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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


FRIA RENDIÇÃO / Brenda Jackson
FRIA RENDIÇÃO / Brenda Jackson

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblio VT

 

 

 

            Ele era dos que amava e logo as abandonava, e as mais atraentes e inteligentes eram as preferidas de Stone Westmoreland.

            Stone tinha prometido não voltar a permitir que uma mulher penetrasse no seu coração, mas então apareceu Madison Winters e converteu a rotineira viagem de avião em uma sedutora provocação e Stone teve que reconsiderar suas normas. Sobre tudo, quando Madison pediu ajuda e lhe fez uma oferta que não podia recusar...

 

 

 

 

                               Capítulo Um

            Aquela mulher estava apertando sua coxa! E com bastante força. A dor era quase insuportável; mas o contato era muito agradável.

            Stone Westmoreland virou-se lentamente para olhá-la atentamente.

            A mulher estava esmagada contra seu assento; qualquer um diria que pensava que o avião ia estilhar-se a menos que ela se segurasse com força a algo. Tinha os olhos fechados e a respiração bastante irregular. Ao Stone recordou à respiração entrecortada de uma mulher que acabasse de ter o orgasmo mais satisfatório de sua vida. De repente, sentiu que se excitava.

            Reclinou-se no seu assento, enquanto o avião continuava a decolar e fechou os olhos. Fazia muito tempo que não estava com uma mulher, tanto que o simples contato de uma mão feminina sobre sua perna bastava para acender sua libido.

            Abriu os olhos e tomou fôlego.

            Esperava que o mês que ia passar em Montana, no rancho de seu primo fizesse-lhe algum bem.

            Seu primo Durango tinha a mesma idade que ele, trinta e três anos, tinham a diferença de alguns meses e sempre tinham sido muito bons amigos.

            Havia também seu tio Corey, que vivia perto de Durango em um rancho nas montanhas. Corey Westmoreland era o irmão mais caçula de seu pai, tinha sido guarda florestal durante trinta anos e agora aos cinqüenta e quatro anos, aposentou-se.

            Ainda guardava lembranças muito boas de quando seus quatro irmãos, seis primos e ele iam passar as férias com o tio Corey. Todos eles tinham aprendido a apreciar a vida ao ar livre. Seu tio sempre levou seu trabalho com muita seriedade e tinha contagiado a todos com seu amor pela natureza. Seu primo Durango até tinha escolhido a mesma profissão que ele.

            Uma das coisas que melhor recordava de seu tio era sua afirmação de que nunca ia se casar. De fato, além das mulheres da família, nenhuma outra mulher tinha pisado em seu rancho. A razão que seu tio afirmava era que havia se tornado um tipo muito estranho, com muitas manias. E que preferia a vida de solteiro.

            Os pensamentos de Stone voaram para seus irmãos.

            Fazia um ano, aproximadamente, todos estavam solteiros e felizes. Depois, sem dar-se nem conta, tudo mudou. Der, o mais velho, casou-se e, depois de seis meses, seu segundo irmão, Thorn, fez o mesmo. Todos na família começaram a apontá-lo porque era o terceiro; repetiam-lhe uma e outra vez que o seguinte era ele.

            E ele tinha deixado claro que antes morto que casado.

            Gostava muito de estar solteiro para cair na armadilha do matrimônio. E embora fosse o primeiro a admitir que as mulheres de seus irmãos eram maravilhosas; tinha decidido, tal como seu tio Corey, que o casamento não fora feito para ele.

            E não era porque se considerasse estranho, simplesmente, não queria ter que se encarregar de ninguém que não fosse ele mesmo. Gostava da liberdade de ir e vir ao seu desejo e, por ser um dos escritores mais famosos do momento, o podia permitir. Viajava por todo mundo solicitando informação para suas novelas e quando saía com alguma mulher sempre era a sua maneira. Para ele as mulheres eram uma necessidade e, normalmente, não era difícil encontrar alguém que pensasse o mesmo.

            Para ser totalmente sincero, Stone não tinha nada contra o matrimônio; simplesmente, não estava preparado para dar semelhante salto. Tinha tomado a decisão depois do casamento de seu bom amigo Mark, escritor como ele. Depois de casar-se, Mark tinha decidido que escrever não era uma prioridade. Passar com sua mulher o máximo de tempo possível se converteu em seu principal objetivo. Era como se Mark, ao casar-se, tivesse trocado de personalidade.

            Só pensar que podia perder o desejo de escrever por culpa do amor o punha nervoso. Escrever tinha se tornado sua vida e não queria que nada mudasse isso.

            Stone decidiu voltar a olhar à mulher que tinha ao lado. Até com os olhos fechados gostava.

            O cabelo castanho lhe chegava à altura dos ombros e tinha a pele da cor do café com leite. Seus lábios eram carnudos e o nariz, perfeito. Tinha as pestanas negras e frisadas e as bochechas marcadas. Se estava maquiada, não se notava. Sua beleza era natural.

            Olhou-lhe à mão, a que estava agarrando a coxa. Não levava nem anel de compromisso nem aliança, o qual não estava nada mal se seu destino fosse Montana.

            Sentiu que todas as fibras de seu corpo ficaram tensas quando ela moveu a mão.

            Conteve o fôlego. Se deslizasse a mão alguns centímetros mais acima, ia encontrar se com uma parte muito íntima dele. Provavelmente, pensava que estava agarrando o encosto da poltrona, assim, o melhor seria esclarecer antes que ocorresse o pior.

            A luz que entrava pelo guichê se refletia em suas feições, fazendo-a ainda mais atraente. Inclinou-se sobre ela, com cuidado para não assustá-la, e aspirou seu aroma antes de abrir a boca. Sua fragrância conseguiu excitá-lo mais do que já estava e sentiu a tentação de aproximar-se de sua pele e beijar-lhe. Stones meneou a cabeça preocupado.

            Desde quando saia ele por aí, chupando o pescoço das mulheres? Certamente, gostava de beijar, como à maioria dos homens, mas, devorar uma mulher nunca lhe tinha interessado. Até aquele momento.

            Afastou aquele pensamento de sua mente, decidindo que era muito perigoso.

            - O avião se estabilizou, assim, já pode me soltar.

            Ela abriu os olhos de repente e voltou a cabeça para ele, surpreendida.

            Uma parte dele desejou que não o tivesse feito, pois se encontrou olhando o par de olhos cor avelã mais preciosos que tinha visto na vida. Eram perfeitos e encaixavam com perfeição ao resto de suas feições.

            Algo em seu interior fez que tivesse que segurar-se para que seu corpo não sofresse uma sacudida.

            Simplesmente, era preciosa; embora a verdade fosse que de simples não tinha nada. Literalmente, tinha-o deixado sem respiração. E, falando de respiração, deu-se conta de que ela continha a sua enquanto baixava o olhar para sua mão esquerda. Imediatamente, separou-a de onde estava.

            Ao dar-se conta do que tinha acontecido, a vergonha alagou seu rosto.

            - Oh! Sinto muitíssimo. Não pretendia tocá-lo. Pensei que tinha a mão no encosto. Eu... nunca pretendi atuar de maneira tão pouco apropriada.

            Quando Stone viu o desconcerto no seu rosto, decidiu tranqüilizá-la. Certamente, tinha-lhe encantado seu acento que provavelmente era do norte.

            - Não aconteceu nada - tentou dizer de maneira casual. - Meu nome é Stone Westmoreland - disse estendendo a mão. Ela, ainda envergonhada, o cumprimentou

            - Madison Winters – ele sorriu.

            - Prazer em conhecê-la, Madison. É a primeira vez que sobe a um avião?

            Ela negou com a cabeça enquanto soltava a mão.

            - Prazer em conhecê-lo. Não, não é a primeira vez que vôo; mas sempre sinto o mesmo. Tento utilizar outro meio de transporte sempre que posso, mas, desta vez, preciso chegar a Montana o mais rápido possível.

            Assentiu.

            - De onde é? - perguntou, sem poder evitá-lo. Seu acento o estava afetando ainda mais que a mão sobre a coxa. Só escutá-la falar o deixava excitado

            - Sou de Boston.

            Voltou a assentir.

            - Eu sou de Atlanta - decidiu dizer ele quando o tempo passava e não lhe perguntava. Não saberia dizer se devia ao acanhamento ou a falta de interesse por ele. Certamente, ele sim estava interessado nela.

            - Eu adorei Atlanta - disse ela depois de um momento. - Uma vez fui com minha classe.

            Ele levantou uma sobrancelha.

            - Com sua classe?

            Ela sorriu e lhe deu um baque no estômago.

            - Sim, sou professora. Dou aula de música em um colégio.

            Stone sorriu, surpreso. Nunca o teria imaginado. Recordava que, no colégio, ele tocava clarinete e sua professora de música não se parecia em nada à mulher que tinha diante de si.

            - Deve ser interessante.

            O sorriso dela aumentou.

            - E é

            Ele sorriu.

            - O que você faz?

            Ele hesitou um instante, então, decidiu dizer o que fazia.

-Sou escritor.

            -Sério? Que fantástico! E que tipo de literatura escreve? Não me lembro de seu nome. - Respondeu ela.

            - Escrevo novelas de ação com o pseudônimo do Rock Maçom.

            Ela arregalou os olhos.

-Você é Rock Maçom?

            - Sim - admitiu com um sorriso.

            - Meu Deus! Minha mãe leu todos seus livros. É sua maior admiradora.

            O sorriso dele aumentou.

            - E você? Já leu alguma de minhas novelas?

            Ela o olhou com arrependimento.

            - Não. Normalmente, não tenho tempo para ler; mas sei que é muito bom.

            - Obrigado.

            - Vários amigos meus pertencem a um clube de leitura e sempre que lanças um livro novo o selecionam para ler e logo comentá-lo. Tem muitos admiradores em Boston. Esteve alguma vez lá?

            - Sim. Faz alguns anos estive autografando alguns livros. É uma cidade preciosa.

            Madison lhe iluminou o rosto.

            - É-o. Eu adoro Boston. Não posso me imaginar vivendo em nenhum outro lugar. Até estudei ali minha carreira porque não queria sair de casa.

            Naquele momento, a aeromoça os interrompeu para servir um aperitivo.

            - Vai a Montana em viagem de negócios? - perguntou ao recordar que ela havia dito que necessitava chegar o mais depressa possível.

            Olhou-a enquanto dava uma dentada no sanduíche e sentiu uma pontada de desejo no estômago. Se por acaso aquilo não fosse suficiente, ela fechou os olhos enquanto se servia de café. Demorou alguns segundos para voltar a abri-los; como se aquele café fosse o melhor que tinha provado na vida.

            Ele viu em seu olhar o reflexo da dúvida.

            - Não. Trata-se de uma visita pessoal - ficou estudando-o um instante, como avaliando se devia lhe explicar seus motivos, depois, acrescentou: - Vou procurar a minha mãe.

            Ele a olhou com um olhar de duvida.

            - É que desapareceu?

            Madison se recostou no assento. Parecia frustrada.

            - Sim. Foi com umas amigas em viagem a Montana, para visitar o parque do Yellowstone - olhou seu café e acrescentou em voz baixa: - Suas amigas voltaram; mas ela não.

Ele notou o tom de preocupação de sua voz.

- Não soubeste nada dela?

            Ela assentiu.

            -Sim. Deixou-me uma mensagem na secretária eletrônica. Dizia que ia prolongar suas férias durante outras duas semanas.

            Madison se perguntava por que estava contando todo aquilo a aquele desconhecido. A única razão que lhe ocorria era que precisava falar com alguém e Stone Westmoreland parecia um tipo agradável. Além disso, necessitava alguém neutro.

            - Deixou-te uma mensagem de que ia se ficar mais tempo e mesmo assim viaja a Montana para procurá-la? - perguntou ele, sem compreender muito bem.

            - Há um homem de no meio.

            Ele assentiu, lentamente.

            - Entendo.

            Na realidade, não entendia nada.

            - Possivelmente pensa que não há motivo para estar preocupada, mas... veja, minha mãe não fez nada assim na vida.

            Concordou.

            - Assim, pensa que aconteceu algo estranho?

            - Não, não é isso. O que acredito é que está passando por uma crise. Acabou de fazer cinqüenta anos e, após, noto-a estranha.

            Stone tomou um pouco de seu café.

            Recordava o que tinha acontecido a sua mãe ao fazer cinqüenta. Tinha decidido que queria voltar a estudar e começou a trabalhar fora de casa. Seu pai quase teve um ataque porque era um desses homens tradicionais que pensavam que a mulher devia ficar em casa; mas sua mãe tinha tomado uma decisão sobre o que queria fazer e nada podia fazê-la mudar de opinião.

            Voltou a centrar-se na mãe de Madison. Pessoalmente, não via nada anormal em que uma mulher se fosse com um homem, se isso era o que queria. Entretanto, pela expressão de preocupação de Madison, ela pensava de maneira diferente.

            - O que pensa fazer quando a encontrar? - perguntou sentindo curiosidade; depois de tudo, ela era a filha.

            - Vou tentar que recupera a razão, é claro - disse com determinação. - Meu pai morreu de enfarte faz uns dez anos e, após, ela não saiu com ninguém. É a mulher mais sensata e mais prudente que já conheci - tomou fôlego e continuou. - Ir-se com um homem que acaba de conhecer em um jantar, não é nada próprio dela.

            A mente aventureira e cheia de mistérios de Stone ficou alerta.

            - Está segura de que foi com ele por vontade própria?

            Madison deu outro gole em seu café antes de responder:

            - Sim. Há testemunhas. Suas amigas me disseram que uma manhã fez a mala e lhes disse que o tipo ia procurá-la e que passaria o resto das férias com ele. É obvio, eu não acreditava nisso, assim, chamei o FBI. Depois, recebi sua chamada. Desgraçadamente, não estava em casa quando chamou por isso não pudemos falar; mas sua mensagem era clara: queria ficar duas semanas mais e que não me preocupasse com ela. Mas, é obvio, eu estou preocupada.

            Stone pensou que aquilo era evidente.

            - Pode prolongar as férias todo o tempo que queiras?

            - Sim, está aposentada. Minha mãe trabalhava administrando um hospital e no ano passado se aposentou. Agora tem um centro de dia para os anciões; mas cada vez vai menos ali e se dedica a fazer obras de caridade. É o que mais gosta.

            - Por onde vais procurá-la? Montana é enorme.

            - Reservei um quarto em um rancho nos subúrbios de Bozeman chamado Silver Arrow. Ouviste falar dele?

            Stone sorriu. Conhecia-o; de fato, estava ao lado de Durango. Estava encantado que Madison ficasse tão perto.

            - Está ao lado de onde eu vou ficar. Virtualmente, vamos ser vizinhos.

            Ela sorriu como se gostasse daquela idéia. Ou possivelmente, era sua imaginação, pensou ele concentrando-se nos lábios femininos.

            - Depois, vou procurar um guia para que acompanhe às montanhas.

            - Às montanhas? Por que ali?

            - Porque ali é onde ele vive.

            Stone deu um gole em seu café pensando que sempre tinha pensado que seu tio Corey era o único valente capaz de prescindir da civilização para viver nas montanhas.

            Ela interrompeu seus pensamentos.

            - Conforme tenho entendido, é um guarda florestal aposentado. Não sei seu nome, mas é algo assim como Penetro ou Cord ou Cari.

            Stone engasgou com o café.

            - Está bem? - perguntou ela ao ouvi-lo tossir. Ele a olhou, sem saber o que responder. O homem que acabava de descrever se parecia muito com seu tio Corey.

            Mas uma mulher na montanha do Corey?

            - Está me dizendo que o homem com o que ela se foi é um guarda florestal aposentado que vive nas montanhas? - perguntou para corroborar o que acabava de ouvir.

            - Sim. Pode imaginar algo mais ridículo?

            - Não, não posso imaginar nada mais ridículo.

            Devia tê-lo aborrecido; pensou Madison. A conversa decaiu e ele se reclinou em seu assento e fechou os olhos. Ela aproveitou a ocasião para olhá-lo.

            Sim, se podia-se dizer de um homem que era formoso, esse era o caso. Tinha os ombros largos e, embora estivesse sentado, não cabia nenhuma dúvida de que tinha um corpo atlético. Mas o que mais a cativava eram seus olhos escuros em forma de amêndoa. Desejava que não os tivesse fechado para poder olhá-los durante mais tempo.

            Eram tão escuros como a noite e, quando a tinha olhado, havia sentido que podia ver sua alma. Depois, estava seu cabelo encaracolado de aspecto sedoso, com um corte perfeito. As maçãs do rosto eram marcadas e tinha lábios generosos que faziam que as pernas tremessem quando lhe sorria. E a suave textura de sua pele, cor chocolate, era tão tentadora que tinha que fazer um esforço para não tocá-la.

            Pela primeira vez, esqueceu-se de que estava em um avião. Só podia pensar em que estava sentada ao lado do homem mais bonito que tinha visto na vida. Normalmente, ela seria a última pessoa em fixar-se em um homem; depois do que Cedric lhe tinha feito fazia um par de anos... Descobrir que o homem com o que alguém está a ponto de casar-se está tendo uma aventura é uma experiência das mais dolorosas. Desde então, tinha decidido que nenhum homem merecia tantos problemas. Algumas pessoas simplesmente estavam feitas para estarem sozinhas.

            Fechou os olhos e se perguntou se sua mãe tinha feito aquilo porque estava cansada de estar sozinha. Estava há dez anos viúva e, embora seus pais se tratassem com respeito, ela duvidava que tivesse se amado. Entretanto, desde o falecimento de seu pai, sua mãe não tinha ficado com ninguém; embora soubesse que a tinham convidado para sair em mais de uma ocasião.

            O que teria o homem com que foi às montanhas? Tal e como havia dito ao Stone, sua mãe devia estar passando pela crise dos cinqüenta. Não havia outra explicação possível.

            O que ia lhe dizer quando a visse? Essa era outra pergunta para a qual não tinha resposta. A única coisa que sabia com toda certeza era que pensava dar um bom sermão; uma mulher de cinqüenta anos não fugia com um homem como ela tinha feito.

            Madison meneou a cabeça. Ela tinha vinte e cinco e nunca fugiria com um desconhecido; mesmo que fosse tão bonito como Stone. Jogou-lhe um olhar e teve que admitir que a idéia era bastante tentadora.

            Muito tentadora.

            Apagou aquele pensamento da mente. Que uma mulher Winters agisse de forma impulsiva e irracional já era suficiente.

            O que aconteceria se o homem que Madison Winters havia descrito fosse realmente o tio Corey? Com os olhos fechados, Stone Westmoreland não deixava de lhe dar voltas à cabeça. No momento, seguiria fingindo que estava dormido; não queria que Madison visse quão confuso estava.

            Ele teria adorado poder chamar o primo dele Durango para esclarecer a situação, mas, mesmo inconscientemente, Madison se inteiraria de tudo. A única coisa que poderia fazer era esperar e vê-la perguntar.

            Oxalá estivesse equivocado e houvesse outro guarda-florestal aposentado que vivesse nas montanhas.

            Tomou fôlego muito lentamente. O aroma do Madison era penetrante.

            Para ser sincero consigo mesmo, tinha que admitir que seu sangue tinha começado a ferver no instante em que ela se sentou a seu lado. Tinha tentado ignorá-la, concentrando-se no que ocorria fora do avião enquanto a tripulação se preparava para a decolagem, e quase tinha conseguido quando ela se agarrou em sua perna.

            Certamente, nunca ia esquecer aquele vôo. Não pôde evitar abrir os olhos e voltar a olhá-la. Agora era ela quem tinha os olhos fechados. Seus lábios estavam entre abertos e respirava com suavidade. Obviamente, relaxou e tinha esquecido seus temores.

            Stone não sabia o que pensar daquele instinto de proteção que sentia por ela. Possivelmente sentia aquilo porque recordava sua irmã Delaney. Seus lábios afloraram em um sorriso preguiçoso.

            Delaney, por ser a única menina entre tantos meninos, tinha sido sempre muito protegida. Mas quando acabou sua faculdade de Medicina surpreendeu a todos partindo para uma cabana nas montanhas da Carolina do Norte para meditar. Para sua surpresa, a cabana já estava ocupada por um xeique árabe que tinha tido a mesma idéia que ela. Durante o tempo que passaram ali juntos se apaixonaram e agora Delaney era uma princesa que vivia no Oriente Médio. Atualmente estava nos Estados Unidos, com sua família, terminando sua especialização em um hospital de Kentucky.

            Stone, adorava seu sobrinho Ari e, tinha que reconhecer, que seu cunhado, o xeque Jamal Ari Yasir, tinha conquistado a todos e era tão bem recebido em casa como sua irmã. Todos sabiam que Jamal amava sua irmã sem reservas.

            Olhou ao redor, procurando um lugar onde estirar os músculos intumescidos, mas desistiu porque para chegar ao corredor teria que despertar Madison. E a última coisa que queria era que Madison começasse a falar do homem que podia ser seu tio.

            Até que Durango lhe desse algumas respostas, não queria atuar como se a estivesse enganando.

            Olhou-a uma vez mais e admirou sua beleza. Segundo o que ele via, Madison Winters era uma mulher a que nenhum homem em seu juízo perfeito gostaria de enganar.

 

                             Capítulo Dois

            A aterrissagem se realizou sem contratempos e quando o avião parou, Madison deixou escapar um suspiro de alívio. Desabotoou o cinto e esperou a que os outros passageiros fossem saindo de seus assentos.

            - Quer que te ajude com algo?

            Voltou-se e se encontrou com o olhar escuro de Stone. Sua voz era tênue e sedutora e recordou a do cantor Barry White. O ritmo de seu coração se acelerou.

            - Não, posso me arrumar sozinha; mas obrigada de toda forma. Se não te importar, vou esperar até que o avião se esvazie. Se precisares tirar algo do compartimento, posso me retirar.

            - Não, eu tampouco tenho pressa. Meu primo não está acostumado a ser muito pontual - disse com um sorriso.

            Seu sorriso era tão sensual que a fazia sentir borboletas no estômago, pensou Madison enquanto olhava ao redor para ver quanta gente faltava por descer. O melhor que podia fazer, era afastar-se de Stone Westmoreland o antes possível. Aquele homem tinha a habilidade de confundi-la e para encontrar sua mãe precisava ter a mente bem lúcida.

            -Alguém vem te buscar do Silver Arrow? - Ela assentiu.

            - Que pena! - disse ele com total sinceridade. - Ia oferecer-me para te levar. Com certeza Durango não se importaria em parar no caminho.

            - Quem é Durango?

            - É meu primo. Trabalha de guarda florestal no Parque Nacional de Yellowstone.

            Ela abriu os olhos de par em par.

            - Um guarda florestal? Então, talvez conheça homem com o que se foi minha mãe - disse, entusiasmada.

            “Possivelmente o conheça melhor do que você crê”, pensou dizer Stone, mas não abriu a boca. Embora o homem que ela havia descrito se parecesse muito com seu tio, ao Stone custava acreditar que tenha levado uma mulher para sua montanha. Ele sempre tinha recusado a permitir que qualquer mulher pisasse em suas terras. Stone não sabia a verdadeira historia de por que tinha tomado aquela decisão; mas, o caso era que a tinha tomado.

            - Sim, existe essa possibilidade - disse, por fim.

            - Então, se não te importar, eu gostaria de lhe perguntar.

            - Não, não me importa - disse ele com a esperança de poder falar ele primeiro com seu primo.

            - Já podemos sair.

            As palavras de Madison atraíram sua atenção. Observou-a enquanto ficava de pé e saía ao corredor. Viu-a tirar sua bolsa do compartimento e reconheceu imediatamente o desing distinto da Louis Vuitton. Sorriu ao recordar que havia dado uma carteira dessa marca, a sua irmã, no dia de sua formatura. Tinha ficado surpreso enormemente com o preço, mas ao ver a alegria que lhe dava, pensou que tinha valido a pena. Segundo Delaney, podia-se ver como elegante e distinta era uma mulher por sua carteira. Se aquilo fosse verdade, Madison Winters devia ser uma mulher muito ilustre porque tinha aquela bolsa. Ficou de pé e a seguiu pelo corredor.

            Madison olhou para diante e, consciente da presença do Stone a suas costas, sentiu que o corredor tinha vários quilômetros de comprimento. Ao chegar ao final, teve que parar bruscamente ao encontrar-se com o grupo de pessoas que caminhavam diante deles. Stone a segurou pela cintura para que não perdesse o equilíbrio. Ela se voltou e o olhou por cima do ombro.

            - Obrigada.

            - É um prazer.

            Ela sorriu pensando que o prazer também era dele. Podia sentir seu peito duro e sólido contra suas costas e sua fortaleza era evidente. Era um homem alto. Não se tinha dado conta de quão alto era até que ficou de pé. Era muito mais alto que ela e para olhá-lo nos olhos tinha que levantar o rosto. Seu olhar cortava a respiração.

            Embora não usasse nenhuma aliança, estava certa que era comprometido, era impossível que um homem como ele estivesse ainda livre.

            Havia-lhe dito que seu primo Durango passaria para buscá-lo. Haveria uma mulher esperando-o também?

            Ao sair do avião, caminharam juntos para pegar as malas.

            - Quanto tempo vais ficar em Montana? - perguntou ele.

            Ela o olhou nos olhos e tentou ignorar o roçar de seus mamilos endurecidos contra a blusa.

            - Ficarei até que encontre a minha mãe e fale com ela. Espero que não leve muito tempo. Segundo o dono do Silver Arrow, a cabana onde está minha mãe não fica muito longe, mas, como é nas montanhas, é de difícil acesso. Vai conseguir um guia que me leve. Iremos de carro até onde seja possível; depois, terei que seguir a cavalo.

            Ele levantou uma sobrancelha.

            - Sabe montar?

            Ela sorriu.

            - Sim. Tive aulas quando pequena. Claro que subir uma montanha é muito mais difícil que passear com uma égua bem treinada; mas acredito que poderei fazê-lo.

            Stone não estava tão certo. Parecia muito refinada e delicada.

            - Há algo que não entendo? Como chegaria até ali minha mãe se não saber montar?

            - Provavelmente, alguém a levou na garupa do cavalo.

            Stone não pôde evitar imaginar Madison atrás dele sobre o cavalo, contra seu corpo.

            Teve que menear a cabeça para afastar aqueles pensamentos. Tinha ido a Montana para escrever um livro, não para começar uma relação com ninguém. De nenhum tipo. Embora, tivesse que admitir, que Madison era realmente tentadora.

            Quando saíram da área de desembarque, Stone não se surpreendeu por não ver Durango.

            - Obrigado por fazer o vôo mais agradável. Graças a você me esqueci de que estava em um avião.

            Ele decidiu não dizer o mesmo, pois, por culpa dela se deu conta do tempo que levava sem ter a uma mulher.

            - Vê a pessoa que veio te buscar? - perguntou-lhe, olhando ao redor.

            - Não. Vou chamá-los. Ali há um telefone.

            Stone a viu dirigir-se para o telefone. Madison usava uma calça que lhe sentava maravilhosamente bem. Com essa roupa, estava totalmente fora de lugar em um lugar como Bozeman, Montana. Ela estava vestida como uma executiva em um lugar onde as mulheres usavam calças jeans. Adorou o movimento de seus quadris e como os cabelos acariciava os ombros a cada passo.

            - Não se pode deixá-lo sozinho nem um minuto sem que esteja perseguindo alguma mulher. Embora esta tenha um letreiro que diga que é uma garota da cidade.

            Stone voltou-se para olhar o homem que tinha aparecido a seu lado: seu primo Durango.

            - Viajamos juntos de Atlanta. É simpática.

            Durango sorriu mostrando dentes perfeitos.

            - Todas as mulheres são simpáticas.

            Stone meneou a cabeça. Todos na família sabiam que Durango era um conquistador embora, igual ao tio Corey e que ele mesmo, não tinha a mínima intenção de sentar a cabeça.

            E falando em Corey...

            - Quando foi a última vez que viu o tio Corey?

            O sorriso desapareceu do rosto de seu primo.

            - Que coincidência que me pergunte por ele - disse Durango com o cenho franzido. - Estou a uma semana sem vê-lo e sei que tem a uma mulher na cabana.

            Aquilo não era o que Stone queria ouvir.

            - Tem certeza?

            - Completamente. Eu mesmo a vi. É uma mulher atraente. Deve ter uns quarenta e tantos e tem sotaque do norte. Estão na cabana a uma semana e Corey não responde ao telefone. Perguntou-me o que terá feito essa mulher para obter esses privilégios.

            Stone se apoiou na parede.

            - Está certo de que não é ninguém que conheça?

            - Seguro. Só sei que se chama Abby e não é ninguém de nosso convívio.

            Naquele momento, Stone viu Madison ao lado deles. Pela expressão de seu rosto, estava claro que tinha ouvido o que Durango havia dito.

            Durango viu que seu primo estava olhando para trás e se virou. Quando viu a cara da mulher a seu primo tinha seguido com o olhar fazia um momento, não pôde evitar um sorriso. Não era nada surpreendente que o tivesse prendido; era uma preciosidade.

            Que pena que seu primo a tivesse visto primeiro.

            Durango se apresentou ele mesmo ao ver que o primo tinha perdido a voz. Algo no rosto da mulher o fez deter-se. Durango conhecia bastante bem às mulheres e esta parecia zangada por algo. Suas palavras fizeram que ficasse de pedra.

            - Imagino que a mulher da que estão falando é minha mãe.

            Estava claro que os dois homens eram parentes, pensou Madison. Os dois eram altos, extremamente bonitos e com muito bom tipo. Além disso, eram bastante parecidos. Tinham o mesmo cabelo, o mesmo tom de pele, os mesmos olhos escuros e intensos e umas bocas bem perfiladas e generosas.

            E aos dois os jeans sentavam como a ninguém.

            Madison pensou que se tivesse conhecido ao outro homem antes, provavelmente, haveria sentido a mesma atração. Embora, teve que admitir, que no olhar do Stone havia um cavalheirismo e uma ternura que o outro não possuía.

            Em seguida, deu-se conta de que o que havia dito tinha pego o homem de surpresa; mas Stone não parecia muito surpreso. Se já sabia a identidade do homem por que não lhe haveria dito nada?

            Stone leu a pergunta em seu olhar.

            - Não sabia, Madison, ao menos, não estava completamente seguro - disse com tranqüilidade. - Embora achasse que havia uma possibilidade de que fosse meu tio, não quis que se preocupasse ainda mais com minhas especulações.

            Madison deixou escapar um suspiro.

- De acordo. O que fazemos agora?

            Durango levantou uma sobrancelha.

            - O que vamos fazer? Eles descerão quando queiram.

            Stone deixou escapar um sorriso ao ver o olhar de aborrecimento que Madison dedicava a seu primo.

            - Desculpe meu primo, Madison. Assim que parar para pensar, entenderá sua preocupação por sua mãe. Embora nós saibamos que nosso tio nunca lhe faria nenhum mal, entendemos seu desejo de vê-lo por seus próprios olhos.

            Stone se deu conta do sorriso que aflorou aos lábios do Durango. Conheciam-se muito bem e Durango entendeu perfeitamente que seu primo queria que se desculpasse.

            - Sinto haver incomodado, Madison - disse, oferecendo a mão à garota. - Não pensei que estivesse preocupada com sua mãe. Já que esse é o caso, faremos o que seja para te ajudar.

            Stone deixou escapar um suspiro. Ninguém, pensou, podia passar de um chato para ser um encanto com tanta rapidez e tanta naturalidade como seu primo.

            Ao comprovar que o olhar do Madison se adoçava, sorriu. Embora aquele olhar não ia dirigida a ele, não pôde evitar que uma corrente elétrica lhe percorresse todo o corpo.

            - Agora que já está tudo esclarecido - decidiu intervir. - O que lhes parece se formos a algum lugar para conversar? Durango, disse que conheceu a mãe de Madison?

            - Sim, quando Corey parou no armazém para fazer algumas compras. Inclusive tive ocasião de falar com ela. Deu-me a impressão de que era uma senhora com muita classe.

            Madison assentiu. Apreciava o comentário de Durango, embora a atitude de sua mãe fosse tão pouco usual.

            - Eu gostaria que falássemos, mas, primeiro, se não lhes importar, quero ir ao Silver Arrow a deixar a bagagem e me refrescar.

            Durango olhou ao Stone e Stone decifrou a mensagem de seus olhos. Parecia que havia certas coisas sobre sua mãe e o tio Corey sobre as quais era melhor não discutir. Durango viu que seu primo tinha compreendido e se voltou a olhar Madison.

            - É claro. Virá alguém buscá-la ou quer que a levemos?

            - Eu não gostaria de lhes causar nenhum problema.

            Durango voltou a sorrir.

            - Não é nenhuma moléstia; o Silver Arrow está no caminho do meu rancho.

            Ela sorriu agradecida.

            - Muito obrigado; aceito a oferta. O homem que respondeu ao telefone disse que a pessoa que está acostumada a buscar os convidados estava doente e estavam tentando encontrar alguém que o substituísse.

            Durango assentiu e se ofereceu para lhe levar a bagagem.

            Madison ocupou o assento traseiro. Embora não estivesse em Montana por gosto, não pôde evitar admirar a beleza daquele dia de finais de junho. Estavam rodeados pelas Montanhas Rochosas e os campos estavam cheios de flores silvestres. Em muitas ocasiões tinha ouvido falar da beleza da paisagem de Montana e agora o estava comprovando por si mesma.

            Stone viu a admiração refletida na face da garota.

            - Quanto tempo vai ficar depois de falar com sua mãe, Madison? - perguntou-lhe por cima do ombro.

            Ela deixou de olhar pela janela e o olhou.

            - Tinha intenção de partir em seguida; mas, este lugar é precioso - disse voltando-se para olhar pela janela. - Já acabaram as aulas e possivelmente fique um tempo. Normalmente, dou aulas de música no verão; mas, desta vez posso abrir uma exceção. A verdade é que eu não gostaria de ir daqui sem ver o parque de Yellowstone.

            Stone não pôde evitar um sorriso de felicidade.

            - Bom, se decide ficar, eu gostaria de te mostrar isto. Quando era pequeno estava acostumado a vir com freqüência visitar tio Corey e conheço a zona bastante bem.

            Madison lhe devolveu o sorriso.

            - Obrigada. Possivelmente aceite. Como é seu tio Corey?

            Stone olhou Durango e viu o sorriso de seus lábios. O rumor de que o tio Corey podia fazer que a primeira Dama deixasse de ser uma dama era algo que Madison não tinha por que saber.

            Stone não sabia o que dizer; o fato de que sua mãe estivesse na montanha de seu tio tampouco tinha muito sentido para ele. Estava desejando poder falar a sós com o Durango para conhecer toda a história.

            - Desde que eu o conheço, ou seja, toda minha vida, sempre foi um solitário. Não só decidiu não casar-se, mas também, além disso, nunca levou nenhuma mulher que não fosse da família a sua montanha. Imagino que há vezes nas que as coisas não seguem nenhuma lógica, Madison. E este parece ser um desses casos. Igual a sua mãe está atuando de maneira incomum, o mesmo passa com meu tio.

            Um pensamento cruzou pela mente do Stone.

            - Acha que podem conhecer-se?

            - Isso explicaria tudo. Mas se seu tio nunca foi a Boston parece bastante difícil. Minha mãe e meu pai estiveram juntos no colégio e se casaram assim que acabaram a universidade. Eu nasci dois anos mais tarde - decidiu não dizer nada sobre a infelicidade de seus pais; embora eles se esforcem em demonstrar o contrário.

            - Então, poderia haver outra razão para sua loucura - disse Stone com suavidade.

            - E que razão é essa?

            - Atração a primeira vista.

            Madison abriu os lábios para negar, mas se conteve. Ela tinha sentido esta atração por Stone, assim, negá-lo não seria muito honesto.

            Após um momento disse:

            - Claro que isso é possível, mas acredita que possa haver algo tão poderoso que faça que duas pessoas amadurecidas ajam de maneira tão impulsiva e irracional?

            Stone não pôde evitar um sorriso. Parecia que Madison não estava acostumada a agir de forma impulsiva. Pensou em seus irmãos; se ela conhecesse sua família...

            - Acredite, Madison, essas coisas acontecem. - Um dia lhe falaria de seus irmãos. Dare sempre tinha sido contrário ao matrimônio e seu casamento apanhou todos de surpresa. Embora, tinha um motivo bastante forte: Shelly era o amor de sua vida. Quando retornou à aldeia dez anos após sua partida, e com um filho de que Dare não sabia nada, era compreensível que voltassem a estarem juntos e formassem um lar para seu filho.

            Entretanto, para o matrimônio do Thorn não havia explicação. Era o último Westmoreland que alguém imaginaria casado e era o primeiro exemplo do que a atração a primeira vista podia fazer se a gente não tomasse cuidado.

            - Bom, não acredito que nada assim possa passar a minha mãe. Tem seu tio telefone para avisá-la de que estou aqui?

            Durango, que tinha estado calado toda a viagem, acabou seu silêncio com uma gargalhada.

            - Levo toda a semana tentando localizá-lo para lhe recordar que chegava Stone, mas não responde.

            - Como? E se aconteceu algo? - perguntou ela alarmada. - E se...?

            - E se não querem que ninguém os incomode? - sugeriu Stone.

            Ela o olhou aos olhos e ele, por sua expressão, deduziu que em sua mente se estavam baralhando numerosas possibilidades; mas as rechaçava imediatamente.

            Em algum momento, teria que admitir que sua mãe tinha decidido prolongar suas férias porque queria e não porque alguém a tivesse obrigado. E o mesmo se podia aplicar a seus motivos para estar na montanha. Cedo ou tarde, Madison teria que admiti-lo.

            Não lhe respondeu. Em lugar disso, ficou a olhar a paisagem.

            Stone tomou fôlego e se virou para diante. Ao menos, tinha-lhe feito pensar e, talvez, isso fosse o melhor no momento.

           

                                 Capítulo Três

            “E se minha mãe não quer que a incomodem como sugeriu Stone?”

            Aquela pergunte se fez Madison enquanto olhava às montanhas e pastagens verdejantes. Não podia evitar pensar em todas as coisas que sabia de sua mãe.

            Sempre tinham se entendido muito bem, embora, havia coisas que uma mãe não contasse a sua filha e ela era suficientemente inteligente para sabê-lo. Por isso, não lhe surpreendeu chegar à conclusão de que nunca tinha pensado em sua mãe como uma pessoa com apetências sexuais. Para ela, simplesmente era mamãe.

            O comentário de Stone a obrigava a ver sua mãe de outra perspectiva.

            Estava certa de que, da morte de seu pai, não tinha mostrado interesse em nenhum homem; normalmente, só saía com amigos da família. Certamente, nem sequer se tinha exposto se isso era bom ou mau.

            Embora, tanto Durango como Stone tinham tido muito tato com o tema; estava claro que pensavam que sua mãe e o tio deles tinham algum tipo de romance.

            Se isso era certo, estava disposta a averiguar como aquele homem tinha conseguido tentar a sua mãe dessa maneira.

            De repente, sentiu os lábios secos e os umedeceu.

            Quando Stone tinha sugerido uma atração a primeira vista, ela tinha sabido a que se referia. Desde que o tinha olhado nos olhos no avião, havia sentido uma atração instantânea que nunca antes tinha experimentado.

            Cada vez que a olhava, sentia algo estranho em seu interior que nascia no peito e rapidamente se deslizava para baixo. Sua respiração se acelerava ao pensar que podia tocá-lo de maneira íntima, como tinha acontecido no avião. Só recordando-o, sentia uma comichão na mão. E sua voz... sua voz a tinha cativado desde a primeira vez que se dirigiu a ela. Deixou escapar um suspiro.

            Considerando seu estado atual, devia chegar quanto antes ao rancho para afastar-se dele e recuperar o controle. Tinha que recordar o motivo pelo que estava ali e esquecer-se de Stone.

            Mas... e o que aconteceria quando o assunto de sua mãe estivesse resolvido? A tentação era imensa.

            - Não precisavam me ajudar com as malas - disse Madison, olhando-os enquanto deixavam o último pacote junto à cama.

            Assim que chegaram ao Silver Arrow, os dois se empenharam em ajudá-la com suas coisas em lugar de deixar esse trabalho a algum empregado. O rancho tinha muitas cabanas, quase todas afastadas da casa principal. Guy Jamison, o dono, havia-lhe dito que quando se instalasse a levaria a dar uma volta pelo rancho. Informou-lhe sobre o horário das comidas e lhe disse que logo lhe diria quando estaria o guia preparado para levá-la em cima na montanha.

            A cabana que lhe tinha atribuído estava situada entre um grupo de árvores e parecia mais isolada que as outras.

            Depois de ajudá-la, Durango se despediu e partiu discretamente a esperar Stone no carro.

            Ela olhou ao redor, tentando esquecer-se de Stone e do muito que gostava. Na habitação havia uma pequena escrivaninha, uma cômoda, duas mesinhas e a cama maior que tinha visto na vida.

            - Você gostaria de jantar com Durango e comigo?

            Ela tomou fôlego e decidiu falar com claridade.

            - O único motivo pelo que estou aqui é minha mãe, Stone, e quando resolver esse assunto decidirei se quero fazer algo mais. O mais provável é que volte para Boston o antes possível.

            Ele assentiu; tinha-a entendido com perfeição.

            - De acordo - disse lentamente caminhado para ela. - Se o houver dito para me dizer que necessita tempo para pensar, está bem. Leve todo tempo que queira.

            Ele também necessitava tempo. Por que Madison o acendia como nenhuma outra mulher? E por que sentia a necessidade imperiosa de saborear sua pele?

            No passado, suas novelas tinham sido o centro de sua vida. Mas, agora, aquela mulher se apoderava dele. Simples e sinceramente, desejava-a com todo seu ser.

            - Posso te deixar algo no que pensar? – perguntou com calma.

            Madison o olhou fixamente nos olhos durante um instante. Com intensidade. Perguntou-se do que estaria falando e decidiu arriscar-se; com Stone se sentia segura.

            - Sim, pode me deixar algo no que pensar.

            Ele alargou uma mão e tocou-lhe o queixo. Queria que ela soubesse quais eram suas intenções, se por acaso queria parar o que ele esta aponto de começar.

            Ela manteve o olhar fixo e não fez nenhum intento por afastar-se. Enquanto isso, sua respiração se voltou tão agitada como a dele.

            Então, ele inclinou a cabeça.

            Madison sentiu um baque em seu interior no momento em que as bocas se juntaram e o calor de sua pele a alagou ao apertá-lo entre seus braços. Em seguida, sentiu que o sangue fervia de desejo.

            Nada a acautelou para aquela quebra de onda de emoções que a percorreram da cabeça aos pés quando abriu a boca e ele introduziu a língua. Aquilo era algo para o que ela não estava preparada. Nunca a tinham beijado assim.

            Era um beijo suave e terno, e, ao mesmo tempo, tão apaixonado que fazia que sentisse uma pressão no peito quase insuportável.

            E quando o beijo se fez mais intenso e ele capturou sua língua, ela agradeceu que a tivesse bem segura porque estava certa de que se teria caído.

            Saboreou a doçura cálida de sua boca enquanto a levava ao limite da razão, a um nível onde a sofisticação e a pose não tinham capacidade. Onde se esquecia do que era apropriado ou não.

            Enquanto as línguas se entrelaçavam, batiam-se e se uniam, lhe embargaram sentimentos e emoções que nunca antes havia sentido, entrando-a em uma sexualidade que nem sequer sabia que existia.

            E quando ele se separou, ela tomou fôlego e o olhou com a respiração entrecortada. Em seu olhar havia tal intensidade que ela soube que tinham compartilhado algo mais que um simples beijo. Então, compreendeu que o que estava acontecendo entre eles, provavelmente, não se diferenciava muito do que havia acontecido entre sua mãe e o tio dele: atração a primeira vista. Uma atração capaz de golpear duas pessoas no primeiro instante, obrigando-as a fazer o impensável.

            Madison deixou escapar um suspiro e, de maneira inconsciente, passou a língua pelos lábios, saboreando a umidade remanescente da boca dele. Sentiu pontadas de desejo intensas e soube que Stone Westmoreland era um homem perigoso.

            Perigoso para seu sentido comum.

            Embora quisesse conversar com Durango, não podia fazê-lo nessa noite. Necessitava tempo para pensar e esclarecer suas idéias. Naquele momento, só podia pensar no beijo que lhe tinha dado Stone e quanto desejava continuar.

            - Acredito que não seria uma boa idéia ficar com Durango e contigo esta noite - disse ela.

            Não importava que estivesse desejando saber algo sobre sua mãe, também precisava pôr espaço entre esse homem e ela porque as emoções que provocava eram tão intensas quanto novas e a assustavam.

            - Quero me instalar primeiro e pensar em algumas coisas – acrescentou. - Podemos nos encontrar amanhã pela manhã? Eu gostaria de me pôr em contato com minha mãe para lhe dizer que estou aqui.

            Ele sustentou seu olhar.

            - Amanhã está bem, Madison. Diga à senhora que está em recepção que ligue para Durango e eu virei te buscar.

            - De acordo.

            A olhou fixamente durante alguns segundos mais, depois, sem dizer nada, deu-se a volta e partiu.

           

Stone ficou de pé para ajudar Durango com os pratos.

            - É realmente estranho ver o tio Corey agir dessa maneira, como se fosse um jovenzinho apaixonado. E não quis dizer nada diante de Madison, mas sua mãe estava comportando-se da mesma maneira. Embora se notava que era uma dama com muita classe.

            Stone meneou a cabeça.

            - Bom, Madison está disposta a encontrar respostas. Acredito que lhe dei algo no que pensar antes e acredito que aceitou que sua mãe e o tio Corey têm um romance; mas ainda precisa saber por que.

            Durango levantou uma sobrancelha e se apoiou na mesa.

            - O que terá que compreender? O desejo é o desejo.

            Stone deixou escapar um suspiro. Certamente, Durango não falava com disfarces.

            - Bom, está claro que o desejo, como você o vê, não é algo que Madison associe a sua mãe.

            Durango sorriu.

            - Então, vai ser você que deve lhe explicar. Se necessitar minha ajuda...

            - Nem o pense - disse com um grunhido. Durango riu.

            - Ouça, só estava brincando! - Desgraçadamente, Stone conhecia seu primo muito bem e sabia a atração que sentia pelas garotas da cidade.

            - Quer que te ajude a esfregar os pratos?

            - Não. Para isso tenho a lava-louça. Se quiser posso voltar a chamar o tio; mas, acredito que desconectaram o telefone.

            Stone tentou de toda forma; mas, depois de várias tentativas, desistiu.

            - Acha que a mãe de Madison terá tentado entrar em contato com ela?

            - Já o fez. Não disse Madison que tinha deixado uma mensagem na secretária eletrônica?

            - Sim, mas acredito que deveria ter tentado falar com Madison diretamente para que não se preocupasse.

            Durango levantou uma sobrancelha.

            - E eu acredito que uma senhora de cinqüenta anos não tem que dar explicações a ninguém, nem sequer a sua filha. Especialmente, quando já lhe disse que está bem – pegou uma maçã da fruteira e deu uma dentada. - Sabe o que penso, Stone?

            Stone encolheu os ombros; com medo a perguntar.

            - Não, Durango, o que pensa?

            - Acredito que o motivo pelo qual Madison está tão preocupada com a vida amorosa... ou sexual de sua mãe é porque ela não tem uma própria.

            Stone não pôde evitar sorrir.

            - Que não tem o que? Vida amorosa ou sexual?

            - Nenhuma das duas. E acredito que aí é onde entra você.

            Stone se cruzou de braços.

            - E o que tenho que fazer?

            Durango sorriu.

            - Dar à dama uma prova das duas.

            Stone suspirou. Só a alguém como Durango, que tinha uma opinião muito pobre sobre o amor e o matrimônio, ocorria dizer algo assim. Stone, embora não tivesse planos de casar-se nem de assentar a cabeça, sim acreditava no amor. O matrimônio de seus pais era um bom exemplo. Igual ao matrimônio de seus irmãos.

            - Acredito que vou passar umas horas na jacuzzi que tem aí fora, se não te importar.

            - Em absoluto - vinte minutos mais tarde, Stone estava sentado comodamente na jacuzzi que Durango tinha no jardim de sua casa. Sob as terras de seu primo corriam uma série de mananciais de água quente e o primeiro que fez quando comprou o rancho, foi construir a jacuzzi. Nele caberiam umas cinco pessoas e a temperatura da água era perfeita, pensou Stone sentindo como estimulava seus músculos.

            Fechou os olhos e o primeiro que lhe passou pela cabeça foram imagens de Madison. Possivelmente Durango tinha razão e Madison deveria confiar em sua mãe; mas se algo tinha descoberto sobre ela no pouco tempo que a tinha conhecido era que se preocupava com as pessoas às que queria.

            Possivelmente também tinha razão quando dizia que o que Madison precisava era alguém em sua vida que ocupasse seu tempo para deixar de preocupar-se com a mãe.

            Stone tomou fôlego, não sabia nada dela. Possivelmente já tivesse alguém em Boston. Em seguida, afastou aquele pensamento de sua mente. Madison não era o tipo de mulher capaz de beijar um homem se já tinha parceiro. E ela o tinha beijado. E como o tinha beijado. Ainda persistiam os efeitos do beijo. Ainda podia saboreá-lo. A sopa de vitela de Durango não tinha bastado para erradicar o sabor dela de sua boca.

            - Stone, tem uma chamada.

            Stone abriu um olho e olhou a seu primo, de pé, a escassos centímetros e com uma garrafa de cerveja na mão.

            - Quem é?

            - Sua garota da cidade.

            Stone abriu os dois olhos e levantou ao descobrir de quem estavam falando.

            - Ela disse o que queria?

            Durango se apoiou na porta com um sorriso zombeiteiro.

            - Não, mas me deu a impressão de que queria a ti.

 

            Madison esperou a chamada de Stone andando de um lado para o outro. Quando decidiu que já tinha caminhado o bastante, deixou-se cair na cadeira mais próxima pensando no que Frank lhe havia dito fazia menos de meia hora. Frank era o marido de uma boa amiga dela e um excelente detetive particular.

            Além disso, também havia o recado que tinha escutado de sua mãe quando chamou seu apartamento para escutar as mensagens da secretária eletrônica.

            Madison deu um salto ao escutar uma batida na porta e se perguntou quem poderia ser. Era tarde e a maioria dos clientes e dos empregados já devia estar dormindo. Tinha que lembrar que aquilo não era Boston e que estava virtualmente sozinha.

            Dirigiu-se para a porta.

            - Quem é?

            - Sou Stone, Madison.

            Ela deixou escapar um suspiro de alívio ao escutar a voz familiar e se apressou a abrir a porta.

            - Stone, estava esperando sua chamada. Não imaginava que viria em pessoa. - Alegrava-se de haver colocado um caftán depois da ducha. Assim estava bastante aceitável para receber companhia.

            Stone entrou e fechou a porta.

            - Durango me disse que parecia preocupada assim pensei que seria melhor vir para ver-te - disse observando-a atentamente, suas feições pareciam tensas e preocupadas. - O que passou?

            Ela tomou fôlego e esfregou as mãos, nervosa.

            - Não sei por onde começar.

            Stone a olhou preocupado.

            - Por onde queira. Mas, primeiro, sente-se. Depois, me conte o que aconteceu.

            Ela cruzou a habitação para sentar-se em um extremo da cama enquanto ele se sentava em uma poltrona.

            Embora não o tinha esperado, agradecia que tivesse ido vê-la em lugar de telefonar. Levantou a face e se encontrou com seu olhar. Outra vez, voltou a sentir a forte corrente que acontecia deles e se perguntou se ele também a sentiria.

            Afastou o pensamento sobre a química que existia entre eles e começou a falar.

            - Chamei meu apartamento de Boston para escutar minhas mensagens e descobri que minha mãe tinha me ligado.

            Stone levantou uma sobrancelha.

            - Sério? O que dizia?

            Madison suspirou.

            - Dizia que sentia muito não poder falar comigo, mas que queria que soubesse que estava bem e que...

            Stone esperou a que ela acabasse, mas ela pareceu hesitar.

            - E?

            Durante segundos, não se escutou nenhum ruído na habitação. Então, Stone assentiu; estava claro que a mensagem lhe tinha afetado.

            - Bom, ao menos já sabe que está bem.

            Madison negou com a cabeça e ele esperou.

            - Não, não sei. Estou mais preocupada com ela que antes. Há outra coisa que acredito que deveria saber.

            - Do que se trata?

            Madison ficou de pé lentamente e passeou pelo quarto.

            -Sei que Durango e você tentaram me convencer de que seu tio é um homem honesto e decente; mas eu tinha que me assegurar. Tinha que descobrir tudo o que fosse possível para poder compreender por que minha mãe está se comportando desta maneira. Uma amiga minha, também professora, está casada com um detetive particular. Depois que você saiu, chamei-o e lhe dei o nome de seu tio.

            Stone se reclinou em seu assento.

            - E?

            Madison engoliu com nervosismo.

            - E, segundo Frank, ao colocar o nome de seu tio na base de dados, saiu que outra agência de detetives do Texas também estava solicitando informação sobre ele.

            Stone franziu o sobrecenho.

            - Está tentando acusar a meu tio...? - perguntou furioso.

            - Não, não o estou acusando de nada. Frank inclusive me disse que estava limpo e que não estava fichado nem nada pelo estilo. Só pensei que era estranho e acreditei que devia sabê-lo.

            Stone olhou Madison e, depois, ficou de pé.

            - Não sei que interesse pode ter nele, Madison. Corey Westmoreland é um dos melhores homens que conheço. Reconheço que possivelmente seja um pouco estranho, mas lhe confiaria minha vida.

            Madison escutou o aborrecimento no tom de Stone, embora se notasse que se estava controlando. Cruzou os braços e o olhou fixamente.

            - Eu não estava insinuando que não fora...

            - Ah, não? Também acredito que até que enquanto não fale com sua mãe e não veja por ti mesma que não está com nenhum louco, não ficará tranqüila.

            Incapaz de controlar-se, Stone tirou uma mecha de cabelo do rosto. Seus olhos estavam rodeados por uma linha de tensão e a boca que tinha beijado antes estava rígida.

            - E eu penso te dar essa tranqüilidade. A levarei para que veja sua mãe.

            Suas palavras tiveram um efeito imediato sobre Madison e Stone notou como relaxava.

            -Sério? - perguntou precipitadamente com o coração pulsando a toda velocidade.

            -Sim. Levaria amanhã mesmo, mas primeiro terá que comprar algumas coisas para a viagem. Iremos de caminhonete até o rancho de Martín Quinn e depois seguiremos a cavalo o resto do caminho.

            Madison assentiu, tentando ocultar o alívio que sentia. Odiava o ter que admitir, mas Stone tinha razão: não ficaria tranqüila até que visse a mãe e falasse com ela.

            - Te buscarei a amanhã pela manhã para te levar na cidade. Vai necessitar algumas coisas para a viagem.

            -Obrigada, Stone - foi tudo o que pôde dizer. Sentiu que algo lhe oprimia o peito ao ver que suas palavras de agradecimento não suavizavam as linhas ao redor de seus olhos. Obviamente, ainda estava zangado com ela pelo que tinha insinuado sobre seu tio.

            - De nada. Até manhã.

            E sem dizer nada mais, cruzou a habitação e partiu.

           

                                 Capítulo Quatro

            Quem quer que fosse que disse que pode tirar uma garota da cidade, mas não pode tirar a cidade da garota devia ter conhecido uma mulher como Madison Winters, pensou Stone. Estava sentado em uma cadeira com as pernas estiradas enquanto a observava preparar a bagagem.

            Naquela manhã, tinham ido ao armazém comprar o que iam necessitar; que tinha sido muito. Quando o informou sobre a roupa que tinha trazido, não se surpreendeu ao descobrir que quase tudo era roupa de vestir, em sua maioria de assinatura, e que não incluía nada que servisse para subir à montanha. Quando foram à cidade, ela esteve de acordo em comprar alguns jeans, camisetas, camisas de flanela, um par de pulôveres, uma jaqueta de lã, meias três quartos fortes e, sobre tudo, umas boas botas para caminhar. Também recomendou que comprasse um chapéu de aba larga pois, embora as noites fossem frias, durante o dia fazia calor.

            Também se encarregou de comprar comida e um par de sacos de dormir, e de alugar a caminhonete que os levaria até o rancho de Quinn.

            Stone não pôde evitar um grande sorriso. Realmente era muito mais que uma mulher bonita; era fascinante. Inclusive se atreveria a dizer que o intrigava, especialmente, naquele momento, enquanto contemplava seu reflexo no espelho, como se pensasse que nunca se acostumaria a usar jeans.

            Diabos! Ele tampouco acreditava que fosse se acostumar. Tinha visto muitas mulheres com jeans em sua vida; mas nenhuma ficava como ela; como se os tivessem desenhado exclusivamente para seu corpo.

            Qualquer outro homem teria dito que tinha bom corpo; mas o escritor que havia nele ia muito mais longe: «ela era um prazer do verão e um tesouro do outono. Uma beleza que cortava o fôlego. Tão cativante como um campo cheio de tulipas e narcisistas sob o espetacular céu de Montana».

            - Acha que o levo tudo, Stone?

            As palavras interromperam suas divagações. Stone olhou para a cama e pensou que levava muitas coisas; mas já sabia que isso era o normal em uma mulher. No momento, levariam, embora, depois, tivessem que deixar algo no rancho do Quinn. A subida à montanha era bastante perigosa e não podiam carregar muitas coisas na garupa de um cavalo.

            - Sim, está bem - confirmou enquanto ficava de pé. - Chamei Martín Quinn e disse que chegaríamos amanhã ao meio-dia. Passaremos a noite e, depois, começaremos a subida logo depois de tomar o café da manhã. Se tudo for bem, só teremos que passar uma noite à intempérie.

            Madison levantou uma sobrancelha.

            - Vamos demorar dois dias para chegar ao rancho?

            - Sim, a cavalo. Durante as horas centrais do dia faz muito calor para viajar; além disso, teremos que deixar descansar aos cavalos de vez em quando.

            Madison assentiu. Depois, esclareceu a garganta.

            - Stone, eu gostaria de te agradecer...

            - Já me agradeceu - disse ele, agarrando o chapéu de cowboy que acabara de comprar.

            - Sei, mas também sei que ao me levar a casa de seu tio te estou roubando muito tempo.

            Olhou-a e reconheceu o calor líquido que fluía pelas veias desde o momento em que a conheceu.

            - Não se preocupe por nada - tranqüilizo-a, obrigando-se a ignorar quão bem cheirava. — De toda forma, tinha planejado ir visitar tio Corey enquanto estivesse aqui; assim, este é tão bom momento como qualquer outro.

            - Entendo.

            Stone duvidava que entendesse. Se assim fosse, pensaria duas vezes em passar tanto tempo a seu lado durante os próximos três dias. Se tivesse com os olhos bem abertos, veria que a desejava com uma paixão tão arrasadora que era quase evidente.

            A fragrância do Madison o recordava de tudo que uma mulher devia ser; era a sensualidade em pessoa.

            Não podia acreditar que só a conhecesse desde o dia anterior. Seus olhos eram tão cativantes que lhe roubavam o fôlego. Após, uma corrente sensual os tinha invadido cada vez que se olharam, deixando-os com as pernas frouxas pelo desejo. Nunca tinha sido tão consciente de uma mulher em sua vida.

            - Bom, pois, então, isso é tudo por hoje.

            As palavras atravessaram seus pensamentos, recordando-o, se pôs de pé para partir, mas ainda não se moveu nem um centímetro.

            - Sim; acredito que isto é tudo, exceto por sua atitude com respeito a algumas coisas.

            - O que quer dizer? -perguntou, levantando o queixo.

            Adorava quando se zangava; ficava mais sexy se possível. Mas por muito sexy que ficasse, tampouco queria que se zangasse muito.

            - Quero dizer, que antes de irmos a casa do tio Corey, tem que imaginar o que podemos encontrar ali, Madison.

            Ela afastou os olhos e ele soube que o tinha entendido. Então, levantou a cabeça e o olhou de frente.

            - Sei a que se refere, Stone. Mas, não sei se vou conseguir; é minha mãe - disse com calma. Stone manteve seu olhar com intensidade.

            - É uma mulher adulta e está capacitada para tomar suas próprias decisões - atreveu-se a dizer. Ela deixou escapar um suspiro e ele pressentiu as emoções que a embargavam.

            - Mas, é que... Ela nunca tem feito nada assim.

            - Sempre há uma primeira vez para tudo - ele, melhor que ninguém podia dizer aquilo. Até no dia anterior, nenhuma mulher o havia atingido como ela o tinha feito. Não era que estivesse muito contente com isso; de fato, sentia-se bastante desconcertado. Mas era o suficientemente amadurecido para aceitá-lo. O era um homem que tentava ver as coisas com lógica, sem complicações e, certamente, sem fazer muita confusão. Aceitava as coisas facilmente e sabia deixar-se levar.

            Madison era uma mulher muito desejável e ele era um homem com o sangue quente. Desde o começo, tinha reconhecido que unir-se a ela podia ser como jogar querosene ao fogo. O resultado: combustão total.

            O único problema com essa imagem era que ele já tinha tomado algumas decisões sobre sua vida e não pensava mudá-las. Uma delas era que não pensava ter relação séria com nenhuma mulher.

            Ao ver seu olhar de incerteza, soube que estava muito longe de aceitar que sua mãe e o tio Corey fossem amantes. Por estranho que parecesse, ele já se conformado à idéia e ela também teria que fazê-lo.

            - Sugiro que durma bem - disse-lhe, caminhado para a porta com a intenção de sair sem olhar atrás.

            Mas não pôde.

Virou-se, alargou uma mão e a atraiu para ele. Depois, rodeou-a pela cintura e ela apoiou a cabeça em seu peito.

            Em alguma parte do seu interior, Stone soube que ela necessitava deste abraço. De igual maneira sentiu que também necessitava um beijo.

            Uma ternura alimentada pela ardente chama do desejo o percorreu de cima abaixo, fazendo que seu pulso acelerasse e o corpo endurecesse. Sua boca era tão sensual que o fazia sonhar com lençóis de seda, com velas e música suave. Sonhou acariciá-la por todo o corpo, com a boca e com as mãos, até que ela gemesse seu nome. Depois, deitaria sobre ela e a penetraria. Dentro, fora, dentro, fora... Com a mesma cadência que estava utilizando com sua língua. Na noite anterior, seu corpo, tenso pelo desejo, não o tinha deixado descansar. Nesta noite e na seguinte, e as que viriam a seguir, ia acontecer o mesmo.

            Depois de um momento, afastou-se e apoiou a cabeça sobre ela. Aqueles beijos eram tão excitantes quanto exaustivos.

            - Stone?

            Ele tomou fôlego e tentou relaxar, mas o aroma dela era tão penetrante que era quase impossível.

            - Sim?

            - Isto não está bem, verdade?

            Ele riu.

            - Eu não me estou queixando, Madison.

            - Sabe a que me refiro.

            Sim, sabia exatamente a que se referia.

            - Se pensasse como você, que o mais importante é centrar-se na sua mãe e no tio Corey e não em nós, então, teria que te dar razão: isto não está bem. Mas como não penso como você porque acredito que o que acontece entre eles é assunto dele e que você e eu deveríamos nos centrar um no outro; então, tenho que reconhecer que isto está muito bem.

            Disse aquilo sentindo uma onda de emoções que o percorria. Emoções a que não estava acostumado. Uma parte dele se sentia desorientada. Totalmente confuso. Completamente alerta.

            A mulher que tinha entre os braços era tão embriagadora quanto o uísque mais forte, esquentava-lhe o corpo e fazia com que sua cabeça desse voltas.

            - Vou deixar que você dite como dirigimos esta situação, Madison. Eu aconselho que pense nisso esta noite e amanhã me comunique sua decisão.

            Inclinou-se sobre ela e voltou a beijá-la, um beijo tão terno e apaixonado quanto o anterior. Por fim se obrigou a separar-se, soltou-a, abriu a porta e saiu à fria noite de Montana.

           

Na manhã seguinte, Madison abriu a porta decidida. Os olhos que encontrou eram quentes e diretos e sentiu que seu aprumo se desvanecia.

            “Como vou conseguir manter minha decisão de que nada deve acontecer entre nós?”

            Das duas decisões que tinha tomado, aquela tinha sido a mais difícil, recordou olhando o homem sexy, forte e cheio de vida que tinha diante dela. E também seria a mais difícil de manter. Stone não era um homem ao que uma mulher pudesse ignorar e ela ia ter que estar a sós com ele durante dias.

            - Chegou cedo - conseguiu dizer. À luz do amanhecer, procurou nos olhos dele e só viu o calor do desejo. E, nesse momento, soube que se ela fosse suficientemente atrevida para arriscar-se e provar, aquele homem poderia introduzi-la à paixão mais ardente.

            Estava realmente bonito, com jeans, botas, camisa de flanela e chapéu vaqueiro. Não parecia o escritor que era e sim um vaqueiro robusto das montanhas. Mas, além disso, havia outra coisa nele que a atraía de maneira irremediável e que não era sua aparência. Era o homem em si. Havia nele uma profundidade que nunca tinha visto em nenhum homem. Havia uma segurança que não tinha nada que ver com a arrogância e amabilidade distinta ao sentido do dever. Fazia as coisas por pura generosidade e porque o preocupavam os outros. E ela se sentia fiel a ele. A mulher que ele escolhesse seria muito feliz. Cedric poderia aprender muitas coisas com Stone Westmoreland.

            Ele sorriu.

            - Pensei em comprar um pouco de comida no caminho - disse interrompendo sua linha de pensamento. Ela suspirou, agradecida de que o tivesse feito. Podia ter ficado ali, olhando-o todo o dia.

            Ofereceu-lhe um sorriso. Uma parte dela se sentiu tentada a oferecer mais. Ele tinha aquele efeito sobre ela.

            - Só tenho que pegar minha bagagem.

            - Eu o farei - disse, entrando na cabana e, imediatamente, enchendo o espaço com seu calor. Todos os sentidos dela ficaram conscientes do homem. Olhou-o enquanto ele observava a linha de bolsas ao lado da cama. Depois, virou-se e o ouviu lançar um juramento entre dentes antes de dirigir-se para ela.

            - Não sei que decisão terá tomado sobre nós - disse em voz baixa. - Mas passei toda a noite pensando em ti e jurei que assim que te visse esta manhã tinha algo que fazer.

            - O que? - perguntou tentando ignorar o aroma sedutor de sua colônia e o ritmo acelerado de seu próprio coração.

            - Te beijar.

            Madison conteve o fôlego e, antes que pudesse soltá-lo, Stone capturou sua boca com a dele. Assim que as línguas se tocaram, ela soube que recordaria até o último detalhe daquele beijo doce e embriagador. Especialmente, essa forma de jogar com sua língua. Stone era o homem que melhor beijava do mundo, insuperável, sobressalente. Jogou-lhe os braços ao redor do pescoço, sobre tudo, para evitar cair desmaiada. O fazia que se sentisse sexy, feminina e desejável; algo que Cedric nunca tinha feito.

            No momento, que ele se separou e a olhou direta­mente nos olhos, ela não pôde evitar perguntar:

            - Tiveste o bastante?

            - Nem por indício - disse ele com calidez contra os lábios úmidos dela e voltou a beijá-la.

            Que diabo!, pensou ela. Quando lhe comunicasse sua decisão, já não a beijaria mais; então, mais valia aproveitar aquela ocasião.

            Seu sentido comum tentou ganhar terreno; mas não teve determinação suficiente para obter que se afastasse. Seu lado prático lembrava que acabava de conhecê-lo, fazia só dois dias. Seu lado mais passional rebatia que em só dois dias possivelmente o conhecia melhor do que tinha chegado a conhecer Cedric em três anos. Stone tinha tudo e seus beijos eram indescritíveis.

            Sentiu que o desejo a invadia de forma que não podia controlar. Mas, então, Stone voltou a apartar-se dela e ela, a contra gosto, deixou cair os braços e deu um passo atrás.

            - Será melhor que leve sua bagagem a caminhonete - disse ele, sem poder afastar os olhos dela.

            - Boa idéia. Não acho que devamos ter mais contato físico até que conversemos - disse ela com suavidade, tentando aferrar-se à decisão que tinha tomado aquela manhã. A mesma decisão que aquele beijo tinha feito cambalear-se.

            Ele arqueou uma sobrancelha.

            - Tomou decisões?

            - Sim.

            Ele assentiu e foi pegar a bagagem.

            - Me fale de sobre você, Stone. Eu adoraria que me contasse coisas sobre seus livros.

            Stone olhou ao outro lado do assento e se encontrou com o olhar inquisitivo de Madison. Levavam na estrada mais de uma hora e ela ainda não tinha falado das decisões que tinha tomado. Inclusive quando pararam para tomar um café, elas não tirou o tema. Em lugar disso, falou de quão bonita era a paisagem, o quanto tinha desfrutado ensinando ou sobre sua viagem a Paris no mês anterior. Estava atrasando o momento da verdade; os dois sabiam.

            - Quer que te fale do Stone Westmoreland ou do Rock Maçom?

            Ela o olhou sorridente.

            - Não são a mesma pessoa?

            - Não. Para as pessoas que conheço sou Stone e para meus leitores Rock. Inventei um nome para proteger minha intimidade. Bom, na realidade, o nome foi inventado pela minha irmã Delaney. Naquela época tinha dezoito anos e pensou que soava «guay».

            Ela assentiu.

            - E você quem é?

            - Stone.

            Ela voltou a assentir. E embora tivesse decidido não entrar nesse tema, não pôde evitá-lo.

            - Quem me beijou?

            Ele a olhou.

            - Stone - separou-se da estrada e parou o carro. - Possivelmente tenha que te explicar algumas coisas, Madison. Primeiro, que não tenho dupla personalidade. Sou uma só pessoa. Eu escrevo para entreter. Eu gosto de fazê-lo e me pagam bem por isso. Quando acabo um livro, sinto-me satisfeito pelo trabalho completo. Sou uma pessoa com fortes valores morais sobre certas coisas. Um homem orgulhoso de ser negro e amante de sua família. Tenho meu trabalho e meu tempo livre. Para meu trabalho, sou Rock Maçom e para minha vida privada, Stone. Considero-a parte de minha vida privada.

            Uma vez dito aquilo, arrancou o carro e voltou para a estrada.

            Madison soltou o fôlego. Só de pensar que a considerava parte de sua vida privada fazia que sentisse que o coração explodir.

            - Então, me fale da vida particular de Stone Westmoreland.

            Aquela sugestão fez que franzisse o cenho. Recordava a última vez que uma mulher tinha perguntado aquilo. Tinha sido Noreen Baker, uma jornalista que tinha feito uma entrevista para a revista O homem de hoje. Noreen era uma mulher muito atraente, mas também muito prepotente. Não tinha gostado nem de seu estilo nem dela. Ao final, não conseguiu fazer a entrevista. Embora ele fosse um homem muito tranqüilo, se alguém o chateava podia converter-se em uma pessoa difícil. Assim, tinha negado a entrevista e a tinha concedido a outro jornalista.

            - Tenho trinta e três, trinta e quatro em agosto. Estou solteiro, nunca me casei e não penso em me casar.

            Madison levantou uma sobrancelha.

            - Por quê?

            - É por causa da responsabilidade. Eu adoro estar solteiro, ir aonde quero quando quero. Além disso, por ser escritor, preciso viajar muito para solicitar informação, para autografar livros, para relaxar, para arejar minha mente... Não sou responsável por ninguém, só por mim mesmo e eu gosto.

            Madison assentiu.

            - Assim, não há ninguém especial em sua vida?

            - Não - disse; embora pensou que ela era bastante especial.

            - O que me diz de sua família?

            - Meus pais vão muito bem. Meu pai tem uma empresa de construção que levantou meu avô. Tem um irmão gêmeo.

            - Quem?

            - Meu pai. Meus dois irmãos, Chase e Storm, também o são. Igual a dois de meus primos.

            - São gêmeos idênticos? - perguntou ela fascinada.

            - Não, graças a Deus. Não poderia imaginar outro como Storm; é de assustar.

            - Quantos irmãos têm?

            - Quatro irmãos e uma irmã. Delaney é a caçula.

            Madison ficou pensativa.

            - Delaney Westmoreland? Onde ouvi esse nome antes?

            - Possivelmente tenha lido um artigo sobre ela na revista People. Faz um ano e meio se casou com um príncipe do Oriente Médio.

            No rosto de Madison se desenhou um grande sorriso.

            - É verdade. Lembro que li esse artigo um dia...

            Stone a olhou ao ver que ela não acabava a frase. Seu sorriso tinha desaparecido.

            - Que dia?

            - O dia que rompi com meu noivo. Eu gostei muito do artigo; era como um conto de fadas e me fez me esquecer de quão detestável era meu noivo.

            - O que ele fez?

            Madison olhou as mãos antes de olhá-lo. Seus olhos estavam fixos na estrada, mas sabia que tinha toda sua atenção e estava esperando que respondesse.

            - Descobri, pouco antes do casamento, que estava tendo uma aventura. Deu um montão de desculpas; mas nenhuma era aceitável.

            - Já imagino! - disse Stone com tom zangado. - Esse homem era um estúpido.

            - Ela era uma modelo.

            Stone levantou uma sobrancelha.

            - Quem?

            - A mulher com quem estava se deitando. Ele me disse que aquilo justificava sua conduta. Segundo ele, a estava usando para não se deitar comigo; me reservava para depois.

            - Isso te disse?

            - Sim. Para Cedric era um caso.

            Stone não queria aprofundar muito; mas não pôde evitar a pergunta.

            - Entendi que, nunca dormiram juntos?

            Ella olhou pela janela.

            - Sim, fizemo-lo. Duas vezes durante os dois anos que estivemos juntos.

            Stone meneou a cabeça.

            - Como já disse antes, esse tipo era um estúpido.

            Madison reclinou-se em seu assento. Alegrava-se que Stone pensasse assim. Cedric tinha tentado convencê-la de que não havia motivos para cancelar o casamento. Uma modelo, explicou-lhe, era a fantasia de qualquer homem; mas que não a amava.

            - Me conte mais coisas de ti, Stone - disse ela, não queria falar mais do Cedric e da dor que lhe tinha causado.

            Ela escutou, durante os seguintes quilômetros, as histórias que Stone lhe contava. Quando chegaram ao rancho de Quinn, Madison sentia que sabia muitas coisas sobre ele e sobre as pessoas que amava. Sabia que não queria casar, mas, também sabia que se sentia orgulhoso de que o casamento de seus pais tivesse durado tanto tempo. Também se alegrava sinceramente do matrimônio de seus irmãos.

            Quando pararam à porta da casa, Madison conteve o fôlego; nunca tinha visto nada igual.

            - Este lugar é maravilhoso - disse quando Stone foi abrir a porta da caminhonete para ela. Ele riu.

            - Se pensa que este lugar é bonito, espere ver o do tio Corey. Aquilo é como uma obra de arte.

            Madison não podia esperar mais, nem a ver o lugar, nem a sua mãe. Stone deve ter lido seu pensamento porque lhe apertou a mão e disse:

            - Não se preocupe, logo a verá.

            Ela assentiu. Agradecida, antes que pudesse dizer algo, uma senhora de uns cinqüenta anos, saiu para recebê-los. Por seus olhos rasgados e face angulosa devia ser a Índia.

            - Stone Westmoreland! Que alegria! Martin me disse que viria e preparei bolo de maçã; deixarei que prove se autografar alguns livros.

            Stone soltou uma gargalhada enquanto se aproximava para abraçar à mulher.

            - O que você quiser; já sabe como eu gosto do seu bolo de maçã. - Separou-se da mulher e se virou para Madison. - Madison, gostaria de apresentar Estrela da Manhã, a mulher de Martín. São muito amigos de meu tio Corey e seu filho McKinnon é o melhor amigo de Durango.

            Madison sorriu. Estava claro que aquela mulher tinha o respeito e a admiração de Stone e lhe gostou imediatamente. Ofereceu-lhe a mão.

            - Prazer em conhecê-la.

            - O prazer é meu. Preparei um lugar para que passem a noite. Entendi que vão visitar Corey.

            Stone assentiu.

            - Martín me disse que não o vêem há algum tempo.

            A mulher assentiu.

            - Já faz semanas. Faz três semanas que perde a partida de pôquer das quintas-feiras. Mas sabemos que está bem.

            Madison não pôde evitar a pergunta.

            - E como sabem?

            A mulher levantou uma sobrancelha surpresa com o interesse que ela mostrava.

            - Faz alguns dias desceu para usar o telefone. Parece que o dele está com defeito e por isso não sabemos nada dele. Martín e eu tínhamos descido à cidade e não pudemos vê-lo, mas McKinnon estava aqui e falou com ele - olhou Stone e acrescentou. - Pelo visto há uma mulher com ele; uma mulher muito bonita. É obvio, todos estamos muito surpreendidos; já sabe o que pensa das mulheres.

            Stone meneou a cabeça, sorrindo.

            - Sim, sei. De fato essa é uma das razões pela qual vamos vê-lo.

            A mulher levou um dedo à boca, pensativa.

            - Conhecem essa mulher?

            Ela sabia que Stone, por consideração a ela não diria nada; mas, também sabia que Estrela da Manhã era uma pessoa em quem se podia confiar.

            -Sim, conhecemos – admitiu. - A mulher que está com Corey em sua montanha é minha mãe.

           

                                   Capítulo Cinco

            Nada, pensou Madison enquanto saía ao alpendre, podia ser tão formoso como o céu estrelado de Montana. Inclusive na escuridão se podia ver o perfil das Rochosas elevando-se para o céu. Que diferente era tudo aquilo de Boston!

            Voltou-se quando ouviu que se abria a porta atrás dela. Não se surpreendeu ao ver Stone.

            Quando conseguiu acalmar os batimentos cardíacos, dedicou-lhe um sorriso.

            Quanto mais tempo passava com ele, mais se dava conta de que era um homem considerado que se preocupava com ela. Inclusive na escuridão podia notar o calor de seu olhar.

            Antes, tinha-a ajudado com a bagagem e a tinha levado a habitação que a proprietária lhe tinha atribuído. Depois, quando Martin e seu filho McKinnon chegaram, foi procurá-la para apresentar-lhe. Madison teve que pestanejar com força quando viu o filho: aquele homem tinha uma beleza espetacular. Depois, das apresentações, foram dar um passeio pelo rancho. Os três homens lhe contaram histórias de quando Stone, seus irmãos e seus primos iam às montanhas visitar tio Corey. As aventuras eram tão divertidas que até se esqueceu por completo do motivo pelo que estava ali.

            Durante o jantar, Madison conheceu os irmãos do McKinnon, todos mais novos que ele, mas com a mesma beleza fruto da combinação harmoniosa dos traços da mãe com os do pai, que era loiro e com os olhos azuis.

            - Está bem? - perguntou Stone, aproximando-se.

            Ela levantou a cabeça para olhá-lo. Quando a rodeou com seus braços, para protegê-la do frio, se deu conta do homem que era. E o mais agradável de tudo era que não esforçava-se. De fato, parecia que não se dava nem conta da sexualidade que emanava.

            - Sim, estou bem. O jantar foi perfeito, verdade?

            - Sim. Estrela da Manhã é uma excelente cozinheira - respondeu ele.

            Madison levou a mão ao estômago, pensando em tudo o que tinha comido.

            - Nem precisa dizer - depois se lembrou de algo. - Não falaram de seu tio durante o jantar.

            - Não havia nada que dizer. Eles conhecem tio Corey e sabem que sua mãe está a salvo com ele.

            - Sei que não está em perigo, Stone – assegurou. - Simplesmente, não compreendo o que está acontecendo. Entendo que podem terem se sentido atraídos; mas, mesmo assim, quero falar com ela.

            Assentiu.

            - Fale de seus pais, Madison. – A pergunta a pegou despreparada.

            - Meus pais?

            - Sim. Como se relacionavam?

            Ela franziu o cenho. Não estava muito segura de por que fazia aquela pergunta, nem, tampouco, se estava disposta a contar os detalhes da relação de seus pais. Mas se tratava de Stone. Tinha deixado de ser um estranho desde o primeiro dia e imaginava que devia ter um bom motivo para querer saber.

            - Não tinha nada que ver com o matrimônio dos Quinn - disse de maneira precipitada.

            - Não?

            - Não. O casamento de seus pais é assim?

            Ele riu.

            - Parecido. Depois de quarenta anos, querem-se como o primeiro dia - se apoiou no corrimão e a aproximou dele. Seus quadris estavam juntos. - Dizem que foi amor a primeira vista. Conheceram-se um dia na igreja e, duas semanas depois, já tinham se casado.

            Não disse que seus pais haviam predito que todos seus filhos encontrariam o amor da mesma maneira; a primeira vista. No momento, tinham acertado com os três que se casaram.

            Deixou escapar um suspiro. Possivelmente isso era o que tinha passado a seus irmãos; mas não aconteceria a ele. Não o permitiria.

            - Seus pais têm contato físico diante de vocês?

            A pergunta de Madison interrompeu seus pensamentos e não pôde evitar uma gargalhada.

            - Sim, claro. Inclusive, de vez em quando se beijam diante de todos. Não são beijos apaixonados, mas o suficiente para que nos demos conta do amor que professam. Seguro que a paixão deixam para a privacidade do quarto - disse com um sorriso; nada incomodado que seus pais tivessem uma vida sexual ativa. Apertou-se mais contra ela. - Seus pais não se tocavam?

            Ela encolheu os ombros.

            - Eu nunca vi. Nunca tinha pensado nisso até que um fim de semana fui a casa de uma amiga e vi seus pais. Estava claro que se amavam e então me dei conta de que em minha casa faltava algo. Então comecei a observá-los e me dei conta de que, embora se quisessem e se respeitassem, não estavam apaixonados.

            Stone levantou uma sobrancelha.

            - Por que permaneceram casados se não se amavam?

            Ela deixou escapar um suspiro.

            - Posso imaginar vários motivos. Por exemplo, eu podia ser um deles - ficou um momento em silêncio. - Outro motivo podia ser que seguissem casados por motivos religiosos; os dois eram católicos praticantes e não acreditavam no divórcio. Os matrimônios são até que a morte os separa.

            Stone assentiu.

            - Mas seu pai morreu faz bastante tempo, não?

            - Quando eu tinha quinze anos.

            - E, após, sua mãe não teve nenhuma relação?

            - Não.

            - Não acha que isso é estranho?

            Ela deixou escapar um suspiro.

            - Nunca tinha pensado nisso. Sempre dava por certo que só lhe interessava o trabalho. Nunca pensei que pudesse se encontrar sozinha ou que necessitasse companhia.

            - Bom, possivelmente este foi o motivo pelo que partiu com meu tio. Há coisas que às vezes não se podem controlar.

            Madison se perguntou se o dizia por experiência própria. Ela não se deitara com ninguém desde o Cedric e, certamente, não sentia que estivesse perdendo nada. Tinha sido seu primeiro amante e não se importava que fosse o último.

            Então, ao sentir o fôlego de Stone na face, decidiu que tinha que voltar a pensar. Cada vez que a tinha abraçado, sua temperatura tinha aumentado alguns graus. E quando se apertou contra o corpo excitado enquanto se beijavam, sempre a tinha surpreendido pensar que a desejava. Precisava admitir que tinha passado as últimas noites perguntando-se como seria fazer o amor com ele; que ele se deitasse em cima dela e...

            - Tem frio?

            Afastou aqueles pensamentos e esclareceu a garganta.

            - Por que pergunta?

            - Porque estava tremendo - respondeu, olhando-a nos olhos.

            Ela esperava que não averiguasse o motivo.

            - O que me conta de seu noivo? - perguntou, aproximando-a mais, até que a face dela descansasse em seu ombro.

            - O que quer saber?

            - Segundo você não faziam amor muito freqüentemente, mas, tocavam-se?

            Ela suspirou. Sentia necessidade de comparar com Stone o que lhe passado com Cedric. Já havia dito que tinham dormido juntos em duas ocasiões, mas, agora, ele precisava escutar o resto.

            - Cedric e eu não fazíamos muitas coisas. Inclusive as duas vezes que nos deitamos não o fizemos por prazer, só para comprovar se éramos compatíveis.

            Stone meneou a cabeça, duvidando que tivesse ouvido bem.

            - E a paixão? Não havia vezes em que perdiam o controle?

            Ela encolheu os ombros.

            - Não, e, para ser sincera, nunca soube o que era a atração física até que te conheci.

            Caramba!, pensou Stone. Oxalá não tivesse contado aquilo porque lhe acontecia o mesmo. Bom, sim tinha desejado mulheres, antes, mas com Madison era totalmente diferente. Pensava nela em qualquer ocasião e, cada vez que o fazia, o sangue se agitava. Nunca havia sentido aquela necessidade por uma mulher antes de conhecê-la. Agora, sentia-se muito necessitado e daquilo tampouco gostava.

            Depois de um instante, disse-lhe:

            - Imagino que teremos que pôr algumas regras quando partirmos daqui e entremos nas montanhas.

            Madison demorou um instante para dar-se conta do que se referia. Mas, então, decidiu fingir não saber do que estava falando.

            - Regras?

            - Sim. Sobre nós, Madison. Sobre esta atração que admitimos ter um pelo outro. Sobre estes hormônios que não querem comportar-se. E sobre o fato de que você ainda não me contou suas decisões.

            Madison se obrigou a engolir. Em seguida, recordou as conclusões que tinha chegado. Sabia que o melhor seria fazer as coisas a sua maneira.

            Deixou escapar um suspiro de resignação e disse:

            - Acredito que deveríamos nos concentrar na situação de minha mãe e seu tio. Atualmente, não tenho a mente clara para me concentrar em nada mais. Não estou segura do que vais pensar a respeito, mas preferiria deixar qualquer outro assunto até depois de encontrar minha mãe.

            Stone meneou a cabeça.

            Maldição! Acaso pensava que as coisas seriam fáceis? De verdade acreditava que duas pessoas podiam deixar de lado a química sexual que fluía entre eles? Não se dava conta do difícil que lhes resultaria quando ficassem sozinhos nas montanhas?

            Não, decidiu ele finalmente. Obviamente não se dava conta de nada. Conforme tinha contado, seus pais não tinham sido pessoas muito apaixonadas e seu noivo se comportou de maneira vergonhosa com ela. Em lugar de introduzir sua futura esposa nos labirintos da paixão, o miserável se dedicou a queimar suas tochas com uma modelo.

            Por uma parte, alegrava-se de descobrir os motivos que havia atrás do comportamento, bastante irracional, de Madison sobre sua mãe. Não podia ver a paixão e o desejo porque nunca os tinha experimentado.

            Rapidamente, tomou uma decisão. Introduziria Madison nos prazeres do sexo. Logo descobriria que a atração entre eles era algo que não podia ignorar. Queria lhe demonstrar o que significava que os hormônios não a deixassem pensar com clareza. Não faria nada em particular, só se sentaria a esperar que a natureza seguisse seu curso e, tendo em conta o que já tinha passado entre eles, sabia que aconteceria.

            Stone Westmoreland estava convencido de que quando chegassem à casa de seu tio, aquela garota de cidade saberia com claridade quão fácil era para uma pessoa perder o controle e deixar-se levar pela paixão.

            - Está segura de que isso é o que quer? - perguntou depois de um momento em silêncio.

            - Sim. É o melhor.

            Ele assentiu com um ligeiro sorriso nos lábios. O que Madison não sabia era que o melhor estava por chegar. Daria-lhe uma noite de verão nas montanhas que lhe custaria esquecer.

           

Na manhã seguinte, Stone observou Madison enquanto ela subia no cavalo. Invejava aquele animal. Adoraria tê-la sentada em cima, escarranchado, enquanto cavalgavam juntos até fazê-lo perder a consciência.

            Não tinha conseguido dormir muito na noite anterior pensando nela e sua viagem às montanhas juntos. Não tinha mudado de opinião. Antes que chegassem à casa de seu tio pensava ensinar a aquela garota de cidade algumas coisas. Veria o que era tratar com um homem de verdade. Um homem que apreciava tudo em uma mulher.

            Olhou o céu. O sol ainda não tinha saído o que significava que era um bom momento para começar a marcha. Com muita dificuldade podia esperar. Morria de vontade de estar com ela a sós.

            - Está bem? - decidiu perguntar, ela sorriu.

            - Sim, estarei bem desde que não espere que seja uma excelente amazona. Como já te disse, tomei aulas, mas tampouco tenho muita experiência.

            Assentiu. Tudo aquilo ia mudar. Possivelmente não tivesse muita experiência agora, mas, depois da viagem, sem dúvida ia ter. Além disso, pensava encarregar-se pessoalmente de lhe ensinar tudo o que fosse necessário para cavalgar sobre um animal de duas pernas.

            - Acha que encontraremos animais selvagens?

            Aquela pergunta fez que deixasse o que estava fazendo com os arreios para olhá-la.

            - Que tipo de animal você não gostaria de encontrar? – perguntou com um sorriso.

            Ela soltou uma gargalhada e aquele som fez que lhe encolhesse o estômago pelo desejo. Era um som tão sexy que tinha sido como uma carícia.

            - Na montanha há ursos e lobos.

            - Oh! - gemeu ela.

            Sorriu ao ver o medo refletido em seus olhos.

            - Não se preocupe, o caminho por onde vou te levar está bem marcado e os animais o evitam - omitiu que planejava levá-la por um caminho que atrasaria sua chegada um dia inteiro. Madison Winters necessitava que lhe ensinassem algo sobre a vida selvagem... dos humanos.

            Mas, primeiro, tinha que conseguir controlar-se, o qual não era muito fácil. Tinha um aspecto do mais desejável em cima daquele cavalo com a face banhada pelos primeiros raios de sol. Recolheu o cabelo em um rabo e pôs o chapéu de aba larga que compraram juntos. Mesmo assim, podia ver sua preciosa pele escura brilhar. Era toda uma beleza e se perguntou como ia fazer para manter as mãos afastadas dela até que desse o primeiro passo. Porque ela ia dar o primeiro passo. Estava seguro. Tentaria-a de maneira constante e esperaria que fizesse algo.

            - Está preparada?

            - Sim.

            - Então, vamos.

            Começaram a passo lento porque primeiro queria que se acostumasse ao animal. Queria que se desse conta de tudo o que a rodeava; como o sol que começava a aparecer atrás das montanhas, o sussurro do vento ao penetrar entre as árvores, o rangido das folhas sob os cascos dos cavalos e, sobre tudo, queria que fosse consciente dele, do homem que tinha a seu lado e que a desejava.

            Se não se desse conta dele agora, não o faria depois.

            Cavalgaram em silencio durante horas, só comentando algumas coisas da paisagem que lhe mostrava. Gostava de como ela admirava tudo; era uma garota de cidade, mas, definitivamente, estava desfrutando da viagem.

            - Tem sede? – quis saber, perguntando-se se a cavalgada estava começando a cansá-la. O sol os pegava totalmente e fazia bastante calor.

            - Sim.

            - Quer beber?

            - Isso estaria bem - disse ela e ele parou os cavalos.

            - Espera enquanto pego o cantil. Martín me disse que no ano passado McKinnon e ele construíram uma cabana que está na metade do caminho da casa de Corey. Seus filhos e ele a utilizam quando saem para caçar. Disse-me que podíamos utilizá-la se quiséssemos. Assim, se chegarmos antes que caia a noite, não teremos que dormir à intempérie.

            Acariciou o lombo do cavalo desejando que fosse Madison. Depois acrescentou:

            - Mais adiante há um lugar onde podemos acampar para comer. Se continuarmos neste ritmo chegaremos antes que faça mais calor.

            O olhar de Madison indicava que isso esperava. Sorriu. Estava se convertendo em uma verdadeira amazona. Muitas mulheres já teriam começado a queixar-se. Lembrava da primeira vez que seu pai decidiu que Delaney fosse com os meninos a casa do tio Corey de férias. Meneou a cabeça, pensativo. Aquela foi a primeira vez e a única.

            Passou-lhe o cantil e ela bebeu. Ele ficou hipnotizado com o movimento de sua boca e de sua garganta. Tão encantado estava que não se deu conta quando acabou.

            - Toma, Stone - disse ela. - Obrigada. Estava deliciosa.

            - De nada - disse ele. - É água de manancial.

            No lugar de guardar o cantil, voltou a abri-lo e o levou a boca, saboreando, deliberadamente, o lugar onde a boca dela tinha estado.

            Quando acabou, lambeu os lábios, desfrutando o sabor dela que ainda ficava no cantil. Olhou-a e viu que o estava observando. Ela não disse nada, mas continuou a observá-lo. E ele a ela. Depois sentiu, aquele pulso forte e profundo em suas vísceras que fazia que desejasse agarrá-la e deitar-se com ela sobre a erva. O corpo já estava quente e agora sofria pela necessidade do contato físico dela.

            Viu como as faces dela se obscureciam e como o desejo enchia seu olhar. Também notou como lhe acelerava o pulso no pescoço e a maneira em que tirou a língua para umedecer os lábios. Seu olhar desceu para a camisa e os mamilos inchados que roçavam o tecido. Sua respiração, como a dele, era errática. Podia ouvir, sentir. Queria saboreá-la, mas não podia.

            - Já tiveste o bastante? - obrigou-se a olhá-la nos olhos e tentou, com todas as forças, recuperar o controle

            - Bastante do que? - perguntou ela com um tom suave, um pouco rouco e, definitivamente, sensual. Seu olhar seguia fixo no dele.

            -Água.

            Ela pestanejou e ele viu que suas feições refletiam confusão e desejo de algo que ainda não compreendia muito bem. Mas já o entenderia. No seu devido tempo. Ele se encarregaria.

            - Sim, tive suficiente – respondeu depois de tomar fôlego.

            Ele sorriu. Ainda não tinham começado. Depois de colocar o cantil no lugar, pegou as rédeas.

            - Vamos - disse ele com voz rouca. - Sigamos.

           

                           Capítulo Seis

            Há uma meia hora, Madison teria dito que tinha fome, mas, naquele momento, algo tinha afetado seu apetite... ou, melhor dizendo, alguém.

            Stone Westmoreland.

            Inclinou a cabeça enquanto o olhava. Estava a certa distância, cuidando dos cavalos. Ela, sentada em um tronco, tomando um refresco e um dos sanduíches que a mulher de Martín lhes tinha preparado.

            Atraía-a. Não ia negar, já tinha admitido fazia alguns dias. Mas o que não podia entender era por que não podia superá-lo. Por que uma parte dela queria fazer algo a respeito?

            Parecia que embora ela não pudesse deixar de pensar nele, ele só pensava nos cavalos. Desde que pararam para tomar água, não a tinha olhado nem uma só vez. Deveria estar agradecida, mas não podia negar que a incomodava o fato de que pudesse esquecer-se dela com tanta facilidade.

            Por outro lado, tinha sido ela que tinha sentado as bases para sua relação e tinha proposto que qualquer coisa que houvesse entre eles devia esperar. Evidentemente, lhe tinha tomado a palavra e pensava cumpri-la.

            Deixou escapar um suspiro. Ao ouvi-lo, ele olhou-a e lhe sustentou o olhar alguns instantes, sem dizer nada. Ela o olhou sem pestanejar enquanto sentia como o desejo afetava seu estômago. Nunca tinha sentido nada assim. Sem um som, sem um roce, e a uma distância de cinco metros, podia sentir o calor de seu olhar enquanto impulsos minúsculos começaram a subir pela espinha e a lhe percorrer todo o corpo. Inclusive notou o calor que se formava entre suas pernas. E o apetite que sentia não tinha nada que ver com a comida. Continuou olhando-o enquanto continuava esforçando-se para manter a compostura, sua resolução e sua saúde mental.

            Todo seu corpo ficou alerta quando ele começou a caminhar para ela. O calor aumentou. Nunca tinha notado quão bem ficavam os jeans ajustados em um homem até que o conheceu. Não se podia imaginar aquele corpo musculoso com outra coisa. Certamente, nem se atrevia a imaginá-lo nu.

            Conteve o fôlego.

            Oxalá pudesse afastar aquele pensamento da mente, pensar em outra coisa. Mas já era impossível. Aquela idéia malvada se misturou com os sonhos que tinha estado tendo com ele ultimamente. Aquele homem exsudava atrativo sexual do mais puro sem nem sequer tentar. E ela era plenamente consciente dele, muito mais do que era necessário.

            - Está bem?

            Madison negou com a cabeça. Não estava segura de poder falar, mas se obrigou a abrir a boca.

            - Sim, estou bem, Stone.

            Ele concordou e continuou olhando-a.

            - Posso usar isso? - perguntou, assinalando ao pote de sabão líquido que ela tinha levado.

            - Sim, claro.

            Ela o observou enquanto abria o pote, jogava um jorro na palma e esfregava as mãos lentamente. Imediatamente pensou no que sentiria se ele esfregasse assim seu corpo, lentamente. Olhou seu refresco como se dentro houvesse algo que a fazia desvairar com aquelas idéias loucas.

            - Este é um lugar precioso, verdade?

            A pergunta captou sua atenção. Levantou os olhos das mãos e tentou concentrar-se na beleza da paisagem.

            - Sim, é. Oxalá tivesse trazido a câmara.

            Ele arqueou uma sobrancelha.

            - Surpreende-me que não a tenha trazido.

            Ela também se surpreendia.

            - Tinha outras coisas em mente.

            E aquelas «outras coisas», disse a si mesma, era no que devia concentrar-se, em lugar de pensar tanto em Stone. Seguiu olhando-o enquanto ele voltava a tampar o frasco e o colocava em sua bolsa. Depois, dirigiu-se para os arreios e tirou seu sanduíche e uma bebida.

            Ela deixou escapar outro suspiro.

            Possivelmente, se o fizesse falar de seu tio, poderia afastar da mente aqueles pensamentos febris. Pensou que valia a pena tentar.

            - Tem alguma idéia sobre quem está tentando localizar seu tio no Texas, Stone?

            Dirigiu-se para onde ela estava e se sentou ao seu lado.

            - Não tenho nem idéia. Contei ao Durango e decidimos contar ao Quade para que ele resolva o mistério.

            - Quem é Quade?

            Stone sorriu.

            - É um dos irmãos de Durango. Trabalha para o governo. Não temos nem idéia de a que se dedica. Quando o vemos, não fazemos perguntas. Mas sabemos como podemos nos pôr em contato se precisamos. Normalmente, antes de setenta e duas horas, ele se comunica conosco.

            Madison assentiu.

            - Acha que poderá descobrir o que está passando?

            - Com certeza.

            Madison permaneceu em silêncio um momento, pensando no homem com o qual sua mãe tinha fugido.

            - Me fale de seu tio Corey - pediu, sentindo que precisava conhecê-lo antes de vê-lo cara a cara.

            Stone a olhou e deu um sorvo no refresco.

            - O que é o que quer saber dele?

            Ela encolheu os ombros.

            - Pergunto-me por que a todo mundo surpreende tanto que tenha uma mulher na sua montanha.

            Stone desenhou um sorriso.

            - Principalmente, porque durante toda sua vida disse que isso não aconteceria jamais. Teve relações com mulheres, mas nenhuma chegou até sua casa. Sempre desenhou uma linha muito clara que não deixava que ninguém transpassasse.

            Madison ficou um momento, pensativa.

            - Mas, a minha mãe sim a levou ali.

            - Sim. E isso é o que surpreende tanto.

            Madison deixou escapar um suspiro.

            - Agora me pergunto se não se conheciam.

            Stone a olhou.

            - Existe essa possibilidade; mas se eu fosse você, deixaria de dar voltas à cabeça. Amanhã os verá por si mesma e poderá fazer todas as perguntas que quiser.

            Pegou uma de suas mãos e a apertou.

            - Mas, não deve se sentir mal se não quiser te dar explicações. A vida é dela e tem direito a vivê-la como desejar, não?

            Madison franziu o cenho, mas não disse nada. Tampouco soltou a mão.

            - Quando vir Corey Westmoreland, com o que vou me encontrar?

            - Com um homem de cinqüenta anos que foi como um segundo pai para seus sobrinhos. Um homem que acredita na família, na honra, no respeito e no amor. Desde que o conheço, preferiu a solidão para algumas coisas e companhia para outras. Não hesita em te dizer o que sente ou o que pensa sobre algo e respeita profundamente a opinião dos outros.

            Um sorriso cruzou a face de Stone ao acrescentar:

            - E também aprendi muito rápido que tem olhos na nuca. Não pode fazer nada a suas costas sem que te veja.

            O carinho na voz de Stone fez que Madison pensasse quão diferente era Corey Westmoreland de seu pai. Tinha um primo que vivia em Boston; mas nunca tinham tido muita relação com ele. Por isso, ela tampouco tinha chegado a conhecer primos que tivesse mais ou menos sua idade.

            Seu pai tinha nascido na cidade, criou-se ali e ali tinha vivido. Nunca tiveram um mascote e seu pai tinha preferido a vida social à solidão. E agora que o pensava, sua mãe gostava bastante de estar sozinha. Simplesmente, tinha aceito seu papel como esposa de um homem de negócios. Tentou pensar em algo que seus pais tivessem em comum e não conseguiu encontrar nada.

            Na noite passada Stone tinha perguntado como era possível que duas pessoas que não se amavam permanecessem juntas. Agora, sua pergunta era por que teriam casado.

            Deixou os pensamentos de lado quando Stone soltou-lhe a mão. Ficou em silêncio enquanto ele comia o resto do sanduíche e acabava o refresco.

            Depois, a olhou como se fosse a sobremesa. Sentiu o calor do olhar de maneira imediata e ficou de pé rapidamente.

            - Como está?

            Ela encolheu os ombros.

            - Bastante bem. Normalmente, tenho muita energia e não me canso com facilidade.

            Stone a olhou de cima abaixo. Teria-o em conta.

            - Não acha que deveríamos nos pôr à caminho se queremos chegar à cabana antes que anoiteça?

            Ele ficou de pé e a olhou com um sorriso sexy e provocador.

            -Sim, senhorita Winters, acredito que tem razão.

 

            A cabana não era o que Stone e Madison imaginaram. Eles esperavam encontrar uma estrutura de uma só habitação; mas o que os Quinn tinham construído no meio de um bosque de pinheiros, com assombrosas vistas das montanhas e do vale, e ao lado de um riacho, era uma cabana que podia servir perfeitamente de segundo lar.

            Stone e Madison deram uma volta pelo lugar. Dentro, havia um enorme salão com uma lareira, dois quartos, unidos por um banheiro e uma cozinha com uma enorme janela que dava para o riacho. Stone não demorou muito em descobrir que teriam eletricidade assim que conectassem o gerador.

            Stone suspirou. Alegrava-se de ter chegado antes que caísse a noite. Ainda ficavam umas horas de luz e ele se encarregaria de dar de comer aos cavalos e de conectar o gerador.

            Olhou Madison que estava em silencio ao seu lado. Como ele, seu olhar estava nas duas habitações e quase poderia jurar que tinha ouvido um suspiro de alívio.

            - Tenho algumas coisas que fazer lá fora – disse, rompendo o silêncio. Ela assentiu.

            - Eu tentarei acender o fogo. Tenho a impressão de que de noite vai fazer muito frio.

            Stone a olhou nos olhos e decidiu não dizer que ele estaria mais que disposto a oferecer todo o calor que necessitasse.

            - De acordo.

            Stone demorou para voltar pouco mais de uma hora. Madison tinha aproveitado para tomar banho e ele percebeu o aroma doce e sedutor assim que entrou na cabana.

            Ela tinha posto um moletom para estar mais confortável. Stone pensou que usasse o que usasse, sempre estava elegante. O cabelo já não o tinha recolhido em um rabo mas sim lhe caía em cascata sobre os ombros.

            Afogou um grunhido e resistiu a terrível tentação de cruzar a habitação e tomá-la nos braços. Algo com o que tinha sonhando todo o dia.

            Ela se deu conta de que ele a estava observando. Olhou-o um momento sem dizer nada, depois, um sorriso nervoso aflorou a seus lábios.

            - Embora tenha ficado tentada, não usei toda a água quente. Fica bastante se quiser se lavar.

            - Isso soa muito bem - disse ele com voz rouca. Gostaria de tomar um banho para relaxar os músculos cansados da viagem; mas algo o mantinha preso ao chão.

            Seguiu olhando-a enquanto sentia que algo lhe doía por dentro. Um comprido período de silêncio seguiu a suas palavras, um silêncio só turvado pelo ruído de sua respiração, e a dela.

            Os dois deram um salto quando um tronco crepitou na lareira.

            - Está realmente bem aqui. Obrigado por acender o fogo - disse ele, embora sua mente estivesse em outro tipo de fogo.

            Ela encolheu os ombros.

            - Era o mínimo que podia fazer enquanto você cuidava dos cavalos. Também tirei o jantar e estou esquentando.

            Stone assentiu e inalou profundamente. Havia um suave aroma de cozido. Não se tinha dado conta ao entrar porque seus sentidos só tinham captado o aroma dela.

            - Cheira bem.

            - Estará preparado quando tiver acabado de tomar banho.

            Ele assentiu.

            - De acordo. Então, será melhor que vá já.

            Os segundos passavam e Stone seguia sem mover-se. Seguia olhando-a absorto.

            - Stone?

            Pestanejou.

            - Sim?

            - Seu banho.

            - Sim - reconheceu com um sorriso. – Volto logo - disse enquanto se dirigia ao banheiro.

            Assim que fechou a porta, apoiou-se nela e tomou fôlego, tentando recuperar o controle. Podia sentir como o sangue corria acelerado pelas veias. Tinha que tirar o jeans o mais rápido possível ou a força da ereção contra o zíper ia matá-lo ou, se não, causar uma lesão para o resto da vida.

            Parte de seu plano tinha consistido em tentá-la; mas, quão único tinha conseguido era que a paixão transbordante que sentia por ela o deixasse louco. Louco porque por sua mente passavam idéias tão estranhas como o desejo de tê-la sempre a seu lado.

            Fechou os olhos e apertou a mandíbula. Quão último precisava era pensar em uma mulher dessa maneira. Negava-se a permitir que uma preciosa morena de olhos cor de mel, bem educada e com classe, uma mulher da cidade que cheirava como os anjos entrassem em sua vida e mudasse algo.

            Só tinha que recordar o episódio com Durango fazia alguns anos. A primeira vez que o homem tinha baixado o guarda e se deixado levar por uma mulher da cidade, tinha sido ferido para a vida toda.

            Mas Stone sabia que Madison não tinha nada que ver com a mulher que tinha quebrado o coração de Durango. Madison Winters não se parecia com nenhuma mulher. Tinha estado tão concentrado em imaginar como ia introduzi-la nos prazeres sexuais que se esqueceu do tempo que fazia que não estava com uma mulher. Fazia quase um ano que não se deitava com ninguém; mais ou menos desde que se separou da vida social para acabar seu livro.

            Agora, a mulher que tinha na habitação do lado monopolizava todo seu pensamento. E não só porque a desejasse fisicamente, mas sim porque desejava ajudá-la. Ajudá-la a entender como era possível perder o controle e atuar de forma impulsiva. Merecia conhecer o prazer sem limites, pelo menos uma vez. Enquanto se dirigia à ducha ia pensando que queria que essa experiência a vivesse com ele.

 

            Madison levou uma mão à testa, perguntando-se por que tinha tanto calor. Mas, no fundo, sentia que sabia o motivo. Cada vez que estava perto de Stone sua temperatura subia alguns graus. Não podia negar que o desejava e, escutar a água correr e saber que estava ali nu, não a ajudava nada.

            Noventa e seis horas era o equivalente a quatro dias. Esse era o tempo que fazia que o conhecia e, após, não tinha deixado de ter aqueles pensamentos travessos. Ainda havia algumas coisas sobre Stone Westmoreland que não conhecia; mas estava segura de que já sabia muitas outras. Tinha o pressentimento de que os mesmos adjetivos que Stone tinha utilizado para retratar seu tio serviam para descrevê-lo.

            Sabia, no mais profundo de seu ser, desde a primeira vez que o viu, que podia confiar plenamente nele. Sentiu-se cômoda com ele desde o começo e o fato de que estivessem sozinhos naquela cabana, a quilômetros da civilização, não a incomodava.

            Bom, tinha que admitir que algo sim a incomodava, especialmente porque lhe removia algo por dentro cada vez que a olhava com promessas de prazeres ocultos. Prazeres que ela nunca tinha vivido.

            Caminhou para a janela e olhou o exterior. Estava muito escuro e tudo muito quieto.

            - No que está pensando, Madison?

            Madison se deu a volta, levando uma mão ao peito. Não o tinha ouvido aproximar-se.

            Estava de pé, no meio da cozinha, com outro par de jeans limpos e uma camiseta com as palavras The Rolling Stone escritas sobre seu fornido peito. Tinha o cabelo úmido e gostaria de cobrir a distância que os separava e passar a mão pela sua cabeça.

            E esse não era o único lugar que gostaria de acariciar. Seus olhos desprendiam calor e, certamente ela não tinha muita experiência, mas podia reconhecer o desejo sexual em um homem; especialmente naquele homem. Tinha estado em seus olhos desde a primeira vez que seus olhares se encontraram.

            - É um segredo?

            Ela suspirou.

            - Estava pensando em quão tranqüilo está tudo aí fora, apesar dos animais que vivem na montanha. De certa maneira, sinto como se estivéssemos invadindo seu território.

            Sentiu o calor de seu corpo quando ele se aproximou.

            - Está bem que venhamos aqui, sempre que não façamos nada para destruir seu ambiente.

            Ela assentiu e, ao dar a volta, quase chocou com ele.

            -Agora estou invadindo seu terreno, verdade?

            Ela assentiu. Sim, estava fazendo isso; mas ela não se sentia incômoda nem ameaçada. Em lugar disso podia sentir seu incrível magnetismo e uma terrível atração sexual.

            - Madison?

            Ela tomou fôlego antes de responder.

            - Sim, mas não me importa compartilhar meu espaço contigo, Stone. Está preparado para o jantar? - Seus lábios se curvaram com um sorriso.

            - Estou preparado para muitas coisas.

            Ela não queria ler nas entre linhas, mas não pôde evitá-lo. Sua mente se encheu de visões sobre as possibilidades que aquela afirmação sugeria. Tentou aferrar-se às decisões que tinha tomado no dia anterior pela manhã sobre sua relação e descobriu que lhe custava sobremaneira.

            Esclareceu a garganta.

            - Vou servir a comida.

            Sem lhe dar a oportunidade de dizer nada, dirigiu-se para a cozinha e pegou um par de pratos.

            - O cozido está muito bom, não é?

            Ela levantou a cabeça e se encontrou com seu olhar. Como sempre acontecia, sentiu que algo se removia por dentro.

            O sentido comum pedia que lutasse contra a atração que sentia por ele, mas a força de vontade se perdia ante um homem como Stone.

            - Sim, está delicioso - disse, tentando ignorar o calor que lhe crescia pelo ventre.

            Stone deixou seu prato de lado lambeu os lábios.

            - É uma pena que não tenhamos nada de sobremesa.

            Madison tomou fôlego, olhando seus lábios com interesse. Podia imaginar umas quantas coisas que podiam servir. Por exemplo, beijos.

            - Estou de acordo - disse, pensando que isso era o mais seguro.

            Ela se levantou para recolher a mesa.

            -Eu te ajudo – ele ofereceu.

            O melhor era evitar sua proximidade.

            - Não, deixe. Não há nada a fazer. Depois de um dia tão duro, possivelmente queira ir logo à cama - sugeriu ela sem atrever-se a olhá-lo.

            Ele deixou escapar uma gargalhada. Não tinha nem idéia da razão que tinha. Tinha sido um dia muito duro lutando contra seus desejos por ela e, também, queria ir logo à cama, na realidade, queria ir quanto antes, mas com ela.

            - Normalmente, tenho muita energia e não me canso com facilidade - disse, fazendo referência ao que lhe havia dito.

            Ela sentiu que a corrente elétrica que havia entre eles crescia a toda velocidade. Sua presença, seu aroma, embriagava-a de tal maneira que teve que fazer um esforço para que não lhe caísse nada das mãos.

            Ele tomou seu prato e o levou a pia.

            O pulso dela acelerou ao senti-lo a seu lado. Deu-se a volta e se encontrou com seu olhar, tão forte e tão intenso que sentiu que a atravessava. As mensagens que lhe enviavam os olhos eram de paixão e sentiu um calor em seus seios que fazia que se endurecessem. O calor desceu para o ventre.

            Então, ela deu um passo para ele e levou os braços ao seu pescoço. Ouviu o grunhido que ele deixou escapar antes que sua boca pousasse sobre a dela. Com uma urgência e uma paixão que fazia que ela se esquecesse de qualquer reticência que ainda pudesse ficar.

            O impulso quente e suave da língua dentro de seus lábios fez com que suas pernas tremessem de prazer. Ele brincou com sua língua compartilhando com ela a intensidade de seu desejo.

            Ela estava tentando averiguar o que lhe estava acontecendo; mas, chegado a esse ponto de ardor, decidiu que nada importava, que era melhor deixar-se levar pelos sentimentos e não lhes pôr nome.

            Sentiu que ele separava a boca da dela e pensou: «não, ainda não». E se apertou a ele com força. Agora foi ela que colocou a língua na boca dele, fazendo tudo o que tinha feito a ela. Lambeu-lhe todos os pontos, explorando, saboreando tudo o que podia, mas, mesmo assim, sentia que aquilo não era suficiente. Seu corpo se liberou de suas cadeias e estava vibrando com uma necessidade sexual intensa que só ele podia acalmar.

            Ele se separou e ela sussurrou um protesto até que sentiu que lhe levantava a camiseta e ua boca aterrissava em um de seus mamilos. Esquecera-se de que não usava sutiã e ao sentir o contato da língua no seio, lambendo e sugando, como se estivesse tomando a sobremesa mais apetitosa, deixou escapar um gemido que surgiu do mais profundo de suas vísceras.

            Ele se afastou um instante e a levantou do chão.

            - Te desejo- sussurrou-lhe ao ouvido com ardor. Ela também o desejava e se inclinou sobre ele para que suas bocas voltassem a unir-se. Aquela noite estavam em uma cabana em um lugar recôndito das montanhas, totalmente afastados da civilização e ela queria sucumbir à chamada da natureza. Sentiu que perdia o controle e soube que fosse o que fosse o que ele quisesse, ela também o queria. Nunca na vida havia desejado um homem com aquela intensidade; nem sequer tinha imaginado que fosse possível.

            Ele levantou a boca e ela sentiu que a transportava para um dos quartos; o que ele tinha escolhido para si. Deixou-a na cama e, antes que se desse conta, já lhe tinha tirado a roupa.

            Sentiu o calor que a invadia quando lhe tirou as calcinhas e soube que ele se deu conta de quão úmidas estavam. Mas, não disse nada, só as deixou de lado. Seu olhar estava sobre ela. Depois, aproximou uma mão de sua feminilidade e a acariciou, comprovando seu grau de excitação. Ela deixou escapar um gemido, jogou a cabeça para trás e abriu as pernas para lhe dar total liberdade de acesso.

            - Está quente e úmida! - murmurou ele, com voz rouca contra seu ouvido enquanto lhe percorria o pescoço com a língua.

            Depois, continuou beijando e lambendo todo o caminho para baixo. Mais abaixo de seus seios e seu ventre, torturando-a a cada centímetro de seu avanço. Depois, alcançou a própria essência de sua feminilidade e utilizou os lábios e a língua para deixá-la louca com o beijo mais íntimo.

            Ela gritou quando seu corpo se convulsionou com tal força que teve que cravar os dedos nos ombros para fazer que o quarto deixasse de dar voltas e que a terra parasse de tremer. Sentiu que seu corpo se partia em dois. Depois daquela explosão, ele não parou. Era como se estivesse disposto a ter tudo e, no processo, dar tudo a ela. Seu corpo se convulsionou com um orgasmo de proporções gigantescas que a deixou ofegante de prazer. Antes que pudesse recuperar-se desse primeiro orgasmo, com a boca e a língua, ocupou-se de que tivesse um segundo que a deixou extenuada.

            Momentos depois, enquanto ela permanecia tombada, tentando recuperar-se, ele se levantou da cama e começou a tirar a camisa. Ela mal tinha força para apoiar-se nos cotovelos e olhá-lo, ver o bem definido que estava seu peito e precaver-se de uma linha de pêlo escuro que seguia um caminho descendente até desaparecer pela cintura de seu jeans.

            Continuou olhando, fascinada porque nunca tinha visto um corpo masculino tão perfeito; poderia ficar assim todo o dia sem cansar-se.

            Conteve o fôlego quando ele abriu o zíper, muito lentamente. Depois, desfez-se dos jeans e da roupa interior e ficou totalmente nu ante seus surpreendidos olhos. Sua proeminência grande, larga, grossa e dura sobressaía da base de cachos negros que a rodeava. Ela quase se engasgou com a própria saliva.

            - Desejo-te - disse ele com voz rouca, voltando à cama depois de colocar o preservativo que tinha tirado do bolso dos jeans. - Vêem aqui, neném, deixe que lhe demonstre isso.

            Ela retornou aos seus braços, ansiosa, e seu corpo estremeceu ao roçar a pele dele. Ele a tomou nos braços e voltou a beijá-la. Era como se não acabasse de ter dois orgasmos. Seu corpo estava excitado de novo. Voltou a sentir uma pressão entre as pernas e, então, soube que ia ser preciso mais que sua língua e lábios para satisfazê-la.

            Ele também sabia. Escutou seu gemido enquanto a deixava sobre o travesseiro.

            - Desejo-te. Desejo te dar algo que nunca lhe deram - sussurrou-lhe no ouvido.

            Ela abriu a boca para dizer que já lhe tinha dado algo que nunca tinha tido, e duas vezes. Mas ele a beijou, sossegando suas palavras, absorvendo seus sentidos e despertando nela uma necessidade nova. Seus olhares se encontraram e ela sentiu que se consumia com o calor de seus olhos.

            Stone tomou fôlego enquanto lutava para manter o controle. Não podia agüentar muito mais sem introduzir-se dentro dela, precisava estar ali igual a precisava respirar. Tinha-a saboreado, mas, agora, queria unir-se a ela, converter-se em uma parte dela, introduzir-se muito dentro e ficar ali para sempre.

            Ele ficou em cima dela, sem apartar os olhos, e ela separou as pernas para lhe dar acesso. Ele capturou sua boca e a beijou, desejando lhe dizer sem palavras o que sentia. Apertou-se contra ela e a acariciou com seu membro até que encontrou a entrada úmida, suave e deliciosamente quente.

            Agarrou-a pelos quadris e quando ela começou a fechar os olhos, ele soube que queria que o olhasse, queria ver sua expressão quando seus corpos se unissem.

            - Abra os olhos e me olhe, Madison. Quero te ver quando estiver dentro de você.

            Ela sustentou seu olhar e começou a lhe acariciar as costas. Incapaz de agüentar mais, Stone se introduziu dentro dela. Conteve o fôlego enquanto a penetrava até o mais profundo, sentindo como o apertava com os músculos de seu corpo, tomando-o, reclamando-o.

            Depois, começou a mover-se ritmicamente, com suavidade ao princípio e, depois, de maneira mais enérgica, com a necessidade que os envolvia. Grunhiu enquanto lhe entregava tudo e recebia tudo, conduzindo-a e conduzindo a si mesmo até um estalo de prazer.

            Ela gritou seu nome e ele se apertou com força a ela, agarrando-a bem pelos quadris, para compartilhar o orgasmo que estava experimentando. Gemeu o nome dela e quando os espasmos começaram a convulsionar seu corpo, sentiu algo que nunca havia sentido antes. Era paixão. Sede saciada. Mas também havia algo mais. Não sabia o que; mas tampouco queria sabê-lo e afastou da mente.

            Afundou o rosto no pescoço feminino. Quão único desejava naquele momento era compartilhar com ela aquele momento tão doce depois de uma união tão formosa. Deitou-se a seu lado e a apertou contra o peito. De alguma parte, tirou forças para incorporar-se e olhá-la. Havia um sorriso de satisfação e seu olhar irradiava felicidade. E ele soube que tinham compartilhado algo especial e único. Tinham compartilhado uma paixão transbordante. Uma paixão que sabia que voltariam a compartilhar antes de sair daquela cabana, mais de uma vez.

 

                                   Capítulo Sete

            Stone se apoiou sobre um cotovelo e olhou à mulher que estava dormindo a seu lado. O que Madison lhe havia dito no dia anterior era certo: tinha muita energia.

            Não pôde evitar um sorriso ao pensar nas vezes que tinham feito o amor durante a noite; o corpo dela o tinha tomado, absorvido, satisfazendo-o e pedindo tudo o que pudesse dar. E lhe tinha dado muito; tudo o que tinha e tinha feito amor até que não tinha podido mais. Só então, ela tinha adormecido, com seu corpo entrelaçado com o dele.

            Ele também adormecera, mas, naquele momento, estava muito acordado e totalmente excitado. Desejava-a de novo. Olhou seus corpos entrelaçados pelo quadril e gostou do que viu. Gostou muito.

            Tomou fôlego e reconheceu que tinha compartilhado com Madison algo que não tinha compartilhado antes com nenhuma outra mulher. Tinha compartilhado «tudo».

            Por ela tinha baixado a guarda.

            Baixou os olhos até seu peito nu. A atração por ela só era física, tentou convencer a si mesmo. Então, recordou como se havia sentido emocionado, cada vez que ela tinha gritado seu nome enquanto a embargavam voluptuosas quebras de onda de êxtase. De acordo, tinha que reconhecer que sempre recordaria essa noite, mas se negava a aferrar-se a ela e a começar a pensar que tinha sido algo mais que pura paixão. Tinha-lhe ensinado algo; isso era tudo. Nada de outro mundo. Tinha desejado demonstrar o que duas pessoas podiam fazer com o desejo, um desejo incontrolável de tão ardente que era. E isso tinha feito. O único que faltava era encontrar a sua mãe e tio Corey.

            Franziu o cenho ao pensar no que ia acontecer depois disso. Quando Madison visse que sua mãe estava bem, provavelmente voltaria para Boston. Ele voltaria para o rancho de Durango e faria o que tinha ido fazer: começaria a trabalhar no seu novo livro.

            Por que aquela idéia de levar caminhos separa­dos lhe rasgava as vísceras? Por que só pensar que ela podia comparar com outro sua paixão recém descoberta fazia que a levassem os diabos? Fizera amor com outras mulheres e nunca o incomodou pensar que podiam deitar-se com outros homens quando a relação com ele acabasse. De fato, sempre lhe tinha aliviado o bastante.

            Tomou fôlego. Precisava afastar-se de Madison para poder pensar com claridade. Ela estava fazendo que desejasse coisas que nenhuma outra mulher o tinha feito desejar e não gostava nada disso.

            Separou-se dela com cuidado e saltou da cama. Colocou os jeans sem incomodar-se com a roupa interior. Não queria que despertasse porque não sabia o que ia fazer nem dizer.

Antes de sair do quarto, voltou a olhá-la e desejou não havê-lo feito. Estava dormindo encolhida, com um sorriso de satisfação nos lábios. Parecia uma mulher feita para a paixão e sentiu que todos os músculos de seu corpo se endureciam pelo desejo de voltar a fazer amor com ela.

            Meneou a cabeça e se obrigou a olhar para o outro lado. Tinha que se afastar. Saiu do quarto apressadamente e fechou a porta atrás dele.

           

Madison se estirou e começou a abrir os olhos, cegada pela luz que entrava pela janela. Sentiu alguns músculos doloridos, músculos que fazia muito que não utilizava. Sorriu. Certamente, na noite anterior, sim os tinha usado.

            Sentou-se na cama e olhou ao redor, perguntando-se onde teria ido Stone. Tinham decidido na noite anterior que se levantariam cedo para chegar à casa de seu tio antes que caísse a noite; mas, agora, sentia-se muito preguiçosa. Queria mesmo era ficar na cama e esperar a que ele retornasse.

            Um calafrio a percorreu ao lembrar as coisas que tinham feito na noite anterior. Stone tinha-a despertado à paixão mais sensual. Com o Stone tinha sentido emoções e feito coisas totalmente novas para ela. Sentiu que ficava corada ao recordar como ele a tinha acariciado, como a tinha beijado por todo o corpo, como tinha feito amor. O aroma dele estava incrustado a sua pele, um aroma muito viril e sexy.

            O que havia em Stone Westmoreland que a fizera esquecer a prudência, fazendo o que tinha feito? O que havia nele que a fazia desejar voltar a repetir a experiência?

            O tempo passava e Stone não voltava para a cama. Tampouco se ouvia nenhum ruído do outro lado da porta e Madison decidiu averiguar onde estava.

            No que estaria pensando agora pela manhã? arrependeria-se do que tinham feito? Pensaria que ela esperava algo dele agora que tinham feito amor? Recordava perfeitamente que tinha explicado que não pensava casar. Acreditava no matrimônio, mas pensava que não era feito para ele.

            Deixou escapar um suspiro e saiu da cama. Olhou a roupa que havia pelo chão e decidiu colocar a camisa de Stone. Chegava pela metade da coxa e gostava de como ficava; além disso, simbolizava que pertencia a ele e vice-versa.

            Meneou a cabeça perguntando-se como lhe teria ocorrido aquilo e decidiu não voltar a pensar nisso. Stone não estava procurando uma relação séria, nem ela tampouco.

            Madison o buscou pela casa, mas não o encontrou. Saiu ao alpendre e, então, viu-o. Estava distante, sem camisa, cavalgando sem arreios, com uma manta sobre o cavalo.

            Apoiou-se na coluna e o observou. Havia dito que sabia conduzir um cavalo e aquela maneira de montar corroborava suas palavras.

            Algo o fez olhar onde ela estava e, quando a viu, ela ficou sem fôlego. Trotou para ela e parou a seu lado.

            - Bom dia, Madison.

            - Bom dia, Stone.

            Uma parte sua dizia que deveria sentir vergonha por sua maneira de comportar-se na noite anterior e por tudo o que tinham feito. Mas ela não tinha vergonha. De fato, nem sequer lhe importava estar diante dele com apenas sua camisa vestida. Parecia que toda sua boa educação de Boston retornara para o norte sem ela.

            Jogou a cabeça para trás para olhá-lo. Tinha um aspecto muito sexy. Seu olhar se perdeu no dele e sentiu um calor que começava a nascer entre as pernas. O olhar dele se obscureceu pelo desejo.

            - Sobe comigo – disse com voz rouca. Sua voz era tão sensual que ela sentiu um calafrio.

            Sem perguntar onde iam ou sem se importar que estava seminua, aceitou a mão que lhe oferecia. Com um movimento ágil, levantou-a e, em lugar de sentá-la atrás dele, sentou-a diante e de frente. Depois, abraçou-a e pôs o cavalo ao trote.

            Quando se afastaram um pouco da cabana, diminuiu o ritmo. A princípio, ela se sentia incômoda cavalgando de frente a ele; especialmente pela maneira como a olhava. Tampouco ajudou quando o cavalo parou e começou a comer erva. Ele inclinou-se para ela e capturou seus lábios, beijando-a com tal intensidade que o fogo começou a consumi-la. Ela o rodeou com os braços enquanto desfrutava do beijo.

            - Não tem medo de que caiamos do cavalo? - perguntou quando ele se separou.

            - Não. Só tem que manter o equilíbrio.

            Ela se perguntou como era possível manter o equilíbrio enquanto a cabeça dava tantas voltas. O beijo de Stone a tinha posto do reverso e se sentia tonta pelo impacto.

            - Fica bem com minha camisa – comentou enquanto desabotoava o primeiro botão. Depois, foi o segundo, depois, o terceiro.

            - Stone? O que está fazendo? - perguntou sem fôlego.

            - Te despindo.

            Aquilo estava claro. Madison olhou a seu redor.

            - Mas... mas estamos aqui fora.

            - Sim, mas estamos sozinhos. Você, eu e o cavalo. E ele está muito ocupado comendo para preocupar-se com o que nós fazemos.

            - Sim, mas...

            Não pôde dizer nada mais porque ele voltou a beijá-la. Sem que se desse conta, Stone deslizou do cavalo com ela nos braços, agarrando a manta ao mesmo tempo.

            Quando o beijo terminou, deixou-a no chão.

            Stone pensou em quão distinta era de qualquer mulher com a que tivesse estado. Com Madison perdia o controle e se perguntava se ela sabia quão sedutora era; dava-lhe a sensação de que não tinha nem idéia.

            Stone a tinha deixado sozinha na cabana porque precisava esclarecer idéias, mas o único que tinha conseguido pensar enquanto tinha estado cavalgando tinha sido nela. Não podia tirar da cabeça o que lhe tinha feito sentir aquela noite. Tampouco, o sorriso de felicidade de seu rosto depois de chegar ao topo. Ela tinha se apertado contra seu peito e adormecera entre seus braços como se esse fosse o lugar onde queria estar. Como se esse fosse o lugar exato ao que pertencesse.

            Com essa lembrança firmemente gravada na mente, levantou a mão e começou a lhe acariciar o cabelo; precisava tocá-la. Observou-a atentamente enquanto seus olhos se obscureciam e com respiração agitada entreabria a boca.

            Ele a agarrou pela nuca e aproximou a boca a dela, a escassos milímetros sussurrou:

            - Quero fazer amor sob o céu de Montana.

            Ela fechou os olhos quando seus lábios se juntaram. Depois, olhou-o com desejo e incerteza. Ele a acariciou com a esperança de que o último desaparecesse, de que só ficasse o primeiro. Em seguida, pareceu que o conseguia.

            - Eu também quero fazer amor sob o céu de Montana - sussurrou quando já só havia desejo em seu coração. Sua voz soou tão baixa que ele mal a escutou.

            Stone tomou fôlego ao dar-se conta da intensidade de seu desejo por ela. Puxou-a pela mão e a levou por um atalho entre a erva verde da pradaria. Quando encontrou o que considerou um lugar perfeito, estendeu a manta sobre a grama, sentou-se e a sentou-a em cima.

            Com sua boca capturou a dela e com uma mão trêmula, acabou de lhe tirar a camisa. Depois de um longo e apaixonado beijo, levantou-se e retirou os jeans, não sem antes tirar uma caixa de preservativos do bolso.

            «É um belo homem », pensou Madison enquanto o observava colocar o preservativo com mãos tremulas. Seu peito era largo e musculoso e, naquele momento, coberto de gotas de suor. As coxas eram fortes, seus glúteos firmes, e aquela enorme ereção prometiam mais do que já tinham compartilhado na noite anterior. Ela tomou fôlego.

            Sentia que o corpo todo doía de desejo produzido apenas por observá-lo. Era como se sentisse que um orgasmo estava crescendo dentro dela e isso que ele só a tinha beijado; mas seu olhar estava carregado de promessas de prazer e satisfação. E ela queria tudo.

            Queria Stone Westmoreland. Não queria pensar nas implicações daquela afirmação. No momento, não podia se permitir aquele luxo. O único que queria pensar era nas emoções que percorriam seu corpo. Obrigou-se a se concentrar no que estava sentindo enquanto uma voz sussurrava: «Vive o momento. Desfruta deste instante com ele ao máximo».

            Quando Stone terminou de colocar o preservativo, fez uma pausa para olhá-la. Na noite anterior, enquanto faziam amor, havia se sentido unido a ela em plenitude. Era como se tivessem formado um vinculo impossível de ignorar. Pensaria nisso mais tarde; porque, naquele momento, o que desejava era fazer amor com aquela mulher que tinha em cima da manta, olhando-o com os olhos cheios de paixão.

            Deixou escapar um suspiro e se perguntou como podia ter sobrevivido trinta e três anos sem saber dela. Era formosa, deliciosa e, no momento, era dele.

            Tomou fôlego, sabendo que tinha que dizer algo e que tinha que escolher as palavras com muito cuidado. Queria que ela soubesse que aquela não era apenas mais uma relação sexual. Que o que tinham compartilhado a noite anterior tinha sido especial para ele. Que tinha sentido coisas totalmente novas e que o tinha acariciado como não o tinha feito ninguém.

            Quando abriu a boca para dizer algo, Madison se inclinou para ele e pôs um dedo nos seus lábios. Não estava preparada para ouvir o que ele tinha para dizer, especialmente, se se tratasse de algo que pudesse romper o feitiço do momento, pelo que havia entre eles. Não queria que dissesse uma vez mais que tipo de homem era. Sabia que não estava procurando nenhuma relação séria e o respeitava, mas não queria ouvi-lo. Nenhum dos dois podia passar por cima da paixão e do desejo e ela, no momento, não queria pensar em nada mais.

            Ela a tinha ensinado muitas coisas. Tinha ensinado tudo. Até tinha ensinado o que se sentia ao estar apaixonada.

            Porque já não cabia nenhuma dúvida de que se apaixonara irremediavelmente por ele.

            Ele retirou os dedos de seus lábios e se aproximou de sua boca; primeiro para acariciá-la, depois, para devorá-la com paixão. Ela sentiu que seu desejo crescia e que um calor intenso lhe percorria as veias. Puxou-o para si, com a determinação de repetir naquele momento o que tinham compartilhado de noite.

            Se separou dela e com as mãos e a boca se dedicou a deixá-la louca. Ela se retorceu e gemeu debaixo ele, suspirando seu nome, estirando-se para tomar entre suas mãos aquela parte dele que tanto desejava.

            Quando teve a plenitude de sua ereção entre as mãos, sujeitou-o e o olhou aos olhos.

            - Preparado?

            O calor do olhar e o sorriso dos lábios disseram tudo. A paixão era tão intensa que mal conseguiu sussurrar:

            - Preparado.

            Ela o soltou e ele, com toda sua potência, procurou entre as dobras de sua feminilidade até que encontrou a abertura onde queria entrar. Com um movimento suave dos quadris penetrou na cavidade úmida e quente dela. Agarrou-a pelos quadris e ela o envolveu com as pernas. Então, ele entrou ainda mais e ela sentiu cada centímetro de sua parte mais íntima, tudo. Ele se moveu para fora e para dentro em seu interior enquanto os lábios a devoravam.

            Não deixou de beijá-la até que um gemido surgiu de sua garganta. O prazer cresceu em espiral dentro dele. Aumentou o ritmo e seu corpo começou a mover-se mais rápido, impulsionando com mais força e mais dentro. Com todo seu ser empurrou para satisfazer à mulher com quem estava fazendo amor. Ela começou a tremer com um orgasmo que a fez gritar e ele soube que tinha conseguido seu propósito.

            Jogou a cabeça para trás quando sentiu que suas contrações aumentavam e soube que durante toda sua vida, recordaria aquela vez que fez amor sob o céu de Montana. Então, sentiu que o corpo dela explodia com outro orgasmo. Estava ali com ela e continuou indo até que não ficou nada mais que dar.

            - Stone!

            - Madison!

            Tudo se transformou em um momento de debilidade sensual e ele cativou sua boca; precisava estar unido a ela de acima até abaixo. Devolveu-lhe o beijo com a mesma intensidade, respondendo a cada carícia deliciosa de sua língua.

            Após um momento, Stone deslizou para o lado e a tomou nos braços, apertando-a contra ele. Ela escondeu o rosto em seu pescoço e ele não pôde evitar perguntar-se como ia arrumar as quando ela voltasse para Boston.

           

            - Está segura de que não se importa de permanecer aqui outra noite?

            Madison o olhou do outro lado da mesa. Haviam tornado a fazer amor ao voltar para a cabana e, depois, adormeceram. Despertaram com fome ao cabo de algumas horas e, depois de vestir-se, ou meio vestir-se, tinham entrado na cozinha. Para duas pessoas que se orgulhavam de ter uma energia inesgotável, pareciam bastante esgotados.

            Surpreendentemente, os armários da cozinha não estavam vazios. Havia muitas latas e decidiram compartilhar uma sopa de tomate.

            - Sim. Enquanto tivermos comida - disse ela com um sorriso. - Além disso, logo se fará noite.

            Ele assentiu e estirou uma mão para agarrar a dela.

            - Está arrependida de que não tenhamos saído na primeira hora como tínhamos planejado?

            Ela o olhou nos olhos.

            - Não.

            Voltaram para a cama e voltaram a fazer o amor e, depois, vestiram-se para dar um passeio.

            - Está pronta para amanhã? - perguntou Stone, enquanto caminhavam de mãos dadas junto ao arroio.

            Ela o olhou. Diante deles havia um esplêndido pôr-do-sol.

            - Não. Estive tão absorta com o que estivemos fazendo que não tive tempo de pensar nisso. E possivelmente seja bom.

            - Por quê?

            - Porque ao compartilhar estes momentos contigo abri os olhos a outro mundo. Eu não gosto de pensar na vida amorosa de meus pais; e se minha mãe não tiver experimentado com meu pai nada tão rico e tão profundo como a paixão que nós compartilhamos?

            Stone a abraçou com força.

            - Possivelmente seus pais compartilharam de paixão no princípio - disse ele, embora sabia muito bem ao que ela se referia.

            - Vou fazer o que você me aconselhou.

            - O que é?

            - Manter a mente aberta e não prejulgar.

            Ele assentiu.

            - Com certeza sua mãe lhe agradecerá. Provavelmente, se surpreenderá muito em te ver. A última coisa que precisa é que a trate como se fosse uma menina travessa.

            Madison tomou fôlego.

            - Acredita que cometi um engano ao vir até aqui?

            Ele apoiou as mãos na cintura dela; tinha que ser sincero.

            - A princípio, pensei isso; mas, agora, sei que é melhor assim. Estava preocupada com sua mãe. Acho que ela o entenderá.

            Madison também esperava. Quanto mais se aproximava do momento de encontrar-se com ela, mais nervosa ficava ao pensar em seus motivos para ir procurá-la. Que direito tinha de interferir na vida de sua mãe? Mas, depois de tudo, era sua única família e tinha direito a preocupar-se com ela. Só devia enfocar as coisas de outra maneira. Agora, graças ao homem que tinha ao lado, sabia o que era a paixão e o amor.

            Quando tudo estivesse acertado com a mãe, voltaria imediatamente para Boston. As lembranças que teria dos momentos que tinha compartilhado com Stone a manteriam quente durante as noites solitárias quando sentisse falta de estar nua ao seu lado; quando desejasse que seus sonhos com ele se fizessem realidade. Só pensar que tinha que deixá-lo produzia uma dor tão forte que parecia que lhe ia rasgar o coração; mas sobreviveria... Não tinha opção.

 

                                     Capítulo Oito

Quando chegaram ao topo da montanha onde Corey Westmoreland vivia, Madison ficou de boca aberta.

            Desde que tinha ido a Montana se acostumou a uma paisagem espetacular que nunca antes tinha visto. Mesmo assim, a casa enorme que se via na distância, situada entre um grupo de pinheiros sob o céu maravilhoso de Montana, deixou-a sem fôlego.

            - Para que alguém quer um lugar tão grande?

            Ele sorriu.

            - Principalmente por sua família, especialmente seus sobrinhos. Éramos onze os meninos que vinham todo verão.

            Madison pestanejou.

            - Quer dizer que vinham todos juntos?

            Ele soltou uma gargalhada.

            - Sim. Todos pensavam que o tio Corey estava louco, mas confiavam em que manteria a ordem e bem ocupados. Ele o fazia e nós adorávamos. Tenho lembranças maravilhosas deste lugar.

            Madison assentiu.

            - Ele deve gostar muito de crianças.

            O sorriso de Stone se desvaneceu.

            -Sim. É uma pena que não tenha tido seus próprios filhos.

            - Você gosta de crianças? - perguntou, olhando-o fixamente. Ele afastou o olhar.

            - Sim, por que pergunta?

            - Por nada. Possivelmente seja uma pena que dentro de uns anos te encontre na mesma situação que seu tio.

            Sustentou-lhe o olhar por um momento, depois, disse em um tom muito baixo:

            - Sim, possivelmente tenha razão. Vamos; o mais provável é que tio Corey já saiba que estamos aqui.

            - Como pode saber?

            - Porque ele sempre sabe quando alguém pisa em sua propriedade. Possivelmente não saiba de quem se trata, mas, definitivamente sabe que há alguém.

            Para provar quão bem Stone conhecia seu tio, no alpendre da casa apareceu a figura de um homem. Tinha posto seu chapéu de aba larga e olhava para eles fixamente, com uma mão sobre os olhos, tentando averiguar a identidade dos intrusos. No momento, um sorriso se desenhou em seu rosto; evidentemente, havia reco­nhecido seu sobrinho.

            Quando se aproximaram dele, a primeira coisa que Madison percebeu foi o quanto os dois homens eram parecidos. Tinham os mesmos olhos, a mesma testa, o mesmo queixo e os mesmos lábios.

            Em seguida se precaveu de que para um homem de cinqüenta e quatro anos era muito atraente. Igual aos seus dois sobrinhos, era magnífico. Quando tirou o chapéu, viu que seu cabelo negro tinha algumas entradas nas têmporas que o faziam ainda mais interessante. Além disso, parecia estar em uma excelente forma física. Definitivamente, aquele era um homem que podia atrair a atenção de qualquer mulher e, decididamente, entendia por que sua mãe o tinha achado atraente e irresistível.

            Assim que Corey chegou a seu lado, Stone parou o cavalo e, de um salto, ficou ao lado de seu tio.

            - Vá, vá, Stone! Estou feliz em te ver! Quase me esqueci de que Durango havia me dito que viria de visita. Tenho o telefone quebrado há algumas semanas e estive totalmente isolado da civilização.

            Corey Westmoreland se virou então para Madison, que ainda estava sobre seu cavalo olhando-o.

            - Tudo bem, senhorita? - saudou-a levando uma mão ao chapéu. - Bem-vindo à Montanha do Corey. A quem tenho o gosto de saudar?

            Madison notou a expressão de diversão nos olhos escuros de Corey Westmoreland e soube que ele tinha chegado à conclusão de que estava ali porque Stone e ela eram amantes. Em parte tinha razão.

            O homem lhe ofereceu a mão para ajudá-la a desmontar e ela a aceitou. Stone foi a seu lado.

            - Meu nome é Madison Winters e vim ver minha mãe.

            Durante um momento ninguém disse nada, depois, Madison percebeu como o olhar de Corey se enchia de ternura.

            - Então, você é Madison? Ouvi falar muito de você. Abby ficará feliz em te ver.

            Madison assentiu enquanto tentava ler algum sinal de que não falava sério.

            - Não sabe que vinha.

            Ele riu.

            - Isso não importa. Esperava que houvesse recebido suas mensagens e que não estivesse preocupada. Com o telefone quebrado, não podia telefonar mais. Espero que Liam se recupere logo e o arrume.

            - Liam?

            - Sim. É outro fazendeiro que vive na montanha da frente. Também é eletricista e está acostumado a arrumar todas as avarias - Corey tirou o chapéu e se passou uma mão pela testa. - Mas já basta de bate-papo, seguro que está desejando ver sua mãe.

            - Na verdade, sim - disse ela olhando a seu redor. - Ainda está aqui?

            O rancheiro a olhou com um sorriso.

            - Sim. Entra na casa e a verá em seguida. Quando eu saí estava preparando o jantar.

            Madison pestanejou incrédula.

            - O jantar? Minha mãe?

            - Sim.

            Madison franziu o sobrecenho. Não lembrava da última vez que sua mãe tinha cozinhado algo. Voltou-se para o Stone.

            -Vem?

            Ele meneou a cabeça.

            - Mais tarde. Tenho que discutir algumas coisas com o tio Corey.

            Ela assentiu. Sabia que embora, possivelmente, era verdade que tinha que falar com seu tio, o mais provável era que queria deixá-la a sós com sua mãe.

            - De acordo - sem dizer nada mais, caminhou até a casa sozinha, perguntando-se o que ia dizer a sua mãe quando a visse.

            Madison abriu a porta cuidadosamente e entrou na casa. Escutou o som de uma mulher cantarolando e, imediatamente, reconheceu a voz de sua mãe. Rapidamente, deu uma olhada a seu redor. O interior da casa do Corey era tão impressionante quanto o exterior. Os móveis eram de madeira e de couro e foram feitos para durar para sempre. O lugar parecia limpo e se notava que havia gente vivendo ali. Vários vasos com flores davam o toque feminino.

            - O jantar quase está preparado, Corey. Acho que depois poderíamos tomar um banho no jacuzzi, o que opina?

            Madison engoliu com dificuldade ao escutar a voz de sua mãe. Evidentemente, tinha ouvido a porta e tinha deduzido que se tratava de Corey.

            Tomou fôlego e cruzou o salão para a cozinha. Sua mãe, a sempre impecável Abby Winters, estava inclinada olhando dentro do forno. Usava uns jeans, camiseta ajustada, estava descalça e levava o cabelo solto pelas costas. Sempre tinha se cuidado muito e tinha uma bonita figura; a roupa que colocara demonstrava quão bem estava.

            Madison pestanejou, não estava certa se aquela mulher sexy que estava na cozinha de Corey era sua mãe. Mais parecia uma mulher de cerca de trinta anos, ao invés de uma senhora que acabava de completar cinqüenta anos.

            Também, custava acreditar que a mulher que normalmente usava trajes de etiqueta, sapatos de salto e o cabelo recolhido em um coque fosse a mesma pessoa que tinha diante dela.

            - Mamãe?

            Abby Winters girou a cabeça e se encontrou com o olhar incerto de Madison. Pestanejou com força, para assegurar-se de que de verdade era sua filha e, depois, com um sorriso enorme, cruzou a habitação para ela com os braços abertos.

            - Maddy, o que está fazendo aqui? - perguntou-lhe, enquanto lhe dava um abraço enorme.

            - Queria me assegurar de que estava bem - respondeu ela.

            Sua mãe levantou uma sobrancelha preocupada.

            - Não escutou minhas mensagens de que ia ficar mais tempo?

            - Sim, mas tinha que ver com meus próprios olhos que estava bem.

            Abby voltou a abraçá-la.

            - Oh, céu! Sinto muito que se preocupasse por mim porque estou bem.

            Madison suspirou. Precisava escutar algo mais que isso; mas antes que pudesse abrir a boca para dizer algo, escutou a porta principal e Stone e Corey entraram na casa. Viu a expressão de sua mãe e depois a do tio de Stone. Se tivesse alguma dúvida do que havia entre eles, desapareceu imediatamente ao ver o olhar de cumplicidade que intercambiaram. Estava bem que já estivessem na cozinha porque podia sentir o calor que corria entre os dois.

            Madison esclareceu a garganta.

            - Mamãe, este é Stone, sobrinho do senhor Westmoreland e meu amigo. Stone, apresento minha mãe, Abby Winters.

            Viu Stone pestanejar e soube que o desenho sofisticado que tinha feito de sua mãe não tinha nada que ver com o que estava vendo. Ele deu um passo para diante e lhe estreitou a mão.

            - Encantado de conhecê-la, senhora Winters.

            Abby Winters sorriu afável.

            - Para mim também é um prazer, Stone. Corey fala maravilhas de ti e, além disso, tenho lido todos seus livros. São estupendos.

            - Obrigado.

            - E, por favor, me chame Abby - olhou Madison. - Como vocês conhecem?

            - No vôo - respondeu Stone antes que Madison pudesse dizer nada. O sorriso do Abby se ampliou.

            - Que bom. Alegro-me que Maddy viajasse acompanhada; dá-lhe pânico voar.

            A habitação ficou em silêncio e Abby falou de novo.

            - Corey e eu estávamos a ponto de jantar. Ele mostrará onde podem ficar e depois comeremos juntos. Com certeza têm fome.

            O que Madison tinha era muita curiosidade por saber o que havia entre Corey e ela; mas pensou que falariam mais tarde.

            - De acordo.

            Tomou fôlego e Stone e ela, seguiram Corey.

           

- Então, não tem idéia de quem está te investigando, tio Corey? - perguntou Stone mais tarde a seu tio enquanto tomavam o ar no alpendre.

            O jantar estivera delicioso. Madison e sua mãe estavam dentro recolhendo; seguro que Madison estava aproveitando para inteirar-se de tudo sobre a relação de sua mãe com Corey. Seu tio ainda não tinha contado nada e atuava como se aquela situação fosse a mais normal do mundo.

            Corey se apoiou em um poste.

            - Não, não tenho nem idéia - disse meneando a cabeça confuso. - Mas se Quade vai se ocupar do assunto, só posso esperar - depois, olhou seu sobrinho. - - Madison é uma preciosidade; lembra-me Abby quando era mais jovem.

            Stone olhou a seu tio surpreso.

            - Já a conhecia?

            Corey riu divertido.

            - É obvio. Acreditava que acabávamos de nos conhecer?

            Stone meneou a cabeça para esclarecer sua mente.

            - Diabo, tio, não sabia o que pensar e Madison estava ainda mais confusa.

            Corey assentiu.

            - Seguro que Abby estará explicando tudo.

            Stone cruzou os braços.

            - O que acha de explicar para mim?

            Corey deixou escapar um suspiro.

            - De acordo. Vamos dar um passeio.

            Tomaram o atalho que conduzia ao arroio e que Stone recordava tão bem. O sol já tinha se pôs, mas ainda não tinha escurecido de todo. O ar cheirava a pinheiro.

            -Abby e eu nos conhecemos durante meu último ano na escola. Ela tinha ido com seus pais visitar o parque de Yellowstone, era seu prêmio por acabar o colégio. Eu trabalhava meia jornada no parque e nunca esquecerei o dia que a vi. Mal tinha dezoito anos e pensei que tivesse morrido e que estava no céu. Quando tive a oportunidade de falar com ela sem seus pais junto, soube que tinha me apaixonado e que nunca a esqueceria - disse com um sorriso. - E ela sentiu o mesmo. Foi amor a primeira vista e a atração também foi imediata - o sorriso se desvaneceu. - Mas era um amor impossível porque ela estava a ponto de comprometer-se com outro homem, um menino que estudava em Harvard. Sua família tinha escolhido por ela, um desses casamentos acertados entre famílias. Eu sabia que Abby não ia contrariar os pais. Além disso, eu tampouco estava em posição para pedir que ficasse comigo. A família de seu noivo tinha dinheiro e eu nem sequer tinha um trabalho estável. Quando partiu não voltei a vê-la nunca mais; mas levou meu coração. Então, soube que nunca me casaria porque tinha perdido para sempre à mulher a que queria.

            Stone assentiu, perguntando-se como se sentiria alguém ao perder para sempre à mulher que amava.

            - Não houve nenhuma outra mulher nestes anos?

            Corey meneou a cabeça.

            - Não. Houve uma mulher com a que estive saindo um ano ou dois depois, quando trabalhei de guarda-florestal nas montanhas do Tennessee. Tentei que tudo saísse bem, mas não pude. Estivemos juntos quase um ano, mas ela sabia que meu coração pertencia a outra mulher. E um dia partiu e nunca mais soube dela.

            Stone voltou a assentir.

            - Assim, quando viu Abby faz três semanas, foi a primeira vez que se viram em trinta e dois anos?

            Corey sorriu.

            - Sim. E nos reconhecemos imediatamente. Além disso, a faísca ainda estava aí. E, depois de algumas horas juntos, contando nossas vidas, decidimos fazer o que não tínhamos feito então: partir e ficar sozinhos. Depois de conversar com ela ficou claro que tinha vivido uma vida tão solitária quanto a minha e pensamos que nos devíamos algo e decidimos começar a desfrutar da vida e ser felizes. Só esta aqui há três semanas, mas trouxe felicidade para minha vida. Agora não posso me imaginar sem ela e ela me assegurou que sente o mesmo.

            Stone parou e olhou a seu tio.

            - Está me dizendo algo?

            Um sorriso enorme apareceu na cara de Corey Westmoreland.

            - Pedi a Abby que se case comigo e aceitou.

           

Madison olhou a sua mãe em estado de shock.

            - Casar? Corey e você?

            Abby sorriu a sua única filha enquanto alcançava uma bandeja para que a secasse.

            - Sim e eu aceitei.

            - Assim, eu tinha razão ao pensar que papai e você nunca tenham se amado.

            Abby tomou as mãos de sua filha entre as dela.

            - De certa forma, seu pai e eu nos gostamos; mas não da maneira que quero ao Corey. Enquanto seu pai esteve vivo, eu me empenhei em que nosso casamento funcionasse, e consegui. Madison, sempre fui fiel a seu pai e fui uma boa esposa.

            Madison sabia que era verdade.

            - Então, veio aqui com a esperança de encontrar Corey de novo?

            Abby sorriu enquanto meneava a cabeça.

            - Não. Eu imaginava que Corey estaria casado e com filhos. Sabia que queria ser guarda-florestal, mas nem sequer imaginava que vivia aqui. Imagine minha surpresa quando naquela noite entrou no restaurante onde estava jantando com minhas amigas. Ele me olhou e eu o olhei e foi como se não tivessem passado os anos. Em seguida soube que ainda o amava e que a parte mais feliz da minha vida tinha sido o verão que passei com ele.

            Apertou as mãos de Madison entre as suas.

            - Mas isso não quer dizer que seu pai não tenha me feito feliz. Só significa que com o Corey posso ser alguém que nunca pude ser com seu pai.

            De certa maneira, Madison entendia o que queria dizer. Durante os dois últimos dias, comportou-se com Stone como nunca o tinha feito com Cedric.

            - Quando é o casamento?

            - Dentro de alguns meses.

            - O que vai ser de ti? De sua vida de Boston?

            Abby sorriu.

            - Quanto ao centro, pode continuar funcionando sem que eu esteja presente. E, meus amigos, os bons, tenho certeza que se alegrarão por mim. A única que realmente me preocupa é você. Entende-o? - perguntou sua mãe olhando-a fixamente.

            Madison a olhou nos olhos. Sabia o que se sentia ao desejar ser feliz, principalmente porque também sabia o que se sentia ao estar apaixonada. Por estranho que pudesse parecer, a mãe ainda amava Corey depois de tantos anos. Seu amor tinha sido tão forte que tinha agüentado trinta anos de separação! Ela sabia que sua mãe estava esperando uma resposta. Também sabia que essa resposta era muito importante para ela. Abby Winters tinha razão: as pessoas que de verdade a queriam entenderiam sua necessidade de ser feliz.

            Madison abraçou a sua mãe.

            - Sim, mamãe, claro que te entendo e estou muito feliz por ti. Se casar com o Corey Westmoreland a faz feliz, então, eu também estou feliz.

            Abby abraçou a filha.

            - Obrigada, carinho.

           

Stone olhou o relógio que tinha sobre a mesinha de cabeceira. Eram mais de doze horas e continuava sem poder dormir. Tinha Madison na cabeça. A mãe e ela se uniram a eles no alpendre e ela tinha felicitado a seu tio pelas bodas, inclusive tinha se atrevido a lhe dar um abraço e dar as boas-vindas à família. Tio Corey fizera o mesmo com ela.

            Depois, Madison havia dito que estava cansada e que queria ir à cama. Sabia que ela não se cansava com facilidade, assim, o mais provável era que aquilo fosse só uma desculpa para pensar nos novos acontecimentos.

            Saltou da cama e colocou o jeans. Abriu a porta devagar e saiu ao corredor. Tinha percorrido esse corredor muitas vezes e conhecia muito bem todas suas curvas. O quarto de Madison estava a duas portas de distância do dele. Perguntou-se como se sentiria ao saber que a mãe e tio Corey provavelmente estavam dividindo a cama, especialmente, desde que tinham contado que pensavam casar-se.

            Abriu a porta sigilosamente e passou. Assim que entrou no quarto, viu-a de pé junto à janela. Usava uma camisola muito fina que se tornava transparente com a luz da lua.

            - Madison - sussurrou seu nome e ela se voltou.

            - Stone?

            Sem responder, ele cruzou a habitação, tomou-a nos braços e a beijou. Precisava saboreá-la. Sua resposta fez que o beijo aumentasse de intensidade e, quando sua língua se enredou com a dela, os gemidos afogados que brotaram de sua garganta quase o levaram ao limite.

            Ele se separou com suavidade.

            - Esteve muito calada durante o jantar. Está bem?

            Ela assentiu contra seu peito e ele a apertou com mais força.

            - São felizes juntos, Madison - disse, tentando lhe dar mais confiança.

            Ela se apartou uns milímetros e olhou para cima.

            - Sei, Stone, e isso é o que me parece tão triste. Estiveram todos estes anos apaixonados sem poder estar juntos.

            Stone assentiu.

            - Sim, meu tio me contou.

            Madison deixou escapar um suspiro.

            - Foi amor a primeira vista. Mas ela estava comprometida com outro homem.

            Stone a olhou.

            - O que pensa disso?

- Sinto pena dos três. Parece ridículo que os pais planejem o casamento dos filhos. Eu nunca faria algo assim aos meus filhos.

            Stone lhe estava esfregando as costas. De repente parou.

            - Filhos? Pensa ter filhos?

            Ela sorriu.

            - Sim, claro. Algum dia.

            Ele assentiu. Aquilo também significava que pensava casar-se algum dia. Maldição. Certamente, esse pensamento não o deixava muito feliz.

            - Tem que tentar dormir um pouco.

            Os olhos dela se iluminaram.

            - Só me meterei na cama se você for comigo.

            Ele meneou a cabeça.

            - Com sua mãe e tio Corey do outro lado do corredor? Não acredito que seja uma boa idéia - não quis dizer que duvidava que pudesse ficar deitado com ela sem fazer amor e suas relações sexuais costumavam ser bastante ruidosas.

            - Por favor. Prometo me comportar bem. Só fica comigo um pouco.

            Ele a olhou e soube que não tinha nenhuma intenção de comportar-se bem. Se ficasse teria que ter suficiente força de vontade para controlar-se pelos dois.

            - De acordo. Ficarei contigo um momento.

            - Obrigada, Stone.

            Caminhou com ela até a cama e afastou as cobertas. Ela se meteu dentro e ele, a seu lado, rodeando-a com os braços. Ela acomodou o corpo contra ele e sentiu como crescia sua ereção através dos jeans.

            - Não estaria mais cômodo se tirasse as calças? - perguntou com fingida inocência. Abraçou-a com força.

            - Durma, Madison - grunhiu-lhe ao ouvido.

            - Tem certeza de que quer que faça isso?

            - Sim, tenho certeza. Agora, durma.

            Sabia que não queria que ela dormisse; mas, naquelas circunstâncias, não tinha remédio. Não lhe tinham passado desapercebidos os olhares de seu tio durante o jantar. O tio e Abby sentiam curiosidade sobre os dois. Embora não tivessem perguntado nada, ficaram muito calados quando Madison, inocentemente, havia comentado que tinham passado dois dias na cabana dos Quinn.

            Depois de um tempo, o único que se ouvia na habitação era a respiração compassada de Madison. Inclinou-se sobre ela e lhe deu um beijo nos lábios, depois, saiu da cama para voltar para seu quarto. Antes de fechar a porta, voltou-se para ela e soube que se ele tivesse estado na pele de seu tio há trinta anos e se Madison tivesse sido sua mãe, de maneira nenhuma a teria deixado ir casar-se com outro homem.

            Por nada do mundo teria deixado que algo assim acontecesse.

 

                                   Capítulo Nove

            As duas semanas seguintes passaram rapidamente e o coração de Madison chorava de pena cada vez que via a mãe e Corey, juntos. Era óbvio que estavam apaixonados e que recuperavam o tempo perdido. Nunca tinha visto a mãe sorrir tanto e parecia que Corey tinha conseguido tirar dela uma mulher totalmente nova. Agora, sua mãe gostava de cozinhar, preparar sobremesas e ajudava Corey com as tarefas do imóvel como se fosse o mais natural. Os dias da Abby sofisticada tinham terminado; mas não de tudo: continuava pondo a mesa como se tivesse convidados especiais para jantar e, de vez em quando, podia-se ouvir música clássica pela casa.

            Madison via cada vez melhor a mudança de sua mãe e ia aceitando Corey como parte da família.

            Então, pensou em sua própria vida amorosa ou, melhor ainda, na falta dela. Stone ainda a visitava cada noite e ficava abraçado a ela até que dormia. Por respeito a mãe e a seu tio, negava-se a fazer amor; embora, ela sempre provocava para tentá-lo.

            Levava um tempo sonhando com que chegasse essa manhã. Sua mãe e Corey haviam dito que iam visitar outro rancheiro que vivia do outro lado da montanha. Isso significava que Stone e ela estariam sozinhos e teriam toda a casa para eles. Certamente, pensava fazer bom uso dela.

            Era consciente de quão difícil tinha sido para ele manter as mãos separadas dela, tão difícil quanto tinha sido para ela. Só tinha que olhá-lo nos olhos para ver o desejo refletido neles e para saber que estava desfrutando das correntes sensuais que seus olhos irradiavam.

            Stone passava os dias fora, ajudando o tio com as tarefas do rancho e a construir um novo celeiro. Quando voltava de tarde, tomava um banho antes de jantar e, normalmente, retirava-se ao seu quarto para trabalhar no seu livro, depois de conversar com todos um pouco. Mas, sem importar quão cansado estivesse, sempre ia cada noite ao quarto dela passar um momento a seu lado. Às vezes, simplesmente conversavam. Falavam do livro que ele estava trabalhando, sobre as cenas que tinha escrito nesse dia. Em algumas ocasiões, leu o que tinha escrito e ela se surpreendeu de que pudesse escrever aquelas coisas.

            Madison deixou escapar um suspiro de decepção e se sentou na mesa da cozinha. Parecia que Stone e ela não iam ter o rancho para eles sozinhos depois de tudo. Corey tinha anunciado durante o café da manhã que tinham mudado de opinião e que visitariam os Monroes em outra ocasião. Ao olhar Stone, viu nos olhos dele que sentia a mesma desilusão que ela.

            - Faz um lindo dia para sair ao campo, não acha?

            Ela olhou a seu redor e se encontrou com o sorriso de sua mãe, depois, encolheu os ombros.

            - Por que não vais procurar Stone e propõe uma excursão ao Cedar Canyon? Podem levar a caminhonete. É precioso e há um lago onde podem tomar banho.

            - Não trouxe traje de banho.

            Abby riu.

            - Pode levar um dos meus. Essa foi uma das primeiras coisas que Corey disse que comprasse para vir aqui. Com tantos arroios e lagos, teria sido uma pena não ter um.

            Madison olhou pela janela e viu Stone a distância, estava apoiado em uma cerca observando o tio amarrar um bezerro.

            - Provavelmente Stone esteja muito ocupado para sair assim.

            Abby voltou a rir.

            - Oh, não sei. Algo me diz que gostará da idéia.

            Certamente que gostou da idéia. Quando Madison contou, nem sequer perdeu tempo em ir à casa para tomar uma ducha e trocar-se. Morria de vontade de estar a sós com ela e, pela maneira como conduzia a caminhonete, parecia que tinha muita pressa para chegar ao destino.

- Vamos chegar logo, certo, Stone? - Stone a olhou e, embora ela estivesse sorrindo, deduziu que queria que fosse mais devagar.

            - Perdoa, imagino que esteja com muita pressa de chegar.

            - Por quê? Tem fome?

            Olhou-a nos olhos e decidiu ser totalmente sincero.

            - Sim, claro que tenho fome. Mas esta fome não tem nada que ver com o que há nessa cesta. Você é o que eu desejo.

            O sorriso dela se fez maior.

            - Só estava comprovando se ainda me desejava.

            Ele se voltou para um lado e parou o carro.

            - Desejo-te, Madison, não o duvide. Desejo-te tanto que me dói. Desejo-te tanto que se não fizermos algo logo, possivelmente sofra algum percalço.

            Ela olhou para sua calça e entendeu o que queria dizer.

            - Então, o melhor será que cheguemos o quanto antes.

            - Não.

            - Não?

            - Não acredito que possa esperar mais.

            Ela levantou uma sobrancelha e viu que ele desabotoava a camisa. A retirou e jogou sobre o assento traseiro.

            Ela engoliu com dificuldade. Tinha-o visto sem camisa em inumeráveis ocasiões, mas mesmo assim, cada vez que o via sentia calor e comichão entre as pernas. E não queria nem pensar no excitada que ficava quando o via nu!

            - Vá, vá! Pode alguém me dizer o que passa aqui? - disse com a voz rouca pelo desejo.

            Ele riu. Sua risada era tão excitante como todo o resto.

            - Sabe uma coisa que eu gosto desta caminhonete? Que é muito espaçosa.

            Desabotoou a cremalheira e levantou os quadris para tirar os jeans. Madison não desviava os olhos.

            - No lugar de me olhar tanto, podia começar a se despir.

            Ela pestanejou inocentemente.

            - Não acredito que esteja sugerindo que me dispa?

            - Sim, isso é exatamente o que te estou sugerindo porque ver-te nua é uma das coisas que mais eu gosto neste mundo. Quero-te nua e aberta debaixo de mim. Depois, quero me deslizar dentro de ti e te acariciar até que não possa mais - sussurrou com intensidade.

            O coração de Madison começou a pulsar com mais força. E o calor de sua feminilidade começou a queimar. Todo seu corpo começou a arder; mais ali, especialmente.

            - De acordo, me convenceu - disse ela levantando a saia e tirando a calcinha. - Me lembre que não me esqueça isso - acrescentou, mostrando um objeto diminuto de seda negra.

            Ele a tirou de suas mãos e a meteu no bolso da calça. Depois, tirou um pacote de preservativos.

            - Tentarei lembrar que tenho que devolver isso - disse com um grande sorriso.

            Depois, deixou os jeans ao lado da camisa.

            - Necessita ajuda com a saia e a blusa.

            Ela sorriu.

            - Não, obrigada. Acho que posso dar conta - disse, pensando que em seu estado atual se sentiria tentado a rasgar a roupa.

            - De acordo - disse enquanto a olhava atentamente.

            Conteve o fôlego ao ver que não usava sutiã e que, ao tirar a blusa, seus seis saiam livres. Seu já rígido membro ficou mais ereto.

            Madison olhou Stone.

            Deus, desejava-o tanto. Suas palavras a tinham aceso e não sentiu nenhuma vergonha por ficar nua no carro. Estava começando a descobrir que com Stone podia ser civilizada e sofisticada e, também, travessa e amalucada.

            Ele colocou o assento para trás e o espaço aumentou.

            Ela umedeceu os lábios enquanto o olhava, sobre tudo, enquanto olhava certa parte dele.

            - Está certo de que ninguém vai nos ver?

            - Estou certo. Nunca deixaria que ninguém te visse assim; tenho intenções de ser o único homem que te veja nua.

            Ela abriu a boca para dizer que aquilo soava a uma declaração, como se tivesse intenções de passar com ela uma boa temporada; mas antes que pudesse dizer algo, ele aprisionou sua boca com a dele e a atraiu para si.

            Seu beijo era um fiel reflexo de tudo o que havia dito que desejava; de tudo o que esteve guardando durante as últimas semanas. Agora, estava se liberando e o gemido que surgiu da garganta dela demonstrava o quanto gostava.

            Tinha sentido falta daquilo, uma oportunidade para gemer e grunhir a seu desejo sem ter que preocupar-se se por acaso alguém a ouvia. Além disso, sabia que Stone tinha muito reservado para ela; sabia que ia fazê-la gritar.

            Com um movimento ágil e suave, deitou-a sobre o assento e ela sentiu aquela parte dura dele procurando seu caminho entre suas quentes dobras. Decidiu que o menos que podia fazer, já que o desejava tanto, era ajudá-lo. Alargou a mão e o sujeitou com força. Estava quente, duro e grande.

            - Leva-o para casa, neném.

            As palavras de Stone, sussurradas com voz rouca pelo desejo fez que uma grande onda de paixão lhe percorresse o corpo.

            Ele colocou as pernas dela sobre os ombros e ela o guiou aonde ele queria. Quando entrou, penetrou até bem dentro e seu grunhido de prazer se confundiu com o suspiro de satisfação dela.

            Olhou-a nos olhos e o desejo que se refletia em seu olhar, afetou-a como nada a tinha afetado jamais.

            Ele sorriu e ela também.

            - Já sabemos que este veículo é espaçoso, agora, vamos ver o que agüenta.

            Antes que ela pudesse imaginar o que queria dizer, começou a empurrar com frenesi. O assento se movia muito e ela pensou que todo o veículo devia estar movendo-se enquanto o corpo dele se fundia com o dela uma e outra vez.

            - Não me canso de ti, Madison - grunhiu enquanto continuava unindo-se a ela, surpreso pela intensidade de seu desejo. Apertou a mandíbula e um som sibilante escapou entre seus dentes quando ela apertou os músculos ao redor dele, sem piedade. Reagiu empurrando ainda mais. Ela sentiu seu corpo convulsionar-se e o grito que saiu de sua garganta foi tão forte que todos os animais selvagens que havia pelos arredores deviam ter saído espavoridos. Naquele mesmo instante, ele pensou que devia ter ficado louco, especialmente, quando a ouviu explodir com outro orgasmo.

            Maldição!, pensou Stone. Nunca tinha tido uma experiência tão fulminante.

            Deixou-se cair extenuado nos braços dela. Era um milagre que a caminhonete não desmontou. Certamente, as janelas estavam totalmente embaçadas.

            Levantou o rosto para olhar à mulher que tinha debaixo dele. Ainda estavam unidos intimamente e sentiu que voltava a desejá-la. E soube, sem dúvida nenhuma, que não estava louco e sim totalmente apaixonado.

            - Como foi a excursão? - perguntou Corey enquanto se sentava à mesa para jantar.

            - Esteve bem - disse Madison, rapidamente, olhando Stone do outro lado da mesa. Alegrou-se de que ele não levantasse a cabeça porque, se o tivesse feito, teria se notado algo. Depois de fazer o amor na caminhonete pela segunda vez, tinham seguido para o Cedar Canyon. Tinham estendido uma manta junto ao lago e comido o lanche comida que sua mãe lhes tinha preparado. Depois, tinham-se despido e tornado a fazer o amor sobre a manta antes de tomar banho. Fizeram amor umas quantas vezes mais antes de voltar para rancho. Assim, a excursão tinha estado mais que bem.

            Depois do jantar, estavam sentados no alpendre, conversando sobre o novo celeiro, quando os cães começaram a ladrar. Corey ficou de pé.

            - Parece que temos visita - disse forçando a vista. Um sorriso iluminou seu rosto. - Parece que são Quade e Durango e outras duas pessoas.

            Todos ficaram olhando aos cavaleiros. Madison pestanejou surpreendida de que Corey não reconhecesse às outras duas pessoas, porque pelo aparência deviam ser da família. Os quatro poderiam passar por irmãos. Olhou Stone, que estava olhando aos outros dois homens com curiosidade. Os quatro cavaleiros desmontaram e se aproximaram do alpendre.

            - Durango, Quade, me alegro de lhes ver - disse Corey abraçando os sobrinhos. Depois se dirigiu para os outros dois homens.

            - Meu nome é Corey Westmoreland, bem-vindos a meu rancho - depois, franziu o cenho, como se ao vê-los se sentisse confuso. Olhou-os um segundo. - Conheço-os de algum lugar? Eu não gosto de olhar assim, mas parecem um montão com meus sobrinhos.

            Quade esclareceu garganta.

            - Há uma razão para isso, tio.

            Corey levantou as sobrancelhas com gesto interrogante.

            - Com certeza Stone te disse que alguém estava te buscando - disse Durango.

            - Sim - assentiu ele.

            Todos outros permaneciam em silêncio.

            Um dos homens, o mais alto dos dois, falou:

            - Lembra de Carolyn Roberts?

            Corey deixou cair os braços.

            - Sim, lembro-me dela. O que ela tem haver ela com vocês?

            O outro homem, que era tão alto quanto Corey respondeu.

            - Era nossa mãe.

            - Era? - perguntou ele, com suavidade.

            - Sim, morreu faz seis meses.

            Corey meneou a cabeça com tristeza enquanto recordava à mulher com quem tinha saído durante um ano.

            - Sinto muito. Sua mãe era uma boa mulher.

            - Sim. Disse-nos, antes de morrer, que você foi um bom homem - disse o mais alto. Corey deixou escapar um suspiro.

            - Me alegro de que pensasse assim de mim.

            - Isso não é tudo o que lhes disse, tio Corey. Creio que tem que ouvir tudo - disse Quade.

            Depois de olhar seu sobrinho, Corey se voltou para os dois homens.

            - Que mais lhes disse?

            Os homens se olharam antes de responder.

            - Também nos disse que você é nosso pai.

            Evidentemente, a notícia tinha afetado Corey no mais profundo, pensou Madison. Mas só teria que olhar aos homens para saber que aquela afirmação era certa. Quade era muito bonito e recordava Stone. Era calado, mas, quando falava, as pessoas o escutavam.

            Após estavam os outros dois homens, até então, desconhecidos. Chamavam-se Clint e Penetre.

            Corey os convidou para entrar na casa, para que lhe contassem toda a história.

            Quando se sentaram na mesa, parecia que todos estavam preparados. Sua mãe, como a boa anfitriã que sempre tinha sido, preparou café e tirou umas bolachas quando os homens recusaram jantar.

            Abby se sentou ao lado de Corey. Madison entendia que sua mãe ficasse com eles, mas, ao por ser um assunto familiar, pensou que devia lhes deixar sozinhos. Quando ia sair da habitação, Stone a segurou pelo braço e a abraçou pela cintura.

            - Fique – disse tão perto dos lábios que pensou que ia beijá-la.

            Ela olhou Quade que tinha um sorriso misterioso nos lábios.

            Sem dizer nada, Madison se sentou em uma cadeira ao lado de Stone.

            - Podem começar pelo princípio? – rogou Corey ao Clint e Penetre.

            Clint, o mais alto, começou a falar:

            - Faz vinte e nove anos, minha mãe teve trigêmeos.

            - Trigêmeos! - exclamou Corey, levantando-se ligeiramente de seu assento. Clint assentiu.

            - Sim.

            Corey meneou a cabeça.

            - Os embaraços múltiplos são muito comuns na minha família; mas, eu nem sequer sabia que estava grávida!

            - Sabemos. Disse-nos que partiu sem dizer isso depois de que romperam. Partiu para o Texas, com uns tios. Apresentou-se na porta deles com uma história inventada. Disse-lhes que se casou com um homem que ia de rodeio em rodeio e que tinha morrido em uma competição. Disse-lhes que esse homem se chamava Corey Westmoreland. Inclusive conseguiu documentos falsos para prová-lo. Imaginamos que fez aquilo porque só tinha vinte e quatro anos e os tios, sua única família, eram muito idosos e muito religiosos. Provavelmente, a teriam olhado mal se houvesse dito que não estava casada.

            Clint fez uma pausa para dar um gole no café e depois continuou:

            - De qualquer forma, inteirou-se de que ia ter trigêmeos e, como já se acostumara em ser a senhora Westmoreland, pôs-nos o sobrenome . Era o mais normal. Crescemos pensando que nosso pai tinha morrido antes que nascêssemos. Quando nossa mãe estava prostrada na cama nos contou toda a história, poucos minutos entes de morrer.

            Penetrei seguiu com a história.

            - Disse-nos que nosso pai era Corey Westmoreland, mas que não estava morto. Não sabia onde estava. Pediu-nos que o procurássemos e que lhe disséssemos que sentia muito não ter contado sobre nós. Se te houvesse dito que estava grávida, com certeza teria feito o mais honesto e teria casado com ela; mas ela sabia que seu coração pertencia a outra. Acredito que morreu em paz depois de nos contar a verdade.

            Durante um momento, ninguém disse nada.

            Stone agarrou a mão de Madison e a apertou com força. Parecia muito afetado e Ma­dison não se surpreendia porque também a tinha comovido a história.

            Corey esclareceu garganta, mas todos nota­ram seus olhos úmidos.

            - Agradeço que me permita conhecer a verdade depois de todos estes anos – voltou a esclarecer garganta. – Disseram que são trigêmeos. Isso significa que tenho três filhos.

            Clint riu.

            - Bom, tem dois filhos e uma filha. Casey é uma garota e a razão pela que não está aqui é porque está custando assimilar tudo isto. Mamãe e ela eram muito unidas e, agora, se inteira de que seu pai está vivo. Está passando-o um pouco mal.

            Uma vez mais se fez um silêncio.

            Então, falou Stone.

            - Caramba! Outra garota Westmoreland. Nós acreditávamos que Delaney era a única - voltou-se para seus primos com um sorriso. – Também os deixava loucos como Delaney a nós?

            Os dois irmãos intercambiaram um sorriso.

            - Loucos é pouco. Esperem conhecê-la. Então, entenderão.

           

Madison estava aconchegada nos braços de Stone na cama.

            - É uma pena a morte de Carolyn, mas, ao menos a história não acabou mal de tudo: Clint e Penetre conheceram seu pai e Corey se inteirou de que tem três filhos.

            Stone deu um beijo em Madison.

            - Verá quando toda a família se inteire. Deu-te conta do orgulhoso que ficava o tio ao inteirar-se de que os dois eram guardas florestais?

            Pouco depois, quando Madison adormeceu, Stone saiu do quarto sem fazer ruído. Ao sair ao corredor, topou com Durango.

            - Parece que estiveste que visita noturna? - disse Durango com um grande sorriso.

            - Por que não está na cama como todo mundo?

            - Porque estava te procurando. Ao ver que não estava no quarto, deduzi que tinha ido tomar um banho. Evidentemente, estava equivocado.

            - Evidentemente. Para que me buscava?

            - Para te dar isto – disse mostrando um telegrama. - Chegou faz alguns dias.

            Stone o pegou e abriu.

            - Maldição!

            - Más notícias?

            Stone meneou a cabeça.

            - É do meu agente. Querem fazer um filme do meu último livro e a oferta é de oito cifras. Quer que me presente em Nova Iorque dentro de dois dias para dar a notícia na feira do livro do Harlem.

            Durango sorriu.

            - Caramba, Stone! Isso é maravilhoso.

            - Sim – concordou desinteressado. - Mas, neste momento, não quero estar em nenhum outro lugar.

            Durango levantou uma sobrancelha, confuso.

            - Por que não?

            Stone não respondeu.

            - Entendo.

            - O que é que entende, Durango?

            - Entendo, que essa garota da cidade te apanhou como me apanharam há alguns anos. Escute, tenha muito cuidado para não te apaixonar. Dor de coração é muito dura.

            Stone tomou fôlego.

            - Acredito que seu conselho chegou muito tarde.

            Sem dizer nada mais, partiu.

           

Stone olhou o relógio enquanto esperava que Madison descesse para tomar o café da manhã. Partiria com Durango e Quade em menos de uma hora. Clint e Penetre iam ficar um tempo com Corey.

            - Stone? Minha mãe disse que queria me ver.

            Stone a olhou com um sorriso e tomou uma mão entre as suas.

            - Durango trouxe um telegrama. Meu agente quer que esteja em Nova Iorque para um tema relacionado com meu livro. Tenho que partir imediatamente.

            A face de Madison mostrou sua decepção.

            - Vou sentir sua falta.

            Ele a abraçou com força.

            - Eu também. Voltarei assim que acabar. Estará aqui quando voltar?

            Ela o olhou nos olhos.

            - Não sei, Stone, eu...

            -P or favor, me espere, Madison. Você ainda não estive em Yellowstone e quero te levar para conheçer.

            Ela sorriu com tristeza.

            - Eu gostaria.

            Sem se importar com quem pudesse aparecer no corredor, abraçou-a com força e a beijou. Precisava levar isso dela para agüentar até que voltasse a vê-la. Depois, pensava ter uma longa conversa sobre seu futuro juntos.

            - Voltarei assim que puder – sussurrou junto aos seus lábios. Ela assentiu.

            - Estarei contando os dias.

            - Eu também.

           

                             Capítulo Dez

            Em qualquer outro dia, Stone teria desfrutado da festa em sua honra; mas, naquele momento, não gostava nada de estar ali. Seu agente, Weldon Harris tinha organizado essa festa surpresa e havia convidado até à imprensa. Stone apertou os dentes ao ver que Noreen Baker, a jornalista que tanto detestava, tinha sido convidada.

            Estava mortificado, sobre tudo, porque o que podia ter solucionado em alguns dias, entre festas e entrevistas, estava durando mais de uma semana. O telefone de seu tio ainda estava quebrado e não podia contatar Madison para explicar por que estava demorando tanto para voltar.

            Viu que Noreen Baker olhava para ele, o último que desejava era ter que cumprimentá-la. Voltou-se para escapar, mas ela o chamou. Teria sido muito grosseiro de sua parte não responder. Suspirou profundamente quando ela chegou.

            - Parabéns. Deve estar muito orgulhoso.

            - Estou - disse ele, cortante, decidindo que não queria conversar com ela. Ela olhou a seu redor.

            - Tenho que dizer que esta é uma festa estupenda.

            - Me alegro de que você goste, agora, se me...

            - Continua se isolando?

            Ele parou em seco.

            - Não me isolo. De fato, estou em um programa de voluntários para ensinar pessoas a ler. Por que não escreve algo sobre esse programa?

            - Não. Quero algo mais pessoal. Depois do anúncio que fez, é a pessoa que mais interessa e por ser jovem, solteiro e rico, terá muitas mulheres te perseguindo. Tem alguma noiva? Planos de casamento?

            Stone pensou imediatamente em Madison. Adoraria anunciar ao mundo inteiro que estava apaixonado por ela e que queria casar-se; mas informações como essa, especialmente nas mãos desse abutre em particular, podia ser realmente prejudicial para Madison. Noreen não lhe daria nem um minuto de pausa até conseguir uma história, do tipo que fosse.

            - Como posso pensar em casamento se não existe nenhuma mulher especial na minha vida?

            - E um homem?

            Stone a olhou com incredulidade.

            - Você que seguiu minha vida tão de perto deveria saber.

            - De acordo. Foi um golpe baixo e admito. Então, não há uma só mulher que interesse Rock Maçom?

            Stone franziu o sobrecenho.

            - Acredito que já deixei isso bem claro. Rock Maçom não está interessado em ninguém em particular; de fato, adora estar solteiro.

            - Por isso vai fazer uma excursão de quatro meses pela Europa?

            Stone voltou a enrugar o cenho, perguntando-se como era possível que as notícias voassem daquela maneira. Ainda não tinha tomado nenhuma decisão sobre se ia fazer essa maldita excursão. Dependia de Madison. Só iria se ela fosse com ele. Não tinha intenção de deixá-la para trás.

            Olhou Noreen nos olhos e respondeu:

            - Sem comentários. Se me perdoar, há alguém a quem quero cumprimentar - e se afastou dela.

           

Três dias depois, Stone estava no quarto do hotel, fazendo por fim a mala para voltar para Montana. Tinha falado com sua família em Atlanta e estavam encantados de que agora houvesse três Westmoreland mais. Também tinha falado com Durango que havia dito que não tinha falado com o tio nem o tinha visto desde que partiu.

            Stone desejava voltar para Madison. Sentia falta dela. Olhou ao televisor e se surpreendeu ao ver-se. Aproximou-se do aparelho e subiu o volume. Então, apareceu Noreen Baker na tela.

            - Como já informamos na semana passada, o conhecido autor Rock Maçom vendeu os di­reitos sobre seu último livro para um filme. A quantia que se comenta tem oito zeros! Faz algumas noites conversei com ele em uma festa em sua honra e desmentiu que tivesse alguma relação. Assegurou-me que ainda prefere deitar-se com as mulheres em lugar de casar-se com elas. Também tem planos de fazer uma viagem de promoção de seu livro de quatro meses pela Europa. Assim, se alguma de vocês, tinha alguma esperança com o senhor Amealhador de Dinheiro, já podem ir esquecendo. Stone é inflexível, no que diz respeito ao casamento, e pensa manter seu celibato por um bom tempo ainda.

            Stone apagou o televisor, meneando a cabeça. Certamente, não se podia esperar nada de bom daquela víbora. Saiu a seguir com a bagagem. O táxi o recolheria em uma hora para levá-lo ao aeroporto. O único que podia pensar era que ia voltar a ver Madison.

           

Há centenas de quilômetros de distância, Madison também estava fazendo as malas. Tinha visto o programa que aparecia Noreen Baker e tinha escutado tudo o que havia dito. Stone estava fora a dez dias e ela não tinha sabido nada dele. Embora o telefone continuasse estragado, se tivesse querido contatar com ela, podia ter escrito uma carta ou algo. O avião de pequeno porte dos correios deixava a correspondência duas vezes à semana.

            «Ainda preferia deitar com as mulheres no lugar de casar-se com elas...»

            Fechou os olhos, lutando para conter as lágrimas. Como tinha permitido que as coisas chegassem tão longe quando já havia dito desde o começo que não estava interessado em casar-se? Não queria ter que preocupar-se com ninguém e ia demonstrá-lo partindo durante quatro meses para a Europa.

            Se agora estava sofrendo era por culpa dela, pensou, irritada consigo mesma. Ela sozinha imaginou que significava algo para ele, que cada vez que faziam amor era algo mais que sexo. Inclusive tinha chegado a pensar...

            - Vai partir?

            Voltou-se ao escutar a voz de sua mãe. Assentiu e continuou com o que estava fazendo. Corey e sua mãe estavam com ela na sala vendo televisão quando escutaram o que dizia a jornalista.

            - Fugir não solucionará nada, Madison. Disse ao Stone que estaria aqui quando voltasse e...

            - O que te faz pensar que vai voltar, mamãe? Você escutou o que disse essa jornalista. Já tem planos para viajar por quatro meses pela Europa. Cometi o engano de esperar muito. Ponto final.

            Abby se aproximou da filha.

            - Não é tão fácil pôr um ponto final quando se ama alguém. O ponto final só chega quando os dois estão juntos.

            Madison lhe deu as costas.

            - Possivelmente isso tenha funcionado para o Corey e para a senhora, mas vocês se amam e merecem um fi­nal feliz. Eu sei o que sinto pelo Stone, mas, em nenhum momento disse que me amava, jamais insinuou que tivéssemos um futuro juntos. Cometi o engano de me iludir. Nunca pensei que ia me apaixonar por ele tão rapidamente e com tanta intensidade, mamãe, mas passou. Não me arrependo de amá-lo, o único que dói é que ele não sinta o mesmo; mas o superarei. Sou uma sobrevivente e algum dia, de algum jeito, superarei.

            Abby pegou a filha pela mão e a abraçou. Sabia que não podia dizer ela que uma mulher nunca esquecia o homem que amava. Ela o tinha tentado e não o tinha obtido.

            Suspirou ao soltar Madison e deu um passo atrás.

            - Quando pensa partir?

            - Pela manhã. Já falei com o Corey. O avião dos correios virá amanhã e com certeza não se importará de me deixar no Silver Arrow. Quando voltar, entrarei em contato com o instituto para dar aulas durante o verão.

            Abby acariciou a face de sua filha, sentindo a dor. Para que ela embarcasse em um avião tão pequeno tinha que estar muito desesperada por partir.

            - Tinha esperança de que ficasse conosco uma temporada, pelo menos, até o final do verão.

            Madison assentiu. Ela também tinha sonhado com isso; mas agora sabia que o melhor era voltar para Boston.

            - Voltarei em dezembro, para as bodas.

            Só pensar nisso lhe doía porque sabia que Stone também estaria ali. Acabaria de voltar da Europa.

            - Além disso, vais voltar para casa em setembro para te ocupar dos assuntos legais do centro.

            Abby sorriu.

            - Iremos à ópera.

            Madison sorriu entre um rio de lágrimas.

            - Isso será genial, mamãe.

           

- Como que não está aqui?

            Corey cruzou os braços.

            - É o que acabo de te dizer. Foi-se. De verdade esperava que ficasse depois do que ouviu no programa de televisão?

            - Que programa? - perguntou Stone com o cenho franzido.

            - Aquele no qual uma jornalista anunciava ao mundo inteiro que preferia te deitar com uma mulher a te casar com ela. Provavelmente, Madison pensou que entrava dentro desse grupo.

            Stone esfregou o rosto com as duas mãos.

            - Como ela pode pensar algo assim?

            Corey se apoiou na coluna do alpendre.

            - Como não? Alguma vez lhe disse que era de outra maneira?

            Stone tomou fôlego.

            - Não.

            - Então? Atuou como o faria qualquer mulher, tendo em conta as circunstâncias. Além disso, a jornalista falou de uma viagem pela Europa e Madison deve pensar que se vai embarcar em algo assim era porque ela não te importava nada.

            Stone olhou a seu tio nos olhos.

            - Madison o é tudo para mim. Amo-a tanto que dói.

            Corey esfregou o queixo.

            - E o que me diz do que nos disse toda vida sobre a liberdade, a busca de aventuras, o não ter que pensar em ninguém...? Isso por não falar de perder o controle de sua vida.

            - Minha perspectiva mudou ao me apaixonar por Madison.

            Durante um momento, nenhum dos dois falou.

            - Vou comer algo e partir.

            - Aonde vai?

            Stone meteu a mão no bolso, onde tinha o anel com o diamante.

            - Vou atrás de Madison.

           

Stone a viu quando saiu do instituto. Abby tinha contado que como vivia perto, preferia ir andando. Além disso, estacionar no centro de Boston era quase impossível.

            Lembrava que Madison havia dito em uma ocasião que amava Boston. Não lhe importava mudar sua casa para ali, se esse era o lugar onde ela queria viver. Iria a qualquer parte para estar a seu lado.

            Stone sentia o coração transbordante de amor ao vê-la descer pela calçada a passo ligeiro. Decidiu que já não podia esperar mais. Cruzou a rua de duas pernadas, quando ela parou em um posto de fruta que havia na rua.

            - Madison?

            Madison levantou a cabeça. Levou a mão ao peito e, durante um instante, não pôde respirar.

            - Stone, o que faz aqui? - perguntou, surpreendida de quão bonito era. Tinham passado doze dias desde à última vez que o tinha visto. E ao vê-lo de novo recordava quão apaixonada por ele estava. Usava calças cor cáqui e camisa azul claro. Madison fez um esforço para não olhá-lo de cima abaixo.

            Estava-a olhando com tal intensidade que Madison sentia os joelhos tremendo.

            - Disse que estaria na casa do tio Corey quando voltasse - disse ele com uma voz profunda e rouca.

            Ela molhou os lábios com nervosismo e, ao recordar tudo o que a jornalista havia dito, decidiu que não tinha que dar nenhuma explicação, como ele não tinha que dar a ela.

            - Como minha mãe estava bem, decidi voltar para casa - disse, e voltou a olhar a fruta.

            - Acredito que temos que falar - disse ele e ela voltou a olhá-lo. Depois, desejou não havê-lo feito.

            Estudou suas feições. Estava mal barbeado e sob os olhos se notavam linhas de cansaço. Parecia esgotado.

            - Quando foi a última vez que você dormiu uma noite inteira? - perguntou ela sem deixar de olhá-lo. Perguntou-se se a falta de sono se deveria a todas as festas que tinha estado em Nova Iorque.

            Ele encolheu os ombros.

            - Não dormi nada no avião de Nova Iorque a Montana pela emoção. Quando cheguei ao rancho e não estava, voltei imediatamente para aeroporto e tomei um avião até aqui.

            - Por quê?

            -Porque tenho que falar contigo.

            Ela deixou escapar um suspiro.

            - Onde estão suas coisas?

            - Em um hotel. Há por aqui algum lugar onde possamos nos sentar a conversar por um momento?

            Madison engoliu com dificuldade. Tinha o pressentimento de que sabia o que ia dizer e pensou que quão último queria era levá-lo a sua casa, porque não queria ter lembranças dele ali.

            Mas era o lugar mais próximo e o menos que podia fazer depois de todos os quilômetros que tinha percorrido para falar com ela era oferecer uma xícara de café.

            - Meu apartamento está perto. Podemos ir até lá, quer?

            - Claro.

            Caminharam um junto ao outro calados; apenas um comentário sobre um monumento ao passar. Em seguida chegaram às torres do Ritz-Carlton. Ele a olhou surpreso.

            - Vivo na parte residencial. Uma parte da torre tem apartamentos privados - explicou ela, depois de saudar o porteiro. - Se entra por um saguão distinto do hotel.

            Assentiu e a seguiu para dentro do luxuoso saguão que conduzia a um elevador privado.

            - Quanto tempo faz que mora aqui?

            - Desde que acabei a universidade, aos vinte e um anos. Meu pai me deixou um dinheiro de herança e minha mãe aconselhou que comprasse uma casa, e foi o que fiz. Este apartamento, agora vale o dobro de quando o comprei. Está ao lado do meu trabalho e além disso posso usar os serviços do hotel, mensageiros, limpeza.... Também posso utilizar o restaurante, a piscina... Inclusive se chegar muito cansada, posso solicitar serviço de quarto.

            Stone gostou da casa no momento em que entrou. Era espaçosa e estava decorada com muito estilo e elegância. Via-se que os móveis eram caros e acrescentavam calor.

            - Tem um quarto, um banheiro e um chuveiro, uma sala com lareira, cozinha e escritório, exatamente o que preciso - disse ela, aproximando-se para abrir as cortinas. A janela que ia do chão até o teto oferecia uma vista maravilhosa de Boston.

            Ele observou um piano branco precioso que havia no meio da sala.

            - Esse foi o último presente que meu pai comprou para mim antes de morrer. Com quinze anos, foi como se meus sonhos tivessem se tornado realidade. Os pianos Sauter são conhecidos por seu som de qualidade, seu toque suave e sua expressividade única - tirou uns cachos do rosto. - E como pode ver, é precioso. Passei muitas horas felizes tocando-o.

            Stone assentiu.

            - Tocas com freqüência?

            - Sim. O piano me relaxa - decidiu não dizer que desde que havia retornado de Montana a música do piano era a única coisa capaz de aliviar um pouco a dor do seu coração. - Sente-se. Vou preparar um café.

            - Obrigado - viu-a deixar a sala. Tinha pensado em tudo o que ia dizer, mas chegado o momento, parecia que ficava sem palavras. Para ele era muito fácil escrever coisas em um papel; mas aquilo não era ficção. Era um assunto realmente importante.

            Sentou-se no sofá e gostou da suavidade do couro. Toda a sala cheirava a ela. Apoiou a cabeça no respaldo e decidiu fechar os olhos durante um segundo. Podia ouvir os movimentos na cozinha e o som dos navios ao passar pelo porto. Mas sua mente se desconectou de tudo e, lentamente, adormeceu.

            Quando Madison saiu com o café assim o encontrou. Decidiu deixá-lo dormir um pouco. Pegou uma manta e o cobriu.

            - Deita e descansa um pouco.

            Ele tentou levanta.

            - Mas, temos que conversar - queixou-se meio dormindo.

            - Logo falaremos, quando despertar. - Madison deixou escapar um suspiro. Queria falar com ela. Provavelmente, depois do idílio que tinham vivido, sentia necessidade de comunicar pessoalmente que não podia continuar.

            Voltou a deixar escapar outro suspiro e foi tomar um banho.

           

            Stone abriu os olhos lentamente e escutou a música clássica que soava. Imediatamente reconheceu Bach. Muito devagar, incorporou-se e se levantou do sofá dobrando a manta com a qual Madison o tinha agasalhado.

            Deixou escapar um suspiro. Havia viajado tantos quilômetros para falar com ela e adormecera. Estirou-se e decidiu ir procurá-la. Precisava contar o que sentia por ela e esperava que ela sentisse o mesmo.

            A encontrou no balcão com um caftán e descalça. Tinha uma taça de vinho na mão.

            Seus olhares se encontraram e assim permaneceram um instante.

            - Que tal a sesta?

            - Não pensava adormecer dessa maneira. Sinto muito.

            - Estava muito cansado - desculpou-o ela.

            - Temos que conversar.

            Ela se voltou a olhar a cidade.

            - Não precisava ter se incomodado em vir, Stone. Desde o começo, eu sabia como eram as coisas pelo que não me deve nenhuma explicação.

            Ele levantou uma sobrancelha sem saber do que estava falando.

            - Ah, não?

            - Não. Você nunca mentiu. É livre para ir onde queira. Imagino que estará preocupado porque como seu tio e minha mãe vão casar, não quer que haja maus sentimentos entre nós. Mas não os haverá. Não tem que preocupar-se com nada, sempre te considerarei meu amigo.

            Stone lhe tirou a taça da mão e a bebeu de um gole.

            Ela o olhou com curiosidade.

            - Então, acha que por isso estou aqui? Para acabar nossa relação com elegância? - perguntou, com um sorriso.

            - Não é assim? - perguntou com voz fraca. Algo se moveu dentro de Stone. Tinha que ter-lhe dito antes. Que a amava e que o que tinha havido entre eles era muito mais que sexo. Tinha se impregnado até o mais profundo de seu ser e agora já não podia viver sem ela. Devia ter-lhe dito antes de ir para Nova Iorque, mas a partida tinha sido tão precipitada que não lhe agradou fazer daquele modo. Agora se arrependia.

            - Vamos para a sala.

            Ele a pegou pela mão e a conduziu até o sofá. Quando se sentaram, tomou suas mãos entre as dele.

            - Temos que esclarecer muitas coisas.

            Ela levantou uma sobrancelha.

            - Quais?

            - A razão pela qual estou aqui e pela qual estou a quarenta e oito horas sem dormir é porque quero te dizer que não penso ir a nenhuma parte, nem a Montana, nem a Nova Iorque, nem em excursão pela Eu­ropa, se não vier comigo.

            Madison o olhou confusa.

            - Não entendo.

            Ele riu.

            - Evidentemente, e tudo é por minha culpa. Há algo que deveria ter te dito cada vez que fazíamos amor.

            Ela cada vez estava mais nervosa.

            - O que?

            - Que te amo.

            Olhou-o perplexa.

            - Mas... mas... eu não sabia... - gaguejou sem conseguir dizer nada.

            - Por isso estou aqui, Madison, para fazê-la saber. Acredito que me apaixonei por você na primeira vez que te vi no avião; embora custasse um tempo para assimilá-lo. Deveria ter dito antes de ir para Nova Iorque, mas tudo foi tão rápido que pensei que era melhor dizer na volta. Depois, a viagem durou mais do que o esperado. Eu também vi o programa de televisão, mas não imaginei que quando escutasse a essa bruxa fosse pensar que tinha algo que ver contigo. Quando falou comigo, não quis dizer nada de ti porque queria manter o nosso relacionamento em particular. Além disso, primeiro tenho que saber o que você sente por mim.

            Se inclinou sobre ela e lhe deu um beijo. Ela o abraçou com força e o olhou cheia de felicidade.

            - Quero-te, Stone, com todo meu coração. Acredito que eu também me apaixonei na primeira vez que te vi. Deu-me tanta vergonha quando me dei conta de que tinha estado a ponto de te tocar... Mas agora sei que a mão foi aí por algo - disse deslizando a mão para baixo para tocá-lo exatamente «aí».

            Sorriu ao notar que estava duro porque sabia o que isso significava.

            Stone grunhiu seu nome e voltou a cativar sua boca com a dele, quando o beijo se intensificou, ela se afundou nele, devolvendo a carícia como a tinha ensinado, desfrutando da paixão que havia entre os dois. Por fim, ele se separou e tomou sua face entre as mãos.

            - Quer casar comigo, Madison? Quer passar o resto da sua vida comigo? Sei que você adora Boston e se quiser que vivamos aqui...

            Pôs um dedo nos seus lábios.

            - Sim, quero me casar contigo, Stone. Quero-te e minha casa sempre estará onde você estiver. Sei que gosta de viajar e, depois de visitar Montana e ver quão formosa é, dei-me conta do que estive perdendo ao não viajar. Agora quero viajar contigo.

            Ele voltou a beijá-la emocionado.

            - Quero-te. Trouxe isto de Nova Iorque - disse colocando a mão no bolso para tirar a caixa de veludo.

            Com lágrimas nos olhos, Madison a abriu com mãos trêmulas e retirou um precioso anel de diamantes.

            Ele o tirou de suas mãos e o pôs.

            - Quero que nos casemos o quanto antes; embora não importe de esperar se você quiser um casamento em grande estilo.

            - Não. Isso era o que queria com Cedric, mas não com nossas bodas; nós não o necessitamos.

            O sorriso de Stone iluminou-lhe o rosto.

            - Nos casaremos neste verão, em Montana. Tio Corey preparou uma festa familiar para apresentar a todos sua mãe. O que te parece se aproveitarmos a ocasião?

            - Parece-me genial. Quando parte para a Europa?

            Ele meneou a cabeça.

            - Ainda não defini nada. Tudo dependia do que você queria fazer. Sei que você gosta de ensinar e...

            Ela negou com a cabeça.

            - Também gosto de compor. Agora posso aproveitar para fazê-lo.

            - Acredito que é uma idéia maravilhosa - disse e a tomou nos braços para levá-la para o quarto. - Agora podemos nos dedicar a outros assuntos.

            Desejava mais que nada no mundo acariciá-la por toda parte, beijá-la por toda parte e, depois, fazer amor até que os dois ficassem exaustos.

            Quando os dois estavam chegando em uma espiral de paixão, perdidos em um prazer indescritível, Stone soube que seus pais tinham acertado quando predisseram para os filhos amor a primeira vista.

            Agora, desejava amar Madison pelo resto da vida.

 

                                   Epílogo

            Quando Stone e Madison voltaram para Montana, descobriram que Corey e Abby tinham decidido não esperar até o Natal para se casarem. Assim, os dois casais decidiram se unir no mesmo dia de agosto.

            O dia do casamento tinha chegado por fim e Madison olhou ao seu redor. Ninguém como sua mãe podia levar tanto estilo, graça e elegância às montanhas de Montana. Quase todos os convidados tinham chegado de avião ao aeródromo que vários rancheiros tinham no alto das montanhas. Sua mãe havia trazido uma banda e a uma empresa de restauração de Boston. Tudo estava perfeito.

            - Está preparada?

            Madison olhou seu flamejante marido. Fazia menos de uma hora que se casaram e tinha chegado o momento das apresentações.

            - Sim, estou preparada.

            Stone a beijou nos lábios e a levou pela mão para apresentá-la a seus irmãos, primos e tios. Os Westmoreland eram uma grande família.

            Depois das apresentações, Stone tomou Madison em seus braços. Dentro de poucas horas partiriam para passar uma semana em São Francisco. Sua mãe e Corey iam em direção contrária, a Jamaica.

            Madison nunca tinha estado em São Francisco e Stone, que tinha estado ali em várias ocasiões, tinha planejado a lua de mel.

            Neste mês partiriam para um giro pela Europa e voltariam pouco antes do Natal. Já tinham decidido instalar sua casa em Atlanta.

            - Não posso esperar para te ter somente para mim - sussurrou Stone enquanto se dirigiam para o centro da festa para cortar o bolo nupcial.

            - Eu tampouco – disse Madison com um sorriso que dizia tudo.

            Tinha uma surpresa para ele: tinha composto uma canção para ele. Enquanto olhava a seu marido com olhos de apaixonada, pensou que aquela canção permaneceria em seu coração para sempre.

  

                                                                  Brenda Jackson

 

 

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