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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


FOGO SELVAGEM / Christine Feehan
FOGO SELVAGEM / Christine Feehan

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblio VT

 

 

 

 

Chamado a uma missão perigosa, o shifter leopardo Conner Vega retorna à floresta de sua terra natal, no Panamá, procurando cada pedacinho do homem civilizado.

Mas como um membro da mais letal das tribos shifter, ele não tem um osso civilizado em seu corpo. Ele carrega o cheiro de um animal selvagem em seu apogeu, ele carrega na alma o esmagador pecado de mortes passadas — e está marcado pelas cicatrizes da vergonha infligidas pela mulher que ele traiu.

Isabeau Chandler é uma shifter Bornéu que nunca perdoou Conner — ou o esqueceu. O desejo de acasalamento está ainda com ela, e quando ela cruza o caminho de Connor, paixões correm como fogo selvagem. Porém, quando a missão de Connor atrai Isabeau mais perto, outra traição está esperando nas sombras — e é a mais perigosa e íntima de todas.

 

 

 

 

Ele ouviu primeiro os pássaros. Milhares deles. Todas as variedades, todos cantando uma música diferente. Para um ouvido não treinado o som seria ensurdecedor, mas era música para ele. Profundamente no seu interior, seu leopardo pulou e rugiu, grato ao inalar o perfume da floresta tropical. Saiu do barco para o cais frágil, seus olhos sobre o dossel subindo como torres verdes em todas as direções. Seu coração mudou. Não importava que país estava — a floresta era seu lar. Qualquer floresta tropical; mas foi aqui, nos campos do Panamá, onde nasceu. Quando adulto escolheu fazer sua casa na floresta de Bornéu, mas suas raízes estavam aqui. Não percebeu o quanto sentiu falta do Panamá.

Virou a cabeça, olhando em volta, saboreando os aromas misturados e barulhos da selva. Cada som, da cacofonia das aves, dos gritos dos bugios ao zumbido dos insetos, continha uma riqueza de informações se soubesse como lê-las. Ele era um mestre. Conner Vega flexionou seus músculos, um pequeno encolher de ombros, mas seu corpo movia-se com vida, cada músculo, cada célula, reagindo à floresta. Queria arrancar a roupa de seu corpo e correr livre e selvagem como sua natureza exigia. Parecia civilizado em seu jeans e camiseta simples, mas não havia um osso civilizado em seu corpo.

—Está chamando você, — disse Rio Santano, olhando em torno para as poucas pessoas ao longo da margem do rio. —Espere. Temos de sair da vista. Temos audiência.

Conner não olhava para ele ou para os outros manobrando pequenos barcos até o rio. Seu coração batia enquanto o sangue trovejava através de suas veias, fluindo e refluindo como a seiva nas árvores, como o tapete móvel de insetos no chão da floresta. Os tons de verde — cada sombra no universo —começavam a formar faixas de cor enquanto seu leopardo o preenchia, alcançando a liberdade de sua terra natal.

—Espere, — Rio insistiu entre os dentes apertados. —Maldição, Conner, estamos em plena vista. Controle seu gato.

Os leopardos do Panamá-Colômbia eram os mais perigosos de todas as tribos, os mais imprevisíveis, e Conner sempre foi um produto de sua genética. De todos os homens da equipe, era o mais letal. Rápido, feroz, mortal numa luta. Podia desaparecer na floresta e despedaçar um campo inimigo todas as noites até que estivessem tão distraídos — assombrados por um fantasma assassino que ninguém via — que abandonavam sua posição. Era inestimável, mas volátil — muito difícil de controlar.

Precisavam de suas habilidades nesta missão.

Conner nasceu na floresta do Panamá numa tribo de pessoas leopardo indígenas da área, e isso dava-lhe uma vantagem distinta quando encontrassem os evasivos — e muito perigosos — shifters. Conner também dava à equipe a vantagem de conhecer as tribos indígenas locais.

A floresta, na sua maior parte inexplorada, até mesmo por outros shifters, podia ser difícil de se locomover. Mas o fato de Conner ter crescido aqui e a usado como seu playground pessoal significava que não seriam atrasados quando precisassem se mover rapidamente.

A cabeça de Conner girou num movimento lento parecendo um leopardo em caça. Estava perto da mudança — perto demais. Calor saía dele. O cheiro do animal selvagem, um macho em seu auge, forte e astuto, rasgando e arranhando para se libertar, permeou o ar.

—Faz um ano desde que estive numa floresta.

Conner deixou cair sua mochila aos pés de Rio. Sua voz era rouca, quase um som rude. —Muito mais tempo desde que estive em casa. Deixe-me ir. Encontro com você no acampamento base.

Era um pequeno milagre e um testemunho da disciplina de Conner que esperasse pelo aceno de consentimento de Rio antes que saísse rápido na direção da linha de árvores perto do rio. Dois metros entrando na floresta, a luz solar se tornava apenas alguns pontos salpicados sobre as amplas folhagens. O chão da floresta — camadas de madeira e vegetação — parecia familiar e esponjosa sob seus pés. Desabotoou sua camisa, já molhada de suor. O calor opressivo e a umidade pesada custava muito para a maioria das pessoas, mas para Conner era energizante. Os nativos usavam pouco mais que uma tanga por uma razão. Camisas e calças ficavam molhadas rápido, raspando a pele, formando brotoejas e feridas que podiam rapidamente infeccionar aqui fora. Tirou sua camisa e se inclinou para tirar suas botas, enrolando a camisa e a empurrando dentro de uma bota para que Rio a recuperasse.

Ele se endireitou, inalou profundamente, olhando a vegetação em torno dele. Árvores subiam até o céu, elevando-se como grandes catedrais, um dossel tão espesso que a chuva lutava para furar as folhagens e alcançar os arbustos grossos e fetos abaixo. Orquídeas e outras flores rivalizavam com musgo e fungos, cobrindo cada centímetro concebível de troncos enquanto subiam em direção ao ar livre e luz solar, tentando furar o dossel espesso.

Seu animal se moveu sob sua pele, coçando quando ele deslizou fora de suas calças jeans e as meteu dentro da bota. Precisava correr livre em sua outra forma mais que precisava de qualquer outra coisa. Fazia tanto tempo. Saiu correndo através das árvores, indiferente aos seus pés descalços, saltando sobre um tronco podre quando alcançou a mudança. Sempre foi um shifter rápido, uma necessidade para quem vivia na floresta cercado por predadores. Não estava nem totalmente leopardo nem totalmente homem, mas uma mistura de ambos. Os músculos puxados, uma dor gratificante quando seu leopardo saltou à frente, assumindo sua forma enquanto seu corpo se curvava e cordas de músculos se moviam sob sua pele grossa.

Onde estavam seus pés, patas acolchoadas com garras atingiram o chão da floresta esponjosa. Passou por cima e sobre uma série de árvores caídas e pelo meio de um espesso matagal. Dez metros mais na floresta e a luz do sol desapareceu por completo. A selva o engoliu e ele respirou um suspiro de alívio.

Pertencia. Seu sangue jorrou em suas veias quando levantou seu rosto e deixou seus bigodes agirem como os radares que eram. Pela primeira vez em meses estava confortável em sua própria pele. Se esticou e pisou mais profundo na selva familiar.

Conner preferia sua forma de leopardo que sua forma de homem. Carregava muitos pecados em sua alma para ficar inteiramente confortável como humano. A marca de garra profundamente gravada em seu rosto atestava isso, o marcando para sempre.

Não gostava de pensar demais — sobre essa cicatriz e como a conseguiu ou por que permitiu que Isabeau Chandler a infligisse sobre ele. Ele tentou fugir para os Estados Unidos, colocando a maior distância que podia entre ele e sua mulher — sua companheira — mas não foi capaz de esquecer o olhar no rosto de Isabeau quando descobriu a verdade sobre ele. A memória o assombrava dia e noite.

Era culpado de um dos piores crimes que sua espécie podia cometer. Traiu sua própria companheira. Não sabia que ela era sua companheira quando aceitou o trabalho para seduzi-la e se aproximar de seu pai, mas isso não importava.

O leopardo levantou seu rosto ao vento e franziu seus lábios num rosnado silencioso. Suas patas afundaram silenciosamente na vegetação apodrecida do chão da floresta. Se moveu através da vegetação rasteira, sua pele deslizando silenciosamente ao longo das folhas dos numerosos arbustos. Periodicamente se levantava e raspava suas garras pelo tronco de uma árvore, marcando seu território, restabelecendo sua reivindicação, deixando que outros machos soubessem que estava em casa e era alguém para se enfrentar. Ele aceitou este trabalho para ficar longe da floresta tropical de Bornéu onde vivia Isabeau. Não ousava ir até lá, porque sabia que se fosse até lá, eventualmente esqueceria tudo sobre ser civilizado e deixaria seu leopardo livre para encontrá-la. E ela não queria nada — nada — com ele.

Um rosnado baixo retumbou em sua garganta enquanto tentava sufocar as memórias. Queimava por ela. Noite e dia. Não importava que colocasse um oceano entre eles. Distância nunca seria problema, agora que sabia que estava viva e ele a reconhecia. Ele tinha todos as características de um leopardo, reflexos, agressão e astúcia, ferocidade e ciúmes, mas acima de tudo a direção para encontrar sua companheira e mantê-la. O homem nele podia compreender que a lei da selva não era nada além de uma maneira que seu povo podia viver, mas aqui na floresta não conseguia conter as necessidades primitivas crescentes e fortes.

Pensou que ajudaria voltar para sua casa, mas em vez disso a selvageria se abateu sobre ele, o prendendo pelos dentes, atingindo seu corpo com urgência até que queria arranhar e cortar, rasgar um inimigo e rugir para os céus. Queria rastrear Isabeau e a reivindicar se ela quisesse ou não. Infelizmente, sua companheira era uma shifter, o que significava que ela compartilhava as mesmas características ferozes, incluindo um ódio feroz, permanente.

Ele olhou para as árvores imponentes, o dossel espesso cobrindo a luz solar. Flores caíam pelos troncos da árvore, uma profusão de cores disputando com musgos e fungos, todos tentando alcançar a luz acima.

Aves pulavam de ramo em ramo, o dossel vivo em constante movimento, tal como o chão esponjoso estava, com milhões de insetos. Colméias penduravam em grandes massas grossas, ocultas por folhas grandes e cobras enroladas ao redor dos troncos torcidas, quase impossíveis de ver no meio da multidão de ramos entrelaçados.

Queria beber a beleza de tudo isso. Queria esquecer o que fez à sua própria companheira. Ela era tão jovem e inexperiente, um alvo fácil. Seu pai, um médico, era o caminho para o acampamento inimigo. Alcance a filha e tenha o pai. Foi bastante fácil. Isabeau caíu sob seu feitiço imediatamente, atraída por ele, não por causa do seu magnetismo animal, mas porque foi sua numa vida anterior.

Nenhum dos dois sabia.

Infelizmente ele também caiu profundamente sob seu feitiço. Supostamente devia seduzi-la para que se preocupasse com ele, não dormir com ela. Ele ficou obcecado por ela, incapaz de manter suas mãos longe. Deveria saber. Ela era tão inexperiente. Tão inocente. E usou isso em sua vantagem.

Não considerou nada além do seu próprio prazer. Como o que aconteceria quando a verdade surgisse — já que ela nem sabia seu verdadeiro nome. Que ela era um trabalho e seu pai o alvo. Ele gemeu e o som saiu num rugido macio.

Nunca tinha cruzado a linha com uma mulher inocente. Nenhuma só vez em toda a sua carreira até Isabeau — humana ou leopardo. Ela ainda não tinha experimentado o Han Vol Dan, o cio de uma leopardo fêmea, nem tinha emergido de seu leopardo. Foi a razão por que não a reconheceu como leopardo ou como sua companheira. Mas devia. Os flashes de imagens eróticas em sua cabeça toda vez que ela estava perto, a forma como não conseguia pensar quando estava com ela: apenas esses fatos deviam ser um aviso. Estava apenas no seu segundo ciclo da vida e não reconheceu o que estava à frente dele. A necessidade queimando tão forte, crescendo mais forte a cada vez que a via. Sempre esteve no controle, mas com ela um incêndio varria através dele, roubando o bom senso, e cometeu o último erro com uma marca.

Ele precisava. Ele queimava. A sentia em sua boca. A respirava em seus pulmões. Ele dormiu com ela. Deliberadamente a seduziu. Deleitou-se nela até que estava estampada em seus ossos. Soltou seus instintos e causou danos irreparáveis à sua relação.

Um bugio gritou um aviso acima e jogou um galho nele. Conner não se dignou a olhar acima, simplesmente pulou nos ramos baixos e fez seu caminho até a árvore. Os macacos se espalharam, gritando em alarme. Conner pulou de ramo em ramo, escalando seu caminho até a estrada da floresta. Ramos sobrepunham de árvore em árvore, tornando fácil atravessar. Aves se elevavam no ar em alarme. Lagartos e rãs corriam fora do seu caminho. Algumas cobras levantaram a cabeça, mas o ignoraram quando continuou seu caminho firmemente para o interior.

Mais profundo na floresta, o som da água era constante novamente. Ele se moveu para longe do rio, mas estava chegando em outro afluente e uma série de três quedas. As piscinas de lá eram frescas, lembrou-se. Muitas vezes, quando era jovem, nadava nas piscinas e cochilava nas pedras planas se projetando da montanha.

A cabana onde ia se encontrar com Rio e o resto da equipe estava logo à frente. Construída sobre palafitas, estava posicionado no alto de três árvores. A cabana se tornou parte da rede de agências, fácil para os leopardos acessarem. À sombra da árvore mais alta, mudou à sua forma humana.

À esquerda da cabana estava uma pilha arrumada de roupas dobradas, deixadas para ele ao lado de um pequeno chuveiro ao ar livre. A água estava fria, mas refrescante, e a aproveitou, esfregando o suor de seu corpo e esticando seus músculos após sua corrida pela floresta. Seu leopardo estava quase ronronando, feliz por estar em casa, enquanto ele vestia as roupas que Rio deixou para ele.

Conner parou na pequena varanda na frente da casa construída na árvore. Inalou o ar. Reconheceu os aromas de quatro homens dentro. Rio Santano, o homem com a equipe. Elijah Lospostos, o mais novo membro da equipe. Conner não o conhecia tão bem como os outros, mas parecia extremamente capaz. Somente trabalharam juntos algumas vezes, mas o homem não fugia e era rápido e tranquilo. Os outros dois homens eram Felipe e Leonardo Gomez Santos da floresta brasileira, irmãos, que eram brilhantes no trabalho de resgate. Jamais sequer estremeciam sob as piores circunstâncias, e Conner preferia trabalhar com eles a qualquer outro. Ambos eram agressivos, mas tinham paciência infinta. Conseguiam terminar o trabalho. Conner ficou satisfeito que estivessem a bordo desta missão, fosse o que fosse. Ele sentia que a missão seria difícil, já que Rio pediu especificamente por ele.

Empurrou a porta e os quatro homens o olharam com sorrisos rápidos mas olhos graves. Sentiu isso imediatamente, bem como a elevada tensão no cômodo. Seu estômago apertou. Sim — isso seria ruim. Tanta coisa para ficar feliz por voltar para casa.

Ele acenou com a cabeça para os outros.

—Bom estar de volta.

—Como está Drake? — Felipe perguntou.

Drake era provavelmente o mais popular de todos os leopardos com quem trabalhou e muitas vezes trabalhava na equipe em missões de resgate. Era o mais metódico e disciplinado. Machos leopardo notoriamente tinham mau-temperamento, e quando muitos estavam nas proximidades, surtos de raiva rapidamente explodiam.

Mas não com Drake ao redor. O homem era um diplomata nato e líder. Foi machucado tão severamente durante um resgate que teve que colocar placas em suas pernas, placas essas que o impediam de mudar. Todos sabiam o que significava. Mais cedo ou mais tarde, seria incapaz de viver com a perda de sua outra metade.

—Drake parece estar indo bem. — Drake foi para os Estados, colocando a distância entre ele e a floresta tropical num esforço para aliviar a dor por não ser capaz de mudar. Tinha um emprego com Jake Bannaconni, um leopardo que desconhecia os costumes, já que vivia nos Estados Unidos. Conner seguiu Drake aos Estados e trabalhou para Bannaconni. —Tivemos alguns problemas e Drake foi ferido novamente, na mesma perna, mas Jake Bannaconni arranjou um enxerto ósseo para substituir as placas. Estamos todos esperando que funcione.

—Quer dizer que Drake poderá ser capaz de mudar novamente?

A sobrancelha de Leonardo disparou e um pouco da preocupação em seus olhos negros recuou.

—Isso é o que estamos esperando, — respondeu Conner. Ele olhou para Rio. —Não queria voltar, com Drake no hospital, mas disse que era urgente.

Rio acenou com a cabeça.

—Não teria pedido se não precisasse realmente de você nisto. Nenhum de nós está familiarizado com este território.

—Informaram os moradores? — Conner se referia às pessoas mais velhas de sua própria aldeia. Eram reclusos e difíceis de encontrar, mas os leopardos podiam enviar uma mensagem quando passassem por alguns dos quintais.

Rio balançou a cabeça.

— O representante do cliente nos avisou que um par de leopardos renegados agora trabalha para essa mulher. — Rio jogou uma fotografia sobre a mesa áspera.

—Eles a chamam de mujer sin corazón.

—Mulher sem coração — Conner traduziu. —Imelda Cortez. Sei dela. Qualquer um que cresceu neste lugar conhece sua família. É também conhecida como víbora, a cobra. Não queira nada a ver com ela. Quando dizem que ela é sem coração, falam a sério. Vem assassinando índios locais há anos e roubando suas terras para seu cultivo de coca. Os rumores dizem que tem pressionado cada vez mais fundo na selva, tentando abrir mais rotas de contrabando.

—Os boato estão corretos, — Rio disse. —O que mais sabe sobre ela?

Conner deu de ombros.

—Imelda é filha do falecido Manuel Cortez. Aprendeu sua crueldade e arrogância no berço e assumiu suas conexões após sua morte. Paga a milícia local em dólar e compra funcionários como se fossem doces. — Seus olhos encontraram os de Rio. —Qualquer que seja a operação, todo mundo estará contra você. Até mesmo alguns do meu próprio povo foram comprados. Não poderá confiar em ninguém. Está certo que quer fazer isso?

—Não acho que temos escolha, — respondeu Rio. —Entendo que é uma devoradora de homens e prefere os mais machos, mais dominantes.

O quarto ficou silencioso. A tensão se esticou num fino.

Os olhos de gato dourados de Conner se aprofundaram a um uísque puro, resplandecentes com alguma fraca ameaça. Um músculo pulsou na sua mandíbula.

—Você faz, Rio. Não faço mais esse tipo de trabalho.

—Sabe que não posso. Rachel me mataria, e, francamente, não tenho o mesmo tipo de qualidade dominante que você. As mulheres sempre vão para você.

—Eu tenho uma companheira. Ela pode me odiar muito, mas não vou traí-la mais do que já fiz. Não. — Ele meio se virou, pronto para sair.

—Seu pai mandou grande parte das informações para nós, — disse Rio, sua voz tranquila.

Conner estava de costas para o homem. Parou, fechando os olhos brevemente antes de virar. Seu comportamento todo mudou. O leopardo ardia nos seus olhos. Havia uma ameaça nos movimentos fluídos de seu corpo, um deslizar perigoso na direção de Rio.

A ameaça foi suficiente para que os outros três homens levantassem. Conner os ignorou, parando na frente de Rio, seus olhos dourados completamente focados em sua presa.

—Meu pai conserva os velhos costumes. Não pediria ajuda de fora. Nunca. E não falou comigo desde que me deserdou há muitos anos.

Rio tirou uma pele de couro curtido de sua mochila.

—Me disseram que você não acreditaria em mim e pediram que lhe desse isso. Disseram que saberia o que significava.

Os dedos de Conner se fecharam sobre a pele grossa, afundando no pelo. Prendeu a respiração nos pulmões. Sua garganta ardia. Se virou para longe dos outros e parou na porta, respirando o ar da noite. Por duas vezes abriu a boca, mas nada saiu. Forçou ar através de seus pulmões.

—O que é esse trabalho?

—Sinto muito, — disse Rio. Todos sabiam o que uma pele de leopardo significava, e pela forma como Conner a abraçava, não havia dúvida que conhecia e amava o proprietário.

—Conner... cara... — Felipe começou e depois parou.

—Qual o trabalho? — Conner repetiu sem olhar para nenhum deles. Não podia. Seus olhos queimavam como ácido. Ficou de costas para os outros, segurando a pele de sua mãe contra seu coração, tentando não deixar nada em sua mente, apenas o trabalho.

—Imelda Cortez decidiu expandir suas rotas de contrabando através da floresta tropical. Ela não pode usar seus homens porque não estão acostumados com o ambiente. As estradas se tornam lamacentas, eles se perdem, os mosquitos os comem vivos, e até mesmo pequenos cortes viram infecções. Perdeu vários de seus homens por lesões e doenças, e para os predadores locais. Uma vez que estão nas profundezas da floresta, são fáceis de atingir com dardos envenenados.

—Ela precisa da cooperação das tribos indígenas que está aniquilando, mas eles não gostam muito dela, — Conner adivinhou.

—É isso, — disse Rio. —Precisava de algo que os levasse a trabalhar para ela. Começou a pegar seus filhos e mantê-los reféns. Os pais não querem seus filhos de volta em pedaços, então estão passando as drogas através das novas rotas, onde é improvável que os agentes do governo possam controlar ou interceptá-los. Com os filhos como reféns, ela tem a vantagem adicional de não ter que pagar seus mensageiros. — Rio puxou um envelope selado para fora da mochila. —Isso veio para você também.

Conner se voltou então, evitando os olhos demasiado sábios de Rio. Ele estendeu a mão e Rio colocou o envelope na palma da sua mão.

—Preciso saber se seu pai acredita que nossa espécie leopardo está comprometida, — disse Rio. —Os dois renegados trabalhando para ela revelaram o que são, ou apenas estão levando seu dinheiro?

Conner olhou para ele em seguida. As íris estavam quase desaparecidas em seus olhos. Chamas ardiam em suas profundezas. Seria a máxima da traição um leopardo revelar a um estranho quem ele era. Rasgou o envelope e tirou uma única folha de papel. Olhou-a por um longo momento, lendo a carta de seu pai. Os sons dos insetos noturnos eram excessivamente altos no quarto pequeno. Um músculo pulsou na sua mandíbula. O silêncio se alongou.

—Conner, — Rio perguntou.

—Talvez queira mudar de ideia sobre a missão, — Conner disse e cuidadosamente, com mãos reverentes, dobrou e devolveu a pele para a mochila. —Não é apenas um resgate de reféns. É um acerto. Um dos dois leopardos renegados, trabalhando para Imelda, assassinou minha mãe. Ela sabe sobre as pessoas leopardo.

Rio xingou e cruzou até o fogão para derramar uma xícara de café.

—Já estamos comprometidos.

—Dois dos nossos nos traíram para Imelda. — Conner olhou para cima, esfregou seus olhos e suspirou. —Não tenho escolha se queremos ter certeza que nossos segredos permaneçam seguros para o resto do mundo. Parece que Imelda gostaria de um exército de leopardos. Os dois renegados vêm tentando recrutar, não só em nossas fileiras aqui, mas de outros lugares também. Os anciãos mudaram a localização da aldeia mais fundo na floresta num esforço para impedir que alcancem outros que talvez queiram seu dinheiro. Os únicos que podem chegar a eles são os dois leopardos renegados já trabalhando com ela, e seriam mortos instantaneamente se ousassem chegar perto da aldeia. — Ele sorriu e não havia nenhum humor no flash de afiados dentes brancos.

—Eles nunca seriam tão estúpidos.

—Como sua mãe morreu? — Felipe perguntou, sua voz muito calma.

Houve outro longo silêncio antes que Conner respondesse. Fora um bugio gritou e várias aves chamaram de volta.

—De acordo com a carta do meu pai, um dos renegados, Martin Suma, a matou quando tentou impedir que levasse as crianças. Ela estava com Adan Carpio, um dos dez anciãos da tribo Embera e sua esposa, quando os homens de Cortez atacaram e levaram as crianças como reféns. Suma comandava os homens de Cortez e assassinou minha mãe primeiro, sabendo que era a maior ameaça para eles. — Conner manteve seu tom de voz sem expressão. —Suma nunca me viu, se está preocupado com isso. Estive em Bornéu tempo suficiente para parecer alguém daquela zona. Felipe e Leonardo são do Brasil; Elijah poderia ser qualquer um, poucas pessoas já viram seu rosto; e você é de Bornéu. Não suspeitarão. Vou entrar no complexo, localizar as crianças, e depois que os levarmos para a segurança, vou eliminar os três. Este é meu trabalho, não seu.

—Vamos juntos, — disse Rio. —Como uma equipe.

—Pegou esta atribuição de boa fé, achando que era um resgate, e é. O resto, deixe comigo. — Ele virou sua cabeça e olhou diretamente para o líder da equipe. —Não é como se tivesse muita gente esperando por mim, Rio, e você tem Rachel. Precisa voltar para ela inteiro.

—Essa não é uma missão suicida, Conner. Se está pensando neste sentido, então podemos terminar sua participação aqui, — disse Rio. —Vamos todos fazer o trabalho e sair.

—Seus anciãos não permitem retaliação quando um de nós é morto em nossa forma de leopardo, — disse Conner, puxando um assunto doloroso. Rio foi banido de sua tribo após rastrear o assassino de sua mãe.

—Não é a mesma coisa, — Rio disse. —Suma assassinou sua mãe. Um caçador matou a minha. Conhecia a pena e ainda assim fui adiante. Esta é a justiça. Ele não só assassinou uma mulher do nosso povo, mas traiu a todos nós. Poderia nos levar à exterminação. Entramos juntos. Antes de qualquer coisa, as crianças devem ser protegidas em primeiro lugar.

—Precisaremos de suprimentos ao longo de uma rota pré-programada para nos mover rapidamente. Uma equipe pode levar as crianças para o interior até que neutralizem Imelda, mas não sem suprimentos para alimentá-las e cuidar delas até que estejam em segurança, — disse Conner. —Vou entrar, marcar as áreas de cima e você faz as divisões. Também queremos trabalhar um par de linhas de fuga. Precisaremos mapear e deixar roupas, armas e alimentos ao longo das rotas.

—Vamos ter que fazê-lo rapidamente. Temos uma oportunidade de contato em seis dias. O chefe de turismo estará dando uma festa e Imelda estará lá. Já organizamos para um empresário brasileiro, Marcos Suza Santos, ser convidado. Somos seus segurança. É nossa única chance de um convite para seu lugar, caso contrário vamos ter que invadir. Não saber exatamente onde as crianças estão torna isso muito arriscado.

—Acho que ele está aparentando com os dois — Conner disse, olhando para os dois brasileiros.

—Tio, — eles disseram juntos.

Conner aprumou seus ombros e voltou para a mesa.

—Temos alguma ideia da planta do complexo de Imelda?

—Adan Carpio é o homem que iniciou o contato inicial com nossa equipe, — disse Rio. —Tem esboços do exterior, da segurança, esse tipo de coisa, mas nada dentro do complexo. Está tentando obter informações de alguns dos índios que foram criados lá, mas aparentemente poucos deixam seu serviço vivos.

—Eu o conheço bem, um homem bom, — disse Conner. —Há poucos como ele na floresta. Fala espanhol e inglês, bem como sua própria língua e é fácil de se comunicar. Se diz alguma coisa, é verdade. Acredite em sua palavra. Adan é considerado um homem muito sério na hierarquia da floresta tropical, muito respeitado por todas as tribos, incluindo a minha própria.

De um leopardo, isso era um grande elogio e Rio sabia disso.

—Seus netos são duas das crianças levadas. Sete reféns foram tomados, três da tribo Embera e outros dois da tribo Waounan, filhos, filhas ou netos dos anciãos. Imelda ameaçou cortar as crianças em pedaços e enviá-las novamente dessa forma se alguém tentar resgatá-los, ou se as tribos se recusarem a trabalhar para ela.

A respiração de Conner prendeu em seus pulmões.

—Ela fará isso. Vamos ter uma chance de entrar e sair limpos. Adan conhece a mata como a palma da sua mão. Tem treinado as forças especiais de vários países em sobrevivência. Vai ficar e participar, acredite em mim. Pode confiar nele. — Ele passou sua mão sobre seu rosto. —Os dois leopardos renegados que traíram nosso povo —Adan está certo que estão em sua folha de pagamento ou agem de forma independente?

Rio acenou com a cabeça.

—A maioria das informações sobre eles veio de seu pai...

—Raul ou Fernandez. Não o chamo de pai há anos, — Conner interrompeu. —Uso Vega, o nome da minha mãe. Pode ter escrito para mim, mas não somos próximos, Rio.

Rio o olhou de sobrancelhas franzidas.

—Pode ser confiável? Estaria nos enganando? Enganando você?

—Porque desprezarmos um ao outro? — Conner perguntou. —Não. Ele é leal com nosso povo. Posso garantir sua informação. Também posso dizer com certeza que não é nosso cliente. Nunca sequer pensaria em pagar o resgate dessas crianças. Está se aproveitando de quem é o nosso cliente e adicionando seu golpe em nosso trabalho. E não vai trabalhar conosco ou nos ajudar.

Houve outro longo silêncio. Rio suspirou. —Os nomes nessa lista?

—Imelda Cortez. Ninguém pode confiar nela com as informações que tem, e mesmo se tirarmos as crianças, ela vai voltar por mais. Os outros dois nomes são os dois leopardos renegados trabalhando para ela e que trairam nosso povo.

—Aqueles dois irão nos reconhecer como leopardos, — Rio apontou. —E sabem que você é desta região.

Conner deu de ombros.

—Vão reconhecer seu empresário como leopardo. Santos está fadado a ter leopardos como segurança. Seria louco se não o fizesse. Para mim, existem três tribos leopardo que residem na floresta Panamá-Colômbia, mas nós não nos misturamos muito. Os traidores provavelmente reconheceriam o nome do meu pai, é um ancião da aldeia, mas uso o nome da minha mãe. Além disso, poucas pessoas sabem de mim —morava com minha mãe em separado da nossa aldeia.

Houve um suspiro coletivo. Companheiros ficavam juntos — sempre. Conner deu um olhar duro.

—Cresci menosprezando meu velho. Acho que acabei como ele.

Conner sentiu nós apertando em sua barriga. Não estavam lhe dando nenhuma escolha. Cruzou para a janela e olhou a escuridão. O laço deslizava sobre seu pescoço e lentamente apertava, o estrangulando. Se queriam entrar no cpmplexo para resgatar as crianças, precisava encantar e surpreender Imelda Cortez e conseguir que Marcos Suza Santos e seus seguranças fossem convidados para a sua fortaleza de sua casa. Talvez ainda tivesse alguma noção romântica que voltaria para Bornéu e encontraria Isabeau Chandler e ela o perdoaria e viveriam felizes para sempre. Não havia nenhum felizes-para-sempre para homens como ele. Sabia disso. Simplesmente não podia aceitar que teve que deixá-la partir.

Estava uma calmaria sob o dossel, mas na absoluta escuridão ainda podia distinguir as formas das folhas, sentir o calor escorrendo em seus poros, apertando seu coração como um torno. Ia seduzir outra mulher. Olhar para ela. Tocá-la.

Atraí-la para ele. Trair Isabeau mais uma vez. Outro pecado entre tantos.

—Pode fazê-lo? — Rio perguntou, evidentemente seguindo sua linha de pensamento.

Conner virou sua cabeça, um movimento lento como de um animal. Seus olhos perdidos na distância. Auto-aversão.

—Nasci para o trabalho. — Ele não podia encobrir completamente a amargura em sua voz.

Rio inalou acentuadamente. Não podia imaginar o que Rachel faria.

—Um dos outros pode tentar. Você pode ensiná-los.

Felipe e Leonardo olharam um para o outro. Como aprender carisma? Conner tinha uma qualidade animal sobre ele que todos compartilhavam, mas a sua era predominante, inerente, algo com que nasceu e usava tanto no exterior como no interior. Entrava numa sala e todo mundo imediatamente ficava ciente dele. Não tentavam esconder Conner, mas usavam sua presença em sua vantagem. Ele podia parecer entediado, divertido e indiferente, tudo ao mesmo tempo.

Pela primeira vez Elijah se agitou, chamando a atenção para si mesmo. Passou um tempo no setor de drogas e conhecia a maioria dos envolvidos pela reputação. Também era um homem muito perigoso, carismático.

—Poderia ser capaz de ajudar nesta questão. Tenho um passado. Esta mulher, Imelda Cortez, reconhecerá meu nome se eu o usar. Apenas minha presença já lançaria uma mancha sobre Santos. — Ele lançou um rápido olhar para Felipe e Leonardo. —Me desculpem, mas sabem que é verdade. Ela vai checar todos e meu nome é conhecido por cada agência da lei em todo o mundo. Poderia ficar interessada o suficiente para nos convidar porque eu estarei lá também. Posso tentar seduzi-la.

Rio o estudou. Elijah era seu cunhado. Que herdou o trono das droga que seu pai e tio criaram. Quando seu pai tentou se legalizar, seu tio o matou e levou Elijah e Rachel, mantendo-os sob seu domínio.

Vida e a morte era tudo que Elijah conheceu. Não estava pronto ainda para uma posição chave numa missão. Havia, sem dúvida, sua aparência e magnetismo que atraíria Imelda para ele, mas não tinha o mesmo charme que Conner possuía.

As quatro cicatrizes da garra de leopardo do lado do rosto de Conner apenas aumentavam sua mística.

Rio ficou olhando para Conner. Foi o único que selecionou Conner para seduzir Isabeau Chandler. E no final, Rio foi o único a matar seu pai. Conner tentou salvá-lo, mas Chandler puxou uma arma e tentou proteger o líder de um acampamento terrorista. Ele não deu a Rio nenhuma escolha. Conner estava na linha de fogo, tentando falar com o homem baixo, mas o médico se recusou a desistir. Rio puxou o gatilho e salvou a vida de Conner, mas não houve nenhuma forma de salvar sua alma.

Isabeau ficou tão chocada. Rio nunca esqueceria o olhar no rosto dela quando percebeu que Conner a usou para entrar no acampamento. Ele se encolhia toda vez que pensava nisso e agora estava pedindo que Conner fizesse a mesma coisa novamente com outra mulher. Imelda não era nenhuma inocente como Isabeau, mas ainda era um péssimo trabalho de qualquer forma que se olhasse.

Conner deu de ombros.

—Agradeço a oferta, Elijah, mas não há nenhuma utilidade em perder ambos. Ainda tem uma chance. Eu perdi a minha há muito tempo. Não pode ir para sua companheira com essa sujeira toda sobre você. Simplesmente não funciona.

—Já estou bastante coberto dela já, — Elijah apontou. —Fiz coisas que não estou orgulhoso.

—Todos fizemos, — Conner disse, —mas não é isso que estou tentando dizer. Esta é uma situação diferente e Imelda Cortez é escória na terra, mas se seduzi-la e dormir com ela, quando encontrar sua companheira, não será capaz de a olhar nos olhos.

Rio abriu a boca, mas não havia nada a dizer. Podia nunca ter encarado Rachel com esse tipo de pecado em sua alma negra, mas estava pedindo a Conner que suportasse mais uma vez essa responsabilidade. O que estava pedindo era errado, mas não havia como entrar na Fortaleza Cortez sem um convite.

—Você já esteve lá uma vez, — Elijah apontou. —Não é justo colocá-lo nessa posição novamente.

—Sei quem é minha companheira, — disse Conner. —Isabeau Chandler me pertence. Não terei uma segunda chance com ela, não depois do que fiz. Nunca tomaria outra mulher e arruinaria suas chances de sua própria felicidade. Sei muito bem como isso termina. — Sua voz era amarga e fez um esforço para mudar seu tom de voz, terminando casualmente. — Não tenho nada a perder, Elijah, e você tem tudo a perder. Vou fazer desta última vez e, em seguida, se ainda desejar o trabalho e ele precisar ser feito, pode fazer sua parte então.

—Se está certo...

— É minha bagunça. O homem que meu pai acusa de matar minha mãe está trabalhando para Imelda Cortez. Seu nome, junto com seu parceiro, está nessa lista. Vou atrás de ambos. Imelda não contaria a ninguém sobre o povo leopardo. Usaria as informações em sua vantagem, por isso temos a oportunidade de conter isso.

Rio acenou com a cabeça.

—Ela vai estar à procura de mais recrutas leopardo.

—Não vai encontrá-los em nossa aldeia, — assegurou Conner. —Raul mudou a vila mais fundo na floresta e os dois renegados, Martin Suma e Ottila Zorba, são os outros dois nomes na lista. Reconheço o nome Suma da minha aldeia, mas não me lembro dele. Não vivia conosco. Seus pais o levaram da floresta tropical. Deve ter retornado depois que parti. Apesar de Suma matar minha mãe, não teria como nos colocar juntos. Zorba não é um dos nossos.

—Eventualmente, — Rio disse, —Imelda os enviará para a aldeia leopardo para recrutar para ela, se não encontrar recrutas em outro lugar. Ela tem dinheiro. A maioria das pessoas que vivem na floresta não dá a mínima, mas alguns mais jovens vão querer a aventura.

—Se não os alcançar primeiro, os anciãos calmamente os matarão antes que tenham sequer a oportunidade de falar com os jovens. — Conner olhou ao redor da equipe. —Se estiver tudo certo para ir, então vamos. Sabemos qual a aparência das crianças? Quantas fêmeas? Quantos homens? E estejam preparados. Imelda gosta de usar crianças para proteger seu complexo. Muitas vezes pega os mais jovens e coloca armas em suas mãos como sua primeira linha de defesa. Sabe que é difícil para os funcionários do governo matar crianças.

—Acha que vai ter crianças guardando os reféns? — Felipe perguntou.

—Estou apenas dizendo que pode acontecer e temos que estar preparados, isso é tudo.

Rio entregou uma garrafa de água para Conner e bateu na mesa com o dedo, uma leve carranca no rosto.

—Elijah, sabe-se que a maioria de suas operações agora são legítimas?

Elijah balançou a cabeça.

—Não. Quando meu tio foi morto, assumiram que o mandei matar para assumir toda a operação para mim. Lentamente fui vendendo tudo que pude, tudo que estava contaminado. Sai dos negócios de drogas e armas. Nunca entramos em tráfico humano. Há rumores, mas sou considerado cruel.

—Em vez de alterar seu nome e se passar como segurança, vamos usar sua reputação. Vai estar lá como um amigo de Santos, — Rio disse. —O que só a fará ficar mais inclinada a pensar que Santos é um peixe grande.

—Só sobram três de nós para a segurança, — Conner disse. —Um homem como Santos não teria mais?

—Como regra, ele tem uma equipe de quatro homens e dois cães, — disse Felipe. —Não queria colocar qualquer um de sua equipe regular em perigo. Não poderíamos deixá-los saber no que estavam se metendo.

—E seu tio concordou com isso? — Conner perguntou. —Ele tem alguma ideia de quem está lidando?

Felipe acenou com a cabeça.

—Ele sabe. E sabe que ela é uma ameaça ao nosso povo.

—Então quem exatamente é nosso cliente, Rio? — Conner perguntou. —Diz que Adan Carpio iniciou contato. Sua tribo não saberia de nós. Meu pai não pediria nossa ajuda. Assim quem sabia sobre nós e como? Gostaria de todas as cartas na mesa antes de ir mais longe.

 

Houve um longo silêncio. Os homens trocaram longos olhares. A tensão se esticava no quarto.

Conner quebrou o silêncio primeiro.

—Não sabe quem nos contratou? Não os viu antes de nos reunir em território desconhecido? Pelo menos, desconhecido para todos vocês.

Rio suspirou.

—Adan Carpio deu sua palavra que está por trás do cliente, Conner. Você disse que sua palavra era ouro.

—Espere um minuto, Rio, — disse Elijah. —Não investigou nosso cliente? Pegou esta missão em boa fé?

Rio deu de ombros e derramou uma xícara de café.

—Carpio me contactou, trazendo metade do pagamento para o resgate junto com as coisas do pai de Conner e instruções específicas. Verifiquei todos os detalhes e tudo que ele me disse era legítimo, então fui em frente e entrei em contato com os membros da equipe.

—Diga-me que não fomos solicitados especificamente, — disse Conner.

—Só nós dois, Conner. Usaram um código antigo para nos encontrar, mas ainda sabiam disso. — Rio girou em torno, inclinando um quadril contra o balcão improvisado e considerando Conner por cima da xícara fumegante. —Carpio disse que o cliente conhecia você e sabia que fazia esse tipo de trabalho.

Os homens olharam um para o outro. Conner balançou a cabeça. —Isso é impossível. Ninguém sabe quem somos. Pediram por mim pelo nome?

—Não exatamente. O cliente o descreveu em detalhes. Tinha até mesmo um esboço de seu rosto. Evidentemente, Carpio reconheceu você. Carpio foi para seu pai, tentando entrar em contato com você, e como deu ao seu pai meu endereço para situações de emergência, ele o deu a Carpio.

—Mas não sabe quem é o cliente? — Conner insistiu.

Rio balançou a cabeça.

—Carpio não quis identificá-lo.

—Não gosto disso, — Felipe disse, claramente desconfortável. —Deveríamos ter cuidado.

—Pensei nisso primeiro, — disse Rio, —mas Carpio parece ser um homem de palavra, e certificou o cliente. Investiguei tudo que ele disse antes de ligar para a equipe, e os homens de Imelda Cortez de fato sequestraram sete crianças. Seu pai enviou a pele de sua mãe. Concordo que temos que ter cuidado. Carpio supostamente trará o cliente para nós aqui. Devem estar aqui em breve. Felipe e Leonardo, podem esperar lá fora. Elijah, na parte detrás. Deixe-os passar e, em seguida, verifiquem a trilha de volta para ter certeza que não foram seguidos ou se não deixaram qualquer pessoa à espera para nos emboscar.

Conner balançou a cabeça.

—É nossa política para saber para quem estamos trabalhando. Sem exceções. Porquê o secretismo?

—Adan disse que o cliente queria falar conosco pessoalmente. Se nesse momento não ficarmos satisfeitos, então podemos devolver o pagamento, menos nossas despesas, e partir.

—E acreditou nele? — Felipe disse. —É uma armadilha. Tem que ser. Eles têm uma descrição de Conner, mas não sua identidade? Vamos lá, Rio, alguém está vigiando para matá-lo. O arrastaram e você o está pendurando na corda para que façam seu melhor.

—Não acho isso, — Rio discordou. —Adan Carpio não estava mentindo para mim. Posso cheirar mentiras.

—Então, o estão usando. Quem seja, o cliente encontrou a conexão entre Carpio e Conner e a usou para atraí-lo. — Felipe soou enojado. —Temos que levá-lo ao abrigo. Agora.

Rio olhou para seu relógio.

—Estarão aqui em breve, Conner. Pode ficar fora da vista enquanto eu os entrevisto.

Conner balançou a cabeça.

—Vou ficar com você. Se são apenas dois, podemos matá-los se precisarmos. Se alguém os seguir pela floresta, os outros podem controlar. Não vou deixar você exposto sem apoio. Alguém me quer, deixe-os vir por mim.

Felipe balançou a cabeça.

—Eu fico com Rio, Conner.

Conner o deteve com um olhar firme e focado.

—Meu leopardo está próximo da superfície, Felipe. Estou nervoso de qualquer maneira. Meus reflexos são rápidos e instintivos. Aprecio que se arrisque por mim, mas é meu risco e meu gato está pronto para uma luta.

Felipe deu de ombros.

—Vamos deixar você saber se houver alguém na trilha de volta.

Conner esperou até que os três homens saíssem antes de se virar para Rio.

—O que está acontecendo?

Rio empurrou uma xícara de café pela mesa na direção de Conner.

—Honestamente não sei. Sei que o que Carpio me disse é verdade, mas algumas coisas que ele disse... — Rio puxou uma cadeira e caiu nela. —A sua descrição foi menos que lisonjeira e não mencionou as cicatrizes. Carpio não mencionou uma cicatriz sequer.

—Ele não me vê há anos. Que descrição? — Um aperto fraco puxou a boca de Conner, mas não o bastante para sorrir. —Pensei que era considerado um tipo bonito.

Rio bufou.

—Desprezível foi uma palavra usada. Não estou brincando. Um bastardo cruel que pode fazer o trabalho. O desenho de seu rosto me incomodou. Era bom o suficiente, e aparentemente, esse Carpio reconheceu você, então quem seja nosso cliente, viu você e pode identificá-lo.

—Pelo menos sabem que sou um bastardo cruel e um movimento errado vai conseguir matá-los, — disse Conner, de pé ainda na janela aberta, olhando para fora com mais que saudade.

O vento mudou um pouco, incapaz de penetrar na quietude do chão da floresta. Algumas folhas flutuaram suavemente. Em algum lugar aves chamaram.

Macacos gritaram. Não estavam sozinhos na sua parte da floresta. Um fraco retumbar começou em sua garganta e pegou sua xícara de café com uma mão, tomando um pequeno gole. O café estava quente e deu uma sacudida muito necessária. Seu leopardo estava rugindo novamente, mal-humorado e no limite sem sua companheira, e retornar ao refúgio selvagem apenas aumentou seus sentimentos primitivos de desejo. A queria áspero. Duro. Profundo. Queria garras o arranhando, marcando. Esfregou uma mão sobre seu rosto, limpando o suor.

—Você está bem?

Qual diabos era a resposta para isso? Seu leopardo estava arranhando profundo, furioso para sair quando precisava estar no controle.

—Estou bem o suficiente para fazer seu jogo, Rio.

Manteve seus olhos na floresta, olhando pela janela. Ouviu o sopro baixo de um leopardo.

Outro respondeu. Felipe e Leonardo os advertindo que tinham dois convidados. Rio se moveu para o lugar ao lado da porta. Conner ficou onde estava, de costas para a porta, dependendo de Rio enquanto esquadrinhava a área circundante da casa, à procura de possíveis fantasmas — homens deslizando sob cobertura, enquanto a pessoa na frente os distraía.

A porta abriu atrás dele. Subitamente reconheceu o rascunho. Um perfume encheu seus pulmões. Rico. Potente. Selvagem. Seu. Instintivamente inalou. Seu leopardo pulou e arranhou. Sua companheira. Sua mulher. Conheceria esse perfume em qualquer lugar. Seu corpo reagiu imediatamente, inundando suas veias numa arremetida de calor, engrossando seu pau, acelerando seu pulso até que trovejasse em seus ouvidos.

Rio chutou a porta fechada com a ponta de sua bota e apertou o cano de sua arma contra a têmpora de Adan Carpio. Sabia melhor que ameaçar a vida de uma companheiro de leopardo.

—Se ela se mover, você morre.

Conner meio que se virou. Mal podia se mover, seu corpo trêmulo, o choque se registrando junto com sua absoluta repugnância.

Mentiroso. A palavra vivia e respirava entre eles. Conner inalou e puxou sua repugnância em seus pulmões. Seus olhos nunca deixaram seu rosto. Queimavam sobre ele, sobre as quatro cicatrizes lá, o marcando novamente.

Traidor.

Tempo de desacelerar. Se entocar. Estava ciente de todos os detalhes dela. Do rosto dela. O rosto bonito, oval com pele quase luminescente, tão suave que um homem queria tocá-la no momento que o via. Seus olhos grandes. Ouro às vezes. Ambar realmente. Ou verdes. Esmeralda. Dependendo de como seu gato estava próximo da superfície. Seus cílios, tão longos e curvados, uma franja acentuando os olhos de gato.

Isabeau Chandler.

Ela o assombrava nas noites que conseguia dormir algumas horas. Aquele cabelo comprido, tão grosso. Seus dedos lembravam de passar através dele. Sua boca, os lábios cheios, macios além de qualquer coisa que já conheceu. Talentosos. Convidativos. Uma boca de fantasia. Podia sentir seus lábios sobre ele, movendo-se sobre seu corpo, levando-o ao paraíso. Completando. Paz. O corpo dela. Todo com curvas femininas, cada pedaço tão sedutor como o rosto dela. Sua. Maldição do inferno. Ela pertencia a ele. Não ao filho da puta ao seu lado com sua prepotência arrogante. Seu corpo era seu, seu sorriso, tudo dela, cada maldito centímetro pertencia apenas a ele. O homem com ela não moveu um músculo. Conner realmente não olhou para ele, não se importava quem era. Afinal, já era um homem morto, e ela deveria saber. A lei da selva. A lei maior. Sua lei.

Conner sentia cada músculo tenso no lugar. Sua cabeça virou lentamente, polegada por polegada, lentamente tramando a perseguição de um grande gato selvagem.

Continuou imóvel, seu leopardo mal sob controle, focando nos dedos fortes envolvidos em torno dela. Ele moveu seu olhar, um único som escapando — um rosnado furioso de seu leopardo, vindo do seu peito para derramar de sua garganta. Era baixo. Frio. Não havia nada de humano no som. Ódio animal. Desafio de um leopardo. De um macho para outro. O rosnado baixo atravessou a sala, cortando a conversa e a música, de modo que toda conversa cessou.

—Não faça, — advertiu Rio. —Recue enquanto tem chance, — ele advertiu o homem.

Conner o ouviu como se de uma grande distância. Seu mundo diminuíu para uma mulher. Ninguém, nada podia detê-lo, nem mesmo Rio. Seu gato era muito rápido. Ele sabia — eles sabiam. Teria sua garganta arrancada em segundos. O rosnado persistia, um rugido que nunca se elevou acima de uma suave nota que arrepiava o cabelo da nuca. Sabia que matar o homem era inaceitável no mundo civilizado, mas não importava. Nada importava além de arrancar o outro macho do lado da sua companheira.

Isabeau soltou a mão do seu companheiro e Rio o empurrou de volta, longe dela.

—Sinto muito, não entendi seu nome, — disse ela baixinho.

Sendo sarcástica. Desafiando-o a mentir para ela novamente. Sua voz era baixa. "Sexy". Deslizando sobre sua pele, provocando seu corpo com memórias da forma como sua boca se movia sobre ele. Ele apertou os dentes, grato que pelo menos ela cessasse o contato corporal com outro macho na sua presença. Seu leopardo arranhava pela supremacia.

—Por que me trouxe aqui?

Os olhos dela deslizaram sobre ele, mantendo desprezo e ódio puro.

—Porque você é a única pessoa que conheço que é bastardo o suficiente, decepcionante o suficiente, que será capaz de trazer as crianças. É muito bom no que faz. Só estou pedindo alguns minutos de seu tempo para me ouvir e acho que me deve isso.

Conner a olhou por longos instantes antes de gesticular em direção à porta. Rio hesitou. A única pessoa que tinha a chance de matar Conner Vega era Isabeau Chandler. Ele não lutaria contra ela. A última coisa que Rio queria era sair e Conner podia sentir sua relutância.

—Ela merece seus cinco minutos, — disse Conner.

Rio fez um gesto para Carpio andar na frente dele.

Conner esperou que a porta fechasse antes de se voltar totalmente para Isabeau e se permitir respirar novamente. Seu perfume era potente, o envolvendo, invadindo, inundando. Podia ouvir os insetos na floresta, o zumbido da vida em suas veias. A seiva rica correndo nas árvores e o movimento constante nas suas copas através de seu corpo, uma grossa e potente mistura de calor e desejo. A batida da água, constante e estável, batendo no mesmo ritmo do seu coração. Era sua casa — a floresta — e sua companheira estava presa no mesmo quarto com ele.

Ela se afastou da porta — longe dele, um retiro delicado da sua natureza predatória. Seu olhar a controlava, muito parecido com um animal selvagem seguindo sua presa. Sabia que seu silêncio a deixava nervosa, mas permaneceu parado no lugar, se forçando a não saltar sobre ela como cada célula em seu corpo exigia. Seu olhar nunca desviou dela, completamente focado, calculando automaticamente a distância entre eles cada vez que ela se movia.

—Tem alguma ideia de como é perigoso ficar aqui comigo? — Ele manteve seu tom de voz baixo, mas a ameaça estava lá.

Seu olhar caiu sobre ele, cheio de desprezo, cheio de repulsa.

—Tem alguma ideia de como me sinto suja parada aqui nesta sala com você? — ela respondeu. —Como devo chamá-lo desta vez? Tem um nome?

Não deveria dizer a ela, mas que inferno de diferença faria agora? Ela pertencia a ele e estava na selva. Ela o trouxe, o chamou.

—Conner Vega, — ele respondeu, seu olhar preso no dela, desafiando-a a acusá-lo de mentir. Sua voz não estava muito normal, mas pelo menos não matou seu companheiro. Conseguiu tempo suficiente para se controlar e permitiu que Rio levasse o homem para longe do perigo. A morte estava em seus olhos. Ele sabia, assim como pura aversão estava nos dela.

Sua sobrancelha subiu. Ela fez um trejeito com seus lábios. Irradiava calor misturado com fúria. Seu coração saltou. Seu pau reagiu, grosso e quente. Desejo o socou, duro e mal. Seu crime era imperdoável. Entendia isso intelectualmente, mas o animal nele se recusava a aceitar. Ela era sua, e isso era o que o animal entendia. Estava viva, no mesmo mundo e pertencia a ele. E agora, seu corpo soltava feromonas suficientes para atrair todos os homens de algumas centenas de quilômetros. Ele puxou uma profunda lufada de ar em seus pulmões e melancolicamente tentou se controlar.

—É seu nome verdadeiro?

—Sim. Por que me trouxe aqui, Isabeau? — A respiração sibilou por entre os dentes. Ela tinha pequenos dentes brancos. Um Leopardo nebuloso talvez. Havia tão poucos deles. Era curvilínea, ainda que esguia, os músculos fluindo sob sua pele, a marca da sua espécie, seu cabelo grosso e longo, quase impossível de manter curto. Não conhecia seu próprio poder; ele reconhecia também. Ela não sabia se estava segura com ele e seu medo o golpeou. Feio. Como um pecado. A mulher de um homem nunca deve ter medo dele ou de sua força.

—Deixei Bornéu porque não queria arriscar encontrar você. Posso fazer meu trabalho aqui, as plantas e as espécies que procuro estão nesta floresta. Precisava de um guia e o a tribo Embera foi gentil o suficiente para fornecer um para mim.

E seu guia era um homem. Um rosnado retumbou em sua garganta e ele se afastou dela, incapaz de impedir seu leopardo de saltar pelo perfume dela, pela ideia da estreita proximidade com um homem. Ele fechou os olhos, tentando não permitir a visão do seu corpo envolto em alguém que não ele.

Ela deu um olhar quando ele começou a andar, tentando se livrar da necessidade feroz crescendo em seu corpo. Mal podia respirar pela intensidade da demanda. Nunca experimentou nada assim. Suor derramava dele. O desejo era perverso. Acentuado — martelando seu crânio, até mesmo seus dentes doíam. Seu corpo dolorido. Estava perfeitamente ciente do leopardo rondando sob sua pele, tão perto da superfície, à espera de um momento que não estivesse em guarda, para que o gato poder tomar o que era dele.

—Sinto ser uma chateação para você, mas vou pagar uma boa quantidade de dinheiro pelo seu tempo.

Sabia que ela estava interpretando sua inquietação como desintersse, mas encolheu os ombros, não se preocupando em explicar o perigo que estava.

—Fale sobre ele.

—Eu me tornei amiga de Adan Carpio...

Desta vez ele não conseguiu impedir a reação do leopardo, a fúria terrível, a raiva ciumenta o consumindo.

Ele girou sobre ela, as chamas alimentando o calor em seus olhos. Ela engasgou e tropeçou novamente, estendendo uma mão para apoiar na parte traseira de uma cadeira.

—E sua família. Sua esposa. E as crianças, — ela adicionou às pressas. —Pare. Está me assustando. Não gosto de me sentir ameaçada. Já se enganou comigo, caso tenha esquecido.

Seu olhar se moveu por seu rosto. Parou na boca macia, trêmula. Sobre sua garganta — tão vulnerável. Podia afundar seus dentes ali, em segundos. Seu olhar se moveu abaixo — tocou seus seios. Seus seios exuberantes, cheios — se lembrava do toque suave da sua plenitude. Ela era um pouco menor que a maioria de suas mulheres, provavelmente o Leopardo nebuloso nela, mas gostava dela dessa forma. Gostava de todas as coisas sobre ela. Até mesmo seu temperamento.

—Não esqueci nada. — O rosnado retumbava em sua voz. Estava perfeitamente ciente das cigarras incessantes. Alto. Podia ouvir as sentinelas da floresta tocando sua música. Seu povo estava no local, e ainda assim sentia um mal-estar. Ele estudou sua expressão. Ela estava escondendo alguma coisa dele.

Cor marcava seu pescoço, penetrava em seu rosto. Ela velou seus olhos com seus longos cílios. Sabia que o perigo não era sua vida, mas sua virtude — e sua honra. Mas ainda assim, definitivamente estava escondendo alguma coisa dele. Não sua repugnância. Não o puro ódio. Essas emoções estavam simples o suficiente para ele visse. Não, algo mais, algo sob a superfície, e se não soubesse o que era, todos poderiam morrer aqui.

—Estava lá quando os homens da Cortez varreram a aldeia. Mataram várias pessoas, incluindo uma mulher que visitava Adan e Marianna, sua esposa. Seu neto, Artureo, me escondeu antes de tentar ajudar os outros. Ele tem 17 anos, mas é muito adulto. Correu para ajudar seu avô e o acertaram com a coronha de suas armas e o arrastaram para longe. Em toda parte que olhava havia mortos ou morrendo ou gritando pela perda de seus entes queridos. — Ela passou a mão em seu rosto como se pudesse limpar a memória. Conner serviu um copo de água e o colocou em suas mãos. Seus dedos roçaram os dela e o ar crepitou com eletricidade. Ela afastou a mão como se ele a tivesse queimado, derramando gotas de água pelo chão. Suor escorria abaixo de seu peito. O desejo fincou as garras nele. Sua proximidade nos confins da pequena cabana desfiava seus nervos de aço, deixando seu corpo tremendo com um desejo tão escuro, tão intenso que precisou ranger os dentes e se desviar dela apenas para puxar uma respiração.

—Ouvi seus apelos e sabia que tinha que tentar ajudar. Quando enterramos os mortos, tentamos descobrir como trazer as crianças de volta. Ninguém nunca viu o interior do imóvel da Cortez e viveu para contar sobre ele, pelo menos ninguém que conhecemos. Não podíamos resgatar as crianças nós mesmos. Me lembrei do que você fez e quando Adan pediu a ajuda das forças especiais foi recusado por motivos políticos, — havia desprezo em sua voz, —aí pensei em você, e como se infiltrou no campo inimigo usando a sedução. — Ela deu um olhar de nojo antes de continuar. Sabia que se havia alguém que poderia entrar na fortaleza, era você. Certamente é mais que capaz de seduzir Imelda Cortez.

Seu coração apertou tão duro, tão apertado, que por um momento pensou que estava tendo um ataque cardíaco. Quase desabou sob a inesperada dor. Sua respiração assobiou por entre os dentes e mas não tentou impedir o rugido de raiva escapar. Deu um passo mais próximo dela.

—Quer que eu seduza outra mulher? A toque? A beije? Entre nela? — Sua voz era mortalmente baixa.

Seu olhar desviou para longe dele.

—Não é isso que faz? Não é essa sua especialidade? Seduzir mulheres?

Ele arrancou o copo de sua mão e o jogou contra a parede com a força de um leopardo. Ele quebrou, o som alto ecoando na sala; vidro chovendo como lágrimas no chão e se misturando à água.

—Quer que eu foda outra mulher?

Cada palavra foi enunciada. Distinta. Pontuada por um rosnado ameaçador. Deliberadamente, foi tão bruto como podia ser. Atingiu o alvo. Isabeau estremeceu, mas levantou seu queixo.

—Você, obviamente, foi muito bem sucedido me fodendo, mas, eu era um alvo fácil, não era? — Amargura alimentava sua fúria.

—Inferno, sim, você foi, — ele retrucou, seu intestino torceu em nós além de qualquer coisa que já conheceu. Sua própria companheira queria cafetiná-lo. Se isso não fosse a melhor vingança que uma mulher podia pensar para um macho de sua espécie, orientada para ficar com sua mulher por nove ciclos de vida, ele não sabia o que mais seria. Queria a sacudir até que seus dentes batessem.

Ela engasgou, deu um passo na direção dele, seus dedos fechando em punhos, mas se conteve de atacá-lo, mantendo sua mágoa e dor sob controle, embora não conseguisse parar de mostrar no rosto.

—Percebi que não fui a primeira. E não fui, fui?

Companheiros não mentem um para o outro e ele tinha feito o suficiente.

—Inferno, não, não foi a primeira, — ele soltou. —Mas foi muito bem para ser a última. Consiga outro homem para fazer seu trabalho sujo para você.

Ele girou ao redor, desesperado para respirar o ar livre de seu perfume. Seu gato estava louco, louco de raiva, se apertando em seu interior até que parecia estar em chamas.

—Não preciso de outro homem para fazê-lo, — ela provocou. —Você era o plano B. Disse a Adan que poderia seduzir um dos guardas e sei que posso. Realmente acha que queria vê-lo novamente por qualquer motivo? Adan recusou, mas aprendi com o mestre. Acho que deveria agradecer por isso.

Fúria correu como fogo através de suas veias. O animal subiu para a superfície numa corrida aquecida de pele, dentes e garras, quase explodindo através de seus poros. Ele se moveu, um borrão de velocidade, sua mão espalmando a faca presa ao longo de sua coxa, ao mesmo tempo que seu corpo batia agressivamente contra o dela, levando suas costas contra a parede, uma mão segurando ambos os pulsos acima de sua cabeça. Ele a segurou absolutamente imóvel, vulnerável, a força do leopardo trabalhando como aço através de seu corpo, seu coração trovejante em seus ouvidos enquanto seu olhar bloqueava sobre o dela.

Seus olhos eram de gato, embora diferentes já que as pupilas eram verticalmente oblongos e não lineares como as dele, ou redondas como alguns dos outros gatos. Neste momento, seus olhos mostravam exatamente o que estava pensando, um ódio feroz, uma pitada de calor que não conseguia evitar e que só a fazia o detestar mais. Inteiramente âmbar, os olhos dela estavam tão focados como os dele, se recusando a se curvar para ele.

—Não fiz de você uma prostituta. Você está fazendo isso sozinha.

—Foda-se, Vega. E tire suas mãos de mim.

Em vez disso, dele chegou ainda mais perto, empurrando seu joelho entre as pernas dela, quase a levantando do chão.

Como estava, ela não teve escolha senão ficar na ponta dos pés.

—Me quer morto. Posso ver isso em seus olhos. Veio aqui pensando que iria me matar.

Ar queimava através de seus pulmões quando ela engasgou para respirar, o esforço empurrando seus seios contra seu peito. Ele sentiu as ondas de calor deslizando sobre ele como um tsunami, o alagamento de desejo. Não apenas seu desejo. O dela. Estava tão perto de seu calor e sua proximidade desencadeava seu leopardo. Ele podia sentir a queimadura no corpo dela e o desejo indesejado nos olhos dela — desejo que ela escondeu o tempo todo.

Os olhos dela estavam fixos diretamente nos dele, cuspindo chamas.

—Sim, — ela assobiou. —Enquanto sei que está vivo em algum lugar, penso em você e odeio que ainda tenha a capacidade de me machucar. Sim, quero você morto.

Ele colocou a faca em suas mãos, forçando os dedos a fechar em torno do punho.

—Porra, então faça o trabalho direito. Faça-o limpo. Aqui está sua chance, bebê. —Ele arrastou seus braços abaixo até a ponta da lâmina estar contra seu peito, diretamente sobre seu coração, suas mãos abrangendo as dela, impedindo-a de deixar cair a faca. —Me mate aqui, agora, rápido e limpo, porque serei amaldiçoado se vai fazê-lo polegada por polegada.

Seu corpo estremeceu. Ele sentiu os dedos flexionar.

—Acha que não faria? — Ela sussurrou as palavras enquanto seus dedos se moviam sob os dele.

—Esta é sua única chance. Faça isso de forma limpa e vá embora. Se não fizer isso, não vai ter outra chance, nem nunca vai seduzir outro homem.

Seus dentes apertaram e ele deliberadamente empurrou a ponta da faca em sua pele. Sangue correu abaixo por sua camisa.

Isabeau engasgou e tentou recuar, mas ele era muito forte, as mãos presas ao redor das dela, a forçando a empurrar a faca em seu corpo. Ela balançou a cabeça. Lágrimas nadaram nos olhos dela. Ele continuou imóvel, deixando a ponta onde estava.

—Olhe para mim, Isabeau, não para o sangue. Olhe-me nos olhos.

Isabeau engoliu e inclinou a cabeça para encontrar mais uma vez seu olhar atraente. Ela o queria morto, rezava para ele estar morto, sonhava em matá-lo, mas nunca imaginou essa sensação. Estava aterrorizada pelo olhar em seus olhos. Ele o faria, forçaria a faca em seu coração. Nunca o imaginou tão forte, mas não podia se afastar dele e sentia cada músculo em seu corpo tenso — pronto.

—Enfie a faca no meu peito. Não seja covarde. Me quer morto - basta fazer o trabalho, não ficar jogando. Se seduzir outro homem vai conseguir matá-lo, também. Isso é entre nós. Não arraste ninguém mais para nossa bagunça.

Isabeau não conseguia respirar e sua visão estava borrada. Lágrimas queimavam em seus olhos. Em sua garganta. Em seus pulmões. Ela achava que tinha chorado tudo, mas apenas vê-lo rasgava-a em pedaços novamente. A traição foi tão devastadora, o corte tão profundo, a ferida tão crua como sempre. A ideia dele com outra mulher a deixava fisicamente doente, mas a raiva era forte — forte o suficiente — ela achava, para fazer isso.

Seu corpo estava tremendo, este era o homem que cortou seu coração em pequenos pedaços e a deixou sem pai, sem nada, absolutamente nada, sua vida em ruínas. Não conseguia dormir à noite o querendo, e com nojo dele. Ele achava que ela veio atrás de vingança, mas a verdade era pior que isso — ela veio atrás dele, porque não podia suportar não vê-lo novamente. Não podia se lavar vezes suficientes para tirá-lo de sua pele, seu gosto fora de sua boca. Seu coração estava tão abalado que achava que nunca poderia sentir sua batida rítmica novamente.

Foi um inferno, puro tormento sem ele, mas agora, vendo-o, respirando-o em seu corpo, o sentindo tão perto, começava a queimar tudo de novo, como um fogo fora de controle. Ele fez dela seu fantoche, sua escrava, uma mulher com tal desejo que nenhum outro podia nunca preenchê-la ou satisfazê-la. O odiava com cada fibra do seu ser, mas a ideia que tocasse outra mulher a enojava.

E a forma como a olhou. Esse olhar focado, cheio de posse, como se soubesse o que ela queria dele, apesar de cada coisa doente que ele já fez.

Maldito presunçoso, sabia que bastava um movimento da parte dele para esmagar sua boca sob a dele, sabendo que ela desejava ficar na ponta dos pés e apertar sua boca na dele e derreteria, se dando toda novamente. Odiava a si mesma com a mesma paixão ardente que o odiava. Ele destruíu seu coração e roubou sua alma. Foi deixada sem nada, apenas cinzas e dor.

Por um momento horrível os dedos apertaram o punho da faca, mas não podia empurrá-la nele mais do que podia fazer isso a si mesma. Ele era uma parte dela. Ela se odiava, mas ele era uma parte dela e sabia que não podia viver sabendo que o matou.

Sua boca tremeu. Suas mãos. E, em seguida, seu corpo. Ela baixou a cabeça e as lágrimas cairam sobre as costas de suas mãos onde ele a agarrava tão forte.

—Diga-me o que quer, — sua voz era apenas um fio quando capitulou, seus ombros caídos em derrota. Estava perdida e sabia. —Para trazer as crianças. Me diga o que quer e como fazê-lo.

Seu aperto em suas mãos diminuiu até que ela pode deslizá-las longe. Esfregou suas palmas acima e abaixo nas coxas cobertas de jeans como se pudesse se livrar do desejo de rasgar e matá-lo — ou tocá-lo.

—Continue fazendo isso, como se fosse ajudá-la, — disse ele. —Não vai parar a coceira, gatinha, e ambos sabemos isso. Precisa se coçar, tem um lugar para vir. Um, você me entende?

—Preferia morrer.

—Não me importo. Quer que eu traga essas crianças, farei isso, mas não vai chegar perto de qualquer outro homem.

—Não pode mandar em mim.

—Insiste em pensar em termos humanos, Isabeau, — disse ele. Ele se aproximou novamente, inalando seu perfume, a forçando a inalar o dele. —Tenho novidades para você. Não sou humano e nem você. Está na floresta, e aqui, temos um conjunto de leis totalmente diferentes. Leis superiores. Está perto do cio, perto do Han Vol Dan, o primeiro aparecimento de seu gato. Sua primeira necessidade é sua primeira necessidade. Ninguém toca você, exceto seu companheiro. E quer goste ou não, esse seria eu.

—Você é louco. — Ela se empurrou longe dele. —Sou humana.

Ele tocou seu rosto, chamando sua atenção para as cicatrizes lá. Sua marca.

—Fez isso com suas garras, gatinha.

Ela fechou os olhos apertados por um breve momento, mas não antes que ele visse um vislumbre de dor, confusão e culpa. Ela balançou a cabeça em negação, sua respiração vindo em suspiros irregulares.

—Como eu poderia fazer isso com você?

Conner sabia que ela estava muito chocada pelas revelações naquela noite. Seu pai morto no chão — os elementos de prova de toda a sua culpa em torno deles. Um prisioneiro morto e outros dois chorando. A descoberta que o homem que ela confiava, aquele que amava, a usou para alcançar seu pai — e ela nem sabia seu verdadeiro nome — a traição daquele momento — o choque. Ela se aproximou dele, apesar das mãos imobilizadas nas suas costas — mais evidências do poder do seu leopardo — e ela deu um tapa nele. Somente naquela fração de segundo, antes que sua palma conectasse com seu rosto, a dor foi tão aguda que seu gato pulou para protegê-la, sua mão se transformando numa garra. Ela empalideceu, os olhos muito grandes para o seu rosto, seus joelhos quase dobrando e ele precisou segurá-la para impedi-la de cair, mesmo com o rosto dilacerado e devastado, o sangue pingando constantemente.

Isabeau se encolheu longe dele e podia ver claramente que ao longo do tempo, ela se convenceu que a coisa toda não aconteceu. Não podia ter acontecido. Como seria possível uma mulher mudar, mesmo que parcialmente, para leopardo?

Ela balançou a cabeça novamente.

—Meu pai era o Dr. Arnold Chandler. Pode ter se perdido pelo caminho e feito algumas coisas que não deveria, mas era humano. As pessoas não mudam e simplesmente crescem garras.

Ele ouviu a honesta confusão e culpa na sua voz e se aproximou para envolver seus dedos ao redor da sua nuca.

—Há um monte de coisas inexplicáveis no mundo, Isabeau. Você tem sonhos, não é? — Sua voz engrossou, ficou rouca. —Com você. Comigo. Nós dois em outro tempo, outro lugar.

Ela parecia mais horrorizada que nunca. Isabeau balançou a cabeça freneticamente, como se quanto mais forte fosse sua negação mais pudesse torná-la real.

—Nunca. De maneira nenhuma. Nunca sonharia com você. É um monstro, alguém que tem prazer em caçar mulheres.

O açoite de desprezo o acertou como um chicote e seu gato assolou e rugiu. Uma sobrancelha levantou friamente e seus olhos a perfuraram, a mantendo no lugar sem poder escapar de seu olhar fixo. Sua cabeça se moveu um pouco e um rosnado retumbou em seu peito quando moveu sua cabeça para perto dela. Seus olhos estavam arregalados quando seus lábios sussurraram ao longo dela.

—Está mentindo, Isabeau. Posso sentir o cheiro de seu desejo por mim. Posso sentir seu calor. Me quer mais do que jamais me quis. E sonha comigo, assim como eu sonho com você.

Ela o empurrou duro no seu peito para tentar jogá-lo longe dela. Ele parecia uma rocha e inconsciente usou os músculos de seu gato. Ele sentiu o soco de suas palmas, a mordida de suas garras, e seu gato pulou para encontrar o dela, rosnando pela supremacia. Ele pegou seus pulsos num aperto de aço e a puxou contra ele.

No momento que fez isso, sabia que foi um erro. Seu controle já estava muito fino.

Olharam fixamente um ao outro, os lábios afastadas meras polegadas, seu olhar dourado preso no dela. O desejo era cru e implacável. Esperava violência, pois a emoção estava lá, feroz e apaixonada, arqueando entre eles, mas quando seus lábios tocaram os dela, houve apenas um sussurro, como a pincelada de asas de mariposas, e Deus os ajudasse, não sabia se ela se moveu ou se foi ele. O choque foi elétrico, chocante em sua intensidade, acendendo um fogo instantâneo que correu através de suas veias como uma tempestade.

—Odeio você, — ela assobiou, lágrimas nos olhos.

Ele sentiu o arrepio passar por ela e não havia como ela se esconder da reação do seu corpo para ele.

—Eu sei. — Ele empurrou os fios de seu cabelo grosso longe de seu rosto. Lágrimas estavam presas em seus cílios.

—Você matou meu pai.

Ele balançou a cabeça.

—Não vou deixar que coloque isso na minha porta. Tenho muitos pecados sem você me culpando por algo que não fiz. Sabe disso. Não quer enfrentar, mas ele se matou no momento que se envolveu com aquele bando por dinheiro. Raptaram e torturam pessoas por dinheiro. Como isso é diferente do que está acontecendo aqui? — Sua palma envolveu seu rosto, o dedo deslizando sobre a pele macia antes dela se afastar.

—Se precisa de um motivo para me odiar, tenha um legítimo. Se prenda a um desses.

Isabeau se afastou dele e cruzou até a janela, olhando para a floresta.

—As crianças precisam ser resgatadas, Conner. Realmente não importa o que sinto agora. Isto não é sobre o que aconteceu entre nós. Realmente não é. Não trouxe você aqui por vingança. Não teria chamado você, mas Adan se recusou a permitir que eu tentasse entrar por mim mesma no complexo. As crianças estão em perigo. Ela realmente vai fazer o que vem ameaçando — os enviar de volta em pedaços se a tribo não cooperar. — Ela se virou para enfrentá-lo novamente, seus olhos unidos. —Como podemos entrar para descobrir onde estão sendo mantidas?

Ele ficou em silêncio por um momento, olhando para ela. Ela parecia mais frágil do que ele lembrava, mais bonita, sua pele quase brilhando, seu cabelo brilhante e ondulando com um convite de seda. Ela estava dizendo a verdade.

—Então teremos que ir buscá-los, não é? — disse ele suavemente.

Um pouco da tensão deslizou de seu corpo.

—Pensei que não ia me ajudar.

—Realmente não sabe sobre o mundo leopardo, não é? — perguntou ele.

Ela o olhou de sobrancelhas franzidas e olhou para sua mão.

—Não acho que foi real.

Ele estendeu sua mão.

—Olhe para mim, mas fique muito calma. Quero dizer, Isabeau, não faça quaisquer movimentos ou grite. Meu gato está faminto por você e vou deixá-lo sair apenas o suficiente para saiba que estou falando a verdade. Não o incite mais do que seu perfume já faz.

Ela parecia mais confusa que nunca, assim ele aceitou a mudança. Seu leopardo pulou de seu controle, golpeando duro num esforço para emergir plenamente. Garras estouraram das mãos e pele correu até seu braço.

Ele sentiu seus músculos se contorcendo e, respirando fundo, lutou para conter o gato. Custou cada grama de força. Suor escorria abaixo por seu corpo e os músculos bloquearam e congelaram quando instou o leopardo a ficar sob controle.

Isabeau engasgou, mas manteve sua posição. A maior parte da cor abandonou seu rosto e seus olhos pareciam enormes. Esfregou seus braços como se coçassem, como se seu gato pulasse em sua direção sob sua pele.

—Como isso é possível? — Sua voz era um sussurro.

Ele deslizou na direção dela, com medo que ela pudesse cair, mas ela recuou e ergueu uma mão defensiva, sacudindo a cabeça. Ele congelou novamente, completamente imóvel.

—É a versão curta, somos uma espécie distinta, nem leopardo, nem humana, mas uma combinação de ambas. Nossas fêmeas leopardo não surgem até o Han Vol Dan, ou o primeiro calor do leopardo. Muitas mulheres não sabem que são leopardo. Meu palpite é que o médico que fez seu parto, não percebendo que era leopardo, pois somos um segredo muito bem guardado, decidiu criar você quando sua mãe morreu. Teríamos que fazer algumas pesquisas, mas ele provavelmente a registrou como filha de sua esposa, calmamente te adotando.

—Porque quando eu estou ao seu redor tudo na minha vida vai para o inferno? — Ela empurrou uma mão trêmula através de seu cabelo. Seu leopardo rugiu um aviso assim que as cigarras cessaram sua canção. Um rosnado seguido de um grunhido de reconhecimento veio de fora da cabana.

—Quem seguiu você, Isabeau? — Conner a alcançou rápido, segurando seu braço e a puxando para a proteção de seu corpo e longe da janela. —Tem alguém com você?

Ele a arrastou até as pontas do pés. —Responda, agora, antes que alguém seja morto.

 

Isabeau engoliu, sacudindo a cabeça, seus olhos com medo, mesmo que lutasse contra ele, mais instintiva que querendo se livrar.

—Juro, apenas Adan e eu viemos vê-lo, ninguém mais.

Conner respondeu arrastando-a para longe da janela até o abrigo de uma pequena Alcova onde ninguém seria capaz de vê-los. Deu uma série de rugidos, avisando os outros que aquele que se aproximava da cabana não veio com o conhecimento de Isabeau.

O coração de Isabeau estava batendo alto o suficiente para ele ouvir, sua respiração irregular. Suspirou. Ele a manteve imóvel, ignorando o calcanhar batendo em sua canela. Soltando sua voz num sussurro, pressionou seus lábios contra sua orelha.

—Seria melhor dizer a verdade, porque quem está lá fora será caçado.

Ela se forçou a parar de lutar, mas seu corpo permaneceu tenso, à beira do voo.

—Juro para você, Adan e eu viemos sozinhos.

—Quem sabia que estava vindo contratar uma equipe de resgate? — Seu perfume o estava deixando louco. Seu corpo era suave e exuberante e se lembrava de cada curva, cada vão secreto. Era difícil se impedir de cheirar sua garganta. Como estava, sua cabeça se encontrava na união suave do seu pescoço e ombros.

—A esposa de Adan. E o avô de outras crianças, mas nenhuma outra pessoa. Cortez paga espiões. Ela os tem por toda parte. Tínhamos que ter cuidado. Nem sequer nos encontramos abertamente. Adan saiu por um tempo tentando rastrear você, mas não sei se falou com outra pessoa.

Rio questionaria Adan, e o ancião tribal era muito experiente para mentir para um leopardo.

—Vai ficar bem, Isabeau. Nada vai acontecer com você com todos nós ao redor. Vão cuidar dele. — Mas ele se sentia enjaulado. Não gostava das paredes em torno dele. Precisava estar lá fora, onde sentia que podia remover qualquer ameaça para ela. —Apenas relaxe.

Isabeau puxou uma respiração profunda e imediatamente se arrependeu. Não havia como relaxar quando ele estava tão perto. Seu calor derramava fora dele, seu perfume, selvagem e magnético, e agora sabia porquê. Não estava tão chocada como da primeira vez que sentiu algo se mexendo sob sua própria pele, ou quando o atingiu e rasgou a pele de seu rosto. Ao longo do tempo, tentou se convencer que realmente não fez isso, mas nas raras vezes que realmente dormia, acordava gritando, vendo o sangue descendo pelo seu rosto.

Estava confusa por seus próprios sentimentos. Era inteligente o suficiente para reconhecer que seu pai não era inocente e se colocou no caminho do perigo. Ela pesquisou suas conexões comerciais e descobriu por si mesma o quão sujo estava. Isso não a impedia de amá-lo ou lamentar sua morte. Realmente não culpava Conner por isso. Mas ele a usou para chegar ao seu pai, a tornando uma cúmplice involuntária em sua queda. Ele a seduziu repetidamente. Não foram capazes de manter suas mãos para si. Fizeram coisas que pareciam tão completamente certas no momento, mas depois — quando soube que ele realmente não a amava — ficou humilhada.

Se envergonhava ainda. Mal podia olhá-lo sem sentir suas mãos sobre ela, sua boca, seu corpo, duro e musculoso se movendo ao longo do dela. Ouviu seu próprio gemido baixo de angústia e baixou a cabeça para evitar seus olhos. Naturalmente pesquisou os mitos do povo leopardo e shifters, mas pareciam tão ultrajantes que era mais fácil se convencer que estava tão traumatizada, que distorceu sua lembraça.

Ele não a amou. Ele não a amava. Não, então. Não, agora. Importava pouco que a luxúria queimasse quente em seus olhos, que a posse estivesse carimbada profundamente toda vez que ele olhava para ela. Foi criado para o perigo, estava em seus ossos, seus olhos e estava hipnotizada por ele. Odiava ter sido tão fácil para ele. Ela nunca olhou para outro homem, nunca se interessou em ter qualquer relacionamento com um. Não podia acreditar quando ele sorriu para ela dentro de uma sala e caminhou para vir falar com ela. Deveria saber.

—Não, — ele comandou suavemente.

Ele sempre era capaz de ler o que ela estava pensando. Parecia muito mais velho, muito mais experiente. Se sentia segura com ele.

—Por cuidar disso, você quer dizer... — ela perguntou.

—Nos chamou para resgatar as crianças, Isabeau. Não pretenda ficar chocada quando envolver violência. Se alguém está caçando você ou Adan, vieram para machucar. Precisamos saber se Cortez foi avisada que a tribo Embera vai tentar pegar as crianças de volta em vez de cooperar com ela.

Sua voz era muito baixa e pouca expressiva, mas parecia um açoite pra ela, fazendo-a se sentir não muito brilhante. Era uma mulher sem medo de entrar na profunda floresta tropical para catalogar e investigar efeitos medicinais das plantas. Fez um nome para si mesma e alcançou sucesso ao encontrar novos usos para plantas. Era independente e feliz — até que conheceu Conner Vega. Ele virou seu mundo de cabeça para baixo.

Era justo culpá-lo pelas coisas que seu pai fez? Ou por esclarecer suas atividades ilegais? Talvez não. Mas nunca entenderia como ele podia tê-la usado, claramente uma inocente, para derrubar o próprio pai. Estava errado. Haviam linhas que não deviam ser atravessadas.

Que tipo de homem fazia isso? E que tipo de mulher ainda desejava seu toque quando seu caráter a repelia?

—Quero que deslize abaixo para o chão e se sente contra a parede. Permaneça abaixada. Vamos sentar aqui e conversar enquanto eles vêem quem seguiu vocês dois. — Ele manteve sua mão em seu braço para a firmar quando ela obedeceu, dobrando seus joelhos e deslizando atrás para baixo na parede até que seu traseiro tocou o chão. —Sei que está com medo, Isabeau, mas nada vai acontecer com você.

—Tem um plano melhor para entrar no complexo da Cortez? — Isabeau precisava de algo para distraí-la. Não ia entrar em pânico, já esteve em situações ruins antes, mas sinceramente — até que ponto podia confiar nele? Se podia criar a ilusão de estar apaixonado o suficiente para enganá-la, podia fazer o mesmo com o perigo. Com Conner, não sabia o que era verdade ou ficção.

Ele brincou com ela por um momento, nesse limite perigoso dele, mais animal que homem, deliberadamente mostrando sua capacidade de mudança, para aumentar seus medos, colocá-la numa posição vulnerável, mas ela tinha recursos. Era inteligente. Esteve na floresta centenas de vezes, mas não contava ser separada de Adan.

Conner estava tão próximo dela que sentiu o instante que ele enrijeceu. Levantou, músculos fluindo facilmente, então ficou silencioso e mortal, um gato perseguindo a presa. A respiração deixou seus pulmões numa corrida quando o viu erguer sua cabeça de lado e cheirar o ar.

—Isabeau, estamos saindo daqui. — Ele estendeu sua mão para ela. —Algo não está certo.

—O que é? — Ela tentou ouvir, mas tanto quanto podia dizer, a floresta tropical soava a mesma, embora o grito dos macacos e o grito dos pássaros parecessem muito altos.

—Cheiro fumaça.

Ela se deixou puxar em pé.

—Onde está Adan?

—Com Rio. Vai ficar bem. Adan sabe como cuidar de si mesmo na floresta. É com você que estou preocupado. Vamos sair desta armadilha.

—Eu não fiz isso, Conner, — disse ela.

—Não seria estúpida o suficiente para matar a si mesma e Adan junto comigo, — ele disse, não olhando para ela. Ele abriu a porta uns poucos centímetros e olhou fora, sua mão apertando a dela.

—Alguém seguiu vocês, provavelmente, não sabiam que iam nos encontrar. E isso significa que é um esquadrão de assassinato. Será que sabem que testemunharam o ataque à tribo?

Seu rosto ficou pálido, seus olhos arregalaram, como quando ele mostrou suas garras.

—A carta. Adan escreveu uma carta para o diretor interno de assuntos indígenas, detalhando o que aconteceu e pedindo ajuda. Quando não ouvimos nada de volta, entrou em contato com alguns de seus antigos amigos, homens com quem treinou sobrevivência. A resposta oficial foi que ninguém ia correr o risco das consequências políticas que isso iria causar, trazendo uma equipe de forças especiais contra Cortez sem a permissão do governo. Foi quando eu disse a ele sobre você.

—Ele mencionou você? Como uma testemunha? — Seus dedos a apertaram involuntariamente até que ela soltou um pequeno suspiro. Ele fez um esforço para relaxar. —Preciso saber se já viram você. Ninguém sabia que estava lá quando os homens da Cortez assassinaram os índios?

—Adan e sua esposa. Ninguém me viu.

—Viu a carta? Ele mencionou você? — Ele assobiou as palavras através dos dentes apertados, um rosnado baixo estrondando em seu peito. Seu leopardo assolava agora, sua companheira em perigo. Fogo era algo usado por pessoas de fora. E qualquer estranho vindo para a floresta agora tinha uma finalidade.

A cabana estava apenas alguns quilômetros no interior, mas quase impossível de encontrar a menos que soubessem onde estava e Adan garantiu que este encontro era seguro.

Ele sentiu o arrepio de medo que atravessou o corpo dela, e fez um esforço para empurrar seu gato abaixo o suficiente para manter o completo controle.

—Vamos dar uma corrida até as árvores. Quando chegarmos na varanda, pule sobre a borda.

Seu suspiro foi audível.

—Esta cabana está assentada sobre palafitas. Você está brincando.

—Você é leopardo. Confie nela. Vai pousar em seus pés. Já deve ter notado suas habilidades extraordinárias.

—Mas não sou...

Ele virou sua cabeça, seus dourados olhos verde-amarelos brilhantes — olhos de gato — focaram sem piscar. Ela parou e acenou com a cabeça.

—Se está com medo, posso levá-la, mas não serei capaz de te proteger também.

O pensamento dele a carregando em seus braços, apertada contra seu corpo a assustou quase mais do que as armas. Ela balançou a cabeça.

—Vou tentar.

—Vai fazê-lo, — ele corrigiu, sua voz gentil. —Salte sobre a borda do lado esquerdo. Estarei logo atrás de você. Comece a correr para a floresta e não olhe para trás. Tem cerca de vinte metros para chegar na linha das árvores. Continue correndo quando chegar lá. Vinte metros é um longo caminho, mas se deixar seu gato assumir...

—Eu não sei como.

Pelo menos não estava discutindo com ele sobre ser leopardo. Isso era um começo.

—Vai senti-la, músculos como aço, fluindo como água, sob sua pele. Ela vai subir porque sente seu medo. Seu instinto será lutar contra ela, mas ela não vai sair, não está pronta ainda. Deixe-a chegar perto. Vai correr mais rápido, saltar mais alto e será capaz de subir nas copas.

Seus olhos focaram nela, desejando que acreditasse nele. Ela engoliu, mas acenou com a cabeça.

—Um leopardo é tremendamente forte. Tem isso, Isabeau. Ela não vai te engolir, mas por alguns momentos ela vai crescer, vai parecer dessa forma. Não entre em pânico. Vou estar atrás de você e não deixarei que nada aconteça.

Isabeau não sabia por que acreditava nele depois de tudo que aconteceu entre eles, mas não podia evitar responder à sua voz. A ideia de um leopardo vivendo nela era absolutamente absurda, mas viu sua própria mudança de mão em garra, sentiu as pontas de estilete — quando rasgaram seu rosto. Ela acordava frequentemente, seu coração martelando em pânico, um grito de protesto, ecoando através de seu quarto, olhando para ver se não havia sangue em suas mãos. Sangue dele.

—Pronta?

Ela tomou um fôlego e acenou. Agora podia cheirar muita fumaça. Uma série de tiros soou à distância. Ela se encolheu, seu estômago balançando.

Viu o que as armas automáticas fizeram na aldeia, mas não protestou. Sabia que as finas paredes da cabana não iam protegê-la. Tinham uma chance na floresta.

—Sem hesitação. Não sabemos o quão perto estão até eu sair. Depois que atravessar a porta, tem que se comprometer, Isabeau. Direto para a borda e sobre ela. — Havia comando em sua voz, um que podia normalmente a fazer recuar, mas encontrou consolo nele. Era do tipo de homem que sobrevivia a este tipo de ataque. O lugar mais seguro na floresta certamente era ao seu lado.

—Sem hesitação, — ela concordou e endureceu.

Ele estourou a porta, correndo à frente dela, protegendo seu corpo até a borda. Isabeau se recusou a olhar para baixo. Pulou e ficou surpresa quando caiu habilmente com ambos os pés na trilha e, em seguida, estava correndo sobre ela.

Estava ciente de Conner ao lado dela, mantendo seu corpo maior entre ela e o caminho estreito levando à pequena clareira. Havia uma espécie de canto em suas veias, como se a adrenalina encontrasse uma sinfonia e tocasse as notas que deixavam de funcionar enquanto corriam através de seu corpo.

Estranhamente, havia uma corrida em seu corpo, como o fluxo do vento, o som das árvores. Ela pousou agachada, absolutamente espantada.

O zumbido de uma abelha era alto em seu ouvido. Como se estivesse distante, ouviu Conner gritar, sua mão pegou a dela e a puxou em movimento. Não tinha tempo para analisar a forma chocante como seu corpo reagiu, os músculos fluindo como água. Ele a puxou e ela sentiu seu corpo bombear, o salto cobrindo mais da metade da distância até a linha das árvores. Um segundo salto e estava sob a cobertura das grandes folhas, correndo ao longo de um caminho estreito de roedores.

Sua visão ficou estranha, como se estivesse vendo bordas de cor, mas tudo estava totalmente claro.

Sua gama de visão parecia enorme, como se pudesse ver, sem virar sua cabeça, quase cento e oitenta graus em torno dela. Sua visão era incrível à frente. Isabeau julgava que sua capacidade de visão era de pelo menos cento e vinte graus à frente. Os olhos não piscavam e detectavam movimentos na vegetação rasteira enquanto ela corria — pequenos roedores e insetos, bem como o bater de asas. Quanto mais profundo entravam na floresta, mais escura se tornava, mas ela podia ver claramente.

Os sons estavam aprimorados, como se alguém ligasse um alto-falante. Sua própria respiração correndo através de seus pulmões soava como uma locomotiva. Seu coração trovejava em seus ouvidos, mas também podia ouvir o sussurro do movimento na vegetação rasteira e sabia, enquanto corria, exatamente onde estavam os outros animais. Sentiu o cheiro de suor de homem e o acre cheiro de fumaça. Podia ouvir o crepitar das chamas e os gritos dos macacos e pássaros enquanto fugiam do fogo.

Seu coração parecia bater no ritmo da floresta, absorvendo a energia frenética das outras criaturas enquanto se movia rapidamente através das árvores, mais profundo e mais profundo. Estava bem consciente da mão de Conner pressionando suas costas, pedindo-lhe para se mover mais rápido. Ouviu o apito de uma bala e, em seguida, uma explosão quando atingiu um tronco de árvore amplo a poucos metros à direita.

—Estão disparando às cegas, — disse Conner. —Continue correndo.

Ela não estava prestes a abrandar. Deveria estar aterrorizada, mas se sentia absolutamente extasiada em vez disso, quase eufórica, consciente de cada movimento de seu corpo, cada músculo separado funcionando sem problemas e eficiente para levá-la ao longo do terreno irregular. Uma grande árvore estava caída no caminho e ela nem mesmo diminuiu. Em vez disso, podia sentir o maravilhoso enroscar do seu corpo, a mola quando pulou sobre ele, passando o tronco abatido por um bom meio metro.

Cheirou suor à sua direita assim que Conner a agarrou pela cintura e a jogou no chão, seu corpo cobrindo o dela. Ele apertou sua boca em seu ouvido.

—Fique parada. Absolutamente imóvel não importa o que aconteça e desvie o olhar.

Ela acenou sua aceitação, embora não quisesse que a deixasse lá sozinha, mas sabia que ia cuidar da ameaça se movendo na direção deles. Por um momento de parar o coração pensou que depositou um beijo ao longo da parte traseira de sua cabeça.

—Não demoro. — Seus lábios se moveram contra sua orelha e ela sentiu seu coração saltar. Seus dedos enrolaram em garras e cavou o solo esponjoso coberto de vegetação.

—Não seja morto, — ela assobiou e, em seguida, fechou os olhos, sentindo como se traísse seu pai. Podia fingir para ele e todos os outros que não queria que ele fosse morto porque estava com medo de ser deixada sozinha na floresta, mas se recusava a mentir para si mesma. Não empurrou a faca em seu peito porque o pensamento dele fora deste mundo era devastador para ela. E a fazia o odiar ainda mais.

—Sou um gato, — lembrou suavemente e sua voz tinha uma borda áspera que deslizava sobre sua pele como a lambida da língua áspera de um gato. —Sou duro de matar.

Ele sumiu e mesmo com sua maior audição, mal podia seguir seu progresso através da selva de folhas grandes. Lá estava o deslizar suave do seu corpo juntamente ao matagal, sem folhas crepitando, apenas um sussurro de movimento quando penetrou mais perto de sua presa. Ela virou a cabeça lentamente, polegada por polegada, mesmo que ele dissesse para ela não olhar. Instintivamente, sabia que não era sobre chamar a atenção, como um olhar fixo poderia fazer, mas que não queria que ela visse a morte — e como parecia.

Conner podia estar na forma de homem, mas no momento ela sabia que era todo leopardo, apenas sem a forma. Ela entendeu o que ele quis dizer quando disse para deixar seu gato subir próximo à superfície. Ele parecia um grande leopardo, os músculos deslizando sob sua pele, seu corpo se movendo em câmara lenta como um predador, cabeça baixa, olhos focados na presa. Ele cuidadosamente se posicionou em pé, certificando-se que pisava em silêncio absoluto quando penetrou na direção de sua presa através do matagal grosso. Quando o homem surgiu mais à frente à esquerda, parando para escutar e olhar com cuidado em torno dele, Conner ficou imóvel, agachado como uma mola —na posição de ataque, seus músculos congelados.

A respiração de Isabeau ficou presa em sua garganta quando viu o homem com a mortal arma automática pendurada em seu pescoço emergindo do matagal e virando sua cabeça para olhar diretamente para Conner. Seu coração saltou em seu peito e seus dedos cavaram mais profundo na vegetação espessa, como se o gato nela estivesse pronto para saltar, para atacar. Continuou imóvel, sentindo outra presença agora dentro dela, cheirando — a coceira sob sua pele, a dor na sua boca, a necessidade de permitir que o animal saltasse livre.

Respirando profundamente, manteve seu olhar fixo sobre a luta de vida ou morte próxima dela. Em cima, asas flutuaram e algo pesado caiu do dossel. Um macaco gritou. O homem olhou para cima e Conner apareceu. Ela viu o poderoso movimento, e ainda mal pode compreender o incrível salto físico que o levou para o homem armado.

Ele bateu com o poder de um aríete, jogando sua presa no chão, o som terrível quando os dois corpos caíram juntos pela tremenda força. O corpo de Conner era tão gracioso e fluido em terra que ela meio esperava que usasse os dentes para arrancar a garganta do homem e as garras para rasgar sua barriga.

Ele rolou o homem e pegou seu pescoço num aperto poderoso e inquebrável.

Ela nunca esqueceria essa imagem dele, todo força bruta, seu rosto uma máscara de determinação implacável, os músculos em seus braços inchados, o aperto de morte, quase idêntico a um gato afundando os dentes numa garganta e segurando enquanto a presa sufocava. Ela deveria estar repelida. Devia estar o desprezando ainda mais. Folhas amplas tentavam camuflar a luta intensa enquanto sua presa chutava e batia, mas podia ver através da folhagem. O homem foi ficando fraco até que apenas os saltos de suas botas tocavam o solo.

Em seguida, ouviu o estalo audível quando o pescoço quebrou e não houve nenhum movimento mais.

Conner soltou o homem lentamente, sua cabeça se afastando, olhando atrás deles, como se ouvisse outra coisa. Seu corpo permaneceu firmemente tenso, pronto para outro ataque. Cuidadosamente removeu a arma automática e cinto de munição e o pendurou em volta do seu pescoço. Durante todo o tempo ficou abaixado, seus olhos em algo que ela não podia ver.

Isabeau ficou tensa ao ouvir o que alertou Conner.

Vozes vieram. Fracas. Dois homens afastados a alguma distância. No início não podia decifrar as palavras, mas, em seguida, percebeu que estava ouvindo com seus próprios ouvidos, se esforçando, esquecendo do gato dentro dela, a incrível audição aguda. Ela tomou um fôlego e tentou convocar o felino mais próximo à superfície.

—Não podemos voltar de mãos vazias, Bradley, — uma voz disse. —Ela vai nos enterrar vivo apenas para marcar um ponto. Precisamos de um corpo.

—Como vamos encontrar esse índio? — Bradley soltou. —Ele é como um fantasma nessa floresta.

—O fogo irá levá-lo para o rio e os outros estarão esperando, — disse outra voz. —Vamos. Basta atirar e se manter em movimento.

—Odeio esse lugar, — Bradley se queixou. Isabeau observou Conner. Ele não estava surpreso.

Sabia o tempo todo o que faziam os atacantes. Todos que viviam na floresta tropical estariam em movimento para longe das chamas e se dirigindo na direção do rio. A floresta estava molhada nesta época do ano e o fogo se extinguiria rapidamente. Estariam seguros das chamas ao longo das margens cheias do rio. Claro, isso era uma armadilha. Esse era o ponto. Cortez enviou um esquadrão de assassinos atrás de Adan para marcar um ponto, porque ele escreveu cartas sobre o ataque à sua aldeia e os sequestros.

Imelda ia matar Artureo. O feliz garoto de dezessete anos que foi seu guia por tantas semanas. Ele foi um bom companheiro, explicando as coisas para ela a cada passo do caminho, paciente e atencioso, interessado em seu trabalho documentando a fauna. Ele foi uma fonte de informação, explicando os usos da tribo para cada planta. Não podia suportar o pensamento que seria morto por que Adan recusava o tráfico de drogas de Imelda.

Seu olhar foi para Conner novamente — saltou para seu rosto. Um rosto marcado com linhas duras, com as quatro cicatrizes que ela colocou lá. As pontas de seus dedos doíam. Ele era um homem forte. Podia sentir o perigo nele, a selvageria, como se seu mundo realmente estivesse reduzido a matar ou ser morto. Seu código era diferente do dela, mas talvez fosse o único que pudesse se levantar contra alguém como Imelda, que tinha muito dinheiro e muito poder.

Isabeau ficou de pé e esperou que ele dissesse a direção que devia tomar. Não estava com medo porque estava com ele — e isso a assustava mais que sua situação. No fundo, onde ninguém mais podia ver, ela o desejava. O homem que a usou para enganar seu pai e que então se afastou, a deixando esmagada. Devastada. Dividida em pequenos pedaços. Queria rasgar e arranhar seu próprio rosto, sua essência, qualquer parte dela tão fraca que ainda olhava para ele com desejo — não, mais — com necessidade.

Conner se endireitou, seus olhos fixos sobre o dela, inteiramente verde-amarelos agora, pupilas dilatadas, fixas e focadas, penetrantes. Até mesmo o verde estava desaparecendo, deixando um ouro ardente. Ela tremeu. Nunca superaria esse olhar, mais animal que homem. Por que nunca percebeu o quanto era diferente? A hipnotizou por uma razão.

Ele se moveu e sua respiração prendeu em sua garganta, observando o fluxo dos músculos sob a camisa, se agarrando em sua pele esticada. Quando se aproximou sentiu seu calor corporal, o perfume do gato selvagem escondido sob sua pele. Seu gato pulou e por um momento houve uma explosão de alegria se espalhando através dela. Isabeau rapidamente apertou o cerco sobre a emoção, chocada com seu próprio gato traiçoeiro.

Ele se moveu mais perto, se elevando sobre ela, uma mão deslizando ao longo do lado de seu rosto, seu polegar esfregando seu queixo.

—Não gosto da maneira como olha para mim. Não vou machucá-la.

Sua boca ficou seca.

—Já fez isso.

—Não vou fazer novamente.

Doía só de olhar para ele. Lembrar. Ainda o querer. Ela umedeceu os lábios com a ponta da sua língua.

—Não tenho medo de você, Conner. — Mas ela tinha. Não fisicamente. Não acreditava que a machucaria, mas tinha um aperto inquebrável sobre ela.

Ele fez um gesto em direção ao corpo morto.

—Disse para virar seu rosto. O que achava que iria acontecer quando pediu minha ajuda?

—Sabia exatamente o que esperar. Lá estão mais dois muito próximo de nós e mais na nossa frente. Sabe onde está Adan?

Sua expressão endureceu, sua boca apertada numa linhas implacável.

—Que diabos há entre você e Adan Carpio? Ele é velho suficiente para ser seu avô. Pode não parecer, mas ele é.

Isabeau desviou de seus olhos penetrantes. Olhos acusadores. Do que exatamente ele a estava acusando? De ter um caso com Adan? Isso era totalmente absurdo. E que diferença fazia? Ele a usou. Não se apaixonou por ela.

—Vá para o inferno, Conner, — ela respondeu e arrancou o rosto de sua mão antes que ficasse tentada a tocar essas quatro cicatrizes. As pontas dos dedos doíam.

Sem aviso, o som de tiros soou e balas se encravaram nas árvores em torno deles.

Conner a jogou abaixo, seu corpo cobrindo completamente o dela, a arma em suas mãos quando girou ao redor atrás deles. Vários animais de grande porte saíram através das árvores à esquerda deles e acima deles. Folhas cairam do dossel quando uma migração de macacos passou.

Estava quente. O vapor subia junto com a fumaça. Podia ouvir o crepitar das chamas e os sons dos animais em pânico. Enxames de insetos passaram sobre suas cabeças deixando tudo preto enquanto o calor varria as árvores, transformando a floresta num forno. Seu gato lutava pela sobrevivência, de repente assustada. Lutava instintivamente, querendo correr com os outros animais.

A palma de Conner se curvou próximo à sua nuca e ele baixou a cabeça para sussurrar em seu ouvido. Sua voz era suave. Calma. Como um pano de veludo preto a acariciando de dentro para fora. —Sestrilla, não entre em pânico. Não é possível nos movermos até eu remover a ameaça atrás de nós, e o fogo está vindo. Vou tirar você daqui. Apenas fique comigo.

Ela tomou um fôlego e se forçou a controlar. Não era do tipo de entrar em pânico, mas o gato definitivamente estava nervoso.

—Não sou eu.

Sestrilla. Ele a chamou assim antes. A palavra era estranha e exótica. Ela a amava antes, quando estavam juntos, seus corpos envolvidos em torno um do outro, mas agora temia o poder dessa pequena palavra sobre ela. A deixava suave e mole por dentro. Aberta a ele. Mais vulnerável que nunca.

—Você e seu gato são um. Ele não parece ser você, porque está apenas emergindo. Mas você está sempre no controle. Ela vai entrar em pânico pelo cheiro e a sensação de fogo, mas você sabe que está segura. Tem que confiar em mim e ela também vai.

Confiar nele. Por que usou essa palavra em particular?

Confiar nele? Também podia colocar uma arma em sua própria cabeça. Antes que pudesse responder, ele pressionou os dedos mais apertados em torno de seu pescoço, rosnando baixo em sua garganta. Ela congelou. Abriu as mãos e pressionou suas palmas na terra. Algo pesado corria na direção deles.

Um homem saiu dos arbustos à esquerda, quase em cima deles. Arregalou seus olhos e lutou para pegar sua arma ao redor. Ao mesmo tempo, tentou uma parada para não atirar além deles. Um grito selvagem de aviso rasgou da garganta do homem, ao mesmo tempo que Conner apertava o gatilho, disparando uma única rodada. Ela ouviu a bala bater, o som aterrador de carne rasgando, e isso a levou de volta no tempo, ao momento que seu pai puxou sua arma, mirando a cabeça de Conner. O grito do homem foi cortado abruptamente, mas aparentemente seu parceiro o ouviu e pulverizou toda a floresta com uma saraivada de balas.

Ela fechou os olhos apertados, tentando não sentir o cheiro da mistura de sangue e pólvora, mas seu estômago embolou e bílis subiu na sua boca. O corpo de seu pai tremeluziu na frente dela, sangue projetado ao longo da parede atrás dele. Não havia nenhum rosto, apenas uma massa de sangue. Tanto sangue.

Papai? Um soluço rompeu dela e Conner reagiu imediatamente, se apertando próximo dela, embora seu olhar estivesse na floresta.

—Está machucada?

Ela lutou pelo controle, um pouco desorientada, presa entre o passado e o presente. Agora não era hora de se perder. O que diabos estava errado com ela? Podia ouvir a explosão tão perto de seu ouvido, o grito da bala alto no quarto confinado. Seu próprio grito, o choque atingindo seu corpo. Tentou alcançá-lo, antes que caísse no chão. Não o queria no chão com todo aquele sangue.

Conner xingou e rolou de lado, ajoelhando, seu corpo entre ela e os tiros. A cutucou.

—Quando eu atirar, se levante, permaneça abaixado e corra rápido, ficando à direita. Vamos subir, para as copas.

Ela olhou acima das altaneiras árvores. Cinzas flutuavam através do ar, parecendo flocos de neve cinza. Seu coração trovejou em seus ouvidos. Ele queria que ela corresse, talvez direto para mais armas, com balas pulverizando em torno deles e o fogo vindo direto para eles. E subissem centenas de metros até as copas.

—Porra, vou te tirar disso, mas tem que fazer o que digo.

Ela não tinha muita escolha. Se ficasse onde estava, levaria um tiro. Ela acenou, apertando sua mandíbula.

Ele começou a atirar como cobertura e assobiou "Vá!" por cima do ombro.

Isabeau se levantou e começou a correr abaixada à direita. Foi mais fácil do que pensava, seu gato ágil, se movendo sobre terreno irregular sem hesitação. Uma vez em pé e em movimento, a música da floresta estava em suas veias novamente. Era um pouco mais caótica e frenética, mas seus sentidos eram tão agudos que podia classificar seu entorno mesmo enquanto corria.

Sabia que havia apenas animais diante dela.

Nunca ouviu Conner chegando por trás dela, mas seu gato saltou reagindo a ele.

Gato estúpido. Não sabia que ele era mais perigoso para eles do que qualquer fogo? Odiava o surto de alívio que sentia na sua presença, mas dizia a si mesma que era porque sem ele, não tinha a menor chance de sair da situação viva. Resistiu ao impulso de olhar para ele por cima do ombro apenas para se tranquilizar que estava realmente lá em sua forma sólida, masculina. Ele pediu sua confiança, quando não deveria fazer.

Com o mundo em torno se tornando um brilho vermelho-laranja contra o sol e o som do vento chicoteando através das árvores geradas pelo fogo propriamente dito, ela se sentiu mais animal que humana quando correu através do mato.

Conner pegou as costas de sua camisa e a parou abruptamente.

—Aqui. Vamos por aqui. Não estarão olhando para nós nas copas. Estão atirando às cegas para nos levar ao outro grupo. Não podemos ser capturadas num fogo cruzado.

Ela mal respirava, com dificuldade, mesmo depois da difícil corrida, seus pulmões e coração trabalhando mais com o gato que a mulher. Ela olhou o tronco longo. Os primeiros ramos estavam a uns bons 9 metros acima de sua cabeça.

—Está louco? — Ela deu um passo atrás. —Não posso subir.

—Sim, pode. É poderosa e forte, Isabeau. Viveu um ciclo de vida já como gato — comigo. Vai voltar para você. Confie no seu gato e deixe-a solta. Ela não vai sair totalmente, mas vai te agarrar à árvore.

—Nunca mencionei que tenho problemas com alturas?

—Tem problemas com balas?

Ela piscou para ele, percebendo que a provocava e fez uma careta.

—Não é engraçado. — Mas um pequeno sorriso, uma sobrancelha levantada, conseguiu se esgueirar. Ele não parecia muito preocupado. Olhou para ela como se acreditasse que podia fazer o impossível.

Ela tomou um fôlego e olhou para o tronco de uma árvore longa. Estava coberto por trepadeiras, uma infinidade de flores e fungo.

—Como?

Ele sorriu para ela, seus dentes piscando brancos.

—Boa garota. Sabia que o faria.

Ela jurou que seus caninos podiam estar um pouco mais longos, um pouco mais nítidos que estavam antes e passou sua língua sobre seus próprios dentes só para verificar. Pareciam bastante normais e ficou quase desapontada. Seu sorriso enviou um clarão de orgulho cantando através de suas veias, e que não era tolerável, assim manteve sua atenção sobre a árvore.

—Então sabe mais do que eu. Diga-me como.

—Tire seus sapatos, amarre-os em torno de seu pescoço.

Ela hesitou, mas ele já estava fazendo como pediu e ela relutantemente seguiu o exemplo, enfiando suas meias dentro do calçado e amarrando os cordões juntos assim podia pendurá-los em torno de seu pescoço. Ela se sentiu boba, mas levantou e ficou sem jeito esperando.

—Diga-me como isso funciona primeiro.

—Vou estar logo atrás de você. Já viu gatos subindo. Usam suas garras para se agarrar ao tronco. Leopardos são extremamente fortes. Tem suas garras e sua força.

Ela estendeu as mãos para ele.

—Parece que tenho garras?

Ele pegou sua mão na dela, virando-a, examinando-a.

Sua mão parecia pequena e um pouco perdida na dele. Seu toque era suave, mas quando involuntariamente tentou se afastar, ele reforçou seu aperto, impedindo sua fuga. Seu olhar fixo manteve o dela, e levantou suas mãos para seu rosto, deliberadamente roçando as pontas dos dedos nas quatro ranhuras, seguindo as cicatrizes de um extremo ao outro.

—Você tem garras.

Ela umedeceu seus lábios mais uma vez, seu coração saltando.

—Não queria fazer isso. Não sabia. — Ela odiava pedir desculpas; ele merecia as cicatrizes, mas se envergonhava ainda da violência, da forma como foi tão enganada, das coisas que fez com ele — e ainda queria fazer. Tudo isso. Baixou a cabeça, metade convencida que ele podia ler sua mente. —Quis dar um tapa em você, não te deixar cicatrizes.

—Eu sei. E não culpo você, — ele disse, relutante em soltar a mão dela. —Penso nelas como sua marca em mim.

Seu ventre apertou e, em seguida, convulsionou. A reação dela era totalmente inadequada e perturbadora, mas ainda assim se encontrava úmida e dolorida. Ele hipnotizava as pessoas. Não apenas dela. Tinha que se lembrar que se ativasse esse charme magnético com Imelda Cortez, ela reagiria exatamente da mesma maneira. Não era real.

—Diga-me como fazer isso. — Ela desconversou e, embora fosse aterrorizante subir para a copa, era melhor que pensar em Conner Vega usando sua marca.

—Se aperte junto ao tronco. Finja que é uma salvadora de árvores.

Ele pendurou a arma deitada contra suas costas, deixando seus braços livres.

Isabeau fez o que ele disse. Imediatamente ele pisou atrás dela, seus braços alcançando ao redor de cada lado dela, seus dedos se curvando, as pontas contra o tronco. Ela o sentiu contra suas costas. Era — íntimo. Chocante. Quando ele puxou um fôlego, então ela o fez. Cada terminação nervosa entrou em alerta.

Ele baixou sua cabeça ainda mais perto, até que seus lábios estavam contra seu ouvido e o queixo roçando seu ombro.

—Está certo. Imite o que faço. Não tenha medo. Não olhe para baixo. Basta subir comigo. Não vou deixar você cair. Confie em seu gato. Fale com ela. Agora. Diga-lhe para escalar a árvore. Diga-lhe que precisamos escapar dos homens e do fogo. A sinta. Alcance-a. Ela não pode sair totalmente, mas já está demonstrado a você que virá em seu auxílio. — Soava tão absurdo, mas ela o ouviu sussurrando em seu ouvido, ou talvez fosse em sua mente.

Vida ou morte. Sobrevivência do nosso companheiro. Prenda-nos. É mais difícil nesta forma, mas ela não pode sair totalmente. Se ligue com ela. Deixe que ela a cheire. A tranquilize. Enquanto ela olhava, suas mãos se curvaram em duas garras. Cheirava algo feroz — selvagem — indomável. O almíscar de um gato macho em seu apogeu.

Sentiu a reação instantânea dentro dela, seu próprio gato pulando em direção ao perfume, emergindo perto, tão perto que sentiu o hálito quente em seus pulmões e força derramando através de seu corpo. A adrenalina corria através de sua corrente sanguínea e ela irrompeu em suor. Sua pele coçava e sentia outra pele deslizando sob a superfície de sua própria pele. A boca doía, os dentes doíam. As articulações apertavam e golpeavam. Seus dedos da mão e dos pés formigavam e queimavam.

Isabeau engasgou e forçou o ar através de seus pulmões, recuando. Sua cabeça bateu no ombro de Conner e descansou lá enquanto respirava para afastar o sentimento estranho e assustador.

—Está fazendo bem, Isabeau. Ela está perto. Você a sentiu. Está emergindo para ajudá-la.

Ela balançou a cabeça.

—Não é possível fazer. Não posso.

Seus lábios roçaram o lado do rosto. De propósito? Um acidente. Em qualquer caso seu toque a firmou. Ele não se moveu, pressionando tão próximo dela que podia senti-lo como um cobertor protetor ao redor dela.

—Claro que sim. Bloqueie o fogo. As armas. Eles não importam. Somente seu gato. Ultrapasse seu medo. Não vai perder quem você é, vai crescer. Deixe ir e a alcance.

Parecia que estava se dando toda a ele novamente, mas como podia explicar isso? Sua voz mágica, tão suave e lenta, como um espesso melaço que se movia ao longo e por ela, preenchendo cada espaço vazio dentro dela com ele. A fumaça se afastava através das árvores, animais se mexiam acima de suas cabeças e cinzas choviam sobre eles. Ouviu o som de tiros e uma bala perdida atingiu perto deles, mas ele nunca se encolheu, nunca ficou impaciente.

Apenas esperava, suas costas expostas ao perigo, seu corpo protegendo o dela.

Ela percebeu que se sentia completamente viva pela primeira vez desde que descobriu a verdade sobre ele. E isso a assustou mais que qualquer outra coisa.

 

Por um longo momento, Isabeau permitiu que seu corpo se inclinasse contra o conforto de Conner. Seria melhor morrer tentando fugir que ser derrubada pelos assassinos de Imelda Cortez ou morta em seu fogo. Era um bom argumento para tentar subir na árvore — muito melhor que querer agradá-lo — para provar que tinha tanta coragem como ele dizia — mas tudo bem provar a si mesma. Uma questão de orgulho. Fechou os olhos e se forçou a pensar no leopardo, a imagem do gato grande em sua mente. Precisava do som de sua voz, seu encorajamento.

—Diga-me como ela é. — Ela sentiu outra vez a respiração rápida de Conner. Seus lábios sussurravam sobre o ponto vulnerável entre seu ombro e pescoço. —Ela é linda, como você. Muito inteligente, e o mostra em seus olhos. Tudo sempre é um desafio para ela e pode estar muito mal-humorada num momento, amorosa no próximo, me arranhando com suas garras.

Havia uma nota suave, quase sedutora em sua voz, e não pareceu notar que estava falando como se conhecesse seu leopardo intimamente.

—Ela amava a noite, e muitas vezes, tínhamos que sair sob as estrelas e apenas caminhar por horas. É muito cuidadosa com estranhos, lenta para confiar, ardente como fogo. É tão bonita, Isabeau e secreta, misteriosa e indescritível. Tem uma mente muito rápida e inteligente.

—Como ela parece? — As palavras saíram estranguladas. Ele estava descrevendo sua personalidade, ainda que não. Ela se identificava com tudo que ele dizia, e sua voz ficava rouca, sexy, quando articulou seu conhecimento profundo de sua parte mais íntima, bem guardada.

—Ela é graciosa. Pequena para um de nossa espécie. Seu fogo se mostra nos olhos fumegando junto com sua inteligência. Mais ouro do que verde, as pupilas dilatadas e escuras, brilhando, refletindo a luz. Seus olhos são penetrantes e lindos. Depois de vistos, nunca esquecidos. Posso fechar os olhos e vê-los entre todas essas manchas escuras dispersas através de sua pele. Ela é loura escura, como seu cabelo. — Ele esfregou seu cabelo grosso com o rosto. —Ela é elegante e musculosa, loura escura, a pele dourada e padrões de manchas que lembram o céu da noite que ela ama tanto. Suas patas são delicadas, como suas mãos.

Suas mãos cobriram as dela.

—A sente perto de você?

Isabeau o fazia. O gato estava quase emergindo, tanto uma parte dela, que era quase uma memória. Podia ver o felino do jeito que ele descreveu e suas mãos, presas sob as dele, doíam e queimavam.

—Dói, Conner, — ela sussurrou, assustada.

—Eu sei, querida. — Sua voz baixou uma oitava. Ficou rouca. —Lembra da primeira vez que fiz amor com você? Não houve dor, Isabeau, mas muito prazer. Respire e deixe-a. Chame-a, apenas a deixe escorrer sobre você.

Sua voz era puro veludo negro, uma sedução irresistível. Seu hálito quente. Seu calor. Seu corpo tão firmemente pressionado contra o dela. Cada detalhe vívido da primeira vez. Suas mãos sobre ela. Sua boca. A maneira como seu corpo se moveu no dela, tão confiante, tão experiente, duro, forte e direto, como se fossem feitos um para o outro.

—Apenas deixe ir, — ele incentivou, assim como fez tantos meses antes.

Sua voz trouxe de volta uma enxurrada de memórias, enviando um baixo fogo crepitante ao núcleo do seu corpo. Ela estava úmida. Os seios dela doíam, inchados pelo desejo, os mamilos endurecendo, desesperados por seu toque. Seus lábios arrastaram beijos de seu lóbulo até o ombro. Sua boca esfregou, enviando faíscas de eletricidade pulando através de sua corrente sanguínea.

Isabeau alcançou o gato fêmea à espreita em seu corpo. Ao mesmo tempo sentiu o salto da resposta, como se seu gato simplesmente esperasse. Seus dedos dos pés e das mãos queimaram e chiaram, um fogo vermelho-quente.

Involuntariamente as mãos apertaram. A pele parecia como se fosse abrir. Sua respiração travou em sua garganta e ela congelou, sentindo algo se movendo dentro de suas mãos e pés. Quando estava prestes a recuar, Conner se inclinou abaixo e afundou seus dentes no seu ombro, uma mordida que lembrava muito quando ele tomou sua virgindade, a distraindo, a mantendo no lugar, o prazer e a dor varrendo através de seu corpo, a deixando mole e submissa.

Unhas afiadas como lâminas explodiram através de sua pele, grossas, garras em forma de ganchos unidas por um ligamento ao osso na ponta de cada dedo. O movimento mais ínfimo de seus músculos e tendões permitia que movesse suas garras.

"Respire, Hafelina, já fez isso. Estamos indo.

Novamente não havia nenhuma impaciência em sua voz, apenas orgulho. Isabeau tremia quando ele pegou seus pulsos e estendeu seus braços sobre sua cabeça, ancorando suas garras na árvore em si.

—Suba com os cinco dedos. Confie na força do seu gato. Vou estar com você a cada passo do caminho e não vou deixar você cair.

Ela acreditava nele. Parte da razão que se apaixonou tão duro e tão rápido por ele era a forma como a fazia se sentir completamente protegida. Ela não podia imaginar algo acontecendo com ela, enquanto estava com ele. Não importavam as circunstâncias, ele era um homem que inspirava confiança.

Cavou suas garras na árvore. Esticou seus próprios braços acima dela, a enjaulando, a fazendo se sentir segura quando ela se impulsionou. Ficou chocada com a força no seu corpo. Era emocionante subir com tal facilidade, as garras ondulando no tronco, os músculos tensos deslizando sob sua pele quando saltou acima na direção das copas.

Ela não olhou para baixo, mas os amplos ramos entrelaçados pareciam uma estrada. O véu espesso de folhas escondia a vida das muitas criaturas centenas de metros acima do solo. Era um novo mundo inteiro, lá em cima.

Ela quase esqueceu do fogo e das armas.

Havia mais vento e ela cheirou a fumaça, o choque a tirando de sua experiência surreal e voltando à vida real. Que sempre era a forma como estava com Conner. Cada coisa que fizeram juntos, cada lugar que foram, assumiam vida própria.

Ela quase tinha medo de dormir, com medo de perder alguma coisa. A vida com Conner era viva — elétrica — apaixonada — tudo que ela sempre quis.

Ela subiu metodicamente, encontrando um ritmo no movimento, ela própria se içando no tronco da árvore.

Conner continuou a cobri-la, em perfeita sincronia, como se estivessem dançando — ou fazendo amor. Ela sentiu os músculos do seu corpo, rígidos e definidos, deslizando contra os dela. Suas coxas grossas estavam debaixo dela o tempo todo, seus braços ao redor dela, seu peito apertado contra suas costas então moveram-se juntos, quase como se fossem uma pessoa, e não duas.

Gotas de chuva espirravam abaixo quando nuvens rolaram acima da intermitência das copas e folhas, água caindo sobre as árvores fumegantes, efetivamente encharcando as chamas crepitantes. Fumaça negra subiu para se misturar ao vapor acinzentado grosso que cercava as copas, criando um espesso véu. Conner pisou facilmente num ramo e a puxou junto dele, mantendo o braço em volta da cintura dela. Ela sentiu como se estivesse pisando nos céus.

Conner estava certo: os pistoleiros não podiam possivelmente vê-los nos ramos grossos, não com a névoa espessa os cobrindo.

—Quero que continue se movendo. Duvido que vão perceber as marcas que fizemos no tronco, mas não quero arriscar nada. Os outros foram para o rio e se estiverem em problemas, estaremos lá para ajudá-los.

Ela olhou abaixo para suas mãos. As garras tinham retraído como se nunca existissem. Ela virou as mãos repetidamente, as inspecionando.

—Eu vi, mas não posso crer nisso.

—Vamos. — Ele pegou sua mão. —Vai estar escorregadio com a chuva, então observe onde pisa e não se afaste de mim. Se escorregar, Isabeau, confie em seu gato. Não entre em pânico.

—Você me diz isso muito.

—Nossa capacidade de cair em pé é lendária por uma razão, — lembrou. —É verdade. Mesmo se saltar de cabeça para baixo, seu gato vai endireitar você em menos de dois segundos. Vai ficar bem e vou estar logo atrás de você.

Ela puxou um fôlego, um riso nervoso escapando.

—Acho que vou acreditar na sua palavra nisso e ignorar a experiência real, se não se importa.

Ele sorriu de volta para ela. Lá, com a fumaça e nuvens ao redor dele, seu forte rosto cicatrizado, seus olhos de um uísque profundo contendo um pingo de diversão, achou-o muito atraente.

Teve que desviar o olhar. Animais estavam por toda parte, as copas em constante movimento, a salvando do constrangimento.

—Isso é incrível.

—Sim é.

A coloração nas aves, de perto, era vívida — brilhantes azuis e vermelhos e até mesmo verdes. Nunca notou penas individuais e como bicos podiam parecer grandes e afiados. Ele puxou a mão.

—Vamos. Temos que sair desta árvore.

—Não acredito que possam chegar aqui.

—Cortez tem dois leopardos renegados em sua folha de pagamento. Poderiam nos seguir.

Seu coração saltou.

—Homens como você?

—Homens muito piores do que eu. — Seu olhar caiu sobre seu rosto. —Pode não acreditar em mim, Isabeau, mas tenho um código. Errei com você, mas tenho um. Estes homens não.

Ela baixou a cabeça. Não queria falar sobre o passado. Era muito doloroso. Ele a quebrou, a deixou semi viva, uma concha vazia que nunca seria capaz de amar outro homem. Ela sabia disso com certeza absoluta. Sempre seria Conner quem desejaria, tanto quanto o desprezava.

Ela o seguiu, surpresa pela facilidade com a qual era capaz de se equilibrar enquanto pisava ao longo da rede de ramos e para o galho da árvore vizinha. A chuva aumentou em intensidade, como muitas vezes acontecia na estação chuvosa. Não estava frio, e com a investida da umidade e calor, vapor girava em torno deles, as copas se transformando num mundo estranho.

Seus dedos apertados em torno dos dela, sinalizando silêncio. Ela ouviu o som de vozes à deriva através do véu de névoa e mil borboletas revoaram em seu estômago. Sua boca ficou seca. Conner sequer hesitou, caminhando ao longo dos ramos como se fossem uma calçada, indo de árvore em árvore. Duas vezes fez um barulho abafado como se avisasse alguma criatura maior da sua presença, mas na maioria das vezes, os sons que fazia eram algo entre ronronos estranhos e baixos a surdos rosnados. Em vez de ameaçadoras, as notas eram calmantes.

Ela tornou-se ciente das criaturas nas copas. Onde antes os animais estavam frenéticos, correndo para longe do fogo e berrando avisos uns ao outros, agora estavam muito mais tranquilos — como ela também. Era sua voz —bonita, tranquilizante, reconfortante. Não fazia sentido. Ela deveria estar aterrorizada.

Estava a cerca de 40 metros acima do chão da floresta, cercada por fumaça e névoa tão espessa que era quase impossível ver sua mão na frente do rosto, cuidadosamente colocando seus pés em galhos escorregadios. Em algum lugar abaixo, homens com armas os caçavam e estava com o homem que estraçalhou seu mundo e a deixou em ruínas.

Aves se acomodaram nas árvores ao redor deles, em vez de voar com medo. Macacos meramente olhavam curiosos, mas a vibração frenética desvaneceu ao normal. A chuva caía abaixo constantemente e a vida parecia voltar ao normal muito rápido. Olhou para o homem a levando com tal confiança ao longo da estrada trançada de galhos. Era Conner. A pura força de sua personalidade estendia calma não só a ela, mas também aos animais.

Ela o seguiu, tentando descobrir como conter sua reação à ele. Como bloquear sua voz, seu carisma, seu puro magnetismo? Era o tipo de homem que se destacava no meio da multidão. Como se manteria seu sangue frio e seu pulso normal após compartilhar um incêndio florestal com ele? Toda vez que ele olhava para ela estava lá novamente — a resposta selvagem, apaixonada que não podia evitar.

Deveria saber. Não era do tipo de mulher que um homem como ele ia querer. Seu olhar era muito focado, muito absoluto, a fazendo se sentir como se fosse a única mulher em seu mundo. Como se nunca pudesse ver ninguém além dela. Era o animal nele. O leopardo. Seguindo sua presa. Ela era sua presa. Um único som escapou, um grito baixo e ferido que abafou às pressas novamente.

Por uma vez ele girou, seu corpo gracioso e fluido, quase bailando no ramo estreito. Se entortou para ela, a puxando para o abrigo de seu corpo.

—O que foi?

Você. A acusação estava lá em sua mente. Em seu coração. Deus a ajudasse, em sua alma. Ele era o que estava errado. A forma como se movia. O som de sua voz. A memória de suas mãos e boca e seu corpo que pertenciam a ela. Isabeau balançou a cabeça. Não sabia que seria tão difícil vê-lo —cheirá-lo. O perfume selvagem, perigoso dele.

—É um pouco assustador aqui, — ela mentiu. E ouviu a mentira em sua voz. Podia dizer por seus olhos que ele ouviu isso também.

—Mentiras têm um cheiro todo próprio, — disse ele.

—Será? Ensinou-me muitas coisas, mas esqueceu de me ensinar isso.

—Nem tudo era mentira, Isabeau.

Ela balançou a cabeça, seu coração tão dolorido que levou sua mão a pressionar contra seu peito.

—Não acredito em você. E não importa mais, não é? Temos que encontrar uma maneira de buscar as crianças. Isso é tudo que importa. — Ela se forçou a dizer. Ela não era uma covarde.

—Não estava errado sobre ele, meu pai. Fiz um monte de pesquisa e encontrei a verdade. Estava envolvido com a célula terrorista que descobriu. Estava tomando seu dinheiro. — Seus olhos se encontraram com os dele. —Isso não significa que eu não o amasse, ou que o que você fez foi certo, mas ele não era inocente.

—Sinto muito, Isabeau. Descobrir essas coisas deve ter machucado.

—Não tanto como vê-lo morrer. — Ou descobrir que o homem que amava acima de tudo apenas se aproximou dela para chegar perto de seu pai. Ela acreditou nele com cada fibra do seu ser — deu tudo que ela era ou jamais seria. E era uma mentira.

O coração de Conner apertou. Isabeau nunca seria hábil em esconder seus sentimentos dele. Dor não era a palavra para o que ele fez à ela. Ele a quebrou e desiludiu. Havia culpa e humilhação misturadas com sua dor.

—Não tem nada para se envergonhar, Isabeau. Sou a pessoa que agiu sem honra. Você não fez nada errado.

—Me apaixonei pelo homem errado.

—Você não o fez, Sestrilla, eu sou o homem certo. Foi apenas a hora errada para nós.

Ela levantou seu queixo, os olhos piscando em fogo.

—Vá para o inferno, Conner. Não sou seu trabalho neste momento. Não se preocupe em praticar comigo; realmente não precisa disso.

Sua voz cortava como uma faca, o suficiente para fazê-lo estremecer. Merecia, contudo. Seu olhar se moveu em seu rosto com intensidade. Ela parecia rebelde, desafiadora, tão bonita que ele doía por dentro.

Se prometeu ficar longe dela, mas como? Como podia desistir dela? Ele já estava tão apaixonado por ela que não havia como sair. Ele levou sua mão até ao seu peito, apertando a palma da mão sobre seu coração.

—Você nunca foi meu trabalho, Isabeau. — Ia encontrar uma maneira de reconquistar sua confiança. Tinha que haver uma maneira.

Ela engoliu e olhou para longe dele, mas não antes dele pegar o brilho das lágrimas.

—Apenas deixe para lá.

—Maldição, Isabeau. Como vamos superar isso?

—Superar isso?

Furiosa, Isabeau puxou a mão para se soltar e foi para longe dele, pisando duro — no espaço vazio. Ela jogou as mãos, mas já estava caindo. Terror se prendeu nela quando olhou para cima e a máscara deslizou da face da Conner para ser substituída pelo medo. Viu sua mandíbula endurecer quando pulou do galho atrás dela.

Em seguida, estava girando através do ar, livre.

Pânico inundou seu corpo com adrenalina gelada.

Respire. Alcance seu gato. Ela jurava que ouviu a voz de Conner, calma como sempre, inundando sua mente, expulsando o susto para ser substituído por uma estranha calma.

Ela sentiu seu corpo se torcendo até que a parte superior estava apontada para baixo, e as pernas seguiram o exemplo.

Parecia estar caindo fora de controle e entregou ao gato lutando para vir em seu auxílio. Sua pele coçava e explodia ao longo de seu corpo, retardando sua descida. Instintivamente abriu seus braços e se dobrou ao meio. Sua coluna flexionou. Suas orelhas queimavam, quase como se seu corpo sintonizasse para saber o que estava para cima e o que estava para baixo. Os olhos dela focaram o chão correndo para encontrá-la.

Ela encontrou-se dobrando seus braços e estendendo as pernas para que seu corpo girasse, a parte de cima muito mais rápido que a metade inferior. Imediatamente dobrou suas pernas e estendeu seus braços para dar um giro completo. Girou completamente no ar, assim como Conner disse que faria. Ela tentou relaxar quando sentiu a ardência em seus pés e mãos, indicando garras rompendo sua pele sensível, pouco antes dela bater no chão. As almofadas ajudaram, mas bateu forte, suas pernas e mãos absorvendo a tremenda queda através das patas.

Dor atravessou seu corpo, seus punhos, cotovelos, joelhos e tornozelos desmoronando debaixo dela quando se esparramou no chão da floresta.

—Não se mova, — Conner assobiou quando pousou ao lado dela num perfeito agachamento.

O odiava naquele momento. Ele tinha que ser bom em tudo. Ela caiu da copa, conseguiu se endireitar, mas ainda assim se machucou. Suas mãos se moveram sobre ela, examinando rapidamente e eficientemente procurando machucados.

—Caímos bem no meio do território inimigo, — lembrou. —Não faça nenhum som.

Ela percebeu que estava gemendo baixinho e forçou a si mesma a se tranquilizar, embora não conseguisse deter as lágrimas correndo pelo rosto dela. Ela estremeceu quando seus dedos se moveram sobre seu pulso esquerdo.

—Está mal, — ele murmurou.

Ela olhou para seu rosto triste e tentou parecer corajosa quando realmente queria se enrolar numa bola e soluçar. As pontas de seus dedos roçaram suavemente em suas lágrimas, fazendo seu coração doer.

—Uma entorse, acho. O resto de mim, apenas choque pela batida quando aterrisei. Tive sorte. — Ela lembrou de sussurrar as palavras, usando um fio de som que facilmente podia ser ouvido por sua audição aguda.

Seu corpo estava se ajustando mais uma vez ao ritmo da floresta tropical. Ela ouviu o ruído na vegetação rasteira e sabia que era um homem, não um animal, roçando contra as folhas próximas deles. Muito perto. Cheirava a suor, medo e podridão. Seus olhos encontraram os de Conner. Lá estava mais uma vez, esse olhar implacável, impiedoso, perigoso que significava que estava segura. Ele colocou seu dedo em seus lábios e indicou que voltasse para a capa do matagal. Ela usou seus cotovelos e dedos do pé para deslizar sobre sua barriga, deslizando sobre o espesso tapete de folhas deterioradas até as folhas mais amplas, os arbustos espessos, que serviriam de cobertura para ela.

Enquanto ela rastejava, Conner se manteve firme, a protegendo com seu corpo. Ele tornava difícil desprezá-lo totalmente quando continuamente se colocava em perigo para protegê-la.

E queria — precisava —desprezá-lo. Tinha que ficar alerta para evitar cair sob seu feitiço. Fora da floresta onde prevalecia uma lei maior, a vida parecia muito em preto e branco.

Somente quando estava em segurança sob a cobertura, Conner começou a mover-se. A arma sempre pronta, seu olhar inquieto examinando cada centímetro do seu entorno, não perdendo nada. Ele lentamente a chamou de volta dos arbustos para ficar ao seu lado. Com paciência infinita empurrou a arma em suas mãos, fixando seu dedo no gatilho e a alertando novamente pelo silêncio. Sua mão, quase em câmera lenta, foi para os pequenos pedaços afiados de metal nas alças do seu cinto. Ele pegou dois sem um som.

Ela nunca os notou, parecendo tão pequenos e inofensivos, mas viu, antes que seus dedos os ocultassem, que eram letais como punhais. Armas de assassino. Ela fechou os olhos por um momento, querendo saber como chegou a este ponto com este homem. Ele tocou a palma da sua mão e esperou até que ela se atreveu a olhar para ele novamente. Ele piscou e apenas isso aliviou a tensão.

A noite desceu rápida na floresta e, embora costumasse acampar durante longos períodos de tempo, enquanto trabalhava, costumava ser em segurança, longe da terra e do caminho dos milhões de insetos que transformavam o chão da floresta num tapete de vida. Podia sentir insetos se movendo sobre sua pele e podia ter tentado se mover para desalojá-los, se Conner não tocasse sua mão e desse a ela essa piscadela lenta, sexy.

A respiração de Isabeau ficou presa em sua garganta e ela congelou quando duas enormes botas pisaram a centímetros de sua cabeça. Conner nunca se moveu. Ficou ao lado dela, sua respiração quieta e silenciosa, mas podia sentir a tensão enroscada em seu corpo, seus músculos apertando, tensionando, se preparando para saltar. O homem agachou e fez cada polegada de seu caminho através do mato. Vapor subia do chão, ao redor de suas botas e tornozelos a cada passo que dava.

A visão devia encher seu coração de medo, mas Conner estava muito sólido junto dela, muito caçador, seus olhos fixos em sua presa, sem piscar, como olhos de um leopardo. Seus olhos brilharam, o âmbar escurendo o amarelo-verde, latentes de tensão, com fogo, mas principalmente com inteligência astuta. Seu olhar era penetrante, e não conseguia tirar os olhos de seu rosto, nem mesmo para ver onde o homem rastejando através da floresta estava indo.

Isabeau ouviu seu coração bater, mas Conner nunca se moveu, com toda a paciência natural de um leopardo, completamente imóvel quando o homem se virou de costas e deu vários passos longe deles, alertado por um suave ruído apenas mais a frente. Sua respiração acalmou em seus pulmões quando pegou o cheiro de Adan.

Ele estava perto, e o homem escondido no mato o ouvia.

Conner deslizou para a frente, um lento deslizar de barriga no solo, avançando cada polegada. Rastejou e congelou, usando a parca cobertura para ficar a 30 cm de sua presa. Quanto mais se aproximava, mais lentamente se movia, continuando seu caminho até que estava quase sobre o homem.

Uma vez preso, seu olhar dilatado nunca se moveu de seu alvo pretendido. Explodiu no chão, pulando sobre sua presa, as duas adagas agarrando, segurando e furando. Prendeu sua presa facilmente com sua grande força, enquanto o grande homem resistia, tentando lutar de volta, soltando sua arma no processo, incapaz de gritar.

Isabeau tentou desviar o olhar, mas a visão da luta de vida e morte a hipnotizava. Principalmente quando viu o rosto de Conner. Sua expressão nunca mudou. Seus olhos pareciam selvagens, queimando num estranho ouro agora, mas seu rosto era uma máscara de determinação implacável. Ela não conseguia imaginá-lo derrotado por qualquer coisa. Parecia invencível.

Parecia implacável. Mortal. E Deus a ajudasse, estava atraída como uma traça pela chama em vez de repelida como devia estar.

Conner baixou o corpo silenciosamente ao chão e soltou uma série de ruídos baixos. O som perfurou o véu de névoa subindo como nuvens em torno deles, ressoando na escuridão, se misturando aos sons naturais da floresta. Muito longe, ouviu uma resposta, a saudação comum de um leopardo, muito parecida com o resfolegar de um cavalo.

Outro respondeu com uma combinação que se assemelhava ao arrulhar de uma pomba e a água correndo sobre pedras. Um terceiro leopardo entrou na conversa com curtos espirros abafados, formando um triângulo com Conner e Isabeau no centro. A vocalização durou menos de meio segundo, mas os sons eram de arrepiar.

Estar ali na noite, enfrentando inimigos invisíveis, cercados por animais selvagens, perigosos era aterrorizante. Sabia que os leopardos eram maiores que qualquer outro gato, que eram mais adaptáveis — mais astutos e corajosos. Eram conhecidos por perseguir pessoas nas aldeias, entrar direto nas casas e pegar suas presas.

Eram secretos e supostamente solitários, então por que estavam lá, pelo menos, três deles? A menos que o fogo os conduziu para o rio, como fez com Conner e Isabeau. Sabia que leopardos eram extremamente perigosos — assim como Conner. Ou talvez ele fosse assim, além de ser homem também. Quem tinha mais inteligência? Mais controle? E talvez não fosse o único leopardo em sua equipe.

Sua boca estava tão seca que temia que não poder engolir, e em algum lugar o tremor começou. Conner voltou para ela dessa sua forma silenciosa e a puxou do chão, a colocando em pé. Dor atravessou seu corpo e seu pulso latejava onde o torceu. Esperou calmamente enquanto ele escovava os insetos de seu corpo trêmulo.

Ela não vivia assim, grandes aventuras. Vivia uma vida de solidão, escondida do mundo em sua preciosa mata, trabalhando com suas plantas. Na maioria das vezes ficava sozinha ou com um guia, e certamente não se envolvia com cartéis de drogas ou homens perigosos — até Conner.

—Vou te tirar disso, — disse ele.

Sua voz era gentil, arrastada — como uma droga para ela, algo assim que uma vez que experimentasse, sempre desejava, como seu toque. Como seu foco, o olhar pentratante de seus olhos. Sua intenção. Tão completamente focado nela. Era emocionante e irritante ao mesmo tempo. Seus dedos roçando contra sua pele trêmula enviando através de seu corpo ondulações de sensibilização até que sua essência virou um líquido aquecido. Rodeada de perigo e morte, estava mais suscetível a ele do que nunca.

—Sei que vai. — Ela manteve sua voz baixa, com medo de se entregar. —Aqueles eram leopardos, não eram?

—Amigos. Avisei que tinha mais dois próximos deles. Rio tem Adan seguro.

—Leopardos que não são leopardos reais, — ela adivinhou.

Ela devia saber que eram amigos de Conner, respondendo sua chamada. Isabeau soltou sua respiração.

Amigos. Eles tinham amigos em meio a esta loucura.

—São como você?

—Como nós, — ele corrigiu e se aproximou para arrumar seu cabelo. —São como nós, Isabeau.

Ela não moveu, absorvendo a sensação de seus dedos em seu cabelo. Ele tinha uma maneira de fazê-la se sentir especial e cuidada — protegida e amada — mas sabia que era uma ilusão. Ela o contratou por essas características — para seduzir outra mulher com esse magnetismo. Agora não estava tão certa que podia vê-lo fazendo.

—Não deveria ter te trazido aqui. — A confissão saiu apesar da sua vontade de não se envolver com ele a respeito do passado.

Sua palma áspera tocou o lado do seu rosto, seu polegar deslizando sedutoramente para a frente e atrás, quase tão hipnotizante quanto sua voz.

—Não, não devia, não se queria ficar segura. Mas é tarde demais para arrependimentos. Já estamos aqui e estamos nesta bagunça de qualquer forma. Não podemos abandonar essas crianças com Imelda Cortez e não podemos fingir que somos indiferentes. Esperava um pouco de ódio, Isabeau, mas isso não é tudo que você sente por mim e espero honestidade entre nós.

Fogo piscou através dela, uma tempestade de calor quando ela se virou para ele.

—Espera honestidade entre nós? Você? — Ela derramava desprezo em sua voz. —Não reconheceria honestidade se te golpeasse na bunda. Não ouse me repreender. Mentiu para mim. Me usou. Me fez acreditar que me amava e que teríamos uma vida juntos. E, em seguida, matou meu pai. Tudo sobre você é uma mentira, uma ilusão. Nem mesmo é real. — Raiva explodia como uma tempestade em seu estômago, a agitando descontroladamente, explodindo em conflagrações ardente que não podia — ou não queria — apagar. Havia uma parte dela que sabia que sua fome sexual era boa parte do que alimentava as chamas da raiva — que a intensidade de sua raiva era o cio do seu gato e sua absoluta necessidade física pelo macho dominante na frente dela, mas parecia tão bom se jogasse a arma no chão e lançasse seu punho fechado no sorriso presunçoso do macho, o arrancando de seu rosto.

Diversão penetrou no âmbar de seus olhos quando ele se afastou, seus dentes piscando para ela.

—Está tentando me bater?

—Vou chutar sua bunda, — ela cuspiu novamente, circulando em torno dele, um silvo lento escapando de sua garganta. Seu riso apenas aumentou as chamas do seu fogo.

—Hafelina. — Sua voz ardia com o sexo e seu corpo traiçoeiro reagiu com um espasmo de necessidade.

—O que isso significa? — ela exigiu e deu um pontapé em sua coxa.

Ele afastou seu pé longe dele.

—Gatinha. E está se comportando como uma agora. Não quero machucar você, Isabeau, assim pare esse absurdo.

—Pensa que é o único com formação?

Agora era uma questão de orgulho que ela o atingisse. Apenas uma vez.

Atacou duramente, uma série de chutes rápidos. Ele bloqueou cada um com um tapa quase casual de sua mão. Os tapas arderam, mas realmente não doeram.

Ela não tirava os olhos dele, uma fúria sexual se manifestando em raiva violenta.

—Sabe o que um gato faz quando está no cio e seu macho a está circulando? — Sua voz baixou uma oitava. Ronronou para ela. Acariciou sua pele sensível e nervos nus, ardentes. Calor líquido queimava por ela. Seus seios doíam. Sua pele parecia muito apertada, necessidade e fome que não podia controlar se misturando.

—Não estou no cio, — ela assobiou e golpeou novamente, desta vez com as mãos, jogando uma esquerda, direita e, em seguida, um gancho.

Ele bloqueou todos os movimentos com a palma da mão aberta, um tapa tão casual que era tão enlouquecedor como a fome crua e nervosa que a fazia ter necessidade de atacá-lo.

—Claro que está. — Sua voz baixou e seus olhos correram possessivos sobre seu corpo. —Está quente como o inferno. Seu perfume está me deixando louco.

Ela corou, ficando quase carmesim e se apressou para ele novamente. Ele evitou e a pegou, a girando ao redor até que suas costas estavam contra ele, seus braços caídos ao seu lado, prendendo-a apertada contra seu corpo. Seu perfume era potente, selvagem, sexy. Cada respiração irregular queimava através de seus pulmões. Adrenalina quente e líquida corria através de suas veias.

Ela assobiou novamente. Ele baixou a cabeça, a segurando num aperto inquebrável, sua força enorme. Ele rodou a parte lateral do pescoço, numa exibição lenta, lânguida de propriedade, enviando arrepios através de seu corpo inteiro. Línguas de fogo lambiam sobre sua pele. Seus dentes rasparam ao longo de seu pescoço abaixo por sua garganta e então seus lábios pressionaram contra sua orelha.

—O leopardo fêmea recusa sempre seu companheiro, dando um show de garras, assobios e cuspindo como a gatinha que é. Ao mesmo tempo é sedutora, levando seu companheiro a um frenesi de fome, mesmo que ela o afaste. Seu corpo chama o dele. Como o seu faz comigo. Sabe por quê, Hafelina?

Ela ficou imóvel, percebendo o perigo. Perigo absoluto. Seus dentes deslizaram abaixo por sua garganta, esfregando em seu ombro. —Porque você pertence a mim.

Seus dentes afundaram profundamente na parte detrás do seu pescoço, a dor e o prazer queimando em seu coração, chiando através de suas veias e queimando seu núcleo mais feminino. Seu ventre sacudiu e apertou. Calor úmido se reuniu entre suas pernas.

Não conseguia parar de se esfregar contra ele, quase desesperada por socorro. Um joelho surgiu entre suas pernas, fazendo seu calor aumentar.

Sentiu uma explosão de faíscas atrás de seus olhos. Sua respiração travou em sua garganta e cada músculo em seu corpo apertou. Quase chorou com o prazer atingindo seu corpo.

Era humilhante, mas não conseguia evitar a forma como se movia contra ele, frenética agora, cada terminação nervosa crua. Ele rosnou um aviso macio enquanto ela lutava. Sua boca se movia em seu pescoço, sua língua rodando sobre a mordida pungente, enviando ondas de escaldante calor através de seu sistema sobrecarregado.

—Sou seu companheiro, Isabeau. Agora. Sempre. Não há mais nada. Pertence a mim e eu pertenço a você. Não tem que gostar disso, mas não pode negar. Seu corpo sabe disso. Seu gato sabe. Lute contra mim tudo que quiser, mas sabe muito bem.

Ela odiava o conhecimento em seus olhos quando olhou por cima do ombro, em seu olhar de pálpebras pesadas. Ele parecia tão sensual. Tão masculino. Tão intenso.

Ele olhou para ela como se soubesse que ninguém nunca iria satisfazê-la. Ninguém mais poderia abraçá-la e ainda assim, tão hipnotizado, sua coxa esfregando nela, enviando ondas de necessidade pulsante através dela. Seu domínio era possessivo. Ele esfregou o rosto sobre sua garganta, seu ombro, seu cabelo, quase como se estivesse deixando seu perfume sobre ela toda.

A reinvindicando. Avisando todos os outros machos.

Músculos apertaram em seu estômago, a excitação esmiuçou suas coxas e seios, sua respiração ficou irregular.

Um soluço escapou. Seu corpo estava cheio e pesado, pressionando firmemente com demanda urgente contra suas costas. Seu perfume enchia seus pulmões. Ele estava em toda parte e sua pele parecia muito apertada, a roupa machucando.

Mantendo seus braços presos com um braço envolvido firmemente em torno dela, seu punho pegou seu cabelo e arrastou sua cabeça atrás. Ela olhou em seus olhos dourados, escuros agora com calor. Com fome intensa.

Tanta posse. Ela viu sua boca baixando na direção da dela e deveria se mover — deveria lutar, — mas sua respiração deixou seus pulmões com pressa e ela se perdeu na sua própria necessidade. Sua boca era dura e exigente, a paixão no comando, tomando, marcando, e ela provou a luxúria, provou o pecado e sexo. Ela o provou.

Ela esqueceu esse sabor viciante. Sua boca abriu para ele e ela cedeu à sua necessidade, se alimentando lá, o sentindo tomá-la, quando tudo que estava fazendo era beijá-la, mais e mais, seus lábios ásperos, sua boca quente, sua língua acariciando num fogo que ameaçava consumi-la. Ouviu seu próprio gemido estrangulado, um som de intensa necessidade escapar antes que pudesse pensar em impedi-lo.

Já não podia pensar claramente, seu cérebro enevoado, seu crânio muito apertado, o ritmo latejante da fome como uma britadeira em sua cabeça. Os seios dela doíam, os mamilos estavam duros contra o material fino de seu sutiã. Ela não conseguia parar de se esfregar contra ele, precisando da dura pressão da sua coxa para aliviar a dor terrível que não parava, mesmo sabendo que não seria suficiente até que ele a enchesse completamente. Sua boca se moveu em seu ombro — uma marca ardente e ele sussurrou baixo e sexy no seu ouvido.

—Pare de lutar, Sestrilla, e deixe que isso aconteça.

Sua voz gostosa, um sussurro de veludo e pecado provocou o orgasmo encharcado que piscou através de seu corpo como uma tempestade. Ela se contorcia de vergonha absoluta, enquanto seu coração batia muito forte em seu peito e as ondas de calor ondulavam e pulsavam através dela.

Ele sabia. Sabia o que fez com ela, podia ouvir o barulho satisfeito no estrondo em seu peito, o ronronar emanando de sua garganta.

Lágrimas queimavam atrás de seus olhos. Odiava sua falta de controle, a necessidade bruta que a atormentava na sua presença. Ele deveria ser a última pessoa cujo toque precisasse, mas aqui estava, algumas horas em sua companhia, permitindo seu toque — desejando seu toque.

Como livraria sua alma dele? Retomaria seu coração? Impediria a resposta do seu corpo? Ele a deixou vazia. Quebrada. Era uma obsessão terrível, que não conseguira entender, não importa o quão duro lutasse. Não tinha ideia de como parar a fome mortal, cada vez que olhava para ele. Apenas sua voz a provocava. Foi capturada em sua armadilha, na ilusão que ele teceu e não conseguia se libertar.

Ele a deixaria novamente. Veio para a floresta tropical para seduzir uma mulher. Ela o trouxe para a floresta para seduzir outra mulher. E aceitou o trabalho até que soube que ela era o cliente.

O que estava errado com ela? Onde diabos estava seu gato agora? O animal traiçoeiro vinha perto da superfície, revelava seu cio, sua fome e, em seguida, desertava quando Isabeau precisava mais de sua força e garras. Se sentia flácida.

Despedaçada. Humilhada. Não era páreo para um homem como Conner Vega. Nem sequer estava no mesmo nível.

—Vamos. — Sua voz tremeu, mas disse as palavras. Seu corpo estremeceu pelo prazer ilícito, mesmo quando começou a esfriar rápido após a terrível necessidade ardente que a assolou. Estava esgotada, saciada e confusa.

—Olhe para mim, Isabeau.

O som de sua voz a fez fechar os olhos como uma criança tentando bloquear o fantasma que sempre a assombrou. —Apenas deixar para lá. — Porque se não o fizesse, ia explodir em lágrimas e alto o suficiente para qualquer inimigo na proximidade vir correndo.

—Relaxe. Não estamos fora da floresta ainda, mel. Não posso ter você lutando comigo, quando estamos no meio do território inimigo. Apenas se acalme para mim.

—Estou perfeitamente calma. — Despedaçada. Quebrada. Mas calma.

 

—Tudo vai dar certo, Isabeau.

Um sussurro do diabo. Essa voz pecaminosa, sexy, mentirosa. Ela sucumbiu ao seu poder da primeira vez que foi testada. Nesse momento, desprezava o gato dentro dela quase tanto quanto odiava a própria humana. Isabeau forçou seu corpo a relaxar, mostrando que a luta a abandonou.

Conner afrouxou seu aperto sobre ela relutantemente, como se não confiasse muito em sua rendição. Ela olhou para seu rosto e se viu como uma sombra no reflexo dos seus olhos. Se sentia como uma sombra, não substancial ao lado de seu poder. Baixou a cabeça, incapaz de enfrentar até mesmo essa sombra de si mesma. Nunca queria olhar no espelho novamente.

—Sou seu companheiro, Isabeau. Não há vergonha entre companheiros.

Ela levantou seu queixo e se afastou dele, seus joelhos moles, seu coração ainda trovejante.

—Você não é nada para mim. E tudo que está acontecendo com meu corpo, não tem nada a ver com você. Qualquer homem me satisfaria.

Ela percebeu seu erro ao olhar para ele. O âmbar em seus olhos cristalizou, tornou-se ouro e, em seguida, amarelo. Manchas verdes mescladas, suas pupilas totalmente dilatadas e seu olhar focado e mortal. Se aproximou dela, invadindo seu espaço. Se havia raiva, fervia abaixo da superfície. Seu rosto estava duro, a boca firme. Um músculo apertou em sua mandíbula, mas seu olhar manteve-se estável, um aviso claro.

—Diga tudo que precisa para manter seu orgulho, Isabeau. Palavras não importam muito. Mas pense muito bem antes de pôr em perigo a vida de alguém. É com você. Acasalamento é uma lei maior e não há como fugir disso. Não pode fingir se afastar. Isso é entre nós, ninguém mais. Nós vamos resolver.

Ela piscou rapidamente para conter as lágrimas ardentes.

Porra. Ele a destruiu. Não podia saber como profundamente seu golpe a atingiu. Ela não era do tipo de garota que os meninos ficavam em volta quando estava crescendo. Não existiam encontros ou danças na escola. Meninos se apressavam para suas amigas, mas nunca para ela. Mesmo na faculdade. Ela nunca descobriu por que os outros a evitavam. Tentou aprender a arte de flertar, de conversar. Fez questão de ser amigável, mas sempre foi empurrada de lado e aceitou finalmente que não era atraente ao sexo oposto e as mulheres a achavam muito intimidativa para serem suas amigas.

Conner chegou e a fez sentir-se bonita. A fez se sentir querida. Naturalmente, seu nome não era Conner e ele mentiu sobre seus sentimentos por ela. E deveria saber. Homens como Conner, perigoso, magnético, encantador e sexy, simplesmente não olhava para mulheres como Isabeau. Ele fez amor com ela repetidamente e todo o tempo estava fazendo seu trabalho. Alguém o pagou para seduzi-la para chegar perto de seu pai.

A vergonha foi avassaladora. Ela se sentiu como uma tola. Por acreditar, depois de todos aqueles anos sabendo que os homens não a achavam atraente, que um homem como ele se apaixonaria por ela era ridículo. Se sentiu quase como se merecesse o que aconteceu com ela por sua própria estupidez.

—Você matou meu pai. — Ela jogou a acusação, tão confusa que não conseguia respirar adequadamente. Sua respiração vinha em suspiros enraivecidos e duros, seus pulmões queimando, como se tivesse fome pelo ar. Ele parecia tão calmo. Assim, no controle. Queria dar um tapa no rosto dele novamente.

—Não tive nada a ver com a morte do seu pai. Foi escolha dele e sabe muito bem disso. Eu disse antes, tenho bastante pecados na minha alma, Isabeau, sem você adicionando coisas que não sou responsável. — Ele se elevou sobre ela por um longo momento, sua expressão sombria, seus olhos mortais e, em seguida, puxou um fôlego e tocou seu cabelo com dedos delicados. —Sei que é difícil ficar comigo, mas está indo muito bem.

—Chama isto de bem? Estou um naufrágio. Toda confusa. — Ela admitiu. Porque seu orgulho já estava muito longe. Ele podia cheirar sua excitação, atraindo seu corpo para ele. Não havia nenhum segredo entre leopardos. —Não posso sequer pensar em linha reta. — Ela empurrou uma mão trêmula através de seu cabelo — os fios que ele acabava de acariciar. Ela não podia negar a coisa do acasalamento, não realmente, não quando seu corpo estava louco pelo dele, mas ainda era humana e tinha um cérebro. Tinha que encontrar controle. —Talvez tudo que está dizendo sobre leopardos e companheiros seja verdade, mas me recuso a permitir que me domine.

—Você tem muito mais poder do que percebe, Isabeau, mas ele virá para você, — garantiu. Ela odiava a gentileza em sua voz — a carícia — essa nota "sexy" que raspava seus nervos já fragilizados. Agora que sabia que era a prática, uma ferramenta do seu comércio, achava que não seria suscetível, mas parecia que seu corpo acreditava nele, apesar de seu cérebro.

—Vou te ensinar coisas que precisa saber para viver com seu gato. Descobrirá que já tem a força e poder para lidar com ela. Ela não vai aceitar qualquer outro macho e vai conduzi-la na minha direção, mas já sabe disso.

—Ela não vai alcançar seu objetivo.

—Olhe para mim.

O comando silencioso de sua voz era impossível de resistir. Se encontrou olhando nos olhos de seu gato e era emocionante e aterrador ao mesmo tempo. Seus olhos estavam tão amarelos que estavam dourados e letais, o olhar mortal do gato, inteiramente focado e possessivo.

—Não é diferente para mim. Nenhuma outra mulher seria aceita pelo meu gato. Quando me bateu, deixou sua marca na minha pele, nos meus ossos. Seu gato me alegou, soubesse ou não o que estava fazendo. Não consigo dormir. Quase não posso trabalhar. Estou nervoso e mal-humorado e a ponto de uma luta a cada momento do dia. Essa é a realidade, Isabeau. Tenho que aceitar, como você.

Ele estava dizendo a verdade. Viu em seus olhos. Ouviu em sua voz. Ela não devia sentir satisfação, mas estava lá, tão mesquinha como fosse.

Mais uma coisa para odiar sobre si mesma, mas se passasse sua vida desejando um homem que nunca poderia ter, porra podia bem acontecer com ele também. Ela deixou sua respiração sair e um pouco da tensão aliviou de seus músculos tensos.

—Não sabia. Sobre a marca. Não sabia.

—Eu sei. Seu gato sabia. Estava com raiva e tinha todo o direito de estar. Vamos dar uma trégua até levarmos as crianças seguras para casa. Vamos resolver isso mais tarde.

—Ainda vai nos ajudar, então?

—Sim. — Conner falou laconicamente, consciente que nunca conseguiria se afastar dela. Ela ainda não sabia quão forte seria a atração entre seus gatos. Ele sabia quão forte era a atração entre o homem e a mulher, mas ela tinha todo o direito de rejeitá-lo. Tinha que encontrar uma maneira de se redimir e se isso significava que devia seduzir outra mulher, tão repugnante como fosse para ele — e para seu gato —faria tudo que fosse necessário para convencê-la que era sério sobre se redimir.

Apenas palavras não iam convencê-la, apenas uma ação.

E ação era algo que ele era bom.

—Pode me ensinar mais coisas como subir em árvores?

Ele assentiu.

—Aprendeu artes marciais e não é má, mas não está utilizando seus reflexos. Precisa ser mais confiante. Podemos trabalhar sobre isso também. — Ele piscou um sorriso fraco. —Obviamente não estou certo de querer que aprenda a ser uma lutadora melhor. Tem propensão a usar suas habilidades em mim.

Ela conseguiu um leve sorriso, seu estômago balançando.

—Gostei de ficar nas copas, — ela admitiu, esforçando-se pela civilidade. Ela o atraiu para ela e agora era um caso de "tome cuidado com o que deseja". Ela deveria viver com sua decisão como aparentemente ele fazia. Descobrir que não estava sozinha em sua necessidade que arranhava desesperada, tornava muito mais fácil lidar com ele.

—Eu também. — Ele se afastou dela e recolheu as armas do homem caído juntamente com a arma que ela deixou no chão. —Vamos nos encontrar com os outros e fazer nossos planos. Temos muito a fazer antes da festa, se vamos continuar nisso. E temos que encontrar uma maneira de salvaguardar o neto de Adan.

Alívio inundou seu corpo.

—Acha que há uma forma? Ou acha que ela já o matou?

—Não faria sentido ela matá-lo, até que descarte Adan. Ela gostaria de marcar um ponto, mas se Adan ceder, por algum milagre, seria uma grande vitória para ela. Ele é o antigo mais respeitado que as tribos têm. Se ele ceder, os outros também o farão.

—Então enviou estes homens atrás dele sabendo que podiam falhar?

—Este é seu território. Ele está em casa na floresta; esses homens não. Ela tem dois leopardos renegados em sua folha de pagamento. Os teria enviado se quisesse se assegurar que Adan morresse. Ele treina forças especiais de todo o mundo em sobrevivência. Ela sabia que ele podia sobreviver e está esperando que se ele o fez, entenda a mensagem que está disposta a jogar duro com ele.

—Ele não vai abrir suas rotas para ela. Está muito convicto sobre o assunto.

—Imagino que sim, — Conner concordou. —Ela assassinou seu povo, os obrigando à servitude. Ele é um homem orgulhoso que conseguiu trazer seu povo para este século, mas ainda mantêm sua cultura intacta. Vai lutar com cada respiração em seu corpo.

—Então como?

—Apenas precisamos que ele nos consiga algum tempo. Ela não sabe qualquer coisa sobre a tribo, ou do cuidado com que Adan prepara as cerimônias que tem que ser feitas antes dele sair e isso nos dará um par dias. Ela vai ficar exultante, achando que agora que dobrou a vontade do mais velho e mais influente da tribo, todo mundo vai cooperar com seus planos. Uma vez que ele esteja na floresta, ela terá que enviar seus renegados para vê-lo. Não vai ter nenhuma escolha. Nenhum de seus outros homens teria uma chance de chegar até ele e ela precisará saber que está cumprindo suas ordens.

Isabeau ficou horrorizada.

—Conner, ele não vai entregar a droga e vão matá-lo.

—Adan não morre tão fácil. E queremos os renegados na trilha dele. Precisamos deles fora do complexo.

—Mortos. Quer dizer que quer os renegados mortos. — Seus olhos encontravam os dele constantemente.

—O que acha que íamos fazer? Sorrir e pedir por favor? Me chamou porque sou um bastardo. O maior bastardo que conhece. É isso que precisa para ter essas crianças de volta e ter a certeza que não aconteça novamente. Ela vai arrasar as aldeias depois se deixarmos viva. Me queria aqui porque sou o único que sabe que pode recuperá-los. Sabia exatamente o que ia receber, portanto, não aja como se estivesse chocada. Quem nos contrata, sabe o que tem que ser feito, simplesmente não têm coragem de fazê-lo eles mesmos.

Ela ignorou a amargura e vislumbre de dor na sua voz normalmente inexpressiva.

—Tenho coragem. Adan disse que não. E para sua informação, não estava julgando você.

Sua sobrancelha disparou.

—Me acusou de matar seu pai. Fiquei lá como um maldito idiota e quase levei um tiro por você.

—Do que está falando?

Ele estudou seu rosto pálido por um longo momento. Seus olhos se alterando novamente para ouro escuro.

—Não importa, Isabeau. Temos uma trégua. Vamos apenas manter isso.

Ela olhou de sobrancelhas franzidas para ele, sua expressão verdadeiramente perplexa.

—Não entendo o que quis dizer. Eu vi você.

—Viu seu pai colocar uma arma na minha cabeça. Ele quase explodiu meu cérebro.

—Você o prendeu. O que ele deveria fazer?

—Estava desarmado. Tentei falar em se render, em ir comigo e deixar a equipe derrubar seu chefe, mas ele não me ouviu. — Ele se assegurou que ela olhasse nos seus olhos.

Não ia querer acreditar nele, mas o gato sabia que estava dizendo a verdade. O gato estava se tornando forte o suficiente para emergir, e quanto mais ela ficava à superfície, mais ela melhoraria as habilidades de Isabeau. Ela saberia se ele mentia ou se dizia a verdade.

Isabeau se recusou a ser uma covarde, olhando diretamente nos seus olhos e se forçando a lembrar do momento aterrador quando entrou na sala e viu seu pai caindo, sangue se projetando na parede atrás dele. Havia tanto sangue. No início não sabia o que aconteceu. Não havia nenhum som, um silenciador na arma usada. Ela abriu a boca para gritar, e seu amante estava com ela tão rápido que não pode sequer vê-lo mover sua mão duro sobre sua boca, a levando ao chão, seus olhos frios e duros e tão demoníacos que ficou aterrorizada.

Ela permaneceu sob seu corpo, observando o sangue preto e grosso em torno de seu pai, e o homem que amou com sua alma, agora um estranho que claramente trabalhava com o homem que baleou seu pai. Engraçado, mal poderia recordar o outro homem, só a arma e o pai dela caindo e o rosto de Conner, esculpido em pedra, triste, sem um traço de amor ou carinho. Sem um traço de remorso. Ele ficou com ela lá enquanto outros se moviam com armas, sua mão presa, assim mal podia puxar uma respiração. Ela os viu, tristes e silenciosos, armas cruzando seus corpos, se movendo através do quarto, pisando sobre seu pai, como se fosse um pedaço de lixo e não um homem que riu e brincou com ela, a ensinou a dirigir, sentou com ela durante a noite com ela quando estava doente.

Isabeau engoliu e olhou para longe dele. Agora estava totalmente escuro, mas podia ver quando deveria estar cega. Não quisesse ver. Talvez ficar cega na escuridão fosse a melhor maneira de auto-preservação, que Deus a ajudasse se chegasse a um acordo com o que Conner fez.

—Nós temos que ir, — disse Conner.

Ela acenou, deixando sua respiração sair em alívio. Não podia pensar naquela noite. Gastou muitas horas investigando os assuntos de seu pai, sentindo como se o estivesse traindo. Passou muitas noites sem dormir, teve muitos pesadelos.

—Coloque seus sapatos, não pode andar com os pés descalços.

Ela se abaixou sem discutir e puxou seus sapatos, observando como ele fazia o mesmo. Sabia pela forma como inclinava sua cabeça que estava ouvindo algo. Ela pegou as vibrações de som, quase como um eco, mas não conseguiu entender.

—Eles estão perto? — Instintivamente baixou sua voz.

—Alguém está vindo para cá. Não é um dos nossos.

—Como pode saber?

—Estão muito altos. E posso sentir o cheiro de seu suor. Não é o perfume de um leopardo ou de Adan. Vamos ficar bem. Está sozinho e está sendo perseguido.

—Por que não posso cheirá-lo?

—Seu gato recuou. Mulheres se aproximam mais e mais de seu leopardo emergente, mas isso vem e vai, muitas vezes primeiro. Ninguém sabe porquê. Talvez ela esteja tão nervosa como você está. Meu gato se acalmou, o que significa que o seu se afastou.

Ela balançou a cabeça.

—É difícil acreditar. Se não tivesse visto ou sentido, acharia que estamos ambos loucos.

Seus olhos ficaram suaves. Líquidos. "Sexy". Sua respiração saiu. Não podia colocar a culpa de sua reação em seu gato quando seu gato estava longe. Isso era a mulher, pura e simples, tão atraída pelo homem que estava úmida apenas de olhar para ele.

—Sei que isto é muito para você entender tudo ao mesmo tempo, Isabeau, mas ficará mais fácil. E não fugiu gritando mesmo com toda a morte que viu hoje e as revelações sobre quem e o que é.

Havia orgulho na sua voz — até mesmo respeito. Que era seu talento. Podia fazê-la se sentir especial. Mais que especial, extraordinária. A admiração em sua voz acariciava como dedos sobre a pele. Como fazia isso? Sua voz era tão convincente. Tão real. Não havia como dessensibilizar sua pele depois que a tocou com seus dedos, ou depois de ouvir sua voz. Era impossível, pelo menos para ela. Seus nervos estavam brutos — pequenas faíscas elétricas arqueando sobre seus seios e abaixo de seu estômago.

Ela não tinha experiência suficiente ou era sofisticada o suficiente para ser casual com ele. Tudo que fazia e a forma como falava a afetava fisicamente e emocionalmente. Ele estava tão além do seu nível que não conhecia uma prece para esconder nada dele, então encolheu seus ombros e amarrou seus sapatos.

—Não sou frágil, Conner. Sabia no que estava me metendo, ou pelo menos, o que custaria trazer de volta as crianças.

Um grito horripilante encheu a noite. Calafrios fuiram abaixo de sua espinha e ela girou na direção do som. O grito angustiante foi cortado no meio.

Isabeau estava tremendo, percebendo que mais uma vez, Conner inseriu seu corpo entre ela e tudo que fez aquele som horrível. Sempre a protegia, até mesmo na cabana quando pensou que ela podia querê-lo morto. Mesmo quando seu pai foi morto. Não sentiu como proteção então — ele a impediu de gritar — mas seu corpo a protegeu durante o tiroteio terrível.

Ela não queria perceber isso sobre Conner, como a protegia, porque essa pequena vozinha em sua cabeça começaria a sonhar, sussurrando que era importante para ele. Ele era um mestre manipulador, e ela o pagou para vir. Ele não a procurou por conta própria. Ele não caiu de joelhos e pediu perdão. Mesmo quando ele disse que seu gato não aceitaria qualquer outra pessoa, foi prosaico e sem entusiasmo.

Ele contornou o corpo do homem que matou antes, a levando na escuridão, se adiantando em silêncio. Ela não podia sequer ouvi-lo respirar, mas sentia sua presença — muito sólida — próxima dela. Ela se sentia como sua sombra, presa, mas ao mesmo tempo não, e o pensamento a fez sorrir.

Tudo na sua vida estava tão mexido, tão de cabeça para baixo, mas estava mais viva do que esteve em um ano.

Ela passou boa parte de seu tempo na floresta, e aprendeu a respeitá-la realmente. Tinha que ter cuidado o tempo todo, muito parecido com mergulhadores num oceano. Seu belo cenário podia girar sobre ela num momento, ainda estar com Conner tinha a vantagem de eliminar essa aresta de medo. Acreditava que nada podia acontecer com ela, enquanto estivesse perto dele. Ele exudava confiança absoluta, e a transferia para ela.

Era possível aprender a ser como ele? Podia aprender suas habilidades? Ter seu poder e força?

Ela queria que fosse verdade. Adorou trepar na árvore e abrir caminho através da copa. Se sentiu nas nuvens apesar do fogo e de fugir dos animais selvagens. Sentiu a pulsação da floresta tropical através de seu gato, a alegria e a liberdade de estar tão perto da natureza.

—Por que eles não tem medo de nós? Os animais. Não cheiramos como predadores para eles? Posso cheirar seu gato quando está perto de mim e você pode sentir o cheiro do meu.

—Nosso povo sempre foi guardião da floresta. Ao longo dos anos, é claro, nosso povo se casou com humanos e foi para as cidades, mas o instinto de proteger está em todos nós e os animais respondem a isso.

Ele chegou a voltar e pegou sua mão, dobrando os dedos em seu bolso traseiro.

—Fique perto de mim. Estamos chegando ao rio. Eles têm uma emboscada pronta.

Seu coração saltou no momento que seus dedos roçaram os dela. Foi pior explorar seu bolso do jeans. O calor de sua pele parecia estar ao redor dela, a envolvendo, a colocando num casulo de calor.

Ela realmente podia senti-lo se movendo, a ondulação de seus músculos, os passos fluidos, mais animal que homem. Ela tentou sentir seu gato, emular o fluxo do seu corpo, mas ela parecia um pouco fora de sincronia, ocasionalmente tropeçando na terra desigual.

Ela sempre teve boa visão noturna, mas sua visão não era como antes, quando seu gato estava próximo. Sabia a diferença agora, tal como sabia que era bastante experiente na floresta, não como Adan, mas era excelente com seu gato próximo.

—É uma sensação boa, não é mesmo?

Sua voz era um fio de som, projetada — quase — em sua mente, em vez de ouvir. Ela sentiu as vibrações passando por seu cérebro como uma onda de calor. Ela apertou os dedos ao redor da borda do seu bolso, uma reação involuntária e instantaneamente ele parou e meio se virou para ela, girando sua cabeça perto, sua palma cobrindo o lado do rosto, o polegar roçando um reconfortante traçado ao longo de sua bochecha.

—Não está com medo, não é? Não vou deixar que nada aconteça com você, Isabeau. Sei que não tem nenhuma razão para confiar em mim, mas dou minha palavra que vou proteger você com minha vida. Não precisa ter medo. Temos amigos próximos. Se for muito difícil aqui na terra, posso levá-lo de volta às copas e pode esperar enquanto os ajudo a limpar o caminho até a segurança.

Ela balançou a cabeça.

—Quero ficar com você. Não tenho medo.

—Está tremendo.

Estava? Não tinha notado. Não era porque estava com medo dos homens enviados para matá-los — ou melhor — para matar Adan. Excitação. Antecipação. Mesmo por estar próxima de Conner novamente.

—Apenas nervos, — ela disse, simplificando sem mentir. —Não quero ter que matar ninguém. Acho que poderia se estivesse defendendo alguém, mas tenho medo de hesitar e conseguir matar todos.

Havia uma parte dela que queria o empurrar longe e dizer que parasse de tocá-la, mas sua outra parte, a mais masoquista ansiava cada toque de seus dedos, cada olhar intenso e atraente de seu olhar arrasador.

—Não quero que tenha que fazer as coisas que faço, Isabeau. Não é necessário. Vou te ensinar tudo que precisa saber para se defender e a qualquer pessoa que ame, mas quando o assunto se resume a isso, você perde uma pequena parte de si mesma cada vez que mata. Não é tão ruim na forma de leopardo. Nossos gatos são predadores puros e isso ajuda, razão pela qual muitos de nós escolhem essa forma quando caçam. — Ele indicou a noite.

Ela ouviu. No início só ouviu a batida de seu próprio coração. O som do ar que se deslocava dentro e fora de seus pulmões. Estava bem consciente de Conner tão perto do calor do seu corpo, a aquecendo, seu corpo grande protegendo-a. À sua direita ouviu o roçar macio de pele contra algo áspero — um tronco de árvore, adivinhou. Ela inalou e cheirou algo selvagem. Sua pele formigou quando reconheceu o cheiro de um leopardo.

Conner chegou mais perto para ela, seu braço deslizando em torno dela para puxá-la apertado contra ele. Seus lábios pressionaram contra sua orelha.

—Está caçando algo próximo a nós. O alcance pela informação. Mesmo sem seu gato próximo, pode usar seus sentidos. Tem um tipo de radar. Devia saber o que estava à sua porta, por vezes, antes que a abrisse.

Ela assentiu.

—Os bigodes de um gato são incorporados profundamente no tecido e as terminações nervosas transmitem informações ao cérebro. Pode usar essas informações como um sistema de orientação, tipo como sentir seu caminho no escuro. Pode ler objetos, onde tudo e todos estão na floresta, como está perto dele e o que é. — Sua mão deslizou em seu rosto. —Como Braille. Agora, Elijah sabe exatamente onde sua presa está, sua posição e onde precisa golpear para dar uma mordida mortal.

Conner não podia resistir a tocá-la. Os gatos eram táteis e precisava não só manter as mãos sobre ela, mas esfregar seu perfume sobre ela. Ela esfregou o rosto ao longo de seu peito e garganta, sem mesmo perceber que estava fazendo isso. Ele lembrou de quantas vezes fez isso quando estavam juntos, pele com pele nua. Devia ter percebido então. Aroma e toque eram tremendamente importantes para sua espécie — uma coisa necessária.

Isabeau o ensinou a tocar. Com ela, parecia diferente — muito mais. Muitas vezes, quando se enrolava na cama, o gato cochilando depois de um longa e satisfatório encontro sexual, ela o perseguia e atacava, assim acabavam num jogo de estica-e-puxa que os levava de volta a um jogo muito mais sensual.

Ele sentiu falta de tudo sobre ela, especialmente a forma como esfregava seu perfume sobre ele todo, como agora.

Sentir seu corpo macio pressionando perto do seu, a fragrância feminina subindo em torno dele, o envolvendo acima dela, fazia sua inalação a levar para seus pulmões. Queria abraçá-la para sempre, enterrar seu rosto no ponto doce entre seu pescoço e ombros e apenas respirar até que soubesse que ela era real novamente.

Ele ficou tenso quando Elijah atacou, apenas a escassos 10 metros deles, pulando sobre o pistoleiro, o arrastando para o chão e segurando sua presa com uma mordida sufocante na garganta até que a luta cessou. Ouviu o baque suave do corpo, com cheiro de sangue e, em seguida, de morte. Ao mesmo tempo, manteve seus braços em torno de Isabeau, grato por ter uma razão para estar perto dela.

Soube o exato momento que ela cheirou a morte.

Seu corpo tremeu ligeiramente e ela se aconchegou um pouco mais nele, mas estava orgulhoso dela.

Ela ficou. Lá na escuridão, com os inimigos na noite e a violência e morte, ela ficou.

Era o tipo de mãe que queria para seus filhos. Uma companheira que ficaria com ele não importavam as circunstâncias.

Como diabos foi tão cego? Como podia ter estragado sua chance com ela? A tinha mais que decepcionado. Sua primeira experiência, seu primeiro amor, e ele a traiu, a deixou sem nada, apenas um pai morto e muitas perguntas. Ela ainda não sabia seu verdadeiro nome. Como conseguir perdão para esse tipo de traição?

Algo se moveu à sua esquerda na frente deles. Folhas crepitaram. Sentiu a quietude súbita de Elijah. Sua mão deslizou sobre a boca de Isabeau, um lembrete suave para ficar quieta. Ela olhou para ele e sua respiração travou em sua garganta. Não havia nenhum medo lá. Seus olhos eram bonitos, como duas joias pressionadas no luar pálido. Levou um dedo aos lábios e indicou que ficasse onde estava. Ela acenou com a cabeça em entendimento, mas quando ele lentamente afrouxou seu aperto para se afastar, ela pegou seu braço.

Ele se inclinou para ela, pressionando seus lábios na sua orelha.

Vou voltar. Não se mexa. Nem um músculo.

Não gostava de sair de perto dela, mas o inimigo estava muito perto e Elijah não podia chegar até ele antes que o homem pudesse descobri-los. Seu adversário se aproximava, a pisada de suas botas alta no meio da noite. Conner deixou seus lábios deslizarem sobre sua orelha e em seu cabelo, a saboreando por apenas um momento antes de se afastar para interceptá-lo. Não olhou atrás, mas ouviu. Não havia nenhum sussurro de roupa, nenhum som para indicar que ela se moveu, mas devia estar um pouco receosa por ser deixada na profunda floresta com um leopardo perto e homens armados caçando qualquer humano.

Orgulho o encheu quando se aproximou do inimigo. Penetrou perto o suficiente para alcançar e tocar o homem. Vestido com roupas de combate, estava abaixado, seu rifle automático embalado em suas mãos, o rosto do homem sombrio e metódico.

Conner pegou o cheiro do medo quando a cabeça girou atrás.

—Jeff, — ele assobiou. —É Bart. Responda.

Conner podia dizer que um leopardo matou Jeff a poucos metros de distância, mas não havia nenhum ponto. Em vez disso, saiu do mato mais pesado para o aberto, diretamente atrás de Bart. Quando o alcançou, ouviu um movimento suave perto de Isabeau.

Ela engasgou, o som audível no meio da noite. Bart girou na direção desse ruído ligeiro. Seus olhos se arregalaram quando viu a sombra escura a polegadas dele. Sua boca não abriu, nenhum som emergiu quando puxou a arma, dedo no gatilho, disparando mesmo enquanto tentava alinhar a arma no peito de Conner. O cano brilhou branco-azulado.

Atrás e próximo de Conner, casca e folhas voaram para o ar.

Isabeau gritou, um grito sufocado de dor, e ele cheirou sangue. Seu gato enlouqueceu, rosnando furioso enquanto pegava o soldado de Imelda pela garganta, as garras explodindo através de seus dedos. Os gritos do homem foram cortados abruptamente para um pequeno gorgolejar. Conner o jogou de lado e girou de volta, se apressando através do mato espesso até Isabeau.

Ele parou pouco antes sair do mato para o aberto. O cheiro de um leopardo macho misturado com homem era pesado e se misturava ao sangue — sangue de Isabeau. Ela estava respirando.

Podia ouvi-la, o ar se apressando dentro e fora de seus pulmões, irregular e áspero. Sentiu sua dor, sabia que estava ferida e seu gato ficou mais frenético. O cheiro do outro macho inflamava o leopardo ainda mais, o fazendo arranhar próximo à superfície, exigindo ser solto.

Conner se obrigou a pensar, não reagir. Podia ver o estranho, os olhos brilhando vermelho como um gato na escuridão. A mão em sua garganta não era humana, as garras cravadas na pele. Usava Isabeau na frente dele como um escudo, sua atenção sobre o mato à sua direita. Ríspido, mostrando um bocado dos dentes, ele rosnou um aviso na direção de algo que Conner não podia ver no mato.

Elijah. O leopardo agachado, à espera de sua oportunidade. Gatos tinham paciência, especialmente leopardos. Podiam esperar horas se precisassem e bem agora estavam num impasse. Isabeau não olhou na direção de Elijah, ou até mesmo de volta ao seu agressor. Manteve seu olhar sobre o mato onde Conner respirava para afastar seu medo. Ela sabia que ele estava lá. E sabia que viria por ela.

Não havia nenhum pânico nos seus olhos.

Sangue pingava firmemente abaixo de seu braço esquerdo, onde uma bala a devia ter atingido. O olhar de Conner se fixou em seu inimigo. Leopardo com certeza. Provavelmente um dos renegados. Nunca sairia da floresta vivo. Não com Elijah esperando no mato. Ou Rio subindo atrás dele. Não com Adan se aproximando pelo lado, os dardos envenenados prontos, ou os irmãos Santos rastejando, barriga para baixo, se aproximando pelo outro lado.

Conner estava ciente de todos eles, mas vagamento, como se de longe. Cada fibra de seu ser estava voltada para o leopardo que mantinha sua companheira refém. Saiu do mato, enfrentando o homem. Isabeau engasgou e balançou a cabeça. Seu gato pulou, assobios e rosnou, querendo rasgar e cortar seu oponente em pedaços. Não havia como acalmar seu gato, então não tentou suprimir os instintos naturais do animal. Só manteve um aperto mais firme. Naturalmente queria destruir o homem que tocava sua companheira, mas mantê-la viva era mais importante que qualquer outra coisa, especialmente orgulho.

—Deixe-a ir, — ele disse calmamente. —Ela não pode ajudá-lo.

O renegado rosnou com um grande show de dentes e cavou suas garras mais fundo na garganta de Isabeau como aviso. Gotas de sangue correram abaixo por sua pele.

Conner marcou cada uma, avaliando os danos que o leopardo estava fazendo na sua garganta.

—Você está bem?

Isabeau empurrado abaixo a dor ardente na sua garganta, balançando, aterrorizada, não por si mesma, mas por Conner. Ele estava sem arma, enfrentando o homem a segurando, e ela não tinha nenhuma maneira de avisar que seu captor era extremamente forte.

Nunca sentiu tal força em alguém — como aço. Podia parti-la ao meio facilmente como devia estar tão inclinado. Tentou um movimento cauteloso. Instantaneamente as garras foram mais profundo.

Isabeau tossiu e tentou arrastar ar para seus pulmões queimando. Manteve seus olhos em Conner. Ele parecia totalmente calmo — completamente confiante — e deu-lhe a capacidade de permanecer calma.

—Qual deles é você? Suma ou Zorba? — Conner perguntou.

O leopardo rosnou novamente e o gato de Conner lutou pela supremacia. Seus olhos deviam estar alterados porque mudou a expressão do homem.

Ele sentiu medo pela primeira vez, quebrando seu ar de superioridade.

—Que diferença faz?

Conner deu de ombros.

—A diferença entre morrer lento de dor agonizante ou rápido e misericordioso.

—Não gosto muito das minhas escolhas.

—Então não deveria ter colocado suas garras na minha companheira.

Um tique nervoso rompeu o olhar concentrado que o leopardo tentava manter. Conner observou isso e imediatamente mudou sua opinião. Este não podia ser Suma ou Zorba. Eram mais velhos, mais experientes, e nem se importariam por tentar tirar a companheira do outro leopardo. Era rigorosamente tabu na sua sociedade e levava a uma sentença de morte, mas qualquer um dos dois renegados não se preocuparia, acreditando-se acima da lei.

—Só quero sair daqui inteiro. Não quero que ela se machuque.

Conner levantou uma sobrancelha.

—Tem uma forma estranha de mostrar isso com suas garras em sua garganta. Seu próprio velho o condenaria à morte por prejudicar uma mulher.

—Não tem ideia do que está acontecendo.

—Diga-me. — Conner manteve o controle firme de seu gato, que estava zangado com ele agora por não avançar pulando para matar.

O cheiro de sangue de Isabeau deixava o animal insano. Conner podia não ser capaz de manter o controle se ela parecesse aterrorizada, ou chorasse, mas ela mantinha os olhos fixos silenciosamente nos dele, dizendo que sabia que a tiraria dessa situação. Ele não tinha ideia se ela sabia que os outros estavam se aproximando, mas ele sabia. Contava com os dados envenenados de Adan.

Um golpe daquelas garras letais e o renegado mataria Isabeau. Se o gato soubesse que não tinha chance, poderia ser rancoroso o suficiente para levá-la com ele. Leopardos eram notórios por seus humores negros. Todos os membros de sua equipe eram rápidos — como homens ou leopardos — mas essas garras já estavam perto demais de sua jugular, e todos os leopardos sabiam exatamente onde dar um golpe mortal.

—Não deveria estar aqui fora. Há um problema indígena se agitando. Se eu matá-lo, tenho um trabalho. Ele não é grande coisa. Ele é uma dor na bunda para todos, impedindo o progresso e matando homens inocentes que ficam em seu caminho. Nós temos uma chance de fazer um monte de dinheiro se ele sumir.

—Assim Cortez prometeu dinheiro para matar Adan Carpio e decidiu que todas as crianças eram dispensáveis.

O leopardo piscou.

—Que crianças? Do que está falando? Isto não é sobre as crianças.

—Suma deixou essa parte de fora quando se aproximou de você, não foi? — Conner ergueu sua mão para suspender a execução. Estavam todos no lugar. O leopardo era jovem e impressionável. E estúpido. Foi procurado pelo leopardo errado. —Suma liderou um ataque à vila de Carpio. Mataram várias pessoas no ataque e raptaram crianças para forçar Adan a abrir as rotas das drogas. Suma traiu nossa espécie para uma estranha e também assassinou uma leopardo fêmea. É para esse tipo de homem que deseja trabalhar?

A respiração rápida de Isabeau era audível. O leopardo quase a soltou, retraindo suas garras pelo seu estado de choque.

—Isso não é verdade.

—Isabeau vai caminhar na minha direção e você vai soltá-la. Está totalmente cercado. Se mantenha olhando para mim, — Conner comandou quando o leopardo jovem começou a se virar. —Sou aquele que vai decidir se vive ou morre, não qualquer outra pessoa. O que fizer agora será uma decisão de vida ou morte.

—Como posso confiar em você?

—Não importa como, vou te ensinar uma lição, — Conner disse. —Não vai sair livre quando fez minha companheira sangrar. Para confiar em mim, terá que decidir se quer ter uma chance. Toque-a novamente, e te dou minha palavra, é um homem morto.

Conner nunca afastou seu olhar do leopardo jovem. Sabia que o homem podia ver a verdade em seus olhos. Sabia que podia ver a fúria do seu leopardo, a demanda para matar. O jovem espiou e pegou o cheiro dos outros ao redor dele. Engoliu e se afastou de Isabeau, levantando as mãos ligeiramente.

—Eles realmente mataram uma leopardo fêmea? Está certo?

—Era minha mãe, — disse Conner. —Estou certo.

Isabeau engasgou e fez um pequeno som de aflição.

O jovem empalideceu.

—Não sabia. Não há nenhum erro?

—Suma trabalha e recruta para Imelda Cortez. Ela é chefe do maior cartel de drogas na região e diretamente responsável pelo assassinato das tribos e destruição da nossa floresta, — Conner continuou. —Ele revelou nosso povo e é o homem para quem trabalha.

O leopardo engoliu e afastou suas mãos de seu corpo, levantou a cabeça para expor sua garganta.

—Conclua a sentença. Ignorância não é defesa.

 

Conner deixou seu olhar desviar do leopardo inexperiente e se permitiu olhar Isabeau. Sua respiração prendeu em sua garganta.

Seu rosto estava pálido, seus olhos vidrados pela dor. Sangue pingava de sua garganta e braço. Ela balançou um pouco como se estivesse instável. Algo dentro dele se desintegrou e outra parte dele queria pular sobre o filhote de leopardo e o rasgar em pedaços. Era tão fácil rasgar sua garganta em retribuição. Cada instinto pedia que fizesse exatamente isso.

Por um longo momento a floresta pareceu prender sua respiração. O gato dentro dele rondava para a frente e para trás, ocasionalmente se jogando nos laços que o seguravam, testando a força e resolução de Conner. Felipe e Leonardo se moveram ao aberto, circulando o jovem leopardo. Elijah empurrou sua cabeça através das folhas. Próximo. Muito perto de Isabeau.

Seu gato rosnou, seu olhar balançando para a nova ameaça à sua companheira. Névoa vermelha queimava através de sua mente. Um aviso saiu de seu cérebro. O gato estava muito próximo, se apertando para se libertar. Seus músculos se contorceram. Sua boca doía. Os dedos enrolaram.

Suor eclodiu em seu corpo enquanto tentava manter o gato atrás.

Isabeau caminhou até ele, sem medo, embora seu corpo tremesse.

—Conner? — A voz dela era suave, mas exigente.

Ele se aproximou dela, a puxou contra ele, a abraçando por um momento, ouvindo a reconfortante batida do seu coração, a estabilidade da sua respiração. Demorou alguns minutos para tomar o controle do seu gato. O cheiro dos outros leopardos e o cheiro forte de sangue quase o levou à loucura, mas sua pronta aceitação de seu toque conseguiu o acalmar o suficiente para permanecer no controle. Ele dobrou sua cabeça para sua garganta, examinando as feridas. O jovem leopardo teve cuidado com sua jugular. Sangue jorrava dos cortes, mas definitivamente não eram letais. O filhote não queria matá-la. Não ia impedir Conner de ensinar uma lição, mas salvaria a vida do menino.

Ele passou as pontas de seus dedos sobre as marcas de garras e, em seguida, usou o veludo áspero de sua língua para curá-las, da maneira de seu gato. O gosto de cobre se misturava com a chuva fresca e o perfume de sua pele. Ela descansou sua testa contra seu peito, obviamente, exausta. Precisava levá-la para um abrigo em breve.

—Tenho que olhar seu braço, Sestrilla. — Ele rasgou sua manga para expor a ferida. Um pedaço do seu braço estava faltando, até perto do bíceps, mas aquilo era uma ferida na carne. Tiveram sorte. —Infecção acontece rápido na floresta, — disse a ela, sua voz tão suave como podia quando seu gato se recusava a se acalmar.

—Tenho algumas coisas no meu saco que vai ajudar, — confidenciou ela. —Estudo plantas medicinais, por isso sempre transporto algumas.

—Tem analgésicos?

—Eles não funcionam tão bem em mim, — disse ela, tentando um pequeno sorriso.

Era grato pelo pequeno sorriso. Ela o reconfortava, e isso o virou do avesso. Podia dizer-lhe que incomodava que sua habitual calma fosse embora por sua causa. Ela estava tendo um momento duro ao mantê-lo tão próximo e seu gato e o homem tão agitados sobre seus ferimentos e a ameaça a ela eram perturbadores.

—Temos que ir, — disse Rio. Ele estava na floresta, longe da vista de Isabeau.

Conner sabia que não era modéstia. Leopardos não eram modestos sobre nudez. Quando mudavam, geralmente deixavam roupas nas áreas que viviam, mas muitas vezes mudavam na frente um do outro. Rio estava mais preocupado por Isabeau, que não emergiu como leopardo ainda, e pela reação de Conner. Isabeau estava perto do Han Vol Dan, emergindo e no cio do seu leopardo. Estava soltando suficientes hormônios destinado a todos os machos, copulando ou não. Não ia arriscar que Conner ficasse mais agressivo.

—Cuidamos da maioria deles e os outros fugiram, mas podem de repente encontrar coragem para voltar. Vamos ao abrigo.

—E eu? — perguntou o jovem leopardo.

Houve silêncio. Conner olhou acima da cabeça de Isabeau para o jovem. Foi como ele uma vez, à procura de aventura e algo além da aldeia.

—Vai vir com a gente. Tenho algumas coisas para te dizer.

O garoto colocou seus braços para baixo quando soltou sua respiração em alívio evidente.

—Não pareça feliz com isso, garoto, — Conner disse. —Vou me acertar com você.

—Jeremiah. Jeremiah Wheating é meu nome. — Ele flexionou suas garras e sorriu para Conner. Agora que estava seguro, voltava a parecer arrogante. —Vou aguardar.

Conner desejava socar o garoto. Bater de verdade. Sua companheira ainda estava sangrando e o garoto parecia cheio de si mesmo novamente. Se afastou do leopardo jovem para evitar pular nele e arrancar o sorriso de seu rosto. Com mãos gentis, envolveu o braço de Isabeau e, porque não podia evitar, pressionou um beijo sobre a atadura, indiferente ao que ela — ou qualquer outro — pensasse.

—Vamos sair. Adan? Está tudo bem?

—Ainda decidindo se devo ou não atirar no nosso jovem amigo, — Adan respondeu de onde estava escondido no mato. —É mais tentador do que pode possivelmente imaginar.

—Ah, acho que tenho alguma ideia, — Conner disse. Deslizou sua mão abaixo pelo braço de Isabeau até que seus dedos enroscaram com os dela. —Vamos nos por em movimento.

—Onde vamos? — O garoto perguntou ansiosamente. Quase saltou quando correu atrás deles.

Elijah se lançou no ar, pulando nas costas do pequeno, o atingindo com força suficiente para derrubá-lo. O garoto rolou nas folhas e insetos, e Elijah continuou sem perder o passo, suas patas grandes não fazendo nenhum som enquanto passeava ao lado de Conner.

Conner enviou um pequeno aceno de agradecimento.

Isabeau virou seu rosto contra seu lado e abafou um pequeno riso.

—Foi bem, Isabeau, — Ele elogiou. —Não entrou em pânico.

—Sabia que viria, — disse ela, chocando-o.

Havia uma aceitação tranquila em sua voz. Ela podia não perceber isso, mas confiava muito mais que devia.

—Ele não me ameaçou no início. Ficou chocado quando saiu do mato e eu estava lá.

Conner cheirou seu desprezo, seu gato ronronando em aborrecimento. O garoto não usou seus sentidos de leopardo, mesmo quando estava caçando. Seu desdém por Adan o deixou incapacitado. Não fez sua lição de casa. Ainda não sabia quem era a caça. A habilidade de Adan na floresta era conhecida longe, ainda que o jovem não soubesse disso.

—De que aldeia vêm? — Conner perguntou, de repente desconfiado.

—Minha aldeia fica na Costa Rica, — Jeremiah disse alegremente. Deu a Conner um rápido sorriso. —Estive por aí. Não é como se nunca estivesse fora da floresta.

Foi a vez de Rio o atingir, batendo duro. Atingiu o garoto duro suficiente para produzir um grunhido de dor. Quando Rio se afastou do menino, o acertou duro com sua pata grande, suas garras retraídas, mas definitivamente uma repreensão.

Jeremiah rolou, terminando agachado, encarando o leopardo grande, quando soltou.

—Ei! Estou no caminho.

—Obviamente não aprendeu respeito, — Conner assinalou. —Tem cinco anciãos aqui e um ancião de uma das tribos indígenas locais, bem como uma fêmea. Até agora não estou impressionado.

O menino teve a graça de parecer envergonhado.

—Só queria ver alguma ação, — disse ele.

—Como Suma fez contato com você? — Conner perguntou.

—Internet. Colocou um anúncio pedindo ajuda. Achei que eu era exatamente o que ele precisava. — Jeremiah estufou seu peito.

—Jovem. Impressionável. Estúpido. — Conner cuspiu no chão.

—Ei! — O sorriso arrogante de Jeremiah se desvaneceu para outra carranca. —Eu só queria alguma ação. Não queria passar minha vida inteira trancado em alguma aldeia chata com anciãos me dizendo o que posso e não posso fazer. Sou rápido.

—Tem que ser mais que rápido neste negócio, garoto, — disse Conner. —Tem que saber quando depender de seu gato e quando depender de seu cérebro e quando precisa misturar os dois. Está em todo lugar. Agora mesmo, está andando tão duro, que qualquer leopardo na floresta seria capaz de ouvi-lo. — Ele deu ao menino um olhar duro. —Adan teria ouvido você a uma milha.

Mesmo na escuridão, o rubor do garoto era aparente. Ele fez um esforço para andar tranquilamente.

—Você poderia me ensinar.

—Pareço alguém que quer ensinar algum maldito filhote que não sabe lavar atrás das orelhas? Afundou suas garras na minha companheira, seu burro. — Seu gato andava duro mais uma vez, furioso que não atacasse o garoto logo em seguida. Sua respiração saiu num longo silvo e seus músculos se contorceram.

Isabeau tropeçou, se deliberado ou não, ele não sabia, mas ele deslizou seu braço em volta da sua cintura, e simplesmente a levantou, a embalando em seus braços. Ela enrijeceu, abriu a boca para protestar. Seu olhar encontrou o dele e ela ficou silenciosa.

Precisava abraçá-la. Seu peso era nada para ele, mas a sensação em seus braços era tudo. Ele cheirou o topo de sua cabeça e olhou para o jovem. O garoto não tinha qualquer ideia ainda de como era difícil encontrar uma companheira. Não tinha ideia sobre a vida ou o perigo. A ideia de viver no limite era uma terrível atração para os jovens. Sabia porque foi da mesma forma. Ele foi jovem e arrogante e cheio de sua própria força, sem a menor ideia do que importava, ou jamais importaria.

Conner fechou os olhos rapidamente e se perguntou por que o universo o estava golpeando tão duro. Não podia simplesmente soltar o garoto para ser morto — e Suma o mataria. Jeremiah Wheating não ia ficar parado e assistir crianças serem mortas. No momento que Suma o levasse para Imelda Cortez e o garoto percebesse o que estava realmente acontecendo, se veria como herói e seria morto. Conner não tinha escolha senão cuidar do pequeno punk.

Suspirou e olhou abaixo para a face arrebitada de Isabeau. Ela sorriu para ele.

—O quê? — Ele perguntou quase beligerante. Ela tinha muito conhecimento nos olhos dela.

—Sabe o quê. Não acho que é tão bastardo como você quer que todos pensem que é. Não de todo.

—Estive perto de matá-lo. E merecia isso.

—Mas não o fez.

—A noite ainda não terminou.

Ela apenas sorriu e sua barriga apertou. Não queria que ela tivesse a ideia errada sobre ele. O garoto ia aprender uma lição hoje à noite. Isabeau acharia que era um bruto e o garoto ficaria amuado por um tempo, mas seu gato ficaria feliz novamente e talvez lhe desse uma pequena trégua na necessidade arranhando pela reprimenda afiada, irritada.

A cabana estava apenas à frente, alta e construída em árvores, escondida pelas vinhas pesadas e amplos folhas que a rodeavam. Ele a mapeou para os outros, apenas no caso de se separarem. Ele viveu lá por vários anos com sua mãe, separado dos outros enquanto ela chorava a perda de seu marido. Seu pai nunca foi seu companheiro de verdade, mas ela o amava.

A cabana não guardava memórias felizes para ele, mas no momento que pisou na floresta, foi o primeiro lugar que foi. Passou dois dias fazendo reparos e a estocando, assim teriam um acampamento base se necessário. Não que fosse por razões sentimentais. Não era um homem sentimental. Deveria ter verificado imediatamente com Rio, mas precisava de tempo para se reajustar. E foi à procura de sua mãe. Agora sabia por que ela não estava lá.

Estranhamente, a cabana parecia ter sido ocupada recentemente, embalando-o numa falsa sensação de segurança. Até mesmo encontrou um par de seus brinquedos antigos, um caminhão e um avião esculpido de madeira sobre a mesa. Ele imaginou sua mãe olhando para eles e lembrando seu tempo juntos na cabana. Agora não sabia o que pensar.

Ele colocou Isabeau em pé e pulou até pegar uma videira. Içando-se, mão sobre mão, ganhou a pequena varanda e soltou a escada de videiras apertadas abaixo para os outros. Empurrou pacotes abaixo para eles, sabendo que os homens teriam roupas depois que mudassem, e, em seguida, caiu de volta no chão.

—Não estou certa que posso escalar, — admitiu Isabeau. —Meu braço realmente enrijeceu. — Mesmo enquanto expressava sua dúvida, alcançou a escada.

—Posso levá-la, — Conner disse, —mas vai ter que passar por cima do meu ombro.

Ela deu um puxão experimental, estremeceu e soltou sua respiração.

—É um longo caminho para cima. Acho que vou abandonar meu orgulho e apenas deixar que me pegue. — Ela saiu da escada.

Conner sinalizou para Adan subir e apontou Jeremiah.

—Você pode esperar aqui por mim. Vamos ter uma pequena conversa antes que o convide a entrar.

Os olhos do garoto mostraram seu nervosismo, mas balançou a cabeça corajosamente. Conner pegou Isabeau sem demora. Estava balançando sobre seus pés e precisava de suas feridas tratadas. Queria dar ela antibióticos e todos os medicamentos que ela estava carregando. Tinham um kit de primeiros-socorros guardadinho com antibióticos, mas não analgésicos. Ela avisou que não faziam bem a ela, mas não estava certo do que isso significava. Nunca imaginaram que ela levaria um tiro. Se o leopardo jovem não a tivesse como refém, nunca teria acontecido, outro pecado contra ele.

Ele colocou Isabeau na cadeira mais confortável — a cadeira de sua mãe — e serviu água fresca da torneira na pequena pia.

—É água boa de uma nascente que encontramos, — ele explicou.

Sua mão tremeu quando ela pegou água. Parecia exausta, sua roupa encharcada, seu corpo tremendo em estado de choque, mas conseguiu um pequeno sorriso.

—Não se preocupe comigo. É um arranhão, nada mais. Já tive piores no trabalho.

Ele achou que era a mulher mais bonita do mundo. Não importava que seu cabelo caía em mechas molhadas, ou que seu rosto estava vincado e pálido. Ela tinha coragem e não reclamava quando acabava de passar pelo meio de uma terrível provação.

—Deve se lembrar que tenho algumas habilidades como um curandeiro, — disse Adan, se mantendo distante do outro lado da sala. —Ela tem plantas e ervas que posso usar, na bolsa. — Levantou-se quase como um apaziguamento, desconfiado do leopardo de Conner. Conner olhou no pequeno espelho que sua mãe insistia que ficase sobre o aparador. Seus olhos estavam ainda inteiramente de gato. Seus dentes doíam e as pontas de seus dedos queimavam pela necessidade de permitir a liberdade ao seu leopardo.

—Ficará confortável com Adan limpando suas feridas? Ele é um curandeiro. — Sua mãe levou Conner muitas vezes para a aldeia, sempre que estava ferido, e era sempre Adan que cuidava dos danos menores. Havia um médico numa distância maior que cuidava de todos os ferimentos de combate dos jovens leopardos.

—Claro, — Isabeau concordou prontamente — muito facilmente para seu gato.

—Fique aqui dentro, — Conner conseguiu rosnar, sua voz suave soando rouca.

O animal rosnou, forçando Conner a se afastar dela. Ela estava aprendendo sobre leopardos.

Inteligente. Astúcia. Rapidez. Temperamental. E ciumento como o inferno. Ele saiu para a varanda e respirou a noite, flexionando os dedos doloridos.

Precisava de uma boa luta. Era comum os machos darem uns aos outros um bom treino, quando as fêmeas estavam perto do cio e todos ficavam agitados e não podiam fazer muito sobre isso. Ou quando estavam simplesmente com raiva.

Conner não usou as trepadeiras, mas pulou para o chão da floresta, pousando quase na frente de Jeremiah.

O menino puxou acentuadamente sua respiração e arrancou sua camisa, a arremessando de lado. Conner já tinha retirado a sua. Rápido. Eficiente. Ansioso agora, seu leopardo tenso e rugindo para ficar livre.

Jeremiah era construído com linhas fortes. Cordas de músculo se moviam sob sua pele, e quando mudou, era um grande leopardo, corpulento e feroz. Conner podia ver por que o garoto estava ansioso por um desafio. Seu leopardo, ansioso pela luta, esperou o homem mais jovem fazer o primeiro movimento. Para incentivá-lo um pouco, ele rosnou, expondo seus dentes e aplainando suas orelhas, seus olhos focados em sua presa.

Jeremiah reagiu como esperado, querendo provar a si mesmo — ainda chateado pelas reprimendas de Rio e Elijah e o sermão que Conner lhe deu. Ele rosnou, expondo seus caninos e fez duas tentativas experimentais em Conner, na esperança de acertar um tapa duro o suficiente no rosto para jogá-lo de lado e estabelecer rapidamente uma posição dominante. Conner escorregou duas patas e rosnou, o som inchando para um rugido que abalou a floresta circundante. As orelhas planas, os lábios arreganhados, sua cauda se movendo maldosamente pelo insulto.

Sem aviso, Jeremiah se lançou, as garras estendidas, com a intenção de arranhar o lado de Conner e ganhar o respeito. Conner era muito experiente para permitir que tal ataque funcionasse. Usando sua coluna extremamente flexível, se torceu no ar, permitindo que as garras letais o perdessem por uma polegada e girou em busca de sua presa, deslizando lateralmente, levando pelos e pele de Jeremiah expostas do lado e na barriga.

Conner era mais pesado, mais experiente e muito mais musculoso. Se moveu na direção do ar usando a rotação do quadril para que quando o alcançasse, estivesse quase em cima do homem mais jovem. Não queria terminar a luta tão cedo, precisava do treino físico. Atingiu Jeremiah com a força de um aríete, o derrubando.

O leopardo menor virou quando desceu para proteger sua barriga macia, rolando e lutando para ficar em pé novamente.

Conner saltou, usando a agilidade natural e graça do leopardo, atingindo Jeremiah mais e mais para que rolasse entre a clareira e contra um tronco de uma árvore grande. Os dois continuaram ali, ríspidos, rosnando, os corpos rolando pelo chão. Golpes acertando. Garras ocasionalmente rasgando sulcos no pêlo e pele. O duro solavanco das suas grandes patas acertando deu satisfação a Conner. Parecia bom usar a energia e a raiva do seu gato do modo rude do seu povo.

Jeremiah o surpreendeu. O garoto conteve seu temperamento e tomou sua punição sem fugir. Acertou alguns golpes sólidos que Conner sentiria por dias, mas não recorreu a movimentos ilegais ou tentou rasgar seu oponente em pedaços. Conner tinha muito mais respeito pelo jovem quando pararam ofegantes, lado a lado, cuidando de suas feridas e olhando um para o outro com cautela.

—Vocês dois vão ficar aí toda a noite? — Isabeau os chamou acima. —Ou estão com fome?

Os dois leopardos se entreolharam.

Jeremiah esfregou uma das patas sobre o nariz se contorcendo e mudando. Seu corpo nu ficou deitado na grama, coberto de suor, sangue e hematomas.

Isabeau guinchou e se afastou.

—Tome um banho antes de subir. E coloque algumas roupas.

Conner estudou o garoto quando ele correu para o chuveiro, claramente motivado pela ideia de ser alimentado. Parecia estar em algum lugar entre os 20 e 24 anos. Tinha massa muscular e frieza sob fogo. Ele era jovem e ansioso, e não tinha ideia do que estava se metendo, mas estava no jogo. Não se lamentou e não fugiu, mesmo enquanto Conner lhe dava uma boa surra, testando a determinação do garoto para tomar seu castigo.

Movia-se como água sobre rocha. Teriam que trabalhar sua discrição. Parecia um maldito rinoceronte caindo através do mato, mas também um pouco como um cachorrinho ansioso. Ele olhou para cima e encontrou os olhos de Rio. Todos assistiam — parte para testar o garoto — parte para se certificar que Conner não permitisse que seu gato o matasse. Rio balançou a cabeça, confirmando que o menino ganhou respeito bastante para que lhe dessem uma chance.

Conner esperou até Jeremiah ir até a escada e os outros voltarem para dentro da cabana, antes de caminhar até o chuveiro.

Se sentindo um pouco preguiçoso, mas bem, mudou e permitiu que a água caísse sobre ele. Estava fria, mas revigorante. Podia sentir os hematomas já começando a se formar acima e abaixo de seu corpo. Havia um ou dois lugares onde as garras do menino rasgaram sua pele, mas seu gato estava calmo, a primeira pausa que tinha desde que pôs os olhos em Isabeau.

Deixou a água fria cair sobre sua pele quente e realmente se permitiu respirar, tomar um fôlego.

Antes, o perfume de Isabeau se arrastava em seus pulmões, em torno dele, dentro dele, oprimindo seus sentidos até que se sentia um pouco louco. Precisava de algum tipo de equilíbrio para funcionar corretamente. Tinham que buscar as crianças e isso significaria prosseguir com o plano de entrar no complexo.

Ele se secou lentamente e girou ideias alternativas repetidamente em sua mente. O pensamento de tocar alguém que não fosse Isabeau era abominável para ele. A ideia de uma mulher cruel e imoral como Imelda o beijando ou tocando levaria seu gato à loucura. Não estava certo que realmente pudesse fazê-lo. Agora não. Não com ela próxima e certamente não com ela à beira do Han Vol Dan.

Isabeau não tinha ideia do que aconteceria quando seu gato emergisse. Ela nunca, sob quaisquer circunstâncias, aceitaria outra mulher perto de seu companheiro. Conner enfiou os dedos por seus cabelos úmidos e olhou para a cabana, hesitante em voltar onde seu gato reagiria à proximidade dos homens ao redor de Isabeau. Seria uma noite longa. Seu corpo não ia conseguir alívio das implacáveis e urgentes demandas.

Ela tinha mais poder sobre ele do que sabia. Nas noites que conseguia dormir, acordava com o som de seu riso em sua mente. A imagem de seu mergulho na água, olhando por cima do ombro, seduzindo-o. Suas memórias estavam misturadas agora, o velho e o novo. Vida passada e presente. Todas com Isabeau. Tudo de bom em sua vida agora era simplesmente Isabeau.

Esteve caminhando através dessas emoções por um ano. Se escondendo nos Estados Unidos. Ouvia sua voz em todos os lugares que ia. Sua pele doía pelo toque dela. Não conseguia encontrar uma maneira de evitar que o sangue em suas veias engrossasse e aquecesse cada vez que pensava nela — que era o tempo todo. Não percebeu — até que a viu de novo — exatamente como esteve paralisado. Tudo nele ganhava vida, quando ela estava perto.

Agora, estaria de frente com ela todos os dias.

Ensinaria os costumes do seu povo. Como se proteger na floresta. Não tinha ideia de como evitar a querer. Como evitar a necessidade de beijá-la e apenas tentar ser casual e indiferente ao seu redor. Não só teria ela e seu gato emergente para se preocupar, mas o garoto precisaria de treinamento e cuidados. Ele suspirou. Sua vida ficou muito complicada, mas se sentia mais vivo que nunca.

Isabeau estava perto. Seu calor. O cheiro dela. Seu gato. Ele levantou o rosto para a chuva e a deixou cair em seu rosto, tentando limpar sua mente dela. Ela estava inundando seus sentidos. Expulsando todos os pensamentos sensatos, até que seria inútil para Rio e os outros se não conseguisse lidar com seu gato.

E dane-se tudo — não podia culpar apenas seu gato pelas emoções fora de controle. O homem sentia a mesma fome — a mesma necessidade desesperada.

Ele se apaixonou tão duro por ela. Tão rápido. Estava muito profundo antes que sequer percebesse que estava cavando seu coração e alma, se enrolando em torno de seus ossos e pressionando sua marca profundamente neles, invadindo cada célula do sangue, até que não podia escapar de sua atração. Não houve como libertar sua alma uma vez que se apaixonou por ela.

Destruiu tudo entre eles, a despedaçou num golpe terrível, mas não conseguiu se desembaraçar dela no processo.

Sabia que ser companheiros leopardos desempenhava um papel enorme na atração física entre eles, mas a amava. Tanto o homem como o leopardo a amavam. Não havia mais ninguém para qualquer um deles e nunca haveria. Ele fechou os olhos e ouviu o som de seu riso. Essa pequena nota em sua voz sempre conseguia excitá-lo e acalmar a besta nele, ao mesmo tempo. Havia tantas facetas dela, tantas peças intrigantes em sua personalidade. Ele amava tudo sobre ela, desde seu coração generoso até seu temperamento desagradável.

—Conner? — Isabeau o chamou. —Venha comer.

Ele olhou para cima porque não conseguia evitar.

Uma das mãos estava enrolada em torno do poste enquanto ela olhava para ele. O cabelo na altura da cintura estava solto, fluindo um pouco com a brisa ligeira se movendo através das copas. Seus jeans e camiseta enfatizavam as curvas exuberantes de seu corpo, e sentiu seu gato ronronar baixo em sua garganta pela visão dela.

—Vou subir logo. Vou rondar um pouco, ver o que aparece.

Ela colocou a mão na cintura, chamando sua atenção para o fato que não estava usando seu braço machucado.

—Não tem nada lá fora, Conner. Ninguém jamais encontrará esta cabana a menos que saiba onde olhar. Há gatos suficientes aqui para cheirar qualquer coisa dentro de milhas. Basta subir e comer.

Não foram tanto suas palavras, mas o tom que o fez se mover rápido sobre a vegetação em decomposição para agarrar o cipó. No meio de tantos homens, estava nervosa sem ele lá. E por qualquer ângulo que olhasse, era um bom sinal. Subiu rápido, mão sobre mão, usando sua enorme força de leopardo para se puxar até a varanda. Ele arrastou a escada atrás dele, para que não houvessem sinais. Mesmo se alguém encontrasse o pequeno chuveiro improvisado, era gelado e não mais que uma ducha bruta, mas eficaz, esculpida numa cachoeira escassa correndo ladeira abaixo.

Ele se endireitou lentamente e bebeu dela. Ela se levantou, um pouco hesitante, mas não recuou. Estava esperando por ele. A viu inalar profundamente, e involuntariamente atrair o cheiro dele em seus pulmões. Seu corpo apertou em reação. Supunha que teria que se acostumar com a dor implacável. Seu olhar se deteve nas marcas no seu pescoço; satisfação brotou por ter dado à criança uma surra suficiente para que sentisse durante vários dias. Ela parecia um pouco machucada e maltratada, mas bela, com sua aparência exótica e seus olhos de gato.

Isabeau corou.

—Está me olhando daquele jeito de novo.

—Que jeito?

—Como se estivesse prestes a se lançar sobre mim a qualquer momento. Estou procurando um pouco de conforto, não algum tipo de emboscada.

Ele se moveu perto dela, a alcançando para prender os fios de cabelo atrás da orelha, roçando seus dedos de leve.

—Foi corajosa esta noite, quando o garoto a pegou. Não entrou em pânico.

Ela deu um sorriso hesitante.

—Sabia que você viria. Estava tão chocado ao me ver lá, que acho que sua primeira intenção era me tirar da linha de fogo, mas então Adan saiu do mato com seus dardos. Acho que ficou claro que eu conhecia Adan, e Jeremiah me usou como escudo. Podia sentir o cheiro dos outros leopardos e sabia que estava numa situação ruim.

—Está procurando desculpas para o garoto? — Não era possível parar de tocá-la, e acariciava os dedos abaixo da cascata sedosa de cabelo longo.

—Ele está muito machucado.

—Ele tem uma sorte danada, está vivo, — destacou Conner. Pegou seu cotovelo e a puxou para longe da borda. —Não o defenda. Deveria ter pensado melhor antes de colocar suas garras em você.

—Isso não foi tão ruim quanto ser baleada, — disse ela, tentando uma risadinha. Ele não sorriu , não podia sorrir. Alguns centímetros mais...

—Esse homem está morto. Jeremiah é muito sortudo. Não estava de bom humor.

Isabeau começou a rir.

—Sério? Nunca teria imaginado.

Ele adorava o som de seu riso. Adorava que conseguisse rir. Parada lá, golpeada e ferida com furos no pescoço, defendendo o garoto que fez isso, fez seu respeito subir como o sol.

A imagem pareceu pertinente. Não se sentia como se estivesse em qualquer lugar perto do sol por um longo tempo, e de repente o mundo em torno dele estava brilhante mais uma vez e tinha tudo a ver com Isabeau.

Ele deliberadamente levantou uma sobrancelha.

—Está dizendo que acha que tenho mal humor?

—Acho que é perfeitamente possível, sim, — ela brincou.

Algo apertou seu coração tão duro que sentiu uma dor real no peito. Ela não olhava para ele como se fosse repugnante. Não era amor completo e absoluto, como ele viu nos olhos dela antes, mas era um começo.

Isabeau desviou o olhar dos olhos fixos de Conner. Ele a olhava com aquele olhar possessivo e faminto que sempre a deixava tão louca por ele. Ela queria uma trégua, mas não queria se passar por tola. E não queria trair a memória de seu pai. Não gostava de ficar dentro da cabana, tão perto de tanta gente que não conhecia. Não percebeu como se sentia confortável com Conner.

Pensou que não confiava nele, mas no momento que não estava mais ao seu lado, entrou em pânico.

—A chuva soa diferente aqui em cima.

Ele balançou a cabeça sem tirar o olhar de seu rosto.

Ela podia sentir os olhos dourado queimando brilhante direto através dela.

—Quando eu era jovem, costumava dormir aqui na varanda para que pudesse ouvi-la. Amo o som da chuva, — admitiu Conner.

Ela agachou nas tábuas de madeira e olhou para as folhas que abrigavam a cabana da vista.

—Sempre achei a chuva suave, mas não há um padrão na maneira como ela atinge as folhas que a faz soar diferente. Quase posso ouvi-la como música.

Surpresa penetrou em sua expressão.

—Costumava pensar nisso. Eu deitava e ouvia adicionando instrumentos para criar minha própria sinfonia.

—Você toca um instrumento?

Conner sentou ao lado dela, puxando os joelhos para cima, de costas para a parede da casa. Ele encolheu os ombros, parecendo um pouco desconfortável. Baixou a voz, mantendo um olho na porta.

—Toco um par de instrumentos. Principalmente com a minha mãe. Ficar sozinho me fazia ler livros, fazer um monte de lição escolar, trabalhos e nós dois gostávamos de aprender a tocar tudo que conseguíamos colocar nossas mãos.

—Então sua mãe tocava muito, — ela perguntou, surpresa que durante todas as suas conversas ele nunca falasse sobre sua mãe, sua vida ou sua música. Coisas importantes. Coisas que uma amante deveria saber. Queria olhar longe dele, chateada por ele não compartilhar quem realmente era com ela. Seu tempo juntos foi o mais maravilhoso de sua vida, mesmo que não fosse real. Ele não foi real. O homem sentado ali, um pouco desconfortável, expondo seu lado vulnerável era o verdadeiro homem. Não conseguia desviar o olhar contudo; estava fascinada, mais uma vez hipnotizada.

Conner era um homem duro, perigoso e carregava aquela aura como um escudo em torno dele. Sempre parecia invencível — impenetrável. Ela nunca viu uma fresta na sua armadura até agora — até este momento. Seu rosto era o mesmo. A forte mandíbula, as cicatrizes e linhas duras, o ouro queimado feroz de seus olhos, a boca sensual que deixaria qualquer mulher louca — tudo mostrava um homem com determinação absoluta. Mas seus olhos estavam diferentes.

Mais suaves. Quase hesitantes. Ela não podia evitar ficar intrigada.

—Sim, ela tocava, — Conner admitiu, seu tom ficando ainda mais baixo. Havia uma suave nota do leopardo misturado com sua voz humana.

Isabeau o viu engolir, seu olhar se movendo sobre as folhas largas ao seu redor, escondendo-os do resto da floresta.

—Ela amava violino.

—Você toca violino? — Ela não conseguia se deter em descobrir tudo que pudesse sobre o homem real, não o papel que desempenhou.

—Não da maneira que ela podia tocar. — Ele tinha um olhar distante em seus olhos quando virou a cabeça atrás em sua direção. Havia um pequeno sorriso em seu rosto, como se estivesse lembrando. —Ela costumava sentar aqui comigo, enquanto a chuva vinha e tocava por horas. Às vezes, os animais se reuniam então ela tinha uma audiência enorme. Gostava de olhar para fora e ver as árvores cobertas de macacos e aves e até mesmo uma preguiça ou duas. Ela era gentil e bonita e mostrava em sua música.

—Ela ensinou você? Ou o enviou para as aulas? E onde encontrava escolas e professores de música? Não pode ter vivido aqui por muito tempo.

—Ficamos por nossa conta. Quando saímos de nossa aldeia...

Isabeau pegou uma nota de dor em sua voz. O menino estava lembrando de algum trauma da infância, não o homem.

—Ficamos por nossa conta, por vários anos. Minha mãe não queria ver ninguém. Era muito rigorosa sobre escolaridade e era esperta. Se olhar nas caixas de madeira sob as bancadas, vai encontrá-las cheias de livros. Era uma boa professora. — Um leve sorriso tocou sua boca. Um pouco travesso. —E não tinha o melhor aluno para trabalhar.

—Você é extremamente inteligente, — disse ela.

Ele deu de ombros.

—Inteligência não tem nada a ver com ser um menino selvagem saindo pelo meio da floresta pensando que era o rei da selva. Ela tinha as mãos cheias.

Isabeau podia imaginá-lo, um menino de cabelo encaracolado esbranquiçado com olhos dourados, saltando de galho em galho, com sua mãe atrás dele.

—Posso imaginar.

—Eu sorrateiramente saía muito à noite. Claro, não sabia então que, sendo um leopardo adulto, ela podia ouvir e cheirar melhor do que eu e sabia no momento que me mudava. Aprendi alguns anos mais tarde que ela saia atrás de mim, certificando-se de que nada acontecesse comigo, mas no momento, me sentia muito corajoso e viril. — Ele riu da lembrança. —Também me sentia muito legal por conseguir enganá-la saindo cada noite para brincar na floresta.

—Deve ter aumentado sua confiança, contudo. O tempo que passou na floresta, ficou no acampamento durante a noite.

—Era uma criança, Isabeau. Não tinha aprendido todos os perigos da floresta. A mãe me falava e eu apenas encolhia os ombros e achava que isso nunca poderia acontecer comigo. Eu era invencível.

—A maioria das crianças acho que são. Sei que eu achava. Gostava de subir no telhado da nossa casa à noite. Em qualquer lugar alto. Meu pai ficou tão chateado depois que descobriu. Não lembro quantos anos tinha quando comecei. Acho que ele disse três.

Ele mostrou um sorriso amistoso para ela.

—Era o leopardo em você. Gostam de subir o tempo todo. Quanto mais alto, melhor.

—E tirei toneladas de cochilos. Estava sempre com sono durante o dia.

Ele balançou a cabeça.

—E pela noite toda. A mãe realmente me fez ter aulas à noite, quando era adolescente. Disse que eu faria meu melhor trabalho, então.

—E tocava música à noite?

—Não conseguia dormir às vezes, na maioria do tempo. E ela estava... triste. Nós sentávamos para ouvir a chuva, e então saíamos aqui com nossos instrumentos. Ela com o violino e eu com um violão e tocávamos juntos. Na maioria das vezes os animais vinham. Algumas vezes vislumbrei leopardos, mas nunca chegaram próximos e ela fingia não notá-los, e eu seguia seu exemplo.

—Queria conhecê-la.

Ele piscou, e sua expressão se acomodou dentro da máscara familiar.

—Ela teria adorado você. Sempre quis uma filha.

—Disse que foi morta por Suma? Por quê? Por que ele mataria uma leopardo fêmea?

Sua mandíbula endureceu.

—Suma a matou na aldeia. Ela tentou defender a família de Adan.

Sua respiração travou em seus pulmões.

—Era sua mãe? Ouvi Jeremiah dizer que Suma matou sua mãe, mas não tinha ideia que era a Marisa que eu conhecia da aldeia de Adan. A encontrei - mais de uma vez, mas é claro que a via apenas como humana, não leopardo. Era tão doce comigo. Me tratava como uma filha. — Sentia seus olhos queimando e olhou para longe. —Por um tempo ela me fez sentir menos solitária. Estava muito dividida. — Sua garganta queimava. Talvez ele acreditasse que fosse sobre a morte de seu pai. Ela estava chocada — traumatizada, mas a farsa de Conner a despedaçou.

Ele a olhou quase em horror.

—Passou um tempo com minha mãe?

Como se isso fosse tudo que ouviu e não parecesse feliz com isso. Isabeau tentou não ser ferida novamente, mas, no entanto, foi um golpe.

—Muitas vezes vinha ao meu acampamento com o neto de Adan, ou até mesmo sozinha, e às vezes ficava vários dias comigo. Trazia um menino com ela. Saíam à procura de plantas comigo. Ela era muito experiente. Às vezes tudo que eu precisava era fazer o esboço de uma planta e ela a identificava e sabia onde estava, bem como os diversos usos para ela. Podia me levar direto a ela. Nunca mencionou tocar violino, contudo. — Ela fez um esforço para não soar desafiante.

—Meu Deus. — Ele passou as mãos sobre o rosto e, em seguida, se levantou abruptamente.

Ela pegou o brilho das lágrimas em seus olhos, antes que ele pulasse da plataforma no chão abaixo, deixando-a sozinha.

 

Ela sabia. Sua mãe sabia que traiu sua própria companheira. A vergonha era uma entidade viva que respirava.

Bile subiu quando caiu agachado no chão da floresta. Um trovão socava pelo meio de seu crânio. Ele marcou Isabeau com seu cheiro mil vezes, tão profundo que sabia que seu perfume estava em seus ossos, e sua mãe saberia no momento que chegasse perto de Isabeau. Ela morreu acreditando que ele traiu e abandonou sua companheira da mesma maneira que seu pai fez com ela?

Ele levantou a cabeça e rugiu sua angústia. Ela sofreu bastante sem acreditar que seu único filho — o filho que ela amava —repetiu a história. Seu pai, Raul Fernandez, o mandou embora — ele — e sua mãe escolheu ir com ele.

Em sua raiva por sua decisão de manter seu filho, seu pai os expulsou da aldeia, sua única proteção, para que sua mãe tivesse que fazer uma casa na floresta para seu filho. Conner sabia que seu pai acreditava que morreriam lá sozinhos, e cruelmente os deixou à sua sorte. Desprezava o homem com cada respiração em seu corpo.

Imaginar que sua mãe podia pensar que ele... Ele tirou sua camisa e jeans e quis seu gato na superfície. Precisava correr. Para pensar. Não pensar. Ela a conheceu. Naturalmente faria amizade com Isabeau e tentaria ajudá-la.

Marisa Vega tinha um coração bondoso. Não havia um osso mesquinho em seu corpo. Ela acasalou com seu pai de boa fé, acreditando que ele a amava como ela o amava, mas seu verdadeiro companheiro morreu anos antes.

Primeiro Raul insistiu com Marisa, vinte anos mais jovem que ele, que estava em sua próxima vida e que nasceu mais cedo, e era realmente seu companheiro. Ele estava solitário e queria uma mulher e Marisa era jovem e bonita. Ele a cortejou, a fez amá-lo, mas depois que Conner nasceu, se tornou irritado e ressentido — repleto de culpa — porque o tempo todo sabia que não era verdade.

Raul odiou a visão de Conner desde o momento que nasceu, se recusando a interagir com ele — o lembrete da vida que traiu sua companheira verdadeira. Conner nunca esqueceria a noite que seu pai deu seu ultimato à Marisa, afirmando friamente que devia se livrar de seu filho ou partir.

Quando ela se recusou a abandonar Conner, Raul disse a Marisa que não a amava. Conner era muito jovem, ainda pequeno, agachado fora da porta, ouvindo cada palavra cruel do homem, humilhando a mãe que ele adorava, e sentiu os primeiros sinais do temperamento terrível do seu gato. O homem tentava afastar ambos, usando todos os meios que podia. Conner soube, com a intuição de uma criança, que seu pai não podia com a visão ou o cheiro dele. Agora, esse mesmo ódio derramava em sua mãe.

Conner ficou em suas patas traseiras, sua pelagem dourada e manchada estendida na sua altura impressionante quando arranhou as árvores, destruindo a casca, deixando profundos sulcos, desejando poder fazer o mesmo com o homem que machucou sua mãe tão profundamente. Ela nunca ficou com raiva de Raul, nunca disse uma coisa ruim sobre ele, mas manteve Conner longe da aldeia, até que ficou mais velho. Ela pediu, como um favor a ela, que fosse falar com seu pai, tentar fazer as pazes.

Seiva corria como um rio se misturando ao sangue de sua pele enquanto escavava através da madeira grossa, rasgando e rasgando, sua angústia enchendo a noite uma e outra vez enquanto derramava sua tristeza e raiva. Nunca contou as coisas que seu pai disse a ele; era um homem crescido e feri-la mais não levaria a coisa alguma.

Também não contou como reduziu seu próprio pai a uma polpa na casa onde nasceu, deixando Raul com hematomas, agredido e sangrando lá no chão, em vez de jogá-lo para fora da casa como seu pai fez com sua mãe. Quis humilhar Raul na frente dos moradores, mas sabia que Marisa não ficaria feliz com ele, por isso não o expulsou pela porta para que todos pudessem ver que ele foi derrotado em combate — como gato e como homem.

A chuva caía, um fiozinho estável que não mostrava nenhum sinal de parar. Virou seu rosto para o céu e deixou que as gotas golpeassem suas bochechas, escondendo as lágrimas queimando lá. Ele conhecia o ódio, mas sua mãe não. Ela fez seu melhor para elevá-lo para ser como ela, uma criatura gentil, amorosa, sem rancores. Ela não foi bem sucedida, e neste momento detestava ter muitos dos traços dominantes e cruéis de seu pai.

Não podia suportar a ideia de sua mãe pensando que não amava Isabeau. E se Isabeau contou a história de sua farsa? Ele raspou um galho podre, o rolando e enviando insetos em todas as direções. Continuou rasgando o galho, envergonhado e desgostoso com ele. Devia ter vindo para casa. Contar a ela sobre Isabeau. Pedir seu aconselhamento.

Em vez disso, escapuliu para Drake, o único homem que o tratou decentemente. Querendo o quê? Algum tipo de absolvição? Já sabia o que sua mãe teria dito a ele.

Um longo rosnado emergiu de sua garganta, preenchendo o espaço do chão às copas com a ameaça de violência. Ele se escondeu longe como um covarde, onde ninguém podia ver a maneira como Isabeau o despedaçou, quebrando-o por dentro em pequenos pedaços. Estava muito envolvido quando soube quem ela era e permitiu que seu relacionamento fosse longe demais. Feriu as duas mulheres que amava. E sua mãe estava morta...

Se enfureceu rugindo para os céus, derramando sua tristeza para se misturar com a chuva. Em sua forma animal era mais aceitável permitir que as emoções selvagens ficassem livres, algo que era muito mais difícil como homem.

Madeira lascada voava em todas as direções. Seguida por lama e detritos. Nada escapou da terrível retribuição das garras enquanto rasgava troncos e esmagava através das gaiolas de raiz de várias árvores de grandes porte.

Pequenos roedores tremeram em túneis e tocas.

Aves se elevaram ao ar em agitação, aumentando o caos. O grande leopardo esmagou uma casa alta de cupins, arremessando os restos em todas as direções e cavou suas garras num declive enlameado, se arrastando até o declive íngreme até a próxima linha de árvores onde marcou cada um com talhos profundos.

Seu nariz enrugou e abriu a boca, testando o ar. Ao mesmo tempo seus pulmões se encheram com o perfume de sua companheira. O leopardo girou ao redor, seus dentes à mostra, seus olhos ouro penetrantes, ferozes, rosnados ainda estrondando em sua garganta. Ela estava a poucos metros dele, seu queixo erguido, os olhos estáveis, mas estava tremendo e ele podia sentir o cheiro do medo.

—Me disseram que era perigoso segui-lo, — ela o cumprimentou.

Sua voz vacilou um pouco, mas o leopardo achou reconfortante. Ela se aproximou dele por sua própria vontade através da floresta durante a noite. Não seria difícil seguir o rasto de sua destruição, mas ela parecia sozinha e frágil e com muito medo. Conner controlou seu gato, forçando a raiva a voltar, levantando as orelhas planas e fazendo seu melhor olhar manso e suave dentro do poderoso corpo do grande leopardo. Não foi fácil.

Quando deu um passo na direção dela, sua respiração prendeu na sua garganta e sua mão apertou sobre o ramo da árvore rasgado que usava como apoio, mas ela não recuou.

Seu corpo tenso. Ele congelou na posição, não querendo que ela fugisse. Estava no controle do leopardo, mas se Isabeau fugisse, sua ação provocaria o instinto de caça do leopardo. Sabia que o gato nunca a machucaria, mas seria inaceitável assustá-la.

—Sei que disse alguma coisa que o aborreceu, Conner, — continuou Isabeau. —Queria que soubesse, não quis trazer lembranças desagradáveis. Sua mãe foi maravilhosa, uma pessoa maravilhosa que realmente me ajudou quando precisei.

Outro rugido de angústia brotou. Conner lutou. Ela parecia tão jovem para ele, tão inexperiente, mas corajosa e o amor brotou por ela, o peito apertado e seu coração doendo.

Como podia ter estragado tudo? Feito tudo tão errado? No momento que descobriu o que estava dentro da sua cabeça, deveria dizer a ela.

Ele teve uma chance de falar com seu pai. Devia ter com ela. Devia confiar nela o suficiente para dar-lhe a oportunidade que deu ao seu pai. Ele nem sequer considerou a ideia. Sabia que Marisa teria perguntado porquê. Ela acreditava em conversar. Era uma intelectual, e acreditava que problemas se resolviam conversando.

Isabeau deu um passo cauteloso para a frente.

—Juro, Conner, não usaria sua mãe para feri-lo de qualquer maneira. Sim, estava com raiva de você pelo que fez, mas cheguei a entender por que fez isso. Sua mãe era uma pessoa excepcional e sei que amava seu filho. Não sabia seu nome real e ela nunca o mencionou. Apenas se referia a você como “meu filho”. Falava dele carinhosamente, Conner. Orgulhosa. Você era tudo para ela.

Ele a olhou, com medo de se mover, com medo de fazer a coisa errada e a fazê-la fugir. Ela continuou se movendo na direção dele, devagar, em câmara lenta, uma mão hesitante. Sua mão era pequena e trêmula. Ele manteve a boca fechada sobre os dentes e uma vigilância apertada sobre o leopardo. O gato tremeu e baixou lentamente seu traseiro abaixo, primeiro na posição sentada e então finalmente estendido, embora os olhos ouro nunca se movessem de seu rosto.

Isabeau deu um cauteloso olhar em torno das árvores rasgadas e casca desfiadas e, em seguida, olhou para as pesadas patas do leopardo. Vestígios de sangue cruzavam a pele dourada, onde ele deliberadamente machucou suas patas, usando-as como porretes contra os troncos das árvores. O mar de rosetas criava uma ilusão de ótica, para que o grande gato parecesse estar se movendo quando estava realmente parado. Seu olhar penetrante quase se perdeu no mar de manchas pretas. Seus lados subiam a cada respiração pesada. Ela sabia que nunca esqueceria aquela fome ardendo nos olhos do leopardo, ou a inteligência afiada.

Podia não ter sido uma boa ideia segui-lo. Todos os outros gritaram para ela voltar, mas se apressou abaixo pela escada e correu atrás do leopardo, uma vez que ouviu a angústia terrível em sua voz. Não podia suportar ouvi-lo. Conhecia o sofrimento quando o ouvia. A ideia que não podia expressar essa mesma dor quando o homem rasgou seu coração. Ela conheceu sua mãe, o tipo de mulher que era. Conner devia tê-la amado e admirado. Que filho não teria?

Ela deu os três últimos passos até o leopardo e deixou a ponta dos dedos roçar na cabeça poderosa.

A mão dela tremia e afundou os dedos em sua pele num esforço para parar de tremer.

—Você está bem?

O leopardo arqueou o pescoço sob as unhas arranhando, virando a cabeça de um lado para o outro, permitindo melhor acesso. Ela agachou sobre uma rocha lisa que encontrou perto dele, circundando o pescoço com seu braço, chocada que o medo recuasse tão rapidamente. O leopardo se estendeu ao seu lado enquanto ela acariciava seu pêlo.

O que sabia dos leopardos considerados perigosos e astutos? Apenas olhando em seus olhos podia ver a mesma inteligência que a atraiu em Conner.

Ele estava lá — o homem. E estava sofrendo.

Não estava certa do que disse, mas sabia que foi a única a aborrecê-lo.

—Conversei com ela sobre o que aconteceu, — ela admitiu, procurando a coisa certa a dizer. —Ela sabia que eu estava chateada. Como não saberia? Eu perdi meu pai e então descobri coisas terríveis sobre seus negócios. E descobrir que o homem que eu pensei que me amava me enganou para chegar ao meu pai - foi difícil, Conner - mas cheguei a um acordo com isso com sua ajuda. Ela não sabia que era você. Como poderia?

Seus olhos estavam tristes. Arrasados. Nesses ferozes olhos ardentes, abertos para ela, quando o homem não estava, viu a verdade. Marisa sabia.

De alguma forma sua mãe sabia, e Conner sabia como. Ela soltou a respiração e enterrou o rosto em seu pescoço musculoso, tenso, incapaz de olhar para ele. Conner achava que sua mãe pensava o pior dele, quando morreu. Tanto quanto Isabeau achava que queria que ele sofresse — não era assim — não sobre sua mãe.

Ela esfregou seu rosto contra sua pele, precisando tanto do conforto e da calma como ele. Ele achou que ela fez isso de propósito? Tentar fazê-lo ficar mal na frente de sua mãe? Não foi assim.

—Eu estava com fome de companhia - uma mãe ou irmã. Uma mulher que pudesse conversar. Minha mãe morreu quando eu era criança. Mal posso me lembrar dela. Bem, acho que ela era realmente minha mãe adotiva. Não conheci minha mãe de nascimento.

Ela não sabia que era adotada até seu leopardo enfiar as garras no rosto de Conner. Instintivamente seus dedos foram para o rosto do gato. Com certeza, havia quatro sulcos profundos lá. Ela fez pequenas carícias ao longo das quatro cicatrizes. Estava um pouco protegida da chuva, pelas folhas grossas, mas de vez em quando algumas gotas fugiam pelas folhas largas num gotejamento constante abaixo de suas costas. Se contorceu desconfortavelmente.

Instantaneamente o leopardo ficou em pé. Sentado, era mais alto do que ela. Seu rosto largo e forte. Olhou as árvores circundantes como se as estudasse antes de se voltar para ela. Ele esperou enquanto começava lentamente a ficar em pé. Sabia que queria tirá-la do chão para levá-la até as árvores, uma reação instintiva do leopardo.

—Podemos voltar para a cabana e sentar na varanda, — ela sugeriu às pressas.

Estava um pouco nervosa rodeada pela escuridão absoluta, aqueles olhos dourados brilhando para ela. E não queria ver os enxames de insetos vindo na sua direção. A maioria dos mosquitos e outros insetos picadores ou mordedores mantinham distância dela, mas sempre haviam os enxames de formigas a enfrentar. Nunca admitiria em voz alta, já que a sua profissão escolhida a mantinha na floresta, mas formigas em especial eram seu pesadelo.

Era bastante cômico ficar em pé, com os dedos enterrados na pele de um leopardo e vasculhar a vegetação procurando por formigas.

Isabeau deu um passo hesitante na direção da cabana. Sempre teve um incrível senso de direção, mesmo no interior da floresta tropical, embora nunca entrasse sem um guia, mas agora se sentia ainda mais confiante. Deu mais um passo lento, seu coração martelando duro, querendo que ele a seguisse. O leopardo se moveu para o lado dela, mantendo seu pescoço em sua palma e seu corpo de encontro à sua perna, enquanto se moviam juntos através do mato espesso.

Querendo manter sua mente fixa sobre ela e afastá-lo da perda de sua mãe, Isabeau continuou falando.

—Quando era criança, me lembro que meu pai costumava tentar me levar para parques onde tinham passeios de montanha-russa, e eu odiava. Era muito aventureira, então ele nunca conseguiu entender por que não gostava do movimento. Toda vez que andava num deles, algo dentro de mim ficava louco. Devia ser meu gato, mas obviamente eu não sabia no momento. — Ela suspirou. —Acho que não sabia de um monte de coisas então.

Caminharam dentro e fora das árvores. Ela podia ouvir sua pulsação. Ia contar, e trair seu pai ainda mais. Mas lhe devia muito.

—Eu contei à sua mãe sobre a montanha-russa — e os homens que meu pai sempre encontrava nos parques. — Ela podia ouvir o tremor em sua voz, mas não podia controlá-lo e sabia que Conner podia ouvi-lo também, especialmente com os ouvidos sensíveis do leopardo.

Sob sua mão, os músculos ficaram tensos, mas não diminuiu o passo. Continuou andando com ela, que lhe deu coragem para fazer a confissão.

—Nunca prestei atenção nos homens que muitas vezes encontrava lá, porque não gostava deles. Havia algo diferente sobre seu cheiro. — Seus dedos enrolaram mais fundos em sua pele. —Podia cheirar coisas a quilômetros de distância. Me deixava louca. Estes homens se encontravam com ele quando íamos tomar sorvete. Meu pai sempre me levava a este lugar, e os mesmos dois homens o encontravam e entregavam um pacote. Ele devolvia um envelope. Eu era uma criança, Conner e não percebia, ou mesmo perguntava, por que ele estava sendo pago por algo, ou se a razão por que aqueles homens cheiravam “diferente” era porque estavam fazendo algo errado.

Ela não percebeu o quanto seria fácil— ou o alívio que seria ao ser capaz de contar. Em sua forma de leopardo, não tinha que enfrentar seus olhos ardentes e saber que estava a julgando. Quando criança, não tinha ideia do que seu pai estava metido, mas quando mulher crescida, devia ser capaz de juntar as peças do quebra-cabeça.

Deveria saber: todos os sinais estavam lá, só não abriu os olhos.

—Ele fez isso por mim, — disse ela baixinho, odiando a verdade. —Queria o dinheiro para mim. — Sua garganta queimou. Seu pai era um médico, dedicado a salvar vidas. Ele fez um juramento de salvar os outros, no entanto, vendeu informações a um grupo de terroristas — informações que levaram ao sequestro e morte de muitas pessoas ao longo dos anos.

O leopardo empurrou sua cabeça próximo dela, cheirando sua coxa como se a consolasse. Estava grata que Conner não mudasse para sua forma humana.

Ela precisava começar a contar, e era mais fácil falar com o leopardo lá na escuridão. Ela puxou outro fôlego e levantou seu rosto para a chuva. As gotas estavam diminuindo, e na espessa névoa era mais difícil alcançar a chuva, mas ela parecia bem no seu rosto ardente.

—Sei que isto será difícil para você acreditar, mas meu pai era um homem bom. Não sei o que aconteceu, porque ele achou que seria necessário esse tipo de dinheiro de sangue. Fazia um bom dinheiro como médico. Depois que morreu, herdei tudo. Verifiquei seus livros com cuidado.

Ela tropeçou num pequeno ramo escondido profundamente nas camadas de folhas e vegetação apodrecida, tropeçando um pouco. O gato fluiu à sua frente, impedindo-a de cair no chão.

Teve que agarrar punhados de pelos para se manter em pé, os dedos ondulando na pelagem. Por um momento enterrou seu rosto no pescoço, esfregando seu rosto molhado na pele grossa. Era incrível se sentir tão confortável com o animal quando o homem a deixava louca por dentro. Ela deu uma risadinha auto-depreciativa. —Talvez apenas devesse ficar como leopardo.

Ela sentiu o gato grande endurecer, seus músculos enroscando tensos quando sua cabeça se ergueu alerta. Ele abriu a boca num rosnado silencioso, mostrando os dentes, seus olhos em chamas. Ela olhou na direção que ele olhava, na direção da cabana. Ela não podia ver ou ouvir qualquer coisa, mas confiou seus sentidos animais e recuou atrás dele. Esperaram em silêncio e, em seguida, Elijah saiu das árvores.

—Rio me enviou, — ele disse apressadamente. —Estava preocupado que sua mulher pudesse ter problemas. — Ele parou abruptamente no momento que viu o leopardo acocorado, mas parecia relaxado.

Isabeau tentou lembrar dele. Era bom de olhar. Intrigante mesmo. A mesma aura perigosa que cercava Conner o envolvia também, e parecia vagamente familiar. Um homem como Elijah era memorável, mas não lembrava de ninguém que invadiu o complexo onde seu pai foi avisar seus amigos. Por tudo que sabia, este homem poderia ser quem matou seu pai.

—Estou bem. O achei sem nenhum problema, — ela respondeu.

—Estou vendo. — Elijah estudou o rosto dela. —Eu não o matei — seu pai, quero dizer. Não o matei.

Ela engoliu, mas não respondeu à isca.

—Isso é o que estava querendo saber. Poderia fazer isso sem hesitação, — admitiu honestamente, — para salvar a vida de Conner, mas não fui o primeiro a entrar. Estou querendo saber o que você estava fazendo lá.

Ela ficou rígida. Ninguém pensou em fazer essa pergunta. Nenhuma pessoa. Nem mesmo Conner antes dela rasgar seu rosto. Ela ficou tão chocada, tão traumatizada, mas mesmo assim, esperou pela pergunta, querendo saber como a responderia. Agora, aqui na selva com a névoa a encobrindo e um leopardo pressionando perto de suas pernas, ela sabia.

—Fiquei preocupada com a forma como meu pai estava agindo. Não era racional. Sabia que estava chateado, mas se tornou misterioso e... — Ela arrastou as palavras, percebendo agora o que a levou a segui-lo. Ela cheirava suas mentiras. A memória correu rápido, seu estômago reagindo, a bile subindo, assim como quando seguiu seu pai pelas ruas da cidade e, em seguida, pelas trilhas do rio, mais e mais fundo na floresta tropical de Borneo. Seu coração afundou em seu peito, e soube que não estava indo atender uma chamada médica.

Ele passou através de portões vigiados e ela estacionou seu carro na própria floresta e continuou a pé. Ela permaneceu por muito tempo nas árvores enquanto ele dirigia por trás desses grandes portões, debatendo o que fazer. Todas as pequenas pistas desde sua infância começaram a encaixar como peças de um quebra-cabeça gigante.

As vias navegáveis não eram seguras. Todos sabiam. As pessoas eram sequestradas tantas vezes e feitas reféns que ninguém sequer pestanejava mais ao ouvir a notícia. A maioria dos resgates eram pagos e os prisioneiros libertados. Eram negócios. Apenas negócios. Mas havia alguns grupos sobre os quais leu que tinham acampamentos terroristas onde torturavam e assassinavam prisioneiros, extorquindo das famílias dos sequestrados até não terem mais nada e os corpos serem enviados em pedaços. O dinheiro era usado para armas e bombas e mais campos terroristas.

Ela ficou horrorizada, e, em seguida, entrou em negação. Naturalmente seu pai não estava envolvido numa coisa dessas — e decidiu se esgueirar até o interior. O leopardo se esfregou ao longo de sua perna, provavelmente sentindo sua aflição. Ela percebeu que apertava suas mãos na pele do leopardo, enterrando os dedos profundamente, tentando empurrar atrás seus pensamentos.

—Sei o que está fazendo, — sussurrou Isabeau. — Não quer que fique com raiva de Conner então acha que fazendo meu pai parecer mau, vou perdoar o que ele fez.

—Não preciso fazer seu pai parecer mau, ele fez isso tudo por conta própria, — disse Elijah. —Mas não tem que defendê-lo. — Ele ignorou o rugido ameaçador do leopardo, embora sua posição se adaptasse ligeiramente, se preparando para a defesa. —Meu pai me deixou um Império de drogas quando seu irmão o matou. Não tenho qualquer razão para defender sua escolha de estilo de vida. Fiz uma grande cobertura para eu me mover entre o submundo e o mundo dos negócios, mas não importa o quê, é meu legado e tenho que lidar com ele. Escolho minha vida. Você escolhe a sua.

Ela sentiu seu gato pular de raiva. Em algumas frases ele reduziu sua dor real a autopiedade. E talvez fosse hora de alguém fazer isso. Estava cansada de carregar sua raiva se envolvendo ao seu redor como uma armadura. Fugiu como uma criança e se escondeu na floresta em vez de procurar Conner e o confrontar como devia. Ela o amava com cada respiração em seu corpo, mas nem sequer tentou descobrir por que ele usou seus sentimentos a seu favor.

Odiava que este homem, parecendo tão frio e calmo, com a névoa rodando em torno dele e a noite brilhando em seus olhos, fosse o único a fazê-la olhar para si mesma. Devia ter olhado no espelho e encontrado a coragem por si mesma. Nunca teve medo de nada, certamente não de expressar sua opinião ou confrontar alguém se precisasse. Mas fugiu como um coelho e se escondeu, afastada com suas plantas e trabalho em vez de juntar os pedaços. Em vez de admitir que seu pai era um criminoso, ela devia, pelo menos, exigir algum tipo de encerramento com Conner.

Quando se tornou tão covarde que precisava de um leopardo rosnando para ameaçar seu amigo, porque seus sentimentos foram feridos quando alguém disse a verdade? Ela tinha vergonha de si mesma. Ela se ajeitou, deixando de lado seu aperto de morte no pêlo do gato.

—Auto-piedade é insidiosa, não é?

Elijah deu de ombros.

—É justa sua raiva, já que a senti em abundância em minha vida. Vamos voltar à cabana, vocês dois. Temos muito trabalho a fazer na parte da manhã. E, Conner, alguém tem que assumir esse filhote. Não nos deixou matá-lo, então é seu.

Isabeau fez uma careta.

—Ele entrou na turma errada. Não merecia morrer. Todos vocês são sedentos de sangue? Ele não pode ter mais de vinte anos.

—Ele afundou suas garras numa fêmea, e não estaria dizendo isso se Adan estivesse caído, morto aos seus pés, — Elijah apontou, seu tom de voz suave. Observou que colocava o pecado de agarrar uma fêmea antes de matar Adan. Ela tinha muito a aprender sobre o mundo dos leopardos. Era estranho como ficava mais confortável com estes homens do que deveria. Olhou para o dossel elevado onde o vento rodava a névoa em formas estranhas que se dispunham ao redor das árvores, formando véus cinzas que não podia ver através, nem mesmo com sua visão noturna superior. Este, então, era o mundo onde pertencia.

Conner disse que havia uma lei superior. Antes que fechasse todas as portas e tomasse decisões, precisava aprender as regras. Em qualquer caso, enquanto estivesse na presença de tantos leopardos, precisava aprender tanto quanto pudesse com eles.

—Não acho que teria matado Adan sem provocação, — defendeu Isabeau. —Foi realmente muito gentil e algumas vezes sussurrou para mim que realmente não ia me machucar.

—Isso é besteira, com suas garras em sua garganta e o sangue escorrendo. — Agora havia raiva suprimida na voz de Elijah.

Isabeau sentiu o eco no arrepio que atravessou o leopardo pressionado tão perto dela.

Jeremiah chegou muito perto da morte. Por tocá-la. Que era de onde a raiva vinha. Não porque ameaçou qualquer um deles ou Adan. Ela era de alguma forma sagrada para todos eles. Por causa de Conner? Porque era uma leopardo fêmea? Não sabia, mas havia consolo no conhecimento. Um tipo de segurança que nunca sentiu antes.

Havia também uma nova confiança que vinha com esse conhecimento. Percebeu que Conner não mudaria na vista de Elihaj, não porque estivesse numa posição melhor para protegê-la como leopardo, mas porque não queria a embaraçar com sua nudez na frente de outro homem. Ele deliberadamente ficou em forma animal, embora não pudesse participar da conversa. Ela o acariciou agradecida — abaixo por suas costas, tentando transmitir silenciosamente sua apreciação.

Modéstia era um conceito estranho para estes homens, estava certa disso. Isabeau caminhou em silêncio por alguns minutos, apreciando a forma como a névoa os envolvia tão de perto. Não podia ver muito longe na frente dela, e o vapor subia do chão fazendo seus corpos parecer flutuar por entre as nuvens sem pés.

—Não estou machucada, — ela garantiu, quando pegou Elijah examinando sua garganta quando chegou ao lado dele.

Elijah ficou no mesmo passo com eles, tomando posição do outro lado de Conner, para que o corpo longo e poderoso do gato ficasse entre eles. Se movia facilmente, esse mesmo movimento fluido que Conner tinha, como se corresse sobre a terra em silêncio.

—O garoto precisa de outra surra, — Elijah assobiou. O gato fez um surdo som de acordo profundo em sua garganta e Isabeau sorriu.

—Não acho que qualquer um de vocês está muito longe de seu gato.

—Lei da selva, — Elijah disse como se explicasse tudo.

E o fazia, ela percebeu. Mais um pouco de informação. Suas vidas não eram mais complicadas por causa de seus leopardos, eram menos. Viam o mundo em preto e branco em vez de tons de cinza. Os fazia aceitar um trabalho desagradável, e se isso significasse seduzir uma mulher para salvar crianças, que assim fosse.

Porque seu coração se apertou dolorosamente em seu peito, não sabia. O pensamento de Conner tocando — beijando — abraçando outra mulher a fez se sentir doente. E o trouxe aqui para fazer exatamente isso.

—Acho que não entendo essas linhas claras que todos traçam por si mesmos. Quem determina o que é certo e o que é errado? — perguntou ela.

O leopardo cutucou sua coxa novamente, roçando próximo dela e ela sentiu sua própria reação, seus sentidos saltando na direção dele, uma reação que não podia evitar, acontecendo muito rápido, e também automaticamente. Um pequeno toque do homem ou do animal e ela reagia com esperança, necessidade, com uma resposta quase obsessiva.

Elijah deu-lhe um olhar.

—Estamos falando sobre Jeremiah? Ou Conner?

—Ambos. Todos vocês.

—Fale com Conner, — Elijah aconselhou. —Ele é mais bem informado dos nossos costumes que eu. Cheguei tarde ao clã. E todo mundo comete erros, Isabeau. Você, eu, Conner. Seu pai. Meu pai. Todos nós o fazemos.

Ela acompanhou o leopardo, olhando para a frente. Água espirrava das colinas inclinadas num leito estreito. Caminharam sobre as rochas e continuaram a vadear através da água até o outro lado onde o banco era menos íngreme.

Isabeau sentiu uma pontada de inquietação e, em seguida, profundamente dentro, seu gato se agitou, acordando.

Algo puxou seu tornozelo por trás e, em seguida, ela caiu e a água fechou sobre sua cabeça. Quase imediatamente foi tombada repetidamente, como se estivesse numa máquina de lavar roupa, rolando ao mesmo tempo que algo se embrulhava firmemente em torno dela, a segurando forte, semelhante ao aço, enrolado. Ela se ouviu gritando em sua cabeça, mas teve a presença de espírito de não abrir a boca embaixo da água.

Seu braço, onde sua ferida estava, queimava e latejava. Seu pulso esquerdo, preso nos elos grossos, parecia como se fosse estourar pela pressão. Ela não tentou lutar, se dizendo que Elijah e Conner viriam em sua ajuda e não entrasse em pânico. A cobra a rolou e ela sentiu a noite fria no rosto. Ela engoliu ar, puxando uma respiração profunda antes dela a rolar novamente. Seu rosto raspou nas rochas quando a levou abaixo pela parte inferior.

Elijah saltou por cima do leopardo, uma faca em seu punho.

Conner explodiu ao lado dele, rugindo um desafio, girando ao redor e afundando seus dentes profundamente nos elos se contorcendo, segurando a serpente, impedindo que levasse sua presa para águas mais profundas. A anaconda verde era grande, perto de quatrocentos quilos de sólidos músculos, e estava com fome, determinada a não perder sua presa. A cabeça estava perto da cabeça de Isabeau, as presas perigosamente perto de seu pescoço. Não tinha uma mordida fatal, ou veneno, mas se ancoraria lá e a abraçaria até que pudesse se contrair e sufocá-la.

Elijah tentava se mover em torno da água agitada para alcançar a cabeça, mas a cobra continuava a se debater e rolar, mantendo a água turva, impedindo o homem de fazer mais que irritá-la cortando os elos de músculo grosso enquanto se movia em torno da cobra constantemente se contorcendo. O gato agarrou a cauda da anaconda em sua boca e começou um constante puxão atrás na direção do banco num esforço para arrastar a cobra para águas rasas e impedir Isabeau de se afogar.

A cobra era muito grande e, obviamente, fêmea pelo seu tamanho. Era verde escura com escuras manchas ovais decorando suas escamas acima e abaixo de suas costas. Ao longo de seus lados as manchas características ocre da anaconda. Sua cabeça era grande e estreita, terminando diretamente no pescoço grosso, musculoso, por isso era difícil dizer onde os dois se separavam, especialmente na água agitada. Os olhos e narinas definidos acima de sua cabeça a permitiam respirar enquanto a maior parte dela estava submersa. Em casa na água, usava sua habilidade em sua vantagem, combatendo o puxão implacável do leopardo.

Quando Conner deu mais dois passos atrás, segurando mais a cobra para conseguir maior alavancagem, Elijah circulou pela frente, atingindo abaixo da superfície da água e arrastando Isabeau e a cobra para fora, assim ela poderia puxar outro fôlego.

Infelizmente quando ela engasgou, seus pulmões queimando por ar, a serpente enrolou mais apertada.

—Conner, segure a maldita coisa, — Elijah rosnou, seus dentes encaixando juntos em frustração.

O tempo parecia estar acabando para Isabeau. Podia ouvir o leopardo rosnando, mas seu pulso martelava alto em seus ouvidos. Seus pulmões sentiam fome de ar e o medo era um gosto vil na sua boca. Cada instinto dizia para lutar, combater, mas se forçou a manter a calma, se recusando a ceder ao pânico que ameaçava reduzi-la a uma vítima, gritando estupidamente.

Na mente dela cantava o nome de Conner. Soube o instante que ele passou — ou talvez seu gato soubesse. Não podia vê-lo, mas podia ouvir os rosnados estrondando, ressoando através da água, mas sabia que estava usando a força combinada do homem e do leopardo para arrastar a cobra para a terra.

Elijah continuava dentro e fora de sua linha de visão, seu rosto triste, seus olhos fixos na cabeça da serpente, a faca tentando atravessar as escamas para cortar a cabeça musculosa. A serpente sabia que estava em apuros agora, e a única saída era abandonar sua refeição e escapar. No momento que a cobra afrouxou seus elos, Conner a alcançou além do corpo se debatendo, envolveu seu braço na sua perna e a puxou para ele. Praticamente a jogou atrás dele. Ela teve um vislumbre do masculino corpo duro, com cordas de músculos, quando mergulhou nas águas rasas para ajudar Elijah.

A cobra se enrolou em torno do homem num esforço para escapar da lâmina da navalha, tentando usar o peso e os músculos para alcançar a água mais profunda. Conner agarrou o corpo se debatendo e o segurou enquanto Elijah matava a cobra. O animal ficou flácido e ambos os homens se levantaram, curvados, o peito arfando pela enorme luta contra uma criatura tão forte.

Conner se virou para ela, agachando sob a água para passar suas mãos sobre ela.

—Está tudo bem, Isabeau?

Ela considerou gritar. Ou romper em lágrimas.

Ela quase morreu, esmagada pela cobra ou afogada. Mas ele parecia perfeitamente calmo como se fosse uma ocorrência normal e não grande coisa. Ela jurou que até mesmo parecia arrependido enquanto assistia Elijah arrastar a carcaça para a terra. Ela estava bem? Ela olhou para seu corpo. Se sentia ferida e talvez um pouco maltratada, mas nada estava quebrado. Estava encharcada, mas a chuva já tinha feito isso.

Lentamente fez um balanço da sua situação. Estava ainda na corrente, até seus tornozelos, e graças a Deus sobreviveu a um ataque da anaconda. Seu coração batia como trovão em seus ouvidos, seu hálito vinha em suspiros enraivecidos e duros, mas cada terminação nervosa estava viva. O mundo mais nítido, fresco, mais bonito do que nunca o viu.

A névoa pendurava em véus moles que rodeavam o preto, o sussuro das folhas chegando através do vento balançando o dossel ligeiramente. A água corria sobre as rochas, uma faixa escura, reluzente de prata enquanto se movia. Podia ver o corpo longo e grosso da cobra deitado no banco. Ao lado dele, Elijah sentado, um pequeno sorriso se espalhando em seu rosto. Não conseguiu evitar que seu olhar se voltasse para Conner, seu corpo nu coberto por músculos definidos.

Conner sorriu para ela, um sorriso lento, muito vivo que tirou o pouco fôlego que tinha e o substituiu por uma arremetida de calor e adrenalina. Ele levantou uma mão gotejante para seu cabelo e o afastou de seu rosto.

—Quanta ação, hein?

Ela acenou com a cabeça, fascinada pelo magnetismo puro de seu rosto. Havia alegria — vida — brilhando em seus olhos. Chamas pulavam e queimavam brilhantemente nos olhos dourados. Ele piscou para ela e borboletas começaram uma migração grave no fundo de seu estômago.

—Desculpe a falta de roupas. Pensei que sua vida era mais importante que sua modéstia.

—No momento eu também, — ela admitiu. Embora agora estivesse mais preocupada com sua virtude — o pouco que restava. Queria que ele se levantasse. Suas coxas fortes escondiam a frente do seu corpo dela, mas dava água na sua boca. Sabia o que estava lá. E sabia que estava muito duro. Ele geralmente ficava em torno dela, e ela não via muita diferença, uma vez que estavam na companhia do outro.

—Odiei que tivéssemos que matá-la, — disse Conner, e desta vez não havia nenhuma dúvida quanto ao pesar em sua voz. —Era uma fêmea à procura de uma refeição. Odeio perder qualquer uma delas.

—Estou grato que não fui sua refeição, — admitiu Isabeau.

—Deveria ser mais cuidadoso, — disse Conner.

—Elas ficam sob os bancos, nas cavernas naturais onde a água é rasa e lenta. Não estamos numa elevação muito alta e deveria estar mais alerta.

Elijah riu e Conner enviou um aviso carrancudo. Elijah apenas riu.

—Claramente, sua mente estava onde não deveria estar.

O olhar ameaçador de Conner se tornou um brilho fumegante.

—Por que não estava alerta?

O clarão não teve efeito mais que o olhar ameaçador. Elijah deu uma gargalhada.

—Tente conversar, gato sarnento. Não foi fácil tentar tirar sua bunda gorda fora do problema. É preciso pensar um pouco.

Isabeau começou a rir.

—Vocês dois são loucos.

—Somos loucos? Está aí rindo depois que uma cobra tentou engoli-la inteira, — destacou Elijah.

—Tenho certeza que teria quebrado todos os seus ossos primeiro, — disse Conner.

Ela o empurrou, esperando por um grande splash. Seu empurrão mal o abalou, mas ele piscou outro sorriso largo que a sacudiu, e por seu sorriso valia a pena perder de vê-lo caindo de bruços na água. Era respeito em seu rosto. Em seus olhos. Estava orgulhoso dela e havia respeito nos olhos de Elijah também. Não podia evitar o pequeno brilho desabrochando e se espalhando dentro dela.

—É melhor levar você de volta para tirar essas roupas molhadas, — disse Conner. —Vou mudar.

Foi todo o aviso que ela teve antes que seus músculos e pele se contorcessem deslizando ao longo das costas e barriga.

Garras explodiram das pontas dos dedos. Ela ficou chocada pela rapidez que ele podia assumir sua outra forma. Ela acertou seu passo ao lado dele, sem medo, enquanto o coração dela batia e estava consciente de cada movimento na floresta. Estava viva. Totalmente, absolutamente viva.

 

Estava acontecendo tudo de novo. Isabeau deu uma olhada rápida, sorrateira ao redor, esperando que ninguém a notasse se contorcendo. Sua pele queimava, parecia muito apertada, cada nervo cru e latejando.

Ela esfregou os braços, e até mesmo o leve toque fez sua pele doer. Lá no fundo a coceira cresceu a uma dor exigente que não podia ignorar.

Ela dormiu a noite inteira, enrolada contra o grande leopardo, a chuva um ritmo constante e suave, a pele grossa e quente. Sua pulsação estava em seu ouvido enquanto ela deitava a cabeça no pêlo macio.

Não tinha nenhum sinal dessa loucura então. Ainda tinha a imagem de Conner agachado nu no fluxo de sua mente.

Agora, não conseguia respirar sem cheirar seu doce almíscar selvagem, uma isca atraente que não conseguia ignorar.

Sem sequer olhar, estava ciente dele. Sabia sua posição exata a qualquer momento. Conner Vega rapidamente estava se tornando a maldição de sua vida. Tentou desesperadamente apenas respirar normalmente, mas seus pulmões queimavam junto com sua pele, o ar entrando em suspiros ásperos, duros.

Os homens lhe deram pequenos olhares, rápidos, durante o café da manhã, mas ninguém realmente olhou para ela — e isso dizia a ela que apesar de seus melhores esforços — sabiam de seu estado de maturação. Era uma posição humilhante e extremamente desconfortável. Sua fome se agravou quando Conner voltou de seu banho de manhã, vestido casualmente em jeans que abraçavam as pernas fortes e delineavam seu bumbum. A última coisa que precisava era ficar olhando, mas, honestamente, como podia evitar? Ela pressionou duro seus dedos nas têmporas num esforço para obter controle. Seus dentes doíam pela tensão de continuamente os apertar.

Os homens tiveram uma conversa baixa depois do almoço enquanto ela bebia o café que parecia tão amargo que mal podia fazê-lo descer. Adan saiu. Ignorou o mal-estar repentino que sentiu quando seu único aliado saiu, mas não importava o quanto quisesse negar isso, desde o despertar desta manhã, um fogo lento começou a crescer em seu corpo. Grosso, como magma de um vulcão, o calor se transferia através de suas veias e se espalhava como um vício insidioso por todo seu corpo.

Não ajudava que depois do almoço, a equipe decidisse trabalhar com Jeremiah e suas habilidades de combate.

Claro que foi Conner a tocá-la, totalmente impessoal, as mãos colocando seu corpo na posição correta até que apenas a ponta dos seus dedos a fazia querer gritar de desejo. Não ia perder esta oportunidade de aprender com eles, mas seus corpos logo brilhavam com o suor e quase imediatamente os homens tiraram suas camisas.

Ela colocou tudo que tinha no exercício, valorizando as duras técnicas de socos e pontapés. Trabalhou seu corpo duro num esforço para se superar. Se não podia ter sexo quente, suado e muito, esperava trabalhar até o ponto da exaustão. Cada vez que Conner corrigia sua postura ou sua perna quando girava e chutava, fazia todo o o possível para não se afastar de seu toque escaldante.

Ela deliberadamente colocou distância entre eles, tentando trabalhar o giro, saltos, chutes e socos precisos. Ouviu Conner e Rio falando sobre uma disputa e ficou com Jeremiah, tentando não perceber os olhares amorosos que jogava em sua direção. Seu gato queria se esfregar ao longo dos galhos das árvores, basicamente em qualquer coisa. Tudo que ela queria fazer era se esfregar em Conner, mas se queriam disputar, era o que iriam receber.

Felipe foi o primeiro a ficar na frente dela, punhos dobrados, suas mãos e seus olhos focados nos dela. Ela podia ver que estava tentando não respirar — para não inalar o cheiro dela. Nunca notou que seus cílios eram tão longos, enrolados um pouco nas pontas. Tinha um nariz bonito e uma mandíbula firme. Era extremamente bonito, não tão musculoso como Conner ou Rio, mas ágil e flexível...

—O que diabos está fazendo, Isabeau? — Conner exigiu. —Ele te acertou seis vezes direto e sequer tentou bloquear.

—Ele fez? — Ela piscou rapidamente e olhou ao redor para o círculo de rostos, um pouco confusa. Felipe realmente se moveu? —Ele não me bateu.

—Ele puxou seu soco, porque se tocasse você, eu enfiaria os dentes na garganta dele, —Conner devolveu, claramente irritado. —Ainda tem que bloquear.

Ele parecia muito sexy quando estava com raiva. Ela nunca notou isso antes. Estendeu a mão para esfregar a ruga em seu rosto. Ele a empurrou atrás, sua respiração explodindo de seus pulmões. Ela puxou a mão, fazendo beicinho.

—Estou tentando, Conner.

—Bem, se esforce mais, — ele disse áspero.

Sua voz era grossa e sexy, e outra onda de calor caiu como fogo através de suas veias. Gostou disso. Felipe foi substituído por Elijah. Elijah parecia prestar mais atenção em Conner do que nela. Experimentalmente, deu uma série de leves socos e chutes, determinadas a trazer Elijah de volta. Ele não recuou como deveria, mas desviou a mão em sua direção com uma velocidade incrível. Na verdade, podia ver o fluxo de seu músculo, a firmeza de sua mandíbula, a forma sensual de seus lábios.

Carne bateu contra carne e ela piscou. A palma da mão aberta de Conner capturou o punho de Elijah apenas a uma escassa polegada do seu rosto.

—Isabeau, — ele soltou entre seus dentes. —Não está tentando.

—Estava. Realmente, — ela protestou. Como deveria se concentrar quando todo corpo de Elijah parecia feito de músculos fluídos? Era poético. E sexy. Quente. Totalmente quente.

Conner fez um som que beirava um rosnado.

Elijah se afastou de Isabeau, soltando as mãos e balançando a cabeça. Pequenas gotas de suor pontilhavam sua testa.

—Terminei aqui, Conner.

Isabeau olhou esperançosa para Leonardo. Com certeza podia acertar um chute ou dois nele. O homem parecia estar aterrorizado — indo para a forca. Isso devia dizer a ela como Conner assustava os homens.

Seu corpo parecia maravilhoso, muito vivo, cada terminação nervosa sensível e responsiva. Cada movimento estendia sua parte superior tensionada sobre seus mamilos duros, os roçando com toques deliciosos, enviando a excitação dançando através de sua barriga. Quando se moveu com o fluxo sensual dos músculos, estava ciente da mecânica do corpo dela como nunca esteve — de sua própria feminilidade e como perfeitamente maravilhosos os jeans eram, esfregando em todos os lugares, quando ergueu sua perna para soltar um chute.

Leonardo começou a suar e abruptamente deixou cair as mãos, se afastando enquanto ela deslizava mais perto. Conner pisou entre eles e a pegou pelos ombros.

—O que exatamente é isso?

—O quê? — Ela sorriu para ele, sonhadora. Se moveu apenas um pouco mais perto, e provavelmente poderia se esfregar ao longo de seu peito. Encostou nele.

—Esse ruído. Está ronronando, — ele acusou.

—Sério? Estou? — Ela deslizou seu corpo contra o dele e esfregou seus seios ao longo de seu peito, precisando deixar seu cheiro nele, apreciando os riscos de fogo chiando através de suas veias quando os mamilos sensíveis apertaram ainda mais. —Sabia que tem a boca mais surpreendente?

Rio fez um barulho em algum lugar entre frustração e diversão.

—Isto não está funcionando, Conner. Acho que vamos trabalhar com a mudança de Jeremiah por um tempo. — Ele apontou para uma clareira a uma pequena distância. —Lá.

Conner virou a cabeça para ver o jovem leopardo olhando para Isabeau com um olhar absorto em seu rosto, a boca aberta, quase babando. Uma mão macia se inseriu entre o corpo de Conner e o dela e esfregou a frente de seus jeans, direto sobre sua virilha, uma dor grossa voltando sua atenção para Isabeau. O ronronar aumentou e os olhos dela estavam um pouco vidrados. Xingando, ele capturou seus pulsos e puxou suas mãos até o peito, as prendendo lá.

—Boa ideia, — ele praticamente rosnou de volta. O garoto precisava de distração.

O gato de Isabeau precisava emergir rápido ou mais dessa onda acabaria fazendo todos os homens entraram numa espécie de frenesi sexual. Podia sentir o cheiro da testosterona aumentando. As coisas estavam indo para o inferno rápido. Precisava assumir o controle.

—Vai conseguir alguém morto, — ele sussurrou para o gato.

Cometeu o erro de puxar Isabeau para seus braços. Todas essas curvas suaves se derreteram nele. Ela inclinou o rosto em seu pescoço e lambeu. Uma lambida delicada, sua língua como veludo acariciando sobre seu pulso pulando. Seu pênis latejante sentiu essa carícia tentadora e empurrou com força contra o tecido grosso de seu jeans. Fogo correu sobre sua pele, queimando seus ossos, dançando em suas veias, até que não conseguia pensar em nada além da luxúria fluindo através dele.

—Venha comigo agora. — Ele teve a presença de espírito de arrastá-la para as árvores, longe da vista dos outros. Ela não tinha senso de auto-preservação, indo com ele sem luta, olhando para ele com os olhos encharcados de desejo.

Sua respiração sibilou para fora de seus pulmões e sua boca desceu sobre a dela antes que tivesse chance de salvar os dois. A tentação o atingia como um tambor, batendo em suas veias, através de seu pau — todo seu sistema nervoso se inflamando — intoxicado — por ela. Ele tomou sua boca na dele, um longo beijo aditivo até que não podia dizer onde estava mais. Tudo distanciou, as árvores, o mato, até mesmo o cheiro dos outros homens. Havia apenas Isabeau, macia e quente, uma sereia o arrastando mais fundo em sua teia de prazer.

Esteve lá antes. Cada pedaço de honra que possuía subiu em chamas, uma vez que o gosto dela se tornou um vício — e estava começando tudo de novo. Ele se arrastou da boca dela e olhou abaixo em seus olhos líquidos, lutando para respirar, lutando por suas próprias necessidades.

—Tem que se controlar, Isabeau. — Sua voz era rouca. —Todo homem aqui é leopardo. Tem alguma ideia dos estragos que está fazendo?

—Amo sua voz. — Suas mãos deslizaram sob sua camisa para encontrar a pele nua. —E sua boca. Quando me beija é como fogo se espalhando através de mim.

Sua voz era mais sedutora que qualquer coisa que já conheceu, derramando sobre ele, o enchendo, corroendo sua disciplina. Fechou os olhos brevemente, tentando lembrar do tamanho do problema que entrou antes porque não foi capaz de resistir à sua atração — e ela não tinha a tentação adicionada de seu gato emergente.

—Isabeau. — Saiu um pouco tremido. Não parou suas mãos errantes. —Olhe para mim. Não quer fazer isso. Daqui a algumas horas vai me odiar ainda mais do que já faz. Te decepcionei uma vez e serei amaldiçoado se o fizer novamente.

Quem diabos estava enganando? Não tinha esse tipo de controle. Nem em 1 milhão de anos. A queria com cada respiração que puxava. Não por causa de seu gato, mas porque era Isabeau Chandler, a mulher que amava acima de tudo. Puxou ar para seus pulmões. A amava, e sabia a diferença de ficar sem ela. Não deixaria a história se repetir.

—Pare, Isabeau. — Sua voz saiu mais áspera do que pretendia.

Ela ficou rígida, deixando cair as mãos, como se ele a tivesse queimado. Se afastou longe dele.

—Sinto se o deixei desconfortável, — ela disse, sua voz tremendo. —Certamente não queremos isso, não é? O grande Conner Vega. Engraçado como quando a sedução é sua ideia, não é nenhum problema.

—Isso é o que tem em mente, Isabeau? Sedução? Está brincando com fogo.

Ela o olhou de cima abaixo.

—Duvido. Não acho, restou muito aí. — Deliberadamente, se virou e permitiu que seu olhar varresse os outros machos, especulação aberta no rosto. —Desculpe se incomodei você.

Ele pegou seu braço e a puxou de volta para ele quando ela teria se afastado.

—Nem mesmo pense nisso.

Sua sobrancelha disparou.

—Não tenho ideia do que está falando. — Ela olhou para a mão e ele a soltou. Ela virou de costas para ele e se afastou, seus quadris balançando, o cabelo despenteado, um pouco selvagem e caindo em torno de seu rosto e suas costas como se não percebesse que ele afrouxou seu rabo de cavalo. Não se lembrava de fazê-lo, mas a sensação de seda ainda estava nas pontas dos dedos.

Isabeau piscou atrás as lágrimas queimando em seus olhos. Ela se jogou para ele e ele a rejeitou. Seu orgulho estava no chão, pisoteado.

Ele não a queria. Ela abaixou sua cabeça, dobrando a cintura para puxar o ar. Foi um erro. Podia cheirar todos os homens agora, uma mistura inebriante de luxúria e potência masculina.

Se não parar com isso, sua vadia, vou estrangular você, ela sussurrou para seu gato. Queria arranhar seu caminho de volta aos músculos de Conner. Quem pensaria que músculos podiam ser assim definidos? Sabia que não era o gato — ou, pelo menos, apenas o gato. Queria Conner e seu gato emergindo era uma ótima cobertura. Mas ele não a queria.

Como podia, quando ela o queria com cada fibra do seu ser? Não conseguia fechar os olhos sem sua imagem a assombrar. Não conseguia respirar sem precisar dele. Maldito por rejeitá-la. Era o único bradando que a lei da floresta era uma lei maior, e ainda quando ela teve a chance, ele recuou. Custou cada grama de coragem que ela possuía para levá-lo a beijá-la, esperando que a tomasse lá. Se ele não a queria mais, bem... Ela levantou a cabeça e olhou para os homens conversando com Jeremiah na clareira, a apenas uma curta distância.

Ela disse a Adan que tentaria seduzir um dos guardas de Imelda Cortez porque sabia que nunca sentiria por outro homem o que sentia por Conner. Sedução ainda tinha possibilidades.

Talvez ser leopardo significasse que podia ser promíscua e não se importar. Talvez seus escrúpulos morais fossem superados muito mais fácil do que jamais acreditou. Ela se aproximou, querendo ouvir o que diziam.

Estava ciente de Conner, se juntando aos outros homens. Ele se destacava. Para ela, temia que ele sempre se destacasse. A luz caia em seu cabelo e corpo, o iluminando no escuro, o destacando na escuridão. Ele correu os dedos pelo seu cabelo, os alisando ao acaso da maneira que ela achava sensual. Quase se odiava naquele momento.

Ela olhou para longe dele, e seu olhar encontrou Jeremiah.

Ele continuava lançando a Isabeau pequenos olhares amorosos, incapaz de manter seus olhos longe dela. Claramente a achava atraente. Ele flexionou seus músculos para ela e ela tentou não rir. Não era justo que pensasse nele como um garoto quando tinha quase sua idade. Conner se parecia muito mais com um homem, fisicamente falando.

Jeremiah se flexionou novamente e olhou Conner rapidamente antes de enviar um sorriso. Rio o chamou e ele saiu disparado, já se despindo, jogando sua camisa de lado e empurrando seu jeans abaixo, olhando atrás para Isabeau enquanto o fazia. O material ficou preso em seus tornozelos e ele caiu, de ponta cabeça, rolando clareira abaixo, entrelaçado em seu jeans.

—O que diabos foi isso? — Rio exigiu.

—Sei exatamente o que foi, — Conner disse ameaçadoramente, seguindo através da clareira até Jeremiah.

—Conner! — Elijah se moveu rapidamente para o interceptar. —Ele é apenas um garoto.

—Ele conhece as regras.

Jeremiah se esforçava para ficar em pé, o olhar desafiador.

—Talvez esteja apenas preocupado porque tenho equipamento maior que a média e acha que ela vai preferir a mim?

—Devido ao tamanho do seu pau? — Conner o olhou de cima abaixo e lá estava o desprezo em seu rosto. —Desculpe, criança, mas não vai rolar. Não pode sequer tirar sua calça fora quando precisa. Duvido que seu desempenho seja muito impressionante.

Indignado, Jeremiah arrancou seu jeans de seus tornozelos e os jogou com desgosto, correndo para Conner. Elijah o pegou e jogou para longe do outro homem.

—Idiota. Vai acabar morto. Não consegue saber quando a companheira de um homem está no Han Vol Dan? Tenha alguma merda de respeito.

Jeremiah parou e olhou para Isabeau. Todos o fizeram — com exceção de Conner. Ela tentou não ficar vermelho brilhante. Olhou para o chão, desejando que se abrisse e a engolisse. Ela se virou e caminhou para o abrigo das árvores para observar como Jeremiah se vestia e preparava para começar tudo de novo.

Vê-lo correr, se despir e mudar a fez coçar para tentar mudar. Verificou a mesa de seu pai com cuidado, lendo seus documentos privados, e não havia nenhuma menção das pessoas leopardo.

Não acreditava que ele soubesse. Sua mãe devia ter morrido no parto, assim como Conner especulou e ninguém veio reivindicar a criança. Ele se mudou da Amazônia para Bornéu na época de seu nascimento. Havia uma boa possibilidade que seu povo estivesse lá. Talvez devesse tentar encontrá-los.

Não podia voltar a Bornéu. Não podia ficar no Panamá. Conner estava em toda parte. Iria para qualquer lugar com ele, mesmo sabendo que ele causou a queda de seu pai. Apertou a mão trêmula na boca, com vergonha de si mesma. Era uma desculpa conveniente, uma maneira de manter viva sua mágoa. Seu pai provocou sua própria queda. O pecado de Conner foi seduzi-la, quando não queria isso.

Ele feria seu orgulho. Ainda estava chateada com ele, mas não era responsável pelas coisas que seu pai fez. Ele a usou assim como ela estava pedindo que usasse Imelda Cortez a fim de trazer de volta as crianças desaparecidas. Será que o fim justificava os meios?

Isso não a tornava uma hipócrita?

Ela apertou os dedos em suas têmporas e quis que seu corpo se acalmasse. Não queria partir sem terminar isso. Devia a Adan, e até mesmo à mãe de Conner, que tinha amizade por ela, bem como a todas as crianças que foram levadas. Ela puxou uma respiração profunda e a deixou sair, andando para trás para se livrar do excesso de energia, antes de voltar a se juntar aos outros.

Isabeau andava com a cabeça erguida, se recusando a ser intimidada ou humilhada pelo grupo de homens.

Tudo que era, tudo que estava acontecendo com ela aparentemente era normal em seu mundo e se recusava a ter medo. Podia querer sexo desesperadamente, mas não carecia de coragem.

Assistiu à mecânica da mudança mais e mais. Finalmente conseguiu ver o corpo nu e ficou fascinada pela mudança real. Parecia doloroso, embora acontecesse tão rápido enquanto Jeremiah corria que talvez não fosse tão ruim.

Rio, Felipe e Elijah balançavam a cabeça e olhavam um para o outro enquanto cronometravam a mudança de Jeremiah pela enésima vez.

—Muito lento, Jeremiah, — Conner soltou. —Faça novamente. E desta vez pense em alguém atirando em você enquanto está mudando. É mais jovem do que qualquer um de nós, e deve ser mais rápido. Precisa tirar quinze ou vinte segundos de seu tempo.

Jeremiah fitou Conner, um olhar de nojo absoluto.

—Bastardo ciumento, — ele murmurou sob sua respiração. —Não pode ser feito.

Jeremiah devia ser mais esperto. Conner tinha excelente audição. Conner o perseguiu pelo chão da floresta e pairou sobre o leopardo mais jovem.

—Acha que não pode ser feito? Não só pode ser feito, jovem filhote preguiçoso, mas pode ser feito correndo através das árvores, não em alguma clareira agradável como esta.

Jeremiah agravou seus pecados abertamente sendo sarcástico.

—Não acredito em você.

Rio veio por trás dele, silenciosamente e o segurou pela parte detrás da sua cabeça, o golpe duro o suficiente para balançar o garoto.

—Pare de choramingar e tente aprender alguma coisa. Se vier trabalhar conosco, tem que saber como se manter vivo. Nem sequer me ouviu chegando.

Isabeau se virou para esconder seu sorriso. Jeremiah era realmente um grande filhote, querendo o respeito dos outros leopardos, mas não querendo trabalhar tão duro para isso. Estavam todos exasperados com ele.

Trabalharam durante toda a manhã e estava se tornando claro que ele estava um pouco auto-indulgente e preguiçoso.

—Disse que sua família era de Costa Rica? — ela arriscou, se forçando a manter uma cara séria.

Jeremiah balançou a cabeça.

—Mas estou fazendo isso por minha conta. Meus pais não precisam saber, — acrescentou apressadamente.

Rio girou ao redor. Ele tinha se afastado pela clareira, seus ombros rígidos com aborrecimento.

—Seus pais não sabem onde está?

—Pensei que talvez sua mãe soubesse, — murmurou Elijah. —E é apenas uma criança.

Jeremiah olhou para ele, se erguendo em sua altura total e empurrando para fora seu peito.

—Sou de uma família enorme, o caçula de oito. Tenho sete irmãs. Meu pai queria um filho.

Os homens trocaram olhares conhecedores.

—E ele teve você, — Elijah murmurou sob sua respiração.

—Isso explica muita coisa, — disse Conner. —Bem, rapaz, essa não é sua casa e suas irmãs não estão aqui para acarinhar você. Melhore seu tempo ou leve sua bunda para a Mama, onde é seguro. Se ficar com a gente, alguém vai estar atirando em você.

Jeremiah corou.

—Não sou filhinho da mamãe, se é o que está sugerindo. Só estou dizendo que meu tempo é rápido, provavelmente mais rápido que qualquer um de vocês.

Conner suspirou.

—Quem tem o tempo mais lento de qualquer um de nós mudando ao correr por entre as árvores? — Ele olhou ao redor para os homens.

Felipe levantou a mão.

—Acho que sou eu, Conner.

Conner recuou e acenou para Felipe se adiantar.

Felipe olhou para Isabeau e levantou uma sobrancelha para Conner.

—Ela tem que aprender. E claro que viu o suficiente da bunda nua de Jeremiah.

Isabeau corou, xingando sob sua respiração quando mais uma vez a atenção se centrava sobre ela. Estava tentando se ajustar, se todos acreditassem ou não, e não precisava da carga adicional deles constantemente lançando lembretes que era mulher e basicamente no cio como um gato idiota.

Ela deixou seu olhar contemplar Conner. Passou a noite enrolada ao lado de um leopardo, mais quente e segura, como nunca sequer sonhou em ser. Ouvir o ritmo constante da chuva e a pulsação do leopardo permitiu que dormisse rápido, mesmo no meio de tantos estranhos. Ela se sentia confortada e completamente à vontade. Agora, o vendo em ação, a graça fluida, os músculos por baixo de sua pele, os olhos ardentes e olhar focado, seu corpo estava em colapso. Mal podia afastar os olhos dele. E estava ciente a cada segundo por que o trouxe ao Panamá — para seduzir outra mulher — e que ele a rejeitou.

Conner limpou sua garganta.

—Isabeau? — ele perguntou.

Ela corou, percebendo que Felipe esperava por sua permissão.

—Preciso aprender a mudar também, — disse ela, tentando parecer indiferente, como se visse muitos homens nus durante o dia.

Felipe aceitou sua palavra, tirando sua roupa sem mais modéstia, enquanto corria. Ela tinha que admirar a maneira eficiente que se despia, um movimento suave e praticado que levou apenas alguns segundos. No momento que arrancou seus sapatos e tirou suas meias, estava correndo, se despindo quando passou, já mudando conforme tirava sua calça jeans e camiseta, os músculos se contorcendo quando pegou velocidade, e logo estava pulando, cobrindo grandes áreas do espaço antes de sua camisa flutuar até o chão.

Conner bateu o cronómetro e caminhou até Jeremiah. A boca do garoto estava aberta quando olhou o grande leopardo em espanto total.

—Podia quase vê-lo fazendo, — disse Jeremiah, a admiração em sua voz. —Juro, quase não posso acreditar em meus olhos.

—Nenhum movimento desperdiçado, — Isabeau apontou, incapaz de ficar em segundo plano. Ela correu ao lado de Jeremiah para olhar o relógio. —Nem mesmo sete segundos. Como é possível?

—Não estou certo do que realmente vi, — Jeremiah disse, ainda olhando para o relógio.

Isabeau chegou mais perto, roçando o leopardo com seu braço nu. Conner rosnou profundamente em sua garganta e o garoto pulou atrás. Todos os homens ficaram tensos e se viraram para olhar Conner, se movendo lentamente, o corpo seguindo o encolhido Jeremiah, o olhar queimando brilhantemente e focado em sua presa.

—Conner, — Rio disse bruscamente.

Chocada pela reação de Conner, Isabeau instintivamente se afastou de Jeremiah.

—Não pode pensar... — Ela parou de falar, sua mão indo defensivamente para sua garganta, embora houvesse uma mesquinha parte dela que achasse engraçada a situação. —Ele é um garoto.

—Está mais perto da sua idade que eu, — soltou Conner.

Ela não pode suprimir seu riso.

—Vamos lá, Conner, não seja ridículo.

—Ei! — Jeremiah disse. —As mulheres não se cansam de mim.

Conner rosnou, seus dentes alongando, se curvando, suas garras arrebentamento das pontas dos seus dedos.

Isabeau piorou a situação ao se dobrar numa gargalhada pelo olhar indignado no rosto de Jeremiah e os outros homens rolaram seus olhos, chocados que o menino não tivesse suficiente auto-preservação para se afastar de Isabeau e fechar a boca.

—Está dizendo que minha mulher o quer? — Conner exigiu, se aproximando do menino — perto demais. —Que o prefere a mim?

Isso deixou Isabeau sóbria imediatamente. Se endireitou, os olhos verdes e brilhantes como duas jóias.

—Não sou sua mulher, desculpa miserável de companheiro.

Todos a ignoraram. Jeremiah sugou sua respiração. Essas garras letais estavam muito perto da parte mais preciosa do seu corpo, e Conner parecia louco o suficiente para arracar essas partes fora.

—Não, não foi isso que eu quis dizer, — Jeremiah protestou, percebendo seu erro tarde demais. Os gatos eram notoriamente mal-humorados com homens em torno de suas companheiras, especialmente se a companheira estava perto do cio.

Ele percebeu que nenhum dos outros homens chegava perto de Isabeau.

—O que exatamente quis dizer? — Conner soltou.

Isabeau estava muito consciente dos outros homens se movendo agora, presumivelmente para salvar Jeremiah se fosse necessário. De repente, a situação já não era sobre ela. Jeremiah estava em perigo real por um homem que antes rejeitou seus avanços.

O que quer que estivesse fazendo era real e perigoso.

Ela se aproximou de Conner e pôs a mão em seu braço. Podia sentir o aço e a adrenalina correndo por ele como um rio de fogo. Estava começando a entender o custo terrível do leopardo sobre os homens. As leis do gato eram impossíveis do homem ignorar. Andavam sempre numa linha fina, quando se tratava dos seus traços animais.

—Eu-eu quis dizer que foi um grande momento para Felipe, e tenho que trabalhar muito mais, se quiser sequer chegar perto, — Jeremiah gaguejou.

—Eu enconstei nele — Isabeau ressaltou. —Por favor, Conner, estou pedindo a você.

Conner parou por um momento, seu corpo lutando para se livrar da adrenalina e, em seguida, abruptamente se virou, seu braço se envolvendo ao redor dela, a levando para longe do outro leopardo, sua cabeça tão perto dela que seus lábios podiam roçar contra sua orelha.

—Ele estava ficando excitado por seu perfume. Seu primeiro maldito erro.

Ele a levou para o fundo da floresta, longe dos outros e do cheiro de macho excitado que deixava seu gato — e ele — insanos.

Ela corou num carmesim brilhante. Como não podia? Não estava acostumada a discutir nada a ver com sexo num ambiente descontraído, e a forma como esses homens tratavam a beleza e o cio de uma gata fazia fronteira com o mundano. Não era ofensivo, exatamente, apenas um pouco perturbador saber que todos podiam dizer que estava entrando numa espécie de ciclo. Não bastava que podiam dizer — mais que isso — eram todos hiper-cientes disso.

—Espero que seja mais que meu perfume, — Isabeau disse, tentando iluminar o momento, mas o que significava o mesmo. —Não quero ser querida por causa da maneira como cheiro.

Ele inalou profundamente, deliberadamente puxando sua fragrância em seus pulmões. Ela podia sentir as chamas pulando em seu sangue, sem mesmo tentar, mas agora, com sua inocente careta e a varredura longa de seus cílios, mal podia manter sua fome sob controle.

—O perfume é importante para os gatos. — Ele esfregou seu rosto contra a pele do pescoço. —Então é o perfume que marca. Qualquer homem estúpido o suficiente para cruzar meu território terá uma luta em suas mãos.

Ela se empurrou longe dele.

—Costumava ser seu território. Quando era outra pessoa, lembra?

—Lembro de cada momento. — Seus olhos dourados queimaram profundamente nela. —E você?

Ela mordeu de volta uma réplica. Não ia lutar com ele. Podia reduzi-la às lágrimas em segundos. Não era páreo para ele —nunca foi.

—Não pode fazer isso, Conner. Não me quer, mas vai matar qualquer outra pessoa que o fizer? Não faz muito sentido.

—Não quero você? — Ele arrastou as palavras para fora, um rosnado estrondoso em seu peito. Seus dedos apertaram em seus braços e a puxou apertada contra seu corpo, deliberadamente a deixando sentir sua excitação grossa. —Querer é uma palavra insípida, Isabeau, para o que sinto por você. Não vou estragar tudo com você porque não posso manter minhas mãos longe. Isso aconteceu uma vez e serei amaldiçoado se isso acontecer novamente.

—Não conseguia manter suas mãos longe de mim?

—Não aja como se não soubesse. É esperta. Seduzir uma mulher não envolve sempre levá-la para a cama. Não pude me deter e olhe o que minha falta de controle fez a nós. — Por um momento houve dor nua no seu rosto. —Foi ruim o suficiente saber que eu traí você, mas saber que antes de sua morte, minha mãe soube o que fiz... — Ele parou, abanando a cabeça. A máscara — e resolução — deslizou de volta ao lugar. —Quando eu a levar para a cama é porque você nos quer lá, não porque seu gato está gritando por socorro.

Ela corou novamente, mas seu orgulho não importava tanto quanto suas palavras. As manteve perto de seu coração, pela primeira vez sentindo que seu mundo confuso podia se acertar novamente. Era só o gato que o queria? Não achava isso, mas não tinha certeza, e Conner estava correto, devia estar segura. Tornava as coisas mais fáceis saber que ele não a rejeitou totalmente.

Suas mãos enquadraram seu rosto, o dedo deslizando sobre seus lábios enquanto seu olhar a queimava.

—Você é minha, Isabeau. Sempre será minha. Não se engane sobre isso. Se escolher me perdoar e nos dar uma segunda chance, ou não, será sempre a única.

Seu coração parou. Simplesmente parou. Podia sentir isso lá no peito, se torcendo apertado e, em seguida, começando uma frenética batida. Pela primeira vez seu gato ficou quieto e permitiu aquele momento perfeito. Ela olhou em seu rosto, um rosto que estava gravado para sempre em sua mente — em sua alma — e sabia que estava perdida novamente.

—Por que não veio atrás de mim? — Isso doía mais do que ela podia dizer.

—Pensei em ir, — ele admitiu. —Há seis meses. Sabia que tinha que tentar explicar quando não tinha realmente nenhuma desculpa. Tinha um trabalho a fazer, Isabeau, e no momento que percebi que estava deslizando, nos levando muito fundo, deveria ter saído. Gostaria de dizer que não o fiz porque as vítimas de sequestro importavam tanto para mim, mas pensei muito sobre isso e não é verdade. Uma vez que estava com você, uma vez que ultrapassei o limite, não havia volta para mim. Não podia encontrar força para fazer a coisa certa e desistir de você.

Suas palavras eram austeras. Cruas. E eram verdade.

Ela viu em seus olhos ardentes, ouviu em sua voz de veludo e o cheirou com o sistema sensorial agudo de seu leopardo. Podia apenas olhar para ele, tentando não deixar a felicidade florescer no poço de seu estômago e se espalhar por todo seu corpo com alegria absoluta aparecendo no seu rosto. Sua língua tocou seu lábio inferior e instantaneamente seu olhar estava lá, seguindo o pequeno movimento.

Ela se manteve imóvel. Absolutamente imóvel. Ainda prendeu a respiração. Ele rejeitou seus avanços anteriormente —não ia se fazer de tola uma segunda vez, mesmo enquanto ele assegurava que seu tempo juntos não foi uma mentira. A verdade inundava sobre ela e nela, trazendo tal alívio que as pernas tremeram. Ou talvez fosse a excitação provocada ao longo de suas coxas e fazendo sua temperatura subir.

Ele baixou a cabeça. Lentamente. Esperando a reação dela. Ela estava imóvel sob suas mãos, vendo seu olhar passar possessivamente por seu rosto. Vendo a maneira que seus olhos mudavam, passando para leopardo, ardendo com fome. Sua boca era tudo. Sedutora. De parar o coração. Perfeita. E, então os lábios tocaram os dela. Um simples roçar. Seu estômago virou. Seu ventre apertou. Calor líquido se juntou. Sua boca se moveu novamente ao longo da dela, um pequeno movimento de recuo projetado para tentá-la — para deixá-la selvagem. E fez.

Os seios doeram, os mamilos se tornando dois botões apertados, forçando contra o tecido de sua camisa, num esforço para se aproximar de seu calor. Sua língua lambeu seu lábio inferior. Saboreando seu gosto. Seus dentes beliscaram e morderam enviando outro espasmo de dor por meio de seu núcleo. Ele fez um som, um baixo rosnado em sua garganta que a encharcou imediatamente de desejo.

—Senti sua falta a cada segundo, — ele sussurrou. —Sonhava com você quando podia fechar meus olhos e na maioria das vezes que não conseguia dormir desejava você.

Ele a beijou, um longo e viciante beijo que embriagou cada um de seus sentidos. Quando ele se afastou, foi para pressionar sua testa contra a dela, enquanto puxava uma respiração dura. —Amo o som de seu riso. Me ensinou tantas coisas, Isabeau, sobre o que importa. Quando encontra tudo e depois o perde...

Sua boca encontrou a dela novamente, mais e mais, cada beijo mais exigente que o anterior, mais cheio de fome, até que ele quase a estava devorando, a varrendo numa onda de desejo.

Ele sempre foi capaz de fazer isso, remover cada vestígio de sanidade até que ela não conseguia pensar, apenas sentir. Nunca soube que podia ser passional ou sensual até Conner entrar em sua vida, e tudo mudou — ela mudou.

Seus dedos se apertaram em seu cabelo, puxando sua cabeça atrás, a prendendo no lugar, enquanto seu olhar queimava como uma marca sobre ela. Linhas de paixão marcavam fundo seu rosto, luxúria escura brilhava em seus olhos.

Seu coração saltou. Outra onda de calor se espalhou como fogo líquido. Os joelhos ficaram fracos. Sempre foi suscetível aos seus apetites sensuais, mas agora sua fome era um golpe em suas veias.

Sua respiração assobiou para fora enquanto sua boca descia novamente. A gentileza se foi, substituída por paixão crua. Tomou sua resposta do seu modo confiante, dominante. Suas mãos eram fortes, seu corpo rígido, o calor subindo entre eles como o vapor na floresta. Seu corpo estava desossado, macia, derretendo no dele. Ele rosnou, uma baixa vibração que enviou fogo lambendo como línguas sobre sua pele.

Suas mãos deslizaram abaixo por sua espinha para a curva do seu traseiro e ele a levantou. Instintivamente, envolveu as pernas em torno de sua cintura, bloqueando seus tornozelos.

O V entre suas pernas se encaixou bem sobre a protuberância grossa, os unindo. Ao mesmo tempo sua boca comia a dela avidamente. Seu mundo se afunilou — se reduziu para apenas Conner. Suas mãos. Seu calor. O sabor e textura dele. Estava ciente de cada respiração irregular, da mordida de seus dentes, da aspereza de suas carícias, da sensação de sua pele sob o tecido que a impedia de tocá-lo.

Tudo recuou até que sua mente estava consumida por Conner. Ele tinha gosto de pecado. Como uma mistura de céu, inferno de prazer e desejo que sempre seria dele. Sua boca se moveu da dela e começou a viajar lentamente, sedutoramente pelo seu rosto, pelo lado do pescoço, garganta e ombro. Ela sentiu a ponta de seus dentes e estremeceu de desejo. Não queria suave e gentil. Precisava de sua posse áspera, a reclamando, marcando, a levando numa tempestade de calor e chamas que acabaria com o mundo ao seu redor, os deixando com nada, exceto cinzas, limpas e ferozes e sempre unidos entre si.

Sua cabeça subiu assustadoramente e seu olhar dourado varreu a floresta ao seu redor. Os homens, na clareira distante, derreteram, simplesmente desapareceram como se nunca tivessem existido. Conner permitiu que suas pernas trêmulas alcançassem o chão enquanto respirava profundamente, atraindo ar — e informações.

 

Abalada, todo seu corpo tremendo, Isabeau segurou nos ombros de Conner procurando apoio.

—O que foi? — Ela não conseguia pensar, não conseguia respirar direito.

—Temos companhia chegando, — disse ele. —A floresta está ficando muito lotada hoje em dia. — Ele envolveu seu braço em torno dela e a puxou sob seu ombro, deslizando mais atrás no mato. —Vamos ficar bem. Os meninos estão se fechando sobre eles.

—Eles? — ela repetiu vagamente. Se a sobrevivência significava estar alerta o tempo todo — não ia fazê-lo. Ele sentiu o cheiro dos intrusos, ou os sentiu de alguma forma, enquanto ela estava superada por sua própria paixão. Como fazia isso? Estava quase chateada com ele, mesmo que soubesse que era uma habilidade que precisava — necessitava — para sobreviver.

—Dois homens. Se movem como se conhecessem a floresta.

—Não entendo. — Ela não entendia o que ele queria dizer, mas mais que isso, não entendia como seu corpo podia estar gritando por socorro, cada terminação nervosa clamando para que ele ficasse — que mantivesse sua atenção exclusivamente sobre ela. Era estúpido em face do perigo, mas estava tão consumida por ele, ciente apenas dele, achando que ele tinha a mesma consciência, necessidade e obsessão por ela.

—A maioria das pessoas vêm para a floresta e tenta dominar, abrindo seu caminho, mas estes homens estão familiarizado com ele, nos dizendo que talvez habitem o interior numa base regular. — A palma da mão se enrolou em torno de sua nuca e ele mergulhou sua cabeça, deslizando ao lado do seu pescoço, numa trilha de beijos. —Poderia matá-los só por nos interromper.

Foi sua voz, um pouco trêmula, bruta — até dura, revelando que queria dizer as contundentes palavras, que ironicamente permitiu que o perdoasse por suas habilidades de sobrevivência. Ela se inclinou para ele e o deixou segurá-la perto, tentando esfriar o calor apressada que deixava seu corpo em colapso.

—Respire. Ajuda.

—Que?

Ele riu baixinho, um mero segmento de som.

—Não realmente. Mas vamos fingir. Quando estou com você, Isabeau, é um pouco como acender um pavio numa banana de dinamite. Não consigo controlar. — Seus dentes beliscaram seu ombro e ele enterrou seu rosto brevemente contra seu pescoço, obviamente lutando para esfriar o calor do seu corpo também. Ainda estava grosso e duro e, apesar da potencial gravidade da situação, se sentiu feliz.

—Pelo menos somos nós dois.

—Como pode pensar o contrário? — Ele levantou a cabeça e seu olhar saltou da floresta para ela e a olhou com essa intenção focada que sempre conseguia incendiar o sangue dela. —É o gato que me quer? — Sua voz era veludo macio. Quase uma carícia. Mas havia o menor sinal de incerteza na sua pergunta.

—Por que acha isso?

Um leopardo grunhiu. Aves levantaram voo. Vários bugios gritaram um aviso. Ela não pode evitar o pequeno suspiro de alarme que apenas pareceu sair.

Conner a empurrou atrás dele.

—Sem pânico, Isabeau. Em qualquer situação seu cérebro é sempre sua melhor arma, se está como leopardo ou em forma humana. Há sempre um momento quando terá a vantagem. Todas essas técnicas de defesa que estamos ensinando a você são grandes, mas controle e racicíonio sempre serão suas melhores armas.

Ele falava do assunto com naturalidade, transmitindo as informações, mesmo enquanto se agachava no mato, mudando de posição para que pudesse encontrar a leve brisa que se deslocava através da floresta. Abaixo, no chão, raramente havia vento a menos que se gerasse de uma tempestade grande o suficiente. Principalmente o vento ficava nas copas, mas com seus sentidos agudos podia reunir as informações necessárias. Isabeau tentou seguir seu exemplo. Estava determinada a aprender, a ser um trunfo para ele.

Ela pegou um aroma fraco à deriva no ar e o reconheceu imediatamente da aldeia de Adan. Seu povo usava raízes para sabão. Ela esperou alguns momentos, ciente que Conner devia saber, mas ele não se mostrou e nem o fez qualquer um dos outros. Não estavam confiantes, e talvez isso fosse uma lição em si.

Dois homens surgiram na clareira. Ambos usavam apenas tangas, um de sandálias, o outro descalço. A floresta era tão úmida que roupas atrapalhavam alguém rotineiramente se movendo através do interior, e a maioria usava o mínimo. Sabia disso por experiência. Mesmo ela se vestia com tão pouco quanto possível quando trabalhava. Reconheceu o homem mais velho como um dos anciãos, irmão de Adan, Gerald. O outro era o filho de Adan, Will.

Ela começou a se mover em torno de Conner para cumprimentá-los, mas ele a puxou em seus braços, uma mão deslizando sobre sua boca.

Seu olhar encontrou o dele e seu coração saltou. Naquele momento parecia menos homem e mais leopardo. Se olharam fixamente. Ele parecia predator em cada polegada, seus olhos frios, queimando com um brilho letal que fez seu coração martelar duro.

Lentamente, ele soltou a mão da boca e levantou um dedo entre eles, o tempo todo olhando abaixo em seus olhos.

Não poderia se mover se quisesse. Se viu hipnotizada — fascinada — por seu olhar. Sabia que isso podia acontecer com um gato grande.

Tinham o poder em seu olhar focado, um momento apaixonante quando a presa congelava, aguardando o golpe mortal. Não conseguia respirar, trancada lá, presa no olhar. Ela permaneceu absolutamente imóvel. Silenciosa. Incapaz de desobedecê-lo.

Ele virou a cabeça lentamente, quebrando o contato, enfocando os dois homens caminhando através da clareira na direção da cabana. Ela não virou a cabeça, mas moveu um pouco seu olhar, com medo de fazer um movimento, prendendo sua respiração. Podia sentir Conner ao seu lado, totalmente imóvel, a tensão se enrolando nele, seus músculos bloqueados e prontos.

Os homens tinham zarabatanas em suas mãos e avançavam com cuidado, observando a floresta circundante, pisando cautelosamente seu caminho.

Isabeau viu muitas vezes eles se movendo com facilidade através do mato pesado. Um leopardo grunhiu.

Os dois homens congelaram, se virando para trás, as mãos firmes em suas armas. Outro leopardo respondeu de um ponto na frente deles. Um terceiro respondeu à sua esquerda. Conner fez um som, profundo em sua garganta. A chamada de Rio veio por trás deles, cortando sua rota de fuga, para que os homens soubessem que estavam completamente cercados.

Gerald lentamente colocou sua arma no chão e levantou as mãos, segurando um livro. Quando seu sobrinho hesitou, deu um comando e mais jovem colocou sua zarabatana, carrancudo, ao lado da de seu tio. Estavam com as mãos levantadas.

—Fique parada, — advertiu Conner. —Se fizerem um movimento errado com você, não serei capaz de salvar suas vidas.

—São meus amigos, — protestou Isabeau.

—Ninguém é nosso amigo num trabalho. Poderiam ter mudado de ideia e querer isso tratado de forma diferente. Basta fazer o que digo e se manter fora da vista. Deixe-me falar com eles. Se alguma coisa der errado, caia no chão e proteja os olhos. E, Isabeau... — Ele esperou até seu olhar encontrar o dele. —Na hora que eu disser.

Ela acenou com a cabeça de acordo. Certamente não queria ver os leopardos matando dois homens que conhecia.

Conner se moveu para fora do mato sobre a borda da clareira.

—Gerald. Seu irmão não disse nada sobre sua vinda.

Os dois homens giraram ao redor, o mais velho mantendo suas mãos altas e longe de seu corpo, o mais jovem mais abaixo, quase agachado, as mãos próximas à sua arma.

—Não faria isso, — Conner disse. —E sabe disso. Se pegá-la, garanto que é um homem morto.

Gerald se virou para seu sobrinho em sua própria língua. Conner passou bastante tempo na sua aldeia quando jovem para entender, mas educadamente fingiu que não sabia que Will estava sendo duramente repreendido. Foram amigos uma vez — bons amigos, mas foi há muito tempo.

—Sentimos que precisava saber a verdade antes de aceitar esta missão, — Gerald disse.

—Adan me enviou com o diário de sua mãe.

—Por que Adan não o trouxe ele mesmo?

—Minha mãe tinha isso, — disse. —Marisa o empurrou em suas mãos quando os homens chegaram e minha mãe o deixou cair. Não se lembrou até mais tarde, e meu pai já tinha ido embora, quando foi procurá-lo.

Conner permaneceu imóvel, quase rígido, forçando seus pulmões a continuar respirando dentro e fora. Sabia que sua mãe mantinha um diário. O viu muitas vezes quando cresceu o suficiente. Escrevia no diário quase todos os dias. Amava as palavras e frequentemente fluíam em forma de poesia ou contos. Evocaria lembranças vivas que era melhor ficar suprimidas na floresta com o perigo em torno deles, mas era uma explicação plausível.

—Há muito a dizer, — disse Gerald. —E o diário de sua mãe suportará minhas palavras como verdadeiras.

Conner fez um gesto para que baixasse suas mãos.

—Temos que ter cuidado, Gerald. Alguém tentou matar seu irmão ontem à noite.

Gerald balançou a cabeça.

—Estou ciente. E houve uma divisão na tribo sobre como lidar com a situação de trazer de volta as crianças.

—Essa divisão inclui você? — Conner perguntou.

—Meu filho, Artureo, foi levado, — Will disse, —mas estou com meu pai. Nada que pudermos fazer será suficiente para Cortez se não a impedirmos agora.

Conner acenou para se adiantarem. Gerald se afastou das armas e caminhou na direção de Conner. Will o seguiu, parecendo muito menos hostil.

Eles extraíram finas esteiras das pequenas embalagens que carregavam penduradas sobre seus ombros e as puseram no chão, sentando numa posição vulnerável. Conner deu um pequeno sinal de mão para os outros, os aconselhando a recuar e simplesmente observar.

—Obrigado. — Ele pegou o livro que Gerald ofereceu quando sentou de pernas cruzadas na frente deles. —Bem, é bom ver você de novo, velho amigo. — Ele acenou com a cabeça na direção do homem mais jovem. Passaram alguns anos de sua infância brincando juntos. Os homens da tribo tomavam esposas numa idade muito precoce, e aos dezessete anos, Will tinha a responsabilidade de um filho.

Will acenou com a cabeça.

—Queria que a situação fosse diferente.

—Sabia que um dos netos de Adan foi levado. É sobre seu filho?

Will olhou para seu tio e então balançou a cabeça, os olhos encontrando Conner.

Conner se preparou para um golpe. Não havia nenhuma expressão no rosto de Will, mas uma grande compaixão em seus olhos.

—Não, Conner. Isto é sobre seu irmão.

O primeiro impulso de Conner foi saltar através do pequeno espaço os separando e arrancar o coração de Will, mas se forçou a ficar completamente parado, seu olhar fixo em sua presa e cada músculo pronto para saltar. Conhecia esses homens. Muito honestos para o enganar, e se diziam que tinha um irmão — então Will acreditava que fosse verdade. Forçou o ar através de seus pulmões, queimando, estudando os dois homens, seus dedos apertando o diário de sua mãe.

Isabeau mencionou um filho. "Marisa veio com a criança" ou algo nesse sentido. Sua mãe sempre estava em torno das crianças; não pensou muito sobre isso. Não perguntou de quem era o filho.

—Ela me falaria se tivesse outro filho, — ele disse. Não podia imaginar sua mãe escondendo seu filho, não por qualquer motivo. Mas ela ficou perto da aldeia de Adan, mesmo depois que ele a deixou. Poderia ter encontrado o amor com um membro da tribo? Ele levantou uma sobrancelha, silenciosamente exigindo uma explicação.

—Não era filho de sua mãe, Conner. Um bebê foi trazido para nossa aldeia por uma mulher, uma das suas. Ela não queria a criança.

O estômago de Conner cambaleou. Sabia o que estava por vir, e a criança nele lembrava do sentimento de rejeição absoluta. Sem pensar, virou a cabeça para olhar Isabeau. Raramente sentia necessidade de alguém, mas naquele momento, sabia que precisava de seu apoio. Ela saiu do mato sem hesitação, caminhando entre a clareira parecendo a realeza, o rosto suave, os olhos sobre ele. Piscou um pequeno sorriso e cumprimentou os dois homens da tribo, quando se abaixou, perto de Conner. Ela pôs a palma da mão em sua coxa e ele a sentiu queimando. Apertou sua mão por cima da dela, a segurando com ele, enquanto ela olhava para ele.

Não queria que aquele momento acabasse e o próximo começasse. Ela sorriu para ele, mostrando sem palavras que ia apoiá-lo em tudo que estava por vir. Sabia que ele estava chateado, mas não fez uma pergunta, simplesmente esperou. Sua mãe era assim. Calma. Aceitando. Alguém para ficar ao lado de um homem e enfrentar o pior. Queria esse traço da mãe em seus filhos.

—Meu pai teve outro filho. — Se obrigou a dizer as palavras em voz alta. Falar servia a um duplo propósito. Isabeau entenderia, e podia compreender melhor a realidade.

Will acenou com a cabeça.

—Você já estava em Bornéu. Seu pai tinha outra mulher e quando ficou grávida, ele disse que devia abortar ou dar o fora. Ela queria ficar com ele, então teve o bebê e o entregou. Ela voltou para seu pai.

—Maldito do inferno. Quantas vidas irá destruir antes que fique satisfeito? — Conner cuspiu no chão em desgosto.

Isabeau se moveu um pouco, apenas o suficiente para se inclinar para ele, como se assumindo qualquer carga que ele tivesse. Ele a amava por esse pequeno movimento. Seus dedos apertaram em torno dela, seu polegar indo para trás em pequenas carícias sobre a palma da sua mão.

—Conhecia sua mãe, Conner, — continuou Gerald. —Bastou um olhar na criança, sem pais que a amassem, e imediatamente se ligou. Ela vivia na cabana com o bebê parte do tempo e na vila na época das chuvas.

—Por isso ela estava na aldeia, — Conner disse.

Will acenou com a cabeça.

—O menino estava na casa de Adan brincando com meu primo, quando os homens da Cortez atacaram. Sua mãe tentou impedi-los de levar os meninos. Achavam que seu irmão era um de nós. Tem apenas cinco anos, Conner.

—Por que ela não falou sobre você ter um meio-irmão? — Isabeau perguntou.

Conner baixou a cabeça.

—Sabia que teria ido à aldeia e matado o filho da puta. Eu o desprezo. Ele usa as mulheres e se ficam grávidas, joga fora a criança — e a mulher — se ela não se livrar dela.

A amargura em sua voz o enojava, mas não podia evitar. Sempre tinha controle sobre suas emoções — exceto quando se tratava de seu pai. O homem não foi fisicamente abusivo com Conner, mas abuso emocional era muito pior, na opinião de Conner. E Marisa colocou seu filho em primeiro lugar e construiu uma vida para ele. E faria o mesmo para seu irmão, mesmo que não tivesse dado à luz o menino. Ele sabia que não poderia fazer menos.

Ele levou a mão de Isabeau ao seu queixo e esfregou distraidamente sobre a fraca sombra enquanto girava o problema repetidamente em sua mente. Se os renegados de Imelda dessem um olhar mais atento à criança, poderiam reconhecer o leopardo nele. Com uma mulher era quase impossível quando jovem, mas meninos... nunca se sabia quando surgiria o leopardo e muitas vezes haviam sinais.

—Como ele é? — Conner perguntou.

Ao lado dele, Isabeau se agitou, chamando atenção imediata.

—Qual é seu nome?

Conner assentiu e usou as pontas dos dedos para pressionar firmemente contra suas têmporas latejantes.

—Sim. Deveria ter perguntado isso.

—Sua mãe o chamava de Mateo, — disse.

Conner engoliu, imaginando sua mãe com o bebê pequeno. Devia saber. Devia ter voltado para casa para ajudá-la.

—Como ele é?

—Como você, — respondeu Gerald. —Muito parecido com você. Estará de luto por sua mãe. A viu morta.

O que não era bom. Seu leopardo tentaria emergir, para ajudar o menino. Conner lembrava da raiva o golpeando continuamente quando criança, raiva como uma pulsação latejando em suas veias. O menino acreditaria que não tinha ninguém agora. Se fosse como Conner, morreria antes que jamais pedisse ao seu pai por ajuda. Ia querer vingança.

—Artureo será capaz de manter Mateo sob controle? O impedir de revelar seu leopardo mesmo sob coação?

Houve um pequeno silêncio.

—Ele é um menino teimoso, — disse Gerald. —E dedicado à sua mãe. — Ele olhou inquieto para Isabeau.

—Ela sabe tudo, — disse Conner. —Pode falar livremente.

—Um dos homens atirou quando ela tentou pegar Mateo de volta. Pensaram que estava morta.

—Eu a vi cair, — admitiu Isabeau. —Artureo me escondeu nas árvores e correu para ajudar. O levaram também. Nunca vi sua forma animal. Não sabia sobre ser leopardo.

—Marisa rastejou pelo mato e mudou para sua outra forma, — disse Gerald. —O homem grande, Suma é seu nome, a viu mudar e a matou. Ninguém iria para a floresta atrás deles depois que ele tomou sua forma animal. O menino viu sua mãe morrer, a única mãe que conheceu. O ouvi gritar, Conner e foi horrível de ouvir.

Conner empurrou abaixo seu próprio sofrimento crescente. Sua mãe iria esperar que buscasse o menino — não apenas o buscasse, mas assumisse plena responsabilidade por ele. Ele virou a cabeça lentamente para olhar Isabeau. Ele não tinha escolha agora. Teria que fazer o que fosse necessário, pagar qualquer preço que exigissem dele. Isabeau podia ver o desespero nos olhos de Conner, a tristeza e o choque. E a distância. Seu estômago deu uma pequena cambalhota de aviso e se acomodou lentamente.

—Tudo que precisar, ajudaremos, — ela ofereceu.

Ele soltou a mão dela e inclinou a cabeça na direção de Gerald e Will.

—Agradeço a você por fazerem a viagem aqui para me dar esta notícia em pessoa. Garanta a Adan que traremos as crianças. Diga para manter o plano. Vou encontrar seu filho. Me conhece. Vou trazê-lo para casa.

Will acenou com a cabeça, seus olhos fixos em Conner.

—Você é a razão por que estou tomando o partido do meu avô sobre como lidar com isso. Vamos ajudar se precisar de nós.

Conner se levantou, se curvando para puxar Isabeau em pé ao lado dele. Esperou até que os outros dois homens também levantassem.

—Estamos contando com sua cooperação. É essencial que sua tribo acredite que Adan vai fazer como Cortez quer.

Gerald balançou a cabeça e estendeu sua mão. Conner os viu sair com o coração apertado. Quase esqueceu de dar o sinal para passagem segura, permitindo que os dois homens da tribo superassem o desafio de leopardos no caminho de volta para sua aldeia. Rio se afastou alguns momentos mais tarde, ainda puxando sua camisa.

—A floresta está ficando lotada. Qual é a notícia?

—Isso ficou muito pessoal. Parece que tenho um irmãozinho e Cortez o levou junto com as outras crianças. Se descobrir que é leopardo... — A voz de Conner sumiu. Nunca encontrariam a criança. Ela a esconderia e o criaria sozinha.

Rio franziu a testa.

—Que deve nos levar a ter alguma ajuda de sua aldeia...

Conner girou ao redor, o rosnado estrondoso no peito um claro aviso. O som estourou de sua garganta, um rugido a plenos pulmões.

—Não vamos chegar perto daquela aldeia. Vamos acabar com esta cadela. — Ele girou sobre seus calcanhares e atravessou a clareira de volta para a cabana.

Isabeau olhou para Rio. Sua carranca tinha se aprofundado e agora havia linhas de preocupação marcadas em seu rosto.

—Seu pai abandonou a criança, — ela explicou. —Não pode deixá-lo chegar perto do homem. — De certa forma, se sentia como se estivesse traindo Conner, mas instintivamente sabia que Rio tinha a maior chance de impedir Conner de fazer algo precipitado.

—Obrigado, — disse Rio, como se lesse seus pensamentos mais íntimos. —Precisava saber.

Cheiros. Isabeau olhou ao redor e percebeu que os leopardos invocavam o cheiro para julgar as emoções das situações. Podiam ler muito mais que suas contrapartes humanas. Todos usavam seus sentidos de leopardo, mesmo na forma humana, o que oferecia vantagens em qualquer situação. Precisava aprender a fazer isso.

O seguiu num ritmo muito mais lento, girando uma e outra vez em sua mente a expressão que viu no rosto de Conner. Ao mesmo tempo, tentava recordar seu cheiro. O que passava por sua mente nesse momento? Resolução por certo. Estava determinado a trazer seu irmão de volta e isso significava...

Ela engoliu e tropeçou um pouco. Disse que não iria seduzir Imelda Cortez. Tentariam outro caminho, talvez usando um dos outros, mas aquele olhar em seu rosto...

Se convenceu que devia usar todos os meios possível, e não daria a atribuição a outro — não quando era seu irmão. Não quando acreditava que sua mãe esperaria isso dele. Conner faria exatamente o que ela pediu — seduziria Imelda Cortez.

Seu coração apertou tão duro que parecia que algo se agarrou como um torno. A dor era insuportável, tanto que levou as duas mãos ao peito e pressionou forte, caindo num joelho, na borda das árvores.

Bile subiu em seu estômago e se agitou, ameaçando explodir junto com seu protesto. Sua garganta parecia crua, os olhos queimavam.

O que mais ele podia fazer? O que ela faria? Queria gritar uma negação, correr ao seu lado e o arranhar com as garras do gato por destruir todo seu coração novamente. Se apaixonou por ele novamente. Não, isso não era verdade. Sempre o amou. Queria que viesse por seu perdão. O queria de joelhos, suplicando e no final o perdoaria e viveriam felizes para sempre.

Deveria a amar tanto que nunca pensaria em outra mulher. Quando disse que não tentaria seduzir Imelda Cortez, ela secretamente se emocionou. Teve essa reação. Precisava dele a perseguindo, cortejando, para provar que ela era seu amor — seu único amor. O gato complicou as coisas.

Agora, não sabia se era o gato que ele queria, ou a ela.

—Isabeau? — Conner foi ao lado dela, o braço correndo em volta da sua cintura, o olhar sombreado.

Seu olhar se moveu sobre ela centímetro por centímetro, tentando encontrar a razão da dor.

—O que é? Deixe-me ver. — Suas mãos foram para sua camisa, como se fosse levantá-la para examinar seu peito procurando alguma ferida.

Ela empurrou sua mãos abaixo e envolveu seu pescoço com os braços, bloqueando os dedos atrás do seu pescoço. Amava este homem com tudo nela.

O comportamento infantil precisava acabar agora, antes que fosse tarde demais e o perdesse para sempre. Estava vivendo num mundo de sonho, não a realidade. Sim, ele a seduziu por todas as razões erradas, mas foram certas. Estavam certas. Se ele sentisse metade do que ela sentia por ele, não poderia ter evitado mais do que ela podia agora.

—O que é isso, Sestrilla? — ele sussurrou contra sua orelha, a abraçando próxima dele, como sabia que ele faria.

Podia sentir o cuidado no seu toque. A força, mas com gentileza. Essa palavra suave que a chamava, estranha, mas tão amorosa da forma como rolava por sua língua.

—Me diga o que isso significa. — Ela pôs a cabeça dela contra seu coração, ouvindo essa batida constante, reconfortante. —Preciso saber o que isso significa.

—Isabeau. — Ela ouviu o som da tristeza. Um som de partir o coração.

—Diga-me, Conner. — Ela se recusou a desistir, mesmo quando suas mãos tão gentilmente tentavam afastá-la dele. Ela reforçou seu aperto e pressionou seu corpo apertado contra o dele. —Preciso saber.

—É uma antiga palavra no nosso mundo e significa “amada”.

Seu coração virou, se acomodou, tudo nela simplesmente ficou claro. Ele sempre a chamou de Sestrilla, muito antes da primeira vez que dormiu com ela.

—Você é meu amado também.

Ela sentiu a respiração que ele puxou. Irregular. Dura. Profunda.

Ele descansou a testa contra a dela, seus longos cílios velando sua expressão, mas ela podia ver as profundas linhas gravadas em seu rosto. Havia muito pesar, tanta tristeza, como se tivesse um grande peso sobre os ombros, como se já tivesse perdido tudo que importava para ele.

—Não entende, Isabeau, — ele disse suavemente.

Ela sentiu sua voz dentro dela, se envolvendo em torno de seu coração, deslizando profundamente em suas veias, onde o calor se apressava e seu próprio coração pulsava na fala arrastada, sombria e hipnótica.

—O que não compreendo, Conner? — ela perguntou, sua voz macia — amorosa.

Ele gemeu e empurrou sua testa contra a dela.

—Não. Não, querida. Não poderei viver se perder você de novo. Me deixe apenas acreditar que é tarde demais para nós. Que acabou e não há nenhuma chance para nós.

—Trouxe você aqui sob falsos pretextos, Conner. Não sou tão inocente em tudo isso. Precisava vê-lo. Não sabia que Adan poderia reconhecer você por um desenho, mas depois que percebi que ele encontraria uma maneira de chegar até você, cada fibra do meu ser queria vê-lo novamente. Fiz acontecer. E profundamente onde não podia olhar, sabia como se sentiria sobre seduzir outra mulher. Queria...

—Não. — Ele colocou seu dedo sobre seus lábios. —Não diga isso. Não tem que dizer isso.

Ela apertou seus lábios nos dedos. Uma carícia com a língua.

—Sim, preciso. Queria puni-lo. Queria machucá-lo. Me envergonho disso.

—Maldição, Isabeau, acha que isso torna mais fácil?

—Seria se me deixasse dar minha opinião, — ela quase rosnou. Seu gato realmente pulou sob sua pele e ouviu sua vibração na garganta. Pegou um sorriso fraco de Conner. Não chegou a atingir seus olhos, mas ele sempre gostava dos reflexos de seu temperamento. Ela estreitou os olhos. —Quero dizer isso. Tenho algo importante a dizer e pode ouvir antes de discutir.

—Sim, Senhora. — Ele a beijou. Ela devia estar preparada para ele. Sua mãos se moveu em seu cabelo quando apertou os fios de seda em seu punho. Sua boca foi capturada num momento de parar o coração. Parecia selvagem.

Macho. Dela. Ela se aproximou dele, se recusando a deixar que seu beijo terminasse, assumindo, sua língua deslizando ao longo dos lábios, provocante e sedutora. Tentadora. Ela esfregou seu corpo sobre o dele. Seduzindo.

Por um breve momento sentiu sua resistência como um fio de aço vibrando através de seus músculos e, em seguida, abruptamente, ele capitulou completamente, seus braços se apertando em torno dela, a boca tomando o comando, se alimentando dela, sua língua varrendo dentro, a derretendo com seu calor. Fogo deflagrou instantaneamente, línguas de chamas, correndo sobre ela até que queimavam até ele — até que ele queimava por ela.

A satisfação lhe deu mais confiança. Ela mordeu seu lábio inferior, suas mãos deslizando abaixo de sua camisa para encontrar a pele nua. Uma perna se enrolou ao redor de sua coxa quando se apertou mais perto, oferecendo-lhe tudo.

Determinada a ter tudo. Não ia deixá-lo ir — certamente não por sua culpa. Suas mãos se moveram sobre sua pele nua, sentindo a textura, enquanto sua boca absorvia seu sabor único.

—Venham vocês dois, estão nos matando, — Rio disse. —Temos uma rota de fuga para mapear e precisamos de você para isso.

Conner levantou a cabeça relutantemente.

—Que seja, — ele respondeu por cima do ombro, seus olhos brilhando de calor para ela. —Sabe o que tenho que fazer, — disse ele em voz baixa. —Como espera me olhar nos olhos novamente?

—Porque estou pedindo que o faça, — ela sussurrou. Colocou seus dedos sobre sua boca, antes que ele pudesse formar um protesto. —Porque sua mãe era minha amiga e seu filho é seu irmão. Porque sua família é minha família e farei tudo que for preciso para mantê-los seguros e recuperá-los. Conheço pouco de Mateo. Marisa o trazia para meu acampamento o tempo todo. Não sabia que não era sua mãe natural mais do que sabia que era sua mãe, mas vi sua ligação, Conner. Estamos nessa juntos, Conner. Não me faça menos que você, ou faça seu sacrifício menor que o meu. Você é tudo para mim. No entanto — faremos tudo que tivermos que fazer.

Ele balançou a cabeça.

—É uma mulher surpreendente e corajosa, Isabeau e não mereço você, mas pode não saber o quão repugnante achará a situação, quando me ver com ela. E terá dúvidas. Dúvidas justificáveis. Pior, seu gato vai enlouquecer com isso. Será perigosa e vai usar cada momento tentando controlá-la.

—Quão ruim será para você, Conner? — perguntou ela.

—Enquanto está preocupada comigo, estarei preocupado com você. Você será quem terá que empurrar seu gato abaixo e se forçar a olhar nos olhos de outra mulher. Talvez para alguns homens seja fácil, mas acho que te conheço o bastante para saber que será abominável para você. Tenha certeza, Isabeau, porque se você ficar esta noite comigo, não serei capaz de manter minhas mãos longe de você.

Um sorriso lento brotou do seu coração.

—Bem, isso é uma coisa boa. — Se forçou a afastar seu olhar do calor em seus olhos na direção da floresta. —Então como podemos planejar as nossas rotas de fuga?

Ele abaixou a cabeça numa trilha de beijos pelo seu rosto até o canto da sua boca.

—Começamos a trabalhar, mapeando fora, soltando os suprimentos e nos certificando que estão armazenados onde animais não os desenterrem. E, em seguida, pensamos em cada coisa concebível que poderá dar errado e fazemos planos para cobrir essas contingências.

—Oh. Coisas fáceis. Estava esperando que fosse difícil.

Ela piscou outro sorriso para ele.

Conner a deixou ir com relutância e recuou, respondendo com um sorriso começando a se formar no rosto.

Havia desconfiança em seus olhos, como se estivesse com medo de ter esperança, mas enganchou seus dedos nos dela, quando ela estendeu a mão e começou a andar na direção dos outros.

—Vou mandar Jeremiah para cima das árvores. Vamos ver quão rápido pode subir. Vai precisar pegar velocidade. Quanto mais praticar, melhor ficará. Tem que chegar mais rápido ou será demasiado perigoso para ele.

—Está realmente preocupado com ele.

—Apanhou como um homem. Reconhece seus erros. Tem coragem. É arrogante, mas não somos todos nessa idade?

Ela se viu sorrindo novamente. Adorava a maneira como podia ser tão intimidante, parecer tão perigoso, mas sob aquele exterior indomado tinha um coração. Provavelmente ele odiaria que achasse isso, mas sabia apenas por sua voz que teria certeza que Jeremiah teria as melhores chances possíveis de sobreviver e se juntar à sua equipe.

—Pare de olhar para mim com estrelas em seus olhos, Isabeau.

Sua voz estava rouca. Rude. Seus olhos eram de gato. Seu ventre apertou. Latejou. Calor líquido se derramava. Ela limpou sua garganta.

—Quanto tempo antes do meu gato emergir de todo? — Isabeau perguntou. —Teremos tempo suficiente? Não quero passar por isso sem você.

—Não muito tempo. Está perto, — ele disse, seu olhar à deriva sobre ela de uma forma possessiva, com uma fome que tirou seu fôlego e fez sua temperatura subir rápido. —Muito perto.

Ainda havia essa ponta de sombra em seus olhos, como se soubesse algo que ela não — e admitiu que provavelmente o fazia. Não esperava que fosse fácil vê-lo com Imelda Cortez, o pensamento francamente a enojando, mas não ia desistir. Não novamente. Devia haver uma maneira para que pudessem passar por isso intactos e ainda buscar as crianças. Ela olhou para cima para ver que estavam chegando perto dos outros. Alguns metros mais.

Ela pegou seu braço.

—Tudo que precisar, Conner. Espero que não tenha sequer que beijá-la, mas não vou colocar limitações sobre o que vou aceitar. Não pode entrar numa situação de risco de vida com isso em sua mente. Se fizermos isso, nos comprometemos os dois. Juntos. Concorda?

Ele gemeu baixinho e a puxou perto novamente. Ela podia ouvir seu coração.

—Sei que acredita que é forte, Isabeau e te amo por isso, mas seu gato vai se manifestar e não será fácil. Gatos são ciumentos e temperamentais, e nem sempre podemos controlá-los. Me viu com Jeremiah — e gosto do garoto. Se desprezar uma mulher, como acha que seu gato vai reagir sabendo que estou flertando com ela — ou pior?

—Se seu gato pode lidar com isso, então o meu também poderá, não acha? — Ela levantou seu queixo. —Quero as crianças de volta — todos — mas especialmente Mateo porque é nosso. E era de Marisa. Quero essa mulher detida. Se alguém descobrir outra maneira de entrar em sua fortaleza, o faremos, mas se tudo que tivermos for um convite através de você, então o faremos. — De repente, ela prendeu sua respiração. —Elijah! Conner, Eliajah poderia fazê-lo.

Ele balançou a cabeça, cortando suas esperanças.

—Três razões. Um, Mateo é meu irmão, e fingir querer dormir com essa mulher será um trabalho de merda que não vou empurrar a outra pessoa. Dois, Elijah, tão bom como é, e é bom, muito frio sob o fogo, é relativamente inexperiente. E três, Imelda não irá para alguém que considera igual a ela. Quer um macho dominante, mas não um igual. A estudei e Elijah seria uma ameaça. Pode querer assumir sua posição de poder. Um guarda-costas não faria isso.

Ela soltou a respiração e forçou um sorriso.

—Então continuamos com nosso plano.

Eles voltaram, lado a lado, para a cabana onde os outros esperavam.

Conner traçou várias rotas de fuga através da floresta, mostrando as áreas mais seguras, onde podia abrigar as crianças e mantê-los em movimento, bem como os melhores parques para acampar. Teriam que ir e marcar os locais marcados.

—Eu vou e levo Jeremiah comigo, — concluiu Conner. —Iremos como leopardos. Será mais rápido e mais seguro. Ele dará a Jeremiah a experiência que precisa para subir rápido e não deixar nenhum vestígio. Rio sobrevoará de helicóptero. Elijah será nosso homem do abastecimento.

Felipe sorriu para Jeremiah e exibiu seus músculos.

—Leonardo e eu somos as grandes armas — os músculos.

—Quer dizer, não o cérebro. — Jeremiah sorriu.

O que lhe rendeu um sopapo de Rio, mas Jeremiah apenas riu, nem um pouco intimidado.

Isabeau podia ver que já estavam desenvolvendo uma espécie de camaradagem com o mais novo membro de sua equipe. Ele podia estar em liberdade condicional e em formação, mas já o tratavam com crescente carinho.

—Então quando entrarmos, Conner e Felipe serão protetores pessoais para Marcos, — Rio voltou ao negócio, — e Leonardo e eu seremos o mesmo para Elijah.

—Não se preocupe com nosso tio, — Felipe se apressou a assegurar. —Ele pode estar na casa dos sessenta, mas é rápido e esperto quando necessário. Não gostaria de enfrentá-lo. E com Elijah, temos seis de nós, todos leopardos.

—E eu? — Jeremiah exigiu.

Rio deu de ombros.

—Sabe que Suma vai estar lá, e ele tentou recrutar você. Não pode te ver. Como são suas habilidades de tiro?

Jeremiah pareceu feliz de novo.

—Sou um tiro certeiro.

—Não diga se não for verdade, — Conner advertiu.

—Vento forte. Ao longo de uma milha.

Os homens olharam um ao outro.

—Nós te daremos uma chance de provar o que pode fazer, — disse Rio. —Se não estiver exagerando, poderá vigar nossas costas.

—E eu? — Isabeau se aventurou. —Poderia ir como namorada de Elijah. Nenhum deles nunca me viu. Elijah poderia estar aqui para me ver e saber que seu velho amigo Marcos está chegando.

—De jeito nenhum. — Conner afirmou como um fato.

—Ela tem que ser protegida, — Elijah apontou. —Não podemos simplesmente deixá-la de fora e sabe disso, Conner. Poderia vir a ser um recurso valioso. Eles têm dois leopardos renegados. Os leopardos não vão pensar em nada além de Isabeau.

—Isso realmente vai me fazer bem agora, não é? — Conner disse, o sarcasmo escorrendo em sua voz.

—Não sua namorada, — Rio disse. —Algo mais próximo. Uma irmã ou prima. Uma parente. O que declarará guerra se a tocarem. Uma namorada pode ser considerada descartável e os bandidos vão saber que ela é leopardo. Vão engolir. Veio para vê-la e trouxe algumas notícias de casa. Entretanto, vão suspeitar que Marcos e Elijah estão tendo um encontro secreto. Cortez não será capaz de arriscar a isca. O pote é muito doce. Elijah e Marcos, aliados que poderiam abrir portas para ela e você, Conner. Para não mencionar todos os leopardos.

Conner esfregou suas têmporas e olhou para o rosto arrebitado de Isabeau. Parecia tão inocente. Não tinha ideia dos monstros que estavam lidando. Ela viu seu trabalho, mas não tinha a capacidade de entender as profundezas de sua depravação e ganância.

—Se dissermos que saia, Isabeau...

—Realmente sou extremamente inteligente, Conner. Vou obedecer as ordens daqueles com experiência.

Não havia nenhum ponto em protestar. Não havia outra resposta. E ela tinha uma mente afiada. Podia ser um trunfo.

—Vamos verificar as vias de fuga e, em seguida, pensar em cada coisa que pode dar errado e fazer planos para cobrir isso também.

 

As rotas de fuga eram difíceis de visualizar.

Isabeau, no helicóptero com Rio e Elijah, se achava com binóculos e forçando seus olhos para detectar o pequeno balão amarrado a uma árvore. Era trabalho de Jeremiah subir na árvore e marcar o local com um balão, sinalizando para o helicóptero onde deixar cair os mantimentos ao longo das rotas de fuga. Conner então armazenaria os mantimentos e marcaria o local para que qualquer membro da equipe soubesse onde recuperar a comida, água e armas. Mesmo com o balão brilhante, as copas eram quase impenetráveis, um mundo no ar que cortava tudo abaixo do céu, tornando muito difícil detectar o alvo.

A floresta parecia diferente do ar. A neblina parecia pendurar como um véu rendado por toda a copa. As árvores soltavam uma grande quantidade de umidade nas nuvens em que estavam envoltas.

Isabeau sentia quase como se pudesse alcançar e tocar a névoa agarrada aos ramos e folhas. Até mesmo se esqueceu de ter medo, apesar do helicóptero balançar continuamente quando o vento vinha em rajadas. Rio o manteve logo acima dos topos das árvores, uma vez que viram o balão de Jeremiah.

Ela admirava a eficiência com que trabalhavam e percebeu que definitivamente aperfeiçoavam o caminho que a equipe usaria. Queria ser uma parte disso, ou pelo menos, ter a sensação que contribuiu de alguma forma. Tentou aprender a observá-los e até mesmo invejava um pouco Jeremiah por que era capaz de participar ativamente.

Uma vez de volta à cabana, onde comeram e dissecaram cada coisa concebível que poderia dar errado, e como se preparar para isso, Isabeau se encontrou voltando para as sombras para observar Conner enquanto conversavam. Amava ver o jogo de luz sobre seu rosto, aprofundando o efeito de um homem duro, perigoso. Era inteligente e confiante, e o som de sua voz se tornou uma batida em suas veias. Cada respiração que puxava expandia seu peito e ondulava os músculos sob o tecido fino de sua camisa.

Conner parecia magnético todo esparramado na cadeira, preguiçoso, como apenas um leopardo podia ser. Seus jeans eram confortáveis, apertando as pernas longas enquanto ele inclinava sua cadeira atrás, os olhos meio fechados, sua atenção na conversa — pelo menos parecia estar totalmente focado lá. Seu olhar se desviou e a encontrou nas sombras, e seu coração começou a bater no mesmo ritmo de suas veias. Ela sentiu seu ventre apertar e um líquido aquecido umedeceu sua calcinha.

Um olhar ardente. Se lembrava disso tão bem. Ele raramente precisava dizer algo — apenas olhar para ela podia colocá-la num estado de excitação. Era perigoso, sexy como o inferno. Ela não conseguia tirar os olhos dele. Quando ele falou, sua voz derramou no quarto com a mesma intensidade dos seus olhos de ouro fundidos. Ele a hipnotizava da forma que um leopardo fazia com sua presa. Uma vez que seu olhar encontrou o dela, focou nela, não conseguia encontrar a respiração. Não conseguia pensar com clareza.

Isabeau tentou analisar como ele tinha esse efeito hipnótico, perturbador sobre ela. Todo seu corpo reagia a ele. Os seios doíam, parecia inchada, sensível e carente. Seu corpo pulsava de desejo, esse desejo terrível que não conseguia saciar. Ele parecia intensamente masculino, uma tentação sensual que não podia resistir.

Sua mão casualmente segurou o gargalo de uma garrafa de água e ele derrubou o conteúdo abaixo por sua garganta, a ação apertando seu corpo. Um arrepio de consciência desceu por sua coluna. Ela adorava a maneira como ele se movia, a força fácil, a certeza que exalava. Tudo sobre ele a atraía — até mesmo sua dominância arrogante. Não podia culpar seu gato por sua reação à ele. Esta era a mulher — ou talvez ambas — que ansiavam por ele.

Ele parecia pecaminoso com as pernas esticadas na frente dele e essa protuberância grossa, tentadora, que estava tão familiarizada, esticando seu jeans desbotados, desgastados. Queria rastejar sobre ele e arrancar o tecido ofensivo para alcançar o prêmio escondido.

Sua boca molhou ao lembrar do sabor e textura dele, da maneira que sua mão agarrava seu cabelo e o som de seus gemidos rosnados. Ele foi tão paciente com enquanto ela aprendia como dar prazer a ele, e sempre a fez se sentir como se tudo que fizesse fosse sensual e excitante. Ele sussurrava instruções e ela obedecia, tremendo de necessidade, querendo agradá-lo. Tudo que fazia para ele era recompensado cem vezes. Ele faiza coisas, sabia coisas sobre ela que nunca poderia compartilhar com outro homem.

Seu olhar caiu nas suas mãos, descuidadamente circulando a garrafa, lembrando a sensação de suas palmas ásperas sobre os seios, entre as coxas, os dedos deslizando fundo para traçar e acariciar, e deixá-la louca de necessidade. Ela engoliu quando ele virou a garrafa na boca mais uma vez, sua atenção em sua boca. Quente. Sexy. Tão sedutora que jamais poderia resistir. Sua boca tinha sido cruel, a deixando tão rápido, que a lembrava que não podia recuperar o fôlego. Suas mãos em seus quadris, a prendendo abaixo, a segurando aberta para sua festa, tinha sido forte e excitante, emocionante mesmo. Quando sua língua a penetrou em golpes profundos, ela se sacudiu, seus dentes fortes provocando, a deixando chocada. Ela usou seus calcanhares para tentar se afastar dele, mas ele a pegou rápido, a jogando num orgasmo feroz — que nunca iria esquecer. Foi a primeira vez que gritou sob as ministrações da sua boca — e ela nunca parou.

Queria gritar novamente. Alto e por muito tempo e sentir o prazer aumentando como uma onda. Ela assistiu com fascínio como virava a garrafa novamente. Sob as pálpebras, aqueles olhos de ouro a encontraram na sombra. Havia escura luxúria flagrante em seus olhos. Ele não fazia nada para esconder o que queria dela enquanto seu olhar viajava possessivamente sobre seu corpo.

Ela congelou, como a presa de um leopardo, sua respiração travada em seus pulmões, seus músculos do estômago tensos e apertados. Sob seu olhar direto, podia sentir a umidade se reunindo entre suas coxas. A excitação a fez tremer com necessidade.

Em torno dele, os homens se moveram incômodos e Rio deu um olhar a Conner carregado de emoção. Conner não disse uma palavra, colocando a água sobre a mesa e estendendo a mão para ela.

—Estamos saindo. Estaremos de volta amanhã em algum momento.

Sua voz era áspera pelo mesmo desejo escuro que a tomava. Não estava sozinha em seu tormento. Podia ver que a protuberância impressionante cresceu ainda mais grossa do que antes. Colocou sua mão trêmula na dele. Estava quente — quente mesmo — e podia sentir o calor escorrendo do seu corpo para a envolver. Ela não olhou para os outros, nem mesmo se importou que provavelmente cheiravam sua excitação.

Seu coração estava disparado e seu corpo pulsava com desejo líquido. Os seios pareciam apertados, pesados, doloridos, os mamilos duros. Suas coxas tremiam e a luxúria dançava em suas veias, pequenos choques elétricos correndo soltos através de seus músculos e sobre sua pele.

Conner pegou uma mochila grande e, em seguida, a puxou para fora na varanda. Ela o seguiu pela escada sem uma palavra. A chuva começou novamente, uma garoa suave que mal penetrava o dossel. Algumas gotas que conseguiam pousar sobre ela pareciam chiar e se transformar em vapor com o calor que emanava de seu corpo. Ele não disse nada, não olhou para ela, mesmo depois que estavam bem longe da cabana e na segurança e no abrigo das árvores.

Não precisava dizer nada. O ar estava grosso em torno deles tornando cada passo difícil. Cada respiração que puxava em seus pulmões era dura e irregular. A palma da sua mão queimava nas costas, logo acima de suas nádegas, enquanto passavam por um caminho estreito, cheio de mato. Seus passos eram seguros no escuro, seus olhos com o brilho peculiar de seu leopardo.

Ela nunca esteve mais consciente da sua própria feminilidade. Seu corpo estava macio e maleável, pulsante, doendo pela necessidade a cada passo, seu núcleo apertado e molhado. O som das cigarras subiu e caiu, o som estridente sempre presente aumentando seu nervosismo. À distância, através da negra escuridão, podia ouvir um coro de sapos e, em seguida, a chamada de um pássaro. Um galho se partiu.

Conner nunca hesitou. Andava com segurança absoluta, fluindo com graça e ondulando as cordas de músculos, e cada vez que roçava contra sua pele sensível sua respiração prendia e uma infinidade de borboletas revoavam nas proximidades de seu estômago.

Sem aviso, ele se virou abruptamente, deixando cair a mochila e a puxou para ele. Suas mãos a pegaram duro e ela sentiu a tensão correndo como um rio, enviando uma emoção de antecipação pela sua espinha.

Deliberadamente ela lambeu o comprimento do seu queixo e, em seguida, arrastou beijos ao longo de sua mandíbula sombreada antes de chupar seu lóbulo em sua boca e, em seguida, puxar com os dentes.

Sua respiração explodiu num suspiro duro e ele a empurrou até que ela se agarrou a ele para não cair. Seus dentes apertaram sua garganta e beliscaram seu ombro antes da boca voltar a reclamar dela, sua língua varrendo dentro. Ele não apenas a beijava, a reinvindicou, a devorando como se fosse sua última refeição.

—Sabe há quanto fodido tempo estou sem você? — Sua voz estava entre um rosnado e uma acusação. Ele arrastou seu corpo apertado contra o dele, pressionando sua ereção pesada contra seu monte latejante.

Um gemido baixo escapou quando envolveu seus braços em volta do pescoço.

—Não posso esperar.

—Eu deveria fazer você esperar. — Ele arrastou beijos em seu rosto e, em seguida, pegou sua boca na dele outra vez, uma marca implacável que deixou o fogo já queimando entre eles fora de controle.

Isabeau quase chorava enquanto tentava retirar sua camisa.

—Não posso esperar, nem mais um minuto. Preciso de você dentro de mim. — Ela perdeu o orgulho por ele. Sempre era assim quando estavam juntos. Não tinha controle e não fingia, não quando ele esfregava sua pesada ereção contra ela e todo seu corpo gritou pelo dele.

—Não me deixe mais uma vez, Isabeau. Entende? — Sua voz era áspera, dura, um som sensual, faminto que deixou seus joelhos fracos. Suas mãos estavam por toda parte, puxando a roupa, deslizando contra a pele nua, instando-a a sair de seu jeans, quando ela mal estava ciente do que estava acontecendo. Alguns pingos de chuva conseguiram deslizar através das copas amplas das árvores e chiaram contra sua pele quente. A gotas frias quase queimavam por estar tão sensível. Sua boca estava na dela novamente, quente e faminta, seus lábios acariciando, duelando, enquanto gemidos escapavam para se misturar ao incessante som estridente das cigarras. A respiração vinha em suspiros ásperos, e ela não podia chegar perto o suficiente, deslizando as mãos sobre sua pele nua, puxando a cintura de seus jeans para que pudesse deslizar sua mão dentro do tecido e traçar sua excitação grossa.

Sua respiração explodiu de seus pulmões. Ele abarcou o macio peso dos seios e abaixou a cabeça.

Seus olhos dourados queimaram como fogo líquido quando a viu observar sua boca descendo. Ela esqueceu o quão intensa a sensação da boca em seu seio podia ser. Estremeceu, jogando a cabeça atrás, arqueando as costas para lhe dar melhor acesso, um grito suave escapando.

Seus dentes puxaram seu mamilo e a umidade se reuniu quente entre suas coxas. Ela estremeceu com prazer, se contorcendo sob o ataque da boca. O modo como seus dentes e língua acariciavam sobre seus seios era viciante — inebriante, se sentia quase bêbada de prazer. Listras de fogo atravessaram seu sangue e lamberam seu núcleo quente, dirigindo sua necessidade além de qualquer coisa que conhecia. Ela quase chorou, as unhas cavando em seus quadris, tentando conectar seus corpos.

—Diga-me, Isabeau. Quero ouvir você dizer que nunca vai me deixar.

Ela prometeria qualquer coisa, e o que estava pedindo era não mais do que ela queria com cada respiração que exalava.

—Nunca, Conner.

—Estou prendendo você à sua palavra.

Inclusive a maneira como ele falou a deixou mais quente, mais longe de onde estava. Ele a levantou, para que se encaixasse em sua virilha, e então enrolou uma coxa sobre seu braço, a forçando a se abrir completamente para ele. Era extremamente forte, suas coxas poderosas como duas colunas suportando a ambos, suas mãos segurando seu traseiro. Ela sentiu a cabeça larga e ardente de sua ereção pressionando sua entrada e tentou empurrar abaixo, para o reclamar, mas ele a segurou acima de seu prêmio, a cabeça a esfregando, então ela sentiu cada centímetro da sua lenta e constante entrada.

O pau de Conner era grosso e longo, e sua invasão, apesar de sua lisa boas-vindas, esticava seu apertado canal incrivelmente. Ela não esteve com ninguém em todo esse tempo, e ele sabia que seria desconfortável para ela. Queria ir com cuidado, certificando-se que ela sentia prazer e não dor. Sua respiração assobiou para fora numa corrida longa, seus dentes se unindo quando o escaldante calor o agarrou, consumiu, o deixou quase fora de controle.

Seus pequenos soluços e gemidos só serviam para avivar o fogo. Podia sentir a língua das chamas lambendo suas pernas, queimando suas bolas e se estabelecendo como uma conflagração na virilha. Ela era ardente, veludo macio, quente como o inferno, tão apertada que o agarrava como um torno. Rosnou um comando, incapaz de falar de forma lúcida, mas não importava. Ela sabia o que fazer, estava certo disso. Ele nunca entendeu os homens que não falavam com sua mulher sobre a intensidade do prazer entre um homem e uma mulher. Acreditava em descobrir tudo que podia sobre sua companheira, o que dava prazer à ela, o que a transformava numa chorosa e suplicando amante disposta a dar-lhe a mesma consideração cuidadosa.

Ela começou a se mover, um passeio lento, delicioso, sentindo todo o caminho do topo de seu crânio até os dedos dos pés. Cada movimento enviava impulsos elétricos subindo através dele. Estava desesperado por ela.

Em sua inocência ela não tinha ideia do que fazia a ele. Seus corpos encaixavam à perfeição. Seus seios eram lindos, roçando seu peito a cada movimento de seus quadris. O cabelo sedoso queimava sua pele. Ele lutou para acalmar seu coração e permanecer no controle, mas seu corpo só ficava mais quente e mais apertado a cada golpe.

Se sentiu estremecer quando se assentou totalmente nela, alcançando o colo do útero. Ele murmurou baixinho, esperando que seu corpo se ajustasse para o acomodar. Ao mesmo tempo, manteve seus dentes pressionados firmemente juntos, respirando pelo prazer brutal.

—Está bem? — As palavras saíram mais ásperas do que pretendia, mas ela não pareceu se importar, balançando a cabeça enfaticamente.

Ele dobrou seus joelhos e a levou acima, seu rosnado macio um som escuro, perigoso que silenciou as cigarras mais próximas deles. Ela gemeu por seu prazer. O ângulo que a tinha, com sua coxa sobre seu braço, permitia criar atrito ao longo de seu ponto mais sensível. Inclinou a cabeça à tentação da garganta e deu uma série de eróticas lambidas, seus dentes raspando para a frente e atrás, com diversas mordidas famintas.

Ele esfregou seu calor fundido, precisando dos estremecimentos dela, de seus gritinhos sem fôlego. Tinha que encontrar uma maneira de mantê-la com ele através da tempestade que se aproximava. Estava desesperado para amarrá-la de forma irrevogável a ele. Queria que seu orgasmo fosse o melhor que jamais teve, queria que ela associasse qualquer êxtase de entorpecer a mente apenas com ele. Já não podia perdê-la novamente. Não ia sobreviver, e nos próximos dias testaria a força do que tinham juntos.

Ele era incansável, indo mais fundo e mais fundo, mesmo quando sentiu seu corpo fechando num aperto como um torno. Se manteve entrando nela, mais e mais, se enterrando no paraíso, enquanto um raio bifurcava sobre sua pele e foguetes explodiam em seu crânio. Sua vagina pulsava em torno dele e seus músculos apertaram novamente.

—Não, querida. Não se mova. — Sua voz era mais um silvo que um comando real. Estava certo que estava meio louco pelo prazer.

Seu corpo derretia em torno dele, o inferno ficando incrivelmente mais quente quando mergulhou novamente e novamente, até que sentia cada terminação nervosa centrada em seu pau. Ela enrijeceu. Os olhos dela arregalaram.

Havia um indício de medo misturado com antecipação.

Os olhos dela estavam opacos e cavou suas unhas em seu ombro.

—Conner? — Sua voz era suave. Instável.

Ele a amava assim, olhando para ele com essa mistura sensual de inocência e sereia. Seu corpo jorrava líquido quente, o banhando a cada impulso do seu corpo. Ele sentiu seus corpos se encontrando, uma espiral erótica apertando e fazendo o atrito requintado aumentar.

—Está perto querida, me segure.

Ela balançou a cabeça freneticamente enquanto seu corpo ficava mais apertado, a tensão crescendo, até que ela temia não poder suportar isso. Parecia não haver nenhuma liberação do terrível calor sempre crescente. Seu eixo se chocou com ela, profundo, a empurrando mais e mais até que estava quase chorando, meio com medo, meio em frenesi erótico.

—É isso, mel, deixe ir. Voe para mim. Agora. Comigo, — comandou e deliberadamente virou sua cabeça e abaixou suavemente para essa junção macia entre sua garganta e o ombro. Não era onde seu gato preferia, mas era o que o gato dela gostava e sabia que obedeceria inconscientemente, soltando seu corpo para experimentar a série de orgasmos.

Ele sentiu seu corpo apertar abaixo, o espasmo da vagina de veludo, ondulando, em seguida, apertando e ordenhando. Ele jogou a cabeça atrás e rugiu sua própria liberação.

Em torno deles, os insetos e sapos deixaram seu coro noturno e os ouviram, o som de suas vozes levantando em luxúria e amor, se misturando juntas para formar uma harmonia profunda.

Ele enterrou seu rosto em seu pescoço e a segurou em seus braços, absorvendo a forma dela, o milagre dela. Foi há tanto tempo desde que a segurou, amou, tomou tudo que ela tinha e deu a ela tudo que ele era.

—Senti sua falta. — Era uma declaração ridícula. "Sentir falta" não começava a cobrir tudo que sentia. Estava sozinho, não importa onde fosse, quantos outros o cercassem. Mal podia respirar sem ela. Mas isso seria ainda mais estúpido para ele dizer.

Ele arrastou beijos ao longo de sua garganta vulnerável, ao mesmo tempo ouvindo seu batimento cardíaco, nesse ritmo acelerado tão satisfatório para ele. Ela estava macia e flexível em seus braços, seu corpo derretendo no dele.

Apertados como estavam, podia sentir cada tremor e o contínuo aperto e liberação de seus músculos em torno do seu eixo. Esperou até que os estremecimentos se acalmassem e sua respiração estivesse quase sob controle antes de gentilmente se afastar de seu calor abrangente e permitir que as pernas caíssem no chão.

Isabeau balançou em seus braços e enterrou seu rosto contra o peito.

—Não devia ser assim. Me perco em você.

—O que faz dois de nós, — ele sussurrou, seus dentes puxando seu lóbulo. Amava a maneira como parecia depois do sexo, o ligeiro brilho em sua pele, seu corpo inerte saciado, o olhar vidrado em seus olhos. Sua boca estava inchada de seus beijos e seu corpo ruborizado e marcado pelo dele. Girou sua cabeça até a marca entre seu ombro e pescoço e pressionou beijos lá até que a sentiu tremer.

—Precisamos ir. Estamos perto do nosso destino, Isabeau. Um lugar seguro para passar a noite.

Ela levantou sua cabeça e piscou para ele.

—Ouço som de água.

—Estamos indo para uma cachoeira que conheço. Precisamos sair daqui, mel, — ele alertou.

Isabeau sorriu para ele enquanto deslizava até os joelhos, os braços usando seu corpo mais forte como apoio. As pontas dos dedos traçaram sobre seu estômago liso, duro, ao longo dos músculos rígidos, definidos e então deslizaram em torno de suas nádegas, massageando quando o puxou para ela.

Ela parecia intensamente linda, seu cabelo despenteado, derramando em torno de seu rosto angelical, seus cílios velando seus olhos e suas mãos correndo por suas coxas. Apenas de olhar para ela com a névoa subindo ao seu redor, acariciando seus seios e cintura fina, o deixou semi-duro de novo.

Sua boca era quente e úmida, um banho aquecido de amor intenso, sua língua de veludo áspera como a de um gato, lambendo e chupando suavemente, removendo seus aromas combinados, com especial atenção na parte inferior da grande cabeça de cogumelo e dobrando na base do seu eixo e finalmente alcançando seu saco.

Ela sempre levava seu tempo, não importava a situação, não importava onde estavam. Sempre o aniquilava pela forma como o fazia se sentir tão amado como se esta pequena tarefa fosse a coisa mais importante que ela podia fazer, e ela amava e gostava de fazer isso por ele.

E o que sempre o deixava tão duro como rocha, de novo. Gentilmente a puxou em pé, seu olhar prendendo o dela. Como ela o prendia. Não com seu corpo ou boca de fantasia. Nem mesmo com sexo alucinante. Com isso — momentos como este. Ele levou sua boca na dela, se divertindo com o gosto dos dois, uma mistura explosiva de pecado, sexo, amor e luxúria. Ela o deixava suave por dentro, e sabia que ela o queria em sua vida para sempre.

—Estamos apenas começando, Isabeau, — advertiu, seus olhos indo ao ouro antigo e escuro, seu desejo quase não saciado. —Vou mantê-la acordada a noite toda.

Isabeau estremeceu ao olhar em seus olhos. Ela viu isso antes, e quando disse que a manteria acordada a noite toda, sabia que queria dizer isso. Podia ser brutalmente atencioso, desviando seus pensamentos além de tudo até que estivesse indefesa nos seus braços, incapaz de fazer qualquer coisa, mas era exatamente o que ele queria. Nunca conheceu alguém que pudesse fazê-la se sentir dessa maneira. E estava descobrindo seu próprio poder. Quem poderia pensar que podia fazer um homem como Conner Vega estremecer e gemer, seus olhos dourados ficando escuros pela fome?

—Vou a qualquer lugar com você, Conner. Leve-me. — Ela alcançou suas roupas. Conner a tomou de suas mãos e as colocou em sua mochila.

—Quero olhar para você. — Ele correu a ponta do dedo abaixo pela inclinação de seu seio, vendo a reação dela. Quando estremeceu e os mamilos apertaram, sorriu, se inclinou e lambeu cada um com sua língua. —Estive sonhando sobre seu gosto. Quero comer você como um doce, Isabeau. Por horas. Apenas te deitar como uma festa e consumi-la.

Ele era bem capaz de levar a cabo sua ameaça também. Conhecia a ele e seus apetites. Seu eixo estava duro e grosso, deitado contra seu estômago musculoso como um animal faminto à espera. Ela estendeu a mão com dedos leves e dançou sobre ele antes de tocar suas bolas. Não se moveu. Não se afastou. Apenas a olhou o tocando possessivamente. Seu tesouro. Apenas dele.

—Como o povo leopardo pode sobreviver na floresta, quando outros grandes predadores são tão raros? — ela perguntou quando relutantemente permitiu que os dedos se afastassem e deu um passo na direção que ele indicou. —Conte-me sobre eles.

Ele encolheu os ombros em sua mochila e, em seguida, pegou sua mão, a levando ao peito, enquanto caminhavam. Como todos os leopardos, estava confortável com sua nudez, especialmente na floresta. Era natural para ele, mas não para Isabeau. Podia sentir seu desconforto, mas por ele, ela o fez sem protesto.

Ela o questionava quando queria que fizesse algo que ela estava com medo, ou algo que a envergonhava, mas nunca disse não sem tentar primeiro. Ele foi tão cuidadoso com sua confiança — porque tudo junto com ela era mentira. Se surpreendeu e humilhou que ela pudesse lhe dar esse tipo de confiança novamente.

—Não caçamos animais da maneira como outros predadores precisam fazer. Podemos caçar para aprender habilidades, mas não matamos nossa presa. Vigiamos os outros animais. Para sustentar um grande predador, precisa de abundância de animais para eles comerem. — Ele indicou o chão da floresta. —Estamos numa seção de vegetação densa onde outros animais podem viver, mas como regra, o chão está nu porque a luz solar não consegue penetrar o bastante para outras coisas crescerem. Carnívoros tem muito menos recursos alimentares aqui que os herbívoros.

—Isso faz sentido.

O som da água ficou mais alto, pois a trilha estreitou e começou uma inclinação ascendente. As trepadeiras e flores eram mais grossas ao longo dos troncos das árvores, as folhas mais amplas e selvagens com tanta água disponível. Muitas plantas tinham raízes nos troncos, na verdade nunca tocando o chão e vivendo apenas nos galhos largos.

As raízes das grandes árvores estranguladas por videiras pareciam florestas próprias, retorcidas gaiolas para criaturas se esconderem dentro. Na escuridão, podia ouvir ruído contínuo na parte de cima do dossel e nas folhas do chão da floresta.

Sua nudez a fazia sentir-se vulnerável, embora tivesse que admitir que havia algo muito sensual e erótico sobre andar completamente nua numa floresta à noite com um homem como Conner. Ele tinha um modo de protegê-la enquanto se moviam através do mato, de maneira que o mesmo nunca realmente tocava sua pele. Sua mão o fazia muitas vezes. Roçava os dedos abaixo por sua coluna, enviando conscientes calafrios pelas costas. Enquanto caminhavam casualmente ele deslizou sua mão sobre seu traseiro possessivamente, mantendo-a muito consciente de si.

A cachoeira ficou à vista numa curva, e ela parou abruptamente apenas olhando para ela.

Sempre amou a majestade e a elegância das cascatas. Esta era muito maior do que imaginou. Se derramava numa faixa estreita de um rochedo acima, se recolhendo numa piscina larga feito de mais rocha. De lá, cascateva num longo véu até uma profunda piscina abaixo e corria para o rio em si.

—É linda.

—Sim, é, — disse Conner.

Mas estava olhando para ela. Isabeau podia ver o brilho intenso da fome. Estavam completamente sozinhos num ambiente selvagem. Um cenário natural para ele.

E ele não era manso. Ela sentiu um pouco de medo. Não o queria domado. Adorava a maneira como a fazia se sentir — um pouco desequilibrada e inteiramente sua.

Ele se aproximou dela e pegou suas mãos. Trouxe as palmas para cima de seus seios até que o peso suave descansou lá e ela estava praticamente oferecendo seu corpo. Seu sorriso era lento. Mau. Sedutor. Ela ansiava por aquele olhar em seu rosto, os olhos encobertos, o ouro negro queimando de desejo por ela. Sua boca, tão sedutora e experiente. Suas mãos, experientes, sabendo exatamente o que seu corpo precisava. E a maneira como olhava para ela, como se ela pertencesse a ele, como se seu corpo fosse dele e pudesse fazer o que quisesse com ela. E o que ele queria sempre parecia fazê-la gritar de prazer, sem sentido.

Inclinou a cabeça e puxou um seio para o calor de sua boca. Imediatamente seu corpo chorou de necessidade. Ele puxou o mamilo com seus dentes e outra corrida de líquido fez seu ventre convulsionar e apertar no vazio. Ele sugou, sua boca quente ficando rude, quase a jogando em outro orgasmo ali mesmo. Ele deixou cair sua mão, forçando-à segurar seu próprio seio na boca agressiva. Ele deslizou sua palma abaixo de sua barriga até o monte latejante entre as coxas dela.

Incapaz de se conter ela moveu seus quadris, buscando mais. Ele tirou sua mão e continuou a sugar o seio. Pequenas mordidas acompanhavam o puxão de seus dentes no seu mamilo e a lambida calmante da sua língua. Calor corria através de seu corpo e, em seguida, seus dedos estavam de volta, pequenos círculos rastreando suas coxas, subindo ao calor de seu centro. Seu ritmo lento era torturante, dada a necessidade crescendo de modo rápido e feroz nela.

—Por favor, — ela sussurrou antes que pudesse evitar. O sangue dela golpeava em suas veias, trovejava nos ouvidos e retumbava no fundo de sua vagina.

Os dedos percorreram seus cachos molhados aparados e acariciaram rapidamente através das dobras de veludo. Ela gemeu baixinho, em harmonia com a sinfonia de sons da noite. Ela olhou para seu rosto amado, as linhas definidas com desejo, suas pupilas quase sumidas agora enquanto seus olhos mudavam para o gato. Um arrepio de medo delicioso desceu por sua coluna pelo olhar faminto e a determinação gravada em seu rosto. Dois dedos afundaram em suas profundezas apertadas e ela engasgou e apertou contra a mão invasora. Ele mudou sua atenção para o outro seio e quando ela se segurou nele, sua segunda mão deslizou para as nádegas e pressionaram sobre seus dedos.

—Me cavalgue, querida, — ele sussurrou.

O que mais ela podia fazer? Sua temperatura corporal estava saindo de controle e seus músculos apertavam, quentes, avidamente agarrados em seus dedos. Ela começou a impulsionar seus quadris em torno de sua mão enquanto ele dirigia seus dedos profundamente dentro dela.

O corpo de Conner endureceu além do ponto da sanidade.

Seu corpo mole estava tão disposto para ele. Usou os dedos como seu pau, empurrando, absorvendo a sensação de seu calor úmido ficando mais quente e mais quente. Sua respiração vinha em suspiros irregulares e seu coração batia fora de controle. As sensações que estava criando faziam seu corpo girar mais apertado e mais apertado, a levando na direção da liberação. A queria desejosa. Faminta por ele. Na borda. Mas não queria que ela tombasse.

Seus dentes puxaram seu mamilo e sentiu o espasmo em seu canal molhado. Abruptamente, puxou os dedos livres.

—Estamos quase lá.

Ela choramingou e levou a mão dela entre as coxas quase compulsivamente, mas ele pegou seus pulsos e a puxou para ele.

—Em breve. Seja paciente. — Ele deu-lhe um pequeno tapa nas nádegas e a empurrou ao longo da trilha que levava detrás da cachoeira para a câmara onde escondeu suprimentos antes de sua chegada original na floresta, há uma semana, antes se se reportar a Rio.

—Você começou isto, — ela apontou, tentando não se contorcer.

—E vou terminar. — Seu olhar escureceu mais. —Eu a quero me querendo.

—Acho que isso é bastante óbvio, — ela disse, fazendo beicinho.

Ele ajudou nos últimos poucos metros entre as rochas.

Eles abaixaram rapidamente através das bordas espirrando e alcançaram a segurança da câmara. Era grande e arredondada, com boa pedra compondo as paredes de três lados. Anos antes, quando descobriu este lugar secreto, esculpiu um furo na parede de rocha para sua tocha e mais tarde para um lampião de querosene. A lanterna estava muito longe, mas a tocha tinha substituído alguns dias antes. A acendeu para que ela realmente pudesse ver o interior da câmara.

Isabeau não se importava onde estavam, só que estavam finalmente juntos. Sentiu falta de sua companhia. Sentiu falta de seu corpo. E sentiu falta das coisas que ele podia fazer com seu corpo. Ele estava olhando para ela através de olhos meio-fechados, seu rosto nas sombras enquanto a luz projetava um brilho ao seu redor, como um refletor. Moveu-se, uma sedução lenta centrando sua atenção sobre ela.

—Como diabos nunca fiz isso sem você? — perguntou ele. Puxou uma esteira de sua mochila e a estendeu por cima do que poderia ser um grande banco de areia que descansava sobre a rocha suave.

Era a primeira vez que ela percebia que havia areia. Ela subiu sobre ela, em pé, apenas na beira da esteira e bateu os pés na areia. Era incrivelmente bom.

—Como isso chegou aqui?

Conner pegou a mão dela, a puxou e colocou seus braços em torno dela. Embora estivesse de pé a vários centímetros de areia, ela era ainda menor do que ele. Ele esfregou o queixo no topo de sua cabeça.

—Minha mãe me deu como presente quando eu era jovem. Era meu aniversário e pensei que ela tinha esquecido. Costumava usar isso como meu esconderijo. — Ele olhou ao redor. —Me sentia muito crescido aqui, e quando atingi a puberdade, minha garota fantasia estava sempre aqui para me ajudar.

Sua sobrancelha disparou.

—Realmente? Como ela era?

—Muito bonita, mas nunca se compararia à coisa real. — O sorriso desapareceu de sua voz. —Tive um ano de noites ruins, solidão e um pau doendo, Isabeau. Fiquei perdido sem você. — Ele se afastou para olhar seu rosto. Para julgar a reação dela. Não gostava de falar de seus sentimentos, e o amor, luxúria e raiva se misturavam completamente.

—Eu sei. — Ela chovia beijos ao longo de sua mandíbula. —Estou aqui. Estamos juntos.

Ele a puxou abaixo lentamente, seu aperto como aço, forçando-à no tapete aberto. Ela podia sentir a tensão que atravessava seu corpo, e assim seu corpo respondia com calor.

Talvez o fogo nunca realmente tivesse esfriado. Suas mãos acariciavam cada centímetro dela, como se a pintasse com pinceladas suaves — ou memorizasse cada centímetro dela. Sua inspeção foi profunda e ele demorou. Apenas quando ela pensou que podia começar a gemer e suplicar, sem aviso nenhum ele roçou aqueles dedos fortes sobre seu monte molhado e ela gritou pelo prazer requintado.

Sombras atravessavam as paredes curvas da pequena câmara. O som da água era constante e alto, a cachoeira um véu espesso, os cortando do resto do mundo. Isabeau se estendeu na esteira grossa da câmara de rocha atrás da cachoeira e virou a cabeça para ver a água cascateando abaixo em lençóis brancos brilhantes, desfrutando dos suaves toques em seu corpo, mas sempre ciente do calor do encontro, uma tempestade que desabaria sobre ela.

Conner. Seu amante cruel. Quando a tocava, estava perdida. E agora ele queria reivindicar cada centímetro dela. Não podia resistir à sua marca particular de posse. O animal dele se enfurecia perto da superfície, e a intensidade do seu toque refletia sua fome por ela. Ele se assegurou que ela estivesse confortável — sempre fazia isso — antes que levasse seu tempo fazendo tudo que queria com ela. Ela ouviu sua própria respiração, suspiros irregulares que não podia controlar completamente. Antecipação a enchia quando olhou para ele.

Conner se ajoelhou entre suas pernas, erguendo Isabeau por um longo tempo antes de alcançar e arrastar uma segunda esteira da mochila.

A dobrou e empurrou sob suas nádegas, levantando a parte inferior da metade de seu corpo e a abrindo mais plenamente para ele. A estudou novamente. Ele amava a maneira como parecia, com seus cabelos derramando ao seu redor e seu corpo nu e aberto.

Havia umidade escorrendo entre suas coxas, e podia cheirar sua excitação.

Casualmente desceu a mão para cobrir seu montículo tentador. Ela empurrou, sensível já pela antecipação. Ele amava sua umidade acolhedora. Havia algo tão satisfatório em ver sua mulher assim — tão pronta para sua atenção. Conner estava voraz por ela e não fingia qualquer outra coisa e o amava que nem ela. Ela não tinha vergonha de querê-lo, mostrando o quanto ela o queria.

E era afrodisíaco, puro e simples.

Tudo sobre Isabeau era para ele.

Lentamente ele abaixou seu corpo sobre o dela, a cobrindo completamente como uma capa, apenas a segurando, absorvendo. Era tão macia, uma longa extensão da pele e curvas femininas. Ele se afundou em seu calor, ouvindo a batida rápida de seu coração. Seus braços estavam em torno dele, os dedos enlaçados na parte posterior de seu pescoço. Ela não mexia, não reclamava sobre seu peso. Apenas o absorvia da mesma maneira que ele a estava absorvendo como se entendesse essa grande necessidade de apenas abraçá-la.

Após alguns momentos, ele esfregou seu corpo ao longo dela, a marcando com seu cheiro, a alegando, sua mandíbula sombreada deslizando abaixo de seu pescoço onde beliscou e beijou antes de erguer a cabeça para focar o olhar no dela. Ele baixou a cabeça lentamente, vendo os olhos fechar antes de sua boca encontrar a dela. Cada vez que a beijava, era como se acendesse um fósforo. O calor queimava.

Chamas ardiam, o fogo pulava e não havia mais volta. Seus beijos foram sua queda da graça e honra, quando ela era completamente inocente. Agora, sua boca se movia sob a dele, sua língua acariciando e instigando para que ardesse fora de controle.

Sua mão escorregou para seu seio e a sentiu saltar. Moveu seus quadris e as pernas se abriram para lhe dar melhor acesso. Conner beijou abaixo de sua garganta até seus seios, deleitando-se lá até que ela estava fazendo os ruídos de choramingo que tanto amava. Seu corpo esteve quente, duro e dolorido incansavelmente desde que ela colou seus lábios em torno dele na floresta. Podia sentir seus músculos do estômago se apertando quando puxou seus mamilos e era muito tentador parar por aí.

Ele fez seu caminho ladeira abaixo pela barriga e assumiu o controle das pernas, as abrindo largas, as colocando nos seus braços quando dobrou sua cabeça para a provar.

—Tem sido uma longa merda, — ele sussurrou e mergulhou sua cabeça.

Isabeau sugou sua respiração, seus dedos fechando na esteira para se segurar, quando a raspagem áspera de sua mandíbula ao longo de suas coxas enviou mil chamas queimando sobre ela. Todo seu corpo tremia. Seus seios arfavam e ela não conseguia parar o movimento impotente de seus quadris. Suas mãos apertaram, assim como sabia que fariam. Ele enviou a ela um olhar brilhante que significava se manter imóvel, e tentou obedecer, tentou levar ar para seus pulmões.

O desejo estava vivo, respirando, a segurando no seu encalço ardente. Ele prendeu suas coxas e abriu mais as pernas para que sua respiração viesse em suspiros ásperos. Ela se ouviu gritando quando ele baixou a boca e a rodou, a lambendo como um gato grande lamberia uma tigela de creme quente. Fogos de artifício explodiram na cabeça dela quando sua língua esfaqueou fundo, mergulhando repetidamente, até que pensou que podia se partir em 1 milhão de peças. Ele levou seu tempo, saboreando cada gota, usando seus dentes e língua para tirar mais choramingos, súplicas macias e soluços, implorando pela liberação.

Em seguida, foi se erguendo acima dela, agarrando seus tornozelos, tirando as pernas de seus ombros, a segurando aberta. Parecia feroz, sua ereção grossa, dura e longa, pressionando, queimando, exigente na sua entrada. Ela o sentiu lá e prendeu a respiração. Ele mergulhou fundo, atravessando as quentes dobras apertadas, e ela gritou novamente, o atrito enviando uma língua ardente de calor através de seu corpo. Sentiu seus músculos o apertando como um torno, se estendendo para sua invasão.

Seu corpo estremeceu de prazer quando ele se enterrou completamente e, em seguida, se retirou para mergulhar novamente. Seu ritmo era rápido e duro, quase brutal, tomando-a tão rápido que sua respiração vinha em irregulares suspiros e seu corpo se levantava impotente para atender às necessidades de sua condução. Ele se arqueou sobre ela, se apoiando com os braços, as pernas forçadas atrás, dando-lhe a capacidade de ir mais fundo.

Presa sob ele, seu corpo subindo em chamas, ele manteve os poderosos golpes, martelando repetidamente, a atraindo mais fundo e mais fundo num vórtice de fogo. Seu corpo parecia estar derretendo ao redor dele, escaldante, seu orgasmo apenas fora de alcance, mas crescendo sempre. Ela se contorcia sob ele, desesperada pela liberação.

Ele a segurou com sua força, seu ritmo constante, rápido e duro, indo tão fundo que ela estava com medo que perfurasse o colo do seu útero a cada golpe. Cada nervo estava em fogo, e sentia seus músculos duramente tensos sob ele. Ela enrijeceu, mas ele a agarrou mais duro e mergulhou novamente, enviando seu corpo voando em 1 milhão de fragmentos. Sentiu os olhos cobertos por uma névoa e chamas atravessando suas veias quando uma explosão rasgou através de seu corpo, rasgando através de seu estômago e dos seios e abaixo de suas coxas, fixando-se em seu núcleo mais profundo, enquanto sentia os músculos apertar Conner. Ela sentiu sua liberação quente derramando dentro dela, provocando outro fogo correndo ao longo e através dela.

A respiração de Conner estava agitada quando caiu sobre ela, a abraçando. Podia sentir sua ereção pesada, tão desesperada, quase brutal, lentamente deslizar enquanto seu corpo era banhado pela combinação de calor líquido. Suas mãos moldaram seu rosto e sua língua entrou profundamente em sua boca.

—Eu te amo, Isabeau, — ele sussurrou, olhando em seus olhos. —Quando isso acabar, vamos casar e terá meus filhos.

Seu coração falhou por um momento. Levantou numa posição desconfortável com as pernas erguidas até suas orelhas e seu corpo enterrado profundamente, mas seus olhos não cederam. Ela não tinha onde se esconder. Ele queria a verdade. Ela não conseguia encontrar respiração para falar, então balançou a cabeça. Sentiu a tensão aliviar nele e ele rolou para fora dela.

—Vou ser muito bom, querida. Vou deixar você dormir durante meia hora e, em seguida, vai estar implorando misericórdia. — Ele se arrastou ao seu lado e a abraçou novamente, jogando um braço possessivamente pela cintura dela, e fechou os olhos.

Ele não estava mentindo.

Isabeau passou os próximos quatro dias com Conner como seu capataz implacável, um comandante cruel que exigia perfeição de Jeremiah e dela. Ela teve que disparar armas por horas, desmontá-las e montá-las novamente bem como continuar a trabalhar em técnicas de combate. Jeremiah era pior. Teve que mudar correndo, e toda a equipe era implacável com ele. Felizmente, estava tão acostumado com um rifle que poderia se dizer que estavam todos impressionados com ele.

As próximas quatro noites foram passadas atrás da cachoeira, com Conner como seu amante exigente, nunca um homem completamente satisfeito e sempre forçando mais. Houve momentos que não estava certa se ia sobreviver à intensidade do seu amor, mas realmente não se importava. Tudo que importava era a sensação do seu corpo dentro dela e do amor em seus olhos quando a reinvindicava.

 

—Lembre-se de permanecer perto de Elijah não importa o que aconteça. — Conner manteve sua mão sobre a porta do carro, se recusando a abri-la, embora todo mundo estivesse esperando. —Uma vez lá, não olhe para mim. Alguém pode estar trabalhando para ela. Tem que obter o melhor desempenho de trabalho de sua vida. E Isabeau...

Ele pegou seu queixo na mão, seus olhos brilhantes olhando direto nos dela.

—Eu... eu vou estar atuando também.

Isabeau engoliu e balançou a cabeça.

—Eu sei, Conner. Posso fazer isso.

—Se entrar em apuros, sinalize Rio ou Elijah. Vão tirar você.

—Treinamos isso centenas de vezes. — Sua boca estava seca e o medo tomava conta dela apesar de todas as suas boas intenções. Queria se apegar a Conner, mas em vez disso, forçou um sorriso pequeno. —Estou pronta.

—Estamos verificando tudo novamente, só para ter certeza. Jeremiah está lá fora, no alto das árvores com um rifle. Pode atirar nas asas de uma borboleta; vai protegê-la de fora. Se houver um problema...

—Seguro a fivela do meu cabelo.

—Que é o sinal para atirar. Se estiver em apuros, use-a.

—Conner, vou ficar bem.

—Ela não vai vir tão cedo. Não fique impaciente ou alarmada. Seus detalhes de segurança vêm em primeiro lugar e vasculhe a sala à procura de pessoas como nós. Você vai se destacar, mel. É um leopardo fêmea e os dois bandidos vão sentir que está perto do Han Vol Dan. Isso vai agitá-los, torná-los mais agressivos. Não pode ficar sozinha com nenhum deles. Entendeu?

—Não está falando uma língua estrangeira, — ela sussurrou. Ele a estava deixando mais nervosa. Era como se cada homem na equipe apontasse para ela. Até mesmo Jeremiah.

Estreitou os olhos. Ardentes.

—O quê? Se não vai levar a sério esta ameaça, Isabeau, pode muito bem ficar aqui. No carro.

Ela jogou as mãos para o ar.

—Conner, está me deixando louca. Estou com medo suficiente. Não tem que continuar com isso. Sei o que estamos fazendo. Sei o que você tem que fazer e vou ficar bem com isso. Vou ficar muito perto de Elijah, a menos que já o tenha assustado pensando que vai matá-lo se olhar para mim de modo errado.

Ela parecia tão exasperada que Conner sentiu um pouco da tensão abandonar seu corpo. Afundou os dedos no seu cabelo sedoso.

—Estou pesaroso, amada, quero você segura. Não posso pensar em muito mais agora. Permitir que vá lá é incrivelmente difícil.

Ela abarcou seu rosto com as mãos.

—Deixá-lo ir lá é pior para mim. Não tenho medo de Imelda Cortez.

—Devia ter.

Ela deu um leve sorriso.

—Deveria ter dito que meu gato não tem medo. Está tão próxima Conner, e eu a quero. Quero ser capaz de usar sua força para ajudá-lo.

—Basta ficar longe dos bandidos. Não serão capazes de resistir a tentar consegui-la para eles. Fique com...

—Elijah. Sim. Acho que começamos essa conversa daqui. Vou entrar. Vou ficar bem. — Ela se inclinou para ele, o beijou, grata pelos vidros fumê.

—Maldição, Isabeau, —Elijah soltou. —Quando sair, todos nós vamos ter que abraçá-la, esfregar nosso perfume sobre você, caso contrário os renegados serão capazes de sentir apenas o cheiro de Conner.

Rio olhou para Conner.

—Isso é um erro de principiante.

—Muito bem, — ela murmurou, rebelde, —vão pensar que sou uma garota livre, fácil.

—Estou começando a concordar com Conner e deveria ficar no carro, — disse Rio.

Isabeau revirou os olhos e passou por Conner para abrir a porta. Não ia ficar no carro.

Conner simplesmente deu de ombros antes de mostrar seus dentes para Isabeau num sorriso cúmplice. Ele saiu do SUV e teve sua primeira boa vista do imóvel onde residia Philip Sobre, chefe do turismo.

O homem fez bem a si mesmo. A mansão se alastrava por seis andares numa encosta com vista para a floresta. As vistas panorâmicas varriam toda a varanda e cada plataforma e janela da casa grande. Árvores centenárias se erguiam em grandeza, cercando a casa e liderando o caminho para o pequeno lago cintilante à distância.

A temperatura começou a cair e Conner podia ouvir os familiares sons da floresta à noite que se acomodava. O coro de sapos já tinha começado em muitas pequenas lagoas e poças de água, enquanto os anfíbios defendiam seus territórios e faziam sua melhor melodia para atrair companheiras. Mais acima, escondidas entre os ramos e troncos maciços, as rãs entravam na conversa com uma música que era mais desagradável, mas estranhamente reconfortante.

Ele saiu do caminho e permitiu que Elijah ajudasse Isabeau a sair do veículo. Todo o tempo que manteve seu olhar se movendo em torno deles, revistando a propriedade, estava ciente dela. A maneira como se movia. O som de sua voz. A maneira que as sombras acariciavam seu rosto carinhosamente.

Uma infinidade de insetos se juntou às rãs, com as cigarras tendo destaque no refrão.

Mais distante, na escuridão retinta, seu gato podia sentir e identificar outros roedores menores forrando o chão da floresta. Teve a súbita vontade de jogar Isabeau por cima do ombro e desaparecer na escuridão, onde ninguém jamais poderia encontrá-los. Virou a cabeça para olhar para ela, apesar de suas ordens a ela que deviam parecer indiferentes. Não podia evitar.

E esse era o principal problema que tinha com Isabeau. Desde o início, não tinha controle e disciplina quando estava ao seu redor.

A ensinou a agradá-lo. Era o dominante na relação, mas ela o segurava na palma da sua mão. Estava envolvida tão firmemente em torno de seu coração que não havia nenhum escape. Não havia como culpar seu gato — ou o dela — isso era tudo sobre a mulher, toda ela.

Seus olhos se encontraram. Deus, era linda, um espírito brilhante, piscando de dentro para fora. Estava indo para uma festa cheia de indivíduos corruptos que queriam cada último dólar que pudessem roubar das pessoas mais pobres em torno deles. Ela entrava numa floresta e estudava como plantas podiam ser usadas para curar pessoas. A mulher que ia seduzir era a pior de todos, sem respeito pela vida humana.

Sua mulher estava disposta que seu homem fizesse o que fosse necessário para salvar crianças e não ela própria.

—Eu te amo, — disse ele. Decidido. Cru. Na frente de todos.

Ela mostrou um pequeno sorriso e havia orgulho nos seus olhos.

—Eu também amo você.

Ele virou e acertou o passo com Marcos Santos, o tio de Felipe e Leonardo. Seu coração doía e era difícil entrar em seu papel de protetor pessoal. Rio tocou seu ombro levemente e ele desviou seu olhar para o líder da equipe.

—Vamos cuidar dela, — Rio garantiu.

Isabeau era inteligente e aprendeu rápido. Esteve na floresta a maior parte de sua vida. E lia as pessoas muito bem. Tinha que acreditar em suas habilidades. Acenou com a cabeça para Rio e continuou a examinar a área em torno deles, enquanto começavam a fazer o caminho sinuoso para a casa principal.

A floresta era mantida à distância por um bando de trabalhadores continuamente em guerra com ela. Em cada oportunidade, a floresta tentava recuperar o terreno perdido.

As raízes das árvores formavam grandes gaiolas acima e abaixo da propriedade e flores se enrolavam nos troncos numa profusão de cores. Jiboias tão grandes como guarda-chuvas disparavam dos troncos e cada ramo concebível, transformando o jardim numa enorme floresta.

As plantas abrigavam a casa da floresta circundante mais eficazmente que o muro alto que foi adicionado. As plantas já abriam caminho até a cerca e em poucos anos, podia ver que a casa ficaria completamente escondida. Mas, por agora, a visão das margens das janelas e ao longo das varandas era bastante claro para Jeremiah.

A força de segurança que Philip usava estava em todos os lugares, fazendo patrulhas no recinto, fazendo uma mostra de armas, mas notou que ninguém observava o dossel elevado fora do jardim. Jeremiah teria facilidade, pelo menos, até que chegassem os leopardos renegados. Os homens aqui agora, contratados para proteger aqueles que vinham para a festa, não eram soldados profissionais realmente ou guarda-costas. Conner suspeitava que eram homens de uma força de polícia local, fazendo algum dinheiro extra.

Quando Marcos se aproximou da porta da frente, Felipe colocou uma mão sobre seu ombro e se afastou para permitir que Conner entrasse primeiro. Conner tinha o rosto com linhas duras, ilegíveis e se aproximou da porta, abrindo seu casaco, então não havia nenhum engano que estava armado. O porteiro verificou a lista, balançou a cabeça e permitiu entrar. Ele passou por cada sala cuidadosamente e era uma maldita grande casa. Tomou nota das câmeras de segurança, janelas, saídas e escadas. Haviam estudado o layout da casa já, mas as plantas não eram exatas. Falou baixo em seu rádio, dando aos outros membros de sua equipe a remodelagem que não estava nas plantas baixas.

Várias portas no segundo andar abriam para um pátio onde plantas mais exóticas cresciam em meio a uma série de fontes, pulando numa piscina de carpas.

Enviou todo o layout para sua equipe e Jeremiah, deixando Elijah e Rio saber dos quartos mais fáceis onde proteger seus "clientes", antes de permitir que Marcos entrasse.

Philip Sobre, o chefe do Turismo, se adiantou para cumprimentar Marcos Santos. Claro, ignorou Conner e Felipe. Como um hóspede importante, Marcos foi levado pessoalmente pela casa.

—Trouxe um amigo pessoal junto comigo, Elijah Lospostos. Espero que minha secretária tenha enviado uma nota, pois já estava a caminho, quando percebi que ele estava em seu país. Está no país para visitar sua prima que reside aqui. Ela está com a gente também — Isabeau Chandler, — disse Marcos. —Se não forem bem-vindos, podemos nos encontrar em outra ocasião. — Seu tom era casual como só poderia ser o de um extremamente rico empresário habituado a fazer as coisas da sua maneira. —Elijah tem sua própria segurança com ele. Um de seus protetores pessoais é meu sobrinho. Elijah é como um filho para mim, como é meu sobrinho. — Ele se virou como se fosse sair.

Philip curvou-se várias vezes.

—É claro que seus amigos são bem-vindos. — E estava sob ordens estritas para assegurar que Elijah Lospostos fosse muito bem-vindo. Acenou ao protetor pessoal de Elijah, fulminando seu porteiro quando o homem ia pará-lo e procurar outras armas à vista.

Elijah mal assentiu com a cabeça para o homem, e mostrou seus dentes brancos brevemente, parecendo mais perigoso que os animais selvagens que cercavam a propriedade. Envolveu seu braço em torno de Isabeau e a puxou perto. Isabeau estava vestida para a ocasião numa longa saia esvoaçante roçando seus tornozelos e um top curto que acentuava as curvas do seu corpo.

Tinha a luminosidade e o fascínio de uma fêmea perto do Han Vol Dan. Seu perfume era feminino e sedutor. Era uma visão em azul, e Philip tropeçou quando a viu. Pegou sua mão, olhou em seus olhos com muita avidez, se dobrando sobre a mão que pretendia beijar.

Enquanto ela sorria suavemente, Elijah removeu firmemente a mão dela antes que os lábios frios pudessem tocar sua pele.

—Este é minha prima favorita. — Novamente, seus dentes brancos apareceram e desta vez pareciam um pouco mais acentuados. —Ela é muito querida para mim. — Foi um aviso claro e qualquer homem a distância da audição não podia confundir a ameaça.

—Isabeau, — Philip sussurrou. Não conseguia desviar seus olhos dela.

Elijah estudou seu anfitrião de perto, inalando seu cheiro. Fizeram uma pesquisa sobre o homem. Era ganancioso e excessivo em seu estilo de vida decadente. Havia relatos de mulheres sendo levadas para sua casa enquanto ele observava, envolto num robe de seda e tomando um copo de uísque com um pequeno sorriso. Em todos os lugares que olhavam, os sinais de seu estilo de vida opulento eram aparentes.

Marcos pegou uma bebida de uma bandeja, seus olhos gentis na garçonete. Moveu seu olhar para Conner, que apenas balançou a cabeça. A mulher estava vestida numa calça escura e blusa branca. Havia uma contusão leve do lado de seu rosto coberta por espessa maquiagem. Sua mão tremia um pouco quando ofereceu a bandeja de prata.

Rio indicou que se movessem mais fundo na casa, para uma das salas que Conner considerou a mais segura. Havia várias saídas e um piso plano mais aberto. Philip os acompanhou, conversando sobre o novo hotel a ser construído e o quanto era necessário. Os postos de trabalho, economia e todas as novas oportunidades que o Turismo apresentava. Marcos murmurou educadamente, ouvindo atentamente e Conner recuou para as sombras, sabendo que parecia mais misterioso e mais perigoso quando a segurança de Imelda Cortez examinasse as fitas antes de permitir que ela entrasse.

Estudou o perfil de Imelda cuidadosamente, como fazia com qualquer alvo. Queria um homem dominante, um muito perigoso, que a impressionasse, assustasse um pouco, mas um que pudesse descartar quando se cansasse dele. Não, Elijah tinha o carisma e perigo que ela procurava, mas era muito poderoso, e ela nunca sucumbiria à tentação, e Conner estava certo disso.

Isabeau vagava em torno da sala e parou na frente de um monitor. Chicotes, floggers, bastões e diversos outros instrumentos de tortura eram exibidos numa caixa de vidro grande. Philip veio por trás dela. Próximo. Muito próximo.

—Esses instrumentos interessam você?

Isabeau virou a cabeça para olhar para ele por cima do ombro, sua expressão de desdém.

—Dificilmente. Prefiro formas muito mais agradáveis de entretenimento.

—Talvez eu pudesse fazê-la mudar de ideia. Prazer e dor misturados muitas vezes tem resultados surpreendentes.

Isabeau levantou uma sobrancelha. Tinha apenas minutos para recolher impressões sobre Philip, mas duvidava que precisasse de muito mais que isso.

O trabalho de Elijah era agir como primo superprotetor, enquanto ela estava entediada e divertida e tão sedutora quanto possível. Sobre tinha a fama de ter visitado o complexo de Imelda Cortez muitas vezes durante vários meses. As visitas continuavam, mas agora eram muito menos frequentes. Tinha a sensação que Philip e Imelda compartilhavam um fetiche semelhante para usar chicotes, nos outros, não neles.

—Dando ou recebendo? — ela perguntou com um pequeno, e esperava, fosse um sorriso misterioso e levemente interessado. —Acho que prefiro ser a que dá. — Seu gato se agitou, rebelando-se pela forma como o homem estava tão perto, respirando sobre ela com respiração mentolada e seus olhos quentes. Sua pele coçava e sentiu o movimento dentro dela, uma extensão lenta do desdobramento de garras.

—Concordo com você. É requintado assistir o chicote cortando a carne. — Ele inalou e o perfume almiscarado de excitação atingiu seu nariz. —Empunhar o chicote, ganhar o controle e adquirir esse toque perfeito é uma forma de arte.

—Uma que estudou? — Isabeau se virou para enfrentá-lo, inclinando um quadril contra a parede e olhando para ele sobre o copo de vinho que fingia saborear. Philip Sobre era diabólico. Estava sexualmente excitado pela ideia de rasgar alguém indefeso com seu chicote. Os rumores sobre Imelda Cortez eram desenfreados. Sua crueldade era lenda, tal como seu pai antes dela. Gravitariam naturalmente em direção um ao outro. E Philip estava numa posição onde teria uma fonte infinita de vítimas para compartilhar com Imelda.

—Claro, — disse Philip. —Amplamente. — Havia algo quente e especulativo em seus olhos que fez seu estômago balançar em protesto.

Viveu uma grande quantidade de sua vida na floresta. A disparidade econômica entre ricos e pobres era enorme. O calor latente da selva trazia muitas vezes o pior das pessoas e a distância da civilização às vezes atraia os mais depravados, que se achavam acima da lei e no direito de fazer o que quisessem. Acreditavam que os nativos estavam abaixo deles e ninguém sentiria falta de alguns se desaparecessem. Ela viu essa atitude muitas vezes em sua vida, mas Philip era flagrante sobre isso.

Ela congelou seu sorriso e ficou grata quando Elijah cruzou a sala ao lado dela e pegou seu cotovelo. Sabia que Philip percebeu Elijah como um tubarão, assim como ele pensava de si mesmo. Elijah se inclinou para sussurrar em seu ouvido, os olhos sobre Philip.

—Continue assim, parecendo muito fria e calma e apenas um pouco desdenhosa. Meu palpite é que os vídeos estão sendo revisados agora. Ela vai ficar intrigada pelo interesse de Sobre em você. Não tem como não perceberem Conner rondando nas sombras.

Ela sorriu para ele e tocou sua bochecha carinhosamente, parecendo tão amorosa como possível. Era estranho. Conhecia a vida de Elijah a fundo, sabia o que fez, o que fazia em sua vida, e que não era bom, mas ele tinha um perfume limpo.

A depravação se agarrava a Philip. Era difícil evitar olhar na direção de Conner enquanto Elijah a levava de volta para Marcos, que a cumprimentou, levantando seu copo de vinho e fazendo uma piada. Ela estava muito consciente de Philip se juntando, de pé ao lado dela, o que dizia a todos que apesar da clara advertência que Elijah deu a ele, se sentia muito seguro sob a proteção de Imelda Cortez.

Cortez definitivamente comandava aqui. Os sinais dela estavam no sistema de segurança e guardas armados que Philip possuía. As armas eram muito sofisticadas para os homens que as seguravam. Este era o exército pessoal de Sobre, não de Imelda, e Philip era muito preguiçoso, ou era muito mais barato que contratar mercenários ou ex-soldados.

Talvez não acreditasse que precisava de segurança da mesma maneira que Imelda. Mas Imelda e Philip definitivamente eram aliados, ou ele não teria os injetores e sistema de segurança. Como chefe de Turismo, estava em condições de ajudá-la a tirar sua droga do país. E tinha um salário gordo por seus serviços.

Isabeau estava ciente de Philip trabalhando seu suposto encanto em Marcos. Marcos era um homem mais velho e Cortez provavelmente pensava que podia seduzi-lo ou chantageá-lo para entrar no negócio com ela, se sua oferta de negócios não fosse tão doce como ele gostaria. Elijah era um assunto diferente.

Jovem. Viril. Sua reputação era de um ditador implacável em seu cartel. Seus homens eram fiéis, e seus inimigos tendiam a morrer rápido. Nenhum deles esperava que fosse com Marcos.

Em outra hora Imelda estaria lá e a tensão dispararia. Entretanto, a equipe tentaria tirar o máximo de informações possíveis com Sobre, sem nunca perguntar sobre Cortez. Ele tinha que trazê-la e Isabeau estava certa que o faria. Já estava soltando nomes de celebridades que vinham para o jantar, ou para uma de suas festas. Era um homem vaidoso, pomposo, mas não ia subestimá-lo. Ele não chegou onde estava por ser estúpido.

—Tem uma bela casa, Sr. Sobre, — ela disse. —Foi... inesperado.

Ele se envaideceu e desfilou um pouco.

—Estamos completamente na moda mesmo aqui neste lugar. — Os olhos encontraram os dela. —Podemos fazer nossas próprias regras aqui e viver da maneira que escolhermos.

Ela deu um sorriso doce, vazio sobre a borda de seu copo de cristal.

—Bem, parece estar fazendo um bom trabalho. Onde no mundo encontrou todos esses servos?

Deliberadamente usou a palavra servo, com um tom um pouco desconsiderado quando indicou as mulheres uniformizadas. Quase todos eram mulheres, mas notou alguns homens se deslocando por toda a sala. Estava certa que não faziam parte da sua segurança. Seus olhos estavam abatidos enquanto reabasteciam as bandejas de comida e se moviam entre os convidados. Algumas mulheres bem vestidas corriam as mãos sobre os homens, os tocando inadequadamente. Apostava que os homens e mulheres lá em cima estavam se aproveitando de outros serviços que seus servos eram obrigados a dar — e provavelmente os convidados estavam sendo filmados secretamente, enquanto se divertiam.

Sabia que a equipe acreditava que tinham apenas uma ou duas horas antes da chegada de Imelda. Tudo que Isabeau sabia sobre a mulher apontava que era alguém que deliberadamente fazia aqueles em torno dela se sentirem pequenos. Imelda seria fria e cortante e até mesmo cruel com aqueles acreditava ser menos que ela. Se Imelda realmente mandava em Philip, ele só tinha até que a mulher aparecesse para convencer Isabeau que era alguém importante. Depois disso, Imelda o detonaria.

Porque pensava que era prima de Elijah, Sobre tentou descobrir com ela o que Elijah fazia para viver. Como chefe de um perigoso cartel familiar, Elijah seria considerado da mesma categoria de Imelda. Todos tinham que saber se Marcos estava relacionada a ele e era parte desse cartel ou se estavam se unindo para formar uma Aliança.

Marcos bateu na bunda de uma garçonete e a mulher desviou os olhos e permitiu uma análise mais aprofundada. Isabeau manteve sua expressão mesmo que quisesse jogar seu copo no homem mais velho. O que sabia sobre ele? Por que os outros permitiam que se comportasse assim?

Se forçou a inspirar, pegando os perfumes em torno dela para seu gato processar.

Medo era superior. Ódio. Raiva. Tudo cozendo sob a superfície. Certamente cheirava luxúria, mas não vinha de Marcos. Ele estava atuando. Assim como ela estava. Assim como Conner estaria. Tinha que acreditar.

Olhou para Elijah. Ele sabia. Todos sabiam. Isso era mais que drogas e sequestro. Não disseram a ela as coisas que esperavam encontrar. Ela nunca seria capaz de sorrir para Sobre se soubesse.

Deliberadamente parecia uma inocente no meio de uma selva cheia de predadores. Apostaria sua vida que descobririam alguns dos preciosos turistas que Sobre atraía para sua parte da floresta e que desapareciam sem deixar vestígios. Seria tão fácil.

O que estava pensando? Que o homem suave, entregando outro copo de vinho realmente era um serial killer de jovens, homens e mulheres? Que usava sua posição para seu próprio prazer sádico?

Para cobrir seus pensamentos assustadores, levou o copo aos lábios. Na verdade, tomou um gole antes do perfume a atingir. Estava drogado. Ela umedeceu os lábios e olhou novamente para Elijah. Desta vez ele reagiu, sorrindo de volta para ela e pegando a bebida da mão dela, virando o conteúdo em sua boca. Sua respiração ficou presa em sua garganta e ela quase gritou para ele parar.

A garçonete golpeou duro em Elijah, fazendo a bebida voar. O vidro quebrou por todo o piso e o conteúdo acabou na sua imaculada camisa. A bandeja caiu, espalhando comida por todo o chão.

—Teresa! — Philip rugiu, seu punho desviando de Isabeau por uma mera polegada quando golpeou na direção do horrorizado rosto da mulher.

O estalo de carne batendo contra carne foi alto. Todas as conversas cessaram e o quarto ficou estranhamente quieto. Conner estava na frente da mulher, a mão de Philip em seu punho. Ninguém o viu se mover. Ele parecia duro. Perigoso. Seus olhos dourados queimavam o homem menor.

—Talvez não tenha percebido, mas você bateu na mulher e ela bateu no Sr. Lospostos. — Sua voz era tão calma que Isabeau duvidava que alguém que não fosse seu pequeno grupo pudesse ouvir suas palavras. —E quase atingiu a Srta. Chandler.

Philip Sobre o olhou de forma assassina em em seguida a promessa escura desaparecia de seus olhos e estava sorrindo.

—Acho que não o fiz.

Conner soltou o punho de Philip, seu braço caindo de volta ao seu lado. Isabeau sabia que as câmeras registraram cada momento e Imelda ficaria intrigada com esse movimento interessante por parte do guarda-costas. Ele se adiantou para garçonete.

E se moveu tão rápido que seria um borrão na câmera. Estaria mais que intrigada. Ia querer se aproximar de um homem tão ousado, perigoso.

Nem uma vez ele olhou para o guarda-costas de Philip, como se estivesse sob suas ordens e não fossem nenhuma ameaça a ele.

O coração de Isabeau começou a saltar, e podia sentir o medo na boca. Conner se colocava como alvo, e essas pessoas eram todas assassinas. Ainda suspeitava que o traiçoeiro Philip — que estava suave e encantador de novo e pedindo aos seus serviçais que ajudassem a limpar a bagunça de Teresa — fosse um assassino. Pareceu ignorar Conner, mas o viu olhar várias vezes em direção ao muro sombreado onde Conner, mais uma vez, desapareceu.

Se Adan soubesse sobre Sobre, nunca teria permitido que ela falasse em trazer uma equipe para resgatar as crianças. Então, como Conner obteve suas informações, porque definitivamente sabia que algo estava errado com o chefe do turismo e veio preparado. Que outras fontes tinha?

—Venha comigo, Isabeau, enquanto pego uma camisa limpa, — Elijah comandou. Com outro olhar fumegante para Philip, ele pegou seu braço e ela caminhou na direção da entrada. —Está mordendo seu lábio.

—Estou? — Ela se sentia como se pudesse respirar de novo, fora da presença do chefe do turismo e sua propensão a ferir os outros.

—Faz isso quando está chateada.

—Como sabia sobre Sobre? É um sádico, não é?

—É um assassino. Gosta de ferir as pessoas. Conseguir a submissão delas. Homens e mulheres pelo que entendi, e tem uma parceira ideal em Imelda. Ela compartilha seu pequeno segredo sujo, e na verdade o incentiva. Enquanto ele matar suas vítimas, ela pode controlá-lo.

—Soa como um casal perfeito.

—Foram um casal por um tempo. Suspeito que Imelda quer uma personalidade dominante, e Philip nunca seria. Ele tem muito medo dela. — Elijah se afastou para permitir que Rio abrisse a porta do SUV para ele. Elijah acenou para o carro.

—Quando entrarmos, quero que pareça que recebeu um sermão de seu primo agressivo. Sobre espera que eu não a queira perto dele — e não quero. Sei exatamente como sua mente funciona. Ele acha que tenho uma fraqueza pela minha prima e como nunca se deteria para tomar o que quer, acredita o mesmo de mim.

—Ele me deixa doente. Seu cheiro. Seus olhos. A maneira como olha para mim. Tudo sobre ele. Algo estava na bebida.

Elijah balançou a cabeça.

—Senti o cheiro. — Ele desabotoou sua camisa. —Se a garçonete não me golpeasse, encontraria uma maneira de deixá-la cair. Não acha interessante que ele não me queira drogado? Cortez está mais ansiosa para falar do que eu esperava.

—Como Rio sabia sobre Sobre?

—Adan deu a Rio o diário Marisa como prova de quem era. Ele precisava provar que não nos queria nenhum mal. Ela estava investigando Sobre. Já suspeitava há algum tempo. Aparentemente...

Ele puxou uma camisa preta de uma pequena mala, mostrando um pequeno sorriso. —... sempre esteja preparado."

Ela rolou a mão num círculo indicando mais e mais para ele continuar.

—Aparentemente o que?

—Várias mulheres desapareceram na área nos últimos anos, tantas que Marisa desconfiou. Era a “curandeira” por estas bandas e muitas pessoas, tanto das tribos como de outras aldeias, a procuravam, então ouviu mais coisas do que outros.

—E ouviu falar de Sobre?

Elijah balançou a cabeça enquanto abotoava sua camisa.

—Se concentrou nele depois que uma jovem da Inglaterra desapareceu. A mulher veio aqui com três amigos para caminhar na floresta. Ela, de alguma forma, se separou dos outros e nunca a encontraram.

—Por que Sobre?

—Sobre falou sobre uma trilha em particular, pouco conhecida e não recomendou um guia. Pelo menos foi o que as outras duas mulheres disseram. Ele afirma que mencionou a trilha numa conversa com elas e ainda entregou cartões com nomes dos guias de turismo.

—O que mais? — Ela sabia que havia mais e não sabia se devia ficar irritada ou simplesmente doente por entrar no covil de Sobre sem sua equipe divulgar plenamente o que sabiam.

—Sobre veio para cá quando tinha dezessete anos. Está, agora, com cinquenta e um. Marisa descobriu que meninas estiveram desaparecendo por trinta e quatro anos.

Ela apertou os dedos na boca.

—Meu Deus, é um serial killer de verdade.

—Essa foi a conclusão que Marisa chegou.

—Acha que Sobre sabia dela? Poderia deliberadamente ter usado Suma e o ataque à vila para dar fim nela?

—Talvez, mas provavelmente nunca saberemos. Imelda Cortez provavelmente sabe sobre isso e provavelmente não só o incentivou, mas ajudou. Têm uma ligação aqueles dois e ele é doente e pervertido, definitivamente doentio.

—Já sabia disso tudo — Isabeau disse, —e não me disse.

—Imelda Cortez nunca sai, a menos que esteja controlando completamente a situação, o que significa que, se vêm a esta festa na residência de Philip Sobre, ele está em seu bolso. Não foi tão difícil depois de ler sobre as suspeitas de Marisa, saber por onde começar nossa investigação. Ela não estava longe do alvo. Cada um de nossos leopardos instintivamente despreza o homem, — destacou Elijah.

—E Conner apenas se coloca como isca, — disse Isabeau. —Sobre o despreza e vai procurar qualquer desculpa para matá-lo após essa humilhação pública e Imelda vai querê-lo porque fez Sobre parecer pequeno. Estou certa?

Elijah balançou a cabeça.

—É por isso que viemos, para chutar a porta.

—E Conner queria a atenção de Sobre em mim e nele, — ela adivinhou.

—Isso também. Era importante que lesse Sobre sem sair com ele, Isabeau. Esta é a primeira vez que entra numa situação assim e nenhum de nós sabia como iria lidar com isso.

Ela levantou seu queixo.

—Se eu tivesse saído com ele?

—Ninguém nunca tirou os olhos de você. Não seria permitido. Sou o grande primo mau e Rio e Felipe são nossos protetores pessoais. Se pedisse a um deles que arrastasse seu traseiro para o carro, o fariam sem hesitação e ninguém suspeitaria.

Sua mão estava sobre a maçaneta, mas não a abriu.

—Posso lidar com ele, — ela assegurou.

—Está certa? Não pode haver erros, Isabeau. Muitas vidas estão em jogo, e não temos nenhuma prova de nada. Em qualquer caso, pode apostar que qualquer policial ao redor daqui está no bolso de Imelda ou tem pavor dela. Inferno, a maior parte está ganhando um dinheiro extra vigiando a festa de Sobre.

—Disse que posso lidar com ele. Conner está lá fora, pendurado na linha, — ela disse. —Tenho que voltar. E não ache que não vou fazer de tudo para ter certeza que saia dessa vivo.

Elijah estudou seu rosto determinado e, em seguida, acenou com a cabeça.

—Boa menina. — Ele esfregou o cabelo dela e esfregou seu rosto, colocando pontos de cor na sua pele e deixando seus lábios um pouco inchados como se tivesse a beijado.

—Vamos esperar que Conner não arranque meu coração e o enfie na minha garganta.

Ela forçou um sorriso.

—Vou me assegurar de soltar um par de lágrimas e realmente farei você parecer mau.

—O primo bravo não quer sua prima beijando ou flertando com alguém e já foi repreendida completamente e posta em seu lugar.

—Sobre não vai te desafiar, não sem a permissão de Imelda, — apontou Isabeau.

—E isso é o que vai mantê-la segura. Fique perto de mim agora. Me toque ocasionalmente, mas seja sutil. Quero que vejam a relação, mas sem a empurrarmos goela abaixo.

—Como se estívessemos escondendo dele.

—Ou pelo menos não queremos que seja de conhecimento comum. Agora, Isabeau, há um risco. Por um lado, enquanto pensarem que têm a chance de fazer o negócio comigo, esta é a maneira perfeita para mantê-la seguro, mas se decidirem que precisam me manter na linha, ou tentar me influenciar com uma ameaça, você será a primeira na mira. Eles pensam assim.

Ela balançou a cabeça.

—Estou ciente disso. Realmente, Elijah, posso fazer isso. Minha relação com Conner à parte, foi minha ideia trazê-los aqui e estou disposta a ter o direito de me arriscar ao lado de vocês.

Ele abriu a porta e Rio ficou de frente para a casa, sua expressão remota, como se ela fosse apenas mais um corpo a proteger. Era incrível para Isabeau apenas como todos conseguiam parecer sombrios e perigosos e tão eficientes ao mesmo tempo.

Ela piscou para Elijah um pequeno sorriso, quando ele colocou a mão casualmente nas suas costas.

—Aposto que Sobre daria qualquer coisa para ter nossos guarda-costas.

—Protetores pessoais — ele corrigiu e piscou para ela.

Ela andou mais perto de Elijah, então parou, mas ainda mantinha uma distância que poderia ser considerada discreta. O porteiro acenou. A música parecia mais alta e as salas muito mais lotadas. Elijah pegou seu cotovelo com ar de proprietário e a guiou através da multidão. Rio liderava o caminho com Felipe atrás. Ela percebeu que a multidão se separava para eles e ninguém os tocava.

Marcos, com Leonardo ao lado dele, estava num canto, conversando com Philip. Teresa, a garçonete, estava ao lado de Marcos parecendo miserável. De vez em quando Marcos esfregava seu braço ou suas costas e ela pulava, mas não se mexia. Quando se aproximaram do pequeno grupo, Philip olhou acima, olhando rapidamente sua aparência ligeiramente despenteada. Isabeau se assegurou que ele visse o brilho das lágrimas, antes que piscasse, afastando-as. O olhar de Philip caiu nos dedos de Elijah, segurando seu cotovelo antes de olhar atrás para Marcos.

—Teresa ficará mais que feliz em fazer você se sentir muito bem-vindo, não é mesmo?

A garçonete assentiu, mais miserável que nunca.

Philip fez uma careta para ela e ela forçou um sorriso.

—Claro.

Marcos bateu em sua bunda com intenção familiar.

—Mais tarde. Não se preocupe.

Teresa rapidamente escapou. O chão onde aconteceu o acidente antes estava imaculado e Philip era todo sorrisos, agora que pensava que Marcos usaria seus quartos no andar de cima. Isabeau estendeu a mão e esfregou um imaginário batom no canto da boca de Elijah e, em seguida, rapidamente baixou sua mão.

—Ainda não experimentou os bolinhos de cogumelos, — disse Philip a Elijah.

—Estão maravilhosos, — Marcos concordou, parecendo que ele e Philip se tornaram bons amigos. —E os bolinhos de caranguejo estão ainda melhores. Realmente deve experimentá-los, Elijah.

Elijah assentiu com um sorriso fraco.

—Sempre foi um grande juiz de alimentos, Marcos. Sei que nunca me orientaria errado.

—Ele é um bom juiz de mulheres, também — Philip disse, seu sorriso malicioso quando olhou para Isabeau. —Teresa é bonita.

Elijah deixou cair seu braço em volta de Isabeau e saiu do caminho de Philip quando os levou para a longa mesa do buffet. Fez isso casualmente, como se simplesmente ajudasse sua prima, mas sabia que Philip entenderia o gesto como propriedade. Isabeau pertencia a Elijah e todos ficariam afastados. Philip tinha um sorriso secreto em seu rosto quando apontou as várias iguarias para eles.

—Quer dançar, Isabeau? — ele perguntou, com outro sorriso.

Em caráter, olhou hesitante para Elijah, que olhou de volta para ela com expressão sombria. Depressa, ela balançou a cabeça.

—Não, obrigada. Acho que quero experimentar o bolo de caranguejo.

—Vai descobrir que meu chef é incrível, — disse Philip.

Elijah olhou para ele, sua expressão entediada.

—É incrível como pode atrair alguém para este lugar.

O rosto de Philip corou apenas um pouco, mas conseguiu manter seu sorriso pelo insulto implícito.

—Segredos, todo mundo tem segredos. É uma questão de se aproveitar deles.

Um sorriso lento, com um leve toque de admiração iluminou o rosto de Elijah por um momento. Isabeau ficou impressionada com aquele olhar. Era como se ele acenasse com uma varinha mágica na frente de Philip.

—Suponho que é. Não é interessante como a força alavanca certas mudanças de ideias?

Philip se inchou novamente, parecendo extremamente satisfeito, como se naquele momento vencesse Elijah Lospostos, o famoso traficante. Isabeau percebeu que a ruína de Philip seria sua vaidade. Ele não tinha pessoas suficientes para admirar suas habilidades e precisava de audiência. Suas atividades criminosas o isolavam da maioria. Havia apenas suas vítimas e Imelda Cortez para vê-lo como realmente era, e Imelda era perigosa para ele. Aqui estava um grupo de tubarões. Ele os reconheceu e queria fazer parte deles.

—Elijah, — Marcos disse, —talvez possamos ficar uns dias e aproveitar as ofertas na pequena cidade de Philip aqui.

Isabeau não podia acreditar na transformação de um homem bem-humorado, amoroso, paternal para um com excesso de ganância, querendo correr solto e participar de qualquer depravação que pudesse. Seu rosto estava um pouco vermelho, seus olhos escurecidos, como se tivesse bebido um pouco demais, seu olhar sobre as mulheres um pouco quente demais. Ela se encontrou desconfortável, quase acreditando em seu ato. Elijah passou sua mão ao longo de suas costas, apenas deslizando, mal a tocando, mas sabia que Philip via o movimento pelo canto do olho. Ela interpretou sua parte, olhando acima para Elijah com um leve sorriso, a cor se elevando apenas um pouco no rosto dela. Seu gato saltou, batendo perto da sua pele, protestando contra o toque de outro homem. Ouviu o enredo em sua mente, e o desejo ficar longe deles e sair de lá foi forte. Sua pele coçava.

Rio virou a cabeça para olhar para ela. Nas sombras, Conner se agitou. Felipe e Leonardo se moveram apenas o suficiente para bloqueá-la da vista da maioria das outras pessoas na sala. Elijah dobrou a cabeça perto mas não a tocou.

—Respire. Mantenha a calma, — ele avisou, parecendo incrivelmente íntimo, seu rosto uma máscara de ternura.

Isabeau respirou fundo, tentando não entrar em pânico. Sabia que o gato queria sair. Não gostava do cheiro irresistível de decadência e corrupção. Suas articulações doíam. Sua mandíbula. Mesmo seus dentes. Os dedos dela se fecharam e as pontas queimavam.

Para seu horror, podia ver a divisão da pele ao longo da palma da mão. Ofegante, fechou a mão e quis que seu gato a obedecesse.

 

Isabeau não deixaria seu gato sair aqui, no meio dessa festa insana e explodir suas chances de acabar com essas pessoas nojentas para sempre. Não ia acontecer. Sussurrou para seu gato, subitamente furiosa que a criatura se aproveitasse deste momento para decidir emergir. Teve sua chance na floresta quando Conner estava com ela e podia ser uma experiência maravilhosa.

—Você. Não. Vai.Sair. — Ela sussurrou cada palavra por entre seus dentes, mantendo seu rosto perto do peito de Elijah.

Ela não ousou tocá-lo, mesmo que precisasse desesperadamente de apoio. Era grata por Conner não correr ao seu lado. Duvidava que pudesse ficar no controle se ele o fizesse. Se atiraria em seus braços, no meio de seu medo crescente. Tentou pensar como ele.

Sempre estava calmo. Se recusava a mostrar medo ou deixar que o medo o paralisasse. O que ele disse? Seu gato fazia parte dela. E ela certamente podia se controlar.

Puxou outra respiração e forçou sua vontade no gato furioso, respirando por ele, o acalmando, sussurrando na sua cabeça. Conner era seu companheiro. Não havia nenhum outro. Isso era tudo por Conner.

Para protegê-lo. Para proteger seu gato. Perdeu a noção do que estava dizendo e até mesmo do tempo passado, confiando que Elijah e Marcos manteriam a conversa fluindo em torno deles. Philip continuaria a acreditar que estava sob o controle de Elijah e que ele a queria ao lado dele, sua decoração e nada mais. Demorou alguns minutos para que seu gato se submetesse ao seu controle, cedendo, mas deixou suas necessidades conhecidas, deixando Isabeau num estado elevado de sensibilidade e consciência. Todos os sentidos ficaram agudos. Seu corpo doía, cada músculo, cada articulação. Seus seios estavam tão sensíveis que cada vez que se movia seus mamilos roçavam contra seu sutiã de renda e enviavam uma corrente elétrica direto para a junção entre as pernas. Doía por Conner, por alívio.

Era uma vingança, ela pensou. Negou o surgimento do seu gato, mas não conseguia evitar as necessidades de sua espécie. O Han Vol Dan. Este momento misterioso quando seu gato ficava livre e inteiramente unido com sua forma humana. O calor chocante da leopardo fêmea, surgindo com uma fome insaciável, desesperada que nunca podia ser saciada por qualquer um que não fosse seu companheiro.

—Boa menina — Elijah sussurrou em seu ouvido, parecendo íntimo, mas cuidadoso em não tocá-la e incorrer na ira de seu leopardo.

Antes que pudesse responder, o quarto ficou em silêncio quando quatro homens vestidos com calças e camisas pretas passaram pelas portas duplas. A entrada era concebida para ser dramática e foi. Carregavam armas automáticas, usavam óculos escuros espelhados, e pareciam gângsteres da televisão para Isabeau. Seu estômago apertou quando sentiu a reação instantânea do leopardo de Elijah.

A tensão na sala era chocante, esticada quase ao ponto da ruptura, enquanto os homens empurravam casais contra a parede e começavam a sistemática busca. Era um show de poder, puro e simples — apenas uma lição para mostrar quem estava realmente no comando. A indignidade nos rostos dos vários casais era aparente, mas nem uma única pessoa protestou.

A batida da música acompanhava o som da respiração dura e grunhidos e alguns poucos suspiros indignados quando as mulheres foram revistadas.

Elijah e Marcos assistiram impassíveis como os quatro homens chegavam mais e mais próximos a eles, mas não se moveram. Isabeau permaneceu perto de Elijah, seu estômago apertando quando a equipe de segurança se aproximou. Sabia que esse tipo de revista era incomum e simplesmente era a maneira de Imelda fazer uma entrada grandiosa, mas com sua sensibilidade, podia sentir os homens ao seu redor, sua energia crescendo mais perigosa quando os guardas se aproximaram.

Assim que os dois homens vestidos de preto alcançaram Marcos e Elijah, Conner emergiu das sombras, colocando seu corpo solidamente em seu caminho.

Rio, Felipe e Leonardo estavam lá também.

Se moveram tão rápido que ela pensou ter piscado. Elijah, muito delicadamente, a puxou atrás dele.

Conner olhou diretamente para os óculos espelhados.

—Acho que não. — Sua voz era calma, mas um chicote, um desafio.

—Vamos revistar todos.

O sorriso de Conner era lento, mas não havia nenhum humor nele.

—Vai estar morto antes de colocar um dedo nos três. Mas é sempre bem-vindo para tentar.

A boca de Isabeau estava seca. Estava provocando os guardas deliberadamente. Estava enviando sua própria mensagem para Imelda. A mulher era conhecida por sua insanidade. Podia ordenar aos seus homens que abrissem fogo com suas armas automáticas, matando todos na sala. Os outros casais na sala estavam claramente chocados, ofegantes. Uma mulher começou a chorar, mas seu parceiro rapidamente a silenciou.

Conner nunca desviou seu olhar, seus olhos puro gato. Parecia relaxado. Parecia... letal. Fazia os homens que enfrentava parecer pequenos.

O homem mais próximo a ele falou em seu rádio.

—Martin, temos um problema aqui.

Quase imediatamente dois homens entraram na sala.

Ambos tinham constituição de leopardos e se moviam com energia fluida. O gato de Isabeau reagiu com um rosnar e um salto. Ela viu, porque estava olhando para ele, os dedos de Conner se flexionar apenas uma vez quando o homem que se dizia ter matado sua mãe entrou na sala. Isabeau reconheceu Suma da vila e seu estômago se rebelou ao vê-lo, quase tanto quanto seu gato.

Acostumados a obediência instantânea e a reprimir qualquer oposição, Martin Suma e Ottila Zorba empurraram sua força de segurança de lado e estavam quase de igual para igual com Conner antes que notassem o que exatamente estavam enfrentando. Martin se encontrou olhando nos olhos focados de um assassino. Conner sorriu. Não um sorriso agradável. A tensão na sala se estendia quase a um ponto de ruptura enquanto os dois se mediam.

Ottila, que não estava preso no combate com Conner, examinou a segurança dos dois visitantes, os reconhecendo instantaneamente como leopardos. Inalou agudamente e atraiu o cheiro de uma fêmea perto do Han Vol Dan em seu corpo. Ao mesmo tempo seu gato reagiu, todo macho invasor, faminto com uma necessidade escura que englobava tudo. Seus olhos passou pelos outros e focou no objeto de seu desejo.

Martin sentiu o cheiro próximo e seu olhar se desviou para a mulher atrás do homem que conhecia como Elijah Lospostos, chefe de um dos principais carteis de drogas e conhecido por todos os clientes como um homem muito poderoso e perigoso. Só então soube que não apenas a equipe de segurança e a mulher eram leopardos, mas os dois visitantes também. Estava enfrentando sete leopardos, todos armados. A auto-preservação era forte e ditava que recuasse imediatamente.

Isabeau viu que o conhecimento atingiu os dois guardas quase ao mesmo tempo. Seus olhos brilhavam com malícia. Nunca queria encontrar qualquer um deles sozinha numa noite escura. Eram os homens que sequestraram as crianças e mataram vários moradores e a mãe de Conner. Não conseguia controlar as batidas do seu coração.

Elijah se aproximou por trás, um gesto casual, suave e colocou sua mão sobre seu braço. Esse pequeno toque a estabilizou. Puxou uma respiração e se forçou a respirar normalmente, retardando seu pulso.

Não podia ter medo deles. Seu gato detestava o cheiro dos dois leopardos renegados, mas reconheceu Conner imediatamente, quase ronronando por sua proximidade.

Um rebuliço na porta chamou sua atenção. Isabeau espiou em torno de Elijah e teve seu primeiro vislumbre de Imelda Cortez. Usava um longo e fluído vestido vermelho sangue, combinando com as unhas longas e o batom.

O cabelo dela, tão negro como asas de corvo, estava preso acima num intrincado nó para que as pedras deslumbrantes em seus ouvidos e garganta ficassem expostas. O vestido era aberto quase até o umbigo, para que os globos perfeitos dos seios espiassem fora, fazendo Isabeau se sentir monótona e infantil, em comparação.

Imelda entrou na sala em seus saltos vermelhos, seus olhos escuros pousando instantaneamente em Conner, seu olhar faminto o devorando numa leitura lenta, gananciosa que bebia os ombros largos e o peito espesso. Não deixou de notar a aura de perigo que ele exalava, e Imelda realmente inalou agudamente, os seios arfando, em grave perigo de sair do vestido.

O gato de Isabeau enlouqueceu, se apertando, agarrando e rosnando, reconhecendo um inimigo, desesperado pela liberdade para destruí-la. Por um momento terrível Isabeau estava certa que não seria capaz de impedir seu leopardo de emergir e matar a mulher num acesso de raiva. Seus músculos se contorciam. Seus ossos estalaram. Dor rompeu de sua mandíbula e sua boca parecia superlotada de dentes.

Não! Você não vai! Ela lutou com o leopardo. Ele precisa de nós. Nós duas. Ela encheu sua mente com Conner, chamou a força dele, seu amor por ele. E o amava com cada fibra do seu ser. Faria isso por ele.

Imelda Cortez era alta e magra, muito na moda, mas lembrava a Isabeau um Louva-Deus, um inseto pronto para atacar sua presa na primeira chance que tivesse. O olhar guloso de Imelda deslizou com desdém por Isabeau uma vez, mas se moveu rapidamente para os homens no grupo — um novo fornecimento de homens para seu apetite voraz. O que dizia a todos que Imelda não era leopardo, ou parte leopardo. Saberia que Isabeau estava perto do Han Vol Dan e, portanto, seria sua maior ameaça. Seus dois leopardos renegados seriam consumidos por sua presença. Seu dever para Imelda viria depois de sua necessidade de acasalar com uma leopardo fêmea nos braços do Han Vol Dan.

Imelda se moveu por toda a sala, ciente de todos os olhos sobre ela. Franziu os lábios e fez um pequeno barulho cacarejante, sacudindo a cabeça.

—Esta não é a maneira de tratar os hóspedes de Philip, Martin. — Ela deslizou seus dedos divertidamente pelo braço de Conner. —O que temos aqui?

O gato de Isabeau deu um rosnar feroz, mas cedeu sob seu controle crescente. Conner nem sequer olhou para Imelda. Seu olhar estava fixo e focado em Martin. Havia uma ameaça lá, muito real, e Martin não ousava se mover, nem mesmo com Imelda claramente sinalizando para ele recuar.

—Conner, — Marcos disse num tom baixo. —Acho que ele entendeu a mensagem.

Conner deu um passo atrás imediatamente, nunca tirando os olhos de Martin. O leopardo renegado recuou e desviou o olhar, olhando para sua empregadora. Havia um brilho fino de suor na sua testa.

Imelda deu uma fungada de desprezo e entregou um lenço.

—Enxugue. Parece ridículo.

Ela deslizou perto de Conner e correu seu dedo abaixo por seu peito, desta vez um convite flagrante, seus seios quase o tocando, seu perfume o engolindo, o devorando com os olhos.

—Pouquíssimos homens podem levar a melhor sobre meus guardas.

Martin se agitou como se fosse protestar. A mão de Imelda subiu e ela acenou languidamente.

—Vá embora, Martin. Está me chateando.

Martin olhou para Isabeau, seus olhos brilhando perigosamente e, em seguida, mais uma vez olhou para sua chefe. Ódio deflagrou brevemente, e ele se virou abruptamente, sinalizando aos outros guardas de segurança que se dispersassem para vários lugares na sala. Só então Conner olhou abaixo para Imelda. Isabeau prendeu a respiração. Não havia nenhuma expressão no seu rosto.

—Me desculpe, minha senhora. — Moveu-se em silêncio, voltando para a parede onde as sombras na sala o engoliam.

—Oh cara, — disse Imelda, se abanando. —Tem bom gosto para protetores, Marcos. Sou Imelda Cortez.

Marcos inclinou galantemente sua mão.

—Prazer em conhecê-la, Imelda — posso chamá-la de Imelda?

—É claro. Acredito que seremos grandes amigos. — Ela piscou um sorriso lindo, todo dentes e lábios fazendo beicinho.

A conversa começou cautelosamente em torno deles mais uma vez. Imelda não pareceu perceber o caos que causou aos seus homens. Ou melhor, sabia, Isabeau decidiu, mas não se importava se era inconveniente para alguém. Prosperava sobre o drama que criou.

—Posso apresentar Elijah Lospostos e sua priminha encantadora, Isabeau.

—Querida prima, — Elijah corrigiu, imediatamente limitando as atenções de Philip ou qualquer um de seus homens.

—Elijah, — Imelda murmurou. —Sua... reputação te precede.

—Coisas boas, estou certo, — Elijah respondeu suavemente e se curvou sobre a mão dela, embora não fingisse permitir que seus lábios roçassem sua pele.

—Claro, — Imelda concordou com um sorriso fingido e voltou sua atenção para Isabeau. —Minha cara, é um lindo vestido. Quem é o designer? Devo ter um.

Elijah respondeu, pegando o cotovelo de Isabeau, seus dedos afundando em sua pele. O olhar afiado de Imelda não perdeu o sinal para Isabeau não falar.

—Trouxe o vestido para ela de uma das nossas pequenas boutiques nos Estados Unidos. Viajo muitas vezes e quando o vi sabia que seria perfeito para ela. É um modelo que se adapta à sua aparência menos dramática.

Isabeau ouviu a pequena mordida em sua voz, implicando que a inocência do vestido de Isabeau nunca serviria para alguém que usava um vestido vermelho sangue revelando metade do corpo, como Imelda. Ela prendeu a respiração, com medo de Elijah antagonizar a mulher, mas Imelda tomou isso como um elogio. Correu a mão abaixo de seu quadril, alisando o tecido e projetou seus seios, virando de costas para Isabeau, como se ela fosse de pouca importância.

Isabeau percebeu que essa era a intenção de Elijah, se certificar que Imelda não a visse como uma ameaça de forma alguma.

Tentou não deixar isso minar sua confiança em si mesma. Nunca se considerou bonita. Era curvilínea, com um pouco mais de peso que era moda, mas tinha um grande cabelo e pele boa. Não achava que parecia monótona, mas ao lado de Imelda, provavelmente era.

A risada tilintada de Imelda a irritava, e a maneira como se movia para o centro do círculo de homens, como se pertencesse lá, a irritava ainda mais.

Um silêncio caiu sobre a multidão novamente e cabeças começaram a virar em direção à porta. Isabeau se encontrou seguindo os olhares dos outros. Um guarda, obviamente de Imelda, empurrou uma cadeira de rodas para a sala. O ocupante parecia ter seus oitenta anos, um homem magro, bastante bonito, com grossos cabelos prateados. Usava um terno, como se fosse feito para ele — o que provavelmente foi. Seu sorriso era até mesmo benevolente, amável, e acenou para várias pessoas e as cumprimentou pelo nome, enquanto era empurrado através da multidão.

Pessoas estendiam a mão para tocá-lo. Cada vez que alguém o saudava, ele parava e conversava por alguns momentos antes de continuar. Casais sorriam para ele. Parecia saber o nome de todos e perguntava sobre filhos ou pais.

Imelda suspirou e bateu o pé com impaciência.

—Meu avô, — ela anunciou. —Ele é muito amado.

Parecia irritá-la que seu avô fosse tão popular com as pessoas. Isabeau adivinhou que levava a atenção que queria para longe dela.

O homem de repente olhou acima e pode ver seus olhos com óculos de lentes grossas. Velhos e desbotados, eram mais cinza que pretos, mas parecia genuinamente interessado naqueles ao redor dele. Ela não podia imaginar que uma criatura tão imoral e maléfica como Imelda possivelmente pudesse estar relacionada a este homem.

—Pelo amor de Deus, avô, — Imelda explodiu e saiu do grupo. —Temos convidados importantes, — ela sussurrou em seu ouvido, se empurrando entre a cadeira e o guarda. Ela própria assumiu o controle da cadeira e a empurrou pela multidão restante até seu pequeno canto da sala. —Venha conhecer Marcos Santos e Elijah Lospostos. Este é meu avô, Alberto Cortez. É um pouco surdo, — ela pediu desculpas.

Marcos e Elijah apertaram sua mão e o cumprimentaram com respeito e deferência que não mostraram a Imelda. Alberto sorriu para Isabeau.

—E quem é essa?

—Prima de Elijah, meu avô, — Imelda disse, seu tom irascível.

—Isabeau Chandler, minha prima, — Elijah apresentou com uma pequena curvatura, cortês.

Ele pegou a mão de Isabeau na dele. Seu gato sibilou, sua pele ainda muito sensível para o contato.

—Linda, querida, ofusca qualquer mulher aqui.

Imelda revirou os olhos.

—Por favor, perdoem o velho homem, sempre foi um paquerador.

—Você é muito charmoso, — Isabeau se dirigiu a ele diretamente, não olhando para Imelda, se sentindo um pouco triste por ele. Imelda o tratava como um tolo trêmulo, quando era óbvio que seu cérebro era afiada e estava em pleno funcionamento. —Estou tão feliz que veio.

Ele piscou para ela, ignorando também sua neta.

—Estão falando negócios novamente?

—Acho que só falam disso.

—A música é um pouco selvagem, mas a comida é boa e as mulheres são lindas. O que tem de errado com os homens de hoje onde negócios são tudo? Não percebem que o tempo passa, e devem ter tempo para apreciar as pequenas coisas. — Ele olhou para os rostos em torno dele. —Logo vocês estarão velhos e com pouco tempo de vida.

Duas bandeiras de cor vermelha varreram a face de Imelda.

—Desculpem, por favor. Ele fala muita bobagem.

—Não, não, querida, — Marcos bateu em seu braço. —Ele fala a verdade. Pretendo me divertir imensamente enquanto estou aqui. Concordo, entretenimento e diversão são muito importantes. — Seu olhar varreu o quarto e parou em Teresa, que carregava uma bandeja vazia de volta à cozinha. —Apenas uma pequena quantidade de negócios e, em seguida, vamos nos divertir com os amigos, certo, Elijah?

—Claro, Marcos.

Alberto franziu a testa.

—Perdoe um homem velho, Elijah, mas conheci seu tio. Ouvi que ele morreu num acidente em Bornéu. Aceite minhas condolências.

Elijah inclinou a cabeça.

—Não tinha ideia que vocês dois se conheciam.

—Brevemente. Apenas brevemente. Você e sua irmã eram muito jovens quando o conheci. Onde está sua irmã? Ouvi falar que ela também desapareceu. Uma tragédia, sua família.

—Rachel está viva e bem. Foi um mau negócio. — Elijah deu de ombros casualmente. Seus olhos eram simples e frios. —Um inimigo estúpido o suficiente para tentar usar a ameaça da minha irmã contra nós.

—Ela está viva, então? Bom. Bom. Uma menina bonita. Não ouvi o que aconteceu à ela. Deveria saber que você cuidaria de todos os problemas.

Elijah enviou um sorriso frio.

—Sempre cuido dos meus. E de meus inimigos.

—Pode me emprestar sua bonita prima enquanto fala de negócios? Apenas por pouco tempo. Podemos caminhar nos jardins. Meu homem vai estar lá para vigiá-la. E talvez um dos seus homens possa nos acompanhar também, se preferir.

Imelda fez uma careta.

—Isso é apenas bobagem, avô. Philip tem segurança em todos os lugares. O que poderia acontecer a qualquer um de vocês?

Elijah pensou sobre isso. O jardim era totalmente visível da posição de Jeremiah. Não devia haver qualquer problema. Trouxe a mão de Isabeau ao peito.

—Acho que seria bom para você, Isabeau, muito melhor que ouvir negócios chatos. — Ele empurrou um fio de cabelo atrás de sua cabeça. —Vou mandar Felipe com você.

—Não é necessário, — disse Isabeau. —Prefiro que ele cuide de você.

Alberto fez um gesto para seu guarda.

—Esse é Harry. Ele está comigo há dez anos. — Ele enfatizou o pronome, marcando um ponto.

Imelda suspirou e revirou os olhos.

—Oh, pelo amor de Deus. Vamos. Philip, nos leve à sua sala segura. O avô e sua priminha podem fazer o que quiserem. — Os olhos dela já estavam nas sombras, procurando pelo guarda-costas de Marcos.

Conner se moveu no momento que Marcos o fez, indo suavemente atrás dele. Não olhou para eles, mas seu olhar se moveu agitado até a sala para onde ia todo mundo. Aparentava capaz de descrever em detalhe cada pessoa — e Isabeau estava certa que provavelmente podia.

—Venha comigo e tenha um dia de velho, Isabeau, — Alberto incentivou. —Deixe-me mostrar o jardim de Philip. Não é um homem que deseje passar muito tempo, mas ama coisas bonitas. Seu gosto é impecável.

Ela tinha que concordar que a casa e o trabalho artístico, até mesmo sua mobília, tinha o carimbo de alguém que gostava de coisas bonitas. Passaram pela caixa cheia de instrumentos de tortura e ela tremeu, com medo dessas coisas terem sido utilizadas inúmeras vezes em pessoas reais.

Alberto estendeu a mão e bateu na dela. Mais uma vez seu gato pulou e assobiou e sua pele queimou pelo toque casual. Estava perto de emergir.

Muito perto. E era um pensamento assustador.

De repente, queria que Conner a abraçasse.

Estavam firmemente arraigados numa casa enganosa com assassinos impiedosos, fingindo ser civis. A multidão parecia bastante amigável e muito curiosa, mas não podia confiar em qualquer um deles.

Ela afastou a mão delicadamente, tentando não se aborrecer. Alberto Cortez era o rosto mais amigável que viu.

—Sempre viveu aqui? — perguntou ela, tentando começar uma pequena conversa.

—Minha família é uma das mais antigas na Colômbia. Nossos acervos se expandiram ao longo do tempo. Meu filho foi o primeiro a ter interesse no Panamá. Não concordo com suas decisões, mas era obstinado e sua filha é muito parecida com ele. — Ele olhou para seu assistente. — Não é certo, Harry?

—É isso mesmo, Sr. Cortez, — Harry concordou, se movendo facilmente através da multidão. Sua voz era de boa índole e seu tom afetuoso.

—Quantas vezes já mandei me chamar de Alberto? — exigiu o velho.

—Provavelmente um bom milhão, Sr. Cortez, — Harry admitiu.

Isabeau riu. Gostava mais do velho homem por sua camaradagem fácil com seu guarda-costas.

Alberto juntou suas sobrancelhas.

— E você, jovem Isabeau? Vou ter o mesmo problema com você? Ele me faz sentir velho.

—Ele está sendo respeitoso.

—Ele pode respeitar Imelda. Ela parece precisar. Prefiro ser simplesmente Alberto, cultivando minhas plantas favoritas no meu jardim.

—É jardineiro?

—Amo trabalhar com minhas mãos. Meu filho e minha neta não entendem minha necessidade da terra e enfiar meus dedos no chão.

—Amo plantas, — disse Isabeau. —Um dia vou ter meu próprio jardim também. Justo agora estou catalogando plantas medicinais encontradas na floresta. Fiz isso tanto aqui como em Bornéu. Gostaria de ir para a Costa Rica em seguida. As plantas são surpreendentes, com diversos usos. As pessoas não tem ideia de como valiosas são como medicamentos, e estamos perdendo as florestas tropicais muito rápido. Vamos perder esses recursos, se não obtivermos pesquisadores se movendo... — Ela parou com uma pequena risada. —Sinto muito. É uma paixão minha.

Harry rodeou a cadeira para abrir as portas francesas que conduzaim ao jardim. Ela a segurou aberta para que pudesse passar Alberto por elas. O jardim era enorme, úmido e vividamente verde.

Árvores disparavam, parecendo guarda-chuvas de vegetação os protegendo do céu noturno. Ela caminhou até o banco mais visível ao lado da floresta onde sabia que Jeremiah estava escondido. Estariam à vista e se sentia um pouco mais à vontade, sabendo que ele estava lá. Um pequeno riacho artificial corria sobre as rochas, serpenteando pelo jardim para culminar numa série de pequenas quedas de água. Seu corpo apertou um pouco pelo som da água, a lembrando da sensação do corpo de Conner se movendo dentro dela. Puxou uma respiração profunda e a deixou sair, inalando o perfume de rosas e lavanda.

Folhas rendadas de diversas samambaias forravam o riacho, e flores se inclinavam numa profusão de cores. Reconheceu a maioria das plantas e ficou espantada pelo quanto era bonito o layout.

—Philip tem um jardineiro extraordinário. Olha como tudo está colocado. Está além de bonito.

Alberto sorriu.

—Estou feliz que aprove.

Ela virou a cabeça, atônita.

—Você? Você criou este jardim?

Ele inclinou a cabeça.

—Um hobby meu.

—É muito talentoso. Isso é arte, Sr. Cortez.

Alberto começou a rir e Harry se juntou a ele.

Isabeau sorriu para ele.

—Sinto muito, Harry me pagou para dizer isso.

Alberto rugiu com o riso.

—É muito boa para esse velho, Isabeau. Acho que passei muito tempo sozinho. Dê uma olhada e me diga o que acha.

—Não se importa?

—Não, vi tudo, lembra? Só quero ver seu rosto quando descobrir as várias plantas. Acho que vai apreciar este lugar mais do que qualquer outro.

A fraqueza de Isabeau eram as plantas. Não podia resistir ao convite. Além disso, estava curiosa.

—O jardim engloba um acre inteiro. Os ventos fluem através de tudo e o terreno é inclinado, então usei isso a meu favor, quando estava projetando o layout, — ele explicou. —Queria tudo natural, mas controlado.

—Tem um jardim em casa, assim como este?

—Não exatamente. Não estou na borda da floresta. Só peguei o que crescia naturalmente e organizei um pouco.

Harry bufou ironicamente.

—Ele não está dizendo a verdade exata, Srta. Isabeau. Nunca viu nada parecido. Seu jardim é muito mais bonito que este. As orquídeas estão por toda parte. Penduram das árvores como correntes de flores se enrolando e descem dos troncos. Até mesmo as árvores e videiras são mantidas em forma...

Alberto bateu no braço de Harry.

—Fiz um entusiasta dele.

—Não tive escolha, —Harry admitiu.

—Ele é minhas pernas, — disse Alberto. —Uma vez que fiquei confinado à cadeira, pensei que meus dias de jardinagem acabariam, mas Harry encontrou uma maneira para que eu continue.

Harry deu de ombros.

—Não vou dizer que gosto. Ele sempre quer que eu admita, mas tenho que ter algo para prender seu interesse.

Isabeau riu de seu tom de voz seco.

—Certo, vou dar uma olhada ao redor e ver o que fez. Aposto que pode identificar a maioria das plantas.

—Vou estar interessado em discutir plantas medicinais com você para meu jardim, — disse Alberto. —Mas pode ir agora, e vamos falar quando tiver a chance de ver tudo.

Era óbvio que estava orgulhoso do jardim e queria compartilhar com alguém que esperava que apreciasse. Isabeau levantou, descendo um bem desgastado caminho que levava à extremidade mais meridional do jardim. Era mais aberto e queria Jeremiah se sentindo confortável com ela andando.

Demorou, acreditando em Alberto. Gostava de sons da noite. Podia ouvir a música à distância, mas os insetos e a vibração das asas eram mais proeminentes — e musicais — para ela. Achou o jardim calmante e quanto mais se afastava dos outros, mais se sentia segura. Seu gato se acomodou e sua pele parou de coçar. Não havia mais o cheiro de intriga e depravação. Terra recém-arada, fragrância de flores e árvores tomavam o lugar do perfume enjoativo e mal-intencionado. Talvez Alberto sentisse a necessidade de paz e a mandasse para fora, para permitir seu espaço. Era um homem perspicaz, apesar de sua idade.

Ela começou a nomear mentalmente as várias plantas e seus usos. Flores de maracujá escarlate a atraíram e eram polinizadas por um beija-flor eremita. O néctar das bromélia florindo alimentava uma variedade de morcegos. Uma matriz de orquídeas crescia na terra até os troncos das árvores, oferecendo comida para todos os tipos de pássaros e insetos, incluindo a abelha da orquídea.

Isabeau parou para admirar um mirtilo epífita, sua flor laranja brilhante e bulbos os favorito dos beija-flores. Embora geralmente fossem encontrados em altas copas, Alberto o trouxe ao alcance do solo, o que por sua vez trouxe várias espécies de beija-flores mais próximo para inspeção.

Muitas variedades de samambaias cresciam mais altas que ela, formando uma bela e rendada selva. Todos os tipos de filodendros em vários tons de verde, com diferentes tipos de folhas, tanto divididas como variadas, se elevando acima dela também. O caminho sinuoso a levou até uma pequena encosta onde o mato era muito mais espeso. Aqui, pequenos animais faziam suas casas. Podia ouvir o farfalhar e até mesmo os cheirar nas tocas.

O próximo banco de plantas era seu favorito, todo de medicamentosas. Alberto Cortez tinha até mesmo a Guraniabignoniaceae, uma planta com extensivos usos medicinais. As folhas e flores podiam ser esmagadas e aplicadas em tecido infectado, cortes ou feridas que se recusavam a curar, algo que muitas vezes acontecia na umidade da floresta.

Das folhas e raízes podia ser feito chá e tomado como poção para eliminar vermes e parasitas. As flores podiam ser esmagadas e transformadas num cataplasma e aplicadas em feridas infectadas. Sabia de mais meia dúzia de usos da planta para vários males, embora dependendo de onde crescesse, as raízes podiam ser tóxicas.

Ela franziu a testa quando viu a grande variedade de strychnos, usados para fazer o forte curare das zarabatanas. Havia centenas de plantas tóxicas e medicinais, todas misturadas. Havia até uma planta que sabia que a tribo de Adan usava para combater o veneno do sapo usado em seus dardos, quando acidentalmente tocavam o veneno em sua pele.

O jardim tinha de tudo em moitas de flores exóticas. Ainda encontrou uma pequena cama de margaridas para o prazer dela. Parecia um pouco incongruente ao lado dos mais brilhantes estrelícias, mas a beleza simples das margaridas não era perdida com ela.

Ela achou uma pequena moita de flores comuns a seguir. Em torno dela, o mato crescia grosso com frondes e folhas variadas. Algumas folhas eram tão grandes que, quando chovia, formavam pequenos guarda-chuvas e a água corria em pequenos córregos à cama abaixo, corroendo a terra.

Ela se agachou perto para examinar a moita e ver se as plantas abaixo estavam sendo danificadas. Alguns caules estavam marrons e murchos como se não recebessem água — ou tinham algum fungo.

Algo — um animal — revolveu em torno do canteiro, cavando as raízes. Havia evidência de aves, bem como algo que as atraiu a esta área. Ela rastreou através das flores morrendo no meio da moita e sentiu um cheiro de decomposição. Seu gato recuou pelo cheiro. Adubo? Nunca cheirou nada assim. Quase cheirava a morte.

Seu coração saltou e olhou ao redor para ter certeza que estava sozinha. O fedor era avassalador e podia ver claramente que os animais perturbaram a área. Ela se moveu mais perto, os olhos examinando as flores murchas.

Em torno deles, a terra foi recentemente escavada. Algo pequeno, branco e brilhante espreitando pela terra chamou sua atenção. Isabeau olhou nervosamente através das árvores para ver se Harry e Alberto podiam vê-la, mas a folhagem era muito espessa.

Avançando mais perto, se agachou. O cheiro de decomposição ficou mais forte e seu gato se rebelou, instando-à fugir. Puxou de lado a terra em torno desse pequeno objeto branco e quase pulou atrás. Quando virou a terra, centenas de pequenos insetos se mexeram e protestaram. Muito delicadamente, empurrou o objeto para revelar mais. Estava olhando para um dedo parcialmente deteriorado. Havia um corpo humano no jardim.

Tentando respirar superficialmente, tentando não sentir o cheiro, se levantou e recuou, com cuidado, seu coração disparado. Philip Sobre tinha seu próprio cemitério. O jardim era um acre inteiro. Podia enterrar qualquer número de pessoas aqui.

Engoliu e tentou pensar no que fazer. Não queria deixar qualquer evidência de sua descoberta.

Com a mão, cuidadosamente cobriu suas pegadas e voltou para o caminho principal, tentando encobrir qualquer coisa que pudesse ter perturbado.

Alberto sabia? Certamente não a mandou deliberadamente para olhar, esperando que fizesse a descoberta. Era possível que tivesse seus próprios planos? Que não era o doce velho que parecia ser? Mas o que podia ganhar por sua descoberta de um corpo morto no jardim privado de Philip Sobre? Este lugar era horrível, e queria sair tão rápido quanto pudesse.

Ela se obrigou a andar, não a correr, voltando para o velho. Olhando por cima do ombro para um último olhar ao cemitério, bateu em algo duro. Duas mãos pegaram seus braços num aperto firme, a equilibrando, e o cheiro de um macho excitado assaltou suas narinas. Ela o reconheceu instantaneamente. Ottila Zorba, dentre os leopardos renegados, e estava olhando para ela com olhar focado de um leopardo — como presa. Ele olhou abaixo para ela sem sorrir e lentamente, quase relutantemente, a soltou.

Isabeau forçou um sorriso pequeno.

—Olá. Não vi você aí. Deveria estar olhando por onde vou. — Ela deu um passo em torno dele, mas ele deslizou dessa forma fluida, silenciosa dos leopardos, cortando sua fuga. Era um homem de boa aparência, muito musculoso, com um rosto ossudo e a boca firme e atraente.

Isabeau sentiu uma coceira familiar sob sua pele.

Seu gato se esticava sensualmente e seu corpo parecia sensível e dolorido, apertando em necessidade.

Teve a súbita vontade de se esfregar toda no seu corpo muito masculino.

Não se atreva! ela ameaçou seu gato. Pensei que não gostasse dele.

Estava quente no Jardim, muito quente. Sua pele parecia muito apertada. Seus mamilos endureceram e esfregavam contra seu sutiã. Sentiu um fio de suor e em seguida esse fio descendo entre o vale de seus seios. Ela levantou a mão para empurrar a cascata de cabelos derramando em torno de seu rosto. Estava tão sensível que apenas o toque quase queimou sua pele, como a lambida de uma língua.

Ela engoliu e o pegou olhando sua garganta com fome nos olhos. A ação de levar a mão ao seu cabelo era sedutora.

Ela fez isso de propósito? Atraiu a atenção para seus seios e mamilos apertados.

Seu gato se moveu, um engodo sedutor, pretendendo seduzir qualquer homem próximo para ajudar seu companheiro a provar a ela que estava escolhendo o parceiro certo.

Isabeau sabia bem demais exatamente o que a vadia estava fazendo. Silvou, tentando mostrar seu desagrado ao macho.

—Não deveria ter saído aqui sem escolta.

—Não estou sozinha, — Isabeau se apressou. — Estou aqui com o avô de Imelda e seu guarda pessoal.

—Um homem velho e seu guarda-costas fraco? Acha que é suficiente para me impedir de tomar o que quero?

Ela enviou um olhar rápido, furtivo na direção da floresta para ver se Jeremiah tinha uma imagem clara. Ele não tinha. Não, a menos que se movesse de posição. Ela umedeceu os lábios.

—Não estou pronta.

—Mas está perto. — Ottila moveu sua cabeça em sua direção, o movimento lento de um gato grande caçando e a cheirou, atraindo seu perfume carismático em seus pulmões. —Muito próxima. — Ele estendeu a mão e correu o dedo em seu seio.

Seu gato enlouqueceu, se atirando para a frente, gritando um protesto, abafando o medo de Isabeau e o substituindo pela raiva. Ela pulou atrás, o desequilibrando, as garras estourando, a pele queimando enquanto garras afiadas estouravam dos dedos e acertavam seu braço. Nenhum macho leopardo tocava uma fêmea até que ela estivesse pronta, até mesmo ela sabia disso.

—Mantenha suas mãos para si mesmo. — As garras foram embora rapidamente, deixando suas mãos doendo e parecendo inchadas.

Sangue escorria de seu braço. Ele olhou para as marcas de garras e, em seguida, sorriu para ela.

—Você me marcou, Isabeau. — Deliberadamente sussurrou seu nome com uma onda possessiva nos lábios.

—É sortudo que não o matei por tocar em mim, — ela atirou. —Não têm nenhuma educação.

—Sou leopardo. O mesmo que você.

—E estou protegida. Me toque, e até mesmo sua patroa vai te querer morto, porque meu povo vai exigir sua cabeça numa bandeja.

—Ela é só minha chefe, enquanto eu quiser trabalhar para ela. E aqueles homens deviam saber melhor que deixar você passear desprotegida. — Ele alcançou sua barriga, a despeito das marcas de garras no braço, fixando a palma da mão sobre seu ventre. —Meu filho vai crescer aqui.

Ela golpeou seu braço uma segunda vez e recuou alguns passos, tentando sair para o claro, enfrentando as árvores onde estava certa que Jeremiah esperava com seu rifle.

 

—O que aconteceu com seu rosto? — Imelda perguntou quando encurralou Conner. Ele andava diretamente atrás de Philip enquanto o homem abria caminho para seu covil particular. —Parece como se tivesse brigado com um gato grande. — Sua voz tremia de emoção. Ela estendeu a mão enquanto mantinha o ritmo para tocar uma das longas cicatrizes.

Conner pegou seu pulso e baixou sua mão.

—Foi isso. Um leopardo.

Ele a sentia tremer.

—Realmente? Que assustador.

Ele deu de ombros.

—Acontece. Estou vivo. — Ele se adiantou a ela, a cortando antes que pudesse entrar na sala. —Espere aqui até eu dar o OK.

Seus olhos brilhavam.

—Não estou acostumada a receber ordens.

—Então seus homens não estão fazendo seu trabalho, — ele disse e virou as costas à ela.

Philip mantinha a porta aberta e Conner a atravessou, seguido por Rio. Felipe e Leonardo ficaram com Elijah e Marcos. Seus movimentos eram coordenados e eficientes e ninguém falava.

Elijah e Marcos não prestavam atenção, acostumados com sua equipe vistoriando os quartos. Imelda pressionou sua mão em seu peito arfante.

—Há quanto tempo o emprega? — perguntou ela a Marcos.

Marcos franziu a testa.

—Conner? Vários anos. É um homem bom. Conhecia sua família. — Os leopardos dela não estavam próximos para cheirar a mentira. Sua equipe de segurança fez seu show, e agora, sentindo-se confortáveis na casa de Philip, se espalharam por todo a sala para mostrar a multidão que ela era uma pessoa importante e que estavam de olho em tudo. Ela tinha um guarda, e não era leopardo.

Elijah olhou para Marcos, um pouco preocupado que ambos os leopardos renegados estivessem ausentes. Sua principal preocupação deveria ser a segurança de Imelda. Não conheciam Marcos ou Elijah ou suas intenções.

—Há quanto tempo tem seus seguranças? — Elijah perguntou.

Seus cílios velaram seus olhos.

—Cerca de dois anos. Eles são... excepcionais.

Suas sobrancelhas dispararam. Marcos sorriu.

—Sério? — Elijah disse. —Não os vejo aqui onde deveriam estar, cuidando de você. Não ficariam comigo nem dez minutos.

—Nem comigo, — Marcos concordou.

A raiva deslizou em seu rosto. Não gostava de ser envergonhada, e podia ver que o ponto que ambos marcaram era válido. Ela olhou para seu guarda e ergueu os dedos. Ele imediatamente começou a falar no rádio, dizendo aos dois renegados que Imelda solicitava sua presença imediatamente.

—Ficaram desleixados, — continuou Elijah. —Devem ficar com você a cada minuto. Conner, ou qualquer um desses homens, nunca ficariam longe, mesmo que você quisesse. Se assegurariam que você assinasse um contrato com eles para isso. Se você se recusasse, não a tomariam como cliente.

—Marcos, não disse a Philip que um dos guardas era seu sobrinho? — Imelda perguntou.

Marcos e Elijah trocaram um olhar conhecedor. Ela cometeu um erro e não percebeu isso. A conversa teve lugar antes de Imelda chegar, o que significava que foram gravados e ela já tinha visto essas fitas antes de sua chegada — o que suspeitavam que aconteceria.

—É correto. Dois deles são. E um está relacionado a Elijah.

Imelda deu de ombros.

—Você vê, sua ajuda é família e ninguém mais pode ser totalmente confiável para fazer o trabalho.

—Conner não é família, mas é totalmente confiável, — Elijah se opôs. —Mas é claro que, obviamente, pensamos de forma diferente. Sei que meus homens não me trairiam e não me preocupo se ouvem alguma discussão de negócios. Levariam os detalhes para sua sepultura.

Ela não pode deixar de perceber o sorriso trocado entre os dois homens. O chefe de sua equipe de segurança a fez de boba na frente dos dois homens que mais queria impressionar. Não ia perdoar facilmente. Por um momento, raiva preta brilhou nos olhos dela, e então retomou sua máscara de simpatia.

Conner surgiu, sua expressão ilegível.

—Essa sala não é adequada para uma discussão, Marcos. — Havia decisão em suas palavras. Comando, não uma sugestão.

Imelda estava claramente intrigada pela forma como ordenava a seu empregador. Conner estudou cada detalhe de sua personalidade a partir das informações que Rio reuniu e ela queria um macho forte, mas também queria o controle. Seus homens não duravam muito tempo. E seus seguranças provavelmente passavam o inferno com ela. Um homem como Conner Vega a atrairia em todos os sentidos. Era claramente a prova de falha, era totalmente controlado e dedicado a servir seu empregador. E superava seus leopardos.

—Isso é ridículo, — Imelda argumentou, mais porque queria desafiar Conner, fazê-lo reparar nela, que por qualquer outro motivo. —Realizamos todos os nossos negócios nessa sala.

O olhar impassível de Conner a fixou e, em seguida, voltou para Marcos.

—A sala está quente.

Houve um pequeno silêncio. Marcos virou lentamente a cabeça para fixar Imelda, sua atitude amigável se dissolvendo. Elijah colocou seu copo abaixo e quando ela o enfrentou, não havia nenhum vestígio de simpatia.

De repente viu cada centímetro de sua reputação.

Imelda estava muito consciente do outro guarda-costas, se movendo para uma posição onde pudesse impedir alguém que viesse de qualquer direção.

—Não sei o que isso significa, — Imelda disse, tentando manter a calma. Ninguém nunca desafiou sua autoridade antes — não que vivesse. Nesse momento se sentiu mais perto da morte que nunca. Era assustador e emocionante.

A ameaça era ouro ardente nos olhos de Conner. Parecia impessoal, ainda assim tão perigoso.

Seu corpo inundou com adrenalina, mas também com repentina fome.

—Isso significa, — Marcos explicou impaciente, —que a sala está grampeada.

—Pensei que íamos ter uma conversa amigável, — disse Elijah. —Marcos me garantiu isso.

A compreensão a atingiu. Imelda foi a única a sugerir a Philip que se aproveitasse de seu hobby sexual e disponibilizasse seus servos aos seus mais ricos e diplomáticos "amigos".

Filmagem indiscretas, especialmente qualquer fetiche ou traço sádico, feitas para obediência imediata.

Dinheiro e favores derramados. A fúria queimou através dela. Se virou para Philip.

—Como se atreve! — Não podia haver erro que ela não sabia que ele gravava suas conversas. Imelda tinha seus próprios excessos sexuais. Chicotear um homem ou uma mulher e ver sua pele listrada, enquanto eles gritavam de dor era uma tara, e raramente podia se recusar esse prazer, especialmente se ia compartilhá-lo com alguém que apreciava a vista, como Philip. Ele era um apreciador da tortura.

Ele se afastou dela.

—Imelda. Sabe que eu não faria isso.

Ela olhou a máscara implacável de Conner. Em quem acreditar? Philip seria realmente tão estúpido de arriscar tudo que tinham juntos?

Ela o alimentava de clientes. Compartilhava suas inclinações sexuais. Ele estava aterrorizado com ela com razão.

—Mostre-me, — ela desafiou Conner.

Ele não obedeceu seu comando. Em vez disso, olhou para Marcos, que balançou a cabeça. Queria deixá-la no limite.

Este era seu território e entre Philip e Martin Suma, seu chefe de segurança, ela parecia fraca. Malditos fossem. Precisava de alguém como Conner fazendo sua segurança.

Conner indicou para Philip liderar o caminho de volta à sala. Philip olhou para seu relógio.

—Tenho convidados. Se quiser rasgar o quarto à procura de equipamento inexistente, é bem-vindo para fazê-lo, mas sem mim.

—Philip, — Imelda assobiou entre os dentes cerrados. —Ficará nessa mesma sala. — Ela queria matá-lo no local. Onde diabos estava Martin? Ou Ottila?

Malditos também. Ela olhou para seu guarda-costa solitário.

—Tragá-lo aqui agora, — ela atirou.

Philip relutantemente entrou na sala, consciente que Imelda ficaria furiosa quando descobrisse o que ele fez. Não entendia como o guarda de segurança soube. Não havia nenhuma evidência, não podia haver. Então como? Desprezou o protetor pessoal de Marco. Bastardo presunçoso. Imelda já estava babando em cima dele como a cadela que era. Ele se afastou para ver o homem encenar seu pequeno drama. Não havia como ele realmente poder saber. Mas o mal-estar estava lá. Mesmo que o homem não fosse capaz de provar, a semente da dúvida foi semeada em Imelda. E isso significava que teria que sair rápido. Construíu milhões. Estava preparado, mas este lugar era perfeito para um homem como ele.

Conner correu a mão, a palma para fora ao longo da parede, sua expressão ainda inalterada. Se Imelda não sabia que suas conversas na sala eram gravadas e estava certo que ela não sabia, pois não cheirou uma mentira, então isso significava que seus renegados não disseram a ela. Por que não? Por que seus leopardos não a avisaram? Tinham que ter ouvido o clique quando os gravadores ligavam ao som das vozes.

Havia um zumbido fraco, quando a conversa era gravada. Onde estavam os leopardos agora? E por que não a estavam protegendo? Deviam saber que o gravador seria descoberto.

Isabeau. Seu estômago apertou. Estavam atrás de Isabeau? Ela ainda não havia pressionado o botãozinho de pânico incorporado no seu relógio. Ele deu um rápido olhar comandando Elijah, indiferente naquele momento que os outros vissem.

Elijah esperou um segundo. Dois. Se virou e olhou na direção da porta, bastante casualmente e, em seguida, abaixo para seu relógio. —Minha prima saiu há um longo tempo.

—Sua prima? — Imelda ecoou como se tivesse esquecido Isabeau.

Conner percebeu que ela provavelmente o fez. Não percebia nada nem ninguém, a menos que estivesse relacionada diretamente a ela. Seu mundo era muito estreito e egocêntrico.

—Quero que a encontre agora, — Elijah disse a Felipe.

Felipe se virou abruptamente e saiu.

Imelda suspirou.

—Isso é insano. A menina não está em nenhum perigo e existe uma gravação de nossas conversas. Ela está com meu avô. Se assegurará que nenhum mal aconteça a ela.

Conner bateu o punho através dos painéis, não se preocupando em encontrar o interruptor escondido para revelar o equipamento de áudio. Era muito mais gratificante e dramático atravessar a parede impecável.

Imelda engasgou e girou para encarar Philip acusadoramente.

—Seu traiçoeiro verme, —ela atirou. —A quem planejava dar as fitas? À polícia?

—Imagino que tem a polícia firmemente em seu bolso, — Marcos disse e afundou numa cadeira, puxando um charuto do bolso. —Se importa, Imelda?

Ela puxou uma respiração profunda e se forçou a controlar.

—Não, claro que não, Marcos. É meu convidado. — Ela disse deliberadamente. Não havia escapatória para Philip. Já era um homem morto e devia saber. Podia ser tolo suficiente para tentar colocar sua força de segurança contra a dela, mas ele tinha amadores como guardas.

Seus homens eram treinado em combate. E ela tinha os leopardos. Ninguém mais tinha leopardos... a menos que... Ela realmente olhou para Conner, a especulação nos olhos astutos.

Conner encontrou seu olhar com ardentes olhos dourados, olhos de leopardo. Ele a viu suspirar e, em seguida, tentar cobrir seu conhecimento com satisfação. Sabia que seu cérebro corria, tentando decidir sobre os outros. Tinham compleições semelhantes. Todos carregavam essa aura magnética de perigo. E provavelmente achava que havia algum tipo de hierarquia das espécies de leopardo e ele era de alguma forma superior à Martin.

Tente lealdade. Ele sentia desprezo por uma mulher que não reconhecia que, se um leopardo estava disposto a trair seu povo, estaria disposto a trair seu empregador duas vezes mais rápido. Ela devia saber disso.

—Philip, sente-se, — ela disse, desviando seu olhar para longe de Conner. —Não vai a qualquer lugar até resolvermos isso.

—Eu não tinha ideia que o gravador estava lá, — Philip gemeu. —Acha que desejo morrer? Eu me sento aqui e falo com você. Qualquer coisa que a condene, me condena. Sabe mais de mim que qualquer outra pessoa viva na terra. Qual seria o ponto, Imelda? Alguém armou para mim.

Ele estava mentindo — sabia sobre a fita, mas o argumento era uma possibilidade. Se não pensou nisso por conta própria, e estava certo em qual seria o ponto, então alguém o persuadiu a gravar as conversas. A polícia? Alguém que ainda não estava no bolso de Imelda, e secretamente a investigava? Conner girou a possibilidade em sua mente. Não era provável. Ela tinha muitos funcionários em sua folha de pagamento e isso teria vazado. Não, era outra pessoa.

—Alguém armou para mim, — imitou Imelda. —Espera que eu acredite, Philip? — Agora que sabia que Marcos e Elijah acreditavam que era inocente, podia assistir Philip se contorcendo. Ele gostava de controlar os outros. Adorava vê-los implorando, tentando agradá-lo, rastejando para ele e beijando seus pés enquanto ele mantinha a dor e a morte sobre eles. Ela o viu matar várias vezes. Uma vez agiu tão carinhosamente com uma mulher após a marcar violentamente com o chicote, que ela acreditou no seu ato, até o momento que ele cortou sua garganta enquanto ejaculava nela. Os olhos da mulher ficaram nela o tempo todo e foi... delicioso... vê-la morrer.

Imelda sorriu para Philip. Fria. Satisfeita. Ia mostrar ao mundo o que acontecia a quem a traia. Ele começou a suar, o medo permeando o quarto.

—Talvez devessemos fechar a porta para ter privacidade, — ela sugeriu ao seu guarda-costas solitário.

—Mate-os, — Philip gritava para seu guarda. —Mate todos eles. — Ele mergulhou atrás de sua cadeira.

Seu guarda levantou sua arma automática, seu rosto uma máscara de medo e determinação. Conner o matou, passando uma garra na sua garganta e arrancando a arma de sua mão, enquanto Rio e Leonardo levavam Marcos e Elijah para o chão, os cobrindo. Ambos puxaram suas armas, mas visavam Philip e o único guarda de Imelda.

Ela se levantou graciosamente, pisou sobre o homem morto e fechou a porta.

—Muito impressionante. Como fez isso? — Ela indicou a garganta rasgada.

Conner não respondeu. Manteve os outros cobertos enquanto Rio e Leonardo ajudavam Marcos e Elijah a levantar. Rio arrancou Philip para cima, mas o atirou numa cadeira. Philip caiu duro e pressionou uma trêmula mão sobre sua boca trêmula.

—Obrigada, — disse Imelda, piscando para Conner um sorriso tímido. —Acabou de salvar minha vida.

Ele não salientou que salvou a sua própria, bem como de sua equipe inteira. Mal inclinou a cabeça e, pela primeira vez permitiu que seu olhar fosse à deriva preguiçosamente, um pouco insolente sobre seu corpo. Olhou seus seios se elevando e sua unha vermelha traçando uma linha de sua garganta até o vale dos seios. Ela se mexeu na cadeira, permitindo que seu vestido deslizasse até sua coxa. Não havia marcas de roupa íntima em qualquer lugar sobre o vestido. Ela sorriu para ele, sua língua tocando seu lábio inferior.

—Sugiro que a gente saia imediatamente, — disse Rio.

—Para quê? — Imelda perguntou, ainda olhando para Conner.

—Há um corpo morto no chão, Imelda, — ressaltou Marcos. —Não quero meu homem interrogado pela polícia, nem quero ter nada a ver com isso. Podemos encontrar outro momento — talvez em um ambiente mais adequado. — Ele começou a levantar.

—Não, não, — Imelda franziu a testa. —Podemos facilmente cuidar do corpo. Não é nenhum problema, não é, Philip? — Ela enviou um sorriso venenoso. —Philip é um mestre na eliminação de corpos, não é querido?

O homem estava tão pálido que parecia um fantasma.

—Imelda...

—Não, — ela sussurrou, o sorriso desaparecendo. —Você me traiu.

—Não.

Ela o rejeitou com um aceno de sua mão e olhou incisivamente para seu guarda-costas. Ele imediatamente foi até Philip e golpeou a coronha da sua arma na cabeça do homem.

Imelda sorriu novamente.

—Acho que estamos bem para conversar, Marcos. Vou tratar do corpo e ninguém nunca saberá que houve um problema. Philip será encontrado morto e a polícia vai descobrir que ele tinha um grande cemitério por aí. Todas as mulheres desaparecidas ao longo dos anos poderão ser encontradas. — Ela cruzou uma perna sobre a outra e balançou seu tornozelo, quase chutando o guarda morto, onde estava no chão à frente dela.

Conner não tinha ideia de que corpos ela estava falando, mas pensar que ela sabia que mulheres estavam sendo mortas e não fez nada sobre isso o enojava. Tinha que sair logo ou ia explodir e matá-la ali mesmo, antes que entrassem em seu complexo e encontrassem as crianças. Ele considerou. Se estivesse morta, alguém libertaria as crianças, ou as matariam? Era muito grande o risco.

—Não, não. — Marcos levantou a mão. —Temos que ir agora, Imelda. Não vou correr nenhum risco com meu homem. — Ele se empurrou da cadeira e acenou para ela. —Elijah, temos que ir agora.

Rio já estava em movimento, indicando ao guarda de Imelda que saísse do seu caminho.

—Venha à minha casa, Marcos, — convidou, desesperada para não permitir que sua oportunidade escapasse. Podia fazer negócios com os dois talvez, e queria ver Conner novamente, ter a chance de atraí-lo para longe de Marcos. Sem Philip, precisaria de um parceiro. Ele parecia frio o suficiente, bastante cruel, e perigoso o suficiente para ser quem estava procurando.

Marcos hesitou.

—Ambos. E sua prima. Ela pode ficar junto com meu avô. Ele pode entretê-la enquanto falamos.

Enquanto ela falava, sua mão acariciava sua garganta. Seus olhos estavam em Conner, brilhantes com promessa. Ele não respondeu, mas seu olhar caiu sobre ela, parou um momento sobre seus seios, como se a julgasse. Ela ficou quente, ruborizada, ficando molhada apenas com esse único olhar quase insolente. Tão sem cerimônia. Como se ela não significasse nada, mas ele estava interessado, estava certa disso.

Ela suavizou a voz e se forçou a olhar para Marcos.

—Vamos. Vai encontrar as acomodações ao seu gosto.

—É uma grande distância para viajar, Imelda, — Marcos respondeu, a forçando.

—Tenho muito espaço para seu time inteiro. Os quartos estão vazios e seria bem-vindo a ficar por alguns dias. — Ela queria tempo com seu guarda-costas. —Não pense nisso como trabalho. Pode jogar tudo que quiser. Temos tudo que puder imaginar ou precisar.

Marcos se virou para seu amigo.

—Elijah?

Elijah deu de ombros.

—Dê-lhe um par de dias para cuidar deste negócio, — ele indicou o corpo e Philip. —Posso ver o que Isabeau está fazendo e então estou livre para aceitar a oferta de Imelda.

Os frios olhos preto se juntaram aos dela.

—Pode dar instruções aos meus homens.

Imelda puxou sua respiração, descontroladamente excitada. O que poderia ser um desastre acabou sendo perfeito.

Elijah olhou para seu relógio.

—Onde diabos está Isabeau?

Ela não ouviu o homem xingar. Ou se preocupou pela aspereza de sua voz. Nada o alcançava, mas uma pequena frase traía sua fraqueza. Isabeau.

A nada boba prima. Deveria ter sido mais cuidadosa para instruir seu avô a realmente vigiá-la. Detalhes como esse podiam estragar seus planos. Isabeau, uma potencial mosca na sopa.

—Shane, por favor descubra por que Martin ou Ottila não respondem. Quero ter certeza que meu avô e a querida priminha de Elijah estão cuidados. — Ela levantou normalmente. —Você fica aqui e tranque a porta, mantenha todos fora.

Ela até sorriu aos dois homens.

—Vou levá-los ao jardim e pessoalmente escoltá-los para fora. Não se preocupem sobre a bagunça.

—Havia uma moça, uma garçonete... — Marcos rompeu.

—Teresa, — Imelda forneceu, mostrando mais uma vez que teve acesso ao vídeo antes de chegar.

—Gostaria muito que ela nos acompanhasse. — O sorriso de Imelda era puramente de canário.

—Isso pode ser arranjado, Marcos. — Ela começou a sair para o corredor, mas Conner deixou cair uma mão em seu ombro para prevenir sua saída. Ela o olhou sobre seu ombro, sua expressão tímida, uma sobrancelha levantada. Deliberadamente, olhou para a mão em seu ombro.

—Eu vou primeiro. — Sua voz era firme. Comandando, sem deixar dúvida que devia ser obedecido. Manteve a mão em seu ombro. Ele esperou até que ela sentisse a propagação de calor. —Me certificar que é seguro para você. — Ele acrescentou as duas últimas palavras deliberadamente para conectá-los. Ela repetiria aquelas palavras mais e mais para si mesma, convencido que estava enviando uma mensagem privada, convencida que tinha uma oportunidade para seduzi-lo longe de seu empregador. Qual a melhor maneira de usar a atração sexual?

Imelda corou e inclinou a cabeça, a princesa para o camponês. Ele retirou a mão, mas lentamente, permitindo que a palma deslizasse numa carícia por toda a nuca. Ela estremeceu. Seu gato rugiu com raiva, cuspindo e rosnando, rondando perto da superfície, pelo que sentiu dor nos músculos e mandíbula.

Ela pegou a luminiscência em seus olhos quando ficaram completamente de gato, queimando, o olhar fixo, irritante nela. Ele forçou seu leopardo sob controle. Logo, prometeu e se moveu passando por ela até o salão. Ao passar deixou seu corpo deslizar contra o dela, pele com pele. Seu suspiro foi audível, seu olhar quente, impossível de confundir a intenção sexual. Sentiu o cheiro de sua excitação e enjoou. Se sentia sujo. Como podia ir para Isabeau após tocar Imelda, deixá-la acreditar que ia levá-la para a cama?

Xingando sob sua respiração, varreu a área e anunciou que estava limpo. Liderou o caminho para o Jardim, não olhando para Imelda novamente. Podia sentir o cheiro dela. Ouvir sua respiração. Era ruim o suficiente.

 

Jeremiah xingou baixinho e deslocou sua posição pela terceira vez, orando que pudesse ter uma linha clara de visão. Ele viu o leopardo renegado. Ottila, o silencioso. Suma dava todas as ordens e desfilava ao redor como um figurão. Jeremiah ficou impressionado com ele, especialmente quando mostrou todo o dinheiro ao redor. Agora, não estava assim tão certo que Suma era o cara, não depois de ver Conner, Rio e os outros.

—Venha, Isabeau. Venha para o aberto, — ele sussurrou baixinho. —Sabe que estou aqui, né? Venha, querida, apenas saia dessa pequena seção.

Ele tinha uma imagem clara de praticamente qualquer linha ao lado sul, com exceção da área que ela escolheu para entrar. O que a possuíu para ela ir numa área tão cheia de mato que ele não tinha nenhuma esperança de vir em seu auxílio? No momento que avistou Ottila se esgueirando pelo Jardim, deliberadamente evitando o homem velho na cadeira de rodas e seu guarda, sabia que o malandro não tinha nenhuma boa intenção. Isabeau estava muito próxima de emergir. Ele mesmo estava afetado, apesar de seu código moral.

Ele limpou uma gota de suor na testa com sua manga.

—Venha, Isabeau. Mostre-se. Leve-o para ao aberto.

As folhas de um grande arbusto balançaram um pouco, dando-lhe uma direção, mas não conseguia ver seu alvo. Ele esperou, prendendo sua respiração, nunca tirando seu olho da mira. Conhecia a distância, o vento, cada variável que podia precisar, todos os cálculos, mas não podia realmente começar sem o alvo à vista. Sabia que estava lá. Podia visualizá-lo. Podia senti-lo. Mas não podia vê-lo.

—Maldição. Maldita. Maldição. — Ele não ia falhar, não da primeira vez que tinha uma chance de provar a si mesmo. E se falhasse, perderiam Isabeau. Além do fato que Conner iria matá-lo, não queria que nada acontecesse com ela. Gostava dela — como irmã, é claro.

Estava começando a chuviscar — uma constante mas fina chuva que tornava o galho da árvore escorregadio. Ele se moveu, tentando ver através da folhagem. Seu coração saltou. Era um vislumbre azul. Isabeau definitivamente usava um vestido azul. Manteve seu olhar fixo sobre esse pequeno pedaço de tecido. Ela se moveu novamente, lentamente polegada por polegada.

—Boa menina, — ele murmurou. —Tragá-o ao Papai.

Agora podia ver uma sombra vaga na folhagem profunda. Preta. Ottila estava vestindo preto, mas muitos dos guardas de segurança estavam. Parecia ser uma cor popular. Mesmo Elijah se trocou com uma camisa preta. Frustrado, forçou uma respiração profunda. A maior parte de seu trabalho era paciência. Sabia que podia efetuar o tiro se conseguisse um visual. Soprou longe o medo por Isabeau e a irritação por não ter visão. Ele viria. Ela estava trabalhando com ele.

—Estou aqui, mel, — assegurou. —Traga-o para mim.

O tecido azul estava em movimento novamente. Ela não estava fugindo. Boa menina. Tinha coragem. Ela deu mais um passo e desta vez pode ver seu perfil. Ela não tinha removido a fivela do cabelo, embora seu cabelo estivesse bagunçado, mechas caindo em torno de seu rosto. Ela não olhou na direção dele; manteve sua atenção focada no homem que estava certo era Ottila atrás dela. Uma mão apareceu e pressionou os dedos abertos na barriga dela. Sabia o significado disso numa mulher no meio do Han Vol Dan. Ela bateu na mão e se afastou mais alguns passos até que estava totalmente no aberto. Jeremiah sorriu e ajustou sua mira no alvo.

—Agora tenho você, seu bastardo. Toque-a novamente e é um homem morto.

O vento mudou e ele pegou o aroma fraco de gato. Sem hesitar, pulou, levando seu rifle com ele. Atrás dele, algo atingiu o ramo duro o suficiente para balançar a árvore. Ele desembarcou agachado e correu rápido, atirando o rifle por cima do ombro. Conseguiu alcançar a folhagem densa, antes de ajoelhar e apoiar o rifle contra seu ombro. Deixou seu gato assumir, os sentidos queimando para ler a noite.

Estava sendo caçado. Definitivamente um leopardo.

Provavelmente Martin Suma. —Vamos lá, seu bastardo, — ele sussurrou entre os dentes. Não havia nenhum som, mas não esperaria isso. Leopardos não faziam som. Podiam rastejar numa casa e escolher uma vítima num quarto, ou até mesmo numa sala de estar onde as pessoas estavam reunidas assistindo televisão e arrastá-la para fora despercebidos.

Isso aconteceu mais vezes que se podia pensar na beira da floresta. Não ia ouvir Suma. E provavelmente não ia cheirá-lo também.

Permaneceu abaixado, se mantendo muito imóvel, não fazendo nenhum ruído. Suma tinha que saber que estava lidando com um leopardo. E provavelmente sentiu seu cheiro. Não devia esperar muita oposição de um garoto inexperiente. Essa era a única vantagem que Jeremiah tinha. Esperou, seu coração disparado, esperando que a qualquer momento Suma caísse de cima. Seu olhar continuamente varria a copa das árvores.

O cheiro de pêlo molhado atingiu suas narinas e ele se virou, apertando o gatilho no leopardo emergindo do mato à sua esquerda. Ele rolou, atirou novamente de uma posição de bruços e continuou rolando. O leopardo grunhiu de dor, rugiu uma vez e se debateu. Jeremiah pulou em pé, erguendo o rifle para um terceiro tiro, mas o leopardo rastejou para o mato. Ele sabia melhor que o seguir. Podia ver um rastro de sangue. Acertou, mas não foi um tiro mortal. Um leopardo ferido era extremamente perigoso.

Xingando, ele carregou a arma e subiu na árvore rápido, agradecendo as horas que Rio e Conner o forçaram a continuar praticando. Se algo acontecesse a Isabeau, nunca perdoaria a si mesmo. Agora tinha que conseguir seu rastro de volta, bem como tentar evitar que fosse atacada e possivelmente sequestrada. Onde diabos estava todo mundo?

—Não entendi seu nome, — disse Isabeau, parando de vez. Ela o atraiu para fora, no aberto e certamente estava segura agora. Se pudesse parar o suficiente, Alberto ou Harry podiam vir à sua procura. Ou podia tentar gritar, mas estava com medo que pudesse provocá-lo.

—Ottila Zorba. — Seus olhos estavam principalmente de um estranho verde-amarelado, olhos de gato brilhando na noite. Ele chegou mais perto. —Venha sem lutar. Não me faça matar o homem velho.

Ela engoliu. —Não estou pronta. Lutaria até a morte e sabe que eu o faria. Por que acha que seu gato permitiria isso?

Ele sorriu.

—Eventualmente seu gato surgirá e quando o fizer, vai precisar de um companheiro.

Mas não você. Nunca você. Não ia deixar isso acontecer. Estava ganhando o controle de seu gato. A vadiazinha definitivamente estava sentindo os efeitos do seu calor, mas estava obedecendo Isabeau mais prontamente.

—E, em seguida, o que, Sr. Zorba? Acha que vai viver feliz para sempre?

Ele sorriu, e não era agradável.

—Pelo menos, eu vou ser feliz. Se você será ou não depende inteiramente do quanto escolher cooperar.

Ele se aproxinou, as mãos se curvando em torno de seus braços com uma força enorme. Em vez de lutar, ela se esticou até tentar arrancar a fivela de cabelo dela. Ele riu e se inclinou próximo.

—Achou que seu amigo ia atirar em mim? Nós varremos as árvores no minuto que percebemos que você era leopardo. Obviamente teria alguém nas copas. Está provavelmente morto agora. Martin não erra.

Ela fechou os olhos rapidamente, seu coração apertando, com medo.

—Então ele está ajudando você. — Ela tentou se afastar dele, mas o movimento apenas reforçou seu aperto sobre ela.

Ele riu para ela.

—Nós compartilhamos. Sempre compartilhamos.

Ela estremeceu.

—Imelda não é suficiente para você? É tão pervertida como você.

Ele riu.

—Ela gosta de tudo, mas é repugnante. E não é leopardo. Depois de algumas vezes, não temos mais estômago para ela.

Ela parou de lutar e o deixou levá-la um par de passos. Respirou fundo em dois tempos e convocou seu gato. Para sua surpresa, a leopardo fêmea respondeu, rugindo sua raiva, o som ecoando através do Jardim, as garras explodindo através de seus dedos e a força se enroscando dentro dela, permitindo que girasse livre, arranhando e rasgando através da carne. Se torcendo e girando com sua coluna vertebral flexível de gato, lutou para sair de seu aperto. Sangue quente listrou entre as árvores e salpicou sobre videiras e folhas, as gotas polvilhando sobre seu vestido.

—Porra de gato selvagem, — ele rosnou, —vai pagar por isso.

Ela inclinou seu queixo.

—Vá em frente e me mate. Veja o que diz seu amigo.

—Oh, não vou te matar, mas tenho um monte de maneiras que posso fazer você se desculpar. Aprendi uma coisa ou duas com Imelda.

Seu estômago balançou. Tentou lembrar do que Conner disse. Ela se afastou de Ottila antes para levá-lo a segui-la para fora no aberto. Mas se recuasse o atrairia e ela ficaria desequilibrada. Precisava dar um passo para o lado, manter seus pés apoiados, não ser surpreendida. Ele não seria pego por seu gato duas vezes.

Ottila se aproximou dela novamente, e o som de uma espingarda sendo engatilhada soou alto. Ottila se voltou para o som sem expressão. Não se preocupou em limpar o sangue de seu rosto ou do peito. Escorria das marcas de garras em seus braços. Ele sorriu para Harry.

—Tem certeza que deseja ser parte disso, Harry? Apenas fique aí, e ficará vivo. Não só vou te matar, mas também matarei seu chefe. Isto não é da sua conta.

—Ela foi colocada aos meus cuidados, — disse Harry. —Isabeau, volte para mim.

—Não se mova, Isabeau, — Ottila assobiou. —Vou matá-lo antes que consiga atirar e então vou matar o velho.

—Se matar Alberto, Imelda nunca deixará você viver. Vai te caçar e nada será seguro para você. Vai matar cada homem, mulher e criança que importa a você, —prometeu Harry.

Isabeau ergueu a mão.

—Harry, não quero você ou Alberto no meio disto. Elijah virá atrás de mim. E sua equipe é letal. Vou com ele.

—Não acho isso, Isabeau. — Uma nova voz veio por trás de Ottila. Confiante.

Acentuada. Por isso muito familiar. Isabeau olhou atrás de Ottila e viu Felipe e não pode evitar o alívio estourando através dela. Viu Felipe se mover e ele era rápido. Muito rápido.

—Harry, obrigado. Posso cuidar a partir daqui. Não deixe o velho sozinho, — disse Felipe.

Ottila girou ao redor e desta vez estendeu suas mãos em rendição. Esperou até Harry balançar a cabeça e sair antes de abordar Felipe.

—Posso ver que vou ter que trabalhar um pouco mais para conseguir minha fêmea.

—Pode escolher diferente.

—Ela tem tantos cheiros sobre ela que não consigo encontrar um particular. O que me diz não está acoplada, e portanto tenho tanto direito quanto qualquer outro de tentar acasalá-la.

—Somos sua família e podemos dizer para ficar bem longe dela.

Ottila se moveu para o mato, longe de Isabeau.

—Ela é um gatinha do inferno.

—Vejo que não se saiu bem com o namoro.

—Gatas do inferno são o melhor tipo, — disse Ottila. —Duram mais tempo e dão fortes filhotes. — Ele olhou Isabeau no olho. —Ainda não me viu pela última vez.

Isabeau encontrou seu olhar, deixando seu gato olhar para ele.

—Espero para seu bem que seja.

Ele a saudou e começou a se afastar, se virando no último momento para enviar um sorriso a Felipe.

—Seria melhor verificar seu garoto nas árvores. A gatinha deu o sinal para atirar e ele não atirou. Agora o que acha que significa? — Ele soou presunçoso.

Isabeau piscou as lágrimas. A ideia de Jeremiah nas mãos de Martin Suma a fez se sentir mal. Ele não teria piedade.

Felipe apenas sorriu de volta.

—Acho que seria melhor verificar seu parceiro. Tiros foram disparados. O menino não falhou.

Felipe fez um rápido exame em Isabeau.

—Está tudo bem?

Ela balançou a cabeça.

—Abalada, isso é tudo. Ele não me machucou.

—Tem hematomas em seus braços. E sangue por todo seu vestido. — Ele deu um passo atrás de Ottila, como se fosse lutar com ele apesar de tudo.

—Seu sangue. — Isabeau pegou seu braço. —Não meu. Vamos apenas sair daqui. Quero me certificar que Alberto Cortez está bem e tenho que dizer o que encontrei. Este lugar é um cemitério. Não estou brincando.

—Isso não me surpreende. Nada sobre este lugar ou essas pessoas me surpreende.

—Realmente acha que Jeremiah está bem?

—É um bom atirador, Isabeau. Será um trunfo enorme com um pouco de experiência.

Ela notou que ele não respondeu exatamente sua pergunta. Continuaram ao longo do caminho, voltando para onde deixou Alberto. Enquanto se apressavam, seguindo o caminho, Harry apareceu numa curva, empurrando a cadeira de Alberto. O homem mais velho tinha a espingarda em seu colo e parecia preparado para usá-la.

—Onde está o guarda? — ele exigiu. —Está tudo bem, Isabeau?

Ela acenou com a cabeça.

—Estou bem. Obrigada, Harry. Acho que este lugar muda as pessoas. Todo mundo está agindo como louco. Por favor não atire em alguém por minha causa.

—Estou indo para casa, — declarou Alberto. —Agora que sei que está segura. Sugiro que faça o mesmo. Harry, chame meu motorista. Espero que nos encontremos novamente, Isabeau.

—Seu jardim é lindo, — disse ela.

Felipe colocou a mão em seu ouvido, ouvindo a voz vinda pelo rádio.

—Estamos saindo, Isabeau. Elijah disse para levá-la na frente para o carro. — Ele pegou seu cotovelo.

Para seu espanto, a garçonete, Teresa, já estava no carro, parecendo como se fosse chorar.

Isabeau subiu sem uma palavra ao lado dela, preocupada com Jeremiah, medo por Teresa e se perguntando exatamente o que estava acontecendo.

 

Isabeau olhou para fora da janela quando o carro desceu rapidamente o longo e sinuoso caminho, evitando todos os olhares. Sabia que podiam sentir o cheiro do perfume de Ottila sobre ela. Havia manchas de sangue no vestido, impossíveis de esconder nos confins do veículo. Ouviu o palavrão de Conner quando viu os hematomas escuros estragando sua pele e o sangue em seu vestido, mas não olhou para ele. Ela sabia que estava no limite e precisava de espaço. Todos precisavam dar espaço a ela — especialmente Conner. Philip Sobre, Imelda Cortez e os leopardos renegados a enojavam. Se sentia suja e só queria encontrar um bom banho quente.

O veículo reduziu e Leonardo abriu a porta. Jeremiah explodiu da floresta espessa e corria através da fila de árvores e mato mais fino. Estava a meio caminho do SUV quando algo pesado caiu das árvores em cima dele, o atirando no chão.

Peles, dentes e homem caíram e rolaram, se debatendo. O rifle saiu voando.

Teresa começou a gritar e Elijah se inclinou muito casualmente e a segurou, ao mesmo tempo que pressionava um dedo duro num ponto de pressão para que ela caisse inconsciente para a frente, seu rosto uma máscara de horror. Um rugido de fúria sacudiu o SUV, e Felipe pisou no freio enquanto Conner pulava pela porta aberta, se despindo enquanto mudava, o veículo rodando e dando uma parada brusca.

Isabeau piscou, chocada pela velocidade com que Conner fez a transformação correndo, tirando sua roupa ao mesmo tempo. Ela viu Jeremiah praticando e viu Felipe trabalhando com ele, mas isso não a preparou para a real velocidade vertiginosa. Ela não acreditaria em seus próprios olhos não soubesse a verdade sobre a espécie. Ele mudou para leopardo tão rápido que não seria capaz de processar que era um homem.

Leonardo e Rio também saltaram para fora do carro, quase antes que ele parasse de girar, mas estavam procurando nas árvores um atirador de elite, voltando atrás, os olhos afiados examinando cada centímetro do dossel, usando seus sentidos animais para encontrar, os rifles prontos.

Conner estava sobre o leopardo antes que percebesse que sequer estava lá, cortando os lados com uma pata enorme, atirando o gato furioso longe do corpo rasgado de Jeremiah. Elijah correu por entre as árvores quando os dois leopardos se juntaram, rosnando, rolando, as espinhas flexíveis quase dobradas ao meio enquanto arranhavam um ao outro.

—Porra, acorde, Isabeau! — Rio encaixou. —Pegue um rifle.

Sua voz a arrancou de seu choque. Não hesitou, apenas puxou um rifle do buraco aberto no piso e saltou abaixo. —Onde?

—Chegue o mais perto possível deles. Se conseguir o alvo, atire, — Rio ordenou.

Ela correu pelo espaço, seu coração na garganta. Pela sua visão periférica viu Elijah se dobrar e levantar Jeremiah, o jogando no ombro para transportar como bombeiro. Sangue escorria de seu braço e costas. Feridas rasgadas pontuavam seu corpo.

Elijah passou por ela e para seu espanto, parecia que Jeremiah não respirava.

Um Suma manchado de sangue pulou, se torcendo, usando a coluna flexível do leopardo para girar no ar enquanto Conner se erguia nas pernas traseiras e enfiava suas garras nos quartos traseiros, puxando o leopardo abaixo. Suma quase se dobrou ao meio, fincando as garras poderosas no pescoço e lado de Conner.

Conner rolou, acertando Suma, o derrubando, assim os dois leopardos eram um emaranhado de pêlos, garras e dentes. O rugido dos dois leopardos machos enchia a floresta.

Isabeau colocou o rifle no ombro, assim que um tiro soou e lascou a casca do tronco de árvore onde Conner estava um segundo mais cedo. Se não tivesse rolado, o tiro podia ter acertado sua cabeça.

Seu olhar saltou para as árvores, tentando encontrar de onde o tiro veio.

Instantaneamente, Rio e Leonardo pulverizaram o dossel à distância, tendo, obviamente, o mesmo problema, ao descobrir a trajetória do tiro.

—Atire no filho da puta, Isabeau, — Rio gritou.

Ela puxou sua atenção de volta à luta feroz entre os dois leopardos. Estavam presos juntos num combate mortal, rolando mais e mais, suas caudas se enroscando, os sons horripilantes. Parecia quase surreal, como se estivesse no meio de um pesadelo e não fosse real. Não havia como dar um tiro e não arriscar ferir ou matar Conner.

—Estou tentando, — ela gritou de volta.

Com os dois envolvidos tão firmemente, não conseguia distinguir um do outro. Pareciam um mar estonteante de manchas ofuscantes enquanto batiam um no outro, se separavam e se juntavam novamente. Os olhos pareciam simplesmente duas rosetas mais, perdidas no meio de mil pontos, exceto pela intensidade. Fogo ardente. Inteligência chocante.

Astúcia. A raiva como nunca viu.

Este era o homem que matou Marisa Vega, mãe de Conner. A pura fúria do leopardo de Conner fazia o outro leopardo cair repetidamente. As garras faziam grandes rasgos dos lados e na barriga. Suma estremeceu e tentou fugir, mas o leopardo de Conner esperava isso. Parecia alheio aos machucados em seu próprio corpo; em vez disso, parecia determinado a rasgar literalmente Suma em pedaços. Foi apenas a força e experiência de Suma, um macho no seu auge, que o impediu de ser morto instantaneamente. Parecia saber que estava em apuros e que Ottila, apesar do assalto dos rifles de Rio e Leonardo, mantinha seu próprio fogo intermitente, tentando ajudar seu parceiro.

—Maldição, Isabeau, vamos ser pegos aqui. Porra, termine, — rosnou Rio.

As emoções dos Leopardos eram intensas agora, e não podia ver qualquer um cedendo. Sangue escorria do lado de um deles, e percebeu após um primeiro momento que se tratava de Suma. Jeremiah devia ter atirado. Seu próprio sangue e o que devia ser de Jeremiah, revestia sua pele. As estrias vermelhas começavam a revestir Conner, mas nem de longe tinha a mesma quantidade dele.

Ela respirou e se concentrou, bloqueando tudo como Conner lhe disse. Primeiro, ouviu o rugido e rosnado, tiros, outra bala dispersando as folhas e terra ao lado dos dois leopardos. Em seguida, estava num túnel e havia apenas a pele coberta de sangue do leopardo e ela. Ninguém mais. Nada mais. Apontou para a parte detrás do pescoço.

Seu coração acelerou. Sua boca secou. Estava apavorada em atingir Conner. Os dois leopardos furiosos se moviam tão rápido, se grudando, separando, emaranhados. Tão rápidos. Muito rápidos. Se errasse o tiro... Ela puxou outra respiração, disposta a colocar a bala exatamente onde queria e apertou o gatilho.

Suma se levantou, seus olhos amarelos com fúria e ódio. Tanto ódio. Ela estremeceu quando Conner se aproveitou, cortando a barriga exposta, rasgando fundo. Suma tropeçou e ficou imóvel, seus olhos abertos, olhando para ela. Sua língua pendurava para fora, seus lados arfantes. Sangue borbulhou em torno de seu focinho. Conner o estava matando, afundando os dentes na sua garganta e segurando, sufocando o leopardo.

Uma saraivada de tiros choveu, salpicando na saia de Isabeau, jogando terra ao seu redor, atingindo ao longo do flanco de Conner, então ele rugiu e girou para enfrentar seu novo inimigo. Seu olhar furioso pousou sobre ela. Seu coração falhou uma batida e, em seguida, voltou a bater. O leopardo, num último ato de ódio e vingança, rasgou a barriga exposta, girando totalmente na direção dela e abaixando sua cabeça no modo de perseguição, seu olhar queimando através dela.

—Acalme-o, — Rio gritou. —E ambos saíam daí. Não conseguimos o atirador. O melhor que podemos fazer é mantê-lo longe de você.

—Acalmá-lo? — ela repetiu, se sentindo um pouco fraca. Se Rio estivesse em pé na frente dela, poderia considerar a violência. —Está louco?

O leopardo, a pele coberta de sangue, a carne rasgada, se agachou e deu um passo na sua direção num movimento de câmara lenta que enchia de medo o coração da presa. Ela sabia que, enquanto vivesse, nunca esqueceria esses olhos penetrantes, queimando com pura raiva. Seu focinho e rosto estavam sujos de sangue, como seus dentes.

—Conner. — Sua voz tremeu. Baixou o cano do rifle e estendeu a mão para ele.

—Sinto muito, querido. Acabou agora. Vamos sair daqui. Venha comigo.

O leopardo rosnou, seu nariz enrugando numa exposição selvagem. Sua mandíbula poderosa se abriu, mostrando seus quatro caninos proeminentes, os dentes usados para rasgar e segurar presas durante a matança. Sabia que a lacuna por trás de cada canino permitia que o leopardo afundasse seus dentes fundo durante uma mordida mortal.

Seus incisivos facilmente podiam raspar a carne dos ossos e do lado os dentes podiam perfurar através da pele e músculo como a mais nítida das lâminas.

A cada passo lento, a mandíbula poderosa e a boca cheia de dentes se aproximava dela, até que sentiu o calor de sua respiração soprando seu rosto. Novamente empurrou tudo de lado até que restava apenas o leopardo e ela.

—Conner. — Deliberadamente usou o nome dele, o chamando de volta do auge da raiva negra. Não havia nenhuma humanidade nos seus olhos. Nem amor ou reconhecimento. —Conner. — Ela escolheu o amor acima do medo ou raiva, o alcançando com dedos trêmulos.

Antes que pudesse tocá-lo para afundar os dedos na sua pele manchada de sangue, ele a esbofeteou com uma pata grande. Um traço de fogo correu até seu braço. Ela suspirou, por um momento não foi possível recuperar o fôlego pela incrível dor correndo até seu braço. Tremia de medo, mas se recusava a desviar o olhar, convocando seu gato.

Agora ou nunca, sua vadiazinha. Partir não é opção. Chegue aqui e faça sua coisa. Seja sedutora. Atraía-o para o carro.

Tentou lembrar do que sentiu no jardim quando a onda de calor correu sobre ela, deixando-a desesperada para um homem entre suas pernas. Tá bom, queria correr para salvar sua vida, não ficar de frente com esta besta rosnando. Não ousava olhar para seu braço, mas se consolava pelo pensamento que ele facilmente deu esse aviso furtivo em vez da sua garganta muito vulnerável.

Seu leopardo empurrou mais perto da superfície, não no auge da paixão, mas com o desprezo de uma fêmea pelo macho. Não estava com vontade e não queria ser incomodada. Ela pulou no macho, dando seu próprio golpe. Como grosseria não era muito impressionante, mas chocou o gato macho quase tanto quanto ele fez com Isabeau.

—Opa, — Isabeau retirou a palma da mão. A dura bofetada que acertou na cara rosnando do macho. Jesus! Está louca? Ela exigiu de seu gato. Uma maneira de acalmá-lo, espertinha. —Desculpe por isso.

A raiva diminuiu um pouco nos olhos ardentes sendo substituída pela inteligência. Ela soltou sua respiração, vendo que o intelecto afiado estava de volta.

—Conner, há um atirador nas copas. Temos que sair daqui. Agora.

Ele a cutucou e ela se virou e correu, grata pelo fogo de cobertura de Rio e Leonardo.

Ela se sentiu totalmente exposta com o leopardo atrás dela e o atirador nas árvores. Saltou para o SUV e se acomodou para dar tanto espaço aos outros quanto possível. O leopardo quase a esmagou, praticamente caindo em cima dela. Já estava se movendo, rastejando para o terceiro assento na parte detrás, onde Elijah estendeu Jeremiah e claramente o cheirava.

Leonardo entrou e girou para ajudar Marcos a dar cobertura à Rio.

—Vamos! — Rio se encaixou enquanto batia a porta.

Antes da palavra sair da sua boca, o SUV estava rabeando na estrada de terra.

—Quão ruim? —Rio olhou com o rosto sombrio atrás. Não conseguia ver Jeremiah, mas Elijah e agora Conner trabalhavam nele.

—Vai precisar de um médico, — Conner soltou. —Costumava haver um médico, um dos nossos, minha mãe me levava nele, mas foi há anos. Vive a cerca de quinze milhas da primeira cabana onde nos encontramos.

Rio olhou para seu relógio. —

O que acha, Felipe?

—Posso fazer isso em vinte minutos.

—Vai ser apertado, — disse Conner. —Você resolve, Rio.

—Ele nunca estaria seguro num hospital. Sabemos que Imelda tem muitas pessoas em seu bolso. Apenas derrubamos sua segurança número um. Seu parceiro vai tentar nos caçar. Jeremiah ficaria demasiado vulnerável num hospital. Faça o que puder para mantê-lo vivo.

Isabeau pressionou uma mão na boca para evitar protestar. Sabiam mais sobre a operação de Imelda do que ela. Também sabiam do funcionamento da mente de um leopardo. Ela se encolheu e se balançou incontrolavelmente, incapaz de conter as ondas de náusea que varriam através dela.

—Quanto à mulher? Teresa? — ela se obrigou a perguntar.

Rio deu à mulher um olhar rápido.

—Temos certeza que ficará fora de ar. Leonardo, consiga o kit de medicamento. Há uma seringa para nocaute lá.

—Não foi isso que quis dizer. Por que você insistiu para ela vir?

—Ela passou muito tempo conosco e Conner a defendeu, — explicou Marcos. —Primeiro, estava em perigo com Philip. Viu seu rosto quando Conner interferiu? Acho que a teria matado depois da festa. Se não, certamente a teria ferido. E se Imelda estava assistindo as fitas e essa coisa fosse mal, poderia muito bem pensar que Teresa era uma isca. De qualquer forma, parecia mais seguro removê-la da situação e tirá-la do perigo.

Isabeau permaneceu em silêncio, dobrando os joelhos e apertando seus braços ao redor deles.

Marcos enviou um pequeno sorriso.

—Achou que eu era um velho pervertido?

—Fez seu papel muito convincente, — ela concordou, tentando sorrir de volta.

Rio olhou para ela pela primeira vez. Fez um som, mais leopardo que humano.

—O que diabos aconteceu com você, Isabeau? — Ele puxou seu braço para olhar o risco, sangue jorrando. —Porra, por que não disse alguma coisa? Isto é susceptível de se infectar rápido.

Conner levantou o suficiente para olhar sobre o assento, seu olhar se estreitando no braço de Isabeau.

—O que aconteceu?

—Você não teve qualquer controle de merda, seu bastardo, — rosnou Rio, — foi o que aconteceu.

—Preciso de você focado, Conner, —Elijah gritou. —Não vamos perder este menino.

Isabeau podia ver a angústia nos olhos de Conner, o pedido de desculpas, e, em seguida, voltou para trás do assento, uma vez mais focado em Jeremiah. Ela estava grata que não estivesse olhando para ela. Precisava conter todas as suas emoções. A noite toda foi horrível.

Ela foi a única culpada — insistiu em ir atrás de Imelda Cortez. Nada do que viu esta noite a fez mudar de ideia — apenas reforçou sua vontade — mas estava despreparada para o nível de imoralidade, o desprezo completo pela vida, ou mesmo pelos direitos de outros seres humanos. Imelda se cercava de pessoas desprezíveis. Era como se reconhecessem um ao outro, atraíssem um ao outro, a fim de reforçar seu próprio comportamento.

Ela mordeu seus dedos. Ela matou um homem. Talvez Conner acabasse com ele, mas ela foi a única a puxar o gatilho. Nunca pensou, nunca imaginou, em todos os seus sonhos ou pesadelos, que mataria outro ser vivo. Ela viu a vida sair de seus olhos e isso a adoeceu, mas não a abalou. Philip Sobre tinha tudo, mas saia e gostava de torturar e provavelmente matar suas vítimas. Pela emoção. Ela ouviu um som quebrado e perdido, e percebeu que vinha de sua própria garganta.

Rio se inclinou perto dela com algo na mão.

—Isso vai doer como o inferno.

Ele não esperou, e a respiração explodiu de seus pulmões quando pressionou um pano embebido em algum líquido ardente nos riscos em seu braço. Ele o segurou lá, enquanto ela se concentrava em contar baixinho e lutar para não chorar.

Marcos enfiou uma agulha no braço de Teresa e ela gemeu baixinho. Ele deu um tapinha nela.

—Vai ficar bem. Está segura, — garantiu ele.

Isabeau não tinha certeza se algumas delas jamais estaria segura novamente. Imelda parecia uma aranha gorda, tecendo uma teia, que englobava todos. Todos os frequentadores da festa eram funcionários e oficiais do alto escalão da polícia e juízes. Não podiam deixar de ver as pessoas que levavam as garçonetes aos quartos no andar de cima. Agora estavam com medo até de levar Jeremiah ao hospital.

Rio removeu o pano e, ignorando seu protesto, puxou seu braço para examinar as lacerações.

—Não são profundas. — Ele disse alto o suficiente para Conner ouvir. —Vou usar um creme anti-bacteriano. — Não falou a ninguém em particular, mas quando começou a aplicar o creme obrigou Isabeau a olhar para ele. —Temos veneno em nossas garras, Isabeau. Não pode descuidar disso. Seja meticulosa sobre a limpeza e aplique o creme várias vezes ao dia. Vou te dar uma dose de antibióticos, uma dose muito grande, então tenha certeza de tomar o vidro todo de pílulas.

Seus olhos encontraram os dele.

—Será que Conner pegou uma infecção, quando o arranhei com minhas garras? — Lembrou. Zangada com ele. Era líder da equipe e era seu trabalho mantê-los todos na linha, mesmo sofrendo pelos leopardos, mas ainda estava zangada com ele. Ele encolheu os ombros largos, aceitando sua raiva. —Sim, ele o fez, apesar dos antibióticos. Mas salvaram sua vida, e farão o mesmo por você.

Ela apertou os lábios. Ele teve uma infecção. Ela não estava lá por ele. E se Rio estava preocupado com alguns pequenos arranhões no seu braço, o que dizer sobre Jeremiah e Conner? Ambos estavam cobertos de furos, marcas de garras e arranhões. Teve um vislumbre do corpo de Conner antes dele saltar sobre o banco de trás, e parecia rasgado para ela.

—Isabeau! Está prestando atenção em mim? Isso é sério.

Ela olhou para ele sem realmente vê-lo, mas se forçou a acenar com a cabeça. Podia ouvir Elijah respirando para Jeremiah, lento e constante, mas sabia que estava cansado.

—Consiga a IV[1] para mim, — disse Conner. —Preciso de uma veia. Não podemos arriscar que ele piore e perder suas veias.

Rio voltou sua atenção para os homens no banco detrás, passando para Conner tudo que ele precisava do kit médico. Marcos bateu na sua perna.

—Apenas respire. Está em choque.

Ela considerou isso. Se sentiu um pouco assim quando percebeu que Conner a seduziu para chegar perto de seu pai — que não era o homem que fingia ser. Agora, naturalmente, sabia quem era exatamente esse homem. Podia ter mudado seu nome, mas era perigoso e intenso e totalmente comprometido com o que fazia. Tinha o mesmo senso de humor e a mesma natureza dominante. Era o leopardo e todos os traços por que se apaixonou ainda estavam lá.

Ela olhou abaixo em seu braço. Ele sofreria por isso. Pequenos arranhões, realmente. Ele já estava a caminho de controlar seu gato. Mas seu gato... Ela suspirou. Ela falhou no controle dela. Talvez nunca a deixe sair. Mas era um aviso falso e ambas sabiam disso.

Ela queria seu leopardo. Estava pronta para abraçá-la.

Rio se voltou para ela uma vez que Conner colocou a IV em Jeremiah. Ficou à vista, segurando uma seringa.

—Preciso aplicar isso na sua bunda.

Isso chamou sua atenção. Ela olhou para ele.

—Bem, escolha um local diferente. Garanto que isso não vai acontecer. — Um pouco de apoio seria útil, gatinha. Não vou tirar minhas roupas na frente de todos esses homens. Não me importo sobre sua falta de modéstia. Jesus. Que bom que não ajuda uma garota quando ela precisa. Parece malvada ou algo assim.

—Não seja um bebê. Todos as aplicamos na bunda.

Ela estabilizou um olhar frio para ele.

—Não eu. Experimente e vai perder seu olho.

Felipe bufou. Marcos sorriu. Leonardo até mesmo cobriu um sorriso.

—Pode fazê-lo do modo mais fácil ou do mais difícil. Vou pedir a Leonardo para segurá-la.

Sua sobrancelha disparou. Seu gato se agitou. Finalmente.

—Está irritando meu gato, — ela disse com satisfação. —Não sou boa em manter a coleira nela ainda.

—Vou aplicar mais tarde, — disse Conner.

Sua voz estava assim tão neutra que Isabeau estava certa que, apesar do drama de vida ou morte no banco detrás, ele e Elijah trocaram um rápido sorriso. Não se importava se todos riam dela. Estava no limite. Rio colocou uma arma em suas mãos e gritou para ela — gritou — e a forçou a acalmar um leopardo em caça. Ela teve o suficiente de todos em testosterona e dominação masculina leopardo. Deu a Rio seu sorriso mais gato, o desafiando a experimentar.

—É uma gatinha — Rio murmurou sob sua respiração.

—Vai ter que sentar sobre ela.

—Vou fazer, — Conner assegurou.

—Ele pode tentar sentar em mim, — Isabeau murmurou em rebelião e sentiu seu gato se esticando languidamente, desembainhando suas garras.

Rio revirou os olhos.

—Mulheres, — disse baixinho.

Eram todos leopardos, não podiam deixar de ouvir.

—Homens, — ela retaliou infantilmente, baixinho.

—Onde vamos esconder Teresa? — Marcos perguntou. —Sinto-me responsável por ela.

—Em algum lugar que não vão encontrá-la e que não seja capaz de entrar em contato com ninguém, — disse Rio.

—Adan tem um primo, — Conner disse, —não muito longe de onde estamos indo. Se não puder persuadir que o doutor nos ajude, podemos ir até ele.

—Quanto conhece o médico? — Rio perguntou.

—Muito bem. Ele e minha mãe eram amigos. Jogavam xadrez. Ele realmente me ensinou xadrez. Nunca iria trair nosso povo.

—Troque de lugar comigo, — disse Elijah. Sua voz era tensa.

Isabeau pode ouvir o farfalhar no banco traseiro.

—Por este caminho, Felipe, — Conner chamou. —A terceira fazenda. Ele pratica fora de sua casa agora, está aposentado.

A estrada estava cheia de buracos profundos. Ela podia imaginar um leopardo escolhendo este lugar para viver. A floresta invadia perto das casas, e havia uma grande distância entre cada fazenda, dando muita privacidade. Quando passaram pelas duas primeiras fazendas, em ambos os casos alguém saiu no alpendre para marcar sua passagem. Obviamente mais que curiosos, ela se perguntou se eram leopardos também. Se viu nervosa de novo, ou talvez sua ansiedade não teve a chance de se dissipar. Não ajudava que todos os homens seguravam armas e Rio escorregava para ela um pequeno revólver.

—Calma, — ele sussurrou. —Apenas se precisar.

Descobrir como estes homens tinham que viver era uma revelação. Sabia que era uma escolha, e que fazia essa escolha com eles, porque sua escolha sempre foi e sempre seria Conner. Pegou a arma e verificou para ter certeza que estava totalmente carregada e segura para transportar.

Elijah assumiu novamente o lugar de Conner, assim Conner podia puxar um par de jeans antes que Rio abrisse a parte detrás do SUV. Foram para o alpendre juntos. Conner bateu na porta e esperou.

Podia ouvir o movimento: uma, não, duas pessoas.

Uma tinha o passo mais pesado que a outra. O passo mais pesado se aproximou da porta e a abriu, nenhum rangido em sinal de grande boas-vindos.

—O que posso fazer... — A voz se interrompeu, vendo o corpo rasgado de Conner. —Entre.

—Doc, sou Conner Vega. Lembra de mim? Tenho um garoto em má forma. Muito mau. Um ataque de leopardo. Precisamos da sua ajuda.

O médico não fez perguntas, mas acenou para trazer o menino dentro.

—Me desculpe, Doc, mas teremos que saber quem está em casa, — Conner disse.

—Minha esposa, Maria, — o médico respondeu sem hesitação. —Traga-o, Conner. Se seu amigo tem que pesquisar, diga para se apressar se é tão fatal como está sugerindo.

Rio entrou na casa e Conner correu de volta ao SUV, acenando para os outros trazerem Jeremiah.

Isabeau se voltou para proteger Elijah que carregava Jeremiah para a casa. Leonardo ficou na varanda. Felipe e Marcos dirigiram, levando Teresa, presumivelmente ao primo de Adan, onde sabiam que o homem da tribo cuidaria dela.

—Punções na garganta. Já respiramos por ele na maioria das vezes, — Conner explicou enquanto Elijah colocava Jeremiah na mesa do pequeno consultório. Penduraram o soro no gancho e recuaram para dar espaço ao médico.

—Maria! — o médico chamou. —Preciso de você. Isso é mais importante que sua novela.

Ela entrou, uma mulher pequena, com cabelos grisalhos e olhos risonhos.

—Não assisto novelas, velho pateta e sabe disso. — Ela bateu nele com um jornal enrolado, enquanto ia direto para a pia lavar as mãos e colocar luvas.

—Saia, Conner. Mas não vá muito longe. Você é o próximo e, em seguida, a moça, — o médico ordenou rispidamente. —E não fique agitado como costumava ser. Sente-se antes de cair. Há café quente na cozinha.

Maria olhou por cima do ombro.

—E pão fresco sob a toalha de chá. — Inclinou-se sobre Jeremiah.

Conner viu os dois trabalhando tão bem juntos, mal se falando, entregando instrumentos quando o médico grunia e ocasionalmente abanando a cabeça.

Isabeau entrelaçou seus dedos nos dele e olhou em seu rosto. Ela estava exausta e preocupada.

Ele apertou sua mão ao redor da dela e a puxou com ele para fora do quarto. Elijah seguiu relutantemente.

—Ele é bom? — ele perguntou.

Conner balançou a cabeça.

—Todos os leopardos vem a ele. Pode estar aposentado agora, mas conhece seu ofício. Não vai deixá-lo morrer se possivelmente puder salvá-lo. Seu nome é Abel Winters. Dr. Abel Winters. Esteve na nossa aldeia, por um tempo, mas saiu antes da minha mãe e eu. Claro, era muito jovem e provavelmente foi para a escola. Realmente não me lembro dele, quando era tão jovem, mas minha mãe sim. Conhecia todos na nossa aldeia.

Ele olhou ao redor, até que encontrou uma toalha que podia limpar um pouco do sangue antes de sentar.

—Quando nos mudamos para a cabana, minha mãe me levava para ele com ossos quebrados. Eu mudei bastante cedo e costumava tentar saltar das copas e tentava mudar a caminho do solo. Quebrei uma boa quantidade de ossos assim.

Elijah riu.

—Aposto que sim.

A tensão diminuiu um pouco. Isabeau pegou a toalha de Conner e ele se inclinou sobre a pia, segurando na borda enquanto ela tentava limpar o pior do sangue.

—Porra, dói como o inferno. Vou encontrar um chuveiro.

Ela queria ir com ele, mas ficou na cozinha com Elijah, se sentindo estranha e fora do lugar.

—Foi bem, Isabeau, — Elijah ofereceu, quebrando o silêncio desconfortável.

—Estava com medo. — Ela não olhava para ele, mas para fora da janela. —Muito medo.

—Todos estávamos. Sabia que era um desafio tentar alcançar Jeremiah, e esperava o atirador me acertar a qualquer momento. Imagino que esperava a mesma coisa.

Ela balançou a cabeça.

—Não, esperava que ele atirasse em Conner. Ele tinha o mesmo problema que eu. Não queria atingir seu amigo. Eu não queria atingir Conner.

Ela empurrou o cabelo caindo ao redor de seu rosto.

—O que significa “marcação”, Elijah?

Ele franziu a testa.

—Em que contexto?

Ela evitou seu olhar novamente, olhando inquieta para o chão.

—Como as marcas que acidentalmente coloquei no rosto de Conner. O que isso significa no mundo leopardo?

Ele deu de ombros.

—É seu companheiro, então não é grande coisa. Pode colocar sua marca sobre ele. Muito profunda na pele. Você tem um determinado produto químico em suas garras. Pode transferir esse produto químico ao corpo de um homem. Fez isso quando acertou Conner. Não sabia o que estava fazendo, mas seu gato o fez. Ela se assegurou que ele iria querê-la. Normalmente uma fêmea não faz isso, a menos que esteja no auge do Han Vol Dan. Não vou dizer que isso nunca acontece, como seu gato provou marcando Conner, mas provavelmente é o maior perigo durante a emergência.

—Então o que acontece se ela marcar alguém que não é seu companheiro?

Elijah se endireitou lentamente, o silêncio se estendendo dolorosamente até que ela foi forçada a encontrar seus olhos.

—Isso aconteceu, Isabeau?

—O que aconteceu? — Conner perguntou, entrando na sala, secando seu cabelo com a toalha. Seu jeans estava baixo em seus quadris, as lacerações profundas das marcas de mordida e carne rasgada muito evidentes.

Ela mordeu o lábio com força. Tinha uma sensação muito ruim que Elijah ia revelar algo que não queria saber.

—Isabeau quer saber o que aconteceria se ela marcasse alguém que não fosse seu companheiro.

Houve esse silêncio novamente, se estendendo até que seus nervos pareciam crus.

—Isabeau? — Conner perguntou. —Isso aconteceu?

Ela evitou a questão.

—Achei um corpo morto no jardim. Acho que Philip Sobre é um serial killer.

Para evitar olhar para qualquer um deles, ela foi para o outro lado da mesa e levantou a toalha de chá sobre pão recém-cozido.

Silêncio respondeu sua declaração. Sentindo seus olhos sobre ela, ela se virou. Conner a olhava atordoado.

—Encontrou o quê?

Ela pegou o pão fatiado e o colocou num prato. Estava quente e cheirava como o céu.

—Um corpo. Alberto me contou que projetou o jardim e as plantas. Aparentemente é jardineiro, um muito bom. Me convidou a olhar ao redor. Esperou por mim na lagoa.

—Chegue ao corpo, Isabeau, — Elijah disse.

—E a marcação de outro homem, — Conner incentivou.

Ela pegou o prato de manteiga de Elijah e aplicou em duas fatias, empurrando os pratos para eles antes de servir café.

—Ninguém toma leite?

Conner colocou a xícara de café embaixo e rodeou a mesa para passar um braço em volta da sua cintura.

—Pare o que está fazendo e sente-se. Precisa nos dizer o que aconteceu.

Isabeau o deixou puxar uma cadeira e a colocar nela. Os dois homens sentaram com ela. Ela balançou a cabeça.

—Não sei se Alberto sabia do corpo que estava lá e queria que eu o encontrasse. Talvez eu quisesse chamar a polícia para Sobre.

—Está certa que era um corpo? — Conner perguntou.

—Positivo. Cheguei perto. Algo — um animal — escavou. Havia insetos e cheiro de decomposição. Vi um dedo. Era um corpo. Eu recuei e removi todas as provas da minha presença. Não sabia o que fazer. Não confiava em Alberto ou seu guarda. Ele não deu qualquer indicação que fosse algo menos que um bom velho, mas meu gato não gostou dele me tocando e só tinha essa sensação... — Ela apertou a mão em seu estômago e olhou desamparada para Conner.

Ele alcançou sua mão e trouxe as pontas dos dedos à boca.

—Me desculpe, querida, nunca devia ter permitido que se metesse nisso. Se estivesse pensando, a teria guardadinha em algum lugar seguro até que acabasse.

—Eu não ficaria. Comecei isto, Conner e eu vou vê-lo acabar. Alguém tem que detê-los.

Elijah tomou um gole do café e fez um som apreciativo.

—Ela é muito boa, Conner. Ela se enfiou no meio de uma luta de leopardos e atirou no filho da puta. Encontrou um corpo morto num jardim e não gritou histéria. Manteve a calma e removeu todas as provas de estar lá.

A avaliação de Elijah da sua situação a estabilizou.

Ela piscou um rápido sorriso.

—Estava saindo e Ottila apareceu. Cortou minha fuga. Estávamos num mato profundo e tinha certeza que Jeremiah não tinha uma boa mira dele. O que não sabia até ser tarde demais é que os dois bandidos assumiram que você colocaria um atirador na copa, e Ottila foi a isca para pegar Jeremiah enquanto Suma fazia a caça.

Conner cobriu sua mão novamente para imobilizar seus dedos que batiam nervosamente sobre a mesa.

—Ninguém poderia saber, Isabeau.

—Talvez, mas você provavelmente pescaria o que ele estava fazendo. Ele falou em vez de agir. Sabia que Harry e Alberto podiam aparecer a qualquer momento, mas continuou a falar comigo. Deveria ter juntado tudo. Não sabia até que ele me provocou sobre onde estava Suma. Tentei atraí-lo para o aberto para falar e dei pequenos passos atrás. Ele me seguiu, mas depois me agarrou e quando dei o sinal, Jeremiah não atirou.

Ela mordeu duro seu lábio, a memória desse momento terrível. Na hora, não podia se assustar, mas agora, segura com Elijah e Conner e longe de Ottila, se encontrou tremendo. Ela abaixou os olhos, envergonhada, mas determinada a contar a Conner tudo. —E, em seguida, ele veio todo amoroso para mim.

Conner se endireitou na cadeira. Elijah tomou outro gole de café.

—Continue, — incentivou Conner.

Foram só seus dedos nos dela que deram coragem.

—Ele ficou realmente desagradável e então ela — meu leopardo — arranhou seu braço quando tentou me forçar a ir com ele. Ela o marcou. Ele disse algo sobre isso que me fez pensar que fiz algo errado — que era mais que apenas me proteger. Foi a maneira como ele disse isso.

Os olhos de Conner encontraram Elijah sobre sua cabeça. Ele levantou os dedos até sua boca novamente e soprou suavemente as pontas.

—Está tudo bem, Isabeau. Você fugiu. Usou o que podia e não entrou em pânico.

—Mas o que isso significa?

—Ele tem o direito de me desafiar por você.

Seu coração saltou. Ottila era forte. Tinha confiança em si mesmo. Ela achou estranho que ele não a atingisse. Estava no aberto. Os dois leopardos rolavam juntos numa disputa selvagem, mas ela era a mais exposta na maior parte do tempo. Ela tinha um rifle em suas mãos e ele sabia que tentava acertar Suma, no entanto, Ottila não atirou.

Ela inclinou a cabeça na palma de sua mão.

—Estou cansada, Conner. Só quero deitar por alguns minutos. Talvez tome um banho primeiro. Juro que aquelas pessoas me fizeram sentir suja apenas por estar na mesma sala com elas.

—Voltando pela floresta, existe um hotel de propriedade do filho do doutor. Principalmente leopardos permanecem na área, porque não é muito conhecido, eles não anunciam, é principalmente de boca em boca. Podemos ficar lá hoje à noite. Têm cabanas individuais. Vamos estar perto o suficiente de Jeremiah para manter um olho nele e ainda assim estar seguros. Esta estrada parece um beco sem saída, mas há uma estradinha lateral cerca de uma milha acima, entrando mais fundo na floresta. Na maioria das vezes é passável. Nem sempre, após uma boa chuva.

O médico entrou na sala, parecendo cansado.

Puxou uma cadeira e afundou nela.

—Ele vai viver, mas terá uma voz muito diferente. E vai ter que fazer alguma terapia para deglutição. Está respirando e é isso que conta.

Ele suspirou e olhou diretamente para Conner, seus olhos mais exigentes.

—Quer me dizer no que se meteu? Não fez isso ao menino, fez?

Conner parecia um pouco chocado.

—Não, eu deveria saber que ele ficaria dessa forma. Foi atacado e eu pulei dentro. Elijah o puxou para fora. Não quer fazer parte disto, Doc.

—Me fez parte trazendo esse menino aqui.

Conner deu de ombros e olhou para Elijah.

—Imelda Cortez sequestrou as crianças da aldeia de Adan. Pegou meu meio-irmão também e matou minha mãe.

—Ah. — Poucas coisas abalavam o médico, mas estava visivelmente chocado. —Nesse caso, vou chamar meu filho e te dar um lugar para ficar. Seus outros homens vão precisar de algo quente para mantê-los enquanto eu limpo você.

 

A cabana escolhida por Conner tinha a maior distância de todas as outras e estava localizada no mais profundo da floresta. Ele precisava sentir a segurança das árvores em torno de Isabeau. O leopardo dela marcou outro homem, e com isso deu a ele o direito de desafiar sua reivindicação sobre ela. A sua espécie era uma das mais antigas e seguiam as leis da natureza. Isso não era culpa de Isabeau. Ela não foi criada como leopardo e por isso não sabia como tudo isso funcionava, e ela ainda não sabia como controlar totalmente seu leopardo. As meninas que viviam na aldeia eram ensinadas desde de pequenas, para que quando ocorresse o Han Dan Vol, tivessem uma melhor chance de manter seus leopardos sob controle.

Seu pai havia tirado vantagem dessa lei. Sua mãe era jovem e impressionável. Um homem mais velho, bonito, forte, um líder da aldeia, e ela ficou lisonjeada por seu cortejo. Quando a cortejou antes da hora, ela cometeu o engano de marcá-lo. Não houve homem capaz de desafiá-lo pela mão dela, se tornando verdadeiros companheiros, e se ela ainda estavesse viva, ele não arriscaria sua vida indo na aldeia para salvá-la.

Pode ouvir a água desligando abruptamente no chuveiro. O cheiro de lavanda viajou até ele através da porta aberta. Sentou-se esperando por ela na cama. Estava exausta, ele também, mas havia mais uma tarefa que precisava terminar esta noite.

Ele sorriu quando olhou a paisagem pela janela. Mal conseguia ver a luz da lua através da copa elevada, mas onde as árvores foram derrubadas para abrir espaço para a cabana se abriam pequenas frestas que invadiam o quarto, derramando luz prata no chão ladrilhado.

Ele se inclinou atrás e olhou para o telhado alto, uma madeira clara com nós mais escuros espalhados por toda parte. As paredes da cabana eram de madeira e cobertas de marcas de arranhões. Podia ver sulcos profundos decorando cada um dos quatro lados, e as extremidades dos seus dedos formigaram pela necessidade de deixar sua própria marca. Deveria ter marcado Isabeau como sua.

Estava guardando esse ritual para o casamento, mas deveria ter feito isso. Qualquer macho pensaria duas vezes antes de tentar forçar uma reclamação. Ottila julgou corretamente que ela era inocente e não teria conhecimento ou controle suficiente, ao criar sua armadilha. Ele xingou baixinho. Era culpa dele. Qualquer outro homem teria a certeza que estava marcada. Era exatamente isso. . .

Ele suspirou. A traiu por seduzi-la enquanto estava trabalhando numa missão. Ela nem sequer sabia seu nome real. Ele queria dar escolhas a ela. Queria ter certeza que ele era sua escolha — de Isabeau - a mulher — não do leopardo dela. Queria que ela fosse toda sua.

—Maldição. — Passou os dedos pelos cabelos, zangado consigo mesmo.

—O que há de errado?

Ela inclinou um quadril magro contra o marco da porta, a toalha enrolada como um sarongue em torno de seu corpo, enquanto com outra toalha secava o cabelo. O chuveiro lhe fez bem. Sua pele não estava tão pálida, embora os hematomas em seus braços se destacassem.

Sua respiração de repente ficou presa na garganta.

—Será que ele colocou sua marca em você?

Ela franziu a testa.

—Como?

—Será que ele a mordeu? Ou arranhou você? — Ele pulou, num movimento fluido, rápido e objetivo, mas obviamente intimidante. Ela recuou para o corredor com os olhos arregalados.

—Não. Não teve chance. Felipe chegou e o assustou. — Sua carranca aprofundou. —Ele não estava exatamente com medo. Realmente estava muito confiante. Não pense que Suma é o dominante entre eles. Acho que é o contrário.

Ele se inclinou e apertou um beijo nas manchas escuras em seu braço, antes de pegar sua mão e a conduzir para o quarto.

—Obrigado.

—Por quê?

—Por ter a coragem de matar o homem que assassinou minha mãe. Sei que não foi fácil para você. E por ter enfrentando um leopardo no auge da loucura.

Ele tocou seu braço para examinar e havia quatro marcas lá. Eram compatíveis com as cicatrizes em seu rosto, embora não fossem profundas, parecendo mais como riscos que lacerações.

Ainda... Ele beijou cada listra vermelha, sua boca suave. Isabeau se inclinou para ele até que estava cercado por seu cheiro, até que se rendeu a ela e a tomou em seus braços, a segurando perto de seu peito.

A toalha escorregou um pouco, mas estava tudo bem para ele. A sensação de seus seios esfregando na sua pele ajudou a reviver seu corpo. Cada nervo, cada célula tornou-se viva.

—Marisa era minha amiga, Conner. Mas falando honestamente, tudo que eu estava pensando era em você. — Ela inclinou a cabeça para olhar para ele. —Bem, você, — ela se esquivou, —e talvez o disparo do chefão Rio. Mais ou menos acidentalmente ou de propósito. Acho que se ele gritar comigo mais de uma vez posso ficar louca com ele.

Ele deu um passo, a forçando atrás na direção da cama.

—E então ele teve a audácia de ameaçar você com uma seringa.

—Na frente de todos. Ele teve muita sorte por não tentar, — ela acrescentou.

Seu próximo passo encostou as costas de suas pernas contra a cama. Ele pegou a toalha úmida de sua mão, fez uma massagem leve no cabelo como se fosse secá-lo e depois simplesmente a jogou fora.

—Se eu não secar meu cabelo, ele enrola todo. Cachinhos. — Ela fez uma careta. — E é tão longo e grosso, que vai levar uma eternidade para realmente ficar seco.

Isabeau fez um movimento como se quisesse recuperara a toalha, mas ele segurou sua mão e puxou a toalha até que revelou seus seios, os derramando aos seus olhos, antes de arracar a toalha toda dela.

—Eu realmente acho que isso não importa, e você? — ele perguntou, e inclinou a cabeça para seus seios. Ela engasgou quando sua boca quente se fechou sobre um seio e a ponta da lingua raspou o bico, sugando-o profundamente. Sua mão desceu lentamente para a junção entre suas pernas. —Gosto de seus cachos. Tão ardentes. Do jeito como é por dentro. — Seus dedos brincavam com a umidade na entrada. Ele abaixou-se lentamente até que estava sentado na cama, e a puxou até que ela o seguisse. No último momento girou o corpo dela, a dobrando em seus joelhos, e a puxando para que sentasse sobre seu colo, voltada para baixo, com suas nádegas expostas. Ele colocou uma mão na parte superior das costas para manter sua posição enquanto observava seu traseiro.

—Muito bom. — Sua mão esfregou e massageou as bochechas de sua bunda até que ela estava se contorcendo e sem fôlego, seus seios balançando a cada movimento, uma sedução a mais que não havia considerado. Seu pau estava sendo massageado a cada movimento do seu corpo, e seu longo cabelo úmido roçava como se fosse seda viva contra suas coxas. —Eu poderia me acostumar com isso.

—Bem, não o faça, — aconselhou Isabeau. Mas ele podia dizer que suas mãos já estavam operando a magia. Podia ver a evidência de seu desejo, e sua receptividade brilhando entre suas pernas. Trabalhou a mão abaixo pela curva de sua bunda até o vinco entre suas coxas e nádegas e esfregou, inserindo sua mão para forçá-la a afastar mais as pernas.

Ela se suavizou mais, ficando flexível para ele. Ele inclinou a cabeça para beliscar a carne macia, com várias mordidas de amor, todo o tempo continuando com sua massagem. Ela gemeu baixinho quando seus dedos deslizaram através do calor úmido. Os músculos de seu estômago ficaram tensos e seu corpo ruborizou.

—Isso a faz se sentir bem, querida? — Ele perguntou, penetrando dois dedos em seu núcleo quente.

Seu corpo estremeceu, os músculos internos apertando em torno de seus dedos. Era tão sensível, sempre se entregando a ele para qualquer fantasia que tivesse. No começo achou que isso não seria outra coisa senão a consumação para realizar um fim, mas agora não poderia parar suas explorações mesmo se quisesse. Suas mãos se moviam sobre ela possessivamente, com total atenção nas coxas e nádegas, e em seguida mergulhando os dedos mais profundamente. Encontrou seu ponto sensível e brincou, provocando e fazendo circulos até que ela levantou a bunda para direcionar melhor sua mão.

—A sensação é boa, Isabeau? — Seus dedos golpeavam e provocavam ao mesmo tempo, explorando cada segredo escondido no mais profundo de seu corpo. —Diga-me.

A respiração de Isabeau vinha em suspiros irregulares.

—Sim. Tudo que faz sempre é bom. — Ela era verdadeira. Quanto mais o deixasse saber o que gostava, melhor seria o tempo que ficassem juntos. Ela não podia nunca resistir a ele. Quando a tocava se sentia viva. Pensou apenas em cair na cama e dormir durante o tempo que pudesse, mas no momento que suas mãos tocaram seu corpo, tudo que ela podia fazer era desejar. Nunca achou que haveria algo terrivelmente erótico em deitar sobre seu colo, sentindo suas mãos a segurando pelas nádegas e ser massageada e acariciada, para essa emoção era enlouquecedora, um prazer que nunca considerou. Podia sentir sua ereção pesada e quente contra seu estômago. Sabia que esta nova posição era excitante para ele também.

Não se surpreendeu quando a mão dele desceu experimentalmente em sua bunda. Uma dor aguda que enviou calor por todo o corpo dela. A palmada não foi dura, e sabia que a testava esperando por uma resposta. Ficou tão chocada quanto ele por seus sucos banhando seus dedos. Cada músculo interior apertou em torno de seus dedos. Sua mão esfregava e acariciava sobre o calor.

—Qual a sensação? — Ele sussurrou as palavras, sua voz uma tentação pecaminosa. —Tem que me dizer tudo.

— Quente. O calor sendo enviado direto para meu clitóris. Não posso explicar exatamente, mas há tanto calor, como um incêndio crescendo que não posso parar.

—Gostou?

—Enquanto não for realmente doloroso. Não gostaria disso.

Mas adorou a massagem e o modo como o dedos se moviam dentro e fora e a maneira como ele explorava seu corpo sem reservas, com suas mãos e boca. Ele era gato, e mostrou com sua língua como necessitava disto com ela em seu colo, provocando sua pele com seus dentes e a levando ao limite com seu toque.

—Me desculpe, querida, mas tenho que fazer isso. — Ele retirou seus dedos, alcançou atrás dele para pegar a seringa. Puxou a tampa com os dentes, colocou a seringa em sua boca e desceu sua mão, esperando que a agulhada momentaneamente anestesiasse sua pele. Mergulhou a agulha e empurrou o êmbolo para soltar o antibiótico.

Ela sibilou, uma promessa longa e lenta de retaliação.

Ele não era um leopardo macho à toa. Reconhecia o desprazer em sua fêmea e não estava disposto a deixá-la até acalmá-la e fazê-la esquecer essa indignidade.

—Me desculpe, querida, mas se recusou a ir ao médico.

Ela virou a cabeça para encará-lo. Seus olhos se tornaram os de um gato, assumindo o brilho do fogo da noite. E na luz da lua, parecia incrivelmente exótica, sua pele pálida suave e atraente, os globos perfeitos de sua tentadora bunda e seu cabelo vermelho caindo em torno de seu rostinho furioso. Seu corpo inteiro contraiu, seu eixo dolorido e cheio.

—Havia uma razão para isso, seu idiota. É chamado de fobia de agulhas.

—Disse que não era alérgica, quando ele perguntou, — ele ressaltou. Sua mão começou a fazer massagens circulares para aliviar a dor e, se tivesse sorte, começariam tudo de novo.

—A fobia não é uma alergia, — explicou ela. —Agora me deixe levantar.

Estava se tornando receptiva às suas atenções novamente, mas sua voz dizia que não gostava, que queria continuar "zangada". Ele acariciou com sua língua toda a ferida e deslizou seus dedos profundamente dentro dela novamente.

—Está tão molhada, querida. — Ele retirou os dedos quando ela empurrou contra sua mão para atraí-lo mais profundo. —Vê? — Ele os mostrou, brilhando com a umidade dela, na frente de seu rosto. —Como um néctar. — Sua mão estava de volta, massageando e esfregando. —Quero você Isabeau, vai me dizer não?

Ela estremeceu pela promessa escura em sua voz. A mão nas costas dela desceu e ele permitiu que ela deslizasse de seu colo. Ela sentou no chão com cautela e medo de sentar diretamente sobre a picada da agulha. Olhou para ele. O luar derramava em seu rosto, dando suavidade aos seus traços, apesar das cicatrizes. Ela levantou a mão e segurou o lado de seu rosto, seu polegar deslizando ao longo do sulco mais profundo da cicatriz.

—Rio me disse que teve uma infecção.

Sua mão cobriu a dela, e então virou a cabeça pressionando beijos no centro da palma da sua mão. —Tive antes e vou ter novamente. — Seu olhar dourado queimava no dela. —Tomei minha dose de antibióticos sem choramingar .

—Você é tão grande e corajoso, — respondeu ela, com um leve sorriso misterioso. Seu olhar caiu em sua virilha, em sua pesada ereção, espessa e grande contra sua barriga lisa. Arrastou os dedos com um leve toque delicado sobre seu eixo, e encontrou seu caminho para o saco pendurado abaixo, observando-o tremer enquanto o fazia. —No entanto, um toque e está tremendo.

Isabeau acariciou com as pontas dos dedos sobre suas bolas de veludo macio, antes de segurá-las, rolando e apertando suavemente, mantendo seus olhos voltados todo o tempo para o centro de seu corpo, como se cada reação dele fosse a coisa mais importante no mundo para ela. Sua respiração explodiu de seus pulmões quando ela o pegou e lambeu suavemente, mais e mais, lambendo suas bolas e a base de seu eixo, enquanto o prazer inundava seu corpo o fazendo endurecer incrivelmente.

Ela chupou, mais uma vez sua boca infinitamente gentil. Tudo que ela fazia era projetado para agradá-lo. Suas mãos estavam de volta, acariciando e provocando quando tirou a boca e se afastou para ver sua reação.

Conner estava absorvido na sensação de seu toque na sua pele. Ela podia transportá-lo imediatamente para outro reino apenas com os dedos. Ele a observou através dos olhos semicerrados, observando o êxtase e atenção em seu rosto enquanto fechava os dedos em torno da grossura do seu eixo, tirando um suspiro de prazer dele. Ela bombeou experimentalmente. Uma vez. Duas vezes. Seu olhar nunca deixou seu pênis. Estudou o jeito como pulsava em sua mão, sua reação ao calor de sua respiração sobre a cabeça de cogumelo. Quando pequenas gotas de pérolas apareceram, as lambeu como se segurasse um sorvete de casquinha.

Cada toque, cada golpe era puro prazer, projetado para atormentá-lo. Havia uma expressão em seu rosto que o aniquilava — verdadeiramente o aniquiliava. Ela o compreendia. O via, como homem e como leopardo. Entendia sua maneira de conduzir e dominar e o aceitava pelo que era. Gostava de lhe dar prazer. E confiava nele completamente. A confiança estava em seus olhos cada vez que se entregava a ele sem reserva.

Ela se inclinou para a frente e enrolou sua língua em torno do lado de baixo da cabeça larga, provocando seu ponto mais sensível, e olhando-o satisfeita quando seu pau respondeu rápido com um empurrão agradável, latejando e pulsando na sua mão.

Ele gemeu e praguejou suavemente, enterrando os punhos em seu magnífico cabelo, puxando sua cabeça para a frente, a fazendo se desequilibrar um pouco, até que seu pênis estava todo em sua boca. Lambuzou seus lábios com as pequenas gotas peroladas, e seu coração quase parou quando sua língua deslizou para fora capturando sua essência, o limpando.

—Abra a boca, — ele ordenou em voz baixa.

Precisando dela. A querendo. A amando. Deus, mas era brutal, uma mulher para manter para sempre.

Ela olhou para ele, então seus olhares se encontraram, e seu coração acelerou, batendo com furia. Viu a mudança em seus olhos, entorpecidos de desejo, tão sexy que ele gemeu novamente e a puxou direto para baixo. Sua boca se abriu sob a pressão e ela chupou seu pau apertado, quente como um caldeirão. Sua língua começou a trabalhar dançando em volta da cabeça, o queimando, acariciando a parte inferior até que ele jurava que estava ficando cego. O quarto na realidade estava turvo enquanto pequenas explosões saiam de seu cérebro.

Correntes elétricas viajavam em seu sangue fazendo com que seu corpo estremecesse e outro profundo gemido escapasse de seus labios. Ela lambia, chupava e estalava e nunca fazia a mesma coisa, mudando constantemente para que ele sentisse o equilíbrio das sensações se empilhando uma em cima da outra. Ela não mostrava nenhum sinal de estar cansada, mas o levou ao limite do seu controle e em seguida, o puxou de volta até que achava que podia explodir.

Respirando pesadamente, usando suas mãos nos sedosos cabelos, puxou sua cabeça para cima.

—Coloque suas mãos sobre os joelhos.

Ainda o mantendo no fundo de sua boca, a língua trabalhando acima e abaixo no seu eixo, ela balançou a cabeça, os olhos dizendo que ele estava arruinando seu divertimento.

Ele se puxou para fora, a segurando ainda, com as mãos enterradas em seu cabelo, até que ela obedeceu. Ela estremeceu quando ele se ajoelhou atrás dela e pôs suas mãos entre suas omoplatas, pressionando sua cabeça para o chão.A ação levantou suas nádegas, os perfeitos globos e ele curvou as mãos sobre sua bunda possessivamente. Massageou e amassou, deslizando os dedos entre suas pernas onde a umidade brilhava.

—Adoro a forma como fica molhada para mim, querida.

Ele esfregou a cabeça de seu pênis na entrada, se movimentando para a frente e atrás através das dobras suaves, sentindo seu calor, prolongando o momento, desejando que ela empurrasse atrás contra ele.

—O que acha? Devo te provocar como você estava brincando comigo? — Ele se inclinou sobre ela, a deixando sentir seu peso, enquanto pressionava seu pau na sua entrada.

Ela estremeceu e fez um som estrangulado no fundo da garganta. Ele sentiu a vibração que vinha do seu corpo e direto através do seu canal feminino. Seus quadris avançaram e ele sentiu seu corpo abrir caminho para sua invasão. Apertado. Escaldantemente. Quente. Sentindo um pouco de relutância, como se ela não pudesse permitir sua entrada e, em seguida... o paraíso.

Ele apenas a respirava, deixando-a tomá-lo mais, se entregando completamente. Era sempre divertido deixá-la pensar que era a única a se render. Ele era o forte, o dominante leopardo macho, agressivo, a tomando do jeito que queria. No entanto, neste momento, era o primeiro admitir como seu amor por ela o dominava. Ela o apertava tão forte que para ele era necessário este momento, se enterrando profundamente apenas para se entregar à enormidade do que sentia por ela.

Começou a se mover, um pouco mais forte, abalado por seu amor por ela. Quando se via assim, parecendo como se estivesse à beira de um milagre, ele preferia estar por trás dela, onde não podia ver seu rosto. Cada chama enviada corria sobre seu corpo, lambendo sua pele, queimando seu pênis e se espalhando como um fogo selvagem, descontrolando as sensações mais fortes, que não conseguia pensar direito.

Ela moveu o quadril atrás com força e ritmo, um ritmo duro e rápido que era quase brutal. Ela estremeceu uma vez e ele imediatamente a forçou a parar, a segurando ainda no escaldante caldeirão de fogo.

—O que é isso, querida? — Ele se forçou a ir devagar, quando todo seu ser queria — necessitava - continuar.

Ela balançou a cabeça e se mexeu.

—Por favor, — ela rebolou, —continue.

—O que dói? — Sua voz estava mais áspera do que pretendia, a garganta quase fechando pelo fogo ardente rolando através de seu corpo. Cada instinto exigia que mergulhasse mais fundo e mais duro.

Ela deu um risinho.

—Meu bumbum. A injeção está doendo.

Ele imediatamente mudou seu ângulo para seu corpo não bater contra aquela pequena lesão.

—Da próxima vez, — disse ele com os dentes cerrados, empurrado profundamente, sentindo o alongamento das dobras apertadas em torno de sua invasão, o segurando, fazendo um atrito gostoso. — Da próxima vez, me diga imediatamente quando estiver desconfortável.

Isabeau suprimiu seu comentário petulante, não querendo se arriscar a ganhar um tapa na bunda, quando simplesmente estava numa posição vulnerável. Além disso,agora não queria que ele parasse o movimento. Seus dedos eram duros na sua cintura, guiando o ritmo, definindo um ritmo acelerado, golpeando ferozmente. Ela se perdeu nele, em cada momento incrível quando se juntavam.

Sentia seu corpo subindo, as sensações crescendo cada vez mais fortes, até que se estendeu até onde podia ir sem se partir, tão apertado que pensou que poderia se quebrar em milhões de pedaços. Seu corpo estremeceu, cada músculo tremendo, contraindo, apertando o invasor que se enfiava fundo de novo e de novo.

Ele enterrou todo o comprimento do seu eixo grosso mais fundo em seu corpo dolorido, e necessitado. Ela jogou a cabeça atrás fazendo seus cabelos voarem em todas as direções, enquanto mãos duras agarravam seus quadris, golpeando, investindo até que não ouvisse nada, apenas o som de seus corpos juntos, sua respiração combinada e severa, o fogo crescendo no centro de seus corpos. Ela apertou os músculos ao seu redor, o agarrando apertado, acariciando seu eixo como veludo quente. Seu pau, era seda sobre aço, era como uma estaca atingindo até o fundo, tão forte, tão quente, se arrastando ao longo do feixe de nervos novamente e, novamente, quando a encheu totalmente.

Ele parou subitamente, empurrando polegada por polegada ardente através de suas dobras apertadas, uma lenta perfuração implacável a fazendo soltar um gemido entrecortado. Podia sentir cada veia de sua grossura e comprimento empurrando através de seu corpo até a grande cabeça golpear seu ventre, a queimando como uma marca.

—Maldição, Isabeau, — ele sussurrou. Ela não conseguia evitar robolar seus quadris e apertar os músculos em torno dele, apertando e ordenhando, torcendo-se naquele ponto espesso e o prazer a invadindo.

Sua respiração explodiu de seus pulmões. Ele praguejou e agarrou duro seus quadris. Esse foi o único aviso. Começou a empurrar como uma britadeira, a espetando mais e mais, indo fundo, enviando ondas entorpecentes de prazer que se espalhavam através dela, e a intensidade crescendo e crescendo até abranger tudo.

Ela gritou com voz rouca, o som estrangulado quando sentiu sua liberação, quente e grossa, explodindo profundamente dentro dela contra os espasmos latejante de seu útero. Por um segundo, seu corpo inteiro se contraiu num aperto forte, e então a liberação rasgou através dela como uma intensa tempestade. Podia ouvir o rugido em sua cabeça, sentir as chamas ardentes correndo mais rapido através dela, seu corpo tremendo dos pés à cabeça.

Ele a segurou, sussurrando baixinho.

—Me desculpe, querida, isso tem que ser feito.

Seus dentes afundaram em seu ombro, não os dentes do homem, mas os do gato, a segurando imóvel enquanto seu corpo prendia o dela, ainda balançando com prazer.

Dor atravessou seu ombro bem embaixo da boca dele, e então sua língua lambeu, tirando a pontada. Ela estremeceu sob essa áspera língua e virou a cabeça para olhar por cima de seu ombro. Seus olhos estavam como os de um gato, ouro e focados tão intensamente que sentiu outro espasmo em seu útero.

Conner apoiou o rosto contra suas costas e esfregou sua pele, a sombra da barba em sua mandíbula parecendo rude, enviando mais ondas através de seu núcleo. Ele pressionou os labios abaixo da sua coluna e se endireitou lentamente até que estava ajoelhado atrás dela, ainda a segurando.

—Eu te amo, Isabeau. Mais do que possa imaginar.

Ele se retirou completamente de seu corpo e afundou na borda da cama, as pernas instáveis. Ela se virou e se arrastou para ele, com o rosto corado, os olhos vidrados, sua respiração vindo em pequenos e irregulares suspiros. Sentou no chão na frente dele, olhando-o. Seus olhares se prenderam.

Sua expressão de adoração o humilhava. Não merecia a forma como ela se sentia, o abragente amor, quase adoração, mas resolveu nunca mais perdê-la. Se inclinou na direção dela e imediatamente ela virou seu rosto para deixá-lo tomar posse de sua boca num longo e satisfatório beijo.

—Farei tudo ao meu alcance para torná-la feliz, Isabeau.

—Você me faz feliz, Conner. Quando estamos sozinhos como agora, e tenho você, sei o que sinto e o que você sente. Estar aqui nesta sala é suficiente para mim.

Ele olhou ao redor da pequena cabana rústica. Esta seria sua vida com ele, pelo menos por um tempo. Sempre viajando para trabalhar no dia seguinte. Nunca poderia ficar longe da floresta, nunca poderia viver numa cidade. Passou um tempo nos Estados Unidos numa grande fazenda, um belo lugar, mas não era para ele.

—Pode viver assim, Isabeau?

Ela sorriu para ele.

—Com você? Esse é exatamente o lugar onde quero ficar.

Conner balançou a cabeça.

—Quero que pense sobre isso, amada. Realmente tem que pensar sobre como seria seu dia a dia aqui. Sou um homem exigente. Gosto do meu jeito. Estou tentando ser honesto sobre o que quero com você e olho ao redor e não me vejo exatamente oferecendo o mundo. Às vezes, será perigoso, e a intensidade desses momentos pode ser esmagadora de uma maneira ruim.

Ela franziu a testa para ele.

—Está tentando se livrar de mim?

Colocou suas mãos em seu rosto o enquadrando.

—Não. Claro que não. Só quero que esteja muito certa da realidade de me amar. Não será sempre maravilhoso.

—Como encontrar corpos no jardim ou ter que matar alguém? — Sua voz falhou e ela fez uma careta para ele. —Sei exatamente porque estou ficando, Conner. Não tem exatamente que suavizar a situação. Conheci você enquanto estava numa missão, lembra? Isso não foi tão bom para mim. Não sou uma princesa de conto de fadas. Sou uma mulher real que tem cérebro e pode descobrir as consequências.

—Já imaginou como será viver comigo? O homem? O leopardo?

Ela alcançou as costas e tocou a marca da mordida no seu ombro com dedos trêmulos.

—Isto é uma coisa que sei. Não é mais um mistério, Conner. Gosta da sua forma quando se trata de sexo.

—Em todas as coisas. — Ela riu dele. Diversão brilhava em seus olhos.

—Sério? Em todas as coisas? Acho que não. Acho que se preocupa com o que quero, o que me faz feliz. Mesmo no sexo, se preocupa com meu prazer, e sempre pensa em mim. Não se vê tão bem como eu o vejo.

—Eu sei que te amo, Isabeau, com cada respiração do meu corpo, e não sobreviveria se me deixasse. Tive um ano infinitamente infernal sem você, e nunca mais quero passar por isso novamente.

Isabeau sorriu e se inclinou para ele, sua língua deslizando sobre seu eixo. Ela levou seu tempo, o lambendo amorosamente, enquanto as mãos dele tocavam seu cabelo numa suave carícia. Estava respondendo a ele de uma maneira que nenhuma outra mulher pensaria em fazer e seu coração quase explodiu de amor por ela.

Ela demorou, tendo a certeza que ele a ouvia, que sabia exatamente o que gritava em silêncio para ele. Ela estava consciente de cada arrepio do seu corpo, cada nuance de seus minúsculos, enquanto cuidava dele, o trazendo de volta ao seu estado semi-rígido.

Ela se afastou e sorriu para ele.

—Vou tomar banho e cair na cama e dormir por horas. Não me acorde. — Ele sabia o que fazer. E sabia que ela sabia disso. Seu sorriso era como o gato que comeu um canário. Sabia exatamente o que fez a ele com sua boca. Com o jeito como o amava. Ele a observou em pé, e pela primeira vez, ela parecia confortável com sua nudez na frente dele, seus quadris balançando de forma provocativa, e sedutora.

—Pequena bruxa, — ele sussurrou e se recostou na cama, com os dedos atrás do pescoço e a satisfação ressoando em suas veias. Ela o fez se sentir no topo do mundo. O fez sentir a magia.

Ele contemplou o teto, seu corpo lânguido e saciado, se estendendo como o gato que era. Ela voltou ao quarto, cheirosa e graciosa, muito feminina, e tanto ele quanto seu leopardo a admiraram quando sentou-se ao seu lado e afundou na cama. Conner ficou de lado se apoiando no cotovelo, enquanto a outra mão acariciava sua juba selvagem. Estava certa sobre seu cabelo. Os fios secaram num motim de cachos rebeldes, o deixando intrigado. Ela geralmente usava os cabelos lisos para esconder seu ar selvagem. Gostava de seu lado selvagem.

—Estive pensando, Isabeau, — ele murmurou, assistindo o jogo do luar em seu rosto. —Nenhum de nós tem família.

—Você tem um irmão.

Foi um golpe inesperado.

—Tenho. Não pensei sobre este ângulo - o que vou pedir a você.

Abrindo os cílios que velavam seus olhos.

—E o que seria?

—Bom, claro que tenho que ficar com o menino. Ele tem apenas cinco anos de idade. Se pedisse a você que ficasse comigo, estaria pedindo automaticamente que fosse uma mãe para ele.

Ela fez um pequeno som, muito parecido com um suspiro.

—Estou muito à sua frente, Einstein. Claro que vamos ficar com ele, o que mais poderíamos fazer? Sua mãe nos assombraria para sempre se não o fizéssemos. Além disso, eu o conheci. Tem seus olhos e muito cabelo. É um menino muito fofo. Agora vá dormir. — Ele continuou a brincar com seu cabelo, olhando seu rosto tentador. A longa extensão de pele parecia macia e tentadora ao luar. A dor na virilha era agradável não dolorida, e apreciava ficar lá deitado, a acolhendo com seu corpo, seu pau apertado contra sua bunda e as coxas pressionando contra as dela. Assim seriam suas noites. Isabeau em sua cama. Ele olhou para seus seios suaves e convidativos. Um dia, seu filho se aninharia e alimentaria ali, e seria a coisa mais linda do mundo.

—Case-se comigo, Isabeau. — Sua mão esquerda desceu do cabelo até seu seio, o polegar roçando preguiçosamente atrás e para o lado no bico do mamilo, o que sabia enviava faíscas minúsculas de excitação direto para seu clitóris. Manteve seu toque suave e pouco exigente.

Ela manteve os olhos fechados.

—Já disse que o faria. Agora vá dormir.

—Case-se comigo amanhã, Isabeau, — ele sussurrou, a palma da mão envolvendo seu seio apenas para suportar o peso suave.

Levantando os cílios, ela piscou e virou a cabeça o suficiente para olhar por cima do ombro para ele.

—Amanhã?

—Quero que seja minha esposa. Nenhum de nós tem família, além do menino. A equipe é nossa família. O doutor poderia organizar tudo para nós. Meu palpite é que todo o vale é composto por leopardos. O doutor poderoa usar sua experiência para ajudar seu próprio povo. Quero saber que está esperando por mim, no extremo dessa coisa toda.

Ela se virou lentamente e apertou a mão em seu rosto.

—Conner. Eu te amo. Sei o que tem que fazer para trazer essa criança de volta. E sei que fez coisas que o faz se sentir sujo e não digno de mim, mas não o tome assim. Não vê isso? É um homem extraordinário por arriscar o que tem pela segurança dos outros. Era sério quando disse a você que estou cem por cento do seu lado. Diga-me o que fazer para ajudá-lo e vou fazê-lo.

—Case-se comigo amanhã. Seja minha esposa. Isso me ajudaria.

Ela engoliu em seco. Ele observava o movimento de sua garganta, intrigado que estivesse nervosa quando sabia que estava tão comprometida com ele. Ele acariciou a garganta dela com um dedo, sentindo a convulsiva deglutição e, em seguida, traçou seus lábios com o polegar e a sentiu tremer.

—O que é, querida? — Ele manteve sua voz suave, baixa e íntima. —Tem medo?

Ela piscou rapidamente novamente.

—Apenas tenho difículdades às vezes...

—Com o quê...? — Ele perguntou, com a mão moldando seu seio novamente e depois descendo para esfregar pequenos círculos sobre sua barriga.

—Em acreditar que um homem como você realmente possa ficar satisfeito com uma mulher como eu.

Sua mão se acalmou. Ele enrijeceu.

—Que diabos está dizendo, Isabeau?

Isabeau virou de costas e olhou para sua face com cicatrizes, experiências duras e perigo em cada linha. Embora o luar se derramasse sobre ela, sempre se esconderia nas sombras, algo que sempre comparava com ele. Sempre seria o homem sombra. Robusto. Duro. Um pouco misterioso. E tão experiente em todos os sentidos, tudo que ela não era.

—Totalmente fora do meu alcance.

Sua boca se contorceu num lento sorriso.

—Tem que olhar atrás, querida. Sempre soube que você estava fora do meu alcance com sua inocência e confiança. Você é a coisa mais linda na minha vida, e não estou falando de seu corpo excepcional, que tenho que admitir que sou muito afeiçoado. Você é tudo que quero, Isabeau, e nunca deve se sentir como se não pudesse me preservar. Penso que é o contrário.

—Não estou falando de intelecto aqui, ou de coragem. Sinto que posso ser um trunfo para você, Conner, mas aqui, na cama, não tenho nenhuma experiência além do que você me ensinou.

Empurrou seu pau contra sua bunda, ficando mais quente e mais grosso. Ele riu baixinho.

—Sente isso, querida? Isso é o que me faz. Está sempre tão disposta a seguir minhas instruções tão lindamente. Um homem quer uma mulher que lhe dê total confiança e seu corpo sem reservas. Você faz isso. Não posso pedir mais. Não tem medo de dizer ou me mostrar o que gosta. Não acha que isso é uma tara? Ver você desfrutar do meu corpo é o maior tesão que existe. Sexo é apenas sexo, Isabeau. Amor é diferente. Amor é mente, coração, corpo e alma. Não sei dizer de outra forma. Quando estou com você, não é apenas sobre meu corpo estar satisfeito. Tive amor - sua marca de amor - e não quero nunca mais qualquer outra coisa.