Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites
Série “Lobo Wyndham”
A MONSTER LOVE
Tornar-me um vampiro foi o melhor que já me aconteceu. O melhor.
Por isso não entendo toda a literatura, onde os vampiros são geralmente estes companheiros mal-humorados que lamentam o dia em que eles foram mordidos, que rezam para que algum europeu analfabeto meta uma estaca em suas costelas. Lamentar esse dia? Se a multidão não tivesse queimado meu assassino na seguinte noite, eu teria beijado seu pés.
Teria beijado até seu traseiro!
“Depois de tudo, o que havia ali para mim? Continuar com a fazenda quando meu pai morreu?
Não, obrigado. A agricultura é um trabalho exaustivo por uma recompensa muito pequena, e até menos respeitada. Já me custou suportar estar no mesmo quarto com meu pai, quanto mais suportar trabalhar para ele o resto de minha vida. (Primeiro trabalhar e segundo beber, esse era o lema de meu querido e falecido papai.)
"Menti sobre minha idade para me alistar no exército, e não me arrancaram a cabeça? (Assim sessenta anos mais tarde podemos ignorar o Holocausto e fingir que os alemães são sujeitos bons?) Mas então, se não tivesse lutado era considerado um covarde. É obvio, duas guerras mais tarde os jovens eram animados a irem ao Canadá, para evitar responsabilidades com seu país. Se eles lutassem, e retornassem, suas recompensas era serem cuspidos no mesmo aeroporto. Isto só é para demonstrar, que nada muda mais rápido que a mentalidade de um americano.”
"Não, a vida não era exatamente um tigela de pêssegos frescos. Eu estava em um compartimento, e cada lado deste era igualmente insuperável. Eu não era o único, mas era o único que tinha notado a forma e tamanho da prisão. Eu sempre fui diferente de meus colegas. Ao menos, acredito que era…faz bastante tempo, e não é certo que sempre pensamos que somos diferentes?”
"Quando Darak - Esse era seu nome, ou ao menos o nome que me deu—me convidou para tomar uma bebida, depois duas, depois dez, não recusei. Que me importava se um estranho queria me ajudar a esquecer esta prisão? Eu era grande -vinte e três anos trabalhando na fazenda fez de mim um sujeito—e se ele quisesse fazer algo inadequado, estava certo que poderia manejá-lo.”
"Sim, havia homossexualidade nos anos quarenta. Às pessoas gostam de fingir que é uma invenção moderna, o que sempre me faz rir. De qualquer jeito, imaginei que Darak queria ver o que eu tinha dentro de minha cueca, mas não tinha nenhuma intenção de mostrar o que fazem alguns homens com outros homens, não era de minha incumbência. É obvio, minha cueca não era a única coisa que ele tinha interesse.”
"Confiava plenamente que eu poderia lançar Darak por uma janela se fosse necessário, o que demonstrava que infantilmente idiota eu era quando jovem. Darak tomou o que precisou de mim, e sem palavras bonitas nem pedir permissão.”
“ Ele parou meu coração e me abandonou em um chão asqueroso para meu último fôlego. A última coisa que lembro é de um rato que brincava de correr através do meu rosto, como senti sua cauda, arrastando-se através de minha boca.”
"Despertei duas noites mais tarde. Estava escuro e fechado, mas por um golpe de sorte não tinha sido sepultado ainda. Eu não sabia então, mas o único moinho da cidade tinha pirado, e havia quarenta corpos esperando para serem enterrados. A maioria deles por cortesia de Darak abandonados e queimados. Sim, estava ocorrendo coisas estranhas na pequena cidade de Millidgeville, habitantes 232 (agora realmente 191). Eles não tinham nenhuma pressa para me mandar para a terra. Tinham coisas mais importantes com que se preocupar.”
"Eu estava mais sedento do que estive alguma vez em minha vida. E forte…simplesmente pensei em levantar a tampa do caixão, e acabei por arrancar a dobradiças. Saí cambaleando e me dava conta imediatamente do que era. E sabia que Darak era…Lia Bram Stoker quando era adolescente. Mas inclusive através da louca neblina de meu pouco natural, ou então assim me pareceu ser e a incredulidade sobre minha morte, quão principal recordo era o alívio. Eu estava morto. Era livre. Silenciosamente agradeci Darak, e saí para encontrar alguém para me alimentar.”
"Ser um vampiro é maravilhoso. A força, a velocidade, a dieta líquida…tudo firmemente na coluna dos prós. Os contra nenhum banho de sol (supervalorizados?), sensibilidade à luz (os óculos de sol solucionam tão encantadoramente), nenhuma relação real mais que aquelas de natureza transitiva (prostitutas!) - são suportáveis.”
"Sinto falta das mulheres, entretanto. É provavelmente o pior de tudo. Não mais tomar sol? Argh. Já vi muitas na fazenda. Mas não tive uma namorada desde…er… que ano era? …Não importa.”
"Não posso estar com uma mulher mortal, por motivos óbvios. Ela nunca entenderia o que sou, o que preciso. E estaria constantemente preocupado de machucá-la, posso levantar um carro sobre minha cabeça, assim estar com uma mulher humana não é diferente de estar com uma boneca de porcelana. E estar morto não afetou nem um pouco meu impulso sexual. Eu era um homem jovem de são apetite, e embora ainda pareço jovem, meu apetite aumentou excepcionalmente com a idade.”
"Só encontrei outros seis vampiros em minha vida. Dos seis, quatro eram mulheres, e direi que elas eram uns monstros completos e impenitentes. Elas comiam crianças. Crianças!”
“Matei duas, mas as outras duas fugiram. Poderia ter ido atrás delas, mas tive que levar a criança a um hospital e bem, eu não teria desejado sua companhia ao meu pior inimigo, muito menos daria as boas-vindas ao leito nupcial.”
"Sim, estou sozinho. Outra coisa que aprecio, vagar pela vida eterna e a dieta líquida. Mas sou jovem para ser vampiro — não estou perto dos cem ainda. As coisas vão melhorar.”
“E se não o for assim, minha paciência igual que minha sede— é infinita.”
Um macaco. Um macaco de merda!
Janet Lupo virtualmente lançou seu convite ao imbecil que vigiava as portas do salão de recepção. Muito ruim era que um dos homens lobos mais solicitado da Manada—do mundo! - estava agora fora do mercado, mas ele tinha escolhido uma humana pura como companheira. Não, não é que houvesse algo ruim nisto. As pessoas estavam bem. Se você gostar dos inúteis.
Ela avançou para sua mesa, notando com amarga satisfação a maneira com que as pessoas saiam de seu caminho. Os membros de sua manada sabiam claramente quando ela estava de bom humor.
O que, neste momento, não acontecia.
Suficientemente ruim era estar superados mil a um pelos humanos, mas casar-se com uma? E foder com uma e deixar grávida e filiar-se à Associação de Pais de Alunos e…
A mente deu voltas.
Janet não tinha nada contra os humanos como espécie. De fato, ela admirava enormemente sua capacidade. O homo sapiens nunca renuncia a sua presa, embora eles estivessem saciados — e embora não comessem carne! Eles se matariam por alguns sapatos, pelo amor de Deus. Eles tinham começado guerras por metais brilhantes e pedras. Janet nunca tinha entendido por que por um diamante valeria a pena matar, mas não por um topázio rosado sobre o que mal merece a pena suar. Os humanos tinham lutado em guerras para possuir ouro, mas a pirita de ferro, que parece exatamente igual, não tem valor.
E quando os humanos começam a matar, cuidado . Se isto for pela "Libertem a Terra Santa de infiéis!" Ou "Algodão e Direitos dos Escravos! " ou "Abaixo ao Capitalismo!" ou o que fosse que merecesse um genocídio de massas, quando os humanos vão à guerra, sua única possibilidade era se manter fora de seu caminho e salvar sua pele.
Mas casar-se com uma? Casar-se com alguém mais lento e mais fraco? Muito, muito mais fraco?
Alguém sem instintos de manada, alguém que só vive para si mesmo? É com....é como se um humano se casasse com um urso. Um urso pequeno, sonolento que quase nunca se move. Fodidamente arrepiante, é o que era.
E aí está Alec, sentado na mesa principal e sorrindo com satisfação como se tivesse ganho na loteria!
E sua companheira...uh, esposa.... sentada ao lado dele. Ela era muito bonita se você gostar do tipo cheio, os rapazes da manada gostam assim. Uma esposa ossuda não era uma boa mãe quando o alimento era escasso. Não é que o alimento fosse escasso nestes dias, mas milhares de anos de condicionamento genético são difíceis de eliminar. Além disso, quem quer apoiar seu corpo sobre um montão de paus?
Bem, não havia nada errado em seu aspecto. Seu aspecto era agradável. Seu cheiro também era como pêssegos sobre neve fresca. E a tola sabia no que se meteu, sua mãe tinha trabalhado para o Velho Wyndham, anos atrás, assim a família inteira tinha experiência em guardar segredos. Mas há que chamar as coisas como são, a nova Sra. Kilcurt não era da manada. Não era da família. E nunca seria, não importa quantos pequenos cachorrinhos desse a Alec.
Jesus! Primeiro o Alfa, Michael nocauteado por uma humana, e agora Alec Kilcurt.
Será que nenhum de seus companheiros homens lobos se casariam com mulheres lobos alguma vez mais?
-Vamos dançar, Janet?
-Prefiro comer meus próprios olhos,- disse ela de mal humor, sem sequer olhar quem tinha perguntado. Por que ia para sua mesa, de qualquer modo? A recepção não era obrigatória.
Tampouco era o casamento. Ela tinha assistido por cortesia. E a esta altura tinha completado sua obrigação.
Ela virou sobre os calcanhares e partiu. O imbecil da porta amavelmente a segurou aberta. O que era bom, já que de outra maneira a teria derrubado.
Janet preferia Boston na primavera, e para ser uma cidade, Boston não era horrível. Partes dela, o porto, o aquário eram realmente ordinária.
Pensando no Aquário de Nova Inglaterra,todos aqueles peixes, crustáceos marinhos, camarões e tubarões, fizeram grunhir seu estômago. Estava muito zangada para comer durante o almoço, e quando ela tinha saído da recepção, também tinha esquecido seu jantar.
Girou por uma rua lateral, tomando um atalho para Legal Sea Foods, um restaurante para não chupadores. Pediria um tigela grande de creme de pescado e moluscos, e algumas ostras cruas, e um filé, e um crustáceo marinho. E talvez algo para sobremesa. E uma bebida. Talvez três.
Um cheiro chamou sua atenção, forçando-a a tomar uma decisão em uma fração de segundo. Ela entrou em outra rua, uma muito menos lotada, curiosa por ver se os homens a seguiam.
Faziam. Ela não tinha visto seus rostos, só percebeu seus cheiros quando se viravam para segui-la pelo Park Street. Cheiravam a desespero e sedimentos antigos de café. Ela estava bem vestida, e provavelmente pareceu próspera. Ganho perfeito.
Ela virou outra vez, desta vez para um beco deserto. Se os aspirantes a ladrões acreditavam que a conseguiriam para o jantar, estavam absolutamente equivocados. Mentes pequenas
Ela poderia vencê-los facilmente, mas isto significaria ter que tirar seus saltos altos. Os malditos estúpidos sapatos custaram quase trinta dólares! Ela não os abandonaria em um beco de Boston.
Se iam empurrar, ela lançaria seus caçadores contra a parede. Talvez mais de uma vez, estava com humor para isso.
-Alto, senhores.
Janet pulou. Havia um homem em pé no final de beco, e ela não percebeu que ele estava ali até que falou. Ela não o tinha cheirado, pensou que ele estava contra o vento. Quando tinha sido a última vez que isso tinha acontecido?
Ele era alto, mais de dois metros, e bem constituído, para alguém que não era da manada. Seus ombros eram amplos e definitivamente tinha o olhar de um homem acostumado a trabalhar com suas mãos. Tinha o cabelo loiro da cor do trigo, e seus olhos, desde três metros de distância ela podia ver sua vívida cor, eram azuis Mediterrâneo. Estava completamente de preto, calças , uma camisa de pescoço aberto, e um casaco que chegava aos pés .
E....o que quer este agora? Ele entortava os olhos na pobre luz do beco, deslizando o óculos de sol. Óculos de sol? Que estranho era, às dez e meia da noite?
-Tenho assuntos com a senhorita - disse o Estranho, andando para eles. Suas mãos estavam abertas, relaxadas. Ela sabia que não levava armas. Moveu-se com a graça de um bailarino; se não tivesse estado tão fodidamente faminta poderia ter gostado de vê-lo fazer cambalhotas ao redor - Negócios muito mais agradáveis, acredito, que os de vocês dois. Melhor seguirem seu caminho, certo?- Então, com voz mais baixa - Não tenha medo, senhorita. Não lhe farei mal. Absolutamente.
-Afaste-se, quatro olhos, - ela ladrou, e com apenas uma olhada, o empurrou para o lado do edifício e passou apressada. Não tinha tempo para aspirantes a assaltantes, e menos para o Sr.Óculos-de-sol-a-noite. Deixou os três discutindo. Ela tinha um encontro com um crustáceo marinho.
Atrás dela, Óculos-de-sol grunhiu com surpresa. Bateu em cheio quando se chocou com a parede, e depois deslizou para baixo. Ela o sacudiu um pouco mais duro do que pensou... oops.... e então os outros dois saltaram sobre ele, e ela saiu do beco.
Ela podia ver o restaurante a frente. Só alguns passos mais e ela poderia jantar. Só alguns poucos mais…
Ela parou.
-Como se atreve!
Virou.
-Vamos, já basta! Eles são humano… não é seu assunto.
Ela retornou para o beco. Óculos-de-sol era um sujeito estranho, mas ele era vulnerável ao ataque devido o que ela tinha feito. Sim, eles eram humanos, mas uma coisa era se ocupar de seus próprios assuntos, e outra dar as costas a uma confusão que tinha começado.
“ Miúda idiota! Quem sabe quando conseguirá comer agora?”
-Foda-se, voz interior, - disse em voz alta. As pessoas pensavam que Janet era uma cadela; que Deus evitasse que se encontrassem alguma vez com a Janet interior.
Ela entrou no beco para ajudar, bem a tempo de ver o segundo assaltante atirado na asquerosa rua. O primeiro estava meio dentro de um contêiner.
E Óculos-de-sol se apressava, para ela, lambendo o sangue de seus dedos.
-Como dizia, antes que me lançasse contra a parede, tenho um assunto com você, senhorita. E onde demônios você treina?
Ela fico tão surpreendida que o deixou pôr suas mãos em seus ombros, deixou-o aproximar-se. Ele sorriu e até no beco mal iluminado pôde ver a luz brilhando em seus dentes. Seus longos dentes. Suas presas, para ser absolutamente claro. Ele tinha presas, e não estava perto da lua cheia.
-Que demônios é? - Ela pôs uma mão contra seu peito para impedir de aproximar mais. Seu coração pulsou uma vez. Depois nada.
Ele piscou para ela. - O que? O normal é a senhora em questão desmaiar à esta altura. Para responder sua pergunta, sou o filho de um agricultor. Isto é tudo.
-É uma merda, - disse ela grosseiramente. - Voltei para lhe dar uma mão...
-Que doce.
- E vejo que está bem, e tenho fome.
-Que coincidência, - murmurou ele. E deu um toque em uma aguda presa com sua língua.
Sob sua palma, seu coração pulsou outra vez. - Céus, é extremamente bonita. Suponho que seus fãs dizem isso todo o tempo.
Fãs? Quem demônios falava assim? - E você é um saco de merda, - ela o informou.
Bonita? Yeah. Ela não era miúda, nem era alta, estava em algum lugar entre eles.
Altura média, o peso médio, cor de cabelo normal.... nem completamente loiro nem castanho...nariz normal, boca, queixo. Ela poderia ver seus normais olhos refletidos em seus óculos de sol. - E é melhor que me deixe ir antes de que bata em você com tanta força, que passará o resto da noite cuspindo seus dentes.
Ele piscou outra vez, e depois sorriu. - Perdoe a pergunta óbvia, mas não está um pouco nervosa? Está escuro…e está completamente só comigo. Pelo que, eu poderia fazer tudo com você. - Ele lambeu seu lábio inferior pensativamente. - Tudo.
- Isto é realmente, realmente aborrecido, foda-se, - ela o informou. - Deixe me ir.
-Temo que não.
Ela deu um forte pisão, sentiu que seus dedos se esmagaram sob o sapato .
Então ela o lançou longe com destreza. Desta vez, quando ele caiu, não se levantou
Vinte minutos mais tarde, ela sorvia feliz a primeira de uma dúzia de ostras em gelo.
Ele sabia que estava à espreita como um vilão em um melodrama ruim , mas não podia evitar. Ele tinha que apanhá-la quando saísse do restaurante. Assim se limitava a olhá-la pela janela do restaurante do outro lado da rua.
Richard esfregou sua mandíbula pensativamente. Já não doía, mas se ele fosse humano, provavelmente teria quebrado pela força do murro da mulher. Ela batia como um caminhoneiro. E amaldiçoava como tal, também.
Era assombrosa, realmente atordoante com aqueles olhos cor cidra e esse cabelo único. Seu glorioso cabelo chegava aos ombros, ondulado, e de várias cores: ouro, cor mogno, avelã…e até alguns fios de prata. Os fios sedosos brilhando sob a luz e fazendo seus dedos coçarem de desejo de tocá-los, ver se eram tão suaves como pareciam.
Ela tinha sido intrépida no escuro do beco, e ele estava completa e loucamente apaixonado. Tinha que vê-la outra vez, tomá-la em seus braços de novo, ouvi-la dizer -"foda-se" outra vez.
Ah! Depois de uma refeição de cinco pratos, aqui estava. E nossa! Ela o localizaou imediatamente, e vinha através da rua para ele. Suas pequenas mãos eram dois punhos e sua boca exuberante torcida em um grunhido.
- Fodido imbecil, não aprende rápido, não é?
- É maravilhosa, - disse ele, rindo dela. Havia poucas pessoas na rua à esta hora, mas os poucos que havia notaram a tensão no ar, e fizeram uma rápida saída. A maior parte dos humanos tinham uma percepção protetora nula, mas algo da proximidade do vampiro os pôs em alerta, embora não fossem realmente conscientes disso. - Simplesmente encantadora, realmente.
Ela soprou delicadamente. - Vejo que está fortemente medicado, sobretudo. Suma, antes de que bata em você outra vez.
- Veio aqui só para me dizer para ir embora?
Um cenho franzido apareceu em sua testa perfeita, cremosa. - Sim, fiz. Não veja outra coisa nisso. Tão duro, OK?
-Richard Will.
-O que?
-Meu nome é Richard Will. - Ele estendeu sua mão, esperando que ela não se assustasse por seus longos dedos. A maioria das pessoas.... mulheres..... faziam.
- Sim? Bem, Dick, não confio em pessoas com dois nomes. - Ela contemplou sua mão estendida, depois cruzou seus braços sobre seu seio.
Ele deixou cair sua mão. - E seu é…?
-Cansada desta conversa.
-Este é seu nome ou seu sobrenome?
Seus lábios se curvaram em um sorriso involuntário. - Muito bonito. Não respondeu a minha pergunta.
- Qual?
- O que é? Seu coração… Ela começou a estender sua mão a ele, mas depois a deixou cair.
- Só ia dizer que deveria levar seu traseiro a um médico, logo.
-Você sabe o que sou. - Ele se inclinou para ela, e se alegrou quando ela não recuou. - Em seu coração, sabe.
- Dick, qualquer um da minha família pode lhe dizer, não tenho coração.
Ele descansou sua palma contra seu peito, sentindo os rápidos batimentos do coração. - Grande mentira, querida.
Ela bateu na sua mão afastando-a, e pareceu gratamente sem fôlego quando ela disse,
- Não me chame assim.
- Não tenho opção, minha querida , enquanto não me disser seu nome.
- É Janet.
- Janet…?
- Smith, - ela disse grosseiramente, e ele riu entre dentes. Então riu de verdade, uma autêntica gargalhada que afugentou mais rapidamente os atrasados. - Que infernos é tão engraçado?
-Não vê? Simplesmente devemos nos casar. Richard e Janet…Dick e Jane!
Ela olhou durante um longo momento e depois, a contra gosto, uniu-se a sua risada.
- Então você não gosta da nova esposa?
Janet mal humoradamente moveu seu café. Era mais de meia-noite, e eram o único casal da cafeteria. - Não é que eu tenha um problema pessoal com ela, é só…que não é de nossa espécie, é tudo.
- Ela é polonesa?
Ela bufou uma risada por seu nariz. -Nada como isso…Não sou tão burra. É difícil de explicar. E não acreditaria de qualquer modo.
Ele sorriu abertamente, luzindo suas presas. - Tente.
- De maneira nenhuma, José. Quero saber de você. Não sabia que realmente existiam vampiros. Presumo que não é um patético imbecil que afiou seus dentes para paquerar as garotas.
Ele pensou em levantá-la, com cadeira e tudo, sobre sua cabeça, mas não se decidiu.
Entre outras coisas, era desnecessário. Ela sabia o que ele era, sim. Ela havia sentido seu coração. E ele tinha sentido o seu. - Eu tampouco sabia que havia tais coisas, até que despertei morto.
Ela se inclinou aproximando-se, o que lhe deu uma panorâmica excelente da fenda cremosa de seu decote sob seu vestido de cor vinho. - Que idade tem?
- Não tão velho, para um vampiro. Não tenho cem ainda. E como não é cortês perguntar a uma dama sua idade…
- Trinta e seis.
Perfeito. A tola adolescência deixada atrás, ela estava no centro de sua idade sexual, e o melhor estava por vir. Ele tentou duramente não babar.
- Sou a mais velha da família, - dizia ela. - A maior parte de meus amigos têm já filhos adolescentes.
- Tem muito tempo.
Ela esclareceu. - Vê, isto é o que sempre digo! Só porque estamos apanhados nesta sociedade obcecada pela maldita juventude não quer dizer que temos que fazer tudo em antes dos trinta. Por que esta fodida pressa?
- Exatamente. Isto é o que eu....
- Exceto minha família, pensa totalmente diferente, - disse ela, seus ombros caindo.
- Eles estão muito em... se souber o que quero dizer. Às vezes há…há lutas e merdas e nunca sabe se hoje é seu último dia na terra. Há muita pressão para fazer com que cada dia conte, para aprender tudo que possa, tão freqüentemente como pode. Ninguém realmente pára e cheira as fodidas rosas de onde venho, sabe?
- Isto é típico das pessoas. - Ele quase havia dito “dos mortais”, mas não havia nenhuma necessidade de turvar as coisas. Ainda, ele não acreditava que esta conversa estava tendo lugar. Ela tinha insultado-o, tinha esmurrado, sabia o que ele era, e tomava agora café com ele. Assombroso! - Se sua vida média é tão breve ....quanto? Setenta e tantos anos? Bem, é obvio que quer fazer contar cada minuto.
-A vida média de minha família é ainda mais curta, - disse ela mal humoradamente.
- Ah. Vizinhança perigosa?
-Por não dizer algo pior. Embora esteja melhor desde…bem, é melhor agora, e só espero que isto dure.
-É por isso que pode cuidar de si mesma tão bem.
Ela fez ranger seus dedos, que fez agachar o solitário garçom. -Pode apostar seu traseiro.
- Com efeito, mas não. - Ele moveu seu café. Ele poderia bebê-lo, embora tudo isso o faria ficar mais sedento. Pelo contrário, brincou com ele; desfrutando do ritual de jogar creme e açúcar. - Quanto tempo ficará na cidade?
Ela deu de ombros. -Tanto quanto eu quiser. O casamento acabou, então ficarei provavelmente durante alguns dias, depois voltarei para casa.
- E casa para você é…?
-Não é seu fodido assunto. Não se engane, Dick, parece bastante agradável para ser um demônio não morto chupador de sangue…
- Obrigado.
…mas não vou abrir para você com todos meus órgãos vitais a mostra, não importa a aparência agradável e encantadora que tenha.
- Então meus poderes de sedução não são uma completa perda de tempo com você, - brincou ele.
Ela não fez caso da interrupção. - E se você não gostar, pode parar de foder seu café e ir ao inferno.
- Não posso decidir, - disse ele depois de uma longa pausa, durante a qual com ar de culpa pôs sua colher no pires, - se é a pessoa mais refrescante que encontrei na vida , ou a mais irritante.
- Tente o irritante, - sugeriu ela. Isso é o que minha família faz. - Ela deu uma olhada em seu relógio, uma coisa barata que provavelmente marcava a hora também como uma cenoura. - Tenho que ir.
- É realmente tarde, até para mim. - Ela riu disto, por alguma razão.
Ele se inclinou e tomou sua pequena mão quente. A palma era rechonchuda, com uma linha de vida forte. Suas unhas eram brutalmente curtas, e sem esmalte. - Devemos nos ver de novo. Realmente, eu preferiria raptá-la a meu....
- gelado, mofado, úmido castelo?
-... casa em Beacon Hill, mas é uma mulher bastante forte e duvido seriamente que pudesse fazer algo assim sem chamar a atenção. Então devo persuadi-la.
- Não se esqueça, amigo. - Ela arrancou sua mão da dele. -Tente algo, e.....
- Vomitarei meus dentes, ou me partirá de cima a baixo, ou vai virar minha cabeça até que seja capaz de ver meu próprio traseiro— Ela riu bobamente. - sim, sim, entendo-a. Jante comigo manhã de noite.
- Não quer dizer “me deixe olhá-la comer enquanto eu brinco com minha bebida?"
- Algo assim, sim.
- Por que? - ela perguntou com receio.
- Porque, - ele disse simplesmente, - decidi-me. É refrescante porque é irritante. Sabe quanto tempo faz que tive uma conversa agradável com uma dama?
Ela o contemplou. - acha que esta foi uma conversa agradável?
- Mais agradável que “'Socorro, eeeeeeh, afaste-se coisa horrível, não, não, nããããoooo, ah, Deus, por favor não me mate!”. Não posso lhe dizer quantas vezes tive esta conversa.
- É justo para um carrapato que anda,- disse ela. - Jantar, é!? Com você?
- É obvio. - Talvez em cima de você, ele pensou, de repente tonto com uma visão de lamber vinho vermelho por seu estômago.
- Mmmm. Bem. Confessarei, que é agradável ser eu mesma com um sujeito e não tê-lo como um fodido babão sempre que eu digo a mínima coisa....
- Fodido babão?
Ela riu bobamente outra vez. - Mas tem que me contar tudo sobre o despertar como não morto, e se você gosta desta dieta líquida. E como é que minha família não sabia nada sobre você e os de sua espécie?
- Por que saberia sua família sobre os de minha espécie?
- Somos bastante antigos. Não há muito sobre o planeta que não saibamos. Assim me alimentará, e falaremos. Trato feito, Dick?
- Trato feito…Jane.
- Se tiver um cão chamado Spot, afaste-o da comida,- advertiu ela.
O telefone tocou, como gritando "me dê atenção!" som que ela odiava. Gemeu, levantou, procurando e tateando o telefone, e o tirou do gancho. Ela relaxou com o bendito silêncio, que foi quebrado por um som metálico.
- Olá? Jane?
Ela se escondeu sob as mantas.
- Jane? Está ai? Janet. Olá??
Ela amaldiçoou sua audição de mulher lobo. A voz podia ser metálica e débil, mas era também inequívoca. – O que.
- Pegue o telefone, - grasnou o receptor telefônico. - Quero me assegurar de que o tem.
- Não pode. Estou muito cansada.
- São seis da tarde, por Deus. Pegue o telefone!
Ela murmurou algo sujo, e obedeceu a ordem. -Quem quer que seja , estaria melhor ardendo no inferno.
- Sou eu, Moira, e virtualmente estou…hoje faz 27 graus. Em maio!
- Moira.
- Deveria ver o que a umidade fez a meu cabelo.
-Moira.
-Pareço com uma esponja de algodão loira.
- Moira! Isto é fascinante, mas certo como a merda que é melhor que não tenha me chamado para falar sobre seu maldito cabelo. O que quer?
- Não é o que quero, - continuou Moira com sua voz enojadamente alegre. -É Michael. O grande chefe quer ver você em Cape, logo.
Finalmente, a tola fêmea tinha toda a atenção de Jane. Seus olhos se abriram e se sentou direita na cama. - Michael Wyndham? Quer me ver? Como é possível? - E atrás disto, um pensamento cheio de pânico: O que faço? E ressentimento. Venha, moça, cão bom, aqui está um convite para o cachorrinho bom.
- Eu não sou quem decide, bonita…e tampouco você. Sugiro que mova seu traseiro já.
Jane gemeu. - Ai, merda vai foder um pinto!
- Farei.
- Tenho um encontro. Hoje. - Ela entortou os olhos para seu relógio. - Esta noite, quero dizer.
- De verdade? - Moira pareceu...legitimamente.... surpreendida. Ela mudou seu tom, muito tarde. - Quero dizer, é obvio que tem. Com certeza. É natural, uma…uma animada e…er…obstinada senhorita como você. Com um encontro no sábado de noite. Sim.
- Corte a merda, está aborrecendo às duas. - Senhorita. Justo. Moira era pelo menos dez anos mais jovem. Tinha a metade do tamanho de Jane (e de seu peso). Duas vezes o cérebro. Chamar a Moira fêmea tola era simplesmente injusto. -Foda-se! Não preciso disto agora. Não tem nenhuma idéia do que ele quer?
-Um…
- Vamos lá, Moira, você e o chefe são virtualmente companheiros de ninhada. Desembuche.
- Vou só lhe dizer que com sua felicidade recém descoberta com sua companheira e filhote, nosso intrépido líder pensa que já é hora de se assentar......
- Não, não, não!
-......e ele encontrou o companheiro adequado para você,- seguiu ela alegremente. - Ele está certo de que o matará.
- Não tem o chefe da manada algo melhor para fazer que me arrumar outro estúpido encontro às cegas? - Ela podia ouvir o plástico do telefone quebrar, e forçou seus dedos a afrouxarem-se ao redor do receptor.
- Pelo visto não. Agora me diga a verdade; A última não foi tão má.
- Ele gritou como uma criança de terceiro grau quando o golpeei na matança.
- Bom, você monopolizou todos os coelhos para você. Tsk, tsk.
- Imagine, - Jane se queixou, balançando suas pernas e descansando seus pés no chão. - O primeiro sujeito meio decente que encontro em não sei quanto tempo, e o chefe quer que eu o deixe para encontrar algum novo consolo.
- Lamentável, - disse Moira, soando tudo menos com pena. -Excluirei a parte do consolo quando disser ao Michael que está vindo. E agora, que dei minha mensagem, diria-lhe algo como “tenha um agradável dia”, exceto que a conheço.....
- Odeio esta merda. Adeus. - Ela desligou e resistiu ao impulso de lançar o telefone contra a parede. Merda. Merda, merda!
Ela estava tão excitada pelo jantar com Dick, que teve problemas para dormir. Consegui dormir finalmente perto do amanhecer…e dormiu quase todo o dia. Agora tinha que dirigir-se a Cape, de todos os lugares…foda!
Ela jogou realmente o telefone. Mas não a fez sentir-se melhor, nem sequer quando se quebrou espetacularmente contra a parede.
Ela dava golpes com seu pé na calçada, esperando que o preguiçoso porteiro parasse um táxi. Ela poderia conseguir seu próprio maldito táxi, muitíssimo obrigado, mas quando estiver em Roma, faça o que as ovelhas façam. Ou algo assim.
Fez as malas como uma louca e via.... podia ver uma parte de vestido pelo borda da mala. Aarrggh! Cinqüenta e nove com noventa e nove no Sears, e provavelmente nunca o teria posto outra vez. Como se ir comprar roupa não era um horror interminável de qualquer forma.... agora teria que ir outra vez.
E Dick. Ela se sentiu realmente mal por partir da cidade e deixá-lo. Ele pensaria que ela o deixou plantado. Como se isto pudesse acontecer. Ele era ridiculamente bonito, mas, até mais importante, ela podia falar com ele. Não ser ela mesma....não completamente .....mas estar muito perto de ser.
Merda, ela não podia ser ela mesma nem sequer com a manada; eles tinham catalogado-a como uma velha criada fazia uma década. Os membros da manada se emparelhavam jovens, tinham filhos jovens, e morriam jovens.
E ela não queria filhos, o que, entre sua gente, transformou-a na Freaky Suprema.......
Que acontecesse.... assumindo que seu companheiro poderia deixá-la grávida sem machucá-la.....era uma coisa, mas então estaria engordando com um feto durante dez intermináveis meses. Ao menos as humanas só tinham que sofrer nove. Inclusive pior, incharia como um peixe boi e comeria tudo o que tinha à vista, depois pariria uma criança durante horas de dor e sangue…blagh.
E depois! Só de pensar em ter um bebê sempre ao redor, um pirralho que grita e chora e vomita e merda.....e isso só a primeira semana!... Era bastante para pôr os cabelos de pé. Não gostava das crianças nem sequer quando ela era. O sentimento tinha sido mútuo.....e cordialmente devolvido. Ela havia se sentido assim aos dezoito, vinte e três, trinta, trinta e quatro. Certamente os filhos eram necessários....para outras pessoas. Janet preferia dormir até tarde, e usar roupas que não tinham vômitos, e não ter que se preocupar com sua linguagem.
- Aonde, senhora? - o porteiro perguntou, rompendo seu sonho anti-infantil. Ele estava agitando ineficazmente uma mão para os ocasionais táxis. Ela poderia ter parado quatro por ela mesma. Merda, ela poderia ter chegado já ao aeroporto fazendo footing.
- Logan,- virtualmente ladrou. Não era culpa do porteiro que tivessem lhe ordenado deixar a cidade, mas o Grande Chefe não estava aqui para ela descarregar sua cólera nele. -Tão rápido como você possa.
Ela pensou em deixar uma mensagem para Dick, e a contra gosto decidiu que não…melhor averiguar o que o Chefe Michael queria, antes. E se não fosse coisa de vida ou morte, ela o deixaria, e que se danasse, embora ele fosse o líder da manada. Ela tinha uma vida.
Bom, faz dois dias ela realmente não tinha, mas Michael não tinha por que saber isso. Era seu privilégio como alfa estalar os dedos e fazer que qualquer deles viesse correndo, mas ela não era como outros.
Observando o tremor do porteiro se deu conta que o sol quase tinha se posto, e a temperatura tinha baixado seus bons dez graus. De qualquer modo, isto não era muito frio. E por que o rapaz parecia que estava preparado para deixar cair uma batata quente em suas calças? Ela estava irritada, mas não com o… saberia isso com certeza.
Deus, o vapor que o rapaz emitia! Como bolas de naftalina banhadas em gasolina. Seu medo..... seu terror queimava seu nariz. Ficou de costas ao vento e ela cruzou os braços, tremendo.
De resmungona a nervosa em menos de cinco segundos…um novo record!
A ficha caiu e ela entendeu um segundo e meio mais tarde. Virou-se e teve tempo de ver uns chamejantes olhos azuis antes de sentir uma forte dor em sua mandíbula e Dick apagou as luzes. E todo o resto.
Ele não se preocupou. Ele realmente não o fez. Ela estava bem, e se não estivesse, quem se importava? Ele não tinha feito mal à ela. Não muito.
Ele a examinou pela décima primeira vez em sessenta minutos, e sentiu alívio ao ver que a contusão na parte baixa de sua mandíbula havia descolorido a uma mera sombra. A culpa caiu sobre seus ombros como uma pedra.
Para ganhar tempo e passeios.... se ele fosse, demoraria cinco minutos para estar aqui....ele se sentou na cadeira junto à cama. Apoiando seu queixo em sua mão, inclinou-se, e velou seu sono.
Jane franziu o cenho, inclusive nos fios da inconsciência. Ele teria sorrido, se não estivesse se sentindo tão zangado e enganado.
Enganado? Bem, esta é verdade e envergonhado… sim. Enganado! E zangado e doente no coração e furioso pela pequena imbecil estendida em sua cama. A maior parte de sua cólera estava dirigida a ele, era certo, mas tinha tido uma encantadora ajuda por parte da senhorita Jane.
Tinha o enganado; isso era tudo. Uma coisa simples, mas imperdoável. Ela fez ele acreditar que aceitava o monstro, quando de fato e sem dúvida não tinha intenção de fazê-lo. Desgraçada trapaceira consentiu em encontrar-se com ele para jantar só para aplacá-lo, depois tinha feito acertos de escapulir da cidade como um ladrão. Se ele não tivesse chegado cedo para escoltá-la ao restaurante, ela teria desaparecido e nunca teria descoberto que tinha partido. Teria gasto anos de sua vida preocupado por seu destino.
Pelo contrário, ele tinha se dado conta da situação em uma olhada, e tinha agido em conseqüência. Bem, bem, isto era uma mentira bastante grande. Ele tinha entrado em pânico....tudo o que ele podia pensar era em levá-la para sua casa, evitar que o abandonasse. Que deixasse a cidade, melhor dizendo. E em seu pânico, ele tinha batido nela quando só quis lhe dar um toque. A única sorte era que tudo tinha passado muito rápido para que a testemunha solitária....o porteiro.....pudesse ver algo mais que um redemoinho do tecido.
O anoitecer e a velocidade eram seus amigos, embora Jane não fosse.
E era remexer nisso. Ele tinha se permitido esquecer, por uma tarde, que ele era o monstro dos contos de fadas. Tinha esquecido que não poderia haver nenhuma relação com uma mulher além do tipo carnal. Ele não teria mulheres vampiras, e as mulheres mortais não o teriam. Bem, maravilhoso. Simplesmente maravilhoso.
Ele era um monstro, e tinha fingido querer outra coisa.
Mas Jane pagaria por fazê-lo esquecer. Ela pagaria por fazê-lo pensar, embora brevemente, que ele era em primeiro lugar um homem e em segundo lugar uma besta.
Jane gemeu e tentou dar a volta. O telefone tocava. Seria Moira, dizendo para levar seu traseiro a Cape. Ela não podia ver Dick esta noite. Teria que responder o telefone e dizer a Moira que se fodesse, e depois...
Um momento.
Isto já tinha acontecido. Então, por que estava ainda na cama?
Abriu os olhos e tentou sentar. Três fatos alarmantes se registraram imediatamente em seu cérebro: a) que ela não podia se sentar, b) que estava amarrada a uma cama. Que ela estava, de fato, c) atada no mesmo quarto com um vampiro zangado. E não era do serviço de quartos.
- Ohhhhhh, você, idiota! - ela uivou. Se ela pudesse dar bofetadas nos olhos, faria. Se pudesse dar bofetadas nele, faria. Como se pudesse, tinha os tornozelos e os braços estendidos e amarrados em cada poste da cama. - Tem alguma idéia do problema no qual conseguiu me colocar, estúpido imbecil?
Dick, sentado na cadeira junto à cama, piscou para ela. Ele fez disto uma muita… muito lenta e pensativa piscada, como tomado por surpresa. Pareceu paralisado por um momento, ou algo assim. Ela pensou que era muito bonito.
- Eu não deveria ter esperado um protesto discreto, - disse depois de uma longa pausa.
- Deveria esperar um crânio fraturado, idiota não morto! O que faço fodidamente atada na sua cama? É esta sua cama? Será malditamente melhor que seja sua cama! Se estiver na cama de um não morto desconhecido seu traseiro vai acabar na terra!
Ele subiu uma mão até seu queixo…de repente despertou e abruptamente a deixou. Ela esperava a oportunidade de tirar as ataduras...mais nada. Eram suaves, como de tecido, mas extraordinariamente fortes.
Estavam as cordas amarradas com chiclete, ou o que?
Ela se esforçou para escutar, e, muito ligeiramente, pôde ouvir uma risada amortecida a uns trinta metros de distância. Dick tinha ido ao corredor para poder rir nas suas costas.... fodidamente maravilhoso.
A porta se abriu dando uma batida um momento depois, e quando Dick voltou, tinha cara de pedra. - Eu lamento. Pensei que tinha deixado algo no fogo. Onde estávamos?
Ela se jogou contra ele. As ataduras permitiam que sua perna se movesse, mas não muito.
- Falávamos de como vai morrer....outra vez....de uma morte dolorosa e horrível!Com que demônios me amarrou?
A comissura esquerda de sua boca se moveu nervosamente. - É elástico misturado com fibra de titânio. Não lhe fará mal por colocá-lo em você, mas é impossível de quebrar. Até eu tenho problemas para quebrá-lo, e sou mais forte que você.
- Quer apostar, Não Morto Andante? - Tem idéia....arrgh! Supõe-se que tenho que me encontrar com meu chefe justo neste momento! Que horas são?
- Aproximadamente as duas da manhã.
- Aaaarrrgggghhh! Imbecil! São cinco horas da tarde!
- Outro encontro? - ele perguntou sedosamente.
- Não, surdo e ainda por cima não morto, já disse. Meu chefe chamou... bom, ele não chamou, mas sim um de seus lacaios.... e me disseram para estar em seu escritório, o mais breve possível. E quando ele diz para saltar, nós saltamos, amigo. Eu não tive tempo nem para lhe deixar uma mensagem, mas teria voltado!
- Acredito que o faria.
Jane estava tão zangada, que teve vontades de morder a si mesma. Pelo contrário, ela sacudiu impotente suas ataduras outra vez. - Sim, eu teria voltado, bobo de merda!
- Seu chefe a chama no fim de semana, e deve deixar tudo e correr ao seu lado? Realmente, Janet. Esperava uma história melhor que esta.
Ela grunhiu. Se ele a deixasse um pouco mais louca, começaria a latir ao maldito teto. - Jesus, e pensar que realmente tinha vontades de vê-lo! E assim é como reage a uma recusa…pervertido!
Algo brilhou em seus olhos então. Profundamente. Ela de repente recordou o lago perto de casa onde estava acostumada a nadar. A água azul era bonita e convidativa, mas o lago se alimentava na primavera com o degelo, e era de um frio glacial, inclusive em julho. Não sabia quão frio estava até que entrava. Então era como se a golpeassem, e tinha que se pôr em movimento ou congelaria.
- Então admite que me deixou plantado?
- Não, imbecil! Disse-lhe a verdade. Pode acreditar ou que se foda.
- Há uma terceira opção?
- Se…me desamarrar assim posso fazer uma chamada telefônica!
- Acredito que não.
- Você não pode me manter aqui como… - Ela virtualmente cuspiu a palavra.…um mascote ou algo assim.
- Não posso?
De repente ele estava em pé junto a ela, desabotoando casualmente sua camisa e tirando a dos ombros. Seus olhos se abriram até que virtualmente estavam inchados. - Que merda está fazendo?
- É uma garota brilhante. Entenderá em um minuto.
- Não se atreva!
- Atrevo-me e muito, agora que meu coração... Ele cortou repentinamente, e ela ouviu o estalo de seus dentes ao se fechar. Que demônios passava com este sujeito?
Depois veio a calça, as meias três-quartos, a roupa de baixo. Nu, Dick era extremamente comestível... pernas longas, amplos ombros, e um estômago plano e saboroso que a fez pensar em fondant quente e creme. Seu peito estava ligeiramente cheio de pêlos loiros dois tons mais escuros que seu cabelo. Seu tônus muscular era excelente e ela teve o impulso repentino e louco de tocá-lo, ver se sua pele era tão suave como parecia.
Seria, pensou, como o veludo sobre aço. Ou mármore… era bastante pálido.
Ele estendeu a mão e apagou a luz…click. Ela conscientemente dilatou suas pupilas e pôde vê-lo de novo, uma sombra pálida na escuridão. Um borrão com olhos azuis brilhantes.
Ela sentiu sua fria mão em sua coxa, então seus dedos desabotoaram com agilidade o vestido. Ela chutou outra vez, em vão. Ele quebrou o fecho do sutian, estúpido fechamento dianteiros!...E com estranho cuidado, suavemente rasgou sua calcinha pela metade. Ela gritou. Doze dólares em Vitória's Secret! O segredo de uma puta consistia no encarecimento da roupa interior a 600%!
- É um chute no traseiro, - disse ela claramente.
- Bastante certo. - Ele tirou sua calcinha e abriu seu vestido, depois tirou seu sutian do caminho. - Umm. Muito agradável.
- Que se foda, pervertido.
- Preferiria que não…além disso, está aqui, então, por que teria que fazê-lo? Temos horas até a saída do sol. - Ele riu entre dentes. Soou como água fria fluindo sobre rochas pretas. - E Jane…estou tãããão faminto. Fiquei esperando e esperando até que despertasse.
- Espero que se envenene. Espero que se afogue até que seus pulmões explodam. Espero que meu sangue queime sua traquéia. Espero...
- Capto a idéia. Espero que a próxima vez que concorde em passar a tarde comigo, mantenha sua palavra. - Então ele estava sobre ela tão de repente que não teve tempo nem para lançar um grito afogado. Ela se escorou como pôde para sua brutal entrada, com dentes e sangue e dor. Ah, quando sair daqui vou usar suas vértebras como jogo de dados. Verá como faço. E não chorarei, tampouco. Assim será.
Sua boca seguiu sua mandíbula, e o sentiu lamber sua jugular e mordiscar suavemente a carne sensível. Sua mão fria se fechou sobre seu peito, pressionando-a contra sua carne quente, e ela sentiu que seu mamilo se endurecia contra sua palma. Um momento depois ele a beijava na garganta, entre seus peitos, e seu estômago. Sentiu seus polegares em sua vagina, estendendo-a, e sentiu como serpenteava sua língua dentro dela. A surpresa quase a jogou da cama. Sua boca era fria, mas rapidamente se esquentou, e ela se afastou, pensando em suas agudas presas.
Mas não tinha nada que temer... ou talvez, mas rapidamente esqueceu quando as ondas de calor que começaram em sua pernas subiam. Sua língua entrava e saía de seu pequeno túnel, apunhalando seus clitóris, e logo ele se retirou e lambeu… terrivelmente reduzindo o ritmo das lambidas que a fizeram sacudir-se. Ela apertou seus dentes com tanta força como pôde e impediu de sair os sons que desejava fazer. Bem ele não estava fazendo o tipo duro. Isto não era idéia dela. Não era muito diferente de açoitá-la ou jogá-la contra uma parede de um sujo beco ou... ou...
Ele parou. Retirou-se. Ela começou a relaxar, mas de repente sentiu uma picada aguda quando suas presas romperam a pele sobre sua artéria femoral. Ela ofegou...não pôde evitar....e tentou afastar-se, mas suas mãos a seguraram rápido.
Seus dedos acariciaram a suave pele entre suas coxas, e logo ele separou os lábios outra vez, e acariciou seus palpitante clitóris. Um de seus dedos deslizou dentro dela enquanto seu polegar pressionou em suaves círculos ao redor de sua carne cada vez mais excitada. Enquanto isso, sua boca estava ocupada no interior de sua coxa, e podia ouvir seus suaves goles.
Isto continuou, e continuou….e rapidamente perdeu a noção do tempo. Ela gritava para si.
Quando começou a sentir que gozava, ele de algum jeito soube, e seus dedos se retiraram. Sua boca nunca parou. Então ele começou de novo, tomando cuidado de não levá-la até a beira. Até o momento ela não tinha emitido nenhum som, mas a cama vibrava com suas sacudidas.
Por fim ele se saciou. Retirou-se, depois se aproximou dela e lhe deu uma longa, e lenta lambida. - Ummm. Está tão molhada. Amo isso . E tem um gosto tãããoo bom. Em todas partes, acredito. Seu sangue é realmente saboroso. Que demônios esteve comendo?
Ela mostrou os dentes como resposta. Sentiu que sua pélvis se colocava sobre a sua, e ouviu que sorria. - Sua raiva poderia incendiar o quarto...melhor que estou frio, Não?
Ela não se dignou a dar uma resposta. Além disso, se abrisse sua boca....que poderia ela dizer? Ela tinha medo de pedir....rogar....que a fodesse. Com força. Durante muito tempo, muito, muito tempo. Sua vagina palpitou. Sua coxa palpitou. Isto não era pela dor, era ansiosa necessidade. Nunca tinha necessitado gozar tanto.
Quando o sentiu entrar nela, usou cada grama, cada gota de sua força de vontade para não levantar para encontrá-lo. Resistiu pondo suas muitas ofensas em uma lista dentro de sua cabeça.
Aquela parte dele era quente. E dura e enorme. Seu pênis a separava devagar e suavemente, e ela teve um rápido flash: Ele tinha que ser gentil…se não fosse, como em ocasiões anteriores, ele podia machucar sua companheira. É por isso que ele fodia com sua língua, antes. Mas este pensamento se diluiu na confusão quando ele empurrou, e ela o sentiu golpear dentro dela. Ela fez um som, um pequeno som, e sua boca se fechou imediatamente sobre a sua. Ela pôde saborear sua própria luxúria, e seu sangue, e depois ele sussurrando em sua boca, - Não pude evitar, Sinto muito.... machuquei você? - Suas mãos estavam apertadas em seu cabelo e agora ele estava gemendo e empurrando, e sua respiração vinha em ásperas baforadas.
- Por favor, - ela gemeu. - Por favor.... não pare. Não pare nunca. - Mais forte. Mais. Mais rápido. Por favor. Por favor. Por favor.
Ele gemeu, também. - Queria feri-la mas não assim…Se o fizesse, minha própria....- Ela ouviu que ele fechava seus dentes…e então ele parou tão de repente que ficou rígido pela tensão. Ela teve medo de mover-se, respirar, mas não importou, ele fez o inimaginável saindo devagar dela. Ela fechou seus olhos e gemeu quando ele se separou, odiando-se por isso embora soubesse que não poderia ter feito nada para reprimir o som.
- Jane. Diga-me a verdade, amor. Eu a machuquei? - Ela sentiu que sua mão acariciava sua bochecha e abriu seus olhos. Seus dentes estavam tão apertados que sua mandíbula tremia. Aqui estava a perfeita oportunidade para sua vingança. E ela não pôde fazê-lo.
- Duas vezes - ela sussurrou.
Ele se aproximou, deixou cair um beijo em seu ombro. - O que?
- Duas vezes. Esta é minha segunda vez. Total. Em toda minha vida.
- Você....o que? - Ela poderia ter rido de sua expressão horrorizada, se não fosse porque estava pronta para tirar seus olhos por não havê-la deixado gozar. - Ah, Cristo! Eu não...não acreditei que você..... Parecia tão forte que estava seguro.....
Forte? Segura. Verdadeiramente forte. Ela tinha cultivado uma couraça ao redor de sua alma da noite em que ela perdeu sua virgindade. A noite que ela, em seu ardor, quebrou a coluna de seu amante. Isto tinha ocorrido no último dia do primeiro curso na Universidade, e seu então..namorado, pelo que ela sabia, estava ainda em uma cadeira de rodas. Essa foi a primeira e última vez que tinha eleito alguém de fora da manada. Era, de fato, a única vez que ela tinha saído com alguém, até esta noite. E ela não tinha escolhido este exatamente, não é?
- Não pode mencionar a Cristo, - sussurrou ela. - É um vampiro.
- Um dos muitos mitos, - sussurrou ele. Ele acariciou seu cabelo. Ela poderia sentir seu pênis em sua perna, palpitando com impaciência. Importava-lhe uma merda se a machucaria ou não. Tinha um assunto que resolver. E ela também. - Jane, por que tentou escapar de mim?
- Não fiz isso, texugo. Disse-lhe a verdade.
- Hmm.
- Agora por favor pode terminar e me desamarrar?
- Escolha.
Ela quase gritou. - O que?
- Escolha uma opção. - Ele deu um toque em seus clitóris em brincadeira. - E o farei. - Ele a beijou de novo. Baixou e lambeu seu mamilo, depois o chupou, com força. Em suas amarras, suas mãos se fecharam em punhos. - Qualquer coisa que escolha. Acatarei. Totalmente.
- "Odeio você, - ela quase soluçou.
- Sei.
- Acabe.
- Ahh, graças a Deus. - Em um instante ele empurrava dentro dela outra vez, e por meio segundo ela entendeu porque ele tinha ficado preocupado....a fricção era deliciosa, tão, tão deliciosa que era só um lado da dor. Quanto mais bombeava seus quadris contra as suas se fez mais que delicioso; era delicioso.
- Me beije, - disse ele em sua boca. - me dê sua língua.
Meio cega de prazer, ela assim o fez. Ele chupou sua língua ao mesmo tempo que suas penetrações e ela pôde ouvir alguém fazendo ruidosos e altos gemidos, e se deu conta com assombro que era ela que emitia esses tolos sons de puta. A cama batia ao ritmo de seus embates, e depois ele separou sua boca da dela. – Agora - ele assobiou em seu ouvido, - goze agora. - Então ele beliscou seu mamilo, com força, e isto a fez explodir no orgasmo mais poderoso de sua vida. Realmente podia sentir a ondulação de espasmos por seu útero, e o mundo se escureceu e rabiscou pelas bordas durante alguns momentos. Em cima dela ele ficou rígido e durante um momento seu abraço foi doloroso. - Meu deus, Jane! - Então ele se estremeceu por toda parte, e se relaxou quando ela o sentiu gozar profundamente dentro dela.
Ela descansou durante alguns minutos....tinha sido um dia estressante. Despertou ao sentir que ele acariciava seu lábio inferior com o polegar. - me solte agora mesmo. Foda-se.
- Ah, despertou. Pensei que estava estranhamente tranqüila.
- Fora. Agora. Odeio você. Matarei-o.
Ele se pôs a rir, o que não melhorou nada seu humor. Ela empurrou poderosamente e as arrumou para fazê-lo sair de cima dela. - Sinto muito, amor, é grosseiro rir. Mas a maior parte das mulheres em sua situação estariam encolhidas pelo susto, e soluçando na colcha. Tudo no que você pode pensar é como conseguir cravar seus dentes em mim.
- E como poderia saber? - ela acrescentou suavemente.
- Umm…bem, há outros modos de saber a resposta dessa pergunta…
- Tudo o que colocar em minha boca, vai perdê-lo.
Ele suspirou. - Suponho que era muito bom para durar. Que pena que somos compatíveis só na cama.
- Compatíveis em..... me estuprou, come merda! Tem idéia do que minha família vai fazer com você? O que eu vou fazer ?
- Estuprei realmente. - Ele beliscou um de seus mamilos. - No princípio.
Ela ruborizou de vergonha. Ele viu, e isto o comoveu onde suas ameaças de morte não o fizeram. - Não, tem razão que a forcei. Nada disto foi idéia sua. Ainda está amarrada, pelo amor de Deus. Não tem nada do que se sentir culpada.
Ela estava, absurdamente, agradecida pela mentira. Embora, não tivesse a menor intenção de demonstrar.
- Sinto não ter quebrado seu pescoço naquele beco quando tive oportunidade, agora me deixe ir !
- Sinto muito, Jane. Teve a oportunidade de ser livre, mas decidiu ficar.
- Não fiz isso......
- Assim ficará voluntariamente, e tal e como agora, até….
- Ah, o que, quer? Cristo, vai me deixar louca!
- …até que aceite ser minha esposa.
Houve um longo silêncio, quebrado por, - Está drogado.
- Só se você estiver. É por isso pelo que seu sangue é tão rico? Deus, parecia vinho. Não acredito que tenha me sentido melhor alguma outra vez, - ele disse frívolamente. - Eu tinha planejado fodê-la e comê-la e jogá-la na rua de madrugada sem um sequer “ligarei depois”, - mas agora nunca, nunca a deixarei ir. É uma estranha jóia, Jane. Uma esmeralda, um rubi.
- Estou amarrada a uma cama ao lado de um louco de amarrar, - refletiu ela em voz alta, Alguma vez tinha bebido de uma mulher lobo, em, companheiro? Interessante. Se acaso se viciasse em mim, poderia ser útil. - E quanto a me casar com você.... terá ouvido provavelmente isto de todas suas outras vítimas violentadas, mas preferiria estar morta.
- Não morta, - disse ele alegremente. - Bem, haverá tempo para isso. Está ainda na flor da vida. Embora não tenho nenhuma intenção de ficar viúvo em quarenta ou cinqüenta anos.
- O que?
- Ah, não insistirei sobre isso ainda, mas provavelmente dentro de dez anos mais ou menos, terei que convertê-la definitivamente em um vampiro.
Uma mulher lobo não morta? O que é que vem depois, o Monstro do Frankenstein que vem depois de jantar?
- É um louco de merda.
- Pelo visto, - disse ele alegremente, e a beijou, e a deixou.
Richard bateu na porta discretamente....absurdo, considerando o que ele acabava de fazer.... e abriu a porta. Ela olhava o teto, e nem o olhou quando entrou.
Ele mordia seu lábio inferior e tentou não distrair-se com a encantadora vista de Janet, estendida em sua cama. Era assombroso....ele acabava de passar mais de uma hora com ela, mas queria tomá-la outra vez agora mesmo. E outra vez. E depois outra vez.
Levava uma bandeja cheia de delícias. Ela o cheirou e se sentou tanto como suas ataduras permitiam. - Tempo de dar de comer no zoológico, - disse Jane mal humoradamente. O ponto de sua coxa aonde ele se alimentou estava púrpura. Ele sufocou o impulso de beijá-lo, e pedir perdão. Ela é uma mentirosa, lembrou. E você é o monstro.
- Ah, cale-se. Ninguém que está em um zoológico come tão bem. Vê? Creme de crustáceo marinho, bolachas, um filé e leite e se comer isso tudo, sorvete de chocolate.
- Isto é uma quantidade ridícula de alimento, - disse ela, contemplando a bandeja.
- Vi você comer, meu amor. Vou soltar as amarras, mas antes de me bater na cabeça com a bandeja e fugir pelas colinas, direi-lhe que há ao menos três portas com o cadeado fechado....tudo de carvalho inglês....entre você e a rua. Nunca conseguirá atravessar todas antes de eu apanhá-la. E deve estar faminta. O melhor e mais prudente é comer e depois traçar seu plano de vingança, não?
Ela bateu seus dedos no edredom e olhou. Seus olhos se estreitaram, mas finalmente disse, -tenho fome.
- Coma, e depois um banho quente… soa bem?
- E então o que?
- E depois aceitar ser minha esposa.
- Não, - ela virtualmente grunhiu, - comece com isso outra vez, chupa sangue.
- Ah, uma noiva modesta e ruborizada, que refrescante. Posso ver que está contemplando o homicídio...tente não derramar a sopa.
Ele deixou a bandeja na mesa, e desamarrou seus tornozelos. Então ele segurou o pé da cama e a puxou separando da parede. Ela poderia ter feito o mesmo, mas não pôde evitar ficar impressionada.....não estava mal para um macaco não morto. Ele foi para a cabeceira , ficando atrás dela, e em alguns segundos liberou seus pulsos.
Ela saiu da cama de um salto, tirou os restos de sua roupa e os atirou ao chão, e foi direto para a bandeja.
- Trouxe para você algumas roupas....
- Quem se importa? - disse dando uma dentada na bolacha. - Já me viu nua.
- OH - É magnífica. Ela me distrai. Se está dando cambalhotas com esse pequeno e doce corpo terá mais do que deseja. Tem sopa no queixo. - Enfim, como quiser.
Ele se sentou e a olhou comer. Ela comia como uma máquina, não parecia encontrar nenhum prazer na comida. Era reabastecimento de combustível, para melhor lhe dar um chute no traseiro. Bem, que assim seja. Ele merecia, isso e mais. E ele se curava rápido. Deixaria ela fazer o pior. - Por que rompeu nosso encontro? - perguntou repentinamente, e até ele se surpreendeu....não tinha intenção de dizer tal coisa até que o fez.
Ela grunhiu com irritação. - Já falamos sobre isso.
- Jane… - De novo, ele não tinha nem idéia do que ia sair de sua boca, mas se lançou de qualquer modo. - Jane, se me disser a verdade, abrirei as três portas e a acompanharei ao seu hotel. Só confesse que teve medo de mim, que estava só fingindo aceitar o que sou, e......
Seu olhar o furou como um laser. - Meu nome é Janet Lupo, - disse ela com frieza. - Não tenho medo de nenhum homem. E, eu Não Minto.
Ele realmente sentiu a frieza emanando dela. Absurdo! Ela era a metade de seu tamanho, embora tinha duas vezes mais boca. Seu olhar fixo era estranho, quase hipnótica. Com dificuldade ele rompeu seu olhar desafiante. – Bem - disse por fim, - talvez possa entender por que tenho dificuldade para acreditar que seu “chefe” interfere em seu tempo livre, e que tem que deixar tudo e se precipitar em ir ao seu encontro no momento que ele quiser.
- Regras da Manada.
- Perdão?
- Manada…regra…fodido…imbecil. Estou falando em chinês? Sou uma mulher lobo. Meu chefe é o macho alfa.
Ele riu, depois esquivou de sua tigela de sopa atirada direto na sua cabeça. - Ah, vamos, Janet! Como sabe que sou um vampiro, decidiu que acreditarei que é uma mulher lobo? Tenho cara de crédulo? Não existe tal coisa, e sabe bem.
- Não diga, sanguessuga!.
Ele ainda ria entre dentes. – boa tentativa.
- Se pudesse pensar com algo mais que seu pênis durante cinco segundos, veria que tem sentido. Minha força, minha velocidade…
- Tudo está dentro da média para o homo sapiens…embora esteja no mais alto.
- Esteve morto muito tempo, Dick. A média do homo perdedor é apenas levantar o controle remoto. Meu rico sangue? Isto é por uma dieta rica em proteínas. Proteína crua, durante a lua cheia.
- Ah, a lua cheia. É dentro de alguns dias, mas suponho que deveria tomar cuidado quando....
Ela deixou de repente seu garfo na bandeja; a mesa tremeu, depois permaneceu imóvel. - A lua cheia é dentro de oito dias. E quando chegar, vai levar uma fodida e enorme surpresa. Suas pequenas portas de carvalho não me deterão então. Cairei fora daqui.....e comendo sua cabeça enquanto saio pela porta..... e se dará conta que está muito fodido. Saberá que eu dizia a verdade, e que não podia ver além de seu estúpido orgulho ferido de macho. Irei para sempre, e terá o seguinte século para se dar conta do idiota que foi.
Era tão convincente, que realmente ficou em pânico durante um momento. Para acrescentar drama ao seu pequeno discurso, ela deixou de comer, andou para a cama, meteu-se debaixo das cobertas, e lhe deu as costas o resto da noite. Não disse outra palavra, nem o olhou, nem sequer quando ele a tentou com uma tigela transbordante de mingau frio.
Ele tinha razão sobre as portas, pelo menos....eram de carvalho. Grossas e pesadas, com as dobradiças no exterior onde ela não podia alcançá-las. Tinha batido nela com seu ombro várias vezes. Bom, umas trinta, mas apenas se moveu de seu marco. - fodida madeira inglesa, - resmungou, esfregando seu ombro dolorido.
Ela tinha rondado por sua cela durante as duas últimas horas. Era um magnífico quarto com tapete cor vinho, uma cama extra grande e suave com cerca de um trilhão de travesseiros, e um banheiro anexo realmente glorioso (sem navalhas de barbear e demais coisas afiadas, como notou pesarosa). Mas pelo que Janet percebeu, se não podia partir, era igual a ter um chão de cimento e grades na janela.
Ela olhou no armário e encontrou vários trajes de seu tamanho, em vários materiais. Nenhuma roupa verdadeira. Nada de televisão, tampouco, mas vários livros. Viu alguns clássicos -Shakespeare, Mark Twain, e Tolstoy ... também estupendo!....as obras completas de Stephen King. Supôs que poderia ter alguma possibilidade de jogar o exemplar de Hamlet em Dick, tão forte como pudesse. Ela teve uma oportunidade com ele antes, no beco, mas se perguntou se seria possível agora. Ele não acreditava que era uma mulher lobo, o estúpido tolo, mas tomaria cuidado. Pensava que ela era um macaco, mas a respeitava de qualquer modo. Se não fosse tão imbecil, realmente poderia ter gostado dele.
Ela se perguntou no que a manada estaria pensando....o que estaria pensando Michael. Provavelmente que tinha sido atropelada por um trem ou algo assim. A morte era a única razão aceitável para faltar a uma reunião com o cão grande. De maneira interessante, este pensamento....que ela tinha desobedecido a contra gosto uma ordem de seu líder, não lhe produziu ansiedade. De fato, era bastante agradável, saber que Michael estava esperando-a em Cape, e ela estava ainda em Boston.
Se Dick não tivesse sido tão besta. Se ele não tivesse sido tão agradável sendo tão besta.... ele podia ter lhe machucado realmente, mas se controlou. Ela lembrou como saiu dela quando pensou que era muito grande para seu corpo…lembrou a comida excelente, e as grandes quantidades dela. A absurda oferta de casamento. Porque…bem era absurdo, só absurdo.
Se ele não fosse tão bastardo, poderia começar a gostar dele. Mas ninguém....fodidamente ninguém....seqüestrava Janet Lupo da rua, amarrava-a como um cão, e fazia o que lhe desse vontade. Ele pagaria. Teria que esperar sua oportunidade, mas esta finalmente se apresentaria. E logo ele deveria tomar cuidado com suas tripas, porque iria arrancá-las e atirá-las ao chão.
O cheiro de ovos fritos com manteiga a despertou. Antes que ela pudesse abrir seus olhos, deu-se conta que Dick estava sob as mantas com ela. Então sentiu sua boca em seu pescoço, sentiu uma breve dor quando suas presas rasgaram a pele. Ela tentou afastá-lo, mas ele a segurou e sustentou contra a cama enquanto ele bebia. Ela não podia fazer alavanca e levantar-se assim só pôde ficar extendida debaixo dele enquanto bebia dela.
- Pedaço de merda, - disse ela diretamente em seu ouvido.
Ele riu contra sua garganta. - Este é o problema, Jane meu amor. Se gritasse ou desmaiasse, não teria nenhum interesse....iria querer me liberar de você o mais rápido possível. Mas você é intrépida, e está furiosa, e isto é como um afrodisíaco para mim. E é por isso que tem que ser minha esposa.
- Prefiro comer meu próprio coração.
Ele lambeu o sinal da dentada em seu pescoço, depois acariciou com o nariz o ponto sensível. - Essa visão é bastante inquietante. Dormiu bem? Confesso que estou surpreso por não estar deitada esperando para me estrangular com a bandagem de um de seus trajes.
- Prefiro esperar até que tenha baixado a guarda. Então o sentirá. - disse com total confiança.
Ele descansou sua testa contra a dela. - Deus, é encantadora.
- Vou esfolá-lo vivo, fodido-macaco-não-morto. Então vou fazer fogo com sua pele. E por último vou assar seu corpo esfolado sobre a fogueira feita com sua pele.
- E tão elegante, também! Umm… - Sua fria boca se fechou sobre um de seus mamilos, e ela bateu seu punho em cima de sua cabeça, com força. Então ganiu quando ele a mordeu.
- Sinto muito, - disse ele, esfregando a cabeça. - foi você não eu, deu-me tão forte que meus dente se fecharam.
- Só espere, - disse ela sinistramente.
Ele beijou sua mão, seu pulso, e depois a curva de seu cotovelo. Ela fechou o punho e se preparou para bater outra vez.
- Jane, tão encantadora como foi ontem à noite.... para mim, em qualquer caso...preferiria não ter que amarrá-la outra vez. - Ela bateu em um lado de seu rosto, um golpe pobre com sua carência de impulso, mas sua cabeça balançou para trás, o que resultou ser gratificante. Ele continuou como se nada tivesse acontecido.
- Vamos fazer um trato, você e eu. Não a amarrarei, e você não lutará contra mim. A partir de agora,- ele acrescentou.
- Não me amarar?- perguntou com receio. - Mas tenho que deixar que me foda?
Ele pareceu machucado. - Sim, tem que deixar que a foda.
Ela simulou meditar, mas não era uma decisão fácil. Ela poderia suportar quase tudo menos estar amarrada. Isto ia contra sua própria natureza, fez ela querer morder alguém. - Bem. Não bater em você, e você não porá as faixas de elásticos.
- E me beijará.
- Esqueça.
- Bem, então, eu a beijarei pelos dois. - Ele riu dela, passou a mão pelo dorso de seu pescoço, e puxou-a para ele.
- O que, não posso comer primeiro? Este trato não presta.
- Mais tarde, Jane. Imploro. - Sua boca estava ligeiramente quente, e sua língua passava escorregado seus dentes para acariciar sua própria língua. Ela sentiu sua mão sobre um de seus seios, provando seu peso, e depois seu polegar esfregando o mamilo.
Ela se moveu, empurrando mais seu seio na sua palma. - Deste modo, quanto mais rápido acabe, mas rápido posso comer os ovos.
Ele suspirou. -Realmente mata o clima.
- Que clima? Sou uma presa, foda-se. E tenho fome, - gemeu ela.
- Ah, por.... - Mas se afastou dela e ela saltou da cama. Caiu sobre seu café da manhã...ovos, seis tiras de toucinho, quatro pedaços de torrada, e dois copos de leite..... e o devorou em cinco minutos enquanto ele permanecia na cama e a olhava com as mãos enlaçadas atrás de sua nuca e um olhar incrédulo em sua face. Ela acabou, limpou sua boca com o guardanapo, e o jogou sobre seu ombro, e voltou à cama.
- Bem, onde estávamos,- disse ela, imensamente alegre.
Ele riu dela. - Bem, então. Ele estendeu a mão, tomou a dela, e a levou para o banheiro.
Dez minutos mais tarde, eles estavam em uma banheira gigantesca e o chão ensopado. Suas pernas estavam amplamente estendidas descansando nas bordas da banheira, ela se agarrava aos lados tão forte que seus dedos doeram. Richard estava sob a água, aproximando-se, lambendo-a e acariciando sua vagina. Ele levava ali mais de cinco minutos, e ela estava a ponto de ficar fodidamente louca.
Agora sua língua estava dentro dela, e um de seus dedos se deslizava em seu traseiro.
Ela nunca se interessou em sexo anal, a idéia sempre a repugnou....mas a sensação de seu comprido dedo deslizando dentro dela enquanto sua língua perfurava, apunhalava e lambia sua vagina a fez palpitar. Não tinha nenhum controle sobre suas reações, simplesmente começou a empurrar seus quadris contra sua boca. Seus surdos gemidos (seus dentes estavam fortemente apertados) lançados aos azulejos do banho.
Ele se levantou, a água gotejando por sua pele branca como o mármore, e lhe sorriu abertamente. Puxou-a para ele grunhindo, - Agora me beijará.
Ela o fez, sem vacilar. Ele sorveu sua língua com sua boca quando abriu mais suas coxas, tomou na mão seu pênis e o esfregou contra sua úmida vagina.
Ela gemeu em sua boca e jogou para ele. Ele retirou sua boca e procurou seu pescoço, e ela o sentiu morder quando seu pênis se lançou dentro dela. A combinação de sensações a leve dor e crescente prazer a fez gozar com tal força que ela caiu contra ele, e outra maré de água transbordou da banheira.
- Ummmm, - murmurou ele contra sua garganta. - Ah, isto está muito bom. Poderia fazer isso todos os dias.
- Melhor que…não…- ela foi capaz de dizer. - Isto me matará.
Ele riu e se virou para trás. Ela ainda estava estendida na borda da banheira; estavam unidos só por seu pênis. Ele dirigiu suas mãos aos seus seios acariciando-os, sorrindo quando ela gemeu outra vez. - Ah, vai se casar comigo, - disse ele roucamente. - Acredite.
- Por que não…pára de falar…e termina de transar?
Ele sorriu abertamente, presas resplandecentes, agradecido. Quando ele terminou ela estava indecentemente satisfeita, e só restaram alguns centímetros de água dentro da banheira.
Mais tarde, ele trouxe um segundo café da manhã. - Depois da última meia hora, - explicou ele, - até eu poderia... comer alguns ovos.
- Não está mal para um sujeito morto,- disse ela casualmente, fingindo que ainda não estava tendo palpitações. O homem tinha um toque diabólico entre as cobertas.....ou na banheira.... e isto era um fato. -Estou certa que as senhoras gostam, quando não é tão imbecil claro.
Ele não respondeu, só sentou na frente dela e a olhou comer. Depois de alguns minutos, ele começou a bater com seus dedos na mesa.
-Sim, isto não vai me incomodar. O seqüestro e o estupro posso suportá-los, mas não agüento os tics nervosos. Pare.
-Por que só duas vezes?
-O que?
Ele mordiscava pensativamente seu lábio inferior e a olhava. - Por que esta última noite foi só sua segunda vez? Tem cerca de trinta anos. Deveria ter tido centenas de experiências já. Não pode ser uma aversão ao ato em si mesmo....é atraente, sensível, e aberta a novas experiências. Então qual é a explicação?
Sua boca de repente secou e bebeu um pouco de suco. - Não é seu assunto.
- Ele a machucou? Se foi assim, estaria encantado de buscá-lo para você e lhe dar um castigo....
- Estou falando em chinês? Disse que não é seu assunto. - Sua mão tremia. Ela deixou o copo de suco de um golpe e escondeu as mãos sob a mesa. - E mesmo que fosse, não quero falar disso. Principalmente com você.
Seus olhos estavam entrecerrados, pensativos. - Ah…você fez mal a ele. E sente uma desnecessária culpa após.... Jane, pelo amor de Deus. Independentemente do que fez, foi um acidente. Não fez de propósito, quero dizer.
- Está surdo? Eu disse que não quero falar disso! - O copo zumbiu sobre sua cabeça; ele se esquivou e ele quebrou na parede em frente. Suco de laranja e vidros quebrados orvalhado por toda parte.
- Bem, - disse tranqüilamente. -Não falaremos disso.
Suas mãos não era as únicas que tremiam. Pegou seus cotovelos e se abraçou; apertando os dentes para deixar de tremer. Ela até temia vomitar, e logo.
Ele levantou de sua cadeira, aproximou-se dela, e a levantou como se fosse uma criança.
Incrivelmente, ela não tentou arrancar seus olhos. - Está cansada, - disse ele calmo. -teve uma semana podre. Por que não se deita um pouco?
- Por que não vai se foder?
- Podemos fazê-lo entre os dois?
Ela riu entre dentes a contra gosto.
Duas noites antes da lua cheia, e ela estava realmente aflita.
Aflita! Era quase como se temesse sua iminente fuga. Que a mantivesse em uma dieta estável de mantimentos ricos e sexo assombroso estava fazendo cair vertiginosamente seu Quociente Intelectual.
Cada dia, ele pedia à ela que dissesse a verdade, prometendo deixá-la ir se o fizesse.
E cada dia, ela dizia a verdade... uma mentira a teria afogado. Não tinha rompido seu encontro por escolha. Queria vê-lo outra vez. E ela quase não o odiou.
Aquilo era algo que conservava para si mesma.
Ele não tinha a amarrado desde aquela primeira noite. E ela não tinha tentado atacá-lo.
Outro exemplo de seu Q.I. rapidamente descendente. Quando eles estavam entre as cobertas (ou na banheira, ou no chão diante da lareira), a última coisa em sua mente era abandoná-lo. Mas muito mais inquietante era, que quando eles não estavam entre as cobertas, também a última coisa em sua mente era abandoná-lo.
E não é que pensasse com sua vagina em vez de seu cérebro. Bem, não era só isso. Para ser totalmente honesta, o que era, exatamente, para o que ela retornaria? Para estar à disposição do Mikey e suas convocações. Para estar com um grupo de gente que a desaprovava, para depois ir para sua casa e sua cama sozinha? A manada não a apreciava muito, e era certo como a merda que não queria alguém que não fosse da manada, alguém frágil....alguém que quebraria se ela realmente se deixasse ir.
Dick encaixava no quadro admiravelmente, e a aprovava.....incondicionalmente! Ele pensava que tudo o que ela fazia e dizia era fenomenal. Ela poderia soltar um peido e ele faria uma rapsódia sobre isso. De fato, ela o fez…depois de uma particularmente vigorosa maratona sexual enquanto ela se relaxava em seus braços. O relaxamento foi muito bom, de fato....e realmente soltou. Rapidamente sem pensar, jogou as mantas sobre a cabeça de Dick, o apanhando com o odor fétido. Blasfemando, ele finalmente se liberou, e depois ambos riram até soltarem lágrimas.
Ela virou sobre suas costas e contemplou o teto. Anoitecia rapidamente no quarto; o sol se poria em alguns minutos mais. Ela tinha adaptado agradavelmente a sua agenda, e agora dormia durante o dia. Francamente, ela preferia esta agenda....nunca tinha sido uma grande madrugadora.
Ele estaria aqui a qualquer momento. A qualquer momento. Ela sentiu um nó em seu estômago e se odiou por isso. Só de pensar nele.... sobre seus longos dedos e sua boca e sua língua e seu pênis.....a faziam se molhar. Como os prisioneiros. Agora sofria a Síndrome de Estocolmo. Exceto que era bem mais a Síndrome da Tola Hipnotizada Pelo Sujeito Mau com Enorme Pênis. E logo mais tarde ele traria uma comida assombrosa, e falariam de tudo e nada. E ele lia....estavam na metade do mistério de Salem's Lot de Stephen King, que ele parecia pensar que era uma comédia.... enquanto ela passeava. Gostava dos livros, mas não podia ficar horas e horas quieta para ler um. Ou lutavam, e uma vez que lhe lançou o bolo de maçã que sobrou tiveram uma guerra de comida que arruinou as cortinas.
Jane suspirou. Se fosse só por seu pênis, não seria tão ruim. Ela poderia comprar um vibrador. Não, era Dick. Realmente, realmente gostava dele. Mais que qualquer sujeito que tivesse conhecido, e conhecia muitos. E passava um inferno de tempo lembrando que estava presa. De fato, ela não acreditava que Dick lembrava muito disso.
Sua visão dobrou, nublou..…e então seus joelhos dobraram. Por sorte ela estava inclinada sobre o pé da cama, assim tinha um ponto de apoio.
Dick soltou sua cintura e a recostou na cama. - Estou…suando.
Ofegando ligeiramente, ele se apoiou nos travesseiros. -Jane, sua resistência não tem limites.
Olhe para mim; estou realmente sem fôlego. E certamente não preciso respirar.
- Minha resistência? Olhe quem fala. Estivemos nisso desde...merda Santa, o sol vai levantar se em uma hora. Deveria ir para seu caixão, ancião.
Ele soprou. - Tenho uma cama, não um caixão. Estou em um dos quartos de hóspede, de fato. Você está em meu caixão, por assim dizer.
- Então, por que não dorme aqui?
- Estive pensando nisso. - Ele se apoiou em um cotovelo, para beijá-la no ombro, depois disse, - cada vez mais, realmente. No princípio não me atrevia a ficar em suas mãos, mas agora me pergunto isso.
-De que demônios fala? Toma mais tempo para dizer algo que alguém que já tenha conhecido.
Ele não riu de sua piada, como geralmente fazia. - Eu estaria completamente indefeso, Janet. Se você, ah, se você se zangasse, não há nada que eu pudesse fazer até o anoitecer. E as mesas daqui são todas de madeira…como as cadeiras. Não seria difícil para alguém com sua determinação fazer uma estaca rudimentar.
Ela nunca tinha pensado nisso. Não podia acreditar que nunca tivesse pensado nisto. - Ah.
Ela deu voltas durante um minuto, depois disse, -Bem, não estou especialmente interessada em lhe estacar as tripas.
- As tripas não me preocupariam tanto. Mas o coração?
Ela virou e descansou o queixo sobre seu peito. - Aí tampouco. Eu não o faria, ficará bem.
Enquanto não for uma merda total. Fique, vá , importa-me uma merda.
- Bem, me custa declinar um convite tão cálido. - De qualquer modo, deu uma olhada nervosa para a mesa do canto antes de meter-se sob as mantas. - Ah, pois aqui é nada. Aproxime-se de mim.
- Tenho óleo de frango sob minhas unhas- indicou ela.
- Bem. Assim tomaremos uma agradável ducha quente juntos esta noite.
- Soa como um encontro.- Ela se aconchegou ao seu lado e descansou sua cabeça em seu ombro. Seu corpo estava ligeiramente quente de seus esforços anteriores e, como ela estava mais perto dele, permaneceu desse modo.
- Ahhhhh, - ele suspirou. - É melhor que minha manta elétrica.
- Essa é a coisa mais agradável que alguém já me disse. Deveria escrever fodidas novelas, - ela se queixou, mas por dentro brilhava. Ele confiava à ela sua vida.
Ele sabia que era presa fácil, e ia dormir com ela de qualquer modo. Isto disse muito sobre seus verdadeiros sentimentos por ela…e de seu estado como sua "prisioneira".
Bem, merda, pensou, sumindo-se no sono. Sua palma descansou sobre seu coração, que pulsava duas vezes por minuto. Talvez haja esperança para nós depois de tudo.
Richard despertou, como tinha feito durante várias décadas, quando o sol caiu por trás da linha de horizonte. Sentiu a cabeça de Jane que descansava em seu ombro e sorriu. Uma maravilhosa maneira de começar a tarde. E estava quente, tão deliciosamente quente. Ela era melhor que um banho quente. Teria que fazer algo realmente agradável para ela por não matá-lo. Como…deixá-la partir?
Ele não poderia. Sabia que isso seria o correto, sabia que ele não tinha nenhum direito a mantê-la como uma espécie de brinquedo de adolescente, mas cada vez que ele pensava em sua casa sem sua refrescante presença, tremia. Infernos, ele queria dar um passeio à luz do sol.
Ele não podia fingir que ainda estava vingando-se. Inclusive se ela tivesse mentido, eles tinham encaixado depois daquela primeira noite. Não, ele a mantinha presa porque era um monstro egoísta que não podia deixá-la partir. Para ser brutalmente honesto, estava encantado por ela mantivesse a sua história, porque isto lhe dava a desculpa perfeita para retê-la.
O fato de não estar amarrado à cama com uma perna da mesa em seu tórax disse muito de seus sentimentos por ele. Ele estava mais esperançoso do que estivera em...que ano foi aquilo? Ela teve sua possibilidade de se vingar, e não tinha aproveitado. E duvidou que sua encantadora Jane tivesse o costume de renunciar a uma possibilidade de vingar-se. Era possível que tivesse o perdoado? Era muito pouco realista para acreditar, mas talvez houvesse esperança. Talvez....
- Não! Não, Deus, não…ahh, Santo Deus!, Bobby!
Ela estava gritando. Gritava em sonhos. Ele se assustou tanto que quase caiu da cama. Nunca tinha ouvido Janet tão aterrorizada, e com voz tão jovem. Ela soava como uma adolescente.
- Não, não queria....Bobby, não morra, conseguirei uma ambulância, ah, Deus, não morra, por favor não morra!
Ela o agarrava em seu sonho. Ele tomou suas mãos e segurou. -Jane, amor. Isto é um sonho. Não é real. - Nunca mais, acrescentou silenciosamente. Seu peito e garganta se apertaram. Independentemente do que tivesse passado, tinha sido horrível. O bastante horrível para afastá-la de encontros sexuais durante anos e anos.
Seus olhos se abriram. Impressionou-se ao vê-los encherem-se de lágrimas, e depois suas lágrimas caindo por suas bochechas. -Não quis fazer aquilo, - soluçou ela.
- É obvio que não quis.
- Eles me disseram que não era uma boa idéia.... que os macacos são frágeis....eu não dei ouvidos. - Ela fechou sua mão em um pequeno punho e bateu contra seu peito. - Por que não escutei? Ah, estávamos nos divertindo....e não doía, pensei que tinha que doer a primeira vez. E depois comecei a gozar e cruzando minhas pernas ao redor de sua cintura e apertei...e.... e.
- Janet, foi um acidente. - Macacos? Estranho jargão.... ele nunca tinha sido capaz de entendê-lo. Ela teria quebrado as costelas do moço? Se eles estavam em uma posição precária, e se tinham caído, talvez o moço tinha…? Bem. Independentemente do que tivesse acontecido, ele tinha certeza de uma coisa. –Você não quis fazer mal, Jane. Nunca teria ferido ele. Tem que deixá-lo ir. - Ele acariciava suas costas enquanto a acalmava e ela finalmente relaxou contra ele. Acrescentou humoristicamente, esperando ver um cenho, - Além disso, não tem que se preocupar com tais coisas comigo. Poderia me prender da maneira que quisesse, e eu estaria bem no dia seguinte. Antes mesmo que você quisesse isso, acredito. Não estou realmente preocupado.
Ela levantou apoiando-se no cotovelo e o contemplou. Seus olhos cheios de lágrimas, injetados em sangue, e enormes. Ele pensou que nunca tinha parecido tão bonita. – É... - ela disse devagar. - Eu pensei nisto ontem à noite e você…eu não poderia lhe fazer mal. Você pode agüentar tudo o que compartilhamos.
- E tem sido assim,- acrescentou ele, - há vários dias. Vê, olhe! - ele mostrou seu braço onde, em sua agitação, ela tinha tirado tiras de pele. Estava quase curado.
De maneira estranha, ela ainda o contemplava como se nunca tivesse visto antes. - Não sei por que não pensei nisso antes, Dick.
- Teve outras coisas em mente. Agora, já chorou bastante por um acidente de quinze anos que não pôde evitar, - ele disse energicamente, esperando que estivesse de acordo. Ele não poderia suportar vê-la chorar. Rodou da cama e se levantou, procurando um modo de distraí-la. -Que tal sushi e algumas vasilhas de verduras para tomar o café da manhã?
Ela se reanimou imediatamente. - Eu gosto do peixe cru,- disse ela. - E também o bife à tártara, mas eu gosto mais em filé que picado.
-Soa como se fôssemos almoçar fora, também, meu amor.
- Mas primeiro temos que tomar banho, - disse ela, quase timidamente.
Ele riu, aproximou-se dela, abraçou-a, e a beijou. – Sim, com certeza. Você está asquerosa.
E eu também. Prevejo muitas duchas em nosso futuro.
-Fodido pervertido- ela soprou, e se alegrou interiormente, sabendo que ela voltava a ser ela mesma.
Pela segunda noite consecutiva, Richard despertou quente e contente. Ele tinha dormido quase à alvorada nas altas horas da madrugada, quando Janet se aconchegou contra ele e roncou suavemente em seu ouvido. Hoje sairiam. Levaria ela às compras e compraria uma quantidade ridícula de roupa. Roupa, lingerie, quadros inestimáveis, quilos de filé a tártara... tudo o que gostasse. Ele sabia de coração que não escaparia, e o tempo que tinha passado em seu quarto tinha sido admiravelmente paciente, e era o momento de recompensá-la.
Ele se esticou. Ele realmente não precisava....ele sempre despertava ativo e faminto e com vontade de fazer algo....mas desfrutou da sensação. Sim, eles iriam às compras e ela intimidaria os vendedores e seria divertido. Então voltariam para casa para um almoço ligeiro e um enérgico encontro sexual, e talvez um cochilo, ou ler um pouco mais do livro de King. Sim, tudo era....
Onde infernos estava Janet?
Ele buscou-a distraídamente enquanto estava pensando, mas não estava na cama, e a luz do banheiro estava apagada. Ele pôde ouvi-la no chão, ofegando em dor?
Que dor?
Um segundo antes de olhá-la, parecia que cada mortal enfermidade que estavam propensos os humanos correu por seu cérebro. Ela tinha apendicite. Ele tinha golpeado-a (é obvio era impossível, mas quem saberia?) e ela estava tendo um aborto espontâneo. Podia ter um ataque cardíaco. Uma embolia cerebral. Um colapso renal. Deus o ajudasse, tinha tanto medo de olhar como de não fazê-lo.
Ele olhou. Janet estava sobre seus joelhos ao lado da cama, ofegando severamente, e suas costas.....quase parecia que as vértebras de sua coluna se moviam. Seu cabelo caído por seu rosto enredado e suado, e suas unhas estavam afundadas no tapete. Seus pés batiam no chão com um ruído surdo e ele foi tocá-la com a mão. - Janet, vou conseguir um médico. Ficará bem......
Um grunhido baixo, e rude congelou sua mão na metade de caminho. E depois rápido, foi tão rápido, que ele piscou e foi feito.... ela jogou o cabelo para trás e seu nariz se transformou em um comprido focinho, seus olhos se voltaram selvagens e ela saltava para a porta.
Ela a golpeou, e ele se alarmou ao vê-la realmente estremecer-se em seu marco. Recuou e voltou a chocar outra vez. E outra vez. Ele permaneceu sentado na cama....teve medo de ficar em pé pois cairia.... e a contemplou. Janet era uma loba de cor parda com faixas prata correndo por seu lombo. Seus olhos eram da mesma cor que quando era um bípede, mas agora tinham um brilho homicida. Lembrou como ela passeava impaciente quando ele lia, como não podia ficar quieta durante muito tempo, e se deu conta que nesta forma ela era claustrofóbica.
As partes da porta saltavam do marco e caíam no tapete cada vez que seu corpo a golpeava, mas a este ritmo levaria ao menos dez minutos e provavelmente a machucaria. Ele se levantou e andou até porta com as pernas rígidas pelo susto, mexeu na fechadura, deixou cair a chave duas vezes (todo o momento esquivando o pequeno corpo do lobo.... ela nunca parou, absolutamente não fez caso dele, e duvidou que ele fosse algo para ela nesta forma), e finalmente abriu a porta.
Ele a perseguiu outra vez, e outra vez. Então ela olhou a fila de janelas do muro oeste e investiu para elas. Ele se lançou, e conseguiu agarrar sua pata esquerda traseira justo quando ela se preparava para um salto que atravessaria a janela. Ela virou e ele teve um vislumbre vertiginoso do que pareceram mil dentes agudos quando ela grunhiu.
- Estamos a três andares de altura, ofegou ele, agarrando-a ao mesmo tempo e tentando não quebrar sua pata. - Não sobreviverá à queda. Bem, poderia mas.. Janet, não pode ir!
Ela tentou morder seus dedos. Os grunhidos coléricos borbulharam dela sem pausa, nem fôlego.
- Por favor não pule! Estava enganado e você tinha razão...Por Deus tinha razão, fui um tonto cego para não ver. Por favor não me abandone.
Ela mordeu outra vez, suas mandíbulas se fecharam a um centímetro de sua carne. Uma advertência.
Provavelmente sua última advertência.
- Não poderei suportar viver sem você. Juro que não poderei. Pensei que eu estava contente antes mas era uma mentira, tudo era uma mentira, inclusive pelo que a retinha era uma mentira…
Sua mão se escorregava. Falou mais rápido.
- …tinha razão, e nunca mentiu para mim, nem uma vez, nem para escapar, e Janet, passarei o resto de minha vida lhe compensando por isso…
Ela estava quase livre, e ele teve medo que se a soltasse para ter um melhor aperto, poderia não ser o suficientemente rápido.
- …por favor…não …vá!
Ela se foi.
Ele ficou no chão da biblioteca durante muito, muito tempo. Pareceu muito trabalho levantar-se, encontrar a vassoura, e começar a limpar os vidros quebrados. Ele era o dono do edifício de qualquer modo, quem se importava? A quem importava?.
Não podia acreditar que se foi. Ele não podia acreditar que ele....que era orgulhoso por ter um mínimo de inteligência.... tivesse deixado que acontecesse tudo isto.
“Meu nome é Janet Lupo.”
Fazia cada coisa, esta mulher.
“ Não tenho medo de nenhum homem, e não minto.”
No que estava pensando ele?
“ Meu nome é Janet Lupo.”
Como poderia ter estado tão cego?
“ Meu nome é Janet Lupo.”
Ser tão estúpido e arrogante?
“A lua cheia é dentro de oito dias. E quando chegar, vai ter uma fodida grande surpresa.”
Ah, se existir Deus era uma magnífica brincadeira com certeza. Ele tinha encontrado finalmente a mulher com a qual gostaria de compartilhar a eternidade…
“ Suas pequenas portas de carvalho não me deterão então.”
…e ele a seqüestrou e a violentou e a prendeu e não tinha acreditado quando ela disse a verdade.
“ Se dará conta que está muito fodido.”
Ele tinha exigido que ela se confessasse culpada de ter medo dele, e quando não o fez, presumiu que era uma mentira.
“Saberá que dizia a verdade, mas não pôde ver além de seu estúpido orgulho ferido de macho.”
Seu estúpido orgulho ferido de macho.
“ Irei para sempre, e terá o seguinte século para se dar conta do quão imbecil é.“
Ele teria chorado, mas não tinha nenhuma lágrima.
Três dias mais tarde.
Jane deu a volta e se esticou. Então gritou de raiva quando caiu um metro e se chocou de repente com o cimento. Ela tinha se enroscado na base de uma estátua em Park Square, onde tinha ido dormir, e depois esqueceu quando despertou. Por que não me recordo nenhuma vez desta merda até que é muito tarde? Pensou, esfregando seu cotovelo arranhado.
Ela estava agradavelmente cansada, e continuaria assim durante outros dois dias. Sempre era assim quando perseguia a lua. Também se sentiu renovada, quase saída da casca de ovo.
Purificada. Que fosse.
Ela ficou em pé, e tremeu. Passo um: encontrar roupas. A primavera em Boston se parecia com a da Sibéria.
Ela caminhou até um madrugador viajante, um homem de negócios que obviamente cortava caminho pelo parque para chegar ao metrô. Ele a contemplou apreciativamente quando ela se aproximou, mas ela tinha olhos só para seu casaco de cachemira. – Como... - era tudo que ele pôde dizer antes de que ela desse um murro na mandíbula e o assaltasse.
Ela tinha feito sua escolha como um lobo, e uma segunda como mulher. Ela não tinha que despertar no parque, nua e sozinha. Ou como ontem, em um beco. Ou como na noite antes disto, sob o dique do porto puff. Não acreditava que pudesse tirar jamais o asqueroso cheiro de seu cabelo.
Havia umas cem casas seguras em Boston, assim como acres e acres de bosques propriedade de membros da manada. Ela podia ter pulado ali e ter despertado com roupa limpa e um café da manhã cordial. Mas como loba tinha evitado todos aqueles lugares e os de sua espécie. A besta sabia o que queria. Agora era o momento de conseguir.
É obvio, ela não sabia onde vivia Dick, exatamente. Não é como se tivesse rabiscado a direção com sua pata ao sair pela janela. Por sorte, havia caminhos e caminhos. Ela poderia não ter um super nariz como alguns de sua espécie, mas o dia em que não pudesse cheirar seu próprio rastro a uma guarida seria o dia em que se atiraria de uma ponte de merda.
Isto não levou muito tempo, mas seus pés estavam congelados quando chegou lá. Dick vivia em uma solene casa de pedra escura que foi construída provavelmente no ano que chegou o Mayflower.
Ela trocou seu peso daqui para lá, colocou as mãos nos bolsos do casaco roubado, e olhou para a janela. O vidro não tinha sido substituído; em seu lugar havia um grande pedaço de papelão aparecendo no marco. Supôs que levaria algum tempo conseguir-se o material de estilo antigo.
Exceto pelo estrondo de um caminhão de entrega matinal, a rua estava tranqüila.
- Me desculpe. Você vive aqui?
Ela olhou. O moço de entrega segurava três bolsas transbordando de uma loja de comestíveis, e tinha aspecto melancólico. - Sim. por que?
- Bem, graças a Deus. Porque estive fazendo entregas durante duas semanas, mas os últimos dois dias ninguém recolheu o pedido, e se estragou, tem que ir ao lixo, isso é tudo.
Ah, então é daqui de onde saíram todos esses banquetes suntuosos! Dick recebia o alimento preparado, e cozinhado para ela. Hum. - sai durante alguns dias, - ela disse, -mas agora estou de volta.
- Quem é você?
- Sou a noiva do dono. - Ela sacudiu sua cabeça. Parecia tão estranho dizer isto em voz alta como era em sua cabeça. - Tenho que assinar algo?
- Não. O senhor tem uma conta conosco.
- Então pode ir.
- Encantadora! - Mal ele deixou as bolsas, sentou-se com os ombros cansados atrás do volante, e se lançou ao tráfego sem olhar, à maneira típica de Boston. O qual estava bem, porque assim não a veria irromper na casa.
- Bem, merda. - Isso era mais fácil de dizer do que de fazer! A porta principal de Dick não se abria, e estava pouco disposta a quebrar mais daquele caro vidro. Ele poderia não estar muito emocionado por sua volta. Tinha uma vaga lembrança dele agarrando-a e pedindo para ela não ir, mas parecia bem mais um sonho. Não confiava que seu cérebro de loba interpretasse emoções humanas objetivamente.
Bateu na testa. Boba! Por que estava tentando vê-lo durante o dia? Inclusive se entrasse, ele não seria exatamente um emocionado interlocutor. Estaria escondido em seu quarto, morto para o mundo, literalmente. Até então, daria igual estar conversando com uma pedra. De qualquer modo, teria sido agradável pegar algumas roupa.
Ah, bem. O casaco era bastante quente, e ela passava pelas pessoas quando contemplavam seus pés nus. Ao menos ela estava em uma grande cidade, em vez de uma pequena cidade cheia de fofoqueiros…onde os broncos sempre procuravam alguma novidade para esfolar. Só teve que esperar outras dez horas até que anoiteceu. Graças a Deus pela cafeteria do Barnes e Nobre.
Richard se deixou cair na cadeira ao lado da lareira. Sentou-se neste quarto cada tarde desde que Jane partiu. Este tinha sido o último lugar onde a tinha visto.
Estava faminto, e não se importava. Merecia passar fome. E pensar em sair... talvez para perder a oportunidade de ver se ela voltava....era impossível. E se estivesse ferida? E se precisasse de algo e ele estava aplacando sua sede? Quem está fazendo ilusões? Ela se foi, imbecil. Fez de tudo exceto empurrá-la pela janela você mesmo.
Suficiente verdade. De qualquer jeito, ele esperou. Era a única coisa que poderia fazer. Nunca a insultaria tentando encontrá-la e convencê-la para que voltasse. Voltar para que? A uma existência antinatural com um monstro? E o que poderia dizer? "Janet, querida, lamento do seqüestro e o estupro e por mantê-la presa, além de chamá-la de mentirosa na cara, beijo-beijo, vamos para casa.” Simplesmente ela diria, "É um fodido porco.”
- Dick! Pare com o fodido enfurnamento e abra a porta principal!
Ah, Cristo, agora sua voz interior soava como ela. Bastante ruim era passar fome, mas parecia que estava ficando louco também.
- Você filho da puta! Você pedaço de merda! Arrastou meu rabo de volta para cá... duas vezes!...E me deixa em pé aqui fora nesta calçada glacial?
Ele sepultou seu rosto em suas mãos. Como sentia falta dela!
- Vou arrancar o seu coração e cravá-lo na parede do quarto com uma varinha de coquetel! Vou arrancar os sanitários de seu estúpido banheiro de que está tão orgulhoso e atirar isso no seu rabo! - Zas! Zas! Zas! -Agora me deixe entrar antes de que perca a paciência!
Isto não é nenhuma voz interior, Richard. Deveria saber…eu sou sua voz interior.
Ele se levantou tão rapidamente que sua cabeça se chocou contra o teto. Ele apenas o sentiu.
Correu para a entrada, acelerando pelo corredor, saltou três lances de escada, brigou com os ferrolhos e fechaduras, e abriu a porta de repente.
Janet estava em pé em sua entrada, ruborizada e sem fôlego. Seus pequenos punhos estavam vermelhos pelo frio, e de bater na porta. Tinha posto um casaco de homem uns seis números maiores, e três grandes bolsas de uma loja de comestíveis estavam a seus pés. Ela franzia o cenho.
- Bem, finalmente. Não fique aborrecido em meu tempo, está bem, colega? - Ela passou por dele como uma exalação.
Como um zombi, ele recolheu os comestíveis, então devagar virou e a seguiu. Ela tirou o casaco e foi diretamente para o quarto. Ele olhou seu corpo nu balançando daqui para lá quando subia as escadas como se fosse sua proprietária. – Comida - disse por cima do ombro sem parar. - Poderia comer uma vaca. De fato, acredito que o fiz, ontem de noite.
Quando ele trouxe sua bandeja ao quarto, ela já tinha tomado banho e estava envolta em uma toalha.
Ela saiu do banheiro e cheirou apreciativamente. - Oooh, sim, isto é bom. Poderia comer dois filés.
- São ambos para você - disse ele automaticamente. - Por que…como…porquê…?
- Parecia mais brilhante quando pensava que era uma mentirosa. - Ela passou diante dele e pulou na cama, aterrissando no meio, ajeitando-se como uma rainha, e favorecendo-o com um sorriso satisfeito. - Ah, a quilometragem que vou tirar disto. Começando com seu satisfeito discurso sobre você ser um vampiro, e não haver nenhuma possibilidade de existir os homens-lobos. Isto soa bastante bom?
- Janet...
- Ou poderíamos mencionar por que não é uma boa idéia seqüestrar as pessoas quando estão convocados para uma reunião importante.
- Janet...
- Ou poderíamos entrar nas vezes que me pediu para dizer a verdade, fiz isso, e você não acreditou, e depois....
Ele se ajoelhou ao lado da cama. Ele apertou seus dentes durante alguns segundos para evitar que sua mandíbula tremesse. - Janet, por que está aqui? Por que não está com sua família?
Sua voz se elevava, mas não era capaz de evitar. - Por que não agarrou o caminho e foi? Por que está de volta?
Ela franziu o cenho. - Você é que se divertiu com tudo isto. Estive pensando com muita ilusão nisso durante dias. Preciso ver o grande estúpido arrastar-se, amigo.
Ele não falou.
Ela suspirou. - O que? Tenho que usar as marionetes? Não entendeu? Dick, é minha família agora. Nunca mais quero voltar pra lá. Cape Cod no verão... Arggh! Turistas que enchem os caminhos, as praias, e a alameda...e tem problemas se comer algum. Nem sequer pode mordê-los um pouco para desencorajá-los de voltarem outra vez…
- Janet.
- É sério! De qualquer modo, se ficar com você, não tenho que voltar. Não me dei conta do quão infeliz era com eles até que o encontrei. Não serei da manada nunca mais, sou sua. Quero dizer....se você quiser.
- É uma brincadeira? - ele quase sussurrou. - Isto é uma brincadeira pesada? Porque eu não a culparia.....
-Ah, ouça, sou uma cadela , mas não uma sociopata! Fazer isso seria uma coisa repugnante. Amo você, fodido estúpido. Não vou a nenhuma parte. Exceto, é obvio, durante alguns dias ao mês. Acha que pode viver com isto, magnífico não morto?
- Estive esperando quase cem anos para ouvir estas palavras. Bem, não estas palavras exatas. -Ele estendeu a mão e a acomodou em seu peito. Sentaram-se no chão enquanto ela se abraçou nele como uma boneca mal-humorada. - Ah, Janet. Julguei mal você. E fui tão tolo.
- Sim, um verdadeiro bobo arrogante.
- Sim.
-Completamente irracional e estúpido.
- E mais.
- E é realmente, realmente lamentável.
-Incrivelmente lamentável.
-E totalmente indigno de mim.
- De mil diferentes maneiras.
-E vai me comprar muita comida e conseguir uma casa no campo para que eu não tenha que ir caçar na cidade.
- A geladeira está cheia e já tenho uma casa em Berkshires.
- Isso está bem,- disse ela, parecendo completamente satisfeita. Ela esticou suas pernas e meneou os dedos do pé. -Umm os filés…estão ficando frios.
-Assim estou eu.
Ela riu bobamente e se virou sentando-se esparramada sobre ele, depois enganchou seus tornozelos atrás da sua cintura e o beijou na boca. Devagar, ela acariciou sua nuca e empurrou sua boca para sua garganta. - Faminto? - ela ronronou.
Ele pensou que teria um ataque. Ela tinha voltado....o amava.....ficaria.....e agora lhe oferecia livremente seu sangue. Depois os palestinos e os israelenses fariam a paz, e Janet se matricularia encantada em uma escola de boas maneiras.
Ele afundou as presas em sua garganta sem vacilar....não poderia ter se contido até tentando. Ele podia sentir seus seios apertados contra seu torso enquanto seu sangue o esquentava de dentro para fora. Ela se movia contra ele e seus dedos estavam no zíper...agora sua pequena e quente mão estava dentro de sua calça, abraçando-o, acariciando-o.
Ele gemeu contra sua garganta.
- Sentiu minha falta realmente! - Ela o empurrou para trás e ele estava muito feliz de deitar-se para ela. Ele deixou de alimentar-se e lambeu a marca da mordida. Seus seios gloriosos dançavam em seu rosto e ele não podia lembrar alguma vez em que fora mais feliz, nenhuma só em sua longa, longa vida.
Ela agarrou seu pênis com firmeza encantadora e se levantou em cima dele. Seus braços a abraçaram por sua cintura quando ele a guiou para sua ereção.
Entrar nela era como deslizar-se em luxuriosa nata. Sua cabeça se inclinou para trás e ela disse -Ummmmm…é bom, tinha saudade.
Ele acariciou seus seios, dirigindo seus dedos sobre seus firmes mamilos, maravilhando-se da suavidade de sua pele em contraste com sua força e resistência. Tinha saltado três pisos e não havia nenhuma sinal nela.... e ele tinha olhado bem! Nenhuma contusão, nem um arranhão. Curava-se quase tão rapidamente como ele.
- É magnífica - disse.
- Só diz isso porque estou deitada - brincou.
-Se por acaso não notou, sou eu que está embaixo.
Ela soprou, depois começou a balançar-se de trás para frente. Ele notou uma estranha, repentina reticência nela.... então de repente recordou que ela tinha ficado provavelmente em cima quando feriu seu primeiro amante.
- Pelo amor do céu,- disse ele com fingido desgosto, -Não pode ir um pouco mais rápido que isto? Um pouco mais forte? Estou a ponto de dormir aqui embaixo.
Ela ficou tão surpreendida que quase caiu sobre ele. Então se deu conta que brincava e sorriu com satisfação. – Ok macaco, sujeito morto. Lá vamos.
Eles arruinaram o tapete. Não se importou. No final, ela gritava e ele podia sentir os rangidos de sua coluna..... e não se preocupou. Suas pernas estavam ao redor de sua cintura em um apertão esmagante, seus braços ao redor de seu pescoço, cortando o ar.....e ele quis mais. Ele disse, insistiu nisso, exigiu, depois mordeu sua orelha. Realmente podia sentir a mudança de temperatura dentro dela quando alcançou o orgasmo, sentiu seu útero apertando ao redor de seu pênis. Foi suficiente para lhe lançar vertiginosamente sobre o clímax.
Não foram capazes de falar durante vários minutos, até que Janet finalmente conseguiu dizer, - Ah, Cristo, acredito que deveria ser ilegal.
-Provavelmente é, em ao menos três Estados.
-Meu jantar está frio,- queixou-se ela, não fazendo nenhum movimento para levantar e pegar a bandeja.
- Acho que tenho um microondas. Por que não cozinhava? Duvido que tivesse sequer matéria prima. - Uma mulher lobo - refletiu ele, acariciando sua coxa. - Até depois de ver a verdade com meus próprios olhos, custei muito acreditar.
- Isso é porque às vezes é um tolo com rabo.
- Tenho que tomar exemplo de uma desbocada como você?
Ela se jogou em cima dele, mordiscando sua garganta. - Sou sua desbocada particular, isso sim.
- Excelente. - Ele beijou seu nariz. – O que pensa sobre ser uma mulher lobo não morta?
Ela gemeu. – Vamos ter essa conversa dentro de dez anos, tá? Deixe-me acostumar com a idéia de não pertencer primeiramente a manada.
- Isto é um encontro. Eles virão atrás de você?
- Não tenho nem idéia. Não sei de ninguém que voluntariamente a tenha deixado antes. Duvido que o chefe realmente se importe. Ele se acalmou depois que casou.... mas acho que eu deveria ir lhes dizer que não estou morta.
- Amanhã.
- Sim. Amanhã.
- Faremos nossa própria manada, Jane. Somos dois monstros que fazem o que gostam, quando gostam. Todos outros farão melhor saindo de nosso caminho.
- Ooooh, Deus, amo você quando fala assim…
- E quando faço isto? - Ele se inclinou e mordiscou seu intumescido mamilo, o percorreu com aveludados golpes de sua língua em sua auréola.
- Ah, Deus.
- Ou isto? - Ele chupou com força, e a beliscou muito, muito ligeiramente.
- Ummmmm…
- Amo você.
- Ummmm. Eu também. Não pare.
Ele riu e se inclinou sobre sua carne quente, exuberante. - Não durante os próximos cem anos, ao menos.
- Então já nos ocorrerá algo.
Do Diário particular de Richard Will, Dez de Beacon, Boston, Massachusetts.
“Estou apaixonado! Ultimamente não tenho escrito nada, estou muito ocupado. Muito que fazer só para me manter no ritmo de minha encantadora monstra. Ela é tudo que eu sempre quis e, ainda melhor, pareço ser tudo o que ela sempre desejou.”
"Não tenho mais tempo para escrever hoje... Estreamos um novo chefe de cozinha. Ele está acostumado ao fornecimento de grandes escritórios, assim deverá ser capaz de manter Janet satisfeita.”
"Acho que deixarei este Diário muito em breve. Dou-me conta agora que escrevi ele como um modo de sufocar minha solidão. Não tenho necessidade de tais distrações por mais tempo.”
"Tenho que ir... minha noiva acaba de sacudir brincalhona um busto de mármore sobre minha cabeça para chamar minha atenção. Acredito que a perseguirei e a surrarei.”
Mary Davidson
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