Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites
Série “Lobo Wyndham”
A QUEDA DE DERIK
Quando inesperadamente se transforma em um Alpha, o homem lobo Derik Gardner sabe que tem que deixar sua manada, se permanecesse nela, seus instintos o levariam a brigar e matar o Alpha atual, que é seu melhor amigo. Quando um membro psíquico da manada proclama que se aproxima o fim do mundo a menos que alguém faça algo porque reencarnou Morgana O’Fay, a bruxa temida das lendas do Rei Artur. Derik se oferece voluntariamente para a missão.
Dirige-se à Califórnia e ali fica atraído pela bela e inocente Doutora Sara Gunn que não entende porque as pessoas repentinamente querem matá-la.
Ela é sua companheira, Derik não sabe se isto é devido a sua má sorte ou às manipulações de Sara. Com a luxúria em seu cérebro, ele negocia com ela para levá-la em uma viagem através do país até Salem, com a intenção de descobrir a verdade.
Enquanto que o metabolismo de Derik dói de tanta necessidade, Sara não pode ajudá-lo porque se vê afetada pela direta e impressionante paixão que ele causa nela. É uma viagem de distâncias e de descobrimento destas duas almas díferentes que encontram algo em comum: seu amor.
Poderão salvar o mundo e com isso seu amor?
O Passado
O homem tinha cabelo castanho curto, minuciosamente cortado. Seus olhos eram de um tom intermediário entre o cinza e o marrom, uma cor que todo mundo já viu alguma vez no fundo do gelo frio. Sua pele era da cor do chocolate barato com leite, e sua estatura era extremamente comum. Estava vestido com um traje vários tons mais claro que o tom de sua pele, uma camisa branca, e uma gravata cinza com franjas marrons. Tinha uma aliança de ouro no terceiro dedo da mão esquerda, apesar de não ser casado. Usava óculos com aros negros, embora sua visão era de 20x20, e seus sapatos nunca tinham sido lustrados. Parecia um contador.
Não era um contador.
O homem olhou através do vidro para DOE, JANE, nascida há setenta e dois minutos. DOE, JANE era um doce bebê gordinha com uma selvagem mecha de cabelo ruivo escuro. DOE, JANE aparentemente tinha nascido de surpresa, já que seu cabelo levantava reto desde seu crânio, e suas pequenas sobrancelhas ruivas se arqueavam sobre seus azuis, muito azuis. Abriu a pequena e úmida boca e deixou sair um grito que o homem que não era um contador pôde ouvir inclusive através do vidro.
—E então? —perguntou a enfermeira. Era uma empregada temporaria no hospital (ou isso diziam os que estavam a encarregado de tais coisas) devido à escassez de pessoal. Para falar a verdade, sua presença no parto de DOE, JANE tinha sido predita seis séculos antes assim como a violenta morte do pai de DOE, JANE só minutos antes que a bebê se perfilasse para nascer. Como o tinha sido, é obvio, DOE, JANE em si mesma.
—Está… Estão bem? É essa…
—Aquela que nos redimirá, e a nosso Rei —respondeu o homem—, sim. Ela é Morgana O Fay, está entre nós outra vez, e desta vez fará o que não pôde fazer antes. Desta vez…
O homem sorriu, mostrando uma grande quantidade de dentes brancos. Muitos, aparentemente, para sua sorridente e modesta boca.
—Desta vez, o nosso será feito.
A enfermeira devolveu o sorriso. Pelo contrário, ao menos seu sorriso não era atemorizante… tinha o sorriso amplo de uma participante de um concurso de beleza. Mas seus olhos estavam mortos.
Observaram DOE, JANE através do vidro por um longo tempo.
Michael Wyndham saiu de seu quarto, caminhou pelo corredor e viu seu melhor amigo, Derik Gardner, na parte baixa dirigindo-se para a porta da frente. Segurou no corrimão e saltou, caiu a três metros, e aterrissou com um sólido baque que repercutiu ao longo de seus joelhos.
—Ei, Derik! —chamou alegremente. —Espere um segundo! —de seu quarto escutou sua esposa murmurar.
—Odeio quando faz isso… Quase me provoca um diabólico ataque do coração cada vez que o faz. —E não pôde evitar sorrir. A Mansão Wyndham tinha sido seu lar toda a vida, e as únicas vezes que subia ou descia essas escadas era quando levava nos braços sua filha, Lara. Não entendia como os humanos comuns podiam suportar andar caminhando por aí em seus pequenos e frágeis corpos. Em algumas ocasiões tinha tentado convencer sua esposa disto, mas seus olhos sempre se mostravam inflexíveis, levantava a mão direita, e a frase “peludo bastardo fascista” era pronunciada, e as coisas ficavam difíceis. Os homens lobo eram fortes, incrivelmente fortes, mas comparados com os Homo Sapiens, quem não era?
Era um dia ridiculamente perfeito, e não podia culpar Derik por querer sair o mais rápido possível. Ainda assim, havia algo que preocupava seu velho amigo, e Michael estava decidido a chegar ao fundo do assunto.
—Espere —disse Michael, estirando-se para pegar Derik pelo ombro—. Quero…
—Não me importa o que quer —respondeu Derik sem se voltar. Pegou a mão de Michael e a tirou de cima do ombro, tão bruscamente que Michael perdeu o equilíbrio por um segundo—. vou sair.
Michael tentou levar na brincadeira, ignorando a forma com que os cabelos de sua nuca ficaram arrepiados.
—Touche! Ei, Eu só queria…
—Vou sair! —Derik se moveu rápido como um gato, e então Michael saiu voando tranqüilamente pelo ar, para ir estatelar-se contra a porta do armário dos casacos com suficiente força para que esse se estilhaçasse pela metade.
Michael permaneceu estendido sobre as costas por um momento como um escaravelho aturdido. Depois saltou em pé, ignorando a fisgada de dor que percorreu suas costas.
—Meu amigo —disse—, tem toda razão. Só que sairá sobre a ponta de minha bota, me desculpe, enquanto chuto seu traseiro.
Tudo isso foi dito em um tom agradavelmente zombador, mas Michael estava cruzando a sala com rapidez, mal notou que sua amiga Moira, que acabava de sair da cozinha, gritando e saltando para se afastar do seu caminho.
- Melhor amigo ou não, ninguém —ninguém— derruba o macho Alpha em sua própria… maldita… casa. Os outros membros da Manada viviam ali por sua graça e favor, muito graça, e enquanto que a casa de quarenta comodos tinha mais que suficiente espaço para todos eles, certamente algumas coisas simplesmente… não… se faziam.
—Não se meta comigo —advertiu Derik. O sol da manhã entrava pela clarabóia, brilhando tanto que parecia que o cabelo de Derik estava a ponto de pegar fogo. A boca de seu amigo, habitualmente relaxada com uma careta de sabichão, era uma tensa linha. Tinha os olhos verdes grama entrecerrados. Via-se (para Michael era difícil acreditar) mau e perigoso. Como um patife—. Só se mantenha afastado.
—Você começou, arriscando soar como um estudante, e vai se virar e se desculpar, ou estará contando quantas costelas quebradas tem , todo o caminho até a sala de emergências.
—Se aproxime de mim outra vez, e veremos quem vai contar costelas.
—Derik. Última oportunidade.
—Chega! —Disse Moira, gritando de uma distância segura—. Não faça isto em sua própria casa, idiota! Ele não se submeterá, e vocês dois, estúpidos… idiotas… perdedores acabarão machucando um ao outro!
— Cale-se —disse Derik à mulher que, (habitualmente), considerava carinhosamente como a uma irmã.
—E suma… isto não é assunto seu.
—Trarei a mangueira —ela advertiu—, e logo você pode pagar para que arrumem os pisos.
—Moira, vá —disse Michael sem voltar para olhá-la. Era uma fera e inteligente mulher lobo que podia derrubar um olmo se decidisse fazê-lo, mas não era páreo para dois machos preparando-se para lutar. O dia já estava sendo uma merda; não veria Moira ferida para completá-lo—. E Derik, ela tem razão, vamos la fora… Oooof!
Não se agachou, embora viu o golpe. Deveria ter se agachado, mas… ainda não podia acreditar no que estava acontecendo. Seu melhor amigo… o senhor simpatia em pessoa… estava desafiando sua autoridade. Derik sempre era quem convencia as pessoas para que não brigassem. Derik, era quem cuidava de suas costas em todas as brigas, quem tinha salvo a vida de sua esposa, quem amava Lara como se fosse sua própria filha.
O golpe, foi o suficientemente forte para quebrar a mandíbula de um homem comum, jogou-o para trás uns bons três passos. E até aí chegava a coisa. As concessões tinham sido feitas, mas agora tiraria as luvas. Moira continuava gritando, e podia perceber outras pessoas enchendo a sala, mas sumiram em um zumbido insignificante.
Derik desistiu em seu intento de alcançar a porta e se voltou lentamente. Foi como ver sair uma lua maligna sobre o horizonte. Olhava-o furioso, direto no rosto: uma provocação de morte pelo controle. Michael foi para sua garganta, Derik o bloqueou, lutaram corpo a corpo. Uma nuvem vermelha de ira flutuava sobre a visão de Michael; não via o amigo de sua infância, via um rival. Um desafiador.
Derik não estava cedendo nenhuma polegada, arremetia de igual grunhidos de advertência saíam de sua garganta, grunhidos que só alimentavam a fúria de Michael. (Rival! Rival por sua companheira! Rival por sua cachorrinha! Mostre a garganta ou morre!), faziam-no desejar arrancar a cabeça de Derik, mostrava que queria bater, rasgar, machucar… súbitamente, espantado notou que uma pequena silhueta estava entre eles. Empurrando com força. A absoluta surpresa fez que se separassem.
—Papai! Pare! —Lara permanecia entre eles, com os braços em aberto—. Só… não faça isso!
Sua filha se achava protetoramente diante de Derik. Derik não importava, nem sequer a notava; tinha o olhar fixo em Michael: ardente e inflexível.
Jeannie, congelada ao pé da escada, deixou sair um grito e se equilibrou sobre sua filha, mas Moira se moveu com a velocidade de uma serpente e envolveu com seus braços a mulher mais alta. Isso ganhou um bramido de fúria.
—Moira, Que demônios? Me solte!
—Não pode intervir. —Foi a tranqüila resposta da loira—. Nenhum de nós pode.
Embora Jeannie era bastante alta e pesada, a mulher pequena não tinha problemas para segurar Jeannie. Jeannie era a fêmea Alpha, mas era humana… a primeira humana Alpha que a Manada tinha tido em trezentos anos. Moira obedeceria quase qualquer ordem que Jeannie lhe desse… mas não deixaria que a mulher ficasse em perigo, nem que interferisse com a lei da Manada que era tão antiga como a família do Homem; sem ter em conta o drama da escada, Derik começou a adiantar-se novamente, mas Lara plantou seus pés.
—Chega, Derik! —Deu-lhe um chute na canela com o pezinho, o que ele mal notou—. E papai, você pare, também. Deixe ele. Só está triste e se sente preso. Não deseja ferir você.
Michael a ignorou. Estava olhando fixamente seu rival e tentando alcançar Derik outra vez, quando a voz de sua filha cortou através da tensão como um laser.
—Quero que o deixe.
Isso captou sua atenção; rapidamente olhou para baixo, para ela. Esperava lágrimas, um rosto vermelho pela raiva, mas o rosto da Lara, em vez disso estava muito pálido. Seus olhos eram enormes, de uma cor castanha tão clara que eram quase dourados. Seu cabelo escuro estava recolhido em duas tranças.
Percebeu, novamente, o quão alta era para sua idade, e quanto se parecia com sua mãe. E com seu pai. Seu olhar era direto, de adulto. E não demonstrava desconcerto algum.
—O que? —A comoção quase o faz gaguejar. Atrás dele, ninguém se movia. Era como se ninguém se atrevesse sequer a respirar. E Derik tinha desistido, retirou-se, e se dirigiu para a porta. Michael, à luz dos novos e interessantes acontecimentos, deixou-o ir. Empregou seu melhor tom de Pai Zangado—. O que foi o que disse, Lara?
Ela não vacilou.
—Já me escutou. E não vou voltar a dizer.
Estava furioso, espantado. Isto não era… devia… ela não podia… Mas o orgulho estava elevando, substituindo a fúria. OH, sua Lara! Inteligente, brilhante… e absolutamente valente! Alguma vez ele tinha se atrevido a enfrentar seu pai?
Ocorreu que o futuro líder da Manada estava dando uma ordem. Agora o que fazer a respeito disso?
Fez-se um longo silêncio, muito mais longo em retrospectiva. Este seria o momento que sua filha lembraria embora vivesse mil anos. Ele podia quebrá-la… ou podia começar a treinar uma líder nata.
Inclinou-se rigidamente. Não inclinou a nuca; foi a cortês reverencia para um igual.
—Uma mente mais sábia prevaleceu. Obrigado, Lara. —voltou-se e caminhou para as escadas, tomando a mão de Jeannie em seu caminho para cima, deixando os outros para atrás. Moira tinha afrouxado a pressão sobre sua esposa, e olhava fixamente para Lara, boquiaberta. Todos a estavam olhando fixamente. Ocorreu que o vestíbulo principal nunca tinha estado tão silencioso.
Michael tinha a intenção de chegar a seu quarto onde poderia pensar em tudo o que acabava de ocorrer, e pedir conselho a sua esposa. Não se atrevia a ir atrás de Derik nesse preciso momento… era melhor tomar um tempo para que esfriasse o sangue. Cristo! Nem sequer eram oito da manhã!
—Mikey… que… demônios…
E Lara. Sua filha, que tinha saltado interpondo-se entre dois homens lobos encolerizados.
Que o enfrentou e o mandou que deixasse estar. Sua filha, defendendo seu querido amigo. Sua filha, que acabava de fazer quatro anos. Tinham notado que era terrivelmente inteligente, mas ter tão profundo sentido do que era certo e o que… Jeannie interrompeu seus pensamentos com o típico tom reticente de desgosto.
—Isto não pode ser bom. Mas estou certa que você pode explicar isso, use suas mãos como quiser. E eu sem meu guia de Se Você Casou com um Homem Lobo…
Então fechou a porta do quarto e ficou a pensar no lugar que ocupava dentro da Manada, e o que ocupava sua filha, e nas esperanças que abrigava de não ter que matar seu melhor amigo antes do sol se pôr.
Derik escutou pisadas e diminuiu o passo. Quase tinha chegado à praia, mas a menos que estivesse disposto a nadar até Londres, era hora de parar e pensar com a cabeça em vez de com o temperamento.
Quem quer que estivesse aproximando estava a favor do vento, pelo que não podia estar certo, mas apostava que era Michael. Devia desculpar-se, ou haveria verdadeiros problemas. E se desculparia. Faria isso. Devia isso a seu amigo, e ainda pior, comportou-se mal. Por isso se desculparia. Sim. Absolutamente
Mas sentiria como merda na boca.
Derik voltou a olhar o oceano e sacudiu a cabeça ante esse maldito desenlace dos acontecimentos. Mike e ele tinham crescido juntos. Suas mães freqüentemente os colocavam para dormir à sesta no mesmo berço. Tinham experimentado sua primeira mudança no mesmo mês do mesmo ano; recordava que Mike ficou encantado e aterrorizado ao mesmo tempo, e tão bêbado pela lua como ele mesmo. Tinham açoitado juntos, caçado juntos, matado juntos.
Tinham defendido juntos a Manada.
Não tinha nenhum problema com Michael; amava o grande imbecil.
Era só que não gostava que Michael fosse o chefe. Já não.
Derik fechou a mão em um punho e bateu na coxa. Esse era seu problema, não de Michael, e tinha que planejar como arrumar, logo. Devia respeito ao grande homem, não só amor fraternal. E o demonstraria, sem importar o quanto engasgassem as palavras. Não era um… um macaco, brigando pelo gosto de fazê-lo. Era um homem lobo, membro da Manada Wyndham, e além disso, completamente adulto. Brigar estava abaixo de seu nível. Como também provocar uma briga.
Voltou-se forçando um sorriso… e o torrão de terra bateu justo na sua testa. Explodiu, e a terra voou por todos lados.
—Idiota! Tolo! Imbecil!
—OH!, Moira —queixou-se, secretamente contente de que o momento de expor a garganta tivesse sido atrasado um pouco—. Poderia ter me tirado um olho.
—Estava apontando em seu olho, você, estúpido, imbecil!
—Bom, Moira, sabe que não deveria usar termos tão indefinidos —brincou—. Deve falar claramente, carinho, realmente deixar saber o que pensa das pessoas.
Não estava seguindo o seu jogo; a brincadeira não pegou. Partiu o resto do caminho para ele, via-se bela como o inferno com shorte cor cáqui e a camiseta cor lavanda, e ela chutou violentamente a canela. O que doeu; Moira tinha as unhas dos pés como as de uma preguiça.
—Como pôde arriscar a vida dessa forma? Quase temos uma luta pela supremacia no vestíbulo principal… em frente de todos seus amigos. Em frente de Lara! Tem sorte de Michael não ter arrancado sua cabeça. Tem sorte de Jeannie não atirar em você!
Não queria, mas não pôde evitar: sentiu que seus lábios se retiravam para mostrar os dentes.
—Poderia tê-lo vencido.
Moira levou as mãos ao céu.
—O que está errado com você? Esteve como um urso faminto todo o verão. Este é um bom momento para nós, Derik… Michael trouxe a paz, Gerald se foi, capturamos o monstro que tinha matado essas pobres moças… nunca houve uma melhor época para ser um homem lobo. Então por que está se esforçando tanto para estragar tudo?
Olhou-a, esta delicada mulher, tão querida para ele como o era Michael. Ah, sim? Sussurrou uma traiçoeira voz interior. Querida para você, é? Tem uma forma muito curiosa de demonstrar, burro.
Não tinha uma resposta para isso.
—Não sei o que está acontecendo—disse apagadamente—. Só desejo brigar todo o tempo. Tudo o que sai da boca de Michael me incomoda. Amo-o, mas poderia estrangulá-lo neste exato momento só para ver como se enchem seus globos oculares.
Ante isto, os globos oculares da Moira se incharam um pouco, mas se recuperou rapidamente. Entrecerrou os olhos, de um azul tão claro que pareciam cor lavanda, e ficou pensativa. Começou a andar de lá para cá, assemelhando-se a um pequeno general loiro.
—Certo, bem, resolvemos isto.
Ele sorriu para si mesmo. Moira a gênio da matemática. Cada problema poderia ser fragmentado em equações, e portanto resolvido. Bom, diabos, tinha adivinhado onde se escondia Bin Laden, não é?
Para a sorte do mundo, um dos membros do gabinete era um homem lobo. Moira tinha enviado um e-mail à ele, e quarenta e oito horas depois, olá, buraco de aranha.
—Está apaixonado pela Jeannie?
—Qu… não!
—Certo, se acalme. Era uma explicação, já sabe… se desejasse a companheira de outro homem.
—Bom, não o faço. Quero dizer, eu gosto dela e tudo mais, mas pertence a Michael. De igual forma que ele é dela. Realmente não se pode imaginar nenhum deles com outra pessoa, pode?
Moira parou e sorriu.
—Não, tem razão nisso. Bom, então —continuou imparcialmente—. Está apaixonado por mim?
—Euuu, não!
Infelizmente continuou.
—Está aborrecido porque tenho um companheiro e tenho sexo com ele virtualmente todas as vezes que tenho a oportunidade…
—Aagghh, Moira, por favor, meus tímpanos, vão explodir!
Ela arqueou as sobrancelhas.
—”Euuu”?
—Carinho, é muito bela para ser real, mas eu nunca… nunca, Arhg!... pensei em você dessa maneira. Nunca. Uf! Já disse alguma vez?
—Está bem, não tem que provocar um vômito para que entenda o que quer dizer.
—Se isso desviasse sua mente fora desse rumo… —advertiu, totalmente preparado para meter um dedo na garganta.
—Bom, é uma teoria, isso é tudo.
—Uma má, terrível, atroz, asquerosa teoria. Carinho, crescemos juntos. É como a irmã que nunca desejei ter.
Deixou-se cair sobre a areia para vê-la andar de lá pra cá.
—Não entenda isto da maneira errada nem nada disso, mas se pusesse sua língua em minha boca provavelmente vomitaria.
—É mútuo, menino esperto. De fato, estava certa que estava procurando briga porque sentia a necessidade de se estabelecer com uma companheira, e estando rodeado de casais estáveis, e… bom, sei como se sente, isso é tudo… —Fez uma pausa, parecendo pensativa—. Me sentia muito só antes da chegada de Jared.
—Moira se emparelhou com um macaco, Moira se emparelhou com um macaco —cantarolou Derik.
—Cale-se, não o chame assim! Deus, realmente odeio esse termo.
—Desafio-a a usá-lo diante de Jeannie —brincou.
—Pareço como quem quer passar o resto do dia dentro de um pulmão artificial? Deixando de lado o quanto humanos há em nossas vidas… o assunto é que, não podia suportar estar com Michael ou Jeannie, porque ver sua felicidade me fazia sentir pior. Imaginei que esse também poderia ser seu problema.
—Bom, não é. Não me entenda mal, preciosa, eu adoraria encontrar a garota adequada e toma-lá…
—E cuidá-la e amá-la —acrescentou Moira secamente.
—…mas tenho tempo. Demônios, nem sequer cheguei aos trinta ainda…
—Bom, podemos ver se Michael…
—Deixe-o fora disto.
Ela mordeu o lábio inferior por um momento, Depois adotou uma expressão muito inocente a qual o fez ficar em guarda instantaneamente. A última vez que teve essa expressão, tinha animado Lara a cortar seu suéter de cachemira para fazer suaves bonecos.
—Sabe, deveríamos falar com Michael. Ele é nosso líder. Dirá-nos o que fazer.
Ele apertou os dentes irritado.
—Moira, seja qual for o problema, arrumarei isso. Não preciso que Michael coloque seu nariz onde não o chamaram.
—Mas ele soluciona tudo. Dirá como solucionar seu problema, e você o escutará, e se sentirá melhor.
—Estou certo que posso me encarregar disto sozinho!
—Não quer sua ajuda?
Ele saltou de pé tão velozmente, que a um humano pareceria que se havia teletransportado.
—Jesus, acaso devo escrever isso na testa? Seja o que for, é meu problema, não o seu, assim simplesmente deveria me deixar em paz!
—Ah —disse em voz baixa—. Então é isso. Além disso, afaste-se antes de que eu quebre seu queixo.
Fez isso, dando-se conta de que Moira e ele estavam nariz-com-nariz. Tão nariz-com-nariz como podiam chegar a estar, de qualquer forma… ele era alguns sentimetros mais alto.
—Sinto muito. Provavelmente deveria ir dar uma caminhada, doçura, neste momento não sou uma boa companhia.
—Pergunto-me quando ocorreu?
—Quando ocorreu, o que? —virtualmente grunhiu.
—Quando se tranformou em Alpha.
—Não seja ridícula —disse automaticamente, embora interiormente podia sentir a si mesmo assentindo.
—OH —disse olhando-o—, e sabia, é obvio. Certo. Sabia, mas o ignorava, porque não queria machucar ninguém, e não queria nos deixar. Por que iria querer fazer isso? Viveu aqui toda sua vida… todos vivemos. Este é o nosso lar.
Olhou-a fixamente. Moira, tão formosa e esperta e de aspecto desamparado… Moira, a pessoa mais intuitiva que conheceu em sua vida.
—Às vezes me assusta, sabia?
Esboçou um amplo sorriso.
—É obvio. —Seu sorriso desapareceu—. Só me incomoda não ter me dado conta antes. Mas Derik… como sabe perfeitamente bem, uma Manada não pode ter dois alphas. Simplesmente não pode ser. É por isso que se luta pela supremacia. É por isso que você tem que ir. Agora. Hoje.
—Mas Moira, eu…
—Agora. Hoje. Antes de que piore e faça algo que todos lamentaremos, para sempre. —Suavizou seu tom brusco e gentilmente tocou seu rosto—. Porque se você ou Michael morrerem… nenhum de nós poderá suportar.
Não acrescentou o que ambos sabiam. Se Michael matasse Derik, ela iria. E se Derik matasse Michael, ela o mataria, ou ao menos tentaria, e se matasse, com ficaria a Manada? Certo. Tinham estado juntos durante séculos e tinham passado por coisas muito piores que disputas entre machos Alpha. Permaneceria a Manada sendo um lugar de amor e alegria? Não.
Não se atrevia a dizer nenhuma palavra. Ela estava mostrando justas verdades, sua especialidade, e embora mal podia suportar ouvir as palavras, tinha ignorado o problema por muito tempo. Mas se falasse, provavelmente romperia a chorar como um menino e envergonharia ambos. Não tinha chorado desde que sua mãe tinha morrido, mas nos últimos meses esses pensamentos tinham aninhado em seu coração.
—Derik, o lobo em você quer a Manada. Mas o homem em você nunca se perdoará se tomá-la.
Ainda sem dizer nada, se aproximou, e apoiou a cabeça no ombro dela. Permaneceram dessa forma, imóveis na praia, por um longo tempo.
—AAAAAAGGGGGG…
—Realmente o sinto…
—…gggggggggggghhhhhhhhh…
—…mas a transmissão está completamente feito pó…
—…gggggggggggghhhhhhhhh…
—…e teremos que ficar com o carro ao menos por uma semana…
—…gggggggggggghhhhhhhhh…
—…enquanto trabalhamos nele…
—…gggggggggggghhhhhhhhh…
—…custará um pouco mais que o tempo que demos… Cristo, senhorita, tome fôlego, sim?
Sara Gunn se apoiou contra algo grande e gordurento, não contra o mecânico, e se concentrou em não desmaiar. Transmissão nova! Oitenta dólares pelo concerto, e além disso não teria o carro ao menos por uma semana! Agora a única coisa que lhe faltava era que o mecânico tirasse os olhos ela e fizesse ela ficar em dia com sua lavagem de roupa, e o dia estaria completo.
—Poderíamos ter percebido antes se fizesse mais de duas trocas de óleo ao ano —disse o mecânico (tinha Dave bordado” no bolso da camiseta), com um tom de reprovação na voz.
Em sua camiseta dizia “me Pergunte como economizar em sua próxima mudança de capota” escrito em uma cor amarela que provocava enxaquecas. Sara detestava receber sermões de homens que usavam instruções na roupa.
—Odeio trazer meu carro à oficina —murmurou. Podia sentir o frio e úmido suor, provocado pelo pânico, começar a gotejar entre suas costas.
—Como é?
—Por que sempre me dão notícias caras! —disse bruscamente—. Olhe. Sinto muito. Sei que não é culpa sua. Foi o abalo, e eu não gosto de surpresas.
—Como pode surpreender-se? Seu carro é automático, mas não troca de marcha a não ser que pise no acelerador ao menos por dez segundos…
—Bom, saiu bem, assim não pensei muito nisso.
—E o controle automático de velocidade trava todo o tempo… não disse que o carro a conduziu por uma zona escolar a setenta km por hora?
—Ei, eram dez da noite de um domingo, certo? Não é como se tivessem crianças nos arredores. – ele franziu o cenho e ela ruborizou—. Bom, por isso o trouxe.
—O que quero dizer, é que não tem motivos para horrorizar-se por ser um problema caro. É exatamente o mesmo que uma garota que encontra um caroço no seios mas não vai ao médico de seios e logo se zanga quando ele diz que tem câncer —pronunciou Dave—. Acontece todo o tempo.
—Em primeiro lugar, é a pior analogia que escutei em minha vida. Segundo, não o pago para que me exorte.
—Na verdade não me pagou por nada —afirmou com uma careta. Podia ser bonita, se gostasse de altas, esbeltas, curvilíneas e ruivas, as que sem dúvida ele gostava—. Não, nem um centavo.
—Bom, vou fazer , certo? Demônios, vocês rapazes poderiam ir a Harvard graças a custa de minha estúpida transmissão.
Quando disse “estúpida” chutou a roda traseira de seu carro.
—Ah! Harvard. Poderia ter ido —confiou—, mas não queria viver na outra costa.
—Confie em mim, está supervalorizado.
Sara suspirou e passou os dedos pela longa franja. Se o cabelo tão longo para ultrapassar o queixo pudesse ser considerado uma franja.
—Bom, enquanto estiver fazendo a coisa da transmissão, veja se pode fazer com o relógio. apaga-se cada vez que acendo as luzes.
—Faz isso?
—Sim. Mas assim que apago as luzes, volta a funcionar, acho que está ruim, e tenho que ajustar a hora até a próxima vez que acendo as luzes. E também, perdi o acendedor…
—Como pode ter perdido…?
—Simplesmente olhei para baixo um dia e tinha desaparecido, compreende? Por que não traz um refletor e aponta para meus olhos? De qualquer forma, de vez em quando saltam faíscas do acendedor, o que me distrai bastante.
—Imagino.
—Minha buzina tampouco funciona.
—Bom, como aconteceu isso?
Ela ignorou a pergunta.
—Além disso, o rádio só sintoniza estações locais de música pop. O que não seria tão mal, mas passam pelo menos seis canções de Lenny Kravitz por hora. —Suspirou outra vez—. Estava acostumada a gostar de Lenny Kravitz.
Dave piscou lentamente, como um lagarto.
—Por que não compra um carro novo?
—Era o carro de minha mãe —disse simplesmente—. Adorava a desmantelada coisa.
—OH.
Ele mordeu o lábio inferior por um momento. Todo mundo na cidade sabia o que tinha acontecido à senhora Gunn. Ninguém falava a respeito disso. Tinham sentido pena por ela embora não fosse uma tremenda beleza. E Sara era linda, com esses cristalinos olhos azuis e a ondeante cabeleira de cachos vermelhos. Sua pele era perfeitamente branca, como creme fresco… não tinha nenhuma sarda à vista. Iimaginava que se algum dia pisasse em uma praia tropical explodiria em chamas.
—Olhe, Dra. Gunn, sinto ser o portador de más notícias e tudo isso, mas terei seu carro pronto o mais rápido que puder. Não devo levar mais que alguns poucos dias.
—Alguns poucos dias no purgatório! —gritou, sobressaltando-o. Este era outro traço da Dra. Gunn. Estava tendo uma conversa perfeitamente normal com a mulher, quando de repente começava a gritar. Era certo o que diziam do temperamento das ruivas, isso era um fato.
—Enquanto isso, tenho um carro de reserva que posso emprestá-lo por… ? Ao menos quarenta por dia, ou seu chefe o mataria. Bom, trinta. Vinte e cinco com noventa e cinco centavos e essa seria a oferta final? …por nada. Em consideração que levou um abalo tão forte e tudo isso.
Ela sorriu e ele quase cai sobre a pilha de pneus. Era linda quando estava enfurecida e se queixando e sendo uma moléstia. Era absolutamente magnífica quando sorria. Suas covinhas saltavam aos olhos, seus olhos se contraíam nos extremos e fazia se perguntar que gosto teria sua boca.
Devolveu o sorriso.
O que está fazendo, Davey, velho amigo? Tem tantas oportunidades com a Dra. Gunn quanto de crescer seios em você e sair voando.
—Isso será genial, Dave —disse com verdadeira calidez—. Sinto muito pela birra.
—Não é a primeiro que vejo. Tem um temperamento como o de um furão raivoso, —disse com absoluta admiração.
—Uh… obrigado.
—Talvez depois de que seu carro esteja reparado, poderíamos ir jantar juntos?
—É obvio! E eu convido, pelo empréstimo gratuito.
Sorriu outra vez. Da forma que sorria a seus alunos, a seus colegas, aos mecânicos apaixonados. A Dra. Gunn era inteligente, inquieta, ocasionalmente estridente, e não tinha nem idéia de que era irresistível até para as pedras.
—Obrigado —suspirou. Ehh. Valia a intenção—. Ligarei para você quando tiver uma idéia do quanto demorará.
—Obrigado outra vez.
Ele terminou dando o melhor carro de reserva que tinha, um Dodge Stratus 2004 prateado.
Seu chefe ia estrangulá-lo como um galo quando descobrisse o que tinha feito.
À merda com ele.
—Tem que salvar o mundo.
Derik lutou para evitar que o queixo caísse.
—Eu?
—Sim, cérebro de mosquito, você. De fato, poderia ir fazer isso agora mesmo?
Moira bateu palmas.
—Uma busca! Justo o que precisa, OH, é perfeito, perfeito!
—Uma busca? Eu lhe pareço um super herói? Eu tenho que salvar o mundo?—Do quê?
Antonia sorriu zombeteira.
—De quem, na verdade.
—De quem, na verdade —corrigiu Moira.
Antonia a fulminou com o olhar. Moira recuou, com as sobrancelhas arqueadas, e depois de um momento a mulher mais alta afastou o olhar. Antonia era um desses estranhos híbridos entre mulher lobo e humano, mas ninguém gostava muito dela. Nascida de pai humano e mãe mulher lobo, não podia mudar, embora tivesse a força extraordinária e a velocidade comum a sua raça.
Ser incapaz de mudar tinha sido uma carga tremenda para ela desde menina... a Manada esperava muito de seus híbridos. Seus pais tentaram, e fracassaram em ocultar seu desespero. Não tinha sido uma adolescente fácil, tanto pela tremenda pressão exercida sobre ela, como pelo que sempre diziam ou insinuavam.
—A única coisa que tenho a meu favor, —estava acostumado a dizer com freqüência com uma amarga sinceridade—, é minha aparência. E por aqui, as mulheres boas são muitas.
Era certo. Ninguém estava seguro se era questão de criação ou genética a grande quantidade de sorte ou a dieta onívora, mas os homens lobos, além de serem excepcionalmente fortes e excepcionalmente rápidos, eram excepcionalmente agradáveis à vista.
Antonia tinha enormes olhos escuros e pele cremosa, longas pernas e a figura de uma modelo de traje de banho, mas isso não a fazia se destacar.
Ninguém tinha nem idéia do que era Antonia até que despertou na manhã de seu décimo sétimo aniversário, preparou algumas torradas e ovos esquentados, e depois caiu desmaiada. Quando recuperou a consciência, tirou o ovo do cabelo e disse a seus atônitos pais.
—Michael vai deixar alguém grávida hoje, casará no verão e será pai antes de Páscoa. OH, —acrescentou pensativamente—, o bebê será uma menina, e a anestesia piridural não funcionará com a futura mãe. Ei!
Para assombro de todo o mundo, tinha razão. Essa foi a primeira de dúzias de predições, algumas delas moderadas... Moira vai amarrar-se com outra intervenção... há! Algumas maiores… será melhor que se mantenham longe de Nova Iorque em 11 de Setembro de 2001.
Nunca errava. Nunca desviava nem sequer um pouquinho. Ninguém tinha visto nada parecido. Ninguém estava certo do que significava... poderiam os homens lobo ter poderes mentais além de físicos? Era um absoluto mistério.
E de um dia para outro, Antonia tinha passado de Ninguém na Manada a Semideusa da Manada. Se enchessem o saco dela, podia ser que não ocorresse nada... ou podia prever sua morte e esquecer-se de advertir isso por despeito.
E agora aqui estava, mantendo uma audiência no solarium, explicando que o mundo acabaria a menos que Derik se apresentasse no 6 da Fairy Lane, Monterey, Califórnia, assim que fosse possível.
—Meninos, sabem quem é Morgana O Fay?
Moira assentiu. Derik piscou.
—Suponho que me farei de loiro burro —disse, evitando a cotovelada de Moira—. Nem idéia.
—Era a meia irmã do Rei Artur—explicou Antonia—. Teve uma aventura incestuosa com seu irmão e foi a responsável, indiretamente, de sua morte. Também era uma poderosa feiticeira.
—Uh-huh. Fascinante, querida. Eu gosto das histórias tanto como os demais, mas isto é relevante, por...?
—Segui o rastro dela.
—O rastro dela —repetiu Moira—. Toni, de que demônios está falando?
—An-TO-Ni-a. E Morgana O Fay está em Monterey Bay.
—É poeta, e não sabia —zombou Derik, e não se surpreendeu ao ver que ambas as mulheres o ignoraram.
—Reencarnou e vai por aí com o nome da Dra. Sara Gunn. Tem que ir lá e se ocupar dela. Se não o fizer, dentro de uma semana nenhum de nós estará aqui.
Silêncio mortal, quebrado por um gemido de Moira.
—OH, Antonia... é a sério?
—Não, inventei isso porque quero atenção —exclamou ela—. Sim!. O mundo vai acabar, e todos estamos fodidos, a menos que o membro da Manada que responde com nome de A Rocha ponha seu trazeiro em movimento.
Outro breve silêncio, e então Moira disse.
—Acredito... acredito que será melhor que procuremos Michael e Jeannie.
Dessa vez, Derik não discutiu.
Michael clareou a garganta na soleira.
—Vai então?
Derik se endireitou sobre sua bagagem. Tinha atirado umas poucas coisas na mala e já estava preparada para partir. Mais que preparado ia pegar o jato Wyndham até São José, Califórnia, e dali pegaria um carro alugado até a península de Monterey. Já havia dito adeus a Moira e Jeannie.
—Sim, já vou. De fato, será melhor que me ponha em movimento.
—Bom. Tome cuidado. Não deixem que acabem com você.
—A reencarnação da feiticeira mais poderosa na história da literatura, destinada a destruir o mundo nos próximos dias? Não tem a mais mínima possibilidade —gabou, aliviou ver o fantasma de um sorriso no rosto de Michael—. Deixe disso . Isto será como a vez que estive de acordo em me ocupar do catering de sua cerimônia de emparelhamento. Exceto com menos farinha.
—Estou deixando isso com você—disse Michael seriamente—. Sabe que Jeannie está grávida de novo, não é?
Ele assentiu. Todos sabiam.
—Bom, pelo amor de Deus, não diga que sabia antes de que eu dissesse —disse isso Michael apressadamente—. Passei o pior dos momentos fingindo estar surpreso quando finalmente decidiu compartilhar a notícia. E, é obvio, soube que não estava surpreso, e então a merda voou por toda parte.
—Não é culpa sua que possa cheirá-lo nela —disse ele, perplexo.
—Isso pensaria qualquer um. De qualquer maneira... a questão é... que tudo o que tenho e amo está em suas mãos. É uma pena... —que não tenhamos solucionado as coisas, era a conclusão óbvia dessa declaração, mas seu amigo tinha muito tato para dizê-lo.
—Sim. Não se preocupe, chefe.
Michael sorriu de novo.
—Não faço. Bom, faço, um pouco... está em minha natureza. Mas bom, se alguém pode salvar o mundo, esse é você. Apostaria minha vida nisso —fez uma pausa—.Estou apostando minha vida nisso.
Derik se sentiu muito honrado para falar por um momento. Lembrou suas palavras anteriores... sua ação anterior ... e sentiu o rosto arder de vergonha. Por muito que desejasse sua própria Manada... ou ao menos, ser seu próprio dono, significava que tinha que tratar seu melhor amigo como se fosse algo que tirava da sola do sapato?
—Uh... obrigado... mas antes de ir... —pendurou a mochila no ombro, cruzou o quarto, e começou a agachar, preparado para expor a garganta.
Michael o segurou pelo ombro e voltou a puxar ele para cima.
—Não faça isso —disse tranqüilamente—. Em primeiro lugar, está a caminho de salvar o mundo, assim pelo que me diz respeito, o mal entendido está terminado entre nós. Além disso, Moira diz que poderia ser um Alpha. Já que estou bastante certo de que nunca se engana em nada...
—Isso é certo —esteve de acordo Derik.
—...será melhor que se libere do hábito de expor a garganta logo que seja possível.
Derik fez uma pausa.
—Assim... quase tivemos cha cha cha hoje, mas como vou salvar o mundo, vai deixar passar?
—Essa é precisamente a espécie de cara fenomenal que sou —disse Michael solenemente, e ambos os homens cairam em gargalhadas, sua risada soando mais como uivos que outra coisa.
Sabia que o fazia parecer superficial, sabia que provavelmente era muito velho para tais tolices.
Sabia que deveria estar concentrado em salvar o mundo. Mas não podia evitar.
Derik amava os conversíveis. E este era sublime… de um azul elétrico que fazia chorar os olhos, com bancos tapetados em couro e um soberbo sistema de som. “Addicted to Love” de Robert Palmer estava soando na cabeça, porque, alegria das alegrias, tinha encontrado uma estação de rádio que passava rock dos anos oitenta. O clima era magnífico, 30 graus e estava ensolarado, e sua proximidade ao oceano significava que o ar estava carregado de centenas e centenas de tentadores aromas.
Inalou fundo e vertiginosamente tentou processá-lo.
O nariz de Derik era um instrumento de incrível precisão, mas até ele podia ser confundido e afligido. Merda, essa era a metade da diversão de um conversível! Nesse preciso momento estava cheirando sal marinho Hotdogs- cocô de veado-guaxinim-gaivotas-penas… Ohhh! Agora estava chegando um tentador sopro de peixe-oceano-grama cortada-gambá-relva-frango frito e… Obrigado, Jesus!... suor de garotas e perfume Dune.
Estou na Califórnia, terra de garotas bonitas, carros geniais e filme-da-semana, mas não posso ficar pensando em nada disso até salvar o mundo.
Ante o pensamento do que estava em jogo neste curto dia de viagem, seu coração deu um salto. Sempre tinha pensado em si mesmo como em um sujeito tranqüilo (apesar dos últimos acontecimentos) e se alguém houvesse dito que seria responsável por salvar o mundo… não à Manada, ou seus amigos mais próximos, mas o mundo, o mundo inteiro… bom, sua mente não poderia abranger. Poderia tentar, e logo se desviaria e pensaria em algo estúpido, como em o quão estupendo era encontrar uma estação de rádio dos anos oitenta tão longe de casa.
Dizer adeus a Lara tinha conseguido. Ficou consciente, embora brevemente. Amava essa pequena travessa como se fosse sua própria cachorrinha. Morreria por ela em um minuto de Nova Iorque. Retorceria o pescoço de qualquer um que a machucasse e quebraria a espinha dorsal de qualquer um que a fizesse chorar. Mas se colocasse a pata, se Morgana escapasse, Lara nunca chegaria ao primeiro grau. Nunca teria um encontro, nunca experimentaria sua primeira Mudança. Nunca cresceria para ser líder, da forma que era seu pai agora.
Merda, quase tinha chorado quando disse adeus.
Quanto mais rápido o fizesse, mais rápido retornaria para casa. Não era que estivesse terrivelmente ansioso para voltar para casa… a mansão continha sua particular coleção de problemas. Derik imaginava que podia se dar conta que sua vida estava fodida quando sentia quase contente de poder usar a desculpa de ter que salvar o mundo como distração.
Bom. Mike e ele arrumariam as coisas. Tinham que fazer isso. De outra forma… de outra forma, simplesmente nunca voltaria para casa, embora provavelmente essa não fosse a melhor forma de arrumar as coisas.
Não confiava em si mesmo quando estava com Mike, isso era tudo. Se enfuresse-se e as coisas ficassem fora de controle, tudo acabaria, e Mike estaria morto, e ele seria o líder da Manada, e Jeannie ficaria viúva, e Lara ficaria sem pai, e então ele provavelmente iria para um canto e estouraria os miolos. Melhor ser um (covarde) solitário que arriscar que acontecesse isso. muito melhor.
Sara Gunn colocou o pé em seu segundo par de meias, incrivelmente, aconteceu o mesmo. Sentiu um zzzzzzzzzzzz! E depois a unha do dedo maior rasgou um sulco através de seu último par de meias.
—Claro, —resmungou—. Por que será que cada vez que acordo tarde tudo sai errado? Ainda pior, por que estou falando comigo mesma? —tirou o instrumento de torturas feito em nylon do pé e o atirou sobre o ombro para que aterrissasse no piso—. Bom, então…
—…Lá fora faz um tempo magnífico. Um dia perfeito para sair com as pernas descobertas.
Passou a mão pela perna esquerda. Um pouquinho peluda, mas definitivamente não eram a barba do Sam Bigotes. Nota para si mesma: depile as pernas mais vezes quando estiver com poucas meias.
Ouviu a campainha, esse aborrecido dum-DUM-dum-dum… dum-DUM-dum… dum-DUM-dum-dum-DUM! Dah-dum-dah-dum-dum. Amaldiçoou a última paixão de sua mãe por Alex Trebek e Jeopardy. Cada vez que tinha uma visita, sentia como se devesse expressar tudo o que dissesse em forma de pergunta.
Nunca voltarei a ter vinte e cinco outra vez… nem vinte e oito, se formos a isso, e nunca vou mudar da casa de minha mãe. Que sorte, Gunn. Para não dizer patético!
Deslizou os pés em um par de sapatos de salto baixo e distraídamente olhou de soslaio no espelho. Cabelo: apresentável, embora não precisamente fascinante, recolhido com uma dessas grandes presilhas pretas que pareciam um aparelho de tortura medieval. Pele: muito pálida; não tinha tempo de maquiar-se. Olhos: grandes e azuis e injetados de sangue… pois maldita fosse a maratona de Viagem às Estrelas: Espaço Profundo Nove. Traje: de linho cor creme, o que significava que em uma hora seria um desastre todo enrugado. Pernas: descobertas. Pés: estreitos e metidos em sapatos tão cavados, que podia ver a separação entre o primeiro e segundo dedo.
—Muito mal, menina! —disse a si mesma—. A próxima vez não desligue o botão do despertador.
Dum-DUM-dum-dum… dum-DUM-dum… dum-DUM-dum-dum-DUM!
Dah-dum-dah-dum-dum.
—Já vou ! —apressou em sair do quarto, olhou através da cozinha, e exalou um suspiro de alívio ao ver o carro que emprestariam. Enfim! David, seu mecânico, finalmente teve a oportunidade de mandar um carro em empréstimo para que usasse. E era um chamativo carro de empréstimo. Bom, os mendigos não podiam ser… etc.. Tinha batido a frente do outro carro que ele tinha emprestado… Era sua culpa que não pudesse conduzir um carro com alavanca de manual?
Abriu a porta de repente.
—Graças a Deus que… —uauu.
Olhou fixamente para o homem que estava parado em seu alpendre dianteiro. Era, para ser franca, delicioso. Era para o Homo Sapiens o que o banho quente de chocolate era para um sorvete de baunilha: um completo e total aperfeiçoamento original. Uma cabeça inteira mais alto que ela, virtualmente enchia o marco da porta. Seu cabelo loiro era da cor do sol, do trigo amadurecido, realmente maravilhoso. Tinha ombros de nadador e até podia ver a definição dos músculos de seu estômago através da camiseta verde que estava vestindo. A camiseta tinha o confuso logotipo de “Martha é a melhor” em brilhantes letras brancas. Usava shorts cor cáqui, que revelavam umas pernas muito musculosas que terminavam em pés absurdamente grandes, colocados sem meias em um par de desgastados mocasins. Suas mãos, notou, eram também bastante grandes, com dedos de pontas quadradas e curtas unhas limpas.
Estava levemente bronzeado e tinha o aspecto de um homem que se sente em casa tanto acampando no bosque, vagabundeando junto a uma piscina, ou curvado sobre um computador. Seus olhos eram do brilhante verde das folhas molhadas, e brilhavam com alvoroço e vibrante bom humor. Sua boca era ampla, inquieta e parecia feita para sorrir.
Estava sorrindo para ela.
Controle-se, ordenou a si mesma. incomodou ao se dar conta que seu pulso se acelerou.
É incrivelmente infantil que esteja ofegando por este homem, quando tudo o que fez foi tocar a campainha algumas vezes e permanecer ali parado. Nem sequer abriu a boca e virtualmente está derretendo em um atoleiro em sua própria porta. Ele… OH, OH! Está falando!
—… casa errada.
—O que foi o que disse?
—Certo, que devo ter batido na casa errada.
Seu sorriso se fez mais amplo, enquanto o olhar a percorria da cabeça aos pés, apreciando suas pernas ao descoberto, os sapatos estragados, o traje enrugado e o cabelo desordenado. Seus dentes eram perfeitamente retos, cegadoramente brancos, e se viam afiados. O sujeito provavelmente comia carne crua. Poderia fazer uma fortuna fazendo comerciais de Chiclets.
—Lamento tê-la incomodado.
—Não, está na casa correta. Estava esperando que trouxessem o carro provisório. —Apontou com a cabeça o pequeno e chamativo conversível azul—. Os outros professores me acusaram de ter entrado na crise da meia idade um pouco cedo, mas o que posso fazer? Entre. Como voltará para garagem?
Entrou, e enquanto passava junto a ele para fechar a porta com mosquiteiro, voltou a fazer evidente outra vez, como se o necessitasse! Como era grande! Ela não era uma mulher pequena em absoluto, de fato, deveria deixar de lado os croissants de chocolate, mas ele a fazia se sentir completamente pequena. Captou seu cheiro e quase ronronou. Cheirava a sabão e a homem. Um grande e nítido macho.
Ele olhou ao redor da cozinha.
—Escute, não quero interrompê-la, mas poderia me dizer qual é a casa do número 6 da Fairy Lane?
—É esta, —disse com uma evidente impaciência. Magnífico, mas não muito brilhante. Bom, ninguém é perfeito—. Eu disse, está na casa certa. Estou chegando tarde para minhas rondas, assim pode arrumar alguém que venha buscá-lo…
—Sim, farei isso. Porque obviamente houve um engano.
—Diga-me , —disse, olhando-o com desejo. Em um mundo perfeito, ele seria o rapaz da piscina. Em vez disso, estava chegando tarde ao trabalho e ele tinha que pedir uma carona até seu lugar de trabalho—. Bom, obrigado por me trazer o carro… nos vemos.
Ele a seguiu para o alpendre.
—Foi um prazer conhecê-la. Sinto pelo mal-entendido. —Mas, interessantemente, em vez de ver-se pesaroso, soava extranhamente aliviado.
Que estranho! Mas não tinha tempo para ficar a meditar sobre isso.
—Até mais tarde!
Arrancou com o carro sem nenhum problema,já antes tinha ouvido a frase “o motor ronronou como um gatinho” mas alguma vez o tinha experimentado até agora? e saiu da entrada para automóveis. Saudou com a mão o homem que deveria ter sido seu rapaz da piscina, que se via como se estivesse banhado pelo sol, e soltou o pedal.
Derik foi ao refúgio mais próximo, que estava um edifício mais abaixo do aquário. Um adorável cachorrinho respondeu na porta, um menino de uns oito anos com grandes olhos escuros e cabelo negro.
—Olá —disse Derik—. Estão seus pais em casa?
—Sim. Como se chama?
—Derik.
—Muito bem. Entre.
Derik seguiu o menino a uma cozinha que cheirava massa de bolachas, e encontrou a senhora da casa até o pescoço de bolachas de xarope de caramelo.
—Bom… Olá! —disse ela, sua saudação um suave balbuceio do Meio Oeste—. Me chamo Marjie Wolfton; este é meu filho, Terry. Precisa de ajuda?
—Só um telefone particular. Estou… bem… em meio de uma espécie de missão para… hum… não importa.
Simplesmente não era capaz de dizer “salvar o mundo”. Era muito estranho.
Marjie, entretanto, parecia saber tudo sobre isso. Ou isso, ou estava acostumada a estranhos homens lobos aparecendo em sua porta.
—Sim, claro. Terry, leve Derik ao escritório.
—Tá.
O menino pegou um punhado de massa e desapareceu por um corredor.
Derik o seguiu ao escritório, que tinha chão de tábuas, janelas colocadas no teto, um computador, um telefone e uma televisão.
—É de Massachussets? —perguntou Terry.
—Uh-huh. —teria que ligar para Antonia e tentar entender esta confusão. Essa moça distraída não era Morgana O Fay. Não—. Como sabe? Não pronuncio os r?
O garoto ignorou a pergunta.
—E vive com o Michael Wyndham? O líder da Manada?
Derik olhou para menino, realmente nos olhos. Isso era pura admiração de herói, se não se enganava. E como estava acostumado a pensar da mesma forma sobre o pai de Michael, Derik entendeu completamente ao que se referia o garoto. Os homens que tinham uma Manada… que dirigiam uma Manada… eram simplesmente… diferentes. Muito mais. E podiam ser como eles. Era um talento, a maneira em que muita gente elevava uma só sobrancelha. Era difícil de explicar.
—Sim, vivo com esse sujeito. Michael é meu melhor amigo. —Era? É? Salvar o mundo primeiro, lembrou-se. Depois poderia preocupar-se com isso—. Realmente é um cara genial, e sua mulher é súper boa. Alguma dia deveria tentar ir vê-lo.
—Irei quando tiver vinte. —A maioridade, para os homens lobos. Dezoito era condenadamente cedo; todos sabiam—. Irei ver se precisa de um guarda-costas, ou talvez Lara necessite. —O menino se abraçou e sorriu—. Não posso esperar! Estou certo que é bom, viver em uma mansão com todos os chefes lobos.
—É genial —admitiu Derik. E tinha sido, até que havia fodido com tudo. Até que ele meteu na cabeça a idéia de que poderia ser um chefe lobo. Estúpido.
—Falarei bem de você, se quiser.
—Faria isso? —Os olhos do menino, já grandes, ficaram enormes—. Isso seria genial. Muito obrigado.
—O que pensam seus pais de sua ambição?
—OH. —O menino afastou seus pais com um gesto da mão na descuidada maneira dos preadolescentes—. Mamãe quer que fique aqui e vá a USC . Papai diz que devo aspirar a ser mais que um “figurante”, assim é como os chama. Mas não me importa. Estão fazendo o que querem. Agora é minha vez. Quero dizer, será.
—Bom, enquanto espera completar vinte, pode passar um ano ou dois na universidade, para ver se convém.
Terry deu de ombros.
—Terry! Saia daí e deixe o homem ter um pouco de privacidade.
Terry cheirou o ar.
—Além disso, as bolachas estão quase prontas —murmurou.
—E as bolachas estão quase prontas! Assim venha aqui!
Derik caiu na risada quando o menino revirou os olhos e partiu, fechando a porta atrás dele. Jesus, alguma vez tinha sido tão jovem?
Claro que sim: Michael e ele e Moira tinham sido virtualmente companheiros de ninhada. Cara, as coisas que estavam acostumados a fazer… era um milagre que a mãe de Michael não tivesse afogado todos.
Pegou o telefone e marcou o número principal da mansão.
—Residência Wyndham —respondeu Jeannie, soando afligida.
—Oi, Jeannie, sou eu, D…
—Lara! Não! Não se atreva a saltar daí… não se atreva! Olá?
—Um, sim, Jean, sou eu, D…
—Lara! Não me importa se seu pai faz isso todo o tempo. Seu pai é um idiota! E se acha que vou perder a tarde levando você na Emergência… olá?
—Sou eu, Derik! —gritou—. Pode me conectar à casa da Antonia, por favor?
—Tá, deixe de gritar. Claro que sim. Como vai? Já salvou o mundo?
—Estou nisso, justo quando acabar minha bolacha de creme de caramelo —disse com secura.
—Muito bem. Conectando… Lara!... Agora mesmo! —Houve um suave e zumbante silêncio, e logo outro telefone soou.
—Essa é Morgana O Fay —disse Antonia, como recebimento—. É uma criatura indescrivelemente malvada e terá que evitar que destrua o mundo. Assim leve seu traseiro de volta e se encarregue dela.
—O que? Antonia? Como soube que era…
—Não sei você —disse—, mas eu não tenho muito tempo para perguntas tolas. Além disso, está me aborrecendo um montão.
—OH, vamos, deveria ver essa garota! De maneira nenhuma pode ser ela. É uma boba, e é tão linda. Para não mencionar que é realmente uma cabeça oca. Acredito que tem os cabos cruzados, ou o que seja, com esta.
—Impossível. É ela. E já sabe o que dizem sobre o demônio e as caras agradáveis. Agora volte ali e faça o seu trabalho.
—Isto é um asco —ele disse à linha vazia, e desligou.
—Uma bolacha? —perguntou Marjie alegremente quando Derik entrou em pernadas na cozinha.
Pegou seis.
Sara Gunn, a criatura indescritivelmente malvada, olhou a caminhonete quando estava estacionando seu compacto, mas não deu importância. Monterrey não era uma cidade tão grande, e muita gente ia e vinha do hospital. O Monterrey Bay Geral era um hospital clínico, o maior em duzentas milhas, e o estacionamento era do tamanho do campus de uma pequena universidade.
Apressou-se pelo vestíbulo principal, temerosa de olhar seu relógio e ver o tarde que chegava. O Dr. Cummings odiava que o pessoal chegasse tarde para as consultas de pacientes, embora Deus sabia que muito freqüentemente deixava-os esperando. E embora fosse a Dra. Gunn, seu doutorado era em enfermaria, assim para um burro da velha escola como Cummings, era só uma criada glorificada com um diploma extra. A maioria dos dias se deslizava sobre ela como água por um ralo, mas os dias como este, quando sabia que a esperava uma reprimenda, algo que não gostava condenadamente nada, ela…
—Sara Gunn!
Estava justo a ponto de entrar no elevador quando escutou seu nome e afastou o pé de um puxão. Virou e seu cérebro processou a meia dúzia de homens vestidos com… podia ser?... Túnicas vermelhas soltas. Agora tinham monges no hospital? Monges vestidos de vermelho? Como um grande batom?
Monges armados?
Sendo uma ávida aficionada de filmes, Sara reconheceu as pistolas Beretta nove milímetros quando as viu, e ficou tão surpreendida, que congelou onde estava. Era o contexto, claro. Certo. Ver homens com túnicas, levando armas, no hospital, seu hospital, era simplesmente… estranho. Se tivesse um pouco de sentido, estaria gritando e caindo ao chão, como muita gente ao seu redor, mas ficou observando. E agora estava olhando o canhão de mais de uma pistola, e quanta gente podia dizer isto em sua vida, não só tinha uma pistola apontando para ela, mas também tinham várias? Tudo isso era…
O que estava mais perto dela escorregou no chão recém esfregado, atirando no brilhante letreiro amarelo de CUIDADO. Bateu forte, muito forte; Sara escutou o úmido ruído seco quando seu pescoço quebrou.
Escutou uma explosão apagada a sua esquerda e se encolheu, mas a pistola tinha falhado e o canhão explodiu. O aspirante a pistoleiro começou a gritar com a cara cheia de sangue, gritando e cambaleando, e jorrando sangue. Tinha perdido todo interesse nela, e Sara realmente podia escutar seu sangue batendo no chão, que agora precisava voltar a ser esfregado.
O carregador caiu da pistola do terceiro homem, algo que Sara nunca tinha visto antes… um dia de estréias! Não sabia que os carregadores podiam cair das pistolas, simplesmente deslizar-se e cair com um golpe no chão, sem que ninguém os tocasse, mas este o fez. O homem com a túnica se agachou, e então o vestíbulo se inclinou loucamente, quando alguém por baixo bateu nos seus pés.
—Cruz de Cristo —grunhiu o Dr. Cummings. Estava deitado no chão ao lado dela, e Sara se deu conta de que era ele quem a golpeou. Sua barba, cabelo e sobrancelhas brancas tinham sua habitual desordem caótica; as sobrancelhas em particular recordavam a um par de grandes larvas albinas lutando. Parecia o Coronel Sanders com o saco cheio—. Saí do hospital quinze minutos e todo o condenado lugar se desmorona. É a última vez que tento tomar café entre consultas.
—Sinto ter chegado tarde —disse ela do azulejo.
—Sabe por que tentam matá-la?
—Não tenho nem idéia. Sabiam… sabiam meu nome. —deu-se conta de que estava em uma arredoma de calma auto-induzida. Bom, isso estava muito bem. Era melhor que estar gritando—. Mas a coisa é que não estão tendo muita sorte, melhor para mim.
Escutou uma explosão terrível, magnificada no vestíbulo, e depois voltou a escutá-la. Viu os dois últimos homens cair, e viu o agente de polícia parado no guichê de Informação, muito pálido, com sua pistola em mão.
—Sorte para você —disse o Dr. Cummings—, que havia um policial aqui.
—Uh-huh.
—Realmente afortunada —disse, lançando um olhar estranho.
—Vou vomitar, acredito.
—Não, não vai fazer isso. Chegamos tarde às consultas. —Segurou-a pelo cotovelo, para um homem de quase sessenta anos, era tão forte como um viciado na PCP , e a pôs em pé de um puxão. Depois a empurrou ao elevador—. Pode vomitar depois.
—Anotarei-o em meu Palm Pilot —disse ela, mas o impulso já estava passando. Maldito Dr. Cummings! Ou bendito. Nunca podia decidir o que era.
O rapaz da piscina ainda estava ali quando voltou para casa. Estava sentado nos degraus dianteiros, com a mão no queixo, obviamente esperando-a.
Sara parou o conversível soltando fumaça, precipitou-se pela porta e correu para ele. Não tinha nem idéia de porquê ainda estava ali. Ninguém podia lhe dar uma carona? Tinha notícias sobre seu carro?... não se importava. Depois da manhã que teve, precisava falar com alguém, e o Dr. Cummings não era precisamente uma pessoa cálida e protetora. Este Ken andante serviria perfeitamente.
—Não vai acreditar, não vai acreditar! —gritou enquanto ele se levantava. Agarrou-o pela camisa com os punhos e o sacudiu.
Ele abaixou o olhar para ela.
—Um montão de estranhos com túnicas vieram hoje ao hospital e tentaram me matar! Havia pistolas por toda parte!
—Acredito —disse ele, assentindo abatido.
—E eu cheguei tarde às consultas! E então tive que falar com a polícia durante o que pareceu uma eternidade. E não tenho nem idéia que porquê está aqui, mas tenho que lhe dizer isso vou passar a tomar um gole antes de fazer qualquer coisa, mas pode ter seu carro de volta, e talvez tome dois goles. Eu… OH, merda.
Estava usando as chaves com estupidez, e afinal conseguiu abrir a porta da cozinha.
Sem dizer uma palavra, seguiu-a ao interior. Sentiu-se momentaneamente intranqüila, mas logo descartou a sensação. Os raios não iam alcançá-la duas vezes esse dia, e além disso, conhecia este rapaz. De algum jeito. Pelo menos, seu mecânico o conhecia. Estava bastante certa.
—Não vai acreditar, não vai acreditar —balbuciou de novo, procurando com a mão a garrafa de vodca Grei Goose no congelador. Um screwdriver, com pouco suco de laranja, era justo o que precisava. Talvez mais de um. Talvez meia dúzia—. Que dia mais louco! E inclusive dizer “dia louco” não se faz justiça.
—Espere —ante sua ordem, ela ficou (atípicamente) em silêncio—. É Sara Gunn?
—O que? É obvio que sou. Sabe quem sou. Sim. Não quer gelo? OH, quem se importa. Beberei puro, se tiver que… a vodca vai bem com sorvete de baunilha?
—Sara Gunn do 6 do Fairy Lane?
—Sim. Já passamos por isso. —Ele era tão bonito, e tão, tão tolo. Não era justo. Como se precisasse disto, justamente esse dia—. Vamos, quer uma bebida? Porque eu vou tomar uma. Ou precisa que o leve? Supõe-se que tenho que ficar com o azul? É um bom carro, mas realmente não é meu estilo. Embora francamente, com o dia que tive, importa-me uma merda.
Tardiamente, recordou suas maneiras.
—Ligarei para a oficina para você e farei com que venha alguém buscá-lo. Tá?
Ele franziu o cenho, e seus formosos olhos verdes se estreitaram até parecer laseres zangados.
—Acha que poderia diminuir a condescendência um pouco, senhorita Gunn? Já recebo suficiente disso de minha amiga Moira.
—Doutora Gunn —disse ela automaticamente, uma vez que ruborizava—. Eu sinto —acrescentou—. É só que parecia… confuso. Mais que eu. E isso já quer dizer muito.
Esticou a mão para o telefone.
—Ligarei a oficina.
Ele tirou o telefone da mão, movendo-se tão rápido que ela não se deu conta de que o tinha tomado até que viu que estava segurando sem o fio.
Estranho. Estranho! Em um segundo estava parado na porta da cozinha, e no seguinte estava bem diante dela. Era como ver um filme caseiro, acelerado. Já tinha começado a beber?
Ele fechou o punho, ainda segurando o telefone, e então as pequenas peças de plástico caíram como chuva em seus azulejos.
—Realmente sinto muito por isto —disse aborrecido—. Não doerá. Simplesmente fique quieta.
—O que não doerá?
As mãos dele se dirigiram à garganta da Sara.
No último segundo, Ela escapuliu de seu agarre como uma truta escorregadia, e o golpeou no queixo com bastante força para uma humana. Realmente doeu.
—O que está acontecendo? —gritou. Seus olhos eram brilhantes e selvagens. Transpareciam a tensão, estresse e fúria—. Todo mundo nesta cidade ficou louco hoje?
—Algo assim.
Outra vez tentou golpeá-la. Se pudesse rodear seu pescoço com as mãos, tudo terminaria para ela em meio segundo, estaria no céu antes de escutar o estalo. Ela se esquivou, e suas mãos se fecharam no ar.
—Realmente não importa. Sinto muito. Mas tenho que fazer isto. É… suponho que é muito perigosa. Sinto muito. —Acrescentou fracamente.
—Burro! Não tem nem idéia! Agora, saia de minha casa!
Agarrou uma estatueta que estava em uma prateleira por cima de sua cabeça, e ele se esquivou, mas não o suficientemente rápido. A figurinha Precious Moment de cinco polegadas de altura bateu em sua testa bem por cima do olho direito e estourou. Quando tirou os pedaços do cabelo e limpou o sangue da sobrancelha, ela tinha desaparecido como uma flecha pelo corredor.
Com expressão sombria, dirigiu-se com passos lentos e pesados atrás dela. Não gostava muito de matar. Demônios, só tinha matado duas pessoas em toda sua vida, e ambos tinham sido homens lobos renegados. Isso tinha sido algo totalmente diferente, nem sequer no mesmo universo do que estava tentando agora. Então defendeu a Manada, e foi completamente diferente de quebrar o pescoço desta pobre garota.
Isto também é defender a Manada, companheiro. É melhor que acredite. Agora se concentre no jogo!
Tentou. Realmente o fez. Intelectualmente entendia que este tipo de coisa era contra seus princípios. Também entendia que esta mulher era uma ameaça para sua família, para todas as formas de vida. Intelectualmente. Mas não estava zangado com ela, não tinha medo dele, ela não estava parecendo alguém perigoso, ele não estava defendendo território. Não estava sentindo nenhuma das coisas que devia sentir para aceitar o fato de quebrar o pescoço de uma pessoa.
Sem mencionar que Sara Gunn era uma gracinha. Realmente gostava dela, mesmo conhecendo-a há tão pouco tempo. Gostava de seu descaramento, seu atordoado bom humor, e adorava a forma que cheirava: como rosas envoltas em algodão. Como era doutora, imaginou que era a atraente personificação feminina de uma professora disfarçada, algo que era lindo em si mesmo. Outro tempo e lugar, e se sentiria tentado a enfeitiçá-la para ir a um agradável hotel durante o dia e…
Alcançou-a no vestíbulo, mas ela tropeçou quando ele esticou a mão para seu pescoço, e voltou a falhar. Bem, claro que fez isso. Seu coração estava tão pouco metido nisso, que teria sido divertido se não fosse tão condenadamente deprimente.
Ela caiu no chão e se afastou arrastando-se. Voltou a alcançá-la, e desta vez ele tropeçou, caindo com suficiente força para fazer soar seus dentes.
Cristo, fará algo de uma vez? Deixe de atrasar isto! Já é bastante ruim que tenha que matá-la, tem que jogar primeiro de gato e rato? Assustá-la mais do que está? Estúpido.
Só que não estava tão assustada quanto estava furiosa. OH, podia cheirar o medo, uma corrente subterrânea sob sua raiva, mas estava fundamentalmente zangada. Realmente Sara gostava dele. Qualquer outra mulher —pessoa!— teria se queixado em um canto e suplicando por sua vida.
Ficou em pé, só para ser golpeado no rosto por uma caixa de cotonetes. Os cotonetes saíram como mísseis em uma explosão da caixa e caíram como chuva sobre o chão.
—Pare... pare! —gritou ela, jogando uma vidro de perfume. Desta vez ele se esquivou, e o vidro se fez pedacinhos atrás dele. Imediatamente, o vestíbulo cheirou a lavanda, e ele espirrou.
—Fora!
—Não posso —disse, e voltou a espirrar—. Sabe, se ficasse quieta durante um minuto, acabaria em…
—Foda-se!
—Bem. Bom, isso é compreensível. Quero dizer, eu tampouco ficaria quieto para isso. Está bem —acrescentou com doçura, embora bobamente. Exatamente o que, estava bem? Nada. Nenhuma maldita coisa.
Seguiu-a a um quarto e se viu momentaneamente surpreso pelo completo caos… parecia que alguém tinha sido assassinado ali. Então se deu conta de que simplesmente era uma desordeira. Havia roupas em quase todas as superfícies, e não podia dizer de que cor era o tapete, devido a todos os trajes sobre o chão.
Havia muitas coisas para arrumar, também, e a pontaria dela era espantosa. Era rápido, mas Sara, em seu terror e aborrecimento, era um pouquinho mais rápida, lançando mísseis e gritando como um alarme de incêndios. Esquivou mais ou menos dois de cada três, mas isso ainda o deixou vulnerável para: um pote de Nivea, um copo vazio que cheirava como água rançosa e flores mortas, a capa de um DVD (Vertigem), um controle remoto, uma cópia de capa dura do livro Apocalipse de Stephen King… droga, quanto pesava isso?
Percebeu que não é capaz de matá-la? Sem dúvida, está se aproximando, mas vamos!, é um homem lobo na flor da vida. Como é que não virou um cadáver?
Sua voz interior soava estranhamente como Michael, o que fazia com que tivesse a tendência de ignorá-la. Normalmente.
Mas se deu conta, na parte de cima da cabeça desta vez, não só na de baixo, que era certo. Não tinha sido capaz de matá-la. Cada vez que se aproximava, ela tropeçava ou o fazia ele, ou Sara o acertava com outro míssil. Doía sua cabeça, e era difícil pensar.
Ainda assim, ela deveria ter morrido há uns três minutos.
Tá, já estava bem. Nada mais de fazer-se de tolo. Ela tinha subido na penteadeira, que agora estava vazia de coisas por tê-las jogado… finalmente ficou sem munição.
Em lugar de temê-lo, Sara se agachou como um gato, um no qual restavam vários golpes em suas garras.
—Filho de uma cadela —disse com voz áspera, rouca de todos os gritos histéricos—. Não fiz nada para merecer isto…
—Bom, ainda não —disse ele.
—… e agora olhe esta desordem! Pior do que o habitual! Minha casa está destruida, tenho um rasgo na camiseta, há corpos no meu trabalho, e o louco garanhão loiro ajudante de meu mecânico está tentando me matar! Filho de uma cadela!
—Foi um dia ruim para ambos —admitiu então—. Garanhão loiro? —sentiu-se absurdamente adulado.
—Foda-se! Quero que você vá embora e me deixe sozinha!
Gritou a última parte, chiou-a, rugiu-a. Sua fúria era intensa, angustiante. Não podia tirar o cheiro de cedro queimado do nariz… estava virtualmente engasgando-o.
De repente, com surpresa, a dor em sua cabeça aumentou. Droga, parecia que seu crânio estava rasgando! E então começou a sentir-se enjoado pela primeira vez em sua vida. Era extremamente desagradável. Mas antes que pudesse se queixar, ou explicar, tudo começou a escurecer, e o quarto se inclinou. E então não soube nada, nada de nada.
Mais animada que assustada, Sara acabou de amarrar o Psicopata Burro na cadeira da cozinha com a última fita isolante (algo imprescindível em qualquer caixa de ferramentas de uma mulher solteira). Então se afastou, olhou-o durante um longo minuto, e foi pegar a bolsa.
Supunha que devia procurar um telefone e chamar o 911, mas não estava muito preocupada a respeito de que o idiota escapasse da cadeira. De fato, perguntava-se se levantaria alguma vez... tinha a cor do gesso da cozinha, e seu corpo estava mole. Sentia ele fraco, coisa que não gostava absolutamente.
Encontrou a bolsa, sacudiu a sujeira dela, passou por cima do vaso de barro quebrado, e voltou para a cozinha. Brevemente desejou um celular, continuava perdendo todas as fodidas coisas, e agora pagava por isso, e se inclinou sobre o Psicopata Burro. Levantou uma das pálpebras e fez uma careta… a pupila estava dilatada. Totalmente dilatada... a coisa parecia uma cabaça arrebentada, igual a galhos partidos de laranja. A esclerótica estava injetada em sangue, e sua respiração era ofegante, agonizante.
O que ela tinha feito? É como o estuprador que estava me esperando...
Mas não pensaria nisso agora. O que ocorreu antes não era importante para este pobre bode... estava morrendo diante de seus olhos. Tinha tentado matá-la, mas isso não significava que quisesse que morresse em sua cozinha. Pobre tolo .
Inclusive seu olho estava…
Na verdade, parecia um pouco melhor. Menos vermelho, e a pupila parecia estar... encolhendo-se? Encolhendo-se e retraindo-se, e o vermelho estava saindo, também, desaparecendo, e então toda a perfeita pupila se fixou nela, e ele se moveu, e ela tropeçou para trás tão rápido que caiu sobre outra cadeira e ficou extendida no chão.
—Bem —disse Derik, despertando—. Isso foi embaraçoso
Ela engatinhou afastando-se dele completamente surpreendida. Ele piscou baixando o olhar para ela. Que fazia no chão?
—O que está fazendo no…?
—Isso foi rápido —disse ela, quase ofegado—. Em um minuto estava frio, e depois…
—Curo-me muito rápido. —Começou a levantar-se, então se deu conta de que não podia fazê-lo… que demônios—. Amarrou-me—observou—. Amarrado a uma das cadeiras de sua cozinha. Isto é algo novo.
—Fita isolante —disse ela, fazendo gestos para os cilindros vazios que estavam na bancada—. Nunca deve faltar uma em cada casa. Agora volte a dormir assim posso chamar a polícia, Psicopata Burro.
Ele se retorceu. Podia conseguir afrouxar suas amarras, mas levaria algum tempo. Ela era diabólicamente inteligente! A fita era resistente, e com segurança não poderia rompê-la.
—Pode não acreditar —ele disse—, mas de certa forma estou contente. —E estava! Não pôde matá-la. Ainda estava viva, e de saco cheio, e ele realmente estava feliz por isso, e aliviado. Era estranho, e provavelmente estúpido, mas nesse momento não se importava—. Perdoe-me, por toda a desordem em sua casa.
—Cale-se. Escute, estava realmente fodido. Como, como fez para melhorar? —perguntou. Era como se tivesse morrendo por fazer a pergunta—. Tinha as pupilas dilatadas, sabe o que isso significa?
—Bom —disse—, não soa muito agradável.
—É uma hipótese correta. É um indício de aneurisma, compreende? Sangramento cerebral? Em outras palavras nada bom. Mas ficou melhor enquanto o observava. O que é impossível.
—Tão impossível quanto que você ainda esteja com vida. Eu lhe disse isso, curo-me rápido. Teria algo para comer?
—Supõe que agora tenho que alimentá-lo? Depois de ter tentado me matar?
—Estou faminto —choramingou ele
—Diga isso ao juiz.
Levou a mão para o telefone, percebendo que não estava. Depois notou os pedaços do telefone esparramados por toda parte no chão.
—Maldição! Esqueci-me disso. Terá que me comprar um telefone novo, cara. E algo novo por cada coisa que se quebrou!
Sabia, sabia que lamentaria ter emprestado o telefone de seu quarto a um de seus anteriores pacientes. Rose era tão doce, mas emprestar nunca significava emprestar, sempre significava dar, e isso era dizer pouco.
—Tudo bem, está bem. Ouça, escute, tenho que lhe dizer algo —Homem, Ah, homem, Antonia não ficaria feliz. Nem Michael. Fodida situação—. Fui enviado em uma missão para… matá-la.
—Deduzi isso —disse secamente—, por todas as tentativas de assassinato.
—Não, quero dizer, minha família me enviou aqui. Especificamente, até você. Porque está destinada a destruir o mundo. E é meu trabalho detê-la. Exceto que não pude.
—E você está destinado a uma boa dose de Thorazine, logo que os agradáveis homens de jalecos brancos chegarem. —Mas parecia aturdida, como se ouvisse uma voz de uma dimensão longínqua, uma que concordava completamente com ele—. E possivelmente eu… eu me enganei a respeito de seus olhos. De fato, depois do dia que tive, fazer um diagnóstico errôneo não me surpreenderia em nada.
—Certo —ele mofou —. Porque deve fazê-los todo o tempo. —Isso era uma hipótese, mas imaginava que a Dr. Sara Gunn não estava onde estava por ser uma idiota.
—Não importa. Agora… Que diabos fiz com meu antigo telefone? —refletiu, em voz alta, passando os dedos por seu cabelo vermelho, muito vermelho. Este continuava caindo sobre o rosto, e ela continuava afastando-o com fortes sacudidas de cabeça. Era a coisa mais brilhante da cozinha; mal podia separar os olhos dele...dela
—Você o jogou fora?? Eu não acho que tenha feito isso... Eu nunca jogo nada, se posso evitar... logo que jogo algo preciso outra vez… que estupidez.
—Escute. Não estou louco, embora entenda muito bem por que pensa isso.
—De verdade? —perguntou ela, com falso entusiasmo.
—Não pude matá-la. Compreende? Sem importar que pensasse que minha assim chamada missão sagrada fedesse; estava tentando matá-la, e não pude fazê-lo. Não acredita que isso é um pouco estranho?
—Não, acredito que você é um pouco estranho. —Mas franziu o cenho.
—Não lhe aconteceram coisas assim antes? Dias estranhos? Estranhos aparecendo do nada tentando lhe fazer mal ? Não posso acreditar que minha família seja a única que saiba sobre você.
—Isto é a Califórnia —disse ela, parecendo mais que aturdida; vendo-se um pouco alarmada—. Aqui acontecem coisas estranhas todo o tempo. E nem sequer é um ano eleitoral.
—Sim, Califórnia, não A dimensão Desconhecida.
Retorceu um pouco mais e a fita arrancou os pêlos do braço.
—Auchh!
—Bem, sente-se tranqüilo.
—E morrer de fome? Esqueça.
—OH, pelo amor do Deus. Quanto tempo ficou sem comer?
—Duas horas.
—Uma eternidade, estou certa.
—Meu metabolismo é rápido. Vamos, deve ter algo por aqui.
—Cara, é bastante descarado. —Soava quase… admirada? Mas ainda parecia de saco cheio. Não podia culpá-la por isso—. Coisas estranhas… provavelmente diz isso porque você esteve por trás disso.
—Por trás do que?
—OH. Como se não soubesse?
—Não sei —disse ele pacientemente—. Do que está falando?
—Não sabe nada sobre o grupo de dementes vestido com túnicas vermelhas que tentaram me matar no trabalho. —Disse por último com total ceticismo.
—Não, mas não posso dizer que me surpreenda. Olhe, é a garota má.
—Eu sou uma garota má?
—Sim. De fato, está predestinada a destruir o mundo.
Ela tocou seu peito, parecia atônita.
—Eu?
—Sim. É por isso que fui enviado para matá-la, falando retóricamente. Com certeza que esse grupo de insetos estranhos foi enviado para fazer o mesmo. Assim deveria fazer três coisas: me alimentar, me desamarrar, e sair como o demônio desta casa.
Ela o olhou fixamente.
—Tampouco acredito que tenha que fazer nessa ordem —adicionou, retorcendo-se outra vez. Fodida fita! Por que não usou uma velha e simples corda, como sua ex-namorada?
—Já é suficiente —disse ela finalmente—. Chamarei a polícia. Agora mesmo.
Mas não se moveu, e ele podia cheirar que não o faria. Estava muito confusa e curiosa.
—Está bem, Morgana. Traga aqui a policia.
—Como me chamou?
—Morgana. Esse é seu outro nome.
—Acredito que saberia se tivesse outro nome.
—Obviamente, não sabe.
—OH, vá a merda! —disse ela, quase fazendo com que ele se pusesse a rir—. Tive o suficiente desse lixo do “misterioso estranho que tenta me matar e depois se faz de enigmático”. Cuspa tudo.
—Bem. Você é a reencarnação da Morgana O Fay.
Ela levantou as mãos ao céu.
—Por favor! Isto é o melhor que pode inventar?
Ele deu de ombros, tanto quanto pôde por estar mumificado com a fita do modo que estava.
—Essa é a verdade. É uma bruxa má, que retornou para destruir o mundo. Sinto muito.
—Primeiro de tudo, Morgana O Fay não foi necessariamente má. Segundo…
—Como sabe isso?
—Fiz alguns estudos sobre ela no colégio. Segundo…
—Uh-huh. De todas as pessoas no mundo, vivas e mortas, escolheu ela.Com certeza seu curso optativo no colégio teve algo que ver com ela.
—Muitas pessoas fazem o curso optativo a respeito da história européia. E quanto a escolher a O Fay para o tema de investigação… eu e perto de outras trocentas pessoas o fez em diferentes épocas —disse, mas outra vez parecia ligeiramente pertubada, como se escutasse algo que ele não podia ouvir. O que com seu fino ouvido era impossível, francamente—. Diga, o lugar onde vive… está cheio de médicos? E de pequenos frascos de pílulas?
—Muito engraçado, Morgana.
—Não me chame assim —disse automaticamente, mas sem convicção real.
—Olhe, pelo menos considere a possibilidade. Quero dizer, por que viria aqui? Vivo em Massachussets, pelo amor de Cristo, mas mesmo assim cruzei todo o país só para destruir sua casa?
—Essa é a teoria que tenho, sim —admitiu ela.
—Bastante fraca —ele disse—. E hoje não só eu estou aqui, mas também outro grupo de assassinos? Aspirantes a assassinos, quero dizer? E que aconteceu com eles? Como é que não está morta? Evitou eles e a mim?
—Não estabelecemos que você não seja um deles —indicou—. E eles devem ter tropeçado com um pouco de má sorte.
—Sim, imagino. Acredito que isso acontece muito ao seu redor.
—Bom… —Franziu o cenho, via-se gravemente bela enquanto analisava os fatos. Seus olhos azuis se entrecerraram e enrugou a testa—. Sempre tive sorte… mas não acredito que isso prove nada.
—Já que vamos falar durante um momento, —o que pra mim está muito bem, não fique nervosa— Tem uma maçã? Ou Talvez possa me preparar um pão com pasta de amendoim, ou algo assim?
—Outra vez com a comida! Você é muito descarado, alguma vez já lhe disseram isso ?
—Em casa quase todos os dias. Então fará?
—Não posso acreditar nisto —murmurou, mas graças a Deus, dirigiu-se para o balcão, tirou uma maçã da tigela, pegou uma faca de um faqueiro, e cortou rapidamente a fruta em pequenas partes.
Caminhou com força para ele e encheu sua boca com três pedaços.
—Fgggs —disse ele.
—De nada. Assim que alguém o enviou para me matar porque sou a reencarnação de Morgana O Fay, isso é o que me está dizendo.
Ele não respondeu porque na realidade não tinha sido uma pergunta.
—E outras pessoas estão lá fora me buscando pela mesma causa. —Ele assentiu, enquanto ainda mastigava—. Assim não devo chamar a polícia, mas sim devo ir.
—Comigo —disse, depois de tragar.
—OH, isso sim que é engaçado.
—Calculo que há mais nisto do que se vê, sabe? Assim deveríamos ir e ver se podemos descobrir a verdade.
Ela foi cortando em pedaços outra maçã com rápidos e zangados movimentos. Ele observou a faca com um pouco de nervosismo; se enchesse o saco o suficiente para enfiá-la no olho, provavelmente nunca uivaria à lua outra vez. Curava-se rápido, mas havia lesões cerebrais que não podiam ser curadas, por mais perto que estivesse a lua cheia.
—Descobrir a verdade —repetiu ela—. Sim, certo. Vamos imediatamente.
Encheu sua boca com mais partes e embora comer rodelas de maçã jamais tinha parecido erótico, seu cheiro e o toque de sua pele nos lábios estavam causando, uhm, um pequeno problema. Melhor dizendo, um grande problema. Moveu-se na cadeira e desejou poder cruzar as pernas.
—Olhe, você começe a viajar enquanto sugiro que talvez há mais em você do que parece à simples vista —disse com a boca cheia de maçã—. Então por que não me diz isso? O que aconteceu antes de hoje? Como é que é tão sortuda?
—Não sei. Só sou. Sempre fui. Minha mamãe estava acostumada me chamar “seu golpe de sorte”.
—Sim? Onde está agora?
—Morta.
—OH, sinto muito. A minha também.
—Deus, temos tantas coisas em comum —disse, revirando os olhos e empurrando outro pedaço de maçã em sua boca.
—É o destino, suponho —disse, mastigando.
—Ok, sim, ganhei na loteria. Um par de vezes —disse a contra gosto.
—Você o que? —Sabia que não mentia, mas era surpreendente—. mais de uma vez?
—Tenho tendência a conseguir… lucros imprevistos… cada vez que tenho pouco dinheiro. Uma vez ganhei na loteria quando precisava uns quantos milhares de dólares para pagar o último trimestre na escola, o prêmio era exatamente a quantidade que precisava. E um ano obtive um reembolso de impostos quando precisei de algum dinheiro extra… Mas todo mundo obtém devoluções de impostos.
—Sim, mas nunca conheci uma pessoa que tenha ganho na loteria, muito menos duas vezes.
—Quatro vezes —murmurou.
—OH, por todos os diabos! E se atreve a me dizer que estou louco?
—Isso não quer dizer nada —insistiu.
—Se você disse, Morgana...
—Deixe de me chamar assim!
—…talvez possa explicar como, no preciso momento em que precisava me tirar do caminho, deu-me um horroroso aneurisma cerebral. O que me diz disso?
—Uma feliz coincidência? —sugeriu.
—Pelo amor de Cristo.
—Na realidade —disse, clareando a garganta—, há alguns anos houve um estrupador em série nesta área. E, ehh, de algum modo entrou em minha casa enquanto estava no colégio, mas quando retornei o encontrei o morto na cozinha.
—Brutalmente apunhalado?
—Não, ehhh, a autópsia indicou que sofria de um defeito congênito no coração, um menor que não devia haver causado nenhum problema, mas por alguma razão, enquanto esperava para… bom, teve um I.M. e morreu.
—O que é um I.M.?
—Enfarte do miocárdio. Um ataque do coração —disse impacientemente.
Olhou-a boquiaberto.
—Merda Santa, tenho sorte de estar vivo!
—Bem, na verdade tem. —Colocou outro pedaço de maçã na boca—. Que conste que ainda penso que está louco. Também tenho de dizer que, uma vez dormi mais da conta e perdi o ônibus, este se chocou, e a metade das pessoas a bordo morreram.
—Jesus Cristo! —Foi tudo o que pôde dizer. Isto era muito mais grave e mais inquietante do que jamais sonhou—. Isso é, essa é sua magia. É fodida e fenomenalmente sortuda. Todo o tempo.
—Não há coisas tais como a magia. —Mas essa espécie de dúvida infernal estava outra vez em seu rosto—. Muitos são sortudos.
—Pelo amor de Deus, Sara. Escute a si mesma.
—O grupo no hospital...
—Não me diga, me deixe adivinhar. Eram como Os Três loucos… ou a quantidade era a mesma. Batendo as cabeças, caindo, tendo ataques do coração no lugar… e você saiu dali sem um arranhão.
—Isso pode ser que seja verdade...
—Deveríamos ir às brigas alguma noite.
Ela riu a contra gosto.
—É obvio que devemos. Estou certa que a polícia o deixará sair em um dois ou três dias.
—OH, vamos! Depois de tudo isto ainda chamou a polícia? Devemos sair daqui!
—Tentou me matar! —Ela lembrou… como se precisasse! Nunca superaria. Derik Gardner, duro homem lobo, totalmente incapaz de matar uma enfermeira. Uma enfermeira com um doutorado, mas ainda assim...— Só tenho sua palavra que não tentará outra vez.
—Bem, minha palavra tem valor, —grunhiu. É obvio, que ela não podia saber disso. Não como qualquer outro membro da Manada saberia. Isto fazia tudo mais difícil. O qual era de certa forma genial. Embora irritante—. E como disse , há mais do que podemos cheirar. Acredito…
—Do que podemos cheirar?
—Nada, esqueça. Olhe vamos investigar um pouco, o que parece a você?
—Bem! —Disse com falso entusiasmo—. Deseja ser Nancy Drew ou um Hardy Boy ?
Ele ignorou o sarcasmo… teve anos de prática com Moira.
—Descobriremos exatamente que é o que se supõe que fará. Quero dizer, não quer destruir o mundo, não é?
—Esta é a conversa mais surrealista que já tive —comentou—. E não. Óóóbvio!.
—Assim eu acho, qualquer um que possa ver o futuro,- penso que foi assim que os meninos maus souberam que tinham que vir atrás de você-, dizem que vai fazer justamente isso? Hein? Não acha que isso é estranho? Hein?
—Isso não é a única coisa que acredito que é estranha.
—Então segure bem o seu chapéu, bombom.
Ela observou-o com receio.
—O que? Não acredito que possa suportar mais revelações surrealistas…
—Sou um homem lobo.
—Maldição! O que acabou de dizer?
—Sou um homem lobo —repetiu o magnífico demente.
Moveu-se na cadeira e deu um pulo. Ela suspeitava que estava dolorido… na verdade havia muito sangue seco em sua testa e tinha manchas por toda a camisa. Sentia pena dele, mas pisoteou com força nessa emoção.
—Logo serei um com menos pêlo, mas sei o que vai fazer.
—Por que tanta queixa? Prove uma depilação na área do biquíni.
—Eu passo.
—Olhe, uma coisa por vez, está bem? —Sara tentou não mostrar o quão desconcertada estava. Suspeitou que estava lutando por uma causa perdida. Como se seu dia não tivesse sido o suficientemente desenquadrado, estava se excitando ao lhe dar de comer na boca à Hunka-Hunka, Burning Looney . Podia sentir a barba em seu queixo enquanto colocava mais partes de maçã na boca, podia sentir o calor de seu rosto, cheirar a fragrância de maçã em seu fôlego, podia…
Poderia fazer qualquer coisa, realmente qualquer coisa…
Sentir seu… seu…
Ele não pode me deter. Está preso. Poderia me sentar em seu colo e fazer… fazer… algo.
Auch, que loucura. Seus lábios estavam movendo-se. Mais tolices sobre (a verdadeira você) Morgana O Fay, sem dúvida.
—O que? —perguntou ela.
—Disse que um dos membros de minha Manada me informou do que iria fazer, e meu… meu chefe, acredito que assim o chamaria, enviou-me aqui para dar cabo de você. E não em um bom sentido,( Para sua informação)
—Soa como se fosse um príncipe real —murmurou ela, tentando não olhar fixamente sua boca.
Derik deu de ombros.
—Mais como um rei, na realidade, ele é genial. É meu melhor amigo, assim tive que vir antes de matá-lo.
—Ahh sim?
—Sim. Quer dizer, não poderia imaginar nada pior que matar um amigo.
—Isso é bastante ruim —admitiu ela, perguntando se tinha verificado sua prudência na porta. Era definitivamente a conversa mais surrealista que já teve ... jamais. —É igualmente ruim, desde quando deixou a cidade para me matar .
—Tentar matar —corrigiu. Depois sorriu, mostrando um montão de dentes. Era tão assombroso, um brilho branco, e demônios, esses incisivos pareciam afiados, que quase deu um passo para trás—. E por certo, a mim também agrada… —Adicionou, o que não tinha sentido, mas quem se importava?—. E, em caso que ninguém tenha lhe dito, é muito bonita. É ruiva natural? É, não é verdade?
—Esqueça isso —disse ela severamente—. Agora irei ao outro cômodo , para chamar a polícia. Está extremamente confuso embora seja magnífico, e eu... tive… o suficiente.
—Ohh, eu, também —ele assegurou—. Acredito que nunca estive tão incomodado em minha vida. Assim se não for inconveniente… e inclusive se for… —então fez algo como um completo encolhimento do corpo, e ela ouviu que a fita se rasgava, e depois ele… ele estava em pé!
De novo: Ele estava em pé!
—Ahhh! —disse, ou algo como isso. Como fez…? Como fez para rasgar toda essa fita…? Além disso, o braço da cadeira também estava quebrado, o que era estranho e…
Estava agarrando-a! Melhor dizendo, alcançando-a. Tomando-a nos braços.
—Ahhh! —E puxou ela acomodando-a em seus braços—. Ahhh!
Inclinou a cabeça sobre ela.
—Ah-mmm! —e depois sua boca estava sobre a sua, movendo-se deliciosamente sobre os lábios dela. E ela se segurava em seus ombros, para… afastá-lo, embora, essa fosse a intenção, sim, afastá-lo, só que nesse instante se pôs nas pontas dos pés, procurando a melhor posição para encaixar-se contra ele e cheirava delicioso, cheirava como o bosque na primavera, e sua boca, OH Deus, sua boca era quente, e seu fôlego tinha sabor de maçãs E... e...
Ele interrompeu o beijo e estava parado a três passos dela. Não o viu mover-se. Só tinha piscado, e ele tinha ido. Sua mente tentou processar sua velocidade e não pôde fazê-lo. Simplesmente... não pôde.
—Sinto muito—disse ele alegremente—. esperei por isso aproximadamente… mmm… as últimas quatro horas. Agora está fora de meu normal. Está bem, talvez não. Assim o que! O que fazemos a seguir, bombom?
—Ahhh? —perguntou, levantando uma trêmula mão para a boca.
—Acredito que devemos colocar nossas, ups, cabeças juntas e elucidar o que é o que.
—Não é um homem lobo, —disse ela, porque era a única coisa que podia pensar.
Ele suspirou e foi para a sala de estar, agachou-se, segurou o sofá, levantou-o , segurou-o com uma mão, da mesma maneira que ela seguraria bandeja. Felizmente, tinha tetos altos.
—Não vai me obrigar a fazer malabarismos, não é?
Ele lançou o sofá aproximadamente alguns centimetros no ar, segurou-o, lançou-o outra vez.
—Não acredito que tenha espaço suficiente.
—Assim faz exercício —disse com os lábios intumescidos—. Isto não quer dizer que você… você… você… já sabe.
—Ficar peludo e uivar à lua uma noite ao mês?
—Bom…
—Olhe, eu acredito que é uma feiticeira horrorosamente perigosa predestinada a destruir o mundo.
—Não me faça favores —explodiu ela—. E abaixe essa coisa.
—Diga—cantou ele. Nem sequer estava sem fôlego!
—Só desça o sofá, e falaremos algo mais. Está bem?
—Diiiiiigaaaaa…
—Está bem, está bem! É um homem lobo, e eu sou uma feiticeira louca. Agora solte meu sofá —suplicou ela.
—Está bem. —Com cuidado ele desceu e o colocou onde o tinha encontrado—. Bom, agora o que?
—Bem, não destruirei o mundo, isso eu posso dizer aqui e agora. —Cruzou os braços sobre os seios. Era mais fácil ser valente… enfim soar valente, quando ele estava do outro lado da sala.
—Isso me cai bem. Que tal outro beijo? Não? Desmancha-prazeres.
—Realmente é estranho —ela informou.
—Isso é o que eles me dizem. —Estava estranhamente alegre. Era, de fato, o tipo mais sorridente que tinha conhecido. Talvez sofria de um leve retardamento.
—"Eles" são…?
—Minha Manada.
—Sua Manada.
—Com M maiúsculo.
—Mmm. De homens lobo, não é?
—Sim.
—Eles o enviaram aqui para me impedir de destruir o mundo?
—Sim.
—Mas você não me matará
—Bem… —ele estendeu as mãos desculpando-se—. Em primeiro lugar, não poderia. Quer dizer, realmente não poderia. Sentia-me mal por isso, mas estava disposto a fazer isso, não me entenda mal. Mas... não pude. E no caso de que ninguém nunca tenha dito, um aneurisma dói como a merda.
—Obrigado pela informação.
—Assim pensei, que devems formar uma equipe, investigaremos quem são os verdadeiros meninos maus, e salvaremos o mundo.
—Mas e se for você o verdadeiro menino mau?
—Bem. Sei que não sou. E você estava bastante afetada por algo quando chegou. A verdade é que se encontrou com os verdadeiros meninos maus. Assim, ajudarei você a encontrá-los.
—Por que? —perguntou suspicaz.
—Bem. Isso me ajudará pessoal e profissionalmente, veja, porque de certa forma tenho o desejo de ser meu próprio dono, e acredito que esta é a oportunidade de mostrar o que posso fazer. Só que… não vai fazer o planeta voar no caminho, certo? Nunca poderia superar isso. Quer dizer… seria absolutamente embaraçoso.
—Formar uma equipe? —por que a idéia era ao mesmo tempo emocionante e atemorizante?—. Assim simples?
Ele sorriu e, de uma maneira estranha, a expressão não era alarmante. Talvez porque não mostrava todos os dentes.
—Assim simples. Então, o que diz?
—Digo que ambos estamos loucos. —pressionou a testa com a palma da mão—. Não posso acreditar que esteja considerando isto. Não posso acreditar que não tenha chamado a polícia. Não posso acreditar…
—O que?
—Esqueça.
—OH, isso? Não se preocupe por isso. Já disse que, também, gosto.
—Fenomenal —murmurou ela.
—Preferiria que não fizesse isso.
—Perdão —foi para trás enquanto colocava a cabeça dentro do carro. Não posso evitar. Este lugar cheira genial.
—Olhe, já é bastante estranho que tire a cabeça do carro como um grande… bom, já sabe. Mas tem que fazer isso enquanto está dirigindo?
—Não —disse mal-humorado.
—Vire à esquerda no semáforo.
Ele virou, e o Monterey Bay Geral surgiu diante eles. Sara contemplou o edifício . Era absolutamente perfeito que tivessem que ir ali primeiro. MB Geral tinha sido seu lar a vida toda. Estudou ali, trabalhou ali, apaixonou-se ali, trabalhou ali, tinha sido abandonada ali, dormido ali, trabalhado ali, forjou-se ali, trabalhou ali, descobriu que era uma órfã ali, crescido ali.
Encontrado um pai ali.
Bom, ao menos Derik não tinha tentado matá-la. Outra vez.
—Esqueci —disse abruptamente— Qual é seu sobrenome?
—Gardner.
Aquilo OH soava quase... normal. Seguro e normal—. Certo. Então, suponho que já conhece meu nome.
—Sim.
—É obvio —disse entre dentes. Estúpida! Só tinha contado toda a absurda história, e mais de uma vez. Talvez ela não retinha os fatos porque não podia engolí-lo francamente, ainda não estava certa se acreditava em toda essa coisa de,”você está destinada a destruir o mundo”, mas pelo menos, era mais interessante que andar dando voltas pela oficina de seu mecânico.
—Está bem? —perguntou ele—. Parece que está a ponto de pular do carro —estacionou—. O que não deveria fazer absolutamente. Quero dizer, vocês são muito frageis. Não sei como andam por aí nesses corpos tão frágeis.
—Acostuma-se, quando se nasce em um destes corpos.
—Pobrezinhos. Ele Sacudiu a cabeça.
—Não se preocupe
—Certo —disse ela muito nervosa—. Vamos localizar o Doutor Cummings. É algo como meu mentor. Minha mãe e ele eram bons amigos, e cuidou de mim depois que ela... depois que ela morreu. Sabia um montão de intrigas sobre minha família dos quais nunca falou, e ele... ele sempre foi bom nas crises. —Mas completamente imperturbável todo o tempo. E não se recuperou terrivelmente rápido do ataque da manhã? Ficou mais incomodado que assustado... não era uma reação típica. Exceto para ele. Mas era suficiente para fazê-la perguntar-se—. De qualquer forma, encontraremos e veremos que tem a dizer, e talvez nos decidiremos aonde ir daqui. Certo? Está de acordo?
—Você é a bruxa assassina —disse tranqüilamente—. Suponho que iremos onde você disser.
—Deixe de fazer isso, ou não haverá biscoitos de cachorro para você esta noite
Ele gemeu, o que fez com que várias cabeças femininas se voltassem em sua direção.
Derik era um pouco maior que a vida... demônios, era um pouco maior que sua camiseta, a qual se avultava e ondulava em interessantes direções. Era de longe o maior homem que havia no vestíbulo do hospital. Talvez do hospital. Ou da cidade.
—Não comece com brincadeiras de cães, certo?
—Isso depende de você —disse ela com presunção—. Agora vamos. O Doutor Cummings provavelmente estará em seu escritório.
—Como ele é?
—Como um zangado coronel Sanders
Derik soprou.
—Tem o cabelo branco e uma barba branca? E come toneladas de cereais ?
Ela o olhou fixamente e quase não entrou no elevador. O puro impulso a levou para seu lado.
—Esteve me seguindo?
Ele a olhou com curiosidade.
—Isso vai tirá-la do sério? Não é pior que tentar matá-la...
—Já tentaram antes. Quase estou acostumada com isso. Mas me tira fodidamente do sério ser seguida,disse bruscamente—. Isso é furtivo, desonesto e desagradável.
—Fique calma! —Levantou as mãos no ar—. É sério Sara, não se zangue, OK? Só se acalme. Não estava seguindo você. Posso cheirar esse sujeito, o doutor Cummings em você, isso é tudo.
—Isso é tudo?Apertou o botão do quinto andar. O ligeiro pânico de Derik era um pouco divertido. Era agradável ter vantagem de alguém de tão boa aparência. E sabia, simplesmente sabia, que ele era um daqueles sujeitos. Cada mulher no vestíbulo tinha ficado olhando-o fixamente, e ele nem sequer se deu conta. Um daqueles sujeitos que nunca se davam conta do quão bem que se viam. Era incômodo. Não, era agradável. Não, era incômodo.
—Devem ter se abraçado ou se segurado ou algo. Há alguns fios de cabelos brancos em seu ombro esquerdo. Quero dizer que você tem o mesmo cheiro dele, não tenho que seguir ninguém. Assim relaxe, OK?
—O doutor Cummings me derrubou no vestíbulo —admitiu—. Estava um pouco de saco cheio.
Derik franziu o cenho.
—Com você?
—Não, porque os assassinos nos faziam chegar tarde para a visita médica.
—Sério?
—Sim.
—Huh. Sim, é melhor falarmos com este sujeito. Merda, talvez possamos recrutá-lo.
—Estou certa—disse com secura, enquanto avançava pela “Luva”, como todos chamavam os escritórios dos médicos do quinto andar, e Derik punha ao mesmo tempo—, que ficaria encantado.
Ela parou fora do escritório de Cummings e levantou a mão para bater.
—Esta porta diz Dr. Michaels —assinalou Derik.
—Mmm. É uma das muitas maneiras em que o doutor Cummings tenta assegurar-se que os internos não o incomodem.
Bateu duas vezes.
—Vai embora ou o despedirei.
—Esta é outra —explicou ela e abriu a porta.
—OH, maravilhoso. É a Doutora Enfermeira Gunn. Ou é Enfermeira Gunn, Doutora? Não deixe que a porta esmague sua minúscula cabeça ao sair.
—Este homem aqui —disse Sara, indicando Derik, que estava abertamente fascinado pelas frisadas sobrancelhas de Cummings—, diz que sou Morgana O Fay.
O Doutor Cummings grunhiu e começou a gesticular o montão de revistas médica do último ano.
—E que foi enviado para me assassinar para que não possa destruir o mundo.
O Doutor Cummings encontrou o exemplar que queria e recostou atrás na cadeira. Voltou a grunhir, um convite para que Sara continuasse falando.
—E eu me perguntava —continuou ela, sentindo-se estúpida— o que você teria a dizer a esse respeito disso.
—Estou surpreso de que o menino esteja ainda vivo —disse o doutor Cummings, sem levantar a vista da revista—. E decepcionado, deveria adicionar. Não tenho nada mais que dizer além disto, Sua Alteza.
Ela piscou. Voltou a pensar nisso. Começou a falar. Mudou de opinião. Voltou a mudar de opinião novamente. Disse:
—Sua Alteza?
—Bem. É a irmã de um rei. Um rei morto há séculos, mas assim são as coisas.
—OH, amigo —disse Derik, e se deixou cair na cadeira mais próxima—. Está em um grande problema Cummings.
—Guarde as mãos para você, homem lobo.
Sara ficou boquiaberta. Derik quase caiu da cadeira
—Amigo! Como sabe? Você também é de uma Manada.
—Dou a impressão de que eu gosto do filé servido à tártara? —disse Cummings bruscamente—. Está escrito em vocês. Os predadores caminham, param, movem e correm completamente diferente do resto de nós. Se querem enganar ao Homo Sapiens, aconselharia que não caminhassem por aí medindo a todo mundo como se quisessem descobrir o que sabem. E a respeito de você, Sua Alteza —disse , virando para Sara—. O que está fazendo com este… este gentinho? Enganada por sua excessiva beleza. Não tenho dúvidas. Encarecidamente considere assassiná-lo, querida. Os homens lobos não são nada, apenas problemas, e não são bons maridos.
—Isso não é verdade! —replico Derik com veemência.
—Onde está seu pai, licantropo? —perguntou o doutor Cummings com enganosa cortesia.
—Ele está... hum... olhe, vamos nos enfocar no tema, certo? E não me chame assim. Cuspa o que sabe. Agora mesmo —voltou para Sara que estava tentando desesperadamente seguir a conversa—. Mas voltemos para isso por um segundo... nós também somos bons maridos. Sabe... uma vez que encontramos à garota adequada.
O doutor Cummings fez um som. Não foi um som de fôlego.
—Olhe, a maioria dos rapazes que conheço realmente querem uma fêmea, quero dizer uma esposa, e filhos. Realmente querem. Mas não há muitos dos nossos, e há toneladas e toneladas de seus rapazes, assim muitas vezes não pensam duas vezes antes de estabelecer-se, e bom, os humanos são diferentes da Manada, não há porque envergonhar-se…
—Derik —estava exasperada, ( quem se importava?) e divertida com sua angústia—. Podemos nos centrar neste assunto de Sua Alteza? E você! —O doutor Cummings estremeceu quando ela agitou um dedo para ele—. Comece a falar. Comece com “me mudei para a Baía de Monterrey e conheci sua mãe antes de você nascer” e termine com “e então você e o homem lobo entraram em meu escritório”. Comece agora.
—Sim! ?Adicionou Derik.
—Não levante a voz, cachorrinho.- Cummings olhou Sara.- Mudei para Monterrey porque o meu dom soube que Morgana O Fay nasceria aqui em setenta e duas horas. Encontrei-a neste hospital e fiz amizade com sua mãe. Expliquei a sua mãe quem era, mas não quis acreditar, e me proibiu de falar para você.
—Mantive você a salvo todos estes anos e cuidei de você desde que sua mãe morreu. Agora os Escolhidos de Artur estão tentando assassiná-la. Não tem nada que ver com salvar o mundo. Então você e o homem lobo vieram a meu escritório. —Voltou a recolher a revista.
—OH, Amigo! Derik esfregou a testa. Está pedindo um ataque do coração ou que arrebentem seus pulmões, ou que explodam seus olhos ou algo assim. Quero dizer, nem sequer a conheço e toda esta história me enche muito o saco.
—Minha mãe? _Sara tossiu e tentou de novo?. — Minha mãe estava a par disto?
—Não. Não estava escutando, Doutora Gunn, um traço que discuti com você antes.
—Sinto muito _murmurou ela.
—Quer que eu arranque os pulmões dele por você? —_Perguntou Derik alegremente.
—Tente, licantropo.
—Disse para não me chamar assim.
—Meninos, já chega! -disse ela bruscamente. — Acabe o que estava dizendo, Doutor.
Ele aspirou pelo nariz.
—Bem. Como disse antes sua mãe recusou acreditar na verdade. E o fez. Obstinadamente não permitiu acreditar. Foi para a sepultura pensando que era como todas as meninas. Estava, de fato, decidida que você fosse como qualquer menina. Sem importar o que visse. Sem importar o que fizesse. —O Doutor Cummings fez uma pausa. —Uma agradável mulher —disse ao fim—, mas não muito inteligente.
—Não fale da mãe de Sara dessa maneira _grunhiu Derik.
—Este é um país livre, cachorrinho e não estou preocupado em irritar alguém que lambe seu testículo durante a lua cheia.
Derik arregalou os olhos e Sara tragou uma gargalhada. Deu conta imediatamente que o grande garanhão loiro não estava acostumado a tratar com humanos cinqüentões soltando idiotices.
- OK, está bem ? - disse levantando as mãos-. Vamos permaner centrados.
- Eu não lambo meus...
- Assim, doutor Cummings por que você? Por que perseverou tanto?
- Para proteger você do ocasional imbecil que ia querer matá-la por causa de quem é. -Jogou um significativo olhar a Derik, cujas mãos estavam fechando e abrindo, fechando e abrindo.- Ou melhor dizendo, quem foi.
- E os sujeito desta manhã?
- Disse isso, escolhidos de Artur.
Houve um longo silêncio e, quando parecia que o Doutor Cummings não tinha nada mais que dizer, Sara exasperada disse:
- E os quais são eles?
- Provavelmente uma turma de perdedores - murmurou Derik- Que saíram atrás de você só porque podem fazê-lo.
- E qual é seu objetivo em nossa bela cidade, exatamente?-Perguntou com aspereza o Doutor Cummings - Estou certo de que posso adivinhar- Seu Alpha deu ordem para que pegasse a estrada, e assim o fez sem uma pergunta nem um murmúrio. Típica conduta da Manada.
- Não fez! Quer dizer, decidi vir por mim mesmo. Bem, mmm, e que infernos sabe você sobre isso, Cummings?
O Doutor Cummings deu de ombros, e começou a procurar ao seu redor um pacote de cigarros. É obvio, fumar estava proibido no hospital. Só o Doutor Cummings se atrevia a tentar.
- Passei algum tempo, anos, em companhia de uma dama licantropo. Tinha sido desterrada de sua Manada por alguma razão corriqueira, e estava sozinha.
- Onde está agora? Perguntou Sara, interessada apesar dela mesma. Nunca tinha visto o Doutor Cummings em companhia de ninguém exceto sua mãe. De fato, havia rumores de que era gay.
- Um novo líder da Manada subiu no poder, perdoou-a por sua incrivelmente pequena trasgressão e se foi, voltou para o Cabo a viver alegremente apanhando coelhos com os dentes.
- Quem era? ?Perguntou Derik.- Certamente conheço sua família.
- Não é da sua conta. O quero dizer é que, você não apontaria com o dedo os Escolhidos de Artur, porque suas próprias razões para estar aqui não estão precisamente livres de recriminação.
- Uh-huh! Estou tentando salvar o mundo, companheiro. O que menos preciso é ter que lutar com a aflição de presunçosos humanos intrometidos.
- Escolhidos de Artur?disse Sara, tentando de novo que voltassem para tema.
- Qual é sua história?
Cummings deu de ombros e acendeu um cigarro.
- Partidários fanáticos da lenda do Rei Artur. Sabe, é obvio, que Artur foi traído por sua meio irmã, Morgana O Fay, e em definitivo foi por isso que caiu na batalha. Os escolhidos de Artur pensam que se desfazendo de você, Artur finalmente voltará.
- Assim.- disse Derik- estão totalmente loucos .
- Bom, sim. São fanáticos. Um grupo teimoso com o que raciocinar.
- Espere um minuto - disse Sara-. A suposta “natureza diabólica” de Morgana é legendária, não um fato. De fato, hoje em dia muita gente pensa que a maldade de Morgana foi a invenção de monges misóginos.
Tanto o Doutor Cummings como Derik deram de ombros. Sara resistiu a urgência de levantar as mãos no ar. Homens! Que Deus não permita que considerem a história de uma forma favorável à mulher. Morgana O Fay era provavelmente uma mulher totalmente agradável para seu tempo. Com muita força de vontade, com certeza. Mas malvada, diabólica e uma feiticeira escura? Naah.
- Mas como sabem que Sara é Morgana?
- Igual a mim. As estrelas, livros antigos, lendas, profecias. Você como soube?
- Um dos membros de minha Manada pode ver o futuro - admitiu Derik- . Ela disse que se não apresentasse meu traseiro na casa de Sara, pronto, o mundo ia acabar, ou algo assim.
- Hmm. Encantador. Assim, quais são seus planos?
Derik ficou quieto. Sara disse:
- Planos?
- Para eliminar a ameaça a sua segurança pessoal, para não destruir o mundo, todas as profecias coincidem nisso, lamento dizer o que já sabe. Seus planos
- Uh…
- Genial, - grunhiu o Doutor Cummings.- Juro, Sara, fica mais tola cada ano que passa.
- Cuidado com língua - advertiu Derik.
- E você, suspeito que nunca foi a faca mais afiada na gaveta.
- Amigo, vou fazê-lo comer suas orelhas.
O Doutor Enganador suspirou
- Muito bem. A seita de Artur tem seu centro de operações em Salem, Massachussets. Vão para lá. Esmaguem seus inimigos. Comam um sorvete coberto de chocolate quente. Fim.
- Espere, espere, espere. Se sabia que tudo isto aconteceria, por que não me advertiu? Por que não me falou da seita de Artur dez anos atrás?
- Correto. Agora vejo que falhei. Porque sem dúvida alguma você teria acreditado em mim e teria partido em seguida para Salem.
- Poderia tê-lo feito - resmungou ela.
- Não se dá conta, Sara? Tinha que esperar até que as forças começassem a se mover contra você. Era a única maneira de que houvesse uma possibilidade de que acreditasse. A seita nunca teria feito mal durante sua infância, porque todas as profecias dizem que não destruirá o mundo até que seja adulta.
- Espere, espere - protestou Derik.- Então por que não matá-la quando era um bebê? E salvar o mundo dessa maneira?
- Porque a seita não pode usá-la se estiver morta, estúpido mestiço. E não é tão fácil de matar, em caso de ter esquecido. O que não me surpreenderia.
- Mas como podem usá-la para destruir o mundo? Esses sujeitos de Artur.
Cummings deu de ombros.
-Ninguém sabe. Só que é essencial para a trama. Se a matassem quando criaça, Quem poderia dizer o que aconteceria? Esperar até que cresça, bem crecidinha, Sara, é hora de deixar em paz as rosquinhas, e arriscar que o mundo seja destruído. Não é uma escolha fácil. Muitos de nós decidimos observar e esperar. Agora partam.
-Não é de boa educação matar sujeitos velhos ?murmurou Derik em voz baixa. Não é de boa educação matar sujeitos velhos. Não é de boa educação…
-Tudo o que podia fazer era permanecer perto, o que fiz, e agora acabou, e é a hora do Miller. - O Doutor Cummings bateu palmas bruscamente, fazendo com que Sara e Derik se sobressaltassem. Agora vão! A Salem. Adeus.
Derik e Sara olharam um ao outro e deram de ombro em uníssono.
-Eu jogo se você jogar -disse ela.- Não quero entrar no hospital outra vez e me preocupar que os Escolhidos de Artur machuquem os doentes.
-Vou onde você for .
-Que comovedor .- disse o doutor Cummings.- aprovei sua petição de férias faz uns trinta segundos. Sugiro que não se atrasem.
-Por que? -Perguntou Sara. Há algo que não nos disse?
-Não. Agora só estou aborrecido. Adeus.
-Que amoroso -murmurou Derik uma vez que estivam do outro lado da porta.
-A Massachussets -disse Sara- esquivando assassinos ao longo de todo o caminho, e com um homem lobo como guarda-costas.
-Não se esqueça dos sorvetes com calda de chocolate quente.
—Não podemos voltar para sua casa.
—Estou de acordo. Além disso, levaria umas seis horas de limpeza para fazer a casa ser habitável outra vez. Diga-se de passagem, obrigado por isso.
Derik ignorou o sarcasmo.
—E com toda segurança não posso aparecer na mansão com você.
—Uh-huh. Err… Se importaria de me dizer outra vez por que isso?
—Pois é óbvio, presume-se que tinha que matá-la.
—Não me diga o que é óbvio —ordenou ela—. Tive o suficiente disso da parte do Doutor Cummings.
—Sim, Cristo, que sujeito resmungão. O sujeito não tem medo de nada, não é? —Derik disse isto em um tom de reticente admiração—. De qualquer jeito, sobre o outro… dificilmente posso cruzar a porta principal e dizer, “Ei, rapazes, aqui está Morgana O Fay, não tive vontade de matá-l. O que há para almoçar?”.
Sara franziu o cenho.
—Está me dizendo que se meterá em confusões por isso?
Derik se estirou, remexendo no banco do motorista. Depois se meteu no estacionamento de um supermercado.
—Pode ser. Algo do tipo. Bom, sim.
—Derik, não pode… quero dizer. Agradeço que você tenha renunciando a sua sacrossanta missão de assassinato premeditado e tudo isso, mas acaso sua espécie não desterra os membros da Manada, por, digamos diminutas e pequenas razões? Nem quero ver caso não cumpra com uma missão atribuída.
—Temos uma mentalidade de grupo —explicou ele— Se fizer algo que prejudique o grupo, ou potencialmente possa chegar a prejudicar o grupo, é hora de dizer adeus.
—Assim você… você não pode voltar? —Sara tentou não soar tão horrorizada como se sentia. Era uma solitária… bom, uma solitária… circunstancial. Seu pai tinha morrido no dia em que ela nasceu; sua mãe, quando era uma adolescente. Mas Derik estava renunciando deliberadamente a sua família... por ela. Era comovedor. E enloquecedor—. Nunca mais?
Ele bocejou, aparentemente despreocupado.
—Bom, imagino que é algo assim: Ou destrói o mundo, nesse caso, meu Alpha não poderá me chutar o traseiro, ou, não o faz, nesse caso, meu Alpha entenderá que eu tinha razão. Em certo modo é uma situação de ganhar ou ganhar para mim.
—Salvo pela possível morte de trilhões.
—Bom sim. Também tem isso.
—Mas alguma vez poderá ver seus amigos outra vez? —Sara estava tendo problemas para deixar esse tema—. Sua família?
—Eu partiria de qualquer forma. Era isso, ou… de toda forma, eu tinha que ir.
—Bom, obrigado —disse ela sem convicção—. Eu… obrigado. O que estamos fazendo aqui?
—Tenho fome.
—Outra vez?
—Ei, nem todos pesamos cem gramas e temos o metabolismo de um macaco gordo.
—OH, que bonito! —estalou ela—. Bem, enquanto está aqui, aproveitarei para usar meu cartão de crédito, retirarei um pouco de dinheiro.
Sua mão se fechou sobre a dela, que sobressaltou, para não dizer mais. Estava muito quente. Sua mão fazia parecer que a dela era pequena, à luz do sol da Califórnia, o pêlo em seus dedos era de uma cor loira avermelhada. Sentiu-se fascinada ao notar que seu dedo indicador e coração teriam o mesmo comprimento.
—Não.
Ela olhou fixamente seus verdes olhos.
—Por que não?
—Dirigimos a Salem, não é? As probabilidades indicam que alguns meninos maus estarão seguindo nosso rastro. Correto?
—O que? Me pergunta isso? Dez horas atrás meu principal problema era encontrar um par de meia que não tivessem um buraco.
—Então, não pode deixar um rastro de dinheiro —continuou pacientemente—. Não tirar dinheiro do banco, nada de cartões de crédito. Se fizer uma grande retirada bancária, minha Manada saberá que está viva. Pensarão que estou morto, e então haverá verdadeiros problemas.
—Como poderiam saber… não importa, não me diga nada. Não podemos cruzar o país sem dinheiro —particularizou ela.
—Sim, sim. Estou trabalhando nisso.
—Que alívio! —Disse ela, saindo do carro, seguindo-o pela calçada—. A sério. Não tem idéia.
—Auch, feche o bico. Você… cuidado com o que diz. —Segurou-a pelo cotovelo e a tirou do caminho antes que um adolescente que atravessava como um raio a porta de uma loja. O menino parou por um minuto, totalmente assustado, e ao mesmo tempo todos ouviram o som das sirenes.
Bom, provavelmente isso não foi assim, pensou Sara. Com certeza Derik as escutou um minuto antes. Que homem mais aborrecido. E o que aconteceria quando crescesse a lua? Então o que? Realmente acreditava que ia se transformar em um lobo e correria daqui para lá fazendo xixi nos hidrantes de incêndios?
—Merda! —choramingou o garoto, e começou a dar voltas ao seu redor. Derik deu um passo para ele…
—Não faça isso —disse Sara bruscamente—. Poderia ter uma arma.
—Ele tem uma arma —respondeu Derik, aborrecido. O garoto, rapidamente, jogou uma bolsa de papel para Sara, que a apanhou por puro reflexo.
Ambos observaram o garoto abandonar correndo o estacionamento.
Sara abriu a bolsa, a qual estava repleta com notas de vinte, dez, e cinco.
—OH —disse ela—. Bom, hum. Parece que temos dinheiro impossível de rastrear para nossa viagem.
Derik bateu na testa com a palma da mão, depois empurrou Sara para o carro.
—Vamos embora daqui antes que venham os policiais. —Saltou dentro do conversível, contendo um sorriso—. Bruxa sortuda.
—Precisamos de outro carro.
—Concordo—disse Sara.
Tinham deixado para trás os limites da cidade de Monterey, quando acabou de contar o dinheiro. Oitocentos e sessenta e dois dólares. Sem troco—. Hum, por que?
—Porque minha Manada alugou este para mim. Podem rastreá-lo. Temos que deixá-lo e encontrar algum outro.
—Está bem.
—Assim, você faz isso.
—Eu faço o que?
—Você sabe. Pratique seu abracadabra e deseje um carro.
—Não funciona assim.
—Infernos se não é.
—Não tenho um controle consciente sobre isso —explicou, tentando, e falhando, de afastar o cabelo do rosto. Os conversíveis eram sexys e eram geniais nos filmes, mas na vida real não podia ver devido a todo o cabelo que voava ao seu redor. E temia tentar passar uma escova por toda esta confusão quando por fim parassem. Não é que tivesse uma escova. Mas ainda assim.
—Caramba, até que apareceu, nunca acreditei que pudesse fazer algo especial. Exceto jogar boliche —adicionou ela pensativamente—. Sou uma perita.
—Sim, com certeza os pinos simplesmente caem diante de você todo o tempo. Concentre-se —ordenou ele—. Precisamos… um carro… impossível de rastrear.
—Pare… de falar… dessa forma.
Ele bateu no volante com a palma da mão.
—Merda. Bem, suponho que posso roubar um… só que teremos que fazê-lo ao menos uma vez ou mais a cada dia.
—Por que não pegamos um avião? Em vez de dirigir quatro ou cinco dias?
—Quer mostrar sua identificação ao pessoal de segurança do aeroporto? Porque, já sabe, não acredito que isso seja muito inteligente. O que também está fora de questão alugar um carro, e tomar um trem.
—Há tantos homens lobo pelo país?
—Não. Só há perto de trezentos mil de nós, em todo mundo. Ainda assim. Acredito que isto é muito importante para nos arriscarmos. Odiaria foder devido à má sorte, sabe? Não é que você tenha precisamente má sorte. Mas de qualquer jeito. Não me entusiasma a idéia de correr riscos… Está bem, se o fizer, mas não riscos dessa magnitude. Entende?
—Apenas. Não pode pedir um carro a alguém de sua… umm, sua família… Manada ou como é que a chame?
—Bom, poderia, mas prefiro não correr o risco que chegue o rumor a Michael… meu Alpha —explicou ele—. Me arriscaria a passar uma noite ou duas com algum membro da Manada local, porque minha missão é ultra secreta…
—Excelente, Sr. Bond.
—Como é, a maior parte da Manada não sabe em que estou metido. Só os da Costa. Assim não há problema em aparecer na soleira de algum e pedir hospedagem por uma noite. Mas para fazer isso, e estar em uma situação onde teria que pedir emprestado um carro, e ter você como acompanhante… isso talvez chegue aos ouvidos errados.
—Então, o que?
—Então, precisamos de um carro. Dirigiremos um pouco, depois pediremos hospedagem.
—Vou dizer isso agora, nada mais de conversíveis! —declarou Sara.
—Ai, como é? —queixou-se—. Como pode você não gostar da sensação do vento no rosto?
Ela apontou para sua cabeça, a qual, graças aos desordenados cachos, era quase o dobro do tamanho usual.
—Por nada, Derik. Por...na...da.
—Ai, está linda.
—E você está demente, mas isso ficou provado faz umas duas horas. Não conversível
—Bem, não dirigirei umas trocentas milhas…
—Três mil e quinhentas —disse ela secamente.
—…trancado em uma caixa de aço. Que tem de bom nisso? Sare-Bear !
—Ew, não me chame assim, Sare-Bear. Ufff.
—Porque parece uma linda ursinha com todo esse cabelo sobre a…
—Pare de tagarelar. O que? É claustrofóbico?
—Não. Só que eu não gosto de ficar trancado em uma caixa de aço por horas e horas em um dia.
É sim, é claustrofóbico.
—Não, só é… que esse tapete sintético… a tapeçaria…—estremeceu—. Isso fede. Definitivamente fede.
—Sabe o que precisamos?
—Para que não destrua o mundo?
—Além disso. Precisamos de uma caminhonete. Uma preciosa e grande caminhonete com tração nas quatro rodas e com supercabine.
—O que é uma supercabine?
—É uma que pode levar duas ou três pessoas nos bancos dianteiros e outros no banco traseiro. Há muito espaço para guardar nossas coisas, e se começar a sentir que a tapeçaria o deixa agoniado, pode viajar na parte de trás enquanto dirijo. Seu cabelo se despenteará pela brisa, suas orelhas baterão asas atrás de você… será genial.
—Pode destruir o mundo neste instante? —perguntou ele—. Porque se tiver que agüentar outra piada sobre cães…
—E se não conseguir um quarto de motel ou não quisermos parar por muito tempo, podemos estender sacos de dormir na parte de trás e dormir ali mesmo. Teríamos que parar e usar um pouco deste dinheiro para comprar equipamento de camping, mas isso é algo facil.
Ele franziu o cenho. Piscou. E por fim disse:
—De certo modo é brilhante
—Bem —disse modestamente—. Tenho um doutorado.
—Bem, então. Procuraremos roubar uma caminhonete.
—E o que faremos quando alcançarmos os Escolhidos de Artur?
—Primeiro temos que achá-los —disse ele lugubremente, e ela não teve nenhuma réplica para isso.
—Isto é uma loucura —comentou ela.
—Não é. Agora tente parecer que não está roubando um carro.
—Mas estamos roubando um carro.
—Acabará com isto? Dissimule. Apóie-se contra a porta.
—Essa que está tentando abrir?
Derik resistiu a urgência de estrangular Sara. Era uma interessante melhora ante a resistência do desejo permanente de beijá-la. As pessoas pensariam, que já tinha salvado sua vida, bom ou algo assim, sendo que não tinha tentado matá-la outra vez? E já que estava ajudando-a a procurar os Gordos e Grandes Perdedores de Artur, ela deveria estar um pouco agradecida.
Ou ao menos mais agradável. Mas nãaooooooo. Estava de blá-blá-blá e queixa-queixa-queixa. Como se pudesse fazer melhor que um homem lobo adulto! OK, bem, Talvez poderia. Mas era irrelevante. Não é?
—É só que é uma idéia extremamente descabelada —ela estava explicando como se fosse retardado mental.
Ele segurou a maçaneta da porta outra vez e tentou cheirar seu cabelo sem que ela se desse conta. Rosas e algodão doce! E não estava bonita no conversível com esses cachos vermelhos voando por todos lados? Agora tinha o nariz bronzeado, e até gostava da sombra rosada.
Ela se virou e o olhou com suspicácia, e conteve a respiração em meio de sua aspiração. Então para distrai-la disse:
—Mostre-me outro lugar que tenha todos os carros estacionados em uma fileira com as chaves na ignição —estendeu as mãos para indicar o montão de carros da empresa de aluguel Enterprise— E então? Mostre-me. É tudo o que lhe peço.
—Mostre-me outro lugar que tenha menos controle administrativo em qualquer desses carros. Você não pensa que fazem uma recontagem de carros ou, o que seja —uma recontagem de churrasqueiras—antes de que o último tipo se vá para casa? Saberão que alguém o levou em um instante.
—Então encontraremos outra empresa de aluguel de carros —disse ele— e roubaremos dali.
—Posso ajudá-los amigos?
Os dois deram a volta, Derik praguejou entre dentes. Certamente, o sujeito se aproximou sigilosamente a contravento, e certo, que Sara o distraía bastante —era como se obstruísse seu radar, por assim dizer— mas isso não era uma desculpa. Nada de fodida desculpa!
—Só estamos olhando —explicou Sara, depois de clarear a garganta e tentar sorrir.
O cara que os saudou parecia mais nervoso que eles… e mais zangado do que Derik se sentia. Seu traje cinza estava enrugado, e a gravata voava por sobre o ombro com a brisa. Mechas de seu cabelo castanho se desprendiam em todas as direções, e seus olhos de um azul aquoso passavam alternativamente de fixos e fugidios. Quando Derik percebeu um odor de seda queimada… o cheiro do desespero, puxou Sara pelo ombro para a pôs atrás dele.
—Uh, OH —murmurou.
—Precisam um carro? Direi o que faremos. Pode levar essa caminhonete —apontou a uma lustrosa e nova, caminhonete vermelha, completa com uma supercabina e aproximadamente quatorze antenas.
Olharam a caminhonete, brilhando quase como uma miragem, ou o Santo Graal, Derik quase esperava ouvir um coro de anjos cantando, depois voltaram para olhar o vendedor.
—Estou farto deste lugar —murmurou—. promoveram Jim Danielson em vez de mim. O sujeito chega uma hora mais tarde todo dia e sai uma hora mais cedo. E nem falemos de seus descansos para comer. São mais como pequenas férias. O sujeito se atira na filha do chefe? É por isso que promovem ele? Ele?
—Nós, uh, não queremos que se meta em problemas —disse Sara.
—E não queremos que se aproxime mais —advertiu Derik.
—Não, olhe está tudo bem, vê? —O frustrado empregado da Enterprise sorriu abertamente, o que parecia absolutamente espantoso—. Sabe dirigirr com uma transmissão padrão, não sabe?
—Dirigir um carro com marchas não é o maior problema nesta situação —disse Derik.
—Shhhhh. —Sara deu uma cotovelada na barriga—, deixe-o acabar de falar.
—Sem problemas. Só o arrumarei no computador. Ninguém saberá nada disto. Vamos, levem-na. Podem me ajudar a foder meu chefe —olhou para o horizonte por um momento, parecendo atormentado—. Eu só… hoje não. Agüentei e continue agüentando, mas por alguma razão hoje… não, hoje não posso fazê-lo. Nem um dia mais. Assim vamos.
—Deixe de parecer tão condenadamente satisfeita —disse Derik a Sara mais tarde, enquanto deixavam para trás a Califórnia.
—Não posso evitar —respondeu.
—Quais são as possibilidades de que isso aconteça?
—Aproximadamente uma em trocentas.
—Isso é o que pensava. Embora seja uma boa caminhonete.
—Uma grande caminhonete.
—Está satisfeita outra vez.
—Sinto muito.
—Nossaaaaa… temos sacos de dormir, uma geladeira portátil, água, mochilas, lanternas, papel higiênico, antiséptico instântaneo, um estojo de primeiro socorros , bolachas desidratadas, duas facas afiadas, talheres, pratos, uma churrasqueira, uma frigideira e uma panela. Vejamos, o que estou esquecendo?
—O fato de que sou um homem lobo —murmurou Derik, para não ser ouvido.
—OH, sim. Isso. Não esqueci, só estou descartando-o totalmente.
—Bem!
—Deixe disso, agora, está me fazendo perder o fio. —deu uma olhada na sua lista, simulando que Derik não estava respirando com indignação a menos de quinze centímetros. Como se o Wall-Mart não fosse bastante distração… a seção de camping era maior que Yosemite.
—Nossa, assim, podemos ir à seção de comestíveis para obter cachorro quentes, bacon, pão, e…
—Sara, não precisamos de todas estas idiotices —apontou o saco de dormir e virtualmente engoliu de indignação—. Em primeiro lugar, temos uma soma de dinheiro limitada, assim lhe direi no que não tem que gastar o dinheiro.
—OH, faria? Isso seria fenomenal —revirou os olhos.
—Posso ver na escuridão, assim não se incomode com as lanternas. Tão certo como a merda que não preciso do estojo de primeiro socorros . E comeria minha própria merda antes que tocar em um desses guisados de carne desidratados.
—É tão ordinário —ela disse—. E está se esquecendo de mim. Não posso ver na escuridão, nem me lançar a uma corrida mortal para agarrar um fantasma preso pelo pescoço. Eu gostaria de estar quente de noite.
—Por que não deixa isso comigo? —olhou-a lascivamente.
—Por que não lhe dou um chute no traseiro?
Ele se desinflou.
—Ai, vamos, Sara, é meu trabalho cuidar de você. Não precisa de todo este lixo.
—Mmmmm. —marcou alguns poucos artigos a mais da lista—. Olhe, agradeço que desistiu de todo o plano de “Matar a Sara”, de verdade. Mas se tiver que viajar pelo campo com um estranho homicida é, disse homicida, não se inche como uma cobra e me olhe ferozmente, então vou cuidar de mim mesma. Como estive fazendo todo o tempo. Se não se importar. E até se importar-se, Garanhão.
—Esse foi um bom discurso —disse ele com admiração.
—OH, cale-se. E pegue esse spray para insetos, tá?
—Aggg! Não vai pôr de verdade esse spray, não é?
—Não, vou usá-lo para adoçar meu café. Só pegue —disse, já exausta. Um dia longo. Um fodido dia longo, e isso era um fato.
—Precisa de cristais de sal e grãos de pimenta fresca? E embalagens de baunilha? —gritou—. Pensei que estávamos cortando gasto!
—Estamos, mas há algumas coisas que me nego a deixar. Acredito que fui uma pessoa bastante amável até agora, não? Quer dizer, revira toda minha vida do avesso, mas vou com você e jogo. Olhe, pense nisso como levar conosco um pequeno sabor do lar pelo caminho.
—Estou pensando nisso como uma maldita perda de tempo e dinheiro, o que lhe parece?
—Uma pessoa de imaginação limitada —admitiu—, e pobres habilidades culinárias poderia pensar assim.
Ele farejou o pote que continha as embalagens de baunilha e o atirou dentro do carro.
—Para sua informação, neném, sou um maldito grande cozinheiro, e estas coisas são um completo desperdício em uma viagem de acampamento. Por não mencionar que esta vêm do México, não de Madagascar, assim acima de tudo, estão enganando você.
—Fale isso depois de provar meu chocolate de fogueira.
—Com certeza que o farei. De qualquer jeito, quanto dinheiro nos sobrou?
—Suficiente para conseguir ovos de granja —disse ela, pegando-os da seção de lácteos—. Seja um bom menino e vai conseguir um pouco de queijo Asiago, OK?
—Vou fingir que não disse isso —disse, cruzando os braços sobre o peito.
—Só está furioso porque nos saltamos o corredor das Milk Bones .
—Sara, pelo amor de Deus… se não parar com as brincadeiras de cães, e quero dizer, parar agora mesmo… —ele a seguiu, virtualmente retorcendo as mãos, e ela escondeu um sorriso. Tudo bem ter vantagem, embora fosse momentaneamente.
Acampar com um lobo… isso sim que seria uma aventura.
—Então quer parar?
—Não me incomodaria em parar.
—Não lhe perguntei se o incomodaria. Perguntei…
—Já que estou sentado ao seu lado —ele disse, tentando não ser brusco—, fui capaz de continuar com a conversa. Olhe, posso continuar toda a noite. Dirigindo, —acrescentou, quando ela enrubeceu—. Posso dirigir toda a noite. Se desejar, se acomode na parte traseira e dorme.
—Bom, compramos todo esse equipamento de camping.
—Você. Você, comprou tudo.
—Correto. E são, —olhou o pulso— oito e meia. Poderíamos parar, talvez dormir umas poucas horas.
—E fazer alguns hambúrgueres?
—O que? —gritou—. Acabamos de gastar vinte dólares no McDonalds!
—OH, Big Macs, —burlou—. São mais como um aperitivo que uma comida real.
—De fato, —disse glacialmente—. Se a memória não me falha, alguém insistiu em parar para poder conseguir o brinquedo da McLanche Feliz.
—É para a filha de meu amigo, —tentou não choramingar—. De qualquer jeito, não é minha culpa. Essas coisas não enchem. Meia hora depois…
—Só passaram vinte minutos.
—…Já tenho fome outra vez.
Ela bateu na testa com a mão, o que pareceu doloroso, e deixou uma marca vermelha. Ele resistiu o impulso de beijá-la.
—Está bem, está bem. Então pararemos, comeremos, e dormiremos. Só um pouquinho. De qualquer jeito já saímos da Califórnia. Quero dizer, vamos a bom ritmo.
—Ok, —disse, porque na realidade, não sabia que outra coisa dizer. Estava ficando nervosa, o que estava deixando-o nervoso. O que não podia suportar. Era como se, até alguns minutos antes, ela realmente não tivesse pensado no fato de que tinham que dormir um junto ao outro na parte traseira da caminhonete. O que era muito estranho, porque Sara era muitas coisas, mas estúpida não era uma delas. Merda, era a primeira coisa que tinha passado por sua mente quando estavam decidindo que bolsas de nylon comprar—. Assim pararemos.
Ela assentiu.
—Aí há um camping.
—Sim, estou vendo.
Vinte minutos depois, tinham sua permissão para uma noite no acampamento e tinham selecionado um pequeno lugar que em termos gerais, dado o que acabavam de pagar, saía na proporção de dez dólares o metro quadrado.
Decidiu beijá-la outra vez, para quebrar o gelo. Bom, por isso, e porque além disso desejava beijá-la outra vez. Mas na verdade, era, como, uma necessidade. Se ficasse mais nervosa, e por conseguinte mais maliciosa, talvez teria que tentar matá-la outra vez, e não precisava de outro aneurisma.
Então, beijariam-se, e talvez isso levasse a algo e talvez não, mas ela parecia esperar algo, e certamente estava mais que disposto a agradá-la.
Exceto.
Exceto que saltou da caminhonete, meteu-se em um dos sacos de dormir, e agora estava cobrindo da cabeça aos pés com nocivas substâncias químicas. Tossiu e teve náuseas e respirou o ar frente a ele com a mão, sem nenhum resultado. A nuvem o estava sufocando!
—Chega, chega!
—Vê todos os mosquitos? —gritou—. Nos comerão vivos.
—Fale por você.
—Diz a sério? —Caminhou em sua direção e ele recuou, aterrorizado, era um risco biológico com pernas, mas ela tomou pelo braço, impedindo sua retirada. Estava tossindo tão forte que não escutou a pergunta.
—O que?
—É verdade! Não tem nenhuma marca.
—Os insetos não gosta dos homens lobo.
—Bastardo afortunado, —murmurou.
—Escute, Sara… —Ainda o segurava pelo braço, o que de certa forma ele gostava. Inclinou-se aproximando-se—. Sabe, vamos passar muito… uh… já sabe, tempo juntos… e… e… merda.
—O que? —ela estava olhando nos olhos, e OH, era simplesmente tão bonita que era um maldito crime, isso é o que era, e…
Merda.
Seus pulmões explodiram. Ou, ao menos, isso foi o que sentiu.
—Deve deixar de lado o repelente de insetos, —ofegou depois de uns dez minutos de contínuos espasmos.
—Bom, você devia ter dito, —disse, e sorriu pela primeira vez na última meia hora—. É um repelente de homens lobo.
Pôs-se a rir de si mesma.
—Bosques Profundos: contra aqueles homens lobo especialmente os aborrecidos.
Uma hora depois, já não ria. Tinham comido, apagado o fogo, deram-se boa noite, entrado em seus sacos de dormir. Bom, ela tinha feito isso. Ele não podia entender como podia enrolar em si mesma dentro desse pesado saco de dormir quando estava a oitenta graus… os humanos eram estranhos, ou talvez so eram as mulheres da espécie… bom como fosse. E agora deitava junto a ela na parte traseira da caminhonete, ficando louco lentamente.
Ele teve encontros com humanas anteriormente, assim não era como se nunca tivesse este problema antes. O problema da comunicação. Porque o teve. Mas de alguma forma, antes, com outras mulheres, não o incomodou tanto.
Incomodava-o agora.
Se Sara fosse uma mulher lobo, cheiraria seu interesse e ele cheiraria o dela, e o fariam, ou simplesmente diria: não estou interessada, amigo, assim vai passear, e não o fariam. Ponto Final. Mas Sara não podia cheirar nada, falando comparativamente, e o que era pior, pretendia não saber que ele estava tão excitado sexualmente que estava preparado para ter sexo com seu enrolado saco de dormir. Assim estava este assunto… este grande assunto do qual não estavam falando. O que queria dizer isto? Era o elefante do local. Um grande elefante verde e sexualmente excitado.
Tentou pensar: O que faria Michael? No princípio Jeannie havia deixado louco o pobre homem… ainda o fazia, às vezes. E um montão dos primeiros problemas eram causados porque ela tinha dificuldades de adaptar-se à Manada. E Michael, como Alpha, esperava que pegasse o ritmo. E Jeannie, como humana que usava armas, pensava que ele deveria morrer. Assim Michael tinha muita experiência com o assunto da comunicação. Tinha sido forçado a aprender, o pobre bastardo. O que faria ele?
Falaria com Sara, isso é que faria.
—Sara, —sussurrou Derik.
Nada.
—Escute Sara… realmente, realmente eu gosto de você, e cheira sensacional, e acredito que seus poderes são geniais, embora um pouco aterradores, e extranhamente isso a faz mais desejável que qualquer outra fêmea que tenha conhecido em minha vida, e definitivamente acredito que deveríamos transar… OH, merda, quero dizer fazer amor, já sabe, o que seja… e depois poderíamos nos abraçar e eu poderia CONSEGUIR DORMIR UM POUCO MALDIÇÃO.
—Sara?
Um suave ronco foi a resposta.
—Merda.
Salvar o mundo seria mais difícil do que tinha suposto.
—Este assunto de homens lobo, —disse Sara abruptamente. soprou uma mecha de cabelo fora do rosto e fez uma pausa na luta que mantinha com o saco de dormir. Era todo um mistério. Comprava a coisa com esse pequeno pacote redondo, e depois de que a usava, não podia voltar a colocá-la dentro do pequeno pacote redondo nem que apontassem com uma pistola no ouvido. Um mistério!—. Sabe, a lua cheia sairá em dois dias.
—Em setenta e duas horas. Sim, sei.
—De modo que… O que acontecerá então?
—Sara, todos poderíamos estar mortos dentro de setenta e duas horas.
—Quantas vezes tenho que dizer isso - disse bruscamente—. Não vou destruir o mundo.
—E o que está acontecendo com você esta manhã, você grande resmungão loiro?
Resmungou algo que soou como sei o que fará, mas quem sou eu de toda forma? Mas nem sequer ele poderia ser tão imaturo. E homem, acaso tinha levantado ele do lado ruim da caminhonete esta manhã?
—Só sinto curiosidade a respeito do que acontecerá, isso é tudo, —ela disse—. O que acontecerá se perder o controle e me matar?
—E o que se pode fazer?
—Ah que bonito! Acha que eu gostaria de começar a me preocupar a respeito das luas cheias e morder as pessoas… e pegar raiva e comer comida meio crua e talvez contrair a Enfermidade do Homem Lobo Louco?
Ele cobriu o rosto com as mãos e se agachou perto das ardentes brasas remanescentes do fogo.
—É tããããoo cedo…
—Sério, Derik.
—Estou falando sério. É muito cedo para esta merda. —tirou as mãos do rosto—. Além disso, não é como a gripe, Sara. Você não pode contrair. Poderia lhe dar uma transfusão de sangue, e não se converteria. Somos de duas espécies diferentes.
—OH. Isso não sabia. Então os filmes estão errados?
—Total e completamente errados—esfregou o rosto com as mãos e bocejou—. Não perca o tempo olhando-os, a não ser como entretenimento. Tampouco roubamos bebês à luz da lua, e não comeria uma pessoa por uma aposta. Aarghh.
—Aarghh?
Ele estremeceu, e ela se ofendeu.
—O que tem de mau em comer uma pessoa? Deveria se sentir afortunado! Não é que deseje que o faça.
—São terríveis, isso é o que digo. Todos vocês. A dieta onívora… uffff. —De fato fez uma cara de ânsia!
—Bom, ninguém está pedindo que coma alguém.
—Farei uma exceção, —resmungou.
—Muito engraçado. Nem sequer lhe ocorra pensar em me comer . E se somos de duas espécies diferentes, como é que têm filhos com humanos? E falando de transfusões de sangue, Acaso teriam efeito?
—Sim, e sim. Não acontece todo o tempo, ter cachorrinhos com humanos, mas acontece. Não sei por que, não sou um condenado biólogo. —Voltou a queixar-se e ficou em pé, depois foi pisando duro para a caminhonete—. Estamos preparados? Vamos.
—Pronta? Qual é o problema? E por que está tão sensível esta manhã?
—Não pude dormir, —replicou concisamente, pisando na embreagem e pondo em movimento a caminhonete que soltou um rugido—.Eu fui caminhar. Toda a noite.
—Bom, me desculpe, Senhor Insone… Espere! —Correu para jogar a última bolsa de dormir na parte de trás da caminhonete—. Ninguém me disse que os homens lobos eram pessoas tão abomináveis pela manhã! —equilibrou-se, e mal chegou a abrir a porta justo quando ele acelerava.
—Bom, agora sabe. —disse ele, trocando para segunda enquanto ela fechava a porta de um golpe.
—Assim qual é o plano, Resmungão McGee? Além de um segundo, e um possível terceiro café da manhã antes das dez da manhã?
—Dirigir até ficarmos cansados. Parar outra vez. Comer. Dormir. Dirigir um pouco mais. Encontrar os Escolhidos de Artur. Chutar seus trazeiros. Fim.
—É um bom plano, —disse ela.
—Exceto…
—O que?
Voltou a bocejar, o que era algo assombroso… sua mandíbula se abria muito mais do que considerava possível, mostrando um montão de dentes.
—Bom, devo me manter em contato com minha gente, ou começarão a se preocuparem comigo. Talvez mandem alguém aqui. Assim pensei que esta noite poderíamos ficar em um refúgio. —Essa era uma pequena mentira. Não deviam ficar em um refúgio; podia retirar-se da estrada. Mas o pensamento de ter Sara em uma cama quente… de ter Sara…
—O que? Não entendi isso.
—Disse que tudo bem, —repetiu—. Não me importaria dormir com um teto sobre minha cabeça. E deixe de bocejar.
—Huh? Não importa. E uma ducha. Poderia tomar banho para tirar todo esse repelente de insetos…
—Sim, bom, está bem. Assim, ficaremos em um refúgio.
—Bom, o assunto é, que tenho que dar explicações por você. Porque se qualquer outro homem lobo chegar a se inteirar de quem é, tentarão matá-la.
—Uma possibilidade a ser evitada a qualquer custo, —afirmou—. Assim o que sugere?
—Que aja como minha futura companheira… quero dizer, minha prometida.
—OH.
—Devo lhe dizer algo, —explicou.
—Bom. Está bem. Acredito. Sabe, sou contra que me matem… não sou tão irracional. Simplesmente devemos esconder o fato de que não nos conhecemos muito bem.
—Um. —ele clareou garganta—. Há outro pequeno problema.
—Pequeno Huh? —Suspirou enquanto ele desacelerava e tomava a saída para um Burger King. Como se não acabasse de comer um quilo e meio de bacón!—. Acredito que sim. Bom, desembuche. Com a semana que estou tendo, com certeza poderei suportar.
—O assunto é, que saberão, minha gente saberá, se nós não formos, verdadeiramente íntimos.
Sua mente processou isso, e depois decidiu, que com a semana que estava tendo, não poderia suportá-lo. Provavelmente tinha entendido mal.
—O que?
—Bom, como lhe disse, saberão se não estamos, já sabe, dormindo juntos. Assim devemos fazer isso se formos seguir com esse plano. Refiro-me a dormir juntos.
Ela virou furiosa no assento para olhá-lo. Notou que ele mantinha os olhos fixos na estrada. Covarde.
—Está me dizendo que tenho que transar com você para que possamos ficar em um dos refúgios?
—Sim.
—Bom, que pena, —disse bruscamente, ignorando a onda de calor que subiu no rosto.
—Prefere que quebrem seu pescoço no refúgio? —respondeu igualmente brusco.
—Sim, depois de considerar cuidadosamente, acredito que isso seria preferível!
—OH, pare já com o assunto da Rainha do Drama! É só sexo, isso é tudo, só sexo, sexo é tudo o que é, e francamente, deveria me sentir insultado por preferir que a estripem antes que me veja nu!
—Chamam-se, princípios, amigo. E não posso evitar ser uma das poucas que não se precipitaram na sua cama aos cinco minutos depois de tê-lo conhecido!
—Princípios!
—Quer que encontre um dicionário,Loirinho?
—Quero que seja realista, —grunhiu.
—Em outras palavras, baixe as calças e salve sua vida.
—Isso fica ruim se disser assim.
—Esqueça.
Ele bateu no volante, que gemeu alarmantemente.
—Maldição, Sara, é a maior cabeça dura, obstinada, aborrecida, enfadonha, presunçosa, curvilínea, chata…
—Curvilínea?
—Auch, cale-se. Bem, é sua cabeça. Dormiremos nos bosques outra vez, nada de nos tocar. E outra vez. E outra vez. Homo Sapiens, homem, são umas fodidas flores de estufa, juro por Deus.
—Não sou, —disse automaticamente, destruída interiormente. Tinha desejado uma ducha. E uma cama. Tinha saído de camping algumas vezes quando menina, mas agora que estava no final dos vinte, sua idéia de dureza era um Super 8 e um secador de cabelo.
Clareou garganta e depois perguntou timidamente:
—Não pode… não pode dizer que como não sou uma… uma mulher lobo, ainda está tentando me convencer de me levar para a cama?
Ele exitou, e depois sacudiu a cabeça.
—Nossa espécie não faz um compromisso por toda a vida sem, uh…
—Provar a mercadoria?
—Uh, sim. Quero dizer, é uma coisa absolutamente normal para nós. Não temos toda essa atitude vitoriana sobre o sexo que têm vocês. E o assunto é, que não levaria uma companheira casual a um refúgio.
—OH.
Ele deu de ombros.
—Assim, está bem. Continuaremos acampando. Acredito, que não deveria ter dito assim de repente, mas pensei que seria pior se não dissesse nada até que estivéssemos na casa.
De fato ela estremeceu ante o pensamento.
—Não, aí tem um bom ponto. Bom… Como é um refúgio?
—É uma casa onde vive uma família de homens lobo e freqüentemente acolhem convidados. Gente que está fugindo, ou em uma missão, ou até fazendo uma excursão o Costa para ver Michael e Lara.
—E Lara é…
—A filha de Michael.
—Ah! É uma dinastia, então. Não importa. Então não seria… estranho… que simplesmente nos apresentássemos em um lugar assim e pedíssemos para passar a noite.
—Não. Seria normal.
—Mas devemos compartilhar a cama.
—Sim.
—Na realidade, teríamos que fazer antes de ir ao refúgio, não é? Para que os outros homens lobos se dessem conta que temos intimidade? Nem que não seja assunto deles, —acrescentou com um murmúrio.
Houve uma longa pausa, e depois Derik respondeu, soando quase como se estivesse asfixiado.
—Sim, teríamos que fazer antes de ir para o refugio.
Ela tamborilou com os dedos sobre o banco e observou passar a paisagem.
—Bom. Realmente não sou esse tipo de garota.
—OH, sei, —disse honestamente.
—Mas é bastante lindo.
—Sério? —pareceu agradado.
—De uma forma altiva e absolutamente odiosa, —explicou, observando como ele se desinflava um pouquinho—. E estamos em uma missão para salvar o mundo.
Ele não respondeu, simplesmente parou no estacionamento do Burger King.
—Suponho que podemos falar a respeito disso. Quero dizer… eu adoraria tomar uma ducha.
—E eu gostaria que tomasse uma.
—Bastardo, —murmurou.
Ainda estavam discutindo as vantagens de fazer amor —ou não—, quando ele desviou para o Kwik N’Go.
—Tenho que usar o telefone —explicou.
—Como?
—Huh?
—O telefone —disse Sara. Ainda cheirava fortemente a repelente de insetos, mas dirigir durante horas com os vidros abertos tinha aliviado um pouco o dano. Ao menos podia pensar em beijá-la sem que sentisse ânsia ,um passo crucial. E o vento tinha agitado os cachos uma e outra vez; estava tão adorável como um dente de leão vermelho—. Não pode usar seu celular , por razões óbvias. Mas, como vai pagar uma ligação para a costa? Pela boina? Não pode usar o cartão de crédito.
—OH.
—E não pode ligar do refúgio?
—Em qualquer parte da casa ouviriam —admitiu.
—OH. Horripilante. Suponho que uma chamada a cobrar está fora da questão?
—Só se não se importar de ter um grupo de homens lobo atrás do nosso rastro.
—Bem, bom, vamos com isto. —Saltou da caminhonete e caminhou para o telefone público que havia na calçada—. Isto funciona algumas vezes —explicou olhando-o por cima do ombro—. Estava acostumada a usar telefones públicos freqüentemente, antes de comprar o celular, e habitualmente funcionava.
Levantou o fone, escutou, depois estendeu o telefone.
—Está chamando.
Ele tomou o fone de sua mão, olhando-o fixamente. Estava chamando.
—Não me pedirá que ponha moedas ou…
—Residência Wyndham.
—OH, olá Moira. Escute…
—Derik! Ei, onde demônios está? Como está indo? Está bem? Aqui Michael está ficando louco! Eu também —acrescentou.
—Rastreá-la foi um pouco mais difícil do que pensei —disse dando um nervoso olhar para Sara. Graças a Deus, graças a Deus que Moira não estava perto dele. Cheiraria sua mentira, e depois, com todo direito, chutaria seu traseiro. Além disso, ele mereceria. Não podia recordar ter mentido antes. Na Manada era uma perda de tempo. Agora, fazia-o se sentir como um verdadeiro excremento de rato—. Mas estou aproximando. Só queria que soubessem que estou bem. Entendeu? Estou bem, tudo está bem. Diga a Mike, OK?
—OK, carinho. As coisas por aqui estão bem, também. Basicamente permanecemos aqui esperando notícias, sabe? Assim se cuide, está bem?
—Certo. Hum, passe-me com Antonia?
—Certo. Teve enxaqueca desde que foi —advertiu Moira, o que provocou que Derik se encolhesse… Antonia já era como um urso quando se sentia bem—. Assim não estou certa de que vá ser uma boa companhia, por dizer de uma forma muito, muito suave, mas aqui vai, assim se prepare para uma briga.
Ouviu um clique quando pôs o telefone em espera.
—Suponho que este telefone está quebrado —disse a Sara—. Não está pedindo mudança nem nada.
—Suponho que sim —respondeu, vendo-a satisfeita.
—Assusta —ele disse, e depois—: Olá?
—O que está fazendo? Auuuu! —queixou-se Antonia—. Minha cabeça, Maldição!
—Bom, se tiver uma enxaqueca não grite —ele disse razoavelmente—. Escute, Antonia…
—Você, chimpanzé, que demônios está fazendo?
—Salvando o mundo —replicou concisamente—. A minha maneira. E não me chame assim.
—Mas ela está bem ai!
—Óbvioo! Escute, não diga a Mike, ok?
—Auu, homem, Derik, está me matando —se queixou—. Merda, está me matando!
Por um momento agradeceu a Deus que Antonia tivesse um complexo de perseguição. Era uma dos poucos membros da Manada que realmente poderia considerar ajudá-lo a enganar Michael. Moira, por exemplo, jamais o faria. Sentiria-se mal e se desculparia todo o tempo enquanto chutaria seu traseiro e o arrastaria pela nuca para que dessem seu castigo, já que a amizade era uma coisa, mas a Manada era a Manada.
—Olhe, Antonia, não a deixaria na mão com algo assim. Temos um plano. Estou bastante seguro de que funcionará.
—Bastante seguro? Owwww!
—Olhe, devo estar na pista correta, ou a esta altura já teria me delatado a Mike, não é? Quero dizer, suas visões devem estar lhe mostrando que algo está saindo bem. Não é?
Áspero silêncio.
—Verdade —repetiu, pisando em terreno mais seguro—. Assim escute, estou bem, ela está bem, e vamos apanhar os meninos maus e salvar o mundo. Vê, acredito que os meninos maus casualmente a enganarão para que destrua o mundo, assim se nos encarregarmos deles, faremo-nos cargo de todo os outros.
—E como em nome de todos os demônios sabe isso?
—Bom, não. Saber exatamente não. Sabe, assim como que dois mais dois são quatro. Mas o pressinto. Quero dizer, sei que Sara nunca faria algo mal de propósito. Assim devem ser os meninos maus que o farão, ou a enganarão para que o faça, ou algo assim.
—Está falando para tentar salvar seu traseiro. E além disso, não é o Alpha, Derik —afirmou Antonia, através de dentes apertados—. Não é sua decisão. Quero dizer… poderia dirigir sua própria Manada, mas Michael é o chefe desta Manada, e lhe disse o que devia fazer. E você não está fazendo.
—Só… não diga nada ainda, ok?
—Isso Derik foi mais um uivo que um grunhido.
—Antonia.
—Está condenadamente louco, sabia, está louco, não é?
—Só faça isto por mim.
—Sim —disse bruscamente—. O primeiro favor que me pede em vinte e dois anos, e é precisamente isto!
Por um momento ficou surpreso… Antonia era tão aborrecida, tão cadela, tão perseguidora por suas visões, que era fácil esquecer que ainda era uma jovenzinha. Mal tinha alcançado a idade para votar, e olhe o que ele estava pedindo!
—Obrigado —ele disse, porque essa era sua forma de dizer que sim—. Devo-lhe uma.
—Deve-me vinte, você, grande estúpido, pesado, idiota, imbecil… —Ela cortou a ligação. A conversa tinha ido tão bem como podia esperar; não havia necessidade de prolongá-la.
—Ok—disse, deixando sair um profundo fôlego—. De qualquer jeito, ganhei um pouco de tempo.
Sara sorriu. Era o primeiro sorriso do dia, passaram a tarde gritando um com o outro entre bocado e bocado de comida rápida, e o nocauteou novamente, que magnífica era, graciosa, bonita…
—Sim, parece que o fez. Obrigado. O que lhe parece se formos procurar esse seu refúgio?
—Genial —disse—. Duchas por todos lados.
—Já basta de me jogar na cara que meu cheiro está ruim —murmurou, seguindo-o à caminhonete.
—Só quis dizer que também viria bem uma ducha.
—Certo.
Tinham comido (duas vezes no caso de Derik), bebido chocolate e assado marshmellows atrás de marshmellows. Sara sabia que se comesse outro doce suave e branco explodiria. Mas não podia parar de comê-los.
Pare, de se abarrotar, ordenou a si mesma.
Ugh, respondeu.
—Está bem —disse pastosamente, notando que Derik estava olhando-a com assombro—. Façamos antes de queeu perca os nervos.
—Que romântico! —comentou ele. Estava agachado perto do fogo, balançando sobre a ponta dos pés—. Está bem? Parece um pouco... forçada.
—Faça, ordenou , e tirou a blusa. Seu ventre, inchado pelos mashimelos, sobressaía por cima da cintura de seu jeans—. Sabe que deseja.
—Uh... agora mesmo? Não apostaria minha granja nisso. Talvez devesse se deitar.
—Não, não, não. Vamos fazer . Temos que fazer isso para salvar o mundo. —Gemeu e esfregou o ventre—. E para dormir em uma cama quente amanhã de noite. E ter uma ducha! Pense, toda essa água quente... e sabão, pense no sabão!
—Não posso fazer isto —anunciou—. É como se estivesse me aproveitando de você.
—Tem razão nisso, mas eu serei a única —hurp!— em me aproveitar. Agora venha aqui.
Dolorosamente tirou o jeans, e depois se deitou, ao lado do fogo, respirando como uma truta na terra.
Derik estava tentando não rir, e como resultado seu rosto tinha o tom de uma maçã vermelha.
—Não acredito que seja capaz de fazer isso esta noite —ofegou.
—OH, se cale, quando quiser que pense, darei um puxão em sua coleira.
—Agora está sendo má.
—O que quer que seja que funcione, amigo. Agora dispa-se.
—OH! É assim que são as coisas? Dispa-se?
Ela levantou a mão e tocou o vulto em seu jeans.
—Como se não estivesse morrendo de vontade.
—Bem, isso é verdade —disse, e deixou de discutir. Em um minuto estava nu, e ajudando-a a tirar a calcinha e o sutian…
—O que está queimando?
—Seu sutian... perdão.
…E depois estavam caindo na grama atrás da caminhonete, beijando e metendo as mãos, e gemendo, e por um momento, Sara esqueceu seu grotescamente inchado ventre e os mosquitos picando suas pernas.
E então ele a penetrou facilmente, e isso estava bem… um pouco incômodo, porque ele era grande e ela não estava preparada, mas estava tudo bem, porque ela só queria que isto acabasse, mas OH, OH, não tinha esperado que fosse tão bom, não tinha esperado... esperado isto.
Ele rebolou contra ela, esmagando solícitamente os mosquitos que via sobre ela. Então aumentou a velocidade, e Sara moveu na grama para lhe dar melhor acesso. Depois ele ficou completamente rígido, os tendões de seu pescoço ressaltando como o aço.
—Ohhhhhhhhhhhh —disse Sara quando ele caiu sobre ela.
—Juro—murmurou Derik junto a seu pescoço—. Juro que normalmente sou muito melhor nisto.
—Não, não, estava muito bem. Impressionou-me a velocidade!
—Sara, está me matando.
Ela riu, e o acariciou na nuca.
—Olá, sou... Jon?
Sara deu uma cotovelada.
—Seu nome é Derik, —sussurrou.
Ele não fez caso e abraçou o homem ruivo que estava na entrada… com tanta força que levantou o pobre homem do chão.
—Jon, você, filho da puta. Sabia que era seu cheiro!
—Não se coloque com minha mãe, —replicou o outro homem sorrindo—, nem com meu cheiro e me ponha no chão. Derik, que diabos faz aqui?
—É uma longa história, —disse sacudindo o polegar sobre o ombro para apontar para Sara- é minha prometida. Precisamos de um lugar para passar a noite. Está bem?
O rosto de seu velho amigo se acendeu como a lua cheia.
—Merda, com certeza que está bem! Podem ficar mais tempo?
Derik sacudiu a cabeça e conduziu o homem mais baixo para dentro da casa. Sara, depois de um duvidoso olhar ao seu redor, seguiu-os.
—Tenho que ir até a costa. É uma longa história com a qual não o aborrecerei. O que está fazendo em Kansas?
—Olá, —disse Jon estendendo a mão para estreitar a de Sara—. Sou Jon; Derik e eu crescemos juntos e ainda não aprendeu maneiras de tudo. Bem-vindos a minha casa.
—Obrigado, —disse sacudindo a cabeça para afastar o cabelo dos olhos. Estava pensando na possibilidade de esclarecer toda a confusão, mas descartou como causa perdida.
Jon também, era ruivo, só que seu cabelo era de uma rica e profunda cor mogno, cortado brutalmente curto, e seus olhos eram da cor verde das antigas garrafas da Coca Cola. Era alguns centimetros mais baixo que Derik; de fato, exatamente da mesma altura que ela. O que menos podia dizer era que parecia desconcertante, poder olhá-lo diretamente nos olhos. Suas pupilas, tinha notado clinicamente, eram enormes. Teve que engolir para combater o nó que repentinamente tinha formado na garganta. Todos os homens lobo eram… tão inquietantes e carismáticos? E de olhos verdes?
—Sou Sara —conseguiu dizer afinal—. É agradável estar aqui. Quero dizer,é um prazer conhecê-lo. —deu conta que Jon tentava não enrugar o nariz e suspirou—. Deixarei-os para que fiquem a vontade, enquanto isso, posso usar a ducha?
—Então, que diabos? —Derik tinha despachado o último de seus filés à tártara e agora andava procurando uma cerveja no refrigerador de Jon—. A última coisa que soube foi que tinha emparelhado, que Shannon estava grávida e que tinha partido para ver o mundo. Agora está aqui? E onde está o resto da família?
—Visitando a mãe de Shannon. —Jon estremeceu—. Decidi passar. Eu não gosto de falar com senhoras anciãs resmungonas que se vêem peludas quando a lua não está cheia. Embora lamento que não possa ver minha cachorrinha.
—Escutei que teve uma menina. Katie?
—Mmm hmmm. Tem meus olhos e o cérebro de Shannon, assim as coisas saíram bem.
—Muito bem, —concordou, enquanto continuava revirando o refrigerador—. Escute, como é que partiu em primeiro lugar? —Ah! Olá, cerveja, minha velha amiga, vim para lhe beber outra vez. Torceu a tampa da garrafa, abrindo-a, os homens lobos desdenhavam os copos , e tomou um profundo gole.
—OH, sim, isto é que é qualidade. Ohh, bebê. De qualquer jeito, como é que partiu? Todos nos perguntamos isso.
—Bem, já sabe como é. —Jon estava balançando-se com a cadeira da cozinha, agora apoiou as quatro pernas, no chão—. Quero dizer, você não estava lá, —asseverou—. Pode amar a Manada, mas não necessariamente querer estar com eles cada segundo, precisava um pouco de espaço. A mansão, grande como é, sentia ela lotada depois de me emparelhar.
—Sei do que se refere. Mike e eu quase temos uma briga enorme frente a quase toda a Manada.
—Sobre o que?
—Sobre nada.
—Vamos, cuspa.
—Foi algo estúpido.
—Tem que ver com que agora é um Alpha? —Perguntou Jon tranqüilamente.
—O que, acaso Moira o pôs no jornal?
—Não. Você esta diferente. Caminha diferente, sua postura… inclusive cheira um pouco diferente. Estou certo que Michael soube antes que você e só estava esperando para que se desse conta.
—Bem, quase arrancamos a cabeça um do outro. Tive que sair dali, antes de fazer algo realmente estúpido. Inclusive para mim.
Jon considerou isto em silêncio, enquanto Derik terminava a cerveja. Finalmente, disse:
—É um assunto perigoso, acho. Às vezes o considero sortudo por realmente não term lutado. A última coisa que precisa é liderar a Manada. Além disso, —adicionou de uma maneira prática— Jeannie teria atirado na sua cara.
Derik deu de ombro.
—E agora está com essa bonita ruiva de cabelo encaracolado.
—Sim.
—Humana, não é? Bem, parabéns.
—Obrigado.
—Perdoe-me que diga isso mas, não parece um feliz futuro emparelhado.
—Estivemos brigando muito. —Por fim uma verdade não encoberta—. Ela poderia estar reconsiderando.
Jon sacudiu a cabeça.
—Nem sequer o considerou a primeira vez. Faz quanto tempo que se conhecem?
—Não importa.
—Assim, menos de uma semana
Não importa, intrometido, filho da puta.
—Deslumbrou-a. Uh?
—Algo assim, —disse Derik sem convicção.
— Ummm-humm
—Bom assim foi. Tinha pensado que estaria mal tentar enganar um membro da Manada, mas este era Jon. Virtualmente seu companheiro de ninhada! De todos os refúgios do mundo Porquê tinha que ter parado na casa de Jon?—. Esta foi uma semana bastante estressante.
—Mmm. Sabe o que sua mãe estava acostumada dizer.
—Se mastigar meu sapato, outra vez, quebrarei o seu pescoço?
—A outra coisa.
—Sim, —disse amargamente—. Permaneça com sua própria espécie.
Jon estendeu as mãos, mas não disse nada mais.
—Nossa! —Disse Sara alegremente, irrompendo na sala de estar, a qual estava cheia de janelas por todo o lado oeste. Tinha pensado que Kansas era supostamente insípida e aborrecida, mas tinha uma espécie de beleza selvagem comparável às altas pradarias. E as janelas neste lugar! Os homens lobos não deviam gostar muito de não poder ver o exterior. Bem, é obvio que já sabia disto pelo Sr. “Não podemos, por favor, conseguir um conversível?”
—O que vamos fazer?
Derik, o grande bobo, quase caiu da cadeira.
—O que? Agora? Do que está falando?
—São só nove horas, se acalme, —disse. Meninos desejam ver um filme? Jogar um jogo?
—Um jogo? —perguntou Jon. Era um tipo delicioso, bom, com essa constituição e esse cabelo e esses verdes, verdes olhos. Não era Derik, é obvio, mas quem era? Ele era um espectador, depois de tudo, enquanto que Derik era um homem de ação. Podia dizer que... Jon não falava muito, mas seus olhos sempre calculavam, julgavam, pesavam. Compadecia-se do ladrão de casas que tentasse entrar neste lugar.
—Que espécie de jogo?
—Não sei... esta é sua casa. O que é que tem?
—Os únicos jogos que temos são Candyland e Tobogãs e Escaleras, —admitiu Jon.
—Ah, tem uma menina pequena, é certo, vi os retratos no vestíbulo. É adorável.
Adorável, com cerca de seiscentos dentes a mais. Na verdade um sorriso espantoso para uma menina de quatro anos.
—Realmente linda.
—Obrigado. Não deveriam meninos... um... não estão cansados? Não desejam ir para cama?
—Não, —disse Sara, no momento exato em que Derik disse—: Sim.
—Digam, —disse Jon, entrecerrando os olhos em direção a Sara—. Diga outra vez por que vocês meninos estão…
—Baralho de cartas? —disse ela apressadamente—. Deve ter um desses em algum lugar.
—Certo! —disse Derik calorosamente—. Poderiamos jogar um... jogo de... cartas..!
—Cartas! —disse Sara alegremente.
Jon suspirou e se levantou.
—Acredito que posso encontrar um por ai, em algum lugar. Volto logo.
Uma vez que se foi, Derik murmurou:
—Muito inteligente.
—Shh! Acreditava ouvi-lo dizer que ele poderia escutar tudo.
—Pode. Quando nos deitaremos?
—Quando deixar de ser um imbecil. —Ela olhou seu relógio—. O que não deve tomar mais que alguns anos.
—Muito engra...
—Aqui estamos —disse Jon com falsa cordialidade.
—Isto não é uma boa idéia, —disse Derik.
—Bastardo brincalhão, —murmurou Sara.
—Bem, sim , mas além disso.
—Não seja desmancha-prazeres.
Jon sentou na beirada do sofá e empurrou a mesa de centro aproximando-a a eles. Embora a tensão era suficiente densa para nadar por ela, ele a ignorou e, sem deixar de agir como o anfitrião cortês, entregou as cartas a Sara.
—Um ou dois jogos,virá bem.
Sara piscou confusa.
—Vamos meninos, o que querem dizer?
—Sare-Bear, nós temos certa...
—Quer parar de me chamar assim.
—...espécie de vantagem. Quero dizer, não pode nos enganar. Saberíamos. Sua linguagem corporal a delata, até seu cheiro muda.
—Genial, —comentou ela.
—Sempre saberemos quando tiver uma boa ou má mão. Não é de tudo justo. Agora que as damas... poderíamos jogar damas...
—Está bem, —disse—. As cartas matam o tempo, me considero advertida.
—Sério, —disse Jon, movendo-se incômodo no fio do sofá—. É como jogar cartas que podemos ver, mas você não pode ver as nossas. Nada esportivo.
—OH, calem-se e repartam. Será divertido. Mas o que nos jogaremos? O que parece por 25 centavos?
—OH, por favor, —disse Derik meia hora mais tarde.
Sara, amontoava suas moedas de 25 centavos, sem levantar o olhar.
—Deixe- me ver se eu entendo, sem ir com segundas intenções —disse Jon—. Em dez mãos, tocou um full, rainhas sobre valete, uma escada, uma escada de cor, quatro ases, outra escada de cor, outro full, ases sobre reis, e outra mão com quatro cartas iguais. Ases outra vez.
—O que posso dizer? A dama da sorte me adora.
—Sim.
—Eu disse que seria divertido.
—Mentira! Derik, posso falar com você um minuto?
—Não, —disse Derik.
—Agora.
—Isso é o que disse, agora. Só que escutou mal. Volto em um minuto, Sara.
—Uh, deseja que eu vá com você? —disse, olhando nervosamente como Jon segurava Derik pelo ombro e o arrastava para fora.
—Não! Não se aproxime dele. Quero dizer, estarei bem. Quer dizer...
Logo os dois estavam no vestíbulo, e depois, no escritório com a porta fechada.
—Bom, —disse Jon.
—Agora, Jon...
—Em que demônios anda metido?
—Shh! Sara o ouvirá.
—Não poderia ouví-lo ainda se tivesse deixado a porta aberta, e sabe. O que está acontecendo?
—Não acreditaria se eu contasse.
Jon o olhou encolerizadamente, e Derik não baixou o olhar. Finalmente, Jon baixou o dele e falou olhando para o chão.
—Que conste, ambos estão cheios de merda. Não estão comprometidos, apenas se conhecem. Escondem algo imenso, e há algo estranho em sua amiga. Realmente estranho. Não posso assimilá-lo... meu nariz não alcança... mas está me deixando realmente nervoso.
Esfregou a nuca, franzindo o cenho.
—Como disse. Não acreditaria.
Derik podia sentir o pulsar de seu coração, o qual tinha dado um salto palpitando a uns cento e oitenta por minuto, indo mais devagar uma vez que Jon acabou com seu desafio. Talvez isto não seria tão feio. Talvez…
Jon levantou o olhar.
—Derik, é meu amigo, crescemos juntos. Assim lhe dou o benefício da dúvida. Não desejo brigar, e não desejo chamar Michael.
—Bem, merda, Jon, tampouco eu quero brigar.
—Uh-huh. Mas é melhor deixar de jogar com seus polegares e fazer o que fodidamente supõe que tem que fazer. Tenho uma família.
Derik assentiu com a cabeça.
—Sei, Jon. Mike também tem uma, e é como minha própria família. Você é como minha própria família. Acha eu colocaria a pata se isso significasse ferí-lo, ou a alguém importante para você? Nunca faria isso. Mataria-me antes de fazer isso.
—Finalmente, —comentou Jon—, uma verdade.
—Olhe, ainda não estou certo do que acontecerá, mas o deixo coberto. —Acredito.
—Talvez possa ajudar. Pode me falar sobre isto?
—Não realmente. É difícil de explicar, mas Sara e eu… formamos uma boa equipe. Ela pode... não acreditaria. Mas estamos fazendo o correto. Ela se assegurará disso, e eu me assegurarei disso. Juro por minha vida, homem. Não pela de sua família, nem pela de Mike, ou a vida de Lara… minha própria vida.
Houve um longo e tenso momento, e então Jon relaxou.
—Bem, Der. Conhecemo-nos por muito tempo para não confiar um no outro quando as coisas chegam ao limite. Precisa de ajuda? Posso ir com você se...
—Não! —Cristo, não. Não queria que Jon estivesse perto dos Escolhidos de Artur quando se desatasse. Era suficiente ruim que Sara e ele tivessem que estar ali—. Não, fique aqui. Cuide de sua família. Retornarei e lhe contarei sobre isto, quando estiver feito.
—Jura.
—Juro.
Jon mordiscou o lábio inferior, ocultou o olhar por um momento, depois finalmente disse:
—Bem, então está tudo bem.
Derik cambaleou pelo corredor. Tinha escapado desta! Jon sabia,tinha sido um estúpido ao tentar enganá-lo, mas o sensível bastardo o deixaria partir. Não era a primeira vez que Derik dava graças a Deus pela básica sensatez de Jon. Os homens lobo realmente tinham o melhor… Jon sabia que Derik iria honrar a sua palavra, e dessa forma uma desagradável briga de morte foi evitada. Bom negócio!
Ainda melhor, Sara e ele não tinham porque ter relações sexuais, o que era um fiasco para ele mas bom para ela, assim estava...
Deu umas batidas na porta e entrou no quarto de hóspedes, bem a tempo de ver Sara deixar cair o roupão e deslizar entre os lençóis. Conseguiu ver um atormentador brilho da pele cremosa e cachos vermelhos, antes de que ela se enfiasse sob a colcha.
—Aqui está, —sussurrou ela—. Feche a porta.
Ele fechou.
—Venha aqui.
Ele foi.
—Bem, vamos.
—Uh?
—Vamos terminar com isto. —Então enrubeceu até a raiz do cabelo—. Eu sinto muito, não quis que soasse assim. Mas façamos antes que seu amigo tenha mais suspeitas. Realmente me preocupei quando se afastou.
Ele estava tentando não balançar sobre os calcanhares; não conseguia afastar o cheiro de rosas de seu nariz. Não é que o desejasse. Só que melhor o fazia. Sim. Porque não...
—Uh... nós... uh...
Ela afastou a colcha, e pôde ver uma perna descoberta, dobrada pelo joelho, a pálida junta convidava a seus beijos, chamando...
—Venha —disse ela impacientemente—. Antes que perca a coragem , ou seu amigo tenha alguma idéia louca.
—Certo, —disse, e em aproximadamente seis segundos tirou a roupa. Ignorou a dor aguda, bem, a grande aguilhoada de sua consciência. Não foi tão difícil como acreditou que seria.
Seu joelho foi o que o matou. Foi tão erótico para ele como se tivesse deixado cair o lençol deixando ver seus seios. E seu cheiro. Seu doce e maravilhoso cheiro. Era como... como uma sobremesa.
Pagará por isso mais tarde, sua voz interior, a que soava irritantemente como Michael, informou-o. OH, menino, pagará.
Não duvidava disso. E não podia evitar. Estava a ponto de dançar talvez com a mulher mais perigosa do mundo...
...E não podia esperar.
Estou a ponto de fazer com um homem lobo. Um homem lobo. Outra vez! Sara continuou repetindo esse frase em sua cabeça, e continuou sem funcionar. Isto era mais estranho que a vez em que fez com o sujeito de UPS. Isso tinha sido como se um filme pornográfico ruim cobrasse vida:
—Tenho um pacote para você, senhora.
—Oooooh, um pacote! Traga aqui, garanhão.
E depois, naturalmente, nunca mais soube dele outra vez . Foi como se tivesse mudado de rota ou algo assim. Provavelmente tivesse feito. Mas de qualquer modo, isto superava aquilo por uma légua. Um homem lobo. Um homem lobo!
Dizer a si mesma que tudo isto era parte de salvar o mundo tampouco funcionou. A verdade era, que Derik era magicamente delicioso, e tinha toda a intenção de dar outra dentada. O fato de que tivessem que fazê-lo era a cereja do bolo. Um bolo grande, loiro e delicioso. Um grande, musculoso, incrivelmente forte, atraente e fabuloso bolo. Um...
Uau...
Ele se despiu em apenas meio segundo, e ela mal conseguiu dar uma olhada em seu corpo absurdamente perfeito, seu six-pack abdominal, as longas, longas pernas, o estômago plano, os volumosos bíceps, e um fabuloso pênis, o qual se sobressaía como se fosse alguma espécie de varinha mágica que concedia orgasmos, antes de que estivesse sobre ela.
—OH meu Deus, —disse ele, e logo sua boca estava sobre a sua, estava afastando a colcha bruscamente, enquanto sua língua entrava na boca dela, depois mordiscou a garganta e respirava profundamente, como se não pudesse ter suficiente de seu cheiro—. Ah, Jesus.
—Vai falar durante todo o tempo? Porque estou tentando pensar na Inglaterra.
—Sara, pelo amor de Deus, se cale, por favor.
—me obrigue.
Então deixou um rastro de beijos por sua garganta, clavícula e seios. Brincou com seus mamilos até que ficaram rígidos e duros, e agora era ela quem dizia alguns poucos:
—OH meu Deus.
Retorceu debaixo dele, tentando dar um melhor acesso, e agarrou em seus ombros, que estavam tensos pelo esforço.
Agora, ele estava beijando o estômago, e agora o púbis, beijava e tomava grandes baforadas de ar, e, extranhamente, estremecia como se tivesse febre. Depois subiu outra vez, segurando suas coxas e elevando as pernas sobre seus ombros.
—Sinto muito, —ofegou ele, nesse instante pôde sentir seu pênis entre as pernas, premente e implacável, para depois meter-se dentro dela.
Ela gritou pela surpresa, e depois gritou outra vez quando ele beliscou seu pescoço.
—Sinto muito, —gemeu ele outra vez.
E aqui veio a parte estranha. A parte estranha e excitante. Isto doía, com certeza. Estava apertada como o inferno. Tinha passado muito tempo para ela… a noite anterior não contava, isso era certo. Certamente, estava acostumada a mais de quarenta segundos de jogo prévio.
Mas adorava isto, também. Adorava que ele tomasse, que estivesse tão subjugado por ela que não pudesse fazer as coisas delicadamente. Ele precisava transar com ela, e assim o fazia.
E ela precisava transar com ele, e isso era o que obtinha.
Ele enterrou o rosto em seu cabelo e segurou mais forte suas coxas. A cama balançava e chiava. Sentiu a mudança nele quando aproximou seu orgasmo; os músculos, já rígidos pelo esforço, por um segundo pareceram ficar mais rígidos, depois estava estremecendo sobre ela, e depois tinha acabado, e não podia olhá-la.
—Bem, —disse ela, depois de ter gemido por vinte segundos.
—Juro para você, —disse ele, ainda sem olhá-la—. Juro que geralmente não sou tão mal na cama. Sou consciente que ouviu isso antes.
Ela riu; não pôde evitar.
—Tudo está bem. Parecia, ummm, como se precisasse fazê-lo.
—OH, precisava. E dentro de dez minutos, terei a necessidade de repeti-lo.
—Caramba, —disse ela secamente, ignorando o raio de excitação que isso provocou no estômago—. Mal não posso esperar.
—Boa tantativa, —disse ele, saindo de dentro dela e beijando-a profundamente, muito profundamente. Ele sugou sua língua por um longo minuto, depois acrescentou—: Mas sei que você gosta da idéia.
—Bastardo insofrível, —murmurou em sua boca.
—Deus, cheira tão bem. Ninguém já lhe disse antes? Quero dizer, realmente bem. —espixou-se, e a cama rangeu—. Deveriam engarrafá-la.
—Posso dizer com segurança que nunca antes ninguém, sugeriu me engarrafar. Assim, uhh, acha que Jon nos ouviu?
Ele vacilou.
—Bom, sim.
—Bem. Quer dizer, é arrepiante, e amanhã estarei viajando por isso, mas pelo menos você não terá problemas.
Outra estranha vacilação.
—Certo.
—O café da manhã será divertido, —murmurou—. Mas ao menos já esta feito, não é? Então, está bem.
Ele não respondeu, simplesmente virou e começou a beijá-la de novo, para depois lamber os mamilos pelo que pareceu uma deliciosa eternidade. Segurou o seio esquerdo e esfregou o polegar sobre seu mamilo uma e outra vez, enquanto lambia e beijava o outro, intercalando-os, até que gemeu e retorceu-se debaixo ele.
Ele desceu, acariciando com o nariz entre as pernas, separando suas dobras com a língua, explorando e lambendo, e de repente sua língua estava em seu interior, e ela quase bate contra o teto.
Acomodou-se entre suas coxas, procurou seus clitóris e o lambeu firmemente pelo que pareceu uma hora, até que ela esteve arranhando a roupa de cama, choramingando como um animal enlouquecido. Seu orgasmo a golpeou como um trem de carga, ele recuou, para imediatamente voltar outra vez, abrindo-a com as mãos e acariciando-a com a língua e até, mordendo-a muito, muito suavemente.
Quando outra vez a montou estava mais que pronta; envolveu-o com as pernas ao redor da cintura e já empurrava para cima antes que ele estivesse enterrado tudo dentro dela.
—OH, Cristo, —conseguiu dizer ele, e se segurou com as mãos, e foram um para outro por outra eternidade. Ela poderia gozar de novo se apertasse as coxas ao seu redor enquanto ele empurrava, e o fez, ele gemeu como se pudesse senti-la, senti-la gozando ao seu redor, e depois de um momento ela suplicou, suplicou que gozasse, e ele mordiscava o doce lugar atrás da orelha que ela ignorava. Ambos estavam tão escorregadios pelo suor que deslizavam um contra o outro, finalmente ela o mordeu na orelha, com força, e isso foi tudo, isso era o que ele precisava, e então tinham acabado, e tomou perto de dez minutos para recuperar o fôlego.
Quando o recuperou, disse-lhe:
—Isto não significa que estamos casados ou algo parecido, não é?
—Desgraçadamente, não.
—O que?
—Disse, que não.
—OH. Bem. Isso foi —O melhor de minha vida. Provavelmente o melhor na vida de qualquer pessoa. Bom trabalho, velho amigo!—, foi realmente genial.
—Sabia que seria realmente fabuloso, —disse suavemente, segurou sua mão, e beijou a palma.
—Mmm. Nossa como é vaidoso?
—Sara. Posso lhe perguntar uma coisa?
—Mmm.
—O que aconteceu à sua mãe?
Ela entrecerrou os olhos, tentando ver seu rosto na escuridão.
—Por que me pergunta isso?
—Não sei... algo que disse o Doutor Cummings. Na realidade, a maneira que reagiu a algo que disse. Fez-me perguntar isso —Oh. Eu sinto.
—Bem, ela morreu em um acidente estúpido. E foi culpa dela, não olhava por onde ia. E mais, cruzou a rua sem nenhum cuidado.
—OH. Sinto muito.
—Sabe, é ilegal por uma razão.
—Sim, bom. Bem, sinto muito, —disse outra vez.
—Obrigado. O que há a respeito de seus pais?
—Morreram ajudando o pai de Michael a tomar o controle da Manada.
—OH. Bem, pois minha mãe foi atropelada pelo caminhão do lixo. —Pausa—. Não é engraçado, Derik.
—Não estou rindo.
—É um grande mentiroso.
—Sinto muito, —disse ele, soando na verdade sincero—. Foi só... algo inesperado.
—O que foi realmente estranho foi que a cidade pagou. Quero dizer, eu não processei nem nada, simplesmente me deram um grande cheque. Bem a tempo, —adicionou sombria—, para pagar os primeiros anos da universidade.
—OH.
—Sim, foi como viver em “A Pata do macaco”. Uffff, Eu gostaria de poder ir à universidade... Plops, minha mãe estava morta e a cidade paga a escola. —Houve uma longa pausa.
- Isso sim que foi arrepiante.
—Eu que o diga —disse ela, e suspirou.
Mais tarde, Sara dormiu, com a pequena mão sobre seu peito. Derik ainda estava acordado, ignorando o clamar de sua consciência.
OH meu Deus, isso foi tão, tão fabuloso.
OH meu Deus, sou um filho da puta.
Mas estava tão bem!
E pagará por isso, cara de bunda. Que demônios vai dizer? E quando? Imbecil.
Tão, tão fabuloso. Como, há só uma vez na vida. E sua pobre mãe! Estou contente que confiasse em mim. Como seria viver com...
Mantenha-se concentrado. Imbecil.
E OH Jesus, seu cheiro, e a sensação dela, a forma que agüentou e choramingou e retorceu, a forma...
A forma que foi um idiota. A forma que não disse que não tinha que fazê-lo. A forma que não desejou passar outra noite sozinho.
Bem, olhe desta maneira, pensou. Talvez ela destruirá o mundo, e nunca terei que dizer que essa noite foi completamente desnecessário.
Que bonito, sua voz interior —a voz de Michael— disse sarcásticamente. Talvez trilhões morrerão só porque você não quer enfrentar a música. É um doente, amigo.
Derik rodou sobre si mesmo e viu Sara sentada na borda da cama.
—Já destruiu o mundo? —resmungou, esfregando o rosto com a palma da mão.
—Deixe de me perguntar isso. E a resposta é não. —Tomou um gole de café e sorriu—. Assim tem que se levantar.
—Auch, por favor…
—São dez da manhã! Estou bastante certa que os meninos bons não vadiam na cama, dando aos meninos maus muito tempo para fazer planos.
—Ummm… Posso tomar um pouco de seu café?
—Toque minha xicara e morre. Jon tem uma jarra inteira na cozinha. Além disso, pus uma tonelada de açúcar no meu, e você não gosta assim.
Bocejou.
—Como sabe disso?
—Presto atenção, cabeça oca. Ascende e brilha.
—Ummm… venha aqui.
Ela correu fora de seu alcance.
—Nada disso agora. É hora de ir. —Sorriu novamente. Supunha que se fosse um filme estaria banhado pelo sol e pareceria uma deusa brilhante, mas esta era a vida real, assim simplesmente estava realmente, realmente bem. Usava uma camiseta de pescoço em V cujo decote o atormentava, e quando sorria, seus olhos brilhavam e estavam como a parte profunda de uma piscina em um dia caloroso.
—Embora saiba jogar bem suas cartas, talvez devêssemos terminar o dia mais cedo.
—É um encontro —ele respondeu, saltou e em um segundo tinha rodeado a cama.
Ela quase derrama o café.
—Jesus! Dê-me uma advertência antes de fazer esse tipo de coisas.
—Espere até que tenha tomado meu café. Então saberá o que é bom. —Bocejou outra vez e coçou o traseiro, depois lembrou que havia alguém a quem queria impressionar no quarto e parou—. Dormiu bem?
—Depois que me deixou esgotada ontem à noite? Estou um pouco surpreendida de não haver deslizado em um coma por volta das duas da madrugada.
—Auchh —disse, e enredou um de seus cachos vermelhos no dedo- é muito doce.
Quando o deixou ir, ricocheteou batendo em um olho.
—Ohh!
—OH, merda! Sinto muito.
—Como momento terno —ela informou—, isso deixou muito a desejar. Vá tomar banho .
—Venha comigo. —Tentou enrolá-la.
—Esqueça- disse—. Melhor se apressar, ou acabará todo o café.
Estavam terminando de tomar o café da manhã quando Jon estalou os dedos, e disse:
—Esqueci. —levantou, saiu da sala, voltou—. Peguei isto para você quando saí —disse, e deslizou uma revista acetinada sobre a mesa.
—OH, amigo! Obrigado! Estava esperando por esta. —Para seu completo e absoluto assombro, Derik começou a folhear o último exemplar de “Cozinha Refinada”—. Nem sequer sei porque assino estas coisas, é realmente difícil esperar que venham pelo correio. Sempre termino comprando as dos quiosques, também. OH, bom, sempre posso vender as repetidas no EBay.
—O que acaba de acontecer? —perguntou ela.
—Se for ficar com Derik —disse Jon—, também deve ficar obcecada com a cozinha.
—O que? Sério? —Olhou ao grande e forte loiro que tinha em sua frente—. É um grande aficionado às coisas caseiras, não é?
—Não —disse Jon enquanto Derik estava absorto com um artigo sobre o coentro—, mas é um grande aficionado à cozinha.
—Só a compro pelos artigos —disse Derik na defensiva.
—Não notou a camiseta? —acrescentou Jon, referindo-se à camiseta preta de Derik com as letras em branco: LIBEREM MARTHA.
—Dificilmente poderia não notá-la- respondeu— mas pensei que era alguma coisa relacionada com homens lobos.
Jon soprou.
—Para nosso eterno alívio, não é.
—OK, isto é o mais estranho só que me aconteceu esta semana —disse Sara.
Derik fechou a revista de um golpe.
—Não posso me concentrar com vocês dois tagarelando como papagaios .
—Ei, ei! —Protestou Jon—. Cuidado com sua lingua.
—Sinto muito. Sara, está pronta para partir?
Ela piscou.
—Com certeza, acho, você está?
—Cozinharei para você algum dia . Depois não me incomodará mais.
—E me deixou trabalhar como uma escrava todo este tempo sobre uma ardente fogueira de camping?
—Preciso de meus instrumentos de cozinha para fazer verdadeiramente um bom trabalho —explicou.
—Genial. Ei, também adoro cozinhar. Enfim, temos algo em comum! Não é como um casal comprometido, não temos toneladas de coisas em comum —adicionou apressadamente, dando-se conta da gafe—. Porque realmente, absolutamente as temos. Temos toneladas de coisas em comum, literalmente toneladas.
—Essa é uma cova que você está cavando com a boca —observou Derik.
—É verdade —acrescentou Jon, resgatando-a—. Derik é um cozinheiro assombroso. Suas pizzas sem tomate a fariam chorar como uma menina pequena. Nem me faça falar de seus biscoitinhos de caramelo.
Sara não disse nada. Nem que sua vida dependesse disso, podia pensar em algo para dizer. Não que fosse uma espécie de chauvinista às avessas, todos “os homens não deveriam entrar na cozinha porque são muito grandes e fortes”, mas era difícil imaginar Derik com um avental com a legenda BEIJE O COZINHEIRO.
Os três permaneceram ao redor da mesa, Derik embalando a revista, e houve um longo e incômodo silêncio, seguido pelo som que fez Jon ao clarear a garganta.
—Bom, boa sorte, meninos.
—Obrigado por permitir que ficássemos —disse Sara dando um grande abraço—. E pelo , hum, o material de leitura.
—Certo , Sara, quando quiserem. —Jon estava olhando para Derik—. Tem certeza que não querem um par de mãos extra?
—Temos colher—respondeu Derik—. E ao dizer “o temos colher” é obvio que quis dizer, que vamos planejando no caminho.
—Mas não se preocupe —acrescentou Sara.
—Correto. Não o faça.
—Ao menos fiquem até que passe a lua cheia —pressionou Jon—. Descansem, planeje o resto do plano.
—Devemos nos pôr a caminho, Jon. Tudo sairá bem. Estaremos em algum parque estadual quando se manifestar.
—Não se esqueça de sua promessa —disse Jon.
—Voltaremos —disse Derik.
—Nesse sentido somos como os Terminators —acrescentou Sara perceptivamente.
Estavam em outro camping, tinham terminado de jantar e até tinham terminado de lavar os pratos. Nesse momento estavam sentados juntos perto da fogueira do acampamento, e quando Sara levantou o olhar ao rosto dele, notou que o fundo de seus olhos brilhava de uma cor verde amarelada. Era alarmante e ainda assim confortante.
—Sabe, a respeito de Jon, —começou a dizer.
—OH, bem, tinha a esperança de que começasse a falar a respeito de outro tipo.
Ignorou o comentário.
—Parece uma pessoa comum, sabe? Quero dizer, ao vê-lo, nunca pensaria, “Esse é um homem lobo, pegue a arma, pum”
—Cristo, espero que não. E suponho que tem sentido. Não há muitos de nós. E há toneladas de vocês. Assim imagino que nos misturamos bem.
—Quero dizer, vejo você todo o tempo, e me esqueço do que é, a não ser que faça algo que me lembre disso. Como esta manhã. Pisquei, e estava do outro lado do quarto; assusta-me.
—Não posso evitar —suspirou—, se for evoluído como um ser geneticamente superior.
—OH, cale a maldita boca. Escute, qual é a verdadeira razão de que esteja evitando a sua família? A Manada?
—Como?
—Bom, parece muito preocupado de que nos encontrem, mas não só porque tentarão me matar. Assim o que está acontecendo?
—É… um pouco complicado.
—Derik…
—Bom… sabe o que é um Alpha, não é? Como o chefe de um grupo? E nossa Manada tem um Alpha. É Michael. O que é totalmente adequado. Mas às vezes… às vezes os alphas não nascem, tornam-se. E não sei como aconteceu, mas nas últimas semanas desejei… desejei coisas que não mereço. Ao menos eu acredito que não mereço isso. E fui antes de que as coisas ficassem… bom, já sabe.
—OH.
—Não posso retornar para casa. Assim, —acrescentou, forçando a alegria—, deu no mesmo, que surgisse todo este assunto de salvar-o-mundo, entende?
—Bom, o que não entendo é…
—Podemos mudar de tema?
—Uh… certo. Então, qual é o plano para a noite de amanhã?
—Antes ou depois de que tenhamos um ardente e selvagem sexo misto.
—Poderíamos falar seriamente? Embora seja por trinta segundos? É muito pedir isso para você ?
—Não posso evitar preferir imaginar você nua do que falar a respeito de nossos sentimentos ou o que seja.
—Nem sequer estou falando de sentimentos, estúpido! —Viu que estava encantado por havê-la importunado até que gritasse—. Muito engraçado. Vai responder a pergunta?
—Bom. Devemos nos assegurar de estar fora do caminho antes de que desça o sol, isso é tudo. Eu mudarei, você dormirá, provavelmente lhe traga dois coelhos e depois me sentarei perto do fogo blah-blah.
—Blah-blah. Esta é a conversa mais surrealista que tive em minha vida, —anunciou—. E em caso de que não tenha dado conta, foi uma semana tremenda para mim, Você sentará perto do fogo? Como um bom moço? Devemos parar e comprar alguns Milk Bones?
—Sabe, —grunhiu—, algumas pessoas se sentiriam nervosas a respeito de passar a noite no bosque com um homem lobo.
—Algumas pessoas fazem armadilhas em suas declarações de impostos. É um mundo estranho. —Deslizou a mão sob a camiseta dele. Sua camiseta de apoio a Martha Stewart. Melhor não seguir por esse caminho, se quisesse continuar excitada—. Assim, uh, tem planos para o resto da noite?
—Bom, estava pensando em saltar sobre seus ossos e depois dormir um pouco.
—Excelente! OH, espere um minuto, não sou tão fácil. —Demônios, duas noites atrás estava fervendo… bom, um pouco…contra fazer amor com um perfeito estranho. Embora Derik estivesse longe de ser perfeito—. Que demônios. —suspirou enquanto ele se inclinava e mordiscava sua garganta—. Sim, sou. A propósito, estou tomando pílula. E assumo que não tem nenhuma enfermidade, sendo um ser genética e irritantemente superior e tudo isso.
—Pílula? —Fez uma pausa na metade de um mordisco—. OH. OK. Isso está bem.
Não soou como se realmente pensasse que estava bem. De fato, soou como se pensasse o oposto.
—O que? Acaso quer que eu fique grávida? —brincou.
—Não, não.
Estranho. Porque soava como… desiludido? Talvez era uma coisa cultural. Pensaria nisso mais tarde.
Deu um tapa para espantar um mosquito e devolveu o beijo, deleitando-se na sensação de seu duro estômago sob seus dedos, a forma que seus tensos músculos ondeavam baixo…
—Ouch, maldição!
—O que? O que?
—Estão me comendo viva.
—Sim, sei, —murmurou em seu ouvido—. E se me der um minuto mais, vou a…
—Refiro aos insetos, idiota.
—OH.
—Onde está o repelente?
—O veneno em lata? Não. Não, Sara. Por favor, —implorou enquanto ela levantava para procurar o alívio—. Não ponha essa coisa no corpo. Por favor!
—Derik, —disse, exasperada—. Amanhã serei só uma grande picada de mosquito. Sinto muito se você não gosta do cheiro, mas…
—Vamos para a caminhonete, —sugeriu.
Fez uma pausa e bateu em outro vampiro voador.
—Boa idéia.
No minuto seguinte, estavam se tocando e gemendo no assento dianteiro.
—OH, Deus…
—Ummm…
—OH, isso é agradável… aqui… se mova para aqui.
—Ah… ooooh.
—Sim, assim… OH Deus.
—Ooooh, carinho.
—Isso foi um Ouu!
—O que?
—A alavanca de mudanças está cravando em meu pescoço… assim. Um. Ok, isso está melhor. Mova sua mão um pouquinho para a… sim. Oooh.
—Mmm.
—Ouu!
—O que?
—Seu pé está enroscado em minha camiseta.
—Sinto muito…
—Assim está melhor… se… um… aqui, levante… um pouco mais.
—OH, Cristo
—Sim.
—Não pare.
—Bom, não… Ouu!
Ele suspirou.
—O que?
—O que, o que? É minha cabeça a que está no chão, e você está confuso? —soprou o cabelo fora dos olhos, mas devido a sua posição com a cabeça para baixo, só voltou a cair sobre eles—. Parece um mistério o motivo pelo qual estou protestando?
—Sinto muito. Como é isso?
—Derik, isto não está funcionando.
—De que está falando? —Estava ofegando, desarrumado, nu da cintura para abaixo. Riria se não estivesse tão incômoda—. Está bem.
—O que está acontecendo, está drogado? Está, não é assim? E nem sequer está compartilhando a droga boa.
—Você é quem possui uma revista de receitas. Além disso, o que acontece é que não está se dando uma oportunidade.
—Seu pé estava sobre minha camiseta. E agora tenho uva passa cobertas de chocolate no cabelo.
Ele estalou em gargalhadas.
—Está bem, está bem. Você ganhou. Vá pôr o fodido veneno em você.
—Esqueça. Simplesmente deixe por esta noite.
—Auch, homem… —destacou o pênis, que estava muito feliz de vê-la—. Estou em uma posição incômoda, como viu.
—E o que? Sua ereção desaparecerá. —Sorriu com ástucia—. Já sabe, eventualmente.
—Auch, Sara… está me matando. Quero dizer, sinceramente me matando. Penso que sua sorte vai conseguir que minhas bolas explodam.
—Sim, sim, chore um rio de lágrimas. —Fez uma pausa. Realmente estava patético—. Talvez possa ajudar.
—Por favor? —ele implorou.
Mexeu e retorceu por todos lados e finalmente encontrou uma posição que não desse vontade de gritar de dor. Tirou-o da base, e o acariciou para cima e para baixo, depois se inclinou e lambeu a gota perolada da ponta.
—OH meu Deus, —ofegou Derik, seus quadris empurrando para ela—. OH, Cristo, não pare.
Lambeu e acariciou e voltou a lamber um pouco mais, e depois pôs a mão na nuca e percebeu seu esmagante poder, um poder ferozmente controlado, escutou seu gemido.
—Não pare… não… não… —logo estava pulsando dentro de sua boca.
—Aarghh! —disse ela um minuto mais tarde, enquanto ele estava ofegante e frouxo como um macarrão—. O que estive comendo?
Ele revirou os olhos até que encontrou o seu olhar.
—Poderia me deixar aproveitar o momento? —suspirou.
—Vá atirar-se no lago, —respondeu—. Literalmente.
Sara continuava o olhando pela extremidade do olho, mas o fazia com muita freqüência, porque finalmente Derik, exasperado, disse:
—O que?
—Sinto muito.
—Posso lhe dizer que quando mudar, definitivamente saberá. O que lhe parece isso? Assim pare de me olhar dissimuladamente; está me provocando alguns endemoninhados calafrios.
—Dá um tempo, —disse, ligeiramente à defensiva—. foi uma semana estranha. Não posso evitar estar um poquinho nervosa.
—Bem, não fique. Nunca lhe faria mal.
—Não, só me mataria.
—Sim, mas não haveria dor, —disse naturalmente.
Verdadeiramente podia sentir seus olhos inchando quando começou a subir a tensão arterial.
—OH meu Deus, fala sério!
Ele só a olhou.
—Está bem, bom, agora pode ir correr pelo bosque, —disse ela—. Estou de saco cheio outra vez.
—Em alguns quantos minutos. —O céu tinha um magnífico resplendor de rosas e vermelhos… tudo um verdadeiro e assombroso pôr-do-sol. E estava muito amolestada e assustada para poder apreciá-la—. Está bem?
—Com certeza. Com certeza que estou. —Deu um olhar furtivo em seu relógio de pulso. Tinha sido um dia muito longo… e o tinha passado olhando fixamente através da janela, à lua. A noite passada… demônios, a noite na casa de Jon, parecia que tinha sido há mil anos.
—Olhe, tem tudo preparado aqui, não é? Só permaneça na caminhonete. De qualquer forma, provavelmente fique perto. Deixe de olhar o relógio, está me deixando louco.
—Sinto muito, —disse, e como em um sonho mal, seu olhar se moveu para seu relógio outra vez—. Então, como é isto, muda no pôr-do-sol como em um Calendário Farmer? Ou na total escuridão? Porque se por acaso não sabe neste momento há lua cheia.
—Sei, —disse, e sua voz soou... rouca? Voltou a olhar furtivamente e notou que estava olhando sonhadoramente para ao céu—. Do por do sol ao amanhecer. É quando corremos com Ela.
—Oook. Estarei enrolada em meu saco de dormir precisar de mim. —Começou a caminhar para a caminhonete, e tão rápido como o pensamento, ele a reteve gentilmente pelo braço. Suas unhas, advertiu indiferentemente como se estivesse drogada, eram muito longas, e curvadas.
Certo, era como estar drogada. Estava assustada, e seu cérebro tentava ajudá-la a tratar com este medo sobrecarregando sua capacidade de análise.
OH, pelo amor de Deus, Sara! Era Derik, e deixando de lado a primeira má impressão, morderia a propria mão esquerda antes de feri-la.
Isso era verdade, e se sentiu melhor, inclusive a visão dessas unhas... garras, realmente... transtornava-a um pouco.
—O que? O que aconteceu?
—Permaneça na caminhonete, —disse outra vez, e isto não foi sua imaginação; estava falando com dificuldade.
—Bem —ela disse—. Já me disse isso, mas está bem.
De repente estava beijando-a, quase devorando-a, sua língua estava em sua boca, e a estava levantando, seus braços a envolviam estreitamente. E parecia... maior? Era isso possível? Ou talvez só parecia, devido que estava tão perto da mudança.
Sua boca desceu para a garganta... e espantosamente recuou bruscamente.
—Bem, —disse, quase ofegando—. Isso foi... mmmh, interessante. Poderia soltar meu braço agora?
Ele soltou, enquanto tirava rapidamente suas roupas, de fato, a única vez que o viu despir-se mais rápido foi quando estavam a ponto de ter sexo pela primeira vez. Tinha sido só anteontem?
—Calma, —ele disse, quando os botões da calça Levis saíram voando. Ouviu algo... Estava cerrando os dentes?
Não; estava mudando. Se tivesse piscado teria perdido. Caiu sobre suas mãos e joelhos, e seu loiro cabelo cresceu, suas unhas se cravaram na terra do camping, e depois viu um enorme lobo observando-a, um lobo com a pelagem da mesma cor do cabelo de Derik, um lobo de olhos verdes como abajures na escuridão.
O lobo se inclinou para frentee, e ela se agachou —para ele— e ele a acariciou com o nariz, um rápido beijo com o focinho, e depois escutou um grunhido provindo dele e virou tão rápido que esteve a ponto de perder o equilíbrio.
Havia um lobo pequeno no limite de seu acampamento, titubeando como se pressentisse a fronteira de seu território. Este era preto como carvão, com os olhos amarelo-dourado de um gato manchado. Era muito pequeno, realmente muito pequeno; Derik deixou de grunhir e galopou em sua direção, era assombrosamente maior que o outro lobo.
Cheiraram um ao outro, e advertiu que Derik estava cômodo com seu enorme tamanho, e tentava acalmar seu companheiro, também. Este era quase tímido, recuava mas não escapava.
Nesse instante se deu conta: O outro lobo era uma fêmea. E eles se foram... foram juntos! Sem sequer olhar para trás, essa peluda prostituta se foi e apanhou seu pseudo assassino/noivo/falso prometido.
—Bom, merda, —disse, e chutou um dos aros da caminhonete.
Na manhã seguinte Derik circundou o camping, atraído pelo cheiro do toucinho frito. Estava tão feliz, e de tão excelente humor, que levou um momento para se dar conta que algo andava mal.
Achou que deveria ter previsto. Ela era humana, embora fosse uma humana extraordinária. Converteu-se em lobo diante seus olhos. Isso deveria ser provavelmente muito estranho para ela. Tinha pensado ir ao bosque uma meia hora antes do ocaso para evitar esse espetáculo, mas no final tinha mandado a merda a idéia. Porque isto era parte de quem era, e se não gostasse, estavam em apuros.
Mas era mais que isso: quis que ela o visse. Visse tudo dele, e que não tivesse medo.
—O que está errado? —perguntou finalmente, decidindo agarrar o touro pelos chifres.
—Nada.
—OH. Está, uhh, zangada por alguma coisa?
—Não, —mentiu.
—OH. —Bendito Deus, não tinha a menor ideia do que fazer. Estava mentindo, e ele sabia que mentia, e ela provavelmente sabia que ele sabia que ela mentia. Assim que merda?—. Umm, ontem à noite foi tudo bem?
—Genial.
—Isso é bom. —Dizia que ela estava mentindo? Ou ignorava o fato que estivesse mentindo? Dizer mas ao mesmo tempo desculpá-la por mentir? Mentir por sua vez?
—O que? Está zangada porque não lhe trouxe um coelho? Pensei nisso, mas para ser honesto, esfolar e limpar um seria um trabalho muito aborrecido, e não acreditei que você...
—Na verdade, não me importa, Derik.
—OH.
—Então, —grunhiu, atiçando o fogo.
—Então, o que? —Ele se estirou, sentindo-se agradavelmente cansado—. Ficou um pouco de toucinho?
—Sabe condenadamente que sim, —disse bruscamente—. Onde está seu-saco-de-pêlo?
—O que? —levantou, desconcertado. Não estava brincando. Para nada. Estava de saco cheio. Cheirava exatamente igual à uma fogueira—. O que? Despertou com uma aranha sobre você? O que está acontecendo?
—Essa prostituta cheia-de-pêlo com quem foi ontem à noite, como se não lembrasse. Isso é o que está acontecendo.
—Prostituta-cheia -de-pêlo… OH, refere a Mandy?
—Mandy, —mofou-se ela.
—Ela não é uma prostituta-cheia-de-pêlo, —disse na defensiva—. Possui sua própria firma de contabilidade. E não está aqui. Foi para casa.
Ela sacudiu a espátula para ele, e ele teve que evitar as gotas de gordura quente.
—Olhe, tudo o que quero é a verdade. Só me diga a verdade, Está bem? Prometo que não me zangarei.
—Mas já esta zangada, —disse, perguntando-se se poderia arrastar-se debaixo do fogo. A verdade era, que tinha uma espécie de mórbida curiosidade... que efeito teria sobre ele seu poder se só estava zangada, mas sem necessidade de defender sua vida? Talvez só lhe desse caspa, ou torcesse um tornozelo—. Muito, muito zangada.
—OH, cale-se. Fizeram, ali, no bosque?
—Fazer... OH. OH! —riu com alívio, e depois agachou para evitá-la quando tentou cravá-lo com a espátula—. Sara, por favor. Mandy tem um companheiro. Só nos juntamos para caçar. Lembra: há muitos mais de sua espécie que da nossa. É realmente estranho encontrar com um dos nosso no bosque. Assim trabalhamos em equipe. Estava sozinha, porque seu companheiro ficou em casa com os cachorrinhos.
—Hmm. —Estava olhando com os olhos entrecerrados, mas podia jurar que se sentia melhor.
—Não posso acreditar nisto! Esteve ruminando sobre isto toda a manhã? —Estava tentando parar de rir; já que isto não contribuía em nada para acalmar seu aborrecimento.
—A bruxa mais poderosa do mundo com ciume de uma contadora?
—Não estou com ciume, —murmurou—. Só queria saber, isso é tudo.
—Bem, agora sabe. E a propósito, obrigado pelo voto de confiança. Sim, nós os homens lobo somos tão putos que fazemos com qualquer uma que tenha quatro patas.
—Não quis dizer isso, —resmungou.
—Sim, com certeza não o fez.
—Bem, sinto muito, —grunhiu.
—Além disso, agora eu não iria com outra fêmea. Eu... —Fechou a boca com um estalo.
—Você o que?
—Tenho que comer um pouco de toucinho, pronto. Morro de fome!
—E o Universo, —disse Sara secamente—, se realinhe.
—Sério, —disse ele depois de um momento. Esse momento foi realmente ridículo.
—OH, cale-se, —disse, mas ele sabia que já não estava zangada. Embora não tivesse cheirado a rosas outra vez, preparou todo um monte de toucinho, só para ele.
Estavam em São Louis, e para falar a verdade, Sara estava condenadamente farta da caminhonete. E farta de dormir ao ar livre. E farta do cheiro de fogueira do camping, de como pregava em seu cabelo, roupa e pele.
E realmente, realmente farta de toucinho. Derik, aparentemente, podia comê-lo em cada comida. Ela não.
Mas nada disto interessava, nada disto era importante, porque, até farta como estava de todo o assunto, não queria que terminasse. Queria ficar desta maneira com Derik —neste limbo de aventuras— para sempre.
Porque acabasse o mundo, ou não, de qualquer modo, Derik sairia de sua vida.
Inaceitável.
Que bom, disse. Postergando a salvação do mundo para poder conseguir transar algumas poucas vezes mais. Muito bonito.
—Estamos na metade do caminho —disse Derik.
—Uf.
Certo. Porque encontrava um amante homem lobo todos os dias. Por que não deveria desejar me agarrar a um pouco de felicidade?
Tossiu.
—Escute, há um plano para quando chegarmos? Em todo caso como faremos para encontrar esses sujeitos? E depois, uma vez que os encontremos, o que faremos?
—Achei que sua sorte nos ajudaria a localizar eles. Merda, provavelmente tropeçará e cairá sobre o líder e acidentalmente lhe dará um abalo cerebral letal. Quanto ao resto... posso me encarregar do resto.
—Não tem nem idéia de qual é o plano, não é?
—Não importa —disse ele, o que a fez soltar uma gargalhada.
—Está bem —disse ela—. Temos um pouco de tempo para trabalhar nisso, graças a Deus.
—Mmm. Escute, este assunto da Morgana O Fay... talvez se os Idiotas de Artur souberem que é uma garota o suficientemente boa, deixarão de tentar matá-la. Quero dizer, só contamos com a palavra do doutor Cummings dizendo que eles são os meninos maus.
—Isso e o que vi com meus próprios olhos no hospital —indicou ela.
—Ah, é verdade. Bem, como disse, talvez uma vez que souberem que não é má, esqueçam de todo o assunto.
—É talvez —acrescentou ela perceptivamente—, conseguirei pôr em dia com minha ação dessa semana. Mas provavelmente não.
—Brincadeiras a parte. Todo o assunto de Morgana se deve que era malvada, má, bla-bla-bla, mas você não é assim.
—Todo o assunto de Morgana, como você tão aborrecidamente o chama, é que Merlín a traiu, judiou de sua família, destruiu sua família, e depois de fazer tudo isso partiu.
—Ah. —Ele fez uma pausa—. Seriamente?
—Escute, sem sua interferência, poderia ter sido a grande campeã de Artur. Realmente poderia sim. Mas foi totalmente fodida, não só pela vida real mas também, também pela história. São os homens que escrevem os livros de história —acrescentou imparcialmente—. Assim naturalmente sua interpretação do assunto, foi que Morgana era uma malvada, terrível e diabólica, bruxa que destruiu Artur só porque podia fazê-lo. Mas isto não é verdade certa. Armaram uma armadilha para destruí-lo. E então ela o fez. Mas se as coisas tivessem sido diferentes...
—OH!
—Se ela tivesse tido uma vida familiar normal... uma educação normal... quem sabe?
—Uh
—Esta é a parte onde diz: “nunca vi algo assim”.
—Bom, nunca o fiz.
—Exatamente. Homens. Quero dizer, não estou de saco cheio por isso nem nada, porque você não pode evitar de pensar todo o tempo com seu pênis…
—Contanto que não encha seu saco.
—Pare a caminhonete! —gritou repentinamente, e Derik pisou no freio. Sara quase se estrangulou com o cinto de segurança, mas finalmente se livrou dele lutando e abriu a porta. levou a mão para trás, pegou a grande bolsa de lona que usavam como mala comunitária, e disse—: Venha.
—Venha, o que?
—Confie em mim.
Ela correu para... a Estação de Amtrak, Derik percebeu tardiamente. Correu atrás dela.
—Um trem? —gritou—. Quer pegar um trem? Por que não disse antes, assim que começamos a ver trens?
—Não sei. Estou farta dessa caminhonete —explicou, entrando na concorrida estação.
—Aposto um milhão de dólares que podemos encontrar um trem que vá a Boston. Podemos viajar nele em vez de dirigir.
—Um de nós estava viajando em vez de dirigir.
—Isso é porque você é um monopolizador do volante. Não me deixou dirigir depois da única vez.
—Não pode dirigir com um câmbio manual.
—Também posso com isso!
—E o carro corcoveava todo o tempo.Explique outra vez por que acontecia isso? E o que estamos fazendo procurando um trem?
—Não sei —disse—, mas penso que isto vai bem.
—Quando não temos passagens?O que estou dizendo. O condutor não olhará em nós, ou vai querer as passagens, porque sua esposa o abandonou esta manhã, ou todo o sistema de condutores de Amtrak cairá, e estarão muito entretidos para preocupar-se com dois estranhos em um trem.
—Exatamente.
—Então, isto é como uma espécie de instinto?
—Exatamente.
Seguiu-a enquanto passava pela bilheteria.
—Está bem.
Ela virou para olhá-lo por cima do ombro.
—De verdade, pensa que está bem?
—Sim. Sou um tremendo crente do instinto. Além disso —ele sorriu—, ainda não nos conduziu errado.
—Sabe, poderia me acostumar a isto —disse Derik, sentando no beliche junto à Sara, que se apoiava sobre um cotovelo, e olhava através da janela—. Não tem ingresso nem dinheiro? Nenhum problema!
—Perguntava-me se funcionaria, —disse ela, sem olhar ao seu redor—. Estava farta de meu poder,meu o-que-seja, fosse passivo, sabe? Queria comprovar se poderia fazê-lo funcionar.
—E o fez.
—Eu… Acredito que o fiz…
—E me diga, carinho, pode ver algo ali fora?
—Eu não posso, —disse olhando sobre o ombro e sorrindo. Era ridículo que tivesse um sorriso tão sublime—. Venha aqui e me conte.
Acomodou-se atrás dela e deu uma olhada sobre sua cabeça, através da janela.
—Bem… isso é uma fazenda… E isso ali é outra fazenda… Ahh, esse é um rebanho de vacas, meio adormecidas… mmm… vacas.
—Não comece, acaba de comer.
—O que é isso de “acabo”? Faz meia hora. OH, agora olhe ali, a terra esta diminuindo, provavelmente porque… sim, há um rio… Pode ver essas luzes, não é? Provavelmente um povoado na margem direita do rio. Onde infernos estamos?
—Em algum lugar do Meio Oeste.
—Bem, —disse ele, acariciando sua nuca com o nariz—, isso é algo mais preciso.
—Dou-me por vencida, minha cabeça é um caos, não sou um atlas caminhante. Sabe, amanhã a esta hora, poderíamos ser pisoteados pelos Os Escolhidos de Artur.
—Que pensamento alegre. Obrigado por mudar de tema.
—Tudo poderia terminar em um dia ou dois —disse ela, soando extranhamente neutra—. Isso acredito.
—Sim. Tudo terminado. E um dos dois, o fim do mundo ou retornamos a nossas vidas.
—Sim, —disse ela.
—Umm… Sara… isto lhe soará tolo... e um pouco atrasado…
—Obrigado por deixar que me preparasse.
—…mas na verdade estou passando um grande momento com você. Eu… eu de certa forma não quero que termine.
—Idiota, —disse ela, e se surpreendeu quando viu que estava chorando.
—O que? Jesus, não faça isto. Fico louco quando o faz. Embora na realidade, é a primeira vez que a vejo fazê-lo, e definitivamente me deixa louco.
—Cale-se! —soluçou ela—. Fala muito.
—Sara. O que está errado? Além disso, mmm, de tudo…
—Com isso de tudo —disse ela, secando os olhos—. Tudo. Não quero que isto termine. Preferiria ficar neste trem para sempre antes que lutar e implantar o caos, e talvez morrer ou que talvez o mundo se acabe, ou que você morra.
—Tudo ficará bem. —Disse ele com uma total falta de convicção.
—É um péssimo mentiroso. Na verdade. É o pior que conheci.
—O que posso dizer, não nascemos para isso. Não como seus meninos. Seus meninos são todos peritos, —disse ele, tentando animá-la—. O Homo Sapiens é a espécie mais falsa e rapina sobre o planeta…
—Cale-se. E há… pensou sobre… quero dizer, o que acontecerá se estiver errado?
Ele aproximou-se mais perto dela na beliche.
—Não tenho a mais puta idéia do que esta falando, querida menina.
—Talvez devesse me matar esta noite —disse ela em voz baixa, e ele quase caiu do beliche—. E salvar o mundo.
—Tolices!
—Não grite, estou bem ao seu lado.
—Não é malvada, Sara. Nem sequer um poquinho malvada. Assim como pode destruir o mundo?
—E se não for um ato consciente?
—E o que é?
—Deixe de fazer isso, —disse bruscamente ela—. Não chegaremos a nenhuma parte desta forma.
—Exato. Por isso deixe o tema, está bem? Não passei por toda esta merda para matá-la agora. Além disso, —asseverou—, provavelmente não poderia, lembra? Quero dizer, realmente não pude. Além de me sentir realmente mal a respeito disso e não seria capaz de tentar outra vez.
—OH. Isso é verdade, —disse ela, mais animada—. Seu coração provavelmente explodirá se tentar.
—Sim, assim deixe de chorar, bem?
—Feche a maldita boca e me beije. Idiota.
Ele fez, e ela devolveu o beijo, ferozmente, quase desesperadamente e ele cheirou seu temor e ansiedade, e a tranqüilizou o melhor que pôde com sua boca e mãos. E depois de um momento, sua ansiedade se transformou em luxúria, acendendo a dele.
Despiram-se e se aproximaram um do outro, sussurrando, mordiscando, provocando, suspirando e perto da culminação, ele fechou os olhos e aspirou seu perfume, balançaram juntos enquanto o trem atravessava o Meio Oeste.
—Se lhe disser algo, —disse ele, quando estava distraída —. Tem que me prometer que não se incomodará.
—Pode soar mais como uma garota adulta? O que? O que aconteceu?
—Tem que me prometer que não se zangará.
—Sempre que uma pessoa diz isso, é que quer dizer “você vai se irritar como o inferno, assim esteja alerta”.
—Sim, bem, tem que me prometer que não se incomodará…
—Não.
—Não?
—Assim é.
—Merda. Sara. Tenho que lhe dizer isto. Quer dizer, isto esteve, como, me perseguindo.
—Então me diga.
—Mas não quero que se zangue, —queixou-se ele.
—Pois se agüente!
—É injusto. —Tomou um profundo fôlego, o beliche era tão pequeno que ela podia sentir seu peito elevando-se—. Bem. Não tínhamos que ter feito sexo na casa de Jon. Ou na noite anterior, no bosque.
—Não tinhamos o que, o que e onde?
—Não tínhamos que ter feito sexo. Ele sabia que você não era realmente minha prometida.
—E você guardou este pequeno dado para você sozinho, por que…?
—Bem, porque desejava me deitar com você, —disse ele razoavelmente—. Logo, Auchhh!
—O que? Não pus um dedo sobre você.
—Auchh, maldição, Sara!
—Imbecil! Inseto! Idiota! OH, merda! —Quando pensou na forma em que se lançou contra ele… tirando-a roupa e afastando a colcha como uma experiente puta… dizendo a si mesma que o que estavam fazendo era por uma boa causa… estava furiosa e envergonhada.
E o que dizia isto a respeito dele, que simplesmente tinha mentido e que alguma vez havia dito a verdade? Outro fato que demonstrava que era um mentiroso, hipócrita e um oportunista…
—Aiiiiiiiiiiiiii!...
Bastardo.
Do que se queixa? —gritou ela—. Nem sequer comecei. Filho da puta! Pedaço de merda! Você…
—Ouu, meu fodido saco! —agarrava a virilha e se balançava de trás para frente, tanto como o apertado beliche permitia—. Sara, pode parar com isto?
—Parar o que?
—Acalme-se! —suplicou—. Por amor aos nossos futuros bebês.
—Disse, não estou fazendo nada. —Mas o estava fazendo? Certamente estava o suficientemente zangada para imaginar um desastre relacionado com uma virilha. talvez mais que um.
Embora seus uivos de dor estavam fazendo maravilhas por seu humor.
—Deixe de se queixar
—Auch, ughh, auch! OH, céus —gemeu ele lastimosamente—. Acredito que meu testículo acabam de explodir.
—Que sirva de lição —disse bruscamente ela.
—Digo sério, Sara. É a pior dor que já experimentei.
—Bem.
—Olhe, sinto muito. Está bem? Realmente, realmente, realmente, realmente sinto muito. Já o lamentava antes de que batesse em minhas bolas.
—Eu não...
—É so que, não podia deixar isto pendente entre nós por mais tempo. Especialmente não depois do que disse, sobre que amanhã pode ser o grande dia, sabe?
—Então o que? —disse ela zangada.
—Então queria dizer isso
—Não o fiz.
—Com certeza, o fez.
—Sim, mas prometeu que não se zangaria.
—Não o fiz.
—Está bem, bom, teve sua revanche, correto? —cautelosamente tocou a si mesmo—. OH, garota. Acredito que estou fora das Olimpíadas Sexuais por um tempo, Sare-Bear.
_Você merece —disse ela outra vez, e deixou cair sobre seu flanco, afastando, mais que possível dele, o qual não era muito.
—Sem vergonha.
—Auch, vamos. —Tentou convencê-la de que sentia muito. - Não é minha culpa que desejasse tanto transar, que estava disposto a…
—Não está ajudando a sua causa —grunhiu ela, mas quando ele se encolheu contrito atrás dela, permitiu-o.
—Ah, Boston, o doce cheiro de... Sara, Que demônios!
Tinha tropeçado, e ele estava seguindo-a tão perto, que caiu esparramado sobre os degraus e sobre ela. Deu uma porrada contra a plataforma que fez com que ele desse um pulo e que ela mordesse a língua, fortemente.
—Ouu! —choramingou desnecesariamente—.Eu mordi a lingua!
Derik deu a volta, tão rápido como um gato.
—O que, você o que?
—Minha lingua !Eu mordi ! —Ela a tirou, cruzando os olhos tentando ver—. Está sangrando?
—Não —disse, pegando ela para pôr em pé e ignorando os curiosos olhares de seus companheiros de viagem.
—Você nem olhou!
—Sara, se estivesse sangrando, saberia. Agora qual é o problema?
—O problema é que tropecei com meus proprios e ... aiiii!
Havia dito "aiiii" porque ele a segurou pelo cangote e arrastando de volta ao interior do trem, empurrando brutalmente os passageiros fora de seu caminho e escondendo-se atrás da janela.
—O que? O que está errado? São os Escolhidos de Artur? Estão nos esperando, são eles não é? —Arranhou freneticamente dentro de seu bolso, encontrando um lenço, com o qual deu ligeiros toques na sua língua, procurando sangue, depois voltou a presente situação—. São eles, não é ? É incrível como a morte iminente afastou totalmente de minha mente a minha língua dolorida. A qual ainda me dói uma barbaridade, são os Escolhidos, não é assim?
—Pior —disse sombríamente, espiando pela janela—. É o líder de minha Manada e sua esposa.
—Verdade? Mais homens lobo? OH, isto é tão genial. E aterrorizante. Onde?
—Agache-se, idiota.
—Idiota? O que lhe parece ter outro testículo quebrado?
Ele estava ignorando enquanto espiava pela janela.
—Eles estão a favor do vento... graças a Deus. Mas como demônios sabiam que estaríamos aqui, nesta estação de trens em particular, neste preciso momento... Anto... nia.
—Não acredito, —disse Sara, levantando o olhar do piso—. Pelo que me constou, soou como se fosse guardar o segredo.
—De que outra forma pode explicá-lo?
—Bem. Pode ser por minha causa. Quero dizer por meu poder.
—Talvez. —Ele espionou através da janela outra vez—. É possível? Sua sorte os atraiu aqui? Mas como pode ser? Se Mike a vir, tentará matá-la, e Jeannie o apoiará. Quero dizer, Mike é um bruto, mas Jeannie está demente, especialmente quando esta grávida. Então por que sua sorte a poria nesta posição?
—Realmente está mantendo uma conversa comigo? —perguntou—. Ou só está pensando em voz alta?
—É que não tem sentido —continuou—. A essência do assunto é que estamos tentando evitar a minha Manada. Então o que os traria aqui agora, justo quando estamos a ponto de ir atrás dos meninos maus? Por que estão aqui?
—Por que não pergunta? —respondeu Sara. Então fez gestos com as mãos, olhando atrás dele—. Olá, tudo bem.
—Não a mate! —gritou, antes de virar completamente.
—É agradável vê-lo, também, Derik —disse Michael, seus amarelos olhos cintilando com diversão. E... Algo mais. Surpresa? Não. Comoção. Ambos estavam consternados, e alertas.
—Uh...
—Esta é a parte onde diz, “eu posso explicar” —disse Sara amavelmente.
—Certo como a merda que é isso que espero —disse Jeannie. Estava tão espetacularmente magnífica como de costume, com os desordenados cachos da cor-do-sol que chegava até os ombros, o nariz sardento e o olhar da cor de aço. Assustadora e bela, a companheira perfeita para seu Alpha. Nesse preciso momento estava mordiscando nervosamente o lábio inferior—. Comece a falar, ou começo a atirar.
Sara estava se pondo de pé lentamente.
—Meninos ouviram tudo isso? Já sabem O que estava balbuciando enquanto caminhavam atrás de nós? Porque tenho um pouco de curiosidade, também. Não é que não seja agradável conhecê-los. Porque é, estou certa. Mas o que os traz por aqui?
Jeannie e Michael olharam um ao outro, e depois olharam Sara.
—Despedíamo-nos de uma amiga. Não gosta de voar. Então a vi, assim viemos.
—Isso faz sentido —disse Sara. Derik estava assombrado; não estava nada assustada. Enquanto isso, sua glândula suprarenal tinha descarregado perto de seis galões de adrenalina em seu sistema que o mantinham preparado para brigar-ou-fugir—. Não posso imaginar que os homens lobos gostem de voar. Apanhados em um tubo de aço voando pelo espaço. Quero dizer, choca-me pensar nisso, e não sou claustrofóbica. Acredito eu.
—Só… todo mundo mantenha a calma —disse Derik.
—Estamos calmos —indicou Michael.
—Todo mundo relaxe e eu explicarei tudo.
—Derik, estamos bem —disse Sara.
—Só, que ninguém entre em pânico.
—O que está acontecendo com você? —Perguntou Jeannie—. Está tão nervoso e suarento. Usualmente é muito mais despreocupado.
—Bem. Está armada, o que me põe um pouco nervoso. E, uh, eu não, nós não, esperávamos vê-los aqui. Quer dizer, hoje. Na estação de trens.
—Nós tampouco esperávamos ver você—disse Jeannie—. E com uma amiga.
As loiras sobrancelhas rebolaram sugestivamente.
Michael se aproximou e farejou Sara.
—Uma boa amiga —disse.
—Deixe disso —disse Sara, lhe dando uma cotovelada—. Me tira do sério.
Jeannie clareou a garganta.
—Tenha em conta como me refreei de farejar seu traseiro.
—Pelo que estarei sempre agradecida —riu Sara bobamente—. A sério, já chega. —Empurrou Michael, muito suavemente—. Se quer saber algo, só me pergunte.
—É Morgana O Fay?
—Bom, mmm, sim.
—Mas não é malvada —disse Derik rapidamente.
—Não cheira o mal —concordou Michael. E adicionou—: O mal geralmente cheira um pouquinho mais picante. Mas o que realmente desejo saber...
—O que eu desejo saber é por que não me deu um abraço —disse Jeannie, estendendo os braços. Aliviado, Derik se aproximou para receber o abraço, e de repente Jeannie disparou o rosto bruscamente para a esquerda e todo o lado esquerdo do rosto do Derik se intumesceu.
—Ai!
—Isso é por colocar meus filhos e marido em perigo enquanto se concentra em dar uma ficada —disse furiosa, tamborilando os dedos sobre a culatra de seu Glock.
—Sim —disse Michael, com um olhar familiar em seu rosto… cheio de diversão e desconcerto. Jeannie, literalmente, tinha ganhado a mão—. O que ela disse.
—Ouça, aqui estamos trabalhando para salvar o mundo, Ok? —respondeu bruscamente, esfregando o rosto dolorido.
—Por isso não atirei em você.
—E que “meninos"? Só tem Lara, porque está, digamos, de cinco minutos de gravidez.
—Sete semanas.
—Felicidades —disse Sara—. Não o toque outra vez.
Jeannie nem sequer a olhou. Pelo menos tinha tirado a mão da arma e havia abotoado a jaqueta, o que sempre era um bom sinal.
—Mas Derik, juro Por Deus, que se puser outra vez em perigo a minha família porque tem um encontro pessoal em sua agenda...
—Ai!
—Sim —adicionou Michael, apontando com o dedo para o rosto de Derik—. Umm, haverá muito mais disto.
—Não o toque outra vez!
—Ou o que, Vermelha? —perguntou Jeannie, supremamente irritada.
—Ou a farei comer essa imitação da Ann Taylor.
Jeannie ofegou.
—Esta não é uma imitação!
—Assunto à parte. Pare de esbofeteá-lo. Se alguém tiver direito de lhe bater, sou eu.
—Deixe já. Isto não tem nada que ver com você, Vermelha, assim se cale e feche o focinho.
—Que tal se em lugar disso chutar o seu traseiro de um lado a outro do vagão ferroviário?
—Não sei você —disse Michael a Derik—, mas estou experimentando um incrível grau de desejo sexual.
—Estou muito nervoso para me pôr duro —murmurou Derik—. Além disso, tive uma má noite. —Depois, disse mais forte—: Agora, senhoras, senhoras...
—Certo, falando de desfarçatez —dizia Sara—. nos seguir sigilosamente...!
—Encontramo-nos com vocês às cinco da tarde em pleno dia...
—E pondo todos aborrecidos e ameaçadores, e tudo o que estamos fazendo é tentar salvar seu traseiro, e o traseiro de todo o mundo, e recebemos essa atitude por isso...
—Ele está perseguindo seu membro, em vez de dedicar-se a sua missão! Supõe-se que meus filhos têm que ser mais importantes que sua vida sexual. E... e...
—Nunca se importou com sua vida sexual.
—Importa-me quando põe a minha família em perigo.
—Bom então —disse Sara bruscamente—, será melhor que atire.
Jeannie piscou.
Derik disse:
—Não atire nela.
—Estou esperaaaando —cantou Sara, cruzando os braços sobre o peito.
—Não atire nela —ordenou Michael.
—Aiii, não posso? É tão bocuda, daria-me um prazer enorme.
—Olhe quem fala —murmurou Michael, dando a sua esposa um apertão.
—Não funcionaria, de qualquer jeito—disse Derik—. Acha que não tentei pô-la no refrigerador? É por isso que todos estamos metidos nesta confusão.
—Estou certa que posso tirar ela do nosso meio —anunciou Jeannie.
—Tente, loira tingida e homicida, fenômeno de arma.
—Não tinjo o cabelo!
—Por favor parem —pediu Derik.
—Parem —disse Michael, sem pedir, e tanto Jeannie como Sara fecharam a boca.
—Obrigado —disse Derik, aliviado.
Michael franziu o cenho.
—Derik, pensa que estamos aqui por uma razão? Seja sincero? Porque pensamos que estávamos aqui nos despedindo de uma amiga devido a... devido a algo mais.
—Poder disparar em alguém —adicionou Jeannie—, só seria uma bonificação extra.
Sara fixou os olhos nela e mostrou a língua. Jeannie começou a tamborilar novamente os dedos sobre a culatra de arma.
—Por que não vamos tomar algo? Descemos do trem? —Sugeriu Derik, cravando a Sara nas costelas no mesmo instante em que Michael cravava Jeannie—. Falamos sobre isto?
—Ah, ir tomar um gole é sua solução para tudo —estalou Jeannie.
—É uma agradável mudança de que eu o mate, e que minha esposa dispare em sua amiga —disse Michael.
—Poderíamos fazer isso mais tarde —sugeriu Sara—. Bom, já sabe, se aborrecer-se...
Tomada por surpresa, a testa de Jeannie alisou, e se pôs-se a rir. Michael só sacudiu a cabeça, sorrindo.
—Então tem dinheiro.
—Sim.
—Ok, e pode levar nosso carro, tomaremos um de aluguel para a viagem de volta.
—Obrigado.
—Bem então. Boa sorte.
—Mike. O que está incomodando? Não é que eu esteja lhe deixando.
—Não?
Derik olhou para Jeannie e a Sara, que estavam paradas na porta do restaurante, pretendendo ser educadas uma com a outra. Bom, não era uma surpresa. Se apoiava em suas experiências, as mulheres com muita força de vontade geralmente não se davam bem entre si. E quase ninguém se dava bem com Jeannie. Era devido ao assunto de ser o Alpha… alguém devia se encarregar. Fazia dela perfeita para a Manada, mas lhe rendia poucas amigas.
—Não. Suponho que é algo que está muito errado. E será melhor que me diga isso.
Michael duvidou, depois soltou.
—Realmente nos sobressaltamos quando o vimos. Devido à Antonia… Antonia está muito transtornada.
—Transtornada para gritar palavrões? Transtornada como…
Mike não sorriu.
—Disse que era muito tarde. Passou deitada toda a manhã e depois veio nos buscar e nos disse que era muito tarde. Que não podia solucionar.
—OH. Bom… OH.
—Sim.
—Mas… OH.
—Sim. Assim todos ficamos reunidos na mansão esperando que o mundo acabasse…
—Acredito que isso foi divertido.
—… e finalmente Rosie disse que já não podia suportar mais, que se o mundo ia acabar, bem podia ir para casa esperar que acontecesse, assim a trouxemos para a estação de trens. De fato, ter algo que fazer, foi um alívio.
Derik não sabia o que dizer. Não podia ter acabado. Nem sequer tinham tentado apanhar aos meninos maus ainda. Como podia ter acabado? Mas Antonia nunca se enganava.
E agora, aqui estava seu amigo, falando sobre o fim do mundo como se fosse uma coisa normal, de todos os dias.
—Assim —continuou Michael —me alegra que não passássemos o que poderia ter sido nosso último dia brigando.
—A mim também.
—Boa sorte —acrescentou com uma total falta de convicção.
—Mike —disse Derik, e depois guardou silêncio por um momento. Depois
disse—: Estarei bem.
—Sim?
—Sim.
Seu amigo deu de ombro. Derik ainda não podia superar a raridade de tudo isso. Deveriam estar brigando. Isso era o que fazia um Alpha quando um membro da Manada não cumpria com o que tinham ordenado… chutava traseiros. Deveriam estar brigando, e Jeannie deveria estar fazendo o que fazia melhor, que era reagir exageradamente quando sua família estava em perigo, e deveria haver uma briga bem aqui no Milk Street.
Demônios, quando foi ao fundo do assunto, para começar, Derik deveria ter escutado o seu líder.
E realmente não acreditava que isto estivesse terminado, não é? Que era muito tarde? Que não podia solucionar?
—Olhe —estava dizendo Mike… uh, OH, seria melhor que começasse a prestar atenção. Até agora está fazendo bem com isso de, uh, ignorar minhas ordens e se unir à mulher mais perigosa da terra…
—Obrigado.
—… mas só tenho um conselho que lhe dar.
—Espero contendo o fôlego, OH, maravilhoso líder da Manada cuja mínima declaração dá sentido a minha vida.
—Pelo amor de Cristo —murmurou Michael—. Como faz ela para suportá-lo? De todas formas. O conselho é: mantenha-se enfocado.
—Manter-me enfocado.
—Sim
—Ok.
—Falo a sério. Mantenha os olhos no balão.
—É bom que usou um clichê —respondeu Derik—, ou poderia não ter entendido o significado do que queria dizer.
—Só tenha em mente —disse seu amigo, súper misteriosamente, o que era aborrecido, mas bom, ao menos não estavam brigando até a morte, assim tudo estava bem.
—Parecem agradáveis —comentou Sara—. Para ser um par de lobos psicopatas assassinos.
—Ei, ei.
—Ele pôs Derik em meu encalso.
—Sim, mas então não a conhecia.
—Que alívio —disse burlonamente—. Agora me sinto muito melhor. Mas ao menos agora sabemos porque estavam aqui.
Derik a olhou, o que a pôs nervosa, porque suas pupilas estavam excepcionalmente dilatadas; os círculos de sua íris eram só finos aros de cor verde. De fato, desde que Michael e Jeannie se foram, tinha estado tenso como o inferno. O que estava fazendo com que ela ficasse tensa como o inferno.
—Sei porque estavam aqui —disse ele—. Não sabia que você sabia.
—É óbvio. Agora temos dinheiro, e um carro, e não está preocupado a respeito de que a Manada cheire nosso rastro. Podemos nos enfocar no assunto que temos entre mãos, não é?
—Verdade —disse Derik—. Enfoque-se. Esse é um bom conselho. De fato a razão pela qual eles estiveram aqui era… OH meu Deus!
—O que? —ela estremeceu e olhou freneticamente ao seu redor—. O que aconteceu? Desta vez realmente são os meninos maus, não é assim? Pegaremos eles!
—É Rachel Ray! Olhe!
Sara olhou. Tinham estado caminhando frente ao Aquarium de Nova Inglaterra e um Legal Sea Foods , e viu as câmeras, as equipes de alta tecnologia, as caminhonetes, os cabos e as luzes; evidência de que estava filmando um programa televisivo. E à distância, desaparecendo dentro do restaurante, um perfeito cabelo castanho…
—OH, Meu deus! —Derik estava falando com grande entusiasmo—. Não posso acreditár! Olhe! Devem estar fazendo um programa a respeito de frutos do mar em Boston. Ou os restaurantes de frutos do mar que há em Boston. —Tomou-a pelos braços e a sacudiu como se fosse um chocalho—. Percebeu que Rachel Ray está em um edifício a menos de cem metros de distância?
—Isto é absolutamente o contrário de manter-se enfocado —ela informou.
Incrivelmente, ele estava alisando o cabelo, que usava tão curto que na realidade nunca se desgrenhava… Nem sequer depois do sexo! O que era todo um lucro.
—Estou bem?
—Esta muito bonita, Mabel.
—Deus, desejaria ter meus livros de cozinha aqui! Faria-a assinar Comidas em Trinta Minutos II. —Olhou grosseiramente ao seu redor, como se esperasse que o livro aparecesse de um nada—. Merda! OH, espere… Já sei! Pode assinar minha camiseta. —tirou sua camiseta fora do jeans e a alisou.
—Se tirar a camiseta, ela pode assinar os mamilos.
Ele lançou um olhar fulminante.
—Isto é sério, Sara.
Estava ficando absolutamente impossível não explodir em gargalhadas.
—É?
—Olhe… — estava segurando seus dedos, absolutamente inconsciente de que seu apertão era esmagador. Maldita força de homem lobo intensificada… Arrgghh!—. Tenho que fazer isto. Quero dizer, tenho que fazer. Olhei seu programa desde que começou no canal de comida. Seus dois programas… Comidas em Trinta Minutos e Quarenta Dólares por Dia. É simplesmente a melhor. E tenho que conhecê-la. Esta é minha oportunidade!
Sara estava tendo problemas para seguir a conversa, embora não se preocupasse muito, porque era bastante estranha.
—Sua oportunidade para que?
—De saber se é de alguma Manada. Quero dizer, deve ser. Nenhum humano comum poderia ser inteligente e encantador e um grande cozinheiro e fazer dois programas para uma cadeia de televisão.
—É um argumento persuasivo —admitiu ela.
—Mas não sei com segurança. Se consigo me aproximar o suficiente para cheirá-la, saberei.
—Como pode ser que não saiba?
—Há uma lista imensa de homens lobo. Parece que posso saber isso de cor?
—Suponho que não —disse—. Mas por acaso Michael não sabe?
—Não quer me dizer. Persegui-o por anos, tentando descobrir e não quer me dizer! Bastardo. Como estou?
—Já lhe disse isso.
—Ok, bom, vou fazer isto agora. —Inspirou profundamente várias vezes para tranqüilizar-se—. Devo fazê-lo.
—Entendo. —Fez um gesto para as brilhantes luz—. Então vá até ela.
—Genial! —inclinou-se, beijou-a, e se foi a passos longos.
Sara o observou partir, mais que divertida. Era como um menino apaixonado. Um menino grande e atemorizado. Esperava que Rachel fosse simpática com ele.
Minutos mais tarde, voltou, tão desiludido que em seguida soube que não teve a oportunidade de conhecer seu ídolo.
—Havia muita gente ao seu redor —disse mal-humorado—. Quero dizer, poderia ter passado entre eles, sem muito esforço… mas não queria assustá-la ou que pensasse que era um perseguidor ou algo assim.
—Quem sabe da próxima vez. Descobriu se era uma mulher lobo?
—Não. Pude cheirar um membro de uma Manada, mas não pude me aproximar o suficiente para diferenciá-lo do resto… pelo que sei, poderia ter sido um dos técnicos, ou seu assistente, poderia ser o sujeito que faz a parte legal. —Entrecerrou os olhos pensativamente—. Mas estou certo que é ela. Deve ser ela.
—Bom, você tentou.
—Sim. —Olhou-a, um olhar sério. Uh-OH—. Sara, só queria dizer que agradeço muito seu apoio.
—Se por “apoio” se refere a “ fazer brincadeiras pelas suas costas”, então , estou cheia de apoio.
—Não, é sério, Sara. Eu só queria dizer… me refiro a, lhe dizer, que talvez quando tudo isto termine, podemos, já sabe, fazer outra viagem, talvez para tentar nos encontrar com Rachel outra vez.
Que idéia incrivelmente fantástica.
—Bem. Quero dizer, isso seria agradável. Eu gostaria de fazer isso. —Quando disse as palavras em voz alta, deu-se conta que era certo—. Quando terminarmos com tudo isto.
Ele tomou suas mãos novamente, ela sentiu aliviada de notar, que desta vez o fez mais suavemente.
—O que quis dizer é que não há ninguém com quem preferiria ver o programa de Comidas em Trinta Minutos, além de você.
—Isso… é muito doce. —ela mordeu o lábio para não rir. Depois, para seu total assombro, e poderia apostar que ele tambem se assombrou, explodiu em lágrimas.
—OH, bom —ele disse, abraçando-a—. Como se esta fosse exatamente a reação que eu estava esperando.
—Sinto muito—soluçou—. É só que desejo que tudo isto acabe, acabe da melhor forma, para que possamos fazer coisas tolas como perseguir Rachel Ray. Juntos.
—Tolas? —Perguntou, e depois disse—: Eu te amo, Sara.
—Eu também te amo.
Ele embalou-a em seus braços. Seus grandes e fortes braços. Ela resistiu à tentação de derreter.
—OH, Derik. Como demônios nos metemos nisto?
—E quem se importa? Amo você, e solucionaremos isso. Amei você —acrescentou nostalgicamente—,desde o momento em que tentei matá-la.
—Levei um pouco mais de tempo—confessou ela.
Sara tinha sugerido, com intenção de distrair da missão e animar Derik, que fossem em Wordsworth, uma livraria da cidade de Boston e comprassem um novo livro de cozinha. Derik em seguida estava de acordo
—É muito penoso que estejamos adiando nossa ida a Salem?
—Não.
—Bem. —Fez uma pausa, depois entrou na livraria enquanto segurava a porta aberta para que ele entrasse—. De novo, diga-me por que não é penoso?
—Nem sequer sabemos onde temos que ir uma vez que cheguemos em Salem —asseverou razoavelmente—. Talvez se continuarmos dando voltas, desperte seu poder, ou os meninos maus façam algum movimento, ou alguma coisa.
—Uh-huh. Parece-me que grande parte desta viagem para salvar o mundo, suporta esperar que algo aconteça?
—Só parece isso, —ele disse, e marchou para a seção de livros de cozinha.
—É um inferno, —murmurou. Não tinha desejos de acrescentar um novo livro a sua coleção de livros de cozinha, mas talvez pudesse examinar a seção de Nova Ficção e ver se Feehan tinha…
Depois de uns dois minutos estava sentada no piso da seção de História, olhando o Rei Artur. O que era um pouco tolo, depois de tudo, no instituto tinha feito um monte de livros sobre o Rei Artur e Morgana O Fay, assim era improvável que houvesse algum livro com informação que ela não houvesse…
Escolhidos de Artur. Que também se chama a Seita de Artur, a Confraria de Arture e a Perdição de Morgana. Uma misteriosa seita fundada no ano em que o Rei Artur morreu, escolhidos de Artur acreditam que Artur retornará algum dia, mas só com a ajuda de sua meia irmã, Morgana O Fay…
Bom. Isso era ter sorte. Acabava de sentar ali e já tinha descoberto algo a respeito dos meninos maus, muito obrigado.
Sara ficou absorta.
UMA HORA DEPOIS
IDIOTA, MALDITO IDIOTA!
—Deveria saber, —disse em voz alta, asustando quem estava a alguns passos de distância. Deu-lhes um sorriso de desculpas e seguiu o cheiro de Sara até o outro lado da porta.
Bom, não era isto o que estava esperando? Que acontecesse algo?
—Cale-se —disse… demônios, novamente estava falando em voz alta!
Essa foi uma má jogada, meninos maus. Poderia encontrar o rastro de Sara em uma tormenta de neve; certamente poderia rastreá-la de Salem. E se tivessem machucado um fio de cabelo… a metade de um cabelo… se a tocassem… respirassem sobre ela… pensassem nela…
Notou que as pessoas saltavam para afastar-se de seu caminho e achou que deveria acalmar-se um pouco, estava assustando os perfeitos desconhecidos e realmente não deveria grunhir em público, mas estava muito fodidamente aborrecido.
Não tinham ido a Salem. Nem sequer tinham saído da cidade. Rastreá-los —a Sara— tinha sido super fácil. Supôs que deveria ter suspeitado, mas estava muito aliviado.
Caminhou a passoa longos pelo edifício —um depósito abandonado perto do aeroporto de Logan, é obvio, naturalmente, era a espécie de lugar onde todos os meninos maus se reuniam, e claramente estes meninos maus tinham estado olhando todos os filmes apropriados— e estava a ponto de arrancar a porta das dobradiças quando soou seu celular.
Isso era surpreendente, já que não tinha tocado desde que tinha deixado a Costa. De fato, a maior parte do tempo esquecia que o tinha no quadril. Deixava-o carregando durante a noite, pendurava-o no seu cinto de manhã e não voltava a pensar nele, o que tampouco voltava a pensar nas cueca uma vez que a punha. Todo mundo sabia no que supostamente estava trabalhando, e ninguém queria incomodá-lo. Para não mencionar, que os homens lobos não eram muito aficionados a chamar uns aos outros para perguntar como estava o clima.
Então quem o estava chamando? E por que nesse momento, quando estava a ponto de ficar em modo de Procura e Resgate?
Espirrou —o fedor de hidrocarbonetos na área era realmente vomitório— e abriu o celular. antes de que pudesse dizer olá, Antonia estava gritando no ouvido.
—Não faça isso! Derik, não entre nesse edifício!
—Quando isto acabar, —disse, mais que um pouco desconcertado—, temos que nos sentar e falar a respeito do quão aterradora é. A propósito, você e Sara vão se dar muito bem.
—Dê a volta. Afaste-se. Vá. Agora!
—Não posso. Sara está lá dentro. Tenho que…
—Cale a sua puta boca! Derik, se entrar nesse edifício, morrerá. Vi. Você… —a voz da Antonia falhou, e ele quase deixou cair o telefone. Antonia? Chorando por seu feio traseiro?
—Morrerá. Não entre, Derik. Não faça isso.
—Avaliação e advertência —ele disse—. Mas devo fazer isso. Se não voltar a me ver…
—Não!
—… obrigado por toda sua ajuda.
—Você torpe imbecil! Homens! Disse a Michael que não podia voltar atrás, e que é que ele faz? Vai a Boston de passeio! Vocês pensaram algo assim como se eu ocasionalmente me enganasse.
—Sabemos que não se enganaa —ele explicou—. Mas isso não significa que vamos ficar de braços cruzados esperando que chegue o fim do mundo.
Um inarticulado grito foi toda sua resposta.
—E obrigado por tentar me salvar. Suponho que não terá visto o que acontecerá a Sara?
—Macaco! Chimpanzé! Gorila!
—Agora está sendo má —ele disse, e fechou o telefone.
Que estúpido, pensou. Esqueci de perguntar como morreria. Bom, suponho que saberei em alguns poucos minutos.
Sentia-se estranhamente satisfeito a respeito disso, e depois de pensar um momento soube porquê. Podia enfrentar a morte, se Sara estivesse bem. Até podia enfrentar o fim do mundo, se Sara estivesse bem. Mas não podia ficar fora no pestilento estacionamento, permanecendo a salvo enquanto a ruiva estava em problemas.
Assim, entraria. E morreria, porque Antonia nunca se enganava. Mas talvez Sara sairia bem disso. E talvez não.
De qualquer jeito, valia a pena tentar.
Arrancou a porta das dobradiças, percebendo tardiamente de que não estava trancada.
—Aahh! —disse, depois levantou a porta e envergonhado a pôs contra a parede.
—Olá! —gritou—. Será melhor que vocês meninos venham para mim! Deixem de fazer o que for que estejam fazendo a como-quer-que-seja-que-a-chame e venham aqui. Dancemos.
—Dancemos? —Disse uma voz familiar—. Isso é realmente ruim, Derik.
—Sara! —Esquivou três dos perdedores de Artur—as túnicas cor arando eram mortalmente delatoras, por que fariam isso?— e correu para ela.
—Ah, cara, graças a Deus que está bem! —abraçou-a, levantando-a do chão. Depois a sacudiu—. E que demônios pensou que estava fazendo, saindo com os meninos maus? —depois voltou a abraçá-la—. Não sei o que teria feito se tivesse lhe acontecido algo, OH, carinho, carinho. —depois a sacudiu—. Chutar alguns traseiros, isso é o que teria feito! E qual é o problema? Disse que deveria ficar ali, e ficou? Alguma vez viu um filme de terror em sua vida? —abraçou-a novamente—. OH, Sara, Sara… meu doce, doce tontinha.
—Quer parar? —liberou com um pouco de dificuldade e soprou um cacho fora de seu rosto—. Vou vomitar se não parar com isso. E tive que ir com eles.
—O que? Teve?
—Disseram… disseram que tinham franco-atiradores. Apontando para sua cabeça. E não sabia se era verdade ou mentira. Parecia um pouco rebuscado. Mas sabia que usam armas, por aquela vez no hospital… Deus, Isso ocorreu só no começo desta semana? Pergunto se meu carro já estará arrumado?
—Quer permanecer concentrada, por favor?
—Estou. De qualquer jeito, não podia me arriscar. Não acredito que você —nem sequer você— possa sobreviver a um disparo na cabeça. Disseram que se eu fosse com eles, não o matariam. Assim fui.
—Tola.
—Em retrospectiva, eu fui—Baixou a voz, o que era estúpido, porque os Escolhidos estavam bem ali, escutando cada palavra—. Precisam de meu sangue. —Mostrou a parte interna do cotovelo, onde se via uma gota de sangue seca—. E nem sequer desinfetaram a área da espetada. Bastardos.
—Seu sangue? Precisam de seu sangue? —Isso não soava bem. Isso não soava nem remotamente bem—. Como para fazer magia? Como um feitiço?
—Perdi as últimas reuniões —disse Sara secamente—, assim não sei exatamente para que precisam.
Ele passou um braço pelos ombros, de forma protetora, depois virou e olhou com fúria os Ratos com as Túnicas.
—O que há, companheiros? Para que precisam de seu sangue?
O Eleito de Artur, nem piscou.
—Quem é você?
Derik quase teve um ataque. Estes tipos claramente tinham acesso a poderosas magias, ao menos um deles podia ver o futuro, e não tinham a mais puta idéia de quem era ele! Era absolutamente vergonhoso.
—Sou o companheiro desta aí —ele disse bruscamente, espremendo-a tão protetoramente que Sara gritou—. OH. Sinto muito, carinho.
—Companheiro, é? —Murmurou Sara em resposta—. Ai. Não pensei que se importasse.
Estranhamente, os tipos com túnicas estavam fazendo reverências. Podia cheirar alguns quantos mais, assim olhou para cima… havia ao menos uma dúzia na passarela, e ainda mais no fundo onde ele não podia ver. Todos estavam fazendo reverências.
—Por que estão fazendo isso? —Perguntou Sara, e ele estava tão inchado de orgulho —não soava assustada absolutamente, embora soubesse perfeitamente bem que estava— que quase a aperta outra vez—. Não acredito que devam fazer isso. Pensa que devem fazer isso, Derik?
—Definitivamente não.
—É nossa inimiga jurada —disseram todos em uníssono. Depois o que tinha falado primeiro acrescentou—, Mas também é a filha de um rei, e a irmã de um rei.
—Uhm… Sou a filha de um executivo de publicidade, e irmã de ninguém, —disse Sara—. Mas obrigado de qualquer forma.
—Nesta encarnação, —disse um sujeito com túnica.
—E não vou destruir o mundo —acrescentou ela—. E não podem me obrigar!
—É obvio que não o fará —disse outro dos Escolhidos—. Por que pensa que nós estamos aqui?
—Para, uhm, me matar?
—Para tentar, —acrescentou Derik brandamente, quando teve a ocasião.
—Sabíamos que vinha. Pensa que não estávamos preparados? Tivemos anos para nos armar com formidável magia.
—Ei, ei —Sara fez o sinal de tempo com as mãos—. A única razão pela que estou aqui é porque seus Escolhidos apareceram em meu hospital! Meu tutor me contou isso tudo a respeito de vocês e me mandou a Massachussets. Se não tivessem tentado me matar, ainda estaria na Califórnia.
—Sou um lamentável perdedor —murmurou Derik em seu ouvido—. Porque isso na realidade acaba de me deprimir como a merda. Nunca teriamos nos conhecido!
—Deixe de pensar com o pênis —ela vaiou em resposta.
—Seu tutor é um traidor da nossa causa e será morto assim que o vermos… assim que terminemos com este outro assunto.
Sara ficou boquiaberta.
—O Doutor Cummings era um de vocês?
—Estava acostumado a ser um de nós. Depois descobrimos que era um sujo traidor.
—Só estava nos usando para conseguir informação para um de seus doutorados —explicou outro—. Não se importava com nossa causa.
—Sim, isso parece bastante acertado, —acordou Sara—. É realmente exasperante nesse sentido.
—Porém foi amável de sua parte nos prevenir —disse Derik.
—Extremamente amável —disse Sara, e depois acrescentou—. Além disso, não posso fazer magia. Não conheço nenhum feitiço, nem nada. Pelo amor de Deus, sou uma enfermeira!
—Então como enfermeira —disse um dos que estava na passarela—, sabe que às vezes é necessário machucar um paciente para curar outro.
—Uh… agora estamos falando teoricamente, não é?
—Seu sangue trará o retorno de Sua Majestade, o Rei Artur. Sem sua interferência, mulher. —Cuspiu a palavra como se outra pessoa tivesse pronunciado “estuprador de crianças”…? Ele será o maior entre nós. Elevará a Inglaterra às alturas que até agora só foram sonhadas. Ele… Não! Estará! Morto!
—Ah, cara —murmurou Derik—.Alguém esqueceu de tomar seu remédio hoje.
—Provavelmente mais de um dia, —disse Sara. Depois disse em voz mais alta—: Querem dizer que não me farão destruir o mundo? Vão usar meu sangue para —não sei— clonar ou ressuscitar um novo Artur?
—Bom, certo—disse outra túnica, um não tão frívolo—. O que pensou que íamos fazer?
—Mas Sara não faz magia, —disse Derik—. Em caso de vocês meninos, não estivessem escutando-a quando disse a primeira vez.
—Isso é um alívio —disse o mais meloso—. Faz com que tudo isto seja muito mais fácil.
Alguns poucos dos tipos com túnica que estavam em um canto, que etavam movendo-se ansiosamente durante a conversa, agora revelaram uma pequena mesa de laboratório em que estiveram trabalhando. Uma fumaça que tinha um funesto cheiro estava saindo de vários copos . A cor da coisa combinava com o arando das túnicas!
—Não sabem nada a respeito de sua sorte —sussurrou Derik—. Como é que não sabem?
—Merda, Derik, eu não sabia até há alguns poucos dias atrás. Mas como farão Artur aparecer? Ainda se o clonassem, de alguma forma, teria que crescer. Não apareceria assim…
—Podemos ouvía-la, sabia? —disse um deles—. Quero dizer, só está parada a dez metros de distância.
—Ai, cale-se —disse Derik
—Artur —o falecido Rei Artur— não pode simplesmente aparecer. —Estava raciocinando Sara em voz alta—. Não tem sentido. A não ser…
—Doseda nosefta kerienba!
—…a não ser que eles saibam algum tipo de feitiço mágico —terminou, e suspirou—. Magia. Que chato! Sou da Califórnia, e ainda não acredito nela. OH, ah! Olhe. Estão salpicando meu sangue por toda a mesa. Asqueroso! E não vejo nem um pôster de perigo biológico, muitíssimo obrigado.
—Uh, se não necessitarem mais de seu sangue…
—Sim, sim, podem ir, —disse um deles, sem levantar o olhar.
Derik e Sara olharam um ao outro.
—Sério? —perguntou Sara finalmente.
—Sim, sim. Vão.
—Vão, como partir? Ou vão, como que esperemos tranqüilamente em um canto até que venham e nos matem com uma tocha?
—Isto não tem sentido, —disse Derik—. Tentaram fazer voar sua cabeça no hospital, mas agora a deixam ir?
—Só precisávamos de um pouco de sangre para completar o feitiço, —explicou o Surpreendentemente Razoável Sujeito com Túnica—. Era o último componente. Passamos anos reunindo os outros ingredientes. E ela é uma enganosa feiticeira. Não queríamos correr nenhum risco.
—O que, dado que matou acidentalmente todos os meninos maus, suponho que não era o pior plano, —disse Derik a contra gosto.
O Surpreendentemente Razoável Sujeito com Túnica deu de ombros.
—Esse era principalmente o plano de Bob.
—Então nos vamos? —Soltou Sara—. Podemos ir assim sem mais?
Não houve resposta. Os sujeitos com túnica estavam tomando turnos para mover coisas sobre a mesa de laboratório, enquanto murmuravam cânticos. Sara apontou o pentagrama delineado no que parecia ser giz verde, que acabava de notar.
—Tenho que admitir, —disse Derik—. Que não vim ver isto.
—O que fazemos? —Perguntou Sara, apertando sua mão—. Vamos? Não podemos ir assim sem mais. Ou podemos?
—Eu... acho que não.
—Não viajamos através do país para que possam me roubar alguns poucos centímetros cúbicos de sangue e depois nos jogar. Nós somos os meninos bons. Supõe-se que nós salvaremos o mundo deles!
—Ei, Sara, estou do seu lado, OK? O que sugere?
—Deter o feitiço no qual estão trabalhando!
—Não sei se nos colocarmos contra eles quando estão na metade de uma prática de magia negra seja a melhor idéia…
—É certo, mas não acredito que nada bom possa sair da tentativa de levantar os mortos. É, como, minha filosofia.
—Nem sequer se for o Rei Artur, com o qual, tem que admitir, seria bastante interessante falar? Está bem. Fique aqui. Pensando bem, venha comigo. Se tentarem me apunhalar, talvez possa lhes dar um sangramento cerebral ou algo assim. —Segurou sua mão, depois quando ela gritou outra vez, afrouxou o apertão, e começou a avançar.- Ei! Meninos! Vocês das túnicas! Parem o que estão fazendo!
—Modesa noeka birienza doseda nosefta kerienba modesa noeka…
—Isso é totalmente o oposto de “parem o que estão fazendo” —disse Derik, e Sara quase põe-se a rir. Que dia. Que semana! Nada estava saindo da forma em que tinha planejado. Era isso uma boa coisa, ou uma coisa ruim?
Uma bolha, de uma cor verde venenosa, e clara como o vidro, levantou-se da mesa, envolvendo os que cantavam enquanto crescia. Com cada palavra dita ficava maior. Não houve dor quando envolveu ela e Derik, nem tampouco nenhum cheiro. Repentinamente, o mundo ficou verde, e a bolha continuou crescendo.
Derik se equilibrou para frente, jogando os sujeitos com túnica como se fossem peças vermelhas de xadrez, e ela enquanto se apressava para a ajudá-lo, a mesa de laboratório caiu. Os gritos dos Escolhidos quase afogaram os ruídos do vidro quebrando-se.
O mundo ainda era de uma cor verde claro —era como estar presa em uma bolha de mucus— mas agora tinha começado um sinistro canto. Sara levou as mãos aos ouvidos, o som era tão doentio que fazia com que doessem os dentes, mas o som continuou e se deu conta que estava soando dentro de sua cabeça.
—Não terminamos! Não terminamos!
—Deixe-me adivinhar —disse, tirando as mãos… de que serviam?—. Isto é ruim.
—O moGhurn! O moGhurn!
Derik estava em pé, sacudindo os vidros e o sangue da camiseta.
—Que demônios é um moGhurn? E aonde vão todos vocês? —Havia algo na bolha com eles. Foi tão repentino… um minuto havia vidro quebrado e pandemônio e gritos, e no seguinte sentiu tão pesada que teve dificuldades para respirar. O ar se fez mais pesado, ou —soava tolo— mas seu espírito se fez mais pesado. Algo tinha aparecido, tinha sido conjurado por seu sangue, o desespero e as exaltadas esperanças, algo do qual a seita estava tentando fugir, mas estavam presos dentro desta bolha verde todos juntos.
O moGhurn era como um demônio cruzado com um olmo. Tinha um rosto, ou algo assim, e olhos e braços, e era terrível, tudo terrível… não podia pensar em nada adequado para descrevê-lo. Varria membros da seita com seus… braços? ramos?... e os atirava contra o chão, ou quebrava suas extremidades como sua mãe estava acostumada a quebrar as coxas de um frango, e como dado engraçado, faziam um som parecido, o som de cartilagem rasgando e quebrando dentro da carne, e depois ela se inclinou e olhou fixamente o chão verde, e se esforçou para não vomitar.
Quando entendeu em pânico tinha sido separada de Derik, e agora o olhar morto do moGhurn caiu sobre ela, e se moveu para ela com uma desumana rapidez de uma serpente. Recuou tanto como permitia a bolha e viu… viu…
Viu a seita assassinada, todos eles, multidão de túnicas por toda parte. Viu Derik, morto. Viu o moGhurn tentar alcançá-la, e então a bolha explodiu em uma façanha de assombrosa e improvável sorte… e o nodoso moGhurn, feliz por estar livre, esqueceu dela e saiu ao mundo.
O moGhurn matou todo mundo na área de Boston, desde o homem mais velho da residência para anciões de Chelsea, até a menina que tinha nascido quarenta minutos antes. Isto levou aproximadamente duas horas e meia para o demônio. Em um dia, tinha terminado com Massachussets; em uma semana, com esta costa. Quanto mais destruia, mais forte ficava—já não havia bolha verde para mantê-lo restringido— e em um mês, América do Norte era história.
Só ela. Sortuda, sortuda Sara, perdoada pelo moGhurn, que se distraiu exatamente no momento adequado.
Passados outros trinta dias, estava sozinha. Só no mundo. Ela não teve a intenção de fazê-lo, mas igualmente todo mundo estava morto, e o moGhurn ainda estava faminto… desta vez, Morgana O Fay tinha triunfado, e sua recompensa era um mundo morto.
Sara piscou, e a borbulha estava de volta. Ainda havia meninos maus vestidos com túnicas correndo ao seu redor… embora muitos deles estivessem mortos. Derik estava dando murros na bolha tentando sair. Tudo estava verde.
Andou a procura, viu o que queria, e voltou para isso. Uma seringa vazia em meio de todo o vidro quebrado e o sangue. Pressionou o tubo, depois retirou a agulha. Bem no coração. Uma embolia instantânea. Não mais sorte. O moGhurn ficaria dentro. Adeus mundo cruel. OH, Derik, e nunca saberá quão valente fui.
Doíam as embolias?
Não havia melhor momento que o presente para descobrir. Apertando os dentes, impulsionou a agulha para diante, e então…
—Ai!
A mão de Derik, cruzada protetoramente sobre seu peito. Maldição! Essa arrepiante velocidade de homem lobo às vezes podia ser uma verdadeira dor no traseiro.
—Derik, idiota! —Gritou—. Tenho que fazer isso!
Ele pegou agulha que tinha cravada no dorso da mão, depois a atirou.
—É um inferno! —Respondeu gritando—. Mal, mal, mal, mal, plano. Má Sara! Nenhum suicídio no dia de hoje, por favor. Se esta estranha bolha verde de merda chegar a se romper, corra como o demônio, Sara. —Beijou-a com força, depois a empurrou para trás—. Corra!
Ela queria gritar mas não tinha fôlego…. tinha sido arrebatada pelo que estava vendo. Derik estava correndo diretamente para o moGhurn, derrubando Escolhidos fora de seu caminho como se fossem pinos de boliche.
—Acha que devemos nos assustar com um Olmo mutante? —gritou, depois saltou sobre o demônio, que o capturou e o sacudiu como um boneco.
Sacudiu-o como um boneco?
O seu Derik?
O seu Derik?
—Tire seus ramos de árvore de cima dele! —Rugiu, caminhando energicamente para o demônio—. Você pedaço de merda! Você pesadelo aumentado saído e um filme do Tim Burton! Você frondoso filho da puta! Solte-o ou matarei você, juro isso, juro isso!
Pisoteou com força os copos quebrados, mal sentindo os cortes do vidro através de suas sapatilhas, suas meias, seus pés.
—Neste instante! Não amanhã, agora, não dentro de uma hora, agora, agora, agora!
Ele ergeu-se sobre ela, e dentro de seu horrível punho Derik balançava, frouxo. Estava assustada, mas sobre o medo estava a fúria… verdadeira e sombria fúria, pelo fato de que qualquer, qualquer coisa tratasse seu amor dessa forma. O moGhurn lançou Derik a um lado como um litro de leite vazio, e ela viu tudo vermelho. Literalmente viu tudo vermelho. Estava esticando para alcançá-la e sabia que não era oponente para ele, sabia que a mataria, mas isso estava bem porque parecia que Derik também estava morto, assim, quem se importava?, E quando se inclinou para ela fez a única coisa que podia fazer: chutou-o.
A coisa gritou —um horrível, espantoso e terrível — e aturdido se afastou dela. Isso foi tão surpreendente como gratificante. Gritou, e gritou e se sacudiu, e derrubou alguns sujeitos com túnica, e correu por todo o lugar como um malvado tornado com folhas, e caiu, e se retorceu como se estivesse sendo cortado com uma motoserra, e depois encolheu dentro de si mesmo e desapareceu.
Depois a bolha arrebentou, e se deu conta que o pé doía como o inferno, e de fato estava sangrando bastante.
—Quem se importa? —murmurou, correndo para Derik, que estava estendido contra um canto todo encolhido e espancado. Ajoelhou junto a ele, hesitou, poderia… poderia… poderia feri-lo ainda mais se o movesse e depois deu a volta. Caiu em seus braços e o sentiu frouxo e sem ossos o que a assustou mais do que tinha a assustado o demônio.
—Derik —disse suavemente, e chorou diante seu querido e machucado rosto, pela forma que sua cabeça tinha caido muito para trás em seus braços, com certeza tinha o pescoço quebrado, o axis, a segunda vertebra cervical, provavelmente também o atlas, a primeira vertebra cervical, e o sangue, todo o sangue. Seus olhos estavam abertos, mas não a via. Mediu procurando o pulso, não encontrou nada. Nada.
—OH, Derik, você grande tolo… não achou que morreria. Eu, tudo bem, e o resto do mundo… era uma leve possibilidade. Mas não você. Nunca você.
Estúpida, só está clinicamente morto! Acaso não tem treinamento? Ponha-se a trabalhar!
Mas seu pescoço… seu pescoço está…
Ponha-se a trabalhar!
Correto. Deitou-o sobre o piso de cimento e começou a massagear o peito. Um e dois e três e quatro. Um e dois e três e quatro. OH, não esteja morto. Não esteja. Um e dois e três e quatro. OH, não se atreva a me deixar. Não se atreva. Como se pudesse me contentar com um tipo comum depois disto. Não faça isso. E um e dois e três...
—Sara…
—Agora estou sozinha —ofegou. E duas e três e quatro—. Só com trocentas pessoas no mundo, e onde demônios vou encontrar a alguém como você?
—Sara…
—O que? —Soluçou. Deixou de bombear e o atraiu novamente para seus braços—. O que é, idiota?
—Onde está o sujeito mau? —O branco de seus olhos era de uma cor vermelha sangue, e até gotejava sangue de seu olho direito como escuras lágrimas.
—Chutei-o e morreu —soluçou.
—Boa forma… de fazer sentir um sujeito… útil —ofegou, e tossiu e agora havia mais sangue, OH, Deus, como se antes não tivesse o suficiente.
—Dói? —Chorou. Provavelmente não, pensou clinicamente; o abalo manteria grande parte da dor separada.
—É bastante fodidamente torturante —admitiu.
—É? Oh Deus, Derik, sinto tanto, deixe que eu vá tirar algumas túnicas desses idiotas mortos, deve estar congelado.
—Só desejo um gole —gemeu—. Talvez dez. Ajude-me a me levantar.
Ela quase explodiu em lágrimas novamente… não tinha idéia das feridas que tinha. De que só tinha minutos, como muito, de vida. De como já tinha estado morto e ela o trouxe só por sorte e um pouco de habilidade em brutos. O dano que podia ver já era suficientemente ruim… não podia imaginar o que tinha passado internamente… fígado esmagado. Pulmões paralisados. Era um milagre que tivesse o suficiente ar para poder falar. OH, Derik.
—Só… fique aí deitado quieto até que chegue a ambulância.
—Sara, me ajude, tive um dia ruim, e realmente eu gostaria de sair deste piso asqueroso—disse bruscamente—Ajude-me a me levantar.
—Só fique quieto, Derik —ela disse apaziguando-o.
Ele rodou o pescoço sobre os ombros, irritado, como um homem tentando aliviar o torcicolo. Ouviu o rangido do ar liberando dos ossos, e depois voltou a tossir, limpou o sangue de seu queixo e depois com uma careta, endireitou-se entre seus braços. Seu olho esquerdo ainda estava injetado com sangue. O direito estava completamente limpo.
—Que lixo —disse com desgosto olhando ao seu redor, o caos de corpos mortos, túnicas chamuscadas, vidros quebrados, e mesas derrubadas—. Que dia! Vamos a merda daqui. Pare com isso, me faz cócegas.
Ela estava apalpando.
—OH, meu Deus. OH meu Deus! Tão rápido, foi tão rápido!
—Sim, bom, uma forma de vida superior, carinho. Já havia dito isso. —esfregou o olho que ainda estava ensangüentado, e quando deixou de fazê-lo notou que agora estava limpo—. Ajuda que não tenha passado muito tempo da lua cheia. E penso que você também teve algo a ver nisso.
—Eu? —ofegou, emocionada.
—Sim, normalmente não seria capaz de me curar tão rápido. Acredito que seu poder, sua feitiçaria, não sei, envolveu-me com uma capa mágica ou o que seja.
—Sério? Consideremos isto em profundi…
—Mais tarde. Que chato. Estou dolorido. Que dia.
—Cale a boca de uma maldita vez. —pôs os polegares nas pálpebras inferiores e os estirou para baixo. A esclerótica de ambos os olhos era de um perfeitamente saudável tom rosa—. Não posso acreditar. Não posso acreditar! Foi tão rápido!
—Como disse. Acredito que devo agradecer a você. Quero dizer, curo-me rápido, mas isso foi extra especial. Talvez seu poder me envolveu, como um abraço de sorte. Ou algo assim. —Sorriu com astúcia— Eu a abraçaria, mas primeiro preciso uma camiseta nova. E provavelmente cueca novas… essa coisa, esse demônio arborizado, era aterrador.
—E o que acontecerá com os Escolhidos de Artur? —ela perguntou, quase em um sussurro. Nunca esteve em um local cheio de corpos mortos… nem na escola de enfermaria.
—O que acontecerá com eles? Todos estão mortos. Por sorte, o demônio matou todos, e depois você o fodeu antes de que pudesse fazer outra coisa.
—Tem razão —disse depois de um minuto—. Eu sou aterradora.
—Mais aterradora que os impostos, carinho.
Pegou-a pela mão e a guiou fora do depósito que honestamente ela tinha pensado que se transformaria em sua tumba.
—Acho que a pergunta “estarão surpreendidos de nos ver?” foi respondida,- comentou Sara enquanto se aproximavam da Mansão Wyndham. Um enorme cartaz com a legenda “BOM TRABALHO SALVANDO O MUNDO” pendurado atravessando a porta de entrada.
Saíram do carro, a tempo que um desfile vertiginoso de gente saísse a torrentes pelas portas da casa… a mansão, na realidade. Sara foi elevada e abraçada por Michael e outros vários homens ridiculamente bonitos que não tinha conhecido antes. Jeannie estava beijando e abraçando Derik, e uma pequena e espantosa loira estava subindo sobre ele como um macaco, rindo e dizendo uma e outra vez,
- Conseguiu! Não posso acreditar que conseguiu!
Depois as apresentações: Michael e Jeannie (a quem já conhecia), e sua filha Lara, que tinha os insólitos olhos castanho-amarelo do pai e a agressividade de sua mãe, e a pequena loira era Moira, e OH, vários outros que perdeu a conta, mas não se importou, porque embora fossem todos estranhos, foi exatamente como retornar para casa.
- Então disse que víriamos, não é? ?Perguntou Derik.
Antonia, que era tão ridiculamente bonita como o resto deles, encolheu-se.
- Não se enfureça. É o que faço.
- Obrigado por toda sua ajuda -disse Sara.
Antonia grunhiu. Sara nunca tinha acreditado que alguém que parecia como uma modelo de trajes de banho poderia ser tão áspera.
- Então, o qual é o próximo passo para vocês dois? -Perguntou Jeannie, recolhendo a jarra de limonada, servindo um copo e segurando-o em seguida. Estavam sentados em um magnífico terraço interior, os restos de um esplêndido almoço se estendiam ante eles.
- E por que fiz isso? Protestou em voz alta. Como se não tivesse que urinar com frequência suficiene devido a gravidez, terminou em um murmúrio.
- Está resplandecente, - disse Michael automaticamente.
- É pelos vômitos, - replicou ela.
- Então? - Apontou Michael- . Meninos? O que vão fazer?
- Um... —disse Sara, porque não tinha idéia.
- Bom, nos casaremos em dois dias, e Mike nos dará um RV como presente de casamento, e depois vamos dirigir ao redor do país procurando Rachel Ray.
- Essa é a proposta de casamento menos convincente que escutei,- comentou Sara, enquanto Antonia incrivelmente esboçou um sorriso.
- Sim, mas está de acordo com isso. - Quando não disse nada, abandonou a pose arrogante.- Não é, Sara? Sara? Não é assim? Será minha companheira, não? Sara?
- OH, Cristo, diga que sim, - disse Antonia, revirando os grandes olhos escuros.- antes de que agarre este garfo e o enfie no ouvido, para não ter que escutar nada mais disto.
- Na realidade, é uma mudança refrescante, - comentou Michael, mordendo o pé de frango pela metade e chupando a medula ruidosamente. Sara conseguiu dissimular um estremecimento.- Mantenha-o no anzol, Sara.
- Não importa, -disse, e depois disse a Derik,- Teria sido agradável se tivesse me consultado, imbecil. Mas acho um bom plano.
- Felicitações, - disse Antonia, aborrecida. Depois se inclinou para frente e atravessou Derik com o olhar. - E antes que me esqueça, atordoado idiota, quem lhe disse que fosse em sua casa e a matasse?
- O que? Quero dizer, você disse.
- Não, eu disse que se encarregasse dela. Como “cuide dela”, assim poderia destruir o moGhurn quando se manifestasse.
- O que? Espere um maldito minuto! Nunca me disse para cuidar dela. Disse-me…
- Bom, sabia que não poderia liquidá-la, mas queria que se mantivesse perto de qualquer maneira - explicou Antonia.- O mundo se salvou porque estava destinado a se apaixonar por ela, não porque estava destinado a matá-la. Sem mencionar, que estava condenado a morrer… mas não por muito tempo. Tolo imbecil.
- Agora espere um minuto. - Derik estava tão furioso como Sara nunca tinha visto. Ela o segurou pela manga, tentando obrigá-lo a sentar-se, mas ele levantou sobre Antonia ignorando o puxão de Sara. - Você me enviou ali para…
- Encarregar-se dela... Tenho que explicar isso com marionetes? Olhe, Derik, não podia lhe contar todo o assunto. Provavelmente não estaríamos sentados aqui agora mesmo se soubesse o que eu sabia. Não digo que alguma vez pudesse chegar a ser o suficientemente inteligente para saber o que eu sei…
—Maldição, Antonia!
—Ei, tome um tranqüilizante. Tudo o que passou esta semana, foi o que vocês deviam fazer. Tudo isso conduziu ao grande enfrentamento. Ao apogeu, por dizer assim.
—Ainda não entendo, - confessou Sara.- Os meninos maus, Escolhidos de Artur, fizeram o demônio de propósito? Não?
- Não, foi um acidente. Você arruinou o feitiço. Estavam tentando trazer Artur de volta, lembra? Com seu sangue. Mas o feitiço se arruinou, o que qualquer seguidor de feitiço poderia lhe dizer— e depois estavam colocados de cabeça para baixo. Quero dizer, esse é o problema de andar fodendo com magia negra. Cometa um deslize, e repentinamente há um demônio devorador de mundos em seu laboratório.
—Do qual Sara se livrou - disse Derik, acalmando-se.- Deveriam ter visto.
Sara riu, o que apaziguou Derik ainda mais.
- Estava tão assustada, não sabia o que fazer. Penso que o chutei… todo o assunto é uma espécie de borrão. Suponho que meu sangue se desfez dele? Porque meu sangue o conjurou?
- É que como se tivesse posto o chapéu de bruxo Merlín. _resmungou Derik. - Procure seu mentor, o Doutor Cummings e pergunte. Provavelmente possa explicar todo o assunto.
- E toda essa tolice de “tudo acontece por uma razão”... quer dizer que o motivo pelo qual meu carro se avariou também era parte do grande plano?
- O universo é um lugar misterioso, - disse Antonia, metendo o último tomate cherry na boca.
Derik se sentou.
- É um fodido milagre que tudo tenha acabado bem – murmurou - Milagre.
- OH, - disse Sara, inclinando-se para frente e beijando-o no rosto - Minha especialidade.
- Ao menos o assunto do Alpha se resolveu, - disse Moira- . Graças a Deus.
- Que assunto do Alpha? —Perguntou Sara.
- Agora já não tem importância, - disse Derik, visivelmente incômodo.
- O que? - disse Michael.- Está bem, Derik. Merda, eu não vou desafiar o destino. - deu um olhar afetuoso para sua esposa - Já não mais.
- Do que estão falando os dois? - perguntou Sara.
- Derik é também um Alpha, o que para nós geralmente significa problemas, - explicou Moira,- porque nossa Manada já tem um Alpha.
—Suponho que não pode, por exemplo, tentar ganhar as próximas eleições para o Alpha, ou o que seja...
- Não funciona assim exatamente, - disse secamente Antonia.
- É que parte do problema de ser um Alpha é o triste desejo de provar isso... homens -adicionou Moira, sacudindo a cabeça.
Sara decidiu que gostaria da pequena loira se a mulher não fosse tão condenadamente bonita. Graças a Deus estava casada!
- De qualquer maneira, não só faz com que Derik não tenha que provar nada, - continuou Moira,- mas além disso está unido a uma companheira que é muito possível que seja o ser mais poderoso sobre o planeta.
-Ah, bom, realmente, -disse Sara modestamente.
- Conhece alguém mais que possa desfazer-se de um demônio chutando-o - perguntou Antonia bruscamente.
- Chutando-o ?- disse Jeannie, negando com a cabeça. E depois.- Desculpem. Tenho que ir ao banheiro.
- De qualquer maneira, - continuou Moira, olhando carrancuda para Antonia, que por sua vez a olhou depreciativa,- pelo que parece vocês nem sequer vão ter muito tempo por aqui. Assim o problema, essencialmente, foi solucionado. Tanto internamente - sentir-se Alpha e sentir a necessidade de provar isso - e externamente, porque estarão viajando.
- Ah,- disse Sara. Todo isso soava como uma quantidade de tolices de homens lobos. Mas tarde faria com que Derik repassasse com ela. Provavelmente—. Pois bem, isso é bom.
- Realmente bom, - disse Michael, - porque teria quebrado todos os dentes, e depois teria que ser realmente duro com ele. E teria odiado ter que fazer isso.
- O que estava pensando, companheiro? Teria ficado tão acabado se tivesse decidido lhe dar uma pancada. Teria lhe dado uma surra!
- E depois teria partido a coluna vertebral.
- Está drogado! Está realmente drogado, companheiro! Tem que saber totalmente que se houvesse...
- Deus, estou aborrecida, - murmurou Antonia.- Ao menos quando pensávamos que o mundo chegaria ao seu fim, era interessante estar por aqui.
—Talvez possa sair e ter uma aventura por si mesma, sugeriu Sara.
—Sim, sim...
- Então, - disse Sara a Jeannie, que acabava de voltar e estava alcançando seu terceiro copo de limonada, - como se sente?
- OH, bem. Ainda não comecei a desejar carne crua… graças aos céus.
- Estão pensando em algum nome?
Jeannie deixou o copo e sacudiu o cabelo loiro para afastar de seu rosto.
—Bom, sabe, Sara - disse seriamente,- Na realidade não temos feito ultimamente. Porque… porque não estávamos certos do que aconteceria.
- Ah. Claro, entendo.
- Mas acho que agora voltaremos para isso. E acredito, só para que saiba, que Sara é um nome adorável.
- vou vomitar, - disse Antonia, o que estava bem, porque Sara estava muito sufocada para dizer algo.
- OLÁ, E BEM-VINDOS A “QUARENTA DÓLARES AO DIA”. Sou Rachel Ray, e estou aqui hoje no festival anual da serpente de cascavel de Santo Antonio com Derik Gardner, que ganhou o primeiro prêmio com seu maravilhoso prato, Bolo Escaldado de Serpente de Cascavel. Sei, sei, soa a aaarrgggh, mas têm que prová-lo. Derik apareceu de um nada e destronou o campeão do ano passado com seu extraordinário prato. Parabéns Derik!
- Obrigado, Rachel.
- Seu prato é delicioso. Quero dizer, de lamber os beiços! Quem teria pensado que algo feito de serpente poderia ser tão delicioso? Quero dizer, olhe isso, tão crocante e dourado e tão... estupendo! E é muito leve. Realmente não tem sabor de frango absolutamente. Então, Derik, apanha a serpente você mesmo?
—Sim, faço, Rachel.
- Isso é assombroso... usa uma rede, ou uma armadilha?
- Algo do estilo, Rachel.
- E esta é sua esposa? Sara?
- Sim, olá.
- Ajuda Derik a apanhar as serpentes de cascavel?
- Deus, não. Todo o assunto me põe os cabelos de pé. Fico no RV, enquanto ele o faz.
- Pois bem, parece que consegue participar dos resultados de seu trabalho, então...
- Sim, feliz de mim.
- …e é certo que vocês dois viajam através de todo o país indo a programas culinários e coisas do estilo?
- Sim, isso é certo, Rachel.
- Pois bem, certamente está sendo bom até agora, ao menos no meu ponto de vista.
- Obrigado, Rachel.
- Está certa a respeito disso, Rachel.
- OH, bom olhem isso! Suponho que chamará a isso o efeito recém casados... e a propósito, parabéns.
- Obrigado, Rachel.
- Sim, disse Derik, radiante.- Obrigado.
Mary Davidson
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