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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


A CONSPIRAÇÃO DE TANNER / Lora Leigh
A CONSPIRAÇÃO DE TANNER / Lora Leigh

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

A CONSPIRAÇÃO DE TANNER

 

Depois que a base principal das Castas Felinas é atacada, Tanner deseja vingança. Então sequestra Scheme Tallant, a filha de um dos mais altos membros do Conselho de Genética. Mas quando Tanner descobre que a própria Scheme é um objetivo da desumana missão de seu pai, sua vingança toma um rumo diferente: salvar a vida da mulher que ele espera reclamar como sua companheira.

  

O General Cyrus Tallant estava sentado em sua sala, sob a única luz do abajur do escritório, o olhar fixo e choroso sobre a foto que segurava nas mãos.

Sua filha. Sua pequena Conspiradora .

Os lábios se curvaram em um sorriso triste enquanto pensava no nome. Foi ideia dela, é obvio, chamá-la Scheme. E ele foi incapaz de conter-se. No momento em que sustentou seu pequeno corpo nos braços, tinha previsto que seria uma pequena manipuladora.

E tinha estado tão orgulhoso. Orgulhoso dos olhos marrom chocolate, do espesso cabelo loiro, da forma em que levantava o olhar para ele como perguntando-se, inclusive então, como poderia manipulá-lo em seu benefício.

Uma risada abafada murmurou através do lugar. Tinha sido rápida e calculadora, igual a ele, igual tinha sido sua mãe. Infelizmente, talvez se parecesse muito com sua mãe.

A doce Dorothy. Tinha conspirado contra ele. Ajudado a esses asquerosos deformes a escapar. Os que agora o atormentavam. Callan Lyons e a pequena manada que liderava. Ela os tinha ajudado a escapar e a destruir os laboratórios do Novo México quando Scheme ainda tinha dez anos.

Deveria ter sabido então que sua filha havia ficado corrompida pelo repentino ataque de escrúpulos de Dorothy. Haviam passado muito tempo juntas. Estava unida a ela como só uma mãe podia estar. Admitia que deveria ter suspeitado que sua filha tinha herdado a falta de fortaleza mental que se requeria para fazer o que terei que fazer. Obrigar as Castas a ficar de joelhos ante seus amos.

E agora o legado de Dorothy tinha recaído sobre sua preciosa filha.

Limpou a lágrima que caiu lentamente de seus olhos.

Ela pretendia destruí-lo. E se conseguisse entrar em contato realmente com Jonas Wyatt, destruiria-lhe. Não podia permitir que isso ocorresse. Não podia permiti-la escapar com as criaturas às que obviamente tinha estado ajudando em segredo durante anos.

A sorte o tinha acompanhado esta vez. Já havia conseguido atrair Wyatt fora de Washington; tudo o que tinha que fazer agora era ocupar-se de sua filha.

Matá-la.

Percorreu seu escritório com o olhar. Deveria ter se ocupado disso antes que ela saísse para a festa onde tinha intenção de traí-lo, mas não tinha tido forças.

Não podia matá-la na casa em que tinha crescido. Onde tinha brincado com ela quando era um bebê, rido com ela antes dos anos que tinha passado na escola.

Não podia derramar seu sangue na casa onde tinha nascido. Não era certo.

Elevou a cabeça e olhou através da sala ao homem que ainda aguardava suas ordens.

Chazzon St. Mark era um assassino excelente. Sigiloso, nunca deixava provas, e sempre seguia as ordens. Não podia pedir um assassino melhor.

E era por causa deste homem que sua filha o odiava tanto. Talvez se tivesse equivocado, filosofou silenciosamente, ao ordenar a Chaz converter-se no amante de Scheme há tantos anos. Roubar o coração de sua filha e descobrir seus segredos.

Não é que Chaz tivesse descoberto muito. Só que ela suspeitava que Cyrus tivesse assassinado sua mãe, seu pesar por ter crescido sem a influência dessa cadela. Seus sonhos de uma vida longe dele.

E então ela tinha concebido.

Chaz era um bom assassino; mas não era bom material para fazer herdeiro, entretanto. E Cyrus não podia permitir que fosse o pai de sua descendência. Especialmente de um neto.

Como pai, tinha tomado a decisão de abortar a criança.

Ela nunca tinha entendido, compreendia agora Cyrus, que só estava fazendo o melhor para ela. Que estava tentando guiá-la, conduzi-la.

— Lamenta o da criança? — perguntou a Chaz.

Uns frios, frios olhos azuis lhe devolveram o olhar enquanto os lábios duros se curvavam maliciosamente.

— Droguei-a para você. Se tivesse querido o pirralho, o teria pego e fugido.

Sim, o teria feito. Chaz entregava sua lealdade livremente. Não pensava antes de agarrar algo que satisfizesse seus desejos. Era uma das coisas que Cyrus respeitava nele.

— Temos provas? — a culpa lhe pesava.

Tinha-a castigado tantas vezes ao longo dos anos em seus esforços por treiná-la, por fortalecê-la e ensinar o valor de lhe entregar sua lealdade. Tinha sido duro com ela, admitia-o. Uma vez, inclusive a tinha matado, para lhe ensinar o significado da morte. O castigo por traí-lo. Não tinha provas então, só suspeita, e o peso do remorso tinha crescido em seu interior cada vez que Scheme o olhava com acusação nos olhos.

Não podia matá-la permanentemente sem provas. Esses acusadores olhos castanhos lhe perseguiriam eternamente se fizesse tal coisa. Tinha que fazer isso direito.

— Sua ID estava registrada no sistema de transmissão de mensagens. Trabalhou muito para apagar seu rastro, mas encontrei a prova. — Chaz lhe ofereceu o registro de identificação.

Estava em branco e preto. As tentativas de apagar sua presença no sistema de transmissão e destruir a mensagem que sabiam que enviou antes, ao Escritório de Assuntos das Castas esse mesmo dia. Uma mensagem na qual solicitava asilo a Jonas Wyatt. Tinha sido pura sorte que seu espião estivesse nos escritórios de Washington quando chegou essa mensagem. Cyrus conteve seu suspiro e seu pesar.

— Obviamente não teve tempo de fazê-lo bem. — murmurou. Bem sabia que ela poderia havê-lo feito, se tivesse dado tempo.

— E suspeito que ela saiba. Embora destruísse suficiente da memória interna para lhe dar o tempo que necessitava para chegar a Jonas Wyatt. Ela é nossa espiã, Cyrus. É hora de admitir. A questão é, que informação levou com ela? Acredita que sabe do sequestro do menino da Casta?

Admiti-lo. Tinha suspeitado várias vezes. Tinha torturado sua própria filha para obrigá-la a admitir, só para fracassar cada vez. Durante anos odiou a si mesmo, havia-se sentido esmigalhado pela culpa, só para averiguar que ela tinha sido mais matreira do que nunca tinha acreditado possível.

As surras que tinha lhe dado. As vezes que a tinha enterrado viva. A vez que a tinha deixado morrer antes de revivê-la rapidamente. Porque suspeitava dela. Porque estava desesperado por dar a volta a sua possível traição e evitar a necessidade de matá-la.

Cyrus elevou o olhar até a pintura a óleo da parede mais afastada. Sua Scheme, resplandecente em fogosa seda, aconchegada na cadeira de seu escritório. O longo cabelo loiro caindo em cascata sobre os ombros, cílios escuros protegendo a expressão de seus olhos. Com frequência tinha fingido que ocultavam seu amor por ele. Sua compreensão.

— Não importa o que sabe. Nosso agente está bastante perto agora para agarrar o menino sem problema. Ela não sabe a data exata, só uma aproximação. Que o diga não afetará ao resultado.

Mas sabia outras coisas. Coisas das que podia não ter provas, mas que o destruiriam de todos os modos.

— Agora ela é um problema, Cyrus. Tomou a decisão correta. — lhe tranquilizou Chaz.

— Compareça à festa de Reynolds, esse bastardo Bengala. Quero-a morta antes do amanhecer. — as palavras lhe engasgaram — Misericordiosamente, Chaz, se não te importar.

Chaz inclinou a cabeça em acordo.

— Eu não lhe faria mal, Cyrus. — prometeu brandamente — Me ocuparei dela.

E Chaz o faria. Sentia afeto por Scheme, Cyrus sabia. Mas ao contrário de Scheme, Chaz compreendia o futuro e o que tentavam obter.

— Acredita que se tivesse permitido conservar o bebê, teria evitado isto?

Essa pergunta lhe rondava com frequência.

— Duvido-o, Cyrus. Estava indo por esse caminho desde o dia em que sua mãe morreu. Sempre soube que você a matou, apesar de sua história. Simplesmente teria tido que matar ao pirralho depois.

Sim. Cyrus assentiu ante as palavras do assassino. Tal como tinha matado a sua esposa, agora se via obrigado a tomar a vida de sua filha. Não teria suportado fazer o mesmo com um neto que tivesse ajudado a criar.

— Muito bem. — assentiu com a cabeça, colocando a foto de volta em seu lugar — Confio em você para que te ocupe disso então.

Cyrus ficou em pé, só para deter-se antes de girar-se.

— Não poderia ter assassinado o menino, Cyrus. Você teria se matado ao invés do pirralho, se tivesse nascido. Tomou a decisão correta. O menino teria feito a nós dois mais fracos.

Sim, teria feito. Mais fracos do que Scheme os faz parecer. Assentiu com a cabeça de novo.

— Misericordiosamente, Chaz. Gentilmente.

O pesar luziu na face do homem mais jovem antes que se desse a volta e se dirigisse à porta. O próprio Chaz lamentaria a perda, mas o faria de todos os modos.

— Adeus, princesa. — sussurrou, seus dedos esticaram para tocar o rosto dela na foto enquanto outra lágrima se deslizava por sua bochecha.

    

Ela era a personificação da graça, mistério e beleza. Tanner Reynolds observava como Scheme Tallant circulava pelos cantos do salão, conversando aqui e lá, tentando-o com aquele sorriso frio, desafiador.

Deveria ter ordenado sua morte no momento em que compreendeu que ela tinha aceitado o convite para a festa. Mas algo lhe deteve. Sempre algo lhe detinha. Não pela primeira vez no que dizia respeito a ela, que sua luxúria estava guiando suas ações.

Era a filha do General Cyrus Tallant. A semente do mesmo diabo. Cyrus Tallant tinha liderado o programa de adestramento das Castas até que as liberaram dez anos atrás. Manipulador, destrutivo, ele tinha dirigido tudo para cobrir suas costas e assegurar-se de que não ficavam autênticas provas da posição que tinha ocupado, mas Tanner e as Castas que tinha açoitado fora dos laboratórios no Novo México anos atrás, tinham descoberto a escura malevolência que o infectava.

E infectava a sua filha. Trabalhava com ele, trabalhava para ele. Tinha assinado as ordens de morte das Castas e tinha destruído informação vital para cobrir os rastros do Conselho de Genética.

As tinham engenhado para ter a dúzias de membros do Conselho implicados, mas a cúpula das bestas ainda estava intacta. Ainda tinham que infiltrar-se no círculo secreto dos doze membros do Conselho. Enquanto não fossem descobertos, não haveria paz para as Castas.

Se eles pudessem apanhar ao Cyrus Tallant, então o líder do Conselho estaria seriamente comprometido. Scheme Tallant era a debilidade de seu pai. Infelizmente, ninguém tinha sido capaz de conseguir que ela falasse.

Tanner estava seguro de que ele sim poderia.

Um sorriso curvou seus lábios, um dos quais tinha certeza de que estava cheio de luxúria e antecipação. Esta noite. Ia sequestrá-la esta noite. Jonas Wyatt, o diretor de Assuntos das Castas, estava fora da cidade; não podia vetar a missão. E quando estivesse terminada, Tanner jurava que teria a informação que necessitava. Ou Scheme Tallant estaria morta.

Estava farto de Jonas interferindo entre ele e a mulher. Como diretor de Assuntos das Castas, Jonas tinha ordenado Tanner a esperar. Para ver o que acontecia. Para dar a Tallant uma oportunidade para danificá-lo.

Tallant não ia desperdiçá-la. Não ia cometer um engano. E tampouco sua filha. E Tanner estava cansado de esperar.

Esta noite ia sequestra-la. Seu pai adivinharia quem a tinha, mas nunca teria provas. E Tanner sabia como escondê-la. Podia escondê-la onde nenhum homem ou casta a encontraria jamais.

Era hora de fazer com que Scheme Tallant pagasse por tomar parte nas ordens que tinham enviado a incontáveis castas a morte. Era hora de tirar as luvas e conseguir a informação que necessitavam. Não só contra seu pai, mas também sobre a identidade do espião no Santuário e a localização dos puristas, e as facções da supremacia que estavam cada dia mais perto de penetrar as defesas que tinham conseguido situar no complexo das Castas.

Era hora de agir.

 

O menino dourado da sociedade das Castas estava presente, sendo adulado e amado por todos. Tanner Reynolds. Playboy, gênio das relações públicas e possivelmente seu executor se realmente conseguisse lhe pôr as mãos em cima em um beco escuro.

Ela tinha ido à festa para encontrar segurança. Para encontrar ao membro das Castas com o que tinha trabalhado durante os passados oito anos. E não estava aqui. Não estava, mas alguns outros estavam.

Scheme se moveu ao redor da estadia lentamente, rastreando aos membros das Castas presentes, identificando nomes com os arquivos que ela tinha estudado através dos anos. Cabal St. Laurents, o gêmeo genético de Tanner, não estava presente, embora isso não fosse incomum. Raramente comparecia às festas.

Nenhum dos casais casados das Castas estava presente, embora Scheme soubesse que tinham sido convidados. Havia vários encarregados de segurança vestidos com os uniformes negros da Casta, com a insígnia de cada particular DNA de Casta estampada no ombro do uniforme. Havia alguns leões, umas poucas panteras, e estava segura de que tinha divisado a um puma fazia um momento, mas não Rojões de luzes.

O único Bengala no salão era Tanner, e ele não era um agente de segurança. Ao menos, não dos que o Escritório dos Assuntos de Castas admitia. Mas Scheme sabia mais. Conhecia a desumana represália da que ele era capaz quando a situação o justificava. Ela não tinha morrido uma vez detrás destruir a evidência de sua vingança? Esse pensamento fez que um zombador sorriso lhe deformasse os lábios. Ser uma agente dupla das Castas podia ser arriscado para a saúde. Especialmente quando o único integrante das Castas consciente de seu status de duplo agente parecia estar tão distante no momento.

Cuidadosamente, fez seu percurso ao redor do salão de baile. Havia pelo menos duas dúzias de Castas presentes. Mas o único que estava procurando não tinha vindo. Jonas Wyatt estava notavelmente ausente deste evento. O qual era raro. Muito raro.

Bebendo a goles seu champanhe, Scheme circulou pelos cantos do salão, dirigindo-se para as portas do pátio e a seguir aos jardins. Escapar da cansativa atmosfera da festa cheia de olhares suspicazes era imperativo. Quase tão imperativo como encontrar ao Wyatt. Maldição, supunha-se que ele tinha que estar aqui.

Levantando a saia de seu brilhante vestido de noite cor escarlate, Scheme caminhou no pátio de mármore, seguindo o atalho de pedra que se dirigia aos jardins fracamente iluminados. Não era o lugar mais seguro para que estivesse aí, não com o número de Castas dando voltas, mas necessitava o silêncio, precisava pesar suas opções agora que seu principal objetivo se foi.

Vir aqui era um movimento arriscado. Não só porque havia algumas castas dispostas a pôr um buraco em sua cabeça, mas também porque muitos se perguntavam por que ela teria feito a tentativa. Trair a Cyrus Tallant não era uma boa ideia, especialmente tão abertamente como o tinha planejado.

Com a implantação da Lei da Casta vários anos atrás, a vida de Scheme tinha sido posta, mais ou menos, em suspense. Trabalhando como assistente de seu pai, tinha sido um enlace com seu contato do Conselho, e uma vez que o contato tinha sido detido e julgado por seus crimes, Scheme tinha ficado sob fogo também. E sob suspeita. Tinha sido o escudo de seu pai e nem sequer o tinha sabido.

Atravessando os jardins, afastou-se da festa e entrou mais profundamente na sombreada paz que a exuberante paisagem lhe concedia. Aqui não havia tantos olhos seguindo-a, com olhadas algumas vezes condenatórias, sempre suspicazes.

— Pode ser perigoso vagar na escuridão, senhorita Tallant. Não é exatamente querida estes dias.

A voz a fez deter-se abruptamente. Profunda e suave como o uísque antigo. Tanner Reynolds se deslizou da escuridão e a olhou do interior de uma pequena gruta que fazia eco com o balsâmico som de uma fonte próxima.

A atmosfera era de puro romance. Tenuemente iluminada, a água gotejando em segundo plano e as sombras alargando-se ao redor deles. Por um momento, só um momento, Scheme se lamentou. Lamentou-se de que a atmosfera e o repentino aumento de tensão em seu corpo não fossem por um amante, mas sim por um homem que considerava a si mesmo como seu inimigo.

E estava vestido com smoking. Por Deus, aos homens como Tanner Reynolds nunca deveria permitir vestir com smoking. Deveria estar proibido. Era como pôr um laço em um tigre. Só servia para enfatizar o primitivo perigo da fera que ele levava.

— Eu fui convidada. — lhe assegurou, assombrada com o rouco som de sua própria voz.

— É obvio que foi. — disse ele brandamente — Me assegurei disso.

Isso era suficiente para fazer com que os nervos de uma garota estalassem em um choque repentino. Também fez que seus mamilos se arrepiassem em resposta. Isso não era bom, pelo simples feito de que era muito consciente de que as Castas podiam sentir e cheirar a excitação feminina.

— Você se assegurou disso? — inclinou a cabeça para o flanco, deixando que seu cabelo caísse sobre as costas e lhe cobrisse um lado do rosto — E por que faria isso?

Para matá-la talvez, uma cínica, desagradável voz a recordou repentinamente. Esqueceu a momentânea calidez entre suas pernas e o sensível crescimento de seus mamilos. Este Casta era mais propenso a matá-la que a fodê-la.

E não podia culpá-lo. Ele não era consciente de nada além da imagem que ela se esforçou em passar durante os últimos dez anos. Que era verdadeiramente a filha de Cyrus Tallant não só pelo sangue, mas também pela desumanidade. Que fazia parte das facções determinadas a destruí-los, uma inimizade das mesmas espécies pelas que ela tinha arriscado a vida incontáveis vezes para salvar. E não podia revelar a verdade. Não agora. Não até que Jonas soubesse quem era o espião dentro da comunidade das Castas. Não até que encontrasse ao Jonas e pusesse em boas mãos a informação que tinha conseguido.

— Digamos que pensei que era hora de que nos conhecêssemos. — lhe informou ele — Estivemos dando voltas um ao redor do outro durante anos, nos assegurando de permanecer fora do espaço um do outro. Minha impaciência aumentou com este jogo.

— Estamos jogando, então? — ela arqueou suas sobrancelhas com curiosidade — As regras devem ter se perdido no correio.

— Acredito que é muito consciente das regras. — saiu das sombras, avançando pelo atalho até colocar-se ao lado dela, tão perto que pareceu consumir todo o oxigênio.

— Poderia pensar que o sei. — murmurou — Mas teria que entender primeiro o jogo. O que quer, senhor Reynolds?

— Não está me chamando de Casta. — lhe recordou acusadoramente, o som de sua voz acariciando suas sensitivas terminações nervosas. Sentia calafrios subindo por sua coluna — Não era a crença de seu pai que ao nos dar nomes estávamos sendo induzidos, na errônea impressão, de que tínhamos algum tipo de valor? De que isso podia nos fazer humanos?

A tensa advertência encheu o ar. A advertência dele. Ela optou por ignorá-la. Tinha estado esquivando-a por muito tempo; estava-se cansando da batalha. Estava cansada de evitá-lo e de pôr desculpas. Estava cansada do medo, do sangue e da morte.

— Trabalho para meu pai, Senhor Reynolds, mas não compartilho suas opiniões. — lhe indicou.

Sua risada entre dentes foi baixa e perigosa. Estava tão escuro ali, nesse canto dos jardins, que quando levantou seu olhar para ele, não pôde ver nada mais que o brilho dourado de seus olhos. E eram cativantes.

Outro calafrio lhe percorreu a coluna quando a mão dele se levantou e seus dedos acariciaram seu cabelo. Longos e grossos, os sedosos fios roçaram a carne nua de seus ombros e aumentaram sua consciência dele.

O corte tomara-que-caia de seu vestido não protegeu contra seus dedos quando os deslizou pelos ombros nus, ou quando delinearam a clavícula. Carne morna, ligeiramente áspera, tocando-a, relaxando-a. Ela podia sentir como a acalmava inclusive enquanto a esquentava.

Seu coração estava acelerado, golpeando com temor em meio de seus peitos. Ou com excitação. Medo, disse para si; não se permitiria estar excitada por algo tão mínimo como o roce das calosas gemas dos dedos sobre sua pele.

— Seu pai deveria te proteger melhor. — lhe disse, em voz baixa — Derramou-se sangue o mês passado no ataque contra o Santuário. Sabemos que vocês dois estiveram implicados. Tudo o que temos que fazer é prová-lo.

— E não tem provas. — lhe recordou ela igualmente baixo — Abordar-me na escuridão não vai prová-lo.

Ele se deteve, suas fossas nasais ardiam enquanto a observava com olhar malicioso. Era perigoso, muito mais perigoso que os outros castas, e ela sabia.

Não podia esconder sua excitação por ele. Sabia que a notava. Podia vê-lo na tensão disposta de seu corpo e o olhar de luxúria de seus olhos. Tanner era o equivalente para as Castas a um playboy de Hollywood. O menino mau. O único que se desfrutava de sua sensualidade e de seus apetites sexuais.

— Diga-me, Scheme. — se inclinou mais perto, bloqueando a luz, os olhos hipnotizando-a enquanto o olhava fixamente — Não tem ao menos um pouco de medo? Poderia te esfolar e esconder seu corpo em um lugar tal que nenhum homem ou casta te encontraria jamais. E poderia te fazer sentir uma dor diferente de qualquer outra que alguma vez tenha conhecido.

— Não é dor o que quer me fazer sentir. — lhe sussurrou — E não é assassinato o que está considerando neste momento. Não é verdade, Tanner?

— Não me tente. — sua escura voz se aprofundou, trazendo um inequívoco torcido sexual agora — Nunca poderia aguentar o que posso te dar.

Ela forçou seus lábios em uma pequena careta.

— Mas Tanner, te tentar seria muito mais divertido. — disse arrastando as palavras — Certamente sabe que é meu esporte favorito. Tentar, por outra parte, a homens bons até convertê-los em meninos maus.

— Já sou um menino mau. — grunhiu, aproximando-se repentinamente — Da pior classe. Você não me deseja, não seria capaz de aguenta-lo.

— Oh, um desafio. — lhe provocou, desfrutando realmente do intercâmbio — Se não tivesse uma agenda tão apertada, estaria disposta a aceitá-lo.

— E permitir realmente que um animal lhe fôda? — perguntou-lhe — Vamos, senhorita Tallant! Seu pai teria uma apoplexia.

Se tão só fosse certo.

— Todos os homens são animais, sem importar sua origem. — lhe assegurou ela, tratando de conter a amargura — Não se preocupe, não deixaria nunca que isso influenciasse em minha decisão.

Ele se inclinou mais ainda, seus lábios de repente em seu ouvido, acariciando a frágil concha enquanto lhe sussurrava:

— Bonita, nunca me tiveste. Poderia te mostrar que estar com um animal é realmente bom. Poderia te fazer suplicar por mais.

Ela não tinha nenhuma dúvida. Se o estado de seu corpo era um indicador, não levaria muito tempo lhe suplicar.

— Primeiro teria que me colocar em uma cama. — moveu seus lábios até que também acariciaram sua orelha, permitindo que sua língua lhe roçasse, girando-a ao redor do forte lóbulo — E tenho como regra nunca foder com homens que me odeiam. Isso lhe deixa fora, senhor Reynolds.

Ele se manteve imóvel, as mãos em seus quadris, logo que as tocando, o corpo tenso, preparado, como se cheirasse o perigo.

— Nunca disse que te odiava, Scheme. — sussurrou finalmente, apartando com o nariz seu cabelo a um lado, os lábios de repente em seu pescoço, arrastando abrasadoramente os incisivos ao longo da veia — Mas um destes dias, me foderás. A menos que lhe mate primeiro.

Mordiscou-lhe o pescoço, provocando que ela se tornasse para trás pela surpresa, subiu a mão até tocá-la na suave pele, enquanto lhe franzia o cenho em um acesso de ira.

— Isso esteve desconjurado. — endureceu a voz enquanto endireitava seus ombros e lhe olhava ferozmente — Não conhece as regras, Tanner? Não morda em um primeiro encontro, e muito menos em um encontro fortuito na escuridão. A marca de um homem civilizado é seu controle.

— Quem disse que eu era civilizado? — estava rindo dela. O brilho de um sorriso, os malévolos incisivos brilhando nessa escuridão — Foi só uma advertência, bonita. Uma vez que tenha meu membro dentro de ti, estará implorando para que te morda.

Sim, isso era o que ela temia. Perigoso. Muito perigoso. Estava jogando com um fogo muito quente e com uma possibilidade de destruir-se maior que com a que tinha estado jogando os últimos dez anos.

— Em seus sonhos. — zombou dele com muito mais confiança que sentia — E se me perdoar, por muito divertida que seja esta pequena aventura, realmente devo partir. Está ficando tarde.

Ela se moveu para passá-lo, só para deter-se abruptamente contra o peito que de repente bloqueou seu caminho.

— Está fugindo. — a acusou, uma larga mão se elevou para lhe tocar com os dedos a bochecha — Acredita que consegui que viesse aqui só para que pudesse escapar tão facilmente?

— Penso que tive muito de sua encantadora companhia. — seu corpo suplicava por mais, mas infernos, seu corpo não tinha o bom senso de escolher amantes decentes, assim, por que deveria começar a lhe emprestar atenção agora?

— Vou ter-te, Scheme. Lutar contra isso não vai adiantar nada, exceto prolongar a batalha.

— E eu estou tremendo de medo. — ela pôs os olhos em branco antes de mover-se e, esta vez, conseguir rodeá-lo — Não ouviu, Tanner? A perseguição é a metade da diversão. — em realidade, considerava que era a única coisa divertida, mas não era inteligente insultar o ego masculino. Menos ainda o de um macho casta — E agora terá que me desculpar. Já tive suficiente da festa e da ocorrente insinuação sexual. É hora de partir.

— Senhorita Tallant. — murmurou enquanto ela retornava para a festa — Foi definitivamente um prazer.

Tanner a observou abandonar o jardim, a luz da casa derramando-se a seu redor, fazendo que o vestido escarlate brilhasse sobre sua esbelta estrutura e escurecesse a exuberante queda da cabeleira azeviche.

Passou-se a língua sobre os dentes. Nada de glândulas inchadas por aí. Por um momento, só um momento, tinha saboreado algo tão pouco familiar em sua boca que seu coração se exaltou pela suspeita. Podia Scheme Tallant ser sua companheira? A mulher que tinha planejado sequestrar durante anos, vigiando-a com um ardor quase fanático, tinha a capacidade de exercer uma fascinação nele que nenhuma outra mulher tinha tido.

Os sinais do emparelhamento estavam solidamente reconhecidos dentro da comunidade das Castas. As glândulas inchadas, o inusualmente selvagem desejo sexual que controlava a mente e o corpo. Sua fome por ela estava transpassando-o, mais forte que nada que ele tivesse conhecido alguma vez. Mas nenhum dos sinais físicos do zelo se fez evidente.

— Está abandonando a festa. — informou, sabendo que a equipe no outro extremo dos microfones receberia a transmissão.

— Isso ouvimos. — grunhiu Cabal em resposta.

Os lábios de Tanner sorriram ironicamente. Apesar de sua falta de inibição sexual em privado, Cabal raramente estava cômodo com o flerte público.

— Siga-lhe. – ordenou, dirigindo-se para a festa — Quero saber quando chega a sua casa e se está sozinha ou não.

— Está seguro de que este é o melhor curso de ação, Tanner? — perguntou-lhe Cabal — Seguir a uma víbora dentro de sua guarida nunca é uma boa ideia.

— Isso é a um leão. — informou Tanner com um sorriso — Só te assegure de que a casa esteja limpa.

— Penteamos a em busca de microfones ocultos antes de nos dirigir pra cá. — respondeu Cabal — Evidentemente, o queridíssimo papai não confia em sua princesinha. Cada cômodo do lugar está grampeado.

Tanner fez uma careta.

— Tenha um detector preparado para mim. Não quero isto gravado.

— Preparado e te esperando. — suspirou Cabal — Cobrir seu traseiro não vai ser fácil esta vez. É condenadamente afortunado de que Jackal tenha um pervertido senso de humor para quando chegarem esses joguinhos entre vocês.

Jackal bufou de fundo. Era um dos poucos encarregados de segurança humanos dentro do Santuário.

— Ele estava aborrecido esta semana. — Tanner dissimulou sua risada enquanto se aproximava do pátio — Estou fora. Vejo-te no castelo.

Última modificação: Hoje às 14h20min… Opções adicionais... Notificar-me ao haver novas respostas. Bloquear este tópico. Retornar a este tópico. Fixar este castelo. A casa da princesa no meio de D. C. havia sido gravada de canto a canto nos últimos dias. Encontraram os microfones e pouco mais. Estranhamente, a princesa não tinha nenhuma outra foto familiar íntima além de uma simples 4x6 de sua mãe falecida, situada junto a sua cama.

Seu lar era estéril. Frio.

— Merc está conduzindo a limusine para ti. — disse Cabal no ouvido de Tanner enquanto voltava a entrar no salão de baile e fazia seu trajeto em meio da aglomeração de políticos e não políticos convidados.

Dando suas desculpas à anfitriã, Tanner atravessou o luxuoso vestíbulo da casa, por uma vez ignorando os ardentes olhares femininos dirigidos em sua direção.

Era raro para ele abandonar uma festa sozinho. Embora não tivesse intenção de seguir desta maneira por muito tempo. Esta noite, Scheme ia conseguir estar mais que muito perto de um casta, de uma forma que não envolvia sangue nem morte.

Primeiro, a foderia até tirar-se esta fascinação que tinha por ela, depois obteria a informação que necessitava, e logo, justo tão friamente como ela tinha assinado a ordem de morte de castas no passado, aplicaria-lhe a Lei da Casta.

Finalmente tinha a prova que necessitava contra ela. Fotos, ordens assinadas, e a confissão de seu ex-amante. Tudo o que necessitava agora era uma última confissão por parte de um membro ou soldado do Conselho para eliminá-la. Scheme Tallant estava a ponto de ser nada mais que uma lembrança para as Castas.

 

Ela não foi para casa. Scheme não podia suportar a ideia de microfones disseminados em seu lar. Ou saber que seu pai havia finalmente começado a suspeitar que sua filha fosse seu maior inimigo.

Essa era a única resposta. Ele enchia sua casa de aparelhos de escuta semanalmente e tinha declarado que não havia nenhum presente. Mas o pequeno aparelho de mão que Jonas lhe tinha dado, provava o contrário.

Em troca se registrou em seu hotel favorito. Enquanto seguia aos botões à suíte para executivos, uma onda de debilidade se abateu sobre ela. Não deveria ter ido à festa. Permanecer tão longe de Tanner Reynolds quanto fosse possível teria sido sua melhor escolha. Infelizmente esse casta em particular era sua debilidade. Não é que antes tivesse estado tão perto dele como o tinha estado esta noite. Tinha-o vigiado de longe. Estudando seus avanços na imprensa e observando cada entrevista e programa de notícias da que fez parte. Mas até essa noite, nunca tinham se enfrentado.

Travessa Scheme. Um sorriso se formou em seus lábios. Ao menos sabia que sua libido até funcionava. Depois de anos permanecendo em silêncio, indiferente, tinha-a surpreendido.

– É aqui senhorita Tallant. – inseriu a chave eletrônica e empurrou abrindo a porta enquanto levava a pequena mala e o laptop para dentro.

Foi pelo quarto, acendendo as luzes e colocando o laptop sobre o escritório antes de dirigir-se para o dormitório com a mala.

Segundos mais tarde reapareceu com um sorriso curvando seus lábios.

– Estamos muito contentes de tê-la conosco esta noite. Há algum serviço de quarto que possa desejar antes de partir?

– De momento não, obrigado. – aceitou o cartão chave com um breve sorriso de agradecimento e uma considerável gorjeta – Estarei bem por agora.

A sós na bem iluminada suíte, Scheme olhou ao redor da sala de estar com uma sensação de irrealidade. Que demônios fazia ela ali? E onde diabos estava Jonas?

Passando os dedos por seus cabelos, aproximou-se da porta, travou a fechadura e então foi para o dormitório.

Scheme abriu a pequena mala e tirou um par de pijamas de veludo de dentro. Lançou-os sobre a cama, logo esticou a mão para as costas, abriu o zíper de seu vestido e o tirou.

Precisava de uma ducha, depois chamaria o Jonas, se não o contatasse logo, então tudo pelo que tinha trabalhado nos passados anos iria por água abaixo.

Se é que já não tinha ido.

Ela não podia esquecer a repentina aparição de Tanner em cena. Depois de anos de brincar de gato e rato, finalmente a tinha encontrado cara a cara, lhe mostrando uma muito tentadora razão para repentinamente confrontá-la. O desejo.

Ela fez uma careta ante o pensamento, enquanto ajustava a água e dava um passo sob a ardente ducha.

Desejo de sua parte possivelmente. Ele sempre tinha exercido certa fascinação nela, uma que nunca tinha sido capaz de negar. E ele poderia sabê-lo. Como o manipulador, calculista e embusteiro que era, nunca teria se aproximado dela somente por desejo, procurava algo mais, sabia algo.

Isso fazia Tanner ser duplamente perigoso, significava que tinha informação interna. Informações que provavelmente só o espião da organização Casta, Tallan podia ter obtido.

Fechou os olhos enquanto a água lhe caía sobre o rosto. Era muita coincidência e não acreditava nas coincidências. A mesma noite em que tinha marcado de encontrar-se com o Jonas, ele não estava aonde tinham combinado encontrar-se? Ele não teria perdido esse encontro se fosse seguro, o que significava que poderia ter suspeitado que o espião que trabalhava dentro do Santuário estaria ali.

Seria Tanner?

Isso seria péssimo. Péssimo porque teria sido muito mais simples e muito mais agradável para ela se fosse simplesmente o que se supunha que era. O playboy do Santuário. Um leal gênio das relações publicas que tinha feito que nações clamassem por ajudar às castas.

Não tinha podido contatar ao Jonas essa noite e acertar outro encontro. Não havia permanência possível para ela dentro da organização de seu pai, não depois de descobrir quem incapacitou o transmissor de mensagens a noite anterior. Sua vida estava sob um fio e sabia.

Estúpida, estúpida! Murmurou enquanto se apressava em terminar de tomar banho.

Tinha dado uma olhada na mensagem que chegou e entrou em pânico.

Planos preparados. A primeira criança será liberada em quarenta dias. Prepare-se para partida.

Scheme imediatamente tinha contatado ao Jonas para que a recolhesse, então tratou de apagar sua presença do aparelho, mas sabia que não o tinha feito de forma muito eficaz. Não teve tempo. Depois de que seu pai recolhesse a mensagem do espião, ignorando que ela o tinha visto primeiro. Scheme soube que devia fugir e que devia fazê-lo rápido. Uma vez que Jonas tivesse essa informação, David, o filho de Callan, teria um escudo a seu redor que ninguém poderia penetrar. E então seu pai saberia o que tinha feito. Porque as câmeras do escritório a indicariam como a única outra pessoa no escritório esse dia.

Se seu pai conseguisse sequestrar o primeiro casta conhecido, que tinha nascido de maneira natural, então as castas se vingariam com força selvagem. O qual ela sabia que seu pai estava desejando com alegria. Essa era sua oportunidade de reconstruir sua reputação no Conselho de Genética. Com um só movimento poderia adquirir a primeira geração de Casta naturalmente concebida e ao mesmo tempo provocar que as Castas atacassem de uma forma que mudasse definitivamente a opinião mundial contra eles. Tinha ganho um pouco de tempo para si mesmo ao sabotar o sistema de transmissão de mensagens. Não havia forma de dizer quando o processador de dados tinha sido quebrado “ao menos não por um tempo” ou quem o tinha feito. As câmeras do escritório não mostrariam nada exceto a ela trabalhando diligentemente no computador durante horas. Até que pudessem entrar nos arquivos do sistema de transmissão de registros, estava a salvo.

Exalando sua frustração, enxaguou-se antes de envolver o cabelo apertadamente em uma toalha e secar o corpo. Meia hora depois, seus cabelos estavam mais ou menos secos e se aplicou a suave e delicada essência no corpo.

Observando o relógio de pulso, que tinha deixado no suporte do banho, calculou a probabilidade de contatar ao Jonas antes da meia-noite, esse homem escolhia as horas mais estranhas. Não tinha respondido ao celular em toda a noite, nem lhe havia devolvido as mensagens cifradas que lhe deixou, além da mensagem enviada a seu sistema pessoal de transmissão no Gabinete. Algo ia muito mal, e o risco para ela de morrer crescia.

Scheme ajustou a toalha ao redor do corpo e foi para a sala. Então se deteve abruptamente. Diretamente frente à Tanner, que estava descansando no acolchoado sofá diante dela.

Sem jaqueta, os botões superiores da camisa desabotoados, os olhos dourados obscurecidos de luxúria. O Bengala se moveu com enganosa preguiça, levantando-se enquanto seu olhar percorria lentamente o corpo escassamente coberto.

– Uau, você é persistente. – murmurou ela, movendo os dedos para apertar o nó da toalha sobre o peito.

O olhar masculino posou nas elevações de seus peitos sobre a toalha, enquanto os mamilos se enrugavam, roçando contra o material.

Sua resposta a ele foi imediata. Os mamilos se apertaram violentamente, instantaneamente o clitóris voltou para a vida e um calor úmido revestiu as dobras de seu sexo.

– Não retornou a sua casa. – disse em voz baixa, a voz retumbando eroticamente – Por que um hotel?

Ela arqueou a sobrancelha.

– Possivelmente espero companhia.

– Então por que não em sua casa? – perguntou-lhe de novo –. A maioria das mulheres prefere ter sexo em suas próprias camas. Uma forma de intimidade, acredito. – os lábios se curvaram com atraente encanto masculino.

– Possivelmente a intimidade não seja o que procuro. – encolheu-se de ombros, retornando ao dormitório para vestir-se com um pijama folgado, para não seguir com esta conversa trajando uma toalha.

E, na verdade, não lhe atraía o pensamento de morrer nua, se estava ali para matá-la, vestiria-se rapidamente, muito obrigado.

Enquanto ela se aproximava da porta de laminas entre os quartos, uma larga mão a abriu e o duro corpo masculino de Tanner se apoiou contra o marco da porta.

– Tenho a sensação de que te perder de vista poderia ser uma péssima ideia neste momento. – o olhar se concentrou nela de novo – Por mim não tem que te vestir. Tirará-te a roupa mais tarde.

– Oh, muito seguro de ti mesmo, não? – as sobrancelhas femininas se arquearam com brincadeira, mas de todos os modos foi para a cama.

Algum espírito de diabo, do tipo escandaloso a possuiu. Deixando cair a toalha, ignorou-o enquanto agarrava a tanga violeta, de seda e renda, passando-a pelas pernas.

Vestiu-se com normalidade, convencendo a si mesma que estar nua diante dele não a afetava, apesar de saber que não era assim.

O suave, leve e aveludado top sem mangas foi o seguinte, passando-o por cima de sua cabeça, deixou que seu olhar encontrasse o dele e quase ficou sem respiração.

Os olhos masculinos brilhavam com faminta luxúria agora, acariciando os peitos erguidos antes que o tecido os cobrisse. Recolhendo as folgadas calças, deslizou uma perna, depois a outra antes de puxá-la para cima, sentindo o olhar masculino sobre sua carne quase tão claramente como se a estivesse tocando fisicamente.

– Sabe que posso cheirar seu desejo. – deu-lhe um tom de grunhido a sua voz que fez que calafrios lhe subissem pela coluna – Por que a preocupação em se vestir?

– Tem fome? – ignorou a pergunta – Estava a ponto de chamar o serviço de quarto.

– Oh, tenho fome. – murmurou – Mas não acredito que a comida acalme meu particular apetite.

O ventre dela se contraiu em um espasmo. Por um momento o pesar a atravessou tão forte que quase lhe rouba o fôlego. Em outro tempo, em outro lugar, ela teria desfrutado do jogo e da sensual ameaça. Era uma mulher que gostava da perseguição, do esquema “gato e rato”, antes que os jogos preliminares se transferissem para o quarto.

Ela tinha desfrutado disso até que Chaz lhe ensinou quão enganoso poderia ser. Até que ela compreendeu o puro mal que habitava o coração de seu pai, quando destruiu seu filho, sendo ele ainda apenas um feto, e com que facilidade Chaz o tinha ajudado.

O jogo sexual agora era uma ameaça. Sem importar o quão agradável e tentador que era.

– Comida é a única coisa que ofereço, no momento. – informou-lhe colocando um pequeno sorriso em seus lábios enquanto o observava entre as pestanas – Desejas algo em particular ou confia em mim para pedir?

Ela foi para a entrada, tentando passar entre ele e o marco.

– Por que o jogo? – sua mão capturou o antebraço feminino – Quer estar nessa cama comigo tanto quanto eu desejo estar ali.

O toque foi suave, ligeiro, a única restrição que evocava era sua própria resposta a ele. Ela se deteve abruptamente, olhando fixamente os fortes dedos curvados ao redor de sua carne.

– O que desejo, e o que me permito, senhor Reynolds, é raramente o mesmo. – advertiu-lhe duramente – Controlar-se aprimora o caráter, possivelmente deveria tentá-lo.

– Que pena que não consagre a honra e a decência. – espetou-lhe enquanto lhe soltava o braço, seguindo-a para a sala de estar.

– De fato escutei que sim o faz. – os lábios femininos se curvaram com prazer – As boas irmãs da Academia de Nossa Senhora me asseguraram que reforçariam essas qualidades em mim.

Enquanto a golpeavam com uma correia em suas costas.

– Oh sim, a Academia de Nossa Senhora. – ele murmurou – De onde foi expulsa, não?

– Assim foi. – e essa era uma lembrança muita querida – As boas irmãs decidiram que eu era uma causa perdida que nem elas podiam salvar.

Seu pai não foi tão pormenorizado como ela teria esperado. Os hematomas causados pela surra das monjas se multiplicaram exponencialmente, tinha-lhe tomado semanas recuperar-se.

– É uma causa perdida, Scheme?

Girou-se para ele perguntando-se pela repentina nervura sombria de sua voz, enquanto travou de emparelhá-lo com o brilho quase zangado de seus olhos.

– Por completo. – respondeu rapidamente, com honestidade – Realmente Tanner, parece decepcionado. Esperava algo menos?

Apertando o botão do serviço de quarto, pediu uma seleção de carnes, queijos, pão e seu vinho favorito. Se Tanner estava ali para matá-la depois de fodê-la, então ia desfrutar de sua última refeição.

Depois de desligar, dirigiu-se para as portas do balcão. Deslizando as cortinas abertas. Scheme abriu as portas e deu um passo para o espaço em sombras da varanda com vistas panorâmicas ao D.C. Estava a vinte andares de altura, a vista cortava o fôlego e esperava que as sombras do exterior ajudassem a acalmar o nervosismo que crescia em seu interior.

– Não fico aqui frequentemente. – disse quando o sentiu mover-se atrás dela, apertando-a contra o corrimão – Mas adoro a vista. Daqui pode sentir a vida da cidade abaixo.

– Por que aqui e não em sua casa? – perguntou novamente, o calor de seu fôlego acariciou a curva de sua orelha.

– Você é tenaz. – os dedos femininos se aferraram ao corrimão ao sentir as mãos dele deslizar-se para seus quadris – Aqui há paz. Quase anonimato. – não havia olhos ocultos observando, nem malévolos ouvidos dissecando cada palavra, cada movimento que fizesse. Até que ele chegasse, tinha estado a salvo.

Girou-se, incapaz de suportar a ameaça do grande corpo detrás dela sem a vantagem de ver sua face. Mostraria uma mudança de expressão? Uma sutil tensão de advertência em seu corpo se fizesse um movimento para matá-la?

Quando olhou para cima, a cabeça masculina estava ladeada e seus olhos brilhavam de uma maneira estranha na luz tênue.

– Pensa que vou matar você? – os lábios cheios e sensuais se curvaram em um gesto divertido – Não poderia te matar Scheme. Foder-te desesperadamente, sim. Levar-te ante a Lei da Casta, definitivamente. Mas não quero te matar.

– Não pode me levar ante a Lei da Casta, Tanner. – suspirou enquanto o contemplava com calma – Não fiz nada.

Ela era um agente duplo do Escritório dos Assuntos das Castas. Jonas podia ser um filho de cadela, mas não a faria pagar pelos crimes que tinha cometido para obter provas contra seu pai e o Conselho.

Se só pudesse confiar no Tanner. Se só estivesse segura de que não era o agente de seu pai, se ele acreditasse em sua necessidade de asilo e a informação que tinha. Estava meio tentada a lhe contar seus segredos e correr o risco, mas não podia arriscar-se com a vida de outra criança. Não até que estivesse segura.

– Sua assinatura está nas ordens de execução, bonita. – sussurrou inclinando-se para frente para pousar os lábios em sua orelha. Malvados incisivos arranharam a tenra pele do lóbulo – Fotos de seus encontros com vários suspeitos de serem membros do Conselho. Tudo o que precisamos é a confissão de um soldado do Conselho para te crucificar. Acredita que isso é possível?

Os lábios femininos se curvaram ironicamente.

– Penso, Tanner, que poderia obter tudo o que deseja, se o desejar o suficiente.

Ele franziu o cenho, as sobrancelhas se contraíram com frustração enquanto os dedos se apertavam contra seus quadris.

– Está tão segura de escapar da Lei da Casta. – disse em voz baixa – Deveria saber que não. Seu pai encabeçou o ramo de treinamento do Conselho durante décadas, e durante os últimos dez anos, sabemos que estiveste envolvida. Provar o evidente não é tão difícil.

A Lei da Casta. Os estatutos que foram criados dentro do marco legal, deram às Castas não só o direito de governarem a si mesmos, mas também o direito de procurar vingança. Nem essa vingança era fácil de conseguir. Primeiro devia ser passada pelo Gabinete da Casta, composto por doze membros eleitos, então passaria ao Comitê de Supervisão no D.C., o qual estava composto por oito humanos e quatro castas.

Até agora, só tinha havido umas poucas execuções de membros de alta fila do Conselho, e muitas prisões. Mas a pressão contra o Gabinete da Casta assim como ao Comitê de Supervisão para executar a aqueles culpados de tentar matanças de Castas se tornou irresistível

– Prova-o. – encolheu-se de ombros.

Isso nunca iria acontecer. Ninguém desafiaria trair a seu pai desta maneira, exceto ela, é obvio, e se alguém o fizesse, tinha o acordo assinado com o Jonas anos atrás.

Era muito ruim que Jonas não confiasse em ninguém do Santuário. Ter uma posição de respaldo era sempre importante. Neste caso, não existia mais rede de segurança que o lugar que ela tinha encontrado para esconder o acordo que eles assinaram. E até que estivesse segura de quem era o espião de seu pai, ainda então só poderia dar sua informação a uma pessoa.

– Poderia ficar limpa. – baixou ainda mais a cabeça, os dentes rasparam o ombro feminino, seguidos por sua língua.

Scheme se forçou a respirar normalmente e quase falha. Isso não deveria ser erótico. Não deveria estar umedecendo-se sem poder fazer nada, como resposta a algo tão simples.

– Acabo de tomar banho. – sussurrou em seu ouvido – Te juro que estou muito limpa.

Mordiscou-lhe o ombro. A leve dor sensual fez brotar um gemido de seus lábios e enviou débeis tremores por todo seu corpo.

– Cheiro-te. – grunhiu ele – Está tão úmida. Tão molhada que o aroma de seu desejo é como uma droga.

Scheme tratou de se forçar a concentrar-se “realmente o tentou”. Entretanto, suas pestanas revoaram contra as bochechas quando os lábios masculinos estiveram de repente sobre os seus.

Doce céu. Ela odiava beijar. Realmente o odiava. Exceto este beijo. Suas mãos se enredaram no cabelo imediatamente, sustentando-o enquanto os lábios masculinos se inclinavam sobre os seus e a língua tomou imediatamente posse de sua boca. Este beijo, quente, abrasador, com intenção sexual e luxuriosas demandas, literalmente varreu através de seus sentidos.

Os braços a envolveram enquanto a arrastava do corrimão só para girá-la e pressioná-la contra o muro do balcão. Rodeou-a. Estava ao redor dela, dentro dela, avivando-a, esquentando-a. Enviando brilhantes fragmentos de paixão explodindo ao redor de seu clitóris enquanto arqueava os quadris contra ele.

Maldição, ele precisava engarrafar esse beijo. Poderia fazer uma fortuna.

Uma mão grande se moveu para enredar-se em seus cabelos, puxando-os, causando uma erótica ardência enquanto lhe jogava a cabeça para trás, rompendo o beijo antes que seus lábios lhe chamuscassem o pescoço.

Os olhos de Scheme foram à deriva, não é que pudesse ver muito, sua visão era vaga e aturdida.

Elevando-se sobre a ponta dos dedos ela procurou pressionar a dolorida carne entre suas coxas contra a rígida longitude da ereção sob suas calças informais.

Oh, isso era bom. Um sussurrado gemido surgiu dos lábios quando por fim conseguiu esfregar o doído centro de seu corpo contra ele.

Então os quadris masculinos empurraram de novo contra ela. Com uma mão aferrando seu traseiro para elevá-la.

– Coloque as pernas ao redor de minha cintura. – ofegou contra seu ouvido, grunhindo de novo. Isto fez com que ela desejasse lamber seus lábios, para sentir a vibração.

Suas pernas envolveram sua cintura, e então viu as estrelas.

Oh, sim. Isto era perigoso. Choramingou (e nunca o fazia) quando seu membro pressionou totalmente contra suas coxas e os quadris rodaram contra ela.

– Estive morrendo por cravar meu membro dentro de ti. – ele foi muito explícito. Ao menos não se andava com rodeios.

– Oh Deus, é tão romântico. – ofegou, sem apagar-se de maneira nenhuma por essa erótica declaração.

– Deseja romantismo? – mordiscou a linha de sua mandíbula – Mentiras bonitas para suavizar isto?

“Isto” eram seus dentes rastelando sobre o desesperado mamilo por cima do veludo antes de capturar a endurecida ponta dentro de sua boca.

O estrangulado e afogado grito que surgiu de seus lábios a chocou. Oh merda, aproximava-se do orgasmo. Aqui mesmo, pressionada contra o muro, sem nada mais que seus dentes mordiscando o escuro broto de seu mamilo.

E não estava envergonhada.

Então ele ronronou.

 

Ela teve um orgasmo.

Tanner sentiu as ondas que a atravessavam, sentiu-a recuperar o fôlego e cheirou a excitação e a comoção que emanava por cada poro de seu corpo.

Filha da puta. Ela estava mais quente que a dinamite. O cheiro de sua necessidade nublou seus sentidos; a doçura do xarope que ele sabia que tinha encontrado entre suas coxas quase o embriagou apenas com seu aroma.

—Travessa, travessa Conspiradora. — ele pressionou até mais seu membro contra sua vagina, sentindo o calor e a umidade selvagem que se juntava ali.

— Não deixe que te suba à cabeça. — ofegou — Foi muito tempo sem sexo.

Mentia. A diferença de outros mentirosos, era que o aroma de seu pequeno engano não lhe repugnava. Era suave, com um indício de brincadeira e uma ligeira corrente de surpresa. Gostava do aroma de suas mentiras. Isso não significava que ia lhe deixar sair-se com a sua.

— Mentirosa. — a acusou brandamente.

— Não iremos ali. — sua cabeça caiu contra a áspera parede detrás dela com os olhos brilhando detrás das pestanas.

— Aonde quer ir então? — perguntou-lhe em troca, movendo seus quadris contra sua acalorada vagina.

— Onde esteja a aproximadamente a um metro de distância de mim.

Ela flexionou os joelhos apertando seus quadris como se o sustentasse em seu lugar.

— Um metro? — ele refletiu — Isto vai ser endemoniadamente difícil, converter essa pequena liberação em um orgasmo ardente de longe, bonita. Está segura de que é o que quer?

Ele podia cheirar sua necessidade. Ela ardia por dentro, lhe provocando com uma fome que logo que podiam resistir.

— Seria uma muito boa ideia. — ela lambeu seus lábios. Ele queria lambê-los.

Antes que pudesse cobri-los de novo, lhe empurrou pelos ombros, as pernas caíram de seus quadris. Era um tolo ao deixá-la. Dar-lhe tempo para reconstruir suas defesas contra ele não era uma boa ideia. Mas o desafio que apresentava o atraía, estava sorrindo com antecipação quando a liberou.

— Impressionante. — alisou-se o suave top aveludado antes de ajustar a prega e girar para retornar majestosamente ao dormitório — Pode ir agora.

Ele riu.

— Não acredito.

O cabelo girou a seu redor como uma capa de seda, espesso, grosso, caindo quase até os quadris, os olhos brilhantes de novo pela ira e o desejo.

— O jogo terminou, Bengala.

Em lugar de discutir com ela, fechou a porta do balcão e as cortinas.

— O jogo só começou.

Voltando-se para ela, Tanner ocultou o sorriso quando sentiu a insegurança repentina que a transpassava. Dizia-se que Scheme não era vulnerável, nem débil. Sempre soube. O que sabia dela e o que sentia não encaixava. Até que o fizesse, não havia nenhuma possibilidade no inferno de que a deixasse ir.

Durante anos, ele tinha conspirado para sequestrar a doce e pequena do Tallant. Primeiro por que queria que Tallant sofresse. Agora, importava-lhe uma merda o que sentisse o general; desejava à mulher. Os segredos. Ele queria os beijos quentes e os orgasmos que a estremeciam. Até agora, Jonas sempre conseguia frustrar seus planos por uma razão ou outra. Esta noite, morreria antes de liberá-la.

E aquele pensamento lhe trouxe uma sombra de desconforto. Não deveria ser tão imperativo. Não deveria desejar a nenhuma mulher tão desesperadamente.

Ele comprovou sua língua outra vez. Não, nenhuma inflamação nas glândulas. Talvez não fosse tempo do emparelhamento, mas definitivamente já estava na hora de jogar. E Tanner realmente gostava de jogar.

Seus lábios se separaram, pestanejando quando ele caminhou majestosamente para ela, movendo-se devagar a seu redor.

— Tanner.

Pôde ouvir a advertência em sua voz, mas também ouviu o entusiasmo. Estava bem. Verdadeiramente bem. Mas a próxima vez que essa doce vagina se apertasse pelo clímax, tinha a intenção de enterrar seu membro tão profundamente que pudesse sentir cada deliciosa contração.

— Cheiro-te. — mordiscando seu ouvido, suas mãos lhe agarraram a cintura quando a empurrou contra a parede.

— Disse que não. — ofegou ela.

— Não, não o fez. — riu contra seu pescoço — Não é uma covarde, Conspiradora. Ou o é?

Seus dedos se estenderam sozinhos por debaixo de seus peitos antes de deslizar-se para baixo, lentamente, investigando sob o suave elástico de seus quadris.

Seus dedos se enroscaram contra a parede quando roçou sua frente contra ela com um gemido.

— Penso que te odeio.

— Não é ódio, é fome. Admite-o, está tão quente agora por mim como eu estou duro por ti. — pressionou sua ereção contra seu traseiro.

Maldição, amava aquele curvado e arredondado traseiro. Um grande traseiro. Este se elevava contra ele pressionando contra seu membro enquanto deslizava os dedos pelos suaves cachos, empapados.

— Não te mova. — manteve-a contra a parede quando tratou de voltear-se — Só quero te tocar.

Se ela se voltasse, ia fodê-la ali mesmo, de pé.

— Isto é uma loucura. — sua bochecha pressionava agora a parede, suas pestanas baixaram sobre as ruborizadas bochechas.

— Só me deixe sentir. — sussurrou, lhe dando um beijo na bochecha, sustentando-a quieta enquanto os dedos roçavam seu inchado clitóris.

Ainda estava sensível. O leve orgasmo anterior tinha afetado ao pequeno broto. Ele podia sentir as necessitadas contrações de sua vagina quando seus dedos contornaram a pequena abertura.

— Deseja-me? — sussurro-lhe na comissura de seus lábios — Diga-me Scheme, quer meus dedos dentro de ti?

— Quero… — ela se mordeu o lábio inferior, uma careta cruzou sua expressão contendo sua respiração.

— O que quer?

Ela sacudiu a cabeça.

— Diga-me, bonita. — necessitava as palavras. As estava necessitando com uma ferocidade que não podia ter imaginado antes.

— Quero que você... Me fôda.

Agarrou-a quando tratou de girar-se, sustentou-a estável, e empurrou dois dedos sentindo o calor sedoso e tão apertado, merda tão incrível, que quase gozou em suas calças.

Scheme continuou nas pontas dos pés, a cabeça golpeou contra seu ombro quando jogou para trás ao mesmo tempo em que abria os olhos, cores e calor brilhavam diante de seu olhar quando a encheu.

E a acariciou.

Tratou de não gritar, de não rogar. Suas coxas seguraram com força sua mão, mantendo-o no lugar, seus dedos estavam dentro dela, com a palma cavada, enquanto esfregava seus clitóris.

— Agora, bonita. — fazendo outra vez aquele grunhido.

Ela se estremeceu, o prazer a alagava quando um gemido saiu de sua garganta.

— Goze para mim agora. — ronronou — Por toda minha mão, Scheme. Goze para mim.

Malvado, carnal, seus dedos aprofundaram dentro dela, encontrando terminações nervosas que não sabia que tinha, acariciando-a, empurrando-a e enviando a seus sentidos a toda velocidade.

Gozou lançando um grito. Nunca gritava por algo tão agradável como isto. Gritava na excitação quando era golpeada. Gritava com a sensualidade do sexo anal, mas raramente, muito raramente com o orgasmo.

Este a sacudiu. Não havia nada proibido no ato. Nada para tentar seus sentidos mais depravados. Mas este merecia que até ofegasse, gemesse, enterrasse suas unhas no braço que cobria seus peitos, sustentando-a contra ele.

E queria mais.

— Chega. — ficou surpreendida quando lhe permitiu separar-se, seus dedos se deslizaram devagar das profundidades de sua apertada vagina, acariciando o clitóris antes de retirar a mão de suas calças e afastar-se.

— Tem que partir. Agora. — sua voz tremeu. Podia sentir seu nariz ardendo, seus lábios apertados quando lutou por desfazer-se dessas necessidades que nunca antes tinha tido.

O sexo era um esporte. Uma afeição. Uma manipulação. O prazer externo era tudo o que desejava. Um bom orgasmo era tudo o que necessitava. Não necessitava isto, não este desespero que sentia crescendo dentro dela.

Então começou a tremer, estremeceu-se quando ele dirigiu seus dedos ainda úmidos a sua boca e os lambeu. Sua tensa expressão, os olhos dourados brilhando com uma fome feroz.

— Tem um sabor como da luz do sol. — sussurrou, claramente desfrutando de seu sabor, saboreando-o. Deus, conhecia algum homem que tivesse feito tal coisa?

— É o sabão. — grunhiu. Ela tinha as mãos em punhos nos flancos para lhes impedir de elevarem-se e tocá-lo. Não podia fazer isto. Não podia aguenta-lo. Não agora.

Seus lábios sorriram satisfeitos.

— É uma vagina doce, quente. Quero meus lábios aí a próxima vez, Scheme. Desejo tanto ir ali embaixo que me doem os dentes.

Seus joelhos se debilitaram.

— Para. — assobiou, odiando a fome em sua face, o brilho aberto e malicioso de seus olhos. Já não era um jogo. Pela primeira vez em sua vida algo dentro dela respondia, uma parte que mantinha oculta, até de si mesma — Quero que parta, Tanner.

— Isso não vai acontecer, bonita.

— Então chamarei segurança. — sim, claro, ia deixar que os jornais tivessem isto.

— Não, não o fará. — ria aberta e claramente dela. — Papai não ficará muito contente de que transe com castas, amor.

Não, merda. Se sua cabeça não estava já na guilhotina, então o estaria.

Ela tinha aberto os lábios para tentar ao menos sair disto, quando um forte golpe soou na porta. Seus olhos se abriram e deu um salto pelo alarme. Demônios.

Tanner lhe piscou os olhos. Agarrou sua jaqueta do sofá e lhe assinalou o banheiro. Ali, meteu-se dentro, deixando a porta cuidadosamente entreaberta ao mesmo tempo em que tirava a pistola equipada com silenciador do interior do bolso de sua jaqueta.

Não tinha um bom pressentimento de tudo isto. Ele poderia sentir algo raro, cheirava algo frio, tingido de pena.

— Chaz. — havia uma nota de medo em sua voz, quase não detectável exceto pelo aroma que se espalhava pelo ar.

Ela não ficou na porta. Tanner percebeu seu aroma aproximando-se, entrando no dormitório. De repente estava desequilibrada e indecisa.

— Que demônios quer? — perguntou a seu convidado.

A raiva e a mágoa se mesclavam agora com o medo.

A porta do dormitório se fechou brandamente.

— Chaz, agora não é uma boa ideia.

Por que tinha ele um sentimento de que não falava de sexo?

— Tiveste uma oportunidade, Scheme. — Chazzon St. Marks, seu ex-amante e o assassino a solta de seu pai. Tanner conhecia sua voz, seu cheiro. Colocou-se rígido ao notar a morte na voz do outro homem. Inferno. Isso não tinha nada a ver com sexo — Não foi suficiente a batida do mês passado? Tem que seguir tentando a sorte?

— Do que você está falando? — fria, tranquila. Sua voz era um contraste direto para o medo que emanava agora dela.

— Foi pega. — disse Chaz brandamente. Muito brandamente — Realmente pensou que poderia sair desta?

Terror. Agora ela não estava assustada. Estava aterrorizada. Tanner podia cheirá-lo, quase degustá-lo.

— Desculpe? — seu tom era mordaz. Oh sim, definitivamente era para honrar a seu nome.

— Ele não ordenou nem sequer que lhe interrogassem. — suspirou Chaz — Ele não pensa que possa te desmoronar, Scheme. Eu tinha esperado que se equivocasse. Esperava que a última surra que recebeu dele te convencesse de trocar o curso que parece seguir.

Tanner sentiu que as veias lhe gelavam.

— Nada que dizer? — Chaz lhe perguntou então.

Tanner podia sentir que o outro homem se dispunha a matar. Não podia cheirar alguma arma, o que significava só uma coisa. Ele tinha a intenção de lhe romper o pescoço. A especialidade de St. Marks.

– Não sei do que está falando. — lhe soltou, obviamente retirando-se dele — E desejo que vá embora.

— Odiaste-o durante oito anos. — suspirou Chaz então — Ele sempre cuidou de você, Scheme.

— Cale a boca! — a agonia ressonou em sua voz — Só te cale.

— Você tinha que ter ficado grávida. Eu não queria o pirralho e sua posição não te permitia o luxo de ser uma mãe solteira. Realmente teria querido que ele tivesse controle sobre nós?

— Não o discutirei contigo! — sua voz destilava gelo — Como vais matar-me, Chaz? Não vejo uma arma, ou uma faca.

— Vou romper-te o pescoço. — sua voz agora estava curvada pela pena — Não doerá, Scheme. Não haverá nenhuma dor, nada de sangue. Será tão formosa morta como o é viva.

Infernos! E Tanner se condenaria se esperasse para ver se o bastardo mudaria de opinião.

Bruscamente abriu a porta, vendo à pálida Scheme e os olhos transtornados de St. Mark. Não teve tempo para defender-se. A bala deu diretamente entre os olhos do bastardo, caindo ao chão ao mesmo tempo em que Tanner tomava a seringa de injeção do bolso de suas calças.

— Lamento-o, bonita. — agarrou Scheme, lhe dando a volta, pôs a seringa de injeção de pressão contra seu pescoço e a injetou.

Ela paralisou em seus braços.

— Merda. — pondo-a na cama, Tanner se dirigiu rapidamente para o cansado assassino, movendo suas mãos sobre seu corpo com rápidos e seguros movimentos.

St. Marks não levava nada em cima. Nenhuma arma, nenhuma identificação. Fazendo uma careta, Tanner tirou o auricular e o microfone do interior do bolso de suas calças. Inseriu o receptor, levantou o microfone a seus lábios.

— Limpeza, moços. Logo .

As maldições de Jackal e Cabal encheram seu ouvido, o som do movimento assegurava que estavam em caminho. Deixou cair os aparelhos no bolso de suas calças antes de sacudir sua jaqueta, meteu no bolso sua arma e levantou a Scheme com um braço.

Pôs o braço ao redor de suas costas, sustentando-a, a cabeça em seu peito. Se os vissem, a hipótese seria muito diferente da verdade. Não tinha intenção de que os vissem.

Saindo rapidamente da suíte, dirigiu-se à escada, ao tempo que empurrava a porta, o timbre do elevador soou ao outro lado do corredor. Sabia que não tomaria muito tempo ao Jackal e Cabal.

Tanner não os esperou. Por que lhe parecia imperativo adiantar-se aos dois homens? Não podia estar seguro. Mas desde que matou ao homem de Tallant, o animal dentro dele tinha tomado o controle.

O choque talvez o golpeasse mais tarde, mas quando levantou a Scheme em seus braços e desceu a escada, não deixaria que o incomodasse agora. Selvagem, protetor, os instintos do animal eram imperativos. Sua vida corria perigo e nada mais lhe importava que conseguir que ela estivesse a salvo. Completamente a salvo.

 

Não havia quem notasse o SUV negro que era conduzido silenciosamente ao longo dos caminhos da montanha essa noite. As luzes saíam das casas que agora se assentavam no que tinham sido prósperas terras de lavoura, transpassando as ocultas janelas, curvadas e brilhando ao longo dos imaculados jardins. Caravanas, majestosas residências de tijolo vermelho e modestas granjas que compartilhavam os estreitos caminhos pelos que Tanner Reynolds conduzia de maneira constante, dirigindo-se pelo caminho que o levaria a casa.

O GPS que o veículo tinha foi desmantelado e flutuava em algum rio em algum lugar. Não houve olhos para vê-lo, nem ouvidos para ouvi-lo quando se dirigiu para o último santuário verdadeiro que conhecia.

Sabia aonde ia, mas só ele conhecia a impaciência de estar ali. Era consciente da determinação primitiva de encontrar as escondidas cavernas que ele e sua família tinham descoberto anos antes para esconderem-se.

Ele checou o retrovisor. Não havia luzes detrás dele ou à distância. O lance de estrada era escuro e raramente transitado de noite.

Quantos soldados o Conselho enviou para encontrar à pequena manada de castas de Callan, durante os anos que tinham vivido no condado e nunca descobriram essas cavernas que ele estava se dirigindo. Não eram nem sequer a rede de cavernas que estavam debaixo da casa em que o líder da manada tinha vivido antes que o mundo os descobrisse.

Foi um engano, pensou agora Tanner. Mostrar-se ao mundo não tinha sido a garantia de segurança que pensavam. Os membros restantes do Conselho de Genética nunca os deixariam viver em paz. Aqueles membros do Conselho sempre avivariam e ajudariam às sociedades de sangue puro e de raça suprema que se elevaram como consequência da revelação das Castas ao mundo.

Tallant e sua filha, supostamente mimada e bem amada, seriam, segundo os rumores, os cabeças daquelas organizações.

Tanner inalou profundamente, arrastando o aroma dela, deixando que impregnasse seus sentidos. Deus, cheirava muito bem. Não cheirava como o lodo do canal como o tinha acreditado alguma vez; merda, cheirava como o fodido verão. Como rosas no vento do deserto. Como a maldita nirvana, e ele se tornava poético sobre uma fêmea que ainda poderia ser cruel. Esquecendo que os instintos animais nos quais tinha acreditado toda sua vida sugeriam o contrário.

Quem demônios era Scheme Tallant? Seguro como o inferno de que não era a pequena cadela mimada que acreditava que era. Não depois do que ouviu naquele maldito quarto de hotel.

Seu pai tinha enviado a um assassino atrás dela.

E em vez de matar só ao assassino e levá-la ao Santuário, ele fugia com ela.

Tornou-se louco. Isso era. O animal se enfrentava com o homem em uma batalha que Tanner sabia que ia perder. Algo, um sentido inato que não podia evitar, não a deixaria livre.

Apertando as mãos no volante, Tanner sentia seus lábios encrespar-se detrás de seus dentes em um grunhido primitivo. Teve que reter fisicamente o grunhido. A contenção do lado animal em sua natureza era frágil nesse momento. Quanto mais se inundava em seu aroma, menos lutava contra.

Só de pensá-lo o aterrorizava. Essa debilidade o preocupava. Não podia permitir-lhe. Durante anos, mais anos dos que queria considerar, assegurou-se de não ter nenhum ponto débil. Nenhuma amante que significasse mais que os bons momentos que compartilhavam. Nenhum amigo exceto os que considerava sua família. Nenhum sócio que pudesse ser usado em seu contrário.

Mas esta mulher o debilitava. Ela fazia que o animal dentro dele se fortalecesse.

Grunhindo pela estupidez de salvar ao bonito traseiro, apagou as luzes do SUV girando para o caminho de cascalho que o conduziria à parte baixa dos escarpados.

Tinha que levá-la ao refúgio. Só tinha despertado uma vez durante o passeio desde o D.C. ao leste de Kentucky, bastante seguro de que ela não estava em verdadeiro perigo pelo tranquilizador que lhe tinha injetado.

Levá-la às escondidas cavernas era imperativo. Ali tinha tudo para protegê-la. Ele também conseguiria as respostas que necessitava. Ela saberia quem era o espião que estava no Santuário; sem dúvida assim era como o General Tallant se inteirava de cada movimento feito na base das castas. Scheme certamente conheceria também ao espião.

Maldição, seu papai a tinha renomado sua mão direita. Se pudesse acreditar nos informes, e Tanner começava a duvidar daqueles informes, então Scheme era pessoalmente responsável por vários dos ataques feitos contra o Santuário.

Ela conspirava. Planejava, tramava, era tão intrigante. Era a Conspiradora. Exceto que começava a suspeitar que ao invés de conspirar com seu pai, ela poderia estar conspirando contra ele.

 

Não estava morta. Foi a primeira coisa em que Scheme pôde pensar com alguma certeza. Respirava. Bom, por hora.

Não houve confusão, apesar do atordoamento. Sabia exatamente o que tinha passado até o momento em que o braço de Tanner lhe rodeou o pescoço e a escuridão se abateu sobre ela.

Engraçado, tinha estado segura que a ia matar. Tinha visto a morte nos duros olhos dourados de repente brutais, e o sentiu pulsando no ar a seu redor enquanto ele saía do banheiro.

Dirigiu a mão à nuca, sentindo a dor leve onde algo a tinha cravado. Tinha a sensação de que estava realmente fodida em uma forma que não queria estar. Mas o que não te mata te faz mais forte... Não?

Merda.

Bom, ao menos não estava enterrada. Podia sentir a sensação de espaço a seu redor, uma manta jazendo sobre ela, ar limpo e claro movendo-se por seus pulmões em vez da sensação de oxigênio minguante. Isso seria horrível.

— Pode abrir os olhos. Sei que está acordada.

Seus olhos se abriram e tomou cada centímetro do controle que possuía, a fez devolver o olhar ao Tanner com sequer um pingo de controle.

Sim, estava fodida. Não no bom sentido. Nem inclusive no sentido decente. Estava realmente FSR, como gostava de dizer em segundo ao mando de seu pai. Fodida e Sem Remédio.

O homem parado aos pés de sua cama definitivamente não era o relações públicas das castas, suave, encantador e sofisticado. Oh não. Este era o animal que o Conselho tinha criado. Selvagem, intenso, perigoso.

E agora estava a sua mercê.

Que afortunada.

Afastou o olhar da fúria escura dos olhos dele. Não podia suportar mantê-lo, ver a acusação em seu olhar, a sentença. Não era que esperasse algo mais. Tinha trabalhado duro durante anos para ganhar o ódio total das Castas, e tinha tido êxito. Isto fez mais fácil seu trabalho. Sua vida menos complicada. Só que agora era difícil ver a verdade nos olhos dele, em vez do desejo excitante.

Pousou o olhar sobre as paredes de pedra, piso de pedra. A cama em que jazia era feita de madeira pesada, com quatro colunas grossas. Em cima, um material pesado se estendia sobre as colunas conectadas antes de cair até o chão. Era antiquado, quase medieval no desenho. Extremamente romântico. Não havia uma possibilidade no inferno que o homem que a olhava dos pés da cama tivesse tido algo que ver com seu desenho.

Havia uma grande e fofa poltrona, muitas cadeiras ao outro extremo do que parecia ser uma grande caverna. Uma sólida cozinha antiquada estava colocada não muito longe da área de sentar-se, junto com uma mesa circular e quatro cadeiras. Os armários estavam elevados e ao longo das paredes de pedra. Muitos tubos de metal corriam pelo teto, antes de desaparecer nas paredes de pedra, sendo algum tipo de condutores. Havia uma televisão, um aparelho de som, uma prateleira pequena com livros, CDs e DVDs. Todo o conforto de uma casa. Rodeado de pedra.

— Onde estou? — tinha a sensação de que na realidade não queria saber a resposta.

— A salvo. No momento. — lhe respondeu, seus poderosos braços cruzados sobre o peito enquanto voltava a olha-la com olhos frios.

— No momento?

Uma sobrancelha negra muito cheia se elevou maliciosamente.

Scheme resistiu à urgência de tragar ante o medo que a causava um nó na garganta. Podia fazê-lo, assegurou a si mesma. Ele podia ser um casta malfeitor no momento, mas ao final teria que informar... Certo?

— Posso tomar um pouco de água? — lambeu-se os lábios secos, lutando contra o medo e as náuseas como o tinha feito tantas vezes no passado. Fingindo.

— Por um preço.

— Parece que neste momento estou um pouco pobre. — suspirou ela. — Papai tem o costume de cancelar os cartões de crédito e as contas de banco daqueles que assassinou.

Realmente o tinha feito. Cyrus tinha se cansado do jogo e tinha decidido matá-la. Era como tirar o lixo, havia-lhe dito uma vez. Em algum momento tinha que se desfazer da imundície de sua própria organização. Parecia que ela se converteu em parte da imundície. A cabeça de Tanner se inclinou para um flanco, seus olhos, únicos até entre as Castas, brilhavam gélidos enquanto um sorriso satírico moldava seus lábios cheios e sensuais. Os músculos grossos e fibrosos se flexionaram em seus braços enquanto sua cabeça se endireitava e a continuava olhando por debaixo do nariz.

— Qual é o preço por um gole de água? — perguntou-lhe, esse olhar ia de mãos dadas com a arte da negociação.

A diversão se acendeu então no olhar dele. Só em seus olhos. Um brilho débil, nada mais, antes que seu olhar caísse às mantas que a cobriam.

— O que foi o que lhe aconteceu para que dormisse com um assassino? — perguntou-lhe finalmente.

— O preço é uma pergunta? — a negociação nunca era tão fácil.

Os lábios dele se levantaram.

— Você o disse, querida, tenho toda a intenção de obter minha parte desse pequeno corpo apertado. Só me perguntava por que seu gosto em homens é tão asqueroso.

Anos de controle paralisaram o estremecimento que trouxe uma chicotada de dor.

— Ainda não estou tão sedenta. — lhe disse com calma.

— Ainda não estou tão quente, mas posso está-lo rapidamente. — lhe assegurou, seu sorriso esfriando-se uma vez mais — Talvez estará sedenta no momento em que eu esteja preparado.

O olhar dela caiu para os quadris dele e então voltou bruscamente para seu rosto. Muito bem, ele parecia malditamente preparado nesse momento. Quase era divertido. Dizia-se que Tanner Reynolds era um dos castas mais dóceis nunca criados. Criado aproximadamente fazia 35 anos, tinha escapado com o líder da manada Callan Lyons aos quinze anos e se criou em Sandy Hook, Kentucky, até que Lyons tinha revelado sua existência dez anos antes.

O laboratório do Novo México, de onde tinha escapado, era considerado um dos mais severos. Os membros do Conselho, assim como os cientistas e soldados que fiscalizavam às Castas, não tinham misericórdia. Esta era considerada uma debilidade das Castas e o Conselho se negava a permitir que alguma de suas criações fosse débil.

Todos menos um. Sua mãe. Vinte anos atrás, a única pessoa disposta a ajudar às Castas tinha sido uma funcionária temporária no Novo México para realizar uma série de provas em uma Casta, conhecida como Sherra. A única casta que tinha concebido até o momento, só para perdê-lo.

Scheme sabia com certeza. Seu pai tinha apontado em muitas ocasiões que sua mãe tinha pagado por sua decisão de ajudar às Castas. Dias depois se informou de sua morte por um ataque maciço. Mas Scheme sabia que seu pai a tinha feito matar. Assim como agora tinha ordenado para que a sua filha fosse assassinada.

Tanner não era o buscador de prazeres, o menino americano de risada fácil que parecia. Estava ali em seus olhos, na curva rígida de seus lábios. Podia enganar a outros, mas Scheme tinha passado sua vida cruzando as perigosas águas do Conselho. Sabia exatamente como inventar alguma maneira para meter-se nisto.

Estava encarcerada com uma das castas mais desumanas e intrigantes jamais criadas. Assim, como uma das mais curiosas. E isso era perigoso para ela. Extremamente perigoso.

— Sem compromissos? — perguntou-lhe ela, consciente de que sua voz era débil.

Deus, estava cansada. E sedenta, a necessidade de água era quase uma tortura. E necessitava um banheiro. Este último se tornou primordial.

— As castas não foram treinadas para comprometerem-se. — lhe recordou ele — Acredito que foi uma das primeiras ordens do antecessor de seu pai quando começou a treinar às Castas.

Sim. O bom e velho avô de Cyrus Tallant, o Sr. Bastardo.

— É mais barato o preço por uma viagem ao banheiro? — suspirou cansadamente. Deveria haver uma regra que dissesse que as negociações só podiam ser conduzidas quando ambas as partes estivessem em seus melhores momentos. Ou em seus mais débeis. Inclusive o campo de jogo deveria sê-lo.

O que fosse que lhe tivesse feito a sua cabeça, tinha-a confundido como o inferno.

— As idas ao banheiro são grátis. — se encolheu de ombros — Também a água. Tome um banho enquanto esteja ali. Poderia melhorar sua disposição.

Sim, claro. Por que simplesmente não dava algumas voltas já que estava nisso? Perguntou-se se teria forças para levar seu traseiro até onde demônios estivesse localizado o banheiro. O que fosse que tivesse usado para deixá-la fora de combate a deixou tão fraca quanto uma gatinha.

— Onde está? — forçou a si mesma a mover-se. Esforçou-se. Concentrou cada grama de força que possuía em mover suas pernas, dobrando seu corpo. Uma pessoa nunca imaginava quantos músculos usava suas costas, até que esses músculos tinham cãibras de dor.

Não tinha estado tão rígida a noite anterior porque tinha exercitado a dor muscular durante o dia. Agora, depois do sono forçado, entretanto por mais que tivesse dormido, estava rígida até o ponto de agonia.

Sem lágrimas. Piscou a umidade gasta pela dor do movimento quando se deslizava para a borda da cama, com cuidado de manter as mantas sobre as partes vitais de seu corpo nu.

— Atrás das cortinas. — moveu bruscamente a cabeça para as cortinas de veludo de rica cor granada, pendurada nas paredes a vários metros do final da cama.

— Imagine. — murmurou para si mesma — É obvio que não podia estar em algum lugar mais perto.

— A esta distância sob o chão, bonita, tem que pôr as instalações de esgoto na zona mais reta. — havia indiferença em sua voz, mas a única parte que realmente captou sua atenção foi a parte sob o chão.

Enquanto se sentava na borda da cama se girou para olhá-lo com resignação.

— Sob o chão?

Mostrou-lhe os dentes. Especialmente esses incisivos perversamente agudos.

— Profundamente clandestinamente, doce. Tem fobias?

— Se as tivesse, a esta altura do campeonato estaria fodida, não? — forçar uma diversão cínica em sua voz não era fácil.

— Bem, pode estar fodida de todas as maneiras. — murmurou ele — Tem alguma preferência nessa área?

Scheme quase ri ante esse pensamento. OH, ela tinha muitas preferências, e estava segura que ele podia aguentar a maioria.

— Sinto muito, decidi que as Castas estão fora da lista este ano. Tente o próximo. — sugeriu brandamente.

— Vejamos primeiro se não podermos te fazer mudar de opinião por este ano. — seu sorriso foi de predador. Quase assustador.

Scheme o olhou surpreendida.

— Tudo isto por uma trepada? Matou a meu assassino, carregou-me para Deus sabe onde, embaixo da terra, para poder foder? Não é exagerar um pouco?

Mesmo para o Tanner era exagerar-se. Inclusive a comunidade das castas reconhecia que seu irmão Bengala estava um pouco por fora do que as castas consideravam um comportamento normal. Mas isto era mais do que Scheme tinha esperado.

— Foder será um bônus extra. — disse — Tome seu banho, podemos discutir os termos depois.

Bem. Podiam discuti-lo mais tarde. Só covardia. Que ele estava fazendo. Não sabia se agora tinha suficiente capacidade mental para discutir sobre o tempo, nem o que dizer sobre os termos de algo.

Agarrou o lençol, tratando de arrastá-lo com ela enquanto se levantava.

— Sem lençóis. — duro. Grunhindo. O tom lhe fez voltar o olhar bruscamente para ele e logo à mão que agarrava o lençol através do edredom que a cobria.

Agora… Por que não esperou isso? Filho da puta, supunha-se que devia ser protegida pelo Jonas, contra sequestros ou tentativas de assassinato por parte das castas. O que? O diretor dos Assuntos das Castas se esqueceu de mandar esse memorando? Supunha-se que Tanner estaria contido e que seria informada de seus movimentos se ele se aproximasse dela de algum jeito, pelos rumores de suas declarações, que veria os Tallants apagados da face da Terra. E depois de tudo, ela era uma Tallant. Que merda aconteceu com o amparo de Jonas? Primeiro tinha visto que ele abandonava essa maldita festa... E agora isto?

— Ok. Sem lençóis. — ficou de pé, deixando que o lençol e o edredom se deslizassem por seu corpo.

Tinha aprendido fazia tempo a não deixar que sua própria nudez a envergonhasse. Sem debilidades era também o lema de seu pai. E isso queria dizer, nenhuma. Tinha-a criado com o mesmo punho de ferro com o que tinha treinado a seus fuzileiros navais quando estava no Corpo.

Mantendo a cabeça erguida, dirigiu-lhe um pequeno sorriso zombador e se moveu sem apuro para o banheiro.

Chupe essa, casta, pensou com um jorro de diversão enquanto os olhos dele se acendiam e seu corpo duro se esticava. Era como provocar a um animal faminto, e algo dentro dela decidiu que era um bom castigo. Para ambos.

Tanner se apoiou na coluna grossa da cama, cruzou os braços sobre o peito e a observou. Grande erro. Foi tudo o que pôde fazer para manter a diversão zombadora em seu rosto em vez de ficar de joelhos e babar como um cão guia de ruas quando ela passou caminhando.

Os tigres de Bengala não babavam.

Mas maldição se ela não era uma visão pela que valia a pena babar. A pele lustrosa e bem tonificada, o cabelo comprido e sedoso e uma graça que o mantinha apertando os dentes para manter um pouco de respeito.

Seios pequenos e altos, uma pequena barriguinha arredondada e uma buceta coberta de cachos. A maioria das mulheres se depilava ou barbeavam as vaginas, mantendo a carne dali suave, sedosa e lisa. E as castas realmente não tinham pelo corporal. O que significava que ele estava fascinado por esse. Amava-o. Não podia esperar para descobrir o que escondiam de seu olhar esses cachos suaves, a carne que até agora tinham conhecido só seus dedos.

O cabelo negro e lustroso caía até sua cintura, enredado, mas sedoso e espesso, acariciando suas costas e quadris com uma paquera erótica que ele achava definitivamente atraente.

Era linda. Simplesmente linda. E mais fraca que um gatinho. Ia ter que ter um pequeno bate-papo com o Jackal sobre a potência da dose desse sedativo. Porra, estava em uma confusão e odiava está-lo. Calmo e controlado, esse era seu lema. A menos que estivesse entre um par de coxas formosas pertencentes a uma mulher ardente. Isso merecia perder um pouco de controle. Mas não tanto como isto. Nunca tanto.

Tanner suspirou cansadamente enquanto escutava a água correr no banheiro, antes de andar até os armários que Callan tinha posto ao longo da parede da caverna, enquanto mantinha um ouvido atento em Scheme no banheiro.

Ela estava murmurando para si. Não podia captar exatamente o que estava dizendo, mas se ele tivesse tido alguma família, definitivamente os estava citando.

Sacudindo a cabeça, tirou o micro-ondas, um prato para esquentar e a cafeteira de debaixo da bancada e os pôs em seu lugar antes de conectá-los às tomadas postas na parede de pedra.

Ter conseguido a eletricidade aqui embaixo tinha sido um pé no saco. Apostava que Callan tinha passado três anos arrastando o traseiro no chão para cabear este lugar. Era seu último buraco seguro... Cavernas incrustadas tão profundamente sob o chão e cobertas com tantas capas de distintos minerais e nervuras, que inclusive os satélites penetra-solo sobre a terra não podiam localizá-los. Havia pequenas bolsas de diamantes em bruto, rubis, ouro, prata, ferro e outros depósitos minerais que finalmente lhes tinham perdido o rastro.

As cavernas estavam inexploradas, desconhecidas, tão bem escondidas que inclusive os aldeãos não eram conscientes delas. E Callan tinha feito muitas coisas para mantê-las assim. Infernos, tinha estado trabalhando nas cavernas durante muito tempo antes de ser capturado de novo pelo Conselho e levado ao Novo México.

Tanner preparou rapidamente a cafeteira antes de passar os dedos pelo cabelo e fez uma careta ante o som de um apagado grunhido feminino que saía do banheiro. Logo um sorriso apareceu em seus lábios quando ela se amaldiçoava.

Tanner escutava a água correr na grande banheira com patas de garras, enquanto tirava mantimentos para a comida. Já a tinha deixado sozinha muito tempo. Precisava olhá-la. Se um casta tivesse nervos, os dele estariam amotinados pela preocupação. Poderia ter jurado que ela não tinha energia suficiente para arrastar seu traseiro dentro dessa banheira, nem tão pouco de sair por si mesma depois.

Caminhou com grandes passos até a entrada coberta com umas cortinas de veludo e as afastou a um lado bruscamente, seu olhar indo diretamente à banheira. E jurou que o fôlego lhe congelou no peito, enquanto chamas começavam a lhe lamber as bolas.

Ainda caía água na profunda e antiga banheira, água quente e fumegante, que logo alcançava as pontas dessas tetas malditamente luxuriosas. Seu membro saltou e pulsou. Podia jurar que sentiu o sêmen ferver através de seu pênis enquanto olhava os duros mamilos rosados flutuando na água.

O animal grunhiu e infelizmente, o som escapou de seus lábios.

As pestanas de Scheme se abriram lentamente enquanto a água se escorria sobre esses mamilos erguidos como bagos amadurecidos. Fez-lhe água na boca. O que não daria neste momento por provar essas doces tetas.

— Negociações por privacidade? — murmurou ela, sua voz preguiçosa, sonolenta.

— Certamente. — lhe disse. Maldição, ainda podia formar palavras. Estava-o fazendo bem — Me diga por que seu pai enviou a seu ex-amante para te matar.

Só por isso, Tallant era um homem morto. Agora não havia porra nenhuma que pudesse lhe conter de matar ao outro homem.

Os olhos dela se fecharam enquanto afastava a cabeça.

— Olhe tudo o que queira. — seus lábios se levantaram — O exibicionismo me excita... Sabia?

Oh, sim. Sabia. Sabia de todas as asquerosas aventuras eróticas que ela tinha experimentado através dos anos. Sabia delas e desfrutava com o pensamento que quando a tivesse debaixo dele, poderia ter a uma mulher que entendia o prazer puro com um toque do extremo.

Realmente ela não era promíscua. Depois de Chaz St. Marks, tinha escolhido seus amantes fora da organização de seu pai. Homens que entendiam os encontros esporádicos que ela procurava, homens que tratavam de lhe dar o que necessitava sem pedir mais. Perguntou-se se nesses encontros tinha encontrado exatamente o que fosse que estivesse procurando. Sabia de primeira mão, ele nunca o tinha encontrado. Não importava quão extremo, quão depravado, nunca nada tinha aplacado a fome por ela que o percorria.

— Não respondeu a minha pergunta. — algo por escutar sua voz. Sua voz golpeava em seus sentidos de um modo que lhe fez revisar outra vez sua língua contra os dentes.

As pestanas dela se abriram um pouco uma vez mais, dando a ele um brilho de olhos cor chocolate, tão profundos, tão escuros, que jurava que ali havia o risco de afogar-se.

— Qual delas?

— Por que seu pai mandou ao St. Marks te matar?

— O assassino. — seu sorriso foi agridoce. Filha da puta, ela sentia algo pelo bastardo disposto a matá-la — Desfrutou ao matá-lo... Não?

— O que te parece? — o único sinal de emoção foi a leve piscada de suas pestanas.

— Penso que o desfrutou em muito. Em resposta a sua pergunta, ele pensou que o traí.

— E o fez?

A expressão dela era triste, cansada.

— Talvez só tenha sido descuidada. Cometi muitos enganos no ano passado. Converti-me em um incômodo.

Não era uma mentira exatamente, mas Tanner pôde detectar uma sombra de engano. Isso não lhe sentou bem.

— Então você ouviu tudo? — perguntou-lhe ela.

— Bastante.

Não disse nada mais. Em vez disso, levantou um de seus tornozelos elegantemente torneados fora da água e o utilizou para desligar a torneira.

Sua expressão não era fria, mas tampouco era de emoção. Era reflexiva. Quase pensativa.

— E então me sequestrou. — disse — Por quê?

— Alguns poderiam dizer que salvei seu traseiro. — ele lhe assinalou.

— Então sou livre para ir?

Tanner sorriu a isso.

— Eu não diria tanto.

— E por que eu esperava essa resposta?

Ela estava fugindo da discussão que estavam tendo. Ele podia ver sua necessidade de esconder-se da discussão, de distanciar-se do que ela sabia que ele tinha escutado.

— Teria-o que ter suposto. — concordou ele, afastando-se da entrada e aproximando-se lentamente dela, espreitando-a — Sente-se e deixe que te lave o cabelo. É malditamente comprido, arrastou-se pelo chão uma ou duas vezes.

— Posso lavar sozinha o meu cabelo.

Neste momento ele duvidava de que pudesse lavar-se sua própria face. Estava rígida pelas contusões e por dormir tanto. Maltratado, os músculos ficavam rígidos depois de um tempo e ele tinha sido forçado a submetê-la mais tempo do que lhe tivesse gostado.

— Não me force a te fazer sentar. Vai terminar em algo que não quer.

Movendo-se rigidamente, sentou-se na banheira enquanto ele recolhia o xampu e o condicionador feminino, que suas irmãs da manada, Sherra e Dawn, tinham abastecido o banheiro.

— Te incline para frente. — lhe ordenou enquanto levantava a ponta da ducha de seu apoio em cima da banheira — Vejamos se podemos deixá-lo limpo.

Empurrou o cabelo dela para frente, de repente tão resistente a lhe perguntar como ela a lhe responder. Em algum momento no passado Cyrus Tallant tinha matado a seu bebê. Tanner tinha escutado a dor em sua voz, a amargura quando ela se negou a discutir com o pai que tinha ajudado a Tallant em tal ato vil. Mas isso não significava que ela tivesse alguma lealdade por seus inimigos. Até que soubesse com segurança, ele tinha que atuar com muita cautela.

O aroma da honra que tinha detectado nela, misturado com o engano, a irritação e a amargura, podia ter estado ali por muitos motivos. Ela podia acreditar no que fazia. Era possível. Podia odiar a seu pai, mas ainda acreditar em sua batalha contra as Castas.

Neste momento, nada era seguro exceto a necessidade de saber a verdade.

 

Por que lhe deixava fazer isto?

Nunca tinha sido tão débil. Não era aceitável.

Scheme esticou seu corpo, tentando levantar a cabeça e negar o estremecimento erótico provocado pelas calosas pontas dos dedos trabalhando sobre seu couro cabeludo.

— Shh... Relaxe. — essas mãos diabólicas apertaram seu pescoço e fortes dedos começaram a massagear os músculos tensos enquanto ela continha um gemido.

Nunca tinha tido a um homem que a banhasse. Nunca. E agora soube por que. A intimidade do ato era por si só uma debilidade.

Tragando apertadamente, manteve a cabeça abaixada, forçando a sua respiração a voltar-se compassada enquanto ele escorria a água de seu cabelo e o punha espertamente em um turbante com a toalha.

— Te recoste. — a voz dele foi insidiosamente suave, suas mãos firmes enquanto lhe agarravam os ombros e a forçava a reclinar-se de novo contra a banheira de porcelana.

— Já está. Só descansa. — murmurou. O som foi um ronrono de satisfação masculina, um com o qual ela queria lutar.

Aqui estava em território perigoso e sabia. Seu pai podia ter mais de um espião no Santuário e sabia que o que conhecia menos estava em uma posição muito alta. Não podia descartar a Tanner.

Neste momento, todos os que estavam dentro do Santuário eram suspeitos. Especialmente Tanner. Tinha sido treinado em guerra sem armas. Antes que tivesse quinze anos, destacava-se em infiltração por guerrilha e técnicas subversivas. Os cientistas do Conselho tinham determinado que tinha a capacidade mental e a falta de emoções para se sobressair nessas áreas. Poderia ser facilmente um dos espiões que seu pai se arrumou para assegurar dentro do Santuário como outra Casta qualquer.

Confiar nele era muito perigoso.

Só porque Tanner a tinha resgatado de Chaz, não queria dizer que fosse confiável. Seu pai sabia da mensagem que ela tinha destruído; sabia que não a podia conseguir se a machucasse ou a matasse. Tanner podia ser o seguro de seu pai. Poderia ter estado em posição para ganhar sua confiança, ainda se isso significasse matar a Chaz.

O General Cyrus Tallant não era nada mais que diabólico e deixava muito poucas coisas à sorte. Iria querer obter essa informação acima de todas as coisas, se fosse possível.

— O que quer de mim?

— Há muitas coisas que quero de ti. — se moveu ao redor da banheira com cuidado, com uma esponja em uma mão e na outra, um frasco de gel de banho.

Scheme olhava enquanto ele apertava o gel na esponja e depois apoiava o frasco no chão.

— Como quais?

Os olhos dele estavam vivos. As cores em seu interior brilhavam e se atenuavam, trocando e sombreando-se.

— Devo fazer uma lista? — perguntou-lhe enquanto molhava a esponja na água antes de lhe levantar o braço e começar a banhá-la.

— Sim, faça uma lista. — disse ela — A lerei mais tarde. E posso me banhar sozinha.

Força. Tudo o que precisava era um pouco mais de força. Movendo-se bruscamente, ela ia se impulsionar para cima, quando umas mãos firmes, não rudes, mas firmes e insistentes, pressionaram-na para trás.

— Está fraca como um gatinho. — murmurou ele — Não tem que brigar comigo, Scheme.

— Não, só devo me recostar e te permitir que me ofenda. — lhe disse e não brigou contra ele. Fazia muito tinha aprendido que havia melhores maneiras de enfrentar a força que frontalmente.

— Te ofender? — a esponja se deteve em seu braço — Como te estou ofendendo?

— Prefiro não ser tocada por você, Tanner.

— Não te perguntei por suas preferências. — sua mandíbula se apertou.

Scheme se encolheu de ombros preguiçosamente.

— Então o termo técnico para tal força é perseguição sexual, senhor Reynolds.

Ele deixou cair o braço dela na água. Por um segundo supôs que ela tinha ganhado. Agora, o que diziam sobre essa palavra? Supor. Algo sobre um traseiro, pensou com diversão.

Um segundo depois lhe agarrou o braço que estava do outro lado da banheira.

— Bem. Estou-te perseguindo sexualmente. — seus ombros duros se encolheram em resposta — As castas não foram treinadas para ser politicamente corretas, nem tampouco sexualmente corteses. Fomos treinadas para tomar o que queremos.

E era óbvio que além de outras coisas que ele pudesse querer, a queria acima de tudo.

— Alguma vez aceita um não por resposta? — perguntou-lhe enquanto ele deixava cair outra vez seu braço na água antes de afundar sua mão debaixo e levantar seu joelho.

— Raramente. — lhe respondeu — Agora apoie o pé na borda da banheira.

— Está me enchendo o saco. — lhe disse, mas fez o que lhe pediu, seu olhar concentrando-se na esponja que viajava por sua perna.

Quanta humilhação poderia trazer isto?

— Por que seu pai te bateu? E não o negue, escutei cada palavra que St. Marks disse.

Maldito Chaz e sua boca frouxa. Só deveria ter lhe quebrado o pescoço e manter sua maldita boca fechada. Ela não necessitava todas essas perguntas.

— Porque vai doer? — lançou-lhe um olhar pela extremidade do olho enquanto deixava que um pequeno sorriso atirasse de seus lábios. Quando era necessário fazia bastante bem o sorriso zombador.

— Pratica o efeito desse gesto no espelho? — perguntou-lhe enquanto lhe baixava a perna à água antes de levantar o outro joelho.

— Goza ao torturar mulheres? Que infernos quer? Estiveste me vigiando durante anos. Sei que o fez, sabe que o fez. Por quê? Por que me resgatar? Por que me sequestrar? E por que merda pensa que necessito que me banhe?

Ela puxou sua perna bruscamente das mãos dele e a esticou e dobrou enquanto o olhava . A mão dele saiu disparada e lhe rodeou o pescoço enquanto o grunhido se voltava perigoso.

Não havia pressão. Só a ameaça.

       – Faça-o. — atacou ela, surpreendendo-se de seu próprio atrevimento — Siga adiante. Quebre-me o pescoço. Sabe que quer fazê-lo. Termina-o de uma vez.

       Ela tinha vivido durante vinte anos com medo de castigos e da morte. Tinha sacrificado mais do que ele pudesse alguma vez imaginar, e ao fazê-lo tinha dado conta de que a morte não era o fantasma assustador que imaginava.

Motivo para arrepender-se, sim. Assustador, não.

Deu-se conta muito antes de sabê-lo, que o homem ao qual uma vez amou, ia mata-la.

— Seu pai ordenou sua morte. — lhe lançou ele — Mandou a seu ex-amante fazer o trabalho. O pai do filho que nunca teve. E ele ia matar-te, Scheme. Não iria pensar duas vezes. Por que o General Tallant de repente decide matar a sua única filha?

— Por que quer me matar? — manteve sua voz fria. Dura — Em realidade Tanner, pensa que dou menos problemas a ele que às Castas?

— Seu pai te bateu! — a fúria flamejava em seus olhos. Ela jurou que o redemoinho de âmbar quase ardia.

— E por que te importa? — os dedos dela se travaram no pulso dele enquanto se recordava que esses dedos não estavam apertando sua garganta. Que realmente podia respirar.

— Vou matar a esse filho da puta. — sussurrou de repente, seu rosto aproximando-se, seus lábios retirando-se de seus dentes para revelar os incisivos malvados, a cada lado, acima e abaixo — Me ouviu, Scheme? Vou tirar-lhe as vísceras com minhas mãos nuas.

— Está…

Ela ofegou, as palavras entrecortadas enquanto os lábios dele cobriam repentinamente os seus e uma explosão de prazer começou a irromper em seu corpo.

Era só um beijo. Isso era tudo. Lábios encontrando-se. A língua dele pressionou para frente, invadindo, lambendo... Oh Deus, ele estava lhe lambendo a boca, ronronando no beijo e as chamas a estavam queimando.

Isto não era só um beijo. Não era só prazer. Era uma reclamação. E ela estava indefesa.

E assim foi. Este era um beijo que se deslizou em sua alma, avivando chamas em seu interior, as quais não sabia que existiam. Era uma invasão ardente que a fazia estender-se por mais, fazia que suas mãos se movessem para o cabelo dele, enredando-se na massa sedosa para mantê-lo contra ela. Escutava seus próprios gemidos escapando de seus lábios aos dele e revelando-se ali. No momento.

Era a coisa mais próxima ao êxtase que tinha conhecido em sua vida.

— Maldita seja! — tão rápido como o tinha começado, ele rompeu o beijo.

Scheme o olhou em choque enquanto ele se afastava bruscamente, levantando-se com uma força que a deixou assombrada.

— Saia e se seque. — lhe grunhiu, sua expressão cheia de desgosto — E não tome todo o dia. Se tiver que voltar aqui, te dobrarei sobre a maldita banheira e me afundarei em seu cú enquanto te mostro como é ser fodida por um casta. Vamos ver o que pensa da dor então.

Ela só pôde ficar olhando-o. Pela primeira vez, suas respostas normais de tanta lábia estavam ausentes, seu cérebro em caos. Por alguma razão este beijo foi mais destrutivo que o orgasmo que lhe tinha dado nesse quarto de hotel.

Ele girou e se afastou do banheiro pisando forte, puxando tão forte as cortinas que quase as arrancou da barra pesada que as sustentava.

— Oh, infernos. — ela murmurou olhando a cortina fechada, esforçando-se para engolir. Para provar algo mais que o sabor da luxúria de Tanner, intensa e quente. E maldita se sua luxúria não tinha um sabor bom.

 

Tinha que haver uma saída. De algum modo a tinha arrastado a essas cavernas, e isso significava que tinha que haver uma entrada. Era um casta, não um fantasma. Bom, não o fantasma do tipo morto. Nas últimas quarenta e oito horas saiu às escondidas sem que o visse e desapareceu durante várias horas. E ela ainda tinha que encontrar a maldita saída!

Havia vinte túneis formando um labirinto que se dirigiam diretamente de volta à caverna principal. Não havia túneis adicionais, ao menos nenhum que ela pudesse encontrar.

Tinha que sair. Já tinha permanecido aqui muito tempo e sabia. Tinha que encontrar o Jonas, lhe dar a informação que tinha e procurar sua própria segurança. Então poderia tratar com o Tanner, com suas condições em vez das dele.

Isto era incrivelmente ruim.

Movendo-se através do estreito túnel que tinha estado investigando, voltou a entrar na caverna de armazenamento e fez a viagem de volta à caverna e ao homem que a esperava. Claro que não estava lá quando começou a investigar os túneis, assim tinha que haver-se deslizado dentro enquanto estava procurando. O qual a enchia o saco.

— Estou me cansando deste jogo. — lhe disse enquanto se enfrentava cara a cara com o zombador sorriso de Tanner.

Envolvida pela grande toalha de banho que utilizava para cobrir seu corpo, fulminou-o com o olhar, não lhe surpreendeu minimamente que seu aborrecimento não lhe afetasse nem um pouquinho.

— Não encontrará a saída, Schemer ; pode parar a busca. — deu-lhe as costas, atravessando o quarto para a cama, onde deixou cair uma grande mala negra em cima do colchão.

Quando se girou para ela, tinha o olhar muito mais quente, entretanto as pestanas baixaram sobre os olhos com sonolenta sexualidade. Tinha-lhe estado jogando essas olhadas durante dois dias. Olhadas sexys lhe percorrendo o corpo. Quase podia sentir sua língua lhe acariciando a pele.

— Não pode me prender aqui para sempre, Tanner. — não a estava escutando agora mais do que a tinha estado escutando antes.

— Te trouxe um pouco de roupa. — disse apontando a mala negra — Suponho que esteja cansada de andar por aí nua.

Jogou uma olhada à mala. Havia roupa suficiente para várias semanas se soubesse o que pôr dentro. Supôs que sabia. Esperava que sim.

— Tanner. — cruzou os braços sobre o peito, segurando a toalha em seu lugar — Há coisas em jogo. Tem que me deixar ir.

— O que está em jogo, Scheme? Outro ataque contra o Santuário? Outro plano para matar às castas? Diga-me o que, me diga o que seu precioso papai planejou e pensarei em te deixar partir. Melhor ainda, me diga por que está disposto a te matar. — sua expressão era amistosa; os olhos turvos pelo perigo.

— Meu pai não compartilha seus planos comigo há anos e não tenho a menor ideia do que falava Chaz.

O incrédulo grunhido de Tanner a convenceu de sua opinião a respeito. Não era boa. E é obvio que sabia que ela estava mentindo. O sentido do olfato do bastardo era malditamente fora do comum.

Então, realmente a surpreendeu.

— Seu pai tem a duas equipes atrás de ti, ambas lideradas por castas coiotes leais. A ordem é viva ou morta. — lhe informou em voz baixa — Vou perguntar uma vez mais. O que sabe para que seu pai esteja disposto a te matar?

Notou que o sangue lhe desaparecia do rosto. Maldição, Cyrus tomou a sério. Não é que esperasse nada menos.

Embora não era como se não tivesse vivido com a ameaça de sua morte pendendo sobre a cabeça durante anos. Sabia o quão perigoso que era Cyrus, assim como tinha sabido que não poderia escapar sem lhe trair para sempre. Entretanto não podia confiar isto ao Tanner. Não podia confiar em ninguém exceto Jonas. Ele e o líder da manada, Callan Lyons, eram as duas únicas castas que estavam fora de toda duvida de ser o espião de Tallant no Santuário. A informação que tinha agora era muito importante, muito explosiva, para confiar em alguém exceto esses dois homens.

— Quem sabe por que meu pai faz as coisas que faz. — disse finalmente e suspirou — Devemos supor que já não lhe tenho utilidade.

— Então envia um assassino de confiança para te matar com clemência, simplesmente porque deixaste de ser útil? Porque cometeu alguns enganos?

— Vai você saber. Mas para ser justa, ultimamente estive misturando muito. Por que não me solta e assim posso perguntar-lhe. Logo volto e lhe conto.

— Não. — cruzou os braços sobre o peito enquanto sorria com arrogância — Acredito que te reterei um pouco mais.

— E o Santuário ordenou isto?

— Acredito que já sabe. Não tem exatamente amigos no Santuário, carinho.

Não era brincadeira.

— Assim estou aqui por que razão?

— Porque eu te quero aqui.

— Por que me quer aqui? — perguntou-lhe surpreendida, uma risada zombadora saiu de seus lábios enquanto o contemplava — Para que? Perdoe-me por estar um pouco surpreendida, Tanner, mas não está exatamente no lado aliado de meus contatos pessoais.

— Importa o porquê te quero aqui? — então franziu o cenho — Está a salvo por agora. Te contente com isso.

— E por que te importa minha segurança? — nada disto tinha sentido — Por que demônios te importa se uma dúzia de castas coiote me persegue? Não te entendo. — isto não formava parte do perfil que tinha feito dele durante anos.

Tanner oferecia a imagem do clássico playboy, o preguiçoso casta que tinha crescido fora dos laboratórios, ensinaram-lhe compaixão, família e valores. Sandices. Ensinaram-lhe como ocultar ao assassino no que se converteu antes que Callan Lyons pusesse um pé nesse laboratório do Novo México.

— Não quero que morra antes de ter a oportunidade de foder-te.

— E uma vez que me fôda? — obrigou-se a dizer as palavras entre os dentes apertados. Ir à cama com este homem seria o maior dos enganos.

— Uma vez seria suficiente? — moveu-se para frente lentamente.

E não gostou. Podia sentir que o ar diminuía, sua mera presença acabava com o oxigênio, deixando-a quase tonta.

— Confia muito em ti mesmo. — muito crédulo, e ela estava fraca. Podia sentir a debilidade de seu corpo por ele e o odiava.

— Meramente confiança?

Scheme se preparou para seu toque, para os dedos que tocavam sua clavícula, movendo-se lentamente sobre o magro osso, enviando um rápido fogo em resposta lhe atravessando o corpo.

— Não farei sexo contigo.

— Sim, fará-o. É somente questão de tempo. — seus olhos brilharam com o conhecimento.

— E tem todo este tempo para perder? Você não tem um trabalho no Santuário, senhor Reynolds? Novas notícias para enviar, conferências de imprensa que preparar?

— Estou de férias. Já sabe, o Santuário as permite. — suas mãos lhe cavaram o pescoço, os dedos se curvaram na nuca — Já não estamos nos laboratórios, Scheme. Não importa as tentativas que faça seu pai para nos ter ali de volta.

— Não quer sua volta, Tanner. Quer sua morte.

Seus dedos se esticaram ligeiramente ante a afirmação enquanto aos poucos correntes olhos cor âmbar a olhavam fixamente.

— Como se sentirá? — perguntou-lhe — Estar toda suada e úmida embaixo de um animal que ajudou a rastrear? Ao sentir meu pau enterrando-se em ti. Tomando. Marcando-te. E te marcarei, Scheme. Vou estar tão profundamente dentro de ti e tão duro, que nunca mais recordará o que é deitar-se com outro homem.

Sentiria-se como nada que tivesse conhecido antes. Sabia. Pressentia-o.

— É provável que vomite. — lhe disse e suspirou, pondo os olhos em branco enquanto ele estreitava o olhar sobre ela — Isso pode amarrar, Tanner.

— Oh, vamos amarrar igualmente. — lhe assegurou, o sorriso tenso — Uma verdadeira confusão, Scheme. Mas de maneiras que não te pode imaginar.

— Não, Tanner. — golpeou-lhe o peito com as mãos quando se inclinou para frente — Não o faça.

Ela pôde ouvir o desespero em sua voz, o temor.

— Por quê?

Seus lábios estavam perto. Muito perto. Seu roce era como um suspiro contra suspiro, uma embriagadora tentação a que tinha que resistir.

— Porque em realidade não me deseja. Quer me bater. Machucar-me. Isso é o que te ensinou o Conselho.

— Não. — colocou-lhe a mão na boca antes que pudesse dizer nada mais — O Conselho não me ensinou a me masturbar ao vigiar como dormia em sua cama. Não me ensinou a te seguir de perto, ou a me sentir enfeitiçado por ti. E não me ensinou a que me importasse se vivesse ou morresse. Até que averigue as razões dessas anomalias, Scheme, está atada a mim.

Estava grunhindo. Furioso. Podia ver em seus olhos as labaredas de ira chispando ao lado da luxúria. E nada disto tinha sentido. Nada deveria estar ali exceto a raiva assassina. Nenhuma emoção, nem lamento, e mais que certo, nenhuma intenção de protegê-la.

— Vigiava meu sono? — vadeou o perigo com cuidado.

— Vigiava seu sono, merda, me masturbando e olhando através dessa maldita claraboia durante quase dez anos. Desde o mês que completou vinte anos, doçura. — grunhiu — Do momento em que aprendi como dirigir nossos malditos satélites onde queríamos, estive te vigiando.

Vigiando como fodê-la. Tinha a observado cada vez que tinha levado a um homem a sua cama, cada vez que tinha utilizado o vibrador. Deveria estar vomitando de desgosto em vez de umedecer-se de excitação.

— Por que fez isto? De algum modo o Santuário tinha deixado passar a um psicopata em suas filas? — separou-se dele, tratando de ocultar a reação enquanto atava os dedos na toalha — Te esqueceste de quem sou, Tanner? Scheme Tallant. Recorda-se? A filha do General Cyrus Tallant? Sua mão direita. Assassina de Castas. — estava lhe pressionando e sabia. Tentando a morte, e seria uma morte indolor se Tanner fosse o designado.

Suas fossas nasais se alargaram, os olhos cintilando com consciência predadora enquanto avançava para ela.

Este era o porquê o tinha estado evitando ao longo dos anos. Por que se tinha assegurado que não houvesse nem um encontro ocasional até esse estúpido baile. Agora estava em seus olhos, primário, primitivo, a mesma fome que vinha crescendo nela ao longo dos anos. Quanto mais o seguia pela televisão, recebendo informes deles, quanto mais a tinha fascinado.

— Esqueceu o quente e úmida que esteve em minha mão? — replicou-lhe — Sentir meus dedos fodendo-a, acariciando essa apertada buceta até que gozou para mim?

Deteve sua perseguição, mas só porque suas costas toparam com a parede de pedra e não tinha a nenhum lugar aonde ir.

— Isto é um engano. — oh sim, um grande engano. Isso era o porquê cada célula de seu corpo o desejava. Está-o fazendo bem, Scheme, segue mantendo resistência, repreendia-a a voz da razão.

— O engano está em mentir pra mim, bonita. — lhe grunhiu, os olhos cintilando com uma perigosa mescla de luxúria, perigo e ira — Agora, assumiremos que o bom general decidiu que sua filha não é melhor que seus coiotes e que te converteste em um incômodo. Então por que ficar?

Ah, as razões. Simplesmente deixa que as conte. É obvio, levaria-lhe dias.

— E ir onde? — perguntou ela — No momento que fui suficientemente forte para fugir, sua gente estava livre e muitos deles me teriam matado com entusiasmo se me tivessem apanhado. Teriam-me açoitado. Igual a meu pai.

— Tem bastante informação contra ele para prestar declaração durante as vistas no Senado e conseguir estar a salvo.

Scheme lhe jogou um olhar curioso.

— Tinha vinte anos, e ainda estava lutando contra a instrução que meu pai utilizou para me criar. Quando treina a um menino mais do que cria-o, Tanner, condiciona certas coisas. Estava condicionada. No momento que tive a força para me desprender, era muito tarde. E sabia. Nunca me teria deixado com vida. E teria estado mais decidido que agora em me ver morta.

Até certo ponto, era a verdade. Entretanto, uma vez encontrou a força para desprender-se da instrução, o ódio tinha sido tudo para o que vivia. Foi então quando em segredo se reuniu com o Jonas Wyatt e fechou o trato. Em troca de sua segurança total quando chegasse o momento, ajudaria-o a derrotar a seu pai. Agora ele já tinha suficiente informação. E ela tinha mais sem revelar como segurança quando chegasse o momento. Teria que ter esperado. Teria que ter tratado de obter as últimas peças vitais de informação que necessitava para acessar ao círculo privado do Conselho de Genética, mas lhe tinha esgotado o tempo.

Se não conseguisse escapar logo dele e chegar ao Jonas, então seria muito tarde para o filho do líder da manada. E se isso acontecesse, então o mundo das Castas se iria rapidamente ao inferno. Porque então nada conteria sua fúria.

Tinha-lhe esgotado o tempo. E Tanner era muito falso, o bastante desumano para poder estar tratando de ganhar sua confiança por uma só razão. Obter a informação que o agente de seu pai tinha enviado, a localização do primeiro Leão e seu menino. Essa informação não podia cair nas mãos equivocadas. Até que soubesse, além de toda dúvida, que Tanner não era o espião de seu pai, não podia confiar. Não podia permitir o luxo de confiar-se outra vez nem de seu coração nem de sua ânsia. Chaz a tinha ensinado muito bem.

Seus olhos eram frios. O escuro olhar cor chocolate estava carente de emoção, indiferente. Podia ter estado falando do tempo. Mas o que ele via e cheirava eram duas coisas distintas. Seus olhos viam uma fria e dura couraça. Mas raramente confiava somente em seus olhos.

Podia cheirar a dor, assim como podia cheirar o temor e o aborrecimento que ocultava profundamente em seu interior, ulcerando-se como uma ferida aberta.

Estava lutando desesperadamente para silenciá-los todos. Podia senti-lo. Tinha que destruir toda emoção para sobreviver na escuridão que seu pai tinha colocado em seu interior. E ele não podia permiti-lo. Cheirar seu temor punha a prova ao animal interno e o voltava sedento de sangue. E colocava fora de controle ao homem que era.

Sabia tudo sobre o condicionamento e o treino. Tinha vivido sob as pautas de Tallant durante os primeiros quinze anos de sua vida. Como um animal. Uma arma que tinha que ser moldada para o rendimento.

— Uma vez que teve a força para te desprender, por que era muito tarde?

Seu olhar piscou com sombras de engano. Ele odiava esse engano.

— Já estava criada. — sussurrou então com um sorriso zombador, encontrando o olhar dele com um conhecimento glacial — Era muito tarde. E é muito tarde para isto, Tanner. Mate-me de uma vez. Faria um favor ao mundo. Não?

— Não te machucarei. — obrigou-se a reprimir a fúria e se concentrou em seu desejo mais que em sua raiva. Na fome mais que nas sombrias lembranças que vislumbrava nos olhos dela.

Foi recompensado com uma quase imperceptível inspiração de sua parte. A expressão não trocou, e tampouco o olhar de seus olhos, mas sim seu aroma. Uma vez mais, pôde cheirar o calor de sua necessidade. Estava ali, doce, suave, bordeando o mais forte aroma de sua obrigada indiferença.

— O que significa? — sua curiosidade era quase tão legendária como sua fria fachada carente de emoção.

— É um fato, tenho a intenção de te fazer sentir muito, muito bem. Vou te por tão excitada que nós dois queimaremos vivos.

— Como disse, é um pouco presunçoso, Casta. — o escárnio em sua voz ocultava o aroma de sua paixão. Mas era o aroma que ia. O aroma que acalmava à furiosa besta interior.

— Já veremos se for verdade.

Não importava nada exceto beijá-la, abraçá-la, protegê-la de um passado que não estava seguro de poder protegê-la. E do momento em que seus lábios capturaram os dela, esteve perdido. Não é que esperasse nada menos. O prazer começou a envolvê-lo, a emanar dela e a lamber seu corpo com ardentes chamas.

Deus, era bom o beijo. Sem dúvidas; foi para ele, lhe devorando os lábios com tanta avidez como ele devorava os seus. Os braços esbeltos se enroscaram em seu pescoço; afiadas unhas se cravaram em seu couro cabeludo e um grunhido retumbou desde seu peito.

Tinha que tocá-la. Não só beijá-la. Não importava nada mais. O corpo de Scheme se ruborizou enquanto a levantava, com os joelhos acima, as coxas abertas, a toalha caiu e os peitos cheios se apertaram contra a camiseta dele.

Deus sim, isto era o que ele desejava. Um braço envolto em suas costas, o outro se movendo pelo firme montículo de uma teta. Tinha que prová-la. Tê-la. Só um bocado desses preciosos frutos.

Apartou os lábios, mordiscando a graciosa coluna de seu pescoço para baixo, logo se mudou para a deliciosa fruta que o esperava.

E isto era bom. O grunhido que saiu de sua garganta se uniu ao grito dela quando os lábios cobriram a avermelhada e impaciente ponta. Fustigando com a língua enquanto o sugava profundamente, os dentes raspando a tenra carne com exuberante erotismo enquanto se estremecia contra ele.

— Você tem sabor doce, como o açúcar. — teria se estremecido ante o som áspero de sua voz se tivesse tido suficiente prudência para fazê-lo.

— Não o podemos fazer.

Não quis escutar sua negação, desejava que gritasse seu nome, desejava que lhe rogasse que a fodesse.

Isso era o que queria ouvir de seus lábios.

Mordiscou o duro pico.

— Tanner.

— Mamilos doces, tetas perfeitas. — grunhiu — Poderia te chupar as tetas durante horas e não teria nunca o suficiente.

Retornou, enchendo os sentidos com seu tato, seu sabor, com o embriagador aroma no ar da empapada vagina.

— É uma loucura. — sua voz era débil, mas o aroma de sua luxúria… Agora, era forte. O bastante forte para intoxicar. O bastante forte para hipnotizar.

— Não, carinho, não é uma loucura. Quente. Maravilhoso. Nunca uma loucura. — apertou-se ainda mais entre suas coxas, sentindo a calidez de sua vagina através dos jeans, lhe queimando o membro.

— Se esquece de quem sou. — choramingou, mas jogou a cabeça para frente, pressionando os lábios contra seu pescoço enquanto cada músculo do corpo de Tanner se esticava em resposta.

— Sei quem é, bonita. — os dentes rasparam o outro mamilo quando seu grito de resposta o atravessou com uma sacudida de feroz satisfação.

Este era o porquê ainda estava viva, por que não podia lhe fazer mal, nunca poderia machucá-la. Por este prazer, por seu sabor, por sua paixão. Nada mais. Quando tivesse acabado, quando estivesse satisfeito da necessidade que o rasgava internamente, então empacotaria seu traseiro e a levaria a rastros ao Santuário. Então Callan podia fazer com ela o que quisesse. Se havia honra nela, Callan a encontraria.

— Não posso fazê-lo. — sussurrou outra vez enquanto ele continuava mordiscando a baia madura de um mamilo, levando-a para a cama — Não o entende.

— Entendo que meu pau está tão duro que vou gozar nas calças se não entrar logo dentro de ti. — grunhiu enquanto a deitava de costas na cama — Entendo que é tão doce como o açúcar e que está mais quente que o fogo. Demônios, que mais preciso entender?

Tornou-se para trás, contemplando o pálido rosto, os grandes olhos cor chocolate. O cabelo negro estendido ao redor de sua cabeça como um leque de seda, e a excitação tinha ruborizado seus peitos da cor de um pôr do sol.

Não era exatamente bela, exceto possivelmente para ele. Os traços irregulares. — O pequeno queixo rebelde, o coquete nariz e as maçãs do rosto altas. — E os apenas perceptíveis rasgos asiáticos se combinavam para fazê-la imensamente única.

— Então, eu não quero isto. — negou com a cabeça enquanto seu rosto expressava um desespero interno.

— Não, Scheme? — antes que pudesse apertar as coxas para evitá-lo, sua mão se deslizou entre eles, cavando o abrasador monte de sua vagina enquanto apertava os dentes ante o calor que cobria sua mão.

— Está tão fodidamente úmida que poderia me afogar em ti. — lhe disse acusadoramente, utilizando os dedos para separar as cheias curvas e encontrar o mel debaixo.

Deu um salto, estremecendo-se quando o dedo se deslizou ao longo da estreita fenda até encontrar o preparado clitóris.

— Está perto. — grunhiu — Posso cheirar sua paixão. Sentir seu prazer aumentando. Está tão perto de gozar que tem que te conter.

— Não. — agitou a cabeça, lutando contra ele, lutando contra o prazer.

— Não? — quando estava assim de perto? — Coração, está tão preparada que posso te fazer gozar com umas poucas passadas de língua. Você não gostaria? Sentir seu duro clitóris em minha boca, sugando-o, lambendo-o?

— Não fôdo com animais. — espetou, a ira desesperada enchendo sua voz enquanto as palavras lhe fustigavam na mente, provocando que se imobilizasse sobre ela, os dedos pararam de esfregar o dilatado e pequeno nó de terminações nervosas que aguardava seu toque.

 

Antes que pudesse deter-se, um enfurecido grunhido abandonou seus lábios, provocando que ela empalidecesse ainda mais, antes que conseguisse afastar-se de Scheme, jogando a manta sobre o corpo nu enquanto lutava por controlar-se.

— Me foderás. — grunhiu furioso — Antes que vá daqui, estará de joelhos me suplicando que lhe fôda.

— Nem sequer se tivesse tapetes cobrindo o chão. — lhe respondeu furiosa — Se quisesse foder a um de sua classe, teria escolhido o melhor. Os Coiotes não são as únicas Castas sob as ordens de meu pai, Tanner. Recorda-o.

Mostrou os dentes, o predador furioso em seu interior, rugindo pela liberação, pela rendição. A rendição dela.

— Vista-se. — lhe soltou — Agora. E a próxima vez que me chamar de animal, Scheme, vou mostrar-te exatamente o que seu maldito pai ajudou a treinar durante todos esses anos.

Saiu furioso do quarto, tomando o túnel mais próximo, e dirigindo-se para a parte superior outra vez. Se não se afastasse dela, se não tirasse seu aroma de sua cabeça, então ia terminar forçando essa rendição. E isso era algo que tinha jurado que não voltaria a fazer jamais.

 

Oh Deus, o que tinha feito? Tinha vontade de morrer; simplesmente isso. Porque tinha visto o assassinato nos olhos de Tanner no instante em que lhe tinha jogado o comentário final.

Desespero. Medo. Havia rumores de que Scheme Tallant nunca conheceu o medo. Tinha guelra. Enganosa. Conspiradora. Não conhecia o medo.

Em resumidas contas não o verdadeiro medo. Tinha crescido acostumada à ameaça sob as ordens de seu pai. Entretanto, essa ameaça, até certo ponto, tinha sido controlável, até que começou a tomar mais e mais riscos.

Passando as mãos sobre o rosto, lutou por sair disto. Inclusive agora, sua pele se sentia com febre, ardendo por ele. Um toque dele a colocava mais quente do que tinha estado alguma vez em sua vida. Voltava-a débil. O fazia recordar o que era ser jovem, a necessidade de sentir calidez. As breves aventuras que tinha tido no passado empalideciam em comparação do que necessitava agora.

Tinha trinta anos, mas às vezes se sentia com o dobro dessa idade. Agora mesmo, sentia-se como se tivesse cem. Enquanto Tanner a tinha estado vigiando, ela tinha estado vigiando a ele. Estava em sua curta lista de suspeitos no que se referia ao espião da Casta. Tinha conhecimento dos mais recônditos segredos do Gabinete da Casta. Conhecia a segurança, as comunicações e uma ampla gama de planos. Coisas que o espião casta de seu pai parecia também conhecer. Estava exatamente onde se precisava estar para destruir às Castas. E destruir a ela. Era uma debilidade.

Impulsionando-se para a borda da cama, deixou os pés pendurando, observando as suaves sombras que projetavam dos centímetros sobre o chão.

Tinha necessitado ser tocada assim uma vez anteriormente, anos atrás, e tinha deixado Chaz entrar em sua vida. Chazzon St. Marks. Tinha atuado tão bem. Tinha necessitado a alguém tão desesperadamente que lhe tinha deixado convencê-la de que a amava. De que a necessitava. O que tinha necessitado era seguir as ordens de seu pai, rastrear seus movimentos e inteirar-se se ela podia ser de confiança.

Em realidade, havia coberto bastante bem seus rastros para evitar ser assassinada. Mas não tinha escapado dos golpes por ser incompetente em seu trabalho.

O trabalho de rastrear e ver a matança das castas as quais tinham sido confiados um alto nível de informação e missões durante seu treinamento nos laboratórios que ela tinha feito pedaços. E tinha reunido muitas dessas informações.

Algumas Castas tinham escapado. E algumas de suas mortes pesariam para sempre em sua alma.

Cruzando os braços sobre os peitos, apertou os dentes e lutou contra a excitação que ainda ardia nela. Nunca tinha sido assim tão intenso com outro homem. Nunca lhe haviam sensibilizado cada célula de seu corpo, fazendo-a doer por seu toque.

Inclusive sua necessidade pelo Chaz nunca tinha sido assim intensa.

Chaz. Ela voltou a reprimir a dor. Tinha aceitado o trabalho para matá-la, fria e metodicamente. Uma vez o tinha amado, antes de inteirar-se que seu pai lhe pagava para que a fodesse. Antes de inteirar-se que era um assassino. Antes de descobrir que tinha formado parte do plano de seu pai para abortar a seu filho. Entretanto, seu pai era muito capaz de sacrificar ao Chaz para inteirar-se dos segredos que ela guardava.

Tinha que sair dali. Por hora se fazia mais imperativo que se afastasse tanto quanto fosse possível do aparentemente preguiçoso Casta Bengala.

Especialmente agora.

As roupas. Ficou em pé com dificuldade antes de dar a volta e arrastar a pesada bolsa negra que Tanner havia lhe trazido. Agarrando o zíper, abriu-a, logo retirou a tampa antes de olhar fixamente e surpreendida o interior.

Eram suas roupas.

Suas cômodas roupas, os conjuntos que usava para relaxar-se, para meditar. Suaves calças de veludo de ficar em casa, com os tops sem mangas fazendo jogo e camisetas. Havia shorts de seda, calcinhas de seda, cômodas camisas, meias três-quartos e calças jeans. E por cima das roupas cuidadosamente dobradas estava seu vibrador favorito. Que demônios? Tinha empacotado de tudo, exceto os malditos sapatos.

Tirou uma tanga de seda negra de corte francês de cima do monte. Sem sutiã. E ela sabia que tinha sutiãs.

Como demônios as tinha arrumado? Quão perto estava de casa? Ou o tinha feito depois de drogá-la?

Vestiu-se rapidamente com as calcinhas, com as calças negras de veludo e o Top sem mangas. E nos pés ficou com as meias três-quartos aveludadas a jogo. Quem necessita tapetes?

E o que se supunha que tinha que fazer agora? Passear mais pelos pisos? Comprovar os túneis que já tinha comprovado milhares de vezes, de cabo a rabo, e ainda não tinha encontrado a entrada?

A televisão não funcionava. Já havia tentado antes. O estéreo não funcionava, mas os dispositivos sim.

Estava presa. Até que pudesse descobrir como ele tinha entrado e saído, estava presa ali.

— Há uma máquina de lavar roupa em uma das cavernas interligadas a essa, se por acaso precisar lavar algo. — grunhiu Tanner quando voltou a entrar na caverna principal — E pode pendurar as roupas…

— Na caverna menor saindo desta. — se girou para encará-lo enquanto ele saía da caverna-banho — Está tentando me deixar louca? Como demônios posso sair daqui?

— Não pode. — atravessando a grandes passos a caverna para a mala, levantou-a da cama e a levou a pequena caverna do outro lado da cama — Lembre-se disso se decidir me matar em minha cama, pequena Conspiradora. Se eu morrer, você também morre.

Ela apertou os punhos aos lados.

— Tudo isto é somente para conseguir me foder? — perguntou com ironia — Bem, Tanner. Fôda-me e acabe logo com isto.

Ele grunhiu, claramente zangado ainda.

— Tudo isto é para conseguir as respostas que quero. — lhe respondeu — Quando me der isso, então te soltarei e me assegurarei de que esteja a salvo.

Oh, ela tinha um montão de informações pelas quais seu pai mataria. Informação pela que faria algo para obtê-la, se ele se inteirasse que ela as tinha, e que ainda estava viva.

Nem a informação menos importante era a mensagem que tinha destruído.

Seu sorriso era zombador.

— Meu pai sabe tudo o que eu sei. — disse baixinho — Não estou escondendo nada, Tanner. Tenho bastante informações pelas que estou em perigo. É simples assim.

Estava em perigo. Tinha uma só oportunidade de afastar-se de seu pai quando chegasse o momento, e inclusive assim poderia estar em perigo se não encontrasse a maneira de chegar a seu contato.

— É simples assim? — disse com expressão calculada, incrédula — Por que não acredito em você, bonita?

— A quem importa?

— Por que Tallant enviou o St. Marks para te matar? Foi um de seus amantes. O pai de seu bebê?

— Porque confiou que Chaz conseguisse acabar o trabalho. — sussurrou, engolindo com dificuldade — Ouviu o que disse, Tanner. Esteve de acordo com a decisão de meu pai.

— Por que ficou depois disso? — gritou Tanner com fúria — Por que Scheme? Por que dar sua lealdade a esse filho da puta depois que ele matou ao bebê que você tão claramente desejava?

O que podia dizer? Não pôde forçar as palavras que disse ao seu pai, quando ele perguntou sobre isto. O General Tallant era malevolamente eficiente.

“Por que me quer ainda, Scheme?” Tinha-lhe perguntado. “Tirei a seu bebê, e ainda tenho sua lealdade?”

“Fez o que pensou que fosse melhor, pai”. Teve que lhe responder com tristeza. Deve ter feito tão bem que os Coiotes treinados para cheirar uma mentira nunca detectaram o engano.

Mas agora não pôde dizê-lo. Não pôde trair a esse bebê que tinha desejado com tanto desespero, para desculpar uma vez mais ao monstro que o tinha arrancado.

— Te prepare para ir deitar-se. É quase meia-noite. — disse Tanner quando se negou a lhe responder.

— Não tenho sono. — sua pele ardia e estava cansada de sua atitude. Estava cansada de ser uma cativa. Cansada das emoções que se negavam a permanecer ocultas em um lugar seguro — A sério, Tanner, levou em conta a mancha negra que isto vai converter-se para as Castas? Sequestrar à filha do General Tallant? Meu pai me deixará viver uns anos mais, uma vez que isto se saiba. Poderia derrotar a toda a comunidade da Casta.

— Quem disse que vai sair daqui com vida? — nem se deteve. Tirou a camisa enquanto fazia a pergunta, antes de jogá-la na beira da cama e contemplá-la — Não lhe disse nada sobre isto.

— Oh bem, isso me põe em meu lugar. — lhe espetou em resposta — Então o que, consegue o pó de rigor antes de me quebrar o pescoço?

— Não fui treinado para quebrar pescoços. — assinalou enquanto as mãos foram para a fivela de seu cinturão — Fui treinado para te arrancar o coração do peito com as mãos nuas. Lembra? Pensei que tivesse meu arquivo, bonita.

Sim. Foi. Foi treinado para matar dolorosamente, além de silenciosamente.

— Já teria me matado se isso fosse o que tem intenção de fazer. — falou com mais confiança do que sentia.

— Ainda não te fodi. Abra as pernas, mantenha a maldita boca fechada e me deixe gozar, logo te matarei.

Os lábios tremeram. Estava zangado, e por isso, estava arremetendo contra ela. O que havia dito antes? Que passou as noites masturbando-se enquanto vigiava seu sono.

Então franziu o cenho.

— Realmente me observou. Tendo sexo?

— É obvio. — arqueou uma sobrancelha ante a pergunta.

— Por quê? — a indignação tingiu sua voz e sabia — Não há maneira de que pudesse me observar. Está mentindo.

Negou-se a baixar o olhar. Ele tirou suas botas e agora estava passando os jeans pelos quadris. Não deveria olhar.

— Quando utiliza esse pequeno e bonito vibrador azul, sempre o passa suavemente, muito suavemente, primeiro ao redor do clitóris. Leva-lhe três vezes para entrar em sua apertada boceta. Mas quando o faz, as pestanas revoam antes que te obrigue a mantê-las abertas. Temerosa de que alguém vá entrar e te veja, carinho? Por certo, empacotei o vibrador.

Não mentia. Tinha-a estado observando.

— Por quê? — pôde sentir como tremia. Estremecia-se. Se a tinha estado observando, em sua casa, então podia estar em mais problemas dos que nunca se imaginou.

— Porque eu adorava te observar tratando de encontrar o que eu sabia que não existia em nenhum lugar, exceto comigo. — jogou os jeans ao pé da cama, e antes que pudesse deter-se, ela olhou. E olhou.

Oh. Meu. Deus.

Certamente isso não podia ser real. Não era que fosse excessivamente grande, embora fosse grande. Com grosas veias. Escuramente bronzeado. E tão fodidamente tentador que lhe dava água na boca.

Elevou os olhos de repente.

— Está louco. — sussurrou, de repente sabendo além de toda dúvida neste instante que sua loucura era completamente possível. Por isso sabia não tinha intenção de machucá-la. Ainda.

Sabia que o General Tallant não tinha o controle que gostaria de ter sobre seu espião. Passavam semanas, às vezes meses, antes que chegasse um relatório, e quando o fazia, frequentemente era sarcástico e raiando o insulto. Isso encaixaria com o perfil de Tanner. Fazia o que queria, não o que esperavam outros.

No momento, possivelmente, estava a salvo.

— Tire a roupa e vá para cama, Scheme. Se for uma boa garota até ligarei a televisão para ter luz enquanto dorme.

A televisão? Ela entrecerrou os olhos enquanto lhe sorria com benevolência.

— Isso não é justo. — chiou — Coloque pelo menos a cueca.

— Tire as roupas e vá para a cama, ou irei dormir enquanto permanece aqui e não haverá televisão durante uma semana.

Apertou os dentes.

— Não me fale como se eu fosse uma menina.

Deslizou-se na cama antes de jogar o lençol sobre o corpo nu. Seus olhos brilhavam, intensos, dourados, desafiando-a. Estava a desafiando a entrar nessa cama com ele.

— Posso viver sem televisão. — se encolheu de ombros, movendo-se para dispor os assentos da acolchoada poltrona. Parecia mais que cômodo — Boa noite, Tanner.

Em um instante estava indo para a poltrona, no seguinte estava virtualmente voando pelo ar e ricocheteando na cama. Rápido assim. Moveu-se extremamente rápido através de mais de três metros, contando a cama de tamanho King-size, e a jogou como se não pesasse nada.

Scheme lutou para tirar o cabelo dos olhos enquanto o olhava furiosa.

— Está sendo infantil. — lhe chutou enquanto lhe puxava a parte baixa das calças, tirando- as – Acabo de vesti-la, seu maldito pervertido.

Antes que pudesse se livrar dele, agarrou-a pelos braços, levantou-a e lhe tirou o top mais rápido do que tinha demorado para coloca-lo.

— Maldito seja, seu filho da puta. — os peitos abundantes, o aborrecimento retumbando por seu corpo, os dedos curvados. Soltou os braços e colocou a mão sobre seus olhos.

— Tsk, tsk. As senhoras não brigam assim. — golpeou a um lado, os dedos em forma de garras, rindo dela. O bastardo estava rindo dela.

— Fodido gatinho. — agarrou, apertando o punho enquanto saltava para ele.

Não sabia quem estava mais surpreso, se ela ou o casta que tinha estado rindo, quando o seu punho bateu na lateral do rosto dele.

Olharam-se fixamente um ao outro, impressionados.

— Agora… — a empurrou de costas na cama, seguindo sua queda, as mãos segurando os braços por cima da cabeça, seu duro corpo cobrindo o dela — Pode me dar um beijo para curar-me.

Beijá-lo para curá-lo? Scheme se congelou, com os olhos muito abertos, os mamilos roçando seu amplo peito enquanto tratava de respirar.

Pensava-se que as castas não tinham pelos. Pouca gente sabia a verdade: que o pelo de seu corpo era tão minúsculo, a cor tão perfeitamente combinada com a pele, que era como uma fina pelagem. E nesse instante, podia notar cada minúsculo pelo que estava roçando seus mamilos enquanto os peitos subiam e baixavam debaixo dele.

A sensação era deliciosa. Abrasadora. Tão apaixonada que pôde sentir-se se derretendo contra ele, perdendo a força, perdendo o controle.

— Deus, está excitada. — murmurou, baixando a cabeça até que seus lábios estivessem perto do ouvido, sua maltratada face perto dos lábios — Agora me cure, bonita, assim poderemos ir dormir.

Sem poder fazer nada, sem esperanças, girou a cabeça, os lábios tocando a pequena mancha de sangue que tinha provocado ao lado da boca.

O corpo dele se esticou com violência; a respiração se fez mais dificultosa, mais pesada, enquanto apertava a mandíbula. Um violento grunhido escapou de seus lábios enquanto ela lambia o corte na comissura dos lábios, o sabor salgado da carne se mesclou com o sabor acobreado de seu sangue.

E não deveria ter sido erótico. Não deveria tê-la posto tão úmida que pôde notar sua essência reunindo-se ao longo de sua vagina, espessa e quente, voltando-a louca de necessidade por ser tocada.

— Basta. — se foi tão rápido, até mais rápido que a tinha agarrado.

A ereção se balançava em seu corpo, a expressão marcada e furiosa uma vez mais.

Scheme se sentou enquanto ele se lançava de volta à cama e atirava as mantas sobre seu corpo. Perguntava-se se ele tinha alguma ideia do perto que tinha estado de fazê-la implorar esta vez.

— Alguma vez alguém mencionou que não é precisamente estável? — perguntou finalmente ela.

— Sim, cada vez que me apanhavam e Cabal dobrava o turno com uma de nossas preciosidades. — a espetou — Merda, agora vá dormir antes que descubra o que pode fazer um dos dois últimos castas Bengalas sobreviventes.

Obstruiu-lhe a respiração. Os olhos totalmente abertos, e se girou lentamente enquanto ele recolhia um controle, apertava-o e o som da televisão zumbia atrás dela.

— Troca de casais?

— Foda com dupla penetração. — lhe esclareceu.

Ela piscou. Ele sorriu. E não foi uma visão reconfortante.

— Boa noite, bonita.

Ela não podia dormir. A televisão estava desligada havia mais de uma hora, as luzes eram tênues, mas o sono não tinha estado nunca tão longínquo.

Doía-lhe. Cada vez que fechava os olhos, jurava que sentia os dedos de Tanner deslizando-se entre suas coxas, a grossura e o peso deles em seu interior, acariciando-a, ardendo através de seu sentido comum. E os olhos se abriam para contemplar miseravelmente a caverna outra vez.

Apesar da amplitude da cama – afinal, era uma cama King-size - ainda podia sentir o calor de Tanner. Ardia contra suas costas, agasalhando-a e tornando sufocante a colcha que tinha jogado sobre ela.

Estava morrendo. Precisava ser fodida agora muito mais do que já havia necessitado ser fodida em sua vida.

Deus, era tão patética. Já havia tido uma situação comprometedora com um dos assassinos de seu pai, e agora estava arrumando um vínculo emocional com outro? E sabia que acabaria sendo emocional. Não era estúpida. Tanner tocou não só seu corpo, mas também algo em seu interior. Uma parte dela que não sabia que existia.

E desejava que o tocasse de novo. Que estúpida era? Chaz tinha sido o assassino de seu pai; podia ser Tanner seu espião?

— Sabe… — se sobressaltou ante o sedoso som surdo de sua voz — Sempre fica o vibrador…

Scheme se voltou, agarrando firmemente a colcha nos peitos enquanto o olhava.

— E fazer o que?

Ele levantou a mão, os largos dedos envolvendo a grossa longitude do vibrador azul.

— Eu adoro te ver usando isto. — murmurou com um sorriso travesso — Quer usá-lo agora?

Ela abriu os lábios.

— Posso te ajudar.

O calor pulsou atravessando-a pela provocação em sua voz.

— Como? — oh Deus, de verdade essa era sua voz? Esse murmúrio entrecortado de sexo telefônico que quase fez que seus olhos se acendessem de luxúria.

Ele sorriu, um estremecedor tipo de sorriso que fazia com que uma mulher desejasse lhe comer os lábios. Sem mencionar outras partes do corpo.

A colcha foi sendo retirada lentamente, mostrando-a centímetro a centímetro, conforme ia observando o vibrador azul aproximando-se.

— Sabe o que de verdade me excita? — perguntou a ela.

— O que? — não foi uma pergunta, foi um gemido de fome e sabia.

— Observar sua língua enroscar-se sobre isto depois do seu orgasmo, provando do seu gozo.

Estava tremendo. As mãos, os lábios… O corpo inteiro estava tremendo. Deus, nunca tinha estado tão excitada em sua vida, enquanto lhe observava aproximar esse vibrador, até que lhe tocou a boca.

A língua saiu às escondidas, lambendo sobre o falso pênis enquanto travavam os olhares.

— Posso cheirar o quanto está excitada. — se aproximou, posou a outra mão no estômago antes de deslizá-la lentamente para cima e colocá-la entre os peitos.

— Todos estes anos te observando na cama, só e com seus amantes, quer saber o que vi?

Negou com a cabeça. Não queria sabê-lo.

— Nunca esteve satisfeita. Queria ficar. Tentou ficar.

— Não é verdade. — não era anormal. Sempre tinha chegado ao clímax.

— Claro que é. — pressionou o vibrador em seus lábios, com os olhos entrecerrados enquanto se abriam seus lábios, aceitando o brinquedo — Vi seus olhos. Isso era o que observava Scheme, quando estava com esses homens, seus olhos. E vi uma mulher desesperada por encontrar o verdadeiro fim. Esse orgasmo chegando ao ponto de contorcer as vísceras.

Ela abriu os olhos de par em par.

O vibrador se soltou dos lábios, só para riscar um malicioso e úmido caminho sob o queixo, entre os peitos, logo deslizando pelo estômago.

— De costas. — sussurrou ele — Me deixe lhe fazer gozar.

O bom senso gritava que não. Mas já estava girando, movendo-se de costas tentado respirar enquanto uma luxúria carnal e maliciosa enchia a caverna com o espesso aroma.

— Lá vamos, bonita. — ronronou, acariciando as coxas com o vibrador — Agora te abra um pouquinho para mim.

Suas coxas se abriram.

— Um pouquinho mais, carinho.

Ambos respiravam entrecortadamente agora, as ofegantes respirações enchiam o ar a seu redor.

Abriu as pernas ainda mais.

— Mmm. Esses bonitos cachos estão salpicados com o néctar mais doce. — os olhos se cravaram entre as coxas; a mão arrastando o vibrador sobre a zona saturada.

Passou quase roçando o clitóris enquanto ela se elevava mais perto, observando sua expressão. Era tensa, selvagem, confinando a luxúria animal enquanto a ponta do vibrador se metia entre as cheias dobras de sua vagina.

— Dobre os joelhos. Quero vê-lo entrar.

Dobrou os joelhos, elevando-se mais perto ainda enquanto Tanner se deslizava entre elas. Não tinha esperado isto, mas na verdade não lhe importava contanto que a horrível e dolorosa fome em seu ventre desaparecesse.

As janelas do nariz flamejaram enquanto inalava o aroma dela.

Colocando o vibrador na desesperada entrada de seu sexo, empurrou lentamente para dentro.

— Oh Deus. Tanner. — sacudiu a cabeça, os olhos completamente abertos, cravados na visão do brinquedo erótico entrando nela.

Estava tão úmida que não lhe levou as três tentativas habituais para conseguir entrar.

— Porra, está tão apertada. — o tirou, ignorando o pequeno grito antes de pressioná-lo para frente de novo — Sou mais grosso. — lhe sorriu com intenção carnal — Mais longo. — o vibrador entrou profundamente nela — Está segura que isto é o que quer?

Claro que não! Não, se tinha outra opção.

Ela sacudiu a cabeça freneticamente.

Detendo-se, contemplou-a.

— O que quer, bonita?

— Quero que pare de jogar. — certo, este era o ponto sem volta — Fôda-me ou demônios te afaste de mim.

O vibrador saiu antes de ser jogado, em uma direção que na verdade não lhe importava.

— Tudo o que tem que fazer…

Ela não lhe deixou terminar a frase. Ele estava de joelhos, o suculento comprimento do membro como uma lança à frente, vermelho, dourado pelo beijo-do-sol, grosso e com veias inchadas que lhe davam água na boca.

Tinha alcançado o limite de sua paciência. Desejava chupá-lo.

— Scheme. — houve esse grunhido outra vez. Devia saber que isto a deixava mais úmida. Mas tudo bem; ela também tentava pô-lo mais duro. Se é que fosse possível. Duvidava que fosse, mas estava mais que certo que ia tenta-lo.

Ela ficou de joelhos, estendendo as pernas e apoiando-se no colchão enquanto se inclinava para frente e envolvia a cabeça de seu membro com a boca.

O sabor explodiu em sua língua. Rico, masculino, terroso. Como uma tormenta. Como um lago de montanha em uma noite de verão. Tinha o sabor do puro êxtase masculino.

— Caralho, maldição. — as mãos dele agarraram seu cabelo — Boca quente. Doce, boca quente.

Apertou os lábios, sugando avidamente. Com uma mão lhe agarrou o membro logo abaixo dos lábios, não é que pudesse rodeá-lo com os dedos, mas podia acariciar, enquanto a outra mão embalava o duro saco embaixo.

— Maravilhosa. Tão malditamente preciosa. — grunhiu, rodando os quadris, movendo-se, empurrando contra os lábios com fortes e duros golpes.

Esperava debilitá-lo. Tinha o membro do Casta na boca e isso era o que normalmente acontecia. Mas não a Tanner. Um segundo depois sentiu uma ardente e extremamente erótica palmada na bochecha do traseiro. Um segundo depois, na bochecha contrária.

Tinha a boca cheia com a protuberante cabeça de seu membro, lançando o pequeno chiado de excitação como um grito afogado, enquanto ele golpeava outra vez.

Estava curtindo um pouco demais isso, advertiu-lhe o bom senso.

Desejava mais, gritaram os hormônios da puta interior. Oh sim, muito mais.

A mão aterrissou de novo, diretamente na parte arredondada da bochecha onde a carne era tão sensível, onde as sensações podiam atravessar como um raio as terminações nervosas, atacando não só o clitóris, mas também a sensível entrada repleta de nervos de seu traseiro.

Elevou-se para ele, sentindo-se deliciosamente malvada e sexy.

— Você gosta disto, não, minha pequena puta Conspiradora?

Gostar? Apenas gostar? Assim se supunha que se descrevia isto?

Gritou ao redor de seu membro enquanto a mão aterrissava de novo. Então lhe recompensou. Sugou-o com a parte posterior da garganta, tragando, massageando com a língua a parte inferior do pau e gemendo ante o erótico prazer.

           – Maldita seja. — sua voz era afogada.

Ainda mais tensos, os músculos do abdômen e coxas agora estavam apertados, sobressaindo-se em tenso relevo, poderosamente esticados sob a dourada carne.

A mão desceu acariciando o traseiro e logo se meteu mais abaixo, onde dois grossos dedos pressionaram dentro dela.

Oh sim, oh sim, fazia coro em silêncio. Mais profundo. Um pouco mais. Até o final, chega ao interessante e pequeno lugar…

Abriu os olhos de par em par, os lábios e a língua riscando seu membro com desespero quando os dedos de Tanner encontraram esse lugar e o esfregaram.

A outra mão que estava agarrando seu cabelo, puxou quando ela resistiu, e lhe enviou chicotadas ardentes.

Mais. Um pouco mais. Estava morrendo.

Aplicou com gula a boca sobre a cabeça de seu membro, enquanto os dedos se retiravam de sua dolorida vagina, acariciando, retornando à empapada abertura, provocando, retirando-se. Levou-lhe um segundo entender. Só um segundo antes que um desses fortes e grossos dedos pressionasse na ultrassensível entrada de seu traseiro.

Tirou a ereção de sua boca. Tinha que respirar. Tinha que fazê-lo.

— Desejo esse bonito traseiro. — sussurrou — Quero te cobrir e me afundar em seu interior. Recordarei o olhar vazio de insatisfação que estava, quando te vi tomando o pau de outro homem, por dois segundos… Até que te ouça gritar por mais. Vou te mostrar o que deveria ter recebido a primeira vez.

Retirou o dedo. Ofegando, desesperada por ar, Scheme apertava a cabeça na coxa, choramingando, inconsciente enquanto enfiava o dedo mais profundamente em seu interior.

— Mmm, você gosta disto. — Não era uma pergunta.

Caralho sim, gostava. Era malicioso. Proibido.

Este era o sexo com o que havia sempre fantasiado. Sem auto-recriminações, sem dúvidas, sem medo, além do que ele queria deter-se.

Inclinou-se sobre ela. O som da gaveta da mesa abrindo-se nem feriu sua consciência ou se intrometeu nas sensações que faziam pedaços em seu traseiro. O dedo não estava quieto. Não empurrava ou agredia, esfregava, a gema calosa roçava a malha tão delicada que se estremeceu de prazer.

Não importava nada - espiões, sangue, morte - que os fodessem. Agora não importava nada exceto isto. Aqui. Agora. Simplesmente isto.

 

A forma de superar as defesas de sua pequena Conspiradora era com o prazer. Ele o sentia, sabia. Nos anos em que passou observando-a ele sabia o que sentia até nas solas dos pés. Ela necessitava o prazer inimaginável, do tipo que se instala em suas vísceras e dá voltas em seu interior porque é muito bom para suportá-lo. O tipo de prazer que te afrouxa os joelhos, desconecta-te o cérebro e faz que suas terminações nervosas cantem. E ele ia lhe proporcionar isso.

Ela tinha conhecido o prazer. Tinha conhecido a liberação. Mas não havia sentido retorcer as vísceras, a abrasadora satisfação que consegue fazer todas as necessidades satisfeitas, cheias. Ele tinha a intenção de saciar cada apetite que houvesse sentido alguma vez. Tinha a intenção de lhe mostrar apetites que ela nunca sequer desconfiasse que pudesse existir.

Não se tratava do ato, ou os atos, que tivesse participado. Ela tinha ultrapassado seus próprios limites, tinha explorado sua sensualidade, só para descobrir que a provocação era mais excitante, a promessa muito mais tentadora que o ato em si.

Até agora.

Agora lhe mostraria exatamente o que estava perdendo. Um homem que compreendesse seus apetites, suas necessidades e seus prazeres. Um homem disposto a perder-se neles com ela.

Não se tratava de controle. Não se tratava de submissão. Tratava-se de sensações, do interior, sentir o brilho da satisfação completa.

Extraindo o tubo de gel lubrificante da gaveta junto à cama, ele ficou de joelhos outra vez e deslizou seu dedo pela extremamente apertada abertura de seu traseiro.

— Não. Não pare. — seus quadris se elevaram para ele.

Maldita fosse, se não era um traseiro tentador. Tão suavemente arredondado. Tão fodidamente bonito quando ficava vermelho das tapas.

Sua mão desceu, depositando um ligeiro açoite no traseiro, que a fez estremecer-se em resposta. Ela gostou. Gostava da mistura prazer/dor, as sensações mais aumentadas à medida que a excitação crescia.

Levantou-se para ele outra vez. Separou os ombros da cama, lutando para suportar seu peso enquanto lutava por recuperar uma fibra de controle.

— Fique aí. — empurrou-a de volta ao colchão. Ela não precisava tomar o controle agora. Precisava soltar-se. Precisava dele.

Sua mão acariciou o traseiro de novo.

Deus, tinha um traseiro precioso. Arredondado e suave, embora agora avermelhado pela pequena surra erótica que lhe havia proporcionado.

Abriu a tampa do gel lubrificante e colocou uma linha ao longo de seus dedos, fazendo uma careta por conta da fome que o invadia. Deus, necessitava fodê-la. Tinha que fodê-la ou ia morrer de fome.

Apartando o tubo, usou uma mão para separar as bochechas arredondadas do traseiro antes de preparar a entrada diminuta para uma carícia mais profunda. Estendeu o gel sobre a abertura, pressionou a ponta de um dedo contra ela, sorriu apertadamente, logo acrescentou o segundo dedo.

E ela o tomou. Tornou-se acessível como um sonho, tomando a penetração, mendigando-a.

O traseiro se arqueou. Seu grito ressonou ao redor dele. O perfume de sua vagina lhe fez água na boca e seu pênis se agitou exigente.

Um grunhido duro e áspero lhe escapou da garganta quando seus dedos se deslizaram dentro dela, sentindo os tenros músculos fechar-se hermeticamente ao redor, enquanto seus quadris se sacudiam com força para trás, levando-o mais fundo.

Ele retorceu o pulso, girando os dedos no estreito buraco. O perfume de sua excitação lhe invadia o cérebro. Não podia cheirar nada mais. Nem saborear nada mais.

Agarrando seu pênis, Tanner se aproximou.

— Me peça que lhe fôda. — grunhiu — Peça.

— Filho da puta!

— Peça-o.

Ele não a poderia tomar sem isso. Não a possuiria sem isso.

— Tanner, por favor.

Ele empurrou seus dedos mais profundamente, separando-os, e a sentiu estremecer-se.

— Peça-me isso Scheme.

— Te odeio! — grunhiu ela.

— Deseja-me. — pressionou sua outra mão entre as coxas dela, apalpando os cachos empapados antes de deslizar os dedos ao redor do tenso clitóris — Agora me peça isso!

— Fôda-me! — ela empurrou seus quadris para trás.

Introduziu-lhe os dedos enquanto a cabeça de seu pênis se deslizava contra as curvas úmidas, inchadas.

Movendo a mão para trás pelos úmidos cachos, lutou por respirar enquanto posicionava sua tensa carne. Entrar em sua vagina era como entrar em um extremamente quente e apertado forno de seda líquida.

O suor lhe descia pelo rosto, pelo peito, enquanto a penetrava. Caralho, era tão estreita. Muito apertada.

— Quanto tempo? — resmungou — Há quanto tempo um homem não te fode?

— Você me viu. — gaguejou ela — Sabe.

Ele se deteve. Tinha passado mais de um ano, possivelmente dois, desde a última vez que houve um homem em sua cama.

— Fora de sua cama. — grunhiu ele.

Negou desesperadamente com a cabeça, seus quadris tremeram contra ele.

— Só em minha cama. Nunca na deles.

Ele grunhiu de novo, e fez retroceder seu torturado pênis antes de crava-lo outra vez.

— Dói?

— Deus, sim! — gritou ela — Mais. Só faz-o. Mais.

Reclinou a cabeça para trás até seus ombros enquanto empurrava os quadris. Voltou a empurrar. Deu-lhe mais. Os agudos gritos dela quebraram seu controle. Precisava enterrar-se nela. Precisava sentir o seu torturado membro completamente rodeado por todo esse calor apertado e úmido.

— Por favor, Tanner.

Seu grito estrangulado, o aroma de sua necessidade, sua buceta apertando-se ao redor de seu pau e a pequena abertura apertada de seu traseiro fechada hermeticamente em seus dedos foram muito.

Seu controle se quebrou.

Scheme gritou. Não pôde evitá-lo, já que o som tem verdadeiro poder. Tem que respirar para gritar eficazmente. E ela não podia respirar. Estava muito excitada. Queimava, febril de luxúria, e tão cheia, esticada, tão tensa que o prazer/dor disso quase era demais.

Seus ombros caíram no colchão, os dedos agarraram a colcha enquanto gritava. Umas lágrimas se transbordavam sob as pestanas. Também havia muito prazer. Muitas outras sensações que nunca antes tinha alcançado.

— Merda, é tão apertada. — resmungou detrás dela, grunhindo — Tão fodidamente apertada.

Seus dedos se moveram em seu traseiro, girando, esfregando. Sua ereção retrocedeu, espalhando o excesso de umidade ao longo do canal antes de introduzir-se nela outra vez.

Foi demais. O primeiro orgasmo foi uma forte e sufocante quebra de onda. Atravessou-a, envolveu-a, estremeceu de acima a abaixo sua coluna vertebral e crepitou em seu cérebro. Apanhou-a com a guarda baixa, assim ofegou, arranhando a cama, seus miados de êxtase em contínuo crescimento lhe roubaram o fôlego que ficava.

— Maldita seja! — grunhiu ele.

Deteve-se dentro dela, com o membro pulsando, a necessidade dentro dela estava longe de estar saciada.

Ela o necessitava outra vez. Oh Deus, por favor, só uma vez mais.

— Por favor. — ela era apenas consciente de que lhe estava rogando, implorando — Mais. Mais.

A mão que segurava seus quadris serpenteou ao redor da parte dianteira de suas coxas, seus dedos encontraram o clitóris. Os dedos se moveram em seu traseiro, pedindo mais, e seus quadris empurraram. Com força. Poderosos. Golpes profundos enquanto os dedos ordenhavam seus clitóris.

E esse grunhido.

O calor em seu traseiro.

A carne de sua vagina esticada ao máximo.

Golpes mais profundos. Duros, enérgicos, esmagando suas inibições, destroçando sua contenção anterior.

O segundo orgasmo a destruiu. Explodiu em cada célula de seu corpo, em cada molécula. Ela sentiu os músculos de sua vagina se contraírem no pau dele, ouviu suas maldições detrás dela, e sentiu as pulsações profundas, duras, de seus orgasmos encontrando as poderosas rajadas de seu gozo. Ela se perdeu dentro de um atoleiro que nunca imaginou que existisse. Um ciclone de tantas sensações, tanto prazer, que seu cérebro simplesmente não podia processar tudo.

Mas quando o fez, a febre cedeu, saciada, o esgotamento se derramou sobre ela e a fez derrubar-se sobre a cama.

Logo sentiu que ele caía no colchão a seu lado. Por alguma razão, entretanto, foi muito consciente da forma em que seus braços a rodearam, atraindo-a com força para seu peito enquanto jogava a colcha sobre o corpo dela, repentinamente frio.

Pela primeira vez em sua vida, depois do sexo, ela estava saciada. Mais ainda, estava contente.

 

 

           ESCRITÓRIO DOS ASSUNTOS DAS CASTAS

                                   Washington, D.C.

                 Desaparecimento da filha de um general

 

Jonas olhou o jornal colocado sobre seu escritório, passando pensativamente um dedo sobre os lábios franzidos.

— Alguma pista? — perguntou ao agente das Castas, de pé frente a ele, voltando o olhar, com expressão sombria.

— Nada. — suspirou Lawe — Sua casa está sob escuta, entretanto, e não por nós. A eletrônica é idêntica a que usa esse Tallant e seu grupo de puristas e da supremacia. Esteve vigiando-a.

— Interessante.

Já sabia, mas controlou sua língua. Soube o que estava a ponto de acontecer quando encontrou a mensagem de Scheme Tallant em seu PDA. Ela esteve no baile. Esteve com o Tanner. Agora estava desaparecida. Somou dois e dois e obteve a resposta correta, estava seguro. Tinha que assegurar-se de que tudo funcionasse com precisão. Era um risco, usar Scheme e Tanner para apanhar ao espião no Santuário. Mas o destino lhe tinha dado a oportunidade e ia aproveitá-la.

— À noite em que desapareceu, reservou um quarto em um hotel da parte alta da cidade. Pediu uma bandeja com carnes, queijos e pãezinhos. Quando o serviço de quarto chegou, ela já tinha ido. Nem a bagagem, o laptop, a bolsa, nem rastro de nada.

Jonas se relaxou mais em sua cadeira. Se Tallant a tivesse, não teria se incomodado em levar a bagagem. Teriam encontrado seu corpo e nada mais. Ela ainda estava viva, estava quase seguro disso. Mas se Tanner a tivesse, isso era outra história.

— Aromas?

Lawe entrecerrou os olhos.

— O quarto estava alagado de seu perfume.

Jonas conteve um sorriso. Um perfume forte podia afetar os sentidos de um membro das Castas, esconder o aroma de outra casta ou inclusive de uma pessoa.

— Suponho que havia perto uma garrafa cheia de algo que nem sequer se podia pronunciar. Cabal disse que francês, quase duas suntuosas onças. O lugar tinha sido desinfetado, mas Merc conseguiu identificar o aroma de sangue no tapete. Não o dela, era sangue masculino.

— Foi um membro das Castas que a levou. — meditou Jonas enquanto olhava além de Lawe, entrecerrando os olhos, seu cérebro examinava as possibilidades — Tanner estava na festa dessa noite?

Lawe assentiu.

— Partiu um pouco antes das dez e retornou a seu hotel, de onde saiu para a Sandy Hook de férias. Está incomunicável atualmente e se recusa a aceitar mensagens. Callan se nega a enviá-las.

Os lábios do Jonas se esticaram.

— Tanner esteve planejando estas férias durante mais de dois anos. — isso e bastante mais.

— Precisamos dele aqui, Jonas. Isto é um pesadelo para as relações públicas.

— Não podem deixar isto aos pés das Castas. — Jess Warden, a advogada da Agência, elevou a voz de onde estava sentada sobre o sofá ao outro lado da sala.

Jonas voltou os olhos para ela. Alta, fria como um lago de montanha no inverno, tão loira e serena como um pico gelado.

— Isso não me preocupa em nada.

— Dou-me conta de suas preocupações. — sua testa se enrugou em um cenho — Alguém com uma mínima habilidade de oratória pode encarregar-se disto. A opinião pública se manterá a favor das Castas.

— Tanner é nosso gênio em relações públicas. — lhe recordou Jonas — Não importa se qualquer outro pode fazê-lo. Tanner pode fazê-lo melhor.

Ela negou com a cabeça pela futilidade de discutir com ele. Ultimamente o fazia muito. Não era um bom sinal.

Sua atenção voltou para o Lawe.

— O que disse Callan?

Lawe fez uma careta.

— Disse que se comunicaria com o Tanner se fosse necessário. Até então, como me recordou, Tanner agora tem um assistente.

Esta vez, Jonas fez uma careta.

— Puag. Sua assistente gagueja.

— Ela está preparada para voar a Washington se mudar de ideia.

Jonas suspirou. A pequena e tímida pantera que Tanner tinha escolhido como assistente e aprendiz não era exatamente uma boa escolha, em sua opinião.

— Porra, eu não poderia fazer pior que ela. — suspirou Jonas.

Jess se endireitou com cômica provocação.

— Eu te desafio.

Ele a olhou de esguelha. Estava concentrada nos papéis, embora nem sua ira nem sua desaprovação lhe importassem em nada.

— Continuaremos como até agora. — disse finalmente — Seguiremos investigando o desaparecimento. Cabal revistou o quarto?

— Foi o primeiro na cena. Ele e Jackal estavam ainda na cidade depois de que Tanner partisse.

Jonas ocultou seu sorriso. Ah sim, então os fios certamente encaixavam. Tanner teria deixado para trás Cabal e Jackal, para acabar com qualquer intenção de Jonas em vincular Scheme Tallant com o Tanner.

— Onde estão Cabal e Jackal agora? — perguntou Jonas.

— Estão nos barracos debaixo. Esperando ordens. — havia um sutil rastro de escárnio na voz de Lawe.

— Deixe que esperem. — ele franziu os lábios — Estou seguro de que necessitam o descanso. Diga-lhes que estão de guarda.

Seria melhor manter aos dois homens ao alcance das mãos, no momento.

Gostava quando um plano funcionava. Jonas estava seguro de que Cyrus Tallant pensava que conseguiria manter ao Jonas fora da cidade com esse inútil intento de ataque que um grupo de puristas cometeu contra ele essa tarde. Nem se tinham aproximado.

Evidentemente Tallant se inteirou de que Scheme lhe traía. Jonas tinha encontrado a mensagem na secretária eletrônica quando retornou ao escritório. Sua petição de recolhimento e asilo e a informação de que lhe encontraria no baile que teria lugar essa noite na cidade.

Não havia nenhuma dúvida em sua mente de que Tanner tinha a Scheme Tallant. Isso queria dizer que ela estava exatamente onde Jonas queria que estivesse. Com o Tanner. A salvo no momento, enquanto ele tirava o resto dos fios desta pequena trama. Mover um peão aqui, empurrar outro ali, sussurrar as palavras corretas e logo esperar a chuva radiativa.

— Ponha à equipe Alfa em alerta encoberta no Santuário. — ordenou ao Lawe — Quero que me informem de algo fora do normal. Qualquer casta que se comporte de forma estranha, que faça qualquer pergunta sobre a senhorita Tallant, algo que pareça suspeito. E escutas em cada transmissão saliente, não importa como se faça. Telefone móvel, telefone fixo, linha terrestre e banda larga. Se ressonar o ritmo de um tambor quero estar ciente.

A suspeita brilhou no olhar de Lawe. A equipe Alfa era a equipe especial, a melhor equipe organizada de agentes de investigação dentro do Santuário para descobrir ao espião de Tallant.

Lawe inclinou a cabeça lentamente.

— Tenho-o, Chefe.

Os lábios do Jonas se esticaram.

— Se encarregue disso, Lawe. Espero que o coordene daqui. Fale com Mia e ela te instalará em um escritório.

Mia, sua super eficiente secretária, rara como o inferno. Se não tivesse visto seu arquivo com seus próprios olhos, nunca teria acreditado que ela era uma casta.

— Não me ponha detrás de um escritório, Chefe. — grunhiu Lawe, seus incisivos brilharam — Me enche o saco.

Jonas arqueou as sobrancelhas e voltou o olhar para o agente. Simplesmente ficou olhando. Sem expressão. Sem comentários.

— Maldita seja. — amaldiçoou Lawe.

Jess falou então, com tom agudo.

— Há uma dama presente. Já grunhirá como um animal quando Jonas lhe deixar sair. Até então, recorde suas maneiras.

Lawe franziu o cenho antes de voltar o olhar para Jonas.

— Onde aprendemos boas maneiras?

Jonas suspirou.

— Não amaldiçoe diante das mulheres, Agente Justice. — replicou Jess — Não importa quem ela seja, de onde venha, como fale ou sua opinião sobre ela. Finja que é uma criança. Falaria assim diante de uma criança?

Lawe franziu o cenho, seu olhar repentinamente vacilante pela indecisão. Jonas reprimiu um sorriso. Sabia condenadamente bem que o único menino com que Lawe se permitia relacionar-se era David Lyons. E o vocabulário de David aos nove anos era impressionante.

— Meu Deus. — resmungou Jess, voltando-se para escrever uma nota em um caderno — Teremos que nos encarregar disto.

— Chefe, vou procurar esse escritório agora. — Lawe limpou a voz — Deixarei que te encarregue disto.

Jonas observou como Lawe se voltava e escapava do escritório, lançando a Jess um último olhar de suspeita.

— Isto não vai funcionar, Jonas.

— Agora não, Jess. — passou as mãos sobre seu rosto enquanto soprava — Vamos por partes.

— E quando um de suas Castas cometer o engano de falar com a pessoa errada no momento errado dessa maneira? Em uma visita oficial? Com os aliados? Então o que?

— Agora não, Jess.

Um problema de cada vez. Bem, isso ia ocorrer. Ele atualmente fazia malabarismos com perto de uma dúzia de problemas. Este só resultava ser seu projeto favorito.

Ela ficou em pé, a perfeição sofisticada vestida com uma minissaia azul marinho de seda e uma jaqueta com uma blusa de seda cor nata debaixo. Ela estava abotoada, composta e desaprovadora.

— Vai ter que educar a seus homens em comportamentos sociais. — ela caminhou até seu escritório, com uma expressão de desafio.

— Jess, agora não mesmo. — grunhiu.

Seus lábios se elevaram em um sorriso condescendente.

— Sim, seus complôs e conspirações são muito mais importantes no momento. — ela apoiou as mãos no escritório e se inclinou para frente — Diga-me, Jonas, o que vai fazer quando tudo e todos aos que manipulaste se voltem contra ti?

Suas sobrancelhas se arquearam. Esse era um panorama interessante.

— Desfrutar da batalha? — inquiriu com diversão apenas perceptível.

Um cenho se enrugou entre suas sobrancelhas.

— Não é coisa pra dar risada.

— Jess, te vou dizer uma coisa, cumpre com seu trabalho, o jargão jurídico de que gosta tanto, e me deixe fazer o meu. Eu não te digo como levar um caso e você não me diz como dirigir minhas missões. De acordo?

Seus olhos se estreitaram.

— Mal posso esperar para que você caia.

— Te una ao clube. — bufou ele — Vou começar a cobrar por tornarem-se membro desse clube em particular. Agora, por que não volta a nos cobrir o traseiro do último golpe contra o acampamento purista e eu retornarei a meu trabalho.

— Manipular as pessoas? — ela se endireitou, olhando-o por debaixo de seu pequeno nariz aristocrático com arrogante desaprovação.

— Faço-o muito bem. — sorriu abertamente — Posso voltar para isso agora?

— Faz-o, Jonas. — seu sorriso de tubarão teria feito gelar a um homem mais fraco — E planejarei sua defesa no caso de lhe apanharem. É obvio, sempre poderia alegar loucura.

Ele grunhiu em advertência. Não que o som de perigo afetasse a Jess minimamente. Devolveu-lhe um sorrisinho complacente, girou-se e caminhou de retorno ao sofá.

Maldita mulher. Graças a Deus que não tinha resultado ser sua companheira; teriam se aniquilado.

 

Não lhe deixaria tocá-la outra vez. Não permitiria que voltasse a jogar.

Que diabos estava acontecendo? Desde quando Scheme Tallant permitia que seus hormônios afogassem seu bom senso?

Na tarde seguinte, com a cabeça apoiada na mão, Scheme olhava pela sexta hora um certo programa que estava deixando-a louca.

É obvio que não estava mais louca que os impulsos com os quais lutava. A necessidade de unir-se ao Tanner no sofá, para esticar-se ao longo de seu duro corpo e percorrer com a língua cada polegada de sua dourada carne.

Ao invés disso, esforçava-se em olhar alguma incurável e desenquadrada comédia.

A Ilha de Gilligan? Essa já era antiga quando ainda era uma menina. Não é que a tivesse visto alguma vez. Seu pai não considerava a televisão uma forma produtiva de entretenimento para sua menina. Mas às vezes, na academia de garotas a que tinha frequentado, as outras estudantes a viam.

Scheme tinha conseguido evitá-lo naquele tempo estudando. Mas agora não havia nada que estudar. Exceto ao Tanner.

Ele se encontrava esticado no sofá, seus pés estavam cruzados nos tornozelos, um de seus braços estava atrás do pescoço enquanto olhava o espetáculo com um sutil rasgo em seus lábios. Estava incrivelmente depravado apesar da ereção que enchia seu jeans. Apesar da tensão que se criava dentro dela.

— A CNN é muito mais informativa. — finalmente disse, aturdida com os torpes acidentes de Gilligan assim como por sua própria excitação.

— A CNN é deprimente. — grunhiu com uma faísca de diversão, mantendo o olhar na televisão — Tenho bastante de assuntos mundiais. Estas são minhas férias. Não vejo a CNN durante as férias.

— O que faz além de olhar a televisão quando estas de férias? — perguntou, frustrada — Enquanto estive aqui, não te vi fazer algo que valha a pena.

— Também fôdo enquanto estou de férias. — respondeu, sem tirar os olhos do televisor — Quer me proporcionar um pouco de entretenimento? Ontem à noite nos divertimos.

Ela o olhou furiosa.

— Não acredito. — ele ainda não tirava os olhos da tela — Sabe, carinho, tem que decidir de uma ou outra forma o que quer.

Ela suspirou com total aborrecimento. Nem os livros na estante eram dignos de atenção. Havia até de romance. Não é que não desfrutasse dos romances, contanto que fossem explícitos e bastante quentes. Os das estantes não o eram.

— Está me matando. — disse suspirando — Se queria me torturar, teve êxito.

Lançou-lhe um olhar com uma pitada de calor sexual.

— Como o fiz? — a ação na tela capturou seu olhar.

— Tanner, você assistiu ao menos seis horas disto. Gilligan altera meus nervos. — ela zombou — É um imbecil. Não poderia caminhar em uma rua da cidade sem que lhe dessem um tiro por sua estupidez.

— Não está em uma rua da cidade. — sorriu-lhe abertamente, quando um homem com um disfarce de gorila obviamente aterrorizava a cidade. O espetáculo deixava muito a desejar quanto a efeitos especiais.

— Isso é bom. Um menino de doze anos tem melhor senso.

— Scheme, é um programa. — a corrigiu brandamente — É para o prazer. Não tenta refletir a realidade.

— Ótimo. — pondo os olhos em branco — Embora uma pequena interrupção à realidade fosse agradável. Meia hora da CNN poderia salvar minha sanidade.

— Sua sanidade não esta em minha lista de prioridades. — Lhe assegurou, rindo pelo apuro do Gilligan outra vez.

Ela se levantou, envolvendo os braços através de seus peitos começou a passear pelo quarto. Não é que isto o incomodasse. Nas últimas horas tinha aprendido que nada o distraía da estúpida série.

— Onde estamos? — ela perguntou — Poderia me dizer apenas isso.

— Em meio de uma montanha. — lhe respondeu brincando.

Ela odiava os homens. Realmente os odiava.

— Onde está a montanha? — disse irritada.

— Em uma cadeia montanhosa.

— Tanner, qual fodida cadeia montanhosa? Por Deus, poderia me dizer ao menos onde estou.

Ela se voltou e o fulminou com o olhar. Ele não desviou sua atenção do programa. Estava, em sua maior parte, ignorando-a.

— Que mal faria? — perguntou.

— Que mal faria me dizer por que lhe golpearam antes, como seu ex-amante falou? —replicou, com voz casual, quase indiferente.

“Não foi suficiente a surra do mês passado? Será que tem que seguir tentando a sorte?”

As palavras de Chaz vibraram em sua mente. Demônios. Que mal faria dizê-lo? Jogaria este jogo a um ponto a frente.

Scheme o contemplou durante uns tensos momentos.

— Deixaria-me ter meia hora da CNN?

Ele girou a cabeça, suas grossas pestanas protegiam a expressão de seus olhos.

— Sim, se for a verdade.

Ela inalou bruscamente.

— Não lhe entreguei um relatório que chegou de uma missão das castas no Novo México. Por isso, meu pai não foi capaz de enviar uma equipe experiente para obter a informação que necessitava.

Informação do primeiro Leão, um casta que Cyrus esteve décadas procurando.

Aquilo conseguiu a atenção de Tanner. Seus olhos se entrecerraram.

— Sabe qual era a informação?

— Não é parte da pergunta. — lhe recordou tensa — Respondi com honestidade.

— Mas não totalmente. — encolheu os ombros — Não quero verdades pela metade. — sua atenção voltou para programa de televisão.

— A informação era sobre o primeiro Leão. — lhe respondeu — Esteve buscando-o durante décadas e ainda não tem nenhuma pista de onde encontrá-lo. Supunha-se que a informação perdida, por uma fonte desconhecida, era a localização de onde encontrá-lo. Agora, por favor, poderia trocar o maldito canal? — gritou-lhe.

O canal foi trocado. A CNN brilhou com uma gloriosa cor. Segunda-feira, 5 de setembro de 2023 e eram as dez da manhã. Uma hora, uma data. Um rápido cálculo lhe disse que tinha estado ali quatro dias. Voltando para sua cadeira, sua atenção se concentrou na televisão e nos acontecimentos mundiais que perdeu.

Era uma viciada da CNN; não podia evitá-lo. Podia olhar as notícias mundiais e às vezes predizer o que seu pai poria em marcha.

— Meu pai enviará uma equipe à Colômbia. — murmurou quando o repórter anunciou uma história a respeito da atividade terrorista em Bogotá — Das discórdias da América do Sul, é a melhor. São mais fáceis de controlar que as de Oriente Médio.

Tanner lentamente se sentou.

— O que te faz pensar isso?

— O nome do grupo que o repórter deu. — lhe respondeu — O líder daquele grupo esteve em contato com Cyrus várias vezes. Cada vez que são notícia, Cyrus envia uma equipe com dinheiro em espécie e uma formação de apoio. O líder beija seu traseiro e o faz sentir uma figura paterna. Adora isso.

— A quem enviaria?

Os lábios do Scheme se moveram nervosamente.

— Teria enviado ao Chaz. Agora que está morto, suponho que enviará ao Dog. É seu chefe da Casta Coiote. Puro sangue-frio, com um excelente êxito em suas missões.

— Dog falhou em todas as missões contra a Casta. — grunhiu Tanner.

— Fez-o? — perguntou Scheme maliciosamente — Ou conseguiu enviar ao Conselho a informação necessária a respeito das defesas do Santuário e os protocolos de segurança de suas equipes? Faria bem em começar a realizar mudanças na forma em que defendem a base, assim como a forma em que chamam a suas equipes de apoio ou fazem um relatório. Não passará muito tempo antes que os programadores do Conselho consigam decifrar os códigos de segurança se continuarem utilizando os mesmos. O espião que tem dentro do Santuário obteve já, ajudou a decifrar vários pontos chave do código.

Ele se reclinou no sofá e a olhou enquanto seguia a pista às notícias.

— Por que me diz isso? — perguntou.

— Porque quero outra meia hora. — ela olhou o seguinte relatório atentamente — Olhe aquele senador, por exemplo. — assinalou-lhe com a cabeça a tela — Meu pai esteve galanteando-o durante anos; está seguro de ter bastante informação contra ele para começar a chantageá-lo com qualquer voto a respeito das castas que suba ao Senado. Aquele senador em particular tem uma filha que não é tão cuidadosa como teria que ser. Meu pai terá o que necessita dentro de um ano, espero.

— Esta informação já chegou ao Escritório. — informou Tanner.

Dirigiu-lhe o que ele esperava que fosse um olhar surpreendido.

— Então alguém já está no caso.

— Assim parece. — murmurou pensativamente.

Scheme ignorou. Enquanto as notícias chegavam através da tela, recostou-se e as olhou atenta. Sabia de várias missões nas que seu pai interviria no Oriente Médio e contribuiria para estimular outro conflito. Quantos mais políticos estivessem preocupados com os terroristas do deserto, menos atenções poriam nas questões raciais que tinham em casa. Especificamente a questão das castas.

Quando as notícias do estrangeiro trocaram pelas dos Estados, a história da filha perdida do general chegou através da tela.

Scheme se esticou quando a expressão de seu pai, supostamente aflito, encheu a tela.

— Independentemente do que Scheme fez, não merece morrer. — disse em resposta à declaração de uma repórter de que ela poderia ter sido sequestrada em represália pelo ataque contra a base das castas, o Santuário, meses atrás — Se ela usou meus contatos e meus recursos para infligir mais dor às castas, então deveria ser tratada pelos canais apropriados. A justiça não serviria lhe fazendo mal, ou Deus não permita, lhe tirando a vida.

Seu lábio tremeu quando a tela se enegreceu.

Seu olhar se dirigiu ao Tanner e ao controle remoto que deixava no sofá a seu lado.

— Religue-o. — explodiu — Quero ouvi-lo.

— Sua meia hora terminou. Na realidade foram aproximadamente quarenta minutos. Deve-me o tempo extra.

— Infernos. Ligue-o.

O bastardo mentiroso. Sabia que seu pai era um monstro; soube durante anos, a maior parte de sua vida, mas não se deu conta do bom ator que era.

Indiferente, Tanner a olhou fixamente.

— Não.

Seus punhos se apertaram aos lados.

— Por quê? — disse — Tem medo de que acredite realmente em suas mentiras? Que pudesse voltar para seus amorosos braços? — ela provocou.

— Não. — lhe disse brandamente — Estou mais preocupado por que se tiver que cheirar o aroma de sua dor por mais tempo, terminarei perdendo o controle e irei eu mesmo atrás de sua garganta. O que não será de muita ajuda.

Ela bufou de ódio.

— É claro que se incomodaria por ele me bater. — grunhiu — Agora por que não o pensei antes? Uma casta estaria, é óbvio, preocupada com o bem-estar de uma Tallant.

Não.

Ela o sabia.

— Tanner, não me resgatou de Chaz, sequestrou-me para seus próprios fins e me mantém aqui pela mesma razão. Tudo isto é só para me foder? — disse sarcasticamente — Ah, sim, posso vê-lo. É somente por estar fodendo a filha do homem que torturou a sua maldita família. — com um escárnio terminou a frase — Sabia. Só me diga o que quer, Tanner. Qual é o custo de minha liberdade?

— Sua segurança.

Fulminou-o com o olhar, sua expressão denotava incredulidade. Só o espião de seu pai se preocuparia em como ela poderia cobrir seu traseiro.

— Minha segurança. — repetiu glacialmente — Me diga qual. Libere-me, me dê um celular seguro e dentro de umas horas, estarei segura. Prometo-o. Tudo o que tem que fazer é me soltar.

— Primeiro me diga a quem chamaria. — ele se levantou do sofá flexionando seus músculos — É ao mesmo bastardo que roubou aquela informação no Novo México no mês passado?

— Se tivesse tanta sorte. — ela explodiu — Não, Tanner, meu contato não é seu ladrão desconhecido. E tampouco é de sua incumbência. Agora me solte.

Ficou de pé no lugar quando ele se aproximou majestosamente, seu corpo se arrepiou pela tensão, seus olhos giraram. Desta forma, se parecia mais com um animal que com um homem. O mesmo controle, os elegantes movimentos do Bengala. Quase preguiçosos, calculando cada movimento de seus ossos e músculos com uma graça animal inata.

Não pôde controlar o estremecimento quando a tocou. Mesmo quando suas mãos se colocaram na fina seda que cobria seus quadris, e seu peito roçou seus mamilos que de repente se incharam.

— Não posso deixa-la ir. — disse brandamente, baixando sua cabeça até que viu a intensidade sexual de seu olhar.

— Por quê? — suas mãos se colocaram em seu peito, não afastando-o, não aproximando-o. Só tocando-o, sentindo seu calor — Me comeu. É tempo de terminar o jogo.

Uma mão se moveu da cintura até tocar a bochecha, acariciando com o polegar os lábios separados. A cólera se derretia sob o prazer apesar de suas tentativas de aferrar-se a ela. Precisava estar zangada com ele. Necessitava uma defesa contra seu toque, além da suspeita de que podia ser o espião de seu pai.

— Não sei. — franziu o cenho — Talvez porque não confie em ti. Muitas pessoas querem te matar. E talvez necessite mais disto.

Sua cabeça baixou e seus lábios estavam sobre os seus outra vez. Separando-os, deslizando sua língua dentro dela, gemendo.

Separar-se dele era quase impossível. Mais do que era capaz. Quando retrocedeu, era consciente de suas debilitadas coxas, da suave umidade, o calor entre eles e o formigamento de prazer que permanecia em seus lábios.

— Não pode me prender para sempre.

— Não aposte. — suspirou ele grosseiramente — Neste momento, Scheme, não aposte nada. Não antes que entenda o enigma que é. Foder comigo não mudará as coisas; só fará com que o tempo seja mais agradável.

— Não sou um enigma que possa entender.

Sua voz foi curta, zombadora.

— Infelizmente, amor, é exatamente o que é. Pela razão que seu pai te quer morta, a razão pela que foge. Poderia fazer uma lista de perguntas para começar, se o desejar. — de repente seus olhos brilharam alegremente, convidando-a a participar.

— Encontrarei a saída. — lhe advertiu desesperada.

— Não vai acontecer, carinho. — ele suspirou, retornando ao sofá — Mas te digo que, venha aqui e me abrace, que te deixarei ver o AIN. Eu gosto mais.

A Agência Internacional de Notícias. Era melhor que nada.

— Te abraçar? — ela perguntou incrédula.

— Sim. Abraçar-me. — ele se sentou, esticando uma longa perna no sofá e apoiando a outra no chão — Vamos doce, olharemos juntos as notícias ou posso continuar vendo Gilligan. Ainda ficam várias horas.

Ela se estremeceu quando acariciou a área entre suas pernas.

— Desafio-te.

Seus olhos se entrecerraram quando levantou o controle remoto.

— Notícias ou Gilligan. Faça sua escolha, doce.

Só não queria sentar-se ali, recostada em seu amplo peito, com seus braços a seu redor. Sentindo um calor com o que só tinha sonhado, sentindo essa necessidade que nunca se permitiu reconhecer antes de Tanner.

Ela era fraca. Tão fraca.

— Não te permitirei me incomodar. — explodiu.

— Não te permito fazer as regras. — ele grunhiu — Agora venha aqui, bonita, antes que eu mude de opinião. Sabe, estive esperando com muita ansiedade durante meses a maratona da Ilha de Gilligan. Tem sorte de que te faça a oferta.

Deveria sentir-se culpada por não deixá-lo ver sua série, estava segura.

— São repetições, pelo amor de Deus. — com cuidado se colocou no sofá entre suas coxas, girando para a televisão e recostando-se desconfiadamente.

— Estão em ordem. — argumentou ligeiramente, puxando-a totalmente contra seu peito — Mas te abraçar poderia me compensar. Sabe, Scheme, não abraço a muitas mulheres. — disse quando acendeu a televisão.

— Cabal as abraça por você? — provocou-lhe.

Ele riu contra seu peito.

— Não, Cabal tampouco abraça. Mas penso que eu gosto de te abraçar. — um braço se posou ao redor de seu estômago — Penso que eu gosto muito de te abraçar.

Como sabia ele que os acontecimentos mundiais e as notícias a fascinariam? Tanner o perguntou quando se recostou na esquina do sofá e observou as notícias.

Scheme era um peso agradável contra seu peito, sua cabeça em seu ombro, seu cabelo estendido através de seu peito.

Quantas vezes entrou na suíte privada de Callan e Merinus encontrando-os deitados em um sofá como este, olhando telenovelas. Seu orgulhoso líder estava fascinado com as telenovelas de sua companheira.

Para um homem que nunca se preocupava muito pela televisão antes de emparelhar-se, Callan se tornou uma pessoa viciada no sofá durante as tranquilas tardes no Santuário. Era isso, ou ele antes realmente não sabia que assim podia sustentar a sua companheira com intimidade enquanto olhavam os programas.

Mas Scheme não era sua companheira. Tinha estado comprovando constantemente os sinais, a prova era que sua língua estava machucada de tanto esfregá-la sobre os dentes para comprovar as glândulas. Não havia nada.

Desejava-a.

Sofria por ela com tanta força que o voltava louco, mas não havia nenhum hormônio de acoplamento, nenhuma sensibilidade estranha em sua pele.

Era possível que uma casta se apaixonasse sem emparelhar-se? Inclusive os cientistas que investigam o fenômeno não tinham nenhuma resposta. Até agora, cada casal emparelhado parecia profundamente apaixonado. Embora o acoplamento sempre viesse primeiro. A correspondente química, a biologia de duas almas que são compatíveis, que se teriam apaixonado de todos os modos. Mas o calor o assegurava.

Não existia calor de acoplamento com a Scheme.

Deveria sentir-se aliviado, despreocupado; em troca, a pena quase o afogava.

Enquanto olhavam, informaram das notícias das castas. Jonas estava parado diante dos Escritórios de Assuntos das Castas, negando a participação no desaparecimento de Scheme e declarando que as castas sempre entregavam aos suspeitos ou colaboradores dos membros do Conselho às autoridades federais uma vez que tinham provas contra eles.

Respondeu aos repórteres com aquela voz dura, quase um grunhido, uma ameaça em seu rosto fez com que Tanner risse.

— Jonas odeia aos meios de comunicação. — disse contra o cabelo de Scheme, respirando seu aroma.

— Embora não seja tão ruim lidando com eles. — comentou ela, sua voz soava muito mais tranquila que o aroma de sua excitação.

— Queixa-se durante horas depois de ter que dar uma coletiva de imprensa. — acariciou com seu rosto o cabelo dela, a grossa seda agradável a seu contato — Então normalmente liga e se queixa comigo por não aguenta-lo.

— Não ouvi o telefone. — indicou — A reportagem foi feita ontem.

— Estava dormindo. — ele sorriu contra seu cabelo, permitindo que seus dedos se pousassem em seu ventre para roçar a seda de sua camisa com pequenos círculos. — Me ameaçou, Scheme. Algo sobre trutas recheadas alcançando meu traseiro.

— Não captura qualquer truta. — sua voz estava sem fôlego, rouca.

Encarar Scheme com a fome que se elevava entre eles não funcionaria; averiguou-o ontem à noite. Um homem tinha que esperar até que a fome fosse mais do que pudesse suportar. Não é que estivesse completamente cômoda por isso, pensou com um sorriso. Sua Scheme era tão cautelosa como um gatinho.

Também tinha um maldito controle.

— Isto é mais divertido que apanhar truta. — lhe lambeu o interior de seu ouvido — Tenho que ter mais paciência. Callan diz que deveria trabalhar mais na questão da paciência que tenho.

Uma suave, feminina e silenciosa risada emergiu de seu peito.

Ela se recostou contra ele, relaxando-se um pouco mais e quando o fez, o doce aroma feminino se voltou mais espesso. Maldição, amava aquele aroma antes de encontrá-la, mas agora seu particular aroma o tinha viciado. Era doce e tingido com especiarias, como calda crocante durante as manhãs de inverno. Isto o fazia babar e seu membro palpitava.

— Já eu gostaria de te ver com a questão da paciência. — disse ela brandamente — Essa preguiçosa atuação de Casta Bengala não engana a ninguém.

— A maioria das pessoas se engana. — disse com um sorriso — É uma pequena perspicaz, bonita. Vê-me como sou.

— Estudei-te. — confessou — Durante anos. Estudei seus arquivos do laboratório comparando-os com o personagem que projeta. Tanner, mentiu a muita gente. Quase posso saber quando mente pela televisão.

— Hmm, é perigoso me confessar culpado. — se queixou, sentindo um calor que não deveria ter sentido, porque ela conseguiu aprender tudo sobre ele — Posso ver-te sentada diante da televisão dizendo a seu papai quais são os projetos das castas quando me olhava mentindo.

Ela ficou silenciosa.

— Fez-o? — sussurrou-lhe.

— Não. — disse com um toque de tristeza — Era para o que ele me treinava, para ser uma observadora. Desgostava-se quando eu não podia lhe dizer o que tinha que saber.

— Então te batia?

— Nem sempre. — ela mentia, e era uma perita mentirosa, ele só podia perceber o aroma da mentira. Não queria que soubesse que mentia. Pela razão que fosse, esta mulher que deveria ser sua inimiga não queria que soubesse que ele era a razão de qualquer dor que ela houvesse sentido.

Mordiscou-lhe a orelha.

— O que foi isso? — inclinou a cabeça para trás, com o cenho franzido e o fulminou com o olhar.

— Foi por mentir pra mim, bonita. — grunhiu, baixando os lábios aos seus porque não podia resistir a eles. Necessitando seu sabor, para limpar o aroma da mentira de sua cabeça — Nunca minta para mim.

Ele não tomou facilmente, não foi um beijo gentil e certamente não lhe pediria permissão. Pedir permissão a esta mulher seria começar imediatamente uma discussão.

Ela lutou sem força quando a pôs de lado, movendo-a com seu forte braço para poder penetrá-la mais profundamente com a língua.

Uma mão pressionou seu peito, a outra seu flanco. Seus pequenos e afiados dentes morderam sua língua; seus lábios.

Ela se afastou; ele enterrou a mão em seu cabelo, cavando-a no couro cabeludo e forçando sua boca na dela, deixando que o mordesse.

Maldição, sentia-se bem. A pequena mordida aguda, um movimento rápido de sua língua, e ele estava preparado para gozar em seu jeans. Sua outra mão lhe agarrou a mandíbula, mantendo-a quieta, seus dedos controlaram sua capacidade de morder quando os lábios cobriram os seus, sua língua penetrou na boca com tal fome que deveria tê-lo preocupado.

Piscou, curioso, sua pequena língua encontrou a sua, a luta, uma batalha acaloradamente erótica que terminou com uma de suas mãos enterradas em seu cabelo e os seios pressionando seu peito quando ela se virou, suas pernas rodearam seus quadris, elevando-se sobre ele, tomando o controle.

Merda. Agarrou seus quadris, puxando-a para ele, esfregando a buceta dela contra seu pau coberto pelos jeans. Os magros dedos se emaranhavam em seu cabelo quando o começou a montar, a seda de suas calças se deslizava contra seu jeans, seu calor passava através dela, sobre seu membro.

Caralho. Ele ia fodê-la. Se não a comesse, ia morrer. O de ontem à noite não foi suficiente; apenas intensificou seu apetite.

Tirou as mãos de seus quadris, para leva-las aos seus peitos, quando de repente, muito rápido, ela se foi. Tropeçando, girando, com seu cabelo criando um leque de seda, o enfrentou, empurrando-o para trás com impaciência.

— Veja Gilligan. — disse com aspereza — Disse-lhe que não o fizesse.

— Caralho. — recostou a cabeça contra o sofá e olhou o teto de pedra, quase a ponto de lhe implorar. Merda, se achasse que implorar para que montasse seu membro funcionaria, estaria de joelhos frente a ela.

— Sim, infernos. — esbravejou totalmente de acordo — Encontre algo mais que te divirta enquanto me retém aqui, Tanner, porque ficarei louca se ficar vendo suas estúpidas séries.

Levantou a cabeça quando ela caminhou majestosamente à entrada da caverna.

— Aonde vai? — chamou-a com um suspiro.

— Encontrar a saída daqui. — replicou — Agora mesmo. Tive o bastante de ti e o bastante de paredes de pedra. E quando o fizer, encontrarei essas estúpidas trutas e as empurrarei em seu traseiro, pelo Jonas.

Com isto, ela caminhou majestosamente descendo pelo escuro túnel, as suaves luzes brilhavam acesas pelo caminho enquanto os lábios de Tanner se moviam compulsivamente. Se ela pudesse encontrar o acesso oculto, então era bem-vinda.

Pegando o controle remoto, trocou de canal, rindo entre dentes quando viu Gilligan fazendo funcionar uma máquina de lavar roupa impulsionada por uma moto.

Podia estar tão excitado que estava a ponto de explodir, mas tinha tempo, assegurou-se. Tempo para entender por que ela o atraía, tempo para entender como salvá-la.

 

Scheme não tinha encontrado a saída das cavernas, e isso não ajudava a aliviar a frustração que aumentava em seu interior. Em seu desespero, arrastou-se à cama, colocou as mantas sobre a cabeça e rezou para dormir.

O sono finalmente chegou apesar de saber que Tanner estava nu ao seu lado. Nu, duro e ainda esperando acalmar o calor aumentando dentro dela. Embora fosse um sono agitado, infestado de pesadelos e a certeza de que Tanner seria sua morte. Eles a tinham seguido, escurecendo a paisagem do sonho, até que por último, obrigou-se a despertar, e enfrentou o verdadeiro pesadelo.

Estava escuro.

Mas tinha os olhos totalmente abertos.

Os olhos estavam abertos e o coração pulsava fortemente enquanto o pânico começava a assentar-se.

Era uma escuridão total.

— Tanner? — incorporou-se na cama, apertou as mantas com os dedos enquanto escutava.

Não havia luz, nenhum som.

— Tanner, onde está? — não ia assustar-se.

Forçando os dedos de uma mão a soltar-se das mantas, tombou-se de lado na cama, ignorando os tremores que começavam a crescer em seu corpo.

Tinha estado aqui antes, recordou-se. Na escuridão, perdida, sem saber onde estava ou o que lhe aguardava.

— Tanner, não brinque disto comigo. — disse com brutalidade, sua voz forte na escuridão, quando encontrou vazio o seu lado do colchão — Onde estão as luzes?

Ela não tinha encontrado interruptores nos muitos dias em que já estava lá. Se estiverem aqui, estavam muito inteligentemente ocultos, como a saída.

— Isto está indo muito longe, Tanner. — gritou, olhando ao redor freneticamente, não vendo nada exceto a escuridão, não ouvindo nada exceto o som de seu próprio coração pulsando, sua própria respiração ofegante.

Não ia perder, prometeu-se. Não tinha perdido ainda, e não ia começar agora.

Mas estava tão escuro. Sua respiração ficou presa na garganta. Com as luzes apagadas, era como… Sacudiu a cabeça enquanto inalava asperamente.

Não estava enterrada viva. Estava em uma cama, uma cama muito confortável. A caverna tinha pelo menos dez ou doze pés de altura, recordou. Tinha lugar de sobra. Muito ar.

E estava enterrada viva.

— Tanner. Tanner, onde está? — chiou seu nome enquanto lutava por sair da cama.

De repente, o colchão não era um colchão, era um caixão, envolvente, sufocante. Os pés se embolaram nas mantas, fazendo-a tropeçar, tremia de frio, o piso era duro e seus dedos arranharam na pedra.

Podia sentir a pedra lhe arranhando os joelhos enquanto tentava ficar de pé, só para cair outra vez quando as pernas se negaram a sustentá-la.

Era temor, isso era tudo, disse-se freneticamente. Sua mente tinha sido fodida muitas vezes, a escuridão usada contra ela de muitas maneiras. Tinha sobrevivido a isso então sem revelar seus segredos; poderia-o fazer agora. Era mais forte que isto, disse-se. Podia sobreviver a isto.

Mas conhecia as debilidades de seu pai. Não tinha a menor ideia de quão longe iria Tanner ou se voltaria. Podia tê-la deixado ali para morrer na escuridão. Para asfixiá-la em seus próprios temores.

— Tanner, não me faça isto. — chiou, tremendo, sentindo o frio do ar envolto a seu redor. Fazia frio. Tanto frio.

Estava tão escuro. Tinha que encontrar luz. Tinha que haver luz aqui em alguma parte. Aparelhos. Onde estava ela no quarto? Onde estavam os aparelhos?

Inalando com força, tentou fazer retroceder o temor. Levou-lhe o que pareceu uma eternidade, cada segundo se encheu com o som do coração fazendo um ruído surdo e os fôlegos ofegantes.

Podia fazer isto. Isto era uma caverna, não um ataúde. Tudo o que tinha que fazer era orientar-se.

Ainda ajoelhada no chão áspero, esticou a mão a seu redor, apalpando a pedra lentamente. Metodicamente. Tinha que fazê-lo passo a passo. Tinha que ser paciente.

Choramingava. Ouviu-se ofegar, assustada, enquanto as mãos encontravam o pé da cama. Bem. Estava aos pés da cama.

Conhecia esta caverna. Tinha passado dias caminhando por ela, conseguindo conhecer seu território. Tudo o que tinha que fazer era cruzar o quarto até a bancada. Havia uma luz dentro da máquina de lavar pratos.

Deu uma olhada ao redor desesperadamente, dando-se conta de que a luz digital que tinha estado antes na máquina de lavar pratos já não estava ali.

Não havia eletricidade.

Nada de eletricidade.

— Oh Deus, Tanner, por favor, não me faça isto. — não podia gritar agora. Sua voz era débil, e ela odiava o som suplicante em sua voz.

Não ia fazer isto! Scheme apertou os punhos enquanto se agachava, apertando os dedos fortemente contra o estômago enquanto lutava por reter a bílis revolta.

Não ia tampouco ficar doente.

Deveria saber que não poderia confiar nele. Embora tivesse estado perto, tão perto de considerá-lo. Ele parecia tão preocupado, tão furioso porque Chaz tinha tentado matá-la.

E como tinha suspeitado, tudo era uma atuação. Só uma atuação. Uma artimanha para conseguir a informação que seu pai desejava. Ele precisava saber o que havia nesse fax. Ele tinha trabalhado durante décadas por essa informação.

— Não sei nada. — ajoelhou-se antes de colocar as mãos sobre a boca para deter os soluços de súplica. Tinha parado de suplicar fazia anos. Tinha aprendido a aceitar que seu pai era um psicopata raivoso; que nenhuma quantidade de súplicas mudaria o que quer que tivesse planejado para ela. E nenhuma quantidade de súplicas mudaria o que quer que fosse que Tanner tinha planejado.

Mas sabia algo. Sabia muito. Sabia que David Lyons, o filho de Callan Lyons, seria raptado. Sabia que o primeiro Leão ainda vivia e onde poderia ser encontrado. Conhecia os rumores sobre os acoplamentos das castas que sabia que era verdade. Sabia o bastante para assegurar que seu pai enfrentasse a Lei da Casta antes que à Lei Federal.

Não podia respirar. Mudou as mãos dos lábios à garganta enquanto ofegava em busca de ar.

Estava tão escuro. Balançou-se para frente lentamente, lutando por manter a compostura enquanto sentia que o caixão a rodeava, sentiu o cheiro de seu próprio medo e urina ao redor.

Não era real. As mãos golpearam ao redor dela desesperadamente. Não havia caixão. Só uma caverna. E havia uma saída em algum lugar.

E Tanner retornaria. Ele esperaria, esperaria até que ela estivesse completamente histérica antes de retornar. Tentaria apaziguá-la. Para fazê-lo melhor. Então enquanto ela estivesse débil, quebrada, faria-lhe perguntas. Faria a prova.

Ela não tentou impedir que as lágrimas caíssem. Estava fodidamente aterrorizada; histérica não era dizer muito, não havia maneira de lutar contra isso. Conhecia sua debilidade, e também seu pai.

A escuridão. A completa escuridão, a restrição, embora pelo menos esta vez as mãos e os pés não estavam atados. Podia mover-se. Histérica, mas capaz de mover-se.

— Você, bastardo! — chiou — Você, filho da puta. Acredita que me enterrando viva vai conseguir que lhe dê algo que não tenho?

Riu. O som foi agudo, desesperado e se desintegrou em soluços.

Realmente, de verdade, odiava a escuridão.

 

Tanner se deixou cair pela abertura do teto do túnel antes de esticar-se e empurrar a pedra cuidadosamente em seu lugar.

As luzes piscaram, ativadas pelos sensores de movimento ocultos na pedra, proporcionando um resplendor débil para iluminar o caminho pelos túneis.

As luzes ativadas pelo movimento permitiam uma liberdade maior de movimentos, assim como um sistema de alerta precoce se os túneis fossem violados.

Pequenos sinais de advertência se acenderiam por cada túnel, a caverna e a cova que Callan havia cabeado. Os diminutos sensores vermelhos emitiriam um pulso de som, semelhante a um zumbido de eletricidade.

Abriu o painel em um lado da parede; a falsa pedra ocultava um pequeno teclado numérico digital no que teclou sua contra-senha automaticamente. O zumbido se desvaneceria e as luzes ativadas pelo movimento se acenderiam enquanto avançava a principal caverna.

Scheme estava ainda dormindo obviamente. Tinha deixado os sensores ativos ali quando saiu. Se tivesse despertado e saído da cama, as luzes se acenderiam. Uma vez que voltasse para a cama, desceriam de intensidade e se extinguiriam em menos de uma hora, como as luzes e a televisão a noite anterior.

Acabou passando mais tempo do que teria gostado, sorteando várias sugestões muito pesadas de Callan Lyons, para que voltasse a fiscalizar qualquer medida potencialmente prejudicial que surgisse do desaparecimento de Scheme Victory Tallant.

Esse segundo nome nunca falhava em lhe fazer arquear os lábios, se em aversão ou diversão, nunca estava seguro.

Quando girou no seguinte túnel, Tanner se deteve, um grunhido retumbou em sua garganta ante o som agudo quase animal de que ressonava na caverna.

Não havia maneira de que alguém pudesse ter invadido as cavernas sem que ele soubesse. Tirando de um puxão o controle remoto eletrônico dos sensores de seu lado, Tanner desativou as luzes automáticas antes de agachar-se e mover-se rapidamente para as câmaras principais.

Podia cheirar o terror, grosso e enjoativo. O terror de Scheme.

Os pequenos e guturais sons de incontrolável histeria lhe rasgaram a alma e trouxeram violentamente à vida o Bengala que espreitava dentro de si. Tanner pôde sentir como os lábios retrocediam em um grunhido silencioso enquanto comprovava o ar, mas só encontrou o aroma de Scheme e seu terror.

Inspecionou a área com sua visão noturna, se não perfeitamente, logo com suficiente claridade para assegurar-se de que nenhum inimigo espreitava ou lhe esperava.

Franziu o cenho quando se deslizou em silencio na caverna.

— Não sei nada. — soluçava ela — Por favor. Por favor, acenda as luzes. Por favor, Tanner… — seus soluços eram esforçados, esgotados. Histéricos.

— Scheme? — Tanner se moveu rapidamente através do quarto, encontrou-a aconchegada no meio do chão da caverna, nua, com o cabelo e os braços envoltos ao redor de seu corpo enquanto se curvava na pedra fria defensivamente.

Ajoelhando-se a seu lado, alcançou-a, curvava os dedos em seus braços quando ela se lançou.

As unhas lhe arranharam a bochecha enquanto seu grito lhe rompia os sentidos. Não havia prudência nesse grito. Havia só dor, temor e necessidade de escapar.

— Scheme. — agarrou-a pelos pulsos, atraindo-a de um puxão, tratando de sustentá-la enquanto ela lutava como uma fera. Um pequeno punho encontrou o lado de sua cabeça, o joelho chegou impossivelmente perto de seus sensíveis testículos.

Seus quebrados soluços ressonavam a seu redor enquanto a refreava. Envolveu os braços ao redor dela, encerrando-a contra seu peito enquanto um braço poderoso a sustentava e o outro alcançava o botão do controle remoto a seu lado.

A luz suave e agradável encheu o quarto enquanto ela se imobilizava de repente. E então pôde ver o seu rosto.

Pálida como uma morta, os olhos castanhos quase negros, o rosto ensopado com lágrimas. A vista disso era dilaceradora. Enfurecedora. Isto não era uma reação normal por ver-se presa na escuridão.

— Não sei nada. — chorou outra vez quando a deixou afastar-se de um puxão, levantando-se rapidamente quando ela tropeçou para a cama — Me abandonar na escuridão não mudará isso.

— Acredita que te deixei na escuridão para te castigar? — perguntou-lhe lentamente, a pena lhe enchia a alma ante as implicações de sua histeria.

— Não o fez? — sua voz era tenebrosa, rouca, enquanto dava um puxão à colcha da cama e a envolvia ao redor de seu corpo que se estremecia — As luzes não se acenderam. Não havia eletricidade nos aparelhos. — ofegava, lutava por respirar enquanto apertava seu corpo na colcha e se movia ao final da cama — De verdade acredita que vai funcionar? — gritou, sua expressão retorcendo-se de dor.

— O que é acredito que vai funcionar? — queria-a em seus braços. Não podia suportar ver os restos de terror que enchiam sua expressão.

— Acredita que apagar as luzes aqui é pior que estar de pés e mãos amarradas em um fodido caixão? Você, filho da puta, não tem nem ideia.

Raiva irreprimível, cheia de dor, temor, com o eco ressonante do horror, enchia sua voz e alagava a alma de Tanner.

— Alguém te enterrou viva? — era tudo o que podia fazer para manter a voz calma, para manter a atrocidade e a fúria fora de sua voz.

A risada dela foi amarga, cínica.

— Oh, realmente, Tanner. Investigou-me. Vigiou-me. Quanto tempo? Estava me vigiando a última vez que desapareci alguns dias?

Sim, tinha estado atrás dela. Assentiu lentamente.

— Quer saber onde estive? — sua voz era baixa, gutural.

— Esteve na propriedade de seu pai. — disse — Permaneceu uma semana.

— Fui enterrada viva em um caixão, no porão de meu pai, porque meu perfil sobre sua coiote predileta tinha uma falha. A coiote espionava o meu pai para as castas e fugiu. Paguei por isso. Ou já sabia, Tanner? Diga-me, sabia que castigo receberia quando Cyrus descobriu que sua coiote trabalhava para você?

Tanner apertou a mão no flanco. Essa tinha sido decisão dele, colocar a coiote no acampamento de Tallant, utilizando-a para conseguir informação não só sobre Tallant, mas também sobre Scheme. Mas isto não estava no relatório da coiote.

— Durante três dias, Tanner. — grunhiu — Fui trancada em um caixão, as mãos e os pés atados enquanto uma maldita voz eletrônica fazia a conta das horas de oxigênio que restavam.

O animal dentro dele rugiu de raiva. Uma raiva tão escura, tão violenta, que teve que refrear a necessidade de soltá-la, de ir caçar ao bastardo que se atreveu a lhe fazer algo tão perverso.

— Tirou-me dois minutos depois de que o oxigênio se acabasse. — disse — Você me deixou ar. Não podemos morrer se pudermos respirar.

Pode morrer de pena, pensou Tanner cruelmente enquanto sentia a pena bem dentro de sua alma. E ele estava preparado para esperar por isso.

— As luzes funcionam com sensores de movimento com um controle remoto. — olhou fixamente ao redor do quarto, vendo as mantas emboladas arrastadas sobre o lado da cama, a desordem indicava que ela se arrastou da cama, ou tinha tropeçado — Uma vez que sai da cama e te põe de pé, acendem-se. Tem que te pôr de pé.

Ela tropeçou outra vez; tremendo tanto que mal podia aguentar.

Merda. Ela estava tremendo como uma folha, a adrenalina e o terror ainda corriam por ela, podia cheirar sua negativa ao consolo, sua desconfiança para com ele, e isso era fodidamente muito ruim.

Tinha que sustentá-la. Se não a sustentasse ia romper se em pedaços.

— Não me toque. – ela lutou. Ele sabia que o faria.

Levantou-a em seus braços, Tanner ignorou os socos, enquanto lutava com ela no sofá, sentou-se, logo a puxou para seu colo.

— Está bem, Scheme. — sussurrou contra seu cabelo — Não acontecerá outra vez.

— Não necessito que me console, felino. — cuspiu com fúria — Não necessito que me toque absolutamente.

Tanner apertou os braços ao redor dela, enterrando o rosto no cabelo enquanto forçava a retroceder o grunhido que chegava aos seus lábios.

Que Deus lhe ajudasse, queria matar.

Pedindo a ajuda de Deus, ele queria matar. Queria estripar a seu pai e olhar como sangrava pelo que lhe tinha feito. A fome de matar quase lhe afligia, mas mais forte era a necessidade de abraçá-la, de acalmar o aroma de terror que ainda emanava dela.

Se não o fizesse, a besta se liberaria, e se alguma vez perdesse o controle, então possivelmente nunca o recuperaria outra vez.

— Provavelmente sou eu quem necessita consolo. — lhe grunhiu no cabelo — O sinto, Scheme…

— Não necessito seus clichês. — apertou os punhos com força, os músculos dos pulsos se esticaram ainda mais quando ele os segurou.

O fato é que ela não lutava para prejudicá-lo. No fundo, em lugares que não sabia que existiam dentro de si mesmo. Ela apenas se sentava em seu abraço, insensível, lutando por distanciar-se.

— Não tenho clichês. — enterrou o rosto mais profundamente no cabelo, inalando o aroma de pêssegos e medo. Tinha que desfazer-se desse aroma de medo — Não tenho desculpas. —acariciou-lhe a orelha com os lábios — Nunca acontecerá outra vez.

— Sobrevivi. Sempre sobrevivo. — inclinou a cabeça de um puxão e ele não teve mais opção que segui-la. Os lábios lhe roçaram o pescoço, e em menos de um segundo, ele cheirou sua resposta.

— Sempre sobreviveste. — sussurrou contra sua orelha — Era o modo predileto de castigo de seu pai, enterrar vivos às castas. Liberou-te. Nunca liberou uma casta.

Ela deixou escapar um afogado e agudo gemido enquanto baixava a cabeça e deixava cair uma lágrima no braço de Tanner.

— Sobreviveste, Scheme. — sussurrou — Para isto.

Os dedos longos e ásperos lhe tocaram a bochecha, fazendo-a girar o rosto para ele, Scheme sentindo a pena, o remorso, as emoções destrutivas que sempre vinham com o conhecimento de que tinha sobrevivido. Tinha sobrevivido quando tantos outros tinham morrido.

— Sempre sobrevivi. Inclusive à morte. — Lhe olhou fixamente aos olhos, dourados e verdes, misturados com luxúria, raiva e emoções indefinidas.

Ela lutou contra os soluços que queriam escapar, queria romper o exílio voluntário em que os tinha colocado tantos anos atrás.

— Às vezes, é a única maneira de ter êxito. Às vezes, o fracasso é uma opção, Tanner.

— Você não falhou. — tocou-lhe os lábios com os seus e ela se jurou que não responderia, que não lhe importava. Não necessitava o prazer; não o desejava. Nem agora, nem nunca. Debilitava-lhe e a destruía por dentro — Sobreviveste. Não te deixarei morrer, Scheme.

O que ele estava fazendo? Era um mentiroso. Um embusteiro. Tinha sido criado e treinado para enganar e matar. Foi criado para destruí-la. Porque só a destruição podia vir do prazer que golpeava nela ante o simples toque de seus lábios. Ligeiramente áspero, como veludo escuro, roçando os seus enquanto a língua aparecia para umedecer a união.

— Quero te saborear. — os olhos de Tanner olharam fixamente aos dela, escuros, cheios de calor — Bem assim.

A língua delineou a borda dos lábios outra vez quando ela os separou, piscando, acariciando-os com um calor úmido.

— Por todo seu corpo. — suspirou ela enquanto se sentia derreter-se.

Não podia derreter-se.

— Não. — implorou com rudeza, sentindo como outra lágrima lhe descia pela bochecha e Tanner trocava de posição, baixando-a em seus braços enquanto se inclinava sobre ela.

— Tenho que fazê-lo, Scheme. — uma mão se moveu sob a colcha, colocou-a sobre o estômago nu — Não o vê, bonita? Não posso lutar contra isso. Você pode?

— Não sou fraca. — o estremecimento lhe atravessou o corpo contradizendo sua declaração e ela sabia.

— Nunca fraca. — concordou ele, sua voz se voltou mais áspera, rouca — Tão forte. Mostre-me quão forte é, Scheme. Não posso vencer, por que não? Não importa o que faça.

Não importava o que ele fizesse.

Ela separou os lábios quando os roçou outra vez.

— Seja forte por mim. — grunhiu ele — Porque não sei se sou suficientemente forte para sobreviver sabendo o que eles têm feito a você.

Seu grito careceu de temor; faltou-lhe força. Em vez disso, estava cheio de fome. De necessidade. Ela separou os lábios completamente, elevou os braços para ele, curvou-os ao redor de seu pescoço enquanto o prazer começava a alagá-la.

— Sim. Merda, sim. Tome, Scheme. — grunhiu outra vez entre beliscões a seus lábios — Tão forte.

E ela o devorou. Tinha sido algum beijo alguma vez tão bom? Arrebatador. Pôde saborear a excitação de Tanner, defumada e escura, fazendo que seus sentidos se cambaleassem quando se chegou por mais.

Entrelaçou a língua com a dele, atraiu-a a seu interior e saboreou o sabor selvagem que enchia seus sentidos. Era tão forte, tão deliciosamente intenso que quando ele se encheu a mão com o quente peso de um seio inchado, sentiu-se natural… Os dedos em sua carne, rodeando o mamilo, apertando-o e enviando chamejantes fragmentos de sensações a sua vagina.

Precisava ser tocada. Doce Deus, por dentro e por fora, necessitava seu toque. A fome por isso, o desespero entristecedor lhe atravessava o corpo, fazendo-a não só necessitá-lo, mas também desejá-lo.

— Vou te fazer gritar por mim. — grunhiu enquanto empurrava seus quadris contra os dela, os dentes lhe arranharam a mandíbula antes de ir para o pescoço — Me implore. Quero que me suplique que te coma, que tome, rogue por meu pau empurrando dentro de ti.

A cabeça de Scheme caiu sobre o braço de Tanner enquanto as explícitas demandas enviavam espasmos de destrutiva necessidade a atacar sua vagina.

— Eu não suplico. — gemeu.

— Você suplica. — ele se moveu de repente, retorcendo-se até que ela esteve debaixo dele com as pernas abertas, seu duro corpo se esticou entre elas — Te observei. — grunhiu — Horas onde esse assassino bastardo te tocava, te fazendo implorar. Fazendo-te gozar. Vai rogar mais forte agora. Vai gozar com mais força.

Ela deveria se sentir envergonhada. Humilhada. Ele a tinha visto tendo relações sexuais. Ele tinha visto sua busca por algo que tinha acabado por acreditar que não existia. Algo que tinha encontrado com o Tanner. Satisfação.

Mas não estava envergonhada, nem humilhada. Era excitante. Cativante.

— Me toque. Não me deixe pensar, Tanner. — arranhou-lhe os ombros com as unhas e levou os dedos aos botões de sua camisa.

Ela agarrou, rasgou, ficou sem respiração ante a excitação quando os botões saltaram da camisa, dispersando-se ao redor deles, revelando seu duro e bronzeado peito.

— Sonhei fazendo coisas que eles nunca fizeram. — os lábios de Tanner se retrocederam, revelando os incisivos agudos e malvados nos cantos da boca — Tenho feito listas.

Com as mãos ainda agarrando a camisa, lhe olhou fixamente com surpresa.

—Anos. — Tanner baixou a cabeça — Te vigiei durante tantos anos, dolorido, morrendo por dentro porque não podia te ter.

Ela separou os lábios, mas não para seu beijo.

— Por que olhava?

— Porque precisava te conhecer. — sussurrou — Ver-te. Precisava me assegurar, cada vez, que embora eles tocassem seu corpo, esses bastardos não lhe possuíam.

Ela o viu em seus olhos. Ele possivelmente mentia a respeito de muitas coisas; poderia ser muito bem o espião que seu pai lutava por controlar. Mas nisto, dizia a verdade.

Ela negou com a cabeça lentamente.

—Nenhum homem me possui.

—Eu o faço.

 

Scheme elevou o olhar para Tanner confusa e chocada enquanto ele deslizava os restos de sua camisa pelos ombros. Os músculos se contraíram sobre seu peito e bíceps, a restrição que ele mesmo havia se imposto era claramente visível na sua expressão tensa e o fulgor de seus olhos.

A possuía? Se não fosse nesse momento, então seria em breve.

— Observou tudo? — ela estava nua debaixo dele, o edredom jazia debaixo dela e estava muito afastado de seu corpo enquanto os olhos dele a percorriam.

— Tudo. — sua voz era uma provocação, um rouco vaio — Seus amantes eram bons. Mas eu sou melhor.

O coração dela pulsou apressado enquanto as mãos desciam até o cinto que segurava o jeans em sua cintura.

— Mostre!

— Nunca terá outro melhor que eu. — sorriu ele apertadamente — Demonstrei isso à outra noite, Scheme. Sei.

— Demonstra-o. — ela o necessitava. Precisava aplacar o grito de exigência que pulsava através dela nesse momento. Terror, prazer e perigo se misturavam, enquanto a adrenalina se precipitava em seu interior começando a aumentar — Mostre, Tanner. Agora.

Scheme lhe observou com antecipação enquanto a cabeça dele abaixava, seus lábios entreabertos. Ela sofria por esse beijo. Necessitava-o.

Mas não foi um beijo o que chegou. Os dentes dele rastelaram sobre seu pescoço, os agudos e pérfidos incisivos, rasparam sobre seu pulso antes de mover-se até o ombro.

Para então mordê-la. Não profundamente. Não o suficiente para romper a pele, mas a detonação de prazer/dor que teve a fez arquear-se para ele, um gemido rouco escapou de seus lábios.

— Acredita que não posso? — grunhiu quando se separou dela para imediatamente levantá-la em seus braços.

Ao seguinte instante ela estava ricocheteando na cama, ásperos dedos a agarraram pelos tornozelos para atraí-la para frente, dirigindo seu sexo diretamente até a ansiosa boca.

Ela não tinha esperado isto. Era a única desculpa que tinha. Tinha esperado suavidade, gentileza. Muitas carícias e preliminares. Era assim que os homens reagiam quando sentiam que tinham que competir com os antigos amantes de uma mulher. Eles brincavam. Aumentavam as carícias e o prazer até que ela perdia todo desejo de finalizar o ato.

Mas isto não era um jogo.

Ela gritou seu nome, e tinha jurado que não o faria. Mas o prazer explodiu através de seu corpo quando a língua se deslizou por sua carne torcida, pouco antes que seus lábios se pousassem sobre o clitóris e sua língua se voltasse faminta.

O orgasmo que a atravessou foi delicioso. Aterrador. Não houve nenhuma advertência, nenhuma razão para a explosão de êxtase que percorreu cada terminação nervosa e fez convulsionar sua matriz com espasmos de liberação, mas tampouco nada que o contivesse. E nada que o parasse.

Quando os ondulantes espasmos de êxtase convulsionaram por sua vagina, ele estava ali. Sua língua lambia, bebia a lambidas, levando-a mais alto, aumentando as chamas a um grau tal de prazer que nunca esperou.

— Tanner… — gritou seu nome com suas mãos enterradas no cabelo dele, e a parte superior de seu corpo se elevava, estremecendo-se em resposta ao repentino e feroz orgasmo que a assaltou de novo.

As coxas dela rodearam apertadamente a cabeça de Tanner tanto como seus quadris se balançavam, seus pulmões lutavam por ar enquanto ela olhava sem ver para o teto.

Não lhe deu nenhuma trégua. Tocou-a, virando-a ao avesso. Suas mãos, seus lábios, sua língua. Sensações acaloradas, rajadas de elétrico êxtase vibraram por cada terminação nervosa que tinha estado sem tocar por muito tempo.

Ele tocou seu corpo; em seguida chegou ao interior e tocou sua alma, sussurrando sua necessidade dela, sua fome por ela, conduzindo-a aos limites de sua própria sensualidade antes que voasse mais alto, estendendo-se por mais. O suor empapou seu corpo, deixando-a escorregadia, úmida, tanto por dentro quanto por fora, enquanto os sons de seu prazer ecoavam ao redor dela. Isto era tocar. Puro toque. Como tinha podido viver sem isso antes? Como tinha vivido sem os beijos de Tanner, sem sua voz rouca lhe sussurrando seu prazer, sem suas mãos que a atraíam mais perto, acalmando-a, excitando-a, esquentando os lugares frios de seu interior?

Nunca. Ela nunca tinha conhecido algo assim. Ela tinha sorte quando chegava uma vez ao orgasmo durante o sexo, duas vezes então, nem pensar… E agora outro estava se formando, ardendo, explodindo através dela enquanto se arqueava, fazendo com que sua vagina se apertasse contra a boca dele e as pernas tremessem em resposta ao agarre que exercia sobre ele.

Contorcendo-se debaixo dele, agiu como ele tinha jurado que faria. Implorando. Suplicando, e jurou que a umidade em seu rosto era suor, em vez de lágrimas, quando ela sentiu que a escuridão no interior de sua alma alcançava o quente fogo que começava a formar-se dentro de seu peito.

Antes de poder antecipar ou mesmo considerar o seguinte movimento de Tanner, ele caiu fora, suas mãos a agarraram pelos pulsos enquanto a levantava para fora da cama.

E estava nu. Gloriosamente excitado, seu membro se sobressaía de seu corpo, vermelha e grossa.

— Tem o sabor de um fodido raio de sol. — grunhiu ele quando sua mão a agarrou pela cintura só para empurra-la de volta à cama. No segundo seguinte ele estava sobre um joelho diante dela, o outro pé plantado através de seu corpo para então acomodá-la em uma posição sentada — Agora, carinho, vamos ver quão faminta está por mais.

Ela estava faminta. Faminta de todo ele. Desesperada. Dolorida.

Uma de suas mãos a agarrou pelo cabelo enquanto a outra agarrava sua dura ereção.

— Vamos, Conspiradora. Acabe comigo, bonita. Faça com que eu suplique agora.

Os olhos de Tanner brilharam dourados quando os lábios se abriram e sua língua se deslizou de repente sobre a grossa cabeça. Ela podia sentir crescer dentro de si uma perigosa e destrutiva sexualidade contra a qual sempre tinha lutado.

Algumas coisas podiam ser muito boas. Muito viciantes. Como respirar. Como Tanner.

— Inferno que sim. — gemeu ele, enquanto lentamente alimentava com a úmida cabeça a boca de Scheme — Tome, carinho. Mostre-me quão faminta está.

E ela estava faminta. Tão faminta que agora nada importava, além do prazer dele e dela. Porque cada gemido que saía da garganta de Tanner só alimentava sua própria luxúria.

— Ah, sim. — ele olhava como a boca de Scheme envolvia o comprimento de seu membro. Seus olhos estavam concentrados, não nos dela, mas em seus lábios — Segue assim, bonita. Chupe meu pau. Mostre-me como é boa nisso.

E ele sabia como ela era boa. Scheme sentiu que seu rosto ardia ante o sórdido conhecimento de que ele a tinha observado fazer isto em outros tempos. Em outros homens. E como lhe tinha prometido, nada do que tinha conhecido antes podia comparar-se com este prazer.

— Não se atreva a parar, Scheme. — lhe advertiu ele então — Tomará tudo isto. Cada fodida gota de sêmen que possa derramar-se nessa pequena e ardente boca.

Ela gemeu, tanto pelo dominante erotismo como pelo ato em si. Mas se acreditava que ela fosse se render, estava equivocado. Ela só aceitaria o que desejava. E estaria fodida se lhe entregasse isto tão facilmente.

Os olhos dela se estreitaram quando puxou-lhe os pulsos, obrigando-o a soltar o controle que ele tinha no banquete que ela ansiava.

Sua mão não podia rodeá-lo, mas sabia como compensar isto. Seu vibrador favorito frequentemente tinha fingido ser seu amante, e ele sabia. Ele sabia quanta vontade tinha ela de provar, tocar, e lhe deu o que ele tinha visto e mais.

A outra mão segurou seus tensos testículos, seus dedos brincaram com eles, os fazendo rodar até que sua palma agarrou o saco firmemente.

Ele grunhiu outra vez, um áspero grunhido saiu de sua garganta enquanto os músculos de suas coxas se apertavam e a cabeça de seu membro palpitava.

— Te vi com esse puto vibrador que às vezes fodia. — lhe disse então — Chupando-o, enchendo sua boca com ele.

Ela gemeu em resposta.

— Sentia-o. Sentia sua boca em meu pau quando o chupava. Sentia seus dentes… — o pequeno rugido que saiu dos lábios dele fez que os sucos se derramassem de sua vagina — Merda, sim. — os dentes de Scheme roçaram na avultada cabeça antes que sua boca o chupasse outra vez e a língua começasse a brincar com trêmulas carícias.

Suas mãos se esticaram sobre o cabelo dela, os dedos se curvaram contra o couro cabeludo, puxando os fios, enviando rápidas rajadas de prazer/dor por zonas erógenas que ela não sabia que possuía.

— Amava ver como te dava prazer. — ambas as mãos estavam sobre seu cabelo agora quando os quadris dele começaram a mover-se, seu membro a fodia com curtos e duros golpes — Vendo o que desejava e não podia te dar.

Ela estava presa por seus olhos, o dourado âmbar misturado com verde, refulgindo detrás das espessas e douradas pestanas salpicadas.

— Eu sonhava com a porra da sua boca. — sua profunda voz enrouqueceu.

A língua lhe roçou sob a cabeça, pressionando, acariciando, e ela foi recompensada por uma gota de líquido pré-seminal, quente, terroso, cujo sabor disparou uma resposta quase explosiva em seu interior.

— Sonhava sentir sua língua. Fodendo assim. — ele puxou mais forte seu cabelo. Os olhos dela quase se fecharam de prazer — Te olhando. — seus golpes aumentaram — Sentindo-se. Chupe mais fundo. Mais fundo, neném. — ele se deslizou até quase sua garganta, onde nenhum homem tinha sido admitido antes... Até agora.

Sua língua alisou, acariciou a sensível carne sob seu membro, e ela sentiu cair outra gota de líquido da grossa carne.

— Vou gozar.

Os dedos dela se apertaram sobre sua base, o dedo do meio encontrou a grossa veia que subia pelo pênis, acalmando sua liberação.

Tanner jogou a cabeça para trás, seu corpo empurrando para frente, suas mãos puxaram o cabelo dela com mais força quando ela começou a chupá-lo mais profundamente, enchendo sua boca com a grossa e dura carne, que palpitava eroticamente sobre sua língua.

O som de sua respiração encheu o quarto. Roucas, suspiros ásperos. Só se ouviam os grunhidos dele, os gemidos dela enquanto trabalhava com a boca sobre a grossa cabeça e o pênis impossivelmente duro.

— Continue assim neném, engole meu pau. — grunhiu ele — Mostre-me como você é, má e doce. Dê-me isso.

A mão que acariciava seu escroto se moveu até o possante pênis quando ele ameaçou indo mais fundo do que ela podia aguentar. Os dedos da outra mão seguiram jogando com a veia posterior, adiando sua liberação, forçando ao máximo a sensibilidade de seu membro.

Ela tinha sonhado fazer isto. Controlar a liberação de seu amante, encontrando a um amante complacente que lhe permitisse jogar também, deixar provar, tocar e transportar a ambos em um frenesi de necessidade.

E Tanner gostava de jogar. Uma mão caiu de seu cabelo, pousando-se no ombro dela, para logo tocar um inchado seio.

Os dedos lhe agarraram um mamilo, beliscando-o, enchendo-o, alternando carícias de feroz esplendor com delicados roces enquanto seu membro a fodia na boca.

— Boquinha quente. — grunhiu ele — Caralho, ama fazer isso, não é, bonita? Meu pau enchendo sua boca, você no controle?

Ah, o fazia. Ela enlouquecia com isto, com cada intrincado grunhido, com cada silvo ronronando enquanto desfrutava dele. Levando a loucura não só a ele, mas também a ela.

E estava perdendo o controle. A necessidade de prová-lo, de sentir sua liberação, estava esmagando sua necessidade de jogar, tentar e controlar.

Seus dedos se moveram sobre o pênis, acariciando-o enquanto se orgulhava do duro ritmo com que aguentava o membro em sua boca. A pressão na base de sua ereção diminuiu, e em uns segundos um jato encheu a úmida caverna quando gozou em sua boca, as mãos dele seguraram a cabeça dela enquanto o sêmen começava a sair em jorros dentro dela.

Com força, o pulsar profundo de liberação a obrigou a engolir, a gemer, porque o sabor era tão delicioso. Era sedoso, suave, escuro e masculino. Como uma veemente tormenta, enchendo seus sentidos do rico sabor dele, e sua alma com o conhecimento que nunca o esqueceria.

— Maldita seja! — ele se moveu outra vez, puxando-a sobre seu estômago, empurrando com as mãos os quadris para cima enquanto a cobria.

Em seguida sentiu que seu membro entrava nela.

— Porra. Está tão apertada. — apertando com as mãos seus quadris quando se retirou, empurrando para frente, até o fundo, enquanto Scheme arqueava as costas e um alto e agudo grito escapou de seus lábios.

Ela nunca tinha feito um som semelhante em sua vida. Mas acabava de fazê-lo. Seus quadris se balançaram contra ele, os sucos fluindo, aliviando sua intrusão, preparando o caminho enquanto ardentes lanças de quase dolorosas sensações a atravessavam.

— É muito. — de repente ela gritou, a sensação de seu membro a partia, acariciando cada escondido nervo, enterrado dentro dela.

Não podia suportá-lo. Ela não podia sobreviver a isto.

— Isto é o inferno. — a voz dele era tão áspera, tão profunda que ela podia ouvir o animal interior lutando por liberar-se — Não é suficiente. Ainda não.

Seus punhos se agarraram nas mantas debaixo dela enquanto sua cabeça tombava na cama, a parte superior de seu corpo derrubando-se. Outro grito rasgou sua garganta quando se enterrou totalmente dentro dela, empalando-a, invadindo-a.

— Por favor. Tanner, por favor… — ela estava tremendo, estremecendo-se com tanta força pelo prazer que não sabia se sobreviveria.

— Está bem, neném. — ofegou detrás dela, movendo-se, retrocedendo, mergulhando outra vez.

Os olhos de Scheme se fecharam pelo suor que lhe escorria pela face, o ardor em seu corpo.

— Está bem. — repetiu ele — Lembra? Tomei notas. Sei o que necessita.

Esteja preparado. O lema das Castas, pensou ela irracionalmente quando começou a mover-se dentro dela. Longas e duras investidas. Cada golpe enviava impulsos cortantes de sensações por ela, atravessando sua vagina, sua matriz, seus tensos músculos, preparando-a.

— Ainda não.

Ela gritou, sua voz tão rouca agora que o som apenas se registrou enquanto os golpes dentro dela diminuíam, aumentavam-se, e diminuíam outra vez.

Isto não era um jogo. Isto era pura tortura. Era um prazer tão destrutivo que lhe roubava o fôlego.

— Por favor… — pediu ela — Não faça isto. Por favor, não jogue comigo.

— Jogar contigo, neném? — a mão dele se pousou brandamente sobre uma nádega — Não jogaria contigo, carinho. Só procuro te agradar. Agradar-te muito.

Investia duro e profundo, retirava-se lentamente, logo chegou uma quebra de onda assombrosa de prazer com tanta força, tão rapidamente que ela quase desmaiou.

— Mais duro outra vez. — ofegou ela — Por favor. Por favor, mais duro outra vez.

Com força, uma investida a fez retroceder, seus dedos agarraram a coxa dele, suas unhas lhe perfuraram a carne no mesmo instante em que a mão de Tanner conseguiu pousar-se em seu traseiro em uma pequena palmada erótica que a lançou mais alto.

As estrelas dançaram diante de seus olhos fechados; seus músculos estavam tão tensos que ela se perguntou se alguma vez se relaxaria. Só necessitava um pouco, só mais algumas duras investidas, isso era tudo. Só mais algumas.

— Tão doce e quente. — ofegou sobre ela, cobrindo-a totalmente quando suas pernas se estenderam sobre as coxas e seus impulsos seguiram potentes dentro dela — Segue me apertando assim, bonita. Engula-me com essa linda buceta. Se entregue. Dê-me tudo o que nunca deu antes.

Havia algo mais que dar?

Enquanto seus impulsos aumentavam, faziam-se rítmicos, fortes e controlados, ela viu que havia mais para dar.

Seu orgasmo a pegou de surpresa outra vez, explosivo, detonante e banhou seu corpo com tal prazer que só pôde estremecer-se embaixo dele e tomar o que ele tinha a dar.

E tinha muito para dar. Com mais força. Mais profundo. Mais rápido.

Até que ela sentiu que estava todo dentro, foi rasgada e se estendeu para ele enquanto o rugido ecoava ao redor dela outra vez, enviando-a ao céu.

Sentiu que mergulhava profundamente uma última vez, então a dura explosão de sua quente liberação, a dura umidade, palpitou e a encheu, contraindo os tensos músculos ao redor do membro, estremecendo-se com uma força que a fazia tremer e não a deixava nem sequer respirar.

Ela paralisou totalmente embaixo dele, drenada, exausta, réplicas de prazer ondulavam por sua vagina e a faziam ofegar com agudos gritinhos que nem podia acreditar que dava.

Não podia mover-se. Estava perdida, ia à deriva. Tão drogada pelo prazer que tinha resistido que só pôde gemer quando sentiu que ele saia devagar dela e se deitava na cama a seu lado.

— Dorme, neném. — lhe sussurrou no ouvido — Manterei as luzes acesas. Só dorme.

Seus olhos revoaram fechando-se, seu último pensamento antes de cair no sono: Tanner Reynolds seria sua morte.

 

Às vezes, um homem tinha que admitir quando tinha sido um tolo. Tinha que olhar em seu interior e dar-se conta de que tinha permitido que seu ódio e suspeitas governassem sua lógica, antes de permitir que a lógica governasse suas emoções. Tinha que olhar além da superfície, e escavar além de suas emoções ou contra a situação, e sentir a verdade.

Todo o tempo, seu instinto lhe disse que algo estava errado com Scheme Tallant. Tinha estado quase dez anos vigiando-a, e tinha certeza que algo estava mal. Algo estava errado. Mas o ódio e a desconfiança lhe tinham nublado a lógica; a necessidade de odiar lhe tinha nublado a razão.

A prova que as Castas tinham reunido sobre ela durante os passados dez anos mostrava à mimada filha do general tão desumana e sanguinária como o monstro que a tinha criado. Provas como as ordens que levavam sua assinatura para executar às Castas ainda sob as ordens de seu pai, sem nenhum outro motivo além de por perceber alguma debilidade. Provas como os vídeos de vigilância que as Castas tinham conseguido adquirir de reuniões entre a Scheme, seu pai e soldados de alta fila dentro da organização de seu pai. Seus frios, deliberados planos para atacar o Santuário.

Mas o instinto lhe tinha advertido, ainda durante a investigação, que algo estava errado. Que algo não encaixava com a evidência que tinham contra ela. Como se só estivesse vendo parte da imagem, e o resto estivesse na sombra. Deveria ter seguido seu instinto.

Havia muitas contradições na evidência que tinham reunido sobre ela. Uma casta marcada para a execução escapou a última hora por causa de um engano que ela supostamente tinha cometido. Os relatórios de Scheme antes da fuga eram de que a casta era de confiança e não que não havia risco de fuga. Os ataques ao Santuário tinham sido advertidos, ou uma transmissão aparecia de repente onde não tinha estado antes. Pequenas coisas. Coisas que faziam parecer como se o destino estivesse do lado das Castas. Pequenas cagadas que, tomadas por acaso sozinhas, não tinham sentido. Nenhuma organização ou pessoa eram perfeitas. Mas quando ficava tudo junto…

E então foram os curtos desaparecimentos que ela tinha protagonizado cada vez que se cometeram esses pequenos enganos.

Tinha sido castigada durante esses desaparecimentos. Castigada de maneira que fazia com que a pele de Tanner se arrepiasse e as suspeitas aumentassem.

Sabia que Jonas tinha conseguido encontrar a um espião dentro das filas de Tallant oito anos antes. Um que nunca tinha revelado ao Gabinete da Casta. Esse espião tinha sido um dos êxitos que lhe tinham permitido dar um passo como diretor do Escritório de Assuntos das Castas.

Jonas era um filho da puta trapaceiro. Tinha conseguido colocar espiões em áreas que os analistas da Casta tinham considerado impossível. Conhecia as debilidades e as forças e como as explorar. E ele tinha tido um ás na manga.

De algum modo, Jonas tinha recrutado à própria filha do General Tallant. Tinha que ser isso. Era a única coisa que fazia sentido. Por que então seu pai a golpearia, enterraria-a, em busca de informação? E Tanner sabia que essa era a razão ao por que.

Cyrus Tallant era tão mau como eles. Era um monstro que acreditava em sua causa. Não estava ali pelo poder nem o dinheiro, e sim porque acreditava no que fazia.

Para o General, as castas não tinham alma porque o homem as criou, não Deus. Eram instrumentos, mais ou menos como um cão ou um rifle. A única diferença estava em como eram treinados.

A humanidade foi arrancada deles quando eram ainda bebês. Depois de serem desmamados, foram colocados em currais e ensinados a defenderem-se por si mesmos. Uma vez ali, eram vigiados a cada segundo, estudados até que cada pequeno sobrevivente finalmente era colocado no que era considerado um programa de treinamento apropriado.

Psicólogos, psiquiatras e médicos criavam programas individuais para cada casta, desenhados para criar a arma que o Conselho imaginou.

Acreditavam em sua própria retórica. Que as castas não eram verdadeiramente humanas, e, portanto não tinham direitos. Não tinham almas, e, portanto o Conselho não podia ser responsável por suas mortes.

Acreditavam no que faziam tão desesperadamente como as castas acreditavam em seu direito à liberdade e à vida. E o General Tallant acreditava muito mais que a maioria em seu direito de livrar o mundo das castas agora que já não estavam controlados.

Não vacilaria em utilizar a sua filha nessa batalha. E se sua filha mostrasse a mesma debilidade que tinha tido sua mulher, então ela era tão dispensável, na guerra que ele lutava, como o tinha sido sua esposa.

Não havia nenhuma prova de que o general tivesse ordenado sua morte. Dorothy Tallant tinha sido uma cientista no primeiro laboratório da Casta no que Tallant tinha sido atribuído a fiscalizar.

Uma pequena asiático-americana com um QI fora dos gráficos e um talento para a engenharia genética. Supostamente tinha morrido em um ataque maciço vinte anos antes.

Respirou com cansaço enquanto continuava investigando a informação que tinha armazenado em seu computador portátil. A vigilância dos Tallants tinha começado ainda antes da revelação ao mundo da existência das castas.

Só no ano passado, mais ou menos, as castas as arrumaram para formular realmente um caso contra Tallant. Depois de tudo, não era ilegal empregar às castas como pessoal de segurança. Assim como não havia uma lei para que as castas tivessem que registrar-se no Escritório de Assuntos da Casta, embora a maioria o fizesse para assegurar sua própria segurança.

As castas de Tallant não. A dúzia de Coiotes que ele empregava nunca tinha sido registrada, o que significava nada de rastros digitais, nenhuma maneira de identificá-los. E eram assassinos malditamente bons. Os melhores que o Conselho já havia criado com DNA de coiote.

Fechou o laptop, desconectou a conexão com os satélites da Casta e suspirou com cansaço.

Algo lhe estava corroendo, podia senti-lo. Algo que não encaixava bem com o que sabia sobre Scheme Tallant até agora.

Esqueça a luxúria e a fome furiosa. Conhecia-se, não desejava putas e assassinas. E as podia cheirar; o animal dentro dele as podia pressentir.

Scheme não era nem uma puta e nem uma assassina. E isso definitivamente não encaixava com o perfil que os analistas da Casta tinham reunido sobre ela.

Assim onde o deixava isso? No minuto que entrasse no Santuário com ela, seria colocada sob a Lei da Casta, condenada e possivelmente executada.

Sua única oportunidade seria um emparelhamento. Se tivesse se emparelhado com ela.

Olhou-a fixamente, os lábios esmagados com ira enquanto apertava os dentes.

E ali jazia seu problema. Não havia o calor de acoplamento.

Tinha estado quase seguro de que ela era sua companheira. As emoções estavam ali. A luxúria, a necessidade, a primitiva atitude protetora e irresistível. Estava se apaixonando por ela. O animal dentro dele a reclamava. Mas não havia emparelhamento. Ocasionalmente, a momentos perdidos, um sabor excepcional tentava seus sentidos. O sabor da luxúria selvagem e o calor, semelhante ao sabor que os casais emparelhados descreviam. Mas nunca por muito tempo. E as glândulas que continham o hormônio de emparelhamento sob sua língua não se inchavam e liberavam o hormônio criado pela reação biológica e química a um companheiro. Poderia ser que seu DNA fosse quase compatível com o acoplamento. O que significava que ela possivelmente fosse a companheira de outra casta. Um casta cujo DNA se assemelhava muito ao dele.

Passou-se a língua sobre os dentes. As glândulas não se inflamaram, e ainda mais, a lingueta oculta profundamente dentro do membro de cada Felino da Casta não se mostrou. O hormônio dentro da saliva e essa lingueta marcavam a companheira ainda com mais propriedade que a mordida sobre o ombro que supostamente sempre ocorria, sem sabê-lo, à casta. Raramente recordavam a necessidade de morder a sua companheira e só eram conscientes disso depois de que o sabor do sangue lhes enchesse a boca.

Merda. Merda. Tinha estado deitando-se com a companheira de Cabal?

Afastou-se quase violentamente da cadeira e caminhou pelo piso de pedra áspero da caverna. Não podia pensar nisso. Não podia permitir que tomasse cabo em sua mente ou o animal interior escaparia.

Tinha que concentrar-se em sua segurança. Não a podia levar ao Santuário, e ela não podia voltar para sua casa. Tinha que haver uma resposta. Tinha procurado em cada base de dados que pôde encontrar e tinha pirateado mais arquivos do Escritório de Assuntos da Casta dos que queria contar. Não havia nenhuma insinuação de que Scheme Tallant fosse à espiã que Jonas tinha recrutado dentro da organização de Tallant.

E sem provas, Tanner estava fodido, porque estava ficando sem tempo. Apenas ficava uma semana de férias, e a não ser que voltasse, Callan enviaria alguém para encontrá-lo.

Nenhuma desculpa seria aceitável. Callan conhecia sua família, e Tanner formava parte de sua família. Saberia que algo estava mal, e não havia maneira de que o líder da manada compreendesse isto. Não, tendo em conta quem era ela e sua conexão com o general.

Maldição, tinha estado tão seguro que o calor do acoplamento chegaria. Não tinha sentido. Nunca tinha estado tão obcecado com uma mulher em sua vida. Tinha oscilado entre o ódio e a luxúria durante dez anos, só ter a luxúria, a fome por ela, afligia-lhe completamente e o ódio se dissolvia ante o horror que suspeitava que ela tinha experimentado nas mãos de seu pai.

Ela era tão pequena. Delicada. Mas com uma força que não tinha esperado. Os ossos eram tão pequenos que se perguntou como seu pai tinha evitado rompê-los quando a golpeava.

Demônios, não sabia o que fazer com isto agora. Tinha imaginado chegar ao Santuário com sua companheira, e agora não tinha defesa que lhe oferecer. A Lei da Casta ou os assassinos de seu pai. Não podia permitir que enfrentasse a qualquer um deles. A menos que fosse a toupeira de Jonas. Ou a companheira de Cabal.

Passou-se a mão pelo rosto.

A companheira de Cabal.

Não podia ser verdade, mas não podia ignorar os sinais de que era possível. O calor do acoplamento era um emparelhamento biológico e hormonal, assim como emocional.

Emocionalmente, estava tão firmemente ligado a ela agora, que se perguntava se poderia respirar alguma vez sem seu aroma na cabeça. E se o calor do acoplamento era mais físico que emocional? E se ela não era sua companheira? E se pertencia ao único macho cuja genética se assemelhava com a dele? Emparelhar-se possivelmente o suficiente para reagir como se ela fosse sua companheira, sem o hormônio de emparelhamento. Um hormônio de emparelhamento que Cabal liberaria uma vez que se encontrasse cara a cara com ela.

Poderia sobreviver a isso? Poderia viver com isso?

— Está pensando muito alto. — sua voz lhe fez girar rapidamente para ela, as sobrancelhas se juntaram em um cenho ante a debilidade de sua voz.

O toque de seu olhar sobre ele lhe fez endurecer-se instantaneamente sob os jeans, seu corpo antecipando com ânsia seu toque. Mas quando a olhou mover-se e detectou o aroma de dor física, soube que isso não seria uma opção, não até que ela conseguisse relaxar esses músculos ainda machucados.

— Há alguns sais de banho no banheiro. — moveu-se à cama, ajudando-a a sair com cuidado apesar da suspeita em seu olhar.

Não estava acostumada a ser cuidada, mas demônios, ele não estava acostumado a cuidar de ninguém. No caso dela, não parecia que pudesse evitá-lo.

— Estarei bem.

Por que demônio sempre se afastava dele? Ele tentava constantemente aproximar-se mais, enquanto que ela se afastava constantemente.

— Estou seguro de que o estará, mas prefiro me assegurar. — olhou fixamente a seus olhos escuros, vendo a resposta ali, enquanto lhe deslizava as mãos lentamente sobre os braços — Não queria ser tão rude quando a tomei.

— Não me rompo facilmente, Tanner. — lhe assegurou, afastando-se outra vez e dirigindo-se ao banheiro — Embora vá usar esses sais de banho.

Seguiu-a ao banheiro, arqueando os lábios quando ela se moveu nua pela caverna. Não estava envergonhada por sua nudez; gostava disso dela. Não fingia paqueras nem acanhamento. Ela entregava tanto como conseguia e não apresentava desculpas.

Movendo-se pela pequena cova onde estava o banheiro, ele se esticou sob o lavabo e tirou a garrafa de sais cheirosos.

— As minhas irmãs Dawn e Sherra gostam de manter coisas cheirosas como esta ao redor. — abriu-o para ela e a deixou no lavabo — Tome a seu tempo. Farei o café da manhã agora que está acordada.

— Já é manhã? — perguntou casualmente.

Ele arqueou os lábios.

— Por volta das dez.

Ela se esticou enquanto ajustava a água na banheira.

Finalmente suspirou quando o vapor emanou da água quente.

— Quando pensa em me deixar ir?

Endireitando-se, ela girou para encará-lo, com o comprido cabelo sobre os ombros, emoldurando seus rasgos únicos.

— Isto não é um jogo, Scheme. No minuto que saia daqui estará morta, e sabe. Seu pai não te permitirá escapar, e inclusive se o fizesse, a Lei da Casta seguramente como o inferno que não. Sem seu amparo, será apanhada pelas castas. Uma vez no Santuário, será colocada sob a Lei da Casta.

— Então por que perde o tempo deste modo? — olhou-lhe sobriamente — Me confunde, Tanner. O que quer? Umas poucas fodas antes de me entregar ao seu líder? — os lábios se arquearam para baixo tristemente — Por que não o faz de uma vez? Deixe de torturar a ambos.

— Acredita que quero ver-te morta, Scheme? — disse bruscamente, enfurecido de que ela aceitasse a morte tão facilmente — Não desperdicei meu maldito tempo te trazendo aqui só para ver-te executada sob a Lei da Casta ou pela mão de seu pai.

— Então por que perdeu o tempo? — foi para o lavabo e recolheu os sais antes de voltar para a banheira e colocar uma quantidade na água.

Atuava como se morrer não significasse nada, como se sua vida não valesse nada, e isso lhe estava enchendo o saco.

— Poderia voltar às evidências contra seu pai. — indicou — O Santuário te protegeria, Scheme, por essa informação.

Ela se deteve, mordendo o lábio, sua expressão concentrada enquanto lhe olhava fixamente.

— Desejaria que fosse tão fácil.

— Scheme, o tempo se acaba. — insistiu — Não posso permanecer aqui para sempre, e você tampouco.

— Então me deixe ir. — girou-se para o armário, tirando toalhas, uma toalhinha e uma garrafa de gel de banho e os colocou no pequeno tamborete ao lado da banheira. — A resposta é bastante fácil, Tanner. Não te pedi que me trouxesse aqui.

— Está me pedindo que te deixe morrer. — grunhiu, furioso — Pode viver.

— Quanto tempo? — sua expressão lhe enfureceu. Fria. Composta. Podiam ter estado falando sobre o tempo mais que sobre sua vida — Se verdadeiramente quiser me manter a salvo, então o demonstre. Dê-me um telefone móvel seguro e me deixe ir. Estarei a salvo.

Suas palavras lhe deixaram louco.

— É o espião de Jonas na organização de seu pai?

Olhou-a esticar-se, empalidecer.

— Tem outro espião na organização de meu pai? — perguntou com indecisão, quase temerosamente.

Tanner apertou os dentes. Não podia cheirar nem o engano nem a culpa, mas cheirava o temor.

— Confie em mim, Scheme. — sussurrou.

— Confie em mim primeiro, Tanner. — replicou ela — Somente me tire daqui, me solte o suficientemente longe dos coiotes que me buscam, e me dê um móvel. Contatarei contigo em umas horas.

Se ainda estivesse viva. E não havia muitas oportunidades.

— Posso te proteger, maldita seja. — grunhiu ele — Me dê isso ao menos.

O olhar dela piscou com indecisão, com esperança, temor e com um brilho de dor agônica.

— Não posso.

— Merda, não permitirei que lhe matem. — surpreendeu-se de ouvir-se elevar a voz. Sua voz nunca se elevava. Era o casta tranquilo, o brincalhão.

Olhou-lhe fixamente, a curva cínica da boca lhe disse mais que as palavras, que pouco confiava nele.

— Não te posso dar o que deseja, Tanner. — o desespero lhe encheu a voz — Não tenho o que necessita.

— Por que tenho que seguir te dizendo que posso cheirar suas fodidas mentiras? — grunhiu.

— Mencionei quão pouco me importa? — gritou, a mentira óbvia não só em seu aroma, mas também em sua voz e nos olhos — Parece estar sob o equívoco aqui, casta, de que participo de boa vontade neste pequeno jogo contigo. E não o faço. Não te pedi que me trouxesse aqui, e não te pedi que me interrogasse. Tudo o que pedi foi um banho.

O tigre que ele lutava por manter oculto despertou com um movimento interno perigoso. Podia sentir o grunhido de advertência no peito, a abertura de sentidos extra, a determinação agregada de que nada a machucaria jamais outra vez.

— Ainda está lhe protegendo. — apertou os dentes ante o conhecimento — Esse bastardo te golpeou, enterrando-a viva muitas fodidas vezes, e matou a seu filho. Empregou a seu próprio homem para ser seu amante e o utilizou para encontrar razões para te castigar, e ainda lhe protege?

Ela se virou para banheira, colocou a mão sob a água outra vez antes de agarrar-se a borda e mover-se para levantar a perna sobre o lado.

Não fez um som, mas ele viu o incomodo que o esforço lhe custava.

— Maldição, Scheme, não pode nem sequer me pedir uma fodida ajuda? — agarrou-a pela cintura e a levantou enquanto lutava contra emoções que nunca tinha conhecido em sua vida. Pela primeira vez, conheceu o temor. Sem sua ajuda, não podia salvá-la.

— Se necessitasse sua ajuda, pediria-lhe isso. — desceu na água quente com um pequeno ofego e um suspiro, o líquido quente lhe banhou os quadris enquanto se afastava o cabelo e o deixava flutuar sobre a borda da banheira.

— Scheme. — encurvou-se junto à banheira e a olhou imperiosamente — Dê-me algo. Algo que possa utilizar para te ajudar. Não te afunde assim. Pelo bem de ambos.

Os lábios dela se arquearam.

— Não sou nada tua, Tanner. — disse brandamente — Nem sequer é parte da equação.

Scheme viu como a face de Tanner se endurecia, como os olhos brilhavam com uma luz quase sobrenatural enquanto se endireitava, olhando-a fixamente com uma intenção predadora que ela soube, deveria tê-la assustado.

— Não te permitirei morrer assim. — sua voz foi gutural, bestial — Não importa quão disposta esteja a morrer pelo bastardo que te concebeu.

Girou-se e saiu a pernadas do banheiro, fechando com força a cortina detrás dele enquanto ela fechava os olhos contra a raiva de Tanner.

Ele era bom, pensou com pena, lutando contra as lágrimas. Deus, não ia chorar por ele. Nunca tinha chorado por nada, mesmo que fosse de uma dor intolerável, até Tanner. Não chorava porque suas emoções a rasgavam por dentro. E a estavam rasgando.

Pela primeira vez desde o Chaz, queria acreditar em um homem. Queria acreditar tanto que a estava corroendo por dentro, rompia-lhe o coração, destruindo uma parte de sua mente que não sabia que existia. Podia ter jurado que já tinha passado da fase dos contos de fadas. Mas queria a fantasia que Tanner lhe oferecia tão desesperadamente que lhe cortava como uma faca por dentro.

Tinha perdido seu bebê porque tinha acreditado em um homem. Acreditado nele com todo seu coração. Amado até que percebeu as contradições diminutas que lhe advertiam de sua traição. E agora estava a beira de fazê-lo outra vez. Colocar sua confiança e as vidas de outros nas mãos de um homem que a poderia trair.

Sua alma gritou em negação. Mas recordou que no momento em que se deu conta de que Chaz tinha ajudado a seu pai a destruir ao seu bebê, sua alma tinha chiado a mesma negação. Poderia sobreviver a tal traição outra vez?

Se ele fosse sincero, então uma vez que soubesse a verdade do que ela vinha fazendo, compreenderia. Isso era o amor, disse-se. Ele a perdoaria, certo? Compreenderia por que ocultava o fato de que estava trabalhando para o Jonas, por que não podia confiar nele até que a informação que tinha, tivesse sido dada para o único homem que sabia o que ela tinha estado fazendo durante os últimos oito anos.

Arqueou os lábios ante o pensamento dos olhos chapeados do Casta Leão. Muito, muito poucas pessoas sabiam seus segredos. Ela era um deles. E porque os conhecia, confiava nele. Jonas se sangraria das maneiras mais dolorosas antes de trair a sua própria gente. Ou trair a alguém que tentava ajudá-los.

Ele era sua única oportunidade. Tudo o que tinha que fazer era chegar até o Jonas. Não podia confiar em Tanner, sem importar que em seu interior a demanda a empurrasse a fazer justamente isso. Sem importar a dor que permanecer em silêncio lhe custasse.

Uma parte dela estava segura de que Tanner não era o espião de seu pai. Mas havia essa voz escura dentro de sua alma, a que tinha despertado o dia que se deu conta de que seu amante tinha ajudado a destruir a seu próprio bebê. A voz que sussurrava que Cyrus era manipulador, um demônio calculista.

As castas eram enganosas; fazia parte de sua instrução. E o treinamento de Tanner ainda a uma tenra idade, tinha sido extenso. E Cyrus tinha formado parte de sua instrução. Hoje em dia, ainda controlava a mais da metade das castas que tinha ajudado a treinar ele mesmo. Tinha ajudado a treinar ao Tanner antes que escapasse dos laboratórios do novo México. Ainda poderia ter suficiente autoridade sobre o Tanner para controlá-lo.

Assim por que precisava confiar nele? Por que lutava por forçar-se a recordar o que ele era, e o que poderia ser?

Porque lhe amava. Porque ele a havia tocado por dentro quando estava segura de que nunca seria tocada aí outra vez.

Porque uma parte dela acreditava tão fortemente nele que estava disposta a lhe dar algo, tudo o que pedisse e a confiar nele. Tudo dentro dela desejava isso, mas essa sombra de realismo seguia lhe recordando a seu filho. Seguia lhe recordando que a única pessoa que deveria ter estado disposta a morrer por isso era seu pai. O homem que tinha ajudado a destruí-lo.

Podia permitir o luxo de esperar, disse-se. Podia permitir o luxo de que se Tanner a amava agora, então a amaria mais tarde. Primeiro, tinha que chegar ao Jonas. E o tempo estava acabando. Só tinha umas poucas semanas antes que tudo estivesse pronto para raptar o filho de Callan Lyon. Tão pouco tempo para salvar a um menino.

 

Era um bom cozinheiro.

Scheme deixou o garfo em seu prato e respirou profundamente antes de levantar a xícara de café e terminar com o último gole da deliciosa bebida que ele tinha colocado na sua frente, junto com o presunto, os ovos, as bolachas caseiras e o mingau surpreendentemente bom.

Nunca tinha comido mingau em sua vida, sempre tinha lhe dado nojo, e teria rido se alguém insinuasse que comeria tal coisa. Se conseguisse sobreviver a esta pequena aventura, então teria que aprender a fazê-lo.

— Mais café? — elevou a jarra provocativamente.

— Por favor. — encheu-lhe a xícara, e ela ignorou seu olhar enquanto a levantava e bebia, ocultando o prazer do sabor. Entretanto os conhecedores lábios se curvaram. Maldito sentido do olfato. Provavelmente podia cheirar seu prazer tão facilmente como suas mentiras.

Inalou lentamente, tratando de ignorar as outras coisas assim como a sua diversão. A excitação, sabendo que ele podia cheirá-la. Quanto mais tempo estivesse sentada em frente mais forte se fazia. Seus mamilos se apertavam no veludo violeta escuro de seu top, os peitos tão inchados que estavam sensíveis.

Entre as coxas, seu clitóris se enchia, pulsando, e as calcinhas se umedeciam.

Desejava-o. Necessitava-o. Nunca, nem inclusive nesses tempestuosos primeiros meses com o Chaz, tinha estado tão excitada.

Se sobrevivesse, ficar sem o toque do Tanner seria um inferno. Precisava sentir suas mãos acariciando seu corpo, os lábios contra sua pele.

Jogou-lhe uma rápida olhada, observando enquanto se inclinava na cadeira e bebia o café em silêncio. Não havia falado muito desde que ela saiu do banho; sua preguiçosa personalidade de tigre estava, entretanto completamente ativa. O brilho de diversão nos olhos, o particular sorriso de seus lábios sensuais. O cabelo comprido e com mechas em negro e dourado caindo até os ombros, emoldurando os traços de anjo caído à perfeição.

Na realidade tinha uma aparência muito boa, para que qualquer mulher conseguisse ter paz olhando-o.

As emoções, a atração para ele e a inexplicável fome a superavam. Tinha que escapar. Agora. Antes que a quebrasse. Antes que suas promessas e a insistência em que confiasse nele abrissem passo em seu coração de mulher.

Tinha que escapar hoje.

— Assim, onde está seu irmão? — levantou a xícara e bebeu outra vez, contemplando-o por cima da borda enquanto tentava distrair a atenção dele.

— Meu irmão? — arqueou a sobrancelha à perfeição. Maldito seja, desejaria poder fazer isso.

— Cabal. — entoou com brincadeira — Normalmente são sombras um do outro.

— E o que te faz pensar que somos irmãos? — perguntou-lhe com curiosidade, deixando a xícara sobre a mesa.

Scheme respirou profundamente.

— Você esquece que o Conselho tinha seu arquivo completo, Tanner, não só os restos que sobreviveram à explosão do laboratório. Sei que você e Cabal são gêmeos idênticos. Não tem que me mentir.

Ele cruzou os braços sobre a mesa e se inclinou para frente lentamente.

— E qual a extensão dos nossos arquivos? — perguntou.

Ela se encolheu de ombros com naturalidade.

—De algum modo, os arquivos da base de dados do Conselho foram destruídos. A maioria dos que tem meu pai é de memória, a qual não é muito ampla. Mas lembro de ter lido o arquivo pela primeira vez quando assumi o trabalho de ajudante.

Ele entrecerrou os olhos.

— Os arquivos foram destruídos?

— Não sabia? — arqueando as sobrancelhas inquisitivamente — Supus que as castas encontraram a maneira de colocar um espião no quartel principal da base de dados do Conselho. A maioria dos arquivos sobre as Castas foram destruídos faz anos, quando um vírus foi implantado na rede. O Conselho ainda está tratando de recuperar-se após. Aplaudo a quem o tenha feito.

Tinha-o feito ela, com a ajuda de Jonas. O quartel general na Suécia tinha sido considerado impenetrável, o computador e as redes de cópias de segurança impossíveis de penetrar. Mas eles o tinham feito.

Tanner entrecerrou os olhos.

— Não tínhamos nem ideia do que abrangeu o dano.

— Foi uma catástrofe. — suspirou — De algum modo, alguém implantou um vírus que danificou cada arquivo com a extensão casta. Uma explosão no complexo secundário que albergava as cópias de segurança também se ocupou disto. Suponho que foi um ataque das castas.

Jonas inclusive era mais reservado do que ela tinha pensado. Uma vez que conseguiu transferir a base de dados do Conselho, tinha implantado um vírus tão potente que aos programadores do Conselho tinha levado meses para detê-lo. Para então, cada arquivo das castas que possuíam, assim como as cópias de segurança, tinham sido danificados. A explosão no complexo secundário tinha sido também um golpe de genialidade.

— Não deixaram nada? — perguntou em voz baixa.

Ela se encolheu de novo.

— Havia cópias em disquetes de alguns arquivos, entretanto esses continham pouquíssimas informações. Em sua grande parte, estatísticas de treinamento, fontes genéticas e coisas assim. Entretanto, muitas das fotos se perderam para sempre. Estão tentando recuperar os arquivos.

Tanner franziu os lábios.

— Soubemos da explosão e do vírus, mas não tínhamos nem ideia do que abrangeu o dano.

— É obvio que sabia. — sorriu — Entretanto recordo seu arquivo; li-o várias vezes depois de que fosse renomado chefe de Relações Públicas do Santuário. Você e Cabal foram criados como gêmeos, logo separados depois do primeiro ano por razões de treinamento. Se li corretamente, ele não era tão cooperativo como você com o treinamento.

O peito dela oprimiu ante o pensamento do pouco cooperativo que tinha sido. Cabal foi maltratado horrivelmente no laboratório alemão ao que foi confinado.

— Estava quase morto quando o encontramos. — disse — O que me faz perguntar por que está perguntando por ele. Seu pai era o chefe do comitê que decidia a vida ou a morte, Scheme. Sua assinatura estava nos papéis de cancelamento de Cabal.

— A minha não. — assinalou ela.

Não tinha ficado sabendo das ordens de cancelamento que foram expedidas esse mês. Se o tivesse sabido, teria se assegurado de que fosse destruída. O método de morte tinha sido particularmente horroroso.

— Encontrei-o nesse fosso. — lhe soltou de repente — Meio morto, rodeado de castas que tinham sido jogados ali dentro com ele, os corpos já decompostos. Quase sangrado pelos cortes que lhe tinham feito com essas facas.

A única coisa que tinha salvado Cabal era que os soldados tinham posto muitas castas no fosso. As lisas paredes de pedra tinham afiadas adagas mortais embutidas, que golpeavam de um modo aleatório. O fato de que tivesse evitado um golpe mortal foi graças a seu treinamento. Tinha conseguido calcular o tempo e a direção de cada golpe enquanto os outros castas morriam a seu redor.

Seu pai tinha ajudado a desenhar esse fosso. Primeiro foi implementado como fosso de treinamento; os golpes aleatórios das afiadas lâminas das adagas se utilizavam para treinar e avaliar as habilidades das castas para sentir onde e quando golpearia o perigo. Uma ou duas castas de uma vez no fosso e as folhas faziam pouco dano. Mas uma vez estabelecido como ferramenta de treinamento, o fosso foi ineficaz, então foi usado como um meio de assassinato em massa. E era bastante efetivo.

— Sobreviveu. — recordou, armando-se de valor ante o conhecimento dos horríveis crimes cometidos contra as castas.

— E agora está perguntado por ele. — reclinou-se na cadeira, cruzando os braços sobre o peito e contemplando-a com um brilho de ira.

— Só era curiosidade. Agora, raramente lhes vêm separados.

— Não quer conhecer Cabal, Scheme. — disse com escárnio — Seu ódio por seu pai é mais intenso que o da maioria das castas. Romperia-te o pescoço antes que eu pudesse detê-lo.

— O que lhe faz diferente do outro? — levantou-se da mesa, pegando o prato e a xícara, levando-os para a pia — Esquece que perguntei.

— Está preparada para me dizer por que seu pai quer a sua morte?

Sabia que perguntaria outra vez.

— Suponho que acredita que o estou traindo. Normalmente é a única razão pela que chega a tais extremos.

Enquanto falavam, fez escorregar a faca que tinha conseguido deslizar entre os dedos, para a mão que tinha detrás das costas.

— Não me confiava tanta informação como as castas supõem que fez. Eu era uma engrenagem muito pequena da organização. Mas sei o bastante para lhe pôr incômodo por umas quantas coisas que ocorreram ultimamente.

— Tais como?

Ela se encolheu de ombros, forçando um zombador sorriso nos lábios.

— Vários planos que tinha feito com as sociedades de sangue puro, uns quantos informes que obteve das transmissões do Santuário. Nada muito incriminatório, mas como disse, incômodo.

E ele pôde dizer que estava mentindo. Podia vê-lo em seus olhos.

— Isto não te ajuda. — colocou os dourados e entrecerrados olhos sobre ela cheios de suspeita enquanto ficava em pé.

Scheme meteu a faca na faixa elástica das calças antes de colocar as mãos nos bolsos. Ele simplesmente ignorou o movimento, enquanto se levantava da cadeira e recolhia seus pratos antes de ir para a pia.

Maldição, necessitava que se sentasse.

— Acredito que lhe disse que não necessitava sua ajuda. — mas a necessitava. Ela necessitava sua ajuda, sua paixão, sua honesta paixão por ela. E isso a estava destroçando.

Recuperou o café que tinha deixado sobre a bancada e retornou à mesa. Segundos depois ele fez o mesmo.

Tinha que escapar e entrar em contato com o Jonas logo que fosse possível. Tinha que afastar-se de Tanner antes que lhe roubasse a alma. Estava desesperada, de repente mais aterrorizada de si mesma e de suas próprias emoções que do risco que estava a ponto de tomar.

Necessitava esse controle eletrônico que sabia que Tanner levava. Tinha que ser a maneira de sair dali. Tinha procurado em cada canto, cada greta e fenda. Tinha que haver uma entrada escondida que esse controle acionava.

Seguia contemplando-a, com o brilho quase hipnótico dos dourados olhos salpicados de verde. O Bengala era possivelmente o mais perigoso dos castas criados, o qual era uma das razões pela que tão poucos foram desenhados. Eram com naturalidade, enganadoramente preguiçosos, fingiam serem domados facilmente. A genética do tigre levara décadas para manipular, e os cientistas tinham aprendido logo que o animal, ao igual à casta, não eram sempre confiáveis. No momento que pensava que tinha domesticado a um, dava-te um golpe. Isso os converteu em uma ameaça.

— Sabe por que fui renomado chefe do Departamento de Relações Públicas do Santuário? — perguntou-lhe então.

Ela pôs os olhos em branco.

— Foi renomado chefe de Relações Públicas porque tem a aparência de um anjo caído e as maneiras apropriadas. É considerado o resumo do que são verdadeiramente as castas: patife, bondoso e tão ameaçador como um gato mulherengo ronronando pedindo atenção.

Seus lábios se curvaram em um divertido sorriso enquanto apoiava os braços na mesa e se inclinava para frente outra vez.

— Isso é o que fizemos o público acreditar. — disse em voz baixa — Aceitei o trabalho por essas coisas, porque meu olfato está tão altamente aguçado que posso entrar em um ambiente e oferecer à multidão o que precisa ouvir. O que necessitam para tranquilizarem-se. Posso cheirar mais que a mentira, Scheme. Posso cheirar o mais leve engano. Sei que ainda me está mentindo.

Ela o contemplou em silêncio, amaldiçoando-se por sua debilidade. Não estava mentindo exatamente. Simplesmente não dizia toda a verdade.

— Pensa que de verdade vou te dar algo para que me enforque? — e isso era totalmente honesto.

Olhou-a atentamente, tão atentamente que Scheme se perguntou se podia ver o interior de sua alma.

— Não te enforcaria. Confia em mim, Scheme. Deixe-me ajuda-la. — lhe disse, e seu coração acreditou nele. A mente lhe gritava do perigo. Tinha ouvido antes essas palavras de Chaz. Tinha-lhe jurado que a protegeria. Jurado que a amava. Jurado que era sua vida, seu amor e todas as coisas entre meio, e que Deus a ajudasse se, em troca, quase não tinha destroçado tudo o que era ela.

Tinha que sair dali e contatar com o Jonas. Era imperativo, porque sua necessidade de confiar em Tanner estava anulando sua necessidade de precaução. Ficou em pé, ocultando o nervosismo, esperando, rogando que o aroma de sua excitação e seus nervos esmagasse o aroma da faca em suas costas.

— Confia muito em ti. — falhou-lhe a voz enquanto rodeava a mesa.

— Confio em minha habilidade para te ajudar, se me deixar. — olhou-a, a expressão de repente séria, quase triste — Mas primeiro tem que acreditar em mim, não?

— Não necessito sua ajuda. — passou-lhe os dedos pelo braço enquanto ele se reclinava na cadeira, os olhos fechando-se enquanto ela o rodeava, acariciando com os dedos a camisa que lhe cobria dos ombros até o pescoço, enquanto o batimento do coração ameaçava afoga-la e as lágrimas de repente umedeceram seus olhos.

Baixou a cabeça para seu pescoço, pousando um ardente beijo em seu pulso enquanto deslizava a faca da cintura. Sua mão tremeu quando uma lágrima se derramou.

Tinha que fazê-lo. Saboreou-lhe o pescoço com a língua enquanto se estremecia, agarrando desesperadamente o punho enquanto descia a mão para o flanco.

Estaria bem. As castas sanavam surpreendentemente rápido. Não ia matá-lo. Sabia onde golpear. Seu pai lhe tinha ensinado como mutilar e como matar. Podia fazê-lo. Com facilidade.

Custava-lhe respirar, levantando mais a faca enquanto ele estava tranquilamente sentado diante dela, com os braços sobre a mesa. A posição perfeita. A faca se deslizaria por debaixo das costelas, perderia o baço.

Estaria indefeso até que pudesse lhe atar as mãos e logo lhe enfaixar a ferida. Viveria.

Faça-o, gritou-se a si mesma. Agora.

Sua mão tremeu.

Ficou sem respiração quando um soluço lhe obstruiu a garganta.

Era sua única oportunidade. Tinha que escapar, e ele já tinha demonstrado que não ia soltá-la.

— Faça-o, Scheme. — lhe sussurrou com ternura — Depressa, carinho, antes que perca a coragem.

Sabia. Teria se congelado se um tremor não tivesse sacudido seu corpo e um soluço não tivesse escapado de sua garganta.

— É fácil. — sua voz era surpreendentemente tenra — A faca que escolheste é perfeita. Se continuares duvidando, me vou impacientar.

— Filho da puta. — gritou, afastando-se antes de jogar a faca, as lágrimas finalmente caíram enquanto tropeçava, ao observar como ele abaixava a cabeça e negava lentamente.

Levantou-se da mesa preguiçosamente, girando-se para ela, a expressão sombria e cheia de tristeza.

— Não é tão fácil matar quando sua mão sustenta a arma, não? — perguntou-lhe, seu tom tão pormenorizado que reprimir as lágrimas foi impossível — Se quer me convencer que é uma assassina, que tem esse sangue-frio por trabalhar com seu pai todos estes anos, então vai ter que fazê-lo melhor.

Outro soluço se liberou quando foi para ela, contemplando-a com olhos tão doces, tão cheios de emoção que sentiu algo se rasgando em sua alma… Uma ferida tão intensa, tão destrutiva que lhe debilitou os joelhos e caiu ao chão, chorando.

— Tem que me deixar partir. — chorou — Tire-me daqui, Tanner, por favor. — se não o fizesse, ia perder sua força; não seria capaz de reprimir a necessidade de confiar nele por muito mais tempo.

Deixar-lhe pensar que era claustrofóbica; podia fazê-lo. A verdade conseguiria matá-la, conseguiria que retornasse muito mais rápido com seu pai, e a morte que lhe esperava não seria agradável.

— Venha aqui. — ajoelhou-se frente a ela, levantando-a, segurando-a perto dele enquanto ia para o sofá — Aqui mesmo. — sentou-a, então abriu o laptop com o que estava trabalhando — Olhe isto, Scheme.

A tela se acendeu, seis pequenas janelas apareceram.

— Esta é a área ao redor de minha cabana, a vários quilômetros daqui. — assinalou quatro das janelas — O que vê?

As telas eram recipiente termo-ativas, mostrando corpos em movimento, armas sujeitas e listas.

— Esses são soldados do Conselho, me buscando. — lhe disse — Estiveram vigiando a cabana durante dias, esperando te encontrar. Chegou informe do Santuário de que houve várias transmissões desde nossa base de comunicações, referente a ti e as missões que saíram do Santuário. Seu pai te quer o bastante para ter a seu espião trabalhando sem parar para descobrir se a comunidade das Castas te está procurando, ou se lhe têm.

— Então por que estão aqui?

— Porque cada casta do Santuário sabe que iria atrás de você. O espião deveria tê-lo sabido. O espião deve ter lhe informado que não estou no complexo. Muito pouca gente sabe que estou de férias. Se sair daqui, encontrará-te. Matará-te. Confie em mim. Posso te salvar.

Ela olhou fixamente o laptop, combatendo a necessidade, lutando contra as palavras que queriam revelar tudo a ele.

— Contratou a seu ex-amante para te matar, Scheme. Assassinou a seu bebê antes que pudesse viver. A sério quer morrer? — disse-lhe brandamente.

Negou com a cabeça desesperadamente. Estava tratando de proteger-se. Oh Deus, queria confiar nele. Precisava confiar nele, e sabia que não podia.

Uma mão se pousou no abdômen enquanto se recordava por que. Estava vazia, sua vida estava vazia. Seu bebê tinha sido arrancado de seu corpo e lhe ligaram as trombas enquanto estava inconsciente. Nunca ficaria grávida de novo sem a permissão do General. Sempre recordaria as consequências se o fizesse.

Jonas lhe advertiu de não confiar em ninguém exceto nele. Inclusive de não responder a nenhuma casta até que estivesse segura da identidade do espião que trabalhava em suas filas. A tinha feito prometer. Jurar. Se não podia nem responder pelo Tanner, como podia estar segura?

Porque o amava, sussurrou seu coração.

E ela tinha amado antes, recordou-lhe a parte escura de sua alma. Recorda como acabou?

— Não… — negou com a cabeça desesperadamente — Não tenho o que quer, Tanner. Não tenho respostas.

— Scheme, me ajude a te salvar. Pelo nosso bem.

Elevou o olhar para ele, os rasgos imprecisos através das lágrimas que ainda caíam de seus olhos. Por que não podia golpear? Já tinha matado, apesar do que ele pensasse. A um Coiote que a tinha apanhado quando ajudava a outra casta a escapar. A um soldado que entrou em sua casa para tentar violentá-la. A faca era sua arma preferida; sabia como utilizá-la. Maldição, sabia como matar, como mutilar; por que não podia golpear a este homem?

— Não há salvação para mim. — sussurrou finalmente, aceitando esse destino — Pelo bem de ambos, Tanner, pare de tentá-lo.

 

Suspirando cansadamente, Tanner puxou Scheme para seus braços antes de levantá-la brandamente em seu colo. Estava em seus braços como um bebê, lutando por controlar os soluços e sua entrecortada respiração enquanto as lágrimas molhavam sua camisa.

Arriscou-se, sabia. A possibilidade de que ela tivesse enfiado aquela faca em seu flanco tinham sido alta. Fodidamente muito alta. Poderia estar sangrando no chão de pedra em vez de envolvendo seus braços ao redor dela e sustentando-a contra seu peito.

Então, por que não estava sangrando? Tinha estado quase seguro de que o tentaria. O que lhe incomodava era o fato de que chegado o momento, quase tinha decidido lhe deixar fazê-lo.

Ela tinha que confiar nele. Não havia tempo suficiente para ganhar sua confiança ou a que esperasse o melhor dele. Tinha muito pouco tempo que perder. Inclusive menos, se Callan ou Jonas começassem a suspeitar e adivinhassem onde estava realmente a desaparecida filha do General. Ninguém mais lhe preocupava, mas Jonas era paranoico por natureza, e Callan, bem infernos, Callan simplesmente lhe conhecia. Não duvidava de que o líder da manada houvesse já adivinhado no que andava. O que Callan tinha decidido fazer sobre isso, isso ninguém sabia.

— Nunca antes tiveste problemas para fazer o que devia. — murmurou contra seu ouvido — Por que não pôde fazê-lo, Scheme?

— Não quero morrer nestas estúpidas cavernas. — sacudiu-se no abraço que ele a mantinha.

— Deixe de lutar contra mim. — sustentou-a mais perto, segurando com uma mão sua cabeça e apertando-a contra o ombro — E deixe de me mentir.

— Não necessito que me segure. — gritou — Não sou um bebê. Não necessito que me reconforte. Preciso é que me deixe ir.

Sua mandíbula se apertou pelo esforço de conter a frustração.

— Viu aqueles soldados no monitor, Scheme? A quem demônios pensa que procuram?

— A você! — gritou — Essa é porra da sua cabana, não?

Ele riu disso.

— Vem, neném, até o Conselho é mais competente que isso. Sabem o que lhes fará minha morte a sua causa. Não escuta as notícias? O mundo me quer. O clamoroso protesto contra o Conselho e os grupos de genética pura, seria horrendo. Eles não se atreveriam. Estão aqui porque suspeitam que te tenho. Não porque me queiram morto.

Era divertido inclusive o considerá-lo. Quantas vezes zombou dos soldados do Conselho que lhe seguiam sempre que abandonava o Santuário? O como lhe odiavam, e não podiam matá-lo, e o que é mais, além de tudo não podiam permitir que morresse. Não enquanto o sentimento público para ele fosse tão intenso.

Lutou contra ele outra vez, com o fôlego entrecortado, contendo deliberadamente as lágrimas que lhe rompiam o coração.

O aroma dela, uma mescla de culpa, medo, dor e desejo, enroscou-se dentro dele. Não podia ter esperado isto quando a sequestrou. Como ela o colocou quente e lhe romperia o coração ao mesmo tempo.

O fazia sentir coisas que nunca havia sentido antes, e isso o assustava como as chamas do inferno, quando se tomava o tempo suficiente para pensar nisso.

Ele beliscou seu ouvido brandamente.

— Realmente quer que te deixe ir? Está assustada, Scheme. Posso te tirar esse medo.

Uma risada surpreendida, quase cínica saiu de seus lábios.

— Está louco?

— Meu líder diz que o estou. — tomou suas costas entre seus braços como tinha feito no dia anterior — Quer provar sua teoria?

Os olhos cor chocolate estavam quase negros, olhando-o com confusão, paixão e cólera enquanto agarrava com as mãos seus antebraços. Seus lábios se separaram o suficiente para fazer que seu membro se sacudisse em resposta.

— É um risco para sua própria saúde. — cuspiu — Como sabia que não usaria aquela faca?

— Não sabia. — confessou com um pequeno sorriso — Acredito que inclusive esperava que o fizesse.

Seu olhar vacilou acaloradamente.

— Por que me permitiria isso, Tanner? Por que faria algo assim?

Ele estendeu a mão. Seu polegar lhe acariciou a bochecha, tomando uma lágrima antes de contemplá-la pensativamente durante uns longos segundos. Como poderia lhe explicar o que não podia nem explicar a si mesmo?

— Porque tinha que saber se era para você algo mais que seu sequestrador. — levantou seus olhos para os dela — Porque Scheme, para mim, você é muito mais do que deveria ser.

Ela engoliu com dificuldade, seu olhar começava a entrecerrar-se agora.

— Isso é loucura.

— Sim, o é. — confessou ele com um sorriso — Mas não mais louco do que é isto.

Sua cabeça desceu para ela. Tinha que provar seus lábios, molhados com suas lágrimas. O doce e salgado sabor dela lhe subiu à cabeça como um narcótico. O toque dos lábios contra os seus, como quente cetim, e a língua, como um golpe de fogo, enviaram urgentes impulsos de prazer que fizeram com que seu membro crescesse incrivelmente e apertasse ainda mais seus testículos.

Seu beijo lhe esquentou mais rápido, mais quente que um vulcão em erupção. Era como estar no meio de um inferno.

— Punha-me louco cada vez que via outro homem te tocar. — grunhiu contra seus lábios, introduzindo a mão em seu cabelo para mantê-la no lugar, quando seus olhos se abriram surpreendidos — Alguém tinha que fazer a vigilância. — lhe beliscou os lábios com os dentes — Se por acaso algum de vocês falasse de assuntos importantes na puta da cama. — lhe agarrou o lábio inferior, puxando, arrastando os dentes sobre ele enquanto Scheme o olhava com os olhos entrecerrados — Me voltava louco. — repetiu — Cada maldita vez me voltava selvagem durante dias.

Seus lábios tremeram.

— Então por que o fazia?

Não podia evitar tocar seu rosto nem passar os dedos por sua delicada mandíbula.

— Porque não podia suportar que ninguém mais o fizesse. — teria tido que matar a quem se atrevesse a vê-la assim. Nua. Vulnerável. Procurando algo que nunca encontrava. Ele o tinha visto em seus olhos, aquela insatisfação, aquela necessidade. Assim como ele também sentia em sua alma com cada mulher com a que ele tinha estado.

— Por que isto não te incomoda? — ele com certeza teria se enfurecido se soubesse que sua intimidade tinha sido invadida de tal modo. Scheme deveria estar lhe tirando os olhos em vez de estar recostada entre seus braços olhando-o fixamente.

Isso não significava que sua raiva tivesse feito diferença. Com a sorte que tinha, só lhe teria posto mais quente.

A resignação lhe inclinou os lábios.

— Porque não deixou que ninguém mais o visse. — seu sussurro o atravessou — E porque foi você.

E pela primeira vez ele fez uma pausa.

— Por que isso importa, Scheme?

Ela sacudiu a cabeça devagar enquanto levantava a mão para enroscar-se ao redor de seu pescoço.

— Não sei por que importa. — disse com um tom tão estoico, tão sombrio, que encolheu seu coração — Mas importa.

Então Scheme levantou a cabeça, seus dentes capturaram o lábio inferior de Tanner, puxando ele eroticamente.

— Disse que fazia listas? — perguntou então.

Ele sorriu devagar.

— Fiz muitas listas, carinho, e todas com exatamente quantas maneiras tinha a intenção de te agradar.

— Pois me agrade, Casta. — sussurrou acaloradamente — Mostre-me tudo o que perdi.

Isso soava a desafio, um descarado desafio. Mas ele ouviu o desespero de sua voz, viu-o em seus olhos. Ela necessitava isto tanto como o fazia ele, precisava perder-se no prazer e o calor que surgia com cada toque entre eles.

Levantando-a em seus braços, Tanner a levou a cama, mantendo os olhos cravados nos seus e seus sentidos enfocados nela.

Estava confusa, desesperada. Ele podia sentir a furiosa dor dentro dela, a necessidade de entender o fogo que crescia tão rapidamente entre eles.

Por que não era sua companheira?

Quando a pôs na cama, Tanner baixou a vista para ela, memorizando seus traços, a suave e pálida pele de seu rosto, a escura cor chocolate de seus olhos. Seu cabelo negro se espalhou ao redor dela; o veludo violeta de seu conjunto sussurrou sobre o esbelto corpo.

Teria sido a companheira perfeita. Tenaz, apaixonada, feita para resistir e sobreviver. Deveria ter sido sua companheira.

Ela seria sua companheira. À merda a ciência e os malditos cientistas do Santuário. Esta era sua mulher, não importava o que a natureza ou as análises de sangue dissessem. Ele daria sua vida para protegê-la.

— Tire a roupa. Devagar. — lhe disse com a voz rouca pela força de sua luxúria, de sua necessidade.

Suas mãos se moveram ao elástico das cômodas calças antes de levantar seus quadris para empurrar o tecido sobre as sensuais curvas.

Seu sedoso ventre se mostrou ligeiramente arredondado, suave. Para ser beijado. Logo suas redondas e bem tonificados coxas, as nuas e reluzentes curvas de sua vagina. E aquelas dobras cobertas de cachos eram mais que para serem beijados. Eram para serem devorados.

— Tem a buceta condenadamente mais bonita que já pus os olhos em toda minha vida. — disse, e suspirou quando ela finalmente se livrou com um chute das suaves calças — Poderia passar horas te chupando.

Lançou-lhe um olhar aos olhos bem a tempo para ver a labareda de resposta.

— Nunca fizeram isto para ti, verdade, neném? — seus dedos foram aos botões da camisa enquanto os dela agarravam a bainha de sua camiseta — St. Marks não apreciava essa preciosa buceta. Não te dava mais que uma lambida e uma promessa, verdade?

A camisa caiu no chão enquanto suas mãos foram para seu cinto.

— Você estava olhando. — sussurrou ela — O que acha?

— Não acho nada, neném, sei que ele não sabia apreciar o que tinha. — grunhiu.

Ele tinha visto aqueles vídeos de vigilância. St. Marks não soube o que fazer com uma mulher que sentia que o sexo era mais que uma coceira para ser arranhada.

A camiseta revelou os inchados peitos, logo passou sobre a cabeça. Seus olhos brilhavam escuros e quentes, seu rosto reluzia agora de entusiasmo. Quase tão brilhante como as voluptuosas dobras daquela escorregadia e molhada vagina.

Desabotoou-se os jeans antes de abaixar e tirar as meias três-quartos que vestia. Mas seus olhos nunca abandonaram seu corpo. Perguntava-se se iria cansar de olhá-la, observá-la fixamente alguma vez, o tempo suficiente para não surpreender-se cada vez que via algo que lhe tinha escapado anteriormente.

Como o sedoso brilho na parte inferior de seus peitos. As curvas amadurecidas, nem proeminentes nem realmente magras. As doces e suaves diferenças que a proclamavam como uma mulher adulta de todas as maneiras.

— Você vai fazer alguma coisa, ou tem a intenção de pensar nisso até a morte?

Ela era impaciente no sexo. Era uma das coisas que tinha aprendido sobre ela graças a aqueles vídeos de vigilância. E então, novamente, St. Marks não combinava com sua maneira de ser para manter seu interesse.

— Não preciso pensar nisso. — estendeu a mão, tocou sua coxa, logo arrastou seus dedos para a umidade sedosa entre suas pernas.

Ali, seu polegar rodeou o pequeno broto aumentado de seus clitóris espionando do ápice das dobras. Ela tremeu sob seu toque e o membro se sacudiu em resposta.

— Não posso esperar para enterrar meus lábios aí outra vez. Prefiro te chupar a respirar.

Moveu as pernas, as abrindo quando ele afastou os dedos e se meteu na cama. A noite passada tinha sido dura e agitada. Esta, queria que durasse. Queria fazê-la gozar tantas vezes que quando ele terminasse, Scheme só pudesse estremecer-se no abraço de um orgasmo que parecesse não terminar nunca.

— O primeiro de minha lista era sentir que gozava em minha língua. — grunhiu enquanto colocava seus joelhos entre as coxas de Scheme e se inclinava sobre ela — E era bom, Scheme. Realmente bom.

Olhou-a nos olhos enquanto descia para sua boca, bebendo de seus lábios ao tempo que os lábios de Scheme se moveram vacilantes para seus ombros. Sempre lhe tocava hesitantemente. Como se não estivesse segura se deveria tocar.

E oh, definitivamente deveria tocar.

— Venha aqui, bombom. — Tanner rodou até que ficou de costas, arrastando-a com ele, sorrindo abertamente quando ela o olhou surpreendida — Sou todo teu. — grunhiu, ajudando-a a ficar de joelhos antes de empurrar sua cabeça entre elas — E você é toda minha.

— Tanner, isto não vai funcionar. — ela não se dobrou para frente como ele tinha esperado.

Suas mãos se deslizaram pelo exterior das coxas ao tempo que girava a cabeça e pousava um beijo bem em cima do joelho.

— O tentamos antes? — Tanner arranhou a parte inferior de sua coxa com seus dentes, sorrindo quando um tremor ondulou sob a pele.

— Eu não gosto desta posição. — sua voz soava áspera, sem fôlego.

— Tentamo-lo antes? — perguntou-lhe outra vez, beliscando sua coxa com a suficiente força para fazê-la gemer.

Oh sim, gostava disso. Tanner acariciou seu outro joelho. Scheme estendeu as mãos sobre o abdômen dele.

— Já fiz antes. — ofegou ela — E eu não gostei.

— Hmm. — sim, lembrava disso. Isso não o fodia muito, porque recordou o que tinham visto seus olhos. St. Marks tinha sido ainda mais ineficaz — Talvez você goste mais com um incentivo.

Tanner levantou a cabeça, tirou sua língua e a passou através da empapada fenda que tinha justamente em frente. Enquanto estava ali, assegurou-se de que sua língua vibrasse sobre a sensível carne antes de rodear o clitóris com uma delicada e ronronada lambida.

Ela se estremeceu, um ofego surgiu de dentro dele enquanto passava as unhas ao longo da parte exterior das coxas de Scheme.

— Não posso fazê-lo. — gemeu quando ele agarrou suas coxas e golpeou com a ponta de sua língua sobre as dobras de sua vagina outra vez.

— Por que não pode fazê-lo, neném? — Tanner manteve o ronrono de sua voz. Maldição, gostava daquele som e o toque de sua língua, porque a umidade aumentou exponencialmente.

Voltou a ronronar outra vez. Esta vez sem palavras. Só um longo ronrono saiu quando ele pôs os lábios contra as aumentadas dobras.

— Oh meu Deus, Tanner! — ela fraquejou, dobrando-se, sua cabeça caiu em cima da coxa de Tanner enquanto seu comprido cabelo caía em cascata sobre seu membro e seu testículo. E oh, gostou dessa sensação, quase tanto como gostava da sensação do pesado fôlego contra sua própria carne.

— Tem certeza que você não gosta, neném? — ronronou outra vez, justamente sobre seu clitóris e foi recompensado com a vista mais formosa do mundo. Uma pequena e quente gota de nata que ele capturou com a língua.

Scheme. Ai! Sua pequena e doce Conspiradora, ela tinha sua própria classe de tortura.

Suas agudas e pequenas unhas se cravaram na parte exterior das coxas de Tanner ao tempo que levantava a cabeça, deslizando seu cabelo sobre os ombros e lhe acariciando com o cabelo as coxas como se fosse pura seda enquanto voltava a dobrar-se e seu quente fôlego acariciava a sensível cabeça de seu membro.

E maldição, se estava certo! Seus quadris se agitaram reagindo enquanto deixava sair um rugido gemido através dos lábios. Mas isto não deteve sua língua. Golpeou tentadoramente sobre as dobras, bebendo a lambeduras, lambendo as doces gotas da nata que gotejava de sua carne.

— Mmm. Doce. — agarrou uma das dobras entre seus lábios, lhe tirando a nata antes de voltar a dar ligeiros e rápidos toques com a língua ao redor de seu clitóris com ronronantes carícias que procuravam mais dessa doçura.

Oh, sim, ali estavam. Gotas de gozo. Gozo doce, açucarado, feminino.

Ele sorriu e lambeu. Ronronando. Sussurrando um grunhido sobre sua carne e logo teve a possibilidade de tomar a ambrósia quando as gotas de gozo aumentaram.

Delicioso

Raarrr.

Ela explodiu.

Scheme se endireitou, um silencioso grito se rasgou de sua garganta enquanto os abrasadores espasmos do orgasmo começaram a apertar cada músculo de seu corpo.

— Merda! — ela tremeu, apertando as coxas ao redor de seu rosto, mantendo-o no lugar. Oh Deus! Tinha que sustentá-lo no lugar enquanto balançava os quadris, arrastando sua extasiada e úmida carne sobre seus lábios e sua língua obrigando a que o prazer voltasse uma e outra vez através de seu clitóris, de sua vagina e de seu ventre.

Oh! Era muito bom. Nada nunca tinha sido tão bom. E nunca tinha estado essa posição perto de ser boa. Nem um pouco boa.

Ele riu entre dentes. Suas mãos pressionaram para lhe abrir as coxas e sua cabeça baixou.

— Pode manter o ritmo, Conspiradora? — sua voz continha um desafio — Sou melhor que você?

Melhor que ela? Ele era melhor que uma fantasia. Ele era melhor que seu vibrador. Merda, sim, ele era melhor que ela.

Mas isso não significava que ela não pudesse seguir o ritmo. Não significava que não conhecesse algum outro truque.

Scheme tremeu quando o ouviu ronronar outra vez. Aquele maldito ronrono ia enlouquecê-la deste jeito. Ela não podia resisti-lo.

Dobrando-se para frente, tremeu, estremecendo-se quando ele golpeou sua língua sobre sua cheia carne outra vez. Ela nunca tinha estado tão molhada em sua vida, ou tão se desesperada pelas sensações que se acumulavam em seu interior.

Esta posição sempre tinha sido muito desconfortável. Até agora. Agora, em vez da tensão que a enchia da expectativa do homem embaixo dela, o que a enchia era o prazer e a determinação. A determinação de dar tanto quanto recebia. Ou ao menos tentá-lo.

O grosso comprimento de sua ereção se elevou até o umbigo, pulsando e palpitando. A cabeça com forma de cogumelo estava úmida com líquido pré-seminal. Scheme agarrou seu pau e baixou a cabeça.

Não havia nenhuma possibilidade de estar a sua altura, mas a diferença de sua experiência anterior nesta posição, realmente lhe importava um nada. As chamas que atravessavam seu corpo anularam seu sentido do jogo limpo. Se ele queria conseguir algo tão bom como o que dava, ia ter que aceitar não tocá-la enquanto lhe tocava, porque seu toque era destrutivo.

Embora pudesse prová-lo. Poderia inundar-se completamente no prazer que lhe dava, a sensualidade que surgia em seu interior. A fome a desfazia com um desespero contra o qual ela não sabia lutar.

Os lábios rodearam a cabeça de seu membro, desencapando-o, provando sua ferocidade na essência úmida que cobria a dura e acetinada carne. Ela sentiu sua luxúria, sua fome, no forte pulso do sangue através da acesa carne e o profundo rugido que vibrou contra os lábios de sua vagina.

Ela se estremeceu com as sensações que lhe produzia aquele som, ofegando enquanto lutava por respirar. Seus quadris baixaram ainda mais. Seu corpo exigindo mais, sempre mais.

Sua língua se moveu rapidamente, lambendo, tingindo sua carne de fogo e deixando-a ofegando enquanto tentava, realmente tentava, lhe dar o mesmo prazer, excitando seu pau, mamando-o com sua boca e tentando seu controle da mesma maneira que ele estava tentando o seu.

Mas estava tocando-a, comendo-a com lábios famintos e a língua enquanto ela se estremecia em cima dele. Depois explodiu com uma força que fez que suas costas se arqueassem e um grito rasgasse sua garganta.

Era interminável. Ricocheteava de uma terminação nervosa a outra, de uma célula a outra, fazendo-a retorcer-se. De repente em vez de encontrar-se em cima dele, encontrou-se debaixo dele.

— Não posso suportá-lo. — gritou. Suas mãos se agarraram aos ombros de Tanner, olhou-o, decepcionada consigo mesma, por não ter conseguido lhe agradar.

Um sorriso esticou a apertada e controlada linha de seus lábios.

— Neném, se pudesse suportá-lo, então não estaria fazendo-o bem. — um travesso brilho de dentes brancos surgiu um segundo antes que ele se movesse entre suas coxas e se aproveitasse.

Sua visão se turvou e conteve o fôlego. Oh Deus, era muito bom. A maneira em que a enchia, entrando devagar, esticando a malha sensível de sua vagina que descobria as escondidas terminações nervosas e as zonas erógenas. Descobrindo lugares que nunca soube que tinha.

Tanner os acariciou. Trabalhando dentro e fora, atrás e na frente, balançando seus quadris contra os dela até enchê-la completamente e fazê-la tremer embaixo dele.

— Deus, é preciosa. — sussurrou então, sua rouca voz soava faminta — Tão formosa que rouba o fôlego de um homem, Scheme.

Ela estava tão perto. Muito perto. Podia sentir seu orgasmo ao alcance da mão e seu próprio desespero saltar em seu interior.

— Sim, sim. — gemeu enquanto se sustentava com os cotovelos em cima dela, acariciando sua cabeça ao mesmo tempo em que suas mãos se agarravam a seus quadris — Gosta disto, Conspiradora. Eu gosto muito.

— Está-me matando. — gemeu ela — Não brinque comigo.

— Um pouco de provocação é bom, carinho. — disse baixando a cabeça. Seus lábios chuparam um enrugado mamilo enquanto movia os quadris. A cabeça de seu membro esfregou seu interior, desencadeando pequenos tremores do iminente gozo.

— Assim não. — o prazer a matava.

Scheme tremeu embaixo dele quando uma abrasadora onda de calor atravessou a carne, tão sensível, que os tremores de prazer a sacudiram até o coração.

— Justamente assim, amorzinho. — continuou fazendo girar seus quadris devagar — Só te relaxe para mim. Não tem que fazer nada, amor. Não precisa pensar. Só senti-lo completamente.

Olhou-lhe, ofegando em busca de fôlego. Sempre se precisava fazer algo. Sua cabeça negou enquanto lutava pelo controle suficiente para fazer algo, algo para lhe devolver o prazer.

— Estar enterrado dentro de ti é como estar ligado a puro prazer. — grunhiu quando levantou sua cabeça, mostrando uma profundidade tal em seu olhar, como ouro polido, que a fez conter o fôlego — Uma quente sensação que rouba a mente.

A luxúria, o prazer e muito mais repercutiram nas quentes profundidades, aterrorizando-a pela necessidade que sentia de responder, de lhe dar tudo de seu interior, de entregar-se toda.

— Me deixe te mostrar o prazer, Scheme. — ele beijou seus lábios brandamente — Só fecha seus olhos. Feche os olhos e me deixe te mostrar quão bom pode ser.

Suas pestanas se fecharam antes de voltar a abrir-se outra vez. Confiava nele. Confiar nele era perigoso.

Um sorrisinho apareceu em seus lábios enquanto enredava os dedos em seu cabelo.

— Te desafio.

— O que? — ela quase não podia continuar a pensar.

— Desafio-te a fechar os olhos. Só te recoste para trás e me sinta tomá-la. Sem nenhuma responsabilidade, Scheme. Sem nenhuma necessidade de pensar. Só me sentir. Desfrute para mim, carinho.

Seus lábios cobriram então os dele, sua língua lhe lambendo os lábios, deslizando-se dentro, tomando a última resistência enquanto lhe cravava as unhas na pele e Tanner começou a mover os quadris.

— Desfrutar. — isso não descrevia as sensações que a atravessavam. Com cada golpe de seu membro dentro dela, ele a enchia de um êxtase louco, de um prazer brutal. Um prazer que a perseguiria, atormentaria-lhe até depois da morte.

— Assim, doce amor. — disse separando os lábios dos dela quando ela começou a gemer, a gritar pelas sensações que a atravessavam — É tão doce e apertada. Tão quente. Poderia ficar dentro de ti para sempre.

Scheme elevou os quadris embaixo dele, encontrando o ritmo, compassando-se a ele, aumentando o prazer que crescia com uma demanda catastrófica tal que ela não pôde ficar quieta.

Continuava sem poder aguenta-lo. Seu ritmo podia mudar, acelerava-se, logo reduzia a marcha. O suor corria em riachos por seu corpo, fazendo que o corpo de Tanner se deslizasse contra ela, acariciando com sedosa precisão ao longo de sua sensibilizada pele enquanto empurrava o pau com força e profundamente dentro de sua buceta.

Ela morria. Era muito. Muito prazer. Muitas sensações. Tinha que parar, necessitava ao menos um pouco de controle. Só um pouco.

— Oh não, não o faça. — um grunhido primitivo abandonou seus lábios — Não fique tensa, Scheme. Volte para mim.

Seus golpes mudaram. Seus lábios beliscaram os dela. Suas mãos se apertaram em seu cabelo e ele começou a fodê-la duro, profundamente. Poderosos golpes que enviavam seu pau dentro e fora. Acariciando, abrasando. Cada impulso a lançava mais alto, sacudindo-a em um torvelinho de sensações que finalmente, benditamente, culminou em uma implosão de tal força, tal profundidade que não havia nenhum controle, nenhuma restrição. Estava indefesa, lançada ao interior de uma espiral de ardentes sensações.

Quando paralisou embaixo dele, sentiu um último e desesperado impulso, antes que Tanner se afastasse e se introduzisse tão profundamente dentro dela que tinha certeza que havia perfurado sua alma. E logo sentiu seu gozo saindo em jorros quentes dentro dela, o batimento do coração de seu membro, palpitando quando ele se deixou ir.

E soube que nunca se livraria dele. Viva ou morta, a necessidade deste prazer a seguiria. A necessidade deste homem a perseguiria por toda a eternidade.

Scheme tentava se lembrar de como respirar sem ofegar quando Tanner rodou a seu lado e a estreitou contra seu corpo. Ele também respirava com dificuldade, seu peito se elevava e descia em rápidos bufos enquanto enterrava a cabeça em seu cabelo e lhe mordiscava o ombro de brincadeira.

— A próxima vez que me ameaçar com uma faca, vou surrar-te. — ofegou.

— Me lembre de usa-la a próxima vez. — um sorriso estava em seus lábios quando voltou a mordê-la.

— Me lembre de esconder as facas. — grunhiu.

Scheme sacudiu a cabeça com uma suave risada enquanto movia a mão à parte inferior de seu estômago, cobrindo o ligeiro calor que podia sentir profundamente sob a pele. Em seu ventre. Acariciou a área. A amargura se filtrou em sua alma ao recordar tudo o que tinha perdido a última vez que se permitiu acreditar em um homem. Ao recordar tudo o que podia perder se permitisse acreditar neste homem.

 

Tanner se foi, bem a tempo. Dormir com um homem te ajudava a inteirar-se das coisas mais estranhas. O quão sensível ele é a ti, até dormido. Mas também, quão sensível uma mulher se voltava para um homem, inclusive inconscientemente.

Não tinha que despertar por completo para saber quando ele deixava a cama, e se deu conta, em uns poucos dias, de que sabia o momento em que abandonava o quarto.

Quando ele deixou a cama à manhã seguinte, ela o sentiu mover-se. Estava mais dormindo que acordada quando as luzes cintilaram detrás de seus olhos fechados. Então, sem mais, de repente se tornou escuro.

Ele se levantou para preparar o café da manhã.

Não lhe resultava fácil sair do sono profundo no qual estava depois dos encontros sexuais pelos que lhe tinha feito passar. Especialmente sabendo que ele intuiria seu despertar.

Assim dormitou, tal como o tinha feito durante os anos que viveu na fazenda de seu pai. Os Coiotes patrulhavam ali, e os castigos de seu pai por rondar pela casa depois de que as luzes se apagassem eram brutais.

Ela cronometrou as patrulhas dos Coiotes e aprendeu a enganá-los. O cérebro podia fazer coisas milagrosas quando tinha que as fazer. Tinha aprendido a situar-se naquele estado entre o sono e a consciência, em um lugar onde seu cérebro era consciente de cada movimento, cada som, cada aroma que flutuasse a seu redor.

Os humanos eram muito capazes de certa percepção animal. Podia ouvir o Tanner caminhar; não tinha nem ideia do túnel que ele tinha tomado, mas vários longos minutos depois de que este se vestiu e abandonou o quarto, ela ouviu a raspagem na pedra. Débil. O som era tão fraco que levou uns preciosos segundos a seu cérebro identificá-lo, e ainda mais tempo o forçar-se a despertar.

Deslizou-se da cama, piscando ante as luzes que brilhavam a seu redor enquanto se inclinava para recuperar sua roupa do chão.

As calças de veludo estavam ao outro lado da mesinha de cabeceira, o top aos pés da cama. Uma meia três-quartos estava debaixo da cama; a outra a teve apertando os dentes frustrada antes de encontrá-la enfiada debaixo do colchão.

Tanner realmente ia ter que começar a ter mais cuidado com sua roupa.

Enfiou os pés nas meias três-quartos e se deslocou pelos túneis. Um sorriso enviesou seus lábios quando encontrou o que estava procurando.

Tanner era definitivamente uma casta, mas tinha esquecido uma regra principal. Sempre estar atento em busca de anomalias. Tinha passado uma ao Tanner. A pequena poeira solta nos túneis de pedra.

Agora ela tinha impressões de rastros quase imperceptíveis, tão tênues que as teria perdido se no dia anterior não tivesse encontrado a pequena lanterna escondida no quarto de fornecimentos.

Tinha passado dias trabalhando nos túneis, deixando solta a terra compacta, dispersando-a aqui e lá, um túnel cada vez, e revisando-o em busca de rastros.

Segundo dia e bingo. Sua sorte estava melhorando.

Este era o dia de escapar, disse-se. Hoje, conseguiria sair de uma merda de vez dali e encontrar o telefone mais próximo. Jonas estaria esperando sua chamada neste momento; ele saberia que algo tinha saído errado.

Fez voltar sua pena ao pensar em abandonar ao Tanner. Especialmente desta maneira. Mas tinha que encontrar ao Jonas e lhe dar a informação que tinha; depois se ocuparia de Tanner. As primeiras coisas primeiro. Não podia confiar nisto facilmente. Negava-se a permitir-se confiar nisto com muita facilidade.

Uma vez fora das cavernas, seria capaz de orientar-se e evitar os Coiotes. Eles estavam ao redor da cabana, mas tinha estudado extensamente a área onde estava localizada a cabana durante anos. As cavernas tinham que estar localizadas longe da área geral da cabana, porque Tanner levava muito tempo pra voltar depois de suas excursões às cavernas.

E se eles não estavam… Inalou profundamente. Solucionaria isso, uma vez que se orientasse e calculasse em que ponto se encontrava.

Mordendo o lábio, seguiu o rastro, que embora fraco, existia. Quase o perdeu em mais de uma ocasião, e cada vez se encontrou com o coração na garganta quando o medo a atravessava.

Tinha que sair dali e encontrar o Jonas, porque suas defesas estavam desmoronando no que dizia respeito ao Tanner. Podia senti-lo. Estava a ponto de dar tudo que ele quisesse; como ele quisesse. E arriscar tudo.

Estava se apaixonando por ele.

Aceitar isto era uma das coisas mais difíceis que tinha feito. Porque isto não era como tinha sido amar ao Chaz. Com o Chaz, sempre tinha faltado algo, alguma coisa não estava completa dentro dela.

Nada tinha faltado com o Tanner, e isto a assombrava. Porque sabia que se ele tivesse usado o sexo para interrogá-la, ela teria falado. Teria se quebrado e dito tudo o que ele queria saber.

Tudo o que ele teria que fazer era reter um orgasmo. Fazê-la esperar, e então lhe perguntar algo. As vidas que ela teria traído poderiam ter desaparecido para sempre, porque era fraca.

Seu pai tinha razão a última vez que a tinha enterrado. Ela era muito fraca para viver. Muito fraca para sobreviver no mundo em que tinha nascido.

Expulsando o ar com cansaço, manteve seu olhar fixo nas impressões fracas das botas de montanha de Tanner pelo túnel, até que estas giraram e se detiveram diretamente ante a parede de pedra.

Seus olhos se entrecerram. Ele não podia andar por uma parede, maldição.

Estendendo as mãos, percorreu com elas a parede, franzindo o cenho ante o tato desta. Parecia pedra, quase parecia pedra, mas com uma diferença. Movendo suas mãos de um lado a outro, seus dedos finalmente encontraram a apenas perceptível depressão em uma lateral. Enganchando-os nela, puxou, e se surpreendeu pelo apagado som de raspagem quando um painel forrado da rocha se deslizou ao abrir-se.

Este era o som de algo arrastando que tinha ouvido na partida dele. Um falso muro abrindo-se, e não tinha sido capaz de situá-lo. Era estreito, baixo, de apenas um metro setenta de altura e talvez um metro de largura. Tanner teria que encolher-se e agachar-se para atravessá-lo, mas ela poderia fazê-lo com facilidade e rapidez.

Parou ali, sabendo que encontraria uma saída para outro lado, em algum lugar. E teve que obrigar-se a seguir adiante. Forçando-se a pôr um pé diante de outro enquanto apertava os lábios e se deslocava para o seguinte túnel.

Sentiu agora o arrependimento rasgando-a, um sentimento de perda. Por acaso alguma vez havia se sentido tão a salvo, tão segura como havia se sentido, agasalhada naquelas cavernas com Tanner?

Sabia que não. Tinha encontrado um refúgio nos braços dele, clandestinamente, e desprender-se disto era surpreendentemente difícil.

Sentiu como se se desprendesse de Tanner. Como se ao encontrar esse painel escondido, tivesse lhe traído. Que não tivesse acreditado nele.

Sacudindo a cabeça, teve que obrigar-se a continuar. Não estava traindo-o, assegurou a si mesma. Estava lhe salvando. Se ele não era o espião, ela estava salvando a sua família e a seu sobrinho. Não estava traindo a ninguém, salvo a Cyrus Tallant, e bem sabia Deus que ele merecia a traição.

Apertou sua mão contra a parte inferior de seu estômago. Havia aí uma leve sensação ardente, um calor que tinha começado a fazer-se evidente no dia anterior e não parecia aliviar-se.

É obvio, Tanner e ela tinham estado fodendo como coelhos; isso poderia explicá-lo. Seu corpo não estava acostumado ao tamborilar que suportava. O tamborilar amado. Ansiado. Necessitado.

Um sorriso amargo tocou seus lábios. Nunca tinha conhecido o prazer tal como o tinha conhecido com Tanner, feroz, quente como o inferno, e totalmente avassalador. Ela não tinha tido sexo com ele. Não lhe havia fodido. Ela tinha feito amor com ele, e sabia.

Memorizou cada toque. Cada sabor, cada um daqueles pequenos sons como grunhidos que ele fazia e que ela amava. Como um cruzamento entre grunhido e ronrono, algumas vezes quando estava chateado com ela, sobre tudo quando encontrava o prazer com ela. E sabia que ele encontrava o prazer com ela.

Suas suspeitas de que ele poderia ter conspirado com seu pai sempre vacilavam aí. Sabia que ele tinha que estar com ela. Podia senti-lo nele, vê-lo na dura e atada força de seu corpo cada vez que se conteve e a permitiu contatar também.

Deus, o que estava fazendo? Estava se autoconvencendo, justo quando a liberdade estava tão perto, de que talvez ele a amasse. Só um pouquinho?

Estava satisfeita por trocar sua vida, e as vidas de tantos outros, por uma talvez.

Seu gosto quanto aos homens era uma merda e sabia. Seu primeiro amante, Chaz, tinha sido um assassino. O segundo não tinha sido muito melhor. A única diferença era que ele não fazia parte da organização de seu pai. Só tentava fazê-lo. O terceiro. Ah, aí havia um verdadeiro ganhador. O amante que tinha chegado a conhecer em um dos clubes que frequentava, de fato tinha sido um agente federal disfarçado. De fato, um agente federal disfarçado casado.

Cyrus realmente tinha desfrutado castigando-a por aquele. Ao menos não tinha matado ao agente. Oh não, Cyrus Tallant não assassinava a um talento útil imediatamente. Absurdo! O agente casado ainda estava sendo chantageado pelo Cyrus Tallant.

Tinha tido outros dois amantes, aventuras curtas, homens cujos nomes se obrigou inclusive a não recordar. Homens agradáveis, cujo mérito excepcional tinha sido seu calor. Durante umas poucas semanas ela lhes tinha deixado mantê-la quente.

Ao virar a curva no túnel, meteu-se em outro. Em todo caso, como diabos fizeram este maldito túnel subterrâneo? Sentia-se como se tivesse caminhado toda a vida.

E cada passo lhe doía mais. Quanto mais perto estava de escapar de Tanner, mais lhe doía. Uma dor física, ardente no centro do peito.

Seu senso comum estava gritando pra ela prosseguir, e o coração um pouco tímido e romântico estava sussurrando que desse meia volta. Que retornasse à cama. Que esperasse o Tanner. Ele estava precisamente averiguando quantos soldados rodeavam sua cabana, sussurrou-lhe essa voz desconhecida em sua cabeça.

Imbecil completa, te cale merda! Gritou seu senso comum. Provavelmente ele está fazendo um relatório para seu pai agora mesmo.

Mas ele não te faria mal. Estava preocupado por você.

Ele quer respostas, não seu corpo estragado.

Ela suspirou. Sentia-se velha. Tão velha que às vezes era como se sua alma estivesse enrugada, seca.

Até que Tanner a tocava.

Ao rodear outra curva, viu a saída. Ali, fixada à pedra, havia uma escada de mão metálica que levava até o teto e um fino entalhe ao redor que parecia estar revestida de pedra.

Liberdade.

Uma lágrima se deslizou de seu olho.

Scheme limpou a umidade devagar antes de esfregar os dedos, secando o indício de debilidade quando olhou para cima, à saída. Agora era o momento de enfrentar o destino. E que destino. Ao karma. Qualquer que fosse, era a hora de pagar pelas vidas que seu pai tinha tirado.

Não havia por aí uma passagem da Bíblia? Algo sobre o filho que paga pelos pecados do pai? Bem, ela não era um filho varão, mas era o único filho capaz do pagamento.

Agarrou-se, apoiando-se na escada de mão e se impulsionou para cima, usando a palma de sua mão para empurrar e tirar a pedra de cima dela.

Liberdade.

Então, por que se sentiu como se voltasse ao cativeiro?

 

— Tanner, cara, estamos com problemas.

Tanner ficou em cócoras bem detrás de Jackal e Cabal, com seus olhos entreabertos perfurando a névoa que se elevava a primeira hora da manhã, o penhasco cobrindo o vale para envolver a alta colina onde sua cabana estava.

— O que os dois estão fazendo aqui? — murmurou, seus olhos seguiam o baile delicado entre a meia dúzia de soldados do Conselho e os quatro das Forças Especiais da Casta dando voltas ao redor da pequena construção a vários quilômetros das montanhas.

         — Averiguando algumas coisas. — murmurou a voz destroçada de Jackal — Esperávamos que os soldados do Conselho vigiassem a cabana. Não esperávamos que os homens de Jonas estivessem ali também.

— Ele sabe que estão aqui? — Tanner era consciente de que Jonas tinha ordenado que eles permanecessem na ativa. Umas horas mais tarde, Cabal lhe tinha mostrado o dedo do meio e saído da mesa. Jackal lhe tinha seguido com um sorriso zombador, relatou Cabal.

— Não deveria saber uma merda. — grunhiu Cabal — Fomos primeiro ao Santuário e escapamos de lá. A propósito, Callan disse que te dará uma patada no traseiro quando voltar.

Tanner grunhiu enquanto puxava os óculos de visão noturna, de longo alcance, multiuso usados para a guerra em terra, do rosto de Cabal e os colocava sobre seus olhos.

Filhos da puta. Os soldados do Conselho e os das Forças Especiais estavam fingindo que não sabiam que o outro grupo estava ali.

— Que loucura. — disse entre dentes — Que porra está acontecendo aqui?

— A equipe do Conselho está composta por meia dúzia de seus melhores homens. —sussurrou Jackal — Homens que só chamam em circunstâncias extremas porque cobram um olho da cara pelo serviço. Os castas fazendo joguinhos com eles são parte do que Jonas chama sua Equipe Alfa. São os melhores entre os melhores. Jonas recrutou a cada um pessoalmente.

— A outra metade da Equipe Alfa está concentrada ao redor do abrigo de comunicações no Santuário, e algumas das coisas que usam definitivamente não são de uso padrão.

— Por exemplo?

— Por exemplo, localizadores de transmissão de longo alcance e tradutores. — Cabal se voltou para lhe olhar — Estiveram escutando cada puta mensagem que entrava ou saía, e Callan não estava informado. Essa equipe nem sequer é quão último ouvimos sobre Investigação e Desenvolvimento.

— Se forem tudo o que ele diz que são, então podem programar-se para palavras específicas ou frases enquanto monitoram cada maldita frequência conhecida pelo homem em um momento. — seguiu Jackal.

— E sobre a codificação? — Tanner sabia que as poucas transmissões que realmente tinham captado do Santuário para o Tallant tinham estado intrincadamente codificadas.

— Tudo o que precisa são as chaves de codificação. — disse Jackal — E aposto o que queira que eles captaram algo aqui. Sua princesa tem rádio?

— Não é possível. — Tanner negou com a cabeça. Sabia sem sombra de dúvida que nada tinha saído daquelas cavernas.

— Tudo bem. — a voz de Cabal era menos que um sussurro — Então me diga que porra de festa há aqui?

— Ouviram falar sobre as cavernas. — sugeriu Jackal — É a única razão para que ambas as equipes andem assim, com tanto sigilo. Procuram o mesmo.

— Jonas foi ao Santuário anteontem à noite. — refletiu Cabal — Podia ouvir a ele e a Callan rugindo um ao outro, mas pouco mais.

Tanner se estremeceu.

— Estão-na procurando. — passou-se os dedos pelo cabelo sem piedade — Posso entender que Tallant faça o esforço, mas por que Jonas?

Cabal jogou um olhar para trás, para ele com inquietação.

— Conseguiste uma operação do demônio aqui, Casta. — disse Jackal e suspirou — Como vamos lidar com isto?

Jackal se voltou para lhe olhar. A avessa cicatriz que percorria sua têmpora através de seu olho até o canto de seu nariz, descendo pela bochecha contrária, lhe dava um aspecto brutal. Os olhos azul marinho, tão escuros que quase eram negros, e seu cabelo negro de comprimento até o ombro tampouco ajudavam.

Aos trinta e nove, continuava jurando que a aposentadoria estava à mão, mas seu olhar brilhava com regozijo ante o mero pensamento de enfrentar aos soldados do Conselho de Supremacistas e seus inatos primos puristas.

Tanner tinha aberto a boca para falar quando sentiu que o alarme silencioso vibrava em seu cinto.

— Falha na segurança. — grunhiu.

Os soldados do Conselho e as Forças Especiais da Casta ficaram no esquecimento quando os três homens se giraram e se dissolveram no bosque, correndo de volta para os penhascos e as cavernas.

Scheme tinha estado procurando a maldita saída cada dia dos que tinha estado ali, isso sabia, mas não acreditava que pudesse tê-la encontrado. Não acreditava que ela sentisse o desejo de encontrá-la. E ainda se o desejava, ele tinha se assegurado de não tomar nunca o mesmo túnel duas vezes, e que ela estivesse dormindo cada vez que ele partia.

Isto significava, provavelmente, que alguém mais tinha conseguido encontrar a entrada oculta.

E Scheme estava indefesa.

 

Se é que podia chamar-se luz. E estava em um bosque? Árvores, grama, terra com insetos e nojentas lesmas do bosque?

Arggg.

Fazendo uma careta, Scheme permaneceu na estreita entrada da caverna. A que tinha saído da tampa de pedra e contemplou a garoa e a terra de aspecto úmido de fora.

Não era névoa; podia com isso. Estava acostumada. Era uma bruma úmida que pendia no ar umedecendo tudo o que tocava.

E havia pássaros. Não pombas. Merda, perguntou-se se os pássaros podiam cagar em sua cabeça. Tinha ouvido… Em algum lugar. Agora não podia recordar exatamente onde.

Imediatamente após dar um passo para fora da estreita entrada da caverna ia ter as meias três-quartos irreparavelmente sujas. Nunca mais voltariam a estarem limpas. A umidade arruinaria a formosa calça de veludo, que de fato era sua favorita. Infelizmente, não havia nada mais duradouro na mala.

Estava em um autêntico e insólito bosque. Levou vários minutos, mas conhecia mais ou menos a zona em que estava, a várias milhas da cabana de Tanner. O bastante longe para que os Coiotes dali nunca soubessem que estava pelos arredores. Não estavam na zona das cavernas, segundo Tanner, simplesmente na cabana. E a direção do vento ia a favor. Fluía da cabana e para baixo no vale. E ela se dirigia para cima.

Sabia que direção tomar para chegar à estrada principal. Havia várias casas nessa estrada. Como máximo, tinha uma caminhada de meia hora até uma delas.

Sem ajuda. Teria que atravessar caminhando o bosque por si mesma. Porra, seria bom se ao menos soubesse onde estava antes de tentar escapar. Bem poderia ter ficado na cômoda e cálida cama de Tanner.

Ante este pensamento, seus lábios se inclinaram com um sorriso. Ela sabia que escapar era muito importante, mas seria realmente agradável fazer outra coisa. Faria com que dar o primeiro passo não fosse tão difícil. Talvez.

A quem estava mentindo? Não se entendia bem com a natureza. Gostava de sua selva de cimento. D.C. e New York eram os habitats perfeitos para ela. Cyrus preferia o estado da Pensilvânia, e inclusive este era um lugar agradável, com todas as comodidades modernas, apenas fora dos limites de uma cidade muito bem povoada.

Duvidava que houvesse um Starbucks em um raio de cem quilômetros, e muito menos uma cidade de verdade. Mas tudo o que precisava era um telefone. E no máximo em meia hora teria resolvido isto.

Muito bem, não tinha opção. Tanner muito raramente desaparecia por mais de umas poucas horas; retornaria logo. Tinha que encontrar um telefone antes que voltasse.

Jogou outra olhada.

Deu um passo para diante e saiu da caverna, imediatamente fez uma careta de nojo quando seu pé entrou em contato com o montão de folhas soltas, a grama e a terra no chão.

Imediatamente a meia três-quartos se umedeceu.

Não ia ser agradável.

Respirando profundamente, obrigou-se a sair do escudo protetor de pedra e começar a caminhar por um apenas perceptível atalho que ia para cima.

As cavernas estavam abaixo. Certamente ninguém vivia ao pé desta confusão, e não pôde ver nenhuma só casa. Assim tinham que estar acima. Simples. Podia fazê-lo. E tudo o que tinha que fazer era subir.

Caminho acima, isso parecia.

Muito ruim que não houvesse um elevador.

 

— Filha da puta. Encontrou a saída. — Tanner comprovou a entrada da caverna, inalando o aroma de Scheme, sua determinação, sua dúvida, sua tristeza. Os aromas persistiam, recentes, fortes — Não estará longe.

— Sim, e está deixando o rastro de um lutador de sumô. — grunhiu Jackal — Saia daqui e encontre-a enquanto cubro seus rastros. Certamente cada casta, soldado do Conselho e Forças Especiais já captaram seu cheiro.

— Quem necessita seu cheiro? Podem ouvir a alteração do ar. — espetou Cabal, seguindo rapidamente ao Tanner.

E Jackal tinha razão; tinha criado um maldito alvoroço subindo a montanha. As folhas esparramadas pelo chão, a grama esmagada por onde se deslizou, galhos quebrados, folhas e espinhos. Cobrir isto e manter a porra da entrada a salvo de ser detectada ia ser uma fodida dor de cabeça.

Ia surrar-lhe o traseiro.

— Fique com o Jackal! — girou-se para Cabal, grunhindo quando o outro homem se deteve de repente — Quero os dois afastando o Conselho e às Forças Especiais de seu cheiro. Não me importa como o fazem.

Não podia ter Cabal e Scheme cara a cara ainda. Não ainda, não até que pudesse controlar ao animal que gritava em seu interior.

Quando Cabal retornou, Tanner elevou a cabeça, farejando o ar e dirigindo-se para cima. Um duro sorriso lhe enviesou a boca. Seria mais difícil às castas do Conselho ou aos soldados de Jonas captar seu aroma por este caminho. Uma vez que a tivesse de volta às cavernas, a entrada da caverna saneada e seu aroma dispersado. Inclusive Cabal seria incapaz de dizer onde estava se ele não soubesse. A tampa de pedra disfarçava a entrada às cavernas à perfeição; sem aromas, sem sons, nada que houvesse sob a rocha seria detectado.

Simplesmente tinha que conseguir levá-la de volta às cavernas.

 

Subindo penosamente pelo apenas perceptível atalho da montanha, Scheme manteve a cabeça encurvada e lutava por manter os olhos nítidos. Isto era um engano. Todo seu interior estava gritando que deixava atrás uma evidente peça de informação.

Abandonar o Tanner não era a resposta. Confiar nele. Essa era a resposta. Tão ilógico como parecia, tão desconfiada como tinha sido, cada partícula de seu ser clamava por ele.

Tinha que confiar nele.

Alcançando um plano saliente de terra mais acima na montanha, Scheme se deteve e secou o suor da testa antes de apoiar as costas contra uma árvore e contemplar a tênue luz do céu ao longe.

Não queria afastar-se.

Voltou a olhar o vale abaixo e soltou um cansado fôlego. Estava cansada de lutar. Cansada de lutar contra a necessidade por ele, os sentimentos por ele. Estava cansada de estar sozinha. Tão só que não podia confiar; não podia rir ou amar.

Tinha que lutar para aferrar-se ao que Tanner parecia estar oferecendo. Estar a salvo. Segurança. Seu amor. Possivelmente seu amor. Um enorme possivelmente pelo que ela estava preparada para dar a volta e correr de retorno para ele. Agora mesmo.

Endireitando-se rapidamente da árvore, girou-se e ficou cara a cara com a morte.

— Cadela estúpida. — Dog, o soldado mais sangrento e desumano de seu pai, deu um passo de detrás de uma grande rocha a seu lado. A face cruel estava realçada por uns olhos cinzas acerados, os lábios se retiraram em um grunhido, curvados caninos cintilavam na tênue luz que se filtrava do amanhecer.

— Cão mulherengo. — lhe soltou em resposta. Sem mostrar temor. Tinha aprendido isso fazia já tempo quando se tratava dos mascotes de Cyrus.

Os lábios dele se torceram. Sempre o faziam, pouco antes de um sorriso petulante de satisfação. Literalmente era o chefe dos caninos na organização de seu pai. Controlava aos Coiotes e a atribuição de tarefas, assim como também sua preparação.

Era tão malvado como seu pai, e duas vezes mais perigoso.

— Deve gostar de ser enterrada viva.

Os olhos cinza esquadrinhando e vigiando constantemente, as fossas nasais flamejando como inalando os aromas dos arredores.

Onde demônios estava Tanner? Podia aceitar um pouco de ajuda.

— Dê-me tempo para pensar. — disse com ar depreciativo, retrocedendo, quase tropeçando quando seus joelhos em realidade estavam tremendo. De todos os castas de seu pai tinha que topar-se com este.

Em vez de segui-la, ele se agachou, o olhar entrecerrado sobre ela. Com um metro oitenta e quatro de altura e puro músculo, teria sido imponente sem os turvos olhos cinza e as negras mechas no cabelo cinza. Dizia-se que era o mais desumano Coiote que o Conselho já havia criado.

— Se te levar com vida, tenho que foder-te antes que seu papai te enterre. — sorriu com prazer zombador — Tenho que te banhar primeiro. O aroma de gato ofende meus sentidos.

Preferia ser enterrada primeiro.

— Pode foder? — ela abriu os olhos maliciosamente — Desde quando Cyrus não castra a seus pequenos mascotes?

Os lábios dele se apertaram.

Era uma das medidas de controle favoritas de Cyrus.

— Não cheguei a Tallant pelos laboratórios principais, pequena. — lhe espetou — Esqueceu isso.

Certo, um engano de sua parte. Possivelmente Dog ainda conservava suas partes masculinas. O qual o fazia mais perigoso. E tinha razão; não tinha chegado a seu pai pelos laboratórios controlados pelo Tallant. Tinha chegado do mesmo Conselho. Quem ou o que o tinha treinado, ninguém sabia, ao menos não Cyrus, mas não havia nenhuma dúvida que era um dos mais competentes assassinos criados.

Ela retrocedeu um passo. Fugir dele não ia trazer-lhe nada bom.

Oh, isto tinha sido uma má ideia. Má. Má. Má.

— Seu papai não vai gostar que tenha o aroma do casta por todo seu corpo. — de modo surpreendente, Dog procurou provas dentro do bolso da camisa, tirou um cigarro e o acendeu antes de endireitar-se.

— Meu pai não é um casta. Não pode me cheirar. — retrocedeu um pouco mais.

Certamente Tanner já tinha voltado para as cavernas. Saberia que estava perdida. Seguiria-a. Tinha que estar por aqui.

Olhou os arredores freneticamente.

— Tsk, tsk, princesinha. — murmurou Dog — Assim, vai contar-me onde esteve escondida durante a semana passada? Poderia falar com seu papai para que te desse um tiro em vez de deixar morrer nesse féretro outra vez. Esta vez para sempre.

Sua voz era fria, brutal. Deus, odiava-o. Tinha lhe visto entrar tranquilamente em uma sala e romper o pescoço de um dos soldados de Cyrus, por nada mais que o manejo descuidado das armas.

E o tinha desfrutado. Tinha visto o prazer em seus olhos, no gesto tenso de sua expressão. Assegurou-se de não assistir nunca mais a outra reunião de operações desde esse dia.

— Não me respondeu. — sua voz diminuiu perigosamente.

— Oh, aqui e ali. — ela ondeou as mãos no ar, abrangendo o bosque — Sabe, uma árvore se parece com outra.

Por que não tinha surrupiado uma dessas facas de cozinha?

Oh sim, porque pensou que Tanner a deteria. Essa era a verdade. Por alguma razão, pensava que ele era o Super Homem.

Os lábios de Dog se arquearam enquanto olhava os arredores.

— Bem, suponho que sim. — afastou o charuto, soprando uma série de anéis de fumaça antes de girar-se para ela.

Não fez nenhum movimento para saltar sobre ela. Inclinou a cabeça e o observou com curiosidade enquanto outra vez jogava uma olhada ao caminho que tinha utilizado.

— Olá, Tanner. — disse arrastando as palavras.

Scheme se voltou, dando de cara com um amplo e muito familiar peito. O ritmo de seu coração se acelerou, os dedos se curvaram na malha de sua camisa e um pequeno grito saiu de seus lábios.

Tentou escalá-lo.

Um braço se apertou a seu redor, os músculos contraídos, lhe permitindo a ela quase subir por seu corpo em um esforço por ocultar a sensação de perigo que a cobria.

— Vou surrar-te o traseiro. — fez esse grunhido em seu ouvido — Sabe, não?

— Promessas, promessas. — estava agarrada a ele como um marisco e não tinha intenções de lhe soltar — Afaste-me dele. Agora estaria ótimo.

Um forte braço a rodeou, segurando-a contra o peito, lhe permitindo absorver seu calor, a sensação de segurança, de amparo. Estava tremendo em reação e tão condenadamente contente de lhe ver que teve que reprimir as lágrimas.

— Quantos estão contigo? — ela ouviu Tanner perguntar ao Coiote.

— Meia dúzia. Tomei a posição de explorador. — respondeu Dog com um vestígio de diversão.

— Quantos Castas?

— Só eu. — respondeu Dog — Mas tire-a de uma maldita vez daqui antes que suas Forças Especiais comecem a investigar o desastre do bosque. Não lhe explicou como se propaga o som nestas colinas?

Scheme girou a cabeça lentamente, os olhos entrecerrados.

Dog não tinha tirado a arma. Estava apoiado contra a rocha desfrutando do cigarro, nem mais nem menos que como um homem em uma agradável e relaxada excursão pelos bosques.

— É ela também uma das de Jonas? — perguntou Tanner.

O ela, supôs Scheme, referia-se a ela.

— Isso só o Jonas pode responder. — Dog se encolheu de ombros — Eu não pertenço ao Jonas, felino. Não cometa esse engano. — houve um vestígio de perigo em sua voz — Apenas não vejo nenhuma razão para torturá-la mais. Se pode salvá-la de si mesma, então fique a vontade. Evita-me o problema de lhe pôr uma bala no cérebro. — seu sorriso foi cruel.

Tanner grunhiu, e não foi esse ruído surdo e ronronado que usava com ela; este era de puro perigo.

Dog inclinou a cabeça lentamente antes de girar-se de costas ao Tanner e começar a subir outra vez pela montanha.

— Vá logo, felino. — lhe sugeriu brandamente — Meu bom humor não dura muito.

Quando Dog voltou a olhar, já tinham desaparecido.

Dog sacudiu a cabeça asperamente enquanto segurava o cigarro entre os lábios e se dirigia ao topo do precipício. Não é que esperasse avistar o bastardo outra vez. Tanner conhecia essas montanhas como a maioria dos homens conheciam seus próprios corpos. Mas podia tentá-lo. Encontrar o esconderijo oculto das castas nestas montanhas seria marcar muitos pontos. Seu chefe esteve procurando durante anos.

Caralho, o que quer que fosse que estava para acontecer nestas montanhas, iria ficar feio. Se não se equivocava, Scheme Tallant e Tanner Reynolds estavam emparelhados.

O aroma disso tinha enchido o ar como uma suave e tóxica beberagem. Era sutil, apenas presente, mas inconfundível. Ela era a companheira de Tanner. E os castas emparelhados eram letais. Eram muito mais perigosos que os que não o estavam; tinha razões para sabê-lo.

A merda se fazia mais profunda. Dog rogou que pudesse evitar ficar apanhado no atoleiro. Queria conservar seus colhões embora não se importasse com os dos outros. E seu chefe não teria problema absolutamente em cortar-lhe se algo acontecesse com essa garota. Nenhum problema. Seu chefe, Bollen, não era exatamente um homem ao que queria desgostar. E o chefe de Bollen, Jonas Wyatt, era ainda mais perigoso. Caralho. A merda se afundava muito ultimamente. Afundava-se muito.

 

Tanner não se incomodou em conduzi-la pelo bosque. No minuto em que Dog lhes deu as costas, a pôs sobre o ombro e começou a mover-se. Ela não se atreveu a gritar ou chorar. Podia sentir a tensão que emanava de ambos os homens, o ar carregado de tensão e violência letal. Então ela conteria os protestos até que entrassem na pequena caverna em que estava a pedra da entrada aos túneis.

Por que Dog os deixou escapar? Não podia imaginar. Ainda estava em choque. Dog nunca mostrou clemência, nunca falhava em uma missão. Nunca. Até agora. Acabava de deixá-los ir sem uma pistola que lhe apontasse na cabeça.

— Nenhuma maldita palavra. — Tanner grunhiu enquanto a punha de pé, com seu nariz junto ao seu, seus dourados olhos flamejavam. Ela juraria que tinha veias vermelhas nos olhos.

Ela assentiu lentamente, com os olhos tão abertos e contendo o fôlego ante o estranho fenômeno. Ninguém, nunca, tinha retornado nem uma vez ao Conselho com um relatório de Tanner enfurecido. Brincadeira mortal, se existia tal coisa. E com o Tanner podia ser. Mas nunca realmente zangado. Nunca enfurecido.

Agora estava enfurecido.

Grunhindo, ele se girou agarrando seu pulso para arrastá-la até a entrada.

— Desça. — assinalou-lhe o buraco.

Com muito prazer. Não teve que repetir-lhe duas vezes.

Scheme fez plaf baixando seu traseiro, balançou as pernas pelo buraco até encontrar com os pés a escada, e desapareceu.

— Oh, meu Deus! — ela chiou como um pequeno camundongo assustado, quando se encontrou cara a acara com a dura e selvagem expressão de alguém que não conhecia.

Ela conhecia todas as castas.

Sacudindo-se de novo, seu calcanhar ficou preso na ponta da escada, fazendo-a perder o equilíbrio e lançando-a contra a parede.

Um segundo mais tarde o enlouquecido homem gato passou pela entrada do túnel, ficando em cócoras, grunhindo. O som percorreu friamente sua espinha.

— Calma aí, rapaz. — o homem retrocedeu, com as mãos elevadas — Só me assegurava de que não caísse.

— Sei como descer. — protestou ela — Tanner onde demônios está a lanterna? Não posso ver.

Estava preocupada. Quem quer que fosse o outro homem, sua vida estava ameaçada se os sons que emitia a garganta de Tanner eram alguma advertência.

Ele ainda grunhia. Perigosamente, de uma forma não muito tranquilizadora que lhe revolveu o estomago de medo. Não por ela.

Ele virou; seus olhos virtualmente brilhavam na débil luz quando a observou.

— Realmente está começando a me encher o saco.

Antes que ela pudesse dizer algo mais, levantou-a. Não a sacudiu ou a arrastou, levantou-a em seus braços antes de grunhir sobre o ombro ao surpreso desconhecido.

Ou ao menos um desconhecido para ela.

— Vou só, ponha a pedra em seu lugar. — o homem pigarreou — Segue adiante e faz o que tenha que fazer. Esperarei aqui a Cabal.

Tanner ficou ainda mais tenso.

— Chega. — ela golpeou bruscamente seu peito — Esse som realmente começa a alterar meus nervos. Eu não gosto.

Surpreso, olhou-a fixamente.

— O grunhido quando fica excitado e selvagem é uma coisa. Este estrondo de vou matar-a-alguém realmente me põe doente. Vou vomitar em cima de você se não parar.

Escutou-se um ronco de riso atrás de Tanner. Ela olhou sobre seu ombro com o cenho franzido antes de voltar o olhar para o perigoso casta Bengala.

Seus lábios estavam curvados, talvez em um sorriso. Bem, ao menos já não grunhia. Não é que o sorriso em seu rosto fosse muito mais reconfortante. Era um pouco duro, calculista, contendo uma boa quantidade de ira.

— Estou com problemas, certo? — perguntou ela, pondo as mãos sobre seu peito, enquanto o olhava — Quanto?

— Muito.

Ela lambeu seus lábios nervosamente.

— Tenho uma muito boa explicação.

— Não, não a tem. — com um braço em sua cintura, ele a elevou, bem facilmente e começou a mover-se pelo túnel.

— Posso caminhar.

— Sim, já o vi. — grunhiu. Este não era o grunhido que gostava, mas tampouco era o som da morte-está-chegando.

— Realmente tenho uma boa explicação. — ela limpou a garganta, perguntando-se o quão ruim isso ia ficar.

— Estavam os soldados de Coiote dentro dos túneis? — perguntou-lhe.

— Humm, não.

— É obvio, que estúpido. — soltou ele — Não teria chegado à tampa de pedra se tivesse passado. Uma entrada, uma saída.

— Que estúpido da sua parte. — disse ela — Algo poderia acontecer. Uma rota alternativa de escapamento é sempre aconselhável.

Que talvez não fosse o melhor para lhe indicar. Um segundo mais tarde se encontrava pressionada firmemente contra uma parede, seus pés ainda pendiam por cima do chão, olhando os brilhantes e ferozes olhos.

— Assassinatos de Dog: mais de três dúzias segundo o relatório. Nível de piedade: zero. Nível de eficiência: fora do fodido gráfico. O soldado mais sangrento de seu pai. — sua voz se aprofundou, ficou áspera, selvagem enquanto falava do Coiote — Tem alguma maldita ideia do perigo em que te encontrava?

Bem, uh! Tinha visto o bastardo em ação. Seu coração quase parou quando viu o Coiote. Agora mesmo, parecia uma sombra mais compreensível que Tanner.

Ela lambeu seus lábios.

— Mais ou menos.

Ela percorreu com suas mãos o peito para seus ombros, abrandando-os e o grunhido de advertência retumbou por seu peito.

— Mais ou menos? — grunhiu, furioso — Mais ou menos?

Suas mãos se apertaram em seus quadris quando ela o olhou, perguntando-se nesse momento se não teria sido melhor enfrentar o Dog do que o Tanner.

Ela lambeu seus lábios outra vez e levantou os joelhos, rodeando seus quadris, seu corpo se sacudiu, quase golpeando-a.

Estava duro. Grosso e duro. Seu membro se chocava contra sua vagina, passando sobre as aveludadas calças e a seda de suas calcinhas. Realmente se sentia tão bem.

Agora ela estava só um pouco preocupada. E Tanner mostrava só uma sombra de irritação.

— Senti sua falta. — fez-o. Como o chocolate, como o café. Quanto mais se afastava das cavernas, mais segura estava que cometia um terrível engano.

E o tinha sido.

Seu olhar queimava, com um calor sexual que se inflamava agora pela cólera.

— Fugiu de mim. — pigarreou — Esteve muito perto de que lhe matassem. Scheme. Ele poderia ter te caçado tão facilmente.

— Não o teria deixado. — suas unhas rasparam desde seus ombros até seu pescoço, separando a gola de sua camisa fazendo com que os músculos de sua mandíbula se esticassem.

Seus dedos se apertaram outra vez sobre seus quadris, levantando-a, esfregando-a contra sua ereção coberta pelos jeans. Realmente ele enchia esses jeans.

— Talvez não tivesse sido capaz de detê-lo! — soltou, com voz áspera, violenta — Ele te alcançou primeiro, Scheme. Poderia ter te assassinado tão facilmente quanto te deixou ir. Entende-o?

— Mais que você. — gritou — O vi matar.

— E te atreveu a sair da fodida segurança das malditas cavernas? — rugiu.

Maldição. Basta.

Scheme piscou. Talvez estivesse um pouquinho mais que zangado.

— Não me deixava ir. — sussurrou agarrando o pescoço de sua camisa, sacudindo-a.

— Não posso deixá-la ir. — gritou, movendo uma mão para seu cabelo, agarrando-lhe e lhe puxando bruscamente a cabeça para trás — Inclusive pelo seu bem, porra, não posso deixá-la ir.

Seus lábios se posaram sobre os dela exigentes, famintos. Como se ele tivesse que ter seu sabor. E ela o dele. Para viver. Para respirar. Para continuar outro segundo, ela tinha que prová-lo, o ter. Tinha que ser uma parte dele.

Quase tinha se afastado disto. Da única coisa que ela tinha acreditado que nunca podia ter. Entretanto a única coisa que sempre ansiou. Muito intimamente, onde se escondiam as esperanças e os sonhos, as necessidades que se inflamavam como uma ferida que nunca sanou. Isto era o que ela ansiava.

— Não posso te perder. — resmungou contra seus lábios, e seu coração palpitou apressadamente, quase asfixiando-a pela emoção quando lhe beliscou os lábios — Não posso, Scheme. Não agora. Não posso te perder.

Estava morrendo por dentro. Seus beijos eram cada fantasia que ele se atreveu alguma vez a imaginar, e umas quantas que não tinha. Suas mãos em seu cabelo, sua língua encontrando a sua, lambendo, esfregando-a. Esfregando contra uma maldita língua cujas glândulas de emparelhamento estavam inativas, normais, negando-se a inchar-se pelo hormônio do acoplamento que a marcaria como sua para sempre.

Que demônios ia fazer? Como ia sobreviver deixando-a ir com outro homem?

Ele sabia que seus beijos eram desesperados. Quando seus lábios roçaram os dele, a fome se cravou em suas vísceras, em seu saco. A necessidade de marcá-la era tão intensa que quando se deu conta, sua boca já estava aberta sobre seu ombro, com seus dentes pra fora, pronta para morder, enviando uma onda de choque que o atravessou.

Não é sua companheira.

Lutando pelo controle, deixou cair sua testa sobre a sedosa carne e fechou os olhos. Imediatamente seu tato e seu olfato se aguçaram. Podia sentir sua necessidade por ele, cheirar sua excitação, mas havia algo diferente.

Scheme nunca se relaxava com ele, inclusive naqueles minutos depois de seu orgasmo quando não tinha nenhuma outra opção. Sempre foi cuidadosa, cautelosa, sempre em guarda. Até agora.

— Sabia que não deveria ter partido, inclusive antes de ver o Dog. — lhe sussurrou ao ouvido — Não deveria ter te deixado.

Uma parte de sua alma morria por sua aceitação. Sua confiança. Ele podia sentir os primeiros sinais de sua confiança e tinha que deixá-la ir. Não podia ignorar a verdade por mais tempo. Não havia nenhum sinal de acoplamento. Não era sua companheira.

Ele pressionou os lábios em seu pescoço retrocedendo, obrigando as suas pernas a liberá-lo, quando encontrou a coragem levantou a cabeça e desviou o olhar.

— Logo falaremos. — franzindo o cenho pelo esforço que levou obrigar a suas mãos a liberar os quadris e permitir que ficasse de pé.

— Não quero falar mais tarde, Tanner. Tenho que te dizer…

Seus dedos cobriram seus lábios. Podia sentir o que ela queria lhe dizer. O doce sabor da tormenta emocional que lhe rasgava a alma. Se sussurrasse as palavras, ele nunca sobreviveria ao que tinha que fazer.

— Mais tarde. — lhe sussurrou, sentindo o rasgo em suas palavras — Venha, Cabal estará aqui em uns minutos.

— Cabal? — a confusão encheu seus olhos.

— Aquela montanha, é uma maldita zona de guerra, Scheme. — agarrou seu pulso e começou a arrastá-la pelo túnel — Foi condenadamente afortunada de não encontrar mais problemas que Dog.

Ele teve que fazer um esforço para não recuar. Tinha que obrigar-se a fazer o que tinha que fazer. Nunca se esquivava das suas responsabilidades, nunca tentou esconder a verdade de sua vida, sem importar o quão horrível era às vezes.

Agora mesmo, ele queria muito se esconder. Encontrar um lugar fora da realidade onde ele e Scheme pudessem estar juntos para sempre.

Não aconteceria. Não importava quanto o desejasse. O que deixava só um último recurso para salvá-la. Entregar-lhe a seu verdadeiro companheiro.

 

Além da cor de seus olhos e do cabelo, Cabal St. Laurens era idêntico a Tanner. A diferença no cabelo era uma questão de cores intercaladas. O de Tanner era negro com mechas de um dourado claro. O de Cabal era de um dourado claro com mechas negras. Os olhos de Tanner eram de um âmbar profundo, rico, com bolinhas verdes brilhantes. Os de Cabal eram verdes com bolinhas de âmbar. Ambos os homens mediam exatamente um e noventa de altura. Ambos os homens eram duros, musculosos e tinham a aparência de um anjo caído. Ninguém poderia chamá-los de anjos, não obstante. Eram perigosos em igual medida.

O pai de Scheme já teve extensos arquivos sobre os dois castas Bengala, seus treinamentos e pontos fortes, assim como também suas debilidades. Scheme quase aprendeu esses trabalhos de cor. Durante a estadia nos laboratórios, Tanner tinha seguido o jogo à perfeição. Tinha se destacado em cada um dos obstáculos que enfrentou, assassinando com destreza e demonstrado aos psicólogos que ele era um Casta assassino leal, ainda com pouquíssima idade.

Agora era considerado um dos maiores fracassos dos laboratórios, e uma das maiores armas de Callan Lyons para resgatar às castas dos laboratórios do novo México.

Cabal tinha sido outra história. Seu treinamento esteve cheio de surpresas. Recusava-se a praticar as manobras que lhe ensinavam, e usava as próprias. Negava-se a assassinar quando lhe ordenavam, mas não tinha problema em aniquilar a soldados e treinadores. Negava-se a falar com os psicólogos e estava catalogado como psicótico pelos doutores que trabalhavam com ele.

À idade de vinte e cinco anos foi declarado um fracasso, sem esperança de adestramento, e posto na lista para o cancelamento junto com mais ou menos duas dúzias de outras castas. Tinha sobrevivido semanas em um fosso designado para assassinar com tortuosa precisão.

— Não penso que sua amiga confie em mim, Tanner. — comentou ele horas depois de sua chegada, enquanto Scheme ia lentamente do banheiro para o interior da caverna principal.

Tanner estava de pé atrás do balcão, uma cerveja em uma mão, a outra colocada dentro do bolso dos jeans, enquanto que Cabal estava sentado à mesa, relaxado em sua cadeira, com a cerveja diante.

— Você precisa da minha confiança? — perguntou finalmente Scheme enquanto ia para a geladeira e pegava uma garrafa de água.

Tomou banho e trocou de roupa e, pela primeira vez desde que saiu das cavernas, sentia-se calma outra vez. A salvo. Deus, não tinha se dado conta da carga que sua vida tinha suportado ao longo dos anos, até este momento.

E agora ela tinha que esperar só um pouco mais. Cabal lhes deixaria logo, e quando o fizesse, poderia falar com o Tanner. Poderia lhe explicar por que lhe deixou, e por que necessitava tão desesperadamente falar com o Jonas.

— Possivelmente não. — Cabal se encolheu de ombros, lhe dirigindo um olhar aborrecido — Ao menos não agora.

Scheme lhe deu um desconfiado e furioso olhar antes de passar por Tanner e encaminhar-se para os assentos colocados frente ao televisor.

— Sabe? Seu papai apareceu na televisão a outra noite. — anunciou Cabal – Inclusive suas bochechas se umedeceram pelas lágrimas enquanto rogava por sua volta.

Ela se deteve antes de encará-lo.

— Cabal, lhe solte. — ordenou Tanner brandamente.

Os olhos verdes de Cabal se pousaram brevemente em Tanner antes de retornar a Scheme com um brilho de satisfação e de interesse predador.

— Soltar o que? — perguntou-lhes ela.

O coração de Scheme estava apertado, abatido, a beira do pânico. Odiava esse sentimento, a premonição do perigo, uma sensação de alerta.

— Nada. — murmurou finalmente, um sorriso zombador lhe puxando os lábios enquanto o olhar retornava a Tanner — Isso pode esperar.

Tanner sacudiu a cabeça como em sinal de resignação, enquanto o sorriso de Cabal se intensificava.

— Me chamem do tipo impaciente então. — respondeu ela tensamente.

— Já tive uma amostra disso. — Cabal elevou suas sobrancelhas maliciosamente — Sabe, também posso cheirar sua excitação.

Ela não se envergonhou nem se ruborizou. Em lugar disso suspirou.

— Necessitará muito mais que isso para me humilhar, senhor St. Laurent. — lhe informou — Tente-o outra vez.

— Penso que poderia gozar em meu jeans só olhando o pau de Tanner metendo em sua buceta. — respondeu ele — Isso seria suficiente para fazer com que um homem faminto se lambesse os lábios com antecipação.

Ela jogou um olhar a Tanner, observando a maneira em que suas sobrancelhas desceram e o olhar fixo para seu irmão se escureceu.

Que demônios estava acontecendo aqui? Era como se Cabal estivesse tratando deliberadamente de encher o saco dela e de Tanner.

— No que diz respeito a mim, seus lábios são a única coisa que vai estar lambendo. — lhe disse Scheme docemente — Se você e Tanner têm tesão por praticar mais de seus jogos, então podem fazê-lo com alguma outra.

— Não seria a primeira vez que permitiria que seu amante te compartilhasse. — particularizou Cabal — O que faz com que confie mais nesse assassino que no casta que te salvou o traseiro?

Ela se virou lentamente, devolvendo o olhar a Cabal silenciosamente, furiosamente. Por que traria para conversa isso agora? O fato de que Chaz a tivesse compartilhado não deveria significar nada para Cabal. Tanner lhe tinha mostrado os vídeos? Eles tinham compartilhado mulheres, sabia. Teriam compartilhado o vídeo que Tanner tinha olhado?

— Ele não viu a fita de segurança, Scheme. — a voz de Tanner continha uma nota de resignação — Estava em meu relatório.

— Informou o que viu? — perguntou ela sentindo opressão em seu peito.

— Quando era necessário. — se encolheu de ombros — O fato de permitir que St. Marks trouxesse um agente do FBI que se acreditava que era leal às castas a sua cama, era de interesse para Segurança.

— Por que St. Marks lhe pagou? — perguntou Cabal — E deveria assinalar, que enquanto você tomava banho, o agente agradeceu amavelmente ao St. Marks, porque apenas o encontro entre ambos seria pagamento de sobra.

Scheme cravou a vista neles inexpressivamente. Foi uma das últimas vezes que Chaz a havia tocado. Não é que a experiência não tivesse sido prazerosa, mas a vazia sensação de vergonha que a tinha tomado então a tinha açoitado durante anos. E agora retornava.

— Não tinha nem ideia de que Chaz lhe estava pagando por algo. — ela se forçou a isolar-se mentalmente, emocionalmente. Não podia permitir-se sentir vergonha ou dor neste ponto — Tudo o que sabia é que era um amigo de Chaz.

— Tia, os homens de sua vida conseguiram te ocultar alguns terríveis segredos. — cacarejou ele com zombadora simpatia — Foi muito estúpida para ver que estava sendo usada? Ou o desfrutou?

— Desfrutei-o. — sussurrou ela, enterrando o brilho de profunda dor o bastante fundo, no pequeno e escuro canto que reservava só para ocasiões como essa. Para as vezes que o conhecimento de sua própria estupidez a cortava como uma lâmina ardente — Talvez Tanner devesse te deixar olhar. Ambos poderiam masturbar-se juntos enquanto jogam suas partidas de espiões.

Cabal sorriu sarcasticamente.

— Agora, isso é simplesmente doentio. Tem uma pequena mente retorcida não, Scheme?

Uma adaga chocou estrepitosamente sobre a mesa frente a Cabal, primeiro cravando-se, vibrando com uma violência inata enquanto o olhar de Scheme voava para o Tanner.

— Continue assim, Cabal, e intercambiaremos umas palavrinhas. — lhe advertiu Tanner — É isso o que quer realmente?

— Não, o que quero é compreender por que demônios temos às Forças Especiais e aos soldados do Conselho causando problemas nesta montanha. Como se inteiraram de quem a levou e onde estão escondidos? — Cabal extraiu repentinamente a adaga da mesa e se voltou a olhar a seu irmão com fúria.

— Já é maior. — lhe informou Tanner — Sobreviverá, embora não obtenha exatamente o que quer. Irão-se quando se derem conta que não vão conseguir o que desejam.

— E vocês dois estão começando a me exasperar. — lhes espetou ela enquanto se girava para o Tanner — Precisamos falar. Desfaça-se de Sr. Hyde para que possamos fazê-lo. Acredito que suas férias estão se acabando. Não temos todo o ano.

— Isso te converte em Dr. Jekyll? — refletiu ironicamente Cabal enquanto olhava a Tanner.

— Te cale, Cabal. — Tanner falou novamente com voz áspera.

Scheme lhe cravou os olhos outra vez, miseravelmente consciente de que se mantinha a distância. Tanner não a havia tocado desde que entraram nas cavernas, e agora que Cabal estava ali, podia sentir o ar congelar-se.

A sensação de segurança estava evaporando-se rapidamente.

— Por favor, Tanner. — sussurrou ela — Precisamos falar.

— É essa uma dessas mensagens ocultas femininas para foderem? — interrompeu Cabal — Não posso ficar e participar?

Tanner o olhou a modo de advertência.

Cabal sorriu.

— Acredito que está esperando sua permissão, preciosa. Posso jogar também?

Ele já estava jogando, ou tentando jogar com ela, fazendo-a zangar-se. Cabal não era dos que faziam brincadeiras. A única pergunta era: Tanner lhe estava seguindo o jogo?

É obvio que o fazia. Esses dois não atuavam sozinhos, sem importar o jogo. Ela deveria ter esperado que Cabal aparecesse. Deveria ter sabido que estaria ali. Scheme tinha cometido um deslize ao confiar em um homem, um casta, quando sabia que era melhor não confiar em ninguém.

— Vocês dois podem jogar juntos tudo o que quiserem. — informou a ambos friamente — Entretanto, não estou disponível para mais história, não contem comigo então.

O sorriso de Cabal se ampliou, enquanto Tanner a olhou pensativamente.

Ela se virou e dirigiu-se ao sofá, levantou o controle da televisão e pressionou o botão de ligado. Colocou no Canal de História e se reacomodou com sua garrafa de água, a mente trabalhando, maquinando.

Tanner o faria sair logo, disse a si mesma. Não? Sem dúvida alguma não tinha a intenção de compartilhá-la com Cabal. Não agora. Não quando Scheme precisava lhe dizer a verdade, quando precisava aceitar tudo o que ele tinha tratado de oferecer durante a semana passada.

Abriu a água e a bebeu enquanto concentrava o olhar na repetição de um documentário a respeito dos SEALS, e sua mente tratava de ocupar-se com este novo e surpreendente desenvolvimento. Sua vida estava indo, muito literalmente, a ruína, e ainda assim não tinha encontrado a maneira de freá-lo.

Tanner finalmente havia trazido seu irmão. Surpreendentemente, Scheme não tinha pensado nisso. Como se uma parte dela realmente tivesse acreditado que a consideraria de sua propriedade. Que talvez sugerisse utilizar a cláusula de emparelhamento das leis das Castas para protegê-la. Se a reclamasse como sua mulher, poderia havê-la levado ao Santuário e pô-la sob o amparo das Castas em vez de sob a Lei das Castas.

Scheme chutou a si mesma mentalmente. O que lhe tinha feito acreditar que, embora tivesse sido parcialmente, aconteceria uma coisa como essa? Ela era odiada. Era a filha de Cyrus Tallant, sua assistente, parte da organização que tinha criado e torturado às castas durante décadas.

Não importava a dúzia de vezes que tinha estado perto de dar sua vida para salvá-los. Que ao menos em uma ocasião quase tivesse morrido devido à tortura que seu pai lhe tinha infringido.

Scheme piscou para fazer retroceder a lágrima em seus olhos.

Deveria ter tido melhor critério. Para reclamá-la, ele teria que amá-la, e isso não ia acontecer jamais. Nunca. E não importava o muito que lhe doía o coração, não importava a pena que se retorcia dentro dela e que fazia com que sua garganta se estreitasse, o amor não ia acontecer pra ela.

Sua mão esmagada sobre a calidez de seu abdômen, uma ardência incômoda sem mais sentido que a excitação crescendo em seu interior. Ou a dor de sua alma.

Ela estava cansada, deu-se conta. Não desinteressada, nem exausta, mas tão cansada mental e emocionalmente que se perguntava se poderia ter ânimo para sobreviver até que Jonas a encontrasse.

Ele a acharia. Viva ou morta. Era o casta mais decidido e teimoso que tinha conhecido ou de que tinha ouvido falar. Jonas deveria ter sabido que quando pediu o encontro, que estava convocada para assistir, que necessitaria amparo. Como ela sabia há anos que se requeria uma importante informação para obter esse amparo.

Agora tinha o que necessitava. Os nomes de cada um dos grupos puristas ou da supremacia que trabalhavam para o Conselho assim como também os nomes dos líderes das organizações. Os planos propostos para acabar sistematicamente com a Comunidade das Castas e os espiões que estavam operando dentro do governo para apoiar os planos do Conselho.

A única coisa que não tinha era a identidade do espião que operava dentro do Santuário, conspirando para destruir a liberdade que a Comunidade das Castas tinha encontrado.

Scheme podia tê-lo feito para o Jonas e a essas alturas, obter sua liberdade. Se seu pai, de algum modo, não tivesse se informado que ela o tinha traído.

— Sabe como ficar calada, Tanner. — observou Cabal maliciosamente, minutos depois de que se sentou — Me surpreende.

Tanner murmurou algo que não captou. Algo que estava segura não queria escutar. Tudo o que pôde sentir foi sua própria e incontrolável dor. De repente, Scheme se sentiu perdida, sozinha. Mais só do que nunca se sentiu em sua vida.

Cabal estava pressionando e sabia. Queria o Tanner de saco cheio. Queria que o controle sobre-humano que possuía seu irmão se quebrasse. Queria que o animal dentro do homem reclamasse a sua companheira. Porque isto obviamente não tinha acontecido ainda.

Teria sido engraçado se não fosse tão sério.

E se a fria folha de aço da faca de açougueiro não estivesse estalando em sua garganta. Não era precisamente uma posição confortável para a arma afiada, em sua opinião.

Tanner estava enfurecido. Seus olhos estavam brilhantes por isso, sua expressão selvagem.

— Retroceda irmão. — lhe advertiu Cabal — Não vamos brigar agora.

— Deixe-a em paz de uma vez. — grunhiu Tanner, sua voz muito baixa para que a garota ouvisse de onde estava sentada, ao outro lado do quarto, no sofá que estava afastado deles, mas a reclamação foi clara para Cabal.

Suspirou. O pobre bastardo. O aroma da dor da mulher o estava voltando louco. Só Deus sabia o que estava fazendo a Tanner. Era sua maldição. Eles podiam cheirar as emoções como outros homens podiam cheirar o toucinho frito, ou o café preparando-se. Podiam precisar com assombrosa exatidão as emoções que outras castas não captavam, as emoções das almas destruídas que deixavam cicatrizes e que paralisavam a mente.

Alguns aromas eram sutis, pensava ele, quando lentamente Tanner afastou a faca. Como o de Scheme. Uma parte dela estava tão sombria pela dor, com uma ânsia de ser livre, que afligia seus próprios sentidos. Ele tinha a certeza de que isto destroçava Tanner. Cabal estava esperando que, ao pressioná-lo, também destruiria o controle de seu irmão e forçaria a liberar-se o animal que podia sentir oculto debaixo da superfície.

Essa era uma das razões pelas quais Cabal tinha utilizado cada meio ao seu dispor para manter Tanner afastado dela durante anos. A primeira vez que Cabal ficou o suficientemente perto para aspirar o aroma de Scheme, ele soube várias coisas.

Acima de tudo, que era a companheira de Tanner. E isso o deveria ter animado a contatar a seu irmão nesse exato momento. Tanner procurava constantemente à mulher a quem atar a sua alma, enquanto que Cabal rogava por não encontrar-se jamais com uma criatura desse tipo. Sua alma já estava o bastante amarrada.

Mas Tanner teria assassinado por tomá-la. Ou morrido. E nesse momento, ela estava grávida do filho de outro homem. E depois. Infernos, depois se tinha posto mais perigoso ainda. Tinha que ser o momento oportuno. E felizmente, a oportunidade se apresentou por acaso só para que Tanner pudesse tomar a Scheme.

— Precisamos conversar. — murmurou baixinho Cabal enquanto seu olhar se encontrava com o de Tanner outra vez — Jonas vai voltar-se louco procurando-a, Tanner. Cada equipe disponível foi convocada para ajudar nisto.

Tanner jogou uma olhada em Scheme, sua mandíbula flexionando-se espasmodicamente.

— Traga-a, homem. — grunhiu Cabal — Chame o Jonas. Enviará o helicóptero. Leve-a ao Santuário.

— E expô-la à Lei da Casta? — grunhiu Tanner — Por que merda pensa que a tenho aqui? A única forma de salvá-la seria se ela fosse minha companheira. E não o é.

A amargura enchia o ar, ao igual ao aroma do calor do acoplamento.

Cabal sacudiu sua cabeça.

— Cheiro este aroma.

— E eu pensava que também. — Tanner tragou estreitamente. — Nosso DNA é tão parecido… — ele fez uma pausa, sua mandíbula funcionando espasmodicamente — Cheiro o aroma de calor, mas talvez não seja porque ela é minha companheira.

Torturado. Essa era a única maneira em que se podia descrever a expressão de Tanner e a dor que se fundia com o aroma da fome e o desejo.

— Isso significa…? — Cabal agora estava quase receoso. Oh Inferno, Tanner não pôde dar a entender o que ele pensava que tinha dado a entender. Ou sim?

— Talvez ela seja a sua companheira. — Tanner se virou para jogar um olhar, mantendo sua voz tão baixa que unicamente Cabal podia lhe escutar — O calor pôde aumentar com meu DNA. Mas possivelmente essa é, unicamente, a razão do aroma do calor. A lingueta se mostra quando o emparelhamento está completo. Se ela for sua companheira, então isso poderia explicá-lo.

Cabal observou a parte traseira da cabeça de Scheme, sabendo que a explicação de Tanner não esclarecia o porquê da lingueta não ter se mostrado por si mesma para o Tanner. Tanner reconheceria a sua companheira. Ele nunca compartilharia a sua companheira. Era algo que Cabal tinha sabido, mas seu irmão sempre o tinha duvidado.

Era quase cômico. Tanner, sempre tão surpreendentemente crédulo, tão seguro de si mesmo e de seu lugar no mundo, agora duvidava de sua verdadeira natureza. De sua própria companheira. Mas arrumar isto por seu irmão ia ser uma putada.

Cabal entendeu agora por que tinha nascido primeiro. E tinha sido provado que era Cabal o primogênito. Tomou essa posição seriamente. Era seu dever proteger a Tanner. Não importava o que lhe custasse. Não importava quanto o fodesse. Não importava quanto ferisse a Scheme Tallant.

— E de que maneira deveríamos resolver isto? — ele enterrou sua diversão, sabendo que seu irmão a sentiria se não tivesse muito cuidado.

Às vezes, não era boa ideia deixar que Tanner soubesse que seu irmão maior era muito melhor nos jogos de engano.

Tanner tragou compulsivamente.

— Eu a largarei. Passe um pouco de tempo a sós com Scheme. Quando te emparelhar com ela, deixarei-a partir.

Deixá-la ir?

Cabal viu os olhos de Tanner flamejando com uma raiva interior. Oh sim, isto era divertido como o inferno. Tanner compartilharia a essa bela coisinha? Ele olhou para Scheme. Não havia nenhuma maldita oportunidade de que lhe desse a oportunidade de enfiar seu membro dentro dessa buceta quente.

Mas por algumas coisas valia a pena brigar com o Tanner. Uma vez que Cabal a tocasse, ele não tinha dúvida de que o animal que Tanner mantinha tão profundamente escondido ficaria livre. Isto podia ficar muito feio. Seu irmão perderia todo controle e trataria de destruir ao homem que tocasse a sua mulher. Mas seria muito melhor que rir na cara de Tanner pela grande ideia de que Scheme não era sua companheira.

— Ela parece relutante em ser compartilhada, Tanner. — particularizou ele — Como sugere que o façamos?

— É sua companheira. — sussurrou amargamente Tanner — Irá querer o que você quiser. Nós não temos que enganá-la.

Pobre Tanner.

Cabal abaixou a cabeça para esconder o que sabia. Se a lingueta estava demorando para mostrar-se, então Cabal poderia entender as erradas conclusões que seu irmão tinha tirado. Não mudava os fatos, entretanto, fatos que até o Santuário teria que levar em conta. Tanner e Cabal podiam ser irmãos, mas ainda havia diferenças entre seus aromas e seu DNA. Leves diferenças, admitia, mas as havia de todos os modos.

Coisas como o fato de que durante dez anos Tanner tinha sido consumido com fantasias e pensamentos a respeito de Scheme Tallant. Cabal tinha se divertido com isto, mas nem por indício o fascinava. Ela era o suficientemente bonita, mas nada excepcional.

Cruzando os braços sobre o peito, inclinou-se com as costas e a cabeça para trás e encontrou o olhar de Tanner diretamente.

— Está bem. — assentiu ele com a cabeça — A aceitarei como minha companheira.

Ele quase se encolheu pela onda de selvageria que emergiu de Tanner. Seu irmão estava perfeitamente calmo. Nem sua expressão e nem seu olhar se alteraram, mas Cabal sentia ao animal no interior. E dizer que não estava satisfeito era um eufemismo.

Pobre Tanner.

 

Tanner tinha a intenção de ir-se. Realmente a tinha. Impulsionou-se através da abertura no topo superior do túnel mais remoto e agachou as costas em outra série de cavernas que conduziam ao pequeno penhasco oculto mais à frente do vale, antes de obrigar-se a ir para a saída.

Não podia permanecer ali. Seus sentidos olfativo e auditivo eram muito fortes. Ouviria Cabal quando a tomasse, cheiraria o calor do acoplamento, e temia por sua própria prudência se o fazia. O animal em seu interior estava clamando por sua liberdade, enfurecido, desesperado por obrigá-lo a retornar, para arrancá-la do contato de Cabal.

Quantas mulheres tinha compartilhado com seu irmão? Dúzias. Nenhum tinha sido monógamo em absoluto, e os jogos sexuais que tinham praticado com as mulheres sempre tinham sido ousados. Quentes.

Ainda assim não podia permanecer nessa condenada caverna com Cabal e Scheme. Obrigou-se a abandonar o lugar, ignorando o tom confundido dela quando o chamou por seu nome, obrigando-se a ir-se tão rápido como pudesse.

Seu DNA e o de seu irmão estavam muito ligados. Eram quase idênticos. Eram pouco menos que clones um do outro. Era lógico que estivesse tão desesperadamente faminto pela companheira de Cabal. Que ardesse por ela. Que perdesse a razão por ela.

Já estava perdendo a prudência.

Deteve-se a saída das cavernas, inalou profunda e trabalhosamente olhando fixamente para quão escarpados protegiam o estreito vale.

As montanhas em Sandy Hook estavam cheias de escarpados, cavernas e áreas de túneis escondidos. A mãe cientista de Callan tinha jogado nos penhascos e nas cavernas quando menina, e as tinha utilizado várias vezes para esconder Callan. Entretanto foi Callan quem encontrou o pequeno e estreito túnel debaixo das cavernas principais, e as cavernas conectadas a ele.

Estas estavam completamente ocultas, inclusive dos satélites em órbita equipados para ver além da superfície.

Tanner olhou fixamente os recortados salientes, através dos pinheiros, carvalhos e algarrobos que se enfiavam na área. Inalando profundamente, liberando uma batalha interior, uma que não estava seguro de ganhar. O animal contra o que lutava para manter escondido rugia pela ofensa, rasgando sua mente, sua carne, exigindo que voltasse.

Para que tomasse o que era dele. Dele.

Apertou a mandíbula enquanto movia a cabeça com um rápido puxão, resistindo um impulso tão primário, tão bestial, que o chocou.

Um grunhido retumbou em seu peito enquanto os lábios se retraíam dos dentes e emitiu um enfurecido rugido. Era uma batalha que quase tinha perdido.

Sua mulher.

A declaração primitiva lhe atravessou a mente.

Sua mulher.

Sua para tocá-la, para abraçá-la, para tomá-la.

Tinha-a vigiado durante dez anos. Sendo obrigado a ver outros homens tomando-a, controlando sua sexualidade. Tinha visto outro homem tomando-a, odiando a si mesmo, odiando-a, obrigando-se a manter-se afastado dela apesar da fome que o atendia.

E por causa disto tinha sido torturada. A ponto de ser assassinada mais de uma vez. O homem que deveria havê-la protegido, seu pai, havia fodido sua saúde e sua vida. Era um milagre que tivesse sobrevivido intacta.

E Tanner nunca soube do inferno que ela tinha atravessado. Tinha ignorado cada impulso de que a sequestrasse, de que a tirasse dos jogos entre o Conselho e as Castas. Tanner tinha permitido a si mesmo acreditar que Scheme era um monstro, igual a seu pai. E ele sabia. Como agora. E ainda assim estava se afastando.

Tinha pagado suas dívidas pra que? Para dar-lhe a Cabal? Para deixar escapar à única mulher que ele alguma vez havia… Se deteve, estreitando seus olhos fechados e grunhindo com fúria primária.

Amava-a.

Cabal não a conhecia. Não a tinha observado todos esses anos. Não tinha visto a solidão em seu rosto enquanto se recostava para dormir cada noite, nem a insatisfação ou o desespero cada vez que outro homem a havia tocado.

Cabal não a tinha visto chorar contra o travesseiro. Não frequentemente, unicamente um punhado de vezes, mas Tanner tinha visto seu pranto, e tinha sofrido com ela, por ela.

Ficou em pé, determinado a sair correndo das cavernas para encontrar um bar e conseguir tão só um condenado trago antes que pudesse voltar.

Mas não podia mover-se. Obrigou a seus pés a caminhar, mas o animal gritava dentro dele, ultrajado.

Sua mulher.

Inalou bruscamente. Ainda podia farejar o aroma de Scheme sobre sua pele, o sabor do beijo sobre sua língua. Sua pele ardia pela necessidade de senti-la outra vez, por sustentá-la debaixo dele, por tomá-la, merda, por marcá-la.

Não se tinha emparelhado com ela. Não era sua companheira. Tinha que ser a de Cabal. Mas ele a amava. Deus, amava-a.

Antes que pudesse recuperar o controle que o animal de seu interior lhe tinha roubado, deu-se a volta e foi através das covas uma vez mais, o grunhido combativo emanando de seu peito, a fúria crescendo dentro dele.

Tanner nunca tinha deixado livre ao animal, não desde a fuga dos laboratórios. Tinha lutado contra isso, tinha-o enjaulado, tinha-o confinado a qualquer preço. Até agora.

Podia sentir como o animal escapava das ataduras que lhe tinha imposto.

Minha companheira, gritou o animal.

Ela poderia não ser sua mulher, sua companheira. Seus passos se aceleraram. Merda, isso não importava. Pertencia-lhe. Que se fodesse o calor do acoplamento, era sua mulher, e ele desafiaria qualquer intento de que a afastassem de seu lado. Assassinaria ao homem ou à casta que tentasse tomá-la, tentasse machucá-la.

Ao alcançar o acesso escondido, Tanner saltou novamente dentro do túnel. Tinha que chegar a ela antes que Cabal a tomasse. Porque, com Deus como testemunha, se a tomasse, Tanner simplesmente se veria obrigado a matá-lo.

 

Scheme ficou olhando fixamente a entrada do túnel que Tanner tinha tomado quando saiu impetuosamente do quarto, sentindo as molas do pânico acumulando-se em suas vísceras. Cabal St. Laurents a observava com curiosidade.

Seus lábios tremiam enquanto inalava lenta, profundamente, sua pele de repente rasgando-se com uma iminente sensação de fatalidade. O mesmo sentimento que sempre tinha tido quando seu pai lhe sorria.

Cabal agora estava sorrindo. Uma pequena careta em seus lábios, seus olhos verdes indagando enquanto lhe jogava uma olhada.

Tanner não havia dito nenhuma palavra; só tinha desaparecido. Nem perceberia que tinha ido se Cabal não tivesse se despedido com uma saudação bem sarcástica.

— Tanner. — Scheme correu para a saída — Tanner não me deixe aqui com ele.

Ela se deslizou até deter-se enquanto Cabal ficava diante dela, bloqueando a saída, seus braços a seguraram facilmente contra seu flanco, o corpo preparado.

Ia detê-la. Não lhe permitiria ir.

Scheme retrocedeu lentamente, sua respiração áspera na quietude da caverna enquanto olhava a Cabal.

— Aonde foi? — ela continuou retrocedendo, para deter-se unicamente quando seu traseiro se topou com a parte traseira do sofá.

O sorriso se intensificou enquanto os olhos verdes brilhavam com diversão.

— Decidiu nos dar um pouco de tempo a sós.

Scheme engoliu com dificuldade, os punhos apertados ao flanco enquanto a fúria começou a agitar-se dentro dela. Tinha passado por isso antes, pensava com uma sensação de crescente vergonha. Chaz lhe tinha feito o mesmo. Tinha lhe informado que um sócio se uniria a eles na cama, provocando-a, desafiando-a, logo a compartilhou.

Nem sequer podia recordar seu nome. Ela lutou contra a lembrança do ato. Não tinha sido horrivelmente desagradável, mas a vergonha vazia que seguiu ainda a rondava.

— Não necessitamos nenhum tempo a sós. — voltou a olhar a saída, os sentimentos a traíam a um nível que não tinha sentido.

Tanner não se comprometeu com ela. E sim justamente o contrário. Não importaria se o tivesse feito. Não havia dúvida que era um espião de seu pai. Por que não acreditaria que ela estava de acordo com isto?

E por que doía? Como se alguma parte dela tivesse esperado que não fosse esse espião. Alguma parte muito-estúpida-para-viver dela que nem sequer seu pai tinha sido capaz de aniquilar. Essa parte que sonhava com um cavalheiro branco quando dormia, que continuava acreditando que em algum lugar havia esperança.

Scheme piscou para evitar as lágrimas. Não choraria frente a este homem. Este casta.

— Infelizmente, necessitamos um tempo para estarmos juntos. — disse brandamente, aproximando-se dela enquanto esta se deslizava para beira do sofá.

— Por que razão? — espetou-lhe, sem incomodar-se em ocultar a fúria ou o temor.

Tinha sido forte durante tanto tempo, muito mais tempo do que se imaginou que sobreviveria quando inicialmente tinha começado a trabalhar para o Jonas. Tinha sobrevivido mais do que poderia sequer conjeturar.

Cabal suspirou outra vez, inclinando a cabeça para vê-la enquanto avançava lentamente pelo sofá. Bem, desta forma ele poderia saltar e tomá-la em qualquer momento, isso não significava que ela tivesse que ficar fácil.

— Precisamos conversar Scheme. — sua voz se endureceu — Jonas quase começou uma guerra para te encontrar esta semana. Por quê?

Ela lutou por respirar, mas o temor estava amassando seu coração, através de sua corrente sanguínea. E queria o Tanner de volta. Se um deles tinha que matá-la por que não poderia ser Tanner? Certamente o faria sem machucá-la.

— Tanner! — gritou seu nome enquanto um árido e dilacerador soluço lhe saía da garganta.

— Tanner se foi. — falou cansativamente Cabal — Venha, façamos isto da maneira fácil.

Já! Onde tinha escutado ela isso antes?

— Da maneira fácil? — soltou-lhe, a respiração áspera, o pânico bordeando através de seu ser.

Era tão estúpida. Estúpida. Estava realmente chocada de que Tanner tivesse ido e que a tivesse deixado morrer pela mão de outro. Scheme tinha que ter deixado de chocar-se anos atrás.

— Por que demônios devo tornar fácil a qualquer um dos dois? — disse Scheme, olhando-o furiosamente enquanto ele a observava com calculado interesse.

— Por que Jonas está preocupado por seu desaparecimento, Scheme? — perguntou-lhe outra vez — Pode ser que seja a espiã que lhe permite rastrear os movimentos de Tallant com tanta exatidão? É por isso que seu pai enviou a um assassino atrás de ti?

— Por que poderia te importar? — perguntou ela, avançando pausadamente mais longe, sabendo que ela sairia logo correndo pra fora do quarto — Com medo de algo, casta?

Os lábios de Cabal se curvaram de repente.

— Sabe? Lembro ter te visto em pessoa uma vez, faz anos. — seus olhos se entreabriram sobre ela — Estava de pé junto a seu noivo assassino, a brisa transportando seu aroma para mim. Estava grávida.

— Não. — ela negou com a cabeça. Não podia suportar isto.

— Tanner sabe que teve um aborto, Scheme?

Ela negou com a cabeça desesperadamente.

— Eu não o fiz. — gemeu Scheme — Não o faria.

— Então onde está a criança?

— Você, filho da puta. — seu controle se em fez pedaços. Não seria torturada dessa maneira — Pensa que está me torturando? — zombou — Não sabe o que é uma tortura. Venha e me assassine, Cabal. Pare de encher-me.

Os olhos de Cabal se abriram de par em par.

— Pensa que vou assassinar-te? — perguntou divertido — Não a menos que possa morrer por causa de um orgasmo.

— Pensa que vai foder-me primeiro? — disse ela com desprezo — A violação se encontra em sua lista de habilidades? Porque essa será a única maneira em que me terá.

Ele se deteve, a uns poucos passos dela quando o muro deteve sua retirada.

— Tanner não se emparelhou contigo. — disse ele logo — Isso me dá permissão, carinho. Assim melhor utilizá-lo.

— Desculpe? — ele estava louco. Inclusive a psicose não se aproximava do tipo de loucura que este casta possuía — Penso que sabe condenadamente bem que tive sexo com o Tanner.

Brancos e afiados incisivos brilharam no flanco de sua boca quando sorriu, um amplo e divertido sorriso, de uma vez que seus olhos verdes se faziam mais brilhantes por isso.

— Tiveram sexo. — aceitou ele — Mas não se emparelharam. Ele decidiu que eu me encarregasse disso.

— Oh, o fez? — Scheme estava tremendo com fúria, com temor — E vai violar-me para fazê-lo?

— Tenho que fazê-lo? — o sorriso se apagou. Sua expressão se endureceu com determinação enquanto dava um passo mais perto — Vai forçar-me a fazer isso, Scheme, ou vai fazer o fácil para ambos?

Ela negou com a cabeça lentamente.

— Não permitirei que me viole.

— Suponho que isso significa que vais fazer o mais simples para mim, então. — disse ele, a curva de seus lábios agora era selvagem — Seja uma boa menina então e tire as roupas. Vamos e acabemos com isto.

— Não. — ela sacudiu sua cabeça, sentindo a fúria e o temor indiscutível enchendo sua cabeça — Não tornarei nada fácil para nenhum dos dois.

— Os companheiros não podem negar nada um ao outro. — disse ele, confundindo-a ainda mais enquanto parava mais perto dela — Te prometo, carinho, que uma vez que isto comece, não irá querer me negar nada.

Seu sorriso era sarcástico agora, seu corpo atado e tenso enquanto a espreitava.

— Estás louco. — o acusou, lutando por respirar enquanto cravava o olhar ao redor do quarto desesperadamente. Tinha que haver uma forma de escapar. Não podia suportar que a tocasse, ela sabia que não podia fazê-lo.

— Só feche os olhos e finja que sou Tanner. — sua voz se fez gentil — Não será difícil.

Seu coração estava golpeando tão ferozmente contra o peito que estava segura de que explodiria. Sua garganta se estreitou, fazendo com que fosse mais difícil respirar, tornando-o quase impossível.

— Não te machucarei, Scheme. — ele avançou ainda mais, aproximando-se.

Não ia sair disto, deu-se conta Scheme. Cabal estava esperando que ela se movesse, fugisse. Estava preparado para isto. Ela não poderia dar nem um simples passo.

— Não faça isto. — sussurrou quando ele estava nada mais que a um passo — Por favor.

— Por quê? — a voz de Cabal manteve um ronrono cantarolado, uma selvageria perigosa, sutil.

— Não te quero. — a voz de Scheme estava grossa pelas lágrimas que se negava a derramar — Se for me assassinar, só faça-o e terminemos tudo isto quanto antes. Não faça isto.

— Perguntarei-lhe isso outra vez. Por quê? Por que não deveria tomar o que Tanner me entregou? Ele quer seu amparo, nada mais que isso. A única forma para te proteger contra a Lei da Casta é se um de nós se emparelha contigo.

— Do que está falando? — gemeu ela furiosamente — Passei uma condenada semana nessa cama com ele. De todas as formas que tipo de regras dementes tem, bastardos, para o sexo?

Cabal levantou a cabeça, suas fossas nasais bufando enquanto seu olhar se voltava calculista.

— Sinto-o. — murmurou, um segundo antes de cair sobre ela.

Seus dedos se curvaram ao redor dos braços de Scheme enquanto seus lábios se moveram sobre os da mulher, a língua deslizando-se contra a comissura enquanto ela perdia o que ficava de sua prudência.

Selvagem. Desesperava-se. Gritava de raiva, chutando, tratando de morder, sentindo a pele arrepiar-se ante seu toque enquanto lutava por escapar dele. Scheme não podia suportá-lo. Não depois de ter estado com Tanner, sentindo coisas que nunca antes tinha imaginado que sentiria com um homem, permanecendo cálida, completa em seus braços, até se estivesse destinado a ser seu executor.

Ela agora não podia tolerar que esse homem a tocasse. Não era uma questão a respeito de quem era ele ou o que era para Tanner, ele não era Tanner. E esse não era o contato pelo qual ela se estava morrendo, a bílis lhe subia pela garganta enquanto a dor fluía em sua alma.

Em todos os anos que tinha enganado a seu pai, jamais tinha deixado que a violassem. E Tanner se afastou e a tinha deixado sozinha com um homem determinado a fazer justamente isso.

— Tanner! — estava gritando seu nome enquanto Cabal a sustentava facilmente, os lábios sobre a orelha, tocando-a, lhe murmurando algo. Algo com intenção de tranquilizá-la, embora as palavras não tivessem sentido.

Ela gritou o nome de Tanner outra vez, lutando, lutando por ser livre do agarre impossivelmente duro das mãos de Cabal, a amplitude de seu peito a mantinha presa contra o muro, a força das poderosas pernas seguravam as suas.

O pânico corria através de seu corpo enquanto se encolhia ante o toque de Cabal, sua carne sensível formigando com aversão enquanto a sustentava contra seu corpo.

— Não te quero. — gritou ela furiosamente, corcoveando contra ele, lutando contra seu agarre — Não quero isto.

— Está tudo bem, carinho. — lhe cantarolou Cabal ao ouvido, ainda segurando-a contra a parede, tocando-a, lhe mordiscando a orelha, fazendo-a gritar de raiva.

— Filho da puta. — o desespero lhe dava forças, mas não a ajudava a escapar. Seu agarre era inquebrável.

— É uma gata selvagem. — sua risada era suave junto a seu ouvido. Não era cruel ou dura e isso a fazia mais intimidadora.

Ofegando, exausta, obrigou-se a permanecer quieta, tremendo por seu afeto enquanto sentia a queda de uma única lágrima. Não choraria por isso, disse a si mesma. Não por isso. As lágrimas não mudariam o rumo que Cabal tinha tomado, e não a ajudariam a encontrar a força para suportar o que fosse que tivesse planejado para ela.

— Ama o Tanner, Scheme? — Cabal murmurou em seu ouvido, sua voz tão baixa que era apenas audível.

Ela fechou os olhos, sabendo que qualquer mentira que dissesse ele a cheiraria.

— Amo. — e isso não tinha sentido. Como podia amar ao homem que a tinha deixado para que outro a violasse?

— Por que o ama? — cheirou-lhe o pescoço, seu agarre nunca se debilitou, a cuidadosa predisposição de seu corpo nunca trocou — Me diga por que o ama, Scheme, e te deixarei ir.

Nunca lhe permitiria ir-se. Conhecia esse truque, a promessa insidiosa da liberdade por algo tão pequeno, tão destrutivo.

Scheme afastou a cabeça dele, o temor crescendo repentinamente em seu interior enquanto notava os incisivos lhe roçando o pescoço, sentindo a sutil ameaça na ação.

— Porque que sou muito estúpida para viver. — murmurou ela — Muito estúpida para reconhecer o inferno quando o vejo.

Oh Deus, o contato a feria. Era agonizante. O mais ligeiro dos toques, de repente se sentia como adagas cravando-se na carne de seu braço. Scheme gritou agonicamente quando as mãos de Cabal rapidamente a liberaram, mas seu corpo ainda a sustentava contra a parede. O conhecimento de que não podia lutar contra ele enviou uma corrente de loucura através da mente.

— Está bem. — murmurou Cabal com voz gentil — Ele voltará para você, Scheme. Um segundo mais e, ele voltará.

Ela não estava em um ataúde clandestinamente, mas o mesmo medo terrorífico e sufocante atormentava sua mente. Não sobreviveria a isto; ainda se vivesse, nunca sobreviveria a que este homem a tomasse.

Embora se opusesse, lutasse, estava segura que não teria a força para gritar outra vez, mas um grunhido enfurecido, um rugido de raiva, ecoou ao redor dela quando de repente ficou livre, o impulso da luta a atirou ao chão, seu cabelo sobre o rosto enquanto ela se pegava contra a pedra.

O som rasgou o ar outra vez. Um rugido animal de uma fúria assassina.

Tirando o cabelo do rosto, Scheme olhou ao outro lado da caverna em estado de choque.

Tanner. Ele tinha se colocado entre ela e Cabal, grunhindo a seu irmão enquanto se colocava protetoramente frente a ela.

— Não lhe disse que a violasse. — o som de sua voz era horrendo. Animal e homem, um som colérico, infestado de violência.

Cabal jogou uma rápida olhada a Scheme, a diversão brilhando intensamente em seus olhos por só um segundo antes de retornar ao Tanner. Ela pôde sentir nesse momento, a pulsação de fúria assassina na caverna, ouvi-la nos rugidos cavernosos que saíam da garganta de Tanner.

— Você me deu isso. — Cabal o recordou gentilmente — Como eu tome a minha companheira é assunto meu. Não é assim, irmão?

O rugido de resposta de Tanner estava cheio de fúria e desafio.

— Minha! — a única palavra que saiu de sua garganta sobressaltou Scheme, chocando-a enquanto Cabal inclinava sua cabeça e observava atentamente a seu irmão.

Elevou as mãos lentamente, um gesto de rendição.

— Não brigarei contigo por ela. — disse ele brandamente, gentilmente — É toda tua, Tanner. Sempre o foi.

Cabal retrocedeu lentamente para a soleira, lançando a Scheme uma atrevida piscada de olhos enquanto Tanner o olhava com cautela.

Tinha sido deliberado? Cabal intencionadamente tinha estado ferindo o Tanner? Pressionando-o? Por quê?

Scheme se levantou devagar, tremendo, observando aos dois homens atentamente. A respiração entrecortada entrava e saía de seus pulmões enquanto tratava de entender que demônios estava acontecendo. Podia sentir as correntes subterrâneas de fúria selvagem e, quando ela vislumbrou o rosto de Tanner, viu a selvageria de uma manifesta luxúria primitiva.

Seus olhos reluziram dourados quando viu seu irmão sair lentamente da caverna, os rugidos primários que vibravam em sua garganta eram mais os de um animal que de um homem. Como se algum demônio interno tivesse se soltado da corrente e tomado o controle do homem.

Esfregando os braços, Scheme retrocedeu, perguntando-se se agora havia uma maneira para escapar de Tanner. Este não era o casta que o mundo conhecia, o mago das relações públicas que falava com voz suave, sorridente. Este era o animal que o Conselho tinha criado, o assassino que tinham treinado.

Virou-se para ela repentinamente, como se de algum modo, tivesse escutado o pensamento.

— Pensa que te machucaria? — grunhiu, os lábios retrocederam de seus dentes enquanto se endireitava de sua perigosa posição anterior.

Não havia nada depravado nele, entretanto; o perigo vibrava a seu redor, assim como a luxúria brilhava em seus olhos, manifesta e intensa enquanto a comia com o olhar.

— Tampouco pensava que me abandonaria para ser violentada por outro homem. — ofegou ela, mas onde ela se afastou de Cabal, manteve-se firme com Tanner — Me abandonou aqui para ser fodida por outro homem, Tanner.

A ira açoitava através dela. Infelizmente, não havia nada a mão para tacar-lhe. Os punhos obstinados aos flancos enquanto o encarava, tremendo com sentimento, traída.

— Você é minha. — grunhiu ele, abatendo-se sobre ela, os movimentos fluídos, cheios de graça animal e intensidade sexual.

Ela sorriu sarcasticamente a modo de resposta.

— Sou tua? Não acredito. Não pertenço a nenhum homem.

Um sorriso duro, carnal atravessou seus lábios.

— Não a um homem, mas a um casta.

Scheme deu um salto para fugir, mas ele foi rápido, mais rápido do que ela tinha acreditado. Enquanto se girava para fugir, seus braços a rodearam, seu peito a protegia enquanto Tanner a empurrava contra ele, o membro pressionando a parte baixa das costas.

— Minha companheira. — guturais e intensas, as palavras foram seguidas pela mão puxando o decote de sua camisa a um lado e os dentes afundando-se em seu ombro.

Mordeu-a.

Scheme chiou, nem tanto pela dor, mas sim pela repentina e primitiva certeza de que ele tinha feito algo mais que marcá-la fisicamente. Seus incisivos estavam enterrados em sua carne, sua língua tamborilava sobre sua pele enquanto a boca a sugava.

Doía-lhe, mas não como deveria. Uma intensidade sexual que não tinha esperado brotou nela enquanto a cabeça caía ao flanco e suas unhas se cravavam nos pulsos de Tanner. Não deveria conduzi-la tão a beira do prazer; não deveria enviar descargas de eletricidade golpeando seus mamilos, seu útero, seus clitóris.

Ela não deveria estar ardendo por mais.

— O que está fazendo?

Ele estava grunhindo detrás dela. As mãos de Tanner, com as unhas da mulher ainda cravadas nos pulsos, moviam-se debaixo de sua camiseta, deslizando-se sobre essa pele tão sensível, que Scheme gemeu pelo contato da carne calosa que subia rapidamente, até que lhe pegou os seios.

Seus mamilos estavam duros, quentes, pressionando contra sua palma de maneira implorante enquanto os dedos dele se mantinham sobre sua carne.

— Minha. — grunhiu outra vez, seus dentes deslizando-se sobre sua pele com um movimento de prazer erótico tão intenso que sua vagina se contraiu pelo anseio.

— Tanner. — murmurou ela, sentindo uma lenta e pulsante queimação no ombro enquanto a língua lambia a ferida. A paixão e a sensação de um calor líquido começaram a transportar-se das quatro pequenas espetadas até expandir-se através de seu corpo.

Como se alguma droga pesada tivesse entrado em sua corrente sanguínea, seus joelhos se debilitaram e o útero se esticou com uma fome repentina e tão intensa, tão vigorosa, que ficou sem fôlego ante essa força.

Cabal tinha que engolir a bílis que subia por sua garganta enquanto escapava através dos túneis, pondo tanta distância quanto fosse possível entre sua pessoa e o que acabava de fazer.

Tinha pressionado muito? Tinha-a apavorado. Tinha atacado violentamente suas emoções. E ele sabia antes de fazê-lo quão horroroso seria para ela.

Essa era a vinculação. O animal podia sentir a dor do companheiro. Tinha-o sentido entre outros companheiros. Não era uma coisa consciente; era algo que os companheiros certamente nunca reconheciam, mas estava ali. Assim como estava ali entre Tanner e Scheme. Ele tinha forçado Tanner a voltar para ela. Tinha forçado ao animal para que a reclamasse.

Mas tinha ido muito longe?

Tinha ido muito longe para sua própria tranquilidade. Só rogava que não tivesse ido o suficientemente longe para que seu irmão não o perdoasse jamais.

 

Sua companheira!

Pertencia-lhe.

Tanner sabia que estava fora de controle. Sabia que tinha perdido seu autoimposto controle, que sempre se esforçou em ter, e que se encontrava a beira de fundir-se completamente em seus instintos primitivos se não conseguisse conter-se. Pelo menos um pouco.

Jogou a cabeça para trás e dobrou os joelhos para pressionar a torturada longitude de seu membro contra as nádegas de Scheme, enquanto lhe rodeava os peitos com as mãos.

Tinha-a mordido, saboreado seu sangue e lambido a ferida com sua língua terrivelmente torcida e as glândulas dos lados de sua boca tinham derramado dentro o doce e escuro sabor do desejo.

Cada vez que engolia, acendia-se.

Lançou um juramento enquanto empurrava contra suas nádegas, sentindo o calor de sua carne através do suave veludo das calças e do tecido de seus jeans. Se não se cravasse dentro dela, se não a fodesse, iria morrer.

Ela era sua mulher. Sua companheira.

Tinha-o sabido. Durante anos, apesar de suas negações, tinha sabido que esta mulher lhe pertencia, e, entretanto se manteve a margem. Algum impulso, alguma razão que ele não podia compreender, tinha lhe impedido de tomá-la, rouba-la de seu lar e escondê-la para seu próprio prazer.

O animal que levava dentro rugia de triunfo enquanto a dava volta e a envolvia entre seus braços cobrindo com sua boca a dela. Não havia tempo para delicadezas. Não havia tempo para considerar cada toque de prazer ou de dor, não tinha o controle para aplacar sua luxúria animal com tenras palavras ou com beijos reconfortantes.

Estava faminto. Deus, a condenada fome ia matá-lo. Pôs a língua entre os lábios dela, grunhindo de satisfação quando, imediatamente, ela a envolveu e a apertou em sua boca, sugando-a.

Doce Deus.

Suas mãos puxaram a calça, rasgando o frágil material. Escutou, de um distante canto de sua mente, o rasgo, mas então sentiu sua pele nua, suave como cetim, quente e arqueada para a ele.

O prazer o percorreu ardente quando ela sugou o doce hormônio de suas glândulas na língua, e com cada jorro do líquido ela se movia mais sensualmente, gemendo ante seus beijos com uma necessidade imperiosa.

A fazia arder. Podia senti-lo. Cheirá-lo.

Isto não era somente o calor do acoplamento. Isto era mais, fodidamente muito mais.

Tinha estado mal da cabeça, louco, por pensar que poderia permitir alguma vez que Cabal a tocasse, sem perder a razão. Ao acreditar que outro poderia alguma vez marcá-la, abraçá-la, e que poderia sobreviver a isso.

Nem tinha podido sobreviver tendo a Cabal na mesma sala que ela. Obrigou-se a ir. Forçado a si mesmo a fazer o que pensava que tinha que fazer.

Entretanto, o animal sabia. Ele tinha subjugado tanto a aquela besta, aos cantos mais escuros de sua mente, que quando superou os limites não houve quem a detivesse.

Deslizou-lhe as unhas sobre as costas antes de puxar o top com as mãos e o arrancar. Queria-a nua. Queria-a quente e úmida, jorrando sobre seu membro quando ele a possuísse.

E ela estava empapada. Seus dedos se deslizaram sob as nádegas, empurrando dentro de sua vagina, sentindo o escorregadio e quente líquido que envolvia seus dedos facilitando a entrada.

Ela tinha as mãos em seu cabelo e os braços envoltos ao redor de seus ombros enquanto se aproximava mais dele tentando subir, ao mesmo tempo em que os lábios dele se fechavam sobre os seus e lhe sugava intensamente a língua.

O calor do acoplamento o estava consumindo. Manter o controle sobre o animal e a luxúria era impossível. Tanner nunca tinha conhecido um momento em que ele não tivesse controlado ao animal e sua fome sexual. Não existia uma mulher que ele não pudesse controlar, com quem não pudesse conter-se. Até agora. Não havia controle.

Não se incomodou em desabotoar a camisa. Tirar significava ter que romper o beijo e a quente sucção da boca de Scheme, que fazia com que o hormônio se derramasse mais e mais no interior de seus corpos. Ele não podia permitir que parasse.

Rompeu os botões e encolheu os ombros para tirar-se de cima a malha. Suas mãos foram imediatamente para o cinto, afrouxando-o antes de abrir o jeans e baixar-lhe pelos quadris, liberando a grossa longitude de seu membro duro.

Tinha que fodê-la. Se não se cravasse dentro de sua quente buceta e descarregasse a dolorosa necessidade de seu corpo, ia explodir. Derretia-se sob o calor que bulia por seu corpo, fazendo que o suor gotejasse por seus poros e que os grunhidos vibrassem incessantemente desde sua garganta.

Agarrou suas coxas, abriu-as e a levantou.

Um primitivo, balbuciado grunhido vibrou desde seu peito quando sua vagina se assentou sobre a ponta do membro. Oh, merda, sim! Sua buceta estava mais quente que o fogo, lava ardente, aço temperado ao fogo. E ele necessitava mais.

Ela estava apertada. A larga cabeça pressionava dentro dela, abrindo os apertados tecidos e músculos enquanto ele bombeava a língua em sua boca e se cambaleava para a parede.

Não havia tempo para a cama. Encontravam-se muito longe. Tinha que meter-se dentro dela agora. Totalmente dentro dela.

Separou os lábios dela para respirar e elevou as pestanas para observar seu rosto. Deus, ela tinha que necessitar isto. Não suportaria ver a dor em seu rosto, que ele tinha cheirado quando se apressava pelo túnel para a caverna.

Não, não havia dor. Nem a expressão, nem o aroma da dor. O prazer rico e vibrante cobria seu rosto, titilava em seus olhos e lhe dava uma exótica aparência tão de outro mundo que fez que seus quadris se sacudissem, forçando seu membro mais profundamente dentro de sua apertada vagina.

— Não deixarei que vá. — grunhiu ele, lhe aferrando os quadris com as mãos — Nunca.

Os olhos de Scheme estavam tão escuros que pareciam negros, detiveram-se nele languidamente, úmidos de lágrimas, de pura fome.

— O que está me fazendo? — ofegou ela tomando fôlego, seus mamilos roçavam seu peito enquanto sua vagina se oprimia e convulsionava ao redor do enterrado membro.

Baixando a cabeça até que os lábios se roçaram e cravando os olhos nos seus.

— Minha companheira. — sussurrou, quase se estremecendo ante o som gutural, primitivo de sua voz — Só minha.

Os lábios de Scheme se abriram quando gemeu com um baixo e profundo som de prazer, deslizando a língua pelos lábios, dela.

— Algo está errado. — as pestanas se agitaram sobre seus olhos um segundo antes que um violento grito surgisse de seus lábios e de que ele sentisse seu orgasmo.

Não tinha penetrado além da metade da ajustada profundidade de sua vagina e ela já estava gozando para ele, banhando seu membro com o quente líquido que fluía ao redor.

— Não. Nada está errado. — ele não podia respirar. Não podia apurar-se. Isto era tão bom, tão fodidamente quente e bom, deslizar-se em seu interior, mover o membro dentro dos apertados músculos que o ordenhavam — É correto, Scheme. É tudo tão correto.

— Tanner, tenho medo. — suave, sutil, o aroma de seu temor se mesclava com o de seu prazer.

— Confie em mim, Scheme. — seu peito se oprimiu ante essa essência — Por favor. Só por esta vez. Agora mesmo, coração. Acredite que não te machucarei.

— Não posso. — um agudo grito saiu de sua garganta quando ele empurrou dentro dela até o punho; seu membro pulsava, pulsava ante o quente agarre no que ela o tinha.

— Oh Deus, Tanner, não posso resisti-lo. O que está me fazendo? Não pode fazer isto. —cravou as unhas sensualmente em seu couro cabeludo, retorcendo os quadris contra os dele e apertando as pernas em suas costas enquanto aumentava o prazer.

— Não pode controlar isto, Scheme. — ele quis sorrir. Ela era tão fanática do controle como ele. Precisava saber sobre cada passo que estava dando, reconhecê-lo e entender suas consequências. Não havia compreensão para isto. Não havia controle.

— Tenho que fazê-lo. — ofegava enquanto ele se movia contra ela, golpeando o membro em seu interior, acariciando-a, deixando a ambos loucos enquanto as sensações se incrementavam, uma sobre outra, empurrando-os de cabeça em um escuro, desconhecido ponto de luxúria.

— Te entregue a mim, Scheme. — ele não queria seu medo. Ela tinha temido muito em sua vida, conhecido muita dor, muita traição — Aqui, agora, amorzinho, confia em mim.

Ela o olhou fixamente, com lágrimas brotando de seus olhos, enquanto ele se tornava para trás até que só a cabeça de seu membro ficou dentro; logo, lentamente, com agonizante prazer, penetrou-a uma vez mais.

— Apenas não me machuque, Tanner. Por favor, não me machuque.

E ele soube que ela não se referia a machucá-la fisicamente. Estava-lhe rogando que não a traísse.

Ele sorriu tristemente. A besta tinha reconhecido a seu casal, mas ele não. A mulher de Scheme se mantinha escondida profundamente dentro de si mesma. A mulher que chorava, a que temia, confiava nele. Era a mulher consciente, a que tinha conhecido uma incrível dor, a que tinha medo.

— Minha companheira. — ele se deteve, enterrado em toda sua longitude dentro dela. O palpitante membro, rodeado de quente e apertada seda — Morreria por você.

Lambeu-lhe os lábios, deslizou a língua dentro da boca de Scheme e grunhiu enquanto ela se abria para ele; a língua dela se enredou com a sua, saboreando a escura poção que liberava das suas glândulas de emparelhamento e se entregou a ele.

Não havia medo. Ela o aceitava, embora fosse só isto, por agora.

As mãos dele apertaram suas nádegas, seus quadris se moveram e se perdeu nela. O prazer ardia e aumentava. Percorreu-lhe o corpo e o deixou escalando, chegando… A morrer em seus braços.

Ela não podia pensar a causa do prazer. Embora nunca tivesse podido. Desde os primeiros toques, dias antes, sabendo que ele podia matá-la, destruí-la, o prazer que sentia ante seu tato fazia com que perdesse o sentido.

Seu corpo confiava nele; não podia deter isso. Não podia aferrar-se à desconfiança e ao medo quando a tocava. E agora, algo era diferente. Do momento em que a tinha mordido, em que seus dente se cravaram em sua carne, sua língua acalmou a ferida e logo a cauterizou, algo tinha mudado.

A necessidade. A fome. Não se tratava somente do mais inacabável e indescritível prazer que havia sentido. Era um incêndio dentro de seu corpo. Chicotadas de sensações queimantes que beiravam a dor e incrementavam seu prazer, forçando-a a cavalgar no limite entre as duas sensações, um limite tão sutil que era aterrador.

Como em um redemoinho, uma voragem de relâmpagos retumbou sob sua pele. Sentiu-se embargada de um intenso erotismo e uma debilidade da carne. Era como afundar-se em um torvelinho tão quente de deleite que seus sentidos explodiam. Muito prazer.

Os lábios dele estavam sobre os dela; sua língua tinha o sabor da tormenta: a relâmpagos, a umidade, a terra e ao doce. Não havia nada com o que compará-lo, nenhum outro sabor que Scheme alguma vez tivesse conhecido se parecia.

E necessitava mais. Enredou sua língua com a dele, sugou-a e se deixou cair dentro da poderosa voracidade que a invadia.

O prazer a mataria. Apertou seus braços ao redor do pescoço de Tanner e suas pernas ao redor de suas costas, e se moveu contra ele, empurrando seu membro mais profundamente, com cada golpe, dentro de sua torcida e sensível vagina.

Nunca tinha estado tão sensível, tão torcida. O membro se sentia como um punho dentro dela, esticando-a, golpeando sensualmente enquanto sentia os espasmos de seus músculos rodeando-o.

— Tanner. — mal podia respirar, menos ainda falar. Mas não podia ficar em silêncio. Não podia processar o prazer o bastante rápido para encontrar uma borda firme em meio desta tormenta.

Ia gozar novamente. Podia senti-lo deslizando-se rapidamente para ela, como uma onda sísmica preparando-se para alagá-la.

— Tanner. Ajude-me. — suas mãos saíram do cabelo, enquanto os espasmos começavam a sacudir seu útero, convulsionando-o, apertando-o — Por favor, Tanner. — ela tentou gritar — Me ajude.

Então, ele empurrou mais duro, mais rápido. O calor abrasou ocultas terminações nervosas, empurrando-a mais perto, enquanto dedos de abrasadoras sensações começavam a apertar em seu útero.

O orgasmo a atravessou. Arqueando-se, contraindo-se, ela gritou seu nome, seus quadris se retorceram e se empurraram duramente sobre a carne que a atravessava, fodendo-a com fome instintiva. O prazer se derramou por seus sentidos e a jogou por uma paisagem de veludo escuro de tanto êxtase que não sabia se poderia sobreviver alguma vez sem isso.

— Oh Deus, sim, coração. — grunhiu ele em seu ouvido — Tão apertada. Tão quente. Fôda-me outra vez. Maldita seja, sim! Fôda-me, Scheme.

Moveram-se. A fria parede se converteu nos almofadões de seu sofá. Ela agitou suas pestanas e abriu os olhos quando sentiu que lhe empurrava as coxas para trás, elevou os quadris e o membro se lançou tão fundo que ela gritou novamente de prazer.

Era muito. Muito para seu corpo. Muito para sua mente. Seu tato era como o fogo e o golpe de seu membro dentro de seu corpo pura energia. Poderosa, destrutiva, carnal, sua expressão era escura.

— Não terminou. — grunhiu ele — Mais. Goze outra vez para mim.

Estava morrendo de prazer. Com as mãos presas aos antebraços dele enquanto agitava a cabeça, sentindo a transpiração deslizando-se por seu corpo e o abrasador calor alagando-a até um ponto em que se perguntou se entraria em combustão.

— Tanner… — estava crescendo outra vez; podia senti-lo, a necessidade era diferente de algo que seu cérebro pudesse processar.

— Toda você. — grunhiu ele — Terei tudo de você.

Situou-se em cima e lhe envolveu as pernas ao redor das costas, bombeando dura e profundamente seu membro dentro dela, enquanto uma mão se movia ao redor de seu traseiro; seus dedos acariciaram, golpearam e logo encontraram uma área tão sensível, tão erótica, que quando separaram a pequena entrada e se deslizaram dentro, ela perdeu a razão.

Seus dentes se fecharam sobre o ombro dele; enlouquecidos, guturais gritos saíram de sua garganta quando os dedos bombearam dentro de seu traseiro e seu membro dentro de sua vagina. E ela explodiu.

Pensou que não podia existir um prazer tão grande. E pensou que tinha alcançado o ápice. Até que sentiu o gozo dele.

Seu membro pulsou com força dentro dos tensos músculos de sua vagina, logo pareceu inchar-se, bem sob a grosa crista, como um polegar alargando-se, encaixando-se em uma área dentro dela que nunca tinha sido tocada, bem atrás do músculo convulsivo, golpeando, pulsando e abrasando-a com um calor demolidor enquanto ela o sentia começar a ejacular em seu interior.

Estava travado dentro dela. Seus dentes a morderam no ombro novamente, enquanto os dela se cravavam em sua carne. Grunhidos brotavam de sua garganta. Uma mão estava obstinada a seus quadris enquanto dois dedos da outra dilatavam seu traseiro, e Scheme soube que estava perdida.

Arrasada. A mulher que ela tinha mantido sempre segura, e a barreira entre a inocência e a dor paralisaram sob o orgasmo que varreu não só seu corpo, mas também sua alma, quando se deu conta em um deslumbrante segundo que não só o corpo do homem a tomou, mas também o animal a tinha marcado para sempre.

 

Tanner estava sentado no sofá, com a cabeça encurvada, as mãos enfiadas entre os joelhos enquanto voltava a cabeça e contemplava a cama.

Scheme tinha chorado. Tinha soluçado. Enquanto a deitava cuidadosamente na cama, seu esbelto corpo tinha se estremecido enquanto as lágrimas corriam por debaixo das fechadas pestanas. E ele não pôde consolá-la. Não lhe teria deixado.

— Vá. — sussurrou ela — Por favor. Vá embora.

Não pôde partir. Em troca a tinha coberto com a colcha e tinha ido para o outro extremo da caverna, tratando de encontrar sentido no que sentia dentro dela.

Não era dor. Desânimo. Resignação. Mas não verdadeira dor. E amor. O aroma dessa emoção era inconfundível. Tinha-a cheirado entre outros casais, às vezes, inclusive antes do acoplamento. Era um aroma diferente de qualquer outro. Verão e paixão, chocolate e licor. Era pura emoção, aditiva e balsâmica, embora Scheme não se acalmasse. E tampouco ele.

O acoplamento não tinha sido fácil. Filho da puta. Fez uma careta ante o conhecimento do que tinha permitido que acontecesse. O animal interior tinha obtido sua liberdade de uma maneira que ele nunca tinha esperado. Tinha tomado o controle, tinha reclamado a ele e a sua companheira de uma forma que não podia ter previsto. De uma forma que poderia ter detido se tivesse tido o controle.

Passou os dedos pelo cabelo com cansaço, elevando a cabeça antes de levantar-se dolorosamente.

As bordas rasgadas da camisa estavam penduradas pelo peito enquanto se virava para encarar a Cabal, vendo o completo conhecimento no rosto de seu irmão quando entrou na caverna.

Tanner se moveu lentamente, cansativamente, para o armário, de onde tirou o uísque e dois copos e fez um sinal para o túnel. Moveu-se na frente de Cabal, liderando o caminho para outra caverna menor, entrando no sistema de cavernas.

As luzes piscaram quando entraram na caverna, revelando uma segura sala de comunicações, equipada com computadores, monitores e uma equipe de vigilância, conectado às câmaras remotas escondidas e disseminadas por todas as propriedades que Callan possuía.

Scheme tinha encontrado esta sala dias antes. Os lábios de Tanner se arquearam ao saber o tempo que tinha passado ali tratando de que o equipamento funcionasse, até que se deu conta que estava protegido com rastros digitais, DNA e explorador de retina.

Mas ela o tinha tentado. Tinha que lhe dar mérito por sua persistência; não se rendia facilmente. Era forte e valente, apaixonada e atrevida. E ele a amava. Deus, ele a amava até lhe partir o coração.

Um sofá, uma mesa e várias cômodas cadeiras estavam em um canto arredondado da sala. Tanner se jogou no sofá, se inclinou para frente e se serviu de um generoso gole.

— O licor afeta ao calor do acoplamento, Tanner. — lhe recordou Cabal em voz baixa, enquanto tomava assento em uma das cadeiras frente ao sofá — Sabe que o piorará.

— Não pode ser pior. — Tanner passou a mão pelo rosto antes de beber o ardente licor, fazendo gestos enquanto lhe queimava de caminho ao estômago.

Esfregando o queixo com barba-de-vários-dias, de repente lhe ocorreu que apesar da falta de pelo corporal em todos os homens da casta, nenhum deles tinha problema em ter barba. Às vezes se perguntava sobre a mescla genética da que procediam. Estaria o mundo realmente melhor sem eles?

Elevando o olhar para Cabal, respirou bruscamente.

— Sabia.

Seu irmão sabia que Scheme era a companheira de Tanner; não havia outra explicação. Cabal nunca teria se afastado da mulher pela qual sua alma gritava.

Cabal se recostou na cadeira e bebeu o uísque, seu olhar sombrio enquanto o olhava fixamente.

— Suspeitei-o durante anos. — disse — Captei um aroma dela justo depois de que me curasse dos fossos. Minha primeira missão sob o novo Escritório foi segui-la durante umas semanas. Cada vez que captei o aroma dela, pude notar a conexão. Tomou um instante averiguá-lo.

— Quanto tempo faz que o averiguou? — grunhiu Tanner.

O olhar de Cabal piscou.

— Seis ou sete anos possivelmente.

— E não me disse isso? — apertou a mandíbula com fúria — Por quê?

Cabal se inclinou para frente, baixando a cabeça até olhar fixamente o copo antes de suspirar profundamente e levantá-lo.

— Jonas. — disse ao fim enquanto levantava o olhar outra vez — Fui ao Jonas. Convenceu-me de que se a raptasse, então, como eu sabia que o faria, seria muito perigoso. Tinha-o suspeitado, acredito. Sabia de sua fascinação por ela. Também sabia quão profundo era o ódio pelo Cyrus Tallant em nossa família.

— Pensou que a machucaria? — isso lhe surpreendeu. Sempre tinha controlado o animal de seu interior, nunca tinha matado precipitadamente.

— Não sei, Tanner. — Cabal negou com a cabeça bruscamente — Jonas estava decidido a que esperássemos. Aceitei essa decisão, porque a sentia correta.

— Me trair o fez sentir correto? — perguntou-lhe Tanner com curiosidade, a expressão turvada pela raiva interior — Sabe o que lhe fez seu pai, Cabal? Tem alguma ideia do inferno pelo que passou?

Os olhos de Cabal se entrecerraram, o verde olhar piscou.

— Era sua filha. — disse lentamente — Sua mão direita. Mas o que disse antes…

Tanner se inclinou para frente.

— Enterrou-a viva, Cabal, mais de uma vez, e a menos que meus sentidos estejam enganados, depois de matar seu bebê, esterilizou-a.

Cabal empalideceu.

— Enterrou-a?

— O outro dia apagaram as luzes quando estava comprovando a cabana. Quando voltei, estava quase louca de histeria e pelo temor de ser enterrada viva. Não mencionou a esterilização, mas meu olfato não se engana. Não teria feito isso a si mesma.

Não podia explicar como sabia que ela não o faria, mas sabia com segurança.

— Deus. — Cabal bebeu o licor antes de encher o copo e fazê-lo baixar também — Jonas não sabia. — ele sacudiu a cabeça de um puxão — Não podia suspeitá-lo. Faria algo.

— O teria feito? — Tanner se inclinou para frente lentamente — Chegou a diretor do Escritório graças ao espião que conseguiu de dentro da organização de Tallant. E se seu espião era Scheme?

Tinha sentido. O instinto se reuniu dentro dele, juntando as últimas peças do quebra-cabeças que era Scheme.

— Ela era a assistente de Tallant. — prosseguiu — Mais perto dele que ninguém, capaz de acessar a qualquer arquivo que necessitasse. Conhecia os rumores das filas de Tallant tão bem como as verdades e os planos que o bastardo estava maquinando para atacar às castas utilizando a vários grupos racistas.

— E Tallant suspeitou. — sussurrou Cabal — A torturaria, tratando de que o admitisse; é seu jogo favorito.

Exatamente. Tallant sempre queria provas se era possível.

— Por que enviou ao assassino atrás dela? — perguntou então Tanner — Por que parou de torturá-la e em troca decidiu matá-la?

— Ou concluiu que não poderia dobrá-la, ou ela tinha algo que não podia arriscar que fosse mais à frente. Algo que não antecipou que ela pudesse descobrir. — refletiu Cabal — Mas o que?

Tanner encheu seu copo, esta vez sorvendo o licor mais que tragando. Era muito difícil pensar; o calor do acoplamento crescia em seu interior, as glândulas de sua língua se voltavam sensíveis outra vez. Passaria muito tempo antes que ele a tomasse de novo, antes que o calor se tornasse tão cegante que nada mais importasse, exceto fodê-la.

— Como reagiu Jonas ante seu desaparecimento? — a resposta estava em algum lugar; pressentia-o.

— Cada Força Especial da Casta disponível assim como os contratados a estão procurando. — disse Cabal em voz baixa — Tirou os casta de missões muito importantes e os enviou para procurar esta mulher.

— Como sabia que estava aqui? — Tanner entrecerrou os olhos sobre seu irmão.

Cabal grunhiu maliciosamente.

— Com o Jonas, quem demônios sabe? Segui à segunda metade da Equipe Alfa até aqui tão rápido como pude. Tomou um pouco de tempo me desfazer de algumas sombras que tinha antes de chegar aqui.

Tanner o contemplou inquisitivamente.

— Callan se nega a dizer ao Jonas onde está. Acredito que suspeite onde está, mas se mostra possessivo ante o conhecimento destas cavernas.

Callan o seria. Era seu último santuário se as coisas ficassem mal para as castas, e as crianças nascidas dos acoplamentos precisassem ser escondidas. A informação era tão confidencialmente guardada que além de Cabal e um da Casta de Lobos — Dash Sinclair — ninguém fora da manada original de Callan sabia.

— Falou com Callan? — perguntou-lhe Tanner.

— Digamos que Callan falou comigo. — soprou Cabal — Está preocupado, Tanner. Culparão às castas da morte dela. Não pode mantê-la aqui para sempre e sabe.

— Protegerei-a. — soltou Tanner com um grunhido primitivo — Não lhe pode acontecer nada. — o animal surgiu à superfície, golpeando em seu cérebro com a exigência imperativa.

— Tem um plano? — perguntou Cabal.

A afiada risada de Tanner foi zombadora.

— Plano? Desde que a tirei de D.C. não fui capaz de fazer nada mais que pensar de quantas maneiras diferentes necessito fodê-la.

De novo se passou os dedos pelo cabelo com frustração.

— Se a levarmos ao Santuário, então nada deterá o espião que Tallant tem ali de matá-la. —disse Tanner — Não posso mantê-la trancafiada para sempre.

— Seria a única maneira de fazer aparecer o espião de Tallant. — assinalou Cabal.

Tanner grunhiu. Por uma vez, o animal não teve que sair à superfície; ali estava o homem e não estava satisfeito com essa sugestão.

— Disse que não podia mantê-la trancafiada para sempre, Tanner. — espetou Cabal — Qual outra opção temos? A única maneira de assegurar sua segurança é levá-la ao Santuário e fazer sair a esse bastardo.

— Não temos nem ideia de onde a atacarão. — soltou Tanner — Todos os castas do lugar estão armados até os dentes. Não lhes darei essa oportunidade. Inclusive se ela tivesse algo que pudéssemos usar para eliminar a Tallant, não seria suficiente. Seu espião não se deterá até que Scheme esteja morta.

— Necessitamos desse espião, Tanner. — grunhiu Cabal.

A mão de Tanner saiu disparada, envolvendo-se na garganta de seu irmão, apertando enquanto Cabal ficava quieto.

— Não arriscará a minha companheira. — espetou, inclinando-se mais perto, pondo mais ênfase — Nem agora. Nem nunca.

Cabal não desviou o olhar.

— Acredita que arriscaria excessivamente a sua companheira? — replicou-lhe — Não mais que você à minha. Mas mantê-la aqui para sempre não funcionará. Sabe tão bem como eu. Utiliza a cabeça em vez do coração.

Tanner soltou a mão bruscamente antes de levantar-se e andar pela caverna. Não podia fazê-lo. Se a levasse ao Santuário, não poderia protegê-la. Não havia maneira de protegê-la.

— Tanner, não há outra opção. — Cabal se levantou, encarando-o — Se não mostrarmos a prova de que está viva, todo mundo suspeitará que as castas a mataram. Levando-a ao Santuário e dando uma coletiva de imprensa podemos controlá-lo, assegurar ao mundo a segurança e amparo dela contra o monstro que a torturou, beneficiará a nossa causa. Atacar a sua mulher conduzirá ao Tallant as mesmas consequências que atacar a ti.

O mundo adorava a Tanner Reynolds. Estava gravado em pedra. Era o rosto das castas, o sorridente e despreocupado playboy. Poderia isso proteger a sua companheira, para o mundo, sua mulher?

Conheciam as ordens que tinham saído do Conselho assim como as da organização de Tallant que devido à opinião pública a respeito dele, nenhum ataque foi realizado contra Tanner. Às vezes era divertido, observar aos agentes do Conselho que frequentemente o seguiam, o ódio em suas caras, sua necessidade de sangue contido.

— Isso não os deterá. — disse em voz baixa — A matariam. Sabe muito.

— Tem escolha? — perguntou Cabal.

— Encontrarei minhas próprias opções, merda! — urrou, com os punhos apertados enquanto a dor o rasgava — Não lhes deixarei separa-la de mim. Agora não. Não, sabendo o que lhe fez esse bastardo durante anos.

Isso o atormentava, torturava-o. O pensamento de ser enterrada viva, seus esbeltos dedos arranhando o estreito féretro, enviou-lhe uma fúria pulsante atravessando-o, rompendo seu controle e enviando um retumbante grunhido desde sua garganta.

— Tanner. Permaneceria na frente dela. — lhe disse Cabal imperiosamente — Ponho a Deus por testemunha, que protegerei a sua companheira como se fosse a minha. É a única opção que temos.

— E você acredita que trocaria a vida de meu irmão pela de minha companheira? — soltou-lhe Tanner, violentamente consciente das limitadas opções — Pensa que te pediria isso, Cabal?

Os lábios de Cabal se arquearam com amargo conhecimento.

— Não me pediria isso. Salvou minha prudência depois de me resgatar. Fez-me viver como um homem em vez de um animal, Tanner. Acredita que não morreria por ti ou por sua companheira?

Tanner ficou imóvel, girando o olhar para Cabal enquanto inspirava com brutalidade. Ali estava, o aroma da determinação de Cabal e algo mais. Um indício de emoção, tristeza, resignação, lamento. Sempre tinham assumido que se emparelhariam com a mesma mulher. Desde o dia que Tanner o tinha tirado desse fosso, a necessidade de compartilhar as coisas boas da vida com seu irmão tinha saído em primeira página.

Comida, vinho, canções e mulheres. Pícaros provocadores com risada de menino. Tanner tinha compartilhado tudo com ele, e agora tinham encontrado algo que Tanner não suportaria compartilhar. E ele não podia lamentá-lo. A natureza lhe tinha dado algo que pertencia só a ele, algo que tinha marcado, algo pelo que daria a alma.

— Não quero que morra por mim ou por minha companheira. — lhe disse simplesmente Tanner — Te quero com vida para me ajudar a proteger a meus filhos.

Cabal franziu o cenho.

— Ela foi esterilizada.

— Sherra também foi. — assinalou Tanner, falando de sua irmã de casta.

Sherra tinha sido esterilizada depois de perder o seu primeiro bebê, mas uma vez que se juntou com seu companheiro, de algum jeito a natureza reparou a separação de suas trompas, e sua gravidez foi o resultado disso.

— Acredita que os hormônios estão obrigando a seu corpo a reparar-se como o fizeram as da Sherra? — perguntou Cabal.

— Algo está acontecendo. — suspirou Tanner — Há uma diferença em seu aroma; foi assim durante dias, como se algo estivesse mudando em seu interior. Pude cheirar isso na Sherra quando estava lutando contra o calor com seu companheiro, Kane. O aroma é o mesmo, Cabal.

— O processo de cura demora muito mais que umas poucas semanas. — Cabal franziu o cenho intensamente. — O doutor Jacobs supõe que foi um processo de mais de um ano, do momento em que Kane reapareceu na vida de Sherra. Não acontecerá da noite para o dia.

O calor do acoplamento e os efeitos hormonais sobre o corpo ainda eram desconhecidos em sua maior parte. Havia muitas anomalias para os doutores da casta e os cientistas que mantinham com eles. Isto era uma das razões pelas que estavam tão se desesperados por encontrar ao primeiro Leão. Tinham relatos que existia, o macho no auge da vida, ainda forte, surpreendentemente saudável e com quase cem anos de idade. E sua companheira, se dizia, parecia igualmente jovem.

— Que demônios vou fazer? — se sentou pesadamente no sofá, cobrindo-se o rosto com as mãos, completamente esgotado — Como vou protegê-la?

— Nós a protegeremos. — a voz de Cabal era fria, dura.

Elevando a cabeça, Tanner voltou a olhar a seu irmão com surpresa.

— Me escute, Tanner. — grunhiu, com os incisivos cintilando perigosamente — Sabemos quem nos são leais. Este maldito espião é bom, reconheço-o, mas podemos protegê-la e fazer sair a ele ao mesmo tempo. Não tem escolha. E ela tampouco.

— Como? — o calor estava agora nublando sua mente. Em tudo o que podia pensar, tudo o que podia sentir, era Scheme.

— Vamos levá-la ao Santuário. Poremos a nossos soldados a seu redor, mantendo-a sob o amparo da casa e veremos quem bisbilhota. Seja o que for que ela saiba, uma vez que se veja verdadeiramente a salvo, irá revelar. Isso desmascarará o espião de Tallant.

Tinha que arriscá-la para salvá-la.

Tanner negou com a cabeça.

— Não sei se posso fazê-lo, Cabal.

 

— E não sei se é totalmente sua decisão.

Tanner se encheu o saco, um grunhido retumbou em sua garganta enquanto Jonas e três de suas Forças Especiais entravam na caverna. Como diabos conseguiram aproximarem-se furtivamente?

Os lábios de Jonas se apertaram enquanto comprovava o ar, seus estranhos olhos chapeados brilharam com fúria.

— Deveria ter nos cheirado no momento em que saímos dos túneis. — lhe espetou — O calor do acoplamento te faz débil, Tanner.

Tanner curvou seus lábios com desdém.

— Não tão fraco que não possa te fatiar o pescoço, Diretor. — grunhiu — Por que demônios estão aqui?

Jonas bufou ante a pergunta.

— Callan fez um bom trabalho para te ocultar, mas se esquece, que tenho uma posição por uma razão. Rastrear-te não foi tão difícil como imaginava. É uma maldita sorte que o Conselho não tenha encontrado já este lugar.

— É uma maldita sorte que as castas não lhe tenham matado ainda. — grunhiu Tanner.

— Vários vêm tentando. — Jonas se encolheu de ombros, examinando a caverna — Onde está ela? Não me faça ir procura-la.

— Toque nela, gere nela uma só piscada de medo, e te matarei. — uma raiva assassina se assentou no intestino de Tanner enquanto lhe devolvia o olhar fixamente o diretor dos Assuntos das Castas.

Os lábios de Jonas apertaram.

— Não firmes sua ordem de execução agora, Tanner. Vamos protegê-la juntos.

O animal despertou com um rugido. Tanner podia sentir o sangue palpitar através de seu corpo, esticando os músculos, enviando uma onda de raiva e adrenalina correndo para a cabeça.

Sua cabeça se levantou enquanto devolvia o olhar ao homem mais alto, nem um pouco intimidado pelo corpo de dois por dois de Jonas, nem o cenho ameaçador de seu gesto.

— Assinou a tua. — disse Tanner com voz áspera — Quando a recrutou em vez de resgatá-la.

— Foi sua decisão. — negou Jonas com serenidade — Lhe ofereci segurança; ela escolheu vingança pela morte de seu filho. Não a pode criticar por isso.

— Não me importa que desculpas te põe por ignorar as torturas a uma mulher. — espetou com desprezo — Nem tampouco importará ao Gabinete das Castas quando solicitar refúgio para minha companheira.

Jonas piscou, endurecendo a mandíbula.

— Não ignorei nada. — replicou ao final — Ela nunca informou isso.

— Ela deu sua alma pelas castas. — vaiou Tanner — Que idade tinha quando a alistou, Jonas? Dezenove? Vinte?

Jonas lhe devolveu o olhar friamente.

—Tinha vinte e dois.

O sorriso de Tanner foi selvagem.

— Uma menina. Alistou a uma menina, Jonas. Uma provavelmente já marcada pelas torturas de seu pai. Uma mulher que você deveria ter sentido que necessitava mais sua ajuda que sua exploração.

A expressão de Jonas não mudou.

— Tanner, fazemos o que temos que fazer para sobreviver.

— É um filho da puta! — o punho de Tanner surgiu, conectando solidamente com a mandíbula de Jonas, golpeando-o.

O duro rugido de um leão abandonou os lábios de Jonas enquanto se movia ao contra-ataque, só endireitando-se rapidamente, sua expressão retorcida com fúria enquanto as Forças Especiais que estavam a seu lado se preparavam para a ação.

Cabal se deteve junto a Tanner agora, um grunhido de advertência ressonando na caverna enquanto os olhos do Jonas cintilavam para ele.

— Minha companheira. — refrear a ânsia de matar que crepitava dentro dele foi quase impossível — Não é um instrumento de sobrevivência.

Enquanto as palavras saíam de sua garganta, seus sentidos estalaram com o aroma de Scheme, seu olhar se dirigiu à porta quando ela entrou lentamente.

Estava pálida, seus escuros olhos abertos, atormentados.

— Infelizmente, isso é exatamente o que sou. — disse enquanto enfrentava aos seis castas varões que tinham se virado pra ela — Primeiro fui um instrumento contra as castas e agora um deles.

Sua voz soou tranquila; sua expressão era estoica, mas Tanner podia cheirar a dor e o temor que se retorciam em seu interior.

— Já não é mais. — ele empurrou a Jonas e às Forças Especiais para passar, grunhindo como advertência enquanto lançava ao Jonas um furioso olhar.

Tanner a arrastou até seus braços, refugiando-a contra seu peito enquanto suas mãos amarravam o lençol, com que ela tinha se envolvido, mais firmemente sobre seu corpo.

— Deveria estar dormindo. — não a queria aqui, não queria que enfrentasse à dura, fria objetividade de Jonas. Era a razão pela qual era um diretor tão excelente de um escritório criado para as operações secretas que as Castas se viam obrigadas a utilizar para sobreviver.

— Não, terei tempo de dormir depois. — as palavras dela fizeram com que o coração desse um tombo no peito — Já é hora de acabar com isto.

— Chega tarde. — ela sentia o sorriso nervoso que tremia em seus lábios enquanto encarava ao diretor dos Assuntos das Castas, o homem que tinha salvado uma vez sua vida, que lhe ofereceu uma oportunidade de destruir ao monstro que a obcecava.

Ela observou como respirava com dificuldade, com a pena cintilando nos olhos chapeados.

— Encontrar as cavernas não foi fácil. — grunhiu ele enquanto os braços Tanner se apertavam mais, rodeando — Sabia com quem estava. Pensei que tínhamos tempo.

— E o que muda isso? — espetou Tanner detrás dela.

Era realmente protetor. Surpreendeu-lhe a advertência e a violenta atitude protetora em sua voz.

Os olhos chapeados de Jonas se dirigiram ao Tanner antes de voltar para ela.

— E esse que pensávamos que era o casta tranquilo. — comentou — Imagine.

— Jonas, vou chutar-te o traseiro. — lhe advertiu Tanner.

— Não. — Scheme apertou a mão no braço que a rodeava — Não o entende Tanner.

— Provavelmente porque nunca me explicou isso, Scheme. — lhe disse entre dentes, de forma zombadora.

— Tentei-o. Exatamente antes que me deixasse sozinha com Cabal.

O silêncio encheu o quarto.

— Salvou-me a vida. — disse a Tanner então — Justo depois de que perdesse o bebê. Encontrou-me. — engoliu a saliva tensamente, tratando de dissolver a pena que lhe fechava a garganta, as lembranças da perda e de sua própria debilidade.

— Tratávamos de instalar uns microfones ocultos em sua casa naquele momento. Pensamos que ela e St. Marks estavam ainda na propriedade de Tallant. Scheme havia voltado. — Jonas começou a explicação só detendo-se quando Scheme sacudiu a cabeça duramente.

Era sua debilidade e era hora de que o confrontasse.

— Estava sentada na escuridão, no salão, olhando fixamente um punhado de pílulas tranquilizantes. — torceu os lábios com repulsa — Não podia fugir. Teria sido encontrada e castigada. Sabia. E precisava escapar. Só queria escapar.

Ela recordava essa noite claramente.

Uma sombra tinha se movido ao seu lado. Seu olhar tinha se levantado para encontrar os olhos chapeados do que ela sabia que era um dos maiores inimigos de seu pai.

— Segue adiante e me mate. — tinha sussurrado ela — Poupe-me problemas.

Ele tinha se agachado até sentar-se sobre os sapatos, olhando fixamente as pílulas em sua mão.

— Posso te tirar daqui. — a oferta tinha sido tentadora.

Ao final Scheme tinha sacudido a cabeça.

— Não tenho a informação que deseja, casta. Não a suficiente para detê-lo. Não a suficiente para condená-lo. Salvar-me te dará mais problemas do que valho.

— Então me consiga a informação, Scheme. Encontre-a. Consiga o que necessitamos e lhe faremos cair juntos. Quer morrer? Ou quer vê-lo sofrer?

— Queria vê-lo sofrer. — cochichou então, negando-se a ver os efeitos de sua explicação na face de Tanner — Quis lhe ver destruído. Então fiquei. E trabalhei para o Jonas. E nunca soube das torturas que eu recebia. Nunca soube o longe que eu chegava. Tudo o que sabia eram as provas que lhe mandava. E nunca podia conseguir suficientes.

Seu pai tinha sido mais preparado que ela, parecia.

— Por que pediu que lhe recolhessem? — perguntou então Jonas.

Scheme inspirou bruscamente.

— Em aproximadamente uma semana, o espião que há no Santuário terá tudo preparado para raptar o filho do líder da manada, David Lyons. Encontrei os informes sobre o tema justo antes de te chamar.

E então esperou. Havia tanta informação que não tinha. Promessas que tinha feito ao Jonas e que não tinha completado.

Ele a olhou agora, seus olhos chapeados brilhando com satisfação.

— Tem o bastante. — assentiu de repente — Lhe levaremos de volta ao Santuário e pode começar fazendo listas de contatos e recursos que pode localizar com toda precisão. Fez-o bem, Scheme. Sabe, não é?

O fazia? Tanner não havia dito uma palavra. Estava silencioso atrás dela, seu agarre era menos feroz agora, embora a tensão de seu corpo fosse muito mais elevada.

— Fiz o que pude. — respondeu fracamente, sentindo-se de repente coibida, e terrivelmente consciente do silêncio de Tanner — Desejaria que tivesse sido mais.

— Temos o heli-jato esperando lá fora. — anunciou — Temos que te levar de novo ao Santuário. Então poderemos fazer planos de lá.

— Ainda não. — a voz de Tanner dava medo — Scheme e eu temos umas poucas coisas que esclarecer antes de partir. Esperem lá fora.

— Tanner. — a voz de Jonas continha advertências — Precisamos ir.

O primitivo grunhido que surgiu do peito de Tanner fez que Scheme se estremecesse e que Jonas olhasse fixamente detrás dela com uma expressão subitamente cautelosa.

— Vá. — lhe ordenou Tanner então — Ocuparei-me de ti mais tarde. Neste momento, vou ocupar-me de minha companheira.

Jonas olhou fixamente Tanner durante uns longos instantes antes de assentir de forma brusca. Com um breve gesto de sua mão, a caverna começou a esvaziar-se e Tanner a soltou, separando-se de um puxão os braços de seu redor e caminhou até o outro lado da sala.

Ela estava ciente de que isto chegaria. Estava furioso; podia senti-lo na onda de ira que ricocheteava a seu redor e disparava uma reação defensiva em sua alma.

— Não me diria isso. — se passou os dedos por seu comprido cabelo enquanto se virava para ela, os olhos resplandecendo de ira, sua expressão de repente dura, selvagem — Teria permitido que David fosse raptado e o primeiro Leão assassinado antes de me dizer isso.

Scheme sacudiu a cabeça enquanto engolia com esforço.

— Tentei te dizer isso esta manhã, antes que me deixasse com Cabal. Ia te contar isso tudo.

Ele apertou a mandíbula.

— E antes disso? Por que não me disse isso a primeira vez que te raptei? Quando não podia decidir se ia fodê-la ou matá-la? — sua voz subiu perceptivamente; a fúria que estava aumentando dentro dele dava medo de olhar.

— O espião de meu pai. — disse ela fracamente, sabendo que o que estava a ponto de dizer só adicionaria combustível a sua ira — Não sei quem é. Tudo o que sei é que tem um posto de confiança na manada principal. Seu perfil encaixava com o do espião.

Sua expressão ficou em branco. Nenhuma emoção. Não estava frio; não estava furioso. Simplesmente sem emoções e ponto.

— Acreditava que podia trair a minha família?

—Não te conhecia Tanner. — gritou — Tudo o que conhecia eram seus arquivos e o personagem público que projeta ao mundo. A informação que consegui encontrar sobre a casta que trabalha no Santuário coincide perfeitamente com sua instrução e sua fuga dos laboratórios. Estava muito assustada de confiar em ti só porque quisesse foder.

Ele sacudiu a cabeça lentamente.

— Conhecia-me melhor que isso.

— E acreditava que conhecia Chaz melhor para pensar que ajudaria a abortar o meu bebê. — seus punhos se apertaram quando a dor abriu toscas feridas em sua alma — Não podia me arriscar. Não então. Tem que compreendê-lo.

Ela podia ver a luta em seu rosto agora, o combate para aceitar sua desconfiança, para entender o que a tinha retido.

O teria compreendido ela? Sabia o quão traída que se sentiria se estivesse em seu lugar, a sensação de fracasso. Mas seria pessoal. Emocional.

— Tentei ser lógica. — disse ela fracamente — Fiz o quanto pude para protegê-los.

— Como tem feito o quanto pudeste para proteger às castas durante oito anos? — grunhiu ele — Do que nos teria servido sua morte, Scheme? Não nos teria servido mais que ficando calada agora. Podia ter falado. Podia ter me contado o plano para raptar a meu sobrinho.

— E me arriscar a que o tivesse mudado? Arriscar-me a que algo falhasse ou se trocassem os horários? — respondeu-lhe gritando, franzindo o cenho quando a excitação começou a pulsar em seu interior com a mesma força que a ira — Não podia arriscar sua vida nem a de ninguém mais só por minha estúpida necessidade de que me toque.

Ela estalou os dentes com essas últimas palavras, dando-se a volta enquanto se apertava mais o lençol ao redor do corpo e se esforçava por ouvir algo no silêncio detrás dela.

— Cometi esse engano uma vez. — sussurrou ela ao final — Necessitei. Precisava ser abraçada. Precisava ser amada. Necessitei… E porque necessitei, meu bebê morreu. Não estava disposta a arriscar a criança de outra pessoa por minha necessidade.

Girou-se para ele lentamente, encontrando o predador olhar que pareceu mais afiado, mais selvagem que antes enquanto continuava.

— Ia te contar isso faz um momento, antes que partisse, mas não quis me escutar. Não estava mais disposto a escutar, do que estava disposto a admitir que te pertenço. Entregou-me a outro homem.

E isso a magoou profundamente. Doeu de tal forma que ainda estava cambaleando-se.

— Voltei. — lhe espetou com dureza.

— Estava disposto a me entregar a outro homem.

— Para salvar sua maldita vida, teria dado minha própria alma. — tinha liberado sua fúria uma vez mais.

Tanner atravessou a caverna, arrastando-a de um puxão para ele antes que pudesse evitá-lo, colocando-a contra seu peito, a ereção sob os jeans pressionando duramente em seu abdômen enquanto a olhava com o cenho franzido.

— Arrisquei tudo por te trazer aqui. Por te ter. Por encontrar uma forma de te salvar a vida, e você trabalhava para o Jonas todo o tempo. — grunhiu ele.

— Tentei te dizer que estaria a salvo. — protestou ela contra a ira que podia ver brilhando em seus olhos — Tentei fazer o correto, Tanner. Só o correto. Isso era tudo o que tratava de fazer.

— O correto, Scheme, era confiar em mim. — lhe replicou — Mas a confiança não era algo que pudesse me dar, certo? Só isto. Isto é tudo o que estava disposta a dar.

Pisando-lhe com saltos a essas palavras, uma mão se enredou em seu cabelo para lhe puxar a cabeça para trás, e um momento depois, o sabor do hormônio da paixão e a escura luxúria encheu seus sentidos.

Seu beijo.

Seus sentidos se acenderam instantaneamente.

Os lábios de Tanner caíram sobre os seus enquanto a apoiava contra a parede, suave, carinhoso, a língua acariciando o espaço entre seus lábios enquanto lutava contra o gemido de necessidade que se estava construindo em sua garganta.

Isto a tinha derrotado. Esta necessidade, o que quer que fosse, sacudiu-a até o coração e a deixou desesperada por mais. Deveria ter protestado, mas não podia arriscar-se a perdê-lo, ainda não, não até que a fome tivesse sido saciada, até que a necessidade se aliviasse.

Seus braços lhe rodearam o pescoço, cruzando-os, aproximando-o enquanto a língua lhe separava os lábios e se deslizava contra a sua. Ela tinha que aferrá-lo.

O picante sabor estalou em sua boca; a doce tentação se estendeu por seus sentidos.

Ela o necessitava.

— É minha. — espetou ele contra seus lábios enquanto ela choramingava no beijo, desesperada por aproximá-lo mais — Maldita seja por não confiar em mim. Maldita!

Ela podia sentir sua fúria, mas também podia sentir sua necessidade. A mesma necessidade que a atormentava, abrasava-a, que a mantinha entre seus braços apesar de que precisava explicar-se.

Levantou-a contra ele enquanto se dirigia ao sofá, mantendo-a presa enquanto se encolhia de ombros para desfazer-se da camisa, batalhando depois com os jeans. Todo o tempo fazia amor com os lábios e a língua, seu gemido lhe vibrando na boca quando de repente, sentiu-o nu, o membro duro e quente contra seu estômago enquanto suas mãos a livravam do lençol.

Isto é o que tinha esperado, compreendeu ela. Toda a vida, voltando-se mais cínica dia a dia, mais dura, mais desiludida, segura de que não existia. Só para encontrá-lo onde tinha esperado encontrar só a morte.

— Não me deixe partir. — gemeu ela contra seu beijo, sentindo-o sentar-se no sofá, pô-la sobre ele, as pernas arreganhadas sobre seu colo, a sensação de seu membro pressionando contra as tenras dobras de seu sexo.

— Nunca te deixarei partir. — prometeu ele, seus dentes capturando seu lábio inferior enquanto a olhava fixamente aos olhos — Agora tome. Chupe minha língua enquanto sua estreita buceta chupa meu pau. Agora.

A língua se deslizou em sua boca enquanto o membro se deslizava até o fundo de sua vagina. O grito dela se perdeu entre o selvagem, perverso sabor masculino. Sua língua a fodia com a mesma fome com que seu membro se movia em seu interior. Lento, profundo, enchendo-a, alimentando a fome que a destroçava enquanto começava a mover-se em cima dele.

Apertou mais os braços ao redor de seu pescoço enquanto a mão lhe agarrava o traseiro, separando as suaves bochechas, os dedos massageando a sensível carne interna. As calosas gemas se deslizaram pelos sucos que fluíam de onde sua ereção a enchia. Utilizou-os para facilitar o rastro de seus dedos, trabalhando lentamente ao redor da apertada entrada de seu traseiro.

Com qualquer outro homem, teria chiado. Não tinha permitido que um homem a tocasse aí desde que Chaz havia trazido outro homem à cama. Era um ato que tinha jurado que nunca permitiria outra vez. Agora o desejava.

Isto era pelo Tanner, só Tanner. Seu toque prendia fogo; seu beijo era sexo proibido; o movimento de seus quadris entre suas coxas desintegravam seu controle e raciocínio.

Só lhe dava prazer. Nenhum homem tinha feito as coisas somente pensando no prazer dela, pensando em agrada-la exclusivamente. Nenhum tinha se posto jamais entre ela e o perigo ou havia sequer pensado em protegê-la.

O fôlego travou na garganta em um áspero grito enquanto chupava a língua que entrava e saía, tomando mais do selvagem sabor na boca.

Cabal a tinha forçado a admitir seu amor pelo Tanner, mas Tanner a tinha obrigado a senti-lo. Apesar de toda lógica. A pesar do medo e as suspeitas.

Tinha-o amado inclusive antes de encontrá-lo?

Os lábios pressionaram mais profundamente sobre os seus quando os movimentos se voltaram mais duros, seus impulsos enterravam o membro até o punho, enviando rápidos, ardentes estalos de prazer que atacavam terminações nervosas nunca tocadas anteriormente.

— Não pare. — seu fraco gemido veio quando os lábios masculinos abandonaram os seus, lhe recordando que devia respirar, sobreviver. Tinha que sobreviver por isso.

Jogou a cabeça para trás quando sentiu o dedo entrando em seu ânus. Estremeceu-se, tremendo. As sensações a atacaram com uma intensidade próxima à violência enquanto um comprido e rouco gemido saía entre seus lábios.

Ele a fodia mais duro agora, mais profundo, como se essa pequena rendição houvesse estimulado suas próprias luxúrias. Ela podia ouvir seus grunhidos. — ele grunhia muito — E sentia o suor que brotava dos largos ombros sob suas mãos, e permitiu que o orgasmo estalasse de repente nela.

O rouco grito de Tanner foi apenas reconhecível, mas a sensação da dilatação sob a cabeça de seu membro, a grossa extensão surgindo, afiançando-se em seu interior, orvalhando uma ardente calidez enquanto sua semente jorrava dentro dela, fez-lhe compreender.

Compreendeu o repentino orgasmo secundário que a rasgou, seguindo duramente a traseira do primeiro. Entendeu o deslumbrante calor, o tremor, os espasmódicos movimentos de seu próprio corpo, a necessidade de espremer cada gota de sêmen de seu membro, de acalmar a necessidade que havia em seu ventre.

Compreendeu as lágrimas desta vez, enquanto Tanner a puxava contra seu peito. Sentiu as emoções que a tinham esmigalhado liberando-se, a aterradora compreensão de que pela primeira vez em anos, sentia algo. Amor. Ódio. Fome e necessidade. Não seriam mais enterrados. Tinham se liberado e tinham o potencial para destruí-la.

— Quero-te. — lhe sussurrou Tanner ao ouvido — Te queria antes de te tocar, antes de te conhecer. Quero que saiba, Scheme. Antes que eu nem sequer suspeitasse o que vale, já sabia que era valiosa.

Ela sacudiu a cabeça com cansaço, contra seu peito. Ele não podia ter sabido. Não podia saber agora.

Scheme engoliu com dificuldade, consciente de que ele não tinha trocado, não tinha se movido. Seu membro, ainda semi-duro, estava enterrado nela.

— Meu pai me sedou. — sussurrou ela, forçando as palavras a sair de seus lábios — Me jogaram droga na bebida. Quando despertei, estava em uma clínica particular e tinham tirado meu bebê.

O lugar escuro em seu interior se abriu, a dor a rasgou, lhe rompendo a alma.

— Tiraram a meu bebê.

Seus braços a estreitaram mais enquanto lhe sustentava a cabeça contra o ombro, inclinado a sua, cobrindo-a.

— Estava grávida de seis semanas. — as lágrimas brotaram então — Era de Chaz. Mas a meu pai não importava, nem tampouco ao Chaz. Naquele momento, não podia suportar assumir Chaz em público. Um conhecido assassino casado com sua filha? — ela quase se engasgou com a amarga gargalhada — E não havia uma só possibilidade de que sua menina fosse ser mãe solteira. — os punhos se apertaram em seus ombros — Não sabia o que iam fazer.

— Pare. Deus, Scheme. Por favor. — sua voz era áspera, rouca — Acredita que não sei tudo isso, amor?

Ela sacudiu a cabeça, com movimentos bruscos.

— Ia partir quando me inteirei do bebê. Supliquei a Chaz que nos levasse. Não sabia o que ele era. Quem era…

— Scheme…

— A culpa foi minha. — ela se inclinou para trás, olhando-o fixamente, os anos de pena e perda reduziam sua alma a cinzas — Não o entende, a culpa foi minha. Se tivesse fugido quando vi quão zangado estava Cyrus por causa do bebê. Se não houvesse dito a Chaz…

         — Então ele teria matado a ambos. — suspirou ele contra seu cabelo — Está viva. E quando tudo isto terminar, terá a oportunidade de viver. Concentre-te nisso, Scheme. Fará-o pagar.

Então ela levantou a cabeça enquanto o olhava fixamente aos olhos. Seria livre, mas ainda teria a Tanner? Esse duro coração de gelo ainda brilhava em seus olhos; a fúria ainda faiscava nas pequenas manchas verdes dentro do brilhante âmbar. Não tinha confiado nele e deveria tê-lo feito. Ia perdê-lo agora? E se o perdesse, importaria realmente ser livre?

 

               PROPRIEDADE DE CYRUS TALLANT

               PENSILVANIA

 

Cyrus olhava pela janela de seu escritório, o olhar errante sobre à bem aparada grama, as árvores perfeitamente alinhadas e os exuberantes jardins de flores. Uma ligeira garoa tinha caído durante a noite. Logo seria geada. O outono avançava; as folhas já tinham mudado, estendendo a famigerada cor através dos bosques que rodeavam a propriedade e emitindo brilhos de advertência da entrada do inverno.

— Já a encontrou? — fechou as mãos detrás das costas, permanecendo militarmente erguido enquanto observava à Casta Coiote que entrava no escritório.

Cão. Assim é como ele o chamava. Cyrus não permitia que suas Castas tivessem nomes próprios; tinha advertido ao Conselho disso décadas atrás. Isso de conceder-lhes inclusive um pingo de humanidade, tinha desembocado nessa confusão na qual estavam agora.

As Castas tinham se reproduzido com humanos de sangue puro, diluindo as criações de Deus. Não é que ele fosse um homem particularmente religioso, mas acreditava no sangue puro. O sangue falaria, sempre o disse. Olhe o mundo. O resultado de mesclar sangue puro e isso poluído pela pobreza, as mentes criminais e as psiques doentes.

— Não me respondeu. — recordou ao Coiote em voz baixa, sentindo que o desgosto o invadia interiormente.

— Ainda não a encontramos. — respondeu Cão — Embora tenha que aparecer logo. Então a apanharemos.

— O que tem os soldados na Sandy Hook… Se inteiraram de algo?

— Nada. — Cão negou com a cabeça — Embora o avião tenha sobrevoado a zona durante várias horas. Não há informe do por que estavam ali.

— Quero sua cabeça, Cão. — recordou a seu mascote com calma — Não podemos permitir que fale. Só Deus sabe o que a cadela pode dizer se tiver a oportunidade. Está seguro que não desapareceram arquivos? Nem informação que ela pudesse acessar?

— Nada, senhor. — respondeu Cão — Não acessaram aos arquivos e nada se foi com ela. O senhor Bollen acredita que sua fuga não foi planejada.

John Bollen, o herdeiro de Cyrus e segundo ao mando, estava fora no campo quando deveria ter estado na propriedade fiscalizando os diversos projetos financiados com o dinheiro do Conselho. Isto devia esclarecer-se logo. John era necessário aqui. Havia muitos planos para destruir às Castas sendo desatendidos.

Cyrus se girou lentamente, observando enquanto o porte de Cão se voltava mais rígido, mais militar que nunca antes lhe tinha visto.

— Castas? — disse com uma expressão desdenhosa.

— Os Castas estiveram na montanha, mas também pareciam estar procurando algo. —respondeu.

Cyrus conteve seu desdém. Deveria ter mandado Chaz se desfazer dela enquanto a tinha na propriedade, mas era sua menina. Tinha-a criado aqui, escutado sua risada e brincando com ela quando era um bebê. Assassiná-la na casa onde tinha nascido teria sido de mau gosto nesse momento. Uma lição aprendida, pensou com um suspiro.

Ela estava machucada. Débil. Só o forte poderia sobreviver nesta batalha, e ele se negava a permitir que a debilidade do amor por sua filha freasse sua mão. Ela o tinha traído. Não havia nela amor por ele para tê-lo traído desta maneira. Tinha que tê-la ensinado melhor. Treinado melhor. Mas ela era débil. Muito fraca para permitir que o destruísse.

— Acredita que as Castas a têm? — era seu temor, seu temor maior, que esses animais lhe oferecessem asilo em troca da informação que ela pudesse ter. Se isso acontecesse, não teria outra opção além de arriscar o seu espião no Santuário antes que pudesse completar o rapto do menino. Scheme sabia muito de sua organização; seria um problema para seus planos e as necessidades do Conselho.

— Acreditam, senhor. — respondeu Cão — Acreditam que esteja com Tanner Reynolds. Nosso contato no Santuário nos informou que uma chamada de emergência entrou antes que o heli-jato das Castas sobrevoasse Sandy Hook. Deveria estar ali nas próximas horas se for ela.

Cyrus apertou os lábios com ira e se girou para a janela.

— Já pode ir. — ladrou — Me encarregarei disto daqui em diante.

— Sim, senhor. — Cão se virou e bateu em uma rápida retirada do escritório, enquanto Cyrus se girava com um gesto de desprezo as costas do animal e a porta se fechava detrás dele.

Chaz tinha sido um de seus melhores ativos, e agora se tinha ido. Se tivesse vivido, Scheme já estaria morta. Em troca, a cadela tinha desaparecido e Chaz estava morto, sem indícios de quem o tinha matado.

Ela tinha que ter estado conspirando com essas Castas muito tempo antes. Sabia. Podia senti-lo. Se não, como poderiam tê-la afastado em segredo tão rapidamente?

Ela era uma mulher, débil, com muita facilidade dirigida para o mau caminho. Igual a sua mãe. Uma puta, igual a sua mãe tinha sido, Scheme o tinha demonstrado não só quando se permitiu ficar grávida, mas também quando permitiu a Chaz levar outro homem a sua cama.

Negou com a cabeça. Igual a sua mãe. A cadela que tinha dado a luz a Scheme tinha sido inteligente, bem situada na sociedade, mas sua linhagem estava poluída pelo estivador de seu avô. Se tinha atrevido, em efeito, atrevido, a ajudar na fuga de vários Castas do laboratório no que ela trabalhava.

Tinha-a matado ele mesmo, assim como deveria ter matado Scheme. Ensiná-la a lhe temer, lhe obedecer, não tinha funcionado. De algum jeito tinha superado o medo.

Contemplou fixamente a foto dela sobre o escritório. O comprido e escuro cabelo, os sérios olhos marrons, a contida linha de seus lábios. Pensou que tinha tido êxito em criá-la apropriadamente, mas esteve equivocado. Tão equivocado.

Indo para seu escritório agarrou o móvel seguro que utilizava para contatar com seu espião no Santuário. Um Casta. Seus lábios se inclinaram em um sorriso. Por uma vez tinha tido êxito no treinamento, acreditava nele tão implicitamente. Se Scheme aparecesse no Santuário, então sua permanência seria muito, muito efêmera.

Teclou a mensagem de texto.

Adie a missão. A traidora é principal importância. Informa pronto.

No momento em que a mensagem abandonou o aparelho, a encriptação o enviaria de forma codificada. Uma mensagem curta de um amigo dizendo olá. Nada mais. As Castas nunca saberiam o que queria dizer.

Suspirou com pesar. Tinha desejado começar com o adestramento do filho de Lyon ele mesmo. O Conselho tinha aprovado o plano de sequestrar ao menino. Era a primeira geração de Casta concebido de maneira natural. Tinham muita curiosidade para ver as diferenças genéticas com seu pai. Demonstraria o menino ser o espécime que estavam esperando, então seria entregue aos cuidados de Cyrus e seu programa de adestramento.

O menino tinha nove anos, um pouco maior para ser aceito no adestramento, mas Cyrus tinha confiança nas opções de êxito se conseguissem roubá-lo do complexo de segurança que as Castas utilizavam como base. O Santuário tinha a melhor segurança, os guardas mais desumanos, mas Cyrus tinha o espião e seu espião conhecia os pontos fracos. Sabia por que ela era um deles.

O Conselho não podia deter a procriação dos animais com seus homólogos humanos, mas podiam utilizá-los em suas tentativas para encontrar uma maneira de destruir às Castas.

Tinham que ser destruídas. Ao menos, confinadas para acautelar suas tentativas de mesclar-se com a sociedade. Eram animais. Animais sem direito, sem almas. E ele podia demonstrá-lo.

 

Tanner não se arriscou com a segurança de Scheme. Podia estar furioso com ela, ser traído por ela, mas sua vida significava mais para ele que a sua própria. O suficiente para que quando o heli-jato aterrissou, os guarda-costas pessoais de Callan estivessem esperando na pista de aterrissagem, para escoltá-la até o complexo principal no seguro Hummer, que normalmente utilizavam Callan e o Gabinete principal das Castas quando saíam do Santuário.

Pôde dizer pelo olhar no rosto de Jonas quando viu o Hummer que Jonas considerava o traslado uma perda de tempo. Tanner não. Tinha as vísceras ardendo com chamas de advertência de perigo golpeando-o dentro dele. Seus instintos de sobrevivência estavam ampliados, mais fortes do que tinham sido algumas vez antes, e lhe asseguravam que nenhum amparo era muito agora. Nenhuma precaução muito extrema.

— Reuni ao Gabinete da Casta. — Jonas olhou para trás do assento do copiloto, seus olhos chapeados cintilavam com acerada determinação — Precisam ser informados da situação imediatamente, assim podemos obter segurança adicional no lugar.

— Como sabe que o espião não está no gabinete? — perguntou-lhe então Scheme — Vi o perfil vinculado a esta Casta, mas sem informação pessoal. Foram treinados para isto. Para infiltrá-los no círculo íntimo de seu branco e esperar. Não foram adestrados para a guerra direta ou encoberta como alguns de vocês. Suas táticas são mais sutis.

— O gabinete não é uma ameaça. — Jonas negou com a cabeça — Confio em cada um deles com minha vida e há muito poucos nos que confie tanto. Estive atrás da pista deste espião eu mesmo, Scheme, fui estreitando vários parâmetros, mas não no imóvel principal. Ali estará a salvo.

— Fez retornar à Equipe Alfa ao Santuário? — perguntou então Tanner, referindo-se ao grupo que tinha rodeado sua cabana em Kentucky e que o Casta Cabal tinha informado que estavam rondando pelo Santuário.

— A Equipe Alfa está toda no Santuário. — disse Jonas e suspirou — Mas preferiria que esta informação não saísse daqui. São nossa última defesa neste assunto, Tanner. Se todo o resto falhar, eles terão êxito.

— Estão vigiando a David? — perguntou Tanner.

— Estão-no seguindo. Callan se nega a trocar os guarda-costas de David no momento. Veremos como se sente uma vez que Scheme nos relate seu relatório.

Tanner duvidava que isso trocasse a mentalidade de Callan. Os guarda-costas de David eram homens nos que o líder confiava mais que ninguém. Não os trocaria pela Equipe Alfa de Jonas, ponto.

A seu lado, Scheme permanecia em silêncio. Não havia dito nenhuma dúzia de palavras desde que abandonaram as cavernas, e seus olhos estavam angustiados. Podia cheirar sua dor, seu temor, sua necessidade. Apesar do tempo que tinham passado tratando de saciar o calor do acoplamento antes de abandonar as cavernas, ela crescia de novo. Com cada milha o aroma de sua excitação se infundia na cabine do heli-jato, pondo a cada Casta ao limite e piorando o humor de Tanner.

Quando o heli-jato posou na pista de aterrissagem e os guarda-costas Castas se apressaram a baixar a porta enquanto os degraus se desdobravam, Tanner se posicionou na porta ignorando o intento de Cabal de permanecer no lugar. Seus olhos esquadrinharam o perímetro da pista de aterrissagem, dando-se conta da ausência de Castas pululando como normalmente faziam.

Tinham levado a cabo as suas ordens de limpar o caminho para a propriedade.

— Vamos lá. — o comandante da equipe grunhiu, os olhos escuros investigaram a zona também, enquanto segurava o potente rifle semiautomático que levava com relaxada presteza — O Gabinete das Castas está na residência e esperando sua chegada.

— Scheme. — Tanner se girou para ela, lhe estendendo a mão, observando enquanto seu olhar o tocava com um segundo de vacilação. Logo pôs seus esbeltos dedos em sua mão, respirando profundamente, sem fazer nada por sossegar o aroma de seu medo enquanto a guiava pra fora do heli-jato.

Detrás dele, Cabal, Jonas, Jackal e três dos melhores soldados de Jonas lhes pisavam nos calcanhares, alinhando-se ao redor deles enquanto saíam do heli-jato e se apressavam ao Hummer.

— Estaremos bem detrás de você. — indicou Cabal enquanto Tanner empurrava Scheme ao assento traseiro do Hummer.

Tanner assentiu rapidamente antes de saltar ao lado de Scheme, seu braço a rodeou para aproximá-la dentro do refúgio de seu corpo maior enquanto Jonas saltava ao lado dela.

— Não a toque. — grunhiu ele.

Jonas soprou.

— Estou bem ciente do calor do acoplamento, Tanner.

— Significa? — perguntou Scheme.

—Significa que até que o calor diminua, normalmente entre um período de duas a quatro semanas, então o toque de outro macho é muito doloroso. Os hormônios que criam o calor sensibilizam a carne até o ponto de que só seu companheiro possa te tocar. Ninguém mais. Inclusive o toque de outra mulher é doloroso. — explicou Jonas.

— Fantástico. — disse ironicamente — E é obvio que ia me explicar tudo isto antes que decidisse te emparelhar comigo, não?

Tanner se moveu nervoso no assento, sabendo que não gostaria da resposta.

— Não tinha a intenção de lhe explicar isso a menos que o calor do acoplamento surgisse.

Agora a irritação estava invalidando o aroma do medo. Pôde sentir seu olhar em seu perfil, abrasando-o com a acusação que sabia que haveria em seus olhos.

— Em defesa de Tanner, há uma proibição sobre revelar essa informação a alguém que ainda não esteja emparelhado. — revelou Jonas enquanto Tanner apertava os dentes ante a explicação — Alguns Castas são conscientes disto, mas ninguém fala sobre isso.

— E tem a intenção de escondê-lo durante muito tempo? — sua voz era tensa, um produto do aborrecimento e da excitação.

— Tanto como seja possível. — lhe informou Tanner — Temos conseguido mantê-lo oculto por dez anos. Só necessitamos um pouco mais de tempo.

— Um pouco mais de tempo para que? — a incredulidade encheu sua voz — Tem ideia do protesto que saber isto vai provocar? O que estou sentindo agora é um inferno, Tanner. E de fato fecha em banda a vida de uma mulher durante o tempo que dura. Sem mencionar o feito de que isso limita o livre arbítrio.

Deslizou o olhar para ela.

— Limitei seu livre arbítrio?

Ela respirava com dificuldade, os olhos brilhando para ele com fúria.

— Sou consciente de quão furioso está agora mesmo e tudo o que desejo é encontrar a cama mais próxima. Então sim, assim é. Porque de outra maneira, permaneceria o mais longe de ti que fosse possível, até que te acalmasse.

— Sabe, Scheme, esta ideia que tem de que vou machucar-te está começando a me encher o saco.

— Isto não tem nada que ver com pensar que irá me machucar. Tem que ver com o fato de que não tem direito a estar zangado, e eu tenho todo o direito de estar ofendida de que você o esteja.

Lógica feminina? Tinha que sê-lo. Tanner a olhou fixamente com incredulidade enquanto o Hummer se detinha na parte traseira da casa da propriedade.

— Resolverei esse comentário mais tarde. — grunhiu enquanto os outros veículos se detinham diante e detrás deles e os guardas da Casta rodeavam o Hummer.

Abrindo a porta, tirou Scheme do veículo, tomando cuidado de mantê-la no centro dos Castas que a rodeavam.

— Filho da puta, Tanner. — grunhiu Jonas ante as precauções — Por que não difunde a notícia de que condenadamente sabemos de fato e que suspeitamos que a toupeira de Tallant trata de lhe disparar. Seria muitíssimo mais simples.

— Ser simples nunca foi meu estilo. — soltou Tanner enquanto transladava Scheme rapidamente para a porta traseira que conduzia à casa do líder da manada — Não sei o que te fez pensar que o fosse.

Scheme jogava fumaça enquanto era conduzida por uma grande e bem decorada sala de reuniões. A suave luz iluminava o interior em sombras, cortesia das janelas que estavam espessamente cobertas e obscurecidas. Se não estava equivocada, as caixinhas negras de cima eram detectores de infravermelhos e térmicos. Ao lado havia outro aparelho com vários dispositivos digitais que se asseguravam contra qualquer aparelho de escuta que fosse infiltrado na casa, ou qualquer intento exterior de escuta.

Uma longa e larga mesa enchia o centro do que Scheme sabia que uma vez tinha sido um opulento salão de baile. A propriedade foi uma vez a sede de um grupo de cientistas do Conselho. Sob as profundidades havia um labirinto de celas e laboratórios médicos, antes usados para unir a genética da Casta e criar os soldados dos que o mundo nunca ouviria falar.

Havia doze pessoas sentadas na mesa. Os membros do Gabinete de Castas, um dos quais era um solitário Casta Lobo que ao parecer tinha desaparecido do radar depois de que as notícias de sua existência fossem feitas públicas. Reconheceu os rostos e conhecia os perfis de cada um deles. Não confiava em nenhum.

Quando se ficaram em pé, Tanner a levou a outro lado da sala, seu abraço de repente suave enquanto sentia um raio de humilhação aumentando em seu interior. Seu pai tinha torturado a vários destes Castas. Tinha jogado um papel decisivo no intento de assassinato do único humano do gabinete, Kane Tyler, o irmão da mulher do líder e o marido de sua irmã. E tinha tentado utilizar o aborto de sua mulher esta vez contra ela. Como um experimento. Para ver se podia conceber outra vez.

Scheme se encontrou com cada olhar, elevando o queixo enquanto se fazia difícil respirar e a dor do peito aumentava. Esses homens e mulheres tinham lutado para viver, para amar. Não tinham querido nada mais que a liberdade, e isso era algo que seu pai estava decidido a ver destruído.

— Callan. — Tanner a segurou perto, a seu lado, enquanto se dirigia à Casta que presidia a mesa — Quero apresentar a minha companheira, Scheme Tallant.

O silêncio foi ensurdecedor. Ela observava enquanto as duas mulheres, Sherra Tyler e Dawn Daniels, intercambiaram olhadas, antes que Dawn se passasse os dedos pelo curto cabelo marrom dourado.

— Scheme, bem-vinda ao Santuário. — a voz de Callan era tranquila, distante — Jonas parece que foi um pouco restrito em informar ao gabinete sobre seu trabalho em nosso benefício. Deixe-me primeiro te agradecer.

Estava negando com a cabeça incluindo enquanto ele falava.

— Não. — sussurrou ela, ignorando o agarre por advertência de Tanner a seu lado — Não me agradeça isso, senhor Lyons. O que tenho feito não é tanto. E minha presença aqui poderia complicar suas vidas. Sinto muito.

Callan soltou ar pesadamente antes de assinalar com a mão às cadeiras vazias.

— Por favor, sentem-se. Querem algo para beber? Um lanche?

— Café? — morreria por um café.

— Sim, lhe ponha uma xícara de café, Sherra. — Dawn escolheu esse momento para falar, seu sorriso zombador enquanto contemplava Scheme — Uma das grandes.

— Dawn. — espetou Tanner enquanto se deixava cair na cadeira ao lado de Scheme.

Dawn pôs os olhos em branco.

— Não bebem café? — Scheme engoliu com dificuldade enquanto olhava as divertidas expressões dos que estavam na mesa.

— As fêmeas com o calor do acoplamento não bebem café, senhorita Tallant. — anunciou Merinus Tyler do lado de seu marido — Piora os sintomas. Temos descafeinado se você gostar, água, ou uma mistura especial de chá que bebemos durante as fases do calor.

— Fases? — isto começava a soar pior a cada momento.

— Voltaremos para calor do acoplamento mais tarde. — anunciou Callan — Tome o chá, senhorita Tallant. A Merinus parece ir bem.

Sherra se levantou da cadeira, caminhou para o aparador e colocou um líquido ambarino em um copo com gelo antes de rodear a mesa e pô-lo ao lado de Scheme. Scheme não tinha intenção de tocá-lo. Olhou-o fixamente por um momento, sentindo a secura de sua garganta, sua boca, desejando não sentir-se como um cordeiro em meio de um banquete carnívoro.

— Toma. — Tanner agarrou o copo, levou-o aos lábios e tomou um grande gole — Lhe prometo isso, é seguro.

Ia desmoronar-se. Scheme pôde sentir algo se curvando em seu interior. Uma necessidade de chegar a ele apesar do aborrecimento que ainda podia sentir em seu olhar.

— Não lhe envenenaremos, Scheme. — anunciou Sherra, seus olhos, azul gelo, mais quentes do que Scheme tinha esperado — Jonas teve a seu ajudante transmitindo seu relatório uma vez que se precaveu de onde estava e como abriu uma brecha nas cavernas. Somos conscientes do que perdeu, e o sacrifício que tem feito para as Castas. Não lhe pagaríamos isso te envenenando.

O olhar de Scheme se transladou para Callan.

— Contou-lhes que o lhe informei?

O olhar de Callan cintilou com desumana ira.

— Que Tallant vai tentar apanhar David? — perguntou, entretanto ela pôde ver que acreditava — Não será a primeira tentativa que foi feita, Scheme. Duvido que seja a última.

Enquanto falava, sua esposa esticou a mão, pousando-a no braço dele enquanto sua voz reverberava com um grunhido primitivo.

Merinus Tyler acabava de completar seu trigésimo quarto aniversário, mas ninguém o diria. Não parecia ter nem um dia a mais do dia que permaneceu ao lado de seu amante, Callan Lyons, e anunciou ao mundo que as Castas existiam. Não havia rugas nem em seus lábios nem em seus olhos. Sua pele ainda era fresca, juvenil. Unicamente seus olhos pareciam mais velhos.

— Durante os últimos dez anos, o espião de Cyrus Tallant não teve um posto de confiança na comunidade da Casta. — expôs Scheme com firmeza, adotando o frágil escudo que tinha usado toda sua vida quando enfrentava a uma situação que garantia arrojá-la ao desequilíbrio — Seu espião agora tem o posto. Em uma semana, possivelmente uns poucos dias mais, esse espião fará seu movimento para apanhar a David. Não houve detalhes; a única pista que tenho de quando ou como vai acontecer é uma conversa que ouvi entre Cyrus e seu segundo ao mando, John Bollen. O ponto de recolhimento não está fortemente defendido pela dificuldade do acesso ao complexo a pé ou com um veículo. Cyrus irá num avião, recolhendo a seu filho e ao sequestrador, e sairá voando antes que o tenha no radar porque é um ponto cego. E o espião sabe do transmissor de localização que pôs sob a pele de David no caso de sequestro.

Surpresa, comoção, ira. Todo isso estalou na sala quando Merinus se girou para seu marido com um grito de angústia.

— Só pouquíssimas pessoas sabem o do transmissor. — disse ele — É indetectável.

Scheme assentiu.

— Um protótipo que adquiriu de Indústrias Vanderale na África. — assentiu — Sabe, entretanto não foi capaz de inteirar-se quem acredito, ou se houver mais.

Os lábios de Callan se apertaram enquanto se girava para Kane Tyler.

O ex-militar, chefe de segurança do Santuário contemplava Scheme com seus brutais olhos cinzas enquanto Callan lhe falava em voz baixa. Kane assentiu bruscamente antes que seu olhar se transladasse detrás ela.

— Jackal. — disse o nome com frieza.

— Entendido, Comandante. Já me ocupo dele. — Jackal, o desconhecido com cicatrizes sob a garganta que a tinha apanhado quando Tanner a havia devolvido às cavernas tinha entrado na sala com o Jonas, Cabal e vários soldados Castas.

Scheme voltou o olhar para trás a tempo de lhe ver sair rapidamente da habitação.

Girou-se para o gabinete.

— Tenho nomes, lugares e perfis dos contatos que tem Cyrus, os quais conheci. Jonas tem a maioria, mas ultimamente, houve um monte de puristas e líderes da supremacia da raça e comandantes indo à propriedade de Tallant. Não sei se está obtendo apoio ou planejando um ataque maior de que tentou antes. Sei que o Conselho Interno está perdendo a fé nele.

— Bastardos! — amaldiçoou Callan — Por que acredita que estão se agrupando?

Scheme se lambeu os lábios ressecados.

— Penso que estão esperando o sequestro de seu filho e o caos que isso provocará. Cada Casta com vida o buscará. As Castas começarão a golpear os baluartes do Conselho e a atacar a seus membros. Isso é o que querem. Querem que as Castas derramem sangue, querem demonstrar ao mundo os selvagens e desumanos que podem ser. E acreditam que o desaparecimento de David Lyons o obterá. Uma vez destruídos, utilizarão a seu filho como base para as novas gerações de Castas. Umas que possam controlar. Acreditam que podem aprender de seus enganos e os assassinos com os que sonham por fim estarão a seu alcance.

Era uma loucura, mas para começar, Scheme nunca tinha acreditado que houvesse um pouco de prudência no Conselho. Os cientistas que tinham criado e fiscalizado os laboratórios eram frios, sem emoção. As Castas eram seu experimento, nada mais. Eram descartáveis porque tinham sido criados mais que nascidos. Viam-nos como animais, sem alma.

As Castas eram a oportunidade de experimentar o que tinham sonhado. Aprendendo até onde podia chegar o corpo humano, como imunizar-se contra doenças específicas, como o cérebro e o corpo funcionavam juntos. As Castas eram mais fortes, mais duradouras que os humanos normais, o qual os fazia perfeitos para tais experimentos.

— Tem alguma informação que possa emitir alguma luz sobre a quem estamos procurando? — perguntou então Callan, inclinando-se para diante com atenção — Necessitamos mais que isto, Scheme. Necessitamos algo para apanhar a um dos nossos. Isso não será fácil.

— Estão treinados na infiltração subversiva. — se esfregou a cabeça, tratando de pensar além da excitação que a invadia. Tanner estava muito perto, seu corpo era muito tentador. E ela o necessitava. Necessitava-o desesperadamente — O espião que recrutou se faz passar por um Casta que segue a seus treinadores para obter informação, quando de fato não é mais que um tipo de agente duplo.

— No mesmo treinamento que recebeu Tanner? — perguntou Callan — O mesmo treinamento que muitos dos Castas receberam. Nem todos foram adestrados como assassinos.

Scheme suspirou.

— Os perfis são similares com a rápida olhada que lhes joguei.

Callan riu abafadamente ante o grunhido de Tanner.

— Me deixe adivinhar. Tinha medo de que Tanner fosse nosso espião?

Scheme olhou Tanner. A pergunta não caiu bem a ele.

— Tinha.

Callan sacudiu a cabeça, a expressão sombria, preocupada.

— Senhorita Scheme, agradaria-me lhe oferecer o Santuário. — lhe disse então — Entendo que este momento não é o melhor para o que estamos fazendo, devido ao calor do acoplamento, mas espero que possa permanecer aqui para nos falar um pouco mais.

Olhou-o com surpresa.

—Bem. — então falou Dawn, sua voz divertida, seu olhar cínico — Todos podemos cheirar quanto desejas te deitar com o pequeno Bengala.

Scheme sentiu o rosto arder.

— Porra, Dawn. — replicou Tanner — Cale a boca.

Dawn pôs em branco os expressivos olhos marrom uísque e reprimiu o sorriso que puxava seus lábios.

Scheme odiava ter algo tão pessoal, tão incontrolável sendo tão fácil de detectar por estes ferozes homens e mulheres. Por estranho que parecesse, não odiava a excitação que continuamente crescia. A sensibilidade de sua carne, a aguda consciência de Tanner sentado tão perto a seu lado.

— Temos que voltar a programar este encontro. — disse Tanner — Scheme precisa comer, trocar de roupa e descansar um pouco. Não vai ser capaz de te dar o que necessita com tanta claridade como faria se pudesse ter um descanso.

Callan jogou uma olhada aos outros antes de suspirar profundamente.

— Estou de acordo. Voltaremos a nos encontrar aqui dentro de umas horas. — se girou para o Jonas — Consegue reunir o resto desses arquivos, então pode te sentar aqui e me explicar por que os agentes que você e Tanner tinham no lugar, não puderam tira-la desse maldito caixão quando seu pai a enterrou. Espero algo mais do que li nos relatórios que me proporcionou antes de sair a procurar o Tanner.

Tanner se congelou no ato de ajudar Scheme com a cadeira. Ela estancou imóvel, o aroma de seu temor lhe esbofeteou o rosto enquanto a olhava fixamente. Ela sabia. Ela tinha sabido que havia agentes das Castas no círculo íntimo de seu pai que poderiam tê-la ajudado, e tinha se negado a pedir ajuda.

Agora a conhecia. Sabia que teria morrido antes de pedir a esses homens e mulheres que se traíssem. Seu olhar se levantou para Callan, e viu a condenação nos olhos de seu irmão. Nos de Merinus. Nos de Kane. Pensavam que ele tinha que sabê-lo. Pensavam que tinha abandonado a uma mulher inocente a sofrer, possivelmente morrer de uma forma que todos eles sabiam estava cheia de um horroroso temor e sofrimento.

E Jonas. Jonas lhe tinha escondido essas informações.

Tanner soltou a sujeição sobre Scheme, voltando-se lentamente para enfrentar ao diretor dos assuntos das Castas, um grunhido se formava em seu peito enquanto a suave voz de Scheme sussurrava seu nome, só acrescentando lenha à fúria que crescia dentro dele.

— Tanner não tinha conhecimento do abuso que acontecia na propriedade de Tallant contra a senhorita Tallant, Callan — disse então Jonas — Essa informação se limitou a mim.

— Por quê? — grunhiu Tanner — Por que não me contou isso?

— Porque suspeitava que ela pudesse ser sua companheira. — disse em voz baixa — Cabal já tinha feito o contato e necessitávamos a informação…

Deliberadamente, de propósito, Tanner soltou o animal que cravava as garras dentro dele sobre o Casta Leão que tinha se atrevido a permitir que Scheme sofresse dessa maneira. Que tinha permitido que fosse amarrada nas mãos e pés com uma fria voz eletrônica que fazia a contagem regressiva do tempo restante de oxigênio em um caixão enterrado sob a terra.

Arremessou-se contra Jonas. Golpearam a parede, o gesso se quebrou e logo caiu quando a força dos dois pesados corpos masculinos se chocaram nele. Antes que Jonas pudesse recuperar-se, Tanner se recuperou e se endireitou enquanto empurrava ao Jonas e golpeava com o punho a cara do outro homem. Estava armando outro golpe um segundo antes de umas mãos o segurarem, de sacudi-lo outra vez, lutando com ele, estridentes ordens ladradas em sua orelha.

Tanner bramou com colérica ira, lutando para liberar-se enquanto Jonas ficava lentamente em pé, um petulante sorriso quase puxava seus lábios.

— Disse basta, diabos. — Callan estava de repente frente a ele, os olhos ambarinos chamejantes, sua expressão furiosa enquanto Tanner lhe grunhia a cara.

— Minha fodida companheira. — a fúria ardia forte e quente em seu interior. Resistindo-se às mãos que o seguravam, quase se libera, quase lança outro murro em Jonas antes que Callan ficasse diante dele outra vez, empurrando-o para trás enquanto alguém o continha em seu agarre com as mãos nas costas e lhe rodeava o pescoço com uns poderosos braços — Sabia o que esse bastardo estava fazendo. Porra, sabia e não a salvou.

— Não. — o grito de Scheme diluiu a neblina avermelhada frente a seus olhos; suas suaves mãos lhe pegaram no peito atraindo o olhar para a sua furiosa face.

— Foi minha escolha. — lhe gritou, as bochechas pálidas de temor e aborrecimento e úmidas pelas lágrimas que ainda emanavam de seus olhos — Me entende! Foi minha escolha. Sabia que os homens do Jonas formavam parte dos soldados de meu pai. Sabia e não lhes pedi que me salvassem.

— Porra, Tanner, pensa que não tentei chegar até ela? — gritou-lhe Jonas em resposta, o grunhido em sua voz cheia de ira — Pensa que não lhe ofereci a oportunidade?

Grunhiu ao Jonas antes de apontar sua fúria para Scheme.

— Por quê? — falou com uma fúria primitiva — Por que lhe deixou te fazer isso?

A intensa dor o atravessava. Não só tinha permitido a seu pai enterrá-la, mas também o tinha feito quando ela teve a oportunidade de escapar.

— Para lhe convencer de que não sabia nada. — elevou o queixo, os olhos marrons brilharam com furiosa intensidade — Para lhe demonstrar que não o estava traindo. Que meus enganos eram enganos, mais que um intento deliberado de lhe destruir que é o que eram. Porque vê-lo destruído significava mais para mim que minha própria vida.

Tanner se sacudiu das mãos que o seguravam, continham-no. A violência retumbou através de sua corrente sanguínea, criando um zumbido em sua cabeça que ameaçava afogando a voz da razão em sua mente.

— Nunca mais. — chiou — Nunca mais te porá nesse tipo de perigo.

Então a expressão dela trocou, se fez fria, calculista, cheia de determinação.

— Farei o que seja necessário para ver esse monstro destruído. — declarou com voz rouca — Não é escolha tua agora mais do que foi então. Não cometa o erro de pensar por um momento, Tanner, que pode, ou poderá, ser capaz de estabelecer essas escolhas por mim. Porque isso não ocorrerá.

—E não pense nem por um momento, Scheme, que não te darei alguns açoites se alguma vez, alguma fodida vez, fizer tal escolha de novo.

 

Já tinha tido o bastante. Tanner admitiu para si mesmo que tinha alcançado o ponto no que poderia tratar com esta situação de uma maneira sã e lógica. Sua companheira tinha vivido no medo, na dor, sob a ameaça de uma morte agonizante durante dez anos e ele não o tinha sabido. Jonas sim sabia. Os Coiotes tinham engenhado para infiltrar-se na organização de Tallant, tinham-lhe reconhecido e o tinham comunicado a Jonas. Mas Tanner não o tinha sabido.

— Cabal. — ouviu o som gutural de sua própria voz, mas não pôde encontrar a necessidade de preocupar-se porque a parte animal de sua natureza tivesse chegado tão perto da superfície.

Cabal tinha feito a sugestão nas cavernas quando se dispunham a reunir-se com o Jonas no heli–jato. Para manter à manada confusa sobre o emparelhamento, lhes deixando acreditar que ambos haviam emparelhado com ela. Nem sequer Jonas tinha ideia. Seus aromas eram muito similares, suas naturezas muito extremas para que a comunidade da Casta duvidasse alguma vez do que tinha acontecido.

Não é que Tanner permitisse que Cabal tocasse a sua companheira de qualquer modo. Não poderia lutar com isso. Mas o amparo dela significava mais que sua própria comodidade. Se o espião pensasse que ambos, Cabal e ele, haviam se emparelhado com ela, então também acreditaria que os sentidos de Cabal estariam muito crispados pelo calor da cópula, para que ele estivesse alerta vigiando.

E ele, certamente, necessitava que Cabal fosse capaz de vigiar muito estreitamente.

— Estou bem detrás de você. — respondeu Cabal quando Tanner agarrou o braço de Scheme e a empurrou para a porta.

— Tanner. — ela se sacudiu em seu braço, enviando uma tormenta de possessiva determinação que o percorreu — Pare de me arrastar de um lado a outro desta maneira.

Podia cheirar o calor dela, sua excitação. Podia cheirar a necessidade e a ira e isto impulsionou a sua própria. Mas também podia cheirar seu medo, sua dor, seu desconforto e a sensação de que o mundo estava se desmoronando a seu redor.

Ela tinha sobrevivido ao abuso de seu pai porque o entendeu. Tinha sobrevivido a isso e tinha tratado com isso inclusive enquanto trabalhava na destruição dele. Mas ela não sabia dirigir a aceitação. Não tinha nem ideia de como dirigir o amor.

E ele não podia se permitir discutir o assunto com ela aqui. Não quando todo mundo estava olhando. Não é que o gabinete falasse alguma vez de algo que acontecesse dentro deste quarto, mas sim ele necessitava que estivessem confusos no que se referia ao emparelhamento. Necessitava suas reações ante a incerteza de se Cabal e ele tinham seguido seus jogos com Scheme.

Antes que ela ou alguém mais pudesse objetar algo, carregou-a no ombro com o chiado de surpresa por parte dela, seguido de suas mãos afirmando-se nas costas dele enquanto lutava contra o agarre dominante que tinha sobre ela.

— Fique quieta. — deu-lhe um açoite ligeiro a seu pequeno e arredondado traseiro, sorrindo justo enquanto atravessava com determinação o salão e se dirigia com passos largos e rápidos para a escada.

— Está louco? — gritou ela da posição de cabeça para baixo.

— É uma opinião popular. — a segurou sobre seu ombro com firmeza enquanto Cabal se deslocava em frente, entrando na suíte antes que Tanner lhe seguisse.

Quando a porta se fechou atrás deles, Tanner a pôs de pé no chão, e antes que ela pudesse expressar o que parecia ia ser um protesto a gritos, lhe pôs os dedos contra seus lábios indicando-a silêncio.

Ela era rápida. Inteligente. Um cenho franzido se formou imediatamente entre suas sobrancelhas enquanto a suspeita enchia seus olhos.

Girando, observou como Cabal começava a inspecionar o quarto em busca de dispositivos eletrônicos. Vários minutos mais tarde ele guardou o pequeno dispositivo que estava utilizando e sacudiu a cabeça em sinal negativo.

— Está limpo. — disse finalmente.

— São mais inteligentes do que eu pensava. — resmungou Tanner enquanto atravessava o quarto até o detector eletrônico ao lado das janelas. Encontrou dois cabos soltos quando desativou o dispositivo e levantou a coberta protetora do mesmo. Isso não o tinha neutralizado, mas sim o tinha subtraído potência seriamente.

Negando com a cabeça, substituiu os cabos, reiniciou o dispositivo e o fixou de volta à parede. Apoiou as mãos em seus quadris, grunhiu da parte baixa de sua garganta enquanto agachava a cabeça e a sacudia com cansaço.

— Quem quer que seja pode entrar na casa com facilidade. — disse então Cabal — Não esperava isto.

Tanner levantou a cabeça e voltou o olhar a Scheme. Sinceramente ele tampouco o tinha esperado.

Scheme cruzou os braços sobre seus peitos e devolveu o olhar a Tanner com incerteza. Podia ver a preocupação em seu olhar penetrante neste momento, enquanto a observava, do mesmo modo que tinha visto a esperança a respeito de que ela tivesse estado equivocada. De que quem quer que fosse o espião, este não estivesse em uma posição que lhe proporcionasse o acesso com facilidade a qualquer parte da propriedade.

— Isto vai ser um problema. — disse Cabal baixo.

O olhar de Scheme foi de Cabal ao Tanner.

— O que vai ser um problema?

— Convencer às Castas, aqui no Santuário, de que nós dois nos emparelhamos contigo. — o sorriso de Cabal era todo dentes.

Scheme lhe devolveu o olhar com os olhos entrecerrados. Não tinha esquecido o terror que a tinha tomado a noite anterior, quando ele a tinha segurado contra a parede de pedra, atuando para todo mundo como se violar não fosse nada novo para ele.

— Boa sorte. — disse ela docemente — Isto vai ser difícil de fazer posto que não te vou deixar te aproximar nem a trinta metros de mim.

Cabal fez caretas ante isto olhando indeciso a Tanner.

— Nem sequer lhe olhe assim. — ordenou bruscamente Scheme ao voltar-se para o Tanner — Diga-lhe que parta, Tanner.

Tanner cruzou seus braços sobre seu peito.

— Cabal, pode passar algum tempo no banheiro. — assinalou com a cabeça a porta que conduzia ao outro cômodo.

Scheme lhe olhou fixamente chocada.

— Está louco?

— Provavelmente. — grunhiu Tanner — Mas todo mundo no Santuário nos conhece. Sabem os jogos que jogamos com nossas mulheres, e se especulou durante anos se terminaríamos nos emparelhando com a mesma mulher. Necessito que acreditem que é isto exatamente o que aconteceu, assim não suspeitarão que Cabal está à espreita em busca de perigo. O calor do emparelhamento arde através dos sentidos, Scheme; isso nos faz fracos por um tempo. Cabal pode cuidar de nossas costas se fizermos isto como é devido.

Lançou a Cabal um olhar furioso.

— E se supõe que vou aceitar isso?

A expressão de Cabal trocou, de repente se voltou mais relaxada, menos fria e difícil de ler. E o arrependimento se estendeu por seus olhos.

— Tinha que assustá-lo, Scheme; de outra maneira, ele poderia se convencer de que realmente não era seu companheiro. Ele queria sua segurança, seu amparo de tão má maneira que teria mantido sujeita essa parte primitiva sua para consegui-lo. Eu nunca teria te machucado.

Os olhos desta se entrecerraram ao lhe olhar.

— Já tinha entendido essa parte. Isso não significa que te queira na cama conosco.

— Posso olhar? — a diversão brilhou em seus olhos. E um desafio. Uma provocação.

Scheme pôs os olhos em branco. Ele estava falando a sério e sabia. Ela jogou uma olhada ao Tanner a tempo para captar o incrível ardor que flamejou em seus olhos ante essa ideia.

Estes dois homens tinham estado compartilhando a suas mulheres durante dez anos. Tinham estabelecido sua reputação a conta disso, um singelo e brincalhão ar de diversão sexual. Estranhamente, isto não a incomodava. E parecia que Tanner estava mais que feliz de permitir a seu irmão olhar.

Alegremente.

Tanner parecia mais depravado, menos intenso, a diversão brilhava em seu olhar penetrante ao caminhar resolvido para ela, seus olhos obscurecidos pelo desejo e a fome, então de repente suas mãos a agarraram pela cintura segurando-a nos braços.

Ricocheteou na cama, ofegando enquanto os dedos de Tanner abriam o botão de seu jeans.

Os olhos dela se abriram de par em par.

— Tanner. — seus dedos se curvaram ao redor dos pulsos — O que está fazendo?

— Muita roupa. — grunhiu ele.

Ela tentou lhe pegar nas mãos enquanto o zíper se abria e seu gêmeo se apoiava contra a porta mostrando um sorriso abertamente dissoluto.

— Está seguro disto? Cabal ainda está aqui. — ele parou, sua cabeça girou para um lado. E um grunhido de advertência curvou seus lábios.

— Não tenho nenhuma intenção de tocar. — murmurou Cabal malvadamente — Me satisfarei aqui mesmo.

Tanner grunhiu outra vez. Deus, ela adorava aquele grunhido. A maneira em que seus incisivos brilhavam, aquela luz selvagem que acendia seus olhos âmbar. Era quase um orgasmo em si mesmo.

— Contanto que ele só olhe. — ofegou Tanner, literalmente rasgando-se a camisa dos ombros antes que suas mãos se dirigissem ao cinto de seu jeans, puxando-o.

— Oh Deus, isto é loucura. — resfolegou Scheme, deveria sentir-se ultrajada. Mas não o estava. Tinha ficado mais molhada.

Um sorriso tirante curvou os lábios de Tanner.

— Você gosta assim. — ronronou. Oh, meu Deus, realmente ronronou.

Ele deu um chute em seu jeans afastando-o de seu corpo, revelando a deliciosa longitude grossa e de veias muito marcadas de seu membro.

Suas coxas se separaram enquanto ela se lambia os lábios.

— Me beije também. — gemeu ela — Necessito que me beije.

As pestanas de Tanner se arrastaram sobre seus olhos enquanto sua língua se lambia o lábio inferior.

Inclinou-se mais perto.

— Pode senti-lo te olhando?

Isto lhe punha excitado. E a verdade, a ela também.

— Isto te dá tesão. — lhe acusou ela, seus olhos apontando aos lábios dele. Necessitava esse beijo agora.

— Sou um pervertido filho da puta. — confessou ele, lhe empurrando as pernas para trás ao fazê-la avançar até a beira da cama.

Scheme ficou sem fôlego quando ele se dobrou para frente, lambendo-a os lábios enquanto a cabeça de seu membro pressionava contra as dobras empapadas e inchados de seu sexo.

— Eu também posso ser uma pervertida. — suas coxas se esticaram contra o domínio que as mãos dele exerciam sobre eles.

Ele fez uma pausa, um sorriso lento e dissoluto curvava seus lábios.

— Boa garota. — ronronou, o som retumbante removeu a espinha dorsal feminina com garras invisíveis de prazer erótico — Me mostre isso coisa linda. Mostre-me o pecaminoso em ti.

Então, seus lábios se inclinaram sobre os dela, sua língua se deslizou passando seus lábios, e o sabor dele explodiu em sua boca. E tinha um sabor tão bom. Pecaminoso, erótico, um banquete de luxúria, irresistível e combustível.

Ela chupou sua língua dentro da boca, enlaçando-a a própria, ordenhando enquanto descobria as diminutas e inflamadas glândulas no flanco de sua língua e o rico, e tentador sabor que ali se acumulava.

Gemendo, indubitavelmente ela tinha encontrado a ambrosia, Scheme lambeu, bebeu e fez entrar mais disso em sua boca. Necessitava aquele sabor. Necessitava-o para respirar, para viver.

Suas mãos se trespassaram em seu cabelo enquanto o segurava contra ela, retorcendo-se debaixo dele ao tentar empalar-se na largura grossa do membro que ainda estava suspenso na entrada de sua desesperada e necessitada buceta.

Doía. Doeu-a até que a necessidade foi uma tortura. Estava segura que se voltaria louca de necessidade por ser fodida. Mas ele não a encheu, salvo com sua língua. A língua bombeou em sua boca; os lábios dele se moveram sobre os seus; seu beijo enviou uma bola de fogo cheia de sensações que a percorreram.

— Filho da puta. — gritou fracamente quando ele se retirou, olhando-a de cima com os olhos entreabertos e brilhantes — Necessito mais.

— Necessita uns açoites. — áspera pelo uísque, ronronada pelo prazer, sua voz e sua declaração fizeram que os quadris dela se sacudissem e que seu ventre se convulsionasse.

— Sou uma garota má. — aceitou com violência — Primeiro me fôda. Depois pode me dar uma surra.

Um sorriso perverso se desenhou nos lábios dele.

— Ah não, neném. Em primeiro lugar, vou surrar esse teu bonito traseiro. Vou olhar como fica avermelhado, a cheirar seu zelo, e depois talvez, só talvez, alimentarei todos esses quentes e pequenos fogos ardentes dentro de você.

Seus olhos se abriram de repente quando ele se voltou para trás separando-se de um puxão.

— Tanner, não posso suportar isto. — estava ardendo, as chamas faziam erupção sob sua carne, abrasando-a enquanto atormentadores espasmos de necessidade sacudiam seu corpo.

— Ah, mas o suportará, neném. — grunhiu — E você adorará.

Antes que pudesse lutar contra ele, de que pudesse protestar, ele já estava sentado na cama, arrastando-a sobre seus joelhos. Ela esteve a ponto de correr-se ante o domínio embriagador que podia sentir surgindo de Tanner, e o surpreendente prazer que a golpeou ante sua posição total.

Ser açoitada era excitante. Tinham-na dado açoites eroticamente antes; era agradável, mas sem o choque real e o golpe.

Então a mão de Tanner aterrissou em seu traseiro em uma série curta de carícias agudas e ardentes. Não podia as chamar dolorosas. Eram agonizantemente prazenteiras.

—Oh meu Deus, Tanner. Por favor. Não me faça isto. — vibrações de uma aguda e quase orgástica sensação se derramaram por seu ventre.

Dois pequenos tapinhas mais agudos, cada um na curva arredondada, justo por cima da coxa. Roubaram-lhe o fôlego. Estava tão excitada, tão preparada para ele que a primitiva submissão que a invadiu foi como uma droga lhe intoxicando.

A mão dele caiu outra vez. E uma mais. Um golpe em cada bochecha, esquentando sua carne ainda mais.

Scheme sacudiu a cabeça, lançando seu cabelo, tirando-o de seu rosto quando seus olhos se abriram e se encontraram com o homem que permanecia de pé na entrada do banheiro.

Oh, Deus. Estremeceu-se, sentindo seus sucos derramar-se desde sua vagina, lhe esquentando as coxas. Cabal era o gêmeo de Tanner em quase todos os sentidos. Alto, forte, sua expressão era grosseiramente excitada e seu jeans cavavam e amoldavam a impressionante ereção debaixo. E a estava olhando. Seus braços estavam cruzados sobre seu peito duro, seus punhos estavam apertados.

Um espasmo sacudiu seu centro, ondeou para seus clitóris, seu ventre e logo vibrou através dela.

O olhar penetrante de Cabal foi de Tanner ao traseiro de Scheme.

— Não tocarei. — sua voz era selvagem — Mas quero olhar.

Não houve nenhuma negativa por parte de Tanner. Sua mão patinou sobre os ocos de seu traseiro enquanto os olhos verdes de Cabal brilhavam famintos ao olhá-la.

A mão de Tanner caiu outra vez.

— Minha! — grunhiu ele. E uma vez mais ela sentiu o anuncio claramente para sua alma. Então sentiu sua posse no seguinte tapinha carinhoso atirado contra seu traseiro.

E não foi suficiente. Ela o necessitava mais duro, mais quente. Retorceu-se em seu colo, lutando contra seu afeto, suas mãos se afiançaram contra a perna masculina enquanto lutava com ele.

A mão aterrissou com mais dureza.

— Ele pode cheirar sua necessidade. — a voz de Cabal era gutural — Eu posso cheirar sua necessidade.

A mão de Tanner aterrissou de novo, abrasadora contra a bochecha de seu traseiro enquanto ficava rígida e seus olhos se fechavam quando o prazer selvagem a alagou.

Sim, isto era o que necessitava.

Um grito de lamento deixou seus lábios quando a mão caiu outra vez. E outra vez. Ela estava montando um bordo tão afiado, a tanta altura, que quase estava aterrorizada. Quase. Deu-se conta de que o necessitava. A entristecedora necessidade de um toque mais duro, de uma posse mais selvagem que a tinha atormentado durante anos, deixando-a insatisfeita, procurando, ao alcance.

Já não ia buscá-lo mais. Cada palmada nas bochechas de seu traseiro a enviava mais alto, cimentando fogos mais tórridos.

— Caralho, seu traseiro avermelha o bastante. — a voz de Tanner era um grunhido primitivo — Suave e sedoso e de um bonito rosa ardente. Como a saída do sol.

Ela estava mais quente que a saída do sol. Estava resplandecendo como um cometa.

— Como um pêssego. — sussurrou Cabal então com voz quase reverente — Amadurecido e preparado para ser mordido.

Scheme gemeu quando a luxúria de repente a assolou esquentando-a mais, mais brilhante. Nunca tinha feito isto, que ela soubesse. Nunca tinha tido sexo enquanto sabia que outro homem olhava.

A falsa vergonha não estava ali, como teria esperado. O desconforto contra o qual tinha que lutar estava ausente.

Isto não se tratava de sexo somente. Podia ver a necessidade nos olhos de Cabal. Ele tinha sido, até tal ponto parte integrante da vida sexual de Tanner durante anos, ao inundar-se nos prazeres que seu irmão lhe deixou compartilhar, que ele necessitava isto.

Podia senti-lo tão agudamente como sentia as mãos de Tanner em seu traseiro. Cabal necessitava isto quando menos muito. Só por um momento.

E ela o necessitava. Algo para apagar as lembranças de anos de vergonha, o conhecimento de que o que teve com Chaz não tinha sido amor, a não ser uma degradante imposição de controle.

Isto não era sobre controle. Tanner havia sentido de algum jeito suas necessidades desde o começo, e lhe estava dando o que ela desejava ardentemente.

Retorceu-se em seu colo, lançando um grito de prazer, cada palmada a enviava mais alto até que foi somente uma massa de luxúria, necessidade e fome.

Agonizava em seus braços em meio de um prazer que não podia controlar, e pela primeira vez em sua vida, não quis manter o controle.

Scheme se entregou ao êxtase do açoite que se precipitava por seu sistema. As carícias agudas de Tanner eram firmes, depois suaves, gentis e logo ardentes. Cada palmada vibrava em seu clitóris, provocando que se inchasse ainda mais, latente, dolorido. Seus quadris se retorceram sobre suas coxas, apertando-se juntos, forçando a fricção contra o pequeno molho de nervos ao sentir as espirais de liberação construindo-se em sua matriz.

Ia gozar. Podia senti-lo. Ia explodir.

— Lá vai, preciosa. — a voz de Tanner foi tão arruda, tão áspera que resultava primitiva — Sente-o arder. Até o fundo dentro dessa buceta apertada. Sente-o, Scheme.

As carícias agudas eram mais rítmicas agora, uma vibração estável e dura de chamas que começaram a palpitar em seu clitóris.

— Está tão molhada que posso senti-lo em minha coxa — grunhiu — Tão fodidamente quente que vai queimar-me.

Plaf. Plaf.

— Goze para mim, neném. Derrama toda essa doce nata. Quando o fizer, vou desfrutar com cada gota dela.

Ela explodiu. Cordões de relâmpago envolveram seu clitóris, carregando-a de eletricidade, arrancando seus sentidos de sua mente e levando-a a uma explosão de apaixonada e desesperada liberação.

Ouviu seu próprio grito estrangulado enquanto se arqueava nos braços de Tanner, sentindo como os dedos dele forçavam seu caminhou por entre suas coxas, e se inundavam nos limites impossivelmente apertados de sua vagina.

Estava perdendo o sentido. Morrendo. Sua vagina convulsionava, chovendo o sedoso mel de seu gozo até aqueles dedos que empurravam e impulsionavam mais à frente em seu orgasmo.

Estava lassa, estremecendo-se violentamente, e necessitava mais. Oh Deus, ela necessitava mais.

 

O animal estava livre dentro de Tanner. Quando sentiu a onda de gozo empapando seus dedos, e cheirou a completa submissão de seu prazer, a ardente e desesperada necessidade dentro dela, quis deixar livre ao animal.

Era uma parte dele mesmo que sempre tinha temido. Mantinha-o encerrado, oculto, temendo que a liberação o transformasse outra vez na criatura que tinha sido antes que Callan o tivesse salvado.

Não havia maneira de encerrá-lo agora.

Levantando Scheme pelas pernas, a deitou de costas sobre a cama, se ajoelhou no chão e afundou seus lábios entre elas.

Deus, sua buceta era doce. Como a nata. Como calda de açúcar. Pegava-se a seus lábios, corria por sua língua e o fazia beber-se seu sabor.

Ele adorava comê-la. Lambê-la, sugar o pelado clitóris, sentir os suaves e sedosos cachos que cobriam sua vagina e como as redondas coxas lhe apertavam as bochechas, e a maneira em que ela se retorcia debaixo dele e tinha que apertar os dedos em seus quadris para mantê-la imóvel.

Ela não queria ternura, necessitava-o tudo dele. Podia senti-lo, cheirá-lo. Queria ao animal tomando-a, e era uma maldita boa coisa, porque ele não podia refreá-lo.

Lambendo-a, levou o doce sabor de sua nata até sua própria boca, grunhindo pela aditiva doçura enquanto ela vibrava e corcoveava debaixo dele de novo, derramando mais. Ela era toda suave e líquido calor.

As glândulas de sua língua estavam palpitando, tão engrossadas e inchadas que era doloroso. Necessitava o beijo dela. Precisava-a sugando seu hormônio enquanto a fodia.

Tinha que fodê-la. Seu pau estava tão torcido, tão duro que era doloroso. Deliciosamente doloroso.

Arrancando-se do aprimoramento que estava consumindo, empurrou-a mais acima na cama antes de acomodar-se entre suas coxas.

Ele estava ronronando e não havia uma maldita coisa que pudesse fazer para detê-lo. Seus lábios deixaram ao descoberto as presas e os surdos e selvagens sons estavam saindo de seu peito.

Mais que aterrorizar a Scheme, como deveria ter feito, seus olhos marrons brilhavam com outra onda de luxúria, seus quadris se elevaram, os lábios abertos, e o mundo explodiu em uma bruma de incrível e incurável luxúria.

Tanner inclinou os lábios sobre os dela, lançando a língua nas quentes e famintas profundidades de sua boca enquanto introduzia a membro nas pulsantes profundidades de sua buceta.

Doce céu. Era bom. Era o nirvana. Era o êxtase. Moveu os quadris, fazendo círculos, rodando, empurrando o pau dentro dela enquanto os músculos o aprisionavam e o sugavam. Exatamente como sua boca, quente e doce, sugava-lhe a língua.

As mãos dela entrincheiradas em seu traseiro, o corpo arqueando-se para ele, gemidos de fome primitiva saindo de sua garganta enquanto ela o forçava a ir mais profundo.

Deus, não queria lhe machucar. Ele não o queria assim...

O retumbo de um grunhido saiu de seu peito enquanto seus quadris se estrelavam para frente, afundando cada duro e desesperado centímetro de sua ereção dentro dela até o punho. Os testículos, tensos e duros, pressionando contra seu traseiro enquanto ele separava os lábios dos seus para respirar.

Precisava respirar. Pensar.

— Não!

Ela o seguiu, levantando a cabeça, com uma mão enganchada nos longos fios de cabelo, enredando-o e baixando bruscamente sua boca para a dela. Comendo seus lábios, a língua sugando a sua, procurando mais dele enquanto retorcia os quadris.

Estava perdido. Perdido.

Sua língua se inundou na boca dela enquanto seu corpo era controlado por uma só coisa: o animal marcando a sua companheira, tomando-a, deslizando seu membro dentro dela com uma força primitiva e primária.

Não ia durar. Não o suficiente. Queria fodê-la para sempre. Atrasar-se no brilhante calor de sua buceta e memorizar cada sensação que fustigava através de seu corpo.

A próxima vez, se prometeu, ronronando enquanto seus quadris levantavam os dela e se movia para seu pescoço. O hormônio tinha deslizado desde sua língua, mas a necessidade não tinha se aliviado em seu corpo. Movendo os braços por debaixo de seu corpo, embalou-lhe o traseiro com as mãos, ficou sobre ela e lhe deu tudo o que tinha, e nunca tinha dado a nenhuma outra.

Todo ele. Desesperado, grunhindo, levantando-se faminto. Seus quadris se agitaram dentro dela; o suor lhe gotejava do corpo, e seus sentidos enfocados em uma coisa. Só em uma coisa. Scheme.

A excitação dela estava crescendo, açoitando através de seu corpo. Podia sentir aproximar-se seu cume. Só um pouco mais longe, um pouco mais duro. Somente ele podia lhe dar o que necessitava e equilibrar-se às chamas com ela.

Os lábios abertos, os dentes afundando-se em seu ombro enquanto ela se rompia ao redor dele. Sua vagina se fechou, convulsionando, agarrando seu membro e ordenhando-o até que ele não teve opção, nem vontade.

Ele sentiu a lingueta expandindo-se, uma rígida extensão pressionando desde debaixo do capuz de seu membro, travando-se na parte posterior daquelas tensas e apertadas paredes. Ferveu dentro dela enquanto sua liberação se estendia sobre ele.

Profundos jorros de sêmen lhe encheram a ajustada vagina enquanto a lingueta vertia o relaxante e quente hormônio que daria a ela uma pequena pausa da aguda fome.

Tanner deixou a cabeça afundada em seu pescoço, a língua lambendo a dentada que lhe tinha deixado, aspirando seu aroma dentro dele, movendo-se por suas veias, enchendo seu corpo.

O aroma dele.

Tanner grunhiu de satisfação ante a presença da marca sobre o ombro que agora levava uma parte de sua autentica essência. Era dela. Pertencia a ele e só a ele.

Enquanto os últimos pulsantes e desesperados estremecimentos diminuíam em seu corpo, sua cabeça girou, os olhos abertos para ver Cabal que se encontrava na porta do banheiro.

Seu irmão estava excitado, desesperadamente excitado, mas um brilho de satisfação bramou em seus olhos. Cabal podia senti-lo. Tanner sabia, a marca primitiva, a satisfação que resplandecia através dele mesmo e de Scheme.

Enquanto Tanner suspirava de cansaço, o calor se deteve provisoriamente, com seus sentidos repletos, se deu conta de que estava deixando atrás a seu irmão. Outra vez.

Saindo de Scheme, envolveu os braços ao seu redor enquanto ela se abraçava contra seu peito e caía no sono. Descansaria durante um tempo. Logo, teria que assegurar-se de que comesse antes de levá-la a Ely. O teste tinha que ser feito, sabia, embora o odiasse.

Cabal capturou seu olhar enquanto se aproximava da porta, indicando o quarto que comunicava ao outro lado da do Tanner. O quarto de Cabal.

Tanner colocou os lençóis ao redor de Scheme, mantendo-a quente enquanto dormia, antes de levantar-se da cama e vestir-se os jeans.

Descalço, seguiu a Cabal ao outro quarto, movendo-se rapidamente para a pequena geladeira que seu irmão tinha em sua suíte e os sanduíches de frios que ali havia. Encontrou um pão de caixa situado sobre a cesta na pequena mesa junto ao bar, assim como pequenos pacotes de condimentos.

Tirando um prato de papel de debaixo da mesa, empilhou o pão com as fatias de carne, espremeu vários pacotes de mostarda por cima e logo o mordeu com entusiasmo antes de tirar uma cerveja.

— Acredito que não. — a cerveja lhe foi arrancada da mão e substituída por água.

Tanner franziu o cenho.

— O álcool só aumenta o calor de emparelhamento. — lhe explicou Cabal — Por uma vez me escute ou a esgotará mais que o necessário.

Tanner sacudiu a cabeça, mas não discutiu. Tomou o sanduíche e a água e retrocedeu para o marco da porta para controlar a Scheme.

— Saberá se acordar. — comentou Cabal detrás dele — Temos que falar.

Tanner acabou o sanduíche em silêncio antes de beber a água e voltar-se para Cabal.

Dez anos. Tinha passado os últimos dez anos assegurando-se de que seu irmão sabia que era parte de algo. Não exatamente uma família, mas uma parte integral de algo. Durante anos Tanner tinha assumido que eles se emparelhariam com a mesma mulher, continuando como tinham começado quando Tanner havia trazido para Cabal sua primeira mulher. Cabal tinha completado os vinte e cinco e nunca tinha conhecido a carícia de uma mulher ou seu suave beijo. Nunca tinha derramado seu prazer ou tinha cedido ao erótico e exótico aroma do desejo de uma mulher.

— Deixe de te lamentar. — suspirou Cabal — Não é necessário. Isto está bem, e não me sinto excluído.

Os lábios de Tanner se torceram.

— Eu teria me sentido muito rechaçado. — admitiu — Teria ficado puto, Cabal.

Cabal grunhiu uma suave risada.

— Está muito mimado, Tanner. Primeiro Callan e as garotas lhe mimaram. Agora o mundo te consente. Não escutaste a palavra “não” desde que deixou os laboratórios.

— Seguro que o faço. — Tanner fez uma careta — Scheme me diz que não a cada oportunidade que tem.

— Oh sim, ela conta. — Cabal riu entre dentes enquanto se dirigia a seu armário e tirava uma camisa limpa.

— O que aconteceu com sua camisa? — Tanner sabia que vestia uma quando entraram no quarto.

— Está destroçada. — Cabal se encolheu de ombros — A moderação não é meu ponto forte.

Tanner sacudiu a cabeça.

— Então por que ficou e observou?

— Necessitava que alguém te guardasse as costas. — Cabal lhe dirigiu um rápido olhar sobre o ombro — Porque nossos aromas precisavam estar nesse quarto para fazer seu trabalho.

— O teste de Ely provará o emparelhamento. — Assinalou Tanner — Não há maneira de lhe ocultar um segredo.

— Ely não tem que fazer nossos malditos testes. — replicou Cabal — Não em nós. Só em Scheme e só o suficiente para criar o complemento hormonal que necessitará para passar por isso… Se formos mantê-la viva, Tanner, temos que ser cuidadosos. — fúria selvagem brilhou nos olhos de Cabal — Não te perderei, Tanner, e não permitirei que a perca. Vamos apanhar ao bastardo esta vez. Posso senti-lo.

— Não quero te perder mais do que quero perder a minha companheira, Cabal. — lhe advertiu Tanner.

— Não há perigo. — a confiança na voz de seu irmão nunca deixava de surpreendê-lo — Não sobrevivi naquele maldito fosso tanto tempo, Tanner, só para me comer a bala de um assassino. Meus sentidos são mais aguçados que os teus, especialmente agora que está no calor do acoplamento. Com o espião acreditando que nossos sentidos estão apagados, o trabalho será feito com muita mais facilidade. Enquanto vocês dois estão na reunião do gabinete, começarei a comprovar algumas coisas, e vigiarei para ver quem vem escada acima. Não me esperam.

Tanner passava o dedo pelo cabelo enquanto olhava fixamente a Cabal. Tinha sentido. Havia rumores sobre os irmãos, suspeitas de que suas habilidades animais eram muito mais profundas do que ninguém suspeitava. E estavam no certo. Os de Tanner eram mais agudos, um inferno mais agudos que os de muitas castas, mas os de Cabal eram inclusive mais fortes. Tão fortes que algumas vezes se perguntava o que seu irmão sentia em realidade ao redor dele.

Tanner exalou com cansaço.

— Isso não resolve o problema de que você não está com o calor do acoplamento.

Os lábios de Cabal se torceram.

— Não importa, o aroma está em mim. Só um Bengala saberia a diferença, e posto que não há mais Bengalas aqui, não há nenhum problema.

Tanner inalou bruscamente, separando os aromas do quarto e entrecerrando os olhos. O aroma não estava somente em Cabal, era parte dele.

— O que acontece? – perguntou ao outro homem — E não me minta, Cabal. Só me encheria o saco.

— Infernos se sei. — Cabal sacudiu a cabeça com irritação — A fome não está aí, Tanner. Não estou em calor do acoplamento por sua mulher. Mas o aroma está aí, como se se derramasse de meus poros. Só me deixe ver que demônios está passando.

— Necessitamos a Ely. — discutiu Tanner — Poderia ser importante.

— Confiaria-lhe a vida de Scheme? — perguntou Cabal — Melhor responder essa pergunta antes de colocar alguém nisto.

— Temos que colocar Callan nisto. — decidiu Tanner. Merda, estava começando a ser complicado — Não podemos fazer nada sem sua cooperação. Temos que fazê-lo funcionar.

— Faremo-lo funcionar. — a voz de Cabal era dura. Selvagem — Não importa como, Tanner. Faremos isto.

 

Havia poucas vezes em sua vida que Scheme pudesse dizer que tinha sido advertida sobre o inferno no que estava a ponto de entrar. Até que chegou ao Santuário.

Tanner, Cabal e Callan lhe tinham advertido sobre o exame que precisava permitir. Era um exame. Quão doloroso poderia ser um singelo exame? Algumas amostras de sangue, algum cotonete, uma espetada aqui e lá. Nada do outro mundo.

Agora, algo lhe tinha advertido. Recusou-se a comer até mais tarde. A visão de sangue sendo tirado do braço sempre tinha o poder de pô-la ligeiramente enjoada. Era muito mais cômodo sem alimento pesando no estômago.

Mas tinha comido, e não teve jeito de mantê-lo em seu estômago. A dor não tinha sentido, nem sequer depois da explicação. Que o hormônio de emparelhamento das Castas deixava sua carne tão hipersensível que ninguém além de seu companheiro podia tocá-la. O seguro da natureza, teorizou o médico da casta, para assegurar-se de que os companheiros tivessem tempo de vincular-se emocionalmente enquanto o hormônio trabalhava para certificar-se de que a pequena quantidade de esperma-compatível com humanos tivesse uma oportunidade de fertilizar os óvulos femininos que o hormônio forçava a produzir nos ovários. Óvulos cujo DNA era alterado pelo hormônio, a qual atuava como um vírus a nível genético. O processo era semelhante ao que se usou para trocar o esperma humano durante as modificações genéticas para criar às castas.

Ela se tinha convertido em um dos experimentos da natureza; infelizmente, seu corpo era um terreno defeituoso de provas.

Ainda tinha arcadas secas, longos minutos depois de que a médica, anteriormente uma cientista instruída pelo Conselho, Elyiana Morrey, terminasse seu exame.

Tanner estava de pé a um lado da maca onde Scheme estava ainda sentada, Cabal estava apoiado contra a parede do outro lado do quarto. Ambos os homens estavam tensos, também perigosos. Teria sido difícil dizer quem era seu companheiro pela maneira em que os dois homens atuavam.

— Precisa sair. — disse Scheme a Tanner, ficando mais nervosa a cada minuto com o sutil retumbar de um grunhido em seu peito — Os dois. — Cabal não estava muito melhor.

— Vá se acostumando. — o sorriso de Ely era cálido, talvez um pouco desconfortável, enquanto olhava aos dois castas — As castas se tornam mais intensas quando se emparelham.

Scheme estava cansando-se dessa palavra. Companheiro. Provavelmente amasse a esse louco casta, mas estava a ponto de matá-lo. A palavra emparelhar-se a irritava muito mais. Porque ele não a tinha advertido. Porque ele a tinha tomado, voltando-a louca de necessidade e então decidiu trocar todas as regras do jogo e jogar com ela sem estar disposto a lhe permitir participar. Ela tinha atravessado o inferno mais de uma vez em seus esforços por encontrar a identidade do espião de Cyrus. Agora, Tanner e Cabal queriam envolvê-la em algodão e mantê-la fora do último confronto perigoso que todos sabiam que ia começar.

— Não quero me acostumar a isso. — chiou enquanto continha às arcadas secas e agarrou com mais força o lençol que lhe cobria os seios — Terminou? Posso me vestir?

— Necessita uma injeção hormonal primeiro. — discutiu Ely — Embora Tanner e Cabal sejam médicos treinados, assim posso permitir que um deles lhe aplique. Assim não causará nenhuma dor.

Ela levantou o olhar para Tanner, olhando como sua mandíbula se flexionava. Quando Ely se girou para ele com a seringa, Cabal tinha caminhado para a porta do quarto de exame, parecendo escutar algo no corredor.

— A porta está fechada, Cabal. — lhe informou Ely, não pela primeira vez.

Cabal continuou parado lhes dando as costas, a cabeça inclinada enquanto Tanner tomava a seringa.

— Na parte superior do braço vai bem, Tanner. — lhe instruiu Ely.

Com dois dedos, Tanner esticou a carne apertada; então colocou a auto-injetável contra a pele. Logo que houve uma sensação de calor antes que a levantasse e a devolvesse Ely.

— E estes hormônios o que fazem? — perguntou Scheme com cansaço.

— Aliviam o calor do acoplamento. Terei as cápsulas preparadas pela manhã. Uma ao dia, com alimento se não te importa. — ordenou Ely — O calor do acoplamento pode te deixar indefesa, incapaz de funcionar ainda sob as circunstâncias mais pacíficas, só ante as surpresas que às vezes temos no Santuário.

— Já terminou o exame. — anunciou Ely — Pode te vestir e ir.

Scheme se deslizou da maca.

— Scheme. — Ely a deteve quando se afastou um passo. Voltando-se para a outra mulher, Scheme viu como o olhar da doutora piscou com indecisão — Foi muito valente da sua parte, o que tem feito durante os últimos dez anos.

— Valente? — Scheme sacudiu a cabeça ante a palavra — Não foi valentia, doutora Morrey, foi medo. Ele não parará até que o mundo se incline ante o Conselho de Genética. Isso é o que temo. A valentia não teve nada que ver com isso.

Ela tinha sido gerada por um monstro. Uma criatura tão malvada, tão imoral, que não podia encontrar sentido.

As castas eram animais, ele sempre o disse. Criações. Não tinham almas e, portanto não sentiam nada exceto a dor. Eram armas, instrumentos, e como tais não tinham direitos, nem a uma morte pacífica.

— Entretanto você o fez. — Ely se encolheu de ombros — Tomou uma quantidade incrível de valor. E lhe agradecemos por isso.

E isso fez com que Scheme se sentisse extremamente incomodada. Agradeciam-lhe por quê? Pelas castas que tinham morrido porque ela não foi o bastante rápida, o bastante preparada ou nem o suficientemente engenhosa para salvá-los? Não necessitava agradecimento pelo que tinha feito, porque havia muito mais que não tinha podido fazer.

Mas em vez de discutir o assunto, ela só assentiu tensamente antes de mover-se atrás do biombo para tirar a bata do hospital e vestir-se. Colocou o moletom cinza, bordado com o lema das castas na frente e subiu as mangas pelo braço impacientemente.

Em vez de pensar em Cyrus Tallant e no que ela não podia mudar, Scheme escolheu concentrar-se na irritação que lhe subia por dentro. Começou com as roupas que Tanner havia lhe trazido. Se não se concentrasse em algo mundano, então perderia os últimos resquícios de controle sobre a preocupação e o temor de que algo ia falhar em salvar David Lyons, como tinha falhado em salvar a seu próprio filho.

Assim pensou nas calças de moletom. Algo que ela nunca, jamais usava. Odiava os tecidos abrasivos. As calças de moletom eram abrasivas. Colocou as meias três-quartos aveludadas ultra-suaves nos pés e esperou poder encontrar alguma roupa decente hoje.

Os tecidos suaves a acalmavam. Acariciavam-na com consolo. Eram suportáveis e a alegravam.

— Quero ir às compras. — saiu da área da cortina e encarou Tanner e Cabal — Preciso de roupa.

O olhar de Ely a transpassou quando deu um passo por detrás da tela.

— As calças de moletom parecem bem.

— Não são cômodas. — puxou o tecido ajustado e áspero — Necessito algo suave. Onde está minha roupa? — olhou ao Tanner.

Ele fez uma careta.

— Cabal não a trouxe.

Cabal passou a mão pela face, ocultando obviamente um sorriso enquanto afastava o olhar.

Ela elevou um olhar escuro para Cabal.

— Meu pequeno gatinho rajado. — cantarolou — É carne morta.

Cabal arqueou a sobrancelha.

Ela não estava à vontade com Cabal fingindo ser seu companheiro também, mas sempre que ele estivesse, podia divertir-se ao menos com isso. Suas oportunidades de entretenimento ligeiro minguavam rapidamente.

Captou um olhar surpreendido de Ely.

— Não viu as raias? — abriu os olhos de par em par. Obviamente, Ely não tinha visto Cabal sem sua camisa — São assombrosamente eróticas.

E se não estava equivocada, o mais ligeiro dos rubores estava tingindo as bochechas de Cabal. Interessante. Apesar de tudo o que se dizia que ele e Tanner faziam com as mulheres, ainda podia ruborizar-se.

— Vi as raias. — suspirou Ely — Só espero que Jonas esteja equivocado e estes dois demônios não tenham emparelhado com a mesma mulher. Compartilhar é bom e tudo o mais, mas o leva ao extremo.

— Parece desaprová-lo, Ely. — franziu o cenho Scheme — Este zelo do emparelhamento é biológico, certo? Não é como se eles pudessem evitá-lo. Ou podem? — jogou a ambos os homens um olhar suspeito, embora seu olhar se atrasasse mais no Tanner e prometia castigo.

— As castas não podem controlar o calor do emparelhamento, Scheme. — esteve de acordo Ely enquanto cruzava os braços diante de sua bata branca de laboratório e olhava aos três com um cenho — Isto só é algo que tinha esperado que não acontecesse. Especialmente à luz do fato de que nenhum dos dois me permitiria examiná-los, ou tomar seu sangue.

A expressão de Cabal chegou a ser inexpressiva, a de Tanner resignada.

Agora, isto era interessante.

— Por quê? — perguntou-lhes ela a ambos.

— Eu não gosto das agulhas. — os dois responderam ao mesmo tempo. Uma resposta muito bem ensaiada.

— Hmm. — murmurou incredulamente — Podem explicar isso no quarto. Enquanto faço o pedido de roupa.

Se ia correr o risco de morrer pela mão de um assassino, ia fazê-lo em seda, não em moletons ásperos. Uma pessoa necessitava um pouco de estilo, ainda na morte.

— Ely, espero que não precise fazer isto outra vez. — observou Tanner enquanto Scheme se dirigia à porta. Sua voz não soava aliviada.

— Uma semana. — anunciou Ely — Mas esse então, será mais fácil para ela.

Tanner fez uma careta.

— Melhor que o seja.

— Cada companheiro de uma casta tem um exame semanal, sem importar nada. Enviarei-te o horário dele nos próximos meses em um par de dias.

Tomando o braço de Scheme, Tanner se moveu para a porta enquanto Cabal a abria e a conduzia ao vestíbulo.

— Onde, agora? — hoje tinha sido arrastada de uma ponta a outra da majestosa mansão. Na casa de estilo sulino de um século de idade, tinham acrescentado várias alas e, ainda agora, estavam sendo acrescentadas mais pelas castas. O desenho elegante e estendido aceitava as adições facilmente, mas tinha que caminhar muitíssimo quando lhe mostravam isso.

— Disse que necessitava de um pouco de roupa. — lhe recordou Tanner muito brandamente.

— Sim. Disse. Mas você não parecia inclinado a ir às compras naquele momento.

A mão se apertou contra suas costas em advertência. Como se ela não soubesse que vigiavam o que dizia. Não era uma completa imbecil. Tinha sobrevivido à traição de seu pai durante dez anos, isso a deveria qualificar como engenheira nuclear.

— Então aonde vou às compras? — perguntou-lhe, sua voz doce, seu olhar prometia vingança se ele não parasse com a rotina do grande casta mau.

— Qual é seu desenhista favorito? — perguntou enquanto se moviam pelo primeiro andar da propriedade.

— Vilado. — respondeu, nomeando ao exclusivo desenhista italiano pelo que tinha debilidade.

— Exceto Vilado.

Certo, não o tinha imaginado?

— Por que não me diz minhas opções? — suspirou enquanto ele a dirigia à escada curva que levava ao primeiro andar e a sua suíte. Atrás deles, ouviu a risada dissimulada de Cabal.

Tanner nomeou três opções menos satisfatórias. As maiores cadeias eram caras e de baixa qualidade. Fez uma careta descontente com os lábios, mas se recordou que ao menos poderia encontrar algo que a faria sentir-se menos como uma coisa desprezada.

— Pode me dar seu tamanho e chamaremos o outlet em Richmond. Terei a um dos pilotos voando e recolhendo a roupa. Voltarão no final da tarde. — anunciou quando entraram no quarto.

E veio a surpresa.

— Ah, aqui está, Tanner. — esgotada, parecendo ligeiramente desequilibrada e culpada como o inferno, a ajudante feminina de Tanner, Jolian Brandeau, endireitou-se de cima dos papéis, em uma mesa colocada no meio da pequena área dentro do quarto. Jolian, ou Joley, comparecia às coletivas de imprensa com o Tanner, embora raramente tivesse muito que dizer.

Tanner empurrou Scheme detrás dele rapidamente, esticando o corpo e com um grunhido retumbando em sua garganta enquanto a morena ajudante empalidecia, os olhos azuis piscaram solenemente detrás de um par de óculos de linhas magras.

— Jolian, que demônios faz aqui dentro? — Cabal os rodeou, seu corpo vibrava com ira quando encarou a jovem mulher arredondada e baixa que lhe olhava fixamente com uma piscada de sua própria ira.

Essa ira retrocedeu rapidamente quando ela piscou uma vez mais, lhes olhando então com uma insinuação de confusão.

— Procurava as notas que Tanner tomou, faz algumas semanas na entrevista que queria fazer com o National News. — agarrou as mãos diante dela, entrelaçando os dedos nervosamente — Disse que estavam aqui dentro. — ondeou a mão nervosamente ao redor do quarto.

— E não podia me perguntar por elas, por quê? — perguntou Tanner brutalmente.

Ela se lambeu os lábios enquanto Scheme se retorcia e olhava a jovem casta.

Jolian Brandeau. Era uma casta pantera que os laboratórios franceses tinham criado e tinham declarado um fracasso em quase toda área em que tinha sido testada. Scheme a reconheceu facilmente. Sempre era silenciosa quando acompanhava a Tanner em uma entrevista ou durante um comunicado de imprensa. De apenas um metro e sessenta, arredondada quando as outras castas eram ágeis e bem tonificadas. Scheme acreditava que recordava a idade da garota como vinte e quatro, assim como sua instrução: infiltração.

Tanner e Cabal obviamente o recordaram também.

— Não tem autorização para estar aqui em cima, Jolian. — lhe recordou Tanner duramente.

Jolian meteu o cabelo liso detrás de uma orelha, trocou de postura e deixou cair o olhar ao chão.

— Não, senhor. — sussurrou antes de piscar um olhar miserável para Cabal.

Nem sequer atuava como uma casta. Atuava como uma suave, carinhosa e pequena mescla. Se esta garota era uma espiã, então era a espiã menos provável em que Scheme tinha pousado seus olhos alguma vez.

— Não queria chatear a entrevista, Cabal. — girou-se para Cabal antes que fazer frente a Tanner — Pensei que poderia conseguir as notas. Esqueci-as antes que Tanner saísse e sabia que estaria chateado.

— Está inclusive mais chateado agora. — a voz de Tanner desceu de uma forma rouca e primitiva quando a porta do dormitório se abriu de repente e Dawn entrou em passos longos vestida com o uniforme das Forças Especiais, com várias outras castas fêmea flanqueando-a, as armas em punho.

— Você apertou o alarme, Tanner? — Dawn olhou fixamente a Tanner, tão confusa como Scheme. Onde infernos estava o alarme?

— Oh, Deus. — cochichou Jolian, olhando fixamente a Cabal implorando agora — Juro por Deus, Cabal, que só procurava essas notas.

Jolian parecia como se fosse começar a chorar a qualquer momento.

— Estava aqui em cima sem autorização. — não havia sombra de remorso na voz de Tanner — Leva-a para baixo até que a possa interrogar.

— Jolian? — Dawn olhou fixamente a Tanner assombrada antes de voltar a olhar a jovem casta — Procurando em seu quarto?

— Cabal? — Jolian cochichou seu nome fracamente — Só estava procurando essas notas.

Scheme olhou a Cabal. Sua expressão era hermética, fria enquanto a olhava.

Repetiu a ordem de Tanner.

— Leva-a para baixo, Dawn. E lhe ponha um guarda.

O rosto de Jolian empalideceu, os olhos azuis se obscureceram com algo semelhante à angústia. Scheme conhecia bem esse olhar. Traição. Se ela era uma espiã, então não estranharia nada que tivesse permanecido oculta no Santuário tantos anos.

— Vamos, Jo. — Dawn sacudiu a cabeça enquanto a agarrava pelo braço, com confusão e uma sombra de incredulidade nos olhos quando olhou à garota mais baixa — Vamos descer. Estou segura de que solucionaremos tudo isto.

Dawn olhou fixamente a Cabal durante um comprido e silencioso momento, até que lhe deu as costas e se moveu para parar-se ao outro lado de Scheme.

Interessante. Muito interessante.

Os ombros de Jolian caíram antes de levantar seu olhar para Tanner.

— Deixou suas notas sobre a mesa. — disse fracamente — As esqueci. Não queria te decepcionar outra vez.

— Então deveria ter me pedido isso.

— Vamos, Jo, resolveremos isto lá em baixo. — Dawn a dirigiu para a porta antes de olhar a Tanner — Não tome todo o dia, certo? Tenho trabalho a fazer, e se não o fizer, não vou estar de bom humor.

Tanner a repreendeu então.

— Está alguma vez de bom humor? Estarei lá em baixo mais tarde. Assegure-te de que Jonas esteja por aí também. Preciso falar com ele a respeito da falta de cuidado de seu guarda em permitir pessoal não autorizado no nível familiar.

A porta se fechou detrás de Dawn com um golpe enquanto Scheme sentia a tensão procedente de ambos os homens agora.

— Não é ela. — murmurou Scheme quando Tanner foi ao armário, tirou de um puxão o detector eletrônico de microfones de dentro e começou a passá-lo pelo quarto.

Cabal se moveu a mesa e começou revisar os pequenos montes de papel dali.

— Não sabe se é ela ou não. — respondeu Cabal, com voz rouca — Não viu nenhum nome nesses arquivos, recorda? E ela foi treinada em infiltração.

— E falhou. — Scheme pôs os olhos em branco com exasperação — Tem alguma ideia de quantas ordens para matar essa garota rompeu? Falhava em cada programa em que a punham. Que idade tem? Vinte e quatro agora? Teve sorte de não lutar durante os resgates. A garota se aterroriza até de sua própria sombra.

— Não, não é ela. — Cabal lançou um caderno ao assento de dois lugares do lado — Aqui estão as notas da entrevista. — seu olhar frio enquanto olhava Scheme — Não deixe que te engane. Vi-a quando ninguém a olhava. É mais organizada quando pensa que está sozinha.

Scheme sacudiu a cabeça.

— Não é ela.

— Deixe. — ordenou Tanner firmemente — Não sabe quem é e nós tampouco.

— Cabal encontrou as notas que estava procurando. Essa pobre garota, quase se assustou a morte, sabe.

— E ela poderia ter te matado, merda. — Tanner a agarrou pelo braço, girando-a para que lhe encarasse, enquanto a fúria em seus olhos a golpeava — Pare de proteger a alguém do qual não sabe nada.

— E pare de me tratar como uma imbecil que não sabe mais que essa pequena Pantera despistada que acaba de aterrorizar. — soltou-se de um puxão, andando a passos longos através do quarto antes de enfrentar a ambos com fria resolução — Sou uma analista de perfis, Tanner. Conheço meu trabalho. E sei que essa garota jamais tentaria espiar a alguém. As malditas notas estavam na mesa, justamente como disse.

— Conveniente. — o lábio se levantou em um grunhido.

— Conveniente ou não, está equivocado. Conheço meu trabalho, e sei que não é ela.

— Bem, conhece seu trabalho, Senhorita Analista. — grunhiu — Usa-o. Amanhã de noite, Callan e Merinus vão dar uma pequena festa por nosso emparelhamento e próximo matrimônio. Encontre o nosso espião, logo deixarei de suspeitar de cada casta treinada em espionagem e infiltração que apanhe em minhas áreas privadas. O que te parece isso?

— Que vou dormir sozinha esta noite. — lhe informou docemente — Malditamente bem.

— Dormir sozinha? — cruzou os braços sobre o peito enquanto olhava à cama — Segue e tenta-o, carinho. Já está ardendo tão fodidamente por mim como eu por ti. Não passarão nem dez minutos antes que te tenha de costas e meu membro esteja enterrado tão profundamente em seu corpo como possa.

O rosto de Scheme flamejou quase tão quente como seu corpo.

— Cretino. — disse bruscamente.

Tanner grunhiu, jogando atrás os lábios e mostrando os dentes enquanto se empurrava os dedos pelo cabelo negro clareado pelo sol que lhe caía ao redor do rosto. Cabal grunhiu antes de mover-se à porta que conectava as duas suítes.

Não falou. Não disse adeus, vá para o diabo, verei-te mais tarde nem nada semelhante. Quando entrou em seu próprio quarto, fechou a porta tão silenciosamente que ela não ouviu nem o entalhe do trinco.

— Olhe. — Scheme por último inalou profundamente — Só lhe dê o benefício da dúvida antes que a condene. Pediu-me que confiasse em ti, agora te estou pedindo que confie em mim. Estou-te dizendo, que se enfiar a essa menina em uma cela e a aterrorizá-la, arrependerá-te.

— Lamente as possíveis consequências se não o fizer. Sua morte. — indicou.

— Confie em mim, Tanner. Ela não é seu espião.

— Está disposta a apostar sua vida nisso? — perguntou-lhe então.

Estava-o? Estava ela certa para arriscar-se por uma casta que só conhecia pelos arquivos de laboratório? Relatórios do laboratório cheios de fracassos, castigos, e anos vivendo com o conhecimento de que morreria por causa desses fracassos. Inclusive os psicólogos atribuídos para tratar de reparar o que estivesse quebrado dentro da garota para fazê-la produtiva não tinham podido arrumá-la.

Jolian Brandeau era uma das poucas castas que se destacavam claramente na mente de Scheme. Porque tudo em suas primeiras análises psíquicas tinha indicado uma fêmea casta forte e regulável. Mas nada em seu desempenho o tinha demonstrado.

— Neste momento. — respondeu por último — Não estou disposta a apostar minha vida por ninguém exceto por você e pelo Jonas. Mas algo me diz que você e Cabal caminham por uma linha muito fina com esta menina, porque rompê-la seria mais fácil do que acredita.

— E o diz por causa de seus arquivos. — indicou Tanner — Arquivos que poderiam ter estado equivocados, Scheme. Podia cheirar sua culpa enquanto ela estava aqui na nossa frente. Podia cheirar suas tentativas de ocultar algo. Os arquivos nem sempre são certos.

— Não, digo-o por causa de seus olhos. — disse ela brandamente — Tem olhos muito, muito tristes, Tanner. E o que quer que fosse que estava passando aqui, o que quer que ocultasse, não era um intento de matar. Sua atitude dura com ela a feriu. Isso não é algo que possa ser fingido tão facilmente como pensa. Não te centre nela e arrisque deixar passar a verdadeira ameaça.

— Não deixarei passar nada. Nem a ninguém. — antes que lhe pudesse evitar, teve-a em seus braços; puxou sua camiseta enquanto a apertava contra o respaldo do sofá, tirou a camiseta por cima da cabeça antes de ir para as calças — Porque morreria sem isto.

A mão se enfiou entre as coxas, fazendo-a levantar-se sobre as pontas dos dedos quando a sensação golpeou em seu interior. Prazer. Oh, Deus, o prazer era tão intenso que às vezes sentia que morreria.

— Sente isto. — grunhiu, os dedos massageando a carne molhada, acariciando-a, enviando milhares de sensações por todas as terminações nervosas — Sente-o, Scheme. Quer perder isto para sempre?

Antes que ela pudesse responder, antes que pudesse formar uma resposta coerente, os lábios de Tanner estiveram sobre os seus e a apoiava contra o respaldo do sofá, abrindo-lhe as coxas, liberava seu membro e o pressionava entre as dobras saturadas de seu sexo.

Ela envolveu os braços ao redor de seu pescoço, apertou-lhe os quadris com os joelhos, enquanto ele começava a empurrar dentro dela. Acariciava-a, esticava-a. E atava sua alma mais forte a ele.

Ela o podia sentir cada vez que a tocava. Cada vez que sentia seu beijo nos lábios, encantando-a, sorvendo a paixão que se elevava entre eles, mais quente, mais selvagem, mais intensa que nada que ela tivesse conhecido alguma vez em sua vida.

Sim, o calor do acoplamento lhe roubava o controle. Mas Tanner lhe tinha roubado seu controle antes que este calor tivesse começado. Tinha-lhe roubado o coração. Não importava o que viesse mais tarde. Não importava o que acontecesse no futuro, sabia que tinha encontrado algo mais que o desejo cegador e a ardente luxúria.

Tinha encontrado ao Tanner.

Tinha encontrado a confiança.

Quando os quadris se moveram entre os seus, a língua a saboreou, permitiu saborear a ele. A combinação de rico e escuro desejo, e paixão tormentosa lhe encheu os sentidos. O sabor dele era delicioso. Necessitava mais. Desejava mais.

A pélvis lhe acariciava o clitóris com cada golpe, esfregando, sensibilizou-o quando seu membro começou a golpear dentro dela, empurrando tão duro e fundo que ela chiou seu prazer no beijo. Gritando, rogando com cada grito, logo afastando os lábios dos dele quando o orgasmo estalou, atravessando-a.

O prazer foi rico e quente, derramando-se por ela com a força de uma onda e deixando-a tremendo, estremecendo-se depois de um orgasmo ao qual ainda não podia acostumar-se. Assim era sempre. Cada vez que ele a tocava, tomava e a possuía. Desenfreadamente lhe chegava à alma. Uma satisfação profunda e uma intimidade que a sacudiam até seu centro.

— Tome cuidado, merda. — ofegou em seu ouvido, logo a acariciou com as mãos enquanto a levantava e a levava a sua cama — Por favor, Deus, Scheme, me deixe te proteger. Deixe-me te manter a salvo.

Sorriu-lhe quando se tombou e a puxou mais perto dele, colocando-a contra seu corpo empapado de suor e seus braços a sustentavam apertadamente, possessivamente.

— E se te deixo ajudar a me proteger? — perguntou ela então — Não me descarte, Tanner. Sobrevivi dez anos na propriedade de Tallant. Não posso simplesmente ficar escondida e esperar que você arrume tudo agora.

— E eu não posso aguentar o pensamento de que corra perigo. — discutiu ele — Seu pai não se deterá ante nada para te matar, Scheme. Isso é certo. Não matou a nenhuma casta sem provar que era um fracasso. Não mata a sua gente sem a prova da traição. Agora sabe que o traiu. Não perderá a oportunidade de te eliminar.

— Mas terá que fazê-lo pessoalmente. Sou sua filha. Não tolerará que outro me mate. Não depois de que escapasse de Chaz. Chaz era o único no que confiava para me matar com misericórdia, além dele mesmo. Terá que fazê-lo pessoalmente, Tanner. Nada mais o satisfará.

Ela tinha pensado muito nisso, considerado cada possibilidade e a localização do espião no Santuário. Era perigoso, e sempre havia o risco de que pudesse estar equivocada, mas nunca tinha estado equivocada antes, apesar de seus deliberados enganos. Era melhor analista do que seu pai compreendia. E sabia, além de sombra de toda dúvida, que Cyrus teria que matá-la ele mesmo. Ele possivelmente não se deu conta, ainda. E Tanner possivelmente não acreditasse. Mas quando tudo se derrubasse, comeria a seu pai vivo. Teria que castigá-la ele mesmo. Era seu pai. Ninguém mais tinha esse direito.

— Ele nunca te tirará do Santuário. — jurou Tanner.

Ela esperava que não pudesse. Mas conhecia seu pai, e sabia que tinha conseguido fazer muitas coisas que outros tinham acreditado impossível.

 

O Santuário era uma mistura entre uma comunidade liberal e um acampamento armado. Os doze acres do complexo principal estavam rodeados por uma grossa cerca de ferro com guardas postados. Fora dessa zona, pequenas cabanas espalhadas, em um ordenado abandono. As montanhas rodeavam o imóvel principal.

As cabanas estavam construídas para mesclar-se com o bosque, mais que obrigar ao bosque a acomodar-se às pequenas cabanas. Tudo estava pulcro e ordenado no exterior, mas Scheme sabia que no interior, as almas dos que viviam aqui gritavam ante os horrores dos que tinham escapado.

Não tinha transcorrido tanto tempo dos resgates das castas. Muitos ainda andavam frequentemente como se não estivessem seguros de sua liberdade, sempre olhando sobre o ombro, agachando-se ante o menor sinal de perigo. E muitos eram tão jovens.

A maioria das castas sobreviventes estavam no começo dos vinte quando foram resgatados. Quando as castas cresciam, o Conselho aprendeu, que eram muito mais difíceis de controlar. Era extremamente raro para uma casta de qualquer espécie sobreviver além dos trinta. Como se essa idade pulsasse algum clique mental neles, tornando-os mortíferos.

— A zona cercada aloja a casa, as comunicações, as provisões, as armas e a garagem. —Tanner assinalou os edifícios — Seth Lawrence, o acionista majoritário das Indústrias Lawrence, proporcionou-nos a maior parte dos fornecimentos para os edifícios.

— E as Indústrias Vanderale proporcionam as armas, os veículos e os acessos a satélites. —terminou Scheme por ele — Isso além de várias corporações que doam dinheiro anualmente para comida, roupa, viagem e outros gastos. O Santuário também cobre recursos com as exorbitantes tarifas que cobra pelo apoio de castas em uma variedade de operações militares e privadas. O Santuário se inteirou que tem vários artistas excepcionais que, através de suas pinturas e desenhos hão descrito os horrores que as castas suportaram em cativeiro pelo mundo, ganhando o apoio internacional.

Oh, como Cyrus Tallant odiava essas pinturas e os altos preços que alcançavam.

— É muito boa. — suspirou ele.

— Infelizmente. — contemplou os jardins principais. Detrás da casa, uma piscina, um pátio e uma pequena zona de jogos para os meninos tinham sido cobertos com uma tela de camuflagem como medida de segurança para os habitantes da casa. Mas nada era infalível.

— Por que permanecem aqui? — perguntou ela — Vanderale ofereceu às castas uma considerável porção de terra na África. Os conflitos se acalmaram, e a terra de Vanderale sempre foi segura. Por que não mudar-se?

— Temos o direito a viver. — respondeu Tanner — Não temos por que nos esconder, Scheme. Esconder-nos não nos fará mais aceitáveis ao mundo.

— As guerras raciais nunca foram fáceis de ganhar. — assinalou ela — Esta guerra pode voltar-se mais brutal que nenhuma outra na história. Muitas castas podem morrer, Tanner. E não restam muitos.

— Podem morrer. — sua expressão se voltou predadora — Se o tivermos feito bem, a propaganda fará por nós o que nunca fez por outros conflitos raciais. Teremos êxito. Faz vários anos cercamos conversas com as castas de Lobos Avermelhados que soubemos que também tinham escapado. Com a casta livre de Coiotes, que são várias centenas.

— Trezentos e quarenta e cinco o mês passado. Também perderam a muitos de seus membros nos últimos anos. Juntos, seus números logo que alcançam uma milhar. O número de puristas e membros da sociedade da supremacia cresce por dias.

— Sobreviveremos a esta batalha, Scheme. O apoio popular diz tudo, e nós o temos.

— E simplesmente decidiu isto porque é a maneira que querem que aconteça?

— Porque somos o bastante fortes. — conduziu-a ao redor da lateral da casa enquanto Cabal se movia com cuidado detrás deles — Somos o suficientemente fortes para manter o apoio que temos e fortalecê-lo. Fizemos coisas importantes para vários governos e demonstramos nossa humanidade. Estamos ganhando a batalha.

— O que tem os meninos? — perguntou ela com cautela — Aqui estão isolados. David, o filho de Callan, estuda em casa, e não tem a oportunidade de relacionar-se com outros meninos. Isto é perigoso.

— Aonde quer chegar, Scheme? — estava irritado e começava a ficar mais em momentos.

Scheme conteve um sorriso. Sabia exatamente por que estava irritado. Podia notá-lo, o calor aumentava em seu interior. Podia-se ser assim tão mau com o suplemento, perguntava-se o que aconteceria sem ele.

— Meu estudo sobre a sociedade, relações e conflitos raciais me mostraram uma coisa. Sem uma interação real, as castas nunca formariam parte da sociedade. Olhe ao passado. Quando as nações conquistam outras, o que é o que fazem primeiro? Os soldados se casam ou violam aos conquistados e procriam com suas mulheres. As castas parecem ter êxito aqui. Mas a verdadeira interação, o serem aceitos, começa na infância. Os meninos dessas nações mescladas, relacionam-se, trabalham juntos e lutam juntos. Vocês não têm isso.

— Temos menos de meia dúzia de meninos nascidos dos acoplamentos. Não tem sentido construir escolas.

— Deveriam ir às escolas públicas. — deteve-se e o contemplou — Cada menino das castas deveria estar na escola e aprender a interagir. Não deveriam ser treinados para matar; precisam ser treinados para evitar o conflito de raças, ou neste caso, o receio das espécies.

Seu olhar estava entreaberto.

— É um longo caminho.

— Então a paz estará ainda mais longe. — lhe informou desoladamente — A razão pela qual era valiosa para a organização de Tallant é o fato de que posso ver as ameaças ligadas aos eventos. Onde cortá-los, onde reforçá-los. Porque conheço o perfil da gente e os sucessos. Se não começarem a fortalecer essa crítica ameaça agora, então estarão fodidos.

— Num minuto nos diz que David está em perigo de ser sequestrado pelo Conselho a qualquer momento, e no seguinte nos diz para envia-lo à escola pública. — a acusou.

Ela se encolheu de ombros filosoficamente.

— Os filhos do Presidente frequentaram à escola com os agentes do Serviço Secreto atrás. Criando um Corpo só para o amparo destes meninos. Seria fácil de fazer. Buffalo Gap, o povoado aos subúrbios do Santuário, é muito pequeno. Construímos uma nova escola, damos-lhes recursos, levamo-lhes os fornecimentos que necessitam para educar melhor a seus filhos, e cooperarão contigo.

— O que fará com que o povoado cresça. — discutiu, seus olhos dourados redemoinhando de frustração — O qual provê um terreno fértil para o Conselho para situar a seus soldados e assassinos.

— Esse é o risco que toma quando te mantém nos Estados Unidos em vez de te esconder na África. — virou-se para ele, contemplando-o com determinação — Têm castas que podem ser treinados para ensinar na escola. Vários arquivos que li os assinalavam como perfeitos professores. Não só foram treinados para matar; foram treinados para ensinar. Ponha a disposição para a nova escola com os novos fornecimentos e melhores oportunidades. Até que o faça, as castas nunca encaixarão, Tanner, e agora mesmo o tempo é crucial para evitar que as sociedades de sangue puro ganhem terreno.

Não mencionou o calor do acoplamento, mas sabia pelo que Jonas havia dito nas cavernas que esse era o segredo mais destrutivo das castas. Se Cyrus alguma vez obtivesse essa informação, destruiria às castas com isso.

— O Gabinete das Castas se reúne mensalmente para contribuir com ideias. — disse ele então — Pode comparecer à reunião e propô-lo.

Os lábios dela se torceram.

— Já posso ver o Jonas aceitando-o, e muito menos aos pais desses meninos. As castas são muito teimosas, dei-me conta.

— Igual a você. — agarrou-lhe o braço, voltando-a para a zona protegida e camuflada mais à frente detrás da casa — Tudo o que tem que fazer é lutar por isso.

Teria uma oportunidade se ela tivesse a esperança de ter filhos.

— Lute por isso. — lhe sussurrou um segundo depois.

Scheme afastou o olhar com brutalidade, contemplando em seu lugar os salpicados raios de sol que atravessavam a rede do pátio.

— Tanner. — começou a protestar.

— Scheme. — abateu-se sobre ela. Seu enorme corpo parecia rodeá-la enquanto a fazia retroceder a uma pequena gruta de arbustos em flor.

— Não quero morrer, sabe. — lhe espetou, frustrada pelas necessidades de seu próprio corpo e a necessidade de inteirar-se de tanto quanto podia para descobrir a identidade do assassino do Santuário — Isto não facilita meu trabalho.

— Não quero que faça seu fodido trabalho. — lhe grunhiu — Quero que volte para casa. Quero-te a salvo até que isto se acabe.

— E como se supõe que vai acabar? — vaiou-lhe em resposta — Posso ajudar.

— Não até apanhar ao espião.

— Eu sou a única que pode trazer o bastardo à luz. — seu sussurro foi frustrado — Não tentará me matar; tratará de me apanhar. Tratará de fazer um intercâmbio comigo.

Tinham estado discutindo sobre este argumento desde essa manhã cedo, e Tanner ainda se negava a lhe ver o sentido. A única razão pela qual ela o tinha tirado da casa era por Cabal ter discutido com seu irmão. E Tanner não estava contente com isso.

— Já tive o bastante. — os lábios se retiraram de seus dentes, o vermelho piscava nesse olhar dourado — Estivemos aqui fora durante mais de meia hora, tempo de sobra para atraí-lo pra fora se ia sair.

Ela entrecerrou os olhos.

— Sabe de sobra, Tanner. — discutiu ela — Necessito mais tempo.

— Tempo para que ele carregue seu rifle e consiga uma posição para o disparo? —perguntou-lhe, a voz perigosamente calma.

Ela riu.

— Dificilmente. Tempo para que Cabal veja quem observa e se aproxima. Isso é tudo o que fará o espião até que realize seu movimento.

Elevou a mão e lhe tocou o rosto, maravilhando-se ante a perfeição, ao menos para ela. Os duros traços e os ângulos selvagens. O anjo caído da sensualidade e os grandes e revestidos olhos dourados.

— Não quero morrer. — disse ela — Quero viver, rir e brigar contigo os anos vindouros, mas não teremos essa oportunidade se o espião não se mostrar. — baixou a voz — Sabe tão bem como eu.

— Aterroriza-me. — grunhiu ele — Esperar uma bala não é maneira de contra-atacar.

— Confie em mim, Tanner, não haverá bala. — deixou que seus lábios se inclinassem com diversão — Mas fará planos. Observará. Analisará a segurança. Tudo o que precisamos é um engano e logo poderá derrubá-lo. Prometo-te que não interferirei nisso.

— Isso é muito generoso. — não estava nem um pouco pacífico.

Scheme se encolheu de ombros enquanto olhava pelos jardins.

— Nunca será fácil para nenhum de nós, Tanner, sabe. Sempre estará me esperando.

— Ele não tem que viver para sempre. — baixou a cabeça, o vermelho em seus olhos se intensificou.

Scheme retrocedeu de repente, os olhos bem abertos.

— Do que está falando? Pelo amor de Deus, Tanner, o que está planejando? Não pode matá-lo mais do que ele pode te matar sem que lhe saia o tiro pela culatra?

Sua expressão se voltou hermética imediatamente.

— Tudo o que me importa é te manter com vida. — lhe espetou, curvando os dedos no braço enquanto a guiava à porta dos fundos — Nada mais.

— Põe-me doente que me arraste por aí. — soltou-se o braço — E me põe realmente doente que me trate como uma imbecil.

— É uma imbecil. — replicou enquanto a empurrava ao interior da casa — Te põe em perigo como se o amanhã não importasse. — a porta dos fundos se fechou de uma portada detrás dele — Pois fôda-se, por muito que se preocupe não se fará a sua maneira, e ponto.

— Não é assim.

— Uma merda que não. — lhe gritou em resposta — Necessita um maldito guardião. Que me amaldiçoem se faço ideia de como sobreviveu tanto tempo. É tão fodidamente teimosa que me põe raivoso.

— Estou realmente cansada de seus insultos. — os dentes apertados pela necessidade de replicar. Não ia entrar em uma disputa a gritos com um cretino Bengala no meio da cozinha da casta — E já nasceu raivoso.

— Então me demonstre algo diferente. — ele jogou as mãos para os lados quando repentinamente se separou dela e se dirigiu à cafeteira — Vamos, Scheme, me conte o fodidamente equivocado que estou.

Ela se girou para Cabal.

— Pode me ajudar com isto?

Elevou a sobrancelha com brincadeira.

— Aprendi a não discutir com ele. Como disse, nasceu raivoso. É melhor deixá-lo explodir, logo se calma de novo.

— Só me diga se viu algo ou se essa excursão ao exterior foi uma perda de tempo? —grunhiu Tanner.

Os lábios de Cabal se apertaram.

— Um débil brilho do sol sobre o metal, acima na montanha. Só por um leve segundo e constante com o brilho do sol no novo alcance do telescópio que Vanderale enviou o ano passado. Têm um único ponto vulnerável. Se lhes der o sol diretamente, então se refletem durante um milésimo de segundo antes que as lentes o detectem e troquem as sombras nelas. Acabamos de descobrir este ponto fraco. Nem todos os castas estão sabendo ainda.

— E captou isso? — Scheme lhe piscou. Só conhecia um único casta da organização de seu pai que tinha sido capaz de localizar esse milésimo de segundo de luz refletida nas lentes.

— Sou bastante bom em algumas coisas. — encolheu-se de ombros Cabal — E essa é uma delas.

— Alguém a apontou! — a voz de Tanner era um baixo grunhido de raiva enquanto a contemplava — Nada de balas, né?

Ela se encolheu de ombros placidamente.

— Ninguém disparou.

— Ponto para ela, Tanner. Tenho a uma equipe no lugar onde detectei o reflexo, mas está limpo. Nem sequer obtemos um aroma.

E isso congelou o sangue de Scheme. Nenhum aroma. Isso significava um casta que tinha aprendido a camuflar-se.

— Quem tem acesso ao neutralizador de aroma que Ely criou? — Tanner a surpreendeu quando perguntou a Cabal.

— Têm um neutralizador de aroma? — ela se girou para ele surpreendida — Desde quando? Nem os cientistas do Conselho puderam criar algo que evitasse às castas serem detectados por castas.

— Os Laboratórios Vanderale estiveram nos ajudando com isto. — Tanner colocou uma xícara de café, a voz ainda tensa, o corpo rígido — O desenvolvemos com sua ajuda o mês passado e começamos a testá-lo. Evidentemente funciona.

— Supõe-se que só Ely tem acesso. — disse Cabal — Mas segundo ela, Jolian esteve ultimamente nos laboratórios conversando com ela.

— Conversando com ela? — perguntou Tanner perigosamente.

— Conversando. — disse Cabal friamente — Passando o tempo. Ely diz que são amigas.

Tanner se girou com um olho acusador sobre Scheme.

— Inofensiva, não?

— Não tenho bastante para encerrá-la ainda, Tanner. — lhe informou Cabal, sua voz ainda dura — Até que o tenhamos, tudo o que podemos fazer é vigiá-la.

— Então lhe vigie. — ordenou Tanner com severidade enquanto Scheme se apoiava no balcão que ficava no meio da cozinha, cruzando os braços sobre o peito, esperando.

             Ela não ia discutir o assunto.

— Por certo, as roupas de Scheme chegaram esta manhã. — Cabal a surpreendeu com a notícia — Há vários vestidos para escolher para a festa de amanhã à noite.

— Por fim, roupas decentes. — ficou reta e se encaminhou para a porta enquanto jogava uma olhada aos dois homens que a seguiam — Passou pela cabeça de vocês dois que às vezes são um pouco exagerados com as coisas?

Ela vislumbrou seus olhares confusos.

— Em que demônios pensa que somos muitos exagerados agora? — espetou Tanner.

Scheme se deteve, girou-se para eles, e sorriu docemente.

— A pessoa equivocada.

E ela não estava equivocada sobre Jolian. Houve uns poucos castas em que Scheme tivesse pego um interesse pessoal através dos anos. Jolian tinha sido uma delas.

— Te passou pela cabeça que pode ser muito malditamente confiada? — replicou-lhe Tanner duramente.

— Sim. Passou-me. — assentiu sobriamente — Cada dia de minha vida durante os últimos oito anos. Mas este não é um desses casos.

Com isso, deu-se a volta e entrou no vestíbulo, antes de andar rapidamente para as escadas.

Tinha sido muito confiada muitas vezes, mas não desde o Chaz. Chaz lhe tinha ensinado o valor de questionar-se qualquer confiança que tivesse. Já não confiava nas pessoas, confiava em si mesma. Em sua habilidade para fazer perfis.

Não tinha falhado em suspeitar que Tanner fosse o espião; seu perfil encaixava com a possibilidade. Jolian nem sequer se aproximava da possibilidade.

— Deus proíba de darmos a ela oportunidade de nos dizer “eu disse”. — murmurou Cabal.

— Não tente ao destino. — grunhiu Tanner — Porque tenho o pressentimento que ela exigiria o pagamento com nossa pele.

Scheme sorriu. É obvio que o faria.

Quando chegaram acima das escadas, Callan vinha desde o final do corredor, onde girava para a suíte de sua família, a expressão tensa, os olhos brilhando de fúria.

— Temos um problema. — chiou, detendo-se ante a porta de Tanner enquanto Cabal passava diante deles e entrava nas acomodações.

Scheme observou quando Cabal agarrou o detector eletrônico e começou a mover-se pela suíte, ao final assentiu, tudo limpo.

— Seu pai acaba de dar uma coletiva de imprensa. — Callan lhe dirigiu o indignado comentário — Afirma que foi sequestrada e que lhe lavaram o cérebro. Já chegaram informes que as sociedades de sangue puro estão se armando e preparando para ir à caça. Vão atrás dos esconderijos das castas.

— Esperávamos. — lhe indicou Tanner — A festa de amanhã paliará muito o receio.

— Callan! — Jonas entrou irado na suíte — Acabamos de interceptar uma transmissão que saía do Santuário. Alguém tratava de transmitir informação sobre o calor do acoplamento. Temos quebrado a encriptação; foi uma mudança incompetente. Têm-no tudo.

— E se isso se filtra, estamos fodidos! — o grunhido de Callan foi um primitivo e furioso ruído surdo — Quero a suspensão completa das transmissões de saída. Os telefones móveis, satélites e fixos, assim como internet. Seja quem for nosso espião, estão preparados para fazer seu movimento.

— Farei uma declaração e prepararei uma coletiva de imprensa para amanhã depois da festa anunciando o compromisso. — lhes informou Tanner rapidamente — Jonas, pode rastrear de onde vinha a transmissão?

— Estamos trabalhando nisso. Ricocheteava pelo Santuário como uma maldita bola. É questão de tempo.

— E o espião sabe. — lhes informou Scheme — Já está preparado para realizar seu movimento. Trata de conseguir a informação sobre o calor do acoplamento para que meu pai crie o caos no Santuário quando se faça público. Isso lhe permitirá o abalo que necessita para agarrar o David e tira-lo da propriedade.

— Te mova. — Callan assentiu ao Jonas — Faça o que seja necessário. Quero encontrar a esse bastardo. Já!

O olhar de Jonas era extremamente penetrante quando se girou e saiu da suíte, as castas que o acompanhavam foram rapidamente detrás dele.

— Tanner, faça essa declaração o mais breve possível. — disse Callan com voz áspera — Eliminem a esse bastardo antes que tenha que matá-lo eu mesmo.

E podia fazê-lo. Tanner observava como o líder caminhava pela suíte, a expressão selvagem, os olhos de um frio âmbar. Callan os tinha protegido durante quase dez anos antes que o mundo nem sequer soubesse que existiam. Tinha matado, silenciosamente, sem remorsos, e tinha assegurado a segurança dos outros membros de sua manada enquanto sanavam e cresciam para desfrutar das liberdades que ele lhes proporcionou.

Tanner sabia que Callan não duvidaria em ir caçar aos membros do Conselho ou aos colaboradores outra vez se fosse necessário. Era um risco que não podiam aceitar. Agora não, enquanto o mundo os vigiava tão de perto.

Fazendo uma careta se girou para Cabal enquanto seu irmão ia para a suíte vizinha.

— Cabal, encontre a esse bastardo. — grunhiu.

Seu irmão lhe respondeu com um frio sorriso. Um sorriso de acordo tácito.

— Escapulirei-me de minha suíte e irei caçar.

Tanner soltou um fôlego inquieto antes de girar-se para Scheme. Ela tinha a televisão ligada, fazendo zapping com o controle para ver o maior número de canais de notícias de uma vez na tela, procurando ameaças, sinais de qual seria o próximo ataque de seu pai.

— É só uma questão de tempo. — murmurou então — As notícias do calor do acoplamento vão sair. Dez anos é muito tempo para que algo desse calibre permaneça oculto.

— Contávamos com isso. — os olhos entrecerrados enquanto ela trocava sutilmente de posição apertando as coxas enquanto o aroma do calor do acoplamento lhe enchia os sentidos de novo.

Tinha estado ardendo durante horas e se negava a saciar a necessidade. Ele podia cheirar como agora aumentava. Demônios, tinha-o farejado nela depois da primeira hora em que abandonaram a cama esta manhã.

Ela trocou de posição outra vez, ao fim se sentou na cadeira a seu lado e se inclinou para frente enquanto olhava as notícias. Seu olhar era inquieto enquanto olhava cada imagem na tela, escutando as declarações alternadas, uma das quais era uma reposição da acusação do General Tallant de que as castas tinham sequestrado a sua filha e lhe tinham lavado o cérebro.

— Sempre tem um plano alternativo. — murmurou ela — Qual é seu plano alternativo esta vez?

— O inferno. — sugeriu Tanner, indo para ela enquanto se arrancava a camiseta.

Estava cansado de esperar. O aroma de sua necessidade o chamava, acariciava-lhe os sentidos como uns dedos vibrantes com uma carga elétrica. Como a eletricidade estática. Sensibilizando-o e lhe recordando o prazer que só tinha encontrado com ela.

Atirou as botas para trás da cadeira, afrouxou o cinto de seu jeans enquanto se endireitava, abriu o botão e o zíper enquanto rodeava seu assento. Quando estava ao seu lado, ela se girou para ele, os olhos marrons quentes e intensos como cremoso chocolate com leite, derretido e quente enquanto ele se tirava as calças.

— Deveria estar vendo isto. — respirou enquanto ele se ajoelhava frente a ela e lhe tirava o controle remoto da mão — Tenho que descobrir o que está planejando.

— Em um minuto poderá vê-lo. — prometeu — A gravação funciona realmente bem neste modelo. Não perderá nada.

Os dedos agarraram a bainha de sua camiseta e a levantou, mostrando sua cremosa barriga enquanto ela se reclinava na cadeira, as mãos indo para os ombros nus.

As unhas arranharam a carne, lhe recordando o movimento de um gato. Sorrindo ante o pensamento, inclinou-se para frente e mordiscou a pele mostrada, arrastando para cima a camiseta e sobre os peitos antes que levantasse os braços e a tirasse.

Seus peitos sem sutiã estavam cheios, as duras pontas dos mamilos se elevavam para ele. Faziam-lhe água na boca. Fazendo que a necessidade se cravasse em seus testículos. Mas o brilho trêmulo de emoção e necessidade lhe oprimiu o coração. Deus, o fazia saborear cada momento em que respirava. Nunca havia se sentido tão vivo, tão cheio de poder como o que tinha quando o olhava assim. Como se fosse o centro do mundo nesse momento, a vanguarda de seu foco. Como se lhe pertencesse tanto como lhe pertencia.

Isso o golpeou. Enquanto os esbeltos dedos se desfaziam da malha das calças de moletom, isso o golpeou. Pertencia-lhe. A alguém. Para alguém. Era parte de um todo, mais que um pinhão em uma comunidade que lutava por sobreviver. Se morresse hoje, o mundo continuaria sem ele. Se morresse hoje, esta mulher sempre o recordaria. Seu toque, seu beijo, sua calidez enquanto a abraçava de noite. Ficaria sozinha. Em abstinência pelo calor que os vinculava. Incapaz de voltar a amar como neste momento.

E ele não podia permiti-lo. Sobreviveria por ela. E se asseguraria que ela sobrevivesse para ele.

Agarrou-lhe o tecido das calças das mãos enquanto os passava pelos joelhos e acabava de tirar-lhe antes de lhe abrir as coxas e contemplar os cachos repletos de rocio entre eles.

Estava tão úmida que seu almíscar brilhava sobre as suaves dobras rosadas e sedosos cachos.

— Não me deixe. — lhe sussurrou.

— Nunca. — sussurrou ela — Me faz completa.

Teve que apertar os dentes ante as emoções que o varriam. Ela o fazia completo.

As mãos se deslizaram coxas acima, logo para os quadris, atirando-a para diante enquanto se aproximava. Desejava adorá-la. Desejava lhe mostrar todo o prazer que podia lhe oferecer. Tinha toda a intenção de descer os lábios para a doce essência que se reunia em sua vagina, mas em lugar disso se encontrou apertando-se contra ela.

Ficou sem respiração. Pôde ouvi-lo.

Seu ventre se contraiu de prazer quando a glande se acomodou em seu interior. Podia cheirá-lo. Esse prazer. Percorrendo-a, pondo-a mais úmida enquanto o contemplava por debaixo dos entrecerrados olhos, as mãos envoltas em seus pulsos enquanto o observava começar os movimentos dentro da sensível carne de seu ardente sexo.

Tanner se deteve, os olhos fechados ao sentir que lhe rodeava a sensível crista. Sob a glande pôde sentir a lingueta pulsando bem sob a pele, preparada para sair, para inchar-se ereta no momento de sua culminação e travar-se dentro dela.

— Adoro seus suaves cachos. — sussurrou enquanto pressionava mais profundamente, gesticulando ante a flexão dos músculos internos dela, ante o trêmulo suspiro que saiu de seus lábios. Esses suaves cachos estavam colados a seu membro enquanto se retirava, atraindo seu olhar, deixando-o fascinado com a assombrosa visão de sua resposta a ele. A sedosa e suave nata brilhou na ponta de seu membro antes de desaparecer dentro dela outra vez.

— Porque você não tem. — ofegou ela.

— Possivelmente. — custava-lhe respirar. Abstendo-se de tomá-la duro e rápido. Os movimentos de seu membro lentos, constantes impulsos, um pouco mais profundos cada vez, sentindo-a mover-se, levantar-se, as pernas lhe rodeando os quadris enquanto as mãos lhe acariciavam os ombros.

Por que nunca a tinha tomado assim antes? Perguntou-se. Em sua cadeira acolchoada, de joelhos frente a ela, observando como cada centímetro de sua ereção a possuía. Era a visão mais erótica de sua vida.

— Tanner, estou morrendo. — ofegou.

— Um minuto.

Sabia que sua necessidade de alívio aumentava rapidamente. Com cada lenta estocada em seu interior lhe apertava ainda mais, os músculos internos o acariciavam, arrastando-o mais profundo no vórtice de necessidade que ameaçava consumindo-o.

— Agora. — ela apertou outra vez, flexionando-se, curvando-se e ele teve que apertar os dentes para evitar gozar agora mesmo.

— Travessa Scheme. — chiou, apertando os dentes para conter-se.

Mas não pôde resistir mover-se dentro dela mais duro e mais rápido. O prazer era como um redemoinho que o sugava. Os olhos se elevaram de onde estava pressionando dentro dela para encontrar-se com seu olhar. Chocolate derretido. Isso é o que lhe recordavam seus olhos. Quentes, suculentos, brilhantes pela fome e a necessidade enquanto a mão dela se elevava para sua face.

— Toda minha vida. — ofegou — Toda minha vida, rezei por você.

— Toda minha vida, amei você. — inclinou-se para ela, tomando seus lábios, lhe oferecendo o especial e erótico sabor de seu beijo e compartilhando a ardente necessidade que ameaçava queimando suas terminações nervosas.

Nada importava exceto acalmar essas chamas. Aprofundando mais o beijo, tornando-o mais desenfreado enquanto começava a empurrar poderosamente entre suas coxas, tomando os gritos de ambos e jogando-os na tempestade que os percorria.

Primeiro sentiu seu orgasmo. O constante apertão, a tensão que crescia até que ela corcoveou debaixo dele, gritando em seus lábios enquanto lhe cravava as unhas nas costas. Então se deixou ir no seu, separando os lábios para jogar a cabeça para trás, um primitivo grunhido saiu de seu peito enquanto o sêmen pulsava do seu membro e a lingueta ficava dolorosamente ereta, travando-o em seu interior, lhe roubando o sentido.

Sentiu-se renascer nela. Renovado. Travado em seu interior, derramando seu sêmen nas cálidas profundidades enquanto derramava sua alma na dela. Baixou a cabeça, um grunhido retumbando em sua garganta enquanto cravava os incisivos na marca de emparelhamento que lhe havia feito nas cavernas.

Ela gritou outra vez, convulsionou-se ao redor de seu membro, e derramou mais do doce alívio que ele sabia que era só para ele. Só dele. Sua companheira. Sua mulher.

Momentos depois, derrubou-se contra ela, suado, ofegando, atraindo-a para ele enquanto sua língua lambia a ferida no ombro e seus sentidos se encheram com seu sabor e seu aroma.

Agora vivia para isto. Nem a vingança nem o ódio, a não ser isto. Para o amor. Para Scheme.

 

Scheme não esperava que as castas alguma vez dessem uma festa como a dessa noite para a qual se preparava. É óbvio, o fato de que havia vários repórteres aí para relatar o compromisso de Tanner Reynolds e Scheme Tallant não tinha nada que ver com isso. Quão único faltava dentro da opulenta casa era a notícia das tropas estacionadas fora das portas de ferro na entrada principal do Santuário.

Não esperava isto. Quando Tanner lhe disse uma festa, imaginou que ele queria dizer uma pequena reunião com as castas. Só as principais famílias dentro do estado, não os convidados que chegaram em helicópteros durante as horas passadas.

É obvio, deveria tê-lo sabido. Isto era o que acontecia responder às acusações do General Tallant. Que tinham ido crescendo nas últimas vinte e quatro horas.

Seu pai estava assustado. Viu-o em seus olhos na última entrevista do noticiário. Estava aterrorizado pelo que ela ia dizer, o que ia fazer. Que prova tinha de suas ações. Tinha-as em abundância. A prova de que ela conhecia o Jonas e que estivesse descarregando do lugar seguro no qual as tinha guardado durante anos. Seu seguro, como sempre o chamava, no caso da necessidade.

Enquanto se penteava o cabelo em um coque na moda, encontrou seu próprio olhar no espelho e quase se estremeceu pela pena em seus olhos. Por que deveria sentir pena por um monstro que frequentava seus pesadelos e que logo cairia? Não era como se ele tivesse sido um pai carinhoso.

Embora em seus olhos, se o tivesse sido, ela saberia. Seu pai era um psicopata da pior espécie. Acreditava no que fazia com uma total convicção. Acreditava que havia feito o melhor para sua filha… A filha que o traiu, segundo ele, da maneira mais atroz.

Matou a sua mãe, e Scheme sabia que ele a teria matado se tivesse tido a possibilidade. Haveria-o feito com todo o amor de seu coração e com a crença em sua alma de que salvava o mundo.

Sacudiu os pensamentos de sua cabeça antes de assegurar o último passador em seu cabelo e contemplar sua imagem com cuidado. Conheciam-na por seus vestidos vermelhos, e tinha posto um agora. Seda vermelha com uma abertura audaz até a coxa e meias negras que se viam. A seda se grudava a suas curvas, moldando seus peitos antes das alças de seus ombros e que se entrecruzavam em suas costas.

Comprovando a maquiagem uma vez mais, deslizou os pés cobertos com as meias em uns sapatos vermelhos, recolheu a pequena bolsa que fazia par com as meias e deixou o banheiro.

— Preparado? — vestido com um smoking e parecendo muito sexy para qualquer homem ou casta, Tanner se levantou da cama, seu olhar a percorreu com uma lenta apreciação.

— Você está linda, no ponto para te comer.

— Estou nervosa como o inferno. — sua pele estava sensibilizada, advertindo-a que o calor do acoplamento lhe atacava os nervos, como Ely lhe tinha advertido.

— Só recorda manter bastante distância entre você e os outros para evitar que lhe toquem por acaso. Conhece os repórteres. Tratou antes com eles. Sabe como dirigi-los. Tudo estará bem.

Tudo ia estar bem.

— Cabal vigiará de fora. — seguiu — David está seguro na suíte de Merinus e Callan. Há aproximadamente duzentos convidados; nenhum é sócio de seu pai ou do Conselho, mas são gente influente em política e assuntos financeiros. Os repórteres são sérios e conhecidos por sua imparcialidade no que se refere aos assuntos das castas.

— Estarei bem. — assegurou por ambos.

Levantou o queixo, recordando que o havia feito inumeráveis vezes sem nada de nervos.

A mão de Tanner se pousou em suas costas quando deixaram a suíte e se encaminharam à ampla escada, que conduzia ao atestado vestíbulo e ao salão de baile. As Forças Especiais das Castas estavam ao completo, colocadas para a vigilância a cada poucos metros na parte de cima. Abaixo, colocaram-se nas portas que conduziam a casa e ao salão de baile, assim como nos outros quartos que havia no vestíbulo. Só o salão de baile estava aberto. Todas as demais partes estavam fechadas e com chave.

As portas do salão de baile estavam abertas, e sabia que as portas francesas que conduziam aos jardins, estariam abertas, permitindo aos convidados tomar o ar fresco e vagar pelos jardins fortemente vigiados e bem iluminados.

Logo que começavam a descer pelas escadas, três repórteres convidados caminharam para eles. Cassa Hawkins era uma repórter e trabalhava para a ANI, Agência de Notícias Internacionais; Joel Briggins da CNN estava ali, assim como Philippe Augustan da ENI, EuroNotícias Internacionais. Cada repórter tinha o seu próprio câmera bem atrás. Os pequenos dispositivos de gravação normalmente enviavam o vídeo em direto às estações, mas nesse momento com o blecaute das comunicações do Santuário, só estavam gravando, e as dariam depois de que Jonas observasse cada entrevista.

— Scheme, não me parece drogada. — Cassa Hawkins fez um pequeno movimento de desilusão quando caminhou pela frente do soldado que se aproximou quando Tanner e Scheme entraram no vestíbulo.

Cassa estava na casa dos trinta, moderna e polida. Uma loira natural com serenos olhos cinza e pele de porcelana. Podia ser divertida, mas alarmantemente aguda.

— Cassa, é óbvio que o estou. — Scheme sorriu quando Tanner colocou sua mão na curva de seu braço e fulminou com o olhar aos repórteres — Tanner pode ser completamente viciante em certas áreas.

Eles não tinham nenhuma pista de quão viciante.

A risada agradável de Cassa era suave, mas seus olhos não perderam nada. Não o bom aspecto de Tanner ou a forma em que parecia abater-se sobre Scheme protetoramente.

— Poderia ser em efeito. — esteve de acordo — Acha que ele nos permitiria uns minutos a sós? Está me fulminando com o olhar, sabe.

E o fazia. Fulminá-la com o olhar e a sua câmera detrás dela.

— Tanner, estarei bem. — ela deslizou a mão de seu braço e jogou uma olhada ao redor — Há muitas Forças Especiais aqui para combater em uma pequena guerra. Eu gostaria de uma bebida se não se importar.

Seus olhos de cor âmbar desceram para ela brilhando, com uma rica diversão e uma sombra de desaprovação.

— Não estarei longe. — lhe prometeu, advertindo a outros.

— Ele é muito protetor. — disse Cassa brandamente quando Tanner se moveu para Sherra, que estava resplandecente em um vestido cor fumaça junto a seu marido, Kane Tyler.

— Por uma boa razão. — Scheme deixou que seu olhar se endurecesse quando olhou fixamente detrás da repórter, logo a sua câmera, antes de retornar a Cassa — Desligue-a.

Cassa suspirou.

— Monty, vá conseguir uma bebida, e algumas boas fotos da festa.

Monty resmungou e se afastou antes que Scheme se girasse e olhasse aos outros dois repórteres.

— Sinto-o meninos. — sorriu — Papo de garotas. Podemos conversar mais tarde?

A promessa de conversar mais tarde os deixou sorrindo agradavelmente, com receio, antes de afastar-se.

— O General Tallant solta espuma pela boca. — disse Cassa quando Scheme a conduziu ao final do vestíbulo com uma pequena indicação aos soldados de manter aos outros a raia — Suas palavras foram que a Sociedade de sangue puro se armará para atacar a qualquer casta com a que se encontre.

— Eles o fazem de todos os modos. — Scheme suspirou — Agora me deixe te perguntar algo Cassa. De que lado está?

— Da verdade. — a resposta foi dada sem vacilar. E Scheme acreditava. Cassa era uma fanática da verdade. O qual quase lhe havia custado seu trabalho e sua vida em mais de uma ocasião.

— Excelente. — Scheme a olhou fixamente com determinação — Você e eu falamos frequentemente no passado. Acredita no General Tallant, ou o que vê agora?

Os lábios de Cassa se moveram nervosamente.

— Carinho, duvido que mesmo o diabo te pudesse lavar o cérebro. Então, por que não me diz o que acontece e se os rumores são certos de que o General Tallant luta para guardar os esqueletos no armário, ou só quer ao seu lado a sua menina. Se estiver de acordo, deixe passar o meu câmera.

O último foi dito com uma brincadeira sutil. Cassa queria uma exclusiva, mas jogava limpo.

Scheme assentiu ao soldado que se encontrava uns metros afastado, para que deixasse passar ao câmera.

Com polida mestria, Cassa se girou para a câmera.

— Converso com Scheme Tallant, a filha do General Cyrus Tallant e rumores de ser sua ajudante pessoal. Estamos no Santuário, casa de inumeráveis castas Felinas e sua principal base de operações, onde a senhorita Tallant e o senhor Tanner Reynolds se dispõem a anunciar seu compromisso face às acusações de seu pai sobre lavagem de cérebro e coação. — dirigindo-se a Scheme — Senhorita Tallant, devo dizer depois de conhecê-la durante vários anos, que não parece em nada que lhe tenham lavado o cérebro. Por que seu pai afirma o contrário?

Scheme pôs sua cara “pública” e brindou a Cassa com um encantador e perito sorriso.

— Para esconder a verdade.

— E qual é a verdade, senhorita Tallant?

— Que fará algo para silenciar a verdade que será revelada nas próximas semanas. A verdade que ele assassinou a inumeráveis castas, e que se Tanner não se movesse rapidamente, também teria me assassinado.

Seu coração se sentia dolorido e ela não sabia por que. Ele nunca tinha sido seu pai. Nunca sentiu carinho por nada além de seus fanáticos sonhos de controlar às castas.

— Por que seu pai iria querê-la morta?

— Porque sei todas as atrocidades que cometeu. Porque, senhorita Hawkins, durante os passados oito anos fui uma agente dupla para o Escritório dos Assuntos das Castas, trabalhando diretamente com o Jonas Wyatt. Sei todos os segredos de meu pai. Fará algo para me silenciar.

A entrevista com Cassa se desenvolveu sem contratempos, apesar das constantes interrupções que trataram de fazer os outros repórteres. As Forças Especiais os mantinham atrás amavelmente, uma vez que terminou com Cassa, Scheme deu a outros uns minutos para responder a suas perguntas. Não foi muito, mas tinham sua entrevista. Tanner também falou com eles, e antes de entrar no salão de baile, Tanner e Scheme foram entrevistados juntos.

Mas ela não podia tirar-se esse sentimento de que seu pai tramava algo mais. Que tinha um ás o qual não tinha jogado ainda e esperava por ela. O corte nas comunicações tinha impedido que o espião enviasse suas transmissões, e Jonas tinha sussurrado a Tanner que rastreariam a posição das tentativas de transmitir na montanha.

O que deixava segura a casa principal, ao menos no momento.

— Um destes dias. — comentou Scheme quando abandonaram aos repórteres — Algum dos repórteres vai te agarrar em suas mentiras.

Ele riu entre dentes, fazendo uma pausa quando se moveu a um pequeno grupo de mulheres ao redor de um vaqueiro alto, de cabelo loiro.

— Scheme, eu gostaria de te apresentar a alguns amigos. — anunciou — Tamber Mason. — uma alta morena de olhos marrons cintilantes lhe apertou a mão murmurando, quase muito suave, um olá. Parecia tímida. Reservada. Embora o corte baixo, de seu vestido prateado muito curto que tinha posto, fosse tudo menos conservador — Tamber é nossa perita em comunicações. Ela dirige o abrigo de comunicações como um pequeno sargento instrutor.

Tamber desviou sua cabeça como se se envergonhasse com o elogio.

— É um prazer te conhecer, Tamber. — ela assentiu, resmungando outra vez e oferecendo um pequeno sorriso.

— Esta é Shiloh Gage. — ele assinalou a uma casta Jaguar de cabelo castanho avermelhado ao lado de Tamber.

Esta casta, Scheme recordou.

— Malcriada? — Os lábios de Scheme se moveram nervosamente quando a moça a olhou fixamente com descarada curiosidade.

Shiloh Gage era conhecida por várias coisas nos laboratórios nos que tinha sido criada. Entre eles sua capacidade para trabalhar aos cientistas e treinadores de tal maneira que lhe gritavam princesa malcriada. Esta noite ela vestia calças cômodas e um colete sem mangas, com um corte que revelava uma generosa fenda.

Ela deveria ter sido assassinada depois de seus primeiros cinco anos de vida. Em troca, os cientistas tinham escrito em seus informes que a guardavam viva por questões de estudo. Eles tentavam entender onde tinha conseguido a ideia de que merecia viver, e por que achava que eles se preocupavam. Pessoalmente, Scheme sabia que os cientistas dos laboratórios tinham um particular senso de humor.

— Essa sou eu. — esteve de acordo Shiloh maliciosamente.

— E não lhe importa confessar-se culpada. — o alto sulista de cabelo loiro, humano, ex-mercenário e um anti-herói em geral, Simón Quatres, falou ao lado de Shiloh — Suponho que saiba quem eu sou.

— Nem todos lhe conhecem, Simón. — Shiloh lhe informou melancolicamente.

— Realmente, tenho lido vários informes sobre ele. — Scheme esteve de acordo. Por sorte, ele não insistiu em apertar sua mão. A dor teria sido difícil de ocultar — Encantada de conhecê-lo.

— E é um prazer conhecê-la finalmente, senhora. — disse arrastando as palavras — O velho Tanner parece haver feito bem as coisas depois de tudo. Surpreendeu-nos.

Tanner grunhiu em resposta.

— Callan nos está fazendo gestos. — lhe disse Tanner, agarrando seu cotovelo quando ela se despediu do pequeno grupo.

— Conhece-os e foge. Um conceito interessante. — comentou ela enquanto se dirigiam para a frente do salão de baile.

— Cabal vigia. — murmurou ele em seu ouvido — Conhecerá muitos do mesmo modo.

— Tamber é muito diferente de seus registros.— disse ela — Não teria pensado que era tão tímida.

— Mas bem zangada. — suspirou Tanner — Tivemos que lhe pedir que saísse do abrigo de comunicações esta noite. Ela esteve instalando a nova equipe este mês e não queria abandonar a seus bebês.

Sacudindo a cabeça, Scheme suspirou quando se aproximaram de Callan e caminharam pelo pódio erguido em um extremo longínquo do salão de baile. Tempo para sorrir e ser agradável, ela pensou quando seu olhar percorreu o salão, vendo a desconfiança, e em muitos casos a animosidade, que transmitiam os olhos daqueles que os olhavam. Na verdade, esta ia ser uma noite muito interessante.

Movendo-se pelo salão de baile depois do anúncio de seu compromisso, Scheme observou que Jolian saía silenciosamente pelas portas francesas que davam aos jardins. Ela sabia que Jolian tinha recebido uma surra mental do inferno por parte de Jonas anteontem, e se a pálida face da moça era uma indicação, ainda não havia se recuperado.

Por que deveria preocupar-se, Scheme não estava segura. Mas o fazia. Quando Tanner esteve falando com o Jonas, Dane Vanderale e vários políticos, ela escapou, o certo era que nunca lhe permitiria que fosse atrás da pequena casta Pantera.

E escapulir-se de Tanner não foi uma coisa fácil de fazer. Detendo-se em vários grupos de convidados, conversou, sorriu, cuidando de que não a tocassem, porque o primeiro roce que tinha tido com alguém além de Tanner lhe tinha parecido facas que rasgavam sua carne.

Minutos mais tarde ela avançava pelas portas francesas e caminhava pelo pátio onde Jolian estava silenciosamente de pé. Sozinha.

— Jolian. — Scheme inclinou sua cabeça, olhando como a casta fêmea se esticava com o som de sua voz.

— Deveria voltar pra dentro. — disse Jolian firmemente, embora um pouco rouca — Cabal se zangará se nos encontrar tão perto.

Cabal se zangaria. Bastante estranhamente, Jolian não estava preocupada com Tanner.

— Não acredito que me machuque. Adverti-lhes que estavam equivocados.

A cabeça de Jolian baixou, suas mãos agarravam o corrimão de pedra que rodeava o pátio de mármore.

— Eles pensam que sou uma espiã. — a risada zombadora tinha um quê de dor — Pude vê-lo nos olhos de Cabal. Estavam cheios de repugnância.

Jolian estava cheia de dor devido a isso.

— Está apaixonada por ele. — adivinhou Scheme.

— E você está emparelhada com ele e com seu irmão. Maldição, algumas pessoas têm muita sorte, verdade?

Jolian não se girou. Embora suas mãos se levantaram do corrimão e as abrigou ao redor de seus peitos. O vestido solto cor nata que tinha posto não era particularmente adulador, e era evidente que ninguém se incomodou em aconselhá-la na sua forma de vestir. Com maior probabilidade, as outras castas se afastavam dela nesse momento.

— Sinto-o. — disse Scheme brandamente — Sobre Cabal e sobre o que passou ontem. Se me deixar, posso te ajudar.

Começando com seu cabelo e aconselhando-a sobre sua roupa.

— Como pode me ajudar? — Jolian se voltou, a cólera marcada em sua face, em seu olhar. Então abriu os olhos de par em par, colocando-os em branco, e caiu ao chão.

Scheme se precipitou para ela, sem pensá-lo, sem ter em conta as consequências. Ao segundo seguinte, sentiu uma cegante dor através de sua cabeça, enviando um resplendor de luz explodindo diante de seus olhos quando se sentiu caindo sobre a outra mulher. Desejando como o inferno não ter saído sem Tanner.

Tamber Mason.

Ela foi treinada em comunicações, e tinha formado parte do círculo íntimo da manada desde que o Santuário foi habitado pelas castas. Era amiga de Merinus, às vezes guarda-costas e a perita em comunicações mais confiável de Callan. Frequentemente saía às compras com Sherra, treinava-se com Dawn e havia rumores de que se deitou com Tanner e Cabal em várias ocasiões.

Também era a espiã de Cyrus Tallant.

Isto era por que a espiã era tão segura. Por que Cyrus tinha problemas para controlá-la. Seu lugar dentro do Santuário se estabeleceu firmemente anos atrás. Ela era, em essência, parte da família.

Scheme tinha visto todos seus arquivos. As das castas no Santuário assim como aqueles que agora trabalhavam na aplicação da lei e áreas militares. Tinha-os revisado, estudado, aprendeu tudo o que podia sobre eles antes que fossem destruídos. Conseguindo deixar de algum jeito este ponto luminoso fora de seu radar.

Como Tamber era evidentemente. Modesta. Não havia nada em seus arquivos que indicassem alguma conexão com Cyrus Tallant ou com alguém dentro da organização de seu pai. Ela era simplesmente um membro bem amado da ampla família dos Lyons.

Mas tudo o que Scheme tinha tido era uma imagem. Uma vez que ouviu totalmente a voz de Tamber Mason em lugar do murmúrio que lhe tinha dirigido na festa, Scheme soube exatamente quem era ela. A antiga amante do segundo ao mando de seu pai.

Scheme só tinha ouvido sua voz; o aspirante a filho de seu pai nunca tinha mencionado seu nome ou sua maestria.

— Sabe que vão seguir lhe. — advertiu a Tamber quando o jipe se moveu sobre o caminho desigual que conduzia aos bosques — Saberão que foi você quem atacou Jolian e me raptou.

— Realmente não importará. — Tamber lhe dirigiu um sorriso duro, frio — Não retornarei por um tempo. Acabo de ter êxito em minha missão, dois em um; John me recolherá em um momento.

             Scheme quis voltar-se, comprovar ao menino inconsciente na parte de atrás do jipe, mas não se atreveu. Se o olhasse, não poderia suportá-lo, desmaiaria e não podia permitir-lhe.

— Realmente pensa que John vai permitir-te ser livre? — perguntou a Tamber em troca, trabalhando na corda que amarrava seus pulsos — Pensa que é a única espiã a que está fodendo, Tamber?

— Realmente, sei que não o sou. — um sorriso satisfeito curvou os lábios do Tamber. — Mas o trabalho nas comunicações das castas não é a única coisa em que estou treinada, Scheme. As castas não têm meu DNA; tudo o que têm são minhas impressões digitais. O DNA é voluntário, sabe. Em seis meses retornarei, trabalhando em outra parte dentro do Santuário com um novo nome e um novo rosto assim como novos rastros digitais e um aroma diferente. Os cientistas do Conselho trabalham neutralizando o aroma e fazem o que quiserem que eu seja. Sou um camaleão. As castas nunca saberão.

E uma merda. Scheme sabia o que desconhecia o Conselho ou outras castas, Tanner e o sentido de olfato de Cabal a descobririam facilmente. Eles a buscariam. Ela nunca sobreviveria se retornasse ao Santuário.

— Tamber, é muito confiante. — Scheme se recarregou contra a porta sacudindo a cabeça tristemente — O ego anda de mão dada com o fracasso.

— Tenho confiança, e ponto. — espetou — Estive trabalhando nisto durante anos, cadela estúpida.

Tinha que haver um modo de escapar. Seguiam exatamente o caminho que ela riscou em um mapa para Callan; tudo o que tinha que fazer era achar um modo de atrasar Tamber, de detê-la.

Scheme lutava com as cordas, sentindo a queimadura em seus pulsos, sentindo seu próprio sangue, mas as cordas se afrouxavam, mais perto de ficar livre.

Deus, rezava para que o menino estivesse dormido. Ele era tão pequeno, de aspecto inocente, dormindo no assento traseiro. É obvio, se ele estivesse acordado…

Ela se deteve quando sentiu algo em seu pulso. Um débil toque, um puxão no nó. Ele estava acordado. Ah, Deus, estava acordado. Ela sentiu uma opressão em seu peito pensando no medo que ele deveria sentir.

Mas ele trabalhava soltando os nós, pouco a pouco, seus dedos eram rápidos e seguros. Não tremiam como os seus. Ela tremia como uma folha e detrás dela, um menino de nove anos trabalhava liberando os nós de suas ataduras.

— É uma pequena imbecil, Tamber. — Scheme anunciou, fingindo diversão — John vai mastigá-la viva e cuspi-la, sabe, não é?

O punho de Tamber voou, conectando-se com a mandíbula de Scheme, golpeando-a contra o lado do jipe ao mesmo tempo em que um mini-grunhido saía do assento traseiro e David Lyons saltava.

Tamber não esperava o ataque. Ela amaldiçoou enquanto suas mãos soltaram o volante, lançando o jipe contra a beira inclinada que corria junto ao caminho. O jipe se inclinou, os aros giraram no ar quando a mão de Tamber voou para trás e tomou o pescoço do menino.

Um assobio de dor saiu do pequeno moço, mas não a soltou. O jipe se inclinou outra vez quando Scheme lutou por conseguir chegar ao volante e endireitar o veículo. Tamber tinha as mãos cheias com um híbrido de casta Leão em miniatura que parecia estar em todas as partes.

E amaldiçoando. Scheme esperava viver para rir sobre a linguagem infantil que usava. Mas não parecia estar bem. Oh, Deus, não parecia nada bem. O jipe se inclinava derrubando-se.

O menino. Ela tinha que proteger ao moço. Quando o jipe finalmente perdeu a batalha por ficar em vertical, ela se lançou sobre o pequeno moço esperando poder amortecer o golpe, interrompendo o giro que chegava.

Golpeou com o cotovelo a cabeça de Tamber, seus dedos trataram de agarrar freneticamente a David quando ricocheteou, golpeando com as costas o assento, antes de ser arremessado outra vez, golpeando o tabuleiro enquanto ouvia o grito de Tamber e o rugido quase adulto do mini-Leão.

Outra cambalhota do Jipe e sua cabeça se chocou contra o para-brisa, vacilava entre a escuridão e a consciência enquanto lutava para evitar vomitar ou desmaiar. Ou ambos. Ela poderia ter feito facilmente ambas as coisas.

Porra, onde estava Tanner de todos os modos? Supunha-se que teria que evitar que isto acontecesse, certo? Protegê-la e todas essas coisas de macho.

Gemendo, ela sentiu curvar-se em algo suave, frio. Terra. Ela lutou por sacudir a dor que a paralisava e que parecia arder por todo seu corpo. Tampouco era o estúpido calor de acoplamento; tinha sido expulsa do jipe como uma maldita bola de futebol.

David.

Ela se forçou a abrir os olhos, o primeiro que viu foram, terra, folhas esmagadas, grama e árvores. Gemendo pelo esforço, girou sua cabeça para ver diretamente o olhar dourado de David Lyons.

O menino estava em cócoras a seu lado, seus olhos, como os de seu pai, olhava-na atentamente, enquanto inclinava a cabeça, seu cabelo marrom claro lhe caiu sobre os olhos antes de que ele o afastasse.

— Senhora, temos que nos mover. — pareceu suspirar — Aquele estúpido gato só está nocauteado, acredito.

— Tenho que me mover. — por que não o entendia? — Onde está uma maldita casta quando a necessita?

Maldição. Estava ferida. Má ferida; e se não se equivocava, o vestido que tinha ficado rasgava sobre sua coxa com cada movimento que realizava e tinha perdido ambos os sapatos.

Pondo seus braços embaixo dela, lutou por sentar-se.

— Poderia me ajudar. — resmungou.

David franziu um pouco o cenho.

— Você cheira como o tio Tanner quando está realmente zangado. — lhe indicou — Eu não toar você por na.

— Não me tocar por nada. — ela automaticamente o corrigiu.

— É o que disse. — mordeu seu lábio preocupado, tirando seus pequenos incisivos afiados — Mas temos que ir. Estamos muito perto dos limites.

— Bem, temos que ir. — ela assentiu.

— O tio Tanner deixará soltos aos leões quando se dê conta de que não estamos. O tio Kane porá a seus soldados nas motocicletas. Se podemos nos aproximar bastante, então estaremos bem. O tio Tanner diz que os leões só comem às pessoas que estão muito perto do limite.

— Oh, grandioso. Deixe-me adivinhar, eles só comem a minha espécie, não à tua.

Ele fez uma pausa quando ela se parou e se cambaleou, seu cenho franzido se aprofundou quando se voltou a olhá-la com ferida confusão.

— Não somos da mesma espécie?

Scheme se estremeceu quando tratou de sorrir em harmonia.

— Sim, David, somos da mesma espécie. Mas as castas têm um aroma diferente das não castas, assim como os aromas de um macho são diferentes aos de uma fêmea.

— Ah. — ele a rodeou, assentindo com a cabeça pensativamente antes de recolher um pau grosso que estava na terra e o desse a ela — Agora. Melhor nos apressamos. Posso sentir um helicóptero no ar e sei que o nosso não está agora no Santuário.

— Grandioso. — ela resmungou. — A que distância está?

Estava escuro. Frio. A lua estava cheia, o dossel das árvores em cima deles era bastante espesso.

— Temos que nos apressar. — ele subiu seu jeans por seu magro corpo e se moveu diante dela — O tio Jonas diz que o som de um helicóptero leva a uma casta. Mas não podemos ficar aqui.

— Tio Jonas, né?! — ela perguntou.

— Sim, ele cheira um pouco como papai, mas papai não gosta quando o digo, então não o digo. — encolheu seus magros ombros — Posso ouvir os leões. Vamos por este caminho.

Leões. Eles comem às pessoas. Scheme gemeu. Não tinha sido absolutamente sua melhor semana. Não o tinha sido.

 

— Tanner, temos um heli-jato no radar sobrevoando Buffalo Gap e aproximando-se rapidamente. — informou Kane no fone que Tanner tinha posto — Estamos pondo o helicóptero no ar, mas não vai ser de muita defesa contra ele e nosso heli-jato está inabilitado neste momento.

— Temos seu rastro — gritou Tanner por cima do estrépito do motor da moto de montanha enquanto Dawn e seus leões corriam atrás — Os leões estão se aproximando, assim acreditam que estão parados.

Acelerou mais a moto de montanha, derrapando em umas lenhas caídas quando se lançou a subir o pendente da velha estrada florestal que atravessava a montanha.

Ao longe, podia ouvir como se elevava no ar o helicóptero armado do Santuário e rezou. Tinha estado rezando do momento em que se deu conta de que Scheme tinha desaparecido. Rezava como nunca o tinha feito, inclusive durante esses anos horrendos nos laboratórios.

— O rastreador de Tamber foi desativado, assim como o de David. — ladrou Kane em sua orelha.

A voz resmungona de Callan atravessou a linha.

— Os leões encontrarão ao David.

Callan, seu irmão de manada, Taber e Jonas estavam bem atrás dele, acelerando suas motocicletas tanto como Tanner. Não tinham permanecido tantas horas montando nessas montanhas como Tanner e Dawn. Tanner conseguiria chegar primeiro, e quando o fizesse, mataria Tamber.

Era quase impossível acreditar que essa casta leão, tranquila e de voz agradável fosse parte da organização de Tallant. O laboratório de que tinha sido resgatada tinha sido um dos piores. As condições tinham sido horríveis ali para as castas. Os Coiotes que os fiscalizavam eram alguns dos mais cruéis, e os cientistas, depravados.

Tamber tinha sido resgatada quando era uma adolescente; não podia ter muitos mais de vinte e cinco anos agora, e vinha traindo a todos eles. Sua posição no posto de comunicações, devotado com plena confiança simplesmente porque era uma casta, lhe teria dado todo o acesso que necessitava para manter ao Tallant informado de cada movimento que as castas faziam.

As mãos de Tanner agarraram com força o cabo da motocicleta torcendo um pulso para trás, lhe dando mais velocidade enquanto escalava a estrada florestal.

Se não chegassem ao jipe de Tamber antes que o heli-jato alc