Sites Grátis no Comunidades.net Wordpress, Prestashop, Joomla e Drupal Grátis
Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

  

 

Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


O SACRIFÍCIO DE RYLAND / Kim Dare
O SACRIFÍCIO DE RYLAND / Kim Dare

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

O SACRIFÍCIO DE RYLAND

 

Quando a bolsa de estudos de Ryland desaparece durante a noite, ele tem duas escolhas.

Ele pode pedir o dinheiro de seu colega Jason Burrows, que tem maneiras muito interessantes de cobrança de dívidas.

Ou, ele pode se voluntariar para ser jogado para os Leões.

Uma noite fazendo o papel de um sacrifício humano lhe dá dinheiro suficiente para terminar o seu doutorado.

Parece um bom negócio.

Até o momento em que ele se vê nu, com os olhos vendados, amarrado e... Cercado de Leões...

 

 

Ele não estava completamente nu. Ryland Gilford silenciosamente repetiu o fato mais e mais dentro de sua cabeça. Mesmo que fosse tecnicamente verdade, isto pouco fez para tranquilizá-lo. Por sua estimativa cuidadosa, dezesseis centímetros quadrados de sua pele estavam escondidos. Infelizmente, nem os punhos de couro em volta do seu pulso, nem a venda sobre o seus olhos, escondiam qualquer uma das partes de sua anatomia, que ele geralmente preferia manter cobertas na presença de estranhos.

 

O carro deu uma guinada para uma parada súbita. O cinto de segurança apertou no peito de Ryland enquanto ele era arremessado para frente. Os braços amarrados cavaram em sua espinha quando ele foi lançado de volta contra o banco. Arrastando uma golfada de ar profundo em seu corpo, Ryland entoou um diferente, mais eficaz, mantra - que não o lembrasse de que ele estava gritantemente nu a cada dois segundos.

 

Livros escolares custam dinheiro certo? Isso era mais promissor. Talvez, se ele se concentrasse muito em lembrar por que ele concordou em fazer algo tão descaradamente, estúpido, ele de alguma forma conseguiria sobreviver a noite com alguma pequena parte de sua sanidade intacta.

 

Livros custam dinheiro. As mensalidades precisam ser pagas. O dinheiro do aluguel tem que estar em dia. Preciso de uns trocados para comprar uma ou duas refeições durante o próximo ano letivo também.

 

Lembrar-se desses fatos ajudou um pouco, mas não foi suficiente. Ryland ainda se sentia mal em seu estômago. O carro virou uma esquina. Ele oscilou em seu assento antes de finalmente conseguir se endireitar. A condução do motorista realmente não estava ajudando seus esforços para não dar lugar as náuseas nervosas.

 

Ainda assim, era melhor do que estar ao redor de uma das manobras de Jason Burrows...

 

Ryland respirou fundo e soltou muito lentamente. Sim, isso era o que ele realmente precisava se lembrar. Sacrificar seus princípios dessa maneira podia fazer sua pele se arrepiar, mas era ainda melhor do que colocar-se nas mãos do único homem na universidade que estava disposto a emprestar dinheiro para um estudante de doutorado de matemática cuja bolsa havia desaparecido nas profundezas escuras da recessão.

 

Ele tinha ouvido tudo sobre a forma como Jason Burrows cobrava suas dívidas. Os rumores diziam que ele era muito inventivo em determinadas áreas. Qualquer coisa tinha que ser melhor do que isso, até mesmo isso.

 

O carro deu um solavanco e parou mais uma vez. O silêncio encheu o mundo quando o motorista desligou o motor. A respiração de Ryland estava presa em sua garganta quando ele percebeu que não era apenas um outro conjunto de luzes do tráfego.

 

Da escuridão atrás de sua venda, ele ouviu o motorista sair do carro. A porta ao lado dele foi aberta. Ar frio correu para dentro do espaço claustrofóbico. Roupa roçou sua pele nua, quando alguém se inclinou e desfez o cinto de segurança. O hálito do motorista acariciou seu pescoço.

 

Ryland tentou pressionar-se mais para trás contra o assento. As fivelas de couro nos punhos esfaquearam suas costas. Um segundo depois, uma mão calejada agarrou seu braço e arrastou-o sem a menor cerimônia para fora do carro. Ele tropeçou quando tentou obter o equilíbrio. O motorista não prestou atenção.

 

Cascalho rangia sob os sapatos do outro homem e mordiam os pés descalços de Ryland enquanto ele marchava para a frente. Eles pararam tão de repente, como eles começaram. Um puxão no braço de Ryland o manteve na vertical quando ele teria tropeçado. E chegou próximo de arrancar seu ombro também.

 

A campainha tocou a distância. O motorista soltou de seu braço. Ryland revirou os ombros tanto quanto suas restrições permitiam, como se o fato de alguém ter deixado seu ombro em chamas fosse a única coisa com que ele precisava estar preocupado então.

 

Passos se chocaram sobre o cascalho, uma vez mais, diminuindo à medida que se deslocou para mais longe dele.

 

― Onde você está indo? ― Ryland silenciosamente se amaldiçoou. Ele realmente não tinha a intenção de soar daquela maneira, mas as palavras já pairavam no ar da noite fria. Era tarde demais para desejar que ele tivesse sido mais corajoso.

 

Um carro começou andar. Ryland virou em direção a isto. ― O que f.. ― Abriu e fechou a boca algumas vezes. Nenhuma palavra saiu.

 

Ninguém tinha dito nada sobre ele ser deixado em pé na relva. Uma pequena parte dele cheia de medo, sabia que havia um inferno de um monte de detalhes que ele provavelmente deveria ter verificado antes de se lançar nessa confusão estúpida. Se ele acreditasse ser capaz de descobrir as informações a respeito disso e ainda assim seguir com isso, ele tinha certeza de que teria feito cada uma das perguntas certas.

 

Pena, então, que ele era ciente de não ser esse tipo de homem. Se tivesse obtido todas as informações ele não manteria a calma com isso. Ele teria fugido antes que alguém tivesse a chance de pega-lo e bloquear seus punhos idiotas em torno dos pulsos.

 

E o que ele teria feito, então? Pedir o dinheiro a Jason Burrows? Cair fora e provar que seus pais tinham razão quando haviam dito que nunca iria se graduar, sem rastejar de volta para eles e pedir ajuda.

 

A brisa fresca dançou sobre a pele de Ryland, lembrando-lhe que era tarde demais para desejar que as coisas fossem diferentes. Um arrepio correu por sua espinha. O ar da noite parecia ter uma mente própria.

O ar frio concentrou todos os seus esforços em soprar contra seu pênis exposto, aparentemente se divertindo com o fato de que ele não conseguia colocar as mãos na frente de seu corpo, ele não podia nem ver e encontrar um mato para se esconder atrás. Silêncio o rodeava, deixando-o com a certeza de que estava em uma estrada sem nome qualquer.

 

― Por favor, Deus, deixe ser a casa certa ― ele sussurrou para si mesmo. Isso não era demais para se pedir, não é? Por favor, não deixe que a casa pertença a uma senhora velha pouco agradável que vai telefonar para a polícia e mandar que eles venham prender o louco espreitando em seu jardim da frente.

 

― Não se preocupe, querido, você está no lugar certo. ― As palavras foram ronronadas a apenas alguns centímetros de seu ouvido. Ryland virou, como se a venda pudesse desaparecer e convenientemente permitisse-lhe ver o seu... seu agressor? Um de seus proprietários pelo resto da noite? O calor que irradiava de um corpo quente confirmou que o dono da voz estava a poucos centímetros dele. Ele mal teve tempo de registrar esse fato diante de um corpo nu roçando contra ele. Ryland tropeçou longe. Um grito embaraçoso escapou da parte de trás de sua garganta enquanto ele descobriu o outro, igualmente nu, homem por trás dele. Cercado por pele nua, ele virou, procurando cegamente por uma rota de fuga.

 

― Nada de brincar no meio da estrada! ― Alguém gritou na direção da casa. ― No interior, todos vocês, agora! ― Mãos fortes envolvendo cada um dos braços amarrados de Ryland o levaram para frente.

 

Revestimento de ladrilho substituiu o cascalho. Tábuas de madeira substituíram o ladrilho que, por sua vez deu lugar a um tapete grosso. A porta bateu atrás dele. O quarto que o tinham levado era bastante quente depois do frio da rua. A mudança rápida de temperatura enviou um arrepio por todo seu corpo.

 

Quando as mãos segurando seus braços desapareceram, o silêncio o rodeou, uma vez mais, quebrado apenas pelo som de estalos de lenha queimando. Por alguns segundos, Ryland conseguiu se concentrar em um ambiente real em vez de todas as possibilidades horríveis que se emaranhavam junto a sua mente. O calor do fogo aqueceu o lado direito de seu corpo.

 

Fogo à direita. Porta à esquerda. Ele sabia onde ele estava. Mais ou menos. Mesmo que ele não soubesse, fingir que sabia fez ele se sentir um pouco melhor sobre tudo. E tinha que ser melhor do que pensar sobre os olhos, que ele podia sentir caídos sobre sua pele nua. Ninguém pôs a mão sobre ele, mas o ar perturbado acariciou sua pele. Ryland tinha a nítida impressão de que alguém estava circulando ele, que ele estava sendo analisado.

 

Contra toda a razão, ele encontrou-se na esperança de quem quer que fosse, ficaria satisfeito com o que vira. Ele não estava sob quaisquer ilusões. Os caras não estavam exatamente fazendo filas em torno do quarteirão na chuva por ele. Mas ele não era tão ruim. Alguns caras pareciam gostar dele. Alguns caras gostavam de cabelo loiro e dos olhos azuis em princípio gerais. O cara que tinha concordado em levar-lhe lá naquela noite tinha certamente gostado quando assistiu Ryland despoja de sua roupam em um "showzinho" prestes a entrar neste jogo estúpido.

 

Ryland engoliu várias vezes quando seus nervos ameaçaram tirar o melhor dele. A lenta inspiração e expiração não conseguiu acalmar o pânico, realmente.

 

― Ninguém vai te machucar. ― Mais uma vez, as palavras vieram de atrás de sua orelha, mas desta vez o fez congelar ao invés de girar. Era uma voz diferente, mais profunda e mais rica do que aquela que tinha falado com ele do lado de fora.

 

― Foi dito a você que não temos interesse em homens que não nos querem? ― O silêncio exigiu uma resposta.

 

― Sim ― admitiu Ryland. E ele estava desesperado o suficiente para acreditar nisso. Idiota... Algo tocou seu rosto. Ryland soltou um gemido aterrorizado pouco antes de ele perceber não era nada mais assustador do que o cabelo de outro homem escorrendo contra ele. Lábios impossivelmente macios deram um beijo suave em seu ombro. A língua áspera raspou contra a sua pele.

 

Ryland segurou outro gemido quando a sensação correu direto pela sua coluna vertebral e chegou em seu pênis.

 

― Você sabe o que é esperado de você?  

 

― O que você quiser. ― Ryland limpou a garganta. ― Eu tenho que fazer o que você quiser pelo resto da noite. ― Ele tinha que fazer. Se ele não fizesse, eles provavelmente esperavam o dinheiro de volta - o que seria muito difícil, considerando que ele já tinha acabado com o último centavo pagando o restante dos honorários de suas aulas.

 

O homem atrás dele fez um barulho vago, a meio caminho entre concordância e discordância.

Lábios arrastaram-se até o pescoço de Ryland. O calor de um corpo de homem perto de pé atrás dele alimentou o calor do fogo, tornando as chamas insignificantes.

 

― Diga-me o que você quer que eu faça? ― Ryland perguntou. O pedido foi ignorado.

 

Longos fios de cabelo tocaram contra a sua outra face. ― Você já fez com um leão antes?

 

Ryland balançou a cabeça. Mas isso não significava que ele não tinha ouvido todos os contos que eram sussurrados em torno da universidade. Homens-leões viviam no campus. Um homem pode fazer dinheiro fácil sendo jogado aos leões. Oh, sim, ele conhecia todos os rumores. Era fofoca como essa que o tinha aterrado nesta bagunça em primeiro lugar.

 

Forte. Dominante. Insaciável. Homem-leão. Metade homem, metade felino. Eles caçam em grupos e partilhavam os prêmios com o resto. Nesse momento, Ryland realmente desejava que ele não tivesse ouvido as histórias, quase tanto quanto ele queria que o cara não tivesse dito a palavra com L. Eles pareciam tão humanos. Teria sido tão fácil fingir...

 

O leão fechou o espaço entre eles. Um pau duro roçava a pele de Ryland.

 

Contra toda a razão, ele sentiu uma contração no próprio pênis em resposta. O leão se aproximou ainda mais. Roçando o corpo de Ryland por trás, ele passou a língua por cima do ombro, mais uma vez.

 

Mãos grandes se cravaram nos flancos de Ryland, mantendo-o parado, mas não sentia que o leão estava tentando impedi-lo de fugir. Seu toque era forte, confiante, parecia querer assegurar, em vez de restringir.

 

A carícia da língua áspera enviou um arrepio pelo corpo de Ryland. Ele abaixou a cabeça quando a imagem de um Leão ajoelhado em sua frente invadiu sua mente. As possibilidades de que a língua voltasse suas atenções para o seu pênis o fez choramingar.

 

Retorcendo-se. Ryland mentalmente revirou os olhos para si mesmo. Ele estava tão deformado. Para não mencionar delirante. Como se houvesse uma esperança no inferno, dele ser quem estaria olhando para outro homem em seus joelhos naquela noite. Mesmo sabendo que, a lógica provasse ser um jogo pobre para a fantasia. Seu pau endureceu ainda mais.

 

Ryland tentou levar as mãos à frente dele para cobrir seu embaraço. A algema que ligava os punhos de couro se agitou. Suas mãos permaneceram onde estavam.

 

Sussurros abafados chegaram a ele de alguma parte distante do quarto, mas ele não conseguia entender as palavras. Calor banhava seu rosto quando ele percebeu que não havia nenhuma maneira de que ele pudesse esconder o quanto ele estava gostando do toque do outro homem.

 

As mãos sobre seus flancos deslizaram e caíram sobre seus ossos do quadril. As palmas do leão eram ásperas contra sua pele. Era fácil acreditar que eles faziam uma grande quantidade de trabalho com as patas. O pouquinho de ar que ficou entre ele e o outro homem desapareceu. Ryland sentiu o corpo do leão se mover contra ele a cada respiração. Ele era mais alto que Ryland, mais amplo, obviamente mais forte.

 

E ele era tão obviamente gigante como... Como qualquer outro leão no planeta que Ryland pudesse pensar. Estranhamente, as fofocas dos alunos não diziam nada sobre esse ponto. Era possível que enorme para um ser humano representasse apenas normal para um leão.

 

Tudo que Ryland realmente sabia era que o pau empurrando contra a sua pele estava duro e pronto para jogar.

 

Pré-semem manchou sua nádega esquerda quando o leão balançou os quadris. Seu próprio pênis curvou entusiasmado contra seu estômago, em resposta.

 

Mordendo com força o lábio inferior, Ryland tentou não se contorcer e se esfregar contra o leão. O agarre na cintura apertou de qualquer maneira, como se o leão soubesse exatamente o que estava em sua cabeça.

 

A língua de outro homem traçou uma linha atravessando seu pescoço.

 

― Há regras.

 

A voz enviou outro tremor pelo seu corpo. Ryland automaticamente recostou-se contra a pele escaldante atrás dele. O que lhe rendeu um barulho de prazer, quase como um ronronar ou como um ronronar pode soar se ele emanasse de alguém com duas vezes o tamanho de Ryland. Lábios vibraram contra sua pele, puxando um gemido de Ryland em resposta.

 

― Repita o que eu disse.

 

― Eu... ― foi tudo que Ryland conseguiu.

 

― Regras ― o leão lembrou a ele.

 

Ryland assentiu. ― Regras .

 

― A palavra ‘Lança’ acaba com tudo. Até que você diga a palavra, vou fazer o que quiser com você. Entendeu? ― Ryland assentiu.

 

― O que você precisa dizer?

 

Ryland lambeu os lábios. ― Lan... ― Ele parou. ― Eu não quero parar. ― Ele não entendeu a verdade nas palavras, até que as disse. Ele não queria que isso parasse. Cada pensamento sensível em sua cabeça sumiu no entendimento.

 

― Bom menino. ― Palmas ásperas contra seu abdômen o puxaram de volta com mais força contra a pele do outro homem, prendendo as mãos de Ryland, entre seus corpos. O leão parecia inteiramente humano, apenas muito gostoso e quente. Contra toda a lógica, Ryland encontrou-se com um sentimento de calma pela força que tinham, em vez de medo por ela.

 

         LEÕES!

 

A palavra gritava dentro de sua cabeça, mas falhou ao tentar assusta-lo do jeito que ele tinha certeza que devia. Quando o leão recuou e levou seu calor para longe da pele de Ryland sem qualquer aviso, ele agarrou o ar vazio atrás dele, lutando para encontrar o outro homem com seu alcance limitado.

 

Ele congelou quando percebeu que alguém estava de pé na frente dele agora. Não havia maneira de dizer se era o mesmo leão que estava atrás dele. Tudo o que podia fazer era ficar muito quieto e orar.

 

Algo tocou a traseira de sua cabeça, onde a fivela prendia a venda apertada contra seu rosto. A tira de couro caiu.

 

Ryland piscou os olhos. Ele havia sido preso na escuridão por trás da venda a tanto tempo, que não conseguia se concentrar. Rumores sobre como os leões pareciam rodaram dentro de sua cabeça. Levou um tempo antes de ele poder transformar em uma imagem clara de um homem o desfocado, ele estava meio que esperando para encontrar-se cara-a-cara com algum tipo de personagem de desenho animado de felinos.

 

Ele piscou novamente quando viu a realidade olhando para ele. Sua boca se abriu e fechou várias vezes. ― Professor!

 

Os lábios do homem mais velho se contraíram em um pequeno sorriso.

Ryland olhou para o outro homem pelo que pareceu uma eternidade. E sendo honesto com Deus, um leão teria sido bem mais fácil de compreender.

 

― Quem você esperava? ― A diversão foi drenada da expressão do professor. E uma luz predatória surgiu em seus olhos.

 

Ryland o tinha visto olhar para os alunos dessa forma antes, geralmente, quando alguém era suicida o suficiente para tentar argumentar sobre uma nota ruim. Ele nunca percebeu como ele se sentiria quando dirigido a ele.

 

Ele prendeu a respiração na garganta enquanto ele automaticamente tentava puxar seu cérebro em marcha apenas no caso de uma questão complexa sobre a História Medieval a ser disparada contra ele. Seu sucesso foi limitado. Ryland não conseguia sentir-se muito surpreso.

 

Professor Arslan estava parado em frente a ele, nu e duro, e... e seu conhecimento histórico limitado que se dane. O fato de Arslan estar ali mesmo entre os leões era tudo que Ryland tinha espaço em sua cabeça para pensar.

 

Parte dele não estava nem um pouco preocupado com a ausência de outros pensamentos. Nada jamais poderia ser tão importante como Professor Arslan estar lá. E ele estava nu, o pedacinho do cérebro de Ryland que era conectado diretamente ao seu pau o lembrou. A parte nua da equação era significativa também.

 

Ryland engoliu rapidamente. Muito significativa. Enquanto seus olhos imploravam estar autorizados a olhar para baixo, Ryland obrigou-se a manter o olhar no rosto do outro homem.

 

Ele sempre se perguntou como o professor pareceria quando todo seu longo cabelo castanho escuro não estivesse preso por uma tira de couro na nuca. Agora ele sabia. Parecia uma juba de leão.

 

Ryland respirou instavelmente. Atrás das costas, com as mãos fechadas em punhos apertados ele lutou contra um pico repentino de pânico na lembrança da palavra com L.

 

― Te fiz uma pergunta.

 

Ryland assentiu. Arslan fez-lhe uma pergunta, e todos que já assistiram uma de suas palestras sabia que quando o professor fazia uma pergunta, é melhor que você soubesse bem a resposta.

 

O que ele tinha estado esperando? Francamente, alguém que parecesse precisar pagar para ter sexo.

 

― Eu... ― Não havia nenhuma maneira no inferno que ele poderia dizer isso. Se ele dissesse isso, então ele ia acabar deixando escapar algo ainda pior, como o fato de Professor Arslan nunca ter que pagar por sexo porque inferno cada aluno na universidade, que era ao menos interessado em homens estaria feliz em ficar em seus joelhos para ele de graça. E se ele lhe dissesse que metade da população estudantil tinha uma queda por ele, então ele logo estaria dizendo em qual metade se encaixava e...

 

― Eu não sabia o que esperar, Senhor ― Ryland sussurrou.

 

O homem mais velho o estudou por um longo tempo antes de finalmente acenar com a disposição de aceitar a sua resposta.

Ryland soltou um suspiro, ele não tinha percebido que estava segurando.

 

― Ele é um dos seus alunos?

 

Ryland aproveitou a lembrança de que outras pessoas existiam no mundo, que existiam naquela sala. Antes que ele tivesse a chance de voltar-se para a voz ou entrar em pânico, a mão de Arslan foi para a parte de trás da cabeça de Ryland, seus dedos enrolaram em seus cabelos. Enquanto segurava-o no lugar, o professor de alguma forma conseguia controlar a necessidade de Ryland olhar por cima do ombro, para ver quem perguntou.

 

― Não ― Arslan disse, sua voz não admitia argumento olhando através de Ryland para quem os interrompeu. ― Ele não é um dos meus alunos.

 

Ryland olhou para o homem mais velho, se perguntando como uma frase que negava todo o conhecimento que ele tinha de si mesmo também poderia conseguir soar possessivo como o inferno.

 

― Você é um...? ― Ryland parou quando percebeu que não tinha ideia do que chamar o outro homem.

Arslan levantou uma sobrancelha.

 

― Um Shifter? Um troca-formas? Um leão? Sim .

 

Ryland engoliu em seco e balançou a cabeça como se isso não fosse nada para se preocupar. Seus pulsos presos nervosamente pelos punhos.

 

Desde que Arslan nunca precisaria amarrar alguém para garantir que eles fizessem como ele desejava, a escravidão era, obviamente, porque ele gostava. O professor não era apenas um leão. Ele era um leão Dom. Ryland não tinha certeza se era melhor ou pior.

 

Arslan chegou por trás dele. Em um segundo, as algemas foram soltas de seus pulsos. O homem mais velho elevou a combinação de couro e metal enquanto os estudava.

 

― Muito dramático ― disse ele, aparentemente, mais para si mesmo do que qualquer outra pessoa. Ele jogou fora da linha de visão de Ryland, talvez para outro leão. Ryland não os ouviu se mexer. Ele não tentou olhar na direção em que desapareciam de qualquer forma.

 

As mãos livres de Ryland permaneceram atrás dele enquanto ele esperava que o outro homem lhe desse permissão para movê-las. O professor sempre tinha sido capaz de fazê-lo manter-se sentado através de duas horas de aula com nada mais do que um olhar em sua direção. Ninguém em estado mental perfeito batia sua perna contra a mesa ou brincava com seus livros, quando Arslan era responsável pela aula.

 

Ryland tentou dizer a si mesmo que ali nu com as mãos atrás das costas não era diferente da maneira que se comportava em uma sala de aula. Mas não era o mesmo. Sentia-se muito mais natural.

 

― Eu pensei que você não pegasse estudantes.

 

Os dedos de Arslan se apertaram no cabelo de Ryland. Com unhas que, de repente sentiu tempo suficiente para se lembrar de garras raspando contra seu couro cabeludo. O professor rosnou para alguém fora do campo de visão de Ryland.

 

O enfurecido ruído irritado não foi dirigido a ele, mas Ryland ainda sentiu o coração hesitar antes de tomar sua próxima batida.

O rosnado do leão se transformou em palavras sem qualquer linha clara a ser traçada entre os dois.

 

― Você tem algo a dizer, Blaine?

 

Professor Joseph Arslan vasculhou melancolicamente ao redor dos que permaneceram fora do círculo brilhante a luz de fogo. Quando ele encontrou os olhos do jovem leão, Blaine deu um passo para trás e baixou os olhos.

 

Arslan assistiu a mudança de postura do leão enquanto percebia que talvez tivesse calculado mal a situação.

Arslan não estava inclinado a ser simpático. Foi assim no tempo passado, o jovem leão aprendeu a mostrar o devido respeito ao líder de seu Orgulho. Blaine tinha idade suficiente para saber o que dizer quando ele estava autorizado a jogar jogos bobos e quando o momento quando era demasiado sério para essa loucura ser tolerada.

Se os leões mais jovens não conseguiam olhar para o homem no meio deles e dizer que este ser humano era diferente de todos aqueles que vieram antes, já era tempo dos filhotes serem lembrados de seus respectivos lugares no Orgulho.

 

Blaine manteve os olhos para baixo. Satisfeito no momento, Arslan olhou para cada um dos outros leões que se escondia em torno das bordas da sala, ousando cada um deles a falar.

 

Ninguém disse uma palavra. Ninguém sustentou seu olhar por mais de um segundo antes deles olharem para baixo também. Arslan voltou sua atenção para Ryland. O jovem rapidamente baixou os olhos também.

 

Foi uma reação muito mais instintiva do que a maioria dos outros leões demonstrou. Ele gritava com uma inclinação natural para a submissão, em vez de algo como a compreensão do que significava ser parte de um Orgulho.

 

Arslan suavizou seu aperto no cabelo de Ryland e acariciou seus dedos através dos amarrotados fios. Colocar medo de Arslan em outros leões era uma coisa. Não havia razão para ele assustar seu novo animalzinho de estimação.

 

Abaixando a cabeça, Arslan roçou os lábios na têmpora de Ryland. Mesmo esse pequeno indício de um beijo pareceu aliviar sua ansiedade. Sua respiração se tornou mais estável. Seu pulso deixou de correr rapidamente. Parte do jovem pareceu perceber que o líder do bando estava satisfeito com ele, que ele estava seguro.

 

Sua melhor compreensão da situação não limpou tudo o que existia nos momentos anteriores. Arslan ainda podia cheirar o desejo do jovem. Que não havia mudado.

Meio passo os uniu. Ryland ainda estava duro. Ele soltou pequeno miado de prazer inesperado quando a ponta de seu pau roçou o osso do quadril de Arslan, soando para todos no mundo como um filhote ansioso.

 

Ainda assim, no entanto ele estava entusiasmado sobre sentir seus corpos se esfregando, ele não tentou alcançar e puxar Arslan mais perto. Ele pareceu gostar ter dado o controle de tais decisões a outra pessoa.

 

Arslan sorriu levemente. Ele tinha razão ao ver o potencial dele. E ele teve razão ao esperar e ver o jovem sentado na fileira de trás de sua sala de aula, ele teve razão ao deixar Ryland espionar uma matéria que não estava nem mesmo estudando. Paciência tinha suas recompensas. Ryland abalou para frente ligeiramente, inclinando-se ao contato de seu mestre.

― Você sabe o que significa pertencer ao Orgulho, animalzinho de estimação?

Ryland balançou a cabeça.

 

― Se você não quiser saber o que significa, diga a sua palavra.

 

Ryland piscou para ele. Seus olhos estavam semicerrados, obscurecidos com uma profundidade de prazer que parecia estranho a ele. Mesmo quando estava ali, ele parecia reunir as arestas do instinto humano esfarrapado e moldá-lo em algo que poderia um dia se assemelhar a um leão e sua capacidade de agir como sua natureza.

 

Arslan viu sua resposta refletida em um par de hipnotizantes olhos muito azuis antes que o homem conseguisse moldar uma única sílaba. Ele ainda esperou as palavras.

 

― Por favor, senhor? ― Ryland finalmente sussurrou.

 

E tão facilmente quanto isso, os jogos bobos e humanos tinham acabado. Ryland era dele.

 

Arslan puxou os fios loiros de cabelo curto, de novo fazendo Ryland inclinar a cabeça. Suas bocas se chocaram. Arslan passou a língua sobre a costura entre os lábios de Ryland. Eles imediatamente se separaram, para recebê-lo. O jovem gemeu no beijo. As mãos que ele tinha mantido atrás das costas por tanto tempo, finalmente romperam seus laços invisíveis. Ele agarrou os ombros Arslan, puxando-se na ponta dos pés, enquanto tentava igualar suas alturas.

 

Seu novo animalzinho de estimação estava aparentemente muito acostumado a lidar com jovens da sua idade. Ele não parecia saber o que fazer com um homem totalmente crescido, e muito menos um leão. Arslan envolveu seus braços ao redor do homem, puxando-o mais perto. Garras arrastaram-se para fora enquanto ele corria as mãos nas costas de Ryland, arranhando a pele e deixando sua marca para mostrar a qualquer outro leão, que pudesse avistar seu novo animalzinho de estimação, que Ryland já havia sido reivindicado.

 

À medida que traçava seu caminho para baixo na pele do jovem, as mãos de Arslan se estendiam para sua extensão total, garantindo que qualquer homem que visse os arranhões também soubesse exatamente quão grande era o leão que marcou ele.

 

Ryland tremia contra ele, enquanto os arranhões suaves pareciam desencadear uma cascata de adrenalina sob sua pele. Ele se apertou contra Arslan, esfregando seus pênis juntos enquanto ele uma vez mais tentava subir ao corpo de seu amante e estar a mesma altura, para fazer seus corpos se encaixarem juntos do jeito que ele queria que eles estivessem.

 

Arslan quebrou o beijo e girou Ryland. Sem um par de mãos atadas no caminho, ele foi capaz de alinhar-se contra as costas do jovem corretamente. Ryland instantaneamente murmurou sua aprovação. Empurrando suas nádegas de volta contra ele em incentivo, o homem abaixou a cabeça para trás se apoiando no ombro de Arslan.

 

Seus olhos estavam fechados, como se fosse para melhor saborear cada sensação que seu mestre lhe oferecia. Arslan passou a língua sobre o pescoço do jovem. Seu novo bichinho podia não ser capaz de ver os outros leões observá-los, mas Arslan sabia de quão perto eles estavam sendo observados.

 

Quando Arslan olhou para cima, ele encontrou com Blaine e Luther olhando para ele, assim como ele esperava. Seus próprios desejos por Ryland eram óbvios. Arslan encontrou seus olhos, cada homem, por sua vez.

 

Hoje à noite, a dupla teria de se contentar um com o outro. Mesmo quando ele viu a decepção do entendimento, ele notou Luther chegar com a ponta dos dedos para baixo na coluna de Blaine.

 

O Instinto exigia que ele lidasse com seu Orgulho, assim como com seu novo animalzinho de estimação, Arslan encontrou outro conjunto de olhos atentos, depois outro. Curvando a cabeça sobre a garganta de Ryland, ele colocou uma mordida suave no pescoço.

 

Ryland não poderia ter verdadeiramente compreendido o significado disso, mas ele parecia adorar o toque, independentemente dos dentes. Sua mão subiu para enterrar-se no cabelo de Arslan, tentando o puxar de volta ao seu pescoço, aparentemente desesperado para sentir o raspar dos caninos em sua pele novamente. Arslan deixou o som de seu prazer vibrar contra a garganta de Ryland em seu lugar. O jovem foi rápido em choramingar seu gozo desse modo também.

 

Colocando a mão no ombro do outro homem, Arslan pressionou suavemente para baixo. Com olhos ainda fechados, Ryland franziu a testa, como se ele não entendesse. Sua expressão limpou quando ele pareceu perceber o que seu mestre queria que ele fizesse e por quê. Ele caiu de joelhos no tapete em frente da lareira, sem qualquer outra hesitação. Esticando-se, ele se posicionou com suas mãos no chão em frente a ele.

 

Arslan se abaixou de joelhos por trás do homem, e estendeu a mão e lhe acariciou em sua espinha. Ryland arqueou em seu toque como um filhote entusiasmado. Ele moveu seus joelhos mais afastados no tapete sem a necessidade de ser solicitado, oferecendo-se ao seu amante por puro instinto.

 

Nenhum leão em seu perfeito juízo poderia resistir a um convite tão bonito. Arslan pegou o tubo de lubrificante do lado da lareira e cobriu seus dedos. Isto estava quente como um incêndio, e Ryland murmurou seu apreço quando seu novo mestre circulou seu ânus com as pontas dos dedos.

 

― Você gosta disso, animalzinho de estimação? ― Arslan sussurrou-lhe, sua voz áspera com seu próprio desejo, mesmo que ele lutasse para falar baixinho com o jovem. Precisava de cada pedacinho de seu lado humano lembrando o leão dentro de si, que as palavras eram importantes quando se lidava com aqueles que não tinham sido levados a entender seus instintos, seguindo sua intuição como um leão.

 

Se ele deixasse Ryland ficar muito perdido em seus instintos recém-descobertos, ele estaria com medo quando olhasse para trás sobre o tempo juntos deles e tentaria entender o que tinha acontecido. O que não era aceitável.

Leões consideravam seus humanos como animais de estimação, eles não os deixavam com medo.

Vários segundos se passaram antes que Ryland parecesse capaz de processar a pergunta de seu mestre. Ele acenou com a cabeça rapidamente. Ao mesmo tempo, ele empurrava de volta contra os dedos de Arslan, impacientemente tentando encontrar seu caminho para os dedos. Arslan deslizou um dedo dentro dele, rápido para recompensá-lo por fornecer ao seu mestre tal resposta honesta. A respiração do jovem prendeu em sua garganta, mas ele não parou de tentar empurrar para trás em torno do dedo.

 

Ele poderia não ter tomado um leão antes, mas ele obviamente tinha algum grau de experiência com homens humanos. Arslan forçou de lado uma onda de ciúme e trabalhou outro dedo junto com o primeiro. Ryland se sacudiu e gemeu de prazer quando Arslan esfregou as pontas dos dedos contra a sua próstata. Então, enquanto Arslan observava, seu bichinho pareceu reunir todo seu autocontrole. Ele soltou, dando cada decisão, cada movimento para seu mestre. Arslan olhou para ele, hipnotizado pela beleza pura da submissão do outro homem. Nenhum leão que o visse poderia deixar de perceber exatamente a quem Ryland, deixou-se pertencer.

 

Entortando os dedos, Arslan arrancou um barulho como um pequeno ronronar de seu amante. Ryland manteve-se muito firme enquanto os dedos continuaram a trabalhar dentro dele. Arslan acariciou com a outra mão as costas, acalmando-o, elogiando-o por desenterrar instintos dos humanos que sempre lhe pareceram estar enterrados muito profundamente.

 

Ryland pareceu gostar desse tipo suave de carícia. Murmurou seu prazer, mas ficou muito quieto, como se com medo de que mesmo o mais ínfimo movimento pudesse quebrar algum tipo de feitiço em torno deles. Arslan enfiou os dedos ainda mais dentro dele, encorajando-o a relaxar, até que seus pequenos ruídos de prazer formaram um fluxo constante para deleite sonoro.

 

A cabeça de Ryland caiu para a frente. ― Por favor ― ele sussurrou. ― Por favor. ― Era a única palavra que ele parecia ser capaz de se lembrar. Em seguida, ele encontrou outra. ― Por favor, senhor.

As palavras formaram um apelo que não podia ser recusado. Levando os dedos a distância, Arslan rapidamente envolveu seu eixo com lubrificação extra. Quando ele olhou para cima, Ryland estava olhando por cima do ombro, queimando ao seu olhar.

 

Todos os pensamentos, palavras e tradições humanas desbotaram da mente do leão. Tudo o que podia fazer era deixar o leão dentro de ele falar. O olhar nos olhos de Ryland, cada linha de seu corpo, seu perfume, tudo sobre o jovem gritava sua submissão e sua necessidade de seu mestre.

 

Ele colocou a ponta do seu pênis na entrada de Ryland. Quando ele empurrou para a frente, muito lentamente preenchendo dentro do jovem, Ryland engasgou. Arslan correu uma palma pelas costas de seu amante mais uma vez, antes de afagar em torno do jovem para embrulhar a mão em torno do pênis de seu amante.

 

Apertando suavemente o eixo rígido em sua mão, ele esfregou seu polegar para trás e para frente sobre a ponta. Ryland apertou em torno do eixo de seu mestre. Sua cabeça caiu para frente como se o combinado de sensações fosse demais para ele. Arslan continuou a empurrar para frente enquanto o prazer tomava Ryland pelo toque de seu mestre lentamente relaxando ele. Finalmente, ele estava enterrado profundamente dentro dele ao máximo.

 

Por um longo tempo, a única coisa que se moveu foi a mão de Arslan por baixo do corpo de Ryland enquanto ele continuava a acariciar seu pau, de forma lenta e simples. Ele tomou seu animalzinho de estimação pelo quadril e o segurou firme parado, enquanto esperava para o corpo de Ryland não estar apenas relaxado em torno dele, mas dando realmente boas-vindas a sensação de um eixo rígido esticando-o, preenchendo-o completamente.

 

Outro minuto se passou. Ryland começou a mover-se ao alcance de seu mestre, não só empurrando para a frente na mão Arslan, como também se empurrando de volta contra seu pênis, em silêncio implorando a seu amante que se movesse.

 

Arslan parou de atormenta-lo. Ele tirou os dedos de onde eles tocavam. Firmando seu amante com uma mão de cada lado do corpo de Ryland, ele começou a balançar os quadris para trás, pronto para empurrar de volta para frente. No início, o movimento foi pequeno, uma prova de que o seu novo animalzinho era capaz de toma-lo.

O jovem ofegava. Sua cabeça estava inclinada para baixo com sua testa quase tocando o tapete, mas não aparentando apenas uma expressão de submissão quando ele parecia estar completamente dominado pelo próprio prazer.

Arslan puxou mais para trás, até que quase todo seu eixo foi liberado do calor apertado.

Ryland prendeu a respiração, quando achou que seu mestre poderia deixá-lo inteiramente. No último momento, ele empurrou de volta contra ele. E Ryland suspirou em alívio.

 

Novamente, e novamente, em um impulso lento e controlado, e depois outro, até que as respirações de Ryland tomaram o mesmo ritmo dos movimentos de seu mestre, e Arslan estava quase certo de que ele iria hiperventilar antes que pudesse alcançar o prazer do acasalamento. Inclinado para frente, deixou o jovem sentir o peito de seu mestre pressionando contra suas costas enquanto lhe oferecia outro, seguro ritmo para seguir.

 

― É isso mesmo animalzinho. Siga o seu mestre.

 

Ele não tinha certeza se Ryland conscientemente entendia suas palavras, mas seus instintos fluorescentes pareciam saber o que estava sendo oferecido a ele. As respirações do jovem se igualaram a suas.

 

Arslan passou a língua sobre o ombro do homem sentindo Ryland arquear as costas, procurando mais contato, mais de tudo.

 

As lentas estocadas medidas só poderiam durar um pouco mais de tempo. Arslan não tinha certeza de qual deles era mais inexperiente, o homem que nunca havia sido tocado por um leão, ou o próprio leão. Suas respostas a Ryland estavam muito além de seu controle, era impossível acreditar que tudo o que ele tinha feito com outro humano tinha de alguma forma o preparado para este homem em particular.

 

Ele alcançou sob o corpo de Ryland e tomou-o na mão uma vez mais. Algumas pancadas rápidas e o jovem tremia debaixo dele. Arslan teve que tomar posse de todo seu controle, para se montar as ondas prazer do outro homem enquanto Ryland apertava em torno dele e gritava seu prazer para a sala. Quando ele se acalmou, os músculos de Ryland pareciam espremê-lo. Ele caiu para frente no tapete. Arslan foi com ele, mantendo seus corpos unidos firmemente juntos. O jovem descansou sua testa contra um de seus antebraços enquanto ele lutava para recuperar o fôlego. Seu rosto estava virado para o lado. Pela primeira vez desde que ele olhou por cima do ombro, Arslan viu a sua expressão.

 

Tanta paz, tanta perfeição. Arslan congelou ainda enterrado dentro do jovem corpo.

 

― Não pare, senhor ― Ryland sussurrou. ― Por favor, não pare...

 

Arslan balançou os quadris, muito lentamente.

Suportando a maior parte de seu peso, ele deixou apenas o suficiente de seu peso descansar sobre Ryland para assegurar ao jovem que fosse capaz de sentir cada movimento e não apenas sentir o eixo de seu mestre em seu interior, mas a pele se movendo contra pele e o calor do corpo de seu mestre cobrindo seu também.

 

Ryland continuou a murmurar em prazer, mas eram lentos sons sonolentos agora, como se sua ligação com seu mestre fosse um êxtase silencioso, em vez das ondas de êxtase que gritavam enquanto ele vinha.

 

Arslan não queria parar, mas indo tão lento e cuidadoso como todos os seus movimentos eram, cada um o empurrava mais perto da borda. Mesmo um leão não podia durar para sempre.

 

Ele empurrou mais profundamente dentro do outro homem e mal segurou um rugido quando seu orgasmo rasgou através dele e ele se derramava dentro do corpo de Ryland. O jovem ofegava. Seus olhos se abriram antes de caírem novamente fechados quando o professor descansou seu peso sobre ele.

 

Arslan deixou mais um pouco de seu peso descansar contra o corpo jovem, enquanto ele oferecia uma lambida em seu ombro. Ele se forçou a afastar o suficiente para separar seus corpos, mas não podia convencer-se a mover mais do que isso do lado de seu amante. Eles permaneceram em contato, permitindo-lhe sentir cada respiração que Ryland tomava com eles ali, sentindo cada pequena mudança em seu humor, enquanto seu corpo cobria quase todo o homem.

 

― Quietinho ― Arslan sussurrou-lhe. ― É isso mesmo, descanse agora.

 

Ele não podia se lembrar de sentir-se tão protetor com qualquer humano que tinha vindo a eles, ou com quem quer que seja, nem mesmo os leões em seu próprio Orgulho. Ele colocou uma lambida mais suave no pescoço de Ryland. Seu animalzinho de estimação humano fez um barulho saciado no sono e enrolou-se um pouco de um lado, arqueando as costas convidando Arslan para aconchegar-se atrás mais confortavelmente.

 

O leão sorriu contra a pele de seu amante. Ele teve razão em manter um olho em Ryland. Ele acariciou com a mão sobre o corpo do jovem. Mesmo deitado em frente do fogo, ele sentia o corpo humano ligeiramente frio. Arslan moldou seus corpos mais juntos, buscando automaticamente manter seu bichinho quente e seguro.

 

Uma explosão repentina do outro lado da sala fez Ryland tremer e se ofegar. Arslan rolou sobre ele e deixou a palma da mão sobre o tapete do outro lado de seu amante protegendo-o com seu corpo enquanto se virava e rosnava para o distúrbio.

 

Ryland ficou bem parado enquanto o corpo maior de Arslan cobria o dele, segurando-o contra o tapete diante da lareira. Quando pareceu que algum controle sobre seus músculos havia voltado, ele fechou os olhos. Segundos se passaram. Mesmo depois que ele reabriu os olhos, Ryland manteve seu olhar em um pequeno pedaço de tapete a alguns centímetros na frente de seu rosto. Ele não tinha vontade de olhar para cima e enfrentar o mundo.

 

Talvez em algum lugar no fundo de sua mente, ele estivesse ciente de que eles não estavam tão sozinhos como ele e Arslan tendiam a estar em suas fantasias. Exceto, é claro, por aquele devaneio onde o professor o chamou até a frente da sala de aula e...

 

Ryland fechou os olhos novamente. Haviam diferenças importantes entre a fantasia e a realidade. Ele não estava na universidade. Ele estava na cova dos leões. Não eram seus colegas a observá-lo, era um Orgulho inteiro de leões. E ele não estava sendo chamado a prestar contas por deixar sua mente vagar durante uma palestra, ele estava se prostituindo para que pudesse terminar sua graduação.

 

Não era justo.

Sua mente corria em uma dúzia de diferentes direções, mas não havia um pensamento que se destacasse dos demais clara e puramente.

Não era justo.

Tudo o que ele queria fazer era esticar-se na frente do fogo e se afogar em seu amante.

Não era justo que a realidade se intrometesse em um desejo, simples e honesto.

Não era justo que ele tivesse que encarar o fato de que o professor Arslan não era só o leão com quem ele concordou em jogar naquela noite.

 

Sem conseguir fechar os olhos mais apertados, Ryland mordeu o lábio inferior para deter a súbita e avassaladora necessidade de gritar com a injustiça de tudo isso.

 

― Tudo bem ― Arslan disse. Ele parecia chateado com o retorno da realidade também.

 

Enquanto Ryland considerava essa linha de pensamento com muito cuidado, sua mordida no lábio tirou sangue. Ele não tinha nenhuma razão real para assumir que Arslan acreditava que ele estava entregando-se a algo mais significativo do que uma transa rápida na frente do fogo, um pouco de diversão com um ser humano disposto ao sacrifício. Ele não tinha prova de que Arslan tinha sentido algo além do que a realidade quando se deitaram juntos.

 

Ryland baixou a cabeça para frente para descansar a testa contra o tapete mais uma vez. Quando o professor afastou-se dele, Ryland ficou onde estava, resignando-se a olhar para o tapete e esperar tudo que fosse acontecer a seguir. Não era como se ele pudesse voltar atrás agora. Era tarde demais para isso.

 

Mesmo ele não se mexendo, o mundo inteiro ainda se movia em torno dele. A agradável dor em seus músculos parara de ser uma sensação agradável. Sentir-se muito mais como uma fraqueza que ele não poderia aguentar.

 

O peso reconfortante de Arslan descansando contra ele rapidamente se tornou pouco mais que uma memória distante. A cada segundo que se passava, o calor do corpo de Arslan era um pouco mais desbotado de sua pele.

 

O calor do fogo não poderia competir com o de um leão pressionado intimamente contra ele. Um calafrio passou na espinha de Ryland. Seja qual fosse a magia que o deixara perder-se no puro aconchego de estar com Arslan tinha realmente ido embora. Sentia a cabeça oca, como se tivesse perdido algo que tinha estado à beira de seu alcance por pouco.

Uma mão tocou seu ombro. Um puxão suave exigiu que ele subisse do chão. Ryland virou-se e sentou-se, esperando que o outro homem não fosse mandá-lo ficar em pé. Ele não tinha certeza se poderia, caso tentasse. Levantando a mão, empurrou-a pelos cabelos e tentou fazer o seu cérebro trabalhar através de um nevoeiro de confusão. Aparentemente ascender em um mundo de fantasia não era tão ruim com imaginava ser. A realidade é uma verdadeira puta droga quando se voltava contra você.

 

Arslan agachou-se na frente dele. Enfiou uma mão debaixo de seu queixo e persuadiu-o a olhar para cima. Ryland adiou o momento por tanto tempo quanto podia, mas mesmo nu sobre um tapete de lareira, Arslan impunha uma presença em que era impossível considerar desobedecer.

 

Ryland encontrou os olhos do leão enquanto a outra mão de Arslan estava agarrando em seus cabelos, mantendo sua cabeça parada enquanto ele se inclinava para trás para olhar o leão.

 

Uma pergunta cintilou no olhar do homem mais velho. Ryland tentava desesperadamente descobrir o que era. Seus pensamentos dispersaram com um ruído inesperado na parte de trás da sala que o fez saltar.

 

― Eles não podem machucá-lo ― prometeu Arslan, sem olhar para longe dele sequer por um momento. ― Eles são apenas tolos filhotes-inofensivos. ― Uma pequena reclamação de descontentamento veio de um lado da sala quando alguém ouviu do que tinha sido rotulado.

 

― Alguma coisa a dizer, Luther? ― Arslan exigiu, ainda não quebrando o contato visual com Ryland. ― Fale.

 

Ryland quase esperava que ele dissesse que havia pessoas na parte de trás da sala de aula que gostariam de ouvir o que ele tinha a dizer sobre o tema. Ele tinha ouvido essas palavras e o tom de voz tantas vezes, que ele poderia facilmente imaginar que ele estava de volta na segurança de uma das palestras do professor.

 

― Não. ― Parecia que o jovem leão estava fazendo beicinho, mas Arslan aparentava já ter esquecido da existência do outro leão em sua mente. Ele continuou a lhe estudar até que sentiu Ryland corar sob seu escrutínio.

 

― Se você não vai deixar-nos ter alguma diversão com ele, podemos, pelo menos, comer? ― Alguém perguntou.

 

― Tudo bem ― disse Arslan aos outros leões com algo que parecia suspeito como um longo sofrido suspiro. ― Traga a comida.

 

As sombras nos cantos da sala se transformaram em leões, mais de uma dúzia deles.

Enquanto ele permaneceu no tapete com o professor, os outros homens... ou melhor os leões que compunham o Orgulho... moveram-se em torno deles. Portas abriram e fecharam. Um punhado de conversas diferentes começou a subir acima de suas cabeças. O cheiro de comida os percorreu.

 

Quando Arslan levantou-se, casualmente, ele acariciou os dedos pelos cabelos de Ryland. Ryland se encontrou inclinando-se para tocar o outro homem. O professor sorriu quando notou. Esticando-se em sua altura máxima, ele pegou a mão Ryland para ajudá-lo a se por de pé também.

 

O homem mais velho era todo músculo. Ryland tinha tido quase certeza disso quando ele o olhou na sala de aula em um terno. Agora que ele tinha visto sem o terno, agora que ele havia sentido o corpo pressionado intimamente contra o dele, não havia espaço para dúvidas.

 

Arslan o puxou facilmente para seus pés e o fechou dentro do círculo de seus braços, ao mesmo tempo. A mão do leão descansou na parte baixa das suas costas, fortes e determinadas sobre tudo, como se ele não tivesse a intenção de jamais deixar Ryland dar um passo para longe dele novamente. De repente, Ryland se sentiu mais seguro do que ele poderia imaginar ser possível.

 

Franzindo ligeiramente a testa, ele tentou agarrar-se a um pensamento que flutuava na borda de sua consciência. Assim que chegou a ele e tentou estudá-lo, ele escapou de suas mãos. Era quase como se não fosse um verdadeiro pensamento realmente. Talvez algo que fosse mais como um sentimento, um instinto que se remetia há um tempo antes do pensamento realmente existir. Uma palma áspera deslizou sobre a coluna de Ryland, chamando sua atenção para coisas mais importantes. Finas linhas de pele sensibilizada percorriam suas costas. Ryland tentou olhar por cima do ombro, mas Arslan sacudiu a cabeça, impedindo-o.

 

― Alguns arranhões. Eles não vão fazer nenhum mal.

 

Ryland acenou com a cabeça, como se fizesse todo o sentido que o professor tivesse deixado esse tipo de marca em seu corpo. E isso fazia sentido para uma parte dele. De uma maneira que não podia explicar até mesmo para si mesmo, ele sentia-se... bem.

 

Quando Arslan conduziu-o para a comida, o homem mais velho manteve a mão apoiada casualmente sobre a parte baixa das costas de Ryland, quase como se fosse uma marca de propriedade sobre ele.

 

Ryland olhou para o homem mais alto, uma vez que ocorreu a ele que Arslan realmente não era o tipo de homem que deixaria arranhões em seu amante por acidente. Ele era muito controlado para isso, também muito cuidadoso. Se haviam arranhões lá, era porque Arslan tomou uma decisão e colocou-os lá de propósito.

Um ligeiro aquecimento cobriu a pele de Ryland quando ele baixou o olhar. Talvez não fosse tão estranho que algo dentro dele gostasse da ideia dessas marcas depois de tudo. Enquanto caminhavam para o meio do grupo de leões, Ryland encontrou-se ficando perto o suficiente de seu amante de modo que seria fácil para Arslan manter a mão apoiada contra a sua pele.

 

Quando olhou para os pratos de vários alimentos, ele viu que os outros leões estavam esperando Arslan fazer o primeiro movimento. Esperando ele pegar algo de uma das bandejas de modo a atuar como silenciosa permissão para que todos os outros fizessem o mesmo. Arslan estava, obviamente, liderando de alguma forma ou de outra, e não apenas porque ele era o tipo de pessoa que assumia o comando, mas porque ele conquistou algum tipo de classificação oficial no grupo.

 

Quando Arslan o deixou sozinho a mesa, Ryland ficou parado, sem disposição a reclamar algo para si até que ele tivesse uma melhor compreensão da situação. Observando os outros leões com muito cuidado, ele fez o possível para descobrir se havia algum tipo de ordem de precedência, de quem era o próximo na cadeia de comando leões. Se os sinais estavam lá, ele não foi capaz de identificá-los.

 

Apenas um dos outros leões se destacou no grupo. Ele era menor que o resto, e seu cabelo mais curto e mais justo em relação às jubas que caiam em torno dos ombros dos outros leões. Ele pegou Ryland pelos olhos e acenou para as bandejas de comida, silenciosamente encorajando-o a tomar o que ele queria, mas mesmo assim não chegando tão longe a falar com Ryland. Ninguém disse uma palavra a ele. Ryland não tinha certeza se era algo pessoal ou se era apenas um costume entre os leões de não falar com os humanos a menos que eles estivessem tendo relações sexuais com eles ao mesmo tempo. O pensamento fez Ryland olhar por cima do ombro.

 

Arslan tinha levado seu prato até a lareira. Ele descansava em um dos grandes sofás de couro, completamente nu e completamente inconsciente sobre isso, assim como todos os outros leões na sala. Ele olhou para Ryland e encontrou seu olhar.

 

Um ligeiro movimento da cabeça do homem mais velho chamou Ryland para se juntar a ele. O assento ao lado dele estava vago, mas de alguma forma Ryland encontrou-se se ajoelhando até se sentar no tapete em seus pés em lugar. Arslan olhou para ele um pouco curioso, mas ele não o mandou embora.

 

Ele nunca tinha imaginado Ryland como o tipo de homem que permitia a alguém fazer algo que o desagradasse porque seria mais fácil deixar as coisas ficarem como estavam. Se o lado leão de sua personalidade era qualquer coisa como a parte psique do professor, ele estava aparentemente feliz por ter estado lá, talvez ele estivesse mesmo um pouco satisfeito com sua escolha.

 

Ryland relaxou ligeiramente. Ele relaxou ainda mais quando se tornou claro que os outros leões resignaram-se a manter distância. Cada um deles escolheu sentar-se no lado oposto do fogo.

 

Equilibrando o prato sobre os joelhos, Ryland comeu um pouco da carne que ele tinha tomado de uma das travessas e tentou seguir o que se passava ao seu redor. Tanto quanto ele podia dizer, ele estava agora no meio de algum tipo de reunião social para os leões. A atenção de Arslan era movida de um leão para outro. O olhar de Ryland seguiu suas perguntas, estabelecendo-se primeiro em dois leões que estavam sentados perto juntos em um emaranhado de pernas no sofá em frente a eles.

 

Luther e Blaine, os leões com que Arslan havia falado anteriormente, quando estavam... Ryland sentiu calor em suas bochechas com a memória de exatamente o que os leões tinham visto ele e Arslan fazer juntos.

Quando ele olhou para cima, percebeu que não era o único a fazer observações. Vários dos outros leões estavam estudando-o de volta. Ele não tinha certeza se eles estavam lembrando-se de seu tempo no tapete em frente ao fogo com Arslan, ou não. Por tudo o que sabia, a festa toda era apenas algum tipo de pequena orgia e eles estavam realmente pensando no que viriam a fazer com ele depois que estivessem satisfeitos com um tipo diferente de fome.

 

Quaisquer que fossem suas razões para estudá-lo, Ryland encontrou-se sentando um pouco reto, e enquadrando os ombros para trás, tentando fazer o melhor de si mesmo. Ele não tinha certeza do que ele queria que pensassem dele, mas ele estava muito certo de que ele não queria que Arslan se envergonhasse dele.

 

Ele olhou para cima e viu Arslan observá-lo. O homem mais velho acenou com a cabeça uma vez, como se estivesse em aprovação, antes de guiar Ryland para sentar-se ainda mais perto de seus pés e descansar a cabeça contra a sua coxa.

 

Quando Ryland tinha se estabelecido em uma posição que parecia agradá-lo, Arslan voltou para sua conversa com os outros leões, mas sua mão ficou enterrada no cabelo de Ryland. Enquanto ele falava, acariciou com seus dedos sua nuca com ternura casual. Ryland sentiu os olhos à deriva se fechando enquanto o ritmo suave acalmava e encorajava-o a apenas relaxar e deixar seu amante tomar conta de tudo por um tempo. Por mais tentador que a proposta fosse, Ryland forçou seus olhos a permanecer abertos.

 

O último homem a quem o professor voltou sua atenção foi o leão que era o menor, o mais jovem, o que acenou para ele na mesa de alimentos. ― E o que você tem a dizer, Kefir?

 

Kefir olhou para Arslan primeiro, mas logo caiu a sua atenção para Ryland. Seus olhos se encontraram.

O leão mais jovem sorriu levemente, antes de desviar o olhar novamente.

 

― Ele está indo bem ― disse ele bem baixinho. Sua voz tinha mais que um ronronar do que um rugido para ele.

 

A mão de Ryland coçava com o desejo de alcançar e acariciá-lo assim como se fosse um gatinho.

Olhando para trás, até o professor, Ryland teve tempo apenas de ver Arslan acenar sua aprovação ao jovem leão. O que quer que esteja indo bem, era obviamente algo que todos os presentes sabiam, algo que não tinha dúvidas fora discutido em outras noites, quando o Orgulho se encontrava, talvez enquanto outros sacrifícios humanos ficavam sentados aos pés de Arslan.

 

Engolindo uma corrida repentina de incerteza, Ryland olhou para o prato vazio descansando em seu colo.

Os dedos de Arslan puxaram delicadamente seu cabelo, levando-o a olhar para cima. Ryland ofereceu ao homem mais velho um pequeno sorriso, mas o professor não parecia convencido. Ele parecia sentir que algo estava errado, mas não estava inclinado a pressionar a questão em frente dos outros membros de seu Orgulho.

 

Ryland voltou sua atenção para os outros leões. Sentados tão perto uns dos outros como eles estavam de Arslan. Membros nus atravessados uns dos outros esparramados juntos. Blaine e Luther eram, obviamente, amantes, mas ele não conseguiu um senso de quaisquer um dos outros leões. Eles só pareciam muito amigáveis e confortáveis, sem desentendimento pelo espaço pessoal.

 

Como um montão de filhotes caindo de sono, ou talvez como uma ninhada de gatinhos recém-nascidos. Eles eram grandes gatos afinal... os lábios de Ryland se contraíram enquanto ele imaginava suas reações à comparação. Blaine e Luther provavelmente estariam particularmente furiosos com o rótulo. Eles certamente não tinham gostado quando Arslan mordeu-os no calcanhar. Eles eram pura arrogância e fanfarronice, ou pelo menos pareciam ser dessa forma, sempre que eles não estavam casualmente acariciando um ao outro ou batendo suas cabeças contra os outros corpos.

 

Enquanto Ryland observava, Blaine esfregou o topo de sua cabeça contra o ombro de seu amante. Luther respondeu lambendo a testa do outro homem e se contorcendo em seu caminho para baixo no sofá para roubar um beijo.

 

Ryland olhou para Arslan. O professor estava estudando-o com muito cuidado. Seus olhos cintilaram para Blaine e Luther por um momento, como se estivesse traçando uma linha de visão para Ryland ver o que ele estava olhando. Cor cobriu às faces de Ryland com a compreensão de que ele tinha sido muito, muito espionado pelos outros leões.

 

O fato de que tinham o visto fazer muito mais não importava naquele momento. Maus modos eram ainda maus modos. Quando Arslan olhou para trás para ele, Ryland tentou pensar nas palavras certas para um pedido de desculpas, mas não houve tempo para isso.

 

Arslan já havia voltado sua atenção para os outros leões. A manifestação de Ryland era obviamente desnecessária naquele momento. Ele fechou os olhos e concentrou-se nos dedos de Arslan enquanto eles arrastaram-se pelos seus cabelos e uma e outra vez. Se ele tivesse que escolher entre o pânico e sentir-se silenciosamente completo, parecia haver pouco para se ter preocupações. Ele tinha feito sua escolha. Ele pertencia aos leões até de manhã.

 

Ele pertencia a Arslan até de manhã. O que era uma declaração ainda melhor. Arslan se certificaria que tudo ocorresse perfeito. Respirando fundo, Ryland soltou o ar muito lentamente e deslocou-se ainda mais perto de Arslan, querendo manter o máximo de contato possível com ele. O sexo, a comida, o calor do fogo, o conforto de que alguma forma aceitava o fato de que ele não tinha nenhuma decisão para tomar ao redor dele, além do carinho e a segurança.

Pela primeira vez desde que tinha 18 anos de idade e esteve em pé no meio da sala de estar dos pais e confessou seu pecado, aquele que ele sabia que sua família nunca iria perdoá-lo. Sentiu-se perfeitamente em paz, perfeitamente à vontade dentro de sua própria pele.

 

Sono silencioso espreitava nos cantos de sua mente. Ryland encontrou-se muito apático para empurrar o instinto longe de novo. Ele aproveitou para descansar até que algo mais fosse requerido dele.

 

― Que tipo de homem você acha que ele é?

 

As palavras deslizaram nas bordas da mente de Ryland, mas ele não conseguia livrar-se da sonolência o suficiente para se concentrar nelas adequadamente, até que ele sentiu Arslan tenso. Um pouco de sua paz o abandonou. Ele se concentrou na conversa.

 

― Tipo? ― O professor ecoou.

 

― Todo leão sabe que existem três tipos de humanos que querem jogar com leões ― Ryland identificou o orador como Blaine. ― Os viciados em adrenalina procurando uma emoção rápida. Ninfomaníacos que não se importam em quem os fode. E prostitutas que fazem de tudo por um preço.

 

Um rosnado baixo surgiu na parte de trás da garganta de Arslan e ecoou por todo seu corpo.

A atmosfera na sala mudou. Ryland sentiu uma mudança nos outros leões também. Cada um deles congelou no lugar, enquanto esperavam a reação do professor.

 

― Ele não é nada como quaisquer um dos outros humanos que jogaram para nós.

 

A posse na voz de Arslan, combinada com a certeza dele de que estava certo em sua avaliação, foi mais que suficiente para Ryland tomar um grande fôlego. Quando isso atingiu o centro de seu cérebro e colidiu com o fato de Arslan estava realmente errado em protegê-lo, e então, a ideia de respirar novamente era subitamente impossível.

 

Ele não poderia ter chegado lá à procura de uma emoção forte ou a oportunidade de transar com tantos homens quanto fosse possível, mas ele não teria pisado pela porta, se não tivesse perdido a bolsa de estudos e se encontrasse perdido sem opções.

Mesmo que ele não tivesse pensado no pagamento desde que botou os olhos em Arslan, ele ainda existia, e era óbvio que sua existência teria de ser explicada ao professor algum ponto.

 

Arslan se levantou da cadeira, arrancando todo o conforto que Ryland tinha encontrado sentado a seus pés, sem o menor aviso. Ele passou por Ryland sem uma palavra e ficou de pé alto e orgulhoso no centro da sala. Não sabendo o que fazer, Ryland continuou no chão na base da cadeira.

 

A Graduação, o dinheiro, o resto do mundo - enquanto Ryland assistia o professor, tudo isso se tornou irrelevante. De repente, apenas duas coisas eram importantes, trabalhar em como dizer a Arslan que ele tinha estado errado ao defendê-lo e acreditar que ele não iria se prostituir por algum preço certo, e encontrar uma maneira de convencer o professor a perdoá-lo por isso. Nada mais importava.

 

Centímetro por centímetro, Ryland arrastou seu olhar até o corpo do professor. Os olhos do homem mais velho cintilavam de um leão a outro. Ele parecia esperar que cada leão baixasse o olhar em resposta, antes de se mover para o leão seguinte. Quando ele olhou para Ryland, ele baixou os olhos também. ― Levante-se, Ryland .

 

Ele rapidamente tropeçou em seus pés e, ao mesmo tempo, ele não era um homem nu sentado em uma sala cheia de homens também nus. Ele não era apenas um estudante que foi pego saindo da linha quando o professor olhou para ele. Ele estava de volta ao humano que tinha concordado em ser jogado aos leões em troca dos honorários de suas aulas.

 

Ele não tinha certeza se seus joelhos iriam segurá-lo quando ele finalmente se ergueu à sua plena altura. Por algum milagre, eles fizeram.

 

― Venha aqui.

 

Ryland deu um passo adiante.

 

Arslan olhou para o seu novo animalzinho de estimação.

 

O nervosismo de Ryland tinha, aparentemente, voltado com força total. O leão não estava inteiramente surpreendido com o fato de que ser chamado a comparecer perante o Orgulho o tornasse cauteloso. Mesmo que ele tivesse instintos mais desenvolvidos, não seria justo com o jovem se esquecer de que esta era a sua primeira vez entre os leões.

 

Enquanto Arslan o observava, seu bichinho engoliu rapidamente, lutando para manter o controle de suas emoções. Se ele tivesse pegado as palavras de Blaine, não teria como a perceber que estava seguro com seu novo mestre. Não poderia tê-lo ajudado a acreditar que ser tomado sob a proteção de um leão era algo mais do que um insulto qualquer.

 

Estendendo a mão, Arslan acariciou com os dedos os cabelos do homem, encorajando Ryland a levantar o olhar e olhar nos olhos dele.

 

Um ruído flutuou por parte de Blaine e Luther no sofá como se um dos dois idiotas se inquietasse. O olhar de Ryland não vacilou. Seja qual fosse o interesse que ele tivesse nos apresentado outros leões durante a refeição, parecia ter sido drenado agora que ele tinha algo mais importante a se concentrar.

 

Arslan acenou com aprovação. Ele estava tentado a acreditar que seu amante já tinha o sentido de reconhecer os leões idiotas pelo que eram. Mesmo assim, ele não estava disposto a deixar até mesmo a menor dúvida sobre sua opinião dos homens humanos, nem as suas intenções com Ryland, em particular, perdurarem na mente de ninguém.

 

Ele tinha sido muito paciente por um tempo muito longo, enquanto Ryland sentava-se calmamente na fileira de trás de suas aulas, mas a ideia de que eles poderiam voltar para isso agora era risível.

 

― Foco agora, meu animalzinho, isso é importante. ― Ele teve um grande cuidado em manter as palavras carinhosas entre eles, apesar dos outros leões ouvirem. Ryland assentiu.

 

― Você vai responder a cada pergunta que eu lhe fizer, completa e honestamente.

 

O pomo de Adão de Ryland se moveu quando ele fez outra tentativa de engolir seus nervos.

 

Ele balançou a cabeça novamente. ― Sim, senhor.

 

Ele não tinha certeza do que isso significava, Arslan podia ver em seus olhos. A resposta foi um pouco mais que um salto de fé em sua direção. Se isso provava algo, era que ele confiava em seu novo mestre o suficiente para acreditar que ele não iria fazer-lhe uma pergunta injusta.

 

Arslan acenou com aprovação, contente por deixar os detalhes esperar para um momento mais privado, quando ele poderia explicar ao Orgulho o legítimo lugar de Ryland nele de forma adequada, sem qualquer interrupção de outros. Por agora, uma resposta dada ao público a uma oferta de simples era tudo o que era realmente necessário. Ele passou seus dedos através do cabelo do outro homem.

 

― Se você vir a nós de boa vontade e de sua livre vontade, sem qualquer pensamento egoísta e só desejar fazer parte do Orgulho, então você será bem-vindo.

 

As palavras escorregaram de sua língua como se tivessem sido praticadas por horas. Elas eram familiares, enquanto isso ele sabia que poderia fazer perguntas por tanto tempo quanto quisesse. Ao mesmo tempo, ele não poderia deixar de estar intensamente ciente de que este era tanto a primeira e a última vez que ele ia dizê-las, primeira e última vez que ele teria a necessidade de dizê-las.

 

― Se você quiser pertencer ao Orgulho, para tomar o seu lugar de direito no Orgulho, você é bem-vindo.

 

Ryland olhou para ele com as emoções demasiadamente girando em seus olhos para Arslan ter alguma ideia do que ele estava realmente pensando.

 

― Se você vir a nós sem mentiras ou segredos, você é bem-vindo.

 

Arslan podia sentir o olhar dos leões mais jovens se intensificarem contra sua pele, eles finalmente pareciam perceber que estava convidando o jovem a se juntar ao Orgulho, não apenas como um temporário animalzinho de estimação, mas como seu companheiro permanente. Respirando fundo, ele avançou pela última parte da oferta.

 

― Se você é o que acreditamos que você seja, diga que você deseja tomar o seu lugar de direito no Orgulho, e você será bem-vindo.

 

Os lábios de Ryland se moveram. Eles começaram a formar um sim. Arslan não tinha nenhuma dúvida sobre isso. Então, ele parou. Seus lábios fecharam. O olhar perdido voltou. Ele olhou para baixo.

 

Silêncio.

 

― Ryland? ― Arslan solicitou.

 

O peito do homem mais novo subia e descia enquanto ele respirava fundo e soltava muito lentamente. Ele fechou os olhos. Um movimento ao lado de Ryland chamou a atenção de Arslan. A mão direita do jovem havia formado um punho.

 

Qualquer indicação de que Ryland fosse mais capaz de confiar em seus instintos do que todos os outros humanos que Arslan já havia conhecido, desapareceu - se tivesse existido, para começo.

 

O leão prendeu a respiração, mas as palavras não vieram. A única resposta que recebeu foi um rápido agitar da cabeça.

 

― Ryland?

 

O jovem olhou para cima e finalmente encontrou seu olhar, dor enchendo seus profundos olhos azuis. ― Eu sinto muito, senhor.

 

Levou a coragem de um leão para dizer as palavras.

 

Arslan olhou para ele, tentando desesperadamente descobrir o que tinha dado errado. Ninguém poderia ter aceitado o toque de um leão mais facilmente ou mais naturalmente. Nenhum ser humano poderia ter mostrado melhores instintos ou um desejo tão forte a segui-lo. Nenhum homem jamais se sentiu tão bem contra a sua pele.

 

Uma carranca se formou na testa de Arslan, quando ele percebeu que era tudo que Ryland pretendia dizer. Ele soltou a mão do cabelo de Ryland e deu um passo para trás. Sua cabeça girava com muita confusão quando ele viu os olhos de Ryland.

 

Se ele não estava certo sobre qualquer outra coisa naquela noite, ele estava certo quando disse que Ryland era diferente de todos os outros humanos que haviam sido jogados para eles ao longo dos anos. Nenhum outro humano jamais poderia ter-lhe inspirado a fazer tal oferta impossivelmente maluca.

 

Raiva de sua própria estupidez queimou dentro de Arslan. Ele tinha idade suficiente para saber que não existiam tais coisas como humanos que eram tão bons em seguir seus instintos. Esqueceu-se disso, quando estava com o único humano que poderia realmente importar para ele, era imperdoável.

 

― Senhor, Eu...

 

― Nenhuma explicação é necessária ― Arslan cortou. Um momento de loucura não significa que ele necessitava dos detalhes de seu erro lhe fossem explicados como se ele fosse um filhote que não sabia de nada.

 

Os outros leões ainda estavam observando-os. Mesmo que ele tivesse se feito de idiota espetacularmente, ele ainda era o líder do Orgulho. Ele ainda era responsável pelo que acontecia a qualquer ser humano que fosse jogado a eles. A coisa mais importante, a única coisa agora, era conseguir que Ryland desse o fora dali, enquanto ele ainda mantinha o bastante de seu lado humano para lembrar-se que era a única coisa aceitável a fazer com ele.

 

― O carro estará esperando por você lá fora. ― Sua voz saiu calma e nivelada, como se o mundo não tivesse caído de repente ao seu redor.

 

Ryland permaneceu exatamente onde ele estava.

Não parecia uma recusa a obedecer mas uma incapacidade temporária de fazer qualquer coisa.

Não vendo outra opção, Arslan liderou o caminho, caminhando para fora da sala à frente dele.

Funcionou. Ryland voltou a realidade. Ele seguiu o professor para o corredor.

Então, ele parou no meio do quarto, seus braços em volta de si, em um esforço para manter-se aquecido no frio do espaço. Arslan pausou na porta da frente e voltou para ele.

 

― Senhor, se eu pudesse...

 

Arslan silenciou-o com um aceno de cabeça.

Ryland deu um passo adiante, em direção à porta, à ele, Arslan não tinha certeza de qual.

 

― Acredito que os humanos tenham algum arranjo em que eles o levam para onde você deixou suas roupas. ― Arslan realmente nunca tinha pensado nisso antes. Isso era entre os humanos.

Sua responsabilidade com os homens que vinham para eles acabava quando eles fossem devolvidos ao veículo.

Ele forçou-se a fingir esse mesmo padrão ainda aplicado a Ryland.

O jovem desviou o olhar para o carro. Ele não parecia entusiasmado em deixar a casa com quem estava dirigindo.

Se ele não queria estar no carro com o homem, ele não ia estar no carro com ele.

Arslan não precisou pensar sobre isso, todas as decisões que ele precisava fazer estavam feitas muito antes da parte pensante de seu cérebro ter sequer processado os fatos da questão.

 

As tradições em torno de ser jogado aos leões estavam todas bem e boas para outros homens, mas Arslan seria condenado antes que visse Ryland ser jogado de volta nas mãos de um ser humano que o fez sentir-se desconfortável.

 

Caminhando na escuridão, viu o olhar de tédio de o motorista trocar para um de horror quando Arslan abriu a porta do lado do motorista e olhou para ele.

 

― Sua presença não é mais necessária.

 

― Kershaw disse que era para eu ficar aqui e levar para casa o garoto quando vocês acabassem com ele.

 

― E eu estou dizendo para você sair. Kershaw não está aqui. Eu estou. Quem você deseja obedecer? ― Ele não fez nenhuma tentativa de segurar o rosnado fora de sua voz.

O homem se afastou, em um momento ele estava no meio do caminho para o banco do passageiro. ― Certo. Sem problema. Saindo agora.

 

Arslan ficou na garagem até que o carro sumiu na esquina no fim da estrada.

Quando ele voltou para a casa, Ryland estava esperando na porta. Arslan pegou seu pulso enquanto ele marchava pelo corredor. Ryland não fez nenhuma objeção a ser levado para o assento junto a estante. ― Sente-se ai. Não se mova.

Resistindo à tentação de subir as escadas três degraus de uma vez, ele deixou Ryland sozinho na sala e fez seu caminho para seu quarto no andar de cima. Sozinho por um momento, ele fechou os olhos.

Ele tinha assistido Ryland tão pacientemente, por tanto tempo. De alguma forma, ele se permitiu começar a acreditar que significava que ele conhecia o menino. Mas ele não conhecia - não em um nível de ser humano – não de qualquer forma que pudesse permitir que ele previsse como Ryland reagiria aos instintos de estar com um leão que tinham levantado dentro dele.

As unhas de Arslan se transformaram em garras quando ele agarrou a borda da cômoda antiga.

O leão dentro dele não se importava se era esperar demais que o homem jovem confiasse em seus instintos de forma como um leão faz, concordar em participar do Orgulho depois de algumas horas nu em sua presença.

Ryland era seu companheiro. Arslan não o sabia apenas - ele era dono de uma parte dele que homem nenhum jamais iria conseguir. A ligação com Ryland era tão forte, tão inegável, que era quase impossível para ele se sentir paciente do... o que exatamente? Arslan não tinha ideia. Sua súbita perda de confiança em seus instintos florescentes?

O Leão interior de Arslan rugiu, exigindo ser libertado e autorizado a reclamar seu companheiro de volta adequadamente, rosnando contra a dor de fazer a "coisa certa" para seu amante humano, quando tudo o que ele queria era estar perto de seu companheiro.

Suas garras afundaram na madeira, não formando pequenos arranhões como aqueles que ele havia deixado sobre as costas de Ryland, mas sucos profundos apareceram na borda da cômoda, marcas que nunca seriam polidas com o tempo, não importando o quanto de enchimento de madeira e vernizes fossem aplicados.

Arslan arrebatou suas mãos longe da madeira machucada. Esses tipos de cicatrizes nunca curariam na pele humana também.

Recolhendo suas roupas, Arslan se vestiu, tentando não rasgar o tecido, tentando lembrar que ele deveria se preocupar com estar no controle o suficiente do seu lado leão manter as roupas inteiras enquanto ele as puxou sobre sua pele. Por algum milagre, elas permaneceram intactas.

Forçando seu lado humano à tona, Arslan voltou para a porta do quarto. Ele já havia passado muito tempo sentindo pena de si mesmo. Ele não tinha mais tempo a perder. A única coisa importante era levar seu bichinho pra casa, com segurança para fora do caminho da impaciência de seu novo mestre.

De volta ao hall, ele encontrou Ryland sentado exatamente onde ele tinha deixado ele. Ele havia puxado seus pés para cima do assento da cadeira e passou os braços em torno de suas pernas em algum esforço de se manter aquecido.

Arslan franziu a testa para sua própria falta de previsão. Agarrando seu casaco na estante, ele jogou-o para o jovem.

 

― Eu pensei... ― Ryland olhou para o casaco e para as roupas de Arslan, então para a sala onde o resto do bando estava esperando.

 

Se ele achava que sua recusa temporária em oferecer-se a seu novo mestre significava que Arslan estava disposto a dar-lhe aos outros leões para tomar seus turnos com ele, como se ele não fosse mais importante do que os outros homens que tinham sido jogados a eles ao longo dos anos, ele tinha um conhecimento ainda menor da situação do que Arslan jamais poderia ter imaginado.

 

― Estou te levando para casa. Não faz diferença para mim se você preferir realizar a jornada pelado. ― Era uma mentira descarada, mas Arslan não estava disposto a admitir que a visão da pele nua de Ryland tinha qualquer efeito sobre ele logo em seguida. Os outros leões não eram sua única forma de orgulho.

 

Ryland às pressas puxou o casaco. ― Obrigado, senhor. Eu ...

 

― Vamos. ― Arslan saiu da casa. Ryland correu atrás dele, mas o cascalho no caminho da propriedade pareceu abrandá-lo. Até o momento que Arslan atingiu seu carro, Ryland estava vários metros atrás dele. O homem mais velho esperou ao lado do carro até que seu novo animalzinho atingiu a porta do passageiro.

 

Tinham se passado tantos anos desde que ele tinha tomado outra coisa senão um amante felino, que ele tinha se esquecido como os humanos eram frágeis. Por um comprido momento, ele olhou para o cascalho ao lado do carro e viu a cena que tinha protagonizado na frente do fogo se repetir na superfície áspera.

 

Ele tinha sido cuidadoso com ele, manteve sua força para si mesmo. Ele não o tinha machucado. Arslan soltou a respiração, ele não tinha percebido que ele a estava segurando.

 

― Senhor?

 

Arslan trouxe sua mente de volta ao presente e entrou no carro. Ryland hesitou por um segundo antes de entrar no banco do passageiro. Ele não tentou falar novamente, exceto para dar direções para uma casa de estudantes situada perto do centro da universidade.

 

Jogado aos leões...

 

Arslan balançou a cabeça para si mesmo. Ele tinha muito sentido para jogar jogos bobos assim pelo que parecia ser uma vida. Tinha tido mais do que tempo suficiente para esquecer que os humanos normalmente viam de forma diferente. Ele não podia evitar, se perguntar o que isso supostamente foi para Ryland, por que o jovem tinha concordado em participar da tradição em primeiro lugar.

 

Certamente não tinha sido porque ele sabia que seu mestre estaria lá esperando por ele. Seu choque quando a venda havia sido removida foi prova suficiente disso. Arslan agarrou o volante apertado enquanto analisava as opções menos palatáveis.

 

Ryland nunca lhe parecera um viciado em adrenalina, de modo que era improvável ser isso o que o trouxe ao Orgulho. Ele não era tão formal como um ser humano que tinha sido treinado para um ser um submisso tendia ser - ele não havia chegado a eles procurando um leão para ser seu mestre. Ele certamente não era o tipo de ser humano que levaria um amante pelo dinheiro, Arslan rejeitou essa ideia no momento em que entrou em sua cabeça.

 

Curiosidade? Ele certamente esteve fascinado por observar os leões mais jovens jogando juntos. Arslan reteu um suspiro. Melhor do que quaisquer uma das outras razões, ele supôs. Ele olhou para o outro homem pelo canto do olho, se perguntando se ele se arrependia de ter cedido a sua curiosidade agora.

 

Ele se divertiu na hora, Arslan não teve dúvidas sobre isso. Mas nunca era tão simples, com um humano. Além do mais, Arslan lembrou-se disso com suficiente clareza de suas experiências com eles quando era mais jovem. Nunca era simples, com humanos.

Quando Arslan parou fora da casa que Ryland indicou, o jovem não fez qualquer movimento para sair do carro. O professor se inclinou e abriu a porta ele mesmo. No momento em que sua mão deixou a maçaneta da porta, ele forçou-se a endireitar-se e retirar-se para seu próprio lado do carro.

Os dedos de Ryland foram aos botões do casaco emprestado, torcendo o pedaço de plástico para frente e para trás. Ele ainda não mostrava qualquer inclinação de sair do carro.

 

― Mantenha o casaco. ― Sua voz soava da mesma maneira que em suas palestras. Sem um traço de emoção, sem um traço de leão, penetrando uma ordem breve. Arslan não se confortou com isso. Ryland pareceu desistir de qualquer desculpa que continuava tentando formar. Ele saiu do carro. Arslan observou adentrar com segurança dentro do prédio antes de colocar o carro em marcha e se afastar do meio-fio.

 

Sozinho no carro, ele aproveitou a oportunidade oferecida por estar fora da visão e audição de qualquer leão, qualquer ser humano e soltou uma série de maldições. A maturidade podia trazer suas recompensas. Ele podia não ser tão tolo quanto os outros leões em seu Orgulho, mas havia momentos em que ele era tão estúpido quanto qualquer leão podia ser, e quando ele tinha que pagar o preço como qualquer outra pessoa.

 

Havia razões pelas quais a tradição dos sacrifícios dispostos existia. Existia uma razão para os leões necessitarem a oportunidade de aprender a serem pacientes com os humanos, aprender a vê-los como animaizinhos que precisavam ser protegidos e acariciados e não como iguais que poderiam entender os mesmos padrões de um leão.

 

Era porque os humanos não tinham sentidos como os leões. Eles não entendiam o que os seus instintos ordenavam. Arslan suspirou quando virou uma esquina e dirigiu seu caminho de volta para seu covil vazio, a sua cama vazia.

Não podia se confiar em homens humanos. Um leão teria que ser um idiota de se apaixonar por um do jeito que poderia por outro leão, de esperar o mesmo que ele teria de um amante felino. Um professor teria que ser um idiota por se apaixonar por um aluno, também, por um homem que tinha praticamente metade de sua idade. Um homem que concordou em ser jogado aos leões como se fosse algum jogo bobo, um homem que não tinha ideia do que a tradição queria dizer, o que significava se perder de volta na névoa do tempo.

 

É claro, não fazia a menor diferença se ele era um idiota, ou se Ryland não poderia lhe dar o que se poderia esperar de um leão. Ryland era seu companheiro e Arslan nunca tinha estado mais certo sobre qualquer outra coisa em sua vida. Nenhum deles iria descansar confortavelmente separados por muito tempo agora. Tudo o que podia fazer era dar ao outro homem o tempo que ele precisava para enfrentar os fatos e aceitar os instintos por seu companheiro que tinham se levantado dentro dele.

 

Parando em um semáforo, Arslan baixou a cabeça para trás e rosnou para o teto de seu carro e o mundo todo.

 

Ryland reabriu a porta da frente e espiou para fora apenas a tempo de ver o carro de Arslan sumir no fundo da sua rua e ir embora. Ele estava em pé na porta e ficou olhando para ele muito tempo, os braços em torno de seu corpo apertado, abraçando o casaco de Arslan contra sua pele nua.

 

― Você está deixando o frio entrar! ― Ryland suspirou e fechou a porta.

 

Um de seus colegas de casa olhou para fora da sala de estar para ele. Ele olhou para o casaco e os tornozelos e pés nus brotando no final.

 

― Boa noite? ― Fred perguntou.

 

Ryland respirou fundo e soltou com outro suspiro. Encostado à parede pela porta, ele tentou fazer o seu cérebro trabalhar. E falhou miseravelmente.

 

Fred abriu os olhos muito amplamente. ― Você não...

 

Ryland fechou os olhos.

 

― Inferno sangrento! Você fez! ― Fred disse. ― Você realmente fez isso.

 

Ryland forçou seus olhos abertos e olhou para o casaco. Era grande demais para ele. As mangas cobriam suas mãos. Mas cheirava a Arslan. Por tudo que ele sabia poderiam ter se passado meses desde que Arslan tinha usado ele. Mas ele ainda parecia ter um pouco do calor do leão, assim como seu perfume. Ryland puxou-o ainda mais apertado em torno dele, agarrando-se ao eco fraco do toque do leão.

 

― Você recebeu?

 

Ryland assentiu, engolindo o gosto amargo no fundo da boca.

 

Se você vier até nós de boa vontade e de sua livre vontade, sem qualquer pensamento egoísta e só desejar fazer parte do Orgulho, então você será bem-vindo... Se você é quem nós pensamos que você é...

 

Ele fechou os olhos, mas descobriu que era impossível se esconder daquele momento horrível quando percebeu que nem todo homem que ia para os leões era uma prostituta barata.

 

― Quanto?

 

― Dois mil ― Ryland sussurrou. Talvez não fosse barato, mas ainda assim uma puta afinal. Isso tinha sido apenas o suficiente para pagar o restante dos honorários de suas aulas. Quando ele levantou seu olhar, Fred estava em frente dele.

Seu amigo colocou uma mão em cada um dos seus ombros como se achasse que ele precisava se firmar.

 

― Você está bem?

 

Ryland assentiu. Não era como se ele pudesse lhe dizer a verdade.

 

― Eles não quiseram que você fizesse nada de estranho, não é? ― Fred perguntou, abrindo os enormes olhos verdes mais amplo do que nunca.

 

Ryland balançou a cabeça. ― Não, foi... ― Bom? Perfeito? A melhor noite de sua vida? Fantástico porque foi com Arslan? Ryland fechou os olhos por um segundo. O que ele poderia realmente dizer a seu amigo? ― Não foi um problema. ― Fred não acreditou em uma palavra dele. Ryland viu isso no momento em que reabriu os olhos.

 

Andando para um lado, Ryland saiu do alcance de seu amigo e se dirigiu para as escadas.

 

― Ryland?

 

― Estou bem ― disse ele, sem olhar por cima do ombro. ― Apenas cansado. Vejo você de manhã.

 

Fred disse algo, mas Ryland não pode ouvir o outro homem logo em seguida. Ele fechou a porta do quarto atrás dele e se se encostou a ela por alguns segundos. Na escuridão do quarto, ele caminhou cegamente para sua cama. Seus pés chutaram contra um par de sapatos descartados. Caindo na cama, empurrou todas as roupas que ele tinha provado antes de encontrar com os leões, para o chão.

 

Ele reprimiu um riso triste. Toda essa preocupação sobre o que devia vestir tinha sido uma pequena e verdadeiramente espetacular perda de tempo. Deitado na cama, ele se enrolou em uma bola pequena, com casaco de Arslan ainda envolto em torno nele. O movimento do pano contra a sua pele trouxe a sua atenção para os arranhões em suas costas. As marcas de Arslan de...

 

Mordendo o lábio inferior, Ryland fechou os olhos muito apertados e fez o seu melhor para não desmoronar, não ceder ao sentimento profundo de desespero que girava dentro dele.

 

Arslan nunca teria lhe perdoado se ele tivesse dito que sim a ele com base em uma mentira, se ele tivesse dito sim, estando no papel de uma prostituta. Ele sabia disso com uma espécie de certeza que ele não poderia lembrar-se de sentir antes. Havia coisas que um leão perdoaria e coisas que ele não perdoaria – assim como as coisas que sua família podia perdoar e as coisas que não podiam.

 

Quando ele dissesse sim a Arslan ele teria que dizer isso corretamente. Ele teria que ser capaz de olhar nos olhos dele e ver que o homem mais velho sabia que era verdade. Ele não tinha sido capaz de corrigir a parte dele que sua família odiava tanto, mas ele poderia consertar isso. Ele poderia ser a pessoa que Arslan tinha pensado que ele era quando o convidou para se juntar ao Orgulho.

 

Ryland sentiu gosto de sangue quando seus dentes cortaram seu lábio. Não importando o quão logicamente ele tentasse pensar sobre isso, algo dentro dele gritou que ele precisava estar de volta com o professor agora. Ele não estava onde pertencia. Ele tinha que estar com Arslan. Então tudo estaria bem. Era como uma dor aguda em alguma parte de sua mente, que ele não tinha sequer percebido que existia há poucas horas.

 

Ele não sabia onde era a cova dos leões. Um rabisco frenético através de sua memória na jornada para casa rendeu vislumbres de dezenas de casas sombrias e dezenas de virar à esquerda e direita. Mas não havia nomes de ruas, nem sinais de trânsito, nada que pudesse ajudá-lo a fazer o seu caminho de volta para lá. Ele prendeu a respiração na garganta quando a implicação disso afundou dentro dele. Ele não sabia como encontrar Arslan.

 

Não era como se ele pudesse ir lá, não era como se ele só pudesse aparecer em sua porta e anunciar que havia passado sua primeira noite com ele, como uma prostituta e simplesmente implorar seu perdão. Mas ele ainda devia saber onde o outro homem estava. Era importante. Naquele momento, era vital.

 

Mesmo que ele não pudesse voltar para sua família, ele sabia onde eles moravam. Quando o pensamento passou pela sua mente, ele não pode evitar, pensar que tinha mais chances de ser aceito no covil dos leões do que na casa de seus pais.

 

Ele balançou a cabeça contra o travesseiro. Sua linha de pensamento não fazia sentido, mas de alguma forma, ainda rastejava debaixo de sua pele, enviando um arrepio na espinha. Ryland freneticamente repetiu que não saber era uma coisa boa mais e mais dentro de sua cabeça, como se isso pudesse torná-lo realidade. Nada disso o impedia de correr de volta para o outro homem era uma bênção.

 

Quando ele fosse para ele, tinha que ser capaz de dizer ao leão que ele não era o mesmo homem que ferrou tudo antes. Ryland talvez não tivesse ideia do que estava acontecendo, mas ele sabia disso com um tipo de certeza inegável que não poderia colocar os olhos em Arslan novamente até que encontrasse uma maneira de corrigir a bagunça que sua vida tinha se tornado.

 

Essa era a sua única chance. Sua família o teria aceitado de volta se ele tivesse sido capaz de mudar suas respostas a certas questões. Talvez Arslan fosse também, se ele implorasse o bastante.

 

Ryland passou a língua sobre o corte no lábio. Não ajudou a curar, ele apenas o fez sangrar mais.

 

Embrulhando-se no casaco de Arslan ainda mais preso ao redor de seu corpo, Ryland fechou os olhos com muita força e tentou manter sua mente longe de romper em pequenos pedações de diferentes medos.

 

― O que você quer, Ryland? ― Arslan manteve-se de costas para o jovem enquanto dizia.

 

Ele estava sendo sensato. Ele estava dando tempo a seu animalzinho para colocar seus pensamentos em ordem e seus recentes instintos desenvolvidos sob controle. Ele estava mantendo distância, não importando o quanto estava doído para fazer o contrário. E se Ryland não estava pronto para juntar-se ao Orgulho, o mínimo que o menino poderia fazer era deixá-lo ir de volta para seu escritório e lançar-se em seu trabalho em paz.

 

Depois que passou a palestra inteira ignorando a existência Ryland, ele pensou que o outro homem iria entender tudo isso. Mas não, Ryland tinha que ficar para trás após uma palestra que ele não tinha que participar, em primeiro lugar, ele tinha que fazer isso ainda mais difícil para Arslan manter o seu lado de leão sob controle.

 

Finalmente, quando se tornou óbvio que Ryland não ia responder a sua pergunta até que ele o encarasse corretamente, Arslan se virou. Tomou cada grama de seu autocontrole para não dar um passo adiante e fazer tudo muito mais simples entre eles.

 

Ryland deu um passo instável mais perto de seu mestre e colocou um casaco dobrado sobre sua mesa.

 

Arslan olhou para o casaco, depois de volta para Ryland. Seu animalzinho de estimação estava com medo. Arslan podia sentir o cheiro do temor sobre ele. Cada instinto o fez querer envolver seu companheiro em sua proteção. Os sermões que ele estava dando a si mesmo sobre como permitir dar tempo e espaço ao jovem desapareceram de sua mente.

 

A única coisa que realmente o manteve com sucesso em seu lado em cheque, foram os vários anos de prática em nunca deixar-se ceder à tentação de botar a mão em um estudante.

Ele admitia que, esta era a primeira vez que ele quis acariciar um de seus alunos, em vez de dar um tapa na parte detrás da cabeça para encorajá-lo a parar de agir como uma criança, mas o hábito ainda o mantinha em seu bom lugar. Arslan nunca tinha estado tão grato por ter lidado com tantos pirralhos ao longo dos anos.

 

Ryland olhou para baixo, e se afastou, depois deu a volta para ele, como se ele não tivesse certeza do que estava fazendo lá.

 

― Há algo de errado? ― Arslan perguntou.

 

Ryland engoliu várias vezes em uma sucessão rápida.

 

Os olhos de Arslan se estreitaram. Algo estava errado. Ryland não estava apenas incômodado com seus novos instintos. Ele nem sequer estava apenas com medo. Ele estava apavorado.

 

― Eu... ― Ryland encontrou seus olhos adequadamente, pela primeira vez. ― Me desculpe, isso foi um erro. ― Ele fugiu da sala, a porta batendo atrás dele quando desapareceu no corredor.

 

Arslan ficou imóvel enquanto observava-o ir. Se ele movesse um músculo, sabia que o instinto para perseguir iria domina-lo todo. Ele havia aprendido isso, anos atrás. Quando a presa corria, tudo o que um leão podia fazer era ficar bem quieto e se concentrar no seu lado humano. Era a única maneira de manter o instinto predador sob controle, para manter os humanos, que não entendiam tais instintos, seguros.

Respirando fundo, Arslan passou a mão sobre o casaco. Ryland havia deixado seu cheiro nele, misturando-se com os traços remanescentes de seu próprio perfume. A combinação foi uma humilhante zombaria de como as coisas deveriam ter sido entre eles vários dias depois que ele ofereceu a seu animalzinho de estimação um lugar no Orgulho. Ele ainda deu outra inspiração profunda e levou o que podia dele.

 

Enquanto sua mão repousava sobre o casaco, suas garras se arrastaram para fora para substituir suas unhas. Levou vários minutos antes que ele estivesse de volta sob seu próprio controle. As garras voltaram para algo que era indistinguível do tipo de unhas que podem ser encontradas em uma inteiramente mão humana.

 

Exteriormente calmo, o professor pegou o casaco, colocou-o no braço, e recolheu seus papéis na outra mão. Ele caminhou lentamente de volta ao seu escritório em um dos andares superiores do edifício do Departamento de História. Pendurou o casaco ordenadamente na parte de trás de sua porta, sentou-se à mesa e fez o seu melhor para ignorar a presença da confecção, ignorar o perfume que lhe lembrava a cada segundo, que ele devia estar com seu companheiro.

 

Três horas depois, Arslan franziu a testa sobre a mesa, sua mente mais uma vez, vagueando longe dos estudantes de história parando em frente a um estudante de matemática que poderia estar em qualquer lugar até então.

 

Seu companheiro tinha obviamente algo a dizer para ele. Ryland ainda não estava familiarizado com os caminhos do Orgulho. Arslan não podia ter certeza de que ele sabia que poderia trazer suas preocupações para o líder de seu Orgulho, não importando como as coisas se interpunham entre eles, não importando se ele não tivesse a coragem de aceitar um lugar formal no Orgulho.

O que quer que seu animalzinho de estimação quisesse dizer a ele, tinha que ter sido importante. Quando o ultimo aluno em sua agenda saiu do escritório, Arslan tomou sua decisão. Dois minutos depois, ele estava fora do prédio de historia e caminhando até o balcão de informações no saguão do prédio de matemática.

 

― Eu estou procurando por Ryland Gilford. Eu acredito que ele tenha uma sala por aqui?

O homem atrás do balcão era familiar. Arslan tinha certeza de que ele o tinha visto em algumas de suas palestras. O recepcionista olhou para cima a partir do computador e encontrou seus olhos. Sim, Arslan reconheceu sua face. Não era um estudante ruim, mas um péssimo discursador quando chamado para responder as perguntas em voz alta. Tinha muitos “uns” muitos e “ahs” para ser considerado adequadamente compreensível.

 

― Sala 427, Senhor.

 

― Obrigado.

 

O professor ouviu o aluno dar um pequeno suspiro de alívio quando ele se afastou de sua mesa. Ele sorriu levemente para si mesmo. Era maravilhoso o que o medo de Arslan poderia fazer para a educação de jovem. Se o aluno recepcionista continuasse com esse tipo de melhoria, ele poderia, na verdade ainda se tornar capaz de articular uma frase inteira.

 

Uma batida na porta da sala 427 não obteve resposta. Arslan não tinha a sensação de que alguém estava lá ignorando a batida. O perfume de Ryland enchia o espaço do outro lado da porta, mas era o traço de alguém que tinha estado lá, em vez de alguém que estava lá.

 

Quando o professor tentou a maçaneta, a porta se abriu com um rangido tranquilo. O pequeno espaço desordenado estava tão vazio quanto ele esperava, mas uma xícara de chá de um lado da mesa deu a entender que seu proprietário pretendia voltar em breve.

 

Fechando a porta atrás dele, acendeu a luz para compensar a ausência de janelas no espaço minúsculo, Arslan analisou uma coleção aparentemente aleatória de blocos de notas e livros na cadeira em frente à mesa e se sentou para esperar.

 

Quase não havia espaço para encaixar os seus ombros entre uma estante sobrecarregada e uma pilha de livros equilibrada precariamente na borda da mesa de Ryland. Se ele esticasse as pernas, a porta não teria espaço para abrir. Andar estava fora de questão. Arslan olhou ao redor da sala em seu lugar.

 

Havia livros de matemática empurrados em um canto que tinham de ser relíquias do dia da formatura de Ryland. Arslan conseguiu até entender os títulos. Aqueles pareciam que ser de uso corrente estavam muito longe dele. Menino esperto, ele pensou, um sorriso tocando os cantos dos lábios.

 

Ele voltou sua atenção para o trabalho sobre a mesa. Pelo menos os rabiscos no caderno que Ryland tinha deixado aberto pareciam bastante simples. A caligrafia era horrível, mas Arslan podia entender os números. Parecia aritmética simples, como se alguém estivesse verificando a mesma série de cálculos uma e outra vez, na esperança errônea de que a resposta pudesse mudar em algum ponto.

 

Arslan suspirou e tentou ser paciente. Enquanto revirava os ombros e tentava trabalhar em alguns dos pontos de tensão em seus músculos sem derrubar nada, um livro familiar chamou sua atenção. Uma inspeção mais detalhada revelou que a plataforma estava cheia de livros muito familiares, todos da lista de leitura recomendada para seu curso de graduação em História Medieval. Uma pasta surrada estava encravada entre os livros. Arslan se estendeu e extraiu de dentro dois bem manuseados textos de referência.

 

Uma olhada rápida através do arquivo mostrou estar cheio de relatórios escritos à mão. Arslan havia digitalizado a primeira página. Era o início de um ensaio de história, um daqueles que ele atribuía a esses estudantes que estavam, na verdade assistindo às palestras como Ryland porque pareciam gostar tanto de estar lá. Uma inspeção mais detalhada do conteúdo do arquivo mostrou que todos os ensaios que ele distribuiu nesse curso, até agora estavam escondidos lá dentro.

Arslan olhou para o relógio e a xícara de chá. O vapor já não subia dela.

Com um suspiro silencioso, ele se estabeleceu o mais confortavelmente possível na cadeira e voltou sua atenção para o primeiro ensaio.

 

Uma hora mais tarde, ele estava bem no terceiro ensaio, quando finalmente ouviu alguém mexer na maçaneta do outro lado da porta. Arslan puxou o pé para fora do caminho para dar-lhe espaço para abrir. A porta ainda vacilou no meio do caminho. Arslan quase podia ouvir a bandeira de advertência subir no cérebro de Ryland enquanto ele se lembrava de que não tinha deixado à luz acesa quando saiu da sala.

 

― O chá esfriou.

 

Ryland empurrou a porta um pouco mais e espreitou a sala. Ele parecia considerar suas opções com muito cuidado antes de entrar e dar uma cotovelada para porta se fechar atrás dele. Ele carregava uma enorme pilha de papéis.

Arslan ficou onde estava, esperando para ver o que seu novo animalzinho de estimação iria fazer em seguida. Ryland simplesmente ficou ali, encostado na porta, como se à espera de permissão, de uma ordem, de qualquer coisa que seu mestre poderia estar disposto a lhe oferecer.

 

― Tentando arranjar um dinheiro extra? ― Arslan perguntou.

 

O sangue drenou para fora do rosto de Ryland.

 

― Sente-se! ― Arslan ordenou.

 

Ryland apenas olhou para ele como se tivesse visto um fantasma.

Arslan se levantou, pegou ambos os cotovelos de Ryland e o guiou para sua cadeira atrás da mesa. Pegando a pilha de livros de seus braços, colocou-os na cadeira do visitante, fora do caminho.

 

― Eu...

 

Arslan colocou a mão na testa de Ryland. Frio para um leão significava normal para um ser humano.

Não havia febre, mas ele não sabia o suficiente sobre os humanos para ter certeza de que tudo estava realmente bem. ― Você está doente?

 

Ryland olhou para ele. Durante vários segundos antes que ele parecesse voltar a se encaixar na realidade.

Ele baixou o olhar. Um rubor correu por seu rosto, fazendo-o parecer muito mais saudável, bem como um pouco mais envergonhado. Mesmo assim, ele ainda parecia exausto.

 

― Você realmente acha que deveria estar à procura de mais trabalho? ― Arslan perguntou. Não que pudesse haver qualquer debate real sobre a pergunta. Um leão podia ser capaz de trabalhar todas as horas que Deus lhe deu sem sentir-se demasiado mal. Um humano não podia. Era por isso que eles precisavam de leões para cuidar deles.

 

Ryland seguiu seu olhar para a pilha de papeis. Sua cor se aprofundou, mas ele parecia relaxar um pouco. ― Eu estou bem, Senhor.

 

Arslan não estava convencido. Seu animalzinho de estimação não parecia bem. Ele não se sentia bem. Ele estava no extremo e lutando para lidar. Isso não era aceitável.

 

― Eu só não esperava que você estivesse aqui, Senhor ― Ryland disse. ― Eu...

 

Arslan endireitou-se em seu lugar aos pés de Ryland, esperando que colocar alguma ligeira distância entre eles pudesse ajudá-lo a manter seus dedos para si mesmo quando estes coçavam para passar suas mãos sobre o corpo do outro homem, só para confirmar que a dor nos olhos do jovem não era causada por ferimentos que ele não podia ver.

 

― Você quer um chá? ― Ryland soltou. Ele olhou para a xícara fria sobre a mesa. ― Eu vou fazer uma xicara de chá. ― Levantou-se, obviamente, prestes a ir e fazer exatamente isso.

Arslan colocou a mão em seu ombro e empurrou-o de volta na cadeira. Levou toda a sua força de vontade colocar sua mão para trás assim que a tarefa foi cumprida.

 

― Eu não estava pedindo para sair ― Ryland correu para fora, levantando-se novamente no momento em que o professor quebrou contato com ele.

Arslan estudou-o cuidadosamente enquanto via um animal de estimação precisar estar perto de seu mestre com necessidade brilhando nos olhos do jovem. ― Eu não estava saindo.

 

Ryland assentiu. Ele pareceu aliviado. Arslan olhou para ele, perguntando quão tolo ele era por ainda estar feliz com isso. Não foi a compreensão rápida que ele poderia ter esperado para isso, mas vendo que os instintos estavam lá, mesmo que Ryland não os reconhecesse adequadamente, era ainda alguma coisa.

 

Voltando atrás, Arslan colocou um pouco mais de espaço entre eles, mas não havia muito mais para onde ele poderia ir sem andar em uma estante superlotada ou uma das pilhas de livros que Ryland não conseguiu encaixar em qualquer uma das prateleiras.

 

E não importava o quão longe ele estava, a pequena sala estava ainda cheia da presença de Ryland. Era impossível não estar ciente de todas as nuances de suas emoções. A sala girava com seus nervos e sua incerteza. Olhando para longe de seu animalzinho, tentando limpar sua cabeça, Arslan passou os dedos até a borda da pasta cheia de ensaios de história de Ryland. Ele não era um historiador natural, mas o esforço que ele tinha colocado em cada um dos ensaios era óbvio. Ele até conseguiu fazer sua caligrafia bastante legível.

 

Arslan olhou para cima a tempo de ver o olhar de Ryland seguir o seu para os ensaios de história.

 

― Alguém disse que você não deixa que as pessoas assistam às palestras, se elas não estão preparadas para aprender. Eu achei que você poderia me expulsar se eu não fosse bom. ― sussurrou Ryland.

 

― Você nunca os entregou.

 

― Você nunca ameaçou me expulsar ― disse Ryland, os olhos ainda baixos olhando a pasta. Arslan sorriu com a lógica.

 

― Professor?

 

― Sim?

 

Você quer um boquete?

As palavras pairavam nos lábios de Ryland, mas ele não chegou a ter a coragem de dizê-las. Ele olhou para cima e chamou a atenção de Arslan, mas ele não conseguiu segurar seu olhar por mais de alguns segundos. Sua atenção caiu sobre a braguilha de Arslan.

Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Ele considerou os méritos de apenas se deixar cair de joelhos e não se preocupar com conversa fiada. Isso tornaria tudo muito claro, não é? Se ele pudesse simplesmente ignorar todas as partes do processo que envolviam um discurso, ele não precisaria se sentir culpado por ter falado com o outro homem sem lhe dizer toda a verdade imediatamente.

 

Seus joelhos quase assumiram a decisão inteira no processo de agir pelos seus desejos. Ryland colocou a mão na mesa para se equilibrar. Ele fechou os olhos, mas isso fez mais mal do que bem. Ele podia facilmente imaginar-se de joelhos na frente de Arslan, seus lábios acondicionados em torno de seu pênis, sua língua chicoteando sobre a cabeça enquanto ele roubava um gosto dele e descobria ou não se um leão tinha o mesmo gosto que um humano.

 

― Ryland?

 

Ele abriu os olhos. O piso na frente dos pés de Arslan permaneceu vazio. Ryland tomou um passo a frente, mas não se atreveu a cair de joelhos, sem um convite. Engolindo rapidamente, ele freneticamente tentou trabalhar um pouco de umidade em sua garganta para que pudesse forçar uma palavra ou duas para fora.

 

― Senhor? ― Ele parecia incrivelmente calmo considerando a situação.

― Sim?

― Se você descobrisse que... ― Ryland olhou para cima e sua coragem o abandonou. Ele não podia dizer a ele por que ele tinha estado lá. Ele não podia ver a mudança na expressão dos olhos de seu amante enquanto percebia o que ele era, o que ele fez naquela noite, lembrou-se de que, viu essa mudança nos olhos de alguém antes. Nunca mais.

 

Ryland, mais uma vez se refugiou na escuridão por trás de suas pálpebras. Ele levou uma vida inteira para se recompor o suficiente para pensar em outro final para sua sentença. ― Se o mesmo homem fosse jogado aos leões por duas vezes, você iria se decepcionar, Senhor?

 

Arslan não disse nada por um tempo, Ryland tinha que olhar para cima e descobrir o pior.

― Não ― o homem mais velho disse bem baixinho. ― Eu não ficaria desapontado. ― Esticando-se, ele empurrou o cabelo de Ryland longe de seu rosto.

O jovem soltou um suspiro, ele não tinha percebido que estava segurando. Ele acenou com a compreensão, cuidando para não deslocar a mão que se estabeleceu em seu cabelo. Seu olhar prendeu na boca do leão. Sua língua escapou para umedecer seus lábios num convite.

 

― Você se lembra de sua palavra humana? ― Arslan perguntou.

Ryland olhou para ele, confuso por um momento, antes de entender. ― A palavra segura?

 

― Sim ― Arslan disse lentamente. ― Eu acho que é assim que os humanos chamam.

― Eu não quiz dizer não para você.

 

Arslan sorriu e acariciou com os dedos para baixo de sua bochecha, acariciando a vermelhidão que Ryland sabia que ainda permanecia lá. Lembrando o que ele tinha visto os outros leões fazer em casa, ele acariciou sua cabeça suavemente no ombro Arslan.

 

Os dedos de Arslan deslizaram sob seu queixo e inclinaram sua cabeça para trás. Antes de Ryland ter uma chance de se preocupar com a possibilidade muito real de que tivesse se feito de idiota, os lábios de Arslan cobriram os seus. Sua língua exigiu entrada. Ryland agarrou os ombros do homem maior enquanto sua cabeça girava.

 

Não havia dúvida sobre a intenção por trás do beijo. Arslan tomava posse completa de sua boca. Áspero e exigente, a princípio, tão logo Ryland estava completamente fora de profundidade, a boca do outro homem suavizou contra a dele. A superfície de sua língua ainda era áspera, mas seus lábios se tornaram a coisa mais suave que Ryland já tinha conhecido, enquanto o homem mais velho o guiava para beijar de volta e persuadi-lo a levar sua própria língua para fora e jogar.

 

Algo duro pressionou contra suas costas. Quando Arslan quebrou o beijo, Ryland olhou ao redor para descobrir no que ele tinha batido com alguns passos. Eles chegaram a uma estante. Ele estava efetivamente preso no meio.

Não havia muito espaço, mas ele começou a abaixar-se de joelhos de qualquer maneira. A lógica dizia que ele estava cometendo um erro enorme, mas de repente a única coisa importante era que ele fizesse algo para o homem sem ganhar algo em troca. Se ele fizesse algo de graça, ele se tornaria algo ligeiramente mais próximo do homem que o professor pensou que ele estava convidando para seu Orgulho.

Arslan agarrou seu braço e o impediu.

 

― Deixe-me, Senhor? ― Ryland deixou escapar, esperando como o inferno que Arslan não fosse perguntar-lhe do por que ser tão vital que ele fosse autorizado a ir para baixo sobre ele.

 

O leão o estudou por um momento antes de soltar seu braço e acenar com a permissão.

Ryland caiu pesadamente de joelhos nas tábuas do assoalho nu. Pelo menos de seu novo ponto de visão, não havia necessidade de se preocupar ou não se Arslan estava entusiasmado com a ideia ou apenas agradando a ele.

O professor estava duro, lutando contra sua braguilha. Ryland agarrou o zíper e o desfez cuidadosamente. Ele hesitou por um segundo, se perguntando o quão menos de historia ele teria aprendido ao longo dos últimos meses, se soubesse que o professor estaria comandando as palestras.

 

O pau do outro homem se curvou em direção a barriga com entusiasmo quando Ryland o libertou do tecido. Ele olhou para o professor quando passou os dedos ao longo do comprimento de seu eixo.

 

A pele do leão era quente ao toque. Não tinha sido a imaginação de Ryland ou o fogo que ardia ao lado do tapete turvando suas memórias e fazendo-o pensar isso.

Isso não era uma enorme quantidade de evidências que provavam o fato de que ele não estava realmente perdendo sua cabeça, mas era o suficiente para convencer Ryland de que tudo o que lembrava sobre aquela noite na cova dos leões era preciso. A perfeição que ele sentiu tinha sido real, e estaria lá esperando por ele, uma vez que resolvesse a bagunça que havia feito das coisas.

 

Firmando o eixo com os dedos, Ryland inclinou-se e envolveu seus lábios em torno da cabeça. Pré-semem vazou em sua boca enquanto esfregava a sua língua contra a glande, roubando o primeiro gosto de seu amante. Um momento depois, Ryland murmurou seu prazer ao redor do pênis do outro homem. Arslan estava quente em sua boca. Ele era mais salgado que um ser humano, e era perfeito.

 

A espessura do eixo esticou seus lábios, transformando-os em uma fina linha cor de rosa enquanto ele os selava firmemente em torno de pele acetinada e lisa. Desesperado para agradar, ele rodou sua língua rapidamente em toda a ponta do pau de Arslan em uma manobra um pouco complexa que o havia levado meses para dominar quando saiu do armário pela primeira vez.

 

Arslan olhava para ele, atento, mas inteiramente calmo. Ryland realmente não acreditava que ele fosse o Deus do boquete, mas ele achava que era bom - bom o suficiente para fazer um homem gemer e balançar seus quadris se não até jogar a cabeça para trás e gritar.

 

O professor passou os dedos pelos cabelos e lhe ofereceu um pouco encorajador sorriso quando seus olhos se encontraram. Ryland baixou o olhar. Educado e paciente não era a reação que ele estava esperando.

 

De repente, se viu se perguntando se era muito mais fácil fazer um homem gritar do que era fazer um leão rugir. Pior ainda, se os leões chupavam uns aos outros? E se fosse apenas uma coisa humana? E se Arslan não tivesse ideia do por que ele estava de joelhos em primeiro lugar?

 

Ryland esfregou sua língua através da cabeça do pênis de Arslan, enquanto ele freneticamente tentava se convencer de que não tinha cometido o pior erro de sua vida pelo maldito implorar a ser autorizado a fazer isso sem saber o que ele estava realmente fazendo com um leão, antes mesmo de saber se os leões faziam isso.

 

Fechando os olhos, Ryland tentou manter algum tipo de noção da realidade. Não era fácil quando tinha muitos pensamentos estranhos e ideias mantidas rastejando em torno das bordas de sua mente, apenas para fugir quando ele tentava estudá-las. Tudo o que sabia com certeza era, isto tinha que estar certo.

 

Tinha, porque ele estava fazendo isso de graça, e ele realmente havia ferrado tudo na outra vez em que esteve com ele. E se ele ferrasse tudo mais uma vez, mesmo quando estava fazendo isso de graça, não teria importância se Arslan iria deixá-lo ser jogado de volta aos leões, uma vez que ele tivesse tudo arrumado, porque até então, o professor provavelmente teria desistido dele e - Arslan engasgou. A mão apoiada na parte de trás da cabeça de Ryland apertou o controle sobre seu cabelo. Ryland olhou para ele enquanto se esforçava para repetir sua última ação. Lamber delicadamente a cabeça produziu outro suspiro.

 

Puxando para trás, Ryland deixou o eixo deslizar entre seus lábios antes de rapidamente inclinar-se para trás e pincelando com sua língua levemente a ponta. Ele olhou para o homem mais velho, a esperança brilhando em seus olhos.

 

Arslan não encontrou seu olhar. Os olhos do leão caíram fechados. Ele fez um barulho na parte traseira de sua garganta. Ryland não sabia como defini-lo. Era meio caminho entre um ronronar e um silencioso rugido. Era também o ruído mais erótico que ele já tinha ouvido. Ali mesmo, ele prometeu a si mesmo que ia gastar uma parte substancial do resto de sua vida tendo certeza que ele o ouvisse o máximo possível.

 

― É isso mesmo, meu bichinho. ― Arslan piscou abrindo os olhos e olhou para ele. Seu olhar parecia se festejar com a vista de sua língua lambendo como se fosse a coisa mais incrível que ele já tinha visto em sua vida.

 

Ryland sentiu algo dentro dele se revolver. Arslan era diferente de um ser humano. Isso significava que ele tinha que aprender. Não significava que ele não podia agradar a seu amante, se ele aprendesse rápido o suficiente. O professor gostava das pessoas que estavam dispostas a aprender. Tudo estava bem. Ele estava com Arslan, e tudo estaria bem agora.

 

― Bom ― Arslan rugiu.

 

Ryland choramingou sua satisfação com os elogios e buscou aprender de tudo o que havia para saber sobre o pau do outro homem. Não demorou muito para descobrir que o passar de sua língua por todo o caminho da parte de baixo do eixo e por cima da glande produzia a melhor reação.

 

Arslan engasgou. Um baixo gemido escapou da parte traseira de sua garganta. Não era exatamente o grito que Ryland tinha estado secretamente esperando, mas ele estava disposto a acreditar que era provavelmente o equivalente a um Aleluia de um homem com menos controle de suas emoções do que Arslan

 

A mão na parte de trás de sua cabeça embalou-o mais perto assim ele continuou a explorar o leão com os seus lábios e língua, fazendo tudo o que podia para agradar o outro homem enquanto ele chupava e lambia.

 

Quando as mãos enterradas nos cabelos o guiaram de volta para a ponta do pau de Arslan e o encorajou a ir mais perto, Ryland deu o controle de tudo para o leão sem hesitação. Enquanto ele abria a boca e deixava o pênis de Arslan guiar-se entre seus lábios, olhava para cima.

Arslan olhou direto nos olhos dele e Ryland descobriu que estava preso em seu olhar. O leão não disse uma palavra, mas Ryland viu a posse que queimava em sua expressão. Ele nunca tinha se sentido tanto como se pertencesse a alguém. Ele nunca soube que era possível sentir-se tão bem sentir isso, sentir como se estivesse exatamente onde ele deveria ser.

 

Por toda a sua perfeição, também foi muito, muito intenso. Ele rasgou seu olhar para longe e se deixou fechar os olhos.

 

― Olhe para mim.

 

Era uma ordem. Ryland obedeceu. Ele olhou de volta para o professor.

Um ligeiro aperto das mãos de Arslan em seu cabelo foi seu único aviso antes dos quadris do leão remeterem para frente e enterrar-se mais profundamente dentro da boca de Ryland enquanto ele gozava.

 

No momento que Ryland tentou se afastar, o aperto de Arslan sobre seu cabelo relaxou, permitindo-lhe retirar-se na medida em que desejava. Ryland recostou-se apenas o suficiente para pegar o gosto de Arslan sobre sua língua. Ele olhou de volta para seu amante a tempo de ver a enchente de prazer nos olhos do professor enquanto o outro homem parecia perceber que ele não queria evitar engolir, mas sim queria a oportunidade de prova-lo corretamente.

 

Arslan balançou os quadris ligeiramente, fazendo uma série de estocadas rasas em sua boca, como se ele fosse incapaz de ficar completamente imóvel enquanto gozava, não importando o quão duro ele tentasse. Suas respirações estavam desiguais, um fio de cabelo tinha escapado do agarre apertado segurando a massa de cabelo para trás de sua face. Pela primeira vez, Ryland viu o professor não perfeitamente calmo, sereno e responsável pelo mundo, ele estava glorioso.

 

Quando Arslan ficou parado e seu eixo começou a amolecer em sua boca, Ryland obrigou-se a se afastar e deixou escapar o pau o homem mais velho de entre seus lábios. Ele estendeu a mão para endireitar a roupa do professor, mas suas mãos tremiam tanto que ele não conseguia fazer isso funcionar.

 

Quando o leão educadamente moveu as mãos de Ryland de lado para terminar o trabalho por si mesmo, Ryland não objetou. Ele deixou Arslan assumir e nem sequer se sentia envergonhado com sua falta de jeito. Sentado nos calcanhares, ele colocou todos seus esforços em não gozar também.

 

Dar sem pensar no que você pode receber em troca.

 

Masturbar-se não fazia parte do plano. Não era importante no grande esquema de coisas, cada pedacinho dele, menos seu pau, concordou com sua avaliação da situação.

Arslan estendeu a mão. Ryland estendeu a mão a ele em troca. Um segundo depois, ele estava de pé, diante do outro homem.

Os lábios do leão cobriram os seus como se estivessem se beijando um ao outro para sempre. Enquanto a língua de Arslan mergulhava em sua boca para saborear, sua mão escorregava no corpo de Ryland e agarrava seu pênis através de sua calça. Choramingando, Ryland empurrou-se impotente contra a palma da mão do outro homem.

Um segundo depois, Arslan tirou a mão tão de repente, como ofereceu. Ryland sacudiu cabeça.

Afastando-se do beijo, ele começou a gaguejar um apelo a Arslan para devolver a mão e para o homem mais velho compreender que ele não estava se prostituindo por um trabalho de mão, ele só realmente precisava de sua mão lá e tão mal.

 

Ele não conseguiu mais do que duas ou três palavras.

 

― Silencio.

 

Ryland obedientemente calou. Ele só olhou para o homem mais alto e rezou.

 

― Quietinho, meu bichinho ― Arslan sussurrou novamente.

 

A mão que tinha deixado o pau de Ryland desfez o botão na parte superior de sua braguilha e deslizou o zíper para baixo. Ryland prendeu a respiração quando dedos ágeis empurraram seus boxers de algodão de lado, e enrolaram-se confortavelmente em torno de seu eixo.

 

Ryland deitou a cabeça no ombro de Arslan enquanto sua mente nublava. A mão do professor era quente, a palma áspera contra sua ereção. Não houve aprendizado com Arslan, obviamente, ele já sabia tudo que havia para saber sobre como um homem humano ansiava ser tocado.

 

― Por favor, não pare, senhor ― Ryland sussurrou. Umas pancadas seriam tudo que ele precisava. Ele sabia que estaria com vergonha ao analisar o fato mais tarde, mas naquele momento, a única coisa importante era o outro homem não tirar seu toque, antes que ele gozasse. ― Quieto, bichinho. Eu tenho você. Apenas deixe o seu mestre cuidar de você agora.

 

Ryland acenou com a cabeça no ombro do outro homem.

 

O agarre de Arslan se apertou em torno de seu pênis. Os golpes aceleraram. Ryland se impulsionou para frente, esfregando-se contra a pele do outro homem. Por outro lado Arslan se deslizou para baixo em sua coluna e estabeleceu em sua parte traseira, encorajando-o a se mover, a se satisfazer.

O aperto de Ryland sobre a camisa do professor se intensificou enquanto enterrava seu rosto no ombro do outro homem para abafar os sons de seu prazer. Ele não tinha certeza se foi bem sucedido em esconder seus gemidos e suspiros, era difícil saber se todos os matemáticos no prédio puderam ouvi-lo. Se esfregando entre as mãos de seu amante, ele gozou duro e rapidamente na palma da mão do leão.

 

A força de seu orgasmo roubou todo o oxigênio da sala. Ryland não conseguia respirar, não podia se mover, não conseguia pensar. Ele não poderia nem mesmo pôr-se a cuidar de sua incapacidade de fazer alguma dessas coisas. Arslan estava lá, a dor que vinha crescendo dentro dele desde que tinha deixado o carro do outro homem havia se dissolvido, e o mundo era um lugar perfeito e brilhante.

Arslan acariciou com os lábios a parte superior de sua cabeça enquanto Ryland caia dentro de seu abraço. A mão do leão ficou situada em Ryland, segurando-o na palma da mão enquanto seu eixo amolecia e ele finalmente se lembrava de como fazer seus pulmões trabalhar.

 

Eles permaneceram ali, em pé no meio do seu pequeno escritório por algum tempo, parado Ryland duvidava que fosse o único que não queria dar um passo atrás e voltar à realidade. Eventualmente, Arslan se moveu. Ele levou seu toque para longe. Ryland olhou para ele e recebeu outro gentil beijo pelo seu esforço.

Devia ter sido estranho, Arslan recuperou uma mão pegajosa de dentro de sua braguilha, arrumou as roupas dele, mexendo em busca de tecidos. Tudo devia ter sido muito embaraçoso. Apesar de tudo Ryland tinha certeza de que ele devia estar ciente, ele não conseguia se lembrar de ter se sentido tão seguro, tão certo em si mesmo, porque isso era certo.

 

Esticando-se ele tocou a mecha de cabelo de Arslan, que tinha escapado do laço de couro na nuca. Ele não tinha certeza se era o momento apropriado para perguntar exatamente o que Arslan quis dizer quando chamou a si mesmo de seu mestre, quando ele o chamou de seu bichinho. Na cova, o termo não parecia tão estranho. Agora ele tinha uma incrível necessidade de perguntar o que ele quis dizer com isso. Algo dentro dele acenou com a cabeça em aceitação afinal, como se fizesse todo o sentido, deixando o resto dele absorver.

 

O leão virou a cabeça e pressionou um beijo na parte traseira de seus dedos. Ryland corou. Esse tipo de pequeno gesto romântico não era nada do que ele esperava do homem mais velho.

 

Arslan não era o tipo de professor que queria ser amigo de seus alunos. Ele era maldição o único da equipe que não o convidou a chamá-lo pelo seu primeiro nome. Era difícil colocar a imagem dele em pé na frente da sala de aula, enfiando fato após fato nas cabeças dos alunos com alguém que iria oferecer um gesto tão pequeno doce.

 

Então, uma imagem brilhou na frente da mente de Ryland, lembrando-lhe da forma como os outros leões tinham se beijado e acariciado uns aos outros. Não era romântico, era felino. Ryland sentiu-se corar profundamente enquanto percebeu o quão longe da realidade, ele realmente estava.

 

Abaixando a cabeça, ele cutucou o ombro do homem mais velho com sua testa, a certeza de que era considerado um gesto de amizade entre os leões. Arslan enfiou a mão no cabelo dele e segurou-o perto, incentivando-o a descansar contra seu corpo. Ele pressionou um beijo em seu cabelo como se estivesse tão satisfeito com esse empurrãozinho como tinha estado com o boquete.

 

Ryland sorriu no ombro do outro homem, descansando suas mãos cuidadosamente sobre a cintura de seu amante, enquanto tentava lembrar o que mais ele tinha visto os outros leões fazerem, tentou descobrir o que a fazer a seguir.

 

― Seus instintos existem por um motivo, bichinho ― sussurrou Arslan, fazendo um esforço óbvio para suavizar sua voz. ― Confie neles.

 

Ryland assentiu.

 

Seus instintos lhe disseram que nada mais era exigido dele além do que se inclinar contra o outro homem e sentir. Eles também repetiram a ele exatamente o que tinha estado se dizendo desde que Arslan fez sua oferta, a única maneira que ele pudesse convencer Arslan de levá-lo a sério era ser capaz de olhar nos olhos dele e dizer-lhe por que ele teve que dizer não para ele na frente de todos os outros leões, ser capaz de dizer-lhe que ele havia corrigido o problema e pedir o seu perdão corretamente.

 

Ele poderia fazer isso. Desta vez, ele poderia consertar as coisas com a pessoa que ele amava. Ryland fechou seus olhos um pouco mais apertado e tentou reescrever o pensamento em algo que não envolvesse determinada palavra. Quando se tornou óbvio que nenhuma outra palavra fazia sentido lá, ele empurrou todos os pensamentos de sua cabeça.

 

― Este sábado, quando alguém for jogado aos leões. Você vai estar lá, senhor? ― , Perguntou ele, mal capaz de fazer as palavras mais que um sussurro, sem falar mais alto do que nada.

 

― Sim ― .

 

Ryland puxou para trás uma fração e olhou para o homem mais velho.

 

Arslan acenou com a cabeça como se entendesse por que ele perguntou, como se percebesse quem ele esperava que o aceitasse ao ser entregue naquela noite. Havia também certa luz em seus olhos que fez Ryland razoavelmente certo de que o outro homem estava meramente fazendo-o se sentir a vontade, deixando seu animalzinho de estimação vir de novo para ele dessa forma.

 

Isso estava bem. Os instintos de Ryland diziam a ele que o leão iria entender o porquê era tão importante uma vez que ele ouvisse a explicação. Com o incentivo de Arslan ainda fresco em sua mente, tudo o que podia fazer era esperar que o instinto fosse tão certo quanto os outros.

Nada mais foi dito antes que o professor saísse.

 

Poucos minutos depois, Ryland estava sozinho em seu pequeno escritório, olhando para o espaço que sua pasta de ensaios de história havia ocupado.

Sentado em sua mesa, ele passou a mão pelos cabelos. Cair de joelhos no momento que o homem entrou em seu escritório devia fazê-lo sentir-se menos que uma prostituta, mas de alguma maneira não o fez. Ele tinha feito tudo naquele dia, por nenhuma outra razão do que o fato dele querer dar. Ele tinha feito Arslan dizer exatamente o que um homem que queria se juntar a ele faria. Ryland assentiu para si mesmo.

 

Ele tinha feito um pequeno progresso. Ele se sentia um pouco melhor sobre o mundo. Pela primeira vez desde que tinha dezoito anos, ele sentiu possibilidade de ele ser a pessoa com quem alguém se preocupava com quem quer fosse. E que valia a pena qualquer coisa.

 

Sábado. Cinco dias. Ele olhou para a pilha de papeis para conferir que ele pegou. Ele iria ganhar uma ninharia em comparação com o dinheiro que precisava para dar de volta ao homem que tinha arranjado para ele ser jogado aos leões na primeira vez.

 

Passar todas as horas que Deus lhe enviou tutoreando estudantes provavelmente não iria enriquecê-lo. Se ele não conseguisse obter o pagamento das aulas da universidade de volta, não conseguiria um empréstimo bancário, não poderia ganhar o dinheiro de forma legal, e com certeza não podia rastejar de volta a seus pais e pedir emprestado o dinheiro deles, havia realmente apenas uma opção deixada em aberto.

 

Ele correu para fora do escritório antes que pudesse se lembrar exatamente o porquê ele tinha escolhido ser jogado aos leões, em vez de pedir dinheiro emprestado a Jason Burrows, em primeiro lugar.

 

― O que você quer?

 

Ryland respirou fundo. O cara que tinha atendido a porta de Jason Burrow tinha obviamente, assistido a muitos filmes da máfia. Ele estava usando óculos escuros em um ambiente fechado. Não estava nem mesmo ensolarado lá fora. Por alguma razão, foi esse detalhe um pouco estúpido que trouxe tudo isso a tona pra ele. Ele estava efetivamente fazendo negócios com o tipo de homens que pensavam que colocar cabeças de cavalos mortos na cama de outros caras em camas de outros era um modelo.

 

O homem na porta entreabriu os lábios.

 

Ryland não lhe deu a chance de repetir a pergunta, ou dizer-lhe para cair fora e parar de desperdiçar o tempo também. ― Duas mil libras.

 

O cara olhou para ele como se tivesse perdido a cabeça.

 

― Quero pedir emprestado 2.000 mil ― Ryland reformulou desesperadamente tentando não soar tão assustado com esse fato quanto ele realmente estava.

 

O cara deu um passo atrás pra deixá-lo entrar. Poucos segundos depois, Ryland ficou na frente de Jason Burrows. Ele o tinha visto em torno da universidade. Política, Filosofia e Economia. Ele era supostamente um gênio em todos os três temas - nas ocasiões em que ele tinha sua mente em seus estudos, em vez de ocupa-la com emprestar dinheiro a todos os outros estudantes. E de se certificar que ele conseguisse o dinheiro de volta, é claro. Dizia-se que era parte do negócio que Jason começasse.

 

Logo em seguida, o rapaz tinha outras coisas além de dinheiro em sua mente, principalmente o homem que estava ajoelhado em frente a cadeira de Jason com a boca em volta do seu pênis.

 

Ryland não estava certo de qual expressão passou em seu rosto quando percebeu exatamente no que ele estava entrando, mas isso fez Jason rir. O agiota tomou um gole de sua cerveja e descansou a cabeça contra a parte traseira profundamente amortecida de sua cadeira, obviamente apreciando seu desconforto. Ryland automaticamente deu um passo para longe da cena. Ele deu um passo atrás e virou-se se apoiando no musculoso que tinha atendido a porta.

 

― Quer tomar dinheiro emprestado ― resmungou o porteiro.

 

Ryland engoliu seus nervos e obrigou-se a encontrar os olhos de Jason e ignorar o que estava acontecendo mais abaixo. Tecnicamente, ele sabia que eles não estavam fazendo nada que ele não tinha feito em seu escritório com Arslan. Ele também estava ciente, de uma forma estritamente teórica, que não era mais público do que o que tinha feito com um leão em frente de uma lareira não há muito tempo.

 

A comparação não ajudou, apenas lembrou-lhe de que ele estava tão longe quanto possível de se sentir como quando estava com Arslan.

 

― Duas mil ― repetiu ele. ― Eu preciso pedir emprestado £ 2.000, por favor.

 

― Em que condições?

 

Os olhos de Ryland caíram contra sua própria vontade. Ele arrastou seu olhar de volta para os olhos do homem. ― Seja qual for o interesse percentual financeiro que você normalmente cobra de um homem que só pode pagar de volta um pouco de cada vez? ― sugeriu.

 

Houve uma breve pausa nas negociações quando as mãos de Jason cerraram em torno dos braços de sua cadeira e ele gozou na boca do homem ajoelhado aos seus pés. Ryland voltou sua atenção para o tapete e não olhou para cima até que Jason falou.

 

― Venha aqui .

 

Para seu intenso alívio o homem havia endireitado suas roupas antes que o chamasse para frente. Ryland se aproximou, até que parou a poucos metros da cadeira de Jason.

Uma grande mão pousou em seu ombro e empurrou-o para baixo em seus joelhos na frente de Jason. Ryland lutou para subir de volta a seus pés. Levou menos de um segundo para que ele percebesse que não havia nenhuma maneira no inferno de que ele ia se livrar do aperto do porteiro em seu ombro. Jason agarrou seu queixo e segurou seu rosto parado.

 

Ryland congelou.

 

― Bonito o suficiente ― Jason observou.

 

Ryland olhou para ele, preso onde ele ajoelhou-se, nem mesmo capaz de arrastar fôlego em seus pulmões e ventilar corretamente.

 

― Você pode ter o seu empréstimo. ― Jason largou a mão de seu rosto, mas a do outro homem em seu ombro o manteve ajoelhado onde ele estava.

― Eu não posso... ― Ryland soltou. ― Isto não é o que eu... ― Ele nunca seria capaz de explicar a Arslan se ele concordasse em pagar o empréstimo assim.

 

― Não lisonjeie a si mesmo, bonito. Eu nunca me vi a ponto em alugar meninos por hora, quando posso ficar muito melhor de graça.

 

O olhar de Ryland piscou para o homem sentado no chão a poucos metros dele. Ele não parecia como alguém que pagava uma dívida. No final, ele parecia muito feliz com o mundo inclinando-se para trás contra a base de outra poltrona. Ele também parecia notavelmente com Mark Jefferies, um dos estudantes do segundo ano que Ryland tinha visto vagando ao redor do Edifício de matemática, geralmente com uma expressão um pouco perdida em seu rosto, como se ele fosse se aventurar em um território desconhecido.

 

Se os trabalhos que ele folheou enquanto estava coletando-os do escritório do professor de Matemática Junior estava qualquer coisa perto, o cara também estava cerca de uma semana longe de ser reprovado completamente em seu curso.

 

Ryland soltou um pequeno suspiro de alívio quando percebeu que os rumores sobre Jason eram apenas fofoca de estudantes. Então, antes que pudesse trabalhar em como enquadrar um pedido de desculpas por simultaneamente chamar um homem de uma prostituta e outro de cafetão, Jason continuou.

 

― Ainda assim, você é bonito o suficiente para que caso não possa manter os reembolsos, arranjará homens que o ajudaram com o dinheiro. ― Sua voz era completamente inexpressiva. Ele não estava brincando. Não era um boato.

 

Jason fez um sinal para o estudante de matemática. Mark saiu do campo de visão Ryland.

 

Quando ele voltou, jogou dois maços de notas a ele. Ele não parecia tão perdido aqui como fazia no Edifício de matemática. Ele o analisou profundamente em pensamento parecendo estudar Ryland com muito cuidado.

 

― Os juros são 200 por mês ― Jason disse a ele. Ryland colocou sua atenção de volta nele. ― Primeiro pagamento devido no final deste mês.

 

Ryland acenou com a compreensão, agarrando apertando as notas na mão. ― Eu vou fazer os pagamentos a tempo.

 

Jason deu de ombros como se não fizesse diferença para ele de qualquer maneira. Ryland adivinhou que realmente não importava para Jason, se ele desse a garantia sobre o empréstimo. O porteiro finalmente tirou a mão do ombro, permitindo-lhe subir para seus pés.

 

O capanga de Jason o colocou de volta na calçada fora da casa, Ryland fez um esforço consciente para empurrar todos os pensamentos longe de Jason e como ele conseguiu se apossar do dinheiro no bolso de sua cabeça. Estava feito. Não poderia ser desfeito. Não havia nenhum ponto em se preocupar com isso, ou sobre os reembolsos.

 

Jason podia o assustar como o inferno, mas Arslan era no que ele tinha de se concentrar agora. Quando isso caiu sobre ele, pensou que poderia lidar com Jason pensando que ele era um menino alugado esperando, desde que lhe deu os meios para fazer com que Arslan soubesse malditamente que ele não era um michê.

 

Na viagem de ônibus para o pub Kershaw do outro lado da universidade, ele manteve esse pensamento em sua mente, e sua mão direita no bolso, segurando as notas como se pudessem evaporar, se deixadas sozinhos por um breve segundo.

 

Desta vez, não houve minutos desperdiçados angustiado ao longo da calçada em frente ao pub debatendo se ele deveria ir para dentro ou não. Com a necessidade de ter tudo resolvido entre ele e o professor queimando dentro dele, não havia um segundo a perder. Marchou em linha reta até o homem sentado em uma das cabines ao longo da parede traseira do edifício.

 

― Eu quero ser jogado aos leões.

 

Kershaw levantou os olhos do jornal. Olhando por cima de seus óculos, ele passou os olhos sobre o corpo de Ryland. A última vez que ele tinha feito isso, Ryland estava de pé em um dos quartos do fundo do clube nu até as bolas. Não era uma memória particularmente agradável. Ele esperou impacientemente que o outro homem a dissesse alguma coisa, mas Kershaw apenas olhou de volta para o artigo que ele estava lendo. Ryland franziu o cenho. ― Eu disse, eu quero...

 

― Eu ouvi você.

 

Ryland respirou fundo e apertou o controle sobre o dinheiro no bolso.

 

― Volte na próxima semana.

 

― O quê? ― Ryland balançou a cabeça. ― Não. Eu não posso. Tem que ser...

― Você vai voltar ― disse Kershaw olhando seu jornal enquanto virava a página, lambendo o polegar para obter um controle sobre as pontas teimosas.

 

Ryland hesitou, se perguntando se o cara só tomava conhecimento dos homens que não estavam usando nenhuma roupa. Se ele não conseguiria lhe levar a Arslan sem uma 'audições' novamente, ele realmente desejava que o outro homem simplesmente cuspisse para que ele pudesse acabar logo com isso.

 

― Ou você gostou do dinheiro ou você gostou de estar com os leões. De qualquer maneira, você vai voltar na próxima semana, e na semana seguinte, e na semana seguinte também. Seu tipo sempre volta, uma vez que tem um gosto disso.

 

― Eu não...

 

― Junte-se à fila. ― O homem mais velho colocou seu fascínio de seu jornal de lado por um momento e analisou Ryland de cima a baixo de novo, os lábios se contraindo enquanto pensava. ― Se eu ficar sem sangue fresco para eles, você pode ter outra chance algum dia. Deixe o seu nome e número no bar e...

 

Ryland balançou a cabeça. ― Você não entende. Falei com... um dos leões, e...

 

O olhar nos olhos do homem fez parecer que ele já tinha ouvido tudo isso antes e não estava nem um pouco interessado em ouvir tudo de novo.

 

Desespero correu através dele, Ryland não conseguia pensar em mais nada para fazer, ele puxou o dinheiro para fora do bolso e deixou-o cair sobre a mesa na frente de Kershaw.

 

O outro homem parou de ler o jornal.

 

― Esse é o dinheiro que você me pagou pela última vez. Você pode tê-lo de volta. Eu não quero ser pago por esta semana também. Eu só quero que você me leve à cova dos leões e me deixe lá.

 

― Já me ofereceram muito mais do que isso para informações sobre a cova.

 

Todo o oxigênio sumiu da sala. Ryland fechou os olhos com a possibilidade muito real de que ele não estaria lá como Arslan esperava, fez seu sangue gelar.

 

Alguém puxou o dinheiro debaixo de sua mão.

Ryland arremessou de volta seus olhos abertos e apertou ainda mais. Ele encontrou os olhos do homem.

 

― Este é o dinheiro que você teria de pagar-me por mais uma noite, que é quatro mil. Quatro mil libras que seus empregadores vão acreditar que você pagou. Dinheiro que você pode manter para si mesmo, livre e esclarecido.

 

Kershaw considerou a equação um pouco.

Ryland engoliu um gosto amargo na parte de trás da boca. Ele tinha estado disposto a se prostituir por metade disso. A ideia de que o homem na frente dele não estava disposto a joga-lo em um carro por duas vezes seu preço embrulhava seu estômago, mas de alguma forma ele conseguiu empurrar sua repulsa de lado.

 

― Eu posso conseguir mais dinheiro se for preciso ― Ryland sussurrou. Seu tom de voz tinha um pouco de súplica. Tanto quanto ele odiava admiti-lo, mesmo dentro de sua própria cabeça, ele sabia que ele ia descer de joelhos e implorar se isso fosse necessário.

 

O homem estudou-o com muito cuidado. Ele olhou de volta para o dinheiro.

 

― Pode haver um espaço disponível na próxima semana ― ele meditou.

Ryland prendeu a respiração. Arslan poderia entender a necessidade de esperar uma semana. Na próxima semana parecia como uma vida de distância, mas não parecia a sentença de morte mesmo sem um título definitivo. Ele podia sobreviver mais uma semana.

 

Kershaw olhou para cima, depois de volta para o dinheiro.

 

― Quanto mais você precisa? ― Ryland perguntou.

 

― Há dois mil aqui? ― O cara perguntou.

 

Ryland assentiu.

 

O homem olhou para o dinheiro por um longo tempo. ― Isso está bom.

Ryland apertou ainda mais sobre as notas novamente. ― Quando eu chegar a casa, vou dar o dinheiro para o motorista.

 

Os lábios do outro rapaz se contraíram em um pequeno sorriso. ― Não é tão estúpido como você parece. ― Ele acenou com a cabeça em sua admissão. ― No próximo sábado. Mesma hora que antes. Se você estiver atrasado, você não terá outra chance.

 

Ryland assentiu. Ele teve a sensação horrível de que estava entrando em algum tipo de armadilha, e uma sensação ainda pior de que, mesmo sabendo isso estava indo continuar de qualquer maneira.

 

― Você está obviamente apaixonado por um deles. Significa que não vai ter um pouco de paz até que eu jogue você para o gatinho de novo.

 

Ryland baixou o olhar, mas não se preocupou em discutir com a avaliação do homem mais velho da situação. Ele nunca tinha sido um bom mentiroso.

 

― Criança?

 

Ryland parou e olhou por cima do ombro.

 

― Você é aquele que não foi conduzido de volta aqui na semana passada, certo?

 

Ryland assentiu.

Kershaw o estudou por um momento antes de acenar em despedida.

Ryland balançou a cabeça enquanto saiu da sala. Paz e sossego? Certo. Mas como Kershaw não queria correr o risco de chatear os leões se Ryland estivesse dizendo a verdade sobre ter um acordo com um deles.

 

Quando Ryland saiu do pub, ele parou na calçada procurando um caminho na estrada tranquila, depois outro, como se um sinal de néon piscando pudesse aparecer gritando que era desta forma que se chegava à cova dos leões.

Nenhum sinal apareceu, nem mesmo um pequeno apagado e minúsculo.

Não sabendo mais o que fazer, Ryland automaticamente percorreu seus passos para o ponto de ônibus. Quando a coisa espancada e velha afastou-se 20 minutos mais tarde, ele tentou fechar os olhos e viajar cego na esperança de que poderia recuperar um pouco de memória sobre o caminho que o seu passeio com olhos havia levados aos leões.

 

Não ajudou. Isso só fez com que quando abrisse os olhos, todas as outras pessoas no ônibus estavam lhe olhando engraçado. Afundando um pouco em seu assento, ele tentou parecer tão discreto como possível. Não ajudou. Eles ainda estavam olhando para ele quando desceu do ônibus na parada mais próxima de sua casa.

Ele andou o mais rápido que pôde, ansioso para obter o dinheiro escondido em algum lugar seguro.

Fred acenou freneticamente para ele através da janela da sala enquanto ele caminhava até o caminho, seu espetado cabelo loiro esvoaçante em torno de sua cabeça enquanto seus movimentos se tornavam mais e mais dramáticos.

Ryland hesitou. Ele nunca tinha sido bom em charadas e ele realmente não estava no humor.

Se Fred tinha outro homem ali, era justo. Ryland estava muito feliz por ele, ou pelo menos disposto a acenar e sorrir e fingir que estava feliz por ele. Mas se ele achava que havia alguma maneira no inferno de que ia dormir fora de casa para que ele pudesse ter alguma privacidade e transar, hoje de todos os dias...

 

As mãos acenando ficaram ainda mais frenéticas.

Ryland suspirou e andou os últimos passos até a porta da frente. ― O que deu em você? ― ele exigiu quando Fred correu para a sala para cumprimentá-lo.

― Você tem um visitante ― disse Fred. ― Eu realmente sinto muito. Eu tentei me livrar dele, mas ele não ouviu uma palavra e realmente me assustou, e disse que eu não te telefonasse e avisar que ele estava aqui, e...

Ryland estava na metade do caminho até as escadas antes que seu amigo pudesse dizer outra palavra. Ele só conhecia um homem que pudesse colocar uma pessoa em pânico apenas aparecendo. Empurrou a porta do quarto, esperando encontrar Arslan e uma pasta cheia de ensaios de história sentados em sua cama.

 

― Jason não gosta de ficar esperando.

 

Ryland apenas olhou para o cara que iria deixá-lo na casa de Jason. O que diabos você está fazendo aqui? Saia do meu quarto! As palavras permaneceram dentro de sua cabeça. ― Eu não o mantive esperando ― soltei. ― Eu tenho até o final do mês para fazer o primeiro pagamento.

 

O cara agarrou-me pelo ombro. ― Parece que você tem um talento que se esqueceu de mencionar a Jason, quando ele estava calculando os juros sobre o empréstimo.

― Do que você está falando? Me solta. ― Ryland se contorcia dentro do aperto do outro homem. Sua luta fez pouca diferença na hora, em seguida, ela fez quando estava ajoelhado em aos pés de Jason.

 

Arslan recostou-se na sua cadeira, ouvindo a tagarelice ociosa dos leões mais jovens com a metade de sua atenção enquanto esperava escutar uma caminhonete chegar.

 

― O que te colocou de tão bom humor? ― Blaine perguntou movendo-se para o estande quadrado na frente dele.

 

Arslan levantou uma sobrancelha.

 

Blaine não deu atenção. Ele parecia sentir que o líder de seu Orgulho estava de bom humor o suficiente para aguentar a sua idiotice por uma vez. Arslan sorriu levemente. Se ele conseguia ler algo bom sobre ele, talvez o menino estivesse finalmente começando há aprender um pouco depois de tudo.

 

Luther veio por trás do outro leão e passou os braços em torno dele. Blaine se inclinou para trás e murmurou sua aprovação na maneira como seu amante lambeu seu pescoço.

 

― Não é possível que vocês dois esperem que o maldito humano chegue aqui? ― Outro leão clamou até eles. Blaine levantou dois dedos até o outro leão, nem mesmo se preocupando em virar e encara-lo.

 

Arslan acomodou-se mais confortavelmente no sofá e deixou que eles brigassem.

 

― Você poderia fazer coisas melhores com esses dois dedos ― o outro leão riu. ― Nenhum de vocês pode manter um humano feliz em seu próprio país, pode?

 

Luther rosnou e pulou no leão, derrubando-o no chão e rolando no tapete com ele. Não houve berros, miados ou ruges reais. Arslan estava contente em deixá-los trabalhar isso por conta própria. Blaine pareceu ter chegado à mesma decisão. Sua atenção firme em seu líder. ― Existe qualquer ponto em nós esperarmos o humano, ou este sacrifício já acabou?

 

Arslan não sabia o que mostrou em sua expressão. Ele era muito melhor em esconder seus pensamentos do que isso. Mas ele deixou um sorriso triste deslizar sobre sua face de propósito.

 

― Vá brincar com os outros ― disse ao jovem leão. ― Haverá tempo suficiente para falar sobre o sacrifício mais tarde.

 

Blaine sorriu com o reconhecimento de que tinha razão em adivinhar o porquê de Arslan deixá-lo ter seu momento de saborear o sucesso. O mais jovem leão merecia. Ele estava mostrando sinais de crescimento, mesmo que ainda não tenha entendido que um homem não tinha necessidade da companhia de outro leão para apreciar o que um ser humano lhe oferecia.

 

Cascalho foi esmagado na estrada. Um motor de carro calou-se fora da casa. Arslan forçou si mesmo a ficar em sua cadeira, enquanto Blaine e Luther pararam de brigar com os leões e correram para ver o que seu arranjo com os humanos tinha trazido a sua porta naquela noite.

 

Segundos que levaram uma vida. A figura nua foi levada para a sala. A respiração parou na garganta de Arslan quando o jovem foi empurrado no tapete em frente ao fogo.

 

Pele pálida. Loiro. Linhas magras de músculo. Uma fonte aparentemente inesgotável de nervos. Mas não era a pele certa, o cabelo certo, a energia nervosa certa.

 

Luther limpou a garganta.

 

A atenção de Arslan foi em direção dele. Ele acenou com a mão passando seu direito de ter a primeira reivindicação sobre o estranho.

 

Ainda assim, nenhum outro leão aproximou-se do ser humano em seu meio. Toda a sala prendeu a sua respiração. Havia alguns segredos em um Orgulho, nas melhores horas. Não haveria um homem naquela sala que acreditaria nele se ele lhes dissesse que não esperava por Ryland esta noite.

 

Bem ciente de que todas as nuances de sua reação estavam sendo observadas, seriam lembradas, ele se virou para Blaine e Luther e calmamente acenou para eles para que fossem jogar se tinham algum interesse.

 

Não precisou de um segundo convite. Ambos se adiantaram, um atrás do homem e outro na frente.

No momento em que ele os ouviu verificar que o homem sabia como terminar o jogo se ele não quisesse mais jogar, Arslan voltou sua atenção para longe deles. Olhando cegamente na parede oposta, ele mentalmente se esforçou em descobrir o que tinha dado errado agora.

 

― Sinto muito .

 

Arslan olhou à sua esquerda. Kefir ocupava a outra extremidade do sofá, enrolado em uma pequena bola, mais como um gatinho do que qualquer leão que Arslan já havia conhecido. Preocupação ecoou nas palavras do leão mais jovem. Arslan não fez nenhum comentário.

 

“Ele não se tornaria seu companheiro esta noite?”

 

Arslan cerrou os dentes. O leão mais jovem do seu orgulho não tinha mostrado o menor interesse em qualquer uma das oferendas humanas enviadas. Tanto quanto Arslan estava ciente, não tinha demonstrado qualquer tipo de interesse íntimo nos outros leões também.

 

Ele forçou uma respiração profunda em seus pulmões enquanto jogava com o tempo. Líderes faziam isso mesmo quando não era conveniente. Esse conhecimento esteve por tanto tempo em sua consciência que se tornou algo em que ele nem mesmo pensava. Líderes ensinavam os leões em seu Orgulho a maneira direita de se viver suas vidas, eles respondiam as perguntas, mesmo quando doíam.

 

― Era uma possibilidade ― ele finalmente reconheceu.

 

― Mas não mais? ― Kefir perguntou.

 

Arslan tomou outra inspiração profunda e soltou muito lentamente, mas ele já sabia o que um líder deveria dizer. ― Humanos não são como nós. Concessões devem ser feitas para eles. ― Isso foi quase palavra por palavra do que um leão mais velho tinha dito a ele quando ele tinha quase a mesma idade de Kefir. ― Eles não podem ser culpados por não agir como leões, por não agir de uma forma que um leão espera.

 

Kefir assentiu. Ele não parecia totalmente convencido. Arslan não podia realmente culpa-lo. Ele não tinha certeza se as palavras soavam criveis em seus lábios. Falar de espera era uma coisa, mas no momento em que os outros leões estavam fora da cova, no final da noite e os seus deveres para com o Orgulho haviam terminado, as roupas de Arslan continuavam em seu corpo e seu carro o levava para a casa de Ryland.

 

O homem que abriu a porta de Ryland era jovem e loiro semelhante a Ryland em muitas maneiras. Mas ele não era Ryland.

 

― Ryland está aqui?

 

O cara chacoalhou a cabeça. O movimento foi irregular, como uma marionete cujas cordas não estavam muito firmes. Ele parecia estar a um passo de um colapso nervoso.

 

― Onde ele está? ― Arslan exigiu.

 

― Eu...― o cara pigarreou e aparentemente colocou muito esforço em lembrar como não falar em soprano. ― Um dos seus amigos o pegou na terça.

 

Arslan franziu a testa para baixo, ao jovem. ― O quê?

 

― Cara tipo uma parede de tijolos. Tattoo de cobra no braço. Ryland saiu com ele e...

 

― Onde?

 

― Não disse. ― O companheiro de quarto de Ryland guinchou fora.

 

― Se isso for algum tipo de piada ― advertiu Arslan.

 

O companheiro de Ryland não estava tão cheio de medo que era incapaz espremer uma dose saudável de raiva, dado o incentivo certo. ― Você acha que eu estou brincando sobre isso? Quem diabos você acha que vai ter que dizer a sua família que seu filho está desaparecido da face da terra? ― gritou. ― Só porque eles não querem ter nada a ver com ele, não significa que eles não vão estar realmente chateados comigo por...

 

― Basta!

 

O outro homem ficou em silêncio.

 

― Você sabe onde Ryland está?

 

O cara balançou a cabeça. ― Ele deixou uma mensagem dizendo que estava bem e para não se preocupar com ele. Ele não parecia bem.

 

Arslan agarrou o braço do jovem e o empurrou de volta para a casa. Adentrando em uma sala de estar, ele empurrou o amigo de Ryland para baixo em um sofá surrado e de idade. ― Inicie novamente desde o começo.

 

― Me desculpe, eu não posso comparecer a ... a ... ― Ryland fechou os olhos por um momento. Se ele dissesse palestra, então seria óbvio que estava conversando com um professor. ― Isso, eu não posso fazer hoje, senhor. Tudo está bem. Eu vou explicar tudo na próxima vez que eu ver você. ― Ele desligou antes que pudesse cometer o erro de dizer mais.

 

Poderia ter sido uma mensagem um pouco mais coerente do que a última que ele deixou para Arslan. Ele não tinha certeza de mais nada. Ele esfregou em sua testa. Quanto mais tempo ele estava longe do outro homem, mais a confusão em seus pensamentos parecia aumentar.

 

A cada dia que passava, era mais difícil de ser consciente de qualquer coisa, exceto o quanto ele queria estar de volta com o professor.

 

― Você quer um pouco de privacidade para fazer outra chamada? ― Mark Jefferies ofereceu, olhando dele ao telefone e de volta a ele, simpatia brilhando em seus olhos.

 

Ryland balançou a cabeça e traçou os dedos sobre as teclas do telefone. ― Está tudo bem. Eu só queria que ele soubesse que estou bem.

 

― Você está bem?

 

― Claro. ― Ele tinha a nítida impressão de que Mark não acreditava em uma palavra dele. ― Vou me sentir muito melhor sobre o assunto uma vez que a dívida estiver liquidada.

 

Mark sorriu ligeiramente. ― Você não é o único.

 

Ryland conseguiu raspar um sorriso para o outro homem.

 

Mark suspirou e olhou de volta para a porta do outro lado do corredor. ― Melhor devolver isso antes que Jason nos pegue. ― Com um relance ao telefone, Ryland seguiu Mark de volta na sala que tinha se tornado sua nova casa na última semana.

 

Ele tentou empurrar o professor para fora de sua mente e apenas seguir com isso, mas ele não poderia evitar pensar que a cada dia que ele passou longe do outro homem era como uma forma ligeiramente mais horrível de tortura que o dia anterior.

 

― Hum, oi. Eu só... eu posso explicar porque eu não estive lá, Senhor. Não é... quer dizer... ― A palavra desbotou em um suspiro. ― Alguma coisa surgiu de repente e... tudo está um pouco complicado, Senhor. Eu vou explicar assim que eu tiver a chance.

 

Arslan pressionou o botão em seu telefone. A próxima mensagem entrou.

 

― Me desculpe, eu não posso comparecer a... a... ― Alguns segundos de silêncio jogaram através do alto-falante. Arslan prendeu a respiração, tal como tinha feito toda vez que ouvia a mensagem de novo, apenas no caso de poder compreender algo mais depois do momento de hesitação. ― Isso, eu não posso fazer hoje, Senhor. Tudo está bem. Eu vou explicar tudo na próxima vez que eu ver você .

 

Depois de passar os últimos dois dias caçando o menino e não ser capaz de encontrar ele ou qualquer um que se assemelhasse a uma parede de tijolos com uma tatuagem de cobra, a mensagem que ele tinha descoberto quando finalmente, verificou sua secretaria eletrônica em seu escritório tinha deixado um inferno de muito a desejar. A nova que tinha vindo antes que chegasse ao escritório naquela manhã não tinha sido melhor.

 

Nenhuma informação concreta. Apenas um tom de voz que deixou claro que Ryland estava tentando esconder sua dor de seu mestre, e falhando.

 

Arslan rosnou para a máquina, apenas resistindo à tentação de jogá-la na parede. Tocou, aparentemente com medo. Arslan arrebatou o telefone fora do gancho antes do primeiro toque atingir o ar.

 

Não era Ryland. Não eram notícias sobre Ryland. Arslan colocou o telefone de volta em seu berço e passou a mão pelo rosto.

 

Arremessando-se de volta na cadeira em sua mesa, ele olhou para o telefone. Ele não parecia estar inclinado a tocar no comando novamente.

 

Dois dias a procura de Ryland lhe deu a informação de que o jovem não tinha sido visto em seu escritório no departamento de matemática ou em qualquer lugar ao redor da universidade desde a sua reunião no escritório de Ryland na última terça-feira. Fred havia sido ordenado a fazer perguntas educadas em sua casa. Ele não havia entrado em pânico e fugiu para lá. As únicas evidências que sugeriam que Ryland não tinha desaparecido da face da terra eram as três mensagens eletrônicas. Uma mensagem para Fred no dia que Ryland desapareceu. Uma para seu mestre, que veio depois de alguns minutos que ele saiu para o fim de semana na sexta-feira anterior. E agora uma advertência a seu professor para não esperar por ele na palestra, naquela tarde.

 

O conhecimento de que seu animal de estimação tinha desaparecido a um local não revelado por um não especificado período de tempo não era melhor que não saber de nada.

 

Tudo o que ele tinha certeza era que Ryland estava vivo e razoavelmente bem naquela manhã. O fato de que ele estava vivo deu-lhe o alívio suficiente para Arslan tomar uma respiração profunda e repetir a informação mais de uma vez, dentro de sua cabeça, apenas para a alegria de saber.

 

O único outro detalhe que percebeu era que alguém estava escutando a ligação de Ryland.

 

O professor olhou para suas garras. Esse alguém ia ter um inferno de um monte de coisas a explicar quando Arslan o pegasse. Se houvesse uma única marca em Ryland, nenhuma explicação ia ser suficiente.

 

Quatro dias depois, Arslan invadiu a cova dos leões. As marcas de pneu na garagem explicitando que o sacrifício já havia sido entregue ao Orgulho. A perspectiva de ver outro menino loiro bonito que não fosse Ryland de pé no tapete fez muito pouco para fazê-lo se sentir melhor sobre o mundo.

 

Ele vacilou e parou no limiar, tão exausto que não estava imediatamente certo se sua mente estava brincando com ele.

Ele virou-se lentamente em direção à porta de acesso à biblioteca. Os outros leões estavam lá, assim como ele sabia que eles estariam. Um humano nu, estava no meio deles, assim como ele esperava.

 

Ele observou, congelado no lugar como vários dos leões circulavam o jovem no meio. Os outros leões estavam tão focados em qualquer jogo que estavam jogando, que não o tinha ouvido entrar no edifício.

 

Seu rugido pegou a todos desprevenidos.

 

Quando ele lançou-se através da porta, Arslan era inteiramente humano. Até o momento que caiu no meio do Orgulho dispersando, ele era todo um leão. Sacudindo a juba, ele impacientemente deixou de lado os restos de suas roupas rasgadas.

 

Apenas um homem permanecia no lugar, enquanto os outros fugiram.

 

Ele ficou imóvel no meio do tapete da lareira, todo amarrado da mesma forma estúpida que os humanos sempre insistiam em oferecer os sacrifícios. Não era tanta bravura como o instinto de uma presa que congela quando ouve o rugido de um predador. Mesmo sabendo isso, Arslan ainda encontrou-se se sentindo orgulhoso do seu animalzinho de estimação por se manter firme enquanto os outros leões não tinham.

 

Enquanto o líder do Orgulho olhava para os cantos da sala, nenhum dos leões mais jovens se atreveu a levantar os olhos. Nenhum deles se moveu. Mesmo Blaine e Luther pareciam ter percebido que tinham ido longe demais desta vez. Circular Ryland como se fosse um humano qualquer, em torno dele quando não podiam deixar de sentir seu medo...

 

Arslan rosnou circulando Ryland por si mesmo, suas garras pegando no tapete da lareira enquanto um temperamento humano se misturava com o instinto de um leão para proteger seu companheiro, e ambos pediam para ser dada rédea solta. Os outros leões pressionavam-se nos pontos mais longínquos da sala enquanto suas compreensões da situação se aprofundavam.

 

Um tronco crepitava na lareira. Um suspiro de Ryland chamou a atenção Arslan de volta a seu companheiro.

 

Mudando de volta a sua forma humana, ele ficou atrás do jovem. Ele correu inteiramente os olhos sobre cada centímetro do corpo nu de Ryland. Não vendo nada que a vista do leão tinha perdido. A pele pálida não tinha quaisquer contusões, nem cicatrizes.

 

Respirando fundo, Arslan encheu seus pulmões com o cheiro de Ryland, preenchendo sua mente com as emoções de Ryland. Seu animalzinho de estimação estava cansado e ansioso, mas isso parecia ser o pior. Ryland estava de volta. Ele estava seguro e ao que tudo indicava, ileso por seu tempo longe do Orgulho. Arslan soltou a respiração quando alívio inundou suas veias.

 

― Senhor? ― O jovem sussurrou.

 

O alívio de Arslan não foi suficiente para enxugar todas as outras emoções que queimaram seu caminho através de sua mente, como ele procurando e não encontrando o outro homem. ― Você desapareceu. ― A acusação pairou entre eles, cada palavra atada com uma raiva que Arslan não foi forte o suficiente para manter escondida de seu animalzinho.

 

Ryland engoliu rapidamente, mas não disse nada.

 

― Fale! ― Ele tinha que ouvir o outro homem falar.

 

Um ruído de choque escapou de entre os lábios de Ryland. Ele engoliu em seco e tentou novamente. ― Eu dei o dinheiro de volta.

 

Arslan franziu a testa o máximo que pode com a pouca expressão de seu amante visível a ele. Foi impossível obter qualquer sentido real no que o jovem estava pensando enquanto seus olhos estavam escondidos.

 

Um segundo de trabalho sobre a venda e rasgou-a fora dos olhos de Ryland. O homem piscou para Arslan, em seguida, rapidamente olhou para baixo.

 

Arslan estudou seu animal de estimação por vários segundos de duração. Ele estava com medo agora. Não como quando os outros leões estavam circulando ele. Seu cheiro fez parecer como se ele estivesse com muito mais medo de explicar suas ações ao seu mestre do que ele tinha estado de qualquer outra coisa.

 

― Fora. Todos vocês ― Arslan ordenou a outros leões.

 

Ele foi vagamente consciente dos outros homens enquanto eles se moviam furtivamente para fora do quarto e fechavam a porta suavemente por trás deles, mas ele não quebrou o contato visual com Ryland para vê-los sair.

 

― Você está de volta com seu mestre agora, você está seguro ― ele lembrou seu companheiro.

 

Ryland não pareceu ter a garantia que ele deveria ter a partir da declaração. Arslan correu seus olhos sobre o corpo do jovem mais uma vez. Cada instinto que possuía lhe disse que o jovem não tinha sido ferido enquanto estava longe de seu Orgulho, mas naquele momento, seus instintos não sentiam o suficiente, não com um ser humano. A ideia de que seu animal de estimação pudesse ter se ferido e que seu mestre fosse incapaz de dizer borbulhou em seu estômago, e ele nem sabia como perguntar ao outro homem a verdade.

 

Os humanos não eram leões. Eles tinham que ser protegidos e acarinhados e mantidos seguros no centro de qualquer Orgulho que os tomasse. A consciência de que ele já tinha falhado com Ryland a esse respeito uma vez, fez a determinação de Arslan em nunca deixar acontecer novamente dobrar mais e mais dentro dele.

 

Foi exacerbado então pela sua súbita incerteza sobre o quão bem ele poderia ler um ser humano por seu perfume.

 

Ele não poderia cuidar de seu amante do jeito que devia se Ryland ia desaparecer. Ele não poderia recuperar seu animalzinho de estimação a partir de qualquer problema que ele se metesse se seu animal de estimação não lhe desse a informação adequada quando a oportunidade se apresentava.

 

― Você sabia onde você estava? ― Arslan perguntou.

 

Ryland hesitou.

 

Arslan franziu o cenho. A resposta deveria ter sido uma mera formalidade. O jovem não devia ter de hesitar antes de deixar o seu senhor saber que ele não poderia ser responsabilizado pelo que aconteceu.

 

A carranca se aprofundou. ― Quando você deixou a sua mensagem, você sabia onde você estava? ― Empurrou.

 

O jovem balançou a cabeça, apenas uma vez, um movimento quase pequeno demais para ser percebido.

 

― Você não disse a seu mestre onde encontrá-lo ― Arslan tentou manter a raiva para fora de sua voz. Ele não foi inteiramente bem sucedido. Suas mãos se fecharam em punhos aos seus lados. Desesperado para alcançar o outro homem, ele se sentiu cauteloso com seu animal de estimação de uma forma que ele nunca estaria se estivesse cara a cara com um amante felino.

 

Ryland teve que limpar a garganta antes que pudesse lançar uma resposta, passado seus nervos. ― Desculpe me, Senhor. Eu não estava sozinho quando eu fiz as chamadas.

 

As garras de Arslan cravaram-se em sua palma. Ele havia imaginado que ele não estava sozinho a partir da mensagem, e até mesmo se ele não tivesse, ele não tinha razão para acreditar que Ryland iria mentir para ele. Mas alguma coisa sobre as informações oferecidas por Ryland estava errada. Cada instinto que Arslan possuía gritou que ele não era o único que achava que soava como uma desculpa. Ryland concordou com isso.

 

Quando ele viu o olhar nos olhos do jovem, qualquer dúvida que Arslan poderia ter se agarrado desapareceu, deixando para trás a certeza absoluta de que Ryland tinha ficado longe do Orgulho por nenhuma outra razão além de que tinha escolhido isso.

 

― Não vai acontecer outra vez, Senhor ― prometeu Ryland, as palavras tropeçando umas nas outras enquanto ele correu para pronuncia-las.

 

― Não vai ― Arslan concordou. ― Porque eu não tenho nenhuma intenção de permitir que você fique fora da minha vista novamente. ― Se não podia confiar em Ryland para não vaguear fora por conta própria e colocar-se no que sabia ser algum tipo de perigo, ele seria mantido perto e negado a oportunidade de fazê-lo.

― Sim, senhor. ― Ele soou como se não conseguisse pensar em nada que preferisse fazer mais do que passar o resto de sua vida sentado calmamente ao lado de seu mestre, onde seria mais fácil para seu amante manter um olho nele.

 

Os ombros de Ryland se contraíram, como se ele estivesse tão ansioso para chegar a seu mestre, que ele esqueceu que seus pulsos ainda estavam vinculados com os punhos da forma que os humanos pareciam tão afeiçoados. Descobrindo-se incapaz de tirar as mãos de trás das costas, o jovem tomou meio passo a frente e trouxe seus corpos inteiramente mais próximos. Então ele hesitou, como se duvidando de ser bem-vindo.

 

Arslan ergueu a própria mão ao seu lado. Ele desfez seu punho e deslizou uma mão no cabelo do jovem. A outra mão seguiu o exemplo. Ele acariciou ao longo das costas do outro homem, guiando ele para dar o último passo a frente e chegar corretamente de volta para seu mestre.

 

As unhas do professor formigavam e tentaram se transformar em garras com a necessidade de Arslan em marcar seu território, tentando empurrar todas as outras considerações de lado. Ele fechou os olhos e tentou resistir ao desejo, mas o instinto de oferecer a Ryland um único sinal de posse era muito forte para ele segurar.

 

As palmas das mãos deslizaram nas costas de Ryland, suas garras arranhando a pele do jovem, deixando declarações delicadas de proteção em seu rastro.

 

Ryland engasgou. Sua cabeça caiu para trás, seus olhos caíram fechados.

 

Enquanto suas mãos atingiam as pequenas costas de Ryland, Arslan forçou suas unhas a retomar sua forma humana adequada e se contentar com o que ele já tinha se permitido fazer. Ele arrastou seus dedos sobre as linhas, tentando acalmar qualquer desconforto que pudesse ter causado ao homem.

 

Ryland piscou abrindo os olhos. Seus olhares se prenderam. Prazer brilhava nos olhos do jovem. Arslan correu as mãos sobre as marcas e os olhos de Ryland caíram fechados novamente.

 

― Eu senti falta disso, Senhor.

 

Arslan olhou para ele.

 

― Quando curou, Senhor ― disse Ryland. ― Eu senti falta.

 

Arslan acenou com a compreensão traçando os arranhões nas costas do jovem.

Ótimos instintos para um ser humano. Ele tinha sentido falta também, sabendo que eles foram desaparecendo enquanto seu amante estava fora de seu alcance.

Incapaz de aceitar até mesmo a menor distância entre eles por mais um momento, ele puxou Ryland mais perto de seu corpo para sentir pele nua contra pele nua acariciando dos pés à cabeça.

 

Seu animalzinho de estimação balançou um pouco relaxando contra ele, como se uma parte dele tivesse duvidado se seu mestre iria aceitá-lo de volta para o Orgulho. Arslan enterrou o rosto em seu cabelo e inalou profundamente, saboreando a presença de seu companheiro. Tão seguro como ele, sem dúvida, estava enrolado dentro do abraço de seu mestre, o cheiro de medo ainda permanecia.

 

― Diga ao seu mestre do que você está com medo, bichinho ― Arslan sussurrou em seu cabelo.

 

O jovem ficou em silêncio por um longo tempo.

 

Arslan esperou-o, silenciosamente implorando-lhe confiança suficiente em seu mestre para que não houvesse barreiras e mentiras entre eles.

 

― Medo de que existam algumas coisas que um homem não possa consertar ― disse Ryland tão suavemente que as palavras eram quase inaudíveis. ― Que existam coisas que um leão não pode perdoar.

 

― Você realmente pensou que eu fosse manda-lo embora? ― Puxando para trás um pouco seu amante, Arslan olhou para o rosto do jovem.

 

Ryland não sustentou seu olhar. Mais uma vez, seus instintos pareciam ter o abandonado.

 

― Você ainda acha isso ― Arslan entendeu.

 

O pomo de adão de Ryland se moveu diversas vezes enquanto ele tentava umedecer sua garganta e controlar seus nervos. ― Eu dei o dinheiro de volta. ― No momento em que ele forçou as palavras, inclinou a cabeça para descansar no ombro de Arslan mais uma vez. Ele se aconchegou tão perto de seu mestre quanto era possível.

 

O movimento foi tão instintivo, tão felino, que Arslan não pode deixar de sorrir no topo da cabeça de seu amante. Alguma parte de Ryland, obviamente, confiava nele. Tão maravilhoso como esse conhecimento era, não fez nada para ajudá-lo a descobrir o que seu animalzinho de estimação estava tentando lhe dizer.

 

― Seu mestre não pode perdoá-lo por qualquer coisa se você for falar por enigmas, meu bichinho. ― Ele fez as palavras tão gentis como poderia, mas elas ainda soavam alto e duras ao lado dos sussurros de Ryland.

 

O homem acenou com a cabeça, mas não fez nenhuma tentativa de oferecer a seu mestre todas as informações que pudessem fazer sentido.

Tomando alguns passos para trás, Arslan sentou no sofá. Ryland seguiu, baixando-se a se ajoelhar no chão aos seus pés como se fosse a coisa mais natural do mundo.

A mão de Arslan agarrou no cabelo de Ryland e encorajou-o a se inclinar para frente e descansar sua cabeça contra sua perna, para ter conforto em sua proximidade, enquanto ele lutava por suas palavras. Tomou mais controle do que o professor esperava empurrar seus hábitos e esperar por uma resposta que, obviamente, não estava propriamente preparada com antecedência. Tomou mais paciência do que Arslan sabia que era capaz esperar que Ryland dissesse as coisas tão facilmente quanto um leão.

 

― Eu dei o dinheiro de volta ― o jovem disse-lhe novamente.

 

Arslan esperou em silêncio, acariciando os dedos pelos cabelos do outro homem.

 

― O dinheiro que Kershaw me deu para concordar em ser jogado aos leões, Senhor ― Ryland finalmente conseguiu especificar. ― Eu devolvi.

 

As palavras pairaram no ar entre eles. Arslan esperou o resto da história, mas isso parecia ser tudo. O professor seguiu cautelosamente a frente, tentando muito duro ver a situação de um ponto de vista humano, quando tudo o que ele realmente queria fazer era ceder ao seu lado leão e fazer tudo muito simples entre eles.

 

― Eu não sabia ― Ryland sussurrou enquanto finalmente olhava para cima e encontrava o olhar de seu mestre.

 

A dor em seus olhos roubou o fôlego dos pulmões de Arslan.

 

― Não foi até que você se levantou na frente de todos e me defendeu de ser uma prostituta barata que eu entendi que você não sabia que eles pagavam homens para vir aqui.

 

Arslan olhou para ele.

 

― Se você vir aqui sem pensamentos egoístas ― citou Ryland de volta para ele. Ele engoliu novamente. ― Eu dei o dinheiro de volta, senhor.

 

Arslan estudou-o cuidadosamente. Seu animalzinho de estimação realmente parecia acreditar que qualquer homem que tinha visto ele se deitar com seu amante frente ao fogo podia acreditar que ele estava pensando no dinheiro ao invés de seu mestre.

Talvez se ele fosse um leão, as coisas teriam sido diferentes. Arslan acariciou seus dedos através das mechas loiras claro de novo. Se ele tivesse sido um leão, ele poderia ter sido responsabilizado por entrar em uma situação onde poderia facilmente ter sido ferido. Sem os instintos certos de detectar o perigo, tais...

 

Arslan olhou para ele. O conselho que lhe tinha sido dado há muito tempo e que ele repetiu veio dentro de sua cabeça. Não espere muito de um animalzinho de estimação humano. Eles podem viver com os leões, eles podem se estabelecer com leões, mas eles ainda são bichinhos de estimação. Talvez esperar um instinto de autopreservação fosse muito.

 

Respirando fundo, Arslan soltou muito lentamente. ― O assunto está encerrado ― ele finalmente disse, simplesmente. ― Você não precisa se preocupar sobre isso.

 

Ryland levantou a cabeça e lançou um olhar para ele. No início, a confusão nublava seu olhar. Quando clareou, ele mostrou um pequeno sorriso para seu mestre.

 

Arslan acariciou os dedos pelos cabelos. Ryland se inclinou mais perto e pressionou um beijo próximo a pele em exposição de seu mestre, um pouco acima do joelho. Arslan praticamente podia ver a tensão e o medo escorrer quando ele percebeu que, qualquer que seja reação que tinha esperado, seu mestre não ia ficar irado com seu animalzinho de estimação por errar.

 

― Ninguém espera que um humano seja um leão ― ele assegurou-lhe tão suavemente como sabia.

 

Ryland franziu ligeiramente a testa. ― Senhor?

 

― Ninguém espera que um humano viva de acordo com os mesmos padrões que um leão, que tome as mesmas decisões que um leão ― explicou Arslan. ― Concessões serão feitas e...

 

― Não!

 

Ryland pulou longe dele como se ele tivesse levantado a mão para golpeá-lo. Antes de Arslan perceber o que ele pretendia fazer, Ryland tinha se arrastado de pé. Ele tropeçou uns poucos passos para trás como se pretendesse fugir, mas quando chegou ao centro da sala, ele parou.

 

Já na ponta da cadeira, pronto para saltar para frente e perseguir, Arslan calou.

 

― Isso não é... ― Ryland balançou a cabeça, seus movimentos bruscos e cheios de pânico. ― Não estou lhe pedindo para fazer concessões por mim.

 

― Você não precisa pedir: ― Arslan lhe disse: ― Os humanos não são leões. Eu entendo isso. Os outros também. ― Ele podia não gostar. Ele podia realmente odiar isso. Mas ele sabia de um jeito que todo homem sabe quando talvez esteja exigindo demais, ele sabia o significado das palavras. Os humanos não eram como os leões. Bichinhos não eram como mestres. Concessões tinham que ser feitas.

 

Ryland fechou os olhos com tanta força, que luzes piscavam em todo o interior de suas pálpebras. Quando ele os abriu, nada havia mudado. Ele era tão ferrado como ele tinha estado no início, só que agora não havia como esconder esse fato.

 

Não vendo outra alternativa, ele respirou fundo e forçou as palavras nos lábios. ― Eu vou aguentar.

 

― Ryland?

 

Sua mente girava com tantos pensamentos, que Ryland nem sequer tentava classificar aqueles que deviam ser ditos em voz alta daqueles que ele devia manter trancado dentro de sua cabeça. ― Se isso é o melhor. Eu posso esperar, eu vou aguentar, Senhor.

 

― O quê?

 

Ryland olhou para o homem mais velho, mas seu olhar nunca subiu além dos ombros de Arslan.

 

Ele não conseguia olhar para o leão nos olhos. Ele estava tão certo de que iria funcionar, que a dor de estar longe do outro homem valeria a pena porque ele de alguma forma seria capaz de fazer tudo dar certo entre eles, quando ele voltasse.

 

Ele engoliu suas emoções o melhor que pôde, mas a decepção que tinha ouvido na voz de Arslan estava presa em sua garganta e ele se engasgou com isso.

 

Alguns anos atrás, em outra sala de estar do outro lado da cidade, ele tinha feito de tudo para ouvir que tudo ficaria bem e que ele seria tolerado, apesar de sua provável incapacidade de viver no padrão de comportamento que era esperado por aqueles em torno dele.

 

Mas naquele momento, de pé no meio da cova dos leões, a percepção de que a tolerância era o melhor que ele poderia esperar tornou impossível acreditar que qualquer coisa estaria bem novamente.

 

― Ryland?

 

― Se houver qualquer tipo de oferta aberta, eu vou toma-la, Senhor ― Ryland disse. Se as palavras bonitas no convite do outro homem eram mais que palavras bonitas, já não eram nada mais.

 

Do jeito que ele falou sobre os humanos agora, era difícil acreditar Arslan poderia ter pensado que qualquer ser humano pudesse se revelar valer a pena para se manter em seu próprio mérito.

 

Afastando-se o homem mais velho, Ryland aproximou-se do fogo e olhou para baixo nas chamas. Ele ouviu um movimento que poderia ter sido Arslan se levantando da cadeira, mas ele não se virou. O que quer que fosse acontecer entre eles, ficou claro agora que não seria nada como a fantasia que ele havia passado as últimas duas semanas construindo dentro de sua cabeça.

 

― Você sabe, eu ia implorar ― ele sussurrou.

 

― Ryland?

 

― Quando eu vim aqui hoje à noite, eu ia te implorar que me perdoasse e me desse outra chance. ― Ryland fechou os olhos contra a estupidez de tudo isso, em criar esperanças sem razão.

 

O ar mexeu. Ryland sabia que Arslan estava diretamente atrás dele. O professor não disse nada. Ryland não poderia culpá-lo. Não parecia se ter muito mais a dizer, além de, talvez, que ele se desculpasse por seu comportamento hoje, bem como em sua visita anterior a cova. Sem saber de todas as suas estupidas pequenas esperanças o homem devia achar que ele estava louco.

 

― Sinto muito, senhor. Eu... ― Não havia uma única explicação ou desculpa que ele pudesse pensar, exceto realmente a verdade. ― Eu pensei que você quisesse dizer isso.

 

― Eu quis dizer cada palavra que eu disse a você, bichinho. ― A mão de Arslan repousava em seu ombro. Pela primeira vez Ryland conseguiu se lembrar, que o homem mais velho não estava completamente no controle do mundo inteiro. Frustração e confusão preenchiam cada palavra. Obviamente nunca tinha nem mesmo ocorrido ao professor que ele era capaz de ser mais que falhas.

 

― Você realmente acha que é o que eu queria, quando eu vim aqui hoje à noite? ― Ryland perguntou muito suavemente. ― Ouvir que eu nunca vou ser bom o suficiente para você, mas tudo bem, porque você não espera nada melhor de mim?

 

― Não coloque palavras na minha boca, bichinho ― Arslan corrigiu. ― Eu disse que esperava que você fosse humano, não mais nem menos. ― Havia um toque de raiva nas palavras. Ryland estava disposto a apostar que havia muito mais escondido fora de sua vista.

 

Um pouco de sua própria dor se transformou em raiva também, e ele não era tão bom em esconder isso. ― Isso é o que todos os humanos são, aos olhos dos leões? ― perguntou. ― Putas inúteis?

 

Ryland ofegou quando a mão em seu ombro aumentou seu aperto e o girou em torno dele para enfrentar o homem maior. Um momento depois, estava de costas contra a parede ao lado da lareira. Arslan o manteve ali com uma mão no meio do peito.

 

Ele nunca tinha visto o professor verdadeiramente zangado antes. Um minuto antes, Ryland teria jurado que ele o tinha visto furioso em uma dúzia de palestras diferentes. Ele soube naquele momento, que tinha estado errado. Ele nunca tinha visto Arslan sequer perto de perder a paciência antes.

 

Com tanta dor e desespero rodando dentro dele, Ryland não tinha nenhum espaço sobrando em qualquer pensamento para a autopreservação. ― Se eu tivesse sido um leão, você teria me perdoado facilmente, senhor?

 

― Não ― retrucou Arslan, aparentemente agora com raiva o suficiente para dizer a verdade também.

 

― Porque você esperaria mais de um leão ― Ryland empurrou.

 

Os lábios de Arslan começaram a montar uma afirmativa, mas ele parou-se, com um rosnado.

 

― Nossas tradições existem por uma razão. Não as descarte como se fossem um insulto para você.

 

Parte de Ryland queria pedir desculpas. Parte dele queria gritar que ele não tinha interesse em qualquer tradição que significava que ele tinha de perder tudo o que ele pensava que estava trabalhando a mais de duas últimas semanas.

 

A aceitação do outro homem dele tinha sido uma miragem tão bonita. Ele não tinha sequer entendido o quanto queria isso até que tinha visto lá esperando por ele, brilhante e reluzente, mas fora de seu alcance. E agora... Ryland engoliu rapidamente e permaneceu em silêncio.

 

― Os leões são mais fortes do que os humanos ― disse Arslan. ― Lembramos disso, porque se nos esquecermos, não somos os únicos que nos machucamos.

 

― Mas isso não era o tipo de concessão que você estava falando sobre fazer para mim, era isso, Senhor?

 

Ryland empurrou.

 

Arslan olhou para ele em silêncio por vários segundos de duração. ― Se você tivesse nascido com instintos de um leão, crescido dentro de um Orgulho que poderia ensiná-lo a seguir os instintos, você teria que ser um tolo para tomar as decisões que tomou nas últimas semanas. É isso que você quer que eu diga?

 

― Sim! E, se é a verdade, trate-me como um tolo ― confessou Ryland. ― Eu prefiro isso do que você achar que a ideia de eu poder ser bom o suficiente para você é tão ridícula e chegar ao ponto de nem sequer me deixar tentar. ― Seu tom era apenas um pouco mais do que uma suplica. A mão do outro homem segurando-o contra a maldita parede era a única coisa que o deteve de rebaixar-se de joelhos.

 

― Não é aceitável.

 

Ryland fechou os olhos quando deixou sua cabeça cair para trás contra a parede por trás dele, seu estômago doente com a derrota. E o pior de tudo era saber que ele ficaria. Mesmo que tudo o que pudesse obter era restos e pena, ele ficaria.

 

― Abra os olhos. Olhe para mim ― ordenou Arslan.

 

Ryland inclinou a cabeça, afastando-se o outro homem o melhor que pôde quando se apoiou contra a parede.

 

― Agora, não quando você quiser .

 

Ryland piscou abrindo os olhos, mais em choque com a súbita mudança no tom do que por causa de seu cérebro estar em condições de processar um pedido e obedecê-lo com precisão logo em seguida.

 

― Você disse que queria ser tratado como um leão - aguentar aos mesmos padrões de um leão ― Arslan disse.

 

Ryland balançou a cabeça, silenciosamente.

 

― Não é aceitável ― Arslan repetiu, com os olho em Ryland a procura de algo que Ryland nem sabia o que era. ― Se você fosse um leão nada do que você fez nas duas últimas semanas seria considerado aceitável.

 

Muito lentamente, com medo de tomar um fôlego no caso de ser alguma forma de fazer com que tudo desmoronasse ao seu redor, Ryland acenou com compreensão. ― Sim, senhor.

 

Como se movendo em câmera lenta, Arslan tirou a mão do peito de Ryland e recuou.

 

Ele se virou e tomou mais alguns passos distante de Ryland antes que se virasse para encará-lo.

 

― Seria esperado que uma leão explicasse suas ações para o líder do seu Orgulho, que respondesse por elas ― disse ele. Seu tom era mais cauteloso do que Ryland já tinha ouvido, como se estivesse sentindo o caminho a seguir em um território desconhecido e não tinha certeza se ele seria obrigado a mudar de tática a qualquer momento.

 

Ryland assentiu rapidamente, não tendo certeza de que confiava em sua voz enquanto tudo repousava sobre o que o outro homem disse em seguida.

 

― Isso é o que você quer? ― Arslan empurrou.

 

Ele balançou a cabeça novamente.

 

― Quando você concordou em ser jogado aos leões, você não tinha ideia do que seria seguro com a gente, mas você concordou com isso de qualquer maneira.

 

Ryland deu outro aceno.

 

― Inaceitável ― De repente, Arslan ficou bem enfrente dele, apenas uma polegada de ar entre eles.

 

Ryland ofegou, olhando para o homem maior. Os punhos atrás das costas eram as únicas coisas que o impediam de chegar a ele logo em seguida.

 

― Você poderia ter sido morto... Você poderia ter sido... ― Arslan balançou a cabeça nas mesmas possibilidades que tinham enchido a cabeça Ryland, antes que ele reconhecesse o professor naquela noite.

 

― Você sabia disso, e você concordou com isto de qualquer maneira. Inaceitável .

 

Ryland não poderia formar palavras muito mais que um sussurro, mas ele forçou-as para fora independentemente. ― Se eu tivesse que ser tratado com o mesmo padrão que um leão, qual seria a punição, Senhor?

 

― Isso não é como as coisas funcionam entre os leões. ― Arslan se afastou dele e caminhou de volta para o meio da sala, mais uma vez. Por vários momentos, ele manteve suas costas para Ryland como se imerso em seus pensamentos.

 

Ryland deu um passo à frente, viu a tensão nos ombros de Arslan e soube que o leão tinha sentido sua abordagem. Ele se forçou a dar mais um passo a frente. ― Diga-me como as coisas são entre leões, Senhor?

 

O professor voltou-se para ele. ― Um leão esperaria até depois que seu líder tivesse terminado com suas perguntas antes de fazer suas próprias.

 

Ryland acenou com aceitação e calou-se. Se havia alguma chance de ser adequadamente aceito pelo outro homem, ele sabia que ia ficar em silêncio e feliz pelo resto de sua vida.

Arslan estendeu a mão, e colocou a palma da mão na bochecha de Ryland. Não sabendo qual a resposta adequada de um leão, ele ficou parado e pegou o que podia do toque suave.

 

― Leões não estão autorizados a desaparecer sempre que tiverem vontade. Eles não têm permissão para esconder sua localização do resto do Orgulho também ― Arslan informou-lhe, apenas um pouco menos cautelosamente.

 

Ryland engoliu várias vezes em sucessão rápida. ― Graddage Street ― ele disse finalmente ― Na casa de Jason Burrow. Eu peguei emprestado o dinheiro dele para pagar Kershaw.

 

― Leões devem aprender com seus erros ― Arslan estourou, mas manteve sua mão onde estava enquanto Ryland sentia calor correr por seu rosto. Era o mesmo tom de voz que o professor utilizava em suas palestras, quando um aluno não só não estava conseguindo aprender, mas não fazia o que Arslan considerava um esforço razoável para aprender. ― Se há uma explicação, diga.

 

― Estar longe de você machuca muito, Senhor ― Ryland disse, os dedos ondulando na parede da lareira enquanto ele lutava para manter sua longe o desagrado do outro homem.

 

O polegar de Arslan acariciou sobre a linha acima de sua bochecha, em silêncio, encorajando-o a ir em frente.

 

Ryland apertou as mãos em punhos atrás das costas enquanto segurava a desesperada esperança de que a verdade iria ajudar. ― Eu não podia voltar e dizer que não era uma prostituta, enquanto eu ainda tinha o dinheiro de Kershaw. Eu queria tanto voltar para você, Senhor. Jason era a única maneira de fazer isso rapidamente.

 

― E qual o preço que você pagou por essa decisão, bichinho? ― Arslan lhe perguntou, sua voz áspera com emoção, assim ele fez um esforço óbvio para falar suavemente com ele.

 

― O namorado de Jason, Mark Jefferies. Jason descobriu que Mark estava tão ocupado e perdido que iria ser reprovado. E ele decidiu que eu ia ser o seu novo tutor. Nenhum de nós deixou o escritório de Mark depois disso. Eu... eu concordei em ficar lá. Foi a única maneira de ficar longe de você até que eu merecesse voltar e...

 

― Nem ele nem Jason pôs a mão em você? ― Arslan perguntou.

 

Ryland balançou a cabeça.

 

Arslan estudou-o por mais algum tempo antes de parecer disposto a acreditar nele. Ryland não perdeu o alívio que inundou seus olhos antes que ele desviasse o olhar.

 

― Muito bem. O restante da dívida será paga amanhã.

 

Ryland demorou alguns segundos para perceber o que o homem mais velho queria dizer. ― Não.

 

Surpresa brilhou no rosto do outro homem como se nunca tivesse ocorrido a ele que Ryland poderia dizer essa palavra a ele.

 

― Não ― Ryland repetiu, sacudindo a cabeça, só assim, não poderia haver dúvidas em torno do assunto. ― Você não pode. ― O outro homem não podia pagar por ele. O tempo que forçou-se a passar longe do outro homem tinha magoado demais para que tudo fosse apagado como se nunca tivesse sequer tentando fazer as coisas certas por ele mesmo.

 

― O Orgulho cuida dos seus. ― Não havia espaço para discussão no tom do homem como havia em Ryland. ― Um mestre cuida de seu animalzinho de estimação. Eu liquidaria a dívida se você fosse um leão.

 

Ryland hesitou. Ele baixou o olhar. ― Eu não estou pedindo para você me tratar como qualquer coisa além de um leão, senhor.

 

― Isso é importante para um ser humano? ― Arslan perguntou, deslizando num tom lento, sentindo seu caminho na voz novamente.

 

― Eu não estou pedindo para você me tratar como qualquer outra coisa além de um leão ― Ryland repetiu. Não havia nada que pudesse o fazer proferir esse tipo de pedido sem valer o risco. A aceitação do outro homem dele era muito frágil.

 

― Você não é um leão.

 

Ryland não conseguiu segurar o recuo. O tom não era cruel. As palavras não eram nada mais do que a declaração de um fato. De alguma forma, só piorou a situação.

 

― Eu nunca te pedi para ser ― lembrou Arslan.

 

― Eu não quero concessões feitas a mim, Senhor. ― Era a única coisa que Ryland tinha certeza. Ele queria ser o homem que Arslan pensava que ele era quando fez sua primeira oferta. Ele precisava ser esse homem. Pela primeira vez na sua vida, ele tinha que ser o homem que aqueles ao redor dele queriam que ele fosse.

 

― Você gostaria de ter permissão para continuar a tutorear o namorado dele? ― Arslan perguntou. ― Para pagar a dívida por si mesmo. ― Ele se aproximou e colocou a outra mão no ombro de Ryland, como se tentasse mima-lo com seu apoio e compreensão.

 

Ryland balançou a cabeça. Não a esse preço.

 

― Vou falar com Jason amanhã ― decidiu Arslan.

 

Ryland respirou fundo e soltou muito lentamente, tentando não se importar, tentando não acreditar que ele se transformou de volta em uma prostituta enquanto seu amante dizia as palavras.

 

Os dedos de Arslan deslizaram para baixo na sua bochecha. O homem mais velho enfiou uma junta sob seu queixo.

 

― Você pode pagar o seu empréstimo em seu próprio tempo, sei que isso significa muito para você, mas Jason deve entender que você vai fazê-lo em termos que eu considero aceitáveis. Não haverá desaparecimentos. Não haverá mais mantê-lo longe de seu Orgulho. Essas são as coisas que importam para nós, bichinho, não quem tem o dinheiro na mão.

Parte dele queria tanto o que o outro homem lhe oferecia. Mas, ao mesmo tempo, outro lado dele estava igualmente desesperado para ser o tipo de homem que nunca necessitava desse tipo concessão. Preso entre os dois ideais, Ryland não tinha ideia do que dizer.

 

― Um líder cuida do seu Orgulho ― Arslan repetiu. ― Mas ele não faz isso andando por cima de quem ele cuida. Se for importante para você, arranjos podem ser feitos para você devolver o dinheiro em seus próprios termos.

 

Ryland olhou para o chão ao lado deles. Havia tantos pensamentos correndo por sua cabeça, ele não sabia a qual deles agarrar-se. Toda vez que ele tentou traçar uma conclusão, uma espiral soprou longe dele, deixando-o cada vez mais perdido no momento.

 

― Não tente pensar ― Arslan disse a ele. ― Seus instintos existem por uma razão, e eu nunca conheci um homem que tivesse instintos tão bons quanto você.

 

― Meu instinto me diz para eu pagar a dívida, Senhor. Que você estaria satisfeito comigo por fazer isso.

 

Arslan acenou com a cabeça como se isso resolvesse a questão. Mergulhando a cabeça, ele descansou sua testa contra a parte superior da cabeça de Ryland da maneira que ele tinha visto os outros leões fazerem uns com os outros.

 

Fechando os olhos, ele aproveitou o contato com o outro homem. ― Querer agradar o seu companheiro é um instinto bom ― sussurrou-lhe Arslan. ― Também é querer agradar o líder de seu Orgulho. Mas você não vai me agradar, fingindo ser um leão.

 

Ryland fechou os olhos tão firmemente quanto pôde e orou da mesma forma que tinha quando ele era um filho que acreditava que se orasse bastante as coisas estariam bem.

 

― Você vai me agradar, aprendendo a ser um bom membro do Orgulho, aprendendo a confiar em seus instintos humanos ― Arslan sussurrou-lhe. ― Eu posso ensiná-lo a fazer isso.

 

Ryland acenou com a cabeça muito rapidamente. ― Sim, senhor.

 

― Seu instinto de autopreservação, em particular precisa de uma grande dose de atenção se estamos para trazê-lo até um padrão que um leão pode considerar aceitável.

 

Ryland olhou para o outro homem. ― Eu vou trabalhar nisso, senhor.

 

Arslan sorriu para ele, e Ryland soube que havia encontrado a resposta certa. Ele sorriu de volta.

 

― Bom ― Arslan pressionou um beijo em sua têmpora. ― E quando você aprender o que é esperado de você, talvez eu vá reconsiderar minha decisão de mantê-lo à vista constante do Orgulho.

 

Ryland hesitou. ― Você...

 

― ... Quis dizer isso quando eu lhe disse que você não será autorizado a sair de nossa vista? ― perguntou a Arslan.

 

― Sim. O líder de um Orgulho lança mão de punições como um líder humano faz, mas lições são dadas. É assim que os leões mais jovens aprendem - não há nenhuma razão para que um humano que se junte não aprenda da mesma maneira.

 

Pela primeira vez em duas semanas, Ryland encontrou-se capaz de respirar sem ter que lutar por isso. Sua mente descansava. Sentiu a aceitação do outro homem sobre ele girar em torno dele, de corpo e alma. Inclinado para frente, descansou a testa no ombro do outro homem.

 

― Haverá muitas explicações que ainda estão por vir esta noite.

 

Ryland balançou a cabeça, mesmo a ideia disso não foi suficiente para sacudir seu novo senso de paz, quando ele levantou a cabeça e encontrou os olhos do outro homem.

 

Arslan sorriu para ele como se entendesse. ― Não há nenhuma razão para que essas explicações não possam ser dadas depois que você for formalmente apresentado como parte do Orgulho.

 

Uma dose extra de alívio correu através de Ryland, deixando-o tonto. Ele esperou impacientemente que o outro homem recitasse as perguntas mais uma vez, mas Arslan balançou a cabeça. ― Tal oferecimento é feito diante do orgulho inteiro ― Arslan desviou o olhar para a porta que conduzia para o corredor. Seu humor pareceu mudar um pouco, enquanto olhava para ela. De repente, ele era exatamente o mesmo homem que tinha ficado na frente de um auditório cheio de estudantes ou um quarto cheio de leões. ― Primeiro, os outros devem ser lembrados de seus costumes.

 

― Senhor?

 

― O comportamento deles antes de eu chegar foi inaceitável. ― Sua voz estava mais uma vez, perfeitamente confiante como quando ele voltava sua atenção para um problema, obviamente, muito acostumado a lidar.

 

Ryland olhou para ele fixamente.

 

― Algum dos leões encostou a mão em você antes de eu chegar?

 

Ryland balançou a cabeça, tentando manter-se a parado atrás, mas quando seu amante retornou ao que estava familiarizado com ele e leu-o tão facilmente como tomava cada respiração. ― Não foi nada, senhor ― ele declarou.

 

Arslan colocou o dedo nos lábios de Ryland mais uma vez. ― Eu decido quais padrões são admissíveis para os leões no meu orgulho. Quando você souber mais de nós, então você pode oferecer suas opiniões sobre o que você acredita ser uma conduta adequada entre você e o resto do orgulho.

 

Ryland acenou com a cabeça novamente.

 

― Fique aí.

 

Ryland fez como lhe foi dito, o professor caminhou até a porta e abriu o pesado painel de madeira.

O homem mais velho acenou com a cabeça para alguém. ― Olhe ele. Ele não sai do pé da lareira .

 

Ryland viu como Kefir, o pequeno leão que ele tinha visto há duas semanas, andando para a sala. Arslan realmente quis dizer isso. Ele realmente tinha a intenção de fornecer-lhe uma babá até que confiasse nele para tomar melhores decisões. O homem mais velho tinha falado sério quando disse que ia ter certeza de que seu amante chegasse a um padrão esperado dele.

 

O professor fechou a porta. Ryland olhou para ela por um longo tempo, tentando envolver a sua mente em torno de tudo o que tinha acontecido entre eles no espaço de uma breve conversa.

 

Estava tudo bem. Parte dele acreditava, sem pensar muito nisso. A parte dele que havia estado gritando para retornar ao professor, desde que ele tinha deixado o outro homem estava silenciosa e completa, o resto dele estava tão confuso como o inferno.

 

Arslan, na verdade... o perdoou? Aceitou-o? Ryland engoliu, tentando não criar esperanças e não duvidar, tudo ao mesmo tempo.

 

Um estrondo ecoou na sala de algum outro lugar da casa. Depois de tudo o que se passara entre ele e Arslan, os nervos de Ryland não poderiam demorar muito mais. Ele pulou.

 

― O que? ― Ele olhou para Kefir.

 

O leão olhou para a porta, então de volta para ele. ― Ele perguntou o que aconteceu antes dele chegar? ― ele perguntou muito baixinho.

 

Ryland olhou para a porta. Um rugido flutuou pelo quarto, abafado pela porta e a distância, mas ainda mais do que suficiente para fazer os cabelos na parte de trás do pescoço se levantar e correr um arrepio por sua espinha. ― Ele perguntou se alguém pôs a mão em mim ― ele disse.

 

― E você disse...?

 

― Eu disse que não.

 

Kefir sorriu e pareceu perder algum interesse no rugido que veio de fora da sala pequena e aconchegante. ― Ele não vai prejudicá-los.

 

Ryland olhou para o leão e encontrou seus olhos. ― E se eu dissesse que tinham me machucado?

 

Kefir prendeu seu olhar. Nenhuma palavra foi necessária. Sua expressão disse tudo.

 

Ryland desviou o olhar primeiro. ― Ele disse que as coisas seriam tratadas como são entre os leões. Eu não sei o que isso significa.

 

Kefir pareceu pensar sobre isso por um tempo. ― Eu não sei o que é não lidar com as coisas da forma como são tratadas entre leões significa ― disse ele depois de um tempo. ― Eu gastei menos tempo entre os humanos que os outros. ― Atravessou o tapete diante da lareira e sentou-se ali, perto do calor queimando.

 

Ryland se abaixou de joelhos, um pouco desajeitado com as mãos ainda amarradas atrás de suas costas. Ele olhou de volta para a porta quando alguém gritou novamente.

 

― Então apenas devemos ficar sentados aqui enquanto...

 

Kefir balançou a cabeça. ― Não. Você deve se sentar aqui. Eu tenho que olhar você.

 

― E se eu tentar sair? ― Ryland perguntou.

 

― Eu vou te parar.

 

Ryland olhou para o outro homem. Ele era um leão não muito maior do que ele. Eles provavelmente estariam muito equilibrados, se suas mãos não estivessem atadas atrás das costas.

 

Os lábios do outro homem se contorceram em um sorriso minúsculo. ― Mesmo um pequeno leão ainda é um leão.

 

Ryland respirou fundo e soltou muito lentamente.

 

― Te incomoda ― ele perguntou com cautela. ― Ser enviado para fora do quarto quando eles...

 

Os olhos de Kefir brilhavam com diversão. ― Estou aqui porque Arslan não queria que você desaparecesse novamente. Se eu não estivesse olhando você, eu estaria lá com os outros. Posso não ter sido um desses circulando você, mas quando um leão no Orgulho falha, o orgulho todo falha. Arslan espera o melhor de nós.

 

Ryland olhou para a porta. Arslan erguia os leões em seu orgulho, até um padrão que ele considerava aceitável. Eles não eram expulsos do orgulho, se ferrassem. Se ele pudesse convencer o outro homem que os humanos poderiam ser tratados da mesma maneira, parecia bem possível que ele fosse capaz de manter aquele sentimento seguro e perfeito dentro dele, o instinto lhe dizia que tudo estava bem e ele não tinha mais nada para se preocupar.

 

― Eu nunca vi Arslan com medo antes.

 

A atenção de Ryland estalou de volta para o jovem leão.

 

― Os laços entre um leão e o humano que ele toma como um companheiro de verdade são fortes ― disse Kefir no mesmo tom suave de voz que parecia vir tão naturalmente dele. ― Não ser capaz de te encontrar assustou ele.

 

Seu tom de voz era invariavelmente educado. Ryland estava ainda em dúvida se o leão não ficou impressionado com ele se preocupar com seu líder.

 

― O vínculo, é o que faz você se sentir desconfortável quando você está longe de... ― ele suspirou em frustração. Ele nem sabia as palavras certas para falar sobre isso com Kefir, muito menos para entendê-lo bem o suficiente para fazer as coisas funcionarem com Arslan. Imaginar que tudo seria fácil agora que estava de volta com o professor era estupidez.

 

Ele olhou para cima e chamou a atenção de Kefir. O mais jovem leão acenou em compreensão de que Arslan não era o único que não tinha estado feliz quando estavam separados. Ele não pareceu convencer Kefir de que seu desaparecimento foi aceitável, mas pareceu fazê-lo ligeiramente menos egoísta. Isso ofereceu um pouco de esperança.

 

― Arslan concordou que concessões não serão feitas pelos meus erros só porque eu sou humano ― ele disse.

 

Kefir acenou com a cabeça ligeiramente, como se aprovasse. ― Acho que ele vai ser mais feliz se...

 

A porta se abriu. Arslan caminhou para trás dentro. Um aceno para Kefir descartou o leão.

 

Ele nem sequer olhou para Ryland antes de deixar o quarto no comando de seu líder.

 

Ryland conseguiu tropeçar de volta a seus pés.

 

Arslan fechou a porta atrás de Kefir muito suavemente, com controle, obviamente, enfatizado.

 

Ryland olhou para a porta. ― Kefir disse que não iria machucá-los porque eles não tinham colocado a mão em mim. ―

 

― Eu não os machuquei ― Arslan acordou. ― Expliquei a situação para eles, há uma diferença.

 

Ryland não fez nenhum comentário.

 

Os lábios de Arslan se contraíram. ― Às vezes leões explicam as coisas uns aos outros muito alto. Você irá se acostumar com isso quando passar mais tempo com a gente.

 

― Você explicou as coisas calmamente para mim, Senhor. ― Tentou não fazê-lo soar como uma acusação. Ele não tinha certeza se conseguiu, não enquanto o acordo do outro homem para tratá-lo como um leão era tão novo e frágil.

 

― Você é meu companheiro.

 

Ryland hesitou.

 

― Não tenho nenhum desejo de falar alto com meu companheiro, independentemente de sua espécie.

 

Ryland olhou para baixo enquanto acenava com compreensão.

 

― Você tem alguma pergunta para o seu mestre antes de dar-lhe sua resposta?

 

― Você disse que eu deveria confiar nos meus instintos, senhor ― lembrou Ryland

 

― Eles não vem tão facilmente aos humanos. Um leão pode saber como se sente sobre alguém no primeiro momento em que põe os olhos sobre ele. Talvez isso leve muito mais tempo para os humanos, para ele descobrirem o que realmente sentem?

 

― Eu sei ― , Ryland sussurrou. ― Naquela primeira noite - se eu pensasse que merecia, eu teria implorado a você para me deixar ficar, então. ― Ryland olhou para baixo. Ele sabia que estava apaixonado pelo outro homem desde a primeira noite também, mesmo que não tivesse a coragem de confessar.

 

Arslan acariciou sua bochecha com as costas de seus dedos antes de alcançar ao redor atrás dele e desfazer as algemas de seus pulsos. Quando a restrição desapareceu, ele olhou para a porta. ― Deixe os outros entrarem .

 

Ryland atravessou a sala e abriu a porta. Vários leões olharam para cima. Leões reais.

 

Não homens que podiam, teoricamente, transformar-se em leões. Não homens que pareciam um pouco com leões com seus cabelos selvagens correndo como jubas. Santo Deus, o tipo de coisas que você vê em documentários da vida selvagem, onde leões caçam gnus.

 

Os olhos de Ryland viajaram por sobre o orgulho muito lentamente, observando cada detalhe.

 

Dois estavam deitados em um montão de membros. Luther e Blaine. Um era menor e mais justo com uma juba menor. Kefir. Ele não poderia reconhecer qualquer um dos outros, mas quando todos eles olhavam para ele, Ryland poderia jurar que viu um flash em todos os seus olhos.

 

― Arslan disse que vocês talvez queiram entrar.

 

Arslan soltou um suspiro, ele não tinha percebido que estava segurando. Seu animalzinho de estimação soou muito mais calmo do que ele esperava, considerando todas as coisas.

 

Ele estudou o jovem com muito cuidado quando Ryland voltou do outro lado da sala para ele. Todas as coisas que ele tinha ensinado sobre bichinhos humanos ainda ecoavam dentro de sua cabeça, mas agora eles estavam misturados com a forma como o bichinho devia ser tratado.

 

Pela primeira vez desde que ele era um filhote, ele se viu cara a cara com um homem que ele realmente não sabia como tratar. Leões eram fáceis. Alunos precisavam de uma abordagem diferente, mas depois tantos anos na frente de uma sala de aula, Arslan sabia como lidar com eles também. Um bichinho que não queria concessões feitas para ele era uma nova coisa e imprevisível.

 

Arslan encontrou os olhos do outro homem, mas se viu incapaz de ler as emoções que corriam através da expressão de Ryland. O homem mais importante na sua vida e aquele com quem ele poderia facilmente falhar.

 

Ryland andou em linha reta em seu espaço pessoal como se nunca lhe ocorresse fazer qualquer coisa diferente. Os braços de Arslan foram automaticamente ao redor dele. Sua mão repousando na parte baixa de suas costas, puxando-o ainda mais perto. Ficar cara-a-cara com o Orgulho em sua outra forma não parecia ter perturbado ele, no mínimo.

 

― Você pode fazer isso também, Senhor?

 

― Sim .

 

Ryland assentiu. Seus olhos percorriam seu rosto e Arslan sabia que ele estava se perguntando como ele se parecia quando um leão. ― Mostre-me mais tarde, senhor? ― Arslan acenou com aceitação do pedido antes de ele olhar para além de seu animalzinho de estimação aos mais jovens leões. Eles pareciam muito culpados agora. Crias que tinham sido apanhadas a jogar jogos que haviam sido alertados sobre não jogar. Nenhum deles tentou encontrar seus olhos.

 

Tomou mais força do que Arslan sabia que tinha recuar de Ryland e passar a recitar as frases certas.

 

― Se você vir a nós de boa vontade e de sua livre vontade, sem qualquer pensamento egoísta e só desejar fazer parte do Orgulho, então você é bem vindo. ― Desta vez, as palavras eram muito mais difíceis de dizer. A ultima vez que ele as disse, nunca tinha realmente lhe ocorrido que Ryland poderia dizer não.

 

Da última vez, ele sabia que o jovem deveria pertencer a ele, mas tinha sido um instinto de leão que tomou a decisão. O leão o queria desde o início, mas agora, parecia que ele tinha muito mais a perder. Uma coisa era lidar com o desejo de um leão de possuir. Até então ele não tinha realmente entendido que o homem humano dentro dele precisava de Ryland também.

 

Ele precisava do jovem seguro ao lado dele. Ele precisava sentir sua pele sob as palmas das mãos e o sangue bombeando em suas veias. Se o tempo de Ryland longe dele tinha ensinado a Arslan alguma coisa, era que ele não poderia perder Ryland novamente. Tudo dependia da resposta do jovem.

 

― Se você quiser pertencer ao Orgulho, para tomar o seu lugar de direito no Orgulho, você é bem-vindo.

 

Ryland olhou para ele. Assim como na última vez, havia muitas emoções em um turbilhão nos olhos para Arslan ter alguma ideia do que ele estava pensando.

 

― Se você vir a nós sem mentiras ou segredos, você é bem-vindo.

 

Ele podia sentir a atenção dos leões mais jovens sobre ele enquanto toda a sala parecia prender a respiração em seu nome.

 

― Se você é o que acreditamos que você seja, diga que você deseja tomar o seu lugar de direito no Orgulho, e você será bem-vindo.

 

Enquanto Ryland continuava a manter seus olhos nos dele durante todo o discurso, o mundo mudou em torno deles. Arslan ainda podia sentir a presença dos outros leões na sala a observá-lo, mas eles estavam muito longe. O mundo inteiro estava muito longe, como se as únicas pessoas que realmente existiu, então, fossem ele e Ryland.

 

Jason idiota Burrows. Dinheiro. O que ele tinha sido ensinado sobre animais de estimação humanos. Era tudo apenas algo que aconteceu com outras pessoas. Enquanto Ryland olhava para ele, era quase impossível acreditar que ele não se sentisse da mesma maneira.

 

― Sim, senhor.

 

E, tão simples quanto isso, estava feito.

 

Arslan estendeu a mão. Ryland deu um passo à frente, e de repente, ele estava em seus braços, segurando-lhe tão apertado, que era difícil acreditar que toda a força vinha de um pequeno humano.

 

Um dos leões mais jovens soltou um grito. Um Pandemônio começou. Arslan deu um sorriso no cabelo de Ryland o segurando em troca, tão firmemente como ousava. Ele sentiu o sorriso de jovem em seu ombro em resposta.

 

Quando ele finalmente olhou para cima, Arslan balançou a cabeça para todos eles. Não demorou muito para induzir os leões mais jovens a celebrar, mas desta vez ele não poderia culpá-los.

 

― Podemos comer agora?

 

Arslan encontrou os olhos de Blaine. O mais jovem leão hesitou. Arslan o fez esperar antes de finalmente, acenar a permissão. Não foi fácil resistir à tentação de jogar todos para fora para que ele pudesse estar a sós com Ryland. Ainda assim, de alguma forma se obrigou a deixá-los ficar, para que eles começassem a conhecer o mais novo membro de seu Orgulho corretamente. E ele ia deixá-los permanecer tempo suficiente para terem certeza de que seu líder estava disposto a perdoá-los também, desde que tivessem aprendido com os seus erros, é claro.

 

― Quando eles se forem, você e eu vamos ter uma conversa muito longa ― sussurrou Arslan no ouvido de Ryland. ― Então vamos ver o que mais podemos encontrar para fazer passar a noite.

 

O homem que tinha sido colocado sobre o tapete com ele duas semanas atrás não deveria ser capaz de corar com a sugestão. Ryland conseguiu. ― Eu gostaria disso, senhor.

 

Eles pegaram os alimentos da mesa e voltaram para seus lugares em volta da lareira.

Assim como ele avisou a Ryland antes, ele manteve o jovem bem dentro de seus olhos. Ele nem sequer o deixou fora do alcance do braço. Ele tinha o direito de mantê-lo tão perto agora. Ryland era dele. Seu animalzinho de estimação.

 

Seu companheiro. Seus lábios formaram um sorriso torcido com o pensamento.

 

― Você tem de viver aqui agora?

 

Arslan se voltou para a conversa de Luther com Ryland quando a questão chamou sua atenção. ― Quando você precisar ser informado sobre nossas decisões, você será.

 

Ryland olhou para ele. Sim, ele estava indo para morar com ele. Não, ele não ia deixá-lo ciente dessa verdade na frente de todos os outros membros do bando. Ryland sorriu levemente e baixou os olhos, como se ele entendesse isso, ou talvez como se esperasse que fosse o caso.

 

Enquanto a noite passava, Arslan continuou a ouvir as conversas muito incipientes que Ryland teve com os outros leões. O resto do orgulho parecia bastante curioso sobre ele, mas ainda um pouco sem saber o que eles deveriam fazer com ele agora que ele era efetivamente um deles.

 

Eles mais olhavam do que falavam. Era quase como se eles nunca tivessem visto um humano antes. Ninguém colocou uma pata sobre ele. Uma pequena bolha de ar claro existia em torno do jovem corpo que nenhum dos outros leões ousava aventurar-se ultrapassar.

 

Uma vez que eles forneceram as evidências de aprenderem a lição e tinham sido devidamente perdoados por seus comportamentos naquela noite, ele teria de incentivá-los na direção de serem capazes de ter conversas reais com Ryland, mas gostava bastante da distância física entre Ryland e o resto do mundo. Ryland era dele. O sorriso rastejou de volta para seus lábios.

 

Ele tinha pensado que todos os leões mais jovens estavam olhando para Ryland, estudando este recém-chegado em seu meio, mas Arslan gradualmente percebeu que pelo menos um par de olhos estava descansando sobre ele. Ele levantou os olhos do estudo de seu novo animalzinho de estimação. Kefir educadamente olhou para baixo quando Arslan pegou sua atenção, mas logo olhou de novo para cima.

 

Quando Arslan finalmente cedeu à tentação de pastoreá-los para colocar suas roupas e sair de sua casa uma hora depois, ele parou o mais jovem seguidor perto da porta.

 

― Ele faz você feliz ― observou Kefir.

 

― Sim.

 

Kefir acenou com a cabeça algo como aceitação. ― Estou feliz que ele voltou.

 

Arslan bagunçou seu cabelo e fechou a porta firmemente atrás de si e todos os outros. Quando ele voltou para a biblioteca, Ryland ainda estava sentado na frente do fogo onde ele o havia deixado.

 

Arslan parou na porta e olhou-o.

 

O fogo crepitava e enviava um turbilhão de faíscas pela chaminé. A luz do fogo brilhou no rosto de Ryland, quando ele olhou para a lareira. Fechando os olhos por um momento, ele pegou uma respiração profunda e soltou muito lentamente. Quando olhou para a porta, sorriu quando o viu.

 

Fechando-os na sala juntos, Arslan atravessou até a lareira. Ryland ficou de pé. ― Você confiou em mim por minha conta, senhor ― ele observou com cautela e prazer.

 

― Eu estava entre você e a porta da frente o tempo todo. Você tem muito a provar, antes de você ser deixado completamente à sua própria sorte. ― Ele acariciou o cabelo e disse suas palavras gentis, mas Ryland tomou a correção melhor do que ele esperava. Ele tomou muito parecido com um dos filhotes mais bem comportados que se juntou a seu orgulho.

 

― Eu moro aqui agora, não é, Senhor? ― Ryland disse depois de um tempo.

 

― Sim .

 

Seu animal de estimação acenou com aceitação disso também. ― Vou ter que renunciar ao meu quarto.

 

Arslan deslizou os dedos pelos cabelos do jovem mais uma vez.

 

― Se eu começar a arrumar minhas coisas, amanhã então...

 

Ryland pareceu perder seu rastro de pensamento quando Arslan o guiou para inclinar a cabeça para trás e roçar seus lábios.

 

― Arrume suas coisas tão lentamente quanto quiser, mas quando você dormir, vai estar na minha cama, na nossa cama. ― Isso não era negociável. Ele já havia esperado muito tempo para ter Ryland próximo toda noite. Ele podia não ter estado exatamente certo sobre as concessões e indulgências de seu animal de estimação necessárias a fim de encontrar um lugar dentro de seu orgulho, mas nada disso o levava para fora da cama de seu mestre, mesmo por uma única noite não ia ser parte disso.

 

Ryland assentiu. ― Agora, senhor? ― Sugeriu.

 

Arslan roçou os lábios novamente. Ryland era seu companheiro. Era oficial, mas se sentiria ainda mais permanente, uma vez que tivessem mais que meras palavras entre eles. À espera de privacidade tinha sido tormento o suficiente, agora ele mal conseguia convencer-se de tomar o tempo necessário para deixar a lareira e fazer seu caminho escadas acima.

 

Ryland na frente da lareira era uma coisa linda. A memória de Arslan do tempo que tinham passado havia sido a única coisa que o manteve são, enquanto o outro homem havia estado longe. Ainda assim, não importando o quanto ele desejava deitá-lo sobre o tapete e destruir todas as dúvidas de a quem ele pertencia, ele precisava vê-lo em sua cama, também. Foi esse instinto que ganhou no fim.

 

Afastando-se de Ryland, ele caminhou até a porta.

 

Ryland não precisou ser ordenado, ou até mesmo convidado a se juntar a ele. Ele estava de pé ao seu lado antes que qualquer palavra pudesse deixar os lábios de Arslan. Estremeceu quando o ar mais frio no corredor o cercou, mas ele não fez nenhuma reclamação.

 

Arslan fez uma nota mental para manter toda a casa aquecida a temperaturas humanas.

 

Pelo menos, o quarto principal estava de um modo confortável para um ser humano, aquecido pelo calor do fogo na sala logo abaixo. Quando Arslan fechou a porta atrás deles, Ryland pareceu hesitar, pela primeira vez. Arslan entrou atrás dele e beijou seu pescoço. ― É seu quarto também, animalzinho. Não aja como um visitante.

 

Ryland virou em seus braços. Ele estendeu a mão e estabeleceu-a sobre a pele de Arslan, mas ele ainda parecia muito mais hesitante lá do que ele tinha estado abaixo. Arslan correu as mãos sobre o jovem nas costas encorajando-o a inclinar-se para o corpo de seu mestre e relaxar, mas o seu bichinho continuou tenso.

 

― Você disse que haveria mais explicações, senhor.

 

― Sim ― Arslan descansou sua testa na testa do outro por alguns momentos, mas de qualquer maneira na situação, Ryland estava certo. As coisas tinham que ser resolvidas de forma apropriada entre suas mentes antes que pudessem passar para qualquer outra coisa.

 

― Eu quis dizer isso, senhor - sem concessões. Eu vou aprender a ser um leão, aprender a ser exatamente o que você quer. ― As palavras eram sussurradas no ombro de Arslan, mas não importava o quão sussurradas foram, as palavras deixaram seu significado claro.

 

Arslan obrigou-se a puxar para trás o suficiente para olhar para baixo nos olhos do jovem.

 

― Querer agradar seu mestre é natural. Mas é preciso lembrar que o seu mestre não estará satisfeito com você, se você estiver tão ocupado se preocupando com o papel de um leão que você se esqueça que ele se apaixonou por um humano.

 

Ryland olhou para ele, surpreso.

 

― Você acha que eu ia pedir-lhe para ser meu companheiro por um capricho?

 

Ryland balançou a cabeça. ― Eu só não tinha certeza se poderia... como os leões... Eu prefiro que você não faça concessões, senhor.

 

Persuadindo Ryland para trás, Arslan o guiou para baixo na beira da cama antes de sentar ao lado dele. ― Porque?

 

Ryland olhou para o tapete ao lado da cama por alguns momentos. ― Porque eu tentei pedir a alguém que fizesse concessões para mim há muito tempo. Eu aprendi com meu erro, eu não vou fazer isso de novo.

 

Arslan estendeu a mão para o outro homem. Isso tinha sido martelado nele a partir do momento que era velho o suficiente para ouvir que os humanos eram frágeis criaturas vulneráveis. Olhando para Ryland de cabeça baixa, ele poderia facilmente acreditar em cada palavra. Ele colocou a mão suavemente sobre seu animalzinho, oferecendo o conforto que podia.

 

― O seu companheiro de quarto mencionou que você não está em condições boas com sua família.

 

― Um pequeno eufemismo, senhor ― murmurou Ryland.

 

― Leões nunca consideraram importante o sexo de quem estão atraído. Não é... ― ele parou de falar sentida Ryland tenso.

 

― Isso é o que todos pensam, ― o jovem sussurrou depois de um tempo. ― Que eles me jogaram para fora quando descobriram que eu era gay.

 

Arslan lhe acariciou com a palma de cima e a baixo na coluna de seu amante e esperou.

 

― Eles me jogaram para fora quando descobriram que estava aplicando para matemática ao invés de medicina.

 

Arslan tentou seguir. Ele falhou.

 

Ryland olhou para ele. ― Em 1518, um pequeno grupo de médicos pediu a Henry VIII para formar o Royal College of Physicians. Um membro do grupo foi Harold Gilford. Desde então, todos os Gilford sabem o que vão ser quando crescer – as filhas também. Isso não ultimas centenas de décadas, ou algo assim.

 

 

― E quando eles descobriram que não tinha a intenção de... ― Arslan entendeu.

 

Ryland deu uma risada amarga. ― Eu tinha adivinhado que eles estariam furiosos. Eu nunca pensei que eles iam na verdade, cortar-me para fora de suas vidas. ― Por alguns segundos, ele ficou em silêncio. ― Eles disseram que eu viria rastejando de volta quando estivesse quebrado e tivesse de abandonar. Mas eu não iria – faria o que fosse preciso pra isso.

 

Arslan colocou o braço em torno do jovem e o guiou para descansar contra ele.

Ryland respirou fundo. Seus ombros tremeram quando fez um esforço óbvio para não soltar como um suspiro. ― Eu deveria saber como seria. Essa é a forma como tudo funciona, não é? Você tem que se acostumar, percebo isso agora. Você não sai da linha. Você faz o que é esperado de você, e você não pede a ninguém para fazer concessões. Eu não vou cometer o mesmo erro outra vez, senhor.

 

Arslan pressionou um beijo no topo de sua cabeça.

 

― Eu não vou perder você também ― Ryland sussurrou. ― Eu não vou.

 

Envolvendo-o completamente em seus braços, Arslan o segurou tão firmemente como ele ousou e tentou não pensar sobre o quão irresponsável por seus atos, ele seria se colocasse os olhos em qualquer membro de sua família logo em seguida. A proximidade pareceu ajudar o jovem a encontrar coragem para falar. ― Você quer saber o que eles disseram quando eu finalmente tomei a coragem de dizer a eles que eu era gay? ― Ryland sussurrou.

 

Arslan não confiava em si mesmo para falar. Ele fez um ruído na parte de trás de sua garganta incentivando. Que pareceu ser o suficiente.

 

― Ainda há muito trabalho a ser feito no campo de pesquisa do HIV. ― Ryland deu outro daqueles risos amargos. ― Um médico gay teria estado bem com eles. É apenas mais fácil deixar que as pessoas pensem que...

 

Arslan pressionado outro beijo no topo da cabeça.

 

― Eu nunca soube como me encaixar com eles. Eu sempre fui o estranho no ninho. Desta vez, vai ser diferente, senhor.

 

Arslan fechou os olhos por um momento, quando começou a compreender o quão terrível tinha de ser para Ryland encontrar-se jogado no meio de uma outra família que não se encaixa perfeitamente. Mesmo o seu desaparecimento ainda não sendo aceitável, ele podia ver por que ele tinha pensado que arrumar tudo antes de voltar para seu companheiro era a única maneira de manter-se seguro.

 

― Você está seguro agora ― ele sussurrou ao seu animalzinho.

 

Ryland assentiu. Ele parecia fazer algum tipo de esforço para se recompor. ― E você estava certo sobre os meus instintos, eu vou trabalhar neles, senhor.

 

― Nós vamos fazer isso ― concordou Arslan. Ele acariciou com as costas de seus dedos abaixo nas bochechas do homem. ― O que seus instintos dizem para fazer agora?

 

Ryland inclinou a cabeça para trás, oferecendo seus lábios para ser beijado. Foi um convite bonito, um apelo à confiança e aceitação, tanto quanto qualquer outra coisa. Arslan não hesitou em trazer seus lábios juntos.

 

Quando um beijo se transformou em outro e outro, ele sentiu Ryland relaxar e esquecer todas as suas preocupações. Com muita cautela, o jovem começou a devolver o beijo. Suas ações eram impossivelmente tentadoras como se ele esperasse que seu mestre se afastasse a qualquer momento, e ele estava determinado a ter seu pedido de desculpas pronto, logo que isso acontecesse. Enquanto os minutos passavam, a sua confiança parecia crescer. Ele se inclinou para beijar, suas mãos procuraram a pele de seu mestre.

 

Quando Ryland ganhou a coragem de levar as mãos para cima de seus ombros e seus dedos finos em seu cabelo, Arslan começou a mover-se, para que pudesse guiar a seu amante a deitar no colchão.

 

Quando Arslan finalmente quebrou o beijo, Ryland olhou para ele, com os olhos arregalados e com os lábios ligeiramente avermelhados. Quando a língua de seu animalzinho de estimação apareceu para roubar um gosto de seu mestre, Arslan não pôde deixar de pensar de volta na sensação dessa língua incrivelmente suave quando explorou em volta de seu eixo no escritório na universidade.

 

Ajoelhado no colchão, Arslan debruçou-se sobre o homem e beijou-o novamente. Ao mesmo tempo, suas mãos encontraram os pulsos de Ryland e o prenderam, perguntando se ele gostava disso, tanto quanto alguns dos outros humanos tinham gostado no passado.

 

A única reação foi o aumento das tentativas de Ryland de se esquivar e esfregar seu corpo contra o dele como se finalmente se soltasse de suas preocupações e cedesse a seu instinto para aprofundar o beijo. O eixo de Ryland cutucou contra sua perna quando ele endureceu. Sim, em alguns aspectos ele era como os outros animais de estimação.

 

Pressionado tão intimamente contra seu amante, Arslan sentiu cada pequena mudança no corpo do jovem enquanto Ryland perdia-se no prazer e se esquecia das preocupações.

 

Guiando seu animalzinho de estimação para trazer as mãos acima da cabeça, Arslan cobriu seus dois pulsos com uma de suas próprias mãos. A mão livre empurrou o cabelo de Ryland longe de seu rosto e traçou seu pescoço.

 

Desejo de possuir corria através dele. E até mesmo mais do que isso, era o desejo de Ryland reconhecer a quem ele pertencia, para que seu bichinho soubesse que tinha encontrado, onde ele pertencia e que ele estava seguro e aceito lá.

 

― Meu ― ele sussurrou no ouvido de Ryland.

 

Ryland assentiu. ― Sim .

 

― Para Sempre.

― Sim, senhor. ― A palavra foi sussurrada no mesmo tom de voz ligeiramente boquiaberto, como se ele ainda tivesse problemas envolvendo sua mente em torno de tudo o que queria dizer.

 

Arslan roçou os lábios mais uma vez antes de se inclinar para trás e colocar algum espaço entre seus corpos para que pudesse olhá-lo corretamente. Mesmo depois de deixar ir os pulsos de Ryland, seu animalzinho de estimação não tentou se mover. Ele ficou lá e deixou seu mestre cuidar dele.

 

― Por favor?

 

A palavra tinha deixado os lábios de Ryland, antes que ele mesmo soubesse o que queria dizer. Ele não estava nem mesmo certo do que ele estava pedindo. Arslan rasgou seu olhar longe de seu corpo e olhou para cima para encontrar os olhos de Ryland.

 

Posse e desejo encheu sua expressão. Agora que ele não tinha medo de se fazer de tolo, olhando para ele, era fácil imaginar que pudesse ver algo mais profundo, mais emoção misturada entre eles.

 

Arslan não iria por ele como o tipo de homem que não dizia algo a se não tivesse certeza disso. Se ele dissesse que não pediria a um homem para se juntar ao seu orgulho, a menos que ele estivesse apaixonado, Ryland não tinha razão para não acreditar que era nada menos do que a verdade absoluta.

 

Inclinado para baixo, Arslan ofereceu-lhe seus lábios para um beijo breve. Antes de Ryland ter a oportunidade de apreciá-lo, sua boca foi embora, traçando uma linha abaixo de seu pescoço. Arslan beliscado na sensível pele logo acima de sua clavícula. De lá, ele perdeu seus lábios para baixo em seu corpo, sua língua trilhando contra seu mamilo.

 

Não apenas tornou mais fácil apenas pensar naquele momento e não se preocupar sobre o que um leão faria em seu lugar, ele fez quase impossível para Ryland pensar em qualquer coisa, além da língua de Arslan e a suavidade de seus lábios contra sua pele.

 

Ele ofegou quando sentiu Arslan começar a traçar uma linha reta até o centro de seu corpo.

 

Forçando os olhos abertos, Ryland viu quando Arslan atingiu seu pau e tomou a ponta do eixo entre os lábios como se fosse a coisa mais natural do mundo.

 

Se a sensação de boca de Arslan sobre seu corpo o mantinha feliz e congelado no lugar, o primeiro toque da língua do leão na sua ereção tornou impossível ficar parado por um momento seque. Suas mãos foram para o cabelo de Arslan. Ele não conseguia parar de agarrar com seus dedos nos longos fios escuros.

 

Ele pediria desculpas por isso mais tarde. E ele se desculparia por não ser capaz de manter seus quadris parados também. Ele estaria muito feliz em se desculpar por tudo no mundo e pedir ao outro homem perdão mais tarde. Mas naquele momento, era impossível pensar claramente sobre boas maneiras ou controle ou qualquer outra coisa, porque seu cérebro inteiro era dedicado ao processamento de cada sensação única da boca de Arslan em volta do seu eixo.

 

O homem mais velho sugou em torno da cabeça enquanto a sua língua tocou com a ponta de seu pênis, persuadindo-o a gemer e atirar a cabeça para trás contra a cama. Seus dedos apertaram no cabelo de Arslan, e ele puxou tão delicadamente quanto podia os longos fios, puxando a boca de seu amante longe dele.

 

Arslan deixou escapar o pau de Ryland de entre seus lábios enquanto olhava para cima e encontrava seus olhos.

 

― Vou gozar se você não parar ― Ryland conseguiu explicar. E ele sabia que não poderia vir naquele momento, porque ele queria vir quando seu mestre estivesse enterrado dentro dele. Ele queria estar em volta de Arslan do jeito que ele tinha estado na frente do fogo quando o mundo inteiro tinha parado de existir, tudo, exceto por um pequeno e perfeito pedaço.

 

Arslan não questionou nada disso, ele apenas balançou a cabeça como se compreendesse tudo isso sem precisar de informações que poderiam ser divididas em letras e palavras. Ryland observava enquanto o outro homem pegava um tubo de lubrificante de sua gaveta de cabeceira. Ele lubrificou seus dedos, mas balançou a cabeça quando Ryland tentou rolar em suas mãos e joelhos.

 

Ryland achou ter visto o que o homem queria em seus olhos, mas era impossível de estar com certeza. Não sabendo o que mais fazer, ele seguiu seus instintos. Deitando novamente, ele puxou seus joelhos de volta em direção ao seu peito. Por alguns segundos, pelo menos, seus instintos pareciam ter lhe levado a um bom lugar. Em segundos, Arslan tinha dois dedos lubrificados trabalhando dentro dele. Ryland mordeu os lábios na esperança de que pudesse manter os sons de seu prazer para si mesmo.

 

Um olhar no leão foi o suficiente para informar-lhe que ele estava enganado, na crença de que mais silencioso era melhor. O instinto de agradar o outro homem voltou com força total e toda outra coisa se tornou irrelevante. Ryland soltou seus dentes de segurar os lábios e deixou Arslan ouvir seus choramingos em resposta a como os dedos do professor descobriram sua próstata. Quando ele viu incendiar prazer nos olhos do homem mais velho, foi impossível se importar se ele estava agindo como um humano ou um leão ou qualquer outra coisa. Seu mestre estava satisfeito com ele, e nada mais importava.

 

Tanto quanto ele queria apenas deixar ir e deixar Arslan fazer o que ele queria com ele, e tanto quanto ele queria mostrar que poderia seguir o exemplo do outro homem e não questionar suas decisões - era impossível fazer isso para sempre. Eventualmente, ele teria de enfrentar o muito real com a possibilidade de que, se ele deixasse os dedos de Arslan continuarem a jogar dentro dele por muito mais tempo, ele não chegaria cedo demais, ele poderia realmente perder sua mente junto.

 

― Preciso ― ele conseguiu sussurrar. ― Preciso. Agora. Por favor, senhor.

 

Arslan debruçou-se sobre ele e tocou seus lábios juntos, quando ele levou os dedos a distância. Logo depois, seu corpo cobriu o de Ryland. A ponta lubrificada do pênis do professor contra o seu ânus.

 

― Por favor ― foi a única palavra deixada na cabeça de Ryland. Se ele tivesse qualquer um desses instintos que Arslan queria que ele confiasse, cada um deles estava gritando que ele precisava do outro homem dentro dele. Ele estendeu a mão e agarrou os ombros de Arslan, puxando ele, tentando mostrar-lhe o que ele precisava tanto.

 

Quando ele olhou para cima e encontrou os olhos do leão, Arslan empurrou nele, lento e constante, preenchendo ele, esticando-o e levando seu mundo inteiro. Suas mãos apertaram os ombros de Arslan. Suas unhas na pele do homem mais velho, como se alguma parte de Ryland realmente pensasse que ele poderia marcar seu amante, assim como as garras de Arslan reivindicaram a posse dele.

 

Rápido, Ryland sentiu-se correr a borda. Ele se esforçava para agarrar qualquer tipo de controle, mas era impossível. Ele tremia debaixo do corpo do outro homem enquanto Arslan empurrava nele, ele gozou sem se tocar, entre seus corpos.

 

Assim como no em uma vida atrás, Arslan empurrou nele, através de seu orgasmo, até que Ryland finalmente caiu parado. Piscando os olhos, ele olhou para o outro homem, hipnotizado pela expressão em seu rosto.

 

Mais um impulso. E outro. Arslan jogou a cabeça para trás e rugiu o seu próprio prazer até o teto. Quando o som morreu na distância, Arslan calou, inclinando a cabeça para olhar para Ryland.

 

Ryland olhou para ele durante alguns segundos antes de fechar os olhos para que ele pudesse guardar todos os detalhes em sua cabeça antes que escapulissem. Debruçando-se sobre ele, Arslan roçou os lábios através das pálpebras fechadas, como se em elogios por ceder ao instinto de fazer isso.

 

O jovem sorriu para o professor quando o homem mais velho se afastou apenas longe o suficiente para deixar Ryland rolar para o lado de frente com ele. Os dois ficaram ali, parados e em silêncio por muito tempo, apenas pegando suas respirações. Finalmente, o leão se inclinou para frente e trouxe seus lábios juntos. Um segundo depois, ele acenou com a cabeça para a porta que parecia levar a um banheiro, convidando Ryland para fazer uso dele antes que eles fossem dormir.

 

Quando ele voltou para o quarto, Ryland foi deixado inteiramente sozinho quando Arslan teve a sua vez no banheiro. Sentado na beira da cama, olhou ao redor do quarto. Parecia um quarto perfeitamente normal, mantido por uma pessoa que gostava de ordem e limpeza, mas ainda assim, perfeitamente humano e normal. Não havia um traço de leão nele. Seus olhos caíram sobre a porta que dava para o corredor. Havia uma fechadura estilo antiga grande logo abaixo da alça. Não havia uma chave nela.

 

― Sim, está trancada.

 

Olhando para trás para a porta que conduzia ao banheiro, Ryland viu Arslan em pé na porta. ― É errado que parte de mim goste de saber disso, senhor?

 

― Saber que o seu mestre cuida de você, que quer mantê-lo perto? Parece ser uma coisa muito sensata para um animalzinho de estimação gostar.

Ryland baixou o olhar para o tapete ao lado da cama.

 

― Isso é o que é um animalzinho de estimação ― Arslan disse. ― Um homem que gosta de ser cuidado por seu mestre, que gosta de ser mantido perto e seguro, saber que há alguém olhando por ele, cuidando dele.

― Não é... não é alguém que... ― Ryland baixou o olhar, não sabendo direito o que as palavras eram.

 

― Não é um insulto. Eu não usaria o termo com que você se fosse. ― Não havia espaço para argumento no tom do professor.

 

― Você disse que iria me mostrar como você parece quando você é um... ― Ryland deixou escapar.

 

Foi na hora errada. Parte dele sabia disso, mas a parte que poderia ser um instinto queria poder contar a seu mestre que ele aceitava cada parte dele, assim como o outro homem tinha tão cuidadosamente aceitado seus erros, sua humanidade, tão cuidadosamente como o outro homem aceitou todas as partes dele.

 

Arslan não respondeu, ele simplesmente mudou para sua forma de leão, bem ali na frente dele, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Ryland prendeu a respiração quando um leão estabeleceu-se totalmente em todo o tapete acolchoado do quarto e parou na frente dele.

 

Ryland observava enquanto sua mão se estendia e corria os dedos levemente sobre os traços escuros que circundam o rosto do leão. Engolindo seus nervos, ele cautelosamente tocou a face do leão. Quando ele olhou para ele, o leão virou a cabeça e lambeu a ponta dos dedos.

 

Congelado no lugar, Ryland apenas continuou a olhar e correr os dedos sobre a juba até que ele conseguiu juntar algumas palavras. ― Obrigado, senhor.

 

Sob seu toque, Arslan se tornou um homem mais uma vez. A mão de Ryland estava descansando em cabelo humano.

 

Ele não pode evitar, alcançar e tocar o rosto do outro homem novamente, comparando o lado humano dele com o lado leão.

 

― Seus olhos são sempre os mesmos ― ele deixou escapar.

 

Logo em seguida, os olhos de Arslan pareciam bastante divertidos. Ele virou a cabeça e lambeu a mão de Ryland, assim como o leão tinha feito.

Inclinando-se em seu assento na borda da cama, Ryland roçou os lábios.

Arslan sorriu pelo beijo, como se apenas um pouco divertido com suas tentativas desajeitadas de mostrar que ele não estava nem um pouco assustado com alguma coisa. Quando ele puxou para trás, Arslan acenou com a cabeça o colchão. Ryland pegou a dica e voltou ao longo do lençol de modo que o professor pudesse se juntar a ele na cama.

 

O professor muito suavemente, muito pacientemente, cutucou-o em uma posição que lhe agradava, enrolado perto contra o lado de seu mestre. A pele do leão era maravilhosamente quente no frio ligeiro do quarto. Ryland encontrou-se automaticamente cheirando o perfume de seu amante sob os cobertores.

 

― Eu também te amo, senhor.

 

Arslan puxou para trás uma fração, o olhar para ele.

 

― Você disse anteriormente ― lembrou Ryland.

 

― Sim, eu disse ― Arslan concordou.

 

― Eu apenas pensei... Parecia errado não dizer que eu te amo demais – o pedacinho leão e também o pedacinho professor. Eu pensei que você deveria saber.

 

― É um instinto bom ― concordou Arslan.

 

Ryland assentiu.

 

Arslan o guiou para descansar a cabeça para trás contra o seu ombro.

 

― Confie em seus outros instintos também. O que eles dizem para você fazer agora?

 

Ryland sorriu levemente no ombro do outro homem antes de se enrolar um pouco mais confortavelmente em seu mestre e abraçar deixando os olhos se fecharem.

 

Seu único instinto, em seguida, era simplesmente relaxar e cair no sono, seguro no conhecimento de que seu mestre estava bem ali, e pela primeira vez, que ele podia se lembrar, ele estava seguro, aceito e exatamente onde ele pertencia.

 

O homem mais velho pressionou um último beijo em sua testa antes de desligar a luz.

Foi todo o louvor necessário para Ryland acreditar que seu mestre estava certo, ele realmente tinha bons instintos.

 

                                                                                Kim Dare  

 

                      

O melhor da literatura para todos os gostos e idades

 

 

              Biblio"SEBO"