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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


ESCONDIDO / Maya Banks
ESCONDIDO / Maya Banks

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

ESCONDIDO

 

Havia um número qualquer de homens que fariam qualquer trabalho que Marcus Lattimer queria que fosse feito. Ele acumulou uma fortuna e incontáveis conexões durante sua vida, a maioria das quais estavam mergulhadas em obscuros tons de cinza.

Os homens contratados diretamente por Lattimer tinham sua absoluta lealdade,— ele não toleraria menos—mas nunca se permitiu confiar totalmente em ninguém.

Alguns trabalhos... Alguns trabalhos exigiam uma satisfação pessoal. Este era uma questão de honra.

Outros podiam argumentar que Marcus não tinha nenhuma, por sua definição, eles estariam certos.

Mas ele estava vinculado por um feroz código leal. Sua honra era o que importava.

Allen Cross era um arrogante, aproveitador idiota. O mundo seria um lugar melhor sem o seu tipo de sujeira, e Marcus havia determinado que a tarefa fosse concluída neste dia.

Marcus anexou o silenciador e enfiou a arma na cintura de suas calças.

O paletó desenho Armani fechado, ele deixou os limites de seu carro e instruiu o motorista a esperar.

Ele caminhou a um ritmo sem pressa em direção à entrada do arranha-céu que abrigava as Empresas Cross.

Em torno dele as luzes da cidade brilhavam no entardecer do crepúsculo, e faróis de carros passando saltavam ao longo dos becos.

As ruas estavam quase vazias e o edifício estéril da horda de funcionários que durante a semana corriam para dentro e para fora com regularidade.

Ele parou a uma curta distância a partir da entrada e olhou o relógio.

O guarda de segurança que preenchia a entrada da frente nos fins de semana era um cara de família e, como a maioria dos caras de família, tinha uma quantidade moderada de dívidas e estendeu o seu orçamento a partir do dia de pagamento para pagamento do dia.

Depois desta noite, o guarda não teria preocupações financeiras que outros de sua classe.

Marcus já tinha visto isso.

Agora, o guarda teria que fazer uma pausa estratégica de seu posto, e no mesmo momento, as câmeras de vigilância iriam para baixo. Dinheiro comprava muitas coisas. Lealdade. Deslealdade. Um olho cego. Um momento de distração.

Quinze minutos era tudo que Marcus precisava para livrar o mundo de Allen Cross.

Cross era uma criatura de hábitos.

Ele entrava em seu escritório todos os sábados, após as sete horas e permanecia até as nove horas, quando seu serviço de automóvel o recolhia e levava-o ao mesmo restaurante a dez quarteirões de distância. Ele gostava de algumas horas de solidão para passar por cima dapapelada — mas o que talvez mais gostasse era a liberdade de vitimizar uma mulher indefesa com impunidade.

Marcus contraiu a mandíbula em fúria.

Previsibilidade matou um homem. Como Cross estava prestes a descobrir.

Marcus pegou o elevador para o vigésimo primeiro andar e deu um passo sobre a barata falsificação italiana do piso em mármore, seus sapatos emitiam um fraco eco enquanto caminhava pela área de recepção vazia.

A porta do escritório de Cross estava entreaberta e uma luz fraca brilhava através da brecha. Marcus empurrou a porta e deixou deslizar silenciosamente aberta.

Cross estava atrás de sua mesa, apoiado para trás em sua cadeira, um copo de vinho em uma mão, enquanto lia um maço de papéis com a outra.

Marcus observava, satisfeito em esperar que sua presa se tornasse consciente de que ele foi caçado.

Depois de um momento, Cross pôs o seu copo para baixo e se inclinou para frente.

Parou em meio ao movimento, e sua cabeça se levantou, o olhar fechado sobre Marcus.

Os olhos de Cross se arregalaram em alarme e em seguida, ele se recuperou, um sorriso de escárnio rolando sobre os lábios.

—Quem é você e o que diabos você está fazendo no meu escritório?

Marcus caminhou para frente, sua expressão propositadamente branda enquanto ele afrouxava seu casaco.

Cross estava corado, a sua mão avançando em direção ao interfone em sua mesa.

—Saia ou eu vou chamar a segurança.

Marcus sorriu.

—Eu acho que você vai encontrá-lo indisponível.

Um lampejo de desconforto deslizou através do rosto de Cross quando Marcus continuou a sorrir.

Marcus tirou a arma, desfrutando do deslize do coldre sobre sua palma. Destravou a segurança, e nivelou o cano no peito de Cross.

—Você prefere morrer de pé ou sentado?

Cross empalideceu, e el cambaleou, com as mãos no tampo de mogno polido de sua mesa executiva.

—O que você quer?— Ele perguntou com voz rouca. —Dinheiro? Eu tenho dinheiro. Apenas me diga o quanto. Qualquer coisa. Vou te dar qualquer coisa.

Um sorriso de escárnio torceu os lábios de Marcus.

—Você não poderia pagar meus sapatos.

Seu dedo apertou no gatilho, e ele assistiu a consciência nos olhos de Cross, o pânico e a percepção de que ele ia morrer. Cross se lançou para o lado, e o som do bater de bala em seu peito ressoou através do escritório espaçoso. Cross bateu no chão, seu braço estendido, em desespero.

Sangue atravessou a camisa de seda branca, crescendo à medida que ele recuperava o fôlego.

Tanto quanto Marcus queria assistir a vida desaparecer lentamente dos olhos do bastardo, ele teria que acabar com isso agora. Ele levantou a arma e apontou entre os olhos de Cross.

Ele viu a finalidade, a aceitação cinza da morte no olhar da vítima.

Ele puxou o gatilho e então se virou, convencido de que a justiça tinha sido feita.

 

O táxi parou a uma parada abrupta fora do prédio onde Sarah Daniels tinha trabalhado por um período de seis meses. Ela não tinha voltado em um ano.

O simples pensamento de andar nas Empresas Cross a deixava fisicamente doente.

Ela lançou uma nota de vinte ao taxista e ignorou sua oferta para dar-lhe o troco.

Desajeitadamente abriu a porta e ela saiu do táxi correndo e entrou no arranha céu inoperante.

O saguão de entrada estava vazio. Nem mesmo o guarda da segurança estava em seu posto. Ela estava muito atrasada? O que o homem disse a ela mesmo? Que seu irmão estava aqui para matar Stanley Cross?

Ela fugiu em direção ao elevador e bateu sobre o botão para cima, rezando que seria aqui.

Ela soltou um suspiro de alívio e se jogou através das portas à medida que se abriu.

Ela enfiou o polegar no botão para o vigésimo primeiro andar e então apertou o botão de fechar a porta várias vezes. Depressa. Depressa. Depressa.

Ela tinha que estar na hora certa. Ela não deixaria Marcus continuar com isso.

Estúpido. Tão estúpido.

Ela deveria ter sabido. Ela tinha visto a raiva nos olhos de Marcus. Ele tinha sido demasiado tranquilo.

Também não se pertubou enquanto calmamente disse-lhe que ele estava levando-a embora.

Ela não tinha argumentado, permitiu-lhe fazer todos os planos. Todas as decisões. Ela nem sabia onde eles estavam indo, só que o jatinho particular de Marcus foi abastecido e esperava por eles.

Finalmente, as portas do elevador se abriram, e ela correu para a área de recepção e virou na direção do escritório de Allen.

Ela viu a porta de Allen aberta, viu o perfil de Marcus e depois viu como Marcus enfiou a arma de volta na cintura.

Seu olhar horrorizado rastreou para baixo para ver Allen Cross deitado no chão, manchando de sangue sua imaculada camisa branca. Sua mão voou para a sua boca e ela recuou apressadamente.

Oh Deus. Oh Deus. Oh Deus

Chegou tarde demais. Ela não tinha chegado aqui a tempo.

Allen estava morto. Marcus o tinha matado.

Oh Deus.

Náuseas brotaram em sua garganta. Ela quase tropeçou em seus pés enquanto firmemente recuava. Ela tinha que ir embora. A polícia estaria aqui em breve. Não é?

Certamente alguém não podia simplesmente andar nas ruas ao matar alguém em um prédio de escritórios.

Ela se virou e correu de volta para o elevador, rezando que ele ainda estivesse lá.

Ela sabia que pelo menos dois foram retirados de serviço nos fins de semana, mas que deixavam dois a esquerda trabalhando neste lado do edifício.

Ela apertou o botão para baixo com o polegar e prendeu a respiração, preparada para fazer uma corrida para as escadas, se ela tivesse que fazer. A porta se abriu e ela caiu sobre si mesma ficando dentro. Ela apertou o botão para o andar térreo e virou apenas quando as portas começaram a fechar, só para descobrir-se olhando para a expressão congelada de Marcus a vários metros de distância.

—Sarah.

A porta fechou, interrompendo-o. O elevador desceu, o enviando o estômago de Sara a uma turbulência ainda mais. Ela simplesmente não conseguia processar o que acabara de testemunhar.

Marcus tinha matado Allen Cross. Ela não conseguia nem esboçar qualquer arrependimento. Apenas medo. Medo por Marcus. Como ele poderia pensar que pudesse fugir com algo tão ousado?

O elevador parou e ela empurrou a porta, tentando fazê-lo abrir mais rápido.

Ela se lançou de cabeça no saguão, tropeçando para manter-se em pé. Assim que ela se endireitou, uma mão enrolou em torno de seu braço e puxou-a na posição vertical.

—Que diabos você está fazendo aqui?— Ela suspirou e olhou dentro dos olhos do mal.

Stanley Cross, irmão de Allen, agarrou o braço dela até que ela gritou de dor. Seus olhos faiscando de fúria, mas mais do que isso, advertiu-a de que tipo de homem ele era. Ela sabia muito bem.

Um soluço brotou em sua garganta quando enfrentou o homem que estava em seus pesadelos o ano passado. Ela não o tinha visto desde aquela noite no escritório de Allen, quando ele e Allen tinham mudado para sempre o curso de sua vida.

Ela odiava os dois mais do que ela jamais imaginou ser capaz de odiar outro ser humano.

O medo paralisou-lhe o que parecia uma interminável quantidade de tempo. Sua garganta fechada e a bola em seu estômago atada dolorosamente, até que foi tudo que ela podia fazer para não vomitar em todo sapato de Stanley.

—Eu lhe fiz uma pergunta— Stanley a agarrou. —Que diabos você está fazendo aqui?

Oh Deus, ele iria encontrar o corpo de Allen e achar que ela o assassinou. Ou pior, ele veria Marcus e Marcus iria para a cadeia. Stanley poderia colocar os dois na cena do crime.

Mesmo se ela não fosse acusada do crime, poderia ser forçada a depor contra Marcus.

Algo estalou dentro dela. Raiva subiu em redemoinho como um furacão. Ela empurrou seu joelho em sua virilha, bateu seu punho e girou tão duro quanto podia assim enquanto ele uivava de dor e dobrava-se.

Seu punho encontrou sua mandíbula e ele foi caindo. Quando ele começou a tropeçar, ela correu para a entrada, invadiu a noite e saiu correndo em direção a rua. Ela viu um táxi fora de serviço circulando no canto e correndo na frente dele, levantou seu braço para detê-lo.

O táxi freou para uma parada apenas uma polegada de seu joelho. O motorista jogou seu punho para fora da janela, e obscenidades borbulharam no ar. Ignorando sua indignação, Sarah abriu a porta traseira e se arastou para dentro, batendo a porta atrás dela.

—Dirija!

O taxista deu-lhe um olhar descontente no espelho retrovisor, em seguida acelerou bruscamente, resmungando sobre mulheres loucas como ela que desviavam o trânsito.

—Senhora, eu não estava em serviço.

—Eu vou fazer valer a pena. Apenas dirija!

Ele soltou um suspiro exasperado.

—Para onde?

Ela bateu os olhos fechados por um momento, enquanto procurava recuperar seus pensamentos. Onde ela poderia ir? Pensa. Deus. O que fazer em uma situação como esta?

Ela olhou para a bolsa pendurada no pescoço. Ela tinha algum dinheiro, seu passaporte, um cartão de crédito, carteira de motorista. Ela não poderia voltar para seu apartamento, poderia?

Stanley teria encontrado o corpo de seu irmão agora. Ele provavelmente já chamou a polícia. Pense, Sarah, pense!

—Aeroporto— ela conseguiu fazer sair.

Seu celular tocou, assustando-a. Ela remexeu em sua bolsa e virou-o para verificar o LCD. Marcus.

Lágrimas queimaram suas pálpebras. Seu irmão, a única pessoa no mundo que a amava.

Ele era tudo o que tinha e agora ele tinha matado por ela. Ela abriu o celular e colocou-o à sua orelha.

—Sarah— Marcus gritou antes que ela pudesse obter um cumprimento.

— Marcus — ela murmurou com a voz quebrada e áspera.

—Sarah, querida, onde você está?

—Não importa. Eu não posso... não podemos... eu tenho que ficar longe. Eu preciso ir embora.

Ela estava balbuciando, mas não se importava.

—Sarah, pare. Escuta-me.

— Não. — Ela o cortou, sua voz mais firme agora.

—Eu tenho que ir. Você não vê? Eles saberão. Eles saberão que eu te vi. Eles têm vigilância naquele prédio. Tudo que eles têm de fazer é jogar a fita de segurança de volta e saberão que estávamos lá. Você tem que sair daqui, Marcus. Vai. Eu vou também.

— Sarah, porra, me escute!

Ela fechou o telefone e desligou-o para que ele não pudesse ligar de volta.

Ela inclinou a cabeça para trás contra o assento e fechou os olhos.

Ela não tinha ideia para onde estava indo ou o que faria quando chegasse lá, mas ela não podia ficar aqui.

Ela nunca poderia voltar.

—Eu sinto muito, Marcus. Devia ter sido eu quem o matou — ela sussurrou.

 

Garrett Kelly veio despertar inicialmente com os músculos tensos, gotas de suor na testa. Sua respiração vindo rápida, soprando áspera.

Por um momento ele estava lá, seu olhar desfocado deslizando da janela para a escuridão além.

Explosões ecoavam em seus ouvidos. O estampido de tiros o fez recuar, e o cheiro de sangue e carne queimada assaltando suas narinas fazendo-as alargar-se enquanto sua respiração rasgava nos seus pulmões.

Deus.

Ele balançou a cabeça e levantou a mão para esfregar o sono dos seus olhos.

Seu ombro protestou, e ele rosnou com impaciência de dor, que ainda incomodava.

Ele rolou e se sentou na cama, plantando os pés no chão.

Ele ficou ali, cabeça pendurada em direção a seus joelhos, sugando o ar como alguns afeminados no treinamento básico prestes a vomitar as tripas depois de uma corrida de duas milhas.

Ele irritou-se quando lembranças do passado o emboscaram.

Ele tinha tido um longo tempo sem as imagens que interromperam seu sono.

Por alguma razão, depois de tomar uma bala por sua cunhada, ele tinha mais dificuldade para dormir. Sua consciência parecia mais vulnerável a coisas que ele fechou para fora.

Ele lançou um olhar de esguelha para o relógio. Ele não iria voltar a dormir e todos estariam levantados em uma hora de qualquer maneira.

Talvez uma corrida fosse limpar sua cabeça e seu sangue começaria a fluir novamente.

Com um suspiro, ele bateu no chuveiro e ajustou-o na temperatura fria para sacudir as teias de aranha e o cheiro persistente de sangue.

Depois que ele estava secado e vestido, caminhou calmamente pelo corredor e pela porta da frente. Ainda estava escuro quando ele começou a descer a estrada sinuosa paralela ao lago.

Ele correu adiante, esta manhã empurrando-se além de sua rotina normal. Ele ainda podia ouvir as explosões e ainda ouvir seus companheiros de equipe. Fechou os olhos e aumentou o ritmo até que seus pulmões gritaram e seu lado doía.

Tudo estava acabado. Uma vida inteira atrás. Que ele precisava por superar isso. Ele tinha de fazê-lo

Tudo isso de descanso e relaxamento era uma porcaria. Tinha só servido para torná-lo preguiçoso e inativo.

Foda-se. Ele queria estar de volta em uma missão. Algo além de todo esse maldito tempo livre.

No momento em que voltou para a casa, estava ofegando fortemente.

O céu havia clareado em tons de lavanda e uma estrela do tamanho de diamantes pendurava teimosamente sobre o lago, coberto dos tons suaves do amanhecer.

Ele estava em pé no cais olhando sobre a água lisa — e não havia uma única ondulação perturbando a superfície — E respirou o ar puro e intocado.

Ele deixou a paz da casa e do lago que ele amava envolvê-lo, até que todos os ruídos do passado enfraqueceram e recuaram.

 

O suor cobria o rosto de Garrett quando ele completou sua última levantada.

Manteve-se, com o queixo pairando acima da barra, até que seus músculos ondulavam contorcendo-se e seus ombros queimavam.

Seus lábios estreitos e narinas dilatadas. Quando seus braços começaram a tremer, ele caiu no chão e espalmou a cicatriz em seu ombro.

Impaciente com a pontada de desconforto que ainda o atormentava, ele caiu e começou uma série de flexões.

Ele forçou tudo de sua mente, mas o objetivo era a completa recuperação — um processo que já havia tomado tempo demais para seu gosto.

Depois da corrida matinal de ontem e um dia cheio de pós-terapia, ele tinha dormido um pouco melhor na noite passada do que tinha na noite anterior.

Mas ele ainda não conseguia livrar-se das imagens persistentes dos seus sonhos.

Sonhos que não o tinham perseguido há algum tempo, mas agora pareciam determinados a enfiar-se de volta, para trás e para frente de sua consciência.

—Ei, cara.

Garrett estendeu os braços para manter sua posição e se virou para ver seu irmão Donovan em pé na porta do porão.

—Por que diabos você está interrompendo o meu treino?

—Resnick veio nos dar uma visita. Deve estar aqui muito próximo —Garrett suspirou e pulou de pé, levantou-se e pegou a toalha que tinha jogado no sofá e enxugou o suor de seu rosto.

—Que diabos ele quer?

—Ele não disse. Mas você sabe que ele não iria viria aqui, a menos que queira alguma coisa.

—Ninguém não usa mais o maldito telefone?

Donovan deu uma risadinha.

—Eu vou estar na sala de guerra. Uma palavra de advertência. Sophie está em lágrimas na cozinha.

Garrett gemeu. Sua muito grávida cunhada teve um instinto doméstico furioso na última semana.

Ela já tinha limpado a casa de cima para baixo, e seu próximo projeto, ela estava cozinhando comida suficiente para sobreviver ao apocalipse.

Desde seu casamento com Sam, ela intimava todos na família.

Eles eram sua família, agora —como gostava de lembrar-lhes constantemente— e iriam comer como uma família, o que significava todos na mesa, tudo contabilizado, e na hora certa. A única desculpa para a falta de uma refeição era de hospitalização.

Garrett e os seus irmãos eram condescendentes com ela porque a família era a única coisa que a ela sempre faltou. No início, ela esteve impressionada e cautelosa com a muito grande família Kelly, mas então ela abraçou a todos e levou-os para sua nova vida como um pato na água.

Enquanto subia as escadas do porão, ele revirou os ombros, testando a ferida. Fazia meses desde que deixou o hospital, e ainda não estava curado, para sua insatisfação. Ele tinha dor residual quando trabalhava, mas se ficasse mais de um dia sem empurrar os exercícios, ficava rígido.

Ele ainda estava girando o braço quando entrou na sala de estar. Sophie olhou para cima a partir do fogão e franziu a testa.

—É o seu ombro ainda incomodando-o?

Não esperando a sua resposta, ela correu em torno do canto — o mais rápido que uma mulher em sua condição poderia— e ficou na frente dele.

Sua barriga protuberante, quase batendo em seu quadril — Ela parecia grávida em torno de treze meses—não que ele dissesse isso a ela.

—Eu estou bem, Soph— disse ele com bom humor.

—Você esteve fazendo exercícios novamente. Deveria estar esforçando-se tão duramente?

Ele revirou os olhos e deixou cair um beijo na sua bochecha.

—Eu estou bem. Ele nunca vai chegar a cem por cento a menos que eu o fortaleça.

Seus olhos azuis nublaram e ela rapidamente desviou o olhar. Ele suspirou.

Ela era a razão pela qual ele tinha tomado a bala, e ela também era a única determinada a não esquecer esse fato.

Ele puxou o cabelo dela só para irritá-la, e quando ela olhou para ele, fez uma careta. Toda sua tristeza durou dois segundos.

Seus ombros começaram a tremer e seus lábios abriram em um largo sorriso.

—Okay, okay. — disse ela, colocando as mãos para cima enquanto ela se afastava— Eu vou parar a inquisição e o ato de mamãe galinha.

—Sim, salve-o para a sua criança. — Ela voltou para a cozinha e ele a seguiu, farejando o ar.

— O que você está cozinhando? Cheira bem.

—Acho que a pergunta é, o que eu não estou cozinhando.

Ela apontou para a mesa, que tinha gêneros alimentícios espalhados por toda a superfície.

Parecia como se um cozinheiro furioso havia esquartejado uma vaca e um jardim inteiro.

—Estou fazendo lasanha para congelar, frango e bolinhos,um pouco de cozido e um ensopado. Está com fome?

Ele esfregou o estômago.

—Eu poderia comer.

Ela consultou o relógio.

—O almoço estará em cima da mesa em uma hora.

—Você vai me fazer esperar uma hora?—ele perguntou com horror.

Ela levantou uma sobrancelha.

—Se eu deixar você comer, então Donovan e Sam gostariam de comer e então não haveria ninguém para almoçar quando chegasse a hora.

—Você é cruel ,uma mulher cruel— Garrett reclamou. —Eu não sei por que Sam mora com você.

Seu olhar disse que não estava impressionada com a sua lamentação.

—Falando de Sam, onde está ele?

Sophie olhou sobre a panela e cheirou.

—Ele foi até o escritório com Donovan. Eles tinham algumas chamadas para fazer! — Sam disse que os empreiteiros deveriam quebrar a terra no heliporto no complexo hoje.

Garrett balançou a cabeça em sua insistência em chamá-lo de “escritório”.

— Eu estou indo até a sala de guerra agora. O que vamos ter para o almoço? Eu posso escolher, já que estou ferido?

— Oh agora você quer ser todo lamentável — ela murmurou. —Eu presumo. O que você gostaria?

Ele sorriu.

—Vou aceitar frango e bolinhos. Boa e reconfortante alimentação, para alguém na minha condição.— Ele se virou para ir, mas roubou uma mordida do frango desossado e ela saiu com uma enxurrada de ameaças de chutar sua bunda.

Rindo, ele atravessou o caminho de acesso para a construção no terreno adjacente a casa.

Este tinha uma aparência severa, completamente em contraste com a acolhedora casa que ele e seus irmãos viviam, situada nas margens do Lago Kentucky.

Era quadrado e imponente, um visual de cimento cinza com paredes de aço reforçadas, sem janelas, e um sistema de segurança — graças a Donovan’s conhecimentos técnicos — a CIA não poderia entrar.

O que era engraçado, considerando que a CIA estaria chegando a qualquer momento. Ele digitou o código de acesso e entrou quando a porta se abriu.

Donovan estava sentado na frente de Hoss, o computador —o amor de sua vida— e Sam estava de pé atrás de Donovan lendo na tela abaixo.

Ele realmente ia sentir falta deste lugar quando a construção fosse concluída no KGI complexo que ele e seus irmãos haviam projetado.

Todos eles gostavam de dar merda a Sam sobre a sua paranoia, mas a verdade era que Garrett pensava que foi uma ótima ideia. Ele queria sua família protegida. Especialmente depois de tudo o que tinha acontecido nos meses anteriores, quando sua mãe tinha sido raptada.

Se mover a KGI a uma instalação segura, a tecnologia de ponta fosse garantir que todos os Kellys estariam melhor protegidos, então Garrett estava pronto para fazer a mudança ontem.

O problema era, um empreendimento tão enorme estava indo para tomar tempo. Seriam meses antes que tudo estivesse concluído.

—Então, qual é a do asno do Resnick? —ele perguntou quando caminhou até seus irmãos. Sam virou-se.

—Não sei. Ele ligou, disse que estava a cerca de vinte minutos. Ele parecia agitado. 

—Quando ele não soa agitado? Ele é um filho da puta tenso.

Donovan virou em sua cadeira, olhou para Sam e, em seguida, ambos caíram na gargalhada.

—O quê?— Garrett exigiu.

Sam balançou a cabeça.

—Olá, bule. Chamando a chaleira de tenso?

Garrett ergueu-lhe o dedo médio quando se virou e pulou para o sofá.

O que quer que fosse o que Resnick queria, não podia ser bom. A última vez que o tinha visto em pessoa foi quando toda a merda foi abaixo com Sophie.

Ele tinha estado tranquilo desde então. Exatamente do jeito que Garrett gostava dele.

Problemas sempre seguiam o rastro de Resnick.

Sam o seguiu e escorregou na outra extremidade do sofá.

—Mamãe está dando uma festa para Rusty, e ela deixou claro que a família inteira vai participar.

Garrett suspirou .A festa é para que? Ela ficar longe de problemas por um mês?

Donovan bufou e retomou a digitação em seu teclado.

—É para celebrar o início de seu último ano na escola. E você tem que dar crédito a imbecil, ela se comporta bem desde que a mãe tomou-a pela mão e a fez sentar o traseiro na sala de aula.

Garrett grunhiu. Okay, sim, a garota que sua mãe tinha adotado— era outro dos abandonados pelo qual Marlene Kelly era por isso tão famosa — tinha-se moldado apesar de ter um mal comportamento e uma boca para combinar.

Mas Garrett não iria estar todo em congratulações por ela fazer o que deveria ter feito de qualquer maneira, que era assumir as responsabilidades e agir como um adulto.

—Jesus, provavelmente vão estar comprando-lhe um carro em seguida— ele murmurou.

—Já fizeram. — Donovan disse .No que as sobrancelhas de Sam levantaram.

—Eles fizeram? Quando isso aconteceu?

—Eu falei com a mamãe mais cedo e ela disse que o pai estava fazendo a compra de um carro. É suposto ser uma surpresa para a festa que eles estão organizando — disse Donovan.

Sam fechou os olhos e Garrett balançou a cabeça.

—Cristo. Isso era só o que precisávamos. Uma estúpida adolescente louca com seu próprio carro. Espero como o inferno que garantam dos dois princípios da realidade yin e yang.  Ou ela vai entrar em destruição e viver nas ruas no período de um mês e mamãe e papai vão ser processados.

—Nós podemos sempre contar com você para encontrar o lado bom em tudo. — Sam disse secamente.

O silêncio caiu e Garrett se inclinou com a cabeça para trás, fechando os olhos. Entre o sono irregular e dois dias de treinamentos prolongados, ele estava quebrado.

—Você está dormindo bem?— Sam perguntou.

Garrett abriu os olhos e virou a cabeça para ver seu irmão observando-o com uma expressão pensativa

—Sim, eu estou bem.

—Sophie disse que você tem levantado muito.

Garrett fez uma careta. Desvantagem definitiva de se viver em uma maldita comunidade.

—Se ela não estivesse indo ao banheiro catorze vezes por noite, não saberia que eu não estava dormindo.

Sam riu, mas depois ficou sério.

—Tem coisas incomodando você, cara?

Garrett passou a mão com impaciência em seu cabelo, que precisava de um bom corte. Agora ele ficava preso por trás em sua cabeça como o de um vagabundo aspirante a surfista de praia.

—Eu estou bem, okay?

A última coisa que queria era rediscutir o passado.

Foi ruim o suficiente quando seus irmãos tiveram que pegar os pedaços do seu traseiro e cuidarem de sua saúde quando a sua missão foi à merda seis anos atrás.

Ele não queria ter serviço de babá novamente só porque ele estava tendo alguns sonhos ruins.

—Sophie disse que os empreiteiros estavam quebrando a terra no heliporto hoje.

Sam assentiu.

—Eu pretendo passar por cima depois de nos encontrarmos com Resnick. Dar uma olhada e ver como o resto está avançando. Tenho Sophie estudando as plantas da casa. Ela não consegue decidir quantos quartos precisamos, porque, tanto quanto ela quer mais filhos, ela jura que um poderá ser a única criança. —Garrett riu.

—Ethan já disse o que Rachel decidiu, em sua casa.

—Sim, e você?

Garrett fez uma careta. Uma casa? Inferno, ele não tinha dado muita atenção. Ele vivia com seus irmãos há tanto tempo, que a ideia de ter seu próprio lugar realmente não tinha se aprofundado nele. Mas iria ser agradável.

Sim, ele precisava para começar a dar-lhe algum pensamento.

O sinal sonoro do intercomunicador impediu sua resposta.

Donovan levantou da cadeira em frente ao computador.

—Parece que Resnick está aqui.

—Não se levante— disse Sam quando Garrett permaneceu no sofá. —Vou trazê-lo para dentro.

Garrett sorriu.

—Obrigado. Eu estava confortável. —Sam lançou-lhe um olhar e foi deixar o seu visitante entrar.

Alguns momentos depois, Sam voltou com Resnick no reboque. Tipicamente, Resnick tinha uma mão em seu cabelo e a outra trivialmente com o cigarro pendurado no canto da boca. Ele dava rápidos passos curtos e seu olhar constantemente se mudava de lado a lado.

Sim, ele era um nervoso e tenso filho da puta.

Garrett ergueu uma sobrancelha na direção de Resnick.

—É bom ver você, Adam. A que nós devemos este prazer inesperado?

Resnick fixou Garrett com seu olhar e puxou o cigarro da boca,segurando-o entre o polegar e o indicador.

—Lattimer está finalmente fodido.

Por um momento, Garrett olhou para o outro homem, sua mente completamente em branco. Tiros ecoaram através de seus ouvidos, e o cheiro acre de sangue encheu suas narinas. Ele foi levado de volta a seis anos. A um lugar e momento em que sua equipe tinha sido negociada pelo homem que tinha sido enviado para salvá-los.

Raiva queimava através de suas veias, apesar de sua tentativa de manter a calma e não deixar que os outros soubessem exatamente como ele foi afetado pela mera menção do nome de Marcus Lattimer.

—Vá direto ao ponto— Sam cortou— Por que você está aqui, e o que o porra do Lattimer tem a ver conosco?

O olhar de Resnick nunca deixou Garrett. Ele sabia. Deixava Garret fora de si que Resnick soubesse exatamente que botões apertar e como explorar a sua fraqueza.

—Nós temos a melhor oportunidade provável que estávamos esperando para conseguir derrubar Lattimer. Eu preciso de você para o trabalho. — disse a Garrett.

Donovan levantou da cadeira e veio para ficar ao lado do sofá onde Garrett sentava-se.

—Garrett está fora de missão agora. Encontre outra pessoa.

Garrett ergueu a mão. Donovan tinha boas intenções, e por isso, Garrett não poderia ficar chateado.

Sam já estava franzindo a testa, totalmente preparado para conseguir forçar o sabugo de milho o mais distante de seu traseiro.

—Fala — Garrett logo disse: —A versão abreviada, se você não se importa.

—Não existe uma versão abreviada de Marcus Lattimer— disse Resnick.— Eu não preciso lhe dizer toda a merda que ele está envolvido dentro. Ou o que ele fez no passado.

—Não, você malditamente sabe muito bem que não precisa me dizer. Ele é um maldito traidor e filho da puta que não merece viver.

—Isso é pessoal para mim também— Resnick disse suavemente.

—Mas eu não sou o certo para o trabalho.

—Você é.

O interesse de Garrett foi solidamente aguçado. Ele não tinha dúvida de que ao longo dos anos, Lattimer tinha chateado várias pessoas e traído também a muito. Não foi surpresa para ele que a CIA tinha um grande tesão por ele, mas para Garrett, nada mais importava, exceto os rostos dos homens que ele havia perdido no dia que sua equipe entrou para resgatar Lattimer.

—Por que eu sou o certo para o trabalho? Você ainda não me disse como Lattimer está fodido.

Resnick empurrou o cigarro de volta em sua boca e passou a mão várias vezes através de seu cabelo, até parecer que ele tinha enfiado um dedo em uma tomada de luz.

—Duas semanas atrás, ele entrou em um arranha-céu, em um edifício de escritórios em Boston. Quinze minutos depois ele saiu e Allen Cross foi descoberto morto a tiros em seu escritório. A câmera do sistema de vigilância capturou Lattimer ao entrar no prédio e quinze minutos depois deixando-o da mesma forma que entrou. Nós não temos a vigilância de dentro, porque o sistema foi convenientemente desligado assim que Lattimer entrou, e como uma conveniência adicional, o guarda de segurança que estava de plantão naquela noite também desapareceu. Com toda sua família.

—Sim, malditamente muito conveniente — Garrett murmurou.

—Esse é um fracasso muito grande para um homem como Lattimer. —Sam disse. —O que fez Allen Cross de tão especial para Lattimer fazer o trabalho ele mesmo?

—Isso eu não sei. — admitiu Resnick. —Nós ainda estamos tentando ligar os pontos.

—Então,onde eu posso entrar?— Garrett perguntou.

Resnick manuseava o seu cigarro e Garrett estava tentado a dizer-lhe que apenas apagasse a chama da maldita coisa e acabasse logo com isso. Não era como se ele já não fumasse como uma chaminé.

—Eu estou chegando lá. Sarah Daniels, que teve um relacionamento anterior de trabalho com Allen Cross, entrou no edifício em um estado de agitação não muito tempo depois que Lattimer entrou. Ela correu para fora apenas alguns minutos depois parecendo que o próprio Satanás estava atrás dela. Para adicionar a uma situação já fodida, Stanley Cross foi pego pela câmara de vigilância ao entrar no prédio, não muito tempo antes de Sarah correr para fora. Ele foi o único que denunciou o assassinato depois que encontrou o corpo de seu irmão. Mas nega ter visto Sarah ou Lattimer.

Garrett fez um som de descrença. Marcus assentiu.

—Sim. Imagino que Lattimer o pegou e ele está se cagando de medo de dizer qualquer coisa.

—Você acha que ela testemunhou Lattimer matando Cross? — Donovan perguntou.

Resnick inalou e soprou seu hálito em torno do cigarro.

—Eu acho que não só ela o viu morrer, mas acho que ela sabia que ia acontecer.

—Uau, você me fez me perder ai. —disse Garrett. —Isso é um inferno de uma sequência a construir.

Resnick levantou a mão.

—Sarah Daniels é um ponto, não fomos capazes de conectá-la até agora. Não só ela conhece a vítima, mas acreditamos que ela tem um relacionamento com Lattimer.

—Que tipo de relacionamento? — Sam perguntou.

—Você está dizendo que Sarah trabalhou para Cross, esteve envolvida romanticamente com Lattimer e Lattimer dispara em seu chefe?

Resnick balançou a cabeça.

—Ela é meia irmã de Lattime.

Garrett sentou-se para a frente no sofá.

—Ele não tem família. Inferno, ele matou o próprio pai e, em seguida, assumiu o negócio do velho. Sua mãe morreu quando ele era criança e ele não tem nenhum outro irmão. Eu deveria saber. Eu procurei por uma forma de chegar a esse bastardo por anos. Até mesmo Van não surgiu com nada e não há muito que ele não consegue encontrar.

—Nós tínhamos alguém infiltrado na organização de Lattimer. — disse Resnick. —Estávamos tão perto de fazer Lattimer cair, quando ele desconfiou e meu cara desapareceu. Eu quero Lattimer por isso. Eu quero que ele sofra. Antes de desaparecer, o meu agente retransmitia informações sobre Sarah. E aqui está a coisa. Ele se preocupa com ela. É extremamente protetor com ela. Ele se mantém a grande distância para manter sua relação em segredo, porque não quer que sua merda a toque. Notável, não é?  Eu teria colocado as probabilidades que o bastardo não tinha um coração nem consciência.

—Estávamos nos movendo até Sarah e criando vigilância. Eu estava no processo de obtenção de escutas telefônicas para seu telefone quando esta coisa com Cross caiu. Nós estávamos na mesma maldita cidade como o filho da puta e ele escorregou por entre os dedos.

Garrett esfregou distraidamente o seu ombro enquanto deixava as palavras de Resnick serem absorvidas. Lattimer tinha uma fraqueza. Deficiências podem ser exploradas.

—Eu estou dentro.

—Espere só um minuto do caralho, Garrett. — Sam disse. —Você não sabe qual é o trabalho.

—Não importa. Seja o que for, quero estar dentro.

Donovan fez uma careta e balançou a cabeça

—Você não está pronto para voltar à ação ainda, homem. Isso não é um estúpido trabalho de bolo de amor perfeito que estamos falando, para não mencionar que isto é demasiado pessoal para você.

Resnick limpou a garganta.

—É realmente perfeito para ele. É por isso que eu vim. É verdade que sei o quanto você odeia o bastardo, Garrett, e eu certamente não estou acima usando isso para minha vantagem. Mas sua lesão fornece a cobertura perfeita.

—Chegue ao ponto. — Garrett rosnou.

—Sarah desapareceu depois que saiu correndo do edifício onde Cross foi morto. Demorou um pouco para encontrá-la. Ela usou seu nome real para apanhar um voo para Miami, mas ficou um pouco encoberta depois disso. Levou algumas escavações, mas encontramos um piloto que a levou à Ilha de Bijoux. Ela paga via transferência eletrônica e usou um nome falso. Marcus é, obviamente, o financiador dela. Ela está atualmente escondida em uma casa de praia em uma área remota da praia.

Donovan cruzou os braços sobre o peito e se sentou no braço do sofá ao lado de Garrett.

—Eu já posso dizer que não gosto de onde isto está indo.

—Então porque você não está enviando um de seus homens até lá? — Sam perguntou.

—AIlha de Bijoux é pequena, não tem um monte de turistas. Preciso de alguém que tenha que se misturar. Alguém com uma razão para estar lá. Além disso, Garrett está motivado. Ele odeia Lattimer até as vísceras. E eu queria dar a ele a oportunidade de derrubá-lo. — acrescentou de um fôlego só.

—Se misturar? Você acha que ele se mistura? —Donovan perguntou com diversão.

—Ele é perfeito. — disse Resnick. —Ele já parece merda. Ele precisa se barbear e um corte de cabelo. Ele está se recuperando de uma lesão. Você pegaria a casa de praia abaixo da de Sarah. Faça um pouco de pesca. Saia na praia. Descanse um pouco. Seria uma mini férias e tudo que você tem que fazer é manter um olho em Sarah Daniels até Lattimer mostra-se.

Garrett se levantou e começou a andar para cima e para baixo em frente ao sofá. Seu ombro estava doendo, mas que se danasse se cedesse ao desejo de esfregá-lo. Sam e Donovan estaria com ele sobre a ação mais fácil, e a última coisa que ele queria fazer agora era ir com calma. Ele estava malditamente cansado de ficar acamado como um inválido. Estava ansioso para voltar ao jogo.  Voltar ao trabalho. Mesmo que fosse um trabalho de pedaço de bolo de babá. Isso não foi o que atraiu. Praia e sol e areia não fez nada para ele.

Mas a oportunidade de apanhar Lattimer? Ele não dava a mínima se isso significasse ir a Bumfuck, África.

Ele fez uma pausa no meio do ritmo e voltou seu olhar sobre Resick.

—Você está tão certo de que ele vai se mostrar.

—Sim. Ele vai se mostrar. Sarah é muito importante para ele. Ela é a única maldita coisa que ele parece se preocupar no mundo. Se ele não se mostrar, vai, eventualmente, levá-la até ele. De qualquer forma, se você estiver em seu rabo, nós o apanharemos.

—Então é isso. Eu vou para essa ilha e mantenho um olho nela. Aguardo Lattimer para mostrar seu lado e colo sua bunda na parede.

Resnick soprou o ar.

—Inferno, não me importo se dormir com ela ou se brincar de padre e freira. Só preciso de você perto o suficiente para saber quanto tempo ela leva para dar uma mijada. Quero saber se Lattimer entra em contato ou é ela que entra em contato com ele. E outra coisa, Garrett, eu não quero que você perca a maldita cabeça maldita sobre isso. Faça direito. Não tente ser um herói. Se Lattimer se mostrar, não tente nada estúpido. O queremos vivo.

Os olhos de Sam se estreitaram.

—Que tipo de segurança ele vai ter, se as coisas vão à merda? Eu não gosto da ideia de enviar um homem sobre qualquer trabalho, não por mais simples que pareça.

—O poder total dos meus recursos — Resnick disse. —Tudo o que você precisa.

Garrett olhou primeiro para Sam, que não parecia emocionado, e depois para Donovan, que simplesmente parecia preocupado. Então ele olhou para Resnick.

—Você tem algum arquivo de Sarah? Fotos? Idade? Hábitos?

O olho de Resnick se contraiu e ele pegou o cigarro novamente.

—Claro —enfiou a mão no bolso de seu terno e tirou uma pasta. Empurrou para Garrett, que pegou e abriu. O papel preso à primeira página era uma foto.

Sarah era linda. Não clássica e elegante, como a Raquel e doce parecendo Sophie, mas uma beleza calma que não saltaria da página para você, mas se estabelecendo em agradável e confortável. Ela tinha cabelos castanhos longos, um pouquinho de sardas sobre o nariz e profundos olhos verdes. Não estava sorrindo na foto, mas ele apostaria seu último dólar que, quando ela sorria, seu rosto inteiro se iluminava.

Ele folheou suas informações, olhando em seu trabalho. Era assistente administrativa. Tinha ocupado o cargo como assistente do executivo Allen Cross dezoito meses antes. Durou apenas seis meses. Ela não ocupou nenhum emprego desde então. Ele levantou uma sobrancelha por isso. Talvez seu irmão estivesse pagando suas contas.

Ela morava em Boston, mas tinha nascido e se criado no Alabama. Não tinha irmãos — oficialmente. Não tinha pais. Segundo seus registros, ela cresceu em um orfanato na maior parte de sua infância.

Ele franziu a testa. Se ela era meia irmã de Lattimer, então por que diabos ela havia sido criada em um orfanato quando ele cresceu com uma colher de prata?

Ela tinha um apartamento em uma área modesta de Boston. Vivia sozinha. Ela tinha conhecidos, mas não amigos próximos a parentes. Ela parecia ter perdido o contato com pessoas que saía com anteriormente, depois que deixou o emprego com Cross. Ele traçou o contorno do seu rosto na foto. Então, ela era uma solitária. Provavelmente ela estava acostumada. Em outra vida, Garrett imaginava que foi um eremita, e se sua família arrogante permitisse isso, ele seria atualmente agora um morador de caverna.

Garrett esfregou o pescoço e, em seguida, olhou para Resnick.

—Você não está segurando nenhuma outra informação para mim, não é? É isso? Ater-me a Sarah Daniels e apanhar Lattimer quando chegar a hora.

—Em poucas palavras, sim. Pense nisso como férias pagas. Com uma mulher bonita para isso.

Garrett soprou o fôlego.

—Ok, quando você quer que eu vá?

Resnick lhe lançou um olhar triste.

—Tente ontem.

 

O paraíso se tornou um inferno. Apesar da beleza do seu entorno, Sarah Daniels passou cada minuto de todos os dias olhando por cima do ombro e esperando. Esperando para ser descoberta. Após sua chegada na ilha, ela passou a primeira semana inteira enfurnada em uma casa minúscula que alugou, mal capaz de dormir por medo de ser descoberta.

Marcus sempre tinha sido determinado a cuidar dela.

Frustrou-lhe que ela não iria aceitar seus presentes luxuosos, seu dinheiro ou sua oferta para comprar-lhe uma casa completa com o pessoal para ver cada necessidade sua.

O que ele tinha feito foi criar uma conta bancária e depositado quantias a intervalos até que um equilíbrio de saldo considerável havia acumulado. Tanto quanto ela tinha sido determinada a não recorrer a essas reservas, ela foi grata agora que ele tinha feito isso. Usaria o dinheiro para protegê-la, assim como ele a tinha protegido. Demônios do passado e do presente assombravam seus sonhos, até que ela estava exausta e esgotada.

No oitavo dia de sua solidão autoimposta, ela levantou ao amanhecer e viu os primeiros dedos do sol se espalhar sobre a água de um azul profundo. Viu como as ondas suavemente espumavam na areia, alcançando e depois recuando. Atraída para a paz que aparentemente oferecia, ela andou descalça na areia e ficou na beira d'água, a face voltada para cima para o sol.

Aqui, seu passado não importava. Era uma oportunidade de renascer.

Ela só tinha que conseguir. Tinha que acreditar nela. Embora o sol aquecesse a pele dela, ainda estava fria no interior. Estava em modo de sobrevivência.

Tudo foi bloqueado. Ela não sentia. Ela não podia sentir.

Aos poucos, ela se aventurou para fora para comprar mantimentos, achando que atrairia mais desconfiança por nunca deixar sua casa de praia do que se ela se misturasse com os habitantes locais.

A ilha era uma fascinante mistura de culturas e pessoas de todo o mundo que pareciam ter viajado para esse lugar para um novo começo.

Os turistas ainda não tinham encontrado a ilha. Era habitada em grande parte por anos de empresas corporativas, pessoas que tinham deixado a corrida de ratos, os artistas que procuravam inspiração e solitários como ela, que buscaram refúgio em uma ilha pouco povoada, onde quase todo mundo praticamente mantinham-se a si mesmos.

Hoje ela deixou sua casa usando um top e calça casual. E sandália de dedo deslizante foram os sapatos de escolha, que ela comprou um par de dias mais cedo em sua tentativa de misturar-se com o cenário local.

Seu destino era a cafeteria a uma posição elevada situada a esmo em uma praia com boa visão a uma milha da casa de praia.

Era um lugar muito frequentado. O café era bom e eles serviam uma variedade de sanduíches e croissants.

Ela também tinha acesso Wi-Fi. Enfiou o laptop em sua mochila e, então, sentiu dentro do bolso de sua calça o papel com as instruções sobre como verificar a conta de email que ela se comunicava com Marcus.

Embora constantemente tivesse sido entre ela e Marcus o principal método de comunicação por alguns anos agora, ela ainda não havia gravado os passos intrincados na memória.

Marcus tinha desespero com ela. Exasperava-se com o fato dela fazer listas e notas para tudo.

Ele a aconselhou sobre rastro de papeis, mas ela nunca considerou os seus resmungos. Nunca considerou que estaria em posição de realmente se preocupar com uma coisa dessas.

Ela já cometeu um erro. Usou seu nome real. Seu passaporte. Como uma idiota.

Ela tinha deixado Boston com tanta pressa que realmente não tinha pensado sobre as armadilhas potenciais, a mesma coisa que Marcus havia temido. O rastro de papel. Até mesmo seu destino não havia sido planejado. No balcão no aeroporto, ela deixou cair seu cartão de crédito e perguntou pelo primeiro voo disponível para fora de Boston.

Ela acabou apenas indo para Miami. No avião, sentou-se com um casal de idosos cujo destino final era Ilha de Bijoux. Parecia perfeito.

Até o momento que desembarcou em Miami, ela tinha tido tempo para realmente pensar sobre o que estaria fazendo, então a partir daí, ela fretou um Cesna privado para a ilha, usou um nome falso e pagou através de transferência bancária da conta que Marcus criou para ela.

O piloto provavelmente pensou que ela era uma traficante de drogas, mas não recusou o dinheiro que ela ofereceu. Então ela tinha reservado outro voo comercial até Los Angeles, mas se alguém realmente examinasse cuidadosamente, eles saberiam que ela nunca chegou a esse voo. E não foi como se tivesse tornado difícil para qualquer um de persegui-la para Miami.

Ainda assim, ela sentia um certo senso de satisfação que com tão pouca experiência que teve com subterfúgios, conseguiu chegar à ilha e não se espetou ou saiu com o polegar ferido. Mas o estresse de não saber se estava sendo caçada — por parte das autoridades ou Stanley Cross— tinha desgastado seu estado mental, já gasto.

Então, uma das primeiras coisas que ela fez foi pesar suas opções e planejar uma rota de fuga. Divertiu-lhe que estivesse agindo como um personagem de algum filme de espionagem ridículo.

Ela tinha voado aqui, e voar de volta apressadamente para fora simplesmente não era uma opção.

Se ela já tivesse que se movimentar rapidamente, sua melhor rota de fuga seria pelo mar. Em vez de escolher os dois maiores serviços de frete, ela optou por uma pequena, um refúgio, operando com uma embarcação, que parecia que ser geralmente preterida para os dois outros serviços.

Ela deu ao proprietário uma história ridícula sobre como ela era uma autora fazendo pesquisas e escrevendo um romance policial e que queria providenciar para ele estar de plantão para buscá-la na ponta ocidental da ilha e levá-la para a ilha vizinha.

Para sua diversão ainda mais, ela o fez fazer um teste de corrida.

Ele provavelmente não poderia se importar menos sobre por que ela estava agindo de modo tão ridículo, contanto que o pagasse, e ela faria com certeza valer a pena o seu tempo, mas ela permanecia no personagem, mesmo trazendo um notebook onde fingia tomar grandes quantidades de anotações enquanto viajavam as duas horas para a próxima ilha.

Para sua alegria, havia poucos serviços de frete para escolher a partir daí, mas ela quase fez uma dança da vitória, quando descobriu que um deles fazia voos de rotina para o México para entregar mercadorias para uma loja de varejo.

Depois de novamente girar sobre um link pesquisando um filme de suspense, ela convenceu o piloto a permitir que ela pegasse uma carona quando estivesse pronta. Ela não se preocupou em dizer-lhe que ela nunca preferia estar pronta, mas pelo menos tinha uma rota de fuga viável e de certa forma segura a partir de sua ilha em caso de necessidade.

Todo o caminho de volta à ilha a bordo do pequeno barco, ela deu-se um tapinha nas costas, e afirmou que enquanto fosse uma decidida amadora em matéria de decepção, não era uma completa idiota.

Em seguida, ela passou uma tarde no café pesquisando suas opções no México. Ela percorreu um longo caminho desde a pessoa covarde que tinha sido depois que Allen Cross a estuprou.

Então, ela tinha mudado de um esconderijo para outro, mas esteve muito mais no controle de seu destino aqui do que ela estava em Boston. E ela não estava prestes a deixar ir as rédeas novamente. Depois de três semanas na ilha, ela se estabeleceu em uma rotina, mas não se atreveu a deixar sua proteção cair. Erros poderiam levá-la a morte. Só um tolo tornava-se complacente. Mas ela se permitiu alguns prazeres simples.

Como o café na loja na cidade e viagens ocasionais ao mercado para ver o que atingia sua imaginação.

Ela mal se lembrava da caminhada para o café, tão profunda era a sua concentração em suas circunstâncias. Ela permaneceu no estreito caminho da praia, em vez de tomar o túnel subterrâneo perfurado na estrada principal que terminava a poucas centenas de metros além da sua casa de praia.

Quando ela chegou nos degraus de pedra em desintegração que levavam para a cabana em ruínas, fez uma pausa para olhar ao redor. Convencida de que nada parecia errado, correu até o caminho para a entrada dos fundos da loja. Uma vez dentro, o aroma do café cercou-a e encheu suas narinas. Ela respirou e depois se sentou no canto distante, onde estava de costas para a parede. Marie, a garçonete regular com um leve sotaque francês, trouxe um copo da bebida local, deu um sorriso e, em seguida, desapareceu tão rapidamente quanto ela veio.

Sarah gostou disso. Amava que nem todo mundo quisesse ser sua amiga, descobrir a história de sua vida, ou intrometer-se em suas circunstâncias. Ela abriu seu laptop depois de saborear os primeiros goles de seu café, então, cuidadosamente retirou para fora as instruções dobradas.

Ela olhou para cima para se certificar de que ninguém estava por perto e então rapidamente passou por uma série de passos para acessar o servidor seguro. Ela prendeu a respiração à espera da página carregar e então viu que não tinha uma, mas várias mensagens. Cerca de uma dúzia. Tudo a partir de Marcus. Mais dizendo a mesma coisa com pouca variação. Porra, Sarah, onde está você? Sarah, contacte-me imediatamente. Eu irei até você.

Estou preocupado. Você não deveria ter ido por conta própria. Diga-me onde você está.

E depois o último.

Sarah, eu sinto muito que você teve que ver aquilo. Eu não queria você por perto. Tinha que ser feito.

Eu não me arrependo. Eu não quero que você tenha medo de mim. Nunca de mim. As pessoas vão estar procurando por você. Por minha causa.

Eu preciso de você para me dizer onde está para que eu possa tomar providências.

Com dedos trêmulos, ela digitou uma resposta ao último e-mail.

Eu estou bem. Estou segura. É melhor se você não saber onde estou. Não quero ser usada contra você. Eu não tenho medo de você. Tenho medo por você. Você é o único que sempre levantou-se para mim.É hora que eu me levante por mim mesma. Eu prometo entrar em contato se precisar de você. Deixe-me saber quando as coisas estão seguras para você.

Então ela rapidamente fechou o laptop. Fechou os olhos contra a dor na garganta. Havia tantos “se’s”.

Eles correram através de sua mente como uma série fora de controle de eventos felizes. Mas era hora de colocar o “se” por trás dela.

Avançar. Nova vida. Nova determinação.

 

Um som sacudiu-a do sono. Sarah ficou plenamente acordada, sentada na cama, as mãos tremendo e náuseas jorrando em seu estômago. Por um momento ela ficou paralisada de medo, e então percebeu que a sala estava mergulhada na escuridão.

Seu olhar balançou freneticamente para a lâmpada, que ela sempre deixava ligada. Ela rolou, chegando até ela e quase a derrubando da mesa de cabeceira em sua pressa para ligá-la novamente. Girou o botão, mas nada aconteceu. Tinha a lâmpada queimada? Devia ter se desligado depois que ela adormeceu. O ombro roçou o livro que esteve lendo, e ela empurrou-o sob seu travesseiro.

Ela ouviu, esforçando-se para o som. Tinha imaginado?

Ela pôs as pernas para o lado da cama, seus pés descalços batendo no chão de madeira velha.

Ele rangeu em protesto quando ela levantou-se e estendeu a mão para o único meio de legítima defesa que tinha— um tubo velho que encontrou fora da casa. Seus dedos se enroscaram em torno dele e puxou-o para seu peito quando ela olhou através de sua porta aberta para o corredor.

Sua visão se turvou e sua cabeça girou antes de ela perceber que estava segurando a respiração.

Ela deixou-a lenta, mas resfolegava em seus lábios e ela os prendeu, em seguida fechou, para que não fizesse nenhum som.

Ela entrou no corredor, tão apavorada e ainda determinada a não ser uma vítima impotente de novo.

Se ela pudesse ter aquele momento de volta. Ela tinha repetido tantas vezes em sua mente.

Ela poderia ter lutado mais. Ela poderia ter se defendido melhor. Mas não importava o quão muitas vezes ela voltou, o resultado era sempre o mesmo. Ela falhou.

Ela não falharia novamente.

Com renovada determinação e coragem, ela agarrou o cano e aumentou seu ritmo no final do corredor.

No final, hesitou, observando a sala de estar pequena. A luz noturna ligada na parede lançava um brilho sobre a área, e nada parecia fora do lugar.

O suave farfalhar na cozinha acelerou seu pulso. Ela se encostou à parede e ponderou suas opções. Poderia correr pela porta da frente, mas para onde? Na praia? Ela estava a uma milha da cidade e pelo menos 200 metros da casa mais próxima, que estava no presente, atualmente vaga.

Ainda assim, lá fora era longe de tudo o que estava em sua cozinha, e evitar sempre era preferível ao confronto.

Ela engoliu em seco, fechou os olhos e depois reabriu-os, sua mira na porta da frente.

Havia dois ferrolhos, uma corrente e a fechadura regular para enfrentar. Ela precisava ser rápida porque assim que começasse a se atrapalhar com a porta, o intruso seria alertado.

Antes que ela pudesse pensar sobre, saltou para a porta da frente, os dedos alcançando o primeiro ferrolho. Ela o tinha aberto, quando ouviu um miado muito distinto.

Ela congelou. Um gato?

Ela virou-se para ver um gato malhado imundo, em pé na porta da cozinha. O gato olhou para ela, então miou de novo e avançou andando de leve de um lado ao outro para esfregar-se contra a perna de Sarah.

Seu alívio foi tão impressionante que ela cedeu para o chão ainda segurando o cano.

Ela inclinou sua cabeça para frente em seus joelhos, os olhos fechados e riu. Ela riu até que lágrimas corriam pelo seu rosto e então ela desistiu e soluçou.

Pele quente esfregou contra seu braço e o baixo estrondo de um ronronar atingiu seus ouvidos. Ela levantou a cabeça para ver o gato sobre suas patas traseiras, as patas em sua coxa enquanto esfregava a cabeça contra a pele de Sarah.

—Você me assustou até a morte— Sarah disse com voz rouca.—Como foi que você entrou aqui?—O gato miou e mergulhou sua cabeça, obviamente querendo Sarah para acariciá-la.

Sarah colocou o tubo no chão e chegou a coçar as orelhas de gato. O gato respondeu com um ronronar ainda mais alto e um som com pequenas ondulações de prazer. Ele começou a apertar firmemente o braço de Sarah e Sarah delicadamente removeu as garras de sua pele.

Lamentavelmente grata pelo carinho do gato, ela juntou o animal mais próximo, colocando-o contra o peito. O gato cutucou no queixo de Sarah e repetidamente colidiu sua cabeça ao longo da mandíbula dela.

—Está com fome? É isso que você estava fazendo na cozinha?

Ela estava tão perdida em seus pensamentos quando retornou da cidade que não tinha visto o gato entrar? Ou ela tinha deixado a porta entreaberta mais cedo? O pensamento a preocupou.

Ela ia ter que ser mais cuidadosa. Não podia permitir-se qualquer lapso de atenção.

O gato respondeu com mais ronronos e Sarah sorriu enquanto enxugava as lágrimas de sua bochecha. Recolhendo o gato debaixo de um braço, ela se levantou e caminhou até a cozinha.

Ligou a luz e fez uma careta. O gato tinha derrubado um copo fora do balcão e estava em pedaços no chão, as bordas brilhando na luz.

Sarah suspirou e colocou o gato em cima do balcão para que ele não cortasse as patas.

—Você foi um gato muito desobediente — ela repreendeu. —Fique aí enquanto eu limpo a bagunça e vou encontrar algo para você comer. —O gato estabilizou-se em suas ancas e começou a lamber a pata e esfregá-la sobre sua mandíbula. Sarah recolheu a pá e a vassoura da despensa e limpou os cacos.

Depois ela examinou o conteúdo do frigobar e decidiu que peito de frango era a refeição mais adequada, até que ela pudesse comprar alimentos secos no mercado. O gato tentou enterrar o nariz no frango várias vezes, enquanto Sarah o dividia em pedaços do tamanho de mordidas.

Ela empurrou a cabeça do gato para evitá-lo, mas ele só ronronou e esfregou contra a palma da sua mão.

Com uma risada, Sarah empilhou o frango em um pires e colocou na frente do gato.

Sarah inclinou-se cansada contra o balcão, observando como o pobre animal devorava a refeição como se fosse a última.

Incapaz de resistir, ela deslizou a mão sobre o pelo do gato, afagando enquanto o ele continuava a devorar os pedaços.

De vez em quando o gato ia buscá-la com a cabeça erguida e dirigia a Sarah olhares doces e Sarah sorriu.

—Você não parece ou age como se você tivesse uma casa, querido. Você quer ficar comigo?

Na verdade, a ideia de ter um animal de estimação aqui a agradava. Ele faria a casa de praia menos intimidante e a ideia de que ela não estava sozinha—mesmo com apenas um gato por companhia — era um enorme alívio. Após o último pedaço ser demolido, o gato lambeu o pires e depois olhou para Sarah e miou. Sarah pegou-o fora do balcão e foi para o quarto. Amanhã, além de comida, ela precisaria de um cantinho com areia e uma vasilha.

Para esta noite, ela só tinha que esperar que o gato pudesse segurar-se até de manhã, porque estava fechando a porta do quarto e trancando-os. Apesar de que seus temores tinham sido infundadas, ainda estava trêmula do susto, e queria se sentir o mais segura possível.

Ela largou o gato na cama e depois se arrastou no colchão para ficar sob as cobertas.

Para sua surpresa o gato cobriu-se até a cabeça, dando patadas até Sarah puxá-lo de volta e, em seguida, aninhou-se apenas sob o lençol ao lado de Sarah.

Sarah estava ali, o gato vibrando contra seu lado e sorriu. Era uma sensação agradável. Muito boa. Ela e o gato teriam que se dar muito bem. Sarah iria preencher uma necessidade do gato, oferecendo comida e abrigo e o gato daria alguma sanidade muito necessária para Sarah.

 

Garrett carregou seus dois sacos através da porta da casa e sombriamente examinou as imediações.

Quando ele tinha imaginado uma casa à beira-mar com excelentes vistas e a poucos passos da água, ele tinha imaginado algo um pouco mais moderno. TV de tela plana, varanda com rede, cozinha totalmente equipada e talvez uma banheira de hidromassagem com vista para a praia.

O que ele tinha conseguido era uma casa caindo aos pedaços que parecia que não sobreviveu ao último furacão da temporada, com um alpendre em ruínas e as etapas de deterioramento. O interior cheirava a casa de sua avó. Mofado e vellho. O mobiliário era surrado e tinha pelo menos 30 anos de idade.

A cozinha foi projetada na década de sessenta e tinha aparelhos para combinar.

Pior, não havia TV, e suas esperanças para uma banheira de água quente caiu no banheiro.

Com um encolher de ombros, ele largou os sacos e começou a abrir janelas para arejar as salas de fora.

Ele certamente teve acomodações piores durante seus anos na Marinha. Ele espiou da sua janela do quarto até a praia para onde a casa de Sarah ficava na distância.

Não era ideal. Ele preferiria uma maior proximidade com a mulher que ele deveria ser sua sombra, mas as casas eram escassas ao longo deste trecho da costa.

A primeira ordem do negócio era uma viagem para a cidade para a alimentação. Ele planejava tomar o caminho para baixo da praia que passava diretamente em frente de sua casa. Ele não queria ser demasiado óbvio indo diretamente bater e forçar um encontro, mas se ocorresse dela estar fora ou ao redor quando passasse, era tão boa como qualquer outra oportunidade para conhecer sua nova vizinha.

Enquanto ele voltava para a porta da frente e ficava na varanda inclinando a olhar para fora sobre o oceano, ele percebeu que não ia ser tão ruim quanto ele imaginava. Tanto quanto ele protestou contra a necessidade de um tempo de recuperação, algumas semanas em uma praia para o exercício, comer boa comida e não tropeçar em todas as pessoas que atualmente habitava sua casa soava malditamente muito bom. Se ele se colocasse de volta a cem por cento para que ele pudesse voltar a trabalhar, tomaria o tempo de inatividade. Sentiu-se um pouco ridículo em shorts cáqui de praia, camiseta regata e chinelo, mas com a dica de desleixado em sua mandíbula e do fato de ele não cortar o cabelo em sua programação usual, ele se passava por um homem apenas preocupado em chutar atrás e relaxar. O sol batia nele e aquecia seus ombros quando partiu para o caminho usado em direção a casa de Sarah.

Ele flexionou seu braço e ficou feliz em notar que seu ombro estava flexível e não rígido, apesar do longo tempo que passara viajando e enfiado em um assento de forma excessivamente pequeno.

Pequenas aeronaves não foram construídas para os homens de seu tamanho, e além disso, elas eram malditamente claustrofóbicas.

Tinha areia entre os dedos e entre o fundo de seus pés e nos chinelos. Sapatos inúteis .

Ele parou periodicamente para agitar a areia deles e depois continuou para baixo até a praia. Ele teve o cuidado de não mostrar qualquer indevida curiosidade enquanto ele se aproximava a casa de Sarah, embora memorizasse cada detalhe do lugar com olhar periférico.

Como suas acomodações, tinha visto seus melhores dias, embora a dela tivesse se submetido a tinta fresca recentemente. Ainda assim, não levaria nada para entrar. Um bom pontapé para a porta — inferno, até mesmo as paredes — e provavelmente derrubaria diretamente para baixo.

Ele continuou além, perguntando se ela não estava preocupada quando apareceu.

Simplesmente usando um nome falso para alugar uma casa de praia não garantia o anonimato.

Seu rastro foi descuidado em todo o caminho de Boston. Ela tinha feito um trabalho melhor cobrindo seus rastros uma vez que chegou a Miami, mas ainda não estava limpo. Resnick foi capaz de encontrá-la. Garrett supostamente não podia culpá-la, no entanto. Não era como se as pessoas tivessem aulas na escola sobre como ser um fugitivo. Não que ela foi classificada como uma fugitiva, mas podia muito bem ser, havia certamente muita gente interessada em seu paradeiro.

Quanto mais se aproximava da cidade, maior as dunas à sua esquerda empilhavam.

Havia algumas passagens de forma inferior ao longo da duna para ramais na estrada. Acesso público à praia, mas ele não tinha encontrado um único frequentador de praia em sua caminhada para a cidade.

A areia corria batendo em um afloramento de rocha, e o corte para as pedras eram degraus que levavam até um barraco de café.

Ele subiu, mas circulou em torno da frente para atravessar a rua de paralelepípedos para onde o mercado estava localizado. Fora, na frente, tinham estandes de frutas e vegetais frescos.

Ele contornou aqueles por agora e foi para dentro para encontrar o essencial. Carne vermelha.

Ele logo aprendeu que para os habitantes locais, “carne” significava peixe ou outros frutos do mar. Ele resmungou através da seleção de carne moída e estremeceu em apenas encontrar dois bifes.

Ele comprou todas as costeletas de porco e colocou uma saudável quantidade de peitos de frango.

Ele não era uma pessoa de peixes. Oh, ele iria colocar um gancho em um, mas comê-los não era atrativo. Não era suficiente substância. O que o lembrou, ele realmente precisava verificar a loja local, pegar uma vara de pescar de praia, para que ele pudesse passar algum tempo pescando. Isto lhe daria uma boa desculpa para estar na praia, onde ele poderia observar a casa de Sarah e ter uma ideia de sua rotina.

Pelo menos os moradores apreciavam cerveja. Havia uma tonelada de variedade, e bem, quando se tratava de cerveja, ele não era exigente.

Ele pegou várias embalagens de seis, jogou-as no carrinho e se dirigiu abaixo pelos corredores para ver o que ele precisava para alimentar-se para o tempo seguinte. Ovos, o material para seu shakes de proteína. Então,ele franziu a testa.

Quais eram as chances de sua casa ter um liquidificador? Ele teve sorte de ter algumas caçarolas e panelas para cozinhar. Queijo, pão, maionese, mostarda e ketchup. Definitivamente ketchup. Qual refeição estava completa sem ele? Ele sorriu para a memória de sua mãe resmungar sobre sua necessidade de derramar ketchup em tudo. Quando ele finalmente rolou o carrinho à frente da loja, foi encarado por vários olhares curiosos. Foi então que percebeu que a maioria de todos os outros tinham uma cesta com o valor talvez a de um dia de comida. Demorou um pouco para verificar que havia apenas uma balconista, e a fila se amontoava por trás dele enquanto todos esperavam para todos os seus mantimentos serem computados.

Um jovem rapaz que parecia estar em sua adolescência se aproximou de Garrett quando ele terminou de pagar.

—Você quer que eu entregue os mantimentos onde você está? Eu posso chamar meus amigos para ajudar. Trabalhamos barato.

—Como barato?

—Vinte euros cada.

—Eu não nasci ontem. — Garrett disse secamente. —Eu vou dar-lhe vinte americano e você vai dividi-o com seus amigos.

O garoto sorriu para ele.

—De acordo— Garrett puxou sua carteira.

—Estou na última casa na praia, abaixo do barraco de café.

—Sim, eu sei disso. Eu vou levá-los para baixo e deixá-los em sua varanda. Não fique muito tempo. Você não gostaria de estragar sua carne.

Não, ele não queria que sua comida estragasse.

Quem sabia quanto tempo a mercearia demoraria para reabastecer seus não-peixes por itens de carne.

Uma vez que o garoto estava levando os mantimentos, Garrett andou a passo lento até uma das lojas que expunha material de pesca.

Ele caminhou para ver o lojista sentado atrás da registradora com os pés apoiados no balcão. Ele tinha um chapéu flexível puxado para baixo sobre os olhos, e parecia que ele estava tirando uma soneca.

Garrett quase foi por ele quando o cara inclinou-se da borda, deu-lhe um observada superficial e, em seguida, acenou com a cabeça.

—Sinta-se livre para olhar ao redor. Se você precisar de alguma ajuda, é só gritar.

Garrett ficou surpreso ao ouvir um sotaque americano. Não apenas americano, mas claramente do sul.

—Tem uma recomendação para alguma coisa a ver com praticar um pouco de pesca?

O dono da loja deslizou os pés fora do balcão e eles desembarcaram com uma pancada no chão.

Ele empurrou para trás o chapéu e avaliou Garrett mais plenamente. Então, ele grunhiu.

—Militar, embora provavelmente não por alguns anos. Ferimento no seu ombro. Recente. Procurando por algum descanso e relaxamento e não gosta muito de outras pessoas. Estou certo?

Garrett ergueu uma sobrancelha, imediatamente suspeito.

—Relaxa. Eu leio as pessoas. Nada mais para fazer em torno por aqui, quando a pouca temporada turística que nós temos é longa. —Ele estendeu a mão para Garrett. —Rob Garner. Aposentado do exército. Abri uma loja aqui há cinco anos. Não custa muito viver aqui e o cenário é bom. Entrei em um bom momento. Em poucos anos, o resto do mundo vai entender o que temos aqui e os valores de propriedade vão elevar-se. Então eu posso vender e viver de alta sobre o monopólio.

Garrett voltou a apertar sua mão.

—Garrett Kelly. Corpo de Fuzileiros Navais. E sim, estou aqui para algum descanso e relaxamento e não, eu não gosto de muita gente.

Rob riu e bateu as mãos juntas.

—Eu mesmo não tenho muito uso para elas. Agora, se você quiser fazer alguma prática de pesca à beira-mar, sugiro uma vara de pesca de praia que você pode chegar lá com algumas maneiras. Depois, você pode colocá-la no suporte, relaxar com uma cerveja e esperar que o peixe morda a isca. Todo o arremesso e bobinamento de robalo que esses pescadores fazem é para idiotas. Pesca deveria ser relaxante. —Garrett abriu um sorriso.

—Porra nenhuma.

—Venha, eu vou conseguir o que você precisa. Para isca você pode usar sável ou camarão. Isca de corte é boa também.

Garrett viu como Rob puxou para baixo uma vara de três metros, entregou a Garrett e, em seguida, desceu um outro corredor para obter ganchos, pesos de navegação e litros. Alguns momentos depois, ele empilhou tudo sobre o balcão.

—Você está com tudo pronto. Vou colocar o aro para cima e você pode ir à pesca, esta tarde, se quiser.

—Obrigado. Eu poderia fazer isso. Já tenho a cerveja. Talvez eu grelhe alguns bifes e jante na praia.

Rob assentiu.

—Sim, isso soa como um maldito grande bom dia para mim. Aproveite-o. Se houver alguma coisa que você precisar, não hesite em voltar.

Garrett dobrou a vara para torná-la mais gerenciável para carregar, então recolheu o saco com todos os outros suprimentos. Com um aceno, ele voltou para fora.

Esperava que o garoto tivesse entregado os mantimentos enquanto Garrett estava na loja de isca.

O café da manhã consistiu numa rosca seca no avião, e seu estômago estava fazendo um sério protesto. Um bife e um pouco de pesca soou próximo ao céu. Ele olhou para o mercado para ver uma mulher sair com uma sacola, que segurava perto de seu peito.

Ela olhou furtivamente à esquerda e à direita e depois caminhou em direção à barraca de café. Sua pulsação aumentou. Se não estava enganado, ele tinha acabado de obter o seu primeiro vislumbre na realidade de Sarah Daniels.

Num impulso, ele atravessou a rua em direção ao barraco de café. Ele pretendia tomar a estrada principal, mas carregando a vara de pesca e suprimentos, tinha uma desculpa pronta para tomar o caminho da praia.

Quando ele virou a esquina do barraco, ele viu sua cabeça vir à tona descendo os degraus de pedra que conduziam para a praia. Ele esperou um momento para dar-lhe uma grande vantagem e, em seguida, tomou depois dela. No início, ela não sabia que ele a estava seguindo. O que mais cimentou a sua opinião de que ela era irremediavelmente ingênua. Quando ela olhou por cima do ombro, os olhos queimaram em alarme. Então ela fez um esforço sério para proteger sua reação.

Ela até ofereceu uma aparência de um sorriso quando notou o equipamento de pesca que ele carregava, antes de se virar aumentando seu ritmo.

Mais duas vezes ela virou-se apenas o suficiente para que ela pudesse vê-lo, a cada vez ela acelerou. Até o momento que ela chegou a sua casa, ele poderia dizer que estava alarmada com o fato de ele ainda assim seguir o caminho dela. Ela correu até seus passos, e em sua pressa para abrir a porta, deixou cair um dos sacos que carregava. Ela puxou a porta aberta depois virou de modo que ela podia vê-lo enquanto pegava suas coisas. Seu olhar nunca o deixou quando ela empurrou os itens de volta em sua bolsa. Garrett encontrou-se estranhamente paralisado e incapaz de desviar o olhar.

As imagens não tinham feito a sua justiça, nem tinham capturado o mal-assombrado olhar assustado com sombras. Ela parecia infinitamente frágil, com medo de sua mente, mas ele também viu outra coisa.

Talvez tenha sido a forma como ela tentou não olhar com medo ou talvez fosse o sutil enrijecimento dos ombros e a torção rebelde dos lábios. Ela era um lutadora, não a rata tímida que tinha imaginado.

Percepção formigou sobre sua pele, e arrepiou os cabelos em sua nuca. Ele esfregou as costas de seu pescoço em uma tentativa de dissipar o desconforto momentâneo.

Sua reação irritada e intrigada, tudo ao mesmo tempo.

Ele ofereceu uma onda amigável e continuou seu caminho, embora ele achasse difícil de arrastar o seu olhar para longe.

Ele não queria que ela se sentisse ameaçada por ele, porque ele planejou ver muito mais dela.

 

Sarah observou entre as lâminas de sua persiana de madeira como o homem corria abaixo da praia. De vez em quando ele parava, caia para baixo e fazia uma série de flexões.

O suor brilhava à luz do sol e ela podia ver a tensão em seu rosto enquanto ele esforçou-se mais duramente.

Desde que ela tinha se assustado há dois dias quando ela percebeu que ele a estava seguindo, tinha dado especial atenção ao seu novo vizinho. É certo que sua imaginação tinha corrido solta, mas ela não ia se arriscar por não ser cuidadosa.

Ele era um homem grande. Bonito. Ela repreendeu-se por seus pensamentos fantasiosos, mas o homem era lindo. Ele estava solidamente constituído, definido e musculoso com nenhuma quantidade de carne sobressalente em qualquer lugar que ela pudesse ver. Seus cabelos negros estavam despenteados no alto, como se ele tivesse superado um corte militar mais severo. A julgar pela quantidade de tempo que ele passava fazendo exercícios e a maneira como ele tinha rolado o ombro com uma careta, percebeu que ele tinha sido ferido.

Talvez ele estivesse de licença ou talvez ele tivesse sido liberado após sua lesão. Ou talvez ela só estivesse tentando convencer a si mesma que seu novo vizinho não era uma ameaça para ela.

Ela fechou os olhos e deixou que a lâmina caísse. Nem todo mundo era o inimigo. O problema era descobrir quem não era, e ela não tinha o luxo de diferenciar.

Aliviou-lhe que sentiu o despertar de interesse —interesse feminino —neste homem. Que ela pudesse olhar e apreciar e até mesmo querer saber sobre ele a fez querer fazer um punho e balançá-lo no ar. Vá para o inferno, Allen Cross. Você não me venceu. Você não me destruiu.

Um lamentoso miado interrompeu-a de seus pensamentos e ela se virou para ver o gato sentado na bancada, olhando para ela com expectativa.

Sarah sorriu e se aproximou para esfregar a mão sobre a cabeça do gato.

—Acho que eu preciso de um nome para você. Eu não posso continuar chamando você de gato, posso?

O gato piscou e deixou escapar um ronronar, em seguida, caminhou até o armário onde Sarah mantinha a comida de gato. Ela ergueu-se sobre as patas traseiras e deu patadas na porta. Sarah riu e foi para a obrigação de alimentar o faminto animal .

Seu novo vizinho já tinha estabelecido uma rotina. Sentia-se como algum espreitador observando cada movimento seu. Parte disso era a sua desconfiança, mas a outra parte era a curiosidade. Não havia muito mais o que fazer aqui, mais que observar a água.

Não havia uma grande quantidade de tráfego por este caminho por causa do menor número de casas, a maioria das quais eram de aluguéis, ele era a única pessoa que via em sua extremidade da praia com alguma regularidade, e ela encontrou-se fascinada por ele.

Ele saía cedo todas as manhãs, às vezes correndo. Então ele desaparecia em sua casa apenas para reaparecer mais tarde, com seu equipamento de pesca. Ele havia caminhado dentro d'água para lançar sua linha e depois percorrer para trás e posicionar na extremidade do suporte. Então ele relaxava para trás em uma cadeira de jardim com aparência frágil, a caixa de gelo no chão ao lado dele e esperava.

Ela tinha de admirar a sua paciência. Ele sentava-se por longos períodos de tempo até que a ponta da vara dobrava, quando ele saltava para redefinir o gancho e bobinar para dentro. A maioria dos peixes era pequena, mas ela estava em sua janela olhando por uma contínua meia hora observando para vê-lo esforçar-se enormemente pescando nas margens. Ele desenganchava, admirava, segurava no sol e depois andava dentro d'água para libertá-lo novamente. Então ele começava todo o processo novamente.

Invejava sua liberdade. A completa falta de cuidados. Ele não parecia como se tivesse outra preocupação no mundo do que apreciar seu dia tranquilo ao sol.

Ela despejou o alimento do gato na tigela e colocou-o sobre o chão, então ficou para trás quando o gatinho começou a devorá-lo como se fosse um pedaço de bife de primeira.

—Patches— decidiu. —Não é muito original. Tenho certeza que existem milhares de outros malhados lá fora com o mesmo exato nome, mas eu aposto que você é o único nesta ilha.

Patches não levantou os olhos de seu alimento.

Sarah voltou para a janela para ver se ela poderia pegar outro vislumbre de seu vizinho.

Para sua surpresa, ele tinha trocado para um calção de banho e agora estava em pé na beira da água. As ondas de espuma cobrindo seus pés enquanto ele olhava no horizonte.

Ele levantou os braços e, em seguida, começou uma série de movimentos que pareceu para ela como um treino de artes marciais. Talvez Tai Chi? Ela observava, absorvida pela sensualidade de seus movimentos.

Ela poderia ter esperado que um homem do seu tamanho fosse ser desajeitado, mas ele movimentava-se com uma graça que a surpreendeu.

Lírico. Ele se movimentava em harmonia com a água, como se ele bloqueasse tudo, mas a beleza imediatamente circundava ao seu redor.

Ela tinha, naquele momento, um ciúme doentio da paz que o rodeava como uma aura.

Ela olhou descaradamente como ele ia através dos movimentos. A certa altura ele se virou, e ela poderia jurar que ele a viu olhando para ele, mas ela sacudiu fora a ideia. Ela estava olhando através de uma abertura do tamanho de uma polegada e ele estava pelo menos cinquenta metros de distância. Talvez mais longe. Ainda assim, foi o suficiente para puxá-la para longe da janela. Ela precisava de algo mais para se concentrar.

O isolamento a estava deixando louca. Seu olhar prendeu-se em sua bolsa do laptop.

A espera estava deixando-a louca. Talvez ela pudesse verificar a pequena livraria na praça da cidade.

Ela tinha visto até mesmo uma seção no mercado onde alugavam DVDs. Ela não tinha mesmo ligado a televisão para ver se ela ou o DVD player funcionavam, mas filmes seriam uma bem-vinda distração.

E ela precisava completamente sair desta casa antes que ela perdesse a cabeça. Ela pegou sua bolsa, certificou se o gato não estava em nenhum lugar perto da porta e deixou-se ir para fora.

Quando ela desceu os degraus para a praia, ela olhou para a direita para ver seu vizinho nadando em um curso rápido de distância da costa.

Ela parou e observou por um momento até que ele estava tão longe que ela não podia mais vê-lo e depois ela se dirigiu abaixo pela praia na direção oposta.

Sua primeira parada foi na barraca de café, onde ela sentou no seu canto habitual, aceitou um copo da bebida local da Marie e então foi através dos passos para verificar seu e-mail.

Como suspeitava, ela não tinha novas mensagens. Era tentador procurar as notícias locais em Boston, mas estava muito paranoica. A última coisa que ela queria era alguém com um aviso de sua localização. E quem sabia o que poderia ser alcançado na internet?

Sim, ela era paranoica, mas ela poderia viver com isso. Isto poderia justamente salvar sua vida. Não auxiliava de nada que ela fosse uma completa idiota sobre tecnologia.

Seu instinto era o de despachar rapidamente o seu café, ir à livraria e correr de volta para sua casa de praia. Mas ela amenizou o desejo e permaneceu para saborear o seu café e assistir aos eventos do que acontecia no pequeno café, tal qual como eles eram.

Ela odiava a ideia de ir de volta para a sua casa de praia, onde ela mais uma vez iria ficar sozinha.Ela odiava ficar sozinha. Era uma pessoa do povo.

Ela gostava de estar perto de pessoas, mesmo que ela não interagisse muito com elas, adorava as grandes cidades com toda a explosão de cor e cultura.

Ela olhou pela janela da frente para assistir aos transeuntes e especular sobre as suas circunstâncias, de onde vieram, onde eles estavam indo. Quando a garçonete veio a oferecer-lhe um reabastecimento, ela sorriu e aceitou, determinada a ficar e desfrutar de sua ruptura do isolamento.

Após o segundo copo, ela estava nervosa pela sacudida dupla de cafeína e ansiosa para descarregar.

Ela deslizou para fora da cadeira, o cuidado de guardar o laptop em sua mochila e, em seguida, saiu para frente da loja para atravessar a rua para a livraria. Ela estava duas portas abaixo do mercado com apenas uma loja de abastecimento de pesca para separá-los.

Quando ela entrou, foi imediatamente assaltada pelo cheiro de livros antigos. Ela cheirou apreciativa e foi para as prateleiras para navegar na seleção.

Uma senhora idosa com um sorriso caloroso acenou da cadeira atrás da caixa registradora e Sarah ofereceu um breve reconhecimento antes de voltar para a prateleira em frente dela.

Foi fácil se perder nos livros. Era mais de uma hora depois quando percebeu quanto tempo ela estava lá escolhendo ao longo dos títulos. Olhou com tristeza para uma dúzia de livros ou algo assim que ela tinha empilhado para o lado e decidiu que era suficiente por agora.

Isso lhe daria uma boa desculpa para retornar, quando ela os tivesse terminado. Ela puxou a pilhagem para se cadastrar e tombou-os abaixo na frente da mulher.

—Olá, eu vejo que você gosta de ler. — a mulher disse alegremente. —A maioria das pessoas que vêm por aqui basta pegarem um ou dois. Leitura de praia, eles os chamam. Se você me perguntar, qualquer livro é bom para a praia.

Sarah sorriu.

—Eu gosto de livros. Eu não acho que estes vão durar muito tempo, mas eles são tudo o que posso carregar comigo agora.

—Eu sou Martine— disse a mulher, estendendo sua mão.

—Eu sou ... Sarah.

—Bem, Sarah, é muito bom conhecer outra amante dos livros. Quando você tiver acabado com estes, pode trazê-los de volta e eu vou dar-lhe crédito para mais compras de livros.

—Obrigada, eu desejaria.— Martine totalizou os valores dos livros e Sarah pagou em dinheiro.

Martine então colocou os livros em uma sacola plástica de mercearia e entregou a Sarah.

Sarah fez malabarismos com sua bolsa do laptop, transportando-a mais alto por cima do ombro, e pegou a sacola da proprietária da loja. Com um aceno, ela saiu.

Apenas a pequena pouca interação humana aqueceu Sarah em seu interior.

Ela precisava disso. Necessitava se conectar a outras pessoas, mesmo de uma maneira superficial.

Seguindo, ela virou o canto da livraria no pequeno beco que separava a loja de seu vizinho.

O lugar de aluguel de DVD estava por trás do mercado. Ela faria uma parada rápida, para pegar alguns filmes e depois, ela estaria preparada para a diversão para os próximos dias.

Que era entre os tempos que eram consumidos que ela passava a observar seu vizinho. Ela estava tão absorta em seus pensamentos que não viu a pessoa na frente dela até que bateu indo de cara com o homem. Ela saltou com a adrenalina disparada em suas veias. Estúpida, estúpida,estúpida!

Antes que ela pudesse reagir, o brilho opaco de uma faca brilhou em seu rosto e a alça de sua bolsa transportando seu laptop quase arrancou o ombro de sua cavidade. Ela deixou cair a sacola de livros e agarrou a alça antes que seu agressor pudesse arrancá-la livremente.

Ela puxou e cambaleou para trás, e ficou cara a cara com um homem de aspecto sujo que parecia estar nos seus vinte anos.

Ele estava sujo e a barba por fazer e suas narinas queimavam com o cheiro esmagador de seu fedor corporal.

—Dê-me a bolsa— ele ordenou com sotaque inglês.

Ele agarrou seus cabelos e puxou, arrastando-a para mais perto dele — e à faca que ele mantinha apenas a um centímetro na frente de seu nariz.

Ela não poderia perder seu laptop. Toda a sua vida estava nesse laptop. Pânico e histeria levantou-se e bateu em suas veias com a força de um caminhão de cimento.

—Não!— A exclamação subiu na garganta e foi forçada a sair antes que ela pudesse pensar melhor. A mão apertou no cabelo dela e então ela foi jogada contra a parede externa da loja com força suficiente para cortar sua respiração e fazê-la encher os olhos de água.

O homem agarrou desajeitadamente a sua bolsa, e a faca vacilou em sua visão.

Tirando partido da sua desatenção, ela agarrou seu pulso e derrubou a faca de sua mão. E de repente ela estava livre. Ela se levantou contra a parede, tremendo violentamente, não compreendendo o que tinha acontecido.

Ela assistiu incrédula, enquanto seu vizinho, aparentemente surgindo do nada, soltou um grunhido de raiva quando ele esmagou o punho no rosto de seu agressor.

O barulho atraiu curiosos. Vários reuniram-se no final do beco e um momento mais tarde, o policial correu para intervir. Ele acabou quase tão depressa como começou. Seu atacante jazia sangrando no chão, implorando lamentavelmente por misericórdia.

Seu vizinho puxou-o para cima e empurrou-o na direção do policial se aproximando. Então ele se virou para Sarah, a preocupação gravada no rosto.

—Ei, você está bem?

Ele se aproximou e agarrou seus ombros. Ela recuou e tentou se afastar, mas ele segurou firme enquanto olhava nos olhos dela.

—E... Eu estou bem.

—Ele machucou você?— Ele exigiu.

Ela balançou a cabeça e para sua consternação, os dentes começaram a tilintar juntos como o gelo caindo em um copo.

Ele tocou seu rosto, em seguida, empurrou para trás o cabelo que tinha caído sobre os olhos.

Ela desviou o olhar para ver o policial colocando algemas no agressor.

—Ele tinha uma faca. — Ela apontou para o chão, onde ele tinha caído.

Seu vizinho dobrou-se e recuperou a faca, segurando-a quando ele inspecionou-a na luz do sol. Então, ele franziu a testa e entregou-a ao policial.

—Você foi longe demais desta vez, Didier. — o policial virou-se para seu agressor.

Sarah franziu a testa e empurrou-se em torno de seu vizinho.

—O que você quer dizer? Você conhece este homem?

 O policial suspirou.

—Ele é um criador de problemas. Eu o peguei algumas vezes, mas ele nunca recorreu à violência. Ele é um ladrão.

Calor impregnou seu rosto.

—Ele me ameaçou! Eu espero que você mantenha-o preso desta vez para que ele não aterrorize os outros.

As sobrancelhas do policial se juntaram como se ele não tivesse gostado dela dizendo-lhe como exercer as suas funções.

—Ele puxou uma faca sobre a moça. — seu vizinho disse com uma voz perigosa. —Se você não tratar com a questão, vou relatar esse assunto ao seu superiores.

—É claro que o assunto será tratado— o policial bufou. —Ele vai para a cadeia. Ele vai ser intimado a comparecer diante do juiz. —Ele olhou para Sarah e seu vizinho. —Vou precisar para tanto que você venha comigo e de um relatório apropriado.

A pulsação na base do pescoço bateu violentamente. Relatar o crime. O que ela não tinha, em sua covardia e vergonha, feito antes.

Ela estava tão indignada informando o policial que ela não queria que este homem ficasse livre para aterrorizar outros, e ainda assim ela tinha feito exatamente isso, quando se recusou a denunciar o crime contra ela tantos meses atrás.

Ela olhou friamente o atacante, vergonha congestionando sua mente, empurrando seu medo e raiva e tudo mais firmemente de lado. Ela era uma hipócrita. E uma covarde. Ela não merecia justiça, porque nunca tinha procurado por ela para si mesma.

—Você não tem que ter medo. —murmurou ele —Eu vou com você.

Assustada, ela deu um passo para trás e encontrou-se presa contra a parede novamente. Ela olhou cautelosamente para o grande homem que veio a seu resgate, odiando o medo que inadvertidamente correu até ela em sua coluna vertebral.

Ele ficou lá esperando, sem fazer um movimento em sua direção, quase como se ele soubesse o quanto a assustava. Ele observou calmamente, esperando, seu olhar à deriva sobre o rosto, capturando-o em todos os detalhes. Ele enervou-a e expôs sua vulnerabilidade.

—Se você for, vá para a delegacia de imediato — o policial pediu empurrando Didier abaixo no beco algemado.  —Vou precisar para registrar um relatório completo de forma adequada para que as acusações possam ser apresentadas.

Sarah engoliu a náusea que brotou em sua garganta. Arrependimento queimando no peito durante os últimos erros. Mas ela não iria cometer esse erro novamente. Ela estava sendo uma vítima. Ela queria de volta o controle, e ela estava cansada de viver com medo.

Seu vizinho estendeu a sua mão com a palma para cima até ela, a sua expressão desprovida de qualquer emoção.

Foi como se quisesse parecer como não ameaçador o quanto possível; e a coisa era, ela queria pegar a sua mão. Ela queria se apoiar em alguém, apenas por alguns minutos. Ela queria mais que tudo.

Ela passou a mão sobre sua boca para disfarçar o tremor e, em seguida, desviou o olhar.

—Devemos ir— disse ela, sem tomar sua mão. Ela partiu após o policial, deixando seu salvador a segui-la. Ele acertou o passo atrás dela, mas manteve pelo menos um pé entre eles. Ainda assim, ele pairava sobre ela, bloqueando o sol quando pisaram na rua. Ela apressou o passo, alterada por ele, e por isso, não tinha certeza.

Quando chegaram à pequena delegacia na extremidade da praça, seu vizinho segurou a porta aberta e introduziu-a para dentro. Não havia ar condicionado e estava uns bons vinte graus aproximadamente mais quente no interior da semelhante caixa do edifício. Nenhuma das janelas estavam abertas para permitir que a brisa do mar entrasse, e ela olhou nervosamente em direção à porta.

Ela não podia permanecer neste lugar sem ar por mais de alguns minutos. Iria à loucura.

Um jovem oficial estava sentado a uma mesa de braços cruzados folheando a papelada. Ele olhou para cima quando ela e seu vizinho entraram.

—Comment puis-je vous aider, madame?

—Inglês, por favor— disse ela. — Parlez-vous Anglais?

O policial assentiu.

—Mas é claro.

—Estamos aqui para dar ao policial nossa declaração— disse o vizinho.

—Ah, muito bem. Se você tomar um assento, ele vai estar com você a qualquer momento .

Sarah acenou com a cabeça e afundou-se em uma das cadeiras de metal, aliviada por estar fora de seus pés. Ela enrijeceu-se quando seu vizinho sentou ao lado dela, raspando suas pernas enquanto ele se mexia para ficar confortável.

—Meu nome é Garrett.

—Eu sou Sarah— ela disse calmamente.

—Bonito nome. Muito clássico. Eu não gosto de nomes-fru-fru.

Ela olhou para cima e sorriu. Ele sorriu de volta e ela se viu hipnotizada por seus profundos olhos azuis.

—Obrigada.

Ele inclinou a cabeça.

—Não há de quê.

—Somos vizinhos— ela deixou escapar.

Ele sorriu novamente.

—Eu sei.

—Ele tentou levar a minha bolsa. Eu não podia deixá-lo.

As palavras saíram extravasadas e ela estremeceu como sua defensiva pareceu a ela boba.

Ela não tinha feito nada de errado.

—Não vale a sua vida— ressaltou. Ela balançou a cabeça.

—Você não entenderia isso. Tudo estava na bolsa. Eu não podia... Eu não podia perdê-la. Especialmente para algum valentão idiota.

Garrett riu.

—Não estou convencido de que você ainda precisava da minha ajuda. Você teve-o desarmado antes que eu chegasse a você.

Ela fez uma careta.

—Eu estava com medo na minha mente. Eu sou tão grata que você estava lá. —Então, ela franziu a testa.—Você estava nadando quando eu saí de casa. Como você conseguiu vir para a cidade tão rápido?

Ele levantou uma sobrancelha e diversão brilhava em seus olhos.

—Mantendo o controle sobre mim?— Ela corou e olhou para baixo.

—Eu vi você se exercitar. Quando saí, você estava na água.

—Eu vim para a cidade depois da minha natação. Eu só tinha acabado de chegar quando ouvi o barulho no beco. ——Você tem um tempo excelente— disse ela com tristeza. O policial entrou na pequena sala de espera e apontou para Sarah e Garrett para segui-lo de volta. Sarah corou, se levantou e correu nervosamente as palmas das mãos para baixo nas laterais do seu corpo.

Ocorreu-lhe que tão irritada como ela estava, e tanto quanto ela queria que o babaca pagasse por seu crime, foi estúpido da parte dela chamar a atenção para si mesma.

Estúpido mesmo para estar deixando um relato onde seu nome e as informações seriam uma questão de registro público. O problema era que ela não tinha pensado. Ela reagiu.

Ela permitiu a emoção ofuscar o bom senso.

—Eu mudei de ideia— ela deixou escapar. —Eu não quero dar queixa.

Ignorando a boca aberta do policial e o franzir das sobrancelhas de Garrett, ela fugiu da delegacia, xingando-se a cada passo. A porta bateu fechando atrás dela quando ela se apressou para a rua. Garrett pegou-a antes que ela ainda fizesse um bloco. Embora ele não a tenha tocado, ele entrou na frente dela, efetivamente travando-a em seu caminho.

Uma carranca escurecia seu rosto.

—Ei, o que aconteceu lá atrás?

Ela tentou dar um passo em volta dele, mas ele bloqueou sua fuga.

—Nada, okay? Eu mudei de opinião.

—Você vai apenas deixá-lo fugir com isso? —Garrett exigiu.

Ela soprou sua respiração com raiva talhando suas veias.

—Olha, a minha preferência seria deixar o pequeno bastardo na podridão, mas não posso me dar ao luxo de chamar a atenção sobre mim.

Ela fechou os olhos. Droga, mas ela estava um desastre ambulante hoje. Nada estava saindo direito. Ela podia muito bem ter dito a ele tudo sobre a sua situação. Ela já tinha escorregado e disse-lhe seu primeiro nome. Mas estava bem. Sarah era um nome bastante comum, e seu vizinho não ia golpeá-la como o tipo para obter conversa com os moradores.

—Okay, eu entendo isso.

A voz profunda de Garrett passou sobre ela, acalmando os seus atormentados nervos. Para sua surpresa não havia reprimenda em sua voz, apenas uma gentileza íntima que a fez tremer.

—Porque eu não a levo para casa?— Ele ofereceu. — Desde que eu estou indo na mesma direção e tudo mais.

Ela hesitou por um momento, franziu os lábios em concentração. Em seguida, percebeu o quão ridícula estava sendo. Eles estavam indo na mesma direção.

Eles acabariam andando juntos se ele fosse oficialmente escoltando-a ou não.

Ela relaxou e ofereceu o sorriso mais convincente que ela pôde fazer.

—Eu gostaria disso. Obrigada.

 

Garrett acompanhou Sarah até alcançarem o centro da praça da cidade.

—Quer tomar o caminho de volta pela praia?

Ela assentiu e virou-se para o barraco do café, deixando-o a seguir. Ele manteve apenas um passo atrás dela, aproveitando a oportunidade para estudá-la de perto. Ela tinha medo de sua intenção quando ele afastou o babaca dela no beco. Ela ainda estava assustada. Ela colocou uma expressão corajosa, mas estava pálida como a morte e seus dedos tremiam incontrolavelmente.

Precisava pegar o telefone e falar com Resnick tão logo quanto possível, mas a sua primeira prioridade era fazer com certeza de que ela estivesse segura. Mais do que isso, ele queria lhe dar uma chance de se acalmar e livrar-se do olhar assombrado.

Alguma coisa tinha acontecido com ela além dos eventos do dia. Ele sabia pelo olhar. Ele tinha visto nos olhos de sua cunhada mais vezes do que ele se importava de lembrar. Sarah tinha se encolhido quando a tocou no beco e ela tinha feito questão de manter distância em todas as oportunidades. Alguém a tinha machucado.

Tudo o que sabia era que ela tinha em torno barreiras, como a maioria das pessoas usavam roupas. Ela tinha um não-me-toque no ar que a envolvia e refletia em seu olhar assustado.

Mesmo que Sarah não tivesse formalizado a queixa, e ele entendeu por que, ele não tinha intenção de permitir que o pequeno bastardo fugisse com o que tinha feito. Ia deixar Resnick lidar com o imbecil.

Eles caminharam em silêncio e ele não tentou quebrá-lo. Ele desejava oferecer ajuda, mas não ser intrusivo.

Ganhar a confiança dela ia ser mais difícil do que havia pensado, e ele teve que pisar levemente ou correr o risco de assustá-la sempre. Quando chegaram à casa, ela tomou um passo em direção à sua varanda, mas depois parou e virou-se para enfrentá-lo.

Ele sentiu que ela tomou um monte de coragem de ficar lá na frente dele. Parecia como se ela não quisesse nada mais do que correr para sua casa de praia e da barreira da porta. Mas ela estava lá, lábio inferior preso entre os dentes e ela nivelou seu olhar diretamente para ele, o brilho dos olhos verdes capturando a luz e aquecimento.

—Obrigada novamente. — disse ela em voz baixa. —Eu sei que você acha que sou louca, mas muito obrigada por tudo que você fez e por andar comigo para casa. E... para não forçar a questão lá atrás.

Ele deu um sorriso casual e encolheu os ombros como se isso não importava para ele um pingo o que ela decidiu.

—Não há de quê. Fiquei feliz por estar no lugar certo na hora certa.

Não querendo que ela se sentisse estranha, ele se separou em primeiro lugar e foi em direção a sua própria casa. Momento certo e o lugar certo. Ele quase bufou com a facilidade com que a falsidade tinha caído fora dos seus lábios. Ele a marcou assim que ela deixou sua casa de praia. Ele só tinha levado 20 minutos para voltar ao seu lugar, trocar-se e se dirigir para a cidade atrás dela. Deixou-se ir para casa e foi imediatamente para o telefone por satélite. Ligou para Resnick primeiro e retransmitiu, juntamente com os eventos o nome do policial e do atacante de Sarah.

Em meia hora Resnick saberia o tamanho do seu pau e da última vez que tomou drogas.

Se havia alguma coisa que Garrett precisava fazer, Resnick iria identificá-lo mais tarde. Sua próxima chamada foi para Sam, e ele esperou impacientemente por seu irmão para responder.

—Como vai a babá?— Sam perguntou.

—Somente um olá do trabalho. — Garrett disse acidamente.

—Mas não tão divertido. O que foi? Está tudo bem no paraíso?

Garrett remexeu na geladeira com uma mão e tirou uma cerveja antes de voltar para mergulhar concentradamente em seu sanduíche.

—Não está ruim. Tenho alguma pescaria. Me exercito lá fora, faço alguma natação. Não é umas férias ruins. —Sam murmurou algo indecifrável, e Garrett sorriu, sabendo que iria irritá-lo.

Garrett, que estava em uma ilha tropical, enquanto Sam estava preso em casa em alfinetes e agulhas à espera de sua filha nascer.

—Ei, Van está de volta do trabalho?

—Sim, está manhã — Sam respondeu. —Ele está dormindo.

—Levante-o. Preciso dele para fazer algo para mim—

—Não é possível esperar? Ele está no quarto dia sem descanso.

—Não, não pode esperar. — Garrett disse, impaciente. —Não o teria chamado se pudesse esperar.

—Bastardo impaciente — Sam resmungou. —Se você me puser em apuros com minha esposa por isso, vou chutar o seu traseiro. Ela está cruel agora.

Garrett riu.

—Ainda não nasceu a criança, hein?

—Claro que não. Se ela não aparecer em breve, estou pensando seriamente em tirá-la. —Garrett revirou os olhos.

—Eu não sei por que você está dizendo merda. Você está cheio de porcaria e nós dois sabemos disso.

—Espere, eu vou acordar Van .

Garrett ouviu vozes abafadas e um distinto gemido. Ele sorriu.

Donovan amava seu sono e ele não gostava de ser puxado para fora da cama. Mas Garrett não queria esperar mais 24 horas para descobrir o que precisava do seu irmão, enquanto Donovan tomava seu descanso de beleza.

—Que porra você quer?—A voz sonolenta de Donovan emitiu sobre a linha.

—Olá para você também. Preciso de você para executar algo para mim.

—Isso não poderia esperar algumas malditas horas?

As sobrancelhas de Garrett se ergueram. Filho de uma cadela ranzinza. Ele realmente devia ter perdido alguns dias graves de sono para estar tão ranzinza.

—Não, não pode esperar.

—Bem inferno— murmurou Donovan. —Dê-me um segundo para chegar ao Hoss.

Garrett esperou pacientemente, tamborilando com os dedos sobre o balcão pela lata de cerveja. Decidindo utilizar o tempo com sabedoria, apoiou o telefone entre o ombro e a orelha e começou a concentrar-se em um par de sanduíches para acompanhar a cerveja.

Poucos minutos depois, o grunhido irritado de Donovan soou.

—Que diabos é tão importante que você não poderia esperar por mim para pegar algumas horas de sono?

—Eu preciso de você para desenterrar algumas informações sobre Sarah Daniels.

—O quê? Eu já te dei seu arquivo. Eu não posso acreditar nisso.

Garrett deu uma mordida do recheado sanduíche em sua boca e, em seguida, murmurou ao seu redor.

—Não, não, eu preciso de você para cavar mais fundo. Eu acho que estou em falta com alguma coisa aqui. Quero que você verifique em qualquer relatório policial que poderiam ter seu nome neles. Registros hospitalares. Tudo o que sugere que foi era uma vítima.

Houve uma longa pausa.

—Foi vítima do que, Garrett?

—Isso é o que eu preciso de você para descobrir. Esse arquivo que Resnick nos deu apenas deu informações sobre ela, como estava relacionada com Lattimer e o cara que supostamente foi morto. Eu preciso saber mais sobre a própria Sarah e o que faz dela uma pessoa nervosa. Ela é inquieta como o inferno, e foi atacada hoje.

—Que diabos?— Donovan cortou —Está tudo bem aí? Você precisa de nós?

Garrett deu goles em sua cerveja.

—Nada que eu não possa lidar. Algum babaca tentou roubar a bolsa dela. Mas ela se desfez. Quero dizer, não que não seria normal para ela estar com um medo de morte, mas foi assustador. E então chegamos ao escritório do policial e, de repente ela muda de ideia, diz que não quer prestar queixa e sai. Acho que parte dela percebeu na última hora que iria atrair atenção indesejada para si, mas também acho que alguma coisa mais está acontecendo aqui e eu quero saber o quê. Eu vou precisar de toda a munição que eu possa obter, porque ela vai ser um osso duro de roer.

—Okay, eu vou ver o que posso desenterrar. Você quer que eu ligue para você quando terminar ou se você quiser me liga de volta mais tarde?

—Vou te ligar em uma hora ou mais. — respondeu Garrett.

Donovan bufou.

—Está confiante de que posso encontrar o que você quer então?

—Você é o gênio da computação.

—Sou o Sr. Gênio para você, e pode beijar minha bunda.

Garrett fez um barulho beijando através do telefone e depois desligou.

Ele terminou a metade do seu sanduíche e bebeu o último gole de sua cerveja antes de andar a passo lento ao longo de sua janela para olhar abaixo à praia pertencente a casa de praia de Sarah.

Ele franziu a testa e se inclinou mais perto quando a viu sentada em seus degraus, com a cabeça para baixo.

Ela parecia completamente derrotada, com os ombros caídos, as pontas de seu cabelo levantadas e desta forma sopradas pelo vento constante da brisa do mar.

Ela já tinha entrado em sua casa? Ele não sabia o que incomodava a seu respeito. Poderia ser que ela estava sentada fora, apreciando o dia, mas depois do que tinha acontecido antes, ele não conseguia acreditar nisso. Esperava que não iria vê-la novamente por um tempo e que ela estaria se refugiando em sua casa de praia.

Ela se moveu, mas foi só para enterrar o rosto nas mãos e, em seguida, seus dedos deslizaram sobre sua testa e em seu cabelo. Inferno. Ela estava chorando.

Seu estômago apertou e ele se virou, inquieto por seu óbvio sofrimento.

Esta era uma excelente oportunidade para ir lá e ser sensível, ou o que for que as mulheres gostavam que os homens pudessem ser.

Mas preferia ir a mais uma rodada com a cabeça de bagre de Didier do que enfrentar as lágrimas de uma mulher. Ele suspirou e soprou seu fôlego.

Ele ia ter que ir lá. Se ela se refugiasse, ele provavelmente não iria vê-la por alguns dias.

E ele não poderia muito manter um olho sobre ela se não estivesse à vista.

De férias ou não, ele preferia estar de joelhos em uma selva vendo o mundo através de seu escopo.

Pelo menos ele sabia o que diabos fazer nesses tipos de situações. Atirar primeiros, perguntas depois. Isso era fácil. Descobrir como ganhar a confiança de uma mulher se cagando de medo? Sim, ele estava fodido.

Chocolate. Não era suposto que as mulheres deveriam ser predadoras raivosas de chocolate?

Ele acenou uma barra de chocolate na frente do nariz de Sophie mais de uma vez e foi perdoado por todos os tipos de transgressões.

Ele entrou no quarto e procurou em sua mochila. Havia uma abundância de barras de proteína, mas ele sempre tinha um estoque de coisas boas.

Barra de Chocolate com caramelo. Não, ela não seria sacrifício para a causa. Ele optou pelo simples chocolate ao leite e jogou o pacote de volta em sua cama.

Sentindo-se como um gênio, ele saiu para a praia e olhou na direção de Sarah novamente.

Ela não se moveu, o que estabeleceu que ele partisse em um ritmo acelerado. Ele queria chegar o mais próximo que pudesse com seu chocolate antes que ela fugisse para dentro. Ele estava a poucos metros de distância quando ela olhou para cima e o viu.

Ela pegou a bolsa a seus pés e envolveu suas mãos em torno da correia como se ela achasse que ele tentaria agarrá-la.

Ele estava errado. Ela não tinha chorado. Ela estava, no entanto, chateada.

Seu rosto estava ferido e seus olhos brilhavam com... pesar? Lentamente, ela liberou seu aperto em sua bolsa.

Ela esfregou o rosto e rapidamente empurrou os cabelos para trás, em seguida, colocou as mãos para baixo sobre os degraus. Como se estivesse se preparando para o ataque.

Inferno, ele não podia culpá-la após a manhã que ela teve.

—Ei — ele disse casualmente. — Vi que você estava ainda aqui fora. Eu trouxe um presente. Minhas cunhadas informaram-me que uma mulher não pode rejeitar nenhum homem levando chocolate.

Sua testa enrugada em confusão quando ele estendeu a barra de chocolate. Ela olhou para ele, então de volta ao doce, claramente confusa. Então seu rosto desmoronou e ela deixou cair a cabeça novamente.

—Eu não posso ir— disse ela em voz baixa. Tendo a chance de que ela não se mataria se afastando dele, moveu-se cuidadosamente para o degrau ao lado dela.

—Sua casa?— Ela balançou a cabeça, o cabelo caindo para frente novamente para ocultar parcialmente o rosto. Seus dedos foram afastá-los antes até que pudesse refrear a si mesmo.

Ele baixou a mão de volta para seu colo e olhou sobre a água. Casualmente, estendeu a barra de chocolate de lado assim que cruzou a sua visão.

Depois de uma hesitação, ela pegou e segurou-a, acariciando seu dedo sobre a embalagem de alumínio. Sentia-se como um homem tentando domar um animal selvagem com uma oferta de alimento.

—Sim, minha casa— ela finalmente disse. —Oh Deus, sinto-me tão estúpida. Eu fiquei lá na frente da porta e não podia entrar.

—Por quê?

Sua cabeça mergulhou abaixada, e ela segurava a barra de chocolate com força o suficiente para que juntamente com o sol quente, acabaria tendo um punhado de xarope de chocolate.

—Medo— ela disse em uma voz dolorida. —Deus, eu odeio isso. Eu me sinto tão... impotente.

Ela virou a cabeça, seus olhos brilhando quando ela procurou o seu olhar.

—Você tem alguma ideia de como eu me sinto?— Então, ela deu uma risada irônica e desviou o olhar novamente.

—Provavelmente não. Você me parece como se não tivesse medo de nada.

— Mulheres chorando me assustam — admitiu.

Ela riu.

—Sorte sua que eu usei todas as minhas lágrimas meses atrás.

—Muitas coisas me assustam. Mulheres grávidas assustam-me.

Ela virou-se para enfrentá-lo novamente, seus lábios se contraindo. Alguma selvageria consumindo a partir do seu olhar.

—Estou ficando com a impressão de que as mulheres, de qualquer forma, o assustam.

Ele encolheu os ombros.

—Elas são a espécie mais violenta e imprevisível. Eu prefiro enfrentar um javali selvagem. Você não pode atirar nas mulheres.

Desta vez sua risada veio de dentro. Era cheia e gutural e tão malditamente bonita que ele simplesmente olhou para ela, suas entranhas esquentando sobre sua reação.

—Okay, é sério. Você não está sempre com medo de alguma coisa?

— Muitas vezes —ele disse suavemente.

—Mesmo quando o que você tem medo desafia toda lógica?

—Especialmente nesse caso. Tem sido minha experiência que o medo não tem um conjunto de parâmetros. Nós não podemos desligá-lo apenas por perceber que não deve estar com medo.

Ela assentiu com a cabeça, um toque triste nos lábios.

—Sabe de uma coisa? Por que você não me deixa entrar em sua casa primeiro? Vou dar uma olhada. Você fica na varanda. Eu vou chutar essa merda fora de qualquer bicho-papão e então você pode entrar.

Balançou a cabeça novamente e o alívio cambaleou em seus olhos.

Merda, ela tinha realmente se assustado. Seus dedos estavam enrolados em punhos apertados no colo, tão apertado que os nós dos dedos estavam brancos. Ele notou na umidade em sua testa e em seu couro cabeludo. Não, não apenas com medo. Aterrorizada.

Incapaz de resistir, ele chegou com uma tentativa de mão para tocar no seu ombro. Embora ela não recuou imediatamente longe como tinha feito antes, ficou tensa e tremeu embaixo dos seus dedos.

Não querendo causar-lhe mais nervoso, ele se afastou rapidamente para longe. Ele se levantou e, em seguida, estendeu a mão para baixo para ajudá-la.

Ele ficou lá, esperando para ela aceitar o gesto, permitindo que ela o tocasse em seus próprios termos.

Finalmente, ela estendeu a mão e deslizou a palma da mão úmida sobre a dele. Ela envolveu a outra mão na alça da bolsa e puxou-a para o ombro.

Ele curvou os dedos em torno dela e puxou quando ela se levantou dos degraus.

—Você não se importa?— Perguntou ela, nervosa.

Ele sorriu.

—Nem um pouco.

Levantou os ombros e depois cedeu quando ela suspirou.

—Obrigada. Eu sei que isto é estúpido. Irracional mesmo. Eu...

—Shhh—ele disse, cortando-a em meio ao balbuciar. —Isto não é estúpido e não é irracional. Você teve um inferno de um susto antes. Agora, espere aqui enquanto eu entro.

Ele começou ir para a porta quando de repente ela subiu o degrau atrás dele.

—Eu esqueci de falar sobre a gata — ela correu apressada. —Não o deixe sair, quero dizer, cuidado com ela. O nome dela é Patches. —se interrompeu em seguida, deu um passo para trás e suspirou. —Estou balbuciando novamente.

Ele sorriu para tranquiliza-la.

—Eu vou prestar atenção em Patches e certificar-me que o bicho-papão não conseguiu levá-la também.

—Ah, a chave. Você precisa ter a chave. — Ela rapidamente buscou em sua bolsa, seu rosto contraído, em uma frustrada carranca.

Finalmente, ela pegou um molho de chaves que ostentava três chaves e empurrou em sua direção.

—Você vai precisar de todas elas. Quero dizer, existem duas travas e o cadeado regular.

Ele levantou uma sobrancelha, mas não disse nada quando ele se virou para a porta. Ela era cuidadosa. Ele daria isso a ela. Depois de alguns momentos de descobrir qual chave ia onde, ele empurrou a porta e entrou.

Patches miou de sua posição no sofá e então colocou suas orelhas horizontalmente quando compreendeu que Garrett era um estranho.

Garrett olhou em volta, observando a nudez da sala. Não era muito mais modernizada que a sua própria, embora ele notou que ela tinha conseguido a melhor escolha.

E ela tinha uma TV. Silêncio cobria a casa.

Apenas os sons de seus passos ecoaram quando ele fez o seu caminho pelo corredor até o quarto.

Ele espiou no banheiro, surpreso que não fosse repleto de parafernália feminina.

Então ele entrou no quarto, tomando nota da imaculada cama feita e o fato de que não tinha sequer um sapato no chão.

Organizada aberração. Que Deus o salvasse. Nada fora do lugar. Na verdade, nada estava no lugar.

Ele olhou para a mala ainda cheia ao lado de sua cama, ela estava vivendo fora de sua mala. Nem mesmo seus artigos de higiene pessoal foram desembalados e estavam no banheiro.

Ela estava preparada para correr a qualquer momento. Se ele achava que ela não estava plenamente consciente da situação que estava, estava errado.

Resnick estava errado. Esta era uma mulher que sabia muito bem que seu tempo poderia ser limitado.

Ela vivia e respirava o medo, esperando a cada minuto que seu mundo fosse cair. Cristo, isso não era maneira de viver.

A raiva ferveu em sua garganta até que o sabor de ácido era forte em sua língua. E frustrante.

Ele estava intensamente frustrado por não saber tudo. Resnick não tinha feito seu trabalho de merda valer a pena, porque Garrett foi confrontado com uma mulher com segredos.

E ele precisava saber cada maldito pedaço de seu passado, se ele estava indo para descobrir a melhor maneira de lidar com Sarah. Se ela testemunhou um assassinato, não foi tudo o que tinha acontecido. Alguém tinha magoado ou assustado o inferno fora dela, e isso enfureceu-o. Sim, ela era um trabalho e ele tomava todos e cada trabalho a sério. Ele levava a sério o seu maldito dever.

Mas a onda de protecionismo que ele sentia sempre que ele olhava para essa mulher frágil e com medo, era além de um trabalho. E ele estava perdido para explicar isto.

Ele se virou e terminou a sua varredura da casa. Apesar dele observar as duas trancas na porta da frente, as janelas da casa estavam completamente inseguras.

Seria uma moleza para passar por qualquer uma delas, embora ele tenha notado que ela moveu a cômoda diretamente em frente da janela do quarto. Isto bloqueava tudo e qualquer visualização, mas então ela não estava aqui pela paisagem. Ele caminhou de volta para fora, onde Sarah estava segurando sua bolsa como uma tábua de salvação.

—Tudo limpo.

Seus ombros caíram e alívio tomou conta de seu rosto.

—Obrigada —Ele esperou pela dispensa inevitável. Para ela passar por ele, ir para dentro e fechar a porta atrás dela. Mas ela simplesmente ficou ali, olhando para a entrada como se estivesse tentando reunir a coragem para dar o primeiro passo.

—Ei — ele disse suavemente, — eu tenho uma ideia.

Seu olhar voltou-se para ele e ela piscou, quase como se ela tivesse esquecido sua presença.

—Eu estoquei mantimentos depois que cheguei aqui. Acho que eliminei a maior parte da carne do mercado. Porque não usar a cabeça, pegar todos os ingredientes, em seguida, voltar e nos grelhar um bife. Você gosta de cerveja? Eu tenho um bom estoque destas — Ela ficou surpresa por sua oferta e igualmente sem saber o que dizer.

Ela franziu a testa e, em seguida, apertou os lábios. Ela olhou para baixo da praia em sua casa, em seguida, de volta para ele enquanto ela lutava contra a indecisão.

—Pensei que poderia ser bom ter companhia até você acalmar-se do seu medo. Isto vai fazer sua casa de praia menos assustadora.

— Sim — ela murmurou. Ela respirou fundo. —Okay. Obrigada. Um bife parece agradável.

Ele sorriu, e cuidando para não invadir dentro do seu espaço, desceu as escadas e partiu para sua casa de praia. Quando chegou à praia, ele virou-se para encontrá-la olhando para ele.

—Dê-me apenas alguns minutos e eu vou estar de volta. Você pode esperar aqui fora por mim se você prefere não ir sozinha.

Um sorriso se insinuou sobre sua boca, levantando os cantos, até que viu o brilho de seus dentes.

—Obrigada.

 

Sarah desceu lentamente sua bolsa para os degraus e, em seguida, esfregou as mãos para cima e para baixo com os braços para afastar o frio.

O sol batia sobre ela, mas ela ainda sentia frio no interior.

Observava enquanto Garrett andava ociosamente pela praia, o seu ritmo sem pressa.

Ele era um enigma para ela. Ele parecia tão grande e intenso, mas ele estava despreocupado e... relaxado. Tranquilo. Não fazia sentido.

Ele devia aterrorizá-la, e em alguns aspectos ele fez.

E ainda a ideia de ele estar em sua casa, mesmo por pouco tempo enviou ondas de alívio em sua espinha.

—Ele salvou você, idiota— ela murmurou. —É a síndrome do resgate. Você se sente segura, porque ele salvou sua bunda.

E agora ela o convidou para entrar na casa dela. Para um lugar que ela devia se sentir segura. Idiota.

Suas mãos tremiam e as náuseas subiram, nítidas e esmagadoras.

Ela olhou para a porta de sua casa de praia e, em seguida, de volta à praia, onde Garrett tinha desaparecido.

Então, tomando uma decisão, ela se apressou a subir os degraus, dirigiu para a casa e fechou a porta atrás dela.

Inclinou-se pesadamente sobre ela, seu coração batendo contra o peito como um punho. Ergueu os olhos para ver Patches no sofá a olhando enquanto banhava uma pata.

Sarah aproximou-se do sofá e caiu ao lado da gata.

Sua bolsa caiu no chão com um baque e ela ficou lá, cabeça virada para cima, para que olhasse para o teto.

—Eu sou uma bagunça, gatinha. Uma grande bola de bagunça. Eu não posso viver assim.

Lágrimas picaram suas pálpebras e ela piscou, recusando-se a deixar até mesmo uma vir abaixo.

O tempo de chorar acabou. Isto não fazia outra coisa senão trazer de volta o sentimento desprezível de impotência.

A batida na porta assustou-a. Ela balançou a cabeça em sua idiotice. Era apenas Garrett.

Garrett, que ela deveria ter esperado na varanda. Garrett,com quem ela concordou em jantar.

Ela sentou-se lá por um minuto, a indecisão destruindo sua mente.

—Sarah, sou eu, Garrett. Você pode vir pegar uma destas sacolas?

O pedido agiu como um tapa na cara. Ela cambaleou sobre seus pés e correu para abrir a porta, esquecendo que planejava se esconder na casa e ignorá-lo quando ele se aproximasse.

Sim, isso era maduro. Ela abriu a porta para vê-lo se aproximando na porta, com os braços cheios.

Ela estendeu a mão para a sacola de cima, que inclinou-se precariamente, e puxou-a para longe.

Ela deu um passo para trás, mas ele não fez um movimento para entrar. Ele apenas olhou para ela enquanto ela se mexia como uma idiota.

—Entra— ela convidou, recuando novamente. Ele sorriu e passou por ela.

—Se importa se eu colocar essas na sua mesa?

Ela correu ao redor dele para colocar a sua própria sacola para baixo.

—Não, vá em frente. Tudo o que você precisar. O freezer está ali. —Ela apontou para o óbvio e, então, sentiu-se ridícula. — É claro que ele está ali. Difícil de perder.

Garrett espalhou as coisas em cima da mesa e então se virou para ela. Sua expressão estava séria, mas ele não fez um movimento em direção a ela.

—Relaxa Sarah. Você não precisa ficar nervosa. Se você não está confortável com eu estar aqui, posso ir. Não há problema.

Este cara era de verdade? Ele estava tão calmo e... não ameaçador.

O que, Deus, ela precisava. Ela não podia ter uma atitude ameaçadora agora. Precisava de algo resistente. Algo em que acreditar mesmo que apenas pelo espaço de um jantar.

—Eu estou perdendo minha mente— disse ela numa voz quebrada. —Eu quero que você fique. Ou seja, se você ainda quiser.

—O que eu quero, é que você não sinta medo. Eu quero que você se sinta segura.

Deu um passo em direção a ela, mas hesitou, como se testando sua disposição para deixá-lo se aproximar.

Então ele tocou-lhe o queixo — apenas a ponta do dedo. Mas ela sentia em direção para sua alma.

—Você está segura comigo, Sarah. Eu não vou deixar ninguém te machucar.

Vindo de qualquer outra pessoa, a declaração seria melodramática e piegas. Mas ele não fez tanto quanto piscar quando fez a declaração.

Ele estava falando sério, e a coisa era, acreditou nele totalmente. Ela queria acreditar nele.

Ela estava ali, não recuando longe de seu toque. Foi... agradável. Confortante em um nível profundo, que ela não entendeu muito bem.

Passou um longo tempo desde que ela tinha sentido tanto prazer em contato de um homem.

Apenas o gesto simples, o roçar levemente de seus dedos. Ele tocou em algo dentro dela que havia sido paralisado de medo por tanto tempo.

—Quem é você?— Ela deixou escapar. —Você é real? Ou eu fiz você aparecer ?

Ele pareceu surpreso com a pergunta dela. Inclinou a cabeça para o lado e, em seguida, emitiu uma risada suave.

—Eu não sei sobre mim,mas os alimentos são reais.

Ela olhou curiosamente para as sacolas em cima do balcão.

—O que você trouxe?

Ele virou-se e abriu uma das sacolas e tirou um pacote de bifes.

—Eu pensei em começarmos com um pouco de carne, na sequencia para mais carne e terminar com...

— Deixe-me adivinhar. Mais carne? — Ele sorriu.

—Sou um garoto em crescimento. Preciso da minha proteína.

Ela revirou os olhos e franziu a testa quando seu suave olhar fixou-se em seu ombro.

—Como você se machucou? —

Ele levantou uma sobrancelha e inclinou seu quadril contra o balcão. Ela corou.

—Eu vi você pela janela. Parece incomodá-lo quando você está se exercitando.

Ele deu um sorriso irônico.

—Sim, eu possivelmente me encontrei com o lado errado de uma bala.

Ela piscou.

—Foi uma extremidade de uma bala boa?—Por um momento ele olhou para ela e então jogou a cabeça para trás e riu.

—Okay, você totalmente me pegou.

—Então o que aconteceu?

—Vamos apenas dizer que algumas pessoas ruins estavam tentando machucar alguém que eu amo.

—E atirou em você no processo? Você parece militar. Estava no exército?

Ele visivelmente estremeceu.

—Exército? Inferno, não.

Ela estudou-o através dos olhos entrecerrados.

—Marinha? Você era um fuzileiro naval?

—Eu sou um fuzileiro naval — ele corrigiu.

—Oh, você ainda está alistado então? Está em licença?

—Tem certeza que quer fazer um monte de perguntas? Eu me sinto como se estivesse jogando voleibol.

Ela ruborizou-se.

—Desculpe. Eu me deixei levar. 

—Está tudo bem. E não, eu não estou alistado mais. Mas não nos chamamos exatamente de ex-fuzileiros.

—Oh, sim. Uma vez um fuzileiro naval... —Ele balançou a cabeça.

Ela franziu os lábios, pronta para fazer outra pergunta, em seguida, pensou melhor.

Ele sorriu.

—Você pode perguntar. Eu estava só brincando com você fazer tantas perguntas. Bem, não estava brincando, mas eu não me importo.

—Você é muito descontraído. — disse ela.

Ele a olhou com espanto, e em seguida, riu de novo.

—O que há de tão engraçado?

—Oh cara, eu tenho que dizer a meus irmãos que você disse isso. Eles vão morrer de rir. Eles acham que eu sou o filho da puta mais tenso que já existiu.

Choque arregalou seus olhos.

—Sério? Mas você parece tão descontraído. Tão... calmo.

Ele passou a mão pelo cabelo despenteado e sorriu com tristeza.

—Talvez seja o tempo de inatividade. Eu não tenho exatamente descansado em... bem, sempre. Meio difícil de ser tenso quando tudo que você pode ver por milhas é a praia, água e o azul do céu.

Ela esfregou as mãos nos braços, atraída pela imagem que ele pintou. Paz. Essa foi a palavra que parecia personificá-lo.

Saudade brotou como uma onda gigante, caindo sobre ela até que fosse tudo o que podia processar. O que ela faria pela paz? Verdadeira paz. Do tipo que se instalaria em seus ossos e invadiria suas veias e até doeria em um agridoce contentamento. Ela venderia sua alma para possuir uma pequena parte da paz que parecia envolvê-lo.

—O que você está pensando?

—Eu estou pensando que invejo você— disse ela com sinceridade.

Seus olhares se conectaram e seus olhos azuis piscaram, apenas uma sugestão de reação em suas profundezas.

Ele não respondeu. Não ofereceu algum sentimento afetado.

Ele só observou e estudou-a como se nenhuma palavra fosse necessária porque ele havia entendido.

Ela balançou a cabeça para se livrar dos pensamentos ridículos dançando em torno de sua cabeça. Como ele poderia entender qualquer coisa quando era um completo estranho?

Ela se virou, não mais capaz de olhar para seus olhos, para tanto calor. Ele a fazia sentir-se estúpida. Completa e absolutamente estúpida.

Ele não obteria passe livre só porque ele a salvou.

Sua gratidão? Sim. Ela estava extremamente grata, e não apenas por resgatá-la, mas por ir além disso fazê-la se sentir segura.

Mentalmente, ela colocou cerca de seis metros de distância entre eles. Quando ela voltou-se para ele, seus lábios estavam definidos em uma linha firme.

—Você quer que eu faça uma salada?

—Não. Arruinaria todo o efeito.

—Porém, você pode temperar a carne, enquanto eu vou acender o fogo na grelha.

Aliviada por ter algo para fazer e ver que ele estaria deixando o espaço em pouco tempo, ela balançou a cabeça e foi recuperar as especiarias da despensa de pequeno porte.

No momento em que ela voltou para a mesa, Garrett tinha desaparecido pela porta da frente.

Ela soltou um suspiro de alívio e cedeu contra o balcão.

Nunca antes teve uma reação tão confusa para um homem.

Garrett a aterrorizava e ainda assim ele a fez se sentir como se nada pudesse machucá-la, enquanto ele estivesse próximo. Ela temia permitindo-o muito perto, e ainda assim ela não queria o deixar partir.

Ela sorriu quando viu que, além dos bifes, ele tinha trazido os peitos de frango e costeletas de porco. Ele não estava brincando quando sugeriu um jantar de três pratos de carne.

Tanto quanto ele se exercitava e musculoso como era, ele provavelmente tinha que consumir um zilhão de calorias em um dia.

E lotes e lotes de proteína.

Ela generosamente temperou a carne e depois lavou as mãos na pia. ela olhou para fora da janela com vista para a varanda, ela viu o fogo ardendo na grelha de pequeno porte.

Garrett ficou observando as chamas e quando elas finalmente morreram para baixo, fechou a tampa e começou a voltar para a porta da frente.

—Quer se sentar na varanda, enquanto a carne assa? — ele perguntou quando ele voltou para a cozinha.

A ideia foi imediatamente atraente.

Ela havia passado a maior parte do tempo observando o oceano a partir da segurança de sua casa.

Mas, sentar lá fora, cheirando o ar, sentindo a brisa do mar em seu rosto parecia maravilhoso.

Ela não estaria vulnerável e sozinha. Ela tinha Garrett.

—Isso soa maravilhoso. — Ela ainda conseguiu sorrir quando disse isso.

De repente ansiosa para estar fora e desfrutar de uma tarde de liberdade, ela remexeu na sacola com a cerveja ainda gelada.

Ela segurou três garrafas, todas diferentes, e levantou uma sobrancelha de questionamento em sua direção.

Ele sorriu.

—Escolha uma. Eu não sou específico. —Ela encolheu os ombros e colocou uma em cima do balcão.

O resto ela empurrou em sua geladeira para mais tarde. Garrett pegou a cerveja e voltou a olhar interrogativo.

—Não quer uma?— Ela franziu o nariz. —Eu não sou uma pessoa muito de cerveja, temo!

—Ah.

Havia muito nessa palavra e um pouco em seu olhar aguçado.

—O quê?

—Somente ah.

—Você parece mais como uma pessoa de vinho.

—O que é que isso quer dizer?

Ele inclinou a cabeça para o lado e estudou-a.

—Você tem esse olhar, elegante e requintado sobre você. Eu aposto que gosta de música clássica, vai à ópera, um bom vinho e comida chique.

Ela corou.

—Você acha que eu sou uma esnobe?

Seus olhos se arregalaram de surpresa.

—Nem um pouco, eu não a conheço. Apenas um palpite. Estou certo?

—Hmm, sim e não. Adoro música clássica, mas posso dizer honestamente que nunca fui a uma ópera e nem tenho particularmente desejo de ir. Eu gosto de apreciar um vinho. Branco somente. Mas, quanto a comida, temo que eu sou uma garota do tipo hambúrguer-e-batatas fritas.

Garrett agarrou o peito com a mão livre e cambaleou para trás.

—Meu coração continua ainda batendo. Você está falando a minha língua. Eu faço um hambúrguer médio.

—Então você acha que eu sou elegante e refinada? É isto um insulto velado? —Ela perguntou com um sorriso.

—Não. Gosto elegante e refinado. Você parece... clássica.

—Bem, obrigada. Eu acho.

—Foi totalmente um elogio. Você é uma mulher bonita.

Suas bochechas aqueceram sob sua atenção e ela desviou o olhar, de repente, autoconsciente.

Tinha sido capturada pelo elogio e agora ela estava envergonhada pela forma como tinha sido óbvia. Garrett se aproximou com o prato de carne.

—Você pode abrir a porta? Eu não gostaria de derrubar a minha cerveja.

Sarah riu.

—Oh, que, horror.

Ela se moveu antes de ele abrir a porta e ambos saíram para a varanda aquecida pelo sol. Estava um dia incrivelmente bonito.

Que ela não tinha tido a oportunidade de apreciar plenamente uma vez que sua viagem para a cidade terminou em desastre.

Ela posicionou-se nos degraus enquanto Garrett colocava a carne para assar.

Alguns segundos depois, ele se sentou ao lado dela, esticando suas pernas longas e bronzeadas nos degraus.

Ele tomou um longo gole de sua cerveja e suspirou.

—Não tem nada melhor do que isso.

Ela desejava concordar, mas realmente não poderia. Em outras circunstâncias, sim, este era realmente um paraíso.

Ela fez um som que podia ser interpretado como um concordo, e ele olhou de lado para ela quando abaixou a cerveja.

—Então porque você foi para a cidade esta manhã? Você precisa de algo? Eu sempre posso correr de volta para você.

Surpresa com sua atenção, ela balançou a cabeça.

—Eu fui à livraria para pegar alguns livros. Deixei-os cair quando o idiota me atacou.

—Desculpe, eu nem sequer os vi. Eu estava muito focado em você.

—Está tudo bem. Talvez eu vá buscar um pouco mais em alguns dias. Se eu conseguir a coragem de deixar minha casa novamente.

Ele estendeu a mão, para onde sua mão repousava em cima do degrau superior e cobriu-a levemente.

—Você vai ficar bem.

Quando ele deixou a mão lá, ela afastou-se de lado até que sua mão se soltou.

Ela trouxe-a para seu colo e atou os dedos em uma bola apertada. Ela tentou imaginar como poderia ter respondido a Garrett um ano atrás.

Teria ela o encorajado? Ela teria flertado e lhe lançado sorrisos brincalhões?

Foi difícil lembrar-se agindo tão livremente com um homem.

No ano passado, ela havia sido consumida com a autopreservação, e para ela isso queria dizer evitar.

Mas evitar não tinha feito qualquer coisa para parar a vergonha, os frequentes ataques de ansiedade ou as noites sem dormir.

Havia dias que ela não conseguia se lembrar de como sua vida tinha sido antes...

Você pode dizê-lo, Sarah. Você foi estuprada. Você foi violada. Você foi atacada por alguém que você confiava.

Seus lábios não formariam as sílabas, mas gritavam através de sua cabeça até que ela se mexesse de um lado para o outro para livrar-se das palavras, que eram tão brutais quanto o ato.

E aqui estava ela, próxima de um estranho. Alguém que ela nem nunca o viu.

Alguém que ela não confiava e não sabia nada mais do que isso, que ele estava aqui, se recuperando de um ferimento de bala.

Se alguém que tinha confiança poderia fazer algo tão horrível, como ela poderia acreditar que um completo estranho não faria o mesmo?

 

Sentindo sua tensão, Garrett se levantou e foi desnecessariamente virar a carne.

Ele permaneceu na grelha mais do que o necessário e tomou o tempo para assistir Sarah.

Ele tinha cometido um erro ao tocá-la, mas descobriu que era incapaz de resistir ao desejo de oferecer conforto.

Reconfortar mulheres era algo totalmente alheio a ele.

Isso era algo em que seus irmãos eram muito mais especialistas.

Ele era amoroso com Rachel — okay, e agora com Sophie.

Talvez ele não fosse um completo fracasso quando se tratava de mulheres, mas isso não significa que ele as entendia tanto.

O que ele sabia de Sara por sua vez zangava-o e o deixava ferido. Não havia uma só desculpa, para machucar uma mulher. Nunca.

Era a única coisa projetada para enfurecê-lo acima de tudo o mais. E Sarah tinha sido ferida. Ele sabia disso. Ele sentiu. Via em seus olhos cada vez que ela olhava para ele.

Um cara normal iria fazer-lhe perguntas. E ele deveria ser um cara normal.

A maioria dos homens seria curiosa sobre uma mulher como Sarah. Eles poderiam até tentar planejar para ter um confortável romântico caso de férias. Ele soprou a respiração, lembrando que Resnick quase tinha dado a entender isto. O problema era que ele não era um cara normal. Estava aqui em um trabalho e ele não poderia fingir interesse casual...

Mas ele não deveria saber nada sobre Sarah, e um cara normal estaria um pouco assustado por seu comportamento aparentemente estranho.

Garrett? Ele entendeu isso. Muito bem também.

Ainda assim, podia parecer estranho se ele não tentasse bisbilhotar, um pouco.

Ele resmungou sob sua respiração. Ele odiava esse tipo de merda. Ele não fazia droga de operação clandestina. Isso era mais o ponto forte de Sam.

Ele preferia ir, explodir a merda dos bandidos, em seguida, voltar para casa e tomar uma cerveja.

Bem, pelo menos ele teve a cerveja incluída.

—Eu vou pegar outra cerveja. Você quer alguma coisa?

Ela se virou para olhar para ele com aqueles olhos grandes e seu estômago apertou. Maldição.

Ele tinha de esfriar esta estranha... atração.

Não importa o que Resnick tenha sugerido, ele não ia tentar entrar na calcinha de uma mulher só para dar-se bem.

—Não, eu estou bem— disse ela.

Ele entrou e foi recebido por Patches, que saltou para o balcão para ver como ele puxava outra cerveja da geladeira.

—Você quer um pouco?— Perguntou à gata.

Ela olhou para ele malignamente então se virou com um açoitar de sua cauda e passou a ignorá-lo.

Ele encolheu os ombros.Tipicamente feminino.

Ele caminhou de volta para a varanda e sentou-se para baixo perto de Sarah.

Ela não se afastou, o que he deu uma emoção absurda.

Ele tomou um gole de sua cerveja e ficou olhando para a aproximação das ondas.

—Então, o que a traz aqui? Férias?

Ela lhe deu um olhar assustado. Ótimo.

Ele pegou-a desprevenida apesar de ter sido o inquérito mais inócuo que ele pudesse intimar.

Talvez ela não tivesse considerado como uma pergunta externa, mas não era algo que qualquer um gostaria de perguntar a ela?

Ela não iria se integrar, se ela se assustasse toda vez que alguém era amigável com ela.

—Sim. De férias. Precisava de algum tempo longe.

Ele balançou a cabeça.

—Já ouvi isso. De onde você vem?

Ela foi ficando cada vez mais desconfortável com cada segundo que passava, mas ela conseguiu sorrir apesar de ter sido tão falso, que poderia ser uma daquelas rainhas de concurso de beleza a quem Donovan gostava de assistir na televisão.

—De toda a parte, na verdade. Eu me mudei muito quando era criança.

—Sério? Eu vivi praticamente no mesmo lugar toda a minha vida. Exceto quando estava no exército.

—Oh? Onde está a sua casa?

Ele não perdeu a forma óbvia em que ela virou o jogo sobre ele ou seu alívio evidente que ela tinha evitado a sua pergunta original. Mas ele foi com ela.

Ele poderia jogar o turista burro, assim como ninguém.

—Tennessee. Pequena cidade em Kentucky Lake. Minha família inteira mora lá.

Ela suspirou.

—Isto soa legal. Você tem uma família grande? —

—Você poderia dizer isso. Lá estão a minha mãe e meu pai. Eu tenho cinco irmãos. Eu sou a segundo mais velho. Eu também tenho duas cunhadas, uma das quais está pronta para ter uma criança a qualquer momento. Depois, há os filhotes adotados da minha mãe. Sua mais recente descoberta é uma menina ranzinza adolescente mal humorada, que está determinada manter em uma conduta rigorosa. Meus irmãos e eu já desistimos e desejamos a mamãe boa sorte.

Sarah riu.

—Não são todos os adolescentes mal-humorados?

—Inferno, eu não sei. Eles estão todos perturbados, se você me perguntar. —Olhou de esguelha para ela. —E você?

Um sorriso ligeiro flertou com as bordas de sua boca.

—Eu tenho certeza que eu era certamente muito insana aos dezesseis anos.

—Espertinha. Eu quis dizer e quanto à sua família?

Sua expressão tornou-se mais pensativa.

—Eu cresci em lares adotivos.

Ele se moveu desconfortavelmente. Ele já sabia isso, mas não era suposto que agora ele tinha que sentar lá e jogar o idiota.

Ele estava morrendo de vontade de perguntar a ela sobre Lattimer, e porquê se ela era sua irmã e ele era tão protetor com ela, como cresceu sem todos os benefícios que ele teve?

Em vez disso, ele ofereceu uma resposta esfarrapada que disse que realmente não sabia o que dizer em tudo...

—Ai. Isso deve ter sido difícil.

—Não foi tão ruim. Mas isto exigiu fazer uma grande quantidade de movimento. A maioria das colocações eram temporárias até que algo mais permanente veio junto. O problema era que as situações permanentes nunca eram... permanentes.

Seus lábios se torceram em simpatia.

—Isso é péssimo.

Ela encolheu os ombros.

—Não é como se eu fosse abusada. Eu tinha comida e roupas. Um lugar para viver. Lá havia um monte de crianças com muito menos sorte do que eu. Eu não gasto minha vida adulta lamentando a minha infância. Eu tive alguns bons momentos.

Ele não sabia o que dizer sobre isso. Ele gostava de sua atitude. Merda acontece e você tem que lidar.

Somente segundo o lema Kelly em sua mente. Ninguém fode com o Kelly.

—Então, quanto tempo você vai ficar aqui?

Ela franziu o cenho.

—Eu não sei. Ainda não decidi.

—Ah. Férias prolongadas então. Deve ter realmente precisado de um presente. Trabalho estressante?

Tensão contorcia-se em seu rosto.

—Eu estou em uma espécie de tomar um fôlego agora. Estou pensando em uma mudança de carreira. Talvez algo um pouco menos... estressante, como você diz.

—Qualquer ideia já?

Ela sorriu com tristeza.

—Não. Na verdade não. Talvez no ensino. Algo com crianças. Eu sou do tipo cansada de adultos.

—Oh inferno, e você pensa que o ensino é menos estressante? Minha mãe e minha cunhada costumavam ensinar. Eu nunca descobri como que elas sobreviveram com suas sanidades intactas. 

—Deixe-me adivinhar. Você está com medo das crianças também?

Ele fez uma careta.

—Não com medo. Cauteloso. Talvez um pouco apreensivo. Okay, aterrorizado. Quero dizer, eles são pessoas pequenas e bonitinhas disfarçados de terroristas.

Ela riu aquele riso cheio e gutural que enviou um arrepio pela espinha acima. Porra, mas ela era bonita quando sorrria. Acendeu-se como uma Árvore de Natal e seus olhos brilharam.

Muito ruim que ele não era um cara bem-humorado. Ele daria qualquer coisa para fazê-la rir de novo.

—Eles não são tão más. Eles só precisam de atenção. E amor. Somente como todos os outros.

—Todo mundo não vomita em você. Ou esfrega a meleca em sua camisa.

Ela sorriu.

—Isso é para que toalhetes antibacterianos servem.

—Tente armadura para o corpo inteiro. — Garrett murmurou.

Ela revirou os olhos.

—Um cara grande e musculoso como você, aterrorizado com mulheres e crianças. O que é um fracote.

— Hey — Ele apertou a garrafa fria contra a pele nua de sua perna e ela gemeu quando ele deslizou para longe. Não precisa ficar pessoal.

Ela riu de novo e Deus se ele não ficou todo mole em seu interior.

Ela estava certa. Ele era um fracote de primeira classe. Ele fez uma careta e deu graças a seus irmãos por não estarem lá para lhe dar merda.

—É melhor verificar os bifes. É um pecado queimar uma boa carne.

Ele ergueu-se a seus pés e fez questão de —acidentalmente —tocá-la com a garrafa gelada novamente.

Ela deu uma risadinha e empurrou-se para cima também. Ela o seguiu em direção à grelha e cheirou apreciativamente quando ele apoiou abrindo a tampa.

—Cheira bom.

—Sim, só precisa de mais um minuto ou dois. Quer pegar os pratos e comer aqui fora?

Ela olhou para a mesa pequena no pátio com o guarda-sol precariamente inclinado para um lado.

—Sim, isso parece ótimo. Vou pegar as coisas e colocar na mesa.

Eles comeram em um silêncio sociável com o crepúsculo caindo sobre a água.

No céu desapareceu o azul brilhante de antes, e tons de rosa e ouro se espalharam como asas transparentes ao longo do horizonte. Havia algo a ser dito sobre toda essa coisa de R e R[1].

Não que ele já tenha admitido aos seus irmãos. Mas maldição, se ele não estava se divertindo. E acompanhado.

Quando deixaram de lado seus pratos, nenhum dos dois fez um movimento para se levantar, e ele se contentou em seguir seu exemplo. Ele se recostou na cadeira enquanto a água ficava escura, com o anoitecer iminente. A lua estava pouco visível, uma vez que deslizou sobre o horizonte.

Ela estava quase cheia, o que seria em duas noites. Mas ainda era brilhante enquanto estampava por toda a superfície do oceano.

—Eu mantive você por muito tempo— disse Sarah, quebrando o silêncio. Havia uma nota de desconforto em sua voz, não porque ela passou o tempo com ele, mas uma hesitação que sinalizou seu arrependimento por aquilo que ela considerava uma inconveniência.

—Eu tinha um bom tempo. Você é ótima companhia.

—Também é você —disse ela após uma pausa. —Eu tinha um bom tempo também.

O tom de sua voz sugeriu que o fato a surpreendeu. E provavelmente o fez.

De certa forma é difícil relaxar por algumas horas quando você está olhando sobre seu ombro a cada vez.

Ele se levantou e começou a recolher os pratos, mas ela esticou o braço e colocou a mão em seu pulso.

Dedos macios e frios e ainda assim, queimaram sua pele como brasas.

—Eu vou fazer isso— disse ela com voz rouca.—Você já fez tanto.

—Tem certeza que você vai ficar bem?

Ela balançou a cabeça e liberou seu pulso.

Ele queria pegar a mão dela de volta para ela continuar tocando-o.

Ele gostava de suas mãos. Pequenas e tão delicadas e femininas. Ela tinha dedos finos com unhas afiladas.

E as almofadas de seus dedos eram lisas e infinitamente macias.

—Eu vou ficar bem, e mais uma vez, obrigada por ter feito tanto para me fazer sentir melhor. Eu realmente apreciei isto.

Ele se perguntava o que ela faria se ele lhe dissesse que queria beijá-la. Não que ele fosse dizer a ela aquilo. Se ele ia beijá-la, ele queria que ela não tivesse nenhum aviso. Sem tempo para pensar.

Mas ele não queria assustar o inferno fora de qualquer um dos dois. Assim, ele ficou ali, observando sua boca e perguntando que gosto ela tinha.

—Se você precisar de alguma coisa, não hesite, okay? Eu somente estou abaixo na praia. E eu quero dizer qualquer coisa. Se você ficar com medo, eu vou vir. Não é um problema.

Por um longo momento ela simplesmente olhou para ele, seu coração nos olhos.

Eles brilharam reluzente no suave luar, e seus desenhados lábios estavam quase como se ela estivesse com dor.

—Eu parei de acreditar que faziam homens como você— disse ela com uma voz que o fez doer. —Obrigada por me provar o meu erro.— Ele quase voltou e beijou-a de qualquer maneira.

Foi a coisa mais difícil que ele já tinha feito, mas ele se virou e caminhou até a praia para sua casa de praia.

Ele parou no meio do caminho para olhar para trás e ela ainda estava lá, a lua salpicando prata em sua pele.

Ele ergueu a mão em um aceno e depois avançou o resto do caminho no escuro.

Quando ele entrou em sua casa, gemeu quando avistou o telefone por satélite, onde ele tinha deixado no balcão da cozinha.

Donovan ia matá-lo. Melhor acabar logo com isso, mais cedo ou mais tarde, e ele estava ansioso para ouvir o que seu irmão teria cavado de Sarah Daniels.

Ele discou o número e esperou que tocasse. Um momento depois, uma voz decididamente feminina soou sobre a linha.

—Olá?

—Sophie? Que diabos você está fazendo respondendo a esta linha? —Garrett perguntou. —Tudo bem aí?

—Oi, Garrett.

—Ainda grávida, querida?—Ela fez um som que saiu como um grunhido. Talvez ele devesse ter mantido a boca fechada.

—Onde está o Van?

—Ele está dormindo no computador— sua cunhadadisse.—Ethan e Rachel veio depois que você ligou mais cedo, por isso jamais voltou para a cama.

—Como é que Rachel está passando?

—Ela parece estar indo bem. Ela e Ethan foram nadar. Sam não me deixou ir. Ele disse que se eu começasse a se afogar não havia salva-vidas que caberia ao meu redor.

Garrett bufou.

—O que é um idiota. Quer que eu chute a bunda dele para você? —Ela ria e Garrett sorriu.

—Rachel chutou para mim. Eu não conseguia levantar a perna tão alto sem cair.

—Cuide bem de si mesma e minha sobrinha. Eu vou esperar um telefonema no momento que entrar em trabalho de parto.

—Acho que o mundo inteiro vai saber quando o dia finalmente chegar— disse ela, cansada. —Quer dizer, eu não acho que até as elefantes estão grávidas tanto tempo.

—Pobre querida. Faça Sam dar-lhe uma massagem nos pés.

—Donovan está se mexendo e eu preciso limpar a baba em cima da mesa. Você quer falar com ele? —Sophie perguntou.

—Sim, obrigado. Tome cuidado, okay?

Sons abafados veio através do telefone e depois o grunhido de Donovan irritado e risos de Sophie.

—Para alguém que estava com tanta maldita pressa, você tomou seu doce tempo chamando de volta.

Garrett fez uma careta.

—Desculpe, Van. Algo surgiu. Você tem alguma coisa para mim?

Donovan suspirou.

—Na verdade, não. Estive nisso durante toda a tarde. Se algo aconteceu com ela, não foi registrado em qualquer lugar. Eu tenho um contato em Boston, que está fazendo um pouco mais de pesquisas para mim. Ele vai fuçar seus vizinhos, conhecidos e colegas de trabalho para ver o que ele pode descobrir, mas temos que ter cuidado, porque ela tem um monte de maldita gente procurando por ela.

Garrett suspirou. Nenhum registro. Significava que, o que tinha acontecido com ela não foi denunciado. Ele queria colocar seu punho através da parede. Se ela tivesse estado em um relacionamento abusivo? Ela foi uma vítima da violência aleatória?

—Faça-me um favor, Van. Procure todos os relacionamentos do passado. Namorados, encontros casuais, o que for. Eu preciso de algumas lacunas preenchidas. Resnick ou não nos contou a história toda ou ele não sabe mesmo, o que é difícil de acreditar, pois ele é como um meticuloso bastardo.

—O que você está realmente procurando, Garrett? Ajude-me aqui. Eu preciso saber o que eu estou procurando.

Garrett passou a mão sobre o rosto.

—Acho que ela foi atacada. Talvez estuprada. Eu sinto quase com certeza que foi por alguém que ela confiava. Então eu não sei se ela foi abusada, se algum cara com quem ela estava bateu o inferno fora dela ou sexualmente a agrediu. Há algo acontecendo aqui, além de ser alguém que testemunhou um assassinato.

—Cristo — murmurou Donovan. —Sim, diga-me sobre isso.

Todos os Kellys tinham um forte desejo de proteção quando se tratava de mulheres e crianças, mas Donovan em especial tinha uma fraqueza de uma milha de largura para as mulheres e crianças.

Um monte de vezes foi em seu detrimento, porque ele simplesmente não podia recusar um emprego se uma criança ou uma mulher estava em perigo.

Ele era massa colante nas mãos de uma mulher. Ele adorava as mulheres e elas o adoravam.

Garrett provocava-o que era o gênio da computação que apelava para o “sexo mais justo”.

Mas a verdade da questão era, Donovan era extremamente inteligente e ele era bom até os dedos dos pés. As mulheres eram conscientes daquilo e revoavam para ele como moscas.

Ele era mais silencioso do que seus irmãos. Ele não era tão grande e com ombros largos como o resto. Muitas vezes ele estava mais confortável tomando uma posição secundária que todo mundo. Ele ficava à margem e observava. Como resultado, Donovan tinha mais sujeiras das pessoas do que Garrett poderia imaginar.

E não havia mais ninguém que Garrett preferiria ter às suas costas.

—Garrett, que merda Resnick esguichou... Você não pode agir como se algum filho da puta a machucou. —Garrett controlava sua irritação porque ele sabia, Donovan estava fazendo o que Donovan fazia de melhor. Olhando pela mulher.

—Eu sei isto, Van. Sarah... Ela está vulnerável agora. Ela precisa de um amigo. Eu pretendo ser esse amigo.

— Deixe-me saber se você precisar de mim, okay? Eu posso estar ai em um dia. Nesse meio tempo, eu vou estar cavando um pouco mais e vou deixar você saber o que eu descobrir.

—Obrigado, Van. Agora, vá dormir um pouco. Você parece infernal.

—Foda-se.

Garrett sorriu e cortou a ligação. Ele esfregou a nuca, os dedos pressionando na base de seu crânio. Ele estava cansado e agora uma ducha quente soava melhor do que sexo.

Ele precisava ir para a cama e descansar um pouco porque ele tinha uma missão de manhã cedo para executar no dia seguinte. De preferência antes de Sarah ter a oportunidade de se levantar por aí.

 

SARAH abriu os olhos à luz do sol fluindo através de sua janela. Ela piscou a sonolência para longe e virou para olhar o relógio. Claro que ela não tinha visto os números corretamente, ela ergueu-se em seu cotovelo e apertou os olhos para ver melhor. Dez da manhã? Santo Deus!.

Patches pulou na cama e olhou-a desconfiada. Normalmente, Sarah era a primeira a sair da cama e a gata sempre protestava de ser movida de seu local quente.

Sarah caiu para trás em seu travesseiro e olhou para o teto. A gata esfregou contra seu lado e ronronou alto.

Sarah colocou a mão para baixo e esfregou as orelhas do animal e recebeu um delicado miado em agradecimento.

Foi o máximo que tinha dormido desde que chegou.

Na maioria das noites ela teve sorte de conseguir poucas horas.

Seus sonhos a assombravam, e às vezes ela se recusava a fechar os olhos porque faria qualquer coisa para se proteger dos demônios.

De alguma forma ela conseguiu não só dormir uma noite inteira, mas tinha dormido bem, passando do amanhecer até o meio da manhã.

Ela esticou-se e depois se aconchegou mais para dentro em sua coberta. Foi então que percebeu que alguns de seus sentimentos de pânico tinham ido embora.

Ansiedade esteve sempre presente durante meses, tanto que ela não conseguia se lembrar de sentir sua vida sem ela. Esta manhã ela se sentia extremamente... leve.

Ela ficou ali por mais meia hora, simplesmente desfrutando da paz. O ronco de seu estômago, finalmente, forçou-a a entrar no banheiro para tomar um banho rápido.

Quando terminou, enrolou uma toalha em volta da cabeça e se dirigiu para a cozinha.

Ela pôs a cafeteira para preparar café e olhou para fora da janela, enquanto está borbulhava e assobiava.

A água era tão azul que quase doía os olhos para olhar para ela. O sol batia na superfície e refletia como um milhão de pequenos diamantes.

Não havia uma única nuvem à vista, embora a conversa na cidade no dia anterior tinha sido um sistema de tempestade esperada através da noite.

Quando a cafeteira deu o último sibilar, ela removeu o recipiente e derramou o conteúdo em uma xícara enchendo-a da bebida saborosa.

Era uma manhã demasiado perfeita para desperdiçar dentro de casa. Sentar em sua varanda com uma xícara de café parecia celestial, e talvez ela veria Garrett.

Calor formigava seu rosto e ela balançou a cabeça. Estava agindo como uma adolescente devastadoramente tonta com seu primeiro garoto. Ainda assim, ela sorriu quando abriu a porta da frente.

Seu olhar foi atraído para a água e ela quase tropeçou em alguma coisa na porta. Ela tropeçou e seu café espirrou para fora da borda.

Ela se endireitou, colocou seu café no parapeito da janela e olhou para baixo para ver uma cesta colocada em sua varanda. Atônita, ela ajoelhou-se para encontrar duas garrafas de vinho branco e os livros dela que caíram no beco quando foi atacada.

Ela acariciou carinhosamente a lombada dos livros de brochura e puxou-os para que ela pudesse ver cada um dos títulos.

Havia até mesmo algumas adições para os que ela tinha comprado. Ao lado do vinho, estavam várias barras de chocolate e um bilhete dobrado com o nome dela.

Seu peito estava tão apertado e ela tinha um sorriso tão grande que suas bochechas doíam. Com os dedos trêmulos, abriu a nota.

Disseram-me que nenhuma mulher consegue resistir a vinho, livros e chocolate.

Aproveite o seu dia. G.

Ela abraçou a nota junto dela e olhou para suas guloseimas.

Ele tinha ido e pegado seus livros! Ela estava ridiculamente comovida pela ideia de ele fazer uma viagem especial para recuperar seus livros e para comprar o seu vinho e chocolate.

Seus olhos estavam suspeitosamente aquosos quando se levantou e ergueu a cesta em seus braços.

Seu café esquecido, ela pôs a cesta sobre a mesa do pátio e começou a dar uma olhada à variedade de livros de brochura.

Depois de se decidir por aquele que ela queria ler primeiro, apressou-se de volta para dentro para colocar o vinho para refrigerar na geladeira. Sarah adicionou o chocolate para que ele não derretesse e depois voltou para fora para seu livro.

Depois de uma hora, voltou para dentro para preparar o almoço. O vinho estava gelado e ela derramou um copo para tomar com sua refeição. Ela levou o seu tempo, realmente apreciando a comida com o sol embebendo por sua pele.

Hoje... ela não tinha pressa .

Os eventos do dia anterior evaporaram-se e ela saboreou a liberdade de apenas... desfrutar.

Ela cochilou com um livro apoiado em seu peito, os pés apoiados na cadeira à sua frente.

Uma gota de chuva grossa bateu em sua testa, assustando-a de seu sono. Seus olhos se abriram para encontrar o céu vastamente mudado.

Em vez do completo quadro azul, nuvens furiosamente carregadas tinham rolado no céu, agitando-se como tampas de cogumelo gigante.

Estava escuro e as sombras caíram sobre a praia, tornando o paraíso sereno em algo sinistro.

A água rolou e as camadas de onda espumosa soprou sobre a superfície, rolando para a praia e se espalhando pela areia.

Ela colocou seus pés para baixo e esticou os músculos doloridos. Após recolher seu copo de vinho e o livro, ela retirou-se para dentro de casa.

Decepção preocupante para ela. Não tinha visto Garrett sequer uma vez.

 

Garrett estava junto à janela e observou enquanto Sarah ia para dentro de casa. Ele esteve à beira de ir até lá para acordá-la ele mesmo antes da tempestade avançar muito ruim.

Ela tinha dormido a tarde inteira, e ele vigiava-a de longe.

Ele propositadamente ficou longe hoje para dar-lhe tempo para processar a noite que passaram juntos.

Ele queria a confiança dela e descobriu que estava disposto para o progresso das coisas irem tão lentamente quanto necessário para atingir esse objetivo.

Relâmpagos apunhalaram no céu, piscando e iluminando o mar revolto. Trovão ecoou na distância.

A tempestade estava se movendo rápido e chegando mais perto a cada passagem de segundo.

Ele virou-se e deixou cair a cortina. Amava uma boa tempestade. Era uma noite perfeita para relaxar com uma cerveja e ouvir a chuva.

Logo a chuva aumentou e caiu com um constante ritmo. Ela bateu contra o telhado de zinco da casa de praia com um rugido mudo.

Apenas o som o fez bocejar; letargia tomou sobre ele, transformando seus músculos em geleia. Ele preguiçosamente caiu no sofá e chutou as pernas para cima.

É claro que assim que ele ficou confortável, o telefone por satélite bipou. Ele ergueu a cabeça e olhou através da sala para onde ele estava jogado na cadeira junto à janela.

Resmungando todo o caminho, levantou-se e foi até o empecilho do telefone.

—É melhor que seja bom— ele disse afundando de volta para o sofá.

—Esta vindo do babaca que me acordou duas vezes?

Garrett riu.

—Eu estava confortável,cara. Acabei de me estabelecer no sofá.

Donovan fez um ruído de zombaria, antes de continuar.

—Você quer o que eu tenho ou o quê?

Garrett sentou-se, de repente muito sério. Seu estômago apertado e ele sorveu em uma respiração profunda. Sim, ele queria saber, mas novamente ele não estava certo do que ele fazia. Ele suspirou.

—Sim, golpeia-me com isto.

—Sarah Daniels leva uma vida muito simples, vive em um apartamento muito comum. Ninguém tem uma única palavra ruim a dizer sobre ela. Até onde sei, não há namorados recentes. Não há registros médicos que não sejam uma rotina de uns poucos check-ups. Estou tentando conseguir os relatórios reais, mas agora vai tomar algum tempo. Ela tem estado desempregada há meses. Ela tem hábitos conservadores de consumo, mas sua conta bancária não é tão farta, por isso ela está recebendo apoio de algum lugar. Minha aposta é Lattimer. Mas em suma, ela é normal. Ela é repugnantemente perfeita. —Não. Não perfeita. Quebrada. E infinitamente frágil.

Garrett soprou seu fôlego.

—Então o que porra é essa?

—Talvez você esteja interpretando mal as coisas, Garrett. Ela testemunhou um assassinato. Ela tem medo de seu irmão, ou está tentando protegê-lo. Isso é um monte de merda para lidar com elas. É claro que ela está nervosa.

Besteiras. Sim, ela estava com medo, e ela era cautelosa, mas havia mais do que isso.

Garrett não estava errado sobre isso. Ele a tocou. Ele sentiu a sua tensão. Viu a tristeza e a dor em seus olhos.

—Eu não estou errado sobre isso, Van. — Donovan suspirou.

—A coisa é, se ela foi atacada, mas nunca informou isto, provavelmente não contara a ninguém. Nem mesmo aqueles mais próximos a ela. Infelizmente, uma grande quantidade de crimes contra as mulheres não são relatados.

Garrett amaldiçoou, sabendo que Donovan estava certo. Se Sarah tivesse sido ferida, havia uma clara possibilidade de que a única pessoa que sabia alguma coisa sobre isso... era ela.

E o filho de uma cadela que a atacou.

—Droga — Garrett murmurou. —Isso é complicado.

—Vou continuar cavando. Se eu chegar a alguma coisa, eu te ligo.

— Obrigado, cara. Como é que Sophie está indo? E você falou com Rachel?

Donovan deu uma risadinha.

—Acredito em você querer saber sobre as mulheres.

Garrett fez uma careta.

—Eu não consegui passar para ver Rachel antes de eu sair. Eu só quero ter certeza que elas estão passando bem, okay. Eu me preocupo com ela e Sophie. Ela parecia grávida em torno de 14 meses, quando eu saí.

—Cara, você está no viva-voz — Donovan afirmou.

Garrett fez uma careta.

—Oh porra. Ela não ouviu isto, não é?

—Ela pode ter começado a chorar, e Sam está ameaçando chutar o seu traseiro.

—Chorando? — Inferno. Ele precisa mandar buscar chocolate. Lotes e lotes de chocolate. Mulheres grávidas ficam desvairadas.

—Estou brincando. — Donovan disse com uma risada.

—Babaca.

—Rachel está indo bem. Ela faz chamada pelo menos uma vez por dia para perguntar se nós sabemos de você.

Garrett ficou mole por dentro. Ele amava Rachel um bocado. Sempre amou. A ideia de que ela preocupava-se com ele o fez se sentir um pouco sentimental.

—E Sophie tem abrandado muito, para grande alívio meu e de Sam. Hoje ela ficou no sofá com os pés apoiados, enquanto Sam se alvoroçava sobre ela. Está cansada e eu acho que se ela não fazer o parto logo, Sam vai ter um ataque de fúria. Ele já ameaçou chutar o traseiro do médico se ele não induzi-lo.

Tanto quanto ele amava suas cunhadas e sua família, agora ele era grato por estar longe de Sam.

O homem era um pouco suscetível quando se tratava de sua esposa e até que ela fizesse um parto de forma segura, Sam ia ser um caso perdido.

—Como está papai? Ele está tendo mais fácil? —Donovan riu.

—Mamãe e Rusty o estão conduzindo para a insanidade. Ele liga para cá pelo menos duas vezes por dia, implorando por um de nós para ir resgatá-lo. Elas não o deixam comer o que ele quer comer. Elas não o deixam trabalhar por mais do que algumas horas na loja de ferragens.

Garrett sorriu para a imagem de seu corpulento pai sendo intimidado pelas mulheres da família. Essa era a maneira como ele costumava ir. Marlene Kelly era implacável quando ela colocava na mente alguma coisa. Ela manteve seu marido e todos os seus seis filhos em uma linha reta e era inútil resistir.

Desde o mês anterior quando seu pai teve um ataque cardíaco, ela manteve-o em uma rédea apertada e governava-o com mão de ferro.

—E sobre Beavis e Butthead? Eles ainda estão fora em alguma missão supersecreta para o tio Sam?

—Uh, sobre eles...

Um comichão de alarme disparou na coluna de Garrett. Seus irmãos mais novos ainda eram militares ativos e ele preocupava-se com eles constantemente.

—Sim, o que foi?

—Nada de ruim— Donovan correu para dizer. —Joe ligou para Sam ontem. Disse que ele e Nathan não foram recrutados e queria saber se eles poderiam trabalhar para KGI.

—Bem, ah — Garrett disse com um suspiro. Alívio diminuiu a pressão em seu peito.

Não que a KGI fosse uma moleza.

Lidavam com as suas justa partes de missões perigosas, mas prefiria muito mais ter todos os seus irmãos na sua frente de onde ele podia ver suas costas.

—Sim, é isso o que Sam disse. Eles estarão dando informações outra vez em uma semana. Joe não disse de onde, o que me incomoda. Ele normalmente tem pelo menos uma localização para mim. Disseram-me que não é bom. Mas quando esta viagem acabar, ambos querem voltar para casa.

—Mãe estará fora de si— Garrett disse secamente.

Donovan deu uma risadinha.

—Todos os seus filhotes em um local por mais de uma semana ou assim? Isso não aconteceu desde que Sam estava no último ano no colégio. Ela vai nos deixar todos loucos.

—Vai ser bom.

—Sim— concordou Donovan. —Será.

—Okay, basta de papo furado. Eu tenho que ir. Tenho um encontro com o sofá — disse Garrett. —Beije as cunhadas por mim.

—Estou mostrando-lhe o dedo médio agora. — Donovan resmungou.

Garrett sorriu e jogou o telefone por satélite para a mesa de café.

A chuva ainda batia no telhado e relâmpagos explodiam fora das janelas, como luzes estroboscópicas.

O estrondo do trovão agiu como um sedativo, atraindo-o para a promessa de um bom e longo sono.

Ele bocejou. Provavelmente deveria ir para a cama. Mas isso exigiria que se movimentasse.

 

NA manhã seguinte, Sarah estava em sua varanda e olhou para a praia aos restos de escombros dominando a praia cheia de espuma e observou as ondas espumantes sobre a costa.

Folhas de palmeiras, galhos de árvores e uma variedade de troncos esparramado na areia, remanescentes da tempestade da noite anterior.

O céu estava claro nesta manhã e uma brisa leve levantou o cabelo dela e soprou sobre seu rosto enquanto estava olhando sobre a água.

Ela estava tentando trabalhar os nervos para voltar para a cidade. Sozinha. Sem pedir ajuda de Garrett.

Durante a noite, enquanto ela estava ouvindo o vento e a chuva, decidiu que queria fazer algo para retribuir sua gentileza e compreensão.

Ele tinha cozinhado o seu jantar e recuperou seus livros, para não mencionar que deu-lhe o chocolate e o vinho. Isso merecia alguma atenção dela, e foi uma tola perto dele. Se ela ia passar todo esse tempo não chamando atenção sobre si, iria ao menos se divertir.

Agora, ela só tinha de dominar seu medo de voltar para a cidade sozinha e ela estava decidida. Respirou fundo e pisou na areia.

Carne e cerveja eram, obviamente, o caminho para o coração de Garrett, mas ela ia atirar em algo doce também. Ela carregava sua bolsa com o laptop por cima do ombro e começou a um ritmo rápido até a praia antes de ela mudar de ideia.

Enquanto ela estivesse na cidade, iria verificar seu e-mail e enviar tranquilidade a Marcus para que ele não ficasse irritado e viesse em seguida por ela.

Certamente ele percebeu a necessidade para que eles ficassem tão distantes um do outro tanto quanto possível.

Enquanto ela ficasse em silêncio e longe de Boston, tudo ficaria bem. Ela nunca correria o risco de ir de encontro a Stanley Cross novamente.

Allen tinha ido embora—um fato que ela não conseguia sentir qualquer pesar.

Só que Marcus tinha sido o único a fazer a ação. Ela deveria ter deixado Boston há muito tempo, mas ficou trancada em seu apartamento, apavorada para sair.

Aterrorizada para se viver. Bem, isso acabou. Era hora de recuperar o controle de sua vida. Mesmo que fosse aqui nesta ilha.

Não era como se ela não estivesse acostumada a ser desenraizada e ter que ajustar tudo novamente.

Ela passou a vida em movimento e ajuste. Ela foi ao café primeiro. Desfrutou de uma xícara de café enquanto checava o e-mail. Seu coração acelerou quando ela viu um novo de Marcus.

Deixe-me saber que você está bem.

Ela digitou uma resposta rápida assegurando-lhe que estava bem.

Ela até fez a sua resposta um pouco verborrágica do que tinha feito em e-mails anteriores.

Ela fez parecer que estava tomando umas férias prolongadas. E talvez ela estivesse. Quem iria dizer que ela não estava?

Após embalar seu laptop, ela engoliu o resto do seu café e foi em direção ao mercado.

Lembrando os gostos de Garrett, escolheu um peito pequeno, batata grande para assar e todos os ingredientes.

Ela preferia salada com pratos de carne, mas Garrett, obviamente, não desperdiçava espaço no estômago em pratos leves como a alface e tomate.

Ela estudou a variedade de cervejas, franzindo a testa porque não conseguia se lembrar de que tipo Garrett tinha quando ele foi à sua casa. Decidindo que realmente não importava, escolheu três marcas diferentes e arrastou-as para sua cesta.

A seção de pequeno porte que servia como padaria não tinha nada que serviria para Garrett, pensou.

Era tudo muito fru-fru e frutado, enquanto ela o imaginou mais como um cara de açúcar puro.

Teria que fazer bolo. Ela não tinha tempo para ir a todo vapor em algo exótico e complicado. Não, se ela estava indo para convida-lo para jantar esta noite.

Escolheu uma mistura pronta e comprou um preparado de glacê para fazer bolo, embora ela estremeceu no pecado de tudo isso. Então, fez seu caminho para fechar a conta, e pagou para a entrega dos mantimentos pesados em sua casa.

A caminho de casa, ela se viu cantarolando.

Ela realmente parou na areia e sorriu quando percebeu que tinha essa emoção tonta e ridícula com a ideia de ver Garrett novamente.

Ela se abraçou e apertou-se com os braços, tão feliz e grata que a ideia de ter um homem em seu espaço pessoal não era mais uma aberração.

Não era como se ela se considerasse milagrosamente curada. Obviamente que não podia ser apenas um homem qualquer. Garrett era diferente. Ele a fazia se sentir segura. E pela primeira vez desde o seu ataque, sentiu uma agitação de interesse no sexo oposto. Só por isso, ela sempre seria grata.

Ela começou a descer a praia, um sorriso ridículo estampado em seu rosto.

Era um bom dia. E isso só ficaria melhor.

Duas horas depois, estava na varanda de Garrett e segundo adivinhou sua afirmação alegre, o dia estava por isso maravilhoso.

Suas mãos estavam úmidas, a boca estava seca e seu coração estava prestes a sair fora do peito.

Por que isso era tão difícil? Ela não tinha medo de Garrett. Ela não estava!

Sua estrutura mental foi embora se recusando a cooperar e tinha ligado o botão de pânico em seu cérebro.

Foi completamente irracional, mas então ela já tinha reconhecido que o medo não era nada racional.

Mais do que um pouco chateada que o pânico estava colocando um amortecedor sério em seu bom humor, ela endureceu sua mandíbula e bateu rapidamente na porta.

Um momento depois, Garrett abriu a porta e seus olhos se arregalaram de surpresa. O que poderia tê-la afastado, mas então ele abriu um largo sorriso e ela podia ver o prazer em sua expressão. Seu coração sacudiu e fez uma reviravolta engraçada.

Ele estava vestindo apenas calções de banho e ela estava permitindo-se uma vista privilegiada, de perto de seu peito. O mesmo peito pelo qual ela babava, mas de longe.

Ele não era um daqueles refinados garotos bonitos sem pelos, com um bronzeado uniforme e pele suave como a dela.

Não, ele era áspero, mais pálido em sua barriga e no peito do que estava em seus braços e face.

Ele era peludo, não de modo nojento, como um homem lobo. Havia uma pequena quantia sobre sua parte superior do tórax, o suficiente para dar-lhe uma borda mais áspera, estreitando gradualmente para baixo para uma linha escura ao seu umbigo, e baixo o suficiente para disparar a sua imaginação sobre o que estava abaixo da faixa do calção de banho.

Seu rosto se iluminou e incendiou, suas bochechas estavam tão esticadas que ela pensou que poderia explodir.

Seja por vergonha ou a consciência, ela não tinha certeza.

O olhar dela empurrou até a cicatriz recente em seu ombro. Havia outras cicatrizes. Muito mais velhas. Algumas mais desbotadas do que outras. A que estava em seu ombro ainda irritada com aspecto enrugado. Ele seguiu seu olhar e deslizou sua mão sobre a cicatriz.

Ela corou culpada.

—Sinto muito. Eu não queria olhar. Bem, acho que eu fiz. Eu estava curiosa. Desculpe, no entanto. Ainda dói? —E Deus, ela estava balbuciando. Como uma idiota.

Ele encolheu os ombros.

—Alguns dias mais que outros. Ei, eu estava prestes a ir dar um mergulho. Quer vir?

Ela piscou, surpresa e deu um passo para trás.

—Nadar?

Seus olhos brilhavam com diversão.

—Sim. Você sabe, aquela coisa que você faz no mar? Em trajes de banho normalmente, embora eu não faria oposição ao mergulho sem roupa.

—Oh. Bem. Quero dizer, eu vim mais para convidar você para jantar.

— Sério? Eu ficaria feliz. Mas não há razão de não podermos dar um mergulho primeiro. A menos que você esteja cozinhando um porco ou algo assim e tem que começar sobre isto agora.

Ele estava totalmente zombando e ela sorriu forçadamente e um pouco do pânico derreteu sob o calor do seu sorriso.

—Não é porco, mas eu comprei um pedaço razoável de uma vaca. — Ele esfregou sua barriga e suspirou.

—Você sabe como seduzir um homem. Então, o que você acha de nadar? Eu vou ajudar a cozinhar depois que tivermos feito.

—Oh não, você não—, disse ela com um aceno de cabeça. — Você fez toda a comida a última vez. Desta vez, você irá se sentar na varanda com a cerveja que eu comprei para você, enquanto eu faço toda a comida. Eu já assei um bolo.

—Maldição. Você está me estragando, mulher. —Suas bochechas retesaram novamente, e o calor se espalhou em seu peito.

—E sim, eu acho que eu gostaria de nadar. Eu só vou me trocar e encontro-o de volta aqui.

—Ótimo. Eu vou esperar por você na praia.

Sarah voou de volta para sua casa e vasculhou através das coisas para o maiô que ela comprou apenas alguns dias depois de chegar na ilha. Ela não tinha usado ainda. Nem sequer uma vez. Mas, de repente ela estava ansiosa para sentir o oceano.

Era uma modesta peça única, e por ser modesta, cobria tudo. De gola alta, alças de ombro largas, e uma saia que caia a meio caminho dos seus joelhos.

Sentia-se como uma avó, embora ela duvidasse que muitas avós usassem maiôs feios como este.

Sabendo que ela estava tão atraente como um sapo devia ter esmaecido um pouco do seu entusiasmo, mas descobriu que simplesmente não se importava.

Garrett não parecia se importar com seu comportamento estranho e suas excentricidades. Iria se divertir hoje, se isto a matasse. Ela mentalmente atirou ao ar os indesejados, Allen e Stanley Cross enquanto caminhava descendo os degraus de sua varanda sobre a areia aquecida pelo sol quente.

Allen já estava no inferno, e Stanley poderia beijar sua bunda. Se havia alguma justiça no mundo, ele se juntaria ao irmão lá eventualmente.

Como prometido, Garrett esperava em frente a sua casa, uma toalha pendurada no ombro. Ela desacelerou quando se aproximou e percebeu que tinha esquecido de trazer uma.

—Eu sou uma idiota— disse ela.

Garrett levantou uma sobrancelha.

—Esqueci-me de uma toalha. Eu preciso voltar e pegar uma.

Ele sorriu.

—Não há necessidade. Você pode usar uma das minhas. Vamos até a água.

Ela virou seu olhar para o oceano e a linda tela de azul que brilhava como uma cascata de diamantes.

—É frio? — Ele ficou boquiaberto de forma exagerada —Você quer dizer que não sabia? Você não esteve dentro ainda?

Ela balançou a cabeça e fez uma careta.

—É quente. A sensação é malditamente muito boa. Não tem porcaria no fundo.A areia é suave. Sem algas.

Risos borbulharam.

—Bem, graças a Deus que não há lixo no fundo. O que seria um saco.

Ele piscou para ela.

—Quando você nadou através do lixo tanto quanto eu tenho nadado,você tende a valorizar a água agradável,e limpa.

—O último é um ovo podre— ela gritou, apenas à medida que se jogava na água.

—Ora, sua pequena. — Garrett gritou. — Trapaceira !

Ela se jogou na água com um esguicho retumbante. Garrett invadiu o local por trás dela e prontamente para a ponta para dentro da arrebentação. Ela chegou cuspindo, cabelo em seu rosto, mas sorrindo como uma idiota.

—Eu ganhei— disse ela triunfante.

—Você trapaceou.

Ela fungou e afastou seu cabelo molhado.

—De acordo com minhas regras, eu ganhei. —Garrett riu.

—Eu sei melhor agora do que para discutir com uma mulher quando se trata de regras.

Ela caiu para trás, balançando sobre as ondas suaves enquanto olhava para o céu.

—Você estava certo. A água é ótima e não tem lixo no fundo.

Ele virou de costas e abriu os braços quando flutuou preguiçosamente ao seu lado.

—É bom. Eu não pensei que seria. Estava completamente preparado para odiar aqui.

Sua testa enrugou e ela tentou olhar para ele, mas tinha o rosto cheio de água.

—Por que diabos você veio aqui, então?

Ele ficou em silêncio por um minuto.

—Vamos apenas dizer que minha família estava me pressionando muito fortemente para tirar umas férias. Eles me colocaram em um avião e aqui estou. Eu odeio admitir isso, mas eles estavam certos. Precisava do tempo de inatividade. Eu me sinto quase cem por cento novamente.

— Quase?

—Sim, estou chegando lá.

—Eu também— ela murmurou.

Seus dedos roçaram os dela quando ele acariciou na água.

Ele agarrou seu dedo, apenas um, mas realizado em reter essa conexão entre eles enquanto eles balançavam junto com as ondas.

Aqui com o corpo na água vasta, ninguém por perto por quilômetros, ela devia ter se sentido incrivelmente isolada e sozinha. Ela não o fez. Pela primeira vez em um ano, ela sentiu uma conexão com outra pessoa. Um homem. Ele ajudou a curar uma pequena parte de sua alma. A parte que se perguntava se ela estava condenada para sempre a bloquear-se longe de outras pessoas.

Depois de um tempo, Garrett arrancou sua mão e puxou-a mais perto.

Ele virou e movimentou os pés pisando normalmente auxiliado pelas mãos na água ao lado dela enquanto ela continuava a flutuar de costas.

—Está se divertindo?

Ela colocou seus pés para baixo e percebeu que ela não podia tocar o fundo. Ela pegou e segurou seu braço e se endireitou até que estava mantendo-se acima da água, junto com ele.

—Sim, obrigada— Eu estou. É... Pacífico aqui.

— Estamos muito longe da costa agora. Você acha que vai ser capaz de nadar de volta?—

Ela olhou para cima e suspirou quando percebeu o quão longe eles estavam da direção da praia. Ela nadava bastante bem, mas era um longo caminho de volta.

Ele cutucou seu rosto com os dedos molhados.

—Ei, não se preocupe com isso. Eu não mencionei isso para fazer você franzir a testa. Tudo que você tem a fazer é se pendurar no meu ombro e flutuar. Eu vou fazer todo o trabalho.

Assim como ele estava fazendo o tempo todo. Sempre ajudando-a. Sempre assumindo o esforço.

—Vamos lá— disse ele. —Segure firme. Estou com fome.

Ela riu.

—Nós não podemos deixar isso acontecer. Claramente você está em perigo de morrer de fome com esse corpo.

—Você gosta do meu corpo?

O brilho diabólico em seus olhos era quase sua ruína. O homem era incorrigível. E sua família pensava que ele era um “bastardo tenso”? Isto não fazia sentido. Talvez sua família não o entendia, ou talvez eles eram os tensos. Ela nunca tinha conhecido um homem descontraído e compreensivo como Garrett.

Ela revirou os olhos para a sua brincadeira.

—Você sabe que você tem um ótimo corpo.

—Você estava me conferindo. — disse ele presunçosamente.

—Dãã— ela murmurou baixinho.

Ele pegou sua mão e deslizou-a sobre uma parede sólida de músculos até que seus dedos estavam envolvidos por todo seu ombro. Porra, mas o homem era bom.

—Segure-se Aqui vamos nós.

Com uma batida rápida de pé ele estava saindo. Ela tentou ajudar por um tempo até que percebeu que seu debater-se em torno dele realmente estava impedindo-o, não ajudando.

Então, ela concentrou-se em ficar à tona e se contentou em ir junto para o passeio.

Quando ele os tinha perto o suficiente da costa, onde iriam ficar, ele parou de nadar e começou a andar dentro d'água adiante, enquanto ela ainda agarrava seu ombro.

Ele hesitantemente deslizou os dedos por cima de sua mão e depois chegou para trás em um gesto para ela dar-lhe a outra mão.

Ela chutou até que ela estava atrás dele e não mais ao lado e deu-lhe a outra mão. Ele puxou até que seus braços estavam envolvidos em volta do seu pescoço e ela estava abraçada contra suas costas. Em seguida, ele continuou em frente, puxando ambos sem esforço através da água.

Quanto mais rasa a água ficava, quanto mais alto ele se levantava da água e mais elevado ela tinha de alcançar.

Ele parou quando estava com água um pouco mais da cintura, acariciou suas mãos para mostrar que ela ainda devia segurar e então ele chegou de volta para agarrá-la atrás dos joelhos. Ele ergueu-a e envolveu suas pernas ao redor da sua cintura e continuou a avançar.

Okay, que sim ela poderia colocar-se totalmente de pé agora, mas estava curtindo o passeio de ser carregada nos ombros, demais, para ressaltar que ela poderia fazê-lo por conta própria.

Ela estava enrolada em torno de seu corpo rígido, e suas mãos grandes queimavam suas coxas onde ele estava segurando acima dos joelhos.

Ele se arrastou para fora da água e na areia, e ainda assim, ele não fez nenhum esforço para colocá-la para baixo. Ele começou a descer a praia em direção a sua casa de praia.

Descansou o queixo em cima de sua cabeça e suspirou de satisfação. Ela quase desejou que ele fosse devagar apenas para fazer o passeio durar mais tempo.

Mas muito em breve ele chegou a sua varanda e se virou para que ele pudesse deposita-la no último degrau.

—Obrigada— disse ela levemente.

—Não é um problema. Agora você não tem areia por cima de você.

Ela olhou para a areia endurecida em seus pés e pernas.

—Espere aqui. Vou pegar um pouco de água para enxaguá-lo aqui fora.

Ela correu para dentro e encheu um cântaro de água e depois voltou para onde ele estava, agora sentado em uma das cadeiras do gramado. Ele obedientemente levantou cada pé para ela lavar e depois pulou de volta para a varanda.

—Depois de toda a discussão acerca de toalhas, deixei a minha na volta da praia— disse ele.

Ela piscou. Uma toalha tinha sido a última coisa em sua mente.

—Tudo bem. Eu vou correr e conseguir-nos umas. Se você puder esperar apenas alguns minutos, eu vou em frente e me trocar antes de eu voltar para fora.

—Eu não vou a lugar nenhum— disse ele preguiçosamente quando ele esticou os braços sobre a cabeça como se estivesse procurando o sol.

Ele enfiou as mãos atrás da cabeça e fechou os olhos, e por um longo momento, ela estava voltada para o quão bonito o homem era.

Ela estava completamente fascinada por ele. A ideia de que um homem com tais bordas duras, e com cicatrizes no corpo— claramente o corpo de um guerreiro—, também poderia ser tão gentil e compreensivo simplesmente a espantava.

Obrigando-se a se afastar, ela deixou-se ir para dentro da casa e correu para seu quarto, onde ela despojou-se para fora de seu maiô.

Com uma careta, olhou para baixo para ver que a areia tinha acumulado em alguns lugares interessantes.

Ela esquivou-se para o banheiro, ligou o chuveiro e entrou debaixo do borrifar frio.

Tremendo o tempo todo, ela rapidamente lavou a areia fora e decidiu, enquanto ela estava por ali, que lavaria os cabelos.

Quinze minutos mais tarde e se sentindo culpada por ter deixado Garrett por tanto tempo, ela voltou para o varanda de toalha na mão, para vê-lo exatamente como o deixou.

Encostado com as costas na cadeira, cabeça para trás, olhos fechados e parecendo completamente relaxado.

—Desculpe eu levar tanto tempo— disse ela. —Eu tinha areia em todos os lugares, então tomei banho.

Ele entreabriu um olho e olhou para ela.

—Sim, areia nas partes sensíveis é uma cadela. Ela pode causar alguns problemas de atrito.

—Você... você quer usar o meu chuveiro? Você provavelmente tem problemas de areia também.

Ele riu.

—Sim, eu poderia utilizar um enxágue rápido se você não se importar de eu permanecer com meu calção de banho. Caso contrário, eu posso apenas correr de volta ao meu lugar,tomar banho e me trocar.

Isto fazia mais sentido, bastava ele ir para casa. Não era como se ele fosse a uma longa distância.

Mas ela odiava a ideia dele sair. Mesmo por apenas alguns minutos.

—Eu não me importo. Você é bem-vindo ao meu chuveiro e toalhas. Só tenho sabonete feminino. Sinto muito.

—Eu somente vou usar se você puder suportar o cheiro — ele falou lentamente.

Estava na ponta da sua língua para dizer a ele que cheirava tão malditamente bom que seria um pecado usar o sabonete de algum modo.

—Eu vou começar o jantar enquanto você se limpa. — Ele jogou as pernas para baixo e caminhou para dentro da casa à sua frente.

Ele desapareceu em seu quarto e ela foi até a cozinha, de modo que muitas borboletas se movimentavam em círculos em seu estômago, sentiu tontura.

Havia um homem em seu quarto. Em seu banheiro. Tomando um banho em seu chuveiro. Nu. Agora.

Ela sorriu. E ela não estava correndo para o outro lado, mesmo hiperventilando, ou em pânico.

Isto era um começo. Isso poderia mesmo constituir uma data. Uma verdadeira noite com um bonito espécime masculino.

Ela temperou o peito de frango, lavou as batatas e colocou tudo no forno.

Então ela tirou os três tipos de cerveja e sua própria garrafa de vinho e saiu para a varanda para esperar Garrett.

Apenas alguns minutos depois, ele saiu descalço e de calção de banho e parecendo tão delicioso que ela queria lambê-lo.

Ele passou a mão em seu cabelo úmido e, em seguida, viu a cerveja quando ele fechou a porta de vidro atrás dele.

—Oh inferno, você não mentiu sobre a cerveja. Eu me sinto tão honrado que você comprou só para mim.

Ela apontou para as garrafas.

—Faça a sua escolha. Eu não tinha ideia do que conseguir assim que eu agarrei o que pude.

—Estas parecem boas para mim. Está completamente gelada. Isso é tudo o que importa.

Sentaram-se apreciando a tarde, ela com o vinho e ele com sua cerveja.

O sol estava sedimentando ao longo do horizonte ocidental, mergulhando o céu em tons vibrantes de ouro, rosa e roxo. A enorme esfera laranja refletida e brilhando na água, ainda emitindo seus dedos de fogo correndo em todo o oceano.

—Este é meu momento favorito do dia — ela murmurou. —Os pores do sol são tão bonitos aqui. Eles tiram o meu fôlego.

—Eles me fazem lembrar de casa— disse Garrett. —Meus irmãos e eu costumamos sentar apoiados, na nossa varanda, bebendo algumas cervejas após um longo dia e vendo o sol se pôr sobre o lago. Nós não temos feito isso há algum tempo. Eu estou pensando, quando voltar para casa, que precisamos fazer isso muito mais vezes.

Sarah sorriu. Então se lembrou do jantar.

—Oh droga! Eu preciso verificar o peito!

Ela correu para a casa e foi imediatamente cercada pelo aroma de cozedura da carne. Cheirava caseiro e delicioso. Mais importante ainda, não cheirava a queimado.

Ela pegou a caçarola do forno e colocou-a sobre o fogão e, em seguida, ela chegou com uma luva de forno e retirou as duas batatas.

O peito parecia perfeito. Ele precisava descansar alguns minutos mais ou menos, para que ela colocasse as batatas em uma travessa junto com a manteiga, queijo e creme de leite, e transportou lá para fora para que Garrett pudesse cobrir sua batata enquanto ainda estava quente.

Então ela voltou para dentro para preparar uma pequena salada para si mesma, conseguir mais cerveja para Garrett, e fatiou o peito e organizou artisticamente numa travessa rachada.

Afastando a porta aberta com seu quadril, ela levou os alimentos e bebidas para fora e colocou tudo sobre a mesa para que pudessem comer.

—Cheira maravilhoso— disse ele com uma apreciativa fungada.

—Precisamos comer rápido ou isso vai esfriar muito rápido com toda esta brisa.

Ele riu.

—Eu nunca demoro quando se trata de comida.

Ela sentou-se e ambos começaram a comer. Garrett colocou uma quantidade chocante de alimentos, mas depois que ela viu o seu regime de exercícios ficou claro que ele precisava de um monte de calorias.

No momento em que eles terminaram o jantar, o sol mal estava suspenso na distância, e no leste, as estrelas tinham começado a estourar no céu escurecendo.

—Eu tenho a sobremesa— disse ela. Ele visivelmente se animou com isso.

—Bolo de chocolate. Cobertura de chocolate. Eu vou pedir desculpas antecipadamente para o fato da cobertura ser comprada da loja de conveniências.

—Eu não sou exigente quando se trata de açúcar.

Ela sorriu e então hesitou.

—Será que você... Gostaria de entrar e comer? Os insetos seriam ruins se eu ligar a luz de fora.

— Eu gostaria disto. —ele disse suavemente.

Ela se levantou e começou a recolher os pratos. Garrett empilhou algum, levantou e seguiu para o interior da cozinha.

—Sente-se — ela disse. —Eu vou limpar a bagunça depois.

Ele estabeleceu sua grande estrutura no outro lado da mesa e viu quando ela descobriu o bolo e pegou os pratinhos.

Cortou um pedaço enorme para Garrett e um pedaço muito menor para ela e, em seguida, deslizou o seu através do balcão para ele. Ela optou por ficar de pé, assim eles encaravam um ao outro. Na verdade, ela gostava de olha-lo.

—Obrigada por hoje— disse ela.

Ele olhou para cima, sua expressão curiosa.

—A natação. Eu me diverti. Foi bom apenas relaxar. A água é fantástica. Tudo aqui é fantástico.

Ela se esforçou para manter seu tom leve, falando como alguém que poderia estar em férias, mas não conseguia deixar de manter a nota melancólica de sua voz.

Era difícil não sentir culpa, ou para permitir-se a queda de sua guarda nem por um momento quando a verdade permanecia tão perto da superfície.

Um homem foi morto e ela estava envolvida —responsável — mesmo se ela não tivesse puxado o gatilho ela mesma.

Mesmo agora, havia provavelmente um número qualquer de pessoas procurando por ela.

Marcus incluído, embora ela não pudesse imaginá-lo não sendo capaz de encontrá-la se ele se colocasse em cima disto. Ela pensou que era provável que ele já sabia de seu paradeiro, mas não era tolo.

Ele tinha que saber que não era inteligente para ela estar perto dele, enquanto o assassinato de Allen estava sendo investigado.

Seus e-mails tinham ido “de onde inferno estava” a perguntar-lhe se ela estava bem. Sim, ele provavelmente sabia exatamente onde estava.

Stanley Cross era outra questão.

Um arrepio tomou-a pelo pescoço. Ele não era do tipo que se sentava ocioso e permitia que apenas as autoridades investigassem a morte de seu irmão.

Ele também teria que estar procurando por ela e ela estava bem ciente de como ele poderia ser cruel.

—Você não parece como se estivesse pensando em pensamentos fantásticos —Garrett cortou.

Assustada, ela voltou o seu olhar para trás sobre ele para vê-lo olhando para ela, pensativo.

—Desculpe. Afastei-me fora por um minuto daqui.

—Onde quer que foi, eu diria que não era uma viagem agradável.

—Não foi.

—Quer falar sobre isso?

Ela não tinha certeza do que a surpreendeu mais. Sua brusca pergunta ou o fato de que por um momento ela teve um impulso irresistível de desabafar sobre si mesma. Ela podia ver a direção da conversa.

Garrett a atingiu como uma espécie de indivíduo em preto e branco. Sem tons de cinza.

E sua situação toda era tão obscura que poderia tornar a água cristalina do Caribe parecida a água do pântano.

—Não quero estragar o que tem sido um perfeito dia — disse ela levemente.

Ele a olhou intensamente nos olhos.

—Todo mundo precisa de alguém para conversar, Sarah. Se você alguma vez mudar de ideia, eu não me importo de ser esta pessoa.

Ela sorriu, aquecida até a ponta dos pés pela sinceridade em seu tom.

—Obrigada, Garrett. Você tem sido tão maravilhoso.

—Não, obrigado você — ele respondeu. —O jantar foi maravilhoso. A sobremesa estava deliciosa. Mas a companhia foi excelente.

Ele se levantou enquanto disse o último, e o pânico a atacou. Ela quase riu.

Ela não estava em pânico porque ele estava aqui no seu espaço pessoal. Ela estava em pânico porque ele estava prestes a sair.

—Era o mínimo que eu poderia fazer. Você já fez tanto por mim, Garrett. Eu realmente não posso agradecer o suficiente.

Ele sorriu.

—Não é nenhuma grande coisa. Talvez eu veja você amanhã.

Isto saiu mais como uma pergunta, e ela percebeu que ele estava deixando a decisão para ela.

—Eu gostaria disso. Talvez pudéssemos nadar de novo.

Ele chegou a toda à mesa e colocou sua mão sobre a dela. Morna e um pouco áspera. A sensação de seus dedos sobre sua pele era elétrica.

Calor agrupou-se em sua barriga e ela ficou chocada com a reação instantânea, com que ela era capaz de responder. Ela queria correr ao redor da mesa e abraçá-lo.

Ela queria fazer muito mais do que isso, mas estava lá, imóvel, não querendo que o momento terminasse.

—Eu vou estar por perto.

Sua mão deslizou longe dela e ela curvou os dedos, determinada a manter a sensação viva por tanto tempo quanto possível.

Com um sorriso e um aceno garboso, permitiu-se sair pela porta, deixando-a na cozinha olhando, atrás dele, muito tempo depois que ele tinha ido.

 

No dia seguinte, outra tempestade caiu, e no início da tarde, o céu estava escuro e ameaçador e o vento soprava em uma linha incessante da água até a costa.

Sarah se irritou. Ela acordou se sentindo viva e disposta para movimentar-se. Ela tinha planejado uma viagem para a cidade para os suprimentos de um piquenique, e então iria fazer uma parada na casa de Garrett e convidá-lo para ir nadar e ter um almoço tardio.

Dentro de casa agora ela estava presa assistindo a chuva, quando queria estar fora. Com Garrett.

Em vez disso, ela enrodilhou-se com um dos livros que Garrett tinha comprado e abriu a última barra de chocolate. Ainda assim, houve uma pontinha de esperança de que Garrett iria aparecer ali.

Em que ponto ela tinha vindo a contar com sua companhia, não tinha certeza, mas ele penetrou, deslizou através de suas defesas e ela descobriu que consideravelmente gostava - muito.

Era bom ter um amigo. Alguém com que ela poderia baixar sua proteção constante em volta, mesmo apenas por pouco tempo.

Ela comeu um pouco da sobra do peito de frango. Até mesmo cortou um pedaço do bolo de chocolate.

Então voltou para o seu livro, mas o mal-estar se instalou sobre ela à medida que o céu aumentou mais sua escuridão e o vento soprou com mais força.

Eventualmente, ela desistiu de tentar ler quando descobriu que tinha lido a mesma página nada menos que uma dúzia de vezes.

Ela andou para trás e para frente entre a janela da frente, que dava para a praia, e a janela lateral, que lhe proporcionava uma visão da casa de Garrett.

Ondas quebravam na praia com fúria e batiam na água, que no dia anterior tinha sido cor azul pálido esverdeado e agora estava cinzento e ameaçador.

Ela estava sendo imaginativa, e deixando o controle de sua ansiedade ir longe demais. Em seguida, suas luzes piscaram e seu pulso aumentou a cerca de vinte batimentos por minuto.

Ela prendeu a respiração enquanto a oscilação parava e soltou um suspiro de alívio.

Sua cabeça latejava com todo o nervosismo. O que ela precisava era de algum Tylenol e então ela iria para a cama na esperança de um amanhã melhor.

Nenhuma razão que ela não pudesse ter o piquenique então nadar.

Ela foi atrás do medicamento com um copo de água e depois trocou-se com seu pijama.

Patches estava esperando na cama, depois de ter desistido de seu poleiro ao lado de Sarah no sofá no primeiro boom do trovão.

—Covarde— Sarah murmurou à medida que ela arrastava-se debaixo das cobertas. Patches deu a ela um olhar entediado e começou a lamber sua pata.

—O mínimo que você poderia ter feito era me fazer companhia.

Patches colocou seu liso queixo sobre o colchão e fechou os olhos para mostrar a Sarah como realmente impressionada estava com o seu desdém.

Com um suspiro, Sarah virou ao desligar a lâmpada e se aconchegou sob os lençóis.

O sono estava há muito tempo para chegar e quando o fez, foi quebrado com imagens do passado, misturando com as circunstâncias atuais.

Em seu sonho, ela estava correndo e Stanley perseguindo-a com uma faca ensanguentada.

Mesmo quando ela lutou com o sonho, sabendo que não era racional, ela não poderia sacudir o véu do sono, para que as imagens pudessem parar.

Ele chamou seu nome. Soou como um estalado sussurro. Ela franziu o cenho. Ele tinha um sotaque estrangeiro. Stanley não tem sotaque.

Ela ouviu-o novamente e desta vez os olhos se abriram, assim como outro barulho de trovão explodiu no céu. Ela estava lá, de modo que ainda seu peito mal subia e descia com sua respiração. Um rangido soou no corredor em direção à cozinha.

Ela fugiu das cobertas, enviando Patches fora da cama. Oh Deus, oh Deus. Como ela supostamente sairia se alguém estava em sua cozinha?

Seu olhar prendeu-se na cômoda bamba que ela enfiou na frente da janela.

Não foi uma boa ideia em retrospecto. Ainda assim, se ela ficasse em silêncio, poderia empurrá-la de lado o suficiente para que pudesse rastejar para fora da janela e correr para casa de Garrett. Quem poderia possivelmente estar atrás dela?

Se eram as autoridades, certamente eles não teriam se esquivado em torno de sua cozinha.

Eles iriam detê-la, prendê-la, e conduzi-la. Mas e se Stanley tinha enviado alguém atrás dela? A ideia enviou um frio arrepio serpenteando para baixo da sua espinha que quase a paralisou.

Ela teve que forçar-se a se mover, para superar que o pânico se espalhasse pelo seu corpo como um rastilho de pólvora.

Ela moveu lentamente a cômoda longe da janela, segurando a respiração e rezando que ela não alertasse o intruso ao fato de que ela estava fugindo.

A janela deslizou para cima com um gemido. Sarah não esperou para descobrir se o intruso tinha ouvido.

Ela se jogou pela janela e bateu no chão abaixo com um baque doloroso.

Ela escorregou na lama enquanto esforçava para colocar seus pés e as mãos para baixo agarrando-se, e depois se atirando para a frente novamente. Ela atingiu a praia em uma corrida mortal, seus pés afundando na areia ensopada.

A chuva batia para baixo sobre ela, escorregando em seu cabelo e pijama, como uma segunda pele.

Seu único pensamento era chegar a Garrett.

 

Um formigar de alarme subiu a nuca de Garrett e retesou cada fio de cabelo da sua cabeça. Seus olhos se abriram apenas alguns segundos antes de sua porta da frente reverberar com golpes violentos.

Ele veio a despertar imediatamente, pegou a arma debaixo do travesseiro e pulou sobre seus pés.

Ele estava no meio da sala quando ouviu a voz de Sarah.

—Garrett!

Ele abriu a porta para ver Sarah de pé em sua varanda, molhada até os ossos, o cabelo dela colado ao rosto enquanto a água pingava a partir das pontas. Antes que ele pudesse dizer ou perguntar qualquer coisa ela lançou-se para ele.

Ela golpeou o quadrado do seu peito e ele passou os braços em volta dela para evitar que ambos caíssem.

Ela balançou violentamente contra ele e escondeu-se mais profundamente, como se buscando uma forma de enterrar-se completamente em sua proteção. Seu coração batia contra seu peito de maneira rápida demais.

Tanto quanto ele queria estar lá segurando-a, ele tinha que descobrir o que diabos de tão ruim ela tinha medo.

Ele manobrou para dentro e chutou a porta que se fechou atrás dela. Então ele colocou a arma em cima da pequena mesa perto da janela e delicadamente alavancou-a distante do seu peito.

—Sarah—. Ele tomou-lhe os ombros com as mãos e forçou-a a olhar para ele.

Ele não poderia dizer se o molhado foi da chuva ou de lágrimas, mas seus olhos estavam enormes e as pupilas dilatadas.

Ele tocou seu rosto e encontrou sua pele gelada e fria.

Ela estremeceu debaixo de seu toque e tentou empurrar em direção em seus braços novamente.

—Sarah— disse ele novamente. Com mais força desta vez. —O que aconteceu? O que há de errado?

O vazio em sua expressão o preocupava.

A agitação não tinha parado e, de fato, parecia piorar à proporção que a reação parecia resolver-se.

Ela balançou tanto que seus joelhos se dobraram, e teria caído se não tivesse apertado-a em seus braços para mantê-la em pé.

Com uma maldição, ele puxou-a para o sofá e sentou-a. Ele a deixou tempo suficiente para pegar um cobertor e, em seguida, envolveu-o delicadamente em torno dela, juntando as pontas debaixo do queixo, para que fosse estar aquecida.

Seus lábios tremiam e ela fechou os olhos, o rosto contorcido. Ela baixou a cabeça, e seus ombros curvaram para dentro como se estivesse fechando-se fora do mundo.

Ele se sentou ao lado dela e puxou-a em seus braços, segurando-a contra ele para que o seu calor fosse liberado em sua pele demasiado fria.

Ignorando o fato de que ela estava encharcada, ele enfiou sua cabeça debaixo de seu queixo e alisou uma mão sobre os emaranhados cabelos molhados.

—Ei, está tudo bem agora. Eu tenho você. Eu não vou deixar nada te machucar. Você está segura.

Ela se aconchegou mais para dentro nos seus braços, com seus braços deixando o confinamento do cobertor para agarrar desesperadamente em sua cintura.

Finalmente ele desistiu de tentar mantê-la em um lugar e arrastou-a em seu colo. Ele se inclinou para trás e estendeu um braço para recolher o cobertor em torno do ambos.

Percebendo que não ia ter uma palavra fora dela até que algo do choque tivesse diminuído, ele se concentrou de vez em deixa-la aquecida e tranquilizar um pouco do medo horrível em seus olhos.

—Está tudo bem— ele cantava enquanto a acariciou pelo braço. —Você está a salvo agora. Tome algumas respirações profundas.

Ela estremeceu contra ele e ele reforçou seu poder, até que estavam enrolados tão apertado em torno um ao outro que as sua roupas encharcaram a partir de toda a umidade da dela.

Aos poucos, seu batimento cardíaco diminuiu e ele poderia já não sentir a batida irregular do seu pulso.

Ela levantou a cabeça, batendo o queixo enquanto ela olhava em toda a sala para a mesa onde sua arma repousava.

—Você tem uma arma— ela sussurrou.

Ele fez uma careta. Acreditava nela reparar esse detalhe. Ela era, provavelmente, uma daquelas mulheres que desmaiavam na mira de uma arma.

—Sim.

Ela levantou-se se afastando de seu peito para olhar em seus olhos.

—Posso ficar com ela?

Como um momento que-porra, este foi um dos maiores. A coisa era, ela estava falando sério.

Havia uma sinceridade em seu olhar que dizia que ela realmente queria que ele lhe desse sua arma. Merda.

Ele tocou seu rosto e deixou seus dedos seguir para baixo na sua mandíbula. Ele puxou uma mecha molhada que teimosamente agarrou-se a sua pele e enfiou atrás ao longo de sua orelha.

—Sarah, querida, me diga o que aconteceu.

Ela respirou fundo e soltou o ar novamente. Ele saiu como uma destacada gagueira sobre os lábios.

—Alguém estava na minha casa. Eu o ouvi.

Garrett sentou-se, quase a derrubando de seu colo. Ele pegou seus braços e puxou-a de volta contra ele, mas ela sentou-se em linha reta, processando o que ela tinha acabado de dizer.

—Como diabos você saiu? Ele machucou você? Diga-me o que aconteceu. Tudo.

—Eu me arrastei para fora da minha janela. Eu sei que soa como a maior covarde do mundo, mas tudo que eu podia fazer era ficar ali, aterrorizada. Eu tinha que me fazer levantar.

Ele roçou os lábios em seu cabelo em um gesto inconsciente de conforto.

—Não seja tão dura consigo mesma, querida. O medo pode tornar mesmo a pessoa mais poderosa imóvel. Agora me diga o resto.

—Eu empurrei a cômoda longe da janela e me arrastei para fora.

—Onde você ouviu o barulho?

Ela franziu o cenho.

—Na cozinha. Houve um ranger de som. Como talvez uma abertura de armário. Foi o que me acordou. Eu pensei que eu estava sonhando em um primeiro momento.

—Você acha que talvez estivesse sonhando?

Sua cabeça se levantou e fogo ardia nos seus olhos.

—Eu não sou louca, Garrett. Ele estava lá. Eu o ouvi.

— Shhh. Eu acredito que você, Sarah.

—Eu não posso ficar lá. — Isto saiu como um soluço. —Oh Deus, eu não posso fazer isso. — Ela bateu seu punho contra o peito e depois sua cabeça caiu para frente em seu ombro.

Garrett a recolheu em seus braços e balançou para frente e para trás, murmurando confortadoras coisas sem sentido em seu ouvido.

Ela lembrou-lhe tanto a Rachel, tão quebrada e com medo. Sarah estava na borda e ele se perguntou se isso seria a gota d'água no controle tenso que ela manteve sobre sua compostura.

Mais cedo ou mais tarde ela quebraria. Ninguém poderia aguentar-se sob a pressão por muito tempo.

Não com tudo o que tinha acontecido com ela.

—Você não tem que ficar lá— ele murmurou.—Você pode ficar aqui comigo.

Ela foi ainda contra ele e, em seguida, empurrou-se se afastando. Foi então que soube que ela percebeu que estava perto dele. Tocando-o. Permitindo-lhe confortá-la.

Seu terror inicial tinha se desvanecido o suficiente para que as barreiras tivessem voltado para cima e ela tinha retornado para o modo autopreservação.

Seus olhos tornaram-se apreensivos e ela limitou-se para trás, mas pela primeira vez, ele forçou a questão, e manteve-se segurando firme. Ele a olhou de perto para sinais de verdadeiro sofrimento, mas o que ele viu foi a incerteza. Sem medo.

—Ouça-me, Sarah. Eu quero que você fique aqui enquanto eu vou verificar as coisas em sua casa.

Ela balançou a cabeça, mas ele colocou um dedo sobre os lábios para estancar a negação.

 —O que eu quero que você faça é tomar um banho quente, enquanto eu estou em sua casa. Vou trazer de volta as suas coisas. Você está congelando. —Ela agarrou a sua mão, seus dedos frios curvando em torno dele.

—Garrett, você não pode! E se ele ainda estiver lá?

— Espero com o inferno que ele esteja.

Ele levantou-a e a colocou para o seu lado e depois ele puxou o cobertor sobre os joelhos dobrados e as extremidades em volta do pescoço.

—Tenha cuidado— ela implorou.

—Eu vou ter a minha arma. Eu tenho uma tendência a atirar primeiro e perguntar depois. Enquanto eu estiver fora quero você para dentro de um banho quente antes de fazer a si mesmo doente. —Ele cutucou o seu queixo com os dedos. —Tudo bem?— Ela balançou a cabeça e levantou-se.

Ela tinha mais cor em suas bochechas agora, e parecia mais consciente de seu entorno.

Ela estaria bem enquanto ele verificasse as coisas. Mas ele não iria correr nenhum risco.

—Quando você for ao banheiro, eu quero que você tranque a porta. Não saia até eu voltar e dizer-lhe que está tudo bem. 

Ela balançou a cabeça novamente e ele pegou sua Glock enquanto se encaminhava em direção a porta.

Ele se virou quando ficou parado na porta aberta, e incutiu força suficiente em suas palavras para ela prestar atenção.

—Entra para o banheiro. Faça-o agora.

 

Sarah empurrou o rosto sob o jato do chuveiro.

Em vez de ir para o vapor quente, ela foi para o frio, decidida a livrar-se do medo terrível que ainda lotava as bordas de sua mente.

Quando ela não era mais capaz de suportar a água gelada escorrendo sobre a pele, girou para quente escaldante. Ela estava lá, descongelando com o vapor subindo no banheiro minúsculo.

Ela fechou os olhos e deixou o borrifar em cascata sobre a pele gelada aquecer o sangue que deslizava através de suas veias.

Ela estava ficando louca? Teve esta noite uma grande alucinação?

Não, tinha havido alguém em sua cozinha. Em sua casa. Ela não tinha imaginado. Ela estava demais em sintonia com cada som feito em sua casa de praia.

Ela sabia que as tábuas rangiam. Sabia como as paredes gemiam quando o vento soprava muito forte.

Os sons que ouvira tinham sido de um intruso e que ela foi acordada instantaneamente com o conhecimento inabalável de que ela não estava sozinha.

Ela ficou no chuveiro até que estava completamente ensopada, e gotinhas de suor cobrindo sua testa do calor esmagador.

Ela estava completamente aquecida, e o calor tinha filtrado profundamente para onde o frio tinha capturado-a em sua aderência implacável.

Ela estendeu a mão para desligar a água e ficou sugando respirações profundas durante vários segundos, antes que ela empurrasse a cortina e pisasse em um tapete de banheiro esfarrapado. Agarrou uma das toalhas dobradas na prateleira sobre o lavabo e envolveu-a em torno dela. Apanhou outra e enrolou-a firmemente ao redor de seu cabelo, antes de descobrir-se novamente para terminar de secar-se.

Lembrando as instruções de Garrett, ela fechou a tampa do vaso sanitário e afundou para baixo agarrando a toalha firmemente ao seu redor.

O que era que Garrett está fazendo?

Ela não poderia suportar se algo acontecesse com ele. E se ela o mandou para uma armadilha?

E se quem tinha ido a sua casa ainda estava lá, esperando que ela voltasse?

Se Garrett o surpreendeu, Garrett poderia estar ferido ou morto. E ela estava presa aqui. Sozinha.

Ela nunca deveria ter deixado Garrett sair. Eles poderiam ter esperado até de manhã quando estava claro e que a tempestade tinha passado. Então ela poderia ir recolher suas coisas e dar o inferno para fora.

O tempo passou dolorosamente lento. Incapaz de suportar sentada, ela se levantou e passeou impossivelmente pela pequena área. Dois passos para a porta. Dois passos para trás ao banheiro.

Onde ele estava? Ela puxou a toalha de seu cabelo e correu os dedos através dos fios úmidos, arrumando-os em torno de seu rosto.

Ela ainda parecia como um afogado rato com medo, mas um pouco da selvageria de seus olhos tinha diminuído. Suas pupilas estavam do tamanho normal e a cor alastrava no seu rosto, provavelmente graças a enorme alta temperatura do chuveiro.

Quanto tempo já fazia? Parecia uma hora, mas talvez tivesse sido apenas alguns minutos.

Ainda assim, ela permaneceu onde tinha sido dito e manteve a porta trancada. Tanto quanto não saber assustava, a ideia de ser vulnerável o fazia mais.

Seu cabelo estava quase seco antes de ouvir os passos no corredor. Ela prendeu a respiração e ficou completamente imóvel,s eus ouvidos tensionados.

—Sarah, sou eu, Garrett. Estou de volta. Você pode abrir a porta.

Ela desinflou como um balão furado. Por um momento ela simplesmente sentou ali, seu alívio tão cambaleante, que ela não poderia concentrar a energia para levantar-se.

Finalmente, ela tropeçou em seus pés e tomou os dois passos para manusear desajeitadamente com a fechadura na porta do banheiro.

Ela abriu oscilante e Garrett estava lá segurando Patches. A gata não estava claramente feliz e estava molhada da ponta de sua cauda até as orelhas enlameadas. Garrett não parecia muito melhor.

Ela virou-se e agarrou uma das toalhas secas e então pegou a gata de Garrett e segurou-a junto ao peito. Garrett estendeu a outra mão, a qual segurou a sua bolsa.

—Eu embalei as suas roupas. Se vista e vá para dentro da cozinha. Depois que me trocar, eu providenciar alguma coisa para comer e beber.

Ele largou a bolsa a seus pés e foi então que ela se lembrou que ela estava vestindo apenas uma toalha. E uma gata muito molhada.

—Quer que eu pegue Patches para que você possa se vestir?

Sem palavras, ela empurrou a gata de volta para ele, com a toalha e tudo, e segurou ambos os braços sobre o peito dela de modo que a outra toalha não escorregasse. Ele se afastou sem dizer uma palavra e fechou a porta atrás dele.

Ela vestiu-se apressadamente, não prestando atenção se qualquer coisa combinava.

Ela estava ansiosa para ouvir o que Garrett tinha encontrado em sua casa de praia. Ele não parecia desordenado demais, então talvez seu visitante já estava muito longe.

Ela empurrou tudo de volta em sua bolsa e pendurou as toalhas no varal para secar.

Não se importando com qualquer um dos artigos de higiene que Garrett tinha trazido, ela saiu correndo do banheiro de volta para a sala de estar.

Patches sentou-se no sofá na preparação de si mesma, e Garrett estava em um som marcante de metal em volta da cozinha.

Ela foi em sua direção, parando na porta enquanto olhava-o derramar dois copos de chá.

—O que você achou?

Ele virou-se, o chá na mão e estendeu a ela.

Ela pegou o copo quente e colocou-o entre suas mãos enquanto ela tomava um gole da bebida doce.

—Nada— respondeu ele.

—Nada? Ele tinha ido embora? Eu acho que isso é bom. Eu me preocupava com você indo até ali e surpreendendo-o. —Ela balbuciou.

Garrett a olhou, com um brilho de simpatia em seus olhos. Ela não gostava desse olhar. Isso era um precursor para algo que ela não queria ouvir. Ela deixou seu chá no balcão e levantou os ombros.

—O quê?

Garrett fez uma careta e pôs uma mão no ombro dela para guiá-la de volta para a sala de estar.

—Querida, eu não encontrei qualquer sinal de um intruso.

Ela girou para ele em agitação.

—O que você está dizendo? Você acha que eu imaginei isso? Você acha que eu sou louca, não é?

Ele franziu a testa.

—Sente-se e acalme-se.

Piscando na força de seu comando, ela inconscientemente obedeceu, afundando-se no sofá ao lado de Patches.

—Eu não acho que você está louca, okay? Tudo o que eu estou dizendo é que eu não pude encontrar qualquer sinal de que alguém estava em sua casa. Mas está chovendo como um filho da puta do lado de fora. Evidências poderia ter sido lavados para longe. Eu não conseguia ver muito bem, mas eu não encontrei qualquer sinal de que alguém tinha estado dentro de sua casa. Eu vou ser capaz de tomar uma melhor olhada amanhã. Tudo o que posso dizer é que se havia alguém lá, ele foi agora.

Outro estalo de relâmpago brilhou através da sala de esta, e o chão vibrou sob os pés de Sarah.

—Eu não imaginei isso. Eu não poderia ter. Eu poderia? —Sua voz falhou e a última palavra saiu em uma alta nota histérica. Ele pressionou suavemente seu queixo e olhou em seus olhos, o azul profundo do seu ardente com sua intensidade.

—Ouça-me, Sarah. Eu não disse que eu não acredito em você. Eu estou lhe dizendo o que eu encontrei. Ou não encontrei.

—Eu sinto muito— disse ela em voz baixa. —Eu sinto muito. Não é sua culpa. Deus, eu vim para cá como uma lunática. Acordei-o. Fiz você sair fora na chuva para encontrar algum intruso inexistente. —Ela se levantou, afastando a mão de Garrett de seu rosto. —Eu deveria ir. Realmente. Eu coloquei-o também através de muitos problemas.

Ela começou a se afastar dele, mas ele pegou seu braço, os dedos enrolando delicadamente em sua carne.

Ele puxou-a para si até que ela estava chocantemente perto de sua boca.

—Você não vai a lugar algum. Você vai ficar aqui comigo.

Ela começou a abrir a boca, mas para sua surpresa, Garrett colou seus lábios nos dela.

Ele era elétrico, um choque para o seu sistema, desses que fritam seu sistema nervoso inteiro. Ele curvou sua mão em torno de sua nuca e enfiou seus dedos em seu cabelo enquanto ele segurava-a no lugar.

Sua boca se movia sensualmente sobre a dela, suave, mas tão exigente que os joelhos dela tremeram sob o poder do seu toque.

Ela nunca tinha sido beijada assim. Não foi um toque de lábios ou um gesto casual de afeto. Foi carnal. Aquecido e possessivo. Ele estava colocando uma reivindicação silenciosa e devia a ter aterrotizado.

Ela deveria estar gritando o telhado para baixo, mas em vez disso ela olhou silenciosamente para ele enquanto ele se afastava, seus olhos brilhando na luz suave.

—Você vai ficar— disse ele, seu tom não admitindo discussão. E ela se viu acenando.

— Ótimo. Agora que nós temos isso fora do caminho, eu vou colocar alguns lençóis limpos na cama para você.

Ela pegou o braço dele, ainda tão aturdida que poderia apenas processar o que ela desejava dizer.

—Não. Eu vou dormir aqui no sofá.

Ele balançou a cabeça.

—Você pode ter a cama.

—Garrett, não. Okay? Eu estou bem. Eu juro. Não há nenhuma maneira que você possa caber sobre este sofá e você com maldita certeza não vai dormir no chão. Eu posso pegar o sofá.

Deu-lhe um olhar impaciente e então suspirou.

—Diga o que for. Vamos compartilhar a cama.

Ela encontrou-se sacudindo a cabeça antes que ele pudesse terminar de pronunciar as palavras. Pânico correu até sua espinha dorsal. Solavancos frios levantaram-se e espalharam-se, formigando sobre sua pele, como lâminas de barbear minúscula.

Ele tocou ao lado de seu rosto.

—Ouça-me, Sarah. Eu não vou te machucar. Okay? A cama é muito grande. Podemos colocar travesseiros entre nós. Eu vou ficar do meu lado e você fica no seu. Eu não quero você nesta sala sozinha, por isso ambos dormiremos na cama, ou se você insistir em tomar o sofá, eu vou ter que acampar no chão ao seu lado.

Ela estava sendo estúpida. Ela sabia, mas não podia lutar contra o medo avassalador que tomou conta dela. Era irracional. Ele era cego. Mas quando foi o medo sempre sensato? Ela queria confiar nesse homem. Que não fazia nenhum sentido também, mas lá estava ele.

O problema era, não era questão de ela decidir que confiava nele ou queria confiar nele, e ela poderia embarcar como um ser humano normal. Sua cabeça não se importava com o que seu coração dizia. Sua cabeça estava dizendo a ela para parar de ser idiota e ser sensata.

Garrett olhou para ela por um momento longo e, em seguida, alcançou nas costas e tirou a arma.

Ele agarrou o cano e estendeu a arma em direção a ela. Ela olhou para a arma e, então, levantou o olhar para o seu, a testa franzida com a confusão.

—Você pode dormir com isto sob seu travesseiro. Dessa forma, você estará segura de mim. Eu não vou mover-me a noite inteira. Não só estou acostumado a dormir em uma posição, mas eu malditamente com certeza não quero correr o risco de assustar você, e ficar com minhas bolas explodidas arrancadas.

Ela tentou sorrir, mas só conseguia pensar como lamentável a sua vida tinha chegado. A única maneira que ela poderia permitir que um homem dormisse na mesma cama com ela, era se ele lhe oferecesse uma arma para autoproteção?

Ela fechou os olhos. Jesus. Isso a fez ter raiva. Tão malditamente com raiva. Finalmente, ela sacudiu a cabeça.

O olhar de Garrett abrandou enquanto ele enfiava a arma de volta na sua cintura.

—Eu juro a você que não tem nada a temer de mim, Sarah.

Ela acenou sua aceitação de sua promessa e abaixou-se de volta para o sofá. Patches abandonou seus cuidados consigo mesma e veio esfregar-se contra a mão de Sarah. Ela acariciou a gata, permitindo que o simples gesto acalmasse os nervos esgotados.

E ela tentou não pensar sobre o fato de que ela estaria dormindo a poucos centímetros de distância de Garrett.

 

Tons pálidos da aurora pintaram o quarto, iluminando gradualmente as sombras. Garrett estava no seu lado, a cabeça apoiada na mão enquanto olhava por sobre a barreira de travesseiros onde Sarah dormia. Ela não se moveu toda a noite. Ele sabia porque ele tinha dormido levemente e ele acordou regularmente para ver como ela estava.

Ela estava encolhida em seu lado voltada para ele, e avançou até o extremo à beira da cama, tanto quanto ela poderia sem cair. Patches estava deitada horizontalmente contra seu peito, enrolada em uma bola de pelo.

No momento, o gato estava acordado e rebatia preguiçosamente nos fios de cabelo de Sarah que caiam sobre o ombro.

Embora Sarah estivesse dormindo, não havia paz em sua expressão. Sua testa estava enrugada e os lábios desenhados em uma linha apertada como se sua mandíbula estivesse firmemente retesada. Manchas escuras espalhavam sob os olhos, como se ela não tivesse descansado em muitas noites.

Ela provavelmente não tinha. Ele estava feliz que tinha dormido profundamente aqui.

Talvez ela se sentisse segura com ele. Ou tão segura quanto ela podia sentir-se com um homem estranho.

Ele estendeu a mão e tocou-lhe a maçã do rosto com um dedo suavemente e depois traçou uma linha para baixo, para a mandíbula e, em seguida aos lábios.

Lábios que ele havia provado na noite anterior.

Ela soltou um ofegante suspiro e suas feições relaxaram, diminuindo a tensão do rosto.

Ele era um idiota por ficar todo sentimental sobre uma mulher que, obviamente, tinha uma grande quantidade de bagagem. Havia então muitas razões pelas quais ele precisava tratar este como qualquer outro trabalho. Tinha que ser a maior covarde do mundo por ser tão de coração mole quando ela veio para ele. Isso era, infelizmente, uma aflição que parecia ter em torno de mulheres. Rachel. Então Sophie. E agora Sarah.

Ele não tinha sequer gostado de Sophie no início, mas não o tinha impedido de levar uma bala por ela. E agora ele faria malditamente quase qualquer coisa para suas duas cunhadas.

A diferença aqui é que ele nunca tinha desejado beijar suas cunhadas. Oh, ele era extremamente protetor com elas. Não havia dúvida disso.

Mas com Sarah, isso era diferente.

E ele não gostou. Nem mesmo um pouco. Mas ninguém poderia ajudá-lo à sua reação a ela.

Era como se estivesse no piloto automático ao seu redor. Não importa o que ele pensava, tudo saia pela janela no momento em que olhava em seus olhos.

—Esta merda tem que parar— ele murmurou. Estava rapidamente perdendo a objetividade e, pior, ele estava esquecendo a tarefa à mão. Tudo o que era suposto fazer era mantê-la segura e aguardar Lattimer para fazer a sua jogada.

O sol ainda não tinha deslizado sobre o horizonte.

Sarah provavelmente dormiria por algum tempo. Isto lhe daria uma chance de ir de volta para sua casa de praia e verificar as coisas.

A chuva copiosamente pesada da noite anterior tornou difícil encontrar provas do lado de fora, mas ele ia dar a casa uma verificação completa, agora que estava ficando leve.

Sarah abriu os olhos, logo que ouviu a porta da frente.

Ela movimentou-se para fora da cama e olhou pela janela para ver Garrett fazendo cooper pela praia em direção a sua casa de praia.

Ela teria que se mover rapidamente, se ia sair antes que ele voltasse. Ela poderia muito bem estar enlouquecendo.

Talvez não tivesse ido ninguém em sua casa, mas não estava disposta a ficar ao redor no caso remoto que estivesse perdendo suas faculdades mentais.

Ela tinha um plano de fuga — um danado de bom para tão poucos recursos que tinha.

E isso era a hora de pedir ajuda para Marcus, tanto quanto, o pensamento a assustou.

Ela foi para a bolsa e puxou para fora uma muda de roupa, mas cavou mais fundo, até que seus dedos passaram de raspão sobre a saliência no bolso de dentro.

Ela puxou fora o telefone celular pré-pago que tinha utilizado apenas uma vez até agora e marcou em um número que tinha na memória.

—Alo?

—Frederick, é Sarah. Está na hora.

—D'acordo.

Ela ignorou o som de diversão em sua voz e desligou. Seu coração batia tão rápido e forte que ela não poderia comprimir em uma respiração. Ela fechou os olhos para sacudir a sensação de atordoamento, e quando os reabriu, o quarto girava a uma velocidade vertiginosa.

—Conseguiremos juntos. — falou baixo. Ela olhou rapidamente na nota que Garrett tinha deixado para ela.

Ela fez uma pausa e depois voltou para a cama, onde Patches permanecia ronronando. Ela pegou o pedaço de papel escrito com rabisco irregular.

Estarei de volta em breve. Não se preocupe.

Ela soltou um longo suspiro. Havia uma parte dela que odiava partir. Talvez toda a noite houvesse sido imaginação sua, mas tinha abalado sua confiança o suficiente para que soubesse que não poderia ficar aqui.

Ela estava aterrorizada para voltar para sua casa, e ela não poderia ficar com Garrett para sempre. Ela nem mesmo sabia quanto tempo ele ficaria aqui.

E se ela não tinha imaginado seu intruso, só traria problemas, e com ele se recuperando de um ferimento de bala, problemas era a última coisa que Garrett necessitava.

Ela pegou a caneta na mesa de cabeceira e virou o papel. Suspirou. Como dizer a ele tudo o que queria? Que os dias passados aqui na ilha com ele tinham salvado sua vida.

Bem, se ela sobreviveu a seus problemas atuais, ele a salvou.

Okay, ela estava sendo demasiado melodramática. Um agradecimento simples seria o suficiente.

Ela escreveu uma nota rápida e colocou-a de volta na cama ao lado do gato.

Esfregou Patches na cabeça e sussurrou adeus antes de correr para fora da porta da frente.

Uma vez na praia, ela se virou na direção oposta da cidade. O caminho estreitou para lugar nenhum e a areia deu lugar a uma rochosa costa litorânea mais distante a oeste que ela foi. Não havia casas no ponto mais ocidental da ilha.

A praia estava áspera e não deu nenhuma oportunidade para relaxar.

No momento em que ela chegou ao ponto de encontro, estava sem fôlego e ficou segurando seu lado enquanto sorvia as respirações.

Ela examinou a água, a procura de um barco, mas tudo o que viu foram as ondas quebrando contra os afloramentos rochosos. Em seguida, um som distante, como vindo de um motor, flutuou para ela na brisa.

Cresceu cada vez mais alto até que ela viu o que parecia ser um barco inflável com um motor redondo na curva, movendo-se com energia entre dois afloramentos.

Ele correu em direção à praia e o piloto desligou o motor, tão somente o nariz deslizando para a areia.

Ela correu para frente, segurando sua bolsa com seu laptop nela.

Frederick acenou para ela e sorriu.

O homem pensava que ela era uma idiota, mas uma idiota que pagava bem, no entanto. Ele estendeu a mão para ajudá-la a entrar no barco.

Ela escalou, certificando-se de não derrubar suas bolsas, e o piloto fez um gesto para que ela tomasse um assento no meio. Afastou-se da praia e executou uma manobra brusca quando uma onda rolou para dentro. Ele acelerou sobre a onda e disparou distante.

Ela aconchegou-se na cadeira segurando em suas bolsas enquanto o veículo saltava e balançava sobre a água.

Ela olhou para trás, a ilha ficando pequena, e cada vez menor à distância. Sua garganta fez um nó e ela esfregou para amenizar a dor. Isso era bobagem, ter arrependimento sobre o que ela tinha deixado para trás. Não havia nada. Ela não tinha laços com a ilha.

Ela só esteve lá pouco tempo. Mas, ainda assim, ela não podia desvencilhar-se do sentimento de tristeza por deixar Garrett— um homem que a ajudou quando ele não precisava. Um homem que parecia entender os demônios que ela lutava.

 

Garrett deixou o escritório policial da cidade e começou a correr pela estrada de volta para sua casa.

Depois de examinar de perto a área em torno da casa de Sarah, tinha descoberto algumas pegadas que não tinham sido lavadas pela chuva.

Ele também encontrou uma janela enlameada com impressões digitais. Ele não havia passado muito tempo na noite anterior porque estava tão escuro como o pecado e ele estava ansioso para voltar a Sarah, mas esteve alguém em sua casa, e quem quer que fosse não tinha sido nem um pouco cuidadoso.

Que para ele significava que era provável que alguém do local estaria à procura de um pouco de dinheiro ou qualquer coisa que ele poderia encontrar.

Mas por outro lado, poderia ser completamente outra pessoa.

Garrett não podia dar-se ao luxo de assumir nada.

Sarah só iria ficar com ele de agora em diante. Iria fazer o trabalho de Garrett um inferno de muito mais fácil. Para não falar muito mais prazeroso.

Vários minutos depois, ele correu até a sua varanda e abriu a porta. Estava calmo do lado de dentro, o que significava que Sarah provavelmente não tinha rolado para fora da cama ainda. Ainda era cedo e ela necessitava dormir.

Ainda assim, ele encontrou-se silenciosamente aproximando-se do quarto. Ele só queria dar uma olhada em cima dela. Isso era tudo. Não era como ele quisesse vê-la dormir.

Não importa o fato de que ele tinha passado uma boa parte das primeiras horas da madrugada fazendo exatamente isso.

Quando ele empurrou abrindo a porta com um estalo, franziu a testa quando viu a cama vazia, exceto pela gata que ainda estava enrolado em uma bola ao lado do travesseiro. Ele empurrou para dentro mais amplo.

—Sarah? — Repousada na cama estava a nota que ele deixou, só que foi dobrada de modo que o que ele tinha escrito estava do lado de baixo. Ele a pegou e viu que no interior ela tinha escrito a ele uma nota.

Obrigada por tudo, Garrett. Eu tenho que ir. Por favor, cuide de Patches para mim.

Seu olhar voou para a mancha no chão onde sua bolsa tinha estado deitada. Só que agora estava vazia.

—Filha da puta!

Ele jogou a nota de lado e partiu para fora com um morto executado. Ele checou os outros quartos na casa apenas no caso de ela não a ter deixado ainda, mas veio à frente o vazio.

Ele alcançou a varanda e pulou fora dos degraus, seu olhar varrendo a praia.

Ela não tinha chegado à cidade pela estrada principal. Ele a teria visto. E não havia pegadas levando para o caminho da praia.

Mas para o oeste...

Pequenas impressões na areia ainda úmida levavam da casa de praia em direção à borda mais distante da ilha.

—Filha da puta, filha da puta— ele amaldiçoou mais e várias vezes enquanto ele decolava para fora.

Onde diabos ela estava indo? E como o inferno ele poderia protegê-la quando não estava onde ele podia vê-la em todos os momentos? Dane-se.

Ele tinha apenas a convencido a ficar em sua casa de praia, um ponto que ele planejava pressionar.

Ele estava com a maldita certeza que ela permaneceria sob seu olhar atento. Sim, que tinha trabalhado simplesmente grande.

Ele cometeu um erro, e deixou-a sozinha, pensando que ela não poderia — teria — corrido no curto espaço de tempo que ele a havia deixado.

Ele tinha aprendido de maneira dura com Sophie que ele jamais pagaria por subestimar uma mulher, e foda-se tudo isso, ele havia feito exatamente aquilo com Sarah.Novamente.

Cristo, mas ele era o maior idiota do mundo.

Lá estava ele o, Sr. Estúpido-Ruim Operações Especiais, cara, e ele não conseguia manter o controle de uma mulher indefesa.

Quando ele iria aprender que as mulheres nunca ficavam onde você as colocava?

Ele seguiu as pegadas inconstantes perdendo-as uma ou duas vezes quando o caminho se tornava mais rochoso. Várias vezes ele teve que voltar atrás, e ele ultrapassou sem querer pela última vez. Não foi até que ele desceu para a praia ao longo dos afloramentos que ele viu onde suas pegadas escolheram apoiar-se.

Só que desta vez não paralelas à costa.

Elas levaram diretamente para a arrebentação, desaparecendo à medida que a água rolava para a praia.

Ele ficou olhando para a esquerda e a direita, mas elas acabavam aqui na beira da água.

Puta merda!

Alguém a tinha pegado em um barco.

Foi a única explicação, a não ser que ela tinha perdido sua sempre cuidadosa mente e caminhou para dentro da água.

Ela podia ser um monte de coisas, mas não havia maldita maneira que ela tivesse cometido suicídio. Ele olhou ao redor novamente, mas não havia nada para ser visto.

Sem casas. Nenhuma pessoa.

Ela escolheu o local mais remoto possível para fazer a sua fuga, o que não tinha sido pura sorte. Ela tinha planejado sua rota de fuga, e o tempo em que ela recorreria, não foi deixado para o pânico e de última hora.

Ela tinha se planejado para esta eventualidade. Sim, ele a subestimou totalmente, o que o irritou mais do que seu voo.

Sentiu-se como um idiota de primeira classe, e ele odiava se sentir como um idiota.

Cristo, tinha sido entregue a ele este trabalho de bolo e ele não podia conseguir sequer manter uma indefesa assustada mulher fora de sua mente e dentro de sua vista.

Sim, legal. Era por isso que ele tinha ido para o serviço militar. Nenhuma das missões que ele já tinha ido tinham envolvido perseguir uma maldita mulher ao redor do mundo.

Ele se virou e seguiu de volta no caminho que ele tinha vindo. Ela não podia ter ido longe, e inferno, o que estava lá fora, de qualquer maneira?

A única coisa que fazia sentido era que ela pulou para a próxima ilha. Se ele tinha alguma esperança de apanhá-la, ele teria que chegar lá rápido.

Quando chegou a sua casa de praia, jogou suas tralhas dentro do saco e começou a caminhar para fora.

Um lamentoso miado o deteve em seus passos. Maldita gata.

Ele olhou para ela por um longo tempo e depois balançou sua cabeça.

Ele se abaixou, pegou a bola flácida de pelo e empurrou às pressas ela dentro do seu saco.

Ela deu um grito agudo uma vez, mas ele fechou o zíper, deixando uma pequena abertura para ela respirar e partiu para a cidade.

Até o momento que ele chegou a fila de lojas, Patches estava fazendo seu descontentamento amplamente conhecido. Garrett olhou para a livraria.

Não eram velhinhas que mantinham as livrarias que supostamente amavam gatos?

Ele entrou, arremessando a porta, tanto que o sino deu um som de metal tinido em lugar do leve tilintar.

A dona da loja deu-lhe um olhar cauteloso de trás da caixa registradora enquanto ele se aproximava.

Ele pôs descuidadamente o saco sobre o balcão e a mulher deu um passo para trás, olhando para o saco, como se ela esperasse o anticristo sair para fora.

—Eu tenho uma gata— Garrett começou. —Bem, ela pertencia a Sarah. Ela esteve aqui um dia ou dois atrás?

A mulher acenou com a cabeça, ela ainda olhava para Garrett como se ele fosse um assassino.

—Sarah teve que sair de forma inesperada e, bem, eu também. Eu tinha esperança que você poderia aceitar o gato?

Ele sorriu, esperando suavizar a óbvia desconfiança, mas isso parecia mais como uma careta.

Ele não podia acreditar que estava em pé aqui com uma maldita gata. Ele devia ter apenas a deixado na casa de praia. Gatos podem cuidar de si mesmos, certo?

Enquanto ele estava de pé aqui malditamente em volta com o animal, Sarah estava ficando mais longe.

Ele abriu o zíper da mochila e colocou uma mão para baixo certificando-se de que Patches não surgiria do nada ao primeiro sinal da liberdade. Mas o gato lambeu-lhe apenas e começou a ronronar alto o suficiente para a dona da loja ouvir.

A mulher olhou ao longo da borda do saco e seus olhos brilharam.

—Oh, ela é adorável!

—Então você vai aceitá-la?— Garrett perguntou esperançosamente.

A mulher olhou assustada e muito parecido como se fosse recusar.

Ele odiava a forma bajuladora irritante como suas palavras saíram. Se os seus irmãos pudessem vê-lo agora, ele nunca ouviria o fim do seu tormento. A mulher olhou para o gato e depois para Garrett.

Ela endureceu os lábios enquanto seus olhos se estreitaram e, finalmente, ela disse:

—Okay, eu vou aceitá-la. É óbvio que ela não vai ficar bem no seu saco.

Garrett nem recuou sobre a desaprovação em sua voz. Ele salvou o animal da fome, e se ele não tivesse?

Ele retirou Patches do saco e desenganchou suas garras de sua camisa, em seguida, empurrou-a em direção para a mulher.

—Obrigado, eu agradeço isso.

Ele se virou e saiu antes que a mulher pudesse dizer mais alguma coisa.

Ele tinha feito como Sarah pediu e fez com que o gato tivesse um lar decente.

Pelo menos não morreria de fome agora.

Sua próxima parada foi no cais, onde havia três serviços de frete. Ele perguntou gentilmente indagando como se era possível alugar um barco para levá-lo para a ilha vizinha.

Os dois primeiros estavam mais do que felizes para acomodar o seu pedido e poder organizá-lo imediatamente.

O terceiro, no entanto, a mulher informou-lhe que seu marido já estava em uma viagem para a ilha próxima e não voltaria por algum tempo. Quando pressionada, ela fechou-se totalmente, mas empurrou-o para fora da porta.

Oookay. Então parecia que Sarah tinha organizado um frete para fazê-la escapar e que ela provavelmente fez isso bem antes da sua partida real.

Ele precisava chegar lá um inferno de muito mais rápido do que o par de horas que levaria de barco. Ele pulou em um dos dois táxis da ilha e conseguiu cair fora para um campo de aviação no extremo leste.

O cara no balcão olhou para ele com um brilho especulativo quando Garrett disse que queria fretar um helicóptero para a próxima ilha. Imediatamente.

Era um olhar que disse a Garrett que isso ia lhe custar uma porrada de dinheiro.

—Claro, eu posso levá-lo ali. Eu tenho um cliente que supostamente deveria entrar para uma excursão aérea do arquipélago da ilha, mas eu posso cancelar se o preço for justo.

Sim, como se Garrett não soubesse o que estava por vir.

—Você aceita cartão?

O cara abriu um largo sorriso em Garrett.

—É claro que sim.

Garrett puxou a carteira e arrancou fora o seu cartão de crédito.  Em moedas KGI, é claro.

Sam teria um ataque de fúria, mas tudo bem. Ele poderia sempre cobrar de Resnick.

—Em quanto tempo podemos sair? —O cara pegou o cartão de crédito de Garrett e sorriu.

—Assim que eu passar o seu cartão.

 

As pessoas simplesmente não malditamente desapareciam. Será que elas faziam? Garrett estava cansado. Ele estava com fome. E era um filho da puta de saco cheio. Ele tinha ido sobre cada centímetro da ilha e não havia sinal de Sarah. Ninguém no porto a tinha visto ela — assim eles disseram. Não havia um voo com ela nele — tão perto ele podia dizer. A mulher tinha simplesmente desaparecido no ar.

Ele não desejava nada mais do que dizer foda-se tudo, ir para casa e deixar que Resnick lidasse com Sarah Daniels. Era o que ele deveria fazer.

Sua cunhada estava prestes a fazer o parto. As mãos de Sam estariam atadas se eles tivessem outro trabalho, porque Garrett estava fora fodendo por aí no paraíso.

E, francamente, ele teria um inferno de tempo muito melhor explodindo alguma merda por cima brincando de detetive júnior. Inferno, esse era o trabalho de Donovan.

Ele devia apenas ir para casa e chamar isso de bom. Mas ele a beijou. Era uma desculpa de pensamento burro.

Mas se ele não a tivesse beijado, se não tivesse chegado perto dela, não teria visto o seu medo. Se não a sentisse tremer sob seus dedos. Se ela não tivesse um gosto tão malditamente bom.

Se ele não a tivesse beijado, ele poderia ir para casa e esquecer que ela jamais existiu. Ele poderia deixá-la para Resnick e companhia. Mas ele não podia. De alguma forma no curso de alguns dias ela se tornou sua. Sua responsabilidade.

Sua para proteger. Isso era uma fodida situação, não importava como olhasse para ela. Ele não podia fazer que desaparecesse, não importava o quão forte ele desejava. Tudo o que sabia era que de algum modo, de alguma forma, ele e Sarah Daniels estavam conectados.

Não, ele não gostou. Mas lá estava ele. Todo exposto, algo como se sentia agora. As bolas balançando-se ao vento. Nenhum homem jamais deveria ficar tão malditamente amarrado em uma mulher. Especialmente aquelas que eles mal conheciam. Sim, iria para casa.

Era precisamente o que ele deveria fazer. Então poderia se preparar melhor para o trabalho de protegê-la. Enquanto Donovan comandasse a base, ele poderia transportar o seu arsenal e iniciar o planejamento para as eventualidades. Inferno, ele nunca ia à parte alguma sem pelo menos quatro rifles e um poucos revólveres. E ainda ali estava ele, com apenas uma Glock e sua personalidade decisiva para conseguir sair de uma enrascada neste buraco de merda de uma ilha. E ele teria que deixar para trás a Glock.

Ele furtivamente seguiu para dentro no muito minúsculo-estúpido terminal para uma única mesa que servia como verificação de passagem, bagagem e de segurança. Jogou sua bolsa para a esteira rolante.

—Eu quero dar o fora daqui— ele anunciou para a agente assustada. —Qual é o seu próximo voo?

—Miami— disse ela, nervosa.

—Feito. Quando ele sai?

— Em meia hora, senhor. Vão embarcar nos seguintes poucos minutos.

Garrett deu uma verificada na sala de espera para ver quatro outras pessoas olhando para ele como se fosse o homem do sapato-bomba. Ele sorriu com os dentes cerrados.

—Rompimento ruim. Namorada me arrastou aqui para um período de férias e me deu o fora pelo primeiro cara que viu em um Speedo.

Os dois homens fizeram uma careta de simpatia, enquanto as duas mulheres pareciam que achavam que não era de admirar. Ele jogou seu cartão de crédito para o balcão e esperava como o inferno que Sam já não tivesse descoberto a última cobrança e congelado a conta.

A agente empurrou apressadamente um cartão de embarque impresso sobre o balcão e depois foi garantir o bilhete de encaminhamento no saco de Garrett.

—Você disse que eu tenho 30 minutos? Quando é a última chamada de embarque? — perguntou ele.

A agente consultou seu relógio.

—Você tem 20 minutos antes do embarque final. O avião decola em trinta.

Ele balançou a cabeça e caminhou de volta para fora, onde ele puxou o telefone por satélite.

Desta vez, Donovan realmente atendeu o telefone.

—Nós temos um problema— Garrett começou.

—Nós? — Donovan repetiu. —Eu não vejo um “nós”nessa equação.

—Foda-se — Garrett rosnou. —Eu preciso de sua ajuda. —Donovan suspirou.

—O que mais há de novo? O que você esqueceu, seu calção de banho? Oh espere, não, o protetor solar certo? Dê-me um minuto. Eu estou na verdade reunindo genuína simpatia para você aqui.Eu poderia até conseguir espremer uma lágrima ou duas.

—Já acabou?—Garrett perguntou impaciente.—Sarah levantou voo.

Houve um silêncio mortal.

—Ela deu-lhe um escorregão?

Garrett fechou os olhos e se preparou para o que estava por vir.

Donovan riu em seu ouvido.

—Deixe-me ver se entendi.  Tudo o que você tinha que fazer era ficar perto de uma mulher bonita. Vigiá-la. Mesmo ficar íntimo dela, se é que levasse a isso. E ela deu-lhe um escorregão?—Garrett podia ouvir o tolo chiado através do telefone.

Ele beliscou a ponte de seu nariz entre o polegar e o indicador e fechou seus olhos.

—Vou te bater quando eu chegar em casa.

—Ah cara, eu desejaria que eu pudesse ter estado lá para ver isto. — Donovan disse. — Então, o que você vai fazer agora?

—Não é que eu vou fazer. É o que você vai fazer. Estou embarcando em um voo para casa. Eu preciso de você para descobrir onde inferno a Sarah desapareceu. Ela pegou um barco para fora da ilha, mas a sua pista estava fria quando cheguei aqui. Eu preciso saber se ela voou, nadou, pegou um barco ou o quê. Estou contando com você para descobrir,Van.

—Bem,  inferno. — Donovan resmungou. —Eu gosto de como você toma uma tarefa e eu faço todo o trabalho.

—Oh e a propósito. Você não pode usar Resnick ou seus recursos. Eu não quero que ele saiba sobre nada disso. —Mais uma vez houve um longo silêncio.

—Você quer me explicar por que você está deixando de fora o homem que você pegou o serviço?

Garrett olhou o relógio.

—Olha, eu não tenho muito tempo. Vou explicar quando eu chegar ai. Nesse meio tempo, se Resnick aparecer, faça-se de desentendido. E descubra onde é o inferno que Sarah está.

Ele cortou a conexão e se virou para voltar para o terminal. O que ele precisava era de cerca de 12 horas de sono. Ele não ia dormir uma piscada no avião. Odiava os voos comerciais.

 

Garrett entrou na garagem de sua casa e franziu o cenho quando não viu que o caminhão de Sam ou Donovan estava estacionado. O veículo utilitário esporte de Sophie estava sob a garagem e ele parou atrás dele.

Onde diabos foi todo mundo? Ele estava cansado dos voos, chateado sobre o negócio todo, e ele tinha ligado para Donovan logo que desembarcou em Nashville para dizer-lhe que estava a caminho de casa.

Ele precisava entrar, obter qualquer informação que Donovan tivesse e pegar o inferno de volta para estrada. Esperava que, desta vez, um dos jatos Kelly estivesse disponível, porque caramba, passar através dos dispositivos de segurança nos aeroportos era uma droga. Ele abriu a porta da frente e entrou.

—Olá? Alguém em casa? —Onde diabos foi todo mundo? Frustração desgastando sua paciência já esgotada. Ele não tinha tempo para isso.

—Garrett?

Ele se virou na direção da cozinha para ver Sophie em pé na porta, seu rosto pálido, a mão espalmando sua barriga enorme. Ele atravessou a sala, preocupado com sua palidez.

—Ei, você está bem, querida?

Ela agarrou a camisa dele quando chegou perto, instavelmente vacilante em seus pés.

—Não. Quero dizer, sim. Estou em trabalho de parto. Eu preciso de você para me levar para o hospital.

Oh inferno.

—Onde está Sam?

Ela franziu o cenho.

—Eu não sei. Ele não está respondendo no seu celular. Ele foi até Ethan e Rachel, mas quando liguei para lá ninguém respondeu. Eu estava prestes a ligar para Marlene quando eu ouvi você entrar.

Vendo a ansiedade gravada na sua expressão, ele colocou seu braço ao redor dela e apertou-a tranquilizando-a.

—Está tudo bem. Eu não quero que você se preocupe. Você tem sua bolsa preparada?

—Perto da porta — disse ela. De repente ela ficou parada e agarrou sua mão com força suficiente para cortar sua circulação. Porra, mas para uma pequena mulher ela armazenava um significativo aperto. Ela fechou os olhos e tomou várias respirações leves através de seu nariz.

Ela não deveria estar tomando respirações profundas ou alguma coisa?

Pânico bateu-lhe no estômago como um bastão de beisebol. Dê-lhe uma guerra do caralho, mas uma mulher grávida em trabalho de parto? Ele estava sufocando só de pensar nisso.

Quando a contração passou, ela começou a ir para a porta e ele correu ao seu lado. Ele se abaixou para recuperar sua bolsa e pegou seu telefone celular ao mesmo tempo. Este era um inferno de um momento para Sam desaparecer em ação.

Que porra era que ele estava pensando? Sophie poderia ter estado completamente sozinha.

Ela tinha estado sozinha até Garrett aparecer. Ele conduziu  Sophie para seu caminhão e em vez de ajudá-la a subir, ele levantou-a e arrumou-a sobre o assento. Em seguida, deu a ela uma desajeitada tapinha na perna e apressou-se de volta para o lado do motorista.

Ligou para Sam primeiro, mas quando não obteve resposta, na próxima chamou sua mãe.

—Mãe, Sam está por ai?— Ele exigiu logo que sua mãe respondeu.

—Garrett? Você está em casa?

—Sim, mãe, olha eu não quero ser rude, mas eu preciso de Sam.Onde diabos ele está?

Houve uma pausa.

—Ele está ajudando o seu pai e os seus irmãos a procurar pela Rusty. Ela não veio para casa depois da escola hoje.

Foda-se. Exatamente o que ele precisava era de Rusty e seu irresponsável traseiro causando problemas quando tudo estava indo para a merda.

—Sophie está em trabalho de parto. Eu estou no caminho para o hospital com ela. Sam não está respondendo ao seu telefone. Ele precisa levar o seu traseiro para o hospital e estar com sua esposa. —Rusty poderia apodrecer.— Ele não disse isso, mas sua mãe não era uma idiota. Estava lá, em sua voz para ouvir.

—Oh meu Deus— Marlene arquejou. —Eu vou buscá-lo. Vou ligar para seu pai. Diga a Sophie que estou diretamente a caminho agora. Diga a ela para não se preocupar.

Sim, ele ia dizer a uma mulher grávida para não se preocupar sobre a expulsão de uma bola de boliche de seu útero.

—Eu tenho que ir Mãe. Encontre Sam para mim. Eu vou cuidar de Sophie.

Ele jogou o telefone e olhou para Sophie, que tinha um controle apertado sobre a maçaneta da porta.

—Vai dar tudo certo. —Esperava que ele não estivesse mentindo. Que diabos ele sabia sobre mulheres em trabalho de parto? —A mãe vai alcançar Sam. Ele vai estar lá. De jeito nenhum ele iria perder isto.

Para seu crédito, Sophie parecia menos preocupada do que Garrett sentia.

—O que está acontecendo?— Perguntou ela.

—Maldita Rusty — falou entre dentes. —Ela não apareceu depois da escola. Aparentemente, saíram todos procurando por ela.

Sophie franziu o cenho.

—Oh, eu espero que ela esteja bem.

Garrett balançou a cabeça.

—É melhor que ela condenadamente bem tenha uma boa razão para isso, e estou pensando, a menos que ela esteja no hospital, não há uma. —Sophie pôs as mãos em seu braço.

—Eu estou bem, Garrett. Realmente. Estou tendo contrações, mas tenho certeza que ela não está chegando tão em breve.

—Não devia ser o único a estar confortando você? —Ela sorriu.

—Bem, sim, eu não recusaria simpatia ou um pouco de carinho. Estou um pouco nervosa com tudo isso. Eu acho que estive em um estado de negação sobre o verdadeiro processo do trabalho de parto. Essa coisa dói!

Garrett fez uma careta e, em seguida, pegou sua mão, apertando para tranquiliza-la.

—Desculpe, querida. Eu sou um idiota insensível, mas eu acho que você já sabia disso. Existe alguma coisa que eu posso fazer para torná-lo melhor?

—Você poderia ter o bebê para mim.

—Oh inferno não — ele murmurou. Ela riu.

—O que é um bebê? Você levou um tiro sem se lamentar.

—Sim, isso é bem diferente.

—Que tal começar com apenas me deixando lá o mais rápido possível. Talvez eu esteja longe o suficiente para ter uma anestesia peridural imediatamente.

—Eu posso fazer isso. —Ele dirigiu o mais rápido possível sem colocá-los em torno de uma árvore. Tratava-se de em torno de 30 minutos dirigindo para o hospital. Ele estava lá em 20 minutos.

—Não faça um grande acontecimento— ela implorou enquanto que ele rugia para dentro do estacionamento. — Nenhuma grande entrada no pronto-socorro. Somente estacione e nós vamos caminhando para a entrada principal do hospital.

—Não é este um caso de emergência?— Ele exigiu.

Ela agarrou seu braço e ficou em silêncio por um momento. Então, respirou fundo e exalou.

—Não, não é uma emergência. Eu não quero parecer uma idiota. Apenas estacione e me ajude para dentro. Eles vão me levar imediatamente até o andar.

Garrett fez uma careta, mas fez o que ela pediu, embora fizesse um novo lugar de estacionamento bem próximo da entrada da frente. Eles poderiam beijar sua bunda ou rebocar o caminhão.

Ele não a faria andar por todo o caminho através do estacionamento, não importa o que ela dissesse. Ele saltou do caminhão e andou em volta para abrir a porta para Sophie.

Ela colocou as duas mãos para fora para firmar-se em seus braços, mas novamente, ele apenas arrancou-a do assento e a colocou cuidadosamente no pavimento.

—Bem?— perguntou ele. Ela balançou a cabeça e deu um passo adiante em direção à entrada. As portas se abriram e ela parou e segurou em seu braço por um longo momento.

— Okay, presumindo que não sou especialista em ter os bebês, mas você está certa de que este bebê não está chegando? As contrações parecem ser muito próximas umas das outras. —Ela soprou e começou a avançar novamente.—Elas estão irregulares. Algumas estão perto. Outras são espaçadas de 10-15 minutos.

—E você está contando que a criança perceba o que é suposto ser regular? —Seus lados sacudiram com o riso enquanto uma mulher idosa em uniforme de voluntariado corria.

—Você está em trabalho de parto, querida?—Sophie fez uma careta e balançou a cabeça. —Fique aqui com seu marido. Vou chamar uma cadeira de rodas.

—Sim. —disse Sophie enquanto a voluntária se afastava apressadamente

—Seja um bom marido e fique aqui, sem perder sua mente.

—Também matarei Sam por isso. Eu levei uma bala por você. Ele deve, pelo menos, ter que estar aqui para o parto.

Sophie riu novamente.

—Confio em você preferindo a bala. —Mas ela apertou seu braço e isso desta vez não foi por causa de uma contração. —Obrigada. Realmente. Eu estava com medo de voltar para casa —Ele aproximou-a em um abraço e beijou o topo de sua cabeça.

—Isso é para o que a família é. Deste modo você continua me lembrando.

Poucos minutos depois, um atendente entrou no saguão empurrando uma cadeira de rodas.

Garrett pegou Sophie instalando-a nela, preocupando-se com ela alguns segundos e depois seguiu junto com eles, com o atendente a empurrando na direção do elevador.

Uma vez lá em cima, eles foram recebidos por uma sorridente enfermeira que assumiu a cadeira de rodas e girou Sophie para dentro em uma pequena sala com uma mesa de exame parecendo bastante desconfortável. Não era suposto ter camas? Como camas confortáveis? Jesus, o ato de dar a luz claramente não era para maricas.

—É lá onde você vai colocá-la?— Garrett deixou escapar. A enfermeira sorriu e colocou um vestido do hospital sobre a “cama”.

—Não, isso é apenas temporário. Nós precisamos ver quão avançada ela está. Às vezes enviamos as mães de volta para casa por um tempo. Alarme falso e tudo isso. Mas se ela estiver progredindo o suficiente, vamos movê-la para uma sala de parto. —Garrett fez uma careta.

—Enviar para sua casa? Ela está em trabalho de parto. Você não pode mandá-la para casa. Você não pode ver que ela está com dor? Você não pode dar-lhe um epidural agora?

Sophie riu.

—Calma, Garrett. Nós vamos começar a trata-lá. Eu prometo. —A enfermeira deu uma tapinha no vestido. —Vou deixar você se trocar. Eu volto para fazer um exame e ligá-la a um monitor. — olhou para Garrett com diversão mal velada enquanto caminhava de volta para fora. Sophie pegou o vestido e Garrett congelou.

—Uh, você não precisa de ajuda ou qualquer coisa, certo? Eu quero dizer, você ficará bem se eu apenas passar por cima...—Ele olhou ao redor. Não havia nenhum outro lugar para ir na sala minúscula, exceto para fora. —Uhm, eu vou apenas dar um passo a menos que você precise... de ajuda. —Oh Deus, não deixe que ela precise de ajuda.

—Você pode sair ou você pode virar as costas— Sophie disse calmamente. —Não vai demorar mais de um segundo para eu escorregar para o vestido.

Ele virou a cara para porta e levantou os olhos para o céu. Onde diabos estava Sam? Ele ouviu o farfalhar de roupas e até mesmo embora ele estivesse de costas, fechou os olhos e escutou qualquer sinal de que ela estava tendo apuros. Ou um baque.

—Okay, tudo pronto— ela disse. —Eu poderia usar sua ajuda pra passar para cima da cama, se você não se importar.—Garrett voltou-se e manteve seu olhar desviado apenas o suficiente para ter certeza que ele não ia ver nada que não deveria.

Lentamente, ele deixou seu olhar viajar para cima, aliviado ao ver que o vestido cobria toda a parte necessária. Ela estava tentando subir, mas com a barriga dela e ela segurando a abertura fechada sobre o vestido, parecia desajeitada como o inferno.

—Você segura o vestido, eu vou te levantar— disse ele bruscamente.

Seus lábios contraíram-se suspeitosamente quando ela reuniu o material em suas mãos. Ele levantou-a na cama e organizou às pressas o lençol de modo que ela estava modestamente coberta. Alguns segundos depois, uma batida soou e a enfermeira retornou.

—Eu preciso ver o quanto você está dilatada— ela afirmou.

Isso não soa bem. Garrett manteve seu olhar em movimento de contração. Dificilmente.

—Eu simplesmente vou esperar lá fora — disse ele.

Sophie acenou-lhe e ele saiu da sala. Ele encostou-se contra a parede em relevo.

Cristo, mas ele odiava os hospitais. Não queria nem saber o que a enfermeira estava fazendo lá. Sua imaginação foi em sobremarcha e foi fritando seu cérebro.

Ele esperou. E esperou. Ele começou a pegar seu telefone celular e percebeu que tinha deixado no caminhão. Ótimo.

Se Sam tinha tentado ligar, ele estava, provavelmente, perdendo a sua mente agora.

Vários minutos depois, a enfermeira deu um passo para o corredor e fez sinal para Garrett passar para dentro de novo.

—Ela já está dilatada em cinco—disse ela de forma demasiado alegre em sua voz. —Nós vamos estar movimentando ela para uma sala de parto e a boa notícia é que ela pode levar a epidural, tão logo o anestesista possa ser contatado mediante bipe. —Garrett olhou para onde ela estava, mas Sophie estava assistindo o monitor ao seu lado.

—Uh, então quanto tempo ela tem? Quero dizer, até o bebê chegar aqui.

A enfermeira deu uma tapinha no braço dele.

—Não há nenhuma maneira de saber realmente. Poderia ser em breve ou poderia ser ainda em horas. Nós vamos monitorar seu progresso. Não precisa se preocupar, papai!—

—Eu não sou seu marido. Quer dizer, eu não sou o pai. Eu sou seu cunhado. O pai deverá estar aqui a qualquer momento. —Onde diabos estava ele?

—Oh, bem, então é só relaxar e ajudar a manter Sophie calma e confortável. Não há nada para se preocupar. O bebê está indo muito bem.

Uma comoção do lado de fora da porta fez Garrett virar-se. Ele deu um suspiro de alívio enorme, assim como Sam movimentava-se velozmente para dentro, com um olhar enlouquecido em seus olhos.

—Sophie? Bebê, você está bem? —Sam requeria enquanto ele corria para seu lado. Sophie ergueu a cabeça e sorriu.Todo seu rosto se iluminou e Garrett podia ver aliviar a tensão em sua expressão.

—Eu estou bem. De verdade. Garrett cuidou muito bem de mim.—Sam pegou sua mão e depois inclinou-se para beijá-la. —Eu sinto muito que eu não estava lá. Meu maldito telefone descarregou e estávamos fora à procura de Rusty. Eu nunca deveria ter deixado vocês. Eu não acho que teria passado mais que alguns minutos com Ethan e Rachel, e então a mãe chamou.

Sophie pôs um dedo sobre seus lábios e depois seguiu com um suave roçar de sua boca.

—Shhh. Eu estou bem, Sam. Garrett foi ótimo —. Sam virou para olhar para Garrett, pela primeira vez.

—Obrigado, cara. Estou feliz que você chegou em casa como você fez. —Estudou-o por um longo momento. —Esta tudo bem com você?

Garrett acenou com a cabeça.

—Sim, agora que você está aqui.

Sophie riu.

—Ele tinha medo de ter que me instruir através do parto. Ele estaria praticamente verde lá por um tempo.

Sam acomodou-se na cadeira ao lado da cama de Sofia e entrelaçou os dedos nos dela.

—Sem chance que eu ia perder isso. —Ele alisou a mão sobre a barriga inchada. —Eu não posso esperar para conhecer a nossa menininha .

—Eu odeio interromper, mas precisamos mover a Sra. Kelly para outro quarto agora — disse a enfermeira da porta. A enfermeira avançou para desenganchar o monitor. Sam ajudou Sophie com a cama e ela andou desajeitadamente em direção à porta atrás da enfermeira. Não sabendo mais o que fazer, Garrett seguiu o grupo pelo corredor até um quarto maior, parecendo muito mais confortável.

A cama era certamente maior e não parecida com uma laje no necrotério. Enquanto a enfermeira colocava Sophie na cama, Sam deu um passo para trás para ficar ao lado de Garrett.

Garrett virou-se para seu irmão.

—Eu provavelmente deveria sair agora.

—Você não vai ficar por aqui para o nascimento da sua sobrinha? — Garrett engoliu.

—Você quer que eu assista?— Ele tentou manter o horror de sua voz, mas sabia que falhou miseravelmente.

Sam riu e deu um tapa nas costas dele.

—Você pode ficar por aqui até que a parte confusa chegue e depois mover-se para o corredor. Inferno, antes que isto acabe, imagino que toda a família vai acabar aqui.

Garrett passou a mão pelos cabelos. Ele precisava ficar com Donovan para avaliar a merda sobre Sarah. E ele precisava pegar a estrada, mas como ele poderia sair quando sua sobrinha estava prestes a chegar? Donovan gostaria de estar aqui, não preso na sala de guerra em seu computador procurando por Sarah. Os olhos de Sam se estreitaram.

—O que está acontecendo com Sarah Daniels? Além do fato de que ela lhe deu um escorregão.

—Alguém invadiu sua casa e a assustou como a merda. Então ela saiu correndo.

—E o que é isso sobre manter Resnick no escuro?

—Que tal você se preocupar com Sophie e deixar-me lidar com Resnick e Sarah Daniels?

Sam franziu a testa, mas as enfermeiras estavam se afastando com Sophie e Sophie olhou para encontrar Sam. Sam deixou Garrett e voltou para a cabeceira dela. Ele pegou a mão dela e beijou cada dedo, o seu sorriso caloroso e contente.

Garrett encostou-se à parede e perguntou-se como diabos ele tinha se metido no meio do parto.

 

Sean Cameron virou o carro-patrulha para outra estrada do condado que o afastou dos lagos e examinou a linha das árvores e mais pela estrada de terra. E realmente o irritou que Rusty puxou esse lixo depois que todos os Kellys tinham feito para ela.

Ele questionou alguns dos estudantes em sua escola e foi informado de que ela partiu com Matt Winfree depois que a aula terminou.

Quando ele pusesse as mãos em ambos, ia torcer seus pescoços. Especialmente o de Rusty.

Marlene e Frank estavam doentes com preocupação e agora Sophie estava no hospital prestes a dar a luz. Algo que devia ser uma ocasião feliz para todos os Kellys. Todos eles deviam estar no hospital, não vasculhando o interior à procura de uma idiota ingrata.

Quando ele contornou um compartimento de lixo, derrapou para uma parada rápida, chegando apenas alguns centímetros de atropelar uma pessoa na estrada.

Ele olhou para cima para ver Rusty olhando para ele através do para-brisa. Seu cabelo estava uma bagunça. Ela tinha sangue escorrendo a partir do canto da boca, e seus olhos estavam arregalados e assustados.

Assim que ela o reconheceu, sua expressão ficou dura e fria. Seus lábios torceram beligerantes e ela mancou passando por ele e continuou abaixo da estrada. Ele se atirou para fora do carro e correu depois dela.

Ele agarrou seu braço e a girou aproximando-a.

—O que diabos aconteceu?— Ele exigiu.—Onde está seu carro?

Suas narinas dilataram.

—Tire suas mãos de mim, tira.

—É um ou outro: minha mão ou as algemas. Faça a sua escolha— ele rosnou de volta. Ele a puxou de volta para seu carro e empurrou-a contra o lado.

Ela tremia embaixo dos seus dedos e a soltou, parando na frente dela, os braços sobre o peito de maneira intimidante.

—Comece a falar, Rusty—Ela se recusou a encontrar o seu olhar. —É cerca de uma milha para cima. Será que você o destruiu? Onde está Matt Winfree?

Sua cabeça levantou e raiva queimava através de seus olhos.

—O que você sabe sobre Matt?

—Eu sei que você deixou a escola com ele quando deveria ter ido para casa. E que você partiu sem dizer a ninguém onde foi. Droga, Rusty, os Kellys estão doentes de preocupação por sua causa. Sophie está em trabalho de parto e os familiares deviam estar com ela, mas estão todos fora procurando seu traseiro irresponsável.

Seu rosto baixou e pela primeira vez ele viu além da frente face, para dor que se escondia no fundo de seus olhos. Ele franziu a testa quando notou, não somente a gota de sangue, mas a vermelhidão do rosto. Seu olhar varreu para baixo para cair em sua camisa rasgada e os vergões em todo seu pescoço.

—Filho da puta. —ele cuspiu fora.

Rusty encolheu-se se afastando e teria se retirado, mas ele pôs a mão no carro para bloqueá-la.

—Fale comigo, Rusty. O que diabos aconteceu? Será que aquele pequeno bastardo machucou você?

Ela balançou a cabeça rebelando-se e Sean soprou a sua respiração em frustração.

—Entra. Mostre-me onde seu carro está.— Ele deu a volta para colocá-la no lado do passageiro e ela olhou para cima brevemente enquanto deslizava para dentro.

—Não vai me fazer andar de volta, como os outros prisioneiros?

—Eu não prendi você. Ainda. —Ele bateu a porta e caminhou ao redor.

Ele precisava chamar Marlene para deixá-la muito mais tranquila, mas ele queria descobrir o que diabos havia acontecido em primeiro lugar. Rusty estava resistindo—não que isso fosse um choque qualquer.

Eles dirigiram até a estrada e cerca de uma milha acima, ele viu primeiro o nariz do carro em um barranco profundo.

—Maldição— ele murmurou. —Matt ainda está dentro?

A raiva brilhou em seu rosto novamente e ela balançou sua cabeça.

—Importa-se em me dizer onde ele está?

—Ele escapou —Sean parou ao lado do carro destruído e pousou a mão sobre o volante enquanto ele olhava para Rusty.—Alguma razão por quê?

—Porque eu ameacei chamar você. — ela deixou escapar.

Seus olhos se estreitaram.

—Chamar-me?

—Sim, okay? Foi um blefe. Muito estúpido. Você não iria mijar em mim se eu estivesse em chamas.

Sean estendeu a mão e tocou o sangue secando no canto de sua boca. Então ele abaixou a mão e puxou o colarinho de sua camisa de volta apenas uma polegada para revelar os já descoloridos lugares em seu pescoço. Rusty olhou para ele, seu olhar desafiador.

Sean pegou o telefone e teclou o número de Frank.

—Frank. Eu encontrei Rusty. Vou levá-la para casa depois de eu ter endireitado as coisas. Não, não venha. Eu vou cuidar dela. Você e Marlene apenas se preocupem com Sophie.

Ele desligou antes que Frank pudesse pressionar ainda mais e então olhou para Rusty.

—Podemos fazer isso de duas maneiras. Você pode dizer-me exatamente o que aconteceu, ou eu posso levá-la de volta para a delegacia e você pode me dizer lá. Sua escolha. Mas você vai me dar uma explicação exata ou vou encontrar Matt Winfree e obter o seu lado.

Rusty fechou os olhos.

—Não importa. Você não vai acreditar em mim. Ninguém vai acreditar em mim.

—Tente. — Ela virou o rosto para a janela e olhou para fora.

Mais contusões sombreavam da coluna fina do pescoço até a orelha. Ele foi ficando cada vez mais irritado a cada minuto. Então ela olhou para baixo e balançou os ombros como se ela estivesse valentemente tentando segurar o controle.

—Eu não queria fazê-los se preocuparem— disse ela com uma voz quebrada. —Não era suposto ser nada mais do que uma carona para casa. Matt Winfree é bonito e popular, e eu achava que ele estava interessado em mim. Ele perguntou se eu daria a ele uma carona para casa. Então eu disse que sim. Quero dizer, que menina não teria? Depois que saímos da escola, ele perguntou se ele poderia dirigir. Ele achou que o carro era legal e queria ficar atrás do volante. Eu sei que eu deveria ter dito não, mas eu queria que ele gostasse de mim.

A vulnerabilidade da dor em sua voz agarrou Sean pela garganta. Cristo, ela era apenas uma criança.

Era difícil lembrar isso às vezes, mas ela ainda era apenas uma garota de dezessete anos de idade que tinha tido um inferno de uma vida dura.

—Então, eu avancei mais e disse que ele poderia dirigir a sua casa e isso era tudo. Eu sabia que Marlene se preocuparia se eu não estivesse em casa, mas eu calculei que ela não se importaria com cinco minutos.

Ela ficou em silêncio e prendeu o seu olhar sobre algum objeto distante para fora de sua janela.

—Vá em frente— Sean pediu.

Ela arrastou-a mão pelos cabelos e ele viu que duas unhas estavam quebradas, pequenas linhas de sangue nas pontas. Ele tinha um sentimento muito ruim sobre isso.

—Ele dirigiu passando da sua casa. Perguntei-lhe por que diabos, e ele riu e disse que queria me mostrar algo. Eu já estava chateada porque eu lhe disse apenas para conduzir a sua casa. Ele chegou até aqui, comigo gritando com ele todo o caminho. Ele tentou...

Ela encostou a testa no vidro e encurvou os ombros para dentro, como se para esconder-se completamente de Sean.

—O que ele tentou?— Sean perguntou em voz baixa.

Rusty girou para ele, lágrimas nadando em seus olhos, mas elas brilhavam com fúria.

—Ele queria sexo, okay? Ele queria colocar em mim. Aparentemente é a fofoca quente na escola que qualquer garoto pode entrar em minha calcinha, e por isso ele queria sua vez.

A mandíbula de Sean se cerrou tão apertada que os dentes doíam.

—Ele estuprou você?

Ela deu uma risada seca.

—Ele tentou. Ele tentou,okay? Eu disse a ele que eu diria a você, e ele riu. Disse que nunca iriam acreditar em mim sobre ele, que todos sabiam que tipo de garota que eu sou. Eu lutei com ele e ele dirigiu meu carro para a vala. Então escapou. Provavelmente chamou um amigo em seu telefone celular para vir buscá-lo. Eu não sei. Eu não me importo.

—Ele está errado. —Ela levantou os olhos cheios de dor ao seu.

—O quê?

—Eu acredito em você. —O alívio foi esmagador em seus olhos. Lágrimas caíram por suas bochechas e em seguida, ela levantou as mãos em seu rosto enquanto os soluços cresciam. Ele estendeu a sua mão para colocar contra seu cabelo.—Ele não vai fugir com isso, Rusty.

Ela jogou a cabeça para cima novamente.

—Não. Você não pode contar a ninguém. Ninguém vai acreditar em mim. Ninguém. Você entende? Minha vida será arruinada. Eu não serei capaz de voltar à escola.

O triste foi que ela estava certa sobre um monte de pessoas não acreditando nela. Mas isso não significava que Sean e que o resto dos Kellys não poderiam tornar a vida do pequeno bastardo miserável.

—Não vou prestar queixa— disse ela com veemência. —Eu não vou. Eu vou dizer que nada nunca aconteceu. Você não pode me obrigar.

Sean deslizou sua mão debaixo de seu queixo e cutucou-o para cima.

—Confie em mim, Rusty. Eu sei que você e eu não concordamos totalmente. Eu sei que você me odeia. Mas confie em mim. Eu vou cuidar disso. — A esperança em seus olhos malditamente se desfez perto dele.

Ela se foi num piscar de olhos, e sua expressão foi escurecendo novamente.

—Agora me diga onde você está machucada. Você precisa de ir para o hospital?

Ela corou e sacudiu a cabeça.

—Ele me bateu algumas vezes. Rasgou minhas roupas.

Ele tocou ao lado de seu pescoço, onde os hematomas já haviam formado.

—O que aconteceu aqui? —Ela se desvencilhou e puxou sua camisa rasgada para cobri-lo.

—Não é nada. Ele segurou-me pelo meu pescoço enquanto rasgava minha camisa.— Sean se coçava para colocar as mãos em torno do pescoço de Matt.

—Diga-me o que você quer fazer então. Vou leva-la para o hospital, se você quiser ir.

—Eu só quero Marlene— disse ela em uma voz baixa.

—Então eu vou te levar para casa. Okay? Vou ligar primeiro para ter certeza que ela esteja lá.

—Será que ela não vai estar no hospital com Sophie?

—Acho que agora você precisa dela mais— Sean disse suavemente.

Rusty deu um suspiro de alívio e então ela olhou para ele.

—Obrigada. Você não é tão ruim, sabe? Para um policial.

Sean balançou a cabeça.

—Nós não somos os maus,Rusty. —Ele olhou para o carro dela.  —Você precisa de alguma coisa fora de lá antes de ir?

—Minha bolsa. E meu material escolar .

—Okay, sente-se firmemente enquanto eu vou buscá-la. Vou precisar chamar um guincho para vir buscar o carro.

—Frank e Marlene vão ficar tão chateados — ela disse. —Eles acabaram de me dar o carro e eu prometi cuidar dele.

Sean fez uma pausa e depois recostou-se no carro olhando sobre Rusty.

—Eles ficarão felizes que você está bem. Eles não dão a mínima para esse carro. —Enquanto caminhava em direção ao carro destruído, ele pegou seu telefone celular.

—Marlene? Aqui é Sean. Sim, com Rusty está tudo bem. Olha, eu sei que você está provavelmente no seu caminho para o hospital, mas... Rusty realmente precisa de você agora. Vou levá-la para casa, se você puder me encontrar lá.

 

Sean estacionou seu carro de patrulha fora da casa de Matt Winfree e sentou-se por um momento tentando manter a sua ira sob controle. Lidar com adolescentes vagabundos da laia de Matt não era nada de novo, mas desta vez realmente o tirou do sério.

Não era segredo que entre ele e Rusty, não eram perdidos de amor um pelo outro. Ela tinha sido obstinada, detestável e rebelde desde o primeiro momento que havia tomado conhecimento que Sean era um policial.

Metade do tempo ele queria sacudi-la sem sentido. A outra metade, ele preferia apenas evitá-la.

Mas ela não mereceu esta merda com Matt. Para todos os seus defeitos, ele sabia que além de seu exterior de garota durona existia uma menina muito assustada, insegura que só queria o que os outros adolescentes tinham como certo. Alguém para amá-la e dar a mínima.

Ele saiu e caminhou em direção a porta da frente. Tom, o pai de Matt, abriu-a quando estava a meio caminho.

—Sean— ele cumprimentou. —O que posso fazer por você?

Sean parou um pé na frente do último degrau.

—Eu preciso falar com Matt, Tom.

Tom franziu as sobrancelhas unindo-as.

—Há algum problema? Ele mal chegou da escola. Está fazendo sua lição de casa.

—Você precisa buscá-lo. Preciso ter uma conversa em particular com ele.

—Eu vou buscá-lo, mas vou ouvir tudo o que você tem a dizer.

Sean deu de ombros.

—Se você insisti.

Ele ficou de fora, as mãos enfiadas em seus bolsos enquanto esperava. Poucos minutos depois, Tom voltou com Matt e pisaram fora na varanda.

Matt olhou nervosamente entre Sean e seu pai e então seus lábios curvaram-se e ele partiu para a ofensiva.

—Não importa o que a pequena cadela disse, eu não fiz nada.

—Preste atenção a sua boca— Tom gritou. —Você vai mostrar algum respeito.

Sean nivelou um olhar para Matt e apreciou observá-lo se contorcer.

—Bem, até agora, eu não tinha dito absolutamente nada. Interessante que você entre na defensiva logo agora, não é?

Os olhos de Tom se estreitaram e ele ficou em silêncio enquanto olhava para seu filho. Então ele virou-se para Sean.

—O que está acontecendo aqui, Sean? Apenas cuspa. O que você acha que Matt fez?

—Eu não acho nada— Sean disse baixinho. Ele olhou de Tom para Matt e, em seguida, deu um passo para a frente. —Você é malditamente sortudo de eu não transportá-lo até a carceragem.

Matt sorriu, embora seus olhos traíssem seu pânico.

—Rusty não está prestando queixa, ainda que eu tentei convencê-la a isto. Nada me daria mais prazer do que meter você dentro de uma cela. Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa. Se acaso você respirar seu nome—mesmo uma vez—eu vou fazer sua vida miserável. Você me entendeu? Você não fala sobre ela. Você não se gabará para seus amigos que ficou ao lado dela. Se eu ouvir uma única palavra que você fez alguma coisa para torná-la miserável na escola, cairei em você com tanta força que você não será capaz de dar uma mijada sem mim respirando em seu pescoço e, em seguida, você pode beijar sua bolsa de estudos de futebol para Utah e dizer adeus.

Matt empalideceu e a expressão perplexa de Tom virou raiva

—Matt, o que diabos ele está falando? O que você fez?

—Eu não fiz nada— Matt cuspiu. —A pequena cadela é uma provocadora imbecil.

—Eu vi os hematomas no seu pescoço. Eu vi as lágrimas em sua camisa. Você destruiu seu carro novo — que, a propósito, você irá restituí-lo. Você ficará impune, o que me irrita como o inferno. Mas termina aqui e agora. Se você não acha que eu estou falando sério, acabou de me provocar. Posso arruinar a sua vida e, além disso, eu tomaria grande prazer em fazê-lo se você fizer alguma coisa para dar a Rusty um momento difícil. — Tom fechou os olhos e balançou a cabeça. Toda a cor foi drenada de suas bochechas, e Sean sentiu pena dele. Tom era um homem bom. Ele era um membro do conselho de longa data da escola e um grande defensor do ensino médio. Ele não pensou nem por um minuto que Tom iria perdoar o comportamento de seu filho.

—Ele vai fazer o que for preciso para fazer as pazes— Tom disse com voz rouca. —Você tem a minha palavra sobre isso.— O rosto de Matt avermelhou-se e inchou-se de raiva, mas o olhar de seu pai o impediu de falar o que tinha em mente.

—Eu quero que ele fique longe de Rusty e mantenha sua boca fechada.

Tom assentiu.

—Ele o fará.

Sean se virou e começou a ir em direção ao seu carro quando a explosão de Matt o atingiu.

—Ela não é nada! Somente alguma pequena vagabunda. Por que você dá a mínima para ela?

Sean parou e depois, lentamente, voltou-se para ele. Derrotou Matt com toda a força de seu olhar até que ele viu o reflexo de medo de volta aos olhos de Matt.

—É aí que você está errado, você é o pequeno vagabundo. Siga o meu conselho. Esqueça que você já ouviu falar o nome de Rusty. Ela é uma parte muito importante da família Kelly agora, e se você sabe alguma coisa sobre eles, então sabe que eles não sofrem qualquer insulto à sua família. Ela agora tem seis irmãos mais velhos que adoraria nada mais do que chutar o seu pequeno traseiro arrogante por toda Stewart County.

—Matt, pelo amor de Deus, cale a boca. — Tom rosnou. —Você está em apuros o suficiente como está.

Sean tirou o chapéu na direção de Tom e em seguida, continuou a seu carro.

Convencido de que ele tinha dado a Matt Winfree incentivo de sobra para manter a boca fechada e deixar Rusty em paz, ele dirigiu em direção à casa dos Kelly. Poucos minutos depois, ele fez uma parada ao lado do carro de Marlene e suspirou. Esteve preocupado por todo o caminho de volta. Especialmente por Rusty. Mas ele poderia, pelo menos, acalmar seus medos do incidente fazendo a ronda na escola.

Ele bateu e esperou. Marlene abriu a porta, seus olhos flamejando. Ah, ele já tinha visto aquele olhar muitas vezes. Ela era como uma tranquila, amável mulher, mas Deus ajudasse o tolo que mexesse com um de seus filhotes.

—Como ela está? — Ele perguntou em voz baixa.

Marlene deu um suspiro.

—Chateada, mas tentando não me deixar saber o quanto. Esta brincando com isso, é claro, mas assustou-a até a morte. Diga-me que você bateu muito violentamente nesse pequeno imbecil.

Os ombros de Sean sacudiram com o riso.

—Eu posso ter ameaçado—Marlene fez um som descontente.

—Posso vê-la?— Perguntou ele.

Marlene abriu mais a porta.

—É claro. Venha para dentro. Ela está na cozinha. Eu a fiz colocar uma compressa de gelo sobre os hematomas.

Sean fez uma careta para a menção dessas contusões. Isso o fez querer voltar ali e contundir o rosto de Matt Winfree. Ele seguiu Marlene para a cozinha e preparou-se para a beligerância de Rusty. Mas quando ela olhou para cima, não viu nenhum sinal de raiva ou hostilidade. Ela parecia... jovem e extremamente vulnerável.

—Como você está se sentindo?— Perguntou ele. Ela se encostou na pia da cozinha e deixou a mão segurando a bolsa de gelo cair.

—Eu estou bem. Graças a você.

Ela parecia subjugada. Ele quase a preferia vociferadora e detestável. Ele não sabia como tirar a calma e a derrota de Rusty.

—Só vim lhe dizer que não precisa se preocupar com Matt Winfree causando-lhe mais problemas. E a escola não será um problema. Ele não vai estar usando a sua boca.—Seus olhos se arregalaram de surpresa e suas lágrimas extremamente desconfortáveis brilharan na superfície.

—O que você fez?— Ela perguntou com voz rouca. Ele balançou a cabeça.

—O que eu fiz não é importante. O que é, é que ele não será um problema para você. E Rusty? Se você precisar de mim, você liga, okay? Você parece pensar que ninguém está do seu lado e que não pode depender de ninguém. Agora até você deve saber que não é verdade. Os Kellys estão por você, e eu também — Seus olhos tinham o fraco verniz do choque enquanto ela olhava para ele sem dizer nada.

O telefone de Marlene tocou, quebrando o silêncio crescente que seguiu ao seu anúncio. Ela o pegou e ele ouviu quando ela disse:

 —Alô — e, em seguida, abriu um sorriso largo. —Sophie teve o seu bebê! —Disse ela sobre a boca do telefone.

— Sean sorriu.—Isso é ótimo. Diga a Sam que eu disse parabéns.

Marlene falou ao telefone mais alguns segundos e depois desligou, sorrindo de orelha a orelha.

—Porque eu não levo as duas até o hospital para ver Sophie e o novo bebê? —ele ofereceu. Ele olhou para Rusty enquanto falava.—Parece-me que este é um bom momento para estar cercado por sua família.

Um sorriso pairava sobre sua boca, os cantos se elevando com os seus olhos iluminados.

Marlene olhou para Rusty e em seguida estendeu a mão para apertar Rusty.

—O que você diz? Quer ir e ver a mais nova adição ao clã Kelly?

—Eu gostaria disto.— Rusty disse com uma voz suave.

—Bem, vamos lá então. Vou te dar o código três de tratamento—ele disse com um sorriso.

 

—México? Que diabos ela está fazendo no México? —Garrett exigiu.

Donovan passou a mão pelos cabelos e bocejou enquanto olhava com os olhos turvos em seu computador.

—Sim. Um piloto de carga deu-lhe uma carona. Ela o pagou com uma grande quantia em dinheiro.

Os olhos de Garrett se estreitaram.

— Aparentemente não o suficiente para comprar seu silêncio. Como você cavou isto tão depressa?—Donovan levantou uma sobrancelha.

—Como já disse a você. Você e Sam acham que só vocês executam esta operação. Nenhum de vocês podem gerenciar sem mim.

—Sentindo-se rejeitado, Van?

—Foda-se. — Garrett riu.

—Eu acho que Sam e eu somos ambos bem cientes de quem é o cérebro neste campo. Isso definitivamente não é comigo. Então me dê tudo. Jesus, mas eu não tinha nenhum desejo de voltar ao México em breve.

—Quer que eu vá?— Donovan ofereceu. —Eu tive tempo para descansar. Você pode ficar aqui e vigiar a KGI enquanto Sam faz olhares de cachorrinho em sua nova filha.

—Claro que não.— Donovan levantou uma sobrancelha.

—Por que não? Além disso, como vai olhar o vagabundo de praia que salvou sua bunda na ilha de Bijoux aparecendo no México? Não há nenhuma quantidade de explicação que vai fazê-la acreditar em uma de tão grande coincidência.

—Eu vou ter de mentir.

—Sim, isso vai sair muito bem.

Donovan não estava dizendo qualquer coisa que Garrett já não sabia. Lutou com sua consciência, desde que Sarah fugiu. Ele sabia que ganhou sua confiança, ou pelo menos algum grau da mesma, enquanto estavam na ilha.

Ele ia ter que ter uma boa maldita explicação para aparecer novamente. Uma que não a fizesse bater a porta na cara dele, e não tê-la trancando-a novamente na primeira oportunidade.

Garrett empurrou para fora o fôlego em um bufar irritado.

—Eu vou dizer-lhe que Lattimer me enviou. Que ele me queria lá o tempo todo. Isto vai chocá-la o suficiente para acreditar, porque ninguém deveria saber. Eu estava muito com ela na ilha. Não acho que esteja em constante contato com Lattimer, então eu acho que vou conseguir algum tempo. E se ela falar com Lattimer, e se perguntar porque me enviou até lá, tanto melhor.

—É um bom plano— disse Donovan. — Então porque está tão chateado?

—Porque eu odeio mentir para ela, porra —Garrett explodiu. Ele passou a mão sobre sua cabeça para a nuca e sacudiu a cabeça. — Ela já esteve fodida mais de uma vez. Eu odeio a ideia de mentir para ela, de usá-la, mesmo que o fim justifica os meios.

Donovan acenou com a cabeça lentamente.

—Sim, eu entendi, cara. Minha oferta ainda está de pé. Eu posso ir. Ela não me conhece. Eu posso me esconder com ela em algum lugar e podemos preparar uma armadilha para Lattimer sem Resnick. Você fica com a garota. Tio Sam recebe Lattimer. Todo mundo estará feliz.

—Não. Eu vou. Você me acha um lugar que eu possa com segurança esconder Sarah. Eu me sentiria melhor se nós reuníssemos uns poucos membros da equipe e enviá-los em frente à casa segura. Talvez eu tenha que mentir para Sarah, mas isso não significa que eu não vou protegê-la com tudo que tenho.

—Eu vou dizer isso e provavelmente vai te chatear, mas acho que você deve permanecer o inferno de distante disto, Garrett. É pessoal com Lattimer e agora soa pessoal com Sarah. Eu posso fazer isso com uma cabeça clara. Você não pode.

—Você não vai chegar perto de Sarah. — Surpresa brilhou nos olhos de Donovan. Garrett limpou a garganta em desgosto e recusou-se a dizer qualquer outra coisa sobre o assunto. Donovan não era estúpido. Ele sabia que Garrett estava com o traseiro profundamente desconfortável em alguma merda. Mas isso não significava que seu irmão iria obter toda a conversação sobre isso.

—Vai me levar uma hora ou mais para fazer os arranjos e obter o jato pronto — Donovan afirmou.

—Eu nunca desfaço minhas malas, assim que estou pronto para pegar a estrada assim que você me der a luz verde. Enquanto você faz tudo isso, eu vou correr para o hospital para dizer adeus a Sophie e ver a nossa sobrinha. Eu também vou fazer uma visitinha para Ethan e Rachel no meu caminho de volta, mais para Rachel não se preocupar.

Donovan ofereceu uma continência rápida de dois dedos a que Garrett respondeu com seu dedo médio. Ele estava quase na porta quando a voz de Donovan o deteve.

— Tenha cuidado, Garrett. Isto, obviamente, é mais profundo do que sabemos. Chegue lá e faça o que tem que fazer para levá-la a confiar em você. Então você precisa agarrá-la e sair fora de lá.

Garrett virou-se, sua mão segurando o batente da porta.

—Sim, eu o ouvi. E obrigado, Van. Eu agradeço isso.

 

Marcus Latimer olhou friamente para o homem em pé na frente dele. Dois dos homens de Marcus ladeavam o traidor sujo, sangrando, suas armas apontadas para seus lados. Os lábios de Marcus curvados em desgosto. Ele não tinha nenhum uso para a deslealdade. Este homem havia se infiltrado na organização de Marcus, ganhou sua confiança, e o tempo todo ele tinha estado trabalhando para a CIA.

Ele deixou Douglas Culpepper cozinhar por um momento antes de Marcus dirigir-se diretamente a ele.

—Bem-vindo de volta, Douglas. Eu tenho procurado por você.

A tremulação nos olhos de Douglas traiu-o enquanto Marcus chamou o homem pelo seu nome. Ele permaneceu em silêncio enquanto olhava devidamente em Marcus, o conhecimento de seu destino refletido em seu rosto.

—Você me vendeu, Douglas, mas diga-me, você vendeu a minha irmã também?

Foi um dos poucos erros que Marcus conseguia lembrar-se cometendo.

Ele tinha feito uma vida sendo cuidadoso. Mas Douglas tinha sido bom. Marcus tinha baixado a guarda, um fato que ainda o deixava furioso. Ele tinha dito coisas a Douglas. Coisas que ele não tinha divulgado a mais ninguém em sua organização. Ele contou-lhe sobre Sarah.

A mandíbula de Marcus se contraiu enquanto Douglas permanecia em silêncio.

—Eu poderia ter deixado você ir,exceto por isso. —Marcus continuou. —Eles estão no seu encalço?— Douglas apertou os lábios e as narinas dilataram. Marcus atirou-se de pé, batendo as palmas das mãos no topo da sua mesa enquanto inclinava-se para Douglas. —Você vai falar, seu filho da puta. Eu garanto a você, antes que este dia acabe, você vai falar. Você vai me contar tudo o que você relatou aos seus superiores.

—Foda-se.

—Não— disse Marcus. —Foda-se você, Douglas.

Ele fez um movimento com a mão e Douglas foi arrastado do quarto por três dos homens de Marcus. Marcus afundou em seu assento e recostou-se enquanto ele se virava para olhar a janela. Douglas iria falar. Não que isso realmente importava.

Marcus teve que operar sob o pressuposto de que Sarah não era mais um segredo. O que significava que ela estava em perigo. A CIA e inúmeras outras operações não teriam escrúpulo em usá-la para chegar até ele. Um fato que a própria Sarah sabia, desde que ela ingenuamente fugiu para proteger Marcus. Ele sorriu para a ideia de que sua irmãzinha iria protegê-lo.

Ele era um dos homens mais temidos no mundo e ainda uma mulher com um coração mole e, pouco ou nenhum conhecimento de como o mundo era ruim, pôs em sua mente que ele precisava de sua proteção.

Não, não importaria se Douglas falasse, mas ele certo como o inferno iria se arrepender de trair a confiança de Marcus. Marcus não queria um fim rápido para o sofrimento de Douglas.

Seus homens tinham sido instruídos a mantê-lo vivo por tanto tempo quanto possível. Eventualmente, ele morreria da pior espécie de agonia. Até então, ele rezaria para a morte a cada respiração.

Marcus abriu seu laptop e verificou a conta de e-mail onde Sarah enviava mensagens. Lá estava uma nova dela. Desagradável satisfação apoderou-se dele enquanto examinava o conteúdo. Ela estava finalmente pedindo-lhe ajuda.

Ele rapidamente digitou uma resposta detalhada, dando umas breves instruções sobre onde ir e o que fazer quando ela chegasse lá. Uma vez que ele teve feito, fechou seu computador e esperava que ela tivesse o bom senso de ouvi-lo.

Ele recostou-se novamente na cadeira e estudou os padrões na pintura que adornava a sua parede. Então, lentamente abriu a gaveta onde guardava uma foto de Sarah trancada em um cofre pequeno.

Ele não podia permitir que nada acontecesse com ela. Ela já sofreu demais. Se o seu pai tivesse feito o seu dever, Sarah teria sido elevada com a proteção e privilégio que ela merecia.

Ele esperava que o bastardo estivesse apodrecendo no inferno. Lado a lado com Allen Cross.

—Em breve, Sarah — ele murmurou.— Eu vou certificar-me que você nunca precise de nada. Só preciso de um pouco mais de tempo.

 

Não havia vista para o mar. Não havia som de ondas em aproximação e nenhuma brisa fresca da água. Estava quente. O tipo de calor úmido enjoativo que fazia Sarah mais nervosa do que ela já estava.

Ela havia chegado no dia anterior após se esconder em um ridiculamente pequeno quarto de hotel em ruínas, em uma cidade que ela não conseguia sequer lembrar o nome. Quando recebeu o e-mail de Marcus com instruções explícitas, sentiu tanto temor e alivio. Por mais que ela não quisesse envolver seu irmão em sua confusão, ela precisava de ajuda e ele a proporcionou maravilhosamente.

Fiona, a zeladora da casa da propriedade de Marcus, tinha abastecido de mantimentos e todas as necessidades, e assim que Sarah chegou, ela discretamente desapareceu deixando apenas um número de telefone onde ela poderia ser alcançada se Sarah precisasse de alguma coisa.

A área era remota, mas não sem suas rotas de escape. Ela havia passado cada momento de suas primeiras horas aqui, meticulosamente planejando-se para qualquer eventualidade.

Ela tinha sido um pouco — okay, muito —ingênua quando chegou na ilha a semana anterior. Não que ela não foi extremamente cautelosa, mas mesmo assim, ela tinha sido pega de surpresa e sem uma forma de proteger a si mesma. Rota de fuga, sim. Ela teve a certeza a partir do momento em que ela chegou à Ilha de Bijoux. Mas ela não tinha considerado sua própria proteção. Ridículo, considerando suas circunstâncias. Não era mais um problema. Graças a Marcus, ela agora era dona de uma arma e enquanto ela não fosse exatamente capaz de testar-fogo, ela aprendia sobre cada centímetro da arma, carga e descarga, da segurança, o peso da arma e como o cabo descansava no berço da palma da mão. Era grande e um pouco estranho para ela, mas em apuros, ele iria trabalhar.

Ela levantou-a, apontando para um inimigo imaginário e testando sua determinação em matar outro ser humano. Quando tudo o mais falhasse, ela imaginaria Allen Cross, imaginaria enfrentando-o, e colocando-o para baixo com uma bala no coração. Ela poderia cuidar de si mesma. Era hora cuidar de si mesma e deixar de ser a idiota indefesa com medo, em que ela se transformou em relação ao ano passado.

Em uma vida anterior, ela teria sido capaz de ficar na ilha e talvez desfrutar de um romance de férias com Garrett. Ele certamente pareceu interessado o suficiente. Ele beijou-a.

Ela tinha visto a maneira como ele olhou para ela. Ela não ficou imune ao homem, apesar do débil sentido de alarme levantado por ele sempre que estava perto.

Não, não era medo dele como alguém que representava um risco potencial para a segurança dela. Era o medo que uma mulher tinha quando ela sentia que um homem podia dominar os seus sentidos e reduzir os seus instintos aos de um ser primitivo.

Era uma sensação inebriante. Encheu sua mente e alma com uma vibração que despertava um profundo desejo. De possuir e ser possuída.

Risada zombeteira borbulhava na garganta enquanto ela olhava para o exuberante terreno em volta da casa. Ela estava na janela e esfregou as mãos para cima e para baixo nos braços. Estava correndo por sua vida e estava aqui de pé contemplando os “se’s” em se envolver num caso com um cara quente. Mas foi incentivada pelo surto de atração, a capacidade de pensar em um homem bonito, sem o medo e a desconfiança esmagadora nela.

Era... um passo na direção certa. Progresso. Cura. Doce, doce cura.

Em meio a tanta agitação e do conhecimento de que sua vida estava irrevogavelmente mudando, a esperança queimava. Que talvez, apenas talvez, seu futuro não era o horizonte sombrio que tinha sido meses atrás.

Era... libertador.

Fome a levou para a cozinha. Relutante, deixou seu assento acima do terreno circundante.

Aqui ela se sentia mais segura. Ela podia ver uma ameaça se aproximando. A cozinha, embora pequena, era bem abastecida e surpreendentemente tinha modernos eletrodomésticos.

Era mais moderna que a do seu apartamento em Boston. Depois de verificar a geladeira e despensa, ela decidiu ir para o simples e fez um sanduíche. Cozinharia mais tarde, quando não estivesse se sentindo tão impaciente, como se alguém sairia da floresta, a qualquer momento e invadiria a casa. Ela serviu-se de um copo de vinho e começou a guardar a garrafa, mas depois decidiu que uma garrafa inteira não era má ideia.

Ela iria definitivamente ajudar a levar para longe a borda de todo desgastante estresse dos dias anteriores.

Ela enfiou a garrafa debaixo do braço, pegou o prato com seu sanduíche e depois recolheu o seu copo de vinho com a outra.

Ela voltou para a sala de estar com todas as janelas e se posicionou de modo que ela tivesse a melhor vista.

Até o momento ela estava na metade do seu sanduíche, e já havia reabastecido a taça duas vezes.

Relaxada pelo vinho, o esgotamento rastejou como um nevoeiro lento, que escoou através de suas veias até que seus membros foram relaxando e as pálpebras estavam tão pesadas que ela lutou para mantê-las abertas. Ela tirou os sapatos e se inclinou para frente para colocar seu prato na mesa de café ao lado da quase vazia garrafa de vinho. Depois de olhar um momento o seu copo, reduziu o conteúdo e depois caiu de volta no sofá, sua cabeça saltando suavemente contra a rechonchuda almofada.

Provavelmente não era a melhor ideia ficar bêbada quando ela deveria estar na sua guarda, mas ela não tinha dormido em três dias seguidos, e estava esgotada. Ela tinha de dormir ou iria enlouquecer.

Havia uma outra coisa que tinha que fazer antes que sucumbisse à exaustão. Arrastou seu laptop mais para ela a partir do final do sofá e abriu-o. Levou um momento para seu computador encontrar a rede sem fio e ela prendeu a respiração, esperando que a conexão da Internet fosse confiável o suficiente para ela verificar seu e-mail. A tela borrava e ela chegou até a esfregar os olhos e massagear a testa enquanto batia nas teclas com a outra mão e completava a série de passos para acessar sua conta. Sua conexão era lenta e pareceu durar uma eternidade para a página carregar.

Quando finalmente, a tela com a mensagem que tinha novos e-mails apareceu, ela bateu impacientemente no teclado para acessar o conteúdo. O primeiro foi apenas uma linha.

Deixe-me saber que você fez isso com segurança.

O segundo continha toda a impaciência e preocupação que ela conhecia que Marcus era capaz.

Porra, Sarah, o que está acontecendo? Verifique no minuto em que você conseguir isso. Estou preocupado.

Ela abriu um e-mail em branco e digitou uma resposta curta.

Eu fiz isso. Obrigada. Por favor, não se preocupe. Eu estou esperando como você me disse.

Ela fechou o laptop e empurrou-o para o fim do sofá. Suas pálpebras caídas mais precariamente do que antes. Dormir. Finalmente, a fadiga estava rapidamente a ultrapassando.

Ela olhou para o final da mesa à sua direita e estendeu a mão para agarrar a arma.

Após a verificação para garantir que a segurança estava engatada, ela o colocou na frente dela sobre a mesa ao lado do seu sanduíche descartado, certificando-se que a arma estava dentro do alcance fácil de sua posição no sofá. Ela bocejou amplamente e deu boas vindas ao esquecimento se aproximando com o sono.

Ajudada pelo vinho e três dias de vigília de adrenalina induzida, ela escorregou para baixo. Mas, mesmo assim, seu sono foi quebrado e ela sonhava com sombras escuras e com algo completamente diferente.

Sonhava com Garrett.

 

GARRETT não se intrometeu imediatamente no recém-descoberto santuário de Sarah. Ele passou o primeiro dia de reconhecimento da área, mantendo o ouvido no chão e assegurando malditamente que não estava andando em uma armadilha — e além disso, que quando ele fizesse sua presença conhecida, eles teriam um caminho de fuga desobstruído.

Donovan foi positivo que a casa em que Sarah estava escondida pertencia a Lattimer, o que significava que Sarah tinha estado em contato com ele desde que deixou a ilha. Ele ia ter que falar rápido e tornar maldita a certeza que Sarah não contataria-o novamente após Garrett fazer sua presença conhecida ou, para que sua cobertura fosse destruída aos céus.

O que quer que tivesse a impedido de aceitar a ajuda de seu irmão antes, evidentemente, tinha saído pela janela, assim que ela foi ficando com medo.

Ou talvez este tivesse sido o plano o tempo todo. Quem sabia o pensamento de Lattimer. Zangou Garrett que o irmão de Sarah havia deixado-a fora vulnerável por tanto tempo, enquanto ela estava na ilha.

Se ela era tão malditamente importante para ele, então Lattimer devia a ter levado embora a uma de suas muitas fazendas ela gostando ou não. Como resultado do sigilo de Sarah, Garrett não tinha ideia do que ele estava se metendo. Por tudo o que sabia, Lattimer poderia estar aqui com ela, embora isso faria dele o idiota mais filho da puta sobre o planeta, e Lattimer não estaria vivo por ser de perto um  ser estúpido.

Ainda assim, coisas estranhas tinham acontecido, e uma coisa Garrett tinha aprendido em seus anos no exército e as missões que a KGI tinha assumido há anos, era que merda acontecia todo o tempo e a regra número um era para estar preparado para qualquer coisa. Ele mudou sua mochila, e trocou seu rifle para a outra mão enquanto subia outra colina na área arborizada que cercava a casa de Sarah. Ele estava chegando ao fim da sua missão de reconhecimento após ter feito um 360 completo do terreno. O que tinha visto até agora lhe agradou. Não havia nenhum sinal de atividade recente, nenhuma indicação de que alguém a tinha encontrado antes que ele tivesse.

Mas ainda assim ele prestou muita atenção ao menor indício de que ninguém, mas que ele, esteve vigiando a casa.

Ele descansou em seu estômago e mudou seu binóculo aos olhos. Ele dirigiu-o nas muitas janelas de vidro da casa. A abertura o deixou irrequieto apesar de ser uma das propriedade de Lattimer, provavelmente todo o vidro era à prova de balas. Garrett franziu o rosto, endurecendo ainda mais quando ele a encontrou, situando-se em uma das janelas olhando para fora com uma expressão preocupada. Não importava se o vidro era à prova de balas ou não. Ela desfilando na janela era um convite a qualquer pessoa no seu encalço. Ele iria ter uma longa conversa com ela sobre as medidas de segurança, tão logo explicasse-lhe a magnitude do perigo que ela estava participando.

Inferno, todo o mundo queria um pedaço dela.

Resnick estava, provavelmente e com direito, tendo um ataque de fúria neste momento e estaria respirando com dificuldade por trás do pescoço de Sarah. Donovan tinha encontrado Sarah, assim poderia Resnick.

Ele não queria nem pensar em quem mais estava procurando por ela.

O arrombamento na ilha ainda pesava em sua mente.

Quando ele tinha levado a cabo com a sua vigilância, e convencido de que uma ameaça imediata não existia, escondeu o seu equipamento entre duas rochas e começou a viagem lenta em direção à casa. Ele pegaria o seu equipamento após seu momento venha-a-Jesus com Sarah. Se ele invadisse o local totalmente armado , só assustaria a merda fora dela, e ela já estava indo ter um momento o-que-porra grande o suficiente sobre sua chegada.

E ele não tinha chocolate para acenar debaixo de seu nariz neste momento. Desde que ele não queria que ela tivesse qualquer aviso prévio da sua vinda —ela iria, provavelmente decolar novamente —ele teve o cuidado de manter sua abordagem disfarçada e circulou até a margem traseira da propriedade para que pudesse acessar a entrada dos fundos.

Sutileza nunca foi seu ponto forte, mas agora ele guerreava-se entre a bater como se ele fosse algum convidado ocasional —sim, certo— ou apenas interromper dentro no canto da parte de trás antes que ela tivesse alguma ideia maluca. Ele estava confiante em sua capacidade de falar rápido uma vez que ele estivesse dentro.

Ele preferia estar indo, explicar mais tarde. Muito mais seu estilo.

Quando chegou à porta de madeira sólida a partir do terraço em volta, ele deu experimentando um puxão na maçaneta. Pelo menos, ela trancou-a. Transferiu-se para a janela a poucos metros da porta e olhou para dentro. Sentia-se como um maldito espreitador repugnante e se ela o visse, não teria razão para acreditar no contrário.

—Entra em primeiro lugar. Explica mais tarde — ele murmurou.

Ela era uma missão, e ele não devia se sentir como se tivesse de pedir desculpas para ter certeza que ela estava segura.

—Mantenha-se dizendo que é amigo.Talvez você irá acreditar.

Cristo. Agora ele estava tendo conversas de boneca com ele mesmo. Talvez ele deveria ter deixado Donovan assumir a missão depois de tudo. Era evidente que ele estava perdendo sua maldita mente.

Depois de entrar, não a viu, era provável que ela ainda estava de pé na frente das malditas janelas. Ele testou a janela e achou-a bloqueada também. Não apenas bloqueada, mas havia paus entre o topo e o meio do peitoril para reforçar a segurança. Ninguém iria entrar ao menos que eles quebrassem as vidraças. Então ele foi de volta para a porta. Ele pegou a pequena bolsa que continha suas “ferramentas”.

Inferno, que tinha sido um longo maldito tempo que ele recorreu a um arrombamento que não envolvessem explosivos. Levou mais tempo do que gostaria, mas ele finalmente arrombou o bloqueio e cuidadosamente abriu a porta. Apenas para descobrir duas correntes que o impedia abrir mais de duas polegadas.

—Filho da puta— ele murmurou.

Não havia nenhuma maneira tranquila para fazer isso. Ele não exatamente carregava por aí alicates. Assim, ele faria uma entrada de qualquer maneira, apesar de sua determinação de não assustar a luz do dia fora dela. Ele se afastou e depois bateu o ombro na madeira pesada.

Levou duas tentativas antes de as correntes cederem e ele esparramar-se para dentro da casa. Ele bateu no chão e rolou. Somente para parar na frente de um par de pés femininos.

Se ele esperava que ela gritasse em pânico ou tivesse uma reação de outra forma feminina, estava completamente errado. Quando olhou para cima, ele estava olhando para o cano de um canhão do caralho. Jesus, ela estava segurando um maldito Desert Eagle .50 cal.

Quando ele olhou mais alto se encontrou com uma mulher furiosa.

Ele baixou o olhar novamente para a arma ao ver que ela tinha uma pegada casual em todo o cabo, e pior, a segurança estava destravada e seu dedo estava enrolado de maneira muito apertada ao redor do gatilho.

—Sarah— disse ele em voz baixa.

—Seu filho da puta— ela sussurrou.—Era você o tempo todo, não era? Você não estava lá em algumas férias. Alguém o enviou atrás de mim.

—Em uma maneira de falar— ele disse suavemente, ainda mantendo um olho muito próximo em seu dedo no gatilho. —Mas se eu tivesse sido enviado para matá-la, você já estaria morta.

Confusão cintilou em seu rosto. Claramente que não tinha sido o que ela esperava ouvir.

—Será que Marcus o enviou?—O interessante é que ela parecia pensar que alguém ou outra coisa o teria enviado. Ele chegaria a isso mais tarde. Agora ele tinha que ser malditamente convincente.

—Sim. Ele me enviou.

Com a sobrancelha franzida ela deu um passo para trás, embora ela mantivesse a arma malditamente apontada para ele, e o problema era o lugar onde ela tinha apontado —embora ele não ia correr o risco de chateá-la, pedindo para atingir uma parte diferente de sua anatomia.

Haveria um relatório médico humilhante que ele não tinha desejo de registrar. Tendo suas bolas disparadas por uma mulher irritada.

Seus olhos se estreitaram em suspeita, enquanto ela olhava para ele.

—Quem é Marcus? E é melhor saber todas as respostas ou eu vou atirar.

Havia uma firmeza definida em seu queixo. Seus lábios estavam apertados e os olhos brilhavam, e não estava com medo. Não, ela parecia mais do que capaz de atirar nele só porque ela estava irritada.

—Eu posso levantar?— Ele perguntou calmamente.

—Não. Fique para baixo. Começa a falar. — Ele suspirou.

Ele levaria um tiro se Resnick soubesse sobre o que diabos ele estava falando e esperava que ele não estivesse errado.

—Seu irmão me enviou. Ele não quer você desprotegida.

Surpresa de repente a fez instável, e ele ficou tenso, esperando que ela não o matasse por acidente. Então seus olhos se estreitaram novamente.

—Por que ele não disse nada? Quando exatamente vocês tiveram tendo esta conversa franca?

Ele levou outra facada e esperava que ele estivesse certo sobre Sarah não estar em contato constante com Lattimer. Ele suspeitava que ela correspondia-se apenas por e-mail, a julgar pela forma fanática que ela estava sobre esse maldito laptop.

—Seu irmão não é o tipo de falar as coisas através de um e-mail. Nada é cem por cento seguro, você sabe. Além disso, ele não queria preocupá-la. Meu trabalho era ficar perto e certificar-me que você ficasse segura.

Ela franziu o cenho.

—Então, por que toda a elaborada charada? Você não tem que namorar comigo para prestar atenção em mim.

Ele encontrou o seu olhar e recordou-se do beijo dela. Lembrou-se a tocando e acariciando as mãos sobre as curvas de seu corpo. E o que ele estava prestes a dizer-lhe, ao mesmo tempo uma mentira, seria a verdade absoluta, se seu irmão realmente o tivesse o contratado para protegê-la.

—Eu queria passar o tempo com você. Você me intrigou.

—Assim toda essa besteira na ilha era só para você ter certeza que nossos caminhos se cruzariam várias vezes e que você pudesse fazer um trabalho? — A nota de incredulidade em sua voz era difícil de perder. Como foi o sarcasmo. Mas havia também uma pitada de dor em sua voz que torceu a faca um pouco mais em seu intestino.

—Claro que não, e eu acho que você sabe disso. — Ela fechou os olhos e balançou a cabeça por um momento. A mão que segurava a arma oscilava precariamente, e ele aproveitou a oportunidade antes que ela acidentalmente puxasse o gatilho e fizesse dele uma mulher. Ele rolou e agarrou seu pulso, apontando a arma em direção à parede.

Em seguida, ele apertou até ela gritar de dor e a arma cair com um ruído para o chão. Ele imediatamente abrandou seu pulso, mas realizado enquanto pegava a arma com a outra mão. Ainda segurando a mão dela, ele ergueu-se, em seguida virou o seu braço e esfregou o polegar sobre a marca que ele tinha feito no interior de seu pulso.

—Sinto muito. Eu não queria magoar você.

Ela puxou o braço para trás e apertou o braço ao peito, os olhos perturbados enquanto olhava nervosamente para ele.

—Quem é você?— Ele estalou o clipe de sua arma e embolsou-a antes de colocar a pistola em uma mesa de canto nas proximidades.

—Meu nome é Garrett. Eu não menti sobre isso.

—Isso me diz absolutamente nada.

—Eu trabalho para diferentes pessoas — disse ele. —Eu protejo as pessoas. É o que eu faço.

Ela arqueou uma sobrancelha delicada.

—Você é um mercenário?

—Se você está perguntando se recebo dinheiro em troca dos meus serviços, então sim. Eu não trabalho de graça —Seus olhos se estreitaram.

—E quanto está sendo pago para você me proteger?

—Será que isso importa? O que é importante é que eu mantenha-a segura. Eu acho que você terá um grande interesse nessa parte.

—E você espera que eu confie em você. Assim à toa— Ele tinha que controlar o estremecimento.

Sim, ele queria que ela confiasse nele mesmo quando alimentava-lhe uma grande mentira. Ele em seu lugar, partiu para a ofensiva.

—Se eu quisesse você morta, você estaria morta— disse ele sem rodeios. —Eu tenho a maldita certeza que não teria ido através de uma farsa elaborada para se aproximar de você, e eu tenho a maldita certeza que não teria beijado você — Seus olhos se arregalaram e ele chutou-se por trazer isso à tona. Ele não estava tentando ser manipulador e ganhá-la sobre as emoções, embora certamente olhasse dessa maneira no final.

—Por que você fez, então?—

—Porque eu queria.—Essa era a verdade.

Ela não parecia como se soubesse o que dizer a isso. Confusão cintilou em seus olhos e depois ela se afastou, as mãos indo para esfregar nas têmporas. Quando ela andou o suficiente para que ele pudesse ver seu rosto novamente, a extrema fadiga brilhou como um sinal de néon.

—Quando foi a última vez que você dormiu? —Ele exigiu. Ela parecia ainda mais surpresa com a pergunta.

Suas mãos saíram de sua cabeça e ela olhou para ele como se fosse um quebra-cabeça que não poderia bem entender.

—Eu não entendo você, Garrett. Eu não entendo nada disso. Por que você está aqui? Eu não preciso de você.

—O inferno que não. —Ela levantou a mão novamente e apertou-lhe a palma da mão aberta na testa.

—Deixe-me reformular então. Eu não quero você aqui. Vá para casa. Eu mudei de ideia. Eu não quero Marcus envolvido. Apenas me deixe sozinha.

Ele bufou, ficando mais irritado a cada minuto.

—Você realmente acha que pode ir sozinha? Sarah, você é uma vítima esperando para acontecer. Inferno, você estava de pé parada na frente das janelas, olhando estupidamente por aí como uma idiota. —Sua cabeça se levantou e ela olhou para ele, seus olhos piscando.

—Você estava observando-me?

—Inferno, sim. Eu estava. Estive aqui por dois dias observando e fazendo maldita a certeza de que você não foi seguida. Você não tem exatamente tornado difícil para qualquer um a encontrar. Você pode também pendurar um sinal de néon que diz “Sarah Daniels. Aqui está”, e pintar um grande X vermelho na sua testa.

Ela cobriu o rosto com a mão e fechou seus olhos.

—Deus, tive o cuidado. Eu pensei que eu tive o cuidado. Estou me iludindo? Eu não sei nada sobre esconderijo. Eu nunca tive que esconder-me.

Ela parecia perigosamente perto de entrar em colapso. Seus ombros caíram num gesto de derrota, e ela parecia tão malditamente pequena e vulnerável.

Ele deu um passo adiante, com a intenção de puxá-la em seus braços, mas hesitou. Na ilha ele não teria pensado duas vezes sobre isso, mas era diferente agora. Ele a tinha enganado.

Ela provavelmente pensou que tudo que aconteceu na ilha era apenas um esforço para ganhar sua confiança.

E ao mesmo tempo em que tinha sido sua inicial intenção, com maldita certeza não foi por isso que ele a beijou, ou por que ele estava morrendo de vontade de fazer o mesmo diretamente aqui e agora.

Só que agora ele elevou as apostas. Ele nunca mentiu para ela completamente antes de agora.

—Sarah. — ele disse em voz baixa. Ela olhou para cima, com os olhos vermelhos, exaustão praticamente gritando de volta para ele.

—Eu não espero que você confie em mim totalmente ainda, mas agora você não tem um inferno de um monte de escolhas. Até eu saber o que é a ameaça e eliminá-la para você, você está presa comigo. Que não tem nada a ver com o seu irmão ou qualquer outra pessoa. Tem a ver com você estar segura, e eu vou fazer o que eu tenho que fazer, a fim de que isso aconteça.

—Por quê? Por que você se importa?

Ele olhou para ela por um longo tempo.

—Eu me importo. Vamos deixar por isso mesmo.

 

SARAH olhou fixamente de volta a Garrett, ainda tentando processar o fato de que ele estava de pé em sua casa. No México. Ela queria ficar furiosa—ela ficou furiosa— mas ela estava malditamente muito cansada e confusa para fazer qualquer coisa mais que olhar como uma idiota enquanto tentava absorver tudo. Em seguida, ela balançou a cabeça. Por que diabos eles estavam ali falando sobre o beijo?

Ele estendeu a mão em concha e sua mão sobre o seu rosto. O toque foi uma sacudida para o seu sistema e enviou um lampejo de consciência para baixo da sua coluna vertebral.

Ele esfregou seu polegar sobre sua bochecha, a digital áspera sobre sua pele, até um arrepio subir em sua nuca.

—Você precisa dormir, Sarah. Eu vou cuidar de você. Ninguém vai machucá-la. Eu preciso de você no seu melhor e então temos de dar o fora daqui.

Ela oscilava, hipnotizada pelo timbre profundo de sua voz. Quão fácil ela deixou-se cair sob seu feitiço.

—O que há nisto para você?— Então, como se ela lembrasse —Além do dinheiro— ela disse com um toque de amargura.

Sua mão parou em seu rosto, e uma corrente leve de tensão correu através de seu alcance. Ele parecia lutar com a pergunta, e ela perguntou se ele se preocuparia em responder.

Então ele deixou cair o dedo até que esfregou sobre os lábios dela.

—Você. Você é o que está nisto para mim.

Ela deu um passo para trás, desconcertada pela absoluta seriedade que ouviu em sua voz.

Ele seguiu-a.

Ela recuou até as suas costas colidirem contra a parede e então ele colidiu com ela, pressionando seu corpo contra o dela, até seu calor invadir seus membros.

Ela ergueu as mãos, totalmente com a intenção de empurra-lo para longe, mas silenciou quando entrou em contato com seu peito.

—Eu vou te beijar novamente, Sarah.

—Não, você não vai.

—O inferno que eu não vou— ele rosnou assim quando seus lábios derretiam sobre os dela.

Isto era estúpido. Eles estavam se beijando. Ela tinha acabado de ameaçá-lo com uma arma. Ele tinha acabado de chamá-la de uma idiota que estava tentando se matar.

Ele propositalmente se posicionou sobre o console para chegar perto dela. O encontro não tinha sido por acaso.

Ele mentiu. Mas não tinha mentido. Realmente não. Ela tinha sido uma idiota por não ser mais cuidadosa. Ele não teve que mentir para ela porque nunca o pressionou para obter informações. Ele esteve lá, uma presença forte e estável e ela se agarrou como alguma patética idiota.

Bem como ela estava fazendo agora. Ela parou, determinada a não responder. Determinada que ela podia mostrar indiferença. Que ela ainda estava irritada com a sua decepção.

Mas ele era paciente. Oh, o homem estava paciente. E letal.

Ele cortejou-a com a boca, degustando, beijando cada parte de seus lábios antes que ele brincasse com ela suavemente provocando a boca aberta para a sua língua ganhar entrada.

Ele a saboreou como se ela fosse algo decadente e delicioso, sua língua dançava levemente sobre a dela e depois afagava, quente e macia.

Ela fechou os olhos e oscilou para ele, os dedos cavando a dureza do seu peito. Ela congelou quando a barriga dela pressionou em sua virilha e sentiu a evidência de sua excitação, dura e quente contra a sua suavidade.

Ele amaldiçoou suavemente e puxou a boca para longe, deixando apenas um centímetro entre eles.

—Ignore isso — disse ele. —Eu não queria assustá-la.

Ela riu. Não podia ajudá-lo. Seus ombros balançaram e ela olhou para baixo e riu mais uma vez.

—Que diabos é tão engraçado?— Ele exigiu. —Definitivamente não é bom para o ego de um homem quando uma mulher olha para o pau dele e ri.

Desta vez o riso saiu em resfolegante fôlego. Ela riu tanto, que lágrimas reuniram-se nos cantos dos olhos e depois escorriam pelo seu rosto.

Ele olhou para ela, sua carranca cada vez mais feroz a cada explosão de riso.

—Pelo contrário —ela deixou sair.— Você me diz para esquecer algo que é óbvio?

—Eu estava tentando não ser um idiota— ele resmungou.

Por alguma razão ela descobriu que era ainda mais engraçado.

—Você invadiu minha casa. Você tomou a minha arma longe de mim. Informou-me que mentiu sobre tudo simplesmente quando estávamos na ilha. Então me diz que eu sou uma idiota que está tentando ficar morta. E você está preocupado em ser um idiota?

Ele abriu a boca, em seguida fechou-a imediatamente. Então ele se afastou e pegou sua arma sobre a mesa, onde a colocou.

Ele virou-a na mão, em seguida, olhou para trás para ela.

—Não é uma escolha ruim, mas é grande demais para você. Não estava segurando firme o suficiente para que ela não a impulsionasse para trás e, provavelmente, a faria cair em seu traseiro. Você precisa de algo menor que se adapte melhor à sua mão. A 0.38 seria uma boa escolha.

Ela franziu o cenho.

—Eu estava segurando apertado o suficiente para atirar em você.

—Você estava com a mira em minhas bolas — disse ele em voz descontente.

—Oh.

—E se você começar a rir outra vez, eu vou chutar o seu pequeno traseiro.

Ela bateu a mão sobre sua boca para abafar o riso que ameaçava saltar.

—Você precisa descansar um pouco. Enquanto você dorme, vou descobrir para onde iremos.

—Eu não disse que eu iria a qualquer lugar com você — disse ela em voz baixa.

—E nós vamos falar mais sobre isso depois que você conseguir dormir um pouco.

Foi muito difícil manter qualquer aparência de raiva ou discutir com ele sobre o assunto, quando tudo que ela queria era deitar-se e fazer exatamente como ele sugeriu. E se ele estava dizendo a verdade e realmente estava ali para protegê-la, então poderia dormir sem se preocupar de quem ou o que estava lá fora.

—Sim, vamos falar— disse ela por meio de acordo. —Eu quero saber tudo.

Ele balançou a cabeça.

—Como eu, Sarah. Há um inferno de um monte de coisas que eu preciso saber se vou manter a nós dois vivos.

Ela teve o cuidado de não mostrar qualquer reação exterior, mas o pânico se revolveu em seu estômago.

Ela apenas devolveu o aceno de cabeça, não confiando-se a falar. Ele queria saber tudo, e ela precisava de tempo para determinar o quanto da verdade ela poderia dizer-lhe sem lhe dizer tudo.

—Mostre-me todo o interior da casa. Eu quero ter certeza que você vai dormir em uma área segura onde não há uma ameaça do lado de fora.

Seu estômago ainda agitado, ela o guiou em direção à ampla sala de estar aberta que servia como sala de jantar e sala de estar, tudo em um. Ele alternava entre balançando a cabeça e xingando baixinho.

—Você não entrará nesta sala. Ponto. E ficará o inferno bem longe das janelas.

—Mas é aqui que eu fico a maior parte do tempo. Eu posso ver tudo a partir daqui. Eu saberia se alguém estivesse se aproximando.

—Como você sabia que eu estava aqui?— Ele perguntou malignamente.

Ela corou.

—Você não é a maioria das pessoas. Você provavelmente estava rondando no mato usando uma pintura de camuflagem, e usando arbustos em sua cabeça.

Ele parou e levantou a mão, e ela se preparou para a palestra que sabia que ele estava prestes a fazer.

—Primeiro de tudo, se você pode ver, eles podem muito bem ver dentro. E à noite, você não pode ver uma maldita coisa lá fora, mas com as luzes acesas, eles podem vê-la brilhante como o dia. Em segundo lugar, quem vem atrás de você é malditamente certo que não vai subir e bater em sua porta da frente. Ele se posicionará lá fora, nos arbustos e ele colocará uma bala através da sua cabeça no momento em que fincar a cabeça para fora da casa.

O sangue drenou de seu rosto e ela fechou os olhos.

—Você está certo. Você está certo, okay? Eu não acho... Quer dizer, eu não sei como pensar como um... um assassino.

—É por isso que você tem a mim— disse ele. —Agora vamos dar o fora da frente dessas janelas. De agora até sairmos, esta sala esta fora dos limites.

Ela balançou a cabeça e seguiu em direção à sala onde os dois quartos estavam localizados. Ele enfiou a cabeça no primeiro e prontamente recuou, balançando a cabeça.

—Este não. Muito vulnerável. —Ela suspirou.

Ele abriu a porta no final do corredor e parou na entrada por alguns momentos antes de apontar para dentro.

Era o menor dos dois quartos com apenas uma cama gêmea, no momento, ela não se importava.

Havia apenas uma janela, um pequeno quadrado situado no topo da parede a pouco menos do teto. Apenas com direito a deixar a luz do sol começar a invadir o quarto, mas não grande o suficiente para um ser humano entrar ou sair.

Ele se virou e quase colidiu com ela. Ele agarrou seus ombros para firmá-la e, em seguida, guiou-a para a cama.

—Eu quero que você durma. Vou acordá-la em poucas horas e vamos pegar a estrada. Prefiro não ficar no México um minuto mais do que eu preciso.

—Vamos falar primeiro— disse ela suavemente. —E, então, eu vou decidir se quero ou não ir embora com você. Marcus disse que eu estaria segura aqui. Mal cheguei aqui. Por que eu iria sair?

Deu-lhe um olhar que sugeriu que ela não yeria uma escolha na questão.

Ela olhou para trás e curvou o lábio para mostrar-lhe sua irritação. Ele apenas piscou para ela e sua boca se abriu em choque. Ele piscou para ela?

Uma ação tão brincalhona estava em contradição direta com cada opinião que tinha formada sobre ele. Então ela fez uma careta, porque percebeu que ele estava apenas brincando com ela.

—Toda sua— disse ele, gesticulando grandiosamente em direção a cama.  — Vou sair de fininho... a não ser, é claro, que você precisa de minha ajuda para tirar a roupa.

—Não abuse da sorte— ela murmurou, enquanto passava por ele para se sentar na cama. —Estou muito cansada para me despir de qualquer maneira.

Ela caiu para trás sobre o colchão e fechou seus olhos. A cama declinou e alarmada, ela abriu os olhos apenas para encontrar-se olhando para Garrett enquanto ele pairava sobre ela.

Ele tinha as duas mãos plantadas em cada lado dos seus ombros e seus joelhos estavam escarranchados nela. Ele se inclinou e roçou os lábios através dela. Desta vez, ele não se demorou. Não atacou em uma troca, longa e quente como fez antes. Ele tocou com o dedo o local que beijou e depois murmurou:

—Doces sonhos, Sarah. Você está a salvo agora.

Em seguida, ele recuou para fora da cama e saiu do quarto sem olhar para trás.

Ela estava lá, atordoada por sua reação a ele. Mais atordoada pelo anseio que chutou por meio de sua alma com força suficiente para fazê-la doer o coração.

Ela precisava do e-mail de Marcus e perguntar a ele sobre Garrett, mas o seu laptop estava na sala de estar enfiado em uma das almofadas do sofá.

Assim que ela se levantasse, cuidaria de entrar em contato com Marcus. Talvez até lá ela seria capaz de pensar. Talvez Garrett fosse a solução.

Ela poderia aceitar a proteção de Marcus — através de Garrett — sem ter que estar em estreita proximidade com Marcus. Ambos estariam seguros.

 

Garrett deixou-se ir de volta para a casa com sua mochila e rifle. Ele fez uma passada rapidamente e garantiu a maioria de seus equipamentos para o seu cinto. Escorregou duas facas em volta de ambos os lados das calças e tornou malditamente certo que sua granada estivesse segura.

Ele ainda não tinha vivido desprevenido antes que Sophie roubasse uma granada dele quando toda a merda aconteceu com seu pai. Ele fez a ronda novamente, prendendo a porta traseira quebrada no processo. Ele armou uma surpresa pouco agradável para quem decidisse fazer uma entrada inesperada.

Ele vagou pelo corredor e cutucou a porta de Sarah, abrindo-a para que ele pudesse espiar para dentro. Não que ela tivesse uma rota de fuga. E não que ele mesmo esperava encontrá-la acordada.

Ela esteve morta sobre seus pés, e as sombras profundas sob os olhos dela tinham emprestado um olhar ferido e derrotado, que não tinha melhorado seu humor nem um pingo.

Não, ele gostava de vê-la dormir. Havia algo infinitamente frágil — e angelical — sobre ela.

Cílios delicados descansavam em suas bochechas suaves, o levantar suave do peito sinalizava que ela estava profundamente adormecida. Ele observou-a por um longo momento, ainda perplexo com o controle que ela parecia ter sobre ele.

Quando deveria ter sido motivado para agarrar seu traseiro e bater um caminho para fora do país tão rapidamente quanto podia, ao invés ele a beijou e agiu como um idiota sobre o dever. Mas ela não tinha estado chateada. Ela riu — e senhor, mas ela tinha um riso lindo, mesmo quando ela estava rindo de sua maldita ereção.

Ele resmungou, mas a verdade era que ele teria ficado lá o dia todo, pau balançando ao vento para trazer tal alegria aos seus olhos. Ele desistiu de seu quarto e entrou na cozinha para configurar o telefone por satélite e o pequeno laptop que ele carregava com ele. Então, começou uma busca meticulosa da casa.

Ele precisava achar esse laptop. Não havia muitos computadores que Donovan não conseguia cortejar como um amante.

Não demorou muito tempo para encontrá-lo, encravado debaixo de uma das almofadas no sofá.

Ele precisava trabalhar rápido porque ele não tinha certeza quanto tempo Sarah iria dormir, embora ela estivesse completamente morta em seus pés. Ele abriu seu laptop ao lado de seu equipamento na mesa da cozinha e colocou a chamada para Donovan. Donovan respondeu no terceiro toque.

Ele parecia distraído, porém, e havia barulhos estranhos no fundo que pareciam um gato em perigo.

—Que diabos está acontecendo ai? — Garrett exigiu.

—Dê-me um minuto. Charlotte não está feliz.

—Você está segurando o bebê?

—Bem, sim, Sophie precisava de um cochilo e Sam esteve acordado a noite toda. Eu acho que Charlotte precisa de uma mudança de fraldas.

—De todos os modos, não me deixe interromper toda a felicidade doméstica. — Garrett disse secamente. —Deixa pra lá, que eu estou em um cronograma apertado por aqui e preciso disto feito para ontem.

—Você já tentou trocar a fralda de um bebê enquanto tenta salvar o mundo? Não é fácil. Estas coisas precisam vir com manuais de instruções.

Garrett escutou e encolheu-se quando ouviu o que soava suspeitosamente como sons vocais infantis sem sentido vindos de Donovan.

—Você perdeu seu maldito juizo.—Garrett murmurou.

Vários momentos depois, o barulho cessou e Donovan falou de volta para o telefone.

—Senhorita Charlotte está toda feliz. Agora, o que posso fazer por você?

—Eu tenho minhas mãos sobre o laptop de Sarah. Estava esperando que você obtenha o discador e assim você poderia fuçar e bisbilhotar suas conversas com Lattimer.

Donovan imediatamente entrou em uma série de direções que fez os olhos de Garrett girar em sua cabeça. Garrett seguiu-as precisamente e escutou exclamações satisfeitas de Donovan como “entrei”. Como Donovan continuou a falar para si mesmo e para o computador em questão, Garrett olhou para ver um pedaço de papel dobrado que tinha caído fora do laptop quando ele abriu.

Preguiçosamente, ele o pegou e abriu-o para cima para ver um monte de coisas que não faziam muito sentido para ele. Mas garantia que significaria algo para Donovan.

—Ei Van, isso pode ser alguma coisa. —Ele começou a ler em voz alta a lista, o que parecia ser instruções e Donovan interrompeu animadamente. —Espere, volte. Desde o início. Deixe-me começar tudo desde o início.

Garrett repetiu tudo sobre o pedaço de papel e, periodicamente, inclinava a cabeça na direção do quarto de Sarah, mas tudo permanecia em silêncio.

—Dê-me um segundo para voltar para minha mesa. Eu acho que você somente me deu acesso à sua conta de email. Tenho também algumas outras informações para você.

Garrett suspirou e esperou que seu irmão conseguisse agir em conjunto. Embora ele não pudesse dizer muito, porque de todos os Kellys, Donovan era o mais organizado. Ele beirava a algum transtorno obsessivo compulsivo que o resto deles malditamente com certeza não sofriam. Sam era, provavelmente, o mais próximo de ser um bastardo obsessivo como Donovan.

—Tudo bem, enquanto eu estou começando nesta conta, vou dizer o que mais eu encontrei. Fiz algumas pesquisas. Eu tenho chamado em alguns enormes favores — do tipo que poderia levar as pessoas em algumas profundas merdas, se você sabe o que quero dizer.

Garrett se animou com isso.

—Que tipo de favores?

—Eu queria saber se Resnick estava nos fornecendo informações falsas. Eu também queria ver se eu conseguia descobrir a última localização conhecida de Lattimer. E qual era a sua conexão com Allen Cross. Resnick já começou gritando. Ele não acredita nem por um minuto que você caiu fora da missão. Ele está chateado e levantando o inferno. Ameaçando Sam e a KGI e fazendo todos os tipos de ameaças contra a humanidade.

Garrett revirou os olhos.

—Tenho certeza de que quebrará o coração de Sam.

—De qualquer maneira, sem sorte na execução de Lattimer para baixo. Resnick não tem uma pista, o que não está deixando-o feliz, especialmente agora que você está fora do radar com Sarah. Ele está vendo sua chance de agarrar Lattimer correndo por água abaixo, e ele quer Lattimer a qualquer custo.

—Isso faz dois de nós. — Garrett murmurou. Embora ele não estivesse tão disposto a jogar Sarah aos lobos como Resnick estava.

Garrett não era um tipo de cara de meias medidas. Iimaginou que não havia boa razão pela qual ele não poderia agarrar Lattimer e também manter Sarah em segurança no processo.

—Temos um desconhecido na equação aqui, Van. Lattimer não teria alguém para invadir sua casa e a assustando extremamente. Nem seria Resnick. Resnick iria se sentar e preparar a isca para a armadilha. Sarah estava assustada o suficiente para que ela arrastasse o traseiro fora da ilha. Ela tinha uma rota de fuga planejada a partir do momento que ela colocou os pés lá.

—Há dois, na verdade. A não ser que o sujeito na ilha é o mesma que lidera o que eu tenho.

Garrett balançou a cabeça. Claro que havia. Donovan amava para contar uma boa história. Garrett era mais do tipo vá-direto-ao-ponto de cara. Donovan gostava de arrastar a merda para o efeito máximo.

—Quem agora? — ele perguntou em tom cansado.

—Stanley Cross. Irmão de Allen. Na minha pesquisa, encontrei o que Resnick descobriu, o fato de que Cross contratou uma empresa de recuperação privada para trazer Sarah. Interessante que Resnick não considerou oportuno compartilhar esse pequeno petisco com a gente. Stanley está jogando um monte de dinheiro ao redor.Ele parece muito desesperado.

—Oh Jesus, isso é tudo que eu preciso. Alguns aspirantes a mercenários metendo-se em lançar Sarah por cima do ombro e transportá-la a sua casa como um Neandertal. Eles provavelmente conseguiriam matá-la dentro de uma hora.

—E você não está planejando ir todo Neanderthal sobre ela?— Donovan perguntou suavemente.

—Eu não vou levá-la morta.— Donovan deu um risinho e seu riso sumiu.

—Resnick não sabe que eu sei. E não pergunte como eu descobri. Vamos apenas dizer que, se eu sou convidado a doar um rim, não vou ter uma escolha a não ser dizer sim. Ele está nos controlando, é por isso que eu não explodo sua mandíbula fora para a realização dele. Eu acho que você está na situação, sabe melhor do que ninguém, por isso a chamada é sua.

—Obrigado por isso. — Garrett disse secamente. — Eu quero dar o fora daqui com Sarah. O que você tem para mim? Eu não quero atrair Lattimer em seu próprio território. Eu o quero onde temos a vantagem.

—Eu tenho um lugar. Eu não queria usar qualquer um dos refúgios KGI usuais. Resnick olharia lá primeiro. Vai ser um pouco complicado chegar lá, mas você tem que abandonar suas escavações em curso rápido.

—Eu odeio quando você usa palavras como essas. Geralmente é uma distorção grosseira. O quão ruim é eu vou odiar isso?.

—Afognak Island, na costa do Alasca. Campo de exploração madeireira e fora de serviço, as hospedagens são tudo o que está lá e ninguém na ilha agora. Eles fecharam as operações no ano passado. Eu tenho um contato com a tribo que é proprietária da ilha e da pousada. A melhor parte é que será praticamente impossível para Lattimer chegar na ilha, sem a nossa equipe sabendo.

—Alaska? Você poderia ter escolhido qualquer lugar mais longe?

—Sim, bem, é só esperar até que eu diga a forma indireta que você estará chegando lá.

—Foda-se. Você está desfrutando muito...

—Não. Estou preocupado, Garrett. Este é um completo fodido grupo. Tenho Steele e parte de sua equipe indo na rota. Eles vão ter a ilha completamente segura antes de você e Sarah chegarem lá.

—Okay.

—Okay? Você não irá argumentar e me dizer para se foder e me dar uma linha sobre como você está se saindo por conta própria?

—Oh foda-se, Van.

—Eu sinto o amor. Você está uma alma sensível. Aposto que lê poesia para Sarah.

Garrett fez uma careta. Ele pode não ter lido a poesia, mas deixando uma cesta de vinho, livros e de chocolate em sua varanda chegou bem perto.

— Podemos voltar ao assunto em questão? Os arranjos que você fez?

—Você vai viajar para a cidade de Belize. Galera do Pedro no ar, um serviço de fretamento privado, operação voo cego, que irá levá-lo para a Jamaica. De lá você vai ligar com o Rio, que tem um amigo com um jato que vai voar para a ilha Kodiak. E de lá você vai pegar um avião para o mar de Afognak Island.

—Meus olhos estão cruzando pensando sobre isso. E o que está fazendo o Rio na Jamaica?

—Eu tenho chamado a todos que eu posso sobre isso, Garrett. Esta missão aparentemente inócua é um inferno de muito mais complicada do que pensávamos. Eu tenho um mau pressentimento sobre isso. Em nenhum momento vamos baixar a guarda.

—Obrigado. Eu agradeço o apoio.

—Eu estou te enviando as coordenadas GPS para você saber exatamente onde está indo, e eu estou enviando-lhe todos os contatos e as suas informações. Os fretes são de carga base e não haverá nenhum manifesto de passageiros, de modo que você e Sarah não poderão ser facilmente rastreados. Mais estes caras não são exatamente conhecidos por seu dever ou a escolha de práticas de negócios.

—Eu vou estar na expectativa. Sarah está dormindo, mas assim que eu conseguir tudo, estaremos caminhando para fora. Ei, qual a conexão de Lattimer sobre Cross? Descobriu qual o ângulo já?

 Donovan suspirou.

—Não, mas mais e mais eu acho que tem tudo a ver com Sarah.

Garrett tinha o mesmo pressentimento. E se estabelecia profundamente em sua barriga como depois de comer comida chinesa ruim.

—Okay, estou dentro, eu estava certo. Esta é uma conta de e-mail segura. Vou ter que ser malditamente cuidadoso para limpar minhas impressões digitais.

—O que eles dizem? Ela está enviando para Lattimer? Acabei de dizer a ela que ele me enviou. Eu preciso saber quanto tempo tenho antes que as apreensões sejam amplamente abertas.

—Eu poderia ser capaz de ajudá-lo lá fora — Donovan murmurou. —Se você me der uma hora ou assim, eu posso fazer isso assim que seu e-mails forem redirecionados para mim. Então eu posso responder como se eu fosse Lattimer e cobrir o seu traseiro no processo.

—Ela não vai enviar qualquer um pelas próximas horas — disse Garrett. —Ela está praticamente em coma. O que foi dito até agora e quantos e-mails que eles trocaram? Preciso de todas as informações que puder obter se eu estou fingindo uma associação com o idiota.

—Não muito. No começo, ele estava desesperado querendo saber onde ela estava. Em seguida, o tom mudou uma vez que ele parecia saber sua localização. Ela enviou e-mail para ele depois que o abandonou. Disse-lhe que ela estava indo para o México e pediu-lhe ajuda. Ele disse a ela para onde ir. Seus e-mails têm sido curtos e direto ao ponto. Ele é um bastardo cuidadoso. Ele só dá a ela o que é absolutamente necessário. Ela não é muito melhor. Ela lhe enviou um e-mail uma vez que ela chegou e disse-lhe que estava bem e não se preocupasse. Curiosamente, todos os seus e-mails foram cerca de protegê-lo.

—Que porra é essa? O que é que ela consegue fazer para protegê-lo?

Foi na ponta da língua para perguntar por que ela queria proteger Lattimer, mas ele já tinha sua resposta para isso. Não importa o que, Sarah era leal e bondosa até o osso, e Lattimer era seu irmão. O inferno, por tudo o que sabia, ela não sabia exatamente o que o bastardo de seu irmão era.

Ele malditamente com certeza não tinha feito nada para aliviar a solidão de sua infância.

—Pense nisso, Garrett. Se ela viu o assassinato de Cross e tudo aponta para que seja verdade, ela poderia ser usada para derrubá-lo. É certamente o que a família de Cross pensa. Para muita gente Sarah representa uma maneira infalível de chegar ao Lattimer, Resnick incluído.

E ele próprio. Garrett tinha de incluir-se no número de pessoas dispostas a explorar Sarah para chegar ao seu irmão. Engoliu em seco e se recusou a se debruçar sobre o quanto o bastardo o fez se sentir. Ele só tinha que manter-se lembrando de que o fim justifica os meios.

—Sarah tem que saber disso. Se ela não puder ser encontrada, ela não pode ser feita como testemunha contra o irmão dela.

Garrett soprou seu fôlego. Sim, ele poderia comprar isso. Sarah seria intensamente leal, mas ele também ficou desapontado pelo fato de ela ser tão cega em sua lealdade a seu irmão que ignorou o assassinato a sangue-frio de outro ser humano.

Talvez seu senso de justiça fosse mais preto e branco do que o de Sarah, mas o perturbou que ela andasse naquele caminho.

—Isso faz sentido— Garrett disse em uma voz sombria. —De certa maneira, doente e distorcida, faz sentido. Obrigado para a cobertura do meu traseiro com os e-mails. Isto vai me comprar mais algum tempo. Se seus e-mails são redirecionados e Lattimer já não ficar mais com eles, poderia funcionar a meu favor, porque ela já não vai estar dizendo a ele que ela está bem. Ele vai se preocupar. Ele vai deixar de se contentar com uma pesquisa informal, enquanto ela está lá tranquilizando-o que tudo está bem. Ele vai querer encontrá-la, e eu vou estar à espera.

—Eu não invejo você, irmão. Sarah não vai estar feliz quando a merda bater no ventilador.

—Não, ela não ficará. — Mas Garrett não podia deixar-se obcecar sobre isso agora, não importa o quanto isto o incomodava.

Ele tinha um trabalho a fazer.

Ele tinha de ver a justiça, mesmo se Sarah se recusasse a fazê-lo. Ele tinha uma promessa de longa data à sua derrota e de companheiros de equipe para cumprir. Sua honra não permitiria para qualquer outra coisa, mesmo que ele perdesse um pouco dele no processo.

O bem maior.

Era tudo sobre o bem maior.

Mas de certa forma cagando em uma mulher como Sarah para o bem maior não o deixava com qualquer satisfação.

 

Sarah veio despertar para a mão suavemente no seu ombro. Tornou-se mais persistente e sua cabeça balançou enquanto suas pálpebras se abriram.

—Vamos lá, Sarah. Hora de acordar. Temos muitas coisas sobre o que conversar.

—Garrett— ela sussurrou.

—Sim, sou eu.

Ela levantou-se sobre um cotovelo e empurrou seu cabelo fora do seu rosto. Ela olhou para ele através de olhos turvos enquanto tentava piscar afastando o véu de sono.

—Então eu não sonhei com você.

—Não, a menos que você teve um sonho muito bom sobre um cara realmente de boa aparência.

Embora ele devolvesse sua provocação com um rosto perfeitamente impassível, em seus olhos azuis tinham um brilho diabólico.

Ela balançou a cabeça para livrar-se das teias de aranha. Conversar. Ele queria conversar, o que significava que ele também queria respostas que não estava preparada para dar. Ela definitivamente precisava da cabeça limpa, para que não estragasse tudo.

—Eu tenho tempo para um banho antes de nós termos essa conversa?

Ele fez um levantamento da mão para verificar seu relógio.

—Eu vou dar-lhe cinco minutos e depois nos encontramos novamente aqui neste quarto. É o lugar mais seguro para estar.

Ela fez uma careta.

—Cinco minutos? É óbvio que você não é casado e provavelmente nunca viveu com uma mulher. Você não dá a uma mulher cinco minutos para tomar um banho.

Ele não parecia impressionado com sua resposta.

—Cinco minutos ou eu entro atrás de você. Eles começam agora.

Bom Deus, ele estava falando sério. E ele realmente ia fazê-lo também. Ela não tinha dúvidas nem por um momento.

—Você agora tem quatro minutos e 45 segundos.

Ela rolou para o final da cama e correu para o banheiro, sua risada seguindo-a enquanto quase se matava tentando sair pela porta.

—Cinco minutos— ela murmurou enquanto ela ligava o chuveiro.

Ele foi provavelmente usou a mangueira em três minutos no serviço militar. Bem, ela não estava no exército e, além disso, levava mais de cinco minutos só para lavar os cabelos.

Ainda assim, sua ameaça soou em seus ouvidos, e ela não estava totalmente certa de que ele não viria atrás dela por isso, enquanto enfiava a cabeça debaixo do jato para lavar o xampu, ela esfregou as outras partes de seu corpo.

Ela momentaneamente foi pega em absoluta felicidade da água quente caindo sobre ela. Em vez de energizá-la, como esperava que um banho faria, ele a fez querer arrastar-se de volta para a cama e dormir por cerca de um ano.

Em desgosto, ela estendeu a mão para o botão e transformou a água quente desligando-a completamente.

O resultado foi uma explosão de gelo que a fez gritar enquanto alfinetava seu corpo como pequenas pelotas de gelo. Pelo menos ela não estava lembrando quão boa a cama estaria novamente.

Quando ela saiu do chuveiro, tremendo, Garrett bateu na porta.

—Sarah? Está tudo bem aí? 

—Sim, tudo bem!— Ela disse. A última coisa que ela queria era que ele cumprisse a sua ameaça.

—Vou estar fora em apenas um minuto, prometo.

Ela apressadamente se secou e em seguida vestiu a roupa de baixo e o jeans sobre sua pele ainda úmida. Ela lutou com o sutiã, e em sua pressa, conseguiu colocar a maldita coisa pelo avesso.

Deus, mas ela era uma bagunça.

Com uma risada, ela endireitou o sutiã e depois puxou sua camisa. Ela não ia se preocupar com o cabelo. Se ele estava tão determinado que ela estivesse fora em cinco minutos, então, ele só tinha que lidar com a sua aparência de rato afogado.

Mais como uma horda de ratos que tinham pegado residência em seus fios emaranhados. Ela deu uma última esfregada nos cabelos para que eles não estivessem na verdade pingando, e depois desistiu e abriu a porta.

Garrett estava encostado na parede oposta, e levantou uma sobrancelha.

Ela franziu o cenho.

—O quê? Você me deu cinco minutos. Isto é o que acontece quando você dá para uma mulher apenas cinco minutos no banheiro.

—Ei!! Eu não disse uma palavra.

—Você não precisa. Foi esse olhar que me deu como se estivesse olhando para a Medusa.

Ele riu e afastou-se da parede.

—Eu não estava olhando para o seu cabelo.

—Então o que diabos você estava olhando?

—Eu sou um homem. Não deve ser muito difícil de imaginar —Ela olhou para baixo e viu que sua camisa agarrava-se muito umidamente o sutiã, que também estava... úmido, que por sua vez deu-lhe um vislumbre muito bom dos seus seios e o contorno de seus mamilos.

—Oh inferno.— Ela virou-se e moveu-se rapidamente de volta ao banheiro para pegar outra toalha. —Isso tudo é culpa sua.

—O que você estava gritando?— Ele perguntou da porta.

Ela se virou, armada com uma toalha que segurou estrategicamente sobre o peito.

—Eu virei a água para fria para que eu pudesse acordar. Você disse que queria conversar. Eu não posso conversar se tudo que eu quero fazer é voltar a dormir.

Ele recuou para o corredor e fez um gesto para ela precedê-lo de volta para o quarto.

Ela caiu em cima da cama e trocou a toalha por um travesseiro e segurou-o contra o peito enquanto ficava confortável. Garrett assomou-se — não havia outra palavra para ele — sobre a extremidade da cama. Ele era um homem grande e dentro de um quarto pequeno, ele parecia ocupar cada centímetro disponível. Ele a deixava nervosa.

—Pelo amor de Deus, sente-se ou algo assim. Não consigo pensar com você pairando enquanto isso.

Ele fez um som de diversão, mas decidiu se acomodar no fim da cama. Mas isso só o trouxe para mais perto e fez toda a ambientação parecer decididamente íntima.

—Sobre o que você quer conversar?

Ele estudou-a por um momento, seu olhar se movendo sobre o rosto de uma forma que a fez pensar que ele estava descascando sua pele de volta.

—Por que você está tão nervosa?—Essa foi uma pergunta estúpida. Algo que um homem distraído teria totalmente perguntado. Então, ela ignorou e olhou fixamente, esperando para ele começar. —Eu coloquei minhas cartas na mesa. É hora de você distribuir as suas.

Seus olhos se arregalaram e então ela estreitou-os em irritação.

—Você não fez nada do tipo. Eu sei o seu nome e que o meu irmão supostamente enviou você - que, a propósito, eu pretendo em confirmar.

Garrett balançou a cabeça e suspirou.

—Você não tem nenhum senso de autopreservação, Sarah. Você e eu temos que trabalhar nisso.

—O que é que isso quer dizer?

—Se eu fosse o bandido te alimentando uma linha sobre seu irmão enviando-me, você acabou virando sua mão e me colocou em aviso prévio. Se eu a estivesse ameaçado com isso, seria terrivelmente malditamente fácil torná-lo certo de que você com certeza não é capaz de verificar com Lattimer.

—Por que você está me dizendo isso, então?

—Porque eu sou o cara bom, e eu quero ensinar-lhe para não cometer erros que poderiam levá-la à morte.

Ele a olhou indulgente, como se estivesse tendo que exibir um elevado grau de paciência com a ingenuidade dela.

Okay, ela conseguiu. Ela era uma completa idiota. Mas em sua defesa, não havia aulas onde se aprendia a arte do engano e porcaria de capa e espada, que era marca registrada dos elaborados filmes de suspense de espionagem.

Muito era dito sobre o senso comum, mas o senso comum era para as generalidades da vida. Ninguém sabia ou tinha experiência com o assassinato e se escondendo da lei.

—Dê-me um desconto— ela murmurou. —Eu sei, eu sou uma idiota. Eu entendi. Eu faço.

Esfregou a mão sobre a testa e uma onda de desespero bateu como um tsunami. Quem ela estava enganando? Ela nunca iria sobreviver por conta própria.

—Você não é uma idiota— Garrett disse em uma voz baixa —Você teve sua vida muito normal derrubada. Você fez algumas más escolhas, e não foi tão cuidadosa quanto deveria, mas é onde que eu vou entrar. Vou fazer o meu malditamente melhor para ter certeza que nada aconteça a você.

—Se você soubesse— ela murmurou. Então ela soltou uma risada seca. —As decisões más. Se eu pudesse somente voltar atrás.

—Você não pode pensar dessa forma. Você joga de acordo com as suas fichas e você segue em frente.

—Você me parece alguém que vive sem um pingo de arrependimento. — disse ela, intensamente ciumenta de como instruído e confiante que ele sempre parecia.

Ele pareceu surpreso pela sua observação e riu, mas o som não foi um dos de diversão.

—Minha atitude é nascida da necessidade. Eu cometi erros. Tomei decisões que me arrependi. Eu sei o que é viver com pesar. Vivo com ele todos os dias. Mas se eu deixá-lo assumir, nunca sairei da cama pela manhã.

A franca nota crua em sua voz a abalou. Por um momento ela teve um vislumbre do homem além da autoconfiança exterior inabalável. Por alguma razão isto a tranquilizou e colocou-a mais em pé de igualdade.

Ele olhou para ela, nenhum deles falando. Ela não estava disposta a quebrar o breve momento de conexão —verdadeira conexão — e ela saboreou que ele compartilhou algo para além da conversa casual.

Ele não tinha dito muito, mas tinha sido o que ele disse.

Ela não era a única pessoa a cometer erros — embora o dela parecia muito maior e as consequências muito mais amplas, mas como ela ia saber a verdadeira profundidade de seus erros?

—O que aconteceu em Boston, Sarah?

Garrett viu como o sangue drenou do rosto de Sarah. Ela estava tão pálida quanto os lençóis amarrotados em volta dela. Seus braços apertados ao redor do travesseiro que ela segurava tão perto do peito dela e cavou seu queixo nele até que apenas seus olhos brilhavam por cima. Maldição.

Ele não queria assustar o inferno fora dela, mas ele tinha que soltar a informação para fora.

—Eu preciso saber o que você viu, Sarah. — disse ele suavemente. —Eu preciso saber o tipo de perigo que você está dentro.

Se possível, ela ficou ainda mais branca. Por um momento ela fechou os olhos e quando reabriu-os, viu uma vulnerabilidade tão profunda que ele queria alcançá-la e abraçá-la.

—Era melhor que eu fosse embora. — ela finalmente disse. —Eu não posso voltar. Eu resignei-me a isso.

—Então você vai passar o resto da sua vida correndo? Isso não é maneira de viver, Sarah.Isto não tem que ser assim. Eu preciso...

Ele passou a mão através de seu cabelo para trás e para frente em agitação. Ele detestava a hipocrisia em que ele estava prestes dizer a ela. Ele odiava ter que pedir a ela para dar-lhe algo que ele não tinha direito, dado à sua farsa.

—Eu preciso que você confie em mim.

Ela olhou para cima, com os olhos sem brilho.

—Eu não confio em ninguém.

Disse tão fortemente, que as palavras golpeou-lhe duro. Havia uma riqueza de emoção, mesmo quando sua expressão era tão fraca e sem vida.

—Sarah. —Ela concentrou-se outra vez para ele piscando enquanto seus olhares se encontraram. —Pode confiar em mim.

E ela podia. Com sua vida. Seu bem-estar. Ele faria o que fosse necessário para mantê-la segura. Ele não estava sendo honesto com ela, o que era algo que ele teria que viver com isto.

Mas ela poderia malditamente bem acreditar que ele nunca deixaria alguém machucá-la.

De alguma forma ele teria que separar o que tinha que fazer a fim de derrubar seu irmão e protegê-la no processo.

Ela iria ver isso como uma traição. Era muito leal, muito amorosa e dando a aceitar o que ele tinha que fazer. Mas era a coisa certa a fazer e de alguma forma, de alguma maneira, mesmo que levasse uma eternidade, ele a faria entender isso. Ele não tinha escolha.

Sua luta era vívida, jogando em seu rosto e inundando seus olhos. Ele viu um intenso desejo de ser capaz de confiar nele. Ela era tão cautelosa, mas ansiava por alguém para se apoiar.

E droga, ele queria ser essa pessoa.

—Sarah.

Ela travou seu olhar com o dele novamente.

—Você pode confiar em mim. — A mentira que não era uma mentira.

Era tudo sempre em linha reta? A vida era um estudo em tons de cinza. Tão preto e branco como ele tendia a ver o mundo, aqui e agora ele compreendeu a atração entre o certo e o errado. Entre o que ele tinha que fazer e o que ele queria. Ele não gostou disto. De modo algum.

—Agora me diga o que aconteceu no dia em que você entrou no edifício onde Allen Cross foi assassinado.

Ele observou a batalha das lágrimas, mas ela engoliu e piscou-as de volta, sua mandíbula apertada.

—Eu vi Allen Cross morrer. Não cheguei a tempo. Eu não cheguei a tempo — ela repetiu impotentemente.

Garrett franziu a testa e se inclinou para frente.

—Não chegou a tempo para o quê?

—Eu poderia ter evitado isso. Oh Deus, eu poderia tê-lo impedido.—Um espasmo de dor atravessou seu rosto.

Foi desconfortável em testemunhar, e por um momento ele queria puxá-la em seus braços e deixar cair todo o assunto.

Era uma estúpida, emocional reação—uma que ele não poderia se dar ao luxo de considerar. Muito estava em jogo aqui.

—Como você poderia ter evitado isso, Sarah? Será que seu irmão ameaçou Cross?

—Marcus não faz ameaças. Ele não tem essa postura. Ele age.

Era difícil dizer pela inflexão de sua voz se sua declaração era uma crítica ou uma declaração desoladora de um fato. Não havia nenhum orgulho nas palavras.

—Então como você poderia ter evitado? — Garrett perguntou novamente.

Ele poderia não ser tão intuitivo quando se tratava de mulheres, mas seu intestino estava começando a gritar. Algumas das peças do quebra-cabeça estavam se unindo.

Ele não sabia por que não tinha caído a ficha para isto antes.

Mas agora os fatos estavam lá, colocados para fora na frente dele e teve uma péssima sensação de que sabia exatamente o que havia incitado Marcus Lattimer a ir ao escritório de Allen Cross e matá-lo a sangue frio.

Ele encontrou o seu olhar, e viu muito mais do que ele tinha até cinco minutos atrás.

—Quem te machucou,Sarah?

Seu rosto perdeu toda a cor novamente e seus olhos ficaram em branco, como um congelador ou o de uma nevasca.

—Eu não sei o que você está falando.

As palavras gaguejaram para fora, muito pouco convincentes. Ele estendeu a mão para pegar a mão dela. Ela tentou retirar, mas ele se manteve firme e delicadamente esfregou o polegar para cima e para baixo dos dedos.

—Você é tão arisca quanto um animal abusado. Alguém feriu você. Acho que finalmente entendo o que aconteceu e por quê.

—Então por que perguntar se já sabe tudo? Você tem tudo entendido. Não precisa de mim para despejar meu interior. — Ele não foi repelido pela amargura em sua voz.

Ele podia ter mentido sobre Lattimer, mas havia uma coisa que ele planejou sobre ser cegamente honesto para com ela.

—Eu preciso saber— ele disse simplesmente. — E eu preciso saber porque eu não posso viver a cada minuto querendo beijá-la e tocá-la, o tempo todo sabendo que alguém fez você ter medo. Não apenas de mim, mas de todos os homens.

Seus olhos se arregalaram e os lábios entreabriram em um suspiro de surpresa.

—Eu não quero que você tenha medo de mim, Sarah. Mais do que tudo, eu quero que você confie em mim. Eu quero que você seja capaz de sentir o meu toque e saber que nunca vou te machucar. Eu quero que você me toque.

Ele não tinha percebido o quanto ele queria que ela tocasse-o até que disse as palavras.

Ele queria sentir aquelas mãos suaves em sua pele. Sua virilha doía e latejava. Ele queria os dedos dela ao redor de seu pênis, acariciando-o como pluma suave com carinho e, em seguida, mais firme. Ele a desejava em cada centímetro de seu corpo. Ele queria ver o contraste de sua palidez contra a sua pele mais escura.

Ele queria provar dela e que ela provasse o seu gosto. Suor cobria-lhe a testa e sua respiração superficial até o embaraçou. Ele estava ofegante atrás dela como um idiota, mas ela reagia a cada uma de suas mudanças, algumas, que ele nem sabia que ele tinha. Queria fazer amor com ela. Ele queria que ela confiasse nele o suficiente para dar esse passo.

Ele queria mostrar a ela que nunca iria machucá-la.

Sua surpresa voltou a doer, seu olhar cada vez maior escurecendo. Ele odiava a tristeza que estava profundamente assentada lá. Era como assistir o dia virar noite, enquanto um pouco de luz ia para fora e sombras alongavam como nuvens de tempestade através de seus olhos.

Ela puxou a mão dela para longe e ele a deixou desta vez.

—Você está certo, Garrett— disse ela em uma voz corajosa que tremia com o esforço que levou para fazer a admissão. —Alguém me fez mal. Mais do que isso, ele levou alguma coisa para longe que eu não tenho certeza se nunca vou receber de volta.

Era difícil controlar a raiva que acendia com cada respiração que dava. Ele forçou-se a permanecer imóvel e não reagir exteriormente.

Ela parecia tão hesitante—e vulnerável—como se ela esperasse que ele se afastasse, como se ela tivesse a peste .Mas ele sabia. Maldição, ele sabia que Cross tinha sido a pessoa que a estuprou.

Tudo caindo junto à velocidade da luz. Sua saída de seu trabalho com Cross e não tendo um desde então.

Isto ainda fazia sentido porque Lattimer havia matado o filho da puta, e tanto quanto Garrett detestava Lattimer, ele entendia o porquê. Havia muito para condenar em Lattimer, mas não por isso.

Sarah virou o seu olhar assombrado em Garrett, e viu-a visivelmente se retirar. As paredes subiram quase como se preparando para a sua rejeição.

Em vez disso, ele se aproximou, movendo-se polegada por polegada até que deslizou sua mão sobre a dela novamente, curvando protetoramente em sua palma.

— Você vai buscá-la de volta.

—Ele me violentou— ela deixou escapar. —Eu confiava nele e ele me estuprou.

Ele desejava ser um desses caras que sempre sabiam qual a coisa certa a dizer no momento certo, mas ele não era. Ele não era sutil. Não sabia como ser sensível e ele decepcionava em palavras.

Ele agia. Aquele era quem ele era. Ele estendeu a mão e carinhosamente cutucou o queixo com a mão livre até que seus olhares se encontraram novamente.

Lágrimas brilhavam em seus belos olhos e ele lembrou todas as vezes antes, quando ela tinha sido tão firme, à beira das lágrimas, mas nunca deixando-as cair.

Tinha ela já chorado por si mesma? Tinha ela já dado a si mesma permissão para sofrer?

—Querida, você deu a ele sua confiança. Ele cagou sobre isso. Isso é sobre ele. Não você. Nunca você. Eu gostaria de encontrar o desgraçado e cortar suas bolas fora, mas eu sei que não a ajudaria agora.

Ela deu uma risada trêmula e uma única lágrima deslizou por sua face.

Ele pegou-a com seu polegar e a afastou, mas continuou a alisar a bochecha dela.

—Ele está morto— ela sussurrou. —Marcus matou ele.

—Eu sei— ele disse suavemente. —Mas foi uma boa imagem, não foi?

Desta vez sua risada foi mais forte e um pouco de luz inundou de volta em seus olhos. E maldição se ele não queria puxá-la em seus braços e dizer-lhe que ficaria tudo bem. Mas ele não tinha nenhuma maneira de saber isso. Eram apenas palavras, e ela não precisava de banalidades.

E tão rapidamente, com o rosto contorcendo-se ela retirou sua mão da dele e esfregou seus olhos.

—Oh Deus, eu estou rindo e um homem morreu por minha causa. Porque eu não me defendi por mim mesmo.

—Ele merecia morrer— Garrett disse ferozmente. —Qualquer homem que ataca uma mulher merece uma morte longa e dolorosa. Ele não merece o seu arrependimento ou sua culpa.

—Não é só ele. Meu irmão matou-o por mim. Quando ele descobriu o que Cross tinha feito, ficou tão furioso. Eu não deveria ter dito a ele. Mas ele sabia. Ele sabia que algo horrível tinha acontecido.

Ela estava balbuciando agora, falando rápido, as palavras caindo umas sobre as outras, mas ele permaneceu em silêncio e a deixou lançá-las.

—Eu estava tão devastada. Eu não podia sequer sair do meu apartamento. Isso não é ridículo? Eu estava com medo de sair porque isso significaria desbloquear a minha porta. Eu não queria vê-lo ao acaso, embora as chances de nossos caminhos se cruzarem quando eu já não trabalhava para ele fossem nulas. Eu não fui à polícia, porque ouvi Allen dizendo-me várias vezes e repetidamente que não iriam acreditar jamais em mim. É tão estúpido. Por que eu acreditei nele? Por que eu permiti que ele me controlasse, mesmo depois que estava acabado?

—Não é estúpido— disse ele.

Seus olhos estavam vidrados, e ela estava perdida em outro tempo e lugar. Trancada em seu passado. Revivendo-o com cada respiração. Ele pediu sua confiança, mas ele não tinha percebido o que custaria a ela. E ele não tinha percebido quão doloroso seria para ele ouvir. Mesmo que tivesse forte suspeita do que havia acontecido com ela.

—Marcus não me visita. Quero dizer, não muitas vezes. Estou certa que você sabe que ele... —Ela balançou a cabeça. —Ele não passa muito tempo nos Estados Unidos. Mas nós enviamos e-mail frequentemente. Ele sempre olha por mim. Quer saber se há alguma coisa que eu preciso. Ele estava tentando entrar em contato comigo e o preocupou quando não pôde chegar a mim, por isso ele veio ao meu apartamento. Tinham sido meses. Meses. E para mim, foi como se tivesse apenas acontecido na semana anterior. No começo eu me recusei a dizer a Marcus, mas ele não cedeu. Ele estava tão preocupado. Ele queria me levar para um médico. Ele pensou que eu estava doente. Quando eu finalmente disse a ele, foi à loucura. Eu pensei que era só conversa. As pessoas dizem coisas no calor do momento o tempo todo, mas elas não querem dizer isso.

—Ele quis dizer isso.

—Ele quis dizer isso— repetiu ela friamente. —Ele passou tanto tempo comigo que isto deslizou para longe, as suas ameaças, as palavras que ele disse quando estava tão zangado. Ele me levou a lugares. Intimidando-me a comer. Fez-me rir de novo. Eu não sei o que eu teria feito sem ele. Ele salvou a minha a vida. Eu sei que soa tão dramático, e eu sei que você acha que eu sou provavelmente ainda uma bagunça e eu sou este rato assustado, mas era tão muito pior depois. Parecia que alguma coisa se quebrou dentro de mim e eu não sabia como concertá-la. Eu sempre fui ingênua. Sei isto sobre mim mesma. Eu era chamada a boazinha. Faltava ver o melhor em todos. Ele levou isso de mim. Nunca imaginei em um milhão de anos que ele teria feito algo parecido a isso. Eu sempre me considerei uma boa pessoa. Eu nunca fiz nada de propósito para machucar ninguém. Estava em choque que isso aconteceu comigo, e porque ele o fez, eu virei por dentro nesta pessoa vingativa. Eu nunca realmente odiei ninguém, mas fiquei feliz quando o vi deitado lá no chão.

Garrett não estava podendo mais. A dor em sua voz, a devastação absoluta era tangível.

Ele puxou-a em seus braços e pressionou sua bochecha em seu peito. Ela não resistiu quando ele acariciou-lhe com a mão através dos seus cabelos. Ele fechou os olhos e apertou os lábios para o topo de sua cabeça.

Quando ela falou novamente, sua voz estava abafada por sua camisa. Ele moveu-se e puxou-a mais firmemente contra ele, porém curvando para que ele pudesse ouvir.

—Marcus começou a fazer planos. Ele falou de me levar para longe. Eu deixei-o assumir o comando. Eu pensei que no momento ele ainda estava em silêncio e preocupado querendo me levar para algum lugar que ele poderia manter o olho em mim e assim eu iria ficar longe de onde tudo aconteceu. Não percebi o que ele tinha planejado até o dia em que estávamos supostamente para partir. Eu estava de malas prontas. Marcus tinha feito todos os arranjos. Seu jato estava esperando por nós. E, em seguida, Marcus disse que tinha um compromisso de última hora. Ele me pediu para esperar e que ele enviaria o seu motorista para mim, e logo que ele estivesse concluído me encontraria no aeroporto. Se eu não tivesse estado tal qual em uma névoa, teria percebido muito cedo que Marcus nunca iria deixar passar. Ele estava muito furioso depois que eu disse a ele. Mas era apenas isso. Eu não achei. Eu nunca imaginei...

Garrett apertou-lhe levemente e esfregou a mão para cima e para baixo em seu braço para oferecer-lhe o conforto que precisava.

—Eu acho que sei o resto— ele disse suavemente. —Você foi tentar parar Marcus. Allen já estava morto. Eu acho que sei porque você fugiu em vez de ir adiante com o plano de ir embora com seu irmão.

Ela moveu-se e virou o rosto para cima, que enviou-lhe aconchegando o corpo ainda mais perto de seu peito. Ele a pegou, querendo mantê-la lá, enquanto o seu olhar encontrava o seu.

—Se eu ficasse... se alguém me visse ou me colocasse na cena do crime... Eu seria uma suspeita ou eu seria forçada a testemunhar contra Marcus. Ninguém sabe do nosso relacionamento. Ninguém teria razão para nos conectar. Era melhor se eu estivesse tão longe dele quanto possível.

Garrett foi despedaçado. Bem e verdadeiramente despedaçado. Se ele não odiasse tanto Lattimer, apertaria a mão dele por cuidar do canalha que tinha ferido Sarah.

De alguma forma a ideia de derrotá-lo não sustentou bastante o apelo do que ele fez antes.

Sarah havia sido amargamente traída por um homem que ela confiava, e agora ela seria traída novamente. Por um homem que lhe pediu para confiar nele, mesmo sabendo o quanto lhe custou.

Ela ficou em silêncio por um momento antes de deitar a cabeça contra o seu ombro e timidamente arrastar sua mão até o braço, até que ela enfiou os dedos em torno da bola de seu outro ombro.

—Eu devo muito a Marcus. Eu não posso... não serei usada contra ele. Ele nunca deveria ter feito o que ele fez. Mas ele fez isso por mim. Porque ele me ama. Eu sei que ele não é perfeito. Suspeito que ele fez algumas coisas não tão boas, mas, o pensamento e o conhecimento são duas coisas diferentes. Não importa o que ele fez, eu não vou tê-lo preso por causa de mim.

Garrett teve de morder a língua para não dizer a Sarah justamente o que o bastardo do Marcus era. Ela já tinha tido um choque desferido, em cima de um ataque traumático. Ele podia—e não iria—destruir ainda mais suas ilusões. Não até que ele tivesse que fazer.

 

Apesar de sua conversa com Garrett, Sarah tirou o laptop de onde ela tinha escondido debaixo da almofada do sofá e levou-o para o quarto, assim ela poderia verificar seu e-mail enquanto ela fazia as malas.

Ou o que era sua desculpa. Ela não tinha desfeito as malas.

Tudo o que ela tinha que fazer era colocar-se em seus sapatos e ela estava pronta para sair. Novamente. Desta vez não sozinha. Com Garrett.

O alívio que sentia era mais que um detalhe do que dizer. Era incrível mesmo. Ela estava cansada até os dedos dos pés e cansada do medo que parecia dominá-la mais a cada dia que passava.

Não havia um novo e-mail de Marcus, de modo que ela abriu um em branco e digitou a mais longa mensagem que ela havia enviado até à data.

Ela permitiu que algumas das emoções que ela manteve em segredo sangrassem em suas palavras.

Ela teve ainda o cuidado de não especificar o estado— ela não poderia estar absolutamente certa se os e-mails dela não foram interceptados.

Mas ela esperava que ela dissipasse o temor de Marcus, dizendo que concordou em acompanhar o homem que ele tinha enviado para protegê-la.

Ela olhou para cima quando percebeu os passos de Garrett em sua porta e a batida leve na moldura.

—Precisamos estar a caminho. Uma coisa que você deve estar ciente é de que a família de Allen Cross contratou uma empresa privada de recuperação para encontrar você. Seu irmão está pagando a conta e aparentemente,o dinheiro não é empecilho.  Não foi difícil encontrá-la aqui, e espero que isto seja apenas para ninguém tão fácil, dado a direta motivação.

O sangue drenou de suas bochechas, e ela oscilou a partir de sua posição na beira da cama.

Ela pôs a mão para baixo no colchão para firmar-se e agarrou seu laptop com a outra.

—Você não vai deixá-los me levar de volta— disse ela em voz baixa. Ela não tinha a intenção que isto viesse como uma pergunta, mas foi tão hesitante ao dizer que transmitiu sua incerteza em brilho de neon.

—Sobre o meu cadáver.

Reforçada pela confiança absoluta em sua voz, ela permitiu que um pouco do pânico retrocedesse.  Ela não tinha coragem de contar tudo isso a Marcus — do envolvimento de Stanley. Não depois que ele matou Allen.

Não haveria mais sangue em seu irmão — ou suas —mãos, se ela poderia ajudá-lo.

Ela estava pegando sua bolsa quando percebeu que ela não tinha ideia de onde estavam indo. Garrett interceptou a grande bolsa que armazenava suas roupas e jogou-a sobre o seu ombro.

Ela se levantou e enfiou seu laptop em seu estojo e olhou em volta para ter certeza que ela não tinha perdido nada.

—Para onde vamos?— Ela perguntou.

Houve um ligeiro desdenhar para o canto de sua boca, quase como se ele achasse graça.

—Alaska.

Seus olhos se arregalaram e depois se estreitaram.

—Alaska? Eu prefiro ficar fora dos Estados Unidos,não quero correr o risco de voltar lá.

—Não há nada mais arriscado do que onde você está agora. Você foi descoberta nos dois lugares que escolheu, por isso é a minha vez. Sabe essa coisa de confiança de que falamos? Agora é a hora de você decidir. Eu não vou fazer nada que coloque você em risco, Sarah. Membros da minha equipe já estão a caminho. Eles estão indo para proteger o local e permanecerão em prontidão enquanto estamos lá.

Ela olhou para baixo na camiseta e um par de shorts que ela usava e fez uma careta.

—Não é frio lá?

Garrett riu.

—Vou mantê-la quente.

Somente as palavras enviaram uma onda de calor de sua coluna ao pescoço e sobre o seu rosto.

Ela não podia nem encontrar o olhar dele, porque ele veria o efeito que tinha sobre ela. Ele estava brincando com ela, mas as imagens de seus braços envolvendo-a quente e segura foi como um poderoso atrativo que ela ansiava por tornar a fantasia em realidade.

Ele estendeu a mão para ela.

—Você está pronta? Nós precisamos pegar a estrada.

A simples questão era, várias perguntas todas roladas para dentro de uma. —Será que ela confiava nele? Será que ela iria com ele? Estava ela concordando com a sua proteção?

Ela deslizou sua mão sobre a sua e lhe permitiu envolver seus dedos com os dela. Ele apertou uma vez e depois se inclinou para roçar os lábios contra sua testa.

Então ele puxou-a em direção à porta e caminharam pelo corredor. Ele desviou em direção a porta traseira e a colocou firmemente em segurança atrás dele.

—Eu tenho o caminhão parado quase na porta. Vou sair e eu quero que você grude como cola à minha volta o tempo todo. Não separe qualquer parte do corpo para longe que você não precisa. Okay?

—Você acha que alguém está lá fora?— Ela perguntou ansiosamente.

Ele encolheu os ombros.

—Eu sempre suponho que sim. Nós não podemos dar ao luxo de arriscar.

Ela engoliu em seco e acenou o seu acordo. Ele deu um aceno rápido em troca e, em seguida, abriu a porta traseira.

Ele pegou-a por trás dele e envolveu um braço em volta da cintura dele, puxando-a rente contra suas costas. Ele puxou a arma com a outra mão e entrou na noite.

 

—Então, com quem Van está irritado?

Cole perguntou enquanto ele embarcava no hidroavião para Kodiak Island com seus companheiros de equipe P.J. Rutherford e o líder da equipe Steele.

—E por que Dolphin e Baker conseguiram um passe livre para fora da cadeia sobre esse trabalho?

—O que você está reclamando agora, instrutor Cole? —P.J. perguntou enquanto deslizava ao lado dele.

Ela jogou a mochila no chão entre as pernas e depois estirou no assento. Não que suas pernas tiveram muito espaço.

Steele, sempre em silêncio, rastreava na cabine com o piloto e se virou para olhar para Cole e P.J.

—Todo mundo preparado?

Aos seus acenos de cabeça, ele fez sinal para o piloto que estavam prontos e ele acelerou os motores em preparação para a decolagem.

O avião partiu sobre a água, ganhando velocidade à medida que deixava uma espumosa trilha no mar verde-esmeralda.

—Alaska— resmungou Cole. — É muito frio mesmo no verão, e a luz se mantém também malditamente longa. Como é que vamos dormir?

P.J. riu.

—Acho que o ponto é que nós não estaremos supostamente dormindo.

—Fácil para você dizer. Você é um maldito robô. Não é humana. Ninguém pode ficar como você, um longo tempo sem dormir.

Ela encolheu os ombros.

—Se eu cair no sono, alguém poderia morrer.

Cole balançou a cabeça. P.J. ...

P.J. era uma espécie de enigma. Ela fazia parte de sua equipe por alguns anos agora, e ele ainda não a descobriu.

Ele sabia quase nada sobre seu passado, só que ela veio da SWAT, e que ela era uma maldita boa atiradora. Melhor do que ele — não que ele nunca admitiu isso na frente dela.

Eles eram competitivos, e gostavam de dar sua merda.

Ele nem sempre a entendia, mas então tinha sido a sua experiência que todas as mulheres eram criaturas de um universo alternativo de qualquer maneira.

Mas ela era firme. Ele poderia sempre contar com ela. Toda a equipe podia.

O avião passou sobre a água e na distância, a ilha era visível.

—O que estamos procurando aqui, Steele? — Cole perguntou. Eles não tiveram tempo para um informe completo. Steele tinha pegado a chamada de Donovan e o trouxe com P.J. Eles tinham atendido em um minuto ao aviso, não que era algo novo.

—Garrett está trazendo Sarah Daniels aqui. Nosso trabalho é ser invisível e fazer malditamente certo de que ninguém é recebido nesta ilha — Steele respondeu.

—Bem, isso é bom, mas quem é Sarah Daniels? — P.J. falou. A expressão de Steele não mudou.

—Será que isso importa? Nosso trabalho é mantê-la segura. Observar as costas de Garrett. Fazer o trabalho, tal como fazemos todos os outros.

—Você nunca fica curioso? — P.J. resmungou.

Steele ergueu uma sobrancelha e virou-se em torno de seu assento.

Cole atirou nela um divertido olhar e ela fez uma careta e virou-se.

—Steele, curioso?— ele murmurou.

 P.J. revirou os olhos e disse em uma voz o suficiente baixa que Steele não iria ouvir.

—E você disse que eu não era humana. Ele é uma máquina.

 O avião mergulhou e P.J. virou-se para olhar para fora da janela com o nariz para baixo em direção a água.

—Há uma águia careca — disse ela com uma voz animada enquanto apontava.

Cole abaixou a cabeça e inclinou-se para olhar.

—Eu não tinha ideia que você era tal qual  interessada da vida selvagem.

—Você é antipatriótico se não tiver uma emoção ao ver uma águia careca — disse ela, empurrando em seu braço. —Não é suposto que vocês caras do exército deveriam ser mais entusiasmados sobre os símbolos nacionais?

—Eu não estava no exército, maldição, e você sabe muito bem disso. Marinha, P.J. Eu era um SEAL, pelo amor de Deus. Tenha algum respeito.

—Eu tenho tudo confuso — disse ela na defensiva.

—Quem inferno pode acompanhar todos os ramos dos militares quando vocês são pessoas fracas. —Cole deu a ela um olhar de desgosto. Ela estava tão cheia de merda. Ela tinha uma memória como uma armadilha de aço. Não esquecia nada. Ela poderia provavelmente daria o nome, ramo, posto e número de série para cada um dos membros da KGI.

—Sim, bem, qual é a sua história, Rutherford? Você fala merda sobre nós, mas tudo o que eu sei é que você retirou-se da SWAT depois de ter sido a primeira mulher em sua unidade. Não poderia tomar o calor, ou o quê?

 Embora ele estava brincando, a dor inundou seus olhos castanhos seguindo rapidamente pelo gelo tão predominante, que enrugavam seus mamilos. Seus lábios apertados em uma linha, mas ele a viu se trair tremendo. Era a primeira vez que ele já tinha visto uma verdadeira emoção dela.

Ela podia caçoar e dar o inferno com o melhor dos caras, mas para a maior parte, ela mantinha-se para si mesma, e quando ela não estava provocando, mantinha sua boca fechada e seguia ordens.

Ele iria pedir desculpas, mas isso só iria irritá-la, então ele fingiu que não tinha visto sua reação e deixou cair o assunto.

Mas o intrigou. A primeira rachadura em sua atitude de não estou nem ai. De alguma forma a fez mais humana.

E isso o fez querer saber mais sobre o mistério que era PJ Rutherford.

O avião espumou a superfície da água antes de abrandar e curvar-se em uma enseada. Eles deslizaram para uma parada ao lado de uma envelhecida doca de madeira e o piloto pulou para assegurar o avião.

Cole saiu e alcançou de volta para sua mochila. Ele não se ofereceu para ajudar P.J. Ele tinha feito esse erro antes. Ela carregava o seu próprio peso e nunca pedia ajuda. Isto fazia dela uma malditamente boa membro da equipe, mas isto perturbava a merda fora de Cole.

Ele não conseguia sequer colocar o dedo sobre o motivo.

Após as malas estarem na doca, o piloto deu-lhes um aceno e subiu de volta para dentro. Poucos minutos depois, ele partiu para Kodiak Island.

Cole ficou com Steele e P.J. enquanto eles faziam um levantamento de imediato da área.

—Temos um monte de terreno para cobrir — Steele disse severamente.

—Eu espero Garrett dentro de dois dias, talvez mais cedo. Precisamos estar prontos. Vamos começar com a pousada que eles vão ficar e então vamos expandir nosso perímetro para abranger tanto da ilha como podemos cobrir no tempo de dois dias. Nós vamos configurar em um triângulo em torno da pousada. Permaneceremos anônimos e fora da vista e manteremos a sua guarda em todos os momentos.

—Quem, exatamente, que estamos esperando para aparecer? —P.J. perguntou.

  —Não sei — Steele disse brevemente.

Cole fez uma careta.

—Não sabemos de nada?

—Van tem um mau pressentimento. Seus instintos são geralmente muito bons e eu confio neles. Garrett conseguiu um emprego para encontrar e proteger uma mulher que testemunhou um assassinato em Boston. Um assassinato cometido por Marcus Lattimer.

—Oh foda. — Cole murmurou.

—O que diabos estava pensando Sam em deixar G tomar esse trabalho? Um de nós teria feito isso.

As sobrancelhas de P.J. se reuniu em confusão.

—O que não estou sabendo aqui?

—Nada importante— disse Steele. —O importante é que Garrett sente que há uma carta incerta e que alguém que não é Lattimer está atrás de Sarah Daniels. O problema é que não sabe quem. Ainda. Garrett a estará escondendo aqui até que eles saibam com o que estão lidando. É nosso trabalho se certificar de que ela permaneça em segurança.

Cole concordou.

—Não é nenhuma grande coisa. Mais um dia no escritório.

P.J. puxou sua mochila sobre os ombros enquanto Cole fez o mesmo. Quando eles voltaram a cabeça para cima em direção a inclinação da pousada, Steele gritou:

—Mais uma coisa.

Ambos, Cole e P.J., viraram e foram surpreendidos com o brilho divertido na expressão normalmente estoica de Steele.

—Cuidado com os ursos.

Os olhos de P.J. se arregalaram.

—Ursos?

Steele lutava para manter uma cara séria.

—Sim, eles têm Kodiaks aqui. Fodidos ursos de traseiros grandes. Urso pardo, fazem aparência do tipo amigável.

—Bem, merda. — P.J.praguejou —Nada como estar presa em uma ilha com FUTG’s.

Cole atirou nela um olhar inquisitivo.

—Fodidos ursos de traseiros grandes. — disse ela pacientemente, repetindo a descrição de Steele.

Ela lançou-lhe um olhar para os lados e travessura dançava em seus olhos.

—Nós podemos sempre usar Cole para isca de urso.

—Você está toda coração, Rutherford. Toda coração. —Cole afirmou.

 

—Van, quando foi a última vez que você soube de Garrett?— Sam perguntou quando ele entrou na sala de guerra.

Donovan girou em sua cadeira e olhou para trás para o irmão.

—Ele deu notícias poucas horas atrás. Disse que Sarah estava dormindo e, logo que ela acordasse, estaria conseguindo sair de lá.

—Faça-me subir em velocidade. Odeio sentir que estou sendo deixado no escuro. —Donovan sorriu.

—Um novo bebê irá fazer isso com você.

Sam esfregou a mão no queixo com a barba por fazer e mal conseguiu abafar um bocejo.

Ele estava profundamente e loucamente apaixonado por sua nova filha, mas ela era toda um nova experiência.

Sophie estava cansada e tentando fazer tudo em sua busca para não interferir com as ações da KGI, desde que Garrett estava fora em uma missão, mas Sam teve que apertar no botão rapidamente.

Ela havia se esgotado tentando fazer demais muito cedo e ele a colocou na cama e assumiu o dever sobre o bebê. Só que Charlotte não tinha manifestado um inteiro interesse o bastante em dormir.

Ela alternou a agitação com olhos arregalados olhando para seu pai. Ela parecia perfeitamente satisfeita por ser segurada.

Assim que Sam tentou pôr ela deitada, ela colocou-se em um alvoroço que teve ele lutando para acalmá-la antes que ela acordasse até Sophie.

—Nada nos meus anos no Exército me preparou para ter um bebê — disse Sam cansado. —Não é para covardes, isso é certo.

Donovan deu uma risadinha.

—Pense como Sophie se sente.

—Sim, eu sei. Eu não sei como ela faz. Eu tinha que fazê-la tomar algum tempo de inatividade. Estava cansando-se ,correndo tentando fazer tudo.

—Eu pensei que se Rachel viesse aqui estaria bem. —Donovan disse.

—Eu tenho que admitir, eu estava um pouco preocupado com a forma que ela tomaria com Sophie tendo um bebê. Ela ficou tão arrasada quando se lembrou de ter o aborto.

Sam passou a mão sobre o rosto, esfregando um pouco o sono de seus olhos.

A mulher de seu irmão mais novo passou um ano presa na América do Sul, deixando Ethan e o resto da família a pensar que ela estava morta. Quando descobriram que estava viva, a KGI tinha ido com toda a força dos seus recursos e a resgatou, mas ela chegou em casa com falta de memórias de sua vida e de suas dificuldades em seu casamento com Ethan.

—Eu estava preocupado também. Não a teria magoado por nada no mundo — disse Sam. —Sophie estava preocupada também. Estava relutante em levar o bebê até a mamãe, porque estava preocupada sobre magoar Rachel.

—Sophie é uma boneca— disse Donovan. —Você tem sorte de tê-la.

Sam sorriu para isso.

—Sim. Maldita sorte.

—E Rachel tem lidado com isso bem. Ela e Ethan vêm fazendo muito melhor. Ela parece... mais forte ultimamente. Estou vendo mais e mais a Rachel que conhecíamos antes que ela desapareceu.

As portas de segurança abriram-se e Sam girou para ver Ethan entrar na sala de guerra.

—Ei cara — Sam cumprimentou. —O que você está fazendo aqui?

—Fiquei com a impressão que eu estava na sua folha de pagamento agora, mesmo que eu ainda faça as missões para maricas, —Ethan disse secamente.

—Nós estávamos falando sobre Rachel — Donovan disse por meio de sutilmente lembrar a Ethan por que ele continuava a desenpenhar as tarefas leves.

—Sim? Qualquer razão em particular?

—Não, apenas comentando sobre o quão melhor ela parece estar passando — Sam disse. —Eu vou ser honesto. Nós estávamos preocupados como ela aceitaria o novo bebê. Eu me preocupava que iria perturbá-la. Trazer de volta más recordações.

Ethan enfiou as mãos no bolso e balançou para trás em seus calcanhares. Sua expressão era branda, mas Sam podia ver o mal-estar na postura de seu irmão.

O aborto de Rachel tinha sido um catalisador para uma cadeia de eventos que levou ao desenrolar completo do casamento de Ethan e Rachel.

Ethan ainda lutava com a culpa pelo o que sua esposa tinha passado, e que ela continuava a batalha em uma base diária.

—Acho que ela gostaria de tentar engravidar novamente.

Tanto Sam quanto Donovan trocaram surpreendidos olhares e, em seguida, Sam voltou a Ethan para verificar a reação dele.

Ele não parecia entusiasmado.

—Como você se sente sobre isso?— Sam perguntou.

—Cristo, mas eu odeio essas conversas— Ethan murmurou.  —Ela não disse nada. É apenas uma sensação que eu tenho. Ou talvez eu ainda me sinto como um merda e eu estou projetando. Você não ama todas as palavras novas que você aprende na terapia?

Donovan deu uma risadinha.

—Okay, mas você não respondeu à pergunta. Vocês estão prontos para esse tipo de passo?

—Não — Ethan disse sem rodeios. —Ela não está pronta. Caramba, ela ainda está tão frágil. Se .. se ela ficar grávida e abortar novamente, eu nem sequer quero imaginar como ela reagiria. Eu não acho que podemos lidar com isso agora, quando ela está ficando cada vez melhor. É como... Deus, há momentos quando é como nos velhos tempos. Antes que eu estragasse tudo. Eu sinto como se tivesse ela de volta, o jeito que ela foi antes que ela esquecesse tanto.  Eu não quero fazer nada para mexer isso. Eu não quero que ela se machuque novamente. Eu só quero protegê-la e fazê-la feliz.

—Isso é compreensível— disse Sam. —Eu entendo, cara. Eu realmente faço. Eu faria um inferno de bastante para fazer Sophie feliz.

Ethan segurou sua nuca e olhou para Donovan.

—Eu não vim aqui para a terapia de casais. Eu queria verificar sobre Garrett e ver o que diabos está acontecendo. Ninguém disse algo para mim além do fato de que Garrett estava tomando um trabalho que Resnick lhe pediu para pegar.

Donovan proporcionou os detalhes, enquanto Sam levantou-se para o lado e ouvia.

Porra, mas ele estava cansado.

E se ele estava cansado, ele poderia imaginar como improdutiva Sophie tinha que estar.

Seu parto, apesar de seu início rápido, tinha realmente ido mais que o esperado. E então houve complicações depois. Não tão grave, mas que tinha exigido muito dela.

Ela e Charlotte eram o seu mundo.

E para os próximos dias, ele ia se tornar ainda mais intimamente familiarizado com sua filha, porque sua mãe ia fazer nada além de descansar, nem que ele tivesse que amarrá-la na cama.

Levou um momento para perceber que Ethan tinha feito-lhe uma pergunta. Ele piscou e ajustou-se de volta para a conversa.

—O que você disse sobre Rusty?

—Eu conversei com Sean ontem. Gostaria de saber se ele te disse sobre o que aconteceu — disse Ethan, uma carranca escurecendo o rosto.

—Sobre o vagabundo do Winfree e o tratamento áspero para cima de Rusty e destruindo seu carro? Sim, ele nos disse. Ele também nos disse que ele ameaçou o pequeno imbecil e cagou-lhe de medo.— disse Sam.

Os olhos de Donovan endurecidos.

—Eu quero ir até lá eu mesmo. Eu não posso me encontrar olhos nos olhos com Rusty. Inferno, metade do tempo eu me pergunto se a mãe estava perdendo seu maldito juízo para assumir esse projeto. Mas nenhum pequeno bastardo adolescente vai fugir fodendo com alguém da família Kelly, nascido ou não. Qualquer cara que anda maltratando uma adolescente deveria ter removida suas bolas e empurradas goela abaixo.

—Parte disso é culpa nossa— disse Sam equilibradamente—Nós não temos tido exatamente aceitado a Rusty. Na maioria das vezes, ignoramos sua existência. Que criou dois problemas. Um, ela não sente que pode vir até nós com um problema como esse. Inferno, se Sean não tivesse vindo em cima dela logo depois que isso aconteceu, ela provavelmente nunca teria dito a ninguém. E o pequeno bastardo provavelmente teria ido atrás dela novamente e conseguido. Dois, porque nós não a estamos aceitando, outros perceberam o nosso desinteresse. Nós fizemos-lhe um desserviço. Se nós a aprovamos ou não, ela é uma parte desta família. Ela merece nossa proteção e a maldita certeza que precisa sentir que pode vir a um de nós se ela está ficando magoada por alguns idiotas na escola.

Ethan suspirou.

—Você está certo. A fizemos uma pessoa de fora, apesar do fato de que mamãe a tenha declarado como um membro da família.

—Não importa qual os nossos sentimentos, todo mundo precisa saber que ela é um de nós e ninguém fode com o Kellys.

—Isso merece um hooyah— Donovan disse com um sorriso.

Ethan olhou para ele com falso horror.

—Garrett iria chutar o seu traseiro sobre isso. Um fuzileiro naval da Marinha permitindo uma saudação passando em seus lábios?

—Garrett está muito ocupado encurralando sua mulher para se preocupar comigo —Donovan disse com um sorriso maroto.

Sam e Ethan se entreolharam e depois de volta ao Donovan.

—Okay, qual é o problema? E é melhor você despejar. —Sam ameaçou.

O olhar de alegria profana nos olhos de Donovan fez Sam sentir instantaneamente pena de Garrett antes mesmo de ouvir a situação.

Fosse o que fosse, ele provavelmente já estava a tomar alguma merda pesada de Donovan.

—Vamos, desista, Van. — Ethan disse.

—Sarah Daniels tem Garrett perseguindo seu rastro e não de uma forma divertida. Ele está terrivelmente agindo estranho sobre ela. Quando me ofereci para assumir a missão, quando ele estava em casa alguns dias atrás, ele malditamente quase levou a minha cabeça fora. Ele tem aquela coisa de homem das cavernas vindo possessiva.

Donovan olhou para Ethan e sorriu e depois arrancou o polegar na direção de Sam.

—Você sabe, mais como o menino apaixonado aqui começou quando Sophie pousou em nosso quintal.

Sam fez uma careta.

—Foda-se, Van.

—Eu estou ouvindo isso muito ultimamente— disse Donovan com dor exagerada.

Ethan esfregou o queixo de forma pensativa.

—Não é incomum para Garrett em obter todos os resmungos sobre uma mulher. Ele é extremamente protetor com Rachel. Ele tiraria a cabeça de alguém se colocasse qualquer tipo de ameaça para ela.

—Ele não gostava de Sophie no início. — Sam apontou.

—Isso é diferente— insistiu Donovan. —Eu estou lhe dizendo. Há algo acontecendo com Garrett neste momento. Ele fica muito tenso perto de Sarah Daniels. Eles estão indo para o Alasca enquanto falamos. Enviei Steele e parte de sua equipe à frente. Eu não tenho um bom pressentimento sobre isso.

Sam franziu o cenho.

—Acha que devemos ir, então?

—Eu acho que vocês dois estão muito bem onde estão, por enquanto— disse Donovan.

—Suas mulheres precisam de vocês. Eu ainda tenho Rio e sua equipe, e eu estou livre, se ele precisar de mais. Steele, Cole e PJ estão lá e estão fornecendo proteção. Eu tenho toda a confiança que eles mais do que serão capazes de lidar com qualquer coisa que vier à tona.

 

 

Sarah derretia no banco da frente do veículo utilitário esportivo preto e esperou ansiosamente por Garrett andar de volta para o lado do motorista depois que ele fechou a porta.

Graças aos seus cuidados, ela estava plenamente agora convencida de que pessoas estavam prestes a saltar para fora das árvores a cada virada.

Garrett jogou sua bolsa e a dela no banco de trás e depois deslizou para frente. Ele silenciosamente fechou a porta, em seguida, acionou o motor. Quando colocou em marcha, olhou para ela.

—Você está bem?

Ela deu um aceno nervoso.

—Temos uma unidade à frente de nós, para nos deixar confortável, mas não baixe a guarda. Se eu disser que você faça algo, faça-o. Não pergunte.

Mais uma vez ela balançou a cabeça e ele começou a avançar, dirigindo em torno da cobertura de árvores pesadas onde estacionou o veículo utilitário esportivo.

Eles balançaram e bateram sobre a quebrada estrada pavimentada em direção à pequena aldeia a vários quilômetros de distância. Mas ele girou cerca de uma milha fora da cidade e tomou uma estrada ainda menor de terra, de uma pista para o norte.

Como se sentisse a sua pergunta, ele disse:

—Eu quero ficar fora das estradas principais, tanto quanto possível e para fora das cidades se isto puder ajudar. Se eu te encontrei, então os outros podem.

Ela fez uma careta.

—Eu fiz isto tão fácil de me encontrar?

—Desculpe, querida, mas não foi tão difícil. Não há muito que meu irmão não pode descobrir sobre alguém. Ele provavelmente sabe o tamanho do seu sutiã.

Ela olhou para ele.

—Eu vejo. E ele compartilha essas informações com você também?

Garrett sorriu.

—Não há necessidade. Eu pretendo descobrir isso por mim mesmo.

Seus olhos se arregalaram e então ela riu do óbvio flerte. Justamente quando ela achava que o tinha descoberto, ele sempre fazia alguma coisa para desequilibra-la.

Ele podia parecer a pessoa tensa, resmungona que jurou que seus irmãos o rotulavam, mas ele também era divertido e um enorme flertador.

Ele também era extremamente sensível, o que se ela lhe dissesse, ele provavelmente se mataria. Ou ela.

—Eu tenho sido tão cuidadosa. Ou eu tenho tentado ser. Ainda não entendo como é que alguém me encontrou na Ilha de Bijoux.

Ele deu-lhe um olhar que sugeria que era uma pergunta estúpida e não exigia uma resposta.

—Claramente eu não estou talhada para uma vida em fuga.

—Por que a Ilha de Bijoux de qualquer maneira? Era uma boa escolha. Um local obscuro. Você simplesmente não cobriu seus rastros bem o suficiente.

—Você vai pensar que é estúpido.

—Prova-me.

—Depois que eu peguei um táxi para o aeroporto de Boston, peguei o primeiro voo para fora que eu poderia reservar, que passou a ser um sem escalas para Miami. No voo de lá, me sentei ao lado de um casal que estariam em andamento para a Ilha de Bijoux. Eu achei que soava como um bom plano, uma vez que não era uma ilha que eu tinha ouvido falar. Desde que eu tinha feito mais fácil para seguirem-me a Miami, quando cheguei lá, contratei um Cessna privado e paguei por ele através de uma transferência de uma conta bancária que Marcus havia criado para mim anos antes. — Ela fez uma careta. —Foi a primeira vez que eu já usei seu dinheiro. A ideia sempre me deixou desconfortável antes, mas eu estava desesperada e sabia que eu não tinha escolha.

—Não foi um mau plano na hora. — Garrett admitiu. —A imprevisibilidade é sempre uma vantagem. Se você pode manter as pessoas à  sua procura fora de equilíbrio, você pode ficar à frente deles com mais sucesso.

Ela engoliu em seco e começou a sua próxima pergunta hesitante.

—Você poderia arranjar um passaporte falso, certidão de nascimento, carteira de motorista? Tudo isso?

Ele virou a cabeça para olhá-la.

—É um pouco tarde para estar pensando sobre tudo isso agora.

Ela rosnou em frustração.

—Sim, eu entendo. Acredite em mim, eu entendi até agora. Sou um fracasso. Sou péssima em subterfúgios. Não posso mentir a mínima coisa e não tenho ideia de como cuidar de mim mesma. Bem caramba, me dê algum crédito por tentar. Não é como se eu quero ser alguma idiota indefesa.

Seus lábios se contraíram suspeitosamente e ele olhou em frente para a estrada.

—Eu só ia dizer que não é necessário agora. Eu vou ter certeza que você tem tudo que precisa, Sarah. Eu não estou prestes a dar-lhe as ferramentas para abandonar-me de novo.

 —Não é como se fosse pessoal— ela murmurou. —Eu não quero que você se machuque. Eu não queria me machucar. Na época eu pensei que você fosse um pobre cara ex-militar que tinha sido ferido e precisava de umas férias. A última coisa que eu queria era você ser pego na minha bagunça.

—Ei, eu era um pobre cara ex-militar se recuperando de uma ferida— protestou ele. —Eu não menti sobre a tomada de uma bala pela minha cunhada. Foi uma experiência de união para nós dois.

Ela revirou os olhos e balançou a cabeça.

—Você tem certeza que não foi sua cunhada que atirou em você? Eu tenho um sentimento que você é uma pessoa irritante estando em torno em uma base constante.

Ele lhe deu um sorriso que fez coisas suspeitas ao seu interior.

—Bem, agora, eu acho que você vai descobrir, não é?

Que Deus a ajude, mas ela ia, e o fato de que seu interior se iluminou um pouco com o pensamento a fez sorrir. Então, ela franziu a testa.

—Oh meu Deus. Patches! Eu nem sequer lhe perguntei sobre a gata. Ela está bem? Você cuidou dela?

Ele olhou surpreso pela mudança abrupta no tema.

—Sim, a dei para a senhora que é dona da livraria. Tenho certeza que Patches está muito feliz.

Ela suspirou de alívio. Por mais ridículo que parecia preocupar-se sobre um gato quando tinha tantos outros problemas, a ideia de a gata estar sozinha e com fome a perturbava indefinidamente.

—Obrigada. Isso foi uma coisa boa que você fez.

Ele fez uma careta, como se a última coisa que ele queria ser considerado era agradável.

—Você sabe onde está indo? — Ela perguntou enquanto olhava duvidosamente para a noite.

Não havia muito reconhecível, apenas a paisagem coberta de preto. Não havia mesmo nenhuma estrela no alto. Nevoeiro pairava baixo no chão e giravam em torno de seus faróis, fazendo impossível a visibilidade a longa distância.

Era assustador e só disparou sua imaginação já hiperativa.

—Eu não, mas o fiel GPS sabe. —Ele bateu no GPS montado no painel enquanto falava e mais uma vez sentiu-se como uma idiota.

—Eu vou calar a boca agora— ela suspirou.

—Tente relaxar. Eu gostaria de sair do México quanto mais rapidamente possível. Espero que você tenha feito xixi antes de sair.

Ela riu e se recostou no assento de couro.

Eles dirigiram por uma hora, mas eles não poderiam ter viajado muito longe porque a estrada estava impossível e a visibilidade era tão pobre que não poderia conduzir muito mais do que 25 milhas por hora para a maioria do tempo.

Ela tinha acabado de fechar os olhos quando o ouviu praguejar sob sua respiração. O caminhão fez uma parada sobre o terreno, e ela abriu os olhos para ver a estrada bloqueada pelo que parecia ser a polícia local, ou seja o que fosse que chamavam a aplicação da lei mexicana.

Garrett alcançou rapidamente no bolso, tirou um pequeno aparelho eletrônico e, em seguida, chegou sob seu assento. Sua mão voltou-se vazia.

Ele olhou uma vez na direção dela, mas depois concentrou sua atenção para o obstáculo à sua frente.

—Ouça-me, Sarah. Eu quero que você se sente firme, e não diga uma palavra —Garrett disse em voz baixa. —Estou em desvantagem e eu não quero fazer nada que a coloque em risco. O que significa que vou ter que cooperar com esses idiotas.

Pavor encheu o seu estômago e subiu em sua garganta, apertando até que era difícil respirar.

Cooperar? Em desvantagem? Isso soava mal. Realmente, muito mal. Três carros da polícia estavam estacionados em ângulos e pelo menos sete homens estavam em pé na estrada. Eles começaram a aproximar-se do veículo utilitário esportivo com rifles automáticos erguidos. Um homem gritou em espanhol.

Garrett continuou com as mãos no volante e Sarah se encolheu quando um dos homens puxou abrindo a porta. Ao mesmo tempo, a porta de Garrett se abriu e os policiais gesticularam para os dois para saírem.

Sarah olhou para Garrett, seu maldito coração próximo de bater fora do peito.

Ele deu um aceno curto e, em seguida, abaixou-se para fora do caminhão, cuidando para manter as mãos para cima.

—Não falo espanhol. — Garrett disse quando um dos homens gritou para ele em sucessão rápida em espanhol.

Para horror de Sarah, o homem sacou seu cassetete e bateu-o no estômago de Garrett. Outro policial bateu seu cassetete sobre a cabeça de Garrett, derrubando-o no chão.

 Ela gritou e tentou correr para Garrett para cobri-lo, para de alguma forma protegê-lo do ataque inesperado.

Ela foi rapidamente interceptada, um braço forte envolvendo em torno de sua cintura.

O policial que a agarrou proferiu um comando gutural que ela não entendeu enquanto ela chutava e lutava como uma mulher possuída.

Não precisava ser uma cientista de foguetes para descobrir que ele disse para ela cessar e desistir, mas ela não estava prestes a deixá-los bater em Garrett até à morte.

 Ela torceu em seus braços e enfiou os dedos nos olhos dele. Ele gritou de dor e deixou-a cair como uma pedra.

Ela voou para Garrett e atirou-se sobre seu corpo justo quando um dos policiais estava prestes a entregar mais um golpe.

Ela ficou tensa, esperando a dor, mas ela nunca veio.

—Porra, Sarah, que diabos você está fazendo?— Garrett assobiou.

—Salvando o seu rabo.

—Levante-se— um dos homens disse em inglês fortemente acentuado.

 —Faça-o lentamente, señor. Você não gostaria que a senhora se machucasse.

—Faça como ele diz — Garrett ordenou. —E pelo amor de Deus, não faça nada para irritá-los.

Dedos fortes envolveram em torno do braço de Sarah e arrastou-a para longe de Garrett.

Ela tropeçou e quase caiu enquanto foi empurrada contra o capô do SUV.

Garrett se levantou do chão e nada menos que três armas foram apontadas para ele quando ele esteve à sua altura máxima.

Dois dos policiais foi para o SUV e tirou os sacos do banco de trás.

Eles esvaziaram o conteúdo no chão, sendo o primeiro a roupa de Sarah. Humilhação queimando em sua garganta como os homens riram quando sua calcinha escorregou para o chão.

Em seguida, eles tiraram o arsenal de Garrett, franzindo a testa e falando uns com os outros.

Eles fizeram um gesto para Garrett e desfiou mais espanhol enquanto escolhiam através de todas as suas armas.

Armas silenciosas sacadas em Garrett, os policiais convergiram e fez sinal para Garrett se virar e encarar o veículo.

Eles começaram batendo-lhe para baixo e até mesmo ela ficou impressionada com o número de armas que puxaram de seu cinto e bolsos das calças.

Pânico deslocou-se em torno de seu estômago até que ela estava pronta para vomitar.

Isto não podia ser bom.

Dois dos homens agarrou Garrett pelos braços e dirigiu-o para o banco de trás do SUV.

Antes que eles enfiassem-no lá dentro, algemaram suas mãos atrás das costas e depois bateram a porta atrás dele.

E de repente seu foco estava todo sobre ela e ela nunca esteve tão aterrorizada em sua vida.

Um envolveu a mão em seus cabelos e a puxou para o lado em direção a porta do outro passageiro.

Ela tropeçou atrás dele na ponta dos pés, puxada pelo seu controle sobre seus cabelos.

Ele abriu a porta e empurrou-a para dentro, mas não a algemou como fizeram com Garrett.

Ela aterrissou com um baque contra Garrett e ficou lá, preferindo o conforto de seu corpo como alternativa.

Dois homens entraram na frente enquanto os outros retornaram aos seus veículos.

 O SUV caiu na linha entre dois dos carros de polícia e eles correram pela estrada estreita rápido demais para as condições da estrada ou o tempo.

—Onde eles estão nos levando?— Ela perguntou com medo. —Eles nem sequer pediram-nos por identificação ou qualquer coisa. Nnão disseram porque vão nos prender.

—Eles não vão— Garrett disse severamente.

Sua voz era quase um sussurro contra seu ouvido e ela permaneceu em sua posição de modo que não seria ouvida.

—Eles não são policiais— continuou ele. —Eles não são muito discretos com sua conversa.

—Mas eu pensei que você não falasse espanhol?

—Isso é o que eu disse a eles— ele murmurou.

Mais que tentasse, não conseguia manter a voz firme.

—O que eles querem?

—Resgate. Isto não é uma prática incomum. Mas ouça-me, Sarah. Não importa o que aconteça, não faça nada para chamar a atenção para si mesma, me entendeu? Não importa o que eles façam comigo, você não deve colocar-se no caminho.

Sua voz era feroz e não admitia discussão.

—Prometa-me— ele exigiu.

Ela balançou a cabeça, sabendo que era uma mentira.

Um dos homens virou, cassetete na mão e brandiu na direção de Sarah.

—Não fale!—,disse.

Garrett empurrou-a e voltou para que o golpe pousasse em seu ombro.

—Fique para baixo e fora do seu caminho— ele ordenou.

Não querendo que Garrett sofresse mais, ela encolheu-se no banco e permaneceu em silêncio à medida que saltavam de forma imprudente na estrada.  Foi pelo menos mais uma hora antes de chegarem a uma parada.

Os faróis cortaram ao longo de uma casa de estilo rústico com um portão de ferro.

Depois de um momento, o portão se abriu e os veículos dirigiram a curta distância para uma circular movimentação na frente da casa.

Mais uma vez, as portas traseiras se abriram e Sarah se viu transportada para fora.

Garrett não se saiu melhor, e os homens se encarregaram para pousar alguns socos mais quando eles levaram Garrett em direção a porta da frente.

Ela estava doente, com medo e fúria.

Ele não podia se defender com as mãos algemadas para trás das costas e os bastardos estavam tomando plena vantagem.

—Pare com isso!— Ela gritou quando, nos degraus, um dos homens bateu seu cassetete violentamente nas costas de Garrett.

Os joelhos de Garrett dobraram e ele caiu sobre um joelho. Ele cambaleou de volta para cima e fixou-a com seu olhar feroz.

—Droga! Sarah, você me prometeu.

Ela mordeu o lábio para evitar o soluço de jorrar para fora.

Ela foi arrastada pela sala da frente e empurrada sem cerimônia em uma sala na parte de trás que tinha barras sobre a janela e um piso de cimento.

Era, para todos os efeitos práticos, uma cela de prisão.

Um colchão esfarrapado, arranjado em uma parede e no centro era o que parecia ser um velha mancha de sangue.

—Oh Deus, contra o que diabos eles tinham tropeçado?

Uma única lâmpada pendurava no teto e o homem estendeu a mão e bateu com seu cassetete, mergulhando o quarto na escuridão.

Ela congelou. Gelo invadiu suas veias enquanto ele arrastava seus dedos até o braço dela.

O medo. Pânico. Vergonha, horrível sem fim. Memórias lotando sua mente até que ela queria gritá-las. Ela morreria antes de deixar outro homem tomar dela o que ela não estava disposta a dar.

Para sua surpresa, o homem se afastou, deixando-a em pé no meio do quarto.

Então ele simplesmente partiu e fechou a porta atrás dele. Ela esperou alguns instantes e voou para a porta, testando a maçaneta.  Ela não se moveu, não que esperava por isso.

Ela olhou ao redor, seus olhos ajustando de certa forma para o escuro.

Apenas um reduzido raio de luz brilhava debaixo da porta, e não era o suficiente para pegar muito para fora. A luz externa lançava apenas iluminação o suficiente através da janela, na qual poderia ela observar os seus arredores. Mal.

Ela começou a andar para trás e para frente, sua mente em curto-circuito com tudo o que tinha acontecido. Ela não entendia nada disso. E ela estava com medo em sua mente por Garrett.

Onde o tinham levado? Eles estavam fazendo o quê? O que eles queriam?

Ela ouviu vozes em espanhol e depois em inglês quebrado. Ela se esforçou para ouvir.

Alguma coisa. Qualquer coisa. Ela escutou por Garrett, mas nunca o ouviu pronunciar uma palavra.

Ela saltou quando ouviu um estrondo. Pareceu-lhe uma cadeira sendo batida para o chão.

Vários minutos de duração decorridos. Silêncio. Não havia vozes.

 Em seguida, o murmúrio baixo de vozes novamente. Ela encostou o rosto para a porta imunda, ouvindo com esforço. Um som filtrou através do quarto ao lado e ela congelou.

 Ela nem mesmo respirou enquanto um nó crescia em seu estômago doente.

Parecia... Oh Deus, lá estava ele novamente. Era o som inconfundível de um objeto batendo na carne.

Era lento e metódico. Quase rítmico. Garrett nunca fez um som e o espancamento só ficou mais alto e mais forte. Ela tapou os ouvidos, tentando fechar a horrível realidade.

Seus dedos dos pés entorpecidos, ela se arrastou para o outro lado do quarto, nada querendo a ver com o colchão manchado de sangue.

Seus olhos ardiam e molharam quando o som ecoou de novo, e ela deslizou descendo pela parede, curvando os joelhos contra o peito.

Ela não tinha chorado por si mesma. Ela não podia. Mas quando ela ouviu o som abafado de dor de Garrett—o primeiro ruído que ele fez em tudo — ela baixou a cabeça à medida que os soluços brotavam em sua garganta. E ela chorou.

 

Quando a porta abriu, o flash de luz cegou Sarah. Ela não tinha ideia da passagem do tempo, só que cada minuto que passou parecia a eternidade.

Seu rosto estava cruamente devastado, seus olhos inchados. Ela arrastou-se em seus pés quando Garrett foi empurrado para o quarto.

A porta se fechou atrás dele, mergulhando o quarto na escuridão temporária, uma vez mais.

Ela correu para a frente enquanto Garrett caia de joelhos. Ele colocou uma das mãos para baixo para firmar-se, e agarrou seu abdômen com a outra.

—Oh meu Deus— ela sussurrou, sua voz rouca de tanto chorar. —Garrett, você está bem?

Ela caiu e colocou os braços ao redor dele, segurando-se a ele para ele não cair completamente.

Suas inspirações de baixas e rascantes, preenchidas de dor, e ele se ajoelhou ali, inclinando-se para ela por um longo momento.

 —O que eles fizeram? Por que fizeram isso?

Ela mal conseguia pronunciar as palavras em torno de seus soluços.

—Eu estou bem— disse ele em voz baixa. —Dê-me um minuto.

Ela podia sentir a sua batalha enquanto ele lutava por controle. Então, lentamente, ele passou um braço em volta da sua cintura, puxando-a mais para ele.

Ele descansou a testa no ombro dela e sorveu muito tempo, em constante respirações. Ela passou as mãos em suas costas e seus lados, e então se afastou para deslizar os dedos sobre seu rosto e no peito, tateando por sangue ou inchaço. Quando chegou a sua boca, seus dedos saíram manchados de sangue e seu coração disparou.

—Você está sangrando. Onde mais você se machucou? O que fizeram com você?

—Não é tão ruim. Ajude-me até o colchão.

Quando ela tentou levantar-se para apoiá-lo, seus joelhos dobraram, mas ela emperrou o pé de volta para firmar-se e determinou a si mesma não cambalear sob seu peso.

Por pura determinação, ela conseguiu manobra-lo para onde ficava o colchão manchado de sangue, e seu ânimo despencou ainda mais quando ela percebeu que essa não era a primeira vez que alguém tinha sido espancado e deixado no quarto.

Ele desceu sobre o colchão fino, que pouco fez para protegê-lo da dureza do chão. Ela tentou ajudá-lo a deitar-se, mas ele colocou a mão para baixo para bloquear seu esforço.

—Não faça isso. Deixe-me fazê-lo. Só dói quando eu tento mover rápido demais.

Ela se afastou rapidamente, não querendo adicionar o seu desconforto.

Quando ele estava acomodado em seu lado, ela empurrou para a frente de novo e ajoelhou-se sobre ele, sem saber o que fazer ou até mesmo o que podia.

Ela nunca tinha se sentido tão impotente em sua vida.

—O que eles fizeram?— Ela sussurrou novamente.

—Bateram como o inferno em mim. — ele rangeu para fora. —Principalmente as costelas. Dói como o inferno para respirar. Embora todo o resto está okay. Nada quebrado.

Reuniram-se lágrimas em seus olhos de novo e ela inclinou-se, delicadamente envolvendo os braços em torno dele. Ela não sabia mais o que fazer—queria oferecer conforto e nada mais.

Ele levantou a mão e roçou-a sobre o rosto, limpando a umidade lá.

—Ah, Sarah, não chore por mim, querida. Eu estive em situações piores. Isso não é nada. Acredite em mim.

Ela não queria saber sobre essas outras situações. Ela não tinha vivido aquilo com ele.

Ela viveu os sons de seu espancamento e sabia que não havia nada que pudesse fazer para detê-lo. Raiva construiu em suas veias até o sangue dela ferver e cozinhar como um vulcão prestes a entrar em erupção.

—Esses bastardos— ela cuspiu. —Aqueles malditos bastardos. Por que eles fizeram isso? O que eles querem?

Sua mão acariciava distraidamente pelo cabelo dela, oferecendo-lhe conforto, e que só a envergonhou ainda mais. Ela não tinha sido a única sujeita a tal brutalidade.

Ela pegou sua mão e segurou-a contra seu rosto, esfregando a palma da mão.

—Informações— disse ele. —Eles não são policiais. Não em caráter oficial, embora eles provavelmente tenham um domínio malditamente muito forte sobre esta parte da região. Eles querem dinheiro. Querem saber quem eu sou e que potencial de ameaça eu apresento para eles. Eles querem resgate. Esses bloqueios de estradas são rotinas em algumas das áreas menos desenvolvidas, onde a lei é nebulosa e está sendo deixada para os que fazem a execução.

—O que fazemos?— Ela sussurrou.

—Vamos esperar— disse ele simplesmente.

—E nesse meio tempo, você não fará nada, e eu quero dizer nada para atrair a sua ira. Você se torna invisível e você coopera, sem questionar. Você faz tudo o que você tem que fazer para sobreviver. Vou tirar-nos disso, eu juro.

Ela podia sentir seu olhar queimar no seu mesmo que a escuridão a impedisse de ver muito mais do que o contorno do seu rosto.

Ele acariciou seu rosto, esfregando o polegar sobre a sua pele enquanto ela continuava a roçar a palma da sua mão. Ela sabia o que ele estava dizendo a ela. Não lute. Mesmo que isto venha para o pior.

E ele sabia o que estava perguntando porque ele já sabia o que ela sofreu.

Ele estava dizendo que, mesmo agora, quando foi espancado, sua força os ergueria. Isto sangrou em sua alma e firmou a sua resolução. Se ele pudesse suportar tanto, então ela também podia.

—Você sobreviverá Sarah. Deixe-me tomar o calor. Não é nada que eu não tenho suportado antes e provavelmente acontecerá novamente. Meu trabalho me leva a situações ruins o tempo todo. Eu vivo com conhecimento disto em uma base diária. Tenha fé que eu posso suportar e não reagir a tudo o que fazem para mim.

Lágrimas quentes escorregaram em seus dedos.

—Mas desta vez... Neste momento você está aqui por minha causa.

—Isso não é culpa sua.

Ele enfiou a mão em torno de sua nuca e puxou-a para baixo até que seus lábios tocaram os dela.

Era apenas um roçar suave e ele teve o cuidado de manter o lado da sua boca que estava sangrando afastado de seus lábios.

—Venha aqui —pediu ele quando puxou-a mais abaixo.

—Eu não quero feri-lo— protestou ela.

—Você não vai. Deite-se ao meu lado. Deixe-me te abraçar.

—Não —  ela disse. — Eu vou te abraçar.

Ela podia ouvir o sorriso na voz dele quando ele falou:

 —Não vou discutir um pingo. Venha me abraçar então.

Com cuidado, ela se estendeu ao lado dele, consciente das lesões nas costelas. Somente quando ele persuadiu mais perto, ela se colocou nivelando-se contra seu corpo.

Então ela envolveu seu braço sobre sua cintura e esfregou seu rosto contra o seu peito.

—Sinto muito. — disse ela, não sabendo mais o que oferecer.

Seu coração doía e ela estava tão malditamente furiosa que ela queria enfurecer-se contra os bastardos que tinham feito isso.

Ela duvidou de que ela teria os recursos para atirar em uma pessoa quando tinha adquirido a pistola, mas agora ela sabia, sem dúvida, que ela podia. Sem hesitar.

Ódio foi uma emoção que sem ele tinha feito a maior parte de sua vida.

Ela odiava Allen Cruz e seu irmão bastardo, tanto quanto ela imaginava nunca odiar ninguém, mas aqui e agora, sua raiva era uma coisa terrível, feia. Isto a consumia e com ela veio um ódio que ela não achava que era capaz.

—Shhh— disse ele contra seus cabelos. —Você não tem nada a ser desculpado.

—E agora?— Ela perguntou, infundindo força em sua voz. Ela não queria vir de um lado ao outro como uma idiota chorona.  Ela queria soar positiva e confiante, como ele fez.

O mínimo que ela poderia fazer era oferecer todo o apoio que ela pudesse.

—Eles provavelmente vão nos deixar aqui. Sem comida ou água. Tentando desgastar-me para baixo. Em seguida, eles provavelmente vão dar outra chance para mim. Se isso não funcionar, eles vão usá-la.

Apesar de sua determinação de não mostrar fraqueza, ela não conseguia controlar o tremor que perturbou o seu corpo.

—Eles não vão chegar tão longe. Minha equipe virá para nós, Sarah. Eu só tenho que comprar-nos tempo suficiente para eles chegarem até aqui.  É por isso que eu quero que você mantenha a cabeça abaixada .Eles vão vir por nós. Você pode me ajudar fazendo como eu pedir.

—Okay. — ela sussurrou.

Ele apertou-lhe um pouco e depois ficou tenso com dor. Ela levantou a cabeça e encontrou seus lábios ali no escuro. Ela não se importava com o sangue.

Tudo com o que ela se preocupava era encontrá-lo, mostrando-lhe seu amor. E talvez dar-lhe algo de si quando ele já tinha dado muito por ela.

Amor.

Não era nada como os filmes ou livros. Sem grandes relâmpagos do céu onde ela instantaneamente descobriria que havia caído apaixonada. Como se fosse algo aleatório, como ganhar na loteria ou uma alta momentânea causada por hormônios.

Talvez ela começou a se apaixonar no dia em que a salvou na ilha.

Ou quando ele deixou seus livros com vinho e chocolate em sua varanda. Ou talvez fosse sua inabalável devoção por mantê-la segura.

O que ela sabia era que ele era um homem bom, o tipo que ela sempre sonhou em ter. Leal e protetor. Disposto a sacrificar por ela. Mas amar também significava sacrificar por ele, e não importa a sua promessa, ela não podia e não iria cair sem uma luta.

Ela não permitiria que ele sofresse eternamente, enquanto esperavam o resgate.

E o que ela sabia era que ela tinha se apaixonado e estava apaixonada em silêncio para o durão com o coração grande e alma gentil. Ela sussurrou as palavras em sua mente, saboreando-as enquanto ela repousava em seus braços.

Agora não era o tempo para explosões emocionais, mas, quando eles estivessem a salvo—e que seriam porque ela acreditava nele sem reservas—em seguida, ela lhe diria o que pensava sobre o homem que ele era. O homem que ela queria.

E se ele se afastasse, ela nunca teria nenhum arrependimento.

O amor era um presente, mas era até o destinatário o aceitar e valorizar ou rejeitar o oferecimento.

Tudo o que ela podia fazer era dar sem reservas.

 E pela primeira vez desde a sua agressão, ela percebeu que poderia dar algo que ela nunca tinha pensado em dar novamente.

Sua confiança e seu amor.

 

—Filho da puta. Filho da puta! —Donovan exclamou.

Ele se levantou da mesa e golpeou no chão em uma corrida de morte. Saiu da sala e correu para a casa. Ele entrou na sala, onde Sophie estava alimentando Charlotte.

Sam estava esparramado no sofá ao lado dela e olhou em alarme quando viu Donovan.

Donovan não perdeu tempo tentando preservar a modéstia de Sophie. Nem se preocupou em tentar se conter para não assustá-la.

—Nós temos uma situação.

Sam estava de pé em um instante. Os olhos de Sophie se arregalaram em alarme e o bebê soltou um miado de protesto.

—Garrett?— Ela perguntou com medo.

—Seu localizador foi ativado várias horas atrás. —Donovan disse a Sam.

—Por que diabos não sabemos até agora?—Sam exigiu.

—Foda-se se sei. — Donovan grunhiu. —O sinal pode ter sido interrompido. Talvez fosse o maldito satélite. Mas a hora era durante a noite.

—O que significa isso?— Sophie perguntou. —Ele está em apuros?

Sam deu um aceno curto. Então, sua expressão suavizou quando ele olhou para sua esposa e filha.

—Ele não teria ativado a menos que ele estivesse com problemas e precisasse de ajuda.  É o nosso sistema de pedido de socorro. Isso significa que ele caiu ou está profundamente na merda.

—Vai. — disse ela. —Ele precisa de você. Eu vou ficar bem. Eu tenho Marlene e Rachel.

Sam hesitou só um breve momento antes de se inclinar para beijar Sophie e depois Charlotte.

—Traga-o para casa, Sam. — disse ela em voz urgente.

—Eu vou, bebê. Eu prometo.

Donovan já tinha se virado e corria de volta para a sala de guerra com Sam em seus calcanhares.

—Rio será o mais próximo. Vou redirecionar Steele e sua equipe desde o Alasca, mas vamos chegar lá primeiro depois de Rio — disse Donovan.

—Eu não sei o que estamos lidando, mas vou assumir o pior e puxar todos os homens disponíveis para obter o inferno lá em baixo.

Enquanto Donovan saudava Steele e lhe dava a ordem para se retirar, Sam pegou o telefone e discou um número.

Alguns momentos depois, ele disse:

—Ethan, Garrett está em apuros. Nós precisamos de você.

Donovan já estava abrindo o armário das armas. Ele tirou uma série de armas e jogou dois rifles na direção de Sam. Quando tiveram seus equipamentos embalados, eles se apressaram para o caminhão.

—Eu vou dirigir. Nós vamos passar para pegar Ethan e então guiaremos para o jato. Você traz Rio e dar-lhe as coordenadas — disse Sam.

O veículo ficou em silêncio, mas Donovan sabia que Sam estava tão preocupado como ele estava.

E Donovan culpou a si mesmo. Ele deveria ter colocado uma equipe com Garrett desde o primeiro dia.

Quando cheirou algo ruim, ele colocou o Rio e Steele no lugar, mas foi demasiado pouco, demasiado tarde.

Ele deveria ter amarrado Garrett a uma cadeira, se necessário, para garantir que ele não fosse para o México sozinho. Eram sempre os trabalhos fáceis que levavam todos à merda.

 

GARRETT deitou-se com Sarah nos braços ouvindo o ritmo tranquilo de seu sono.

Ele descaradamente mentiu para ela sobre a condição da que ele estava dentro.

Não que ele estivesse pronto para uma caixa de pinheiro, mas suas costelas doíam como uma puta, e ele não tinha sido capaz de dormir pelo desconforto.

Mas ele não queria assustá-la mais do que ela já estava. Ele estava malditamente orgulhoso dela por não perdê-la completamente. Ela estava com um medo estúpido, mas ela era também uma mulher furiosa.

Era a parte do furiosa que o preocupava. Mulheres furiosas eram imprevisíveis.

Ele tinha perdido a noção do tempo, mas pensou que deveria ser luz do dia em breve.

Sarah tinha caído em um sono inquieto durante a noite e quando ela se mexeu, ele a acalmou e aquietou tanto para a sua paz de espírito como para preveni-la de mover-se muito contra suas costelas.

Ele esperava como o inferno que ele disse a ela a verdade sobre o que seus captores fariam.

Mais uma vez houve todo esse fator previsibilidade no trabalho. E, enquanto isto fazia sentido que eles deixassem eles se preocuparem e querendo saber sobre o seu destino, desgastando-os para baixo, eles já tinham provado que filhos da puta estúpidos que eram.

Ele não tinha inteira fé o bastante em sua inteligência. Ele não lutou com eles, o que os irritou. Ele tinha ido humildemente junto a eles, como um cordeiro para um abate, porque não queria correr o risco de qualquer coisa acontecer a Sarah.

Se tivesse sido ele a sós, teria chutado alguns traseiros gravemente e aproveitado cada minuto disto.

Mas Sarah era como ele, e ele iria morrer antes de permitir que qualquer dano chegasse a ela. Seu crescente desconforto sinalizou a necessidade de mudar de posição, mas ele não queria acordar Sarah.

Ela finalmente se estabeleceu em um ritmo mais tranquilo e ele gostava da sensação de seu hálito quente no pescoço. Ela o beijou na noite anterior.

A primeira vez que ela deu início a qualquer intimidade entre eles. Isto foi suave e tão malditamente doce que tinha sido capaz de esquecer a dor por esse simples momento em que a boca dela tinha encontrado a sua.

Quando ele chegou a posição que não podia mais, tentou a borda para o lado que ele pudesse virar mais plenamente em suas costas. Ela veio despertar instantaneamente, sua cabeça disparando fora de seu ombro.

Ela se inclinou sobre ele, o cabelo caindo sobre seu peito enquanto o olhava, preocupação brilhando em seus olhos.

 —Você está bem? Você está sofrendo?

—Eu não queria te acordar. Só preciso virar sobre minhas costas por um tempo.

Suas mãos correram levemente sobre seu peito, quando ela o ajudou a rolar o lado de volta sobre suas costas. Ele sentiu um alívio imediato, quando um pouco da pressão sobre as costelas diminuíram.   

Suas respirações pequenas vieram mais fácil e ele tomou várias profundamente.

—Melhor?

—Melhor— disse ele. —Agora volta aqui. Eu gosto de você perto de mim.

Ela se acomodou na dobra do braço e colocou a cabeça em seu ombro. Sua mão se aventurou levemente sobre o peito e para baixo em direção à suas costelas. Foi refrescante contra o calor de sua dor. Um bálsamo tranquilizante, ele fechou os olhos no absoluto prazer do seu toque.

—Estou machucando você?— Ela perguntou.

 —Não, não pare. É uma sensação muito boa. Eu gosto de você me tocando. — Ele sentiu seu sorriso contra seu ombro.

Com cuidado, ela deslizou sobre a camisa, seu toque tão leve que quase não existia. Ela esfregou um caminho para a sua barriga e depois voltou-se novamente, tendo o cuidado em torno de sua caixa torácica.

Então, ela acomodou a palma da mão contra o peito, a direita sobre o coração como se tranquilizando a si mesma que ele estava lá e vivo com ela.

Depois de um momento, ela refez seu caminho para baixo novamente. Ele não mais aguentava a maldita camisa. A maldita camisa estava no caminho e ele queria sentir suas mãos em sua pele nua como ele queria nada mais.

—Levanta a camisa—disse ele.—Toque-me, não minha camisa.

Esperou para ver se ela se recusaria, mas ela levantou a barra e, lentamente, empurrou para cima até sua camisa estar amontoada debaixo de seus braços. Então ela colocou a mão em seu peito nu e ele quase gemeu de puro prazer disto.

Tal suavidade em face tal da violência e dor. Tão quente e doce. Ele bebeu-a avidamente, querendo ser acalmado pelos seus dedos.

Quando ela se aventurou mais baixo, descendo para cintura de suas calças, seu corpo reagiu. Seu pau inchou e cresceu para a vida, implorando para ser incluído em suas ministrações afetuosas. Inferno, a última coisa que queria era assustá-la ou afastá-la.

—Preste atenção a suas mãos — disse ele com voz rouca. —Parece que tenho este problema perto de você.

Ela riu suavemente e levantou a cabeça novamente.

—Eu não teria imaginado, quero dizer, não agora. Você tem que estar sofrendo muito.

—Eu não estou morto— ele murmurou.—E o meu pau não está particularmente preocupado com o resto do sentimento do meu corpo.

Para sua surpresa maior, ela se inclinou e apertou os lábios contra seu peito. Ela beijou-o suavemente e depois moveu descendo uma polegada e beijou-o novamente.

Todo o tempo a palma da mão alisava sobre a pele de sua barriga terrivelmente bem perto de sua cintura.

O desconforto na virilha foi ultrapassando rapidamente a dor nas costelas.

—Eu não quero feri-lo— ela sussurrou.—Diga-me para parar, se eu faço. —Como aquilo já estivesse indo acontecer. Ele podia estar perdendo uma perna e seria condenado se interrompesse a sua doce sedução.

Um anjo no inferno. Essa era a única descrição com que só ele poderia imaginar.

Seu doce anjo.

—Posso garantir que eu não vou dizer-lhe para parar— ele gemeu. —Eu só queria como o inferno que eu pudesse fazer amor com você. Eu quero te tocar, droga!

Mais uma vez o seu riso rouco lavou sobre ele como um vento de cura. Ela beijou e acariciou amorosamente cada parte dele que doía. Cada contusão. Cada corte.

Sua boca macia movendo sobre a sua carne como se estivesse absorvendo a dor.

Ela colocou uma mão no outro lado dele e empurrou-se para cima e sobre ele até que o cabelo caiu em torno de seu rosto. Então, ela baixou os lábios nos dele timidamente.

O primeiro contato parecido ao gosto de ambrosia. Doce. Tão malditamente doce.

Fogo correu em suas veias quando a ponta de sua língua esfregou timidamente sobre sua boca. Sua mão esquerda no colchão e segurando seu rosto. Seus dedos acariciaram delicadamente sobre sua mandíbula, como plumas até sua têmpora quando ela beijou ao redor do corte no canto da boca.

Ele daria tudo para ser capaz de virar, segurá-la firme e deslizar entre suas pernas.

Isso certamente lhe deu incentivo para dar o fora deste buraco do inferno, porque quando eles fizessem, estava iria fazer tudo com o que ele estava fantasiando sobre ela atualmente.

Ela continuou suas suaves ministrações, tocando, acariciando levemente e seguindo suas carícias com os lábios. Nenhuma parte de seu rosto espancado e abdômen foi deixado de fora de seu doce namoro.

Ela acalmou suas dores e afastou sua dor, substituindo-a por quente prazer.

Finalmente ela deitou a cabeça em seu peito e deslizou sua mão sobre a barriga em um padrão suave, reconfortante.

Ele levantou a mão e enfiou os dedos em seus cabelos, desfrutando de algo tão simples como tocá-la. Ele não conseguia pensar. Ele só podia sentir. Relaxado e satisfeito, a sua mulher deitada sobre seu peito aconchegada em seu corpo.  

Ele cobriu a mão dela com a sua outra e apertou, incapaz de expressar tudo o que sentia.

Ela apertou de volta como se entendesse o seu silêncio.

Eles descansaram ali, seus dedos entrelaçados unidos e esquecidos por um simples momento o inferno que estavam esperando.

 

Marlene saltou de dentro do veículo de Sam e se apressou em direção a porta da frente.

Ela não se preocupou em bater, mas simplesmente empurrou e chamou o nome de Sophie.

Sophie virou no canto, Charlotte agasalhada em seus braços, e Marlene viu a preocupação refletida nos olhos de sua nora.

Ela estendeu os braços e puxou ambas, a mãe e a criança, em seu abraço.

—Como você está passando?— Ela perguntou a Sophie.

Sophie colocou um sorriso corajoso.

—A questão é, como você está? Eu não posso imaginar como você faz isso com tanta frequência com todos os seus filhos indo e não sabendo se é seguro.

Um rápido tremor rolou sobre seus ombros e Marlene se aproximou para pegar Charlotte dela.

—Oh, eu estou bem. Preocupada, é claro, mas você começa a se acostumar com isso. —Ela sorriu para sua neta.

O amor, tão forte, correu como uma inundação através de seu coração.

—Ela é tão linda, Sophie. — Sophie sorriu, mas era um sorriso cansado atado com uma tensão que Marlene sabia que ela sentia.

Marlene endireitou os ombros e olhou a sua netinha.

—Eu quero que você embale o que precisa para vários dias. Então você e eu iremos buscar a Rachel, e vamos até a sede do quartel Kelly, como gosto de chamá-lo. Oh, eu sei que Sam tem a sua sala de guerra aqui, mas, honestamente, minha casa foi e sempre será a central Kelly. Em um momento como este, a família tem que ficar junta.

Alívio brilhava nos olhos de Sophie e os ombros cederam um pouco.

—Isso soa maravilhoso, Marlene. Estar sozinha agora... bem, é uma porcaria.

Marlene riu.

—Bem, é claro que sim. Você tem um bebê novo. Você está cansada. E seu marido se foi para resgatar o meu tolo filho, que não acha que precisa de ninguém. Pegue suas coisas. Vai ser uma grande festa do pijama. Nós vamos deixar Frank louco. Ele provavelmente vai fugir do local, antes que termine.

Sophie sorriu, iluminando o rosto inteiro.

—Dê-me apenas alguns minutos para conseguir o que eu preciso para Charlotte.

Enquanto Sophie partiu para fazer a mala, Marlene sentou-se no sofá e olhou para baixo, para a neta dormindo.

Ela estava mais preocupada com Rachel, verdade seja dita, era por isso que não tinha intenção de deixar qualquer uma de suas noras nos próximos dias sozinhas.

Ethan ainda estava preso perto de Rachel a maioria dos dias, e quando ele saiu em missão, Marlene fez questão que ela não estivesse sozinha.

A família inteira verificava em cima dela, Garrett especialmente. Rachel e Garrett compartilhavam um vínculo especial, e com Garrett desaparecido em ação, e Ethan entrando em uma situação desconhecida, Marlene não gostava de pensar sobre como perturbada Rachel ficaria. E o que ela não queria era que Rachel ou Sophie soubessem como ela estava preocupada.

Oh, ela deu à Sophie aquela música e dança sobre ser acostumada com isso ,mas uma mãe já se acostumou a dizer adeus a seus filhos e não saber se irão voltar? Era uma preocupação que ela viveu todos os dias.

Garrett era o solitário e autossuficiente. Ele era o único firme. Ele sempre podia ser contado quando as fichas iam abaixo. Mas agora ele era o único em necessidade, e Marlene não conseguia se livrar da sensação de mal estar no estômago.

Sophie voltou carregando uma enorme bolsa de bebê a tiracolo e um bolsa adicional com suas coisas em sua outra mão.

—Eu estou pronta.

Marlene ergueu-se.

—Vamos levar a minha van. Eu fiz Frank instalar um assento de carro para Charlotte., então ela está toda pronta.

As mulheres apressaram-se da casa e Marlene instalou Charlotte em seu assento na parte traseira. Jogaram as bolsas de Sophie no compartimento traseiro e Marlene se moveu para o lado do motorista.

Para sua surpresa, Sophie a parou e puxou-a para um abraço enorme.

—Obrigada. — Sophie sussurrou. —Eu disse a Sam para ir. Eu queria que ele fosse. Mas depois que ele saiu, tudo que eu conseguia pensar era que eu não queria ficar naquela casa sozinha, preocupada fora de mim, que algo terrível aconteceu.

Marlene apertou-a de volta.

—Não há de quê, querida. É para isso o que a família é.

Quando ela se afastou, as lágrimas brilhavam nos olhos de Sophie. Então ela sorriu.

 —Você sabe, eu estou me acostumando a isto. Eu nunca tive uma família real. É uma sensação... agradável.

—Bem, vamos lá então. Vamos parar com toda a coisa emocional feminina e vamos buscar Rachel.

Quinze minutos depois, Marlene estacionou dentro da entrada da garagem da casa de Ethan e Rachel. Antes que ela pudesse sair, Rachel veio para a varanda da frente, com o rosto pálido e os olhos preocupados.

—Você fica aqui com Charlotte— Marlene disse a Sophie.—Vou deixar a van funcionando. Estaremos aqui em um minuto.—Ela correu  para fora e Rachel a encontrou na parte inferior do degrau.

—Você já ouviu falar alguma coisa? O que há de errado?

Marlene tomou suas duas mãos na dela e desejou como qualquer coisa que ela pudesse livrar-se das sombras que ainda se escondiam nos olhos de Rachel.

—Nada está errado, bebê. Nada mesmo. Eu simplesmente decidi que em tempos como estes, a família deve ficar junta. Eu vim para recolher minhas filhas, e vamos para expulsar Frank de casa e domesticá-lo pelos próximos dias. Agora vá fazer a mala. Você irá comigo. Nenhuma de nós deve estar sozinha agora.

O alívio foi cambaleando nos olhos de Rachel. Era como se ela estivesse preparada para ouvir o pior.

—Eu estou tão preocupada com Garrett. E agora Ethan. Deus, Marlene, que poderia ter acontecido? Eu odeio não saber.

Marlene puxou as mãos de Rachel juntas e apertou um pouco mais forte.

—Eles voltarão para casa por nós, Rachel. Assim como você fez. Meus meninos são lutadores. Eles lutaram por você. Eles lutam por outros. Eles vão lutar muito bem um para o outro. Agora vá pegar suas coisas.S ophie e o bebê estão esperando por nós na van.

Sem outra palavra, Rachel virou-se e apressou-se subindo os degraus. Marlene suspirou, se recompôs e voltou para a van para esperar.

Poucos minutos depois, Rachel saiu correndo e subiu no assento do meio, ao lado do transportador de Charlotte.

Marlene olhou para Sophie e, em seguida, sobre o ombro para Rachel.

—Okay, meninas.Vamos para casa.

As duas mulheres sorriram e Marlene dirigiu para fora da entrada da garagem e virou em direção a casa.

Quando elas chegaram até a casa de Marlene, para sua surpresa, Rusty estava sentada nos degraus da frente.

Ela se levantou quando a van parou, mas permaneceu onde estava, enquanto observava as mulheres sair e pegar as suas malas.

—Eu poderia utilizar alguma ajuda com Charlotte —Marlene chamou por Rusty. Rusty avançou, olhando um pouco hesitante para o bebê nos braços de Marlene.

 —Você me quer para levá-la?— Ela olhou para Sophie e depois de volta para Marlene.

Marlene acomodou o bebê nos braços de Rusty, deu-lhe as instruções necessárias sobre apoiar a cabeça e depois a enxotou em direção à casa.

Rusty tinha uma mistura de terror e espanto em seus olhos enquanto ela lentamente virou e afastou-se subindo os degraus para dentro da casa.

Marlene sacudiu a cabeça enquanto ia à parte de trás para ajudar a Rachel e Sophie com as suas coisas.

—Eu juro, você dá a uma adolescente um bebê para segurar e é como um exorcismo.

Sophie e Rachel, ambas caíram na gargalhada.

—Não agora, isso é melhor— Marlene disse, oferecendo um aperto para ambas em seus braços. — Nós parecemos que estamos indo para um velório.

Quando iniciaram para casa, Frank apareceu na varanda.

Ele simplesmente estendeu os braços para Rachel e Sophie e puxou as duas em seu peito em um abraço apertado.

 —Como estão as minhas meninas?

—Melhor— Rachel disse suavemente. Frank beijou a bochecha dela.

—Bem, bom. Eu estou indo pôr o fogo na grelha mais tarde. Pensei que poderíamos ter bifes para o jantar.

—Isso soa maravilhoso— disse Sophie.

—E você— disse Frank a Sophie.—Você irá descansar um pouco, mocinha. Você parece cansada. Essa minha neta é bonita como um botão, mas ela tem misturado seus dias e noites, pela sua expressão.

Sophie deu-lhe um sorriso irônico.

—Eu temo que você esteja certo.

—Deixem suas malas na varanda. Vou levá-las em um minuto — disse ele.

E com isso, ele se virou, ainda segurando as duas mulheres ao seu lado e puxando-as para dentro da casa.

Marlene ficou por um momento simplesmente observando sua família fazer o que eles faziam de melhor. Então, ela voltou seus olhos para o céu.

—Cuide de meus meninos— ela sussurrou. —Traga-os para casa, para nós.Esta família não é inteira sem eles.

 

Sarah sentou no chão ao lado do colchão, joelhos dobrados contra o peito enquanto Garrett cochilava ao lado dela. Ela não queria ficar com medo, mas a verdade era que estava aterrorizada.

Ela não queria não acreditar que ela e Garrett seriam resgatados, mas apesar de seus esforços, a dúvida rastejou insidiosamente em sua mente.

Ele estava certo até agora, apesar de tudo.

Durante todo o dia, os seus captores tinham deixado-os sozinhos no escuro e no silêncio.

Nenhum som podia ser ouvido através da porta. Nenhum alimento. Nenhuma água. A comida não a incomodava ainda, mas estava com sede.

Completamente humilhada pelo fato de que não havia lugar para se aliviar, ela esperou até que Garrett tivesse cochilado antes de agachar a um canto.

Ela morreria se ele tivesse sido acordado para testemunhar a sua mortificação.

Ela colocou a cabeça para baixo em seus joelhos e balançava para frente e para trás, tentando manter seu foco, tentando não deixar o pânico dominá-la. Garrett precisava dela forte, não impotente.

Não conhecer a extensão de seus ferimentos preocupava o inferno fora dela. De vez em quando, ela se inclinava sobre ele para ouvir os sons reconfortantes da sua respiração. E então ela retomava sua vigília, sentada e esperando.

Observando junto a Garrett como ele tinha vigiado sobre ela.

Garrett mexeu-se e ela levantou sua cabeça para vê-lo levantando a cabeça para olhar ao redor.

Seu olhar encontrou o dela, e ele pegou a mão dela como se para assegurar-se de que ela estava lá e segura. Ela o pegou e apertou.

—Como vai você?— Ela sussurrou.

—Eu estou bem. Não se preocupe. Apenas dolorido. Eu não acho que seja tão ruim quanto parecia no momento.

O ânimo que ele forçou em sua voz derreteu seu coração. Ele estava fazendo tudo o que podia para manter seus espíritos elevados e mantê-la otimista.

—Então você está pronto para ir chutar alguns traseiros, depois. — ela brincou.

—O que você está esperando? Tenho certeza que entre nós podemos derrubar a porta.

—Talvez não tão animado ainda. — ele disse secamente.

—Você pode me ajudar a sentar-se? Eu quero testar as costelas.

Ela ficou de joelhos e envolveu o braço em torno de seus ombros.

—Pronto?

—Pronto.

Ele resmungou uma vez, quando ele empurrou para uma posição sentada.

—Você está bem?— Ela perguntou ansiosamente.

Sentou-se ali por um momento recuperando o fôlego e, em seguida, esfregou a mão sobre sua barriga.

—Eu estou bem. Apenas contundido, eu acho. Eles pareciam asperamente muito cautelosos para cima de mim sem quebrar nada. Nada sinto quebrado de qualquer maneira. Apenas rígido e dolorido.

Ela manteve o braço sobre seus ombros e inclinou-se para seu lado.

Ela envolveu os braços ao redor de sua cintura e colocou a cabeça contra ele.

—Eu sei que você está com medo, Sarah. Mas vamos passar por isso. Eu prometo. Minha equipe vai chegar.

Ela apertou os lábios por um breve momento e, em seguida, fez a pergunta que a assolou desde a noite anterior, quando ele disse a ela a mesma coisa.

—Como eles vão saber? Quero dizer, como é que eles sabem onde nos encontrar?

Ele virou o rosto em sua cabeça e apertou os lábios em sua têmpora.

—Dispositivo de rastreamento. Nosso sistema de SOS, por assim dizer. Eu o ativei, quando bateu o bloqueio e joguei-o sob o banco da frente do SUV.

—Então você sabia— ela murmurou.—Que estávamos em condição ruim?

—Sim. E se isto tivesse se transformado em um falso alarme, eu poderia ter sempre verificado, mas nada sobre a situação parecia nada mais que fodida.

Ela riu suavemente.

—Alguém já lhe disse que você tem um jeito com as palavras?

—Todo o tempo. — ele disse com voz arrastada.

Ele pegou sob seu queixo e empurrou para cima.

—Venha aqui— disse ele quando abaixou sua boca.

Ela foi de bom grado, fundindo seus lábios nos dele. Antes ela tinha sido dolorosamente gentil com ele, não querendo magoá-lo. Ela queria oferecer conforto — e seu amor.

Agora, ela beijou-o desesperadamente, querendo e precisando do seu calor e conforto.

Ele deixou sua mão deslizar para a curva do rosto dela, e ele segurou-a lá enquanto alimentava-se de sua boca. Estava tão impaciente quanto ela se sentia, faminto e um pouco selvagem.

Ele tomou sua respiração —devolveu-a—, então tomou novamente, a troca de calor, o ar molhado elevando a inquietação do desejo que cresceu a cada momento que ela passou com ele.

Ele se afastou e olhou para ela, acariciando seu rosto.

—Espero o inferno que não é uma daquelas situações onde você fica um pouco louca, porque estamos em uma situação ruim e você não acha que nós vamos sair, assim que você faz coisas que nunca sonharia de outro modo. Porque bebê, quando sair daqui, eu vou passar dois dias sem fazer nada, mas fazendo amor com você. E que não vai ter malditatamente nada a ver com nada, mas o fato de que eu quero estar dentro de você mais do que eu quero respirar.

Sua respiração soluçou e gaguejou. Seu peito ficou apertado e ela engoliu sob a intensidade do seu olhar.

Então ela estendeu a mão para tocar seu rosto, permitindo que as pontas dos dedos traçassem as linhas fortes de sua mandíbula.

—Eu te beijei porque eu queria. Isso não vai mudar amanhã.

—É uma maldita coisa boa —ele rosnou.

Ele se inclinou para beijá-la novamente quando um ruído fora da porta a fez ficar rígida.

—Para trás de mim— ordenou. —Faça isso agora. Não faça um maldito som. Não fale. Não reaja. Finja que é invisível. Você entendeu?

Cada parte dela queria discutir como o inferno, mas ela fez o que ele pediu e encontrou-se atrás dele e fez-se tão pequena quanto podia contra a parede.

A porta se abriu, trazendo consigo uma inundação de luz ofuscante.

Garrett fixou-se em seus pés, e ela não sabia como ele tinha feito isso de modo rápido e com tanta facilidade. Tinha que ter sido torturante. Ele se levantou, em uma pose quase casual, mas suas mãos estavam em punhos dos seus lados.

Um fluxo de espanhol surgiu a partir da porta e dois dos homens entraram no quarto e tomaram Garrett pelos braços.

Lute, ela silenciosamente desejou a ele. Não aceite isto.

Mas, oh Deus, ele foi de boa vontade e ela sabia o porquê.

Ela fechou os olhos quando a porta fechou-se e raiva subiu dentro dela. Ele não queria fazer nada que pudesse chamar a atenção deles para ela.

Ele não os desafiou, porque temia que eles retaliassem machucando ela.

Ela bateu com o punho na boca para abafar o soluço que inchou como um tumor maligno. Ela não iria chorar. Ela não iria ceder ao desespero. Garrett precisaria dela.

Forte e firme. Como ele. Ela não iria falhar com ele. Não quando ele estava sacrificando-se muito por ela.

Movimentando-se rapidamente a seus pés, ela correu para a porta e pressionou seu ouvido contra ela, esforçando-se para ouvir.

Ela tinha que saber. Ela não queria, mas ela devia muito a Garrett, para saber o que estava sendo feito com ele. O murmúrio de vozes continuaram para sempre.

Eles estavam interrogando-o em inglês quebrado e suas respostas eram cortadas, evasivas, a versão sutil do vá se foder.

Depois de cada resposta negativa que ele deu, ela ficou tensa, esperando para ouvir o som deles batendo nele. Mas o questionamento continuou.

Ela vergou contra a porta pelo que pareceram horas. Suas pernas estavam dormentes, os joelhos instáveis e seu corpo inteiro estava banhado em suor.

E aí começou. Ela estremeceu quando o primeiro som da violência chegou a ela. Ela prendeu a respiração até que teve vertigens. Mais perguntas. Outro golpe.

Eles estavam mais lentos e aparentemente mais comedidos desta vez.

Através de tudo isso Garrett permaneceu em silêncio, e ela não sabia como.

Como poderia uma pessoa ser tão forte que poderia sofrer tanta dor e não ceder à vontade de gritar?

Quando finalmente ela ouviu o raspar de cadeiras e som de passos se aproximando da porta, voou de volta para a parede oposta, ao lado da cama improvisada. E ela esperou.

A porta se abriu, mas desta vez, havia apenas um homem e nenhum sinal de Garrett. Ele olhou para ela por um longo momento e então atravessou o quarto.

Ele cuspiu um fluxo de espanhol e ela nunca olhou para cima, recusando-se a encontrar o olhar dele ou deixá-lo ver como ela estava aterrorizada.

Ele estendeu a mão e agarrou o cabelo dela com uma mão e circulou o braço com a outra.

Ele a puxou para seus pés e empurrou-a para a porta, nunca relaxando o aperto. A luz a cegou e ela fechou os olhos e então piscou rapidamente, tentando por ajustar-se enquanto ele forçou-a para dentro do quarto.

Ela tropeçou para frente e arquejou quando teve sua primeira boa olhada de Garrett.

Ele estava amarrado a uma cadeira, de braços atrás das costas, completamente vulnerável.

Sangue fluindo a partir de seu nariz e boca. Ele parecia cansado e abatido, mas no momento que olhou para cima e a viu, algo mortal entrou em seus olhos. Eles aguçaram  e onde antes ele parecia meio inconsciente, estava agora totalmente alerta, tenso, seu olhar levando-se em cada detalhe.

O homem de pé ao lado de Garrett colocou abaixo o pedaço de madeira na mão e aproximou de Sarah, com o rosto inexpressivo.

Ela desviou o olhar, encontrando o olhar de Garrett, tentando infundir cada milímetro de sua força para ele.

Ela permitiu-se demonstrar nenhum medo e foi a coisa mais difícil que ela já tinha feito.

E ela implorou-lhe em silêncio para não fazer nada louco. Não para atrair a sua ira. Ele não poderia ter muito mais.

O homem circulou-a como um gato perseguindo sua presa. Ele olhou para cima e para baixo de seu corpo de forma clara e sugestiva e, em seguida, se movimentou aproximando-se, sua mão tocando seu rosto.

Ela não vacilou, mas também não olhou para ele.

Virou-se então para Garrett o tempo todo mantendo a mão em seu rosto, acariciando para cima e para baixo a sua bochecha.

—Meus homens estão muito ansiosos para ter sua mulher— disse o homem. —Você não me deu razão para negar a eles.

Este era o único que falava Inglês quase perfeito, o seu sotaque leve. Era claro que ele era a figura de autoridade aqui. Também ficou claro que ele era o único que tinha infligido o maior dano à Garrett.

Isso foi tudo que a evitou golpear o joelho em suas bolas. Mas ela estava lá, estoica e imóvel, todo o tempo olhando para Garrett, dizendo que ela estava bem.

—Diga-me o que eu quero saber ou eu deixo-a para eles. — As narinas de Garrett dilataram-se.

Seu olhar era tão mortal que ela estremeceu sob o impacto.

—Eu vou te dizer— ele disse finalmente. —Deixe-a sozinha. Você nunca vai conseguir o que quer dela. Sou eu quem pode fornecer o resgate.

O homem sorriu, seus olhos brilhando com triunfo.

—Eu tive um pressentimento que você veria meu caminho.

Virou-se e estalou os dedos para um de seus homens, que imediatamente veio para a frente. O outro homem agarrou o braço de Sarah e arrastou-a de volta para o quarto.

Ela virou a cabeça, seu olhar encontrando o de Garrett uma última vez. Para seu espanto, ele piscou para ela. Ela quase perdeu o gesto, que foi feito tão rapidamente. E tão rápido, o foco de Garrett estava de volta em seu captor.

Sarah se viu mais uma vez empurrada para o quarto escuro e a porta se fechou atrás dela.

Ela cambaleou para trás até a parede e desta vez, deitou sobre o colchão e se enrolou em uma bola apertada.

Algo dentro dela tinha quebrado com a visão de Garrett. Náusea subiu em seu estômago e ela se arrastou até o canto, enquanto se levantava e sufocava. Não havia nada para sair, mas a barriga ainda se revoltava.

Vômitos secos atormentavam seu corpo e ela tomou em respirações profundas, mas o cheiro enjoativo de urina e suor só a fez doente.

Quando finalmente foi capaz de ganhar o controle e parar a torção horrível em seu intestino, ela se arrastou de volta para o catre e caiu, fraca e trêmula — envergonhada.

Ela tinha de conseguir se recompor antes que eles voltassem com Garrett — se eles voltassem.

Estes não eram homens de honra. Como era que ela saberia que não iriam matá-lo depois que ele lhes desse o que queriam?

Não, ela não pensaria nisso. Ela não podia. Garrett havia prometido a ela, e acreditou nele.

Ela estava ali, de olhos fechados, sugando profundas respirações e tentando ignorar o nó horrível em seu estômago. Desta vez, ela não ouviu a sua abordagem. A abertura súbita da porta assustou-a e levantou-se sobre um cotovelo protegendo os olhos com a outra.

Garrett cambaleou para frente quando ele foi empurrado para o quarto, mas desta vez ele não foi para baixo. Ele ficou desafiadoramente até que a porta se fechou atrás dele e, em seguida, examinou o quarto. Procurando por ela.

Ele caminhou lentamente em direção a ela e depois afundou-se de joelhos na frente do estrado onde ela estava. Ela abriu os braços e engoliu o soluço.

Ele se aproximou, unindo-os, e com um gemido, baixou os dois de volta ao catre.

—Sinto muito— ele murmurou mais e mais. —Eu esperava que não fossem tocar em você, que você não estivesse com medo. Eu sei que você deve ter estado aterrorizada, mas estou malditamente muito orgulhoso de você.

Ela se afastou e passou as mãos sobre seu rosto, limpando o sangue, indiferente que  isto manchava suas mãos e roupas.

—Não foi ruim— ele disse rapidamente. —Eles descobriram que não iriam chegar a qualquer lugar com força. É por isso que puxaram para dentro. Eu deveria ter feito um melhor trabalho de atuação. Poderia ter fingido estar mais abatido. Eles teriam deixado você sozinha então. Talvez.

As palavras caíram para fora e ela colocou um dedo sobre os lábios para silenciá-lo. Ele estava desculpando-se. Deus. Ela substituiu o dedo com os lábios e beijou-o ternamente, salpicando pequenos beijinhos na boca contundida e espancada.

Por um longo tempo eles ficaram em silêncio, entrelaçados, trocando beijos ocasionais.

—E agora, que você disse a eles o que queriam saber? —ela perguntou em voz baixa.

—Eu não lhes disse merda. Eu estava apenas tentando nos comprar algum tempo. Tempo para a minha equipe, para chegarem aqui. Eu entreguei agora, porque no momento em que descobrirem que eram um monte de bobagens, nós devemos estar fora daqui.

Ele parecia tão certo daquilo que elevou a bandeira da sua confiança.

—Você precisa descansar— disse ela. —Para quando a sua equipe chegar aqui, você possa ajudar chutando traseiros.

Ele riu.

—Aposte seu traseiro.

—Garrett?

—Sim, querida.

—Você está realmente bem? Quero dizer, você não precisa me dizer que está apenas para fazer parecer que não é tão ruim.Eu quero saber.

Ele fez um som descontente.

—Eu tenho estado melhor. Mas estive pior. Eu vou ficar bem.

—Cara teimoso— ela repreendeu.

—Aposte seu traseiro— disse ele novamente.

—Sabe o que eu quero, quando sair daqui?—

—Eu? Nu? —Ela corou e enterrou a cabeça em seu ombro.

 —Além disso —Ele riu.

—Okay, eu desisto.

—Um dos seus jantares de três pratos de carne. Estou pensando carne de porco, frango e bife vão cair bem. 

—Inferno, sim— ele suspirou.—Com ketchup.

—Batatas fritas—disse ela com ar sonhador.

—E bolo de chocolate.

—Algo de caramelo.

—Você gosta de caramelo?—Ele perguntou.

—Oh sim. O meu favorito. Qualquer coisa de caramelo.

—Não diga!— ele murmurou. —Eu tenho uma confissão a fazer.

Ela levantou a cabeça com curiosidade.

—Sabe esse tempo na ilha, quando eu trouxe-lhe uma barra de chocolate?

—Sim.

—Bem, eu meio que tinha uma barra de chocolate de caramelo em meu estoque também, mas eu lhe ofereci a de chocolate simples porque caramelo é o meu favorito.

—Eu deveria estar chateada com isso. Acumular Caramelo é um pecado.

—Sim, você deveria estar — ele concordou. —Embora vá fazer as pazes com você.

—Eu faço alguns dos melhores num núms de caramelo de todos os tempos. É a única coisa além de carne que eu sei cozinhar.

—Num nums?

—Sim, bem, eu não sei qual o nome verdadeiro. É migalhas de biscoito Graham com caramelo derramado sobre uma fina camada de chocolate por cima. Eles são tão bons que tudo o que você pode dizer quando os come é núm núm num.

Seus ombros sacudiram, enquanto ela ria e o abraçava.

Ele estremeceu e ela recuou, um pedido de desculpas nos lábios. Ele colocou o dedo sobre sua boca.

—Não, não diga isso. Eu gosto de você me tocando. Eu estou bem. Realmente.

—Eu quero esses caramelos Num nums. — ela sussurrou.

Ele se inclinou para beijá-la novamente.

—Você vai tê-los.

 

Sarah despertou ao som de passos — pesados, passos apressados — do lado de fora da porta.

Mas o que a assustava mais do que a potencial ameaça era o fato de que Garrett não despertou do sono. Ele era extremamente alerta e rápido para pegar todos os ruídos, mas ele ficou imóvel.

Ela colocou a mão para baixo para despertá-lo e perguntou se estava inconsciente e então ela puxou a mão dela de volta, justo quando a porta se abriu.

Já era o suficiente. Os bastardos não iriam ter mais uma rodada com ele. Ela se lançou a seus pés e voou pelo quarto para plantar-se entre o homem e Garrett.

—Basta, seu bastardo— ela sussurrou. —Leve-me. Você já fez o suficiente para ele. Que uso ele terá para você se matá-lo? Se você deseja sua diversão então me leve e faça o seu pior. Eu já estive lá e sobrevivi, e eu não vou deixar um idiota como você me quebrar, qualquer um dos dois .

Ela puxou a sua camisa, determinada a afastá-lo de seu objetivo.

Ela tirou e afastou o sutiã, preparada para tirar tudo fora dela, isso e o que levava, quando o homem estendeu a mão e agarrou seu pulso, impedindo-a de descobrir mais carne.

—Leve-me— disse ela desesperadamente. —Eu estou disposta. Eu vou fazer o que você quiser. Eu não vou brigar com você. Basta deixá-lo sozinho.

Lágrimas se reuniram em seus olhos, mas ela afastou-as de volta quando desafiadoramente enfrentou o homem que veio para Garrett.

—Sarah, querida, está tudo bem. Ele é um dos meus. —Garrett disse por trás dela.

Ela virou-se para ver Garrett inclinar-se sobre um cotovelo enquanto tentava levantar-se. Então, ela virou-se para o homem que ainda segurava seu pulso.

—Sarah— disse o homem com cuidado. —Está tudo bem agora. Meu nome é Rio. Eu vim por você e Garrett. Tudo vai ficar bem.

Enquanto ele falava, cuidadosamente puxava sua roupa de volta no lugar enquanto ela estava chocada e horrorizada com o que acabara de fazer.

Atrás do Rio, outro homem com o cano de uma arma apareceu na porta e ela deu um passo para trás rápido. Seus joelhos se dobraram quando a compreensão a atingiu. Eles vieram. Assim como Garrett tinha prometido.

Rio a agarrou antes que ela caísse, mas ela se jogou distante dos seus braços.

—Não, não, estou bem. Você precisa ver o Garrett. Ele está machucado. Não se preocupe comigo. Por favor, apenas ajude-o.

—Ninguém toca nela, Rio— o aviso suave emitido por Garrett flutuou pelo quarto. —Certifique-se que seus homens saibam.

Um olhar de compreensão passou entre os dois homens e Rio fez um gesto para o homem atrás dele para passar. Sarah recuou, abraçando a si mesma, enquanto observava a agitação da atividade começar.

O segundo homem parou ao seu lado e ficou com a sua arma para cima, claramente protegendo-a. Quando ela olhou para cima, ele assentiu respeitosamente.

—Eu sou Terrence, senhora. Estamos aqui para te levar para casa.

Ainda entorpecida, ela se virou para ver Rio ajudar Garrett a se erguer.

Ele inclinou-se pesadamente sobre o Rio quando eles pararam por um momento para permitir que Garrett se orientasse.

—Quão ruim é isso?—Rio perguntou severamente.—Eu tenho que te dizer, você parece merda, cara.

Garrett esboçou um sorriso.

—Eu me preocuparia mais se você me dissesse o quão bonito eu pareço.

Terrence bufou.

—Eu tenho visto idiotas mais bonitos.

—Não é tão ruim. Eles eram fodidos amadores —disse Garrett.—Eu acho que sobre isso, eu posso ser grato. Eles trabalharam bastante bem em mim, mas é principalmente contusões.

Sarah balançou a cabeça, tentando compreender tudo. Eles estavam ai como está fosse uma grande piada.

—Nós devemos ir— ela deixou escapar. —Ele não está seguro aqui. Ele precisa de um hospital.

—Venha aqui — Garrett disse, oferecendo o braço livre para ela.

Ela foi instantaneamente, ancorando-se a seu lado, agarrando-lhe para a prezada vida. Querido Deus, ela estava tentando mantê-los juntos, mas podia sentir a histeria subindo como um maremoto. Ela não sabia se ria ou se chorava.

Ele apertou-a contra ele e beijou o topo da sua cabeça.

—Nós estamos seguros agora. Minha equipe está aqui. Eles não vão deixar nada acontecer a nós.

Garrett sentiu o tremor traindo seu corpo e sabia que ela estava pendurada por um fio.

Ele tentou dar um passo a frente, ainda segurando-a ao lado dele, mas seu corpo estava cozinhando a partir dos espancamentos e cada músculo gritava em protesto. Ele tinha estado parado por muito tempo e o simples ato de se mover estava quase impossível.

—Eu vou precisar de ajuda— disse ele ao Rio.

Rio franziu a testa, e Garrett sabia que ele estava pensando que tinha que ser ruim para Garrett admitir que não poderia sair sob sua própria força.

—Pegue Sarah em primeiro lugar— disse ele para Terrence. —O Rio e eu estaremos bem atrás de vocês. — Então ele olhou para Sarah.

 —Vai com ele, querida. Eu não vou estar longe.

Ela olhou um pouco nervosa para Terrence, mas afastou-se de Garrett e depois seguiu o grande homem para fora do quarto.

—O que diabos aconteceu? — Rio perguntou sem rodeios.

—Dei um pontapé na merda de mim. Os estúpidos bastardos prendeu-nos em um bloqueio de estrada. Não tinha muito que eu pudesse fazer para encarar sete homens armados, e eu tinha Sarah comigo para proteger. Eu ativei o SOS e, em seguida, tentei comprar-nos quanto maior tempo possível.

—Será que a machucaram?— Rio perguntou, uma profunda carranca trabalhando em seu rosto.

—Não, eles a deixaram sozinha. Arrastaram-na para fora para me fazer cooperar quando descobriram que seus métodos de fazer-me falar não iriam funcionar. A assustou, mas ela tem sido feroz.

—Sim, percebi isto. Achei que ea iria me pegar quando apareci na porta.

—Eu nunca vi nada parecido. —Garrett disse suavemente. —Para ela fazer isso, você nem sequer imagina a coragem que ela tomou.

—Eu acho que eu faço. Ela foi machucada antes.

Garrett acenou com a cabeça.

—Que ela estava disposta a ... por mim. Porra, mas estou furioso e admirado, tudo ao mesmo tempo. Ela é...

—Sim— Rio concordou. —Feroz — Rio iniciou em frente, mas Garrett deteve-o de volta.

—Eu não sei se Van informou você o que todos sabem, mas Marcus Lattimer nos contratou. Essa é a história. Sarah é sua irmã e ela não sabe. Eu não quero que ela descubra até que eu tenha a chance de dizer a ela.

Rio assentiu.

—Van me deu o resumo. Os meus homens foram informados. Nós estamos indiferentes. Nós não vamos estragar sua cobertura. Agora vamos dar o fodido fora daqui. Se eu tivesse que adivinhar, não temos muito tempo antes de seus irmãos entrarem e começarem uma guerra do caralho com o México.

Garrett sorriu.

—Lema da Família. Ninguém fode com os Kelly.

Com a ajuda de Rio, Garrett saiu do quarto e depois para a frente da casa, onde o resto da equipe estava reunida.

Passaram os corpos dos homens que tinham mantido ele e Sarah prisioneiros e ele franziu a testa para o que Sarah tinha visto em seu caminho para fora. Rio sacudiu a cabeça.

—Terrence não teria a deixado ver toda essa porcaria Eu sei que o meu homem é melhor do que isso. Ele é realmente protetor quando se trata de mulheres.

Garrett sacudiu Rio para fora, segurando-o enquanto saíram da casa e ele respirava o ar fresco.

Ele automaticamente olhou para Sarah e a viu de pé para o lado, os braços em torno de si mesma. Estava pálida e completamente perdida. Terrence pairava sobre ela e estava falando com ela em voz baixa, mas Garrett não tinha certeza de que ela ouvia.

Os três outros membros da equipe de Rio estavam espalhados e em cuidadosa observação do dever.

Assim que ela olhou para cima e o viu, separou-se e correu para ele. Ele preparou-se para o impacto e abriu os braços, mas ela parou na frente dele e então, cuidadosamente, entrou em seu abraço.

Ela escondeu o rosto no peito dele e colocou os braços ao redor de sua cintura. Ela tremia como uma folha.

—Precisamos tomar caminho—ele sussurrou suavemente.

Ela estremeceu e inclinou a cabeça para olhar para ele.

—Eu não quero ficar aqui nem mais um minuto do que o necessário.

Garrett pegou o olhar de Rio sobre a cabeça de Sarah e inclinou a cabeça na direção dos SUVs. Rio balançou a cabeça e, em seguida, deu um passo em direção a Sarah.

 —Sarah, precisamos levá-la dentro do veículo onde é seguro. Você vem comigo?

Rio manteve um pé de distância entre ele e Sarah e teve o cuidado de manter sua voz comedida.

Ela não tinha sequer encontrado o olhar do Rio. Um rubor tomou conta de suas bochechas, e o coração de Garrett se apertou pela humilhação em seus olhos. Por ela sentir vergonha por aquilo que ela tinha feito por ele—que ela estava disposta a se sacrificar por ele— o deixou doente.

Ele estava malditamente certo que ia ter uma discussão sincera e franca com ela na primeira oportunidade, porque de nenhuma maneira no inferno que ele iria permitir que ela se envergonhasse mais tentando protegê-lo.

—E você?— Ela perguntou a Garrett. —Você virá, certo? — Havia medo em sua voz, apesar do fato de que suas palavras saíram estáveis.

Sua mão tremia na sua e a apertou, tranquilizando-a.

—Estou indo. Eu quero você dentro primeiro. Eu vou ter de ir na parte de trás e quero você no meio onde você estará protegida. Haverá homens de cada lado de você. A equipe do Rio. — Ele baixou a voz. —Eles não vão machucá-la. —Ela apertou de volta.

—Eu sei. Se você confia neles, eu também. Eu estou tão... —Sua voz foi sumindo.

—Sim, eu também, querida. Eu também. Mas vamos fazer isso muito bem. E então eu vou cumprir uma promessa que eu fiz a pouco. —Sua testa enrugada em questão.

—Você. Eu. Nus. Eu dentro de você. Tantas vezes quanto eu posso conseguir.

Cor floresceu em seu rosto e olhou rapidamente a Rio para se certificar que suas palavras murmuradas não foram ouvidas. A expressão do Rio nunca mudou.

Sarah olhou para trás, seu rosto ainda corado, mas não havia calor em seus olhos.

Ele propositalmente a fez lembrar do que eles tinham compartilhado e o que eles iriam compartilhar, para aliviar um pouco da sua neurose. Um sorriso brilhou em seus lábios quando olhou para Garrett.

—Vá com Rio. Eu me sentiria melhor sabendo que você está segura.

Ela balançou a cabeça e relaxou a mão da sua. Ele não queria deixá-la ir embora por um minuto, mas a queria no caminhão, sob guarda, enquanto ele tinha o relatório de seus homens e eles conseguiam o inferno fora deste maldito país.

Nada de bom jamais veio de ele estar no México.

Ele viu como Rio conduzia Sarah para o banco traseiro do carro e Terrence montava guarda do lado de fora. Em seguida, Rio caminhou de volta para onde Garrett estava.

—Okay, cara, qual é o plano? Você precisa de um hospital e Sarah não vai estar feliz se você não for. Ela é todo o tipo de preocupação com você.

—Foda-se o hospital.

—Não me faça açoitar seu traseiro na frente de sua mulher. Seria humilhante.

—Temos questões mais importantes para se preocupar do que um hospital. Além disso, eu não quero Sarah em público.

—Quem falou que Sarah vai para o hospital?

Garrett ficou tenso e fixou Rio com seu olhar.

—Ela fica comigo.

—Eu odeio por dizer isto, mas precisa ser dito. Você precisa transferir essa tarefa e deixar alguém na KGI assumir. Você está ferido e toda a missão está comprometida porque você fez isso pessoal. Você precisa se afastar agora.

Levou tudo que tinha para não chutar o traseiro de Rio, mesmo que condenadamente ele quase o matasse no processo. E Rio sabia que isto o chateou, pois ele estava assistindo Garrett com aqueles olhos escuros, estudando cada reação e apenas convencendo a si mesmo que estava tudo bem.

Bem, talvez estava. Ele provavelmente estaria pregando o mesmo sermão a um dos membros de sua equipe se estivessem na mesma posição.

—Eu realmente não dou a mínima para a missão, agora — Garrett disse em uma voz tão controlada quanto possível.— O que me interessa é mantê-la segura, e não me alimentar dessa besteira sobre como qualquer um de vocês pode mantê-la segura. Okay, eu entendo isso. Não tenho dúvidas de suas habilidades. Eu confio em você com a minha vida. Mas não estou confiando em ninguém além de mim com ela. Você disse que eu fiz isso pessoal. Você está  malditamente certo, que eu fiz. Ela é minha.

—Bem, foda, Garrett,— Rio praguejou—Você têm um inferno de um problema, então. Resnick vai estar respirando no nosso pescoço querendo saber onde Sarah está.

—Outro motivo para que eu não apareça em algum maldito hospital.

—Há também o fato de que Lattimer estará olhando para a irmã dele e o fato de que está mentindo para ela sobre quem você é. Você precisa descobrir o que é mais importante para você, homem. Agarrar Lattimer ou ter Sarah. Porque algo me diz que você não vai conseguir ambos.

—Olha, eu realmente não quero discutir isso com você. Encontre-me uma maldita clínica ou voe comigo para a Marinha e deixem me verificar. Sarah vai para onde eu vou. Fim da história. Esta é a minha missão e eu vou malditamente descobrir o que diabos eu vou fazer. Mas pelo amor de Deus, podemos dar o fora do México?

—Você é o chefe—Rio arrastou. —Eu tenho um helicóptero esperando cerca de 30 milhas ao sul daqui. Nós vamos abandonar os passeios e pular a fronteira para Corazol. Eu tenho um contato lá que pode nos ajudar a obter assistência médica para você. No caminho eu vou ter que tentar fazer contato com Van porque todos eles vão estar chegando ansiosos.

—E eu preciso ligar para casa. —Garrett disse calmamente.

Ele só podia imaginar como sua mãe e cunhadas sentiam-se. Ethan e Sam, ambos tinham ido. Ele sabia porque, na sua situação, ele faria o mesmo por seus irmãos.

Rachel estava, provavelmente, tomando isto excepcionalmente difícil. Eles tentaram organizá-lo para que ele e Ethan nunca saíssem ao mesmo tempo.

—Precisa de ajuda?— Rio perguntou. Ele sinalizou seus homens restantes.—Vamos tomar caminho.

Garrett deu um passo experimental para frente e depois outro.

Rio manteve o ritmo ao lado dele e abriu a parte de trás para colocar o assento da terceira fila para baixo.

Ele jogou o equipamento a um de seus outros homens, que se transferiu para o outro veículo.

Logo, Rio tinha um espaço grande o suficiente para Garrett rastejar para dentro e deitar-se.

Sarah virou-se no assento e viu quando Garrett avançou devagar o seu caminho para frente. Até ao momento, ele estava com gotas de suor na testa e sentia que ia vomitar até as tripas.

—Você tem água?— Sarah perguntou baixinho, olhando Rio que ainda estava em pé atrás de Garrett. —Nenhum de nós teve nada para comer ou beber.

—É claro— disse Rio.

—Eu vou ter Terrence cavando alguns fora de sua mochila, enquanto eu os levo na estrada. Okay, boneca?

Ela assentiu com a cabeça.

—Obrigada.

—Você está pronto, homem?— Rio perguntou.

—Sim— disse Garrett. —Leve-nos para a estrada e me consiga um maldito telefone por satélite.

 

Sarah inclinou a cabeça para trás contra o descanso e fechou os olhos. Estava cansada até os ossos e a preocupação por Garrett batia em seu cérebro.

Rio tinha chateado Garrett, por injetá-lo com um analgésico quando ele não estava olhando, mas Sarah ficou contente que ele fez isso.

As estradas estavam terríveis e deitado na parte de trás e sendo sacudido por cada solavanco e buraco teria sido insuportável. Pelo menos agora ele tinha caído em um sono induzido por drogas.

Ela olhava por cima do ombro a cada poucos minutos, verificando a sua expressão para qualquer sinal de desconforto. Não havia tensão em seu rosto e ele parecia em paz.

Ao seu lado sentou-se Rio, seu olhar constantemente lançando a direita e a esquerda e como ela, por cima do ombro para verificar Garrett em intervalos.

Terrence dirigia, e outro membro da equipe que ela tinha ouvido se referirem como Decker montava a espingarda. Literalmente. Alton e Browning seguiam no outro SUV.

—Para onde estamos indo?— Ela perguntou em voz baixa.

O olhar de Rio colocou-se sobre ela, e lamentou ter chamado sua atenção. Ela queria morrer com o fato de que esteve malditamente perto de despir-se na frente dele. Ele certamente obteve uma visão completa da divisão de seus seios.

—Corozal.

—Belize?

Ele balançou a cabeça.

—Nós não estamos muito longe da fronteira. Algumas horas, mesmo em estradas de merda. Eu quero que Garrett veja um médico de lá.

—Sua família vai estar lá. — Não era realmente uma questão desde que ela tinha ouvido Rio conversando com um dos irmãos de Garrett anteriormente. Mas era uma maneira de buscar informações porque estava tão nervosa como o inferno com a ideia de conhecer sua família.

—Oh, definitivamente. — Rio disse. —Eles provavelmente vão estar lá antes que nós o faremos. Eles estavam a caminho do México e redirecionaram-se para Corozal depois de eu deixá-los saber que consegui resgatar Garrett.

Ele continuou a estudá-la até que seu constrangimento preencheu-a mais uma vez e ela desviou o olhar.

—Sarah— Seu olhar cintilou de volta para ele. —Isso foi uma maldita coisa corajosa que você fez lá atrás. Eu não acho que Garrett sabe se te vira sobre seus joelhos ou beija seus pés. Não deve haver vergonha ou constrangimento. Você ganhou o meu respeito e minha gratidão hoje por tomar tais cuidados de um homem cuja amizade eu valorizo e um homem que eu sou extremamente orgulhoso de trabalhar com ele.

Sua garganta ficou apertada e os olhos coçavam ferozmente. Ela queria limpá-los, mas o gesto trairia como instável suas emoções estavam.

—Eu me sinto como uma idiota agora—, ela murmurou.

—Garrett está provavelmente furioso. Ele me fez prometer várias vezes para não chamar a atenção para mim mesma. Ele estava tão empenhado em proteger-me. Mas eu não poderia fazê-lo —disse ela dolorosamente. —Eles já haviam nele batido duas vezes. Eu pensei... quando ouvi você, sabia que não poderia permitir-lhes machucá-lo novamente. Se isso significasse sacrificar o meu... corpo... era algo que eu estava disposta a fazer.

—A maioria das pessoas nunca faria esse tipo de sacrifício.

—Eu mostrei a você meus seios, pelo amor de Deus —ela disse com desgosto.E le sorriu, exibindo os dentes brancos.

Ele era extraordinariamente bonito e quando sorriu, ele se transformou do guerreiro escuro para alguém com grande quantidade de charme.

—E, como um cavalheiro, eu não vou comentar sobre quão espetacular eles eram.

Ela resfolegou e revirou os olhos, mas sorriu, sentindo-se um pouco mais leve e menos mortificada do que ela esteve antes.

—Obrigada. — disse ela.—Por vir. Garrett disse que fariam, mas houve vezes que eu me perguntava. Parecia que estávamos lá por uma semana.

Sua expressão ficou séria.

—Nós cuidamos dos nossos. De forma alguma que nós não viríamos por ele.

—Lealdade assim não tem preço.

Ele assentiu e, em seguida, abaixou-se ao piso do automóvel, para uma das embalagens.

—Você ainda está com fome? Você não comeu muito antes. E tem certeza que está tudo bem?

Ela esfregou a testa e, em seguida, massageou a ponte do nariz entre os dedos.

—Eu estou bem. Apenas esgotada. Acho que se eu comesse alguma coisa ficaria doente. Minha cabeça está me matando.

Ele franziu a testa.

—Você devia ter me contado. Eu posso lhe dar uma injeção.

Ela balançou a cabeça.

—Não, eu não quero estar de fora disto. O tipo de ideia me assusta agora. Apenas alguns ibuprofenos seriam muito bom. Acho que vai demorar só um pouco para fazer efeito.

Ele cavou em sua mochila e sacudiu várias pílulas em sua mão. Então ele destampou uma garrafa de água e estendeu a ela.

Depois que ela tomou, ele entregou os comprimidos e ela lançou-os de volta, e os engoliu com um gole de água.

—Você vai dar notícias a Marcus? Ele vai estar frenético que eu não tenha dado. Eu suponho que você já teria dito a ele que estamos seguros. Eu gostaria de... falar com ele, se possível —disse ela. O rosto de Rio tornou-se inexpressivo.

—Seu irmão sabe que você está segura. Garrett vai lidar com os relatórios. Trabalhamos para Garrett, mas esta é a sua missão. Ele pegou o serviço de Marcus.

Ela assentiu com a cabeça.

—É o suficiente que ele sabe disso. Que Garrett vai lidar com isso.

—Você pode tentar dormir?— Rio perguntou gentilmente. —Você pode se esticar e colocar a minha mochila contra a porta para colocar sua cabeça.

Ela suspirou.

—Eu não sei. Estou tão esgotada e ainda assim eu sinto que nunca vou dormir novamente.

—Deixe-me dar-lhe alguma coisa— disse ele. —Vai fazer você relaxar e permitir-lhe descansar. Vai aliviar um pouco da ansiedade que está sentindo.

Ela hesitou e ele pressionou.

—Você precisa descansar, Sarah. Você está inoperante sobre seus pés e Garrett quando acordar e vê-la assim, vai sair repreendendo, e depois nós não vamos ter nenhuma esperança de obter-lhe o cuidado que ele precisa. Ele vai estar muito preocupado com você.

—Isso foi sujo — disse ela com uma carranca.

—Obrigado, senhora. Eu faço o meu melhor.

—Oh tudo bem. — ela admitiu.

—Puxe sua manga— ele orientou quando ele cavou de volta para sua mochila.

Ela obedeceu e ele destampou uma seringa pré-cheia. Ela olhou desconfiada para ele quando limpou uma área de sua pele com álcool.

Então, antes que ela pudesse perguntar, ele mergulhou a agulha em seu braço. Ela suspirou e, em seguida, esfregou quando ele se retirou.

—Desculpe. —ele disse.

—Isso parecia ser uma enorme quantidade de medicamento para algo que era apenas suposto fazer dormir e me relaxar um pouco.

—Oh, você vai derrubar-se em seu traseiro por várias horas— disse ele alegremente.

O mundo já estava nebuloso em torno dela e suas pálpebras ficaram pesadas.

—Quando eu acordar, vou chutar o seu traseiro — ela arrastou.

Rio inclinou-a para a janela e enfiou sua mochila embaixo de sua cabeça. Deu-lhe um sorriso gentil.

—Boa noite, Sarah.

 

Sam passeava na pista com energia incansável, enquanto Donovan e Ethan se se encostaram à porta do jato Kelly.

Sam olhou para o relógio pela terceira vez em outros tantos minutos e praguejou baixinho.

—Onde eles estão?— Perguntou ele. — Por que diabos estão levanto tanto tempo assim? Espero que eles não tenham problemas.

—Nós saberemos se eles tiverem— disse Donovan.—O Rio pode lidar com isso. Eles estarão aqui.

Ethan permaneceu em silêncio, sua expressão tensa.

—Garrett ligou para casa. Ele sabia que as mulheres ficariam perturbadas. Se ele estava pensando em mamãe, em Rachel e Sophie, elas estão bem.

O som distante de um helicóptero apaziguou a conversa. O zumbido ficou mais alto até o helicóptero surgir sobre a área densa de árvores.

Poucos minutos depois, o helicóptero pousou a vários metros de distância de onde o jato estava estacionado e Rio pulou para fora da cabina.