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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


O BEIJO DO VAMPIRO / Cynthia Eden
O BEIJO DO VAMPIRO / Cynthia Eden

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

O BEIJO DO VAMPIRO

 

Um mal antigo. Uma aliança profana. Um amor eterno.                                        

William é um monstro, um vampiro que se alimenta de sangue e medo.

E isso é exatamente o que Savannah Daniels precisa.

Um ano atrás, o irmão gêmeo de Savannah e sua esposa foram brutalmente assassinados. Savannah jurou vingança contra o homem, a besta, que os matou. Uma besta que agora a esta perseguindo.

Savannah precisa de ajuda do William a fim de manter seu voto. Ela deve convencê-lo a lhe transformar e a lhe dar o seu beijo de vampiro, para que ela se torne forte o suficiente para derrotar o assassino que está em seu encalço.

Savannah e William entram em uma aliança profana: Ele a transformará e a verá conseguir justiça. Em retorno, ela deve ser sua companheira, por toda eternidade.

Mas Savannah logo percebe que existe muito mais em jogo do que apenas sua vida. Porque quando ela saborear o beijo de William, ela sabe que poderá perder seu maior bem, o seu coração. E ela terá que pôr toda a sua confiança, toda a sua fé, nas mãos de um homem que perdeu sua alma há séculos.

 

O mal cresce. Eu posso sentir seu toque escuro.

Entrada do diário de Henry de Montfort, 2 de setembro de 1068

 

_Mark!

Ela despertou gritando nome do seu irmão gêmeo.

Ela ligou sua luminária ao lado da cama com mãos tremulas. Seu olhar voou freneticamente ao redor do quarto, e seu coração pareceu parar.

Ela não via a sua mobília. Ela não via a cômoda antiga de cerejeira. Ela não via as pilhas de livros que forravam suas prateleiras, prateleiras amorosamente feitas pelas mãos de seu avô.

Ela só via o sangue. Estava em todos os lugares. E ela sentia o mau. O mal opressivo. Ela fechou seus olhos, desesperada para parar a visão. O grito de terror do homem ainda ecoava em sua mente.

_Não!

Ela empurrou suas cobertas de lado e saltou da cama. No mesmo instante, a visão cessou. Ela podia ver seu quarto novamente. Cheio de sombras, mas reconhecível, todavia. As batidas do seu coração soavam desesperadas para os seus ouvidos. Seu corpo se agitou de medo com a lembrança.

Tinha sido um sonho? Só um sonho?

Ela agitou sua cabeça. Não podia ter sido um sonho. Parecia... muito real. Ela teve um súbito e desesperado desejo de ligar para Mark. Para ouvir sua voz. Ela foi estendeu a mão para o telefone.

O toque estridente congelou sua mão no ar. Seu coração parou. O telefone tocou novamente, seu toque soou estridente como no sonho. Seus dedos tremiam enquanto ela erguia o receptor.

_O... oi?

Enquanto ela escutava o interlocutor, todo o sangue ia sendo drenado do seu rosto. Seu corpo balançou e seus dedos nervosos soltaram o telefone. Arrepios glaciais subiram através de sua espinha, por sua pele. Luzes relampejaram diante de seus olhos. Seu corpo caiu para o chão. E ela caiu de volta nos sonhos de um homem morto.

 

Como uma criança, eu temo a escuridão.

Entrada do diário de Henry de Montfort,8 de setembro de 1068

 

Savannah Daniels juntou sua força e se puxou pelo alto muro de granito. Ela passou por cima de sua extremidade e caiu no chão, aterrissando com uma leve pancada. As suas roupas estavam rasgadas e sangue cobria seu corpo.

Era um milagre, ela ter sobrevivido ao escalar a montanha.

Ela havia abandonado seu pequeno carro de aluguel, horas atrás. No meio do caminho, da montanha traiçoeira, ele havia falhado uma vez e então parado no meio da estrada. O vapor subindo debaixo do capô do Toyota. Nenhuma suplica, pedido ou maldição pode fazer o motor funcionar novamente.

Ela saiu do carro, e fez a única coisa que podia. Ela começou a andar.

Ela caminhou por milhas, ao longo da estrada. Caminhou até que seus pés estivessem doendo, até as que bolhas estourassem em seus pés.

Ela se manteve caminhando, muito tempo depois da estrada ter acabado. Ela pulou a cerca de arame farpado, rasgando suas roupas e a pele de seus braços.

O muro tinha sido seu último obstáculo. O último obstáculo em sua jornada.

Ela podia ver a casa agora, sua estrutura de pedra imponente contrastando totalmente contra a forte montanha.

Rastros de luz brilhavam através das altas janelas góticas. A luz parecia chamá-la, prometendo segurança contra a noite escura, apenas se ela entrasse.

Por um momento, o barulho do vento cessou, e Savannah encarou fixamente e em silêncio, a casa a sua frente.

Ela sabia o que acharia dentro das paredes daquela casa.

Um monstro... Um homem... Um demônio... Um salvador.

Nos últimos seis meses, ela o tinha pesquisado cuidadosamente. Ela havia aprendido tudo o que podia sobre William Dark. Todo horrível detalhe.

Às vezes, ela despertava gritando à noite, o seu nome nos seus lábios.

Mas os pesadelos não importavam.

Ela precisava de William Dark. Ela precisava do monstro. Ela precisava do homem. E ela iria tê-lo.

Ela se aproximou da casa lentamente, quase timidamente. Seus tênis fazendo barulho nas pedras molhadas. Havia chovido mais cedo, e o cheiro da chuva ainda estava no ar.

Não existia nenhum som no pátio. Nenhum pássaro gorjeando. Nenhum cachorro latindo. Nem mesmo o uivo do vento se intrometia neste quieto espaço.

Ela era o único intruso. Seu estômago tremia, e ela tragou várias vezes até aliviar a tensão em sua garganta. Seu coração batia furiosamente. Ela se perguntou se ele podia ouvir a batida desesperada.

De seu alto poleiro sobre a casa, duas gárgulas horrorosas olhavam abaixo, lhe advertindo para ficar longe do seu mestre. Savannah ergueu seu queixo contundido em um desafio mudo. Ela não havia deixado seus amigos a dissuadirem de sua jornada. Ela certamente não se assustaria, por duas estátuas! Ainda que elas parecessem fixar seu olhar nela, seus reluzentes olhos seguindo todos os seus movimentos.

Finalmente, ela parou em frente à alta porta de madeira. Uma cruz estava asperamente esculpida em sua superfície. Ela olhou fixamente para o sinal espiritual, questionando o que significava a sua presença neste lugar de escuridão.

Ele não pertencia a este lugar. Assim como ela. Mas ela não partiria. Não até que ela conseguisse o que precisava. Ela respirou fundo.

A porta abriu antes dela poder erguer sua mão para bater contra a sua dura superfície. Ele abriu a porta. Por um momento, ela pode somente o olhar fixamente com atordoada surpresa. Até na sombra da noite, ela podia dizer que era ele.

Ele a encarou do alto de sua forma esbelta. Ele era alto, facilmente mais de 1,80 e seus ombros largos pareciam encher pórtico. Seu cabelo preto era longo e estava preso atrás de seu pescoço. Seus olhos tinham a cor de um carvão em chamas, pareciam arder enquanto a miravam fixamente em seus olhos.

Ela havia visto um esboço dele antes. Ela sabia como ele era. Mas o estar vendo pessoalmente era algo completamente diferente.

Ela não havia notado o quão fortes eram suas maçãs do rosto, ou o quão sensual eram seus lábios. Seu nariz era perfeito, somente um pouco afunilado. Suas sobrancelhas eram grossas e elegantes. Ele era um homem atraente, até com a magra cicatriz, que descia por sua bochecha.

E ela sabia como ele havia conseguido aquela cicatriz. Ela conhecia tudo sobre o homem a sua frente.

Ele estava vestido de preto, a cor acentuava sua pele pálida, o deixando quase... sinistro.

Ele permanecia nas sombras, olhando.

Mas finalmente, ele falou.

_Você não é bem-vinda aqui.

Sua voz era um ronronar, um contraste sedutor para as severas palavras. Um leve acento inglês marcava suas formais palavras.

Savannah não estava surpresa por sua rudeza. Afinal, era a saudação que ela tinha esperado. Rapidamente, ela disse.

_Eu preciso falar com você, Sr. Dark.

Sua voz estava agitada, intensa. Ele tinha que deixá-la entrar na casa. Ele tinha!

Sua cabeça se ergueu ligeiramente. Um pouco de curiosidade havia chamejado na negra profundidade de seus olhos?

Savannah não podia dizer, não com certeza.

_Você precisa?

Ele questionou. Sua voz parecendo abraçá-la, afundar nela.

Ela agitou sua cabeça, espantando a súbita névoa de sua mente.

_Deixe-me entrar, _ Savannah pediu, tentando em vão olhar ao redor do seu corpo e vislumbrar o Interior da casa.

_Nós temos que conversar. É urgente.

Ele agitou sua cabeça e avançou em uma pequena fresta de luz.

_Você não é bem-vinda aqui, _ ele repetiu.

Savannah juntou sua coragem e olhou fixamente para o homem a sua frente.

_Por favor me deixe entrar. É um assunto de vida ou morte.

Uma única sobrancelha preta se ergueu. Seus olhos viajaram devagar do topo de sua cabeça até a ponta de seus sapatos encharcados.

_Você é uma mulher muito teimosa, Senhora...

_Daniels. Ela forneceu rapidamente

_Meu nome é Savannah Daniels.

Ele movimentou a cabeça, como se já soubesse o seu nome.

_Você pode entrar, mas apenas por alguns minutos.

Ele se virou , lhe dando acesso a sua casa.

Ela exalou fortemente. O alívio súbito fez seu cansado corpo tremer. Ele a estava deixando entrar!

Agora, só faltava o convencer a ajudá-la.

Seu corpo roçou contra ele enquanto ela entrava na casa. Seu ombro casualmente tocando seu tórax. Por um momento, seus olhos negros chamejaram vermelhos.

Ela andou às pressas para o corredor. William ergueu seu braço e indicou uma porta aberta à direita. Ela balançou a cabeça e entrou na sala.

Um fogo morno crepitava na lareira. Ela caminhou imediatamente para ele e ergueu suas mãos, Ávida para sentir o calor. Ela estava tão gelada. Tinha estado gelada, por tanto tempo. Desde aquela primeira noite...

William continuou a segui-la, com seu duro e fixo olhar, que não oscilava.

Savannah se perguntou o que ele via quando olhava para ela. Ela olhou nervosamente para baixo. Ela sabia que estava horrível. Suas roupas e cabelo estavam uma bagunça.

Mas até em um bom dia, ela nunca se consideraria uma grande beleza. Seu cabelo era muito ondulado, a cor muito vermelha. Na verdade, era espesso e o seu corte o fazia cair ligeiramente contra seus ombros, Mas ela sempre odiou a sua cor brilhante.

Seu corpo era pequeno e esbelto. De salto alto, ela media 1,65. Ela havia perdido muito peso no ano passado, então agora ela parecia particularmente delicada. Quase delicada demais.

Ela suspirou fortemente.

Não existia nada que pudesse fazer sobre sua aparência. Além disso, isso não importava.

Suas mãos se fecharam em pequenos punhos, e ela girou resolutamente dando as costas ao fogo.

_Eu preciso de sua ajuda.

As palavras ecoaram na grande sala.

William foi em direção a uma grande cadeira almofadada.

_Minha ajuda? Para o que exatamente você precisa da minha ajuda Sra. Daniels?

Ela tragou e se moveu para se sentar na cadeira oposta a dele. Ela sabia que isto não iria ser fácil. Ela pigarreou para clarear a sua garganta e olhou profundamente em seus olhos escuros.

_Eu preciso que você mate uma pessoa, _ ela disse simplesmente, claramente.

Ele piscou. Uma vez. Duas vezes.

_Desculpe?

Savannah lambeu seus lábios. Seus olhos seguiram o movimento nervoso.

_Eu preciso que você mate alguém, - ela repetiu, segurando o seu olhar...

William riu. Ele lançou para trás a sua cabeça escura e rugiu. Seus ombros se agitando com o riso.

Ainda sorridente, ele girou em sua cadeira para estudar a jovem mulher à sua frente.

Em verdade, ela era todo cabelo e olhos inflamados. Ela lembrava a ele, a imagem de uma fada. Uma pequena, e indefesa fada.

Era uma pena que ela tivesse vagado até o seu reino.

Seu rosto era um delicado oval. Sua pele era incrivelmente translúcida. Seu nariz era pequeno, e seus lábios eram uma total tentação. Ainda assim, foram os seus olhos que pegaram e seguraram sua atenção. Eram os olhos mais verdes que ele já tinha visto. Escuros e penetrantes, olhos de esmeralda. Seus longos cachos vermelhos contrastavam ricamente com seus olhos, lhe dando estranhamente um olhar de fada...

Seus olhos viajaram por seu corpo. Seus seios eram montículos pequenos, que marcavam orgulhosamente contra sua camisa de moletom cinza. Seus mamilos ligeiramente enrugados devido ao frio. Os quadris eram pequenos, quase juvenis, e suas pernas esbeltas eram encaixadas em um par de jeans de um azul desbotado.

O cheiro de sangue impregnava o seu corpo. O odor o chamado suavemente, o tentando.

Ele respirou fundo e se recostou de volta em sua cadeira. Uma de suas mãos se ergueu para esfregar a dura linha de sua mandíbula. Que tipo de jogo a pequena fada estava tentando? Seguramente ela não achava que o enganaria com esta história...

_O que a faz pensar que eu mataria alguém?

Ele perguntou, com sua voz suave. Ele a observou cuidadosamente, notando o leve tremor em suas mãos.

Seus olhos verdes se estreitaram.

_Eu sei sobre você, - ela sussurrou, seus dedos se encrespando no descanso de braço da cadeira.

Seu corpo enrijeceu.

_O que é que você pensa, que sabe?

A diversão de momentos atrás havia sumido. O gelo cobria suas palavras.

_Eu sei o seu segredo, Sr. Dark.

Sua voz era apenas um sussurro.

William sentiu uma onda de súbita tensão passar por seu corpo. Ele estudou a fada muito cuidadosamente.

Ele considerou alcançar as profundezas de sua mente, mas ele descartou a idéia quase imediatamente. Ele queria ver quais verdades ela revelaria sozinha. Ou quais mentiras.

_Eu sei quem você é.

Ela pausou, e então suavemente disse:

_Ou melhor, eu sei o que você é.

Seus lábios cheios se crisparam em um sorriso.

_Você poderia dizer que eu sou algo como uma especialista sobre você.

Seus próprios lábios se curvaram ligeiramente, entretanto ele sabia que nenhum rastro de calor preenchia o seu sorriso.

_Uma perita? Sobre mim?

A ira o enchia, mas com esforço, ele conseguiu manter sua voz controlada enquanto ele perguntava.

_Por que eu sou tão importante para você? Eu lhe garanto, que minha vida não é tão excitante...

Ela se debruçou à sua frente.

_Pelo contrário, sua vida é fascinante.

Um impacto súbito de trovão ecoou ao longe.

_Eu sou um homem, nada mais, nada menos. Minha vida é como qualquer outra.

Ela veementemente agitou sua cabeça.

_Você é muito mais que um homem, Sr. Dark, e nós dois sabemos disto. - Ela respirou fundo.

_Eu sei o que você é, - ela sussurrou.

_Eu sei.

Sua mandíbula enrijeceu.

_Você não sabe nada. - Ele abruptamente se levantou.

_É hora que você partir.

Ela saltou de sua cadeira e tomou um passo em sua direção.

_Eu não vou partir. Eu preciso de seu ajuda!

Ele agitou sua cabeça mais uma vez.

_Eu não posso lhe ajudar, senhora. Eu não posso ajudar ninguém.

_Eu preciso de você. - Intensidade escura preenchia suas palavras e seus olhos.

William fechou a cara. E caminhou lentamente em sua direção. Seus dedos se ergueram e se prenderam ao redor de seu delicado queixo. Ele olhou fixamente para ela, um sulco profundo entre suas sobrancelhas.

_Você não faz idéia do que diz.

_Eu sei tudo sobre você.

Sua cabeça se inclinou para o lado.

_E o que é que você sabe, faz você pensar que eu mataria alguém?

Ela tragou.

_Sim.

_Você pensa que eu sou um assassino? -Ele perguntou, só para confirmar.

_Sim. -O corpo de Savannah se enrijeceu enquanto ela esperava por sua reação.

Ele sorriu. Seus dedos acariciando a delicada linha de sua mandíbula.

_Eu acredito que você esta confusa. Muito, muito confusa. Eu não sou um assassino. Eu sou só um homem. Um homem que quer ser deixado só. - Ele a soltou e caminhou em direção ao fogo crepitante.

-Você foi um homem algum dia, _ ela concordou.

-Mas você não é mais. Você parou de ser somente um homem à quase mil anos atrás.

Ele girou e se lançou em sua direção em uma velocidade obscura envolvendo sua mão direita em torno de sua garganta, que pulsou furiosamente debaixo do toque frio de seus dedos.

Ela falou depressa, sabendo que ela não tinha um momento a perder. A besta havia sido despertada.

_ Em 1038, você nasceu como William de Montfort. Em batalha, você ganhou o nome William Dark (o escuro). Diziam que você ganhou o nome por causa do seu amor pelas artes escuras. A mágica escura que você procurava o levou a ser o que você é hoje.

Seus dedos aliviaram o seu aperto e começaram a acariciar ternamente a pele sensível de sua garganta.

_E o que eu sou, Sra. Daniels?

Suas pestanas se abaixaram lentamente e então se ergueram para encontrar seu fixo olhar em chamas. Seu fixo olhar de sangue vermelho.

_Você é um vampiro.

Ele escondeu seus incisivos, longos e mortais. Seus olhos, aqueles olhos em chamas, seguravam os seus cativos. Sua mão continuava a acariciar a coluna de seu pescoço.

_E você é uma tola.

Sua cabeça se abaixou, e ela percebeu entorpecida e chocada que ele a iria morder. Ele iria tomar o seu sangue. Avidamente, ela virou sua garganta, se oferecendo a ele.

Sua respiração era quente contra a pele tenra de sua garganta. Ela esperou desesperada para sentir o mergulho de seus dentes enquanto ele bebia dela. Ela esperava que não machucasse demais...

Ela esperou sentir o afiado corte de seus dentes contra sua pele. Ao invés, ela sentiu a sua áspera e aveludada língua enquanto ele lambia a veia do seu pescoço. Lentamente. Uma vez. Duas vezes. Ela respirava aos arrancos, e ela se ouviu gemendo.

Seus dentes raspavam ligeiramente contra sua pele. Sua língua a lambendo.

Seu odor a cercou. Forte. Escuro. O odor da noite.

_Você quer isto, não é, pequena?

Sua voz ronronou sedutoramente, embora seus lábios não fizessem qualquer movimento. Você veio aqui por isto, não é?

Ele suavemente começou a chupar o seu pescoço.

_Sim, - ela sussurrou, enquanto seus braços se erguiam para abraçar seus ombros e o puxar para mais perto do seu corpo. Seus olhos estavam firmemente fechados.

William recuou devagar, se perguntando sobre os motivos da mulher, sobre a sua vontade para se render a um monstro.

Então ele lembrou o que ela havia dito.

_Você queria que eu matasse alguém para você.

Era uma declaração. O que ele tomou como um gracejo antes de repente pareceu muito sério. Quem era esta mulher? E por que ela buscava o Anjo da Morte?

_Sim, - ela sussurrou novamente, se recusando a abrir seus olhos.

_Olhe para mim.

O comando era forte. Toda sua força escura por trás da ordem.

Ele sabia o que a mulher em seus braços queria, e que perigos ela apresentava para ele. Então ele lidaria com ela.

_Quem você quer que eu mate?

Suas pestanas se ergueram lentamente, langorosamente. Sua respiração era rota. Seu tórax se expandiu.

_Eu. Eu quero que você me mate.

Então suas mãos se ergueram e ela as enterrou em seu cabelo.

Ela apertou seu pescoço, caladamente o persuadindo a baixar novamente sua boca para o seu pescoço. No mesmo lugar onde sua pulsação pulsava freneticamente.

Seus olhos se alargaram em choque. Ele, que havia visto guerras e mortes incontáveis, estava chocado. Por sua declaração. Por seu convite.

Ainda mais que chocado, ele estava tentado. Ele queria desesperadamente aceitar o que a pequena fada oferecia. Ele queria tomar seu sangue... e sua vida.

Com grande esforço, ele se forçou a se soltar de seu abraço. Ele a olhou fixamente, se perguntando por que uma jovem tão cheia de vida, possivelmente quereria se render para a escuridão. Que demônio a levou a buscá-lo? E Por quê? Ele se perguntou enquanto se movia para trás nas sombras do quarto.

_Por que você busca morte?

Suas mãos se fecharam e frustração relampejou através de seu delicado rosto.

_Meus motivos não deviam importar para você.

Ele alçou uma escura sobrancelha.

_ Eu me importo.

Ele nunca teve alguém que tivesse vindo para ele, sem compulsão, oferecendo seu sangue. Oferecendo sua vida. Ele achava a vida humana valorosa demais para ser oferecida a uma besta.

Sua mandíbula se enrijeceu.

_Eu quero que você me morda.

_Sim. - Ele movimentou a cabeça.

_Mas eu não vou fazer isto.

Ele tinha aprendido há muito tempo a controlar seus impulsos escuros. E, embora ela viesse para ele procurando pela morte, ele não lhe daria isto. O que restava de sua esfarrapada consciência não o permitiria.

_Você devia ir embora agora. - Ele apontou em direção à porta.

Ela agitou sua cabeça, balançando seus cachos vermelhos escuros.

_Eu não vou partir. Eu não vim de tão longe para você apenas me recusar.

Seu rosto parecia um pálido chamejar de fogo e luz

Eu não posso deixá-lo me recusar. Eu disse a você, eu preciso de sua ajuda.

_E eu lhe disse não. Agora, é hora de você partir.

Seu tórax se agitou com uma intensa respiração.

_Você tem que me ajudar. Se você não fizer, eu direi a todo mundo sobre você. Eu irei para todos os jornais, todos os canais de notícias...

Ele riu suavemente.

_Vá agora. Você realmente acha que eles acreditarão em você? - Ele agitou sua cabeça escura.

-Se você disser a eles que eu sou um vampiro, eles rirão de você. E bastante possivelmente a internem como louca.

Seu queixo se ergueu.

_Eles acreditarão em mim, se eu tiver provas.

_E que provas você tem? - Ele ridicularizou.

Ela sorriu, mostrando seus dentes brancos.

_Eu tenho o diário do seu irmão. O diário de Henry. Eu o traduzi.

Ele enrijeceu. A besta dentro dele rugia em ira.

_Em que lugar... Ele endireitou suas costas, enquanto sentia os seus dentes incisivos queimarem e se prolongarem.

_Em que lugar você encontrou o diário?

_ E por que isso importa? - Ela caminhou em direção a ele.

_Eu tenho o seu diário, e o mostrarei a todo mundo que eu puder. Todo mundo. Eventualmente, alguém acreditará em mim. Seu segredo será descoberto. -Ela parou um passo longe dele.

_E, então, Sr. Dark, depois de caçar por mil anos, você será a pessoa que é caçada.

_Você realmente quer sua morte, não é? - Ele perguntou, em voz baixa.

_Morte é só uma forma de conseguir algo, - ela respondeu, a expressão em seus olhos reservada.

Ele agarrou seus ombros a aproximando.

_Eu não gosto de chantagem, - ele rosnou. Ele estava muito perto, e podia ouvir as batidas do seu coração, podia sentir seu ritmo desesperado, agitando todo o seu corpo. E ele quase a podia saborear.

_Eu me sinto mal sobre isto. - Pesar genuíno parecia atar suas palavras.

_Mas eu não tenho escolha.

_Sim, você tem. Saia agora.

_Não.

Ele olhou profundamente em seus olhos verde esmeralda e viu determinação e medo. Ele tentou aumentar o medo.

_Se eu fizer o que você me pede, você sentirá uma dor como você nunca pode imaginar. Um medo que você nunca conheceu. Eu drenarei todo o sangue de seu bonito corpo. Eu beberei de você até não restar nada. - Ele tocou em sua bochecha suavemente.

_E então eu lançarei longe seu cadáver para apodrecer. - Seu sorriso era gelando.

_Eu senti medo antes. - Suas palavras eram tranqüilas, mas seus lábios tremiam.

-Eu senti dor. Mais dor do que até você pode imaginar.

Ele ficou surpreso pela raiva que o atingiu. A idéia de que alguém, Em algum lugar, machucou esta estranha mulher o enchia de ira. Uma ira que não tinha nenhuma razão. Seus dedos se fecharam ao redor seus ombros.

_Quem a machucou?

Ela se soltou, se afastando dele.

_Isso não importa agora.

Importava. Por uma razão desconhecida, importava muito para ele.

_Você vai me ajudar? - Ela perguntou novamente.

_Você quer dizer, se eu vou matar você?

Na verdade, ele se achava desesperado pelo seu gosto, pelo seu sangue. Por ela.

Ela respirou fundo.

_Olhe, nós estamos desperdiçando tempo. Eu sei como isso funciona. Eu disse a você, eu fiz minha pesquisa.

_Ah, sim... a sua pesquisa. - Suas palavras zombavam dela.

_Eu sei o que tem que ser feito, - ela disse obstinadamente, seu brilhante olhar travado no seu.

_Eu sei que eu tenho que morrer a fim de me tornar...

_Se torne o que?

Ele perguntou enquanto uma escura suspeita entrava em sua mente. Seguramente ela não podia querer dizer...

_Como você.

 

Vidas do mal neste mundo. Eu vi isto.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 5 de outubro de 1068

 

O silêncio enchia o quarto.

Savannah segurou sua respiração, rezando com toda a sua força para que ela não houvesse cometido um engano vindo aqui, vindo para William.

Ele tinha sido seu último recurso. Sua ultima escolha.

Se ela quisesse ter a sua vingança, então ela o precisava dele.

Finalmente, só quando ela pensou que o silêncio nunca terminaria, ele falou. Suas palavras eram lentas, pensativas.

_Então não é a morte que você busca, não é verdade pequena? Você quer o beijo, o beijo da imortalidade. O beijo do vampiro. - Ele soou quase desapontado.

_Sim, é isso que eu quero. - Não, não era realmente o que ela procurava, mas era o que ela tinha que ter. Ela tinha que se tornar como ele, se tornar um morto vivo, se ela quisesse completar seus planos. Caso contrário, tudo estaria perdido.

_Você não é tão diferente, afinal. - Ele se virou e saiu da sala.

Seus dentes começaram a bater. Ela ignorou a dor e correu atrás dele.

_Espere! Pare!

Ele estava na entrada. Ele abriu a forte porta de madeira. A escuridão da noite se derramou no cômodo. Quase parecia como se a escuridão estivesse esperando por ela, esperando para pegá-la.

_Boa noite, Sra. Daniels.

_Não! - Ela bateu a porta, não deixando a noite entrar.

_Você tem que me ajudar.

_Eu não ajudei nenhuma das pessoas que vieram a mim ao longo dos anos pedindo o beijo. - Um sorriso cínico enrolou seus lábios, quando ele leu a surpresa em seu rosto.

_O que?

_Você pensou que você fosse a primeira a descobrir sobre a minha natureza?

Savannah sentiu suas bochechas se avermelharem. Sim, ela pensava ter sido a primeira. Desde o momento em que ela soube da existência de William Dark, ela sentiu uma estranha afinidade por ele. Um vínculo especial parecia existir entre eles. Mas, isto pudesse ter sido sua imaginação.

_Houve pelo menos uma dúzia de outras pessoas que vieram a mim ao longo dos séculos.

William encolheu os seus ombros largos.

_Todos encontraram inesperadamente a verdade sobre minha existência de uma maneira ou de outra. E eles todo quiseram o beijo. Homens, mulheres. Jovens e velhos. Eles não se importaram com o que eles teriam que fazer uma vez que eles fossem transformados. Eles não se importaram sobre que eles se tornariam. Eles apenas queriam o beijo.

Savannah tragou para aliviar sua garganta, que havia ficado seca. Medo passava por ela. William iria recusá-la, como ele havia feito com outros, uma dúzia de vezes antes.

_Eu não os transformei. E eu não vou transformar você.

_Mas se você não o fizer, eu irei...

Uma rajada de vento abriu a porta, e passou pela entrada, fazendo o cabelo de Savannah chicotear ao redor seu rosto.

_Não me ameace! - William rosnou.

_Todos os outros me ameaçaram. Primeiros eles imploraram, pleitearam e quando isso não funcionou, eles me ameaçaram. E você sabe o que eu fiz com eles?

Olhando fixamente em seus olhos, Savannah teve medo de perguntar sobre o seu destino.

_Eu podia tê-los matado. Eu podia ter drenado eles secos ou quebrado seus pescoços. Então eu não teria tido que me preocupar sobre suas tristes tentativas de chantagem.

Savannah estremeceu.

_Mas eu não fiz isto, - ele disse, sua voz de repente mudando, ficando baixa, fluindo ao redor dela, Por ela, como um rico vinho.

_Eu não tive que matá-los. E você sabe por quê?

_Por quê?- Ela sussurrou.

Sua cabeça se abaixou em direção a sua.

_Os vampiros têm muitos poderes. Físicos e mentais.

Savannah conhecia tudo sobre os poderes que os vampiros tinham. A força sobre-humana, os talentos psíquicos. Diziam que alguns podiam voar. Alguns podiam se mover velozmente. E alguns podiam controlar as ações de humanos através de seus pensamentos...

Sem poder controlar, um tremor passou por seu corpo.

Ele sorriu.

_ Eu não tive que matá-los porque eu simplesmente os fiz se esquecerem de tudo. Como eu farei você esquecer...

Seus lábios tocaram os seus, uma luz, um ligeiro toque. Uma corrente elétrica passou por seu corpo no contato.

_Este é o único beijo que você conseguira de mim, doce Savannah. Saiba que você teve muita sorte.

Ele se afastou, e com uma mão, ergueu seu queixo, forçando seus olhos a lhe encarar.

_Agora, é hora de você ir embora. Volte para seu pequeno mundo e me esqueça. Esqueça tudo sobre mim e o beijo que você procurava.

Enquanto Savannah olhava fixamente em seus olhos, ela sentia como se seu aperto no mundo estivesse escapando.

A luz na entrada de repente parecia incrivelmente escura. William estava cercado por sombras, e tudo que ela podia ver eram seus olhos, queimando em vermelho.

_Esqueça, Savannah. Esqueça-me. Esqueça o beijo.

Um grito de negação tremeu contra seus lábios. Um grito que nunca fui emitido, em um segundo, a escuridão a subjugou e Savannah não pode lembrar-se de mais nada

 

Ele não teve nenhuma dificuldade de levá-la em seus braços para a cidade, de volta para o pequeno quarto de hotel, que ela havia alugado, na entrada da cidade.

Quando eles desciam a montanha, ele viu o seu carro. Parecia pequeno e abandonado, parado no acostamento da velha estrada. Ele teria que fazer acordos para que o carro fosse devolvido para ela. Nesse meio tempo, ele plantaria uma explicação para sua ausência, em sua mente.

Ele era muito bom em compulsões mentais.

Enquanto eles viajaram, ele camuflou sua presença. Ninguém se lembraria deles. Até os poucos residentes da cidade que os viram realmente, não poderiam recordar de sua passagem.

Não eram como se existissem muitas pessoas do lado de fora para vê-los. Tyler, na Carolina do Norte, não era exatamente uma grande cidade. Existiam algumas lojas e escritórios ao longo da rua principal, Mas á maior parte dos residentes viviam ao redor em cabanas. Aconchegada nas montanhas, a cidade era ocasionalmente visitada por turistas, que queriam fugir dos rigores da vida das grandes cidades. Mas até na alta temporada de turistas, a cidade chegava apenas a mil residentes. Era uma cidade pequena, quieta e afastada. Perfeita para ele.

Com um gesto de sua mão, a porta do quarto de Savannah se abriu e ele a levou para o lado de dentro.

Ela ainda estava inconsciente, um resultado da forte compulsão que ele deu a ela. Em repouso, suas características pareciam incrivelmente frágeis. E incrivelmente adoráveis. Seu corpo ficava bem em seus braços. Morno. Vivo.

Fazia anos, muitos anos, desde que ele havia sentido o calor de uma mulher contra ele. Seu corpo mexia com necessidades que ele há muito tempo pensava estarem mortas.

Depressa, antes dele poder mudar de idéia, ele a colocou na pequena cama. As molas gemeram suavemente enquanto tomavam seu peso.

Para um momento, ele hesitou, olhando fixamente abaixo nela. Ela parecia tão boa. Tão pura. Por que alguém como ela viria procurá-lo?

Ele agitou sua cabeça. Não importava. Quando ela despertasse, ela não teria nenhuma memória dele.

Mas ele se lembraria dela.

Ele se afastou da cama, dela, e forçou a si mesmo a inspecionar o quarto. O Diário do Henry estava aqui. Tinha que estar neste quarto.

Ele viu sua bagagem que estava em um pequeno armário. Ele deu um passo em sua direção.

Na cama, Savannah se mexeu. Ela gemeu e suas espessas pestanas se ergueram.

William girou ao redor chocado. Impossível! Ela não podia estar despertando. Ela não podia...

_William? - Sua voz era espessa, grossa. Enviou uma onda de desejo queimando por ele.

Ele olhou fixamente para ela maravilhado. Ela se lembrava dele. Ela despertou sozinha, apesar da compulsão, ela se lembrava dele.

Impossível. Como ela podia...

Ela lambeu seus lábios. Sua cabeça se ergueu e ela encontrou seu olhar.

_Eu me lembro de você. - Ela agitou sua cabeça em confusão.

_Eu pensei que você havia dito que eu esqueceria.

Ela devia ter esquecido. Nunca antes alguém havia resistido a sua compulsão.

Ela olhou o quarto. Seu olhar parou em um pequeno retrato emoldurado na mesa ao lado da cama. Um homem sorridente com cabelo e olhos escuros de esmeralda.

Um brilho de lágrimas enchia seus olhos.

_Eu ainda lembro-me de tudo. Tudo.

William se sentou ao lado dela na cama. Ele ergueu sua cabeça e a estudou.

_Eu estava errado. Você não é como os outros. - Ele colocou suas mãos em um e outro lado de sua cabeça.

Savannah sentiu uma pressão estranha. Era como se ela pudesse senti-lo dentro de sua mente.

_O... que você está fazendo?

Ele se fechou e soltou suas mãos.

_Isso não importa... você é diferente.

Ela mordeu seu lábio. A tristeza a encheu.

_Eu sou mais diferente do que você possivelmente pode saber. - Ela agarrou sua mão.

William congelou.

_Eu preciso que você me ajude. Por favor.

Seu olhar permanecia parado em sua mão.

_Eu já disse a você, eu não posso.

_Você deve me ajudar.

_Por quê?

_Porque você é o único que pode.

A luz de lânguida do sol nascente chamejava pela janela. William abruptamente se levantou.

_Eu tenho que ir.

_William, eu...

_Encontre-me à meia-noite, - ele a surpreendeu dizendo.

_No bar Jake’s.

_Eu não sei onde fica - Savannah havia chegado à cidade um pouco antes de pôr-do-sol. Ela só teve tempo para alugar um quarto antes de ir à procura de William Dark.

_É um bar na Rua Miller. Só siga o som da música.

Ela movimentou a cabeça.

_Eu estarei lá. - Ela olhou nervosamente em direção à janela.

_É seguro para você...

Ele se foi. Tão rápido, apenas desapareceu.

Savannah olhou para seu quarto, mas ela não pode achar nenhum rastro dele. Ele desapareceu, no ar.

Ela caminhou devagar em direção à cama. Ela não podia acreditar nisto.Após meses de planejamento, ela finalmente fez isto. Ela se sentou e agarrou o retrato. Como sempre, a visão de seu irmão deixava seu tórax apertado com pesar.

_Logo, Mark. Eu prometo. Logo você terá sua vingança.

Ela suavemente pôs a armação de volta em seu lugar, e com as mãos trêmulas, ela abriu a gaveta, e tirou um pequeno frasco de plástico, sem marca.

Ela agitou o frasco e duas pílulas caíram em sua palma.

Ela olhou fixamente as pílulas brancas. Os médicos as prescreveram para ela meses atrás. Eles deveriam ajudá-la. Não curá-la, nada podia fazer Isto. Mas eles deveriam manter a dor afastada. E elas faziam. Às vezes. Às vezes elas paravam completamente a dor. E às vezes elas não faziam malditamente nada.

Claro, elas nunca pararam os pesadelos. Ela pensava que nada podia pará-los.

 

Ele estava sentado no canto mais escuro do bar, suas costas contra a parede dura e negra, e ele esperava por ela.

Ele ignorou a multidão ao redor. A dança. O riso. Não despertava nenhum interesse nele.

As pessoas no bar, com suas roupas apertadas e olhos desesperados, não afetavam ele.

Mas ela despertava.

O momento que ela entrou no bar escuro, ele a sentiu. Em toda polegada de seu corpo, ele sentiu sua presença.

E ele se excitou.

Ela vestia uma pequena saia preta, que descia até o meio de suas coxas. Suas pernas gloriosas imediatamente capturaram sua atenção. Elas eram longas e esbeltas. Delicadamente musculosas.

Seu decote era intrepidamente baixo, revelando mais que uma sugestão de seus seios. Ela tinha seios firmes apertados contra o tecido de sua camisa, e ele percebeu que ele podia ver seus mamilos.

Todo músculo em seu corpo se apertou. Nervoso. Excitado.

Ele estava ciente que outros a notaram, também. Vários homens giraram para olhar, enquanto ela lentamente fazia sua passagem pelo bar lotado. Um idiota até a alcançou e colocou a mão em seu ombro.

William estudou o homem cuidadosamente, memorizando suas características. O companheiro pagaria por este toque descuidado.

Savannah sorriu para o homem, e William a viu murmurar suavemente algo para ele. A mão caiu longe de seu corpo, e ela uma vez mais começou a caminhar em sua direção.

William levantou e foi ao seu encontro. Ele agarrou seu braço e a puxou em direção a ele.

_O que você pensa que você está fazendo? - Sua voz era um grunhido baixo.

Ela ergueu uma sobrancelha delicada.

_Vindo ao seu encontro?

Seus olhos se estreitaram.

_Por que você esta vestida assim?

_Nós estamos em um bar, - ela o lembrou, um pequeno sorriso tocando em torno dos cantos de sua boca.

_Eu quis me misturar.

Ela não se misturava. Uma mulher gosta de sempre distinguir-se da multidão.

_Bem, você não está misturando. Você está atraindo mais atenção do que nós queremos. - Ele odiou o modo que os outros homens olhavam fixamente para ela. Ele odiava seus olhares luxuriosos.

E ele odiava ainda mais, que o seu próprio olhar fixo fosse cheio com a mesma louca necessidade.

Ele a guiou em direção a sua mesa. Pelo menos as sombras a protegeriam de alguns dos olhos espreitadores. Vir para o Jake’s não tinha obviamente sido uma boa idéia.

Quando ela se sentou, ele a seguiu, movendo seu corpo perto do seu.

Savannah mexeu em sua bolsa e retirou um pacote marrom.

_Aqui está.

_O que é isto?

_ O Diário do Henry.

Seus olhos se alargaram em surpresa.

Ela sorriu.

_Eu pensei que você devia ter isto de volta.

Ele cuidadosamente desembrulhou o presente precioso. Ele rasgou papel lentamente e olhou fixamente para o volume de couro. Seus dedos delicadamente acariciaram a suave capa. Ele localizou o Brasão da família e podia ter jurado que ele realmente sentia um calor, vitalício, vindo do Livro.

_Obrigado.

_De nada.

Ela olhou para o bar. Vários corpos dançavam vigorosamente na pequena pista de dança.

_Você vem aqui freqüentemente?

Ele quase sorriu de sua pergunta. Quase, mas então ele se lembrou de seu propósito em trazê-la ao Jake’s. Savannah tinha uma lição que ela precisava aprender. Ele cuidadosamente fechou o livro e o colocou dentro do bolso de seu casaco. Ele exploraria aquele tesouro mais tarde.

_Eu venho aqui quando eu tenho uma... necessidade.

Sua sobrancelha se enrugou.

_Uma necessidade? Eu não entendo.

Não, claro que ela não entendia. Mas ela iria. Ele se debruçou perto dela, deixando sua respiração contra a pele delicada de seu pescoço. O odor de rosas e de lavanda chegou ao seu nariz.

_Savannah, - ele respirou contra ela e teve o prazer de ver o seu calafrio.

_Olhe para estas pessoas. O que você vê?

Ela molhou seus lábios e seu olhar seguiu avidamente o, movimento sensual.

_Diga... ele ergueu sua mão e esfregou isto contra sua coxa. Ela saltou.

_Ah... vejo pessoas dançando. Rindo. Tendo uma noite de diversão.

_Realmente?- Ele ronronou.

_Não é isso que eu vejo. - Ele se debruçou adiante e ligeiramente lambeu seu pescoço. Ela ofegou.

Ele amava o seu gosto. Tão rico. Tão doce. Ele se perguntou se seu sangue saborearia da mesma maneira.

E ele soube, com certeza súbita, que ele teria que descobrir. Ele não poderia deixá-la ir. Não sem primeiro ter um gosto. Um gosto dela.

_O... que você vê? - Ela suavemente perguntou, arqueando seu pescoço.

Ele podia ler sua necessidade muito facilmente. Ela queria que ele a mordesse. Que afundasse seus dentes em sua pele delicada.

Ela ainda queria o beijo.

Ele tinha que a forçar a mudar de idéia.

Antes de ele ceder à sua necessidade.

_Eu vejo comida. - Sua voz empreendeu uma extremidade severa, irada.

_Eu vejo sangue.

Ela tentou empurrar longe dele. Facilmente, ele a segurou no lugar.

_Olhe para eles, Savannah. Olhe para eles, e vejam, quão frágeis eles são. Quão delicados. Eles são tão fáceis de quebrar. Tão fáceis de matar.

Ela ergueu seu queixo e olhou para ele. Seus olhos brilhando com um brilho de lágrimas.

_Você está tentando me assustar. - Ela agitou sua cabeça uma vez, quase tristemente.

_Não funcionará. Você não me fará mudar de idéia.

_Nós veremos, - ele rosnou e a puxou da mesa. Ela o seguiu docilmente permitindo que ele a levasse para a pista de dança.

Os corpos roçavam contra ele à medida que eles passavam. Os odores inundavam seu nariz.

Perfume barato. Bebida. Sexo.

Ele se perguntou se Savannah notava os cheiros. Ele duvidava d isto. Sua sensação de cheiro era dez mais forte que o de um mortal. Assim como a sua visão. Ele parou no meio da pista de dança. Savannah tropeçou nele.

_O que...

Ele não lhe deu nenhuma atenção. Seus olhos estavam presos no homem que somente a havia tocado momentos antes.

Como Savannah, ele era jovem, provavelmente no final da casa dos vinte anos. Ele tinha cabelo arenoso e olhos azuis. Ele tinha uma construção longa, desengonçada, e uma tatuagem de uma serpente preta circulava seu braço superior.

O sujeito atualmente estava dançando com uma loira escassamente vestida. Uma de suas mãos estava presa no seu quadril, e a outra entrelaçada por seu cabelo.

William sorriu. Ele seria perfeito. E então ela veria.

_O que você está fazendo? – Savannah perguntou, medo passava em sua voz. Ela puxou seu braço.

_Vamos voltar para a mesa.

_Ainda não, - ele murmurou. Então ele esperou.

O sujeito olhou para cima, parecendo sentir William. Seu olhar se prendeu. Os olhos de William chamejavam vermelhos.

_Venha comigo, - ele comandou.

O homem movimentou a cabeça, seu rosto relaxou. Ele puxou longe da loira e deu um passo para William.

_ Slade? O que você está fazendo? – A loira agarrou seu braço.

_Nós não terminamos de dançar ainda!

Ela girou e notou William. Seu olhar relampejou com interesse súbito e ela sorriu flertando.

_Ola, querido. Você é um amigo do Slade?

_Não exatamente, - William murmurou, girando a força total do seu olhar nela.

_Por que você não vem para o lado de fora conosco?

Ela piscou uma vez. Sua face se suavizou, seus lábios se separaram.

_Esta bem.

_Pare isto! - Savannah sussurrou. Ele podia sentir a tensão que zumbia por seu corpo.

_Pare de jogar com eles.

Ele olhou para ela, a deixando ver a luxúria de sangue que rodava nas profundidades de seus olhos. Ele não havia se alimentado naquele dia, e a fome estava o montando duramente.

_Eu não estou jogando.

Ele se dirigiu para a porta. Slade e sua menina avidamente o seguiram. Ele olhou por seu ombro. Savannah estava congelada na pista de dança, uma expressão de horror cobrindo seu rosto adorável.

Bom. Ela devia estar horrorizada. Seu horror a mandaria correndo de volta para casa. Longe dele.

O pensamento não o fazia tão feliz, quanto deveria.

A multidão se separou facilmente diante dele. Em momentos, ele pode ver a porta de saída, sua metálica superfície cintilando estupidamente na pobre luz florescente. Com um pontapé bem colocado, ele forçou a porta aberta, suas dobradiças gritando em protesto. Ele esquadrinhou a ruela. Um gato negro e perdido miou e saltou atrás de um container de lixo.

Ele sorriu, girando para enfrentar suas vítimas, fixando seu olhar em Slade.

_Venha aqui.

Slade tropeçou em sua direção, quase caindo em sua pressa.

_Não faça isto, - Savannah pediu, caminhando devagar em direção a ele.

_Por favor, não faça isto.

Ele ficou surpreendido que ela o tivesse seguido. Ele pensou que ela houvesse corrido do bar.Corrido dele.

Aparentemente, iria precisar de mais para assustá-la longe.

Ele olhou fixamente abaixo em Slade, e o homem avidamente balançou sua cabeça de lado, arqueando seu pescoço.

William sentiu seu incisivo queimar e se prolongar. Ele olhou para Savannah, e sorriu, mostrando suas presas, que pareciam afiadas navalhas.

_Não se preocupe, Savannah. Não o machucará... muito.

Ele abaixou sua cabeça em direção a garganta vulnerável de Slade.

_Não!- Savannah gritou, empurrando contra suas costas.

_O deixe ir!

William A ignorou e ficou mais próximo de Slade. Ele não deixaria sua presa fugir...

_Não faça! - Os olhos de Savannah eram largos e luminosos. Suas unhas cavadas em suas costas.

_Só o deixe ir. - Ela olhou depressa para a companheira congelada do Slade.

_Deixe ambos ir.

Ele agitou sua cabeça.

_Eu não posso fazer isto.

_Por quê?

Ele girou sua cabeça e deixou-a ver seu fixo olhar em chamas. Deixou-aela ver a besta que estava dentro dele.

_Porque eu estou com fome...

Seus lábios tremeram e seu rosto se tornou branco. William esperou que ela corresse da ruela a qualquer momento.

Ela respirou fundo.

_Eu não posso deixar você o machucar.

Ele arqueou uma sobrancelha escura.

_Eu tenho que me alimentar. -Ele sorriu.

_Eu preciso do sangue.

Ela empurrou Slade de volta e andou protetoramente entre seu corpo e de William. Seu olhar encontrou o seu.

_Então tome o meu.

 

Meu irmão compartilha do meu segredo, do meu tormento.

Ele caminha comigo nas sombras, resistindo aos anjos e demônios.

Ele caminhará comigo por toda a eternidade.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 31 de outubro de 1068

 

Luxúria o atravessou ao ouvir sua ousada oferta. Era o que ele queria, o que ele ansiava, desde o primeiro momento em que a viu.

Sentir seu gosto. Beber dela.

Seria o ápice segurar seu corpo, sentir seus seios pressionados contra seu tórax. Seu corpo contraiu-se só de pensar.

Seria o paraíso. Ou, pelo menos, o mais perto do paraíso que ele jamais chegaria.

_Beba meu sangue, - sua voz suave suplicava, tentando-o.

A besta dentro dele se enfureceu. Ele sentiu seu controle esmaecer.

Ele pretendera apenas beber ligeiramente de Slade, tomando apenas sangue suficiente para conseguir manter-se até a próxima lua cheia. Ele também quisera assustar o homem, castigá-lo por ousar tocar em Savannah.

E, ele quisera assustar Savannah, forçá-la a perceber a realidade da sua existência.

Forçá-la a desistir de sua idéia maluca de se tornar um vampiro. De se tornar como ele.

Mas parecia que seu plano não estava funcionando. Ela não estava agindo como ele havia antecipado. E sua fome estava ficando fora de controle.

_Vá embora, - ele rosnou - Slade junto de sua loira companheira, fugiu pelo beco.

Eles não se lembrariam de tê-lo encontrado. Ele havia plantado uma forte compulsão em suas mentes.

Porém, Savannah era outra história. Sua compulsão não funcionava nela. Ela se lembraria de seu encontro com ele hoje à noite. Ela se lembraria de cada detalhe.

Com o som de passos apressados ecoando ao longe, eles se entreolharam fixamente.

O luar iluminou os traços de Savannah e a envolveu em um brilho sutil. Ela parecia quase que de outro mundo na luz pálida. Como um anjo caído na Terra.

Seu olhar percorreu o beco cheio de lixo. Ou caída no inferno.

_Você vai fazer isto? - Ela perguntou, sua mão se levantando para tocar em sua garganta.

Ele seguiu seu movimento, seu olhar afiado reparando na pulsação que batia freneticamente na base de seu pescoço. Ele queria pôr seus lábios naquele ponto. Pressionar sua língua contra ela.

_Eu quero que você faça isto, - ela sussurrou.

Seu controle se despedaçou. Ele a agarrou, empurrando-a contra a parede áspera de tijolos.

_Tenha cuidado com o que você pede, querida Savannah, pois você pode acabar conseguindo.

E ele fez o que havia ansiado por fazer a noite toda. Ele pôs sua boca na dela, seus lábios reivindicando os dela em um beijo faminto, desesperado.

A boca dela era quente, apertada, molhada contra sua. Sua língua encontrou a dele avidamente, e seus braços o envolveram firmemente ao redor dos ombros. Ela o puxou para perto do calor de seu corpo.

Ela queimava de calor, de vida, e ele havia permanecido frio, tão frio, por tanto tempo.

A mão dele se enrolou em seus cabelos, as mechas macias facilmente escoando por entre seus dedos. Ele inclinou sua cabeça para trás, e ela abriu mais aquela boca deliciosa, permitindo-o deslizar sua língua bem no fundo.

Seu gosto era como ele sabia que seria. Doce, e só um pouco selvagem. Ele não conseguia se satisfazer. Ele queria mais.Muito mais. Tudo o que ela pudesse dar.

A metade inferior de seu corpo estava dura como uma pedra contra seus quadris suaves. Ele pressionou suavemente, deixando-a sentir o tamanho de sua necessidade. Sua fome. Ele nunca havia desejado uma mulher tanto assim. Nunca.

Ele não conseguia ouvir os sons dos carros que passavam pela rua principal. Ele não conseguia ouvir o riso ou as conversas vindas do bar. Ele esqueceu completamente do beco imundo. Seu único pensamento, seu único foco, era ela.

Ele removeu sua boca lentamente da dela, beijando-a gentilmente agora, usando sua língua para saborear seus lábios.

Ela gemeu suavemente, e o som ansioso o rasgou por dentro.

Os lábios dele se moveram lentamente em direção ao seu queixo, e foram além, ultrapassando a curva do seu pescoço. Ele a lambeu, saboreando o sal em sua pele. Ele podia sentir o pulso dela, podia sentir a vibração contra seus lábios. Ele podia sentir seu cheiro, o odor de lavanda envolvendo-o firmemente. Ele sugou gentilmente em sua garganta.

_Faça-o, - ela sussurrou, sua voz um ronronar sedutor. E ele não pode resistir por mais tempo. Seus dentes afundaram em sua pele. Ela suspirou, e seu corpo tremeu em seus braços.

Com uma mão, ele segurou sua cabeça para trás, embalando-a. Com a outra, ele puxou seus quadris firmemente contra o seu próprio. Seus quadris forçaram-se contra os dela. Seus lábios beberam dela.

Seu sangue era o mais doce que ele já havia saboreado. Tão puro. Tão bom. Ele não sabia se em algum momento, ele ficaria satisfeito de seu gosto. Ele bebeu, sugando profundamente de sua essência, amando o jeito em que a sentia em seus braços. Amando o seu gosto.

Ela tremeu, suas pálpebras se abaixando lentamente. Seu corpo começou a deslizar, a se apoiar ligeiramente contra o dele. Ele recuou de uma só vez, sua língua removendo as gotas de sangue que escorria pela sua garganta.

Seu corpo ainda queimava de necessidade. Ele queria remover suas roupas, ter seu lindo corpo nu diante dele. Ele queria se afundar dentro dela, no fundo dela, até que ele não soubesse mais dizer aonde ele acabava e ela começava.

Seu corpo doía por ela.

_Você... - Ela pausou e umedeceu os lábios.

...Conseguiu o que você queria? - Sua voz estava espessa, rouca.

Ele a encarou fixamente.

_Não, mas eu terei... logo.

Ela franziu o cenho, e seu corpo balançou contra o dele.

_William? Eu… - Sua cabeça caiu para trás, e ela desmoronou contra ele. Ele a pegou facilmente em seus braços, erguendo-a contra seu tórax.

Ele xingou baixinho. Ele havia tomado sangue demais dela. Ela era uma mulher pequena, delicada.

Ele deveria ter sido mais cuidadoso.

Na verdade, ele nunca deveria tê-la tocado. Ele havia cedido à sua necessidade por Savannah, e agora aquela necessidade era violenta dentro dele. Se ele ainda possuísse qualquer consciência, ele a deixaria ir.

Ele a mandaria para longe, bem longe do monstro que ele havia se tornado.

Mas sua consciência havia morrido há muito tempo atrás. Havia morrido em um campo ensangüentado na França. Havia morrido no momento em que ele matou seu irmão.

Suas mãos se apertaram ao redor da forma imóvel de Savannah.

Ela era a primeira coisa que ele quisera, que ele precisara, em mais de mil anos.

E ele não queria deixá-la ir.

 

Savannah acordou assustada, com o último grito de seu irmão ecoando em sua mente. Sua respiração saía forçada, forte e rápida, e seu coração batia furiosamente contra seu peito.

_Está tudo bem, - a voz de um homem sussurrou da escuridão próxima à cama.

_Você está a salvo.

Savannah congelou. Ela conhecia aquela voz.

_William? - Ela se esforçou para vê-lo nas sombras.

Ele deu um passo à frente, e o luar passando pela janela aberta, iluminou seus traços fortes.

Ela olhou vagamente ao redor do quarto desconhecido.

_Onde nós estamos? - Ela balançou a cabeça, tentando se lembrar como havia chegado ali, naquela cama.

_Minha casa. - Seu olhar enervante estava fixado nela.

Savannah empurrou a colcha pro lado e se levantou às pressas. Seu corpo balançou. Prontamente, William estendeu os braços para estabilizá-la.

Suas mãos se enrolaram ao redor de seus braços.

_Cuidado. Não se mova muito depressa.

Seu corpo se aqueceu com seu toque, e ela desviou o olhar dele, olhando em torno do quarto.

Tentando encontrar outra coisa, qualquer outra coisa, para focar sua atenção.

A luz da lua entrou pelas janelas e iluminou o quarto. Ela viu que a mobília era antiga, pesada, feita de cerejeira. Uma cama de dossel grande era a peça central do quarto. No alto da cama estava estendido um pano branco e sedoso. Uma penteadeira e espelho estavam localizados próximo à parede oposta. O espelho cintilava. Um conjunto de escova e pente de prata estava apoiado na superfície da mesa. Ambos aparentavam nunca terem sido usados.

_Como eu cheguei aqui? - Ela curiosamente perguntou.

_A última coisa eu me lembro é de estar no beco... - Seu cenho franziu-se ao tentar lembrar-se daqueles últimos momentos.

Ele pareceu retesar-se.

_Eu trouxe você aqui, depois…

_Você me mordeu, - ela sussurrou, sua mão se erguendo para tocar sua garganta.

_Eu lembro que você me mordeu! Você bebeu do meu sangue. - Ela correu em direção ao espelho. Ela se sentou pesadamente na cadeira acolchoada e se esticou para conseguir ver seu pescoço no espelho. Onde estava? Ali... duas marcas pequenas, círculos minúsculos, em sua garganta.

Ele parou atrás dela, e ela olhou para ele, pasma.

_Eu consigo ver você, - ela sussurrou.

Uma sobrancelha escura se levantou.

_No espelho. Eu consigo ver você.

Ele sorriu.

_Claro que você consegue. Por que você não seria capaz de me ver?

_Mas... a lenda diz...

Ele balançou sua cabeça escura e curvou-se para inspecionar suas pequenas feridas.

_Esqueça a lenda. Somente metade dela é verdadeira. - Ele franziu as sobrancelhas.

_Eu sinto muito por ter machucado você.

Surpresa, ela olhou fixamente para ele.

Sua mandíbula cerrou-se.

_Ao contrário do que você pensa, eu realmente não aprecio machucar as pessoas.

Ela sentiu um rubor quente atingir suas bochechas. Ele não era o que ela havia esperado. Na verdade, ela esperava sentir nojo por ele. Repulsa. Afinal, ele era um assassino, um vampiro.

Mas quando ele a havia tocado no beco, ela não sentiu repulsa. Ela sentiu... desejo.

Quando ele a beijou, quando ele a tocou, um fogo havia queimado fundo dentro de seu corpo.

Ao contrário de toda razão, ela o havia querido. Ela não havia se importado com o lugar onde eles estavam ou com quem poderia tê-los visto. Ela não havia se importado com a sujeira nas paredes ou o lixo no chão.

William era tudo em que ela conseguia pensar.

E esse conhecimento a envergonhou até as profundidades de seu ser.

Ela tinha uma promessa a manter. Ela não podia esquecer-se do seu voto, nem por um momento.

_Você me deu a primeira mordida, - ela murmurou, virando-se para encará-lo, prendendo seu olhar no dele.

_Você me dará as outras duas? - Ela sabia que eram necessárias três mordidas para converter um humano. Três mordidas e então um troca de sangue.

_Não. - Sua voz estava entrecortada. Ele se moveu para longe dela, indo em direção às portas abertas da sacada.

Savannah seguiu em seu encalço.

_O que você quer dizer com “não”? Você precisa fazer!

Ele saiu devagar para a sacada, virando a cabeça para trás e olhando fixamente para a lua cheia e brilhante.

_Eu não preciso fazer nada. - Um aviso.

Um calafrio subiu pela espinha de Savannah ao ouvir a dureza em seu tom. Mas ela se recusava a desistir.

_Por que você me deu a primeira mordida se você não pretendia me transformar? - Suas mãos se fecharam em punhos raivosos.

Ele virou para enfrentá-la, e o luar parecia brilhar nas profundidades de seus olhos.

_Eu quis provar você, - ele sussurrou, sua voz um ronronar sensual.

_Eu tinha que saborear você.

Ela engoliu. Ela não havia esperado por aquela resposta.

Sua surpresa deve ter sido aparente porque uma máscara de raiva passou pelo seu rosto.

_Eu posso sentir, Savannah. Eu posso querer, eu posso precisar, como qualquer outro homem.

_Mas você não é um homem, - ela balbuciou. Ele era mais. Muito mais.

_Ainda assim eu tenho as necessidades de um homem. - Seus olhos passearam vagarosamente pelo seu corpo, demorando-se nas curvas arredondadas de seus seios e quadris.

_Desejos de um homem.

Calor acumulou-se em sua barriga. Sua respiração travou.

Ele se dirigiu a ela e ergueu sua mão para acariciar suavemente sua bochecha.

_Eu quero, como qualquer outro homem. - Sua mandíbula cerrou-se.

_E eu descobri que eu quero você, muito mesmo.

_Então foi por isso que você me mordeu, - ela concluiu suavemente, sua voz rouca e baixa na noite que se esvaía.

_Porque você me queria. - A idéia a deixou abalada.

A mão de William soltou-se de seu rosto. De repente, ela sentiu muito frio sem seu toque.

Ele caminhou para a beirada da sacada e olhou para a montanha abaixo.

_Meu desejo, minhas necessidades, podem ser mortais.

_Não pra mim, - ela se apressou em assegurá-lo.

Ele olhou por cima de seu ombro.

_Especialmente para você. E eu não estou disposto a correr o risco de colocá-la em perigo. Eu quero que você saia assim que o dia nascer.

Ela se moveu para ficar ao lado dele.

_Eu não vou embora.

_Você precisa! - Ele rosnou, virando-se contra ela como um animal encurralado.

_Se você ficar, eu pegarei você. Eu preciso de você como eu nunca precisei de nenhuma outra pessoa em todos os meus anos de existência. Eu anseio por você. Pelo seu sangue. Pelo seu corpo. Pela sua própria vida.

Savannah ergueu seu queixo.

_Eu não tenho medo de você. Ou do que você pode fazer comigo. - Ela não tinha espaço em seu coração para o medo.

_Eu matarei você, - disse, sua voz um sussurro torturado.

_Eu mato todo mundo que chega perto de mim.

_Então me transforme. Se você está tão preocupado comigo, então me transforme! Faça-me imortal!

Seu rosto era uma máscara sofrida.

_Você quer que eu lhe condene a uma vida de escuridão? De fome e morte infinitas? De solidão? Porque se você se tornar como eu, é isso que você conseguirá.

Ela respirou fundo e endireitou os ombros. Estava na hora de colocar suas cartas na mesa. Não havia mais opção. Era a hora da verdade.

_E se eu não me tornar como você, eu morrerei.

William parou.

_O quê? - Seus olhos relampejaram com fogo.

_Você me ouviu. - Suas palavras tremeram fracamente.

_Eu morrerei. - Ela balançou a cabeça.

_Por que você acha que eu vim a você? Por que você acha que eu gastei todo aquele tempo pesquisando você? Eu estou morrendo, William. E o seu beijo é a única coisa que pode me ajudar.

Ele a agarrou pelos braços.

_Você está morrendo?

Ela engoliu em seco.

_Os médicos dizem que eu tenho seis meses, se eu tiver sorte.

_E se você não tiver? - Sua cicatriz era vividamente branca contra sua pele.

_Dois meses.

Ele xingou furiosamente e fechou os olhos.

_Então, como você pode ver, eu não tenho nada a perder. – Ela precisava fazê-lo entender, fazê-lo escutar. Ele precisava transformá-la!

Seus olhos abriram lentamente e ele olhou fixamente para ela, sua expressão feroz.

_O quê há de errado com você?

Ela massageou sua têmpora latejante com uma mão cansada. O quê não havia de errado com ela? Ela não conseguia se lembrar como era se sentir saudável, forte. Ela havia passado os últimos cinco anos de sua vida dentro e fora dos hospitais. Passando por exames infinitos. Tratamentos infinitos. Nada funcionou. Nada a havia ajudado.

_Eu tenho um tumor no cérebro. - Sua voz estava perfeitamente tranqüila. Ela já estava acostumada a contar às pessoas. Seu estômago não se contraía mais. Suas mãos não tremiam.

_Mas com certeza os médicos podem…

Ela balançou a cabeça.

_Não há nada que eles possam fazer. Eles tentaram. Acredite em mim, eles tentaram, mas... - Ela deu de ombros.

Seus olhos pareciam perfurá-la. Seu rosto parecia esculpido em pedra. Será que suas palavras o haviam afetado? Será que ele a ajudaria agora?

_Você entende, não é? Você entende por que eu preciso ter o beijo? - Ela esperou, esperança dançando em seu coração.

Ele virou de costas para ela e olhou fixamente para a noite.

_Não, eu não entendo. - Ele pausou, aparentemente perdido em pensamento.

_Você disse que você não tem mais nada a perder. Você está errada. Você ainda tem sua alma.

Diferentemente de Savannah, William havia perdido sua alma há muito tempo atrás. No momento em que Henry deu o seu último e estremecido suspiro. No momento em que o sangue parou de escorrer pelo buraco aberto em seu peito, a alma de William havia morrido.

E ele não conseguia forçar-se a destruir a alma de Savannah.

_Então você vai me deixar morrer? - Sua voz estava aguda, brava.

William sentiu sua garganta contrair-se com suas palavras. Deixá-la morrer? Ele estremeceu ao pensar. Ela possuía tanta força, tanta paixão dentro dela.

Ele se moveu rapidamente, virando-se para prendê-la contra seu peito.

_Eu ajudarei você. Eu sou rico. Eu posso mandá-la para os melhores médicos do país…

Seus olhos brilharam.

_Você não me ouviu? Médicos não podem me ajudar! Eu estou morrendo, William. Eu estarei morta antes do final deste ano.

William sabia que os médicos hoje em dia podiam fazer milagres. Não era como havia sido em seu tempo. Doenças podiam ser curadas.

_Com o cuidado certo…

Ela riu selvagemente.

_O cuidado certo? Eles cortaram partes do meu cérebro. Eles rasparam a minha cabeça, e cortaram partes do meu cérebro. Então eles me disseram que eu estava curada. Que o câncer havia ido embora. - Ela respirou fundo.

_Dentro de dois anos, o tumor voltou. E estava maior do que antes. Eles me fizeram passar por todos os testes novamente. A terapia. As picadas. Nada funcionou. Nada. - Ela olhou dentro de seus olhos.

_Os médicos não podem me ajudar. Só você pode.

Sua mandíbula cerrou-se ao ouvir a dor em sua voz. Ao visualizar as imagens que suas palavras haviam despertado em sua mente.

_Por favor. - Um sussurro quase inaudível.

_Ajude-me.

O luar acariciou sua pele, iluminando as duas lágrimas que corriam gentilmente por suas bochechas. Ele pegou as lágrimas em seus dedos, olhado pensativamente para elas.

Savannah agarrou sua mão.

_William … por favor.

Ela era tão bonita à luz da lua. Tão pura. Tão viva.

Será que ele realmente conseguiria apenas se afastar e assistir a morte levá-la?

Seu olhar suplicava a ele, um eco mudo para seu apelo. Seus seios firmes pressionaram contra o seu peito. O calor de seu corpo o alcançou, envolvendo-o. O cheiro delicado de lavanda subira mais uma vez para provocar suas narinas.

_Por favor. Eu farei qualquer coisa que você quiser...

Seu corpo endureceu-se ao ser atravessado por uma onda de luxúria.

_Tenha cuidado com o que você oferece, querida Savannah.

Ela balançou a cabeça e pressionou-se ainda mais contra ele.

_Não, diga o seu preço. Se eu tiver, eu lhe darei, eu juro!

Carência e fome batalhavam contra seu julgamento.

_Qualquer coisa, - ela sussurrou, com sua voz desesperada.

_Por que Savannah?

Ela mordeu o lábio e suas pálpebras caíram, escondendo seu olhar do dele.

_Por causa de Mark.

_Quem é Mark? - William perguntou suavemente, enquanto era tomado por uma ira desconhecida.

_Seu amante? - As palavras eram um grunhido, e ele sabia que seu olhar a perfurava.

_Um homem morto.

William franziu o cenho.

Savannah saiu de perto de William e esfregou seus braços, dizendo a si que o frio que sentia era causado pelo ar noturno e não pela memória de seu irmão.

_Já faz quase um ano.

_Eu sinto muito. - A voz de William era solene.

_A morte nunca é fácil.

E ele deveria saber. Savannah assentiu, aceitando sua compaixão. Durante meses após a morte de Mark, ela havia odiado as palavras vazias que seus amigos lhe dirigiram. As condolências vazias.

Eles não haviam entendido pelo que ela estava passando. Eles não haviam entendido o que ela sentia.

Ele entendia. Ela sabia disso. William entendia a sua perda.

_O que aconteceu com ele?

_Ele foi... assassinado. - Um grito ecoou em sua mente, e um flash de sangue preencheu sua visão.

O olhar de William era intenso. O luar parecia refletir em seus olhos e brilhar de volta para ela.

_Como ele foi assassinado?

Ela respirou fundo.

_Um vampiro o matou. Ele e a sua esposa. Eles estavam casados por pouco mais de um ano. Eles haviam ido para a cabana da família na floresta, planejando ter um final de semana roubado agradável, romântico.

_Como você sabe que foi um vampiro?

_Mark e eu éramos gêmeos. Nós sempre tivemos uma conexão especial. E, quando o segundo tumor veio, algo aconteceu comigo... alterou-me. Mudou minha maneira de pensar. Depois disto, Mark e eu não éramos apenas próximos emocionalmente, nós éramos… - Ela parou bruscamente, incerta de como explicar.

_Às vezes, eu podia ler seus pensamentos. Compartilhar de seus sonhos. Nós estávamos conectados. Mais conectados do que eu jamais estive com outra pessoa. - A princípio, a conexão tinha sido assustadora, esmagadora. Mas, então, com cada dia que passava, ela havia se acostumado cada vez mais com o sentimento de compartilhar a mente, os pensamentos de outra pessoa.

William assentiu uma vez, aceitando suas palavras.

_Você estava conectada a ele na noite em que ele morreu?

Ela engoliu e olhou para as suas mãos. Elas estavam fechadas em punhos apertados.

_Eu pensei que era só um pesadelo. Eu conseguia vê-lo, eu conseguia ver Sharon, e eles pareciam tão felizes. - Quando ela fechava os olhos, ela ainda podia vê-los sentados perto do fogo, rindo, se beijando.

_Alguém bateu à porta. - Sua voz estava oca, dura.

_Mark mal teve tempo de abrir a porta antes de... Aquilo o atacar. - Um tremor balançou seu corpo.

_Os olhos daquela coisa, os olhos daquele vampiro, - ela corrigiu, - eram vermelhos, como se estivessem em brasas. Ele ergueu Mark pelo pescoço e o lançou através do quarto. - Um grito ecoou em sua mente.

_Ele matou Sharon. Antes mesmo dela conseguir se levantar, ela estava morta. Sangue ensopava seu pescoço. Seu vestido. O chão...

Sua cabeça começou a latejar.

_Quando Mark percebeu o que estava acontecendo, Sharon já estava morta. E então a criatura virou-se para ele...

Ela não conseguia, não iria, contar a ele os horrores que Mark havia suportado. Ele havia sido torturado, cruelmente torturado, antes de receber o alívio da morte. No fim, ele havia implorado a seu assassino para acabar com seu tormento. O homem havia rido, parecendo apreciar a dor de Mark, sua angústia.

William não disse uma palavra. Seus olhos apenas a observavam com uma intensidade inabalável, como se ele estivesse enxergando até a sua alma.

_Quando eu acordei, eu disse a mim mesma que havia sido somente um pesadelo. Que Mark estava bem. Então o telefone tocou. - Um sorriso triste se formou em seus lábios.

_Era um policial. Ele me disse que meu irmão estava morto. Seu corpo havia acabado de ser encontrado na cabana.

_Eu sinto muito, Savannah. - Suas palavras eram suaves, sinceras.

Ela mal o escutou. Seu olhar estava longe, enxergando uma cena repleta de sangue que somente ela conseguia ver.

_Eu fui para a cabana. Eu dirigi para lá o mais rápido que pude. Havia sangue em todo lugar. Eu vi Mark. E Sharon. Parecia que eles tinham sido atacados por um animal selvagem.

William tocou em seu braço, ela piscou, seus olhos se focando em seu semblante escuro.

_Mas não foi um animal. Foi um vampiro.

_E você está planejando ir atrás dele? Ir atrás do vampiro que matou seu irmão? - Incredulidade carregava sua voz.

_Eu preciso. - Ela não poderia descansar até que seu irmão fosse vingado. E ela não podia deixar aquela coisa permanecer viva, matando pessoas inocentes.

Um sorriso triste se formou nos lábios sensuais de William.

_Você não tem chance. Não existe nenhuma maneira de você conseguir derrotar um vampiro. Você não tem força para isso.

Um rubor apareceu em suas bochechas ao ouvir suas palavras indiferentes.

_Eu não tenho força agora, mas eu terei… se você me transformar. - Uma vez que ela tivesse a força de uma imortal, ela poderia derrotar o monstro.

William a olhou fixamente, seu olhar encoberto.

_Minha pobre, perdida fadinha. Você realmente não faz idéia, não é? Mesmo que eu transformasse você, isso não significa que você terá a força necessária para derrotar outro vampiro. Um vampiro fica mais forte à medida que envelhece. Você será apenas um bebê, enquanto a criatura que matou seu irmão… - ele deu de ombros.

_Ele pode ter o poder de séculos.

Savannah empalideceu. Sua mente trabalhando freneticamente.

_Você tem o poder de séculos. - Ele era um imortal desde a Batalha de Hastings. Ele tinha de ter um poder imenso.

_Você pode me ajudar a derrotá-lo. Você pode me ensinar, me mostrar o que eu preciso saber…

_Eu poderia, - ele concordou devagar, seu rosto não demonstrando nada, - mas por que eu iria fazer isso?

Ela engasgou com seu tom frio.

_É hora de você partir. - Ele se virou indiferentemente.

_Eu sinto muito pela sua perda, mas não há nada que eu posso fazer por você. - Ele voltou a entrar na casa.

Savannah seguiu em seu encalço, deixando as portas da sacada abertas atrás de si.

_Como você pode me rejeitar? - Ela perguntou quietamente, um pouco confusa.

_Eu li diário de Henry. Eu sei o tipo de homem que você é…

Ele congelou.

_Você não quer dizer o tipo de homem que eu fui? - Ele olhou por cima de seus ombros e seus olhos brilharam vermelhos.

_Como você espertamente notou antes, eu não sou um homem. Eu sou um vampiro, um assassino, assim como a pessoa que atacou sua família. - Seus dentes afiados feito navalha brilhavam quando ele sorriu para ela.

Ela recusou a ceder para o medo súbito que tomou conta dela. Ela correu em direção a ele, agarrando em seus braços.

_Não, você não é. Você não é nada parecido com ele. Eu li os diários. Eu sei.

E ela sabia mesmo. Ela sentia isso bem no fundo.

Ele a empurrou para trás.

_Você não sabe nada. - Suas palavras eram pouco mais que um rosnado.

Sua mão se ergueu, acariciando sua garganta ligeiramente.

_Eu podia lhe matar agora, e não há nada que você possa fazer para me impedir.

_Você não vai me matar, - ela sussurrou.

_Você não vai me machucar. - Seu olhar encontrou o dele em uma fixa troca de olhares.

Ele parou de sorrir. Fome passou através de seu rosto. Luxúria queimou em seus olhos.

_Não vou?

 

Existe um preço para o presente. Um preço terrível.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 5 de novembro de 1068

O queixo de Savannah se ergueu e ela encontrou o seu olhar fixo, com um olhar corajoso.

_Eu não tenho medo de você.

_Você deveria ter, você deveria estar apavorada. - As palavras soaram frias no espaço pequeno.

_Eu não tenho medo de você, - ela repetiu calmamente.

_Mas eu acho que você tem medo de mim.

Ele a empurrou pra longe como se ela tivesse batido nele.

_Eu não tenho medo de nada, nem de ninguém.

_Não, claro, o “Cavaleiro Escuro” não admitiria ter medo, - ela disse, usando o título que ele havia ganhado na Batalha de Hastings.

_Mas não admitir, não significa que não é verdade. Não quer dizer que você não me teme.

Seus lábios se contorceram

_E por que eu teria medo de você, pequena?

Ela ergueu uma sobrancelha

_Eu não sei, Cavaleiro Escuro. Por que você não me diz?

Seus olhos se estreitaram. Um rubor apareceu nas suas bochechas? Ela não podia dizer, não com certeza. O luar não iluminava o suficiente.

Seus braços se ergueram fechando-se ao redor dela, puxando ela contra o seu peito

_Eu não tenho medo de você, - ele resmungou furiosamente.

_Mas eu quero você.

Seu coração bateu mais forte, Deus a ajudasse, ela também o queria.

_Eu quero beber de você, saborear o doce néctar do seu sangue. Eu quero me enterrar em você, prender você junto comigo, - ele rosnou se curvando, e lambeu a garganta esbelta, ela se arrepiou e calor líquido alagou seu ventre.

_Eu quero você, como eu nunca quis ninguém. - Ele soou bravo, quase enfurecido, por admitir.

Suas mãos se ergueram para segurar seus ombros passando por seus fortes e largos braços. Eles pareciam feitos de aço sob seu toque. Seu tórax prensando ligeiramente contra seus seios, fazendo seus mamilos ficarem tensos.

Ela ofegou atordoada pelo desejo que a inundou. Nada em sua limitada experiência a preparou para isso, para ele.

Os dentes dele estavam descansando contra a sua garganta. Seu pescoço curvado, abrindo-se mais para ele, para seu toque.

Com um grunhido, ele se empurrou para longe, sua respiração movimentava seu tórax acima e abaixo em um ritmo rápido, ele olhava fixamente para ela, a fome clara em seu rosto.

Necessidade explodiu por todo seu corpo, Savannah fechou suas mãos em punhos, lutando contra o desejo de ir até ele, fechar suas mãos ao redor dele.

_Você quer meu beijo - uma besta olhava fixamente para ela por trás do rosto de um homem

_E você quer minha força para ajudá-la na sua vingança.

_Sim, - ela sussurrou, se perguntando qual o motivo da súbita mudança nele.

_Até onde você irá, - ele inquiriu suavemente, - a fim de obter justiça?

_Eu disse a você, eu farei qualquer coisa. - E ela iria. Ela faria tudo pra buscar justiça para o seu irmão.

Ele sorriu, e por um momento, um súbito medo flamejou por seu corpo.

_Eu darei a você o que você quer, doce Savannah, eu me certificarei que você consiga a justiça que você almeja e o beijo que você precisa pra viver. - Ele pausou.

_E em troca... - Seu olhar percorreu seu corpo de cima a baixo.

Ela engoliu em seco e ergueu o queixo.

_Em troca?

_Eu quero você.

Seu coração pareceu congelar com as palavras baixas, severas.

_Eu não entendi.

_Se eu der a você o beijo, então eu quero você, eu quero que você fique comigo, para se tornar minha companheira.

Seus olhos se alargaram, com certeza ele não quis dizer isso. Ela riu, um som alto e nervoso.

_Você não pode estar falando sério. Você...

_Eu nunca falei tão sério. - Sua mandíbula estava firmemente cerrada.

_Se você quiser sua vingança, você terá que pagar um preço.

_Você quer dizer que eu teria que me vender, - ela retrucou. Ela não podia acreditar na proposta que ele estava oferecendo. Por quê? Por que ele faria isso?

_Eu pensei que você disse que odiava chantagem.

Ele ergueu uma sobrancelha escura, seus lábios se curvaram zombeteiramente.

_Ah, mas isso não é chantagem, é uma proposta.

Então era isso o que se sentia ao vender sua alma para o diabo. Savannah olhou fixamente enquanto William rodava os olhos e soube que ela não tinha nenhuma escolha.

_Por quanto tempo?

Ele congelou.

_O quê? - As palavras pareceram sair estranguladas dele.

_Quanto tempo eu terei que ficar com você? - Ela perguntou pausadamente.

Ele deu dois passos em direção a ela, sua mão se ergueu suavemente e acariciou sua bochecha.

_Para sempre é claro.

Para sempre. Sua pele pareceu queimar sob seu toque.

_E o que eu iria ter que fazer como sua... companheira? - Ela não conseguia se obrigar a pronunciar a palavra amante.

Ele traçou delicadamente seus lábios com o dedo.

_Você seria minha amante, compartilharia minha casa, minha cama.

_Eu seria sua prostituta, - ela disse suavemente, sentindo uma onda de vergonha e raiva passar por ela.

_Não!

Ela olhou para e seu rosto e se perguntou o porquê da ira que ela viu lá.

Ele respirou fundo, aparentemente lutando para recuperar o controle.

_Você seria minha companheira.

Ela engoliu em seco, surpresa por sua intensidade.

_Por que a mim? Você poderia ter quem você quisesse. - E ela sabia que era verdade, William era misterioso, interessante, com certeza ele poderia ter qualquer mulher sem ter que prometer imortalidade.

_Eu quero você, - ele disse simplesmente.

_Eu não quero qualquer outra.

Ela fez uma careta, surpresa por sua resposta.

William falou mal e olhou em direção à porta aberta da sacada.

_O amanhecer se aproxima. Eu devo partir.

Ele andou de volta, olhando fixamente abaixo em sua expressão confusa.

_Pense sobre a minha oferta durante o dia. Quando a noite cair, eu virei por você.

Ela assentiu com a cabeça e assistiu quieta enquanto ele andava a passos largos através do quarto. Ele parou na porta voltando-se para enfrentá-la.

_Se você não estiver aqui quando eu subir, eu saberei qual foi sua escolha e eu entenderei. Mas se você estiver aqui... - Seu olhar se estreitou, e ele logo continuou, - Se você ainda estiver aqui, então você será minha. Para sempre.

A porta bateu atrás dele, e o som ecoou no coração de Savannah.

 

Ele era um tolo.

Por que ele fez aquela ridícula proposta a ela?

William estava deitado em sua cama, seguro nos túneis debaixo de sua casa, se perguntando qual loucura se precipitou sobre ele, o que o fez oferecer aquele pacto do diabo para Savannah?

Ele ainda podia ver a raiva que relampejou em seus olhos, ainda podia ler à ira que varreu através do seu expressivo rosto.

Ele suspirou e se mexeu na cama, frustração o enchendo. Ela ainda estaria lá?

Ela estava na casa acima dele? Ou ela já havia fugido dele?

Um grunhido baixo reverberou na sua garganta, ele odiou estar preso nos túneis. Mas eles eram sua única opção, seu olhar esquadrinhou o quarto depressa, e ele se perguntou o que Savannah pensaria sobre seu lugar de descanso.

O quarto principal era grande, com chão de granito importado da Itália, estantes de livros ocupavam as paredes do quarto, e duas cadeiras enormes estavam dispostas no canto mais longe, sua cama ficava no meio do quarto e como no quarto que Savannah estava, era uma enorme cama com quatro colunas e dossel, feita com rica madeira de cerejeira.

Ela provavelmente achava que ele dormia em um caixão, e na verdade, ele tinha feito isso quando ele era um vampiro novo. O caixão o protegia dos severos raios do sol.

Mas ele mudou desde então. Ele aprendeu muito nos séculos de sua existência de vampiro.

Ele dominou sua força. Ele aprendeu a caçar. Ele aprendeu a sobreviver.

E ele aprendeu a ficar só.

Então Savannah caminhou direto para o seu mundo, ele se perguntou como seria compartilhar a cama com ela, como seria deitá-la no macio cetim e tê-la.

Ele fechou seus olhos, tentando bloquear a visão da sua mente, mas na escuridão, a imagem continuava atormentando-o. Ele podia vê-la claramente. Seu cabelo sedoso, espalhado sobre o seu travesseiro, a pálida coluna de suas coxas, abertas para ele.

E ele soube por que ele fez sua oferta para ela, porque ele a queria, ele a almejava, com um desejo que era furioso e fora de controle.

Seu corpo começou a relaxar. Impossível fugir do sono. Ele não podia lutar com o amanhecer. Nenhum de sua espécie podia.

Antes da escuridão o renvidicar, seu último pensamento foi para Savannah. Ela ainda estaria lá quando ele despertasse?

 

Ela precisava das suas pílulas.

Savannah caminhava pelo quarto como um leão enjaulado, a cada passo que ela dava, o latejar em sua cabeça parecia piorar.

Era sempre pior de manhã, ela nunca soube por que, mas sua cabeça sempre doía mais no início do dia.

Ela apertou seus dentes para segurar a dor.

Ela queria gritar para que a agonia que a estava rasgando por dentro parasse, mas gritar não faria qualquer bem, ela aprendeu isso há muito tempo atrás, nem remédios, ou orações fariam parar.

Ela colocou seus sapatos e andou em direção à porta. Ela tinha que sair. Ela não podia ficar ali nem um momento a mais.

Ela girou a maçaneta e abriu a porta de madeira com um puxão, relanceando um olhar ao corredor abandonado, e se perguntando onde William estava. Ela sabia que ele estava dormindo. Sua espécie dormia durante o dia.

Ela caminhou devagar pelo longo corredor, olhando curiosamente ao redor. Pinturas forravam as paredes, algumas eram de castelos e muito antigas. Outras eram de sangrentos campos de batalha. Quem as havia pintado? William?

Ela estava no topo dos degraus agora. Sua mão segurando firmemente o corrimão, ela começou a caminhar para baixo, no meio do caminho, ela sentiu uma súbita onda de vertigem, ela segurou no corrimão com toda a sua força, rezando pra passar logo, com medo de cair e morrer. Enquanto ela se segurava no corrimão o tempo pareceu parar, lascas da madeira se enterraram nas palmas de suas mãos e pontos pretos dançaram diante dos seus olhos. Ela respirou fundo várias vezes, ofegando até a náusea passar lentamente,com o seu corpo trêmulo e enfraquecido pela vertigem, ela aguardou a escuridão desaparecer.

Ela rastejou devagar pelos degraus restantes, tinha sido muito forte dessa vez, ela precisava das suas pílulas.

Um telefone descansava em uma mesa próxima aos degraus. Ela levantou o fone e discou informações.

_Sim, oi. Que cidade? Um, Tyler, Carolina do Norte. Sim, eu preciso do número de uma companhia de táxi. O que? Obrigado.

Savannah desligou o telefone e rapidamente teclou o número do táxi. Uma voz áspera respondeu no segundo toque.

_Táxis do Mel’s.

_Sim, eu preciso que um táxi venha me buscar. - Ela esfregou suas têmporas e olhou em volta no hall cheio de sombras.

_O mais rápido possível.

_Onde você está, senhora?

Savannah relatou rapidamente o endereço de William.

Um assovio suave ecoou na linha.

_No topo da montanha, hein? Levará pelo menos uma hora antes que eu possa enviar alguém aí em cima.

Os lábios de Savannah se apertaram.

_Certo. Só diga ao seu motorista para se apressar, ok? - Quanto antes ela chegasse ao seu quarto de hotel, melhor seria para ela.

_Certo, senhora.

Savannah suspirou e abaixou o telefone. Ela olhou ao redor, se perguntando como ela poderia ocupar seu tempo até o táxi chegar. Ela não queria voltar para o seu quarto, ela não podia se arriscar a passar mal novamente e descer rolando os degraus.

Uma porta a sua direita estava aberta, e uma luz suave brilhava lá dentro. Era a mesma sala em que ela havia entrado na primeira noite em que ela encontrou William. Ela caminhou devagar em direção ao quarto.

Nenhum fogo queimava na lareira. A luz vinha de uma pequena luminária num canto. Ela caminhou em direção à luminária e viu o diário, o diário do Henry, descansando na mesa, próximo a luminária.

Ela o levantou, seus dedos correndo ligeiramente acima do símbolo gravado. Ela localizou a proteção, e o detalhado desenho de um falcão que cobria sua superfície. Esse diário a levou para William.

Ela suspirou. O que ela iria fazer com William? Ela realmente podia concordar com a sua proposta?

Ela pensou no seu irmão e nos gritos que ecoavam na sua mente. Ela podia permitir que o assassino do seu irmão saísse impune?

Ainda segurando o diário, ela se sentou em uma das cadeiras no canto. Seus dedos continuavam acariciando o símbolo.

O que ela devia fazer?

 

Duas horas mais tarde, ela estava novamente no Hotel Traveller’s.

O quarto de hotel parecia exatamente como ela o havia deixado. Ela trancou rapidamente a porta atrás dela e correu até a mesa de cabeceira abrindo a gaveta e agarrando suas pílulas, engolindo duas rapidamente sem nem mesmo se preocupar em procurar um copo de água.

Ela as olhou fixamente, odiando elas, odiando sua confiança naquelas pílulas miseráveis, ela não podia nem ficar um único dia sem elas.

O que seria ser forte? Ser livre da dor? Livre da terrível necessidade daquelas pequenas pílulas brancas?

William podia lhe dar essa liberdade.

Seus dedos se fecharam com força em torno do frasco com as pílulas.

Alguém bateu com força na sua porta, ela olhou ao redor, e bateram novamente, a porta se agitando ligeiramente.

Ela guardou as pílulas cuidadosamente e caminhou lentamente em direção a porta, espiando pelo buraco da fechadura.

Um homem estava parado do outro lado, seu rosto estava tenso, quase bravo, enquanto ela o olhava ele bateu novamente na porta.

_Sra. Daniels? Eu sei que você está aí. Por favor, abra a porta. Eu tenho que falar com você.

Ela fez uma careta. Como esse estranho sabia seu nome?

_Por favor, Sra. Daniels. Eu tenho algumas informações para você relativas ao assassino do seu irmão.

Seus olhos se alargaram e ela andou depressa de volta pro quarto se apressando em direção ao armário puxando uma caixa pequena que estava escondida e brigando com a sua fechadura até ela abrir. Uma arma preta e cintilante estava dentro.

Ela ergueu a arma, e com mãos firmes, ela a carregou, depois verificou a trava, se certificando de que o mecanismo estava em seu lugar. Ela segurou a arma ao seu lado e caminhou cuidadosamente em direção à porta, abrindo um pedaço minúsculo desta vez, apenas cinco centímetros, mantendo a corrente no lugar.

_Quem é você?

_Meu nome é Jack Donovan. - Um suave, sotaque meridional marcava suas palavras. Ele tinha cabelo escuro, talvez um pouco mais claro que os do William, e características lisas, bonitas. Savannah o inspecionou depressa, ele era alto, provavelmente 1,90 e 1,93 m. seu corpo era musculoso, ela concluiu que ele tinha mais ou menos uns trinta e poucos anos.

Ele estava vestido casualmente com jeans e um pulôver preto. Ambas as mãos estavam erguidas no ar, como se ele quisesse provar para ela que ele não era uma ameaça.

Savannah não abriu mais a porta. Ela não confiava neste homem, este Jack Donovan. Tinha algo nele que estava errado.

_Como você sabe quem eu sou, Jack Donovan? - Ela perguntou suavemente, segurando seu olhar firmemente no seu.

Seus olhos azuis seguraram seu olhar fixamente.

_Eu sou um detetive particular - Ele respirou fundo.

_Eu tenho seguindo você.

_O quê?!

Ele relanceou em olhar acima do seu ombro.

_Olha, eu realmente não quero discutir isso aqui, certo? Deixe-me entrar que eu direi o que eu puder.

Savannah hesitou, ela não o conhecia, e ela certo como inferno ela não confiava nele.

_Eu acho que não.

Uma porta bateu com força no corredor. Jack xingou baixinho.

_Senhora, você está em perigo. Você está a caminho de conseguir a si mesma morta!

Ela ergueu uma sobrancelha.

_Eu estou morrendo. Qual a diferença? - Seu sorriso era de zombaria. Se ele estava a investigando, então ele tinha que saber qual a sua condição.

Um músculo saltou na sua mandíbula.

_A diferença é o modo que você vai morrer. Fácil, enfraquecendo numa cama do hospital. Ou gritando em agonia enquanto todo seu sangue é drenado do seu corpo.

Seu sorriso desapareceu.

_Deixe-me entrar. - Seu olhar era intenso.

_Nós podemos ajudar um ao outro se você deixar.

Seus dedos se apertaram em torno do gatilho da arma. Parecia fria, pesada, tranqüilizante.

_Certo, você pode entrar. Mas só por um momento.

Ele acenou e olhou rapidamente em volta, por cima do seu ombro.

Savannah esperava não estar cometendo um erro. Ela odiaria ter que matar o Sr. Jack Donovan. Ela abriu a corrente e andou para dentro novamente enquanto ele entrava apressado.

Savannah assistiu em silêncio enquanto ele andava em direção ao centro do quarto, ela trancou a porta para ter certeza que ninguém iria entrar e então ergueu a arma puxando a trava de segurança, o suave clique pareceu ecoar no quarto.

Jack girou ao seu redor de olhos arregalados.

_Espere! - Ele ergueu suas mãos, palmas fora.

_Eu não estou aqui pra machucar você!

Savannah apontou a arma de fogo diretamente para o seu coração. Ela aprendeu a atirar há muito tempo atrás quando ela era uma menina despreocupada. Muito antes da doença, enfraquecer seu corpo e mente, seu pai a ensinou, e ela se lembrava bem das lições que havia aprendido, além disso com a distância que os separava seria impossível ela errar.

_O que você quer? - Sua voz era suave.

Ele engoliu seco, seu olhar preso na arma.

_Olha, só abaixe essa coisa...

Um sorriso pequeno se desenhou em seus lábios.

_Eu acho que não, Sr. Donovan. Agora, quem contratou você?

Suor brilhava no seu rosto.

_Eu não posso dizer isso para você.

Ela puxou o gatilho da arma.

_Essa não é a resposta que eu estava esperando ouvir.

Seus olhos se arregalaram.

_Eu não posso dizer a você, certo? Parte do meu contrato com meu cliente era que eu mantivesse sua identidade completamente secreta.

_Como vou saber que você realmente é um detetive? - Savannah pensou alto. Ela estava surpresa consigo mesma, ela nunca havia realmente segurado alguém sob sua mira antes, ela achou que estava fazendo um bom trabalho.

Suas mãos começaram a descer.

_Ah-ha! Mantenha suas mãos ao alto! - Ela não podia arriscar que ele puxasse uma arma para ela.

_Eu só vou pegar minha Identificação, certo? Eu só vou pegá-la no bolso de trás...

Seu corpo endureceu, indo imediatamente para o estado de alerta.

Jack se moveu devagar. Centímetro a centímetro cuidadosamente e pegou sua carteira, ele sacudiu até abrir e a segurou no alto para ela examinar.

_Minha licença de detetive está aqui.

Ela espiou, tentando em vão ler o pequeno cartão.

_Jogue ela para mim.

Sua boca se apertou, mas ele jogou a carteira através do quarto, aterrissando aos seus pés.

Ela se curvou cuidadosamente e levantou a carteira, esquadrinhando a Identificação.

_Isto pode ser falsificado.

_Não é.

_Por que você foi contratado para me seguir?

_Parece que ambos, você e meu empregador compartilham um inimigo comum. - Seu olhar era cauteloso, alerta.

Seu estômago se contorceu. Ela pôs a trava de segurança de volta na arma, mas não a abaixou. Suas mãos estavam começando a suar.

_O que você quer dizer?

_Eu sei que você está procurando o assassino do seu irmão.

Savannah não disse nada, nem confirmando nem negando suas palavras.

_O irmão do meu empregador foi morto, também, - Jack disse suavemente, seus olhos sobre ela, esperando sua resposta.

Savannah abaixou sua arma.

_Como ele foi morto?

_Você não sabe? - Ele esperou por uma batida e então disse, - Todo o sangue foi drenado do seu corpo.

Savannah engoliu em seco. Os dedos de sua mão esquerda se ergueram e esfregaram ligeiramente contra as duais pequenas marcas no seu pescoço, quanto Jake fez uma careta Savannah soltou sua mão, balançando seu cabelo para cobrir os ferimentos.

_E seu... empregador... como ele descobriu sobre mim?

_Ele leu sobre seu irmão no jornal, sobre o modo que ele morreu. E ele soube que o mesmo assassino havia cometido ambos os crimes.

_Mas como ele descobriu sobre mim? - Savannah repetiu sua pergunta, seu tom feroz.

_Ele fez alguma pesquisa, e então me contratou. - Jack encolheu os ombros.

_Seu nome foi mencionado em alguns poucos recortes de jornal que eu achei. Uma vez que eu sabia seu nome, não foi difícil localizar você.

_Como você sabe que eu estou seguindo o assassino? - Como podia um estranho saber sobre os seus planos? Ela só havia dito suas intenções para os seus amigos mais íntimos.

Ele piscou, como se surpreendido pela sua pergunta.

_Eu soube que você estava seguindo ele, porque você veio pra cá.

_O quê?

_Você veio para Tyler. Você veio para a cidade em que o assassino mora. Assim foi como eu soube o que você estava planejando.

Ela olhou fixamente e inexpressivamente para ele.

_Certo? - Ele perguntou suavemente. Então ele xingou, vendo a expressão em seu rosto.

_Inferno, você não tinha nenhuma idéia! Você estava só tropeçando ao redor de Dark.

Sobre o que ele estava falando? O assassino não estava em Tyler. Ela saberia. Ela o sentiria.

_Você está errado. Você...

_Você esteve na casa dele, senhora, - ele falou.

_Você esteve na casa do bastardo!

Ela balançou a cabeça. Ele estava errado. Não era...

_William Dark. Ele assassinou seu irmão. Ele é o assassino!

 

O mal vive, até em meus sonhos.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 15 de novembro de 1068

 

_Você está errado, - Savannah imediatamente disse.

_William não é o assassino.

_Sim, ele é. - Jack era inflexível.

_Eu sinto muito, mas ele é a pessoa que assassinou seu irmão.

Seu olhar era cheio de piedade.

Savannah cerrou sua mandíbula.

_Eu conheço William. Ele não faria isso.

_Ele estava em Washington na hora de assassinato do seu irmão. – As palavras de Jack a atordoaram em seu silêncio.

_Você sabia disto, Sra. Daniels?

Não, ela não sabia. Mas ela seria maldita se ela admitisse aquele fato para este estranho.

_É um país livre. Um homem pode viajar para onde ele quiser.

_Verdade. Mas William Dark também estava na Cidade do Panamá quando o irmão do meu cliente foi morto. E ele estava em Atlanta quando uma prostituta jovem foi levada às pressas para o hospital. Ela estava sofrendo de uma grave perda de sangue. - Ele balançou sua cabeça.

_O socorro pensou que ela morreria antes que eles pudessem levá-la para a sala de emergência. Mas ela conseguiu. Por pouco. E ela pôde dar uma descrição de seu atacante para a polícia.

O coração de Savannah batia surdamente.

_O que... ela disse sobre a aparência dele?

Jack nunca tirou seus olhos dela, enquanto ele recitava a descrição.

_Um homem, aproximadamente 1,88 altura, 86 quilos. Ele estava no final de seus vinte anos. Ele tinha cabelos negros, longos o bastante para mantê-los presos na nuca. Soa familiar?

Savannah se recusou a responder.

Jack continuou.

_Ela não pode lembrar exatamente o que aconteceu com ela durante o ataque. A última coisa ela viu foi o homem. Ele a agarrou, e então tudo ficou preto.

Savannah tragou.

_Você pensa que o homem era William?

_Não. - Jack agitou sua cabeça uma vez.

_Eu sei que era ele. Ele se encaixa na descrição perfeitamente. E ele estava em cada cidade no momento dos ataques. Ele é o único suspeito da polícia. Eu sei, que é ele!

_Você não sabe de nada, - Savannah sussurrou, olhando para a arma de fogo que ela tinha em sua mão direita.

_Agora, eu quero que você parta.

_Senhora, você está me escutando? Ele é um assassino! - Ele deu um passo em direção a ela.

Sua cabeça se elevou.

_Não, - ela disse claramente.

_Ele não é. - Savannah destrancou a porta e andou para o lado.

_Como eu disse, é hora para você partir.

Jack não se moveu. Ele olhou fixamente para ela, olhos ardentes.

_Você está se pondo em perigo. Eu não fiz você entender do que ele é capaz?

_Eu o entendo muito bem. - E ela entendia. Ela conhecia William. Ela sabia do que ele era realmente capaz.

_Você está errado sobre ele. Ele não é o que você imagina. - Ela acreditava nisto, com cada pedaço de seu coração. Ela acreditava na inocência de William.

Jack caminhou em direção à porta. Fez uma pausa, olhando fixamente para ela.

_Pelo seu bem, eu rezo para que você esteja certa. - Ele puxou um cartão de negócios usado de sua carteira.

_Mas se você estiver errada, telefone para mim. Não importa que horas sejam. Chame-me, e eu virei por você.

Savannah pegou o cartão. Um franzido em sua fronte.

_Você está planejando ficar na cidade?

_Eu estarei ao redor, - ele disse vagamente.

_Lembre, só me ligue. Não o deixe machucar você. Não deixe William fazer com você o que ele fez com os outros.

_William não fez nada com o outros. - Sua voz era firme.

_Você está errado sobre ele.

_Nós veremos. - Seu olhar vagou por seu rosto.

_Nós veremos. - Ele saiu do quarto, batendo a porta atrás dele.

Savannah trancou a porta e correu para o telefone de cabeceira. Ela queria descobrir mais informações sobre aquele detetive.

Ela discou o número e esperou impacientemente para a chamada ser respondida. Um toque. Dois.

_Oi? - Uma nítida voz feminina respondeu.

Savannah sorriu no ao ouvir o som da voz de sua amiga Mary.

_Oi, Mary. Sou eu.

_Savannah? Savannah! - Seu grito agudo era alto e claro.

_Eu fiquei muito preocupada com você, mulher! Por que você não me ligou mais cedo?

Savannah estremeceu com a reprimenda.

_Eu sinto muito. As coisas só têm se movido realmente rápido aqui. Eu quis ligar para você no momento em que eu entrei na cidade. - Tinha sido realmente há dois dias? Ela respirou fundo.

_Mary, eu o encontrei.

_Ele? Você quer dizer William? Você encontrou William? - Mary soou incrivelmente emocionada e incrivelmente assustada.

Savannah se sentou na extremidade da cama e esticou suas pernas na frente dela. Ela ainda estava vestindo a roupa da noite anterior. E seus saltos de sapatos altos a estavam matando. Ela os tirou e deixou seus pés afundarem no tapete desgastado.

_Sim, eu encontrei William.

_E?

Savannah fechou seus olhos.

_Ele é tudo que eu pensei que ele seria. - E ele era.

_Savannah... - Mary definitivamente soou preocupada agora.

_Eu sei o que você pensa sobre ele, que você o entende por causa daquele livro que você leu...

Savannah franziu a testa.

_Era um diário, Mary. Um diário que você me deu.

_Sim, bem, quando eu dei isto para você, eu não tinha nenhuma idéia de que a levaria para isso!

Savannah soube. No momento em que suas mãos tocaram naquele diário, ela sabia que ele a levaria para William.

_É ele realmente um ... um... – Palavras de Mary tropeçaram em um impasse. Savannah estava certa que um enfadonho rubor estava manchando as bochechas de Mary naquele momento.

_Um vampiro? - Savannah perguntou suavemente.

_Sim...

_O que você acha?

Mary não respondeu.

Uma porta bateu ao fundo e risos foram ouvidos suavemente através da linha. Mary praguejou.

_Maldição. Meu companheiro de quarto esta de volta. Seria melhor eu desligar.

_Espere! Eu preciso de um favor.

_O que você quer que eu faça?

Savannah torceu os lábios. Essa era Mary. Sempre disposta a ajudar.

_Eu preciso que você verifique alguém para mim. Você pode fazer uma daquelas pesquisas na Internet?

_Certo. Quem você quer que eu pesquise? - Mary era um verdadeiro hacker. Ela se formou na faculdade com um grau em tecnologia da informação na idade de dezenove. Dê à mulher um computador, e não existia nada que ela não pudesse fazer com isto. Ela achou William para Savannah. Ela podia facilmente descobrir informações sobre Jack Donovan.

_Seu nome é Jack Donovan. Ele disse que era um detetive particular.

O silêncio era espesso na linha.

_Você não acredita nele? - Mary finalmente perguntou, sua voz macia.

Ela estava obviamente com medo que seu companheiro de quarto pudesse escutar suas palavras.

_Eu não sei. Eu quero que você descubra para mim. Descubra tudo que você puder.

_Certo. Existe um número onde eu possa chamar você?

_Eu estou ficando no Hotel Traveller’s, quarto 718. Eu estarei aqui até anoitecer. - Então ela teria que voltar para William.

_Certo. Poderia levar algum tempo para localizar este sujeito, mas eu chamarei você assim que eu souber algo.

_Obrigado, Mary. Obrigado por toda a sua ajuda.

_A qualquer hora, Vannie, - Mary disse usando o velho apelido de Savannah.

_A qualquer hora. Seja cuidadosa, certo?

_Eu sou sempre cuidadosa. - E ela era, normalmente.

_Não esqueça seu remédio.

Como se ela pudesse.

_Eu lembrarei. - Mary sempre lembrava a Savannah a hora de tomar seu remédio. Não importava onde elas estivessem, ou o que elas estivessem fazendo, Mary sempre a lembrava ela.

Era bom poder ter uma amiga como Mary. Alguém com quem ela podia contar, alguém que ela podia confiar os seus segredos.

_Eu logo falarei com você.

_Adeus, Vannie.

À medida que ela recolocava o receptor no gancho, o estômago de Savannah rugia ruidosamente, lembrando-lhe que ela não comia desde a véspera. E então ela só teve tempo para um lanche rápido.

Ela olhou para o relógio da cabeceira. Era apenas um pouco depois do meio-dia. Ela teria bastante tempo para almoçar, fazer as malas, e retornar para William ao anoitecer.

Ela se levantou e esticou seus músculos cansados. Talvez ela até pudesse tirar um pequeno cochilo em sua programação. Ela não tinha condições de deixar sua força minguar, não quando ela estava finalmente muito perto de sua meta.

Ela olhou para suas roupas. As coisas urgentes primeiro. Enquanto sua roupa podia ter sido apropriada para uma conversa com Jake, ela definitivamente se destacaria se ela tentasse entrar no restaurante vestindo estas roupas.

Savannah encaminhou-se resolutamente em direção ao chuveiro. Ela tomaria banho, e então ela comeria. E, talvez, enquanto ela estivesse no restaurante, ela pudesse conseguir um dos moradores para dizer a ela um pouco mais sobre William. Talvez.

 

O corpo do William jazia perfeitamente quieto. Seu tórax não subia. Seu coração não batia.

Sua mente, sombreada pelas teias de seu sono profundo, tremularam um pouco. O desconforto no entanto o incomodava.

Algo estava vindo. Alguém. Ele podia sentir isto.

Ele podia sentir o mal. Tão perto. Muito perto.

 

_Oi, querida! - Uma mulher alta, matronal com cabelos cinza apareceu na mesa de Savannah.

_O que eu posso conseguir para você? - Seu lápis estava equilibrado acima de um pequeno bloco branco.

_Ah... – Savannah se assustou. A chegada rápida da mulher a surpreendeu.

_Você tenha algum especial do dia?

A garçonete, cujo crachá a identificava como Pat, sorriu.

_Oh, nós sempre temos especiais.

Ela virou a cabeça em direção à cozinha.

_Hoje o especial do almoço é o sanduíche de atum. Você pede o sanduíche, as sextas-feiras e recebe a salada de repolho, tudo por cinco dólares.

Savannah pegou um cardápio do centro da mesa. Ela nunca gostou de atum. Ela esquadrinhou a lista de sanduíches.

_Eu acho que eu só pegarei a salada, com uma sprite, por favor.

Pat anotou depressa.

_Esta certo, querida. Qualquer outra coisa que eu possa conseguir para você?

Savannah sorriu vagamente.

_Não por agora, mas obrigado.

_Logo voltarei com seu pedido. - Com um balançar de seus quadris, Pat girou e desapareceu pelas portas de vai-e-vem da cozinha.

Existia só um punhado de clientes no restaurante. Dois caminhoneiros estavam sentados no balcão, e um homem com uniforme de policial estava bebendo café em um canto nos fundos.

Savannah suspirou. Tudo sobre o lugar parecia incrivelmente normal para ela. A música rural suave tocando no jukebox. As toalhas de mesa quadriculadas e antiquadas decorando as mesas. Tudo era muito incrivelmente normal.

Quem teria imaginado que um lugar como este seria um lar para um vampiro?

_Você não é daqui, não é?

Savannah levantou a cabeça, e se pegou olhando fixamente os olhos marrons do policial.

_Ah, não. Não, eu não sou. - O que ele queria?

_Eu achei que não. - Ele continuou a olhar fixamente para ela.

_Eu sou um dos policiais aqui em Tyler. Meu nome é John. John Sykes.

Savannah ofereceu a sua mão.

_Savannah Daniels.

Seu aperto era firme, mas não opressivo.

_E o que traz você para nossa cidade, Sra. Daniels?

_Eu estou visitando um amigo, - ela respondeu imediatamente, sentindo sua chance de conseguir mais informações sobre William.

_Talvez você o conheça.

_Eu conheço todo mundo nesta cidade. Em um lugar do tamanho de Tyler, é realmente fácil chegar a conhecer seus vizinhos.

_Eu estou certa que é, - ela murmurou com um sorriso cortês.

_Qual o nome do seu amigo?

Foi à oportunidade que ela estava esperando.

_Seu nome é William Dark. Ele vive na montanha.

Os olhos do policial se arregalaram. Ele deixou escapar um assobio baixo.

_Você está na cidade para ver William Dark? Você está certa sobre isto? - Ele soou como se questionasse sua sanidade.

Savannah se enrijeceu.

_Eu acho que eu sei quem eu estou visitando, - ela disse, seu tom duro como gelo.

John suspirou.

_É só que, bem,o Sr. Dark não é exatamente o tipo que costuma ter visitas, você sabe?

Isso não era surpreendente.

_Seguramente ele tem outros amigos que vêm para cidade.

John balançou a cabeça.

_Não que eu saiba.

_O que, exatamente, você sabe sobre ele? - Savannah prendeu sua respiração, esperando ansiosamente por sua resposta.

_Muito pouco. - John sacudiu os ombros.

_Eu ouvi que seu avô comprou a propriedade na montanha por volta dos anos vinte. E eu me lembro de ver o pai de William na cidade algum tempo atrás, quando eu era uma criança. Naturalmente, seu pai não era muito de falar. E eu penso que ele deve ter usado a propriedade aqui como um tipo de retiro. - Seu olhar nublou enquanto ele lutava para se lembrar.

_Sim, ele veio para cá nos verões. Todo verão, até que eu tinha mais ou menos oito ou nove anos.

_Quando William mudou-se para cidade? - Savannah perguntou calmamente. Achava fascinante que William fingira ser seu próprio pai, seu próprio avô. Ele havia criado um fino véu de mistério para enganar os habitantes de forma que ele pudesse manter seu esconderijo na montanha.

_Ele se mudou para cá mais ou menos seis ou sete anos atrás. Eu ouvi que ele herdou a propriedade quando seu velho morreu.

Seis ou sete anos. Onde ele estava antes disto? O que ele tinha feito? Ele verdadeiramente estava só por todos aqueles anos? Todos aqueles séculos? A idéia era dissonante, fria. Não era de admirar que ele quisesse uma companheira.

John franziu o cenho para Savannah, a suspeita súbita varrendo suas feições.

_Mas você devia saber tudo isso, não devia? Desde que você está aqui para visitá-lo...

_Nós estamos ... recentemente familiarizados. - Sim, eles só se encontraram há dois dias. Que definitivamente podia ser qualificado como recentemente familiarizado.

_Existe ainda muito que nós não sabemos um sobre o outro. - E este era o problema.

_Hmmm. - John não parecia convencido.

_De onde você disse que era, Senhora?

_Eu não disse. Mas eu sou de Washington. Seattle, Washington.

_Você certamente percorreu um caminho longo para visitar seu amigo.

_Sim, eu fiz. - Ela não daria ao policial mais informações.

_Aqui está, querida! - Pat apareceu, trazendo um prato grande em uma mão e uma bebida na outra.

_Uma salada, como você pediu.

_Obrigada.

Pat sorriu para o policial.

_Quer outro café?

Ele sacudiu sua cabeça.

_Não. Eu preciso voltar ao trabalho. - Ele olhou para Savannah.

_Prazer em conhecê-la, Sra. Daniels. Eu estou certo de que a verei novamente.

Quando ele foi embora, Savannah se perguntou por que, apesar de seu sorriso amigável, as palavras tinham soado quase... ameaçadoras.

 

Quando Savannah retornou a seu quarto de hotel, levou toda a escassa energia que ela tinha para destrancar sua porta.

A onda súbita de esgotamento a bateu, quando ela terminava sua refeição. Ela tinha sido forçada a afastar seu prato e sair às pressas do restaurante.

Era outro efeito colateral de seu medicamento. Severa sonolência. Em seu caso, severa era definitivamente a palavra certa.

Certamente, o fato que ela não havia descansado na noite anterior só agravava sua condição.

Ela tateou a fechadura, apenas encaixando a chave do lado de dentro. Todos os seus músculos pareciam pesados. Suas pálpebras continuavam se abaixando, seu queixo caindo. Ela tomou uma série de respirações fundas, rápidas, tentando forçar seu corpo a ficar acordado.

A chave girou na fechadura e Savannah tropeçou dentro de seu quarto. Ela encostou-se contra a madeira fresca da porta, dando a seu corpo um momento para descansar. Com as mãos trêmulas, ela girou a fechadura na maçaneta.

A cama parecia tão longe. Ela estava tão cansada. Cansada do esgotamento que atormentava seu corpo. Cansada da dor. Quando isso tudo terminaria?

Ela deu um passo à frente. Sua perna parecia mole. Ela cambaleou, lutando para equilibrar-se.

Mais um passo. Mais dois. Ela podia sentir a base da cama contra seus joelhos, e ela caiu na cama, seu corpo saltando levemente. As velhas molas rangeram em protesto.

Ela parou de lutar contra o esgotamento e fechou seus olhos. Ela descansaria, só por uma hora ou duas. O descanso daria a ela suficiente força para passar pelo resto do dia.

Ela só precisava dormir um pouco...

 

O corpo de William se contraiu.

O mal. A palavra gritava através de sua mente, mas não passou de um som de seus lábios.

Ele podia sentir a presença. Sentia sua escuridão.

Tão perto.

 

Ela estava na cabana. Ela podia ver o bosque cintilante. Ela podia sentir o cheiro de batata assadas, um fogo de inverno.

Tudo estava da mesma maneira como ela se lembrava. A mesa que seu pai fez no verão, do seu décimo sexto aniversário, colocada no canto. Pinturas de sua mãe penduradas em cima da lareira.

Um fogo alegre queimando, e as chamas dançando.

Ela caminhou em direção ao fogo, querendo sentir seu calor. Precisando muito desesperadamente o sentir, para banir o frio que estava passando através dela.

Ela olhou em volta, surpresa por se achar só. Ela tinha certeza de que Mark estaria lá. Ou Sharon.

Ela sentiu algo úmido e pegajoso tocar seu pé descalço. Ela olhou para baixo, franzindo a testa. Era água? Parecia estar fluindo do fogo.

Como podia água sair do fogo?

Ela se curvou, tocando o líquido com a ponta do dedo. Ela levantou sua mão, esforçando-se para ver, na bruxuleante luz do fogo.

A ponta de seu dedo estava vermelha - vermelho-sangue.

Ela ofegou e pulou para trás, tentando escapar do toque fresco do sangue. A piscina parecia segui-la, se movendo como uma serpente no chão.

O som de um riso zombador, congelou Savannah.

_Eu estive esperando por você. - As palavras eram suaves, ronronando, levemente acentuadas.

Ela olhou freneticamente em torno do quarto.

_Quem está ai? - Ela se esforçou para ver nas sombras.

_Você não sabe? - Ele sussurrou.

_Você não sabe quem eu sou?

Seu coração batia forte.

_Não. Não, eu não conheço você.

_Claro que você me conhece, minha querida. - Ele riu novamente, suavemente.

_Você me conhece muito bem. Melhor que quaisquer amantes eu já tive. Afinal, você compartilhou um assassinato comigo.

_O que? - Seus pés estavam ficando encharcados de sangue.

_Você estava aqui comigo. Eu podia sentir você. Você estava aqui enquanto eu me alimentava. - Sua voz se movia nas sombras, parecendo cercá-la.

Sobre o que ele estava falando?

Mark. Sua memória retornou em uma pressa ofuscante. Mark morreu. Ele morreu aqui, na cabana. Ela havia visto. Ela tinha...

_Acertou, - ele ronronou.

_Seu doce e querido irmão. Infelizmente eu tive que deixá-lo seco.

Ela sentiu um toque fresco na parte de trás de seu braço. Savannah deu um pulo para frente, um grito subindo por sua garganta. Ela se virou depressa, esperando poder ver o rosto do assassino que a perseguia.

Ninguém estava lá.

Suas palavras continuaram a sussurrar da escuridão.

_Mas você sabe o que eu fiz, não sabe, Savannah? Você estava lá naquela noite. Eu senti você. Eu senti seu medo. Sua raiva.

Seu cabelo foi suavemente erguido. Uma brisa fresca soprando contra sua nuca. Savannah tremia.

_Seu medo me faz forte. - A voz era mais alta agora, mais perto.

_Me deixa faminto.

As chamas do fogo deflagraram, estalando para fora da lareira como mãos avaras. Savannah sentiu o calor queimar através de sua pele. Então, num instante, o fogo morreu.

O quarto estava mergulhado na escuridão.

Algo roçou contra sua perna. Savannah mordeu seu lábio, reprimindo um grito. Ela sabia que não era real. A cabana. A voz. Nada era real. Era só outro sonho. Outro pesadelo.

Sua mão agarrou a dela, fechando firmemente em torno de seu pulso, esmagando a pele e os ossos em uma garra poderosa.

Apenas se sentia condenadamente real!

_Diga-me, Savannah. - Sua respiração sussurrou através de seu rosto.

_Você apreciou isto? Você apreciou assisti-los morrer? Você apreciou isto tanto quanto eu fiz?

Ela tentou pular para longe, mas ele a segurou rápido. Ela o chutou, uma vez, duas vezes, mas ele somente ria dela.

_Deixe-me ir!

_Nunca. - Trouxe a mão até seus lábios e beijou a pele do dorso de sua mão.

Ela podia sentir a ponta de seus dentes contra ela. A borda afiada de seus dentes. Suas presas.

_Quem é você? - Ela sussurrou.

_Você não sabe? - Ele a girou, seus dentes raspando contra sua palma.

Savannah ofegou no flash súbito de dor. A pele se abriu em duas fendas longas, estreitas, e o sangue escorria sobre sua palma.

Não faz qualquer sentido. Os sonhos não deveriam machucar. Por que ela sentiu a dor?

Por quê? Por que ela não podia só acordar?

Ela balançou freneticamente sua cabeça.

_Isto não é real. É apenas um sonho.

Seus olhos começaram a brilhar. Um misterioso brilho vermelho. Ela não podia ver seu rosto. Ou seu corpo. Só seus olhos.

_Oh, é mais que um sonho. Muito mais.

Era um inferno. Estar presa com ele a tocando, era um verdadeiro inferno para Savannah.

Acorde, ela se ordenou. Acorde!

_Você não vai a lugar nenhum, minha querida. - Ele lambeu o sangue em sua palma. Ela estremeceu.

_Eu tenho planos para você...

Ela tinha que acordar. Ela tinha!.

O brilho vermelho de seus olhos queimaram totalmente ela.

Terror verdadeiro estourou em seu coração. Ela não podia ficar longe dele. Ela não podia acordar. Ela estava presa, só...

_É isso aí, tema-me. Dê-me aquele medo. Parece tão bom...

_Savannah! - William gritou seu nome.

_Savannah!

Um grunhido escapou de seu seqüestrador, e ele a empurrou longe.

Savannah deslizou, caindo na piscina de sangue. Ela ainda não conseguia ver nada. Ela não podia ver William. Ou o assassino.

_William! William, onde está você?

_Ele não pode ajudá-la, - uma voz profunda rosnou acima dela.

_Ele só destruirá você.

_Não! - Ela se levantou.

_William! Onde está você?

_Savannah! Não tenha medo. - Sua voz morna corria por ela.

_Eu não o deixarei machucá-la. - Ele parecia mais perto.

Ela respirou fundo. Ela não entendia o que estava acontecendo. Como tinha William entrado em seu sonho?

O fogo estourou uma vez mais dos troncos, enviando luz que relampejou no quarto.

William estava na porta, raiva gravada em seu rosto. E, pelo fogo, outro homem levantou-se, um homem tão alto quanto William e com cabelo à meia-noite. O braço dele foi jogado sobre o rosto, como se para protegê-lo do fogo.

O desconhecido voltou-se para William, colocando suas costas na frente de Savannah.

William endureceu quando viu o rosto do homem.

_Então, nós finalmente nos encontramos novamente. - Uma risada baixa, maligna e cruel, deslizou por seus lábios.

_Oi, Irmão.

Savannah ofegou. Não, não podia ser...

 

_Não! - Savannah despertou, gritando. Seu coração batia furiosamente, o som ecoando como um tambor em suas orelhas.

A cabana havia desaparecido. Ela estava de volta ao seu quarto de hotel.

Tinha tudo sido apenas um sonho? Um pesadelo horrível?

Ela ergueu sua mão, tentando escovar o cabelo para trás de seus olhos.

Ela ficou ciente da dor então. Do dor latejante. Ela ligou a luz e olhou fixamente para a mão, em descrença. Um hematoma escuro marcava a pele de seu pulso.

Savannah arregalou os olhos. Lentamente, ela girou a mão.

Dois arranhões magros arruinaram a pele de sua palma.

E, por apenas um segundo, ela ouviu o eco de riso em sua mente. Riso baixo, maligno.

 

Todo homem tem segredos. Segredos escuros, perigosos.

-Transcrição do Diário de Henry de Montfort, 25 de novembro de 1068

 

No momento em que o sol se pôs, os olhos de William abriram-se num instante. Ele saltou da cama com um movimento tão rápido que parecia mais um borrão, uma tênue névoa.

A ira o consumia. Como ousara aquele bastardo atacar Savannah? Como se atrevera? Iria destruí-lo, de uma vez por todas.

Empertigou-se, procurando atentamente escutar quaisquer sons no solar acima dele. Sua audição aguda não apurou nada.

Onde estaria Savannah? Por que ela não estava na casa?

Ele projetou sua mente, liberando seu poder psíquico, enquanto a procurava. Não percebeu nenhum traço dela, nenhum vestígio revelador de sua cálida presença.

Suspirou. Ela se fora. Tinha feito sua escolha.

William caminhou devagar pelo túnel, subindo a sinuosa escada rumo ao interior da casa. Examinou cada quarto, verificando cuidadosamente, caso houvesse se enganado, e ela estivesse ali.

A casa estava vazia.

Ele entrou na sala principal, e com um movimento da mão, acendeu o fogo. Olhou fixamente as chamas, sem realmente vê-las. Em lugar das chamas, ele via Savannah.

Savannah.Com sua juba de cachos da cor do fogo e seus lindos olhos. Sua paixão. Sua força.

Não podia culpá-la por partir. Cerrou os punhos. Ele compreendia, é claro. Por que ela iria querer se unir a um monstro?

Ele ergueu a mão em direção às chamas. Podia sentir o calor em sua pele fria. Isto o fazia se lembrar de Savannah. Por um curto período, ela aquecera sua fria existência. Por um breve instante...

Fechou os olhos. A distancia, ouviu o som de um carro se aproximando. Seria ela? Estaria voltando para ele? Sua mente procurou por ela, sentindo-a imediatamente. Sentindo seu calor. O toque tranqüilizador de sua alma.

Sentir a presença de Savannah quase o fez cair de joelhos.

Deu um passo à frente e parou. Ela teria que vir até ele. A decisão deveria partir dela.

Então, ele esperou, ouvindo o quieto ruído do motor do carro, o esmagar dos pedregulhos sob os pneus.

Lentamente, muito lentamente, o carro acercou-se da casa. Ele podia escutá-los, o motorista, um homem mais velho com um sotaque nova-iorquino, falando com Savannah. Ouviu a voz calma e suave que respondia ao homem.

O veículo parou junto ao portão. No mesmo instante, William concentrou-se nas pesadas portas de ferro, que se abriram imediatamente. Ele notou a surpresa do motorista, o medo do homem.

William ouviu Savannah abrir a porta do carro e sair. E andar em direção a casa. Ele ouviu seu coração começar a bater mais alto, com mais força. Soube que ela estava diante da porta.

Seus músculos se torceram, mas ele não se moveu. Era necessário que ela viesse até ele. Ela precisava vir até ele! Ainda que ele desejasse correr até ela.

Ela bateu na porta de madeira, arranhando levemente os nós dos dedos. O vento soprou como um uivo, abrindo a porta com estrondo. Savannah ofegou, o som viajando facilmente até ele.

Tão perto. Ela estava tão perto agora. Uns poucos metros apenas. Ele sentiu seu cheiro. Lavanda. Quase podia sentir seu gosto.

Ela respirou fundo, o som não passando de um mero sussurro. Avançou. Os tênis faziam ranger suavemente o piso de madeira. Um passo. Outro. Mais perto. Outro passo. Tão perto. William estava inteiramente focado nela.

Savannah permaneceu na entrada da sala. Ele girou devagar, faminto por vê-la.

Seus olhos, brilhantes e claros, encontraram os dele. Ela não disse uma palavra.

Ela estava ali. Ele disse o que aconteceria se ela estivesse na casa.

“Se você ainda estiver aqui, então você será minha. Para sempre.” - As palavras ecoaram na mente dele.

Savannah deixou cair à pequena mala no chão. Então, esfregou as mãos na calça jeans.

William seguiu-lhe os movimentos nervosos com o olhar.

_Eu decidi, - ela disse suavemente.

O timbre rouco de sua voz despertou nele uma onda de desejo. Queria correr para ela, tomá-la nos braços, apertá-la contra ele. No entanto aguardou, praticamente imóvel, necessitando desesperadamente que ela pronunciasse as palavras que os uniria.

_Você tem que me transformar e me ajudar a conseguir justiça para meu irmão e sua esposa. - Ela umedeceu os lábios e inspirou apressadamente.

_Em troca, serei sua companheira, para sempre.

Sua companheira. O corpo dele se enrijeceu.

_Para sempre é muito tempo, Savannah. Como sabe que não mudará de idéia? -Que ela não o deixaria um dia, como seu irmão o havia deixado séculos atrás? Poderia confiar nela? Ele não confiara em ninguém desde sua transformação.

Ela ergueu o queixo.

_Tem minha palavra. Eu ficarei com você.

_Como minha mulher? - Ele questionou, os maxilares severamente contraídos.

Ela enrubesceu.

_Sim...

Ele caminhou até ela, devagar, examinando as inúmeras emoções que lhe percorriam o rosto. Raiva. Medo. Parou a poucos centímetros. Suas mãos ergueram-se, e a rodearam, a puxando contra ele.

_Um beijo, - ele sussurrou, - para selar o acordo.

Os lábios de Savannah tremeram, então, se abriram. Ele inclinou a cabeça e prendeu sua boca contra a dela.

Ela era tão doce quanto ele se lembrava. Seu gosto era tão puro, tão bom. Ele deslizou a língua sobre seus lábios, escorregando-a gentilmente em sua boca. Ela o recebeu avidamente, entregando-se ao seu toque, a seu beijo.

Ele moveu a língua contra a dela, sentindo o gosto, lentamente, como se degustasse um vinho raro.

E, tal como se fosse um vinho, ele soube que poderia embriagar-se facilmente.

Seus braços estreitaram-se ao redor dela, puxando-a firmemente contra ele. Ela sentiu-se bem. Tão confortável. Tão entregue.

Ele deslizou as mãos sob sua blusa. Ela tinha a pela muito lisa, incrivelmente macia. Seus dedos lhe acariciaram a espinha, movendo-se ligeiramente para cima. Era tão delicada, frágil. Ainda assim, ela correspondia ao beijo de forma apaixonada, deixando-o atordoado.

As mãos dele escorregaram em torno de sua blusa, descansando logo abaixo da curva dos seios. Ele queria envolvê-los com as mãos, sentir os mamilos enrijecerem em seus dedos, senti-los em sua boca, em sua língua.

Contornou o sutiã de renda com os dedos. Notou os mamilos endurecerem em resposta. Grunhiu.

Savannah torceu-se para longe dele. Deu um passo para trás, respirando com dificuldade.

Ele apertou os maxilares. Ele podia sentir as presas queimando contra as gengivas. A besta havia sido despertada.

_Já está se esquivando do acordo? - Sua voz era gutural.

Os olhos do Savannah eram dois amplos e profundos poços de mistério. Ela engoliu a saliva e sacudiu a cabeça.

_Antes de irmos adiante, eu preciso saber...

_O quê? - O que ela precisava saber? Já não conhecia todos os seus segredos? O que mais ela poderia querer? Ele deveria desnudar-se diante dela? A raiva o incendiou.

Agarrou seu braço e a puxou contra ele, forçando-a a sentir a fúria do desejo que o queimava.

_Nossa barganha está feita, minha cara. Não há como retroceder agora.

_Eu sei, - disse, a voz baixa, quase triste. Seu olhar encontrou o dele.

_Não quero voltar atrás.

William manteve o controle, se recusando a libertar a besta dentro dele. Inspirou profundamente. Sentiu-se tremer. Logo Savannah seria sua.

Estudou-lhe o rosto minuciosamente.

_O que quer saber?

Ela ergueu a mão. Dois leves arranhões de tom avermelhado cortavam a palma voltada para ele. William enrijeceu-se à visão dos ferimentos.

_O que aconteceu comigo hoje? Não foi um sonho. - Cerrou o punho.

_Sonhos não machucam.

Alguns sonhos podiam ferir. Esta era uma lição que William aprendera muito tempo atrás.

_Diga-me o que aconteceu, - Savannah exigiu.

_Eu preciso saber. Eu tenho que saber.

Sim, ela tinha esse direito. Ele sabia disso. Mas não queria contar a ela. Não desejava ver a raiva, o ódio, que certamente marcariam seu belo rosto. Não podia correr o risco de perdê-la.

_Diga-me, William! Diga-me. - Seus olhos pareciam em chamas.

Ele não teve escolha.

_Foi mais que um sonho.

Savannah o fitou, seu silêncio o incitando a prosseguir.

Ele respirou fundo e afastou-se dela. Caminhando em direção ao fogo.

_Mais real que um sonho, porém menos real, de quando você está acordada.

_Eu não entendo. - Ela soou muito calma. Ele esperava que a ira se apoderasse dela, que ela gritasse.

Talvez viesse mais tarde.

_A ... criatura que estava em seu sonho... - Ele parou bruscamente, sem saber ao certo como explicar.

_Ele... tem certos poderes.

_Que tipo dos poderes?

_Trata-se de uma criatura da noite. Pode controlar as sombras, a névoa, a escuridão...

_Eu não estava em nenhum lugar escuro. - Savannah protestou.

_Estava em meu quarto, no hotel, em plena luz do dia.

William voltou-se para ela.

_A sombra encontra-se em todo lugar. Nas vielas escuras, nos parques desertos. Até na mente humana. - Na verdade, era na mente que as sombras se abrigavam com mais freqüência. Viviam, cresciam, escondiam-se nas profundezas escuras da mente.

Savannah correu a mão por seu cabelo desalinhado, frustrada.

_Eu não entendo. Pare com essas charadas ridículas. Apenas me conte o que realmente aconteceu.

_Estou lhe dizendo. - Sua voz era tão suave, quanto à dela era alta.

_Abra sua mente e escute.

Ela rangeu os dentes.

_Ótimo. Ele controla as sombras. As sombras que estão em minha cabeça.

_Todos têm as suas próprias sombras. - Esta era uma das maiores debilidades do homem.

_Medo, raiva. Sombras que se ocultam na mente humana, na escuridão, esperando o momento de vir à tona e alastrar-se.

Ela franziu a testa.

_Eu ainda não...

_É seu medo, sua raiva que o atraem. E o fortalecem. - Isso dera força à criatura, e enfraquecera Savannah. Ele teria que ensiná-la a se proteger.

_Para penetrar minha mente?

_Para invadir sua alma. - Precisava fazê-la entender o perigo que corria.

_Enquanto sentir medo, ele poderá entrar em sua mente. Alcançá-la. Ele poderá sentir você. - Ele tocou-lhe a mão ferida.

_Ele pode fazer com que você o sinta.

_Ele disse que me sentiu antes. - Ela falava calmamente, o olhar fixo, turvo.

_Que sabia que eu estive lá... quando ele... - Ela cessou bruscamente, aparentemente incapaz de continuar.

Mas William sabia o que ela iria dizer, e concluiu a frase para ela, murmurando delicadamente,

_Quando ele matou seu irmão.

Lágrimas brotaram de seus olhos.

_Sim, - ela sussurrou. Uma lágrima deslizou por sua bochecha, mas ela a enxugou rapidamente.

_Ele disse que sentiu minha presença quando matou Mark.

O horror estava gravado em seu rosto.

_Sua mente é forte, Savannah. Ele é atraído para você. - Mas William seria um miserável se permitisse que o bastardo pusesse as mãos em Savannah. Ela lhe pertencia. O acordo estava feito.

A testa de Savannah se enrugou.

_Você o conhece, não é?

William ficou tenso. Essa era a pergunta que ele temia. Pensou em mentir, esconder a verdade. Ao menos, por algum tempo. Mas, quando encontrou sua expressão sombria, não pode lhe oferecer nada além da verdade.

_Sim. Sim, eu o conheço.

_Quem é ele?

Ele baixou as pálpebras, encobrindo o olhar. Como ela reagiria? Suas palavras a fariam partir? O acordo seria quebrado? Ele falou mansamente,

_Ele é um matador. Um assassino que tem se alimentado do sangue de inocentes há centenas de anos.

_Temos que detê-lo, - ela disse, as mãos cerradas.

_Não podemos deixá-lo machucar mais ninguém.

William aquiesceu. Já tinham ocorrido mortes demais.

Os olhos de Savannah estreitaram-se .

_Há mais, não é? Algo que você não me disse.

Ele se surpreendeu. Como ela sabia? Ele havia se tornado extremamente hábil em esconder seus sentimentos.

_Sim, existe mais.

_Conte-me.

Ela manteve-se imóvel diante dele, dando a impressão que um vento forte a derrubaria. Mas seu olhar transmitia tanta força, tanta coragem. Chegara a hora da verdade.

_O nome dele é Geoffrey.

_Geoffrey, - ela repetiu suavemente. Seus lábios curvaram-se num sorriso.

William podia ver o que passava em seu íntimo tão facilmente. Agora, ela tinha algo concreto em que se apoiar, um nome. Antes, tudo que possuía era alguma coisa vaga e imprecisa. Um monstro à espreita na escuridão. Agora, tinha um nome, um alvo para sua raiva, seu ódio.

Savannah o perfurou com os olhos.

_Como você o conhece? - ela perguntou.

_Ele é meu meio-irmão.

_O quê?

Ele se preparou para enfrentar sua ira. Para a rejeição.

_Geoffrey de Montfort é meu meio-irmão.

Ela sacudiu a cabeça numa negação obstinada.

_Não. Não, não pode ser.

_Você leu o diário, - lembrou-lhe ele bruscamente.

_Sabe que tive dois irmãos. Henry E Geoffrey. Um dourado como a luz do dia, o outro com a alma tão negra quanto à noite.

_Mas como...

_Como pode estar vivo? Como pode estar aqui, agora, matando? - Os lábios de William se torceram.

_Ele tem meu sangue. Compartilha a mesma maldição que eu. - Os dois estavam ligados por sua herança. Destinados a caminhar pela terra, sentindo a fome eterna.

O olhar fixo de Savannah foi tomado pela suspeita.

_Você sabia, - ela sussurrou.

_Sabia que ele estava matando, não sabia? Por isso esteve na Cidade do Panamá e em Atlanta. Sabia o que ele estava fazendo!

Como ela poderia saber sobre a Cidade do Panamá e Atlanta? Ele acreditava que havia apagado todos aos sinais de sua presença naquelas cidades. Sim, ele sabia que Geoffrey estava fora de controle, que se tornara um assassino, pronto para matar todos que pudesse.

_Eu sabia. - Simples assim.

_E você não o impediu? - Ela o afastou, empurrando seu peito com toda força. Ele não se mexeu.

_Por que você não o deteve, seu bastardo? Por quê? - Ela o empurrou novamente.

William agarrou-lhe as mãos, facilmente prendendo-as entre as suas. Ele abriu a boca para responder, mas desistiu. Devia ter parado Geoffrey. Devia ter feito isso anos atrás. Era responsável por todo o mal que seu irmão havia causado.

_Ele matou Mark. Ele matou Sharon, e Deus sabe quantos mais! Se você sabia o que ele estava fazendo, por que não o parou?

Ele tentara. Ele havia tentado parar Geoffrey. Tentara detê-lo naquela batalha sangrenta, na França. Tinham lutado por horas, até que seus ossos estivessem quebrados, até que a força de ambos se extinguisse. Ele apontara uma estaca contra o coração de Geoffrey. Estivera muito perto de terminar com a vida do irmão. E, então, havia fitado seus olhos...

E viu os olhos de Henry a encará-lo. Por um momento, perdeu o foco, a força.

Um momento era tudo que Geoffrey precisava. Geoffrey livrou-se dele e fugiu tão rápido quanto pôde.

William estivera procurando por ele desde então, seguindo-o por toda parte. Encontrando corpos em cada cidade, mas nunca chegando a tempo de alcançá-lo.

_Eu cheguei muito tarde, - ele finalmente disse a Savannah.

_Sempre cheguei muito tarde. - A lembrança das vítimas do Geoffrey o queimava por dentro. Ele ainda podia ainda vê-los, os olhos sem vida, os corpos lívidos. O medo marcado em seus rostos congelados.

Aqueles rostos o assombrariam pela eternidade.

_Sempre? - Savannah engoliu a saliva com dificuldade. Seus lábios tremiam levemente.

_Está dizendo que você estava lá? Em toda ás vezes em que ele matou, você estava lá?

Ah. Finalmente. O medo. A revolta. Ele sabia que viria. Afastou-se dela, para não enfrentar seu olhar de acusação.

_Você deve entender. Ele é tão velho quanto eu, tão forte quanto eu. Tenho procurado por ele há centenas de anos. Sempre que me aproximo, quando acho que o alcancei, ele consegue escapar. E restava outra trilha de sangue a seguir. -William sabia que o irmão havia deliberadamente tramado para que ele encontrasse várias de suas vítimas. Atormentá-lo era uma forma de diversão para Geoffrey.

_Temos que fazê-lo parar. - Sua voz era suave, porém firme.

_Não podemos deixá-lo ferir mais ninguém.

Ela tocou seu ombro levemente.

William se virou. Custava-lhe acreditar que ela quisesse falar com ele, menos ainda tocá-lo, depois de conhecer a verdade.

_Temos que detê-lo, - ela repetiu, com voz branda, o olhar fixo nele, o semblante solene.

_Nós iremos detê-lo. - Era um voto. William não descansaria até que Geoffrey fosse destruído.

Uma fina linha marcou a testa de Savannah.

_Você será capaz de fazer isso?

Ele acenou afirmativamente com a cabeça. Faria tudo que fosse necessário para parar Geoffrey.

_Tem certeza? - Savannah perguntou.

_Que poderá destruir seu irmão?

Uma onda de tristeza atravessou William. Ele fizera aquilo antes.

_Eu farei o que deve ser feito.

E dizia a verdade. De nenhum modo permitiria que seu irmão machucasse Savannah.

Ela tocou seu rosto. William sentiu a maciez dos dedos sobre a pele.

_Há tanto sofrimento em sua vida. Tanta dor, - ela disse.

Ele não respondeu. Ninguém jamais demonstrara simpatia em relação a ele. Ninguém jamais se importara.

_Sinto muito, William.

Ela sentia muito? Seu irmão a aterrorizou, e assassinou sua família, e ela lhe pedia desculpas?

_Eu gostaria... -Um sorriso triste surgiu em seus lábios.

...Gostaria que sua vida tivesse sido diferente.

Por mil anos, ele suplicava por isso. Mas Deus há muito o abandonara.

_Não desperdice seu tempo. Você não pode mudar os fatos. - Ele afastou-se dela, de repente precisando colocar um pouco de espaço entre os dois, escapar de sua compaixão, da piedade que viu em seus olhos.

_Eu a ajudarei. Vou transformá-la e ensinarei tudo o que precisa saber sobre os poderes de um vampiro. Acharemos Geoffrey e o destruiremos. Eu prometo. - Os olhos dele passearam por seu corpo, movendo-se do lindo rosto até os seios firmes.

Devagar, muito devagar, o olhar de William desceu até os quadris esbeltos, retendo-se nas longas pernas, muito longas.

_Em troca, quero o que me prometeu. - Ele não queria sua solidariedade. Queria seu corpo, ardente e tomado pelo desejo, pressionado contra o dele.

_Quero você. Agora. Aqui, diante do fogo.

Savannah ergueu o queixo.

_Dei minha palavra. Não vou voltar atrás.

Ele sorriu, mostrando as presas.

_Bom. Então, vamos começar...

 

William fora enviado em uma missão diabólica.

Eu rezo para que ele volte para mim a tempo...

-Transcrição do Diário de Henry de Montfort, 30 de novembro de 1068

 

Savannah não lhe permitiria a satisfação de ver seu medo. Escondeu as mãos trêmulas nas costas e o encarou, olhando-o diretamente.

_Estou pronta.

Ele riu suavemente, um riso sombrio e sensual ao mesmo tempo. O som a envolveu, deslizando através dela. Ela respirou fundo.

William moveu-se em torno dela, acercando-se mais e mais. Ela podia sentir o seu cheiro.

Um odor essencialmente masculino. Um perfume de noite e de mistério.

Ele a estudava, o olhar fixo, cálido, percorrendo cada polegada de seu corpo.

_Você não está pronta, - ele sussurrou, movendo-se até ficar diretamente atrás dela. Ela sentiu sua respiração roçando a delicada pele de seu pescoço. Ele inclinou a cabeça, colocando a boca junto à sua orelha.

_Ainda não. Mas estará.

Ele apartou-lhe o cabelo para o lado, expondo o contorno do pescoço. Soprou gentilmente sua nuca, e um arrepio esgueirou-se por seu corpo. Ela fechou os olhos, tentando isolar-se dele, bloquear o turbilhão emocional que a agitava. O que ele faria agora? Reclamaria seu corpo?

Ela sentiu os lábios dele movendo-se suavemente contra sua pele. E a língua escorregando por seu pescoço, delicadamente. Savannah gemeu, o som escapou de sua boca antes que pudesse impedir.

Os braços de William, como uma faixa de aço, circularam sua cintura e trouxeram-lhe as costas de encontro ao seu corpo firme. Ela podia senti-lo, sentir a força de seu desejo em toda a longitude e intensidade, pressionando-lhe os quadris.

Respirou profundamente e moldou-se a ele.

Desta vez, foi ele quem gemeu. O som foi baixo, irregular e faminto.

_Savannah. Minha doce Savannah, - murmurou, correndo a língua sobre sua garganta vulnerável.

_Eu quero sentir seu gosto, quero conhecer cada parte do seu corpo.

A mão dele moveu-se sob sua blusa, afastando o tecido de algodão enquanto acariciava a pele de seu estômago.

_Você é tão macia. Como seda.

Seus dedos eram ásperos, mas o toque era incrivelmente gentil. Ergueu a mão, subindo por suas costelas até os seus seios.

Ondas de calor aqueciam o ventre de Savannah. Percebeu que os mamilos endureceram, numa expectativa ansiosa. E soube que nunca antes quisera alguém como queria William.

Uma das mãos dele embalou seu seio, brincando com o mamilo através da renda do sutiã. Ele continuou a afagar-lhe a garganta com a língua. Carícias longas e sensuais que se propagavam por sua pele. Ela sentiu a ponta de suas presas em sua carne.

Ela abriu os olhos de repente e fitou o fogo. As chamas ardiam fortes e brilhantes.

Como o desejo furioso que a devastava.

William rosnou, girando-a com tanta rapidez que a deixou sem respiração, o olhar cravado nela. Os olhos que a fitavam eram fundos e ardentes, como lagos negros. Ela distinguiu a extremidade branca e cintilante dos afiados incisivos.

_Tire a blusa, - ele ordenou, o olhar fixo em seu rosto.

Antes, de costas, tinha sido diferente. Ela se perdera em seu toque, na magia das sensações que fluíam através dela. Agora, voltada para ele, percebeu-se subitamente desajeitada, tímida.

Mas não recuaria. As mãos tremiam ao agarrar a parte inferior da blusa. Despiu-a rapidamente, lançando-a sobre a cadeira próxima. Respirou fundo, sentindo o calor do fogo em sua pele. Olhou para cima, encontrando o olhar de William, que se movia em círculos sobre ela.

Imaginou o que ele estaria pensando. Ela sabia que tinha os seios pequenos, a pele muito pálida. E ele certamente já estivera com muitas mulheres. Belas mulheres, com corpos perfeitos. Nunca poderia comparar-se a nenhuma delas.

Os olhos de William desceram, pairando no sutiã de renda que ela usava. Era uma peça mínima, com detalhes de renda. Ele umedeceu os lábios.

Savannah engoliu a saliva.

_Agora, o jeans, - ele falou com voz grave. O rosto dele estava tomado pelo rubor, os maxilares contraídos.

Savannah chutou os sapatos e retirou as meias. Inspirou profundamente e levou os dedos à cintura. Atrapalhou-se, lutando com o fecho. Abriu o zíper com mãos hesitantes. Em segundos, se livrou da calça jeans, e ficou de pé diante dele, vestida apenas com a fina renda do sutiã e da calcinha.

Ele a contemplou, explorando cada centímetro, como se a tocasse fisicamente.

_Você é muito bonita. Linda.

William chegou mais perto. As mãos dele fecharam-se em torno de sua cintura. Ele a puxou, firmando-a contra o corpo, colada ao tecido áspero de suas roupas. Ela arquejou, sentindo a pele extremamente sensível.

Ele se curvou, e seus lábios prenderam os dela. Introduziu a língua em sua boca sem constrangimento. Ela respondeu ao beijo com igual vigor, com desejo, paixão.

        Notou que os seios estavam nus e se perguntou, quando ele a desvencilhara do sutiã, caído no chão. Então as mãos dele estavam em seu corpo, e ela parou de pensar.

       Com os dedos, ele puxava os bicos de seus seios, comprimindo e soltando os mamilos endurecidos. Seus joelhos vacilaram e ela se entregou ao toque de William. Ele inclinou-se e começou a escorregar a língua pelo corpo dela abaixo. Um toque com a textura de seda.

         Ele a deitou no piso de madeira. O chão era frio contra sua pele, mas ela não se importou. Os lábios dele cingiam um de seus mamilos, a língua faminta acariciando e sugando sua carne.

         Savannah gemeu. Jamais experimentara tamanha sofreguidão. Ergueu a parte inferior do corpo, moldando-se contra ele.

Sentia-se tão vazia. Precisava dele, precisava que ele preenchesse o vazio dentro dela.

A roupa dele roçava a maciez de suas coxas. Ela queria sentir o contato da pele de William.

_Suas roupas, - ela ofegou.

_Tire suas roupas. Eu quero…

Antes que ela concluísse a frase, as roupas haviam desaparecido. Arregalou os olhos, surpresa. Como ele tinha...

Ele separou-lhe as pernas, colocando-se cuidadosamente em cima dela. A boca continuava em seus seios, acariciando, provocando. A mão moveu-se sobre a curva do estômago e até a faixa de cachos vermelhos entre suas pernas. Ele afastou as dobras macias, e seus dedos passaram a friccionar a pele delicada. Ela deixou escapar um grito sufocado.

         Ele grunhiu, e sua boca tornou-se mais exigente.

Com um dos dedos, encontrou a fenda entre suas pernas. Ela mexeu os quadris freneticamente. Pôde sentir a tensão contrair-lhe o corpo. Precisava dele, precisava dele desesperadamente.

Ele deslizou o dedo dentro dela.

Savannah ficou sem fôlego.

William ergueu a cabeça, os olhos ardentes, presos aos dela.

_Você está pronta para mim, Savannah. Posso sentir a umidade de seu corpo, seu desejo.

Ele penetrou mais fundo, para dentro e para fora em um ritmo suave.

Não era o bastante para ela. Seu corpo reclamou. Queria mais. Precisava de mais.

_William! - Ela estremeceu, impulsionando o corpo contra a mão dele.

_Você é tão apertada. - Ele lambeu-lhe a curva do peito.

_Mas você me receberá, não é mesmo? Receba-me em seu belo corpo.

Ele pressionou o polegar contra a umidade de seu corpo, e a tensão nos músculos de Savannah aumentou. Ondas de calor passaram por ela, e ela se mexia, desesperada por liberta-se daquela fome selvagem.

         Nunca antes ela sentira aquela ânsia devoradora. Seu corpo doía, pulsava. Lutava furiosamente por alívio, alguma espécie de conforto que abrandasse o desespero esmagador que a triturava.

_Eu não posso… eu não posso…

Não sabia expressar o que queria, o que aplacaria o fogo que a incendiava.

William sabia. Ele se moveu, empurrando a úmida abertura do corpo de Savannah com sua ereção.

_Olhe para mim, - ele emitiu um grunhido. A ponta de seu membro a invadiu.

_Olhe para mim!

Os olhos dela se abriram bruscamente para ele. E viu a necessidade gravada em seu rosto de linhas severas.

       _Não há retorno, Savannah.

Ele se afundou nela, com uma profunda e vigorosa investida, que o precipitou por inteiro dentro do seu corpo. Savannah gritou, surpresa pela dor inesperada.

William ficou estático, observando-a fixamente, com expressão chocada. Manteve-se dentro dela, quieto. Sua testa ficou molhada de suor.

O corpo de Savannah foi relaxando aos poucos, à medida que a dor abrasadora ia diminuindo para um leve latejar.

_Está tudo bem, - disse, num sussurro.

_Estou bem agora. - Moveu ligeiramente o quadril contra o dele.

Ele percebeu que seu autocontrole enfraquecia. Um grunhido baixo soou em sua garganta, como o rosnado de uma besta selvagem. Suas mãos a ergueram, e encaixou sua cintura entre suas pernas, segurando-lhe o corpo firmemente contra o seu. Empurrou-se contra ela, cada vez mais fundo, com mais energia. E outra vez, e outra, e outra, sem parar.

E a necessidade que ela provara retornou. O desejo rasgou-lhe as entranhas. Com cada arremetida do quadril, ele a conduzia para mais perto do clímax. Até que somente restou a consciência de William em torno dela.

Ele movia os quadris, penetrando-a sempre mais fundo. O corpo de Savannah se enrijeceu.

Ele guiou a mão por entre seus corpos, tocando-a, um único toque.

E ela explodiu. Seu corpo rugiu de prazer. Gritou o nome dele.

William continuou movimentando-se em cima dela. Fundo, mais fundo. Forte, mais forte. Abaixou a cabeça. Ela sentiu sua respiração contra o pescoço, o roçar de seus dentes.

Surpreendentemente, ela deu-se conta dessa outra exigência imperiosa de seu corpo. A pressão exercida no ferimento intensificou-se. Mais e mais.

Ele mergulhou as presas em sua carne. Um prazer avassalador queimou através dela. William lançou-se contra ela mais uma vez e sentiu-se derramar, seu corpo estremecendo.

O fio de tensão que os unia foi partido. E Savannah foi assaltada por um violento espasmo de completo prazer. Um soluço escapou de sua garganta.

Luzes piscaram diante de seu olhos, então, veio à escuridão.

Escuridão completa.

 

Seu pescoço estava dolorido.

Savannah franziu a testa, sentindo vagamente a dor. Por que seu pescoço doía? O que tinha…

Suas pálpebras abriram-se num estalo.

William a observava com a fisionomia preocupada. Seu cabelo tinha-se soltado, e a massa escura pendia livremente em torno dos ombros nus. Tinha a expressão feroz, perigosa. Mas ele sempre parecera perigoso. Não havia como ocultar a verdadeira natureza da besta que vivia nele.

Ela tentou sentar-se, mas ele pôs as mãos em seus ombros, segurando-a com facilidade no lugar.

_Não se mexa. - Existia um traço de rispidez em sua voz.

_Seu corpo está fraco.

Ela assentiu. Sentia seus membros pesados e uma profunda letargia.

_É a perda de sangue. - Seus olhos avaliaram-na atentamente.

_Eu tomei demais. Deveria ter sido mais cuidadoso…

A linha da mandíbula ficou tensa e o tom esbranquiçado da cicatriz em sua face acentuou-se. Ele levantou os olhos, mirando as chamas.

_Não existe desculpa. Sinto muito, Savannah.

Havia tanta tristeza em suas palavras. Ela não queria que William ficasse triste. Ele tivera dor suficiente em sua vida.

_Eu quis que você fizesse isso. Você sabe. - Era verdade. Ela desejou que ele reivindicasse seu corpo, tomasse seu sangue.

_Eu devia ter tido mais controle. - Suas mãos fecharam-se em torno de seus ombros. Ela encolheu-se sob o aperto doloroso, e as mãos dele afrouxaram imediatamente.

_Eu também não tive muito controle. - Os lábios dela curvaram-se num pálido sorriso.

Ele procurou seu rosto.

_Por que não me contou?

_Contar o quê? - Ela engoliu a saliva, tentando aliviar a secura da garganta.

_Do que está falando?

_Por que não me contou que nunca havia estado com um homem? Que era sua primeira vez? - As palavras assumiram um peso excessivo na quietude reinante no quarto.

Ela respirou fundo, obrigando-se a ficar sentada. As mãos dele libertaram seus ombros.

_Você não perguntou, - ela respondeu, sentindo o rubor insinuar-se nas bochechas. Nunca tinha feito sexo antes. Grande coisa. Por que ele se incomodava com isso?

_Você devia ter dito, - ele murmurou, os olhos descansando na suave elevação de seus seios.

_As coisas teriam sido diferentes. Eu podia ter feito com que fosse melhor para você…

Melhor? Savannah não soube se sobreviveria a algo “melhor”.

_William, eu não queria nada diferente. Eu queria você. - E ela estava sendo sincera. Não se importava realmente com o acordo que haviam feito. Só conseguia pensar nele. E naquela necessidade desconhecida que ele havia despertado nela.

Ele estendeu a mão e começou a acariciar seus seios.

_Por que esperou? Por que não esteve com ninguém antes, um humano, alguém de quem gostasse?

Seus mamilos enrijeceram. Apenas um toque, e seu corpo já ardia novamente. Ela inspirou, procurando as palavras.

_Por que esperei? - Ela riu suavemente, um riso leve, mas amargo.

_A princípio, estava muito doente para me importar. Afinal, quando se está morrendo, sexo não é uma prioridade. Vivia entrando e saindo do hospital. Enfraquecida pela terapia, pelas cirurgias, pelos medicamentos. Não tinha muita energia para gastar com um relacionamento.

Lembrou-se do que sentira quando William a reclamara. Lembrou-se do prazer. A necessidade. Sim, era verdade que nunca se importara o bastante com sexo para chegar a experimentar. Mas, se soubesse o que estava perdendo…

A mão de William envolveu-lhe o seio e ela soltou um gemido agudo. Sim, se ela soubesse...

E, no entanto, fazer amor com outra pessoa não teria sido a mesma coisa. Não havia ninguém como William. Nenhum outro.

Nesse instante, seu corpo começava a arder, os músculos retesando-se, enquanto a mesma fome se apoderava dela.

_Você é tão envolvente. - As chamas apossaram-se de seus olhos, fixos nela. Suas feições tornaram-se tensas. Ele escorregou a mão em seu estômago, indo até a junção das coxas.

_Quero você novamente, - ele disse - a voz intensa.

_Preciso senti-la ao redor de mim, apertando-me… - Seus dedos entraram em seu corpo.

Savannah arfou, sentindo-se lacerar, numa mistura de prazer e dor.

William ficou inerte.

_Savannah?

Ela passou a língua nos lábios.

_E- estou um pouco dolorida. - Mas ela intuiu que ele poderia fazê-la esquecer qualquer vestígio de dor.

Ele praguejou. Seus dedos lentamente se retiraram dela, aliviando a sensação dolorosa.

_Claro que está. Eu sinto muito. Eu… - Cerrou os dentes.

_Parece que não consigo ter controle perto de você.

O coração de Savannah pulsou com força à visão do calor que emanava do rosto de William. Ela não queria que ele tivesse controle. Queria que ele a desejasse, necessitasse dela desesperadamente. Ninguém antes a quisera daquela maneira. Ninguém.

Ele firmou um dos braços em torno de seus ombros e posicionou o outro braço sob seus joelhos. Ergueu-lhe o corpo facilmente, prendendo-a contra o peito. Baixou os olhos febris para ela.

_Eu cuidarei de você, Savannah.

Gentilmente, ela traçou a linha de sua cicatriz com os dedos. A cicatriz com que o irmão o marcara no campo de batalha.

_E eu cuidarei de você.

Ele piscou, surpreso.

Savannah sorriu e descansou a cabeça em seus ombros largos. William não percebera, mas ela sabia que ele precisava dela. Tanto quanto ela precisava dele.

Ele caminhou pela casa, carregando-a sem dificuldade. Seus braços eram firmes e sólidos em volta dela. E ela se sentiu protegida. Estando ali, com ele, tudo parecia certo.

Em segundos, ele estava no terraço dos fundos. Savannah olhou ao redor, com curiosidade. Um amplo terraço de madeira estendia-se ao longo de todo o comprimento da casa. No meio do terraço havia uma grande tina de água quente. O céu noturno cintilava sobre eles, o brilho de milhares de estrelas iluminando o lugar. Savannah arrepiou-se, sentindo o ar frio na pele.

William pousou Savannah, e seus braços apoiaram-na contra ele. Curvou-se e rapidamente ligou a tina. Uma torrente de bolhas explodiu.

_Isto ajudará você. Aliviará a dor.

O vapor começou a subir, desaparecendo na noite como um fantasma. O doce murmúrio da água borbulhante relaxou seu corpo. William a ajudou a entrar na tina, e ela suspirou ao toque da água. Sentou-se devagar, deixando o calor da água envolvê-la.

William moveu-se para se colocar ao lado dela, muito atento.

Ela se recostou, descansando a cabeça sobre a extremidade da tina. A sensação da água em sua pela era ótima. Mas não tão boa quanto o toque de William.

_Melhor? - A mão dele repousava em sua coxa.

Savannah concordou com um gesto, não se sentindo confiante o bastante para falar.

Ele se aproximou, sua perna musculosa a tocando. O braço dele escorregou sob seu pescoço, acomodando sua cabeça.Ele se sentou com ela por um tempo infinito, demonstrando contentamento apenas por poder estar ali, contemplando a noite.

Savannah ficou quieta. O momento parecia estranhamente especial. Os dois sentados lado a lado, no silêncio da noite.

Ela ouviu o grito distante de uma coruja, um lamento triste, muito triste. William mudou-se para mais perto dela, puxando-a para ele. Ele era tão forte. Seu corpo era formado de músculos rijos e espessos, que ficavam escondidos sob as roupas. Agora, nu, ele parecia ser o guerreiro que fora há muito tempo atrás. O guerreiro que ainda era.

Savannah olhou para ele cuidadosamente, estudando cada detalhe sob o véu de suas pestanas. Como teria sido sua vida? O que ele tinha visto e feito em seus mil anos de vida? Ela tinha feito muito pouco em sua própria vida. Havia terminado o ensino médio quando o primeiro tumor apareceu. Depois disso, sua vida fora uma sucessão de hospitais e cirurgias. Ela queria ir para a Universidade. Queria estudar na Europa. Nunca teve qualquer chance.

_Eu posso sentir você, Savannah. Sua tristeza. - A voz dele a atingiu.

_O que a aflige?

_Como pode saber… - Ela parou tão logo a verdade caiu sobre ela. É claro, ele sabia. Recebera dele a segunda mordida. Estavam unidos agora. A segunda mordida concedia ao vampiro enorme poder sobre sua vítima. De acordo com a lenda, ele seria capaz de ler seus pensamentos agora. Se quisesse, poderia ter absoluto acesso à mente dela, independente da distancia entre eles.

Ela nunca mais poderia fugir dele.

_Não, - ele disse brandamente.

_Você não pode. - Seus braços estreitaram-se em torno dela.

_Não gosto de você dentro de minha mente, - ela protestou, concentrada na água borbulhante. Ela não queria que ele, ou qualquer outro, conhecesse todas as suas emoções e pensamentos.

_Por que não? - Existia certa gravidade em suas palavras.

_Você tem estado na minha há dias.

Ela voltou-se para ele num estalo, atordoada.

_O- o que quer dizer?

Os olhos dele prenderam-se aos dela, numa feroz intensidade.

_Desde o primeiro momento em que lhe vi, você ocupou todos os meus pensamentos. Acordado. Dormindo. Você estava lá. Em minha cabeça. Deixando-me louco.

Ela engoliu a saliva.

_Eu pensei em você o tempo inteiro. Em todas as coisas que queria fazer com você. - Seu olhar a fazia queimar.

_Eu quis você, nua, em baixo de mim. Apertando-me de tal forma que eu não podia dizer onde você terminava e onde eu começava.

Savannah sentiu-se inundar pela sensação de necessidade. Pensou que estava cansada demais para que seu corpo ainda pudesse responder a ele. Mas, bastaram algumas palavras, e o desejo a agitou novamente.

_Você me quer, também, não é? - William sussurrou, erguendo sua mão para afagar-lhe os seios sob a ondulação da água.

_Eu posso sentir. - E era verdade. Ele podia sentir o desejo de Savannah. Sua paixão. O quanto ela necessitava dele. William inflamou-se. Ele a queria. Nesse instante. Queria sentir seu corpo colado ao dele. Queria escutá-la dizendo seu nome. Seu desejo por ele era uma tentação à qual não conseguia resistir. Abaixou a cabeça.

_Quero saborear isto. Quero você.

Seus lábios capturaram os dela. Ela se entregou com avidez, os lábios úmidos apartando-se para acolher sua língua. O corpo dele era duro como pedra, pulsando por ela. Ele precisava possuí-la outra vez. Mais uma vez.

As mãos dele ajustaram-se aos seios perfeitos. Que se encaixavam em suas mãos como se tivessem sido feitos exatamente para ele. Ela soltou um gemido, e William sorveu aquele som ansiosamente.

Ele separou-lhe as coxas, empurrando o quadril entre elas. A ponta larga de seu pênis lançou-se contra sua abertura, sedento por retornar ao abrigo do corpo dela.

Introduziu a mão direita entre seus corpos. Alcançou a parte mais sensível do corpo dela, estimulando, excitando-a, pressionou-lhe levemente o clitóris. As pernas de Savannah retesaram-se contra ele.

_Você é tão bonita, - murmurou. E ela era. Ele jamais vira tamanha perfeição. Os olhos dela brilhavam, invadidos pelo desejo. As bochechas estavam manchadas de uma tonalidade rosa. Os lábios, separados e umedecidos, aguardavam o beijo dele. A luz das estrelas caía sobre ela, iluminando a pele delicada com um brilho suave. Era tão bonita que doía só de olhar para ela.

As unhas dela afundaram em suas costas. Seu quadril levantou-se de encontro ao corpo dele. O desejo ardente de sangue cresceu nele. A besta, faminta, despertou. Apenas uma prova. Uma prova mais de seu sangue...

Inclinou a cabeça até sua garganta. Passou a língua por ela. Uma, duas vezes. O gosto era tão doce. Tão terrivelmente doce. E ele só precisava experimentar um pouco mais. As presas queimavam-lhe. Podia senti-las alongando-se. Somente uma mordida. Somente uma. E ela lhe pertenceria para sempre.

Ele arranhou-lhe o pescoço, abrindo mais a boca. Agarrou a pele delicada com a ponta dos dentes.

_William, - ela disse, a voz frouxa, cheia de desejo.

Ele congelou. A besta em seu interior rugiu. O homem lutou para controlá-la. Ela não estava forte o suficiente. Seu corpo não sobreviveria à terceira mordida. Não agora. Ele havia se excedido antes. A perda de sangue a enfraquecera demais.

O corpo dele estremeceu com o esforço que fazia para dominar-se. Não podia sucumbir. Não neste momento. Não podia beber dela. Se o fizesse, ele a mataria.

Levantou a cabeça devagar, afastando-se, angustiado de seu pescoço. Fixou os olhos nela, inspirando profundamente, engolindo o ar. Não podia perder o controle. Não podia arriscar-se a machucá-la.

As mãos de Savannah curvaram-se ao redor de seus ombros e resvalaram para o tórax. Os dedos alisaram o pelo de seu peito, roçando os mamilos. O cheiro dela o envolveu, atiçou seu desejo, e seus quadris arquearam-se contra ele, empurrando a ponta de seu membro para dentro da abertura de suas coxas um pouco mais. Ele tremeu.

_É tão bom, - falou, a voz um grunhido selvagem.

Ele ergueu-lhe as pernas lisas e macias e as ajustou em torno de sua cintura. William não podia esperar mais. Investiu, fundo e com força, recebendo sua cálida acolhida. Ambos ofegaram.

Ela era tão apertada. Sentiu como o corpo dela se estreitava, espremendo-o gentilmente. Ele movimentou-se devagar inicialmente, tentando dar ao corpo dela tempo de acostumar-se a ele. Entretanto, ela se mexeu, impulsionando o corpo de encontro ao dele. E ele se perdeu.

Ele se retraiu e, então, a penetrou mais fundo. De novo. E de novo. Trincando os dentes. O suor banhava-lhe a testa. Mais fundo. Ele precisava ir mais fundo.

_Vamos, Savannah. Venha para mim. Dê-me mais. Dê-me… - Tudo, concluiu, em silêncio. Queria tudo que ela tinha pra dar.

Percebeu a pressão de seu corpo contra o dele, ouviu seu grito sufocado, sentiu os espasmos que a percorriam. Seu clímax o levou ao limite. Deu uma profunda investida, outra vez, e derramou-se. O prazer absoluto o golpeou. Seu corpo inteiro foi sacudido por um alívio reconfortante. Ele se sentiu consumido por ela, pelo prazer que dilacerava seu corpo.

Quando a tormenta finalmente serenou, ele deitou a cabeça em seu ombro. Tremia levemente. Tinha a respiração irregular. O coração martelava.

A água borbulhava ao redor eles. Ele beijou-lhe a pele macia.

Pela primeira vez em mais de novecentos anos, William estava em paz. E era por causa dela.

Savannah levou a mão até ele, alisando seus cabelos molhados.

Ele se moveu, levantando o corpo. Segurou-lhe a mão. Seus olhos eram poderosos. Mesmo sob a tênue luz das estrelas, distinguiu as duas linhas avermelhadas que riscavam a palma. Trouxe a mão de Savannah até a boca, lambendo os arranhões com ternura.

Ela olhou fixamente para ele, um olhar franco, cheio de indagação. Era sua companheira. Aquela mulher de olhos esmeralda, de expressão triste. Era sua. E ele a protegeria com sua vida.

Retirou-se de seu corpo sem pressa, odiando separar-se de seu calor, mas compreendendo que ela precisava descansar. Tinha planos para ela. E queria assegurar-se de que ela conservaria suas forças. Afinal, seria uma longa noite.

 

_Falei com ela hoje. - Jack não se deu ao trabalho de identificar-se. Sabia que seu empregador reconheceria sua voz.

_E o que a Srta. Daniels tinha a dizer? - A voz era educada, com ligeiro sotaque.

Jack nunca pôde definir de onde vinha o acento. Às vezes soava como inglês. Às vezes, como francês. Não sabia dizer ao certo.

_Ela não acreditou em mim, disse que William Dark não é o assassino.

_Mas ele é. - O tom do seu empregador nunca mudava. Falava calmamente, de modo formal.

_Ela deve ser convencida disso. William Dark é um assassino.

Jack respirou fundo. Sabia que seu chefe não ia gostar do restante da informação, mas tinha que contar a ele.

_Ela foi até William.

Silêncio.

Jack lançou um rápido olhar pelo quarto de hotel. Era um andar abaixo do quarto de Savannah. A mobília era idêntica. A cama pequena e deformada. A velha televisão a cores que só exibia cinco canais. Cômoda e escrivaninha arranhados.

Ele estava realmente ficando cansado de lugares como aquele. Cansado de perseguir pessoas que não queriam ser alcançadas.

_Eu não ouvi você, Jack. Repita. O que a Srta. Daniels fez?

Jack suspirou e correu uma mão pelo cabelo desgrenhado.

_Ela foi até ele. Eu a segui. Ela saiu pouco depois de escurecer e pegou um taxi até o local. - Ela também tinha levado uma pequena mala, logo, ele sabia que ela planejara passar a noite com William. Ela pretendia ficar, embora ele a houvesse advertido a respeito.

_Maldição! Imaginei que seria mais sensata. Que entenderia. Aquele miserável assassinou seu irmão.

_Algumas pessoas não sabem o que é melhor para elas.

De fato. Savannah Daniels pôs sua vida em perigo, mas não pareceu se importar. Ela se manteve firme na frente dele, obstinada, afirmando a inocência de William. Ignorou as evidências apresentadas por Jack, confiando plenamente em um homem que ele sabia ser um assassino.

_Quer que a continue seguindo? - Jack perguntou, procurando aliviar a tensão em seu pescoço.

_Na verdade, creio que cuidarei da Srta. Daniels daqui em diante.

Jack franziu a testa. Subitamente ficando alerta. Cuidar dela? O que ele queria dizer com isso?

_Do que está falando?

_Não se preocupe, Jack. Eu mesmo irei vigiar a Srta. Daniels a partir de agora.

Por alguma razão, a voz tranqüila do outro lado da linha enviou um calafrio pela espinha de Jack.

_Mas eu estou aqui. Em Tyler. Posso ficar atento, garantir que ela esteja segura…

_Seu trabalho terminou, Jack. Volte para casa. Volte para aquela atraente professora que está à sua espera.

Os dedos de Jack apertaram o telefone com força. Como ele sabia sobre Kelly? Seu empregador continuou falando, com a mesma voz branda.

_Não se preocupe, Jack. Prometo que dedicarei atenção especial a Srta. Daniels.

A linha ficou muda, e Jack compreendeu que tinha cometido um engano, sim, um engano terrível.

Um engano que poderia custar à vida de uma mulher inocente.

 

William é minha única esperança, minha última salvação.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 02 de dezembro de 1068

 

William puxou Savannah para si antes de amanhecer. Ele a embalou suavemente contra seu peito, segurando-a como se ela fosse um presente precioso. E pensava sobre a paixão que eles haviam compartilhado...

Ele a segurou por toda noite. Ouvindo seus doces gemidos, sentindo seus músculos apertando-o enquanto alcançava o clímax. Ele a segurou, ouvindo seu grito sufocado enquanto ela estava embaixo dele. Ouvindo-a gritar seu nome.

Ele já tinha feito amor com ela várias vezes. E a cada momento, ele tinha que lutar contra sua besta interior, lutar contra o desejo de saborear seu precioso sangue. Mas ela não estava pronta para a troca final ainda. Ele teria que esperar.

Ele olhou para seu rosto adormecido. Ela era tão bonita. E não tinha nenhuma idéia do poder que possuía. Ela poderia fazer com que ele fizesse qualquer coisa por ela, apenas estalando os dedos.

Ele sabia que era perigoso deixar ela se aproximar demais. Ela o deixava frágil e vulnerável.

E ele não podia se dar ao luxo, de ser vulnerável, não com Geoffrey caçando.

Ele a colocou suavemente sobre sua cama, puxando as cobertas para cima de seu corpo nu. Ela não se mexeu.

Ele se vestiu e levantou. Sabia que deveria ter se contido, mas sua necessidade, seu desejo por ela, tinha sido mais forte. E a cada vez que ele havia chegado a ela, sua paixão se equiparava a dele.

Ele acariciou seu rosto. Ela era sua debilidade. Ele sabia disto, e teria que protegê-la bem.

Ele beijou seus lábios, uma luz, sussurrando a seu toque. Ele não deixaria Geoffrey tocá-la, nem mesmo em sonhos. Ele permaneceria em guarda por ela, certificando-se que seu sono fosse tranqüilo.

Afinal, ela era sua companheira, como se tivesse sido desenhada para ele.

Ele caminhou lentamente pelo quarto, em direção as escadas e parou no umbral, olhando fixamente para o diário de Henry.

Ele se moveu silenciosamente pelo quarto, ergueu suas mãos para pegar o diário, entretanto parou. Não podia fazer isto.

Ainda não. Ele não podia ler as palavras de Henry, ver os últimos pensamentos do seu irmão.

Ele era o responsável pela morte do irmão. O sangue de seu irmão sempre estaria em suas mãos.

Ele apertou seus punhos. Não, suas mãos não podiam tocar o diário. Não podia ler suas preciosas páginas. Não ainda. Ele fechou seus olhos e viu rosto do seu irmão.

Perdoe-me, Henry.

 

Savannah acordou sozinha. Ela abriu os olhos lentamente, para se ajustar a luz que entrava pelo vidro da sacada.

Olhou ao redor do amplo quarto, reconhecendo os móveis. Ela conhecia este quarto.

Esteve nele ontem. William a havia levado para lá depois de tomar seu sangue naquele beco horrível.

William.

Ela se estirou devagar, sentindo pequenas dores por todas as partes de seu corpo.

Ela não sabia que fazer amor era daquele jeito. Tão intenso. Tão pleno. Ela tinha imaginado que desfrutaria com William, mas não tinha previsto que o prazer iria se apoderar dela, literalmente

Ela corou ao se lembrar das coisas que eles fizeram. As coisas ela fez. E soube que não podia esperar para vê-lo novamente. Para sentir mais uma vez a magia de seu toque. Isso não era pelo acordo. Era por ele.

A morte a cercou por tanto tempo, e ele a fez sentir-se viva.

Ela sentou na cama, perguntando-se as horas. Ela sabia que William tinha descido e estava descansando em seu quarto. Ele disse que subiria ao pôr-do-sol.

Quantas horas faltavam para o pôr-do-sol? Quanto tempo faltaria para ela vê-lo novamente?

Suas roupas estavam perfeitamente dobradas no canapé no fim da cama. William deveria ter levado-as, talvez quando ele subiu.

Ela vestiu sua calça jeans e seu pulôver amarrotado e caminhou em direção à sacada. Com um empurrão suave, ela abriu as portas e deixou a luz do sol e o ar da montanha entrar. O cheiro de pinho entrando em seu nariz.

Ela olhou para cima, tentando localizar o sol. Já estava começando a se pôr no oeste.

Em uma hora ou duas, seria crepúsculo.

E William subiria.

Ela não podia acreditar que tinha dormido tanto. Ela normalmente acordava cedo, especialmente desde que os sonhos começaram. Saindo da sacada, ela voltou para o quarto.

Estava um dia tão bonito, e ela sabia que não voltaria a ver dias ensolarados. Logo, ela só veria a noite, então seria melhor apreciar a luz enquanto ainda podia.

Seus sapatos estavam organizados no chão ao lado do canapé. Ela os calçou depressa, arrumou seu cabelo, em um coque solto atrás de sua cabeça.

Ela caminhou de volta para a sacada. O bosque ante ela e as árvores balançando suavemente.

Ela se moveu em direção a eles avidamente, tranquilamente.

Os pássaros cantavam uma melodia suave. Uma melodia feliz. Seus lábios se curvaram à medida que olhava um pardal subindo rapidamente às copas da árvore. Naquele momento, ela percebeu que estava faltando algo. Pela primeira vez em cinco meses, ela não tinha acordado com sua habitual enxaqueca. Ao invés disso, ela se sentia forte, renovada. Viva.

Ela sorriu, satisfeita. Ela se sentia bem. Pela primeira vez em muito tempo, ela se sentia bem.

Ela caminhou ao longo de uma trilha velha, passeando facilmente pelo bosque. Perguntando-se quanto tempo aquelas árvores estavam lá. Algumas delas eram velhas e torcidas. Estreitavam-se até o céu.

O bosque era tão bonito. Tão pacífico. Então... Um ramo estalou, o som ecoando como um tiro. Ela girou ao redor, a mão subindo instintivamente para garganta. Ela não viu ninguém.

_Alguém está aí?

A floresta ficou em silêncio. Até os pássaros ficaram mudos.

Savannah franziu o cenho. Talvez fosse apenas um animal. Um guaxinim. Ou então qualquer outra coisa. Outra pessoa.

Deu um passo atrás, seus olhos esquadrinhando o sapé do bosque. Não podia evitar a sensação de que alguém estava ali, olhando para ela.

O coração acelerado. Retrocedeu outro passo e tropeçou em algo. Em alguém. Uma mão agarrou seu ombro, e ela deu a volta, chutando com seu pé direito.

Ele grunhiu, seus braços dispararam para segurar seu corpo em um abraço apertado.

Ela abriu a boca para gritar, mas uma mão tapou sua boca, antes que ela pudesse emitir qualquer som.

_Eu não estou aqui para machucar você, - ele sussurrou, com voz forte.

_Eu vim para ajudar.

Savannah piscou, olhando em choque o homem que estava diante dela.

Jack Donovan olhou para ela, sua mandíbula apertada.

_Eu juro que estou aqui para ajudar você.

Ela empurrou a mão dele para longe de sua boca.

_Certo, você está. - Seu olhar cheio de suspeita

Ela o estudou.

Ele respirou fundo.

_Olhe, senhora, eu acho que você está em sério perigo.

Ela cruzou os braços sobre seu peito. Ela realmente não estava com humor para escutar alguém atacar William novamente.

_Eu disse a você que William não estava envolvido. Ele não matou ninguém!

Jack não respondeu.

Savannah olhou para ele. Ele a seguiu até o bosque, a assustou, e ainda culpava William pelos os assassinatos - embora ela tivesse dito que William era inocente. Ela o empurrou passando adiante, voltando para a casa. Ela não escutaria mais suas mentiras.

_Espere! - Ele correu para chegar até ela.

_Droga, você pode parar?

Ela continuou andando.

Ele agarrou seu cotovelo.

_Por favor, pare e me escute.

Ela empurrou seu braço.

_Eu não quero ouvir qualquer coisa que você tenha a dizer. Por que você não volta para cidade? - Assim ficaria longe dela.

_Eu não posso deixar você aqui.

Ela olhou para trás por cima do ombro, um sorriso irônico cruzou por seus lábios

_Você pode. Só volte para seu carro, entre nele, e dirija montanha abaixo. Eu ficarei bem.

_Não! Você não entende que…

Ele passou uma mão agitada por seu cabelo.

_Eu estou tentando ajudar você! - Existia uma extremidade quase desesperada nas suas palavras

O desespero em sua voz a parou. Ela se voltou novamente olhando para ele, como olhar estreito.

_William não é o assassino, Sr. Donovan. Eu já disse a você. Eu não estou correndo nenhum perigo com ele.

_Não é com William que eu estou preocupado, - Jack disse.

_O que?

Jack procurou pelo bosque, seu olhar arremessando freneticamente à esquerda e direita. A posição do sol desenhava sombras escuras movendo-se pela floresta.

_Olhe, nós podemos entrar? Nós realmente precisamos conversar.

Savannah hesitou.

_Eu não vou machucar você, - ele prometeu.

_Eu só quero ajudar.

_Como está seu cliente?

Um músculo pulou em sua mandíbula.

_Eu não estou trabalhando mais para ele.

As sobrancelhas de Savannah se arquearam.

_Então o que você está fazendo aqui?

_Eu disse a você, eu estou aqui para ajudar você.

_Por quê?

Seus lábios se apertaram em uma fina linha.

_Porque eu acho que acabei de colaborar com o seu assassinato.

 

William podia senti-la. Algo estava errado. Ela estava com medo.

Ele estava deitado perfeitamente quieto na cama. Nem um único músculo se movia. Embora sua mente estivesse a mil.

Algo acontecia. Savannah estava em perigo.

O mal estava próximo mais uma vez.

 

Savannah fechou a porta da sacada atrás de Jack.

_Certo. Nós estamos do lado de dentro. Agora diga isto novamente.

Ele exalou fortemente e sentou em uma cadeira perto.

_Eu me enganei.

_Como? - Ele estava começando a assustá-la, e ela não gostava de ser assustada. Ela apertou as mãos

_O que você fez?

Ele inclinou a cabeça para trás e fechou seus olhos.

_Lembra quando eu disse a você que o irmão do meu cliente tinha sido morto?

_Sim. - Suas palavras quietas ecoado em sua mente. Todo o sangue foi drenado de seu corpo.

Seu pescoço formigou.

_Eu chamei um amigo meu do Exército da Cidade do Panamá. Ele me deu o nome da vítima. Peter Gilbert. - Savannah respirou, escutando atentamente suas palavras à medida que ele continuava.

_Coincidiu com o que haviam me dito. Meu amigo confirmou que a vítima tinha um irmão, um homem chamado Jonathan.

_E Jonathan era seu cliente?

_Jonathan Gilbert era o nome que meu cliente tinha me passado, - Jack respondeu cuidadosamente.

Savannah parou de respirar.

_O nome que ele deu a você? Você está me dizendo que esse não era seu nome real?

Ele agitou sua cabeça, cansado.

_Não. Não era seu nome real. Eu falei com o Jonathan Gilbert real ontem à noite. Ele não me conhecia. Ele não tinha nenhuma idéia de que eu estava trabalhando no caso do seu irmão.

Savannah sentia como se tentáculos gelados estivessem se fechando sobre seu coração.

_Se você não estava trabalhando para Jonathan, então, quem, exatamente, era seu cliente? Quem contratou você para me seguir?

Jack encontrou seu olhar sem vacilar.

_Eu não sei.

_O que?

Jack corou.

_Eu nunca o encontrei pessoalmente. Eu conversei com ele por telefone e via Internet. Ele transferiu o dinheiro diretamente para minha conta. - Ele encolheu os ombros.

_Me enviou os arquivos para eu conhecesse sua história.Eu não tinha nenhuma razão para duvidar da sua identidade.

_Você está me dizendo que alguém contratou você para me seguir por todo o país, e você não tem nenhuma idéia de quem seja essa pessoa? - Genial. Simplesmente genial. O detetive não tinha nenhuma idéia.

Infelizmente, Savannah tinha uma idéia sobre quem era o seu cliente. Bem no fundo, ela sabia. Mas ela rezava para que estivesse errada. Ela esfregou seus braços e começou a andar em torno do quarto.

_Você disse que ajudou a planejar meu assassinato. O que você quis dizer com isto?

_Sim, - disse William arrastando as palavras desde a porta aberta.

_Diga-nos como você planejou a morte dela.

Jack saltou da cadeira como se estivesse queimando.

_Que… - Ele girou, vendo por um momento o semblante furioso de William. Seus olhos se alargaram.

William caminhou em direção a ele com passos largos e lentos, inflexível como um caçador. Um caçador que tinha uma presa verdadeira apetitosa. Um brilho tênue de cor vermelha ardia nas profundezas de seus olhos pretos.

Savannah às pressas se colocou entre os dois homens. William dava a impressão de que poderia matar facilmente a Jack naquele momento.

_William, eu posso explicar…

William não tirou seu olhar de Jack.

_Eu quero que ele explique. Eu quero que ele me diga por que eu não deveria fazer um favor ao mundo e acabar com ele agora mesmo. - Seu acento era mais pesado.

Savannah tocou em seu braço ligeiramente.

_Eu direi a você por que. Porque você não é um assassino.

_Sim, ele é. - Jack se moveu para permanecer ao lado dela, tentando a empurrar para trás dele.

Quando a mão de Jack se fechou ao redor de seu braço, William emitiu um grunhido baixo.

Savannah pensou que poderia ver a extremidade de seus dentes.

_Dê uma passo atrás, - ela sussurrou para Jack, sabendo que ele estava em sério perigo.

_De jeito nenhum. - Jack estava obviamente apavorado, mas ele permaneceu onde estava.

_Eu sei sobre ele. William Dark é um assassino de sangue frio, e eu não vou deixá-lo matar você!

Um vento frio precipitou-se no quarto. Um arrepio percorreu os braços de Savannah.

William olhou fixamente para Jack e sorriu.

Seus caninos eram longos, letais. E seus olhos estavam vermelhos com sangue. Um verdadeiro medo se precipitou por Savannah naquele momento.

_Não! - Ela gritou e deu um passo adiante, liberando-se de Jack.

_Você é louca? - Jack estalou.

_Ele vai nos matar!

Não, William não a mataria. Ela sabia que ele nunca a machucaria. Mas Jack era uma história diferente.

_William, acalme-se. Não é o que você pensa. Ele é um detetive. Ele tem me seguido…

Ira varreu através de seu rosto. Ela podia sentir sua raiva, batendo contra sua mente. Uh- oh. Ela definitivamente disse a coisa errada.

Jack tolamente a agarrou novamente, puxando suas costas em direção às portas da sacada.

William apenas observava, seus olhos queimando, rodando com mortal intenção.

_Nós estamos saindo daqui, - Jack disse, agarrando a porta da sacada. Ele girou a maçaneta, empurrando a porta de vidro para abrir.

Uma rajada de vento fechou a porta antes que ele desse um único passo.

_Você não está indo a lugar nenhum. - William avançou lentamente. Suas mãos estavam abaixadas, os braços relaxados, soltos. Mas suas unhas estavam se transformando em garras como uma navalha afiada.

_Agora fique longe de Savannah ou eu rasgo sua garganta.

Savannah sabia que ele realmente queria dizer isto. Ela se perguntava se Jack percebia que estava á segundos de sua morte.

Jack congelou. E ele pareceu olhar para William pela primeira vez. Realmente olhar para ele.

Jack abriu os olhos com horror.

_Jesus Cristo, o que diabos é você?

William sorriu novamente, mostrando seus dentes maldosamente afiados.

_Eu sou a morte.

Não. Ela não iria deixar William machucar Jack. Só porque o homem tinha sido enganado não significava que ele merecia ser atacado.

_William, - ela disse, usando deliberadamente em um tom tranqüilo, com voz calma.

_Nós precisamos conversar. Há um mal entendido.

_Mal entendido? - Jack agitou sua cabeça. Seus olhos eram enormes.

_Senhora, você só pode estar brincando comigo. Aquele sujeito é algum tipo de monstro! - Seus dedos afundaram no braço dela, fazendo com que um gemido de dor saísse de seus lábios.

No próximo segundo, Jack era quem estava ofegando de dor. William se moveu pelo quarto como um borrão, laçando seu corpo pela habitação. Ele tirou a mão de Jack sobre Savannah, facilmente apertando ossos e tendões.

_Você precisa deixar o quarto agora, Savannah. - O foco de William estava em sua presa.

Savannah agitou sua cabeça. Ela avançou e empurrou William de volta. Ele bufou, seu olhar fixo sobre ela. Ela viu o flash em seus olhos. Vermelho. Preto. Vermelho.

_Escute-me, - ela pediu, com olhar feroz.

_Eu sei que você pensa que ele estava tentando me machucar, mas não foi assim. Ele veio aqui para me ajudar. - Ela tinha que fazer com que ele acreditasse nela.

Não podia ter o sangue de Jack em suas mãos, também.

William tocou em seu rosto. Seus olhos se fecharam, ele respirou fundo duas vezes. Quando ele ergueu os olhos, seu olhar como a meia-noite tinha voltado.

_Você arrisca demais, - ele sussurrou, curvando sua cabeça para colocar seus lábios contra os dela.

Ela sorriu, o alívio precipitando-se através dela. Ele havia controlado a besta, pelo menos por enquanto.

Seus braços estavam firmemente enrolados ao redor dele.

_Eu não arrisquei nada. Eu sei que você nunca me machucaria.

E ela sabia. Ela confiava nele, completamente.

Ele a puxou contra seu corpo, apertando-a. Ela podia sentir um débil tremor percorrer o corpo dele.

Jack alcançou a maçaneta.

William levantou a cabeça.

_Você não está tentando sair, não é? - Seus braços lentamente deixaram Savannah ir. Ela ficou do seu lado.

A mão de Jack se afastou da maçaneta.

_Uh, não. Só estava, uh, assegurando-me de que a porta estava fechada.

Considerando todas as coisas, Savannah pensou que Jack estava mostrando uma compostura surpreendente. Ele quase foi morto por um vampiro, e ainda não estava gritando de medo. Suas mãos tremiam, mas ele as empurrou para trás de suas costas e enfrentou William.

_Quem é você? - William exigiu.

_Jack Donovan. - Sua voz não estava firme, porém ele conseguiu olhar para William.

_E você foi contratado para seguir Savannah.

Jack movimentou a cabeça.

_Por quê?

Jack olhou suplicante para Savannah. Ela disse;

_Jack sabe sobre o homem que assassinou meu irmão. Ele estava tentando achar o assassino também.

_Então ele arrastou você. - William agitou sua cabeça em desgosto.

_Quanto tempo você a tem seguido?

_Desde que ela deixou Seattle.

_Diga quem contratou você.

Savannah ouviu a compulsão em voz do William.

Jack imediatamente respondeu.

_Eu não sei. Ele disse que seu nome era Jonathan Gilbert. Ele me disse que seu irmão tinha sido morto pela mesma pessoa que atacou Mark Daniels. Ele contratou-me para seguir Savannah. Ele disse que ela me levaria ao assassino.

Savannah se sentou na extremidade da poltrona.

_Ele nunca encontrou seu cliente. Eles apenas conversavam por telefone e trocaram mensagens pela Internet.

_Quanto você disse a ele? - William perguntou, usando aquele mesmo tom.

_Tudo, - Jack disse com voz clara.

_Cada movimento que ela fez. Com quem ela conversava. Onde ela ficou, quando veio visitar você.

William praguejou e girou o olhar para Savannah.

_Ele estará vindo atrás de você.

_Espere só um minuto! - Jack levantou sua mão.

_O que você está dizendo? Que meu cliente…

_É quem assassinou aquelas pessoas, - William terminou.

_E, graças a você, ele agora sabe exatamente onde Savannah está.

Savannah olhou a palma da sua mão direita. Os arranhões eram apenas visíveis agora. Ele está vindo atrás dela. Seus dedos se fecharam em punho.

_Não vamos tirar conclusões precipitadas… - Jack começou.

_Você sabe que eu estou certo, - William interrompeu, seu tom vivo.

_Não negue isto. É por isso que você está aqui. No fundo, você sabe quem ele é. Você sabe do que ele é capaz. - Ele se deteve um instante.

_Você sabe o que ele vai fazer.

Os ombros de Jack caíram. Ele de repente olhou muito pálido.

_Nós precisamos chamar a policia. - Sua voz era rouca.

_Se você estiver certo, se aquele sujeito é o assassino, nós temos que conseguir cair fora daqui.

_Não, - Savannah disse em voz suave e firmemente.

_A polícia não pode nos ajudar. Eles não podiam. Ela já tinha aprendido aquela lição. O único que podia ajudar ela era William.

_Claro que eles podem! - A voz de Jack soou mais forte. Mais feroz.

_Eles têm armas de fogo. Se este sujeito vem atrás de você, eles podem pará-lo. Eles podem atirar!

_Uma arma de fogo não o parará, - Savannah disse. Se fosse assim tão fácil.

_Uma arma de fogo não o deterá.

Jack parou de respirar.

_Senhora, você pode matar qualquer coisa com uma arma de fogo. Confie em mim. Eu estive no Exército por dez anos. Uma bala no coração parará qualquer assassino.

William se acercou a Savannah. Suas pernas roçaram o lado da poltrona.

_Mas isto não parará um vampiro.

_Um vamp... - os olhos de Jack se abriram

_Sobre o que você está falando, homem? Você está louco ou algum que…

Ele cessou bruscamente, sua boca aberta de incredulidade.

William devolveu olhar, seus olhos ardendo com sangue, seus dentes cintilando como uma ameaça escura.

_Merda. - O corpo do Jack pareceu tremer.

_Merda, - ele repetiu.

_Isto não pode estar acontecendo. Você não pode ser um…

_Ele é, - Savannah disse.

_William é um vampiro.

_Seus olhos! Seus dentes! - Jake começou a respirar fortemente.

_Você é um maldito vampiro!

Os lábios de William tremeram.

_Você certamente é observador, Detetive.

Savannah franziu o cenho a Jack, vagamente preocupada. Ele soou como se estivesse tendo um ataque de asma.

_Você está bem?

_Estou... - Ele ofegou.

_Somente. - Ofegou.

_Nossa.

Ele respirou profundamente, inalando e exalando. Se parecia com um peixe que tinha sido empurrado para fora de sua confortável casa na água.

_Eu não acredito nisto, - ele sussurrou.

_Eu não acredito nisto!

_Acredite. - Olhos de William ardiam.

_Mas vampiros não são reais.

_Confie em mim. - William sorriu, mostrando seus dentes.

_Eu sou muito real.

Corpo de Jack tremeu.

Uh- oh. Savannah mordeu seus lábios. Parecia que o bom detetive poderia desmaiar a qualquer momento.

_Jack? Você está certo de que está bem?

_Vampiro. Um maldito vampiro. - Ele fechou seus olhos e exalou. Ele ficou ali um momento, não disse nenhuma palavra, só respirava. Dentro. Fora. Dentro. Fora.

Savannah franziu o cenho.

Seus olhos se abriram. Ele apontou para William.

_Você é um vampiro.

_Culpado. – sua voz era zombeteira, fria.

Os lábios de Jack se abriram.

_E o sujeito lá fora que matou essas pessoas, ele é um vampiro, também?

Savannah pensou que ele parecia ter recuperado de volta seu foco. Bom. Talvez ele pudesse ajudá-los, afinal.

_É por isso que todo aquele sangue foi drenado das vítimas. Ele estava se alimentando.

Jack perguntou;

_ Eu tenho conversado com um vampiro? Meu cliente é um vampiro?

_Sim, - ela disse.

Jack levantou seus ombros. Sua respiração estava ainda irregular, mas ele pareceu estar recuperando o controle.

_Você está certa. Os policiais não podem ajudar.

Savannah olhou para William.

_Quando você acha que ele virá? - Ela queria estar pronta.

Ela tinha que estar pronta.

William não respondeu imediatamente. Ele inclinou sua cabeça para o lado, como se estivesse escutando algo. Ou alguém.

_William?

Ele agitou sua cabeça, e olhou para ela.

_Logo. Ele virá assim que puder.

_Nós temos que estar prontos.

_Prontos? - Jack agitou sua cabeça.

_Nós estaremos prontos quando nós conseguirmos dar o fora daqui.

_Não, - William suavemente discordou.

_É mais seguro para Savannah aqui do que em qualquer outro lugar.

Jack pareceu duvidar.

_Sem ofensa, mas, eu cheguei até ela. E se eu pude chegar, então estou condenadamente certo de que ele pode chegar também.

William se pôs rígido. Olhou para Savannah.

_Como, exatamente, fez o bom detetive para conseguir chegar até você?

Foi Jack quem respondeu.

_Não foi difícil. Ela estava sozinha, caminhando pelo bosque. Se eu fosse o assassino, ela estaria morta agora.

Savannah mirou seus pés. Ela correu em direção a Jack, empurrando o dedo contra seu peito.

_Você é sortudo por não estar morto! - Ela se enfureceu por ele pensar que ela poderia estar indefesa.

Ela podia se proteger.

Ele agarrou sua mão.

_Vamos, Savannah. Você não é forte suficiente…

Suas palavras terminaram com um grito de Savannah que puxou seu braço adiante e facilmente o atirou no chão.

_Me enganei, - ele tentou concertar, olhando fixamente para o teto.

_Você poderia não estar morta, depois de tudo.

_Eu sou faixa preta, - ela disse a ele, seus olhos ferozes.

_Eu posso cuidar de mim mesma. - Ela havia aprendido a se defender mesmo contra as ordens dos médicos. Ela queria provar para eles, para sua família, e para ela mesma, que poderia ser forte. Que ela era forte.

Os dedos de William pousaram ligeiramente ao redor sua garganta. Sua respiração suavemente soprou contra sua pele.

_Eu estou impressionado, - ele murmurou

_Mas eu temo que suas habilidades não sejam suficientes, para parar Geoffrey.

Ela sabia disto. Ela podia enviar Jack direto para o chão, mas ela não era forte o suficiente para derrotar um vampiro. Não ainda.

Mas quando ela fosse mordida pela terceira vez, ela seria.

Jack empurrou a si mesmo pelos pés. Ele fez uma careta ao alongar suas costas.

_Eu não sei de quem eu estou com mais medo, - ele disse, olhando para Savannah.

_De você, e seu namorado ou do assassino.

_Não é a nós quem você devia temer, - William disse.

_Geoffrey vai vir atrás de você, também. E ele não vai deixar você viver. Você sabe demais.

Jack empalideceu.

_Kelly, - ele sussurrou.

Savannah franziu o cenho.

_Quem?

Ele jurou, passando a mão por seu cabelo.

_Kelly Taylor. Minha noiva Ele sabe sobre ela. O bastardo mencionou seu nome na última vez que nós conversamos.

O estômago de Savannah de apertou. Geoffrey não teria mencionado o nome da mulher a menos que…

_Ele vai matá-la. - Jack pareceu doente.

_Ele vai matar Kelly, não é?

_Vá atrás dela. - William ordenou, seus olhos sem foco, pensativos.

_Leve ela para fora do país. Leve-a para tão longe quanto você puder.

_Mas você disse que ele me seguirá.

_Não, - Savannah sussurrou, sabendo que ela falava a verdade.

_Ele vai vir primeiro atrás de mim.

E seria assim. Ele viria. Jack e Kelly, seriam uma gratificação. Geoffrey iria primeiro atacar William.

Mas eles estariam prontos para ele. Eles o parariam.

_Vá. Proteja sua mulher.

Com uma onda da mão, William abriu as portas da sacada.

Ele olhou para Savannah.

_E eu protegerei a minha.

 

Não existe nenhum lugar para se esconder. O diabo vê tudo.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 05 de dezembro de 1068

 

Ele não gostou de ver outro homem próximo dela. A besta dentro dele rugiu exigindo que ele castigasse o homem que ousou tocar o que pertencia a ele. Ele só pode manter seu controle por causa de Savannah.

Ela olhava fixamente para ele agora, seus olhos de esmeralda misteriosos. O que ela estava pensando?

Ela tinha medo de Geoffrey? Ela tinha que saber que ele a protegeria.

Ele tomou sua mão dentro da sua, admirando a delicadeza de seus ossos.

_Não existe nada para temer. Geoffrey não machucará você. - Ele se certificaria que Geoffrey nunca a machucasse novamente.

_E o Jack? Ele estará seguro? - A preocupação nublou seu olhar.

_Nós pararemos Geoffrey, - William prometeu.

_Nós não o deixaremos machucar Jack. Nós não o deixaremos machucar mais ninguém.

_Você vai me dar o beijo hoje à noite? - Savannah de repente perguntou.

William hesitou. Ele desejava mais que qualquer outra coisa, dar seu beijo a ela. Ele queria transformá-la e fazê-la sua companheira para toda a eternidade. Mas ele não podia, não ainda. Ele podia sentir a debilidade que emanava dela.

Se ele tentasse convertê-la agora, ele não podia garantir que ela sobrevivesse. Era uma chance que ele não estava disposto a tomar.

_Não ainda, - ele disse suavemente.

_Não ainda.

_Quando? - Era uma demanda.

Ele caminhou em direção à porta.

_Quando você for forte o suficiente. Agora, venha comigo, eu tenho algo para você.

Ela não se moveu.

_Você podia tentar dizer, por favor, sabe. É um modo considerado adequado de se falar.

Ele parou na porta e olhou para trás, por cima de seu ombro. Seus olhos encontrando os dela.

_Por favor, venha comigo.

Seus lábios cheios estavam curvados.

_Isso não foi tão duro, foi? - Ela caminhou em direção a ele, e podia jurar que viu um clarão de diversão em seus olhos.

_Você tem que se lembrar que você não está mais em um campo de batalha. Você não pode agir como se mandasse em todos ao seu redor.

_Eu me lembrarei disto, - ele murmurou, inalando seu doce cheiro, quando seu corpo passou roçando o dele.

Uma forte necessidade surgiu nele, súbita e afiada. Ele queria saboreá-la, deslizar sua língua no calor de sua boca. Tinha passado horas desde que ele a tinha tido. Desde que ele a sentiu estremecendo em seus braços.

_O que você quer me mostrar? - Ela caminhou corredor abaixo, inconsciente da luta continua dentro dele.

Ele respirou fundo, agarrado seu autocontrole com ambas as mãos, e seguindo ela.

_Você verá. É uma surpresa. - Depois que ele deixou Savannah em sua cama, ele saiu para buscar alguns artigos para ela. Ele correu contra o sol, determinado a voltar para casa com seu material.

Ele a seguiu, degraus abaixo, e quando ela girou para entrar no grande quarto, ele capturou seu pulso e a puxou abaixo pelo corredor estreito.

_Eu acho que nunca vim aqui, - ela disse.

Ele soube então que ela não explorou sua casa. Ele desejou que ela tivesse explorado. Ela podia ir á qualquer lugar que quisesse. Afinal, era para ser sua casa, também. Ele não queria que ela se sentisse como um convidado.

Ele queria que ela sentisse como se a casa lhe pertencesse.

Como se estivesse em seu lar.

Ele tentou fazê-la entender.

_Minha casa é sua também. Sinta-se livre para explorar todos os lugares.

Eles pararam em frente a uma porta branca. William empurrou a porta e essa se abriu, então ele conduziu Savannah para o lado de dentro.

_O que? … - Seus olhos se abriram ainda mais, encantada com a visão da cozinha.

A cozinha era enorme. Existiam dois fornos duplos, geladeira cromada e congelador, e na bancada havia um sortimento de eletrodomésticos. Parecia uma ilha grande localizada bem no meio do cômodo. E, no canto da cozinha havia uma mesa confortável, já arrumada para duas pessoas.

Ela abriu a geladeira, olhando com surpresa o sortimento de comida do lado de dentro.

Ela tinha o rosto, ainda inclinado dentro da porta aberta quando disse.

_Eu não entendo. Eu não achei que você precisasse de comida. - Ela fechou a porta lentamente, olhando fixamente para ele.

_Eu não faço. - Ele podia sobreviver só de sangue. Muitos de seu tipo escolheram fazer isto.

_A comida é para você. Eu comprei isto antes de amanhecer.

Ela piscou e um rubor vermelho manchou suas bochechas.

_Você comprou tudo isto para mim?

Ele se sentiu de repente desconfortável.

_Você precisa comer, - ele murmurou.

_Você tem que recuperar sua força.

Ela acenou sua mão para indicar os eletrodomésticos.

_Que tal todos estes eletrodomésticos? Você também os comprou?

_Eu disse que não tinha que comer. Não que eu não podia.

_ Depois de quinhentos anos, eu anseio o gosto de algo diferente de sangue. - Ele descobriu que ele podia comer comida humana, desde que ele comesse com moderação.

_Eu não como freqüentemente, mas eu como. - Ele encolheu os ombros.

_Além disso, se alguém viesse a casa e visse que eu não tenho uma cozinha... poderia levantar algumas suspeitas.

Um sorriso torto iluminou seu rosto.

_Eu imagino como isto seria um problema. - Ela abriu a geladeira e se inclinou para o lado de dentro, retirando presunto e peru.

_Eu acho que farei um sanduíche.

Ela olhou para ele de modo inquiridor.

Ele não aceitou a oferta.

_Não. Eu tenho algo. - Ele acenou para a mesa, onde um espesso vidro estava cheio com líquido vermelho, cor de sangue.

Savannah tragou.

_Eu acho que isto não é vinho.

Ele quase sorriu.

_Não, não é.

Ela curvou seus ombros e se voltou para sua comida. Ela agarrou um pão e começou a criar seu sanduíche. Quando ela tinha acabado, ela caminhou para a mesa pequena, levando seu prato cuidadosamente. Ela olhou para a sua bebida.

William se sentou. Suas sobrancelhas estavam erguidas.

_Você prefere que eu não beba agora?

Ela respirou fundo.

_Não, vá em frente. - Seu sorriso era fraco.

William moveu seu copo para o lado, pondo o suco dela frente a eles. Ele esperou Savannah comer primeiro. Ele sabia que ela precisava da energia que a comida podia fornecer, e ele tinha medo de que se ela o visse bebendo não conseguisse se alimentar.

_Fale para mim sobre sua vida, - ele disse, deliberadamente abaixando seu tom de voz. Ele sabia que a compulsão não funcionava nela, mas ele ainda podia ser capaz de usar seus poderes para acalmá-la.

Seus dedos brincaram com a toalha de mesa.

_O que você quer saber? - Ela não estava tocando seu sanduíche. Ou o copo de suco de laranja que ele havia lhe dado.

_Qualquer coisa. - Tudo. Todo detalhe de sua vida.

_Eu sei que você viveu em Seattle. Você gostava de lá?

Seus ombros pareceram relaxar.

_Oh, sim. Eu quero dizer, chovia o tempo todo, mas eu gosto da chuva. Todo mundo estava sempre tão agitado. A cidade parecia estar viva com as pessoas.

_Você já viveu em qualquer outro lugar?

Ela agitou sua cabeça.

_Não. Eu nasci e cresci lá. Minha mãe era do Sul, entretanto. Da Geórgia. É por isso que ela me deu o nome de Savannah. - Ela ergueu seu sanduíche e deu uma mordida pequena.

_Eu não ouvi você mencionar seus pais antes, - ele murmurou com seu olhar afiado.

A tristeza apareceu através de seu rosto.

_Meus pais estão mortos. Eles foram mortos em um acidente de carro á quatro anos atrás.

_Eu sinto muito, Savannah. - Então ficou só ela e seu irmão.

_Mark cuidou de mim, - Savannah disse, parecendo ler sua mente.

_Ele é a pessoa que ficava comigo no hospital todo tempo. Ele segurava a minha mão. Ele dizia pra mim que tudo daria certo.

Ela mordeu seu lábio.

_Mas ele não estava certo. O câncer voltou. E então ele morreu.

Ele se entristeceu por ela, por toda a dor que ela sentiu em sua pequena vida. Ele desejou poder manter isso tudo longe dela. O fardo que seus ombros esbeltos levavam era extremamente pesado.

_Sua morte não foi sua culpa, Savannah. - Ele podia ver em sua mente, em seu coração. A segunda troca os ligou, e ele podia lê-la muito facilmente.

_Não foi? - Ela não estava comendo mais. Uma mordida, isto é tudo que ela havia comido.

_Você não pode acreditar que foi sua culpa! - Ele disse em descrença.

_Geoffrey o matou. E Geoffrey é a pessoa que pagará, eu prometo a você. Pare de se culpar. Você não ganhara nada com isto. - Ele agarrou sua mão.

_Você não se castigou o suficiente?

Ela olhou fixamente para suas mãos, que ele segurava entre as dele.

_Eu devia tê-lo ajudado. Ele me ajudou, protegeu-me, por anos. Eu devia ter feito algo por ele.

_Você fará algo. - Seus dedos a apertavam.

_Você dará a ele justiça. E você impedirá Geoffrey de machucar outras pessoas.

Ela movimentou a cabeça.

_Sim, eu irei. - Sua mão livre agarrou o sanduíche.

Ele certificou-se de que ela comesse tudo, e então mais um. Ele deliberadamente manteve a atenção dela na conversa, dizendo a ela tudo sobre os diferentes países diferentes que esteve, das maravilhas que ele viu.

Quando ele mencionou a Itália, seu rosto pareceu se iluminar.

_Eu sempre quis ir para a Itália, - ela disse, segurando seu suco.

_É tão bonito quanto eu ouvi dizerem?

Ele olhou fixamente para ela.

_Mais.

Ela suspirou, rodando sua bebida.

_Eu queria ser uma artista anos atrás, quando pensei que o mundo era meu e eu podia fazer o que quisesse. – Seus lábios sorriram parecendo zombar de seus sonhos de juventude. Eu planejei ir para a Europa. Eu queria ver a Capela Sistina. Eu queria pintar os canais de Veneza.

_Não, não é tolo mesmo. - Ele tentou pensar em si mesmo nos sonhos que ele teve em sua mocidade.

Tudo que ele podia lembrar era sobre sangue, morte e batalhas que nunca acabavam.

Ele agarrou seu copo.

_Nós devemos planejar uma viagem para a Itália.

Sua respiração ficou suspensa.

_De verdade você quis dizer isso?

Ele sentiu a esperança em sua voz.

_Claro. - Ele sorriu.

_Afinal, nós teremos bastante tempo.

Ela pareceu absorver suas palavras.

_Eu acho que nós iremos. - Ela agitou sua cabeça.

_É estranho. Eu sempre soube que minha vida seria curta. Limitada. E agora, sei que não irei morrer - sorriu, seus olhos brilhavam.

_Só não parece real.

Ele bebeu de seu copo, e o sangue deslizou abaixo por sua garganta. Ele sabia que seus olhos se tornaram vermelho. O gosto era delicioso.

Savannah parou sorridente.

_E então às vezes parece tudo muito real. - Ela olhava fixamente para o grande congelador na parte de trás do cômodo.

William terminou sua bebida, nunca tirando seus olhos dela.

_Você preferiria que eu tomasse o sangue de um homem vivo? Que eu rasgasse sua garganta e bebesse seu sangue?

_Claro que não! - O olhar dela retornou para ele.

_Como você pode perguntar isto?

Ele levantou seu copo vazio.

_Eu uso isto porque assim eu não tenho que caçar. Então eu não tenho que sair toda noite e beber de alguém. - Então ele não teria que olhar fixamente nos olhos da sua vítima.

Uma ruga atravessou a sua fronte.

_Mas você ia beber de Slade…

Ele cuidadosamente colocou seu copo em cima da mesa.

_Pelo menos uma vez durante a lua cheia, eu devo tomar sangue fresco. Se eu não fizer, minha força se debilita. - Mas quando ele se alimentava, ele se segurava firmemente, sempre ciente que sem esse controle, podia facilmente matar sua presa.

_Então eu precisarei de sangue fresco, também. - Seu rosto estava muito pálido, muito delicado.

_Sim. Você terá que beber a fim de sobreviver. - Ele esperou um pouco e então perguntou.

_Você será capaz de fazer isto?

Ela olha para o copo vazio e então para seus lábios, que ele sabia, estavam sujos de sangue vermelho. Ela ajeitou seus ombros e ergueu seu queixo.

_Eu farei o que eu tenho que fazer. Eu não gostaria de fazer isto, Mas eu farei.

William sorriu, o alívio surgindo nele.

_Não se preocupe. Eu mostrarei a você como tomar o sangue. Você não machucará aqueles de quem você bebe, e com uma pequena compulsão, você pode fazer sua vítima esquecer o encontro inteiro.

_Eu terei muito para aprender, não é?

_Eu ensinarei você. Eu ensinarei tudo que você precisará saber. - E ele iria. Ele iria certificar-se que Savannah entendesse completamente seus novos poderes. Ele empurrou sua cadeira para trás e continuou caminhando em direção a uma porta de metal pesado, no lado mais afastado do quarto. Ele puxou uma grande chave de prata fora de seu bolso e a inseriu na fechadura.

Savannah se moveu, permanecendo atrás dele.

_O que ha aí?

_Sua primeira lição.

Savannah avançou, só para ver surgir o inicio de uma longa escadaria.

Ela perscrutou abaixo, tentando ver a parte inferior. Ela não viu nada além de escuridão.

_O que tem lá?

_Por que você não desce e descobre? - Suas palavras a desafiavam, e suas mãos empurravam suavemente suas costas.

Ela não gostou do som disto. Ela começou a descer devagar os degraus abaixo. Eles rangeram em baixo dela, o som, parecia gemidos de mulher.

Ela podia sentir William atrás dela, sentir o calor de seu corpo, o calor de sua respiração contra seu cabelo. Ela o sentia tão intensamente que ela podia jurar que ela até ouvia as batidas de seu coração.

Os degraus terminaram em frente de outra grande porta de metal. Ela olhou acima de seu ombro. Ela não sabia se ela queria ver isto. Seu estômago revirou quando o medo cresceu forte dentro dela.

William lhe deu a chave de prata.

_Continue, Savannah, - ele a persuadiu.

_Abra a porta.

Sentindo-se como Pandora, ela indecisamente inseriu a chave na fechadura e ouviu um suave clicar da chave se deslizando. Suas palmas estavam suadas quando ela girou o botão e empurrou a porta abrindo-a.

Ela caminhou devagar por um longo túnel. O túnel era iluminado por uma série de pequenas luzes.

Ela não fez a William qualquer pergunta. Ela continuou caminhando, perguntando-se o que a estaria esperando no fim do túnel.

Em um momento, ela teve sua resposta. Outra porta. Era de madeira, não de metal. Não existia Nenhuma fechadura em sua superfície velha, cicatrizada. Ela empurrou a abrindo, não esperando por William. Um fundo de curiosidade estava começando a queimar dentro dela. O que ela acharia no quarto? Um caixão?

Ela fechou seus olhos por um momento, e então ela entrou.

A princípio, ela viu apenas escuridão. Então, num instante, dúzias de velas brancas iluminavam o quarto.

E então ela viu uma cama grande, vitoriana e percebeu que estava em um quarto. Os lençóis estavam amarrotados, como se alguém recentemente os tivesse usado. Ela respirou, retirando seus olhos da cama e se forçando a olhar o resto do quarto. Havia uma estante atrás no canto. Era cheia com um sortimento de livros de capas dura, mole, clássicos e filmes policiais contemporâneos. As lombadas das capas estavam tortas deixando claro que alguém os lia constantemente.

Duas cadeiras estavam próximas à estante. Elas eram cadeiras de antiquários. Uma pequena mesa estava entre elas, e uma luminária descansava em cima de sua superfície esculpida.

Não existia nenhum sinal de um caixão, e ela suspirou em um sinal pequeno de alívio.

_Então, é aqui onde você dorme durante o dia? - Não era o que ela esperava. O quarto, com sua iluminação suave e uma cama convidativa, era confortável e dava boas-vindas. Não era o que ela esperava de William. Não o que ela esperava de um vampiro.

Ele fechou a porta, e o som pareceu ecoar pelos túneis subterrâneos.

_Sim, - ele disse.

_Eu estou seguro aqui embaixo. O sol não pode me tocar, e as portas mantêm meu inimigos fora.

Ela pensou sobre os túneis longos e os curvilíneos degraus.

_Nós estamos dentro da montanha não é?

Ele movimentou a cabeça.

_Me levou anos para construir este lugar.

_Você construiu isto? - Ela estava impressionada. Para um homem ter feito tanto trabalho...

_Eu precisava de um lugar seguro para descansar, - ele disse com um pequeno encolher de ombros.

_Então eu fiz o que tinha que ser feito.

Ela não podia acreditar nisto. Um homem, cavar dentro da montanha.

_Como é possível? Como pode?

Ele riu.

_Ah, Savannah você se esqueceu que eu tenho a força de dez homens mortais. E eu posso me mover e trabalhar, dez vezes mais rápidas que um humano. Não foi duro construir este lugar. De fato, eu tenho criado outros em dúzias de casas ao redor do mundo.

A força de dez homens mortais. Ela agitou sua cabeça, ofuscada.

_Eu não percebi que você era tão forte. - As palavras soaram tolas em seus ouvidos, mas elas eram a verdade. Ela não entendia completamente a extensão verdadeira do poder de William. Todas às vezes que ele a tocou, ele foi gentil. Ela não percebeu que ele podia literalmente esmagar seus ossos se ele o quisesse fazer.

“A força física é só o início.” - Suas palavras foram sussurradas em sua mente, ele não havia dito uma palavra com sua voz.

Ela estremeceu.

“Como podia?”

“Nós estamos ligados, Savannah. Unimo-nos, de um modo que poucos podem verdadeiramente entender. Onde quer que você vá, qualquer coisa que você faça, eu estarei com você. Em você.

Ela o ouviu falar, e sentiu um leve toque sobre sua sobrancelha. No entanto ele ainda permanecia a uma boa distancia dela.

Quando ele falou, sua voz era clara e suas palavras a estavam assustando.

_Eu posso fazer quase qualquer coisa.

_Então você é incrivelmente forte e você pode mover objetos, - ela disse, pensando sobre todas as portas abertas e suas roupas desaparecendo.

_Você pode ler mentes. Controlar mentes.

_Sim.

Aquele tipo de poder a atordoou.

_Como isto é possível?

_Os dons vêm com o beijo escuro. - Ele penetrou em sua mente, caladamente a persuadindo para vir a ele.

Savannah aceitou e deu um passo.

_Você disse antes que você não podia me controlar. - Ela lembrava vivamente seu encontro em seu quarto de hotel.

_Mas isso foi antes da segundo troca.

Sua expressão não se alterou.

_Eu sei que você pode entrar em minha mente. Você já provou isto. Mas você pode controlar meus pensamentos? - Essa possibilidade quase a sufocou. Ela não podia suportar estar sobre o controle de outra pessoa.

Sua mão estava caída ao lado de seu corpo. Ele estava na frente da cama, olhando fixamente para ela. Ela realmente podia sentir o calor de seu toque.

_Eu não sei, - ele disse.

_Eu não tentei controlar você novamente. - Ele tinha sua atenção atentamente concentrada nela.

_O que? O que é isto? - Seu coração pareceu congelar.

Ele agitou sua cabeça.

_Inútil. Eu disse a você antes, que você é diferente.

_Você não pode me controlar? - Ele podia ouvir a esperança em sua voz?

_Se pudesse, você estaria na minha frente agora mesmo, nua e implorando pra eu fazer amor com você.

Ela piscou.

_Já que você não se moveu, eu vou ter que assumir que minha tentativa para curvar você ao meu desejo falhou. - As palavras eram suaves, mas seu olhar era de um predador faminto.

_Então eu acho que terei que tentar outro método de persuasão.

Ela estava atordoada. Seguramente ele não quis dizer que...

_Você quer fazer amor comigo? Agora? - Seu coração começou a bater forte. Um momento atrás, ela tinha medo. Agora, só com um olhar aquecido, ele fez a necessidade surgir nela.

Ele foi em direção a ela.

_Sim.

Ela olhou para ele. Suas bochechas estavam vermelhas, seus olhos estavam dilatados.

Ele colocou seus braços ao redor dela, puxando seu corpo ruborizado contra o seu. Ela podia sentir sua ereção apertar contra ela. Quente. Forte.

O calor começou a surgir entre suas pernas. Como era possível? Como ela podia ir do medo a uma profunda necessidade dele assim?

Ele a beijou, sua boca se alimentando da dela. Ela não hesitou. Ela o beijou de volta, sua língua enroscando contra a sua, causando um grunhido baixo nas profundidades de sua garganta.

Ele deixou sua boca, para beijar a coluna esbelta de seu pescoço. Ela sentiu a seda áspera de sua língua correndo contra sua pele. Ela fechou seus olhos, sua respiração estava dura e rápida. Ela lutou por sua razão, que estava desaparecendo depressa em um remoinho de desejo.

_Você tem certeza... - ela pausou, molhando seu lábios.

_De que você não está me controlando?

Sua cabeça se ergueu e seu olhar se fixou no seu. Raiva relampejava através do seu rosto.

_O que faz você pensar assim?

Seus dedos se fecharam em torno dos braços dela.

_Eu preciso de você como eu nunca precisei de ninguém. Eu quero tanto você, que eu mal posso respirar, porque a fome por você é muito grande. - Ela podia sentir seu corpo tremendo.

_Eu nunca me senti assim antes, eu não sou assim! - E não era. Ela foi sempre calma, sempre conseguia se controlar. Todos as sua emoções, ela conseguia manter sempre sobre controle. Agora ela se sentia selvagem e descontrolada. Seu corpo estava muito quente. Suas roupas a incomodavam.

O rosto de William se suavizou. Seus dedos esfregaram ligeiramente acima dos seus lábios sensíveis.

_Pobre Savannah. Você não entende mesmo o que está acontecendo, não é? - Suas mãos passeavam por seu cabelo com cuidado gentil.

_Eu sinto isto, também. A fome. A necessidade. Eu estou tão preso a ela quanto você.

Seus olhos se arregalaram.

_Eu quero você, - ele sussurrou sua respiração de encontro a seus cabelos.

_Eu quero você mais que qualquer outra coisa na Terra. Você é um fogo dentro de mim. Eu vejo você, e sinto uma forte fome. Eu preciso de você.

Seus lábios tremiam. Seu corpo queimava.

_Eu não estou controlando você, - ele continuou com sua voz forte.

_Eu não faria isso com você.

Ela acreditou. Seus lábios se separaram para falar.

William deu passos para trás e seus braços caíram fracos do lado de seu corpo. Ela se sentiu fria, vazia, sem ele.

Com apenas um levantar de sua mão, William fez a porta de madeira se abrir.

_Você pode partir.

Você pode ir para cima e dormir só. Você não tem que estar comigo hoje à noite. A escolha é sua.

Ela pensou sobre partir. Sobre retornar a seu quarto quieto, vazio. E ela pensou sobre ele. Ela deu uns passos, enroscando seus braços ao redor dele.

_Eu quero você, William. Você. - Ela tomou sua própria decisão. Esse era o seu desejo.

William a levantou em seus braços, a levando com facilidade em direção à cama. As luzes das velas pareceram chamejar mais brilhantes.

Ele a segurou firmemente, a apertando contra seu forte tórax. Ela podia sentir o coração dele batendo em baixo de seus dedos. Ela podia sentir o tremor de desejo que deslizou sobre seu corpo.

Ele a colocou no meio da cama. Antes dela poder até piscar, ele removeu de ambos as roupas. Ele permanecia nu e forte, inspecionando ela na claridade da luz das velas. Seu olhar era intenso, quase venerador quando caiu sobre ela.

_Você é a coisa mais perfeita que eu já vi. - Ele tocou em seu peito suavemente. Seu mamilo endureceu. Ela arqueou com seu toque.

Ele fechou seus olhos e respirou fundo. Com seus olhos entreabertos, ela podia ver um lânguido vermelho circular ao redor da menina de seus olhos.

_Eu não poderei ir devagar, não hoje à noite. - As palavras eram um rosnado.

Ela o agarrou, seus braços correram abaixo de seu tórax. Até se enrolar na massa de cabelo na conjuntura de suas coxas. Ela o tocou, admirando a sua força e seu calor

Desejo. Seus dedos se fecharam ao redor do pênis dele, apertando ligeiramente. Ele rosnou. Ela se debruçou para frente, sua língua correndo sobre ele para saborear a cabeça de seu pênis.

_Eu não me importo, - ela sussurrou.

_Eu só quero você. - Ela o levou em sua boca.

Seus dedos agarraram seu cabelo. Ele fechou os olhos, e estremeceu contra ela.

Ela o beijou. Ela o lambeu. Ele se sentia tão forte. Tão quente…

_Suficiente! - Ele empurrou suas costas sobre a colcha. Seu corpo deslizou em cima do seu, e ele empurrou suas coxas as separando.

Ela ergueu seus quadris ávidos para senti-lo mais uma vez.

Sua boca reivindicou a dela, seu beijo era de total paixão. Fome. Ele empurrava nela, e Savannah gemia sentindo um raio de prazer percorrer seu corpo.

Suas mãos seguravam ao redor de seus quadris, e ele a ergueu, socando seu corpo contra o dela com poderosas punhaladas. A cabeça dela batia contra os travesseiros. Ela ouviu alguém chorando, gemendo, mas ela não percebeu que os sons saiam de sua própria boca.

O rosto de William era intenso. Seus olhos tinham manchas avermelhadas. Seus dedos estavam segurando muito forte ao redor de seus quadris e ela soube que eles deixariam marcas. Mas ela não se importou. O prazer era muito forte. Seu corpo se apertava tenso. O de William também. Ela explodiu sentindo ondas de prazer lambendo seu corpo. Ela gritou seu nome.

Ele endureceu contra ela, seu corpo estava muito tenso. Ele fechou seus olhos, seus dentes cerrados. E ele sussurrou seu nome.

Eles alcançaram o clímax junto, o prazer era tão intenso que era quase doloroso. Seus corpos se misturavam. Seus corações batiam como um. Desejavam que esse momento fosse infinito.

 

_Como você se tornou um vampiro?

William vacilou em sua resposta, sua mão fechada ao redor de seu braço. Ele tinha apreciado fazer amor, apreciado sentir ela em seus braços.

_William?

A realidade estava se intrometendo em seu mundo, e ele não queria isto. Ele não queria conversar sobre seu passado. Não agora. Não enquanto eles estavam ainda juntos. Não enquanto o odor de lavanda flutuava no ar. Não enquanto ele ainda a tocava.

Ele se debruçou adiante e suavemente a beijou, era uma delícia acariciar seus lábios. Ela tinha lábios maravilhosos. Cheio. Tentador.

Ele a puxou mais íntimo, embalando seu corpo contra o seu. Ele queria segura-la.

Ela empurrou contra seu tórax.

_William. - Ela suspirou, e ele podia ver a necessidade nos olhos dela. Uma necessidade que ela estava lutando para controlar.

_Diga a mim. Diga a mim o que aconteceu.

Ele suspirou e correu sua mão por seu cabelo.

_Eu acho que você já sabe. O que era mesmo que você disse no primeiro dia? - Ele ficou carrancudo por um momento, pensando.

_Ah, sim, algo sobre me tornar um vampiro por causa do amor pelas artes escuras?

Ela balançou sua cabeça em um movimento rápido de negativa. Seus suaves, seios deliciosos se balançaram, mas ela estava lá olhando fixamente para ele, seus lábios apertados em uma fina linha.

_Isso não era verdade.

Ele ergueu uma sobrancelha.

_E como você sabe isto? - Seu amor pelas artes escuras era uma lenda

Isso começou quando ele era ainda uma criança.

_Você não é do mal, William. - Palavras simples. Palavras honradas. Ele podia ver a sinceridade em seu rosto, e senti-las em sua voz.

Aquelas palavras simples atravessaram seu coração.

_Existem aqueles que discordariam de Você, - ele disse, cerrando sua mandíbula. Às vezes, quando ele dormia, ele podia ainda ouvir os sussurros dos aldeãos. Ele podia ainda ver o medo e repulsão que enchiam seus olhos.

_Eles me chamavam de bastardo do Diabo. - As palavras escaparam sem sentir.

Ela ofegou, seu rosto empalidecendo.

_Quem disse isto?

Ele se lembrou do pequeno menino com não mais de dez anos de idade. A fúria do velho ferreiro.

_Todo mundo dizia isto. Eles sussurravam, todas às vezes, em que eu passava por eles. Todas as pessoas nas terras de meu pai, achavam que eu fosse amaldiçoado. E eles me odiavam.

_Eu não entendo. - Savannah agitou sua cabeça em confusão.

_Por quê? Por que eles iriam dizer isto sobre você? Por que eles odiariam você?

Ele suspirou.

_Porque eu era filho de meu pai.

A confusão e a descrença encheram o olhar dela.

_Isto é loucura! Seu pai não era o diabo...

Ele levantou sua mão, detendo sua fala.

_Suas histórias estavam erradas, claro. Meu pai não era o Diabo. Embora às vezes ele certamente agisse como se fosse. - Seu pai, era o Barão de Montfort, ele tinha sido um guerreiro cruel, sádico. Ele não teve nenhum lugar em sua vida para a debilidade ou qualquer outro tipo de sentimento. Ele tolerou William. Ele ignorou Geoffrey. E ele menosprezou Henry.

_Meu pai era obcecado com o poder, - William disse a ela.

_Ele queria o controle, absoluto controle de todo mundo e de tudo. Ele era um homem forte. Ele comandou um exército vasto com mão de aço. Ninguém podia ser contrário ao meu pai e sobreviver. Ninguém. Os aldeãos diziam que ele negociou sua alma com o Diabo a fim de conseguir seu poder.

_É verdade? - Savannah perguntou.

_Meu pai nunca teve uma alma. - Suas palavras eram frias, severas.

_Ele nunca se importou com ninguém, certamente não comigo ou com meus irmãos. - Geoffrey cresceu sendo um homem exatamente como nosso pai. Faminto por sangue e poder.

Savannah se sentou, quietamente ela olhava fixo para ele.

Ele começou a acariciar seu braço ligeiramente. Ele não estava nem ciente do gesto.

_Quando eu alcancei minha maturidade, a força de meu pai começou a minguar, e ele odiou isto. -Ele ainda podia ouvir o som dos gritos bravos de seu pai. Ele tinha ficado enfurecido pela traição do seu corpo, pelo início da debilidade em seus membros.

_Ele começou a se desesperar. Ele não podia comandar seus exércitos mais. Ele ficou desesperado.

William suspirou, vendo só o passado.

_Ele não podia aceitar o que estava acontecendo com ele. Então ele começou a buscar o conselho de médicos. - Ele pausou, e então ele disse,

_Bruxas. Videntes.

_O que ele descobriu? - Ela sussurrou.

_Ele descobriu que ele podia viver para sempre. - William lembrava a alegria de seu pai.

_Ele descobriu que ele podia se transformar em um novo ser. Um imortal.

_Seu pai se tornou um vampiro? - Seu choque era claro.

William agitou sua cabeça.

_Não. Você vê, ele não estava certo de como a cerimônia funcionária. Ele procurou outra pessoa que passasse pela mudança, primeiro, por via das dúvidas, caso algo acontecesse, para o caso de seu famoso vidente estar errado.

_Deus Querido, - ela sussurrou.

_Ele fez que você fizesse isto, não é?

Ele movimentou a cabeça, sua mandíbula cerrada. A cicatriz em sua bochecha estava de um branco vívido.

_Ele encarcerou Henry. Ele nunca gostou dele. Ele pensava que Henry fosse fraco. Henry odiava nosso pai. Ele não tolerava o seu mal. Ele não marchava com ele em batalha, e nosso pai viu suas ações como uma traição. Ele me disse que o castigo para traição era morte.

_Ele torturou Henry. O manteve cativo por dias sem meu conhecimento. Então, quando ele estava quase morto, ele o trouxe para mim. Eu estava treinando com meus homens, e ele arrastava o corpo danificado do Henry pelo pátio. Henry estava irreconhecível. Ele me disse que Henry esta morrendo. Que se eu quisesse o salvar, eu teria que buscar uma criatura escura. Um Vampiro. E eu tomaria seu poder.

Ela acariciou sua bochecha suavemente.

_Oh, William. Eu sinto tanto.

Seus olhos soltaram faíscas.

_Eu não preciso de sua piedade, Savannah.

Ela vacilou e soltou sua mão.

Sua mandíbula estava cerrada. Ele soube então que a havia machucado. Mas ele não estava acostumado a ter alguém atencioso com ele; ele nunca teve alguém para confortá-lo.

Ele olhou para ela com um pedido de desculpa mudo. Depois de um momento, ele continuou falando, precisava dizer a história inteira. Finalmente podia dizer a história escura para alguém. Não, ele precisava dizer pra ela.

_Eu segui as instruções do vidente, e achei o vampiro. Era um homem. - Ele agitou Sua cabeça, lembrando de sua primeira visão do vampiro.

_Ele parecia ter apenas dezoito anos. Ele era só um rapaz. Eu lembro que ele tinha o cabelo loiro e olho azul claro. - Olhos tristes. Olhos que viram demais do mundo. Olhos que viram mortes demais.

_Eu disse a ele sobre Henry, disse a ele que tinha que me transformar.

_E ele concordou.

William movimentou a cabeça.

_Ele examinou minha mente e me deu o presente.

Ela lambeu seus lábios.

_E então você retornou para casa.

_Eu retornei ao inferno, - ele suavemente corrigiu.

_Eu retornei para achar o corpo assassinado de meu pai. Geoffrey o matou. O estripou. E deixou seu corpo esperando por mim.

Ela fechou seus olhos.

_E Henry?

_Você leu o diário? Você sabe?

_Não. - Seus ombros erguidos, caíram.

_As anotações terminaram com a morte de seu pai. Na véspera do ano novo. Henry notou que você foi buscar o vampiro, mas ele nunca disse o que aconteceu quando você retornou. - Seus olhos se ergueram, e ela encontrou seu olhar.

_Quando li o diário, eu suspeitei que você tivesses conseguido o presente. Eu somente... soube. - Ela suspirou.

_Eu consegui que minha amiga Mary pesquisasse você. Mary faz maravilhas com computadores. Ela achou uma referência de um homem chamado William Dark em 1101. E então novamente Em 1290. E em 1670... Todas as descrições dos William eram as mesmas.

Ela ergueu sua mão e tocou em sua cicatriz.

_Esta cicatriz. Era mencionada toda vez. Então eu soube, eu soube que você se tornou...

_Um vampiro, - ele suavemente terminou.

Ela movimentou a cabeça.

_Mas eu não soube o que aconteceu com sua família. Com Geoffrey, com Henry...

_Geoffrey descobriu sobre os planos do meu pai, e ele foi à procura do vampiro.

_Ele estava tentando salvar Henry?

_Eu não sei, - William disse. E ele não o fazia. Ele não sabia se o que motivou Geoffrey tinha sido Henry ou se ele só queria o poder de um imortal.

_Geoffrey era sempre duro, cruel. Ele não pensava em nada antes de cortar fora a mão de um camponês que o tocasse. E meu pai encorajava tais atos.

_Por que ele matou seu próprio pai? - Savannah agitou sua cabeça.

_Por que ele faria isto?

_Porque aquele homem não era seu pai. Geoffrey era meu meio-irmão, Savannah. Nós tivemos a mesma mãe, mas nossos pais eram diferentes.

_Quem era seu pai?

Ele levantou da cama e começou a dar voltas em torno do quarto, apenas ciente de sua nudez.

_O irmão de meu pai. Um ano depois que eu nasci, minha mãe ficou grávida com sua criança. Ele matou seu irmão assim que descobriu. Minha mãe morreu de uma febre logo depois que o bebê nasceu. -William sempre pensou secretamente que sua morte era um ato de generosidade de Deus. Ela tinha sido uma guerreira.

_Então seu pai tomou Geoffrey como seu filho?

_Naquele tempo, um homem não podia ter muitos filhos. Todos os homens seguiam seus líderes, os filhos eram importantes para ajudar a guiar seus exércitos. Ele disse ao mundo que Geoffrey era seu, e ele o usou, da mesma maneira que ele usou Henry e eu. - Ele parou, e fixou sua atenção na parede mas era como se não a enxergasse.

_Eu não sei por que Geoffrey finalmente o matou. Talvez fosse por causa do que ele fez para o Henry. Geoffrey sempre pareceu gostar de Henry. Pelo menos do seu próprio, modo doente. Eu penso que o ataque do meu pai fosse á gota que faltava.

_E ele buscou o vampiro. - Ele podia quase ver as informações giravam na mente dela.

_E você retornou para casa. - Ela pausou um pouco, e então ela disse;

_E você achou Henry.

_Henry sabia o que eu me tornei. Eu vi isto em seus olhos. - Ele podia ainda se lembrar do medo que ele havia visto nos olhos do seu irmão.

_Ele tinha apenas que agüentar. Ele fora atacado novamente, e partiu para morrer. Ele estava sufocando em seu sangue. - Ele cerrou seus dentes, querendo terminar de contar à escuridão que era seu passado.

Savannah olhou fixamente para ele, com um conhecimento misterioso em seu olhar esmeralda.

_Você tentou mudar ele de qualquer maneira, não é?

Ele movimentou a cabeça.

_Ele era meu irmão, - ele disse simplesmente, sabendo que ela, melhor que qualquer outra pessoa o entenderia.

_Ele sabia que eu lhe daria o presente escuro. Eu tentei converte-lo, dar a ele meu sangue. E, eu penso que ele começou a se transformar...

_O que aconteceu?

_Nós estávamos sendo atacados. A história da morte do meu pai havia alcançado seus inimigos. Eles invadiram nossa propriedade, matando todo mundo em seu caminho. Cavaleiros, empregados. Não fazia nenhuma diferença. Eles mostraram a minhas pessoas a mesma crueldade que meu pai mostrou muito freqüentemente a eles. - Os gritos ecoavam em sua mente. Ele podia ouvir o som de madeira quebrando. Ver as espadas balançando em direção a ele.

_Os soldados acharam Henry e eu. Eles nos atacaram. Eu lutei contra eles, os matei. Mas quando eu voltei para Henry... - a dor atravessava seu rosto expressivo.

_Ele estava morto.

Ele movimentou a cabeça e suspirou pelas memórias dolorosas. A dor que estava tentando o sufocar.

_Uma das espadas o atingiu no tórax. Havia sangue em todos os lugares. - Ele puxou a espada da parte do tórax que ainda havia de Henry, entorpecido, ele olhava fixamente para baixo no que ainda restava do formato do corpo de seu irmão.

_Eu esperei muito tempo para transformá-lo. Ele morreu, por minha causa.

Ela saltou da cama, soltando o lençol e correndo para o seu lado.

_Não diga isto, William! Não é verdade. Você fez tudo que você podia salvar Henry.

_Se eu só tivesse voltado pra ele mais cedo, se eu o tivesse transformado mais cedo... - O passado tinha assombrado ele por tanto tempo. Se as coisas só tivessem sido diferentes...

Ela agarrou seus braços, forçando ele a girar e a enfrentá-la.

_Escute-me! Não foi sua culpa. Você fez tudo em seu poder para ajudar Henry. Você não pode continuar se culpando pela morte do seu irmão! Você não pode! - Ela pausou então disse suavemente;,

_Henry não culparia você. Não é?

_Geoffrey me culpa.

_O que?

Ele abriu sua boca para responder, mas então a fechou, sentindo a mudança leve na atmosfera.

Um frio de advertência deslizava abaixo em sua espinha. O amanhecer estava vindo.

Ele foi para longe dela, ignorando seu olhar fixo interrogativo ele foi para a estante de livros.

_William? - Savannah olhou fixamente o rosto inexpressivo.

_O que você está fazendo? - Claro que ele não ia jogar uma bomba dessas sobre ela e ir embora!

Ele puxou uma caixa preta da estante superior. Ele abriu a tampa e removeu uma chave de prata, uma chave que era exatamente como a que ele costumava destrancar todas as portas de metal nos túneis.

Ele caminhou de volta para ela.

_Eu quero que você fique com isto, - ele disse.

_Permitirá a você ir e vir quando quiser nos túneis.

Ela tomou a chave dele. Parecia fria, pesada, em sua mão.

_Mas que tal o Geoffrey...

Ele tocou em sua bochecha suavemente.

_Isto é outra história. Uma que terá que ser deixada para outra hora. O amanhecer está vindo. - Ele apontou para a chave.

_Eu quero que você se sinta livre para explorar a casa durante o dia. Nenhum quarto é bloqueado para você. Eu só peço que você fique do lado de dentro. - Seus olhos eram profundos, e penetrantes.

_É mais seguro do lado de dentro.

Ela estava tocada por sua preocupação.

_Eu não partirei, - ela prometeu, enrolando seus dedos ao redor da chave.

_Você estará segura durante o dia, - ele disse a ela.

_Geoffrey terá que descansar então. Ele não será capaz de tocar em você.

_Que tal meus sonhos? - Ela suavemente perguntou, lembrando com um calafrio de apreensão.

_Era durante o dia quando ele entrou em meus sonhos antes.

Ele tocou em sua bochecha. Um suave toque passageiro.

_Eu guardarei você. Agora que você teve a segunda mordida, eu posso me ligar com você. Eu me certificarei que ele não entrará em sua mente.

Ela se sentiu aliviada.

A cabeça de William se ergueu, seus olhos eram fendas.

_O sol está subindo. - Sua voz era cortada.

_Você deve ir.

_Não, eu quero ficar com você. - E ela queria. Ela não queria retornar a um quarto vazio.

Ela queria ficar com William.

Um músculo dobrou ao longo de sua mandíbula.

Ela tocou em seu ombro.

_O que foi?

Ele não olhou para ela.

_Quando o amanhecer vier, a mudança virá.

_A mudança?

Seus dedos cerraram.

_Meu corpo parará. Eu não respirarei. Meu coração não baterá. - Ele finalmente olhou em seu rosto tenso.

_Será como se eu estivesse morto.

_Eu sei o que acontecera quando você dormir, William, - ela disse a ele suavemente.

_Eu sei que você tem que conservar sua força durante as horas da luz do dia. - Ela leu sobre a necessidade do vampiro de quietude completa. O sol era feroz, para uma criatura da noite. Durante o dia, todos os vampiros fecham seus corpos físicos. Suas mentes permanecem fortes, emarado em um mundo de sonho, mas seus corpos eram forçados a ficar imóveis.

_Então você sabe por que você deve partir.

Savannah agitou sua cabeça.

_Não, eu não farei. Eu quero ficar com você. - Ela sabia que estava sendo teimosa, mas ela realmente não se importou. Ela queria provar para ele que ela não tinha medo. Ela podia lidar com tudo isso.

Seus lábios se apertaram contra os dela. Duro. Rápido.

_Então fique. - Seus dedos enrolaram ao redor dos seus.

_Fique comigo pelo amanhecer.

Ela sorriu para ele. E, só por um momento, seus lábios se curvaram em resposta.

Eles deitaram de volta na cama, com os braços enrolados um ao outro.

Era tão bom estar lá com ele. Tão certo.

_Durma, Savannah. - A voz de William era suave. Seus braços eram fortes ao redor dela.

Savannah fechou seus olhos, se sentindo segura, completamente protegida. Ela deslizou nas nevoas do sono com um suspiro gentil. Momentos mais tarde, quando o sol estava nascendo ela já estava no mundo dos sonhos e não sentiu a frieza tensa e súbita do corpo de William contra o seu.

A princípio, seus sonhos foram muito prazerosos. Ela estava com William. Eles estavam dançando debaixo de um céu estrelado. Ela estava tão feliz. Entretanto ele se afastou, e seu corpo pareceu oscilar diante de seus olhos. Ela o agarrou, mas ele desapareceu.

Existiam bosques ao redor dela. Árvores trançadas. Ela correu, procurando por William.

Mas não foi William quem ela achou. No mundo obscuro de seus sonhos, ela viu sua amiga Mary. Seu cabelo preto longo ondulava na brisa, enquanto ela permanecia olhando para baixo, para um rio com corredeiras.

Com os lábios curvados em um sorriso Savannah e ela correram para se alcançar.

Mary avançou, no rio. Um flash de raio iluminou o céu da noite. A água bateu, e Mary tropeçou, caindo em seus joelhos.

Savannah percebeu que a água estava negra. Tão negra quanto à noite.

As ondas famintas pareceram cercar Mary, á puxando mais fundo e mais fundo em seu frio abraço. Savannah correu tão rápido quanto ela podia, desesperada para chegar a Mary. Seus pés nus batiam na terra úmida. Sua respiração era rápida.

Ela continuou. Então quase. Só faltava um pouco mais...

Mary virou seu rosto pálido uma máscara de medo.

Seus braços esticados para Savannah.

E Savannah ouviu o eco de um grito.

 

Meu irmão tem um gosto para a morte.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 11 de dezembro de 1068

 

O sol ainda não havia nascido em Seattle. A escuridão da noite se perpetuava nas ruas vazias da cidade. As sombras da noite o escondiam enquanto ele a observava.

Ele conseguia vê-la claramente pelo vidro fino da janela. Seus cabelos escuros estavam presos em um rabo-de-cavalo frouxo. Seu rosto, tenso de concentração, observava a tela do computador. Seus ombros finos estavam curvados, seus dedos digitando freneticamente no teclado.

Ele tocou o vidro, sentindo a frieza de sua superfície contra sua mão. Ele estava tão perto dela.

Ele inalou profundamente, cheirando o ar da noite. Ele conseguia sentir o cheiro de suor, sangue, e o lânguido odor de folhas queimadas e lixo. Mas ele não conseguia detectar um só rastro dela. Ainda não.

Ela estava esfregando sua testa, obviamente cansada. Ela havia estado naquele computador dela por mais de quatro horas. Ele sabia, pois havia ficado observando, à noite toda. Observando. E esperando.

Ao longo dos anos ele aprendera o valor da paciência. Ele podia esperar eternamente pela sua presa.

Ela havia sido fácil de localizar. Quase fácil demais. Seria ela fácil de matar? Ela gritaria? Ela lutaria com ele?

Ele sempre apreciara uma boa luta. Ele contava que ela não o desapontaria.

Ela se levantou e desligou a máquina. Ele a viu caminhar até o closet e pegar uma jaqueta de couro preta. Ele sorriu, seus dentes brilhando na fraca luz da rua. Ela estava vindo para ele.

Ele se afastou da janela e foi para trás das sombras.

A porta da frente abriu com um barulho suave. Ele ouviu o barulho de suas chaves quando ela cuidadosamente trancou a casa. Ela parecia ser uma coisinha tão cautelosa, trancando suas portas como uma boa menininha. Como se aquilo a fosse salvar.

Ela ficou de costas para ele ao curvar-se sobre a fechadura. Seria tão fácil ir até ela, pegá-la agora. Ela nem sequer saberia o quê aconteceu.

Mas isso não teria a menor graça. Então ele esperou. Em silêncio. Em alerta.

Ela desceu os degraus de pedra, seus sapatos acolchoados não fazendo nenhum ruído no chão de concreto. Quando ela chegou à calçada, ela parou, seu olhar vasculhando a área.

Ele sabia que ela não o veria. Ele já era perito em mascarar sua presença. Ela desceu pela calçada.

Onde ela estava indo tão tarde? Sua mãe nunca havia lhe dito que a noite podia ser perigosa?

Ele deslizou atrás dela, sentindo seu cheiro. Ele podia cheirar seu xampu. O lembrava de maçãs. Ele sempre gostou de maçãs.

Ela ainda estava segurando suas chaves. Elas estavam presas entre seus dedos. Ele quase sorriu ao ver sua arma lamentável. Ele podia ouvir seu coração, batendo ferozmente em seu peito, e ele quase conseguia sentir o gosto de seu sangue, fluindo voluptuosamente por suas veias. Doce, doce sangue. Oh, como ele amava o gosto...

Ele deslizou para mais perto, seguindo-a por poucos centímetros.

Ela nunca se virou. A rua estava completamente vazia. Todas as casas estavam às escuras.

Ninguém podia vê-la. Ou a ele. Ele esticou o braço, tocando em seu pescoço suavemente.

Ela gritou e avançou, tentando arranhá-lo com suas chaves.

Ele riu quando as chaves cortaram seu rosto.

Seus braços a envolveram, puxando-a contra si. Ele tomou as chaves dela e jogou-as no chão.

_Oi, linda, - ele sussurrou, seu olhos vermelhos feito sangue.

_Eu estava esperando por você.

Seus olhos se arregalaram num reconhecimento horrorizado. Ela abriu sua boca para gritar novamente.

Ele tampou sua boca com a mão.

_Shhh, amor. Nós não queremos acordar os vizinhos, não é? - Ele sorriu, a deixando ver seus dentes.

Ele conseguia sentir o aroma rico, inebriante de seu medo. Ele adorava o gosto de medo.

_Fique quieta, amor. - Ele lambeu seu pescoço e a sentiu tremer.

Lágrimas escorriam dos cantos de seus olhos. Ele sempre odiara lágrimas de mulher. Elas eram fracas. Inúteis.

_Você está com medo de morrer? - Ele perguntou a ela, sua voz suave.

Ele sentiu seu aceno lento com a cabeça.

_É uma pena, - ele murmurou. E ele afundou seus dentes em sua garganta.

 

_Mary! - Savannah acordou assustada, com seu coração batendo forte. Ela havia visto sua amiga tão claramente, lutando nas águas escuras do rio. Gritando. Pedindo sua ajuda.

Um nó gelado de pavor formou-se na boca de seu estômago. Algo estava errado. Terrivelmente errado.

Ao seu lado, o corpo de William estava assustadoramente quieto. Ela o tocou, seus dedos tocando levemente seus ombros nus. Sua pele estava tão fria, e ele não estava respirando. Ele não estava se movendo.

_William?

Ele não respondeu, entretanto, ela realmente não esperava que ele respondesse. Ele não iria, não poderia, se levantar até o pôr-do-sol.

O medo era crescente dentro dela. Ela estava morrendo de medo de que algo tivesse acontecido com Mary.

Ela saiu da cama, perguntando-se que horas seriam. Quanto tempo ela havia dormido? Por quanto tempo ela havia sonhado com um rio negro que se agitava com ódio?

Ela colocou uma roupa e pegou sua chave. Ela precisava ligar para Mary. Ela precisava ter a certeza de que sua amiga estava bem.

Ela correu pelos túneis e subiu os degraus. Suas pernas queimavam, mas ela se forçava, movendo-se o mais rápido que conseguia. Ela entrou repentinamente na cozinha e atravessou o cômodo correndo. Ela fez a porta abrir com um empurrão forte de sua mão e pôs-se a correr pelo corredor, seus pés descalços martelando o chão frio de madeira. Ela agarrou o telefone e discou rapidamente o número do apartamento de Mary.

O telefone tocou. Uma. Duas vezes.

Savannah começou a rezar.

Três vezes. Mary normalmente respondia seu telefone no segundo toque. Ela sempre dissera que não conseguia esperar pra descobrir quem estava ligando.

Quatro toques. Ainda sem nenhuma resposta.

A mão de Savannah se tornou escorregadia ao redor do fone. Por que, Mary não estava respondendo? Onde ela estava?

_Alô? - A voz era feminina, suave e rouca.

Os joelhos de Savannah cederam.

_Mary?

_Não. - Um suspiro fundo.

_Mary está no hospital.

No hospital? O quarto pareceu girar. Savannah deslizou para o chão, segurando o telefone com toda a sua força. Ela reconheceu a voz da companheira de quarto de Mary.

_Sarah, é Savannah. Mary está bem? O quê aconteceu?

Houve uma hesitação tensa.

_Ela não está bem, Savannah. Os médicos não acreditam que ela consiga sair dessa.

Savannah podia ouvir a dor na voz de Sarah.

_O quê aconteceu? - Ela se sentia dormente.

_Ela sofreu um acidente de carro. Eles a encontraram no final da rua. Ela bateu de frente com uma árvore, - Sarah disse.

_Foi logo antes do amanhecer. Que diabos ela estava fazendo na rua á essa hora? Por que ela estava dirigindo? - Lágrimas embargavam sua voz.

Os lábios de Savannah tremeram.

_Em que hospital ela está?

_Mercy’s Heart. Olhe, Savannah, se você quiser ver a Mary, é melhor que você venha para cá rápido. Eu não acho que ela vá durar muito tempo.

É melhor que você venha para cá rápido.

_Eu- eu não posso. Eu não posso deixar... - Ela havia prometido a William. Eu só peço que você permaneça do lado de dentro. Suas palavras ecoaram em sua mente. É mais seguro do lado de dentro.

_Você tem que vir. - A voz de Sarah era urgente.

_Ela... ela está morrendo. Os médicos dizem que é uma questão de dias, talvez horas.

Uma lágrima escorreu pela bochecha de Savannah. Mary não. Meu Deus, não, a Mary não.

_Savannah? Você está aí?

_Sim. - Um sussurro.

_Você tem que vir. Você precisa vê-la antes, antes...

Antes de ser muito tarde. Antes que ela morra.

_Eu estarei aí. - Não havia escolha.

_Eu estarei aí assim que eu puder, - Savannah disse com sua voz rouca. William entenderia. Ele saberia que ela teve que ir, que ela teve que ir ver a Mary.

Oh, Deus, Mary.

Ela engoliu em seco, sentindo o gosto de lágrimas e dor. Nada a impediria de ver Mary novamente.

Nada.

 

William sentiu sua dor. Ela batia contra ele, martelando em sua mente.

Ele tentou alcançá-la, tocá-la, mas ele só encontrou o vazio.

Ele podia ouvir sua voz. Ouvir suas lágrimas.

O que estava errado? O que havia acontecido?

Savannah. O grito ecoou em sua mente.

 

Savannah mal registrou o carro descendo a montanha. A corrida frenética pelo aeroporto nada mais era que uma fraca lembrança. Ao se sentar no avião, olhando para fora da janela para a vasta faixa de terra abaixo, ela só conseguia se lembrar de Mary. Sua amiga querida. Sua melhor amiga.

Por quê? Por que Mary tinha se machucado? Teria sido um simples acidente? Por que Mary estava fora de casa tão tarde? O que ela estava fazendo? Algo não estava certo. Savannah podia sentir. Estava faltando alguma coisa nessa história. Nessa história de “acidente” de Mary.

Será que Geoffrey havia ido atrás da Mary? Ele era o culpado pelos machucados dela? A culpa quase sufocava Savannah ao pensar isso. Ela havia levado o assassino até a porta da frente da sua amiga?

Ela rezou para que Mary ainda estivesse viva. Que ela se recuperasse. Ela rezou e implorou, torcendo para Deus ouvir às suas preces desesperadas. Seus dedos estavam firmemente apertados. Seus ombros curvaram-se à frente. Suas têmporas latejavam em um ritmo constante, forte. Ela estava apavorada.

Com os quilômetros passando depressa, um pensamento fugaz passou por sua mente. Ela desejava que William estivesse com ela.

 

William despertou e se viu sozinho na cama.

Ele sabia que Savannah se fora antes mesmo de respirar pela primeira vez. Ele podia sentir sua ausência. Sentir o vazio da casa.

E ele podia sentir os ecos de sua dor.

Algo havia acontecido. Algo que a forçara a deixar a segurança de sua casa.

Seu coração se contraiu. Ela estava lá fora, na noite. Sozinha. Geoffrey estaria esperando por ela. Esperando pela sua matança perfeita.

Ele atravessou os túneis, alcançando o primeiro nível da casa em questão de segundos. Todo o seu foco estava em Savannah. Ele precisava chegar a ela. Ele precisava achá-la. Antes de ser tarde demais.

Ele foi até seu quarto. Ele sabia que ela não estaria lá, mas ele se viu obrigado a subir o estreito lance de escadas e correr em direção ao quarto escuro. Ele tinha que ver por si mesmo. Ele tinha que ver...

O quarto estava vazio. Mas ele ainda conseguia sentir o cheiro dela. O cheiro fraco de lavanda permanecia nos lençóis, nos travesseiros.

Ele não se preocupou em acender uma luz. Ele podia enxergar tão bem no escuro quanto na luz. Havia um recado em cima da cama, escorado ligeiramente contra o travesseiro. Era pequeno, resumido, apavorante.

“Eu sinto muito, William. Eu preciso voltar para Seattle. Minha amiga Mary sofreu um acidente terrível. Eu preciso vê-la. Não se preocupe comigo. Eu ficarei em segurança. E vou voltar assim que puder. Eu prometo.” - Ela não havia assinado o recado, ela não precisava.

Ele amassou a carta em seu punho. Ela não voltaria. Não se Geoffrey conseguisse o que ele queria. Ele tinha certeza de que Savannah estava se dirigindo para uma armadilha. Geoffrey havia atacado sua amiga para poder fazê-la sair do esconderijo. Era uma tática que seu irmão havia usado novecentos anos antes. Havia funcionado na época, e William estava com muito medo de que funcionasse agora.

Ele precisava chegar até Savannah antes que Geoffrey o fizesse.

Ele abriu as portas da sacada de supetão com um simples gesto de sua mão e saiu correndo pela noite. Ele saltou alto no ar, seu corpo mudando, se transformando. Ele possuía muitos dons obscuros.

E ele usaria todos para salvar Savannah.

O homem desapareceu. Em seu lugar, um grande, ameaçador falcão alçou vôo. Ele a encontraria. Não havia outra escolha.

Savannah.

 

Ela odiava hospitais. Odiava os cheiros, os sons, e a brancura opressiva dos quartos. Hospitais eram locais de morte e desespero impessoais, severos. Ela havia passado boa parte de sua vida confinada entre as paredes de hospitais. Ela torcera por nunca mais ter que atravessar as portas de vidro corrediças novamente.

Ela não conseguia acreditar que Mary estava aqui. Que ela pudesse estar morrendo. Não a Mary. Ela era muito forte. Muito boa.

Sua amiga estava na unidade de tratamento intensivo. Seu corpo estava ligado a inúmeros tubos e máquinas diferentes. Sons constantes saíam dos aparelhos. As visitas não deveriam estar no quarto com ela. Mas Savannah conhecia a enfermeira do turno, das suas muitas visitas ao Mercy’s Heart. Patty O’Connor era uma mulher doce, tipo maternal de cinqüenta e tantos anos, que havia cuidado muito bem de Savannah durante sua longa estadia no hospital. Ela e Patty tornaram-se amigas durante aquelas longas horas. Patty havia concordado em deixar Savannah entrar furtivamente e visitar Mary, mas ela havia dito que ela só poderia ficar por alguns momentos.

Lágrimas nublaram seus olhos ao olhar para sua amiga. O rosto de Mary estava coberto de cortes e machucados. Ambas as pernas estavam quebradas. Patty havia dito que sua amiga também havia sofrido uma concussão, duas costelas quebradas, e teve a pélvis esmagada. Seu pulmão esquerdo havia sido perfurado. Quando os paramédicos chegaram até Mary, seu pulmão já havia começado a se encher de líquidos.

Mary perdera muito sangue. Muito mesmo. Os médicos haviam bombeado freneticamente o precioso líquido de volta para seu corpo. Era verdadeiramente um milagre que ela ainda estivesse viva. Infelizmente, os médicos não estavam certos de quanto tempo mais ela agüentaria.

Savannah segurou a mão de Mary nas suas, seus dedos acariciando ligeiramente seu dorso.

_Mary, é Savannah. - Ela engoliu, tentando remover o nó presente em sua garganta.

_Você pode me ouvir? - Não houve resposta. As máquinas continuaram a apitar. Os líquidos continuavam a alimentar o corpo de Mary.

_Por favor, Mary. Você precisa lutar. Você não pode me deixar agora. Você não pode. - Mas ao olhar o rosto pálido de Mary, ela estava desesperadamente com medo de que Mary iria, realmente, deixá-la logo.

Seus dedos se apertaram ao redor dos de Mary.

_Quantas vezes você segurou a minha mão quando eu estava em uma cama de hospital? Quantas vezes você me falou que eu não podia desistir? Você se lembra disso, Mary? Você e Mark. Vocês dois ficavam me dizendo para não desistir. Você me disse para lutar. - Lágrimas encheram seus olhos.

_Bem, agora eu estou dizendo a você. Você precisa lutar Mary. Você precisa viver!

As pestanas de Mary tremeram um pouco? Savannah continuou a falar, sua voz com uma intensidade febril.

_Você pode me ouvir, não é, Mary? Eu sei que você pode. Fique comigo, Mary. Fique comigo! Eu sei que você está cansada e que você está com dor, e tudo o que você quer fazer é abrir mão e fazer a dor parar. Eu sei, porque eu já estive aí. Tudo o que eu queria era fechar meus olhos e fazer tudo parar. Mas eu não fiz. Eu continuei lutando. Eu quis viver. E você quer viver, também. Eu sei você quer. Você quer se casar. Ter filhos. Criançinhas fofas que você pode ensinar a hackear computadores. Você quer ir para a Espanha. Você quer correr com os touros. Você quer fazer tanta coisa. Mas se você não lutar, você não poderá fazer nada.

Ela sentiu os dedos de Mary, se mexerem contra os dela.

Savannah se debruçou, esperança iluminando seu rosto.

_Mary?

E então ela viu. Dois furos minúsculos no lado esquerdo da garganta de Mary. Muito pouco visíveis, eles passariam despercebidos pela maioria das pessoas.

Mas Savannah possuía marcas semelhantes em seu próprio pescoço. Ela sabia o que aquelas marcas representavam, o que elas eram...

Uma onda de náusea passou por ela.

_Meu Deus, - ela sussurrou com seu rosto repleto de horror.

Não tinha sido um acidente. Não tinha como ter sido. Não com aquelas marcas. Geoffrey havia feito isso; Ele havia atacado Mary.

As pálpebras de Mary se abriram. Ela gemeu, o som era áspero e cheio de medo.

_Está tudo bem, Mary. Eu estou aqui. - Savannah tentou acalmá-la.

Mary começou a se debater na cama, seus braços se ergueram, tentando se livrar das amarras que a seguravam. Seu soro voou pelo quarto. Sangue começou a escorrer pelo seu braço.

_Não! Pare! Você vai se machucar! - Savannah apertou freneticamente o botão do telefone.

Os lábios de Mary tremiam. Ela tentou falar, mas um gemido emergiu de seus lábios.

Patty entrou correndo no quarto. Seus olhos se arregalaram quando ela se apressou para chegar até a cama, puxando os braços de Mary para baixo e prendendo-os com o velcro das amarras. Mary lutava contra o confinamento, seus olhos imensos e cheios de lágrima. Outro gemido longo passou através de seus lábios.

_Você precisa partir, - Patty disse enquanto empurrava o botão do telefone e exigia que o médico fosse chamado.

Mary começou a gemer. Sua cabeça não parava quieta.

_Acalme-se, - Patty disse a ela.

_Você está segura. Você esteve em um acidente, mas nós estamos cuidando de você agora. Tudo vai estar certo, Sra. Todd. - Ela começou a inserir outra agulha intravenosa no dorso da mão de Mary.

Savannah deu um passo para longe da cama.

O médico, um homem mais velho com cabelos grisalhos e óculos com bordas de chifre, apareceu na porta. Ele deu uma olhada rápida, imediatamente avaliando a situação.

_Morfina, agora, - ele ordenou.

Uma enfermeira passou correndo por detrás ele, uma agulha grande em suas mãos.

_D-d-d-d... - os dentes de Mary se travaram e frustração passou através de seu rosto.

_Você precisa partir, - o médico disse a Savannah.

As máquinas apitaram mais rápido, mais alto.

O olhar repleto de dor de Mary se fechou em Savannah.

_D-d-d-dia...

_Agora, senhorita! - O tom do médico era severo.

Uma enfermeira agarrou o braço de Savannah.

_Eu voltarei, - ela prometeu a Mary. Ela odiava ter que sair. Ela queria ficar, para ter certeza de que Mary estava bem.

_Você precisa vir comigo, - a enfermeira insistiu.

_D-d-diabo! - Mary gritou, seu rosto deformado de medo.

_O d-d-diabo d-d-disse que e-está vindo para v-você!

Todo mundo parou.

_O quê? - A voz de Savannah era um sussurro inaudível.

_E-ele está v-vindo. E-esteja p-preparada. - Os olhos de Mary se fecharam abruptamente e seu corpo caiu para trás, mole, sobre os lençóis.

Patty fez o sinal da cruz.

_Mary? - Savannah deu um passo à frente, livrando-se das garras da enfermeira.

_Mary!

As máquinas apitavam lentas e constantes, no quarto silencioso.

O médico se debruçou sobre a cama, cuidadosamente verificando se Mary estava bem.

_Ela vai sair dessa? - Savannah perguntou, quase engasgando com o medo.

O médico se levantou lentamente.

_Eu não sei.

Savannah apertou os lábios firmemente para controlar seu tremor.

_Do que ela estava falando? - Patty sussurrou, dando um passo rápido para longe da cama.

_O diabo...

O médico a recriminou.

_Ela estava delirando. Você sabe como pacientes ficam...

Não, Mary não estava delirando. O bom doutor estava muito, muito errado. O diabo tido atacado Mary, e agora, ele estava planejando vir atrás de Savannah.

Savannah olhou fixamente para o corpo inerte de Mary. Coitada da Mary. O que ela deve ter passado!

_Ela vai sair dessa? - Ela perguntou novamente.

O médico passou uma mão cansada sobre o rosto.

_Talvez. - Ele balançou a cabeça.

_Eu só não sei. É difícil dizer com certeza em um caso como este, e eu não quero dar a você falsas esperanças. - Ele suspirou.

_Ela está sendo muito bem cuidada. Nós faremos tudo que pudermos para fazê-la dar a volta por cima.

Savannah assentiu. Ela olhou novamente para o rosto pálido de sua amiga.

_Você tem que partir senhorita. Ela precisa descansar.

Savannah se debruçou e beijou a bochecha de Mary.

_Lute, Mary. Lute por mim. - Lute contra o Diabo que persegue você.

Ela deu um passo atrás, olhando o rosto pálido de sua amiga por mais um momento. Então ela se virou, e caminhou lentamente para fora do quarto.

Ao andar pelo longo corredor do hospital, ela podia ouvir os outros pacientes e as enfermeiras conversando. Ela podia ouvir o murmúrio fraco de suas vozes. As pessoas passavam por ela como um borrão. Ela fixou o olhar no chão branco brilhante, movendo-se pelo hospital completamente de memória.

As palavras de Mary ecoavam em sua mente. Savannah sabia que o diabo mencionado por sua amiga era Geoffrey. Ele estava vindo atrás dela. E ela tinha medo de que não seria forte o suficiente para derrotá-lo.

Seus passos eram lentos, ocos. Sua cabeça latejava. Ela ignorou a dor, ignorou o coro de vozes e aparelhos. Ela continuou andando. Lentamente, continuamente.

Ao descer de elevador até o primeiro andar, ela encarou seu reflexo no vidro, perguntando-se quem era a mulher de aparência frágil diante de si. Seus olhos eram afundados, vítreos. Sua pele, branca feito giz. Ela ergueu uma mão, guiada por algum impulso estranho de tocar em sua imagem, a fim de confortar a mulher triste que estava em sua frente.

O elevador apitou e a porta abriu. Ela se esqueceu da mulher triste que ficara diante dela, e caminhou em direção à pequena capela. Ela sempre havia ido para a capela quando precisava de força. Quando precisava de esperança.

Ela empurrou a porta de madeira e deu um passo para dentro. A capela estava vazia. Cruzes elaboradas de ouro estavam penduradas em todas as paredes, e vários bancos cobertos com panos estavam arrumados no centro do cômodo.

Ela caminhou em direção ao altar, olhando com olhos arregalados para a imagem de Jesus em sua crucificação. Ela caiu de joelhos, fechando seus olhos.

_Por favor, Deus, - ela implorou - Ajude a Mary. Dê-lhe força.

Um vento gelado soprou pela capela. As cruzes balançaram.

Os olhos de Savannah se ergueram. Uma risada suave soou atrás ela, e ela parou de respirar.

_Mulher tola, - ele disse, sua voz tinha um sotaque maligno.

_Nem o seu Deus pode ajudar você.

Ela reconheceu sua voz. A voz que assombrava seus sonhos, seus pesadelos.

Ela se levantou sobre pernas que tremiam e respirou fundo. Ela não o deixaria ver seu medo.

Ela não deixaria. Ela se virou lentamente, juntando sua força, sua coragem.

A porta da capela estava aberta, e ele estava de pé no limiar deste lugar santo, escondido nas sombras. Ela não conseguia ver seu rosto. Apenas o contorno de seu corpo. Alto, forte. Mortal.

_Afaste-se de mim, - ela ordenou, erguendo seu queixo.

Ele riu novamente.

_Humana tola. O que faz que você pensar que é você que eu quero?

Sobre o que ele estava falando? Claro que era ela que ele queria. Quem mais ele iria querer? Oh, Deus, Mary!

_Eu sei onde ela está, - ele sussurrou.

_Querida Mary. Uma mulher... tão doce.

Não, não... não podia deixá-lo chegar até Mary. Ela olhou em volta por toda a capela. Ela precisava de uma arma, algo...

_Ela era tão doce. Tão pura. Eu acho que vou ter que a provar de novo...

Ela agarrou uma das cruzes pesadas de madeira da parede.

_Afaste-se dela! - Seus dedos se contraíram em torno da cruz e ela deu um passo à frente.

_Ela está acima de nós, não é? Talvez eu dê uma subida e a veja novamente. Só pra não perder o costume.

_Eu disse pra você ficar longe dela! - Savannah rosnou, esforçando-se para vê-lo nas sombras.

_Me obrigue, - ele a provocou, sua voz um ronronar.

Savannah avançou, balançando a cruz na sua frente.

Num instante, ele desapareceu, deixando o eco de sua risada obscena preencher a capela.

 

Quando eu olho em seus olhos, eu só vejo o mal.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 13 de dezembro de 1068

 

Ela advertiu o pessoal do hospital. Ela disse a eles que vida da Mary estava em perigo, ela precisava de supervisão constante. Eles chamaram dois guardas extras, e eles prometeram a Savannah que Mary estaria segura.

Ela não disse a eles que o homem que estava atrás de Mary não era exatamente humano. Eles não teriam acreditado nela se ela dissesse que um vampiro queria matar sua amiga.

Então, ela mentiu. Ela disse a eles que o ex-namorado de Mary estava no hospital e que ele havia confessado tê-la atacado. Depois disto, tinha sido fácil organizar a proteção para Mary.

Uma vez que ela estava certa de que Mary estava segura, Savannah procurou os níveis superiores do hospital. Ela não achava que Geoffrey partiria, que ele só desistiria e decidiria partir. Não, ela sabia que ele ainda estava lá, esperando por ela.

Ela não conseguia encontrá-lo. Ela olhou, em todos os quartos e em todos os armários. Ela odiava a idéia de que ele estava lá, esperando pelo momento perfeito para atacar. Possivelmente para matar Mary.

Ela tinha que tira-lo de lá. Atraí-lo para longe do hospital. Mary precisava de tempo para se recuperar.

Ela não poderia sobreviver a outro ataque dele. Ela tinha que levá-lo embora. Ela tinha que proteger Mary.

Ela abriu a porta para as escadas. Só dois vãos permaneciam entre ela e a garagem. Uma luz vermelha iluminou a pequena área. Ela correu para baixo das escadas, querendo sair mais rápido que podia. Ela distraidamente esfregou seu testa. Sua cabeça tinha latejado desde o momento que ela entrou no hospital. Desejou ela que não tivesse deixado suas pílulas com William.

Ela desceu três etapas e, de repente, o mundo pareceu rodar à sua frente. Ela agarrou a grade de ferro, segurando firmemente. Ela viu um clarão breve, e então escuridão a cercou.

Ela fechou seus olhos e ouviu o som de seu coração batendo. Ele a achou? Era ele que estava fazendo isso com ela?

Ela contou até dez e abriu seus olhos. A escuridão se foi. Ela mais uma vez viu o brilho vermelho da luz e os escadas de concreto.

Ela começou a descer a escada, não tirando seu braço da grade. Ela não sabia o que tinha acontecido, mas ela não quis arriscar. Felizmente, ela só teve que descer mais um vão para chegar à garagem.

Ela pegaria seu jipe e dirigiria tão longe e mais rápido possível. Ela sabia que ele a seguiria. E Mary estaria segura.

A escada terminava em frente de uma porta vermelha. Ela empurrou a porta aberta, apressando pela garagem.

Ela podia ver seu jipe parado do outro lado, logo abaixo da câmera de segurança. Por todo o local, lâmpadas fluorescentes tremulavam levemente no teto, lançando sombras sobre o pavimento.

Ninguém mais estava na grande garagem. Nenhum visitante, nem mesmo um guarda de segurança.

Ela tinha que se apressar. Ela tinha que fugir. Antes dele...

Existia um homem de pé ao lado de seu jipe.

Ela não podia ver seu rosto. Só seu corpo. E seu cabelo. Cabelo longo, amarrado atrás da nuca. Ele avançou, na luz, e ela ofegou atordoada. Ele tinha o cabelo de William. O rosto de William. Os olhos de William. Suas bochechas. Sua boca sensual.

Ele poderia ter sido William, mas havia apenas um detalhe pequeno. O homem diante dela não tinha a cicatriz que cortava a bochecha de William.

Ele é meu meio-irmão. A memória de palavras ditas por William surgiu em sua mente. Irmão.

Os dois homens poderiam ter sido gêmeos.

Ele sorriu para ela.

_Oi, Savannah. Eu sabia que você viria. - Ele esfregou o rosto levemente.

_O caro William não disse a você sobre a semelhança? - Ele avançou em sua direção como o caçador que era.

Em suas visões, seu rosto sempre tinha sido encoberto pela escuridão. Ela nunca o conhecera, nunca tinha sonhado que ele pareceria com o rosto de seu amante.

_Eu disse que nós somos muito parecidos, - ele murmurou. Suas unhas prolongadas em garras como navalha afiada.

Suas palavras estalavam em Savannah, em choque.

_Você não é nada parecido. Você é um assassino, um monstro! William é...

Seu rosto ficou tenso.

_O que é ele? - Ele estalou.

Bom. A palavra sussurrou por sua mente. Decente. Forte.

_Algo que você nunca será, - ela disse ao invés.

_Algo que você não pode nem entender.

Ele saltou para frente, seus braços estendidos. Seus dedos pareciam facas.

Savannah manteve sua posição. Esperando por ele, esperando o momento perfeito. Ela podia ver seus dentes longos, afiados. Via o vermelho de seus olhos. Via sua ira. Ela deslizou sua mão em seu bolso. Só um momento mais longo...

Agora!

Ela arrancou sua mão. Seus dedos estavam embrulhados ao redor um pequeno bastão. Ela apontou para seus olhos, aqueles vermelhos, ardentes olhos...

Ele uivou em ira e dor. Suas mãos caíram longe dela e moveram para cobrir seus olhos queimados.

Ela não ficou perto e esperou por ele se recuperar. Ela correu para seu jipe. Se ela pudesse entrar e fechar as portas, ela poderia ser capaz de fugir.

_Você pagará por isto, - ele rosnou atrás dela.

Seus dedos se atrapalharam, soltando o bastão enquanto ela procurava desesperadamente pelas chaves escondidas dentro de sua bolsa. Ela ouviu seus passos, batendo no concreto depois dela. Onde estavam aquelas malditas chaves?

Seus dedos se enrolados ao redor delas. Ela as puxou, soltando sua bolsa à medida que fugia. Somente alguns metros...

Ele a agarrou por trás, girando em torno dela e a empurrando contra a parte de trás seu Jipe.

Ela trouxe as chaves para cima, apontando para seus olhos feridos. Ela não iria deixar que ele a levasse sem uma briga! Ela bateu com toda a sua força.

Seu braço levantado, bateu em seu pulso. Ela rebateu, atacando com as chaves. Ela perdeu seu olho por uma polegada. Mas ela deixou uma trilha sangrenta abaixo de sua face esquerda.

_Sua cadela! - Seus dedos fecharam ao redor de seu pulso, apertando ossos e músculos. Ela ouviu um estalo. Estalo revoltante. As chaves deslizaram de seus dedos e caíram de repente sem energia para o chão.

O sangue gotejava abaixo de sua bochecha. Ele puxou seu pulso, o segurando acima de sua cabeça.

Ela bateu nele com sua mão livre, batendo contra seu tórax, seu pescoço. Ele riu curvando sua cabeça em direção a dela.

_Eu adoro uma boa luta, - ele sussurrou, pressionando seus lábios contra os dela.

Ela podia saborear o sangue. Dele, dela, ela não soube. Ela torceu a cabeça para trás, sentindo o metal frio atrás dela. Ela o chutou, repetidas vezes, usando seus sapatos para bater em suas canelas.

Ele nem sequer parecia sentir os golpes. Ele puxou-a para frente e capturou sua mão livre. Torcendo ambos os braços por trás dela, ele segurou sem esforço com uma mão de aço. Ele a forçou a voltar para o canto escuro da garagem. Ela se esforçou, lutando contra ele, contra sua força esmagadora.

Ele era implacável. Em segundos, ele a apertou contra a parede de tijolos frios da garagem. Suas pernas empurraram entre as suas, deixando seu corpo aberto, impotente. Ela não podia chutá-lo. Ela não podia bater nele, então ela abriu sua boca e gritou tão alto quanto ela podia.

Sua mão se apertou sobre sua boca, apertando seus lábios contra seus dentes. Desta vez ela sabia que o sangue que ela saboreava era seu.

Ela olhou fixamente para ele, o ódio a consumindo. Este era o animal que havia assassinado seu irmão. Matado Sharon. E atacado Mary. Seu corpo tremia de raiva.

Ele sorriu.

_Eu esperei muito tempo por você, - ele sussurrou, inclinando para frente e lambendo a pele de seu pescoço.

Ela tentou dar empurrão para trás, mas só bateu a cabeça na parede. Ele riu de seus esforços, obviamente apreciando a emoção da luta. Ele começou a acariciar seu pescoço, mordendo ligeiramente.

Ele inalou profundamente, bebendo seu perfume.

Puxando-a para trás, ele olhou para ela com olhos que brilhavam.

_Eu posso sentir o seu cheiro dele em você, - ele a agarrou.

_Ele está por toda parte em você.

Sua mão esquerda ainda estava apertada firmemente ao redor seus pulsos. Levantou sua mão direita e bloqueou ao redor sua garganta. Seu agarre apertado. Ela ofegou, lutando por ar.

_Você é amante do meu irmão, - ele murmurou, olhando fixamente para ela com desgosto.

_Como eu apreciarei matar você...

Ela sacudiu a cabeça para frente, pegando-o no queixo. Ele praguejou, mas seu aperto nunca vacilou.

Lágrimas inundaram seus olhos. Sua cabeça latejava, martelando. Dor irradiada a partir de sua fronte em uma pressa ofuscante. Ela não podia respirar. Sua garganta queimava. Seus pulmões doíam. Ele iria matá-la.

William! O grito ecoou em sua mente. Ele estava certo. Ela não era forte suficiente para derrotar Geoffrey. Ela não era forte suficiente para matar o monstro. E agora, ela morreria.

Ela desejou que tivesse a chance de dizer adeus a William. William. Seu cavaleiro escuro.

A cabeça de Geoffrey se levantou e seu nariz chamejou. Ele se endireitou, girando em torno para esquadrinhar a garagem escura.

Savannah caiu para o chão, aterrissando com um baque. Ela ofegou, desesperadamente tentando tomar seu oxigênio precioso.

Geoffrey andou para frente, abaixando-se. Ela se colocou em seus joelhos, empurrando para cima com suas mãos. Ela sabia que seu pulso estava quebrado, ela podia ver o osso que empurrava para fora, em um ângulo estranho. Ela tragou. Não importava. A dor não importava. Ela tinha que bloquear isto. Ela tinha que lutar.

Geoffrey estava de costas para ela. Ela podia dizer que ele a estava procurando na garagem, usando os seus sentidos afiados para caçar.

Ele obviamente estava esperando por alguém. Para outra matança.

Ela não podia deixá-lo fazer isto. Ela não podia aguardar enquanto ele assassinava outra pessoa.

Ela saltou para frente, jogando seu corpo contra suas costas. Ele rosnou, girando.

Com uma onda quase casual de sua mão, ele atirou as costas contra a parede.

Ela deslizou devagar até o chão. O martelar em sua cabeça intensificado.

Ele perseguindo em direção a ela.

William. Seu nome era um sussurro que nunca deslizou por seus lábios, um grito que ecoava em sua mente.

Geoffrey inclinou-se e a puxou para seus pés. Seus dedos emaranhados em seu cabelo, empurrando a cabeça para trás e expondo sua garganta.

_Você tem medo de morrer? - Ele suavemente perguntou.

Ela olhou fixamente em seus olhos e viu sua morte.

_Não, - ela murmurou, sabendo que sua hora chegara. Ela não tinha medo de morrer. Por anos ela viveu com o espectro horrendo da morte assomando sobre ela. Ela não se importava de morrer. E ela certamente não temia a morte.

Mas ela estava brava, ferozmente e completamente enfurecida, que seu irmão não seria vingado e William seria forçado a matar seu irmão sozinho.

Sua resposta pareceu pegar Geoffrey fora de guarda. Ele parou, olhando fixamente em seus olhos.

Ela tragou, saboreando morte.

_Você não teme?

Seus olhos se estreitaram com ira. Ele abriu sua boca, expondo suas longas e afiadas presas. Ele as abaixou em direção a sua garganta.

Ela sentiu seus dentes rasparem contra sua garganta. No mesmo instante, uma rajada de fogo e dor pareceu explodir dentro de sua mente. Ela queimava, sua mente um turbilhão de agonia.

Uma bola de luz relampejou ante seus olhos. E então ela viu só escuridão.

Ela não sentiu seus dentes quando eles afundaram em sua garganta. Ela não sentiu o pulso latejante, ou a dor de seus membros contundidos e danificados.

Toda a dor desapareceu na escuridão envolvente.

Seu corpo caiu inerte, pendurado fraco nos braços do Geoffrey.

E da mesma maneira que ela deslizou no abismo, ela ouviu a voz de seu irmão. Ela ouvia Mark chamar seu nome.

 

_Savannah! - William entrou repentinamente na garagem, o medo quase o oprimindo. Com cada segundo que passava, podia sentir Savannah escapando dele. Ele a sentiu no momento que alcançou Seattle. Sentiu as ondas de dor e medo que a envolveram.

Sentiu o toque fresco da morte embrulhando ao redor dela.

Savannah não tinha muito tempo. Seu corpo estava se rebelando contra ela, recusando-se a continuar lutando.

Quando ele correu para a garagem, ele podia sentir seu irmão. Ele sentiu a ira doente, torcida, agarrada em Geoffrey como um manto.

Mas, como uma luz sendo desligada, ele não podia mais sentir Savannah. Nem o seu calor.

Nem seu espírito. Nem mesmo um chamejar da dor que parecia a assombrar sempre.

Ele simplesmente não podia senti-la. E isso o apavorou.

O odor de sangue provocou suas narinas. O cheiro lânguido de lavanda atormentou sua alma.

Ele viu Geoffrey, seus braços em volta de Savannah, sua boca em sua garganta.

William rosnou de raiva, lançando-se em seu irmão.

Geoffrey girou, sentindo o ataque. Ele soltou corpo do Savannah para o chão e saltou em William.

Eles se encontraram, olhos vermelhos e dentes relampejando, em um emaranhado de pernas e ódio. As garras de Geoffrey deixaram a pele de William rasgada, rasgando seu peito e deixando uma ferida sangrenta, aberta.

As unhas de William se prolongaram como garras afiadas e ele atacou, pegando Geoffrey no ombro. O sangue deslizou pelo braço de seu irmão, gotejando de sua mão.

_Oi, irmão, - Geoffrey sussurrou.

_Faz muito tempo. - Ele atacou com suas garras, apontando para garganta exposta de William. William pegou suas mãos em um aperto de aço. Ele apertou seus dentes, e forçou as garras de seu irmão para trás.

Ele viu Savannah pelo canto de seus olhos. Ela não estava se movendo. Seu corpo estava imóvel e pálido sobre uma poça de sangue.

_O que você fez? - Ele rosnou, enviando Geoffrey voando contra o capô de um carro.

Geoffrey saltou do carro, aterrissando facilmente em seus pés. Ele lambeu seus lábios, e capturou sangue que ainda permanecia nele com sua língua.

_Eu tive um gosto de sua amante, - ele disse, seus lábios torcidos em um sorriso profano.

A besta dentro de William gritou e uivou em ira. Ele atacou. Ele bateu em Geoffrey, esmurrando ele repetidas vezes. Suas garras o cortaram, fazendo cortes fundos por toda parte do corpo de seu irmão. Sua cabeça. Seu tórax.

Geoffrey deu coices com seu pé, chutando William no estômago. O golpe enviou William caindo sobre o concreto.

Ele levantou-se imediatamente e voou em seu irmão. Sua vista estreitou. Tudo que ele via era Geoffrey. Ele iria matar seu irmão. Agora.

Savannah gemeu, com um som suave, apenas um sussurro.

William congelou.

Geoffrey bateu nele, enviando-os para o chão. Geoffrey ergueu sua mão, e William percebeu que seu irmão estava segurando uma estaca de madeira, e ele estava pairando duas polegadas acima de seu coração.

Geoffrey com o sorriso alargado.

_Você tem medo de morrer, irmão?

Mão de William estalou para fora, mais rápida que uma serpente, e ele arrancou a estaca da mão de seu irmão. Ele chutou, enviando Geoffrey para trás. Geoffrey bateu em um caminhão, amassando a lateral.

William ficou de pé, a estaca segura firmemente em seu punho. Ele avançou em Geoffrey, vendo friamente como seu irmão tropeçava a seus pés.

A respiração de Geoffrey era dura e rápida. Seu rosto estava tenso, por causa da luta e sua perda de sangue estava aumentando.

Seu olhar virou freneticamente em torno da garagem. E então ele sorriu, um sorriso angelical.

_Você ouve isto, irmão? Você ouve este som?

William congelou, ficando ciente de uma lânguida, batida lenta.

Geoffrey lambeu seus lábios.

_É seu coração. Está lutando para bater. Ouve isto?

Ele ouviu. Era lento. Muito lento.

_Ela não conseguir. Sua amante está morrendo. - Geoffrey apertou sua mão contra seu ombro, tentando estancar o forte fluxo de sangue.

William olhou para Geoffrey e, em seguida, para Savannah. Ele podia ouvir seu coração trabalhando desesperadamente.

_O que vai ser irmão? - Geoffrey perguntou.

_Sua vida... ou a minha?

William virou em direção a Savannah, e Geoffrey atacou. Ele bateu nas costas de William.

A estaca caiu de sua mão ruidosamente no chão.

William balançou para trás, livrando-se de Geoffrey com um soco poderoso. Fez um grande esforço, lutando para ouvir o som da batida do coração do Savannah. Ele quase caiu de joelhos. Ele não ouvia mais a batida.

_Savannah! - ele correu para ela e deslizou suas mãos em baixo dela, embalando seu corpo junto ao dele. Sua cabeça caiu para trás, como uma flor quebrada.

_É muito tarde! - Geoffrey rosnou, ficando de pé.

_Ela está morta! - Geoffrey sorriu.

_Mas não se preocupe, irmão, eu vou fazer com que você se junte a ela... breve. -Seu irmão tropeçou aos seus pés e então correu para a porta, deixando uma trilha de sangue em seu rastro. Enquanto William assistia em fúria impotente, o corpo do seu irmão se transformou em névoa e ele desapareceu.

William se virou para Savannah, desespero varrendo através dele. Não podia ser muito tarde. Ele não podia, não iria, perdê-la.

Ele a embalou em seus braços, puxando-a firmemente contra seu peito. Sua cabeça caiu para trás, revelando seu machucado e sua garganta sangrando. Ele tocou as marcas suavemente, com as mãos que tremiam. Os ferimentos eram fundos, muito fundos.

_Savannah, - sua voz era um sussurro.

_Savannah, volte para mim. Abra seus olhos e volte para mim!

Ela não se mexeu.

Ele começou a balançar de um lado para outro, como se ela fosse uma criança.

_Abra seus olhos, Savannah.

_Abra seus olhos! - Ele ordenou, implorou.

Nenhuma resposta.

Medo queimava por ele. Era demais como da última vez. Demais como Henry. Ele segurou seu irmão, rezando para ele viver, só para vê-lo morrer.

Ele enviou sua mente para fora, libertando-se para procurar pela dela. Ele acharia seu espírito e o forçaria a voltar para ele. Ele pegou cintilação fraca de seu calor, e ele o seguiu, espreitando-o como um caçador que ele tinha sido uma vez.

A dor bateu em sua mente. Funda. Ígnea. Tudo consumindo. Era sua dor. Sua agonia.

E ele soube que sua morte estava á segundos distante.

Ele tentou confortá-la, dar-lhe a sua força, mas ele não podia parar a dor. Não podia parar os flashes de luz ofuscante.

Suas entranhas se retorceram. Seu fim estava próximo. A morte estava alcançando com suas mãos famintas para reivindicá-la.

_Não! - William gritou.

_Eu não deixarei você ir! Você não pode me deixar!

Não novamente. Ele não se sentaria enquanto a morte reivindicava outra pessoa que pertencia a ele.

Ele levantou-se, segurando seu peso leve facilmente, e correu para a saída do estacionamento. Além das paredes de concreto, ele podia ver a noite. Ele podia ver a luz tênue das estrelas. A lua nebulosa.

Só mais alguns passos.

Ele estourou na noite, seu corpo cresceu rapidamente no céu. Savannah estava firmemente segura a ele, bloqueada em seu abraço poderoso.

O tempo estava se acabando. Ele tinha que achar um lugar seguro para ela. Ele tinha que certificar-se que ela estava protegida de forma que a cerimônia pudesse começar.

Ele examinou o terreno.

_Espere, - ele sussurrou para sua figura quieta.

_Só espere!

Lá! Ele voou para baixo, pousando no telhado deserto. Eles estariam seguros aqui. Seguro de olhos espreitadores e seu irmão.

Ele a abaixou suavemente sobre o telhado. Sua mão alisou contra sua testa, suavemente empurrando para trás seus cabelos emaranhados. Sua pele estava pálida, extremamente pálida. Ela não viveria muito mais tempo.

_Savannah, - o nome dela era um suspiro, uma oração.

_Doce Savannah.

Ele abaixou sua cabeça para sua garganta, ainda escutando cuidadosamente a batida fraca de seu coração.

Quanto tempo tinha sido desde que ele ouvira a última batida? Segundos? Minutos?

Então ele ouviu um som fraco, gaguejante. Seu coração!

Ele hesitou. Ela era forte o suficiente? Ela poderia sobreviver ao beijo?

_William.

Seu olhar voou para seu rosto. Seus olhos ainda estavam fechados. Suas bochechas cavadas. Ela tinha falado? Ou sua mente febril suplicava para ela falasse?

Ele tocou em seus lábios suavemente e viu sua garganta machucada se mover, enquanto ela lutava para tragar, lutava para falar.

_Beije-me, William, - ela implorou.

_Beije-me.

Seus lábios abaixaram para os dela. Tão gentil quanto o vento, tão suave quanto à noite, ele a acariciou, adorando-a. Ele assoprou em sua boca, tentando dar-lhe sua força, sua energia, sua alma.

Seus batimentos cardíacos pararam, e ela ofegou.

_Não! - Ela não o deixaria. Ele não permitiria isto! Eles fizeram um voto. Ela prometeu a ele eternidade. Ele não a perderia para a morte.

Ele afundou seus dentes em sua garganta. Seu sangue doce caiu sobre sua língua, quente, puro. Fez ele voraz. Ele quis beber, beber toda dela.

Mas ele podia a sentir escapando. Seu espírito estava partindo. Ela estava deixando-o. Ele puxou de volta, seu sangue escorrendo por seu queixo. Com os dentes, rasgou um longo, irregular caminho através de seu pulso e pôs o ferimento acima de sua boca, movendo sua garganta de forma que ela fosse forçada a tragar o líquido precioso. Ela tinha que tomar seu sangue. Ela tinha que beber dele, ou a cerimônia nunca funcionaria.

Ele a apertou contra seu peito, contra seu coração. Uma vez, duas vezes. Ele quis o seu coração se movesse.

Bata.Só mais uma vez. Apenas o tempo suficiente para ela beber. Para se transformar.

Ele derramou todo o seu poder dentro dela, empurrando seus dons paranormais ao limite. E seu coração começou a bater.

Seus olhos se abriram, brancos e assustados. Ele ergueu sua mão, forçando-a a beber seu sangue.

Seus lábios moviam-se, leves como uma borboleta, contra sua pele. Só um pouco mais...

Ela entrou em colapso, afundando em seus braços.

Ele olhou para ela, medo o consumindo. Tinha sido suficiente? Tinha ela conseguido o suficiente para a cerimônia?

Ele não podia sentir sua batida do coração. Ela não estava respirando.

Ele falou depressa, recitando as palavras que ele não falava por mais de novecentos anos.

_Eu dou para você meu sangue, minha vida. Tome isto, se torne um dos escolhidos. Ser da noite. Seja minha. - Ele se debruçou adiante, sussurrando contra seus lábios quietos.

_Esteja comigo, para sempre, enquanto eu dou a você o beijo. - Ele apertou seus lábios contra os dela, saboreando o sangue, saboreando o medo.

Ele ouviu o eco de um trovão ao longe, e o vento uivando. Ele podia cheirar a tempestade, sentir sua abordagem como chicotes ao redor deles.

Ele não se moveu. Ele ficou ali, embalando seu corpo frio contra o seu.

Ele esperou muito tempo? Seu espírito já havia partido? Como Henry tinha partido? Ele chegou tarde demais, novamente?

Os minutos se passaram em silêncio. Savannah continuou deitada sinistra em seus braços.

Suas mãos se crisparam ao redor dela. Demasiado tarde. Ele estava muito atrasado, novamente.

A chuva explodia no céu. As torrentes caíam, encharcando-os, lavando o sangue do corpo dela, do seu.

Perdoe-me. As palavras gritavam dentro de sua mente. Ele falhou. Como ele havia falhado com Henry.

Ele a beijou novamente. Beijou seus lábios molhados.

Seu peito queimava.

_Maldita você, - ele sussurrou, olhando fixamente para seu rosto pálido.

_Você prometeu que ficaria comigo. - Sua mão acariciou sua bochecha.

Ele não podia acreditar que ela tinha ido embora. Não Savannah. Ela era muito forte. Muito boa.

Ele mataria Geoffrey. Ele veria seu irmão morto antes do próximo pôr do sol. Ele iria...

Seus cílios tremularam. Seus lábios se entreabiram, e um suave suspiro saiu de sua boca.

_Savannah! - Ele a embalou contra ele, usando seu corpo para protegê-la da chuva que caía.

Seus cílios se levantaram. Seus olhos, tão puros, tão verdes, encontraram os seus. Ela sorriu cansada.

_Oi, William.

 

A vida não pára com a morte.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 16 de dezembro de 1068.

 

Ela podia ouvir o som de carrilhões de vento, luz, música calmante que flutuava em direção a ela.

Ela continuou deitada sem se mover, só escutando o som suave. Os carrilhões lembraram a ela de casa, de seu apartamento. Ela tinha carrilhões de vento em sua sacada, e ela despertava todo dia com sua calmante saudação.

Mas ela não estava em casa agora. Ela não podia estar. E ela tinha medo.

Com medo de abrir seus olhos. Com medo do que ela poderia ver. Sua última memória tinha sido de William. A chuva escorria nele, e ele estava encharcado até os ossos. Sangue se misturava com água e escorria por seu rosto em regatos. Seus olhos tinham estado vermelhos, mais vermelhos que os fogos do inferno. Ele parecia furioso e assustado. E ela soube que ele estava enfurecido com seu irmão. Mas por que ele estava assustado?

Ela o vislumbrou só por um momento, e então ela voltou para o mundo escuro que esperava por ela. Que mundo ela veria hoje?

Ela respirou profundamente e abriu seus olhos.

Ela viu a parede de seu quarto. Ela viu o mural que ela havia pintado, o rolar das ondas do oceano e o farol distante.

Ela viu sua estante, seu computador. Sua mobília de vime e sua pequena cômoda.

Ela se sentou rápido, olhando fixamente para o quarto maravilhada. Como ela tinha voltado...

A porta do quarto se abriu e William entrou. Ele congelou quando percebeu que ela estava acordada.

De repente nervosa, Savannah passou rapidamente sua mão por seu cabelo.

Sua mão. Ela congelou e olhou fixamente para seu pulso, maravilhada. Geoffrey o tinha quebrado. Ela ouviu o osso estalar. Ela torceu seu pulso, esperando pela dor. Não veio.

_O osso se curou, - William disse - vindo se sentar na extremidade da cama.

_Como pode ser? - Ela tocou em sua garganta, esperando sentir sua pele cortada. Somente a sentiu lisa e não machucada.

William só olhou para ela, seu olhar fixo.

Ela ouviu as vozes então. O casal abaixo dela estava discutindo. A esposa estava brava porque seu marido esqueceu-se pegar o leite no supermercado. Ela podia ouvir uma criança chorando, em algum lugar no andar térreo, ela podia ouvir a televisão. Ouvir o telefone. Passos. Batidas do coração.

Seus olhos foram se alargando conforme ela começou a compreender.

“Não se preocupe.” A voz de William flutuou por sua mente. Seus lábios não se moveram. – “Eu ensinarei você a bloquear muito do barulho. É tudo uma questão de foco. Enfoque sua energia, enfoque em mim...”

Ela vacilou no toque mental. Ela respirou profundamente e enfocou sua atenção, concentrando-se nele. A imensa quantidade de barulhos sossegou quase de uma vez.

_V- você me deu o beijo, não foi? - Ela tinha que o ouvirele dizer isto.

_Sim, Savannah, eu fiz.

E então ela percebeu que sua cabeça não doía. Pela primeira vez em seis anos, ela não tinha acordado com as têmporas martelando.

_Meu tumor?

Ele sorriu.

_Você não tem que se preocupar mais sobre isso.

Não me preocupar com isto? Como seria viver cada dia sem a ameaça da morte pendurando acima de sua cabeça?

Ela rolou lentamente da cama e ficou vagamente surpresa por notar que ela estava vestindo uma camisola de pálido azul. Ela reconheceu isto como um presente ela havia ganhado de Sharon no último Natal.

William deve tê-la vestido. Ele deve tê-la trazido para casa e a vestido para deitar.

Ela caminhou devagar em direção às portas fechadas da sacada. Com uma mão, ela tocou as cortinas pesadas.

_Já é noite?

Ele a observou de perto.

_Sim.

Ela ergueu os olhos, perscrutando fora na escuridão.

_Ele está lá fora, não é?

Ele não respondeu.

Ela abriu a porta e pisou fora. O ar da noite passou contra sua pele, acalmando-a. Ela olhou para baixo. Ela podia ver carros passando, ver pessoas caminhando na rua. Ela podia ver um casal jovem segurando as mãos e se beijando suavemente debaixo do brilho de uma iluminação de rua. Ela podia ver todo detalhe de seus rostos. E eles estavam dois quarteirões longe.

_Ele está caçando? - Ela perguntou, seu olhar fixo no casal.

_Não.

Ela girou para ele surpresa.

_Ele terá ido para a terra. Seus danos foram severos. Ele precisa de tempo para se recuperar.

Ir para a terra. Um calafrio deslizou abaixo por sua espinha. Ela não estava segura se queria saber o que William quis dizer com aquela frase.

_Eu fui ferida... muito, - ela disse, lembrando o a dor ígnea que atirou em seu cérebro.

_Por que eu não precisei mais tempo para me ... curar?

Ele virou e caminhou em direção a ela. Seu passo era lento, propositado assim como de um caçador que já capturou sua presa. Ela deu um passo para trás, suas pernas batendo na armação de madeira da sacada.

O corpo dele parou polegadas longe do seu.

_Eu dei a você meu sangue. Sangue antigo. E então você passou pela mudança.

Ela franziu o cenho.

_E isso me curou?

_Todos os vampiros se curam depressa, - ele disse.

_É um de nossos presentes. Em seu caso, entretanto, foi à transformação propriamente dita que consertou seu corpo. De certo modo, você pode dizer que você foi recriada. Renascida.

Ela tragou.

_E... quanto tempo levará para Geoffrey se curar?

Seu olhar era direto.

_Eu não sei. Dois dias. Uma semana. - Ele encolheu os ombros.

_Ele terá que dormir pelo menos quarenta e oito horas. Depois disto...

_Ele começará a caçar novamente. - Seu coração martelou.

_Ele podia seguir Mary!

Ele ligeiramente a tocou, afagando sua bochecha.

_Sua amiga está segura. Eu arrumei para ela ser bem protegida até que isto esteja terminado.

O alívio se apossou dela. Ela tinha estado com medo por Mary. Se qualquer coisa acontecesse para sua amiga querida, teria sido sua culpa.

O olhar de Willian varreu vagarosamente sua face virada para cima. Sua boca apertada em uma linha fina.

_O que está errado? - Savannah perguntou, imediatamente sentindo o tumulto dentro dele.

Ele andou de volta, se escondendo nas sombras.

_Eu quase perdi você, - ele disse com sua voz quieta e profunda.

Ela se lembrou do entorpecente frio que passou através de seu corpo. Ela se lembrou da escuridão a consumindo, os brilhantes flashes de luz. E se lembrou da voz do seu irmão.

_Eu penso que você fez, - ela murmurou.

_Por um momento. - Ela caminhou em direção a ele, nas sombras.

_Entretanto você me trouxe de volta.

Seus braços se envolveram ao redor ela.

_Eu não podia permitir você me deixar.

Ela se sentia tão bem contra ele. Tão forte. Tão sólida. Os braços dela deslizaram ao redor de sua cintura.

_Eu não queria deixar você.

Sua cabeça se abaixou e ele a beijou. Seus lábios eram gentis, leves contra os dela, como se ele temesse a estar machucando.

Ele recuou, olhando fixamente abaixo nela.

_Eu não posso me arriscar a perder você. - Ela podia ouvir dor, angústia, em sua voz.

Ela franziu o cenho.

_Você não me vai perder. Nós fizemos um pacto, lembra? Para sempre.

Seus braços se apertaram ao redor dela.

_Sim, para sempre.

Ela ficou nas pontas dos pés e apertou seus lábios contra os dele. Sua língua deslizou acima de seu lábios, provocando ele. Ela queria levá-lo ao limite, forçá-lo a perder seu controle. Ela queria tirar o medo prolongado de sua mente e provar para ele que ela não quebraria.

Que ela era forte. Uma companheira perfeita para ele.

Eles estavam em sua sacada. Alguém podia vê-los. Ela não se importava.

Ela podia sentir seu corpo que se endurecia contra ela.

_Você sabe o que você está fazendo? - Ele friccionou suas costas, seus olhos relampejando.

Ela sorriu.

_Sim. - Ela esfregou seus seios contra ele, deixando a seda delicada de sua camisola deslizar acima de seu tórax. Seus dedos se moveram ligeiramente, agilmente, e começaram a desabotoar sua camisa. Ela queria sentir sua pele contra ela.

Desejo martelou através dela. Seu corpo parecia vivo. Ela podia sentir o sangue atravessar suas veias. A força. O poder. A paixão.

Ela empurrou sua camisa para baixo através de seus braços e lançou negligentemente de lado. Suas unhas arranharam seu tórax, marcando sua pele ligeiramente. Ela o ouviu segurar o fôlego. Ela se curvou, abaixando sua cabeça. Enquanto rodava sua língua ao redor do mamilo dele, ela deslizou sua mão para baixo, para frente de suas calças.

Ela o queria. Aqui. Agora. Com a noite cercando eles e as estrelas que brilhavam para eles. Ela queria sentir o calor de William, sua paixão. Ela queria sentir. Para saber que ela estava viva. Para saber que a morte não ganhou.

Ela abaixou o zíper dele. A mão dele foi rápida e se fechou ao redor do pulso dela. Ela olhou para cima e viu um músculo dobrar ao longo da linha dura de sua mandíbula.

_Eu não tenho muito controle, - ele disse, sua voz gutural. Seus olhos estavam incendiados, vermelhos.

Ela sorriu.

_Bom. - Ela estava em êxtase com o poder. Ela podia fazer isto com ele. Ela podia empurrar ele para o extremo... e além.

Ela abaixou o zíper, aliviando sua mão dentro para tocar em seu calor. Sua mão o agarrou, afagando suavemente.

Ele gemeu.

Enquanto sua mão continuou a acariciar seu membro rígido, ela o beijou, deixando sua língua deslizar acima de seus lábios e no calor de sua boca. Ela amava o saborear. Ela gemeu, um som baixo, gutural.

As mãos dele se cerraram ao redor de seus ombros, os dedos dele cavando em sua pele. A língua dele empurrando contra a dela. Quente. Molhada.

Ela tirou sua boca da dele e começou a lamber seu pescoço. Ela podia sentir sua pulsação batendo, pulsando contra seus lábios. Ela sugou sua pele, puxando ligeiramente em sua boca e mordendo suavemente.

O corpo de William se agitou.

_Nós temos que ir para dentro, - ele murmurou.

_Agora.

Os dentes dela se apertaram contra ele, mais duro. A pulsação dele martelava.

Ele praguejou e a ergueu em seus braços, abrindo a porta com os ombros e andando para o quarto dela. Ele deu dois passos largos, longos e a abaixou sobre a cama.

Ele olhou fixamente nela, seu rosto estava duro como granito. Ela ergueu seus braços, em um convite mudo.

Seu controle estalou. Ele caiu nela, rasgando sua camisola longe e a deixando em pedaços. Sua boca quente capturou seu seio, lambendo, chupando.

Ela entrelaçou sua mão no cabelo dele, e ergueu seus quadris, roçando contra ele. Ela podia senti-lo apertando contra ela, deslizando contra a barreira frágil de sua calcinha.

A boca dele continuava a sugá-la enquanto seus dedos provocavam seu outro seio, ligeiramente apertando o mamilo. O prazer a chicoteou. Era demais. Não era suficiente.

Ela empurrou contra seus ombros, forçando ele sobre suas costas. Ela se moveu de forma em que ela ficasse montada nele e o olhado fixamente, seu tórax subia e descia rapidamente .

Sua calcinha ainda estava no caminho. Frustração fervia nela.

Então ela mais uma vez ouviu o som de seda rasgando.

William sorriu para ela.

Ela o podia sentir, sentir a ponta de seu pênis pressionando contra ela, provocando sua tenra abertura.

Ainda não era suficiente.

Ela apertou nele, forçando seu comprimento rígido dentro de seu corpo faminto. Ele a estirou, penetrando bem no fundo.

Os dois gemeram. E então eles começaram a se mover. Mais rápido. Mais duro. Os quadris dela subiam, desciam, subiam. O ritmo era selvagem, frenético. Ela chegou ao seu primeiro clímax e sentiu um grande prazer através dela.

Os dedos de William em seus quadris, forçavam seu corpo para continuar seu passo. O segundo clímax começou a se construir. Mais rápido, e mais duro que o primeiro.

Ela abaixou sua cabeça, lambendo sua garganta. Seus dentes começaram a queimar. Seus quadris se moviam freneticamente contra o seu. Sua boca aberta contra a dele, e seus dentes contra seu pescoço. Ele empurrou mais fundo em seu calor.

_Faça isto, - ele rosnou.

_Faça isto, Savannah! - Existia uma necessidade escura em sua voz que ela não conseguia entender completamente .

Ele lançou em seu corpo mais uma vez. Ela se liberou, rodando em espiral.

Os dentes dela afundaram na garganta dele.

O grito de liberação dele encheu o quarto e moveu-se para fora na noite.

 

Ele sabia que a mulher sobreviveu. Ele sabia que William a transformou. Ele podia sentir isto.

Mas não importava. Ele ainda a mataria. Ele drenaria todo o sangue de seu corpo e deixaria seu cadáver morto para seu irmão o achar.

O corpo do Geoffrey estava deitado e perfeitamente quieto, enterrado fundo, dentro da terra. Ele podia sentir sua força retornando. Logo, ele poderia subir. E destruir.

Ele mataria primeiro a mulher. Ele sempre apreciara matar mulheres. O medo delas tornava isso maravilhosamente delicioso. Talvez ele fizesse com que o querido William assistisse enquanto ele tomava a vida de sua amante. Sim, ele o faria olhar.

E então ele mataria William. Como ele devia ter feito há muito tempo atrás.

Ele tentou matar seu irmão antes. Quando eles eram rapazes, ele empurrou William no rio escuro próximo à casa de seu pai. Ele assistiu da orla como William lutava para sobreviver,lutava para flutuar. E quando William gritou por ajuda, Geoffrey só sorriu.

Infelizmente, o grito do William chamou a atenção de um cavaleiro que estava perto. E seu irmão tinha sido arrastado da água, inconsciente, mas vivo.

Mais tarde, quando eles treinavam com armas, aprendendo a lutar como homens, ele atacou seu irmão uma segunda vez. William, pego fora de guarda, não teve nenhum tempo para evitar a mortal lâmina que balançou em direção de seu rosto. Ele tinha ficado com a cicatriz desde aquele dia. Quando confrontado pelos cavaleiros, Geoffrey reivindicou que a lâmina havia escorregado.

Ele pode dizer que William não acreditou na mentira lamentável. Os cavaleiros acreditaram, então eles o permitiram continuasse a treinar. Mas William começou a observar ele mais cuidadosamente depois deste dia. Ele tinha estado em guarda.

Geoffrey estava quase contente de que ele não o houvesse matado antes. Ele queria que William soubesse que a morte estava vindo por ele. Dos três irmãos, William tinha sido o único que verdadeiramente pertencia a seu pai. Guy sempre disse a Geoffrey que William era seu filho real, o único “Verdadeiro Montfort."

Geoffrey odiava William. Ele não merecia o título. Ele não tinha a cobiça de Guy por poder. Ele não tinha o gosto de Montfort para matar.

Mas Geoffrey sim.

Guy nunca o apreciou, e, no fim, ele teve que morrer. Geoffrey provou para o bastardo que ele era um verdadeiro Montfort. Ele matou Guy, e apreciou aquele momento.

Coberto pelo sangue de Guy, ele foi para o vidente que enviou William em sua missão, e ele forçou o homem a dizer a localização do vampiro. Ele o cortou pelo menos uma dúzia de vezes antes do velho idiota finalmente dar a ele as direções que ele precisava.

Ele buscou o vampiro, e ele foi transformado por ele. Claro, depois da transformação, Geoffrey matou o vampiro. Ele podia ainda se lembrar do Poder, a força que aquele momento deu a ele.

Ele matou centenas em sua vida. Centenas. Mas ele nunca conseguiu matar William.

A mulher era a chave. Uma vez que ele a tivesse, seu irmão faria qualquer coisa que ele quisesse.

A debilidade do William pela mulher seria sua queda.

E no fim, Geoffrey mataria ambos.

Ele dificilmente podia esperar. Ele se certificaria que seu irmão sofresse, que ele implorasse por sua morte.

 

Savannah empurrou de volta, olhando fixamente para William com horror.

Ela tocou em seus lábios, sentindo as gotas molhadas de sangue, saboreando sua doçura acobreada. Lá estava, dois ferimentos pequenos de perfuração em sua garganta.

Ela o afastou, tropeçando fora da cama. O que ela fez? O que ela tinha feito.

_Savannah...

Ela ignorou o grito de William e correu para o banheiro, batendo a porta atrás dela.

Ela girou a chave, se encostando contra a porta.

Ela tomou seu sangue. Ela realmente bebeu dele.

William bateu contra a porta.

_Savannah! Droga, Savannah, abra esta porta!

Ela caminhou devagar em direção a pia. Seus dedos agarraram o topo de mármore, e ela forçou-se a erguer sua cabeça e olhar no espelho.

Ela esperava ver um monstro.

Mas ela só viu... Seus olhos. Seus olhos verdes. Sua pele pálida. O nariz que ela sempre pensou que fosse muito pequeno. Os lábios que ela sempre pensou que fossem muito grandes.

Ela via o mesmo que ela sempre havia visto. Mas ela podia ainda saborear o sangue de William. Ela abriu a torneira, pegando água em sua mão. Ela tinha que tirar esse gosto. Ela tinha!

Ela bebeu a água, rodando em sua boca, então ela cuspiu isto na pia repetidas vezes. Mas o gosto acobreado ainda permanecia.

_Eu vou entrar! - Houve um som alto, um impacto, e então a porta do banheiro balançou aberta, a fechadura rompida.

William estava nu e seus olhos relampejavam.

_Que diabo esta acontecendo?

O olhar dela caiu para seu pescoço, para as marcas que ela deixou nele.

_Eu sinto muito. Eu sinto tanto...

Seus olhos se estreitaram. Ele tomou um passo em direção a ela, mas congelou quando ela recuou horrorizada contra a pia.

_Você não tem nada para sentir. Você não fez nada errado.

Ela agitou sua cabeça.

_Eu mordi você. Eu tomei seu sangue! - E ela apreciou isto. Ela se divertiu na sensação do poder que seu sangue deu a ela. E aquele conhecimento a afligia.

_Eu dei isto para você livremente, - ele disse.

Seus lábios tremiam.

_Eu não pude parar, - ela sussurrou em desespero.

_Eu não quis fazer isto, mas eu não pude parar. Eu tive que beber. Eu tive! - Ela piscou longe as lágrimas que se juntaram em seus olhos, se recusando a deixar que caíssem.

William se moveu devagar em direção a ela. Suas mãos se ergueram e se envolveram ao redor dela, puxando-a contra seu corpo, embalando-a.

_Doce Savannah. Eu devia ter dito a você...

Ela endureceu.

_Me dizer o que?

Ele a esfregou de volta, suas mãos gentis, acalmando.

_Para um vampiro, luxúria física, desejo, vontade, mexe com a fome de sangue. Empurrará seu controle até a necessidade para liberação e a necessidade do sangue, que estão destinados a estarem juntos.

Ela empurrou de volta e olhou fixamente em William.

_Eu não quis machucar você.

_Você não me machucou, - ele a assegurou, sua voz era urgente.

_Você me deu prazer, o maior prazer que eu já pensei ser possível.

E então ela se lembrou da sensação de sua boca em seu pescoço, o êxtase que ela teve quando William bebeu dela.

_Você lembra agora, não é? - Ele perguntou, seu olhar alerta.

_O sangue nos conecta, deixa que nós compartilhemos o prazer.

Sua sobrancelha se enrugou.

_Será assim quando eu me alimentar de outra pessoa?

William ficou tenso contra ela.

_Não. Você só perderá o controle se o seu desejo físico se fundir com a fome de sangue. E desde que você não estará com ninguém exceto eu...

Ele parou a frase, mas Savannah soube o que ele quis dizer. Ela prometeu estar com ele para sempre. Ele esperava que ela fosse leal para ele, desejasse só ele.

_E você não estará com qualquer outro, não é, Savannah? - Seus olhos relampejaram vermelhos.

_Não. Só você, - ela disse a ele suavemente. E era verdade. Ela não podia imaginar querer nenhum outro. Era só William. Ele era o único que ela desejava, que ela almejava.

Ela sentiu a tensão sair do corpo dele.

_Que tal você? - Ela perguntou de repente nervosa.

_Você não estará com qualquer outra pessoa, não é? - Ela repetiu, segurando sua respiração e esperando para sua resposta.

Ele tocou em sua bochecha.

_Você realmente precisa perguntar isto? - Ele sorriu.

_Você é a única para mim, Savannah. Agora e para sempre.

O calor se espalhou por ela, tirando o frio de seu corpo. Ele capturou sua mão e a puxou para o quarto.

_Nós precisamos nos vestir. Existe muito que nós devemos fazer hoje à noite.

Ela franziu o cenho, andando para seu armário. Existia uma urgência estranha no tom dele. Ela puxou um suéter azul e colocou um par velho de calça jeans. Quando ela achou seus sapatos e caminhou através do quarto, ele estava completamente vestido.

Eles saíram do seu apartamento e foram para o corredor vazio. Ela empurrou o botão para o elevador, esperando nervosamente que alcançasse seu andar.

Com um suave som, as portas se abriram e eles entraram. Savannah ergueu sua mão, pretendendo apertar o botão para o andar térreo.

_Não. - Os dedos de William ficaram ao redor de seu pulso.

_Nós vamos para o telhado.

Savannah franziu o cenho, mas obedeceu e apertou o botão para o último andar. Uma vez lá ela soube que eles teriam que subir um lance de degraus a fim de acessar o telhado.

Ela se debruçou contra a parede refletida do elevador. Ela caladamente o estudava. Ele estava vestido todo de negro, novamente. Uma camisa preta e calças pretas. Até botas pretas. Ela não achou que ele realmente possuísse qualquer roupa colorida.

Mas não importava. Ele ficava bem de preto. Com seu cabelo escuro e aquela cicatriz, ele parecia perigoso. Sensual.

Ela sentiu o desejo começar a aumentar mais uma vez, e ela estava chocada. Como podia ela o querer novamente tão cedo? Sua necessidade para ele estava ficando ingovernável.

O elevador parou. Ela tragou,

_Nós chegamos, - ela desnecessariamente murmurou.

William olhou para ela, suas sobrancelhas baixas em sinal de preocupação óbvia. Ela forçou um sorriso e andou no corredor. Ela tinha que se manter sob controle.

Eles caminharam depressa corredor abaixo. Savannah mostrou a William a porta para a escadaria.

A porta estava bloqueada, mas, com um puxão forte de sua mão, ele virou a fechadura e abriu a porta.

Eles subiram os degraus em silêncio. Por que eles estavam indo para o telhado? Ela perguntou-se.

Ele empurrou uma porta no topo dos degraus, e eles caminharam do lado de fora.

O ar da noite era morno. Estrelas brilhavam no céu. Savannah caminhou para a extremidade do telhado e olhou para baixo, maravilhando-se. A cidade era bonita. Viva com mil luzes diferentes. Ela olhou fixamente abaixo, aterrorizada pela visão.

_Você está pronta? - William perguntou.

Savannah forçou seu olhar longe e girou para olhar para ele.

_Pronta para que?

_Suas lições.

Lições? O que ele queria dizer?

_O quão alto você diria que nós estamos? - Ele curiosamente perguntou, movendo-se para permanecer ao lado dela.

_Quinze andares, - ela respondeu com um laço de medo começou a formar em seu estômago. De repente, a vista não era tão atraente quanto tinha sido um momento antes.

Ele apontou do outro lado da rua.

_E aquele edifício? Que distância está?

Seus olhos se alargaram. Estava a pelo menos cento e cinqüenta metros de distância.

_Cento e cinqüenta metros? - Ele movimentou a cabeça.

_Sim, eu diria que parece quase certo.

Ela vacilou ainda não acostumada a ele ler seus pensamentos.

Ele caminhou para o centro do telhado.

_Esta é sua primeira lição, - ele disse.

_Um vampiro tem velocidade incrível. Força incrível.

Ela movimentou a cabeça. Ela já sabia isto.

_Mas existem muitos presentes escuros que vêm com o beijo. Muitos, muitos presentes.

Ela tomou um passo em direção a ele.

_Eu não entendo. Por que nós subimos aqui?

Existia uma bola de tensão, de medo, amarrando seu estômago.

_Existe muito que você deve aprender. Muito que você deve ver.

O que ele possivelmente podia querer que ela visse em uma cobertura deserta?

_Eles dizem que ver é acreditar, - ele murmurou.

Ela franziu o cenho, quanto ele sorriu para ela e começou a correr em sua direção à extremidade do telhado.

Seus olhos se alargaram em horror.

_Não, William! Não faça... - Sua mão o agarrou, mas era muito tarde.

Ele pulou pela extremidade do telhado.

_Não!

 

Vampiros e imortalidade. Loucura. Só Deus pode viver para sempre.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 19 de dezembro de 1068

 

Diante de seus olhos, ele se transformou, tornando-se um grande falcão. Ele voou alto no ar, circulando acima dela. Então ele aterrissou, em cima do telhado, mais de cento e cinqüenta metros longe.

Impossível. Nem mesmo um vampiro podia...

Ele se tornou névoa. Névoa pálida se movia através do céu noturno, se movendo para ela.

_William... - Sua voz era um sussurro rouco. Como ele podia...

_Poder vem com a idade, - William disse, se rematerializando ao seu lado.

_Você verá que ficará cada vez mais fácil com o tempo.

Ela estava atordoada.

_Você quer dizer que eu poderei fazer isto, me transformar?

_Com o tempo, - ele concordou.

_Você sentira isto à medida que em você envelhecer, a mudança de seus poderes. Na existirá limites para as coisas que você poderá fazer.

Ela fixou o outro lado da rua. Cento e cinqüenta metros. Um falcão. Névoa. Seus joelhos estavam fracos.

_Geoffrey pode fazer isto? Se transformar? – Este coaxar rouco era sua voz?

_Sim.

Isso o fazia ainda mais perigoso.

_Mas ele não faz isto freqüentemente, - William suavemente continuou, a olhando cuidadosamente.

_É inconstante e debilita o poder do vampiro. Demanda muita força manter a forma.

Ela olhou atentamente para ele, fixamente e então ela endireitou seus ombros e respirou fundo.

_Ensine-me. - Ela tinha que aprender tanto quanto pudesse, de forma que estivesse pronta para o próximo encontro com Geoffrey.

Ele tomou sua mão e eles caminharam para o centro do telhado.

_Segure em mim. Não me largue, não importa o que aconteça.

Ela movimentou a cabeça.

_Eu quero que você enfoque no telhado do outro lado da rua. Pense sobre alcançar aquele telhado, aterrissar em sua superfície.

Seus olhos se alargaram, enquanto ela percebia sua intenção.

_Você não pode querer dizer que nós vamos...

_Não olhe para baixo. - Um sorriso leve curvava seus lábios.

_Só finja que você estará dando um grande salto.

Mas ela nunca deu um salto à distância. Ela nunca fez qualquer tipo de atividade física.

Seus dedos a apertaram.

_Pronta?

Ela respirou fundo. Ela podia fazer isto. Ela faria isto.

_Pronta.

_Então vamos.

Eles começaram a correr, tão rápido quanto eles podiam. Eles estavam quase na extremidade do telhado.

Savannah se concentrou no edifício na frente dela.

Seus pés deixaram a extremidade do telhado.

Ela não olharia para abaixo. Ela não olharia!

Ela manteve suas pernas se movendo, mas ela não sentiu nada além de ar em baixo dela. Ela apertou os dedos ao redor de William. Ela não olharia para baixo.

Ela olhou fixamente para o edifício diante deles. Estava perto agora. Mais perto. Ela faria isto. Ela conseguiria.

Lá estava! Seus pés tocaram no telhado. Ela tropeçou adiante, mas conseguiu parar antes dela cair.

_Oh, meu Deus! - Ela se voltou, olhando fixamente para seu edifício de apartamentos em choque.

_Eu fiz isto! Eu realmente fiz isto!

William sorriu.

Ela correu para a extremidade do telhado.

_Cento e cinqüenta metros. - Ela exalou fortemente.

_Nós acabamos de voar cento e cinqüenta metros

_E como se sentiu?

_Maravilhosa. - Ela estava ofuscada, subjugada, maravilhada.

_Absolutamente maravilhosa. - Ela riu suavemente.

_Sabe, eu sempre tive um medo horrível de alturas.

Ele fez uma carranca, suas sobrancelhas se ergueram.

_Você nunca me disse isso.

_Bem, não é exatamente algo que eu goste de alardear. - Ela olhou fixamente para baixo, pasma que ela realmente pudesse olhar abaixo e não sentir a vertigem que ela normalmente experimentava.

_Mas você veio até a minha casa, para a minha montanha, e você não mostrou nenhum medo.

Ela encolheu os ombros.

_Eu tinha que ver você. Não existia qualquer escolha. - Mas ela tinha estado apavorada. Enquanto ela dirigia acima pela montanha, ela se recusou a examinar o lado da estrada, recusando olhar a paisagem empolgante. Ela não queria olhar abaixo, temendo que aquele terror a subjugasse. Então ela dirigiu, seus olhos bloqueados na estrada a frente dela. Ela se forçou a ignorar a altura, ignorar a pressão crescente em suas orelhas. Ela iria transpor a condenada montanha.

E, agora, olhando fixamente abaixo para a rua, ela percebeu que seu medo se foi.

_É sua vez agora, - William disse suavemente, a virando.

Suas mãos tremeram.

_M- minha vez?

_Volte para seu apartamento. Faça isto por conta própria.

Ela o encarou, seus olhos largos.

_Mas e se eu cair?

_Você não cairá. - Ele soou extremamente confiante. Savannah desejou que ela tivesse sua confiança.

Ela olhou através do largo espaço. Voar com William era uma coisa. Voar por conta própria... bem, isso era um assunto totalmente diferente.

_São quinze andares, William. Se eu cair...

_Você acabar com algumas contusões ruins, - ele disse com um pequeno encolher dos ombros.

_Contusões? Eu podia acabar com muito mais que contusões! - Ela provavelmente quebraria o pescoço.

_Pare de pensar como um humano, - ele disse, sua voz de repente severa.

_Mas...

_Pensando deste modo conseguirá que você seja morta. Não pense do que você era. Pense do que é agora. Você pode fazer isto, Savannah. Você acabou de fazer isto comigo, e você pode fazer isto sozinha.

Ele estava certo. Uma queda não mataria um vampiro. Ela sobreviveria, ainda que ela caísse quinze andares.

_Você não cairá, - ele disse novamente, facilmente a lendo.

_E ainda que você caísse, eu a pegaria antes de você alcançar o chão.

Seria melhor ele não estar mentindo, porque se ele não a pegasse... bem, ele teria um inferno para pagar.

_Certo. - Ela endireitou seus ombros.

_Eu farei isto. - E ela iria. Ela deu vários passos para trás, querendo espaço para correr. Seu olhar se fixou em seu prédio de apartamentos. Ela tomou uma respiração rápida e correu.

Seus pés batiam através do telhado. Mais rápido. Mais rápido. Ela podia ver a extremidade agora. Lá estava!

Ela se atirou no céu, seu corpo voando diretamente em direção ao seu prédio. Vento chicoteava contra seu corpo. Seus pés chutavam o ar.

Ela não olhou para baixo.

A extremidade de seu telhado estava muito perto, mais perto...

Ela caiu sobre o telhado, deslizando para seus joelhos.

Savannah riu, emocionada com o prazer. Ela se levantou, mas suas pernas cambalearam, enviando seus joelhos para baixo.

_Savannah? - William estava ao lado dela em um momento.

_Estou bem. - Ela empurrou seu cabelo para trás com uma mão trêmula.

_Meus joelhos estão só um pouco fracos.

Ele a sustentou com seu braços enquanto ele a erguia. Ela quis se debruçar nele, No abrigo de seus braços. Ao invés, ela tomou uma respiração tonificante e andou longe dele.

Eles não tinham muito tempo, e ela não podia ter condições de ser fraca. Ela a enquadrou os ombros e perguntou;

_Qual é a próxima lição?

Ele andou para a extremidade do telhado.

_Agora, nós caçamos...

 

Eles caminharam caladamente abaixo pela rua escura. Era duas da manhã, e a rua estava completamente deserta.

_Aonde nós vamos? - Savannah perguntou. Ela vivia em Seattle toda a sua vida, mas William a estava levando por uma infinidade de ruas e becos. Ela não realmente não tinha nenhuma idéia de onde eles estavam naquele momento.

_Você ouve a música? - Ele perguntou a ela.

Ela se concentrou. Sim, ela ouviu música. Uma lânguida, batida que se movia no vento. Ela tinha estado vagamente ciente dela pelos últimos quarteirões.

_Nós vamos até ela, - William disse.

_Nos liderará para sua próxima lição.

Ela tragou e olhou o céu noturno. Uma lua minguante brilhava fortemente entre as estrelas brilhantes.

_Eu pensei que você havia dito, que apenas na lua cheia existiria a necessidade para se alimentar.

E, além disso, ela já bebera dele. O pensamento causou um calafrio de lembrança que correu abaixo por sua espinha.

_Você não vai beber.

Então por que eles estavam seguindo a musica que indubitavelmente os levaria até um clube repleto de pessoas? Um lugar que provavelmente seria como o Jake’s?

“Porque você deve aprender a atrair sua presa para você.” - Sua voz se movia por sua mente. “Você deve aprender a usar seus presentes psíquicos para escravizar, controlar.”

Ela agitou sua cabeça instintivamente, então congelou. Tanto como ela se rebelava contra a idéia de controlar outra pessoa, ele estava certo. Se ela com intenção de sobreviver, ela teria que aprender a usar todos os seus poderes.

Ela dispôs seus pensamentos e se concentrou em William. “Eu aprenderei, mas não machucarei ninguém.” - Ela quis ser clara naquele ponto.

Ela sentiu sua surpresa inicial quando ele recebeu sua mensagem mental. Então sua mente assumiu, cercando ela.

“Bom. Muito bom, Savannah.

O calor precipitou-se por ela.

“Eu sempre fui uma aluna rápida.”

Ela sentiu, em lugar de ouvir, sua ondulação suave de riso.

“Bom. Você precisará ser.”

Eles caminharam quietamente por um tempo. A música ficou mais alta. Ela podia ouvir vozes agora, risos. Ela podia cheirar as pessoas dentro do bar. Cheirar o álcool e o perfume barato. Os cigarros e o sexo.

Eles caminharam ao redor de uma esquina, e ela congelou.

O bar era como ela esperava... pequeno, escuro, e cheio de pessoas. Uma placa de neon relampejava Indicando que o lugar era chamado “A Cova Preta.” Julgando por seu exterior áspero, Savannah pensou que o nome se ajustava.

Existia um sortimento de veículos no pequeno estacionamento. SUVs, pickup, até motocicletas.

Vários dos freqüentadores do bar estavam do lado de fora. Um homem até desmaiou ao lado do edifício. Savannah o olhou com profunda concentração.

William olhou para ela, seu olhar encoberto.

_Extremamente fácil. Você terá que escolher alguém que é ainda esteja consciente.

Ela enrugou seu nariz e então avançou, entrando no bar com uma confiança que ela realmente não sentia. Ela era consciente de que William a seguia alguns passos atrás.

Um segurança permanecia na entrada, seus braços corpulentos cruzados acima de um tórax que parecia um barril. Sua sobrancelha esquerda se ergueu enquanto abordava Savannah.

_Oi, pequena senhora. - Seu olhar vagou por seu corpo, demorando em seus seios.

A raiva precipitou-se por ela. Ela olhou fixamente para ele, se concentrando nele.

“Se concentre, Savannah. Enfoque nele.” - As ordens suaves de William deslizavam em sua mente.

O segurança ergueu seus olhos para encontrar o seu olhar fixo e escuro. Ele piscou, uma vez, duas vezes, e então sua mandíbula pareceu relaxar.

_Abra a porta para mim, - Savannah disse suavemente, fechando suas mãos em punhos para disfarçar o tremor.

Ele correu para obedecer, quase tropeçando em sua pressa.

Ela respirou fundo, exalando devagar. Isso certamente tinha sido fácil.

“Nem sempre será assim.Quanto mais forte a mente, mais duro será para controlá-la." - William a seguiu caladamente.

_Eu não gosto disto! Eu não gosto de controlar pensamentos de outra pessoa!

_Você não tem que gostar disto. Você só tem que fazer isto. - William era implacável.

Existia uma pista de dança pequena no meio da sala. Um cd tocava, num ritmo forte e sem=m descanso.

Savannah caminhou em direção ao bar. Estava lotado, mas ela viu dois tamboretes vazios.

Ela sentou sobre o primeiro tamborete, caladamente inspecionando o bar. Quem ela podia escolher? Quem satisfaria William?

_O que eu posso conseguir para você?

Ela girou ao redor. A garçonete do bar, uma mulher com cabelos loiros listrados e uma tatuagem de serpente ao redor de seu pescoço, olhava para ela de um modo inquiridor. Savannah realmente não queria nada, e ela não estava certa de poder manter isto se ela realmente tivesse que beber, mas ela não queria atrair qualquer atenção não desejada.

_Uh... eu tomarei... - Inspiração a atingiu.

_Um Blood Mary, por favor.

William riu suavemente.

_E você? – A garçonete se debruçou através do bar, empurrando seus seios adiante sugestivamente.

_O que você gostaria? - Sua voz indicou que justamente o álcool não estava disponível.

Savannah focou nela. Como ousava aquela mulher tentar se oferecer para William? Ela não podia ver que ele estava com ela? Ela pigarreou sem tocar sua garganta, ruidosamente. A mulher olhou para ela, o aborrecimento relampejava através do seu rosto comprimido.

_O que?

Os olhos de Savannah se estreitaram.

_Ele esta comigo.

A mulher piscou, uma vez, duas vezes. Ela agitou sua cabeça e andou para trás.

_Certo. Desculpe.

Ela correu para pegar a bebida de Savannah.

Savannah a olhou com olhos que não oscilavam.

Alguns momentos mais tarde, o a garçonete colocou a bebida de Savannah a sua frente com mãos cuidadosas.

_E -existe qualquer outra coisa que você precise?

_Não. - Savannah girou suas costas para a mulher e inspecionou a multidão.

“Isso era realmente necessário?”

Seus ombros se enrijeceram. Ela bebericou sua bebida.

“O que você quer dizer?” - Ela não havia feito nada para a mulher. Ela só havia pedido que ela se ausentasse de William.

“Você usou compulsão nela.”

Ela ofegou.

“Eu certamente não fiz!” - E ela não tinha feito? Ela só havia dito para a aborrecida mulher deixar Willian em paz...

“Estava em sua voz. O tom, o comando.”

O rosto de Savannah ficou branco. Ela não havia percebido... Seus dedos se apertaram em torno do copo gelado.

“Só seja cuidadosa”. - William suavemente a acautelou.

“Controle seu poder, não deixe isto controlar você.”

Ela movimentou a cabeça. Ela se certificaria de usá-lo apenas para algo importante.

Seu olhar viajou devagar em torno da sala. Seu pé começou a bater em ritmo com a música.

“Então o que eu deveria fazer, exatamente?” - Ela sabia que vir ao bar era um tipo de teste para ela, mas ela entendia completamente o que William queria que ela fizesse.

“Você vê aquela mulher, a de jaqueta de couro preto se debruçando contra o balcão?”

Savannah girou sua cabeça um pouco e pegou um vislumbre da mulher. Ela movimentou sua cabeça ligeiramente.

“Leia sua mente.”

“O que?”

“Enfoque nela. Veja se você pode ouvir seus pensamentos. Você tem que poder ler as mentes humanas. Se não, você pode se colocar em sério perigo. Não esqueça, alguns humanos sabem da existência de vampiros. Alguns humanos nos caçam. Você deve ser capaz de esquadrinhar as mentes ao seu redor. Você deve saber se eles pretendem prejudicar você.

Ela mordiscou seu lábio. Ela não gostava da idéia de invadir a mente de outras pessoas. Era extremamente pessoal, um ato muito íntimo.

“Faça isto, Savannah.”

Não. Ela não podia fazer isto. Ela não podia intrometer-se na mente de outra pessoa, roubar seus pensamentos e sonhos. Ela não podia, não iria, fazer isto.

Ela se levantou abruptamente e se dirigiu a pista de dança.

Savannah!

Ela ignorou seu chamado e continuou a caminhar. Um homem com cabelo loiro curto e um magro bigode correu para a saudá-la.

_Olá, coisa bonita! Você quer dança? - Ela podia cheirar o álcool em sua respiração, ver isto na expressão vítrea de seus olhos. Ela pensou em recusar, estava de fato abrindo sua boca para fazer isso, quando ela ouviu o comando imperioso de William.

“O deixe. Volte para mim!”

Ela ergueu seu queixo e sorriu para o seu companheiro.

_Eu adoraria dançar, - ela ronronou suavemente.

Seus olhos se alargaram e ele imediatamente a puxou sobre a pista de dança.

A música começou a tocar, era uma melodia mais suave, mais leve, e seu companheiro a puxou mais perto, correndo suas mãos por ela...

Savannah empurrou ligeiramente contra seu tórax, querendo pôr mais distância entre eles.

_Ah, olhe, amigo...

Seu olhe estava fixo preso em seus lábios.

_Bill. O meu nome é Bill. - Suas mãos deslizaram até seus quadris.

Isto não era o que ela pretendia. Ela só queria cair fora de William por um momento, Só um momento, de forma que ela pudesse pensar...

“Ele certamente amaria a deitar abaixo, desnudá-la de suas roupas, e deixar nu seu quente pequeno corpo, e...”

Savannah ofegou e empurrou Bill, o fazendo tropeçar para trás. Ela soube os pensamentos eram seus. Ela realmente podia sentir as ondas de luxúria que batiam contra ela.

_Que diabo? - Bill focou nela e avançou, suas mãos fechadas em apertados punhos.

_Não venha para perto de mim, - ela ordenou, seus olhos relampejando.

Bill congelou.

Ela abaixou sua voz, tentando usar a compulsão, como havia usado mais cedo com a garçonete.

_Parta deste bar, tome um táxi, e vá para casa. E nunca mais chegue perto de mim.

Ele piscou e então andou extensamente ao redor ela. Ele caminhou diretamente em direção a saída do bar. Savannah o olhou como um falcão, a raiva ainda correndo por suas veias.

_Problemas? - William suavemente perguntou, aparecendo ao seu lado.

_Nós podemos partir? - Ela perguntou, sua voz um sussurro. Era demais para ela. As pessoas. O Barulho. Os cheiros. Ela apenas quereria chegar ao lado de fora. Para ir embora. Ela tinha que sair.

Ela não esperou por William responder. Ela correu para a porta.

Ela empurrou a porta aberta e tropeçou para fora, respirando fortemente. A segurança olhou para ela, curioso...

Savannah correu. Tão rápida quanto ela podia. Ela não se importou onde estava indo. Ela apenas sabia, que queria ir embora...

Seus pés batiam contra o pavimento. Os edifícios e árvores passavam por ela em um borrão. Mais rápido. Mais rápido.

Os sons a perseguiam. Os cheiros. As vozes.

Ela queria gritar. Só para fazer isso tudo parar.

Ela chocou-se com um parque, no final de uma velha rua. Ela empurrou arbustos e árvores fora do seu caminho e galhos caídos, tropeçando até parar na frente de uma pequena lagoa. Ela ficou lá um momento, lutando para apenas respirar.

Então ela caiu para seus joelhos, olhando fixamente, inexpressivamente a água escura. O que ela fez? O que ela se tornou?

_Você não mudou, - sua voz pareceu sussurrar para ela da escuridão.

_Você é a mesma pessoa que você sempre foi.

Ele a achou. Ela soube que ele acharia. Seu olhar ficou preso na água.

_Não, Eu não sou.

Ele se sentou ao lado dela, e ela podia sentir a força de seu olhar nela. Ela sabia que ele estava esperando que ela dissesse a ele por que ela havia corrido.

A superfície da água parecia tão tranqüila, tão clara. Mas que segredos se escondiam debaixo de sua superfície? Ela fechou seus olhos por um momento.

_Eu não penso que eu possa fazer isto. - Seus olhos se abriram, olhando fixamente para a água.

Ela o sentiu se endurecer ao lado dela.

_Você pode fazer isto. Eu não teria transformado você se eu pensasse que você não fosse forte o suficiente.

Mas ela não era forte. Ela nunca seria forte. Mark tinha sido o forte.

_Savannah. - Sua voz era suave, compelindo.

_Olhe para mim.

Ela girou sua cabeça lentamente em direção a ele.

_Você é a pessoa mais forte que eu já encontrei. Você viveu através de sua doença, por tragédias e morte, e você manteve viva.

Ela agitou sua cabeça. Ele não entendia. Ela só fez o que ela tinha que fazer.

_Não. - Ele foi enfático.

_Você é a pessoa que não entende. Você não vê você mesmo como a mulher que você realmente é. Você me perseguiu. Você me achou, quando eu estivesse recluso por séculos. - Um sorriso pequeno relampejou brevemente.

_E você me chantageou. Sabendo que eu era um vampiro, com o poder e força enorme, você realmente me chantageou.

Ela esvaziou. Ela realmente ameaçou ir para a imprensa com sua história?

Seu sorriso enfraqueceu.

_E você enfrentou Geoffrey. Só, desarmada. Você tentou derrotar um vampiro com mil anos de poder. - Ele agitou sua cabeça.

_E você diz que você não é forte? - Ele não entendia.

_Eu tive que lutar. Ele iria machucar Mary! - Ela não tinha atacado Geoffrey porque ela era forte. Ela o fez para proteger sua amiga.

_Você podia ter morrido protegendo sua amiga! Você estava disposta a negociar sua vida pela dela. Você não percebe quanta coragem é necessária para isso?

Ela tragou. Ela não se sentia corajosa no momento. Ela se sentia apavorada.

_Mas você não deixou seu medo parar você. Você enfrentou Geoffrey de qualquer maneira. E quando você luta, até quando você está consumida pelo medo, isto, doce Savannah, é força.

Ela tremeu. Ela queria acreditar nele, mas...

_Isso não é sobre você acreditar em mim. É sobre você acreditar em si mesma.

Ele estava certo. Ela olhou para a lagoa. Ela tinha que acreditar em si mesma. Acreditar que ela tinha força. Afinal ela havia enganado a morte. Lutado com um vampiro e sobrevivido. E ela teria a vingança para o seu irmão.

_Quanto tempo... - Ela parou, pigarreou, e perguntou;

_Quanto tempo você levou para se ajustar a ser um vampiro?

Ele riu.

_Ah, Savannah. Eu ainda estou me ajustando.

Ela sorriu. Ela ergueu uma pedra e a lançou na água. Uma ondulação pequena apareceu na clara superfície.

_Eu não queria ler os pensamentos de alguém. Parecia muito pessoal. Como se fosse uma invasão. – Seus lábios se comprimiram.

_Entretanto eu o fiz de qualquer maneira.

_Com o homem com que você estava dançando? - Existia uma leve irritação em sua voz.

_Sim. Ele estava pensando em t- tirar minhas roupas e...

_Bastardo. - Ela podia ouvir a ira em sua voz, sentir isto no ar de repente tenso.

_Quando eu soube o que ele queria, eu... - Ela respirou fundo.

_Eu fiquei furiosa. E eu tive medo de perder o controle e o machucar.

_Uma resposta compreensível. - William disse, dobrando seus dedos em um punho apertado.

_Eu penso que alguém desta categoria merecia um pouco de dor.

_Eu usei uma compulsão nele, - ela sussurrou, olhando fixamente para o lânguido ondular ainda evidente no água.

_Eu o mandei partir e nunca se aproximar de mim novamente.

_Hmmm. Parece que ele se saiu bem nessa...

Ela travou seus dentes.

_Eu não queria saber o que ele estava pensando. Eu queria nunca ter ouvido seus pensamentos. Eu não quero saber o que alguém está pensando. É demais! - Ela não podia conceber a idéia de ser bombardeada, com imagens e pensamentos de outras pessoas, suas fantasias.

Suas mãos tocaram seus ombros, acariciando ligeiramente.

_Eu posso ensinar você a controlar isto. Você pode aprender a bloqueá-los.

_Eu pensei que soubesse como bloquear os sons, mas quando eu estava no bar, eu perdi o controle. Eram sons demais. Cheiros demais. Tudo era apenas muito! - Ela tinha tido medo de quebrar sua mente com a pressão...

Ele a puxou contra seu tórax, acariciando seu cabelo com uma mão gentil.

_Você teve um inferno de uma noite, não é?

Ela movimentou a cabeça, apreciando sentir seus braços ao redor dela.

_Melhorará? - Ela perguntou a ele suavemente.

Ele beijou sua testa.

_Sim. A cada dia ficará mais fácil. Você ficará mais forte.

_Eu não quero ler as mentes das pessoas. - Ela soava como uma criança petulante, mas ela não se importava. Ela não podia fazer isto. Ela não podia se forçar nas mentes de estranhos.

_Então eu a ensinarei como bloquear seus pensamentos. Eu ensinarei você como proteger sua mente.

Ela se empurrou para trás, olhando fixamente em seus olhos.

_Obrigado, William.

Ele se surpreendeu.

_Pelo que?

_Por me ajudar.

Ele olhou fixamente em seus olhos. Sua cabeça se abaixou, e ela ergueu seu rosto em direção a ele, ávida por sentir seus lábios contra sua.

Ao invés, ela sentiu um calafrio correr o comprimento de sua espinha. Um vento frio parecia soprar diretamente por ela.

Seus olhos se alargaram.

_William?

Ele puxou para trás, seu rosto duro.

_Vamos, Savannah. Agora. – Ele levantou, a puxando para cima.

_Mas eu não entendo...

Ela ouviu o som de uma risada suave. Risada de homem.

William começou a correr, puxando ela atrás dele.

E então ela ouviu o sussurro, flutuando no vento.

Savannah.

Ela o pode sentir então, sentir a escuridão de sua presença a alcançando, chamando Poe ela.

Geoffrey.

Mas como? William disse que ele tinha ido para a terra, que ele estava recuperando de seus danos. Ele já estava curado?

“Ele esta perto. Muito perto.” - A voz de William, era forte e clara em sua mente.

“Como ele já se recuperou?” - Sua força era espantosa. E apavorante.

William a puxou abaixo por uma rua escura, em um passo frenético. Ele não se recuperou, não completamente.

Então como...

Seu lugar de descanso está perto. Ele pôde nos sentir.

Ela parou de repente.

_Ele está perto? - Se Geoffrey estivesse perto deles, e ele estava fraco... então eles o podiam derrotar.

_Por que nós estamos correndo? Nós temos que achá-lo. Esta é nossa chance! Nós pode...

William girou para enfrentá-la, e sua expressão dura parecia de granito.

Outro calafrio deslizou por ela.

_Nós não estamos correndo dele.

De então quem eles estavam correndo?

_Você não sente isto? - Ele perguntou a ela.

_Você não pode sentir o que está vindo?

Um tremor correu por ela. Ela sentia algo, mas...

Ela notou um tremor lânguido passar por seu corpo.

Seus olhos se alargaram. O que estava acontecendo?

_O sol está vindo. O amanhecer está quase em nós. Nós corremos da luz, não de Geoffrey.

Ele ergueu sua mão, e ela viu que tremia.

_Nossos corpos nos advertem da chegada do amanhecer. Escute seu corpo, e sempre preste atenção a sua advertência. - Ele puxou sua mão.

_Agora, venha, nós não temos muito tempo.

Eles correram, seus corações batendo e seus membros tremendo.

O quanto longe estava o apartamento? Quanto tempo antes do sol...

William a agarrou, a abraçando firmemente contra seu tórax, e os levou para o céu.

Eles subiram rapidamente, voando acima de edifícios e telhados, e em meros minutos, eles estavam no telhado de seu apartamento.

Eles correram para dentro do edifício no mesmo momento em que o sol começou a subir.

Eles correram para o seu apartamento. Com uma onda de sua mão, William fechou as janelas e as cortinas. Nem um rastro de luz solar rastejava para dentro de sua casa.

Eles estavam seguros.

William a levou em seus braços e a colocou sobre a cama.

Uma letargia estranha já estava correndo por ela. Seu corpo parecia pesado, quase como se ficasse mais pesado a cada minuto. E as batidas de seu coração estavam diminuindo a velocidade, parando...

_William? - Ela teve medo. Ela não podia respirar. E seu coração, seu coração...

_Shhh. - Seus braços estavam apertado ao redor dela.

_Não lute contra isto. Só relaxe.

_E- eu estou assustada, - ela sussurrou e então seu coração parou de bater.

 

Hoje, meu pai me perguntou eu tenho medo de morrer.

Eu o ouvi fazer essa pergunta a centenas de homens, logo antes de matá-los.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 21 de dezembro de 1068

 

Sua força estava voltando.

Geoffrey se estirou devagar, sentindo o poder correr por ele. Ele precisava se alimentar. Sangue restabeleceria toda sua força.

Era uma pena que a querida Savannah não estivesse ao redor. Ele certamente apreciaria drená-la pela garganta até deixá-la seca. Senti-la na noite anterior havia sido um prazer inesperado. Ele sentiu sua mente por perto enquanto descansava na noite, e então ele teve que brincar com ela, só um pouco.

Então William acabou com sua diversão. Seu irmão mais velho sempre tentava parar seus jogos. Mas não dessa vez, William não iria pará-lo, dessa vez, William seria derrotado. Destruído.

Ele morreria, como devia ter morrido há séculos atrás.

Geoffrey tinha planejado a morte do seu irmão, até os mínimos de detalhes. Ele tinha um lugar perfeito em mente para o assassinato do seu irmão. Absolutamente perfeito. Era um lugar de vida, de esperança. De sangue e destruição.

Ele sorriu se preparando para subir e se alimentar. Fazia tempo que ele e seu irmão não iam para casa.

 

Ela abriu os olhos e encontrou William olhando para ela, seu olhar intenso.

Ela piscou e respirou fundo. Energia passava através de seu corpo. Energia... e força.

Ela se lembrou do medo que sentira ontem à noite. Sua mão se ergueu e ela tocou seu peito. Ela podia sentir o movimento do seu coração. Lento, firme.

_Vai ser sempre assim? - Ela perguntou baixinho.

William concordou.

_Mas você vai se acostumar a isso.

Será que iria? Ela realmente se acostumaria a sentir seu coração parar de bater? Bem, não era como se ela realmente tivesse uma escolha.

Ele tocou seu rosto.

_Vai ficar mais fácil, Savannah. Acredite em mim. Logo parecerá natural. Assim como seu sono humano.

Ela certamente rezava para que ele estivesse certo. Ela olhou em direção à cortina agora levantada. A noite havia caído. Estava na hora de caçar. Hora de caçar Geoffrey.

Ela se mexeu se preparando para levantar, mas as mãos de William se fecharam ao redor dela, segurando-a cativa.

Ela franziu a testa.

_William? O que é isso?

Seu olhar procurou o rosto dele. Ela notou que sua mandíbula estava apertada, sua cicatriz distinguia-se completamente contra sua pele.

_Eu quero que nós voltemos para Carolina do Norte.

_O que? Por quê? - Eles estavam muito perto da sua meta. Eles sabiam onde o Geoffrey estava. Eles haviam estado muito perto de seu lugar de descanso ontem à noite. Agora era hora de atacar, não de correr.

_Você não esta forte o suficiente para fazer isso, para enfrentá-lo. - Seu tom era áspero.

_Você precisa esperar até...

_Até que ele mate outra pessoa? Até que ele sacrifique o irmão de outra pessoa? Outro casal? - Ela agitou sua cabeça.

_Não, eu não posso fazer isto. Eu não posso esperar mais. Ele tem que ser parado.

_Então me deixe fazer isso. Deixe-me pará-lo. Volte para minha casa e me deixe cuidar de Geoffrey. - Seus olhos brilhavam com a esperança.

_Oh, eu entendo. Eu deveria ser a frágil mulher que se esconde e deixa você cuidar do grande monstro do mal, certo? - A raiva lavava seu rosto e envenenava seu discurso.

_Se supõem que eu deveria voltar e deixar você fazer todo o trabalho, certo? Certo?

Um músculo se flexionou em sua mandíbula.

_Errado! - Ela estalou, lutando contra o seu abraço. Ela não podia acreditar que ele pudesse até mesmo sugerir tal coisa. Pensar que ela ficaria para trás esperando calmamente, enquanto ele seguia Geoffrey.

_Você me prometeu, William! Você prometeu que eu teria minha vingança!

Ele a apertou contra a cama a prendendo enquanto ela lutava para se soltar.

_Maldição, Savannah! Ele é meu irmão!

_E ele matou o meu! - Ela lutou contra ele, chutando e arranhando com toda sua força.

William congelou seus dedos fechados ao redor de seus pulsos. O sangue gotejava de um corte profundo em sua bochecha. Seus olhos brilharam vermelhos, então pretos.

_Eu não quero que ele te machuque, - ele disse, sua voz suave e profunda.

_Ele não me vai machucar, - ela prometeu, fechando seu olhar nele.

_Ele não vai machucar mais ninguém. Nós vamos pará-lo!

Seus dedos acariciaram sua pele delicada. Seu pulso batia furiosamente sob seu toque.

_Você ainda está fraca por causa da mudança. Você precisa de mais tempo para se recuperar, aprender sobre seus poderes. Venha comigo para as montanhas...

Ela podia ouvir a razão em suas palavras, podia ouvir o pedido suave. Mas ela não podia lhe dar isso.

_Eu vou atrás dele. Com ou sem você. - Ela não deixaria que o sangue de outra pessoa inocente manchasse suas mãos. Ela tinha que pará-lo.

_O sangue não está em suas mãos, - ele disse a ela suavemente.

_Está nas minhas. Tem estado sempre nas minhas.

Ele se levantou, olhando abaixo para ela.

Ela se sentou lentamente, empurrando seu cabelo para trás rapidamente com uma mão.

William olhou para ela, mas ela podia dizer que ele via apenas o passado.

_Eu devia tê-lo matado quando eu tive a chance.

Ela agarrou sua mão fechando seus dedos com os dele.

_Me diga, William. Diga-me o que aconteceu.

William exalou pesadamente, e as sombras de seu passado varreram o quarto.

_Henry estava morto, mas eu não podia deixá-lo lá. Eu não podia deixar aqueles bastardos profanarem seu corpo. Então eu o tirei pelos túneis debaixo da fortaleza do meu pai...

Ele ainda podia ver isso muito claramente. Tão claramente.

 

Os túneis eram úmidos, escuros. O odor da morte e decadência pairava no ar. O corpo do Henry era um peso leve contra seu ombro, mas a dor que ele sentia era esmagadora. Ele tinha chegado muito tarde. Tarde demais para salvar Henry, muito tarde para salvar o irmão que ele sempre tentara proteger tão duramente.

Ele não sabia por quanto tempo ele caminhou pelos túneis. A passagem se estreitou, até que ele teve que girar lateralmente e puxar Henry atrás dele. Então a passagem se alargou novamente, e ele continuou andando, erguendo o corpo quebrado do seu irmão em seus braços.

Seu bisavô tinha sido o primeiro a achar as passagens. Era um segredo de família para serem usadas numa emergência. As passagens sinuosas levavam ao extremo norte das terras da sua família.

Ele visitara esse lugar freqüentemente quando criança. Henry o tinha seguido, uma sombra quieta, estável.

Um dia eles descobriram uma caverna aconchegada nos penhascos. Era pequena, provavelmente não mais do que quinze metros de profundidade.

Eles gastaram dias incontáveis naquela caverna, conversando e planejando. Tinha sido o seu lugar secreto. Seu refúgio contra a raiva do seu pai.

A caverna seria agora o lugar de descanso do seu irmão. Henry estaria seguro na caverna. Ninguém iria encontrá-lo. Ele poderia descansar lá, pela eternidade.

A passagem mudou, começando uma curva para cima. William podia sentir o cheiro do mar, quase sentia o toque da água fresca contra seu rosto.

Ele saiu de encontro à noite.

Algo se chocou contra ele, fazendo-o cair de joelhos. Ele se esforçou para segurar Henry.

_Levante! Levante seu bastardo!

William sentiu a ponta de uma lâmina contra sua garganta.

Ele se moveu devagar, descendo corpo do Henry até chão. A lâmina apertou mais fundo, fazendo seu pescoço sangrar.

As gengivas de William começaram a queimar, seus dentes começaram a crescer.

Levantou-se lentamente, seu olhar subindo para encontrar o fixo olhar vermelho em chamas do homem ante ele.

Seu irmão Geoffrey sorri para ele, revelando seus dentes.

_Surpreso, irmão? Você achou que era o único digno do presente escuro?

Horror passou através de William.

_Geoffrey! Meu Deus, o que você fez? - Ele ainda podia ver o corpo do seu pai, ver o sangue que manchava o chão.

Geoffrey estreitou seus olhos e enfiou mais profundamente a lâmina na garganta de William.

_O que eu fiz? Eu cumpri meu destino. Eu tomei o poder que estava destinado a mim! - Seu olhar caiu para o corpo do Henry.

_A pergunta, irmão, é o que você fez?

William empalideceu.

_Eu tentei salvá-lo, eu tentei, mas era tarde demais. Ele já estava...

_Henry era o único com quem eu me importava, - Geoffrey disse suavemente.

_Meu irmão de verdade. Meu sangue.

_Ele era meu irmão, também! Eu tentei salvá-lo! - Ele tinha feito tudo que ele podia para salvar Henry.

_Você o matou, - Geoffrey vociferou.

_Você matou Henry!

William queria negar as palavras. Ele tentara tanto salvar Henry. Ele procurou o vampiro. Ele tomou o presente escuro. Ele fez tudo, mas... Henry estava morto.

_Você nunca foi forte, apesar do que nosso pai pensava. - Os lábios de Geoffrey se curvaram em um rosnado.

_Eu deveria ter sido enviado primeiro. Se o Pai mandasse a mim, Henry estaria vivo agora!

Uma suspeita escura cresceu em William quando ele olhou fixamente no olhar cheio de ódio do seu irmão.

_Você sabia o que nosso pai estava fazendo com Henry?

Geoffrey não o respondeu.

_Você sabia que nosso pai estava torturando ele? - William rugiu, indiferente a dor do aço cortando sua garganta.

_Eu sabia o que o bastardo estava fazendo. Eu sempre soube.

Geoffrey e seu pai tinham sido semelhante em tantas coisas. Eles compartilhavam a mesma luxúria por poder, por sangue. O olhar de William caiu fixamente para a espada diante ele. Era a espada do seu pai.

_Você matou nosso pai, não é?

_Claro que eu o matei. Eu devia ter matado o bastardo há muito tempo! Eu nunca fui bom o suficiente para ele. Nunca suficientemente forte. Não como seu precioso William! -Geoffrey cuspiu.

_Ele sempre pensou que você era tão forte. “Seu único Filho verdadeiro!” - Ele citou com um olhar de nojo.

_Geoffrey...

Seu irmão não parecia ouvir.

_Eu devia ter sido o filho primogênito, o favorito, não você! Eu fui o designado para a grandeza. Não você!

William lentamente moveu sua mão direita em direção ao punho da espada.

_Você devia ter morrido há muito tempo. - O rosto de Geoffrey era uma máscara de ira.

_Você devia ter morrido naquele maldito rio. Então eu teria sido o próximo Montfort. Eu teria sido o próximo líder!

Você devia ter morrido naquele maldito rio. Um arrepio percorreu William. Ele se lembrava daquele dia. A água gelada. Ele lutando, desesperadamente para se manter à tona, ele gritando por socorro, ele implorando para que Geoffrey o ajudasse.

Ele sempre pensara que Geoffrey fora buscar os soldados do seu pai. Que Geoffrey tinha tentado salvá-lo. Mas seu irmão queria matá-lo.

William fechou os dedos ao redor do punho da espada.

_Você não morreu então, - Geoffrey disse.

_Mas você morrerá agora!

William puxou sua espada velozmente, em um silêncio mortal. Suas espadas se chocaram com um impacto brusco.

_Não esteja muito certo disso, irmão!

Ele passou sua vida inteira treinando para a batalha. Desde que ele ganhara o beijo escuro, William estava muito mais forte, mais poderoso. Mas Geoffrey era um páreo perfeito para ele.

Apenas o ruído das lâminas se chocando era ouvido.

Eles treinaram juntos desde o momento em que eles eram velhos o suficiente para caminhar sobre o campo de batalha. Eles aprenderam, lado a lado, como fazer para atingir, atacar, matar.

Agora, eles lutavam um contra o outro.

A espada de Geoffrey cortou abaixo, pegando ao longo do braço de William. Seu sangue derramado sendo absorvido pelas suas roupas.

Geoffrey riu, seus olhos brilhantes com a excitação da batalha.

_Você sabe de que os camponeses me chamam irmão? Não sabe?

William tinha ouvido as conversas, os sussurros. Ele balançou sua espada, bloqueando o ataque de Geoffrey.

Seu irmão era um grande lutador, um lutador sujo. Ele não podia baixar sua guarda.

_Você pode ser o Escuro para eles, - Geoffrey disse, grunhindo enquanto evitava a espada de William, mas eu sou o que eles verdadeiramente temem. Eu sou chamado o Açougueiro!

A arma de Geoffrey relampejou em direção ao tórax de William. William balançou, bloqueando a lâmina um segundo antes dela mergulhar no seu coração.

Geoffrey se contorceu esgrimindo uma faca que ele escondia na sua mão esquerda. A faca afundou no ombro do William.

William gemeu em agonia pela dor que passou por ele.

_Eu sou chamado o Açougueiro porque eu não mato apenas meus inimigos. - Geoffrey riu um som maníaco.

_Eu os sacrifico. Como eu sacrificarei você!

_Não... se ... eu ... matar ... você... primeiro... - William pulou, balançando sua espada com toda sua força. O metal gritou quando a espada do seu irmão quebrou em baixo da força de sua lâmina.

Geoffrey caiu por terra, atordoado pela força de William.

William grunhiu, puxando a faca de seu ombro. Ele olhou fixamente para a lâmina sangrenta e então olhou abaixo para Geoffrey.

Geoffrey se moveu, abaixado, esperando pelo momento perfeito para agir.

William soltou sua espada e agarrou a faca. Ele se lançou em seu irmão.

Geoffrey o encontrou no caminho.

William acertou seu punho na mandíbula do Geoffrey.

Geoffrey tropeçou de volta, e então girou, começando a atacar com os pés. William saltou para o lado, escapando do ataque do seu irmão.

Seus dedos escorregavam por causa do sangue quando ele agarrou a faca.

_Você não pode me matar, - Geoffrey estalou.

_Você não é forte suficiente!

William lançou a faca que afundou até o cabo no tórax do seu irmão. Geoffrey olhou fixamente para ele, atordoado. Então caiu por terra.

William olhou fixamente para corpo caído de Geoffrey. Ele sabia que Geoffrey não estava morto. Ele não podia estar. Seria preciso mais que uma lâmina de aço para matar ele.

Geoffrey começou a rir. Um riso rico, profundo se derramava de sua garganta junto como seu sangue derramado sobre o chão.

William deu um passo em direção ao seu irmão. Um, então outro. Ele se moveu cautelosamente, sabendo que Geoffrey poderia atacar a qualquer momento.

Ele olhou para Geoffrey. O luar se derramava no semblante do seu irmão. Sangue gotejava de sua boca.

_Será preciso mais do que isso... para me matar. - Seus lábios se torceram em seu familiar sorriso zombeteiro.

William se abaixou e puxou a faca de seu peito.

_Eu sei. - Ele engoliu. Ele não tinha uma estaca de madeira. Isso deixava só outro jeito de matar um vampiro.

O sorriso do Geoffrey se desvaneceu quando ele entendeu a intenção de William.

_Você não pode... - Ele tossiu, se sufocando com seu próprio sangue.

_Eu farei o que eu devo fazer. - As mãos de William se agitaram quando ele pensou na tarefa horrenda que ele tinha que fazer.

_Eu... sou... o açougueiro... não você.

William fechou os olhos. Será que ele poderia fazer isso? Ele poderia matar seu próprio irmão?

Geoffrey pareceu sentir seus pensamentos.

_Você matou... Henry... Então agora... você ... vai... me matar... também?

Os olhos de Willian relampejaram abertos, ele olhou fixamente a figura caída do Geoffrey. Por um momento, um segundo, ele viu o rosto do Henry. Os olhos azuis claros do Henry olhando fixamente de volta para ele. Ele podia ver a tristeza do Henry. Ver o apelo no rosto do seu irmão.

E ele hesitou.

Geoffrey atacou. Ele se atirou em seus pés num borrão de velocidade. Ele retirou a faca do seu peito e mergulhou no coração do William.

William sentiu o toque de frio da morte sobre o seu rosto.

Geoffrey tocou-o levemente com um dedo manchado de sangue.

_Diga-me, irmão, - ele sussurrou, inclinando-se perto para olhar nos olhos de William.

_Você tem medo de morrer?

O corpo do William caiu no chão.

 

William agitou sua cabeça lentamente, tentando escapar do peso de seu passado.

_O sol começou a subir então. Ele me deixou, sabendo que eu morreria quando a luz solar tocasse meu corpo. Ele riu, e me deixou lá. Ele me deixou lá para morrer.

_Como você sobreviveu? - Ela perguntou baixinho.

William olhou para Savannah. Ela sentava-se calmamente, enquanto ele falava. Suas pernas estavam dobradas em baixo dela, e suas mãos cruzadas firmemente.

Ela parecia tão bonita. Tão boa. Ele não a merecia.

_William? - Suas sobrancelhas se enrugaram.

_Há algo de errado?

Ele engoliu e se forçou a desviar o olhar da compreensão e da preocupação que ele podia ver claramente nos olhos de esmeralda.

_Não, - ele parou, limpou sua garganta e repetiu.

_Não, nada está errado.

_Como você sobreviveu? - Ela perguntou novamente. Ele podia sentir o olhar dela sobre ele, como um toque físico sobre sua pele.

_ Eu não tinha muita força. Eu tinha perdido muito sangue. Mas eu sabia que não podia simplesmente ficar lá, eu não poderia esperar o sol nascer e acabar comigo. - Não, ele não tinha sido capaz de ficar lá e esperar pela morte. Ele sabia que tinha que sobreviver. Ele sabia que ele tinha que parar Geoffrey.

_A caverna estava perto. Eu sabia que se eu pudesse entrar na caverna, eu estaria seguro. Eu seria capaz de descansar até pôr-do-sol. Eu consegui me levantar, agarrei Henry pelos braços e o puxei comigo para a caverna. - Ele agitou sua cabeça.

_O amanhecer estava perto, muito perto. Minha pele já tinha começado a queimar. -Ele podia ainda cheirar o fedor de carne queimada.

_E quando você despertou no pôr-do-sol?

Seus lábios se torceram.

_Eu disse adeus para Henry e comecei a caçar Geoffrey. - E ele o havia caçado por novecentos anos.

_Quando você encontrar Geoffrey, o que você vai fazer?

William se sentou na extremidade da cama. Seus olhares se encontraram.

_Eu vou matá-lo. - Suas palavras eram uma promessa. Dessa vez, ele não falharia.

Uma pequena linha se formou na sua testa.

_Mesmo ele sendo seu irmão?

_Henry era meu irmão. Ele morreu muito tempo atrás. Geoffrey... - Ele respirou fundo.

_Geoffrey é do mal. Ele vive para machucar outros. Para torturá-los. Se alguma vez houve qualquer bondade dentro dele, morreu há muito tempo. - Seus dedos acariciaram seu braço. Ele olhou para sua mão. Parecia tão frágil e tão delicada. Ele ergueu seus dedos, capturando sua mão.

_Savannah, eu o seguirei. Eu me certificarei que ele nunca machucará outra pessoa, eu juro que vou.

_Não. - Ela agitou sua cabeça, mas não fez nenhuma tentativa de retirar seus dedos de seu alcance.

_Você não vai atrás dele sozinho. Nós faremos isto juntos. Lembre-se do acordo...

_Esqueça o acordo! - William explodiu.

_Eu não vou deixá-lo chegar perto de você. Ele é muito forte. Se ele matasse você... ele parou bruscamente estremecendo com o pensamento da morte de Savannah.

Não. Não, não podia acontecer. Ele não podia deixar seu irmão chegar a qualquer lugar próximo dela. Ele iria protegê-la.

_Você não pode me proteger de tudo, - disse ela, seu olhar vigilante.

_Existem coisas neste mundo que eu devo enfrentar sozinha.

_Você não tem que enfrentar ele! - William estalou.

Seu olhar era firme.

_Sim, eu tenho.

Suas mãos se crisparam. Ele podia ler a determinação muito claramente em sua voz.

_Se ele machucar você...

_Ele não vai ter uma chance, - ela prometeu.

_Você e eu vamos pará-lo.

Ele sabia que ela não iria desistir. Ela não deixaria ir só. Ele teria que certificar-se que ela estivesse segura. Ele pararia seu irmão. Ou morreria tentando.

Ele se debruçou adiante e a beijou. Duro. Fundo. Ele precisava saboreá-la, sentir sua boca contra a sua.

Ela respondeu imediatamente, sua língua empurrando contra a sua e um gemido baixo escapando da sua garganta.

Ele queria colocar ela no chão. Desnudar seu corpo perfeito, se afundar nela e se perder em seu calor.

Mas seu irmão estava lá fora. Perseguindo na noite. Caçando.

E ele tinha que ser parado.

Com um esforço feroz, ele puxou para longe de Savannah. Seus olhos eram fundas piscinas misteriosas. Ela olhou fixamente para ele, esperando.

Ele respirou fundo, trazendo seu furioso corpo de volta ao controle. Agora não era a hora. Mais tarde, eles estariam juntos. Eles estariam juntos para sempre.

Ele se levantou e com um aceno de sua mão abriu as portas da sacada.

_Venha, Savannah. É hora de nós caçarmos. - Eles achariam sua presa. Eles achariam Geoffrey.

E o destruiriam.

 

Ele sentiu seu irmão no momento em que ele se levantou. Ele podia sentir a raiva de William. Sua ira.

Geoffrey sorriu. Seu irmão estava perdendo o controle. Bom. Suas emoções o faziam fraco, vulnerável, uma presa fácil.

E ele podia sentir a mulher. Savannah. Sua mente era forte. Ele podia sentir sua raiva, seu medo.

Ele amava quando suas vítimas o temiam. O medo tinha um sabor tão bom, tão doce. Ele sabia que eles estavam vindo até ele. Tolos. Eles realmente pensavam que poderiam derrotá-lo.

Eles não conheciam o poder que ele tinha?

Iriam descobrir. Sim, eles iriam descobrir muito em breve. Estava na hora de fazer sua armadilha.

Estava na hora deles morrerem.

 

A morte está vindo para mim.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 24 de dezembro de 1068

 

Eles voltaram para o parque onde tinham percebido Geoffrey. Seu lugar de descanso tinha que estar por perto.

Savannah observou William cuidadosamente. Ela queria chorar por ele, por tudo o que ele tinha sido forçado a suportar. Ele assistiu Henry morrer. Ela sabia que ele se culpava pela morte do seu irmão. Ela podia ver a culpa, senti-la emanando dele. Ela desejava poder tomar isso para ela e carregar por ele. Ela sabia que ele havia tentado salvar seu irmão. Ele havia ganhado o beijo escuro, somente para salvar a vida do Henry.

Mas no final, ele perdeu Henry.

E agora, ele seria forçado a matar Geoffrey. Matar seu próprio irmão antes que seu irmão o matasse.

_Por aqui - William começou a caminhar abaixo pela trilha, seu olhar afiado esquadrinhando a área.

Savannah respirou fundo e o seguiu. Ela sabia que William podia sentir seu irmão, e ela estava desesperadamente com medo que Geoffrey pudesse senti-lo, também.

_Você acha que ele sabe que nós estamos aqui? - “Ela perguntou tremendo, enquanto ela se lembrava do som da voz de Geoffrey chamando por ela”. - ”Savannah.” Ele soube que eles estavam aqui na noite anterior.

Ele saberia agora?

_Ele sabe, - William disse simplesmente.

_Tente guardar seus pensamentos da melhor maneira possível.

Ela assentiu.

O caminho terminava na extremidade do parque. O escuro olhar de William varreu a área, movendo-se rapidamente pelas ruas vazias e casas velhas. Ele começou a caminhar, seu olhar intenso enfocado em Geoffrey.

A rua estava estranhamente silenciosa. Era bastante cedo, só um pouco depois das oito, mas não tinha ninguém ao redor. Todas as casas estavam trancadas, como se as pessoas que viviam nelas tivessem sentido que houvesse algo de errado nas ruas.

William parou no canto da rua. “Onde está você?” Ele sussurrou suavemente. Suas sobrancelhas estavam juntas e ela sabia que ele estava ferozmente concentrado, usando todo seu poder psíquico.

_Droga! - Ele explodiu.

_Onde inferno está você? - Um músculo se flexionando ao longo da sua mandíbula.

O coração da Savannah batia forte. Ela podia sentir sua frustração batendo contra ela.

_William?

Ele virou-se, sua expressão dura.

_É como antes. Eu sinto um eco da sua presença, mas eu não posso dizer onde ele está. - Estremecendo ele tomou uma respiração profunda.

_Ou para onde ele foi.

Ao longe, Savannah ouviu o gemido de uma sirene.

_Foco, William, - ela ordenou, sua voz tranqüila.

_Use seu poder e imagine ele, veja ele, ache ele.

Ele agitou sua cabeça.

_Eu não posso. Eu não sou forte o suficiente. - Ele acenou sua mão em direção as casas.

_Há muitas pessoas no caminho. Muitos pensamentos. Muitas vozes. Eles o estão abafando. - Seus olhos chamejaram com a compreensão.

_Ele os está usando para se esconder. É por isso que ele escolheu a cidade. Ele pode desaparecer aqui, as vozes e os pensamentos o protegem. - "Eu não sou forte suficiente”, - ele mentalmente terminou.

_Talvez você esteja certo, - ela disse suavemente.

_Talvez a mente de um vampiro não seja poderosa o suficiente para encontrar alguém como Geoffrey. - Ela hesitou.

_Mas talvez dois vampiros possam fazer isto.

Ela fechou os olhos e enfocou sua mente em William, despejando todo o seu poder e força nele. Em sua mente.

_O que você... - Seu corpo tremeu quando ele sentiu ondas de calor passar por ele.

_Savannah?

_Use-me, - ela sussurrou.

_Ache ele.

William tragou. Luxúria queimando em seus olhos. Sua necessidade, sua fome, embrulhada ao redor ela. Ela podia senti-lo, suas emoções, suas necessidades, rodando dentro de sua mente.

E ela sabia que ele podia senti-la. Seus pensamentos, seus sonhos, seus medos.

Seus olhos queimavam vermelhos.

_Você tem certeza? - Ele rangeu.

_Sim.

Ele tomou seu poder, puxando ele, puxando dela, para dentro dele. Bem fundo. Suas mentes ligadas, seus pensamentos, seus sentimentos, eles se fundiram e se tornaram um. Ela podia senti-lo, seu corpo, sua força. Ela não podia dizer onde ela acabava e ele começava.

Seu poder dobrou, e ele enviou um pulso psíquico na noite.

Juntos, eles se concentraram em Geoffrey, canalizando toda a sua força em achá-lo.

Uma nuvem de negra apareceu ante eles.

Savannah ofegou.

_O que é isso? - Ela podia sentir o mal, o escuro ódio retorcido.

A nuvem esticou, descendo rua abaixo na noite.

_Isso é Geoffrey.

O olhar de William estava fechado na nuvem escura.

_Vamos, eu não sei quanto tempo eu posso segurar seu rastro.

Eles correram, seguindo a nuvem escura, serpenteando pelas ruas e becos.

E a cada passo que eles davam, suas mentes continuaram ligadas, completamente ligados seus corações batiam em uníssono.

Eles correram a frente, sabendo que não tinham um minuto a perder. A estrada fez uma curva, e então virou à esquerda.

Os olhos de Savannah se alargaram a visão ante eles.

_Um cemitério? - Ela percebeu que William tinha ouvido o horror em sua voz.

_Ele está descansando dentro de um cemitério?

Um portão de ferro forjado enorme cercava o cemitério. Savannah podia ver lápides e abóbadas de pedra altas se desintegrando atrás do portão. A grama era enorme, muitas das lápides cobertas de ervas daninhas.

_Eu deveria ter sabido, - murmurou William, facilmente saltando por cima da cerca.

_Um lugar como este seria perfeito para ele.

Savannah mordeu o lábio, examinando o alto portão. Tinha, pelo menos, doze metros de altura. A parte de cima era forjada com pontas afiadas, como pequenas lanças. Ela se agachou, mantendo o olhar fixo sobre as pontas e então saltou no ar.

Ela caiu do outro lado, seus joelhos se dobrando em baixo dela.

William inspecionava o cemitério. A nuvem preta os levou para o portão. Não tinha mais nenhuma pista do lado de dentro.

_Fique perto, - ele sussurrou.

_E não baixe sua guarda nem por um minuto.

Adrenalina e medo corriam por ela. Ela sabia que Geoffrey poderia atacá-los em qualquer momento. Ele podia estar em qualquer lugar. No chão em baixo deles. Em cima deles nos galhos da árvore do velho carvalho. Ou esperando, espreitando em algum velho mausoléu.

O vento uivava baixinho. Folhas secas quebravam em baixo dos pés de Savannah. O lugar fedia a morte. Seu corpo estava tenso. Seu coração batia forte.

William caminhava a sua frente, o corpo agachado e pronto para a batalha.

Ela pisou com cuidado sobre uma lápide quebrada.

_Você pode senti-lo?

_Não. Eu não posso sentir bem.

Ela esquadrinhou o cemitério, seu olhar se movendo acima das sepulturas. Ela viu um fraco flash de luz, um breve lampejo na escuridão.

Seus olhos se estreitaram e ela deu um passo à frente. O que era isso? Ela chegou mais perto. Ela podia ver o que parecia ser uma arma, uma reluzente alça incrustada com jóias. Era...

_A espada do meu pai. - William agachou e retirou a arma, removendo-a da lápide antiga. Ele segurou a arma facilmente.

A lâmina longa cintilou com o luar. Olhando para William, com a longa espada em suas mãos, Savannah podia facilmente imaginá-lo como ele uma vez tinha sido. Um guerreiro.

Forte. Mortal.

_Por que ele deixaria a espada do seu pai aqui?

_Ele estava me enviando uma mensagem para mim.

_Que tipo de mensagem?

Seus dedos se cerraram em torno da espada.

_A última vez eu vi essa espada, eu estava nas terras do meu pai e meu irmão estava usando ela para tentar me matar. - Ele respirou fundo.

Savannah esperou em silêncio, perguntando-se o que mais vinha.

_Ele usou essa arma para matar o meu pai. Ele quase me matou com isso. Ele não a deixou para trás sem nenhuma razão. Ele a valoriza demais. - Seu olhar varreu o cemitério escuro mais uma vez. Seus ombros pareceram cair.

_O que foi?

_Geoffrey se foi. Do cemitério. De Seattle.

_O que? - Impossível. Ele não podia ter fugido deles!

William olhou abaixo a arma em sua mão.

_Geoffrey voltou para casa. Ele voltou para as terras do meu pai. De volta para o lugar onde esse pesadelo começou. E ele quer que eu o siga.

_Como você sabe disso? - Ela perguntou atordoada.

Ele apontou para a lápide.

_A espada foi colocada nesta lápide em particular por uma razão. Leia a inscrição, Savannah.

Ela olhou para baixo. O tempo tinha apagado o nome do homem morto, mas ela podia ainda ver levemente as palavras impressas no meio da lápide. A morte nos leva de volta ao começo.

_O começo, - ela sussurrou quando compreendeu. O início da vida de William como um vampiro tinha sido em um castelo europeu. Ela ergueu seu queixo e encontrou seu olhar fixo.

_Vamos.

 

Eles chegaram à França três dias mais tarde. Eles tiveram que fretar um avião privado. William podia ter voado por conta própria, usando seus poderes, mas Savannah não era forte suficiente para tal jornada.

Eles fretaram o avião e fizeram acordos para que todas as janelas fossem escurecidas. O dono do avião concordou com seu pedido com só um levantar de sobrancelhas. Ele disse a eles que depois de voar com inúmeras celebridades, ele estava acostumado com as “esquisitices” das pessoas.

O avião aterrissou no aeroporto uma hora depois do pôr-do-sol. Savannah e William agradeceram o piloto, e então depois de dar a ele uma pequena compulsão eles desapareceram, sabendo que o piloto esqueceria completamente sobre o casal que ele levou através do Atlântico.

 

William embalou Savannah cuidadosamente contra ele, sentindo seu coração bater à medida que eles voavam através da zona rural. Ele escondeu sua presença, então, se acontecesse de alguém olhar para cima, eles não seriam vistos.

Ele desejou que pudesse parar, colocá-la num quarto em uma aldeia quieta e deixá-la longe do alcance de Geoffrey. Ele estava apavorado de que algo acontecesse com ela.

_Eu vou estar bem, - ela murmurou baixinho, sua voz como música para seus ouvidos.

_Pare de se preocupar comigo.

_Deixe-me por você em segurança. Eu posso enfrentá-lo sozinho.

_Não. Nós o enfrentaremos juntos.

Mas eles sobreviveriam juntos?

Ele beijou seu rosto, inalando seu doce perfume. E, pela primeira vez desde a morte do Henry, ele rezou. Ele rezou a Deus para proteger Savannah.

Voaram várias milhas rapidamente, a zona rural pouco mais que um borrão abaixo deles. Então ele viu o rio. O rio sinuoso, preto. E ele soube que ele estava em casa.

Ele podia ver a terra de seu pai, podia ver as ruínas do velho castelo. A muralha de pedra antiga. O vazio fosso circundante. Mas nenhum sinal de Geoffrey.

Ele aterrissou, colocando Savannah suavemente em seus pés.

Ele caminhou em direção ao caminho de pedra que conduziam a fortaleza de seu pai.

_Aqui foi onde em encontrei meu pai.

Ele ainda podia ver uma mancha vermelha nenhum degrau mais alto. O sangue do seu pai. Suas mãos se crisparam, e ele subiu os degraus. Para apenas uns segundos, quando ele pensou ter ouvido a voz do seu pai.

_William?

Ele piscou, olhando atrás em Savannah. Seus braços estavam cruzados acima do seu peito. Seu rosto apertado com preocupação.

Preocupação para ele.

Ele caminhou de volta para baixo aos poucos. Girando suas costas para o passado.

_Se ligue comigo, - ele sussurrou.

E ela fez.

Seu calor o inundou. Sua bondade, sua força.

Naquele breve momento, ele esqueceu seu passado. Ele esqueceu Geoffrey. Seu único pensamento era ela.

Savannah.

Ele a puxou em seus braços, seus lábios tocando os dela. Ela respondeu avidamente sua paixão uma combinação perfeita para a sua.

Seus corpos apertados juntos. Seus corações batendo em uníssono.

Ele ergueu sua cabeça lentamente.

_Savannah, eu...

Um vento frio varreu através da terra, gelando ele. E ele ouviu o som zombeteiro do riso do seu irmão.

Ele se virou, empurrando Savannah atrás dele. Ele esquadrinhou ao redor, usando sua própria força e a que Savannah lhe deu. Ele podia sentir seu irmão, sentir a mancha da sua presença.

Geoffrey estava perto. Muito perto.

“Se você me quer assim tão mal, meu irmão, então venha e me ache.”

O insulto do Geoffrey sussurrou em sua mente. Atrás dele, ele sentiu o calafrio de Savannah. Conectada a ele como ela estava, ela ouvia a voz do Geoffrey, sentia o mal.

Abruptamente, William cortou seu vínculo com Savannah.

_William? O que...

_Nós não podemos ficar ligados, não agora. Se algo acontecer... - Ele passou a mão sobre o rosto. Se algo acontecesse com ele, e eles estivessem ligados no momento, então Savannah iria experimentar sua morte, da mesma maneira que ela foi forçada a compartilhar últimos momentos do Mark. Ele não iria colocá-la nessa agonia novamente.

_Nós não podemos nos vincular agora, - ele disse a ela, cuidadosamente protegendo seus pensamentos.

_Drenará nossos poderes muito depressa.

Ele podia sentir sua confusão e medo. Mas ele sabia que ela lutava para se conter, ser forte.

Naquele momento, ele não quis mais nada além de puxá-la em seus braços e a abraçar. Somente abraçá-la. Mas seu irmão estava esperando. E a morte viria por ou ele ou por Geoffrey

Esta noite.

_Onde está ele? - Savannah sussurrou.

William esquadrinhou o terreno áspero com o olhar. Onde seu irmão se esconderia? Onde...

Um lobo uivou.

William congelou. Nunca existiu um lobo nas terras de seu pai. Nunca.

O uivo soou novamente. Mais alto.

O lobo estava perto e William podia sentir a fome avassaladora da besta ... e sua ira escura.

_É ele, não é? - Savannah avançou, aguardando o lado de William.

_É Geoffrey.

William concordou. Seu irmão estava usando seu poder para se transformar.

Ela respirou fundo.

_Você tem certeza que você pode fazer isso?

Ele olhou para ela com seus olhos brilhando e o rosto pálido.

_Geoffrey tem que ser detido. - Ele não podia deixar seu irmão machucar mais ninguém.

Ela concordou.

Ele voltou a enfrentar a noite, a enfrentar seu irmão. Ele podia sentir onde o lobo estava, podia até ouvir o ruído suave das folhas em baixo das patas do lobo. O lobo estava correndo, e ele queria que William o seguisse.

Então ele o fez.

Ele correu para a noite, com Savannah em seus calcanhares. Ele correu sobre a terra úmida e dentro da floresta escura. Acima das árvores caídas, acima da terra que viu séculos de assassinato e dor. Ele correu passando pela antiga aldeia. Passando pelo rio onde ele quase se afogou. Ele correu o mais rápido que pode seguindo o lobo para mais e mais fundo na noite.

As árvores começaram a diminuir e a floresta a desaparecer. A lua o banhava com sua luz, iluminando o caminho que eles seguiam, e William percebeu para onde o lobo o estava levando.

Você tem certeza que você pode fazer isso.

A caverna apareceu ante ele.

E lá, na entrada, com olhos vermelhos e caninos enormes, o lobo esperou.

Ele parou, olhando fixamente para o lugar, o lobo, e ele lembrou.

Henry, coberto em sangue, seu corpo quieto na terra dura.

Seu pai, seu corpo cortado, seu sangue manchando os degraus de pedra.

E Geoffrey, apontando espada do seu pai diretamente em seu coração. Rindo.

William voltou atrás, e puxou espada do seu pai da bainha que estava em suas costas. A lâmina cintilou no luar. William jurou que ele podia ainda ver sangue brilhando na ponta.

O lobo piscou, e num instante, Geoffrey ficou ante ele.

_Bem vindo a casa, irmão. - Seu olhar vermelho se moveu brevemente acima do corpo tenso de Savannah.

_Entendo, você me trouxe um presente.E acredite, eu o apreciarei... logo depois que eu matar você.

William avançou, erguendo a espada.

_Você não vai tocá-la.

Geoffrey ergueu uma escura sobrancelha.

_Deixe-me entender. Você acha que você vai me parar, me matar. - Ele sorriu e balançou sua cabeça.

_Eu não acho. Você não pode me matar antes e você não poderá me matar agora.

_Não aposte nisto, - William rosnou.

Geoffrey riu.

_Vamos, eu sou seu irmão. Seu sangue. Você não pode me matar. Você não irá me matar.

_Você não é meu irmão. - William deu outro passo.

_Meu irmão morreu nesse lugar há novecentos anos. Henry era o único irmão que eu tive. Você não é nada pra mim. Você nunca foi.

Os olhos de Geoffrey relampejaram, e ele atacou, lançando seu corpo não em William, mas em Savannah. Suas mãos se transformaram se tornando garras mortais. Ele agarrou Savannah, sua face uma máscara de ódio.

_Não! - William balançou a espada, cortando seu irmão no ombro.

Geoffrey gritou cambaleando com a dor. Sangue caía pelo seu braço. Geoffrey olhou para o seu ferimento, e sorriu, embalando seu ombro.

_O primeiro sangue é seu, irmão. - Ele andou de volta e correu em direção as montanhas.

William praguejou e correu atrás dele. Ele viu Geoffrey se agachar e pular sobre uma velha casa. Sua mão alcançou o lado de dentro de suas roupas. Ele retirou uma arma de fogo.

_Agora é minha vez, - Geoffrey gritou. Apontou a arma de fogo e puxou o gatilho. À bala bateu no tórax de William, o fazendo dar um passo atrás, forçando ele a seus joelhos.

“Não!” - O grito de Savannah ecoou em sua mente.

Seu sangue caía sobre o chão, o enfraquecendo. A espada do seu pai deslizou de seus dedos.

Geoffrey riu e olhou para Savannah.

_Antes de você morrer, você pode me ver matar sua mulher.

 

Eu nunca verei outro amanhecer.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 27 de dezembro de 1068.

 

_Não! - O coração do Savannah parou quando a bala acertou William. Ela o viu cair sobre seus joelhos, viu a lâmina cair de sua mão.

_William! Não!- Ela sabia que a perda de muito sangue podia matar um vampiro. Ela correu para ele, frenética.

A frente da camisa dele estava encharcada com sangue, o chão manchado com ele. Ela caiu de joelhos ao lado dele, segurando-o nos braços.

_William!

Suas pálpebras se ergueram lentamente, seu olhar cheio de dor preso no dela.

_Savannah... eu sinto muito.

Ela então sentiu o toque da morte. Sentiu os dedos glaciais em sua pele.

_Não! - Ela o puxou contra ela, balançando ele.

_Você não vai morrer! Eu não deixarei você! Você não pode me deixar!

Geoffrey suavemente riu.

_Que emocionante. Muito comovedor!

Savannah girou, protegendo William com seu corpo. Ela empurrou seu pulso contra a boca, cuidadosamente cobrindo o movimento do olhar alerta de Geoffrey.

“Beba”, - ela ordenou.

“Beba!” - De nenhum modo ela iria deixar William morrer.

_Você é um bastardo doente! - Ela rosnou para Geoffrey, tentando manter sua atenção afastada de William.

Geoffrey deu um sorriso largo. Seus dentes brilhando.

_Eu realmente vou apreciar matar você.

Ela sentiu os lábios do William se movendo ligeiramente contra ela, sentiu a picada afiada de dor quando seus dentes entraram em sua pele. Ela cerrou os dentes, deixando a dor passar por ela.

Ela viu Geoffrey olhar na direção de William.

_Você vai atirar em mim, também? - Ela perguntou zombeteiramente, atraindo sua atenção para ela.

Ele franziu a testa, olhando para a arma de fogo. Então ele a lançou pela borda do precipício.

_Não. Para você, eu vou usar um toque mais... pessoal. - Uma vez mais seus dedos alongados, tornaram-se garras.

Savannah examinou seus olhos. Este era o homem... não, o monstro... que matou Mark e Sharon. E atirou em William. Ela devia ter tido medo. Ela tinha tido, até aquele momento. Agora, ela só sentia ... raiva. Ela iria matá-lo.

_Levante.

A boca do William deslizou de volta, livrando sua mão. Ele havia tomado sangue suficiente? Ele seria capaz de sobreviver?

_Eu disse, levante! - Geoffrey gritou.

Savannah olhou para William. Seus olhos estavam fechados. Seu corpo quieto.

_Não se preocupe, ele ainda está vivo. - Geoffrey disse com os lábios crispados.

_Leva um tempo para o sangue de um vampiro se drenar. Ele viverá, pelo menos tempo suficiente para ver você morrer.

Os cílios de William tremeram.

_Venha aqui! - Suas garras deslizaram para fora, parando alguns centímetros do tórax de William.

_Ou eu irei arrancar seu coração fora agora mesmo!

Savannah se levantou. Ela podia ver a espada de Guy. Ela estava caída no chão, a poucos metros de distância. Tão perto.

Geoffrey a agarrou, puxando-a contra seu tórax.

_Eu tenho esperado por este momento.

_Assim como eu, - Savannah sussurrou. Ela se concentrou, focando sua energia como William tinha lhe ensinado.

Uma garra afiada se moveu lentamente seu rosto, abaixo da coluna de sua garganta. Até a curva de seu peito.

A repulsa a percorreu.

_Você vê isto, irmão? - Geoffrey gritou.

_Eu a tenho. E eu posso fazer qualquer coisa que queira com ela...

William conseguiu se sentar. Ainda vertendo sangue de seu ferimento, e fogo queimando em seu olhar. Ele começou a se levantar.

Geoffrey encontrou seu olhar, estreitando seus olhos pelo aumento da força de irmão.

_Como...

As mãos de Savannah mudaram, tornando-se garras. Ela sabia que não podia manter a forma por muito tempo, mas um segundo era tudo que precisava. Ela mergulhou suas garras em seu tórax.

Geoffrey gritou. Suas garras correram nela, pegando ao longo da garganta e tórax.

A dor passou por ela. Ela queria gritar, uivar na agonia que corria através dela. Suas garras desapareceram e ela tropeçou para longe dele e caiu por terra. Do canto de seu olho, ela viu a espada de Guy. Ela rastejou em direção a ela. Se ela pudesse pegá-la...

Geoffrey olhou em choque para o sangue que caía de seu tórax.

_Cadela! - Ele rosnou.

_Você vai implorar que eu lhe mate!

Ele lançou-se para ela.

Os dedos de Savannah se enrolaram em torno do punho da espada. E quando Geoffrey a agarrou, ela girou, passando a lâmina em seu lado. A lâmina entrou fundo em sua pele, rasgando carne e fazendo sangue escorrer do seu corpo.

Ele pulou para longe dela e agarrou a lâmina com suas mãos nuas. O pedaço de aço em suas palmas, cortando profundamente sua carne.

Savannah tensa, lutava para controlar a lâmina. Se ela pudesse atingi-lo novamente...

Ela viu William, se movendo lentamente, seu rosto uma máscara de dor.

Geoffrey empurrou a lâmina de sua mão. Em um único movimento, ele a arrancou de suas mãos, girando-a contra seu tórax e fechando seus dedos sangrentos ao redor de sua garganta. Ele enfrentou William mantendo Savannah presa firmemente contra ele.

_Eu vou fazer com que você implore pela sua morte, - ele sussurrou em sua orelha.

Em sua luta, a espada caiu por terra. Mas Savannah conhecia Geoffrey e sabia que ele não precisaria da espada para matá-la.

_Deixe-a ir! – disse William com as mãos cerradas.

_Não! - Geoffrey percorreu William com um olhar estreitado, reparando em suas feridas já cicatrizadas.

_Ela ajudou você, não é? A cadela deu a você seu sangue!

William só olhava para ele, seu olhar mais vermelho que o fogo do inferno.

_Bem, então eu acho que é justo que ela me ajude também. - Ele afundou os dentes em sua garganta, rasgando sua carne.

Savannah gritou e chutou contra ele, acertando Geoffrey em suas canelas.

William arremeteu e a empurrou do aperto de Geoffrey. Ele bateu em Geoffrey, e seu irmão caiu no chão. William agarrou a espada e se abaixou sobre ele.

Geoffrey arquejou, seu olhar focado em William. William colocou a ponta da espada contra sua garganta.

Geoffrey sorriu.

_Você vai cortar minha cabeça, agora, irmão?

William cerrando a mandíbula.

_Sim.

_Você vai me matar, como você matou Henry?

William ergueu a espada, se preparando para o golpe final.

_Eu não matei Henry!

O sorriso de Geoffrey se alargou.

_Eu sei. Eu o fiz.

_O- o que?

Geoffrey se contorceu, o chutando com o pé direito. O golpe pegou William em seu joelho, e ele atacou com a arma. Mas era muito tarde. Geoffrey não estava mais lá e a lâmina se chocou com a terra. Seu irmão estava em pé, lambendo seus lábios.

_Seu sangue é forte, - ele murmurou.

_Eu já posso sentir meu poder retornando. Eu penso que terei que ter mais dela.

_Nunca. - William puxou a lâmina livre e apontou a arma para Geoffrey.

_O que fez você? O que você fez com Henry?

_Depois que eu matei Guy, eu achei Henry. Ele estava na torre. - Geoffrey agitou sua cabeça.

_Foi realmente muito fácil, você sabe. O bobo pensou que eu estava lá para ajudá-lo.

_Você é repulsivo, - William sussurrou.

_Você foi á pessoa que o deixou morrer.

_Ele era fraco. Ele sempre foi fraco. Ele não merecia o nome Montfort! E nem você!

Um lobo uivou na escuridão. O uivo foi longo, triste, e cheio de ira.

Geoffrey piscou.

_O que...

Um grande lobo cinza saltou da noite e lançou seu corpo poderoso em Geoffrey. Suas presas o cortaram fundo em seus ombros, seus braços, seu tórax.

William olhava fixamente para o animal, atordoado. Ele tentou tocar na mente da criatura, mas achou apenas um mundo de dor, ira, e ódio.

Ele recuou, apressando para o lado do Savannah. Ela estava quieta, seu corpo flácido sobre a terra. Ele a puxou para seus braços, embalando-a suavemente. O ferimento em sua garganta sangrava lentamente. Ele o tocou suavemente.

_Savannah?

Erguendo suas pestanas, ela olhou fixamente para ele com seus olhos verdes ofuscados.

_William, o que... - arregalou os olhos quando ouviu o grunhido de um lobo.

Ele puxou Savannah para seus pés.

_Eu não sei, Savannah. Eu não sei de que inferno ele veio. - Seu olhar se moveu acima dela.

_Você está bem?

Ela balançou a cabeça, o seu olhar focado em Geoffrey e no lobo. Enquanto ela observava, as garras de Geoffrey surgiram, cortando profundamente a lateral do lobo. O animal urrou de dor.

_Nós temos que ajudá-lo!

Geoffrey empurrou o animal para longe dele e cambaleou a seus pés. O lobo estremeceu E desmoronou no chão.

_Chega! - Geoffrey ergueu os braços e começou a cantar. Trovões retumbaram e raios relampejaram através do céu da noite.

_Eu tenho os poderes das trevas, irmão! Eu, e não você! E vou usá-los para matar você!

Uma bola de fogo formou-se sobre a cabeça de Geoffrey.

_Diga-me isso, irmão... você tem medo de morrer?

As chamas voaram em direção a William.

_Não! - Savannah gritou e se lançou sobre William. Seu corpo bateu no dele e eles rolaram pela terra. Savannah sentiu o beijo das chamas sobre sua pele.

_Savannah! - William rolou, verificando seu corpo depressa.

Ela respirou fundo.

_Eu estou bem.

Outra bola de chama começou a se formar acima de Geoffrey.

_Eu não vou esquecer este momento, - ele prometeu.

William se levantou. Savannah permaneceu ao lado dele.

_Nem eu, - ele jurou. E, ante um olhar atordoado de Savannah, uma bola de fogo começou a se formar em sua mão.

_C-como... - Geoffrey agitou sua cabeça, a descrença marcando as linhas de seu rosto.

_V- você não pode! Eu- eu sou o único que...

William lançou a chama, e ela bateu no tórax de Geoffrey, lançando-o ao chão. Ele estava perto da beira do penhasco. Apenas alguns metros mais, e ele teria caído para a noite.

_Com a idade, vem o poder. - O olhar vermelho de William estava focado em seu irmão.

_Você não é o único que estudou as artes das trevas. - Ele levantou a espada e caminhou devagar para frente.

_Agora, irmão, - ele cuspiu.

_Diga a mim, você tem medo de morrer?

Os olhos de Geoffrey se arregalaram. Medo e ira passando através de seu rosto. Ele estacou a seus pés.

William atacou, balançando a espada em um arco rápido.

A lâmina bateu no tórax do seu irmão. Geoffrey cambaleou, tropeçando para trás. Seu calcanhar deslizou na borda do precipício. Seu rosto se relaxou com o choque. E ele caiu para trás no ar, no nada.

Savannah esperou que ele se transformasse, que trocasse, voasse de volta para cima e atacasse.

Em vez disso, ela só ouviu o som de seu grito.

_Ele está muito fraco, - William sussurrou.

_Ele não pode parar a queda.

O grito parou, sufocado abruptamente.

Savannah correu para a extremidade do precipício. Seus olhos varreram as pedras abaixo, o procurando na superfície rochosa, e nas águas agitadas.

E ela o viu. Lá, na base do precipício, com o corpo pendurado em cima dos velhos restos de um barco de madeira. Sua cabeça torcida, a boca aberta. Seus olhos cegos olhando para ela.

Uma longa lasca de madeira do arco do navio perfurava seu tórax.

_E- ele está morto?

William não respondeu. Com seus dedos cerrados em torno da lâmina, ele saltou para o precipício. Em segundos, ele estava ao lado de Geoffrey, olhando fixamente para sua figura quieta. Ele ergueu a espada.

_Adeus, irmão.

Ele passou a lâmina através de garganta do Geoffrey, cortando a cabeça com um golpe rápido. William fechou seus olhos contra a visão. A espada caiu de seus dedos, terra encharcada de sangue sob seus pés.

Agora, estava acabado.

Ele retornou para Savannah. Ele precisava tocá-la para limpar a escuridão. Para banir o frio que passava por ele. Ela estava lá, esperando na beira do penhasco. Ele podia ver os caminhos de lágrima em suas bochechas. Ele a puxou contra ele desesperado para sentir seu corpo contra o dele. Ele inalou seu odor delicado E envolveu seus braços firmemente ao redor dela.

Ele quase a perdera. Seu corpo começou a tremer.

_William?

Ele a beijou com todo o fogo e desespero que estava nele. Tinha sido muito próximo. Ele podia ainda ver Geoffrey afundando seus dentes em sua garganta delicada.

Ele estremeceu.

Ele sentiu seus dedos, acariciando levemente suas costas. Acalmando-o. Tranqüilizando-o.

_Está tudo bem, William. Agora acabou. - Ele sentiu seu calor envolvendo-o.

_Vamos sair daqui, - ele sussurrou. Ele queria deixar este lugar e nunca voltar.

Ela balançou a cabeça e afastou-se dos penhascos.

William congelou. Ele podia sentir algo. Alguém. Observando. Esperando.

Seu olhar buscou a clareira.

_Onde está o lobo?

Savannah piscou.

_Eu não sei. Eu não estava olhando... - Ela se aproximou das pedras, se curvando e tocando o chão ligeiramente. Quando sua mão se ergueu havia sangue em seus dedos.

_Ele estava aqui a um momento atrás...

E agora ele desapareceu, mas William ainda o podia sentir. Ainda sentia sua ira.

“Ele está nos observando.”

Savannah retornou para o seu lado, seu corpo roçando ligeiramente contra o seu.

“Por quê?”

Ele não sabia, mas todos os seus sentidos estavam gritando uma advertência para ele. O lobo estava esperando. Nas sombras. E ele iria atacar.

William não soube se Savannah poderia sobreviver a outro ataque. Ela estava fraca. Ele tomou seu sangue, e então Geoffrey a atacou. Ela precisava se alimentar para recuperar sua força. Os dois precisavam se alimentar. Mas ele sabia que ela não iria querer fazer isso, que ela lutaria contra a fome. Ele teria que a forçar. Ele não podia arriscar que sua força minguasse. Não quando eles tinham outro assassino em sua trilha.

Ele quis seguir o lobo, caçar a besta e a destruir. Mas ele tinha que cuidar de Savannah. Ela precisava dela.

Ele a envolveu com seus braços, segurando-a firmemente.

Ele ouviu um grunhido baixo, e ele soube que não era só um lobo que o estava perseguindo. Ele podia sentir o poder escuro da criatura. Sua fome.

“Fique longe dela.” - Ele soube que a criatura ouviu sua advertência.

Com os braços apertados ao redor Savannah e ele saltou para o ar.

O lobo uivou.

 

Ele levou Savannah para uma pousada nos subúrbios de uma pequena aldeia. Ele soube que eles pareciam ter passado pelo Inferno, mas com uma pequena compulsão, ele fez o estalajadeiro negligenciar sua aparência abatida e dar-lhes o melhor quarto que tinha disponível, ele assegurou para William, que as janelas eram cobertas por fortes venezianas.

William levou Savannah para cima, preocupado por sua crescente palidez. Ela precisava de sangue, e precisava disto rápido.

Ele fechou a porta atrás dele e colocou-a suavemente na cama.

Ela olhou fixamente para ele, seus olhos largos.

_Aquilo não era um lobo, era?

William agitou sua cabeça. Ele notou que suas mãos estavam agitadas.

_O que era aquilo?

_Um vampiro. - A partir do instante em que o animal atacou Geoffrey, ele soube que estava lidando com um de sua espécie.

Savannah movimentou a cabeça.

_Eu sabia. - Ela tragou e esfregou sua cabeça.

_Por que ele atacou Geoffrey?

_Eu não sei. Geoffrey gastou sua vida machucando outros. Talvez ele tenha feito algo para o vampiro, o machucado ou a alguém com quem ele se importava.

Ela deslizou de volta contra os travesseiros, o cansaço evidente em toda linha de seu corpo.

_Geoffrey machucou tantas pessoas.

Ele puxou os lençóis para cima dela.

_Ele não machucará mais ninguém.

Sua mão pegou a dele.

_Obrigado, William.

Ele se acalmou. Fome passou por ele com o seu toque delicado.

_Pelo que?

_Por acabar com meu pesadelo.

Ele respirou fundo. Sua debilidade se chocando contra ele.

_Descanse agora. Só feche seus olhos e descanse.

Ela franziu a testa se mexendo inquieta na cama.

_Você vai sair?

_Só por um momento.

Ela balançou a cabeça.

_Não! Não me deixe.

_Durma Savannah. - Ele usou a compulsão. Normalmente, não teria funcionado nela, mas em seu estado debilitado, ela não poderia lutar contra ele de nenhuma maneira.

Suas pestanas se abaixaram e seu corpo se acalmou.

Ele não podia arriscar viajar para longe. Não com o outro vampiro perto. Ele teria que achar comida, rápido, e retornar para Savannah.

Ele iria usar um dos funcionários da pousada. Uma empregada ou um menino de recados. Ele seria rápido. Savannah tinha que beber. E ela não era forte suficiente para conseguir o sangue sozinha.

Ele se apressou para a porta. A cada segundo que passava sua força era drenada.

E com o lobo lá fora, ela não podia se dar ao luxo de estar fraca. Nem por um momento.

 

_Savannah. Acorde, Savannah.

Ela ouviu sua voz, chamando suavemente por ela. Ela tentou abrir os olhos, mas ela acabou se sentindo cansada. Ela queria dormir, só dormir.

_Você não pode dormir. Você tem que abrir os olhos.

Ela soube quem chamava. William. Ela sorriu.

_Sim, sou eu. E eu preciso que você olhe para mim. Você pode fazer isso?

Ela concentrou, juntando sua força. William precisava dela. Ela focou o restante de sua energia, e abriu os olhos.

William olhou para ela, seu negro olhar intenso. Uma mecha de seu cabelo tinha escorregado e caído livre na testa. A penumbra fazia seu olhar estranhamente suave, quase infantil. Ela levantou a mão, querendo tocá-lo.

Ele pegou a mão dela, trazendo-a até os lábios. Ele beijou sua palma, seu hálito quente em cima de sua mão gelada.

_Você me fez dormir. - Seu tom era acusador.

_Eu sinto muito. - Ele não soou convincente.

_Eu me sinto tão fraca. - Ela tentou se sentar, mas caiu de costas sobre a cama.

_O que está errado comigo?

Ele alisou seu cabelo para trás com uma mão gentil.

_Você perdeu sangue demais. Seu corpo está fraco. Se você não conseguir mais sangue logo... - Ele agitou sua cabeça.

_Você tem que beber Savannah. Não existe nenhuma escolha.

Ela soube que ele estava certo. Ela podia sentir a fome dentro dela. A necessidade. Mas ela estava tão cansada.

William se inclinou e beijou-a suavemente.

_Beba de mim, - ele sussurrou contra seus lábios.

_Beba de mim.

Ele se moveu, trazendo seu pescoço a sua frente.

Ela podia sentir seus dentes queimando, estirando. Ela podia ver a batida da pulsação, pulsando contra sua garganta.

_Eu não quero machucar você, - ela murmurou, lutando contra a necessidade que crescia dentro dela, a necessidade que exigia que ela enterrasse seus dentes em sua garganta e bebesse.

_Você está fraco, também. Geoffrey machucou você. Havia tanto sangue...

_Eu me alimentei. Não se preocupe comigo.

Ela franziu a testa. Era por isso que ele a forçou a dormir.

_Eu não machuquei ninguém. O estalajadeiro não se lembra de uh... me ajudar. Ela podia ouvir o lânguido sorriso em sua voz.

_Agora, vamos, Savannah. Beba.

Ela tragou. Ela queria. Ela desesperadamente queria saboreá-lo, mas uma parte dela relutava, ainda repelia a idéia de mordê-lo, de beber seu sangue.

Ela sentiu o suspiro exalado por ele.

_Eu tinha medo disto, - ele disse.

_Parece que vamos ter que tentar outra coisa.

Ele agarrou a frente de sua camisa e rasgou o material ao meio.

Ela ofegou, seus olhos arregalados.

Sua mão se ergueu, deslizando para acariciar seus seios.

_Paixão, lembra? Desejo físico e a mescla de uma fome escura. Eu só vou ter que fazer você... ter fome... suficiente para beber de mim.

Sim, ela lembrava. Ela se arqueou com seu toque, uma maré quente de desejo derramando através dela.

Sua cabeça se abaixou e seus lábios se fecharam ao redor de seu mamilo dolorido. Ele a lambeu, chupando ligeiramente. Ela sentiu uma chama de calor em sua barriga.

Seus dedos deslizaram acima da curva de seu estômago enquanto sua boca continuava a sugá-la.

Ela ouviu a barulho de seu zíper e sentiu sua mão deslizar dentro de suas calças. Ele a tocou ligeiramente pela fina camada de sua calcinha. Ela ergueu seus quadris, respondendo avidamente ao seu toque.

E ela sentiu sua fome aumentar.

_Você se sente tão bem. Tão bem. - Ele retirou sua calça e puxou sua calcinha sedosa para baixo. Seus olhos brilharam por atendê-la.

_Se você não me saborear, então eu acho que eu terei que provar você.

Então, antes dela pudesse murmurar um protesto, sua cabeça escura se abaixou e ele a estava beijando, sua língua lambendo a parte mais íntima de seu corpo.

Seu corpo estava tenso,o prazer corria por ela. Ela esqueceu seu esgotamento. Esqueceu seu medo. Ela só sentia. Sentia o calor, necessidade, desejo e fome. Seus quadris se moveram febrilmente. A tensão dentro dela, crescendo mais alta, mais apertada. Ela gemeu, jogando a cabeça para trás contra o travesseiro.

_William!

Sua língua brincava com ela. Rodando. Roçando. Ela cerrou os dentes, enquanto os dedos provocavam-lhe os seios, esfregando e arranhando seus mamilos.

Ela podia sentir seu clímax, sentia a pressão dele. Perto. Tão perto...

William se alçou para trás e olhou fixamente para ela. Seu rosto crispado. A necessidade marcava cada linha dura de seu corpo.

_O que você quer Savannah? - Sua voz era gutural.

Ela olhou fixamente para seu olhar turvo.

_Você, - ela sussurrou.

_Eu quero você. - Eu sempre quero.

Ele abriu o zíper da calça e deslizou seus quadris entre suas coxas. Ela o sentiu, sentiu a ponta de sua masculinidade pressionando contra sua abertura úmida.

_Então me leve.

Ele empurrou fundo.

A fome a consumiu, deixando-a fora de controle.

Ele subiu nela, novamente. Erguendo suas pernas, ele envolveu-as em torno de seus quadris, forçando-a a tomar mais dele. Todo ele. Mais fundo. Mais duro.

Seus dentes queimavam. Ela o queria. Queria saboreá-lo. Precisava saboreá-lo.

_Faça isto, - ele rosnou. - Faça isto!

Seus dentes afundaram em seu pescoço. Ele estremeceu, empurrando profundamente em seu corpo. Sua boca se movendo ligeiramente contra ele, bebendo sua essência, e seus impulsos de quadril contra ela. Ele a empurrou mais fundo no colchão. Erguendo suas pernas mais altas.

Ela gritou enquanto seu clímax passava por ela.

William continuou empurrando, seu corpo travado com o dela. Sua mandíbula estava cerrada. Ele endureceu contra ela, e seu nome deslizou por seus lábios. Ele estremeceu, pulsando em seu calor, com os olhos fechados.

Por um instante, ela realmente sentiu seu prazer, sentia a força de libertação que varreu através dele.

Ela suspirou, impressionada com os sentimentos que a atravessaram.

Ela segurou William firmemente, seu coração batendo. E um sussurro precipitou-se sua mente.

“Eu amo você.”

Seu coração parou. Mas isso foi seu próprio pensamento... ou de William?

 

O lobo compassou devagar fora da pousada. Ele sabia que eles estavam fazendo amor. Ele podia senti-lo, cheirá-lo no ar.

Ele deixaria William ter seu tempo com a mulher. Ele havia esperado séculos por Dark. Ele podia esperar algumas horas mais.

Ele uivou, o som triste cortando a noite.

 

William endureceu. Ele ouviu o uivo. E ele estava muito próximo. Muito perto, maldição.

Ele se afastou de Savannah, do seu calor tentador e seus braços delicados.

_Ele está lá fora. Droga, o bastardo está lá fora!

Savannah se sentou, puxando o lençol contra seus seios. Seu rosto não estava mais pálido, lívido, mas com cor e saúde. Seus olhos brilhavam como esmeraldas.

_Por que ele nos seguiria?

William vestiu-se depressa.

_Eu não sei. Mas eu vou descobrir.

Savannah saltou a sua frente.

_Você não vai sem mim!

A mandíbula de William se cerrou.

_Você enfrentou perigo suficiente por uma noite. Fique aqui.

Ela balançou a cabeça.

_De modo nenhum. Eu não vou me sentar aqui enquanto você vai lá fora e enfrenta essa ... essa coisa! Eu quase perdi você uma vez esta noite. - Ela respirou fundo.

_Quando Geoffrey atirou em você, quando eu vi todo aquele sangue, eu pensei, eu pensei...

William a puxou para seus braços. Ele podia sentir os tremores que corriam por seu corpo.

_Está tudo bem, Savannah. Eu estou bem.

_Você poderia ter morrido, - ela sussurrou, fechando os olhos.

_Você podia ter sangrado. Lá, naquele precipício maldição!

Ele inclinou seu queixo para trás. Seus cílios se levantaram.

_Eu não morri. Você me salvou. - Ele ergueu seu pulso, beijando as marcas da mordida.

_Você me deu seu sangue. Você me deu vida.

_E eu faria isto novamente, - ela disse, e ele podia ler a verdade daquela declaração em seus olhos brilhantes.

_Eu não mereço você, - ele sussurrou.

_Você é muito boa...

Ela puxou-o de volta e colocou a ponta do dedo gentilmente contra seus lábios.

_Pare. Eu não sou perfeita. - Ela riu suavemente.

_Eu estou longe de ser perfeita, e você de todas as pessoas devia saber disto.

Mas ela era perfeita. Forte. Linda.

_Eu quero manter você segura, - ele disse a ela.

_Eu já coloquei você em risco. Fique aqui, e assim que eu achar o vampiro...

_Você o que? O atacará sozinho? - Ela agitou sua cabeça.

_Eu já disse a você, não. Não existe nenhuma maneira de você sair daqui sem mim.

_Tudo bem, mas você fica perto de mim, - ele ordenou.

_Eu senti sua força. Ele é um antigo, pelo menos tão velho quanto eu. E não quero que ele tenha uma chance de machucar você.

_Ele não me vai machucar. - Ela franziu a testa.

_Eu só não entendo por que ele está nos seguindo.

_Ele obviamente era inimigo do Geoffrey. Ele tentou matar Geoffrey! Eu pude sentir seu ódio, sua raiva.

Sim, o vampiro estava cheio de ódio e ira cega. Ambos pareciam ser dirigidos para Geoffrey. Na verdade, a criatura quase parecia indiferente à sua presença.

_Eu não entendo, - Savannah disse novamente.

_Por que ele agora escolheria nos atacar?

_Eu não sei. - Seus olhos brilharam vermelhos.

_Mas eu vou descobrir.

 

Eu não tenho medo.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 30 de dezembro de 1068.

 

Savannah podia sentir seu olhar sobre ela. Silencioso. Vigilante

Ela podia sentir o vampiro, mas ela não podia vê-lo. Ele estava escondido nas sombras, oculto na noite.

Eu o sinto, também. Ele está perto. Muito perto.

Savannah olhou rapidamente para o rosto impassível de William. Eles o procuraram pela aldeia, por cada rua e beco, mas ainda assim não encontraram o vampiro misterioso.

“Por que ele não ataca? O que ele está esperando?”

Ela ouviu o farfalhar de folhas, soprando suavemente contra o lado da calçada.

“Ele está aguardando seu tempo”, - William respondeu.

“Esperando pelo momento perfeito.”

Dois adolescentes bêbados cambalearam para fora de uma casa, rindo e falando alto. Eles viram William e congelaram o medo crescendo em seus olhos.

_Vá, - ele ordenou, com um aceno de sua mão.

_Saia daqui. Agora.

Eles correram.

_Idiotas, - ele murmurou.

Savannah ignorou os meninos quando eles passaram roçando ela. Ela olhou rua abaixo, seu olhar em buscando as sombras. A lua pendia fortemente no céu. Em mais algumas horas, o sol apareceria.

Seu corpo estava entorpecido pela exaustão. O sangue de William havia curado seus ferimentos, mas agora, ela sentiu um cansaço profundo.

Ela só queria fechar seus olhos e dormir, para sonhar. Ela não queria ter visões de morte, dor e horror.

Ela não queria mais pesadelos. Ela só queria sonhar.

_E o que você sonha minha querida? - Sua voz sussurrou da escuridão.

Savannah enrijeceu. Ela abaixou a guarda, entregue na exaustão, e agora ele estava em pé na frente dela, os olhos brilhando vermelhos, seus dentes afiados e brancos.

“William. Ele está aqui!”

Ele sorriu, avançando para a luz da rua escura. Ele era alto, com braços musculosos e ombros fortes. Seu cabelo, uma juba loira clara, ondulada frouxamente em torno de sua cabeça.

Ele parecia com um anjo. Um anjo caído.

_Quem é você? - Savannah perguntou, corajosamente encontrando seu olhar fixo.

Ele piscou. O vermelho desapareceu, substituído por um azul claro.

_Eu perguntei primeiro.

_Savannah! - William estava a seu lado em um instante. Seus dedos fechados em torno de seu braço.

Ao ver o estranho enrijeceu.

_Querido Deus... - William parecia como se tivesse acabado de ver um fantasma. Ela podia sentir seus dedos tremendo contra ela.

A compreensão atingiu Savannah em um flash ofuscante. William reconhecia o vampiro, mas ele conhecia o vampiro como um amigo... Ou como um inimigo?

Savannah não iria arriscar nenhuma chance. Ela olhou rapidamente em torno da rua escura.

O que ela poderia... lá!

Um sinal de madeira velho, a poucos metros de distância. Ela agarrou-o, quebrando a madeira sobre o seu joelho em uma jogada rápida. Seus dedos se envolveram em torno de uma das peças, a mais longa, afiada peça. Não era muito bem uma arma, mas teria que servir.

Ela entrou na frente de William e ergueu a estaca improvisada.

_Eu não sei quem você é, mas...

_Ele é meu irmão, - William disse com sua voz vazia.

Savannah piscou.

Quantos irmãos William tinha na zona rural?

O vampiro sorriu.

_Faz muito tempo. - Ele avançou, e Savannah saltou para ele, empurrando a estaca em seu coração.

Ele congelou. A estaca pairou uma polegada de distância de sua carne.

_Não se mova, - ela ordenou com sua voz suave.

_Savannah. - William ainda parecia abalado.

_Está tudo bem. Ele não é uma ameaça para nós.

_Você tem certeza? - Ela não fez nenhum movimento para largar a arma.

_Eu nunca machucaria William. Ele é meu irmão! - O vampiro parecia ofendido.

_Sim, bem, Geoffrey era seu irmão, também, e ele passou a vida tentando machucar William e qualquer outra pessoa que podia.

_Eu sei, - disse ele calmamente.

_Ele me deixou morto há séculos atrás.

Deixou-o morto? Poderia ser isto...? Não, impossível. Henry estava morto, não é?

_Não, eu estou bem vivo.

Os olhos de Savannah se estreitaram. Ela não gostava quando William lia os seus pensamentos. Ela com certeza não queria que algum estranho saltasse em sua mente.

_E como é que exatamente você sobreviveu? - Ela não estava pronta para confiar neste sujeito, não ainda. Ela não iria pôr a vida de William em risco.

Ele olhou fixamente para William.

_Eu estava esperando que você pudesse responder isto.

_O que?

Henry deu de ombros.

_Eu não me lembro de muita coisa sobre aqueles dias infernais antes da minha transformação. Eu me lembro da dor, o sangue. Mas não muito mais maldição. A última coisa que eu me lembro... é que eu fui atacado. - Seus dentes se cerraram.

_Geoffrey, aquele bastardo, chegou à torre. Eu pensei que ele estava lá para me ajudar, para me libertar. Então eu vi a espada de Guy. Eu vi o sangue ainda gotejando sobre a lâmina, e eu soube que ele estava lá para me matar.

_Mas por quê? Por que ele iria atacá-lo? - William balançou sua cabeça.

_Você era o único com que ele parecia se preocupar!

_Ele cuidava do poder, da força. Mas ele não se importava comigo. Ele não ligava para ninguém.

As palavras áridas, com o som severo de verdade.

_O que aconteceu depois do ataque? - Savannah perguntou, nunca movendo a estaca.

_Eu esperei. Eu sabia que William viria. Ele havia dado sua palavra. E William sempre mantém sua palavra.

Sim, ele fez, Savannah pensou. Ele prometeu sua vingança, e ele manteve sua promessa, Embora o voto quase custasse à vida de William.

_Lembro-me de vê-lo, - disse ele, com o olhar fixo no rosto de William.

_Você veio para a torre. Você me disse para lutar, esperar. Então eu ouvi os soldados... - Ele respirou fundo.

_Eu os vi cercarem você. Haviam pelo menos uma dúzia deles. Eu tentei ajudar. Acredite, eu tentei! Mas eu estava fraco, muito fraco. E um deles me cortou com sua espada.

Sua história correspondia exatamente com a do William. Savannah lentamente abaixou a estaca.

_A próxima coisa que me lembro foi de acordar na caverna. Eu não sei quanto tempo passou. Poderiam ter sido dias ou mesmo semanas. Eu não sabia como cheguei lá. Eu não sabia se estava vivo ou morto.

_Eu não teria deixado você lá se eu soubesse! - Olhos de William brilhavam.

_Eu fiquei naquela caverna com você por horas, rezando para você despertar. Mas você não se mexeu. Eu pensei que havia esperado muito tempo, que a transformação não havia funcionado.

_Eu achei que eu o havia matado, – disse suavemente

_Não, irmão. Você não me matou. Você me salvou.

Ela podia sentir a dor de William. Ouvi-lo em sua voz quando ele disse

_Você estava sozinho. Você teve que aprender a sobreviver por conta própria.

Henry ergueu uma sobrancelha.

_Como você fez.

_Eu deveria protegê-lo, - William sussurrou.

_Mas eu deixei você só...

_Não! - Ele deu um passo à frente.

_Acha que eu não sei o que você fez? Você foi para o vampiro para salvar a minha vida. Você sabia o que iria acontecer com você quando você fosse para ele.

_Você sabia o preço que você pagaria. Mas você fez isto de qualquer maneira. Você trocou a sua vida pela minha.

_Eu não podia simplesmente ficar parado e deixar Guy torturá-lo. - Apertou as mãos de William.

_Você sempre me protegeu, William. Mesmo quando éramos meninos pequenos e eu sabia que podia contar sempre com você.

_Eu deixei você só, - William gemeu.

_Por novecentos anos...

_Eu tenho procurado por você, - Henry admitiu.

_-Eu não sabia ao certo de que você estava vivo. Minha última lembrança foi de vê-lo cercado pelos guardas. Eu não sabia se eles haviam matado você, ou se você havia sobrevivido. Eu esperava que você sobrevivesse. E eu mantive a esperança por muitas noites escuras.

_Eu deixei a Normandia, - William admitiu.

_Eu queria ficar longe de todo o sangue e morte, que parecia me cercar.

Ele queria fugir de seu passado, Savannah compreendia. Ele queria um novo começo, uma nova vida.

_Mas Geoffrey seguiu você e começou a matança, - Savannah disse.

_E você percebeu que não podia ficar longe dele.

_Não. Eu nunca poderia ficar longe de Geoffrey. Então eu comecei a caçá-lo. Eu queria que o pesadelo acabasse. Eu queria que os assassinatos parassem. - Ele balançou a cabeça tristemente.

_Mas ele sempre me iludiu. - E deixou uma trilha de sangue para William seguir.

_Eu caçava ele, também. - Henry admitiu.

_Ele me atacou. Eu quis que ele pagasse.

_Então, quando eu o vi nas falésias... - Seus olhos brilharam vermelhos.

_Eu queria matá-lo. Para fazê-lo pagar por tudo que ele fez para mim. Para cada vida inocente que ele tomou. Para cada vida que ele destruiu.

_Agora acabou. - Savannah soltou a estaca para o chão e travou seus dedos com os de William.

_Ele não pode nos machucar mais. Ele não pode machucar ninguém. O pesadelo finalmente terminou.

Os dois homens se entreolharam. Ambos eram altos, forte e, Savannah sentiu o medo.

Eles dois sofreram tanta dor, tanta tragédia. Estava na hora de curar os ferimentos do passado. Era hora de um novo começo.

Ela manteve sua mão direita travada ao redor de William. Sua mão esquerda se estendeu a mão para Henry.

_Meu nome é Savannah Daniels. É um prazer conhecê-lo, Henry de Monfort.

Ele piscou, olhando fixamente para sua mão. Seus dedos levantaram lentamente, apertando levemente ao redor dela.

Ela sorriu.

_Eu sinto como se eu já conhecesse você, - ela murmurou.

Ele franziu a testa.

_Eu li seu diário. - Ela olhou para William.

_Na verdade, foi seu diário que me levou a William. - Ela ainda podia se lembrar de como ela estava assustada em seu caminho para o primeiro encontro. Mas então ela achou William.

_Então, eu acho que você poderia dizer que estou em dívida com você.

_Não. Você devolveu meu irmão para mim. Eu é que lhe devo.

_Eu não posso acreditar que... - William parou, e então ele avançou, abraçando Henry.

Savannah sentiu-se bem com lágrimas nos olhos. William esteve sozinho por muito tempo. Caminhando eternamente pela Terra. Sempre sozinho.

Ele nunca estará sozinho novamente.

_Já faz muito tempo, - disse Henry.

William recuou.

_Sim.

_Tenho certeza que vocês têm muito para recuperar e muita coisa ainda para fazer. - Novecentos anos que valeram à pena, Savannah pensou. Talvez ela devesse dar-lhes alguma privacidade.

“Não. Fica comigo.”

Ela esfregou o braço de William levemente.

_Existe algum lugar que nós podemos ir? Um lugar onde podemos conversar?

Henry falou rapidamente.

_Eu tenho uma cabana nas proximidades. É seguro. Nós poderíamos ir até lá.

William concordou.

_Mostre-nos o caminho, - Savannah murmurou.

 

_Então, ela é seu companheira?

William puxou o olhar do fogo crepitante e olhou para seu irmão Henry.

Ainda não parecia real. Henry estava vivo. Ele parecia o mesmo. O mesmo cabelo loiro. O mesmo risonho olhos azuis. O mesmo sorriso lento.

Mas William podia sentir as diferenças em seu irmão. Ele podia sentir os ecos da dor. Da Ira. Ele podia também sentir a força de Henry. Seu poder.

Henry não precisava de ninguém para protegê-lo agora.

_Ninguém, - Henry murmurou, lendo seus pensamentos.

_Eu posso me proteger. - Seus lábios se curvaram ligeiramente, revelando as pontas de seus dentes.

_Mas você não respondeu minha pergunta, irmão. Ela é sua companheira?

Savannah saíra da sala momentos antes. Ela sentiu o sol nascente e foi se preparar para o sono que viria.

Como a casa de William nas montanhas, a cabana era equipada com uma série de quartos e túneis subterrâneos. Henry pediu a eles para ficarem e dormirem em um dos muitos quartos.

William sabia que Savannah os havia deixado para lhes dar alguns momentos a sós com Henry e que ela estaria esperando por ele quando ele retornasse para o quarto. Esperando por ele com seu sorriso gentil e seus olhos misteriosos.

_A primeira vez que eu a vi, - ele recordou -, ela me pediu para matá-la.

_O que?

_Geoffrey matou seu irmão e sua cunhada. E ele a estava perseguindo. Ela queria encontrar Geoffrey, para lutar contra ele. - Ele suspirou, lembrando sua primeira visão de Savannah.

_Ela estava morrendo. E ela sabia que não era forte o suficiente para derrotar Geoffrey por conta própria.

_Então ela se virou para você. - Henry assobiou baixinho.

_Uma guerreira, não é? Ele esfregava seu peito levemente, como se ele pudesse ainda sentir a estaca que ela havia empurrado contra o seu coração.

William curvou os lábios.

_Ela é a mulher mais corajosa que eu já encontrei.

_Então ela é seu companheira.

Seu sorriso desapareceu.

_Não. Eu a forcei a ficar comigo. Eu disse a ela que eu só iria transformá-la se ela prometesse ser minha companheira.

Henry se calou.

_Isto não é de você.

_Eu sei. Mas eu a queria de tal maneira ruim que teria dito qualquer coisa, feito qualquer coisa, para possuí-la. - Ele teria negociado sua alma por um momento em seus braços.

_Você a ama.

William piscou.

_Claro. -Nunca houve qualquer dúvida em sua mente. Ele a amou no momento que sua porta se abriu e ele a viu em pé na entrada.

_Mas eu tenho que deixá-la ir.

_O que?

_Eu tenho que deixá-la ir. - William realmente podia sentir a dor que lanceava por seu corpo com o pensamento de viver sem ela. Mas não existia nenhuma escolha.

_Eu não posso forçá-la a ficar comigo. - Ele a amava muito.

_Geoffrey quase a destruiu. Agora que ele se foi. Ela pode começar sua vida novamente. Ela pode ser feliz.

_E você não pensa que ela quer ficar com você?

Seu coração batia forte.

_Eu desejo que ela queira. - Ele apertou as mãos.

_Mas por que ela iria?

_Talvez porque ela o ama, também.

Por um momento, a esperança o varreu. Então ele fechou seus olhos. Não, Savannah não o amava. Ela não poderia amá-lo. Geoffrey fez de sua vida um inferno, e ele não a tratou nem um pouco melhor. Ele nunca deveria ter forçado a barra em que seu negócio ridículo.

Ele apenas queria tanto dela...

_Ela gosta de você, irmão. Quando ela olha para você, eu vejo isto em seus olhos.

_Ela é grata a mim, - ele murmurou. Ele não queria a sua gratidão. Ele queria o seu amor.

_Quer dizer-lhe como você se sente?

Será que ele queria? Será que ele ousava? Era realmente cômico. Ele era um imortal, com força física e psíquica imensa, mas tinha medo de dizer a uma mulher pequena como se sentia.

_O sol está chegando. Devemos procurar o nosso descanso. - Henry se levantou e atravessou a sala. Ele parou no saguão, de costas para William.

_Diga a ela. Não deixe que ela saia de sua vida sem lhe dizer como se sente. Você vai se arrepender se o fizer.

William franziu a testa.

_Você está falando por experiência própria?

Henry olhou para trás, um sorriso triste torcendo seus lábios.

_Eu tenho estado sozinho desde aquele dia na caverna. Eu nem sei se posso amar uma mulher. Meu coração está morto, me senti assim por novecentos anos. Mas eu digo-lhe isto, se uma mulher olhasse para mim da maneira que sua Savannah olha para você... - Ele respirou fundo.

_De nenhuma maneira eu a deixaria sair da minha vida. Eu faria o que fosse necessário para mantê-la comigo, para sempre. -Ele saiu da sala.

 

Ela sonhava com William. Eles estavam andando com as mãos entrelaçadas.Eles estavam em uma praia, uma extensão infinita de areia. As ondas batendo suavemente sobre a terra, levemente acariciando seus pés.

_É tão bonito aqui, - ela murmurou sentindo-se estranhamente em paz.

William parou de andar e se virou para encará-la.

_Sim, belo.

Ela estremeceu, sentindo que ele estava falando sobre ela, e não sobre a beleza da terra e do mar. Ele levantou a mão e acariciou seu rosto.

Seus olhos pareciam tão incrivelmente tristes.

_O que há de errado?

Seu rosto ficou tenso.

_Não podemos ficar aqui.

_Por que não? - Tudo era perfeito. Ela queria ficar aqui para sempre. Com William.

_Eu não posso ficar aqui. - Ele respirou fundo.

_Eu não pertenço aqui. Eu não pertenço a você.

O que ele estava dizendo? Seu coração batia com medo.

_Claro que sim! Nós pertencemos um ao outro! Estamos acordados...

Ele sorriu, e a visão rasgou o seu coração.

_O pesadelo acabou. Você está livre.

Ele começou a sumir...

_Não! - Ela o agarrou, apenas por um instante seus dedos pareceram deslizar direto através de seu corpo.

_Não! Você não pode me deixar!

O corpo dele brilhava.

_Beije-me uma vez mais, - ele pediu.

_Apenas uma vez para que eu me lembre...

As ondas eram mais altas agora, batendo contra a costa. Batendo contra seus pés. Nuvens varreram a lua, sobre as estrelas, destruindo completamente o céu noturno.

Ela agarrou William, segurando-se com toda sua força. Ela não ia deixá-lo ir.

Ela o beijou.

E ele desapareceu.

 

_William! - Ela gritou seu nome com sua primeira respiração.

Ela olhou ao redor do quarto, com medo de que ele tivesse ido embora. Mas ele estava lá, de pé, sem camisa, ao lado da cama, seu negro olhar intenso.

Um suspiro de alívio a varreu. Ela pulou da cama, envolvendo seus braços ao redor dele. Ele se sentia tão quente tão sólido. Tão real.

Seus braços a seguraram perto, segurando-a contra seu peito largo. Seu medo desapareceu. Ela estava com William. Eles estavam juntos, como deveriam ser.

_Eu sonhei com você, - ela sussurrou baixinho. Foi um sonho? Ou um pesadelo?

_No início, ele era tão perfeito. Mas então você desapareceu. Você me deixou, e eu estava sozinha nesta praia deserta.

Ela o sentiu endurecer contra ela. Seus braços se ergueram, a empurrando longe de seu corpo. Ela franziu a testa.

_William?

Seu olhar seguiu lentamente sobre seu rosto, quase como se ele a memorizasse.

_Você é tão bonita, - disse ele, sua voz quase reverente.

Um frio tomou conta dela. Por que sentia como se ele estivesse prestes a dizer-lhe adeus?

Ela apertou seus lábios contra os seus, precisando de seu beijo, sua paixão, para banir o medo que permanecia dentro dela.

_Faça amor comigo.

Ela podia ver a luta em seu rosto. Podia ver a dor e a fome.

_William?

Só mais uma vez...

O pensamento sussurrou através de sua mente. Uma memória do sonho?

William empurrou-a para trás na cama, seu corpo pressionando-a para o colchão macio, e ela não conseguiu pensar mais.

Sua boca se alimentava da sua, sua língua deslizando mais em seus lábios. Suas mãos estavam tocando-a, acariciando sua barriga, seus seios.

Ele tirou a camisa sobre a cabeça, arremessando-a através do quarto. Sua cabeça se abaixou, e ela pode sentir sua respiração contra sua pele.

Então, sua boca estava lá... Arreliando, chupando a carne que doía por ele.

Seus mamilos se apertaram, se esticando em picos. Ele os lambeu, agitando sua língua ao redor do primeiro mamilo, em seguida, mostrando a mesma atenção cuidadosa para o outro.

Seus dedos deslizaram por suas costas, as unhas raspando levemente sua pele. Ela arqueou em seu toque, pressionando seu quadril contra o dele.

_Por que não posso ter o bastante de você? - Ele sussurrou.

_Eu preciso de você. Estou faminto por você... - Ele beijou-a novamente, enfiando a língua profundamente.

Seus dedos foram deslizando para baixo suas calças, puxando o elástico da calcinha. Ele a tocou levemente mexendo seus dedos e agitando sua fome ainda mais.

Ela tocou-lhe o mamilo com sua língua, o sentindo se apertar instantaneamente. Ela o lambeu, sacudindo a sua língua delicadamente sobre sua pele sensível. Ela o ouviu inalar drasticamente.

Então ele empurrou sua calcinha para baixo, jogando-a para fora do caminho.

_Eu não posso esperar, - ele rosnou.

_Eu sinto muito, não posso! - Ele rasgou fora sua calça jeans. Ela podia ver a sua excitação. Forte. Quente. Rígida. Não, ele não podia esperar.

Nem ela podia.

Ela separou as coxas, se movendo ansiosamente para acomodá-lo. Ela podia sentir a ponta de sua ereção pressionando contra ela. Ela empurrou seus quadris, se esfregando contra seu calor.

Ele rosnou e a penetrou profundamente.

Savannah ofegou, o prazer a alcançando. Ela podia sentir o seu clímax chegando, correndo em direção a ela, e envolveu as pernas em torno dele, seus quadris se esforçando para cumprir a orientação do seu cérebro. Sua boca faminta se assentou sobre o seu peito, lambendo, mordendo.

Seus dedos deslizaram para os pelos crespos na junção das suas coxas. E ele esfregou levemente. E empurrou. Duro.

Ela gritou, quebrando sua libertação. Fogo queimando através de seu corpo, ondas de êxtase se derramando através seu sangue.

Os braços de William estavam em volta dela, segurando-a firmemente. A penetrando novamente. Mais profundo. Mais duro.

Ela podia ver a ponta de seus dentes. Ver as chamas vermelhas em seus olhos.

_Savannah!

Ela sentiu o clímax que o rasgou. E ela estremeceu, sentindo uma segunda onda empurrar a liberação através de seu corpo.

Eles se agarraram um ao outro, na crista do prazer. Ela podia sentir seu coração batendo contra ela, podia sentir o calor do seu corpo queimá-la.

E, nesse instante de descuido, ela estava mais perto dele do que ela nunca esteve antes. Pela sua ligação psíquica, ela estava perto o suficiente para realmente ouvir seus pensamentos

Sua respiração ficou ofegante. Dor passou através dela. Ela empurrou seus ombros, furiosamente empurrando seu corpo fora dela.

_Desgraçado! Você está planejando me deixar!

 

Eu lamento pelo que poderia ter sido.

-Entrada do diário de Henry de Montfort, 31 de dezembro de 1068

 

_Savannah! - William a tentou segurar, mas ela o empurrou para longe e saltou da cama. Seu corpo imóvel pedia pelo seu toque. Mas seu coração tinha estava quebrado por seus pensamentos.

Ela embrulhou um lençol ao redor de seu corpo, seu furioso olhar preso nele.

_Eu ouvi seus pensamentos! Eu sei o que você vai fazer!

A dor relampejou através de seu rosto e ele a agarrou.

_Não! - Ela saltou para trás, agitando sua cabeça furiosamente.

_Não me toque! - Ela quebraria se ele o fizesse. Desintegraria em mil pedaços.

_Só se vista. - Ela não podia permanecer olhando fixamente para ele, ver a beleza incrível de seu corpo. Era como um tapa em seu rosto.

Sua mandíbula enrijeceu, mas ele agarrou suas calças e as colocou com rápidos e ásperos movimentos.

_Você não entende...

_O que há para entender? - Ela se sentia como uma tola. Um tola absoluta.

_Você quis mais uma rodada de sexo antes de me excluir de sua vida. Eu acredito ter entendido isso muito bem. - Ela queria chorar, gritar com a dor da traição que a rasgava. Eles tinham passado por tanto juntos. Tanto. Como ele podia fazer isto com ela?

Ele fechou seus olhos. Sua mandíbula enrijeceu.

_Eu soube que eu devia ter partido antes de você despertar. Mas eu precisava demais de você. - Um sorriso triste ergueu seus lábios.

_Eu quis ver você. Para ver seus olhos, seu sorriso, só mais uma vez.

Só mais uma vez.

As palavras relampejaram por ela, enviando uma onda de esperança por seu coração.

Ela estava perdendo algo. Algo estava acontecendo que ela não entendia. Ela tentou ler seus pensamentos novamente, descobrir o que era, mas ela bateu contra uma parede. Uma parede que a deixava completamente de fora.

Ela caminhou em direção a ele, seu olhar estreito e intento. Ela sabia que ele estava ciente sua abordagem, mas ele não se moveu.

_William?

Ele abriu seus olhos e olhou fixamente para ela, seu olhar era triste.

_Nós fizemos um acordo, - ela sussurrou.

Suas mãos se apertaram

_Eu nunca devia ter forçado você a fazer este acordo. Eu nunca devia ter...

Forçada ela? Savannah se espantou.

_Sobre o que você está falando? Você não me forçou a fazer qualquer coisa. - E ele não tinha. Ela entrou neste acordo porque ela queria.

Porque ela o queria.

_Sim, eu fiz. - Ele tragou, e ela podia ter jurado naquele momento, que ele realmente parecia assombrado.

_Eu disse que eu não ajudaria você a caçar Geoffrey, a menos que você concordasse com o meu pedido. Que eu não transformaria você a menos que você se tornasse minha companheira.

_Você disse a mim que eu teria que ficar com você para sempre, - ela sussurrou.

_Você não tem. - Ele respirou fundo.

_Geoffrey está morto. Você não tem que se preocupar sobre ele novamente. Você pode ter sua vida de volta. Você pode ir a qualquer lugar você queira. Fazer qualquer coisa. Você pode começar novamente. Ter uma nova vida.

_Sem você. - O pensamento era horrível.

Ele movimentou a cabeça.

Ela não entendia.

_Você quer que eu deixe você?

Ele não respondeu. Ele a olhava fixamente, seus olhos mais pretos que a noite.

_Por quê? - Ela tinha que saber. Ela tinha que saber por que ele de repente estava a empurrando para longe dele.

Momentos se passaram em silêncio. Ela achava que ele não iria responder. Que ele somente continuaria a olhar fixamente para ela.

_Porque você merece mais, - ele disse, e ela podia ouvir a agonia em sua voz.

Seu coração parou de bater.

_O que?

_Você merece felicidade. Liberdade. Você tem passado por um inferno por causa de meu irmão. - Ele hesitou, e então disse - Por causa de mim.

Por causa dele?

_William, se ele não tivesse sido por você, eu estaria morta agora! Eu estaria em um cemitério em algum lugar. Ele não entendia? Ele havia devolvido a sua vida para ela!

_Geoffrey levou sua vida. Eu forcei você para a mudança...

Ela agarrou seus braços, o fazendo prestar atenção nela.

_Eu estava morrendo William. Os médicos estavam errados. Eu não teria seis meses de vida. Se você não me transformasse quando você fez, eu estaria morta. - Ela agitou sua cabeça.

_Eu quis que você me transformasse. Eu implorei para que você fizesse isto.

_E eu disse a você que eu daria a você o beijo só se você se tornasse minha companheira. - O desgosto estava escrito em seu rosto.

Seus olhos se alargaram.

_Sobre o que você esta falando?

_Eu não quero que você fique comigo porque eu tirei sua escolha.

_Mas e se eu escolher ficar? - Ela tocou em sua bochecha.

_E se eu quiser ficar com você?

Fome relampejava em seus olhos. Necessidade. Esperança. Entretanto ele deu um passo para trás. Se afastando de seu toque, longe dela.

_Geoffrey matou seu irmão e sua cunhada, e ele quase matou você. - Ele passou sua mão por seu rosto.

_Como pode você ficar comigo, sabendo o que ele fez

_Porque você não é como ele, - ela disse simplesmente, honestamente.

_Você não é nada como Geoffrey.

_Depois do que eu fiz para você, como pode você dizer isto?

Seu temperamento estalou.

_Você não fez nada para mim! - Ela gritou.

_Pare de dizer Isto! Você não me forçou a fazer qualquer coisa que eu não quisesse fazer. Sim, você me transformou. Eu implorei para que você fizesse isto! Você salvou minha vida quando você me deu o beijo. Você me ajudou a caçar Geoffrey, seu próprio irmão. Você ajudou a pará-lo.

-O acordo...

_Oh, sim, o grande acordo! Deixe-me dizer a você algo, eu não aceitei o acordo somente porque eu ganharia minha vingança. - Ela agitou sua cabeça.

-Eu sabia que você me ajudaria a parar Geoffrey, se eu concordasse ou não. Você sabia que a matança tinha que parar, e não era nada indiferente. Eu sabia disto.

-O que? - Ele estava atordoado.

Ela esmurrou seu dedo contra seu tórax.

-Me escute! Eu concordei com aquele acordo por uma única razão. - Ela respirou fundo.

-Porque eu queria você. E eu teria feito qualquer coisa para estar com você.

Ele agarrou seus braços, seus dedos em sua pele.

-O que você está dizendo?

Ela olhou fixamente em seus olhos ardentes.

_Eu estou dizendo que eu amo você. - Suas palavras derramaram furiosamente de seus lábios.

_E eu estou dizendo que eu não deixarei você me tirar de sua vida. Eu não irei! Eu sei que as coisas têm sido duras, mas agora...

_Você me ama? - Ele sussurrou, soando ofuscado.

Ela movimentou a cabeça uma vez.

_Savannah! - Seus braços passaram ao redor dela, quase a esmagando. Ele enterrou seu rosto em seu cabelo. Seu corpo estremeceu contra o seu.

_William? - Seus braços o embalaram. Era duro para ela respirar, mas ela não se importava. Esperança chamejava em seu peito.

_Eu queria deixá-la livre, - ele disse suavemente.

_Livre do passado, livre começar uma nova vida.

_Quando eu estou com você, eu estou livre. Você não entende isto?

Ele a empurrou suavemente, a olhando fixamente.

_Esta é a sua última chance, porque eu não penso que a deixarei ir novamente.

_Eu não quero que você me deixe ir. Eu quero que você me segure e me ame, para sempre.

Ele tragou e a mão que ele ergueu para acariciar sua bochecha tremia.

_Você me ama? - Ela perguntou a ele, olhando solenemente dentro de seus olhos escuros.

_Mais que qualquer coisa. - Seu dedo polegar percorreu seus lábios.

_Desde o primeiro momento que eu a vi, eu soube que você seria a única pessoa que eu amaria.

_Você soube desde o início? - Ela estava chocada.

_Eu soube assim que olhei em seus olhos verdes. Eu tentei mandar você embora porque eu estava tentando proteger você. - Seus lábios se curvaram em um sorriso sardônico.

_Eu estava tentando proteger você de mim.

Ela não podia acreditar nisto. William a amava? Ele realmente a amava?

_Por que você não disse algo mais cedo? Por que você só ia embora?

Ele a beijou ligeiramente.

_Medo. Puro medo...

William, um vampiro antigo, teve medo?

_Sim, - ele disse.

_Porque se eu admitisse meu amor, e você não retribuísse... - Um olhar desolado passou por seus olhos.

_Não existiria nenhuma esperança para mim.

_Eu nunca daria as costas a você.

William olhou fixamente para Savannah, repleto pela emoção. Ele mal podia acreditar no que estava acontecendo. Ela o amava. Ela realmente o amava.

E ela não queria partir. Ela queria ficar com ele, para sempre.

_Você não vai estar só nunca mais, - ela disse, parecendo ler seus pensamentos.

_Nós estaremos juntos.

Para sempre.

Toda lua-cheia noite seria gasta com Savannah. Ele teria seu calor, seu riso, sua paixão. Ela seria sua. Sua companheira. Seu amor. Pela eternidade.

_Eu não posso acreditar que você iria me mandar embora. - Ela fechou a cara para ele.

_Eu pensei estar fazendo a coisa certa, embora o pensamento de viver sem você quase me despedaçasse.

_Você é a coisa certa para mim. Você sabe disto, não é? - Ela perguntou, suavemente.

E, olhando fixamente em seus bonitos olhos verdes, ele finalmente compreendeu.

Seu amor era rico, brilhante e puro. Infinito. Ele podia sentir seu amor, sentir as ondas emanando de sua mente, de seu coração.

Ela abriu seus pensamentos para ele livremente, o deixando saber, o deixando ver, como ela verdadeiramente se sentia.

E ele estava humilhado. Humilhado pela força de seu amor.

E aterrorizado. Ela o amava. Ela verdadeiramente o amava.

Ela amava o monstro. Ela amava o homem.

_Eu amo você, - ela disse.

_Todos vocês.

Ele sorriu. Ele deu a Savannah o presente escuro, o beijo do vampiro, mas ela deu para ele algo muito mais precioso.

Ela deu a ele um amor, que duraria para sempre.

 

Não temo mais a escuridão.

- Entrada do Diário de Savana Daniels de Montfort - Primeiro de Janeiro de 2005.

 

Savana olhava fixamente a sepultura de seu irmão, uma dúzia de rosas vermelhas apertadas em suas mãos.

_Agora está acabado, Mark, - ela sussurrou.

_Ele não prejudicará mais ninguém.

O vento gemia quietamente na noite.

_Acabou o pesadelo.

Ela colocou as rosas em sua lápide, tocando levemente a pedra fria com a ponta do dedo.

_Você pode encontrar a paz agora. – Como eu encontrei a minha.

Ela respirou fundo, enxugando uma lágrima de sua face. Ela se virou e viu William nas sombras, esperando por ela. Ela andou em sua direção, precisando do seu calor para repelir o frio da noite.

Os seus braços se enrolaram em volta dela, puxando-a contra o seu peito. Como sempre, ele se sentia tão bem contra ela. Tão direito.

Sim, o pesadelo estava acabado. Era hora de um novo começo. Uma nova vida.

Uma vida que ela passaria com William.

Ela lançou um olhar por cima de seu ombro, fitando a sepultura de seu irmão.

Adeus, Mark.

E no sussurro do vento, ela teria jurado que ela ouviu seu irmão dizer, - “Adeus, Savannah.”

 

                                                                                Cynthia Eden  

 

                      

O melhor da literatura para todos os gostos e idades

 

 

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