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ARRASTA-ME AO PARAÍSO / Maya Banks
ARRASTA-ME AO PARAÍSO / Maya Banks

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

ARRASTA-ME AO PARAÍSO

 

Theron Anetakis começou a revisar a montanha de correio que sua secretaria tinha deixado preparada para ele, resmungando maldições enquanto atirava cartas à direita e a esquerda. Ocasionalmente, olhava alguma delas durante mais de um segundo e a deixava sobre um montão para revisar mais tarde. As demais foram diretamente ao cesto de papéis.

Seu posto nos escritórios da Anetakis Internacional em Nova York era algo muito recente. Depois de descobrir que um dos empregados esteve vendendo segredos da companhia hoteleira à concorrência, Theron e seus irmãos tinham decidido fazer uma renovação total. A culpada, antiga ajudante pessoal de Chrysander, estava no cárcere, mas temendo uma nova traição, Theron tinha levado com ele a sua secretária de Londres, uma mulher de certa idade, estável e, sobretudo, leal.

Embora depois da decepção com Roslyn, nenhum dos irmãos Anetakis se atrevia a confiar plenamente nos empregados.

De modo que tinha que verificar uma montanha de cartas, mensagens e correios eletrônicos. Dois dias depois de chegar ao escritório, ainda seguia tentando limpar sua escrivaninha. Embora sua secretária já houvesse feito uma primeira limpeza.

Theron se deteve, olhando uma carta dirigida a Chrysander. E depois de lê-la, sem preocupar-se pela diferença de horário, digitou o número de seu irmão. Lamentava ter que incomodar também a Marley, a mulher de Chrysander, mas aquilo era urgente.

—Espero que seja algo importante de verdade — grunhiu seu irmão.

Theron não perdeu o tempo em saudações.

—Quem demônio é Isabella?

—Isabella? Chama a estas horas da noite para me perguntar por uma mulher?

—Me diga quem é.

Chrysander não seria infiel a sua esposa. Fosse quem fosse a tal Isabella, teria conhecido antes que a Marley…

—Tenho uma carta aqui em que dizem que terminou a universidade… não acredita que uma universitária é muito jovem para você?

Chrysander lançou uma argumentação em grego e Theron teve que apartar o telefone da orelha.

—Sou um homem casado, irmãozinho. Não saio com outras mulheres.

—Então quem é Isabella?

—Isabella Caplan. Tem que te lembrar.

—A pequena Isabella? —exclamou Theron, surpreso.

Recordava a uma menina magra com rabo de cavalo e aparelho nos dentes. A última vez que se viram foi durante o enterro de seus pais, mas então estava muito consumido pela dor para fixar-se em alguém. Qual seria sua idade agora? Perguntou-se.

Chrysander soltou uma risada.

—Já não é pequena, asseguro-lhe isso. Acaba de terminar a universidade… e é uma garota muito inteligente.

—E por que recebe um relatório sobre ela? Pensei que se tratava de uma antiga amante… e a última coisa que eu quero é que tenha problemas com Marley.

—Sua preocupação por minha esposa é admirável — brincou Chrysander—, mas desnecessária. Embora seja verdade que tinha esquecido nossas obrigações para Bela. Ultimamente só penso em Marley e em nosso filho.

—Que obrigações? E por que eu não sabia nada do tema?

—Nossos pais foram sócios e amigos durante muito tempo, já sabe. O pai de Bela fez prometer o papai que se algo ocorria a ele, nos encarregaríamos de cuidar de sua filha.

—Pois segundo esta carta, chegará à Nova York dentro de dois dias.

—Mas eu não posso deixar a Marley agora…

—Não, já sei — disse Theron, impaciente— Não se preocupe, eu me encarrego de tudo. Verei-o como outro problema que herdei com os escritórios de Nova York.

—Bela não será nenhum problema, é uma garota encantadora. O tudo que tem que fazer é ajudá-la a instalar-se na cidade. Não receberá sua herança até que complete os vinte e cinco anos ou contraia casamento e, enquanto isso, Anetakis Internacional é o administrador oficial de seus bens. E como agora você é o representante da Anetakis em Nova York, você será seu tutor.

Theron emitiu um desaforo.

—Já sabia eu que devia ter encarregado ao Piers que se ocupasse do escritório de Nova York.

Chrysander soltou uma gargalhada.

—Não acredito que vai ter algum problema. Só deve encarregar de que tenha tudo o que necessite.

 

Isabella Caplan ia sair do aeroporto quando viu um desconhecido vestido de chofer que levava na mão um cartaz com seu nome.

—Bem-vinda a Nova York, senhorita Caplan. Eu sou Henry, seu motorista, e estes senhores são da equipe de segurança da empresa Anetakis.

—Ah, olá - disse ela, surpreendida, ao ver dois homens a seu lado.

Um deles abriu a porta de uma limusine enquanto o segundo se sentava ao lado de Henry.

Esgotada, Isabella apoiou a cabeça no respaldo do assento enquanto foram ao Imperial Park, um dos hotéis dos Irmãos Anetakis, onde Chrysander tinha uma suíte reservada para ela… embora não fosse frequentemente a Nova York.

Aquela viagem tinha sido planejada como uma simples parada antes de ir para a Europa, mas tudo tinha mudado quando recebeu um correio de Theron Anetakis dizendo que agora era ele quem se encarregava de seus assuntos e que se veriam em Nova York para preparar a viagem.

Ele não sabia ainda, mas a viagem a Europa era coisa do passado. Porque Isabella pensava ficar em Nova York… indefinidamente.

A limusine se deteve frente ao hotel e um dos homens de segurança a escoltou diretamente até os elevadores.

Dez minutos depois, suas malas chegavam à suíte junto com um buquê de flores e uma cesta de frutas.

—Tenho uma mensagem para você do senhor Anetakis — lhe disse o carregador.

—Qual deles?

O jovem a olhou, surpreso.

—Theron.

Sorrindo, Isabella agradeceu e fechou a porta, passando os dedos pelo nome, escrito à mão. O teria escrito ele mesmo? Perguntou-se, levando o papel ao nariz. Ali estava, seu aroma. Recordava-o como se fosse o dia anterior. Evidentemente, Theron seguia usando a mesma colônia.

Dentro havia uma nota manuscrita em que lhe pedia que fosse ao seu escritório na manhã seguinte. Bela sorriu. Tão arrogante como recordava; dando-lhe ordens como se ainda fosse uma menininha. Chrysander, entretanto, teria passado por sua suíte para saudá-la.

Embora não importasse em ir ao escritório de Theron porque em qualquer caso ia lhe fazer uma surpresa. Tinha planejado ir a Europa porque ele estava lá, no escritório de Londres. Chrysander vivia com sua esposa em uma ilha grega, de modo que agora era Theron quem devia cuidar dela.

Por fim.

A viagem a Europa ficava cancelada, e a sedução de Theron Anetakis acabava de começar.

Isabella se deixou cair no sofá, pondo os pés nus sobre a mesinha de café para admirar as unhas pintadas de vermelha paixão e a delicada tornozeleira que levava.

Theron se havia tornado ainda mais bonito com o passar dos anos; a beleza da juventude tinha sido substituída por uma vibrante masculinidade. Enquanto ela esperava crescer para seduzi-lo, ele se havia tornado mais desejável. Mais irresistível. E Bela estava mais apaixonada que nunca.

Não seria fácil e certamente Theron não cairia em seus braços imediatamente. Os irmãos Anetakis eram desumanos nos negócios, mas também eram pessoas leais para quem à honra era tudo.

O telefone soou nesse momento e Bela suspirou, irritada.

—Alo?

Ao outro lado da linha houve um silêncio.

—Senhorita Caplan… Isabella.

Ao reconhecer o suave sotaque britânico, Bela sentiu um calafrio nas costas. Não era Chrysander e, como Piers estava fora do país, não podia ser ninguém mais que Theron.

—Sim, sou eu.

—Sou Theron Anetakis. Liguei para comprovar se necessitava algo.

—Não, tudo está bem, obrigado.

—Parece-te bem a suíte?

—Sim, claro. É muito amável por sua parte havê-la reservado.

—Não a reservei, é minha suíte particular.

Bela olhou ao redor com renovado interesse. Saber que se alojava em um lugar em que tinha estado Theron era emocionante.

—E onde te aloja você agora?

—Estamos fazendo reformas no hotel e a única suíte disponível era a minha, de modo que me instalei temporalmente no apartamento de cobertura de Chrysander.

—Não era necessário que te mudasse por minha causa…

—Não se preocupe. Quero que fique a vontade antes de sua viagem a Europa.

Isabella não lhe disse que não haveria viagem a Europa. Não tinha sentido pô-lo em guarda antes que falassem cara a cara. Haveria tempo para lhe informar sobre sua mudança de planos.

—Recebi a nota em que me pedia que fosse ao seu escritório.

—Espero não ter parecido muito autoritário, Isabella.

—Por favor, me chame Bela. Já sei que passaram alguns anos, mas eu me lembro muito bem de você.

No outro lado da linha houve um silêncio.

—Eu também me lembro de você, Isabella.

—Bela, por favor.

—Bela, de acordo. Do que estávamos falando? Perdi o fio.

Embora se mostrasse amável, era evidente que queria livrar-se dela o mais rápido possível. Se ele soubesse…

—Estávamos falando da nota em que me ordenava que fosse ao seu escritório amanhã.

—Era uma petição, Bela, não uma ordem.

—Às onze da manhã te parece bem?

—Sim, claro— disse ele— Pede o jantar ao serviço de quartos. Encarregarmo-nos de todos seus gastos.

Não tinha esperado nada menos. Os irmãos Anetakis levavam muito a sério suas obrigações.

—Então, vemo-nos amanhã.

Quando se despediu de Theron, um sorriso apareceu em seus lábios. Sim, no dia seguinte pensava em vê-lo, certamente.

 

Theron se reclinou na poltrona, observando da janela de seu escritório o céu de Nova York. Estava a horas ocupado com reuniões e chamadas de telefone e por fim tinha um momento para respirar… mas quando olhou seu relógio, comprovou que eram quase onze. Isabella Caplan chegaria em alguns minutos.

Estava em Nova York, mas partiria a Europa em uns dias… enquanto Alannis chegaria da Grécia em uma semana. Felizmente, Isabella não seria um problema. Encarregaria-se de que tivesse tudo o que necessitasse, pediria a alguém da Anetakis Internacional que fosse encontrá-la no aeroporto de Londres e a equipe de segurança cuidaria dela durante sua estadia em Nova York.

Alannis, por outro lado…

Theron sorriu. Entre Alannis e ele existia o que podia considerar uma boa amizade. Possivelmente um entendimento seria um termo mais adequado, embora ele estivesse aberto a tudo. Agora que estava no escritório de Nova York, o mais sensato seria que sentasse a cabeça e Alannis era a mulher perfeita para isso. Seu pai era armador, um velho amigo da família Anelakis, de modo que era lógico que saíssem juntos.

Daria-lhe amizade e filhos. Daria-lhe segurança e amparo.

Sim, era hora de sentar a cabeça. Certamente ficaria de forma permanente em Nova York, já que Marley não tinha o menor desejo de partir da ilha onde vivia com seu irmão, e se ia instalar se definitivamente em Nova York, o melhor seria encontrar uma esposa e formar uma família.

Seus pensamentos foram interrompidos por um golpezinho na porta.

—A senhorita Caplan está aqui, senhor Anetakis — anunciou Madeline, sua secretária.

—Diga-lhe que entre.

Enquanto esperava, Theron se estirou no assento, tamborilando distraidamente com os dedos sobre a escrivaninha. Tentava recordá-la, mas só via a imagem de uma menina com rabo de cavalo e aparelho nos dentes. Nem sequer sabia que idade tinha agora, só que tinha terminado seus estudos, de modo que devia ter uns vinte e dois ou vinte e três anos.

Mas quando a porta se abriu e Isabella Caplan entrou em seu escritório, ficou sem ar.

Ante dele havia uma mulher incrivelmente bonita, tanto que Theron sentiu como se uma mão invisível apertasse sua garganta. E durante uns segundos o único que pôde fazer foi olhá-la, boquiaberto como um adolescente. Levava uns jeans ajustados e cós baixo. A camiseta, se aquilo podia chamar-se camiseta, abraçava suas generosas curvas, deixando descoberto seu umbigo.

Theron ficou olhando um brilho prateado… tinha um piercing no umbigo?

Tinha o cabelo comprido, castanho escuro, e cílios longuíssimos rodeando uns brilhantes olhos verdes. Quando sorriu, Theron viu uns dentes muito brancos e uns lábios suculentos.

Era uma mulher deslumbrante. E pensar que ele recordava de uma tímida menina com maria-chiquinha… um homem teria que estar cego para não fixar-se naquela garota.

—Posso saber o que está vestindo? —exclamou, sem pensar.

Ela levantou uma sobrancelha, zombadora.

—Acredito que se chama roupa.

—Meu irmão Chrysander te deixava usar essa roupa?

—Chrysander não tem nada que dizer sobre como me visto, riu Bela.

—Mas ele era seu tutor. Como eu o sou agora.

—Não é meu tutor legal. Está cumprindo um desejo de meu pai até que me case e herde o que me corresponde. Enquanto isso; passei perfeitamente bem sem intromissões por parte de Chrysander.

Theron teve que apoiar-se na mesa enquanto estudava a jovem.

—Segundo o testamento de seu pai, herdará o que te corresponde quando fizer vinte e cinco anos. Não tem que se casar.

—Mas eu penso estar casada antes de completar vinte e cinco anos.

Ele a olhou, alarmado. Havia um homem em sua vida e ninguém lhe havia dito nada?

—Quem é? Tenho que investigá-lo — disse rapidamente— Deve tomar cuidado, Isabella. Sua herança atrairá muitos caçadores de fortunas e…

—Eu também me alegro de vê-lo — o interrompeu ela— A viagem foi agradável e a suíte é linda. Passou algum tempo da última vez que nos vimos, mas eu me lembro muito bem de você.

A recriminação o irritou porque tinha razão. Estava se comportando como um grosseiro. Nem sequer a tinha saudado de maneira apropriada.

—Me desculpe, Isabella — suspirou, inclinando-se para lhe dar um beijo na bochecha—Alegro-me de que a viagem tenha sido agradável e de que você goste da suíte. Quer tomar algo enquanto falamos de sua viagem a Europa?

Ela negou com a cabeça enquanto se aproximava da janela. Levava uns jeans tão ajustados que Theron quis afastar o olhar… mas então algo chamou sua atenção. Piscou várias vezes e olhou de novo, convencido de estar equivocado.

Mas não, não o estava; uma tatuagem aparecia pela cintura da calça.

Uma tatuagem? Evidentemente, Chrysander tinha fracassado miseravelmente em seu papel de tutor. Em que confusões teria se metido aquela garota? Tinha tatuagens, falava de casar-se sem que ninguém soubesse nada de um noivo…

—Tem uma vista preciosa daqui.

Theron olhou para a parede, a qualquer lugar para não fixar-se em como a camiseta se ajustava a seus seios. Aquela mulher era um perigo.

—Já organizou sua viagem a Europa ou quer que me eu encarregue de fazê-lo?

Colocando as mãos nos bolsos da calça, uma tarefa que a Theron parecia impossível sendo tão justo. Isabella se apoiou na parede.

—Não penso ir a Europa.

—Perdoa?

—Decidi não ir a Europa este verão.

Theron apertou os lábios. Maldito Chrysander por casar-se e deixá-lo atendendo a Isabella Caplan.

—E tem algo que ver com seu repentino desejo de se casar? Ainda não respondeu a minha pergunta sobre esse suposto noivo.

—Porque ainda não tenho noivo — respondeu ela—Só disse que penso me casar antes de completar vinte e cinco anos. E como ainda faltam três anos para isso, não é necessário investigar a ninguém.

—Então por que não quer ir a Europa? Esse era seu plano até faz umas semanas, não? Dizia isso na carta que enviou ao Chrysander.

—Não, eu não lhe disse isso — protestou Isabella—O homem que Chrysander contratou como tutor enquanto eu estava na universidade lhe enviou uma carta dizendo que ia a Europa, mas mudei que opinião.

—E o que pensa fazer então?

Bela sorriu de orelha a orelha.

—Vou alugar um apartamento em Nova York.

Theron se engasgou. Se ficasse ali, teria que ficar cuidando dela…

De repente, seu possível casamento não lhe pareceu tão desatinado. Ao fim e ao cabo, tinha vinte e dois anos. Um pouco jovem para casar-se, mas era uma possibilidade. E talvez o melhor que podia fazer era lhe apresentar algum homem que pudesse cuidar dela.

Estava dando voltas a essa ideia quando Isabella falou de novo.

—Perdoa? Estava distraído…

—Disse que tenho que partir. Vou começar procurar apartamento hoje mesmo.

Não o fazia a menor graça pensar em Isabella dando volta por uma cidade que não lhe era familiar, só e vulnerável. O último precisava era que a sequestrassem, como tinha acontecido a Marley.

—Não deveria andar sozinha por Nova York.

—Ah, obrigado por te oferecer a me acompanhar, Theron — sorriu ela—A verdade é que não gostaria muito de ir procurar apartamento só e você conhece a cidade muito melhor que eu.

Theron abriu a boca para dizer que não tinha a menor intenção de acompanhá-la, mas a alegria que viu em seu rosto fez que a fechasse de novo.

—Sim, claro que te acompanharei. Pedirei a minha secretária que procure uns quantos apartamentos disponíveis em uma boa área. Poderíamos ir amanhã pela manhã, se estiver de acordo. No momento, pode ficar na suíte.

Isabella fez uma careta.

—Mas eu não gosto que você tenha tido que deixá-la.

—Não se preocupe por isso. Chrysander tem um duplex muito bonito. Além disso, também eu tenho que procurar apartamento agora que mudei para Nova York.

—Nesse caso, agradeço a oferta. Almoçaremos juntos amanhã?

—Sim, claro — murmurou ele.

Por que tinha a impressão de que estava manipulando-o? A ideia de que uma garota tão jovem fizesse o que quisesse com ele era muito molesta.

De repente, Isabella deu um passo adiante e jogou os braços ao pescoço. E Theron teve que agarrar-se a mesa para não tropeçar.

—Obrigado por tudo.

Devolveu-lhe o abraço, mas ao tocar sua cintura se perguntou pela tatuagem que tinha visto ali. Ficava louco não saber o que era.

—Deixa que chame o chofer para que te leve de volta ao hotel.

—Obrigado — sorriu Isabella, beijando-o na bochecha—Vereemo-nos amanhã então.

Theron ficou com uma mão na bochecha, perplexo. Logo, murmurando uma maldição, voltou a sentar-se atrás da mesa. Que Isabella Caplan o pusesse tão nervoso era patético. Pelo visto, tinha passado muito tempo da última vez que esteve com uma mulher.

Suspirando, chamou a sua secretária pelo interfone e lhe deu instruções para que procurasse apartamentos e organizasse uma equipe de segurança para a recém-chegada.

Mas depois de desligar recordou que Alannis chegaria em uma semana… esperava não ter que atender a Isabella quando chegasse sua futura noiva. Uma mulher era mais que suficiente e ter que dividir sua atenção entre duas poderia acabar sendo um desastre.

Claro que possivelmente Alannis conhecia algum rapaz que fosse ideal para a Isabella. Algum rapaz… Pensando que aquela era outra tarefa da que podia encarregar-se Madeline, voltou a ligar o interfone para pedir que fizesse uma lista de conhecidos que estivessem solteiros. Madeline se mostrou divertida por tal petição, mas não disse nada.

Depois de desligar, Theron ficou com as mãos atrás da cabeça. Encontraria um apartamento e um marido para a Isabella e logo poderia preocupar-se de suas próprias bodas.

 

—Bela! —gritou Sadie, saindo ao patamar para abraçá-la—Entra, por favor. Quanto me alegro de voltar a vê-la.

—Eu também.

As duas garotas se sentaram no sofá da sala.

—Bom, viu-o?

—Venho de seu escritório.

—E?

—Disse-lhe que não pensava ir a Europa e que ia procurar um apartamento na cidade. E Theron vai ajudar-me a encontrá-lo.

—Então aceitou bem?

Sadie afastou o cabelo da face, chamando a atenção sobre suas atraentes feições. Um ano mais velha que Isabella, tinha terminado seus estudos antes que ela e tinha mudado a Nova York para achar um lugar na Broadway.

—Eu não diria que bem — sorriu Isabella—Acredito que, mas bem estava perguntando-se o que ia fazer comigo. Os irmãos Anetakis tomam suas responsabilidades muito a sério… depois de tudo, são gregos. E eu sou uma enorme responsabilidade da que Theron quer livrar-se. Certamente está desejando me colocar em um avião e me perder de vista o mais rápido possível.

—Então qual é seu plano?

—Ainda não sei. Mas amanhã vamos ver apartamentos juntos e logo iremos comer. Verei o que acontece então.

—E como reagiu ao vê-la? —perguntou Sadie—Faz… quanto tempo, quatro anos, da última vez que se viram?

—Sim, quatro anos. Mas então eu era uma criança.

—E que cara fez ao vê-la?

—Estou certa de que se fixou - sorriu Isabella—Acredito que com uma mescla de interesse e surpresa. Theron é muito… tradicional. Mas se tivesse aparecido vestida como uma menina bem comportada teria me relegado ao status de irmã caçula, como fez Chrysander.

—Ah, então decidiu desafiá-lo desde o começo — disse Sadie.

—Exatamente. Se for vista como uma ameaça, não poderá afastar seus olhos de mim.

Sadie riu, apertando sua mão.

—Quanto me alegro de voltar a vê-la, Bela. Passou tanto tempo que sentia muita falta de você.

—O mesmo digo. E quero que me conte tudo sobre sua carreira na Broadway. Diga-me, deram-lhe algum bom papel?

Sadie fez uma careta.

—Temo que os papéis que consegui são pequenos e escassos, mas ainda não me rendi. A semana que vem tenho um teste.

Isabella franziu o cenho.

—Está bem?

—Tenho um trabalho… não são muitas horas, só um par de noites por semana. Mas ganho dinheiro e terá que servir até que consiga meu grande papel no teatro.

Isabella olhou a sua amiga com gesto receoso.

—Que tipo de trabalho é esse?

—Danço em um clube. É um lugar muito elegante e exclusivo.

—Trabalha como stripper?

—Não, não me dispo — respondeu Sadie—Mas se o fizesse, dariam-me melhores gorjetas.

Isabella a olhou durante uns segundos e logo soltou uma gargalhada.

—Possivelmente deveria me dar aulas. Theron teria prestado atenção em mim se tivesse tirado a roupa.

—Se não se prestou atenção em você, é que está cego carinho.

Impulsivamente, Isabella abraçou a sua amiga.

—Quanto me alegro de vê-la. Senti tanta falta. E tenho uma premonição… não sei, como se de verdade fosse fazer que Theron se apaixonasse por mim.

Sadie se afastou um pouco, sorrindo.

—Eu estou certa de que se apaixonará loucamente. E se não… é jovem e bonita, Bela, pode escolher ao homem que queira.

—Eu só quero ao Theron. Estou muito tempo apaixonada por ele.

—Bom, então teremos que encontrar a maneira de fazer que perca a cabeça por você, não? —sorriu Sadie.

 

—Olá, Alannis — saudou Theron—Encantado de voltar a falar com você.

Ela o saudou com amabilidade, mas também com certa reserva. Claro que não tinha esperado outra coisa. Alannis Gianopoulos era uma garota muito bem educada e nunca o teria saudado efusivamente. Simplesmente, não era seu estilo.

—Encarreguei que o jato da empresa te traga da Grécia dentro de uma semana. Sua mãe virá com você?

Era uma pergunta absurda, já que Theron sabia que a família de Alannis nunca a deixaria viajar sem um acompanhante.

—Estou desejando que chegue. Reservei um camarote na Ópera.

Se tudo ia bem, essa mesma noite pediria sua mão e logo as duas famílias poderiam organizar as bodas.

Claro que antes teria que informar a seus irmãos de suas intenções.

Depois de desligar, Theron ficou olhando o telefone durante longo momento. Não tinha a menor duvida de que Chrysander, loucamente apaixonado por Marley, não o animaria a se casar sem amor. Piers, por outro lado, limitaria-se a dizer que era sua vida e podia fazer com ela o que quisesse.

Com o tempo aprenderia a querer a Alannis, estava certo. Era uma garota de quem gostava e a que respeitava… e isso era mais do que podia dizer de outras mulheres ao seu redor. Talvez ele não encontrasse uma mulher que o amasse como Marley amava a seu irmão, mas queria pensar que podia ser amigo de Alannis e desfrutar de sua companhia tanto na cama como fora dela.

Theron franziu o cenho ao imaginar ao Alannis nua em sua cama. Logo olhou para baixo, esperando uma resposta, e teve uma desilusão. Alannis parecia um pouco fria nesse aspecto. Claro que com toda segurança seria virgem e teria que ser ele quem despertasse a paixão em uma garota tão inocente. Além disso, seria sua obrigação como marido.

Suspirando, Theron olhou o relógio e comprovou que Isabella chegava tarde. Madeline tinha encontrado três apartamentos, todos em boas zonas e perto do hotel Imperial Park, mas ainda não lhe tinha dado a lista de possíveis maridos.

Dava igual. O primeiro era deixá-la instalada. E quanto antes, melhor. Já se encarregaria de casá-la mais tarde.

Quando ouviu que se abria a porta, levantou a cabeça e ficou surpreso ao ver a Isabella. No mesmo instante soou o interfone e Madeline, em tom zombador, informou-lhe que a senhorita Caplan estava em caminho.

—Bom dia — o saudou ela, lhe dando um beijo na bochecha.

Theron teve que tragar saliva ao ver o que estava vestindo. Não era exatamente impudico por que… ao menos a tampava. Em parte.

Mas ficou a boca seca quando apoiou as mãos sobre a mesa e, ao inclinar-se para diante, pôde ver a renda do sutiã por cima do decote da camiseta.

—Bom dia, Isabella.

—Me chame Bela, por favor. A menos que tenha aversão a esse nome.

Não tinha, absolutamente. Sua protegida era incrivelmente bonita. E diferente às sofisticadas mulheres com que ele estava acostumado a sair. Mas havia algo selvagem nela, algo incontrolável.

Enquanto sua virilha tinha permanecido insensível ao pensar em Alannis nua, agora, entretanto, despertou à vida de maneira dolorosa.

Era seu tutor, alguém que devia cuidar dela, recordou-se a si mesmo, zangado. Não só era uma falta de respeito para a Isabella, mas também para Alannis. Nenhuma mulher deveria ter que suportar que seu noivo olhasse a outra.

—Bela — disse por fim, levantando-se. O nome ia bem, certamente. Ligeiro, precioso.

—Hoje está vestido de maneira informal. Que raro. Eu estou acostumada a vê-lo com terno e gravata.

—Está acostumada a ver-me? —repetiu ele, surpreso.

—Bom, em fotografias — respondeu Bela—Sempre há fotografias suas nos jornais.

—Recebe jornais de Nova York em Califórnia?

—Claro… sim. Eu gosto de seguir a vida das pessoas que cuidam de meus interesses.

—Ah, muito bem — disse ele —Vamos? Tomei-me a liberdade de fazer uma lista de apartamentos em zonas seguras. É o mais sensato para uma garota que quer viver sozinha em Nova York.

Então pensou que possivelmente Isabella tinha intenção de viver com alguém. Além disso, uma mulher como ela não estaria sozinha por muito tempo. E tinha que sabê-lo porque se estava com alguém, podia esquecer-se de lhe achar um marido.

—Vamos quando quiser — sorriu Isabella.

Enquanto saíam do escritório, Theron pôs uma mão em suas costas e ela sentiu o calor dessa mão atravessando a camiseta.

Depois de amá-lo a distancia durante tanto tempo, tinha estado preparada para uma desilusão. Para descobrir que possivelmente Theron não era o homem de seus sonhos. Mas aconteceu o contrário: Theron Anetakis era muito mais interessante do que imaginava e seus sentimentos por ele não tinham desaparecido.

Bela se sentou a seu lado na limusine. Além de Henry, o chofer, um membro da equipe de segurança ia ao assento dianteiro. E quando se detiveram na frente do primeiro edifício, Bela viu dois homens saindo de outro carro que tinha estacionado atrás deles.

—Não recordo que levassem tanta segurança a última vez que vim à Nova York de visita.

—Temo que seja necessário — disse ele.

Bela esperou que dissesse algo mais, mas Theron permaneceu mudo.

Três horas depois tinham visitado todos os apartamentos da lista. Theron tinha vetado os dois primeiros. Mas, felizmente, o que mais gostou foi o quarto e ambos estavam de acordo.

—Você mesma se encarrega de levar suas coisas ou quer que eu organize?

—Penso comprar tudo o que necessito aqui mesmo, em Nova York.

—Muito bem, então procurarei a alguém que vá às compras com você.

—Não precisa — disse Bela—Não necessito uma babá, Theron. Chrysander me obrigou a suportar a uma durante muitos anos, mas não a necessito.

—Não quero que vá sozinha…

—Você poderia ir comigo.

—Eu?

—Por que não? No fim, não conheço ninguém mais em Nova York— sorriu ela.

Não havia nenhuma razão para lhe falar de Sadie porque se soubesse a que se dedicava, pediria-lhe que deixasse de vê-la. Seria impossível fazer entender a alguém como Theron Anetakis que entre suas amizades havia gente… enfim, que vivia de forma diferente.

Além disso, não queria começar com pé errado. Queria que Theron se apaixonasse por ela, que a necessitasse.

—Sim, tem razão — suspirou ele por fim—Esqueci que morou na Califórnia todos estes anos.

—Isso significa que irá às compras comigo?

Bela não pôde conter a risada quando Theron emitiu um bufido e ele a olhou, como se o som lhe parecesse encantador.

Ficou sem fôlego ao ver o que parecia um brilho de desejo em seus olhos. Mas durou tão pouco que decidiu que devia havê-lo imaginado.

—Verei se tiver tempo para te acompanhar.

—Aonde vai levar-me a comer? —perguntou-lhe ela, mais para lhe recordar seu encontro, não que se importasse com a comida. Dava-lhe igual onde comessem ou se comiam absolutamente. O importante era estar com o Theron.

—Há um restaurante estupendo no hotel e sempre têm uma mesa reservada para mim. Além disso, assim logo poderá ir a sua suíte.

Bela teve que fazer um esforço para não pôr os olhos em branco. Theron queria livrar-se dela, evidentemente. Embora fosse lógico. Ela era uma carga inesperada e ele um homem muito ocupado. O que podia fazer para que a visse como uma mulher e não como uma inconveniência?

—Ocorre algo?

—Não, não. É que estou um pouco cansada. E contente.

—Deveria deixar que eu me encarregasse dos móveis. Se me disser quais são suas preferências, poderia chamar um decorador e assim não teria que sair às compras.

—Não, disso nada. Então perderia a metade da diversão.

Theron suspirou.

—Que planos tem, Bela?

—Planos?

—Sim, planos. Agora que terminou seus estudos, imagino que terá algo em mente.

—Ah, bom, no momento penso ficar o verão de férias. No outono pensarei em meu futuro.

Ele não disse nada, mas era evidente que não aprovava essa decisão. Bela sorriu para si mesmo. Os irmãos Anetakis estavam dedicados ao trabalho de corpo e alma. Não eram a família hoteleira mais famosa do mundo por acaso.

Uns minutos depois, chegavam ao restaurante do hotel e eram escoltados pelo maître até uma mesa situada em um canto, separada do resto dos clientes.

—O que quer tomar, pethi mou?

Isabella fez uma careta. Chamava-a dessa forma quando tinha treze anos: “pequena”. E essa expressão não evocava imagens dos dois na cama, suas pernas entrelaçadas…

—O que sugere?

Bela estudou a dura linha de seus lábios e a sombra de barba no queixo. Sentia a tentação de esticar a mão e acariciá-lo…

Como seria beijar ao Theron Anetakis? Perguntou-se por enésima vez. Ela tinha beijado a vários meninos na universidade. Meninos, não homens como ele. Alguns eram agradáveis, outros torpes.

Mas beijar Theron seria como estar em meio de uma tormenta: excitante, selvagem, entristecedor. Acelerou-lhe o pulso ao imaginar o toque quente de sua língua…

—Bela?

Ela piscou, distraída.

—Perdão, o que dizia?

—Que deveria provar o salmão. Aqui o fazem muito bem.

—Ah, estupendo.

Theron pediu pelos dois e o garçom se afastou com um sorriso nos lábios.

—E agora talvez devêssemos falar do futuro. Suponho que tenha pensado o que quer fazer com sua vida.

Se ele soubesse… Bela não havia fato mais que planejar seu futuro. Com o Theron Anetakis.

—Pensei-o muito.

—Ontem falou em casamento. De verdade está pensando em casar antes de completar vinte e cinco anos?

—Conto com isso.

Theron assentiu com a cabeça e Bela teve que dissimular um sorriso. Assentiria se soubesse que ele ia ser o noivo? Sentia-se diabólica, como se estivesse planejando um assassinato mais que uma sedução.

—Tomei a liberdade de fazer uma lista de possíveis candidatos — disse Theron então.

—Candidatos para que?

—Para te casar, Bela. Vou te ajudar a encontrar um marido.

 

Isabella olhou ao Theron pensando que tinha um muito estranho senso de humor.

—Vai fazer o que?

—Quer um marido e decidi que é uma boa ideia. Uma mulher em sua posição deve tomar cuidado. Assim tomei à liberdade de fazer uma lista de possíveis candidatos…

Bela soltou uma gargalhada. Aquilo era absurdo.

—Do que está rindo? —perguntou ele, surpreso.

—Estou a dois dias em Nova York e já está planejando me casar. E, por certo, me diga o que quer dizer com isso de “uma mulher em sua posição”.

—Que tem dinheiro e é bonita, de modo que todos os homens de Nova York de idades compreendidas entre os dezoito e os oitenta anos quererão casar-se e deitar-se com você. E não necessariamente por essa ordem.

Bela o olhou, surpreendida.

—Mas nenhuma palavra sobre minha inteligência ou meu encanto pessoal.

Theron lhe apertou a mão e uma onda de calor se estendeu por todo seu corpo.

—Por isso precisamente devo te ajudar a procurar um marido. Os homens tentarão aproveitar-se de você fingindo ser o que não são. Os caçadores de fortunas fingirão não saber nada sobre seu dinheiro e se mostrarão apaixonados por sua inteligência ou sua generosidade. É importante que os homens que se aproximem de você sejam profundamente investigados, Bela.

Ela apertou os lábios para conter a risada. Mas devia admitir que sua preocupação fosse enternecedora. E seria estupendo se não estivesse decidido a casá-la com outro.

—Não se preocupe pethi mou. Há muitos homens interessantes em Nova York. A questão é encontrar ao mais adequado para você.

—Sim, claro.

O que outra coisa podia dizer? O que de verdade queria era lhe perguntar se poderia ele ser esse homem. Mas Bela já sabia a resposta a essa pergunta: Theron Anetakis não podia ser esse homem. Ainda não. Necessitaria tempo para acostumar-se à ideia.

—Bom, me diga, o que procura em um marido?

—Vamos ver… quero que seja alto moreno e bonito.

Theron levantou os olhos ao céu.

—Acaba de descrever o desejo da metade da população feminina.

—Também quero que seja bom e responsável. E preferiria não ter filhos imediatamente. Que ele estivesse de acordo com isso é muito importante.

—Não quer ter filhos? —perguntou Theron. Parecia surpreso, mas certamente pensava que todas as mulheres estavam desejando encher a casa de crianças assim que alguém lhes punha um anel no dedo.

—Não disse que não os quero. Acho que você quereria os ter imediatamente, verdade?

—Não estamos falando de mim, mas sim. Eu não vejo razão para esperar.

—Porque não é você quem os tem — replicou Bela.

Por um momento, Theron pareceu a ponto de rir, mas logo fez um gesto com a mão, como obrigando a continuar.

—Quero que seja rico para que meu dinheiro não seja um problema.

Ele assentiu com a cabeça e Bela se inclinou para diante.

—E quero que esteja louco por mim — disse, baixando a voz—Que não possa estar nem um só dia sem me tocar, sem me acariciar. Que seja um amante maravilhoso. Quero um homem que saiba me agradar — terminou, com voz rouca.

Pareceu-lhe ver um brilho de resposta em seus olhos… mas Theron afastou o olhar em seguida.

—Não te parece que isso seja importante?

Bela, embora jovem, não era uma ingênua no que se referia ao sexo e sabia o que era o interesse sexual de um menino. Mas Theron não era um menino, era um homem.

Estava há anos procurando algo parecido ao que sentia por Theron Anetakis desde que era uma adolescente… e para isso tinha experimentado com os meninos da universidade. Mas só uns beijos e os torpes e inevitáveis manuseios quando a acompanhavam a casa. Só houve um que esteve a ponto de convencer a de chegar até o final, mas foi ele quem se deteve a tempo. Então Bela se sentiu envergonhada, convencida de ter cometido algum engano. O menino lhe havia dito que era uma honra saber que ele teria sido o primeiro, mas que possivelmente deveria esperar até que conhecesse o homem de sua vida.

Então tinha visto essa frase como uma saída de emergência; um homem fugindo de uma mulher que relacionava o sexo com o compromisso ou, ao menos, com uma relação séria. Agora se alegrava de não haver feito amor com ele. Travis tinha razão. Sua virgindade era especial e só a daria a um homem especial.

—Acredito que faz bem em dar tanta importância a… essas qualidades — estava dizendo Theron—É obvio, deve querer um homem que veja as coisas como você no que diz respeito à família.

—Mas não acredita que deva procurar um bom amante? —perguntou ela, levantando uma sobrancelha.

—Seria uma pena que o homem em questão não soubesse o que fazer com uma mulher como você.

Theron levantou o olhar, aliviado, quando chegou o garçom. Isabella, por outro lado, amaldiçoou que chegasse justo nesse momento.

Mas ele a surpreendeu quando, ao ficar sozinhos, olhou-a aos olhos.

—Sei que sua mãe morreu quando era uma menina e me pergunto… não houve ninguém que… falasse a você sobre os homens?

Bela lhe devolveu o olhar, atônita. De verdade pensava que tinha chegado aos vinte e dois anos sem saber como se faziam os bebes? Não sabia quem dos dois estava mais horrorizado, Theron ou ela. Mas por razões diferentes.

Tomando o garfo, provou o pescado ao forno que tinha pedido enquanto pensava uma resposta.

—Se te disser que não, vai se apresentar como voluntário para me educar? —brincou sem poder evitá-lo.

Theron deixou escapar um suspiro.

—Acho que você não é tão ingênua como eu acreditava. Só queria saber se tinha falado com alguma outra mulher sobre homens e maridos… e sobre que tipo de homens são os melhores maridos.

—E amantes — acrescentou Bela.

—Sim, claro — disse Theron, resignado.

—Não quer que sua esposa seja uma boa amante?

—Não espero que o seja. É minha obrigação como marido… — Theron não terminou a frase—Não estamos falando de minha mulher.

—O que é sua obrigação? —insistiu ela.

—Esta não é uma conversação apropriada.

Bela deixou escapar um suspiro de chateação. Queria saber o que Theron considerava sua obrigação para uma mulher.

—É meu tutor, não? Com quem mais posso falar deste assunto?

Ele deixou escapar um comprido e pesaroso suspiro enquanto tomava um gole de vinho.

—Não espero que minha mulher tenha experiência. É meu dever despertar sua paixão e lhe ensinar tudo o que deva saber sobre… o assunto.

Isabella enrugou o nariz.

—Isso parece medieval. Pensou alguma vez que ela poderia te ensinar um par de coisas?

Theron deixou a taça sobre a mesa com expressão horrorizada. Evidentemente, jamais tinha ocorrido pensar que uma mulher pudesse lhe ensinar nada referente ao sexo. De modo que via si mesmo como um bom amante…

Isabella teve que controlar um calafrio. Alegrava-lhe que se considerasse um bom amante porque ela seria uma pupila mais que disposta a aprender.

—Não acredito que uma mulher possa me ensinar nada sobre esse assunto — disse Theron então, com um toque de arrogância.

—Assim tem muita experiência, né?

—Não sei como acabamos falando disto, mas não é uma conversa apropriada entre um homem e sua protegida.

E, de novo, voltou a colocar um muro entre os dois. Mas ao menos estava tentando voltar a colocá-la em um lugar que não resultasse ameaçador, de modo que devia considerá-la uma ameaça.

Bela seguiu comendo, em silêncio. Sabia que ele estava olhando-a e não só com platônico interesse. Tentava dissimular, mas seus olhos não podiam mentir. Quando terminaram de comer, Theron perguntou que tipo de coisa queria comprar para o apartamento.

—Móveis e objetos de decoração… e tenho que encher a geladeira, claro.

—Faz uma lista da compra e eu me encarregarei de que levem tudo. Se puder aguentar um par de dias mais na suíte, verei se encontro algumas horas livres esta semana para ir ver móveis.

—Também necessitarei toalhas, lençóis, cortinas, pratos, copos…

—Faz uma lista, eu me encarrego de tudo— suspirou ele, fazendo um gesto ao garçom—Vamos?

Isabella não queria partir ainda, mas o tinha monopolizado durante toda a manhã e sabia que Theron era um homem muito ocupado.

—Acompanho-te à suíte— murmurou quando saíam do restaurante.

Uma vez no elevador, tão perto, o calor de seu corpo parecia envolvê-la. Inclusive podia cheirar sua colônia…

—Obrigado por me acompanhar.

—De nada, pethi mou. Direi a minha secretária que te chame para a assinatura do contrato de aluguel e todo o resto.

Quando as portas se abriram, Theron se inclinou para lhe dar um beijo na bochecha, mas Bela, sem lhe dar tempo para reagir, jogou os braços ao pescoço. Seus lábios se encontraram e uma espécie de corrente elétrica pareceu percorrê-los. No princípio, Theron ficou absolutamente imóvel enquanto ela o beijava. Mas logo, deixando escapar um grunhido, apertou-a contra seu peito até que não ficava um centímetro de espaço entre os dois e deslizou uma mão por suas costas até chegar a seu apertado traseiro.

Seus dedos a queimavam por cima da calça e quando enredou a outra mão em seu cabelo. Bela pensou que não era um gesto carinhoso entre duas pessoas; era a classe de beijo que se davam dois amantes famintos um do outro, sem pedir permissão, sem vacilações, como se levassem muito tempo procurando-se.

O toque quente de sua língua a convidava a responder e ela o fez de boa vontade enquanto Theron colocava a mão sob a camiseta para acariciar suas costas.

Não se atrevia a emitir som algum porque temia que ele se afastasse e que recordasse a quem estava beijando. Em lugar disso, concentrou-se em prolongar o momento todo o possível.

Nunca tinha experimentado nada igual e lhe dobravam os joelhos… Mas, de repente, Theron se afastou murmurando algo em grego. Olhava-a, perplexo e furioso consigo mesmo, sacudindo a cabeça enquanto saíam do elevador. Quando chegaram à suíte, esperou que Bela passasse diante. Ela se voltou para dizer algo, não sabia bem o que, mas Theron fechou a porta sem dizer uma palavra. Bela fechou os olhos e se abraçou a si mesmo, revivendo esses preciosos momentos no elevador…

A paixão tinha sido imediata. A química entre eles, inegável. Theron Anetakis era em todos os aspectos seu homem ideal. O que não sabia até aquele momento, é se eram sexualmente compatíveis. Em uns segundos, a última peça do quebra-cabeça tinha encaixado em seu lugar.

Agora o que tinha que fazer era conseguir que Theron se desse conta de que estavam fadados um para o outro.

 

Theron apertou a ponta do nariz com dois dedos e soltou um palavrão. Sentia como se alguém o tivesse golpeado na cabeça com um martelo, estava cansado e não tinha pregado olho em toda a noite.

Madeline não deixava de olhá-lo como se estivesse louco e talvez fosse assim. Tinha esquecido duas reuniões e se negou a aceitar chamadas, inclusive a de seu irmão Piers.

Quem ocupava seus pensamentos era aquela morena de ardentes olhos verdes. Não podia esquecer o beijo, o calor de sua boca, aquele corpo suave colado ao dele como se estivesse feito para ele. Era seu tutor, o responsável por seu bem-estar e, entretanto, tinha estado a ponto de levá-la ao quarto da suíte para fazer amor. Ainda desejava fazê-lo.

Theron sacudiu a cabeça por enésima vez desde que tinha chegado ao escritório essa manhã. Por muito que quisesse, não podia livrar-se dessa imagem. Aquela garota o estava deixando louco.

Impaciente e mais que agitado, Theron apertou o botão do interfone.

—Tem a lista que pedi Madeline?

—Que lista?

—A dos homens solteiros que quero apresentar a Bela.

—Ah, essa lista. Sim, tenho-a.

—Traga-me, por favor.

Uns segundos depois, Madeline entrava no escritório com um papel na mão e Theron fez um gesto para que se sentasse.

—Leia-me isso, por favor.

—Dormiu mal? —perguntou-lhe sua secretária, tão perceptiva como sempre.

Theron lançou um rugido enquanto fazia um gesto com a mão.

—Reginald Hollister — começou a ler Madeline.

—Não, é um imaturo que depende de seus pais. Bela necessita um homem mais… independente.

Madeline riscou o nome da lista.

—Muito bem. Que tal Charles McFadden?

—Não, impossível. Há rumores de que batia em sua primeira mulher.

—Bradley Covington.

—É um imbecil.

Madeline deixou escapar um suspiro.

—Tad Whitley.

—Não tem dinheiro.

—Garth Moser?

—Não me cai bem.

—Paul Hedgeworth.

Theron franziu o cenho, como procurando uma razão para não levar em conta ao Paul.

—É isso — murmurou Madeline, fazendo um círculo ao redor do nome—Convido-lhe ao coquetel que vai dar na quinta-feira de noite?

—Não, é muito bonito e muito simpático.

—Bela gostaria então — murmurou Madeline—E acredito que também deveríamos incluir o Marcus Atwater e Colby Danford. Os dois são solteiros, bonitos e agora mesmo não têm nenhuma relação sentimental.

Theron moveu a mão em um gesto de derrota. Certamente, o melhor seria deixar que Madeline se encarregasse de tudo. Ao fim e ao cabo era uma mulher e saberia melhor que ele de quem Bela podia gostar…

Nesse momento foram interrompidos pela entrada da própria Bela.

—Sinto ter vindo sem avisar. Não vi Madeline na recepção e… ah, aí está.

A secretária se levantou.

—Estava a ponto de sair. E certamente que o senhor Anetakis tem tempo para você… parece que cancelou todas suas reuniões.

Theron fulminou Madeline com o olhar, embora ela não parecesse particularmente intimidada.

—Quer que retenha as chamadas?

—Não será NE…

Mas Madeline já tinha saído do escritório e estava sozinho com a Isabella.

Isabella de shorts. Tão curto que deixava descoberto suas longas e bem torneadas pernas. Em um de seus tornozelos brilhava algo… o que era uma tornozeleira? Quando levantou o olhar comprovou que a camiseta era tão curta que deixava descoberto seu umbigo e tão ajustada como se fosse a apresentar-se em um concurso de camisetas molhadas.

Aquilo não ia dar bom resultado, pensou.

Esclarecendo-a garganta, fez-lhe um gesto para que se sentasse na poltrona que Madeline tinha ocupado um minuto antes.

—Me alegro de que esteja aqui, Bela. Temos que falar.

Ela se voltou um momento e, de novo, pôde ver a tatuagem que aparecia pela cintura da calça… uma fada ou uma mariposa. Não podia distingui-lo e isso o tirava do sério. Gostaria de baixar a calça para vê-la…

Theron sacudiu a cabeça. No que estava pensando? Se fosse dele, nunca haveria feito nada tão absurdo. Não havia razão alguma para marcar o corpo de maneira permanente.

E agora estava pensando o que faria ou o que deixaria de fazer se Bela fosse sua noiva…

Mas não o era e não deveria pensá-lo.

Bela se sentou frente a ele, seus seios ficaram em seu campo de visão. Não podia acusá-la de levar muito decote porque o pescoço da camiseta era fechado, mas o tecido grudava a seu corpo como uma segunda pele, delineando cada curva. E isso era mais excitante que um decote.

—Do que queria falar?

Olhava-o com toda tranquilidade, como se estivessem falando do tempo, e a Theron deu vontade de golpeá-la cabeça com a escrivaninha.

—Sobre ontem à noite…

Ela levantou uma mão.

—Não o danifique, por favor.

—Danificar o que?

—O beijo. Não o danifique te desculpando.

—Não deveria ter te beijado— disse ele.

Bela suspirou.

—Vê-o? Já o danificaste.

Theron a olhou, boquiaberto.

—Mas não…

—Se tiver que lamentá-lo, te agradeceria que o fizesse em silêncio. Pode esquecê-lo, lamentá-lo ou jurar pelo mais sagrado que não voltará a acontecer — seguiu ela—Mas não espere que eu faça o mesmo. E te agradeceria que não fosse condescendente comigo. Eu acredito que foi um beijo estupendo.

Theron ficou sem fala. Ele, que sempre tinha algo que dizer. Ele, que era o mais diplomático da família, o mais prudente, convertia-se em um boneco de pano por culpa daquela mulher.

Bela cruzou as pernas e pôs as duas mãos sobre seu colo.

—Queria saber quando vamos às compras. Ah, e vão enviar aqui o contrato de aluguel do apartamento. Imaginei que quereria dar uma olhada.

Bela podia esquecer-se tranquilamente do que tinha passado enquanto ele se consumia durante toda a noite e toda a manhã? A lembrança o torturava.

Inclusive agora, olhando seus lábios, podia recordar quão quentes eram...

E a dor em sua virilha se intensificou ao imaginar-lhe nua em sua cama…

Resmungando uma maldição, Theron tentou concentrar-se no presente.

—Pedirei a meu advogado que dê uma olhada no contrato. Quanto ao de ir às compras… Madeline tem minha agenda, ela te dirá que dia estou menos ocupado.

Bela se levantou da poltrona sacudindo os cabelos e se despediu com a mão antes de sair do escritório.

Um duende. A tatuagem era um duende com asas e brilhos de luz.

Combinava muito.

Mas isso despertava um pensamento intrigante: teria mais tatuagens? Talvez uma ou duas que só eram visíveis quando estava nua. Theron ficou nervoso ao imaginar-se a si mesmo procurando essas tatuagens na cama…

Isabella saiu do escritório mordendo os lábios para não soltar uma gargalhada. Theron estava preparado para conversar sobre o inapropriado do beijo, mas ela decidiu adiantar-se. E certamente, Theron ainda seguia tentando entender o que tinha passado.

Madeline a recebeu com um sorriso.

—Falou-te sobre a festa?

—Não, não me disse nada.

Nesse momento, Theron abriu a porta.

—Bela, me tinha esquecido que vou organizar um coquetel na quinta-feira e eu gostaria que fosse. As sete, em minha casa. Madeline se encarregará de que enviem um carro para te buscar.

Antes que pudesse responder, Theron havia tornado a fechar a porta do escritório.

—Bom era isso o que eu ia dizer — sorriu Madeline—Mas vejo que não te contou com que ideia celebra o coquetel.

—Por que tenho a impressão de que está tentando me armar uma armadilha? —riu Bela.

—Porque é assim.

—Me conte.

—Supõe-se que deveria mantê-lo em segredo, mas se alguém organizasse uma festa para que eu conhecesse meu futuro marido, eu gostaria de sabê-lo de antemão para comprar um vestido.

—Meu futuro marido?

—Theron não te disse que está procurando um marido para você?

—Sim, mencionou-o, mas… já encontrou alguém?

Isabella tentou não parecer horrorizada, mas a julgar pela expressão de pena de Madeline, não devia ter tido muito êxito. Tinha seguido a onda de Theron porque pensava que não falava sério…

—Talvez tenha pressa para poder concentrar-se em suas próprias bodas — sugeriu Madeline.

—O que?

—Tampouco te contou isso? —suspirou a secretária—Ah, então eu não disse nada.

—Theron vai casar se? Com quem?

Madeline olhou para a porta do escritório.

—Por que não vamos à sala de reunião?

Isabella foi atrás da secretária e esperou que fechasse a porta.

—Bom, me conte: desde quando você gosta de Theron?

—Desde quando eu gosto? —repetiu ela, nervosa—Não é que eu goste, é que estou apaixonada por ele desde que era uma menina.

Madeline sacudiu a cabeça.

—Theron tem um acordo com a família Gianopoulos para casar-se com sua filha Alannis. Sua mãe e ela chegarão à Nova York dentro de uma semana e eu não gostaria que você tivesse uma desilusão. Talvez o melhor fosse que te fixasse em outro homem, Isabella. Essa fascinação pelo Theron só pode terminar com um coração quebrado.

Bela sabia que Madeline tinha boa intenção, mas ela não entendia a profundidade de seus sentimentos. Pensar em Theron comprometido com outra mulher… teve que fechar os olhos para dissimular sua angústia. Agora entendia por que queria esquecer-se do beijo da noite anterior.

—Quando se casarão?

—Theron ainda não pediu sua mão, mas tenho entendido que é uma mera formalidade. Ele não quer um compromisso longo, assim imagino que se casarão antes do outono.

—Ainda não pediu sua mão? —exclamou Isabella, aliviada. Se não estavam comprometidos, ainda havia tempo—Tem que me ajudar, Madeline. Theron vai cometer um terrível engano…

—Não, não, eu não penso fazer nada. Theron tomou uma decisão e eu não tenho por costume me misturar em sua vida privada.

—Me agradecerás quando for um homem feliz, asseguro-lhe isso.

—Não seja ingênua, Isabella. Theron escolheu à pessoa com a que quer casar-se e você não deve intrometer-se. Uma mulher deve respeitar-se a si mesmo. Se sua mãe fosse viva, diria o mesmo.

—Minha mãe amava muito a meu pai — suspirou Bela—E os dois desejavam que eu fosse feliz. Por isso iriam querer que me casasse com o homem de que estou apaixonada.

—Então, desejo-te sorte.

Isabella sorriu, embora fosse um sorriso forçado.

—Obrigado.

—Vamos a meu escritório. Tenho ali o contrato de aluguel para que assines.

Um minuto depois, Bela o devolvia já assinado.

—Se Theron tiver alguma objeção sobre o contrato, diga que me devolva isso por fax.

—Não vão às compras juntos?

—Não, irei sozinha. Quando disse que é o coquetel?

—Na quinta-feira, às sete.

—Muito bem, ali estarei.

Tentando controlar a angústia que tinha produzido a notícia do casamento de Theron, Isabella tirou o celular da bolsa e chamou Sadie.

—Sadie? Sou eu. Está ocupada? Tenho que falar com você. É urgente.

 

—Isto é um desastre — suspirou Isabella, deixando cair no sofá do apartamento de sua amiga.

Sadie, sentada a seu lado, olhou-a com cara de preocupação.

—Espero que não se renda. Ainda não pediu sua mão.

—Ainda, esse é o problema. Ainda significa que pensa fazê-lo. É como se já estivesse comprometido.

—Pode ser que ela diga não — sugeriu sua amiga.

—Você diria que não ao Theron Anetakis?

—Bom, não…

—E ela tampouco—suspirou Isabella, entristecida—Deve ser uma garota grega de impecáveis maneiras. Das que beberiam água sanitária antes de contradizer a seus pais.

—Que garota emocionante — disse Sadie, irônica.

—Bom, a verdade é que não estou sendo muito amável com ela. Nem sequer a conheço. Certamente é encantadora.

—Isto não muda nada, céu. O que tem que fazer é conseguir que Theron se fixe em você. Não poderá resistir assim que te conheça bem.

Bela assentiu. Naquele momento, qualquer palavra amável era bem-vinda. Estar sozinha era algo que nunca a tinha incomodado até aquele momento, mas agora enfrentava à possibilidade de não poder estar nunca com a pessoa a quem amava.

—Ontem à noite nos beijamos — contou a sua amiga.

—Vê-o? Eu te disse.

—Não celebre ainda - suspirou Isabella—Esta manhã me deu um sermão… bom, tentou-o ao menos.

—Um sermão?

—Já sabe o de “não pode voltar a acontecer” e tudo isso.

—Ah, esse sermão.

—Pelo menos agora sei por que.

—Não será tão fácil como tínhamos imaginado, mas ainda não se perdeu nada. Pelo que me contou; a relação de Theron com essa garota não tem nada que ver com o amor.

—E o que faço então?

Sadie lhe apertou a mão.

—Faz que se apaixone por você.

—Mas para isso teria que lhe fazer esquecer que é meu tutor. O beijo foi… —Isabella pôs cara de sonho— tão ardente e tão apaixonado… Preciso que me veja como me viu nesse momento.

—Tem que deixar de vê-la como a uma menina — murmurou Sadie, pensativa—E acredito que me ocorreu uma ideia para que te veja… mais ou menos nua.

—O que?

—Poderia funcionar. Talvez.

—Me conte — disse Isabella, impaciente.

—Tenho um teste na sábado de noite. Bom, não é exatamente um teste, mas poderia sê-lo se fizer as coisas bem.

—Quer ir direto ao ponto? A incerteza me está matando.

Sadie sorriu.

—Um grupo de homens de negócios alugou o clube no sábado de noite e não pode faltar nenhuma das bailarinas. Mas eu tenho que ir a uma festa a que me convidaram… Howard Griffin estará ali e Leslie me disse que vai me apresentá-lo.

—Quem é Howard? E quem é Leslie?

—Howard é um produtor da Broadway e vai fazer testes a semana que vem para um novo musical. E Leslie é uma atriz da que me tornei amiga. Tem vários contatos e me vai fazer um favor falando de mim ao Howard, assim não posso perder a festa.

—E o que tem isso que ver comigo?

—Se não for ao clube essa noite, perderei meu emprego — disse Sadie então, com expressão angustiada—E até que não consiga um bom papel na Broadway necessito desse dinheiro… assim tinha pensado que você poderia ir em meu lugar.

Isabella soltou uma gargalhada.

—Quer que me faça passar por você em um clube de strip-tease?

—Não tem que fazer strip-tease. Só tem que dançar com pouca roupa.

—Sadie, você e eu não nos parecemos nada. Além disso, eu danço muito mal. Jogariam-me em cinco segundos.

Sua amiga negou vigorosamente com a cabeça.

—Eu uso uma peruca loira platina quando atuo. Somos quase da mesma estatura e com a maquiagem adequada ninguém se daria conta. Além disso, nesse lugar ninguém lhe olhará o rosto.

—Mas Theron teria um enfarte se acreditasse que trabalho em um clube de strip-tease.

—Pensa — sorriu Sadie—Se soubesse que está ali, iria tirar-te… e então te veria meio nua.

—Mas se montasse um escândalo, você seria despedida de toda forma.

—Droga! Eu não tinha pensado nisso.

—Que tal se me faço passar por você sem que Theron saiba nada e procuro outra maneira de chamar sua atenção?

—Está certa? —perguntou Sadie, lhe apertando a mão.

—Sim, claro. Mas terei que escapar dos seguranças. Aparentemente, Theron contratou a uma equipe inteira para que me siga por Nova York. Eu acredito que está levando o papel de ser meu tutor muito longe.

—Tem uma equipe de segurança?

—Parece ridículo, já sei. Segundo Theron, não posso ir a nenhum lugar sem eles… — Isabella sorriu então, travessa— Se eu lhes enganar para me fazer passar por você no clube, Theron se inteiraria… não saberia onde fui, é obvio, mas assim terá outra oportunidade de me dar um sermão e eu encontrarei a forma de fazer que se fixe em mim. E se o bate-papo for muito aborrecido, simplesmente voltarei a beijá-lo.

—Espero que esse homem mereça o esforço que está fazendo — suspirou Sadie—Embora nenhum homem mereça tanto.

—Theron sim o merece — afirmou Bela, totalmente convencida.

 

Quando chegou aos escritórios de Theron e viu um elegante jogo de malas no chão, Isabella se voltou para Madeline para lhe perguntar de quem era… mas então viu que o escritório estava cheio de gente.

—O que ocorre aqui? —perguntou-lhe em voz baixa.

Madeline esclareceu garganta.

—Chegaram Alannis e sua mãe. E essa é sua equipe de segurança — respondeu a secretária, assinalando a três homens de aspecto ameaçador—Outros são clientes que estão esperando porque Alannis e sua mãe estão com Theron.

Isabella olhou para a porta do escritório e, sem dizer uma palavra, dirigiu-se para ali.

Precisava ver a mulher com quem Theron pretendia casar-se.

Quando entrou no escritório, ele se voltou para olhá-la com o cenho franzido. Uma mulher de certa idade se voltou também com cara de surpresa e a última, que tinha que ser Alannis, olhou a Isabella com curiosidade.

É obvio não era feia, isso seria pedir muito. Alannis e sua mãe eram muito atraentes e elegantes. Enquanto sua mãe levava o cabelo preso em um coque francês, o cabelo escuro de Alannis caía livremente por suas costas. Seus olhos castanhos eram quentes e amistosos e inclusive sorriu ao vê-la.

—Madeline não te disse que estava ocupado?

A recriminação que havia na voz de Theron era evidente, mas Isabella não fez conta. Estava muito ocupada tentando em encontrar alguma falta em Alannis. Desgraçadamente para ela, a menos que tivesse uma voz estridente, parecia perfeita. Theron e ela faziam um casal fabuloso.

—Sim, acredito que o mencionou.

Ele se voltou para suas duas convidadas, suspirando.

—Isabella, quero lhe apresentar Alannis Gianopoulos e a sua mãe, Sophia. Esta é Isabella Caplan, minha protegida.

Para surpresa de Bela, Sophia se aproximou para lhe estreitar a mão.

—Prazer em conhecê-la. Theron nos falou muito de você.

—Ah, sim?

—E me parece maravilhoso que tenha decidido te achar um marido adequado.

—Prazer em conhecê-la, Isabella — sorriu Alannis.

—O mesmo digo — murmurou ela, desconcertada.

—Queria algo? —perguntou-lhe Theron.

—Não irias apresentar-me a minha equipe de segurança?

—Ah, sim, claro. Perdoa, com a emoção da chegada de Alannis tinha esquecido. Madeline lhe explicará tudo.

Estava-a jogando do escritório, evidentemente, e Bela se despediu antes de fechar a porta. Mas quando chegou à mesa de Madeline, com cara de pena, a mulher se levantou.

—Venha comigo - murmurou, levando a sala de reunião—Decidi te ajudar.

—O que quer dizer?

Madeline suspirou.

—Alannis é uma garota encantadora, mas não tem nada que ver com o Theron. É um ratinho, enquanto que ele é um leão.

—Talvez queira um ratinho.

—Decidiu se render? —perguntou-lhe Madeline, golpeando o chão com o pé.

—Não, não…

—Esse casamento seria um desastre e eu acredito que até o próprio Theron se dará conta cedo ou tarde.

—Pensei que não tinha por costume te misturar na vida privada de seu chefe.

—Eu não penso me misturar, mas você sim.

Isabella levantou uma sobrancelha.

—Pensa pedir sua mão na sexta-feira, depois da ópera. Tem as entradas, o anel, a festa em que fará o pedido… tudo planejado nos detalhes — explicou Madeline—Bom, eu te dei a informação, faz o que queira com ela. Mas terá que te mover rápido. E enquanto pensa, deixa que lhe apresente a sua equipe de segurança — suspirou a secretária enquanto a levava de volta ao escritório—Têm instruções estritas de te acompanhar a todas as partes.

Isabella prestou atenção enquanto os apresentava, mas certamente pareciam guardas de segurança. Não eram sutis precisamente. Claro que a sutileza não era um dos pontos fortes de Theron Anetakis.

Quando Madeline estava apresentando ao último homem, abriu-se a porta do escritório e Theron saiu… com Alannis pelo braço.

—Ah, vejo que já conhece os homens.

—Sim, claro — assentiu ela. E logo, fazendo um esforço, voltou-se para Alannis—Espero que tenham tido uma viagem agradável.

—Sim, muito — respondeu à jovem.

—Estamos desejando voltar a vê-la na quinta-feira — interveio Sophia.

—Na quinta-feira?

—No coquetel — explicou Theron—Sophia e Alannis estarão presentes.

—Ah, claro.

Embora sua futura prometida estivesse pendurada em seu braço, Theron não deixava de olhá-la; o calor de seus olhos quase estava deixando uma marca em sua pele.

Estaria apaixonado por Alannis? Sentiria afeto por ela? Era mais velha que Isabella, mas não muito, talvez um par de anos. E havia uma inocência nos olhos daquela garota que a fazia sentir-se mais velha, experiente.

—Então nos veremos na quinta-feira, assim poderão me contar coisas da Grécia — conseguiu dizer—Acredito que é um lugar lindo. Talvez pudesse ir ali de lua de mel… depois de meu casamento.

O rosto do Theron se escureceu.

—Bom, deveríamos ir. A viagem foi muito longa e suponho que estarão cansadas — murmurou—Se tiver algum problema, me chame Bela.

Ela assentiu enquanto o via sair do escritório com Alannis no braço. Não podia dizer nada porque tinha um nó na garganta.

 

Não podia deixar de pensar nela. Theron passou uma mão pelo rosto enquanto tentava concentrar-se no que Sophia e Alannis estavam dizendo. Tinha-as levado almoçar no restaurante do hotel, mas isso lhe recordou que tinha jantado com Bela naquela mesma mesa antes do episódio do beijo no elevador.

Sophia se mostrou feliz com seu plano de pedir a mão de Alannis depois da ópera. Tinha calculado a noitada meticulosamente, comprando entradas para a ópera favorita de Alannis e terminar a noite com uma festa no hotel.

Então, por que não estava mais entusiasmado?

Alannis parecia muito contente… certamente Sophia tinha dado a entender algo, embora tivesse pedido que o mantivesse em segredo.

Aparentemente, todo mundo estava contente menos ele.

—Encontrou algum candidato para a Isabella? —perguntou-lhe Sophia.

—Perdoa? —murmurou Theron, distraído.

—Me disse que estava procurando um marido para a Isabella e queria saber se já tinha encontrado a algum candidato.

—Ah, sim, claro. Penso lhe apresentar a um par de homens na quinta-feira, durante o coquetel.

Sophia assentiu com a cabeça.

—É uma garota muito bonita e duvido que tenha problema para encontrar um homem adequado.

Theron franziu o cenho. Não, não teria nenhum problema. Os homens fariam fila pela possibilidade de ser seu marido.

—Sabe uma coisa? —sorriu Sophia então—Isabella poderia voltar para a Grécia comigo. Myron estaria encantado de lhe apresentar a vários jovens da melhor sociedade de Atenas.

—É uma ideia maravilhosa, mamãe — sorriu Alannis.

—O direi a próxima vez que a veja — assentiu Theron. Mas a ideia de que partisse do país deixava um sabor amargo na boca.

Embora casá-la com alguém de Nova York tampouco o fazia sentir-se feliz precisamente.

Alannis seguiu falando, mas não prestava atenção. Seus pensamentos estavam ocupados pela vibrante e encantadora morena com um sorriso que faria derreter a qualquer homem.

Como se a tivesse conjurado, ao levantar o olhar a viu seguindo ao maître para uma mesa. Parecia solitária e triste inclusive. Levava umas calças jeans e uma camisa, o cabelo preso em um rabo… sorriu quando o maître lhe deu a carta, mas o sorriso não iluminava seus olhos.

Pela primeira vez, Theron pensou em suas circunstâncias. No difícil que devia ser para ela estar em uma cidade estranha, sem família. Se tinha amigos não os tinha apresentado e Theron se sentiu culpado por tratá-la tão mal.

Alegrava-se de ter organizado uma festa na quinta-feira à noite para ela, mas em lugar de um simples coquetel em seu apartamento de cobertura poderia convertê-la em uma grande festa no hotel para dar às boas-vindas a Nova York. Além de lhe apresentar aos homens da lista de Madeline, a pobre Bela passaria um bom momento. Uma garota de sua idade se aborreceria na discreta reunião que ele tinha preparado.

Sentindo-se um pouco melhor, Theron voltou sua atenção para Alannis, recordando que em um par de dias estaria lhe pedindo ser sua esposa. Seria sua amante e a mãe de seus filhos, a pessoa com a que passaria o resto de sua vida.

De repente, sentiu um suor frio. Em lugar de fazê-lo feliz, a ideia de chegar a tal compromisso o enchia de horror. Por que reagia dessa maneira quando uma semana antes estava desejando casar-se com Alannis? Não tinha sentido.

De novo, olhou para a Isabella, que olhava pela janela com expressão pensativa.

Suspirando, Theron tirou seu celular do bolso e enviou uma rápida mensagem a Madeline para lhe perguntar que dia tinha que ir às compras com a Isabella. Não queria ficar com Alannis ao mesmo tempo. Uns minutos depois Madeline respondeu e Theron franziu o cenho ao ler a mensagem. Isabella tinha decidido ir sozinha às compras? Não queria ir com ele?

Molesto, enviou-lhe uma resposta:

Pergunte-lhe quando pensa ir e cancela minhas reuniões para esse dia.

 

Assim que Isabella saiu da suíte, um homem se colocou a seu lado. Ainda não tinha acostumado a levar escolta e ficava nervosa ter alguém a seguindo a todas as partes.

O homem subiu no elevador com ela e, quando chegaram ao vestíbulo, os outros dois se colocaram a seu lado. Tentando não pensar no assunto, Isabella se dirigiu à fila de táxis que esperavam na porta… mas um dos homens se interpôs em seu caminho.

—Perdoe… como se chama?

—Reynolds - respondeu ele, voltando-se logo para assinalar aos outros dois—O da esquerda é Davison e o outro Maxwell.

—Muito bem, Reynolds — começou a dizer Bela, impaciente—Vou fazer umas compras e não há necessidade de que venham comigo. Podem me esperar no hotel.

—Temo que não possa fazer isso, senhorita Caplan. As ordens são que a acompanhemos a todas as partes.

—Inclusive ao banheiro?

—Se fosse necessário…

—Mas não podemos entrar os quatro em um táxi — protestou Bela.

—Temos instruções precisas de acompanhá-la a todas as partes no carro que colocaram ao seu dispor — insistiu o homem—Mas deve esperar ao senhor Anetakis.

—Não, Theron não vai comigo às compras.

Reynolds olhou seu relógio e logo assinalou um elegante Mercedes prateado que acabava de parar frente ao hotel.

Para surpresa de Isabella, Theron desceu do carro e se dirigiu para eles.

—Algum problema?

—A senhorita Caplan estava pedindo que não a seguíssemos — respondeu Reynolds por ela—E eu estava lhe explicando que não podíamos fazê-lo.

—Deve seguir minhas instruções, pethi mou. Sua segurança é o mais importante.

—Sim, claro — murmurou ela—Mas suponho que terá vindo para ver Alannis e não quero te fazer perder tempo. Pode-se saber por que não posso tomar um táxi?

Theron levantou uma sobrancelha.

—Faz um par de dias queria que te acompanhasse quando fosse às compras. Por que mudou de opinião?

—Como agora tem convidadas… pensei que não teria tempo de ir comigo — respondeu Isabella.

—Mas você também é minha convidada — sorriu ele, voltando-se para o Reynolds—Podem ficar aqui até que voltemos. Minha equipe de segurança irá conosco.

Bela subiu a Mercedes e colocou o cinto de segurança, suspirando.

—Quando foi à última vez que não te saiu com a tua? E por que leva tanta segurança? Parece-me um pouco pretensioso.

O rosto do Theron se escureceu.

—Antes de casar-se, a mulher de Chrysander foi sequestrada durante meses e os sequestradores nunca foram detidos. Eu não me arrisco com a segurança das pessoas que tenho a meu cargo.

—Como estão Chrysander e sua mulher, por certo?

—Bem. Marley prefere viver na ilha e Chrysander vem de vez em quando a alguma reunião importante, mas não gosta de deixá-la só durante muito tempo.

—Não imagino Chrysander apaixonado — sorriu Isabella—Parece um homem tão… aterrador.

—Evidentemente, não sente o mesmo por mim — disse Theron.

Ela o olhou de cima abaixo.

—O que sinto por você não pode comparar-se com o que sinto pelo Chrysander.

Antes que ele pudesse replicar a sua enigmática frase, Bela voltou-se para janela.

—Por que quis me acompanhar as compras? Pensei que estava muito ocupado com o trabalho… e suas convidadas.

—Não estou tão ocupado para renegar uma promessa — respondeu ele—Disse-lhe que iria às compras com você e aqui estou.

—Eu me alegro — sorriu Isabella—Obrigado.

Passaram à manhã comprando tudo o que necessitava para o apartamento e Theron pareceu alegrar-se de que não demorasse um século em escolher cada peça, mas a verdade era que Isabella não se incomodou muito na escolha dos móveis porque se as coisas fossem como ela esperava, não ficaria no apartamento muito tempo. E se não fossem como ela esperava, não pensava ficar em Nova York para ver o Theron casado com outra mulher.

Às duas da tarde estava cansada e quando Theron sugeriu que comessem de novo no restaurante do hotel, Isabella se alegrou ao ver que não parecia ansioso por voltar para Alannis.

Assim que chegaram ao hotel, Reynolds e os outros dois homens se colocaram na porta do restaurante. Isabella começava a acostumar-se a esse pequeno pessoal que os seguia a todas as partes.

Se Theron era tão protetor com as pessoas que, segundo ele, tinha a seu cargo, como seria quando se tratasse de alguém de quem estivesse apaixonado?

Sorriu então, sonhadora, enquanto o maître os levava para a mesa. Não lhe importaria nada que fosse tão protetor se a quisesse de verdade.

—Parece muito agradada, pethi mou — a voz do Theron interrompeu seus pensamentos—Está contente com suas compras?

—Sim, muito. Obrigado por ir comigo.

—Não há de que. Não deveria estar sozinha em uma cidade estranha. Mas me diga, Bela, por que Nova York? Não preferia ficar com seus amigos em Califórnia? E pensou no que quer fazer agora que terminaste a universidade?

—Minha indecisão deve deixar louco a alguém como você, não? —riu ela—Mas a verdade é que tenho meu futuro bem planejado.

—Alguém como eu? Devo perguntar a que te refere com isso?

—Só que imagino que planejou sua vida com detalhes e não tem paciência para pessoas que não são tão organizados como você. Estou certa?

Ele teve que sorrir.

—Não há nada de mal em planejar as coisas com antecipação.

—Não, claro que não. Eu também tenho minha vida mais ou menos planejada, mas sei que as coisas nem sempre saem como a gente quer. A verdadeira prova está em como as acertas quando tudo vem abaixo.

—Sábias palavras vindas de alguém tão jovem.

Isabella enrugou o nariz.

—Insiste na minha idade para não sentir a tentação de me beijar outra vez?

Theron a olhou, boquiaberto.

—Pensei que tínhamos concordado não voltar a falar disso.

—Eu nunca disse tal coisa — sorriu Bela—Mas você pode fazer o que quiser claro.

Theron não pôde responder por que o garçom chegou nesse momento. Isabella o observou enquanto comiam. Sua agitação era evidente. Havia tal fogo em seus olhos, pensou. Não era imune a ela, por muito que queria parecê-lo.

Estava afastando seu prato quando um homem muito elegante se aproximou deles. Ia bem vestido e tinha um aspecto refinado e elegante, mas a olhava embora se dirigisse a Theron.

E ele não parecia muito entusiasmado pela interrupção.

—Como está? Alegrou-me muito receber seu convite para o coquetel de quinta-feira.

Bela perguntou-se se aquele seria um dos homens da lista de possíveis maridos. Se fosse assim, Madeline tinha bom olho. Pena que ela não estivesse interessada.

—O verei ali? —perguntou-lhe—Tenho entendido que Theron pensa usar o coquetel da quinta-feira para me encontrar um marido.

A cara de surpresa do desconhecido e a expressão horrorizada de Theron a fizeram rir.

—Você deve ser Isabella Caplan. Eu sou Marcus Atwater e sim, penso ir ao coquetel. Agora que sei que estou na lista, não perderia isso por nada do mundo.

Isabella ofereceu sua mão.

—Por favor, me chame Bela.

Marcus tomou sua mão, mas em lugar de estreitá-la a levou aos lábios.

—Muito bem, Bela. Um nome precioso para uma garota preciosa.

—Queria algo, Marcus? —perguntou Theron então, de muito más maneiras.

—Não, nada — sorriu o jovem—Vi você com uma garota bonita e decidi me aproximar para ver se era a misteriosa Isabella Caplan. E agora me alegro de havê-lo feito - acrescentou, voltando-se olhá-la guardará uma dança na quinta-feira?

—Sim, claro.

Bela esperou até que Marcus saiu do restaurante para voltar-se para Theron.

—Bom, me diga, que posto ocupa em sua lista de candidatos?

—É um dos primeiros.

—Ah, estupendo. Então não te importará que dance com ele.

—Não, claro que não — disse Theron, com os dentes apertados—É um homem inteligente, não tem dívidas, nunca esteve casado e tem boa saúde.

—Por favor, não me diga que investigou seu relatório médico.

—Pois claro que sim. Não ia pôr na lista a um homem que tivesse problemas de saúde ou defeitos que pudesse transmitir a seus filhos.

Isabella teve que conter uma gargalhada de incredulidade.

—Devo pensar que todos os homens da lista têm sua aprovação?

Ele assentiu com a cabeça, mas não parecia absolutamente contente.

—Então será divertido — disse Isabella—Um apartamento cheio de rapazes bonitos, sãos ricos entre os que escolher. Também sabe se são bons na cama?

Theron se engasgou com o vinho.

—É obvio que não.

—Uma pena. Suponho que terei que descobri-lo eu mesma antes de escolher a um em particular.

—O que? Não vai fazer nada disso…

Felizmente, seu celular soou nesse momento, interrompendo a discussão.

—Vai ter que me perdoar — disse depois de desligar—, mas tenho uma reunião importante em quinze minutos.

Isabella deu de ombros.

—Não se preocupe por mim. Eu ia à suíte de toda forma.

—Não tente ir a nenhum lugar sem levar com você os seguranças — lhe advertiu Theron.

 

A advertência de Theron seguia repetindo-se na cabeça de Isabella pela manhã, enquanto tentava encontrar a maneira de sair do hotel sem que Reynolds e os outros dois a seguissem. Não importaria que fossem com ela de compras… de fato, poderiam lhe dar uma perspectiva masculina sobre que vestido ficava melhor. Queria estar perfeita para o coquetel e não precisamente para os candidatos da lista de Theron. Mas desejava ir sozinha, sem escolta.

Assim que saiu da suíte, Reynolds se colocou a seu lado.

—Bom dia. Aonde quer ir esta manhã?

—Quero… ir dar uma volta, mas não conheço bem a cidade.

—O que lhe interessaria ver?

Isabella fingiu pensar.

—Museus, galerias de arte… ah, e a Estátua da Liberdade.

O homem assentiu, mas quando Davison e Maxwell se uniram a eles, Isabella fez uma careta.

—Algum problema?

—Se tiverem que ir comigo a todas as partes, preferiria que não parecesse um filme de mafiosos. Não quero que todo mundo se fixe em mim.

—O que sugere então?

—Poderiam tirar óculos de sol, por exemplo.

Maxwell e Davison tiraram os óculos.

—E agora a gravata e o paletó.

—O paletó fica — Davison afastou um pouco a lapela para mostrar a pistola que levava debaixo.

Isabella ficou gelada. Levavam armas? Possivelmente lhes enganar não fosse tão boa ideia, pensou.

—Muito bem, de acordo, não tirem o paletó. Ah, vá, deixei a bolsa na suíte.

—Eu irei buscá-la. —se ofereceu Reynolds.

—Não é necessário. Só demorarei um segundo.

Em lugar de subir ao elevador. Bela entrou no lavabo masculino. Quando se dessem conta de que tinha desaparecido, olhariam no lavabo feminino, mas certamente não lhes ocorreria olhar no masculino, pensava.

Uns minutos depois, Maxwell e Davison passavam por diante da porta com expressão séria e Isabella, depois de comprovar que Reynolds não estava na entrada, aproveitou para sair correndo.

Subiu no primeiro táxi que encontrou e ofereceu ao taxista o dobro do que custasse a corrida para que saísse dali a toda velocidade. Encantado, o homem pisou no acelerador.

—Aonde vamos; senhorita?

—Não estou certa. Preciso comprar um vestido precioso… um tão bonito que faça que os homens tremam ao vê-lo.

—Ah, então já sei onde podemos ir.

—Poderia me esperar enquanto faço minhas compras?

—Sim, claro. Ficarei dando voltas até que termine — respondeu o homem.

Uns minutos depois parou frente a umas conhecidas lojas de departamentos e lhe deu o número de seu celular.

—Me chame quando tiver encontrado o vestido e estarei esperando-a na porta.

—Obrigado.

Depois de provar cinco ou seis vestidos, Bela encontrou o que procurava. Era negro, de seda, e ficava como feito sob medida. O acerto do vestido era sua simplicidade; não tinha babado nem adornos, nada que afastasse a atenção de suas curvas. Com uns sapatos de salto de agulha, teria aos homens comendo na palma de sua mão.

Isabella franziu o cenho ao pensar que não importava o que fizessem os convidados no coquetel. A reação de Theron era a única que lhe importava e não tinha nem ideia de como ia reagir.

—O caimento é perfeito senhorita Caplan, absolutamente perfeito — sorriu a funcionária—Com os sapatos adequados será a mais bonita da festa.

—Não terá um par de sapatos negros de salto que combinem com o vestido?

—Volto agora mesmo — sorriu à jovem.

Uns minutos depois, Isabella dava voltas frente ao espelho do provador. Os saltos eram como palitos de dentes, mas alargavam suas pernas até o infinito. Não contente lhe vendendo um vestido muito caro, e uns sapatos igualmente caros, a funcionária insistiu em que comprasse bijuteria e uma bolsa combinando.

Duas horas depois de ter enganado aos homens de segurança, Isabella subia de novo ao táxi para voltar para hotel.

—Muito obrigado — se despediu antes de sair do carro.

—Nenhum problema, senhorita. Boa sorte na festa esta noite. Certamente os deixará sem fala.

Sorrindo, Isabella entrou no hotel e se dirigiu aos elevadores. Mas ao não ver Reynolds e os outros na porta, se sentiu culpada. Estava tão emocionada com as compras que nem sequer lhe tinha ocorrido chamar Reynolds para lhe assegurar que estava bem e nem ele nem Theron tinham o número de seu celular.

Suspirando, saiu do elevador e procurou o telefone na bolsa enquanto inseria o cartão na porta da suíte…

Mas ao levantar a cabeça se encontrou com quatro homens olhando-a com expressão furiosa.

Theron se levantou do sofá e fez um gesto ao Reynolds.

—Já podem partir.

Isabella deixou as bolsas no chão e esperou que fechassem à porta.

—Não os terá despedido, verdade?

—Asseguro-te que sei muito bem de quem é a culpa do que aconteceu — respondeu ele—Sair por Nova York sem levar a alguém da segurança foi uma estupidez por sua parte, Bela. No que estava pensando?

—Tinha minhas razões — se limitou a dizer ela.

—Que razões?

—Nada que você aprovasse, mas tomei precauções, asseguro-lhe isso. Um taxista muito amável me levou até umas lojas de departamentos e esperou até que terminei de fazer minhas compras. E no interior estive o tempo todo rodeada de gente.

—Um taxista? Confiou sua segurança a um taxista?

—Relaxe — disse Isabella—Era um homem muito agradável.

Theron respirou profundamente, tentando controlar sua ira.

—Por que foi sozinha Isabella? O que era tão importante para te arriscar desse modo?

—Precisava comprar um vestido para a festa desta noite.

—Um vestido? Deu-me o susto de minha vida por um vestido? —exclamou ele, passando uma mão pelo cabelo.

—Não é só um vestido — protestou Bela, alegrando-se ao ver que Theron perdia a compostura—Não queria conhecer meu futuro marido com algo que não fosse espetacular.

—É a mulher mais irritante e mais frustrante que tive a desgraça de conhecer — disse ele então.

E logo, de repente, tomou pela cintura para apoderar-se de sua boca em um beijo que a deixou sem fôlego. Beijava-a como se não pudesse cansar-se dela, apertando suas costas com as duas mãos. Os seios de Isabella, esmagados contra o torso masculino, incharam-se, com os mamilos endurecidos.

Theron colocou a mão sob o cós da calça e passou os dedos por cima da tatuagem enquanto ela deslizava a língua por seus lábios, tão quentes, tão masculinos, tão poderosos.

Acelerou-lhe o pulso quando Theron levantou as mãos para procurar o fecho do sutiã…

Mas então, deixando escapar um palavrão, separou-se, respirando agitadamente.

—Theos mou! —exclamou, passando uma mão pelo cabelo—Não podemos… isto não pode voltar a acontecer. Sinto muito, Bela.

Dirigiu-se à porta como se estivesse bêbado, mas antes de sair se voltou; seus olhos ainda ardiam de desejo.

—A equipe de segurança vai a todas as partes com você, entendido? A partir de agora, inclusive irão ao banheiro com você se necessário.

Isabella assentiu com a cabeça, incapaz de fazer outra coisa. E quando Theron saiu da suíte, passou as mãos pelos braços, gelados de repente.

—Pode negar o quanto queira — murmurou—Mas você me deseja tanto quanto eu a você.

 

Theron passou uma mão pelo cabelo, nervoso, entre os convidados que conversavam e riam no salão de baile do hotel. Todo mundo parecia estar circulando e a orquestra de jazz animava ainda mais o ambiente… mas Isabella não tinha aparecido.

Alannis estava ao seu lado, com uma mão sobre seu braço. Sophia a um metro deles, sorrindo a todo mundo. Theron inclinou a cabeça para escutar o que Alannis estava dizendo e assentiu apropriadamente, embora sua mente estivesse em outro lugar. Quando voltou a incorporar-se, olhou para a porta… e ficou sem fôlego.

Ali estava.

Olhava de um lado a outro nervosamente e Theron teve que tragar saliva. A expressão “pretinho básico” devia ter sido inventada para aquela ocasião.

O tecido colava as suas curvas como uma segunda pele, caindo por cima dos joelhos. Estava com o cabelo preso em um coque alto que realçava seu longo pescoço, com um par de mechas caindo ao redor do rosto.

E ele sentia o imperioso desejo de desfazer o coque e deixar que o sedoso cabelo caísse sobre seus ombros para deslizar os dedos…

—Ah, olhe, aí está Isabella — anunciou Sophia.

Como se ele não se desse conta do momento em que entrava em uma habitação.

—Sim, já a vi. Perdoa um momento, Alannis.

Não sabia como ia dissipar a tensão que havia entre eles, mas tinha que dissimular.

—Olá, Bela — a saudou.

Ela o recebeu com um sorriso.

—Sinto chegar tarde. Suponho que não me terá reservado uma dança.

Theron teve que dissimular um suspiro. A ideia tê-la apertada contra seu peito era uma tortura.

—O baile não começou ainda. Mas talvez pudéssemos começá-lo juntos… em seguida apresentarei aos outros.

Fez um gesto ao pianista, que assentiu com a cabeça e começou a tocar uma melodia lenta e sensual. Quando chegaram à pista, voltou-se para ela e, assim que Bela ficou em seus braços, Theron ficou rígido.

Seu aroma o envolvia, como uma invasão. Bela não levava sutiã e os redondos seios se apertavam contra seu peito, lutando por sair do decote do vestido. Teve que fazer um esforço para não tomá-la em braços e tirá-la dali para que ninguém mais que ele pudesse vê-la…

—É uma festa maravilhosa. Obrigado por te incomodar em organizá-la para mim.

—De nada, pethi mou. Quero que se sinta bem.

—Que tal suas convidadas, também estão aproveitando bem?

Theron franziu o cenho. Saberia algo sobre seu plano de pedir a mão de Alannis? Saberia em uns dias, claro, mas por alguma razão não queria lhe falar de seu iminente compromisso. Ou talvez fosse um canalha que beijava a uma mulher quando estava a ponto de comprometer-se com outra.

—Sim, acredito que estão se divertindo — murmurou, sentindo-se culpado. Que classe de homem se aproveitava de uma mulher quando já tinha um acordo com outra? Inclusive Piers, que tinha uma noiva em cada lugar, o criticaria por beijar a sua protegida.

E Chrysander não duvidaria em lhe dar um chute no traseiro por fazer isso a Isabella.

—Quais são meus possíveis maridos? —perguntou ela então.

—Vou lhe apresentar assim que acabe a musica.

No momento estava entre seus braços e não tinha a menor pressa por soltá-la.

Mas, pela primeira vez, lamentava sua decisão de ajudá-la a encontrar marido. Era muito jovem para pensar em casamento. Deveria estar aproveitando, não pensando em ter um compromisso por toda a vida…

Antes que Isabella aparecesse em Nova York, ele estava mais que contente com seus planos de casar-se com Alannis e formar uma família. Aquela garota só era uma distração temporária, nada mais. Assim que tivesse pedido a mão de Alannis e Bela estivesse a ponto de sentar a cabeça com o homem adequado, abraçaria seu futuro sem a menor vacilação.

Quando a musica terminou, Theron baixou os braços.

—Venha, pethi mou. Os convidados lhe esperam.

Bela sorriu enquanto ele fazia um gesto ao maestro da orquestra para que deixassem de tocar. Imediatamente, todos os convidados se voltaram para a pista de baile.

—Boa noite a todos — começou a dizer—Quero agradecer a todos por virem dar boas vindas a Isabella Caplan. Estamos aqui para desfrutar de uma festa e podem ficar até que queiram… ou até que se acabe a bebida— brincou, tomando duas taças de uma bandeja—Brindemos a Isabella.

—A Isabella — repetiram todos.

Seus olhos se encontraram enquanto brindavam, mas foi Theron o primeiro em afastar o olhar.

E, embora Bela não tivesse o menor desejo de conhecer os homens de sua lista de possíveis maridos, sabia que teria que fazer o papel se queria pôr ao Theron ciumento. Essa era sua única esperança.

—Venha comigo, Bela. Vou apresentá-la a todo mundo.

—Chegou à hora de conhecer esses homens tão interessantes?

—Preferiria que não lhe apresentasse? Não tem por que fazê-lo se não quiser.

Soava quase esperançado, o que era estranho considerando o tempo que devia ter perdido escolhendo e investigando aos candidatos.

—Não, quero fazê-lo. Meu futuro me espera, não?

Não sabia bem o que devia esperar. Possivelmente uma correria, mas se surpreendeu ao ver que todos eram amáveis e civilizados. Enquanto Theron a levava de um grupo a outro, apresentando a colega e amigos, ficava fácil acreditar na fantasia de que estavam juntos, que ele era seu noivo e não um homem empenhado em casá-la com outro. E também era muito fácil esquecer que, a uns metros deles, Alannis e sua mãe estavam observando a cena.

Mas Isabella não estava disposta a deixar que a realidade estragasse a noite e se agarrou ao braço do Theron enquanto falava com uns e com outros. Pouco depois reconheceu ao Marcus Atwater, o homem com o que se encontraram no restaurante.

—Desculpa que cheguei tarde. Atrasei-me por culpa de um cliente — Marcus levou sua mão aos lábios como havia fato no dia anterior—Importa-te se tomo emprestada a Isabella, Theron? Prometo mantê-la a salvo… assim você poderá voltar ao seu encontro, que parece estar desejando dançar, por certo.

Alannis olhava aos casais na pista de baile com expressão sonhadora, quase triste. Ela não queria sentir pena, queria odiar Alannis, mas não era capaz. Se fosse um ogro todo seria muito mais singelo, mas a verdade era que tanto a mãe como a filha tinham sido mais que agradáveis com ela.

—Pensa tomar emprestada para uma dança ou para algo mais? —brincou, enquanto aceitava sua mão.

—Que tal dançarmos primeiro e discutimos outros propósitos mais tarde?

A expressão do Theron era glacial. Parecia a ponto de dizer algo, mas…

—Ocorre algo, Theron?

—Não, aproveite bem, pethi mou. Esta é sua noite.

Uma vez na pista de baile, Marcus tomou pela cintura.

—Segue procurando marido ou cheguei muito tarde?

—Não se supõe que os homens saem correndo quando se menciona o casamento?

—Se a mulher em questão é tão bonita como você, duvido-o muito.

—É um paquerador — riu Isabella—Não posso levar a sério.

Pela extremidade do olho via o Theron dançando com Alannis, que parecia totalmente deslumbrada com ele. E era compreensível.

—Bom, me diga — sorriu Marcus—Vai deixar que te escape?

—O que?

—Refiro ao Theron.

Isabella tragou saliva.

—Não me diga que sou tão transparente.

—Só para um homem que está observando o território em busca de inimigos…

—Já sabia eu que não deveria ter aceitado tomar parte nesta farsa — suspirou Bela, deixando cair os ombros—Foi ideia de Theron. Pelo visto, decidiu que é sua obrigação encontrar um marido o mais rápido possível.

Marcus lhe levantou o queixo com um dedo para olhá-la aos olhos.

—Você lhe disse o que sente?

—Não, não posso. É… complicado.

—Por que não vamos ao bar? Assim poderemos tomar algo enquanto me conta tudo.

 

Theron não podia deixar de olhar a Isabella enquanto fingia escutar o bate-papo de Alannis e Sophia. E teve que apertar os dentes ao ver que Marcus se inclinava para ela, quase a roçando com os lábios…

Bela riu e sua sedutora risada passou por cima do ruído das conversações e as taças. Marcus tinha posto uma mão sobre seu ombro, em um gesto que não lhe parecia apropriado.

E teve que tragar um rugido de raiva quando Marcus Atwater passou um dedo pela bochecha. Isabella se inclinava para ele, como procurando suas carícias, e Atwater teve o descaramento de posar seus lábios naquele pescoço tão longo e tão suave…

—Theous mou! —exclamou, irado—Já chega!

—Ocorre algo? —perguntou-lhe Alannis.

—Não, não é nada.

Alannis olhou para a Isabella.

—Parece que está aproveitando bem.

—Sim, isso parece — murmurou ele—Perdoam-me um momento?

Theron se aproximou do casal justo quando Marcus voltava a inclinar a cabeça para beijar a Isabella no pescoço. A raiva fez que visse tudo vermelho e, sem pensar, separou-o de um empurrão.

—Theron!

—Venha aqui, Isabella.

—Pode-se saber o que está fazendo?

—Não ponha as mãos em cima, Marcus. Não quero que a toque, entende-o?

O jovem deu um passo atrás, levantando as mãos.

—O que você diga — murmurou, dando uma piscada a Isabella—Bom, acredito que deveria ir. Algo me diz que aqui não sou bem-vindo.

—Não, Marcus, fica — protestou ela—Estou certa de que Theron não porá nenhuma objeção.

—Penso pôr muitas objeções. Estava te manuseando em uma sala cheia de gente…

—Não estava me manuseando — o interrompeu ela.

—Se voltar a vê-lo com a Isabella, parto-te a cara, está claro?

—Nos veremos em outra ocasião, Bela — sorriu Marcus então.

—Muito bem.

—Vamos — disse Theron então, tomando sua mão—Não vou separar-me de você toda a noite.

Para sua surpresa, Bela não discutiu. Mas quando chegaram ao lado da Sophia e Alannis, a mulher se mostrou preocupada.

—Está bem?

—Sim, senhora Gianopoulos, estou perfeitamente.

—Por favor, me chame Sophia. Quer um refresco? Comeu algo desde que chegou?

—Não…

—Então venha comigo. Tem que comer algo.

Theron levantou uma mão para interromper a conversação. Tinha o coração acelerado e o que de verdade queria era dar um murro em Marcus por ultrapassar-se com Bela.

—Pedirei a um garçom que venha com uma bandeja. Prefiro que Isabella fique comigo.

Sophia o olhou, surpreendida, e Alannis pôs uma mão no braço de Bela.

—De verdade te encontra bem?

—Estou perfeitamente. Theron exagera - respondeu ela, desafiando-o com o olhar—Não sei como espera que encontre um marido se perder os estribos dessa forma assim que um homem me preste atenção.

—O que Marcus estava fazendo não era precisamente te prestar atenção. Estava te fazendo o amor diante de todo mundo.

Bela levantou uma sobrancelha.

—Me fazendo o amor? Mas se nem sequer me beijou.

—O que estava fazendo era inapropriado — insistiu ele—Você está sob meu amparo e não penso deixar que ninguém te faça mal.

Bela se voltou para Alannis com um sorriso nos lábios.

—Parece-me que terei que riscar o nome do Marcus da lista de possíveis candidatos — anunciou, suspirando dramaticamente—Nem sequer dancei com ele.

—Theron dançará com você — disse Alannis.

—Sim, por favor, dança com ela — interveio Sophia—Enquanto isso, eu me encarrego de preparar algo de comer.

Theron ficou com boca seca. Não poderia sobreviver à outra dança com aquele corpo voluptuoso colado ao dele. Uma sessão de tortura era mais que suficiente por uma noite. Mas a alternativa era deixar que Isabella dançasse com algum dos homens. Homens que ele mesmo tinha escolhido.

Por cima de seu cadáver.

Sem dizer uma palavra, tomou a Isabella pela mão e a levou para a pista de baile.

—É um inferno estar com você usando estes sapatos — brincou ela.

E, pela primeira vez desde que a viu com o Marcus, Theron relaxou um pouco. Era tão agradável passar os braços pela cintura… adorava tocá-la e era impossível não fazê-lo enquanto dançavam.

—Você também o sente — murmurou Bela então.

—O que?

—Não quer que seja assim, mas não pode evitá-lo. Por isso me beijou. Não pode deixar de fazê-lo e eu tampouco. Embora eu não queira resistir.

Ele negou com a cabeça, embora seu corpo estivesse de acordo.

—Não pode ser Bela. Deixa-me louco… mas tem que deixar de me tentar.

—Por quê?

—Por Alannis. Vou pedir que se case comigo.

Bela recebeu o anúncio com calma, sem reação alguma. Já saberia?

—Isto tem que terminar — insistiu Theron—Vou casar-me com Alannis, entende-o?

—E, entretanto, não deixa de me beijar.

—Não voltarei a fazê-lo.

Em lugar de desanimá-la, isso fez que lhe brilhassem os olhos.

—Se eu tiver algo que dizer a respeito, sim o fará.

—Isabella…

—Quero comer algo — o interrompeu, ficando nas pontas dos pés para lhe falar no ouvido—Diz que não me deseja, mas não quer nenhum outro homem me tenha. Um pouco estranho, não te parece?

Logo deu a volta, rebolando brandamente enquanto voltava com a Sophia e Alannis.

 

—Segue pensando pedir sua mão esta noite, Madeline? —perguntou Isabella, angustiada, enquanto apertava o celular contra sua orelha.

—Temo que sim — respondeu a mulher.

Bela tinha esperado que Theron mudasse de opinião ao dar-se conta de que sentia algo por ela. Talvez não amor. Não, ainda não, mas estava certa de que se sentia atraído.

Certamente, não era totalmente imune, mas parecia decidido a não fazer nada a respeito.

Bela fechou os olhos enquanto Madeline confirmava que, segundo Theron, a proposição seguia de pé.

—Obrigado por me dizer isso.

Depois de cortar a comunicação, meteu-se na cama.

Theron com Alannis. Não podia nem imaginar, Theron necessitava a alguém que o sacudisse um pouco, alguém que não o deixasse ser tão sério e tão organizado.

Necessitava de alguém como ela.

Alannis não o desafiaria em nenhum momento. Não havia química entre eles. Alannis poderia ser sua filha ou sua irmã mais nova. Talvez Theron quisesse um casamento cômodo, seguro, aborrecido. Bela negou com a cabeça. Não podia acreditar nisso, porque se acreditasse, teria que renunciar e não estava disposta a fazê-lo.

Pegando o celular de novo marcou o número que Marcus tinha lhe dado a noite anterior.

—Marcus? Sou Isabella.

—Olá. Como está?

Ela deixou escapar um suspiro.

—Parece que a proposição segue de pé.

—Ah, lamento ouvir isso. Depois de nossa pequena cena de ontem à noite pensei que Theron estava disposto a me amassar.

—É tão frustante — disse Isabella—Não o entendo, de verdade. Sempre se mostra tão digno, tão severo… salvo quando está comigo.

Marcus soltou uma gargalhada.

—Tenho a impressão de que você acabaria com a paciência de um santo e com os votos de um sacerdote.

—Não poderia conseguir entradas para a ópera de esta noite? Estou desesperada.

—A ópera?

—Theron vai levar Alannis à ópera e depois organizou uma festa no hotel para lhe fazer a grande pergunta.

—Suponho que poderia as conseguir… mas como pensa evitar que peça sua mão?

Isabella respirou profundamente.

—Não estou segura, mas já me ocorrerá algo.

—Imagino que não é o melhor momento para te dizer que eu odeio ópera — brincou Marcus.

—Tampouco eu gosto muito, mas a desta noite é a favorita de Alannis.

—Então poderia sugerir uma alternativa?

—Qual?

—Que tal um encontro comigo? Diga aos seguranças que vamos jantar juntos. Não tenho a menor duvida de que informarão ao Theron de todos seus movimentos e ficará louco ao saber que ele tem que ir à ópera com Alannis enquanto você está comigo.

—Mas e seus planos de pedi-la em casamento?

—Chegaremos à festa antes que eles cheguem e o melhor é que já terá um plano.

—Não sei…

—Venha — a animou Marcus—Iremos jantar a um lugar estupendo enquanto Theron vai ser comido pelo ciúme e quando chegarmos ao hotel será como massa entre suas mãos.

—Muito bem — assentiu Bela.

—Genial, irei te buscar as sete.

Depois de desligar, Isabella saltou da cama. De novo, necessitava de um vestido perfeito. Algo precioso. Embora não sabia que tipo de vestido uma mulher devia usar para evitar uma proposta de casamento.

E, de repente, um pensamento a alarmou: “convertia-a aquilo na outra mulher”? Era ela a femme fatale disposta a romper uma relação? Essa ideia não a fez sentir nada bem. Por outro lado, sabia que Theron e ela eram feitos um para o outro. Embora ele não soubesse ainda.

Mas ainda não havia nada decidido. Alannis não levava um anel de compromisso e não havia nada entre eles mais que uma boa amizade. Até que isso ocorresse, tudo valia no amor e na guerra. Bela levantou os olhos ao céu. Certamente, ia ter que inventar algo mais original.

Mas só tinha até essa noite para impedir que Theron cometesse um terrível engano. E para evitar que lhe rompesse o coração.

 

Theron escutou enquanto Reynolds lhe dava o relatório sobre as atividades de Isabella. Pelo visto, tinha ido às compras e depois tinha comido no hotel.

Mas teve que apertar os dentes quando o chefe de segurança lhe informou que o plano de Isabella para essa noite era jantar com Marcus Atwater. Não podia ser. Bela não podia sentir-se atraída por um homem que saía com uma mulher diferente cada semana.

—Não a perca de vista — lhe ordenou—Não confio nesse homem.

—Sim, senhor Anetakis.

Estaria Bela tentando fazer que perdesse os estribos? Depois do que aconteceu na festa, tinha que saber que não aprovava que saísse com o Marcus.

Claro que talvez não lhe importasse nada o que ele pensasse. Suspirando, abriu uma gaveta de sua mesa e tirou uma caixinha de veludo negro que continha um anel de diamantes. As pedras resplandeciam enquanto dava voltas com o dedo…

Aquela noite o poria no dedo de Alannis, pensou.

Então, por que não estava mais entusiasmado? Um ano mais tarde, naquela mesma data, talvez tivesse um filho, uma família. Teria sentado a cabeça. E, entretanto, esse pensamento o inquietava. Madeline o chamou então pelo intercomunicador para dizer que tinha que lhe passar uma chamada urgente e cortou a conexão antes que Theron pudesse perguntar quem era.

—Você ficou louco? —foi à amável saudação de Piers.

—De-lhe uma oportunidade — ouviu então a voz de Chrysander—Assim saberemos se perdeu a cabeça ou não.

—Vocês disseram a Madeline que não me avisasse que eram vocês, verdade?

—É obvio — respondeu Piers—Porque se sabia que éramos nós não teria respondido.

—Ainda posso desligar.

—Sua cunhada quer saber por que não lhe disse que pensava em se casar — disse Chrysander.

—Não é justo que utilize a Marley para me fazer sentir culpado — protestou Theron.

—Pode-se saber o que está fazendo? —insistiu Piers, impaciente.

—O que nosso irmão tenta dizer é que a notícia nos pegou de surpresa e nós gostaríamos de lhe felicitar — interveio Chrysander diplomaticamente.

—Eu não penso felicitá-lo — disse Piers—Se de verdade for fazer isso, só posso lhe oferecer minhas condolências.

—O que tem errado em casar-se? —exclamou Theron, surpreso.

—Além de que para entrar na instituição do casamento deve estar como uma cabra, falo de que vai casar precisamente com a Alannis Gianopoulos. Não é a mulher adequada para você.

—Alannis é uma escolha acertada.

Ao outro lado da linha houve um silêncio.

—Uma escolha acertada? —repetiu Chrysander—Que maneira tão estranha de falar da mulher com a que pensa ficar o resto de sua vida.

—Eu estou mais interessado em saber por que acreditam que não é a mulher adequada para mim.

—Além de que seu pai leva anos esperando que algum de nós pedisse sua mão, Alannis é…

—É o que?

—Nos diga por que quer te casar com ela — interveio de novo Chrysander—E por que acredita que deve nos dar a notícia por correio eletrônico.

—Provavelmente, porque temia precisamente esta reação.

—Desde quando se preocupa o que nós pensemos? —exclamou Piers.

—A ninguém parece irônico que recentemente fôssemos Piers e eu quem mantinha esta mesma conversação com Chrysander? Nós dois nos equivocamos sobre Marley e os dois se equivocam sobre Alannis.

Chrysander suspirou e Theron pensou que o tinha convencido. O que diria se soubesse a verdade? Perguntou-se.

—Só queríamos saber se de verdade isto é o que quer. Além disso, Marley quer que a avise com tempo para a cerimônia.

Piers, entretanto, não estava tão disposto a atirar a toalha.

—Pensa no que vai fazer Theron. Estamos falando de algo que será para o resto de sua vida.

—Agradeço muito sua preocupação - replicou ele, irônico—Mas sou absolutamente capaz de tomar minhas próprias decisões.

—E falando de outra coisa… que tal com a Isabella? —perguntou-lhe Chrysander—Já a enviou a Europa?

De novo, houve um longo silencio. Theron passou uma mão pelo cabelo, nervoso.

—Não foi a Europa.

—Quem é Isabella? —perguntou Piers—Estamos falando da pequena Isabella Caplan?

—Já não é pequena.

—Vou lhe explicar mais tarde - disse Chrysander—Por que não foi a Europa, Theron?

—Decidiu ficar em Nova York.

—Pobre Theron, rodeado de mulheres por toda parte. Imagino que estará me amaldiçoando — riu seu irmão.

Se ele soubesse…

—Encontrou um apartamento e tudo está bem. Eu estou bem, assim podem me deixar em paz.

—Parece que se pôs na defensiva, não?

—Isto me cheira mal — murmurou Piers—Oxalá estivesse em Nova York para comprová-lo por mim mesmo.

—Não te atreva a vir. Tem que construir um hotel, assim adeus — disse Theron antes de desligar.

Agora entendia o que tinha sentido Chrysander quando Piers e ele o acossavam com respeito à Marley. Os parentes bem-intencionados eram o pior, certamente.

 

—Tem ideia do que vai dizer-lhe? —perguntou-lhe Marcus enquanto levava a taça de vinho aos lábios.

Bela negou com a cabeça, decepcionada.

—Não quero fazer ridículo, mas tampouco quero que acredite que não falo a sério. Não estou jogando a nada… o que sinto por ele não é um encantamento juvenil.

Quando levantou o olhar, viu simpatia nos olhos do Marcus.

—Ponha em meu lugar — lhe rogou—Está a ponto de pedir a uma mulher que se case com você, mas beijou a outra um par de vezes e está tentando controlar a atração que sente por ela. O que poderia essa outra mulher fazer para te convencer de que não te casasse com a primeira?

Marcus deixou a taça sobre a mesa e tornou para trás na cadeira.

—Não é fácil responder a essa pergunta, Isabella.

—Mas o que faria você?

—Isso depende se amasse à primeira mulher ou não. Claro que não pediria a ninguém que se casasse comigo a menos que estivesse apaixonado. E se estivesse seguro, nada me faria trocar de opinião.

—Temia que dissesse isso — suspirou Bela.

—O único que pode fazer é tentá-lo a animou Marcus—Quando queremos algo, tem que esforçar-se, já sabe.

Ela soltou uma gargalhada.

—Entre você e eu vamos reunir todos os clichês do mundo.

—Está certa de que isso é o que quer? Eu não gostaria que tivesse uma desilusão.

—É um encanto — disse Bela.

—Ah, um homem odeia que uma mulher bonita lhe diga isso — suspirou ele—É quase pior que o de “é como um irmão para mim”.

Isabella riu e a risada conseguiu relaxá-la um pouco. Estava tão tensa, tão angustiada… Marcus tinha razão sobre uma coisa: o único podia fazer era tentá-lo.

—Está linda esta noite, por certo.

—Obrigado. De verdade é um encanto.

Bela olhou o vestido azul pavão que tinha comprado essa mesma manhã. Ia vestida para matar… ou ao menos para uma batalha. Sem falsas modéstias, sabia que estava bonita.

Elegante, sofisticada, nada que ver com a garota de calças jeans. Essa noite era parte do mundo do Theron. Seu mundo também, mas era algo que não tinha interessado até aquele momento. Tinha dinheiro, educação, cultura… mas nenhum desejo de adaptar-se a um molde determinado.

—A que horas deveríamos partir?

Não podia evitar que lhe acelerasse o pulso ao imaginar que chegassem tarde à festa, quando o feliz casal já estivesse comprometido.

Marcus lhe apertou a mão.

—A ópera acaba de começar, não se preocupe. Vou levá-la a tempo. Tenta relaxar e desfrutar do jantar, Isabella. Seria horrível que chegasse à festa e desmaiasse aos pés de Theron.

—Claro que isso poderia ser justo o que necessito — riu ela.

—Quase sinto ter que te ajudar — suspirou Marcus então—Mas se as coisas com o Theron não saem como você espera… enfim, só te peço que se lembre de mim.

Isabella sorriu.

—Obrigado, de verdade. Está sendo um amigo maravilhoso e espero que sigamos sendo-o aconteça o que acontecer. Esta pode ser uma cidade muito solitária.

—Será uma honra — sorriu ele—E agora, come, venha. Aqui têm umas sobremesas fabulosas.

 

Theron tentava concentrar-se na aborrecida ópera. A seu lado, Alannis olhava o cenário com expressão encantada e o rosto iluminado de emoção. Sophia não parecia tão entusiasmada, mas também ela seguia atentamente o movimento dos atores.

Antes que começasse a representação, Reynolds lhe havia dito que Isabella tinha ficado jantando com Marcus Atwater… e ele não podia fazer nada. Sentia a tentação de enviar uma mensagem ao chefe de segurança, mas tinha prometido a Alannis não deixar que os negócios estragassem a noite…

De modo que durante mais de uma hora se moveu incômodo no assento. Era irritante que a noite que deveria estar mais relaxado não pudesse deixar de pensar em Isabella. Aquela garota se colocou em sua vida de uma forma intolerável. O que dizia dele que não pudesse desfrutar de uma noite com sua futura noiva porque estava pensando em outra mulher?

Alannis lhe tocou o braço, interrompendo seus pensamentos.

—Theron, já terminou.

Quando olhou para o cenário, viu que tinham baixado o pano de fundo. Perdeu todo o segundo ato?

—Gostou? —perguntou-lhe enquanto foram para a limusine.

—Foi uma maravilha — sorriu Alannis—Eu adoro a ópera. Houve uma vez…

Não terminou a frase e Theron viu que ficou corada.

—O que ia dizer?

—Bom, uma vez quis ser cantora de ópera.

—E por que não o fez?

Ela negou com a cabeça.

—Não era o bastante boa. Além disso, meu pai não teria deixado. Parece-lhe uma carreira vulgar.

Theron levantou uma sobrancelha.

—Nunca teria pensado que um talento assim pudesse ser considerado vulgar.

—Ele pensa que uma carreira no palco é inapropriada para uma mulher. Prefere que me case e lhe dê netos.

Algo brilhou em seus olhos por um momento, antes de desaparecer.

—E você o que quer; Alannis?

—Eu gosto de crianças — disse ela simplesmente, antes de voltar-se para sua mãe.

Enquanto foram para o hotel, Theron amaldiçoou a si mesmo por estar tão nervoso. Ele se orgulhava de seu autocontrole, de sua serenidade. Nada naquela situação deveria lhe causar ansiedade. Tinha seu futuro perfeitamente planejado e tudo deveria ir sobre trilhos.

Depois desse aviso relaxou um pouco e tocou a caixinha de veludo que levava no bolso.

Havia pouco tráfico nessa hora e logo depois chegavam ao hotel. Mas Alannis bocejou enquanto a ajudava a sair da limusine.

—Espero que não esteja muito cansada. Organizei uma festa no salão de baile.

—Uma festa? —exclamou ela, surpreendida.

Sophia sorriu.

—É uma festa em sua honra, querida. Esta noite é especial — lhe disse, piscando os olhos ao Theron quando Alannis se deu a volta.

—Uma festa para mim? Que emocionante!

Era uma garota encantadora, certamente. Mas, por alguma razão, cada vez que a olhava Theron não podia deixar de ver a imagem de outra mulher. Quando entraram no salão de baile, uma orquestra começou a tocar e centenas de tiras de confete caíram do teto.

Alannis olhou para cima, emocionada.

—Que bonito!

Ele pôs uma mão em suas costas, seu coração pulsava como louco.

Emocionar-se-ia quando lhe pedisse que fosse sua esposa? Perguntou-se. Ou estava a ponto de cometer o maior engano de sua vida?

—Alannis… — começou a dizer; furioso consigo mesmo ao notar que sua voz tremia.

Ela se voltou para olhá-lo, com os olhos brilhantes e um sorriso nos lábios. Uns lábios que ele não tinha o menor desejo de beijar.

—Diga-me, Theron.

 

Isabella se tornou parada diante no assento, olhando ansiosamente pela janela.

—O que acontece? —exclamou, angustiada—Por que não nos movemos?

Marcus lhe apertou a mão.

—Só é um congestionamento. Fique calma, vamos chegar a tempo, já o verá. Theron não vai pedir a mão do Alannis assim que comece a festa.

Ela seguia olhando pela janela, mas só podia ver uma maré de carros. Não iam chegar a tempo.

Frustrada, agarrou a maçaneta da porta.

—O que faz? Volta aqui — exclamou Marcus—Não pode ir correndo pela rua. Estamos em Nova York!

—Tenho que ir. Se não o fizer, não chegarei a tempo e você sabe. Tenho que chegar antes que Theron lhe proponha casamento. Não posso…— Bela, com os olhos cheios de lágrimas, não pôde terminar a frase—Tenho que ir. Obrigado por tudo, de verdade.

Logo fechou a porta, levantou-se a saia do vestido e correu entre os carros, sem prestar atenção aos gritos dos condutores. Ouviu também a voz de Reynolds e, quando olhou para trás, viu que corria atrás dela. Mas não tinha tempo para explicações.

Ao ver um táxi a seu lado se aproximou correndo e o homem baixou o vidro.

—Senhorita, há um congestionamento tremendo. Não se pode sair daqui…

—Por favor, me diga como chegar ao hotel Imperial Park. Estou muito longe?

—Não, não está muito longe. Se subir por essa rua da direita estará a umas seis quadras do hotel. Siga adiante umas cinco quadras e logo tome a avenida que sai à esquerda. O verá assim que dobre a esquina.

Depois lhe agradecer, Isabella voltou a levantar a saia de seu vestido, tirou os sapatos e seguiu correndo.

—Senhorita, deixou os sapatos!

Quando tinha percorrido três quadras, começou a chover. Embora lhe fosse indiferente. Devia ter um aspecto espantoso e suas esperanças de fazer uma entrada triunfal na festa de Theron pareciam migalhas… Mas quando por fim girou na avenida, o céu se abriu e começou a chover muito. Piscando furiosamente para poder ver baixo daquele toró, Bela seguiu correndo para o hotel, evitando no possível os atoleiros que começavam a formar-se na calçada.

“Por favor, por favor, que chegue a tempo”.

Com o cabelo escorrido quando chegou sob a marquise do hotel e o vestido colado a seu corpo como uma segunda pele e doíam-lhe os pés e estava certa de haver-se cortado com algo.

Sem prestar atenção aos olhares de estranheza das pessoas que esperavam no vestíbulo, e virtualmente patinando no chão de mármore, dirigiu-se para o salão de baile… mas quando estava chegando ouviu aplausos e brinde…

Não era possível. Não podia ter chegado tarde.

Bela colocou a cabeça e olhou ao redor. Ali, no centro do salão, estavam Theron e Alannis. Alannis sorrindo de orelha a orelha enquanto o olhava aos olhos. A seu redor, os convidados aplaudiam e levantavam suas taças…

Mas Isabella só podia ouvir o batimento do sangue em seus ouvidos. Não via nada mais que o radiante sorriso de Alannis, em contraste com sua expressão de profunda tristeza.

Lentamente, dolorida da cabeça aos pés, deu a volta, com os olhos cheios de lágrimas. Esteve a ponto de se chocar com o Reynolds, mas seguiu adiante, com a cabeça baixa, sem responder quando lhe perguntou se estava bem.

Se estava bem? Não voltaria a estar bem nunca em toda sua vida.

Uma lágrima rolou por sua bochecha, mas não tentou secá-la. Quem ia dar-se conta?

Quando estava chegando à entrada, Marcus a pegou pelo braço.

—Isabella… está bem? Como pode fazer uma loucura assim? —exclamou, tomando-a pelos ombros—Chegou tarde? —perguntou-lhe logo, ao ver sua expressão.

Bela assentiu com a cabeça.

—Sinto muito. Prometi que te traria a tempo ao hotel…

—Não foi sua culpa.

—Vamos a sua suíte— disse Marcus então, tomando-a do braço—Está ensopada e tem que trocar de roupa o mais rápido possível. Eu cuido dela — disse ao Reynolds, que acabava de aparecer a seu lado.

Isabella deixou que a levasse aos elevadores, mas enquanto subiam à suíte não deixava de ver o rosto de Alannis e a de Theron… pareciam tão felizes…

Felizes.

Quase como se estivessem apaixonados.

Bela fechou os olhos de novo. Por que não podia Theron amá-la? Quando os abriu, comprovou que Marcus a olhava com cara de preocupação.

—Você também está molhado.

—Saí correndo atrás de você, assim também o toró me pegou - sorriu ele.

—Sinto muito.

—Por que não vai tomar um banho quente? —suspirou Marcus quando entravam na suíte—Vou chamar ao serviço de quarto para que nos tragam um café… e para ver se podem encontrar um pouco de roupa para mim em uma das boutiques.

Bela assentiu com a cabeça enquanto entrava no banheiro. Movia-se como um autômato, sem pensar nada, sem sentir nada.

 

Theron tirou seu celular e franziu o cenho ao ver que não tinha recebido resposta a sua última mensagem.

Desculpando um momento, saiu do salão de baile e se dirigiu ao lavabo masculino… mas quando estava a ponto de entrar viu o Reynolds com seus homens. Os três estavam ensopados.

—Onde está Isabella?

—Em sua suíte, com o Atwater.

Não podia ser. Tinha que ter ouvido mal.

—Com quem?

—Subiu faz uns minutos com o Atwater — repetiu Reynolds—Os dois estavam molhados.

Theron teve que fazer um esforço para controlar-se. Se não o fazia, subiria à suíte e tiraria o Marcus dali a trancos…

Que demônios ela estava fazendo com ele?

Quando por fim chegou ao andar bateu na porta da suíte e, uns segundos depois, Marcus Atwater abriu… usando um penhoar como único traje.

—Ah, perdoa, acreditei que era o serviço de quarto — sorriu, voltando-se logo para o interior da suíte—Segue no banheiro, carinho, ainda não trouxeram o café. Queria algo, Theron?

—Maldito seja… — começou a dizer ele, com tom ameaçador.

—Não me diga que deixaste sua festa de noivado para me insultar?

Nesse momento se abriu a porta de elevador e uma garçonete apareceu no corredor empurrando um carrinho.

—Ah, aqui está o café. Se não te importar, estou molhado e quero tomar algo quente. Ou queria me dizer algo mais?

Theron deu um passo atrás e, sem dizer uma palavra, deu a volta. Por que lhe importava tanto? Ele mesmo tinha incluído o Marcus Atwater em uma lista de possíveis candidatos para a Isabella. Então por que lhe punha doente que ela o tivesse escolhido?

 

Isabella despertou ao ouvir um golpe na porta. Mas quando abriu os olhos, sentiu que lhe ardiam, tão secos estavam. Levantou uma mão para tocá-los pálpebras e recordou então que tinha chorado até dormir…

Theron tinha pedido a Alannis que se casasse com ele. Tinha chegado muito tarde. E pareciam tão felizes…

De novo voltaram a bater na porta e, fazendo um esforço, conseguiu levantar-se da cama para colocar o penhoar. Pela a mira viu que Sadie estava do outro lado… ou ao menos alguém que se parecia com Sadie. Com aquela peruca de cor loira platino na cabeça não era fácil estar certa de tudo. Quando abriu a porta, sua amiga entrou na suíte e lhe deu um abraço.

—Menos mal que te encontro. Pensei que tinha esquecido esta noite.

Isabella fechou a porta e se voltou para olhá-la.

—O que?

—Trago tudo nesta bolsa e temos muito tempo para prepará-la. Será facilíssimo… o que te passa? Esteve chorando?

Os olhos de Bela se encheram de lágrimas uma vez mais, mas, irritada, piscou furiosamente para controlá-las.

—O que passou, é Theron?

—Sim.

—Ai, carinho, sinto-o. — Sadie a abraçou, compungida— Pediu Alannis que se case com ele?

Isabella assentiu com a cabeça.

—Pois então se esquece desta noite — disse Sadie—Vamos pedir comida por telefone… e sobremesas que tenham milhões de calorias.

Isabella teve que sorrir.

—Não pode perder sua festa, Sadie. É muito importante para você. Que minha vida seja um desastre não é razão para que perca seu trabalho e sua oportunidade na Broadway.

—Não acredito que possa fazê-lo esta noite, Bela.

—Por que não? Vestirei-me como você, dançarei um pouco e atrairei a atenção dos homens. Não será muito tempo e assim você poderá conservar seu trabalho.

—Está certa?

—Sim, estou. Vamos pedir algo de comer e logo poderá me ensinar o que tenho que fazer…— Bela assinalou a peruca—Tenho que pôr isso?

—É a melhor maneira de enganar os seguranças. Não lhe reconhecerão se estiver usando.

—Enfim, o que poderia passar? —suspirou Bela—Se me pegarem, Reynolds terá outro desmaio, mas já deve estar acostumado o pobre. E Theron estará muito ocupado com sua noiva.

—Assim que se fala — sorriu Sadie.

 

Devia estar completamente louca para haver dito que sim. Isabella respirou profundamente quando se abriram as portas do elevador.

O traje que lhe tinha dado Sadie poderia aplicar-se muitos qualificativos, mas “discreto” não era um deles. E embora não se importasse a luzir seus encantos, aquilo era obsceno.

As botas com saltos de doze centímetros repicavam sobre o chão de mármore e as calças curtas deixavam ao descoberto seu umbigo e algo mais. E a parte de acima… nem sequer uma animadora dos Dallas Cowboys se atreveria a mostrar tanto. Mas, como Sadie havia dito ninguém se incomodaria em olhar seu rosto quando havia tanto mais onde olhar. E, felizmente, nem sequer Reynolds a tinha reconhecido.

Depois de sair do hotel, Bela subiu em um táxi e deu ao condutor o destino que tinha cotada em um papel. O taxista ficou sem fala e era lógico. O homem devia acreditar que tinha estado no hotel por “assuntos de negócios”.

Mas à medida que avançavam entre o tráfico, Bela começou a ficar nervosa e quando chegaram à entrada traseira do clube, suavam-lhe as mãos.

—Bom, já estou aqui - murmurou, abrindo a porta.

Felizmente, o corredor da entrada estava completamente às escuras. Embora Sadie tivesse assegurado que ninguém a reconheceria, aquilo começava a assustá-la de verdade.

Em seguida encontrou uma porta em que dizia Camarim e, ao empurrá-la, encontrou-se com uma polvorosa atividade. Felizmente, ninguém prestou atenção. Uma garota se chocou com ela e se desculpou, sem olhá-la sequer.

—Sadie! —chamou-a outra—Não sabíamos se viria. Você sai depois de Anjo, assim será melhor que apresse.

O estomago de Bela encolheu. Mas podia fazê-lo, disse-se. Ninguém sabia que era ela. Embora não fosse uma perita, sabia mover-se bem e Sadie tinha passado a tarde ensinando-a os movimentos.

Mas quando se olhou ao espelho, o que pôde pensar foi que parecia triste. Por muita maquiagem que levasse, por muita peruca, seus olhos contavam outra história. E a história era que tinha perdido ao homem com o que queria passar o resto de sua vida.

Mais por ter algo que fazer que por outra coisa, sentou-se frente ao espelho para retocar a maquiagem, depois de carregar seus cílios com outro quilograma de máscara negra seus olhos seguiam sem vida.

—Sadie, sai em cinco minutos - ouviu uma voz masculina—Venha, depressa.

Isabella levantou da cadeira e se olhou ao espelho por última vez. Parecia morta de medo. Porque o estava.

Respirando profundamente, comprovou que seus seios apareciam pelo decote da camiseta e se dirigiu à porta.

 

Theron olhava pela janela, distraído. Estava começando a anoitecer e as luzes da cidade se acenderam.

Ainda não sabia se havia feito o correto. Questionou-se a si mesmo repetidas vezes durante todo o dia e, entretanto, estava convencido de haver feito bem.

Mas agora não sabia o que ia fazer com a Isabella.

Seu celular começou a soar nesse momento e se voltou, irritado. Mas ao ver o nome do Reynolds na tela ficou alerta.

—Me diga.

—Temo que tenhamos um problema, senhor Anetakis.

—Que tipo de problema?

—A senhorita Caplan tornou a nos enganar.

—O que? Deixou que voltasse a passar?

—Temo que sim. Agora mesmo vamos para A Belle Femme… conhece o lugar?

Theron franziu o cenho.

—Não é um clube noturno?

—Sim.

—E se pode saber por que vão para ali?

—Porque a Senhorita Caplan foi para lá.

—Vou agora mesmo — disse Theron, sem perder um segundo—E vai ter que me dar muitas explicações.

Que demônios estava fazendo Isabella em um clube noturno? No que estava pensando aquela garota? Teria ido com o Marcus?

Quando seu chofer pisou no freio na entrada do clube dez minutos depois, Theron viu o Reynolds e seus homens correndo para ele.

—Está aí?

—Acabamos de chegar. Estávamos a ponto de entrar.

Theron foi diante deles, mas um homem alto com óculos escuros o deteve na porta.

—Seu nome, por favor.

—Theron Anetakis — respondeu ele—No clube há uma pessoa a que conheço… e que não deveria estar aí.

—A menos que você seja membro do clube, temo que não possa lhe deixar passar.

Theron se voltou para o Reynolds.

—Se encarregue você. Pague-lhe o que seja necessário e logo te reúna comigo no interior. Vou procurar a Isabella.

—Mas não pode converter-se em membro do clube de maneira imediata…

Theron passou ao lado do homem sem lhe fazer caso e empurrou a porta. Estava seguro de que Reynolds seria capaz de solucionar o problema.

O clube não era o que ele tinha esperado. Pensava que seria um sujo buraco onde haveria drogas e prostituição, mas aquele lugar parecia ter uma clientela muito exclusiva.

Tudo estava limpo e as garçonetes, embora escassamente vestidas, pareciam profissionais. E os clientes fumavam caros havanas enquanto tomavam taças de conhaque francês.

Era um lugar que Isabella não deveria conhecer sequer.

Theron viu que ao fundo da sala havia vários homens congregados ao redor de um pequeno cenário. Evidentemente, esperando que começasse o espetáculo.

Mas no cenário não havia nenhuma mulher, de modo que seguiu olhando ao redor. Onde demônios estava Bela?

Um minuto depois, Reynolds e seus homens se reuniam com ele.

—Por que acredita que Isabella está aqui?

—Sei que está aqui. Estou certo…

Quando começou a soar a música todos se voltaram para o cenário. Uma cortina de fumaça se elevava sensualmente pelas pernas de uma mulher que estava de costas ao público…

Levava umas botas acima do joelho e rebolava provocativamente os quadris enquanto se agarrava à barra, mas o olhar de Theron estava fixo na tatuagem de suas costas.

Ele conhecia essa tatuagem.

Conhecia-a muito bem porque tinha passado muito tempo olhando-a.

E então a garota se voltou, movendo uma falsa juba cor loira platina. Theron viu o medo em seus olhos, o pânico, enquanto observava aos homens que havia frente ao cenário, todos a olhando como se fosse um presente do céu.

Enquanto ao Theron fervia o sangue nas veias.

Ela levantou a cabeça então e seus olhares se encontraram, seu medo se converteu em horror quando o reconheceu.

 

Isabella ficou pálida ao ver o Theron, tão furioso que seus olhos pareciam a ponto de sair das órbitas. Angustiada, teve que controlar o desejo de tampar-se com os braços e sair correndo.

Mas antes que pudesse fazê-lo, ele se aproximou do palco como um predador em busca de sua presa, subiu de um salto e, sem dizer uma palavra, a jogou ao ombro. Isabella deixou escapar um grito e os espectadores começaram a gritar imprecações. Quando levantou a cabeça, viu o Reynolds, Maxwell e Davison apartando aos guardas de segurança que tentavam ir a seu auxílio.

Alguns clientes se levantaram de seus assentos para olhar a cena com a boca aberta, mas eram muito educados para envolver-se na situação. Provavelmente, porque não queriam enrugar a roupa.

Atônita, Bela não tentou escapar enquanto Theron a tirava do clube… embora não tivesse obtido nada de todas as formas. Seu braço era como uma barra de ferro e caminhava como se não pesasse nada absolutamente. Uma vez na rua se deteve frente ao carro e, depois de abrir a porta, atirou-a sem olhar no assento traseiro.

—Ao hotel Imperial Park — disse a seu chofer.

Bela tentou sentar-se de uma maneira mais elegante, mas aquelas botas pesavam uma tonelada. E quando olhou para baixo conteve um grito ao ver que seus seios estavam perigosamente na beirada do decote da camiseta.

—Não diga uma palavra, nenhuma palavra — advertiu ele—Dará-me uma explicação quando chegarmos ao hotel. Até então, é melhor que não diga nada.

Bela o olhou, em silêncio. Nunca o tinha visto tão zangado.

Theron tirou a jaqueta para colocar sobre os ombros e Bela fechou as lapelas para cobrir os seios. Mas quando chegaram ao hotel e a tirou do carro, puxando pela sua mão, decidiu que já estava bem.

—Sei caminhar sozinha.

—Não me diga? —murmurou ele, sem soltar sua mão.

Uma vez no elevador, Theron apertou o botão como se quisesse destroçá-lo. Muito bem, dava-se conta de que estava zangado, mas parecia haver tomado como algo pessoal. Por que não estava em algum lugar com sua noiva?

De novo, lhe encolheu o coração ao pensar em Alannis e teve que fechar os olhos.

—Está bem? Ocorreu algo… nesse clube?

Ela negou com a cabeça, angustiada. Por um momento, quase podia acreditar na fantasia de que estavam juntos, de que Theron importava de verdade e não só como sua protegida.

Mas era mentira. Tudo era mentira.

—Então o que te passa?

As portas do elevador se abriram e foram em silencio para a suíte. Bela não levava a chave, mas a porta se abriu antes que pudesse recordar de que deixou a bolsa no clube.

—Bela! —gritou Sadie.

—O que faz aqui? Não tinha que estar em uma festa?

Sua amiga baixou o olhar, envergonhada.

—A festa não tem importância. Não deveria ter pedido que me fizesse esse favor…

—Nisso estamos de acordo — a interrompeu Theron—Foi uma irresponsabilidade por parte das duas.

—Mas você perdeu sua oportunidade.

—Haverá outras. Além disso, não valia a pena que te arriscasse assim. Sinto muito.

—O que passou? Por que não foi à festa… e por que Theron soube como me encontrar?

—Reynolds me avisou — respondeu ele.

—E quem avisou ao Reynolds?

—Quando saía do hotel, um homem me parou na porta — contou Sadie—Pensava que ninguém teria fixado em minha face quando cheguei com a peruca, mas ele sim se fixou e começou a suspeitar, assim tive que contar-lhe tudo. Ele me pediu que ficasse aqui até que lhe encontrassem. E esse homem — sua amiga assinalou a outro dos guardas de segurança, que estava de pé, ao lado da porta— está me dando o sermão desde então.

—Menos mal que alguém tenta te fazer entrar em razão. Não pode voltar para esse clube — disse Theron.

—Mas trabalho ali!

—Não, já não. Não vou deixar que Bela vá a um clube noturno só porque sua amiga trabalha ali.

—Mas… você não pode me dizer o que tenho que fazer.

—Deixa-o, Sadie, falaremos disso manhã — interveio Bela—O melhor é que vá para casa.

Quando a porta se fechou detrás de Sadie, que saiu da suíte escoltada pelo homem de segurança, Theron se voltou para tomá-la pelos ombros. O gesto foi tão brusco que a jaqueta que levava posta caiu ao chão e seus seios virtualmente saíram do decote.

—Vá tirar essa maquiagem. Eu te esperarei aqui— disse logo, tentando conter-se.

Bela entrou no banheiro, mas fez uma careta ao ver-se no espelho. Tinha um aspecto patético.

Triste.

Depois de lavar o rosto, tirou a peruca e passou os dedos pelo cabelo para lhe dar um pouco de forma. Tomar um longo banho quente era muito tentador, mas com Theron esperando fora, impaciente, não lhe parecia boa ideia. Não, o melhor seria tomar uma ducha rápida.

Mas ao sair da ducha se deu conta de que não tinha levado nada de roupa com ela… e não pensava voltar a vestir a camiseta decotada. De modo que, encolhendo os ombros, ficou de penhoar que pendurava na porta antes de voltar para a sala.

Theron, que estava olhando pela janela, voltou-se ao ouvir seus passos.

—Por que continua aqui?

—Você se atreve a perguntar isso, como se não tivesse direito a estar aqui?

—É que não o tem — respondeu ela.

—Dá conta do susto que me deu? Sabe o medo que passei quando me disseram que estava nesse lugar? Ou o horror de vê-la naquele palco, vestida como uma…? O que haveria feito se outro homem tivesse subido ao palco para te tocar, Bela?

—Isso não aconteceria. Há guardas de segurança.

Theron passou uma mão pelo cabelo em um gesto de frustração.

—Marcus sabia algo disto?

—Marcus? O que tem que ver ele?

—Eu esperava que soubesse te proteger um pouco melhor.

—Marcus só é um amigo.

—Um amigo? É assim como se chama agora?

—O que está insinuando?

—Eu estive aqui ontem à noite. Bela. Vim para ver como estava.

—E o que?

—Marcus abriu a porta da suíte… de penhoar.

—E por isso acredita que me deitei com ele?

—Está dizendo que não é assim?

—Estou dizendo que não é teu assunto, para começar — replicou Bela.

Os dois ficaram em silêncio, olhando-se. Quanto teria gostado de lhe dizer que sim, que Marcus era seu amante, mas para que? Theron estava comprometido com Alannis e ela não tinha a menor vontade de parecer promíscua quando não o era. Ao fim e ao cabo, Theron Anetakis seguia controlando sua herança até que completasse vinte e cinco anos.

—Não me deitei com o Marcus. A chuva nos pegou ontem à noite e acabamos ensopados, assim subiu a minha suíte para trocar de roupa, nada mais.

Bela viu um brilho de alívio em seus olhos. Por quê? O que podia importar a ele?

—Por que insiste em me fazer perder os estribos? —o espetou então—Não é suficiente que eu passe o dia pensando em você? Recordando o sabor de seus lábios?

Theron deu um passo adiante, seu fôlego roçava o rosto de Bela. E, sem dar-se conta, ela se passou a língua pelos lábios.

—Não deveria… beijar-me.

—Antes não punha nenhuma objeção— murmurou ele um segundo antes de apoderar-se de seus lábios.

 

Os joelhos de Isabela se dobraram e teve que agarrar-se aos ombros de Theron, que a segurou pela cintura. Aquele beijo… era diferente. Era como se estivesse a possuindo, como se tivesse direitos exclusivos sobre sua boca e queria deixar-lhe bem claro.

Adorava a dureza de seu torso, de suas mãos, e era uma cativa voluntária. Aquilo… aquilo era o que tinha sonhado, com o que tinha fantasiado durante tantos anos.

—Quero te fazer amor — murmurou Theron com voz rouca, seus lábios apenas se separaram dos seus—Tentei lutar… lutei, mas se não te tenho, vou ficar louco.

—Sim— sussurrou ela—Desejo-o tanto…

Ele desatou o cinturão do penhoar, sem deixar de beijá-la. Era como se não pudesse parar. Devorava-a enquanto lhe tirava o penhoar e acariciava sua pele nua com mãos ansiosas.

—É tão suave como seda — murmurou, beijando seu pescoço, sua garganta, fazendo-a sentir calafrios.

Dobraram-lhe as pernas quando Theron caiu de joelhos ao chão, seus seios se encontravam tão perto da boca masculina que o calor de seu fôlego endureceu seus mamilos. Então ele procurou um com a boca, deslizando a língua sobre a ponta…

Bela estava nua entre seus braços, a escura cabeça do Theron, apertada contra seu corpo. Era tão erótico… aquele homem tão orgulhoso aos seus pés, envolvendo-a em seus braços como se não quisesse deixá-la ir.

—É tão preciosa — lhe disse, com a voz rouca de paixão.

Desejando acariciar sua pele nua, ela esticou as mãos para desabotoar os botões de sua camisa, mas Theron as segurou, as apertando contra seu coração.

—OH, não, Bela mou. Quero ser eu quem te seduza.

Logo se levantou para tomá-la nos braços e levá-la até o quarto, sem deixar de olhá-la nos olhos. Ela não sabia o que dizer. Temia que o feitiço se rompesse se falasse algo.

Theron a deixou sobre a cama e logo se ergueu, olhando-a. E Bela se sentia estranhamente vulnerável sob esse ardente olhar. Tímida e um pouco insegura, tanto que levantou as mãos para cobrir-se.

—Não me esconda sua beleza — rogou ele.

Animada pelo brilho de desejo que via em seus olhos, baixou as mãos. Enquanto isso, Theron começou a desabotoar a camisa, mas a metade do caminho perdeu a paciência e arrancou o resto dos botões com um puxão.

Bela conteve o fôlego ao ver que tirava a calça e as cuecas de uma vez, deixando descoberta sua túrgida masculinidade. Theron tombou sobre ela, colocando-se entre suas coxas. Quente, sedoso e, entretanto, duro, sua pele parecia colar-se dela. Beijaram-se de novo e Bela o envolveu em seus braços, prolongando o duelo de suas línguas, precursor de uma dança que seus corpos desejavam.

—Nunca tinha perdido o controle desta maneira — confessou Theron—Você me deixa louco, Bela. Tenho que te fazer minha.

—Sim.

O monossílabo saiu como um sussurro de seus lábios inchados enquanto lhe beijava o pescoço, a clavícula, os seios… deixando um atalho úmido até chegar ao umbigo. Quando tocou a argolinha de prata, parou nele um momento antes de seguir para baixo.

Bela ficou tensa ao notar o toque entre suas pernas e, sem pensar, arqueou-se para ele, buscando-o. Rindo, Theron a acariciou com o nariz.

—Por favor…

—Quero que esteja pronta para mim, Bela mou — murmurou enquanto a acariciava entre as coxas.

—Me faça amor — insistiu ela—Sou tua.

Essas palavras fizeram que Theron perdesse o controle. Sem dizer uma palavra, colocou-se em cima e, um segundo depois, estava dentro dela, rompendo a ligeira barreira de resistência.

Bela, que apenas tinha experimentado um segundo de dor. Sentiu que uma felicidade desconhecida a embargava. Era uma sensação nova para ela… tanto que o empurrou um pouco para olhá-lo nos olhos.

Theron pareceu desconcertado um momento, mas depois seguiu movendo-se e ela relaxou, deslizando as mãos até seu pescoço. O prazer, doce e tenro, estendiam-se como um incêndio por todo seu corpo.

—Se mova comigo, agape mou — sussurrou Theron—Envolve as pernas em minha cintura. Sim, assim…

Ele cravou os cotovelos no colchão, levantando-se um pouco para que não tivesse que suportar todo seu peso. Bela ofegava quando suas bocas se encontraram de novo.

Murmurava-lhe palavras ao ouvido, palavras tenras às vezes, eróticas… mas logo caiu sobre ela e, durante vários segundos, o único som na habitação era o de suas agitadas respirações. Theron levantou a cabeça para olhá-la nos olhos e a beijou nos lábios brandamente, afastando-se logo.

—Volto em seguida.

Bela o viu saltar da cama e ir nu ao banheiro, do qual voltou uns segundos depois com uma toalha na mão.

—Eu te machuquei? —perguntou-lhe em voz baixa. Ela se levantou para tomar a toalha, mas Theron apartou sua mão—Não, deixa que o eu faça.

—Não, você não me machucou.

—Por que não me disse?

Não havia nenhuma recriminação ou acusação em seu tom.

—Porque não estava segura de que me acreditasse.

—E deixou que a tomasse assim, dessa forma tão brusca, quando deveria ter tido mais cuidado?

Havia um autêntico remorso em sua expressão. Não por lhe haver feito amor, mas sim pelo que considerava um trato um pouco desconsiderado.

Bela esticou uma mão para tocar sua face, desfrutando ao notar o roce de sua barba.

—Não me fez dano. Foi perfeito.

Ele atirou a toalha no chão para tomar seu rosto entre as mãos.

—Não foi perfeito, mas eu posso fazer que o seja.

Logo inclinou a cabeça para procurar seus lábios, beijando-a com uma ternura que lhe encolheu o coração… e despertando o desejo de novo.

Ele levou tempo, acariciando e beijando cada centímetro de sua pele enquanto murmurava ternuras e adulações, cada um deles caindo em um canto de seu coração que tinha guardado só para ele. E quando a deitou de novo sobre a cama e a apertou contra seu peito, soube que nunca o tinha amado como o amava nesse momento. Levava tanto tempo sonhando com o Theron assim, concentrado nela, olhando-a, tocando-a e amando-a como o amava ela.

Essa vez esperou até que chegou ao final antes de fazê-lo ele mesmo e só quando estava tremendo com os últimos vestígios do orgasmo se afundou profundamente nela. Depois, esgotado, apoiou a testa na sua enquanto tentava levar ar a seus pulmões.

Bela levantou a cabeça para roçá-lo com o nariz e seus lábios se encontraram em um beijo tão doce que o sentiu até na alma.

—Melhor? —murmurou Theron.

—Muito melhor.

 

Theron despertou sentindo o calor de uma pele feminina colada à sua. Quando abriu os olhos, soprando para apartar uma mecha de cabelo de sua face, deu-se conta de que Bela estava virtualmente em cima dele… seus seios apertados contra seu torso e um braço sobre seu corpo em um gesto possessivo. Mas dormia profundamente, o suave som de sua respiração enchia o dormitório.

A luz do dia o fez voltar para a realidade e, com ela, voltou o peso do que tinha feito. Não era inesperado aquele sentimento de culpa, aquela resignação. Podia atribuí-lo tudo à paixão do momento, a um montão de coisas, mas ele sabia a verdade.

Tinha-a desejado e a tinha tomado, assim simplesmente. Nenhuma só vez em seus trinta e dois anos tinha perdido a cabeça desse modo.

Nem sequer tinha usado preservativo e não podia encontrar explicação alguma para tal estupidez. E não era porque não levasse um consigo. Ele sempre estava preparado para tudo e levava não só um, mas dois preservativos na carteira.

E, entretanto, não tinha parado um momento para protegê-la. Pior ainda, tinha sido uma decisão consciente, de modo que não podia culpar a ninguém mais que a si mesmo.

Tentando não despertá-la, separou-se de Bela. Ela deixou escapar um gemido de protesto, mas seguiu dormindo tranquilamente. Theron foi ao banheiro tomar uma ducha, sabendo que haveria consequências. Embora já estivesse preparando-se mentalmente, fazendo planos. E, entretanto, sentia-se envolto por uma sensação de paz mais que de resignação.

Entretanto, temia o que tinha que fazer. E dizer.

Envolvendo uma toalha em sua cintura, saiu do banho para recuperar a roupa que vestia no dia anterior. Felizmente, sempre tinha um terno e um par de camisas no escritório. Essa seria sua primeira parada.

Enquanto colocava as calças, Isabella despertou e se voltou para ele.

—Olá — murmurou, meio adormecida.

—Bom dia.

— Já vai?

—Tenho coisas para fazer, Bela. Coisas importantes.

Theron se inclinou para lhe dar um beijo na testa e logo, sem dizer uma palavra mais, deu a volta e saiu da suíte.

 

Isabella estava de pé ao lado da cama, envolta no lençol. Quando olhou a toalha no chão, a prova de sua virgindade perdida; sentiu que lhe encolhia o coração. Onde teria ido Theron? Voltaria? Perguntou-se. Teria sido ela uma mera tentação que não pôde resistir por uma noite… e agora voltava para Alannis?

Bela fechou os olhos. Ela não queria ser “a outra mulher”. Não queria ser a responsável pela dor de outra pessoa. Mas por que ia pôr a felicidade de outro acima da sua?

Claro que esse era um pensamento terrivelmente egoísta.

Sentindo-se mais triste que nunca, entrou no banheiro. Sentia uma deliciosa ardência entre as coxas e não podia deixar de recordar cada carícia, cada beijo.

Ficou na banheira até que a água começou a esfriar e por fim, tremendo, envolveu-se em uma toalha. Não sabia o que fazer… se chamava Theron ou esperava a que ele desse o primeiro passo. Zangada consigo mesma por essa atitude derrotista, vestiu-se. Não ia ficar na suíte como uma tonta, esperando a um homem que poderia não voltar.

Primeiro tomaria o café da manhã e logo iria a seu apartamento para fazer uma lista das coisas que faltavam… e possivelmente tinha chegado o momento de começar a pensar o que ia fazer com sua vida.

Quando abriu a porta da suíte, encontrou-se com o Reynolds, que a olhava com cara de poucos amigos.

—Imagino que devo me desculpar — suspirou—Sinto o que passou ontem.

—Eu também.

—Já, enfim… se não lhe importa me acompanhar ao restaurante para tomar o café da manhã, logo iremos a meu novo apartamento.

—Parece que por fim entendeu como se fazem as coisas por aqui, senhorita Caplan. Se não escapar a cada momento, meu trabalho será muito mais fácil.

—Sinto muito ter sido tão difícil — se desculpou Bela, sem poder dissimular sua tristeza.

—Está desgostada?

Ela deu de ombros.

—Vamos tomar o café da manhã. Estou morta de fome.

 

Theron se deixou cair sobre a poltrona de seu escritório e levantou o telefone. De novo, seria de noite na Grécia, mas precisava falar com seu irmão para poder seguir adiante com seu plano.

—Nai - ladrou Chrysander.

—Fiz algo terrível.

—Por que chama a estas horas? E de que está falando? Está na prisão ou algo assim?

Theron teve que controlar a risada.

—Não, não estou na prisão.

—Então o que te passa?

—Seduzi Isabella.

Ao outro lado da linha houve um longo silêncio.

—Não sei se ouvi corretamente… não, agape mou, não passa nada — ouviu que dizia a sua mulher—Durma, é Theron. Espera um momento, vou a meu escritório. Marley ficou acordada até as tantas com o bebê…

Theron esperou pacientemente até que seu irmão voltou a ficar ao telefone.

—Me diga que não há dito o que me pareceu te ouvir dizer.

—Não posso. Mas é ainda pior.

—Pior que seduzir a sua protegida? Não vejo o que poderia ser pior.

—Era virgem e não usei preservativo — confessou, sentindo-se como um adolescente.

Chrysander soltou um palavrão em grego.

—E no que estava pensando? Não, deixa-o, é evidente que não estava pensando. Mas e Alannis? Não me disse o outro dia que iria se casar com ela? O que fazia na cama com a Isabella… e desprotegida? É tolo ou o que?

—Claro como você teve tanto cuidado com Marley — replicou Theron, ferido.

—Eu tinha uma relação com Marley — disse Chrysander—Não estava comprometido com outra mulher nem me deitei com minha protegida.

—Eu não estou comprometido com outra mulher. Não pedi a Alannis que se casasse comigo.

De novo, ao outro lado da linha houve um silêncio.

—Será melhor que me conte toda a história — suspirou Chrysander—É evidente que te colocaste em uma boa confusão. Começa pela parte em que não pediu Alannis que se casasse com você.

—Não pude fazê-lo. Tinha organizado uma festa, tinha o anel de compromisso no bolso, o confete…

—Confete? Quem joga confete em uma festa de noivado?

—Queria criar um ambiente festivo — se defendeu Theron—Tudo era como eu esperava: a festa, os convidados, o momento… mas não pude fazê-lo. Tinha na mão o anel, a Alannis me olhando aos olhos… e único pude fazer foi lhe pedir que dançasse comigo. Passamos a noite celebrando sua visita à Nova York em lugar de nossas futuras bodas.

—E como leva isso a que te deitasse com a Isabella?

—Isso ocorreu quando a tirei de um clube noturno…

—O que? —exclamou Chrysander—Vai contar-me por que sua protegida, que deveria estar rodeada de segurança, acabou em um clube noturno?

—Isso não é importante, o importante chegou depois — suspirou Theron—Seduzi a Isabella e nos deitamos juntos desprotegidos. E era virgem. Já sabe tudo.

—Isso parece — assentiu seu irmão—Mas nosso pai e o pai da Isabella acordaram que nós cuidaríamos de sua filha se lhe acontecia algo. Vai ter que te casar com ela, Theron.

—Não tenho que me casar com ela— replicou ele—Quero me casar com ela.

 

Isabella afastou as cortinas para olhar a rua. O apartamento que tinha alugado era um apartamento de cobertura, três vezes maior que os apartamentos dos andares mais baixos, e tinha uma maravilhosa vista do parque que havia do outro lado da rua.

Via gente correndo, passeando a seus cães, crianças fiscalizadas por seus pais ou por babás era um pequeno oásis em meio de uma cidade abarrotada de gente, um lugar para escapar do esgotamento e da pressa. Ela poderia viver ali sabendo que o homem de que estava apaixonada estava tão perto, casado com outra mulher?

Mas era absurdo. Em uma cidade desse tamanho poderia viver sua vida inteira sem encontrar-se com o Theron. Salvo que… ele controlava sua herança e o contato seria inevitável.

Bela suspirou. Gostava muito daquele apartamento, mas não sabia se poderia seguir ali.

Quando a porta se abriu atrás dela, não se alarmou. Reynolds tinha ficado esperando no patamar quando lhe disse que só demoraria cinco minutos e certamente tinha perdido a paciência. Ouviu passos e mesmo assim não podia afastar o olhar da rua. Talvez fosse a normalidade do que havia abaixo, a promessa de uma existência ordenada onde não havia lugar para emoções tão poderosas como o amor, os ciúmes ou o desespero.

Mas ao sentir que alguém punha uma mão sobre seu ombro deixou escapar um grito.

—Bela pethi mou, está bem? O que faz aqui?

—Theron…

—Fui à suíte, mas não estava lá. Estou começando a me perguntar se minha vida consistirá em te procurar todas as horas.

—Vim para ver se tinham chegado os móveis e todo o resto.

—Parece-me que não vai necessitar deste apartamento — sorriu Theron, tirando uma caixinha de veludo do bolso.

Bela ficou olhando, perplexa, enquanto tirava um anel da caixa e o punha em seu dedo.

—Casaremos o mais rápido possível.

Ela negou com a cabeça, segura de que ainda estava na suíte, sonhando.

—Não te entendo.

—Devemos nos casar. Você era virgem e… pode ter ficado grávida. Não me ocorreu usar um preservativo e te peço desculpas.

Não, não estava sonhando. Em seus sonhos, a proposta de casamento sempre tinha sido romântica. Embora estivesse conseguindo o que queria, pensou logo. Fossem quais fossem os motivos do Theron.

—Muito bem — se limitou a dizer.

Bela viu um brilho de alívio em seus olhos. Tinha esperado que dissesse que não? Que, fazendo-a mártir, se negasse a casar-se com ele porque não a amava?

Theron a abraçou, mas em lugar de beijá-la, apertou-a fortemente contra seu coração.

—Deveríamos voltar para a suíte. Temos que falar de muitas coisas… ou prefere ir a meu apartamento de cobertura? Temo que eu não esteja mais bem acomodado nesta cidade que você, mas isso tem remédio. Podemos comprar uma casa onde você queira.

—E Alannis?

A expressão do Theron se escureceu.

—Sophia e ela voltam para a Grécia amanhã.

Isabella tentou dissimular uma careta de desgosto. Não queria pensar na tristeza de Alannis ou na desilusão de sua mãe, de modo que se limitou a assentir com a cabeça.

Um brilho de luz chamou sua atenção para o anel que adornava seu dedo e deixou que algo da alegria daquele brilho lhe contagiasse. Era o único que podia fazer.

—De verdade quer te casar comigo? Não, não responda. Sei que não quer te casar comigo, mas não tem que fazê-lo. A só ideia de pôr um anel em meu dedo porque era virgem e não usamos proteção… é arcaico. Ninguém mais faz isso. Embora ficasse grávida, não teríamos por que nos casar…

Theron a silenciou com um beijo tão apaixonado que a Bela tremeram as pernas.

Poderia não querer casar-se com ela, mas seus lábios não mentiam. Desejava-a e ela o desejava a ele. Era um princípio, ao menos.

—Agora, se já parou de dizer insensatezes, vamos ao hotel.

 

Isabella observava Theron enquanto fazia um milhão de chamadas da sala da suíte. Primeiro falou com a pessoa que tinha alugado o apartamento, logo fez um par de chamadas de trabalho e agora estava falando com alguém sobre viagens, aviões e não sabia que mais.

Um golpezinho na porta interrompeu seus pensamentos e Reynolds, que não me separava de seu lado, levantou-se abrir.

—Sadie Tilton — anunciou um segundo depois.

Isabella fez um gesto com a mão para que a deixasse entrar. E os olhos de sua amiga se iluminaram ao vê-la.

—Que tal vai tudo? Soava tão misteriosa por telefone…

Bela levantou a mão para lhe mostrar o anel.

—Meu Deus! —exclamou Sadie—Te pediu em casamento!

—Baixa a voz, está falando ao telefone. E sim, pediu-me que me case com ele… mais ou menos. Em realidade, não me pediu isso, mas bem me informou que iríamos nos casar.

Sadie franziu o cenho.

—E você está contente?

—Ficarei porque Theron é tudo o que quero. Mas só quer casar-se comigo porque teme que tenha ficado grávida.

Sua amiga fez uma careta.

—Está segura de que quer te casar por essa razão? O que acontece o amor? Ao menos poderia lhe haver dado uma razão normal… algo que não fosse uma obrigação.

Isabella deixou escapar um suspiro.

—Não posso fazer que se apaixone por mim se não estivermos juntos. Sim, o ideal seria que me quisesse e que nos casássemos por amor, mas tenho que aproveitar esta oportunidade. Se não me casar com ele, se casará com Alannis.

—Sim, tem razão. Mas eu esperava algo mais… leva tantos anos sonhando com este momento que eu gostaria que tivesse sido perfeito.

Bela apertou a mão de sua amiga.

—Será perfeito. Talvez ainda não, mas… o dia que me diga que me quer, tudo valerá a pena.

—Bom, pois depois de receber a notícia, deixa que te agradeça por tudo.

—Agradecer?

—O apartamento, a conta no banco para que não tenha que voltar para clube… é que não sabe? —perguntou Sadie ao ver a expressão desconcertada de Bela—Não pagou o aluguel de meu apartamento durante um ano para que não tenha que voltar a trabalhar no clube?

—Não.

As duas se voltaram para Theron.

—Então suponho que tampouco arrumou meu encontro com o Howard.

—Não tinha nem ideia.

—Pois acredito que achou um homem estupendo — riu Sadie então.

—Sim, é um homem estupendo.

Nesse momento, Theron levantou o olhar e Bela desejou estar a sós com ele, entre seus braços, para esquecer-se de tudo. Incluindo que ela não era a mulher que teria escolhido como esposa.

—Que tal pedir ao Reynolds que a acompanhe a casa?

Sadie sorriu enquanto lhe dava um abraço.

—Não vá da cidade sem me dizer isso né?

—Não, claro que não.

Isabella fechou a porta da suíte e, pela primeira vez desde que Theron tinha posto o anel no dedo, ficaram a sós. Embora ele seguisse falando por telefone.

Sorrindo, sentou-se escarranchada sobre seus joelhos e, enquanto ele tentava seguir com uma conversação sobre números e hotéis, começou a desabotoar os botões da camisa.

Se fosse uma boa noiva, o deixaria em paz, pensou, para que pudesse seguir trabalhando. Mas já tinha demonstrado que não podia conter seus impulsos no que se referia ao Theron Anetakis.

Dar-lhe-ia dois minutos mais, pensou. Se fosse capaz de resistir, teria que lhe dar crédito por ser um homem de ferro.

Quando baixou a mão para lhe desabotoar a calça, notou que ficava rígido, tanto como sua igualmente rígida ereção.

Ficava um minuto. Enfim… teria que ir a toda.

Bela inclinou a cabeça e quando o roçou com a boca, ouviu que Theron se despedia apressadamente… e logo o inequívoco choque de um telefone contra o chão.

Teve que sorrir quando a abraçou, soltando uma argumentação em grego.

—O que me faz, louca? —riu, levando-a ao dormitório—Vou ter que te proibir que vá a meu escritório se isso for o que vai fazer quando estou trabalhando.

—Muito bem— riu Bela.

—Dispa-se — disse ele, depois de deixá-la sobre a cama.

—Não deveria fazê-lo você?

Com uma mão, Theron tomou as suas e as levantou por cima de sua cabeça para lhe desabotoar a blusa. Seguiu com o resto da roupa e só a soltou quando estava completamente nua.

—Dê a volta.

—O que?

—Faz o que te digo pethi mou.

O tom autoritário a fez tremer. Ela tinha começado aquilo, mas aparentemente, ele pensava terminá-lo. De modo que deu a volta e, um segundo depois, notou que Theron estava acariciando a tatuagem que tinha na cintura.

—Você gosta?

—Leva dias me deixando louco. Tinha o absurdo desejo de acariciá-la com a língua…

—Nada lhe impede isso.

—Claro que não.

Bela fechou os olhos ao sentir sua úmida língua fazendo contato com sua pele.

—O duende é enganoso. Deveria ter tatuado um diabo.

Sorrindo, Bela deu a volta para olhá-lo aos olhos.

—E onde deveria levar esse diabo?

Theron inclinou a cabeça para beijar a zona justo em cima do triângulo de cachos do púbis.

—Aí — murmurou—Onde só eu possa vê-lo.

—Theron, eu te desejo tanto…

—Então tome — disse ele, colocando-se em cima—Tome tudo.

Bela enredou as pernas em sua cintura, segurando-o enquanto a enchia uma e outra vez. Ele procurou seus lábios e ela os bebeu, mas mesmo assim queria mais. Queria tudo o que pudesse lhe dar.

Dessa vez chegaram juntos ao final, em uma explosão que sentiu até o mais fundo. E quando Theron se deixou cair sobre ela, satisfeito, Bela deixou escapar um suspiro de felicidade.

—Onde aprendeste essas travessuras, pethi mou?

—O que quer dizer?

—Era virgem e, entretanto, seduz-me como se tivesse muita experiência.

—Não me diga que você é dos que acreditam que a existência do hímen significa total ignorância por parte da mulher.

Embora dada sua antiquada ideia de honra e o fato de que ia casar se com ela precisamente por essa coisa chamada hímen, talvez fosse lógico que acreditasse ignorante sobre temas sexuais.

Theron pigarreou incômodo.

—Não pensei que alguém sem experiência pudesse ser…

—Tão boa na cama? Eu nunca disse que não tinha experiência.

—O que quer dizer com isso? Com quem experimentou?

Bela lhe pôs uma mão no torso.

—Tenta controlar sua testosterona, por favor. Você é o único homem com quem fiz amor em toda minha vida. Mas se pode adquirir experiência sem participação.

—Enquanto não queira aprender com outro homem… — grunhiu ele—Eu te ensinarei tudo o que tem que saber.

—E talvez eu também te ensine algo.

Theron a derrubou e Bela caiu sobre seu peito, rindo.

—Ah, sim? Então me ensine o que quiser. Serei um aluno aplicado, Bela mou.

 

Theron esticou uma mão para lhe apertar o cinto de segurança e Bela abriu os olhos, surpreendida.

—Estamos a ponto de aterrissar. Em seguida iremos de helicóptero à ilha.

—Estou desejando conhecer o Piers… bom, vi-lhe um par de vezes quando era menina, mas nunca falei com ele. Embora faça tanto tempo que não vejo Chrysander que será como vê-lo pela primeira vez.

A viagem pelo céu escuro foi um pouco desconcertante para Bela, mas em seguida viu umas luzes na distância e, uns minutos depois, o helicóptero aterrissava em uma pista de cimento rodeada de jardins.

Quando estavam chegando a casa, um homem saiu a recebê-los e inclusive a distância Bela reconheceu ao Chrysander.

—Como cresceu! —exclamou ele quando chegaram a seu lado.

—Obrigado por me fazer sentir como a garota de aparelho nos dentes outra vez - riu ela.

—Não, me desculpe — sorriu Chrysander—Não queria dizer isso. Marley está esperando no salão, vem. Está desejando te conhecer.

—Olá, Chrysander, não me diz nada? —brincou Theron.

—Olá, irmão.

A casa era tão preciosa que Bela estava desejando vê-la à luz do dia. E a praia… podia cheirar o sal marinho e inclusive ouvir as ondas à distância, mas teria gostado de afundar os pés na areia.

Uma mulher de cabelo escuro que tinha um menino nos braços sorriu ao vê-los entrar no salão.

—Theron! —exclamou.

—Como está minha cunhada favorita?

—Sou sua única cunhada — riu ela.

—Marley, apresento-lhe Isabella Caplan, minha noiva.

—Me alegro muito de te conhecer, Isabella.

—Por favor, me chame Bela. E eu também me alegro muito de te conhecer.

—Piers chegou? —perguntou Theron.

—Descerá em seguida, subiu para trocar-se. Esperamos-lhes para jantar.

Nesse momento, um homem alto e moreno entrou na sala. Era o mais alto dos três, um pouco mais magro que Chrysander e com os ombros mais largos que Theron. Enquanto seus irmãos tinham os olhos de cor marrom clara, os do Piers eram tão escuros que pareciam negros. E sua pele também era mais escura, como se passasse muito tempo ao ar livre.

—Ah, aqui estão. E você deve ser a futura noiva.

—Uma de tantas, pelo visto — respondeu ela, brincando para evitar um momento incômodo.

—Eu gosto Theron. Tem caráter — riu Piers.

—Nem me diga.

Chrysander se aproximou de sua mulher e lhe passou um braço pela cintura.

—Quer que leve o bebê para que possamos jantar tranquilamente?

—Se dorme… — suspirou Marley—O pobre teve uma cólica e levamos uma semana com ele nos braços. Espero que não lhes incomode a noite.

—Não se preocupe agape mou. Eu ficarei com ele até que durma.

O coração de Isabella encolheu ao ver que se olhavam como dois apaixonados… como gostaria que a olhasse Theron algum dia.

O jantar foi muito agradável. Marley lhe perguntou por seus estudos, por isso queria fazer… Piers permanecia calado, mas mais de uma vez o encontrou olhando-a fixamente.

Foi um alívio quando Chrysander se reuniu com eles e começaram a falar de negócios. Inclusive Piers deixou de lado sua reserva e se meteu totalmente na discussão… momento que Marley aproveitou para levar a Bela da sala de jantar.

—Quer dar um passeio pela praia? É linda à luz da lua e faz muitos dias que não posso deixar Dimitri sozinho.

—Eu adoraria — sorriu Isabella—Estou desejando ver este lugar à luz do dia.

Marley a guiou por um caminho de pedra que levava diretamente à praia. O som do mar se fazia mais audível com cada passo e, pouco depois, sentiu que estava pisando em areia. A cunhada de Theron se deteve para tirar sapatos e lhe pediu que fizesse o mesmo.

—Isto é lindo — murmurou Bela, encantada.

O céu estava cheio de estrelas, descuidadamente colocadas no céu, como se alguém tivesse estado jogando dados com elas. A lua estava muito alta, refletindo-se no mar…

—É meu lugar favorito no mundo inteiro — disse Marley—É assombroso, meu paraíso particular.

—É um lugar maravilhoso, sim.

Isabella se aproximou da borda e esperou que uma onda molhasse seus pés, encantada ao sentir comichão da espuma nos dedos.

—Eu disse que as encontraríamos aqui — ouviram então a voz de Chrysander.

Theron ficou onde estava, mas seu irmão se aproximou para tomar a Marley pela cintura.

—Venha, Isabella — a chamou então—Vamos deixar sozinhos a estes dois pombinhos. Deve estar cansada depois da viagem.

Theron levou sua mão aos lábios e Bela relaxou pela primeira vez desde que saíram de Nova York. Tudo seria mais fácil se atuasse como se de verdade quisesse casar-se com ela, como se sentisse algo mais que desejo. E talvez fosse assim. Poderia amá-la? Seria possível? Perguntou-se.

—Parecem muito apaixonados — murmurou, assinalando a Marley e Chrysander.

—E estão, embora tenham uma história muito complicada. Vou lhe contar isso algum dia, mas agora mesmo o único desejo é uma cama e um travesseiro macio.

—Há partes de minha anatomia que são mais macias que um travesseiro — riu ela.

—Não… eu acredito que é melhor que durmamos separados enquanto estamos aqui — disse Theron então.

—Por que não vamos compartilhar o quarto? Estamos noivos.

— Eu sei pethi mou — sorriu ele, tomando-a pela cintura—Mas devo mostrar respeito diante de meus irmãos. Já é suficiente com que Chrysander saiba que tirei sua virgindade. Não quero chamar mais a atenção…

—Chrysander sabe? —exclamou ela.

Theron piscou surpreso.

—É minha vergonha, carinho, não a tua.

De modo que Chrysander e, é obvio, Marley sabiam que se casava com ela só por um antiquado sentido do dever.

—Muito bem, então irei ao meu quarto. Não se preocupe; certamente alguém subiu com minhas malas, de modo que será fácil encontrá-lo.

—Bela…

Ela se voltou para olhá-lo, decidida a não mostrar emoção alguma.

—O que?

—Não o contei para te fazer mal.

Isabella sorriu um sorriso trêmulo e vacilante.

—Sei.

Logo se voltou e entrou na casa sem dizer uma palavra mais.

 

Isabella olhava do leito de seu quarto, com as mãos detrás da cabeça. Não podia dormir e o som das ondas que entrava pela janela lhe fazia companhia.

Mas quando olhou o despertador, deu-se conta de que levava horas acordada e, suspirando, levantou-se. Se não fazia ruído poderia descer à praia a dar um passeio. Isso a tranquilizaria pensou. Estava muito inquieta para seguir deitada.

A casa estava em silêncio quando saiu de seu quarto. Sem fazer ruído, abriu a porta que dava ao jardim e respirou profundamente o aroma do mar. O céu começava a iluminar-se no leste, o horizonte estava ficando de um tom lavanda, e as ondas acariciavam a areia. Bela se sentou sobre um tronco enquanto o mundo inteiro tornava-se de cor dourada a seu redor…

Não sabia quanto tempo tinha estado ali, mas quando por fim se levantou para voltar para a casa, tinha amanhecido de tudo. Antes de entrar, deteve-se um momento para tirar areia dos pés e sorriu ao ouvir vozes no terraço. Theron já se levantou e, pelo visto, Marley e Chrysander também. Estava a ponto de reunir-se com eles quando ouviu seu nome. Estariam falando do casamento? Perguntou-se.

Mas deteve-se ao ouvir as palavras de Theron. Soava… resignado, triste inclusive. Apoiada na cerca de pedra que separava o jardim do terraço, enquanto Theron contava sua história a Marley e Chrysander, pouco a pouco Bela foi dobrando as pernas até ficar sentada no chão.

As brincadeiras que lhe tinha feito, os flertes, os descarados comentários… na boca de Theron tudo aquilo soava mais cru do que ela tinha pretendido. Depois o ouviu falar de quão desconcertado se havia sentido, lutando entre o desejo que sentia por ela e o de casar-se com Alannis. Bela tampou o rosto com as mãos. Seu único consolo era que o contava como se não tivesse sido a propósito, como se não o houvesse feito tudo para seduzi-lo. Não, seguia culpando-se a si mesmo por isso.

Mas logo disse algo que a deixou sem fôlego:

—Eu queria o que têm Marley e você. Queria uma esposa e filhos… uma família. Tinha-o bem planejado, mas tudo se foi pela janela tão rápido que ainda me dá voltas na cabeça.

Com o coração quebrado, Bela se levantou e, sem fazer ruído, voltou para a casa. Mas ia tão cega de dor que esteve a ponto de se chocar com o Piers.

—Quando alguém escuta detrás de uma porta, não está acostumado a escutar nada bom.

—Não, parece que não — assentiu ela.

Os olhos do Piers se suavizaram então.

—O que ocorre?

—Não diga nada ao Theron. Não quero que se sinta ainda pior.

—E você, Bela? Como se sente você?

—Parece que eu tenho muito que resolver — suspirou ela.

Uma vez a sós em seu quarto se apoiou na porta, deixando que uma lágrima rodasse por sua bochecha.

Theron não a queria porque queria Alannis. E por sua culpa tinha perdido a oportunidade de formar uma família com ela. Bela olhou a si mesma e não gostou de muito do que viu. Amar a alguém não deveria doer tanto, não deveria ser tão destrutivo. O que era ela, uma menina mimada que sempre queria sair-se com a sua? Alguém incapaz de aceitar que não podia ter o que queria porque era de outra pessoa?

E então, nesse momento de claridade, de angústia, soube que tinha que deixar Theron. Não queria nem pensar sequer no que estaria passando com a pobre Alannis…

O que haveria dito Theron, que tinha sido infiel com ela?

Então levantou a cabeça, decidida a encontrar a maneira de solucionar aquele problema.

Primeiro: Theron não devia saber que tinha escutado a conversação porque se sentiria horrivelmente culpado e insistiria em fazer o que ele considerava seu dever.

Mas, essa vez, Bela ia fazer o que devia fazer.

Secando as lágrimas com a mão, procurou sua bolsa. Sophia tinha lhe dado um cartão com seu endereço e seu número de telefone se por acaso quisesse visitá-las algum dia. E isso pensava fazer, de modo que chamou informação para contratar um helicóptero… tarefa nada fácil porque não falava grego.

E depois teria que falar com Theron.

O pior era ter que fingir que não tinha escutado a conversação. Ter que sorrir e atuar como se não passasse nada… enquanto seu coração se estava rompendo em mil pedaços.

 

Isabella olhou seu relógio. Merecia um Oscar, certamente. Durante o café da manhã, tinha sorrido e brincado com todos como se não passasse nada… embora estivesse rompendo por dentro.

Mas tinha pouco tempo para falar com Theron porque o helicóptero iria chegar logo, pensou, olhando o relógio.

—Theron — disse enquanto se levantava da mesa—Poderia falar um momento com você? A sós — acrescentou, desculpando-se com o olhar.

—Claro, pethi mou. Por que não vamos dar um passeio pela praia?

Foram de mãos dadas até a praia, mas dessa vez o som das ondas não conseguia tranquilizá-la. A imensidão do mar, perdendo-se no horizonte, assustava-a. Sob a superfície havia monstros que nunca viam a luz…

—O que acontece Bela? Hoje parece triste.

—Tenho que te dizer algo.

—O que?

Isabella tragou saliva.

—A razão pela que planejei uma viagem a Londres este verão foi porque pensei que você estaria ali.

Ele a olhou, confuso, mas quando ia dizer algo, Bela o silenciou com um gesto.

—Por favor, deixa que termine. Tenho que te dizer muitas coisas e não poderei terminar se me faz perguntas.

Theron vacilou durante um segundo, mas logo assentiu com a cabeça.

—Quando descobri que te tinha mudado a Nova York e pensava viver ali de forma permanente, troquei de planos e decidi alugar um apartamento. Sabia que pensava pedir a Alannis em casamento, que tinha planejado sua vida com outra mulher… — Bela passou as mãos pelos braços, gelada de repente— mas estava decidida a te seduzir. Persegui-te todas as horas, inclusive planejei fazer uma entrada espetacular na festa em que iria pedir a mão do Alannis… mas cheguei muito tarde. Essa é a razão pela que Marcus estava em minha suíte essa noite. Ele tinha me seguido até o hotel quando saí correndo para tentar evitar que pedisse a mão de Alannis. Pensei que tinha te perdido, mas então fizemos amor… e no dia seguinte me disse que tínhamos que nos casar. Eu sabia que não me queria, mas estava decidida a ter uma oportunidade com você, assim disse que sim porque, fosse como fosse, teria o que mais queria: a você — Bela procurou seu olhar, angustiada—Theron, eu te quero desde que era uma menina. Pensei que era uma obsessão juvenil, que passaria com o tempo, mas cada vez que te via essa obsessão aumentava… até que decidi que tinha que tentá-lo pelo menos. Mas me enganei e o sinto muitíssimo. Sei que destrocei sua relação com Alannis.

Ele seguia olhando-a em silêncio, com as mãos nos bolsos da calça.

—Não me quer — disse Bela então, com surpreendente calma.

E quando Theron levantou o olhar, as poucas esperanças que pudesse ter morreram imediatamente. Havia muitas emoções em seus olhos: confusão, ira, surpresa. Mas não amor. Rapidamente, antes que ele pudesse reagir; Bela deu um passo adiante e o beijou na bochecha.

—Espero que possa me perdoar algum dia — murmurou, tirando o anel para pô-lo em sua mão. Logo, sem dizer uma palavra mais, deu a volta e correu para a casa.

—Bela! Bela, volta!

Chrysander, que saía da casa nesse momento, tentou segurá-la.

—Aonde vai, Isabella?

Tragando um soluço, ela seguiu correndo para o heliporto.

 

Theron olhou o anel que Bela tinha posto em sua mão, atônito. Simplesmente, não podia entender o que tinha passado. Nem o que Bela havia dito. De verdade o queria sempre? Não parecia possível…

—O que passou? —ouviu a voz de seu irmão.

—Não sei muito bem. Devolveu-me o anel de compromisso — murmurou ele, atônito.

—Disse por quê? É evidente para qualquer um que essa garota está louca por você.

—Contou-me uma história incrível… que está apaixonada por mim desde que era uma menina e que decidiu ficar em Nova York por mim… que foi ela quem me seduziu.

—Está zangado com Bela?

—Zangado?

—Você queria se casar com Alannis, não? Isabella o impediu.

—Não foi ela quem o impediu, Chrysander, fui eu — suspirou Theron, que ainda não tinha saído de seu assombro—Não quis lhe pedir que se casasse comigo porque não podia deixar de pensar em Bela. Essa garota… ilumina tudo assim que entra em uma habitação. Deixa-me louco, absolutamente louco. Poderia ter ao homem que quisesse, mas me quer… — então olhou a seu irmão, perplexo—Estou apaixonado por ela. Todo este tempo pensando que queria formar uma família e sentar a cabeça com uma mulher adequada… e tinha à mulher perfeita diante de meus olhos.

—E o que está esperando então? —perguntou-lhe Chrysander—É com Bela com quem deveria falar…

Nesse momento ouviram as hélices de um helicóptero e se olharam, surpreendidos.

—Você chamou o helicóptero?

—Não.

Theron não esperou um segundo mais. Saiu correndo e, ao ver que não era um aparelho da empresa Anetakis, começou a assustar-se de verdade. E quando viu a Isabella subindo a escadinha, o sangue lhe gelou as veias.

—Bela!

Ela nem sequer se voltou. Certamente não o tinha ouvido com o ruído das hélices. Corria com todas suas forças, mas não chegou a tempo. E teve que ver como separava o helicóptero sem poder fazer nada para evitá-lo.

Chrysander chegou a seu lado e o pegou pelo braço.

—Theron…

—Tenho que averiguar onde foi — murmurou ele, com um nó na garganta.

—Pode-se saber o que acontece? —ouviram então a voz do Piers.

—É Isabella. Partiu—respondeu Theron—E tenho que ir procurá-la.

—Espera um momento… acredito que deveria saber algo — disse então seu irmão—Esta manhã, Isabella te ouviu falando com Chrysander e Marley no terraço. Suplicou-me que não dissesse nada, mas temo que essa foi à razão pela qual partiu.

Theron fechou os olhos ao recordar que tinha estado contando a seu irmão e sua cunhada o que tinha sonhado ter com Alannis… quando o que queria de verdade estava diante de sua cara.

—Sou um imbecil.

—Isso certamente — assentiu Piers—A questão é o que vai fazer para recuperá-la.

 

Isabella não tinha tomado em consideração as repercussões de uma aterrissagem surpresa nos jardins do que parecia uma muito luxuosa mansão. Assim que o aparelho tocou o chão, foram rodeados por um montão de guardas de segurança, todos armados.

De modo que possivelmente não tinha sido uma boa ideia. Um deles começou a lhe fazer perguntas em grego e Bela tragou saliva, nervosa.

—Não falo seu idioma…

—Quem é você? —perguntou-lhe o homem então, com um marcado acento—O que quer?

—Vim a falar com Alannis Gianopoulos. É muito importante.

—Como se chama?

—Isabella Caplan.

A escolta tomou um walkie-talkie e falou com alguém em grego… felizmente, um segundo depois baixou a pistola e deu um passo atrás.

—Venha comigo, senhorita Caplan.

Levou-a até a entrada de uma palaciana mansão, onde a esperava Sophia, com cara de total perplexidade.

—Isabella! —exclamou—O que faz aqui? E onde está Theron?

—Tenho que falar urgentemente com Alannis. É muito importante, Sophia.

—O que ocorre?

—Não lhe posso contar isso agora… mas tenho que falar com sua filha.

A mulher não deixava de olhá-la, surpreendida.

—Espera um momento. Vou procurá-la.

Bela ficou esperando na entrada, admirando a vista do mar do escarpado. Alannis incluso vivia no lugar perfeito, perto de Chrysander e Marley. Assim poderiam ser uma família feliz.

—Isabella?

—Alannis… vim te pedir perdão.

—Não te entendo.

Isabella respirou profundamente.

—Eu decidi conquistar ao Theron… e roubá-lo de você. Sabia que ia pedir sua mão, mas estive apaixonada por ele sempre e o queria para mim. Não me ocorreu pensar no que sofreria você ou que estava machucando a duas pessoas por pensar só em mim mesma.

—Mas… — começou a dizer Alannis.

—Theron quer casar-se com você — seguiu Bela—É a você a quem ele quer não a mim. Vá vê-lo, Alannis. O helicóptero está esperando para te levar a ilha. Eu devolvi o anel… e sinto muito te haver feito dano, de verdade — disse, com os olhos cheios de lágrimas—Mas espero que sejam felizes.

—Isabella… você não entende.

Mas Bela já deu a volta para dirigir-se ao homem da segurança.

—Por favor, me leve à porta. Ali tem que haver um táxi me esperando.

Tinha-o contratado por telefone, como o helicóptero, e, felizmente, o táxi estava esperando na rua, detrás de uma grade de ferro.

—Ao aeroporto— lhe disse—Depressa, por favor.

Quando se afastava, viu Alannis lhe fazendo gestos para que voltasse, mas não fez conta. Sentia-se como se lhe tivessem arrancado o coração.

 

—Quanto tempo pode demorar em chegar esse maldito piloto? —exclamou Theron, furioso.

—Tranquilo - disse Chrysander—O helicóptero levou a Isabella à casa dos Gianopoulos.

—Por que iria Bela a ver Alannis? E como sabe onde vive?

—Imagino que está tentando arrumar as coisas — suspirou seu irmão. Primeiro com você e logo com ela.

Theron tirou o celular do bolso, angustiado.

—Sophia, graças a Deus. Isabella esteve…? Se foi em um táxi? Mas aonde foi?

 

Era impossível encontrar um bilhete em um voo de linha regular, de modo que Bela tirou seu cartão de crédito, esperando que fosse tão de platina como dizia ser, e alugou um jato privado para que a levasse a Londres.

Ao menos estava já a bordo, esperando que partisse, estava exausta. Fechando os olhos, apoiou a cabeça no respaldo do assento… Ouviu passos e pensou que seria a aeromoça ou alguém da equipe, mas ao sentir o calor de uns lábios em sua testa abriu os olhos imediatamente.

Theron tomou seu rosto entre as mãos enquanto ela o olhava; perplexa.

—O que faz aqui?

Como resposta, ele inclinou a cabeça para beijá-la nos lábios. E seguiu beijando-a até deixá-la sem fôlego. Logo se voltou para dizer algo em grego e, para assombro de Bela, o avião começou a mover-se.

—Mas este avião vai a Londres e… o que acontece Alannis?

Theron a pegou e a sentou sobre seus joelhos.

—Agora que te tenho em minhas mãos e não pode escapar outra vez, terá que escutar tudo o que tenho que te dizer.

Bela o olhou, boquiaberta. Não entendia nada.

—Tola, impetuosa, preciosa e frustrante mulher — murmurou—Se acreditar que vai poder se liberar de mim, está muito equivocada.

De repente, o coração de Bela começou a pulsar como louco, esperançoso. Mas o olhava sem saber o que dizer. Tantas coisas passavam por sua cabeça…

—Quero-a, minha preciosa Isabella. Adoro-a. Não posso imaginar minha vida sem você. Quer se casar comigo e me fazer o homem mais feliz da terra?

Theron tirou o anel que lhe havia devolvido e, depois de pô-lo em seu dedo, beijou meigamente sua mão.

—Este nunca foi o anel de outra mulher, pethi mou. Escolhi-o só para você. Nunca pedi a Alannis que se casasse comigo…

—Não?

—Não me teria deitado com você se meu coração fosse de outra mulher. Pensava lhe pedir em casamento no dia da festa… inclusive tinha o anel, mas só podia ver você, só desejava você. Na manhã, depois de fazer amor, fui vê-la e o disse que ia casar-me com você.

—Mas…

—E tampouco Alannis está apaixonada por mim, por certo. A pobre está desejando que acabemos juntos, ela mesma me disse isso.

—Não está apaixonado por ela? —repetiu Bela, como em transe.

—Estou apaixonado por você, só por você.

—Mas disse a Chrysander que queria formar uma família com Alannis…

—Queria formar uma família e queria tudo o que meu irmão tem com Marley. E tudo isso estava diante de mim sem que eu me desse conta — suspirou Theron—Lutava contra a atração que sentia por você porque entre Alannis e eu sempre tinha havido uma espécie de acordo… além disso, eu era seu tutor e devia protegê-la, não inventar maneiras de te tirar a roupa.

Bela levantou uma mão tremente para acariciá-lo e Theron apoiou nela o rosto.

—Case comigo, pethi mou.

—Quer te casar comigo embora eu não esteja disposta a ter filhos em seguida?

—Tenho a impressão de que irá manter-me muito ocupado para pensar em crianças imediatamente — sorriu ele, procurando seus lábios de novo—Temos todo o tempo do mundo, meu amor. Prometa-me que estaremos juntos.

Bela estava segura de que seu sorriso iluminava o avião inteiro.

—Eu também te quero — sussurrou—Te amo tanto…

—Pode estar grávida — disse ele então—Se importaria…?

—Não estou grávida. Não posso estar porque tomo a pílula.

Theron a olhou, desconcertado. Mas então entendeu…

—Sua bruxa. Não me havia dito isso…

—Não, é verdade. Deveria havê-lo feito para que não estivesse preocupado, mas não queria te perder.

—Bom, se você pode me perdoar por ser tão idiota e por não te haver feito precisamente a proposta mais romântica do mundo, eu te perdoarei por me haver agarrado para sempre — riu Theron.

—Sim — sorriu Bela, jogando os braços ao pescoço.

—Sim o que, pethi mou?

—Sim, vou me casar com você, meu amor.

—E agora que tudo está solucionado — disse Theron então, levantando-se e puxando sua mão—Por que não vamos descansar um pouco?

Bela sorriu enquanto a levava ao dormitório do jato, com o coração cheio de felicidade. E enquanto se entregavam em corpo e alma o um ao outro, prometeram-se amor eterno.

 

A noiva, e o noivo, apareceram em suas bodas descalços. Theron estava na praia da ilha Anetakis, esperando ao lado do sacerdote enquanto Chrysander levava a sua futura esposa pelo braço.

Bela levava a parte de cima de um biquíni branco e um pareô de flores à cintura. As unhas de seus pés, que o próprio Theron tinha pintado de noite, eram de cor rosa. A pulseirinha do tornozelo brilhava sob os raios do sol e ele sabia que seu nome estava gravado na pequena banda de prata.

Logo olhou o diamante que levava no umbigo e que ele mesmo tinha comprado e se deleitou pondo-o. Mas o que o deixou sem fôlego foi seu radiante sorriso. Só para ele.

Era tão linda que seu peito doía ao olhá-la. Piers estava a sua esquerda, Sophia e Alannis sentadas ao lado de Marley. Havia um ar festivo na praia e todos sorriam; alegres. Inclusive podia detectar um brilho de lágrimas nos olhos de algumas mulheres.

Então esticou a mão para tomar a da Isabella. Dava igual à ainda não houvesse feito os votos matrimoniais ou que o sacerdote se esclarecesse garganta discretamente. Simplesmente, tinha que beijá-la. Seus lábios se encontraram e, quando por fim se afastou para deixar que o sacerdote oficiasse a cerimônia, os olhos da Isabella estavam cheios de lágrimas.

E a ele lhe tremeu a voz enquanto recitava suas promessas.

Mas, por fim, foram declarados marido e mulher.

Depois do banquete, celebrado nos jardins da casa, o helicóptero levou aos noivos a uma casinha sobre um escarpado onde passariam sua lua de mel.

Theron a levou em braços à cama, mas quando ia beijar a, Bela lhe sussurrou que tinha um presente de bodas para ele.

Intrigado, deu um passo atrás enquanto ela tirava o pareô.

—Uma vez me disse que deveria fazer outra tatuagem — disse, com um brilho travesso nos olhos.

—Bela, me diga que não foste a um desses horríveis salões…

—Não fui sozinha, Marley foi comigo.

—E Chrysander sabe? —exclamou Theron, incrédulo.

—Imagino que lhe disse algo… quando entrou atrás de nós.

Isabella pôs dois dedos na calcinha do biquíni e lenta, sensualmente, começou a baixá-la. E ali, justo em cima do triângulo de cachos do púbis, no centro, havia um anjinho segurando um tridente.

Theron não pôde conter uma gargalhada antes de inclinar a cabeça para beijar a tatuagem.

—Meu próprio anjinho travesso — murmurou, sem deixar de beijá-la.

 

                                                                                Maya Banks  

 

                      

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