Criar um Site Grátis Fantástico
Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

  

 

Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


ENCONTRO RÁPIDO ESTILO HOMEM LOBO / Mary Davidson
ENCONTRO RÁPIDO ESTILO HOMEM LOBO / Mary Davidson

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

Série “Lobo Wyndham”

ENCONTRO RÁPIDO ESTILO HOMEM LOBO

 

       A maioria das pessoas não reconheceria um homem lobo se o homem lobo literalmente os mordesse no rosto.

       Os homens lobos parecem com você ou comigo; possivelmente um pouco mais musculosos, sim, e seus reflexos são muito mais rápidos, mas é a natureza do homem não advertir tais coisas, e por isso... A maior parte das pessoas não reconheceria um homem lobo se vissem um.

       Não assim com Cain.

       Cain simplesmente era rara. Seu cérebro registrava, até se os olhos não o fizessem. Era baixa, quase miúda... apenas um metro e cinqüenta e dois de altura. Levava seu cabelo castanho brutalmente curto, em um corte quase rente que enfatizava suas maçãs do rosto agudas. Tendia a correr de um lado a outro com jeans e camisetas, com o que parecia sem problemas pernas e braços musculosos.

       O mais chamativo de tudo, tinha um rosto afiado, parecida com uma raposa, com um queixo bicudo e fulminantes olhos verdes. Verdes de gato. E algumas pessoas os descreviam como veneno verde.

       Uma mulher assombrosa que se movia só um pouco muito rápida, que parecia um pouco mais forte para seu tamanho. Uma mulherzinha que comia dois pedaços em uma noite, quase cada noite. E um montão de ovos cru no café da manhã.

       Sim. Algo rara. Inclusive se a gente não pudesse decifrá-la exatamente.

       Cain estava considerando este fenômeno quando um assaltante, que era mais de trinta centímetros mais alto e vários quilos mais pesado, jogou-lhe um bom olhar, deixou cair à faca, e escapou. Ela não tinha tido nem que dizer nada. Simplesmente o olhou.

     Inclinou-se e recolheu a faca da rua, temendo que alguns turistas pisassem e se fizessem mal, quebrou a folha, e deixou cair ambos os pedaços em uma lata de lixo próximo.

       Tinha retornado a Cape só um par de dias e algum idiota já tratava de assaltá-la? Em Cape?

       Tinha decidido fazia muito tempo que ela alguma vez encaixaria — exceto, é obvio, com a matilha, e o que importava?— então, por que incomodar-se em tratar? Não que os macacos alguma vez lhe prestassem atenção. Eles se afastavam dela ou a ignoravam. Ou tratavam de assaltá-la... Pelo visto era algo novo.

     Por esta razão nunca tinha deixado nem uma vez Cape Cod, não em vinte e nove anos.

       Salvo uma vez.

       Que era pelo que se encontrava em seu atual predicamento.

       Antonia, a incrivelmente maldita loba (salvo que era um monstro; ela nunca trocava... via o futuro em troca) que tinha ido faz anos de Minnesota, tinha desaparecido.

       E Michael, seu líder de matilha, tinha formado imediatamente um pequeno grupo para procurá-la. Ele havia convidado cortesmente Cain a unir-se a eles... Exceto que com Michael, uma petição cortes não era realmente uma petição absolutamente. E assim ela tinha ido.

       E vendo todos seus velhos amigos outra vez, ficando em dia com suas vidas, tinha ficado assombrada ao encontrá-los todos... assentados. Domesticados, inclusive.

       Jon tinha sido bastante mau, mas logo Michael... e Derik... e Brendan... Todos estavam felizmente emparelhados e tinham cachorrinhos, Por Deus.

       E eles tinham crescido juntos, tinham sido cachorrinhos juntos, e tinham jurado não estabelecer-se antes dos trinta. Agora todos estavam casados, e ela era a única solteira, e maldição se sua veia competitiva não a chutava. Agora tinha até seus trinta aniversários para encontrar um companheiro.

       Em outras palavras, tinha vinte e dois dias.

       Cain irracionalmente culpava de tudo à rainha dos vampiros, porque se ela tivesse sido capaz de manter sua casa em ordem, Cain nunca teria sido obrigada a confrontar certos fatos que ela tinha ignorado com êxito vivendo em Provincetown... Tão longe de Wyndham Manor como podia sem deixar realmente Cape.

       Assim estava de caça. Era o momento de encontrar um membro da matilha que necessitasse um companheiro e não se importasse com um casamento relâmpago.

       Como ia fazer ela, não tinha nem idéia. Portanto, tinha dado um passeio noturno para limpar sua cabeça. O único homem em sua vida até agora tinha sido o assaltante.

       Estúpida Rainha dos vampiros.

 

       —Tenho que encontrar um companheiro, — anunciou ela a seu amigo mais antigo, Saul, que ficou imóvel com um garfo cheio de linguine de almeja a metade do caminho a sua boca.

       — Agora mesmo.

       —E está, uh, dizendo-me isso por quê?

       —Porque você conhece muitos tipos, e eu não. Tem que me ajudar a sair.

       Seu único amigo solteiro piscou enquanto mastigava sua massa. Ela o conhecia desde sempre — tinham estado juntos sendo bebê no berço, suas mães tinham sido melhores amigas — e eles sempre contavam tudo.

       Quando ele tinha deixado Cape depois que se graduaram na escola secundária tinha temido que nunca voltasse, mas tinham permanecido em contato com chamadas telefônicas semanais e depois que ele conseguisse seu grau em engenharia (de todos os lugares!) a Universidade de Wisconsin, havia retornado e se estabelecido em um trabalho em Engenharia Excel. Dentro de cinco anos seria o homem número dois ali.

       Isso não a surpreendeu. Saul sempre tinha sido brilhante ao redor de máquinas, engrenagens e coisas assim. Eram as pessoas o que lhe davam problemas. Ele tendia a gaguejar quando estava nervoso ou zangado, não parecia saber o que fazer com seus braços longos e pernas nas festas, e, em definitivo, era um macho beta clássico.

     Não queria dizer que não fosse bastante bonito, porque era. Alto e magro, com um arbusto de cabelo negro que tendia a cair em seus olhos em momentos inoportunos, e olhos marrom chocolate. Ao menos havia atendido seu trato, porque do contrário alguma fulana o teria conseguido faz anos. Ele seria um grande marido para alguma mulher afortunada. Humm. Talvez depois que estivesse instalada, pensaria em emparelhá-lo com alguém. O problema era que ele era seu único amigo verdadeiro, e ela realmente não sabia muito de...

       —Por que tanta pressa para encontrar um companheiro? —ele perguntou depois de tragar.

       —Não notaste? Todos nossos velhos amigos estão emparelhados e a maioria inclusive tem cachorrinhos! Tanto, — acrescentou amargamente —, por jurar permanecer solteiro pelo menos até os trinta.

       —Sim, — disse, ociosamente fazendo girar seu garfo na massa.

       — O tinha notado.

       —Correto! — deixou-se cair na cadeira da cozinha frente a ele. Saul tinha herdado uma casa formosa na 6A de seus pais; era suficiente grande para ser uma hospedaria, mas Saul ganhava muito dinheiro no Excel. Era uma cadela por chegar no verão (horríveis, horríveis turistas), mas valia à pena a viagem cada vez. Ela se sentia mais em casa aqui que em seu apartamento na cidade.

     — Portanto agora tenho que me casar quando tiver trinta.

       —Mas isso é em três semanas.

       —Eu seeeeeeeeeei. Por isso, o comentário “em seguida”. Lembra-te, quando entrei?

       —Sim, lembro. Foi faz quarenta segundos.

       —Muito bem, então! — Golpeou com a palma sua mesa.

       — Assim me emparelhe. Talvez possamos fazer uma dessas coisas de encontros rápidos, salvo que com homens lobos.

       —Ou talvez, — indicou ele, depois de mastigar outra garfada —, poderia reservar sua desumana nervura competitiva por uma vez.

       —Nem sonhe que isso ocorra. Sou eu, Saul, Cain. Recorda?

       Ele suspirou. Ela recolheu um guardanapo e esfregou ligeiramente o molho de alho de seu queixo.

       —Sim. Lembro. Deixa isso, não é minha mãe.

       —Ai! Saul. —Beliscou seu queixo.

       — Sou virtualmente sua irmã, e sabe.

       Ele bufou.

       —Tenho muitos problemas sem te ter como irmã. Isso complicaria minha vida enormemente. E já o tem feito, e não esteve aqui nem um minuto. — Bufou outra vez.

       —Fala rápido.

       —Ai! Vamos. Sei que pode fazê-lo. Montaremos tudo no Finnegan.

       —Sempre será conhecido no futuro como Inferno na Terra.

       —Vai deixar de ser tão chorão e me ajudará?

       Ele suspirou.

       —Sim. E sim.

       Ela suspirou.

       —Bom menino. E tem molho em sua bochecha.

 

       O candidato número um estava sentado frente a ela em sua mesa na esquina traseira do Finnegan, o bar preferido dela e de Saul em Orleans. E imediatamente espirrou em sua bebida.

       —Sinto muito, — disse, tirando de repente um lenço (e ecch!) assoando seu nariz com ele, logo o devolveu ao bolso de sua jaqueta.

       — Alergias.

       —Mas é um homem lobo!

       —Metade. Pelo lado de minha mamãe. E o pólen esta assassino neste tempo... —Espirrou outra vez e uma gota de muco aterrissou realmente no braço, antes que pudesse romper uma cadeira sobre sua cabeça, ele a tinha limpo com seu lenço úmido.

       —Seguinte! —ela gritou. Nem sequer ia dar a esse tipo um minuto completo, logo voltou a pôr o relógio.

       O candidato número dois se sentou, agarrando duas bebidas de laranja.

         —Assumiu que eram chaves de fenda— e freneticamente chamou à garçonete por uma terceira. Em trinta segundos tragou ambas as bebidas, e tinha as bochechas rosadas e os olhos injetados em sangue de um bebedor secreto. Tomava uma grande quantidade de álcool fazer que um homem lobo se embebedasse, mas ele se dirigia bem.

       —Seguinte!

       O candidato número três se sentou, observou-a, logo disse com desaprovação,

       —O que fez com seu cabelo? É muito curto. Tem que deixar crescer isso mais.

       —Seguinte!

       —Não lhes dá nem sequer um minuto completo, — murmurou Saul em seu ouvido, fazendo-a saltar. Por ser um engenheiro desajeitado e desengonçado, movia-se como um matador.

       —OH, céus, já veras o que te toca quando retornarmos a sua casa. Não posso acreditar que escolhesse a estes tipos!

       —Sua gratidão me aflige.

       —Suma, aqui vem o número quatro.

       Saul deslizou quando o número quatro se sentou frente a ela... E imediatamente tirou um maço de cigarros.

       —Importa-te?

       —Sim, realmente. —Ela não podia suportar o aroma da fumaça de cigarro; a maioria dos homens lobos não podia. Surpreendeu-lhe que tivesse pegado o hábito.

       —Bem, este sou eu, neném.

       —Não me chame neném. Seguinte!

       O candidato número cinco se sentou e imediatamente começou a mordiscar suas unhas, um hábito de macaco asqueroso quase tão mau como fumar.

       —Como caças, — perguntou ela, fascinada—, se sempre come suas garras?

       —Tic nervoso.

       —Sim, bom, é a classe de coisa que me enoja.

       Ele mordiscou mais duro.

       —Piora quando estou sob tensão. O que definitivamente me põe você.

       —Amigo, não viu a tensão. Seguinte!

       —Isso, — Saul disse.

       —O que? — gritou.

     — Só cinco? Cinco perdedores?

       —Deu-me, — recordou-lhe —, vinte horas de aviso.

       —Ah, seguro, é minha culpa. Homem, se não te conhecesse tão bem juraria que me apresentou para aqueles idiotas de propósito.

       —Vamos por que faria isso? — perguntou brandamente, sentando-se frente a ela.

       — Pode simplesmente me chamar candidato número seis.

       —Fodidamente gracioso, Saul. E agora o que fazemos?

       —Beber?

       —Depois disso. Meu aniversário esta chegando.

       —Bem, arrumei-te um encontro às cegas amanhã de noite.

       —Excelente!

       —Sim, — ele disse, esvaziando sua cerveja.

       — Excelente.

 

       —Isso é o que vestira? —Saul perguntou logo que ela entrou em sua sala de estar. Ele tinha toda uma papelada incompreensível estendida a seu redor, e se via arrasado.

       Ela olhou para baixo. Calças curtas de brim de algodão limpos, uma camiseta azul marinho. Sapatos baixos negros. Era julho em Cape Cod; que mais teria posto?

       —O que? O que tem que mau com isto?

       —E se ele planeja te levar a algum lugar agradável?

       Ela o olhou carrancuda.

       —Não ponho vestido nem saia e isso é tudo.

       Ele suspirou.

       —Não faz muito fácil.

       —Ouça, nunca disse que seria fácil.

       —Sim, estiveste me ameaçando com isso desde o jardim de infância.

       —O que é tudo isso? —perguntou, ajoelhando-se a seu lado. — Trabalho perdido?

       —Trabalho perdido, — esteve de acordo ele. — Novo cliente. O lugar é um desastre. Prevejo um mês de dias de vinte horas. Sobre tudo agora que me jogaste em cima seu pequeno projeto.

       —Cadela, cadela, cadela, — disse ela amavelmente.

       — Ouça talvez possa me arrumar com alguns de seus clientes.

       —Só temos três homens lobos, e todos estão emparelhados.

       —Ratos.

       —“Ratos” como em “Ah, ratos” ou ratos como neles são ratos por estar casados”?

       Ela considerou durante um momento, depois finalmente disse,

       —Ambos. — Olhou ao redor toda a papelada com repugnância.

       — Saul, quando foi à última vez que teve férias?

       —Que ano é?

       —Se tiver que perguntar, passou muito tempo.

       Ele encolheu os ombros.

       —Eu gosto do meu trabalho.

       —Sim, isso está bem, mas deveria pensar em te estabelecer, também. Não quererá ser o único na velha turma não emparelhado.

       —Deus o proíba, — disse ele com secura.

       — A praga e a fome seriam mais bem-vindas. —Houve um golpe educado em sua porta.

       — Ah. O Príncipe Azul chegou.

       —Por favor, Deus, — disse Cain fervorosamente, e foi abrir a porta.

 

       —Meus pacientes são verdadeiramente minha vida, e todos são tão diferentes, isso é o que eu gosto de meu trabalho, a variedade constante, quero dizer, cada dia é diferente...

       Ah meu Deus. Este tipo não deixou de falar desde que me recolheu na casa de Saul.

       —... O Dr. William é tão arrogante, sinceramente não tolera a nenhum enfermeiro, pensa que somos todos macacos treinados —macacos mal treinados— E...

       Jesus. Nunca vai deixar de falar.

       —... e logo estava a Sra. Jenkins, minha mãe, ela era uma bruxa! Sabe que era amiga da mãe de Michael? Céus, as histórias que me contou! Elas eram...

       Vou ter que matá-lo e fugir.

       —... é obvio, o que realmente eu gostaria é de voltar para a universidade e me tornar um enfermeiro especialista. Com a escassez nacional de enfermeiros, posso mais ou menos...

       Deveria golpeá-lo até que se cale? Com o que? Um extintor?

       —.... eles podem escrever prescrições e o dinheiro é fenomenal, por não mencionar...

       Golpearei ao Saul. Isso é o que farei.

       —... é magnífico falar contigo, sabe escutar, eu realmente...

       Primeiro este tipo, logo Saul, logo eu mesma. Um duplo assassinato seguido de suicídio.

       —... trabalhar tantas horas, é tão difícil conhecer gente, mas é obvio vale a pena pelo trabalho, quero dizer, é tão gratificante...

       Ah meu Deus. Onde está a garçonete? Necessito tanto outra bebida.

       —... não podia acreditar quando Saul me chamou e disse que queria sair, quero dizer, todos nos perguntamos por que não casou...

       A este ritmo, estarei solteira quando tiver cinqüenta.

       —... então teve essa genial missão em Minnesota, algo sobre a Antonia e —pode ser isso certo?— uma rainha vampiro? Quero dizer, parece algo de uma novela de Stephen King...

       Estúpida Rainha dos vampiros.

 

     —Vamos, — disse Saul, pondo um prato de file e batatas fritas diante dela, junto com um copo com seis ovos crus. Entre outras coisas, Saul era um bom cozinheiro e conhecia todos seus pratos favoritos.

       —O que, vamos? Foi horrível!

       Eram onze da noite; seu encontro terminou cedo. Mas ela não o havia sentido cedo, Deus não.

       Saul estava tranqüilo.

      —Não pôde ter sido tão mau.

       —Nunca se calou! Foi trabalho, trabalho, trabalho, e blah, blah, blah... Ele não soube uma coisa sobre mim porque não pude dizer uma palavra!

       —Está solteiro, tem uma vida boa, arrumado (não que o veja assim), e quer estabelecer-se.

       —Não, ele procura uma boneca inflável que o escute todo o dia e toda a noite. Deus! —Ela esvaziou seu copo de ovos em três goles.

       — Pensei que não sairia nunca dali.

       —Bem, fê-lo. E aqui esta. Outra vez.

       —Nunca te importou quando me deixei cair por aqui, — ela grunhiu. Mastigou seu file furiosamente, logo disse —, vê-te terrível. Trabalha muito duro. Tome já umas condenadas férias.

       Ele encolheu os ombros.

       —Do que? Excel, ou você?

       —É divertidíssimo.

       —A boa notícia — se pode chamá-lo assim— é que consegui outro encontro para amanhã de noite. Disse para todos que o que busca é se estabelecer.

       —Excelente! Não há forma de que este tipo possa ser pior que os outros seis.

       —De verdade você gosta de azarar, não?

       —Nuh-uh! Bem, talvez fosse algo idiota. Suponho que esperaremos e veremos como vai amanhã de noite. —Mastigou outro pedaço. Então: - Disse mesmo?

       Ele encolheu os ombros e apartou seu cabelo negro de seus olhos.

       —Sabe como é nossa classe. Sentimo-nos geneticamente inclinados a nos estabelecer jovens e ter cachorrinhos. Assim que a notícia de que a tristemente célebre Cain, solteira por quase trinta anos...

       —Por causa do pacto!

       —... quer estabelecer-se é uma intriga bastante boa.

       —Um sonho feito realidade. Sou pasto de intrigas.

       —Há coisas piores, — ele assinalou, e quebrou dois ovos mais em seu copo.

 

       Não gostou do número sete —Geoff Ren— e não podia especificar por que.

       Sem dúvida era simpático, e bonito (de certo modo distante, um loiro frio, de olhos azuis), e encantador. Escutou-a, cortesmente ofereceu afastá-los da fumaça de cigarro, e devolveu seu file quando apareceu muito cozido. Ele se assegurou que sua taça estivesse sempre cheia, e ofereceu levá-la a outra parte para a sobremesa quando nada realmente a atraiu no cardápio.

       Talvez fosse um pouco muito... Controlador?

       Já basta, repreendeu-se. Nunca casaria a este ritmo. Agora só procurava motivos para rechaçar a estes tipos. Geoff foi um grande encontro. O melhor de um montão horrível, isso é malditamente seguro.

       Detiveram-se na casa de Saul em seu Lexus hybrid, e ela girou para lhe dizer:

       —Possivelmente poderíamos reunir... — quando de repente a puxou para ele (rompendo seu cinto de segurança) e amassou sua boca sob a sua.

       Insultada e assustada tratou de apartá-lo de um empurrão. Quando isso não funcionou (era mais um metro e oitenta e dois de altura, e muito, muito mais forte), mordeu-o.

       —Ouch! Pequena cadela. Por que saiu se não queria um?

       —É nosso primeiro encontro, Geoff, imbecil! Santo Deus! Vou ter uma queimadura em meu pescoço pelo roce do cinto de segurança.

       —Curar-te-á, — estalou, logo tentou agarrá-la outra vez, esta vez colocando sua língua em sua boca. Suas costas açoitaram contra o volante e houve um sonoro honk. Suas mãos andaram a provas, alcançou, agarrou, e ela pôde senti-lo devorando seu sutiã.

       Ela apalpou pelo bracelete da porta do lado do condutor e, quando a porta se abriu, caiu e golpeou o pavimento com um ruído surdo ao bater seus dentes.

       Ele saltou, suas pernas aterrissaram a ambos os lados de suas costas, e ela engatinhou para escapar dele. Ele agarrou as costas de sua camiseta e ela se soltou de um puxão, ouvindo o rasgão do tecido.

       —Curta esta merda! —gritou, só para se chocar com o flanco do Lexus de repente quando o dorso de sua mão lhe deu totalmente na mandíbula. Deus era rápido! Nem sequer tinha visto o movimento de seu braço.

— Geoff, detenha!

       —Você detenha, fodida esquenta cuecas.

Bem, ao menos agora ela podia ver o que tinha de mal com o número sete.

Pela milésima vez benzeu seu tamanho, já que deslizou pelo lado do carro e escapuliu por debaixo, fora do alcance de suas ambiciosas mãos. Engatinhou pelo asfalto e saiu ao outro lado do carro. A porta principal de Saul estava à só seis metros de distância.

       Só tinha conseguido dar cinco passos quando ele a agarrou por detrás. Seu rosto se estrelou contra a grama e ela sentiu o sangue começar a gotejar de seu nariz. Ele a voltou... e apanhou seu murro na beira de seu queixo. Em troca lhe deu um bofetão que fez saltar as lágrimas. Então ela se agachou, procurando pegar sua virilha.

       —Agora safada o programa, — grunhiu ele—. Isto é... eeeeeeeee-yowwwwww! —Ela tinha encontrado suas bolas, e apertado com tanta força que sentiu as veias aparecer em seu antebraço.

       Depois, de repente, foi afastado dela, e Saul, OH graças a Deus, Saul estava ali, sustentando ao tipo pelo cangote como um cachorrinho.

       —Ah, Cristo, minhas bolas, OH minhas fodidas bolas, Jesus, tenho que ir a um hospital, agh, minhas bolas! —Geoff se retorceu e gemeu ao final do braço do Saul.

       —Então me deixe e-eu aj-juda-lo a ir a seu carro, —Saul disse, e lançou Geoff ao lado do Lexus. A porta do carro realmente amassou e Geoff caiu pesadamente no pavimento, inconsciente.

       —Está bem, C-Cain?

       Ela se sentou e cuspiu para expulsar o sangue de sua boca.

       —Uau, — disse.

     — Saul. Santo Deus! Não pensei que fosse capaz.

       Então se pôs a chorar.

 

       Cain despertou na manhã seguinte em seu quarto. Bom, não seu quarto, o quarto na casa de Saul onde sempre ficava quando dormia ali. Tinha estado dormindo nessa casa durante vinte e cinco anos.

       Saul devia havê-la ouvido mover-se — tinha ouvidos como de lince— porque houve um golpe suave na porta.

       —Entra, — bocejou e se estirou. Tinha dormido com uma das velhas camisas de Saul e sua cueca; sua camiseta, é obvio, arruinou-se.

       Ele colocou sua cabeça.

       —Dormiu bem?

       —Como uma rocha.

       —Cristo!

       —O que?

       Ele cruzou o quarto e pôs um dedo sob seu queixo, levantando sua cara.

       —Já tem um olho arroxeado. Esse filho da puta. — Para Saul, era uma grande conversa.

       — Deveria lhe haver chutado as costelas, também.

       —Estou bastante segura de que lhe rompi o escroto, — disse ela, cautelosamente tocando seu olho esquerdo e fez uma careta de dor. Sim. Inchado, enorme, e provavelmente um bonito púrpura.

— E estou bastante segura de que lhe fraturou o crânio. Confia em mim, ele está muito pior esta manhã. Minhas contusões se curarão em um dia ou dois.

       Ele se sentou na beira de sua cama.

       —Não acredito que devesse fazê-lo mais, — soltou bruscamente, olhando-a com os olhos entre abertos.

       —Concedido, não esteve indo bem, — disse ela secamente.

       —Recorda que lhe disse que as intrigas voavam a respeito de que queria um companheiro? Acredito que alguns tipos estão interpretando que quer sexo. Exemplo: Geoff o idiota.

       Ela sorriu com satisfação.

       —É esse seu sobrenome?

       —Cain. Estou falando a sério.

       —Não vou deixar que a cena com Geoff o idiota me assuste com os encontros. Isto foi um reverso temporário.

       —Um reverso temporário? —Saul virtualmente gritou.

       — V-você quase conseguiu que te vi-violasse!

       —Se acalme, vai dar um derrame cerebral. Além disso, foi ao resgate como... Como um Tarzan esquisito ou algo assim. Devo admitir Saul, que não pensei que poderia me surpreender mais.

       —Nunca o pensa, — queixou-se ele.

       Ela bocejou outra vez.

       —Então qual é o programa para esta noite?

       —Tomar esta noite livre, — disse ele firmemente.

       —Desmancha-prazeres.

       —Condenadamente certo.

       —Saul, estou bem.

      —Não lhe v-via bem ontem à noite.

       Ela pensou nisso. Gritos, murros, e, finalmente, pranto. A força esmagadora de Geoff, como ele não escutava, como havia se sentido bastante impotente contra ele. Os golpes. As coisas que ele havia dito.

       Sim. Saul tinha um ponto.

       —Mas eu tinha você para vir ao resgate, — brincou, pondo sua mão na dele.

       — Sou a que pelo geral te salva o traseiro.

       —Bem. Devia-te uma.

       —Sério, se formos voltar para o jardim de infância, deve-me umas cinqüenta.

       —Bem, seguro como a merda que não quero aumentá-lo! —ele gritou, avermelhando.

       —De verdade precisa tirar férias. Está tão estressado!

       —Não é uma fodida maravilha? Sua vida social me mata.

       —Deixa de exagerar. O que há para o café da manhã?

       Ele desabou a seu lado.

       —Odeio-te.

       —Ai! Sabe que não pode resistir a mim. Café da manhã?

       —Mais que a vida mesma, odeio-te.

       —Tortinhas e toucinho? —ela perguntou com esperança.

       — E ovos? E talvez uma costela de porco?

       —Sabe a maioria das mulheres, depois de ser agredidas, estariam não sei, traumatizadas? Não procurando uma maldita costela de porco!

       —Bom, — ela disse razoavelmente —, se não tem, sempre podemos esquentar a carne restante.

 

       Como de costume, divertia-se muito mais com Saul que com todos seus demais amigos juntos, multiplicados por dez. Tinha uma comida fabulosa, a maior parte da qual ele fez na churrasqueira do pátio, seguida de várias cervejas geladas. Logo assistiram Shaun of the Dead , 2Hot Fuzz , e 300... 300 sendo seu filme favorito de todo os tempos.

       —Meu Deus, — comentou Saul, mascando pipocas de milho. Estavam sentados juntos no sofá diante da TV.— Este filme está feito para mulheres e homossexuais. Olhe os abdominais de todos esses tipos.

       —Você tem abdominal assim.

       —Sim, mas sou uma criatura antinatural da luz da lua. A maioria dos homens não se vê assim. É um pouco cruel, em realidade. Fazer isso às mulheres e os homossexuais.

       Ela riu e esvaziou sua terceira cerveja.

       —Pensa que algum do elenco é da matilha?

       —Têm que ser. Olha-os.

       —Não só o fodido produtor?

       —Que imagem mental tão viva, querida.

       —Ah, aqui vem! Ele vai lançar a lança a esse fodidamente arrepiante 3Jerjes. Acredita no tipo que faz o Xerxes ? Yech. Arrepiante.

       —Mais andrógino que arrepiante.

       —Andrógino é arrepiante. Os homens deveriam parecer homens, e as mulheres deveriam parecer mulheres.

       —Diz a mulher com bíceps e um corte de cabelo igual ao corte de barba.

       —E uma taça C.

      —Isso é verdade, — disse Saul pensativamente, jogando uma olhada a seus peitos.

       — Esqueci isso.

       —Bem, mencionaremos no próximo encontro.

       Ele gemeu.

       —Não posso acreditar que siga com isso.

       —Não serei a única de nós não emparelhada à idade de trinta anos! Você é oito meses mais jovem, tem muito mais tempo.

       —Não vais ver-me em encontros velozes e esquivando violadoras. Estou bastante seguro, — acrescentou pensativamente. Levantou-se.

       — Outra cerveja?

       —Sim, por favor. Ohhhhhhh! E a lança cortou o lado da boca do Xerxes! Isso tem que doer. Esta era minha parte favorita.

       Ela ouviu o hssst! de Saul abrindo duas garrafas mais.

       —Era? —gritou da cozinha.

      —Agora minha parte favorita é quando a rainha mata ao traidor. Ele mais ou menos a violou. Embora ela fosse uma idiota por meter-se...

       —Cuidado, — Saul advertiu.

       Ela se calou. Quem era para julgar as ações da rainha depois do que tinha passado ontem à noite? Saul tinha razão, como de costume.

       —Por que, por que não podia ter ido a lança três polegadas à direita? Tivesse morrido no lugar. Embora, — confessou ela—, foi um tiro tremendo. Quanto, duzentas jardas de distância? Eu não sei se poderia haver feito aquele tiro.

       Ouviu Saul caminhar para a parte traseira da casa - provavelmente se dirigia por volta do quarto de banho para desfazer-se de um pouco de cerveja— e se deteve ante o comentário.

       O telefone soou, e soou outra vez. Então o atendeu a tempo de ouvir a resposta do Saul.

       —Olá?

       —Sim, sou eu, Darrell. Escuta, ouvi que sua amiga tem uma DST, é certo?

       —Totalmente certo, — Saul lhe assegurou.

       Cain sentiu que abria a boca devido ao choque e imediatamente abandonou seu plano de desligar.

       —Mas... Ela é da matilha, verdade? Não pegamos coisas assim.

       —Isto é seriamente repugnante. Confie em mim, não chegará a nenhuma parte com ela. Algo ficará, não brinco.

       —Obrigado pelo aviso. Estou seguro de que é uma boa garota e tudo isso, mas quem necessita essa merda?

       —Me faça um favor, — Saul o bastardo incrivelmente traidor disse—, e conte a todos.

       —Bem. Falando de contar, um de nós está no hospital... Aquele tipo Geoff?

       —OH? —Saul perguntou friamente.

       —Sim, e está gritando sobre denunciar a você e a sua amiga por assalto. Mas ninguém sabe o que realmente passou porque ele não diz.

       —Não?

       —Sim. Suponho que não quererá dizer isso.

       —Não, — Saul disse tranqüilamente.

       — Se ele quer jogar está bem, mas poderia querer mencionar que não expliquei todos os detalhes de ontem à noite ao Michael ainda. Mas que eu adoraria fazê-lo. Em qualquer momento. E se ele me necessita para explicar-lhe em pessoa, estaria feliz de visitá-lo no hospital. Em qualquer momento.

       Houve uma pausa, logo Darrell disse,

       —Isso, né!? Ouvi que tinha mão brusca com as damas. Alguém lhe arrancará a garganta um dia destes.

       —Poderia haver me advertido isso antes que fizesse um encontro com minha melhor amiga, — disse Saul bruscamente.

       —Era só um rumor. Ninguém nunca disse algo a Michael. Não há nenhuma prova só algo que dizem de vez em quando.

       —Isso, — Saul disse—, pode trocar.

       —Bem. Vemo-nos, menino.

       —Adeus.

      

       Saul retornou à sala de estar e teve meio segundo para agachar-se quando uma poltrona voou para sua cabeça. Esquivou-o (apenas) e chocou contra a parede detrás dele.

      —Filho da puta!

       —O que? O que? Sua cerveja está quente?

       —Isto não é sobre a cerveja! —Quatro quinquilharias voaram para ele: uma estatueta Hummel, um unicórnio de cristal, uma caixinha de música, e um quadro de seus avós. Por sorte, todos pertenciam a sua defunta mãe.

       Odiava os unicórnios de cristal.

       —E condenadamente bem que sabe!

       OH, merda.

       —Você, uh, ouviu?

       Uma antiga mesa lateral se elevou pelo ar para ele e a evitou com tempo de sobra. Felizmente, quando ela estava zangada, seu objetivo era destroçar coisas.

       —Está dizendo às pessoas que tenho DST? —Olhou ao redor freneticamente por algo mais para lançar.

       —É por seu próprio bem, — explicou ele, seu próprio temperamento aumentando.

       —Meu próprio bem? —Ela o olhou com olhos exagerados, e apesar da tensão ele não pôde evitar notar que seu olho arroxeado quase tinha desaparecido. Graças a Deus.

— Que espanta a companheiros potenciais por meu próprio... OH meu Deus. OH meu Deus! Você. Você! Você deliberadamente me arrumou com perdedores e psicopatas e... e um violador!

       —Eu não sabia que Geoff faria isso, — disse rapidamente, embora ainda estivesse atormentado pela culpa, e tivesse muitas vontades de visitar o hospital e arrumar a cara do homem.

     — Imaginei que não combinaria porque ele é muito dominante. E você também. Assim supus que o rechaçaria, além disso.

       —Bastardo! Supõe-se que é meu amigo. —Ela divisou suas chaves pendurando no tabuleiro, agarrou-as, e as lançou.

     Ele as apanhou no ar e as deixou cair em uma mesa próxima.

       —Sim, pois talvez esteja cansado de ser seu amigo, — disse bruscamente.

       —O que? Que se supõe que significa isso?

       —Isso significa, imbecil, que estou apaixonado por você. Isso significa que estive apaixonado por você desde o jardim de infância.

       —O que? —ela ofegou, quase resfolegando.

       —Não te ocorreu que há uma razão pela que não estou emparelhado ainda, e isso não tem nada que ver com nosso estúpido pacto? Pelo amor de Deus, Cain, tínhamos sete anos quando fizemos esse pacto, de verdade esperava que todos se atassem a ele? Sobre tudo Michael, que tem que proporcionar herdeiros?

       —Você... você...

       —Depois vem a mim me pedindo que te arrume encontros?

       —Mas nunca me disse isso! Nunca o disse!

       —Só deixei cair um milhão de indiretas, idiota!

       —Não me chame assim, imbecil!

       —Não espere que te ajude a te enrolar com algum possível bode!

       —Bem!

       —Bem!

       —Não fico aqui outro minuto!

       —Bem!

       —Mas rebocaram meu carro esta manhã assim necessito uma carona!

       —Bem! —Ele arrancou suas chaves da mesa e pisou forte para a porta principal. Tinha imaginado esta cena mil vezes, mas nunca algo assim. Em sua mente, ela confessava que também o amava em segredo, e terminavam na cama, e finalmente a deixava prenhe, e viviam felizmente para sempre.

       Não assim... Essa horrível briga a gritos.

       Merda.

 

       Cinco dias mais tarde, Cain ainda jogava fumaça, aturdida, e traída. Tinha ignorado as chamadas e correios eletrônicos de Saul. Tinha olhado 300 nove vezes mais.

       E uma e outra vez pensou nos encontros um a sete, pensado no fato que Saul a sangue frio a tinha emparelhado com os piores membros da matilha que pôde encontrar homens que sabia (porque ele a conhecia como ninguém mais) acharia repulsivos.

       Não tinha pensado que ele fora capaz.

       E a coisa do amor? Ridículo.

       Não havia forma.

       Certo?

       Certo.

       Porque era Saul. O doce, gago, beta Saul. O esquisito, engenheiro, viciado no trabalho Saul.

       Saul, que lhe tinha dado seu ursinho de pelúcia aos cinco anos quando ela por acaso (bem, talvez tivesse perdido seu gênio um pouco) arrancou a cabeça do dele.

       Saul, que lhe deu sua casquinha de sorvete quando a dela caiu no verão quando tinham seis anos.

       Saul, que a tinha consolado quando seus pais morreram no outono quando ela tinha quatorze anos, como ela o tinha consolado quando sua mãe morreu um ano depois, rapidamente seguido por seu pai.

       Saul, que escutou sem alterar-se na primavera que tinha dezessete anos quando lhe contou sobre a perda de sua virgindade, logo sugeriu que deixasse o tipo.

       E ela tinha razão. Tinha.

       Olhando para trás durante os anos, podia ver suas manobras sutis, o modo em que sempre se assegurava que estivesse sozinha, o modo como brandamente a desalentava de perseguir certos homens, homens dos que poderia haver-se apaixonado.

       Bastardo traidor arteiro!

       Se alguma vez o visse outra vez (pouco provável isso) dar-lhe-ia um murro na cara. Repetidamente. Até que fosse um enorme vulto sangrento no piso. Ele e o imbecil do Geoff podiam compartilhar um quarto de hospital.

       No quinto dia, levantou-se do sofá da sala de estar, banhou-se, pôs roupa fresca, limpa, e partiu rua abaixo ao bar mais próximo.

     Movia-se facilmente, sem dor; o dano que Geoff lhe tinha infligido tinha desaparecido faz tempo... Embora tivesse chamado o Hospital de Cape Cod faz dois dias e assegurado que ainda estava hospitalizado. Isso tinha posto o primeiro sorriso sobre seu rosto em setenta e duas horas. Esperou que suas bolas ainda doessem.

       Depois que abrisse passo por diante da multidão que esperava, depois de ser saudada pelo gorila, dirigiu-se diretamente para o bar. Nunca tinha querido tanto uma bebida.

       Agora estava desabada em um tamborete, bebendo cervejas e pensando em todos os modos em que mutilaria Saul se alguma vez o visse outra vez (improvável isso).

       —Perdão?

       Primeiro, romperia seu nariz. Logo, romper-lhe-ia todos seus dentes. Logo...

       —Perdão?

       Girou para olhar; um bonito homem lobo ruivo, de olhos verdes deslizou no tamborete a seu lado. Era um alívio; ao menos um macaco não estava a ponto de flertar com ela.

      —Sim?

       —Não te conheço?

       —Não sei. E você?

       —É Cain, verdade?

       —Verdade. —Estendeu sua mão e ele a sacudiu. Era realmente bonito, com aqueles olhos verdes brilhantes e seu grande sorriso. E sardas!

       —Sou Darrell.

       —OH, Deus, — ela gemeu, e sepultou seu rosto em suas mãos.

      

       —Não tenho uma DST ao contrário do rumor.

       —Bem, isso é um alívio. Compro-te outra? —perguntou, gesticulando para sua garrafa de cerveja, que estava quase vazia.

       —Seguro.

       —Então, — disse, enquanto esperavam o garçom—, Saul se equivocou, né!? Não é próprio dele.

       —Sim o é. Equivocou-se a propósito. Esteve afastando os tipos de mim durante anos. Só o aumentou este mês.

       Houve uma pausa incômoda enquanto o garçom deixava suas bebidas, logo Darrell disse,

       —Santo Deus! Isso é —uh— estranho. Por que faria isso?

       —Porque se tornou louco?

       —Não acredito, soa-me à descrição de um homem apaixonado.

       —Por favor, — ela disse, mascando furiosamente sua cerveja.

       —Isso explicaria, — disse Darrell pensativamente—, por que também ouvi que foi anoréxica, enganchada na maconha, e uma ninfomaníaca.

       Ela quase se afogou com sua cerveja.

      —Não tive sexo em dois anos! E todo o resto não é certo, tampouco, — acrescentou tardiamente.

       —Tem razão. Tornou-se louco. Saul, de toda a gente! Louco por você, ao menos.

       —Por favor, — ela disse outra vez.

       —Wow, — ele disse alegremente, bebendo ruidosamente seu Bud.

       — Ouvi que é um pouco lenta para captá-lo, mas tem que pintar isso em sua frente?

       —Não sou, tampouco! —disse furiosamente, resistindo o impulso de romper a garrafa sobre sua estúpida cabeça vermelha.

     — E ele não o faz! E melhor que não o faça. Não posso acreditar que esteja de seu lado. Homens, — soprou.

       — Todos vocês se mantém unidos.

       —Temos que fazê-lo, — disse ele desculpando-se.

       — Marte e Vênus e tudo isso, verdade? Os tipos têm que manter-se unidos. De outro modo, você destruiria a todos.

       —Essa é uma visão do mundo interessante. Arrepiante, mas interessante. —Terminou sua cerveja e decidiu.

       — Então. Quer sair? Amanhã?

       —Sim, — disse—, mas não o farei.

     —Né!? Por quê?

       —Porque Saul está apaixonado por você e você provavelmente está apaixonada por ele, só que está muito furiosa para vê-lo. E não me meterei no meio disto. Embora seja absolutamente linda, — assegurou-lhe.

       —Só somos amigos, — estalou, ignorando a inquietante duvida que se arrastou por sua coluna.

       — Mas obrigado pelo bonita.

       —Não há problema. Mas está cem por cento enganada sobre seus sentimentos.

       —Enganada? — repetiu incrédula.

       —OH, seguro. Ele está totalmente apaixonado por você. Por isso fez toda essa investigação de cada macho elegível membro da matilha. O tipo provavelmente não dormiu desde que retornou à cidade.

       —Disse-me que era trabalho!

       —Bom, para ele, provavelmente o era.

      Ela golpeou sua testa na superfície do bar.

       —Estúpida. Estúpida. Estúpida.

       —Ouça. Deixa isso. — Darrell colocou sua mão entre sua testa e o bar, por isso a próxima vez sua cabeça golpeou sua mão.

       — A sério, para! Dar-te-á uma comoção cerebral.

       —Eu nunca pude ler sua escritura. Vi a papelada, estava por toda parte da sala de estar.

       —Bom, deveria deixar de te queixar porque não tinha nenhuma pista. Tinha toneladas delas, tal como parece.

       —É possível que te odeie mais do que odeio a Saul.

       —O problema é que não odeia Saul. Assim, por que não vai vê-lo?

       —Porque é um traidor, bastardo mentiroso?

       —Quem esteve contigo por... Como é o dito? Nas boas e nas más?

       —Acabo de decidir, — disse ela —, que isto não é teu assunto.

       —Ah, eu adoro me colocar. Além disso, via-te tão linda e angustiada que não pude menos que me aproximar.

       —Os cachorrinhos são bonitos, — grunhiu.

       — Os bebês são bonitos. Não sou bonita.

       —Awww, não seja tão dura contigo mesma, coisa linda. E vá ver Saul!

       —Esquece-o.

       Ele cavou seu queixo em uma mão e a estudou.

       —Céus, ele é um bastardo valente. É dura de roer.

       —Te cale. Suma.

       —Se promete ir vê-lo, irei.

       —Que tal se te der uma surra em troca?

       —Ah, não, — disse seriamente. — Então seria incomodo se alguma vez nos topássemos outra vez.

       —O que passa contigo?

       —Sou um grande fã do amor verdadeiro.

     Incrivelmente, ouviu-se prometer qualquer fodida coisa por um pouco de paz e tranqüilidade.

 

     Ela arremeteu na sala de estar de Saul, havendo metabolizado rapidamente a cerveja e decidindo saldar sua promessa quanto antes.

       —Bem, filho da puta traidor, oculto ardiloso... merda.

       A casa estava vazia. O que era estranho; onde estava à condenada meia-noite, de todos os modos? Ele não tinha vida fora do trabalho! E ela! E trabalho!

       Provavelmente estendendo rumores mais odiosos sobre ela; não sentiria saudades.

       Ficou a esperar. Esperaria toda a noite se tivesse que fazê-lo. Toda a semana. E ooooh, ia soltar tal repreensão, e possivelmente uma comoção cerebral, e talvez até...

       A porta principal se abriu de repente, e Saul entrou.

       —OH Deus meu! — gritou, levantando-se de repente.

     — Que demônios te passou?

       —Nada, — resmungou, tratando de coxear por diante dela, mas ela bloqueou seu caminho. Tinha o nariz ensangüentado, os dois olhos começando a ficar roxos, e havia algo mal com sua perna.

       —Sente-se, me deixe olhar sua perna.

       Tratou de apartá-la de um empurrão e quase caiu. Ela facilmente o empurrou no sofá, destroçou seu jeans, e examinou o vulto.

       —OH.

       —Sim.

       —Está quebrado.

       —Sim.

       —E se cura realmente rápido.

       —Você... aaaagggggghhhhhh!

       Ela tinha golpeado seu punho sobre o vulto, arrumando a fratura em caule verde com um golpe.

       —Já está! —ela disse com falsa animação. — Todo arrumado.

       Saul se inclinou na borda do sofá e vomitou.

       —Irei, uh, procurar um pano.

       —Parte, — gemeu.

       —Bem, — respondeu—, normalmente estaria tentada, exceto agora tenho que ir matar a quem te arrebentou. Mas primeiro tenho que limpar o vômito.

       Assim foi procurar o pano. Graças a Deus pelos assoalhos.

 

       —Então quem o fez?

       —Caí rodando pela escada.

       Ela bufou.

       —Quantas vezes?

       —Olhe, não está furiosa comigo? —Ele massageou as têmporas e estremeceu.

       — O que faz ainda aqui?

       —Claro que estou zangada. Mas esclareceremos isso depois de que mate ao tipo. O que seria muito mais fácil se me desse um nome. Odeio comer ao tipo equivocado. Assim quem foi?

       —Bati em uma porta.

       —Uma porta feita de pontas metálicas?

     Ele gemeu quando ela colocou um hambúrguer sob seu nariz.

       —Esta coisa está negra de queimada por fora e só sei que está crua por dentro.

       —Tem que comer.

       —É uma cozinheira horrível.

       —Bem, considera-o sua justa recompensa pelas traições passadas. Come!

       Olhou-a carrancudo, arrebatou-lhe o hambúrguer, e deu uma grande dentada. Mastigou durante um momento, logo disse,

       —Congelado no meio, sabia.

       —Se cale. —Deu-lhe um copo de leite, e ele o esvaziou em três goles.

       — Quem o fez?

       —Estive em um acidente de carro.

       —Com quantos reboques de trator? —Ela tirou rapidamente uma toalha e começou a limpar o sangue de seu rosto, ignorando seus esforços para apartá-la enquanto engolia o hambúrguer.

       —Cain, deixa de preocupar-se, foi um dia malditamente comprido.              

       Gesticulou para afastá-la como se fora um inseto molesto.

       —Saul, pelo amor de Deus, fala já? Você... espera um minuto.   — inclinou-se e farejou. Ele tratou afastar-se um pouco dela, mas o sofá estava as suas costas e não tinha aonde ir.

       Ela cheirou mais.

       —Conheço esse aroma! É de Geoff o idiota! OH meu Deus! Matá-lo-ei! Está morto! Totalmente, fedorento, fodidamente morto!

       —Na realidade, Senhora Intrometido, está de volta no hospital.

       —Completamente tremendamente morto! Espera. O que?

       —Saiu hoje. Assim fui ter um bate-papo com ele sobre como não tratar à pessoa a qual estive apaixonado em segredo por vinte e cinco anos. Ele discrepou. — Saul tocou o olho esquerdo, inchado e de um horrível marrom esverdeado. — Veementemente. Mas, como diz o refrão, deveria ver o outro tipo.

       —Foi atrás desse tipo? Por você mesmo? —Ela levantou suas mãos e ele estremeceu.

       — O sinto. Mas Jesus Cristo, Saul! O que te mordeu esta semana?

       —Não tenho nem idéia, — disse sem entusiasmo.

       —Se estava tão molesto deveria ter ido ao líder da matilha! Ou me deixar dirigi-lo!

       —Já! Não é provável.

       Ela ignorou isso.

       —Não procura briga com alguém assim. Deus poderia haver te quebrado seu estúpido pescoço.

       —E? Isso te solucionaria muitos problemas, não, não... aaaagggghhhhh!

       Tinha-lhe dado um murro a sua perna má outra vez.

       —Agora acaba de soar como um imbecil. Um imbecil enfurecido.

       —O que é, — admitiu ele —, pelo geral seu trabalho.

       —Simplesmente não posso acreditar que fosse atrás dele!

       —Senti-me culpado, — confessou ele.

       — Realmente, realmente culpado. Você... Posso contar com uma mão às vezes que te ouvi chorar e ele te fez... ele v-você... e sua camisa lhe rompeu isso toda e te g-golpeou... um e-e...

       Ela o beijou para calá-lo.

          

       Ela o beijou tão suave como pôde, como uma delicada mariposa em sua boca, suas bochechas, seu nariz torcido, seus olhos machucados, sua frente, e ele a atraiu a seus braços com uma força surpreendente e a puxou em seu colo. Ela brandamente separou seus lábios com a língua e ele chupou avariciosamente sua boca, fazendo-a suspirar.

       —Espera, — disse, tornando-se para trás. — Não quero soar como alguém esquenta cuecas, pelo que já fui acusada esta semana, mas está terrivelmente destroçado. Talvez não seja tão bom...

       —Brinca? —disse, levantando da poltrona com ela em seus braços—. E deixar passar esta oportunidade? —E com isso realmente correu com ela a seu dormitório, deixou-a cair na cama, logo começou a tirar a roupa tão rápido como era possível.

       —Se não parar, — disse ela, tratando de não rir quando uma meia três - quartos passou voando por sua orelha—, vai machucar-te outra vez.

       —Não deveria estar nua já? Não, espera. Quero fazê-lo.

       —Mandão.

       —foi uma semana estranha.

       Então ela o deixou lhe tirar a camisa, suas calças curtas, despojar de suas calcinhas e seu sutiã. Logo esteve em cima dela, seu amplo peito apertando-se contra o seu quando a beijou, sorvendo seus lábios em sua boca e brandamente mordiscando a carne sensível. Ela gemeu em sua boca —tinham passado dois anos— e se arqueou contra ele quando suas grandes mãos quentes cobriram seus peitos.

       Ela correu suas mãos em suas amplas costas, sentindo os músculos lisos sob a pele, rezando porque Geoff o idiota não tivesse lhe quebrado uma costela ou algo pior. Passou seus dedos por seu pêlo púbico negro e agarrou seu membro, sentindo a longitude aveludada palpitando contra sua mão. Ele era... meu, meu.

       —Saul, está dotado como um cavalo.

       —Para com isso, — gemeu ele—, se não quer terminar antes que tenhamos começado de verdade.

       —Não tinha nem a menor idéia.

       —Por favor, deixa de falar, - pediu.

       —Sim, isto não é realmente meu estilo. É... —Beijou-a, calando a de maneira efetiva, e ela envolveu suas pernas ao redor de suas costas enquanto a acariciava devagar e com cuidado, centímetro a centímetro sedutor. Ele ofegava, fôlegos ásperos em seu ouvido, e se movia com exasperante lentidão. Ela golpeou suas costas com seus punhos, mas ele não fez caso de sua urgência óbvia e chupou um mamilo em sua boca.

       —Saul, pelo amor de Deus, — gemeu ela.

       —Por favor, d-deixa de falar.

       —Saul, por favor!

       Então ele solicitamente investiu e ela gritou ao teto quando umas faíscas explodiram diante de seus olhos, enquanto ele empurrava e empurrava e empurrava, quando ela intensificou seu apertão em seus quadris e agarrou seu traseiro e afundou suas unhas nele.

       Seus orgasmos pareceram foguetes — um, dois, três, muito melhor que qualquer que tivesse estado conseguindo sozinha nos últimos vinte e quatro meses— e seguiu investindo, seguiu investindo dentro dela e se retirou e empurrou uma vez mais, e a agonia doce explodiu por ela outra vez e gritou seu nome.

       —Ah, Deus, Cain! —gritou, e logo tremeu tudo e pôde senti-lo pulsando dentro dela, enchendo-a, esquentando-a em seu interior, e ela se estremeceu uma vez mais em resposta a sua pura necessidade masculina.

       Eles jazeram juntos, ofegando.

       —OH meu Deus, — disse ela por fim.

       —Por favor, não o danifique, — murmurou em seu pescoço.

       —Saul, onde esteve toda minha vida?

       —Em qualquer lugar que tenha querido que estivesse. —Pausa. — Idiota.

       Ela riu.

       —Ooooh, eu adoro uma bonita conversação de travesseiro. Posso me derreter.

       —Em realidade não te amo; agora acredito que te odeio.

       —Ah, mentiroso.

       —Sim, — suspirou, e a beijou de novo.

      

      —Agora, não te vá pôr vaidoso, — lhe disse no café da manhã. Ele a tinha despertado duas vezes de noite, uma vez para tomá-la por detrás, outra para lamber cada centímetro de seu corpo.

       Olhou-a atentamente sobre o jornal.

       —Não, para nada.

       —Só porque é o amante mais fantástico de todos os tempos não significa que magicamente me tenha apaixonado por você durante a noite.

       —Ah, ama-me, — disse ele causalmente.

       — Só é um pouco lenta para entender.

       —Isso é justo o que disse Darrell, — resmungou ela.

       —O que?

       —Não importa. Come seus ovos, ainda tem dois olhos roxos.

       —Meus ovos, — comentou ele—, são líquidos.

       —Pensa que cozinho para qualquer, estúpido ingrato? Come!

       —Líquidos e lhes põe muito leite.

       —Se cale! —uivou, e lhe lançou um pãozinho inglês à cabeça. Ele o esquivou com facilidade. Ela tratou de acalmar-se. Era difícil, quando tudo o que queria fazer era lhe rasgar a roupa e fode-lo na mesa da cozinha.

       Saul.

       Saul, de todas as pessoas! Quem o teria pensado?

       —O que trato de dizer, — conseguiu soltar entre dentes—, é que deveríamos sair.

       —Eu pensava mais em me casar.

       —Encontro, — ela seguiu tenazmente—, e ao redor de meu aniversário, se pensarmos que funcionará, podemos nos casar.

       —OH. —Ele mastigou, olhou-a sem expressão, logo disse—, prefiro me casar agora mesmo.

       —Você imbecil! Jesus, amo-te. —Então, horrorizada, tampou a boca. — Não quis dizer isso!

       —Sim, fê-lo. —Pareceu insuportavelmente satisfeito— Só te escapou! Como... como diarréia verbal.

       —Você, — disse —, deveria escrever cartões de felicitações. Tem tanta manha com as palavras.

       Lançou-lhe outro pãozinho, que ele apanhou no ar e devorou em dois bocados.

       —Encontro! —ela virtualmente gritou.

       — Sairemos! E em duas semanas, possivelmente nos casaremos.

       Houve um golpe cortês na porta, e ele imediatamente se levantou.

       —Não, fique e come. Eu irei. Talvez Geoff voltou para o segundo round.

       —Duvido.

       Foi à porta principal, abriu-a, e viu o líder de sua Matilha, Michael Wyndham, de pé no degrau dianteiro.

       —Cain! Felicitações!

       —Né!? Quero dizer, bom dia, Michael.

       —Logo que ouvi as fantásticas notícias me pus a trabalhar.

       —Né!?

       —Santo Deus! É bastante lenta de entender, verdade? Tenho a papelada toda arrumada. —Deu-lhe uma folha grossa.

       Uma licença de matrimônio.

       E Michael, é obvio, estava autorizado para casá-los.

       —Saul! —ela gritou, quase enrugando a licença em seu punho. — Você... manipulador... estúpido!

       —Nervos do dia das bodas? —Michael perguntou amavelmente.

       —Não o convidará a entrar? —Saul gritou da cozinha.

       Ela pesou o prazer de fechar de repente a porta em seu rosto contra as conseqüências de fechar de repente a porta em seu rosto, então a contra gosto se apartou para que pudesse entrar.

       Depois trotou corredor abaixo à cozinha.

       —Isto não prova nada! Não penso assinar esta coisa hoje!

       —Bem, eu sim. —Ele raspava o resto de seus ovos líquidos no triturador de lixo. — Pode assiná-lo quando estiver preparada.

       —O que poderia ser um tempo malditamente comprido, Senhor Planeja Tudo Sem me Dizer! Alguma vez pensou nisso?

       —O tempo corre Cain. Terá trinta... Quando?

       —Sabe quando! —uivou.

       —Então, — Michael disse por detrás dela—, quem assina esta coisa? Diga-me, Cain, recorda a aposta que fizemos quando éramos apenas meninos, sobre que nos aparearíamos antes que...

       Arrebatou-lhe a coisa de sua mão. Saul lhe deu uma caneta. Ela a assinou com um risco furioso. Empurrou a seu (gemido) marido. Quem também assinou.

—Bem, — Michael disse, olhando-os duvidosamente e tomando o certificado.

— Como sabem, estão legalmente casados agora, mas nós adoraríamos ter uma cerimônia formal para vocês na mansão. Quando estiverem, hum, não tão estressados. Talvez em uma semana ou duas?

       —Não estou estressada. Estou fodidamente casada.

       —Bem, ah, felicitações parecem ser, hum, um casal feliz.

       —Bastardo, — disse a Saul.

       Seu marido sorriu e lhe deu um copo de ovos crus.

       —Pagará, — advertiu-lhe. — Durante os próximos cinqüenta anos, pagará.

       —OH, conto com isso, — disse, e a beijou amorosamente durante um longo tempo, e em um momento Michael clareou garganta e partiu, mas eles não notaram.

 

                                                                                Mary Davidson  

 

                      

O melhor da literatura para todos os gostos e idades

 

 

              Biblio"SEBO"