Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

  

 

Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


Os Animais e a Peste / Monteiro Lobato
Os Animais e a Peste / Monteiro Lobato

 

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

Os Animais e a Peste

 

 

 

Em certo ano terrível de peste entre os animais, o leão, mais apreensivo, consultou um macaco de barbas brancas.

 

- Esta peste é um castigo do céu – respondeu o macaco – e o remédio é aplacarmos a cólera divina sacrificando aos deuses um de nós.

 

- Qual? – perguntou o leão.

 

- O mais carregado de crimes.

 

O leão fechou os olhos, concentrou-se e, depois duma pausa, disse aos súditos reunidos em redor:

 

- Amigos! É fora de dúvida que quem deve sacrificar-se sou eu. Cometi grandes crimes, matei centenas de veados, devorei inúmeras ovelhas e até vários pastores. Ofereço-me, pois, para o acrifício necessário ao bem comum.

 

A raposa adiantou-se e disse:

 

- Acho conveniente ouvir a confissão das outras feras. Porque, para mim, nada do que Vossa Majestade alegou constitui crime. São coisas que até que honram o nosso virtuosíssimo rei Leão.

 

Grandes aplausos abafaram as últimas palavras da bajuladora e o leão foi posto de lado como impróprio para o sacrifício.

 

Apresentou-se em seguida o tigre e repete-se a cena. Acusa-se de mil crimes, mas a raposa mostra que também ele era um anjo de inocência.

 

E o mesmo aconteceu com todas as outras feras.

 

Nisto chega a vez do burro. Adianta-se o pobre animal e diz:

 

- A consciência só me acusa de haver comido uma folha de couve da horta do senhor vigário.

 

Os animais entreolharam-se. Era muito sério aquilo. A raposa toma a palavra:

 

- Eis amigos, o grande criminoso! Tão horrível o que ele nos conta, que é inútil prosseguirmos na investigação. A vítima a sacrificar-se aos deuses não pode ser outra porque não pode haver crime maior do que furtar a sacratíssima couve do senhor vigário.

 

Toda a bicharada concordou e o triste burro foi unanimamente eleito para o sacrifício.

 

 

Moral da Estória:

Aos poderosos, tudo se desculpa… Aos miseráveis, nada se perdoa.

 

 

                                                        Monteiro Lobato

 

 

 

Carlos Cunha  Arte & Produção Visual