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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


NÃO HÁ NADA COMO UM HOMEM LOBO / Mary Davidson
NÃO HÁ NADA COMO UM HOMEM LOBO / Mary Davidson

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

Série “Lobo Wyndham”

NÃO HÁ NADA COMO UM HOMEM LOBO

 

Trata-se de luxúria? De amor? Tudo é possível ... pois não há nada como um homem lobo.

Drake Dragão é um médico um pouco diferente. Não é somente cego (a maioria das pessoas nem percebe que é cego), mas também um homem lobo, e utiliza seus sentidos para ajudar os pacientes.

Uma noite encontra uma jovem que o ajuda, mas não sabe o que pensar, pois consegue realmente vê-la. Não apenas sombras, pode mesmo dizer a cor de seus olhos. Isso nunca aconteceu antes. Ele não é capaz de deixá-la longe de sua vista, agora que pode vê-la.

Crescente Muhn esteve por conta própria há anos. Não tem um lar, é muito jovem e está habituada a fazer as coisas a sua maneira. E o pior de tudo: ela é louca: acha que pode voar. E fica pulando de edifícios para provar isso.

Quando conhece Drake, sente-se atraída e vai morar com ele em uma casa que é perfeita para pular. Afinal, ela sabe que pode voar. Isso só não aconteceu ainda, mas ela sabe que conseguirá. O que vai pensar Drake se souber o seu segredo? O que vai pensar Crescente quando descobrir que Drake é um homem lobo?

 

 

   Como qualquer homem lobo sabe, os cheiros e emoções e até as vozes altas têm cor e textura. E como qualquer homem lobo cego sabe (não é que houvesse outro além dele, na medida de seu conhecimento) você podia tomar esses cheiros, emoções, e conversas e fazer um trabalho bastante bom de se ver. Não um excelente trabalho, comparativamente falando, mas suficiente para ter um conceito sólido do mundo.

   - Mas não posso estar grávida - a senhora Dane dizia. – É impossível.

     - Há ao menos uma possibilidade.

     - Mas sou estéril! Disseram na clínica!

     - Os acidentes acontecem, - disse alegremente. Ele sabia que ela estava aturdida, mas feliz. E depois que o choque desaparecesse, ela ficaria extasiada. Poderia lhe dizer que suas trompas de Falópio se regeneraram para desbloquearem-se através dos anos, mas isso traria perguntas incômodas. Depois de tudo, era só seu médico da familia. Não estava tratando ela por causa da sua infertilidade.

     - Diria que está grávida de…”Trinta e nove dias e meio”…perto de seis semanas. Vou prescrever uma receita para algumas vitaminas pré-natais, e quero que tome duas ao dia. E os conselhos usuais, é obvio, que modere o consumo de álcool, não fume, bla bla bla... Conhece tudo isto. - A senhora Dane era uma enfermeira de obstetrícia.

     - Sim, mas…eu nunca acreditei que precisaria.

   Ele ouviu a mudança de peso quando ela desceu da mesa, e estava preparado quando ela se jogou com seus braços gordinhos ao redor dele com o abraço de um estrangulador. - Eu agradeço tanto! - Cochichou ferozmente. - Obrigado!

     - Sra. Dane, não fiz nada. - Ele desenredou suavemente de seu abraço. - Vá para casa e agradeça a seu marido.

   - OH, sinto muito. - Agora ela brilhava no olho de sua mente, reluzindo com desconcerto. -Eu li em alguma parte que as pessoas cegas não gostam quando seu equilíbrio é alterado.

   - Não se preocupe. Não me desequilibrou. - Não sem um caminhão. - Não se esqueça de comprar isto a caminho de casa, - acrescentou. Ele podia escrever perfeitamente bem, o que significava que suas receitas não parecessem mais legíveis que as de um médico normal.     - Bem, bem! - Ela se lançou ao redor dele, quase chocando com a porta fechada, e saindo sem suas roupas. O vestido sacudiu uma vez quando a porta se fechou atrás dela.

   - Não acredito que a deixarão entrar na farmácia vestida assim - ele avisou atrás dela.

     - Só estou dizendo que deve considerar, - sua enfermeira, Barb Robinson, argumentou. - Odeio imaginar você indo para uma casa vazia todas as noites. E ele poderia.... já sabe. Ser útil.

   - Pôr uma coleira ao redor de um cão e fazê-lo esperar todo o dia para me levar? -Tentou não soar tão espantado como se sentia. - Isso é terrível!

     - Drake, seja razoável. Vira-se bem, mas já não é um menino.

     - Resumindo, desde que estou rondando os 40...Oh, é hora de olhar os prospectos de enfermeiras particulares?

   O cheiro de Barb mudou.....antes tinha sido cítrico e intenso, porque embora estava envergonhada de tocar no tema, estava determinada a fazê-lo. Agora, como ela conseguiu incomodá-lo, intensificou-se até que estava malditamente perto de cheirar como um colutório.

     - Muito divertido - soltou. - Uma coisa é o orgulho. Sua segurança é outra. Para dizêr mais alto e claro, até não usa sua bengala a maior parte do tempo.

   - Eu posso tirar essa idéia de você se começar a usar com força a minha bengala ao meu redor?

- Sim - disse rapidamente.

   OH, pelo amor de Deus. - Bem. Você pode me chamar a partir de agora de Dr. Stick.

   - É só que não quero que se machuque, simplesmente - insistiu. - Você me incomodou para que mudasse para uma vizinhança segura.

   - Repetidamente?

   - OH, cale-se. E você faria melhor se fosse embora. Não é esta noite, outra noitada de   festa?

 Poderia dizer isso. – Na realidade.

- Bem…talvez não deva esforçar-se. Parece cansado hoje.

   - Fiquei acordado até muito tarde, - disse brevemente. – dê-me a maldita bengala.

   Ele a ouviu procurando ao redor e debaixo do balcão, e então bateu no chão diante dele. Ele arrebatou da mão dela. - Satisfeita?

   - Por agora.

- Também, está aborrecida.

   - Há!

   - Talvez da próxima vez. - Ele obediente começou a dar golpes ligeiros em direção à porta de entrada, embora sabia perfeitamente bem que havia oito metros, nove centimetros de distância. – Verei você na segunda-feira.

   - E considere o assunto do cão! - Disse a gritos atrás dele.

- Pouco provável, - murmurou baixinho.

 

   A pequena turma....dois garotos e uma garota, nenhum deles além dos 15 anos, seguiram até o metrô. Trombadinhas típicos; precisavam de reforços para roubar um cego. Levou-os pelo Milk Street e os deixou encurralá-lo.

   - Simplesmente saibam, - disse, girando, - em torno de meia hora a lua estará saindo. Assim que isto é uma idéia muito, muito má. Explico-me... - eles o encurralaram, e sua bengala enganchou o primeiro pela garganta.- ....isto é uma idéia má em geral. Deve haver milhares... seu cotovelo baixou preciso sobre o crânio do segundo.- de modos mais respeitáveis para ganhar a vida.

   Ele hesitou com a menina, e quase conseguiu que seu rosto fosse fatiado por ela. Ele se jogou para trás, ouvindo o barulho do aço escorregando mais à frente no seu rosto, agarrou então seu braço e jogou, verificando sua força no último momento. Ela voou longe dele e se chocou na parede de tijolo, então caiu completamente como uma boneca com suas cordas cortadas. - Seriamente, - disse aos aturdidos e semi-conscientes moleques, - Deveriam considerar isso. E você o que está fazendo?

   - Nada, - o outro homem lobo disse alegremente. - Só vim para ver se precisava de uma mão. Cristo, quando foi a última vez que estes três tomaram um banho?

   - Faz algumas duas semanas.

   - Como vai, Drake?

   - Vai como sempre foi, - disse cuidadosamente. Ele conhecia Wade desde quando eram jovens, mas era cuidadoso ao redor da manada.

   Estendeu sua mão e sentiu como era engolida pela do homem mais jovem, que cheirava fumaça de madeira e trutas fritas. Drake era um homem grande, mas Wade era três centimetros mas alto e vinte gramas mais pesado. Se não fosse como um gatinho, ele seria aterrorizante. - Ainda mantendo seu lugar na cidade?

   - Com certeza. Esta cidade é um fodido ranking, homem. Entro só para me manter acima. Um dia me afastarei.

   - Tente não comer ninguém.

     - Tá, viu o que eles comem? Eu não mastigaria um macaco nem apostando.

     - Isto não é agradável, - disse Drake calmamete.

   - Sim, sim, perdoe meu fodido comportamento pouco Politicamente Correto. Humanos, certo, não importa de onde se originaram. Não, realmente! Eles deveriam estar orgulhosos de serem bonitos barbeados.

   - Tsk.

   - Ei, estou contente de vê-lo. Deveria Ir a Cape Cod, dizer olá ao chefe, Moira e os meninos.

Ouviu que Moira se emparelhou?

   - OH, sim. Com um macaco, correto?

     - Sim, bem… - Wade ficou tenso; Drake pôde ouvir seus tendões rangendo e alongando-se. Sua mudança estava muito próxima. Felizmente, ambos tinham deixado muito atrás a adolescência; manteriam bem o controle.

- A nova companheira do alfa, Jeannie, ouviu que…uh…ela soube que algum da manada…uh…

   - Está afligido por uma deficência devastadora? - Perguntou agradavelmente. Tocando sua bengala para dar ênfase.

   Wade tossiu. - De qualquer modo, bateu no fodido teto quando Michael contou, e ficaram bravos e discutiram sobre isso durante quase um maldito mês, enquanto o nosso intrépido líder insistia que não era assim, e finalmente Michael disse que isso não era automático, que esta é a decisão dos pais, e ambos concordaram.

   Drake se calou. Para a manada, isto estava além da imaginação, na realidade. As deficiências eram tão estranhas entre eles que era quase inaudito, e quando um membro da manada nascia cego, ou surdo, ou o que fosse, era tradição da noite dos tempos que o Lider matasse o cachorrinho. O maldito era normalmente muito fraco depois do nascimento, por isso era quase sempre um acordo.

   Seu Alfa, entretanto, morreu no Desafio antes de seu nascimento, e sua mãe o quis. Tinha o escondido longe durante um tempo, assim o bem intencionado líder da manada, o pai de Michael, não pôde encontrá-lo e matá-lo. Tinham-no levado desafiante e cruelmente...sem dar ou pedir nada.

   Drake deixou finalmente a manada por sua vontade, buscando a vida em Boston, entre os humanos. Aqui, ao menos, ele pôde manter-se. Os humanos não se interessavam pelos Desafios. Eles nem sequer os conheciam.

     - Bem, talvez eu faça uma visita - mentiu. - passou muito tempo. - Michael nem sequer era o Líder da manada quando partiu…Moira era uma menina precoce, uma dos poucos que tinha tentado falar com ele.

   Não. Estava feito.

   - Muito tempo? - Wade estava falando. - Sim, perto de vinte anos. É um pouco diferente agora. Michael é um sujeito moderno. Ninguém foderá você.

   - Obrigado por me contar as notícias. Mas não os deixei porque tivesse medo de me foderem.

- Você ganhou todos os Desafios, - Wade admitiu.

- Fui porque não me permitia ser eu mesmo.

- Pensa que permite ser isso aqui? Na Central dos Macacos?

Ele deu de ombros. A solidão era fator central de sua vida, simplesmente o reconhecia. - Não importa.

   - Bem, pense sobre isso. Sei que Jeannie gostaria de conhecê-lo. Se por nada mais, para ter a razão. Viva para essa merda. - Disse em um tom de reticente admiração.

   - Veremos.

   Drake ouviu Wade inalar, e esticar-se de novo. - Bem, conheço um asno obstinado, tome cuidado. Melhor mover meus pés fora daqui. Será longo. Ontem à noite foi lua cheia.

- Felizes rastros, - disse secamente. - Até logo, tente não comer todo mundo.

- Até logo, -disse o homem maior, correndo a meio galope, - não me faça vomitar. Vem companhia.

   - Sim, eu - quase caiu, bem ali no beco. - Sei.

   - Jesus - disse a garota, aproximando-se. Ela deu uma rápida olhada sobre o ombro vendo a retirada de Wade, então virou e olhou com ira à turma inconsciente. - Grandes perdedores!

   Tudo era repentinamente mais brilhante, muito agudo. As exalações dos presuntos atacantes, as pisadas de Wade afastando-se, o perfume da garota....-L'Occitane green tea.

   Ele pôde vê-la.

   Não senti-la, não fazer uma idéia de onde estava e como se sentia por sua voz. Vê-la. Tudo ao redor dela eram sombras cinzas, mas ela ressaltava como uma baliza.

   A pequena cabeça dela alcançava bem na metade de seu peito. E seu cabelo era como luz, a cor ensolarada que ele presumiu que era o que as pessoas chamavam de loira. Seus olhos eram uma cor estranha…não azul como o gelo azul, e não violeta como pessoas que haviam descrito íris…era algo intermediário.

   Seu cabelo era brutalmente curto assim como suas unhas. Usava seis brincos em sua orelha esquerda, e oito na direita. Tinha um aro no nariz, um piercing na sobrancelha esquerda, e sua camisa era bastante curta para mostrar o anel do umbigo. Seu estômago era docemente arredondado, e ela vestia um short tão pequeno que eram virtualmente uma calcinha de algodão. Suas meias negras se rasgavam estrategicamente, mostrando os brilhos de pele sedosa. Seus sapatos (que cor era essa? Vermelho? Laranja?) Estavam ligeiramente amarrados com cordões que não tinham cor alguma.

   - Está bem, cara? Estou realmente aflita se eles tentaram algo. Disse para pararem com esta merda. Eu não pensei que eles, sabe, tentassem.

   Olhou para ele embevecida.

- OH, sinto muito, - disse, olhando sua bengala. -Não me dei conta. Precisa de ajuda para ir a alguma parte? Eles o machucaram?

- Posso vê-la!

- Nossaaa, certo. - Deu precavidamente um passo para trás. - Escute, tenho que fazer algumas coisas esta noite...última oportunidade. Precisa de mim para chamar um táxi ou algo?

- Santa Mãe de Deus!

   - Bom, não. Bem, adeus - ela virou, e, gelado, viu-a ir. Seu traseiro era plano, e ela subiu seus shortes, que se cavavam ao redor de sua cintura. Ele não podia nem imaginar sua idade...vinte e dois? Vinte e cinco? Ele era ao menos quinze anos mais velho.

   Ouviu um rangido, e deixou cair a bengala... tinha agarrado tão forte que a partiu em dois. Por que podia vê-la? Por que agora? Tinha relação com a lua cheia? Se fosse assim, porque não tinha acontecido antes? Quem era ela? E onde ia com tanta pressa?

As nuvens se moviam além da lua, e repentinamente ele teve o dobro de dentes.

 

   Crescent permaneceu no telhado e com o olhar na rua. Não estava longe. Uma história doentia. Olhou, as pessoas caíam tão longe todo o tempo e sobreviviam…a maioria…por outro lado ela não era uma pessoa normal. Provavelmente.

   Se alguma vez voasse, agora era o momento.

   Pôs suas mãos na beirada e se lançou para cima, mas sentiu um puxão forte no traseiro de suas calças e caiu para trás. Bateu no telhado e foi todo o ar de seus pulmões. Assim se tombou ali e ofegou como um peixe fora da água, e quando foi capaz disso, apoiou-se sobre seus joelhos.

   O maior lobo que jamais tinha visto estava sentado a um metro. Estava muito sobressaltada para se assustar. E ele não estava grunhindo ou mordendo, só olhando para ela sob a luz da lua.

   Um cão poderia entender, ainda aqui, no meio da cidade. Mas um lobo? De onde tinha vindo? Escapou de um zoológico? E como tinha feito para subir no telhado? Os lobos podiam subir pelas escadas de incêndios? Havia uma escada de incêndios?

   Se estendesse ao máximo seus dedos, suas garras eram pouco mais ou menos desse tamanho. E sua cabeça era quase duas vezes mais larga que a sua, com olhos de castanho profundo, quase inteligentes. Seu pêlo era de um castanho vivo, cor chocolate misturado com as mechas prateadas, e quando a brisa moveu seu pêlo, o lobo pareceu nobre…quase majestoso.

   - Como fez isto? - Perguntou ao lobo. - Se eu quisesse um animal mordendo meu traseiro, começaria a ter encontros de novo.

   Ele a olhou fixamente. Conjecturou que deveria estar assustada, mas não se sentia ameaçada por ele.

   - Prazer em conhecê-lo, querido, -murmurou. - Agora você fica aqui. Tenho que ir fazer algo. - Ela se levantou, limpou o pó de seus joelhos, e caminhou pela borda, tinha dado um passo e meio quando ouviu um grunhido de advertência atrás dela. Levantou rapidamente suas mãos e virou. - Jesus, quem é? Por que me escolheu? E por que se importa? Olhe, não me machucarei. Posso voar. Quero dizer, estou bastante segura. E se me engano... o que não acredito....é só uma altura.

Não. O lobo não entendia.

- Bem, infernos, - disse, e se sentou com as pernas cruzadas.

   Tinha sido um longo dia, e uma longa noite. Pouco antes que percebesse, estava inclinando-se de lado. O cascalho cortaria provavelmente sua bochecha, mas o sentiu como o mais suave dos travesseiros.

Dormiu.

 

   Estava rígida, e gelada, e alguém estava sacudindo-a pelo ombro. Que infernos tinha acontecido com a sua cama de armar?

   Ela abriu seus olhos para ver um homem apoiado em um joelho ao lado dela. E, surpresa! Não estava mal para um sujeito grande. Ele parecia estar nos trinta, e tinha magníficos olhos escuros, o cabelo castanho se misturava com cinza, e linhas de sorriso rodeavam sua boca. Seus ombros, dentro de um traje escuro e casaco que vestia, eram incrivelmente largos. Suas coxas eram quase tão grossas quanto sua cintura, e ele estava reclinado sobre ela como um anjo escuro. Era um pouco inquietante, mas do tipo cool.

   - Bom dia. - Sua voz era profunda, agradável. Ele provavelmente trabalhava na rádio. – você esta bem?

   - Sim, - ela disse, mas se queixou quando tentou sentar. - Não posso acreditar que fiquei dormindo aqui. - Ela limpou o cascalho de seu rosto e olhou ao redor. O lobo se foi, graças a Deus. - OH, merda! Não consegui... –não importa.

- Que está fazendo aqui acima?

- Preocupe-se com seus assuntos, - disse. - Pode ir.

- Não parece uma suicida, - comentou.

- Não sou!

- Então porque está em um telhado?

- Rirá de mim.

- Duvido disso.

- Em qualquer caso, não é seu assunto.

- Bem, - ele disse agradavelmente, - não penso em deixar você aqui sozinha. Assim também poderia contar isso.

- Maldição! - O que estava acontecendo? Primeiro o bando decidiu fazer a BURRICE (mas habitual, de qualquer modo), depois um estranho e gigantesco lobo a atormentou, e agora este sujeito. Deus devia odiar o que ela era. - Bem lhe direi que estou bastante segura de que posso voar. Eu senti que podia fazer isso durante toda minha vida. É uma coisa que... ocorre em minha família. Exceto que minha família morreu, assim , eu não soube realmente com absoluta segurança, entende? Assim, em qualquer caso, ontem à noite finalmente reuni a coragem para tentar, mas não pude porque... não importa, pensará que sou uma imbecil. Mais que agora, quero dizer. De qualquer modo, é por isso que estou aqui. Não para morrer. Para voar.

- Mmmm. - Ele pôs uma grande mão sobre seu rosto e olhou suas pupilas. -Bem, não está sob os efeitos das drogas. Isso é bom.

   - Saí das drogas aos dezessete, - ela cuspiu, e agitou sua mão. - estive limpa durante anos.

   - E não está doente terminal, -concluiu.

- Como pode saber disso?

- Sou médico, é meu trabalho saber.

- O que fez, uma análise de sangue enquanto dormia?

Ele ignorou seu comentário.- Como se chama?

- Que lhe importa?

Ele olhou-a sobriamente. - Importa-me.

Estranho. Mas cool. Certo, Bem.- Meu nome é Crescent.

- Isso é tudo?

-Não, tenho um sobrenome, mas não vou lhe dizer.

- Porque? É uma fugitiva?

- Preferiria. É só que todos riem. Rirá também.

Ele levantou sua mão, com a palma para fora. - Prometo que não o farei.

- É Muhn.

- Crescent Moon?

- O “h”, - disse com toda a dignidade possível,- é mudo.

- Está bem, - disse-lhe. - Meu sobrenome é Dragon.

- Doutor Dragon?

- Doutor Drake Dragon.

   - OH céus. -Riu bobamente. - Somos ambos como de desenhos animados.

   - Se percebeu, é obvio, que deveríamos nos casar. - Disse ele com uma face perfeitamente inexpressiva, que fez ela rir mais forte.

   - É uma história muito boa para contar aos nossos netos, - concordou. - Mas primeiro tenho que fazer isto. Assim, adeus.

   - Desça e tome o café da manhã comigo, - enrolou.

   Surpreendentemente, sentia-se tentada. Ele realmente era uma raposa pétrea. E ela não teve um encontro em… vejamos, fazia três anos que ela podia beber legalmente, e estava com esse menino que a levou à rave depois…

   Espere um minuto.

   - Espere um minuto! - Deus, estava lenta esta manhã. - Você é o sujeito cego do beco! -Exceto que não parecia cego. Tinha verificado suas pupilas, gritou em voz alta.

- Sim, - confirmou.

- Não parece muito cego.

Ele hesitou, e disse de novo, - Venha tomar o café da manhã comigo.

- Por que?

- Você também poderia. Não vou deixar você saltar.

Ela suspirou. - Bem. Tenho fome. - E posso me desfazer deste sujeito depois de tirar uma comida grátis. - Certo. Vamos, MacDuff.

 

   Ele ofereceu seu braço quando chegaram ao nível da rua, e seu cheiro mudou para laranjas amadurecidas pela diversão. Depois de um momento, ela o segurou.

   - Maldição, não posso fechar meus dedos ao redor de seus bíceps. Treina nove vezes por dia?

     - Não. Mas eu gosto de me manter em forma.

     - Sabe, não temos por que ir a um lugar extravagante, -disse. - Poderíamos tomar simplesmente uma xicara de café.

   - Está abaixo de seu peso para a altura que tem. Tomaremos um desjejum apropriado.

   - Mandão, - tossiu em seu punho.

   Ele sorriu. - Sim. - Era tudo o que podia fazer para não olhá-la embevecido como um colegial. Não tinha nem idéia de porque podia vê-la, mas o efeito não se foi com a luz do dia…ela parecia uma chama em uma rua de sombras. - Estou preocupado que seja de família.

   - Posso lhe perguntar algo? Como vai sem ter um cão? E onde está sua bengala? Não tinha uma ontem à noite?

     - Eu me conduzo bastante bem, - ele disse, evitando suas perguntas. -fui cego toda minha vida. É o que conheço.

   - OH. Bem, como disse, não parece cego.

Deu de ombros. Os humanos sempre lhe diziam isso.

 

   Depois de um café da manhã de três tortinhas, seis torradas, e duas xicaras de café (dela), e um tigela de aveia (dele), falaram.

   - Quer mais presunto ou toucinho? Por favor, peça tudo que desejar. Posso lhe assegurar que está muito bom.

   Ela tremeu. - Não obrigado. Sou vegetariana.

   - OH. - Hmm. Que interessante. - Sabe, essa não é precisamente a melhor dieta para um onívoro.

   - Amigo, eu não mastigo carne morta, e esse é o fim da questão.

   - Drake - corrigiu.

   Enxugou o mel de sua última tortinha. - Sim, o que quiser. Posso pedir mais café?

   - É obvio. - Ele o pediu à garçonete, e perguntou então, - porque está tão magra?

   - Porque faz tantas perguntas?

   - Interessa-me, -disse simplesmente.

   - OH-OH. Amigo, você tem, duas vezes minha idade.

   Sim, isso era aborrecido. Mas era inevitável. - Deixe de me chamar amigo. E provavelmente não é o dobro. Farei quarenta este ano.

     - OH. - Ela pareceu surpreendida - parece mais jovem. Eu tenho vinte e quatro.

   - Parece mais jovem, também. Se posso perguntar, onde está ficando?

   - Há um refúgio em Beacon Street, - disse sem o menor desconcerto. -Perdi meu trabalho....a economia, sabe.... e não podia pagar o aluguel, assim eu fiquei rodando por aí.

     - É assim como acabou no bando de trobadinhas que me atacou?

     - Eu não sabia que eles iriam fazer isso, - disse seriamente. - Pensei que só falavam por falar.

   - Acredito. O que sabe de sua família?

   - Que não tenho.

   - Sinto muito.

   - Está tudo bem. Realmente nunca os conheci. Como você.....imagino..... estou sozinha, é tudo o que sei.

   - Porque não fica comigo por algum tempo? Tenho uma casa em Cambridge, cheia de quartos para hóspedes.

   Ela bufou em sua taça de café. - Bom. Ir para casa com um estranho que apareceu de alguma parte, que diz que é cego e não quer nada. Não é desmasiado horripilante?

   - O que de pior pode acontecer?

   - Poderia me matar enquanto durmo.

   Ele tentou não mostrar-se ofendido. - Isso é ridículo. Enquanto dorme? Nunca.

   Ela rompeu a rir. - OH, certo, assim estabelecemos que não me matará enquanto estiver dormindo. É uma promessa.

- O refúgio dos sem teto é preferível a minha casa?

- Bem…sem querer ofender, Amigo…Drake, quero dizer… se ponha em meu lugar.

- Compreendo. Mas considere isto, teria tortinhas todas as manhãs, - disse persuasivo, - e todo o café que quiser beber. Até que volte a boa sorte.

   Ela sacudiu sua cabeça, mas parecia tentada. - Jesus, não posso acreditar que estivesse considerando. Se fosse um filme de terror, estaria dando gritos à tela. “Não faça isso, burra estúpida!“

     - Seria agradável. Poderia desfrutar realmente de sua companhia. Vivo uma…vida solitária. Seria agradável ter um....um amigo perto.

   Ela o olhou fixamente durante um longo momento. - Bem. Tenho que admitir que é a oferta mais encantadora que recebi este ano. Mas aqui está a questão. Eu recebo estas ”Leve-a-pobre-abandonada-para-casa-e-cuide-dela” sensações de você, mas não estou certa de que consiga. Minha família morreu quando eu era um bebê, e deixei o orfanato quando tinha dez anos. Cuidei de mim durante muito tempo. Posso me cuidar.

   - É obvio.

   - E a verdade é que, não há nada que eu possa…bem... fazer por você. Já sabe. Em relação a ficar em sua casa.

   - Não, absolutamente não esperaria isso de você. - E, felizmente, ela estava a mais de duas semanas de sua ovulação. E ele não estaria nada perto da mudança então. Podia ser problemático quando o ciclo de uma colega de quarto coincidia com um homem lobo macho por perto, mas não teria que preocupar com isso, ao menos. - Sem condições, Crescent.

   - Bem. - Terminou seu café. - Não posso acreditar que digo isto. Mas tentaremos. Por algum tempo.

- Correto, então. - Ele sorriu, e ela devolveu o sorriso. Nunca tinha visto um sorriso antes. O seu fez ele se sentir tonto.

 

   Entraram e ela ficou instantaneamente deslumbrava. Como se a enorme casa colonial não fosse o suficientemente impressionante por fora.

   - Nossa!. Quantas janelas tem?

   - Não tenho nem idéia.

   - Bem. Sinto muito. É tão iluminada! - Ela ficou olhando fixamente, não podia evitar. Sua amalucada primeira impressão era de grande quantidade de luz, a sala com um teto tão alto para voar, um desvão, e grande quantidade de chãos de madeira. - Não precisa acender nenhuma luz durante o dia. Se não quisesse.

   Ele estava pendurando o casaco no armário. - Eu gosto de sentir o sol no rosto.- Disse simplesmente.

- Disseram alguma vez, que vive em uma casa cor de rosa?

   - Vários mencionaram. – ele deu de ombros. - isso importa?

   Ela riu. - Suponho. É de certa forma divertido. Quero dizer, você é grande, um cara super-masculino, e sua casa é da cor de uma camiseta rosa desbotada. É um pouco estranho.

   Sorriu. Era desconcertante....como ele estava olhando bem para ela. Mas é obvio que não podia ser. Ele sabia provavelmente que estava junto da porta devido ao som de sua voz.

     - Súper-masculino?

     - Amigo, você é o maior e mais ousado cara que vi na vida.

     - Obrigado. E deixe de me chamar Amigo.

   Era o mais acentuado ”deficiente” que alguma vez encontrou. Pagou o café da manhã com dinheiro em espécie…e notou que as notas de vinte dólares estavam dobrados em triângulos, e as de dez era um retângulo. É obvio…tinha perfeitos sentidos. Ele não podia ver os valores, e as notas se sentiriam iguais. Conseguia desta maneira diretamente do banco? Ou teria um ajudante para dobrar o dinheiro? Talvez ela poderia dobrar as notas, e ganhar o sustento…

   Mas parecia simplesmente sobrenatural, sempre parecia saber onde ela se encontrava....a segurou antes que começasse a ir saltando pelo beiral, pelo amor de Deus.

   - Porque não lhe mostro seu quarto?

   - Sim, - disse, pondo em marcha suas sapatilhas e o seguindo. - por que não?

   Esperava um quarto de hóspedes simples com camas gêmeas e uma cômoda vazia. Pelo contrário, ele a levou ao paraíso. A cama, de quatro postes de mogno, estava contra a janela, e a luz do sol se derramava pela colcha Shaker.

A trava da porta aberta do outro lado do quarto pôde ver um brilhante banheiro com azulejos da cor do mar, e a cômoda que tinha ao seu lado era quase tão alta como ela.

   - OH…está certo de não ter um cama de armar ou algo do tipo no porão? - Perguntou nervosamente. O quarto era tão limpo, tão belo, que tinha medo de se mover, não que fosse quebrar algo. - Talvez uma manta que eu possa estender no chão da cozinha?

     - Que disparate. Este é seu quarto agora, pelo tempo que quiser, deixarei você para que se acomode. - E, abruptamente, foi.

     - me acomodar? - Perguntou ao quarto vazio. - Como? - Ela não quis que ele visse o refúgio, assim não tinha nenhuma roupa extra. Bem, sairia às escondidas esta noite e as conseguiria. Encontraria Moram e sua turma de atrasados, e colocaria um pouco de juizo em suas cabeças. Imagine, tentar roubar um sujeito cego.

   Ela vagou através da sala de estar e olhou a galeria.

   Hmmm…

   Ela subiu silenciosamente as escadas, e notou que o desvão era na realidade um escritório, mesa, computador com alto-falantes, estantes com livros...antes de que ela se trepasse no corrimão. Isto poderia ser mais fácil....tinha só um andar de altura. Menos, na realidade. Só alguns poucos metros. Delicioso. Se não pudesse voar aqui, não poderia voar em nenhum lugar.

   - Quer algo para o almoço? - Drake chamou da cozinha. Bem, estava a dois cômodos mais longe.

   - Estou ainda cheia do café da manhã, - respondeu, e saltou pelo corrimão.

   Ela bateu as asas no meio do ar, e teve tempo para notar que a sala de estar girava 180 graus ao redor dela, e então caiu nos braços de Drake.

   - Nossa! - Ofegou. - Como fez isto? Estava a uns quinze metros longe!

   - Poderia parar de fazer isto? - Grunho entre dentes. - Parar de escalar lugares e saltar longe, antes que me dê um ataque do coração.

   - Mas como sabia que eu...?

   - Prometa, Crescent. Enquanto estiver nesta casa, nada mais saltos loucos.

   - Mas não me machucarei, - explicou seriamente, resistindo o impulso de apertar-se em seus braços. Ele a segurava como se não pesasse mais que uma bolsa de plumas, como se não pesasse nada. E o olhar carrancudo que dirigia a ela....deveria tê-la assustado, mas em vez disso, o que desejava era alisar o cenho com as pontas de seus dedos. - Realmente! Não estou certa de poder fazê-lo.

   - Não em minha casa, - disse firmemente. - Prometa agora mesmo.

     - Ou que? - Não estava sendo sarcástica. Era simplesmente curiosa.

   - Ou eu não a deixarei.

   Agora suavizou o cenho sobre sua sobrancelha. Estranhamente....mas com precisão.... ele abaixou a cabeça e acariciou seu nariz. Sentiu seus mamilos endurecerem-se e combateu o impulso de se retorcer em seus braços.

- Simplesmente vai me carregar o dia todo? - Perguntou.

Ele lançou um sorriso. - Não seria um trabalho duro.

- OK, OK. Prometo. Nada mais saltos por cima de nada em sua casa. Mas não posso lhe prometer que não saltarei em outro lugar…

- Bem, então. - Ele a desceu sobre seus pés, dando um tapa de advertência no traseiro que picou como o diabo.

- Ei!

Ele voltou à cozinha.

 

   Ele ouviu como ela andava nas pontas dos pés além de seu quarto. Na realidade, ouviu-a quando abriu seus olhos e se levantou da cama. Ele soube por seu aroma que ela não tinha dormido nada, e ele se assegurou de não dormir tampouco.

   Quando saiu de sua casa como um ladrão retrocedendo, ele estava bem atrás dela.

 

   As bolsas eram sempre escassas no refúgio, assim ela só pegou umas quantas mudas de roupa contra seu peito e voltou a sair. Infelizmente, viu os olhos de Maria ao sair. Bem, não pôde evitar. A mulher engolia speed como se fosse Tic-tacs, e nunca dormia.

   Crescent desceu pelo beco depois do refúgio, pensando que ainda tinha tempo para pegar a Linha Vermelha de retorno na parada perto da casa de Drake, quando ouviu passos apressados e se voltou para ver a Brigada dos idiotas.

   - Novo estábulo? - María perguntou. Era uma dessas mulheres que sempre sorria....que sorria mesmo quando Crescent sabia que estava gritando por dentro. - Homem novo?

   - Sim, e não, e se meta em seus assuntos.

     - Mantenha a calma, Cress. - Esse era Nick Moram, o líder do incrivelmente inútil grupo. -Conseguiu algo para nós?

     - É Cress-ent -, e não, com certeza não. O que está errado com você? - Ela oscilou seu peso e segurou suas roupas um pouco mais forte. Ela não queria deixar que estes três a envolvessem em meio de seu pequeno e detestável círculo. Suas tripas quase sempre tinham razão.....se não porque ficaria na casa de um estranho?.....e certo que desta vez, também. Talvez quando se juntou com estes idiotas, ela não sabia o mal que fariam. Suas tripas eram boas, mas não podiam prever o futuro. - Atacar a um sujeito cego? Tentaram, mas tudo bem. Não conseguiram nem isso.

   - Feche o bico, - disse Nick asperamente. Ele era um o homem alto, magro e de aspecto cadavérico com uma sombra de bigode, e uma cicatriz em sua face esquerda. -Estava sob controle.

   - Certo. Adeus.

   Jimmy, o outro estúpido, agarrou seu cotovelo e a segurou. - por que não nos leva até sua casa? - Perguntou. Seu tom era razoável, mas não estava brincado. - Um lindo traseiro como o seu, terá conseguido já uma chave.

   Na realidade, tinha. Em qualquer caso, não daria para eles. - Esqueçam, - disse, tentando afastar-se. - me largue merda, os três, antes que me aborreça. Não posso acreditar que alguma vez senti pena de vocês.

     - Pena de nós? - Nick repetiu, sua expressão obscurecendo-se. - Sinto muito por você. Porque quando terminarmos, não será tão bonita nunca mais.

     - Isto é nunca mais. Pelo amor de Deus, Nick, você foi a um colégio pago antes dos seus o jogarem.

   Nick ruborizou....odiava que o lembrassem que não tinha nascido nas ruas.... mas o sorriso de María se alargou, se isso era possível. Crescent observou que a mulher tinha um contato maior com as pessoas que com a pasta de dente. - Podemos fazer isto do modo fácil - começou.

   - OH, poupe-me de seus clichês de ladrão. - Crescent estava mais aborrecida que assustada, o qual supunha que era algo. Tinha sido uma tola por retornar ali sozinha.... e para que? Assim Drake não veria o refúgio? A quem importaria o que pensasse? Um protetor bobo. E ela não ia ganhar nenhuma competição de boliches na universidade, a menos que começasse a confiar um pouco mais no instinto e menos no orgulho.

   A outra mão de Jimmy...a que não apertava seu cotovelo.... lançou-se como uma pálida aranha e agarrou seu mamilo. Então começou a apertar. Forte. Crescent podia deixar cair suas roupas pelo beco sujo, ou manter-se firme.

   Manteve-se direita. Nunca nem em mil anos mostraria a estes três quanta dor sentia. - Curta esta merda, - disse com os dentes apertados. - Acha que agindo como um cretino valentão vai me fazer mudar de opinião sobre vócês? - Olhou para Nick, esperando que chamasse seu cão.

     Jimmy ria estupidamente e María estava sorrindo, os olhos de Crescent estavam úmidos, e acabava de decidir deixar cair suas roupas e dar uma joelhada nas bolas de Jim quando este foi jogado para longe dela, literalmente voando. Atravessou o ar e se chocou com o chão três metros mais à frente.

   Ela vislumbrou grandes mãos agarrando a curva do crânio de María, e de Nick, e então soou um Klonk quando suas cabeças chocaram. Soou terrivelmente como aquela ocasião em que ela deixou cair um melão no chão.

   E então Drake se elevou sobre ela. Franzindo o cenho, como de costume.

   - Mencionei a você, - disse, afastando-se dele, - que para um sujeito muito cego se vira bastante bem?

   - Uma ou duas vezes. - Ele descruzou os braços, e cuidadosamente levantou sua camiseta, retirou o sutian e assim pôde examinar seu mamilo. Era alarmante, e bastante agradável. Lembrou que era médico, e o seu era certamente um dos mais de seis mil mamilos que via no ano.

   - Está bastante avermelhado, - disse depois de um longo momento. Ele estava inclinando muito perto, ela podia sentir seu fôlego no inchado bico, e oscilou seu peso de novo. De repente sentia suas calças muito apertadas, de um modo agradavelmente irritante. - Mas não acredito que esteja machucado.

     - Como..... sua boca repentinamente seca, e tossiu. - Como sabe que está vermelho?

   Ele não respondeu. Em vez disso, retirou suavemente o cabelo de seus olhos. - Se voltar a sair escondido de minha casa no meio da noite, - disse, bastante agradavelmente, - a espancarei.

   - Não pode.

Ele suspirou. - Não. Não posso.

   - Drake, sério, por que se preocupa?

   Ele suspirou de novo. - Preocupo-me. Então ele a levantou sobre a ponta de seus pés e a beijou com força.

   Deixou cair suas roupas. Foda.

   Beijar Drake, bom, ser beijada por Drake...era uma experiência totalmente nova. Por um lado, o homem não tinha nenhum pouco de gordura em nenhuma parte. Por outro, tinha a forte impressão que ele poderia partir sua coluna facilmente. Mas este pensamento era ao mesmo tempo excitante e temeroso.

   Ele se afastou e ela gaguejou. - OH, não, não pare, - ofegou. - me beije um pouco mais....não estou suficientemente tonta.

   - Não posso, - disse, e gostou muito de ver sua respiração, acelerada também, -eu não quero tomá-la em um beco como este....vamos.

   Ele segurou sua mão, puxou ela até que estiveram debaixo de algumas luzes, e parou um táxi. Ele a atirou virtualmente dentro, então fechou com uma batida a porta e curtamente disse ao motorista o endereço.

   - Minhas roupas, - disse, olhando pelo vidro traseiro. -E depois de todo este estúpido contratempo vim para…

   - Eu lhe comprarei um guarda-roupa inteiro, - respondeu, e não soltou sua mão até que o táxi entrou no caminho de sua garagem.

   Drake mediu sua carteira, pegou um punhado de notas e jogou ao motorista, arrastando-a para o exterior ao mesmo tempo. Ouviu o ofego de surpresa e apreciação do motorista, e então ele estava saindo do caminho da garagem e, com o típico estilo de motorista de Boston, misturou ao tráfego sem olhar.

   Ela saltou nos braços de Drake. Ele a sustentou facilmente, suas mãos agarrando seu traseiro, e ela mordendo o seu lábio inferior. - Acredito que lhe deu uma gorjeta de mil por cento, - brincou.

- me peça para fodê-la, - ele expressou entre grunhidos. Ele girou sua mão, alcançando, e rasgando a camiseta dela do pescoço abaixo.

 

   Não fizeram no quarto. Nem sequer fizeram na porta dianteira. Em vez disso, ele a tomou entre os sebes de lilás, e até o fim de seus dias ela associaria seu cheiro com a urgência de Drake.

   - Isto é uma loucura, - disse com sons entrecortados, ajudando-o a tirar o casaco, sua camisa, sua calça. -Não nos conhecemos realmente.

   - Eu a conheço.

   - Sim, sim, isso é o que dizem todos. - Exceto que ela sentia como se o conhecesse também. Independente, orgulhoso, bondoso e gentil, mas um homem duro quando tinha que ser. Um punho de ferro envolto em veludo quando as circunstâncias exigiam.

   Ele rasgou sua calcinha e então suavemente a separou. Ela estava escorregadia e ele gemeu quando seus dedos se deslizaram por ela, dentro dela, e enquanto seus dedos estavam ocupados acariciando e separando as escorregadias dobras entre suas pernas, seu polegar estava em seus clitóris, esfregando suavemente, e sua boca estava lambendo e beijando seu sensível mamilo.

   - Mais tarde, - ela gemeu. OH, Cristo, havia ela desejado alguma vez alguém tão duramente? Tido alguém? - Mas tarde pensaria nesse assunto. -Foda-me, antes de que eu fique louca.

   Ele deixou seu mamilo depois de um último beijo, então segurou sua mão, guiou-a entre eles, e posou seus dedos ao redor de sua enorme ereção. Ele pulsou abaixo de seu toque e ela pôde sentir uma gota escorregadia. Correu seu polegar sobre ela e ele se estremeceu entre seus braços.

   -Agora?

   - Sim.

   - É pequena, e não quero machucá-la....

   - Sim. - Ela se mexeu debaixo dele e lambeu seu lábio inferior. - Sou pequena e você é grande, e vai doer só um pouco. Agora pare de falar e…foda….me.

   Ele se obrigou, separando suas coxas e empurrando para frente, enchendo-a, forçando-a a abrir-se para ele, adiantando-se, empurrando, empurrando, até que pensou que o sentia em sua garganta.

   Ele se retirou, e à suave luz da lua ela pôde ver o suor sobre sua sobrancelha, a maneira que os olhos brilhavam, quase cintilando, e então ele avançou, empurrando para frente, então envolveu suas pernas ao redor de sua cintura e gritou no ar da noite.

   Balançavam-se juntos sobre a grama, e quando pôs suas mãos em seu duro traseiro, ela pôde sentir os músculos flexionando-se enquanto se esforçava sobre ela, como avançava a trancos e se retirava e empurrava e ondulava... Ela abriu sua boca para dar outro grito.....era muito divino para ficar quieta....mas a mão dele se fechou sobre sua boca. Ela se retorceu em respirações silenciosas debaixo dele e, vários segundos mais tarde, ouviu um casal passeando pela rua a pouquíssima distância deles.

   - Eles a ouvirão, - murmurou em seu ouvido, sua voz tão espessa que era quase irreconhecível. - Viriam e nos veriam fodendo em meu pátio lateral.

   O pensamento foi tão evidentemente excitante que ela gozou imediatamente, sentindo-se ainda mais e mais molhada. Ele gemeu em seu ouvido, e mordeu o lóbulo da orelha.

   Isso passou igual por algum tempo.... ela nunca seria capaz de recordar quanto tempo estiveram gozando um do outro entre os arbustos de lilás. Cada vez que gozava seu extraordinário ouvido sentia algo e ele cobria sua boca de novo, sem falhar nunca. Mas quando ele finalmente gozou, seu grito foi um rugido que fez que seus ouvidos girassem.

   - OH, Cristo, - ele ofegou, caindo sobre ela.

   - Se alguém ouviu isso, teria muito que explicar, doutor. - Ela tentou soar impertinente, mas basicamente, ofegou.

   - Umm. - Ele estava beijando seu pescoço, úmido e dando beijos que a faziam estremecer-se e apertar-se mais perto dele. -Não saia no meio da noite nunca mais.

   - Muito bem, então. Pensa que podemos fazer isto lá dentro sem necessidade de mostrar nossos traseiros aos vizinhos?

- Estamos a ponto de descobrir.

 

   - Acredito que tem algo preso em seu piercing de umbigo, - ele disse mais tarde, simplesmente porque era muito cedo para pedir que fosse sua companheira, e tinha que dizer algo.

   - Que posso dizer? A vida comigo é uma aventura constante. - Ela disse bocejando e deixou cair de costas. - E, posso acrescentar, não está mal para um sujeito mais velho. Sério. Você deve tomar, não sei, algo, super-Geritol, porque…

   - Muito obrigado, - respondeu ironicamente. Estavam em sua cama, olhando as estrelas pela clarabóia. -Estava só tentando fazer o completo, de ser adequado em sua cama apesar de sua óbvia falta de experiência.

   Ela bateu sonoramente no bíceps. - Ei! -E…nossa…era como dar murros em uma pedra.       -Para sua informação, amigo, tenho montanhas de experiência. Houve uma vez no cinema…hum…e outra vez durante uma guerra de bolas de neve quando um rapaz caiu sobre mim…

- Pare, está me envergonhando.

   - Drake, o que acontece com você? - Perguntou abruptamente. Seu cheiro mudou colocando-o em guarda....de brincalhonas borbulhas de sabão a frescas folhas verdes....embora seu tom não o fez. - Sério. Quero dizer, lança sobre mim como o cavalheiro de armadura Armani, o que é agradável, mas estranho, e não pede nada de nada, e é super encantador, mas deve querer algo.

- Bem, - disse, deslizando sua mão pela coxa dela.

- OH, poupe-me disso. Como vai me dar um chute…não penso isso. Quero dizer, aqui estamos, e francamente, a maioria dos hom...

- Poupe-me de seu conhecimento da maioria dos homens.

- OK, OK. Mas sério.Qual é seu trato?

   - É um duplo trato, - disse depois de uma longa pausa. -E não podemos, como você pode dizer, nos limitar ao exterior em extremo.

   - OH, Amigo, eu tive nunca tive uma dica tão inválida…bem, porque você não prova, veja como é.

- Uh…

- Vamos, vamos! Depois lhe direi algo sobre mim. Algo que ninguém sabe.

- Algo como que cheiro tem seus pés?

- Draaaaaaaaaaaake!

- Está bem, não grite. OK. Bem. Lá vai, então.

Ela apoiou o queixo em seu punho e esperou.

Ele tossiu.

Ela esperou.

- Bem. Ah. Veja, é difícil simplesmente....sabe.... soltar bruscamente....

- Acha que morrerei de velha e assim não terá que dizer?

- Bem, Bom, - ele virtualmente o cuspiu. - Sou um homem lobo.

   Silêncio.

   - Sei, - ele continuou, encorajado quando ela não saiu apavorada e gritando do quarto. Bateu ligeiramente na coxa. – sei que é alarmante, mas não tem que ficar assustada, porque eu nunca lhe causaria mal ou a comeria....ah, quer dizer, fora do quarto eu nunca a comeria, e....

   - OH, Cristo! Isso! - ela agitou sua mão longe. - Eu já sabia disso! Supunha-se que tinha que me dizer algo que não soubesse.

   Ele simplesmente sacudiu sua cabeça para verificar sua audição. Não, era o batimento do coração dela, lub-dub lub-dub, e suas inalações, e o zumbido de eletricidade, e o som do congelador fazendo cubos de gelo…tudo estava funcionando perfeitamente. – O que?

   Ela se levantou, saiu da cama, e começou a andar de um lado para outro. A luz da lua a banhava enquanto ela pisoteava; uma deusa enfurecida envolta em creme. -Bem, o que mais poderia ser? É super forte, super rápido, é cego mas anda melhor que eu…além disso, é médico, pelo amor de Deus. Como poderia ser um bom médico sem, não sei, ser super tudo? Era isso ou teria que ser um extraterrestre. Mas bem antes.....dos arbustos, já sabe....achei que não era um alienígena. Além disso, o lobo que me impediu de me atirar do telhado, e então simplesmente aconteceu de aparecer algumas horas mais tarde?

   Ele piscou. - OH. Devo dizer que isto é um verdadeiro anticlímax.

   - Que sirva de lição por presumir que sou uma imbecil.

   - Não fiz isso! Nunca ninguém o supôs antes. E tive…ah…amigas que estiveram comigo mais tempo que você.

   - OH, isso. - Ela desprezou com um gesto da mão - as amigas que teve. Bem, este é o assunto sobre mim.....a coisa secreta......eu vou dizer isso. Posso dizer coisas a respeito das pessoas. É por isso que vim a esta casa com você. Soube que não me faria mal, soube realmente que não faria. Posso me colocar na cabeça das pessoas e contar exatamente o que estão sentindo.

   - Empática, hmm? É interessante. Bem, Crescent, pelo amor do céu, porque foi dar ao bando uma segunda oportunidade?

   - Acredito que eles podem estar um pouco loucos, - respondeu prosaica. - Quando nos conhecemos, nunca senti que fossem fazer mal. Então eles ficaram loucos, e…de qualquer modo, obviamente meu radar não é 100% certo. Suficiente para animá-lo, acredito.

   -E essa fixação por voar?

   - Amigo, posso fazer! Sei! Você é o que me pára quando por fim salto dos lugares e vou conseguir.

   Empatia…fixação de vôo…e sua estrutura, pequena e veloz…mas surpreendentemente forte para sua altura… poderia ser? Tinha presumido que eram uma lenda. Mais até que a de homens lobos.

   - Crescent, - disse abruptamente, -você fez alguma vez uma radiografia?

   Sobressaltada pela mudança abrupta de tema, ela piscou como um cervo. - OH…não nas últimas horas.

   - E alguma vez conheceu sua família?

   - Não.

   - Hmmm.

   - Já disse como fica sexy quando está em estilo “‘avaliação médica”?

     -Não, - ele disse, agarrando-a e segurando suas costas na cama como um gato com um novo brinquedo. - Temo que não. Por favor, explique-me isso com mais detalhe.

   - Nah…já tivemos suficiente conversa. - Ela agarrou suas orelhas e puxou para baixo para lhe dar um beijo. Ele pôde sentir sua língua dançando em sua boca e repentinamente tudo estava mais alto, muito mais claro. Era assombroso fazer amor com uma mulher e ser capaz de vê-la, realmente vê-la. Nunca teria suficiente.

   Ele interrompeu o beijo, esquecendo-se de suas origens e recuperando de novo o interesse por seus seios, que eram pequenos, como maçãs de inverno. Ele chupou um mamilo com sua boca e o lambeu suavemente. Ela se retorcia junto a ele e o abraçou mais forte. Ele deslizou sua mão entre suas coxas e escorregou seus dedos por seus cachos, ainda úmidos desde que fizeram amor. Na realidade, estava deliciosamente quente e pegajosa ali .

   Ele fez escorregar seus dedos por suas dobras, encontrou seus clitóris, e apertou ligeiramente, e esfregado a tenra zona ao redor, inundou um dedo dentro dela. Então ele lambeu sua fenda, saboreando seu suor e tentando resistir o impulso para dar uma boa mordida, uma marca que permaneceria durante dias. Sua marca.

   - OH, Cristo, - ofegou. - Como faz isso? Pensei que estava satisfeita, mas neste momento poderia foder até morrer.

   - Há piores forma de morrer, - ele brincou, mas sua língua estava muito grossa em sua boca, e agora tinha dois dedos dentro dela.

   Rápido como um peixe, ela deslizou longe dele, empurrou-o sobre suas costas, e o montou cavalgando-o. – Sei que já ouviu isso antes, bom, umas cem vezes, mas é realmente bom....

   - Já tinha ouvido na....Ouch! - Ela se girou para alcançar seu testículo, e seu punho apertou um pouco mais. - Não importa.

     - Bom cão. - Riu maliciosamente.

   - Não acredito realmente que você deva ridicularizar minhas origens, - ele disse, mas falar estava ficando cada vez mais difícil, dado que ela envolveu seus dedos ao redor de seu pênis e estava apertando e soltando, espremendo. - depois de tudo, você.....uh.... do que estávamos falando?

   Agora sua mão estava deslizando acima e abaixo de forma deliciosa, o atormentando, lentamente. - Origens, - disse prontamente.

   - Isso. Você descende dos macacos. E isto é...na realidade.... isto é bastante bom..... realmente.... ah.... não irá parar, não é?

   - Sinto muito, rapagão. - Ela deve ter sentido dó de sua horrorizada expressão, porque girou seus quadris e se encontrou deslizando dentro dela. - Porque deveria ter você...toda.... a diversão? – ela o estava montando enquanto falava, elevando-se e deixando cair sobre ele.

Agora ela estava tão sufocada quanto ele, graças a Deus, e OH Cristo, ela era tão doce e era tão bom, era assombroso. Suas mãos agarravam seus ombros como ela bombeou e bombeou, e ele agarrou seus joelhos e estendeu mais suas coxas quando baixava de repente. Seus olhos giraram em sua cabeça e ele sentiu seu útero contrair-se ao redor de seu pênis quando ela gozou.

   - OH, Deus! -Gritou ao teto.

   - Uma pena, - ele ofegou. Segurou seus quadris e a levantou, baixou, subiu e baixou de novo, estremeceu por toda parte e sentiu seu agarre de novo. - Esta vai ser, um pouco para mim, querida. Esse assunto da idade amadurecida, sabe. Espero que tenha o cinto apertado para um longo passeio.

   Ela se agitou, tentando escapar dele, mas ele a segurou porque precisava dela bem onde estava, e porque sabia que não estava verdadeiramente preocupada. Ele foi áspero, porque sabia que ela o desejava assim, e também porque precisava ser um pouco rude....precisava se gravar em sua mente, não só em seu corpo. Não estava certo se isto era coisa dos homens lobos, ou simplesmente uma prerrogativa masculina.

   Quando ela estava arranhando seus ombros e implorando, quando estava muito perto de gozar, finalmente se deixou ir. Gozar dentro dela parecia um sonho, o melhor que alguma vez teve.

   Ela caiu sobre ele, ofegando. Ele acariciou suas costas, saboreando a fina capa de suor que a cobria.

   - OH, colega, - disse ao fim. - Uma garota pode se apaixonar.

Ele bufou, e então romperam a rir, como companheiros.

 

- Drake. Sério. Quantas camisetas pensa que preciso?

   - Mas são tão versáteis, - a vendedora do GAP começou a recitar.

   - Por não dizer frágeis, - Drake cochichou em seu ouvido, e satisfeito de ver seu rubor.

   -Vá, - ela ordenou à mulher, sorrindo. - Está ajudando a gastar muito dinheiro. E você...tome isso. Caqui-viciado.

   - Mas isto é Gap, - disse a vendedora (me pergunte como economizar 15% estava adornado em forte tom vermelho no alto de sua lapela), retirando-se obediente.

- E , por isso tenho que pôr o uniforme, também? Mantenha-se longe.

   - Ofereço a você o sonho de qualquer mulher, - ele disse, - e está ainda fazendo travessuras.

- A) tão chauvinista? O sonho de qualquer mulher? Ir às compras no Faneuil Hall? E B) deixe aqueles. Já escolhi alguns.

- Precisará mais de um par.

- Não estou de acordo, - ela disse, arqueando uma sobrancelha.

- Hmm, - resmungou, aproximando-se dela, momentaneamente paralizado por um revôo cáqui quando lançou as calças.

   - Esqueça, companheiro. Não é momento nem lugar. Perdão, - ela acrescentou, batendo em um manequim prateado sem cabeça. - OH, que nojo! Odeio quando penso que são pessoas.

- É essa sua empatia trabalhando, - comentou.

- Fora de meu caso, Dr. Furball. Você, alguma vez cometeu um equívoco?

   Ele pensou duramente. - Nada do que me preocupar.

   Ela lançou um uivo de ira e ele podia dizer que ela estava zangada por não ter nada em suas mãos para jogar nele. - Colega, odeio dizer isso mas não pode ver. Você deve ter feito algo errado. Uma gravata chocante, talvez?

   Ele moveu de um lado a outro uma blusa da cor de seus olhos e disse em voz baixa, embora a vendedora estivesse do outro lado da loja, - Os homens são mais diminuídos que eu, querida.

   - OH, certo, No país dos cegos o caolho é o rei, e tudo isso.

   - Essencialmente.

- Nós não somos tão maus.

Ele deu de ombro. - Posso cheirar uma deficiência de ferro. Posso ouvir um sopro de coração sem um estetoscópio.

   - Bem, eu posso lhe dizer que esta blusa não combina com essas calças, assim devolva a sua prateleira, companheiro. Deus, não está aborrecido? Isto é tudo para mim e estou aborrecida até as tetas.

   Ele sorriu. - Agradeço a visualização. Tomarei nota para lhe comprar as coisas por catálogo de agora em diante.

   - Bem, obrigado. Não precisa comprar roupa para me ter.

   Quer apostar? - Imagino que levá-la a Ana Klein para olhar os vestidos poderia ser uma perdida de tempo completa?

   - De vomitar! Jesus, olhe que tarde está fazendo! O sol está realmente baixo. Deus, quanto tempo estivemos fazendo isto?

   - Desde o almoço. Pare de se queixar, quase acabamos.

   - Bem, eu gostaria de vê-lo fazendo, - disse animadamente.

     - Feito e feito. Se está bastante.... - parando repentinamente. Esse era um cheiro da manada? Com certeza que era. Hmm, duas em uma semana. Mais do que percebia em um ano. Era interessante. O que fazer com isso?

   - Dick, eu juro pelo fodido inferno, que se não parar de se queixar eu vou tirar seus olhos e colocá-los nas calças. - A voz era estridente, forte, e feminina.

   - Isto pode ser divertido, - uma baixa voz masculina, que ele não reconheceu, disse alegremente. - E quem está queixando? Só me levantava. O que estamos fazendo aqui? Não sabia que você gostava de Gap, minha querida.

   - Sabe perfeitamente que odeio, foda. Mas estão em ofertas e posso encontrar algo. Odeio ir à fodidas compra!

   - Uma mulher das minhas, - Crescent murmurou, segurando um suéter sem mangas. Estava o tocando, assim ele podia ver que era de cor de meleca. O resto ao seu redor era de usual tom cinza impreciso…mas esse cheiro…ele conhecia esse cheiro.…

   Drake se moveu para dar uma olhada mais perto. Não podia ser. E com um homem? Não. Tinham se passado muitos anos; estava enganado. Embora, quem mais ele conhecia na manada que colocava tantos ”foda” na conversa diária.

   Ele caminhou ao redor da pilha de minissaias vermelhas, e as extremidades de seu nariz arderam. Sim. Era ela. - Janet Lupo?

   Ele ouviu cair a pilha de roupa, e pôde cheirar sua surpresa. Apesar de sua expressão completamente boquiaberta, ele pôde sentir por seu cheiro que parecia estar bem, excelente na realidade. Muito saudável, com uma vitalidade nela da que tinha carecido a menina que uma vez conheceu.

   Surpreendentemente, ele não tinha nenhuma sensação do homem que estava com ela excetuando um núcleo de formidável poder. Nenhum cheiro real entretanto. Muito estranho.

   - Foda Drake, - Janet disse.

   - Olá, Janet. Encantado de.....

Drake teve a impressão de movimento impreciso, e então foi jogado através da janela frontal e ricocheteou nos paralelepípedos. Vidros quebrados choveram de todas partes.

 

   Crescent se conteve duramente para não gritar. Não era fácil. Ali estavam eles em seus próprios assuntos, quando esta cadela saiu de nenhuma parte e lançou Drake pela janela.... pela janela, maldição!.... e agora esses dois estavam rodando na rua como um par de gatos de rua ...ou de lobos, provavelmente; sim, lobos seria mais exato, e o lugar estava esvaziando-se tão rápido como se houvesse uma correria, e Drake estava debaixo, sobre suas costas, e......

   - Solte ele! - Crescent saltou para frente, mas um tijolo caiu em seu ombro e de um puxão a fez recuar.

   - Eu não faria isso, - disse aprazivelmente o loiro maciço. Ele era delicioso, bem, e do tamanho de uma torre quase tanto quanto Drake. Pouca coisa, pensou. Observou que o tijolo era sua mão. Não tão pouca, entretanto. - Acredito que é coisa de família. Melhor os deixarmos..... Aii.

   Ela nunca tinha batido em ninguém na cara antes, e fico muito assustada. O loirinho só moveu um pouco a cabeça e esfregou sua mandíbula. - Não comecemos. Existe só uma mulher a quem permito me esbofetear, e está rodando em um atoleiro de lodo com seu amigo.

   Mostre-lhe seu colar.

   Obedecendo a sua voz interior que nunca, bom, algumas vezes se enganava... mas que não lhe falava tão alto freqüentemente.....agarrou uma das três cruzes de seu pescoço, rompeu a corrente, e a mostrou ao loiro. Para sua surpresa, o fez recuar e pôs uma mão diante de seu rosto. Iguazinho no cinema!

   - Agora está no meio, - disse reprovador, avançando para dela. - se afaste antes que machuque alguém. Como eu!

   Ela o ignorou, deu-lhe as costas, guardando a cruz em seu bolso, agarrando a harpia pela cintura e puxou. - solte ele, - soprou. Agarrar a agressora de seu amante era igual a tentar parar a um tanque..... a mulher não se moveu nem um centímetro. Mas ela se agitou....quase desalojando Crescent...... e bateu em Drake no olho para completar a coisa.

   - Sua macaca está me incomodando, - disse, e bateu nele de novo.

   - Crescent, não, - disse Drake em tom agudo. Um riacho de sangue gotejava por seu queixo, mas além disso parecia ileso. Outro estaria sangrando a jorro por seis artérias diferentes depois de atravessar uma janela de vidro temperado.....graças aos deuses pela constituição de homem lobo! - Saia. Saia do caminho. Não se preocupe comigo.

   - Sim, pequena merda. - Bam! Outro murro.- Ele está bem. Por que não vai tomar um Cappuccino?

   Ela os ignorou, e obstinadamente tentou de novo.

     - Crescent, se afaste daqui. Em um minuto vou esquecer que sou um cavalheiro....maldição, Janet, se golpear minha mandíbula de novo a porei sobre meu joelho!

   - É um convite, magnífico.

   - OH não ! - Crescent tentou de novo agarrá-la empurrou mais duro. -Ninguém vai surrá-la exceto eu.

   - Realmente? - O maciço disse atrás dela.

     - Já lhe disse para se retirar! - Repentinamente sentiu seu antebraço segurado por um punho incrivelmente forte, e então ela se viu voando por cima da cabeça da mulher, para golpear o primeiro com seu traseiro na calçada. O golpe percorreu toda sua coluna e uivou.

     - Imprudente, - disse Drake, saindo fora de seu agarre.

   - OH, por favor. Não é nada pessoal, falso cego, mas está fodido. Não posso ter ninguém do bando de Mikey me seguindo, assim sinto muito, sente-se e morra, OK?

- Desmaiarei. E não tenho a mais remota idéia do que está falando.

- Realmente, Janet. Não podem resolver isto de uma maneira mais amigável sem necessidade de introduzir a morte na equação?

   - Descanse, Dick, ninguém chamou a sua campainha.

   Crescent se levantou do chão. Os três pareciam surpreendidos de vê-la ainda em jogo. - Disse, - expressou entre grunhidos, -que mantivesse suas mãos longe de meu homem, puta! - Então bateu na vaca na mandíbula.

   Isto era imensamente mais gratificante que quando bateu no Maciço. A mulher voou longe de Drake como uma bola e bateu com um estrondo na porta de entrada do Gap, pôs suas mãos debaixo do queixo para conter o sangue, e Crescent sentiu o golpe subir por todo o braço até seu ombro.

   A mulher cuspiu um dente em sua mão. - Ei, que isto dói, você, pequena puta!

   - Esta ficando interessante, - disse o Maciço com aprovação. Era o homem mais imparcial que alguma vez se encontrou. Grande estranho! - Não cheira como carnívoro.

   - Crescent! - Drake estava totalmente horrorizado. Valia a pena soltar outra coisa só para ver a cara que fazia. - Como a acertou?

   - Temos que falar disto agora? Ou tenho que continuar chutando a merda de quem-quer-que-seja-essa-vaca?

     - Ei, Ei – quem-quer-que-seja-essa-vaca disse ameaçadoramente. -Cuide da sua linguagem.

   - Tem algum problema com vacas? Coloque suas mãos sobre ele de novo, e darei-lhe tal chute no traseiro que as pessoas pensarão que tem uma segunda cabeça. Vaca.

   - Disse a fraca. - Mas as comissuras dos lábios da mulher estavam dando sacudidas....igual fazia Drake quando se divertia, e não queria demonstrá-lo.

   - Já sabe o que se diz. Nenhum covarde faz acovardar uma vaca? Vaca.

   A mulher avermelhou…e de repente começou a rir a contra gosto.

   - Céu santo, Janet, - Drake exalou, levantando-a e ajudando-a a sair da sujeira. - Qual é o seu problema? Não nos vimos há... quinze anos? E me ataca?

   - Sugiro que falemos disto tomando algo, - O Maciço comentou sorrindo, e Crescent quase gritou. Ele tinha milhares de dentes, e todos pareciam realmente afiados. - Por assim dizê-lo.

 

   - Assim agora estamos de certa forma…uh…apaixonados e tudo isso. E eu não vou voltar. - Janet acrescentou desafiante.

   - Não tem que me convencer das vantagens de ir vadiar, - Drake respondeu.

   - Tem problemas com o chefe? O...como o chamam? Líder da manada? - Disse Crescent jogando uma terceira colher de açúcar em seu café. - Se preocupa?

   - Provavelmente não, - Janet respondeu depois de uma longa pausa. - Mas não compensa. O risco, quero dizer. Ele poderia me ordenar que ficasse em Cape e eu...eu teria que obedecer, ou não.

   Estavam sentados na esquina do Starbuck de Park Street, falando em voz baixa. Embora Crescent não estava certa de porque se incomodavam. Isto era Boston, ao fim e ao cabo. Ninguém dava uma merda por ninguém.

   - Bem, por mim você não tem que se preocupar. Você é a segunda da Manada que vi em todo o ano, - Drake disse. - E embora veja Michael....que não é provável....certamente que não a mencionarei.

   - Bem, agradeço isso. Suponho que não deveria… Uh. - Janet tossiu. -Já sabe, chutar seu traseiro sem fazer perguntas primeiro.

   - Isso seria bom, - respondeu bondosamente, ignorando as risadas de Crescent e de Richard.

   - Deveria pensar em mudar, - Crescent sugeriu. - Se seu chefe e todos seus homens lobo vivem em Cape Cod. Quero dizer, está a só noventas milhas daqui. Se for viver na....eu diria, Argentina? Estaria muito melhor.

   - Nossa casa está aqui, - disse Janet com obstinação. -Além disso estamos por todo mundo. Podemos nos assentar em uma pequena propriedade e podemos defendê-la de qualquer maneira aqui que em qualquer outra parte.

   Crescent notou que o maciço.....Richard.....não havia tomado seu café. - Não está com sede?

   -Sim.

   -Bem, porque não o b...

   -Então qual é sua história, loirinha? - Janet perguntou. - Ser golpeada por você é como sê-lo por um madeiro de dois por quatro. O que tem na medula dos ossos, bolas de aço?

   Crescent piscou pela interrupção. - Bem, acredito que sou....

   - Poderia ser metade Vidente. - Drake terminou por ela.

   As sobrancelhas de Richard se arquearam. - Realmente? Pensei que sua raça se extinguiu faz anos.

   - Fada, não vidente, e a maior parte de nós o fizemos.....ao menos, eu nunca fui capaz de encontrar outros como eu. E Drake, como infernos soube? Nem sequer tive tempo de lhe contar   - Eu descobri ontem, - explicou, -e quando golpeei Janet soube com segurança.

   - Whoa, Rebobinemos. - Janet adotou a postura de um policial de trânsito. -É uma fada? Como Tinkerbelle? Com asas e demais merdas?

- Vê por algum lado as asas? - Cuspiu.

- Jesus, ninguém me avisou que as fadas tinham este mau humor, - Janet murmurou.

- Está simplesmente mal humorada porque descobri - Drake disse com aborrecida complacência. – Queria me fazer uma surpresa.

- É tão insuportável!

- Sim.

- É de família, - Janet acrescentou sorrindo. - Os homens especialmente. Assim de aborrecidos.

- OH, sim, - Richard acrescentou. - Os homens lobos machos são os mais aborrecidos.

   - Cale-se. Escute, sempre ouvi que as fadas eram delicadas e pequenas. Bate como um rolo compressor. Sou eu que tenho que esperar que me cresça um dente de novo.

   - Tem os ossos muito densos, - Drake apontou.

   - Difíceis de quebrar, - Richard acrescentou. -Eu persegui um deles faz uns setenta anos, e ele tipo, quase acabou comigo. Ele era bastante velho até então, querida, não tenha muitas esperanças. Estou certo que agora é pó.

   -OH, - disse Crescent fracamente.

- Não soe tão desiludida. Era um velho detestável.

- Isto explica sua fixação para voar, - Drake disse, pensando em voz alta.

   - Tem os ossos densos, e pode voar? - Janet bufou em seu cappucchino de leite de caramelo. - Sim, isso tem muito sentido.

   - Viu alguma vez um avião decolar? - Crescent perguntou. – Olhe-o e se maravilhará de como algo tão pesado alguma vez pode sair do chão…e então vai…e deixa a terra para trás.

   - Bem, é obvio que não pode voar com todos esses acessórios. - Rápido como uma chicotada, Richard bateu rápida e ligeiramente sua colher em seu creme de chantilly, e uma massa apareceu como por arte de magia na ponta do nariz da Janet. -Mas você sabe.

   -O que?

- Maldição, Dick! Deixe de me jogar creme de chantilly; sabe que o odeio.

- O que? - Quase gritou Crescent.

Richard pareceu sobressaltar-se. - Todos seus piercings. Provavelmente salta os detectores de metais no aeroportos. E é obvio que sua espécie não pode tolerar certos metais.

   Os olhos de Drake quase se saíram das órbitas. Crescent sabia exatamente como se sentia. Como não tinha imaginado antes?

   - De que estão falando os meninos? - Janet limpou os últimos restos de chantilly de seu nariz. - Drake, parece como se tivesse cagado nas calças.

- Eu....um...quero voar, mas não posso. Mas nunca fiz a conexão....

- De que estão falando os meninos? - Janet virtualmente disse gritando.

   - As fadas têm um medo legendário do metal, especialmente o ferro, - Richard explicou.

- No caso de Crescent, imagino se traduz que é incapaz de separar do....Que está fazendo?

   Arrancando todos os malditos brincos e anéis, isso é o que estava fazendo. Entre os de suas orelhas, nariz, e umbigo, tinha mais de uma dúzia.

   - Imagino que estamos falando, - Janet comentou quando Crescent ficou em pé rapidamente fazendo cair sua cadeira.

   - Existe uma porta traseira atrás da segunda máquina de café, - apontou Drake, - mas não estou certo que agora seja o momento apropriado? Crescent?

   Ela correu para a porta que estava onde ele disse. Cruzou-a em um instante e subiu correndo um, dois, três lances de escada, e elogiados sejam os deuses, a porta do terraço estava aberta e de repente se encontrou ao ar livre.

   Ela saltou do telhado. No último momento, fechou seus olhos...ela tinha desiludido tantas vezes que não pôde evitar uma espetada de ansiedade. Sabia que não poderia quebrar nenhum osso, mas a aterrissagem faria mal, sem dúvida.

   Exceto não caía.

   Abriu um olho e viu Janet, Richard e Drake no telhado, olhando-a. Exceto que estavam ao reverso.

   Correção: ela estava ao reverso. Em um ponto no meio do ar.

- Aqui estamos, - Richard disse alegremente. - O problema está resolvido.

- Uh. - Ela pôde sentir um sorriso partindo sua face. - Alguém pode pegar meu pé? Não tenho nenhuma idéia de como descer.

 

   - Bem, isto não é meu assunto, - Janet começou com, para ela, animadas tentativas.

   - OH, lá vai.

   - Não acha que é muito jovem para você?

 - Tenho que agüentar conselhos de uma mulher pendurada em um sujeito morto?

   - Adivinhou?

   - Levou um tempo. Ele não tem realmente nenhum cheiro, sabe? Na realidade, cheira a você mais que a qualquer outra coisa.

   Voltaram para casa de Drake, e amanheceria logo. Os pés de Crescent não haviam tocado a terra durante três horas. Richard estava encantado impulsionando-a do telhado, vendo que altura podia alcançar. Sua melhor marca foi de quase 5 metros. Drake e Janet ficaram sentados com as pernas cruzadas perto do beiral do telhado, vigiando.

   - É única em sua espécie.

   - Merda. Mas ela é um pouco? uh? quer dizer....pensa que ela ficará aqui por um longo tempo?

   Crescent gritou com alegria quando Richard a impulsionou pelos pés e a lançou ao ar de novo.

- Não tenho nem idéia, - disse ele.

- É só....já sabe, eu não me dava conta realmente do que me faltava até que Dick me seqüestrou....

- O que?

- É uma longa história. De qualquer modo, é um sujeito bastante bom. Quero dizer, eu gostei dele logo que o conheci.

- É agradável se no final você se assenta.

- Porque, Janet, eu nunca sonhei que existisse este seu lado encantador.

- Feche a fodida boca.

- E é encantado por sua parte não dizer nada a respeito da minha deficiência altamente debilitante.

- Que? OH, isso. Não estou sendo agradável. Simplesmente me esqueço. Quero dizer, não age como um sujeito cego.

- Como exatamente age um sujeito cego?

- Como infernos quer que saiba? Assim, voltando para a loirinha. Simplesmente a viu e soube? Bom, sei que não pode vê-la…

- Na realidade, - disse repentinamente,- fiz. Vê-la, quero dizer. Posso vê-la.

   - Seriamente? Não só fazer uma imagem a partir de seu cheiro?

   - Seriamente. Eu posso vê-la perfeitamente. Mas só a ela. Todo o resto é igual. Por exemplo, sei sua altura e peso por sua voz, e como se mexe quando caminha, mas não sei da cor dos seus olhos. O dela é maravilhoso, - acrescentou sonhador.

   - Nossa, é a merda mais estranha que ouvi na vida. E vivo com um vampiro. - Janet deixou descansar seu queixo em seus joelhos por um momento. - Não sei nada sobre fadas. Exceto a lembrança desta história de quando era menina....lembra de Sara Storyteller? A avó de Michael?

   - É obvio. Ela estava acostumada a ler para todos nós no campo, sob as árvores do campo.

   - Isso. Bem, havia uma história...sobre fadas? Eram pequenas e invisíveis. Só aparecem se as apanha. E se a apanha, pode pedir um desejo. Assim talvez Crescent apareceu. Sabe, talvez esta é a razão pela qual pode vê-la.

   - Ou talvez, - ele disse lentamente, - concedeu meu desejo.

   - Desejou poder vê-la? Não é que possa culpá-lo, pobre freaki diminuído e......

   - OH, deixe disso. Não, nunca realmente senti falta da visãp, mas sempre desejava conhecer o jeito do rosto da minha companheira. O jeito de seu cabelo, a cor de seus olhos…eu gostaria disso.

   - Humm. Bem. Pode ver ela?. Só você. Assim…talvez ela ficará por um longo tempo.

   - Aqui está seu lado sensível de novo. Richard foi uma boa influência.

- OH, cale-se. Então, o que vai fazer?

Ele suspirou e se reacomodou. - Confiar que ela retorne para mim, acho.

- Perfeito.

- Amadurecida.

- Chutarei o seu traseiro por todo Faneuil Hall, sabe.

- Então minha garota chutará o seu.

- OH, feche o bico.

 

Janet e Richard foram, mas Crescent não. Ele tentou explicar para ela porque deveria de ir, mas não lhe fazia caso. – Isto é uma estupidez de estilo se-você ama-algo-deixe-ir-e-se-voltar-bla-bla-bla-? Porque escute. Você disse que eu podeia ficar o tempo que quisesse, vigarista.

Ele tentou dissimular sua alegria. - Crescent, há algo você deveria conhecer.

- Mais tarde. Deus, estou faminta. Ouça, vou andando e ver se esses tipos já estão servindo os cafés da manhã.

   - São só quatro da manhã.

     - Sei, por isso quero verificar. Voltarei em um segundo.

   Sacudiu sua cabeça quando saiu apressadamente, compreendeu então que estavam bastante perto do refúgio onde ela vivia. Era bobeira preocupar-se com ela, era dura de cortar, depois de tudo, depois de tudo....mas decidiu dar uma olhada apesar disso.

   Foi o último pensamento racional que teve por algum tempo. Estúpido, realmente.....O punk sacudia Crescent como um chocalho, parecia pior por seu traje. Era um óbvio tipo beta...que precisava ser cuidado. E, abandonado, não podia cuidar de si mesmo. Certamente não ia ficar nervoso. Supôs que Nick e como-se-chamasse foram procurar pastos mais verdes…ou rastros mais fáceis.

- Jimmy, idiota, - Crescent disse enquanto arrancava seus dedos de seu braço, - pode se levantar? Me agarrar não vai arrumar sua vida. Agora saia.

   - É tudo por sua culpa, - Jimmy insistia. - Nick e María se foram por sua causa.

   - Diabos! Eles se foram porque não podiam voltar a aproximar-se dez passos daqui sem encontrar um policial. Uma lástima que não o levassem com eles, né, Jimbo?

   Os olhos de Jimmy cintilaram com instinto assassino e Drake se moveu rapidamente, o empurando longe de Crescent. - Só por uma vez eu gostaria de dar um passeio com você sem que fosse assaltada, - murmurou ele, examinando cuidadosamente seu braço.

   - Que posso dizer, tenho um passado escuro. É inofensivo. Vamos tomar o café da manhã.

   Ignorou-a totalmente. Então virou rapidamente e agarrou Jimmy pela garganta, elevando-o no ar tão facilmente como uma mãe agarraria seu menino que começa a andar.

   - Realmente, - começou. Estava tão zangado que era difícil falar. Queria grunhir e morder. - Realmente acha que pode pôr suas mãos em minha companheira e viver para ver sair o sol outra vez?

   - Whoa! - Crescent exclamou, agarrando seu braço. Diante deles, o vândalo gritava e chutava, seu rosto ficando com uma interessante cor púrpura. – Deixe-o Drake. É só um idiota.

   Ele estava sacudindo o homem.... era só um moço supercrescido, mas o suficientemente grande para ter um pouco mais de conhecimento....como um cão sacudia uma boneca de trapo. -Realmente acha? - Disse de novo. - Acha?

- Drake! Está me assustando colega!

É médico.

Ela tinha machucados. Ele realmente tinha deixado marcas.....marcado com suas sujas mãos!

Mas é médico.

- Drake, pode soltá-lo agora? Está desacordado pelo amor de Deus. E realmente não quero terminar o dia na Policia. - Ele grunhiu e jogou o homem longe. Viram como inconsciente atravessava o ar e depois batia no chão como um saco de areia. Jimmy gemeu, mas não voltou a si. - Jesus, um pouco protetor não? - Mas sorria. – Lembre-me de não lhe falar de meus anos nas ruas.

- Contará-me isso.

- Mais tarde. Quando essa veia em sua fronte não esteja a ponto de explodir. Ah!, A propósito.

- Ele a tocou. Nunca deveria ter feito isso.

- Sim? E acredito que entendeu agora. Sua companheira? - Ela acrescentou, brincando. - Isso é o que sou para você?

Ele a abraçou. - Sim, isso é o que é.

- Muito bem. Vamos comer.

- Se tiver que olhar outra tortinha, vomitarei.

- Amigo, está bem. Pedirei wafles, - acrescentou com um sorriso , enquanto se esticava para beijá-lo.

- Tenho que lhe dizer algo. Nada de wafles. Deixei de comer isso a muito....

- O que, nada de wafles, nem sequer de vez em quando?

- Isto. Crescent pode ser difícil de acreditar…

Beijou-o de novo. - Sua intolerância a mantimentos com amido?

- Sério. Falo do fato de...

- O fato de que pode me ver?

Ele piscou. - Bem… sim. Não parece surpresa.

- É obvio que não. - Sorriu e ele juraria que podia vê-la quase reluzir. - Concedi o seu desejo. Aparentemente isso é o que fazemos.

- Informe-me! O que é que exatamente desejava? Tê-la em minha vida, ou poder vê-la?

- Não sei, mas é maravilhoso que conseguiu tudo no mesmo pacote, não acha?

- Acho que sim.

 

                                                                                Mary Davidson  

 

                      

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