo os dedos. Seus olhos se fecharam e sua cabeça caiu para trás. Assim deliciosamente doce. Como viveu sem isto? Sem ela?

— Talvez devêssemos lavar meu cérebro enquanto estamos aqui. — Ela disse, sua voz ofegante. — Meus pensamentos estão ainda muito, muito sujos.

— Você quer mais, kulta? Eu darei a você mais. — Alegremente. Ele beijou a base de seu pescoço e sorriu. — Sua pele está tão quente, suas sardas pequenos infernos.

— Quente? — Ela ficou rígida. Levantou-se, rompendo o contato. — Hum, acho que tivemos o suficiente por um dia. Eu vou sair, certo? E vou pegar uma roupa. — Antes que ele pudesse responder ela se levantou e saiu da banheira. Enquanto tirava a toalha branca de sua cabeça, disse. — Todos irão ver e saber, verdade? Será minha primeira caminhada da vergonha.

Vergonha.

Ela sentia vergonha dele, do que fizeram. Embora ele não a machucasse.

Gelo choveu sobre ele. Ele amou cada momento juntos, e ela também. E ainda, no momento que seu desejo se apagou, lamentou.

— Eu sinto muito. — Elin correu para a porta, apenas para fazer uma pausa com a mão na maçaneta. — Eu, uh, me diverti. Obrigada.

Obrigada?

Por que não deixar um pouco de dinheiro na pia? O sentimento era o mesmo. Ele franziu o cenho.

Quando ela realmente ia sair, sem dizer outra palavra, ele a parou dizendo.

— Não quero que saia do clube novamente, Elin.

Ela girou para olhá-lo espantada. — Sou uma prisioneira, então?

Suas bochechas estavam ainda coradas de seu clímax. Um clímax que ele deu a ela. O cabelo molhado preso nas bochechas. Queria odiá-la.

Não podia odiá-la.

— Você deve ser protegida.

— Todos os demais são protegidos assim? — Ela exigiu.

Um músculo palpitou sob seu olho. Ele não podia mentir. Entretanto, teve séculos para contornar declarando uma mentira.

— Todos os humanos são. — O que ela não sabia: Ela era a primeira e última humana a entrar em seu clube. — Meus inimigos estão lá fora, caçando, e você poderia ser usada contra mim.

Ela afastou o olhar dele, torcendo os dedos no centro do robe, levantando a barra, deixando as panturrilhas descobertas... e as gotas de água que ainda estavam em sua ele.

— O que vai fazer sobre Ardeo?

— Isso dependerá do rei.

— Talvez devesse evitá-lo...

— Suficiente. — Ele não discutiria estratégias de guerra com ela. Eles apenas a assustaria. — Você já teve sua diversão. Vá. — Antes de se aproximar para levá-la para seu quarto, ela fez como antes e fugiu.

 

Elin entrou na sala com os ombros curvados e a cabeça baixa. Ela não sentia vergonha de sua relação com Thane e não queria agir como se tivesse, parte dela esperava que Thane gritasse ordens aos seus guardas para matá-la.

Ele comentou a temperatura de sua pele. Tão inteligente como era, era só questão de tempo antes de perceber que era muito parecida com uma Fênix.

Os vampiros na porta notaram sua saída, mas não comentaram, ou tentaram agarrá-la.

Ao dar a volta em um canto, aliviada por ter escapado e triste pelo abrupto final de um encontro tão doce, Adrian saiu das sombras para segui-la.

Ela queria se afundar em Thane. O que sabia sobre este homem e suas amantes anteriores? Quanto tempo trabalhavam juntos? Mas ela segurou sua língua. Não merecia as respostas. A dor nos olhos de Thane enquanto ela se vestia... era como se ela o tivesse apunhalado.

Não queria machucá-lo, meu melhor amigo, e não tenho certeza de como o fiz.

Melhor amigo. As palavras ecoaram em sua mente. Sim. Ele era, percebeu. Sempre aparecia para resgatá-la. Ele sempre escutava suas histórias sobre seu passado e queria saber mais. Preocupava-se com seu bem estar. Como ela se importava com ele. Ela confiava nele.

Mas não com suas origens.

Ugh. Que desastre.

Suas roupas novas foram entregues, pelo menos. Varias caixas estavam empilhadas ao redor da cama. Suspirando, vestiu uma camiseta e uma bermuda tão rápido quanto possível e colocou a túnica de Thane sobre uma almofada. Ela não estava com humor para contestar perguntas sobre o que acabou de acontecer.

Em primeiro lugar, tinha que esclarecer algumas coisas em sua cabeça. O que estava claro: descartou o plano de doa-a-quem-doer-sem-culpa.

Até então não tinha pensado nisto. Ela ofereceu a si mesma a Thane sem reservas. Aceitou. Conseguiram fazer sexo sem ser sujo e baixo. Foi incrível.

Mas agora, sem a névoa do prazer a conduzindo, a culpa era pior.

Ela não esperou para fazer amor desta vez. Não fez Thane esperar pelo casamento como fez Bay esperar e Bay adorou. Para Thane, não era mais que um capricho passageiro. Sim, isto. E então, para piorar, Bay nem sequer foi seu primeiro pensamento quando sentiu um orgasmo alucinante. Ele foi o terceiro.

Primeiro, queria uma segunda vez.

Segundo, tinha medo. Foi mais excitante com o Enviado, mais quente. Literalmente. Nada assim aconteceu antes, mas sabia a razão disto. Seu lado Fênix.

O que aconteceria quando Thane percebesse a verdade sobre ela? Ele a odiaria? Sim. Colocaria estacas nela? Talvez. Expulsaria? Definitivamente.

E, até então, o que aconteceria com suas necessidades sexuais?

Mudança de necessidades, ele disse, e talvez fosse, por um momento. Mas e depois? Ele iria querer machucá-la por prazer?

Ela estremeceu. Depois do milagre na banheira, não queria lidar com chicotes e algemas. Não queria comparar seu tempo com Thane com seu tempo com as Fênix, quer o tratamento aliviasse sua culpa ou não.

Não importa como olhe para isto, não é bom para mim. Eu deveria me manter afastada dele.

Bem, isso não seria um problema, tinha certeza. Neste momento, ele não queria ter nada a ver com ela, com certeza. Depois que o agradeceu pelo final feliz, a dor em seus olhos o deixou frio, pálido. Seus lábios ficaram finos e os músculos em sua mandíbula se apertaram.

Era uma expressão que mostrou a Kendra, justo antes de matá-la. Eu o fiz se sentir como esta mulher?

Desanimada ela fez seu caminho para o ginásio. Ela não podia se permitir o luxo de faltar à outra aula.

Na última vez, as meninas tentaram perfurar sua cabeça com o fato de que tinha que apontar baixo sempre que lançasse uma pedra. Se alguma vez conseguisse lançar uma. Não tão baixa que a vítima pudesse saltar e evitar ser atingida, mas baixa o suficiente para o míssil não ser capturado.

— ... ele realmente o fez. — Savy estava dizendo enquanto se esticava à esquerda, então para a direita.

— O que... eff! Você mente. — Chanel respondeu, curvando-se até tocar em seus dedos do pé.

— Eu darei a você minha pele de shifter favorita se estou e você me dará a sua se não estou. Certo? — Savy viu Elin e sorriu lentamente.

Chanel esfregou as mãos.

— Certo. — Ela disse. Então, notando Elin, ela acrescentou. — Decida nossa aposta, Bonka. Thane voou para a cidade para procurá-la enquanto você estava tendo uma crise, então a levou para longe em seus braços. Sim ou não.

Sugestão de vergonha. Com as bochechas aquecidas, ela disse. — Sim. Mas...

Uma sorridente Savy girou seu punho no ar, interrompendo-a e Chanel a amaldiçoou.

A aposta era sobre ela. Grande.

— Ele estava lá apenas porque o rei Fênix apareceu. — Elin acrescentou entre dentes. — Você sabe o quanto ele odeia as Fênix. — Fim amargo, Vale. Verifique você mesma antes de naufragar.

As meninas trocaram um olhar carregado de alegria.

— Oh, por que isso? — Chanel disse, seu tom astuto. — Então, quando ele chegou lá, não foi diretamente para você? Ele caçou o rei Fênix e pôs uma estaca em seu coração?

— Bem, não, mas eu estava gritando e atraindo todo o tipo de atenção não desejada e ele...

— Bateu em você para parar com isso. — Savy disse, com tom inteligente. — Como faria com qualquer outro. Como já o vi fazer antes.

— Não. — Ele cuidou ternamente de mim, e me deu um tremendo orgasmo. — O que estão tentando dizer? — E era esperança em suas palavras? Ela estava tentando fazê-las dizer que Thane a tratou de forma especial?

O que ela poderia fazer se fosse? Ele a chutou de seu banheiro.

Sim, e você explodiu tudo em sua cara e saiu correndo para afastar-se dele no momento em que percebeu algo mais.

Sim. Ele se sentiu descartado.

Vergonha e lamento contorceu seu estômago. Emoções que não tinham nada a ver com Bay. Ela devia a Thane uma desculpa. Uma grande.

— Você é fodidamente adorável com as palavras, Bonka Donk. — Chanel disse, batendo levemente na sua bochecha. — Nenhuma maravilha Thane querer uma fatia de você.

Bem, ele já conseguiu uma fatia. Corpo e, parecia que a alma.

 

Thane, Bjorn e Xerxes chegaram ao telhado do clube e juntos dispararam para o céu brilhante da tarde.

As asas de Thane deslizavam para cima e para baixo com uma facilidade que não sentia. Quando mais distante voava do clube, e de Elin, mais tenso ficava. Logo teria que deixá-la ir, sabia disto. Quanto mais tempo passava com ela, mais a queria, precisava dela, tinha que tê-la. Mas não podia tê-la. Ainda que ela sentasse nua em seu colo, nunca esqueceria a vergonha. E pelo que? Alguns beijos? Um toque sem sentido? Um clímax que... o que? Encantou cada célula de seu corpo? Traiu seu marido?

Isso, ele pensou, os músculos em suas costas empurrando. Se não completamente, pelo menos em parte. Ela amou o homem tanto que jurou permanecer fiel a ele. E foi, até Thane. E se sua vergonha fosse autodirigida?

A esperança era mais forte que a dor, rompendo a parede glacial que tentou construir contra seu encanto. Queria voltar ao clube e conversar com ela. Queria confortá-la e consolar-se com ela. Ambos tinham reservas sobre uma relação, mas se tentassem, poderia funcionar.

Thane, Xerxes estalou dentro de sua cabeça.

Ele piscou, percebeu que não fez uma virada, e regressou.

Distraído? Bjorn perguntou, claramente tentando não rir.

Sim, disse entre dentes.

Eu posso sugerir tricotar? O tom do Xerxes era astuto, zombeteiro. É muito relaxante.

Nenhuma razão para sugerir isto. Eu já estou tricotando uma camisola, para sua mãe. Mesmo brincando o gosto da mentira era ruim, mas ele não se importou.

Piadas de mãe? Bjorn bateu a língua. O quão baixo o sofisticado Thane caiu.

Eu acho que ele precisa cair um pouco mais. Xerxes acima de Thane, cortando sobre sua asa e enviando-o para baixo vários metros antes de ele conseguir parar.

Thane se aproximou sorrindo. Se ele não tivesse visto seu destino assomando a frente, teria jogado com seu amigo, algo que eles não faziam em anos.

Ele subiu em direção à nuvem de fumaça que flutuava no centro dos bosques e fora da cidade de Aμαρτία, onde Elin fez compras e Bellorie matou uma Fênix. Aproximadamente duas horas se passaram desde então, e o guerreiro estava claramente no processo de regenerar.

Thane alcançou a crista da fumaça e desceu. Ao ver a Fênix, ele pairou no céu ao lado de seus amigos, permanecendo no reino espiritual, invisível para todos, exceto os Enviados, os anjos, demônios e alguns raros vendo como o guerreiro morto queimava sobre um altar de pedra. Dois outros homens estavam em pé ao lado dele, cantando. Um dos cantores era o marido de Kendra, Ricker.

Ele espera ter uma conversa comigo.

Muito bem.

Ardeo, o rei, estava ajoelhado na frente de uma fogueira, sua cabeça curvada enquanto puxava seu cabelo. Chorava “Malta” a pleno pulmões, inúmeras vezes. Sua dor era tão recente hoje como foi no dia de sua morte, umas semanas antes.

Oito de seus melhores lutadores estavam armados e se estendiam ao seu redor, perscrutando as árvores, buscando qualquer ameaça.

Thane flutuou para o chão.

— Morto ou vivo? — Bjorn perguntou, fazendo o mesmo.

— Vivos se possível. — Por duas razões. Ele não se arriscaria a outro castigo de Zacharel, e não queria quaisquer destes homens se regenerando e fortalecendo.

Juntos, ele, Xerxes e Bjorn entraram no reino natural, indo de invisível a visível em menos de um segundo. A Fênix guardando Ardeo notou e imediatamente reagiu, desembainhando espadas e girando para enfrentá-lo, então marchou adiante.

Thane dobrou as asas em suas costas e estendeu a mão no bolso de ar para puxar algumas espadas pequenas. Quando os guerreiros o alcançaram, ele pulou no ar, retorceu e golpeou os dois por trás, já que passaram correndo pelo lugar que acabava de abandonar. Ambos os homens caíram de cara, faltando um braço. Os uivos gêmeos de dor estouraram.

Xerxes permaneceu em pé em seu lugar, deixando seus oponentes irem até ele. Ele curvou-se. Agachou. Girou. Chutou. Ficou em estado constante de movimento, dando mais golpes do que recebia.

Bjorn ziguezagueava pelo ar, atacando e retrocedendo.

Dois dos homens grandes atingiram Thane por trás, cortando suas asas. Silvando, Thane girou e balançou suas armas em um arco longo. As pontas cortaram a pele e músculo, mas não o osso. Os machos saltaram atrás, evitando danos mais sérios. E quando Thane balançou uma segunda vez, ambos estavam prontos. Metal ressoou contra metal.

Ricker, o antigo guerreiro, empurrou o par.

— Eu quero minha esposa! — Ele rugiu, saliva saindo de sua boca. Ele levantou sua espada.

— Embora ela me prefira? — Thane perguntou, genuinamente curioso.

Mostrando os dentes, Ricker foi para cima dele. Thane disparou no ar, então caiu atrás do homem e brandiu sua espada. Mas o guerreiro sabia o que faria e girou, segurando a lâmina de Thane. Clang.

Girou para o alto. Clang.

Girou para baixo. Clang.

Para baixo novamente. Clang.

Apertando os dentes, Thane lançou uma de suas espadas em direção à esquerda de Ricker, e quando o guerreiro se esquivou, enviando a arma voando, Thane apunhalou seu lado direito com a outra. O metal finalmente encontrou a carne.

Ricker não reagiu como o esperado. Ele apertou mais fundo a lâmina. A ponta deslizou do ventre para as costas, permitindo se aproximar mais e mais de Thane. Quando estavam peito contra peito, Ricker levantou uma espada. Com a mão livre, Thane agarrou seu pulso, parando-o. Mas Ricker levantou a outra espada, e desta vez Thane não conseguiu pará-lo. A lâmina cortou seu ombro.

Dor. Uma dor a quem não deu as boas-vindas.

Por Elin, ele tinha que ser forte.

— Você acha que me tem? — Thane lançou o pulso de Ricker, alcançando dentro da bolsa de ar e puxando um punhal. Ele empurrou a ponta contra a garganta do homem, tirando uma gota de sangue. — Pensou errado. Eu posso fazer isto o dia todo.

— Como eu posso. — Ricker puxou um punhal de sua cintura e colocou o aço frio contra garganta de Thane.

— Suficiente. — Ardeo gritou. — Suficiente.

Ricker grunhiu com desaprovação. — Mas, meu rei...

— Eu disse suficiente! Ele poderia ter matado meu povo, mas não o fez. Eu não o matarei.

Ódio ardia nos olhos escuros de Ricker quando empurrou a espada fora do ombro de Thane. Retrocedeu, a arma ensanguentada de Thane deslizou de seu ventre. Finalmente livre, ele se inclinou ante Ardeo, dizendo.

— Minhas desculpas, Grande Rei.

Bjorn e Xerxes passaram por cima dos corpos dos homens com quem lutaram, homens que agora estavam se retorcendo de dor, para flanquear os lados de Thane. Eles eram, e sempre seriam, unidos.

— Você estava me procurando. — Thane disse para Ardeo. — Aqui estou.

O rei ficou em pé e tropeçou novamente. Ele esteve bebendo. O cheiro de licor vazava de seus poros. Seus olhos estavam opacos e injetados de sangue e suas peles estavam rasgadas e manchadas de sangue.

— Meus homens querem suas preciosas mulheres. — O rei disse, sua voz uma pronúncia indistinta e zombeteira, tudo de uma vez.

Thane pensou por um momento. Tanto quanto desejava uma vingança eterna contra o clã de Firebird inteiro; queria? Ainda? Tinha um novo inimigo para combater, e o príncipe exigiria toda a sua habilidade e atenção.

Talvez estivesse na hora de arrancar um pouco mais de ervas daninhas.

— Vou renunciarei às suas mulheres, e até seus homens. — Ele disse. — Todos menos Kendra. Ela, eu mantenho. — Ele não mais queria eternamente torturá-la, percebeu com um pouco de surpresa, mas não estava pronto para entregá-la, também. — Em retorno, você deixará os céus e nunca retornará.

— Meu rei. — Ricker disse, ofendido. — Kendra é mais que minha esposa. Ela é sobrinha de sua consorte. Seguramente isto significa algo...

— Minha consorte está morta, assassinada por sua própria família. O resto deles pode apodrecer. — Ardeo cuspiu. — Além disso, sua esposa estava o envenenando. Você teria se tornado seu escravo se o não forçasse a deixar o acampamento comigo. Você faria bem em enviar a Thane uma cesta de frutas agradecendo por sua liberdade.

Ricker movimentou a cabeça com rigidez, mas seus olhos eram como punhais de ódio em Thane.

Mensagem recebida. Isto não era o fim.

Ardeo olhou para Thane. — Suas condições são aceitáveis.

Ele não saboreou nenhuma mentira.

— Você deve nos dar a mestiça também. — Orson, aquele que Bellorie matou, se arrastava pela calçada enquanto esperava sua regeneração completa. Um olhar escuro, retorcido desfigurava seu rosto quando fez o pedido, um que Thane conhecia bem. Ele viu isto nos espelhos do The Downfall, cada vez que ia a procura de uma amante.

— Mestiça? — Thane perguntou.

— Uma mulher chamada Elin.

Elin. Elin de Thane. A raiva o consumiu. O guerreiro a quer. Ele quer o que é meu.

Ele morre.

Thane estendeu a mão para chamar uma espada de fogo. Então as palavras do guerreiro penetraram a névoa do ciúme, e seu braço caiu para o lado.

Elin era uma mestiça? Metade humana, metade... o que? Fênix? Capturada porque era considerada uma abominação, nunca era permitido procriar, uma prática bem conhecida pelas Fênix.

Não. Não! Ela não era uma traidora, conspirando com as Fênix, capaz de escravizar todo homem com quem dormisse... capaz de escravizá-lo.

Mas e se ela fosse...

Emoção brotou em seu interior. Mais ira. Repugnância, tristeza e... o pior de tudo, um medo horrível. Se ela fosse uma Fênix, jamais poderia voltar a tocá-la. Nunca mais a veria. Ela não seria bem vinda em seu clube.

Ele perderia a parte mais doce de sua vida.

Abruptamente, a dor obscureceu tudo, até o medo. Podia sentir um rugido se preparando atrás de sua garganta. Não sabendo mais o que fazer, ele foi para o reino espiritual, onde a Fênix não podia ver ou ouvi-lo, inclinou sua cabeça atrás e deixou sair o som. Seu corpo inteiro se agitou com a força.

Quando se acalmou, vários raios de luzes conseguiram penetrar a escuridão de sua reação. Elin gritou à vista de sangue. Ela assava bolos terríveis, e apreciava cavar na terra. Ela ria. Ela brincava. Ela não era nada como Kendra e seus amigos bruxos de fogo.

Thane começou a se acalmar.

Elin poderia ser uma mestiça, mas certamente não era uma Fênix. Seu povo provavelmente estava em guerra com as Fênix. Sim. Era isso. Pelo que sabia, ela era em parte fada. Aquele grito...

Completamente calmo ele voltou ao reino natural.

O Fênix estava no processo de exigir que Xerxes e Bjorn fossem buscá-lo, onde quer que tivesse ido e seus amigos estavam no processo de dizer não e ficarem em pé com os braços cruzados no peito...

Ele queria fazer várias perguntas sobre Elin, mas não fez. Revelar sua vulnerabilidade era tolice.

— A garota. — Orson disse voltando a conversa.

— Acredite em mim, você não quer ir por este caminho. — Disse Bjorn a ele.

— O único garfo que virá para você. — Xerxes acrescentou. — É o que conduz a dor e destruição.

Orson ignorou os homens, dizendo, — Você a tem ou não?

Thane uma vez mais ergueu sua mão, e desta vez uma espada de fogo se formou. As chamas crepitaram ameaçadoramente.

— Com suas palavras, você nega nosso acordo. Então, oferecerei a você um novo. Depois de descobrir o que seu povo fez com minha humana, “minha mestiça”, eu repartirei os castigos adequados. Então você pode ter seu povo de volta. Se eles se regenerarem.

— Está jogando sujo! — Orson cuspiu.

— Que seja. — Thane disse com absolutamente zero de inflexão. Apenas a fria e dura verdade. — Machuque o que é meu, toque o que é meu, até mesmo deseje o que é meu, e sofra.

Por um momento, os olhos de Ardeo foram cobertos pela névoa. Ele olhou para Thane com um novo respeito. E inveja.

— Muito bem. — O rei das Fênix disse, desistindo da batalha para ficar em pé e caindo no chão. — Sua humana foi amável comigo. Respeitosa com a preciosa Malta. Ela é sua para fazer o que quiser. — Seus ombros se afundaram. — Como Malta uma vez foi minha.

O álcool não o estava o arruinando, Thane percebeu, era meramente um sintoma. A verdadeira culpada era a dor. O homem finalmente chegou a cama de Malta, mas ela foi morta alguns dias depois. Ele saboreou céu, e então o perdeu.

— Até nos encontrarmos novamente. — Com um último olhar de advertência para Orson, Thane abriu suas asas e retornou ao céu.

Tire as estacas dos prisioneiros e os coloque nas celas, ele projetou. Teria gostado de fazer isto ele mesmo, mas o tempo de enfrentar Zacharel por sua parte na destruição de Rathbone estava próximo. Eu tenho uma incumbência. Não devo demorar.

Bjorn e Xerxes não sabiam sobre a reunião ou do que seria feito com ele, e ele o manteria assim.

Considere feito, Xerxes disse.

Você não tem que se preocupar, Bjorn parou, pairando no meio de uma nuvem banhada pelo sol.

Thane e Xerxes tiveram que regressar. O rosto do guerreiro estava aflito. Tenho que ir. Ele olhou por cima de seu ombro. Ela... Ele apertou seus lábios.

Ela? Thane olhou, mas não viu nenhuma evidência... de que? Os demônios da sombra? Ou seu amigo foi chamado por sua rainha?

Eu sinto muito, mas não posso dizer mais sem romper meu voto. Bjorn, com suas feições atormentadas, desapareceu.

Thane mordeu a língua até que saboreou sangue. O Senhor do Submundo, Lucien, tinha a habilidade de seguir a trilha espiritual de uma pessoa, ele disse para Xerxes. Depois de minha incumbência, eu o contratarei para seguir Bjorn.

Bom plano.

Lucien era o guardião do demônio da Morte, responsável por escoltar certas almas. Ele era um bom homem. Honesto. Honrado. Regras eram importantes para ele.

— Eu o verei logo. — Thane disse à direita.

Xerxes gritou, parando-o. — E a garota?

— Ela deve ser protegida a todo custo. — Quando ele retornasse, conversaria com ela. Ela o asseguraria de sua linhagem.

Tudo ficaria bem.

 

Outra chicotada, Sim. Isso era o que Thane esperava. Ou, finalmente, o fim de sua imortalidade. Ele teria implorado por outra mudança. Ao invés, quando veio para descansar na extremidade da nuvem de Zacharel, o líder do Exército da Desgraça estava esperando por ele. Ele segurou a parte detrás do pescoço de Thane e pressionou suas testas juntas, o vento impetuoso em torno deles.

— Você poderia ter matado centenas de seres humanos, — disse o soldado de Elite.

— Eu sei. O príncipe...

— Agiu porque você não atendeu minha ordem.

Ele deu um aceno firme com a cabeça.

— Eu sei, também. Lamento minhas ações.

Surpresa passou pelos olhos tão verdes que podiam ser confundidos com esmeraldas.

— Lamenta?

— Sim. — A arrogância lhe custou uma vitória tão desejada. Talvez mais.

— Eu espero que sim. Porque cada decisão que toma, afeta mais do que sua vida, — Zacharel disse, cabelo preto roçando sua bochecha. — Isso afeta a vida das pessoas que amam e dependem de você.

As palavras atingiram uma fibra muito sensível dentro de Thane. Ele sabia que suas ações afetariam as vidas de seus entes queridos. Ele escolheu ficar no edifício, e Bjorn e Xerxes quase morreram. Elin quase perdeu seu protetor. Seu clube quase caiu sob novo gerenciamento. Imortais do mundo inteiro teriam feito uma oferta por ele.

— Eu tenho uma nova missão para você, — disse Zacharel e Thane percebeu com clareza surpreendente que não estaria recebendo a punição.

— Não tem nada mais a dizer sobre Rathbone? — Ele exigiu.

— Não. Você arriscou vidas, mas também salvou. Agora, ouça.

Atordoado, ele assentiu. Naquele momento, ele se sentiu... amado por seu líder. Aceito.

Foi humilhante.

— É imperativo que nós reduzamos o exército crescente do príncipe. — Determinação pulsava do guerreiro. — Uma de suas muitas hordas foi encontrada em Nova Iorque. Eu vou te enviar as coordenadas quando você chegar à Terra.

Ele flexionou os dedos com antecipação. — Como a horda foi encontrada?

— Maleah.

Maleah. Claro. Uma Enviada caída. Ela monitorava o mundo e seus acontecimentos, nunca descansando. Uma vez, ela foi um dos membros mais amados dos exércitos celestiais. Agora estava determinada a ajudar as pessoas que ela desapontou quando desistiu de suas asas, por um motivo qualquer. A especulação era excessiva, mas os fatos eram poucos e distantes entre si.

Uma vez, Thane a desejou. Agora, ele mentalmente colocou a beleza gótica de cabelos claros ao lado da morena e delicada Elin. Não havia competição.

— Pegue os soldados que precisa e mate os demônios, — Zacharel instruiu. — Mate todos. Não deixe nenhum servo em pé.

Muito bem. Sem piedade. Uma política que ainda se destacava. Thane assentiu, a antecipação já deslizando através dele.

— E se nos depararmos com o príncipe? — Ele perguntou.

— Me chame.

— Tudo será feito como você disse. — Infelizmente, sua reunião com Lucien teria que esperar.

Quando ele saltou da nuvem, comunicou-se com Magnus, Malcolm, Jamilla e Axel, todos de uma vez, exigindo a presença deles no telhado de outro edifício de propriedade da Rathbone Indústrias, na Times Square. Agora.

Zacharel dava a ele as coordenadas que precisaria à medida que aterrissava. Thane dobrou suas asas em suas costas e olhou abaixo, para o colorido mundo dos humanos. As ruas estavam lotadas. Luzes de neon brilhavam. A atmosfera era espessa com cheiros de comidas, perfumes e escapamento. As vozes tagarelavam, carros buzinavam. Alguns passos soavam. Algumas batidas.

Ouviu os guerreiros chegarem atrás dele. Ele virou-se, disse a eles o que Zacharel disse e para onde estavam indo. A mesma antecipação que sentiu era refletida em suas expressões.

— Eu quero que um demônio saia vivo, — ele anunciou. — Não importa qual. — Os interrogatórios pós-batalha eram sempre divertidos.

Acenos de concordância encontraram suas palavras.

— Vamos fazer isso! — Axel disse com um grito.

Em uníssono, o grupo saltou do edifício como flechas até abaixo, no chão. Porque os guerreiros estavam no reino espiritual, seus corpos eram como névoa quando ultrapassaram a estrada, o sistema do metrô, e entraram em um labirinto de tuneis escuros, úmidos, esquecidos.

Na parte inferior, Thane solidificou seu corpo e espalmou uma espada de fogo. Os outros fizeram o mesmo, e as chamas agiram como tochas, lançando luz dourada em todas as direções. O cheiro de enxofre ardia em suas narinas. Gargalhadas ecoaram na frente, mas era impossível dizer de onde se originavam. As paredes sujas de sangue forneciam muitas opções.

Thane ergueu a mão livre e apontou a direção que ele queria que cada guerreiro fosse. O grupo se separou, todo mundo serpenteando seu canto atribuído.

Alerta, em guarda ele correu para frente, usando suas asas para impulsioná-lo mais rápido e mais rápido apesar do espaço apertado, estreito. As vozes ficaram mais altas. Ele ouviu seres humanos agora. Choramingando. Pedindo por misericórdia que nunca viria. Ele desistiu de seguir os túneis artificiais e replicados pelas paredes, a vibração dos sons guiando seus pés. Mas tomou um rumo errado e acabou em uma sala vazia.

Carrancudo, ele tentou novamente.

E novamente.

E novamente.

Finalmente, ele passou sem tocar a lama e concreto e entrou...

Um inferno na Terra. Uma cena de seus piores pesadelos.

Pelo menos trinta demônios de todos os tipos reunidos em uma grande sala com paredes de pedras em ruínas, colunas de madeira dilapidadas, e uma piscina de sangue no chão escuro, congelando.

Seis humanos estavam acorrentados. Duas fêmeas, três machos. Uma criança. O estômago de Thane deu um nó. Ele enviou para seus guerreiros um mapa mental de sua localização.

Ele não entendeu isso. Os demônios do príncipe deveriam fazer qualquer coisa necessária para possuir certos humanos. Isso estava muito além da possessão, estava muito além da depravação. Algumas das criaturas descansavam no sangue, lambendo-o. Alguns ainda atormentavam os humanos, agarrando pedaços de carne exposta e rindo.

A espada de Thane iluminava cada ato perverso, e um por um os demônios notaram e olharam para ele. Satisfação maníaca deu lugar ao medo em todos os brilhantes olhos vermelhos quando os Enviados entraram e fecharam todas as saídas possíveis.

Isso era tudo o que ele estava esperando.

— Agora! — Thane gritou.

Caos estourou.

Os Enviados partiram para a ação, balançando suas espadas com propósito letal. Os demônios com asas tentaram voar para longe, mas Thane e Axel não permitiram e cortaram as asas antes que uma única criatura pudesse deixar a sala dos horrores.

Cabeças começaram a rolar pelo chão. Os braços não mais presos a corpos voaram pela câmara. Os uivos de dor ecoaram. Thane permaneceu em movimento constante, felizmente cortando, cortando, cortando seu inimigo. Ninguém podia escapar dele.

— Alguém me faz um favor e tenta tornar isso difícil para mim, — Axel brincou. — Ou eu sou muito bom? Sim. Isso. Sou tão bom que não podem me vencer.

Magnus e Malcolm brincaram de chutar bola com um demônio serp, jogando a criatura em forma de serpente de um lado para o outro, mas apenas depois de remover outra asa de cada vez. Pronto, não havia mais nada para chutar.

Jamilla prendeu um envexa no chão e arrancou seus olhos fora... em seguida, cortou sua língua... então arrancou sua garganta.

Thane apunhalou um viha no peito e se moveu em direção ao seu próximo alvo. Só havia um problema. Havia apenas um demônio à esquerda em pé, e Axel estava prestes a remover sua cabeça.

— Pare, — Thane disse, e surpreendentemente, o Enviado obedeceu.

Thane passou por ele e segurou o demônio em um canto. Era um dos maiores, com chifres retorcidos que se estendiam de uma cabeça disforme. A pele vermelha combinava com seus olhos, olhos quase ofuscados pelos ossos salientes de sua testa. Não tinha nariz, apenas meros buracos para respirar. Seus lábios eram finos, revelando dentes grandes e afiados o suficiente para rivalizar com um grande tubarão branco.

Um rosnado ameaçador subiu vindo dele.

Thane deu seu sorriso mais frio, então disse para seus guerreiros, — Levem os humanos para um lugar seguro. Consigam ajuda médica para eles, e atribuam um portador da alegria para cada um. — Caso contrário, os humanos se romperiam, nunca sendo capazes de se curar mentalmente. — Eu cuidarei da criatura.

Novamente, foi obedecido.

— Agora... a sua vez. Permita-me ajudá-lo a perder alguns quilos, — Thane disse, e prontamente removeu os braços e pernas do demônio, tornando impossível para a criatura fugir. Então ele arrastou sua recompensa para o calabouço do The Downfall.

— Onde está Adrian? — Ele questionou os guardas esperando na entrada.

— Xerxes tem que seguir a garota humana.

Bom.

Enquanto Thane marchava pelos corredores abaixo, a Fênix desnutrida presa na cela estava muito fraca para fazer qualquer coisa além de olhar para ele e gemer. Quando chegou ao centro da alcova, ele prendeu o demônio na parede, em frente à Kendra. Mais uma vez ela tinha um lugar de honra.

Ela tinha mais energia do que os outros e assobiou como um gato bravo.

— Liberte-me, Thane. Agora.

Ainda tão arrogante. Apesar de sua clareza recém-descoberta e remorso, raiva veio à tona. Ele virou-se e deu-lhe o sorriso frio que tinha dado ao demônio.

Ela tremeu e apertou os lábios.

— Preste atenção, Kendra, porque você pode ser a próxima. — Ele puxou um punhal da bolsa de ar. O metal já estava manchado com sangue. Ele enfrentou o demônio. — Eu não sei se já ouviu falar, mas sou muito bom com facas... e meus interrogatórios nunca acabam até que consigo o que quero.

 

Elin ouviu a mais recente rodada de gritos agonizantes e recuou. Quanto tempo isso ia durar? Ela perdeu a conta várias horas atrás.

Depois do treino, onde para sua surpresa, Bonka Donk foi declarada um fracasso abjeto na arte de jogar pedra, Savy, Chanel e Octavia tentaram distraí-la do barulho com um jogo de pôquer. A aposta era com a moeda corrente, e Elin perdeu cada rodada. Mas a única aposta que as meninas desejavam dela era nunca mais ter que provar suas sobremesas.

Depois disso, elas mudaram para strip pôquer, e embora ela perdesse seu novo sutiã e calcinha e estivesse altamente envergonhada, ainda não estava distraída.

Aparentemente, Thane estava no calabouço, se efetivando no trabalho de chutar traseiros de demônio.

— Acabou, — ela disse, jogando suas cartas na mesa.

Seu anúncio foi recebido com vaias de todas as três mulheres. E mais gritos.

— Acabou? Você não pode ter acabado, porra.

— Apenas começamos!

— É sério que você quer cair fora?

Ignorando suas perguntas, ela perguntou por uma delas.

— Onde está Bellorie? — Ela não viu a menina... Deixa para lá.

Chanel fez uma careta.

— Quer dizer que você não sabe?

Seu estômago se apertou.

— Saber o que?

— Thane a baniu.

— O quê? — Ela ofegou.

Octavia assentiu.

— É verdade, flor. Axel a trouxe para o clube. Xerxes disse a ela que estava mostrando sua estranheza e tinha que ir. Ele olhou enquanto fazia as malas, então a escoltou do prédio. Foi exilada, como sempre.

Só isso?

— Certo, vamos voltar um pouco. Qual sua “estranheza”?

— Mãos de morte e destruição, — Octavia explicou.

Mas... Thane exibia sua estranheza todo maldito dia. Por que culpar Bellorie por uma única indiscrição?

Elin ainda não era fã de violência e tinha dificuldade em ver a Bellorie que adorava com a Bellorie que insensivelmente alcançaria dentro do peito de um homem para partir seu coração, mas isso não significava que iria deixar essa coisa de banimento acontecer sem uma briga.

Anos atrás, seu pai lhe deu sábios conselhos. Às vezes, o terreno emocional é muito montanhoso para correr, Linnie, minha menina. Às vezes você apenas tem que andar nele.

Em outras palavras. Passos de bebê.

Primeiro passo. Iria parar de evitar Thane. Segundo passo. Começaria uma nova rodada de interação com ele. Terceiro passo. Ela iria importuná-lo até que voltasse com Bellorie para o clube.

— Vou falar com ele, — ela disse em pé e colocando um novo conjunto de roupas. Uma bonita camiseta rosa e uma calça jeans cintura baixa. Ela não se incomodou com os sapatos.

— Uh, não faria isso se fosse você, — Savy disse. — Você vai acabar banida. Ou pior. Ninguém questiona Thane quando uma ordem é dada. Nem mesmo a sua... o que você é.

— Mascote humana, — Octavia ofereceu. Útil, como sempre.

Chanel bufou. — Eu não sei como isso aconteceu, o leão e o cordeiro, mas eu acho que ela é mais do que isso. — Sua cabeça se inclinou para o lado enquanto ela ponderava. — E acho que ele fará uma exceção e fará o que ela pede. Ele correu para o lado dela quando não havia nada de errado com ela.

— Com licença, — Elin bufou. — Eu estava gritando, e praticamente catatônica.

— Talvez ele correu para o lado dela, porque ele precisava dela para algum tipo de resgate. — Savy falou sobre ela, tamborilando as unhas contra a mesa. — Ou algum tipo de vingança contra a Fênix. Ou, talvez experimentou um momento de insanidade. Você já pensou nisso? Sem ofensa, — ela disse para Elin. — Ele só não é o tipo de perseguir uma mulher. Não importa o quão deliciosa ela seja.

Como Elin poderia se ofender quando de repente ela teve a mesma suspeita? Por que ele a queria? Espere. Tinha que reformular a frase. Por que ele costumava querê-la?

— Talvez ele seja apenas um cara melhor do que qualquer uma de nós percebeu, — ela murmurou.

Claro, isso foi quando o demônio emitiu outro grito de gelar o sangue.

Chanel e Octavia riram como alunas levadas.

— Se importa em fazer outra aposta? — Chanel pediu a Savy. — O dobro ou nada.

— Saber quando segurá-los, saber quando dobrá-los. — Elin saiu da sala. Adrian estava de sentinela do lado de fora da porta e rapidamente se arrastou para o lado dela.

— Onde está indo, humana? — Ele perguntou.

Ele fez soar como se sua humanidade fosse um crime. Bem, não era. Bastava perguntar a Thane. Para ele, era a única coisa que não era, e pela primeira vez, ia usar isso em sua vantagem. Ia parar de se preocupar sobre ser descoberta, e começar a assumir o controle de sua vida.

— Quero ir para o calabouço. Seja bonzinho e me mostre o caminho, — ela disse, piscando os olhos, o que esperava ser uma forma de paquera, inocente.

Ele ficou tenso. Ele franziu o cenho. Ele balançou a cabeça.

— Não. Volte para seu quarto.

Ela colocou as mãos nos quadris. — Eu ouvi Xerxes te dizer para me levar a qualquer lugar que eu peça. E acabei de pedir para ir ao calabouço.

— Nós dois sabemos que ele realmente não quer dizer que você pode ir a qualquer lugar.

— Não, nós dois não sabemos disso. Ele não me parece o tipo que diz algo que não quer dizer.

Adrian olhou para ela.

— Então, o que estamos esperando? — Ela insistiu.

Seu olhar ficou sombrio. — Talvez vá te fazer bem ver a natureza do macho que você provoca. — Ele a levou em um elevador e apertou uma série de botões. Luzes azuis brilhavam sobre uma pequena porção da parede. As portas se fecharam e a cabine balançou, transportando-os para baixo... para baixo... para baixo, antes de abrir em uma caverna subterrânea com paredes cinza e um chão de pedra rachada.

Dois vampiros guardavam uma porta aberta.

Inquietação picou a nuca de Elin. Os gritos eram muito mais altos aqui, e ecoavam. Pior, um odor familiar de moedas antigas grudou em seu nariz e enojou seu estômago.

— Espere aqui, — Adrian disse a ela antes de se mover rapidamente, ignorando os guardas.

Os vampiros deram-lhe um olhar de cima abaixo... não, fizeram mais de duas vezes... e ela fingiu não saber que estavam afiando garfos mentais e facas. Ela olhava para frente. Ela podia ver barras, indicando um corredor de celas. Ela podia até ver dedos enrolados ao redor de algumas das barras. As Fênix estavam aqui? Xerxes os tinha libertado de suas estacas e acompanhou-os para dentro, mas ela meio que pensou que era para cuidados médicos ou algo assim.

Só um idiota não teria percebido que era para mais tortura.

— Meu senhor, — ela ouviu Adrian dizer. — A humana deseja falar com você.

— A humana tem um nome, — ela murmurou.

— Diga a ela que vou chamá-la quando terminar aqui.

Ela ouviu prazer na voz de Thane. Por ela... ou pelo trabalho que ele estava fazendo? De qualquer maneira, a baixa cadência de sua voz a fez estremecer.

— Muito bem, — Adrian disse. Passos ressoaram.

Oh, não. A última vez que foi forçada a esperar por Thane, nada foi resolvido.

— Thane Downfall, — ela chamou.

A tensão crepitava no ar. Os passos recuaram.

— Ela está aqui? Você realmente a trouxe aqui? — Thane exigiu, enquanto Kendra chorava: — Ajude-me, menina. Você tem que me ajudar.

— Certo, — Elin respondeu. — Aqui vai uma dica. Seja gentil com as pessoas, não importa quão baixo sua posição. Você nunca sabe quando vão ser responsáveis por você. — Não que ela fosse de alguma forma responsável. Ainda. A verdade era verdade.

— Você devia ter pensado melhor, — Thane rosnou, e ela percebeu que ele estava falando com Adrian.

Thane iria puni-lo, também? Ela tentou avançar, com a intenção de entrar, mas os vampiros bloquearam seu caminho.

— Ele não fez nada de errado, — ela disse, falando sobre os ombros dos vampiros, que agora olhavam para ela com descarada admiração. — Seu amigo mais querido, Xerxes, disse a ele para me levar onde eu pedisse para ir. Então, aqui estamos nós. Agora, ouça. Quero que Bellorie seja trazida de volta imediatamente. Nós precisamos dela para o Scorgasms Múltiplos. — E que diabo, enquanto ela estava fazendo exigências... — e eu quero que os gritos parem. Está mexendo com meus nervos.

Como se você tivesse o direito de fazer exigências.

— Por favor, — ela acrescentou e bateu as mãos juntas no centro do peito em uma postura clássica de mendicância, mesmo que ele não pudesse vê-la. — Com uma cereja doce extra por cima.

Outra pausa.

— Bellorie deve retornar antes do próximo turno, — Thane disse firmemente, — e gritos não serão ouvidos novamente.

— Obrigada, obrigada, mil vezes obrigada, Thane! Sério!

— Socorro, — Kendra gritou.

Um sussurro de roupa. Um grunhido. Um murmúrio. Em seguida, vozes murmuraram, muito abafado para decifrar.

Um suor frio brotou sobre a pele de Elin, e ela tremeu. O que tinha acontecido?

Adrian passou pelos guardas. Suas feições eram inexpressivas e frias. Ele não olhou em sua direção enquanto cuspia uma única palavra para os vampiros. Uma palavra que ela não entendeu.

Ela quis segui-lo, mas um dos guardas a agarrou pelo pulso, impedindo-a.

Ela tentou se afastar, mas ele manteve-se firme.

— Solte-a, ou perde a mão, — uma voz severa chicoteou, e o aperto imediatamente cessou.

O olhar de Elin retornou para as celas e colidiu com o de Thane.

 

Thane lutou para controlar seu temperamento. A qualquer momento, Elin poderia correr ao redor de um canto e testemunhar o horror de suas ações. Se ela visse aquele lado dele... se ela gritasse...

Ele queimou o demônio e todas as suas partes cortadas, destruindo as evidências. Ele conseguiu as respostas que procurava de qualquer maneira. Ele agora sabia que o príncipe era um anjo caído chamado Malice, uma vez um soldado no exército do Altíssimo. Ao contrário dos demônios, espíritos que habitavam a Terra muito antes dos humanos, o príncipe tinha corpo corpóreo e, portanto, não poderia possuir outra pessoa.

Quando aqueles Enviados caíram, eles perderam todo poder. O mesmo acontecia com os anjos, mas eles podiam ganhar poder através de atos de roubo e mau espiritual, basicamente roubar dos outros.

Como qualquer ser vivo, o príncipe tinha fraquezas. No entanto, Thane ainda tinha que saber quais eram.

Orgulho?

Ódio?

Xeque mate de Malice? A destruição da humanidade. Tanto para punir o Altíssimo por banir os anjos caídos do nível mais alto dos céus, como para tentar roubar todo o poder que sentia que lhe foi negado.

Para começar, Malice e seus cinco companheiros tinham atingido Germanus, arrancando a raiz, mas haviam outros.

O próximo passo de Malice? Desconhecido.

Quando Kendra continuou com seus pedidos de ajuda, Thane usou uma página do livro de ataque de Jamilla e removeu a língua da garota. De nenhuma maneira iria deixá-la receber ajuda da garota que espancou e deixou com cicatrizes, e tão suave como o coração de Elin era, ela poderia muito bem pedir a ele para libertá-la.

Ele poderia muito bem dizer que sim.

Agora, a culpa pesava sobre seus ombros. — Estou disposto a olhar além da superfície para as razões, e aceito totalmente minha parcela de culpa pelos horrores da nossa relação, mas não vou tolerar o mau comportamento.

Seu olhar estreito o provocava, mesmo enquanto o sangue escorria dos cantos de sua boca.

— Não fale com minha humana novamente, — ele disse a ela.

Depois de enviar Adrian para encontrar Bellorie, Thane saiu para ver Elin. Só para ver o guarda apertar seu frágil pulso.

Ninguém a tocava senão Thane. Alguém tentava... eles morriam.

Quando você se tornou tão possessivo com uma fêmea?

Quando me deparei com essa, aparentemente.

Ele encontrou seu olhar de vidro fumê e se lembrou do uso de Orson da palavra mestiça. Por favor, que não seja Fênix.

Ele diminuiu a distância. Talvez devesse mandá-la embora por algumas horas. Ele estava sempre fervilhando intensamente depois da batalha ou tortura, e tinha acabado de vir de ambos. Se levasse esse próximo encontro pelo caminho errado, ele a assustaria. Mas ela ergueu o queixo com valente determinação, surpreendendo-o, e uma consciência sexual profunda cortou através de sua fúria e medo.

Ele não podia mandá-la embora.

Por um momento, a viu como ela estava na banheira. Nua. Corada com calor e excitação, mamilos túrgidos, estômago trêmulo, as pernas se separando para seus dedos. Mesmo agora, seu eixo se preparava para ela, crescendo longo, grosso e duro.

Não ainda.

Um tremor a abalou, como se seu corpo reagisse por sua vontade própria.

— Você está com frio? — Ele perguntou, por via das dúvidas. — Vou mandar buscar um manto para você...

— Eu não estou com frio.

Ela ansiava pelo seu toque? Seu gosto? Ele daria qualquer coisa para saber.

— Estou, uh, desculpe se interrompi a sessão de assassinato. — Ela estendeu a mão para ele, mas fechou a mão pouco antes de fazer contato e deixou cair o braço ao lado dela. — Você, uh, parecia realmente estar gostando. — Seu olhar pousou sobre a protuberância entre suas pernas, antes de se afastar rapidamente.

Ele apertou a mandíbula. — Não gostei do modo que está pensando.

— Ei, nenhum julgamento, — ela disse, palmas para fora, em um gesto de inocência.

— Elin. Estou excitado, sim, mas é por você.

Ela arregalou os olhos, um pouco da fumaça substituída por chamas crepitantes. — Oh.

Isso era tudo o que ele recebia?

— Sim. Bem. — Ela pigarreou. — Você tem que torturar as Fênix? Você não pode deixá-los ir?

— Eu não estava torturando uma Fênix, — ele disse. — Mas eu irei. Logo. Olho por olho.

— Coloca você em um ciclo interminável de violência, sim, — ela interrompeu. — Eles vão retaliar, então você vai retaliar novamente, e assim por diante e assim por diante. — Ela suspirou. — Olha, sei que não tenho nenhum direito...

— Você tem todo o direito, — ele disse, e sabia que iria chocar os vampiros ouvintes. Mas era verdade. Por que negar? As coisas eram diferentes com Elin. As coisas sempre foram diferentes. Ele gostou que ela o procurasse, esperando que ele resolvesse seus problemas. Ele até gostou da bronca que acabou de dar nele, talvez porque ela estava certa.

Ela mordiscou o lábio inferior, como se insegura. De sua reação? Como se ele fosse machucá-la?

— Sério?

Ele assentiu. Então, com os olhos ainda fixos em Elin, ele retrucou, — Nos deixem, — para os vampiros.

A dupla correu para o elevador, sem demora, desaparecendo por trás das portas. Ele não levaria Elin para sua suíte até que ela se sentisse segura com ele. Porque, quando ficasse sozinho com ela, em qualquer lugar que não fosse aqui, ele iria se lançar sobre ela. Ele sabia disso.

— Não sei se vou me acostumar com esse mundo, — ela comentou.

Como se ele permitisse que fosse deixá-lo.

— Você vai. — Uma ordem que devia ser obedecida.

Ela deu de ombros. — Isso o afeta emocionalmente, torturar os outros?

Ninguém jamais perguntou isso, e ele não sabia como responder. Ele era um menino de três anos quando os fios de ouro apareceram em suas asas, informando-o e a todos que olhavam para ele de sua condição de guerreiro. Com a idade de cinco anos, deixou a única casa que já tinha conhecido para começar seu treinamento.

Aos dez anos, assassinou seu primeiro demônio.

Elin estendeu a mão e entrelaçou os dedos com os dele. Sua pele era morna e suave, embora calejada. O contato livremente oferecido o confortou, o surpreendeu.

— Não importa, — ela disse. — Você não tem que responder.

Ele fez de qualquer maneira, desesperado para prolongar a conexão.

— Os demônios são o mal, com nada de bom neles. Com eles, e os séculos de nossas batalhas, não me arrependo de nada.

Sua cabeça se inclinou para o lado enquanto o estudava. — Quantos anos você tem?

— Velho.

— Mais de duzentos?

— Sim.

Um suspiro. — Mais de trezentos?

— Sim. Deixe-me te poupar algum tempo. Tenho um pouco mais de mil.

— Uau. Isso é, tipo, muito velho.

— Assim como eu disse.

— Não, vovô. Você deixou a verdade de fora.

Seus lábios se contraíram nos cantos. Ela brincava com ele; não tinha medo dele.

— Vem. Nós temos muito mais o que discutir.

Ele a conduziu para dentro do elevador. Quando as portas se fecharam, selando-os dentro, o cheiro dela encheu o espaço confinado e o envolveu; ele quase podia sentir o sabor de cereja, sabia que estava introduzido em sua pele. Seu corpo doía.

Ele não queria esperar para atacar.

Ele apertou um botão e parou o elevador antes de chegar ao andar superior.

Ele virou-se para ela e se inclinou contra o corrimão. Tudo o que ela viu em sua expressão a fez engolir. Ela se afastou dele, tentando se mover para fora do alcance, mas ele a pegou pelo pulso e a puxou para perto, entre suas pernas abertas.

— O que seja que está pensando, — ela disse, sem fôlego, — tome outro caminho.

— Mas gosto desses pensamentos. — Ele se inclinou até passar as mãos por trás de suas coxas, apalpando e apertando seu bumbum, fazendo-a ofegar. Então ele a prendeu contra a grade e apoiou as palmas das mãos ao lado de suas têmporas. Ele queria muito esfregar a parte mais dura dele contra a parte mais suave dela e mal conseguia manter-se quieto. — Diga-me. Tem vergonha do que fizemos na banheira?

— Vergonha? Não. — O olhar dela manteve o dele, inflexível, deixando-o ver o fogo depositado naqueles olhos de vidro fumê. — Mas...

— Mas? — Ele insistiu, de repente odiando a palavra. — Por que você correu?

— Uma série de razões, — ela se esquivou.

— Comece com uma. Vamos trabalhar a partir daí.

— Tudo bem, tudo bem. Número um, culpa. Eu acabava de trair meu marido.

Como suspeitava. A confirmação foi doce. — Foi o homem...

— Bay.

— Ele era cruel? Ia querer que ficasse sozinha?

— Nããão, — ela admitiu, alongando a palavra. — Mas isso não muda nada.

A ternura em sua expressão despertou seu lado ciumento. Um lado que não sabia que possuía até que a encontrou.

— Então... iria honrar sua memória... mas não seus desejos?

Seus cílios praticamente se fundiram quando ela olhou para ele.

Ele não a queria com raiva; a queria dócil. Então, vamos tentar isso de outra forma.

— Vocês participavam de festas como um casal?

— Sim.

— Se divertiam. Riam.

— Sim, — ela repetiu, inclinando a cabeça com confusão.

— Aposto que ele adorava sua risada. — Eu adoro.

— Ah, tudo bem. Vejo aonde você quer chegar com isso. Eu deveria viver minha vida do jeito que ele gostaria. Despreocupada.

— Livre.

Ela apertou os lábios.

— E você? — Ela acenou com a mão para indicar o clube por trás das portas do elevador. — Sei que é algum figurão-bilionário-magnata-celestial, mas o que faz para se divertir?

Ele pensou por um momento.

— Eu não faço. Como um dos lutadores mais fortes da minha raça, eu luto. Eu sempre lutei.

Seus dedos abandonaram sua túnica para mexer nos cachos em sua nuca. Muito melhor.

— Pobre Thane. Você nunca teve tempo para brincar?

Cada músculo em seu corpo se retesou. — Eu me lembro de brincar mais cedo hoje.

Ela respirou fundo. Apreensão e desejo dançavam através de seus olhos.

— Foi muito divertido, — ele sussurrou. — Gostaria de fazer isso de novo.

Ela engoliu em seco. — Certo, — ela disse finalmente, sua voz ficando baixa e rouca. — Vamos brincar.

Deflagrou uma sensação de triunfo. — Sim. Vamos. — Ele arqueou seus quadris, roçando sua ereção entre as pernas dela, e ela gemeu. — Nós vamos brincar Elin, eu sei que posso.

Sua respiração ficou mais forte quando ela balançou a cabeça.

— Elin, posso te beijar?

Ela balançou a cabeça de novo, os olhos arregalados, e ele abaixou a cabeça. Mas não pressionou sua boca contra a dela. Ainda não. Ele pairou sobre ela, respirando nela, bebendo sua excitação crescente, e deixando-a beber dele.

Ela apoiou as mãos em seus ombros, esperando. — Thane. Estou pronta. Eu nem vou fazer você implorar por isso.

— Quer que eu implore por isso? — Ele sabia como a tentação funcionava. Sabia que era melhor aparar a resistência um pouco de cada vez. Um gosto aqui. Um mordisco ali. Até o primeiro desejo verdadeiro bater... e seria tarde demais para parar. — Porque eu vou.

Um tremor a balançou.

— Posso acariciar seus seios? Por favor.

— S-sim, — ela concordou em voz baixa.

— Posso afastar suas pernas e me acariciar contra você? — Sua mente podia querer permanecer fiel ao seu marido morto, mas seu corpo não. — Posso levá-la ao clímax?

Sua próxima expiração veio rápida e superficial. — Por favor.

Uma rendição tão doce. Mas ainda assim não se apressou a agir. Ele roçou a ponta de seu nariz contra o dela, e deu-lhe os mais simples dos beijos.

Ela ficou tensa, ansiosa por mais, apenas para desanimar um momento depois. — Você está se divertindo? — Ela acusou.

— Sim. — Por fim, ele traçou sua língua ao redor da linha de seus lábios. — Você gosta da minha brincadeira?

Ela agarrou seus cabelos com tanta força, que vários fios caíram. — Não. Você pediu, você recebeu permissão, mas não tomou.

Ele acariciou sua bochecha. — E você quer que eu tome?

— Sim!

— Eu. Somente eu?

— Sim!

— Quando?

— Agora!

Tal veemência. Ele não podia resistir.

Thane afastou as pernas dela. Enquanto pressionava seus lábios contra os dela, enfiando a língua profundamente, segurava seus seios, os mamilos já duros como pequenos botões. Ele roçou sua ereção entre suas pernas, dando-lhe tudo o que tinha prometido de uma só vez.

Tudo exceto o clímax.

Logo...

Sua língua mudou o ritmo para combinar com seu corpo, empurrando contra ela... empurrando... mais rápido e mais rápido... mais firme e mais firme... gemido após gemido saindo dela, cada um mais necessitado que o último.

Ele agarrou seu cabelo e afastou mais as pernas, e quando seu corpo caiu, ele estava lá para pegá-la com outro impulso, atingindo seu ponto doce com mais fervor.

Ela se aferrou nele. Ela se agarrou nele.

Quando seu clímax veio, foi rápido e brutal, do jeito que ele queria que fosse, e ela gritou. Embora ele estivesse ofegante, praticamente queimando por ela, ele se afastou dela, cortando todo o contato. Seus joelhos quase dobraram, e ele teve que se impedir de agarrá-la.

Quanto mais ela ansiasse por ele, mais o buscaria. E seria menos provável que o deixasse quando tivesse terminado.

— Minha resistência é tão fraca, — ela murmurou, alisando o cabelo de sua testa úmida.

— Ou a minha persuasão é tão forte.

Seu sorriso era lento, mas derreteu o gelo que tinha conseguido se fundir em seu coração. — Sim. Vamos culpar você. Mas que tal suas necessidades? — Seu olhar baixou para seu eixo. — E quanto a isso?

Excitação quente continuava a bombear por ele, clamando por libertação. E, embora ele estivesse quase cego de desejo, não ia ceder. Não ainda. — Você vai cuidar de mim, querida. Não se preocupe. Só não aqui, e não agora.

Ela passou as pontas dos dedos abaixo pelo seu comprimento, a suave carícia sussurrante o fazendo se contorcer em resposta, e o fazendo suar.

— Como vou cuidar de você? Onde? Quando?

Ele encontrou seu olhar. — Na primeira vez, vai usar sua boca, e vamos estar na minha suíte.

Um tremor quase a derrubou. — E na segunda vez?

— Com seu corpo, inclinado sobre o sofá.

Outro tremor a sacudiu. — Quando? — Sua voz estava ofegante. — Quando eu começo a fazer essas coisas?

Ela era tão quente... tão disposta... tão difícil de resistir. — Depois que conversarmos.

— Mas já conversamos, — ela reclamou.

Sim, mas ele tinha uma pergunta muito importante para fazer.

Ele apertou um botão no console, permitindo que o elevador continuasse sua subida, parando e abrindo suas portas. Ele a conduziu para sua suíte, tomando cuidado para não roçar nela. Só mais um contato, e estava certo que iria esquecer o seu propósito.

Bjorn descansava no sofá.

Algo dentro de Thane ficou aliviado com a visão de seu amigo... só para voltar a ficar tenso quando percebeu a condição do macho, a pele pálida, olhos assombrados, cabelo arrepiado e os lábios cortados por serem mastigados.

— Estou bem, — Bjorn disse, observando sua reação. — Não se preocupe.

— Vejo que nos trouxe o entretenimento desta noite, — Xerxes soltou. No bar, derramou líquido âmbar em um copo.

Os instintos mais primitivos de Thane hesitaram. Eles compartilharam mulheres no passado, mas não iam compartilhar essa aqui. — Ela é minha e somente minha.

— Na verdade, — ela disse, com o queixo erguido. — Eu sou minha. Eu estou me divertindo desse jeito.

Xerxes escondeu um sorriso por trás do uísque adicionado com ambrosia.

A bandeja de comida repousava sobre a mesa do café, Thane viu. As frutas, queijos e pães que sempre mantinha a mão, agora misturadas com chocolates que ele adicionou. Ele sentou-se na cadeira, a comida ao seu alcance, e arrastou Elin em seu colo.

— Coma, — ele ordenou.

Ela lutou contra ele, imprudente em sua tentativa para se libertar.

Ele apertou seus braços e disse, — Chega, baby. Isso está acontecendo.

— Não, não está. Não vou fazer um lanche enquanto me inclino contra sua ereção, — ela disse entre dentes. — Tudo bem? Certo?

— Não está certo. Não está tudo bem. Você causou isso. — Longe de se envergonhar, ele agarrou seus quadris e puxou. Quando ela ofegou, ele colocou os braços ao redor dela, usando-os como correntes, prendendo-a no lugar. — Quanto mais você se mover, maior o problema vai ficar.

Ela se acalmou instantaneamente. Ele queria rir.

Querida humana. O que estava fazendo com seu sério mundo?

Tanto Bjorn quanto Xerxes assistiam toda a conversa com ousado interesse.

— Thane Downfall, — Elin disse em tom de mãe para filho. — Você acabou de fazer uma piada de pênis?

— Piada? Eu falei de verdade.

Ela balançou a cabeça exasperada. — Tenho que dar passos de bebê, — ela sussurrou. E antes que ele tivesse tempo de questionar o que aquilo significava, ela acrescentou, — Então... quando esse bromance[8] começou? — Apontando para os três. — Oh, chocolate! — Finalmente, ela notou. Ela escolheu, um pedaço de cada.

— Na tragédia, — Xerxes disse.

— Oh. — Ela se derreteu contra Thane, como se quisesse protegê-lo contra danos adicionais, e consumir seus deleites. — Eu sinto muito. Eu estava esperando um bromance épico.

Thane beijou sua testa. — Algo bonito floresceu a partir de algo mal. Foi épico.

Ela relaxou, e ele percebeu que o chocolate já tinha ido embora. — A beleza das cinzas. Isso é bom.

— Se esse fosse sempre o caso, — Bjorn murmurou, partindo seu coração.

— Vai ser hoje, — Thane disse. — Elin vai nos dizer tudo que fizeram a ela no acampamento das Fênix, e vamos castigar os responsáveis.

Ela se enrijeceu mais uma vez. — Eu já te dei alguns detalhes.

— Não é o suficiente.

— Bem, não quero te dar qualquer outro.

— Neste caso, seus desejos, não importam. Você será vingada gostando ou não.

Calmamente, ela disse, — passos de bebê, passos de bebê. — Então, com mais volume, ela acrescentou, — Acredite em mim, eu fui. Essas estacas cuidaram do negócio.

— Para mim. Não para você.

Suspirando, ela deu um tapinha na coxa. — Acho que é realmente doce que você queira brutalizar essas pessoas em meu nome, eu realmente acho, mas vou deixar passar dessa vez, e ponto final.

Final? Dificilmente.

— Aqui está o que vai acontecer, — ele disse. — Eu vi seu corpo nu e todas as suas cicatrizes. Posso imaginar os tipos de surras e chicotadas que foi forçada a suportar. As mesmas surras e chicotadas serão infligidas contra qualquer Fênix que espera em minhas celas, mesmo aquelas que foram boas para você. Se foram. Ou você pode me dizer o que quero saber, e posso libertar os inocentes, ou todos eles podem sofrer o mesmo destino.

Ela se contorceu para encontrar seu olhar. — Você não faria isso.

— Se acredita nisso, não me conhece muito bem.

— Oh! — ela resmungou, agarrando a gola do sua túnica. — Você me deixa tão louca às vezes. Mas adivinha? Não vou ser intimidada. Eu recuso ambas as opções e ofereço outra a você. Vá se ferrar.

Ele passou os dedos ao redor de seu pescoço, puxando-a mais perto de seu peito, e colocando sua orelha em sua boca. — Eu recusarei essa, e darei outra. Me diz que é metade humana, metade Fênix, e vou deixar você sair com cada um dos guerreiros agora.

 

Elin fez sua melhor personificação de um picolé e congelou. Alerta vermelho, alerta vermelho. O pior aconteceu.

Thane não soava bravo. Soava desesperado. Nada como o homem que a beijou tão apaixonadamente no elevador. No fundo, ela sabia que isto era muito, muito pior. Um guerreiro tão forte quanto ele era, não ficaria muito feliz com a pessoa que o fez vulnerável.

— Vamos arquivar esta conversa até Muesday[9], 32 de maio, às treze da tarde, — ela disse.

— Elin, — ele estalou. — Responda.

Pânico a sufocou. Se admitisse a verdade, ele realmente a enviaria para longe com as Fênix, de volta a Orson. Uma vez mais, seria forçada a servir as pessoas responsáveis pelas mortes de suas pessoas queridas. Uma vez mais suas metas de vida seriam colocadas em suspenso. Ainda que não mais soubesse quais eram aquelas metas. Isto, toda a doçura e romance e toques temerários, terminariam. Mas ela não podia mentir. Ele saberia. Além disso, ela não ia mais fazer papel de covarde.

— Eu nunca te machuquei, — ela disse, seu tom suave. Ela deu a ele tudo. Dado, não persuadido, como Merrick sugeriu. Porque o cantor entendeu isto errado. Nem toda vitória era mais doce depois de uma batalha. Algumas vitórias eram melhores como presentes.

Ele endureceu. Agora raiva escoava dele à medida que disse, — Diga-me que você é parte banshee, ou até quimera. Shifter, vampiro, Drakon. Cetea, Gorgon. Minotauro. Hydra. Sirena, laelaps, esfinge. Ou quaisquer outras mil raças diferentes. Diga-me!

Lágrimas queimaram atrás de seus olhos.

— Eu quero. Eu quero. Mas eu... Não posso. Eu sinto muito, Thane.

Ele lançou-a fora de seu colo, e enquanto ela tropeçava para suas mãos e joelhos, ele permaneceu com graça letal.

— Você é Fênix? — Ele exigiu, praticamente cuspindo fogo nela.

Não se encolha. Não desta vez. Ela se levantou, o fragmento de vidro que nunca usou agora em sua palma e estendido. Pronta. — Sim. Eu sou.

Aceite isto. Aceite-me. Não me torne uma desamparada novamente.

Mais que isto, não queria perder o Thane Brincalhão do Elevador. Ou até o Thane Assassino Protetor. Ela tentou resistir a ele. Não com muito esforço, mas ainda assim. Ela tentou. E falhou. Ela não acabava de adicionar uma emenda para seu voto, mas o quebrou, simplesmente o quebrou, e não existia volta. Agora, ela queria uma chance de apreciar os resultados.

Os olhos dele se estreitaram, e ela de repente estava contente que não pudesse ouvir os pensamentos que passavam por sua mente.

— Você me enganou. Conversou comigo sobre arrancar ervas daninhas, e desde o princípio, é uma erva daninha.

Decepção a atingiu. Uma sensação de traição floresceu, acompanhada por defensividade.

— Eu mantive a verdade para mim mesma, e bastante sabiamente, também. Eu não disse a você porque não queria ser presa por estacas. Você realmente pode me culpar?

Com uma única e hábil pancada de sua mão, ele rebateu o vidro de seu aperto, deixando-a desarmada. Ele avançou para ela, dizendo, — Você pode escravizar, como Kendra?

— Não! — Seu elétrico olhar era tão afiado quanto lâminas, mentalmente a cortando em tiras. Ainda assim Elin segurou-se. — E se eu pudesse, nunca o faria. Suas ações me repugnaram.

— Espera que eu acredite em você? — Ele rugiu para ela. — Você, a mentirosa.

— Sim, espero absolutamente que acredite em mim. Vocês, Enviados, podem saborear mentiras, certo? Então devia saber que estou dizendo a verdade. Certo?

Sua carranca escureceu. — Você podia ser inconsciente de estar me envenenando.

— Kendra estava sempre ciente. Ela se gabava de ser capaz de controlar o quanto suas vítimas recebiam. E se isto não for suficiente para você, pense sobre isto. Meu marido nunca foi estúpido, e o fiz feliz inúmeras vezes.

O golpe só o deixou mais bravo. Seu tórax escovou contra o dela, e ela estava horrorizada por notar o quão apertados seus mamilos se tornaram por ele, ávidos por mais contato.

— Você me usou, ajudou-me no acampamento de forma que eu ajudasse você.

— Bem, duh. Eu já disse a você isso.

— Você nunca me desejou. Este tempo inteiro, tem me seduzido. Para conseguir o que quer, dinheiro!

Seduzindo-o? Por dinheiro?

— Primeiro, o que isso tem com as Fênix? Segundo, você é muito avoado. Eu quis você. Quis. Tempo passado. Seu dinheiro era só uma gratificação. Dinheiro que eu ganhei, a propósito. Eu posso lembrá-lo que recusei pagamento para ficar com você. E enquanto estamos nisto, posso lembrá-lo que fugi de você antes de relações sexuais acontecerem e não voltei para implorar por mais? Este foi você.

Thane levantou sua mão, como se quisesse atingi-la ou agarrá-la e sacudi-la. Ou a agarrar e arrastar o resto do caminho para seu corpo e terminar o que começou no elevador. Ao invés, a soltou e afastou-se dela.

Na porta, ele girou, dando as costas.

— Eu retornarei em uma hora, — ele disse para seus amigos. — Eu a quero longe.

— Thane... — Xerxes disse.

Ela esqueceu sobre seu público.

— Isto não é um debate. Libertem as Fênix. Todas, menos Kendra. Quando elas deixarem minha nuvem, Elin vai com elas. — Ele lançou-se no corredor, desaparecendo da vista.

Elin permaneceu no lugar, tentando não chorar enquanto arquejava com... alívio. Sim. Alívio. Ele não a prendeu com estacas ou ordenou isto. Também, não bateu nela, mas definitivamente iria expulsá-la. E, certo, machucou da mesma forma que ela sempre soube que o faria. Realmente, machucou mais. Ela queria enrolar-se em uma bola e soluçar.

Thane a abandonou.

Thane estava repugnado com ela.

Thane estava dando as costas para seu inimigo, para o inimigo dela.

— Eu... Eu vou empacotar minhas coisas, — ela disse para ninguém em particular. E então vou embora antes de poder ser escoltada para as Fênix. Seguramente ela podia pagar alguém na cidade para voar para sua casa.

Casa. Onde era a casa? Ela não tinha uma.

— Eu comprei cada artigo com gorjetas, — ela adicionou, por via das dúvidas se pensassem em negar. — A gorjeta que ganhei honesta e justamente. Não levarei nada que não seja meu.

O Enviado de olhos vermelhos se moveu na frente dela, bloqueando seu caminho para a porta. Ele era da mesma altura que Thane, igualmente musculoso, mas enquanto Thane uma vez olhou para ela com ternura, este nunca teve e não começou agora.

Estou prestes a nadar em uma porcaria de tempestade, não estou?

— Vou criar um laço mental com você, fêmea.

Uh. O que? — Não, obrigada.

— Xerxes. — Um Bjorn sisudo se moveu até o lado do guerreiro. — Ele não gostará disto.

— Não, a princípio.

— Talvez nunca.

— Mas um dia, me agradecerá por isto.

— Alguém me dê uma pista antes de eu ter um enfarte, — ela exigiu. — Que tipo de laço mental? Por que quer isto? O que ele fará comigo? Não que importe. Minha resposta não vai mudar.

— Infelizmente, não estou dando a você uma escolha. — Ele aplainou suas mãos contra suas têmporas, seus dedos lançaram por seu cabelo. — Eu poderei enviar meus pensamentos em sua mente, e você poderá enviar os seus na minha. Nós podemos nos comunicar sem falar uma palavra, não importa a distância entre nós.

Demais para processar. — Não.

— Sim. Criar este laço com um não–Enviado é uma habilidade que só Thane, Bjorn e eu possuímos. Um presente que recebemos do Altíssimo depois de nosso tempo no... Apenas depois. Deste modo, você pode me chamar sempre que entrar em dificuldade.

— Não, — ela insistiu.

— Considere isto uma honra. Nunca fizemos isto para qualquer outro.

— Não quero ficar em contato com você. — Uma vez que deixasse o clube, ela iria para sempre. Não existiria olhar para trás. Sem desejar o que poderia ter sido.

— Isto é em seu melhor interesse, — ele disse, ignorando seu protesto.

Ela tentou sair de seu aperto, mas ele a segurou firme.

— Deixe-me ir, seu behemoth[10] alado, antes de eu fazer algo... — O resto da oração ficou morta em sua boca.

Dor entalhada rasgou por ela, e gemeu. Isso era um martelo batendo seu caminho através de seu crânio e córtex cerebral?

Luz relampejou através de sua mente, então cenas de seu passado passaram em Tecnicolor. Sua mãe, agarrando seu bebê morto em seu peito, arquejando, seu nome... Amil, significava esperança... Ela deu a ele um nome quando nem sequer tomou uma respiração.

A cabeça do seu pai rolando por ela, parando. Seu entorpecido olhar perscrutando Elin enquanto ela tremia debaixo da mesa.

Bay, caindo, aterrissando em um monte contorcido, na frente dela.

— Você é tão vulnerável... Tão aberta, — o guerreiro rangeu. — Pelo menos tente me bloquear de suas memórias.

Tentar? Como?

A Fênix a chamando de nomes odiosos, machucando-a, degradando-a. Descascando longe seu orgulho dia a dia.

Ela friccionou seus dentes e imaginou empurrar Xerxes longe. Foi inútil. Suas costas curvaram quando dor, oh, a dor, a consumiu. O que ela sentiu antes? Nada comparado a isto. Um alto zunido estourou em suas orelhas. Uma folha de infinito preto caiu por seus olhos.

Ela estava morrendo. Ela tinha que estar morrendo.

Elin. Elin, querida, você não está morrendo. Eu preciso que abra seus olhos.

Não, a dor...

Está desvanecendo. Eu deixei sua mente.

Percebendo que ele estava certo, que o martelo parou de bater, ela tremulou suas pálpebras abertas. Xerxes e Bjorn a olhavam com preocupação e curiosidade, e agora, a expressão de Xerxes era suave de quebrar o coração.

— Nunca faça isto novamente, — ela cuspiu, apenas suprimindo o desejo de esbofeteá-lo.

Ele suspirou. — Eu te dou a minha palavra. Nunca mais invadirei seus pensamentos sem um convite.

— Bom. Porque nunca emitirei um convite! — Ela não gostou de sua voz em sua cabeça. As palavras sussurraram por ela, um vento que ela podia sentir em cada célula. Uma invasão externa. Mal recebida em todos os sentidos.

— Muito bem, — ele disse. — Mas sempre que me precisar, simplesmente pense em mim e projete suas palavras na imagem. Eu ouvirei e acharei você. — Ele ofereceu sua mão, a palma para cima. — Agora, gostaria de retornar ao Arizona?

— Sem as Fênix?

— Sem as Fênix.

— Sozinha? — Ela perguntou, só para ser clara.

Ele movimentou a cabeça.

Seu olhar precipitou-se pelo apartamento, dando um último olhar no luxo que Thane apreciava. O luxo que ela podia ter compartilhado com ele, apenas se seu ódio não entrasse no caminho. Seu coração endureceu.

— Sim. Eu estou pronta.

 

Thane se arremessou pelo céu da noite em um passo furioso, despreocupado. Vento o esbofeteava. Seus músculos queimavam. Deu boas-vindas à dor.

Elin era Fênix. Metade humana, metade cruel comedora de chama. O sexo com ela podia tê-lo escravizado. Arruinando-o. Ele podia ter ficado estúpido de novo.

Muito poucas criaturas possuem essa habilidade, e nenhuma é debilitada por sangue humano. Você sabe disto.

Não importava. Não valia a pena o risco. Ela o afetou mais que qualquer outra jamais o fez, e desde o primeiro minuto. Ela podia ser a exceção.

Então por que você não saboreou uma mentira quando ela falou sobre seu marido?

Suficiente! Ele queria arrancar a parte racional de seu cérebro e assisti-lo salpicar na superfície da Terra. Não gostou de quão fora de controle Elin o fazia se sentir, e odiava que atualmente ansiasse ficar fora de controle novamente. Com ela. Só com ela. Ele não queria lembrar que sentiu ciúme em sua menção de uma vez dormir com outro homem, seguido pela humilhação que ele uma vez caiu nas presas de Kendra.

Elin conhecia seus sentimentos sobre sua raça, e ainda o deixou beijá-la. Deixou-o tocar nela. Levá-la ao clímax duas vezes, e até experimentar seu próprio.

O que, ela só devia confessar e aceitar sua ira como devia?

Outra observação mal recebida. Outra que ignorou, passando à frente com seu discurso. Ela podia estar planejando ajudar as Fênix desde o princípio.

Por favor.

Por que mais recusaria dar os nomes daqueles que a machucaram? Porque ela realmente não foi machucada!

Ou, porque ela menosprezava a visão de sangue, não acostumada à violência, e queria prevenir mais.

Thane rolou à esquerda para evitar bater em um rebanho de pássaros. O que ele sabia sobre a menina, sem sombra de dúvida?

Ela cheirava a cerejas. Tinha o sabor delas, também. Era suave ao toque e derretia quando ele se aproximava. Às vezes olhava para ele com partes iguais de temor e apreensão. Às vezes olhava para ele com fome insaciável.

Ela tinha cicatrizes em suas mãos e costas. Cicatrizes que ele devia ter beijado quando teve chance. Ela tornava-se mais bonita toda vez que olhava para ela.

Ela tinha dois sorrisos diferentes. Um que dava aos clientes do The Downfall. Ele recebeu um destes durante sua reunião com os Enviados. E então existia o que ela deu a ele no elevador. O primeiro era mecânico, definitivamente forçado. O outro era suave e doce, carregado com promessa.

O que sabe sobre ela, além do físico?

Ela era uma combinação surpreendente de atitude, generosidade, e genialidade. Oh, era divertida. Quem queria abrir uma padaria quando sua culinária tinha sabor de papelão, no melhor dos casos? Quem ofereceu para ir à primeira base tão duro? Ou o importunou sobre jogar?

Ela sentia falta de Bellorie, uma fêmea que causava horror incalculável. Ela achou os gritos do demônio demais para aguentar. Ela era misericordiosa.

Ele se lembrou da dor em seus olhos depois que a empurrou de seu colo. Lembrou-se do modo que ela corajosamente resistiu aos seus gritos de acusação, recusando a se encolher embora ele pudesse ter terminado com sua vida em um estalar de pulso. Ela era sensível, e era valente.

Ela não ia sobreviver com as Fênix. Não dessa vez. O guerreiro Orson tinha aquele cintilar retorcido em seus olhos quando insistiu que a mestiça retornasse, a queria para propósitos sinistros. Ele a quebraria.

Ele imaginou Elin encadeada na cama do macho. Seu rosto machucado e inchado, marcado por lágrimas. Sua pele preta-e-azul com contusões. Ele imaginou seus gritos por ajuda sendo despercebidos, ou pior, sendo encontrados com riso. Ele imaginou seu espírito quebrado, seu brilho para sempre extinto.

Os pensamentos o cortaram totalmente em tiras.

Ele cometeu um engano enorme.

Elin não era uma erva daninha. Era uma rosa. E um dia, quando estivesse no fim de sua vida e olhasse para trás, lamentaria suas ações deste dia. Mais que qualquer outra coisa que já fez. Ele sentiu o conhecimento em cada célula do seu corpo.

Não se aborreceu diminuindo a velocidade do seu impulso. Ele simplesmente mergulhou e retorceu, voltando na direção que veio.

Mantenha Elin no clube, ele projetou para ambos Xerxes e Bjorn.

Uma pausa tensa arrasou seus nervos. Então, eu sinto muito, meu amigo, Xerxes disse, mas é muito tarde para isto.

Ela está com as Fênix? Não. Por favor, não.

Ela não está. Eu a libertei em sua casa humana.

Culpa de Thane. Tudo culpa sua. Ela estava só, sem qualquer meio de proteção. Mas pelo menos não estava com as Fênix. Ele estava contente que seu amigo teve mais sentido que ele. Onde?

Xerxes deu o endereço. Existe algo que você devia saber.

Mais? Diga-me.

Você não gostará disto.

Ele não gemeria. Diga-me de qualquer maneira.

Muito bem. Eu... me liguei com ela. Eu posso falar dentro de sua mente, e ela pode falar na minha.

Uma onda violenta de possessividade veio à tona, e ele teve que tragar um bocado de ameaças. Só Thane devia ter o privilégio. Ainda que não merecesse isto. Por quê?

Eu sabia que você a quereria de volta, e quis manter uma linha de comunicação aberta.

Sábio. Mas ele deveria ter feito isto. Thane tolo. Obrigado, meu amigo.

Isto não é tudo. Eu vi em suas memórias, Thane. Elas são ruins. Realmente ruins.

 

A noite finalmente caiu.

Elin quase quebrou quando Xerxes a depositou na velha porta dos seus pais. A expansão de quatro quartos no vale, com magníficas montanhas vermelhas no quintal, devolveu suas melhores, e piores, memórias. Ela decidiu não pedir aos novos donos uma excursão, e partiu.

Ela andou seis quilômetros e meio pela rua e penhorou uma de suas pulseiras. Apesar da faixa de diamantes valer milhares, ela só conseguiu quinhentos. Um fracasso, mas seja o que for. Porque estava sem qualquer tipo de identificação, era incapaz de alugar um carro. Ou alugar um quarto. Ninguém cairia na velha desculpa “o cachorro comeu”. Mas graças ao jornal que comprou no armazém do outro lado da estrada, podia chamar pessoas que queriam vender seus carros. O problema era, a maior parte dos vendedores ou não respondeu ou já venderam seus veículos.

O que ia fazer?

Nova meta de vida: Conseguir novas metas de vida.

Sem um casaco, ela estava fria. Seus ombros doídos por puxar uma bolsa de quatro toneladas e meia com roupas e joias. Precisando de um descanso rápido, ela se debruçou contra uma parede sombreada na ruela entre dois edifícios que pedia um conserto importante, e bebeu o chocolate quente que comprou junto com o jornal.

Talvez fosse uma boa coisa estar sem qualquer identificação. O mundo inteiro poderia pensar que ela matou seu pai e Bay, e sequestrou sua mãe. Seu nome poderia vir com a atenção da mídia que não podia dispor. Ugh. De agora em diante, estava fora do radar. Qualquer coisa para afastar as Fênix dela. Nossa, qualquer coisa para afastar Thane dela.

Como se ele realmente a procurasse. Alado preconceituoso! Ele tinha que arruinar tudo.

Pelo canto de seu olho, notou a mudança de certas sombras. O coração batendo, girou para olhar mais atentamente. Um momento passou. Então outro. Tudo permaneceu quieto.

Não. Não de verdade. Uma criatura parecida com uma cobra espiou por detrás de uma caixa de lixo. Parecida com uma cobra porque a coisa tinha chifres nodosos subindo de sua cabeça, e suas presas eram tão longas que quase raspavam o chão. Quando abriu sua boca para desfraldar sua língua bifurcada, ela viu que existia outro conjunto de dentes por trás.

Elin endireitou-se e foi para longe disto. Ardentes olhos vermelhos a seguiram.

Outra criatura parecida com uma cobra emergiu das sombras. Então outra. E outra. Cada uma focada nela, escorregando mais próximo.

Que droga eram aquelas coisas?

— O príncipe gostaria de fffalar com você, — a mais próxima disse. — De preferência viva.

Os outros riram.

Mantenha a cabeça fresca.

Use alguém. Quem? Xerxes? Não. Você cortou ligações, lembra? E de nenhum modo ela lançaria inocentes no caminho destas... Coisas.

Ela soltou seu chocolate, e, enquanto o líquido esguichava para fora, ela correu, sua bolsa batendo contra seu lado, diminuindo sua velocidade. Maldição. Dinheiro ou fuga? Ela não podia ter ambos.

Ela soltou a alça e, sem o peso, ganhou velocidade.

Ainda assim, o riso a perseguiu... E se aproximou.

 

Xerxes, ela não está aqui.

Frenético, Thane verificou a casa inteira, olhando através das paredes. Dois adultos e duas crianças humanas estavam no interior, mas não Elin.

Tente este lugar. O guerreiro deu outra direção.

Ainda mais frenético, Thane se lançou pelo céu noturno. O apartamento era perto da universidade e vários jovens saiam dos edifícios. Ele olhou fazendo uma varredura visual, explorando todos os rostos no lugar. Ainda não havia sinal de Elin.

Não, aqui também não.

Onde estava? Nestas horas, a atividade demoníaca sempre era forte. Mas ali, era mais pesada que de costume. Pelo menos trinta vihas, dez envexa, quinze pica, quarenta slecht deslizavam pelas paredes, na busca de potenciais. Sussurros pretendiam provocar qualquer emoção que alimentava as criaturas. Qualquer humano que respondesse assinalava a notificação para outros demônios.

Em qualquer outro momento, Thane teria disparado para a batalha. Agora, queria apenas encontrar Elin. Ele a julgou terrivelmente mal. Ela podia ser parte Fênix, mas não era má. De fato. Ela tinha motivos para odiar as Fênix mais que ele.

Ela contou sobre o assassinato de seus pais e esposo, mas não sobre o abuso que sua mãe sofreu. Presa em uma tenda, sendo estuprada por vários guerreiros todos os dias, até que ficou grávida. Então, Elin foi obrigada a presenciar sua morte e a de seu irmão, enquanto estava amarrada, incapaz de ajudar e ainda proibida de falar.

Depois Elin se negou o direito de chorar.

Estava completamente sem amigos. Presa. Desprezada, zombada. Foi mais golpeada do que suspeitou. Foi tratada como um animal. E no entanto, sem se importar como seria tratada se fosse pega, ajudou Thane a escapar do acampamento. E logo, quando por fim começou a sentir-se segura, ele, seu protetor, a mandou embora e ameaçou.

Estava tão envergonhado.

Tentei iniciar contato. Xerxes disse. Mas não consegui passar por seu escudo mental.

Impossível. Ela não podia ter aprendido a bloquear tão rapidamente. Não tão aberta como era. Xerxes disse que era e acreditava no antigo guerreiro. Mas, um bloqueio deveria ser formado por si mesmo. E havia apenas duas maneiras de acontecer. Por medo... ou através da dor.

Busque através do escudo, ele ordenou.

Eu causarei angustia. Talvez até mesmo um dano permanente.

Há uma possibilidade de que ela esteja sofrendo. E ele não podia fazer nada para impedir ou mesmo encontrá-la.

É verdade, mas eu disse a ela que nunca voltaria a forçá-la.

E um Enviado mantinha sua palavra.

Thane teria que fazer isto por sua conta, então. Quando se lançou através da cidade, muito baixo para ver os rostos ao passar, mas não alto o suficiente para cobrir um bloqueio, tentou acalmar suas emoções. Percebeu a horda de demônios encabeçados na mesma direção. Correndo, realmente. Rindo, excitados.

Claramente, estavam caçando.

Ele se encheu de medo. Os demônios sentiam o cheiro dos Enviados, uma respiração apenas fazia com que os demônios corressem de medo. Mas havia uma exceção. Quando os demônios percebiam o cheiro misturado com o humano. Depois do que aconteceu no elevador, o cheiro de Thane com certeza estava misturado com o de Elin.

Ele seguiu o rastro fraco, até o limite da cidade.

E foi então quando a viu.

Seu coração parou, totalmente inútil. Os demônios a haviam encurralado perto de uma casa de madeira para crianças. Uma pilha de pedras descansava aos seus pés e ela lançava todas que podia. A força de seu medo dava aos demônios a força que precisavam para se materializar. Em espírito eram incapazes de tocá-la... mas materializados eram capazes de destruí-la.

Garras haviam cortado sua calça e deixado sua panturrilha sangrando. Presas já haviam perfurado seu pescoço e braços. Seus olhos estavam vidrados e ela vacilava, a ponto de cair.

Um grito de guerra saiu de Thane. Disparou para o chão. Os demônios estavam muito frenéticos para perceber. Convocou uma espada de fogo no momento que aterrissou e começou a cortar através das massas. Carne pulou. Garras se enrolaram.

Sentiu um peso em suas costas. Garras de fogo se cravaram em seu pescoço.

Thane golpeou a cabeça com a espada e logo inclinou-se para trás, as chamas pressionando a coluna vertebral de qualquer demônio que pensou ser uma boa ideia saltar sobre ele. O peso caiu e Thane balançou a espada para frente, da esquerda para direita, da direita para a esquerda, seus movimentos sem cessar.

Cada demônio morreu.

Estendeu suas asas e elevou-se a mesma altura que sua força, manobrando seu grande corpo para frente de Elin. — Coloque seus braços em meu pescoço. — Ordenou, matando quatro demônios que se atreveram a se aproximar.

Esperava resistência. Mas ela devia estar sentindo muito medo dos demônios para obedecer sem hesitar. Disparou no ar. Para cima. Ainda mais alto. Ele a queria a salvo e bem, mais do que matar o inimigo.

— Não posso... espere...

Suas mãos o apertaram e ela caiu, gritando. Thane mudou de direção, com o coração saltando na garganta. Ele a pegou justo antes que caísse no chão e a puxou contra seu peito, nivelando-a e logo inclinando-se para cima, uma vez mais se afastando dos demônios que a agarraram. Tremores se acumulavam em seu corpo pequeno.

— Sinto muito. — Disse. — Isto é minha culpa.

— Eu vou superar.

— Shh, cale-se. — Sussurrou. — Apenas... se cale. Não quero conversar neste momento...

Muito bem.

Quando chegou ao clube a levou diretamente para seu apartamento. Mas no momento que percebeu que se dirigia para o quarto onde uma vez esteve com Kendra, o quarto onde teve relações sexuais com a harpia, parou.

Não queria Elin na mesma cama em que Kendra e a harpia estiveram. Não queria Elin na mesma cama onde esteve com inumeráveis mulheres. Não queria que ela olhasse para as algemas e pensasse no que ele fez. Ainda mais agora, enquanto ela estava ferida e sangrando. Assim, ele tinha três opções. Levá-la para seu quarto e deixá-la com as garçonetes, colocá-la no sofá ou colocá-la em sua cama, onde nenhuma outra mulher nunca esteve.

Colocou-a em sua cama. E gostou dela ali, percebeu.

Ele olhou por cima. Ela estava em piores condições do que suspeitou. Os cortes eram profundos. Iam até o osso. Algo negro saía deles, o que indicava que um veneno foi injetado. Se não fosse tratada, ela morreria a pior das mortes.

É minha culpa. Tudo isto é minha culpa.

Trabalhando com rapidez, tirou de sua bolsa de ar a última gota da água da vida e forçou sua boca a se abrir e o liquido a descer por sua garganta. Tossiu e cuspiu e logo todo seu corpo se inclinou, um grito agudo saiu dela.

Seu peito se contraiu com outro ataque de ódio a si mesmo e culpa.

— A dor vai passar, Kulta, eu prometo. — Disse roçando os dedos em sua testa febril. — A água está lutando com a toxina dentro de você, vai ajudá-la a se curar. Às vezes dói mais. Apenas uns segundos mais... e não vê? A dor já está sumindo.

Ela se deixou cair contra o colchão, com a pele brilhando de suor. Enquanto o observava com receio, ela levantou a mão trêmula e afastou uma mecha de cabelo úmido da testa.

Ele não pode evitar segurar a parte posterior do pescoço, levantando a cabeça e descendo. — Eu sinto muito. — Disse e a beijou. Tinha que fazê-la entender. — Sinto muito. — Ele a beijou novamente. Ela ficou rígida e o mordeu, mas ele não parou de se desculpar. Tinha que ganhar seu perdão. — Nunca me senti assim em toda a minha vida.

— Chega.

Outro beijo. — Por favor. — Disse disposto a implorar.

— Não. — Ela o empurrou. — Pare de fazer isto agora mesmo. — Levantou-se e saiu de perto dele. — Isto não está acontecendo. Esta parte de nossa relação, acabou. — Limpou a boca com o dorso da mão, como se houvesse algo a limpar.

As palavras podiam ser armas, poderosas como as ações e as dela eram como um golpe direto, como se acertasse o alvo.

— Eu não quero ficar aqui. — Disse e tentou se incorporar.

— Que pena. — Suave, suave. — Está aqui e gostaria que ficasse.

— De nenhuma maneira. Vou embora. Mas não vou com as Fênix e se tentar vou gritar tanto que sua cabeça vai explodir.

— Você vai ficar. — Disse. — As Fênix se foram. — Ele a segurou com pressão nos ombros, olhando fixamente. — Feche os olhos.

— Não, eu...

— Faça Elin, por favor. Não vou te machucar.

Ela bufou apenas para terminar com: — Porque tenho que fechar os olhos?

— Eu não quero que veja... o sangue. Apenas faça, por favor.

A compreensão tomou conta dela e a fez estremecer na cama. Fechou os olhos.

— Não abra até que eu dê permissão.

Seus lábios se franziram. — Não sou uma de suas escravas sexuais com algemas, nem sou sua empregada. Se perdeu a memória, pedi demissão depois que me expulsou. Assim, não tem que me dizer o que fazer. E para sua informação, estou apenas fazendo isto por causa destas... destas... criaturas.

— Os demônios. — Disse. — Eles são demônios e estou orgulhoso de você por lutar contra eles com toda sua capacidade.

— Bom, você pode pegar o seu orgulho e engoli-lo. — Ela riu com amargura, mas a risada se converteu rapidamente em soluço. Quando se acalmou, ela suspirou e estava claro que estava correndo de um extremo a outro. — Até mesmo um cachorro luta quando esta encurralado.

— Alguns correm. Mas você não é um cachorro. Não é um animal. É... preciosa.

No princípio ela não reagiu. Então lhe deu uma bofetada. Forte. — Como se atreve a dizer isto para mim!

— Por quê? — Odiou a dor. Odiou que houvesse a impulsionado a esta violência. — É verdade.

— Não é! Não sou valiosa para você. Sou descartável. Estou corrompida.

— Não. — Que tonto ele foi. Uma vez desfrutou da dor e considerou chicotadas e algemas à altura de seu castigo. Mas isto... isto era dor. E o instrumento falava de ressentimento. Perdeu um prêmio mais valioso que o ouro. Perdeu a confiança de Elin. — Você é preciosa. — Insistiu.

— Bom, acho que você está exagerando. — Disse. — E palavras amáveis não vão mudar minha opinião.

— Tem razão. Não, não precisa me acusar de mentir. Nunca menti e não vou começar agora. — Sua voz era suave, como se esperasse acalmar um gatinho assustado em uma árvore. — Eu exagerei. O que aconteceu mostra minha falta de valor e não a sua.

Em silêncio, ela afastou o olhar dele.

Tentou ignorar sua dor. Com certeza estou sangrando por dentro. Ele caminhou até o banheiro para molhar um pedaço de pano na água quente. Limpou o sangue de sua pele. Percebeu que sua expressão suavizou e se animou. Ele também observou com satisfação que a pior de suas feridas já estava começando a cicatrizar. As únicas feridas restantes eram as que restaram em sua mente. Essas, no entanto, ele não podia curar por ela.

Limpou a garganta e quando voltou a falar, a ira havia diminuído. — Porque demônios vieram atrás de mim? Quero dizer, eles mencionaram algum tipo de príncipe, mas...

— Príncipe?

O demônio fez seu primeiro movimento.

O demônio pagaria.

— Sim. E apesar de que, segundo você, sou uma espécie de mercenária cavadora de ouro, na realidade não tenho vontade ser princesa.

A onda de culpa era indescritível.

— Você não é uma cavadora de ouro. E os demônios a usaram para me atacar. — Disse. Ele a cobriu com uma túnica para limpar sua roupa. — Você pode olhar agora.

Seus olhos se abriram. Buscando em qualquer lugar, menos nele, e disse: — Nada mudou. Continuo sendo o inimigo temido. Então, porque me ajudou?

— Você não é minha inimiga. Eu reagi mal às suas origens.

— Mal? Há! — Ela cortou. — Este é o eufemismo do ano.

Ele continuou como se ela não houvesse falado. — Eu nunca vou ser capaz de dizer o quanto sinto. Foi um erro da minha parte e a culpei pelos pecados de outra mulher.

Ela abriu a boca e fechou. Seu olhar caiu sobre o manto que a cobria e ela suspirou. Sentou-se, com a cabeça abaixada e os joelhos dobrados.

Uma posição de vergonha.

Uma que ele conhecia bem. Uma que jurou nunca ficar novamente e no entanto, colocou outra pessoa no lugar.

Ele era quem deveria sentir-se envergonhado.

— Sinto muito, kulta.

— Tudo bem. Desculpas aceitas. Está perdoado. E você não é inútil. — Acrescentou de má vontade. — Posso ser razoável e deixar o ressentimento.

Queria dizer estas palavras. Ele sabia. Mas o sentimento não era real ainda.

— Sente frio? Tem fome? Há algo que precisa? Qualquer coisa que posso fazer por você?

Com os olhos estreitados com suspeita, ela assentiu.

— Minha bolsa e joias, se puder encontrá-los. São meus. Eu ganhei. Ainda que, alguém provavelmente deve tê-los pego. Oh. — Acrescentou falando claramente quando os pensamentos chegaram a ela. — Antes de voltar, preciso de uma nova identidade.

— Voltar? Eu disse. Quero que fique aqui no clube. Onde podemos ser... amigos. Preciso de sua ajuda com o resto das minhas ervas daninhas.

— Não, em absoluto. — Respondeu ela com um movimento de cabeça. — Percebi que não gosto de depender de você. Porque sejamos sinceros, Thane. A qualquer momento você pode mudar de opinião sobre me culpar e então onde eu estaria? Estacada no pátio?

— Eu não o farei. Nunca vou te machucar.

— Escutei isto antes. — Fadiga se apoderou de seu rosto. — Me alegro que me considere assim, mas no momento sou responsável por mim mesma.

Teve que lutar contra uma onda de desespero. Sua confiança preciosa foi arruinada e tudo por culpa dele.

— Fique. Por favor. — Implorando novamente? Por amizade? Era apenas... não podia suportar a ideia de que ela fosse embora, sozinha e indefesa. Em perigo. Ou pior ainda, para a luxuria de outro homem. — Trabalhe aqui ou não. De qualquer maneira você estará a salvo.

Outra vez ela negou com a cabeça.

Mulher teimosa. Observou-a, tentando descobrir seu próximo movimento. Seu cabelo longo caia sobre os travesseiros, uma escura nuvem e gostava disto. Olhos humanos que uma vez brilharam para ele e estavam agora apagados, e isso não gostava.

— Vou conseguir uma nova identidade. — Disse. — No entanto, pode demorar várias semanas. — Talvez meses? Porque não tinha vontade de começar o processo neste momento. Enquanto isto ele faria todo o possível para reconquistar sua fé nele. Depois de um tempo, ela iria querer ficar. Com certeza. — Pode ganhar mais dinheiro enquanto espera.

Ela apertou a ponte do nariz e suspirou.

— Está bem. — Disse finalmente com uma inclinação de cabeça. — Vou trabalhar aqui enquanto espero. Serei capaz de construir outro ninho. — Achava.

— Sim. Um ninho. Exatamente. — Pegou uma mecha de cabelo entre seus dedos, maravilhado com a suavidade. — Assegurarei que tenha as melhores mesas.

— Não preciso de um tratamento especial. As garotas não devem ser ignoradas apenas por causa de sua culpa. — Ela puxou os cordões do pulso e lançou suas pernas sobre o outro lado da cama, passando na frente dele, colocando a maior distância possível entre eles.

O manto caiu no chão, se acumulando em seus pés. Afortunadamente, o material fez seu trabalho, tirando todas as manchas de sangue.

— Vou para o meu quarto. — Disse ela, uma vez mais disposta a não olhar em seus olhos.

Pegou o manto para chegar até ela. — Você pode ficar aqui pelo tempo que quiser.

Olhou para as paredes sem decoração, a escassez de moveis. Olhou para sua expressão.

Aqui? Durante o tempo que quiser? Uma oferta que nunca fez para outra mulher.

— Não, obrigada. — Disse ela, levantando o queixo. — Gosto de ficar com as garotas.

Outra rejeição. Uma que deveria ter esperado. Mas o aperto no peito voltou, mais nítido, mais forte que antes.

— Bellorie deve chegar dentro de uma hora, justo a tempo para o turno da noite, como prometi.

— Obrigada. — Com a cabeça alta ela saiu do quarto.

 

Thane a estava olhando.

O que iria fazer com aquele homem?

Duas semanas se passaram desde o ataque do demônio. Duas semanas que Thane enviou uma cesta de chocolates, um ramalhete de flores e uma caixa de livros. Cada presente com um “sinto muito” no cartão. Apesar dele já ter implorado por seu perdão. O que era agradável, tinha que admitir, e completamente fora de seu personagem de gelo, o rei.

Sentou-se em uma mesa junto a um horripilante guerreiro que chamava-se Lucien, os dois estavam em uma calorosa conversa sobre um guerreiro chamado Torin, uma garota chamada Cameo presa em algum tipo de lugar, Bjorn e sombras.

Não que Elin estivesse escutando... só um pouco... bom, muito.

Apesar de tudo, o Enviado voltava sua atenção uma e outra vez para ela. E parecia ficar cada vez mais irritado.

Como se tivesse alguma razão para ficar irritado com ela!

Ela, no entanto, tinha todo o direito de ficar irritada com ele. Ele tinha homens seguindo-a onde quer que fosse. E sem esquecer o “vamos ser amigos”, mas no entanto, a repugnante meio humana meio Fênix não era digna de ficar em seu precioso quarto de sexo. Ao invés, ofereceu colocá-la em algo que equivalia a uma prisão. Vazia e carente de qualquer luxo que estava disposto a dar a qualquer uma de suas amantes.

E no entanto...

Lutou com demônios por ela e cuidou dela, deu-lhe algum tipo de liquido que curava. Então, limpou ternamente até a última gota de sangue. Pediu desculpas por sua crueldade e tinha certeza de que quis dizer isto. Convidou-a para ficar em sua casa pelo resto de sua vida.

Deixá-lo naquela cama, sem jogar-se em seus braços foi a coisa mais difícil que fez em sua vida. Mas não iria cair sobre seu sexy bombom, encantada pela segunda vez.

As novas metas em sua vida: resistir a Thane, poupar dinheiro, abrir um albergue para os imortais mestiços e contratar um chef para alimentá-los.

Desta forma, pessoas como ela teriam um lugar para onde ir.

— Elin. — Thane chamou-a, tirando-a de seus pensamentos.

Não era bom ele marcar o primeiro gol. O som de sua voz ainda tinha o poder de fazê-la estremecer.

Arrastou suas pernas até a mesa.

— O que?

O homem com a cicatriz lhe sorriu antes de se levantar e abandonar o clube. Thane permaneceu sentado, olhando para ela. Pareceu ver anseio nas profundidades de seus olhos azul oceano. Anseio que seu corpo respondeu fazendo seus mamilos ficarem duros... e seu estômago se contorcer.

— Está bonita. — Disse com a voz rouca, fazendo-a estremecer novamente. — Sempre está bonita.

— Obrigada. — O que precisava era manter a distância. — Isto é tudo, chefe? Porque estou super ocupada.

Não era necessariamente uma mentira. Refletindo sobre todas as coisas que Thane demandava no trabalho.

Ele franziu o cenho.

— Isto não é tudo.

— Bom, é uma pena. — Disse e as pessoas da mesa ao lado ofegaram com seu atrevimento. Obviamente não estavam acostumados a isto. — Vou sair de qualquer forma.

Ela deu a volta, mas ele segurou seu pulso, mantendo-a no lugar. O ponto de contato queimou da forma mais deliciosa e ela experimentou um arrepio. Algo estava mal com ela.

— Sente frio? — Perguntou. — Posso te emprestar algo.

Porque sempre queria dar algo para ela vestir?

— Estou bem. — Não podia lidar muito bem com suas emoções.

Uma pausa, como se ele buscasse as palavras adequadas para dizer. Então.

— Alguém lhe deu algum problema?

— Sim. — Ela olhou por cima do ombro dizendo. — Estou olhando para ele agora mesmo. Deixe-me ir.

Outro grito abafado na mesa.

Um músculo pulsou debaixo dos olhos de Thane, mas ele soltou seu pulso.

Porque ele faz isto comigo?

Mas então, ela já sabia a resposta. Ele era muito bonito para ela, mas era difícil manter-se longe dele. Ele provocava seu mau gênio.

— Sinto muito, está bem, vou embora agora. — Disse e se afastou. Seus joelhos tremiam até chegar ao balcão. Uma das clientes aproximou-se.

— Sim? Posso ajudar?

— Primeiro de Maio.

As palavras ficaram presas em sua cabeça, lembrando o jogo erótico que ela e Thane jogaram no elevador, ela... maldito... estremeceu.

Em lugar de ordenar uma bebida, a mulher, uma sereia, disse: — Eu ouvi dizer que Thane te resgatou de um acampamento Fênix.

— Você não deve acreditar em tudo que ouve. — Resgatada não era a palavra que Elin usaria. Não mais.

— Hum. — Foi a resposta. De alguma maneira, a morena conseguiu colocar uma grande quantidade de reprovação no som. — Bom, sou muito mais bonita que você, assim não deveria ter problemas para conseguir que ele me salvasse de uma situação e me recompensasse com muito orgasmos.

O ciúmes deixou uma ferida no peito de Elin.

Ciúmes? Não! Ela se negava a senti-lo.

Conteve um resposta desagradável. Sou melhor que isto.

Não, na realidade, não era melhor. Ela ofereceu a mulher um assentimento. Logo, com uma expressão que sempre via em Bellorie, ela disse: — Notícia de última hora. Ninguém é mais bonita do que eu. — E sentiu-se bem.

A mulher ofegou.

— Quer realmente me atacar?

Antes que a mulher pudesse responder, dois lobos shifters ficaram em pé na mesa à esquerda, cadeiras escorregando para trás, já que grunhiam obscenidades um para o outro. Tantos homens dispostos a lutar entre si até a morte.

Adrian se aproximou e casualmente anunciou: — Há uma nova regra na casa. Derramem sangue no interior do edifício e serão expulsos imediatamente. Quem quer ser o primeiro?

Os homens se olharam e retrocederam em suas cadeiras.

A mulher foi para seu assento, agora disposta a se afastar de Elin.

As harpias na mesa da frente aos lobos, bem, bem, a loira que voltou por mais de Thane e suas algemas, gemeu com decepção.

— O que supõe-se que devemos fazer para nos divertir agora?

— Porque não podemos derramar sangue?

Sim. Por quê? Porque... oh não. Thane colocou a regra por causa dela?

Ele deve tê-lo feito. Não havia outra explicação.

Uma onda de calor se estendeu por todo seu corpo.

Não vai cair em seu feitiço. Lembra-se?

Mas ela definitivamente deveria ser amável com ele.

Talvez fosse hora de dar um passo novamente. Não era um mal tipo. Ele fez apenas uma escolha ruim. Uma escolha muito, muito ruim. Uma que havia lhe dito que o perdoou. Sou apenas de falar ou de ação também?

Ação. Definitivamente ação.

Sentindo-se mais leve do que no começo de seu turno, ela saltou o balcão para pegar as bebidas. Observou como Thane se levantou. Tinha um sorriso, mas não olhou para ela.

As sereias começaram a ficar chateadas pelos problemas com os shifters. Ele passou pela mesa e ofereceu algumas palavras. As garotas ficaram emocionadas com a atenção.

Thane se inclinou e beijou o rosto da sereia.

De alguma maneira Elin conseguiu manter a expressão neutra. Ele estava flertando com alguém justo na frente dela? Esqueça dar o primeiro passo, ela o chutaria com muita força.

Ele estendeu a mão e a sereia a pegou.

Ele iria... Oh! Como se atreve?

Bellorie se aproximou de Elin, seu olhar seguindo o mesmo caminho.

— Oh Bonka. Sinto muito.

Não é meu. Nunca foi meu.

— Está tudo bem. De verdade estou bem. Sinto que tenha sido despedida.

Bellorie deu um pequeno sorriso.

— Continua dizendo isto e continuo dizendo que não foi sua culpa. Axel disse que Thane está lutando contra os sentimentos por você e isto o deixa volátil e instável. Axel também disse que temos que tratá-lo como um animal ferido, se quisermos ter alguma esperança de sobrevivência.

— É evidente que Axel é um idiota. Thane não tem sentimentos por mim. Obviamente. — Elin fez um gesto para o lugar justo diante de seus olhos. — Agora cale-se. Estou tentando ouvir a conversa.

— Desde quando é tão mandona? — Bellorie respondeu.

— Desde hoje. Agora, vamos.

Thane e a mulher estavam perto o suficiente para ouvir... passariam por ela a qualquer momento... não poderia atacar. Realmente não poderia atacar. Além disso, depois do Arizona, Elin não tinha certeza de querer lutar mais.

— Eu disse. — A mulher murmurou, balançando o cabelo negro sobre o ombro e dando a Elin um sorriso orgulhoso.

Thane percebeu e parou de repente.

— O que lhe disse? — Perguntou para a sereia.

— Oh... é... — A mulher gaguejou uma resposta, talvez sabendo que não sairia dessa de nenhuma maneira. — Hum. Eu disse algo?

— Vamos, deixe que eu refresque seu problema com a memória. Ela disse que era mais bonita do que eu, e que não teria problemas para colocar suas garras em você. Parece que ela tinha razão. Mas, você não é exatamente um homem com gostos exigentes, verdade?

Um insulto a Thane... e a ela mesma. Oh. Ela faria melhor da próxima da vez.

Ele soltou a mão da sereia, como se acabasse de descobrir que gostava de tomar banho em resíduos tóxicos e disse.

— Tem que ir. Agora.

— Não, eu...

— Não estamos em uma discussão. — Disse. — Saia.

Odiava a audiência. Qual era a sorte agora?

— Com certeza não quer dizer... — A mulher continuou.

— Você desrespeitou minha humana, então vá embora. — Thane disse.

Engraçado, Thane estava a ponto de sair e ter relações sexuais com a sereia, desrespeitando Elin muito mais que meras palavras poderiam.

— Não pode falar com ela desta maneira, — continuou, — entendeu? — Deu a volta gritando. — Isto serve para todos vocês. Esqueçam e morrem.

— Isto serve para você? — Elin murmurou.

Seu olhar voltou para ela e se estreitou. Deu-lhe as costas e se afastou.

 

As emoções escuras de Thane feriam mais firmemente seu coração a cada dia que passava.

Duas semanas atrás, Lucien concordou em localizar a trilha espiritual de Bjorn, na esperança de descobrir cada local que o Enviado visitou ultimamente, mas a trilha era tão retorcida, tão emaranhada, que ele disse, quando se encontraram novamente hoje, que fez pouco progresso.

Malice estava se escondendo em algum lugar, mas Thane não achou nenhum rastro dele.

A língua de Kendra cresceu de volta, e ela começou a chamá-lo de “Meu Escravo” só para lembrar sua posse sobre ele. Ele recorreu à violência. Se Elin descobrisse, ficaria chateada.

Elin... Que estava o evitando.

Thane estava falhando em tudo ultimamente.

Ele pensou que tomar outra amante afundaria seu desejo pela humana, mestiça. Mas quando escolheu a sereia e ela falou com Elin com tal escárnio presunçoso, irritação o subjugou. A sereia era sortuda por ter deixado o clube viva.

Posteriormente, Elin afastou-se dele, despedindo-o, e ele foi para seu apartamento. Só. Ele passeou. Ponderou. E percebeu que ele a desrespeitou de modos que a sereia nunca poderia.

Agora, dias mais tarde, não sabia o que fazer. Ele apenas queria parar de sentir dor.

Ele enviou Adrian para comprar novos uniformes para todas as meninas. Mangas compridas. Abdômen drapejado por pregas extras de material. Calças. Talvez ajudasse. Quanto menos a visse, menos a quereria. Certo?

— Thane Downfall!

Sua sobrancelha enrugou com confusão, enquanto seu sangue aquecia com consciência. Isso soava como a voz de Elin, apenas abafada. E só ela o chamava por aquele nome tolo.

Ele empurrou abertas as portas de seu apartamento, e certo o suficiente, ela estava ali, tentando passar pelos guardas. Excitação e raiva batalharam pela supremacia; ao mesmo tempo, a tensão que crescia dentro dele desde seu primeiro encontro subiu outro nível. Ele precisava de algum tipo de liberação. Logo.

— Algo está errado? — Ele perguntou.

O olhar dela encontrou o dele, só para afastar-se. Com medo dele agora?

Decepção obscureceu a excitação e raiva.

— Sim, — ela disse, — existe algo errado, e eu gostaria de conversar com você sobre isto. Em particular. Se a guarda imperial da sua majestade fosse tão amável em me deixar passar...

Não, não com medo. Lívida. Isto, ele podia lidar. Ele levou-a para o lado de dentro. Quando ela ultrapassou os vampiros e Thane, ele achou-se debruçando até sentir mais de seu odor de cerejas.

Pegando a ação, ela enviou um olhar severo.

Ele caladamente desafiou-a a comentar. Uma desculpa seria uma mentira.

Quando ela estava sentada no sofá, ele disse baixinho para os machos, — Eu direi a vocês só uma vez. Elin não precisa de convite. Quando quiser me ver, deixe-a imediatamente. — Uma concessão que nunca faria a outro.

Uma concessão que não devia ter feito a ela.

Uma concessão que não retiraria.

Ele fechou a porta e enfrentou Elin, então cruzou seus braços acima do tórax. Ele estava sem camisa, e seu olhar seguiu o movimento, demorando nas cordas de sua força. Ela poderia ter lambido seus mamilos, tão forte que fez seu corpo reagir.

— Elin, — ele disse, andando em direção a ela.

Ela piscou rapidamente, e corou.

— Eu pensei que era convidada em lugar de prisioneira, até que descobri que não tenho permissão para partir sem a permissão exaltada da sua majestade, — ela disse, seu tom gotejando aborrecimento.

Ele acalmou-se, não se aproximando o resto da distância.

— No dia que você viu o rei Fênix, eu disse a você que deixar o clube não era mais permitido.

Saltando para seus pés, ela disse, — E isto é exatamente por que eu não quero ficar aqui mais do que o necessário.

Ainda esperando deixá-lo. Não devia esmurrar uma parede. Deve exibir um bocadinho de decoro. Odiando, amando, o modo como seus peitos saltaram com seus movimentos, o modo como sua pele corou para um cor-de-rosa, ele disse, — Eu permitirei a você partir... Se levar uma escolta. E antes de rejeitar a demanda ou reclamar, tente lembrar que você é uma mestiça humana no meio de imortais puro sangue. Você é quebrável. Eles não são.

Suas características suavizaram.

— Eu entendo que está tentando me proteger, e aprecio o esforço, mas estarei com Bellorie. Ela é mais dura que alguns de seus homens.

— Até os soldados mais duros precisam de auxílio, — ele insistiu.

— Eu não me importo. — Um pisar de seu pé. — Eu preciso de uma pausa. Seus homens têm me seguido em todos os lugares. Eu espero um deles entrar repentinamente no banheiro da próxima vez que estiver fazendo meus negócios. Eu não posso suportar isso mais.

Ele correu sua língua acima de seus dentes. — Aonde você quer ir?

— O jogo de dodge-boulder, algumas nuvens acima. Eu faltei aos últimos dois, e isto não é justo para meu time.

— Você vai realmente jogar? Embora não tenha melhorado? — Ele sabia, porque assistiu seu treino em mais de uma ocasião.

Seus olhos estreitaram, mas ela movimentou a cabeça.

— Existirá sangue. Muito sangue.

Ela estremeceu mas disse — Não é grande coisa. As meninas têm trabalhado comigo para me recuperar do medo.

Deveria ter sido eu. Eu deveria ter trabalhado com ela. Ao invés, ele tentou embrulhá-la em uma bolha protetora, percebeu. Ele a evitou, dando seu espaço. Um engano, em ambos os casos. Tempo de corrigir.

— Se você se machucar, eu ficarei muito descontente.

— Eu estou estranhamente certa disto.

Não vendo nenhum outro modo, ele disse, — Muito bem. — Qualquer outra coisa a afastaria completamente. — Eu permitirei a você ir sem uma escolta armada.

Ela iluminou-se, e seu coração realmente saltou uma batida. Menina magnífica.

— Obrigada, Thane.

— Se você permitir que eu estabeleça um vínculo com você, — ele terminou.

O brilho entorpeceu.

— Não. Não quero me ligar com você. Sua majestade, — ela adicionou, só para ser difícil, ele estava certo.

Ele costumava insultar Zacharel desta forma. Seu líder achava isto tão exasperante quanto Thane?

— Você se ligará comigo de qualquer maneira, — ele disse, — de forma que pode me alcançar se existir qualquer dificuldade.

— Eu posso alcançar Xerxes.

A lembrança o irritou. — Você o bloqueia.

Ela deu outro pisão de seu pé.

— Então? O que faz você pensar que não poderei bloquear você, também?

— Diferentemente do meu amigo, eu não deixarei. — Ele passaria por suas proteções se ela tentasse.

Errado da parte dele? Sim. Ia parar? Não. Sua segurança vinha em primeiro lugar. Sempre.

— Minha resposta é não, — ela xingou. Seu amuo adicionou uma cor deliciosa em suas bochechas.

— Isto não é um debate.

— Gah! Você e essa frase. Só para você saber, você é mais que aborrecido.

Alguém estava uma petulante hoje.

Ele se aproximou de seu espaço pessoal, e ela tragou.

— Isto não está acontecendo, — ela disse. — Eu não estou dando permissão.

— Eu não estou perguntando. — Sua proximidade... Seu odor... Sua beleza... Seu temperamento... Era um soco de cobiça depois do outro. Mas... Mais que isto. Ele a admirou. Ela sabia que ele podia destruí-la em um piscar de olhos, e ainda cobrou dele de qualquer maneira, exigindo do seu modo.

Ele colocou suas mãos em suas têmporas, pele tão suave, morna. Ela tencionou no momento do contato, mas ele fechou seus olhos.

— Eu não quero um laço com você, — ela coaxou.

— Elin, — ele disse, sorrindo pela primeira vez em semanas. — Eu posso saborear sua mentira. — E ele nunca esteve tão contente.

Através da conexão de carne contra carne, ele entrou em sua mente. Pegou um flash de memória dela rindo com seu marido. Um macho de altura média, com cabelo escuro, olhos escuros e um rosto classicamente bonito. Seus olhos eram cheios com carinho e ternura.

Então um flash do guerreiro Orson, mãos calosas prendendo seus ombros, a sacudindo.

As imagens queimaram longe, lá por um momento, desaparecidas no próximo, chamas mentais deixando nada além de cinzas. Ela o estava bloqueando. Humana intrépida. Mas estava muito atrasada. O laço estava no lugar.

Thane quebrou o contato e sacudiu de volta, criando distância.

— Se encontrar quaisquer problemas ou ameaças, — ele disse, — só pense em mim. Agarre-me com sua mente como me agarraria com sua mão. Eu farei o resto.

— Eu sei, — ela murmurou. — Xerxes explicou como é feito.

Ciúme o atingiu, e atingiu duro. Ele respirou dentro e fora com lentidão deliberada, esperando acalmar-se. Ele alimentou seus desejos, ao invés. O odor de cerejas despertou sua fome mais profunda.

— Eu vou agora, — ela disse com um tremor, e afastou-se. Ela podia sentir a mudança nele?

— Não ainda. — Ele segurou seus ombros, parando-a. — Existe mais uma coisa que você precisa fazer.

O olhar dela prendeu o dele, e perscrutaram um ao outro, silenciosos, por muito tempo. O ar pareceu espessar, como se andassem em um mormacento rio à meia-noite. Ela começou a arquejar. Suas pupilas dilataram.

Ele alegrou-se.

— O quê? — Ela finalmente perguntou, ofegante. — O que preciso fazer?

— Isto. — Ele a puxou contra seu corpo e a beijou.

Ele não começou suave, e não aliviou. Empurrou sua língua duro e exigiu a entrada. Surpreendida, ou disposta, ela abriu. Ele tomou vantagem completa, empurrando novamente, tomando sua boca do modo que queria tomar seu corpo.

Ela derreteu contra ele e gemeu seu nome. Queria ele. Queria tanto ele. Não podia lutar contra isto. Não queria lutar contra isto mais.

A voz dela flutuou por sua mente, tirando o pouco controle remanescente de Thane. Ele devorou sua boca, chupando e empurrando. Aquecendo em tudo que era Elin. Pequenos gemidos escaparam da garganta dela.

Ele a pegou debaixo das coxas e ergueu, ajustando seu núcleo contra sua ereção.

— Diga-me o que fazer, e eu farei, — ele sussurrou. — Qualquer coisa. — Só não me deixe.

Ela ofegou, como se ouvisse as palavras que ele não falou. Talvez ela ouviu. Ele passou do ponto de se importar. Tudo que importava era o que vinha depois. Suas necessidades e sua habilidade de encontrá-las.

Um momento depois ela parou de beijá-lo. Ele moeu seus dentes. Ela contorceu-se livre de seu aperto, ficou em pé, e andou para longe dele. Ele moeu seus dentes mais forte. Quando a parte de trás dos joelhos dela bateu na mesa de café, ela encontrou seu olhar penetrante. Não era arrependimento o que viu, mas paixão. Ela lambeu seus lábios... E ele começou a ter esperança. Lentamente, tão abençoadamente lento, ela se desnudou da cintura para baixo.

Luxúria como ele nunca conheceu o atingiu, e isso machucou. Mas era o melhor tipo de dor. Ela não estava o deixando.

Ele bebeu em sua beleza, tremendo com a necessidade de tocar.

Firme. Espere pela sua direção.

Olhar coberto, ela se moveu em torno da mesa, sentou sobre o sofá, e lentamente abriu suas pernas. Ela curvou um dedo para ele.

— Venha aqui.

Um escravo disposto, ele diminuiu a distância, empurrando a mesa de café fora do caminho e quebrou suas pernas. Ele ajoelhou na frente dela. Com suas mãos em seus joelhos, ele a forçou a abrir muito mais suas pernas. Lutou para manter a compostura.

Minha. Ela é minha. Isto é meu.

Ele nunca provou uma mulher, não do jeito que estava atualmente pensando. Ele sabia que alguns homens odiavam o ato, e alguns amavam. Ele sabia que alguns toleravam isto da mesma forma que algumas mulheres toleravam sexo, dispostas a fazer um favor ao companheiro, mas não necessariamente apreciando.

Agora, em um torpor, quase desesperado, abastecido por desejo, ele abaixou sua cabeça. Pairou, ainda esperando. — Elin?

— Faça isto. Ponha sua boca em mim.

Ele lentamente a provou. Seus olhos fechados, e saboreou os gostos femininos que imediatamente o drogaram e viciaram.

— Mais, — ele disse. Tomou outro gosto, e outro, até que ele estava lambendo-a... satisfeito.

A respiração dela ficou superficial.

— Sim, — ela gemeu, quadris contorcendo, buscando mais dele. — Não pare. Por favor, não pare.

Preferia morrer.

— Morrer. Sim, eu morrerei se você não me levar todo o caminho.

Ele estendeu as mãos até amassar seus peitos, mas ela pegou uma de suas mãos e chupou um dedo em sua quente, boca doce. Ele sentiu a sucção o caminho todo até seu saco, e empurrou, roçando sua ereção no sofá. Quando ele a lambeu da próxima vez, estava frenético, sacudindo a ponta de sua língua acima do pequeno pacote de nervos em seu ápice, novamente, e ela gritou.

— Mais, — ela disse, e o chupou mais duro.

Ele deslizou mais abaixo, para sua entrada, e apunhalou sua língua dentro e fora, dentro e fora, imitando os movimentos de sexo. Ele estava tão duro que temeu explodir a qualquer segundo.

— Thane. — Ela ancorou seus pés na extremidade do sofá e ondulou contra sua boca. Ele retornou ao pacote de nervos, sacudindo, sacudindo, e deslizou dois dedos bem fundo nela. Ela estava tão morna e molhada que o deslizamento era fácil. — Sim!

Minha mulher gosta disto. Ele a chupou, usando o mesmo ritmo que seus dedos, e ela começou a resistir contra ele. Mais rápido e mais rápido. Os sons que ela fez ficaram incompreensíveis. Era absurdamente requintado... Até que ela o agarrou pelo cabelo e gritou seu nome, suas paredes internas apertando-o.

Ele estava ainda beijando-a quando seu corpo parou de contrair. Ainda a beijando quando ela caiu contra o sofá, gasta e desossada.

Ainda a beijando quando ela parou de chupar seu dedo e deu a ele um pequeno empurrão.

Entretanto ele não tinha acabado com ela e ergueu sua cabeça. Enquanto ela olhava, ele lambeu sua boca, pegando o resto de sua essência. Nada foi deixado para trás. Cada pequeno pedaço era uma recompensa.

Ela se endireitou. A expressão brilhante com satisfação, alcançou e esfregou sua palma acima de seu eixo dolorido.

Ele quase derramou-se. Definitivamente gemeu.

— Mais duro.

— Não. Eu vou deixar você assim, — ela andrajosamente sussurrou, — e você não vai fazer nada sobre isto. Este é seu castigo por mandar-me embora.

Castigo. Dor.

Mas do melhor tipo...

Ele não seria ferido. Ela não seria ferida. A culpabilidade nunca entraria na equação.

Era... Perfeito.

Ele movimentou a cabeça devagar, ávido por jogar seu jogo.

— Eu não tocarei isto.

Ela colocou um beijo suave em seus lábios.

— Talvez eu te veja depois.

— Conte com isto. — Ela levantou-se, andando ao redor dele, e se vestiu antes de deixar o quarto sem outra palavra.

 

Elin permaneceu atrás da linha “fora-dos-limites” e tentou não tremer. As Fang Bangers esperavam do outro lado da quadra, prontas para o tiro e sinal do início do jogo. O time era composto por seis mulheres, com duas substitutas nas linhas secundárias. Cada uma era uma vampira.

— Ei, hemoglobinas, — Savy chamou. — Como se sentem ao saber que estarão deixando o ginásio em pedaços?

Cada membro do Fang Bangers silvou para ela. Uma até rosnou, — Vá em frente e comece a cantar, passarinho gordo. Este jogo já acabou.

Entre os dois times estavam seis pedregulhos enormes que Elin nunca poderia erguer. Thane estava certo. Ela não melhorou.

Por que eu estou aqui?

Resposta: Porque as meninas pediram, e ela não podia dizer não.

As “regras” correram por sua mente.

A primeira regra de dodge boulder: Não existia regra. Brincadeira! Se um pedregulho era lançado nela, e ela pegasse, o arremessador era eliminado, mas não existia essa coisa de jogada ilegal. Alguém podia acertá-la na cabeça ou virilha, e ela estaria fora. Literalmente. Fazer alguém experimentar uma morte física por cinco segundos ou mais adicionava dez pontos na pontuação; imortais reviviam. Não havia pausa[11] (diferente dos ossos) e nenhum intervalo. Nenhuma bandeira de penalidade. O jogo duraria até que um time inteiro estivesse fora.

Basicamente, era queimada em uma dieta fixa de esteroides e hormônio de crescimento.

Isto vai doer, muito.

Boom!

No ataque de abertura, cada jogador convergiu para o centro da quadra de basquetebol para reivindicar um pedregulho. Exceto Elin. Tenho que jogar com as minhas forças. Em resumo, sobreviver. Evitar projéteis de quatrocentos quilos equivale a sobrevivência. Ela hesitou e esperou.

Seu coração martelou em um ritmo selvagem, e suor gotejou abaixo por sua coluna. Altos aplausos arranharam por suas orelhas. As quadras circundantes estavam lotadas em sua capacidade com imortais de toda espécie, um mar de rostos sorrindo com prazer. Todo mundo estava espumando pela boca, ávidos por testemunhar a primeira pancada.

Por um momento, Elin pensou que sentiu o olhar de Thane nela. Só ele podia aquecer sua pele com um olhar, derreter seus ossos e fazê-la tremer. Mas não havia maneira de ele vir aqui para assistir ela jogar. Não depois que ela tomou seu prazer e o deixou sem o dele, duro e desesperado. Ela só pensou... Esperou... Bem, não importava agora. Ele estava provavelmente conferindo. A sensação de ser visualmente acariciada devia ter se originado de sua nova conexão. Uma conexão que ela não queria! Ela já estava muito ciente dele. Precisava de distância, não uma corrente que os ligasse.

Se concentre.

Boa ideia, e não muito cedo. Um dos pedregulhos agiu como um míssil guiado por calor, indo diretamente para ela. Elin girou para fora de seu caminho no último segundo, apenas evitando um encontro com seus órgãos internos.

Bellorie correu passando por ela, uma pedra de prata enorme agarrada em seu peito.

— O Plano Machucar Algumas Vadias, Bonka Donk! Vai!

Isso estava certo. Plano A: Fique perto de Bellorie, mas não tão perto que Elin fosse escondida. Insultar e importunar os outros jogadores, aumentando sua ira, e assim fazendo-os esquecer de que a Harpia estava perto.

Enquanto Elin se aproximava da esquerda de Bellorie, Chanel lançou um pedregulho em uma das vampiras, batendo a menina na mandíbula. O impacto a lançou abaixo, e ela foi incapaz de pegar a pedra antes de bater no chão. Sangue jorrou de sua boca agora disforme.

Náusea bateu no estômago de Elin, mas ela de alguma maneira conseguiu respirar através disto. Ela não mentiu para Thane. As meninas tinham trabalhado com ela para ajudar a superar seu medo. Mas “trabalhado com ela” queria dizer que conversaram sobre isso ininterruptamente, enquanto se revezavam cortando suas mãos, e empurrando o carmesim que minava em seu rosto. Terapia de imersão, elas chamaram isto.

Enquanto ela assistia seus ferimentos curarem, percebeu que sangue não estava sempre acompanhado por dor e morte. O sangue podia ser... vida.

Eu posso fazer isto. Elin abriu seus braços para parecer um alvo maior e chamou, — Ei, vampira. Você é tão feia, que o doutor bateu em sua mãe no dia que você nasceu. — Certo, não era o melhor insulto, mas funcionou.

— Minha mãe é magnífica! — A vampira mostrou longas e afiadas presas antes de jogar uma pedra nela. Quando Elin abaixou, Bellorie lançou sua própria pedra, pegando a menina no ombro. Fora!

Sorrindo, Bellorie deu a Elin um bater de mãos.

Certo, isto estava ficando divertido.

Depois que tiraram outra jogadora na mesma maneira, só quatro restando, o Fang Bangers compreendeu e decidiu tirar Elin para sempre. Um pedregulho após o outro foi lançado na sua direção. Nossa! Não havia maneira de evitar todos eles. Então lá estava Octavia, a pegadora. Chanel estava lá, pegando outro. Bellorie e Savy estavam muito longe. A última pedra estava se aproximando rápido...

Ela tinha uma escolha. Evadir e manter o jogo indo. Ou capturar, e terminá-lo, assegurando a vitória.

Ela abriu seus braços, e...

Crack. O corpo de Elin deslizou para trás enquanto seu esterno e costelas gritavam. Ela perdeu a respiração. Oh, a dor! Pegar foi um erro. Um erro enorme.

Quando ela se acalmou, tentou focar. Estrelas nadaram por sua vista.

A multidão estava assustadoramente quieta.

Então uma bomba de celebração detonou, e aplausos estouraram.

— Você conseguiu! — Bellorie gritou.

Quer dizer... Elas ganharam, ela percebeu. Elas realmente ganharam! Adrenalina bombeou, entorpecendo a dor.

As meninas puxaram o pedregulho de seu aperto kung-fu e a empurraram em pé. Ela estremeceu quando a abraçaram e beijaram, e ergueram acima de suas cabeças.

Uma sensação de triunfo a inundou. Triunfo e alívio. Ela ajudou suas amigas. E elas realmente eram. Eram suas amigas. Ela não era uma desamparada. Não era considerada uma escrava humilde. Era uma igual, e gostavam dela.

Rindo, indiferente sobre a picadura em seu tórax, ela lançou seus braços no ar. Então achou-se olhando o familiar olhar cristalino de um espectador e perdeu sua respiração de novo. Thane veio para seu jogo. E estava sorrindo, aquelas covinhas deliciosas em exibição completa.

 

Elin bebeu outro gole de “Legspreader.” Assim era como Bellorie chamava a bebida, de qualquer forma. Era doce a princípio, mas tinha um sabor amargo depois e oh, uau, tinha um soco de grande alcance. Como uma pedra, pensou com um sorriso.

Depois de comprovar e declarar que o esterno e suas costelas não se quebraram em mil pedacinhos, as garotas a levaram ao Inferno, a maior concorrente da boate de Thane para celebrar sua vitória.

— Por minha causa. — Ela gritou entre risadas.

Ao seu lado Bellorie virou os olhos.

Música golpeava o ar. As luzes estavam apagadas, criando uma atmosfera sombria. A fumaça flutuava e os corpos... dançavam. Elin se uniu a eles, mas estava neste momento muito enjoada e o chão branco e negro não estava ajudando.

Bellorie deu umas palmadinhas no ombro e apesar de quase sentir-se adormecer, Elin fez uma careta. Seu esterno e costelas não estavam quebrados, mas havia um hematoma enorme no peito.

Enorme. Como o pênis de Thane.

Ela soltou uma risada.

Talvez tivesse que admitir que viu Thane Jr. no acampamento das Fênix e que como algumas heroínas das novelas românticas que gostava de ler, não acreditava que pudesse encaixar dentro dela. Logo se determinou a provar que o faria e que poderia finalmente ter seu mau caminho com ele.

Brilhante!

Porque, ali estava, a todo vapor. Tinham química. Do tipo que causava explosões. Ela não tinha ideia do porquê um elemento reagia a outro e não se importava. Apenas acontecia. Estava lutando uma batalha perdida. Ela o queria. Ele a queria. Porque realmente não provar uma grande relação sexual?

Como ele disse. Bay lhe diria para seguir adiante e ser feliz.

De alguma maneira, o toque de Thane a deixava feliz.

— Estou tão orgulhosa de você, Bonka Donk. — Disse Bellorie.

— Eu também. — Ela respondeu com um movimento de cabeça. — Foi o melhor plano do mundo.

— Plano?

— Sim. Inclusive talvez, como estou hoje, possa montar o gigante.

— Você está tão estranha.

— Obrigada.

— De nada. — Disse Bellorie com um movimento de cabeça que a deixou mais enjoada.

Thane era super fácil de seduzir. Nem sequer estava irritado com ela! Deve ter entendido que ela esperava que ao deixá-lo aceso — pudesse lidar com cada uma de suas necessidades, inclusive as mais obscuras, sem realmente machucar a ele ou a si própria. Ele negando essas necessidades ou não.

— Na temporada passada, perdemos para as Grandes Fritadeiras, um time de Fênix. — Disse Savy. As garotas estavam em pé ao redor de uma mesa circular pequena. — As damas caíram fora da liga devido a um medo de aposta, o que é realmente ridículo, porque teria sido uma revanche genial. Com Elin como isca, poderíamos ter roubado sua vitória, e seus namorados.

— Woo-hoo.

— Bom, jogaremos na próxima com os Enviados. — Disse Chanel movendo o cabelo pelo ombro. — Os Bate-Bate fazem parte do exército de Thane. E nunca inicie uma conversa com eles. Vão dizer que são os Bate-Bate e pensarão que são graciosos dizendo que estão ali para foder as garotas. Realmente vamos foder com eles.

— Vou jogar de acordo com as regras da prisão. — Disse Octavia, levantando seu copo.

Hum.

— Não vamos ter problemas com Thane por vencer seus homens?

As garotas gritaram de alegria e ela franziu o cenho. Fez uma pergunta séria. Não fez?

— Infernos, sim, vamos vencê-los. — Savy gritou, bebendo outro gole. — Vão sofrer tanto!

Esta seria a primeira parte da conversa que teria com Thane, pensou Elin. Exatamente o que precisava para dar inicio a uma discussão sobre seu pênis. Ela fechou os olhos, concentrando-se e mentalmente se aproximou dele.

Vai apostar nas Scorgarms quando massacrarem os Bate-Bate?

Silêncio.

E se falhasse?

Olá Kulta. Sua voz era puro erotismo sussurrando através dela, tocando cada célula. Ela gritou. Está bebendo para comemorar sua vitória?

Sim.

E quantos já tomou?

Apenas dezesseis. Não grandes. Na universidade, podia beber mais que qualquer um. Assim... onde você está e o que está fazendo? Uma pergunta melhor: o que está vestindo?

Eu estava lutando com demônios. Agora estou no ar voando. E estou usando uma túnica.

Túnicas são para garotas.

De acordo. Você deve usar uma de agora em diante. Eu gosto do fácil acesso à minhas partes favoritas.

Calor líquido se agrupou entre suas pernas.

Posso fazer uma pergunta?

Você acaba de fazer. Respondeu.

Ha. Ha.

Pergunte.

Ela... esqueceu o que havia planejado dizer. Assim, foi pelo que queria perguntar durante duas semanas. Porque Adrian não pode tocar uma mulher?

Porque te importa? Desta vez seu tom estava mais afiado.

Apenas curiosidade.

Para contê-lo. Ele matou suas duas últimas amantes.

Oh. Que merda.

Bastante.

Assim que... porque as matou? Como?

Ele é muito forte. Foi um golpe acidental.

Nas duas vezes?

— Elin? — Disse Bellorie com um tom estranho. — Tem que me ouvir.

— Ainda não. — Murmurou. As coisas estavam ficando interessante.

— Agora.

Um momento. Disse para Thane, finalmente se lembrando sobre o que queria falar com ele. Mas não suma, porque tenho uma revelação muito importante sobre seu pênis.

No principio ele não deu resposta alguma. Logo com uma voz rouca. Ainda estou dolorido, kulta. Vai fazer algo a respeito?

Sim! Mas tudo o que disse foi: O tempo dirá.

Tentadora.

Não tenho certeza do que aconteceu, mas sim.

Outra pausa antes de dizer. Eu gosto.

Negar a necessidade era como ignorar um blues. Elin piscou abrindo os olhos e olhou para sua amiga.

A expressão de Bellorie se registrou e ela franziu o cenho. A garota parecia... apagada. Relaxada sim, mas também sem emoções enquanto saudava um homem em pé ao seu lado. Era alto e forte, cheio de músculos e bom, era muito bonito. No entanto, milhares de pequenas serpentes deslizavam por seu pescoço desde o couro cabeludo, como mechas de cabelo...

— Tem que dançar com ele. — Bellorie disse.

Elin. Thane disse exasperado e ela sobressaltou-se.

Ela estendeu seu dedo índice para Bellorie e o homem. — Um momento.

Uma pergunta. Disse para Thane. Que tipo de criatura tem serpentes na cabeça?

Górgona.

Oh, é verdade. Mamãe me falou. Mas as górgonas não são todas fêmeas?

Parcialmente. Mas a cada século, um novo macho nasce. Ele se converte em rei. Porque?

Bom, acho que estou vendo um pretendente para a coroa este ano.

Tem que se afastar dele. Thane disse com voz plana. Imediatamente.

Porque? Sua mãe lhe disse... o que? Que as górgonas machos exerciam algum tipo de poder especial? Sim! Isto mesmo. Mas, que poder? Será que... hipnose?

— Elin. — Disse Bellorie novamente. — Você tem que dançar com ele.

Sim, definitivamente hipnose. Sua amiga estava em transe e quando Elin encontrou o olhar da górgona, com a intenção de dizer para ir embora, bloqueou sua mente.

— Mulher. Dançar, Agora. — Disse com uma voz baixa e tranquila. Formidável a maneira como a deixou indefesa.

Indefesa? Não. Eu não. Mas não podia afastar o olhar dele, não podia pensar em nada além dele... e seus braços ao redor dela. Seus olhos eram dourados, com pontinhos de cor esmeralda. Eram olhos lindos. Olhos estranhos. Suas pupilas não eram mais que uma fina linha negra que se estendia desde a parte superior de sua íris.

E as serpentes... concentravam-se neste momento nela, olhando através de sua pele, músculo e sua alma.

Ela...

Dançar. Sim, pensou, enquanto cada músculo de seu corpo ficava relaxado. Era uma ideia incrível.

O homem a conduziu até a pista de dança. Braços grandes se envolveram ao redor dela, tal como imaginou, guiando-a em seu domínio sensual. O cheiro de sândalo flutuou até seu nariz. Era agradável, mas... ruim.

Tudo estava errado.

— Beije-me. — O górgona ordenou.

— Não, eu...

— Você vai me beijar. — Ele e suas serpentes ficaram olhando-a.

— Não. — Ela disse outra vez. Ou tentou. Não podia fazer seus lábios funcionarem.

A boca se apertou contra a dela e ela ficou rígida. Ele levantou a cabeça para olhá-la novamente.

— Você vai gostar.

Quando ele se abaixou para outro beijo, ela de alguma maneira encontrou força para lhe dar as costas. Não se sentia atraída por este homem. Sentia-se?

A música parou abruptamente. A risada e a conversa morreram. O silêncio reinou. A medida que a multidão se afastava rapidamente, o górgona endireitou-se, ampliando a distância entre eles. Ele e suas serpentes por fim afastaram o olhar e Elin balançou a consciência, sua mente de repente girando com apenas uma pergunta.

O que... Oh merda.

Thane caminhava entre o centro da multidão e seus joelhos se dobraram quase com alivio e de forma instantânea com inegável excitação. O homem de suas fantasias em carne e osso e cada desejo jamais experimentado vinha correndo atrás. Beijar. Tocar. Sentir.

Devorar.

Mas ele se concentrava no górgona, uma fúria assassina palpitante nele. Quando os dois homens ficaram a poucos centímetros de distância, Thane não se incomodou com palavras. Puxou Elin para trás dele e golpeou o górgona.

Ela ficou sem fôlego ante a pura exibição de violência, mas não estava horrorizada. Estava, assim, sentindo uma espécie de excitação.

A criatura caiu no chão e Thane saltou sobre ele, agachado sobre os ombros mantendo-o abaixo.

Logo Thane bateu como se fosse um martelo sobre a cabeça do homem, lançando golpes selvagens um atrás do outro.

A górgona nunca conseguiu contra-atacar. Ou se defender. Thane golpeou até que ele desmaiou.

— Thane. — Disse Elin, surpresa com o tom de voz rouco. Uma voz que de alguma maneira penetrou em sua ira. — Esqueça. Concentre-se em mim. Preciso de você.

Ele parou bruscamente, ficou em pé e voltou-se para ela.

Doce misericórdia. Sua expressão era pura agressão. Cruzou os braços no peito, um movimento agressivo. Apoiou as pernas separadas, uma postura agressiva. Mas ao menos o sangue em sua pele e manto desapareceu.

— Precisa de mim? — Seu tom era mais agressivo. Era hedonista. Praticamente um convite. Um que aceitaria.

Elin se lançou em seus braços e envolveu as pernas ao redor de sua cintura.

— Você é um bárbaro. Vamos. — Disse. E talvez seu novo apelido deveria ser Octomãos, porque suas mãos estavam em toda parte, em suas asas, acariciando as plumas, a parte suave por baixo. — Você só fica parado aí, bonito, que farei o resto do trabalho.

— Hum, Elin. — Disse Bellorie, aproximando-se. — É possível que queira fechar seus lábios. Sua boca está fazendo promessas que seu corpo não vai querer esperar.

— O que ela bebeu? — Perguntou Thane, seus lábios se levantando nos cantos.

— Legspreader. — Ela e Bellorie responderam juntas.

Seu olhar nunca a abandonou e agora estava mais intenso.

— Nunca irá beber isto outra vez, a não ser que esteja comigo.

— Porque me deixa alta? — Perguntou ela, aproximando-se para morder o lóbulo de sua orelha.

— E mandona. Mas gosto deste seu lado. Gosto de todos os seus lados.

— Meu doce homem. Inclusive o lado Fênix?

Ele ficou tenso.

Resposta: não. Não vou me deixar mais ser ferida por isso. Passos de bebê.

Beijou a concha de seu ouvido e sussurrou: — Acho que há algo que queria me dizer sobre meu pênis.

Perdida em um mundo de êxtase onde apenas existia Thane, admitiu: — Bom, pensei muito nisso hoje. — Ela brincou com as pontas de seu cabelo. — Eu o vi enquanto estávamos no acampamento, e enquanto estávamos na banheira juntos, e é tão grande, e é perfurado, e quero passar a língua por ele e você me jurou que podia, e nunca mente e, oh estou louca novamente, não?

— Com certeza. — Murmurou. — Vamos para casa.

Lançou-se no ar e a parte inferior de seu estomago se contorceu. Elevou-se através do edifício! Então para o céu, ela se aferrando com força em seu peito. Estrelas brilharam, piscando como um mar de veludo negro. E a lua... a luz perfeita para uma festa em todo o mundo.

— Magnífico. — Disse.

— Sim. Mas quero que me olhe. — Ordenou e ela não pode deixar de obedecer. — Um humano pode morrer depois de dezesseis Legspreaders. Nunca mais beba tanto.

Com mechas do cabelo tocando seu rosto, ela roçou o nariz contra ele. — Suponho que minha outra metade foi muito útil hoje, não?

Ele a olhou.

— Bem, como seja. Nunca mais vou beber tanto.

Ele acariciou seu pescoço, soltando um gemido mais profundo. — Boa garota.

Fechou os olhos enquanto saboreava as sensações. — Mmm, isso parece incrível.

— Meus lábios ou o de qualquer um esta noite?

— Os seus. Apenas os seus. Quantas vezes tenho que dizer?

— Quantas forem necessárias. — Ele chupou o golpe suave de seu pulso e uma onda de prazer quase insuportável disparou através dela. — Górgonas podem hipnotizar com um olhar. Nunca volte a olhar um nos olhos.

Levou um momento para olhar além de seu desejo e concentrar-se em suas palavras. — Mas você o fez. Olhou-o nos olhos.

— Minha mente não está... bem.

— O que quer dizer?

Suspirou. — Você mesmo disse. Está cheia de ervas daninhas. Não tanto como antes, mas algumas ainda estão ali. Depois de Kendra...

— Oh... oh Thane.

— Estou mais vigilante que nunca, o que significa que será difícil alguém me hipnotizar. Mas de alguma maneira. — Acrescentou em voz baixa. — Pode ser feito.

Ela segurou sua mandíbula e o obrigou a olhar em seus olhos. — Outra declaração romântica. O que farei contigo, docinho?

— Sei o que eu gostaria de fazer. — Murmurou.

— Implica rodar nus?

— Muitas vezes. Mas, Elin? Em espírito de honestidade, tenho que te advertir. Não sou romântico.

— É uma piada? Várias vezes me enviou livros, flores e os chocolates. E o cartão! Lembra-se do cartão? Quase morro de sobrecarga romântica quando o leio.

Parecia juvenil e tímido quando perguntou. — Uma sobrecarga romântica é algo bom?

Seu coração se encolheu. — Muito. É como um desfile do Dia dos Namorados em meu coração.

Endireitando-se, manteve-se aconchegada a ele. — Nós estamos aqui. — Um segundo mais tarde, pousou no teto suavemente, com apenas uma sacudida.

— Para seu quarto! — Ordenou.

Avançou em um bom ritmo, sem passar pelos vampiros e as portas duplas. O corredor parecia estender-se por quilômetros, mas finalmente entrou em seu apartamento... e o ambiente árido para o qual a levou da última vez.

Ela fez beicinho.

— Porque continua me trazendo aqui? Não sou boa o suficiente para seu quarto de luxo?

— Boa o suficiente? — Ternamente a colocou sobre o colchão. — Elin, aquele quarto não é bom o suficiente para você. Este é meu quarto e nunca compartilhei com ninguém.

— Oh. — Ele apenas lhe deu a melhor. Resposta. Sempre. — Eu sou especial então?

— Além. — Ele ficou ao seu lado e colocou uma mecha de cabelo atrás de sua orelha. — Você me desperta, me diverte, me irrita, desafia e não mencionei que me excita?

Ela quase se derreteu. Quase.

— Mas posso te satisfazer? — Perguntou, colocando todos seus temores ali. — O que faz com elas, suas amantes? Além de algemá-las e suponho bater nelas.

Uma máscara em branco cobriu seu rosto.

— Seja especifica com suas perguntas.

— Você bate nelas?

— Sim. Já o fiz. Às vezes.

— E isto te excita?

— Excitava. Tempo passado. Acho que aliviava algo em mim e isso me excitava.

— Mas não poderia bater em outros homens em seu lugar? Assim como fez com o górgona?

— Sim. Sou um lutador experiente e gosto disto também, mas vem com um tipo diferente de satisfação. Uma versão silenciosa, como provar uma torta, que alguém que não seja você, fez e comer a coisa toda. Mais que isso, sei que pode me colocar em problemas. Meus oponentes tendem a... morrer.

Oh.

— Sim. Isso é melhor evitar. Assim que... vai se meter em problemas por causa do górgona?

— Não. Ele vai sobreviver. Eu acho.

Bom. Mas vamos voltar ao que realmente interessa.

— Você as mutila?

Seu corpo ficou tenso, como uma corda esticada.

— Nada permanente. — Admitiu em voz baixa.

Assim que, sim. Ele o fazia. Mas porque eram imortais, se curavam.

— Perdoe minha curiosidade. Estou tendo dificuldades para compreender o prazer com a dor. — Quando Elin tentou conquistar sua confiança estava disposta a deixar Thane a machucar e realmente não esperava sentir prazer. — Especialmente quando nasce de uma dor irritada.

— Eu não estava irritado quando o fiz.

— Não concordo. Acho que o fez porque estava fervendo de raiva por algo.

Ele franziu o cenho.

— Mas nós não temos que falar sobre isso agora. — Apressou-se em dizer. — Estou mais interessada em se ou não seus desejos mudaram novamente. Neste momento, quer me machucar?

Seu alivio era palpável, sua determinação tão forte que vibrava por ele.

— Não.

— Quer me algemar?

— Não.

— Mas não faz muito tempo, queria fazer isto com a sereia.

A culpa substituiu o alivio em seus olhos.

— Eu mesmo o procurei. Realmente o fiz. O passado está colidindo com o presente, tentando bagunçar meu futuro. — Respirou. — Ela foi meu último esforço para te esquecer e sinto muito por como levei as coisas até agora. Mas juro, não a queria e nada disso voltará a acontecer. Você é a única mulher que eu desejo.

Se ele não parasse, iria cair sobre seu encanto. Sentindo-se repentinamente tímida, ela brincou com a barra de sua roupa.

— Então, o que quer fazer comigo?

— Amanhã vou te mostrar. — Disse, promessa em sua voz.

Ela tentou puxá-lo para um beijo. — Mostre-me agora, também.

Resistindo ele afastou-se suavemente. — Não, kulta. Não agora.

Mas... porque não? Para deixá-la com fome, da forma como o deixou?

— Apenas temos um tempo limitado juntos e quero tirar o máximo proveito de cada segundo dele.

Ele ficou imóvel, nem sequer parecia respirar.

— Um tempo limitado?

— Sim. Lembra que me darão uma nova identidade, e vou voltar ao mundo humano, onde vou ter uma vida semi-humana. Inclusive tenho novas metas! Abandonei meu plano de uma padaria, porque de verdade, nunca iria funcionar e agora planejo ajudar os demais, os meio alguma coisa como eu. Ninguém voltará a ser não desejado novamente. — Seria uma lenda... pelo menos esperava ser.

Então porque esta sensação de depressão sobre meus ombros?

Não. Era apenas imaginação mergulhada no álcool.

— Você não está considerando ficar comigo? — Perguntou em voz baixa.

— Não, mas vou considerar devorar você. — Respondeu ela, tentando novamente puxá-lo para ela.

Seus olhos brilhavam com uma estranha mistura de raiva e anseio, uma vez mais resistiu. — Precisa descansar, kulta.

O sentimento de depressão se arraigou e cresceu. Se ele a desejava sequer metade do que ela o desejava, estaria dentro dela neste momento.

— Thane.

— Não vou tomá-la assim. Durma Elin. — Ordenou e afastou-se, a deixando sozinha.

 

Elin sentou com uma sacudida. Desorientada, esquadrinhou o ambiente. Quarto espaçoso, paredes estéreis. Uma janela com brilhante luz matutina atravessando. Muito pouca mobília. Uma cama... vazia, com exceção dela.

Quarto de Thane. Um que ele nunca compartilhou com outra fêmea. E aparentemente não compartilhou realmente com ela. Onde ele estava?

Memórias de seu comportamento bêbado voltaram depressa, e ela gemeu, enterrando sua cabeça nas mãos. Ela pediu a Thane para ser seu amante, e ele concordou. Não é? Entretanto, a deixou, dizendo que se recusava a tomá-la, raiva claramente o direcionando.

Ele ainda a queria?

Talvez não. Ela ainda o queria?

Ela relembrou seus olhos ardentes e seu sorriso mau. Aquelas asas gloriosas. Aqueles abdominais completamente quentes. O telão.

E não teve que atormentar seu cérebro por seus outros atributos admiráveis. Força. Doçura que parecia ser reservada para ela, e apenas ela. Inteligência. Desenvoltura. Instintos protetores. Uma vulnerabilidade que ele tentou esconder, mas não podia. Uma selvageria feroz dentro e fora do campo de batalha.

Então, ela realmente precisava pensar sobre isto? Não.

Elin ainda queria Thane. Muito.

Determinada a achá-lo, ela jogou suas pernas acima do colchão e levantou-se. A firmeza não era um problema. Nenhuma vez, em todos os seus anos, ela já experimentou uma ressaca. Não importava quanto bebesse. Além de uma leve pontada em suas têmporas, ela estava bem hoje, também. Ela arrastou-se para o banheiro, onde planejava lavar o medo de ontem à noite, e desnudou-se. Thane devia ter antecipado suas necessidades porque deixou uma escova de dente, sabão e artigos de toalete, como também roupa limpa que ele deve ter tirado de seu quarto.

Ele pessoalmente escolheu os artigos ou enviou outra pessoa para fazer isto?

Depois de um chuveiro rápido e secar rapidamente, ela enfiou-se nas roupas. Uma camiseta branca, formando par com calça jeans abraçando o quadril e um conjunto combinando de sutiã e calcinha. Vermelho, forrado de renda. Bem, ela agora tinha a resposta para sua pergunta. Thane escolheu. A cor brilhante do sutiã aparecia através da camisa, algo que um homem não teria considerado. Ou talvez ele escolheu adequadamente, por aquela razão exata.

— Por que você se vestiu?

A voz esfumaçada veio por trás ela. Com o sangue aquecendo, ela girou rapidamente. Seu coração quase parou. Thane estava na entrada, uma torre de beleza e ameaça. Espere, ameaça? Sim, ela percebeu. Um fogo ardia em seus olhos, evidência de um temperamento irritado.

Ela não tinha medo.

Suas bonitas asas brancas-e-ouro estavam dobradas em suas costas, uma tremeluzente bata drapejando seu corpo musculoso. Seus cachos loiros esticados em pontas, como se ele tivesse passado suas mãos de novo e de novo.

— Você... — Ela disse, tremores de desejo a percorrendo. — As roupas eram...

— Para mais tarde. Depois.

Seu coração acelerou em uma batida muito rápida.

— Mas você me recusou ontem à noite.

— Você estava bêbada, e este não é o modo que quero você. Tire, — ele suavemente ordenou.

Doce fantasia. Ele não estava bravo. Ele fervia com necessidade sexual.

Mas... Mas... Isto ia acontecer agora?

— Eu, — ela começou, insegura do que planejava dizer.

Aparentemente era o suficiente. Ele andou em sua direção, todo predador. Pela primeira vez, ela tinha muito prazer em ser a presa. A boca dele colidiu contra a sua, sua língua empurrando dentro com uma intensidade selvagem que a levou de ferver à ebulição em uma única batida do coração.

Sua mente sincronizou com seu corpo. Sim, isto estava acontecendo. Não, não iam parar dessa vez. Eles percorreriam o caminho todo. Seria selvagem, grosseiro, e animalesco.

— Eu disse a você que não a machucaria, e não irei. — Ele beliscou um caminho para seu pescoço, sua respiração morna e sua língua quente. — Mas não posso ser gentil, Elin. Não desta vez. Estou muito desesperado. Esperei muito tempo. Por semanas pensei sobre como tomaria você, como você sentiria e pareceria e soaria. E ontem à noite foi o pior. Ou o melhor. Eu preciso estar dentro de você. — Enquanto falava, caminhava adiante, persuadindo-a atrás até que ela bateu na parede do banheiro.

Tijolo atrás dela, uma montanha de músculo na frente.

— Eu não quero gentil. — Ela enrolou seus braços ao redor dele, seus dedos emaranharam em seu cabelo. — Eu só quero você.

— Então você me terá. — Ele arrancou a cintura de sua calça jeans. O tecido foi abaixo. — Saia deles.

Ar frio acariciou sua pele à medida que ela obedecia.

Um homem em uma missão, ele se endireitou e arrancou a camisa por cima de sua cabeça. Com alguns movimentos de seu pulso, teve um bocado espesso de seu cabelo embrulhado ao redor de seu punho, balançando sua cabeça. Reivindicou seus lábios.

Ela suspeitava que seu controle puxava uma coleira bastante fina. Ele nunca a tinha dominado tão intensamente, mas ela percebeu que não se importava. Realmente apreciava isto. Mais que apreciava. Tensão serpenteou fundo em sua barriga, pronta para pular a qualquer momento.

— Thane, — ela ofegou, e quando ele a mordeu suavemente, outro relâmpago de prazer a atravessou.

Como pode apreciar isto? Como pode trair Bay?

Surpresa a fez se esquivar do beijo de Thane. A culpa tentou inundá-la, mas ela resistiu. De onde aqueles pensamentos vinham?

— Eu sinto muito. Eu sinto muito. É apenas...

Ele segurou sua mandíbula. — Olhe para mim, kulta.

Lutando para respirar, ela encontrou seu olhar. O desejo aguçou suas feições, cobriu seus olhos e avermelhou seus lábios inchados pelos beijos.

— É só você e eu. Aqui e agora. Neste momento.

Está certo. Não existia quarto para emoções não desejadas.

— Aí está você, — ele disse, e abaixou sua cabeça. Desta vez, apesar de sua advertência, apesar de sua pretensão de querer o contrário, ele foi gentil, aliviando-a na paixão. Sua língua rolou contra a dela, saboreando-a, subjugando-a. Ela derreteu contra ele, os ossos de repente suaves e líquidos.

— Com quem você está? — Ele perguntou.

— Você. Thane.

— Está certa.

Ela traçou os dedos acima do arco de suas asas. Ele balançou as pontas em direção a ela e acariciou suas panturrilhas. Atormentando-a. Fazendo-a doer. Necessidade a subjugou. Arrepios apareceram inesperadamente por sua pele.

Ele sustentou seus seios, amassou. Seus mamilos frisaram quando ele bateu com os polegares.

— Thane. — A sedução preguiçosa era quase mais do que podia aguentar. — Tire a bata. Eu tenho que ter pele contra pele.

Sua urgência devia ser contagiante; ele respondeu depressa, empurrando o colarinho da bata. O material escancarou-se de seu corpo e deslizou para o chão, deixando-o completamente nu.

Oh, abençoe-me. Ele era totalmente magnífico. As ondulações e cordas de músculos eram bronzeadas à perfeição. A largura majestosa de seus ombros a fez se sentir abrigada, protegida. E seu eixo não estava perfurado só em um lugar, ela percebeu com assombro, mas em doze lugares. As barras de prata formavam uma linha gloriosa da cabeça até a base.

— Você não vai caber, — ela falou grosseiramente, e quase sorriu. Quase.

— Eu caberei, — ele disse, determinado.

 

Thane se aqueceu na admiração e temor que brilhavam nos olhos de Elin, e nos pensamentos reverentes que podia ouvir. Magnífico. Perfeição. Majestoso. Glorioso.

Só alguns sussurros aquecidos os separavam quando encontrou a leitura dela com a dele próprio. Sua beleza nunca falhou em surpreendê-lo, mas não era o que alimentava seu desejo. Era ela. Tudo que ela era. Sua necessidade não mais girava em torno do que, mas de quem. Ele precisava do toque dela. Seu gosto. Seus gemidos sussurrados. Seu calor. Sua umidade. Ela...Tudo.

— Minha pobre kulta, — ele arrulhou, traçando um dedo abaixo ao centro de seu tórax e a contusão maciça preta-e-azul já em processo de desvanecimento; ela estava curando mais rápido que um humano devia ser capaz. Ele nunca pensou em se alegrar de sua herança Fênix, mas isso foi exatamente o que fez. — Se o pedregulho fizesse mais dano, eu o bateria até o pó.

Sua risada era rouca com desejo, uma carícia tão cativante.

— Fala mansa...

Não. Fala verdadeira. Ele gostou de assisti-la jogar. Gostou de sua coragem em face de oponentes muito mais fortes que ela. Gostou especialmente de sua falta de vontade de desistir. Mas o prazer que obteve de suas reações não podiam se comparar com a determinação em proteger e defender.

— Você me tem nu, — ele disse. — Agora o quê?

— Agora, você me dá o que tem prometido.

— Está certo. — Ele abaixou sua cabeça e apertou um beijo leve entre seus seios, então no topo da contusão. O contato extraiu um gemido rouco dela. Ele lambeu o caminho para seu mamilo, cutucando seu sutiã para o lado com seu queixo.

Bonitos, perfeitos botões de rosa o saudaram.

Ele chupou. Ela choramingou.

— Meus novos brinquedos favoritos, — ele murmurou.

— Sim. Seus, — ela concordou, alcançando entre seus corpos para empunhar seu eixo. — Mas isto... isto é todo meu.

Ele mordeu abaixo, suavemente, tão suavemente, entretanto ele já estava lutando por controle. Com sua ligação, ele podia sentir o tamborilar de sua emoção. Ela estava tão desesperada por ele como ele por ela, e o conhecimento afetou-o tão seguramente quanto seu toque.

Não vai durar, ele pensou.

Você deve. Isto iria durar.

E durar.

E quando estivesse terminado, ela saberia que pertencia a ele. Pertencia com ele.

Nada mais era aceitável.

 

Elin alisou seu polegar acima da ponta da ereção de Thane, roçando a cabeça úmida, antes de girar sua atenção para os piercings abaixo. Gemendo, Thane empurrou em seu aperto. Ele ancorou suas mãos duras em sua cintura, seu aperto intratável, e chupou seu mamilo com tanta força que ela gritou.

— Mais suave? — Ele sussurrou.

— Não. Por favor, não.

Com um puxão, ele arrancou o fecho central do seu sutiã, libertando seus seios completamente. Sua boca arrastou beijos úmidos para o outro mamilo, e quando ele o alcançou, sacudiu sua língua, de um lado para o outro, de um lado para o outro, lançando setas de prazer pelo corpo inteiro de Elin. Lábios lisos, acariciando; língua quente, chamuscando.

Sua estimulação a moveu para a extremidade de um precipício e saltou, e de repente, tudo foi ampliado. As sensações. O calor. As emoções. E ele a assustou. Quanto mais ele dava, mais ela queria tomar. Seus quadris curvaram em direção a ele por sua própria iniciativa, buscando contato, pressão, algo. Qualquer coisa.

— Thane. — Seu nome era um suspiro de necessidade.

— É isto o que ansiava, kulta? — Ele removeu a mão dela de seu eixo e prendeu seu braço acima da cabeça. Então moeu sua ereção entre suas pernas, sua calcinha uma barreira odiada.

— Sim. Entre em mim, — ela comandou.

— Ainda não. Você tem fome, mas não está faminta. — Ele prendeu seu outro braço, mantendo ambos os pulsos algemados por uma única mão, forçando suas costas a arquear e elevar os seios para ele. Uma encarnação de servidão, e ainda assim, ela amou isto. Amou o quão vulnerável a posição a deixava, para ele, e apenas ele. Amou que toda parte dela estava disponível para sua boca e suas mãos e seu corpo.

— Eu estou faminta. Eu juro. Estou faminta. — Esse tom desesperado era realmente seu?

Ele traçou um caminho em chamas abaixo de seu estômago.

— Existem mil coisas diferentes que quero fazer para você, — ele disse, e chutou suas pernas separadas. — Isto é só o início.

— Mas eu já estou morrendo pelo final.

— Deixe-me ajudá-la a apreciar a jornada. — Ele empurrou um dedo fundo nela, e ela choramingou. — Tão molhada já, — ele exaltou. — Você sabe o quão feliz me faz ter todo este mel para mim? — Em sua orelha, ele sussurrou, — Eu lembro o quão bom ele saboreia. Eu nunca esquecerei.

Até suas palavras a estimularam, fazendo seu interior pul