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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


GUARDIÃO SOMBRIO / Christine Feehan
GUARDIÃO SOMBRIO / Christine Feehan

 

 

                                                                                                                                   

  

 

 

 

 

Dois anos depois de LENDA SOMBRIA, Lucian, o mais poderoso e temido de todos os homens dos Cárpatos, viaja para os Estados Unidos em busca de sua companheira.

Jaxon Montgomery é uma mulher perseguida. Treinada pelas Forças Especiais e endurecida por uma infância traumática. É uma policial de reputação indiscutível. Encontra seu companheiro quando está a ponto de morrer nas mãos de seu inimigo. Perseguida por todos lados, só pode confiar no misterioso desconhecido que parece mais perigoso que todos outros.

Ele corre com os lobos... Materializa-se da névoa... Impõe aos céus sua vontade... Foi o Guardião Sombrio de sua gente. Agora, depois de séculos de uma existência erma e sem alma, Lucian encontra a pequena, curvilínea e colorida policial, Jaxon Montgomery. Que estupidez teria ela cometido, para que o trabalho de sua vida fosse proteger os outros?

Ferozmente atrevida, Jaxon sacrificaria o que fosse possível, para proteger os outros... Particularmente, desde que uma ameaça mortal, segue cada um de seus passos, ameaçando a todos os seus.

E estranhamente sedutor, agudamente erótico, este desconhecido que a reclama não é uma exceção. É poderoso e perigosamente hipnotizador... Amável, embora claramente um predador nato. Deseja possuí-la, guardá-la para sempre... Por que sente então, que é ela que deve protegê-lo?

 

 

 

 

O povoado era muito pequeno para resistir contra o exército que avançava velozmente para eles. Nada detinha o passo dos Turcos. Tudo o que encontraram em seu caminho tinha sido destruído, todo mundo assassinado. Cruelmente assassinado. Os corpos eram empalados em estacas afiadas e abandonados para que os urubus terminassem com eles. Corriam rios de sangue. Ninguém se salvava, sequer as crianças menores ou os mais velhos. Os invasores queimavam, torturavam e mutilavam, deixando para trás rastos, fogo e morte.

O povoado estava estranhamente silencioso, nem sequer uma criança se atrevia a chorar. As pessoas só podiam olhar uns aos outros com desespero e tristeza. Não haveria ajuda, nem forma de deter o massacre. Cairiam como haviam caído todos os povos antes que eles, ante esse terrível inimigo. Eram muitos poucos e tinham somente arma de camponeses para lutar contra o avanço das hordas. Estavam indefesos.

E então os dois guerreiros chegaram caminhando a grandes passos, saindo da névoa noturna. Moviam-se como uma unidade, em perfeita harmonia, com um passo perfeito. Moviam-se com uma peculiar graça animal, fluídica, sutil e totalmente silenciosa. Os dois eram altos e de ombros largos com cabelo longo e olhos da morte. Alguns disseram que puderam ver as vermelhas chamas do inferno ardendo nas profundezas dos gelados olhos negros.

Homens adultos se separavam de seu caminho, as mulheres desapareciam nas sombras. Os dois guerreiros não olharam nem à direita nem à esquerda e ainda assim, viram tudo. O poder se colava a eles como uma segunda pele. Deixaram de se mover. Ficaram tão imóveis como as montanhas circundantes, enquanto o mais velho dos camponeses se unia a eles diante das esparramadas cabanas, de onde podiam esquadrinhar o prado vazio que os separava do bosque.

– Que notícias trazem? – Perguntou.– Ouvimos rumores de matanças por toda parte. Agora é nossa vez. E nada deterá esta tempestade de morte. Não temos nenhum lugar aonde ir, Lucian, nenhum lugar onde esconder nossas famílias. Lutaremos, mas como todos outros, seremos derrotados.

– Viajamos rápido esta noite, Velho, precisam de nós em outro lugar. Dizem que nosso Príncipe foi assassinado. Devemos voltar com nossa gente. Sempre foi um homem, amável. Gabriel e eu sairemos esta noite e faremos o que pudermos para te ajudar antes de partir. O inimigo pode ser pessoas muito supersticiosas.

Seu tom era puro e formoso, como veludo. Todos o que ouviam essa voz não podia evitar fazer o que Lucian ordenava. Todos os que a ouvia, desejava somente ouvi-la sempre. Só a voz podia enfeitiçar, podia seduzir, podia matar.

– Vão com Deus. – Sussurrou o camponês agradecido.

Os dois homens se moveram. Em perfeito ritmo, fluídico e silencioso. Uma vez que perderam de vista o povoado, sem dizer uma palavra, transformaram-se exatamente no mesmo momento, tomando a forma de duas corujas. As asas batiam com força enquanto voavam em círculos sobre a região, procurando o exército adormecido. A várias milhas do povoado, a terra sob eles estava infestada por centenas de homens.

A névoa se moveu, espessa e branca e desceu sobre a terra. O vento cessou, fazendo que a névoa se tornasse densa e condensada. Sem advertência, as corujas desceram silenciosamente do céu, com as garras estendidas diretamente para os olhos dos sentinelas. As corujas pareciam estar por toda parte, trabalhando com uma sincronização precisa, de forma que já estavam longe, antes que alguém pudesse assistir os guardas. Gritos de dor e terror encheram o vazio do silêncio e o exército despertou, pegando às armas e procurando o inimigo entre a espessa névoa branca. Viram seus próprios sentinelas, com as conchas dos olhos vazias e o sangue correndo pelas faces e correndo às cegas em todas direções.

No centro da massa de homens se ouviu uma falência, depois outra. Golpe atrás de golpe, duas linhas de homens caíram, com o pescoço quebrado. Era como se escondidos na névoa espessa, houvessem inimigos invisíveis, movendo-se rapidamente de homem a homem, rompendo pescoços com as mãos nuas. Explodiu o caos. Os homens corriam gritando e desapareciam no bosque próximo. Mas os lobos, vindos de alguma parte, mordendo com poderosas queixos, colocou o exército em retirada. Os homens caíam sobre suas próprias lanças como se estas se movessem por vontade própria. Vozes que sussurravam nos ouvidos dos soldados, no ar, falando de derrota e de morte. O sangue banhou a terra. A noite seguiu e até que não houve lugar onde se esconder do terror invisível, do espectro da morte, das feras selvagens que deviam derrotar ao exército.

Pela manhã, os camponeses do Walachian saíram para lutar e só encontraram morte.

 

O ar cheirava a morte e destruição. Por toda parte se viam ruínas fumegantes de povoados humanos. Os antigos Cárpatos haviam tentado em vão salvar seus vizinhos, mas o inimigo havia atacado quando o sol estava em seu ponto alto. A hora em que os antigos estavam indefesos, quando seus poderes eram mais fracos. Assim, muitos Cárpatos e humanos, foram destruídos... Homens, mulheres e crianças por igual. Aqueles dos seus, que estavam longe, escaparam do lhe esmagador massacre.

Julian, jovem e forte embora um simples rapaz observava a cena com olhos tristes. Bem poucos de sua raça sobreviveram. E seu Príncipe, Vladimir Dubrinsky, havia morrido junto com sua companheira, Sarantha. Era uma catástrofe, um golpe do qual sua espécie nunca se recuperaria. Julian permaneceu em pé alto e ereto, seu longo cabelo loiro caía-lhe pelos os ombros. Dimitri chegou por trás.

– O que está fazendo aqui? Sabe que é perigoso estar a campo aberto. Há muitos que nos destruiriam. Foi nos dito que fiquemos perto dos outros. – Apesar de sua juventude, ele moveu-se protetoramente aproximando o moço mais jovem.

– Posso cuidar de mim mesmo. – Declarou Julian, arrogantemente. – E o que está fazendo você aqui? – O jovenzinho segurou o braço do moço maior que estava junto a ele. – Eu os vi...Estou seguro de que eram eles. Lucian e Gabriel. Eram eles. – O medo enchia sua voz.

– Não pode ser. – Sussurrou Dimitri, olhando em todas as direções. Estava excitado e assustado ao mesmo tempo. Ninguém, sequer os adultos, falavam nos gêmeos caçadores, em voz alta. Lucian e Gabriel. Eram uma lenda. Um mito, não eram realidade.

– Mas, estou seguro. Sabia que viriam quando soubessem que o Príncipe tinha morrido. Que outra coisa podiam fazer? Estou seguro de que vão ver Mikhail e Gregori.

O menino maior ofegou.

– Gregori também está aqui? – Seguiu o pequeno, através do espesso bosque. – Ele nos pegará espiando, Julian. Ele sabe tudo.

O menino loiro encolheu de ombros e uma careta travessa curvou seus lábios.

– Vou vê-los de perto, Dimitri. Não tenho medo do Gregori.

- Pois deveria. E ouvi que Lucian e Gabriel já são não-mortos.

       Julian estalou em gargalhadas.

– Quem diz?

– Ouvi dois dos homens falando disso. Diziam que ninguém poderia sobreviver tanto como eles, caçando e matando e sem se converter.

– Os humanos estiveram em guerra e nossa gente foi destruída no processo. Inclusive nosso Príncipe está morto. Há vampiros por toda parte. Todo mundo mata todo mundo. Não acredito que tenhamos que nos preocupar com o Gabriel e Lucian. Se realmente fossem vampiros, estaríamos todos mortos. Ninguém, nem sequer Gregori, poderia derrotá-los em batalha. – Defendeu Julian. – São tão poderosos, que ninguém seria capaz de Destruí-los. Sempre foram leais ao Príncipe. Sempre.

–Nosso Príncipe está morto. Não têm por que ser necessariamente leais a Mikhail como seu herdeiro. – Dimitri obviamente citava os adultos.

Julian sacudiu a cabeça com exasperação e continuou avançando, desta vez assegurando-se de ser silencioso. Abriu passo através da espessa vegetação até que a casa ficou à vista. Ao longe, um lobo uivou, uma nota aguda e solitária. Um segundo lobo respondeu, depois um terceiro, ambos bem mais perto. Julian e Dimitri mudaram de forma. Não iriam perder a visão das duas figuras legendárias. Lucian e Gabriel eram os maiores caçadores de vampiros da história. Ninguém podia derrotá-los. Notícias de primeira mão diziam, que tinham destruído um exército invasor inteiro durante a noite que precedia sua chegada. Ninguém conhecia a conta exata dos corpos durante os últimos poucos séculos, mas era extremamente alta.

Julian assumiu a forma de uma pequena marmota, aproximando-se da casa. Manteve um olho vigilante em busca de corujas enquanto se aproximava do alpendre dianteiro. Ouviu-lhes então. Quatro vozes murmurando brandamente dentro da casa. Embora fosse jovem, Julian tinha a incrível audição das pessoas dos Cárpatos. Utilizou esse fino sentido, decidido a não perder nenhuma palavra. Os quatro Cárpatos mais grandiosos com vida estavam nessa casa e ele não ia perder o evento. Foi consciente de que Dimitri se unia a ele.

–Não tem escolha, Mikhail. – Disse uma voz suave. A voz era incrível, puro veludo. Exigente, mas amável. –Deve assumir o manto de autoridade. Sua linhagem dita. Seu pai teve a premonição de sua própria morte e suas instruções foram claras. Deve assumir a liderança. Gregori te ajudará neste momento de grande necessidade e nós faremos o trabalho que seu pai nos encarregou. Mas o manto de autoridade não pertence a nossa linhagem. É teu.

–Vocês são antigos, Lucian. Um de vocês deveria comandar a nossa gente. Somos poucos, perdemos nossas mulheres e nossas crianças desapareceram. Sem mulheres, o que vão fazer nossos homens? – Julian reconheceu a voz de Mikhail. – Não terão mais escolha que procurar o amanhecer ou se converter em não–mortos, já há muitos que têm feito. Ainda não adquiri a sabedoria necessária para governar nossa gente, num momento de tão enorme necessidade.

– Tem o sangue e o poder e a cima de tudo, nossa gente acredita em você. Nos temem, por causa de nosso poder e conhecimento e por todo o tempo que resistimos.

A voz de Lucian era formosa, feitiço. Julian adorava o som dessa voz, podia escutá-la para sempre. Não o surpreendia, que os adultos tivessem medo de seu poder. Mesmo com tão pouca idade, Julian reconhecia que essa voz era uma arma. E Lucian estava falando normalmente. O que aconteceria se ele decidisse tomar o controle de todos os que o rodeavam? Quem seria capaz de resistir semelhante voz?

–Oferecemos nossa lealdade a você, Mikhail, como demos a seu pai, e proporcionaremos a você, qualquer que seja o conhecimento que possa te ajudar em sua difícil tarefa. Gregori, sabemos que é já um grande caçador e seu laço com Mikhail é forte para te sustentar através dos dias escuros que virão? – A voz de Lucian, embora mais suave que nunca, exigia a verdade.

Julian conteve o fôlego. Gregori era parente de sangue de Gabriel e Lucian. Os Escuros. Os que pertenciam a essa linhagem sempre foram defensores de sua raça, os únicos levavam a justiça ao não–morto. Gregori já era poderoso por direito. Não parecia possível que pudesse exigir que respondesse, mas assim ele o fez.

– Enquanto Mikhail viver, também farei eu, para me ocupar de seu amparo e de sua linhagem.

– Servirá a nossa gente, Mikhail e nosso irmão servirá a você, como fizemos nós com seu pai. É o correto. Gabriel e eu continuaremos lutando para acabar com a chave estranguladora que o não–morto mantém sobre os humanos e nossa própria raça.

– Há muitos. – Observou Mikhail.

– Há, certamente, muita morte, muita luta e nossas mulheres foram dizimadas. Os homens precisam de esperanças de um futuro, Mikhail. Deve encontrar uma forma de lhes dar uma ou não terão razão para resistir quando a escuridão os espreitar. Devemos ter mulheres para prover nossos homens de companheiras. Nossas mulheres são a luz para nossa escuridão. Nossos homens são predadores, caçadores escuros e perigosos, que se tornam mais mortais com o passar dos séculos. Cedo ou tarde, se não encontrarmos companheiras, todos nos converteremos do Cárpatos a vampiros e nossa raça se extinguirá quando os homens entregarem suas almas. Será uma devastação tal como não podemos imaginar. Evitar isso é sua tarefa, Mikhail, e é uma tarefa monumental.

– Como a sua. – Disse Mikhail. – Tomar tantas vidas e seguir sendo um dos nossos não é coisa pequena. Nossa gente tem muito que lhes agradecer.

Julian, dentro do corpo da marmota, retrocedeu de volta aos arbustos, não desejando ser capturado pelos antigos. Ouviu-se um roçar junto a ele, que se voltou. Dois homens altos estavam em pé em completo silêncio. Seus olhos eram escuros e vazios, seus rostos imóveis como esculpidos em pedra. Em volta dele pareceu cair uma neblina do céu, deixando ele e Dimitri um pouco atordoados. Julian conteve o fôlego e ficou atônito. Gregori se materializou diante dos dois moços, quase protetoramente. Quando Julian moveu a cabeça para olhar além dele, os míticos caçadores se foram como se nunca tivessem estado ali e os dois moços ficaram para enfrentar Gregori.

 

O sol caía do céu, deixando para trás brilhantes cores. Essas cores lentamente se fundiram até o negro da noite. Clandestinamente, um só coração começou a pulsar. Lucian permaneceu deitado na rica terra curadora. Seus ferimentos, depois da última e terrível batalha, estavam curadas. Mentalmente, explorou a região que rodeava seu lugar de descanso, notando o movimento dos animais. O pó foi arrojado para cima quando irrompeu da terra para o céu, atraindo o ar para respirar. Seu mundo mudaria esta noite para sempre. Gabriel e Lucian eram gêmeos idênticos. Pareciam iguais, pensavam iguais, lutavam igual. Através dos séculos tinham adquirido conhecimentos em todas as áreas e temas e compartilhavam um com o outro.

Todos os homens dos Cárpatos, ao envelhecer perdiam as emoções e a habilidade de ver em cores, restanto um mundo escuro e vazio no que só seu sentido da lealdade e da honra evitavam que se convertessem em vampiros, enquanto esperavam uma companheira. Gabriel e Lucian possuíam um pacto um com o outro. Se um deles se convertesse em vampiro, o outro caçaria e destruiria seu gêmeo antes de enfrentar o amanhecer e sua própria destruição. Lucian sabia há algum tempo, que Gabriel lutava com seu demônio interior, que estava sendo consumido pela escuridão que se estendia em seu interior. As constantes batalhas tinham deixado seu rastro. Gabriel estava muito perto de se converter.

Lucian inalou profundamente, tomando o limpo ar noturno. Estava decidido a manter Gabriel com vida, manter sua alma salva. Havia uma única forma de fazê-lo. Se pudesse lhe convencer de que ele se unira às filas do não–morto, Gabriel não teria outra escolha que o caçar. Isso evitaria que ele lutasse com ninguém mais, que com Lucian. Sendo incapaz de matar, devido ao igualado de seus poderes e com um propósito, Gabriel seria capaz de resistir. Lucian se lançou no ar, procurando sua primeira vítima.

 

A jovenzinha permanecia em pé na esquina da rua. A noite era escura e fria. Estava tremendo. Em algum lugar na escuridão havia um assassino. Já havia matado duas mulheres pelo que ela sabia. Suplicara a Thomas que não a enviasse para fora essa noite, mas ele a tinha esbofeteado várias vezes antes de empurrá-la pela porta. Cruzou os braços sobre o peito e tentou desesperadamente aparentar que estava gostando do que estava fazendo.

Um homem se aproximava pela rua. Ela conteve a respiração na garganta, e seu coração começou a bater forte. Ele vestia uma capa escura e chapéu alto. Parecia ser um cavalheiro de classe alta, visitando os bairros baixos da cidade. Preparou-se numa postura e esperou. Ele caminhou e parou diante dela. Sabia que Thomas a espancaria se não o chamasse, se não tentava atrair este desconhecido para ela, mas não podia obrigar-se a fazê-lo.

O homem parou e se voltou. Rodeou-a lentamente, olhando-a do alto a baixo como se ela fosse uma peça de carne. Ela tentou sorrir, mas algo nele a assustava. Tirou um punhado de moedas e as ondeou para ela. Seu sorriso era zombeteiro. Sabia que ela estava assustada. Assinalou para o beco.

Ela foi. Sabia que não devia, mas também a assustava voltar para casa do Thomas sem dinheiro. Então foi ao beco com o desconhecido.

Ele foi rude, obrigando-a a fazer todo tipo de atos ali mesmo no beco. Fez-lhe mal, deliberadamente e ela suportou porque não tinha outra escolha. Quando terminou, atirou-a ao chão e a chutou com um sapato elegante. Ela levantou o olhar para ver a navalha em sua mão e soube que ele era o assassino. Não havia tempo para gritar. Estava a ponto de morrer.

Outro homem surgiu atrás de seu assassino. Era fisicamente o homem mais bonito que tinha visto. Alto e de ombros largos, com longo cabelo escuro e gelados olhos negros. Materializou-se chegado de alguma parte, tão perto de seu atacante que ela não fazia idéia de como podia ter chegado ali sem ser visto por nenhum deles. O homem simplesmente estendeu as mãos, capturou o pescoço do assassino e o retorceu com força.

- Corra. Corra agora.

Ela ouviu as palavras claramente em sua mente e não pôde sequer esperar para dar as graças a seu salvador. Correu para longe tão rápido como pôde.

Lucian esperou, se assegurou de que ela tinha obedecido sua ordem antes de inclinar a cabeça para o pescoço do assassino. Era imperativo drenar o sangue de sua vitima e deixar a evidência para que Gabriel a encontrasse.

– Encontro-te aqui como esperava, Lucian. Não pode se esconder de mim. – A suave voz do Gabriel chegou de trás.

Lucian permitiu que o corpo caísse ao chão. Através dos longos anos se converteu em um jogo do gato e o rato que nenhum outro podia jogar. Conheciam um ao outro muito bem, haviam coreografado suas batalhas durante tantos anos, que cada um sabia o que o outro estava pensando quase antes que pensasse. Conheciam cada um as forças e debilidades do outro. Nos últimos anos, infringiram um ao outro, muitos ferimentos mortais, só para se afastar e ir à terra se curar. Lucian se voltou para seu irmão gêmeo, um lento sorriso desprovido de humor suavizou a dura linha de seus lábios.

– Parece cansado.

– Muito ávido desta vez, Lucian.Matando sua presa antes de se alimentar.

– Possivelmente foi um engano. – Concordou Lucian maciamente. – mas não se preocupe por mim. Sou mais que capaz de encontrar corpos quentes por mim mesmo. Ninguém pode me derrotar, sequer meu irmão, que me deu sua palavra de que faria esta pequenez por mim.

Gabriel golpeou rápido e com força, como Lucian sabia que faria. E se lançaram juntos a uma batalha mortal que tinham praticado durante séculos.

 

Gabriel se encurvou, com a postura de um lutador. Depois dele, sua companheira observou com olhos cheios de pena, como o homem alto e elegante se aproximava deles. Ele saiu das sombras, parecendo exatamente o que era, um escuro e perigoso predador. Seus olhos negros brilhavam perigosamente. Eram olhos de além tumulo, olhos desprovidos de toda emoção. Olhos da morte. Movia-se como a grala de um animal, um ondeio de poder.

– Mantenha-se para trás, Lucian. – Advertiu Gabriel brandamente. – Não colocará em perigo, minha companheira.

– Então cumpre a promessa que fez faz tantos séculos. Deve me destruir.

A voz foi um sussurro de veludo, uma suave ordem. Gabriel reconheceu a compulsão oculta enquanto saltava para frente para golpeá-lo. No último segundo possível, com o grito de sua companheira ressoando em sua mente, sua mão de garras afiadas rasgou a garganta de seu irmão gêmeo e compreendeu que Lucian tinha aberto os braços aceitando a morte.

O conhecimento chegou tarde. Um crisol de gotas salpicou a habitação. Gabriel tentou retroceder, alcançar a seu irmão, mas o poder de Lucian era muito grande. Gabriel era incapaz de mover-se, preso em seu lugar, só pela vontade de Lucian.

Ela abriu os olhos, desmesuradamente, pela surpresa. Lucian tinha muito poder. Gabriel era um antigo, um dos mais poderosos sobre a terra... Igual a Lucian, achava até esse momento.

– Deve permitir que o ajudemos. – Disse Francesca, a companheira de Gabriel, suavemente. Sua voz era cristalina, tranqüilizadora. Era uma grande curadora. Se alguém podia evitar a morte de Lucian, essa era ela. – Sei o que está tentando fazer aqui. Pensa terminá-lo.

Os dentes brancos de Lucian brilharam.

– Gabriel tem a voce para que o mantenha a salvo. Esse foi meu dever e privilégio durante muitos séculos, mas terminou. Agora descansarei.

O sangue molhava suas roupas, correndo por seu braço. Não fez nenhuma intenção de detê-lo. Simplesmente ficou em pé, alto e ereto. Não havia rastro de acusação em seus olhos, sua voz ou sua expressão. Gabriel sacudiu a cabeça.

– Fez isto por mim. Durante quatrocentos anos me enganaste. Evitando que me matasse, que me convertesse. Por que? Por que arriscou sua alma desta forma?

– Sabia que você tinha uma companheira. Alguém que sabia me disse faz isso muitos anos. Você não perdeu seus sentimentos e emoções logo, como eu. Levou séculos. Eu era só um aprendiz quando deixei de sentir. Mas você unia sua mente com a minha e eu era capaz de compartilhar sua alegria de viver e ver através de seus olhos. Fez-me recordar o que nunca poderia ter por mim mesmo.

Lucian cambaleou. Gabriel estava esperando o momento em que Lucian enfraqueceria e aproveitou a ocasião, transpassando a barreira, saltando junto a seu irmão, deslizando a língua pela ferimento aberta para fechá-la.

Sua companheira estava a seu lado. Amavelmente, tomou a mão de Lucian na dela.

– Acredita que já não há razão para seguir vivendo.

Lucian fechou os olhos cansado.

– Cacei e matei durante dois mil anos, irmã. Minha alma perdeu tantas partes, que parece um coador. Se não for agora, pode ser muito tarde e que meu amado irmão se veja obrigado a caçar e destruir a um autêntico vampiro. Não seria tarefa fácil. Ele deve ficar a salvo. Eu já não posso caminhar tranqüilamente para o amanhecer. Confiava em sua ajuda. Cumpri com minha tarefa neste mundo. Me permita descansar.

– Há outra. – Sussurrou Francesca brandamente. – Ela não é como nós. É uma mortal. É este momento é muito jovem e sofre uma terrível dor. Só posso te dizer, que se não ficar ela viverá uma vida de agonia e desespero, que nem podemos imaginar. Deve viver por ela. Deve resistir por ela.

– Está-me dizendo que tenho uma companheira.

– E que a necessidade que ela tem de você é grande.

– Não sou um homem amável. Matei durante muito tempo, não conheço outra existência. Atar uma mulher mortal a mim seria sentenciá-la a viver com um monstro.

Lucian não opôs resistência quando a companheira do Gabriel começou a trabalhar sobre sua selvagem ferimento. Gabriel encheu a habitação com as benéficas ervas e começou o ancestral canto curador tão velho como o tempo.

– Agora te curarei, irmão. – Disse ela, com voz suave. - Um monstro como o que crê ter se convertido será capaz de proteger essa mulher dos monstros que de outro modo destruiriam alguém como ela.

Gabriel cortou a mão e pressionou a ferimento sobre os lábios de seu gêmeo.

– Ofereço minha vida livremente pela tua. Toma o que precisa para se curar. Vamos colocá-lo profundamente no interior da terra e o guardaremos até que esteja completamente recuperado.

– Seu primeiro dever é para com sua companheira, Lucian. – Recordou brandamente, Francesca. – Não pode fazer outra coisa que encontrá-la e afastá-la do perigo.

 

– Olhe-me, Tio Tyler. – Exclamou Jaxon Montgomery orgulhosamente, fazendo gestos com as mãos do alto da alta torre de madeira que acabava de escalar.

– Está louco, Matt. – Russel Andrews sacudiu a cabeça, fazendo sombra com a mão sobre os olhos, enquanto olhava para cima à réplica da plataforma alta que utilizava para treinar os recrutas dos Navy SEALS. – Jaxon poderia romper o pescoço se cair. – Olhou a frágil mulher deitada na, embalando seu filho recém-nascido. – O que te parece isso, Rebecca? Jaxon nem sequer tem ainda cinco anos e Matt a está treinando para as Forças Especiais. – Disse Russell.

Rebecca Montgomery sorriu ausentemente e levantou o olhar para seu marido como pedindo sua opinião.

– Jaxon é genial. – Disse Matt imediatamente, estendendo a mão para pegar a de sua mulher e levando seus dedos aos lábios. – Adora tudo isto. Já estava fazendo antes de poder andar.

Tyler Drave ondeou uma mão para a pequena chamando-a até ele.

– Não sei, Matt. Possivelmente Russell tenha razão. É muito pequena.. – Sorriu abertamente. – É obvio, fomos afortunados nesse departamento. O resto dela é todo teu. É um demônio, uma pequena lutadora, igual a seu papai.

- Eu não estou tão seguro de que essa seja uma boa coisa. – Disse Russel, franzindo o cenho. Não podia afastar os olhos da menina. Tinha o coração na garganta. Sua própria pequena tinha sete anos e nunca permitiria que se aproximasse da torre que Matt Montgomery e Tyler Drake, tinham construído no pátio traseiro da casa de Matt. – Sabe, Matt, é possível obrigar a uma menina a crescer muito depressa, Jaxon é ainda um bebê.

Matt riu.

–Esse "bebê" pode fazer o café da manhã para sua mãe e servir na cama, trocar as fraldas do bebê. Começou a ler aos três anos. E é sério, a ler realmente. Adora os desafios físicos. Não há muito no curso de treinamento que ela não possa fazer. Estive-lhe ensinando artes marciais e Tyler esteve trabalhando com ela em treinamento de sobrevivência. Adora-o.

Russell franziu o cenho.

– Não posso acreditar que respire Matt, Tyler. Nunca ouve a ninguém mais que a você. Essa menina adora os dois e nenhum de vocês tem o mínimo sentido comum a que a ela se refere. – Com esforço, ele se refreou para não acrescentar que Rebecca era um desastre como mãe. – Espero que ao menos que não a tenham a ensinado a nadar no oceano.

– Possivelmente Russell tenha razão, Matt. – Tyler soava um pouco preocupado. – Jaxon é um pequeno soldado com o coração de um leão, mas podemos estar apressando-a muito. E eu não fazia idéia de que você permita ela cozinhar para Rebecca. Isso poderia ser perigoso.

– Alguém tem que fazer. – Matt encolheu seus ombros. – Jaxon sabe o que faz. Quando eu não estou em casa, sabe muito bem que é responsável por cuidar de Rebecca. E agora temos o pequeno Mathew Júnior. E só para sua informação, Jaxx já é uma boa nadadora.

– Rebecca, você está ouvindo, Matt? – Exigiu Russel.– Jaxon é uma menina, um bebê de cinco anos. Pelo amor de Deus! Você é sua mãe. – Como era usual, nenhum dos pais respondia a nada que não queriam ouvir. Matt tratava a Rebecca como a uma pequena peça de porcelana. Nenhum dos dois prestava muita atenção a sua filha. Exasperado, Russell apelou ao melhor amigo do Matt.

– Tyler, diga-lhe você.

Tyler assentiu lentamente.

- Não deve colocar sobre ela tanta pressão, Matt. Jaxon é uma menina excepcional, mas continua sendo uma menina. – Seus olhos estavam sobre a pequena que ondeava a mão e sorria. Sem dizer uma palavra mais, ele ficou em pé e avançou até a torre onde a menina o chamava, persistentemente

 

Os gritos que provinham do quarto de sua mãe eram horríveis de ouvir. Rebecca estava inconsolável. Bernice, a esposa de Russell Andrews, tinha chamado o médico para que administrasse tranqüilizantes nela. Jaxx colocou as mãos sobre os ouvidos, para tentar amortecer os terríveis sons de pena. Mathew Júnior estivera chorando em seu quarto e era óbvio que sua mãe não iria ver seu filho. Jaxon limpou as lágrimas que caía de seus olhos, elevou o queixo e cruzou o corredor até o quarto do irmão.

– Não chore, Mattie. – Murmurou, amorosamente. – Não se preocupe. Agora eu estou aqui. Mami está muito alterada por causa do papai, mas superaremos isto se nos mantivermos unidos. Você e eu. Faremos que mamãe supere também.

O Tio Tyler tinha vindo a sua casa com outros dois oficiais e tinha informado a Rebecca de que seu marido nunca voltaria outra vez para casa. Algo de terrivelmente mal, acontecera em sua última missão. Rebecca não tinha parado de gritar depois disso.

 

–Como está hoje, céu? – Perguntou Tyler brandamente, detendo-se para beijar Jaxon na face. Deixou um buquê de flores sobre a mesa e voltou a atenção à pequena que adorava desde o dia em que nasceu.

– Não está tendo um bom dia. – Admitiu Jaxon, contra vontade. Sempre dizia ao "Tio Tyler" a verdade sobre sua mãe, a ninguém mais, nem ao "Tio Russell".

– Acredito que ela tomou muitas dessas pílulas de novo. Não saiu da cama e quando tento dizer algo sobre o Mathew, só fica me olhando. Finalmente ele deixou de usar fraldas e eu estou tão orgulhosa dele, mas não mamãe não diz nada de nada. E quando ela o abraça, aperta-o tão forte, que o faz chorar.

– Tenho algo para te perguntar, Jaxx – Disse, tio Tyler. – É importante que me diga a verdade. Sua mamãe está doente a maior parte do tempo e você tem que cuidar de Mathew, se ocupar da casa e ir para a escola. Eu estava pensando que possivelmente deveria me mudar para cá e te ajudar um pouco.

Os olhos de Jaxon se iluminaram.

– Morar conosco? Como?

– Poderia me casar com sua mãe e ser seu pai. Não como Matt, é obvio, eu seria seu padrasto. Acredito que ajudaria a sua mãe e estou seguro de que seria o melhor para você e para o pequeno Mathew. Mas só se você quiser, céu. De todo modo, ainda não falei com a Rebecca sobre isso.

Jaxon sorriu.

– Por isso trouxe as flores, verdade? Há alguma possibilidade?

– Acredito que posso persuadi-la. O único momento em que você consegue uma pausa disto tudo é durante nosso curso de treinamento. Também está se tornando um recruta preguiçoso.

– Uma recruta preguiçosa, Tio Tyler. – Ela corrigiu Tyler com um repentino sorriso zombeteiro. – Na outra noite, na classe de karate, eu chutei o traseiro de Dom Jacobson. – Agora, o único momento em que Jaxon sorria era quando Tio Tyler a levava com ele para a área de treinamento das Forças Especiais e ela brincava com os soldados. Menina ou não, Jaxon estava se convertendo em um bom competidor e isso o orgulhava.

 

O livro era de mistério e adequado para a noite chuvosa. Os ramos da árvore batiam contra a janela e a chuva tamborilava pesadamente sobre o teto. A primeira vez que ouviu o ruído, Jaxon pensou que eram imaginações delas, porque o livro era arrepiante. Então ficou rígida e seu coração começou a retumbar. Estava acontecendo outra vez. Sabia. Calada como era possível, se arrastou para fora da cama e abriu a porta. Os sons que chegavam do dormitório de sua mãe eram amortecidos, mas ela os ouvia de todas formas. Sua mãe estava chorando, suplicando. E aí estava o inconfundível som que Jaxon conhecia muito bem. Lutava karate, desde que podia se lembrar. Sabia como soava o barulho, quando alguém era golpeado.   Correu pelo vestíbulo até o quarto de seu irmão para comprovar a ele primeiro. Agradeceu aos céus por ele estar dormido. Quande Tyler ficava assim, escondia Mathew dele. Às vezes, ele parecia odiar Mathew. Seus olhos se tornavam frios e horrendos quando se fixavam sobre o pequeno, especialmente se Mathew estivesse chorando. Tyler não gostava que ninguém chorasse e Mathew era pequeno e chorava por cada diminuto arranhão ou ferimento. Ou a cada vez que Tyler o olhava. Respirando fundo, Jaxon ficou fora do quarto de sua mãe. Achava difícil acreditar que Tyler pudesse ser assim quando estava com sua mãe e Mathew. Ela adorava Tyler. Ele passava horas treinan de Jaxon para ser soldado e tudo nela respondia ao treinamento físico. Adorava os cursos com os quais ele a desafiava. Podia escalar escarpados e rastejar através de minúsculos túneis em tempo record. Ela estava em seu elemento, no campo de treinamento, com as armas de fogo ou lutando. Jaxon já conseguia rastrear ao Tyler, uma façanha que a maioria dos membros sua unidade eram incapazes de fazer. Ela era especialmente, orgulhosa disso. Tyler sempre parecia feliz com ela e era muito carinhoso.   Sempre acreditara que Tyler amava a sua família, com a mesma feroz e protetora lealdade que mostrava a ela. Agora estava confusa, desejando que sua mãe fosse alguém com quem pudesse falar, se desabafar. Jaxon estava começando a compreender que o encanto fácil de seu padrasto, ocultava sua constante necessidade de controlar seu mundo e a todos os que viviam nele. Rebecca e Mathew não encaixavam em suas expectativas e deveriam fazê-lo, e ele o faria pagar aos dois. Jaxon respirou profundamente e empurrou a porta até abrir uma fresta. Ficou imóvel, como Tyler havia a ensinado a fazer, quando havia perigo.

Tyler estava com sua mãe pressionada contra a parede, apertando sua garganta com uma mão. Os olhos de Rebecca estavam a ponto de arrebentar e totalmente abertos de medo.

– Foi tão fácil de fazer, Rebecca. Ele sempre pensou que era tão bom, que ninguém podia com ele, mas eu o fiz. E agora tenho a você e seus pirralhos, justo como eu disse a ele que seria, enquanto estava sobre ele e notava como a vida o abandonava. Eu ria. Ele sabia o que eu faria... Assegurei-me de contar a ele. Sempre foste uma inútil. Disse a ele que te daria uma oportunidade, mas você simplesmente não dá conta de nada, certo? Ele te mimava demais. Rebecca, a pequena princesa. Sempre nos rebaixando. Sempre pensando que era muito melhor que nós, porque tinha todo esse dinheiro. – Ele inclinou-se para mais perto até que sua fronte se chocou com a de Rebecca e as gotículas de saliva salpicavam, quando ele pronunciava cada palavra. – Todo seu precioso dinheiro virá agora para mim, se algo te acontecer, não é? – Ele sacudiu-a com violência, já que Rebecca era uma mulher pequena.

Nesse momento, Jaxon soube que Tyler ia matar aRebecca. Ele odiava-a e odiava Mathew. Jaxon foi preparada para compreender isso, ouvindo as coisas fora de contexto, que Tyler muito provavelmente tinha assassinado seu pai. Ambos eram Navy SEALs e não eram fáceis de matar, mas seu pai não teria esperado que seu melhor amigo o traísse.

Podia ver os olhos de sua mãe tentando desesperadamente lhe indicar de que se fosse. Rebecca tinha medo por Jaxon, medo de que se ela interferisse, Tyler se voltaria contra ela.

– Papaito? – Deliberadamente, ela pronunciou a palavra, maciamente, na noite ameaçadora. – Algo me despertou. Tive um mau sono. Sentará comigo? Você não se importa, mamãe?

Levou alguns minutos para que a tensão abandonasse os ombros tensos de Tyler. Seus dedos soltaram lentamente a garganta de Rebecca. O ar voltou para os pulmões da mulher, embora ela permanecesse acovardada contra a parede, congelada pelo terror, tentando suprimir a tosse que surgia de sua garganta machucada. Seu olhar estava imóvel sobre a face de Jaxon, desesperadamente, silenciosamente, tentando advertir sua filha do perigo. Tyler estava completamente louco. Era um assassino e não havia forma de escapar dele. Ele advertira-a do que aconteceria se ela tentasse o deixar e Rebecca sabia que não tinha forças para os salvar. Nem a Mathew Júnior.

Jaxon sorriu para Tyler com confiança infantil.

–Sinto te incomodar, mas de verdade ouvi alguma coisa e o sono era tão real. Quando você está comigo, sempre me sinto a salvo. – O estômago dela se encolheu, protestando contra a terrível mentira, suas mãos suavam, embora ela tentou parecer perfeitamente inocente. Tyler lançou a Rebecca um olhar duro sobre o ombro e tomou a mão de Jaxon.

– Vá para a cama, Rebecca. Eu me sentarei com Jaxon. Coisa que você nunca fez, nem quando ela está doente.

Sua mão era forte e ela ainda podia sentir a tensão nele, embora Jaxon também podia sentir a calma que sempre exsudava quando os dois estavam juntos. Fosse o que fosse o que havia possuído seu padrasto, momentos antes, pareceu desvanecer-se uma vez ele esteve fisicamente ligado a Jaxon.

Nos dois anos que seguiram, Jaxon e Rebecca tentaram ocultar a crescente preocupação pela saúde mental de Tyler e Mathew Júnior. Mantinham o menino longe de Tyler, como fosse possível. O menino parecia ser uma espécie de catalisador, mudando o que o que antes Tyler era, um homem amoroso. Tyler se queixava freqüentemente de que Mathew o olhava fixamente. Mathew aprendera a baixar o olhar quando Tyler estava em casa. Tyler olhava o menino fríamente, desapaixonadamente, ou com ódio absoluto. Olhava para Rebecca com olhos estranhos. Só Jaxon parecia ser capaz de se conectar com ele, de mantê-lo centrado. Isso a assustava. Era uma terrível responsabilidade. Podia ver o mal crescendo com mais e mais intensidade dentro do "Tio" Tyler e depois de um tempo, sua mãe confiava completamente em Jaxon para lidar com ele. Rebecca ficava em seu quarto, tomando as pílulas que Tyler lhe obrigava a tomar, ignorando seus dois filhos. Quando Jaxon tentava dizer que temia que Tyler fizesse mal a Mathew, Rebecca jogava as cobertas sobre a cabeça e se balançava para frente e para trás, fazendo um ruído estranho. Desesperada, Jaxon tentou contar a "Tio Russell" e aos outros membros da equipe de Tyler que errado podia estar acontecendo com ele. Os homens simplesmente acgaram graça e contaram a Tyler o que ela havia dito. Ele ficou tão furioso, que Jaxon estava segura que mataria toda a família. Embora fosse ela quão que falara, ele culpou Rebecca, dizendo que ela tinha obrigado Jaxon a mentir sobre ele. Agrediu-a tanto, que Jaxon quis levá-la ao hospital, mas Tyler não permitiu.     Rebecca ficou de cama durante semanas e esteve confinada em casa depois disso. Jaxon passava grande parte do tempo, criando um mundo de fantasia para Tyler, fingindo acreditar que tudo estava bem em casa. Mantinha seu irmão longe dele e desviava sua cólera longe de sua mãe, como era possível. Passava mais tempo com Tyler no campo de treinamento, aprendendo como podia, loções de autodefesa, de armas, ocultação e rastreamento. Era o único momento que sabia que sua mãe e seu irmão estavam verdadeiramente a salvo. Os outros SEALs contribuíam para seu treinamento e Tyler parecia normal nesses momentos.

Rebecca havia se retraído quase que totalmente, do mundo real, mas Jaxon não se atrevia a pegar Mathew e fugir enquanto tivesse que deixar sua mãe para trás e estava segura que Tyler mataria Rebecca. O pequeno Mathew e Jaxon tinham seu mundo secreto que não se atreviam a compartilhar com ninguém mais. Viviam em medo constante.

 

Sentada na classe de ciências, de repente ela soube. Sentiu uma terrível premonição de perigo. Recordou gemer alto e buscar ar. Seus pulmões se negavam a trabalhar. Jaxon saiu correndo da classe, jogando seus livros e papéis que se esparramaram pelo chão trás dela. O professor a chamou, mas Jaxon o ignorou e continuou correndo. O vento parecia apressado atrás dela, enquanto percorria as ruas velozmente, tomando todos os atalhos que conhecia.

Quando se aproximava da casa, Jaxon refreou bruscamente, com o coração martilleando. A porta dianteira estava totalmente aberta, um convite a entrar. A escuridão abrangeu sua mente. Sentiu a aguda urgência de parar e dar a volta, a premonição era tão forte que a manteve congelada durante um momento. Mathew havia ficado em casa, por que estava doente e não tinha ido à escola. O pequeno Mathew, que se parecia tanto com seu pai, que podia colocar Tyler mortalmente furioso, facilmente. Seu Mathew.

Estava com os lábios secos e o sabor do medo era tão forte que temeu adoecer. Seu estômago encolheu e seu coração bateu tão forte que a afogou quase por completo. Era a urgência de seu próprio instinto de autoconservação. Jaxon obrigou seu pé direito a adiantar-se. Um passo. Etava difícil. Era como caminhar através de areias movediças. Tinha que olhar dentro da casa. Tinha que olhar. O impulso era tão forte como o instinto de sobrevivência. O mau cheiro flutuou até ela, um aroma estranho, embora cada instinto que possuía, lhe disse o que era.

-Mamãe? – Sussurrou a palavra em voz alta, um talismã que faria seu mundo voltar a estar bem, que afastaria a verdade e o conhecimento que pulsava em sua cabeça. A única forma em que pôde obrigar seu corpo a se mover foi abrir passo dolorosamente, centímetro a centímetro, para frente. Estava lutando contra seus próprios instintos, lutando contra a relutância em enfrentar o que havia ali. Mantendo uma mão pressionada firmemente contra os lábios para evitar gritar, voltou a cabeça lentamente para permitir que seus olhos vissem o interior da casa.

O salão parecia ser o mesmo de sempre. Familiar. Confortável. Mas não deteve seu medo. Em vez disso, sentiu-se aterrorizada. Jaxon se obrigou a seguir até o corredor. Viu uma brilhante mancha de sangue na soleira da porta do quarto de Mathew. Seu coração começou a pulsar tão forte que temeu que ele pudesse sair de seu peito. Jaxon seguiu pelo corredor e rezou fervorosamente, enquanto com um dedo empurrava lentamente a porta. O horror do que viu ficaria impresso em seu cérebro para sempre. As paredes estavam salpicadas de sangue e a colcha, molhada. Mathew estava deitado, sobressaindo-se pela lateral da cama. Sua cabeça estava pendurada para fora do colchão em ângulo reto. As conchas de seus olhos estavam vazias. Seus olhos, uma vez sorridentes se foram para sempre. Foram arrancados. Ela não pôde contar as punhaladas em seu corpo. Jaxon não entrou no quarto. Não podia. Algo mais poderoso que ela a detinha. Não pôde manter-se em pé e deslizou inesperadamente até o chão, com um grito silencioso. Um grito de absoluta negação a atravessou. Não estava ali para defender o irmão. Para lhe salvar. Ele era responsabilidade dela. Ela era a forte, ainda assim havia falhado e Mathew, com seus brilhantes cabelos loiros e seu amor pela vida, pagara o preço final.

Jaxon não queria se mover, pensou que não poderia. Mas então sua mente pareceu ficar misericordiosamente em branco e ela foi capaz de ficar em pé e apoiando-se na parede, continuou a percorrer o corredor até o quarto de sua mãe. Já sabia o que encontraria.

A porta estava totalmente aberta. Jaxon se obrigou a olhar para dentro. Rebecca estava no chão. Sabia que era sua mãe, por causa do cabelo loiro que se estendia como um halo em volta da cabeça esmagada. O resto dela estava muito amassado e ensangüentado para reconhecê-la. Jaxon não podia afastar o olhar. Sua garganta se fechou, estrangulando-a. Não conseguia respirar.

Ouviu um som. O indício de um som, mas foi suficiente para seus ouvidos treinados durante anos. Saltou para um lado, voltando-se para enfrentar seu padrasto. Ele estava com as mãos e os braços cobertos de sangue, a camisa salpicada e manchada. Sorria, com o rosto sereno e os olhos alegres.

– Agora iremos daqui, céu. Nunca mais teremos que escutar choramingações.

Tyler estendeu uma mão para ela, claramente esperando que ela tomasse.

Jaxon deu um cauteloso passo para trás retrocedendo. Não queria alarmar Tyler. Ela parecia não notar que estava coberto de sangue.

– Eu devia estar na escola, Tio Tyler. – Sua voz não soou natural nem sequer a seus próprios ouvidos.

Um repentino trejeito cruzou a face dele.

– Não me chama de Tio Tyler desde que tinha oito anos, Jaxx. O que aconreceu com o papai? Sua mãe a colocou contra mim? – ele avançava para ela.

Jaxon permaneceu totalmente imóvel, com um olhar inocente na face.

– Ninguém poderia me colocar contra voce. Isso seria impossível. E sabe que mamãe não quer ter nada a ver comigo.

Tyler relaxou visivelmente. Estava o suficientemente perto dela, para tocá-la. Jaxon não podia permitir, sua tremenda auto-disciplina não se estenderia o suficiente para permitir que ele a tocasse com o sangue de sua família nas mãos. Golpeou sem advertência, lançando um punho direto à garganta dele e chutou sua perna com força. No momento em que o atingiu, Jaxon se voltou e correu. Não para trás nenhuma vez. Não se atreveu. Tyler estava treinado para responder apesar de estar ferido. Em qualquer caso, ela era muito pequena comparada a seu padrasto. Seus golpes poderiam o surpreender, mas nunca o incapacitar completamente. Com sorte, poderia ter quebrado o joelho dele, mas duvidava. Jaxon correu pela a casa e diretamente para a porta. A Rebecca sempre gostara do amparo da base naval e agora Jaxon agradecia. Gritou a plenos pulmões, cruzando a rua diretamente para a casa de Russell Andrews.

A mulher de Russell, Bernice, saiu correndo para se encontrar com ela.

– O que acontece, carinho? Está ferida?

Russell se uniu a elas, rodeando os ombros de Jaxon com um braço.

– Sua mãe está doente?

Ele sabia que não era isso, conhecia Jaxon. Sempre era uma menina completamente controlada, tranqüila sob o fogo e sempre pensativa. Se Rebecca estivesse doente, Jaxon teria chamado e pedindo assistência médica. Agora, ela estava copm o rosto tão pálido, que parecia um fantasma. Havia horror em seus olhos, terror em sua expressão. Russell olhou para o outro lado da rua, para a silenciosa casa, cuja porta estava totalmente aberta. O vento soprava e o ar estava crispado e frio. Por alguma razão desconhecida, a casa lhe dava calafrios. Russell começou a cruzar a rua. Jaxon segurou seu braço.

– Não, Tio Russell, não o faça. Não pode salvá-los. Já estão mortos. Chame à polícia militar.

– Quem está morto, Jaxon? – Perguntou Russell tranqüilamente, sabendo que Jaxon não mentiria.

– Mathew e minha mãe. Tyler os matou. Também disse a mamãe que ele tinha matado meu pai. Ela estava estranho e violento ultimamente. Odiava a mamãe e Mathew. Tentei contar isso mas nenhum de vocês me acreditou. – Jaxon estava soluçando, com as mãos sobre o rosto. – Não me escutou. Nenhum de você me escutou. – Jaxon sentia-se doente e seu estômago estava revirado. Sua mente revivia as cenas. Pensou que enlouqueceria. – Havia tanto sangue. Ele arrancou os olhos de Mathew. Por que faria isso? Mathew era uma criança.

Russell a empurrou para Bernice.

– Cuida dela, carinho. Está entrando em choque.

– Matou-os todos. Ele matou toda minha família. Afastou todos de mim. Não os salvei. – disse Jaxon brandamente.

Bernice a abraçou firmemente.

–Não se preocupe, Jaxon. Você tem a nós.

 

– Hey, moça bonita. – Dom Jacobson se inclinou para revolver o selvagem cabelo loiro de Jaxon. Tentou não parecer muito possessivo. Jaxon sempre afastava quem tentava se aproximar dela. Tinha erguido uma parede tão alta a sua volta, que ninguém parecia ser capaz de entrar em seu mundo, desde a morte de sua família, Dom a tinha visto rir só com Bernice e Russell Andrews e sua filha, Sabrina. Sabrina era dois anos mais velha que Jaxon e estava em casa para as férias da primavera.

– Por que tanta pressa? O Chefe me disse que seus tempos são melhores que os de seus novos recrutas.

Jaxon sorriu, ausentemente.

– Meus tempos são sempre melhores que os dos novos recrutas, a cada vez que consegue um grupo novo. Estive treinando toda minha vida. Tenho que ser mais que boa, ou o chefe teria me largado faz já muito tempo. Lástima que as mulheres não possam servir nos SEAL. É a única coisa para a que valho. Graduei-me antes do tempo e com boas notas e agora não tenho nem idéia do que quero fazer. – Jaxon passou a mão cuidadosamente pelo cabelo, despenteando-o ainda mais. – Sou mais jovem que a maioria dos outros estudantes, mas, se disser a verdade, sinto-me muito mais velha que a maioria deles, algumas vezes quero gritar.

Dom sentiu o ardente desejo de abraçá-la, de reconfortá-la.

– Sempre foste preparada, Jaxx. Não permita que ninguém a detenha. – Sabia que seu desassossego, era por que não tinha superado o trauma do que acontecera com sua família. Como poderia? Duvidava que alguém pudesse superar. – Para onde correr?

– Sabrina está em casa e vamos ao cinema esta noite. Prometi que não chegaria tarde. – Jaxon fez uma careta. – Sempre chego tarde quando vou ao centro de treinamento. Nunca pareço sair dali a tempo. – O curso de treinamento estava em primeiro lugar em sua mente ou de outro modo, ela estaria cheia de outras coisas nas que não podia pensar, não podia continuar lembrando. Trabalhava duro em seu treinamento físico, mantendo os demônios afastados ao menos por um momento.

Fazia muito que Jaxon não se sentia a salvo, não podia lembrar o que era uma boa noite de sono. Tyler Drake estava ainda em alguma parte, escondido. Ela sabia que estava perto. Sentia-o observá-la às vezes. Só Russell acreditava quando ela contava. Agora Russell a conhecia. Jaxon não cedia à imaginação. Não era propensa ao histerismo. Tinha uma espécie de sexto sentido que a advertia quando se aproximava o perigo. Treinou junto a Tyler durante anos. Se ela identificava um rastro como dele, Russell acreditava absolutamente. – Que filme? – Perguntou Dom. – Não vejo um bom filme a muito tempo. – Evidentemente, ele procurava um convite.

Jaxon não pareceu notar. Encolheu os ombros, súbitamente distraída.

– Não sei que filme é. Sabrina o escolheu.

O coração de Jaxon começou a bombear. Era uma loucura. Estava a campo aberto, com uma pessoa que conhecera toda sua vida, ainda assim se sentia à parte, longe e peculiarmente sozinha. A escuridão se estendeu em seu interior e com ela um terrível medo.

Dom a tocou então. Ela ficou tão quieta e pálida, que ele sentiu medo por ela.

– Jaxon? Está doente? O que está acontecendo?

–Algo está errado. – Ela sussurrou as palavras tão baixo, que Dom quase as perdeu. Jaxon correu passou por Dom e o jogou para o lado. Ele correu a seu lado, não querendo deixá-la em tal estado. Jaxon sempre era tão fria e retraída, e ele não podia acreditar que a estivesse vendo assim. Ela não o olhava para nada, em vez disso corria diretamente para sua casa adotiva. Depois das mortes de sua mãe e de seu irmão e o misterioso desaparecimento de seu padrasto, Russell e Bernice Andrews tinham acolhido Jaxx e lhe dado um lar amoroso. Russell e os outros membros de sua equipe SEAL, continuaram treinando-a, compreendendo que ela precisava da ação física para aliviar as lembranças de seu traumático passado. O pai de Dom era parte dessa equipe e falava com freqüência com seu filho, sobre a tragédia. Ninguém estava absolutamente seguro de que Tyler havia matado Mathew Montgomery como tinha alardeado a Rebecca, mas não havia a mais ligeira dúvida de que ele matara Rebecca e Mathew Júnior.

Dom teve um mau pressentimento enquanto corria junto a Jaxon. Era difícil manter o passo. Ele estava em boa forma e era muito mais alto que ela, ainda assim estava suando. Jaxon tinha uma expressão na face, que dizia que sabia algo não estava bem. Algo terrível. Desejou ter à mão um telefone móvel. Enquanto dobravam uma esquina, divisou um PM.

– Siga-me! Algo está errado! – Gritou com convicção, sem nenhum temor de se passar por louco. Desta vez soube. Soube do mesmo modo que Jaxon sabia enquanto corriam pela rua, até seu lar adotivo.

Jaxon parou bruscamente no caminho da entrada, olhando para a porta. Estava parcialmente aberta como se a convidasse a entrar. Dom começou a passar, mas ela segurou seu braço. Estava tremendo.

– Não entre. Ele ainda poderia estar aí.

Dom tentou rodeá-la com um braço. Nunca tinha visto Jaxon tão alterada. Parecia frágil e aflita. Empurrou para o lado, com o olhar fixo no pátio circundante, investigando o terreno.

– Não me toque, Dom. Não se aproxime de mim. Se ele acreditar que me importo com você, encontrará uma forma de te matar.

– Não sabe que acontece nessa casa, Jaxx. – Dom protestou. Mas uma parte dele não quis comprovar se ela estava com razão. A maldade parecia alagar a casa. Os PMs abriram passo pelo caminho de entrada.

– Será melhor que não nos estejam fazendo perder o tempo. O que passa aqui? Sabem de quem é esta casa?

Jaxon assentiu.

– Minha. A casa dos Andrews. Tome cuidado, acredito que Tyler Drake esteve aqui. Acredito que tornou a matar. – Jaxon deixou-se cair, sentando-se bruscamente na grama. Suas pernas não a sustentavam.

Os dois PMs olharam o um ao outro.

– Isto é a sério? – Todo mundo tinha ouvido falar de Tyler Draker, um Ex-SEAL, que supostamente havia assassinado sua família, evitado sua captura e estava ainda escondido em alguma parte. – Por que voltaria aqui?

Jaxon não respondeu. A escuridão de seu interior era sua resposta. Tyler tinha matado à família Andrews porque a tinham acolhido. Ela era dele e em sua mente retorcida, eles haviam usurpado seu lugar. Deveria tê-los avisado de que ele faria tal coisa. Ela matara seu pai, acreditando que ele não tinha direito a ela. O mesmo com sua mãe e seu irmão. É obvio que mataria aos Andrews. Para ele teria perfeito sentido. Jaxon dobrou as pernas e começou a se balançar para frente e para trás. Só levantou o olhar quando os dois PMs se apressaram a sair da casa e começaram a vomitar sobre a grama imaculada.

 

Jaxon Montgomery pegou sua pistola e olhou para seu companheiro.

– Isto é um esconderijo, Barry. Posso cheirá-lo. Assombra-me que não notasse. Onde está seu sexto sentido? Pensava que os homens tinham algum tipo de instinto de sobrevivência.

Barry Radcliff respondeu, indignado.

– É você a que dirige a festa, carinho e todos nós a seguimos.

– Um ponto a meu favor, companheiro. Não tem o mínimo instinto de autopreservação. – Jaxx lançou um sorriso zombeteiro sobre o ombro. – São todos uma alcatéia de inúteis.

– Certo, mas temos bom gosto. Tem uma fama estupenda. Somos homens, carinho... não podemos conter os hormônios.

– Essa é sua desculpa? O frenesi dos hormônios? Pensava que você gostava de viver no limite, que foi do tipo kamikaze

– Essa é você. Nós tiramos seu pequeno e lindo traseiro de todos os problemas que se coloca. – Devolveu Barry e olhou seu relógio. – Tem que se decidir, Jaxx. Tentamos ou pedimos reforços?

Jaxx fechou sua mente a tudo... A escuridão da noite, a mordida do frio, a adrenalina correndo por seu sangue, a necessidade de ação. O armazém tinha um acesso muito fácil, não havia forma de que pudessem visualizar os andares superiores, sem se expor. Nunca tivera consigo, todas as informações. Tudo nela gritava que era um esconderijo e que ela e seu companheiro policial, caminhavam para uma emboscada.

Sem duvidas, moveu os lábios sobre o diminuto rádio.

– Abortar... Meninos. Quero ver todos retroceder e sair. Avisem. Barry e eu os cobriremos até que nos aviseis. Agora.

– Esta foi forte? – Podia ouvir o sorriso na voz de Barry. – Mulher Maravilha.

– Oh! Cale-se. – Replicou ela abruptamente, com voz a beira da preocupação. Seus olhos estavam intranqüilos, em constante movimento, varrendo toda a região que os rodeava. A sensação de perigo se intensificava.

O diminuto receptor em sua orelha rangeu.

– Vamos deixar que uma mulher que perde os nervos, nos custe a perder a maior rede da história?

Esse era um novato que haviam colocado em sua equipe, contra sua vontade. Por que tinha algum tipo de influência política no departamento e queria escalar postos. Benton. Craig Benton.

– Retroceda, Benton. É uma ordem. Podemos discuti-la mais tarde. – Ordenou Jaxx, mas soube, que ele era a causa das advertências internas que lhe davam. Benton queria ser um herói. Mas não havia lugar para os heróis em sua linha de trabalho.

Barry estava amaldiçoando a seu lado, seu corpo já tenso. Ele sabia tão bem como ela. Barry tinha sido seu companheiro durante tempo suficiente para saber que quando Jaxx dizia que havia um problema é que ia ser um inferno.

– Está entrando. Ele está entrando. Vejo-o junto à porta.

– Fique atrás, Barry. – Espetou Jaxx, avançando. – Tentarei tirar ele de lá. Faça com que todos fiquem aqui, porque isto vai ser uma guerra. Mantenha-se fora daqui até que consigamos ajuda. É uma emboscada.

Ela era pequena e esbelta, vestida com roupa e boina escura, Barry não podia distingui-la na escuridão da noite e não fazia o mínimo ruído quando se movia. Era estranho. encontrava-se olhando continuamente para ela, para assegurar-se de que estava com ele. Agora, ele também se movia. De maneira nenhuma ia deixar que sua companheira entrasse no edifício sem ele. Emitiu as ordens, chamando em retirada, mas ele a seguiu. Dizia a si mesmo que não tinha nada a ver com Jaxx Montgomery e todo seu dever como companheiro. Não tinha nada que ver com o amor e continuar fazendo seu trabalho.

– Deveriam ver este lugar. – O rádio crepitava em seus ouvidos. – Entrem. Está carregado com produtos químicos suficientes para colocar nos ares, meia cidade.

– Idiota, está carregado com produtos químicos para explodir o edifício contigo aí dentro. Agora tira seu maldito trazeiro daí. – Essa era Jaxx em seu melhor momento. Sua voz era suave e cortante, um látego de puro desprezo.    Graig Benton olhou inquieto, para a direita e para aesquerda. O lugar, de repente lhe provocou arrepios. Começou a retroceder lentamente, aproximando-se da porta. Em seguida, alguma coisa picou sua perna, empurrando-o para trás. Encontrou-se deitado sobre o frio piso de cimento, olhando para o teto. O lugar permanecia em silêncio. Baixou as mãos para tocar a perna e encontrou uma picada. Gritou.

– Dispararam-me, atiraram em mim! Oh! Deus, dispararam em mim!

Jaxon tinha atravessado a primeira porta, mas Barry a empurrou com o ombro, clocando sua ligeira figura para o lado. Em seguida, lançou-se para o interior do armazém, procurando algum tipo de cobertura. Ouviu o assobio das balas quando se incrustaram na caixa de madeira atrás dele. Pensou que devìa ter gritado uma advertência a Jaxx, mas não podia estar seguro, enquanto se arrastava para Benton. As coisas estavam acontecendo muito rápido e sua visão estava limitada... Se arrastar a esse estúpido pirralho e sair desse inferno era só o que pensava.

Aproximou-se de Benton. O novato tinha que ser tão grande como um jogador de rugby? Tirá-lo dali ia ser difícil e se Craig continuasse gritando, ele mesmo ia colocar uma bala na cabeça dele. – Vamos. – Ele pegou Benton por baixo dos braços, tentando manter-lo baixo e começou a abrir passo, retrocedendo para a porta. Era um longo caminho. Agora estavam varrendo a área com balas e sem cuidados com os produtos químicos, pareciam haver explosões por toda parte.

O fogo desatou. Sentiu o aguilhão da primeira bala em seu couro cabeludo. O segundo estava melhor colocado. Seu braço esquerdo ficou intumescido e ele deixou cair Benton e se encontrou no chão.

Então Jaxx chegou. Jaxon Montgomery, sua companheira. Jaxon nunca se detinha até que tudo estivesse acabado e nunca deixava um companheiro em apuros. Jaxon ia morrer neste armazém, a seu lado. Ela estava proporcionando fogo de cobertura, correndo para eles.

Se levante, maldito preguiçoso! Não está tão ferido assim. Arraste seu trazeiro para fora daqui.

Sim, essa era sua Jaxx, sempre simpatizando com seus problemas. Benton, maldito fosse, estava arrastando-se para a porta, tentando salvar-se. Barry tentou. Estava muito desorientado, a fumaça e o calor não ajudavam. Algo estava errado em sua cabeça, pois pulsava muito e tudo parecia confuso e longínquo. A pequena figura de Jaxx aterrissou a seu lado, seus olhos enormes, tomados pela preocupação.

– Colocaste-nos num maldito inferno, amigo. – Disse brandamente. – Mova-se. – Ela fez-lhe um reconhecimento rápido, avaliando o dano e descartando-o por coisas mais importantes. – Estou falando sério, Barry. Tire seu trazeiro daqui, agora! – Era uma ordem clara.

Jaxx introduziu outro carregador em sua pistola e rodou pelo chão, dirigindo o fogo para longe de seu companheiro, disparando para o desvão. Enquanto ele arrastava seu pesado corpo para a entrada, viu um homem caindo. Satisfação imediatamente. Jaxx era uma perita atiradora. Onde colocava o olho, colocava bala. Se morressem, com certeza ela levaria alguns inimigos com eles. Algo o fez voltar a cabeça, quando a bala acertou Jaxx, tomando seu pequeno corpo e fazendo-o voar vários passos para trás, cruzando o armazém. Ela caiu como uma boneca de trapo sobre o chão e uma mancha escura começou a se estender a sua volta. Furioso, Barry tentou tirar sua arma, mas o braço se negava a responder. A única coisa que podia fazer era se arrastar para frente ou para trás. Arrastou-se para trás, cruzando a distância para ela. Ela estava deitada. Voltou a cabeça para fitá-lo.

– Não, Jaxx. Não me faça isto.

– Saia daqui.

– Estou falando sério, demônios. Não me faça isto. – Ele estava desesperado para alcançá-la, para motivá-la que se movesse. Ela tinha que se mover. Tinha que sair com ele.

– Estou cansada, Barry. Estou cansada a muito tempo. Algum outro terá que salvar o mundo agora. – Murmurou as palavras tão baixinho, que ele quase não as ouviu.

– Jaxx! – Barry tentou segurá-la no braços, mas os eles não o respondiam.

A sua esquerda, a pequena porta se fechou de repente, prendendo-os dentro. E Benton tinha razão. Havia produtos químicos para fazer voar toda a cidade. Esperou. Esperavam a morte de um momento a outro.

Então ouviu os gritos, horríveis, retorcidos. Instintivos gritos de medo. Viu os corpos cair através da fumaça e o brilho das chamas. Viu coisas que não podiam ser. Um lobo, enorme e selvagem, saltando para um homem que escapava. Viu as poderosas queixos atravessando o peito para chegar ao coração. O lobo parecia estar em todas partes, derrubando homem após homem, rasgando tecidos e rompendo ossos com suas queixos. Barry viu esse mesmo lobo mudar de forma até se converter numa enorme coruja com garras e bico, que se lançou sobre outro homem, arrancando os olhos da cabeça. Era um incrível pesadelo de sangue, morte e vingança. Barry não fazia idéia de que houvesse semelhante violência em seu interior para imaginar tão terríveis imagens. Sabia que ao menos duas balas o acertaram, podia sentir o sangue gotejando pela face e o braço. Obviamente estava tendo alucinações. Por isso não tentou disparar quando o lobo finalmente abriu passo para onde estavam. Observou-o se aproximar, admirando a forma em que ele se movia, músculos ondulando-se. A forma em que saltava facilmente sobre cada obstáculo que aparecia em seu caminho. Vinha diretamente para ele, atraído pelo aroma do sangue ou pensou Barry, por sua própria e vívida imaginação.

O lobo o olhou durante um longo momento, olhou nos olhos. Esses olhos eram estranhos, quase completamente negros. Olhos inteligentes, mas vazios de qualquer emoção. Barry não se sentiu ameaçado a não ser sentir como se o lobo estivesse olhando o interior de sua alma, possivelmente o julgando. Ficou deitado imóvel, entregando-se ao que a criatura queria fazer com ele. Sentiu que adormecia, suas pálpebras estavam muito pesadas para mantê-las abertas. Enquanto dormia, podia ter jurado que o lobo se sacudiu uma vez mais e começou a tomar a forma de um homem.

 

Jaxon Montgomery despertou ante o som de um coração pulsando. Pulsava rápido e com força, assustado e ruidoso. Automaticamente, procurou sua arma. Nunca andava desarmada, mas não encontrou nada sob seu travesseiro ou junto a seu corpo. O coraçãa pulsaçãou mais forte e ela provou o sabor acobreado do medo em seus lábios. Respirando fundo, obrigou-se a abrir os olhos. Só podia olhar com assombro, o lugar em que estava. Não era um hospital e certamente não era o quarto de seu diminuto apartamento. Esta casa era formosa. As paredes eram de um suave malva. O tapete era grosso e de um malva profundo, recolhendo as cores dos cristais coloridos que havia sobre três das paredes. O padrão era tranqüilizador e intrincado. Deu a Jaxx, a ilusão de estar a salvo, algo que sabia que era impossível. Só para estar segura de ter despertado, cravou as unhas nas palmas das mãos.

Voltou a cabeça para examinar o resto do conteúdo do quarto. O mobiliário era antigo e pesado, a cama de quatro colunas era mais confortável que nenhuma outra em que tivesse dormido em toda sua vida. O armário era enorme e continha alguns artigos femininos... Uma escova, uma pequena caixa de música e uma vela. Eram formosos e pareciam antigos. Havia várias velas e todas estavam acesas, de forma que o aposento parecesse deleitar-se com a luz suave. Com freqüência sonhara com um quarto como este, formoso e elegante, com janelas de cristais coloridos. Lhe ocorreu, maus uma vez, que não podia estar acordada.

O som de um coração pulsando tão ruidosamente, a convenceu de que estava totalmente acordada e outras pessoas deviam estar cuidando dela. Outros que não tinham como saber o perigo a que ela os conduzia. Tinha que encontrar a forma de protegê-los. Jaxx olhou em volta, freneticamente, em busca de sua arma. Definitivamente, havia sofrido um ferimento e não podia se mover muito bem. Fez uma análise , tentando mover com cuidado, os braços e depois as pernas. Seu corpo não queria responder. Podia se moverse concentrasse com decisão, mas não parecia o esforço que valeria a pena. Estava muito cansada, e a cabeça doía. O implacável batimento desse coração a estava deixando louca.

Uma sombra caiu sobre a cama e seu próprio coraçãa pulsaçãou com força suficiente, para lhe causar dor. Compreendeu então que o som saía de seu próprio peito. Jaxon girou lentamente a cabeça. Um homem estava de pé sobre ela. Muito alto, poderoso. Um predador. Notou, instantaneamente.

Havia visto muitos predadores, mas este era o definitivo. Era evidente por sua completa imobilidade. Aguardando. Confiança. Poder. Perigo. Ele era perigoso. Mais perigoso que qualquer criminoso que tivesse encontrado. Não entendia como sabia estas coisas, mas sabia. Ele se acreditava invencível e ela teve a inquietante suspeita de que poderia ser. Não era nem velho e nem jovem. Era impossível dizer sua idade. Seus olhos eram negros e não mostravam nenhuma emoção. Eram olhos vazios. Seus lábios eram sensual e eróticos e seus dentes muito brancos. Seus ombros eram largos. Era bonito e sexy. Mais que sexy, que bonito. Completamente ardente.

Jaxx suspirou e tentou não ceder ao pânico. Tentou não permitir que seus pensamentos se mostrassem em sua face. Definitivamente, ele não parecia um médico. Não parecia alguém que ela pudesse derrotar facilmente, num combate. Então ele sorriu. O riso tocou seus olhos durante um momento e o modificou completamente. Quente. Inclusive sexy. Jaxx tinha a sensação de que ele estava lendo seu pensamento e zombava dela. Sua mão se moveu inquieta sob as mantas, sempre procurando a arma.

– Está intranqüila. – Declarou ele. Sua voz era formosa. Suave como o veludo, atrativa, quase sedutora. Tinha um estranho sotaque que não podia identificar e uma forma de dizer as palavras, que soavam muito antigas.

Jaxon piscou rapidamente, tentando ocultar sua confusão, surpreendida pela direção que estavam tomando seus pensamentos. Ela nunca pensava em sexo. Não tinha idéia do porque estar reagindo ante este desconhecido com erotismo. Sacudiu a cabeça, tinha que procurar a voz.

– Preciso de minha arma. – Foi uma espécie de desafio, uma prova para ver sua reação. Os olhos negros estudaram sua face intensamente. Seu escrutínio a fez sentir-se incômoda. Esses olhos viam muito e Jaxon tinha muito que esconder. A face era inexpressiva, não mostrando absolutamente nada e Jaxx era muito boa em ler às pessoas.

– Está planejando atirar em mim? – Perguntou ele com a mesma voz amável, só que esta vez, carregava um indício de divertimento.

Ela estava muito cansada. estava-se ficando difícil evitar que suas pálpebras caíssem. Notou um fenômeno peculiar. Seu coração havia ralentizado, para seguir o ritmo do dele. Exatamente. Seus corações estavam pulsando simultaneamente. Podia ouvi-los. A voz de lhe era familiar, embora ele fosse um completo desconhecido. Ninguém poderia conhecer um homem semelhante e esquecer. Era impossível que se conhecessem.

Jaxon umedeceu os lábios. Estava com muita sede.

– Preciso de minha arma.

O estranho se aproximou do armário. Não caminhou. Deslizou. Poderia ficar olhando como ele se movia, para sempre. Seu corpo era como o de um animal, um lobo ou um leopardo, algo felino e poderoso. Fluidico. Totalmente silencioso. Quando o movimento cessou, ele ficou completamente imóvel. Alcançou-lhe sua arma.

Sentiu-a familiar em sua mão, uma extensão de si mesma. Tranqüilizou-se em seguida e seu medo se afastou.

O que me aconteceu? – Automaticamente, tentou comprovar o carregador, mas sentia os braços como gelatina e não pôde levantar a arma, o suficiente.

Ele voltou a pegar a pistola e seus dedos lhe roçaram a pele. O fluxo de calor foi tão inesperado, que ela saltou afastando-se dele. O homem não reagiu, mas amavelmente lhe fez relaxar os dedos e mostrou o carregador cheio, com uma bala na antecâmara, antes de devolver a arma à palma de sua mão.

– Dispararam em você várias vezes, Jaxon. Ainda está muito doente.

– Isto não é um hospital. – Ela sempre suspeitava de tudo, isso era o que a tinha mantido viva. Mas não supunha que tivesse que continuar viva. – Está em grande perigo aqui comigo. – Tentou advertir o homem, mas suas palavras foram muito baixas, sua voz se desvanecia.

– Durma, carinho. Simplesmente volte a dormir. – Ele disse suavemente, embora seu tom aveludado introduziu em seu corpo e mente, tão poderoso como qualquer droga.

Tocou-a então, acariciando seu cabelo. Seu toque parecia familiar e ligeiramente possessivo. Tocava-a como se tivesse direito em tocá-la. Era como uma carícia. Jaxon estava confusa. Conhecia-o. Ele era uma parte dela. Conhecia-o intimamente, embora fosse um completo desconhecido. Suspirou, incapaz de evitar que seus olhos se fechassem e sucumbiu à poderosa ordem de dormir.

Lucian se sentou na beirada da cama e simplesmente a observou dormir. Ela era a coisa mais inesperada, em todos os séculos que vivera. Havia esperado por esta criatura quase dois mil anos e não era nada do que tinha imaginado. As mulheres de sua raça eram altas e elegantes, de olhos escuros, com um cabelo negro e abundante. Eram criaturas de poder e habilidades. Lucian era consciente de que sua espécie estava a beira da extinção e suas mulheres eram guardadas como o tesouro que eram, mas ainda assim, eram poderosas, não frágeis e vulneráveis como esta jovenzinha.

Tocou sua pele pálida. Em seu sono, ela parecia quase um duende, uma fada saída das lendas. Era pequena e rápida, parecia toda olhos. Formosos olhos. Eram olhos nos quais um homem podia se afogar. Seu cabelo era de vários tons de loiro, espesso e suave mas curto e alvoroçado, como se tivesse sido cortado descuidadamente. Ele pensara que ela teria o cabelo longo, não este emarfanhado que estava vendo. Encontrou-se tocando constantemente o cabelo dela. Era suave, como fios de seda. Era indomável e crescia em todas as direções, mas ele se agradou do cabelo selvagem.

Ela vivia com medo e era seu mundo. Ela era seu mundo desde que era uma menina pequena. Lucian não que poderia haver uma veia tão protetora nele. Durante muitos séculos não tivera sentimentos. Agora, na presença desta mulher humana, tinha muitos. Os que haviam tentado fazer mal a ela, tinham pago mortalmente por seus crimes no armazém. Lucian a tinha enviado a um profundo sono, ralentizando seu coração e pulmões, enquanto a tirava daquele lugar de morte e destruição. Também tinha salvado seu companheiro, implantando na mente do homem, a lembrança de uma ambulância que os levara. Lucian, a fim de salvá-la, deu seu sangue ancestral e poderoso. Transformou-se em luz e entrou em seu corpo maltratado, à maneira de sua gente, começando a curar de dentro para fora. Os ferimentos eram grandes e a perda de sangue, maciço. Utilizar seu sangue era a única forma de salvar sua vida, mas era perigoso para ambos. O descobrimento da existência de sua espécie, por qualquer pessoa da raça dela seria uma sentença de morte para sua gente. Sua primeira prioridade era protegê-la, a segunda era assegurar a continuidade de sua própria raça. Seu trabalho tinha sido sempre o amparo de ambas as espécies.

Cobriu seus rastros, dirigindo ao hospital onde ela teria que ser medicada. Implantou lembranças de uma chamada aos serviços de emergência. Ninguém saia ao certo, o que tinha acontecido.

Lucian se encontrou enredando os dedos em seu cabelo uma vez mais. Nem sequer tinha um nome decente. Que tipo de nome era Jaxon para uma mulher? Sacudiu a cabeça. Estivera observando-a durante algum tempo, pensando na melhor forma de se aproximar dela. Se fosse uma mulher de sua raça, simplesmente a teria reclamado como própria, unindo-os e permitindo que a natureza seguisse seu curso. Esta mulher era humana e frágil. Havia tomado sua mente muitas vezes nas últimas semanas, enquanto se estabelecia em seu novo lar. Descobriu que ela tinha muitos segredos. A companheira de Gabriel havia dito que ele encontraria esta mulher em alguma parte do mundo e em grande necessidade. Francesca tinha tido razão. A vida de Jaxon não tinha sido fácil. Não tivera infância, só lembranças de luta, morte e violência. Jaxon acreditava ser responsável por cuidar de todos os que a rodeavam. Tinha vivido toda sua jovem vida desse modo. Tomando a responsabilidade dos outros. Ninguém havia, realmente, cuidado dela. Ele tinha intenção de remediar essa situação. Tinha o pressentimento de que ela não saberia como responder a sua interferência.

Seu primeiro pensamento ao despertar era sobre o amparo de outros. Dele. Isso o intrigava. Enternecia-o lembrar que ela havia tentado lhe advertir de um possível perigo. Soubera que ele era um predador, que podia ser perigoso e ainda assim se incomodava em lhe proteger. Fascinava-lhe. Algo nela fazia que batesse forte seu coração e o fazia desejar sorrir, simplesmente em olhá-la. Isso era tudo. Olhava-a e já era feliz. Nunca experimentara essas emoções. Tomou nota para as examinar depois.

Ao primeiro som de sua voz, vira em cores. Cores vívidas e brilhantes. Tendo vivido em seu mundo branco e negro durante tantos séculos, como faziam os homens dos Cárpatos quando perdiam suas emoções, Lucian estava quase cego pelos matizes. Azuis e vermelhos, laranjas e verdes... Havia cor em qualquer parte que olhasse. Esfregou os fios de cabelo loiro entre seu polegar e dedo indicador, com ternura inadvertida. Os sentimentos que estava experimentando eram intensos. A fome se arrastou lentamente até seus pensamentos. Gastara muita energia curando-a e seu sangue precisava ser substituído. Enviou lhe outro forte empurrão mental, para assegurar-se de que ela permaneceria dormindo enquanto ele caçava. A cidade estava cheia de presas esperando por ele. Saiu para balcão, depois mudou de forma, escolhendo a de uma coruja. Com asas poderosas, sobrevoou a cidade. Os olhos agudos procuravam na escuridão, sua fina audição recolhia cada som abaixo dele. Podia ouvir corações pulsando, o murmúrio de vozes, o som da vida sendo vivida. O tráfico e os ruídos da cidade o chamavam, o som do sangue bombeado através de veias fervendo de vida.

Encontrou o caminho para o parque, uma perfeita reserva de caça. A coruja aterrissou no alto de uma árvore e baixou suas asas cuidadosamente. Inspecionou a área circundante. A sua direita pôde ouvir as vozes de dois homens. Mudou sua forma normal, flutuando até o chão enquanto o fazia. Enviou uma silenciosa chamada mental, exigindo que sua presa fosse até ele. Tinha passado tantos séculos entregando assassinos à mãos da morte, que requereu grande quantidade de disciplina se conter e simplesmente se alimentar.

Os dois homens responderam sua chamada. Eram corredores sadios e fortes, estirando suas pernas depois de uma corrida noturna. Nenhum dos dois cheirava a álcool ou drogas. Ele alimentou-se rapidamente, precisando voltar para Jaxon. Ela estivera inconsciente mais tempo do que gostara. Mas agora estava dormindo. Lucian compreendeu que ela nunca se permitia entrar no padrão humano normal de sonolência, que era tão necessário para seus corpos. Quando dormia sem a ajuda de sua ordem, estava intranqüila e nervosa. Lucian era bem consciente de que Jaxon passava a maioria das noites trabalhando, conduzindo-se ao ponto da extenuação. Mas seus sonos eram implacáveis. Lucian tinha compartilhado alguns deles, fundindo sua mente com a dela para poder conhecer seus demônios intimamente. E ela possuía muitos demônios e ele tinha intenção de exorcizar cada um deles.

Mas acima de tudo, não queria estar separado dela durante mais tempo do que o estritamente necessário. Não podia ficar separado dela. Era necessário estar com ela. Ele, que nunca tinha precisado de ninguém. Precisava tocá-la, saber que estava bem. Agora que ela estava a seus cuidados, tinha intenção de uni-la a ele, para que nenhum humano ou Cárpato tivesse possibilidade de afastá-la dele. Jaxon não escaparia. Tinha-lhe dado seu sangue e tomado uma mínima quantidade do dela, só o suficiente para ser capaz de fundir suas mentes a vontade.

Voltou para ela, uma vez mais com toda sua força. E sua força era enorme. Teria que ser gentil com ela. Se é que restava um pouco de gentileza nele. Se alguma vez houvera um pouco de gentileza nele, tinha intenção de utilizá-la com Jaxon. Se alguém a merecia, essa era ela.

Sentou-se na beirada de sua cama, retirando a ordem dela permanecer dormindo e a prendeu entre seus braços.

– Sou seu companheiro, jovenzinha. Não tem nem idéia do que isso significa e você não é Cárpato, assim espero certa quantidade de resistência de sua parte. – Lucian esfregou o queixo contra a cabeça dela. – Prometo que serei tão amável e paciente como posso, mas não posso esperar muito por você. As emoções que estou sentindo não refreiam à fera em meu interior.

Os olhos de Jaxon se agitaram e abriram. Ela sentia-se confusa, adormecida, como se estivesse sonhando. A voz consoladora que tinha ouvido era formosa e familiar. Mantinha os demônios a raia e lhe permitia sentir uma certa segurança.

– Quem é você? Conheço-o?

– Sua mente me conhece. Seu coração e sua alma me reconhecem. – Com o polegar, ele acariciava meigamente a perfeita linha de sua face, porque adorava a sensação de sentir sua pele. – Devo nos unir, Jaxon, não tenho escolha. Seria perigoso esperar. Lamento não poder te dar mais tempo.

– Não entendo. – Ela elevava o olhar a seus olhos negros e deveria sentir medo do que via ali. Ele estava olhando-a possessivamente, algo que nenhum homem se atrevia a fazer. Jaxon não provocava tais sentimentos nos homens. Embora por alguma estranha razão, este perigoso desconhecido a fazia sentir-se protegida. Desejada.

– Sei que não entende neste momento, Jaxon, mas entenderá com o tempo. – Lucian segurou seu queixo com dedos firmes para que seus olhos escuros prendessem o olhar dela.

Era como cair em um poço negro, sem fundo. Interminável. Eterno.

Lucian murmurou seu nome, com suavidade e inclinou a cabeça para a a garganta dela. Inalou sua fragrância. Não havia lugar onde ela pudesse ir que ele não a encontrasse. Seus braços a apertaram possessivamente até que ele se se lembrou que ela era muito frágil. Sentia-a incrivelmente pequena em seus braços mas também cálida e convidativa. Ela estava removendo coisas nele, que era melhor deixar em paz. As repentinas e urgentes demandas, o surpreenderam. Ela era jovem e vulnerável e nesse momento deveria desejar só protegê-la.

Seus lábios tocou a pele gentilmente, meigamente, numa pequena carícia. A necessidade se fechou sobre ele, dura e imperativa. Podia ouvir o coração dela pulsando ao mesmo ritmo do seu. Podia ouvir o sangue correndo pelas veias, num calor incitante que o chamava, uma tremenda necessidade física pelo corpo dela. Fechando os olhos, saboreou sua habilidade de sentir, não importava que fosse terrivelmente incômodo e que seu corpo estivesse gritando pedindo alívio. Sua língua encontrou a pulsação, e ele acariciou a região uma vez, duas. Seus dentes mordiscaram gentilmente sobre a veia, depois afundaram profundamente nela.

Jaxon se moveu inquieta entre seus braços e gemeu, um suave sussurro de intimidade que estirou seu corpo ainda mais. Ela era doce e especial, um sabor indescritível e que nunca antes tinha encontrado. Era aditiva, como se nascera precisamente para agradar suas necessidades. Nunca teria o suficiente dela. A disciplina se sobrepôs a sua fome do êxtase que o sangue de lhe proporcionava. Com a língua, fechou as diminutas incisões que seus dentes haviam feito, sem deixar rastros que um médico pudesse descobrir.

Mantendo-a com cuidado e profundamente enfeitiçada, Lucian abriu a camisa e a mudou de posição entre seus braços para poder embalar a parte de trás de sua cabeça com a mão. Seu corpo dançava de desejo e a sensualidade natural dela estava emergindo sob seu feitiço. Uma de suas unhas se alongou até se converter em uma afiada garra. Abriu uma linha sobre seu coração e pressionou os lábios dela contra seu peito, para poder continuar o ritual e uni-la a ele.

Ao primeiro toque de seus lábios, o fogo rugiu através dele, numa necessidade tão intensa e tão profunda, que Lucian, que era notável por seu rígido controle, quase cedeu à tentação de tomar o que era seu por direito. Notou que estava tremendo e seu corpo coberto de uma fina camada de suor. Inclinando-se perto da orelha dela, sussurrou as palavras na noite, em sua mente, para que ninguém pudesse voltar a separá-los, para que ela não pudesse estar longe dele durante mais que algumas escassas horas.

– Reclamo-te como minha companheira. Pertenço a você. Ofereço-te minha vida. Dou-te meu amparo, minha lealdade, meu coração, minha alma, e meu corpo. Do mesmo modo tomo em mim os teus, para guardá-los. Sua vida, sua felicidade e seu bem-estar serão apreciados e colocados acima dos meus, sempre. É minha companheira e está unida a mim por toda a eternidade e sempre a meus cuidados.

O alívio que experimentou foi tremendo, apesar do fato de que seu corpo não se fundira ao dela. Seu coração e o dela eram um só, estavam unidos e eram duas metades de um todo. Suas almas estavam fundidas de forma que sua luz feminina brilhava nele, aliviando a terrível escuridão que o ameaçara durante séculos. Nesse momento, compreendeu que quando a pessoas tinha vivido na escuridão quase toda sua vida, num horrendo e ermo inferno de vida, encontrar uma companheira estava além de qualquer sono que pudesse imaginar.

Jaxon Montgomery era literalmente seu coração e sua alma. Sem ela não haveria razão para continuar vivendo. Nunca poderia voltar atrás para o vazio e a escuridão nos quais tinha vivido durante tanto tempo. As palavras rituais os unira de forma que nenhum dos dois poderia escapar nunca, um do outro.

Lucian não se enganava. Ele precisava dela muito mais do que ela precisaria dele, embora, desde seu ponto de vista, precisava muito. Tinha que parar e pensar antes de demandar uma reclamação ainda mais à frente. Gentilmente, a deteve para que ela parasse de se alimentar, fechando seu próprio ferimento. Seu sangue os uniria e a ajudaria a se curar. Também trabalharia sobre seu corpo, para convertê-la a sua raça. A conversão era arriscada, dura para o corpo e para a mente. E uma vez feito, não havia volta. Jaxon seria como ele, precisaria de sangue para sobreviver, procuraria alívio do sol nos acolhedores braços da terra. Se não era uma autêntica psíquica... A única classe de mulher humana que tinha sido convertida com êxito a Cárpato... A experiência a empurraria mais à frente do limite da prudência e Jaxon teria que ser destruída. Lucian se recostou para trás, liberando-a de seu feitiço escuro.

Os cílios dela flutuaram enquanto ele voltava a colocá-la sobre os travesseiros. Lucian sabia que muito poucos humanos podiam ser convertidos com êxito. Mas também acreditava que ela devia pertencer a essas filas, já que era sua autêntica companheira. Seu coração igualava ao dele. Sabia. Quando pronunciou as palavras rituais, sentiu os fios que os ligavam. Mesmo assim, saber algo intelectualmente não fazia que seu coração acreditasse. Não queria arriscar a segurança dela. Eram necessários três intercâmbios de sangue para completar a conversão. A audição e visão dela já estavam mais agudas, mais como a dos Cárpatos. Logo teria problemas para consumir carne e quase todas as outras comidas. Precisaria dele por perto. Mudara sua vida, até onde se atrevera, no momento.

– Ainda não sei quem é. – Sob as cobertas da cama, os dedos de Jaxon se apertaram com segurança em volta da culatra da pistola. Estava muito sonolenta e este desconhecido era muito familiar. Não gostava de adivinhações. Não sabia onde estava, só o que sabia era que estava doente e tinha estranhos sonos sobre um príncipe escuro que tomava seu sangue atando-a a ele para sempre. Havia algo exótico e diferente no desconhecido que se encontrava inclinado sobre sua cama.

Algo elegante e cortês, embora selvagem e indomável. Jaxon encontrava a combinação perigosamente sensual e difícil de resistir.

Lucian lhe sorriu, um relâmpago de dentes brancos que suavizou a dura linha de seus traços escurecidos.

– Sou Lucian Daratrazanoff. Um nome muito antigo e respeitado, mas difícil de pronunciar corretamente neste país. Lucian bastará.

– Conheço você? – Jaxon desejou não estar tão débil. Desejou não ter sonos tão eróticos e peculiares sobre este homem. A faziam sentir-se estranha em sua presença, especialmente quando nada parecia ter sentido. – Por que estou aqui em vez de em um hospital?

– Precisava de cuidados extras. – Respondeu ele, honestamente.– Esteve muito perto de morrer, Jaxon e não podia me permitir correr nenhum risco com sua vida.

– Meu companheiro, Barry Radcliff... Atiraram nele. – Lembro-me, que ele voltou por mim. – Todo o resto era um borrão para ela. Não sabia como tinha conseguido sair do armazém, pois Barry não estava em forma para tirá-la de lá.

– Ele está no hospital e melhor do que o esperado. É um homem duro e muito valente. – Lucian deu a seu companheiro o crédito justo, embora não acrescentou que o homem estava apaixonado por ela.

– Pensei que estava morrendo. Deveria ter morrido. – Ela murmurou as palavras quase que para si mesma. Queria morrer. A terrível responsabilidade que pesava sobre seus ombros era uma carga que não queria levar para sempre. Obrigou suas pálpebras a abrirem, para poder fitá-lo melhor. – Você está correndo perigo. Não pode estar comigo. Aonde estejamos, não estamos a salvo. Você não está a salvo.

Lucian sorriu e estendeu a mão para tocar o cabelo que emoldurava a face dela. Seu toque foi incrivelmente terno e a deu a ela, uma estranha sensação de segurança. A voz era bela e pura e ela desejou que ele continuasse falando com ela. Seu sotaque era sexy e provocava ondas de desejo em seu interior, que ela não sabia o que eram.

– Não se preocupe por mim, jovenzinha. Sou capaz de nos proteger. Conheço o homem que teme e enquanto estiver nesta casa, está a salvo. Ele está bem treinado, mas seria impossível entrar nestes terrenos sem ser detectado.

– Você não o conhece. Ele mata em pensar e sem remorso. Mesmo que só esteja me ajudando, ela vai achar que você é uma ameaça para ele. – Jaxon estava se agitando e seus olhos se voltaram, preocupados com ele.

– Não há ninguém neste mundo tão perigoso como o homem que está contigo nesta casa. Tyler Drake não pode te alcançar. Ele já não dita sua vida, você agora está sob meu amparo. – Ele soava seguro, nem arrogante, nem fanfarrão.

Ela estava caindo nos olhos escuros, outra vez. Olhos belíssimos e tão pouco usuais. Jaxon se sentia uma pequena perdida e piscou rapidamente para romper o feitiço hipnotizador.

–Meu pai era um Navy SEAL, igual a meu pai adotivo, Russell Andrews. Tyler Drake matou os dois. Não posso acreditar que você esteja a salvo enquanto estiver comigo. – Suas pálpebras estavam muito pesadas para manter os olhos abertos. Caíram, apesar de sua intenção de convencê-lo. Não tinha forças para o proteger. Isso a assustava e seu coração bateu dolorosamente no peito.

Se acalme, Jaxon. Respire e relaxe. Sou eu quem cuida de você, não o contrário, embora gosto muito que deseje me proteger. Em qualquer caso, ninguém sabe onde está. Mantive-a completamente segura. Só durma, céu e se cure.

Sua voz era tão calmante e persuasiva, que ela logo se encontrou respirando regularmente, exatamente como ele. O por que desejava fazer o que ele ordenava, não sabia, mas a urgência de obedecer era muito forte para ignorá-la. Manteve os olhos fechados.

– Espero que seja tão bom como acredita ser. Seria mais seguro para você que chamasse meu chefe e pedisse a ele que colocasse um par de seguranças te vigiando. – Sua voz estava abaixando, até se transformar num suave murmúrio. – Melhor ainda, seria mais seguro para você se simplesmente se afastar de mim e nunca mais me ver.

Uma vez mais, os dedos de Lucian se enredaram em seu cabelo.

– Você acredita que eu estaria mais seguro, certo?

Havia um toque de diversão em sua voz. Por alguma razão, fez com que o coração de Jaxon acelerasse. Ele era familiar. Era como se o conhecesse intimamente, quando não o conhecia, absolutamente. Exceto seu toque. Seu toque ela conhecia e também o som de sua voz. Conhecia sua voz. O sotaque, a sedução aveludada que carregava, a forma em que dizia as frases. A forma em que ele parecia pertencer a sua mente. E o mais difícil de aceitar era que estava começando a acreditar nele.

Lucian a observou voltar a dormir. Ela não queria que sua vida fosse salva, mas tinha tomado para si o direito de ser sua protetora. Ela estava preocupada com sua segurança. Estava preparada para lhe proteger sem sequer saber quem era. Ele passava agora, uma grande quantidade de tempo com sua mente fundida firmemente a dela. Havia sido necessário a princípi, para mantê-la viva. Depois, porque ele desejava conhecê-la, saber de suas lembranças, como ela pensava, o que sonhava, que coisas que eram importantes para ela. Havia muita mais compaixão nela do que convinha. Precisava ajudá-la a equilibrar a balança.

Assombrava-o, o poderoso do desejo sexual que estava experimentando por ela. Isso nunca lhe tinha acontecido antes. Alguma vez tinha usado uma mulher para satisfazer sua fome. Agora esta fome era diferente e mais forte do que podia imaginar. Por sua ânsia de conhecimento, Lucian tinha compartilhado algumas vezes as mentes de humanos para ver como era o sexo, o que se sentia. Esta urgente demanda que dançava atravessando seu corpo era completamente diferente de tudo. Parecia tomar o controle de sua mente, afastando todo pensamento cordato.

Protetor. Lucian sabia que todos os homens dos Cárpatos nasciam com o tremendo dever de proteger às mulheres e as crianças de sua raça. O que sentia por Jaxon também era diferente. Lucian tinha dedicado sua vida a proteger humanos e Cárpatos, embora, a intensidade de suas emoções por Jaxon eram muito mais forte. Não estava preparado para a poderosa atração que sentiria para ela. Tinha vivido quase toda sua vida na escuridão e nas sombras, estava cômodo e familiarizado com a violência. Era totalmente escuro e perigoso. Agora desejava conhecer a ternura e a gentileza. Conhecer a si mesmo, pois a maioria dos homens não se conheciam. Sabia que era poderoso e perigoso, aceitava. Agora, entretanto, com Jaxon deitada ali, tão vulnerável e frágil em sua cama, era ainda mais.

Com um suspiro deitou-se na cama a seu lado. Enquanto ela seguisse sendo humana e precisasse estar sobre terra para sobreviver, ele seria incapaz de protegê-la completamente durante o dia, quando a luz do sol debilitava seus poderes Cárpatos. Normalmente, ficava na terra até a queda da noite. O que seria um problema para os dois. Ela não podia estar separada dele durante muitas horas sem sofrer tremendamente. Estirou-se na cama a seu lado. Ordenaria-se dormir até o próximo pôr-do-sol. Enquanto isso, as salvaguardas que havia tecido a sua volta e os lobos, os manteriam a salvo de qualquer criatura, humana ou de outra classe, que pretendesse fazer mal a eles. Embalou o pequeno corpo no amparo do dele e enterrou a face na sedosa fragrância de seu cabelo.

 

Jaxon o cheirou primeiro. Limpo. Fresco. Sexy. Sacudiu a cabeça interiormente em reprimenda. Agora o conhecia. Conhecia seu tato, sua voz e sua frangancia. Mesmo dormindo, sua mão se apertou em volta da culatra da arma. Depois relaxou a mão e realmente a deixou cair sobre o lençol a seu lado. Sentia-se a salvo deitada ali e com os olhos fechado. A sensação de segurança. Não recordava ter sentido algo semelhante antes. Era interessante, embora estivesse débil e ferida. Só em estar com um completo desconhecido e sem ter idéia de onde estava, sentia-se a salvo.

Abriu os olhos e o encontrou inclinado sobre ela, exatamente onde sabia que estaria. Sentiu-o dentro de sua mente, sabia que o encontraria em meio a uma multidão sem ter que buscá-lo. Só sua visão lhe roubava o fôlego. Ele alto e vestia a aura de poder como uma segunda pele. Não, não era exatamente isso. Ele era o poder personificado. Esperou que ele falasse, precisando ouvir sua voz. Adorava o som de sua voz. Assustava-a, sua tremenda reação ante a ele. Treinou-se para não sentir nada por ninguém, particularmente por homem nenhum, pois estava convencida que Tyler Drake ressurgiria se ela mostrasse interesse em algum homem.

– Sente-se melhor esta noite?

A mão de Lucian roçou sua testa.

Jaxon sentiu a suavidade de seu tato como uma onda de lava através de seu corpo. – Parece cansado. – Franziu o cenho.– Não está cuidando de mim, sem descansar?

A idéia de ter um desconhecido atendendo-a, enquanto dormia deveria ser desconcertante, mas ela não se importava muito, tratando-se dele. Jaxon o estudou. Fisicamente, ele era bonito, muito parecido aos míticos deuses gregos. Mas seus olhos cansados tinham visto muito da vida e ela estava definitivamente preocupada por ele não ter dormido o suficiente. Sentiu uma inesperada urgência de elevar a mão e tocar seu queixo sombreado pela barba.

– Sou eu o que cuida de você, carinho. – Um sorriso curvou os lábios perfeitamente esculpidos. – Não precisa pensar em ninguém mais, que em você mesma. Seus ferimentos estão curando bem. Outro dia mais e poderemos te devolver ao hospital, para que seus amigos possam ver por si mesmos, que você está viva e se recuperando. Tranqüilizei-os, mas precisam ver você com os próprios olhos.

Lucian controlava as mentes humanas facilmente. Fizera durante muitos séculos. Mas este caso era um pouco mais complicado, controlar vários humanos diferentes e a tanta distância. Não estava preparado para relegar o cuidado de Jaxon ao hospital até que estivesse seguro de que a livrariam imediatamente para que voltasse para casa. Não queria que analisassem seu sangue e sabia que ela seria muito vulnerável em um hospital, ante Tyler Drake ou qualquer dos inimigos que ela tinha adquirido por causa de seu trabalho e que decidissem terminar o que haviam começado.

– Quero me sentar. – Ela tentou sentar-se, mas ficou surpreendida de estar ainda tão fraca.

Lucian levantou-a facilmente, até colocá-la sentada. Cuidadosamente, ajeitou os travesseiros e as mantas a sua volta. Ela estava mais pálida do normal.

– Respire profundamente. – É um decreto. Lucian se encontrou sorrindo.

– Tem idéia de quanto extravagante é isto? Sei que aqui não é um hospital. Não é uma espécie de sanatório. E você não é médico.

Ele cruzou o aposento com passos fluídicos, totalmente silenciosos. Não pôde evitar comparar a forma em que ele se movia, com um animal selvagem e predador. Havia algo ameaçador nele, embora ao mesmo tempo, fosse um pouco sensual. Ele a fazia sentir-se segura e a salvo, embora ameaçada, de uma forma que nunca sentira antes. O que era? Segurança ou perigo? Se ele era um predador tão perigoso, por que seu sistema de alarme interno não estava avisando? Jaxon deixou escapar o ar, lentamente de seus pulmões. Sentia-se ameaçada como mulher, não como agente de polícia, ela compreendeu.

Lucian se voltou para fitá-la, com a janela atrás. Fora, a noite era escura e um pouco tormentosa. Podia ouvir a chuva cair com um ritmo constante e o vento soprando entre as árvores, fazendo que os ramos raspassem as paredes.

– Posso não ser um médico no sentido normal da palavra, mas curo às pessoas. Curei a você.

Mais uma vez, Jaxon soube que ele dizia a verdade. Soube tudo sobre ele. Coisas que não deveria saber. Coisas íntimas. Sabia que ele havia viajado pelo mundo, por cada continente, várias vezes. Falava várias línguas. Era rico, embora o dinheiro não significava nada para ele, exceto como meio de sobrevivência. Sabia que ele estivera procurando-a durante longo tempo.

Enquanto avaliava a situação, os olhos negros de Lucian a estudaram cuidadosamente, sem piscar. Eram os olhos de um predador observando sua presa. Sua mente era uma sombra na dela, observando seus pensamentos, como funcionava sua mente, a forma em que analisava a si mesma e seus próprios sentimentos. Jaxon foi consciente desse estranho fenômeno e da forma em que seu coração palpitou igualando o ritmo do dele, a forma em que sua respiração pareceu relaxar para se compassar a dele. Como sabia tanto sobre o Lucian, quando ele era um completo desconhecido para ela? Sabia que adorava obras de arte e antiguidades. Tinha conhecimentos extensos sobre ambos os tema e de seus criadores, embora só recentemente tinha encontrado alegria e beleza nas pinturas e esculturas, nas antiguidades e na música. Sabia que ele havia curado a incontáveis pessoas, de forma estranha e única. Essa parte era confusa, fechada em uma parte afastada de seu cérebro e além de seu estudo.

– Falou-me enquanto estava dormindo. – Murmurou, tentando encontrar uma explicação razoável para entender por que sabia tanto sobre ele. – É por isso que sei tantas coisas sobre você?

Lucian encolheu de ombros, descuidadamente, o movimento perfeitamente casual.

– Realmente importa? – Simplesmente olhar para ela, o fazia desejar sorrir. Era assombroso como sua simples existência já tivesse mudado sua vida. Desejava ficar olhando-a para sempre. A forma de seu rosto, a curva de sua face. Depois de toda a escura fealdade, das coisas verdadeiramente más que tinha visto através dos séculos, Jaxon era para ele, um milagre.

Tudo em Lucian era hipnotizador para Jaxx. Não desejava o deixar nunca. Desejava ficar ali, encerrada em seu próprio mundo, longe do que sabia que era a realidade. Sentia-se segura e protegida. Adorava a forma em que ele a olhava. Ocasionalmente, via em seus olhos, inesperados relâmpagos de desejo, de possessividade, de suavidade e ternura. Ela desejava realmente saborear essas coisas.

Suponho que não importa. – Encontrou-se replicando.

A voz dele era suave. Ouvi-la era como ser envolvida na suavidade de uma peça de veludo. Mas Jaxon não se enganava. Sendo Lucian tão sexy e excitante, tinha o pressentimento de que fosse estúpida o suficientemente para lhe dar margens, facilmente poderia aparecer uma arrogância masculina e dominadora que a faria rilhar os dentes.

Ele estalou em gargalhadas e o som espalhou sobre sua pele como o toque de dedos. O desejo a golpeou e depois floresceu. Isso a aterrorizou. Não estava preparada para sentimentos tão intensos. Tinha mostrado sua reação a ele? Já se sentia bastante culpada, temendo que alguém pudesse ver a forma dela olhar Lucian.

– Tem que me levar a casa. – Disse. Sua voz era rouca. Podia sentir as lágrimas presas em sua garganta. Tudo isto era uma fantasia. A realidade era dura e feia. Sua presença ali provocaria que este homem tão bonito fosse assassinado. Ele pagaria o preço final, porque a tinha cuidado com amor. Por ter tido a gentileza de ajudá-la.

Lucian atravessou tão rapidamente o quarto que ela quase não o viu se mover. Era um homem alto e musculoso, elegante em todos os sentidos, silencioso enquanto caminhava, mas ainda assim, ela deveria tê-lo visto. Tudo o que tinha feito era piscar e ele já estava sobre ela, estendendo a mão para lhe segurar o queixo. Ergueu-lhe a cabeça, obrigando-a a olhar seus olhos negros. Logo, se sentiu dentro dele, tornar uma parte dele, protegida e a salvo.

– Não há necessidade de se desgostar, carinho. Posso com isso. Realmente me parte o coração. – Seu polegar estava acariciando sua pele, enviando ondas de calor que percorriam sua veia sangüínea. – Ninguém pode te fazer mal.

– Não estou preocupada comigo, seu bôbo. – Jaxon se sentia provocada. Ele não parecia entender o perigo em que estava. Realmente ele era arrogante.

De repente, sua conduta mudou completamente. Seu sorriso desvaneceu e seus olhos se tornaram frios como o gelo. Voltou a cabeça para a janela. Claramente, Jaxon viu o predador em seu interior. O caçador. Não havia amabilidade, nem suavidade. Ele era um guerreiro sem nenhuma consciência de obstáculos.

– Fique aqui, Jaxon. – Murmurou ele, quase ausentemente, mas claramente esperando ser obedecido. – Voltarei logo.

E sem mais, ele saiu. Já não estava mais no quarto. Ela ficou sentada, encontrando infalivelmente a arma sob as mantas. Sua mão apertou em volta dela... Sua arma era uma extensão de seu braço. Era familiar. Agora sentia o que sentia Lucian, a escuridão que ameaçava seu mundo. Ela estendia-se lentamente, tomando sua mente tão insidiosamente que, a princípio, não a reconhecera. O perigo os encontrara neste lugar de segurança.

A sensação era assustadora, tanto que Jaxon quase não conseguia respirar. Fosse o que fosse o que os espreitava era completamente perverso. Estava segura de que Tyler Drake a tinha encontrado mais uma vez. Ele era implacável em sua perseguição. Invencível. Não havia necessidade de que estivesse perto para ferir. Tyler matava a vontade.

Por sua vez, desde que ele matara seus pais e seu irmão e depois a sua família adotiva, nunca havia alguém perto dela, alguém com que Jaxon desfrutaria tomando um café... Ou uma cadeira de balanço, entusiasmada pela vida e um sorriso preparado. Jaxon nunca se permitiu ter um amigo de verdade, depois disso. No trabalho, sempre se assegurava de mudar seu companheiro, freqüentemente. Em público, não sorria quando saía com eles, pois não desejava provocar a ira assassina de Tyler.

E agora, esta situação... Ela estava só na casa de um homem... Era o cenário perfeito que provocaria Tyler, um maníaco vingativo e decidido a matar Lucian.

Claramente, Lucian não acreditava na extensão do treinamento como Navy SEAL, de Tyler. Ele era um camaleão no meio da paisagem. Era um atirador supremo, capaz de obter um alvo, a uma distância extraordinária. Jaxon reconhecia que Lucian era um homem perigoso. Estava em seus olhos, na postura de seus ombros, na confiança de seu andar, na forma em que se movia. Mas isso não significava que Tyler Drake não pudesse acabar com ele, como tinha feito com seu pai e o igualmente bem treinado e seu pai adotivo, Russell Andrews.

Jaxon afastou as cobertas. Vestia só uma camisa masculina de seda. Como era pequena, a camisa caía até abaixo dos joelhos e em qualquer caso, a modéstia era a última coisa que a preocupava. A sensação de perigo era agora mais forte que nunca. Lucian estava em problemas e precisava estar com ele. Ele não a conhecia tão bem, não compreendia o quanto treinada ela estava e o quão útil podia ser.

Ficar em pé, foi mais difícil do que pensou que seria. Não se levantava a dias e suas pernas estavam trêmulas. Ela se sentia terrivelmente fraca. Ignorando a forma em que protestava seu corpo, moveu-se para a porta, cuidando em não fazer ruído. Não conhecia a disposição da casa e a julgar pelo tamanho de seu quarto, a casa era enorme, mas estava segura de que encontraria Lucian. Sentia-se conectada a ele. Não permitiria que nada lhe acontecesse. Para Jaxon era simples. Não deixaria que ele fosse ferido por nenhuma razão e menos ainda, por culpa dela.

Seu quarto abria em um longo e amplo patamar com um lance de escadas, ao final. Os tapetes eram felpudos e pareciam novos. Cada detalhe da casa parecia ideal. Jaxon notou que tudo era tão perfeito, como se Lucian tivesse escolhido cada artigo, com carinho e cuidadosamente. Cada pintura, cada escultura, o papel das paredes, os tapetes e os cristais coloridos... Tudo era o que ela sempre sonhara, inclusive sua preferência pelo mobiliário antigo.

Jaxon seguiu adiante, absolutamente silenciosa, seus pés descalços não fizeram nenhum ruído quando começou a descer as escadas. A meio caminho, divisou uma porta de cristal ornamentado, que conduzia a um pequeno balcão. Abriu a porta com grande cuidado e em completo silêncio. A chuva a recebeu e o vento era tão frio que começou a tremer. Apenas notou, pois seus olhos estavam ajustando-se à escuridão, procurando seu objetivo.

A princípio não via nada. Um raio se arqueou atravessando o céu, iluminando o pátio abaixo. Podia ver Lucian em pé e completamente imóvel no centro do imenso pátio. A várias jardas dele, uma segunda figura com uma longa capa negra, permanecia entre as sombras. Notou que seus olhos pareciam ajustar-se rapidamente à falta de luz, lhe dando uma excelente visão noturna e uma aguda audição, sensações intensas, novas e estranhas para ela. Ouviu a estranha conversa entre os dois homens. A voz de Lucian era mais formosa que o habitual. Baixa e de uma pureza aveludada que crepitava sob a pele e tomava a mente.

– Não posso fazer mais que te agradar, Henrique, – Disse ele. – Se veio de tão longe para mim, com tão flagrante desafio.

– Não sabia que era você, Lucian. – A segunda voz era um horrível e abrasivo ruído que rilhava como unhas sobre uma peça de cerâmica. – Acreditei que estava morto nestes últimos quinhentos anos. É mais, acreditava que tinha se unido a nossas filas.

A figura se voltou e Jaxon o pôde ver perfeitamente. A visão era horripilante. Sua cabeça era uma simples caveira cinza, com umas poucas mechas de cabelos longos. Seus olhos brilhavam e seu nariz não era mais que um buraco. Suas faces estava chupadas, seus dentes afiados e manchados. Quando a criatura levantou uma mão, suas unhas eram como garras. Parecia horrendo.

Jaxon quis gritar uma advertência a Lucian. O desconhecido tentava soar adulador, podia sentir as fortes ondas de ódio irradiando dele. No mais profundo de seu ser, onde ela sabia coisas que os outros não, sabia que o monstro que enfrentava Lucian tinha toda a intenção de o atacar na primeira oportunidade.

– O problema de escutar rumores, Henrique, é que eles podem ser completamente falsos. Sou o dispensador de justiça de nossa gente. Fui sempre leal a nosso Príncipe e sempre serei. Você escolheste romper nossas leis dos Cárpatos e as de toda a humanidade.

A voz de Lucian era tão formosa, que Jaxon se sentia complemente presa por ela. Teve que sacudir a cabeça várias vezes para centrar sua mente, no que era importante. O frio a ajudou grandemente, igual à chuva. Baixou o olhar para sua pistola. A arma estava firmemente entre suas mãos. Ia colocar um tiro na cabeça, não daria oportunidade ao desconhecido, de sacar sua própria arma.

Henrique começou a se mover lentamente. Seus pés ondearam um estranho padrão sobre pequenos cascalhos do pátio. Parecia uma figura estranha, feia e malvada, tirado de um filme de terror. Lucian pareceu não se voltar, embora permaneceu olhando Henrique todo o tempo. Jaxon achou o movimento dos pés do desconhecido, fascinante. Inclinou-se no corrimão de ferro forjado para ver melhor. A chuva escorria por seu cabelo. As gotas entravam em seus olhos e o vento era cortante. Uma vez mais o tempo servia para ajudar Jaxon a liberar-se do estranho feitiço que os movimentos do desconhecido produziam nela. A arma estava uma vez mais apontada firmemente sobre a cabeça do estranho. Se ele desse um passo, não teria tempo de fazer mal a Lucian.

Sem advertência, a alta e magra forma do desconhecido se contorceu. Jaxon conteve um grito, quando o homem se converteu num animal, um lobo selvagem, com a queixo cheia de afiadas presas dirigidas diretamente para Lucian. Os quartos poderosos do animal, empurraram para trás as pedras, permitindo que o animal saltasse para Lucian na intenção de rasgar sua carne.

Lucian irrompeu no ar tão rapidamente, como um borrão. Jaxon tentou se recompor, apesar do estranho fenômeno, avistando a terrível fera. As presas gotejavam saliva e os olhos eram de um vermelho brilhante de ódio. O trovão estalava tão ruidosamente que feria seus ouvidos, enquanto os raios iluminava o céu. Apesar de pensar que Lucian cairia sobre as pedras e o lobo o faria pedaços, ele aterrissou com facilidade, quase casualmente, sobre a fera e suas mãos retorceram sua cabeça abruptamente. O barulho do pescoço se rompoendo foi ruidoso no ar noturno. Depois Lucian saltou longe do animal.

Este bramou ruidosamente, mudando de forma novamente, até se converter uma vez mais, em um homem. Sua cabeça estava pendurava horrendamente para um lado e seus dentes descoloridos estalavam e rilhavam para Lucian. Jaxon podia ver que as poderosas mãos de Lucian tinham quebrado o pescoço, ainda assim a criatura de algum modo era ainda extremamente perigosa. Apertou o gatilho e viu o buraco abrir-se no centro da repulsiva fronte, enquanto Lucian pareceu desaparecer por um momento.

Jaxon quase desmaiou quando viu Lucian aparecer junto à criatura. Quis gritar para que ele se afastasse dessa coisa aterradora, mas sua garganta estava fechada pelo terror e nenhum som surgiu. Para seu horror, a fera ainda se arrastava para Lucian com as grotescas garras que tinha por unhas. Lucian lançou um braço para frente, um golpe poderoso que enterrou o punho profundamente na cavidade toráxica da criatura. Jaxon ouviu o terrível som de sucção e quando Lucian retirou a mão, em sua palma estava o coração da criatura. Lucian saltou para trás enquanto o corpo enfraquecia sobre o chão, com um guincho. A criatura se retorcia, suas mãos se estendiam ansiosamente para Lucian. Começou a rastejar-se incansavelmente através dos pequenos cascalhos.

Jaxon sabia que nada disto podia estar acontecendo... Que tudo estava além dos limites da realidade... Mas apontou a arma diretamente à repulsiva criatura se que arrastava para Lucian. Podia ver o sangue escuro estendendo-se como uma mancha pelo chão. Sem advertência, uma bola de fogo golpeou do céu até a espantosa figura de pesadelo caída no pátio, incinerando-a. Consumiu completamente toda evidência da criatura e o sangue que tinha derramado. Observou como Lucian atirava casualmente o coração às chamas e depois manteve as mãos sobre o fogo. O sangue que manchava sua pele desapareceu como se nunca tivesse estado ali, embora, milagrosamente, ele não estava queimado. Jaxon olhou fixamente à cena. A tempestade estava passando, o vento levou as cinzas. E depois, restava Lucian em pé e só no pátio. Ele voltou-se e olhou diretamente para Jaxon.

Ela não podia respirar. Só conseguia ficar olhando para ele, com a boca aberta. Depois compreendeu que ainda estava apontando a arma. A idéia de disparar nele, entrou em sua mente. Havia ficado louca ou ele tinha feito coisas impossíveis? Já estava retrocedendo para interior da casa. Levaria alguns para minutos percorrer o pátio de volta à casa e ele conhecia os terrenos e a disposição, enquanto que ela não. Jaxon correu ligeira, descendo as escadas e girou em direção oposta ao pátio. Quase imediatamente alcançou a porta. Abriu-a e correu para a escuridão da noite. Procurou um terreno elevado, algum lugar de onde pudesse ver se ele se aproximava. Mas correu diretamente para o que parecia ser uma parede sólida.

Instantaneamente se viu retida por duas mãos fortes. Lucian estava diante dela... Outra coisa impossível. Não havia como ser possível ele chegar ao pátio até onde ela estava, tão rápido. Toda a casa estava entre eles.

Jaxon tentou tirar a arma e apontar. Ouviu sua risada bem perto do ouvido.

– Não acredito que seja uma boa idéia para nenhum dos dois, carinho. – Ele tirou a arma de sua mão, tomando posse dela facilmente e a puxou para seus braços, embalando-a contra o peito. A parte superior de seu corpo se inclinou para frente, para protegê-la da chuva. – Você não obedece muito bem, não é? – Perguntou ele, com a mesma nota de diversão que sempre fazia algo peculiar com seu coração.

– Quero ir embora. – Ela estava tremendo tanto que seus dentes batiam, sem estar segura de que se era pelo frio e a chuva ou pelo medo de Lucian. Porque, claramente ele não era um homem comum. Não importava que fosse bonito e sexy e tivesse uma belíssima voz.

Ele se moveu rapidamente para o interior da casa. A porta se fechou firmemente atrás deles.

– Disse a você que ficasse na cama.

– Queria ajudar. – Ela enterrou a face contra seu ombro, porque não tinha nenhum outro lugar aonde ir e estava congelada, assustada e exausta. Ele era quente e forte e dava a impressão de estar a salvo com ele. – Não podia deixar que você enfrentasse sozinho ao que havia aí fora. – Para seu horror, parecia uma desculpa.

– Conseguiu foi me assustar. – Observou ele sem inflexão.

Ela levantou a cabeça e o olhou acusadoramente.

– Eu!!! Eu não. O que era essa coisa? Disparei diretamente em sua cabeça. Você rompeu o pescoço dele. Mesmo depois de que arrancou seu coração... E não me diga como conseguiu fazer isso... A coisa continuou avançando para você.

– Era um vampiro. – Disse ele, suavemente, como se fosse algo, tranqüilamente, um fato certo.

Tudo em Jaxon ficou imóvel. Até seu fôlego pareceu deter-se. Desejava acreditar que não existia tal coisa, mas o que presenciara era inegável. Sua respiração chegou em um longo gemido enquanto ela mantinha uma mão para o alto.

– Não me conte mais. Nada. Não quero ouvir nenhuma palavra mais.

– Seu coração pulsa muito rápido, Jaxon. – Assinalou Lucian gentilmente, abrindo a porta do enorme banheiro, com um pé elegantemente calçado.

– Me responda uma só coisa. Estou em um hospital psiquiátrico? Se perdi a cabeça, está bem, me pode dizer Acredito que ao menos isso, quero saber.

– Não seja tola. – Disse ele, com sua voz aveludada.

Jaxon fechou os olhos para afastar-se dele, do tremendo poder que parecia exercer sobre ela. Devido ao feito de que estava congelada e fraca e ele tinha sua arma, o único ataque real que podia funcionar bem para liberá-la, seria por seus olhos. Mas ele possuía olhos extraordinariamente formosos. Seria uma vergonha arruiná-los. Não sabia se podia obrigar a si mesmo a fazer tal coisa.

Então ouviu sua risada, baixa e íntima.

- Dou graças a Deus pelo dom de meus formosos olhos. Não gostaria que tentasse me fazer algo tão terrível.

Os olhos dela se abriram e levantou o olhar para ele mais com acusação que com assombro.

– Pode ler meus pensamentos! Assim é como soube que porta eu escolhia para fugir. Leu meu pensamento!

– Devo confessar que sim. - Agora ele soava muito divertido. Embalou-a em seu colo, aproximando-a do calor de seu corpo, enquanto enchia de água quente a enorme banheira. Acrescentou várias tipos de sais de banho e a um ondeio de sua mão, acenderam várias velas aromáticas.

– Não te vi fazer isso. – Negou Jaxon, tentando se afastar dele. – Mas notei o fato de que não me fala sempre em voz alta. Você ri de mim e me fala, mas em minha mente, em meus pensamentos. – Jaxon apertou à fronte com as mãos. – Desta vez estou metida em autênticos problemas, certo?

Ela estava tremendo muito e agora estava segura de que era mais de medo que de frio. Pelo menos ainda tinha suficientes faculdades para saber que devia ter medo dele.

– Você também é capaz de me falar do mesmo modo, carinho. – Replicou ele, com voz consoladora. – Jaxon, me olhe. Não te esconda disto. Do que serviria?

Ela elevou a cabeça para que seus enormes olhos cor chocolate pudessem encontrar os negros.

– Você não tem medo de mim. – Insistiu ele. – Procure em seu interior. O conhecimento de que há coisas no mundo das quais não sabia nada é aterrador, mas não tem medo, principalmente de mim.

– E como sabe disso? – Ela não cairia nesses seus olhos deixando que a hipnotizasse. Isso era, verdade? Ele possuía alguma coisa do tipo feitiço de magia negra, que fazia com esses olhos. Simplesmente não voltaria a olhar para ele.

Seus lábios se curvaram num sorriso.

– Compartilhei sua mente. Sei todo tipo de coisas sobre você. Como você sabe toda tipo de coisas sobre mim.

– Bem, pois não quero sabê-las. – Soltou ela. – Não quero ser parte de nada disto. Disparei nessa coisa... E não morreu.

– Há uma única forma de matar um vampiro e assegurar-se de que não se eleva novamente. Deve extrair o coração e incinerá-lo. Seu sangue atua como um ácido sobre a pele ou pode ser venenoso ao introduzir-se na corrente sangüínea. Inclusive depois de morto um vampiro pode causar um dano tremendo se não se dispuser dele apropiadamente.

Olhou-lhe fixamente.

– Disse a você que não queria saber nada mais.

Ele começou a lhe desabotoar os botões da camisa, soltando cada um deles cuidadosamente. Seus dedos roçaram a suave pele, deixando diminutas chamas dançarinas.

Jaxon segurou suas mãos, detendo sua ação.

O que acredita que está fazendo? – Tentou parecer ultrajada, em vez de surpreendida e horrorizada pela reação de seu próprio corpo ante ele.

– Estou tirando sua roupa molhada. Não lhe fazem nenhum bem, carinho, se sua intenção é esconder seu corpo de mim. A camisa molhada pela chuva é agora completamente transparente. – Ele assinalou o óbvio sem a mínima inflexão em sua voz de suave veludo. – Está muito fria e precisa se esquentar. Pensei que esta era a melhor forma de fazer isso. Mas estaria mais que feliz em escolher outra, se assim você desejar.

Ela empurrou seu peito, enrubescendo ante sua implicação. Ele estava com a razão, pois camisa molhada o revelava tudo.

–Não vou tomar um banho com você aqui.

Ele estudou sua face. Estava muito pálida. Em sua mente havia confusão e temor mas não autêntica resistência. Ela não era do tipo das que se atiravam pela janela.

– Eu não gostaria que escorregasse e caísse, jovenzinha.

– É insultante que se refira a mim como "jovenzinha", como se eu fosse uma menina. Sou uma mulher adulta. – Informou ela, arrogantemente.

Seu sorriso quase lhe tirou o fôlego.

– Isso é o que estou temendo. – Disse ele.

O que significa isso?

– Significa, Jaxon, que sou muito velho para você. – Os olhos negros de Lucian se moveram sobre sua face, com o brilho possessivo evidente. – Embora não haja outra para mim, para nenhum dos dois. Estamos presos um ao outro.

– Se afaste. – Ela empurrou-o novamente e impotentemente. – Vou entrar na banheira durante um longo tempo e convencer a mim mesma de que nada disto aconteceu. Devem ser as drogas que tomei ou algo assim. Ou o golpe na cabeça que me deixou muito confusa.

– Não recebeu um golpe na cabeça. – A diversão tornou o quente veludo de sua voz, em pura sedução. – Esse foi seu companheiro.

– Vá! – Ela assinalou a porta.

Amavelmente ele permitiu que seus pés tocassem os azulejos. Sacudindo a cabeça ante sua tolice, deslizou-se casualmente fora do banheiro.

Jaxon tomou respirou profundo e tranqüilizadoramente. Simplesmente não existiam coisas tais como os vampiros no mundo. Não era assim. Tirou a camisa úmida e se inundou agradecida na água quente.

- Sim, eles existem. Acaba de ver um. Seu nome era Henrique e não era muito hábil. Há muitos mais. Não se preocupe, Jaxon. Sou um caçador do não–morto e te protegerei.

Ele estava em sua mente de novo. Sacudiu a cabeça como se isso o tirasse dali.

– Não quero saber nada de vampiros. Pude viver toda a vida sem essa informação e ser perfeitamente feliz. Não quero saber. – Era o próprio Lucian um vampiro? Tinha chegado do pátio à porta pela qual ela fugia num segundo e a enorme casa estava entre eles. Como conseguira? – E por que todos os meus sonos de um príncipe escuro, sangue e coisas repulsivas como essas? – Murmurou-o em voz alta para si mesma.

- Coisas repulsivas? – Definitivamente, ele ria dela. - Não sou um vampiro, embora fingi ser um durante uns bons séculos para ajudar meu irmão. Sou um Cárpato, um caçador de vampiros, aqueles de minha raça que renderam suas almas à escuridão que existe dentro de todos os homens dos Cárpatos.

- Uns poucos séculos? Como você é....Velho... De qualquer modo? Espere! Não me responda. Não quero saber. E deixe de falar comigo. Isto é uma loucura. Devo estar altamente drogada e logo despertarei no hospital e tudo voltará a ser normal. Imaginei você. O que vou fazer é te ignorar e tomar um banho. Os vampiros e você podem sair para sempre de minha mente. Então não fale comigo.

Lucian se encontrou rindo-se em voz alta. Gargalhou. O som o sobressaltou. Não podia se lembrar de como era rir. Soava até bem. Colocou mão sobre a porta do banheiro. Tinha resistido a quase dois mil anos de vazio, de escuridão e violência. Sem emoções. Nada. Sua própria gente, aqueles a quem tinha protegido, eram tão assustados de seu poder e habilidade, que sussurravam seu nome e se escondiam quando ele passava perto. Ainda assim, uma pequena mulher humana tinha produzido o milagre de trazer o riso em sua vida.

Não havia dúvidas sobre o que era ele. Uma máquina de matar desenhada para proteger Cárpatos e humanos, do mal. Era mais que bom em seu papel. Destruía facilmente sem raiva ou remorsos.

Mas Jaxon Montgomery era a coisa mais bela que tinha encontrado. Era dele e nunca a deixaria partir. Mas estava ela lhe mudando? Sua mão acariciou a porta, depois da qual ,ela se banhava. Seu coração bateu forte e estranho, inesperadamente.

A água quente esquentou as vísceras de Jaxon mas fez arder seus ferimentos em processo de cura. Franziu o cenho ante a evidência do recente tiroteio no armazém. Deveria ter morrido por causa dos graves ferimentos. E todas suas misérias teriam terminado finalmente. Dobrou os joelhos e descansou a cabeça no alto deles. Agora carregava uma responsabilidade ainda pior. Teria que proteger o mundo não só de criminosos humanos mas de coisas de pesadelo. Não podia dar conta. Agora não. Simplesmente não podia seguir no mundo e estar completamente sozinha. A simples ideia a deixava lassa e rendida.

- Nunca voltará a estar sozinha, carinho. - A voz, suave e formosa estava cheia de compaixão.

Jaxon fez um esforço por se recompor.

– Disse a você que não falasse comigo.

- Estou pensando, não falando.

A ternura misturada com o riso em sua voz fez que lhe acelerasse o coração, fazendo-a sentir ainda mais vulnerável.

– Bom, pois não pense tampouco. – Ela passou a mão pelo cabelo úmido. Esta é o tipo de coisa que simplesmente não ocorria com pessoas normais. Por que ela atraía coisas tão estranhas?

- Eu não sou uma coisa.

– Não posso te ouvir. – Jaxon estava sorrindo. Havia algo nele que se fazia o querer, como podia? Uma criatura tão aterradora. Seus olhos se abriram de repente. Claro! Ele sabia que ela estava ali fora. Todo o tempo, ele sabia que ela estava no balcão. – É certo? – Sussurrou, porque sabia que ele podia ouvi-la. Se ela podia ouví-lo em sua mente, ele podia ouví-a sussurrar.

- Sim.

– E pode apagar tudo isto de minha mente. – Tinha sentido. De que outro modo poderia alguém como Lucian ter permanecido oculto ao mundo? – Por que me deixou ver aquela coisa horrenda? Nunca conseguirei tirar essa imagem de minha cabeça.

- Você não gostaria. Nem nenhuma outra coisa. Sei que não gostaria. A tentação está aí, naturalmente, mas você não desejaria tal coisa e eu te respeito muito para tomar a decisão por você.

Jaxon esfregou a fronte dolorida. Ela tinha razão. Era uma tentação esquecer os horrores que já tinha visto. Queria gritar para ele, que ninguém podia assimilar tal conhecimento. Mas ele estava com a razão. Odiaria-o, se tomasse uma decisão semelhante por ela, que nunca escolheria a ignorância. Mas que significaria este conhecimento para ela no futuro? O que podia significar?

Sem nenhuma razão aparente, Jaxon começou a chorar. Uma vez que as lágrimas começaram adescer, não pôde mais controlá-las. Profundos soluços surgiram, sacudindo-a com sua intensidade. Ela nunca chorava. Nunca! Deliberadamente, se imergiu sob a água, esperando que ela lavasse suas lágrimas. Seria humilhante que Lucian a pegasse chorando. A idéia de que ele era consciente estava em sua mente, uma sombra monitorando seus mais privados pensamentos e lembranças. Saiu tão rápido da água, que se bateu a cabeça na torneira da banheira. Gemendo, Jaxon ficou em pé na enorme banheira, com a água caindo de seu corpo.

Lucian se materializou diante dela, seus olhos negros ansiosos enquanto estendia a mão para uma enorme toalha de banho. Jaxon ofegou audivelmente.

– Meu Deus! Você simplesmente aparece! Nem sequer atravessou a porta!

Ele a envolveu na toalha. Era muito mais que uma tentação tê-la ali em pé, nua econfusa, com os olhos totalmente abertos e a água correndo por seu corpo. Trazendo-a para seu corpo, começou a secá-la.

– Na realidade, as portas não são absolutamente necessárias para mim, carinho.

– Evidentemente fechá-las com chave não ajudaria muito. – Assinalou ela e inclinou a cabeça para estudar seu rosto belíssimo e intensamente masculino. – Estou cansada, Lucian. Preciso me deitar.

Ele a deslizou entre seus braços, pois ela parecia muito frágil. Um vento forte carregaria-a.

– Se continuar chorando, carinho, me romperá o coração. – Disse ele, muito sério.

Seu coração já se condoía por ela. Ela estava com olheiras. Embalando-a em seu peito, contra o firme batimento de seu coração, deslizou-se através da casa, subindo as escadas, de volta a seu dormitório. Gentilmente, a colocou de volta na cama.

– Agora dormirá, Jaxon. – Ordenou ele. Sua voz a fez desejar fizesse tudo o que ele pedisse. Não, que ele ordenasse. Isso tinha sido... Uma ordem... E ela estava tão hipnotizada pela formosura e pureza de sua voz, que sucumbia a seu poder.

– Tenho razão? É isso o que faz? – Permitiu-lhe ajudá-la a vestir outra camisa. Os dedos dele uma vez mais deixaram chamas por cada lugar em que roçavam sua pele, enquanto a abotoava por ela. Resolutamente, ele cobriu-a com as mantas, até o queixo.

– Sim. Com minha voz e meus olhos posso controlar os outros facilmente. – Admitiu Lucian, sem se envergonhar, do mesmo modo que fazia todo o resto, dando-o por certo, em seu suave e gentil tom.

Um fraco sorriso iluminou os olhos dela durante um momento.

– Admite tão facilmente. Quantos outros como você existem por aí?

– Não muitos. Nós, os Cárpatos, estamos morrendo. Muito poucos de nossos homens podem encontrar suas companheiras.

Ela fechou os olhos.

Sei que não deveria perguntar. Sei que não deveria, mas não posso me conter. O que é uma companheira? – Suas pálpebras se elevaram e a risada dançou cautelosamente em seus olhos, apesar de que eles ainda brilhavam com lágrimas.

Lucian remexeu em seus cabelos, seus dedos os pentearam numa clara amostra de controle.

– Você é uma companheira, carinho. Minha companheira. Levou-me quase dois mil anos te encontrar e nunca me atrevi a acreditar num milagre semelhante, em todo esse tempo.

Jaxon levantou uma mão, com a palma aberta.

– Sabia... Eu sabia que não queria ouvir isto... Quase dois mil anos, você disse? Isso te faria muito velho. Tem razão... Você é muito velho para mim.

Os dentes brancos brilharam. E seus lábios eram sensuais. Tudo nele era perfeito. Olhou-o fixamente.

– Não poderia ao menos parecer enrugado e poeirento e que tivesse perdido quase todos os dentes?

Lucian riu, o som foi tão cristalino e belo, que ela pode sentir ondas intensas de um sentimento desconhecido, tomar seu corpo. Ele era incrivelmente carismático. Sabia que estava caindo sob seu feitiço. Eram reais suas emoções ou ele a estava sugestionando? Nunca havia sentido nada parecido por ninguém. Eram aterradoras e fortes, as emoções que ele evocava nela.

– Tampouco eu me havia sentido assim antes. – Disse ele seriamente, honestamente. A pureza de sua voz tornava impossível mentir para ele. – Nunca desejei outra mulher desta forma, Jaxon. Para mim, só existe você.

– Mas não pode me ter. Eu vivo num mundo que não inclui amor. Não há lugar para você. Tyler Drake pode não ser um vampiro, mas é muito perigoso. Não serei responsável por mais nenhuma morte. Já há sangue suficiente em minhas mãos. Jaxon decidiu que não ia acreditar em todas estas tolices de vampiros. Isso era tudo. De outro modo, teria que se comprometer. Possivelmente, desejasse ficar comprometida.

Lucian tomou suas mãos, inspecionando-as cuidadosamente. Depois, levou-as a suavidade de seus lábios, pressionou um beijo exatamente na palma de cada uma.

– Eu não vejo nenhuma gota de sangue, carinho. Você nunca foi responsável pelo que Tyler Drake escolheu fazer.

– Não me está ouvindo... – Ela soou triste, desaparecendo ainda mais, entre os travesseiros. Uma vez mais se sentia segura ali, quando sabia que não era certo. – Não arriscarei sua vida.

Lucian sorriu novamente. Jaxon podia ouvir o divertimento genuíno em sua voz.

– Ainda não me entende, jovenzinha, mas logo entenderá.

 

Os sons e aromas disseram a Jaxon que ela estava num hospital. Abriu os olhos cautelosamente. Estava deitada numa cama, mas ainda podia sentir sua pistola na mão. Uma enfermeira estava perto.

A mulher sorriu para Jaxon.

– Está acordada? Isso é bom. O doutor está planejando lhe dar alta esta noite. Ele está preocupado que você vá para casa sozinha, mas seu noivo se assegurou que estará bem cuidada.

O coração de Jaxon acelerou. Esperava ter sonhado com vampiros e escuros e sexys desconhecidos "Cárpatos", mas estava mais que segura, de que não tinha prometido algum, namorado nenhum, antes que disparassem nela. Ficou quieta. Não tinha idéia do que dizer, de como responder a enfermeira. Não sabia sequer como tinha chegado ao hospital. A enfermeira dava voltas no quarto, abrindo as cortinas e permitindo que Jaxon visse o sol que já estava caindo.

Jaxon então compreendeu que já não se sentia a salvo. Estava em um ambiente no qual tinha pouco ou nenhum controle. Se Tyler quisesse pegá-la, seria fácil. Podia se disfarçar com o regulamento e entrar diretamente em seu quarto. E ela estaria sozinha. Durante alguns momentos preciosos de sua vida, mesmo em sono, tivera realmente alguém com quem compartilhar... Lucian... Um estranho sono. Agora estava sozinha e uma vez mais responsável pela segurança dos que a rodeavam.

- Você não ouve muito bem, Jaxon.- Aí estava a voz tranqüilizadora. - Ou é isso ou superestimei sua inteligência e preciso explicar as coisas muito mais clara e cuidadosamente.

Ela ouviu uma nota de riso na voz. Olhou a sua volta, rapidamente. Não havia ninguém mais com ela no quarto, com exceção a enfermeira e ela parecia não ter notado nenhuma voz imaterial. Vou ter que ir a uma instituição mental mais próxima e insistir em que preciso de ajuda imediatamente. Ela escolheu os pensamentos, cuidadosamente, desejando que ele ouvisse sua resposta.

E ele riu. Podia ouvir sua genuína diversão na voz suave, formosa e perfeitamente entoada que parecia acariciá-la, estivesse ele tocando-a ou não. Agora era tão familiar, uma parte dela que nunca queria perder.

- Você tem que te afastar.

Iria ser firme. E se estivesse completamente louca e ele fosse um produto de sua imaginação devido precisar de alguém tão desesperadamente ou que foi muito real... E mais problemático do que ela podia confrontar.

- Duvido que tivesse imaginado alguém tão dominante como eu. Você gostaria de um mequetrefe para quem dar ordens e assim poder continuar acreditando que tem de proteger todo mundo

- Isso não tem graça, Lucian. Não faz idéia de como é Tyler Drake. Alguns dos melhores homens do país tentaram lhe capturar e fracassaram. Você é tão arrogante, que vai conseguir que ele o mate. Odeio esse traço nos homens. Não é valentia. É pura estupidez. Sei que Drake é perigoso e sempre estou preparada, não porque imagino que sou melhor que ele. Havia um tom afiado em sua voz. Ela estava se irritando com a arrogância de Lucian.

A voz não mudou, permanecendo tão amável e tranqüilizadora como sempre. - Não é arrogância, Jaxon, quando a pessoas conhecemsuas próprias habilidades. Tenho confiança porque sei quem sou, o que sou. Sou um caçador. É o que faço.

- Ele é um assassino. Isso é o que faz ele.

- Está começando a se preocupar. Estarei contigo logo. Vou levá-la para casa comigo. Teremos tempo de sobra para discutir isto. Enquanto isso faz o que que diz o médico, para que ele lhe dê alta.

Jaxon tomou consciência de repente de que a enfermeira a olhava fixamente. Piscou rapidamente para enfocar sua atenção no que a mulher estava dizendo.

– Sinto muito, eu estava ensimismada em meu pequeno mundo. O que dizia? – Ela forçou um pequeno sorriso.

Acredito que qualquer mulher com um noivo como o seu ficaria em seu pequeno mundo. É verdade que ele é riquísimo? Como é isso Não posso conceber um trilhão de dólares. Ele reuniu-se ontem à noite com a junta médica do hospital e fez uma enorme doação para agradecer o quanto cuidamos bem de você. Seu quarto foi protegido dia e noite. – Sua voz se tornou sonhadora. – Ele disse que você era seu mundo e que não podia respirar sem você. Imagine um homem dizendo isso em voz alta, num quarto repleto de outros homens. Daria tudo para que meu marido se sentisse assim em relação a mim.

– Provavelmente ele o faz. – Murmurou Jaxon, temerosa de dizer mais alguma coisa. Não estava comprometida com Lucian. – Ele chamou-se de meu noivo?

- Que outra coisa podia fazer, carinho? Me referir a você como minha companheira? Entendo que ser seu noivo me dá certos direitos para dirigir sua vida enquanto está doente. Nunca teriam entendito que como minha companheira, você é a outra metade de minha alma. Não ceda ao pânico ainda. Só me assegureu de sua segurança.

- Não entendo o que significa ser uma companheira.

- Eo poderia explicar. - Ofereceu ele, solenemente.

- Não! Não acredito que queira ouvir nenhuma palavra mais sobre o assunto! Nenhuma palavra, Lucian. Sabia muito bem que ele não estava falando sério e seu aborrecido hábito de rir dela, o ia colocar num problema maior. Ela achava que só por que era pequena, não era uma força a ter em conta. Tinha intenção de mudar essa impressão tão rapidamente como ele a tinha conseguido. - Um bilionário? Isso não é um pouco dramático? E se alguém pedir que você prove? Penseu que a idéia era não chamar a atenção. – Ela estava sendo deliberadamente descarada, tentando ocultar o fato de que estava feliz de que ele fosse muito, muito real.

- Se esconder saindo a descoberto é sempre a melhor opção. E viver durante séculos dá uma habilidade de juntar uma fortuna. É relativamente fácil. Quanto mais dinheiro você tem, mais fácil é ocultar sua verdadeira identidade. s pessoas esperam certas excentricidades dos que têm dinheiro. Então é simplesmente outra opção que utilizo.

- Não pode ser bilionário. Está me deixando completamente louca. Sabia?

–Jaxx! – Barry Radcliff estava com seu enorme corpo apoiado contra a soleira da porta. Um grande sorriso de alívio se estendia por sua face. – Graças a Deus. Não deixavam de me dizer que estava melhorando, mas por uma razão ou outra, nunca podia colocar meus olhos em você. Estiveram alimentando todo tipo de tolices sobre algum noivo. Eu seguia dizendo que você não tem nenhum noivo, mas ninguém me escutava, sequer o capitão. Ele conheceu o tipo, algum bilionário estrangeiro e disse que os rumores eram certos. Acredito que essa bala em sua cabeça, a transportou para outro mundo.

A enfermeira os deixou, para que conversassem.

– Pelo menos você tem uma desculpa. – Jaxon estava tão aliviada de ver alguém normal, que sentiu que choraria de novo. – E por que não manteve seu traseiro fora desse armazém como eu disse? Também você tem complexo de herói, Barry?

Ele caminhou cuidadosamente, através do quarto, como se suas pernas estivessem trêmulas e tinha o braço numa tipóia.

- Esqueci de mencionar que sou um homem muito ciumento, carinho. Não se alegre muito de ver este homem. - A textura da voz de Lucian em sua cabeça era a mesma, mas não de tudo. Estava mais suave que nunca, parecia veludo sobre aço. Uma advertência sutil.

- Supere-o. É meu companheiro de trabalho. – Deliberadamente, Jaxon abraçou Barry, quando normalmente nunca o teria feito.

- Você oculta de si mesma, seus próprios sentimentos. Sente um grande afeto por este homem.

- E o que você tem com isso? Muito bonito esse teu hábito de me manter a par de meus autênticos sentimentos, certo? – Perguntou Jaxon, docemente, permitindo que Barry mantivera a posse de sua mão enquanto se sentava na beirada da cama.

– Você lembra do que aconteceu, Barry? Porque eu não lembro de nada, depois de que atiraram em mim. – Ela tinha curiosidade em saber. Não fazia idéia de como haviam saído os dois do armazém, quando ambos estavam seriamente feridos.

A confusão ambaçou os olhos cinzas de Barry.

– Tenho até pesadelos com isso. Tampouco me recordo. Em meu pesadelo um enorme lobo mata a todos, como um anjo vingador. Depois se converte em homem, arrasta meu traseiro para fora dali e depois sai com você nos braços. – Barry passou a mão sobre a face. – Não posso lembrar-me do homem, só do lobo, os olhos dele. A forma em que ele me olhou. Mas juraria que apareceu um homem, saído de alguma parte, para nos resgatar.

- Foi você! Você nos salvou! Deveria saber. – Aliás, sabia. No mais profundo de sua alma havia uma lembrança... De Lucian... Não estava segura... Mas, o havia encontrado e rechaçado. Havia sangue, morte e de algum modo equivocado... Algum tipo de estranho ritual de cura? Jaxon não queria voltar a lembrar.

- Não ia permitir que escapasse de mim e ainda mais por meio da morte, Jaxon. Desfruto muito de seu senso de humor. - Aí estava a gentileza que fazia acelerar seu coração, que lhe dizia que ele sabia que estava assustada, só e mais que confusa.

Jaxon teve o pressentimento de que desta vez ele estava mais perto. Sua presença era mais forte em sua mente, não uma mera sombra. Involuntariamente, olhou nervosa para a porta.

– Não se preocupe, Barry, acredito que nós dois precisamos ficar tão longe de um hospital psiquiátrico, como é possível. Provavelmente nos internariam. Eu mesma tive alguns pesadelos.

Barry se moveu para ela, inclinando-se mais perto. Baixou a voz.

– Já que estamos aqui sozinhos, eu poderia te dizer que esta não é a primeira experiência estranha que tive. Lembra-se daquele assassino que esteve atemorizando a cidade nos últimos meses? Eu fui o primeiro a chegar à cena do terceiro assassinato. Você estava fora, de serviço na região. Vi um lobo lá. Voltou a cabeça e me olhou, vi inteligência em seus olhos. Inteligência de verdade, Jaxon. Foi estranho. Olhava-me como se estivesse decidindo se eu valia ou não a pena, decidindo se me matava ou não. Justo como no armazém. Mas dali a pouco, não era um lobo, absolutamente! Era um homem e juro por minha vida, que não posso recordar que aspecto ele tinha. Nem sequer sua constituição. Você me conhece, Jaxx. Lembro até do mais pequeno detalhe e agora já são duas vezes que vejo um lobo onde não poderia haver nenhum e não posso descrever o homem que vi, nem o da cena do assassinato e o que salvou nossa vida.

O que está dizendo, Barry? – O coração de Jaxon estava começando a pulsar alarmado, de novo. Seria Lucian? O que era Lucian? Podia ter ele projetado a imagem de um lobo?

Barry encolheu de ombros.

– Não sei o que digo. Só sei que vi essa maldita coisa. Era real. E parecia como o do armazém. Era enorme, bem alimentado. Não um cão esquálido, como sugeriu o capitão. Tinha olhos peculiares. Muito negros, diferentes dos de um animal. Ardiam com ameaça e quero dizer que ardiam de verdade. E possuíam quase que... Inteligência humana. – Barry passoua mão pelo cabelo. – Comprovei se algum lobo havia escapado do zoológico ou de alguma reserva natural, mas não. Ninguém mais viu nada. Poderia ter sido um lobo, mas... Não sei aonde vou com isto, mas você é a única pessoa a quem eu admitiria.

- Eu estava ali caçando um vampiro, Jaxon. Deixe de se assustar.

– Eu não vi nenhum lobo, Barry, mas eu também tive estranhos pesadelos. Possivelmente, nós dois estejamos loucos. – Ela forçou um sorriso. O som de seu coração pulsando era tão alto que pensou que poderia enlouquecer.

Possivelmente é o trabalho, Jaxx. De qualquer modo, os rumores que ouvi sobre você são verdade ou outro pesadelo? Sou seu companheiro. Saberia alguma coisa, como se tem ou não um noivo? Especialmente se ele fosse um milionário?

Jaxx ouviu a dor em sua voz, podia senti-la atravessando-a como uma faca.

Lucian pôde senti-lo.

- Esse é o problema, carinho. Há muita compaixão em você. Você não é responsável por seus sentimentos.

- É meu companheiro de trabalho e lhe devo lealdade. Nossa pequena charada lhe fará mal. Vou dizer que não é realmente verdade. - Disse ela, desafiantemente.

– Jaxx? – Interrompeu Barry, que mantinha os olhos fixos em sua face.

– Sabe o difícil que foi minha vida, Barry. – Começou relutantemente, sem estar segura ainda do que dizer.

Os ombros largos de Lucian encheram a soleira da porta. Ele estava impecavelmente vestido com um terno feito a medida e seu cabelo longo, de um negro brilhante estava penteado para trás e preso na nuca. Roubou-lhe o fôlego. Sua presença encheu o quarto. Moveu-se fluidicamente. O poder se era ele, enquanto flutuava pelo chão até inclinar-se e roçar seu rosto com um beijo. O toque de seus lábios a fez sentir ligeiramente enfraquecida. Depois, seu coração encontrou o lento e tranqüilizador ritmo do dele.

– Boa noite, anjo. Vejo que permitiram que teu companheiro a visitasse. Barry, sou Lucian Daratrazanoff, o noivo de Jaxon. Por favor, permita que eu te agradeça ter salvado sua vida.

Barry voltou seus olhos cinzas de volta à face de Jaxon acusadoramente.

Lucian se sentou na beirada da cama e seu enorme corpo se aproximou protetoramente ao dela.

– Jaxon queria te falar de mim, Barry. Queixava-se disso todo o tempo. Mas tinha medo de que de algum modo, Tyler Drake soubesse de mim ou averiguasse que você contava com sua confiança e te fizesse mal. – Ele colocou um braço em volta dos ombros de Jaxon. – É uma vida difícil a que leva e aqueles que a amamos, sabemos que ela tenta nos proteger mesmo quando gostaríamos que não fizesse. Sei que entende por que ela guardou silêncio.

Barry não podia evitar de ouvir a cadência da incrível voz do homem. Apartou o olhar de Jaxon até Lucian e foi como cair num profundo mar de tranqüilidade. É obvio que entendia. Jaxon sempre protegia os que a rodeavam. Como podia fazer outra coisa? E gostava de Lucian. Podia ver que era bom para Jaxon, que eleseria capaz de cuidar dela. Terminariam sendo grandes amigos.

- Não te atreva a plantar coisas em sua cabeça, Lucian! - Ultrajada, Jaxon tentou rodear Lucian para tirar Barry fora de seu transe. Ele olhava para os olhos de Lucian como se tivesse em êxtase.

Lucian não afastou o olhar de Barry. Ele conteve Jaxon com uma mão. - Este homem é importante em sua vida? - Perguntou-lhe silenciosamente.

- Sabe que sim. Não enrede em sua cabeça!

- Se for importante para você, então é imperativo que me aceite. Ouça bem, Jaxon. Não posso permitir que nenhuma outra pessoa saiba que minha espécie existe. Entende o que estou dizendo? Estou o acessando, para que este homem fique sob meu amparo, porque você tem afeto por ele. Mas ele deve aceitar nossa relação.

Eu não aceito nossa relação. Não temos nenhuma relação. Pelo amor de Deus! Estou falando com o pensamento, não em voz alta como um ser humano normal. Ouço e vejo melhor do que deveria e você e eu sabemos que deveria estar morta. Não é verdade? Você me fez alguma coisa estranha, que me trouxe de volta e agora sou um zumbi ou algo assim. – Jaxon terminou, próxima à histeria.

Lucian riu suavemente e se inclinou para roçar seus lábios, com os dele.

– Você é bela, carinho.

Ele não deveria ter essos lábios. Deveria ser um pecado ter lábios assim. E sua voz também deveria ser proibida.

– Não sou, não há avaliação que o diga. – Ninguém nunca a havia descrito como bela.

– Não havia ninguém para fazer. Agora me tem . – Lucian falou, mas olhou uma vez mais para o companheiro de Jaxon.

Barry se encontrou sorrindo ao homem.

– Desejaria que tivessem me contado isso antes, mas é obvio que entendo. Drake é uma ameaça que não somos capazes de manter fora de sua vida. Mas deve compreender que terá que ser protegido todo o tempo. Se vier à delegacia de polícia, mostrarei a você tudo o que temos dele. É importante que o reconheça. Há muitas probabilidades de que ele tente te matar.

Jaxon tirou sua mão da de Barry e se afastou de Lucian, retraindo-se.

– Os dois deveriam ir embora. Este lugar é muito público. Há muitas probabilidades de que agora mesmo ele esteja nos vigiando.

Lucian abraçou o pequeno corpo de Jaxon, deslizando-a protetoramente sob seu ombro como se não tivesse notado que ela estava tentandose manter longe dele. – Você se preocupa muito com Tyler Drake, carinho. Ele não é invencível.

- Nem você tampouco. - Seus grandes olhos escuros se moveram sobre a face dele, quase amorosamente, embora ela não notasse. – Você decidiu que gosta de ter alguém com quem discutir, com quem se preocupar. Com quem brincar e rir.

- Eu sabia que acabaria gostando de você.

- Sou sozinha. - Ela elevou o queixo para ele com desafio. - Um troglodita poderia me haver servido também, assim não comece a bancar o herói. – Ele possuía um maldito e agradável peito, para falar a verdade.

Sua risada fez acelerar sua pulsação e sentir a suavidade de seu hálito na nuca, enviou arrepios por seu corpo. Ela voltou-se para Barrt, decidida a ignorar Lucian e seus efeitos sobre ela.

– Quando sai daqui, Barry? Eu saio hoje.

– Quase morreu! No que estão pensando? – A surpresa era clara na face de Barry. – Os médicos são idiotas?

– Tenho conexões. – Interveio Lucian, tranquilizadoramente e uma vez mais sua voz e seus olhos mantiveram Barry enfeitiçado. – Vou levá-la para minha casa. Lá a segurança é grande. Ninguém entra sem meu conhecimento. E me ocuparei de que tenha cuidados médicos. Não teremos que nos preocupar tanto por ela. Aqui temos, vou te dar meu endereço e número privado. Pode nos encontrar a qualquer momento, todas as noites. Trabalho exclusivamente pelas tardes e noites, já que lido com diferentes países e seus fusos horários. Só se assegure de deixar seu nome e Jaxon ou eu devolveremos sua chamada assim que seja possível. Quando lhe darão alta?

– Dizem que em três dias. Depois estarei de licença, de baixa, durante outros três meses. Depois um trabalho de escritório durante algum tempo. E você, companheira? Voltará logo?

Os dedos de Lucian se enredaram sobre os dela. Deliberadamente, ele elevou os dedos a suavidade de seus lábios.

– Preferiria que não respondesse a isso ou que não pensasse durante um tempo. Já sabe o quanto é teimosa.

– Não há discussão que valha sobre isso, voltarei para trabalho. É o que faço para viver. – Disse Jaxon indignada.

Barry jogou para trás a cabeça e começou a rir.

– Acontece que está comprometida com um dos homens mais ricos do mundo, querida! Não acredito tu a vida vá ser muito problemática agora.

Jaxon o olhou fixamente.

– Para sua informação, Lucian não é nem de perto tão rico como todos insistem em dizer. E em qualquer caso, eu gosto de trabalhar. Ainda não estamos casados e algo poderia sair errado. Possivelmente nunca ocorra casamento algum. Não penrou nisso? E se e não funcionar? Tem alguma idéia de quantos matrimônios fracassam?

– Isso é muito próprio de você, Jaxx. Já tem um matrimônio fracassado... – Assinalou Barry. – E nem sequer atou o nó ainda. Pequena Senhorita pessimista.

– Sou realista, Barry. – Respondeu ela tranqüilamente.

Os braços de Lucian se apertaram a sua volta, quase como se estivesse protegendo-a das brincadeiras de Barry. Ele podia sentir a dor em sua mente. Estava sorrindo, mas sua mente estava cheia de dor. Barry não fazia idéia, embora fosse seu companheiro e tinha sido durante algum tempo. Lucian estava seguro de que nenhum dos que pensavam que realmente a conheciam, podiam entendê-la absolutamente. Não havia autênticas risadas em sua vida, ela tentava encontrar momentos para sorrir onde podia, mas sempre era consciente da ameaça para os que eram muito amigáveis com ela. Nunca abandonava sua mente, essa terrível carra. A idéia de compartilhar sua vida com alguém não era mais que uma formosa fantasia para ela. Um sono impossível.

O dedos de Lucian encontraram sua nuca e começaram uma massagem lenta e tranqüilizadora. Estava pedindo muito a Jaxon esperando que ela aceitasse as coisas que tinha visto, as coisas que havia contado. Não tinha a mente fechada à possibilidade de outras espécies similares aos humanos. Tampouco fechava sua mente completamente à possibilidade de que ele pudesse ser um inimigo.

– Me alegro de que seus ferimentos não sejam tão maus como poderiam ter sido, Barry. – Disse Jaxon brandamente.

– No armazém me disse que deixasse de ser tão mole. – Contradisse-a, Barry.

– Só estava tentando conseguir que você se movesse, que saísse dali. – Assinalou ela.

– Oh! – Disse seu companheiro, fazendo uma careta para Lucian, sobre a cabeça dela. – É claro, os médicos acreditaram que teriam que amputar meu braço. – Informou Barry. – As primeiras radiografias mostravam os ossos tão amassados, que eles disseram que o interior do meu braço era uma massa e que não havia possibilidade de salvá-lo. Mas fui afortunado. Despertei poucas horas mais tarde, antes que me levassem a sala de cirurgia, e disseram que devia ter havido alguma confusão. Meu ombro estava quebrado, mas além disso, a bala tinha atravessado limpamente sem fazer muito dano. Ninguém pôde explicar, mas não me importou. Asseguro-me sempre, que foi um milagre e estou disposto a aceitae.

Jaxon ficou imóvel. Sabia o que tinha acontecido. Lucian era o que tinha acontecido. Ele tinha curado Barry porque Barry era importante para ela. Soube instintivamente, sem perguntar. E não queria saber, porque isso significava que Lucian podia fazer as coisas que dizia que podia fazer. Deliberadamente, evitou seu olhar. Quanto tinha visto Barry, realmente, essa noite no armazém? Haveria algo em suas lembranças que pudesse de algum modo, fazer mal a Lucian? Ou, pior ainda, teria decidido Lucian que havia algo que pudesse o condenar? Ela esfregou as têmporas, repentinamente palpitantes.

– Barry. Jaxon está começando a se cansar e ainda tenho que levá-la para casa esta noite. Sei que os dois querem colocar os assuntos em dia, mas é muito cedo para que se cansem . – Acrescentou Luciam, com um sutil "empurrão" em sua voz, criando uma ordem suave mas impossível de desobedecer.

Barry assentiu imediatamente, inclinando-se para roçar com um beijo o rosto da mulher. Jaxon sentiu realmente a repentina imobilidade de Lucian. Ele era como um grande felino, enroscando-se e preparado para golpear, embora tão imóvel como uma montanha. Encontrou-se contendo a respiração, sem nenhuma razão absolutamente.

Lucian estava sorrindo com o que parecia genuína suavidade, estreitando a mão do Barry e caminhando com ele até a porta. Depois, quando Barry se foi, voltou os olhos para ela.

– Não confia em mim.

– Parece que isso te diverte. – Jaxon estava cansada de fingir. – Não te conheço, Lucian. A verdade é que não estou acostumado a passar muito tempo com outra pessoas. Habituei-me a estar e ser sozinha. Não estou segura de estar muito cômoda tendo a meu lado um desconhecido que sabe tanto de mim, quando eu não sei nada dele.

– É bastante capaz de ler minha mente, anjo. Funda seus pensamentos com os meus. Encontrará tudo o que deseja saber.

Ela sacudiu a cabeça, decidida a não ficar presa pela magia de sua voz.

– Quero ir para casa, para meu próprio apartamento e pensar em tudo isto.

O telefone repicou antes que ele pudesse responder. Jaxon se sentiu extranhamente agradecida. Não estava segura se queria que ele estivesse de acordo com ela ou que protestasse. A idéia de se separar dele trouxe uma grande peso a seu coração. Respondeu ao telefone, esperando a voz de seu capitão.

– Jaxx, meu coraçãozinho? Sou o Papai.

Tyler. Sua voz a colocou imediatamente doente. Trouxe de volta cada detalhe de sua vida com este homem. A terrível responsabilidade de sua infância, protegendo sua mãe e o irmão, só para fracassar ao final. A culpa, por que a família Andrews perdeu suas vidas simplesmente por lhe dar um lar. E por Carol Taylor, cujo único pecado foi que gostasse de compartilhar uma xícara de café com Jaxon pelas manhãs. Drake lhe chamara numa manhã, a muito tempo, contando que Carol era débil e inútil, como Rebecca, aproveitando do sentido de compaixão de Jaxon. Disse que essa mulher não era mais que uma sanguessuga, uma carga. Jaxon sabia que encontraria Carol morta essa manhã, mas tinha deixado cair o telefone e havia se deslocado a seu apartamento.

Agora, permanecia em silêncio, com o estômago encolhido e sua mão automaticamente procurando a arma, enquanto seus olhos começavam a se mover inquietamente, procurando as janelas. Drake poderia ver o interior do quarto? Ele era um atirador perito. Sem pensar, ela se deslizou para fora da cama e se colocou entre a janela e Lucian.

Lucian, sem uma palavra, simplesmente a colocou atrás dele, retendo-a com um braço forte.

Este homem está tentando destruir nossa família, Jaxon. – A voz de Drake ladrava ao telefone. – Não posso permitir que o faça. Diga que se afaste. Não sabe como são os homens ou o que querem. Não pode confiar nele. – Sua voz era firme como o aço, carregada de autoridade.

Lucian tirou o telefone da mão de Jaxon. Uma tarefa bastante fácil, embora ela tentou segurá-lo.

– Venha por mim, Drake. – Como sempre, seu tom de voz foi suave, quase amável. – Não tenho intenção de deixá-la. Já não tem poder sobre ela. Jaxon está sob meu amparo e seu reinado de terror terminou. Acabe consigo mesmo. É o que deseja fazer. Quer fazer a muito tempo.

Lucian ouviu como Drake voltava a colocar o telefone em seu lugar, cortando a conversa. Ele voltou-se para avaliar Jaxon com seu negro e firme olhar. Não havia remorsos, nem temor, nada exceto o ardente negrume de seus olhos e o duro e ligeiramente cruel rictus de seus lábios. Jaxon se sentiu pálida e frágil. Ele parecia sólido, tranqüilo, uma âncora, invencível. Gentilmente ele estendeu uma mão para lhe tocar a face.

– Jaxon?

– Por que fez isso? Por que o desafiar desse modo? - Sua voz foi apenas um sussurro. – Não entende? Não posso te proteger dele. Ele esperará. Um mês, um ano... Não significam nada para ele. Mesmo se nunca mais eu voltar a vê-lo, agora ele virá por você. Não sabe o que fez...

Jaxon estava tremendo visivelmente. Parecia tão perdida, desamparada, jovem e vulnerável. Lucian sentiu que seu próprio coração se retorcia de dor. inclinou-se, recolhendo seu corpo que não resistiu entre seus braços e a abrigou perto de seu coração. Lucian simplesmente a abraçou até que a suavidade de seu corpo penetrou no dela. Até que o frenético batimento de seu coração se acalmou, imitando o ritmo do dele. Até que a terrível confusão de sua mente, se apaziguou.

Como ele conseguia? Jaxon estava contra seu enorme e bem musculoso corpo e permitiu apoiar-se nele durante alguns poucos minutos. Ele a fazia sentir-se como se tudo estava bem, enquanto estivesse perto dele. Lucian parecia ter a habilidade de projetar nela sua completa confiança em si mesmo.

Finalmente Jaxon se separou dele e ele a colocou sobre seus próprios pés.

– Esteve se colocando a frente desde o começo, não é? Reclama ser meu noivo, que tem todo esse dinheiro, assim se faz notar. Está em todos os jornais, não? O bonito milionário e a polícia. Foi uma boa história. Sabia que Drake a leria e viria atrás de você.

Ele encolheu os ombros, completamente despreocupado, os olhos negros firmes sobre sua face. O movimento de seus ombros largos foi bem masculino, um ondeio de força casual que admitia que ela dizia a verdade.

– Não tive forma de rastreá-lo, até saber mais dele. Com suas lembranças, tenho algo para começar. Agora me será bem mais fácil. Se não se suicidar, ficará o suficientemente louco para cometer enganos, ficará a descoberto. Não terá sua paciência habitual, pois perdeu o controle sobre você. Simplesmente, desde que era um bebê, Tyler Drake sempre acreditou controlar sua vida. Isto nunca lhe ocorreu antes.

– Ele não se suicidará. – Disse Jaxon com completa convicção.

– Provavelmente não. – Lucian concordou, complacentemente. – Drake está desequilibrado e não fui capaz de me conectar com ele.

–Por que eu? Que há em mim que o obceca? – Seus enormes olhos escuros se moveram sobre a face de Lucian. – Por que buscou você? Por que essa... Essa coisa veio a sua casa quando obviamente não queria aproximar-se de você? – Com súbita compreensão, ela retrocedeu um passo afastando-se dele. – Foi por mim, não foi? Atraí-o, de algum modo.

O sorriso dele sustentava um pouco de humor, apreciando sua capacidade de raciocinar as coisas.

– É muito mais hábil do que pensa, céu. Fundir minha mente com a sua te dá mais informação do que eu havia planejado.

– Só me diga... – ela estava quase contendo a respiração, em espera de sua resposta, mas, como sempre que sabia quando estava em perigo, sabia a verdade.

Lucian suspirou.

Sei o que está pensando, Jaxon, mas é mais complexo que isso. Você é única entre sua espécie, uma autêntica psíquica. Nossa espécie pode converter só a uma autêntica psíquica de raça humana. Todos os outros se tornam loucos se tentar a conversão. É necessário para nossos homens encontrarem suas companheiras. Expliquei-lhe isso. Os vampiros... Aqueles Cárpatos que escolheram perder suas almas e não podem ser redimidos... embora o tentam, ainda procuram uma companheira, embora seja muito tarde para eles. Sua presença os atrai.

Ela fechou os olhos.

– O assassino... Esse era um vampiro?

Ele assentiu.

– Encontrei sua vítima quando Barry chegava. Não estava seguro de quem era o assassino. Os vampiros utilizam com freqüência, homens maus, em variadas formas. Como os Cárpatos, o vampiro não pode permanecer à luz do dia. Os humanos podem fazer certas tarefas que o vampiro não pode fazer, então ele os utilizam como marionetes.

– Podem obrigar às pessoas a matar? É isso o que quer dizer?

Ele assentiu lentamente, estudando-a com cuidado. Era como se ela fosse explodir a qualquer momento.

– Entre outras coisas, sim. Podem programar uma de suas marionetes para matar. – Se fosse possível que Jaxon ficasse mais pálida, ela ficou.     Jaxon sacudiu a cabeça.

- Isto é uma loucura. Não posso acreditar que me esteja engolindo tudo isto. Não quero saber nada mais.

– Está-o fazendo bem, anjo. Não espero que saiba tudo e com todos os detalhes no momento. Tenho permissão de seu médico para te levar para casa comigo. Não quero despertar suspeitas por esperar muito tempo.

– Quero ir a minha casa. – Disse ela, tercamente.

– Quer me proteger.

– Quero me afastar de você. – Ela evitou seus olhos. Precisava desesperadamente pensar. Precisava afastar-se dele, afastar do atrativo de sua presença.

Lucian se moveu sem que parecesse que o fazia, cobrindo a distância ente eles, numa piscada.

– Não, não é certo, Jaxon. Posso ler sua mente. É muito tarde. Já está por mim. E você ainda quer me proteger.

– Sim. Ela vai atrás de você. – Ela explodiu. – E não vou entrar numa casa e te encontrar morto no chão, com o corpo enfraquecido e ensangüentado. Não posso passar por isso novamente. Não o farei. Estou falando sério, Lucian.

Os braços dele a rodearam facilmente, atraindo a de volta a seus braços, acalmando-a com um toque.

–Assombra-me a forma em que está tão decidida a dar sua vida pelos outros. Venha para casa comigo, onde estará a salvo e onde poderemos nos conhecer um ao outro. Olhe por este lado. Se Drake vier por mim, ao menos estará ali para me advertir.

Estava caindo no sortilégio de seus olhos negro aveludados de feiticeiro. Afogando-se nas profundezas desses sexys olhos negros. Hipnotizada pela curva de seus lábios sensuais.

– Tenho coisas em meu apartamento que realmente me importam.

– As coisas de sua mãe. – Disse ele, brandamente. – Tirei-as de seu apartamento. Estão a salvo em seu quarto em minha casa.

Seus olhos lançaram fogo para ele.

– Não tinha direito.

– Tenho todo o direito. É minha companheira, sempre estará a meus cuidados. Não posso fazer outra coisa que velar por sua felicidade. Estará sob meu amparo sempre. As coisas que são importantes para você, serão para mim.

– Se isso for verdade, por que demônios provocou Drake?

Seus dedos estava retorcendo o tecido da imaculada camisa dele com nervosismo.

A mão dele cobria a sua, mantendo a palma contra seu coração.

– Não posso deixar que um homem assim esteja aí fora ameaçando sua vida. Você não deixaria acontecer uma ameaça semelhante contra minha vida.

Jaxon suspirou, um peso esmagava seu peito.

– Tem razão, Lucian, não o faria. Agora não tenho escolha. Tenho que tentar encontrá-lo.

Lucian, realmente sorriu. Não podia se conter. Ela estava decidida cuidar da segurança dele. Sacudiu a cabeça, depois se inclinou para tocar o cabelo selvagem com os lábios.

O coração de Jaxon saltou no peito. Do que servia discutir com ele? Não podia ficar no hospital. Cada doutor e enfermeira ao que sorrise para ela, estaria em perigo. Quem sabia o que acontecia na mente retorcida de Drake? O que tinha que perder? Além disso, alguém tinha que descobrir quem era Lucian realmente e o que ele queria. E ele não ia morrer. Não devia... Por salvar Barry, se não por outra coisa. Nem ela nem Barry teriam conseguido sair do armazém com vida. Tinha que ficar com Lucian e ser seu guarda-costas ao menos até que Drake fosse encontrado.

A mão de Lucian embalou sua nuca, seus dedos se enredaram em seu espesso cabelo loiro. As mechas eram como seda.

– Está preocupada com a segurança de seu companheiro.

– Drake pode ir a ele. Sempre me preocupou. Estava acostumado a mudar meus costumes constantemente até que Barry chegou. Ele se negava a mudar de companheiro e o capitão o ouviu, apesar do quanto arriscado era. Drake poderia se zangar e me fazer mal através dele.

– Ele nunca tentou te fazer mal, anjo. – Disse ele brandamente. – Seu motivo não tem nada a ver em te fazer mal ou te castigar. Em sua mente ele é seu salvador... Em certo sentido, seu protetor. Você é sua amada filha. Assim é como ele pensa. O resto de nós, simplesmente tentamos separar aos dois.

– Mesmo agora, depois de todo este tempo? Como poderia pensar isso?

A mão dele não podia estar quieta, seus dedos acariciavam continuamente o cabelo. Por que era tão especial esse cabelo curto e indomável, estava além de sua compreensão, mas decidiu que era algo sem o qual não queria viver. Ela era essencial para ele. Divertia-lhe, que ela não pudesse compreender o que ele era. Um caçador Cárpato com tremendos poderes e conhecimento. Suas habilidades estavam muito além das de qualquer homem humano. Podia se converter numa sombra, na própria névoa. Era mais forte que qualquer mortal, podia ler o vento, comandar os céus. Podia correr como o lobo e voar como os pássaros. Podia controlar os pensamentos dos humanos que o rodeavam, atrai-los até ele com sua voz, e obter sua cooperação no que pudesse escolher. Podia destruir a distância, inclusive ordenar a sua presa que se destruísse a si mesmo. Podia rastrear qualquer pessoa ou algo, uma vez que estivesse na pista correta. Nada podia escapar dele... Não um não–morto e certamente nenhuma presa humana.

Para Lucian, Tyler Drake já estava morto. O homem assassinara todos os que significaram muito para Jaxon. Não havia ira em Lucian, só a tranqüila imobilidade que sempre era uma parte dele. Ele era a justiça de sua gente, o executor de sua lei. Mesmo antes que seu Príncipe, antes que sua própria vida, antes que seu irmão gêmeo e sua gente, devia à vida e a felicidade de Jaxon Montgomery. Tyler Drake estava condenado e restava pouco tempo de vida a ele.

– É hora de ir para casa, Jaxon. – Murmurou ele, consciente de que a noite dava passo à madrugada. Tinha que se alimentar bem. Cedo ou tarde teria que revelar a Jaxon muitas coisas que ela acharia difíceis de aceitar, apesar dela ser valente e sua mente estar aberta à possibilidade de outras formas de vida. Mas não estava preparada para as aceitar em proximidade a sua própria vida.

Podia ler em sua mente quão cansada estava. Podia ler o pesar nela, a culpa. Podia ler a determinação de proteger não só a ele, mas Barry Radcliff também. Com um pequeno suspiro, segurou-a em seus braços.

Passar por toda a papelada para deixar o hospital deveria ter sido um desses pesadelos que Jaxon não podia suportar... Ela possuía pouca paciência com a papelada... Mas Lucian arrumou tudo. O cortejo do pessoal do hospital e repórteres pareceu crescer à medida que ele a levava para a entrada do hospital. Ela olhou fixamente para Lucian durante um momento, mas ele fingiu não notar. Parecia muito em seu elemento, como se ele e vários repórteres fossem velhos amigos, até seu capitão se uniu à multidão, desejando estreitar sua mão. Notou que o capitão não se apressou a se aproximar de seu lado. Provavelmente, ele estava muito ocupado pensando numa possível campanha de donativos para chegar à prefeitura.

- Isso não é muito amável.

Aí estava essa risada de novo, a que enviava chamas por sua pele e começava um fogo em todo seu corpo. Olhou em volta para assegurar-se de que ninguém estava olhando-a atentamente, enquanto um débil rubor invadia sua face.

- Não posso acreditar que esta pessoas estejam rendidas a seus pés. É demais. – Ela disse, em sua mente. Era provavelmente a voz de Lucian. Ou esses olhos. Ou possivelmente sua aparência. E depois, os perfeitos lábios.

Ele se inclinou para colocar os lábios perfeitos contra seu ouvido, deliberadamente, diante de todas as câmaras e sua mão embalou seu pescoço dela, possessivamente.

– É o dinheiro, céu. Nenhuma outra razão, simplesmente dinheiro. Só você me vê sexy e bonito.

– Eu nunca disse sexy. E sei que não disse bonito. – Sibilou ela em retorno. Não quis inflar seu ego desmesurado assinalando todas as mulheres que estavam falando dele. Ele tinha que ouvi-las. Ela podia. Baixou a cabeça. Lucian realmente não parecia ser consciente de que sua aparência fosse algo especial. Vestia-se como vestia seu ar de confiança, de autoridade, como se fosse simplesmente parte dele e sempre tivesse sido.

Uma enorme limusine branca estava estacionada diante do hospital. Um chofer permanecia em pé na porta, esperando. Jaxon fechou os olhos. Isto era tão absurdo, como estúpido. Ela não cabia numa limusine. Fosse qual fosse a classe de vida de Lucian, Jaxon não tinha possibilidade de se encaixar nela. O conhecimento a golpeou sem advertência e ela caminhava contra vontade, sob o ombro de Lucian para o chofer.

A sensação chegou de alguma parte. Escura. Feia. Intensa. Agora estava escuro, a luz desaparecia do céu sendo substituída pela noite. A lua estava coberta de nuvens e uma ligeira garoa molhava as ruas. Havia risadas por toda parte, conversas, centenas de vozes, embora ao mesmo tempo estava sozinha em meio de uma região de guerra.

Automaticamente, saiu rapidamente do braço de Lucian, afastando seu enorme corpo para longe dela, para colocar mais distancia entre eles. Já estava com sua arma na mão e seus olhos estavam rastreando, procurando um objetivo. Ele estava ali. Estava perto. Este era o pesadelo de todo policial. Uma enorme multidão e um assassino.

 

Onde estava Barry? Era ele o objetivo? Jaxon não se atreveu a deixar de procurar a fonte do alarme, não enquanto não se assegurasse por si mesma, de que Barry tinha permanecido dentro do hospital e fora de perigo. Seu agudo olhar comprovou os telhados circundantes, movendo-se incansavelmente sobre a multidão. Isto era o que conhecia. Esta era sua forma de vida.

Lucian não se moveu de seu lado, apesar de suas intençãos de ficar ao claro. Tinha captado o sinal de advertência proveniente dela e sabia que a ameaça era humana, não do não–morto. Ele haveria sentido a presença do não–morto antes que ela. Amaldiçoou em sua língua ancestral. Deveria ter esquadrinhado à multidão em vez de estar desfrutando da reação que provocava nela. Será que todos os homens de sua gente ficavam embasbacados, quando encontravam sua companheira? Gabriel sorria constantemente.

Era o primeiro engano que lembrava ter cometido em toda sua vida e não estava nada contente consigo mesmo. Com o braço musculoso, arrastou-a para trás dele onde ela estaria completamente protegida. Seu enorme corpo defendeu facilmente, o pequeno dela, obrigando-a a avançar para a limusine com seus vidros escuros e totalmente a prova de balas.

Ela lutou, tentando adverti-lo do perigo, mas ele estava muito preocupado para tomar nota. Sua mente estava comprovando a multidão em busca de sinais de hostilidade. O sistema de alarme dela funcionava perfeitamente. Três indivíduos estavam tentando penetrar a massa humana para apanhá-la em seu fogo cruzado. Suas instruções eram assegurar-se de que ela morreria desta vez. Seu chefe havia ordenado terminar o trabalho. Jaxon Montgomery era pesristente e estava estragando os negócios de seu chefe, para que fosse tolerada por muito mais tempo. Barry Radcliff era seu segundo objetivo. Lucian leu as intenções, facilmente.

Enfocou seu ataque como fazia sempre, tranqüilamente e sem raiva ou fúria. Primeiro extraiu a informação que precisava para assegurar-se de poder deter qualquer outro atentado contra a vida de Jaxon. Feito isso, cuidadosamente orquestrou o cenário de forma muito diferente do que o chefe dos assassinos tinha em mente. Os três homens se encontraram sacando suas armas à vista de todos. Os gritos chegaram de todos os que os rodeavam. Nenhum tinha uma vista clara de seu objetivo primário, ainda assim suas armas pareciam ter vida própria, girando-se para os outros. Um dos homens ainda tentou abrir a mão e jogar sua arma, mas seus dedos seguiram fechados em volta dela e apertaram lentamente o gatilho, de forma que ele sentiu como a arma se descarregava. O som de armas disparando simultaneamente foi estrondoso na noite.

Estalou o caos, o pandemonium. As pessoas corria em todas as direções. Lucian permaneceu firme, uma mão empurrou facilmente Jaxon para o interior do carro onde ninguém poderia vê-la atrás de seu corpo. Observou desapaixonadamente, como os três homens caíam na rua. A água que caía dos céus escurecidos levavam os sangue em pequenos riachos, afastando-se deles. Durante um momento, um relâmpago arqueou de nuvem em nuvem, alagando a terra com agudo alívio, gravando a visão de Lucian imóvel e tranqüilo em meio a neblina do caos da mente de Jaxon, para sempre. O capitão, vários policiais e guardas de segurança estavam abaixados, procurando outros atacantes.

Acredito que deveria colocar alguns guardas extras para Radcliff – Lucian advertiu o capitão de polícia, utilizando o "empurrão" em sua voz, que assegurava a obediência. – Tire-o deste hospital e leve-o para algum lugar que ninguém conheça. Jaxon e Radcliff fizeram inimigos e o armazém era uma emboscada para pegá-los. Estes homens estavam aqui para terminar o trabalho, matar os dois. – Ela falava tão baixo, que só Jaxon e o capitão o ouviram. O capitão já estava assentindo em acordo com o Lucian, voltando-se para ela.

Ela estava tentando rodear o corpo de Lucian para ver o que estava acontecendo, mas ele se aproximou do carro e deslizou junto a ela. O chofer fechou a porta afastando-se rapidamente da cena. Jaxon passou uma mão trêmula pelo curto cabelo loiro, um hábito que tinha quando estava agitada. Deixava as suaves e sedosas mechas caindo em todas direções, selvagem, como Lucian gostava.

– Não posso acreditar que tenha feito isso. Lucian, tem que me deixar te proteger. Eu estava com a arma. Você ficou ali, sem se mover. Foi um objetivo enorme... Sequer pensou nisso? Alguém colocado sobre um telhado poderia ter dado cabo de você, antes que piscasse.

Realmente, ela tinha medo por ele. Lucian podia sentir nela como uma entidade viva. Estava quase sufocando-a. Lucian, automaticamente foi consciente da própria respiração, deliberadamente a sintonizou com a dela fazendo que seu coração acelerasse e seus pulmões doessem. Também deliberadamente, começou a ralentizar ambos os corações, respirando tranqüilamente pelos dois.

– Você parece não ter nenhum instinto de preservação, absolutamente. – Acusou ela. – Eu estiveste caçando a esses horríveis durante tanto tempo, protegendo outras pessoas, que não dedica nem um só pensamento a sua própria vida? – Seus olhos já ardiam com lágrimas. O medo formava um nó duro em sua gargantaTivera pequenas visões da vida dele e elas a afligiam. Treinou-se a si mesmo para estar preparada, colocando-se ante o perigo para proteger aos outros. Ele permaneceu com a expressão imperturbável. Assustava-a pensar nele. Ele havia estado mais só nesse momento, do que tinha estado ela em toda sua vida.

Lucian puxou o corpo tenso e que resistia e a abraçou. Ela era seu milagre. A luz de seu mundo vazio. Vê-la mostrar medo por ele derretia seu coração como, nada mais podia. Ela pensava que não sabia quem era ele, mas o conhecia melhor do que ele conhecia a si mesmo. Lucian deixou sua cabeça protetoramente sobre a dela, seus braços se afiançaram em volta do corpo pequeno para que se colassem um no outro. Como podia haver resistido a semelhante vazio durante todos aqueles longos séculos sem ela? Sabia que nunca poderia voltar atrás. A vontade e a determinação, a lembrança do amor e lealdade, a promessa de proteger ou destruir que fizera mantivera todos aqueles séculos, nunca seriam suficientes para fazer que continuasse se a perdesse. Se tirassem ela dele, dispensaria morte e vingança durante o resto de seus intermináveis dias. Nunca acudiria tranqüilamente o amanhecer. Seus braços a apertaram e um sorriso tocou a escura desolação de seus olhos. A alegria estendeu uma suavidade por todo seu corpo. Sim, iria aonde ela fosse. Se Jaxon fosse para outra vida, ele a seguiria sem duvidar.

Jaxon notou que seu coração havia ralentizado e estava seguindo o ritmo do de Lucian. Uma vez mais era capaz de respirar facilmente. A suavidade do corpo dele se estendeu ao dela e ela se sentia incrivelmente segura. Fechou os olhos e não lutou contra as emoções que ele provocava. Gostava de estar entre seus braços. Gostava da sensação de segurança e de não estar tão sozinha e acima de tudo, estava decidida que Lucian nunca mais voltasse a sentir uma solidão tão extrema. Ela sabia tudo sobre a solidão, sua existência solitária tinha sido completamente fria e vazia. Não importava que não pudesse examinar o por que, muito de perto, só sabia que nada lhe importava mais que a segurança dele.

– Sou consciente de que você fez alguma coisa lá atrás, com aqueles homens. – Ela murmurou contra seu peito, uma nota de sonolência crepitou em sua voz. – É este seu chofer?

– É um empréstimo.

– Notei que ele não se atirou no chão como os outros e pegou alguma coisa da jaqueta. O que poderia ser? – Jaxon abriu os olhos e estudou a queixo sombreado de Lucian. Sem pensar, seus dedos tocaram o queixo dele.

– Não sei o que fazem a maioria dos chofer em tais circunstâncias. – Replicou Lucian, inocentemente. – Possivelmente tem um telefone móvel e ia fazer uma chamada pedindo ajuda.

– A metade da força policial estava ali. – Ela se aconchegou a ele. Gostava de sentir a mão de Lucian em seu cabelo, a forma em que acariciava suas sedosas mechas, o toque da ponta de seus dedos contra a nuca. – Quem lhe emprestou ele?

– É o filho da governanta de um amigo.

– Governanta de um amigo? – Repetiu ela, a suspeita aumentava em sua voz.

Ele suspirou.

– Isto está começando a soar como um interrogatório. É oficial de polícia por acaso?

– Absolutamente. Me conte toda a história. Eu gosto das histórias longas.

Suas mãos se estenderam em volta do pescoço dela, numa ameaça de brincadeira.

– Vai me dar um sem fim de problemas, já posso notar.

– Ninguém mais o faz. Não é bom para você toda esta deferência que lhe mostram todo o tempo. Consegue-a porque acredita que merece isso. – Jaxon estava rindo, seu corpo lasso contra o dele.

Ela pertencia a esse lugar. Ele sentia. Sabia no mais fundo de sua alma. Não havia duvida em sua mente de que Jaxon era sua outra metade. Que fora criada para ele. Destinada a ele. Cada vez que a olhava, encontrava-se desejando sorrir. Cada vez que ela o olhava, seu corpo se convertiam em lava fundida.

Portas de ferro forjado surgiram ante a limusine. Altas, intrincadas e tão formosas como o próprio imóvel. O chofer conduziu a limusine diretamente através da abertura do caminho até a casa. Arbustos altos de ambos os lados davam aos terrenos uma aparência selvagem. Onde olhasse havia árvores, samambaias e arbustos de alguma espécie. Levantando o olhar para a casa pôde ver que ela era formada de vários pisos, com torres e balcões nos lugares mais inesperados. Janelas de cristais coloridos estava dispersas pelas paredes, de todos os tamanhos e formas. A casa era bela e antiga.

- A companheira de meu irmão gêmeo, Gabriel, enviou-me a maioria dos cristais coloridos. Ela faz trabalhos incríveis. É uma grande curadora e demonstra em seu trabalho. Muitas das peças foram fabricadas por Francesca e sua jovem protegida, Skyler. Os padrões oferecem muito amparo aos que estão dentro da casa. – Disse LUcian tranqüilamente, um fato certo, como se estivesse oferecendo uma conversa comum.

Jaxon compreendeu que o que ele estava lhe contando era muito mais importante do que parecia. Tomou a mão que Lucian estendia, enquanto se deslizava para fora do enorme carro.

– Quero que saiba que não vou voltar a entrar nesta coisa. É um esbanjamento, um pecado. E se não souber cirigir, eu sou excelente motorista.

O chofer pigarreou, tentando corajosamente esconder seu sorriso.

– Perdoe, senhora, não estará tentado acabar com meu sustento, certo?

Ela inclinou a cabeça para um lado e estudou o homem com olhos sagazes e avaliadores. Ele se movia como um boxeador, sua forma de andar era perfeita. Tinha pesados músculos sob o absurdo uniforme. Este homem, não era um chofer.

– Como te chama? – A informação seria suficiente para averiguar mais dele.

Ele sorriu, tocou o chapéu e entrou de volta no carro.

– Genial. – Jaxon sussurrou na noite. Depois, levantou o olhar para Lucian que estava em pé, tão imóvel como uma estátua. – E você. O que vou fazer contigo?

– Não sou eu que está em perigo, anjo. É você. – Sua mão se fechou sobre a nuca dela, urgindo-a a subir as escadas da porta de entrada.

– Não importa a qual de nós estejam procurando, Lucian. – Explicou ela, pacientemente. – Poderia ter sido em você que dispararam. Tentei te afastar do caminho, mas é teimoso.

– Não havia perigo, Jaxon. Os homens uma pontaria abominável. Foi um movimento desesperado por parte do chefe deles, enviar três assassinos incompetentes como esses, não acredita? – Ele estava se aproximando tanto dela para que pudesse sentir a suavidade de sua pele, embora sua mão descansasse em sua nuca.

Jaxon se ouviu rir. O som a surpreendeu. Ele estava fingindo. Oh! Tão inocente que ele era. Nada o fazia se alterar, nada o perturbava. Sua voz não variava era sempre suave e formosa. Nunca era responsável por nenhuma travessura ou maldade. Estava rodeando-a para abrir a pesada porta dianteira e a mão dele descansou sobre seu ombro, depois a deixou cair e moveu-se para longe dela.

– Desta vez não está doente. Você entra em minha casa, por vontade própria?

Lucian formulou a pergunta seriamente, mas a voz sedutora lhe derreteu o coração.

Por alguma razão, ela teve dúvidas. De onde estava podia ver o vestíbulo, a entrada de mármore. Chamava-a, atraía-a, um santuário. Por que ele havia perguntado tão formalmente? Por que ficava tranqüilo e a permitia entrar? Jaxon deu voltas às palavras em sua mente. Havia uma sensação de formalidade, quase um ritual, nelas. Lucian permanecia em silêncio, o que se somava à apreensão de que havia fitá-lo, inclinando a cabeça para elevar o olhar a seus olhos negros. Sem alma. Perdido. Sozinho. Estava em com completa imobilidade, com a face entre as sombras.

– Se entrar por vontade própria, isso te dará algum poder sobre mim? – Não pôde evitar de soar nervosa.

Ele não sorriu como ela temera. Simplesmente observou-a, sem piscar, firme. Jaxón umedeceu os lábios, súbitamente secos.

– Me responda com sinceridade. Une-nos de alguma forma ou me mantém prisioneira aqui?

– Se me teme tanto, por que acredita que eu revelaria a verdade, simplesmente porque me pergunta?

– Só sei que faria. – Jaxon encolheu os ombros, delicadamente. – Sei coisas... E você não... Me conte.

– Já nos uni com as palavras rituais. Não pode me deixar mais do que eu poderia deixar a você.

Ela piscou.

– Palavras rituais? – Antes que ele pudesse replicar, ela sacudiu a cabeça. – Não vamos por aí. Não vou deixar que me distraia. Serei uma prisioneira?

– Como minha prisioneira aqui, nesta casa, será capaz de ir e vir a seu desejo. – Ela continuava olhando-a e Lucian sorriu lentamente. O sorriso de menino travesso que provavelmente a tiraria de um monte de problemas. – A menos, é obvio, que haja perigo para você.– Não posso esperar para ouvir quem determina o que constitui um perigo. Não está pondo isso fácil. Não tenho idéia do por que estou te permitindo entrar em minha vida e tomar o controle e… - Lucian sorriu, docemente. – Eu não sou como você. Seja o que seja, não estou preparada para averiguar ainda, suas palavras rituais não podem nos unir. Eu tomo minhas próprias decisões nesta questão. E, sim. Entrarei em sua casa por vontade própria.

Jaxon cruzou a soleira e quase cedeu ao pânico.

Algo em seu íntimo se retorceu e voltou para a vida. Era tão forte que ela quase se voltou e fugiu, incapaz de identificar o que era, mas segura de que seu corpo, seu coração e sua alma reconheciam este lugar, reconheciam este homem. A enorme forma de Lucian bloqueava a porta. Pegou-a pela pequena cintura e simplesmente a sustentou, a força de seus braços era enorme, embora ele fosse tão gentil que nunca poderia lhe fazer mal.

O que acontece?

– Não sei. Sinto-me como se já não fosse mais eu. Como se de algum modo estivesse mudando. Está acontecendo isto? – Jaxon não tentou se liberar. Não estava segura de que realmente queria se liberar. Seus enormes olhos procuravam a expressão dele, seriamente.

– Nunca queria que mudasse. É exatamente quem supõe que é. Passamos muito tempo, cada um de nós, sozinhos. É estranho, compartilhar tão logo. Mas somos companheiros e nos acostumaremos.

Jaxon apoiou-se nele, enquanto se virava para olhar a imensa casa.

– Sinto-me como se pertencesse a este lugar, como se conhecesse este lugar.

– Você pertence a este lugar. Vá explorar a casa. Se houver algo que queira mudar, sinta-se livre para fazer.

Lucian abriu os braços, permitindo ela afastar-se dele.

A casa era mais bela do que Jaxon lembrava. Ela tentou não olhar fixamente a sua volta, com completo temor reverencial. Em seu trabalho como oficial de polícia, certamente tinha estado em mais de uma mansão, mas esta era extraordinária. de certa forma evocava uma elegância do Velho Mundo, um tempo já esquecido. Havia até um salão de festa com piso de parquê. O aposento que mais gostou era uma enorme biblioteca que parecia acolhedora graças a uma enorme lareira com duas confortáveis poltronas colocadas a sua frente e uma antiga mesa de leitura entre as mesmas. Havia três paredes cheias de prateleiras do chão ao teto, uma escada de trilhos era a única forma de subir ao alto das prateleiras. Ali estavam todos os tipos de livros imagináveis, desde ficção a ciência, antigo e novo. Notou que os livros, alguns deles bem antigos, estavam em várias línguas. Era virtualmente um tesouro. Jaxon sentiu que poderia passar uma boa porção de sua vida nesse aposento e ser feliz.

A casa era bem maior do que imaginara. A cozinha era maior que seu apartamento inteiro. Lucian deslizou atrás dela tão silenciosamente, que ela quase saltou fora de sua pele quando o viu.

– Já não é seu apartamento. Disse a sua senhoria que podia alugá-lo. – Disse Lucian, provando que ainda era uma silenciosa sombra em sua mente.

– Não fez isso. Fez? – Jaxon deu a volta de repente, com as mãos nos quadris, desafiando-o a dizer a verdade.

– É obvio que sim. Seu lugar é mais lá. Nunca esteve ali. – Respondeu ele, complacentemente.

Sei que não se atreveria a entregar meu apartamento. Não é exatamente fácil encontrar um, especialmente com meu salário. – Jaxon o olhou fixamente, tentando ler sua expressão. – Não ter feito isso, Lucian. – Ela estava tentando convencer a si mesma. – Certamente minha senhoria teria insistido em que lhe pagasse o aluguel.

Ele encolheu os ombros, sem perturbar-se.

– Esteve disposta a aceitar o efetivo. Notei que na maioria dos casos funciona bem. Não opina o mesmo?

– Realmente entregou, verdade? Oh! Meu Deus, tenho que chamá-la. Onde demônios estão os telefones dêste lugar? Não pode ter feito isso. Não pode. – Olhou-o fixamente. – Nem sequer sente remorsos, não é? Estou te olhando e não vejo nenhum rastro de remorsos, absolutamente. Sequer o sente, certo?

– Não vejo razão para experimentar uma emoção semelhante. Está em nossa casa, onde deve estar. A velha mulher esteve mais que satisfeita com o efetivo do aluguel e poderá encontrar um novo arrendatário imediatamente. Funcionou bem para todos.

– Menos para mim. Preciso de meu próprio espaço, Lucian. Seriamente. – Exasperada, Jaxon sacudiu a cabeça. Do que servia? Ele não parecia entender o que tinha feito.

– Há espaço mais que suficiente aqui, não? – Lucian parecia surpreso, seus olhos negros procuravam cada canto do aposento. – Há muito que ainda não viu. Os quartos são imensos e há passagens secretas e vários outros aposentos. Estou seguro de que há espaço suficiente para você aqui. – Ele continuou parecendo inocente e sério.

Jaxon sacudiu a cabeça e se rendeu. Ele era exasperante e ela estava muito cansada para lidar com ele. Ocuparia-se disso outro dia... Telefonaria a sua senhoria e conseguiria que ela devolvesse seu apartamento. Agora estava muito cansada e confusa e faminta. Deveria estar faminta, mas agora cada vez que pensava em comida, sentia-se ligeiramente doente. O refrigerador era enorme. Parou diante dele.

– Quando dispararam em mim, notou se feriram meu estômago?

Pela primeira vez, Jaxon foi consciente da vacilação dele. Ela sentiu o fôlego preso em sua garganta.

– Por que pergunta? Dói-te? – Sua voz estava estritamente neutra, não dizia nada.

– Estou faminta, mas a idéia da comida me faz sentir nauseia. De fato, não posso me lembrar de ter comido ou bebido desde que despertei. Algo está errado em mim ou estou sendo paranóica?

– Novamente posso ouvir o medo em sua voz. O desconhecimento. É o pior medo de todos, não é? – Lucian disse tão moderadamente, que ela estremeceu. Fosse o que fosse o que ele iria revelar, não queria saber.

Jaxon levantou uma mão e sacudiu a cabeça sem olhar para ele.

Acredito que deixarei passar isso. Em qualquer caso, preciso conhecer os arredores. – Ela continuou movendo-se até passar por ele, sob seu braço.

O braço de Lucian caiu e enroscou em volta dela.

– Não tema a verdade. É diferente, mas não má.

Ela quadrou os ombros.

– Então me conte. Vamos lá. Seja o que for o que tenha que ser dito, vamos a isso. Sou uma adulta, não a menina que acredita.

O corpo de Lucian urgiu ao seu a sair da cozinha para interior de sua guarida. Um ondeio de sua mão produziu chamas na lareira de pedra. Jaxon ofegou audivelmente, cativada por sua magia, embora temerosa dela ao mesmo tempo. Jaxon se liberou dele para ficar em pé diante das oscilantes línguas de fogo, precisando distanciar-se dele, para pensar claramente. Era tremendamente poderoso.

– Sou um homem dos Cárpatos, como te expliquei. Somos uma espécie que existe desde o começo dos tempos. Não sou perverso, mas a escuridão, a perda de cor e emoção, que lentamente alcança nossos homens, por falta da luz de suas companheiras, cresceu forte em mim durante muitos séculos, convertendo-se numa luta por dominar o depredor interior de todos nós. Parecemos com a raça humana, embora não de tudo. Fomos abençoados e amaldiçoados com enorme longevidade, com freqüência somos chamados de imortais. E quando encontramos nossa companheira, as emoções são intensas e crescem ainda mais com o passar dos séculos. Se não... Podemos nos converter completamente em predadores, os não–mortos, vampiros. A noite é nossa e a luz do sol é difícil de suportar. Temos enormes poderes, como começa a compreender. Agora meu sangue flui em suas veias, anjo. Já está afetando a sua tolerância à luz solar, não é tão extensa como a minha, embora te será impossível suportar a luz do sol sem óculos especiais.

Jaxon respirou fundo depois deixou o ar escapar lentamente.

– Posso aceitar isso. – Meu sangue flui em suas veias. Uma transfusão? Não colocaria em dúvida, não perguntaria. Não queria saber como o sangue dele tinha chegado a suas veias.

– O sol queimará sua pele. O protetor solar ajudará, mas não muito. Terá que aprender a se resguardar durante certas horas do dia, mas seu corpo dormirá durante essas horas, de todas formas.

Jaxon ouviu o distintivo retumbar de seu próprio coração. Seus dedos retorceram nervosamente o tecido da camisa que vestia.

O que está dizendo? Acredita que já li o “Drácula”? Está descrevendo a um vampiro, não é? – Seu queixo se elevava desafiante, ela estava desafiando-o, abertamente.

Lucian podia ver sua coragem na batalha contra o medo. Ela era frágil, mas com muito que admirar nela. E ele a desejava. Era agudamente consciente de que estavam sozinhos. Observou sua luta interior, a forma em que ela trabalhavam seus instintos, tentando resistir aos nós que ele tinha tecido para uni-los.

Eu te disse que não era um vampiro, e não sou. Se os homens de nossa espécie crescem fracos ante a escuridão que desce sobre eles depois de sua juventude e escolhem perder ou profanar suas almas, convertem-se neles. Então são inteiramente maus, matam suas presas pela momentânea onda de prazer e poder que proporciona, em vez de se alimentarem e deixá-los ilesos. Eu vivi como um deles, imitando seus costumes, mas nunca matei por sangue nem tomei o sangue de uma morte necessária. Seria impossível para você se converter em um vampiro por causa de meu sangue. Seu sangue entre todas as pessoas é completamente da luz.

Jaxon esfregou as têmporas doloridas. Havia algo mal nas coisas que ele estava dizendo.

– Por que não posso suportar a idéia da comida, Lucian?

– É capaz de tolerar a água e alguns sucos naturais de verduras e frutas. Deve começar com sopa de verdura e aumentar sua tolerância lentamente. Não tente comer produtos ou derivados com carne, não lhe sentarão bem.

– É assim que você vive? Sucos e sopas?

– Não pergunte o que não pode confrontar, meu amor. – Disse ele lentamente, seu negro olhar descansou sobre a pulsação frenetica da garganta dela.

Ela então soube. Não desmaiou, embora todo seu corpo ficou fraco, suas pernas pareciam de borracha. Não... Não desmaiaria.

– Lucian, por favor se afaste da porta.

O olhar hipnotizador dele se moveu sobre sua face como uma carícia.

– Está pensando em fugir de mim? – Sua voz era tão suave e sensual, que ela fez tudo o que pôde por não correr para ele em busca de consolo.

– Isso é exatamente o que penso fazer. Disse-me que não era uma prisioneira e decidi que quero sair. – Tentou soar desafiante. Notou que a enorme forma dele enchia a soleira e seu corpo estava tão imóvel como uma montanha, sua expressão era impassível. Se não tivesse essa voz.

– Aonde iria, Jaxon?

Ela elevou o queixo.

– Onde não haja nada de que tenha a ver contigo. – Houve um longo silencio enquanto ele esperava, sem se mover, os olhos negros estudando-a. Jaxon contou os próprios batimentos do coração. Suspirando ligeiramente, Jaxon capitulou. – Ao apartamento de Barry. Ele não está ali, lembra-se? O capitão o levou para um lugar seguro.

– Não acredito. Não seria seguro.

Havia um duplo sentido atrás das palavras maciamente pronunciadas. Jaxon estremeceu de frio apesar do calor das chamas que dançavam atrás de si.

– Disse que podia partir.

– Não disse fugir. Haverá sinceridade entre nós, pequena. É uma mulher forte. Não vou esconder as coisas.

– Supõe que tenho que lhe agradecer. – Ela passou uma mão trêmula pelo cabelo. – Não quero isso.

– Sim, você quer. – Replicou Lucian, amavelmente como sempre.

Onde seus olhos haviam sido negros e impossivelmente insondáveis, agora vislumbrava fome e crua possessividade. Sua mão moveu procurando a reconfortante culatra de sua arma. Como poderia resistir a esses olhos famintos?

– Por que faz isto? Já tenho suficientes problemas em minha vida sem que você espere que aceite vampiros e Deus sabe o que mais. Não posso, Lucian.

– Pode. – Disse ele, tranqüilamente. – Respire fundo e relaxe. Sente-se antes que te caia.

Seus olhos relampejaram para ele.

– Realmente acredita que estou tão se desesperada que venderia o pouco autorespeito que me resta, para estar com alguém? Sinto a diferença em meu corpo. A forma em que ouço, a forma em que sou capaz de controlar o volume. Posso ver na escuridão melhor que se fosse à luz do dia. Sinto você todo o tempo. Comigo, precisando de mim, me chamando. – Ela esfregou-se as têmporas novamente. – Como pode me falar sem ser em voz alta? Mais importante ainda, como posso falar com você da mesma forma?

– Meu sangue flui em suas veias, como o teu flui nas minhas. Compartilhamos o mesmo coração e alma. Nossas mentes procuram se unir, igual nossos corpos clamam um pelo outro.

– Meu corpo não clama pelo teu. – Negou ela, mais assustada que zangada.

– Pequena mentirosa.

Volte o assunto do sangue nas veias. Exatamente como conseguiu que seu sangue entrasse em minhas veias e o meu nas tuas? Fez-me uma transfusão ou...? – Sua voz desvaneceu, imagens de sonos escuros e eróticos se entremeteram. Ela levou a mão protetoramente à garganta. – Não bebeu meu sangue. Deus! Diga-me que não bebeu meu sangue. Não... Primeiro me diga que eu não bebi o teu. – Agora suas pernas ameaçavam falhar. Já olhava o chão, preparada para cair. Só a idéia de ser mais vulnerável do que já era evitou que caísse.

Ele se moveu veloz para ajudá-la, mas Jaxon estava tão alarmada que sacou a arma. Usou os dois braços para mirá-lo e assim tentar reafirmar o terrível tremor de suas mãos. Isto era um pesadelo, uma loucura. Não tinha imaginação para tramar tanto. A arma apontava diretamente para o coração dele.

– Por favor, se afaste da porta, Lucian. Não quero fazer mal a você. De verdade, não. Só quero sair daqui para poder voltar a respirar. – Estava suplicando, não tomando o controle da situação como era usual. Desejava tanto estar com ele. Demais. Era alto, sexy e estava terrivelmente sozinho, como ela. Ela entendia isso. Desejava fazer que tudo ficasse bem para ele, liberar dessa terrível fome. Mas ter um homem como Lucian olhando-a todo o tempo com calor e fome, com desejo e possessividade era um sono que nunca poderia aceitar. Lucian não era um homem de verdade. Era algo mais. Algo que não queria identificar.

– Jaxon, baixe a arma antes que díspare acidentalmente. – Não houve nenhuma inflexão em sua voz.

– Não seria um acidente, Lucian. Por favor, vou pedir isso uma vez mais. Simplesmente se coloque para o lado e me deixe partir.

– Minha gente considera um humano comendo carne com a mesma repugnância que sua gente considera que nos alimentemos de sangue.

Jaxon deu um passo, tentando silenciar suas palavras e a importância do que ele estava revelando. Rodeou-o pela direita, esperando que abandonasse sua posição. Lucian permaneceu imóvel.

imaginar o que está tentando me contar me põe doente. Não acredito que sejamos compatíveis. – Agora, ela estava ansiosa. Se ele não se saísse, ia ter que encontrar uma forma de passar por ele. Não ia disparar nele. A idéia de lhe fazer mal de algum modo era impossível de suportar.

Lucian se moveu rapidamente. Em um momento estava de pé na soleira e no seguinte estava com a arma em sua posse e seus braços rodeando-a.

acredita que é repulsiva, anjo, porque ainda não sabe nada.

Estar tão perto dele era perigoso. Seu corpo estava duro, quente e desejoso. Sentiu a resposta baixando diretamente a seus pés. Sua respiração a traiu, seu coração apressado, seu próprio corpo. Sentiu as lágrimas ardendo em seus olhos.

– Diga-me que está controlando minhas reações a você. – Sussurrou, levantando a face para poder examinar a máscara inexpressiva que era o rosto dele.

Logo, a dura fisionomia se suavizou e os braços de aço a prenderam contra ele, tão gentilmente como foi possível.

– Sabe que não completamente. Obtive sua conformidade à força nas ocasiões que te estava curando você e te atando a mim e quando precisava dormir. Você é a outra metade de minha alma. Não posso estar longe de você, Jaxon. Não invento isso. – Sua mão moveu sobre a face dela com grande ternura. – Crê mesmo, que eu desejaria te causar tal desassossego? Procure em minha mente e veja a verdade. Desejo só sua felicidade. Na verdade, céu. Gostosamente daria minha vida se soubesse que desejas tal coisa ou seria feliz sem mim, mas não é assim. – Seus lábios tocaram sua fronte, as pálpebras. – Não é assim, amorzinho. Não é assim.

– Não pode me pedir que aceite tal coisa.

– Não tenho escolha. É minha forma de vida, Jaxon. Sou um Cárpato. Não posso midar isso. Não gostaria de mudar. – Seus lábios encontrou os dela, gentilmente, apenas roçaram. Começou um profundo tremor no interior de Jaxon. – Sobrevivo com sangue, meu amor, mas não mato ninguem. Dediquei minha vida à preservação de nossas duas espécies.

– Mas, Lucian... – Ela tTentou protestar.

– Sou diferente, isso é tudo. É um pouco desconhecido para você.

Ela enterrou a face contra seu peito.

– Não dorme em um ataúde, não é? – ele pensou numa brincadeira mas o tom de voz saiu mais sério do que pretendia.

Lucian escolheu sua resposta cuidadosamente.

– Em todos os séculos de minha existência, com todos os vampiros que cacei e destruiu, realmente nunca encontrei nenhum que dormisse em um ataude. Se alguém fosse tentar uma idéia semelhante, imagino que o não–morto seria o primeiro.

– Essa é uma boa noticia. – Jaxon já estava se afastando dele, movendo-se cautelosamente, como se só em tocá-lo, pudesse infectar-se com alguma estranha enfermidade. – Não acredito que pudesse me acostumar ao assunto do ataúde. Pode desfazer o que fez? – Tentou manter a voz neutra. Estava muito cansada e só queria se deitar e não pensar mais em nada. – Não pode, verdade?

– Não gostaria, se pudesse. Não quero deixar você. – Suas mãos caíram para os lados. – É egoísta de minha parte, eu sei, mas não posso. Não é só por meu próprio bem, Jaxon, mas sim pelo nosso... E o de outros.

Ela levantou uma mão e lhe dedicou um débil sorriso.

– Deixe, Lucian. Não posso assimilar mais nada. Façamos algo normal. – Jaxon mordeu o lábio inferior. – Eu não sei o que faz as pessoas normais, certo?

As mãos dele lhe emolduraram a face, seus polegares roçaram a pele suave e acetinada com uma pequena carícia. Tinha que tocá-la. Não podia deter-se.

– Parece cansada, Jaxon. Deve descansar.

– Estava pensando em que saíssemos a passear aí fora. Eu gostaria de dar uma olhada lá fora.

–É obvio que quer. É normal.

Ela se encontrou sorrindo.

Possivelmente tem razão. Depois de tudo, nenhum de nós sabe o que fazer quando não está perseguindo um assassino.

O sorriso dele foi lento e sexy.

– Eu não disse que não tenha outras coisas mais interessantes em mente, que possamos fazer.

A respiração de Jaxon ficou entupida na garganta. Ele podia deslocá-la facilmente. Não era natural.

O sussurro em sua mente, compartilhava imagens eróticas e a fazia pensar em coisas que nunca pensaria, por conta. Jaxon sacudiu a cabeça.

– É mau, Lucian. O que vou fazer com você?

– Ficar comigo. Viver comigo. Aprender a me amar. Me aceitar como sou. – Sussurrou a voz aveludada e suas palavras tocaram sua alma.

Estendeu uma mão para tomar a dele, enredando seus pequenos dedos com os dele.

Acredito que deveria ser proscrito. Essa tua voz pode conseguir quase tudo. – Não tinha realmente forma de resistir a ele. Não quando ele dizia as palavras com essa voz e com uma sinceridade tão crua em seu olhar.

Ele deu a volta em sua mão, levando-a palma dela aos lábios. Seus olhos negros ardiam com possessividade.

– Isso te inclui?

Jaxon se encontrou sorrindo.

– Estou considerando. Passeie comigo.

– Deseja sair para fora?

Ela sacudiu a cabeça.

– Há uma razão pela qual não estas de todo seguro de que queira que eu saia. O que há? Sei que não é um ataúde. Acredito que tratamos ampliamente desse assunto e o esclarecemos.

– Nada de ataudes. – Respondeu ele.

O que é? – Exigiu ela. – Fale.

– Lobos. – Disse Lucia, sério.

Jaxon retirou sua mão.

– Devolva minha pistola. Lobos? Deveria saber. É obvio que você tem lobos. Não tem todo mundo? – Ela estalou os dedos. – A pistola, Lucian. Entregue-me. Decidi que dispararei em você, depois de tudo. É a única forma de preservar minha prudência.

A mão dele se fechou em volta de seu corpo em uma ameaça fingida.

– Não acredito que te devolva mais tua pistola. Dá-te idéias hostis.

Ela foi bem mais consciente dele enquanto se moviam para a parte trazeira da casa. Por que sua casa tinha que ser tão perfeita? Por que tinha que ser tudo o que sempre desejara? Por que ele a fazia sentir-se tão segura, quando deveria sentir-se ameaçada por um ser tão poderoso e perigoso como o que sabia que era Lucian? Simplesmente como podia aceitar suas diferenças com tanta calma? Bem, possivelmente não com calma, mas estava aceitando-as.

Lucian gostava da forma em que a mente dela trabalhava. Algumas vezes Jaxon se via superada pela enormidade da informação que ele estava proporcionando, mas não se permitia ceder ao pânico. Lutava para assimilar o que podia e depois dava a sua mente um pequeno descanso antes de processar o fluxo seguinte de informação. Utilizava o humor para superar as situações que a assustavam. Nenhuma só vez o condenou.

Jaxon não o conhecia. Não entendia o que era ele realmente. Não tinha um conceito real do que ele fizera para destruir outros durante séculos. Que seu mundo escuro e vazio era tão frio e sombrio, que ele faria tudo para evitar voltar ali. Era um predador, levava em seu interior uma terrível escuridão e ela era parte da luz para entender que cada morte levara uma parte de sua alma. Só Jaxon podia lhe recompor.

 

No momento em que Jaxon saiu para fora e inalou o ar fresco, o terrível peso que ameaçava esmagá-la, desapareceu. O ar era frio e crispado, a chuva dera uma trégua. As nuvens formavam redemoinhos no alto, escuras e ameaçadoras, bloqueando qualquer luz da lua, ainda assim era uma vista formosa. Adorava as tempestades e o som da chuva. Adorava as formações de nuvens e a fragrância do ar depois de uma chuva.

Era consciente do poderoso corpo de Lucian que movia perto do seu, enquanto emergiam da casa. Jaxon penteou o cabelo descuidadamente com a mão, despenteando-o ainda mais, enquanto examinava os acres de bosque que se estendiam após a mansão.

– Este é o pior pesadelo de um guarda-costas, Lucian. Drake adorará isto. Poderia estar aqui agora mesmo, sob essas árvores. Este é seu elemento.

– Você se preocupa muito por minha segurança, céu. – Seus dedos se enredaram no cabelo dela com o pretexto de domá-los– Saberia se um humano se aproximasse de minha propriedade. Está bem protegida, não por um sistema de segurança semelhante ao que utiliza os humanos, mas por salvaguardas ancestrais, poderosas e perigosas. Tyler Drake não pode atravessá-las. Enquanto esteja nesta propriedade, está perfeitamente a salvo dele.

– E o projétil de um franco-atirador? Não tem que estar na propriedade para disparar, Lucian. Tudo o que tem que fazer é subir no alto de uma colina em alguma parte e nos ter à vista.

– Não sou tão fácil de matar, anjo. Só finge não saber o que sou porque não quer pensar muito nisso. – Ele estava em sua mente. Ela estava evitando a idéia de seu intercâmbio de sangue, principalmente porque lhe trazia escuras e eróticas lembranças que não queria tocar. E definitivamente estava tendo problemas com a idéia de que tinha tomado seu sangue. Incomodava-a, muito mais do que queria admitir, embora estava dando voltas e mais voltas em sua cabeça.

Lucian baixou o olhar para ela. Jaxon tinha inclinado a cabeça para trás para o olhar. Seus grandes olhos escuros com emoções tão firmes que estavam derretendo seu interior. Como desejava saborear seus lábios. A necessidade era feroz e urgente e desta vez cedeu à demanda sem lutar. Simplesmente enredou os braços em volta de sua pequena cintura e a trouxe para ele, sua cabeça desceu para tomar posse dos lábios.

O tempo parou. Sob seus pés a terra estremeceu e ondulou. Um calor ardente fez erupção por todo seu corpo, a eletricidade arqueava entre eles. Ainda assim, seus lábios eram lentos e gentis, persuadindo sua resposta em vez de ordená-la. Suas mãos moveram para segurar a cabeça de Jaxon, sujeitando-a para poder explorar, perdendo-se no acetinado calor de seus lábios. Ela era tudo para ele. Um mundo secreto de luz, calor, cor, emoção e magia. Nunca desejaria estar em nenhuma outra parte. Desejava que este momento perfeito continuasse para sempre.

Lucian elevou a cabeça lentamente, quase temendo parar, temendo que o momento pudesse não ser real, tal era sua perfeição. Temendo que ela pudesse desvanecer e o deixar. Suas mãos se enredaram no cabelo dela.

– Eu pensava que restavam poucos segredos para descobrir neste mundo, anjo, mas o mistério de como posso ter chegado a merecer alguém como você, me levará toda uma eternidade para desentranhá-lo.

A ponta dos dedos de Jaxon tocaram os lábios perfeitos. A verdade era, que Jaxon tinha medo dele. Sabia que se ele a tocasse desta forma, se seus lábios encontrassem os dela, nunca poderia se livrar dele. Desejaria-o ardentemente para sempre. Seu sabor, seu poder, sua essência. Desejaria tudo dele. Tudo.

– Não devia ter permitido, Lucian – Sussurrou. – Agora, o que vamos fazer? – Ele havia dito que podia partir quando quisesse, que não era uma prisioneira, mas ela sabia que não era verdade. Estava ligada a ele de alguma forma, unida por algo tão poderoso que nunca imaginara. Ela levantou o olhar para ele com tremendo pesar. – O que vamos fazer?

Lucian a apertou-a contra ele para poder abraçá-la.

– Quando me olha com tanta tristeza, Jaxon, rompe-me o coração.

O vento proporcionava uma suave música e ele se movia em perfeito ritmo com ela, levando-a com ele de forma que eram um. Descansou a cabeça contra seu peito e pareceu fundir-se com ele, lassa e suave, quando deveria estar protestando.

– Nosso destino está selado, céu. – Disse Lucian, gentilmente– Não há Lucian sem o Jaxon e não há Jaxon sem o Lucian. Devemos encontrar a formar de fundir nossos dois mundos. Não temos escolha. Estava escrito desde antes que fôssemos enviados a esta terra. Temos sorte de ter sido capazes de nos encontrar, quando há tantos que foram incapazes de manter a esperança.

– Acredita nisso, Lucian? Realmente pensa que temos sorte? Arrastei você a um mundo doentio onde alguém me persegue e a tudo o que me importa. Você me trouxeste para um mundo de pesadelo onde existem criaturas saídas das histórias de terror. – Jaxon soava triste, sua voz amortecida pela branca camisa de seda dele. – Sequer sei se quero estar contigo. Não sei se me tem sob algum feitiço de magia negra ou não.

Seus corpos se moviam juntos, tão perto como podiam, somente com o fino tecido da roupa entre eles.

Ele se encontrou sorrindo. Provavelmente era uma das criaturas mais poderosas sobre a face da terra. Podia comandar os céus. Ela não media muito mais de metro e médio, embora não duvidava em opor-se a ele.

A verdade era, que Lucian estava acostumado a um temor e respeito absoluto. Inclusive entre os mais poderosos homens de sua raça, sempre havia sido tratado com deferência. Ninguém o desafiara em séculos. Ninguém além dos inimigos que acabara por destruir, o tinha desafiado. Em todos aqueles séculos ninguém desobedecera sua vontade. Lucian estava acostumado a fazer as coisas a sua maneira. Entre seus braços, Jaxon se sentia pequena e frágil. Foi repentinamente consciente de sua própria força, de seu poder, algo que sempre tinha dado. Inalou a fragrância dela, já estava no ar que respirava. O laço entre eles crescia em força a cada momento.

Um som, um suave lamento musical no vento. Os lobos sabiam que estavam fora e se aproximaram visitá-lo. Vendo que não estava sozinho, ficavam nos bosques, escuras sombras observando, esperando um sinal. Atacar ou ficar atrás? Lucian tocou suas mentes, enviando imagens deles. Jaxon era parte de seu clã, de sua alcatéia, sua fêmea, uma líder igual a ele. Estava sob seu amparo. Sob o amparo deles. Deviam primeiro cuidar dela, sempre dela.

– Eles estão aí fora, nos observando, não é? Onde os conseguiu? Tem que obter todo tipo de licenças especiais para ter um animal selvagem. Agora que penso, para você seria difícil obter as permissões quando vive tão perto da cidade. Como obteve?

Ele encolheu seus ombros largos, descuidadamente.

– Simplesmente disse ao cavalheiro que ele ia me dar as permissões. Ele me deu.

Jaxon suspirou e deixou de andar com ele.

– Preciso me afastar de você. Seriamente. Não posso acreditar que alguém tão perfeitamente lógico e terrestre como eu esteja caindo neste mundo de fantasia que criaste. Lucian, não pode sair sempre com as tuas jogando na cabeça das pessoas e hipnotizando-as, para que façam o que queira.

Os olhos negros brilharam com o que poderia ser diversão.

– Jaxon, faço isso desde o começo de minha existência.

– Isso o que significa?

– Séculos. Estive fazendo isso durante séculos.

Jaxon levantou uma mão.

– Deixa de dizer séculos. Não pode voltar a utilizar essa palavra. Algo nela me deixa louca. – Ela estava pressionando o estômago com uma mão. – Devolva minha arma antes que chame esses teus animais. – Podia ver os lobos, seus olhos brilhavam na escuridão. Sem sentir, moveu-se para trás, para a proteção dos ombros largos de Lucian, em busca de amparo. – Sentiria-me melhor, sabe?

– Os lobos são meus irmãos. Nunca me fariam mal ou ao que é meu. – Disse ele, tranqüilamente. – São criaturas nobres, Jaxon, com um estrito código. Entregariam suas vidas por nós. Não os temas.

Seu coração começava a martelar. Do mesmo modo notou que o coração dele igualava ao dela e depois ambos se ralentizaban até normalizar-se. Olhou-o fixamente.

O que é?

– Não um vampiro, amorzunho. Isso nunca. – Todos seus instintos pediam que a tomasse nos braços e reclamasse seu corpo, prendendo-a a ele, irrevogavelmente. A mente de Lucian era uma sombra na dela, sabia que ela seria incapaz de resistir a ele, mas não era isso o que ela queria. Ainda lutava por aceitar a existência dele e seu estranho vínculo. Com um suspiro rodeou seu corpo ligeiro com os braços e caiu sobre um joelho.

- Venham para mim, irmãos e irmãs. Venham e conheçam minha companheira.

Os lobos correram dos bosques, ansiosos em dar as boas vindas a sua alcatéia. Lucian a abraçou com firmeza, reconfortando-a tanto física como mentalmente. Na mente dela, sua voz era suave e reconfortante. Seu coração e pulmões dirigiam os dela para que pudesse manter a calma em meio da grande alcatéia. Os animais se empurravam contra suas pernas, esfregando-se contra suas coxas, procurando as mãos dela em suas peles. Quando ela mostrou vontade, a mão de Lucian guiou a dela, para que sua palma se visse imersa na espessa e escura pelagem do maior dos lobos.

Jaxon sorriu, a alegria entrava seu coração. Quase sentia como se pudesse ver o interior das mentes dos animais. Imagens do que pensavam e sentiam. Sua pelajem era incrivelmente suave e espessa. Era assombroso estar tão perto de um animal selvagem, tocá-lo e que ele a aceitasse. Voltou a cabeça para olhar Lucian.

– Isto é maravilhoso. Estiveste fazendo isto toda sua vida?

– Diria que durante séculos, mas sei o quanto que te desgosta essa palavra em particular. – ele brincou com ela.

Ela fez-lhe uma careta.

– Você é mau.

Lucian lhe revolveu o cabelo, tentando tratá-la como uma menina apesar da mulher que sabia que era. Ela estava cansada. Podia sentir que estava exausta. Seus ferimentos não estavam completamente curados. Precisava de alimento, embora sua mente fugia dessa necessidade em particular. Lucian enviou os lobos de volta aos bosques, pegou Jaxon nos braços e deslizou de volta para o interior da casa, embalando-a contra seu peito.

– Sou bastante capaz de caminhar. – Assinalou ela.

Assim é mais rápido. Suas pernas são curtas.

– Não são! – Ela estava seriamente ofendida. – Não posso acreditar que disse isso.

Ele riu e a deixou cair entre as almofadas do sofá de sua guarida, onde estava quente.

– Tenho que sair um momento esta noite. Você, é obvio, ficará dentro de casa e fora do perigo.

Ela olhou para cima com grandes olhos inocentes.

– Aonde acredita exatamente que estava planejando ir a esta hora da noite? Dançar? Posso esperar alguns dias.

– Prometa-me que tentará comer algo.

– Sim senhor. – Assentiu solenemente.

Lucian a avaliou com os olhos semicerrados.

– Por que será que não estou seguro de poder confiar em você?

–Não é seguro estar em volta das mulheres.

– Não notei que você caia rendida a meus pés, anjo.

– Graças a Deus por isso. – Jaxon aconchegou entre as almofadas e sorriu. – Note que nem perguntei onde vai. Simplesmente me alegro de me liberar de você, por um momento.

– Isso não é agradável.

– Tenha em mente quando estiver pensando em todo esse caso de companheira. Não sou uma pessoa agradável. – Disse ela com ar satisfeito.

Ele riu brandamente.

– Não tenho que reforçar meu pedido de que permaneça dentro de casa, com uma pequena ajuda, não é?

Os olhos escuros dela lançaram fogo.

– Não te atreveria!

– Me coloque a prova.

Jaxon fez tudo o que pôde por parecer comedida.

– Tenho jeito de correr de um lado para outro como uma idiota? Mas você precisa de guarda-costas. Leve a chofer. Não tenho nenhuma intenção de me preocupar com você.

Os dentes brancos dele relampejaram ante a flagrante mentira.

– Se precisar de mim, céu, só me busque em sua mente. Podemos falar um com o outro, todo o tempo.

Ela levantou a mão.

. É a única coisa segura que pode fazer. E deixe minha arma. Não quero estar aqui só e desarmada.

– Tem um arsenal completo escada acima, em seu quarto. Nunca tinha visto tantas armas. Perguntei-me, com que tipo de mulher estava me prendendo. Não vá disparar em mim, quando eu voltar a casa esta noite. Nada de desafortunados acidentes, espero. – Ele brincou enquanto deixava a arma na mesa a seu lado. Inclinou-se para roçar as têmporas dela com seus lábios antes de afastar-se dela, sorrindo brandamente.

Lucian se assegurou de haver se internado na escuridão antes que sua alta forma reluzisse até a transparência e lentamente se dissolveu em milhões de diminutas gotas. Se internou na névoa que se elevava do chão e moveu-se veloz, viajando com velocidade sobrenatural, movendo-se diretamente para a cidade.

Os três homens enviados para matar ao Jaxon, trabalhavam todos para a mesma pessoa. Samuel T. Barnes. O homem era banqueiro rico e muito sociável. Era visto em todas as festas proeminentes, apoiava o prefeito, o congresso, e o senado. Não parecia ter nenhuma conexão com a droga, embora tivesse ordenado três assassinos acabar com Jaxon. Ela tivera êxito em diminuir o tráfico de drogas em sua cidade. Sua equipe colocara uma chave estranguladora nas rotas de entrada. Haviam encontrado e requisitado embarque após embarque.

Lucian encontrou os domínios de Barnes num bairro exclusivo. A rajada de névoa rodeou a casa, pondo a prova as defesas. Cada janela estava selada, cada porta trancada. Lucian voltou para a porta dianteira, brilhando uma vez mais até tornar carne sólida e sangue. Permaneceu em pé alto e ereto, um débil sorriso tocando seus lábios, embora seus olhos eram completamente inexpressivos. Escutou durante um momento, anotando a posição de toda a pessoas do interior da casa e o que estavam fazendo. Sua batida foi aguda e autoritária e provocou uma resposta instantânea. Um jovem, cuja protuberância insuficientemente dissimulada de sua jaqueta indicava que estava armado, abriu a porta. Lucian o cumprimentou, cortesmente.

– Sou Lucian Daratrazanoff, devo ver o Senhor Barnes. Não tenho entrevista marcada, mas estava na região e pensei aproveitar a oportunidade.

O homem piscou várias vezes, surpreso. Obviamente reconhecia o nome.

– Por favor, entre, senhor. Direi-lhe que está aqui.

Lucian não se moveu.

– Não queria o incomodar. É bastante tarde. Esperarei aqui fora.

– Ao Senhor Barnes não gostaria disso, senhor. – Insistiu o homem. – Ouvi-lhe falar do senhor com freqüência. Por favor, entre.

– Está seguro de que tem autoridade para me convidar a entrar nesta casa? – A voz de Lucian era suave, seu sotaque muito mais evidente.

O homem assentiu.

– Sim, senhor. Por favor, entre. O Senhor Barnes me despediria se o deixasse esperando na porta.

Lucian permitiu graciosamente que o homem que falava, o conduzisse até o vestíbulo. Esperou tranqüilamente enquanto o homem se apressava a trazer Sanuel Barnes. Podia ouvir claramente o sussurro de conversa no andar superior.

– Está seguro de que é Lucian Daratrazanoff? Meu Deus, onde está minha jaqueta? Rápido, Bruce, sirva bebidas e as leve a biblioteca. Não, espere! Escolte Daratrazanoff ao salão principal. Eu mesmo servirei as bebidas.

Lucian permaneceu imóvel, esperando enquanto Bruce se apressava a voltar até ele.

– O Senhor Barnes quer que o conduza acima. – Anunciou, assinalando para as escadas.

Lucian subiu as escadas sem duvidar. Não havia utilizado sua voz para persuadir ou enfeitiçar. Não precisara. Seu nome, o de um elusivo estrangeiro bilionário, era suficiente. Para um homem como Barnes, teria o status de uma celebridade. Moveu-se silenciosamente, permanentemente consciente da localização de todos os que estavam na casa. Havia quatro homens, incluindo Barnes. Bruce estava atrás dele e outros dois jogavam cartas na parte traseira da casa.

Samuel Barnes se encontrou com ele , com a mão direita estendida. Era um homem magro com um rápido e bem praticado sorriso.

– Lucian Daratrazanoff, é uma surpresa. Que posso fazer por você?

Os olhos negros de Lucian eram duros e inflexíveis.

Acredito que temos alguns negócios privados a discutir.

Barnes assinalou para a porta e a Bruce com um assentimento. O homem imediatamente saiu, fechando as pesadas portas de carvalho atrás dele. Barnes cruzou o aposento, até seu bar de couro.

O que lhe sirvo? – serve-se para si mesmo um uísque com água.

– Para mim nada, obrigado. – Replicou Lucian, brandamente. Esperou até que Barnes estivesse sentado comodamente em frente a ele, antes de inclinar-se para o homem e fixar seus olhos negros no olhar do outro homem.

Temos um pequeno problema, Senhor Barnes. – Disse Lucian muito amavelmente. – Sei que estará disposto a me ajudar.

– É obvio, Senhor Daratrazanoff.

– Eu gostaria que me dissesse francamente por que deseja à Senhorita Jaxon Montgomery e seu companheiro, Barry Radcliff, mortos. – A voz de Lucian se enredou em volta do outro homem, hipnótica. Os olhos estavam escuros e vazios.

– Meu sócios e eu levamos a cabo vários intençãos de suborná-la ou algum dos membros de sua unidade, mas todos lhe são muito leais. Parece saber de cada embarque antes que chegue. Ela estrangulou nosso fluxo de efetivo. Disse a meus sócios que não podiam carregar um par de policiais, mas me disseram que ou fazíamos ou eles encontrariam um sócio mais cooperativo. Não tive escolha.

Lucian assentiu seriamente, como se simplesmente estivessem discutindo do tempo.

– E quem é esses senhores que insistem em vê-la morta? Porque, já sabe, você não quer que aconteça tal coisa.

– Dennis Putnam e Roger Altman. Têm boas conexões na Colômbia e no México.

– E onde encontrarei a esses dois homens?

– É difícil. Estão rodeados de guarda-costas todo o tempo. Acredito que têm um de seus homens infiltrado aqui, mas não posso imaginar quem é. Sempre sabem o que estou fazendo. Têm uma base de operações em Miami.

Escreva o endereço para mim.

Barnes acessou imediatamente. Lucian ficou em pé com sua casual e fluída graça.

– Os homens que há nesta casa... Quantos deles são conscientes do fato de que seus sócios querem à Senhorita Montgomery morta?

– Todos eles.

– Obrigado. Aprecio sua ajuda. Quero que espere até que eu abandone esta casda e depois súbitamente deixe de ser capaz de respirar. Entendeu?

– Sim, Senhor Daratrazanoff.

Barnes caminhou com ele até a porta e estendeu a mão.

– Foi um prazer fazer negócios com você.

Lucian tomou a mão que ele ofereceu e olhou diretamente os olhos do Barnes, assegurando-se de que suas instruções fossem levadas a cabo velozmente.

– Eu não posso dizer o mesmo, mas, você um estelionatário e um assassino, não é?

Barnes franziu o cenho e se esfregou as têmporas.

Os dentes de Lucian relampejaram.

– Adeus, Senhor Barnes.

Bruce estava esperando do outro lado da porta.

– Por favor me siga, Senhor Daratrazanoff. Mostrarei-lhe a saída. Confio em que tudo esteja bem.

Lucian colocou amigablemente uma mão sobre o ombro do homem.

– Por favor me mostre a sala de jogos. Isso me faria muito feliz.

Bruce piscou rapidamente, várias vezes.

– É obvio, senhor. Por aqui.

Enquanto desciam pelas largas escadas, ouviram um débil ruído procedente do salão acima. Um estrangulamento, um gemido e depois um ruído surdo, como se alguém tivesse caído no chão. Bruce se voltou rapidamente. Lucian simplesmente sorriu.

– Não vá em sua ajuda, porque eu não desejo. Me leve a sala de jogos.

Bruce assentiu e o conduziu para baixo. Lucian ondeou uma mão, e as portas se abriram de par em par. Os dois homens levantaram o olhar de seu jogo, ambos levaram a mão às armas. Relaxaram-se visivelmente quando viram Bruce.

Lucian caminhou diretamente para o primeiro homem.

– Quero que se meta em seu carro e conduza muito cuidadosamente, obedecendo todas as normas de tráfico, até que chegue à entrada da estrada do escarpado. Pegará essa estrada e conduzirá diretamente para fora dela. Entendeu-me?

– Sim, senhor.

– Faça-o imediatamente.

Sem replicar, o homem recolheu sua jaqueta e as chaves do carro e abandonou a casa.

Lucian se voltou por volta do segundo homem.

– Você matou muitas vezes.

– Sim, senhor.

– Sente-se mal por isso, certo? É algo muito difícil de conviver, tomar a vida de inocentes. Eu não tenho feito em todos os longos séculos de minha existência. Aqueles que foram condenados a morte foram sempre assassinos como você mesmo. É você mau. Sabe que é e já não deseja continuar sua penosa existência. Vá para casa e termine com o sofrimento que traz para outros. Entendeu?

– Sim, senhor. – O segundo homem recolheu sua jaqueta e abandonou a casa sem olhar atrás.

Lucian estudou Bruce.

– Você não matou.

– Não, senhor.

– Por que trabalha para um homem como Barnes?

– Quando tinha quinze anos me vi envolto no roubo de um carro. Estive na prisão e uma vez fora, ninguém mais que o Senhor Barnes me deu trabalho.

– Não gosta de Barnes ou das coisas que faz.

Bruce não podia afastar o olhar dos olhos hipnotizadores. Em qualquer caso, o som dessa voz exigia a verdade.

– Repugna-me. Ele mataria a própria mãe por dinheiro. Tenho uma esposa para manter. Esperamos gêmeos para qualquer dia destes. Tenho que conseguir dinheiro para viver e ninguém vai contratar um criminoso.

– Irá para casa e ficará lá alguns dias pensando em seu futuro. Livrará-se dessa arma, dirá a sua esposa que tem um trabalho legítimo e chamará este número. Ali um homem o entrevistará e lhe dará um trabalho honrado. Entendeu-me? Não lembrará nada a respeito de minha presença nesta casa, e não lembrará nunca que a Senhorita Montgomery e seu companheiro estiveram em sua lista de objetivos.

Bruce tomou a pequena parte de papel, dobrou-a cuidadosamente e a colocou no bolso da jaqueta. Quando levantou o olhar, estava sozinho na sala de jogos e não podia recordar por que estava ali. Seu trabalho o colocava doente, Barnes lhe punha doente. Mary daria a luz um dia destes. Ela odiava que ele trabalhasse com o Barnes e suplicava todo o tempo que o deixasse. Possivelmente agora era o momento. Deveria simplesmente deixá-lo e pensar nas coisas enquanto esperavam que nascessem seus filhos. Lá fora devia haver algo melhor para ele. Algo legítimo. Bruce subiu as escadas para dizer a Barnes que iria embora. Encontrou-o no chão, com o rosto cinzas e azul. Imediatamente chamou a emergência e tentou praticar o que sabia de primeiros socorros, a fim de salvar o patrçao. Todo o momento que esteve se esforçando, sabia que era muito tarde para Barnes, e não conseguia encontrar pena em seu coração.

 

Jaxon esperou até que esteve segura de que Lucian tinha abandonado a casa e estava fora de sua propriedade. Procurou um telefone e chamou Dom Jacobson, seu amigo da infância.

– Dom, quero que faça algo por mim. Drake me chamou.

– Meu deus, Jaxx. O que esperava? Em todas partes está a notícia de que se comprometeu com um milionário. Isso seria um tapa na cara dele. No que está pensando? Se foi se comprometer em matrimônio, poderia ter ficado aqui e se casado comigo.

– Teria divorciado de mim em menos de uma semana. – Riu Jaxon. – Todavia posso te chutar o traseiro e seu ego de macho passaria um mau momento.

– E o milionário, pode lhe chutar seu trazeiro?

– Oxalá. De todas formas, preciso de informação. Ponha uma orelha no chão, pergunta a alguem por aí tente saber de alguma pista de que Drake tenha estado em alguma parte. Já sabe como é... Ele adora essas colinas. Possivelmente tenhamos sorte.

– Tome cuidado, Jaxx. Drake está louco. Provavelmente se volte contra você.

– Sempre tomo cuidado. Infelizmente não acredito que Lucian compreenda a extensão do treinamento de Drake. Não leva a sério quando digo o quanto é perigoso atrair deliberadamente Drake.

–Estou vendo que encontrou um homem cheio de adrenalina, pior que você.

Jaxon lhe deu seu número.

– Me chame se encontrar uma pista que acredita ser certa.

– Dê por feito, Jaxx. Mas me prometa que não fará nada perigoso.

– Cuidado é meu segundo nome, Dom. – Disse ela brandamente e pendurou o telefone.

No dormitório de acima encontrou suas coisas. Jaxon se vestiu cuidadosamente, colocando roupas e uma boina escura que cobriu seu cabelo loiro.

Agradecia a Lucian por ter trazido suas armas, incluindo seu rifle de longo alcance. Acrescentou um par de facas, sua pistola com carregadores adicionais e uma corda. Lucian não acreditava que Drake fosse uma ameaça real para ele, mas ela tinha intenção de explorar toda a vizinhança que rodeava sua propriedade até encontrar cada ponto onde um franco-atirador pudesse postar-se na espera.

Jaxon foi súbitamente consciente do quanto estava fatigada. Seus ferimentos em sua maior parte estavam curadoas, mas não estava tão bem como gostaria. O rifle parecia muito mais pesado do que recordava. Ficou em pé na porta dianteira, olhando fixamente o intrincado padrão da janela de cristal colorido. Não só era formoso, mas havia algo mais, algo que não podia tocar com os dedos. O padrão parecia chamar, consolar, atraí-la. Podia ficar ali para sempre, com os olhos nele.

Sacudindo a cabeça para esclarecer a mente, Jaxon abriu a porta e saiu na noite. Chovia novamente. Não era uma chuva forte, mas uma névoa espessa e a neblina estava se elevando como vapor, do chão. Os lobos estavam confinados nos bosques da parte traseira da casa, o pátio e a parte dianteira estavam livres dos animais selvagens. Antes, havia se sentido a salvo com o Lucian abraçando-a, comandando os lobos, mas sozinha, temia ter que destruir a tão formosas criaturas.

Jaxon continuou descendo pela entrada dianteira. Notou que estava tendo dificuldades para caminhar. O ar estava pesado e opressivo. Cada passo que dava parecia introduzi-la em areias movediças. Estava respirando com dificuldade, o peso em seu peito produzia a ilusão de que não podia respirar. Ilusão. Isto era alguma espécie de ilusão. Ou possivelmente era parte de algum sistema de segurança que Lucian havia preparado para que funcionasse com o sistema nervoso dos humanos. Fosse o que fosse, Jaxon não tinha intenção de permitir que a derrotasse. Tinha que fiscalizar a região para sua própria paz mental.

Lidou com seu desassossego como teria feito com qualquer outro desconforto que pudesse experimentar em meio a uma missão.

Empurrou-o fora de sua cabeça e avançou, um passo cada vez. Não havia dúvidas de que podia, não podia haver outro resultado. Jaxon tinha sido treinada para superar obstáculos. O suor assaltou sua fronte, mas não importava. Abriu passo para as grades e as empurrou para abrir.

Uma vez que saiu a rua pôde respirar mais facilmente e o peso de seu peito se aliviou. O pesadelo de um guarda-costas. Assim chamava à casa de Lucian e era verdade. Nesta vizinhança exclusiva cada fazenda tinha vários acres e havia poucas casas volta. A maior parte da área circundante estava coberta de árvores e espessos arbustos. Tyler Drake adoraria. E o terreno alto que havia a uma milha ou quase da casa, a preocupava. Era um lugar perfeito para observar a casa de Lucian e os terrenos em volta.

Jaxon suspirou e se moveu veloz para a estrada, mantendo-se entre as sombras das árvores. Um branco móvel era mais fácil de localizar que um estático, assim Drake teria todas as vantagens de sua parte se já tinha começado a explorar a região. Não queria pensar em Lucian e o que ele tinha revelado. Vampiros. Não existia tal coisa. Simplesmente não podia ser. Possivelmente tinha presenciado algum estranho truque. Mas fora ela quem disparara. E nunca falhava. Nunca. Vira como a bala entrava no centro da fronte da criatura, mas sequer tinha freado o avanço da mesma.

Jaxon avançou pouco a pouco e com dificuldade, enquanto se aproximava de terreno elevado. Não queria ficar contra aluz. Se ela estava caçando esta noite, Drake poderia estar também. Começou um meticuloso estudo do terreno, procurando sinais de que Drake tivesse passado por ali. Reconheceria seu trabalho. O ar frio atravessava sua roupa. Jaxon se encontrou tremendo apesar de que seus movimentos deveriam havê-la esquentado. Ainda assim, sua visão noturna tinha melhorado tanto, que era uma maravilhosa vantagem. Tentou concentrar-se no que estava pensando e bloquear o frio entumecedor.

Estava esquadrinhando o chão e seus olhos procuravam incansavelmente, em busca de algo diferente. Só uma coisa. Isso era tudo o que precisaria para saber se Drake estava na região. Nos primeiros anos, Jaxon tinha tentado esconder-se dele, até que compreendeu que era impossível. Agora, permanecia a descoberto, onde ele pudesse procurá-la, se desejava. Mas ele nunca tentava fazer mal a ela, somente aos que a rodeavam. Só aos que ele percebia como uma ameaça para. Lucian se colocara no ponto de sua mira. Era de conhecimento público onde vivia, com a imprensa seguindo a história de seu compromisso.

Sentou-se na relva úmida, no topo da colina. Ali, utilizou o rifle de longo alcance e examinou a propriedade. Deste ângulo, não havia um disparo limpo. A espessa folhagem e as árvores protegiam todo a lateral da casa. Mesmo os balcões estavam completamente ocultos. Estudou os arredores cuidadosamente, procurando o próximo ponto alto em que Drake pudesse acudir.

Estava a meia ascensão da costa quando começou a sentir o peculiar pressentimento que sempre a atacava, quando sabia que se aproximava problemas. Era um dom. Uma maldição. Fosse o que fosse, Jaxon sabia que Drake tinha estado ali, antes que ela. Diminuiu o passo e se cuidou em ficar completamente em silêncio. Sequer suas roupas podiam sussurrar sua presença. Tomou especial cuidado em estudar as rochas enquanto escalava. Encontrou marcas de arrasto de pés, ainda fracos, mas estavam ali. Mais acima, perto do topo, havia uma indiscutível marca de uma corda. Tinha visto essa marca antes. Tinha passado sua infância treinando com Drake. Sabia como ele se movia, a forma em que escalava uma corda e a forma em que a atava. O nódulo de seu polegar sempre roçava o pó quando a atava.

Seu coração estava martelando. Facilmente poderia estar no topo, o que faria sua posição extremamente vulnerável. Pensou antes de tirar uma faca da bota e sujeitá-lo entre os dentes antes de fazer o último esforço e encarapitar-se no topo da colina. Deitou-se tranqüilamente, esperando recuperar o fôlego, ouvindo os sons da noite. Podia ouvir insetos cantando, o que sugeria que estava sozinha ali acima. Não se moveu, não se enganava. Drake nunca incomodariam os insetos para silenciá-los. Era um profissional e sabia exatamente o que ela estava fazendo. Nunca delataria sua posição com movimentos descuidados.

Quando de Jaxon se moveu, fez-o centímetro a centímetro, sobre o estômago, mantendo-se rente ao chão, utilizando os cotovelos para impulsionar-se para frente. Cobriu o campo aberto e encontrou um relativo amparo em alguns arbustos espessos. Cuidadosamente deslizou o rifle do ombro. Sentiu-o sólido e seguro em sua mão, mas era para um disparo a longa distância, não para o combate mão à mão. Esta poderia ser sua oportunidade de liberar o mundo de Tyler Drake. Se ele estava ali encima, estava decidida a ser a única a voltar de lá. E Drake nunca se submeteria ao arresto.

Percorreu cada polegada dos escarpados. Tyler tinha passado tempo ali, ela sabia. Podia sentir seu cheiro em todas as partes. Cheiro que trazia de volta tantos pesadelos. As pistas estavam frescas para saber que Tyler devia ter explorado a propriedade enquanto Lucian estava no hospital com ela. Ele não disparara e não tinha sentido perigo, assim devia ter partido antes que eles chegassem. Quando esteve satisfeita e segura de que Drake não estava mais no escarpado, permitiu-se descansar um momento. Com tantas lembranças indesejadas acossando-a, seu estomago era um nó apertado. Sé em pensar de estar perto de Drake, ficava doente. Respirando fundo para acalmar seus nervos, Jaxon cruzou a rocha a beira do precipício para poder espiar uma vez mais a casa. Aqui tinha uma vista melhor.

Pegando o rifle, fez pontaria. A densa folhagem obscurecia a maior parte frontal da casa, mas os pisos superiores se elevavam sobre as árvores.

Podia ver parcialmente através de duas janelas apesar dos cristais coloridos. Não estava familiarizada com a distribuição da casa para saber que quartos ou outros aposentos estava vendo, mas nenhuma parecia ser seu quarto. Drake poderia se conformar fazendo sua pontaria ali se Lucian entrasse em qualquer dos dois aposentos. Rodando, tirou um pequeno bloco de notas e anotou meticulosamente cada cálculo.

Demorou para descer do escarpado e rodear o extremo mais afastado da casa. O bosque era espesso e os arbustos cresciam por toda parte. Seu rifle estava se tornando mais pesado e Jaxon compreendeu que estava muito mais fraca do que havia imaginado. Os ferimentos quase curados estavam palpitando. Seu fôlego chegava em gemidos. Quando era menina, treinando-se na base, tinha sido preparada para superar obstáculos, incluindo a dor e o desconforto de qualquer tipo. Rapidamente, avaliou os danos de seu corpo e desprezou-os. Proteger Lucian era mais importante. Ele se negava a acreditar nela, quando dizia que Drake era um perigo para ele, um perito, um camaleão quando precisava ser.

O imóvel era imenso. Lucian estava com a razão, Mesmo do terreno elevado, Drake não achararia um disparo decente. Mas havia outras formas. Começou a caminhar ao lado do enorme muro de pedra que rodeava os terrenos. Era muito alto e denso. No outro lado, os lobos passeavam. Não podia vê-los, mas os sentia. Era estranho, mas em sua mente pensou que podia ouvi-los chamá-la. Drake tinha tomado este caminho. Pôs uma mão na parede. Ele teria coragem de envenenar os lobos? Isso não seria muito problema para ele. Era essa a segurança com que Lucian contava tanto? Os lobos não atrasariam Drake.

 

Jaxon inclinou a cabeça para avaliar exatamente o que lhe requereria escalar o muro. Não muito. Suspirou. Seria capaz de ver a casa do alto do muro? Estudava a melhor forma de subir, procurando apoios para os dedos e pés, quando um vento frio formou redemoinhos folhas e ramos em volta de suas pernas. No meio do selvagem torvelinho, Lucian surgiu elevando-se atrás dela, seu enorme forma tão perto, que Jaxon ficou presa contra seu corpo e o alto muro.

Ela deu meia volta com um grito de alarme, tentando levantar a faca. Os dedos de Lucian se fecharam em volta de sua frágil mão, imobilizando-a facilmente. Inclinou-se para ela, pressionando sua pequena forma contra a parede. Seus lábios lhe tocou o ouvido.

– Não está esperando por mim em casa.

O coração de Jaxon pulsava desenfreado. Não estava segura de que era pela proximidade de seu corpo ou por sua súbita aparição.

– Tecnicamente, pensei que podia sair sempre que estivesse na propriedade. Mais ou menos. Fui comprovar as coisas. – Ela tentou enfrentá-lo, sentindo-se vulnerável, presa entre a parede e seu corpo musculoso. Ele tirou a faca de sua mão, mas ainda a imobilizava como um grilhão, com os dedos apertados em volta de sua mão.

– Definitivamente não está na propriedade, como te deixei, céu. – Sussurrou Lucian em seu ouvido. Sua respiração soproua as mechas do cabelo em seu pescoço, avivando uma indesejada excitação em seu corpo. Tirou a boina da cabeça para revelar o sedoso cabelo loiro que apontava abruptamente em todas direções.

Já não tinha frio. Ele conseguira esquentá-la com poucas palavras.

– As coisas não foram bem com sua pequena... Lista de recados? – Perguntou ela brandamente.

Ele deslizou a mão em volta da garganta de Jaxon, para sentir a pulsação na palma da mão. O polegar traçou uma carícia ao longo da delicada linha de seu queixo.

– Ele esteve aqui antes que você, anjo. – Se colocou em perigo, sem necessidade. – Lucian falou com voz amável, mas ela reconheceu uma nota de reprimenda. Mais que isso. Uma advertência.

– Não sem necessidade. Provavelmente está nos vigiando agora mesmo. – Dando-se conta de que poderia ser assim, ela tentou cobrir de algum modo, o corpo de Lucian com o próprio.

Lucian podia ver facilmente suas intenções sem ver sua mente. Ela estava tentando lhe proteger de Drake.

– Fique quieta, Jaxon. – Ele ofegou, sua voz um bálsamo consolador, enchendo sua mente de suavidade. Abraçou-a com seu enorme força. Abrigando-a. Saboreando-a. – Ele não está perto esta vez. comprovei a região. Se estivesse perto, não teria sido tão amável contigo. Não há necessidade de que me proteja. Tyler Drake não pode me fazer mal.

A mão sobre sua garganta era cálida, mas possessiva, seu polegar introduzia calor fundido em suas veias.

– Não sei o que quer dizer com "comprovado a região" mas eu a explorei. Encontrei evidências dele em dois lugars. Podemos nos proteger com suficiente facilidade, mas é quase impossível.

Lucian inclinou a cabeça para a dela.

– Não me ouve. – Ele parecia não prestar muita atenção à conversa, distraído por outras coisas. – Fique aquieta, Jaxon. – Murmurou.

Ela ficou perfeitamente imóvel. Jaxon não sabia como, mas sentia um calor onde seus ferimentos estavam palpitando. Os dedos dele se estenderam sobre seu abdômen. Não fez nada mais, simplesmente posou sua palma sobre ela, mas ela a sentiu dentro. Em seguida a dor desapareceu. Lucian deu a volta em seu corpo, entre os braços.

– Não volte a fazer isto. Está cansada e fria. – Ele estava emoldurando sua face entre as mãos.

Jaxon viu como seus olhos se tornavam de um negro gelado até arder possessivamente enquanto baixava a cabeça para ela. Hipnotizada, ficou esperando o toque de seus lábios. Sentiu seu hálito, o calor e a chamada. Sentiu-o tocando sua mente, gentil e quente. Seus lábios movendo-se sobre os dela, rogando, saboreando. O mundo desapareceu. Houve calor, fogo fundido. Fechou os olhos, entregando-se ao puro sentimento. Sensação. Fogos escuros.

Ele a embalou, levantando o corpo ligeiro entre seus braços fortes e duros, e sussurrou. Ela não ouviu, não podia ouvir. Seus lábios eram perfeitos. Ele afugentava cada pensamento cordato, cada responsabilidade e a substituía com apaixonada magia. A terra firme estremeceu e se levantou o vento. Sentiu-o em seu cabelo, sobre sua face. A sensação de uma montanha russa. Mas os lábios dele era tudo o que realmente importava. Quando Lucian elevou a cabeça, Jaxon se sentiu deslumbrada e teve que piscar várias vezes para enfocar os arredores. Em seguida, ofegou e o empurrou longe. Ele a colocou sobre suas pernas que pareciam de borracha, mas a pura comoção a manteve em pé. Estavam na casa, na porta da cozinha. Seus dentes morderam com força o lábio inferior, produzindo uma diminuta gota de sangue. Podia saboreá-la.

– Como chegamos aqui? – Mantinha uma mão elevada para detê-lo.

Lucian ignorou sua mão para poder inclinar-se e uma vez mais encontrar seus lábios, sua língua percorreu os lábios dela, acariciando, curando, saboreando-a. Jaxon empurrou seu peito, não desejando ficar presa em sua magia negra.

– Me responda. Como chegamos aqui?

Lucian pareceu divertido.

– Não é tão difícil mover-se através...

– Pare! – Jaxon colocou as mãos sobre os ouvidos. – Não diga nada até que pense nisto. Cada vez que diz algo, deixa-me mais louca.

Os olhos negros riam desavergonhadamente. Estendeu uma mão preguiçosa para lhe tirar o rifle do ombro. Ela estava incrivelmente atraente a seus olhos, ali em pé com seus enormes olhos cor chocolate e seu cabelo indomável. Mas sua mente lutava para encontrar respostas e ela tinha predileção pela violência. O rifle tinha que desaparecer.

Soou o lamento de um lobo, uma nota festiva na noite.

– Olhe! – Ondeou uma mão para o bosque. – Seus amiguinhos estão te chamando. Corra e brinque com eles um momento. Está estressando-me neste momento. Agradeceria uma pausa.

Lucian estendeu um braço para ela.

– Correr com os lobos é realmente um grande prazer, anjo. – Seu braço ondeou com pelagem. Uma pelagem negra e lustrosa. Sua mão mudou de forma.

Jaxon se ouviu gritar. Não podia acreditar que esse som estrangulado viesse de sua própria garganta. Deu a volta, abrindo de um puxão a porta da cozinha, deslizando-se para dentro e fechando-a. Assegurou cada pequeno ferrolho da porta antes de deslizar para o chão. Dobrou os joelhos e se balançou em busca de conforto.

Isto não estava acontecendo. Não podia estar acontecendo. Gritou em sua mente. O que era ele? Que devia fazer ela? Se chamasse à polícia, ninguém acreditaria. E a alternativa seria que acreditassem e o governo levasse Lucian a um laboratório e o dissecasse. Jaxon enterrou a face entre suas mãos. Que ia fazer? Possivelmente era outro truque. Outra ilusão. Só porque ele tinha chamado essa horrenda criatura vampiro isso não significasse que fosse verdade. Era uma ilusão. Tinha sido. Ele era um mago magistral. Assim era como tinha feito todo seu dinheiro, não? Não eram todos os magos, bilionários? Algo a fez elevar a cabeça. Cuidadosamente, manteve as mãos sobre sua face e espionou entre os dedos. Através da porta aberta que conduzia ao vestíbulo, viu o que parecia um banco de névoa baixa. Pareceu pender ali durante um silencioso momento. Ela mordeu os dedos. Névoa. Na casa. É obvio que haveria névoa na casa de Lucian. Não havia névoa nas casa de todo o mundo?

Então a alta e elegante figura de Lucian encheu a soleira, bloqueando sua visão do vestíbulo. Seu negro olhar se moveu lentamente sobre a face dela. Viu a aguda possessividade em seus olhos. Reconheceu-a, quando tudo o que queria era fugir. Mas não conseguia ficar em pé mais do que poderia voar.

– Vá, Lucian.

– Assustei-te, céu. Sinto muito. Só estava brincando.

Suas largas pálpebras revoaram durante um momento antes que encontrasse a coragem para levantar o olhar para ele. Por que ele tinha que ter semelhante presença? Exsudava poder.

– Todo mundo que conheço pode se converter em lobo. Era isso o que estava fazendo, não? Se convertendo num lobo? – Seus dentes mordiam com força os dedos.

Ele cruzou a habitação com seu andar silencioso e fácil. Seu coração retumbou dolorosamente. Tentou fazer-se mais pequena. Lucian simplesmente se sentou no chão a seu lado, com as costas contra a porta, seu corpo perto do ela. Pegou seus dedos, cada movimento lento e deliberado para que não a assustasse ainda mais.

– Estava alardeando. – Sua mão tocou o cabelo dela. – Nada mais, nada sinistro.

Jaxon fez uma careta.

– Pois bem, não faça de novo. Simplesmente a pessoas não fazem essas coisas, Lucian. Não podem, de acordo? Na realidade você não é capaz de fazê-las, mas deixa pensar que pode. Não é possível.

A mão dele encontrou outra vez o cabelo sedoso, seus dedos esfregaram gentilmente as mechas unindo-os antes que sua palma se curvasse em volta da nuca dela, então começou uma massagem lenta e calmante para aliviar sua tensão.

– Angel, falamos sobre isto. Quando falou com Barry sobre o lobo. Sabia que era eu.

Ela negou com a cabeça inflexivelmente.

– Não acreditava que dissesse, literalmente. Pensei que tinha um lobo ou um cão com você. Você pode fazer que as pessoas acreditem em ilusões ópticas. Pensei que poderia ter feito com que Barry visse uma ilusão, não que você fosse um lobo. Isso nunca me ocorreu. Não pode se converter em um lobo. Ninguém pode fazer isso.

– Sou Cárpato, não humano, embora persista em pensar que eu sou. Tenho muitas habilidades, e posso te falar delas. – Sua voz foi deliberadamente suave e tranqüilizadora.

– Bem, simplesmente está louco, isso é tudo. Pessoas como você não existe neste mundo, Lucian. – Jaxon esfregou a testa. – Não pode continuar fazendo coisas como essa.

– Não está respirando, céu. Pare um minuto e ouça seu corpo. – Aconselhou ele. Manteve sua voz suave e persuasiva.

No momento, Jaxon foi consciente de que seu coração pulsava bem rápido e que seus pulmões ofegavam em busca de ar. Imediatamente foi consciente do batimento do coração dele, lento e firme, do ar que entrava facilmente em seus pulmões. Imediatamente seu próprio corpo começou a sincronizar-se com o ritmo dele. Jaxon subiu os braços para tirar a mão dele do pescoço.

– Vê? Aqui está! Não pode fazer coisas como esta. Ninguém pode sincronizar os batimentos dos corações como fazemos nós. Deixe de fazer o que for neste mesmo segundo. Está me deixando louca.

A mão dele não se moveu de sua nuca, uma posição curiosamente íntima que estava sendo bastante tranqüilizadora apesar de tudo. Jaxon suspirou e descansou a cabeça contra o braço dele.

– Está me deixando louca. – Murmurou novamente, cansada.

– Crê que não pode aceitar as coisas que lhe digo, mas cedo ou tarde sua mente superará as limitações humanas. – Lucian falou tão gentilmente que o coração de Jaxon bateu forte.

Em seguida, ela se rendeu ao inevitável e relaxou contra ele, seu coração e pulmões imediatamente tomaram o ritmo mais lento e tranqüilizador dele. Lucian a abraçou e a embalou como a uma criança, para que se sentisse protegida e a salvo. Jaxon elevou o olhar para sua face, tão imóvel que poderia ter estado esculpida em pedra, tão formosa que poderia ter posado para as estátuas dos deuses gregos.

– Não quero sentir nada por você. – Ela traçou seus lábios com a ponta de um dedo. – Isso doeria muito.

Lucian se converteu em uma sombra em sua mente, cuidadosamente, para que ela não reconhecesse seu toque, aquietando o caos de seus pensamentos. Facilmente leu seu terrível medo por ele. Por ele. Na realidade, nem tanto dele.

– Ouça-me, Jaxon, mas desta vez ouça o que digo. Tyler Drake é humano. Não é um vampiro. Não tem poderes sobrenaturais. Drake não tem nenhuma oportunidade contra alguém como eu. Estive em sua mente, estava contigo enquanto examinava os lugares que escolheu para espiar esta casa. Realmente acredita que eu te deixaria sozinha e desprotegida? Realmente acreditou que eu não soube o momento em que decidiu abandonar esta casa? Reconhecerei sua presença no momento em que se aproxime de novo de nossa propriedade. Tyler Drake não pode me fazer mal.

– Se sabia que eu estava fora da casa e procurava o Drake, não se preocupou que pudesse topar com ele? – Desafiou ela. Um homem como Lucian teria assegurado seu amparo, realmente tinha que saber.

Um débil sorriso tomou os lábios dele.

– O teria destruído a distância. Estou em sua mente, céu. Posso "ver" através de seus olhos. Tudo o que posso ver, posso destruir. Se estou conectado com uma pessoa e ela ouve minha voz, posso lhe destruir. Como te dizia, tenho certas habilidades.

Ela se tendeu entre seus braços tranqüilamente, tentando assimilar o que ele estava contando.

– Lucian, como posso ser tudo isto? Como pode existir alguém como você nesta época e que ninguém saiba?

– Já nos descobriram. Somos originários das Montanhas dos Cárpatos e nos referimos como Cárpatos. Há humanos que nos caçam, que procuram nos matar e embora sejamos poucos, temem nossos poderes.

– Você assusta a morte.

– Não, não é certo. É difícil para sua mente aceitar as diferenças. Não confunda isso com medo para mim. Sabe que nunca te faria mal. Sou incapaz de te fazer mal. Você é meu coração e minha alma. O ar que respiro. Traz luz a terrível escuridão de minha alma. – Ele levou as pequenas mãos a suavidade de seus lábios. – Há momentos nos quais sinto que posso recolher todas as peças perdidas de minha alma e colocá-las de volta em seu lugar e me sentir completo novamente.

– É assim como me vê realmente, Lucian? – Os enormes olhos de Jaxon olharam nas escuras e vazias profundezas dos dele.

Assim é, Jaxon. – Disse ele, brandamente. – Preciso de você. O resto do mundo não precisa tanto como eu. Preciso de você para viver. Para respirar. Você é meu riso e suspeito, também minhas lágrimas. É toda minha vida.

– Não pode sentir isso por mim quando acaba de me conhecer. Não me conhece absolutamente.

– Estive em sua mente muitas vezes, Jaxon. Como poderia não te conhecer? Já me roubaste o coração. Sou eu quem deve encontrar a forma de que me ame apesar de todos meus pecados.

– Tantos são? – Perguntou ela brandamente. Ele estava virando-a do avesso, com o que estava admitindo. Parecia tão auto-suficiente, como podia precisar alguém com tantos problemas como ela?

– Minha alma está tão enegrecida, meu amor, que na verdade não há forma de redimi-la. Sou o escuro anjo da morte. Carreguei meu dever durante séculos e não conheço outra forma de vida.

– Aí está outra vez essa palavra. Séculos. – Um débil sorriso expulsou as sombras de sua face. – Se for uma pessoa tão terrível e escura, por que não sinto maldade quando estou a sua volta? Sei que não tenho... – Jaxon titubeou durante um momento, incapaz de encontrar a palavra correta. – Dons, mas tenho um bom sistema de radar com tudo que é mal. Sinto sua presença imediatamente. É impossível que possa ter uma alma tão negra, Lucian.

Ele se moveu, um simples ondeio casual de músculos, mas ficou em pé sem nenhum esforço, com o Jaxon entre seus braços.

– Deve comer, pequena. Está se consumindo ante meus olhos.

– Carrega-me facilmente nos braços, acredito que gostaria do fato de que não tivesse quilos a mais.

Lucian a colocou sobre o mostrador.

– Não estará tentando me dizer que não come porque se preocupa que não seja capaz de te levantar nos braços.

Ela cruzou as pernas e arqueou uma sobrancelha.

– Estava mais preocupada com suas costas. – Tentou não ver a formar em que os músculos se ondeavam sugestivamente sob a seda branca da camisa.

Ele sorriu ante sua ultrajante sugestão, enquanto começava a reunir os ingredientes de uma sopa.

– Não me desobedecerá de novo, Jaxon. Não em questões de segurança.

– Desobedecer? Interessante palavra. Não acredito que entenda completamente o significado da palavra, sendo uma mulher adulta.

– Mulher adulta. Assim é como se chama? Acredita que é tão adulta? Uma idéia aterradora.

– Espero que não pense realmente que vou obedecer você. – Disse Jaxon, totalmente séria, inclinando-se para obter sua atenção. – Não acredita, verdade?

Ele encolheu de ombros com essa graça casual, esse movimento que sempre a deixava sem respiração.

– Nunca tive que pedir mais de uma vez.

Jaxon se recostou.

– E isso significa? Você não se atreveria a utilizar essa ameaçadora voz sobre mim.

Ele levantou os olhos de sua tarefa. Seu olhar negro sustentou a dela.

– Alguma vez saberia se assim fosse, certo? – Sua voz era bem suave.

Jaxon pulou para o chão, sem se conter.

– Já tive suficiente disto. Sabe, não é como se me pedisse, que aceitasse a uma tia excêntrica em sua família ou algo assim. Você não é exatamente o típico noivo. Não vou mudar quem sou, por você. trabalhei para abrir espasso no departamento porque sou boa no que faço. Muito boa. Mereço um pouco de respeito.

Ele removia a sopa sem mudar de expressão.

– Você acredita que não a respeito ou as coisas que teve de enfrentar em sua vida? Não é possível. Está se zangando sem razão, Jaxon. Eu tampouco posso mudar quem sou. É meu dever cuidar de você. Foi impresso em mim antes de meu nascimento. Crê que isso muda por ser mortal?

– Oh! Deus! Essa coisa dos mortais outra vez. Ao menos alguém deu a luz. Isso é um alívio. – Jaxon passou uma mão pelo cabelo. – Olhe-me, Lucian.

Ante sua ordem, ele se voltou obedientemente. Ela examinou-lhe a face intensamente, uma lenta varredura de seus traços sensuais, antes que seu olhar descansasse pensativamente em seus olhos negros.

– Eu saberia. Nunca tentaria me esconder algo. Sentiria-se culpado.

– Nunca me sentiria culpado por te obrigar a cuidar de sua saúde, anjo. Não cometa o engano de me dar muito crédito. Sentiria-me culpado de te ocultar coisas, certo. Não está certo entre companheiros. Em qualquer caso, só tem que examinar minha mente.

Jaxon se encontrou sorrindo ante a idéia.

Não posso compreender as coisas que me diz. Certamente não vou lançar me a dar voltas num cérebro de vários séculos de idade. Isso é buscar problemas. Como é que pode ser tão moderno se na realidade é um velho?

Lucian se voltou de volta a sua sopa.

– Não é difícil. Estudo e me adapto rapidamente a novos ambientes. É necessária quando se deseja situar. Sente-se à mesa.

Ela golpeou ligeiramente com o pé.

– O aroma não me põe doente. É você, não é? Está fazendo algo para que possa cheirar a comida sem me sentir doente.

– Sim. – Lucian não viu razão para negar. – É necessário que coma. Não quero tomar a decisão de me impor porque seja incapaz de se alimentar. Isso não estaria bem.

Jaxon encontrou uma cadeira e se sentou bastante bruscamente. Por que isso soava saído de uma novela de vampiros? Ondeou uma mão desalentadoramente no ar para ele.

– Nada mais disso. Não pense e não diga de novo. Estou me acostumando à coisa dos "séculos" mas o de "me impor" é muito.

Lucian colocou um prato de sopa na frente dela. Sua mente, conectada como estava a dela, assumiu o controle. Provocou a sensação de fome nela. A idéia era que a sopa cheirasse deliciosamente e que ela sentisse fome. Ordenou a seu corpo não rechaçar o alimento e reforçou a ordem com um "empurrão" para que não houvesse enganos. Gentilmente descansou uma mão sobre o ombro dela, precisando do contato físico.

Nenhuma só vez se permitiu expressar o que havia sentido quando compreendeu que ela estava abandonando a casa. Examinou o sentimento, ali na cozinha, dando voltas à sensação em sua mente. Medo. Havia estava assustado por ela. Não de que Drake a encontrasse, mas sim de ter que utilizá-la para destruir Drake. Não queria que ela tivesse que enfrentar algo semelhante. Medo. Medo de que um vampiro a descobrisse longe do amparo que havia tecido para ela dentro dos terrenos e da casa. Medo. Nunca tinha experimentado tal emoção. Não gostara.

Lucian enredou os dedos na riqueza de seu cabelo loiro. Ela inclinou a cabeça para trás para fitá-lo, surpreendida pela forma em que sua mão apertava o cabelo.

O que está acontecendo? No que está pensando? – Não havia expressão na face dele, nada em seus olhos que o delatasse, mas Jaxon começava a lhe conhecer. Esse pequeno sinal de tensão que revelava que seus pensamentos não eram bons. – Conte-me.

– Tive medo por você. Antes, quando abandonou a segurança da casa. – A Lucian não ocorreu evitar a verdade.

Jaxon respondeu imediatamente, fechando os dedos em volta da mão dele.

– Disse que eu estava perfeitamente a salvo.

– De Drake, estava a salvo. – Admitiu ele, baixando o olhar para a mão dela com surpresa. Os pequenos dedos sequer rodeavam a metade da mão dele, embora esgrimia muito poder sobre ele. – Drake não pode te fazer mal.

– Ele tem poder, Lucian. Pode ir até Barry. Sei que se acredita invencível, mas a bala de um franco atirador pode matar a grande distancia e Drake é um excelente atirador. Não tem que enfrentar você. – Jaxon baixou a cabeça. – Assim é como Drake pode me fazer mal. Assim é como sempre o fez... Através de alguém, alguém que me importa. Por isso não quero estar com você.

Sobre a cabeça dela, ele se encontrou sorrindo.

– Está começando a sentir algo por mim.

– Você segue dizendo isso. – Disse ela. – Esta sopa está boa. Surpreende-me que saiba cozinhar. – Não queria examinar muito de perto ou aludir de nenhuma forma ao feito de que ele pudesse ou não pudesse comer. Não era momento de se assustar. Ficou em pé cuidadosamente, afastando-se dele com uma pequena retirada feminina, que ele achou secretamente divertida.

Tudo nela era assim. Iluminava-o por dentro. Enchia-o de suavidade. Ela o fazia desejar sorrir. Mais que isso, tinha que sorrir. Observou-a enquanto ela muito cuidadosamente, domesticamente, lavava o prato e a colher.

Jaxon lhe pegou observando-a.

O que é? – Ele soava à defensiva.

– Eu gosto de te observar. – Admitiu ele, com facilidade. – Eu gosto de ter você em minha casa.

Ela tentou não lhe deixar ver o muito que suas palavras a agradavam. Possivelmente se sentia sozinha. Possivelmente era muito suscetível a seus formosos olhos. Sua voz. Ou seus lábios. Ou porque ele era diabólicamente bonito. Suspirou em voz alta.

– Vou descansar um pouco. Viver contigo é muito excitante para mim.

Lucian a seguiu escada acima, levando seu rifle.

– Esta coisa pesa quase tanto como você, Jaxon.

– Disse que sabia que eu estava fora da casa. – Filosofou de repente em voz alta, ignorando completamente sua brincadeira. – Por que eu não sei o que você está fazendo?

– Você não olha.

Jaxon lançou um olhar sobre o ombro, seus grandes olhos eloqüentes quanto a censura.

– Olhar? Olhar o que?

– Minha mente. – Disse Lucian sem nenhuma inflexão na voz. – Eu permaneço como uma sombra em sua mente. Além do fato de que é muito mais seguro para mim saber o que está fazendo a cada momento, é necessário para ambos que nos toquemos um ao outro para estar cômodos.

– Sabe, Lucian, se eu tivesse algum cérebro não te permitiria me enredar assim. Lanças essas declarações casuais e minha curiosidade sempre me vence. – Ela colocou suas facas e armas no interior da penteadeira, tirando a boina do bolso e acrescentando-a a crescente pilha.

Lucian estava observando-a, através dos olhos semicerrados, um pequeno sorriso curvava seus lábios.

Olhe para você, é um arsenal ambulante.

– Bom, ao menos sei como me proteger. Você acredita ser tão poderoso, que nem a bala de um franco atirador pode com você.

–Céu, posso comandar a natureza, mover a terra, mover meu corpo através do tempo e do espaço. Estou muito mais armado que você. Não me olhe com seus grandes olhos marrons e esse pequeno cenho franzido. Está em grave perigo, pois queimo em desejos de te beijar.

Jaxon retrocedeu tãorapidamente, que caiu para trás sobre a cama, com alarme.

– Fique do outro lado, você é o diabo. – Manteve uma mão elevada para lhe deter. – Não fale e não me olhe tampouco. Utiliza táticas desonestas para se sair com as suas.

Ele avançou cruzando diretamente o aposento, erguendo-se sobre a pequena figura dela como um antigo conquistador.

– Merece alguma classe de castigo por deixar esta casa depois de que me prometeu sinceramente que ficaria aqui.

– Assegurei-te que não tinha intenção de sair para dançar. – defendeu-se ela. – Não me ocorre de onde pôde tirar a idéia de que eu tinha intenção de me sentar a vadiar te esperando. Tenho coisas que fazer. Hoje em dia as mulheres não se sentam em casa, enquanto seus homens saem.

Lucian tocou a face dela com a ponta de um dedo, analisando a suave pele, a delicada linha das maçãs de seu rosto.

– Pedi a você que ficasse aqui.

– Eu estava passeando. O ar fresco é bom para uma pessoa... Não sabia? E passear é o melhor exercício de todos. Pode se fazer em qualquer parte, a qualquer momento. – Ela parecia absolutamente convencida disso. – Passear não conta como saída.

Lucian se sentou na cama, acossando-a.

– Passeando. – Murmurou a palavra, ausentemente, seus dedos se enredaram no cabelo dela.– Não te coloque em perigo de novo, anjo. Terá represálias da próxima vez.

Ela empurrou seu peito, mais para conseguir espaço para respirar que por nenhuma outra razão. Ele parecia capaz de lhe roubar o ar.

– Espero que não esteja me ameaçando de alguma forma. Sou oficial de polícia, Lucian. As ameaças não são uma boa forma de ganhar favores.

– Eu não preciso de favores e não me importa muito sua escolha estranha de ocupações. Este não pode ser um bom momento para o assunto, mas você não parece entender. Nunca, ninguém tinha questionado minhas decisões. Não voltará a se colocar em perigo. – Nunca Lucian levantava a voz, esta soava mais suave e mais amável que antes. Soava humilde, dando a ordem quase que ausentemente.

Jaxon franziu o cenho para ele.

– Não melhora muito em se dar por informado. Eu não gosto dos homens mandões.

A mão dele se deslizou até a nuca de Jaxon, seus dedos acariciaram a pele suave. Ele não parecia notar e ela se sentou quieta, não desejava atrair atenção sobre o fato de que ele pulverizava seus sentidos em todas direções.

– Eu não me considero mandão. Há uma vasta diferença entre ser mandão e estar ao comando.

– Então ordena outra coisa, Lucian, porque não vou mudar minha forma de vida. Uma mudança total. Se penso em deixar a casa, sairei quando me agradar. Não acredita que pode bancar o ditador supremo só porque é... – As palavras lhe falharam totalmente. O que era ele?

- Já respondi a isso. – Deliberadamente, Lucian utilizou a íntima forma de comunicação que sua raça utilizava com suas companheiras. Inclinou a cabeça para a nuca vulnerável, incapaz de resistir a tentação. - Sou um Cárpato, seu companheiro.

Chamas famintas dançaram sobre o corpo de Lucian. Seu interior se contraiu, apaixonadamente e ele fechou os olhos para saborear a sensação e o sabor da pele dela. O sabor da intensa fome. Seu corpo maior e mais forte se inclinou sobre o dela, obrigando-a lentamente a deitar-se sobre a cama, sob ele. Ela era muito delicada, muito frágil sob suas mãos exploradoras, enquanto a imprimia para sempre, no mais fundo de sua alma.

– Lucian. – Seu nome surgiu nos lábios dela, como uma suave e sussurrada súplica, quase como se estivesse lhe pedindo ajuda.

Lucian baixou para os enormes olhos dela. Parecia confusa, adormecida e muito sexy.

– Não vou fazer te mal, anjo, só dar rédea à tremenda necessidade que tenho de te sentir.

Ela levantou uma mão para lhe acariciar o cabelo, um pequeno sorriso brinaca em seus lábios.

– Notei. Só que acredito que é um pouco perigoso. Ainda estou tentando me acostumar à idéia de que não é humano. Conta-me todo este interessante assunto de ficção e ouço o que está dizendo, mas minha mente não quer encaixar os fatos. Positivamente você dá medo, Lucian.

– Não a você. – Negou ele, sua voz preguiçosa enquanto se inclinava para encontrar a garganta dela com os lábios. – Fui incrivelmente gentil contigo. – Seus lábios seguiu a perfeição de sua pele descendo pela garganta e cruzando a clavícula. Era tão delicada.

– Sempre é tão controlado. Não posso imaginá-lo sem controle. Mas então me olha... – Ela fechou os olhos quando os lábios de Lucian baixou afastando o tecido de sua blusa, para poder tocar mais pele.

O que dizia? – Murmurou ele contra a incitante curva de seus seios. – Você...? – Seus dentes rasparam gentilmente, eróticamente sobre a pele sensível. Se ouviu ofegar enquanto a embalava nos braços, se aproximando dela.

O que tinha estado dizendo? Ele ainda mantinha o controle. Mesmo agora, enquanto estava em seus braços e podia sentir seu corpo ardendo por ela, continuava completamente controlado. Virou-se entre seus braços, pressionando seu corpo mais perto da enorme força do dele. Como seria lhe pertencer? Pertencer realmente a alguém? Não ter medo todo o tempo? Quando estava com Lucian, nunca tinha medo.

Lucian sentiu seu corpo, suave e flexível, amoldando-se ao seu. Afastou o tecido, expondo seus pequenos e bem moldados seios ao ar frio. A seu escuro e possessivo olhar. Ao calor de seus lábios. Realmente ela era um milagre, tudo nela era um milagre. O corpo dela se movia inquieto e ele mudou seu peso para prendê-la completamente sob ele, precisando sentir que cada centímetro dela se imprimia contra sua pele. Baixou seus lábios e saboreou os seios, sua língua se retorceu preguiçosa, provocando seu mamilo até vê-lo completamente duro.

Podia ouvir o fluxo e vazante de seu sangue apressando-se nas veias, lhe chamando, lhe oferecendo um doce convite. Murmurou seu nome brandamente, acariciando sua pele, encontrando sua pequena cintura. Em seus ouvidos houve um rugido apagado e a fera de seu interior elevou a cabeça e rugiu pedindo alívio. Rugiu reclamando o que lhe pertencia.

Jaxon sentiu a mudança nele. Estava na dura posse de suas mãos, na súbita agressão de seu corpo. Pela primeira vez teve medo. Segurou a cabeça dele nas mãos e deixou escapar um pequeno som entre a submissão e o protesto.

– Lucian. – Sussurrou seu nome como um talismã, sabendo que ele sempre a protegeria.

Ele levantou a cabeça. A respiração ficou presa em sua garganta. Após as profundezas desses olhos, se escondia um animal primitivo, podia vê-notar as vermelhas chamas de seus olhos, o calor e a fome acumulando-se em uma feroz conflagração. O coração pulsou abruptamente.

– Lucian...

- Tudo está bem, anjo. – Disse ele, meigamente. Beijou-a na garganta gentilmente, atrasando-se sobre a pulsação. – Nunca poderia te fazer mal. Você é minha vida. Às vezes posso atuar mais como animal que como homem, mas sou um homem depois de tudo.

– Mas não humano. – A voz de Jaxon era um simples gemido.

– Não humano. – Concordou ele. – Um homem dos Cárpatos, precisando de sua companheira, neste momento.

Jaxon, de repente, agudamente tomou consciência de suas roupas desarrumadas.

Acredito que seria melhor que fosse para seu quarto.

– Melhor para quem? – A diversão matizava sua voz. – Para mim não. – Gentilmente, ele recolocou a blusa no lugar, para cobrir sua suave pele. – Tem mínima idéia do quanto significa para mim? – Ele negou com a cabeça. – Não é possível que possa saber.

Jaxon tinha medo de respirar. Todo seu corpo clamava pelo dele, traindo completamente sua prudência.

– Lucian, seriamente preciso estar sozinha.

– Pode negar que me deseja?

– Não. – Ela concordou facilmente. Não havia razão para negar. Tinha sorte de que não tivesse experiência. Simplesmente deveria arrancar a roupa dele. A idéia a deixava sem fôlego.

Ele arqueou uma sobrancelha expressiva para ela.

– Também me deixa sem fôlego. – Murmurou ele contra sua garganta, provando que era uma sombra firmemente entrincheirada em sua mente.

Jaxon tentou se zangar com ele. Ele não tinha direito de ouvir cada um de seus pensamentos. Mas se encontrou sorrindo. Parecia tão íntimo, ela deitada sobre a cama com o braço dele em volta de sua cintura, os olhos negros movendo-se sobre ela, com fome aguda.

– É tão mau, Lucian.

Jaxon fechou os olhos esgotada. Estar ali simplesmente deitada e tranqüila. Sem pensar. Sem fazer nada mais que sentir a suavidade e força dele. Estava adorando.

– Estou tão cansada. O amanhecer deve estar perto. Por que sempre conversamos até o amanhecer?

Você vai se cansando e dormirá o dia todo, enquanto eu estou mais débil. É uma boa forma de mantê-la encadeada a meu lado. – Lucian se estirou prazerosamente. – Tenho intenção de dormir aqui com você, então se acomode e não tente discutir comigo.

Jaxon deu um leve tapa em seu ombro, depois se moveu para colocar a cabeça sobre ele.

– Não ia discutir contigo. Por que pensaria isso? Eu nunca discuto.

Lucian sorriu. Ela era muito pequena, surpreendia-o que fosse uma pessoa tão forte.

– É obvio que não discute. No que estaria pensando? Durma, céu e permita que meu pobre corpo descanse.

– Já estou dormindo. É você que está conversando incesantemente.

Lucian se concentrou em proteger a fazenda. Notou que estava mais que um pouco distraído com Jaxon deitada tão perto dele, o corpo dela encaixava perfeitamente na curva do dele. Ela pensava que ele era controlado e possivelmente estivesse certa em qualquer outra questão... Em todas as que não fossem Jaxon. Não estava seguro de sua habilidade para protegê-la de suas próprias necessidades e fome.

– Lucian? – A nota da voz dela converteu seu íntimo numa bola de fogo que se estendeu como lava fundida.

– Durma. – Passou o braço sobre ela, absorvendo-a completamente. Por própria conta, seus dedos se enredaram no cabelo indomável. Sua própria voz estava rouca de desejo.

– Não dorme clandestinamente ou algo parecido? Sei que não utiliza um ataúde, mas isto parece muito normal para você. – Sua voz sustentava uma suspeita.

Lucian pensou. Não podia haver mentiras entre companheiros, e sempre era cuidadoso com os detalhes que contava de sua vida, quando ela perguntava. Mas isto. O que ia responder?

– Durma.

Jaxon tentou levantar a cabeça. Lucian não pareceu notar. Seu braço se manteve firme em seu lugar. – Conte-me Lucian ou vou ficar te chateando todo o dia.

Ele suspirou.

– Acredito que não queria ouvir os detalhes acidentados de minha vida. – Seus dedos se moviam entre o cabelo dela gentilmente, uma terna carícia que esquentava o coração de Jaxon.

Era a forma em que ele a tocava, a forma em que ele a olhava, decidiu Jaxon, como se fosse a única mulher no mundo para ele. E era sedutor. Um escuro feiticeiro impossível de resistir. Como agora, seus lábios deslizava por sua nuca, a forma em que inalava sua fragrância como se estivesse tomando sua essência no interior do próprio corpo.

– Estou começando a me afeiçoar a seu mundo de fantasia, Lucian. – O sorriso abandonou sua voz e ela ficou séria. – Quero saber tudo sobre você. Não tudo de uma vez, mas cedo ou tarde, tudo.

Lucian continuou deitado ali, com o corpo tenso, ardente e incômodo. Deveria estar num inferno ardente, mas em vez disso estava cheio de alegria. As palavras dela o sacudiram, derretendo seu íntimo, de forma que o demônio interior amansou. Sabia que a teria, sabia que nunca permitiria escapar dele, embora nunca tinha acreditado que ela se apaixonaria por ele por quem era. Talvez não aconteceria, mas Jaxon queria lhe conhecer, conhecer sua realidade.

A mão de Lucian moveu até a nuca dela e seus dedos se fecharam em volta dela.

– Para rejuvenescer nossos corpos, quando sofrem ferimentos mortais ou usado muita energia para curar outros, a terra nos dá boas vindas. Mas não é estritamente necessário dormir entre os braços da terra. É mais seguro, pois poucas coisas podem nos fazer mal ali. – Mais uma vez, ele pensou, inseguro de como ela entenderia o próximo retalho de informação.

- Conte-me.

– Normalmente dormimos de forma distinta dos humanos, fechamos nossos corações e pulmões e ficamos deitados como mortos. Mas é perigoso num lugar como este. Embaixo desta casa, tenho uma câmara de sono. Se acontecer algo e minhas salvaguardas falharem, seria muito mais fácil para um inimigo me destruir em minha câmara de sonso, onde não poderiam me encontrar.

Jaxon afastou o braço dele e sentou, seu cabelo espalhou abruptamente em volta da face.

– Por que não está fazendo o que deveria estar fazendo? Não vou me emocionar por despertar junto a alguém que parece morto.

– Não dormirei segundo o costume de nossa raça, Jaxon. Estamos unidos. Devemos tocar nossas mentes com freqüência ou seria incômodo, inclusive perigoso. Sua mente está acostumada a tocar a minha. Sem isso sentiria um intenso pesar, muito mais intenso do que um humano poderia resistir. As emoções Cárpatos são extremamente fortes, Jaxon, devido, sem dúvida, a nossa longevidade. Não posso descrever exatamente o que sentiria, mas não posso me arriscar. Não há necessidade. Dormirei segundo o costume dos humanos.

– Por que não dormimos como fazemos sempre?

Ele suspirou e deliberadamente a abraçou novamente.

– Está conversando muito, quando deveria estar dormindo.

– Estiveste fazendo isso, verdade? Esteve dormindo a meu lado como um humano em vez de fazer o que é melhor para você. – Adivinhou Jaxon, astutamente. – Por isso parece cansado às vezes. Seu corpo não descansa deste modo, não é?

– Não, não descansa. – Lucian soava entre a exasperação e o riso.

– Vá dormir na câmara de sono ou como é que a chame. – Exigiu ela.

– Não posso estar longe de você.

– Se seu coração e seus pulmões se detêm, então não é possível que sinta nada. – Disse ela, lógicamente.

– Está tentando cuidar de mim outra vez. – Assinalou ele, desejando que seu coração não reagisse com tanta força ante sua preocupação. Em todos os intermináveis séculos que tinha resistido, não podia recordar um só indivíduo, além de seu irmão gêmeo, Gabriel, que tivesse se preocupado por ele.

– Alguém tem que cuidar de você. Você não o faz. – Replicou ela. – Falo sério, Lucian. Posso ver como está cansado. Por favor, vá dormir apropiadamente.

– Não sem você.

Produziu-se um pequeno silêncio.

– Eu posso ir lá?

– Sim. – Disse ele, lentamente. – Não está na terra. Está sob o porão, mas não na terra.

– Se me acordar, poderei sair simplesmente andando de lá? Não acredito que sofra de claustrofobia, mas odeio estar presa em qualquer parte.

– Posso te mostrar o caminho. Mas, Jaxon, não deve acreditar que estou morto. Se despertar sem mim, antes que o sol desapareça, sua mente a enganará. Eu parecerei morto à vista e ao tato. Não pode permitir que sua mente te pregue uma peça você faça alguma tolice. Os companheiros, com freqüência terminam com suas vidas em vez de viver sozinhos depois de terem se unido. Deve me prometer. Se despertar, não abandonará a casa e se ficar insuportável, me chamará persistentemente segundo o costume de nossa gente.

– Pode me ouvir enquanto seu coração e pulmões estão fechados?

– A maioria não pode. Mas eu não sou como a maioria. Se está sofrendo e me chamar, ouvirei você.

– Então vamos. – Disse Jaxon, decidida.

– Está segura de que é o que deseja? Não é necessário.

– É necessário, sim. Precisa dormir e recuperar força e poder para todo esse assunto estranho que faz. Estou me acostumando a isso e sentiria falta se você não pudesse continuar fazendo.

Lucian a levantou facilmente enquanto se levantava diretamente da cama para ar, embalando-a entre seus braços.

– Feche os olhos, anjo. Sabe como odeia minha forma de viajar.

– A coisa rápida.

– Exatamente. – Sua voz era imensamente terna.

Ela fechou os olhos e se aconchegou contra ele, seu coração palpitava nervosamente. Houve uma rajada de vento e a sensação de viajar através do tempo e do espaço enquanto ele manobravam ente os intrincandos corredores para sua câmara de sono, sob a casa.

Quando a deitou sobre a cama, Jaxon olhou a sua volta com temor. Era belíssimo. Não se parecia a cova que imaginara que seria. Era um enorme quarto com móveis, velas e cristais de rochas que refletiam as chamas dançarinas, projetando intrigantes sombras. Sua fragrância era tranqüilizadora e Jaxon soube que podia deitar-se junto a ele, sem temor.

Lucian se inclinou sobre ela, sua mão acariciou as amadas linhas de sua face.

– Durma bem, anjo. Se sonhar, que seja só comigo. – Ele inclinou a cabeça e encontrou o calor acetinado dos lábios dela, estabelecendo sua reclamação, suas intenções, movendo a terra para ambos. Inclusive enquanto elevava a cabeça, ordenou-lhe dormir, um profundo sono imperturbável até que o sol desaparecesse no céu.

Só quando esteve seguro de que as salvaguardas estavam colocadas e que enviara uma palavra aos lobos para que guardassem a propriedade, permitiu que a respiração abandonasse seu corpo e seu coração cessasse de pulsar.

 

Jaxon lutou para abrir os olhos, através dos retalhos da espessa névoa, emergindo com um batimento do coração e uma doentia sensação no estômago. Na escuridão da câmara, não podia dizer se era noite ou dia. Nem um raio de luz entrava pelas grossas paredes. Deitada e imóvel, nas profundezas da terra, tentava esclarecer o que estava passando. Podia sentir Lucian a seu lado. Seu corpo estava frio e não se discernia pulsar de seu coração, nem movimento de seu peito. Era estranho estar ali tendida junto a ele, sabendo que não estava respirando.

Durante um momento se sentiu como se estivesse sufocando-se ante a possibilidade de que estivesse morto a seu lado, mas ele a tinha preparado para isto mesmo e ela forçou à lógica a entrar em seu cérebro paralisado pelo pânico. O que a tinha despertado? Instintivamente, soube que tinha sido programada por Lucian para não despertar até que ele o fizesse.

Levou-lhe alguns poucos minutos dissipar a névoa. Sua dor de cabeça se negou a desaparecer, quase como se o ar fosse muito espesso para respirar. Sentou-se, jogando para trás o espesso cabelo. Seu estômago se revolveu. Pressionou as mãos contra o abdomem e ficou quieta. Drake. Era Drake? Algo mal os espreitava. Estava perto deles. Algo malévolo. Algo horrendo que esperava por eles.

Baixou o olhar para Lucian. Era um espécime perfeita de homem. Era assombrosamente bonito, sensual de uma forma puramente masculina. Tocou seu longo cabelo negro, afastado-o do rosto, com dedos acariciantes. Drake não ia fazer mal ele, se pudesse evitar. Sabia que se o chamava, ele despertaria, mas confiava em suas próprias habilidades e Lucian estava muito mais seguro clandestinamente, onde ninguém podia o encontrar, até que recuperasse suas forças. Resolutamente, se deslizou fora da cama alta e caminhou descalça pelo chão. Estava escuro na câmara, mas sua visão noturna era fenomenal.

A porta era pesada e requereu toda sua força abri-la. Então pareceu difícil atravessar a soleira. Era como caminhar através de areias movediças ou algum tipo de barro espesso. Jaxon se apressou pelo passagem, notando que ia costa acima, retorcendo-se e dobrando pelo leito de rocha. Ao final, chegou ao porão. Mas não podia ver sinais de uma porta. Então a descobriu dissimulada na rocha. A sensação no fundo de seu estômago se fazia mais forte. Algo estava definitivamente os espreitando.

Correu agilmente através da cozinha subindo as escadas até seu quarto. Apressadamente colocou jeans negros e uma sudadera da academia de polícia. Era uma de duas favoritas e com freqüência a colocava para se sentir cômoda. Novamente considerou despertar Lucian, chamá-lo como ele havia dito que podia fazer, mas desprezou a idéia. Através das pesadas cortinas de seu quarto podia ver que o sol não tinha abandonado o céu ainda. Ele precisava de todo o descanso que pudesse conseguir. E se não recuperasse sua força, possivelmente se ressentiría. Ainda não sabia o suficiente a respeito dele, para determinar o que aconteceria se ele despertasse durante as horas diurnas. A idéia de que se derretesse ou algo assim era de dar risadas, mas desagradável de todos os modos.

Colocou os sapatos colocou os óculos e depois pegou sua pistola favorita. Se fosse Drake, não ia chegar até Lucian. Jaxon deslizou silenciosamente de janela a janela, estudando os terrenos circundantes, tomando cuidado de não se expor para o que podia ser um atirador distante. Pôde ouvir o uivo solitário de um lobo e poucos momentos depois um segundo lobo respondeu, mas não soava como se estivessem caçando ou tivessem sido perturbados de algum modo.

Jaxon notou que o que fosse que os espreitava, não podia assaltar a casa, dos bosques, sem advertir os lobos, então se concentrou no pátio e na entrada principal. Fora dos altos muros captou algo se movia. Não o suficiente para fazer uma identificação, mas o suficiente para estar segura de que ali fora havia alguma coisa.

Avançou até metade da escada de caracol onde estava o balcão com as portas de cristais. Deslizou-se sem fazer ruído, abriu-as saindo fora, ocultando-se. Em seguida, a terrível premonição a golpeou com ferocidade, fazendo-a sentir fisicamente doente. Sabia que não se equivocara. Por que não ligava para seus companheiros pedindo reforços? Porque não podia explicar a ausência de Lucian a ninguém. E não podia ter a departamento de polícia colocando o nariz ali.

Cautelosamente, levantou a cabeça e examinou a parte dianteira da fazenda. Levantou os óculos para conseguir uma melhor visão. Imediatamente viu o braço e a perna do que parecia ser um homem grande. Ele movia-se com o passar do muro da fazenda e se colocou completamente à vista enquanto ela observava. Aumentado pelas lentes, ele era uma visão horripilante. Parecia um gigante e sua cabeça estava de algum modo deformada, quase com forma de bala. Seus olhos estavam embaçados e sem vida os dentes enegrecidos e afiados e toda sua expressão era uma máscara de loucura.

Golpeava a palma da mão repetidamente contra o alto muro de pedra e cada vez que o fazia saltavam faíscas. Ele gritava e jogava a palma da mão para trás, para mover um passo e voltar a tentar, com os mesmos resultados. Não era possível que o muro estivesse eletrificado, embora parecia, cada vez que o desconhecido tentava tocá-lo. Este era persistente, não desanimava o fato estar queimando-se.

Jaxon ficou em pé e subiu no corrimão, tentando acessar o teto. Era muito baixa e seus dedos não alcançavam. Irritada, elevou o olhar aos beirais. Tinha que haver uma forma de subir. Não queria que o desconhecido a visse. Algo nele não estava bem e lhe dava calafrios. Quando se voltou, seu corpo automaticamente ajustou seu peso para mantê-lo equilibrado, olhou para o céu julgando a posição do sol.

Muito tarde viu como se estendia uma teia de aranha prateada que chegava para ela do alto, faiscando fora das nuvens como uma rede, para apanhá-la. O medo estalou em seu interior. - Lucian! - Foi automático, chamá-lo, buscá-lo, quase uma compulsão, certamente não foi idéia própria. Exceto em seu trabalho era algo que não fazia nunca... Pensar em chamar alguém em busca de ajuda. A estranha rede reluzente se deteve no ar, suspensa durante um momento e depois caiu inofensiva até o chão.

Jaxon sentiu que seu pequeno corpo era elevado por mãos invisíveis até a segurança do piso do balcão. Realmente sentiu as mãos dele em volta de sua cintura. Se viu forçada a retroceder, as mãos a empurravam diretamente para o interior da casa. A porta se fechou com firmeza e se trancou solidamente. Jaxon colocou ambas as mãos sobre o grosso cristal e olhou através dele, o desconhecido que resolutamente punha a prova a força das defesas do muro. Em vez de utilizar as mãos, agora ele estava golpeando com todo seu corpo contra a dura superfície e saltavam faíscas na luz decrescente que o rodeava.

Ele levantou o olhar para ela. Os olhos mortos encontraram seu olhar e suas ações se tornaram mais frenéticas, golpeando seu corpo com mais força e mais decidido que nunca. Jaxon só podia permanecer ali indefesa, presa, enquanto sob seu seguro ponto de observação, a horrorosa cena se desdobrava. Quando o sol entrou, o desconhecido começou a emitir grunhidos, cavar a terra sob a cerca e lançar olhadas ansiosas para o céu.

Seu coração retumbou quando viu a alta e elegante figura que emergia dos espessos arbustos do lado norte da casa. Lucian não caminhava nem rápido nem devagar, sua imaculada jaqueta cinza enfatizava a amplitude de seus ombros. O cabelo flutuava em volta dos ombros, seus olhos brilhavam na face imóvel. Deteve-se a poucos pés da grade e ondeou uma mão. Logo, cessaram as faíscas e o desconhecido compreendeu que não havia amparo sobre a propriedade. As grades começaram a se abrir.

A atenção de Jaxon foi captada pela ameaçadora aparição de nuvens escuras que se moviam rapidamente através do céu. Algo estava terrivelmente errado. Tentou abrir a porta, temendo por Lucian, temendo que ele não notasse o perigo de cima, quando a criatura que estava em terra avançava pesadamente para ele com passo decidido. Golpeou o cristal inutilmente, tentando sair para correr escada abaixo, mas foi incapaz de se mover. Engolindo com força, tirou a pistola, rezando para que Lucian não tivesse instalado cristal a prova de balas.

Em sua mente, se estendeu desesperadamente para ele. - Lucian, sobre Você! Está chegando algo e é muito mais malvado que o que está enfrentando agora. Deixe-me te ajudar! A ele não podia acontecer nada. Não podia acontecer nada a ele, nunca.

Sentiu imediatamente suavidade, tranqüilidade fluindo no interior de sua mente. Durante um breve momento sentiu os braços dele rodeando-a, abraçando-a. Jaxon colocou uma mão sobre o cristal, a pistola em seu outro punho e observou a fácil e fluída forma de caminhar de Lucian. Ele movia-se com total confiança, segurança total, a cabeça alta, o longo cabelo flutuando. Deixou-a sem fôlego. Enquanto observava, a mão dele se elevou quase casualmente e sobre ele as negras nuvens que formavam redemoinhos se dispersaram como se nunca estiveram ali. Algo se deixou cair na terra, um corpo retorcido e reptilino com asas que se contorciam.

– Oh! Deus! – Murmurou Jaxon em voz alta, assustada. Ela mordeu o lábio com força, em sua agitação.

O desconhecido quase tinha alcançado Lucian, balançava uma pesada bola de puas ao final de uma corrente. A bola passou inofensivamente através do espaço quande Lucian desapareceu da vista de Jaxon durante uma fração de segundo. Quando reapareceu, estava atrás do enorme desconhecido. Ela viu com horror, como a cabeça deste se inclinava pasra o lado, um sorriso encarnado apareceu em volta de sua garganta como um colar. A cabeça cambaleou grotescamente e lentamente saiu fora dos ombros, salpicando um rastro vermelho em todas direções. O corpo caiu e golpeou o chão enquanto a cabeça ricocheteava e rodava longe das pernas de Lucian.

O réptil se lançou para Lucian tão rapidamente, que foi um borrão de garras e dentes. A cauda açoitava como um látego e o movimento das asas estavam criando uma tempestade, levantando folhas e pó como uma cortina de fumaça. O grito de advertência de Jaxon ficou entupido na garganta, quase afogando-a. Lucian pareceu ficar completamente imóvel, sua face inexpressiva e serena, como se estivesse simplesmente admirando a vista a sua volta. Jaxon apontou a arma para o horrendo lagarto. A criatura pareceu golpear uma parede invisível antes de alcançar Lucian e chiou quando as chamas surgiram a sua volta. Desprendeu-se carne chamuscada do lagarto. O cadáver se partiu. Jaxon não podia acreditar no que seus olhos viam, quando um homem emergiu da carne queimada como se ele fosse um casulo de larva.

O vampiro voou retrocedendo de Lucian, enquanto ramos de árvores e rochas voavam pelo ar, apontadas diretamente para ele. Lucian flutuou pela terra, passando da imobilidade ao movimento com incrível velocidade. Jaxon sentiu que estava observando um predador desumano, uma máquina de matar, um animal selvagem com músculos que se retorciam para derrubar sua presa. Por muito rápido que o vampiro retrocedesse, lançando obstáculos em seu caminho, Lucian era mais veloz. Os escombros nunca o tocaram e eram afastados com casual facilidade por sua mente, enquanto Lucian alcançava o não–morto.

Ao compreender que não podia escapar, o vampiro voltou a cabeça e levantou o olhar para o Jaxon, com ódio em seus olhos, astúcia e malevolência em sua face. O cristal de uma porta começou a inchar-se para dentro, mesmo enquanto Lucian enterrava a mão no peito da criatura, extraindo seu coração. Jaxon saltou para trás, longe da porta, com o olhar fixo na cena de abaixo.

Lucian atirou o coração a alguma distância do corpo que se retorcia e olhou para o céu. Ao momento se acumularam nuvens no alto, mais e mais delas chegaram a sua chamada. Surpreendida, Jaxon o observou orquestrar a tempestade. O relâmpago se arqueava de nuvem em nuvem, num desdobramento impressionante. Ele abriu a mão que havia extraído o coração e uma feroz bola caiu do céu até sua palma. Durante um momento as chamas laranjas dançaram sobre sua pele, refletidas em seus olhos negros, depois atirou a bola sobre o coração e ondeou a mão, estendendo as chamas.

Uma nociva fumaça negra se elevou no céu. Ela pôde ver imagens de morte e escuridão, violentas e informe criaturas sibilavam e clamavam aos céus. Lentamente se evaporaram na fumaça e o vento que se levantava, levou-as para longe. O fogo correu pela terra, saltando de um corpo a outro, incinerando às duas criaturas para sempre, apagando toda evidência de sua existência, como se nunca tivessem existido.

Jaxon observou como o cristal da porta se aplainava, e a chuva começava a açoitar as janelas da casa. Fora Lucian levantava a cabeça e a olhava. Seu coração palpitou incômodamente. Logo, ele soube que a barreira que a aprisionava dentro da casa havia se levantado. Deixou a arma e os óculos no degrau superior e se apressou a descer as escadas de caracol até o primeiro andar.

Lucian a aterrorizava... O poder que esgrimia, o fato de que pudesse destruir vidas tão facilmente, que pudesse comandar os céus para fazer sua vontade, que pudesse sujeitar fogo na mão e não se queimar. Mesmo assim, ela desejava tocá-lo... Não, precisava tocá-lo... Para saber que ele não havia sofrido um só arranhão.

Lucian entrou na casa, alto, poderoso e perigoso além de sua imaginação. Sua face era inexpressiva e tranqüila, como sempre, completamente controlado. Mas algo na forma em que se movia o delatou e ela vacilou em sua apressada carreira para ele, detendo-se no meio do salão. Lucian continuou avançando rapidamente, fluindo pelo aposento como água, só seus olhos estavam vivos como ela nunca tinha visto antes.

– Lucian. – Jaxon levou a mão à garganta, defensivamente.

Ele não respondeu, simplesmente capturou sua mão e continuou avançando pelo vestíbulo, levando-a com ele a biblioteca. Enquanto entravam, ondeou uma mão e as chamas tomaram vida na lareira de pedra. Ele voltou-se e seus dedos se fecharam em volta da garganta de Jaxon. Deu um passo para ela, apertando-a contra a parede, apanhando-a com seu corpo mais alto e mais pesado.

O coração de Jaxon se acelerou e ela o olhou, com os olhos totalmente abertos. Ele parecia o perigoso predador que realmente era.

– Nunca voltará a me desafiar novamente e se colocar em perigo. – Sua voz era tão suave que ela não captou as palavras, embora reconheceu a ordem nelas.

O negro olhar se moveu sobre sua face, ameaçador e possessivo, brilhando com essa qualidade desconhecida que fazia seu coração pulsar de medo. De repente, ele baixou seus lábios para os dela e o coração de Jaxon parou completamente.

A terra estremeceu sob seus pés. Sentiu sua imensa força, nos dedos que rodeavam sua garganta, sentiu a dura agressão de seu corpo, e reconheceu sua súbita resolução. Devia detê-lo... Tinha que detê-lo... Embora o corpo de Lucian estava quente e cheio de desejo e sua fome a afligia, sobressaltava-a. Arderia em chamas ali mesmo, com os lábios dele devorando os seus e suas mãos ameaçando, tirando a vida de seu corpo como castigo por sua necessidade de protegê-lo. Incapaz de pensar com claridade, proferiu um pequeno som de protesto, quando seu corpo se relaxou contra o dele.

– Me ouça, meu amor. – Ele emoldurou-lhe a face com suas grandes mãos, descansando sua testa contra a dela. – Você ainda não me ama, eu sei. Mas é uma mulher forte e apesar de meu monstruoso interior, seu primeiro pensamento foi velar por minha saúde. Temo por voce só porque não compreende completamente o que sou. É minha vida, minha única razão de existir, meu coração e minha alma. Vivi sem alegria durante quase dois mil anos e no curto tempo que passamos juntos, você tem feito que cada um daqueles escuros e intermináveis minutos valessem a pena. Não há forma de que compreenda completamente a profundidade de meus sentimentos por você neste momento... Entendo-a... Mas terá que tentar. Seu lugar está comigo. Isso sei absolutamente, sem sombra de dúvida. E meus sentimentos só se farão mais fortes com o passar do tempo. – A ponta dos dedos dele se moviam sobre a face amada, percorrendo a forma em que seu cabelo se frisava em sedosas mechas. – Preciso tê-la completamente, Jaxon, para sempre. Preciso que esteja a salvo e protegida para não despertar sabendo que colocaste sua vida em perigo. E o coloca. Não é um desafio, é sua forma de proteger os outros. E quando digo que te preciso completamente, deve saber que preciso de seu corpo desesperadamente.

Havia medo nos olhos de Jaxon, no amalucado batimento de seu coração.

– Eu nunca estive com ninguém, Lucian e você é muito forte. – Ela mordeu o lábio inferior, não queria falhar com ele, desejava estar ali para acabar com a terrível fome que se acumulava nos olhos dele, em seu corpo. Quase desejara lhe ver um pouco fora de controle, embora agora podia notar aonde isso conduziria. Lucian ia tê-la. Desejava, embora tivesse medo da escura intensidade. Ele parecia tranqüilo, mesmo assim os fogos que ardiam sob a superfície eram escuros e mortais. Sentia-os, sabia que estava desatando algo poderoso que não podia deter.

Os olhos escuros de Lucian procuravam o dela, sustentando seu olhar.

– Antes que faça isto, antes que seja minha por toda a eternidade, quero que saiba que sei que posso te fazer feliz nesta existência, não há outro que possa e moverei céu e terra por você se for o que faz falta.

O negro olhar encontrou e capturou seus olhos. Ela viu a terrível fome que era forte nele, aguda, crua e viva com desesperada necessidade. Parte de sua mente sabia que ele estava dizendo algo importante, algo que devia analisar antes de se atrever a sucumbir ao escuro fogo que a chamava, mas era muito tarde. Seus braços já deslizavam em volta do pescoço dele e seus lábios se entregava à pura dominação dos dele. Calor e fogo. Um vulcão de desejo que se elevava saído aparentemente do nada. A necessidade dele, a dela... Não podia dizer qual era a diferença.

A pele de Lucian estava quente e sensível, muito sensível para sentir o roçar do tecido contra ela. Precisava da suave pele de Jaxon pressionada com a dele, sem a barreira da roupa entre eles. Nada voltaria a interpor-se entre eles novamente.

A resolução dele era completa, total. Ela nunca voltaria a estar em semelhante perigo. Pertencia-lhe, havia nascido para ele, era seu milagre, para que ele a amasse e protegesse. Ela era mais que sua vida. Era sua alma.

Pensou em afastar a própria camisa... Uma tarefa fácil. Mas eram suas mãos que capturaram a blusa de Jaxon e a tirava lentamente pela cabeça. Jaxon era de tirar o fôlego. Era sua respiração que estava fora de controle, seu coração o que corria tão rapidamente. Ou era o dela? Já não podia dizer. Só que ela estava quente, sedoso fogo e ele precisava arder. Já estava ardendo. Suas mãos encontraram o caminho até sua pele. Tão suave. Perfeita. A sensação dela era quase mais do que podia suportar. Tinha esperado tanto, nenhuma só vez tinha acreditado que ela existisse para ele. Havia existido nesse negro e interminável vazio sem esperança, sem a idéia de luz. Sem a possibilidade de Jaxon. Era ela real?

Seus lábios devoraram os dela, quentes, duros e famintos, deslizando-a até outro mundo onde só estava Lucian e seus duros músculos, o toque de suas mãos e a agressão de seu corpo. Ele estava em todas partes, em sua mente, em seu coração. Suas mãos a tocavam intimamente, explorando cada centímetro dela. Seus lábios era pura magia, fazendo que seu mundo se estreitasse até pura sensação, fazendo que não houvesse forma de pensar, só sentir.

Lucian a levantou facilmente, seus lábios ainda sobre a dela, de forma que não fosse realmente consciente de nada mais que ele. Não havia nada mais para ela, ele sabia. Sua mente afastou a última barreira entre eles... O resto de suas roupas... De forma que quando a deixou sobre o tapete oriental, em frente à lareira, soube que ela sentia o contra sua pele já sensibilizada. Levantou a cabeça para fitá-la, observou a luz do fogo acariciando sua face. Ela e linda, formosa e fitá-la realmente doía.

Os grandes olhos de Jaxon o olhavam com um incitante convite. Sexy embora inocente já que realmente não sabia o que estava acessando. Seu mundo. Sua mulher. Sua autêntica companheira para toda a eternidade. Deliberadamente, inclinou a cabeça para encontrar sua suave boca, para saborear o sedoso calor, tão aditivo para ele. Ela era dele. A realidade era mais do que podia compreender. Sua pele era suave, parecia cetim. A forma de suas curvas, as linhas de seu corpo, a forma perfeitamente proporcional. Para ele, Jaxon era um milagre e ele adorava seu abandono. Seus lábios vagou pela garganta, tão vulnerável, ante alguém como ele. Com outros, ela era cuidadosa, mas com ele se mostrava confiada.

Encontrou a beleza de seus seios, ouviu seu gemido quando foi indulgente consigo mesmo, quando se perdeu e o mundo que o rodeava o. Sua cintura pequena, perfeitamente desenhada, o triângulo de cachos loiros mais abaixo, estava chamando-o. Inalou a fragrante chamada, a selvagem e indomável necessidade que se elevava para igualar a sua própria. Seus dentes rasparam a face interior da coxa, abrindo as pernas delafacilmente, enquanto sua mão procurava o úmido calor. Boas vindas para o desejo de seu corpo.

Jaxon ouviu o suave som que escapou de sua própria garganta quando Lucian começou uma lenta e íntima exploração, procurando seu lugar secreto. Ele havia esperado este momento durante muito tempo, pois desejava que a primeira vez fosse perfeita para ela. Sua mente estava firmemente fundida com a dela para que pudesse sentir como seu desejo se elevava numa onda gigantesca que o tragava, lava ardente correndo através de seu corpo onde antes havia sangue. Ela podia sentir a dor e o prazer total que extraía dele, das coisas eróticas que ele fazia com seu corpo. Segurou-se a ele, acariciando o cabelo longo e negro, quando seu corpo começou a estirar-se tomado pelo desejo.

O mundo pareceu dissolver-se a sua volta, quando ondas de prazer começaram profundamente em seu interior e se estenderam, até que se colou a ele como a uma âncora. Lucian se ergueu sobre ela, seus ombros largos, os músculos de seus braços e costas definidas e tensos pelo esforço de ir devagar. Ele deslizou-se dentro dela, lentamente centímetro a centímetro, até que encontrou a fina barreira de resistência. Jaxon era apertada e ardente. Ele iria arder em chamas. Suas mãos seguraram os quadris dela quando com seu corpo urgiu em enterrar-se profundamente nela, com um rugido nos ouvidos e uma neblina vermelha de desejo em sua mente, notou o quanto ela era pequena, o quanto ela era frágil em suas mãos.

– Lucian. – Ela sussurrou seu nome e ele inclinou a cabeça para tomar seus lábios novamente, inventindo nela, enquanto a beijava.

O suave gemido de Jaxon ficou preso para sempre, nessa primeira posse, nessa primeira fusão de corpo e mente.

Relaxe para mim, angel. – Instruiu ele suavemente, deixando um rastro de fogo da garganta aos seios. Esperou até que o corpo dela se estirou para o acomodar, que se acomodasse à sensação de sua invasão.

– Foi criada para mim, Jaxon. Você é a outra metade de minha alma. – Seus dentes se moveram sobre a pulsação dela. Sussurrou-lhe ao ouvido, varrendo toda resistência de sua mente, para que houvesse só aceitação a seu desejo.

Os unhas de Jaxon se enterraram nas costas dele quando uma dor ardentemente branca a atravessou, dando passo depois a algo escuro e erótico enquanto os dentes de Lucian cravavam profundamente nela. Os quadris de Lucian investiram para frente e ele a introduziu num mundo de sensualidade, que não se parecia com nada que houvesse imaginado.

Seus lábios, alimentando-se dela, era íntimos e sexy, e Jaxon segurou a cabeça dele contra ela, oferecendo seu seio, desejando que Lucian tomasse nele, a essência de sua vida para sempre. Seu corpo se movia dentro dela, com seguras investidas, cada uma mais profunda e dura que a outra, criando tanto calor que ambos arderam numa só chama viva e que respirava. A língua acariciou as pequenas incisões de seu peito e ele se moveu em seu interior mais rapidamente, profundamente.

A palma da mão dele embalou a cabeça de Jaxon e em sua mente, Lucian reuniu o desejo, a idéia, convertendo-a em necessidade, até que ele foi a única coisa em que ela pôde pensar. Jaxon teve que reprimir a terrível urgência que estava na neblina vermelha da mente dele. Lucian sustentou sua cabeça perto dos músculos de seu peito e imediatamente, um pequeno corte apareceu ali. Lucian pressionou os lábios de Jaxon contra ele, sua mente a controlava, insistindo-a a beber profundamente. A sensação dos lábios dela alimentando-se, era inebriante, fantástica. Esse corpo, ardente e apertado, era veludo om envolvendo, que colocava a prova os limites de seu controle.

Enquanto ela bebia, Lucian recitou lentamente as palavras rituais, uma vez mais. Desejava. Era a correção, a plenitude. Esta era sua autêntica companheira para toda a eternidade e desejava que a cerimônia fosse exata, para que não houvesse oportunidade de que ela escapasse dele. Nem possibilidade de que ela pudesse sofrer algum mal.

– Reclamo-te como minha companheira. Pertenço a você. Ofereço-te minha vida. Dou-te meu amparo, minha lealdade, meu coração, minha alma, e meu corpo. Do mesmo modo tomo em mim os teus para a guardá-los. Sua vida, sua segurança e bem-estar serão apreciadas e colocadas sobre os meus, sempre. É minha companheira e está unida a mim por toda a eternidade e sempre a meu cuidado.

Residiria nela para sempre, saberia imediatamente se algum perigo a ameaçasse. E ela residiria nele, lhe ancorando para que a fera interior não tivesse oportunidade de ser desatada sobre o mundo.

Seu corpo estava ardendo em chamas. Podia sentir-se perdendo o controle. Separou dela a compulsão de se alimentar, seguro de haver dado sangue suficiente para um verdadeiro intercâmbio. Com o ritual completo... Seu terceiro intercâmbio de sangue e seu emparelhamento... Permitiu-se a indulgência de se perder no corpo dela. Penetrou-a repetidas vezes, sentindo seu calor, seu fogo, tomando-a em seu interior, limpando a escuridão de sua alma. Todos aqueles séculos vazios, todas as escuras cicatrizes, embora terem sido necessárias, todos os pedaços perdidos... Ela de algum modo havia tornado a uni-los. O êxtase que oferecia seu corpo era quase mais do que podia suportar. Sentiu os músculos do sexo apertado em volta de seu membro, provocá-lo, lançando-o vertiginosamente, profundamente no interior desse feroz vórtice, lhe derretendo de tal forma, que estava explorando, rompendo, levando-a com ele ao desconhecido.

Jaxon se segurou em Lucian procurando segurança, um porto seguro na tempestade de sensações que a estava sobressaltando. Nunca tivera idéia de que podia sentir-se desta forma, não tinha idéia de que seu corpo fosse capaz de sentir e ter sensações semelhantes. Lucian estava sobre ela, cuidando em evitar que seu corpo a esmagasse, ainda firmemente dentro dela. Era sexy, erótico e terrivelmente íntimo. Saboreou a sensação dele em seus lábios, um sabor ligeiramente acobreado, masculino e aditivo. Estava sob ele, olhando-o com admiração.

Havia uma lembrança em sua mente, de seus lábios movendo-se sobre o peito dele. Mas quando tentou capturá-lo, o pensamento fugaz a trouxe imediatamente à consciência do duro membro dele enterrado profundamente em seu corpo. Ele estava se movendo gentilmente, como se a sensação de tê-la rodeando-o, fosse mais do que podia suportar passivamente. Suas mãos lhe emolduraram a face.

– Você é demais, Jaxon. Verdadeiramente formosa.

Jaxon se moveu contra ele, seu corpo tão ardente e inquieto como o dele. O tapete sob sua pele a acariciava como se fossem dedos. Os lábios dele se moviam sobre seu corpo mais uma vez, a língua acariciava seus seios, sua masculinidade celebrava sua habilidade em tomá-la, indulgente consigo mesmo.

Ela era calor e seda, tudo o que podia ter desejado. E o desejava com a urgente necessidade que ele sentia por ela. Observou a luz do fogo sobre o corpo dela, acariciando as sombras e luzes das linhas de seu pequeno corpo. Observou seu próprio corpo movendo-se dentro dela, a erótica vista aumentava seu prazer ainda mais. Inclinou a cabeça até um dos mamilos eretos porque podia, suas mãos acariciaram a pequena cintura e o estômago plano. Ao mesmo tempo seus quadris se moviam lentamente, pausadamente, aumentando o calor entre eles até que ambos puderam arder uma vez mais, em chamas de êxtase.

Jaxon desejava-o desta maneira, lento, longo e fácil, para durar para sempre. Desejava viver ali no porto seguro de seu corpo, onde os milagres realmente ocorriam.

– Lucian. – Disse ela com ofegante admiração, deslizou as mãos sobre seus ombros, o apaziguando.

E ele foi gentil com ela, amoroso, assegurando seu prazer, embora ao mesmo tempo, ela podia o sentir observando-a atentamente, esperando. Esperando que o condenasse. Captou o pensamento antes que ele pudesse censurá-lo e elevou a cabeça para encontrar os lábios dele com os seus, desejando afastar o medo a seu desagrado. Lucian não podia pensar que havia lhe feito mal, que ela não pudesse nunca o perdoar. O que estavam fazendo era formoso e certo. Sentia com cada célula de seu corpo. Como podia ele pensar outra coisa? Como podia condenar-se a si mesmo quando tinha sido tão gentil e cuidadoso com ela?

– Não quero que me odeie, anjo. – Ele inclinou a cabeça para beijar sua vulnerável garganta. – Procurei em suas lembranças, em seu coração e alma, e não encontrei evidência de ódio... Sequer por seu pior inimigo. É a única coisa que me dá esperanças.

Jaxon enredou os braços em volta de sua cabeça quando o corpo começou a se mover com mais agressividade, com investidas mais duras e rápidas. Seu próprio corpo procurou o mesmo ritmo que o dele, elevando-se para o encontrar de forma que pudesse o sentir profundamente em seu interior, uma parte dela. Precisava lhe abraçar para sentir a acumulação da tempestade, as chamas deslizando-se dele a ela, atravessando seus corpos, uma feroz conflagração que finalmente explodiu em mil fragmentos, fazendo que chovessem faíscas sobre eles.

Lucian rodou, arrastando-a para que ficasse sobre ele. A luz do fogo dançava sobre eles, embora o ar parecia ajudar a esfriar seus corpos. Suas mãos apartaram o selvagem cabelo loiro que caía em volta da face dela para poder olhá-la.

– É minha mulher agora, sabe disso. – Declarou.

O corpo dela certamente sabia. Sentia-o em cada célula, vivo, vivendo dentro dela. Sorriu, acariciou com as mãos, os músculos de seu peito.

– Estava zangado comigo por sair para fora, não é?

– Honestamente não acredito que pudesse me zangar contigo. – Disse ele, com confiança. – É minha vida. Meu milagre. Tive medo por você e eu não gostei da sensação. Nunca conheci o medo. Cacei e destruiu, entrei em batalha milhares de vezes e nunca conheci essa emoção. Agora a conheço e eu não gosto. – Sua mão lhe jogava o cabelo para trás, acariciando e retorcendo as mechas. Os dedos ocasionalmente encontravam a nuca de Jaxon, para massageá-la. – Está em sua natureza proteger os outros. É mais distinta do que imaginei, quando soube que existia.

Jaxón levantou a cabeça.

– Seriamente? Exatamente o quê você imaginou?

Ele sorriu a seus olhos escuros.

– Tenho o pressentimento de que minha resposta poderia me colocar em problemas. Acredito que permanecerei em silêncio.

– Oh! não, não o fará. Conte-me o tudo sobre essa mulher maravilhosa. – Jaxon bateu em seu peito, com ênfase.

– As mulheres de minha raça são altas e elegantes, com longos cabelos negros e olhos escuros. Nunca vão à caça de um vampiro ou um ghoul ou sequer de um louco, especialmente quando seu companheiro lhes pede que fiquem dentro de uma certa região. E antes que as considere submetidas, essas mulheres o fazem, porque têm fé completa na habilidade de seu companheiro para as protegê-las. Você se apressa em se lançar de cabeça, seu primeiro pensamento é por minha segurança em vez da tua própria. Eu sou o caçador mais poderoso que nossa gente conheceu, mesmo assim você acredita ter que me salvar de algo como um ghoul. – Ele sorriu e se estendeu para beijar o rostinho sério. – Não me queixo, anjo. Simplesmente estou estabelecendo um fato que estou começando a compreender.

– Alta? Elegante? E isso que significa? O que quer dizer com "elegante"? Que eu seja baixa não significa que não possa ser elegante. Visto jeans porque eu gosto e são cômodos. O cabelo longo e moreno pode ser formoso... O teu o é... Mas o cabelo loiro não tem nada de ruim. Ou o cabelo curto. É muito prático de cuidar. – Jaxon estava indignada.

A mão dele estava movendo entre seus cabelos. Lucian adorava o cabelo dela, as mechas sedosas e selvagens que saíam em todas direções. Encontrou-se sorrindo, novamente, sem razão. A Jaxon não importava que as mulheres de sua raça pudessem permanecer seguras dentro de casa, enquanto os homens saíam a caçar. Importava-se por ele tê-las descrito como altas e elegantes e com longos cabelos negros. Ele estava achando bastante divertido. Jaxon era Jaxon, um pequeno paiol de pólvora preparado para salvar o mundo. Ninguém mudaria-a. Ela não mudaria e menos ainda, seu próprio companheiro. Tinha que ser aceita como a pessoa que era.

A decisão de Lucian de convertê-la à raça Cárpato era o resultado de conhecer a natureza dela. Era a única forma segura de protegê-la de todo dano. Dormiria quando ele dormisse e sempre seria consciente de cada um de seus movimentos. Estaria nela, com ela, se algo ou alguém a ameaçasse. Era o único caminho que restava, se quisesse permiti-la seguir exatamente como era. Embora sua decisão podia muito bem provocar que ela o desprezasse.

O que está errado, Lucian? Lamenta ter feito amor comigo? – De repente Jaxon estava inquieta. Não tinha suficiente experiência para saber se o tinha agradado ou não. Pensava que sim, mas possivelmente não. Ele era intensamente apaixonado. Possivelmente ela não podia saciar sua fome. Depois, ele era de uma espécie completamente diferente.

– Como poderia alguma vez lamentar fazer o que desejei mais que tudo no mundo? Só para sua informação, anjo, tenho intenção de fazer amor com você umas quantas vezes mais antes que acabe a noite. E ninguém mais poderia me satisfazer. Para mim só há uma. Não qualquer outra mulher. Nunca. Não desejo nenhuma mulher alta, elegante ou de cabelo negro. Estou aficionado em seu cabelo curto e loiro e a este pequeno e perfeito corpo. Não se liberará de mim facilmente.

Jaxon sorriu e repousou a cabeça uma vez mais sobre seu peito. Profundamente, em seu interior onde havia se sentido tão maravilhada, foi consciente de um lento e tortuoso estirar-se e relaxar de seus músculos. Pressionou uma mão contra o estômago e ficou quieta, tentando descobrir o que acontecia. Era normal? Pareciam torções... Não, pior que que isso... Como se houvesse algo vivo movendo-se dentro de seu corpo, estendendo-se a cada órgão.

A mão de Lucian estava em sua nuca, aliviando a tensão de seus músculos repentinamente tensos. Ele estava muito quieta, como se sentisse que algo estava errado. Não lhe perguntou o que era. Não disse nada absolutamente. Simplesmente a abraçou apertado, protetora e possessivamente.

 

Jaxon estava tranqüilamente entre seus braços, levantando o olhar para a face de Lucian, com olhos grandes e escuros. Olhos enfeitiçados. Olhos aterrorizados.

– Sinto-me completamente doente de repente. – Ela sentou-se bruscamente, empurrando-o, para colocar distância entre eles. O terrível ardor de seu estômago aumentava a cada minuto que passava. Aumentava e se estendia como um fogo selvagem atravessando seu corpo. – Lucian algo está completamente errado. – Ela estendeu a mão, procurando o telefone que havia sobre uma pequena mesinha.

Lucian inclinou-se sobre ela e lhe tirou o receptor da mão.

– É a conversão que está tendo lugar em seu corpo. – Uma vez mais sua voz era totalmente inexpressiva. – Seu corpo deve livrar-se das toxinas humanas. – Disse ele com sua suave e prática voz.

Jaxon saltou longe dele, com os olhos enormes. Pressionou o estômago com as mãos. Parecia como se alguém passasse uma intensa chama de fogo por seu íntimo.

O que tem fez, Lucian? O que tem fez?

O fogo atravessou seu corpo e seus músculos torceram-se. Jaxon se viu caindo de costas até o chão impotente ante as dores e espasmos. Lucian estava ali antes que ela, embalando-a, sua mente compartilhando a dela de forma que ele carregava com o embate da horrível dor quando onda após onda a atravessava. Jaxon só podia segurar-se nele, aterrorizada, enquanto a agonia se arrastava por seu corpo.

Pareceu durar horas, embora em minutos a dor começou a decrescer. Pequenas gotas de suor lhe cobriam a pele e ela se sentia mais doente que nunca, exausta.

– O fogo, Lucian. Não posso suportar o fogo. Dói-me tudo. – Até os olhos me doem.

Ele ondeou uma mão e as chamas desapareceram. Uma brisa fresca atravessou o aposento, refrescando sua pele. Ela cravou as unhas no braço. Começava novamente. Ele sentia em sua mente, a dor que retorcia as vísceras, rasgando-a. Lucian estava consternado pela força dos ataque que levantavam e deixavam cair seu pequeno corpo. Sem seus braços rodeando-na sobre o chão. Este espasmo foi pior ainda que o último, seus músculos estava duros e tensos sob a pele.

Ela tentou pronunciar seu nome, sussurrando, quando precisava de uma âncora, mas não surgiu nada. No interior de sua mente, chamava-o aos gritos.

Lucian a rodeou, corpo e mente. Enviou-se fora de seu corpo e entrou no interior do dela. Seus órgãos estavam mudando de forma, suas malhas e células se transfiguravam. Fez tudo o que pôde para aliviar a dor, mas Jaxon era muito magra, muito pequena e a força dos ataques era dilaceradora para seu corpo, seus músculos estavam tão tensos que pareciam duros. Respirou com ela, para ela. Sustentou-a quando o corpo dela rechaçou os restos humanos e vomitou seguidamente. Limpou-lhe a face, retirando as gotas de sangue que desciam pela fronte e a balançou quando a onda de agonia remeteu.

Jaxón ficou passiva, conservando sua energia. Já não lutava com a dor e sua mente estava cuidadosamente em branco. Tinha os olhos totalmente abertos e o olhava indefesa, desesperando-se quando o seguinte ataque começou a sobressaltá-la. Lucian se encontrou amaldiçoando entre dentes, em sua língua ancestral. Esperou até que esteve seguro de que o vômito tinha passado, que as últimas toxinas tinham sido extraídas de seu corpo, antes de poder ordenar de forma segura, que ela dormisse.

Uma vez dormindo, limpou cuidadosamente seu corpo, depois limpou toda evidência de sua tortura do aposento. Gentilmente a levantou e a embalou contra seu peito. A sentia tão delicada, seus ossos tão frágeis. Enterrou a face em seu cabelo, as lágrimas ardendo em seus olhos. Levou-a através do porão até sua câmara de sono e a colocou no meio de sua cama. Parecia uma menina pequena sob o lençol que ela cuidadosamente colocara sobre ela.

Lucian se sentou e a observou durante longo tempo, seus olhos escuros pensativos. Quando ela despertasse, despertaria completamente Cárpato, precisaria de sangue para manter-se viva. Seria incapaz de caminhar sob o sol, sua pele e seus olhos seriam muitos sensíveis para permanecerem à luz. Olharia-o com aversão, com repulsa?

Esperou outra hora desejando assegurar-se de que ela dormia pacificamente, antes de deixá-la. Vestiu-se enquanto se deslizava escada acima e atravessava a casa. A noite era fria e clara, o vento fresco em sua face. Aspirou as histórias que contava a noite. Com passos apressados tomou os céus, voando para o coração da cidade. Precisava de sangue suficiente para os dois. Sua presa seriam os que vagavam pela cidade em busca de vítimas, acreditando-se seguros e poderosos na escuridão. Mas ele podia vê-los tão claramente como se o sol estivesse brilhando intensamente.

Aterrissou sobre a calçada, caminhando sem perder o passo, um homem alto e elegante vestido com um traje cinza. Parecia muito rico, em contradição com o que o rodeava. Não olhava nem a direita nem a esquerda, atuando como se não ouvisse nada, embora ouvisse tudo, inclusive o murmúrio baixo das conversas que vinham do outro lado da rua. Ouviu os sussurros de passos atrás dele. Um, depois o outro. Os passos se separaram. Seus atacantes vinha a ele de duas direções. Estas eram o tipo de pessoas que utilizava através dos séculos, os que tentavam lhe assaltar com a esperança de que tivesse algo de efetivo. Sempre lhes permitia atacar antes de sentenciá-los. Sempre se assegurava de suas más intenções, embora era fácil ler suas mentes.

Leu seus pensamentos, conhecia seu plano, sabia qual dos dois era o líder, o mais cruel, o que atacaria primeiro. Continuou caminhando, nem rápido nem devagar, olhando diretamente adiante, simplesmente esperando que eles fizessem o primeiro movimento. Estava a meio caminho da baixada da rua, chegando a um pequeno beco entre os apartamentos, quando o líder o empurrou. O homem era grande e forte, enredou um braço em volta da cabeça de Lucian, e o conduziu para o interior do beco. Lucian cooperou, indo na direção que o líder lhe indicava até que ambos os atacantes estiveram fora da vista, dos que pudessem estar observando das janelas.

Ele então voltou-se, tirando de um golpe, a faca da mão do líder. Segurando o homem entre suas mãos fortes, detendo ambos os assaltantes com uma suave ordem. Os dois valentões permaneceram em pé esperando sua atenção. Bebeu profundamente de cada um deles, sem se preocupar de que ambos ficassem fracos. Sempre requeria um tremendo controle, deixar homens como estes, vivos. Às vezes, quando lia suas depravadas mentes, achava quase impossível. Mas disse a si mesmo que era um guardião da raça dos Cárpatos e a raça humana se regia por suas próprias leis.

Lucian não se incomodou em plantar uma lembrança plausível em nenhum dos dois atacantes. Lembrariam haver tentando lhe assaltar e depois teriam um momento em branco e por mais que tentassem, não poderiam lembrar. Deixou-os no beco, sobre o chão sujo, sem estarem seguros do que tinha ocorrido.

Quando Lucian voltou, a casa estava fria e escura. Lucian adorava voltar para casa. Para Jaxon. Quase tudo na casa era algo que tirara das lembranças dela, coisas que ela amava, cores que achava reconfortantes. Obras de arte que tinha visto e admirado. Inclusive os cristais coloridos, incríveis obras de arte que a esposa de seu irmão havia criado. Haviam sido especialmente feitos para Jaxon. Tecida em cada peça, havia uma forte salvaguarda para a casa e tranqüilizadoras boas vindas e suavidade para os que moravam nela. Francesca era uma autêntica curadora e em sua arte, seu dom se mostrava.

Na câmara de sono, ele se despojou de suas roupas e recolheu Jaxon em seus braços antes de emitir a ordem para ela despertar. A conversão fôra completa e ela tinha descansado quase duas horas. Desejava uma confirmação antes da próxima sublevação. Jaxon se moveu, gemeu baixinho, como se lembrasse e depois sentiu seu coração palpitando com força. Estava completamente acordada, negando-se a abrir os olhos e enfrentar a verdade do que tinha acontecido. Lucian sentiu seu coração falhar no peito, o ar parou em seus pulmões. Este era o momento. Ela teria que aceitar no que se convertera ou ele teria que aceitar seu rechaço.

Lucian a sustentou entre os braços, observando as expressões que cruzavam a face dela. As pálpebras de Jaxon moveram-se, depois se elevaram e ele se viu olhando dentro dos grandes olhos escuros. Não viu condenação neles. Simplesmente o olhavam. Lentamente, ela levantou uma mão e esfregou o traço de apreensão que ele não havia notado que tinha na face.

O que tem fez desta vez? – Perguntou ela.

As mãos se Lucian acariciaram a face de Jaxon, afastando o cabelo das delicadas faces.

Acredito que já sabe.

– Se for o que acredito que é, pode ter certeza que eu tenha que recorrer à violência.

Estava fugindo novasmente, em não lidar com algo para o qual sua mente não estava preparada. Em lugar disso, seu dedo indicador estava esfregando uma pequena carícia em seus lábios.

– Não pareça tão preocupado, Lucian. Não sou feita de porcelana. Não vou me romper. Parece que o mundo vai acabar... Embora, tenho que admitir que doeu como o demônio e quando eu me sentir um pouco mais forte, pode ser que eu tenha que tomar represálias.

– Quero você, anjo. Não te faria passar através do sofrimento de uma conversão se não fosse necessário.

Jaxon sacudiu a cabeça.

– Não diga conversão. Não acredito que devamos seguir por este caminho. Conversão... Soa como um filme que vi uma vez. Era de vampiros e coisas repulsivas. Uma criatura realmente repugnante que mordia à heroína e depois lhe dava seu sangue. – Sua voz decaiu durante um momento e ele sentiu seu tremor, mas Jaxon seguiu com resolução. – Transformava-a em uma vampiresa viciada em sexo. Ela andava mordendo o pescoço dos homens e matando crianças pequenas. Realmente isso não é meu fortre. Não o de matar crianças. Não sei como será chupar o pescoço dos homens. – Um diminuto tremor atravessou seu corpo.

A mão de Lucian acariciava o cabelo selvagem, um braço a prendia possessivamente a ele.

– Nunca toleraria que mordesse o pescoço de outros homens, assim podemos te dispensar dessa preocupação.

– Me alegro. Embora, possivelmente teria gostado. – Tentava brincar.

Essa era uma das coisas que ele admirava tanto nela. Ela estava muito assustada, seu coração pulsava mais rápido que o normal, mas estava agüentando firme, sendo valente. Seu respeito por ela continuava crescendo.

– Sinto muito, anjo, mas terá que superar a desilusão de seja assim. Estou descobrindo que sou um homem ciumento.

Ela se aconchegou a ele, procurando subconscientemente, seu conforto.

– Parece um homem com completa confiança em si mesmo, Lucian. Não posso acreditar que seja ciumento. Por outro lado, ninguém mais me deseja.

As sobrancelhas de Lucian se elevaram.

– Não nota como os homens caem rendidos a seus pés? Aquele estúpido rapaz que desobedeceu suas ordens e entrou no armazém estava fazendo o mesmo... Você pensou que seu heroísmo era para alcançar promoções, mas a verdade é que ele queria que você prestasse atenção nele.

– Disso nada. – Jaxon estava escandalizada, e mostrou. – Ele tem influência política e a utilizou para entrar em minha equipe, apesar de que me opus totalmente. Não estava preparado e não era bom de equipe. Queria glória e títulos. Publicamente, minha unidade é tão anônima como possível, mas dentro é conhecida como a melhor. Benton definitivamente tinha a promoção... Não a mim... Em mente. – Declarou Jaxon, segura dos fatos.

Lucian inclinou a cabeça para roçar gentilmente um lado dos lábios dela com os seus. O ligeiro toque fez que seu coração se sobressaltasse e ela sentiu o salto de resposta do coração dele. Seus lábios apenas a tinham tocado, ainda assim sentiu o calor tomar todo seu corpo.

– Isso é o que ele aparentava, Jaxon, não o que tinha em mente. Queria se sobressair, para que você prestasse atenção nele.

– Certamente se ocupou disso de uma forma interessante. Fixei-me bem nele. Quase conseguiu que nos matassem. – Sua voz traiu seu rechaço, à opinião de Lucian.

– Eu estava ali, céu. Li sua mente com exatidão. Causa estragos entre os homens de seu departamento e agora, infelizmente, fará-o bem mais.

Jaxon sorriu desafiadoramente, para ele.

– Está brincando comigo, certo? Ninguém me deseja. Pensam que sou dinamite por causa de meu trabalho. – Disse ela, sem falsa modéstia.

– Está rodeada de homens todo o tempo quando trabalha. É impróprio para uma mulher dos Cárpatos estar desprotegida em companhia de outros homens.

Agora foram as sobrancelhas dela que se elevaram.

– Felizmente para mim, eu sou só uma simples mulher humana que trabalha para viver.

As mãos de Lucian acariciavam o cabelo dela, depois moveram para tocar a suave pele antes de voltar as indomáveis mechas loiras que tanto o intrigavam.

– Já não é mais. Não sou um homem moderno, anjo. Acredito firmemente nos deveres que me comprometi a fazer sob juramento. Você é minha autêntica companheira, meu coração e alma, a luz de minha escuridão. Não acredito que correr por aí procurando perigos seja o que quero para a luz de minha vida. Pense no que significaria para o mundo, meu amor, que algo te acontecesse. Resisti contra a escuridão durante mais séculos dos que posso contar, mas se algo acontecer, verdadeiramente me converteria em um monstro. Até os caçadores de minha família achariam impossível me rastrear ou me destruir.

– Não acredito, Lucian. Esqueça, estou me acostumando a estar em sua mente. Não se converteria num monstro. Só tenta conseguir que eu faça o que quer.

– Se acredita que me conhece... – Sua voz foi mais suave que nunca.

Jaxon franziu o cenho e se sentou cautelosamente, testando as respostas de seu corpo.

– Isso não é justo, Lucian. Não o conheço e você não me conhece. Nem sei como cheguei aqui. Não sei como permiti você assumir o controle de minha vida. E agora... Isto. Não sei que fez, mas sei que não é algo que eu quisesse, e não se incomodou em me consultar. Isto é parte de ser antigo? De ter nascido há séculos? A mulher não tem nada a dizer sobre sua própria vida? – Sua mão se arrastou defensivamente para a garganta. Não era a mesma, absolutamente. Podia sentir a diferença. E, pouco importava se queria ou não.

Estava numa cama, completamente nua e com um homem que virtualmente não conhecia. Não... Não era um homem. Algum poderoso predador que ela achava sexy. Ofegando, separou-se dele, segurando o lençol e envolvendo-se nele.

– Absolutamente... Não o conheço. Não posso acreditar que dormisse contigo.

A face de Lucian era mais sensual que nunca, mas ele franziu o cenho ligeiramente desconcertado, o fazia tão atrente.

– As mulheres de hoje em dia não dormem com seus maridos?

– Não estamos casados. Não me casei com você. Se tivesse feito, saberia. Casei-me? – Jaxon passou a mão pelo cabelo, enviando-o em todas direções, depois segurou apressadamente o lençol que deslizava precariamente. Olhou-o fixamente, desafiando-o a sorrir, ante seu apuro.

Lucian notou que seus séculos de controle agüentariam. Manteve seus traços completamente inexpressivos, quando desejava desesperadamente sorrir, com a alegria que enchia seu coração. Ela derretia sua alma, convertendo-o em alguém amável, quando tão seguro fora para ele, de que não havia possibilidade de sentir semelhantes sensação. Queria enredar os braços em volta dela e beijá-la até ver seus olhos escurecessem de desejo e seu corpo arder em chamas com o dele.

O que acredita que é um companheiro? Estamos casados segundo o costume dos Cárpatos. Presos por toda a eternidade, um ao outro, corpo e alma.

Ela saltou fora da cama, tentando aparentar dignidade, com o lençol enrolado em volta do corpo como uma toga e enredando-se em seus pés, impedindo liberdade de movimento.

– Outra vez você volta com palavras como, eternidade. Está vendo? Isso é exatamente do que estou falando. Não somos compatíveis. E eu não durmo com qualquer homem. Você me fez alguma coisa. Algum truque de magia negra. Vodu. Tenho algo de anormal, de amoral. Não me deito com qualquer homem e você soube.

Um sorriso sobrevoou perigosamente a face de Lucian. Os olhos negros brilharam para ela, percorrendo-a com uma lenta e ardente posse que dizia mais do que era possível expressar com palavras.

– Eu não sou qualquer homem, Jaxon. Estou mais que agradecido de que não se deite com qualquer. – moveu-se então, um brilhante felino da selva estirando-se perezosamente.

O coração de Jaxon palpitava fortemente e ela se afastava da cama, com os olhos totalmente abertos. em sua face.

– Pede-me que seja o que não sou, Lucian. Não me deste oportunidade de pensar.

– Que coisas? O que tem para pensar? Eu devo descansar na terra. Não posso fazer isso, se você não estar a meu lado. É um ímã para os problemas.

Instantaneamente, os olhos escuros de Jaxon chamejaram.

– Exato! Problema é o que tive contigo. Nem parece saber o que fez comigo. Não mostra nenhum remorso e sou eu a única que tem de se comprometer, exceto aqui, não há compromisso. Simplesmente você decidiu e e depois o faz. E doeu como o inferno! – E com esse grito de despedida, Jaxon saiu da câmara, como um furacão. A ponta do lençol, que se arrastava atrás dela, ficou preso na porta e saiu dela bruscamente. Jaxon simplesmente deixou que o lençol caísse no chão, proporcionando a Lucian um último olhar para a pálida e suave pele e as formosas curvas de seu corpo, antes de desaparecer de vista.

Lucian se estirou novamente, celebrando a sensação de seus músculos, da forma em que seu corpo se sentia vivo. Desejava-a. Desejaria-a, sempre. Nunca chegaria o dia em que estivesse completamente satisfeito. Estava sorrindo, incapaz de detparar. Ela era para ele um milagre perfeito. Quando a maioria das mulheres estariam histéricas antes a idéia da conversão, ela o enfrentava por ser um arrogante homem dos Cárpatos. Lucian sabia que Jaxon aceitaria a converção e não seria fácil. Parsa ele, necessária para assegurar sua contínua segurança. Jaxon não era uma mulher que pudesse ser colocada em um pedestal. Sempre estaria na medula do assunto, não importava o que ele decretasse. Uma vez que ele aceitara o fato, a personalidade dela e sua natureza protetora, restara uma única opção aberta para evitar o desastre.

Lucian passeou descalço pelo aposento e parou para recolher o lençol descartado. Sorriu outra vez. Nunca pensara que experimentaria o tal do ciúme, mas compreendia que não gostava da idéia de que outros homens estivessem perto dela. Sequer queria que pensassem nela, que fantasiassem com ela. Mais que isso, não queria que ela sorrise para eles. Não com esse sorriso inocente e sexy, ou tocá-los, da forma que os humanos faziam uns com outros. Viver com emoções era uma experiência interessante. Pior ainda, agora que Jaxon era completamente Cárpato, sua habilidade para atrair os homens, aumentaria. Sua voz se tornaria mais encantadora, tão memorável que os que a ouvissem desejariam ouvi-la novamente. Seus olhos atrairiam os homens a ela... Como se já não se sentissem atraídos.

Lucian suspirou e sacudiu a cabeça.

Moveu-se através da casa e subiu as escadas até o quarto dela. As gavetas tinham sido abertas de qualquer jeito, para ela poder pegar um pouco de roupa. Jaxon estava no espaçoso banheiro. Podia ouvir o barulho da água, do chuveiro. Lucian tocou sua mente gentilmente. Ela estava em estado de pânico e tentando se acalmar com atividades normais e humanos. Havia lágrimas correndo por sua face. Imediatamente, Lucian sentiu que precisava estar com ela.

Mas a porta do banheiro estava firmemente fechada. Apesar de tudo, Lucian se encontrou sorrindo outra vez. Jaxon não fazia idéia de seu autêntico poder. Ele podia ordenar mentalmente, que ela abrisse a porta. Um toque e a porta se abriria de par em par. Podia abri-la de mil maneiras. Seu corpo sólido reluziu durante um momento antes de se tornar transparente, depois se dissolveu em névoa. As gotículas fluíram através do olho da fechadura e se verteram no banheiro, misturando-se com o vapor da ducha.

Lucian surgiu da neblina, seu corpo musculoso se solidificou uma vez mais. Podia ver Jaxon, claramente, através do cristal do box. Ela apoiava a testa contra a parede e a água caía sobre sua cabeça e descia por suas costas. Parecia formosa, pálida e frágil. Tirava-lhe o fôlego. Silenciosamente, deslizou no interior da ducha e se estendeu para ela, virando-a para seu peito, sem lhe dar oportunidade de protestar.

– Não posso suportar suas lágrimas, meu amor. Diga-me o que quer que eu faça, farei. Você é a única coisa neste mundo que me importa. – Ele emoldurou-lhe a face com as mãos, para inclinar a cabeça dela, para ele. Inclinou-se para saborear suas lágrimas. Doía tudo por dentro, seu coração se retorcia com autêntica dor.

Jaxon sentiu a reação dele a suas lágrimas e soube que Lucian era sincero. Que ele estava aflito por seu pesar. Seus lábios se movia sobre a face dela, numa carícia gentil e persuasiva. Logo, ela pôde sentir a reação do próprio corpo, como seu coração igualava o ritmo do dele, como seu sangue começava a se esquentar, se acumular, a fazer demandas. O fato produziu um novo fluxo de lágrimas. Desejava-o. Desejava estar com ele desse modo. Lucian a abraçava protetoramente, meigamente. Ele era enormemente forte, mesmo assim era tão cuidadoso com ela, tão gentil. Adorava isso nele, adorava a forma em que ele precisava estar com ela , em que ansiava por ela, em que desejava só a ela.

Mas não queria desejá-lo. Não queria desejar ninguém.

– Eu quero que me deseje, Jaxon. – Sussurrou Lucian, em sua mente. – Quero que me conheça como a conheço. – Seus lábios vagou até o pescoço delgado, até a garganta suave. – Sei tudo sobre você e estou loucamente apaixonado. Amor não é sequer uma palavra forte para descrever o que sinto por você. Conceda tempo para me conhecer, Jaxon. Confia em mim, anjo. Tente, por nós. Tente...

Os lábios de Lucian estava criando um mundo de calor e cores, um lugar onde só eles dois existiam. Movia as mãos sobre seu corpo com delicioso cuidado.

– Agora sou como você, não é? – Sussurrou Jaxon, contra o peito dele.

Os dedos de Lucian encontraram sua nuca e moveram-se sob seu cabelo, o toque era possessivo.

– É Cárpato, céu. E, com todos os dons de nossa gente. A terra nos chama, o vento, a chuva, os céus. É um mundo formoso. Podemos correr com os lobos, voar com as aves, nadar nos rios com os peixes, se desejarmos. Posso te mostrar maravilhas que nunca viu o olho humano. Pode fazer coisas tão incríveis, que conhecerá uma sorte além do imaginável.

Jaxon deixou que ele beijasse as lágrimas de sua face, deixou que a fome dele se convertesse na sua. Havia loucura no que estava acontecendo, mas já não se importava. Não podia mais mudar o que era. Não podia desfazer o que ele tinha feito. E não conseguia odiá-lo, por fazê-lo. Jaxon queria se perder na escura paixão que só ele podia lhe dar. Queria que ele precisasse tão desesperadamente dela, que nunca tivesse que enfrentar o que ela era.

Moveu as mãos sobre o corpo másculo, traçando cada músculo definido. Lucian segurou a cabeça dela entre as mãos, quando se aproximou dele, com os lábios movendo-se sobre sua pele úmida, capturando pequenas gotas de água com a língua.

O corpo dele enrijecia dolorosamente, fazendo em urgente demanda, quando tudo o que desejava era reconfortá-la, dizer o quanto a amava por não o condenar. Desejava sujeitá-la entre os braços e deixar que ela chorasse se era o que precisava para ajudá-la a encarar o que tomara lugar dentro de seu corpo.

– Não está aqui para satisfazer minhas necessidades, meu anjo. Eu estou aqui para te servir. Deixe-me te abraçar. Faça perguntas para mim, as responderei.

Terror foi o que brilhou durante um momento nos olhos de Jaxon, depois ficou perdido entre uma furiosa chama de sensualidade. Suas mãos se moviam sobre os quadris dele, atrasando-se nos músculos de seu traseiro, explorando suas coxas.

– Quero me sentir viva, Lucian. Quero sentir que tenho algum poder, um pouco de controle sobre meu próprio mundo. Só quero sentir. – Suas mãos procuraram a grossa evidência do desejo dele, roçou-o ligeiramente com as unhas, guardou-o entre as mãos, inebriada em saber que ela provocaca sua dureza.

A cabeça de Lucian se tornou para trás e ele fechou os olhos. Mesmo centrado ao êxtase das unhas dela lhe acariciando tão intimamente, fundiu-se completamente com a mente dela, procurando sua maior necessidade, seu maior desejo. Ela havia deixado de lado a realidade, segurando-se aos pensamentos dele. Surpreendia-o saber como ela gostava de estar com ele, como adorava observar seus olhos mudarem do frio gelo ao calor fundido, a forma em que seu corpo se endurecia por ela, embora ele continuasse incrivelmente gentil. Os pensamentos dela roubavam seu fôlego, seu coração. Ela admirava sua coragem, desejava afastar a desolação de sua existência passada e estava decidida a que ninguém o fizesse mal. Desejava que ele estivesse em paz, que não se visse forçado a destruir às terríveis criaturas que percorriam seu mundo. Desejava agradá-lo e o que mais o tocou, ela estava preocupada com sua inexperiência.

Todo seu corpo sentiu, o ar abandonou apressadamente seus pulmões, quando os lábios sedosos, a boca calidamente úmida se fechou a sua volta. Ela podia realizar suas próprias fantasias eróticas, podia sentir o que estava fazendo com ele. Jaxon havia se perdido em seu recente poder e Lucian reagia com crescente desejo, uma fome e dura. Seus dentes se apertavam. Ela encontrou o ritmo inesperado movimento de seus quadris, deleitando-se na forma indefesa em que ele se movia em seu interior. Ela pode sentir na mente, que o tempo tinha desaparecido para ele. A realidade tinha desaparecido. Jaxon havia desaparecido e em seu lugar estava uma sereia, uma tentação que colocava a prova sua habilidade, para lhe roubar o controle.

Lucian não suportando mais, enterrou as mãos em seu cabelo e a trouxe para encontrar seus lábios. Ela se movia contra ele, seus seios o tentavam, suas mãos acariciavam e inflamavam. Ele beijou-a desesperadamente, enchendo seu tronco de carícias abrasadoras, enquanto mão encontravam, o úmido calor de seu sexo. Ele moveu os dedos para provar sua predisposição e encontrou-a ardente, apertando-se a sua volta. Ela precisava dele, com a mesma urgência que ele sentia. Que suas respirações tornavam gemidos.

–Lucian! – Jaxon gritou enviando uma penetrante onda de alegria que deslizou por ele.

Ela queria-o, nenhum outro serviria. Ele era seu autêntico companheiro e seu corpo clamava por ele e ele queria tudo dela. Sua mente, seu coração, seu corpo sua alma. E a mente dela estava cheia de ardente e faminto desejo por ele.

Lucian levantou-a nos braços e a colocou sobre ele. A imobilidade os tomou, repentinamente. Estavam ajustados, lisos e eroticamente dominados. Um som escapou de um deles... Dele ou dela? Nenhum dos dois sabia quem era Lucian e quem era Jaxon. Ela era apertada e perfeita e ele a enchia completamente, apertando-a em seu forte abraço. Jaxon lhe rodeou o pescoço com os braços, inclinando-se mais perto dele, pele com pele, coração com coração. Fechou os olhos e deixou que a beleza de sua união a dominasse, deixou-se dar voltas no espaço, firmemente abraçado por Lucian, desejando que a sensação durasse para sempre. Só os dois em seu mundo privado de fantasia erótica.

A forma em que ele a abraçava era incitante. Tudo na medida certa. Lucian era gentil e terno, mas movia-se profundamente em seu interior, cada investida os deixava anciando por mais. Lucian inclinou a cabeça protetoramente sobre a dela, envolvendo-a em seu amor, em sua suavidade e conforto, enquanto seu corpo a provocava com um êxtase perfeito.

Jaxon sentiu que seus músculos internos se estiravam e se enrijeciam. A sensação aumentava mais o prazer era mais do que podia suportar. Encontrou o ombro dele com os dentes, ofegando em busca de ar, de prudência, tentando prolongar o momento mesmo quando todo seu corpo rompia, fragmentava-se, girando fora de controle.

A mente de Lucian estava firmemente fundida a dela. Podia sentir como seu corpo reagia a ele e isso provocou sua própria explosão, intensificando a sensação aos dois. Podia sentir os estremecimentos dela, como o corpo dela se contraía e relaxava a sua volta.

Girou-a para que a cascata de água do cheuveiro caísse sobre eles. Jaxon se colou a ele, não suportando abandonar a plenitude de formar um só ser. Lucian a abraçou protetoramente, precisando reconfortá-la. Ela levantou a cabeça e o olhou com seus olhos aveludados.

Parecia frágil e vulnerável e Lucian temeu que ela pudesse se romper.

– Estou com você, Jaxon. – Sussurrou ele e gentilmente começou a separar seus corpos, sentindo-se quase abandonado. – Nunca voltará a estar sozinha. Resido em você como você sempre residirá em mim. – Ele continou abraçado a ela.

– Não posso pensar nisso, Lucian. Se o fizer, ficarei louca.

– Tudo vai estar bem, anjo. Que esperas de ti mesma? Aceitação instantânea? Ninguém poderia aceitar facilmente tal coisa. É um escuro dom. Vivemos em um mundo formoso, sim. Mas devemos pagar um alto preço pelos dons especiais que ele nos dá. E seu companheiro tem responsabilidades que o colocam em situações perigosas. Mudaria o que sou se pudesse... O anjo escuro da morte, como me chamam, minha gente... Mas sou um caçador do não–morto e temo que sempre serei.

Os grandes olhos dela brilharam com súbita fúria.

–O anjo negro da morte? Como podem ser tão terríveis com você, chamando-o assim? Que direito têm eles de te julgar? – Jaxon, instantaneamente virou uma jovem tigresa, incrivelmente protetora com ele e Lucian teve uma repentina visão dela com os filhos dos dois.

A idéia o fez desejar sorrir. Em vez disso, fechou a torneira do chuveiro e a tirou da ducha. Depois, envolveu-a com uma enorme toalha. Fechando os extremos, trouxe-a para seu corpo novamente.

– Sou um antigo homem dos Cárpatos, Jaxon. Tenho conhecimento e poder, inimagináveis. Minha gente sabe o quanto é perigosa esta combinação. Somos predadores, meu amor e podemos nos converter a qualquer momento, quando não temos companheiras. A maior parte dos homens se convertem desde menos séculos dos quais existi.

Ela o olhou fixamente.

– Não os desculpe. Estive em sua mente e você não é mais assassino que eu.

Ele sorriu, não pôde se conter. Ela continiava inocente, mesmo depois de tudo o que tinham compartilhado. Ela nunca seria o que ele era, um predador com um fino verniz de civilização e tremenda disciplina. Ela era sim, a luz de sua escuridão, sua salvadora, seu milagre e ela não podia notar. Jaxon não olhava a si mesma, através de seus olhos.

– O amanhecer se aproxima, Jaxon. – Ela sabia sem olhar a hora. Sua gente sempre sabia o momento exato da entrada e saída do sol – Venha comigo à câmara de sono.

Lucian sentiu sua instantânea relutância, o súbito temor que a sobressaltou. Isso o fazia real em sua mente, muito real para poder aceitá-lo. Estendeu uma mão para ela.

– Caminhe comigo. – Disse, gentilmente.

Jaxon olhou fixamente para a mão de Lucian, não desejava ir com ele, como se de algum modo pudesse permanecer no andar principal da casa, que a fizesse continuar sendo humana. Sentia-se dividida, desejando ficar, mas sem desejar ferir Lucian. Lentamente, colocou sua mão na dele. Os dedos de Lucian se fecharam em volta dos seus, quentes e seguros.

– Sempre estará a salvo comigo, Jaxon. Se acredita, superará isto.

Ele se aproximou dela até que ela esteve sob o amparo de seu ombro e pôde enredar o braço a sua volta. Moveram-se juntos pela casa, baixando a escada de caracol, através da cozinha para o interior do porão. Lucian sentiu a dúvida dela quando entraram no estreito corredor que baixava até a câmara de sono. Estava ali em sua mente, a idéia de fugir de volta. Lucian simplesmente apertou seu braço, inclinando a cabeça para roçar seus lábios contra as têmporas dela em um pequeno gesto de ânimo.

– Em todos os séculos de minha existência, Jaxon, nunca encontrei a uma mulher como você.

Sua admiração e amor por ela estava na suave pureza de sua voz. Deliberadamente, igualou sua respiração com a dela, seu coração com o dela para poder regular seu passo aterrorizado, até um tom mais tranqüilo. Facilmente se moveu em sua mente, aquietando o caos num ligeiro toque, para dar uma certa tranqüilidade, aceitação, facilitando o passo pela difícil transição. Lucian estava cuidando em não arrebatar sua livre vontade, mas não podia suportar que ela sofresse. Comovia-o, como nada em sua vida. Tinha que fazer algo por ela, para protegê-la. Tinha a habilidade de apagar cada terrível lembrança de sua mente, limpar todo seu passado. Tinha a capacidade de assegurar-se de que ela aceitaria ser uma Cárpato, de fazê-la acreditar que sempre tinha sido, embora soubesse que era errado. Ainda assim, a idéia dava voltas em sua mente. Desprezou-se por deixá-la sofrer, por lhe causar a dor física da conversão e agora sua agonia de tentar aceitar o que ele havia feito.

– Odiaria-o. Cedo ou tarde não seria capaz de viver com a mentira, Lucian. – Disse ela tranqüilamente.

Ele baixou a vista para ela, um negro e amoroso olhar. Ela o fitava com enormes olhos marrons e um indício de riso.

– Não acreditava que aprenderia a ler sua mente tão facilmente, não é?

– Não, não acreditava que escolhesse lê-la. – Presumia, por ter captado esse pouco conhecimento.

Ele abriu a porta da câmara e retrocedeu para deixá-la entrar primeiro. Agradava-o que ela tivesse escolhido ler seus pensamentos. Era uma intimidade entre companheiros, compartilhar pensamentos e sentimentos, sem palavras. Um vínculo privado.

– Continuamente me deixa atônito. – Admitiu. E realmente ela o deixava. Lucian se surpreendia com sua habilidade para adaptar-se a cada nova situação. Só o fato de que pudesse sorrir era assombroso.

Jaxon segurou a toalha, procurando a sua volta alguma proteção, para que ela não se sentisse tão vulnerável. Estendeu uma imaculada camisa branca de seda e ela deslizou os braços para dentro. Suas pálpebras baixaram velando sua expressão, quando ele começou a abotoar a camisa e seus dedos lhe roçavam a pele nua.

O que era essa criatura que se lançava contra o muro? Não era um vampiro, não é? Parecia incrivelmente estúpida.

– Era um ghoul. O morto que caminha. Não um não–morto, como o vampiro. Era um servo do vampiro. Um servente. Uma marionete. Como te disse, o vampiro posso utilizar humanos para fazer sua vontade durante o dia, enquanto ele descansa. O ghoul vive só para fazer os desejos do vampiro. Alimenta-se do sangue do vampiro e a carne dos mortos.

Jaxon gemeu cobriu os lábios.

– Não sei por que te pergunto essas coisas. Sempre me diz algo selvagem. E não é que não saiba que o vai fazer. É que sei e pergunto. – passou-se uma mão pelo cabelo, enviando mechas úmidas em todas direções.

Lucian estendeu a mão automaticamente e alisou o cabelo dela, de volta a seu lugar.

– Um ghoul é perigoso porque nunca se detém até que seja completamente destruído.

Ela assentiu, dando voltas à informação em sua cabeça.

O que há no muro? Que tipo de sistema de segurança você usa nele? Já te ocorreu que uma criança poderia tentar escalar esse muro?

– Se uma criança tentasse escalar o muro, não aconteceria absolutamente nada. – Respondeu ele. – O muro só reage ao mal.

Ela assentiu novamente, mordendo o lábio inferior.

– Naturalmente. É obvio. Por que pensaria outra coisa?

– Venha para a cama, anjo. – Convidou ele, brandamente.

Ela não estava olhando-o, seus olhos estudavam cuidadosamente as paredes circundantes. Lucian havia sido meticuloso na construção desta casa, assegurando-se de que parecia ser uma réplica de um dormitório do andar de acima. Ligeiramente, ele tocou a mente dela, desejando corrigir o que pudesse estar errado. Esforçou-se em evitar que um sorriso se mostrasse em sua face. A reação de Jaxon não tinha nada que ver com a casa, nada a ver com sua conversão e tudo a ver com o corpo nu dele e o que fizeram juntos.

Lucian deslizou até a cama e cobriu a parte inferior de seu corpo com um lençol.

– Vais continuar passeando pela câmara todo o dia?

Possivelmente. – Respondeu ela, tocando as paredes, percorrendo-as com a ponta dos dedos para sentir a textura. – A que profundidade estamos?

Lucian movimentou os ombros, um ondeio casual de músculos, mas seus olhos estavam vigilantes.

– Tem algum problema em ficar clandestinamente? – Ele era uma sombra em sua mente e sabia que ela não sofria de ansiedade por estar clandestinamente. Era relutante a meter-se na cama, temia dormir e despertar. Jaxon temia enfrentar à verdade.

Olhou-o fixamente, mais cômoda por ele ter coberto sua nudez. Seu comportamento parecia não ter sentido nem para ela mesma. Por que desejava estar com Lucian, tão desesperadamente? Não era próprio dela. Ele tinha sido honesto desde o começo sobre quem e o que era, mas ela simplesmente aceitara tudo o que ele havia dito, tudo o que ele tinha feito.

– É minha companheira, Jaxon. Nasceu como a outra metade de minha alma. Seu corpo e mente me reconhecem. Seu coração e alma clamam pelos meus. É o costume de nossa gente.

– Eu não sou Cárpato. – Disse ela, na defensiva, enquanto levava a mão protetoramente, à garganta. – Por que aconteceria?

– É muito mais misterioso para mim que para você. Tudo o que me disseram é que algumas mulheres humanas e com poderes psíquicos são autênticas companheiras para nossos homens. – Lucian suavizou sua voz, deliberadamente, evocando uma consoladora e tranqüila calma. – Obviamente assim é. – Uma vez, ele mais se fundiu completamente com ela, ralentizando seu coração e pulmões, permitindo-a encontrar a força para atravessar o aposento e deslizar-se para a cama, junto a ele.

Lucian enredou os braços firmemente a sua volta, abraçando o pequeno corpo que relaxou-se contra o dele imediatamente. Seu toque acalmou a crescente onda de terror que a atravessava. Jaxon se sentia espancada emocional e fisicamente. Tinha muitas perguntas mas não desejava que fossem respondidas, temendo suas próprias reações, ante o que ele podia contar.

– Só quero dormir, Lucian. – Ela disse e sua cabeça se aconchegou contra o ombro dele. – Podemos dormir, simplesmente?

Ele sentiu-a conter o fôlego. Ela não queria dormir, queria fugir. Roçou-lhe a cabeça com um beijo e os dedos moveram meigamente em seu cabelo.

– Durma, anjo. Estará a salvo comigo. – Ele tomou o controle, enviando-a a um profundo sono imediatamente, para que ela não tivesse oportunidade de lutar contra a ordem.

Não dormiriam nesta câmara ou nesta cama, esta noite. O corpo dela precisava rejuvenescer, precisava da cura que só a terra podia oferecer a um autêntico Cárpato. Lucian não tinha intenção de obrigá-la a enfrentar essa realidade particular de sua existência. Ele era seu companheiro e como tal, velaria por sua saúde, por sua felicidade. Mas queria economizar os detalhes que achava desnecessários que aprendesse, em uma etapa tão recente.

Elevou seu corpo em braços, depois se concentrou na parede da esquerda. A parede se moveu para revelar uma estreita passagem de pedra que conduzia às profundezas do coração da terra. Seguiu-a para baixo, até a rica e escura cama de terra que havia preparado dentro da rocha. Ondeando uma mão, abriu-a. Depois flutuou para o interior da cama, embalando o corpo de Jaxon contra ele. Colocadas a salvaguardas, os lobos correram livres e ele fechou todas as portas para que sua guarida ficasse oculta a qualquer intruso. Novamente, colocou salvaguardas em cada porta, no próprio corredor e sobre eles na cama de rocha. Só então enviou Jaxon ao profundo sono de sua gente, detendo seu coração e pulmões, para que ficasse tão imóvel como se estivesse morta, no interior da terra. Enquanto ondeava uma mão para ordenar à terra que se fechasse sobre eles, enviou seu próprio corpo ao sono dos Cárpatos. Seu coração palpitou durante um momento, depois cessou de pulsar. A terra continuou vertendo-se sobre eles até toda ela esteve em seu lugar, imperturbável como se estivesse assim a séculos.

 

O sol se movia lentamente atravessando o céu. A casa sobre a colina permanecia em silêncio, as formosas janelas de cristais coloridos refletiam os raios de luz de volta ao sol.

Dentro tudo estava tranqüilo, o próprio ar imóvel, como se a casa estivesse viva e esperando alguma coisa. Quando o sol começou a descer, nas profundezas da terra um só coração começou a pulsar. Lucian esquadrinhou a região em volta do imóvel enquanto abria a terra sobre eles. Tudo estava tranqüilo. Flutuou da terra de volta ao conforto de sua câmara de sono. Deitou Jaxon sobre a cama e ao mesmo tempo ondeou uma mão para acender as velas. As chamas dançarinas deixaram sombras reconfortantes e essências de ervas na habitação.

Lucian inspecionou o corpo de Jaxon cuidadosamente, para assegurar-se de que nenhuma só partícula de terra permanecesse, que ela despertaria limpa e refrescada. Enviou-se a ao interior do corpo dela para poder examinar seus órgãos internos e ver por si mesmo que ela estava completamente curada. Só quando esteve satisfeito, de que tudo estava bem, a liberou do sono dos Cárpatos até o sono ligeiro dos mortais. Sentiu-a tomar seu primeiro fôlego, ouviu o primeiro batimento de seu coração. Suas mãos foram à pequena cintura sob a seda de sua camisa, para poder sentir a suavidade de sua pele.

Sentiu o instantâneo ressurgir do calor correndo por seu corpo em resposta e se encheu de alegria. Ela estava com ele. Estaria com ele a cada sublevação. Afastou a camisa de seu estômago e inclinou a cabeça para saborear sua pele. Suas mãos seguiram a suave curva dos quadris de Jaxon. Estava se familiarizando com sua delicada estrutura óssea dela, com as linhas de seu corpo. Sua pele era macia sob suas mãos e lábios acariciantes. Desceu os lábios, desejando saboreá-la, desejando que ela despertasse ao erótico prazer que só ele podia proporcionar.

Ela era macia, mel . Estava tão suave que queria se arrastar dentro dela. Soube o momento em que ela despertou, o momento em que esteve completamente consciente dele, do que ele estava fazendo, da crescente e gigantesca onda de fome que se apressava a atravessar seu corpo como uma bola de fogo, para igualar a lava fundida que corria através dele.

- Lucian! - Ela gritou seu nome, à maneira íntima de sua espécie, seu corpo ardente, intranqüilo e dolorido pelo desejo. Ardendo por ele. Precisava dele. Precisava do que ele estava fazendo, precisava da sensação dele ardente, duro e grosso em seu interior, celebrando a terrível tempestade que se acumulava. Seu corpo ondeava de tanta vida, com tanto prazer, que ela gritou seu nome outra vez e suas mãos o puxaram para tentar arrastá-lo sobre ela.

Lucian cobriu seu corpo. Sua entrada era ardente, um cremoso convite. Quando se pressionou contra ela, introduzindo-se em seu apertado sexo, Jaxon gemeu ao reagir seu corpo, contraindo-se e aferrando-se.

Lucia, a penetrou com força e rapidez e seus quadris a conduziam a uma tempestade de fogo.

Jaxon estava obstinada a seus braços, com a face contra seu peito. Sentia o calor acolhedor de sua pele, podia sentir o pulsar seu coração, o ritmo incitante de sua pulsação. Ela esfregou o nariz contra seu peito quase impotentemente. Moveu os lábios sobre sua pele. Seu corpo envolvia o dele, com urgência. Os dentes dela mordiscaram o peito dele, sobre sua pulsação e ele sentia a própria resposta, endurecendo ainda mais dentro dela. Ele estava duro e pesado, seus quadris investiam profundamente. Jaxon brincou com a língua sobre a pulsação dele, seguidamente.

- Deus. anjo. Preciso de você. Faça. - Sua voz sussurrou na mente dela, sobre a pele dela, suplicando com dolorida necessidade.

Ele estava incontrolável, selvagem em sua intensidade, seu corpo frenético pelo dela. Toda ela. A língua dela se retorceu novamente e ele gemeu, enterrando-se com ferocidade dentro dela. - Jaxon. Por favor, anjo. - Suas mãos seguraram os quadris dela, exigindo selvagemente sua posse, em longas e duras investidas.

Havia prazer, muito prazer e Jaxon permitiu que ela a cobrisse, que a consumisse. A pulsação dele era fascinante. Ouviu seu rouco lamento, sentiu sua mente fundida solidamente à sua, para fazê-la sentir o látego ardentemente branco do relâmpago que o atravessaria, quando ela cravou os dentes profundamente no peito dele e a essência de seu poder, seu sangue ancestral, fluiu nela.

Jaxon sentiu o que seu corpo estava fazendo, o ardente fogo que a rodeava, colando-se a ela firmemente. Sentiu a intensidade de seu prazer, tão profundo e real.

Sua língua acariciou o peito de Lucian, fechando as diminutas incisões, quanto os músculos do corpo masculino se estiravam sob suas mãos e seu próprio corpo se fragmentava, levando-o com ela. Ouviu a própria voz, um som em sua garganta, suave e rouco. Saboreou-se, sua terrível fome saciada, enquanto seu corpo pulsava e ardia, explodindo na noite para se converter em parte do tempo e do espaço.

Jaxon levantou o olhar para ele. Olhos escuros e totalmente tomados com surpresa. Não podia acreditar nas coisas das que seu corpo era capaz de sentir. Não podia acreditar que acabasse de fazer algo tão voluntariamente. Desejava que seu corpo rechaçasse o alimento, mas saboreou-o, saboreou Lucian em seus lábios, como um néctar aditivo.

Depois, afastou-o. Queria, precisava...Pensar. O olhar dele se suavizou, negro veludo, escuro e perigosa, percorrendo lentamente sua face. Havia possessividade em seus olhos. Fome. Escuro desejo. Ele inclinou a cabeça para acariciar a suave coluna, com a língua.

– Não estou seguro de que esta sublevação seja o bastante longa para saciar minha fome. Desejo você novamente.

- Não é possível que possa! – Ofegou ela, mas já estava acariciando o corpo dele, inquieta e ansiosa por ele.

– Nós não estamos presos a limitações. – Sussurrou ele, brandamente, procurando sua garganta. – Tenho muito que te ensinar.

Horas depois, Jaxon se estabeleceu numa cadeira na biblioteca de Lucian. Seu corpo estava deliciosamente machucado, ainda sensível a interminável posse dele. Ele fora gentil e terno, selvagem e indomável. Sempre olhando-a com olhos famintos. Somente quando notou que ela estava exausta, a levou para o banheiro, onde a lavou com mãos acariciantes, extremamente cuidadosas. E Jaxon não se sentia segura de ser capaz de fitá-lo sem atacá-lo novamente. Tentando mostrar-se indiferente, abriu o jornal e percorreu ociosamente os diferentes titulos. De repente, seus olhos se abriram, desmesuradamente, tomados de surpresa.

– Samuel Barnes morreu ontem.

Lucian parou de trabalhar em seu computador. Estava fazendo tudo o que podia para lhe dar um pouco de espaço, lendo sua mente cuidadosamente. Sua voz era tímida com ele, mesmo após as eróticas horas que haviam passado juntos. Uma sobrancelha se elevou, quando a olhou acima do ombro.

– O banqueiro? – Sua voz foi estritamente neutra.

– Sim, o banqueiro. O Senhor Banqueiro Internacional. Acaba de morrer em sua casa. Um empregado o encontrou caído ao chão, ainda tentou recuperá-lo, mas sem êxito. Suspeito que ele era um peixe gordo no tráfico de droga em nossa cidade, mas nunca consegui algo sólido contra ele.

– E como morreu?

Os enormes olhos de Jaxon o avaliaram firmemente acima do jornal.

– Não suspeitam de jogo sujo. Não há evidência disso. – Em todo o momento, a voz dela possuía um tom de suspeita. – Não conhecia Barnes, conhecia?

– Jaxon. – Lucian disse seu nome, intimamente, sua voz a agasalhou em lençóis de cetim, detendo-se efetivamente em seu coração. – Não estará me acusando de nada. Está?

Jaxon se encontrou ruborizando-se sem nenhuma razão, exceto a forma em que ele a olhava. Lucian era sinônimo de controle. Podia ser mortífero, mas guardava silêncio sobre isso. Nunca parecia permitir que nada o afetasse. Até que a fitava. Podia ver sua fome ardendo lenta, sob a superfície, em todo o momento em que seu escuro olhar descansava sobre ela. Ele era muito sexy, simplesmente olhar para ele, a incitava. Agora não era o momento de fazer insistência em tudo o que havia acontecido entre eles. Parecia-lhe que que estava fazendo medianamente bem, segurando-se a sua prudência, com a ponta dos dedos. Adiava eficazmente, a encarar a verdade de que Lucian fizera sua "conversão" e o que ela fizera com ele após. As mulheres dos Cárpatos deviam ser maníacas sexuais, porque a autêntica Jaxon definitivamente não era. Sacudiu a cabeça, decidida a não sair do assunto. Lucian teria conhecimento da conexão de Barnes com ela? O que estava pensando? Como era possível Lucian conhecer Barnes? Não podia o acusar de tudo.

– Não, é obvio que não.

Observou-o voltar-se para a tela do computador. Ele parecia muito atento em seu trabalho, embora ela não fazia idéia do que ele estava fazendo. Uma dasvezes que encontou perto dele, notou que ele recebia um e–mail de Gabriel, seu irmão gêmeo.

Dois como este, no mundo! Deus! Essa era uma idéia arrepiante.

Voltou para sua leitura. Na segunda página havia um pequeno artigo sobre um carro que caíra de um escarpado. O ocupante não havia sobrevivido. Jaxon estremeceu quando leu o nome. Era muita coincidência.

– Lucian.

Instantaneamente teve sua completa atenção. Adorava isso nele. Lucian agia como se tudo o que ela dissesse ou fizesse fosse de máxima importância para ele.

- E é. - A voz dele sussurrou intimamente na mente dela. Um som acariciante que lhe roçou a alma.

Jaxon lançou seu olhar mais intimidante para ele.

– Mantenha-se fora de minha cabeça, fenômeno. Eu sou a única aqui, que tem permissão para ler meus pensamentos. – Jaxon franziu o cenho de repente. – Toda sua gente pode ler os pensamentos dos outros?

Ele se encolheu de ombro

– Sim e não. Não é o mesmo entre companheiros. Há um vínculo padrão de comunicação para nossa gente e outros mais privados que se estabelecem com o intercâmbio de sangue. Eu posso ler a mente de Gabriel e sempre poderei, mas quem quer fazer isso agora? Tudo o que ele pensa é em Francesca. Bem, em Francesca e nas meninas. Skyler é sua pupila, uma adolescente de que uma vez abusaram. É humana e psíquica. E eles têm agora, uma menina pequena, ainda não tem um ano. Gabriel as protege muito e com razão, mas se converteu num velho resmungão.

Jaxon estalou em gargalhadas.

– Não posso imaginar alguém que pareça você, atuando como um velho resmungão.

– Não sei como Francesca o agüenta. – Lucian se deleitou com o fato de que agora experimentava genuíno afeto por seu irmão gêmeo. Não era a lembrança de afeto ou o desejo de senti-lo, mas uma emoção verdadeiramente profunda. Jaxon fazia isto por ele. Sua Jaxon. Seu milagre. Seu olhar descansou possessivamente sobre ela. Ela era rápida, colocando seu mundo de pernas para o ar.

Tudo era diferente. Cada vez que a olhava, seu coração se fundia, literalmente amolecia e o tornava suave e quente por dentro. Podia ficar olhando-a por toda a eternidade e nunca se cansar. Ela possuía covinhas que se acentuaram inesperadamente, depois se fundiram em seu sorriso. Seus olhos sustentavam a risada quando zombava dele. Ela zombava dele. Era um milagre que alguém se atrevesse a tanto. Adorava a forma em que ela se movia. Era pequena mas perfeitamente proporcionada. Era tranqüila e fluídica, toda graça e feminilidade, embora ela pensasse que projetava uma imagem de mulher dura.

Tudo nela o fazia sorrir... Tudo, de sua cabeça à ponta dos pés. Especialmente sua pequena boca tentadora. Adorava seus lábios. Cada vez que a olhava, seu corpo fazia instantâneas e urgentes demanda. Deleitou-se, na ardente e forte fome que em só olhar para ela uma vez, podia produzir.

Uma bola de papel de jornal chegou voando até ele, que a apanhou ausentemente no ar.

– Está-me ouvindo? Justamente estava pensando o quanto era legal que estivesse preso a cada uma de minhas palavras e agora você fica aí sentado como um tolo, com o olhar perdido no espaço. Onde estava? – Perguntou Jaxon.

– Não estava dizendo nada.

– Sei que o fazia. – Não a incomodava dizer uma pequena mentira, para provar que ele não a estava ouvindo. Olhou-o indignada.

Ele estivera a alguma distância dela, sentado na frente do computador, mas agora se erguia sobre ela como uma espécie de anjo vingador.

– Não disse nenhuma só palavra. – Reiterou ele. Parecia divertido e tolerante. Parecia um preguiçoso felino estirando-se. Estava com o olhar que a fazia saber que era mais perigoso para ela que nenhum outro. Parecia sortear suas defesas facilmente. Convertia seu íntimo em lava fundida e enviava imagens eróticas a dançar em sua mente.

Jaxon recostou-se contra as almofadas e elevou a mão para ele, para adverti-lo.

– Essa... Esse jeito de andar tão rápido...Que faz, tem que acabar.

Ele arqueou uma sobrancelha e ela sentiu desejos de tocar sua face com a ponta dos dedos, traçar cada sobrancelha e a sombra de seu queixo. Cuidadosamente, Jaxon colocou as mãos sob ela e sentou em cima. Os olhos, completamente inocentes. Ele faria bem em ler sua mente nesse preciso momento. Olhou-o fixamente só no caso de ver se ele estava lendo sua mente, para lhe mostrar que falava a sério.

– Tem facilidade com as palavras, céu.

Gostava de observar seus olhos. Podiam ir do frio gelo obsidiano a brilhar como jóias, em questão de segundos.

– Verdade? – Ela parecia contente.

– Não estou seguro de que dissesse como completo. – Assinalou ele com uma careta.

– Informam de um acidente no jornal. – Jaxon mudou de assunto, com um pequeno suspiro.

– Isso você já disse.

– Outro acidente. Um homem conduzia seu carro acabou caindo pelo escarpado. A polícia estatal acredita que ele saiu diretamente da estrada. Não havia marcas de derrapagens absolutamente.

– E o significado disso é...? – Incitou ele.

– O homem trabalhava para Barnes. Simplesmente é muita coincidência que ambos morressem tão repentinamente. Possivelmente, o chefão da droga se incomodou com ele por alguma coisa. Teria que fazer algo a respeito. Se pudesse estar segura de que você estaria a salvo de Drake, enquanto saio para trabalhar... – interrompeu-se, levantando o olhar para o teto, como se fosse encontrar a resposta ali.

Um lento sorriso amenizou os lábios dele e acrescentou suavidade a seus olhos.

–Agradeço-te, companheira, que minha segurança esteja sempre tão em alta prioridade. Demonstra o quanto sou importante para você. – Havia terminado com êxito, a qualquer oportunidade de insubordinação por parte dela em questão de segurança. Se agora ela se preocupava com ele, simplesmente desfrutaria da idéia.

– Isso, você acredita. Tem uma arrogância incômoda. – Chiou Jaxon, indignadamente e teve que soltar asmãos para voltar a segurar o jornal. – Simplesmente não quero publicidade sobre algum peixe gordo como você, assassinado em minha presença. Tenho uma reputação em que pensar, sabe disso

– Falando de reputações, quem é Dom Jacobson?

Ela pareceu surpreendida.

– Como sabe de Dom?

– Estava falando com ele na noite passada, por telefone e esteve pensando nele.

– Na verdade, não há segredos para você, não é? – Não queria pensar com quanta freqüência fantasiava com o Lucian. Neste momento estava pensando em coisas, que logo trouxeram cor a sua face.

Lucian não ia deixar ela se distrair.

– Quem é Dom?

– Cresci com ele na Florida. Antes de começar uma de suas caçadas aniquiladoreas, Drake sempre volta aonde começou tudo. É uma espécie de ritual. Volta a repassar todo o curso de treinamento várias vezes, acampa fora, quase como se jogasse o esconderijo aos novos recrutas. Ninguém o viu, nunca e nunca matou ninguém lá, mas ele deixa pistas para zombar de todos eles como se fosse superior.

– A Florida está do outro lado do país.

– Isso não importa. Ele sempre começa lá. Esperava que possivelmente estaria ainda lá quando chamei Dom. Foi um tiro no escuro, mas tinha que tentae. Poderíamos ter pegado no aeroporto ou o deter na auto-estrada para cá. Não houve tanta sorte. Drake encontrou seu palácio real, como eu esperava que fizesse. Agora tenho que me pegar a você e protegê-lo de sua própria arrogância.

– Me alegro muito de ser um homem arrogante. Agrada-me que tenha uma razão para se pegar a mim e me proteger. – Lucian estendeu uma mão e acariciou a face dela, com com a palma, com deliciosa gentiliza.– Não respondeu, para minha completa satisfação, sobre que é este homem, Dom Jacobson, para você. – Sua voz era suave e íntima.

– Não tenho que me justificar ante a você. – Ele estava causando estragos em seu íntimo, derretendo-a como manteiga. Só olhar para ele, a fazia sentir-se fraca e trêmula. – Faz calor aqui. – queixou-se.

– Os Cárpatos podem regular a temperatura de seus corpos.

Ela assentiu.

– É obvio que podem. Por que não pensei nisso?

Lucian se apoiou contra ela para que o calor de sua pele tocasse a dela, através do tecido de sua blusa e acariciou as mechas de cabelo loiro.

– Está um pouco quente. – Ele franzia o cenho, enquanto comprovava a sua temperatura. Tocar a pele de Jaxon era aditivo. qQanto mais tocava, mais precisava tocar. – Pense em te sentir fresca, anjo. Automaticamente, estará.

Ela empurrou-o levemente. Quem podia pensar em sentir-se fria e fresca, com ele estava tão perto?

Se afaste de mim, Lucian. E, deixe de me me olhar dessa forma.

– Como estou olhando você?

– Você sabe. – Acusou Jaxon e deliberadamente voltou a segurar o resto do jornal. –Se me tocar outra vez, vou romper num milhão de pedaços.

– Só queria te desejar. – Murmurou ele inocentemente, sua voz suave e deliberadamente sedutora. Inclinou a cabeça para tocar a pulsação freneticamente de seu pescoço, com o calor de seus lábios. Sentiu-a saltar sob sua língua exploradora. A ponta de seus dedos tocou a pele, afastando o fino decote de sua blusa para deslizar-se pela delicada pele. Sentia-a acetinada para ele, incrivelmente suave. O desejo se elevou, agudo e urgente. Apoiou seu peso contra ela, obrigando seu corpo a recostar-se para trás, no sofá. Acariciou um dos seus seios, com a palma de sua mão, enquanto seus lábios tomava posse dos dela.

Aspirou-a, tomando sua fragrância no interior do próprio corpo. Ela era pequena sob suas mãos errantes, perfeitamente formada, um milagre de pele suave e cabelo sedoso. Mesmo quando seu corpo fazia demanda e sentia sua aceitação, seu desejo e vontade de apaziguar sua fome, Também sentiu seu cansaço extremo. Ela ainda estava machuca, pois era frágil e inexperiente. Deveria ter mais cuidado com ela. Fora muito exigente. Ela estava com a razão, vira que estavam um pouco fora de controle.

– Sinto muito, céu. Deveria ser mais cuidadoso. – Beijou-lhe a têmpora e depois acariciou o cabelo sedoso. – Posso curar você. – Ofereceu.

– Não me fez mal, Lucian. – Protestou ela imediatamente, ruborizando-se ante a idéia do que ele tinha feito, o prazer que havia experimentado. – Eu gosto como se sente meu corpo. Como se te pertencesse. – Jaxon pensou.

- Pertence-me. – Lucian respondeu em sua mente

Adorava isso em Lucian. Gostava da intimidade de sua voz aveludada sussurrando em sua mente, só para ela. Seu mundo secreto de calor e escuridão. Nunca voltaria a estar sozinha. Nunca teria que voltar a enfrentar os monstros do mundo sozinha. Jaxón sabia que olhava-o, com estrelas nos olhos e isso a irritava. Afastou o olhar dele, fingindo achar o jornal mais interessante.

Lucian sorriu. Era o divertimento de um homem que descobria ser sua mulher tímida, depois de horas de fazer amor. As pálpebras de Jaxon se elevaram durante um momento para lhe repreender antes de voltar para sua leitura. Em seguida, ela fixou a atenção no próximo artigo, seu corpo ficou rígido.

– Ouça, Lucian. James Atwater aparentemente disparou em si mesmo, em sua própria casa. Deixou uma nota dizendo que já não podia viver consigo mesmo depois de acabar com tantas vidas por ordem de Samuel Barnes. Realmente ele diz o nome de Barnes. Não há maneira de que Adwater de repente tivesse um ataque de consciência. Ele não é assim. Estes tipos devem ter cometido um engano e alguém mais graduado ordenou acabar com eles. Quem ordenou fez um bom trabalho para conseguir que fossem decretadas mortes por causas naturais. Acidente e suicídio. A razão contra Barnes em primeiro lugar era sua associação com Atwater. Atwater era um claramente um assassino.

A mão de Lucian se enredou em seu cabelo, passando as mechas entre os dedos indicadores e polegar, repetidamente. Uma série de pequenos chamados de seu bip, soaram durante um momento, depois cessaram. Jaxon encontrou o aparelho sobre a mesa.

– É do departamento, Lucian. Tenho que fazer uma chamada.

– Ainda não tivemos essa discussão. – Disse ele, seguindo-a até o telefone.

Ele caminhava tão tranqüilamente, que lhe produziu uma estranha sensação.

– Que discussão? – Ela estava discando os números rapidamente, pelo longo hábito.

– Essa em que você me diz que vai deixar a polícia e ficar em casa comigo.

– Oh! Essa? – Riu ela. – Não conte com isso.

Lucian pôde ouvir a resposta do outro lado da linha, o pequeno redemoinho de atividade, logo a voz forte do capitão. Em seguida soube que algo estava errado. Aproximou-se de Jaxon, seu grande corpo protetor contra o dela, os braços rodeando sua cintura.

O que está acontecendo, Daryl?

Lucian podia ouvir as palavras, como se o homens estivesse ali com eles. Cruas. Horrendas.

– Foi enviado uma escolta para que Daratrazanoff e você se encontrem conosco em seu antigo apartamento. Drake matou novamente, Jaxon.

Lucian estava na mente dela e sentiu como Jaxon ficava muito quieta. Até o ar em volta deles se imobilizou. Jaxon se encurvou sobre si mesma, tentando afastar-se dele. Lucian apertou os braços firmemente a sua volta, protetor, sua garra inquebrável. Negou-se a permitir que ela escapasse dele, física e mentalmente.

- Estou contigo, anjo. Podemos enfrentar juntos.

– Conte-me. – Disse Jaxon, ao telefone, seus dedos se enredaram no cordão até que ficaram brancos, traindo seu nervosismo.

– A senhora Kramer, Jaxx. Drake a matou. E o casal do apartamento ao lado do teu... Tom e Shelby Snyder. Assassinou-os. – O capitão se esclareceu garganta. – Também aquele Senhor idoso, que morava a dois apartamentos do seu. – Jaxon podia ouvir como os dedos do capitão tamborilavam. – Vamos, Jaxx, qual é o nome do velho?

–Sid Anderson. Tinha setenta anos e escrevia as poesias mais formosas que já li. – Proporcionou Jaxon, num murmúrio. – Carla e Jacob Roberts? O que tem que eles? – Sua voz foi um sussurro. Podia ouvir os gritos dentro de sua mente, embora sua voz soasse mais tranqüila que nunca.

– Agora estamos procurando-os. – Disse Daryl Smith, com voz tensa. – Ainda não os encontramos.

– Então estão vivos. – Disse Jaxon. – Drake nunca muda de método. Está muito zangado e me está castigando. A mensagem é livre-se de Lucian. Daryl ele vai acabar com todos que tenham importância para mim. Tente encontrar a mãe da Carla. Eles vão lá com freqüência. Leve-os a algum lugar seguro. Drake irá atrás deles, pode estar certo. Gosta de terminar as coisas. Pensando bem. Encontrarei-me com vocês no edifício.

– Espere a sua escolta.

- Tenho minha própria equipe pessoal de segurança. Diga a ele que não esbanje recursos. - Disse Lucian em sua mente.

– Lucian tem pessoas boa, Daryl. Não te incomode em enviar a ninguém. Arrumaremo-nos sem problemas. Quinze minutos.

– Não é agradável, Jaxx.

– Nunca é. – Lentamente, ela voltou a colocar o telefone em seu lugar e se voltou para apoiar a cabeça contra o peito de Lucian. Fechando os olhos, ficou tranqüilamente entre seus braços.

– Nem sequer tente sugerir que deva me deixar, Jaxon. Sinto sua dor e temor. Acredita que se me deixar, ele se deterá. Mas essa não é uma opção. Nunca será uma opção. Drake é responsável por estes crimes, não você.

– Não se deterá, Lucian. Enquanto saiba que estou contigo, seguirá matando. Todos aqueles que conheço estão em perigo, porque estamos juntos.

Lhe segurou firmemente o queixo dela com a mão.

– Estão em perigo porque um louco anda solto. Não tem nada a ver contigo. Ele tem uma fixação em você, mas não é tua culpa. Não pode permitir que este monstro dite sua vida. Está tecendo uma armadilha, não te castigando. Encontrarei-o. Prometo a você, que encontrarei-lhe.

Os grandes olhos de Jaxon fitaram sua face durante um longo tempo. As lágrimas brilhavam em seus olhos, ameaçando derramarem-se, refulgindo em suas pálpebras.

– Pode matar muitas pessoas antes que o encontremos. Está altamente treinado, Lucian e é ardiloso. Muito ardiloso. Ele camufla-se com o que o rodeia, pode esperar durante horas sem se mover, só para conseguir o disparo sobre seu objetivo. Não sabe do bem ou do mal. Mata uma criança facilmente, igual mata um homem ou a uma mulher.

– Eliminarei a presença dele de sua vida, Jaxon. Essa é minha promessa e sempre as cumpro. Vamos, anjo. O chofer chegou.

– Mandaste chamá-lo tão rápido? Sem telefone? Pomba mensageira?

– Estava nas imediações.

– Acredito. – Respondeu Jaxon, caminhando com ele para a porta. Sentia os pés de chumbo. Tinha visto o trabalho de Drake antes e cada vez, junto com o horror de seus últimos crimes, a lembrança dos assassinatos de sua mãe e seu irmão voltavam a sua mente.

A limusine estava esperando e o chofer saiu para abrir-lhes a porta.

– Boa noite, Jaxon, Lucian. – O homem tocou o boné, com um pequeno sorriso na face. Esse humor não alcançava seus olhos. Estes eram vigilantes, cautelosos e compassivos.

Acredito que seria apropriada uma apresentação. – Sugeriu Jaxon secamente.

Lucian assentiu.

Este é Antonio. É o filho de Stefan e Enjoe. São amigos e família de um dos nossos, Aidan Savage e sua companheira, Alexandria. Antonio tem muitos talentos especiais.

- É como você? – Estava se tornando fácil se comunicar de forma íntima e ela estava achando conveniente, quando não estavam sozinhos.

- Não, Antonio é humano, como seus pais. Os membros de sua família serviram voluntariamente a Aidan Savage durante centenas de anos. A poucos humanos é permitido conhecer nossa existência, mas eles o têm feito através da história, de mãe a filha, de pai a filho.

Jaxon estendeu a mão ao Antonio.

– É um prazer te conhecer finalmente. Lucian te explicou quem é Tyler Drake e o quanto pode ser perigoso?

Antonio lhe deu uma piscada.

– Lucian sempre é explícito quando me dá ordens.

– Tome cuidado. – Jaxon deslizou para dentro do carro ficou reconfortada quando o corpo de Lucian se colocou protetoramente junto a ela. Sentia-o sólido.

Lucian passou o braço em volta de seus ombros.

– Não esbanje o tempo preocupando-se por Antonio. Sua veia protetora está crescendo.

- Não poderia suportar que o matassem por minha causa.

- Antonio é muito hábil, anjo e está sob o amparo de nossa gente. Ninguém o matará facilmente.

Jaxon sacudiu a cabeça, lutando para conter as lágrimas e olhou cegamente pela janela enquanto o elegante carro corria através da noite, para o inferno e a morte. Seu inferno pessoal.

Lendo seus pensamentos, Lucian a trouxe mais perto dele, sua escura cabeça se inclinou sobre a dela e seus lábios roçou o o alto de sua cabeça.

Jaxon sentiu como seu amor irradiava para ela, envolvendo-a, enchendo-a até que a terrível dor que ameaçava sufocá-la, reduziu. Não entendia como Lucian podia fazer isso, mas o agradecia. Sabia o que ia ver. Conhecia e importavam a ela, cada uma das vítimas de Drake.

Ao chegarem, seus companheiros já esperavam.

- Estou contigo. Permanece conectada a mim. – Disse Lucian.

- O que pensa, Jaxx?

– Ele pegou à Senhora Kramer primeiro. Estava esperando-a quando ela chegou das compras. A comida está ainda sobre a mesa. Sempre colocava a comida imediatamente. Entrou pela janela do quarto. Estava fechada, mas Drake não teve nenhum problema. Utilizou com ela sua própria faca. É sua arma favorita, mais próxima e pessoal. Contei dezoito profundas punhaladas e várias ferimentos superficiais. Arrancou-lhe os olhos antes de partir. Sua marca registrada habitual. – Franziu o cenho. – Foi ele... Mas não exatamente.

– E isso que significa? – Perguntou o capitão.

Lucian estava em sua mente e sentiu seu assombro.

– Não posso dizer com exatidão, mas ele é diferente. Ainda assim, foi definitivamente Drake. Acredito que seguiu depois ao apartamento da Carla e do Robert e notou que eles não estavam em casa. Zangado, esfaqueou sua cama com raiva assassina. Do apartamento de Carla, seguiu até o do Tom e de Shelby. Pegou-os no banheiro. Há uma contusão na cabeça de Shelby. Provavelmente ele a golpeou e a deixou fora de combate, enquanto matava Tom. Sua raiva aumentou enquanto matava. Posso dizer, porque as punhaladas que receberam depois de mortos, são bem profundas e mais selvagens. Acredito que o legista estará de acordo comigo nisso. Arrancou-lhes os olhos e destroçou seu quarto. Roupas, mantas, colchão, inclusive o tapete. Entrou em seu apartamento pela porta dos fundos. Não estava fechada. Parece como se ele entrasse sem problemas.

Jaxon estendeu, de repente, a mão para Lucian, o primeiro gesto público que fazia para ele. Estava exausta e sem titubear entrelaçou os dedos, quentes e sólidos, com os dela. Ele estava ali. Já não se sentia sozinha. - Sou responsável por tantas mortes, Lucian. Sinto como se minha alma fosse negra.

- Não é responsável. Ouça-me quando digo, Jaxon. Tyler Drake mata pessoas porque é um homem doente, não por sua culpa. Se não fosse você, teria se obcecado por outra pessoa.

Os lábios dela se curvaram, no que poderia ser um sorriso que não teve oportunidade de alcançar seus olhos. - Está seguro disso? Não sabe o que é saber que a pessoas que importam a você, estão mortas porque o único crime que cometeram foi ser seu vizinho. Lucian, não quero que isto te toque.

- Estive julgando e executando durante quase dois mil anos. Destruí a tantos que não posso levar a conta, nem gostaria. Sou um predador, céu. Você é um anjo doce e compassivo. Um milagre. Meu milagre.

- Obrigado.

- Quero você, anjo. Lucian disse com sua aveludada voz de feiticeiro.

O fantasma de um sorriso tocou os lábios de Jaxon, antes dela se recompor para voltar-se a seu chefe.

– Drake matou ao Sid depois disso. Há mau cheiro a sangue no vestíbulo junto à porta de Sid. Apostaria que é de Shelby. O sangue nunca molestou Drake. Sid abriu a porta. Nunca olhava pelo olho mágico, embora eu tenha lhe advertido numerosas vezes. Era um homem maravilhoso. Confiava em todo mundo. Brincava com as crianças no parque, ensinava-as jogar xadrez, gastava a metade de sua pensão em comida para as crianças da vizinhança. Dava-lhes o que fazer e um lugar onde ir, quando seus pais não estavam em casa ou quando havia problemas. Não merecia o que Drake lhe fez.

Lucian a sentiu vacilar então. Jaxon desmoronou emocionalmente, seus gritos silenciosos mais fortes que nunca. Exteriormente parecia tranqüila, mas estava doente, derrubada contra o peito dele. Seu coração marcava o ritmo exato do dela.

- Não está sozinha, nunca. Drake nunca poderá nos separar. Pode se estender para mim através do tempo e do espaço, e sempre estarei contigo.

- Não posso suportar isto. Sid era tão doce. Você teria gostado. Tom e Shelby eram pessoas agradáveis. Não tinham crianças e me tratavam como uma filha. Seu único pecado foi que eu gostava deles. E você conheceu a Senhora Kramer. Não havia ninguém mais agradável. Tudo isto é por mim. Se eu não tivesse ido a sua casa e deixado que publicassem nosso compromisso nos jornais, Drake não teria feito isto.

- Drake é totalmente responsável, céu, não você. – Lucian foi paciente, repetindo-se várias vezes, desejando que suas palavras impregnassem nela.

- Ele pegará você. Eu sei. A você e Barry. – Jaxon ficou rígida, seus olhos totalmente abertos com terror.

– Vai pegar Barry, Capitão. Sei que vai... Sei que sim. Acessará nossos computadores, torturará alguém, não sei como, mas vai pegar Barry. Agora Drake é diferente. Não posso explicar... Só o sinto. Algo está errado em tudo isto. No passado matava porque percebia que outros ameaçavam sua família. Isto foi raiva. Isto foi porque queria matar. Parte dele era Drake porque atuava como Drake, arrancou-lhes os olhos, mas não foi exatamente o mesmo. Ele não mata com este tipo de raiva. É diferente. – Jaxon sacudiu a cabeça. – Tenho que estar com Barry. Não está a salvo.

– Ninguém sabe onde escondemos Radcliff. – Protestou Daryl. – Quero que vá à delegacia de polícia e escreva seu relatório. Cada detalhe. Precisamos disso, Jaxx.

– Alguém sabe onde ele está. Há um rastro de papel. Sempre há um rastro de papel. Acredita que ele não encontrará Barry? Isso é o que ele faz.Encontrar pessoas. Vou encontrar Barry. – Jaxon estava firme.

– Não pode lhe encontrar. – Reiterou o capitão.

– Eu poderia encontrar Barry. – Disse Jaxon com confiança. – Lucian, temos que o proteger.

– Volte para a delegacia de polícia, Jaxon. – Disse Lucian, sua voz tão átona como sempre. Essa voz que ninguém podia resistir. – Eu irei com o Capitão Smith pegar Barry levá-lo a um lugar seguro. Antonio virá também, assim não há necessidade de se preocupar comigo. Manterei-lhe a salvo, Jaxon. – A voz negro aveludada era gentil. – Estará segura na delegacia de polícia e eu me concentrarei em seguir a pista de Drake.

Jaxon segurou a mão de Lucian, sabendo que ele tinha razão, mas temendo que fosse justamente o que Drake queria. Temendo que Drake estivesse utilizando a ameaça para Barry como armadilha para atrair Lucian a campo aberto. Ela sentia-se doente por dentro.

– Não sei o que faria se algo acontecer a você, Lucian.

Ele segurou sua mão e a levou aos lábios.

– Nada pode me fazer mal, anjo. Vá à delegacia de polícia onde estará a salvo e me deixe fazer este pequeno favor a você.

– Drake é diferente, Lucian. Não sei como, mas algo mudou e o torna bem mais imprevisível. É um monstro, um autêntico monstro, com todas as habilidades de nossos melhores lutadores e toda a inteligência de um animal selvagem. Nosso compromisso deve ter feito ele ultrapassar o limite.

– Já havia ultrapassado o limite, anjo. – Disse Lucian tranqüilamente, baixando o tom de voz, para consolá-la, tranqüilizá-la. Caminhou com ela até o carro patrulha. – Ficarei contigo até que esteja segura dentro da delegacia de polícia onde ninguém pode te fazer mal. Depois iremos buscar Barry.

– Tem que se apressar, Lucian. Drake poderia estar espreitando agora mesmo. – Ela estava ansiosa, mas a voz dele possuía o estranho e hipnotizador efeito que a fazia sentir que tudo sairia bem.

Daryl Smith limpou a garganta, decidido a protestar. Tinha permitido que Lucian Daratrazanoff fosse à cena do crime porque Jaxx precisava estar ali, mas permitir que ele se envolvesse em meio de uma crise policial era ir longe demais. Mas havia algo perigoso em Lucian, algo poderoso e não era seu dinheiro. Os olhos do homem eram muito vigilantes, a face muito séria. Smith francamente cuidava em não negar nada a esse homem.

Daratrazanoff voltou a cabeça para o capitão, quase como se lesse seus pensamentos.

– É obvio que quer que Antonio e eu vamos com você. – Disse ele, tranqüilamente, sua voz tão baixa que Smith mal o ouviu, embora as palavras penetrasse até o mais fundo de sua alma. Precisava de Daratrazanoff com eles. Era imperativo que fosse junto.

– Sim, é obvio, Senhor Daratrazanoff. – Convidou o capitão.

– Por favor, me chame de Lucian. – Replicou ele, quase ausentemente. Toda sua atenção estava mais uma vez, dirigida ao Jaxon, a única pessoa que realmente o importava.

Lucian sustentou a porta aberta. Deliberadamente, havia escolhido escoltá-la até o carro, cujo motorista havia sido particularmente simpático em sua conversa com os outros oficiais. Era um pequeno gesto, mas ela não tinha necessidade de se sentir incômoda por um dos companheiros que secretamente temiam ser visto em público com ela ou que a considerasse responsável pelas ações de Tyler Drake.

Jaxon manteve a cabeça alta, sua face era uma máscara. Os flashs das câmaras dos repórteres estavam em todas partes. Não olhou a nenhum deles enquanto entrava no carro.

Antonio e Lucian foram ao lados dela, defendendo-a efetivamente, protegendo a de olhos curiosos. Ela manteve-se perto de Lucian, da suavidade de seu corpo, da suavidade de seu coração.

- O encontraremos, céu.

- Será poderemos lhes trazer de volta? - As lágrimas tomavam sua voz, sua mente, seu coração.

Lucian quis chorar por ela. Jaxon não merecia isto. Era jovem e compassiva, totalmente o oposto do que era ele. Os monstros não foram a ela, por ele. Queriam-na. Humanos e Cárpatos queriam Jaxon. Não havia ainda lhe explicado com detalhe a história dos vampiros, porque ela já estava com a culpa, curvando-a. Mas os vampiros que uma vez haviam sido homens dos Cárpatos, que escolheram perder suas almas, procuravam uma companheira, os vampiros procuravam entre as filas da humanidade, mulheres como Jaxon. Sua presença na região os atraía.

Os vampiros eram criaturas solitárias em sua major parte. Eram desconfiados, ardilosos e perversos. Não conheciam a lealdade, embora algumas vezes se uniam em bandos, com a esperança de evitar ou mesmo destruir um caçador. Outras vezes um professor vampiro, um antigo e hábil, que sobrevivera como não–morto durante séculos, tomava como aprendiz, vampiros mais recentes e jovens, que acabavam de se converterem. Utilizavam-nos em tarefas menores, como peões de sacrifícios. Jaxon atraíra a mais de um vampiro com sua presença. Lucian caçara e destruíra três vampiros que os humanos haviam confundido com assassinos, antes de fazer sua reclamação sobre Jaxon. Ele estabelecera seu larcuidara em saber, em aprender o que gostava e desgostava, recolhendo todo tipo de informação antes de se aproximar dela. Se ela soubesse que os vampiros estavam na cidade por sua causa, seria capaz de terminar com sua vida para proteger a dos outros. Não podia permitir. Se ela averiguasse toda a verdade, sofreria mais do que já sofria agora e ele não podia fazer outra coisa que protegê-la. Era seu companheiro e responsável por sua felicidade, por sua saúde e completa segurança.

Lucian e Antonio a escoltaram escada acima, até a delegacia de polícia, abriram a porta e esperaram que ela entrasse.

– Permaneça aqui dentro, com todos estes policiais, até que eu volte com Barry. – Disse Lucian. – E desta vez, anjo, espero que faça o que te peço. Não ficarei muito contente se voltar e saber que você abandonaste a segurança do edifício.

– Não o farei. – Assegurou-lhe ela, segurando sua mão. – Assegure-se de que não aconteça nada com você. Nem com Barry. Traga-o de volta, Lucian.

– Trarei. – Ele inclinou a cabeça e seus lábios procuraram os dela, com incrível ternura. – Voltarei logo, anjo.

 

Jaxon pressionou as mãos contra o estômago enquanto observava Lucian, que se afastava. Sentia-se mais doente que nunca. Perto de Lucian, podia controlar a terrível sensação, mas longe dele, ela crescia. Avançou lentament, através do familiar vestíbulo, acenou a várias pessoas que a saudaram do mostrador, tentou responder quando outros lhe dirigiram votos de simpatia.

Havia um rugido forte em seus ouvidos, como se mil martelos amassassem seu crânio. Continuou avançando resolutamente, mas parecia que seu departamento estivesse a milhas de distância e suas pernas fossem de borracha. A habilidade de ouvir tão bem era uma maldição. Todos seus companheiros discutiam os assassinatos. Em cada andar do prédio, podia ouvir as conversas. Não queria isto... Não queria saber o que a pessoas pensavam de sua participação no açougue humano.

Admitiu a si mesma, que a maior parte do que ouvia era amável e compassivo, porém não diminuiu sua dor. E nunca procurara a piedade de ninguém. Quando se sentou, seu estômago reclamou novamente e a sensação de maldade próxima, a sobressaltou. Tomou ciência de sentir olhos fixos nela, incapazes de deixar de fitá-la. Desejava desesperadamente estar sozinha, chorar e atirar objetos na parede. Queria gritar, sentar-se no chão do banheiro, abraçar-se e vomitar. Em vez disso, obrigou-se a fazer suas anotações. As imagens viriam depois. Agora não poderia enfrentá-las.

Não era fácil estar sem Lucian. Estivera com ele quase em todo momento, desde que despertara depois do acidente do armazém. Agora, quando mais precisava, quando queria seu conforto, ele tinha saído para salvar seu amigo. Ele estava em perigo por culpa dela. Jaxon esfregou a palma da mão contra a cabeça palpitante.

- Não estou em perigo, anjo. Isso é impossível. Já deveria saber. Fique quieta e me permita acabar com sua dor de cabeça.

- É suficiente saber que você está aí se eu precisar. - E era. Jaxon se sentiu reconfortada e a salvo. Sentiu que ele a envolvia el seus braços fortes. - Traga Barry de volta e a salvo, Lucian. Ainda tenho esse pressentimento, que indica que Drake está a ponto de fazer algo terrível. - Seu estômago era uma massa, esticando e retorcendo-se com a afronta.

- Estamos perto da casa onde o capitão diz que Barry está escondido. Estou esquadrinhando a região a nossa volta, continuamente e nem tudo está bem. Sinto a intrusão do mal, embora não é a mesmo que você sentiu nos apartamentos.

Jaxon fechou os olhos com força, tentando isolar-se da realidade, só por um momento. Se Drake já sabia onde localizar Barry, havia probabilidades de que fosse tarde para salvá-lo. Só podia esperar que Daryl tivesse chamado os policiais que cuidavam de Barry e os advertido, que Drake estava em uma de suas orgias aniquiladoras e os espreitava.

Jaxon inclinou-se sobre suas anotações, tentando se concentrar, tentando ler as palavras, mas a tinta parecia se apagar. Como escrever um relatório decente se não podia sequer ler seu próprio trabalho? Então ela compreendeu que havia lágrimas em seus olhos. Amaldiçoando-se silenciosamente, levantou-se de um salto e começou a abrir caminho até o banheiro.

Cada passo que dava só aumentava a terrível premonição de morte. Pequenas gotas de suor surgiram em sua testa. - Lucián? - Estendeu-se em busca dele, desesperadamente.

- Estou aqui. - Sua voz era tranqüila e suave, mais consoladora que nunca. Um instrumento hipnótico que inspirava tranqüilidade.

- Ele está matando alguém agora. Sinto. Por favor, alcance Barry.

- Não é Barry. Seu capitão está falando com Radcliff por telefone. Estaremos lá em alguns minutos. Há uma presença, mas não estou seguro de que seja Drake. Não se sente igual em sua mente, quando repasso suas lembranças. Similar, mas diferente.

- Como no apartamento?

- Não. Já estamos aqui. Protegerei Barry deste monstro. - Com essa última expressão de segurança, Lucian rompeu o vínculo.

Ela pensou na urgência de sua partida. Nunca ele havia feito isso antes. Ele nunca se separava dela como tinha feito agora. Sempre o fazia lentamente, quase contra vontade, mas sua presença permanecia algum tempo para que ela pudesse lhe sentir e nem sempre ficava segura de que realmente ele saíra ou permanecia ainda como uma sombra em sua mente. Desta vez hvia sido diferente. Lucian saiu completamente e ela já sentia a perda. Pela primeira vez soube o que ela queria dizer quando falava de companheiros e sua urgente necessidade um pelo outro.

Com um suspiro, abriu a porta do banheiro. A sensação de escuridão e maldade a sobressaltou, dobrou-a no meio. Jaxon se viu segurando o estômago que se retorcia violentamente.

Um braço a rodeou pela cintura e Tom Anderson a ajudou entrar no banheiro e afastou-a de olhos curiosos.

– Estará bem, Jaxx. Tome um pouco de água.

Tom era um membro leal de sua unidade e la lhe permitiu ajudá-la, embora achasse que ele tivesse de vê-la neste estado. Treinara com estes homens, lutado a seu lado, liderara-os. Precisava de seu respeito se fosse continuar trabalhando com eles. Lavar o rosto na água fria, ajudou-a aliviar o nó de sua garganta, mas seu estômago incomodava, mais que nunca. A sensação persistia. Drake estava ocupado esta noite. Seria Barry? Não poderia suportar que Barry fosse assassinado.

– Lamento tudo isto. – Disse Tom. – Mas Radcliff é duro. Ninguém vai acabar com ele facilmente. E depois, está bem protegido.

– Obrigado, Tom. – Murmurou Jaxon, brandamente e se inclinou para tomar um gole de água. A sensação golpeou-a e era muito forte para a distância que havia entre a delegacia de polícia e o lugar onde estava Barry.

Jaxon ergueu-se, pressionando uma mão sobre o estômago e voltou-se para olhar Tom, sobre o ombro.

– Ele está aqui.

O que? Quem está aqui?

– Drake está aqui. Em algum lugar do edifício, neste edifício. – Ela afastou Tom de um empurrão e começou a correr pelo vestíbulo, para seu Departamento.

– Está louca? Jaxx, isto é uma delegacia de polícia. Ele é o homem mais procurado dos arredores. Realmente acredita que é tão estúpido? – Tom estava sussurrando, tentando protegê-la de sua imaginação hiperativa. Não a culpava, mas não queria que ninguém mais fosse testemunha de como ela estava derrubada.

Jaxon não o respondeu. Para que? Como poderia explicar-lhe? Ela sabia. Simplesmente sabia. Sabia coisas. Sabia que Drake estava no edifício, espreitando mais vítimas, pessoas com as quais ela trabalhava. Possivelmente procurando o próprio Tom. Em sua gaveta havia uma arma, com carregador. Jaxon colocou o carregador no bolso e rodeou Tom.

– Fique aqui. Ele não virá aqui quando há tantas testemunhas. Provavelmente se fixará em algum dos que pertencem a minha unidade.

– Está segura disto? – Tom estava começando a acreditar nela. Jaxon podia ter ficado doente, mas estava tão firme como sempre. E estava com aquele olhar, o que sempre lhes salvava o pescoço. – Acredita mesmo que está aqui, não é?

Sei que ele está aqui. Você está em terrível perigo, Tom. Fique aqui e chame o resto da unidade e avise-os. Todos os que estão no edifício devem vir para cá. Será mais seguro que cuidem os uns dos outros. Eu vou até ele.

– Sozinha não, não o fará. – Tom havia empalidecido. – Não só o capitão e Radcliff me dariam chutes no trazeiro até o inferno, esse teu noivo provavelmente me romperia o pescoço. Não é alguém com o qual possa brincar, Jaxon. Ele disse que a mantivéssemos a salvo.

Cale-se, Tom. Faça o que digo. É de Drake que estamos falando e ninguém o conhece como eu. – Ela já estava a meio caminho do vestíbulo, dirigindo-se para as escadas. Sobre ela estava o segundo andar. Era noite e não haveria muitos policiais de serviços, além dos dois detetives de homicídios, o esquadrão antivício e mais alguns policiais. Embaixo, no nível de porão, estariam só dois policias, possivelmente três e alguns prisioneiros esperando ser transferidos para as celas, para passarem a noite.

– Não está pensando com clareza, Jaxx. É uma policial. Comporte-se como um policial. Não pode nos reunir e nos colocar num lugar seguro, enquanto você o persegue. Organize-se.

Jaxon passou a mão pelo cabelo. Estava impaciente.

– Tem razão, Tom. Obrigado. Acredito que só queria enfrentá-lo.

– Faça-o, mas bem feito.

Jaxon assentiu e retrocedeu até o telefone.

– Chame-os, então. Use nosso código e consiga a todos, um rádio. – Jaxon batia o pé, enquanto Tom fazia o que ela ordenava, ansiosa por mover-se. Quando o grupo se reuniu. Ela examinou-os cuidadosamente, assegurando-se de que Drake não havia penetrado em suas forças.

– Vamos examinar o edifício, Tom. Tome a dianteira. Olhem em todas partes, não importa o ridículo que pareça. A ventilação, os escritórios, qualquer lugar em que ele possa se esconder. Ele é bom, escondendo-se, sem ser detectado. Cada um de você tem um número e nos contaremos regularmente para que não nos confundir. Ninguém irá sozinho e nunca esqueçam que ele é um assassino bem treinado. Não duvidem em matá-lo, porque ele não duvidará em matar vocês. Comecem escada acima e não deixem nada para trás. Manterei contato pelo rádio. Vou ao porão. Alguém sabe exatamente quantos prisioneiros há?

– Um condutor bêbado, um par de trombadinhas e temos Terry Stevens esperando o transporte?

– E os policiais?

– Two, Kitter e Halibur. – Replicou Tom.

– Vamos, então. – Disse Jaxon. – Tomem cuidado. Ele é tremendamente perigoso.

Leve alguém contigo, Jaxx. – Insistiu Tom.

– Só vou me assegurar de que tudo está bem, lá embaixo. Terei a Kitter e Halibut para me vigiar.

O porão era um labirinto de arquivos e celas. Jaxon estava com um forte pressentimento sobre o porão. Havia muitas possibilidades de que Drake estivesse encima, mas ela duvidava seriamente. Não ia permitir que nenhum de seus amigos morresse, porque trabalhava com ela ou haviam falado com ela.

Tudo havia começado com ela. Não podia recordar um só momento em sua vida no que não tivesse conhecido Tyler Drake. Ele sempre fora mais constante em sua vida, que seu próprio pai ou mãe, embora havia se tornado uma força destrutiva, retorcida e obsessiva. Drake assassinara a seu pai para ocupar seu lugar, na vida de Jaxon. Sua mãe e irmão foram destruídos, para ele poder tê-la só para ele. Era ela que tinha que acabar com os assassinatos, de uma vez por todas.

Jaxon despachou os outros de sua mente quando começou a baixar as escadas. Movia-se silenciosamente, sem permitir sequer que suas roupas sussurrassem delatando sua presença. A cada passo seu estômago retorcia ainda mais. Estava na pista correta. A iluminação era escura na escada e piorou quando chegou embaixo. Não importava. Sua visão era fenomenal.

- Lucian?- Estendeu-se para ele antes de pensar realmente nisso, antes de saber que estava fazendo.

- Ele está aqui, anjo. Encontramos dois dos policiais mortos no carro de patrulha. Foram apunhalados várias vezes.

Jaxon ficou calada durante um momento, pensando no que Lucian revelara. - Está seguro de que é Drake? - Não podia estar equivocada. Como poderia estar? Seria possível que depois de todo este tempo, tivesse perdido esse sexto sentido especial que a tinha ajudado detectar quando a maldade estava perto? Possivelmente estava sofrendo efeitos retardados de estar rodeada de tantos assassinos.

- É a mesma sensação de antes, nos apartamentos. Eos rapazes aqui, estão sem os olhos. O estranho é que não posso fixar seu aroma. Sou incapaz de rastreá-lo dessa forma. Notei nos apartamentos. Não havia nada que pudesse rastreá-lo.

- O que acontece quando explora? Sempre parece saber onde está todo mundo.

- Há várias pessoas dentro, mas não posso dizer quem são. Ninguém fala. E a televisão está ligada. Vou entrar.

- Tome cuidado, Lucian. É uma armadilha. Drake quer que você morra, mais que a nenhum outro. Todos outros não são nada para ele. Tudo isto é para te atrair.

- Ninguém me verá, céu, se eu não desejar.

- Mesmo assim, tome cuidado.

Ela permitiu que a fusão de mentes caísse lentamente. A sensação no fundo de seu estômago era mais forte que nunca. Algo sinistro espreitava o interior do edifício, espreitava seus amigos e ela acreditara que era Drake. Possivelmente Drake havia estado no refúgio de Barry, com a intenção de conduzi-los longe da delegacia de polícia.

Jaxon continuou movendo-se, seus sentidos desdobrados para localizar os políciais, os prisioneiros e com sorte, o intruso. Notou um movimento logo a frente de sua posição. Colando-se a parede, sem que sequer um sussurro a traísse, avançou passo a passo. Uum vulto no chão a sua direita, captou sua atenção. Deteve-se. A terrível escuridão crescia dentro dela. Drake estava ali e já havia matado.

- Lucian? Ele está aqui. – Jaxon correu para o vulto sobre o chão.

Podia ver que o homem estava morto, seu uniforme atravessado por várias punhaladas. A cabeça pendurava em um ângulo peculiar. Era Halibut. Não tinha olhos. A marca de Drake.

–Está segura? - Sua voz era a mesma. Calma e reconfortante, em sua suave firmeza.

- Absolutamente. Estou de pé junto a um corpo. Posso sentir sua presença.

- Algo está errado, amor. Também está aqui. A mancha de poder está aqui. Pode senti-la daí?

- Não estou segura do que quer dizer.

Seria a mesma sensação que experimentou quando sentiu a presença do ghoul e depois do vampiro? Estava também nos apartamentos.

- O rastro está aqui também. Mas não acredito que Drake esteja em nenhum dos dois lugares. Acredito que estamos tratando com marionetes programadas por um vampiro, clones de Drake, para fazer suas maldades. Acredito que qualquer humano que tenha lembranças de você está em perigo.

Jaxon já estava em movimento. Não conhecia Kitter muito bem e nenhum dos prisioneiros a conhecia, exceto Terry Stevens. Steven era um criminoso habitual, um distrubuidor de drogas bem conectado a um grande advogado. Se o intruso estava no porão, como pensava e Lucian tivesse razão, seria Stevens o que estaria em maior perigo. Ele tivera vários confrontos com Jaxon.

- Poderia ter razão. – Ela sentia-se diferente, mas também se sentia diferente nos apartamentos. - Isso significa que Drake está morto? Com o que estamos lidando?

- Limite-se a sair daí. Logo que terminar aqui, estarei aí. Não posso deixar que estes humanos enfrentem esse tipo de perigo. Tampouco quero que você enfrente um ser tão poderoso.

- Sou um oficial de polícia, Lucian. Não fujo porque algo seja perigoso. Há prisioneiros aqui embaixo e outro policial. Tenho que colocá-los a salvo.

- Não tenho tempo de discutir, anjo. O assassino se aproxima enquanto conversamos. Vou ajudar aqui e você se colocará em perigo o que me obriga a forçar sua conformidade. Mantenha-se fundida a mim o tempo todo, para que eu possa te ajudar, se precisar. - A voz de Lucian escondia mais que sua habitual ordem gentil. Escondia uma compulsão para lhe impor sua vontade, para se assegurar de que ela faria o que ele dizia.

Era estranho estar em dois lugares ao mesmo tempo. Se desejasse, podia "ver" através dos olhos de Lucian, enquanto ele deslizava silenciosamente através do edifício, invisível aos humanos. Viu dois homens de uniforme passar a seu lado e não notaram que ele estava ali. Era um borrão, utilizando sua habilidade para se mover a uma velocidade impossível. A porta se abriu com um estalo para ele. Lucian estava enfrentando um ser que parecia exatamente ser Tyler Drake.

A respiração de Jaxon ficou presa na garganta. - É ele. Esse é Drake!

O braço ddeo Drake balançava, com uma faca ensangüentada no punho. A mente de Lucian colocou uma barreira entre a faca e o homem pretendido por Drake. A faca caiu inofensiva no chão. Jaxon captou uma breve visão de Barry Radcliff, quando Lucian o olhou ao passar.

A mão de Barry estava ferida, como se ele tivesse tentado evitar o ataque. Havia um corte que atravessava seu braço direito e estendia uma mancha no flanco de sua camisa.

Enquanto Lucian saltava para Drake, algo distraiu Jaxon... Não um barulho, mas um movimento do ar. Ela deu a volta, sacando a arma. Drake estava quase sobre ela, com os olhos brilhantes e enlouquecidos e estava com uma faca na mão. Jaxon podia ver o sangue nele, o sangue que manchava suas mãos. Disparou três tiros rápidos, diretamente no coração, enquanto se lançava para o lado.

As três balas acertaram o coração. Ele pareceu vacilar e cambalear por um momento, com um sorriso doentio e zombeteiro no rosto. Depois, começou a se aproximar dela novamente. Disparou mais duas vezes, apontando à testa, o centro vital, temendo que ele estivesse usando um colete a prova de balas. Dois buracos vermelhos floresceram em meio a sua testa. Outra vez, ele se deteve. O sangue descia abundante por sua face, até os olhos. Mas ele continuava sorrindo, sua expressão não mudava e começou a avançar outra vez para ela.

– Kitter? Está aí? Sou Jaxon Montgomery. Hallibut está morto. Drake o matou. Responda se estiver vivo. – Chamou Jaxon, enquanto movia a mobília entre ela e Drake, que continuava avançando. Estava tentando o afastar das celas que confinavam os prisioneiros.

– Cobrirei você! – Gritou Kitter em resposta. – Alto, Drake! Se der um passo mais para ela, estourarei sua cabeça.

Drake não agiu. Seus olhos não se separavam de Jaxon. Não piscou ou tentou limpar o sangue. Continuava movendo-se para frente. Kitter disparou sua arma, disparos tão juntos que soaram simultâneos. Amaldiçoou quando viu que a parte de atrás da cabeça de Drake se desintegrou, mas o homem seguia avançando.

– Que demônios? Jaxx? O que está acontecendo?

– Tire os prisioneiros daqui, Kitter. Leve primeiro Stevens. Acredito que ele está mais em perigo que os outros. Vamos, apresse-se.

– Deve ter se metido em algo... – Murmurou Kitter, confuso.

– Faça o que digo, homem. Tire os prisioneiros. – Jaxon deu a ordem com voz de comando, trazendo Kitter de volta à realidade. Seria mais fácil para ele lidar com a idéia de retirar os prisioneiros, com a impossibilidade de ver um homem com a metade da cabeça, ameaçando outro policial.

- Lucian, me diga o que faço. – Jaxon não se atreveu a tentar "ver" através dos olhos de Lucian. Distrairia-se com dois Drakes, em dois lugares distintos. Já estava desorientada o suficiente.

No momento, Lucian estava com ela. - Sua respiração era a dela, controlando-a para que ela relaxasse e recuperasse o controle. Seu coração regulou o dela a um passo normal e firme. Sua calma tomou o corpo dela com tranqüilidade e completa confiança.

- Concentre, anjo. Olhe-o diretamente. Ele não poderá te fazer mal, a distância. Não afaste os olhos dele, não importa o que aconteça. Lembre-se, já não é uma humana, com limitações humanas. É uma Cárpato com todas as habilidades dos Cárpatos. Pode se dissolver em névoa se apresentar a necessidade.

Jaxon já deslizava com a mesma facilidade dos Cárpatos sem ser consciente do fato. Movia-se rápida e silenciosamente, esquivando um arquivo, enquanto a coisa que supunha ser Drake, continuava perseguindo-a. Manteve o olhar fixo na ensangüentada abominação. Podia sentir Lucian vertendo força nela, enchendo a de confiança e poder.

Enquanto olhava Drake, começaram a aparecer chamas em sua pele, lambendo seus braços, ombros e seu peito. Logo, sua cabeça ardeu e enegreceu. Imediatamente o ar cheirou carne chamuscada. Horrorizada, Jaxon tento voltar-se.

- Manténha a calma, Jaxon. Siga concentrada. Deve derrotar esta coisa. É um instrumento do não–morto e nada evitará que cumpra a tarefa atribuída.

Jaxon notou que não podia afastar o olhar.- Lucian, por favor. Não posso matar alguém assim. - O grito foi arrancado das profundezas de sua alma. Drake não estava resistindo e uivava com um agudo, firme e quase sobrenatural lamento. O som atravessou os ouvidos de Jaxon, rasgando seu coração. Drake continuava vindo para ela e a cada passo avivava mais as chamas, até que foi engolido por elas.

- Sei que não pode, meu amor. Você é a luz de minha vida e não está o matando, Jaxon. Sou eu que está destruindo o que na realidade, já está morto. Sou o escuro anjo da morte. Fui durante dois mil anos. A responsabilidade é minha.

Jaxon não podia afastar o olhar da horripilante visão. A horrenda criatura estava ardendo embora ainda a perseguisse. Partes dele começaram a cair no chão, convertidas em cinzas, enquanto as chamas ardiam sobre ele. Notou que o fogo não se estendia ao chão nem a nenhum das prateleiras que Drake derrubava enquanto a seguia pelo porão. Foi consciente de que os policiais estavam baixando as escadas, embora parecessem incapazes de entrar. Podia ouvi-los tentando freneticamente ajudá-la.

As lágrimas corriam por sua face enquanto observava a ruína enegrecida de um homem, finalmente reduzida a chamas. Mesmo no chão, a coisa tentava alcançá-la, estendendo-se para ela. - Lucian, por favor detenha-se. Já não pode estar vivo. – Ela gritou, temendo desesperadamente que nunca superasse a lembrança.

- Deve ser totalmente destruído, meu amor ou ainda levantará para ser utilizado por seu criador. Sinto muito. Sei que isto é difícil para você.

Jaxon podia sentir o profundo arrependimento que Lucian sentia, por ter que usá-la para um fim tão desagradável... Matar a distância, usando os olhos dela... Mas não se deteve, mantendo-a imóvel até que a criatura foi literalmente queimada.

Jaxon caiu no chão no momento em que ele a soltou. Seu cabelo estava úmido pelo suor e grudava em seu rosto. Estava tremendo. Fechou os olhos durante um momento, agradecendo poder fazê-lo. Como podia Lucian ter vivido dia após dia, ano após ano interminável, obrigado a resistir a tão horrenda tortura? Seu coração estava com ele e com a criatura que ele havia destruído.

Lucian, uma sombra em sua mente, permitiu-se respirar. Permitiu que seu coração pulsasse. Deveria saber como Jaxon reagiria. Com compaixão para com ele. Pensando nele e em sua vazia forma de vida, não no que ele acabava de fazer. Destruir a outra pessoa, utilizando-a. Concentrou-se nela, fechou os olhos e saboreou seu milagre pessoal. Jaxon. Ela era o vento fresco e limpo que soprava afastando o cheiro da morte de sua mente.

Girou a cabeça lentamente para olhar o monte de cinzas junto a Barry Radcliff. Barry ainda vivia, um surpreendente testemunho de sua vontade de viver. Os ghouls raramente fracassavam em sua tarefa programada. Barry tinha lutado com a criatura, resistindo, para dar tempo a Lucian de chegar e destrui-la. Lucian havia ralentizado o coração e os pulmões de Barry, para evitar que o policial sangrasse até morrer, enquanto se dispunha do clone de Drake. Ele se inclinou sobre o humano.

- Será que viverá?

Lucian sorriu. Jaxon não fazia idéia do quanto estava ganhando força rapidamente. Ela tocava sua mente facilmente, utilizando o vínculo privado e íntimo, como se o fizesse sempre. Estava começando a aceitar as mudanças de seu corpo, o poder que estava acumulando. Era uma mulher com um tremendo controle e utilizava os talentos especiais da gente dos Cárpatos, quase sem notar.

- Não há dúvida. Detive a hemorragia. O problema principal será controlar o dano. Barry só lembrará que foi atacado por Drake. Implantarei em sua cabeça que foi a intenção de um imitador. Você deve deixar claro que o mesmo aconteceu aí.

- Um dos policiais disparou no ghoul, marionete, clone, sei lá... Como queira chamá-lo. Quase arrancou sua cabeça. Viu que eu também disparava. Três vezes no coração, duas na testa. Kitter disparou duas vezes na nuca. Sabe que não caiu.

- Tente encontrá-lo o quanto antes. Implantarei uma história. Em meio a confusão, as coisas com freqüência parecem diferentes do que são.

- E as cinzas?

- Haverá cinzas só na delegacia de polícia. As daqui desaparecerão.

- As horas também...

- Isso se pode arrumar. Têm que acreditar que o mesmo homem atacou nos dois lugares e agora está morto. Ele ateou fogo no corpo, com algum produto químico, antes de ser feito prisioneiro. Quando examinarem as cinzas, corroborarão sua história. Não posso ir a voce, devo levar Barry ao hospital e me assegurar de que o horário de nossa história dê certo, mas estarei contigo o tempo todo.

Jaxon ficou em pé lentamente e abriu passo para as escadas. Estava cansada. O clamor dos policiais tentando chegar até ela a fez compreender que só havia durado um minuto ou dois, embora parecessem intermináveis. Uma eternidade. A porta acima cedeu de repente e os policiais entraram baixando as escadas. Apoiou-se contra uma parede e os permitiu rodeá-la. A companhia humana lhe deu grande consolo.

Queria ser abraçada. Não a idéia cruzou sua cabeça, sentiu os braços de Lucian envolvendo-a, mantendo-a perto da suavidade de seu corpo. A ilusão foi tão real, que ela ficou perfeitamente imóvel, saboreando a sensação de ser parte de alguém. Os homens estavam tocando-a, comprovando para assegurar-se de que não estava ferida. Podia ouvi-los falando, todos de uma vez.

Tom Anderson afastou os outros, a empurrões.

– Dêem um pouco de espaço a Jaxon. Você está bem? – Deu-lhe uma pequena sacudida. – O que aconteceu aqui embaixo?

Jaxx engoliu com força. O odor de carne queimada era ofensivo.

– Um inferno é o que aconteceu aqui embaixo, Tom. Não era Drake. Algum imitador... Sei lá... Parecia Drake e seu estilo era parecido, para que eu me enganasse, mas não era Drake.

– Kitter disse que disparou duas vezes, que voou a parte de trás da cabeça dele. Disse que você disparou pelo menos três ou quatro vezes, e ele não caiu.

Jaxon assentiu.

– Kitter atirou. Estou segura. Vi sangue. Eu raramente falho, mas ele seguiu adiante. – Captou uma olhada dode Kitter e se moveu para estar diretamente diante dele. Seus olhos grandes, de cor chocolate, capturaram seu olhar. – Parecia que estiva drogado. Algo forte, não acredita?

O poder de Lucian fluía através dela. Jaxon podia senti-lo dentro de sua mente, senti-lo tomando o controle de Kitter. O policial assentiu lentamente, pensativamente.

– Não vejo que outra coisa poderia ter sido. Vi coisas feias com no PCP. Mas este, nem sequer piscou.

Jaxon liberou o olhar do homem. Sentiu o fluxo de informação, a história passava através dela a Kitter e ela ficou impressionada com os poderes de Lucian. Ele trabalhava, aparentemente com pouco esforço. Pela primeira vez, se permitiu pensar nisso e o que significava.

- Não há necessidade de encontrar novas razões para temer seu companheiro, céu. - Sua diversão quase a fez sorrir. – Você já tem rações suficientes em sua imaginação. Se eu fosse me converter em vampiro e cair sobre a raça humana, já o teria feito. Você é a luz de minha escuridão. Já não é possível que me converta.

- Não é necessário que se converta para que caia sobre a raça humana. Estiveste fazendo isso durante anos. Séculos. Sempre se sai com as tuas.

Imediatamente Jaxon teve a impressão de um sorriso, o relâmpago branco dos dentes de um predador. Um alarde. Resolutamente voltou para os problemas que estava enfrentando. Seus colegas tinham examinado as cinzas e estavam congregando-se novamente a sua volta, exigindo respostas.

Levantou uma das mãos, pedindo silêncio.

– Não sei o que aconteceu. Em um minuto estava vindo para mim com uma faca na mão e todo coberto de sangue e no seguinte podíamos ouvi-lo escada acima. Disse algo mas não entendi. Acredito que disse que ninguém ia pegá-lo com vida ou algo parecido, mas não estou realmente segura. Tudo aconteceu rápido. Estava com alguma coisa, alguma espécie de líquido... Ateou fogo nele mesmo. Foi horrível. Pensei em disparar para terminar com sua agonia. Acredito que o ouvirei gritar durante o resto de minha vida.

– Viu tudo, suponho? Não há corpo... Não ficou absolutamente nada. Nada mais que uma pilha de cinzas. A pessoas não queimam assim. E não há marcas de queimaduras no chão ou em nenhum outro lugar. – Assinalou Tom.

– Queimou rápido demais. – Disse Jaxon, afastando o cabelo. – Quero me sentar. Esta noite foi infernal. Alguém soube algo do capitão?

– Acabam de chamar e informar que receberam uma mensagem faz quinze minutos de que Radcliff foi atacado por algum maníaco. Radcliff lutou com ele, mas o levaram para o hospital. Dois policias mortos num carro patrulha. O suspeito escapou. Pensam que foi Drake.

– Alguém sabe como está Barry? – Perguntou Jaxon, ansiosamente. Estava tão cansada que cambaleou nas escadas e Tom colocou um braço em volta de sua cintura, para ajudá-la.

– Chamarei o hospital, Jaxx. Sente-se antes que caia. Arriscou-se muito, sozinha. E como trancou a porta? Tivemos que derrubá-la. – Ele mostrou os pedaços para provar e depois a ajudou chegar a seu escritório. Quando ela olhou com desgosto as notificações estendidas para ela, apressou-se a recolhê-las. Agora não precisava ver as notificações das mortes de seus vizinhos e amigos.

– Vou buscar um copo de água.

– Obrigado, Tom. Foi uma longa noite. – Ela apreciava a consideração do homem.

Tom lhe ofereceu um copo de água e observou como ela bebia. Sempre a achara bonita, mas agora havia algo mais. Havia nela uma qualidade misteriosa e etérea. E sua voz estava mais... Poderia ouví-la para sempre. Seus olhos eram os clássicos olhos de quarto. Já ouvira a descrição antes, mas nunca soubera o que significava, até que a fitou. Eles moviam-se com uma graça fluídica, inocentemente e sexy. Passou por um momento difícil, evitando que seu olhar a devorasse.

Jaxon lançou-lhe um sorriso, completamente ignorante do descalabro que estava criando. Tom a observava atentamente e ela sentia-se envergonhada. Num gesto nertovo e característico, passou as mãos pelo cabelo.

– Tenho um aspecto horrível, eu sei. Um completo desastre.

Parecia tão vulnerável, que Tom sentiu a urgência de tomá-la nos braços e protegê-la. Sem se dar conta do que fazia, colocou as mãos sobre os ombros dela, com a intenção de fazer uma massagem para aliviar a tensão. Antes que pudesse começar, um vento frio percorreu o aposento. Uma ameaçadora advertência. Quando Jaxon e Tom levantaram o olhar, Lucian chegava.

Imediatamente Jaxon não pode respirar. Havia algo selvagem e indomável nele. Algo escuro e perigoso nas profundezas de seus olhos negros. Não era raiva. Era morte gelada. Quando olhou para Tom, Jaxon de repente temeu pelo homem e não estava segura do por que.

– Lucian? – Pronunciou o nome dele, brandamente, num sussurro inquisitivo.

Lucian não voltou a cabeça para ela, mas se aproximou de forma que seu corpo ficou firmemente entre ela e o oficial de polícia. Sorriu, amavelmente, mas parecia um lobo à espreita.

– Não acredito que nos tenham apresentado. Sou Lucian Daratrazanoff, o noivo de Jaxon. – Ele estendeu a mão. Seus olhos negros e insondáveis, capazes de hipnotizar. Sua voz era suave e amável como sempre. – Você deve ser Tom, Jaxon fala de você com freqüência. Agradeço que tenha cuidado dela. – Ele adiantou um passo e sussurrou brandamente. Tom assentiu várias vezes, sorrindo em resposta.

O coração de Jaxon pulsava tanto, que a aterrorizava. Não podia acusar Lucian de descortesia, embora sua amostra de poder, a descoberto e sem rodeios, havia deixado toda a brigada, completamente silenciosa. Eram policiais, detetives, homens endurecidos por perigosas situações, ainda assim algo em Lucian os deixava gelados. Isso a assustava. Será que havia escapado de Drake, para atrair alguém pior? Certamente Lucian possuía poder para ser pior. O que havia nela que tirava o pior dos homens?

- Nada, anjo. É a mulher perfeita para mim. Sou um homem dos Cárpatos e não posso ser nada mais que o que sou.

Jaxon ouviu-o em sua mente. Ela estava levantando a mão para tentar arrumar seu cabelo, um hábito nervoso que não podia evitar. Sentia-se em uma grande desvantagem e despenteada. Lucian segurou sua mão e a levou aos lábios, seu olhar repentinamente centrado só e exclusivamente nela.

- Não o faça, amorzinho. Está bonita tal como é. - Imediatamente o gelo de seu negro olhar se esquentou, um flagrante amor que ele não se incomodou em esconder. Seu toque foi extraordinariamente gentil quando a colocou sob o amparo de seu ombro.

– Obrigado a todos por ajudarem a cuidar da Oficial Montgomery e tentar terminar com este pesadelo que se nega a abandonar sua vida. São todos muito leais a ela, como sei que ela é com o senhores. Se eu puder fazer alguma coisa para retribuir essa lealdade, por favor não duvidem em nos dizer. Barry Radcliff será transladado quando terminarem de atendê-lo no hospital. Ele estará bem. Brigou feio antes que chegássemos. Quem o atacou deve nos ter ouvido chegar e fugiu. Desapareceu antes que tivéssemos a oportunidade de apanhá-lo.

Lucian inclinou-se para deixar um beijo no o alto da cabeça de Jaxon.

– Vou levar Jaxon para casa. Está amanhecendo e ela está exausta. Pode voltar esta noite e terminar seu relatório. Os médicos dizem que é imperativo que descanse, não posso fazer outra coisa que me ocupar de que ela obedeça. Estou seguro de que o capitão entenderá.

Houve alguns sorrisos zombeteiros.

– Não conte com isso. – Disse um dos detetives. – Nunca é o que ele diz.

Lucian sorriu, mas seus olhos se tornaram vazios e frios quando seu olhar se separou de Jaxon e descansou sobre o interlocutor.

– Terá que ser.

Harold Dawekins olhou desafiante para Lucian.

– Jaxon, preciso falar com você em particular. Só um minuto. Entenda, Senhor Daratrazanoff... São assuntos policiais.

Lucian encolheu de ombros, despreocupadamente e um pequeno sorriso curvou seus lábios. Em vez de suavizar o toque de crueldade, o sorriso o fez parecer mais imperioso, mais perigoso que nunca. Um antigo guerreiro, indomável e selvagem.

Jaxon abandonou a proteção de Lucian contra vontade, para seguir Dawkins cruzando o aposento.

O que está acontecendo, Harold? Estou exausta e se o capitão não entende é uma lástima.

Harold Dawkins trabalhava com ela a vários anos. Estava perto do retiro e sempre cuidara de Jaxon como uma filha.

– Quem é esse tipo? O que sabe dele? Nem sequer é deste país. Acredito que seja perigoso, Jaxx. Está na forma em que se move, em sua postura. Você não vê através de todo esse encanto europeu. Poderia te levar para alguma terra estrangeira e te esconder, onde ninguém possa te ajudar. Há muitos casos desse tipo.

– Sério, Harold! Não acredito que isso vá acontecer. – Jaxon tentou não sorrir enquanto segurava o braço do velho companheiro, afetuosamente. Lucian dificilmente parecia do tipo que a esconderia em um harém. – Não sou nenhuma doce vítima que não possa defender-se. E mais, Lucian acredita que sou uma espécie de lunática. Diz que tenho meu próprio arsenal.

– Queria que me escutasse, Jaxx. Não vá se colocar apressadamente em nada. Dê um pouco de tempo antes de se comprometer. Este tipo é...

Meu noivo, Harold. Só parece mau. Na realidade é um ursinho de pelucia. – Ela mentiu. Lucian parecia mais um lobo enorme, escondido, disposto e altamente inteligente. Exceto com ela. Ele era incrivelmente gentil com ela. Queria defender Lucian. Ele tinha salvado Barry. Havia protegido à raça humana durante séculos. Mas não podia dizer isso, não podia explicar a Harry, que Lucian tinha dedicado sua vida à segurança dos outros.

Jaxon voltou para Lucian, que imediatamente atravessou o aposento, para ficar a seu lado. Envolveu sua pequena mão, levando-a ao peito para sustentá-la sobre seu coração, enquanto saíam juntos da delegacia de polícia.

 

– Você se sente muito cômoda na companhia de homens.

Jaxon olhou fixamente a face de Lucian. Sua voz era suave, sem nenhuma inflexão. Seus traços estavam vazios de expressão, mas tão duros e implacáveis como se o vento os esculpisse em granito, embora tão sensuais que roubava seu fôlego. Por alguma razão, seu corpo alvoroçou e imediatamente ela ficou nervosa. Encolheu os ombros, mais para si mesma, irritada por reagir tanto, por sua singela declaração.

– Trabalho com homens todo o tempo. Treino com eles. Cresci rodeada deles. Nunca conheci muitas mulheres. – Agora estava irritada porque havia agido como uma menina desafiante. Não tinha razões para sentir-se culpada. Ela não tinha feito nada mau. Era ele que atuava como um marido ciumento. Mordeu o lábio. Ele não havia atuado exatamente assim, só que era tão intimidante. O poder se colava a ele, que possuía um aspecto perigoso. Tanto que o doce Harold tinha pensado em adverti-la contra ele. Talvez Lucian não quisera falar o que falou a eles, possivelmente era que seu sotaque que fazia suas palavras soarem tão aterradoras. Ou sua falta de expressão. Voltou a fitá-lo enquanto se dirigiam para o carro, que esperava. Antonio estava segurando a porta aberta e por alguma razão, não estava sorrindo. Sacudia a cabeça para ela, como se ela tivesse cometido um pecado grave.

O que é? – Perguntou ela, olhando de um homem a outro. – O que aconteceu?

A mão de Lucian baixou até sua nuca, exercendo pressão suficiente para que automaticamente ela subisse à limusine.

– Ela é um problema, não? – Sussurrou Antonio, mas com voz o bastante alta, para que ela o ouvisse.

Jaxon esperou até que Antonio sentou-se ao volante e o carro deslocavam velozmente para sua casa.

– Não sou. O que significa isso? Esses homens são meus amigos, meus colegas. Trabalho com eles.

– Por isso esse velho cavalheiro colocou tanto cuidado em dizer que sou um homem perigoso, alguém com quem você não deve se envolver? Ouvi ele te advertir que se afastasse de mim. – Como sempre, não houve inflexão em sua voz, somente o tom suave e aveludado. Um sussurro que anunciava problemas.

– Bem, o que você esperava quando chegou com aspecto tão intimidante e horripilante, como se fosse um membro da Máfia, ou algo parecido? Precisa parecer mais... Não sei...

– Amaneirado? – Proporcionou Lucian suavemente, com um indício de compaixão escapando de sua voz.

– Que classe de palavra é amaneirado? Antonio, alguma vez ouviste a palavra amaneirado?

– Antonio não pode nos ouvir. – Assinalou Lucian.

Jaxon estava ocupada, apertando todos os botões da limusine.

– Você utiliza o controle mental facilmente, Lucian. Está me controlando também?

Gentilmente, Lucian estendeu uma mão sobre a dela para imobilizar seus frenéticos dedos.

–Acalme-se, Jaxon. Está sofrendo desnecessariamente. Não controlo sua mente. Se o fizesse, não a colocaria em perigo na menor oportunidade. Acredite ou não, estou tentando encontrar um equilíbrio com sua natureza. Os homens dos Cárpatos não aceitam facilmente que haja outros homens em volta de suas mulheres. É um simples fato. Não há necessidade de temer o que é natural. Minhas emoções são novas e cruas, mas nunca faria mal a você ou a alguém quem aprecia.

– Bem, sou e não sou um Cárpato, então unicamente terá que se acostumar a isso. – Murmurou ela, com rebeldia. – Não tenho medo de você. - Nos limites fechados do carro, com a mão dele cobrindo a sua, seu polegar deslizando-se numa carícia sobre sua mão, era difícil pensar em em outra coisa que não fosse Lucian. – Sou polícial. Esses homens são meus companheiros. Cuidamos uns dos outros. É como vivo, como sobrevivemos todos. – Apesar de sua determinação de não dar satisfações, encontrou-se dando explicações.

– Sabia que havia uma razão pela que não queria que continuasse com sua profissão. – Disse Lucian inexpressivo, quando inclinou-se para ela e sua mão encontrou o pequeno queixo, para obrigá-la a levantar o olhar. – Eu não gosto de vê-la em perigo. É mais do que meu coração pode suportar. Acrescente a seu pesar e a culpa que coloca sobre si mesma e meu coração sabe o que se sente ao se romper. Se outro homem, humano ou não, decide te olhar com desejo e depois coloca suas mãos sobre você, sinto o desejo de perder o controle.

Jaxon abriu um pequeno sorriso ante a completa sinceridade dele.

– Daí, fez que com Tom pensasse que me via como uma arpía velha e enrugada ou algo assim?

– Foi uma tentação. – Sua mão deslizou até a nuca dela e encontrou as mechas de cabelo. – Senti uma primitiva urgência em lhe desalentar, para que ele deixasse de te cobiçar.

Ela piscou para ele, suspicaz.

– Não quero saber o que quis dizer, então não te incomode em explicar.

Um lento sorriso esquentou o gelo negro dos olhos de Lucian.

– Está começando a me conhecer.

– Obrigado por salvar Barry. Pelo que captei dele, quando o vi através de seus olhos, parecia estar em forma. Sei que deve ter sido difícil destruir o ghoul ali, me ajudar e se ocupar dele, tudo ao mesmo tempo. – Podia sentir que ele estava exausto. Não mostrava na face, mas estava em sua mente. Lucian estava extremamente cansado. Havia utilizado uma energia enorme, essa noite. Mesmo alguém tão poderoso como Lucian podia se cansar.

Certamente, ela também estava cansada, mas se manifestava mais como dor. Era quase muito aceitar a perda de tanta pessoas que conhecia e admirava. Por um momento a realidade de tudo tocou sua mente e Jaxon não pôde respirar, seus pulmões se negavam a trabalhar apropiadamente.

– Se o homem dos apartamentos não era Drake e o da delegacia de polícia tampouco, quem eram? E como sabiam exatamente o que Drake fazia com suas vítimas? Como sabiam a quem matar? E por que queriam matá-los, Lucian?

– Há uma única resposta, anjo. – A voz de Lucian foi mais inexpressiva que nunca. Fez que Jaxon levantar o olhar, com apreensão. – Deve haver um vampiro envolto nisto, um professor vampiro, um dos antigos. É uma criatura capaz de tais coisas.

– E Drake? Está morto? – Havia quase uma nota esperançosa em sua voz.

Lucian sacudiu a cabeça.

– O mais provável é que Drake ainda ande solto por aí, provavelmente assombrado antes estas mortes. O vampiro tem lido sua mente, recolhendo detalhes e por isso sabia que algo estava errado. Os detalhes não eram exatamente os de Drake. O vampiro criou seus ghouls e os enviou com ordens de matar a qualquer pessoa que tivesse lembranças de você.

Os dedos de Jaxon se retorceram, em um duro nó de dor e seu estômago queimou.

– Por que? Que ganharia com isso?

O negro olhar de Lucian a percorreu, insondável, melancólico e possessivo.

– Precisamente o que ganhou. Dor. Os vampiros prosperam com a dor dos outros. Deve tê-la vistoa descoberto, longe do amparo da casa e leu suas lembranças. Não poderia ter escondido sua mancha de poder de mim se eu tivesse perto.

Jaxon sentiu como se ele a tivesse golpeado com força, seu estômago. A sensação foi tão real, que realmente ela se dobrou, deixando cair a cabeça na palma da mão.

Foi eu que fiz isto. Simplesmente saindo da casa. Eu causei tudo isto. Basicamente, é isso que está dizendo, não é?

O braço de Lucian envolveu os frágeis ombros. A dor irradiava dela, envolvendo-o de forma que ele se sentia quase tão doente como ela.

– É obvio que não, Jaxon. Não pode se acreditar responsável pelas doentias ações dos outros.

Jaxon saiu do contato de Lucian, incapaz de suportá-lo. Estava lutando para respirar.

– Lucian, peça a Antonio que pare o carro. Preciso sair. Andarei o resto do caminho. Não está longe.

– Quase amanhece, meu amor. – Ele pronunciou as palavras, sem inflexão, aparentemente nem a favor nem contra sua decisão.

– Aqui não posso respirar, Lucian. Pare o carro. – Queria correr tão rápido como pudesse... Se era para fugir de si mesma, como de tudo o que tinha acontecido, não sabia. Só sabia que tinha que sair. – Preciso estar sozinha. Por favor, pare o carro e me deixe caminhar de volta à casa. Tenho que estar sozinha.

O negro olhar de Lucian percorreu sua face uma vez mais, pensativo, suspicaz. Sua mente percorria a dela. Viu a necessidade de Jaxon de estar sozinha, de tomar ar fresco, de poder respirar livremente. Sua mente estava um caus e ela estava tendo problemas para respirar.

Logo o carro diminuiu a velocidade, até parar e Jaxon compreendeu que Lucian tinha ordenado a Antonio que fizesse uma parada. Instantaneamente saiu do carro e correndo, deixou pata trás o asfalto, tomando o prado que conduzia às colinas e ao lado sul do imóvel. Correu em paralelo à estrada, até que o carro se perdeu de vista. Instantaneamente mudou de direção e subiu correndo à colina, longe da casa e para os escarpados. Teve que parar por duas vezes, dobrando-se, quando seu corpo protestou pelos terríveis crimes cometidos, simplesmente porque alguém a conhecia. O que era ela? Um ímã para os monstros? Algo horrendo em seu interior atraía os demônios que havia nos outros. Ela não pagava o preço, sempre algum inocente espectador o fazia.

Jaxon ouvira as conversas no edifício de apartamentos e na brigada. Os murmúrios, o silêncio condenatório. A maioria de seus amigos tinha medo de falar com ela, ninguém queria ser visto com ela e todos eles estavam aterrorizados por suas famílias, e com razão. Esta última matança tinha sido pior do que tudo o que Drake fizera antes. Este vampiro era capaz de assassinar em massa e em dois lugares ao mesmo tempo.

Continuou correndo tão rápido como pôde. Quando o atalho se tornou mais íngreme, tropeçou ocasionalmente, as lágrimas corriam por sua face, nublando sua visão. Jaxon não tinha nenhum pensamento claro na cabeça. Já não sabia o que estava fazendo. Solo que esta matança não podia continuar. Seu pai. Sua mãe. Seu amado pequeno Mathew. Toda a família Andrews, inclusive a pobre Sabrina, que estava em casa de férias. Depois sua vizinha, Carol. A doce Carol, cujo único crime foi observar o amanhecer a cada manhã e morreu porque ela gostava de compartilhar a experiência com sua vizinha. E agora todas estas outras vítimas inocentes.

Jaxon soluçava enquanto seguia seu caminho escalando as rochas pronunciadas até o alto do escarpado. Não ficou em pé, a terra girou e afundou sob seus pés, como uma montanha russa. No alto, as nuvens de formavam redemoinhos e nublavam, fervendo como um caldeirão. Um relâmpago arqueou, golpeando a terra com talhos ardentes, o trovão quase a ensurdeceu. Gritou enquanto corria até a beira do precipício. Se não houvesse Jaxon, não haveria necessidade de que Drake voltasse a matar ninguém.

Tentou correr, com a terra rodando baixos seus pés, lançando seu corpo para a beirada. Quando estava com um pé já fora, no ar, um braço forte a segurou, rodeando-a pela cintura e levantando-a completamente do chão.

– Lucian. – Sussurrou seu nome, colando-se a ele, sua única prudência em meio a loucura de seu mundo. Rodeou o pescoço dele, com seus braços esbeltos e enterrou a face no conforto de seu ombro.

O corpo dele estava trêmulo, podia sentir. Levantou a cabeça e viu o terror ardendo nas profundezas de seus olhos. Ele baixou a cabeça e tomou posse de seus lábios, mesmo quando os céus se abriram sobre eles e verteu a chuva sobre a terra.

– Preciso de você, Jaxon. – Cada palavra foi pronunciada com suavidade. – Não pode me deixar sozinho neste mundo. Preciso de você, anjo. - Látegos de relâmpago chispavam e dançavam por toda parte e a volta deles. O trovão estalou e retumbou. – Não pode me deixar sozinho.

– Eu sei. – Sussurrou ela em resposta, pressionando-se contra ele, uma oferenda no meio do mundo que caía em volta deles. – Não sei o que aconteceu, no que estava pensando. Sinto muito, Lucian. Sinto muito. Por Deus! Sinto muito.

– Não tem que dizer isso. Nunca diga. – Os lábios dele se moveram outra vez sobre os dela, ardente, com temor e crescente desejo. – Tenho que saber que está aqui comigo.

– Estou aqui. Não te deixarei. Não é você. – Jaxon estava chorando, suas mãos se deslizaram sob a camisa dele para tocar sua sólida realidade. Ele era real e era seu único consolo, sua única prudência. Fizera mal para ele, sentia-o irradir dele, profundo e intenso, junto com o terror que estrangulava sua alma. Levantou a cabeça para encontrar beijo com beijo, entregando-se a ele, desejando só consolar e ser consolada.

Lucian a estava consumindo, devorando-a. Seus lábios estava em todas as partes, a chuva sobre sua pele nua, sobre suas peles nuas. Ele tinha disposto de suas roupas tão rapidamente, tão facilmente, com um simples pensamento impaciente em sua mente.

Jaxon levou alguns momentos para compreender que ele estava furioso, a terrível ferocidade da tempestade refletia o negrume de seu humor. Mas seus braços enormemente fortes, a sustentavam com gentileza, fez com que seu coração retumbasse forte.

– Preciso de você comigo, anjo. Você ainda não nota, não importa o quanto eu tente dizer, mostrar-lhe. - Por toda parte e em volta deles, a terra se movia e dividia em grandes gretas quer se abriam nas rochas. – Sem você não tenho razão de viver. Realmente preciso de você. Coloque as pernas em volta de minha cintura. – Ele sussurrou a ordem, enquanto seus dentes mordiscavam freneticamente, a pulsação dela. – Agora Jaxon, preciso de você, preciso estar dentro de ti, preciso estar rodeando com seu calor e sua luz. Preciso sentir que está a salvo e viva e nada pode te fazer mal.

Ele estava em todas as partes, suas mãos explorando, inflamando, seu corpo tão duro e agressivo, tenso pela terrível necessidade, pela terrível fome, que Jaxon o obedeceu quase que cegamente. Sua fome era intensa, a tempestade aumentava em vez de diminuir. Era um autêntico barômetro de seu urgente desejo.

– Não pode me deixar para viver num mundo vaziou sem luz ou risos. Não pode me deixar sozinho, anjo.

Sua voz era rouca, áspera pelo medo e a fome implacável, só por ela. Ele estava com o cabelo molhado e as mechas cor de ébano caíam por suas costas. Lucian parecia selvagem e indomável. O que era. Perigoso e imprevisível. Mesmo assim, Jaxon não sentiu medo. Colou-se a ele, com a mesma urgência, desejando sentir a força de seus braços, a urgência de sua posse, seu corpo movendo-se dentro dela e seus lábios alimentando-se de seu seio. Sua alma ancorada a dela em meio ao caos.

Jaxon ergueu as pernas em volta dele e colocou seu corpo sobre o membro rijo, latente. Ele preencheu-a instantaneamente, fazendo-a ofegar com o inesperado prazer. A tempestade se intensificou, os relâmpagos esfaqueavam no céu cinza. O sol tentava corajosamente elevar-se, mas as ameaçadoras nuvens negras eram espessas e escuras, evitando que a luz penetrasse até suas peles sensíveis. Mas Jaxon sentia a primeira coceira de ansiedade ante a luz amortecida. Caíam-lhe lágrimas pela face, os olhos ardiam e seus pulmões ofegavam em busca de ar e pelos estrangulados soluços que a sacudiam, enquanto colavam-se um ao outro, numa selvagem dança de vida... De reafirmação de amor.

Os braços dele eram como o aço, mantendo-a segura. Seu corpo se movia agressivamente dentro do dela, embora suas mãos fossem ternas, tanto que rompia seu coração, seus lábios eram suaves e amorosos sobre a pele de Jaxon.

– Não chore, anjo. – Sussurrou ele contra seu cabelo molhado pela chuva. – Superaremos tudo, juntos. Não posso estar sem você. Você é meu ar. É minha alma e meu coração. Olhe no interior de minha mente, Jaxon. Olhe em minhas lembranças, observe minha vida, vazia e interminável sem você. Nunca poderia se expor nunca a algo semelhante, se soubesse como eu preciso de você. Não posso voltar a ficar sozinho.

– Não sabia o que estava fazendo. – Negou ela.

E ele acreditava. A mente dela estava sumida em tal caos, tão cheia de dor, que ela corria cegamente, sem pensar. Não pensara em destruir-se. Seus pensamentos estavam centrados na tragédia. Lucian sentiu que podia respirar realmente, obrigando o ar a entrar em seus pulmões, permitindo que seu coração pulsasse uma vez mais.

– Nunca volte a fazer algo semelhante. – Seus quadris se moviam com um ritmo que se igualava a ferocidade da tempestade.

Jaxon sentiu que suas lágrimas diminuíam, enquanto o fogo se estendia por todo seu corpo, através do dele. As chamas dominavam, estendendo-se para os céus, estendendo-se para o interior das nuvens sobre eles, de forma que os raios dançavam com eles, através deles. Ouviu seus gritos fundindo-se aos dele, quando se entregaram ao mais louco dos êxtases, juntos, segurando-se um ao outro, como crianças amedrontadas enquanto seus corações e pulmões trabalhavam freneticamente para manter o passo de seus corpos, que voavam.

Jaxon se aconchegou contra ele, tão perto como era possível, em busca de conforto, incapaz de controlar a tempestade de lágrimas mais do que havia sido capaz de controlar a tempestade de desejo que os tinha consumido. Sentia o corpo dele tremer, estremecer e seus braços a apertaram firmemente. Sentia as lágrimas dele em sua mente, a agonia do medo e o crescente terror, enquanto compreendia o que quase tinha feito.

E Jaxon proporcionou consolo a Lucian, emoldurando sua cabeça entre as mãos, cobrindo sua face de beijos.

– Não tinha intenção de fazer algo tão estúpido, Lucian. Não foi por você ou pelo que sou. Não estava pensando corretamente. Não teve nada a ver conosco. Simplesmente não podia suportar conduzir a morte a tantas famílias.

– Jaxon... Jaxon... – Sua dor a rasgava. – O que vou fazer com você? E quantas vezes devo te lembrar que não é responsável por essas mortes? Faz as coisas impetuosamente, sem pensar. Pensou em desperdiçar uma vida tão formosa e importante, embora não teria morrido se tivesse saltado.

Ela piscou para ele.

O que quer dizer?

– Se não eu não a pegasse ou fundido minha mente para te fazer flutuar até embaixo ou te deter de algum outro modo, realmente teria caído e seu corpo teria chegado o fundo do escarpado. Você teria sofrido terrivelmente por ossos quebrados e ferimentos internos, mas seu corpo não teria permitido sua morte muito mais do que tivesse feito o meu. Nossa gente sofre com freqüência ferimentos mortais, mas a terra nos cura rapidamente.

Ela pressionou a face contra seu peito, incapaz continuar falando. Era muito difícil assimilar a informação que ele estava dando, com sua mente em semelhante caos. Só então compreendeu que sua pele estava começando a picar, apesar da ferocidade da tempestade que cobria a região e embotava os efeitos do sol nascente. E o ardor de seus olhos aumentava a cada segundo. Colocou uma mão sobre os olhos, enquanto ele permitia que seus pés tocassem a terra. Parecia como se mil agulhas estivessem atravessando seus olhos com cada segundo. Mordeu o lábio inferior e enterrou a face contra o peito de Lucian.

– Lucian, sabe esse negócio da velocidade, que você faz? Agora seria o momento perfeito.

Lucian também podia sentir os efeitos do sol sobre sua pele apesar das nuvens escuras que velavam o sol. Erguendo Jaxon nos braços, moveu-se com velocidade sobrenatural, fazendo que o espaço formasse redemoinhos em volta deles e a chuva açoitasse o espaço esvazio deixado por sua partida. Lucian entrou na casa pelo balcão do segundo andar e manteve Jaxon nos braços enquanto deslizou através da casa, até a câmara, onde os raios do sol não tinham possibilidade de alcançá-los. Só então permitiu que a tempestade começasse a se apaziguar.

O que vamos fazer? – Perguntou Jaxon. – Como podemos deter todas estas mortes? – Ela percorreu o aposento com o olhar, procurando um roupão.

Lucian lhe estendeu um, lendo facilmente sua mente. Tirou-o do ar enquanto Jaxon piscava para ele, com seus olhos grandes e confiados. Deslizou o corpo no felpudo tecido de algodão e juntou os extremos. Seus olhos permaneciam fixos na face dele.

- Você também poderia utilizar um.

Ele sacudiu a cabeça ante seu incômodo, mas obsequiosamente, fabricou outro roupão só por agradá-la. Pôde notar que ela relaxava ao ver seu corpo coberto. Teve que voltar o rosto para outro lado, a fim de esconder seu sorriso. Jaxon estava caminhando de um lado para outro, incapaz de ficar quieta, com tanta adrenalina bombeando em seu interior.

– O que vamos fazer, Lucian. Como vamos evitar que este monstro mate a tudo o que me importa?

Temos duas escolhas. – Disse Lucian, sério, mas com voz tranqüila, ajudando a acalmar a sobrecarga de energia que percorria as veias dela. – Podemos ficar aqui e tentar atrair o vampiro. Não será fácil. É antigo e sabe quem sou. Enviará seus ghouls e outras criaturas para lutar conosco antes de se mostrar. E irá se expor só se acreditar que tem uma vantagem muito grande.

Jaxon passou a mão pelo cabelo molhado, notando que tremia, apressadamente a colocou-a pa trás. Retorcendo-os dedos, fez o que pôde para parecer composta.

– E a outra escolha?

Podemos abandonar a cidade. Nos afastar e esperar que nossos inimigos nos sigam, atraindo-os para longe de seus inocentes amigos. Acredito que Tyler Drake virá atrás de nós. É possível que o vampiro também o faça. Há poucas humanas como você. Não gostará de esperar e tentar encontrar outra. É possível que já estivesse atrás de seu rastro quando a encontrei e acredita que a separei dele, injustamente. Se esse for o caso, seguirá-nos.

– Se não fizermos isso, deixaremos a todos desprotegidos. – Jaxon soava desamparada. – Não entendo, Lucian. O que há em mim que atrai semelhantes monstros? – Ela voltou-se, ignorante da dor crua em refletida em seus olhos.

Lucian manteve seu olhar fixamente, firmemente. Ele era um monstro. Um monstro escuro que tinha vivido muitos mais séculos que a maior parte de sua raça. Cometera muitos crimes. Era responsável por incontáveis mortes. Percorrera o mundo até encontrá-la, nunca permitiria que escapasse dele, nunca a deixaria. Nunca permitiria que ninguém a separasse dele. O que o diferenciava dos outros, que tão desesperadamente a desejavam? Era assim como ela o veria? Como um monstro?

Jaxon o abraçou e o sustentou perto dela.

– Você não é um monstro, Lucian. É amável, honorável e um bom homem. Nunca se coloque na mesma categoria que alguém como Tyler Drake ou essa coisa maligna que chama de vampiro.

Ele inclinou a cabeça para ela, abraçando-a firmemente contra ele. Ela não o conhecia tão bem como acreditava. Esgrimia muito poder, tinham-lhe chamado monstro, muitas vezes ao longo dos séculos. Jaxon tinha lido sua mente. Assombrava-o que ela tivesse feito e ele não notara. Ela o fazia acreditar que sua alma não estava amaldiçoada por toda a eternidade, que suas falhas seriam julgadas com compaixão. Jaxon o fazia acreditar em milagres.

Sussurrou-lhe que a amava, utilizando a língua ancestral. Sussurrou em sua mente, incapaz de pronunciar as palavras em voz alta e vê-la se afastar dele. Suas mãos passearam pelo cabelo loiro, possessivamente.

– Aprendi o significado da palavra medo, anjo. Não foi uma lição fácil, nenhuma que deseje repetir, mas me proporcionaste saber o inferno que suportaste em sua jovem vida. Escolha, Jaxon. Deixamos um rastro para que o vampiro possa seguir? Vamos atraí-lo para longe de seus amigos? Ou ficamos e lutamos aqui?

Ele estava lhe pedindo sua opinião. Jaxon piscou para conter as lágrimas. Era verdade que não o conhecia totalmente, mas havia captado em sua mente, cada vez que ele se fundia completamente a ela e vira o suficiente para saber que Lucian era um professor planejando batalhas. Sobre tudo, o importante era que ele pedia sua opinião.

Pesou cuidadosamente, cada plano de ação.

Acredito que é muito difícil proteger todo mundo. Não podemos estar com eles durante o dia, assim são vulneráveis a Drake e a qualquer criatura que o vampiro dita criar. Se sairmos daqui, não vejo que bem possa fazer a um vampiro atacar às pessoas daqui. Devemos pensar num lugar que possamos fortificar e defender facilmente. – De repente, Jaxon notou que estava tremendo incontrolavelmente. Ainda estava com o cabelo molhado, enquanto ele estava ali, em pé e perfeitamente asseado. Olhou-o fixamente.

– Por que você está seco e eu molhada e tremendo de frio?

Lucian tomou as mãos dela entre as suas e as esfregou gentilmente para esquentá-la. Um débil sorriso tocou seus lábios esculpidos.

– Pense em estar quente e seca. Visualize em sua mente. Manténha em sua mente, a imagem de seu cabelo seco, sua pele seca e seu corpo quente. – Ele fundiu-se a ela, aquietando seus amalucados pensamentos, ajudando-a a construir a imagem de suavidade e bem estar.

Jaxon retirou sua mão da dele para tocar o cabelo com assombro.

– Eu fiz isso? Simples assim? Nem secador, nem toalha?

Simples assim. – O sorriso de Lucian, floresceu com força, enchendo-o de alegria. Ela trazia a sua memória, os primeiros dias de um aprendiz tentando aprender as coisas que os adultos de sua espécie faziam tão facilmente.

– Posso fazer tudo o que você faz?

Ele assentiu lentamente, estudando sua face através dos olhos semicerrados. Parecia estar dormindo, mas Jaxon tinha o pressentimento de que estava totalmente alerta.

O que você gostaria de aprender a fazer? – Perguntou ele.

– Agora? – ela percorreu-lhe os braços, com a palma das mãos, consciente da forma em que sua pele tinha reagido à saída do sol.

– Sua pele se tornará mais resistente, Jaxon. Cedo ou tarde será capaz de observar o amanhecer, se estiver com óculos de sol. Deveria se converter num hábito levá-los contigo a qualquer parte que for. Desta forma, se a manhã te surpreender fora ou precisa se elevar cedo, seus olhos estarão a salvo dos raios do sol. Sou um antigo... Nós sentimos a dor muito mais intensamente que os membros mais jovens de nossa espécie... Embora possa sair nas primeiras horas da manhã sem muitos problemas. É uma vantagem que o caçador tem sobre o vampiro. O vampiro não pode elevar-se, até que o sol se põe completamente. Ele não pode sequer ver a saída do sol.

Estamos realmente indefesos pela tarde? - Uma suave tom em sua voz, traiu seu medo.

A mão de Lucian encontrou o cabelo sedoso, depois deslizou até a nuca, onde seus dedos massagearam lentamente para aliviar a repentina tensão nela.

– Nossos corpos estão entorpecidos nesse momento, é certo, mas não estamos inteiramente sem recursos com os que proteger a nós mesmos. Sou extremamente poderoso, anjo. Não há forma de que sobrevenha nenhum perigo a você. Nunca permitiria.

Jaxon se moveu entre seus braços, abraçando-se a ele firmemente. Permanecer como uma sombra na mente dele, permitia ver como ele a enxergava. Ver seu mundo, alheio e diferente, tão cheio de mitos e superstições, com violência e criaturas da noite, parecia-lhe um lugar muito aterrador. Lucian apertou os braços a sua volta. – Se alguma vez precisarmos de ajuda, Jaxon, meu irmão sempre estará perto.

Odeio te desiludir, Lucian, mas seu irmão vive em Paris. Não está precisamente aqui perto.

– Se sua necessidade for grande, poderia ajudar mesmo de longe, através de seus olhos... Emprestando sua ajuda, sua força, inclusive destruir a um inimigo que a ameace.

A idéia de qualquer outro homem dando voltas em sua mente, instantaneamente ela achou aborrecido. O por que de não se importar que Lucian lesse cada um de seus pensamentos, parecia natural, não compreendia, mas sabia que não gostaria que nenhuma outra pessoa descobrisse sobre ela, o que ele havia descoberto.

Lucian estava absurdamente feliz com os pensamentos dela. Normalmente ele parecia tão cômoda na companhia de homens, o que a incomodava mais do que ele tinha compreendido até o momento. Queria que Jaxon desejasse ele, que precisasse dele, da mesma forma que ele precisava dela. Não porque o ritual os unira e seus corpos clamassem um pelo outro, mas porque ele era importante para ela. Lucian. Nenhum outro. Ainda assim, era relutante a ler sua mente, a explorar suas lembranças ou a pessoa que ele era. Os companheiros aprendiam tudo um do outro rapidamente, explorando suas mentes, embora ela persistia em evitar.

– Parece triste. – Ela colocou uma mão em seu braço e tocou seus lábios com a ponta de um dedo. – Seus olhos, Lucian. Algumas vezes você me parece tão triste, que me doe o coração. Sei que deve me considerar uma grande desilusão, porque não posso fazer as coisas que sempre fazem as mulheres de sua raça, mas estou tentando. Seriamente.

– Nunca poderia me desiludir com você, anjo. Não permita que a idéia passe por sua mente. Cada momento que passo com você, me proporciona grande alegria. – Ele moveu o esbelto corpo dela para a cama, simplesmente apertando-a com o seu, maior e pesado. O sol se movia no céu. Podia sentir seus efeitos sobre seu corpo já cansado. – Com sua aprendizagem, posso experimentar a alegria de cada dia, uma vez mais.

Jaxon subiu à cama quase ausentemente, mordendo o lábio inferior profundamente pensativa.

– Não quero que esteja triste por mim. É isso? Não se compadeça, Lucian. Não poderia suportar.

Ele tirou o roupão de seu corpo, apesar dela tentar mantê-lo a sua volta, com embaraço. O dele havia ficado abandonado no chão, descuidado. Seus braços a estenderam na cama. Os grandes olhos o fitavam.

– Como seria possível que sentisse pena por uma mulher que tem Lucian Daratrazanoff por companheiro? Ele é bastante bonito... Sei que tem boa pinta.é sSexy. Ardente é o termo que acredito que utiliza.

Jaxon sabia que um rubor cobria todo seu corpo. As mãos dele se moviam sobre sua pele gentilmente, numa pausada exploração, como se não pudesse evitar de tocá-la. Fechou os olhos e se entregou à sensação das mãos dele cobrindo seu corpo.

– É ardente sim, mas também bastante arrogante.

– Tem formosos olhos. – Murmurou ele, seus lábios encontrou a boca dela, tentando, roçando, seus dentes mordiscando meigamente. – Você gosta de seus olhos.

O prazer que ele lhe dava era indescritível. Não encontrava palavras para explicar as sensações que tomavam seu corpo. Suavidade. Felicidade.

Lucian foi indulgente, acariciando sua pele só pelo puro prazer de fazê-lo. Emoldurou os seios túmidos, acolheu o tremendo prazer da sensação da forma em que os mamilos endureciam as palmas de suas mãos. Inclinou a cabeça para deixar um beijo em sua garganta. Seu cabelo deslizou sobre os seios de Jaxon, num tortura deliciosa.

Jaxon elevou as mãos para segurar sua cabeça. Suas pernas se moviam inquietas. Adorava a forma em que ele a desejava. Podia sentir no toque de suas mãos, quase como se adorasse seu corpo. Podia sentir a suavidade de seu hálito enquanto ele se movia sobre ela, sua língua encontrando a pulsação em sua garganta. O coração sobressaltou, e seu corpo se distendeu, de antecipação. Sentiu os seios doloridos pelo desejo de seu toque, sentiu a cremosa umidade de seu próprio corpo chamando o dele. Seus lábios encontrou os seios, a sensação foi tão deliciosa que se ouviu gemer suavemente. As mãos dele estavam em sua cintura, nos quadris, acariciando sua pélvis. Não era suficiente. Nunca seria suficiente. Celebrou a forma em que ele a tocava com perfeito cuidado. Nunca haveria outro que pudesse comovê-la como Lucian fazia, da forma em que ele vivia dentro dela. Seu negro olhar estava sobre ela, quando lentamente ele inseriu dois dedos em seu interior, empurrando gentilmente.

Com as mãos em seus cabelos longos e despenteado, deixou que seu corpo se entregasse ao êxtase total que só ele podia proporcionar. Ele se superou, levando-a seguidamente ao fogo ardente. Ainda assim, Jaxon queria mais. Queria seu sangue fluindo nele, conectando-os, tornando-os um só. Já não poderiam separar-se... Agora o entendia, sabia que sempre teria que estar com Lucian. O que Lucian fizera para uni-los estava funcionado. Já não podia suportar a idéia de se separar dele. E o fogo entre eles só parecia crescer, mais ardente e mais fora de controle, quando mais tempo passavam juntos.

Gritou quando ele os uniu, sua respiração estalou fora de seus pulmões. Precisava mais que o corpo dele, grosso e ardente, no dela. Precisava. Tinha seu peito ante a face, sua mão embalava sua nuca, sujeitando-a contra seu coração.

- Você precisa, anjo, eu provejo. Saboreie-me, sou teu. Me saboreie. Está faminta e precisa se alimentar. Precisa só de mim. Meu sabor é perfeito, céu. Lembra-se?

O sussurro era suave e sedutor, acariciando sua mente. Um convite. Uma tentação. Pura sedução.

Moveu os lábios sobre a pele dele. Sentiu como seu corpo se enrijecia.

- Preciso de você, anjo, igual precisa de mim. Preciso que faça. – Jaxon podia sentir na mente dele, a terrível antecipação, o escuro desejo, todo seu corpo esperando com urgente obsessão. Ele precisava que ela o tomasse, muito mais do que ela precisava tomar. - Por mim, Jaxon, por mim. Desejo como não desejei nada em toda minha vida. Você também precisa.

Ele estava em todas partes com ela... Em sua mente, em seu coração, em seu corpo, em sua alma. E precisavae ela não podia fazer outra coisa que provê-lo. Moveu os lábios por vontade própria, até a pele dele, sem compulsão, só pensando em lhe agradar, em prover para ele. Sentiu a forma em que o corpo dele se esticava quando seus dentes mordiscaram a pele e sua língua brincou para aliviar a dor.

- Terá que fazer por sua conta, anjo. – Lucian estava suplicando, enquanto a penetrava num selvagem ritmo de feroz posse. Movia-se sobre ela, em volta dela, dentro dela, desejando fluir dentro dela.

Afligia-a com semelhante necessidade erótica, Jaxon estava consumida por ele. Sentiu quando seus incisivos se alongaram, enquanto cravava-os na pele de Lucian, até que se conectaram de todas as formas possíveis. Látegos de relâmpagos arqueavam-se através do corpo dele para o dela. Ouviu a voz dele repetindo seu nome no interior de sua mente. Intimo. Erótico. Selvagem por causa da paixão. Sentiu o calor resplandecente do corpo dele movendo-se nela, enquanto penetrava-a profundamente, a cadafirme e segura investida.

Seu sabor era selvagem, ardente e sexy. Lucian era aditivo. Seu sangue fluía através de suas veias, com seu poder ancestral, preenchendo suas células famintas e tomando seu corpo com tal intensidade, que teve que ceder às demandas de alívio. Jaxon sentiu fragmentar-se, explodir em êxtase, procurando tomar nela enquanto se colava a ele com firmeza, subindo vertiginosamente.

- Utilize a língua para fechar as incisões. Quero me alimentar. Quero todo seu sabor em meus lábios. Quero te saborear para sempre. - Sua voz era a arma de um feiticeiro, um encantamento negro, impossível de ignorar. Ela proveria.

- Proverei você.

Os dentes dele encontraram sua pulsação e ele os cravou intimamente. Sob ele, Jaxon gemeu e seu corpo se deliciou em convulsão de quente prazer. Abandonou-se a ele completamente, inundando-se em sua paixão, na selvagem cavalgada de seu corpo, seus músculos se apertaram e as chamas os engoliram.

Continuou eternamente, até que Jaxon pensou que poderia morrer pela beleza do ato. Deles. Abraçou-se a ele, embalando sua cabeça, saboreando a sensação de seu cabelo contra os seios sensibilizados. Ele empurrou movia-se dela até que ela ficou saciada, completamente satisfeita, totalmente completa.

Amavelmente Lucian permitiu que seus corpos se desligassem. O sol havia se elevado. A câmara de sono, soube sua posição exata. Lucian baixou o olhar para as pesadas pálpebras de Jaxon, para a beleza de sua face, os efeitos posteriores de seu ato de amor, sabia que ela não era consciente e nem se importava onde estava o sol. Inclinou a cabeça para roçar seus lábios exuberantes.

– Je t'aime, anjo. – Sussurrou enquanto a ordenava dormir.

Foi o última coisa que ela ouviu, as palavras que levou com enquanto o ar abandonava seus pulmões e seu coração deixava de pulsar.

Lucian abriu a câmara de sono e baixou flutuando as profunda e boas vindas da terra, com sua companheira. Em seus braços, sua formosura presa em sua imobilidade enquanto abria a terra e os colocava para descansar.

 

Uma nota discordante encheu o silêncio da terra sob a câmara de sono. Sob as capas de terra um sussurro lento e mortífero supurou através da escura e rica terra até permear no ar sobre ela. Viajou através do imóvel, enchendo os terrenos com ameaça. Os olhos negros de Lucian se abriram bruscamente e deitado, com o corpo pesado, ouviu os ruídos de insetos e animais. Um rato escavava em busca de sustento em algum lugar próximo. Um lobo murmurou a seu irmão de alcatéia sobre o que ouviam. O que era esse som tão desconjurado que o resto do universo se estendia até as vísceras da terra e o despertava?

O estalo da parede de pedra, lhe disse que um intruso estava colocando a prova, a força de suas salvaguardas. Lucian ficou deitado tranqüilamente ouvindo. Estendeu-se para o casal de lobos alfa, advertindo-os que não tocassem nenhuma carne ou comida que fosse atirada por um estranho. Advertiu-os que cuidassem dos outros membros, os jovens e tolos que gostavam de desafiar a autoridade. Em sua mente esteva a clara advertência de veneno, a morte de sua alcatéia. Dirigiu o casal alfa para as profundezas do bosque, onde as armas não podiam os alcançar. O macho despiu as presas e emitiu um grunhido de advertência, alertando à alcatéia.

Satisfeito, Lucian continuou ouvindo. O intruso era persistente. Compreendeu que não podia atravessar o muro ou as grades. Estava escalando uma árvore, evitando a parte de atrás do imóvel por causa dos lobos. Não havia dúvida de que podia ver que seu "presente" de carne envenenada não havia sido devorado e ele não se atrevia a tentar entrar, perto das ardilosas feras. Lucian fechou os olhos e se enviou fora de seu corpo. Tornou-se tão veloz como o próprio ar, viajando como energia, emergindo da terra. Moveu-se através da estreita passagem até o porão e depois à cozinha.

Como sempre, os pesados cortinados evitavam que qualquer luz solar se introduzira no interior.

Ainda como energia, moveu-se facilmente através da casa até o posto sobre o balcão. A formosura dos cristais coloridos de Francesca mascaravam a brilhante luz de forma que tinha uma boa visão do intruso, em sua aproximação à casa. Finalmente. Aquele que destruíra à família de Jaxon. Mas era este o homem? Lucian esperou até que a face do homem ficou à vista através da espessa folhagem.

A desilusão fez brilhar um silencioso grunhido no ar. Não era possível que este intruso fosse Tyler Drake. Ele vestia um traje azul escuro e gravata de seda. Lucian observou a facilidade com o que ele escalava os ramos das árvores que ultrapassavam o muro de pedra. O homem sussurrava num rádio.

– Não parece haver ninguém em casa, mas entrar não vai ser fácil. Não se queremos pegá-los de surpresa.

A mente de Lucian trabalhava velozmente. Dormira por vários séculos nas profundezas da terra e muitas coisas aconteceram enquanto ele estava clandestinamente. Sabia dos rumores sobre uma sociedade de caçadores humanos que se acreditavam cientistas.

Diziam ter provas da existência de vampiros e prometiam destrui-los. Por ora, poucos humanos os levavam a sério, então estavam decididos a capturar um vampiro vivo. O único problema era que pareciam incapazes de diferenciar entre um Cárpato, um vampiro e um humano com dons extraordinários. Podiam tê-los encontrado, os membros dessa sociedade de caçadores de vampiros?

Decidiu que a melhor forma de conseguir respostas era permitir que o intruso ou intrusos entrassem em sua casa. Depois, o sol estava começando a baixar. Se queriam lhe preparar uma surpresa, estava mais que disposto a agradá-los. Aproximou-se dos cristais coloridos e se concentrou em suas salvaguardas. Queria liberar a casa das armadilhas letais e feitiços só por fora, para permitir que o imóvel fosse penetrado. Não deveria facilitar muito ou suspeitariam, mas não queria que se desalentassem e se rendessem logo.

Fazendo o que podia, Lucian fluiu através da casa, o porão e a estreita passagem escavada através da rocha até a câmara de sono, depois baixou, para sua guarida terrestre. Voltou para seu corpo dentro da terra curadora. Requeria intensa energia livrar do corpo e ele desejava a terra rejuvenescedora, para fortalecer-se.

Enviou-se a dormir, relaxando seu sistema interno de alarme que dizia que o intruso já tinha violado a santidade de sua casa. O homem levou uma boa hora depois que o sol baixou, para chegar até o pátio principal. Dali, abriu a grade a seus dois colegas. Quande Lucian sentiu a perturbação, voltou para a consciência lentamente, ondeando uma mão para abrir a terra. As vibrações de violência que ressonavam através de sua casa eram amplificadas pelas salvaguardas dos cristais que Francesca havia tecido. Perturbavam a consoladora tranqüilidade da casa.

Junto a ele, sem seu consentimento ou ordem, Jaxon inalou. Seu coração começou a pulsar e ela gemeu com nervosismo. Lucian nunca acreditaria, se alguem contasse, que seu crescente sistema de alarme seria suficiente para perturbar o sono tão logo após a iniciação. Os aprendizes não despertavam com freqüência ante a mera presença do mal. Fundiu-se com ela antes que pudesse abrir os olhos, sua intenção era a de enviá-la de volta ao sono.

- Não! - Ela disse bruscamente, suas pálpebras se elevaram, seus olhos resplandeciam de fúria. - Mentiu-me. – Empurrou-o para longe dela e olhou a sua volta.

Lucian podia sentir sua crescente náusea quando compreendeu que estava na terra, não na câmara de sono. Quando ia reconfortá-la, ela elevou ambas as mãos para lhe deter.

– Não quero que me toque. Enterrou-me viva, Lucian. Enterrou-me e deixou que acreditasse que estávamos dormindo numa cama normal.

– Jaxon. – Dijos ele brandamente, persuasivamente. – Não menti.

Ela tentava sair da terra.

– Chame como quizer, ainda é um pecado de omissão. – Ela sibilou sobre seu ombro.

Mas quande Lucian a pegou pela cintura e a trouxe de volta a ele, ela não resistiu, em vez disso ficou muito quieta. Estava pálida, sua pele úmida e pegajosa e podia sentir que seu coração batia forte.

– Há alguém em casa. – Jaxon segurou o estômago, sabendo que estavam sendo espreitados. – Pensei que havia dito que nada podia entrar.

– O intruso é humano. Se o ouve, poderá sentir que há mais de um. Agora estão se desdobrando, procurando no piso superior. Permiti-lhes a entrada, sob a premissa de saber quem é e o que querem. Sempre é melhor conhecer os inimigos. – Sua voz era suave e confiada, enredando-a em suavidade e tranqüilidade. – Não permitirei que acessem seu quarto. Não quero que toquem em suas coisas.

Jaxon engoliu sua fúria.

– E supõe que isso deve me fazer esquecer o que me fez? Estou tão zangada contigo, Lucian. Agora mesmo, odeio que esteja tão tranqüilo e sem emoções. Quantas surpresas mais tem guardadas?

Presumo que estáse referindo a nosso lugar de descanso, não aos intrusos.

Jaxon pensou em esbofeteá-lo, mas ele tinha a constituição de um carvalho e provavelmente terminaria com a mão machucada.

– Onde está minha roupa? – Perguntou entre dentes.

– Seu traje feminino usual? – Quando ela se empenhou em recusar a olhar para ele, Lucian encolheu de ombros com sua força casual. – Sua roupa está em sua mente. Busque a e a encontrará.

Deliberadamente, ele flutuou saindo do buraco. Era de um pouco mais de dois metros e meios de profundidade. Não era possível que Jaxon conseguisse sair por sua conta.

- Quer apostar? - Furiosa, Jaxon ficou em pé e examinou as paredes. Era assim como ela pensava. Sua tumba. Amaldiçoou repetidamente em sua mente, chamando-o com cada palavrão que conhecia, enquanto andava de um lado para outro. As paredes eram impossíveis de escalar.

- Precisa de ajuda?

Foi uma revoltante brincadeira masculina.

– Nem sonhe. Ficaria aqui embaixo com os vermes a te pedir ajuda. – Exclamou ela.

Lucian ondeou uma mão para seu corpo e logo estava vestido com calça jeans negra e uma camiseta negra. Seu longo cabelo negro caía solto e brilhante como asa de corvo, na escuridão. De repente, ocorreu a Jaxon que ela podia ver tão bem como se o sol estivesse brilhando sobre ela.

Elevou o queixo. Se ele podia, ela também. Tudo o que tinha que fazer era pensar em estar vestida. Visualizar em sua mente. Fechou os olhos para bloquear todo o resto. Levou- alguns momentos para afastar o medo de aranhas e horripilantes vermes de sua cabeça, antes de começar a construír uma imagem do que vestiria. Roupa íntima, do tipo confortável, sua favorita. Jeans azuis e um fino Top negro e ajustado de algodão. Negro, a cor estava de acordo com seu humor. Quando abriu os olhos, ficou atônita pelo que havia feito. Estava completamente vestida. Exceto os sapatos. Esquecera dos sapatos.

Jaxon teve que conter os indícios de um sorriso. Era assombroso ser capaz de fazer algo tão fantástico. Imediatamente pensou na limpeza, o cabelo e os dentes, o corpo, assegurando-se de estar tão limpa como se tivesse passado longo tempo sob a ducha. Depois começou a inspecionar o cubículo.

Podia ouvir os corações pulsando escada acima, o som de passos enquanto os intrusos moviam pela da casa. Ouvia o ar mover-se dentro e fora de seus pulmões. Quando olhou para Lucian, ele sorria com seu sorriso zombeteiro.

Voltarei para te ajudar a sai, depois de me ocupar de nossos convidados.

E realmente, ele deu a volta e se afastou tranqüilamente. Durante um momento o ar paralisou em seus pulmões. Jaxon pensou em gritar para que ele voltasse, mas seu orgulho não permitiu. Não temia às aranhas. Não realmente. Seus ouvidos recolhiam o som de algo que escavava por perto. Muito perto. De acordo. Ratos.

- Aqui há ratos, Lucian. Não suporto ratos.

- Estou seguro de que pode se ajeitar até que eu volte. – Lucian soava presunçoso. – Pelos menos sei que está segura aí, em vez de estar tentando atirar em alguém. Se aproximar alguma ratazana, tente conversar com ela.

- Provavelmente será algum parente seu. - Resmungou ela. Com as mãos nos quadris, deu a volta em volta duas vezes, tentando imaginar como podia subir por sua conta. Conseguiria sair e dispararia em alguém, preferentemente em Lucian. Como ele fazia? Como conseguia flutuar? Tinha que visualizar a imagem de si mesma, flutuando? Tentou-o, mas não conseuiu nada. Tentou dois saltos curtos. Nada.

A risada de Lucian roçou sua mente como asas de borboleta. Seria possível lhe estrangular? Se pensasse em estrangulá-lo, funcionaria? Sabia exatamente onde estava ele. Na cozinha e movia-se silenciosamente, sem um só passo audível, mas sabia onde estava. Quando ele respirava, ela respirava. Como acontecia isso? Como é que de repente precisava tanto dele, precisava do toque da mente dele na sua, só para poder respirar?

Ficou imóvel durante um momento, esperando ver o que Lucian faria a seguir. Não queria que ele enfrentasse aos intrusos sem ela, mas sabia que essa era sua intenção. De repente sorriu. Como fazer flutuar alguma coisa? Não era tão difícil. Tornando-o mais ligeiro que o ar. Tão rápido que simplesmente ele se moveria através do espaço, elevando-se para o céu. Neste caso, para o chão da câmara de sono, mas se conformaria porque...

- Ja! consegui!

Sentiu que a mão de Lucian roçava sua face, seu toque terno. Dentro dela, de repente havia suavidade, como se ele tivesse elogiando-a.

- Sabia que conseguiria. Agora fique aí, até que eu pergunte a estes cavalheiros a razão de sua visita.

Jaxon ergueu os olhos para o teto.

- Isso soa como algo que eu faria... Ficar simplesmente aqui sentada, retorcendo os polegares enquanto você serve chá a nossos convidados.

- O chá não era minha primeira opção, mas bem, passou muito tempo desde que se esperou que eu me comportasse com urbanidade. - Havia um tom afiado em sua voz, como se o fino verniz de civilização se rompera e as luvas de veludo se distendessem.

Jaxon notou que estava tremendo. - Não faça nada apressado. Sou polícial, Lembra-se? Prendemos às pessoas por irromper e entrar em propriedade privada. Já estão a caminho do cárcere. Possivelmente são jornalistas procurando conseguir a foto exclusiva do ninho de amor do bilionário local.

- Fique aí, até que eu os tenha sob controle.

Jaxon já estava correndo através do passagem até o porão e subindo as escadas que conduziam à cozinha. - Já controla a situação, Lucian. Estou mais preocupada com eles que por você. Posso sentir o peso de você... Procurou uma palavra para descrevê-lo. Nada. Não estava furioso. Não havia raiva. Fervia de ameaça, embora estivesse tranqüilo, quase sereno. Nada o perturbava ou sacudia sua completa confiança em seus próprios poderes.

- Implicam perigo para você, anjo, não para mim.

- Está lendo suas mentes.

- Estou. Nossos convidados estão em baixa forma. Não se preocupe tanto, meu amor. Não farei nada que te envergonhe ou danifique seu status como agente de polícia.

- Só quero que saiba que o prenderei rapidamente se puser um dedo sobre qualquer um deles.

Sua risada foi suave e sensual, acariciando sua mente e o corpo, como o toque de seus dedos acariciantes.- Meu adorado anjo, eu nunca seria tão imprudente.

Jaxon quase parou ante a ameaça arrastada que captou sob a superfície. Já o conhecia. Sabia que ele era mais letal nesse moment, que quando casualmente destruíra o vampiro que o tinha seguido até sua casa. O que ele havia dito? Implicam um perigo para você, não para mim. É obvio que ele eliminaria qualquer ameaça para ela. Acreditava que ela era seu coração e sua alma. Sentia sua tremenda necessidade dela. Nunca permitiria que ninguém a ameaçasse.

- Lucian, sei que em seu mundo você se ocupa das coisas de outra forma, mas este é meu mundo. Estes homens são humanos. Devem ser tratados dentro dos limites da lei.

- Sou um justiceiro, meu amor. Não os destruirei desta vez.

Jaxon sentiu que seu coração voltava a normalidade. Lucian não lhe mentiria. Teve visões dele os incinerando ali mesmo, sobre o tapete. Como explicaria outro monte de cinzas a Barry Radcliff ou ao Capitão Smith?

Lucian conhecia seu paradeiro exato, o quão perto ela estava de alcançar as escadas. Apressou a velocidade e encontrou o primeiro homem no quarto de hóspedes. Segurando-o pelo pescoço, cravou os dentes em sua jugular e bebeu. O intruso não teve oportunidade de lutar, nem forma de afastar. – Cale-se e obedeça. - A voz suave, instantaneamente tranqüilizou o homem, que ficou passivo na garra enormemente forte.

Lucian o deixou cair no chão, evaporando-se em meio a uma névoa, para fluir através do vestíbulo e ao interior do seguinte aposento.

O segundo homem, o de traje azul escuro, sufocou um grito de alarme, quando Lucian se materializou diante dele, segurando-o com mão de aço, indo bruscamente a seu pescoço e bebendo profundamente. - Obedeça. - Silêncio. Seu feitiço ficou completo. Ambos os homens fariam sua vontade dia e noite, ouviriam sua chamada e completariam as tarefas atribuídas. Permitiu que o segundo homem caísse no chão, enjoado e fraco pela perda de sangue. Passou sobre ele com um toque de desprezo e fluiu através da casa, para o torreão, onde o terceiro homem examinava velhos papéis no escritório de Lucian.

Permitiu sua fera interior reinar durante um breve momento, quando bebeu abruptamente até se encher. Estes homens vieram com a intenção de matar sua companheira. Tinha direito de arrancar o coração de cada um deles. Tinha trabalho importante para eles, mas isso não significava que tivesse que tratá-los com humanidade. Em seu mundo, havia pouco lugar para tais delicadezas. A sua ordem os três homens seguiram pelo patamar do andar superior. Os três estavam pálidos e um deles cambaleava um pouco, mas se moviam como ele ordenava, com sorrisos complacentes em seus rostos. Fariam qualquer coisa por ele. Precisavam do toque dele em suas mentes e o som de sua voz. Viviam para lhe servir. Jaxon estava subindo a escada, quando divisou o pequeno grupo e parou no meio de sua escalada. Parecia tão apreensiva que Lucian se viu sorrindo.

– Encontrei nossos convidados passeando no andar de acima, Jaxon. Mas como atuaram como cavalheiros, nos acompanharão à sala de estar. Sou bastante antiquado em certas coisas. O informal costume americano de permitir aos convidados acessar toda sua casa, está além do alcance de meu entendimento. Vocês, cavalheiros, não se importam, não é? – Sua voz foi suave, agradável.

As três cabeças assentiram, murmurando palavras de consentimento, ante sua sugestão. Jaxon os estudou durante um momento, mas quando notou que eles pareciam normais, precedeu-lhes escada abaixo e abriu caminho até o aposento acolhedor, junto ao vestíbulo. Os três homens esperaram cortesmente que ela se sentasse primeiro. Imediatamente, Lucian se sentou a seu lado e seus dedos se fecharam em volta dos dela.

Possivelmente gostariam de se apresentar. – Convidou Lucian, tranquilamente. Jaxon o olhou nervosamente. Os homens estavam sentados tranqüilamente, sem se embaraçarem pelo fato de que terem sido capturados forçando a entrada na casa. Todos, se não estivesse equivocada, estavam armados.

O homem do traje azul escuro parecia ser o porta-voz.

– Sou Hal Barton. Este é Harry Timms e Denny Sheldon.

Lucian assentiu cortesmente, como se a pessoas rondassem sua casa sem serem convidadas, todos os dias.

Minha noiva, Jaxon Montgomery. Jaxon, estes três cavalheiros vieram da Florida e têm um interessante negócio a me propor.

Jaxon arqueou uma sobrancelha, sua expressão francamente cética.

– Cruzaram todo o país para irromper a casa de Lucian e lhe fazer uma oferta de negócios?

Lucian se recostou e sorriu. Os três homens estavam assentindo solenemente. Hal Barton tomou a palavra uma vez mais.

– Na verdade, sim. Pensamos que se podíamos evitar o sistema de segurança e entrar na casa de Lucian Daratrazanoff, ele nos ouviria e apoiaria nosso novo e revolucionário sistema de segurança. Nós o desenhamos, mas não temos os recursos para produzi-los em massa e comercializá-lo.

Jaxon girou a cabeça e encontrou o negro olhar de Lucian, com seus olhos escuros.

– Isto é absolutamente brilhante. Em tão pouco tempo, além disso. Realmente impressionante. – Ela se voltou para os três homens. – O que ele lhes ofereceu para me mentirem? Liberdade de cargos? Sou polícial. Ele mencionou isso?

Hal Barton sacudiu a cabeça.

– Não parece compreender a idéia. Se conseguirmos que o Senhor Daratrazanoff nos apóie, podemos levantar uma grande quantidade de dinheiro. Podemos ser todos milionários. Temos um ótimo produto.

Jaxon tentou tocar a mente de Barton como fazia Lucian. Seu "escrutínio" como ele o chamava, não de forma tão íntima, como se fundia com Lucian. Tal intimidade requeria tomar sangue. Seu coração saltou e apressadamente elas aboliu a idéia em sua mente. Não se atrevia a pensar tão de perto sobre o que tinha acontecido entre ela e Lucian na noite anterior. Enquanto não pensasse muito, tudo iria bem. Quando tentou esquadrinhar o homem, Barton parecia ser completamente honesto com ela. Jaxon suspirou. Era improvável. Homens adultos não podiam ser tão estúpidos.

- Com freqüência o dinheiro faz com que as pessoas façam coisas que nunca não faria.

- Você pode ler suas mentes muito melhor do que eu poderia. Realmente acredita que nos dizem a verdade? Jaxon passou as duas mãos pelo cabelo. Não combinava. Esses homens nunca teriam que ter irrompido em sua casa. E havia sentido as vibrações de violência assim que despertou. Sabia. Sempre sabia quando alguém era violento por natureza. Seus sinais foram fortes, o suficientemente, para despertá-la. Agora não sentia nada.- Pode haver alguém mais nas imediações?

- Ninguém. - Disse Lucian com suave autoridade.

Jaxon sacudiu a cabeça. Sua vida havia se convertido totalmente. O que diriam dela?

A palma de Lucian se fechou sobre sua nuca. - Que é uma mulher muito tolerante. - Sua voz a acariciou, percorreu-a como o toque de seus dedos, da mesma forma que seu polegar deslizava sobre sua pele.

– Tem que admitir que fomos capazes de penetrar seu sistema de segurança. – Continuou Hal com tom ansioso.– Foi mais difícil do que imaginei. Nunca tinha atravessado algo semelhante antes.

– Desenhei-o, eu mesmo. – Replicou Lucian.

Jaxon suspirou e ficou em pé.

– Deixarei que conversem. De outro modo, sentiria-me obrigada a prender todo mundo. -Você também.

Nada disto fazia sentido. Quando os três homens se levantaram, ficando em pé respeitosamente, saldou-os com um ondeio de sua mão, se despediu deles e saiu tranqüilamente da sala. Lucian nunca cometia enganos. Nunca. Havia dito que eram um perigo para ela, não para ele. Isso significava que ela estava em perigo. Estes homens tinham vindo a sua casa com intenção de lhe fazer mal, não para apresentar algum sistema de alarme a Lucian. O que tinha feito ele para tramar esta atuação tão rapidamente? E o que estava planejando? Será que não os mataria?

Na cozinha, preparou café, decidida a conseguir as digitais dos tres homens. Deveria tê-los detido desde o começo, então saberia imediatamente quem era e o que procuravam.

Na sala de estar, Lucian sorriu. Assim era a mente de Jaxon, rápida, inteligente. Ninguém podia enganá-la muito tempo. Impressões digitais. Pensava como o detetive que era. Ele inclinou-se para os três homens.

Eles os enviaram até aqui para matar Jaxon. Sabem o mal que estão fazendo. Ela deve viver. Ela é a única que se interpõe entre voces e uma morte segura. – Por um breve momento os permitiu vê-lo... Sentir seu poder, mudando de forma ante olhares horrorizados, até se converter numa fera de olhos chamejantes e uma necessidade de devorar, de matar.

Paralisados de terror, eles sentaram-se rígidos. Lucian implantara neles, sua história, controlando seus pensamentos durante o curto período em que Jaxon estivera com eles. Ela estava se tornando muito adepta e ele não ia lhe dar oportunidade de ler suas intenções.

– Agora me ouçam, os três. A todo preço, devem proteger sua vida. Voltarão para os dois homens que os enviaram aqui e os assegurarçao de que nunca enviem outros a lhe fazer mal. Se fracassarem, não haverá nenhum lugar nesta terra no qual eu não possa encontrá-los. Destruirei a todos. Saiam daqui, tomem um avião e liberem Jaxon dessas ameaças.

Sua voz era impossível de desobedecer. Ele havia tomado o sangue dos três. Podia monitorá-los facilmente e a qualquer distância. Saberia em que momento seus chefes morreriam ou se enviariam outros. Lucian os acompanhou até a porta e os observou sair. Estava firmemente enraizado em suas mentes. Lembrariam só de suas ordens. Seriam como uma grande necessidade, sempre na superfície de suas mentes.

Voltou-se quando sentiu que Jaxon se aproximava. Sempre fôra ligeira ao caminhar, mas agora, com seu sangue fluindo em suas veias, era tão fluídica como se tivesse nascido Cárpato. Ela trazia uma enorme bandeja com quatro xícaras de café. Ela era muito pequena e a enorme bandeja parecia maior que ela.

O que está fazendo?

– Já sabe o que estou fazendo. Conseguir rastros. Mas os afugentou, não se precaveu de que eu não engoliria essa ridícula história. Se está planejando me enganar, Lucian, vais ter que mentir melhor.

Lucian sorriu, sem mostrar arrependimento.

– Não te contei nenhuma mentira.

– Não, fez com que eles mentissem e inclusive fez que acreditassem, eles mesmos, em sua absurda história.

– Não estaria planejando tomar um café com eles, estava?

– Naturalmente, teria sido cortês.

– Não pode beber esta coisa, Jaxon, não é mais humana. Seu corpo o rechaçaria. Não pode mais fazer coisas assim.

– Figurei-me que poderia me fazer adoecer. Mas você já comeu carne antes, não é verdade?

Onde ela tinha averiguado isso? Lucian afastou o rosto, para longe dos grandes olhos castanhos e deslizou de volta à cozinha. Ela estava aprendendo muito rápido e não esta pronta ainda. Queria introduzi-la em seu mundo gentilmente, lentamente. Já estava imersa em muita violência e morte. Não precisava que sua iniciação na forma de vida dos Cárpatos fosse tão má. A maior parte de sua gente viviam tranqüilas e eram produtivas. Ela se movia facilmente dentro de sua própria mente, recolhendo lembranças ao acaso. Não estava preparado para tanto. Havia coisas terríveis em seu passado. Como poderia alguém da era moderna, entender como era a realidade naqueles tempos terríveis? Inimigos em todas partes. Sangue, morte e enfermidade os rodeavam. Mulheres e crianças assassinados. Como podia entender Jaxon, a depravação do autêntico vampiro, a maldade que ele era capaz de provocar nos humanos?

- Da mesma forma que sei as outras coisas, vejo-as em suas lembranças. - Sua voz era suave e formosa, quase amorosa. Certamente acariciadora. Quase fez parar o coração de Lucian e lhe tirar o fôlego.

– Não beba café ou coma nenhuma comida humana. Passaste recentemente pela conversão e seu corpo não se desfaria facilmente, deles. Em vez disso, sentiria uma tremenda dor. - Não podia permitir. Já era difícil observá-la suportar as coisas que estavam fora de seu controle.

Jaxon o observou colocar a bandeja sobre o balcão da pia.

– Então me diga o que não quer que eu saiba. Quem são esses homens e por que vieram aqui?

Lucian derramou o conteúdo das xícaras de café na pia e as lavou.

– Que importa? Foram embora e duvido que voltem.

– Importa se o colocam em perigo por mim. – Jaxon tocou-lhe o braço porque ele não a olhava. Lucian sempre era franco.

Ele baixou o olhar para a mão dela contra seu braço. Havia tanto poder em uma mão tão delicada. Cobriu-lhe os dedos com a palma de sua mão, sujeitando-a, mantendo a conexão física entre eles.

São humanos, Jaxon e eu de sangue ancestral. Seria difícil para mim me colocar numa posição de perigo. Tenho conhecimento e habilidade, e dons além de sua capacidade.

– Mas eram uma ameaça para mim. – Declarou ela.

– Devemos partir daqui, céu. Não quero que percam nenhum de seus pertences, poderiam entrar estranhos na casa, enquanto estamos ausentes. Pegaremos todas as coisas que tenham grande valor para voce e as colocaremos na câmara de sono. Antonio olhará à casa enquanto estivermos fora.

– Esses homens eram uma ameaça para mim. – Insistiu ela ternamente.

Lucian pressionou a mãos nas costas de Jaxon, a fim de tirá-la da cozinha.

– Só temos a noite para preparar a partida. Devemos encontrar um lugar que seja seguro e fácil de defender. A idéia é atrair os que a perseguem numa armadilha, não serem capturados a descoberto.

Jaxon seguiu-o, encaixando facilmente sob seu ombro, enquanto ele se movia, igualando seu passo ao ritmo dele.

Podemos conversar enquanto carregamos as coisas.

– A persistência não sempre é uma virtude, Jaxon. – Ele tentou soar severo, mas admirava a forma em que ela era capaz de figurar as coisas, por si mesma.

Jaxon sorriu-lhe, zombeteiroa.

– É obvio que é a única maneira de averiguar as coisas que você não me diz. Então eram uma ameaça para mim. Como foi capaz de convertê-los em homens tão doces, em vez de dominar suas mentes?

– Tomei seu sangue.

Jaxon piscou várias vezes com assombro.

– Mas não ouvi nada! E estava bem atrás de você. Como pôde fazer isso tão rapidamente? Estavam todos em quartos distintos. Não é possível que seja tão rápido, é?

– Sim. Posso, se sacrificar a elegância em favor da velocidade. Sou um antigo, céu. É bastante fácil fazer coisas assim. Quando começou a subir as escadas, já os controlava. Foi bastante fácil plantar a história na mente de Barton e instruir aos outros dois para que acreditassem e permanecessem em silêncio.

– Por que? Sabe por que querem me ver morta? – Jaxon estava recolhendo os poucos tesouros que possuía. Fotos de sua mãe e seu irmão. A manta favorita do pequeno Mattie. Seus dedos esfregaram automaticamente o fino tecido, amorosamente.

Foi óbvio para Lucian, que ela fazia com freqüência. Passou a mão em seu cabelo.

– Depois de sua morte, foi uma das poucas coisas que me davam um consolo momentâneo.

Jaxon levou a manta ao rosto e inalou profundamente. Ainda podia sentir o cheiro de Mathew depois de tantos anos.

– Era tão pequeno, tão divertido. Seus olhos dançavam com travessura quando tentava fazer alguma brincadeira. Era tão bonito, Lucian. Algumas vezes não posso suportar pensar nele. Ainda dói tanto, como se acabasse de acontecer. Todo mundo disse que o tempo aliviaria a dor, mas quando penso nisso, ainda é agudo, horrendo e tão terrível que não posso respirar.

Lucian pegou-a nos braços, e ao mesmo tempo tomou a inquietante lembrança dela e a substituiu com a determinação de averiguar quem eram aqueles homens e o que ele havia feito para dirigir a situação. Rapidamente, Lucian dobrou a manta, conhecendo a associação da dor que ela suportava ao tocar o tecido. Os fios entrelaçados ainda mantinham os gritos do menino e Jaxon, sensível como era, não podia evitar senti-los. Não podia suportar a agonia tão profundamente arraigada em seu coração. Lucian não via a necessidade, de que sofresse continuamente, quando ele podia detê-la tão facilmente.

Jaxon piscou e levou uma mão à garganta. No que estava pensando? Algo a distraíra quando estava tão decidida a averiguar o que estava acontecendo em sua casa. Lucian devia tê-la afastado, seriamente, da verdade. Estendeu-se em busca de seu porta-jóia.

– Por que esses homens queriam me matar, Lucian? E desta vez me dê uma resposta decente.

– Não perguntei diretamente. – Ele pegou o porta-jóia nas mãos. Continha as jóias da mãe de Jaxon. Eram jóias preciosas. Rebecca Montgomery provinha de uma família abastada. Ali estavam jóias de diamantes, rubis, esmeraldas e estreladas safiras em gargantilhas, pinjentes e braceletes. Jaxon nunca os usava, somente os olhava.

– Não precisava perguntar-lhes diretamente. – Observou Jaxon. – Tudo o que tinha que fazer era olhar em suas mentes. – Seus olhos marrons o desafiavam.

Lucian sacudiu a cabeça.

– Em todos os séculos de minha existência, nunca ninguém me interrogou como você. Quando dito que alguem faça o que quero. Ninguém me questiona.

– Você não é Deus. Não pode ter razão sempre. – Seus olhos faiscavam com ameaça, indício de seu temperamento.

– Eu não presumiria de ser Deus, nunca. Mas sou totalmente consciente da enormidade das responsabilidades que tenho e os dons que me foram outorgados para fazê-las. Sou capaz de ponderar as coisas sem raiva pessoal ou qualquer outra emoção que turve meu julgamento.

– Isso o converte em juiz, jurado e executor, Lucian. Ninguém tem tal direito.

– Está enganada, anjo. Ao longo da história, muitos de meus congêneres precisaram ser exatamente isso. Não é fácil e o preço a pagar por nossas almas é tremenda, mas temos que aceitar a responsabilidade, para proteger de uma vez, nossa gente e à humanidade. Sou o que sou. Não posso mudar o que fui ou o que sou agora. Quando qualquer ameaça a nossa forma de vida, optamos por apagar as lembranças sem violência, mas se apresentar a necessidade, temos que nos defender. Também nós temos direito a caminhar sobre esta terra. Deus nos criou a sua imagem e semelhança. Nos apresentam muitos desafios e provas e temos que aceitá-los.

– E se alguém completamente inocente descobre sua existência e você não pode apagar sua memória? Crê que teria direito de tomar essa vida?

Um pequeno sorriso tocou os lábios de Lucian.

– Em todos esses séculos, nunca aconteceu nada semelhante. Se alguém nos descobrisse e não pudesse ser controlado, imaginaria que há uma boa razão pela qual aconteceria fenômeno semelhante. Teria que investigar muito a questão. Não emitiria um julgamento nesse momento, sem bastante informação.

– Que conveniente para você. – Jaxon encontrou-se seguindo a alta figura de Lucian, de volta às escadas que desciam para o térreo.

O olhar negro de Lucian a percorreu, de nenhuma forma perturbado.

– O sarcasmo não te assenta bem, anjo. Devo admitir que tenho fraqueza por seus lábios, mas o sarcasmo fica abaixo de você.

Ela ruborizou. Era injusto de sua parte ajuizá-lo. Em sua linha de trabalho era bastante fácil encontrar-se em posição de ter que disparar ou não disparar num abrir e fechar de olhos. de certa forma, isso podia supor ser juiz, jurado e executor também. Ela nunca tivera que tomar uma decisão como essa, mas conhecia um vários companheiros que tinham açoitado um suspeito que se voltou com algo brilhante na mão. Tomaram a decisão de disparar. Nenhum dos dois fôra capaz de aceitar ter disparado num adolescente desarmado. Um deles suicidou-se e o outro deixou a polícia e ainda lutava contra os pesadelos e o alcoolismo. Como ela teria enfrentado uma vida cheia de decisões tão escuras? Sua mente fugiu dessa questão.

– Sinto muito, Lucian. Tem razão. Me alegro de não ser você e não ter que viver ou tomar suas decisões. As minhas já foram o suficientemente difíceis. – Descansou uma mão no braço dele. – Seriamente, sinto muito.

– Não tem que se desculpar comigo, Jaxon. Está tendo que tomar decisões difíceis rapidamente e elas afetam não só a nossas vidas. Sei que é difícil para você e depois, ainda não me conhece muito bem.

algum tempo depois, que Jaxon notou que Lucian não tinha dado a informação que pedira. Ainda não fazia nem idéia do por que os três homens haviam invadido sua casa ou o que queriam. Ou o que tinha feito Lucian, para dirigir a situação.

 

Lucian se ocupou primeiro dos lobos, ajudando Antonio a colocá-los em jaulas e prepará-los para a viagem. Com seu toque tranqüilizador, os lobos estavam bastante dispostos a viajar de volta às terras selvagens dos bosques dos Cárpatos. Lucian não parecia ter pressa, enquanto cuidadosamente preparava cada animal, colocando atenção especial no casal alfa. Olhou-os fixamente nos olhos, intercambiando algo tão selvagem e primitivo, que Jaxon estava segura ela nunca entenderia, mas era extremamente belo. As lágrimas dançaram em seus olhos, quando observou o quanto ele era gentil com os animais. Lucian a surpreendia continuamente.

Enquanto observavam o caminhão se afastar do imóvel, Jaxon se estendeu em busca da mão de Lucian, experimentando uma sensação de tristeza, enquanto observavam a partida das criaturas. Seu lugar estava com Lucian. Selvagem e indomável.

– Não teria que enviá-los tão longe de você se não fosse por mim.

Imediatamente, toda a atenção de Lucian se centrou nela. Inclinou sua escura cabeça sobre a dela, um braço lhe rodeou a cintura.

– Você é minha vida, a única que me importa. Posso viver sem os lobos. Posso viver sem minha gente e fora de minha terra natal, mas não posso viver sem você. Isto é o que decidimos juntos. Não estamos deixando nossa casa para sempre, só saindo numas pequenas férias. Os lobos estariam inquietos fora de seu ambiente natural, sem mim. Se alguém mais tentasse envenená-los e eu não estivesse aqui para adverti-los, como é devido, algum dos jovens poderia comer a carne poluída.

O escuro olhar dela percorreu-lhe a face.

– Esses homens tentaram envenenar os lobos?

Lucian tomou sua mão, para fazê-la caminhar junto a ele, para a enorme limusine branca.

– Na realidade, tentaram.

Antonio a ajudou a entrar no carro. Ela sorriu ausentemente, dando voltas à informação em sua mente.

– E os deixou partir? Isso não soa próprio de você. Aonde foram? Não vamos levar esta monstruosidade aonde quer que formos, vamos? Tenho um carro menor. Ele faz milagres. – Acrescentou Jaxon, esperançada.

Lucian se inclinou para ela e sussurrou em seu ouvido.

– Não precisaremos de um carro, anjo. Simplesmente chamamos a atenção sobre nós.

Um pequeno sorriso abriu passo nos lábios dela.

Este carro definitivamente chama a atenção.

– E não é essa a idéia? Tyler Drake saberá que partimos. É imperativo. E o não–morto deve ser consciente de cada um de nossos movimentos.

– Por isso levamos esta limusine realmente todo o caminho até nosso destino, que, a propósito, não me disse qual é? Ao menos sabe com certeza qual é?

O carro se movia com silenciosa velocidade através das ruas, para a delegacia de polícia.

– Sou proprietário de uma parte da costa entre Washington e o Canadá. Poderemos nos estabelecer ali sem problemas.

Jaxon sacudiu a cabeça, mas se absteve de assinalar que tinha suas dúvidas sobre a idéia de estar em terreno selvagem, com o Tyler Drake procurando-os. Já tinham discutido. Sabia que Lucian acreditava que Drake seria facilmente manejável, mas não compreendia a extensão do treinamento dele. Tyler Drake era humano, mas era um humano extraordinário. E a única coisa que agora importava a Drake era liquidar Lucian. Seria impossível em um combate, mas não a distância. Acreditava-se capaz de matar a longa distância... Muito mais do que Lucian podia supor. Drake era um excelente atirador e igualmente destro em fabricar bombas de controle remoto.

Jaxon voltou a face, para olhar fixamente pela janela, para as ruas que passavam. Na noite, as calçadas estavam cheias de pessoas. Estava familiarizada com os padrões de suas vidas. O fluxo e a vazante do crime de acordo com a hora, o clima e o mês tinha sido sempre seu foco, sua vida. Agora se sentia fora do mundo que conhecia. Podia ouvir coisas que nunca antes ouvira. Uma enxurrada de sons, desde de insetos a conversas sussurradas. Algumas vezes, o assalto a seus ouvidos era mais do que podia suportar antes de recordar como baixar o volume. Era consciente de coisas que nunca antes tinha notado. Texturas. Cores. Cada mínimo detalhe como o roçar do cabelo contra sua face. Os batimentos dos corações. A corrente de sangue nas veias. O rachar da casca das árvores. A forma em que o vento soprava através da folhagem.

Havia uma crescente intranqüilidade nela que nunca antes tinha sentido. Um espírito selvagem e indomável que parecia estar estendendo-se, demandando. Demandando coisas das quais não tinha conhecimento. Conhecia a noite como um espaço de tempo no qual acontecia muitos crimes sob o amparo da escuridão, mas agora a noite a chamava sedutoramente, sussurrando continuamente. Abrace-me. Abrace-me. Pertencia a noite. Ela a envolvia em sua escuridão como a mais suave das mantas. As estrelas no alto, pareciam brilhantes diamantes, um caleidoscopio de assombrosa beleza.

O carro parou no estacionamento da delegacia de polícia e Antonio abriu a porta para eles, cortesmente. Sentindo-se envergonhada e esperando que nenhum de seus amigos a visse, Jaxon saiu apressadamente da limusine.

Lucian segurou sua mão, evitando que ela se adiantasse.

– Siga-me, anjo. Aqui é onde estenderemos os rumores para os que queiram nos seguir, assim o façam.

Ela assentiu e entrou com ele na delegacia de polícia. Como sempre, Lucian exigiu atenção imediata. Não que acreditasse estar manipulando os outros. Era simplesmente a forma em que se comportava. Alto e ereto com completa confiança. Escuro e perigoso. Misterioso. Antigo. Gótico. Um lorde escuro ou um príncipe. Exigiu automaticamente respeito. Até o capitão saiu de seu escritório imediatamente, com a mão estendida. Para Lucian. Não para ela. Sacudiu a cabeça e seguiu a conversa que fluía a sua volta. Com o olhar, aparentemente perdido no espaço, ouviu a palavra matrimônio. Logo piscou para enfocar os dois homens.

Para seu horror, Lucian estava dizendo ao Capitão Smith que haviam se casaram e agora ele a levava para viajar. Admitiu que esperavam que Drake os seguisse, igual a qualquer imitador e que os dominaria antes que pudessem pegá-los. A versão oficial seria que viajariam para a esperada lua de mel. O capitão estava esparramando por toda a delegacia de polícia, que eles se dirigiam para o refúgio de Lucian, na costa. Ele os abraçou enquanto murmurava suas felicitações e os advertia que fossem com cuidado. Jaxon tinha a estranha sensação de estar vivendo um mundo de fantasia, um efeito Dorothy no país de Oz.

- Não estamos casados. - Disse firmemente já que era a única coisa que sabia absolutamente que era verdade.

- É obvio que estamos. O que acha que são os companheiros? - Ele refutou sua declaração com a delicadeza casual de um espadachim.

- Não estamos casados. - Repetiu ela teimosamente. Lucian lançou-lhe uma advertência com seus olhos escuros e sorriu-lhe. Um sorriso travesso, juvenil e muito sexy que instantaneamente derreteu o coração dela. – Lembro-me da cerimônia ritual com vívido detalhe. Se você não, alegrará-me repeti-la. O ritual é vinculante, de todos os modos.

Ela elevou o queixo para ele enquanto voltavam a entrar na limusine.

– Para você, possivelmente, mas sou humana, lembra-se? Tenho que me casar. Assim é como nós, os humanos, fazemos as coisas.

– A realidade é algo totalmente diferente. – Ele soava muito masculino, muito arrogante.

Jaxon se sentou junto a ele em silêncio, ardendo por dentro. Não estava a caça de uma aliança de casamento. Ou das bodas. Era a idéia de que ele sempre tivesse razão o que a corroía. Crê, lembrouy a si mesma. Ele acredita que sempre tem razão. Oficialmente, não estavam casados, então tecnicamente ela tinha razão. Relaxou, sentindo-se bastante arrogante. Deixo ele deixemos pensar que sou eu que está equivocada.

- Está bem mais que casada comigo, Jaxon. Não se equivoque. - Uma pequena nota de ferro corria sob o veludo de sua voz, como se ele pensasse que ela estava considerando sair do carro e fugir para longe dele.

Deliberadamente, Jaxon encolheu os ombros.

– Pensa o que quiser, Lucian. Obviamente, não vamos chegar a um acordo neste assunto. Que estamos fazendo agora?

– Nos asseguramos de ter dado espetáculo suficiente para que toda a cidade saiba de nossa partida. E como sou tão descuidado, deixarei um rastro de papel também.

– E o que isso significa? – Repentinamente, ela suspeitou do tom de sua voz. Parecia muito pura e formosa. Sinal de que não podia ser bom.

– Os Cárpatos deixam tão poucos rastros de papel detrás como é possível. Coisas como passaportes, facilmente se convertem em provas incriminatorias, umas poucas centenas de anos depois. Agora, com os computadores, é mais fácil ver-se preso num labirinto de papel. Não gostamos de criar documentos, a menos que seja por causa de propriedades, dinheiro ou negócios, que continuamente deixamos em herança a nós mesmos, atrás de nossas periódicas "mortes". É uma das razões pelas quais viajamos com freqüência de continente em continente se não estamos em nossa terra natal. As pessoas acham impossível nos diferenciar de nossos descendentes, possivelmente, cinqüenta ou sessenta anos depois.

Ela sorriu.

Suponho que me mereço essa resposta. Só tinha que perguntar. O que está fazendo agora?

– Vou me casar contigo segundo o costume de suas gente. Há um homem que pode fazer, um juiz que conheço. Ele arrumará a papelada necessária. O dinheiro e a influência fazem maravilhas, mesmo a esta hora da noite. É obvio será pormenorizado, com tantos crimes acontecendo tão rapidamente a nosso redor. A notícia pode ser apregoada nos jornais de amanhã, o que ajudará nossa causa.

As pálpebras dela caíram para velar sua expressão.

– Espero que esteja brincando.

A limusine branca já estava estacionando, como se Antonio tivesse recebido ordens de Lucian e estivesse esperando. Jaxon se recostou contra o assento de couro, a face escondida nas sombras. Lucian tocou sua face com dedos gentis.

– Esta cerimônia significa muito para você. – Declarou.

– De verdade, não. – Jaxon tentou mostrar-se tão informal como ele tinha sido. E daí? Como qualquer garota normal, tinha sonhado com um vestido branco de noiva e uma igreja cheia de família e amigos? Sua família estava morta e a maioria de seus amigos se foram também. Qualquer convidado que fosse a seu casamento estaria arriscando a vida, como o homem que oficiasse a cerimônia, também estaria. Já estava sacudindo a cabeça. – Não quero fazer isto. Drake tomaria represálias antes de nos seguir.

Lucian estudou seu perfil esquivo durante um momento antes de assentir em acordo. Imediatamente o carro deslizou de volta ao tráfico e se dirigiu a sua casa. Ela tinha razão. Tyler Drake certamente trataria a qualquer pessoa que ajudasse em sua cerimônia de casamento, como uma ameaça, a seu mundo de fantasia. Lucian deixou escapar o fôlego lentamente. Havia muitas coisas nas lembranças de Jaxon que não entendia completamente. Uma cerimônia humana para ele não tinha a mesma beleza e plenitude que a união Cárpato, embora não podia afastar o desejo dela de sua mente. Algum dia, prometeu, Jaxon teria sua cerimônia em uma igreja, rodeada de amigos e familiares, exatamente igual à imagem que tinha vira em sua mente. No momento, tudo o que podia fazer era sustentá-la entre seus braços.

E na casa deixou um mapa tosco e parcial de sua propriedade, nas profundezas das Montanhas Quebradas, junto a três fotografias em branco e preto do antigo pavilhão de caça que havia comprado. Exibido com uma nota escrita com sua floreada caligrafia. Um analista diria que era antiga e atrevida e o dono da letra, um homem dominador e com completa confiança em si mesmo. A nota era supostamente para Antonio, detalhando instruções para o cuidado e gestão do imóvel durante a ausência de Lucian. Antonio estava bastante familiarizado com suas instruções.

Lucian segurou a mão de Jaxon e a conduziu à privacidade do pátio traseiro da casa.

– Está preparada? Devemos partir logo se temos a intenção de viajar esta noite.

Os olhos dela ficaram repentinamente cautelosos. Estivera bastante tranqüila durante os preparativos, nem uma vez perguntara nada a ele. Seu silêncio a preocupava mais do que teriam feito, suas perguntas.

– Não sei por que, Lucian, mas tenho a impressão de que não iremos de limusine.

– Não, viajaremos muito mais rápido e seguro, por nossa conta. Antonio levará o carro pela auto-estrada e o conduzirá para o aeroporto, enquanto vamos.

– E nós vamos...

– Voando. – Disse ele, brandamente.

Jaxon engoliu o nó que de repente lhe bloqueava a garganta. de certa forma, sabia. Em alguma parte da conversa tinha compreendido que não iriam pegar um avião ou dirigir atravessando o estado, na limusine branca. Não estava segura de como havia captado, possivelmente lendo a mente de Lucian. Possivelmente estava compartilhando a mente dele com mais freqüência do que era consciente.

Notou que estava retorcendo os dedos com nervosismo e imediatamente colocou as mãos às costas. Ele pensava que ele podia fazer isto. Esperava que ela fizesse. Tratava a idéia de voar como coisa de todos os dias.

– Como Superman? – Tentou um esboço de sorriso, que fracassou.

– Não exatamente. As nuvens se movem... Uma cobertura perfeita. Ajudarei você a se dissolver em névoa para nos mover pelo ar.

O coração de Jaxon bateu com força no peito. Ela mordeu um pouco forte, o lábio inferior.

– A névoa soa um pouco difícil para começar. Por que não tentamos algo mais fácil?

– Como o que? – Incitou Lucian, gentilmente.

Podemos usar os pés. Já sabe, simplesmente começar a caminhar pela auto-estrada e agitar o polegar. – Novamente, Jaxon tentou um sorriso. Mas o rápido palpitar de seu coração a traiu.

- Olhe-me, anjo. – Lucian colocou toda a força de seus olhos negros, sobre ela. – Confie em mim. Sabe. Eu nunca te pediria que fizesse algo que não pudesse fazer. Você é capaz de fazer isto.

Ela estava assentindo, consciente de que ele tinha razão, mas ao mesmo tempo, a idéia de seu corpo dissolvendo-se em gotas de névoa era aterradora.

– Poderia tentar alguma outra coisa antes? Um pouco mais fácil? – Seus dedos se torciam nervosamente, mas ela continuou resolvida.

Lucian pensou. A névoa seria fácil de mover velozmente através do tempo e o espaço, aerodinâmica, rápida, invisível mesmo para o não–morto, na escuridão da noite.

– Criar a névoa requer a mesma quantidade de energia que mudar de forma, para pássaros com envergadura de asas. É essencialmente a mesma.

– Como pode nosso corpo se encolher até o diminuto corpo de um pássaro? – Sua voz tremia. Ouviu-a mas não podia fazer nada para evitar. Não importava quando desejasse aceitar, achava a idéia aterradora.

Lucian deslizou um braço a sua volta.

– Posso te ajudar, Jaxon. Confiará que eu faça isto por você? Posso fazer que aceite facilmente.

Sua primeira reação foi sacudir a cabeça firmemente, seus dentes mordendo tão forte, seu lábio, que apareceu uma pequena gota de sangue. A idéia de alguém controlando-a não era agradável, mas quando se obrigou a tomar fôlego, sentiu-se de outro modo. Agora isto era parte de sua vida. Gostasse ou não, já não era humana. Era uma Cárpato. Não havia volta. Tinha que aprender de algum modo. E não ia ser capaz de controlar cada situação.

Lucian observou como ela se mordiscava nervosamente o lábio inferior. A visão foi suficiente para provocar lágrimas em seu coração. Sua mão deslizou em volta da nuca, seus dedos acariciaram a pele, a pulsação. Por vontade própria as pontas de seus dedos roçaram o cabelo loiro tranquilizadoramente. Inclinou sua cabeça para a dela, seus lábios encontrou os dela com facilidade, sua língua verteu um agente curador sobre o carnudo lábio inferior, enquanto ele tomava a essência de seu sangue, no interior de seu corpo.

– Ajude-me a me acalmar. – Disse Jaxon, baixinho. – Mas não quero que tome o controle de minha mente por completo.

A mão de Lucian movia amorosamente sobre a face dela. Tomar o controle era uma tentação. Não era que lhes faltasse tempo. Havia passado uma boa parte da noite preparando os lobos para o transporte, preparando-os para a perturbadora separação da alcatéia, que teriam que suportar. Passaria cada minuto da esta noite permitindo a Jaxon todo o tempo que precisasse para aceitar o que devia fazer. Para aceitar os tremendos dons que lhe eram inerentes. Ainda assim, estava tentado a tomar o controle de sua mente, eliminar seus medos, para que deixasse de sofrer tão desnecessariamente Ela já tinha problemas para suportar sua dor.

Como se estivesse tocando sua mente e lendo seus pensamentos, ela forçou um pequeno sorriso.

– Posso fazer. Sei que posso. Se fizer desta vez com sua ajuda, sei que poderei por mim mesma, da próxima vez. Teria sido útil quando estava enfrentando aquele ghoul na delegacia de polícia. Poderia ter me evaporado.

– Sentirá uma incrível sensação de liberdade, Jaxon. – Disse ele, com suavidade e fundiu sua mente completamente com a dela. A seguir, sua calma era a dela, sua mente tranqüila centrou a dela. Construiu uma imagem na mente dela e na sua.

Jaxon sentiu que seu corpo começava a desvanecer, não a desvanecer-se exatamente, mas começava a tornar-se ligeiro e vaporoso. Desejou pegar a mão de Lucian e segurá-la com força. Ele era uma âncora em sua mente e imediatamente, quando seu terror começou a se elevar, sentiu a suavidade e a força dos braços dele fechando-se a sua volta. Já não havia Jaxon. Era vapor, uma névoa colorida como o prisma do arcoiris. Gotas de ar. Envolvendo-a, estava Lucian. Não carne e sangue, mas gotículas como diamantes que se moviam velozmente para protegê-la, quando começaram a se mover através do céu.

Foi inesperadamente jubiloso. Aterrador, mas jubiloso. Voaram a grande velocidade para o céu, direto para as nuvens. Jaxon nunca tinha experimentado nada parecido a esta sensação. O poder fluía através dela, para o céu noturno.

Foi consciente da vista embaixo deles, embora não do mesmo modo que veria através dos próprios olhos. Estava vendo-as através de Lucian, enquanto voavam pelo céu. Moviam-se muito rápido e ela era muito inexperiente para ser capaz de se concentrar em mais alguma coisa. Cada vez que se distraía, a mente de Lucian a centrava, mantendo a imagem da névoa, acima de tudo em sua mente. Para ele era fácil, uma segunda natureza, tanto que não era mais consciente dos mecanismos da mudança, da mesma forma que não o era de caminhar. Para o Jaxon era um passeio desatinado que reduzia drasticamente sua energia.

Quando Lucian fez uma parada, Jaxon estava tão exausta que não foi capaz de reassumir sua própria forma. Cambaleava e sua pele estava tão pálida que era quase translúcida. Sem Lucian para segurá-la, teria caído no chão. Não tinha idéia de onde estava e na realidade não importava. Em volta dela tudo era bosque, a espessura das árvores e a escura e exuberante vegetação. Estavam numa região montanhosa, escarpada e selvagem. O vento soprava ferozmente através dos ramos e das folhas, criando um som assobiante, curiosamente parecido com um gemido.

Jaxon se sentia leve, quase insustancial, entre os braços de Lucian. Ele baixou a terra facilmente, para que ela pudesse descansar suas costas contra o tronco de uma árvore.

– Está indo perfeitamente bem, meu amor. Mudar de forma não é tão alarmante como parece ser a princípio, não é?

Apertando os joelhos, ela sacudiu a cabeça, enjoada e cambaleante. Sua cabeça estava pesada para mantê-la elevada. Estava faminta. A fome pulsava nela como seu coração. O martelava em seus ouvidos e pulsava em suas veias. Era uma enfermidade que a consumia. Podia ouvir o coração de Lucian pulsando com força, chamando-a. O fluxo vazante do sangue, movendo-se através dele, sua força vital era como o vento movendo-se através das árvores. Podia ouvir sua fragrância chamando-a, sua essência a chamava. Sentia o calor de sua pele irradiando para ela, rodeando-a como uma sedosa rede. Precisava da sensação dele, forte e poderoso, abraçando-a bem perto.

Lucian se inclinou para ela. O som do sangue correndo por suas veias, transbordante de ardente e doce vida. Sem levantar a vista para ele, Jaxon empurrou seu peito, com a palma da mão. Não queria que ele visse o alcance de sua necessidade, em seus olhos. Ela sabia que estava fraca e drenada de energia. Nunca havia se sentido tão cansada antes. Podia manter seu desejo sob controle se ele se afastasse e lhe desse espaço.

- O que sente é normal, amorzinho. Precisa se alimentar. - Sua voz a acariciou, suave, sedutora e deliberadamente íntima.

- Sei exatamente o que está errado, Lucian. Para você é perfeitamente normal. Para mim é aborrecido. - Ela estava muito cansada para falar em voz alta, para lutar por sua humanidade. - Quero dormir um pouco. Podemos encontrar um lugar para passar a noite?

Lucian se ergueu lentamente. Sabia que seguiam a pista deles e que estavam a certa distância, cuidando em manter-se longe do caminho de Lucian. Lucian sentia um estranho vazio em duas zonas a várias milhas deles. Quando um Cárpatos esquadrinhava uma região, procurando formas de vida, muito poucos podiam ocultar sua presença com êxito. Lucian era um antigo. Era o sensível o bastante para sentir a ausência de vida tão claramente, como podia sentir a vida.

– Ouça-me, céu. – Disse ele, cuidadosamente e sua voz era tão gentil e terna, que seu coração se agitou. – Nosso plano está funcionando muito bem. Ao norte e oeste de nós, dois vampiros menores nos seguem. Outro ser, muito mais poderoso os segue também. Posso detectar sua mancha, mas não encontrar exatamente sua localização, sem enfrentar os três.

Jaxon levantou a cabeça e o olhou com seus grandes olhos. Estava tão cansada, que teve que se esforçar para encontrar sua voz.

não. Não está sozinho. Se você for, eu vou também. Lucian, use o controle mental. É a única forma de que eu seja capaz de comer. Ou me alimentar, ou qualquer que seja a forma desagradável em que se diz. – Havia resolução em sua face, nas profundezas de seus olhos.

Lucian sentiu imediatamente uma resposta na região de seu coração. Ela estava totalmente exausta e aflita por todas as coisas novas que estava tendo que confrontar, mas estava à altura das circunstâncias, no momento em que se fazia necessário, sobrepondo-se a sua aversão natural a seus hábitos alimentícios. Sabia que precisava estar em plena forma para lhe ajudar e estava decidida a fazer o que fosse necessário para conseguir.

Antes que ela pudesse mudar de opinião, Lucian atuou, fundindo suas mentes completamente, tomando o controle, ordenando-a ir a ele e que tomasse o que precisasse de seu companheiro.

Jaxon se levantou com um movimento fluídico e sensual. Uma tentadora Cárpato de raça pura. Moveu-se para ele sem produzir um som, como água que flui, graciosa e formosa. A noite escura não podia esconder sua incrível beleza, a brancura de seus dentes, a fragrância dela, sua pele imaculada ou seu corpo bem proporcionado.

Lucian ouviu um suave gemido escapar de sua garganta mesmo ali, à luz da lua, com inimigos aproximando-se por toda parte. A visão dela fez seu corpo se enrijecer com urgente demanda.

O corpo pequeno, suave e complacente, moveu-se inquieto contra ele, fundindo-se contra seus músculos. Logo, sentiu a roupa apertada e áspera e sua pele sensível. Os dedos dela o roçaram enquanto desabotoava sua camisa lentamente, procurando o contato com sua pele. Braços esbeltos rodearam seu pescoço enquanto ela se apertava a ele. Seu coração acelerou o ritmo e seu órgãos se apertaram apaixonadamente. Ela se movia tão sedutoramente contra ele, que pensou não ser capaz de suportar. Ela sussurrou algo suave contra seu peito, o hálito era quente sobre sua pele ardente. Os lábios se moveram para sua garganta, para a pulsação em seu pescoço. A língua acariciou, os dentes roçaram e mordiscaram até que seu corpo se tornou em tensa e urgente demanda, tão ardente e necessária, que ele estava passando por um mau momento, para se concentrar em escanear a região.

- Anjo, me vai matar se não se alimentar agora.- Sua voz era rouca, traindo a desesperada necessidade de tê-la.

Em seguida, sentiu o látego ardente de prazer atravessando seu corpo, convertendo seu íntimo em lava fundida. O êxtase se apressou através dele, como uma bola de fogo, estendendo-se como fogo selvagem e louco, enquanto seu sangue fluía nela. Estavam conectados para toda a eternidade. Fechou os olhos e saboreou a forma em que sentia seu corpo, ardente, duro e incômodo, embora tomado por ondas de puro prazer.

Em toda sua vida, nunca havia sentido um desejo sexual parecido ou tal alegria, quando tomava ou dava seu sangue. Com Jaxon não poderia separar as duas coisas. Não estava seguro de que alguma vez poderia ficar olhando, enquanto ela se alimentase de outro homem. A idéia dela lançando-se sedutoramente sobre outro homem, seus braços o rodeando o pescoço, a cabeça dele arremessada para trás para lhe dar acesso a sua pulsação, punha-lhe doente. Os lábios dela movendo-se sobre a pele de algum outro, sua língua tocando, tentando, seus dentes cravando-se profundamente, conectando os dois... A imagem ondeou alarmantemente em sua mente, durante um momento.

Um grunhido feroz escapou de sua garganta, seus olhos resplandeceram apaixonadamente e vermelhas chamas saltavam em suas profundezas. A língua de Jaxon passou sobre as diminutas incisões para fechá-las, e levantou o olhar para ele.

O que está acontecendo? – Jaxon sentia um sabor quente e acobreado em seus lábios, aditivo e sutilmente masculino. Colocou o dorso da mão contra os lábios e limpou a boca, disimuladamente, obrigando seu estômago a não se rebelar, apesar de sua mente lhe gritar negação. Piscou para Lucian, tentando desesperadamente aparentar normalidade. Ele já estava com preocupações suficientes, sem ter que sempre aplacar seus medos.

Lucian a envolveu, abraçando-a com força.

– Você é a pessoa mais importante de meu mundo.

– Também estou começando a ser o bebê maior do mundo. Não pôde acreditar como tenho medo de tudo. – Tentou uma risada, mas os dois sabiam que ela estava dizendo a verdade. – Normalmente sou fria sob o fogo, Lucian. Não sei por que estou sendo tão tola.

– Não faça isto, Jaxon. Não se desculpe comigo quando sou eu que tomou esta decisão por você. Teve muito o que aprender e enfrentar, num curto espaço de tempo. Está aprendendo coisas que são completamente alheias a você. Acredito que tem feito notavelmente, nestas circunstâncias. – Suas mãos acariciaram o cabelo loiro e selvagem. – Não tenho nada a objetar, pela forma em que aceitou as coisas extraordinárias que exigi, e estou excepcionalmente orgulhoso de você. – Ele inclinou-se mais perto – Pode sentir o que sinto por você? Esteve em minha mente, pode saber.

Acredito que ainda tenho medo de olhar atentamente. Ainda estou me acostumando à novidade. – Admitiu Jaxon, quase timidamente.

Possivelmente aprenderia mais de você mesma, se visse através de meus olhos, em vez dos teus. – Sugeriu ele, sua voz era uma negra persuasão.

Uma lenta curva moveu sua boca.

– Estou começando a acreditar que tem algo mais que um pequeno prejuízo a meu favor.

As sobrancelhas dele se arquearam, um elegante e antigo gesto, que Jaxon achou íntimo.

– Pode ser verdade. É a mulher mais formosa, desejável e valente do mundo. É um fato.

Ela esfregou o nariz contra seu peito, saboreando sua suavidade e força, a forma em que ele a reconfortava num mundo que ela não entendia.

– Estaria disposta a pensar que seu irmão não acredita. Provavelmente, ele acredita que Francesca é a mulher mais desejável do mundo.

– Ele nunca teve meu intelecto superior ou meu discerminiento. – Replicou ele solenemente

Jaxon se encontrou sorrindo.

– Vou me assegurar de dizer a ele, quando o conhecer.

– Eu disse a ele, em muitas ocasiões, mas ele engana a si mesmo pensando que sabe mais que eu.

Imediatamente, Jaxon gargalhou, sua voz suave e despreocupada, flutuando ao vento.

–Cada vez mais acredito que deveria conhecê-lo. Nós dois poderíamos descobrir que temos o mesmo ponto de vista.

Os dedos de Lucian frisaram o cabelo dela, numa carícia antes de segurar gentilmente os sedosos fios.

– Acredito que nunca o apresente.

– Tenho o pressentimento de que conhecerei seu irmão em breve. É evidente para mim que ele importa muito a você. Enquanto isso, o que fazemos com nossos amigos? Você pode se ocupar do peixe gordo... Não quero ter nada a ver com ele. Os menores parecem mais a minha altura. – Estava olhando-o espectadoramente, seus olhos escuros e sérios. Esperava entrar na batalha com ele, estava totalmente preparada para fazer o que ele dissesse.

Lucian inclinou a cabeça para beijar os lábios incitantes. Ela o comovia. Era para ele, uma luz brilhante, nada poderia esquentá-lo mais. Assombrava-o, que ela ainda estivesse tão decidida a lhe ajudar, quando conhecia seu poder, suas habilidades. Não queria que lutasse sozinho.

As pálpebras de Jaxon baixaram para ocultar a expressão de seus olhos.

– Nunca deveria ter ficado sozinho todos esses anos. – Elevou o queixo. – Agora somos uma equipe.

Lucian sorriu, largamente.

– Absolutamente. – Normalmente teria ido atrás dos dois vampiros menores e acabado com a ameaça, mas com Jaxon em perigo, nunca se arriscaria a deixá-la só, enquanto ele entrava em batalha.

– Lutar com um vampiro não é pouca coisa, céu. O ghoul que enfrentou não era nada comparado com um vampiro. Mesmo um que acaba de se converter é algo fenomenal. Lembre-se que foram homens dos Cárpatos em plena forma, durante séculos. Adquiriram tremendos conhecimentos e habilidades durante esse tempo. Como vampiros, mantêm uma certa força corrompida. Todos eles devem ser considerados extremamente perigosos.

Ela assentiu, solenemente.

– Não estou iludida, se é o que pensa. Não me importaria que fossem homens lobos... Posso usar uma bala de prata no coração. Sou uma grande atiradora. Servem de alguma coisa, balas de pratas com estas criaturas?

– Não vamos lutar com eles desta vez. Não estamos preparados. Queremos a vantagem completa. Deixe que venham atrás de nós. Terão que procurar refúgio logo. Conheço estas montanhas e eles não. Podemos seguir viajando nas primeiras horas do amanhecer e eles não. Escolheremos nosso campo de batalha e empreenderemos nossa guerra quando estivermos completamente preparados.

Desejava chamar a ele, os vampiros menores e destrui-los imediatamente, enquanto sabia que podia, mas era bem consciente do outro, esperando e inchado de habilidade e conhecimento dos séculos passados como vampiro. Era uma criatura pestilenta, completamente perverso, que utilizava mortais e imortais, para seus escuros propósitos. Seria consciente de que Lucian era capaz de chamar os vampiros menores. Sabia que Lucian seria bem consciente que os não–mortos os perseguia e esperaria que se ocupasse deles.

– Está dizendo isso só para evitar que eu vá atrás deles com você? Aprendo com rapidez, Lucian, seriamente. Só me diga o que tenho que fazer.

– Aprenderá tudo, bem logo, Jaxon. É fácil ler minha mente quando estamos fundidos. A informação que busca está aí para você, a qualquer momento. Agora, devemos continuar nossa viagem. Devemos conseguir refúgio antes que o sol esteja muito alto.

– Estou nos atrasando? – Perguntou ela, ansiosamente.

Temos muito tempo, Jaxon. Não há pressa. Estamos alto nas montanhas. Conheço esta região muito bem. Antes de baixar às cidades, os Cárpatos sempre procuram lugares altos. As Montanhas Quebradas são fogo e gelo... A casa perfeita para alguém como nós.

As sobrancelhas dela se arquearam.

– Vou fingir que não ouvi isso. Fogo e gelo? Eu não gosto como soam essas palavras.

– Pois deveria. Descrevem-lhe.

– Não é certo! – Ela estava indignada.

Ele sorriu novamente. Um som tão íntimo e sexy, que imediatamente enviou uma onda de calor através de seu corpo.

– Agora mesmo é fogo, meu amorzinho e é gelo quando está sob o fogo inimigo.

Ela ruborizou sem que houvesse razão alguma para tanto, exceto a voz dele. Era a forma em que Lucian falava, seu sotaque e o enfeitiço negro aveludado que a fazia sentir-se como se fosse a única mulher do mundo, a única através dos longos séculos. Estava em sua voz, em seus olhos, na forma em que eles passavam do frio gelo ao calor fundido, em uma piscada. Ele a fazia sentir intensamente desejável. Gostava de tê-la, tinha que estar com ela. Tudo o que ela dizia, tudo o que fazia, era de grande importância para ele.

Lucian se inclinou mais perto dela, um braço deslizou em volta de sua cintura, para poder trazer o corpo esbelto, até o calor do seu próprio.

– Faço-a sentir dessa forma porque assim é que é, não porque minha voz seja mágica.

Jaxon tocou os lábios dele, com a ponta de um dedo.

– Você é mágico, Lucian.

O corpo de Lucian enrijeceu, tomado de desejo e pela primeira vez o coração doeu dolorosamente no peito. Ouviu algo em sua voz que não estava ali antes. Ela não havia dito que o amava, porque no interior de sua mente não acreditava poder dizer. Sua alma estava presa a ele e ela não tinha mais escolha que aceitá-lo. Seu corpo clamava pelo dele. Lucian era bem consciente da química física que havia entre eles. Mas esperara uma longa batalha para ganhar seu coração.

Mas aí estava. Quatro pequenas palavras que não deveriam ter significado nada, mas ouviu-as. Suave. Tímido. Inconsciente. Você é mágico, Lucian. Estava nessas palavras... A rendição do coração dela, a seus cuidados. Abraçou-a, seu pequeno pacote de dinamite, fechando os olhos para saborear o momento. Ficaria gravado em sua mente para sempre. Jaxon com seu ridículo nome e constituição pequena e feminina, com todo o valor de guerreiros longamente esquecidos.

– Está a salvo a meus cuidados. – Sussurrou ele, com os lábios em sua têmpora.

Jaxon estava feliz abraçada por ele. Mesmo com o sol tão perto de se elevar, com a natureza selvagem e os inimigos perseguindo-os, sentia-se totalmente protegida. Ele a abraçou durante alguns minutos, relaxando-se na calma das montanhas antes da seguinte etapa de sua viagem.

 

A vista era de tirar o fôlego. Jaxon estava afiançada no alto de uma rocha plaina e examinava a queda da cascata que descia pela parede da caverna, numa cortina de espuma branca. Lucian tinha parado uma vez mais e desta vez, nas profundezas de uma cavernosa montanha. Ela estava clandestina, antes de ter tempo de pensar nas camadas de granitos e terra sobre sua cabeça. A caverna era enorme e as profundas piscinas sob as cascatas, davam a ilusão de tremendo espaço. Vários cristais se penduravam em lanças de cor que brilhavam como diamantes. Podia ver tão claramente, como se estivessem à luz do dia. Ela estava muito cansada mas extranhamente feliz.

Enquanto voavam através do céu, Jaxon manteve a névoa por si mesma, sem ajuda de Lucian. Ela tinha permanecido completamente fundida a ele. Na primeira etapa de sua viagem, havia se sentido apreensiva e muito consciente do que estavam fazendo. Parecia completamente antinatural. A segunda vez aceitara o método de viajar, tão expeditivamente e muito mais facilmente, do que tinha pensado a princípio. Achara seu próprio corpo e sua mente tranqüilos, enquanto cruzavam velozmente o céu, juntos. Era exaustivo, não havia dúvida, mas compreendeu que era como qualquer outro esforço que requeria prática, antes de aperfeiçoar-se. Agora desejava tentar outras coisas. Lobos. Pássaros. Tudo.

Mas isso poderia esperar um momento mais oportuno. Estava muito cansada e mesmo clandestina, estava consciente do sol que se elevava. Antes que entrassem na caverna, seus olhos já começavam a picar, como se fossem atravessados por mil agulhas. E a loucura era que, ela era só névoa, sem pele, nem olhos, nada que o sol pudesse tocar. Ainda assim, havia sentido e fora claramente incômodo.

Jaxon sentou-se com as pernas cruzadas sobre a enorme rocha arredondada e plaina, passeando o olhar sobre a série de piscinas. Sobre ela e à esquerda, uma larga cascata enchia a câmara com um rugido ensurdecedor. Jaxon estava tornando-se muito hábil em baixar o volume dos sons e agora o fazia com facilidade. Estava bem sentada sobre algo sólido onde podia sentir-se a salvo e longe dos raios do sol.

Lucian estava colocando suas proteções, para assegurar que não fossem perturbados. Não estava segura do que ele estava fazendo, mas sabia que era poderoso, o suficientemente, para protegê-los de quem pudesse ir atrás deles. Tamborilou com os dedos sobre a superfície da rocha, desejando ter acesso a um telefone.

– Por que? – O som da voz dele, a sobressaltou.

Jaxon se voltou, para vê-lo deslizar-se para ela. A forma em que ele se movia era de tirar o fôlego.

– Pensava em chamar o capitão e me assegurar de que não aconteceu nada desde que partimos.

A mão dele, infalivelmente encontrou seu cabelo.

– Ainda está preocupada com Drake. – Sua voz estava suavizada pela compaixão.

Ela assentiu.

Sei que provavelmente, o melhor foi partir, especialmente se nos seguem a pista os... Vampiros. – Ela tropeçou com a palavra, a idéia lhe parecia tirado de um conto gótico! – Mas não posso evitar de me sentir como se desertasse de todo mundo.

– Drake nos seguirá, céu. – Disse ele amavelmente, seus dedos acariciaram a delicada linha de sua clavícula. – Sei que virá. Não há razão para que faça mal a mais ninguém.

– Só desejo me assegurar de que fizemos o correto. – Disse ela preocupada.

Funda-se comigo. – Convidou Lucian, com suavidade.

Jaxon pensou por um momento, porque a mente dele estava se tornando familiar, natural, parte dela. Deslizava-se dentro e fora dela constantemente. Sua mente com freqüência se estendia em busca dele, mesmo inconscientemente. Era desconcertante o quanto desejava ser parte dele. Lucian esperava pacientemente, nunca apressava sua decisão, simplesmente a observava com seus olhos escuros e insondáveis. Jaxon permitiu que sua mente se fundisse com a dele. Em seguida, se sentiu a salvo, protegida, amada. Sentiu o poder e a confiança. Uma sensação de plenitude.

- Antonio? Tudo está bem por aí?

Jaxon estava alarmada. O vínculo mental que Lucian utilizava para contatar com o homem era completamente diferente do que utilizava com ela. Encontrou a mão dele, entrelaçando seus dedos com os dele.

- Sim. E vocês?

- Os estamos bem. Ela está preocupada que Drake tenha tomado represálias.

- Por aqui tudo está tranqüilo. Mantenho a guarda alta, esperando que visite sua casa esta noite. Diga que não se preocupe.

- Obrigado, Antonio e tenha um bom dia.

Jaxon se viu sorrindo ante o antiquado e cortês modo de Lucian falar, mesmo intercambiando pensamentos.

– Ele pode entrar em contato mentalmente contigo a qualquer momento?

Lucian negou com a cabeça.

– Não, embora esteja seguro que sentiria sua ansiedade se estivesse numa situação em que sua vida fosse ameaçada. Sua família serviu à família de Aidan Savage durante centenas de anos. São humanos mas bem versados nos costumes de nossa gente. Que eu saiba, são poucos os humanos em quem confiam o conhecimento da existência dos Cárpatos. Antonio é um jovem excepcional. Considero-lhe um amigo.

– Está seguro de que o vampiro principal nos segue também?

- Absolutamente, Jaxon. Abandonou nosso rastro antes que os dois vampiros menores, mas nos segue. Não há dúvida de que sabe que somos conscientes dele. Saberá que sou consciente dos outros dois que nos seguem, mas tem uma opinião muito alta de si mesmo e sua habilidade para esconder-se de mim.

Possivelmente é porque a merece. – Sugeriu ela tranqüilamente.

Lucian arqueou uma elegante sobrancelha negra para ela, um gesto sublime que dizia muito, silenciosamente.

Jaxon estalou em gargalhadas ante sua arrogância.

O quê? – Exigiu. – Não é concebível que tenha conseguido continuar vivo durante séculos porque é realmente bom como vampiro? Possivelmente é mais poderoso que...

Sei que não ia dizer mais poderoso que eu. – Sua voz a insistiu, desafiá-lo.

Ela seu peito, sem nenhum medo.

– Não é possível?

– Para nada.

– Realmente acredita, não é?

Sim, anjo. Não há vampiro tão poderoso. Tenho um grande controle, tremenda disciplina e aprendi o que outros não. Só meu irmão Gabriel se aproxima de ter o conhecimento e as habilidades que possuo.

Ele não se gabava, falava sério, indiferente ante seu poder. Aceitava ser, como aceitava todo o resto no mundo que o rodeava. Simplesmente era sim.

– E se estiver equivocado? E se o está subestimando?

Lucian encolheu de ombros, com preguiçosa informalidade.

– Posso lhe subestimar com facilidade sem ser, por isso, menos poderoso. Alguns vampiros são bastante ardilosos, todos são cruéis e completamente perverso. Estou seguro de que este viveu muito e adquiriu muitos conhecimentos. Não lhe servirão de nada. É meu dever lhe destruir, e o farei.

– Como agüentaste tanto, quando tantos outros homens se converteram?

Lucian lhe tocou a face com dedos gentis.

– Eu gostaria de dizer que sabia que você iria nascer e que resisti por seu bem, mas a verdade é que não acreditei que fosse haver semelhante recompensa. Conheci um homem há muitos séculos. Alguns dizem que foi o Filho de Deus. Outros dizem que ele não existiu, houve quem dizia também que ele era simplesmente um bom homem que viveu uma vida exemplar. Eu sei que caminhamos juntos uma noite e nos falamos. Toquei sua mente com a minha. Em todos os dias que caminhei sobre este mundo, nunca conheci outro como ele. Era como eu mas diferente. Era como um humano, mas diferente. Só havia bondade nele. Só isso, bondade. Sabia de coisas que não ninguém mais sabia. Era amável e compassivo. Eu já havia perdido a capacidade de sentir, ainda assim quando estava em sua presença, senti-me reconfortado. – Lucian suspirou brandamente e sacudiu a cabeça. – Ele perguntou-me se pudesse conceder alguma coisa no mundo, o que eu pediria. Repliquei, uma companheira para Gabriel. Então ele me disse que Gabriel tinha uma companheira e que a encontraria, mas que teríamos de resistir muito mais, que nenhum outro de nossa raça. Eu sabia o que ele queria dizer. Sem minha ajuda, Gabriel não sobreviveria tanto tempo.

– E acreditou nele?

Este homem não podia mentir. Não era capaz de enganar. Fiz-me a promessa de que nunca permitiria a meu irmão escolher o caminho do não–morto. Nos pediu muito... A matança constante de nossa raça, o isolamento que o caçador deve suportar. Gabriel era diferente. Ele sentiu emoções muito mais tempo que o normal em nossos homens. Acreditei que era porque sua companheira estava viva. Ela é um dos nossos. Movíamo-nos com freqüência, caçando, destruindo e lutando, Gabriel não teve oportunidade de procurá-la. Ao final fingi me converter em vampiro, quando soube que meu irmão estava perto de se converter. Procedi assim para evitar que ele tivesse que fazer mais mortes, o qual é perigoso para os que estão perto da conversão. Em vez disso, ele tinha que caçar a mim. Depois de anos de lutas comigo e me perseguir através dos continentes, Gabriel nos capturou, os dois, e prendeu-nos na terra. – Seu ligeiro sorriso foi pesaroso. – Uma falha de cálculo por minha parte. Realmente Gabriel conseguiu me surpreender. Foi por acaso que emergimos à superfície, antes que sua companheira escolhesse encontrar o amanhecer.

– Fez tudo isso por seu irmão. – Jaxon estava impressionada por seu sacrifício. Ele contava a história despreocupadamente, em poucas palavras simples, mas ela era ainda uma sombra em sua mente e via suas dolorosas lembranças, claramente. Os detalhes eram vívidos, as cenas de morte cuidadosamente construídas e o caos meticulosamente planejado, para convencer a seu gêmeo, um homem letal e consciente do aspecto da vítima de um vampiro, isso o havia mudado. Que fôra uma existência difícil, era dizer pouco.

– Mesmo quando já não podia sentir uma emoção semelhante, sabia que amava a meu irmão e que ele havia seguido minha liderança. Foi minha decisão lutar por nossa gente, brigar contra os Turcos e destruir o não–morto. Gabriel me seguiu e permaneceu firme e leal ao longo de toda sua vida. Merecia-se ser feliz. Era meu dever assegurar que conseguisse.

– E de quem era dever assegurar a tua? – Perguntou ela brandamente.

Ele sorriu ante a instantânea defesa dela.

– Foram me concedidos tremendos dons, céu. Era forte e capaz de resistir contra a crescente escuridão. E mais que isso, eu havia tocado a luz, como ninguém mais fizera. Não podia esquecer esse momento, tocar uma mente tão pura e formosa, tão completamente boa. Foi um presente ao qual eu não podia voltar as costas. Nunca teria escolhido perder minha alma depois disso. Nunca voltaria as costas a algo tão completamente da luz. Eu sabia a verdade. Sabia que estávamos aqui com um propósito e que nossas vidas contavam para alguma coisa.

Ela sacudiu a cabeça.

– Assusta-me, Lucian, o pouco que pede para você mesmo.

Ele sorriu então, um suave arrulho de amor.

– Nunca renunciaria a você, Jaxon. Você é tudo para mim. Agora é a única que me importa. Acredite, meu amor, não sou um santo, nem um mártir. Já não pediria sua presença em minha vida, exigiria-a.

Seu olhar era súbitamente ardente, uma escura intensidade centrada somente nela. A fazia sentir-se ardente e dolorida, uma excitação florescendo profundamente em seu interior.

Jaxon passou uma mão impacientemente pelo cabelo, a ação lhe elevou os seios sob o fino tecido de sua blusa.

– Por que aceitei tão facilmente nossa relação, quando antes nunca permiti que ninguém se aproximasse?

– Mesmo antes que fosse convertida a nosso sangue, seu coração e sua alma eram a outra metade da minha. Uma vez que pronunciei as palavras rituais, estávamos finalmente unidos em um só ser.

Lucian deu a volta à mão dela, para lhe beijar os dedos como tributo. Sua língua lambeu o interior da pequena mão. Foi sexy e íntimo.

– Pertencemos o um ao outro. Agora estamos completos. Você é a luz de minha escuridão. Eu sou o predador e você é compaixão. Preciso de você, para ser capaz de sentir emoção, para ver as cores do mundo, para desfrutar de cada dia e de cada noite. Você precisa de mim, para que te proteja e te aprecie, para assegurar sua felicidade. Não é exatamente igual a uma relação humana. É mais intensa e continua, crescendo à medida que passam os anos. – Seu olhar ardeu sobre ela, possessivamente e seus dedos deslizaram ao longo de uma coxa, massageado seus músculos.

– Acredita nisso? Realmente acredita que estávamos destinados a estar juntos mesmo antes de eu nascer? Que eu sou realmente a única mulher, em todos os séculos de sua vida, que era para você? Que só existe você para mim? – Jaxon já não podia respirar, não podia deixar sair as palavras, consciente de que a palma da mão dele deslizava entre suas pernas, acariciando seu sexo através do tecido de seu jeans.

Os olhos negros ardiam para ela, um olhar sexy e incitante, que lhe derretia.

– E você? – Ele continuou esfregando, acariciando até que um suave gemido escapou da garganta de Jaxon.

Ela pensou na questão durante alguns minutos, antes de responder. Acreditava que tinham que estar juntos? Não podia imaginar sua vida sem ele. Ela, que nunca tinha compartilhado sua vida com outro ser humano, não queria afastar-se nunca de seu lado. Queria compartilhar sua mente, suas lembranças, desejava sentir que lhe pertencia, para sempre. Ele pensava somente nela, em nenhuma outra mulher. Não encontrara lembranças de outra mulher. Ela era sua vida. Lentamente, assentiu.

– Deve ser sua má influência, mas já não posso imaginar viver sem você.

– Isso é bom, anjo. Não fale como se fosse um destino pior que a morte. – Lucian inclinou a cabeça, seus dentes mordiscaram o ombro dela. – Tire a blusa, Jaxon. Estou tão duro e quente, que acredito que poderia explodir. – inclinou-se mais perto, com os lábios contra seu ouvido. – Quero te saborear, úmida, selvagem e quente por mim. Está... sinto.

Jaxon o adorava quente e duro por ela. Adorava ouvi-lo admitir, com esse suave sotaque em sua voz, uma nota ligeiramente rouca que espremia suas esmoções. Tirou a blusa, obedientemente e jogou para um lado, o soutien, despindo seus seios ao ardoroso olhar dele. Viu como a camisa dele seguia seu soutien e impotente, se inclinou para saborear uma pequena gota de suor sobre a pele de Lucian. O corpo dele tremia.

Recoste-se, céu e erga as mãos sobre a cabeça. – Ele deu as instruções mansamente, mas não havia nada de suave na forma em que seu olhar negro a percorria.

O coração dela saltou no peito, mas ela se recostou sobre a rocha plaina, com os braços estirados até que sua mão se prendeu com um longo e grosso tronco. Enredou seus dedos em volta dele e o sustentou, sabendo que era isso o que ele queria. Ele deixava-a sem fôlego, estirando-se sob o ardente olhar dele, seu corpo se oferecia. Pequenas gotas de suor percorriam os seios arredondados e o vale entre eles.

Lucian tirou sua calça, para deslizar o tecido longe de seu corpo. O sexo, já úmido com seu convite, captavam sua atenção.

– Penso em você assim todo o tempo. Abra as pernas para mim, anjo. Me convide a entrar. – Lucian estava duro e inchado, dolorido pela urgência de seu desejo.

Jaxon estendeu as pernas ampliamente, deliberadamente lenta, uma incitação carnal, apertando-se sobre sua ereção antecipando a reação dele. Parecia grande, desesperado por seu corpo. Isto era incrivelmente sexy e ela estava bastante escandalizada de si mesma, por sentir-se tão desinibida.

– Não faz idéia de como te desejo. Toque-me, Lucian. Preciso sentir que me toca. – Jaxon percorreu com a língua, o lábio inferior. Seus mamilos doíam, de antecipação.

Ele acariciou a perna, a coxa, seus dedos se atrasaram no sexo úmido, de forma que seu corpo tremeu, seus quadris se arquearam para ele. Lucian sorriu, provocante, com seus dentes muito brancos.

– Não permita que se vá, anjo. Quero-te assim, assim, aberta para mim. – Observando sua face intensamente, ele inseriu um dedo em seu ardente e úmido centro. No momento, o corpo dela se apertou em volta dele, suave, porém firme. Ele sentiu sua resposta, seus músculos apertarem seu dedo. Empurrou mais fundo, vendo-a ofegar de prazer. – Sei o quanto está cansada, Jaxon, então se estenda aqui e me deixe te fazer sentir bem. – Lucian levou o dedo à boca e sua língua capturou sua humidade. Ele inalou a fragrância especial.

Os olhos dela escureceram e tremeram, com um terrível desejo.

– Lucian. – Havia dor em sua voz.

A resposta dele foi elevar-lhe as pernas até seus ombros, roçar com a língua, uma ardente carícia ao longo de seu sexo pulsante. Ela gritou, um som rouco, carente, uma súplica sem palavras. A língua dele indagou profundamente, entrando e saindo num maléfico jogo que a levou a um êxtase descontrolado. O corpo enrijeceu, girando fora de controle, rápido e furioso, apanhando-a inconscientemente em uma série de tremores que a sacudiam inteira.

Lucian desceu as pernas dela até sua cintura e empurrou sua latente e dolorida ereção contra o ardente e úmido sexo, observando como entrava lentamente em seu interior. Ela era pequena, apertada e tão quente que ele estremeceu de prazer, quando a entrada apertada tomou mais dele, lentamente centímetro a centímetro.

Jaxon estava com o corpo ardendo em chamas, as cores dançavam, ela ofegava pedindo ar, clamando.

– Mais? – Disse Lucian, suavemente. – Pode tomar tudo. Este é meu lugar, dentro de você, meu amor. Pertençoa você. – Sou seu santuário, seu céu.

E ele começou a se mover, ritmicamente, com longas e duras investidas, mais profundamente, fundindo-os, levando-os a um ritmo furioso, implacável em sua necessidade. Ele foi indulgente, tomando o corpo dela para si, dando a ela seu corpo sem reservas, levando-a um trêmulo êxtase. Sentiu como o calor se acumulava em Jaxon, podia sentir a interminável contração de seus músculos o envolvendo, firme e ardente e ordenando-lhe, até que perdeu o controle, até que o corpo dela tomou seu fluxo.

Jaxon estava exausta, incapaz de se mover, com os olhos fechados, seu corpo interminavelmente estremecido, firme em volta de Lucian, sujeitando-o dentro dela. Lucian se inclinou e sua língua capturou a gota de suor na ponta de um mamilo. A ação estremeceu o pequeno corpo, mas ela estava tão cansada que só podia ficar deitada sob ele, ardendo em chamas. Sobre ela, Lucian respirou-a, o pequeno corpo tragado pelo dele. Seus corações pulsavam como um; seus pulmões trabalhavam juntos. Jaxon permitiu lentamente que seus dedos soltassem o tronco, seus braços caíram dos lados. Não podia encontrar a energia para prender Lucian contra ela, só podia desfrutar das sensações que os lábios dele produzia em seu seio.

Ficaram unidos, seu corpo entrelaçados, os lábios dele mordiscando gentilmente sobre ela com silenciosa veneração. Jaxon deslizou a um nebuloso estado de sono e se surpreendeu quando ele se moveu, tirando contra vontade, seu corpo do dela.

Lucian se sentou, seus braços se fecharam em volta dos ombros dela levantando-a, embalando-a. Haviam entrado na caverna quando o amanhecer rompia. Sobre a terra, o sol estaria agora alto. Como Jaxon havia gasto muita energia em seu primeiro vôo, estava cansada quando chegaram. Seu ato de amor tinha sido longo e rude. Podia sentir o cansaço dela golpeando-o.

– Deveríamos procurar descanso.

O coração dela saltou abruptamente.

- Aqui não há uma câmara de sono, com uma cama acolhedora. Sabia que ele os enterraria profundamente na terra e não haveria desculpas. A idéia era inquietante, mesmo cansada como estava.

– Sou muito distinta das outras mulheres dos Cárpatos, não é? – Jaxon soava triste. Incomodava-a, não poder ajustar-se de boa vontade a todas as necessidades de sua nova vida.

Ele encontrou a boca dela com a sua e sua língua dançou com a dela, procurando, explorando, amando-a, reconfortando-a.

– É distinta de várias formas, anjo, mas não como acredita. Nossas mulheres nunca caçariam um vampiro, com seus companheiros, como você deseja fazer. Caçar um vampiro é mais que um desejo em você. Se fosse só isso, te teria negado a oportunidade. É uma necessidade, uma parte de sua personalidade, de sua natureza. Só posso te aceitar como é, não como teria que ser, tranqüila e segura dentro de minhas salvaguardas. Essa é a única diferença que de alguma forma exige um compromisso.

Ela sacudiu a cabeça negando, depois esfregou o nariz contra seu peito, suas pálpebras caíram.

– Sou polícial. Sempre serei polícial. Isso é o que sou.

– É minha companheira, não um policial. Quando caçarmos, caçaremos juntos, mas você seguirá minha liderança. – Lucian converteu o que disse, em mais que uma declaração. Foi uma exigência, uma ordem. Disse com seus séculos de autoridade na voz.

Jaxon se apoiou contra ele, pressionando seu pequeno corpo contra a proteção da pura força masculina dele. Se ele queria dar as ordens, não importava. Nunca iria caçar vampiros sem ele. A idéia era aterradora. Ela conduzira seus companheiros, porque era brilhante no que fazia. Mas podia ceder a liderança na caça de vampiros a Lucian. Ele vinha lutando com o não–morto, durante séculos e era um professor no ato.

– De acordo, Lucian, assim será. Vamos dormir antes que eu caia.

Lucian encontrou seus lábios novamente, meigamente.

– Estará a salvo, meu amor.

– Eu sei. – Murmurou ela, com os lábios contra o pescoço dele, suas pálpebras caindo. – Simplesmente não quero saber os detalhes. Sinto que algumas coisas é melhor deixar como são.

– Está a salvo a meus cuidados. – Repetiu ele, desejando que ela acreditasse. E ela sempre estaria a salvo. Ele a apreciava. Cada um de seus pensamentos era para ela. Faria de tudo para que a transição fosse mais fácil, mas também queria que ela fosse a seu ritmo. Inclinou a cabeça para a dela lentamente, seu olhar ardente sobre a suave boca. Desejava-a. Mesmo com o sol se elevando, mais alto no céu, seu corpo tornando uma pesada carga, ainda a desejava. Beijou-a gentilmente, a consciência, como se tivesse todo o tempo do mundo para saboreá-la.

Jaxon relaxou contra ele, entregando-se à maravilha e a magia de seus lábios. Foi a última que levou com ela em seu sono.

- Durma bem, anjo. Me leve contigo às profundezas de seus sonos. Não despertará até que eu lhe ordene. Não terá medo da terra e seus braços acolhedores.

Os lábios de Lucian capturou seu último fôlego, enquanto ela sucumbia a sua ordem, de que dormisse. Seu íntimo se apertaram ardentemente, cada músculo de seu corpo tenso uma vez mais. Ela era formosa, perfeita. Nunca se acostumaria à idéia de que ela colocasse os desejos dele, sua segurança, sua felicidade, antes dos próprios. Cuidava dele, preocupava-se com ele e precisava dele. Deixou escapar um suave gemido. Ela pensava só no bem dele e não tinha sentido comum para ter medo. Não lhe ocorria que ele fosse capaz de uma destruição maciça contra alguma coisa que a ameaçasse. Confiava nele implicitamente. Tinha completa fé nele. Não tinha idéia do que fazia por ele. Durante séculos, sua gente, a cujo amparo ele dedicara sua vida, lhe temia. Jaxon tinha todas as razões para temê-lo, pelas mudanças que tinha obrigado a aceitar, ainda assim lhe dava sua confiança e isto o enchia de humildade.

- Lucian? A voz de Gabriel o sobressaltou. Vinha de muito longe. – Precisa de mim? O sol estava entrando, onde morava Gabriel, e a noite estava sobre ele.

- Tenho necessidades, mas não de você, Gabriel. Tudo está bem contigo, com Francesca e Skyler? E a pequena Tamara? - Lucian sabia que ela ainda estava em perigo.

- Jacques e Shea Dubrinsky, o irmão do Príncipe e sua companheira, apressaram em socorrer-nos, para ajudar a encontrar uma forma de manter Tamara viva. A pequena está se saindo muito bem. Skyler é brilhante, mas isso você já sabe. Sente muito sua falta, mas se contenta em tocar sua mente com freqüência. Francesca está muito mais feliz com a Shea aqui. Shea desenvolveu uma fórmula e parece estar ajudando.

- Irei a você se houver necessidade. - Reconfortou-lhe Lucian. Ainda não falara com Jaxon sobre a terrível realidade de ter um filho tão desejado e ver como se apagavam, apesar de tudo o que os curadores podiam fazer. Ele, como tantos outros Cárpatos, contava com que Shea, Francesca e Gregori encontrassem as respostas do por que sua raça perdia a tantas meninas tão logo depois do nascimento, o que ameaçava a continuação da espécie.

- Agradeço-lhe. Preocupa-se com sua companheira.

- Protegerei-a. Não posso fazer outra coisa.

- Ajudarei você, se houver necessidade. - Gabriel fez idêntico oferecimento, instantaneamente.

Lucian sorriu, agradecendo poder sentir a intensidade de seu amor por seu irmão gêmeo, não só recordar a emoção, mas também senti-la sincera e real. - Sei que viria, Gabriel e te chamarei se precisar. Francesca e as meninas precisam mais de você, desta vez. Jaxon e eu estamos sendo perseguidos por três dos não–mortos. Jaxon os teme menos, que ao monstro humano que tentamos atrair.

- Possivelmente tem boas razões para temer o humano. Cuide-se. Poderia sair agora e estar ali para a próxima sublevação.

- Obrigado pelo oferecimento, mas precisam mais de você aí. Posso me ocupar destes, sem problemas.

- E o humano?

- Não comece, Gabriel. Já é bastante mau ter minha companheira pensando que alguém tão insignificante poderia me derrotar. Não preciso que você se coloque do seu lado.

Uma suave risada respondeu sua declaração. A hora do dia estava começando afetar pesadamente Lucian. Era um antigo e muito suscetível aos efeitos da luz do sol. Seu corpo precisava da terra. Colocou mais proteção e seu sistema de alarme no lugar para afastar humanos e imortais, de seu lugar de descanso. Deslizando para fora da caverna das piscinas, com Jaxon em seus braços, Lucian seguiu o estreito túnel que conduzia sob a terra. Evitou os charcos de lava fundida e encontrou a rica e escura terra cheia de minerais curadores e rejuvenescedores e abriu uma cama, a vários metros de profundidade. Enquanto flutuava para o interior dos braços acolhedores, centrou sua atenção em esquadrinhar a região circundante. Abraçou Jaxon contra ele, enredando seu corpo em volta do dela protetoramente. Dormiu com um sorriso de satisfação tocando seus lábios.

 

O sol tentava corajosamente banhar as montanhas de luz, esforçando-se para atravessar a pesada folhagem até a terra abaixo. Ao meio-dia, quando o sol estava em seu ponto mais alto, o vento começou a levantar-se. Acumularam nuvens movendo-se do sul. Às quatro horas, as nuvens eram pesadas o suficientemente para apagar a luz do sol. Às cinco horas, o vento forte dobrava as árvores e lançava seus galhos a uma selvagem dança frenética. Nas profundezas da terra, nas vísceras da montanha, Lucian se moveu.

Removeu facilmente a terra sobre ele e se estirou com preguiçoso prazer, seus dedos encontraram infalivelmente os sedosos fios do cabelo de Jaxon. Ela estava perfeitamente imóvel, sua face pálida, o batimento de seu coração não era discernido em seu corpo. Gentilmente, ele se extraiu de onde seus corpos jaziam entrelaçados. Flutuou até a superfície e permaneceu em pé tranqüilamente durante um momento, debatendo-se. Não queria que ela despertasse e notasse que ele saíra, enquanto jazia enterrada. Ela não estava preparada para uma experiência semelhante. Embora sua ordem a tinha enviado a dormir e ela não deveria despertar até que ele a chamasse. Tecnicamente. Uma onda de ansiedade tocou sua mente. Jaxon era forte e inteligente, uma força a ser tomada em conta, e não era mais que uma aprendiz. Tinha a colocado a prova uma e outra vez e ele sempre fazia o inesperado.

Voltou a cabeça lentamente, sua mente centrada no plano de batalha. O mais importante era encontrar a guarida do professor vampiro. Agora, antes que o sol tivesse oportunidade de entrar, ele estaria preso na terra. Saberia que Lucian estaria caçando e o vampiro estaria grunhindo sob a montanha, contando os segundos até que estivesse livre. Enquanto Lucian se movia através das cavernas e túneis, intensificou a tempestade, encalhando-a sobre as montanas para que o ajudasse em sua busca. Com as nuvens tão escuras e espessas, seus olhos poderiam suportar a luz sem ajuda dos óculos de sol.

Saiu para o céu, quando as nuvens se abriram de repente e verteram chuva em cortinas de prata. Começou sua busca, enviando seus sentidos a milhas de distância através do céu, para esquadrinhar a região circundante.

Os vampiros, em si mesmos, seriam difíceis de detectar. As coisas pequenas eram mais provável que os delatassem. Uma desmesurada quantidade de insetos, morcegos inquietos dentro de seu comportamento normal, uma multidão de ratos reunindo-se. Os vampiros teriam se separado e desconheceriam as guaridas dos outros. O professor vampiro se manteria em segredo muito mais que os outros, sem confiar sua segurança a ninguém. O não–morto prosperava com a dor e o sofrimento dos outros, era completamente nefário e capaz de engano e traição. Nunca confiariam uns nos outros, com uma informação tão importante como a localização de seus lugares de descanso.

Encontrou uma débil mancha de poder nas montanhas ao norte de sua posição. Era uma indicação de um dos seres menores. Nenhum antigo cometeria tal engano. Lucian procedeu a afastar-se da região para ampliar sua busca. Um ligeiro distúrbio entre os morcegos entregou o segundo vampiro. Estava usando uma cova alta na face norte da montanha. Lucian voltou sua atenção ao este e o oeste.

 

Jaxon não era consciente de nada, absolutamente. Mas então uma escura, oleosa e insustancial realidade, começou a penetrar os estratos da terra e encontrar seu c