Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

  

 

Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


PRAZER CULPADO / Lora Leigh
PRAZER CULPADO / Lora Leigh

                                                                                                                                                   

                                                                                                                                                  

 

 

Biblioteca Virtual do Poeta Sem Limites

 

 

PRAZER CULPADO

 

— Fodido bastardo traidor!

Marty Mathews olhou fixamente seu superior, o chefe de divisão Vince Deerfield, com uma sensação oculta de surpresa enquanto este lançava o grosso arquivo de Khalid al Hamid-Mustafa através da mesa.

A pasta cor amarela mate bateu, deslizou pela mesa e depois caiu espalhada a seus pés as folhas soltas de dados e fotos.

Khalid al Hamid-Mustafa. O filho bastardo de um xeque saudita suspeito de terrorismo. Seu pai, Azir Mustafa, era um partidário religioso da linha dura, um homem que governava um dos setores mais inóspitos da Arábia Saudita limitado com o Iraque. Cotou seus filhos pelo mesmo padrão e ao fazê-lo tinha submetido Khalid durante anos, a estar sob suspeita pelos Estados Unidos.

Essa era a razão pela qual Marty tinha estado seguindo Khalid durante os últimos dois anos. Como agente do FBI, o menos importante no que se referia a seu chefe, Marty tinha estado agindo de babá e de voyeur de um dos homens mais ativos sexualmente em que jamais tinha pousado os olhos.

Um homem sombrio, perturbador e perigoso. Não havia nenhuma dúvida em sua mente que Khalid Mustafa seria um homem muito perigoso com o qual cruzar-se. Se por acaso o duvidava, a informação que seu padrinho tinha proporcionado durante os últimos anos o teria confirmado.

Havia uma razão pela qual ela não informou nunca das atividades mais suspeitas nas quais Khalid tinha tomado parte. Simplesmente, porque tinha tomado parte nelas sob as ordens de seu padrinho, o diretor do FBI.

— Nenhum comentário? — Grunhiu Vince, descendo as espessas sobrancelhas, os olhos verde avelã cuspindo fogo e enxofre para ela.

— Sou a agente que o seguiu durante os últimos dois anos — Respondeu educadamente — Como expõem meus informes, não há nenhuma prova que apoie a suspeita que o senhor Mustafa tenha laços com alguma comunidade terrorista.

Vince se jogou de volta à cadeira e a fulminou com o olhar. Esse olhar era enervante. Era um mau sinal para qualquer agente que a recebesse. Infelizmente ela era o agente em questão.

— Dois anos — Espetou — Dei a você dois anos, agente Mathews, para encontrar uma simples prova que apoiasse as suspeitas que temos contra ele. Dois anos. Eu teria condenado uma criança de cinco anos com essa quantidade de tempo em minhas mãos.

Sem dúvida o teria feito, mas, por outra parte, ele não teria tido um padrinho que era o diretor de todo o FBI repassando seus informes, corrigindo e apagando os pontos de pouca importância que poderiam ter apoiado essa suspeita, porque Khalid era agora mesmo seu infiltrado favorito.

— Uma criança de cinco anos não teria tido o estilo de vida decadente que tem Mustafa. — Ela revirou os olhos diante o pensamento — Duvido bastante que o homem tenha tempo de fraternizar com terroristas. Está muito ocupado com seus amiguinhos.

Em realidade, isso era mais verdade que ficção, sem importar o muito que a seu padrinho gostasse de sorrir e negá-lo.

Seu chefe a olhou fixamente como se fosse uma lesma sob uma rocha que de algum jeito o desafiasse a tocá-la. O mero feito de que ele não pudesse despedi-la sem atrair uma grande descarrega de interesse em seu escritório era só a ponta do iceberg das razões pelas quais a odiava.

O homem estava suicidando lentamente sua carreira e não parecia ter nem ideia. Seu padrinho era Zachary Jennings, o diretor do FBI e o chefe de Deerfield. Ela não iria chorando ao papai Zach, mas isso não significava que estivesse satisfeita com o trato que tinha recebido em seu escritório desde que tinha sido designada ali.

— Bem, já pode parar de protestar pela missão — Soltou, com tom malévolo — Está fora. A operação foi por água abaixo, graças a seu padrinho e a sua incompetência. O que vai fazer agora, sair chorando?

Marty se endireitou no assento, formando um cenho entre as sobrancelhas diante a acusação em que tinha estado pensando só momentos antes.

— Nunca discuti esta missão com meu padrinho — Informou, encrespando-se diante o insulto, mas agradecendo a Deus que seu padrinho a tivesse ensinado como mentir quando ela era jovem — E parei de sair chorando quando tinha três anos.

— Então não tenho que me preocupar de um protesto em minha mesa quando disser que tem que ser uma das piores agentes que jamais tive em minha divisão. —Disse com ironia.

— O único relatório de que tem que preocupar-se é o que eu talvez apresente, senhor. — Ela o olhou, esforçando-se para ocultar à ira — Talvez não seja minha falta de destreza tanto como sua falta de previsão e incapacidade para aceitar o fato de que Mustafa não é culpado de nada exceto de seus próprios excessos sexuais.

Manteve o tom respeitoso. Assegurou-se que não infiltrasse nada da animosidade que bulia nela. Este adotou um ar depreciativo e isso foi tudo o que ela pôde fazer para evitar dizer em que louco se transformou com os anos.

A determinação para encontrar qualquer prova que pudesse obter contra Khalid se transformou na fofoca do escritório. Negava-se a atender a razões, negava-se a ver que não havia nada que vinculasse Khalid com qualquer terrorista. Exceto aqueles com os quais seu padrinho o tinha feito reunir-se em segredo.

Agora não havia se fodido com isso?

— Minha falta de previsão nunca esteve em questão — Ficou em pé e caminhou para as amplas janelas com vistas sobre D.C. enquanto soltava um duro e aborrecido bufo — De todas as formas, fechou-se a operação. Está fora do caso, Mathews. Por fim poderá começar as férias pelas quais estiveste chorando durante os últimos dois anos.

Chorando? Duvidava muito. Tinha apresentado a petição no mês anterior ao ser atribuída a Khalid e simplesmente a tinha ido apresentando a cada seis meses. Merecia férias. Não as tinha tido em três anos.

— Obrigada, senhor — Mal conseguiu não deixar transparecer a brincadeira em sua voz.

Isso não enganou Deerfield. Fulminou-a com o olhar enquanto juntava as mãos detrás das costas e endireitava os ombros para baixar o nariz aquilino para ela.

— Está desculpada — Fez um gesto como se ali houvesse um aroma que o ofendesse — A verei de volta daqui a um mês. Espero que então possa encontrar uma missão digna de suas medíocres habilidades.

Maldição. Ela podia esperar mais tempo que quatro semanas antes de voltar para este escritório ou às questionáveis benções de Deerfield. O homem era um desalmado. Teria pesadelos em relação à volta durante as férias.

— Obrigada, senhor — Ficando em pé, brindou-lhe com um efêmero e menos que sincero sorriso — O verei em um mês.

Marty deu a volta e caminhou rapidamente para a porta, desesperada para afastar-se da malevolência que podia sentir emanando de seu chefe.

Entretanto, correr para seu padrinho não ia ser um problema, porque tinha o pressentimento que seu tempo na agência era história. Neste momento, estava sendo cortejada por mais de uma empresa de segurança particular e estava considerando seriamente uma oferta muito lucrativa.

Fechando a porta atrás dela, Marty saiu rapidamente dos singelos escritórios da agência e entrou no caloroso dia de verão de D.C. O primeiro dia de férias. Um mês livre de conflitos e dos gritos de Deerfield porque não tinha conseguido nenhuma prova contra Mustafa.

Se o homem só soubesse exatamente quem era Khalid na agência. Seu codinome era Leão do Deserto e as missões nas quais tinha tido um êxito total para a agência tinham sido fundamentais, em escala nacional e para o Oriente Médio. Mas por que Deerfield não tinha tido a informação de que Khalid era um dos agentes independentes de seu pai? Por que o haviam dito a ela e a ele não? Aquela era informação que Zachary Jennings ainda não tinha dado, mas tinha suas próprias suspeitas.

Conhecendo seu padrinho, o mais provável é que Deerfield estivesse a caminho da rua. De outro modo teria entregado a informação a Vince Deerfield que teria exonerado Khalid das suspeitas que Deerfield tinha contra ele.

Enquanto andava a passos longos ao longo da calçada, um pequeno sorriso inclinou seus lábios. Dois anos investigando Khalid e ela sabia mais sobre ele do que possivelmente sabia sobre si mesma. Conhecia o pensativo e perigoso reflexo do homem que ocultava atrás dos tranquilos e frequentemente divertidos olhos negros. Conhecia-o pelo animal sexual masculino que era e como jogava distante de “outro” amante em suas relações.

E frequentemente se perguntava, o que aconteceria se ela não fosse uma agente, se não fosse sua sombra, se não fosse a afilhada do diretor do FBI e uma mulher que, ele sabia, não se contentaria com simplesmente “jogar”?

Meteria-se em sua cama ou simplesmente exigiria ser um terceiro, deveria escolher um amante no círculo das amizades que compartilhavam a seus amantes?

Soava depravado. Pervertido. Em troca, Marty conhecia o ambiente de vida protetor e amoroso que seus pais tinham criado para ela. Seu pai, sua mãe e seu padrinho.

Entrando no estacionamento atrás dos escritórios do FBI, foi com rapidez para o carro, apertou o fechamento automático e abriu a porta antes de meter-se dentro.

Agarrou o volante com as mãos enquanto olhava fixamente ao longo da calçada frente a ela, a profusão de flores e arbustos retinham seu olhar com suas salpicaduras de cor. Tinha um mês para tentar a sedução de um homem que parecia decidido a permanecer tão distante como fosse possível.

Tinha quatro semanas para roubar seu coração. Se tivesse um para roubar.

 

O CLUBE, PROPRIEDADE SINCLAIR, VIRGÍNIA

Khalid observou como o senador dos Estados Unidos Joe Mathews e o terceiro que tinha escolhido fazia mais de trinta anos, o diretor do FBI Zachary Jennings, entravam no bar do Clube, jogando uma olhada ao redor até que descobriram Khalid.

Elevando o copo de uísque, Khalid tomou um sorvo do líquido escuro enquanto seguia a pista de seus avanços através da sala para a pequena área de assentos onde ele estava sentado. Se suas expressões eram algo a ter em conta, então as notícias não eram boas. Possivelmente. A seriedade sombria que tinha esticado seus rostos durante os últimos dois anos se aliviou e com isso, com um pouco de sorte, também a sua aparência.

Os dois homens eram esbeltos, tendo em conta sua idade. O senador estava perto dos sessenta, o diretor estava só a uns poucos anos atrás, mas ambos os homens pareciam mais jovens. Juravam que era devido à vida caseira, pacífica e livre de estresse.

Havia dias em que Khalid sinceramente o duvidava. Conhecia a que eles reclamavam como filha.

— Khalid — Zach se sentou no sofá frente à poltrona reclinável de pele onde Khalid estava relaxando nesse momento. O senador tomou assento na cadeira ao lado do diretor, reclinou-se e permitiu que um sorriso de satisfação inclinasse seus lábios.

— Considere terminados seus problemas — Anunciou Joe em voz baixa, o tom grave com um toque de diversão quando a sobrancelha de Khalid se elevou com curiosidade.

— Sério? — Disse arrastando as palavras — Todos?

— Talvez, a maioria — Riu entre dentes Zach — O FBI abandonou a investigação sobre você. Deerfield foi obrigado a deter a missão esta tarde. Marty está a caminho da casa de férias e apresentarei meu relatório de Deerfield à semana que vem. Deveríamos ter sua renúncia durante o próximo mês.

— Antes que Marty volte para o escritório, suponho? — Khalid sentiu seus dedos fazer cócegas com a necessidade de apertá-los em um punho diante o pensamento do canalha de Deerfield agredindo-a.

Havia agentes no Clube, homens que informavam a Jennings e quem tinha revelado a informação a Khalid, referente a Marty. Esses homens tinham seguido informando dos insultos com os quais Deerfield a tinha repleto referente a sua incapacidade de encontrar provas contra Khalid e suas supostas atividades terroristas.

— Antes que Marty volte para o escritório. — Assentiu Zach, a expressão tensa pela ira — O bastardo passou do limite muitas vezes.

— E ainda assim sua filha se nega a apresentar um relatório contra ele. —Murmurou Khalid.

Zach assentiu com força.

— Marty não é uma mexeriqueira. Posso conseguir sua renúncia sem ela, mas teria ajudado.

— E lhe pediu ajuda? — Khalid sorveu o uísque enquanto jogava uma olhada aos dois homens.

Zach negou com a cabeça contundentemente.

— Se descobrir que conhecemos os problemas com seu chefe, então começará a interrogar a nossas fontes. Não quero isso. Ficar de olho nessa garota nem sempre é fácil. Não quero que saiba o bem controlada que a tenho.

Khalid se absteve de objetar. Não era partidário de ocultar informação nesta situação. Marty era uma mulher inteligente que vivia uma vida potencialmente perigosa, apesar das tentativas de seu padrinho para assegurar-se de que estivesse protegida. Só faria mal e se zangaria se parecia que seu pai não tinha fé em suas capacidades.

— Ele ainda o desaprova. — Joe fez um gesto em direção de Khalid.

— Não é meu problema aprová-lo ou desaprová-lo. — Tirou importância. Pelo menos, ainda não o era. Entretanto, a batalha que estava liberando para evitá-la estava se fazendo mais difícil dia a dia. Já era uma batalha que talvez perdesse.

— Seria — O olhar de Joe agora era sombrio — Se fosse sério em suas intenções.

Khalid teve que rir diante isso.

— Cavalheiros, este é o século vinte e um, não o dezoito — Informou — Não somos cavalheiros sulistas procurando proteger a honra de nossas filhas. Minhas intenções são as de sempre. Deveria me declarar culpado por procurar somente o prazer.

Joe fez uma careta enquanto Zach sacudia a cabeça diante a resposta de Khalid.

— Marty não é um brinquedo — Expôs Zach, com voz firme, seu tom de advertência. Era uma discussão habitual, embora uma que Khalid raramente provocava ou tomava parte.

— Diga-me. — Inclinando-se para frente, Khalid deslizou o respaldo da poltrona a sua posição levantado. — Há alguma possibilidade de que Deerfield descubra do que aconteceu na Arábia Saudita antes que eu partisse?

O que tinha acontecido fazia dez anos quase o tinha destruído. E ainda havia homens aos que adorariam ver o Khalid al Hamid-Mustafa quebrado, começando por seus dois meios-irmãos.

— Nos ocuparemos disso. — Prometeu Zach— A renúncia de Deerfield o despojará de sua autorização e assegurará que nunca descubra seus segredos.

Seus segredos. Mas bem seus pesadelos. O sangrento e vergonhoso passado que atormentava seus dias como um espectro escuro. Khalid assentiu enquanto se levantava. Esta conversa chegava ao final no que se referia a ele. Se ficasse a fazer vida social com os dois homens, indevidamente voltaria para Marty. A única mulher que sofria por possuir com uma fome diferente a qualquer uma que tivesse conhecido antes. Era a única mulher que ele se obrigou a negar-se.

Durante muitos anos se contentou sendo simplesmente um terceiro para as amantes ou esposas de outros membros do Clube. Não tinha desejos de formar um compromisso com nenhuma mulher ou relação. Não tinha direito a fazê-lo. Tinha perdido esse direito fazia muitos anos em um deserto coberto de sangue e traição.

— Isso não significa que a ameaça que seus meios-irmãos representam se acabaram. — Suspirou Zach enquanto Khalid lutava por reprimir a ira que se formava dentro dele — Já se ocupou em esconder às garotas?

As garotas. Suas filhas. Seis jovens a quem seu pai tinha enviado, como nada mais que escravas quando tinham sido pouco mais que crianças, fazia dez anos. Tinha-as adotado, criado e agora eram lindas jovens que faziam suas vidas.

Khalid assentiu.

— Estão com minha mãe e Pavlos.

Pavlos Galbraith, o grego multibilionário, fazia todo o necessário para certificar-se de sua segurança, assim como a de sua esposa, a mãe de Khalid e a filha de ambos.

— Bem — Assentiu Zach — Até que conheçamos as repercussões da operação que descobriu essa célula no D.C. no mês passado, o melhor é que permaneçamos no lado seguro.

O que significava que o melhor era que permanecesse afastado da filha de Zach, Marty.

O qual não era mais que a verdade. E ainda assim, era uma verdade que odiava confrontar.

— Se me perdoarem — Saudou os dois homens enquanto se afastava e se dirigia para a saída do bar.

Não tinha desejos de falar sobre Marty neste momento, como não tinha desejos de enfrentar a outra noite cheia de excitação, pesadelos e as lembranças de um passado que nunca poderia mudar.

 

— O que pensa? — Suspirou Joe, enquanto observava Khalid antes de girar-se para o homem que tinha sido seu melhor amigo a maior parte de sua vida.

— Penso que preferiria que nossa filha estivesse interessada em outro homem — Disse Zach, enquanto passava a mão pela mandíbula e tentava reprimir a inquietação que crescia nele — É um homem difícil, Joe.

— Não permanecerá afastado dela — Joe sacudiu a cabeça ante o pensamento.

— Se o obtivesse, ao final, ela o encontraria — Esta era uma verdade da qual Zach estava seguro — Está tão obcecada como ele.

— É protetora com ele — Rebateu Joe — E tem curiosidade.

Zach se recostou na cadeira e soltou um forte suspiro. Marty era como o vento, suave e amável um dia, soprando com fúria e quente, ou frio glacial, no seguinte. Mas uma coisa permanecia constante e isso era sua lealdade por aqueles pelos quais se preocupava. Por alguma razão se obcecou com Khalid quando não era mais que uma menina e essa fascinação não tinha diminuído.

Joe sabia que Zach tinha vivido com o temor durante os últimos anos por essa escura fascinação que frequentemente cobria os olhos de sua filha sempre que via Khalid. O homem romperia seu coração e Joe não sabia se poderia perdoar jamais Khalid se a machucasse. Mas sabia que Zach o veria como algo pessoal e Khalid lamentaria qualquer lágrima que Marty derramasse.

Enquanto esfregava o rosto com a mão, Joe jogou um último olhar a Khalid enquanto se retirava antes de levantar a bebida e termina-la. Zach se ocuparia do problema de Vince Deerfield e o tiraria do traseiro de Khalid e de Marty. Joe ajudaria a sua filha a fazer o que Zach fez prometer que não faria. E isso era ajudá-la a obter o que ele sentia que a faria feliz. Mas ainda mais, tinha o pressentimento que isso seria o que também faria feliz a Khalid. Ao final. O menino necessitava algo pelo que lutar. Alguém por quem lutar. Estava se torando relaxado em relação a sua própria proteção.

Às vezes um homem só podia detectar quando duas pessoas estavam destinadas a estar juntas. Khalid e Marty encaixavam de maneiras indescritíveis e como pai, Joe não queria nada mais que a felicidade dela e a paz de Khalid.

Durante os últimos dois anos tinha observado a ira crescendo dentro de Marty enquanto Deerfield ia atrás de Khalid. Cada ordem que tinha recebido de grampear seu telefone, revistar sua casa ou segui-lo a qualquer função ou evento ao que assistia tinha golpeado a fibra sensível da garota.

Cada vez que tinha sido obrigada a permanecer de vigilância enquanto ele praticava seus “jogos” como ela os chamava, tinham-na mudado um pouco mais. Como se ao saber que ele estava compartilhando a cama de outra mulher só a enfurecesse ainda mais.

Infelizmente para seu padrinho, mantê-la afastada de Khalid seria impossível. Joe imaginava que ele talvez também faria o que sempre fez e a ajudaria se ela o pedisse. Por outra parte, conhecia bem a sua filha. Não necessitaria muita ajuda. Tinha o pressentimento que ela possivelmente seria a mulher que domesticaria o coração do Leão do Deserto e curaria as feridas da alma.

Ou acabaria as compartilhando.

— Para de preocupar-se, Zach — Ordenou Joe com firmeza, enquanto recolhia um papel na mesa frente a ele e se recostava para ler — É uma mulher adulta. Tem que deixá-la viver sua própria vida neste momento.

— Dito pelo homem que se destacou em ordenar que ela deve estar coberta por um destacamento de proteção em todo momento — Grunhiu Zach — Importa-me uma merda.

Os lábios do Joe se arquearam em um sorriso de diversão.

— Onde voam as balas, tendo a permanecer precavido. No que se refere a Mustafa… — Seu sorriso se alargou — É um homem acabado. Dê a ela duas semanas, ele será como o resto de nós. Massa em suas mãos.

— Não tem coração, Joe. — Disse Zach, provocando que Joe baixasse o papel e franzisse o cenho.

— Que diabos quer dizer com isso?

— Seus irmãos destruíram qualquer pedaço dele que pudesse entregar a outra mulher nesse maldito deserto. — Disse, pensando no que tinham feito a Khalid tantos anos antes — Arrancaram o coração do corpo. Esse é o porquê tem que permanecer muito, muito longe de nossa filha. Não fará nada mais que machucá-la.

Joe rogou que estivesse equivocado, por nenhuma outra razão que pelo bem de sua filha.

 

O calor envolvia Marty. Um mormaço, abafadiço e úmido que cobria seu corpo nu, lambia seus mamilos sensíveis e fazia cócegas na união de suas coxas. Brilhava com um resplendor trêmulo sobre seu corpo coberto de óleo e se afundava em sua carne, quase alcançando esse lugar dentro dela que sempre parecia vazio, sempre escuro.

Atrás das pálpebras fechadas existia uma suave cor, cumprimentos do sol que se vertia a seu redor. Simplesmente era o verão envolvendo-a, esquentando-a, provocando que sentisse uma comichão da ponta dos pés descalços, sobre sua vagina depilada e seus pálidos seios, até a parte superior da cabeça.

Estirou-se sob o calor, desfrutando dele como não tinha sido capaz de fazê-lo durante muito tempo. Deveria ter se reunido com sua mãe e suas tias na França, pensou. Estavam tomando o sol na praia, bebendo pequenos drinks com sabor a fruta e sombrinhas, relaxando. Se tivesse tido alguma ideia da surpresa que o louco de seu chefe tinha destinado ontem, então definitivamente teria feito planos para reunir-se com elas.

Teria desfrutado da risada que sempre resultava quando sua mãe e suas tias se juntavam.

Em troca, estava ali deitada, perguntando-se o que estava perdendo e por que porcaria estava ali sozinha.

Como teria estado fazendo se estivesse na França, pensou divertida. Teria se preocupado interiormente cada dia que estivesse ali enquanto se perguntava o que estava perdendo em casa.

Teria se perguntado o que estava fazendo Khalid. O sexy, encantador, inquietante e reservado Khalid.

Soprou um quente fôlego enquanto a imagem dele se elevava atrás de suas pálpebras fechadas. Tão alto, de ombros largos e quadris estreitos. Uma fantasia feita realidade se tudo o que uma mulher procurasse fosse o prazer obtido só do sexo.

Havia vezes que desejava poder conformar-se com simplesmente sexo. Os momentos roubados na escuridão da noite, umas poucas horas de satisfação antes de seguir com seu caminho. Se fosse mais esse tipo de mulher, não estaria tão atormentada por um único homem como o estava por Khalid.

Acariciar com as pontas dos dedos ao longo da pele nua do abdômen deixava uma sensação de sensual debilidade penetrando-a. Havia dias, noites, quando sofria por seu toque. Quando cada terminação nervosa em seu corpo desesperava-se por sua carícia, parecia pulsar justo sob a pele. Um toque que não tinha conhecido.

Quase riu diante o pensamento. Era patética e quanto mais velha se fazia, mais parecia intensificar a dor. Não podia tirá-lo de suas fantasias nem de sua mente. Perguntava-se se estava obcecada. Marty nunca se obcecava por nada e definitivamente jamais por um homem. Khalid parecia ser a exceção à regra. Rodando sobre a grosa toalha que a protegia do cimento que rodeava a piscina, Marty inspirou uma forte e profunda baforada e tentou obrigar às onipresentes imagens eróticas de Khalid a sair de sua mente.

Tinha decisões a tomar enquanto estava de férias, decisões que não incluíam a arrogância e a sexualidade de Khalid. Decisões que poderiam trocar sua vida como a direção que em seu momento escolheu.

A empresa de segurança particular que a tinha abordado no mês anterior fez uma oferta que achava difícil de recusar. Uma oferta que talvez aceitasse.

Escalar posições na agência estava começando a parecer quase impossível. A posição de seu padrinho como diretor dos escritórios federais a retinha de maneiras que não tinha previsto. Estava protegida, vigiada e logo Deerfield tinha a coragem de acusa-la de “chorar” para Zach quando as coisas não iam a seu gosto.

O muro para a ascensão ao que enfrentava às vezes parecia insuperável.

A empresa de segurança particular, por outra parte, parecia prometedora. Não tinha nenhum parente trabalhando ali, nem amigos e ainda melhor, seu pai e seu padrinho não estavam no meio de maneira nenhuma. Teria uma sensação de liberdade, menos regra e normas, mais ação e satisfação. Até agora parecia uma situação ganhadora.

Até agora.

Ainda não tinha falado a seus pais disto, não o tinha comentado com sua mãe e cada vez que pensava em fazê-lo, algo a detinha. Como se o pensar nisso de repente fosse aborrecível. Mas era adulta; não ia sentir-se como se tivesse que pedir permissão para jogar no outro extremo do pátio do recreio.

E enquanto estava considerando as opções, ia jogar a toalha sobre o corpo nu em algum momento antes que Khalid Mustafa saísse do salão para o pátio onde ela estava deitada?

Olhando por debaixo dos cílios, observou como sua sombra permanecia durante longos segundos nas portas francesas antes dar um passo para os brilhantes raios do sol.

Como uma sombra feita realidade. Olhos negros, cabelo negro, pele intensamente bronzeada. O homem era como um deus vivo do sexo. Músculos duros se esticaram sob a camisa branca de seda que usava, poderosas pernas igualmente magras se flexionaram dentro dos ajustados jeans que as cobriam.

— Vai se queimar.

Sua sombra se moveu sobre ela, aliviando o calor que tinha penetrado lentamente em suas costas.

— Nunca me queimo — Se esforçou por manter a excitação que a açoitava fora de sua voz enquanto jazia sob o olhar de Khalid — O que está fazendo aqui? Zach está na casa de papai. A seguinte casa descendo a rua, se por acaso não está seguro de onde é.

— Sei onde é — Uma voz profunda e escura alagou os sentidos com uma aspereza aveludada que não deveria ter tido o poder de fazer derramar os fluidos de sua vagina.

Por que Khalid? Se perguntou. O que tinha que a deixava tão malditamente quente rivalizando com o sol, quando outros homens pareciam deixá-la fria? Tão fria que o pensamento de ter sexo de verdade com um deles era impossível de considerar.

— Então por que está aqui? — Levantou-se sobre os cotovelos e elevou a cabeça enquanto ele se agachava frente a ela, com a escura cabeça inclinada, os olhos de espessas pestanas entrecerrados sobre ela.

— Parece uma virgem em sacrifício. Deitada, nua e tentando ao sol para roubá-la se assim o escolher.

Uau! Com toda segurança tinha um dom para as palavras. Conhecia esse aspecto dele; simplesmente não tinha esperado tê-lo usando rendendo comemoração dessa maneira.

— Ainda não me roubou— Elevou o olhar para ele — Não importa quanto o tente.

O que era essa labareda em seu olhar? Havia mais que simples luxúria ali, embora a luxúria estivesse ali entre eles. Uma fome ressoou através de seu corpo, apertou seus mamilos e provocou que seu abdômen se encolhesse pela antecipação do prazer.

E como diabos se supunha que sabia que seria prazer? Tinha que ser a única virgem de vinte e sete anos que ficava no país. Uma mulher que sabia mais de sexo que a prostituta melhor paga e ainda não tinha conhecido o toque de um amante, porque tinha que ser também a mulher mais teimosa do mundo. Desejava Khalid. Tinha-o desejado desde os quinze anos e nenhum outro homem ia valer.

— Alguém diria que o está tentando enquanto fala — Expôs Khalid, baixando o olhar, revoando pelas arredondadas curvas dos seios.

Marty jurava que podia sentir os montes cheios endurecendo-se mais, os mamilos doíam, pulsando pela necessidade de seu toque.

Isto é o que ele fazia. O que sempre tinha feito.

— Tentando enquanto falo? — Levantou a vista para o espaçoso céu azul antes de voltar o olhar para ele — Até o momento, não respondeu.

Os lábios de Khalid se arquearam em um meio sorriso.

— Surpreenderia-se.

— Duvido bastante — Rodando se sentou, puxou o leve roupão a seu lado e o pôs enquanto se levantava.

Girando a face para ele de novo, recordou a si mesma que este homem estava fora de sua liga e uma maldita visão mais masculina da que possivelmente era capaz de dirigir. Isso não a reteve de querer tentá-lo.

— Então, por que está aqui se sabe que papai e Zach estão na outra casa? —Perguntou, enquanto recolhia a toalha, a pistola e o óleo bronzeador que estava ao lado da toalha — Não deveria estar lá?

Seu olhar foi rapidamente para a pistola embainhada antes de retornar a ela.

— Não disse que soubesse que estavam lá. Disse que sei onde é. Seu pai tem um encontro comigo aqui logo. Não mencionou que a reunião mudou para sua casa.

— Então terá que esperar.

Ela encolheu de ombros.

— Posso ver isso se transformando em um problema.

A resposta a golpeou em todo seu ser. O rude fio em sua voz bastou para cortar qualquer dúvida que tivesse tido nesse momento de que sua atenção estivesse dirigida exclusivamente a ela.

— Então parece que terá que me aguentar até que volte. — Seu coração se acelerou e a excitação cresceu em seu interior até que se sentiu quase impossível de conter.

— Assim parece.— Coincidiu.

— Então sem objeções? — Atravessando as portas francesas, girou e se dirigiu à cozinha — É uma mudança de opinião radical. Quão último sei, é que desfrutava se assegurando de que haja uma absurda distância entre nós.

Raramente falava com ela, especialmente durante os últimos dois anos enquanto o tinha estado seguindo sob as ordens de seu raivoso chefe.

— Poderia estar bem calculado — A repreendeu, enquanto ela ia para a geladeira e a abria de um puxão — E possivelmente essa distância é o melhor para ambos.

E ele o tinha exposto várias vezes. Enquanto dançavam nas festas que ambos assistiam. Ou durante suas visitas à casa de Courtney Sinclair na propriedade Sinclair que alojava o clube de homens do qual Khalid era membro. Cada vez que entravam em estreito contato, tinha-a advertido contra isto. Advertido até que agora ela não fazia mais que revirar os olhos diante a advertência.

— Bem. Não é prudente. Já pode ir. — Tirando uma jarra de doce chá gelado de dentro da geladeira, disparou-lhe um olhar que o desafiava a ir.

Teria a coragem, perguntou-se, de ser a mulher que desejava ser? Seduzi-lo era seu sonho, mas teria a coragem de enfrentar a possível rejeição? Mais de uma vez?

Tirando dois copos do armário, serviu o chá antes de pôr a jarra no balcão e lhe dar o copo.

— Obrigado — Com os olhos cravados nos dela levantou o copo para os lábios e tomou um gole.

Havia pura fome sexual em seu olhar. A luxúria o enchia, dando forma aos sexys lábios de Khalid e esticando a pele sobre suas maçãs do rosto. Observava-a como um falcão observa a sua presa: com os olhos entrecerrados, decididos, famintos.

— Quanto mais vai esperar, Khalid? — Deixou o copo no balcão enquanto fazia frente — Eternamente?

Olhou-a fixamente em resposta, em silêncio, durante muito momento.

— O que quer, Marty? — Perguntou por fim, com um tom mais sombrio agora — Não pode saber no que está se colocando. Não pode saber o que está conseguindo em realidade.

— Desejo você.

Sim, sabia exatamente o que desejava, a quem desejava. Como sabia que ele a desejava. Podia negá-lo até que o inferno se congelasse, mas a verdade estava em seus olhos, nos duros contornos de seu rosto e a sensual plenitude de seus lábios. Pareceu congelar-se. Como um predador de repente captando o aroma de sua presa, as fossas nasais se incharam, seu olhar se entrecerrou enquanto a repassava e parecia refletir uma ânsia decidida e perigosa.

Não era um homem com o qual jogar; tinha-o sabido durante anos. Havia algo intrinsecamente predador nele, um aviso silencioso de que nada nele era o que parecia. Infelizmente, esse algo a atraía de maneiras contra as quais não podia lutar.

— Deixa de me tentar, preciosa. Possivelmente você não gostaria do que encontrará no outro lado — Disse com dureza.

Marty inalou lentamente, permitindo que sua língua percorresse ao longo de seu lábio inferior, como se duvidasse, como se considerasse sua advertência.

O olhar de Khalid se acendeu com fome, com o reflexo da escura luxúria.

Claro que a desejava. Talvez quase tanto como ela a ele.

Deixou que um sorriso curvasse seus lábios antes de levantar o chá e sorvê-lo lentamente. Não ia discutir mais com ele. Não havia nada a discutir. Ambos sabiam o que havia entre eles, como um fogo ameaçando ardendo fora de controle.

— Entendo — Assentiu Marty ao final — Não sou uma mulher que já tenha um amante. É algo difícil permanecer alheio a uma mulher quando é seu amante em vez da de outro homem.

Ele era conhecido por compartilhar as amantes de outros homens em vez de ter uma própria. Era o terceiro perfeito, por isso sabia. Amável. Pormenorizado. Considerado. E sem ter nenhum desejo absolutamente de conquistar o coração ou a lealdade da mulher com a qual se deitava.

— Talvez — Seguiu ela — Simplesmente deveria encontrar a alguém que esteja disposto a considerar minha escolha de um terceiro. Estaria interessado então, Khalid?

Tinha que admitir que o simples pensamento a enfurecia. Era a Khalid quem desejava, completamente. Sua cama a que desejava compartilhar, sua vida da que desejava formar parte.

— Posso me transformar em um assassino — Murmurou ele, antes de amaldiçoar-se por permitir que as palavras escapassem.

Agora Khalid observava Marty de maneiras nas que não se permitiu antes. A ameaça de outro homem entrando em sua vida picou a escuridão que se gerava em seu interior. Um sentido de possessividade, de dominação que tinha jurado não sentiria nunca outra vez, roia-o por dentro como uma besta lutando por libertar-se.

Tinha lutado muitos anos para permanecer bem longe dela. A fascinação por ela que se formou em seu interior era um desejo que lhe carcomia a alma.

Não deveria permitir-se tocá-la. Nunca deveria tentar-se como o fazia agora. Tocá-la seria pô-la em perigo e sabia exatamente o custo desse risco.

Enquanto a observava se deu conta não pela primeira vez o incrivelmente frágil e delicado que era seu pequeno corpo. O fazia ver quão fácil seria tomá-la, rompê-la. E tinha inimigos que, ainda e tendo permanecido em silêncio durante os últimos dez anos, golpeariam-na na mais leve oportunidade. Mas inclusive sabendo disso não podia sossegar a fome que o rasgava ou o desespero que inchava seu pênis e deixava as bolas pulsando de luxúria.

— Entendo totalmente como tal oferta pode assustá-lo, Khalid — Seu tom era tão suave como uma chuva sulina e ainda assim tão cortante como o gelo — Depois de tudo, tenho entendido que tais coisas vão contra as normas do Clube, não? É o membro que escolhe o seu terceiro. Talvez deveria ficar com um amante com um pingo mais de possessividade.

Khalid quase riu pela surpresa.

A jovenzinha tinha conseguido virá-lo e deixa-lo brigando por encontrar o equilíbrio.

— Medo não é exatamente a emoção que atribuiria ao que sinto neste momento. — Deixou que seu olhar a repassasse, recordando com preciso detalhe o aspecto que tinha brilhando sob o sol, enquanto estava deitada na beira da piscina.

Observou seu rubor e viu a inocência em seus olhos cinzas apesar do conhecimento. Era prudente, independente e seu pai jurava que teimosa. Mas não era uma mulher que se compartilhasse com facilidade; duvidava bastante que se compartilhasse absolutamente. E aqui estava, em pé, desafiando-o a tomá-la, desafiando-o com esses volúveis olhos seu e esse maldito sorriso zombador.

Parecia que tinham estado praticando este jogo durante anos. As concessões, o desafio e a retirada tinha durado tanto tempo que quase sucumbe mais de uma vez. Até que descobriu que o estava investigando.

Sabia ela, perguntou Khalid, quanto tinha sentido falta do flerte, da provocação, da escolha que tinha sido despojada quando descobriu que estava sob suspeita de ser um inimigo de seu país?

Houve noites nas quais não pensava em nada mais que em tocá-la, em encher seus olhos com o saber em vez da curiosidade, com a luxúria em vez da inocência. As noites em que quase se rendeu, tinha rogado que seu passado fosse isso, passado, e poder chegar a ela.

Era esse passado o que o retinha. O conhecimento do horror e do sangue que com tanta facilidade podia repetir-se. E ainda assim, desejava-a com uma fome que era quase impossível de resistir.

Tinha sido feita para tocar, para o prazer. Seu corpo docemente compacto, os seios cheios e elevados, a suave curva de seus quadris, eram um presente de Deus para qualquer homem que pousasse os olhos nela. Era linda de maneiras em que outras mulheres só podiam esperar a ser.

Do pequeno nariz e os lábios carnudos até o queixo decidido e a expressão tenaz, podia ver a teimosa e independente descarada que era. Mas seus olhos. Esses olhos verdadeiramente eram a janela de sua alma. Se o olhar neles era algum indício, então soube que ela o queimaria vivo.

Deixou que seu olhar viajasse sobre a elegância de seu corpo uma vez mais. Perguntou-se se a pele seria tão suave como parecia, se os mamilos teriam um sabor tão doce como parecia.

Todo seu corpo se esticou ante o pensamento, enquanto seu pênis pulsava com ardente antecipação. Podia tocá-la, pensou. Podia saborear sua suavidade e ainda assim retirar-se, ainda podia afastar-se.

Nunca teve a intenção de desenvolver com ela mais que uma amizade íntima. Uma amizade que permitiria compartilhá-la com qualquer amante que ela escolhesse finalmente. Se escolhesse um alguma vez. Que o amaldiçoassem se não estava cansado de esperar. Ou de perguntar-se.

— Diga-me, ainda é virgem? — Não pôde reprimir a pergunta, a necessidade de sabê-lo. Como não podia conter o desejo que o atormentava.

— É você ainda é? — O aborrecimento se refletiu em seu tom, no olhar. Melhor o aborrecimento que o convite que brilhava em seus olhos momentos antes.

— Eu? Virgem? — Sorriu abertamente diante o pensamento — Querida, nasci sexualmente consciente. Não acredito que fui virgem alguma vez.

É óbvio, não era exatamente verdade, mas adorava ver seus olhos entrecerrados com o interesse e o desdém. A fazia ainda mais tentadora, fazia que a antecipação ardesse por suas vísceras enquanto considerava todas as maneiras em que podia tocá-la, desafiá-la, ser desafiado por ela.

Havia algo nela que o deixava precavido, o fazia temer ao homem que seria quando a tocasse. Mas no reverso dessa moeda estava o saber que dentro desta mulher ardia a alma de uma hedonista, uma amante que estaria a sua altura, igualaria-o. Uma que incendiaria a noite com ele. Durante um momento. Se pudesse mantê-la a salvo o suficiente para aprender todos os fascinantes segredos que escureciam seus olhos.

— Sim, sinceramente eu também duvido que foi virgem alguma vez — Soltou um suave bufo refinado com apenas pensá-lo — Isso não significa que seja da sua conta se eu o for ou não.

Arqueou a sobrancelha diante a provocação em seu tom. Maldição! Deixava-o mais duro e com maior rapidez que qualquer mulher que tinha conhecido em sua vida.

— Não sei — Murmurou, percorrendo-a com o olhar — Quando empurrar meus dedos em sua apertada vagina, eu gostaria de saber se deveria ir forte e profundo, ou se deveria simplesmente brincar e guardar tal delicadeza para que a saboreie meu pênis.

Antes que acabasse, Marty tinha o rosto avermelhado de um tom brilhante, mas os olhos cinzas estavam cheios de excitação. Ele apostaria seu fundo de investimentos que sua vagina já estava sedosamente úmida, escorregadia e doce, enquanto seus fluidos se derramavam.

Ao pensar nisso fez sua boca salivar por prová-la antes que seu bom senso pudesse reafirmar-se. Poderia se pôr tranquilamente de joelhos diante ela, abrir-lhe as pernas e dar um banquete na suave e sedosa pele. Estava nua sob o roupão. Sua vagina estava nua, depilada dos cachos que deveriam havê-la defendido. Estaria sensível a seu toque, a seus lábios e a sua língua.

Poderia saboreá-la por um instante. Só um instante não a poria em perigo, não?

— Está brincando. — Soltou com a voz agitada, as mãos tremulas enquanto levantava uma mão do roupão para afastar as mechas do cabelo loiro escuro que tinham caído do prendedor no alto de sua cabeça. A sério acreditava que ele não falava a sério. Khalid podia vê-lo em seus olhos.

— Brincando? — Inclinou a cabeça e a observou com curiosidade — Porque quero fodê-la? Preciosa, não há nem a mais mínima brincadeira em tanto desejo. A ideia de tocá-la, de ter sua doce carne sugando meu pênis dentro de você é suficiente para me pôr de joelhos. Nunca disse que não a desejava. Disse que não seria bom ceder a tais desejos.

O sorriso dela era de brincadeira.

— Não está bem pegar no meu pé desta maneira, Khalid. O que aconteceu? Perdeu sua pequena agenda negra? Necessita um pouco de entretenimento para encher os últimos minutos antes da chegada de meu pai?

Observou o amplo sorriso que curvou os lábios dele. Nunca tinha visto Khalid sorrir completamente, deu-se conta. Um puxão de diversão no canto de seus lábios, um pequeno arqueamento de um sorriso torcido, mas nunca um sorriso de verdade.

— Como estou seguro que é consciente, nunca me deixam perplexo os companheiros de jogos. — Assegurou, enquanto o regozijo brilhava em seus olhos.

Marty inspirou, lenta e brandamente, lutando contra o escuro temor que desejava apoderar-se dela enquanto via a pura necessidade que enchia os olhos de Khalid.

Não a havia tocado; só tinha se aproximado mais. Podia notar o calor de seu corpo, mas não o toque de sua pele. Ainda assim, era suficiente para fazê-la sentir enfebrecida, ruborizada. Parecia incapaz de afastar-se dele, de romper o controle que tinha sobre ela enquanto seu olhar permanecia travado com o seu.

— Assim o ouvi — Zombou dele levemente — O sheik playboy, acredito que assim o chamam. Grande reputação que tem, Khalid. — E uma que picava cada vez que pensava nisso.

Ele estendeu a mão, os dedos revoaram ao longo das mechas de cabelo que escapavam do prendedor antes de passa-la pela mandíbula. Esse muito pequeno toque, essa muito leve carícia, acelerou a antecipação por suas terminações nervosas.

— Frequentemente uma reputação não é mais que um escudo para proteger-se — Disse, a voz tranquila, reflexiva — Para manter afastada as mesmas coisas que sabe que não pode ter.

Babaquices. Este jogo estava se deteriorando e era um que estava cansada de jogar.

— Para de me prender— Deu um passo para trás, afastando-se dele, lutando para manter a respiração sob controle, de conter o desejo que a assediava.

A sexualidade que tanto formava parte de Khalid estava começando a envolvê-la, a abrir caminho dentro dela. Podia senti-lo conter-se, senti-lo lutando consigo mesmo. Pensar que ele sentia que tinha que permanecer longe dela a confundia, deixava-a querendo pressionar mais à frente, descobrir os limites do controle que se impunha a si mesmo.

— Acha que estou brincando? — Estendeu a mão para ela, lentamente. Tocou-lhe a bochecha com as pontas dos dedos, acariciou-lhe a mandíbula e ela se esqueceu de respirar até que esfregou os lábios com o polegar.

Engolindo com dificuldade, Marty se obrigou a não tremer, a não gemer com a resposta que a rasgava. Só Deus sabia quão desesperadamente necessitava esse toque e quão pouco disposto estava a rogar por ele.

— É óbvio que está brincando — Zombou — Você demonstrou isso durante anos, Khalid. O que tem de errado, assustado comigo? — Franziu os lábios e soprou um beijo zombador.

— Os temores são assuntos delicados — Disse em voz baixa, o enfeite de seu sotaque sussurrou através de seus sentidos enquanto a percorria com o dorso dos dedos descendo por seu braço — Prendem-se em sua mente e começam a criar raízes em sua própria alma. Lutar contra eles nunca é fácil, mas uma vez aprende como controlá-los… — Elevou a vista para olhá-la fixamente nos olhos, para hipnotizá-la, imobilizá-la — Uma vez aprende como dominá-los, preciosa, então pode controlar a si mesmo.

Ela quis girar os olhos diante a brincadeira em seu tom. O teria feito, exceto que ouviu nele um fio mal perceptível de sinceridade.

— Então — Continuou — Aprende que o controle pode ser seu melhor amigo. Seu conselheiro mais acertado. Quando é tentado por uma mulher contra a que parece que não tem defesas, é bastante útil — Sussurrou a última frase em voz baixa contra o ouvido dela — Como é útil mostrar a uma mulher o que sempre deveria ter sido dela.

— E isso seria? — Se não a beijasse, ia morrer. Se não a tocasse de novo, sua pele ia arder até as cinzas pela necessidade.

— Uma mulher sempre deveria conhecer o prazer.

Observou enquanto sua cabeça começava a baixar, enquanto seguia sussurrando.

— Uma mulher deveria deleitar-se em sua sensualidade, nesse lado de sua natureza que sofre por um toque, que sofre por ser possuída — Sua voz se fez mais grave, mais rouca, vibrando pelo desejo quando seus lábios por fim roçaram os dela — Uma mulher, preciosa, deveria ser sempre capaz de alcançar os desejos que persegue essa essência sensual de seu ser. Diga-me, Marty — Respirou bruscamente — Que desejos persegue sua essência de mulher?

— Desejos por você — Sussurrou, e quase baixa sem respiração diante a labareda de resposta em seu olhar.

Ele a obcecava. Morria por seu toque. Morria por seu beijo. Abriu os lábios lentamente quando uma necessidade brutal começou a trovejar por seu corpo.

Tinha seguido a pista durante dois anos. Perseguido. Tinha visto os excessos sexuais nos quais se inundava e tinha visto as noites solitárias onde de pé na janela descia o olhar para ela.

Sempre parecia saber onde se achava, onde se ocultava para o vigiar, como sofria. Em sua expressão tinha visto a sensualidade perturbadora e uma escura sombra de tortura. Um tortura que às vezes recordava a dele.

— Quero beijar — Disse — Doces lábios cobertos de açúcar. Olho para eles e meu corpo se enrijece pela necessidade de possuí-la, Marty. Fodê-la até que grite pedindo mais. Gritando por mim. O bom senso me adverte de que me retire. Mas o pensamento desses doces lábios me faz voltar.

A voz se endureceu com uma quebra de onda de luxúria enquanto os olhos mostraram fugazmente um fogo interno um segundo antes que os dedos se deslizassem por seu cabelo. Não agarrou as mechas. A ampla palma embalou a parte posterior da cabeça em um suave, mas inquebrável agarre enquanto sua cabeça se inclinava e descia. Por que tinha esperado um rude e lacerante beijo, não estava segura. Mas o que aconteceu foi tudo menos brusco. Lábios firmes tocaram os seus, abriram-nos enquanto um grito abandonava a boca dela.

Estava tremendo em seu agarre, elevou as mãos para segurar-se à sua cintura enquanto a outra mão de Khalid a agarrava pelos quadris e a segurava para ele. Podia sentir suas unhas cravando-se em sua carne, sentindo-se cheia de sensações estremecendo-se através de seu corpo enquanto parecia sobrecarregar-se no mais delicioso dos prazeres que ela tinha conhecido.

A eletricidade encheu seu beijo. Sensações diferentes a qualquer coisa que tivesse conhecido alguma vez a açoitaram, destroçando seus sentidos enquanto a língua lambia a sua, tocando-a com lento prazer minucioso e paixão destrutiva.

Quando ele recuou, Marty só pôde olhá-lo fixamente transtornada. Era seu primeiro beijo em anos. Esforçou-se para tomar oxigênio. Esforçou-se para simplesmente permanecer ereta enquanto Khalid inclinava a cabeça, movendo os lábios ao longo do perfil de sua mandíbula até o lóbulo de sua orelha.

— Tão doce — Sussurrou, enquanto ela fechava as pálpebras lentamente e se inundava no mundo sensual e sexual que ele estava construindo a seu redor — Poderia tomar justo assim, Marty. Tão lento e suave, como uma leve chuva de verão.

Tinha os dedos nos ombros dela, tocando a pele nua sob o roupão, tirando o tecido dos ombros enquanto sentia seus seios pulsar pela necessidade do contato. As pontas calosas enviaram uma labareda de fricção sobre sua pele e a fizeram de repente apertar-se mais perto, necessitando mais, necessitando seu toque como a terra necessita o sol.

— Sonhei com você — Disse — Com você me tomando, Khalid. Fodendo-me lento e suave, rápido e forte — Ficou sem respiração quando o corpo dele se sacudiu como se tivesse sido golpeado, enquanto a luxúria se transformava em uma chama brilhante em seus olhos e a animou — Quero observar enquanto me toma. Ver seu pênis entrando em mim enquanto o prazer me queima viva. Fantasiei com isso. Masturbei-me com isso.

Marty cravou as unhas mais profundamente na pele de seu pulso quando essa imagem atravessou sua mente.

Foi uma imagem que a brindou, uma imagem que compartilhou com ele quando o escuro olhar se travou com o seu.

Deslizou a mão para o seio dela enquanto a respiração se fazia mais difícil, mais áspera. Embalou a curva arredondada e arrancou um grito quebrado de seus lábios quando a sensação pareceu abrasar cada terminação nervosa em seu corpo. A carícia do polegar sobre o mamilo enviou uma quase dolorosa quebra de onda de êxtase diretamente a seu útero, encolhendo-a com um duro e tenso espasmo que a deixou sem respiração.

Jogando a cabeça para trás, o olhar foi para os dedos que embalavam sua carne. Uma mão forte e escura, dedos estirados, a pálida carne cavada nela enquanto levantava a ponta endurecida de seu mamilo para a boca.

— Oh Deus! — O guincho saiu espontaneamente de sua garganta.

Os lábios se envolveram ao redor da auréola de um rosa pálido, arrastou-a dentro da boca, rodeando-a de fogo. Envolveu as bochechas enquanto começava a sugá-la, os olhos negros fixos nela, brilhos de luz apanhados em um céu de meia-noite, quando Marty sentiu que sua vagina começava a arder, seus clitóris se inchava tenso e duro, uma quebra de onda de prazer quase muito entusiasta a percorreu inteira. Sentiu o úmido calor derramar-se pela pele de suas dobras nuas, rodeando seus clitóris, sensibilizando-o ainda mais.

Não podia respirar. Não podia pensar. Somente podia observar enquanto ele destroçava seus sentidos sugando-a com a boca e sua perversa língua.

Quando levantou a cabeça, ela estremeceu. A ausência de sensações enviou um violento e silencioso protesto percorrendo o corpo, provocando que se arqueasse mais perto, suplicando mais.

— Tão bonito — As pontas dos dedos tocaram o mamilo antes que seu olhar se elevasse para ela — Tão inocente. Diga-me, preciosa, ruborizaria-se com o mesmo prazer aturdido se em seu lugar chupasse seu clitóris?

O clitóris pulsou com violência, a dor concentrada no inchado nó, difundindo-se através de seu corpo enquanto pedia mais. Queria pressioná-lo ainda mais, queria vê-lo transpassando o limite de seu controle, mas não podia encontrar ar para falar, para brincar.

— Deveria chupar esse precioso clitóris agora e descobri-lo? — A sugestão a fez abrir os lábios, a respiração saindo de seus pulmões enquanto outro espasmo de puro prazer esticava o útero.

Queria gritar sim. Queria rogar por isso. Queria observar seu rosto enquanto a tocava, chupando-a como fazia com o mamilo, lambendo-o com a língua. Sua vagina convulsionou, vibrou com uma quebra de onda de um prazer tão intenso que gritou pelas fortes contrações.

Khalid piscou. Olhando na aturdida expressão dela sentiu um murro de pura luxúria quando o pequeno orgasmo se disparou através de Marty com apenas a sugestão de chupar o clitóris.

Por todos os céus, o que tinha começado ali? A inocência, o puro delírio estupefato que cobria o rosto dela, deixava-o humilde e aterrorizava ao mesmo tempo. Deixou que sua mão se deslizasse do peito, descendo por seu estômago para o nu e úmido montículo de sua vagina, enquanto se arqueava para ele. Era homem morto se ela ainda fosse inocente. Expiraria aqui, no chão, pela sacudida e o remorso.

Ela tinha vinte e sete anos. Sem dúvida não era tão inocente como parecia. Não podia sê-lo.

Seus dedos se deslizaram através dos escorregadios fluidos femininos. O calor quase escalda os dedos, o cheio e tensamente inchado nó de seus clitóris atraiu sua atenção enquanto a ponta do dedo dava uma olhada.

Tinha que estar dentro dela. Seu pênis estava pulsando, exigindo ação. A necessidade de fodê-la o estava destroçando.

— Marty, estamos em casa.

O olhar de Khalid foi rapidamente de seu rosto para a porta quando a voz do pai de Marty cortou a atmosfera de aturdido prazer no cômodo.

Merda, Mathews o esfolaria vivo. Jennings cravaria uma estaca no coração com um sorriso.

Antes que pudesse pensar, Marty se separou dele com as mãos tremulas. O rosto ruborizado e coberto de confusão aturdida enquanto o olhava e tentava colocar bem o fino roupão que usava.

— Marty?

Joe Mathews e Zach Jennings entraram na cozinha e se detiveram surpreendidos.

Não havia dúvida no que todos sabiam que tinha acontecido. Não havia engano no rosto de susto de Marty ou no vermelhidão do toque que a barba de vários dias de Khalid deixou contra seu pescoço.

Mathews assimilou tudo, como fez o outro homem. Com olhos entrecerrados olharam fixamente Marty e depois Khalid.

— Eu… — Engoliu ela com dificuldade, com os olhos cheios de pânico — Ducha. — Assentiu rapidamente — Necessito uma ducha.

Como uma adolescente pega enrolando-se com seu namorado, girou e fugiu enquanto Khalid a observava divertido. A sedução, ainda presente em seu olhar, esforçava-se por ocultar-se na presença de seus pais.

Enquanto passava os dedos pelo cabelo, Khalid conteve o forte suspiro que teria escapado. Respirou lenta e grosseiramente, antes de cruzar os braços no peito e olhar os dois homens com mais arrogância do que sentia nesse momento.

Essa arrogância fez pouco efeito no senador ou no diretor do FBI. Ambos os homens o olharam indignados.

— Em todos os vinte e sete anos que tem nunca a peguei com um amante —Grunhiu Joe de repente enquanto fulminava com o olhar ao Khalid — Agradeceria não voltar a vê-lo jamais, se não se importar muito.

Khalid tinha que admiti-lo, sabia como se sentia ela quando fugiu. Sentia-se como um adolescente pego com as mãos nas calcinhas de sua namorada e maldição se não era delicado.

— Acredito que poderia passar o resto de minha vida e nunca ter sido surpreendido em tais assuntos — Khalid, incômodo, clareou garganta.

A indignação de Joe era algo tangível enquanto olhava Khalid, mas foi o silêncio de Zach, o tranquilo e pensativo olhar em seu rosto o que preocupou Khalid. Dos dois, Zach era definitivamente o mais perigoso.

Khalid se conteve de ceder à sensação de desassossego que ameaçava invadi-lo enquanto o olhar de Zach seguia atravessando-o com frios olhos cor avelã.

— Afaste-se dela a menos que tenha a intenção de fazer algo mais que simplesmente compartilhar sua cama umas poucas noites — Disse por fim Zach, enquanto entrava na cozinha e ia para a cafeteira — Não é um brinquedo para jogar com ele, Khalid.

Khalid não perdeu o fio de aço em sua voz.

— É óbvio que não. Já me dei conta — Assentiu bruscamente com a cabeça.

Tinha-o entendido. O mundo do qual formava parte tinha umas regras, normas que não estavam feitas para serem quebradas, por causa da mesma natureza dos homens implicados.

Zach tinha dado o ultimato diante de uma testemunha do Clube. Não importava que a testemunha fosse também o pai de Marty ou que ele e Joe fossem os amantes da mesma mulher. Zach era o padrinho de Marty, equiparável a seu pai e seus desejos não podiam ser descartados.

— Entende-o? — Girou-se Zach de encontro a ele — Observei sua obsessão crescer durante anos no que se refere a você, como vi a maneira em que a olha. Mas também o conheço, filho. Não é do tipo “para sempre”. Contenta-se com não ser mais que o outro amante. Isso não é o que ela quererá de você. Não é o que necessita.

— Compreendo-o, não necessito nenhum sermão de sua parte — Soltou Khalid com frieza, mal contendo seu aborrecimento — Talvez nos pegou agindo como adolescentes, mas isso não significa que me fale como se o fosse.

— Quando se é pego dessa maneira em minha casa, com minha filha, pode esperar por isso — Informou Zach com a mesma frieza — Agora permanece bem longe dela a menos que queira me obrigar a tomar uma atitude no assunto. Não quer que o faça.

Khalid olhou o outro homem, avaliou o grau de sinceridade em seu tom e reconheceu a muito séria advertência que foi dada.

E embora reconhecesse a advertência, poderia ter dito ao outro homem que seria igualmente ineficaz contra a fome forjada entre Marty e ele.

Em troca, com um brusco assentimento, saiu a grandes passos da cozinha, logo depois da casa. Era uma advertência que não podia ignorar, disse a si mesmo, enquanto seu chofer Abdul abria a porta da limusine e se deslizava dentro. Uma advertência que não deveria descartar. Não o faria até que se encontrasse com a necessidade abrasadora no olhar dela outra vez. E certamente era uma decisão pela qual pagaria.

Zach não era só um membro do muito exclusivo Clube ao que ambos pertenciam; também formava parte do comitê judicial que o governava e um dos membros mais poderosos sentados nessa mesa. As normas de suas vidas eram simples, singelas. Tinham que sê-lo para que o Clube tivesse perdurado os últimos dois séculos.

Entretanto, até agora, Khalid nunca as tinha encontrado restritivas. Até agora nunca as tinha lamentado.

 

Marty escapou da casa de Zach, assim como da presença de seu pai, sem o sermão que tinha estado esperando. Em realidade, deu um jeito para escapar sem muito mais que um bate-papo paternal. O qual a surpreendeu mais do que queria admitir.

Seus pais nunca tinham sido tímidos quando se tratava de falar com ela de qualquer aspecto da vida, alegando que a preferiam preparada antes que vê-la lamentar qualquer ação que pudesse tomar.

Khalid já se foi. Decepcionou-a que não estivesse lá quando voltou da ducha. Decepcionada de que a aventura na cozinha tivesse acabado tão cedo.

Arqueou os lábios em um sorriso enquanto conduzia da casa de Zach para o centro de Alexandria. Beijar Khalid foi mais que uma aventura, pensou. Tinha sido um voo direto a semelhante núcleo de prazer sensual que nunca teria sido capaz de liberar por si mesma se ele não a tivesse soltado. Lambeu os lábios e recordou o tato dos seus. Primeiro suaves, exploradores e prazerosos antes de tornar-se ansiosos, antes que a consumissem com sensações que não tinha esperado.

Maldição. Não ia sobreviver à fome que a atravessava enlouquecida. A este passo, torraria-se como uma batata frita.

Girando para a área do centro, Marty dirigiu o carro até o restaurante e clube noturno no qual tinha combinado com várias amigas para uma agradável noite de garotas.

Alyssa Stanhope tinha sido uma amiga da infância. Sempre invejou a outra mulher pelo cabelo loiro com mechas naturais e suaves olhos azuis claros. Durante anos, Marty pensou que a vida de Alyssa devia ser perfeita, por sua altura e corpo escultural atrativo. A verdade era completamente oposta. Seu pai era um antigo membro do senado dos Estados Unidos e um conhecido dos Mathews, com o que nunca alternavam o seu trato, frequentemente cruel, do senador Stanhope para sua filha.

Courtney Sinclair era espanhola, linda e a mulher do proprietário do estabelecimento exclusivo e secreto conhecido simplesmente como “o Clube”. Um local que Marty tinha tentado investigar uma vez. Seu pai deteve a investigação tão rápido que mal teve tempo de piscar.

Sorriu diante o pensamento. Seu pai e seu padrinho, aos quais chamava papai ou papai, em um momento dado, eram membros desse clube. Homens que compartilhavam a suas amantes ou esposas. Homens que se reuniam para proteger a si mesmos, a suas famílias e reputações. Teve que admitir que era um conceito interessante. Pelo pouco que se inteirou ao transcorrer os anos, o conceito era um que tinha mantido à margem a muitos membros da alta sociedade, igual à políticos, de situações incômodas referentes a sua vida privada e inclusive negócios.

Alyssa e Courtney mantinham uma estranha amizade. Discutiam como inimigas, mas pareciam unidas como irmãs. Tão diferentes como a noite e o dia, as duas mulheres ainda davam um jeito para encontrar um terreno em comum. Enquanto fazia o caminho do estacionamento até o restaurante, Marty vislumbrou a limusine de Khalid pela extremidade do olho. O condutor e guarda-costas, Abdul, levantou a mão enquanto lançava um enorme sorriso.

Quando foi para ele sorriu descaradamente, sabendo que teria algo que dizer da saia curta, o top apertado e os altos saltos que usava. Sem mencionar a maquiagem. E tinha razão. Olhava-a com o cenho franzido enquanto andava para ele, o escuro olhar castanho cheio de regozijo e reprimenda.

— Tanta beleza não deveria mostrar-se tão indiscriminadamente — Suspirou, enquanto ela se aproximava — Deveria guardar-se para o marido, quem o apreciaria muito mais.

— Pare já, Abbie. — Riu quando o homem se ruborizava pelo apelido — Como está?

Ela aceitou um beijo discreto na bochecha antes de recuar.

— Vou bem, muito bem — Expôs ele, com um seco movimento de cabeça — O senhor está bastante irritado com o mundo — Sorriu abertamente com mofa — O esteve seguindo outra vez?

— Certo, assim é culpa minha que esteja de mau humor? — Brindou-o com uma risada ligeira. Ao menos não era a única afetada pela aventura da tarde — Confia em mim Abdul, Khalid e o mau humor andam de mãos dadas.

Abdul a presenteou com um forte suspiro, agora olhando-a com olhos tristes, o rosto estragado enrugado pela preocupação.

— Estou preocupado com ele.

— Bom, não o faça. — Deu-lhe palmadinhas no ombro enquanto se aproximava — Confia em mim, Khalid cuida de si mesmo muito bem. Ambos já sabemos.

Ele cuidava de si mesmo tão bem que era um dos agentes mais secretos de seu pai. Khalid conseguia obter informação que ninguém mais podia acessar, e infiltrar-se em grupos aos que nenhum outro agente podia esperar penetrar na vida.

Andando a grandes passos pelo caminho de cimento até a entrada do clube noturno e restaurante, Marty lançou um sorriso de agradecimento ao alto porteiro quando lhe abriu a porta com um floreio.

Entrando no edifício, tomou o corredor da esquerda e avançou com rapidez pela parede arredondada para o posto do maître e a sorridente loira que estava à espera.

— Senhorita Mathews, me alegro muito de vê-la de novo. — A maître a brindou um sorriso de orelha a orelha — Se vier comigo, seu grupo está esperando.

O grupo não esperava onde prometeram que estariam, no mesmo restaurante. Em troca estavam sentadas em um terraço privado com vistas sobre a pista de baile do clube noturno.

Courtney olhava sobre o corrimão do terraço com um cenho franzido, o comprido cabelo castanho caindo em cascata sobre o ombro e o corrimão de madeira e latão, enquanto Alyssa estava sentada ao longo lateral da parede, observando à outra mulher, também com a testa franzida.

Alyssa tinha tendência a sentar-se nos cantos, para ocultar-se sempre que estava em público. Havia muitas línguas soltas que estavam muito ansiosas de ir correndo a seu pai com as notícias de onde estava e com quem. E frequentemente, eram autênticas mentiras.

— Já está bêbada? — Perguntou Marty à outra mulher, quando Courtney tentou encontrar um ângulo que permitisse ver melhor. Embora o que estava tentando ver, Marty não podia determiná-lo.

— Ainda não. — Suspirou Alyssa, a ameaça de um sorriso repuxou seus lábios enquanto levantava a bebida e tomava um comprido sorvo — Embora lhe dê tempo. Está irritada com o Ian.

Courtney se girou para fulminá-las com o olhar.

— Não estou irritada com o Ian. Simplesmente ligeiramente desgostada.

Marty jogou uma olhada a Alyssa e ambas olharam o copo de vinho enquanto Courtney o terminava.

— Dou-lhe uma hora — Expôs Marty, tomando assento antes de girar-se e pedir a maître sua preferência em bebida.

— Inclusive dou menos que isso — Disse Alyssa enquanto sacudia a cabeça, com os olhos azuis sombrios e a expressão tão meticulosamente serena como sempre. Era estranho que Alyssa mostrasse emoções absolutamente. Era a pessoa mais meticulosamente serena que Marty nunca conheceu.

— Digo que, esta noite, não estou irritada com o Ian. — Courtney se girou, sua régia estatura danificada pelo cenho em seu rosto enquanto olhava para Marty — E você chega tarde.

— Sinto muito. — Marty quase revirou os olhos. — Hoje estive ocupada.

Courtney entrecerrou os olhos sobre ela.

— Estive hoje na casa de seus pais. Vi seu carro e o de Khalid, estive morrendo de curiosidade. Ian se negou a me contar qualquer intriga que tivesse ouvido. — Fez uma careta encantadora — Conte-me se houver fofoca, Marty.

Marty fez o que pôde para evitar o rubor em seu rosto.

—Khalid estava na casa para ver Zach. — Tirou a importância — Não há fofoca, sinto muito, Court.

Mentir para Courtney não era fácil. A maioria das pessoas não conseguiria. Marty tinha cinquenta por cento de êxito. O qual não era tão bom, considerando a quantidade de perguntas que a mulher podia fazer.

Courtney a olhou fixamente por uns longos instantes antes de sorrir como uma beata.

— É uma mentirosa, querida. Mas a perdoarei se me contar a verdade agora mesmo. Se não, só me obrigará a perguntar a meu bom amigo Khalid.

Marty arqueou uma sobrancelha com curiosidade.

— Se forem tão bons amigos, então já teria contado qualquer fofoca que houvesse — Assinalou — Agora para de me interrogar. Supõe-se que vamos nos divertir esta noite.

Courtney se sentou em sua cadeira e cruzou os braços sobre o brilhante top escarlate que vestia, enquanto fulminava com o primeiro olhar Marty e depois a Alyssa.

— Por que minhas boas amigas querem me ocultar os detalhes suculentos? Não acredito que peça muito.

— Está se tornando mais mimada ou o que? — Alyssa contemplou Marty com surpresa fingida — Acredito que Ian a está arruinando.

— Acredito que ela é a frigideira dizendo à chaleira: afaste-se antes que me suja. — Marty se girou para Courtney com um sorriso doce — Diga-me o que sabe e te direi o que sei.

E, é óbvio, Courtney não estaria de acordo com isso. Marty observou a sua amiga fulminá-la outra vez, antes de zangar-se e levantar sua bebida.

— Ainda está investigando Mustafa? — Perguntou Alyssa a Marty com seriedade — Sabe que Courtney não te dará informação dele.

— Quero outra informação. — Marty encolheu de ombros — A investigação se acabou. Agora é pessoal.

Courtney se animou.

— Pessoal? — Apoiou o cotovelo sobre a mesa e embalou a bochecha na mão — Quanto pessoal? Pessoal de: simplesmente amigos e interesse, ou “querer assaltar esse corpo delicioso”?

— Ela sempre quis assaltar seu corpo. — Alyssa falou baixo, com uma voz muito séria, como se temesse que alguém a ouvisse — Acredito que tínhamos quinze anos naquela época então. — Um sorriso quase inclinou seus lábios.

— Quase dezesseis. — Marty a olhou com o cenho franzido — E na verdade isso não tem nada a ver.

Courtney esfregou as mãos com graça, o sorriso enrugando o descarado nariz.

— Bem! A queda de Khalid. Posso intervir nisto. Realmente posso.

Marty simplesmente a olhou fixamente durante longos instantes antes de inclinar-se mais perto.

— Quem é sua última amante?

Courtney piscou.

— Sua última amante? Não acredito que tenha ouvido isso.

— Com quem age como terceiro? — Simplificou Marty a pergunta.

Courtney entrecerrou os olhos como se considerasse a pergunta, antes de suspirar com força.

— Essa informação não é minha para dar isso se já não a tiver. Sabe como funciona, Marty. As normas são claras e como filha deste mundinho, sei que as entende perfeitamente.

Marty odiava as normas. Havia vezes que odiava o mundo no qual tinha nascido. O Clube. Esse maldito Clube do qual seus pais formavam parte, do qual Khalid formava parte. Protegiam sua intimidade como a América protegia seu ouro.

Ninguém admitia formar parte do Clube, nem ninguém confirmava jamais a associação de outro, e ninguém por nada do mundo revelaria as relações. Especialmente Courtney, a mulher do muito arrogante, muito reservado proprietário do Clube.

— Olhe, não é como se estivesse envolvido com ninguém se começar uma relação com você, Marty — Expôs então Alyssa — Khalid é muito conhecido; sua reputação como um homem que mantém sua palavra está além de toda recriminação. Enquanto estiver com ele, não estará comprometido com ninguém mais.

— Essa não é a questão — Disse Marty, enquanto se inclinava mais perto da mesa — Para apanhá-lo, primeiro tenho que estar segura de que ninguém se interpõe em meu caminho. Do contrário por que fazer o ridículo?

A ideia da sedução estava arraigando lentamente em sua mente. Podia fazê-lo? Khalid tinha mais experiência que ela de longe. Além do lapso de hoje, tinha habilidade para manter uma cuidadosa distância entre eles.

— Confia em mim, não há nenhuma relação — Courtney afastou o pensamento — O caminho está livre querida, e estou segura de que poderíamos ajuda-la se de verdade tiver em mente capturar a nosso escorregadio Khalid. Nenhuma outra mulher conseguiu antes capturar seu coração. Seria a primeira.

Seria a única. Marty estava decidida àquilo. Se o conseguia, sua intenção era seduzir mais que seu corpo. Queria seu coração. Chegar ao coração, embora primeiro tivesse que tomar outros caminhos.

— Como apanha um homem decidido a permanecer afastado de você? —Suspirou ela — Mais de dez anos, Courtney e ainda estou tentando.

— Os homens são uns cabeças duras — Courtney sacudiu a cabeça confusa — Sabem que nos querem, querem nos possuir. Querem o coração e a alma de uma mulher. Quanto mais o desejam mais fogem disto. Confia em mim, se não aceitou os convites que lançou, só pode haver umas poucas razões do por quê. Uma das quais poderia ser o muito que precisa de você — Encolheu os ombros como se fosse a única explicação lógica.

Poderia ser assim simples?

Marty se concentrou em sua bebida, a ideia se precipitou em sua mente com a força de um maremoto. Sabia que ele a desejava. Desejava-a com suficiente gana que quase a tomou na cozinha de Zach. E sua resposta não foi indiferente. Tinha ardido por ela.

— Aconteceu algo? — Courtney se inclinou mais perto — Diga-Me, Marty, fez um movimento nosso atrativo Khalid?

Marty elevou o olhar, sorrindo.

— Talvez.

Um suave e entusiasmado grito escapou dos lábios de sua amiga enquanto um amplo sorriso cruzava ao fim seus lábios.

— Conte-me — Disse Courtney — O que fez?

— Não muito. — Marty riu quando a expressão de Courtney caiu do entusiasmo à desilusão.

Não estava cômoda dando detalhes às suas amigas. Além de que Marty era consciente que Khalid tinha estado na cama de Courtney, como terceiro em sua relação com o Ian Sinclair antes de seu matrimônio, estava também o fato de que compartilhar tais detalhes íntimos não era algo que Marty fizera antes, ao menos não com facilidade.

— Deveria interrogar Khalid — Resmungou Courtney, com os olhos marrons cheios de regozijo — Talvez obtivesse a verdade dele.

— Duvido — Respondeu Marty — Não acredito que Khalid diga a ninguém a verdade sobre nada em algum momento.

Courtney caiu no silêncio, o olhar pensativo enquanto voltava a contemplar Marty durante longos instantes.

— Talvez porque ninguém exigiu a verdade. — Foi Alyssa quem rompeu o silêncio.

Embora estivesse serena e tranquila, seus traços régios de algum modo estavam dolorosamente marcados em linhas de consideração.

— Ninguém conseguiu se aproximar dele o suficiente alguma vez para obter as respostas que exigiam — Interpôs Courtney — Fazer que se comprometa será a parte difícil. Isso não é algo que Khalid faça com facilidade.

Entretanto tinha que haver uma razão para isso. Quando o garçom apareceu com os menus se deixou o assunto, mas Marty teve que admitir que as possibilidades da conversação tinham aumentado sua curiosidade.

Como disse Courtney, Khalid não se comprometia em suas relações. As mulheres com quem se deitava não eram as suas; eram as mulheres ou amantes de outros homens. Ele era o terceiro nas relações que ela tinha conseguido descobrir.

Não é que tivesse sido fácil alguma vez descobrir com quem estava envolvido Khalid. Mas no transcurso dos anos tinha desenvolvido um radar interno no que se referia a ele. Podia notar sempre que estava com uma mulher e se estava deitando com ela.

O que se necessitaria para obter que Khalid se comprometesse com ela? Para roubar seu coração. Deus sabia que já o tinha esperado bastante, ansiosa por ele com uma força que manteve aos outros homens a um braço de distância apesar da solidão que frequentemente a assolava.

Ela não era uma parceira de uma noite. E não podia obrigar-se a começar uma relação com outro homem só para manipulá-lo e atrair Khalid como terceiro. Isso nunca seria suficiente para ela. Nunca poderia satisfazer sua necessidade interior.

— Falando do diabo. — Disse Courtney, atraindo a atenção de Marty quando o garçom repôs a água geada — Ali está nossa escorregadia presa, querida. Observa como se move entre a multidão, percorrendo com o olhar, procurando rostos. Possivelmente procura por você?

O olhar de Marty foi atraído para a pista de dança onde, como Courtney assinalou, Khalid estava se movendo através da multidão de pessoas dançando, o olhar inquieto, a expressão predadora.

Vestido com essa camisa de seda branca e esses jeans azuis, aparentava cada centímetro da criatura perigosa que era em realidade. A seda não ocultaria nunca a força em seu corpo ou a decisão em seus olhos.

Marty observou com curiosidade quando se deteve na beira da pista, o olhar varrendo uma vez mais antes de levantá-lo e em segundos se encontrou com o seu. Uma força brutal de sensações a golpeou no útero quando os olhos negros capturaram os seus e os sustentaram. O calor arrebatou seu corpo, trazendo para a vida as terminações nervosas enquanto chispavam de antecipação, com a lembrança de um toque tão cheio de prazer que desejava mais.

Incharam-lhe os seios, os mamilos se endureceram. O clitóris se congestionou imediatamente e pulsava enquanto ela sentia que seu sexo começava a esquentar-se, a umedecer-se.

Os lábios se abriram enquanto o observava, sua respiração se fez mais difícil, mais agitada. A lembrança de seu toque a varreu, debilitando-a até que se perguntou se os joelhos a sustentariam se de verdade ficava em pé.

Durante longos e brutalmente intensos segundos lhe sustentou o olhar, acariciando-a só com os olhos antes de afastar sua atenção, deixando-a tremendo e lutando por ocultar o efeito que tinha sobre ela.

— Meu Deus! — Sussurrou Courtney a seu lado — Não acredito que nunca tenha visto algo parecido.

Engolindo com força, Marty a olhou com um olhar de desespero.

— Do que está falando?

— Querida, estava comendo você com os olhos. — Um sorriso satisfeito curvou os lábios de Courtney — Não acredito que tenha visto alguma vez Khalid olhar a uma mulher desta maneira.

— Não o faz — Disse Alyssa — Khalid sempre é tranquilo e sereno. É seu selo característico.

— Esta noite perdeu esse selo — Courtney abanou a cara com a mão — Definitivamente terei que contar ao Ian.

— Por que? Segundo você, ele não compartilha a informação com você. — Disse Marty irritada.

— Bom, isso é verdade — Assentiu Courtney — Mas talvez simplesmente necessita um toque e um pequeno incentivo — Seu olhar cintilou de cúmplice regozijo — Às vezes uma mulher simplesmente deve utilizar um pouco de isca para atrair a informação que necessita.

— Ou ao homem que precisa — Murmurou Alyssa, o olhar preso ao de Marty — Para de se reprimir, Marty. Esteve esperando que ele viesse a você e todas sabemos que Khalid tem uma vontade de ferro. Pode controlar-se com uma força exemplar. Mas não pode se controlar com você. É nosso ás na manga.

— Maldição, é boa. — Courtney se recostou na cadeira e olhou para Alyssa com admiração — Aly, quando crescer quero ser como você.

— Nunca crescerá — Soltou Alyssa, sem trocar nunca a expressão, enquanto olhava em direção a Courtney — É uma maldita Peter Pan.

— Bom, se crescer algum dia. — Courtney tirou importância com umas risadas — Mas acredito que o problema de Marty.

— É obvio que sim — Respondeu Alyssa com ar de superioridade, enquanto se recostava e alisava o vestido — Ela sempre observa e espera. Khalid sempre está afastado e encontra outras coisas para distrair-se, simplesmente porque é um homem. Se ela o quiser, então vai ter que parar de preocupar-se com sair ferida e lançar-se à arena.

Marty se girou e encontrou Khalid na multidão de novo. Estava em uma mesa com dois homens mais. Conhecia esses homens. Sebastian De-Lorents, um espanhol e um dos membros mais recentes do grupo social onde Marty tinha crescido.

Se não estava equivocada, estava acostumado a trabalhar para a Interpol, agora era o novo diretor do clube de Ian Sinclair e tinha sido amigo de Courtney durante anos. Entretanto, era o homem sentado com eles quem a fez entrecerrar o olhar. Shayne Connor era um agente disfarçado da CIA que trabalhava no Oriente Médio, frequentemente infiltrado em células terroristas conhecidas por estar transferindo-se aos Estados Unidos.

Era um agente secreto, um muito perigoso. Um homem do que inclusive o FBI desconfiava quando trabalhava com ele. Sua pergunta era, que demônios estava fazendo em Alexandria com Khalid e Sebastian?

— Interessante — Murmurou Alyssa a seu lado — Agora o que a faz pensar que esses três não estão falando do último relatório de ações?

Marty quase sopra diante isso. A expressão de cada homem estava meticulosamente serena enquanto falavam. Pareciam relaxados; inclusive sorriam; mas havia algo em seus olhos, na tensão de seus corpos que contava outra história.

— Shayne Connor — Disse Courtney em voz baixa — Não o vi em anos.

— Conhece-o? — O olhar do Marty virou para seu amiga.

Courtney assentiu.

— Ele e Bastian iam a festas por toda parte da Europa e especialmente na Espanha durante um tempo. A família de Shayne o repudiou, sabe, embora uma herança considerável de seu avô americano permitiu manter o estilo de vida no qual tinha crescido.

— Repudiado? — A sobrancelha de Marty se arqueou. Esta era uma história que não tinha escutado do sempre escorregadio Shayne — Por que?

Courtney se girou para ela, agora com um olhar de preocupação em seu olhar, antes de soltar ar com brutalidade.

— Por sua suposta participação em um atentado na Espanha. Bastian nunca acreditou que tenha participado, mas seus pais são muito rigorosos. Expulsaram-no de sua casa e o repudiaram publicamente. Destroçou-o. Shayne passou vários anos tentando exonerar-se antes de simplesmente desaparecer.

Não tinha desaparecido; tinha sido recrutado. Sabia que nasceu de pai espanhol e mãe americana e que eram considerados ricos. Entretanto nunca escutou que tivesse sido repudiado.

— Então ele e Sebastian são amigos? — Perguntou Alyssa, com seu habitual olhar tranquilo cintilando e mostrando um toque de curiosidade.

— Sei que estavam muito unidos desde crianças. — Courtney encolheu de ombros enquanto ela e Alyssa se recostavam, sua atenção se movia entre os três homens — Inclusive quando jovens eram mais como irmãos, antes que Shayne fosse jogado por seus pais. Vi-o umas poucas vezes após.

Marty manteve os três homens em sua visão periférica. Interessante. Um valioso agente secreto do FBI, um espião da CIA e um antigo agente secreto da Interpol. O que tinham em comum os três, além da amizade?

Poderia ser um encontro clandestino, pensou. Sebastian era amigo de Shayne, igual de Khalid. Este era um local muito popular. Não seria surpreendente que os três chegassem ao mesmo tempo. A menos que não soubesse com certeza que dois deles tinham vínculos a informação e fontes que os colocava totalmente em algumas situações muito perigosas.

Terminando a bebida, Marty secou os lábios com o guardanapo antes de recolher a bolsa ao lado do prato e sorrir a sua amigas.

— Vou para casa — Disse — Foi um dia muito longo para mim.

— Já? — Courtney fez uma careta — Esperava que pudéssemos tomar algumas taças mais antes de ir.

— Esta noite não — Marty negou com a cabeça — Estou dirigindo. Da próxima vez, prometo-o.

— Está sendo uma desmancha-prazeres. Aly — Courtney se girou para a Alyssa — Faz algo com ela.

Alyssa negou com a cabeça enquanto um sorriso puxava os cantos de seus lábios.

— Não é a única que precisa deitar-se cedo — Disse — Também tenho que ir para casa. Talvez a próxima vez.

— Vocês duas vão me dar uma má reputação se começar a chegar em casa antes de meia-noite — Disse Courtney pesando — Ian pode começar a acreditar que de verdade estou tomando juízo.

— Estou segura de que pode convencê-lo do contrário. — Levantando-se, Marty disse adeus com a mão às outras duas, antes de sair do terraço e dirigir-se pelo amplo corredor para as escadas. Quando abandonou o restaurante se deu conta que Khalid já não estava em sua mesa.

Tinha que chegar em casa e a seu computador, do qual poderia extrair a informação que necessitava dos três homens. Havia uma conexão entre eles; tinha que havê-la. Apesar das aparências, esses três não deveriam estar juntos, pela simples razão de que todos tinham algo a perder se as pessoas equivocadas os viam juntos. Alguém como Deerfield, ou um de seus agentes.

Shayne Connor talvez fosse um agente, mas só uns poucos no FBI sabiam. A operação que a tinha levado a tratar com ele exigiu guardar em segredo o autêntico propósito para estar ali. Era um valioso contato que ter e um ao que não queria contrariar.

Fazendo o caminho do clube, Marty andou a longos passos pela calçada até o estacionamento, preferindo caminhar em vez de utilizar os guardadores de carro. As sombras se alongavam ao longo da área apesar das luzes que a rodeavam. Os clientes pululavam enquanto conversavam, iam e vinham do restaurante. Ninguém parecia interessado em nada mais que seus próprios assuntos. Ninguém prestava atenção à mulher solitária caminhando pelo estacionamento até que se aproximou do carro.

— Não mencionou que ia sair esta noite, amor. — Khalid falou das sombras das árvores, dando um passo o bastante perto para permitir distinguir seu vago perfil enquanto a escuridão o envolvia como uma amante ciumenta.

Apoiando-se contra o BMW cruzou os braços sob os seios, negando-se a entrar na escuridão onde ele a observava como um escuro predador faminto.

— Não sabia que tinha que te dar meu itinerário. — Disse arrastando as palavras enquanto ele se aproximava, o brilho faminto em seus olhos avivava a adrenalina que fluía através dela.

— Talvez devesse. — Disse ele, em voz baixa, profunda, vibrando com um poder oculto.

Marty jurou que podia senti-lo sob a pele, o calor de seu corpo penetrando nela quando parou justo em frente.

— Talvez viva em um mundo de sonho — Disse, desafiando-o, desafiando a ordem em sua expressão enquanto a olhava fixamente, o escuro olhar sedutor.

— E talvez esteja tentando se colocar em assuntos que não lhe concernem.

Não a tocou, mas a necessidade disso era uma fome que ela pôde sentir rodeando-a.

— Sempre estou me colocando em coisas que não deveria. Essa é a descrição de meu trabalho. Recorda? — Endireitou-se aproximando seu corpo ao dele, seu calor quase atraindo o dela.

— Para — Seus dedos rodearam o antebraço enquanto a expressão se esticava, o olhar entrecerrado sobre ela.

— Parar o que? — Elevando a sobrancelha, olhou-o maliciosamente — Recorda, Khalid, você saiu em minha busca, não foi o contrário.

— Conheço você — Sua voz foi um forte grunhido — Está a ponto de cometer um engano, Marty.

— Um engano? — Levantou a mão, pressionando-a levemente contra o peito de Khalid — Não sou eu a que cometeu este engano. Acredito que foi você.

Podia sentir seu coração sob a mão, pulsando forte e enérgico, acelerado pelo mesmo poder que ela sentia no seu.

— Seu pai me advertiu que permanecesse bem longe de você — Apertou os dedos no braço por ato reflito — Acredito que em troca que deveria haver advertido a você.

Um sorriso inclinou os lábios de Marty.

— Já me conhece. — Aproximando-se mais, observando sua expressão, sentindo o poder de sua inexperiência e a necessidade desesperada que a rasgava. Seduzi-lo era sua meta, mas ia custar-lhe mais que permanecer na escuridão com ele.

— Deveria ter mais juízo. — De repente, como se o poder de sua própria necessidade se transmitisse a ele, arrastou-a contra seu corpo, uma mão apertando forte e duro os quadris para sujeitar seu arrebatamento contra a solidez de sua ereção.

O duro e ereto comprimento de seu pênis pressionando contra a parte baixa de seu estômago, o calor transpassando as calças e a seda das roupas enquanto a respiração de Marty se obstruía na garganta.

Deus, sentia-se como uma dessas estúpidas senhoritas que desmaiavam nas antigas novelas românticas que sua mãe estava acostumada a ler. As que se desvaneciam segundos antes que os piratas fizessem o que quisessem com elas. Sim, das quais riu durante tantos anos.

— Por que deveria ter mais juízo? — Deslizou as mãos sobre o peito de Khalid para os ombros — Por que se reúne com um agente secreto da CIA conhecido por compartilhar a suas mulheres, igual a você? Ou talvez você e o agente da CIA se reúnem com um homem conhecido por ter laços com ambos? Diga-me, Khalid, sabe meu padrinho que sai para festas com a CIA e a Interpol?

Ao princípio não tinha sido mais que uma suspeita. Sebastian De-Lorents era um ator muito bom, mas vendo-os juntos, ouvindo a história de Bastian e Shayne, ao final tinha encaixado.

— Não sabe do que falávamos. — A lenta tensão em seu corpo lhe dizia o contrário.

Quase riu. O som saiu mais como um pequeno bufo de desconfiança.

— De verdade, Khalid, está falando com a mulher que conhece todos seus joguinhos e como os leva na prática — Recordou — Diga-me que jogos está praticando com nosso espião local e sua corte espanhola, talvez seja boa e não contarei a papai sobre você. — A ameaça zombadora não caiu bem.

Ou possivelmente caiu muito bem.

Um segundo mais tarde a levantou, arrastou-a para o refúgio escuro das árvores ao redor. Antes que pudesse pensar em lutar a tinha de costas contra uma árvore, o corpo levantado para ele, seus lábios cobrindo os dela.

E não se deteve ali.

As sensações se precipitaram por sua pele enquanto o prazer começava a emanar por suas terminações nervosas dos lábios até as coxas. Khalid passou a mão sob a saia, plana contra a curva superior de sua perna e a levantou até que teve o joelho dobrado sobre o quadril dele.

Então encaixou a pênis contra o monte de sua vagina, lançando seus sentidos ao máximo quando jogou a cabeça para trás, afastando os lábios dos dela.

Marty o olhou em extasiada emoção quando rodou os quadris sutilmente, a grossa ereção sob o tecido das calças pressionando, acariciando o inchado broto de seus clitóris.

— Acabará comigo — Grunhiu, quando uma mão curvada ao redor da nuca sujeitou a cabeça quieta enquanto baixava a cabeça de novo.

Mordiscou os lábios, sorveu-os durante longos instantes antes de recuar uma vez mais.

— Como acabarei com você? — A pergunta girava em sua mente com cada advertência que dava — Diga-me, Khalid, como sou tal ameaça para você?

Acariciou-lhe o pescoço com os dedos enquanto a outra mão girava por seus quadris levantando-a mais alto, segurando-a contra ele enquanto os joelhos dela o aprisionavam.

A sensação de seu pênis apertado entre suas coxas era deliciosa. O leve movimento de seus quadris contra os seus enviava fortes e torturantes estremecimentos atravessando o corpo enquanto chamas de prazer percorriam a pele.

— Talvez, amor, eu seja o perigo para você.

Não houve possibilidade de discutir, de responder, quando ela abriu os lábios, sua língua os transpassou, os lábios selando o escandaloso e acalorado gemido que teria saído de seus lábios.

Estava-se afogando no prazer. Os joelhos se aferraram aos quadris mais forte enquanto envolvia os braços ao redor de seus ombros para aproximá-lo dela. As mãos de Khalid lhe acariciaram as costas, os quadris, apinhando o tecido do vestido entre os dedos e arrastando-o por cima da curva de seu traseiro antes de embalar as nuas e arredondadas elevações de carne.

Acariciava, amassava. Os dedos apertados nos sensíveis montes, abrindo-os, enviando arcos agudos de sensações percorrendo a entrada escondida que a estreita fenda ocultava. Ela havia tocado nesse lugar, simplesmente para ver o que sentia. Perguntou-se o que faria ali o toque de Khalid a seus sentidos. Agora sabia. Seus dedos se deslizaram mais fundo na carne dividida, acariciou, pressionou.

Era muito prazer. Sensação sobre sensação começaram a atacá-la, aumentando e afogando seus sentidos com ondas do êxtase que se aproximava enquanto se esforçava para manter o controle o bastante para recordar cada toque, cada arco de chamas famintas que a lambiam agora.

— Maldição! — Afastou-se de repente dela, mas não a soltou.

Enquanto o olhava, seu corpo se deixou levar pelo prazer que a atravessava, os dedos dele apertados sob a seda de suas calcinhas e encontrando os sucos escorregadios e quentes.

— Para de me empurrar a isto — Ordenou, mas deslizando ainda os dedos através da rica essência, reunindo-a e arrastando-a para trás, para a apertada e tímida entrada de seu traseiro — Antes que destrua a ambos.

A cabeça dela caiu para trás de novo quando uma sacudida a fez abrir os olhos e o prazer roubou o fôlego. Seu dedo pressionou contra a rodeada entrada, depois entrou o bastante para enviar um pingo de dor rasgando-a antes de parar.

— Khalid. — O nome saiu de seus lábios.

— Deus me ajude — Seus olhos reluziam na escuridão enquanto o polegar pressionava na apertada abertura de sua vagina — Está tão fodidamente apertada que morro por estar dentro de você — Um dedo e o polegar se dobraram, movendo-se dentro dela, criando lascas de sensações que ameaçaram sua prudência.

Este não era lugar para isto, uma parte dela sussurrou. A outra parte, a mulher que morria por sua posse, estava pedindo-o a gritos silenciosamente.

Apertou os joelhos em seus quadris, os cílios revoando diante as deliciosas sensações que a superavam.

— Então por que brigar contra isso? — Agora quase rogava — Está me torturando, Khalid. Nos torturando.

— Afogo-me em você. — Sorvendo os lábios de novo — E não está fazendo nada para nos salvar.

— Mas eu não quero ser salva — Sussurrou ela contra seus lábios enquanto ele os esfregava — Se quisesse ser salva, não estaria aqui. Estaria na cama de outro homem em vez de rogar estar na sua.

E isso era o que estava fazendo. Rogar. Suplicar, com tudo exceto com palavras.

— Maldita seja! — Retirou-se outra vez.

Afastou os dedos do quente e muito sensível agarre por seu ânus enquanto o polegar se liberava de sua vagina. Senti-lo saindo dela quase a destroçou. Tinha os joelhos fracos quando aceitou seu próprio peso. Seu corpo sobrecarregado com o desespero e a dor pela liberação.

— Isto tem que acabar agora — Ordenou ele com voz brusca — Não mais.

— Covarde — Ao afastar-se dele quase dá um tropeção enquanto se afastava do homem e da árvore, fulminando-o com o olhar enquanto se esforçava para recuperar o fôlego e ter as emoções sob controle.

— Vá com cuidado, Marty. — Estirou bruscamente a mão, os dedos curvando-se ao redor do pulso enquanto ela tentava girar-se e ir de volta ao carro — Eu tomaria isso como uma ameaça muito séria.

— Me processe. — Espetou, puxando o braço fora de seu agarre e tropeçando nas sombras — Melhor ainda, nem se incomode, perderia. As provas estão de meu lado, rostinho bonito.

Tirando a chave do pequeno bolso oculto do vestido, agarrou a bolsa do chão onde tinha caído e partiu ofendida para a porta do carro.

Desbloqueando o fechamento central, abriu a porta de um puxão e o olhou do discutível escudo entre eles.

— Nunca o entenderia — Disse ele, com o tom coberto de escura amargura.

— E você nunca terá a coragem para explicar — O acusou — Mas cheguei a um ponto onde realmente me importa um nada. Seduzi-lo está começando a me aborrecer. Acredito que irei para casa e verei se posso descobrir por que merda Connor está em minha cidade e o que estão tramando os três. Acredito que encontrarei isso imensamente mais entretido.

Ele se moveu com rapidez. Saindo da proteção das árvores quase esteve sobre ela antes que se deslizasse dentro do carro, fechasse a porta e pusesse a chave no contato. Não o olhou até que deu marcha ré no estacionamento e o que viu então enviou mais que uma sacudida percorrendo-a. Ali havia uma emoção de excitação e uma faísca de conhecimento.

Atrás dele, Shayne não fez nada para esconder o fato que estava ali. Imediatamente em que captou sua expressão, ela viu a fome e soube que tinha estado observando, escutando.

Não era mais do que já tinha suspeitado, mas não tinha previsto sua própria resposta a isso. Se antes estava úmida, então agora suas calcinhas estavam ensopadas. Se antes estava excitada, então agora a luxúria a alagava.

E tudo para nada.

Dando marcha ré com rapidez apertou o pé no acelerador e saiu disparada do estacionamento. Já era hora de que tirasse as luvas com o Khalid e demonstrasse que possivelmente o desejava até que o inferno se congelasse, mas também era certo que não era o único fodido homem no mundo.

E com franqueza, estava farta de esperar um amante que não fazia mais que rejeitá-la. Já era hora de provar outras possibilidades. E talvez lhe mostrar exatamente o que estava perdendo.

 

Uma semana depois, Khalid entrou na protegida sala de reuniões que Sebastian tinha preparado e enfrentou um pedaço de seu passado que tinha evitado a todo custo.

Contemplando o homem que poderia ter sido seu irmão gêmeo, Khalid sentiu que o peito se oprimia, sentiu a agonia contida da culpa e se esforçou por não desculpar-se outra vez pelos acontecimentos que tinha sido incapaz de controlar. Abram al Hamid-Mustafa se levantou lentamente do sofá, sua estrutura muscular se erguia alta e orgulhosa enquanto os ferozes olhos negros olhavam de um rosto que se tornou de pedra anos atrás.

Agora, uma curta e polida barba recortada e um bigode cobriam a parte inferior do rosto. Grossas e espessas pestanas teriam dado aos seus olhos negros um aspecto sensual e sonolento, que não tinham pelo puro gelo que cobria seu olhar. Esse gelo se derreteu quando Khalid fechou a porta atrás dele enquanto observava aproximar-se de Abram. Atrás do outro homem, Sebastian permanecia sentado igual a Shayne.

Eram os únicos que assistiam a este encontro, o primeiro em mais de dois anos.

— Khalid, certamente que tem um aspecto tão decadente como sempre. — Um sorriso trêmulo enfraqueceu o escuro olhar de Abram enquanto olhava os jeans, a camisa branca por fora e os informais sapatos de pele que Khalid usava.

Khalid grunhiu pela descrição e lançou um olhar contrariado ao traje de seu irmão.

— Hoje vai de favelado?

Abram usava uma boina de beisebol e uma camiseta negra com o nome de um famoso grupo de rock pesado estampada nela.

— Bom, as coisas que temos que fazer para sobreviver, não é? — Abram agarrou a parte frontal da camiseta antes de dar em Khalid um breve e forte abraço, murmurando silenciosamente — É bom vê-lo de novo, irmãozinho.

— Cinco minutos não me convertem em seu irmão caçula — Recordou Khalid quando se separaram.

— É óbvio que sim — Era sua discussão de sempre — Só porque você é o filho de sua apreciada e ruiva pomba não o faz menos jovem que eu. Simplesmente o faz mais afortunado.

A mãe de Khalid, Marilyn Kobrin, uma estudante universitária francesa que tinha sido raptada enquanto estava de férias tinha um irmão, assim como um noivo, que tinham estado resolvidos a encontrá-la. Entretanto, Marilyn não tinha sido do tipo de sentar-se e esperar o resgate. Só umas poucas semanas depois do nascimento de Khalid, tinha envolvido seu filho em uma manta, tinha-o prendido às suas costas e escapado do palácio onde tinha sido presa, com o deserto pela frente.

Deveria ter morrido. O deserto não era lugar para uma mulher só com uma criança para cuidar e muita pouca água durante a viagem.

Felizmente seu irmão e seu noivo tinham conseguido rastreá-la até as terras de Azir e vigiavam o palácio quando ela desceu escalando o muro que encerrava os jardins nos que se permitia reunir às mulheres.

A “pomba ruiva” do Azir, como ele a chamava, tinha voado da jaula e rapidamente escapou com o filho que Azir tinha reclamado como seu segundo herdeiro. Um herdeiro ao que não voltou a ver outra vez em dezoito anos.

— Não estou tão seguro de ser a parte “afortunada” — Khalid encolheu os ombros — Parece-me que nenhum de nós tem muita influência no compartimento da sorte.

— A sorte é o que faz com ela — Abram suspirou com cansaço quando ambos foram para o bar.

Sebastian e Shayne uniram-se a eles, os dois homens permaneceram calados enquanto Khalid e Abram se esforçavam para encontrar o nível de comodidade que uma vez tinham compartilhado.

Tinham sido quase inseparáveis depois que Khalid voltou para o deserto para encontrar e destruir o homem que clamava ser seu pai. Agora, mais de dez anos depois, Khalid se perguntava se ele e Abram não foram os únicos que ao final foram destruídos.

— Bom, escutei pelo Shayne que sua mulher o tem correndo em círculos. —Houve um fio de diversão na voz de Abram, assim como algo mais. Algo escuro, algo que bordeava o perigo ou a advertência.

— Definitivamente ela faz a vida interessante. — Khalid esteve de acordo enquanto Shayne servia as bebidas e as estendia do outro lado do bar.

— Tem-no observando pelas sombras e passeando pelos cômodos, Abram —Grunhiu Shayne — Não sabe se vem ou vai.

Os lábios de Khalid se apertaram enquanto se afastava do bar.

— Não há necessidade de culpa, Khalid — A calma afirmação de Abram o fez deter-se.

— Não há? — Perguntou Khalid antes de sacudir a cabeça e seguir para a área de assentos preparada no meio da sala — Por que está aqui, Abram?

Não podia imaginar o que faria a seu irmão arriscar a vida, assim como sua posição na herança de Azir Mustafa, para visitar seu irmão caçula.

— Sério, consegui manipular Azir para que ordenasse a visita — O asco enchia o tom de Abram quando falou de seu pai — Desejava que a viagem permanecesse em segredo de Ayid e Amam. Segundo ele, seria só ofendê-los desnecessariamente.

A raiva se acendeu no interior de Khalid diante o pensamento da lealdade de Azir para seus dois filhos mais jovens. Eram terroristas, homens que procuravam destruir tudo o que a família real, primos longínquos de Azir, lutava por manter.

Azir os tinha protegido durante muitos anos. Tinha mentido por eles, tinha-os defendido, permanecido frente a seu rei e jurado que Khalid mentia e que como cidadão americano, Khalid não era leal à Arábia Saudita ou à família reinante. E, por conseguinte, não havia base para acreditar em sua versão da morte de Lessa Mustafa, a jovem esposa de Abram.

— E como obteve dita manipulação? — Zombou depreciativamente Khalid, pensando em Azir e suas próprias manipulações no que se referia a seus filhos caçulas.

— Há rumores — Levando a bebida, Abram se movimentou ao sofá em frente a Khalid e tomou assento de novo — Azir ouviu que está comprometido na captura de uma pequena célula terrorista que se transferiu a D.C. faz uns meses. Dois dos homens foram assassinados. Ayid e Amam estavam envolvidos com esta célula terrorista. Os temores de Azir é que esteja outra vez por trás disto.

— E estou — Khalid sorveu a bebida enquanto contemplava Abram, lendo o ódio e a raiva gelada no olhar de seu irmão.

Era uma raiva que também enchia a Khalid. Uma raiva nascida do sangue e da morte, do engano e do ódio.

— Azir faz Ayid e a Amam o mesmo que a nós — Abram fez uma careta de ira — Sabe bem. Defende-os, nega-se a acreditar na verdade. Que destruiremos Ayid e a Amam, sem importar o que custar e vice-versa. O mundo onde vive não é um que se prende à realidade.

— Ao menos não neste assunto — Esteve de acordo Khalid — O velho safado o enviou para que me rogasse que não os matasse?

Cada vez que seus irmãos a fodiam, Azir enviava o rogo a Khalid de que fizesse o que estivesse em sua mão para deixar ilesos seus irmãos. Khalid ignorava cada rogo e com cada pedaço de informação e prova que reunia, procurava a queda de seus irmãos.

— É uma descrição exata da razão pela qual me enviou — Disse Abram, o tom rouco pela fúria e a dor — Como se o passado não tivesse ocorrido nunca — Sacudiu a cabeça — Como se o sangue de minha mulher não tivesse tingido suas mãos.

O sangue de sua mulher, igual como o sangue das mulheres de Amam e Ayid.

— Não esquecerão a vingança que têm contra vocês — Os advertiu Sebastian enquanto ele e Shayne permaneciam no bar — Só estão crescendo em força e número, Khalid. Os homens que ajudou a capturar em D.C. eram só uns poucos.

Khalid era bem consciente daquilo.

— Essa missão em que você e Shayne cooperaram era uma em que Ayid e Amam contavam ter êxito — Disse Abram enquanto se inclinava mais perto, o olhar se tornou frio e duro outra vez — É só questão de tempo, Khalid, antes que descubram com certeza de nossa participação. Quando o fizerem, atacarão de novo. Não desejo vê-lo perder o que eu perdi faz tanto tempo. Sua mulher deve permanecer a salvo.

— Não há maneira de que o descubram — Khalid negou com a cabeça — Aprendi como cobrir meus rastros, Abram.

Isso era algo que ele e Abram não tinham sabido como fazer com eficácia durante aqueles anos na Arábia Saudita. Essa inexperiência lhes custou a vida de Lessa e por pouco a própria.

— Os rumores já afloram — Expôs Abram — Como sei que Shayne já o advertiu. Um dos terroristas envolvidos na célula de D.C. conseguiu escapar de volta a Arábia Saudita. Levando o conto de que o viu quando os agentes saiam do esconderijo da casa durante a detenção. Estava ali?

— A possibilidade de que Ayid e Amam estivessem ali era muito grande — Disse Khalid com voz tensa.

Mas não estavam. Tinham retornado a Arábia Saudita horas antes que os agentes de Segurança Nacional tivessem aprisionado a pequena célula.

Tinha sido um cenário muito diferente ao de fazia dez anos na Arábia, justo aos subúrbios de Riad.

Ali não houve agentes, simplesmente um caça, uma bomba e uma pequena cabana de barro sob o sol abrasador nos subúrbios da cidade. A célula formada por oito terroristas estava ali reunida, junto com o Ayid, Amam e suas mulheres. Também desta vez, a sorte de seus irmãos tinha deslocado rápida e veloz cobrindo as costas. Ayid e Amam saíram às escondidas da cabana para encontrar-se com um contato ao que se aproximaram no palácio real Saudita. Um cozinheiro que conspirava com eles para matar o rei e a sua família próxima.

A Força Aérea Real Saudita atacou antes que voltassem para a cabana e a informação de que foi Khalid quem proporcionou sua localização à Força Aérea tinha estado nos lábios do cozinheiro quando se reuniu com os irmãos.

Ayid e Amam souberam quem atacou, como souberam que Abram teria estado comprometido no que fosse que estivesse Khalid. Abram e Khalid não estavam no palácio quando os irmãos voltaram, mas Lessa sim. E porque Abram tinha compartilhado o corpo de sua mulher com o Khalid, Azir virou as costas e permitiu que Ayid e Amam a tratassem brutalmente.

Culpava Lessa pelo que ele chamava “desejos antinaturais” de Abram e Khalid.

— Entretanto, Ayid e Amam não estavam lá — Informou sobre a missão mais recente — Suas suspeitas de que você e eu estávamos trabalhando juntos outra vez para subministrar informação dos movimentos de sua célula aumentaram, devido à informação que o terrorista levou de volta aos ouvidos de Ayid e Amam depois do assalto. Jurou que o viu.

— E o que pensa Azir? — Perguntou Khalid com curiosidade.

— Até o momento, tem Ayid e Amam com a rédea curta — Suspirou Abram com força — Não é um agarre que possa durar muito. E é um que Ayid, especialmente, encontrará a maneira de escapar.

Ayid era mais velho que Amam. Era o líder e planejador, enquanto que Amam não era mais que o menino dos recados, o lamentável assistente que seguia qualquer diretriz que Ayid tomava.

Khalid pôde notar crescer em seu interior a certeza de que Ayid e Amam golpeariam contra ele.

E que melhor maneira de golpear que perseguir uma mulher que Khalid reclamava como própria?

Marty era um maldito inconveniente, pensou Khalid.

— Khalid, Zach também tem a seus homens nisto — Disse Shayne, em tom de voz baixo enquanto Khalid se levantava lentamente do sofá, passeando para a janela com vistas sobre os jardins — Não há maneira de ocultar que há algo entre Marty e você. Agora não.

Khalid queria negar com a cabeça. Queria recusar que tivesse feito algo, que a tivesse posto em perigo. Mas não havia maneira de negá-lo. Tinha-o feito. Tinha-a arrastado dentro do jogo mais perigoso de sua vida e que o amaldiçoassem se sabia como voltar atrás agora.

— Ayid e Amam juraram vingança contra nós — Recordou Abram — Não posso ficar e te ajudar a protegê-la.

Não, não podia ficar. Não seria o terceiro de Khalid. Não é que Khalid tivesse planejado tomar essa rota. Abram tinha responsabilidades na Arábia Saudita e Khalid aqui. Apesar do vínculo que tinham desenvolvido entre eles durante os anos que Khalid tinha passado na pequena região de Azir Mustafa. Os irmãos, tão parecidos de aspecto e caráter, tinham encontrado que também compartilhavam interesses similares. Muito especialmente essa fome escura que os levava a compartilhar as suas amantes.

— Quando retorna? — Abram nunca ficava muito tempo, nunca passava muito tempo longe da Arábia Saudita para não permitir que seus irmãos suspeitassem do que estava fazendo em vez de atender os negócios em Riad.

— Em uns dias — Respondeu Abram enquanto Khalid se girava por volta dele — Trouxe comigo fotos e arquivos que reuni durante meses para Shayne e Zach Jennings. O acampamento de treinamento nas montanhas, justo no limite, cresceu em recrutas. Contei mais de trinta homens a última semana. Ayid e Amam estavam ali, mas, como sempre, traziam os rostos cobertos. Não há maneira de provar que eram eles só com as fotos.

Os irmãos se moviam com um passo inconfundível e as vozes tinham um tom claramente reconhecível. Não havia maneira de documentá-lo sem um gravador e não havia maneira de que Abram pudesse se aproximar suficiente para isso.

— Nossa preocupação principal neste momento é seu próximo movimento —Disse Shayne — Como te disse quando cheguei, Ayid e Amam já o estão acusando a e a Abram de intervir na captura da célula de D.C. Era muito importante para eles, Khalid. Vão atrás de você.

É óbvio que o fariam. Mais cedo ou mais tarde. Inclusive poderiam ter sorte e conseguir matá-lo desta vez.

Não é que não o tivessem tentado antes. Infelizmente, estavam limitados aos recursos que Azir lhes proporcionava, como à liberdade que dava. E nunca estariam satisfeitos a menos que pudessem cravar a estaca no coração pessoalmente.

— Então estarei preparado. — Ofereceu aos três homens que observavam um breve assentimento — E me assegurarei da proteção de Marty.

— Então, já não posso fazer nada mais aqui. — Abram tirou a boina de beisebol para passar os dedos de uma mão pelo cabelo antes de voltar a pôr a boina. Olhou ao Khalid com pesar — Agora devo ir.

Khalid foi para ele, abraçou-o e que o amaldiçoassem se não sentiu também o pesar que o atravessava. Fizeram um pacto anos atrás, de sempre formar parte da vida do outro. Agora, não só os separava a distância, mas também a maldade daqueles com quem compartilhavam sangue.

— Beija a sua encantadora mulher por mim. — Disse Abram em voz baixa enquanto se afastava — E vigia suas costas, Khalid.

—Abram, verei você de novo em seu hotel — Sebastian deu um passo do pequeno bar privado, os olhos negros em contraste com o cabelo loiro escuro que crescia espesso e comprido para o pescoço da camiseta negra.

— Uma vez mais, estou em dívida com você, Sebastian — Abram assentiu quando Shayne também deu um passo para diante.

Estendendo a mão, Abram apertou com firmeza a de Shayne.

— Vigia o meu irmãozinho — Seus lábios se arquearam com carinhoso regozijo enquanto olhava para Khalid — Vamos.

Abandonando a sala, Abram não olhou para trás. Nunca o fazia. Khalid viu o enorme guarda-costas, Mohammed, dar um passo para frente para guiar Abram pelo edifício. E depois fechando a porta atrás dele, seu irmão desapareceu outra vez. Girando-se para Shayne, Khalid ofereceu um suspiro de cansaço.

— Tenho que fazer umas chamadas. Se não se importar nos encontramos logo no bar.

Shayne brindou um rápido assentimento e um sorriso divertido enquanto ia a longos passos para a porta antes de girar-se.

— Saúda o Zach de minha parte.

O painel se fechou com suavidade atrás dele, deixando a sós Khalid com nada exceto seus pensamentos e temores.

O temor de que agora seu passado se elevava contra ele, o temor de que apesar da batalha que tinha liberado contra isso, desta vez Marty poderia estar no meio de tudo isto.

Tirando o telefone celular da capa a seu quadril o abriu e fez a chamada.

— Zach — Respondeu o diretor do FBI ao primeiro toque.

— Temos um problema.

 

Uma semana. Khalid conseguiu permanecer afastado da tentadora ferinha uma semana inteira. No transcurso dos anos, nunca tinha se dado conta de quão frequentemente tentava localizá-la.

Enquanto falava por telefone com seu padrinho, uma fome, uma necessidade de ligá-la a ele, cresceu em seu interior como uma febre que não podia ser acalmada. Tinha-lhe esticado o corpo e arrancado a alma.

Sentia-se como um drogado necessitando uma dose. No passado, a simples visão dela tinha sido suficiente, ou talvez uma dança, um comentário descarado, ou uma troca um pouco acalorada. Mas sempre tinha havido a certeza no fundo de sua mente que atrás desses acontecimentos, ela ainda era dele. Que ainda lhe pertencia.

Até que passaram sete dias inteiros sem vê-la, sem nenhum pequeno comentário ou intriga de informação sobre ela de parte de seu normalmente conversador pai, Joe. E de repente necessitava todas aquelas coisas com desespero. Felizmente, Marty não tinha mostrado interesse por nenhum homem exceto ele. Assim não havia ameaça que estivesse se separando dele. Mas seu passado sempre foi a razão pela qual tampouco podia chegar a ela. O porquê não podia possuí-la.

Enquanto estava em pé, contemplando pela janela da sala onde estava acostumado a encontrar-se com seu irmão, Khalid observava Shayne passando pelas amplas portas francesas que iam do bar aos limites do jardim de baixo.

Seu passado estava a ponto de elevar-se outra vez como uma vingança. Também era a razão pela qual Shayne estava no D.C. Era a razão pela qual Azir tinha enviado Abram na precipitada viagem da Arábia Saudita.

Azir estava desesperado para recuperar o favor de Khalid. Favor que nunca havia possuído e nunca obteria. O homem que tinha comprado, violentado e atormentado à mãe de Khalid era um monstro para ele. A única razão pela qual Khalid aceitou ir a Arábia Saudita depois de completar os dezoito foi encontrar a maneira de destruir Azir.

Entretanto Azir não tinha sido destruído. Abram e Khalid tinham sido os únicos em sofrer. Contemplando os jardins em floração de baixo, não era a beleza das perfeitas flores o que via.

Via seu passado.

Via o sangue.

Passando os dedos pelo cabelo, inalou uma forte e frustrada baforada de ar, antes de afastar-se e voltar com grandes passos para a bebida que tinha posto na mesa ao lado do sofá e a engoliu com rapidez. Fazendo um gesto ante a queimação que descia pela garganta, Khalid se perguntou se alguma vez apagaria os pecados do passado de sua alma.

Apertou a mandíbula quando as lembranças e a ira ameaçaram alagá-lo. Tinha passado dez anos e ainda não podia tirar da cabeça a imagem e o horror daquilo.

Ainda podia ouvir os uivos de raiva de Abram enquanto ecoavam pelo palácio deserto de seu pai. Podia ver a mulher que ele e Abram se prometeram, estirada sobre o leito matrimonial, nua, o olhar fixo ao teto sobre a cama com horror vazio, o sangue cobrindo o corpo, os lençóis de cetim e encharcada entre as coxas.

E agora, aqui estava ele, tantos anos depois, tentando que esse horror o golpeasse de novo.

— O dia chegará, irmãos — Ayid os tinha advertido em uma carta enviada a ambos, Khalid e Abram, semanas depois — Quando reclamar a uma mulher como sua em vez da do outro. O dia chegará quando conquistar um coração. E quando o fizer, estaremos ali. Atacaremos. E saberá que foram suas ações as que arrebataram a vida da única que ama. Como as suas ações arrebataram às nossas.

Khalid sabia que devia estar louco, porque não havia nem a mais remota possibilidade de suportar a dor que Abram tinha suportado quando perdeu Lessa. Se perdesse Marty pelas crueldades vingativas de seus meios-irmãos, começaria uma matança assoladora que nem Ayid nem Amam podiam imaginar.

Inclusive sabendo que era mais do que poderia suportar, não podia permanecer afastado dela. Já não. Mas mais importante, ela tinha se declarado e Marty não era das que voltavam atrás apesar do que havia dito fazia uma semana. Conhecia Marty muito bem. Inclusive se Khalid não reagisse, ao final eles se fixariam nela.

E com esse conhecimento chegou a compreensão que a teria, teria que proteger Marty como nunca tinha sido capaz de proteger a ninguém mais. E só havia um homem, além de Abram, em quem confiava para ajuda-lo a fazê-lo.

Saindo da sala de reuniões, Khalid desceu com longos passos as escadas para o bar principal onde encontrou Shayne sentado a sós, como habitualmente fazia, um jornal elevado enquanto estava jogado comodamente no reclinável do canto do enorme salão.

O agente da CIA alegava, aos membros que se atreviam a questionar sua presença, que estava de férias, entretanto Khalid era bem consciente que o homem nunca tinha estado de férias em sua vida. Não de verdade. Shayne tinha sido o primeiro em advertir Khalid dos rumores ouvidos na Arábia Saudita, dos planos dos irmãos Mustafa de atacá-los e ajudou a convocar a reunião de hoje com o Abram. Veio para advertir. Mas ficaria para proteger à mulher a que tinha tomado carinho com os anos.

— Shayne — Khalid tomou assento no sofá frente a ele.

O jornal desceu lentamente. O outro homem baixou o olhar para ele, a expressão curiosamente anódina, embora os olhos marrom claro dançavam de conhecimento.

— Precisarei de você como terceiro — Khalid manteve a voz baixa, mas as intenções claras.

Shayne dobrou o jornal antes de pousá-lo com cuidado na mesa baixa entre eles.

— Pensa que é o melhor momento para isto? — Shayne inclinou a cabeça inquisitivamente enquanto o olhar obscurecia com uma nuance de desaprovação.

— Acredito — Assentiu Khalid — Ayid e Amam estão planejando o ataque, como sempre soubemos o que fariam. Marty não vai voltar atrás e resistir a ela é algo que não acredito que possa fazer por muito mais tempo.

Dar explicações era algo que Khalid não fazia bem, mas neste caso, a explicação era necessária. Como protegê-la, como resguardá-la e mantê-la a salvo tinha que ser falado, questionado e planejado com minucioso detalhe. Necessitaria-se mais que simples explicações e teria que enfrentar a outros além de Shayne. Teria que enfrentar os pais dela.

Olhando ao redor da quase deserta sala, Shayne deslizou o reclinável de volta a sua posição horizontal antes de inclinar-se para frente.

— Ainda não sabem dela. Há uma possibilidade muito grande que possamos mantê-la fora disto. — Começou.

Khalid afastou a sugestão com um gesto de mão.

— Não há maneira de mantê-la fora disto. Atrairá a atenção uma vez que decidam fazer seu movimento. A pergunta que fica é como protegê-la enquanto resolvemos a situação.

Shayne assentiu antes de entrecerrar o olhar, sua expressão se tornou pensativa, resolvida.

— Sempre soubemos que o que jogávamos era um jogo perigoso no que se refere a seus meios-irmãos. Esperava que já tivéssemos obtido a prova que o governo Saudita necessitava.

Khalid suspirou com cansaço.

— São inteligentes. De outro modo não teriam sobrevivido tanto tempo.

— E quanto a Abram?

Khalid entendeu a pergunta que Shayne estava fazendo, simplesmente preferiu ignorá-la.

— Não necessito sua permissão — Afirmou Khalid com firmeza.

— Ambos compartilham um passado nisto — Assinalou Shayne, o olhar entrecerrado diante a tentativa deliberada de Khalid de evitar o assunto — O admito, esperava que fizesse a oferta a ele.

— Abram tem outras responsabilidades e o que houve no passado se enterrou faz muito tempo.

Shayne assentiu lentamente.

— Sempre que nos comportemos. Se apresentá-la a qualquer outro como um terceiro potencial, então declinarei se não se importa.

Khalid estava mais divertido que zangado com as tentativas do outro homem de controlar uma parte de sua relação com Marty, entretanto a ira não estava muito longe. Era bastante bom que tivesse desenvolvido a paciência que tinha no transcurso dos anos.

— Entendo-o. — Khalid assentiu discretamente enquanto começava a levantar-se — Perdoe-me por incomodá-lo.

Shayne o fulminou com o olhar.

— Sente-se, bastardo arrogante — Espetou — Merda, ao menos me dê a oportunidade de formar parte de seu coração.

— Darei a você a oportunidade de se assegurar como nosso terceiro, nada mais — Khalid voltou para seu assento — Não tenho desejos de compartilhar mais do que isto. Sua cama, assim como sua segurança.

Khalid se encontrou sentindo-se bastante possessivo no concernente aos sentimentos de Marty.

Shayne riu diante a afirmação.

— Merda, esperava que Marty exigisse algo do estilo do que têm seus pais.

— E está preparado para tal compromisso? — Khalid arqueou a sobrancelha incrédulo. Não se surpreendeu pelo sorriso compungido que Shayne ofereceu em resposta.

— Teria sido agradável brincar de casinha por um momento. — Shayne ao final encolheu os ombros — É uma mulher magnífica e voltar para casa com ela não seria uma angústia.

A vida que levava Shayne era uma solitária. Ele tinha mencionado a Khalid e ao Sebastian várias vezes. Evidentemente, pensava que Marty proveria mais que intensidade sexual a um terceiro da que normalmente procurava.

— Não é um brinquedo — Khalid encontrou a si mesmo repetindo a advertência do pai dela — É minha mulher e será tratada como tal.

— E necessitará a um terceiro, no qual possa confiar até que resolva a situação com seus irmãos — Agora a expressão de Shayne se tornou séria — Não vamos ter muito tempo, Khalid. Ayid e Amam não serão retidos por seu pai muito mais. O velho Mustafa talvez pense que pode controlar a seus filhos e evitar que se matem entre eles, mas você sabe que logo moverão as fichas do jogo.

— Sim, sou consciente disto — Era consciente, até os limites mais escuros de sua alma, pelo que teria que fazer.

— Também terá que ser claro com Marty — Disse Shayne — Não pode deixar que isto aconteça sem adverti-la do que está acontecendo. A ela e também a seus pais.

— Não tem que me advertir de como devo dirigir esta situação — Disse Khalid em tom áspero — Não sou imbecil, Shayne, nem tão indiferente para começar algo sem primeiro adverti-la das consequências.

Não havia maneiras de esconder seu passado durante mais tempo.

Maldição, não podia tirá-la da cabeça, do coração ou de seus temores.

Shayne o estava observando com esse olhar penetrante outra vez.

— Marty e eu somos amigos, Khalid — Disse Shayne com voz séria — Não quero vê-la ferida. Está seguro que não pode permanecer afastado dela?

— Pode me garantir que uma vez Ayid e Amam decidam atacar, não irão também atrás de Marty simplesmente porque suspeitam que seu interesse é correspondido por mim?

Os lábios de Shayne se apertaram.

— Não posso te garantir isso.

— Uma vez descubra por que resisti a ela, correrá de cabeça ao perigo tanto se o permito como se não. Não informá-la do perigo é igualmente perigoso. Diga-me Shayne, que outra opção fica?

Não havia outra opção e ambos sabiam.

— Então não tenho outra opção se não ajuda-lo a protegê-la — Shayne sacudiu a cabeça, o cabelo emaranhado caindo sobre a testa antes que o afastasse — Maldição. Deveríamos matar a esses bastardos e acabar com isto.

— Se tal coisa tivesse sido possível, então já o teria feito — Informou Khalid — Não obstante, me dê um plano com uma possibilidade de êxito e falaremos.

Shayne passou a mão sobre o rosto em um gesto de frustração enquanto mostrava os dentes.

— Filhos da puta — Grunhiu ao final.

— Sem dúvida — Esteve de acordo Khalid — Isto não muda o fato de que agora devemos proteger Marty.

— Atirará em nós se descobrir que estamos tentando protegê-la — Disse Shayne.

Khalid sacudiu a cabeça lentamente.

— Terá suficiente da verdade para entender. E eu terei o consolo de saber que se algo me acontecer, você velaria por sua segurança.

O silenciou desceu entre eles enquanto Shayne seguia observando-o com cautela. Se seus irmãos tinham êxito em mata-lo, então Khalid não queria deixar que sua mulher sofresse sozinha. Queria que outro a consolasse, aliviasse sua dor.

— Farei isso — Prometeu Shayne — Se for necessário. Mas vejamos o que podemos fazer para te manter com vida.

Shayne se perguntou se Khalid era consciente dos demônios que turvavam seus olhos, a dor que se refletia neles.

Resistiu a Marty mais tempo do que qualquer outro membro do Clube teria imaginado que podia. Embora havia feito. Com a exceção de Abram, Shayne sabia melhor que ninguém o que havia feito. Tinha visto a escuridão que enchia Khalid. Tinha visto o custo das missões que Khalid tinha concluído como o Leão do Deserto na Arábia Saudita.

Khalid conhecia a região que Azir Mustafa controlava como a palma de sua mão. Não era insólito para ele dirigir equipes de ataque na região para derrubar os movimentos terroristas cruzando os limites.

Como agente da CIA atribuído à região, Shayne trabalhou com Khalid assim como com Abram, mais de uma vez. E em cada homem tinha visto as cicatrizes que esse passado tinha deixado. Cicatrizes que danificaram a alma mais que o corpo. Os irmãos Mustafa, Ayid e Amam, eram demônios da pior índole. Ferozes, brutais e cheios de ódio.

Shayne também tinha visto quanto tinha doído a Khalid afastar-se da mulher que desejava. Houve vezes em que Shayne se perguntou se Khalid inclusive sabia que estava apaixonado por Marty.

— Quando dirá a ela? — Perguntou Shayne ao final.

Khalid suspirou.

— Talvez esta noite.

Que interessante. Shayne mal conseguiu conter seu sorriso.

— Talvez seja difícil de fazer.

Os olhos de Khalid se entrecerraram sobre o homem e Shayne encontrou sua suspeita quase divertida.

— Por que razão diz isto? — Perguntou Khalid, com o tom tornando-se frio.

— Assiste a um baile esta noite com o senador Mathews. — Sorriu abertamente Shayne — De fato ouvi que se aproximou de outro membro do Clube com um convite, mas que foi rejeitada com muito boas maneiras.

Khalid apertou a mandíbula. Shayne tinha estado dando voltas à ideia de ocultar esta informação, com a certeza que empurraria Khalid a reclamar Marty e não tinha estado seguro se era uma boa ideia. Se Khalid já tinha feito essa escolha, então não faria mal fazê-lo saber que sua mulher estava se tornando um pouco chateada com o jogo que ele estava praticando.

Khalid inspirou um forte e profundo fôlego, como se atraísse a paciência dentro dele. Ao Shayne sempre surpreendia como podia fazê-lo, como se obrigava a certo controle sobre as emoções quando se tratava de Marty Mathews.

Ela era uma fraqueza. E honestamente era algo que Shayne tinha pensado que Ayid e Amam já teriam descoberto.

— O baile de Sinclair — Disse Khalid ao final carente de emoção — Assiste ela esta noite?

Shayne assentiu.

— Assim o parece.

— Então falarei com ela esta noite.

Shayne sorriu.

— Tenho vontade de formar parte de seu prazer, Khalid. Obrigado pelo oferecimento.

Um meio sorriso puxou os lábios de Khalid.

— Simplesmente quer uma oportunidade para brincar de casinha durante um momento, recorda? — Fez Shayne recordar.

— Bom, isso — Esteve de acordo Shayne — Também está o vê-la o prendendo com dez tipos diferentes de nós. Isso sempre será divertido.

— Recordarei isso quando estiver preso nesses nós, amigo meu — Informou Khalid com um sorriso de cumplicidade — Confia em mim, está chegando sua vez.

Shayne inclinou a cabeça em reconhecimento, embora Khalid duvidava que acreditasse. Shayne chamava a si mesmo um lobo solitário por uma razão. Tinha aprendido anos atrás, como fez Khalid, o custo do amor. E como Khalid, chegaria o dia quando lutasse por aquilo de novo.

— Então o farei saber quando for necessário — Disse Khalid ao final enquanto o outro homem levantava o jornal de novo e o sacudia, os olhos marrom claro ainda acesos de regozijo.

Era um regozijo que a maioria de membros solteiros tinham quando observavam a outro cair nos sedosos braços da única mulher pela qual seus corações pareciam pulsar.

 

— Seu pai ligou outra vez — Informou Abdul enquanto conduzia a limusine pela curva do caminho de entrada que levava a Clube.

Falando do Diabo, suspirou Khalid.

— O que quer o velho bastardo desta vez? — Uma sensação de desânimo desceu sobre ele como uma pesada e úmida manta. Merda, havia vezes que não queria nada mais que simplesmente descansar. Fechar os olhos sem a preocupação do que traria o amanhã.

— Queria falar com você, como sempre. — O tom de Abdul não tinha nenhuma inflexão.

O velho bastardo queria estar seguro que Abram tinha ido a D.C. como pediu.

— Disse que se fosse ao inferno? — Perguntou Khalid com cruel educação.

— Informei-o outra vez que estava bastante ocupado — Abdul clareou incômodo a garganta — Parecia aborrecido. Mais que o normal.

O filho da puta ligava em uma amostra de preocupação paternal sempre que Ayid e Amam estavam a ponto de fazer algo vil. Se necessitava a confirmação de que seus irmãos já estavam preparados para mover-se, então isto o era.

Deus, queria acabar com isto. Havia noites que de fato conseguia convencer-se que podia financiar a morte do velho bastardo e dos filhos que não eram mais que animais. E o teria feito, muitas vezes, se não tivesse estado com as mãos atadas pelo FBI.

— Se ligar outra vez, diga que declino com pesar o parentesco com ele e que preferiria que se rendesse e morresse dolorosamente — Disse com cansaço — Enquanto isso, por favor, entre em contato com o imóvel e tenha minha roupa preparada para o baile do Sinclair. Parece que depois de tudo o assistirei.

 

As festas dos Sinclair eram impossíveis de ignorar, especialmente por aqueles que formavam parte do Clube Sinclair, ou quem conhecia Courtney. Os membros do Clube receberam um convite pessoal de Ian Sinclair, com vários avisos de não se esquecerem da festa de sua esposa. Aqueles que não aparecessem suportariam seus olhares furiosos durante semanas.

Casados ou solteiros, os membros sabiam que era melhor não faltar. Se Ian tinha uma fraqueza, esta era sua pequena e delicada mulher e algo que o coração desumano desta desejasse.

O evento do final do verão estava em pleno apogeu quando Khalid chegou. Sozinho.

Cruzou o salão de baile até o bar no outro extremo e pediu uma bebida forte o bastante para queimar a fome que levava, enquanto isso procurava Marty e Shayne. Aparentemente ainda não haviam chegado.

— Khalid, muito obrigado por estar aqui.

Virando-se, aceitou o feroz abraço do pequeno duendezinho vestido de vermelho. Courtney sorriu. Atrás dela estava seu sombrio marido, Ian. Em todo caso Ian estava sombrio sempre que sua mulher estava rodeada de homens famintos. Ao menos, assim era como ele os descrevia.

— Só obedeço às ordens dadas — Assegurou Khalid, sorrindo, enquanto ela fazia uma careta insolente, os olhos castanhos brilharam com prazer malicioso. — Embora, eu admita que seu bufê seja melhor que o da maioria.

— Ian, Khalid está sendo mesquinho comigo — Queixou-se ela, franzindo o cenho para seu marido.

— Pare de ser mesquinho com a Courtney, Khalid — Ordenou Ian, com um olhar zombador, fazendo com que sua mulher desse uma forte cotovelada em seu duro abdômen.

Khalid sorriu abertamente diante da ação, embora seu olhar percorresse o salão, procurando, como sempre, uma delicada figura. Se não tivesse a necessidade de discutir a situação com o Ian, então jamais teria permitido a Shayne recolher Marty para o baile desta noite.

— Tenho que falar com você um momento, se não se importar — Khalid deu um passo para frente, a voz baixa enquanto captava a atenção de Ian.

— É obvio. Em meu escritório? — Ian fez um gesto com a cabeça para a porta menor que saía do salão de baile.

A mansão recém-construída contava com dois andares e duas alas. A ala menor albergava o salão de baile e os escritórios de Ian, enquanto que a casa principal ocupava a maior ala.

Seguindo Ian através do curto corredor, Khalid entrou no escritório enquanto o outro homem o observava com curiosidade.

— Courtney e suas festas — Suspirou Ian enquanto caminhava com passos longos para o pequeno bar no canto da sala e preparava dois whisky — Eu juro, pensaria que são acontecimentos mundiais pela maneira em que os organiza e planeja.

— Para Courtney, normalmente são — Disse Khalid arrastando as palavras, e aceitando a bebida.

— Acredito que Sebastian esteve nos contando um montão de histórias horrorosas sobre as festas que ela e sua mãe estavam acostumadas a dar.

Sebastian já conhecia Courtney antes de sua chegada a Virginia, uns dois anos atrás. Antes que ela tivesse tomado à decisão de ganhar o coração do escorregadio Ian Sinclair.

Ela roubou o coração de Ian e a amizade de todos os que a conheceram após. Isso não significava que não vivessem com o temor da desaprovação de Courtney. Ou de sua ira. Tinha um gênio que fazia gemer de medo um homem adulto.

Ian puxou o pescoço rígido de sua camisa de vestir e sacudiu a cabeça.

— Queria falar da predileção de Courtney de exagerar em excesso nas suas festas, ou tem algo mais em mente? — Perguntou Ian enquanto ia para a mesa e sentava-se, com um comprido e interminável suspiro.

—Em realidade, tenho algo mais em mente — Khalid pôs as mãos nos bolsos da calça do smoking antes de virar e caminhar em direção à varanda que dava para os jardins privados de Courtney — Houve uma situação. Precisaria fazer uso do Clube durante um curto período. E poderia haver alguns problemas nisso.

— Que tipo de problemas? — Ian colocou os pés no canto em cima da mesa enquanto recostava-se na cadeira, com o ar de um homem aproveitando uma pequena pausa.

— Eu precisaria de um lugar para fugir — Khalid se virou, esfregando o pescoço enquanto observava o outro homem atentamente.

— Nossas portas estão sempre abertas — Ian encolheu os ombros e reprimiu um bocejo.

— Marty estaria comigo.

Deteve-se no meio bocejo. Ian olhou fixamente Khalid como se este tivesse perdido a cabeça, antes de baixar lentamente os pés no chão e prestar a atenção enquanto fechava de repente à boca.

— Está de brincadeira — Os olhos azul escuro de Ian se estreitaram sobre ele como advertência — Conhece as normas, Khalid. Não se rompem, por ninguém.

— Inclusive se pudessem significar sua vida? — Perguntou Khalid. Contemplou Ian enquanto continha o sorriso — Acredito que durante a Guerra Civil, foi construído um pequeno porão secreto para esconder às mulheres dos membros do Clube. As esposas de dois senadores, a mulher e filha de um general se esconderam ali durante mais de uma semana, enquanto o Clube realizava seus assuntos habituais — Ian se recostou na cadeira, elevou o olhar ao teto e logo fechou os olhos como se a busca de respostas se tornasse muito cansativas.

—Que diabos está acontecendo, Khalid, que precisa proteger a sua mulher aqui, neste Clube? — Grunhiu Ian ao final enquanto abria os olhos de novo. Olhando-o com frustração.

— Meu passado — Khalid suspirou enquanto se encaminhava para a pesada cadeira de couro em frente à mesa de Ian e sentou-se — Ou para ser mais exato, meus meios-irmãos. Descobriram um problema que causei. Um que talvez tenha custado muito dinheiro, assim como o respeito de seus pares — Seus amigos terroristas — Definitivamente virão atrás de mim. Quando o fizerem, isso colocará Marty na linha de fogo.

Ian o fulminou com o olhar.

— Você esteve bancando o agente secreto para Zach Jennings outra vez, não? — O espetou — Filho de puta, Khalid. Cada membro deste fodido Clube se arruma para ter o traseiro alugado pelo Jennings e já estou ficando cheio disso. Pensei que você não gostava de seguir a corrente.

Khalid conteve sua risada afogada.

— Possivelmente fui o primeiro — Assinalou — Vale dizer, que Jennings me recrutou recém-saído da universidade, o ano em que Azir Mustafa decidiu fazer valer seus direitos e tentou discutir com minha mãe pelos anos que não formou parte de minha vida — A raiva ainda se revolvia em seu interior com o pensamento do que Azir tentou fazer a sua mãe tantos anos atrás.

Não foi suficiente que tivesse comprado os seus sequestradores, violado e a trancado dentro dos muros do palácio, recusando-se a deixa-la voltar para casa. Ainda assim dezoito anos depois decidiu atormentá-la ainda mais com a intenção de processa-la pelos anos que manteve Khalid escondido dele.

— Jennings pode ser um bastardo — Ian ficou em pé, indo para o bar e servindo outros dois whiskys sozinhos. Voltando para a mesa entregou o copo a Khalid antes de voltar para seu assento — Então, o que está fazendo o Queridíssimo Papai? — Perguntou.

— Talvez fosse mais exato dizer que são os diabólicos meios-irmãos que estão agora intervindo por ele — Explicou Khalid — Como disse, eu tenho uma boa soma de custos financeiramente e pessoalmente falando. Tornou-se imprescindível que encontre um lugar seguro onde Marty esteja protegida até que a situação possa se resolver.

— E você discutiu esse assunto com a Marty? — Perguntou Ian, ainda atrasando sua aprovação.

— Pensei primeiro que deveria ter certeza que você não teria problemas com isso — Respondeu Khalid com inocência zombadora.

— Não me fodas. — Grunhiu Ian com voz sinistra — Marty sabe que o problema esta prestes a chegar?

— Tenho certeza que vou ter que explicar isso — Assegurou Khalid, embora fosse algo que não estava desejando. Perder Lessa foi um dos pontos negros em sua vida, uma falha que nunca fora capaz de perdoar.

— Estou quase certo que será uma exigência — Disse Ian com sarcasmo antes que um sorriso estampasse o rosto — Porra, Khalid, sabe que não posso tomar esta decisão sozinho — Esfregou a nuca irritado antes de continuar — Mas não vejo que o perdido seja indeferido, considerando que ela é a filha de dois de nossos membros mais poderosos. Mas é uma situação de merda a que me apresenta. Sabe que serei obrigado a informar, todos e cada um dos seiscentos membros, da necessidade de abrir uma só habitação para a ocupação feminina e estar escutando as putas queixa até que a situação se resolva.

Ian havia dito mais de uma vez que a maioria dos membros do clube eram como meninos de dez anos sem nada melhor que fazer que foder e choramingar.

— Entendo a posição que isto te coloca. Se fosse só para mim, não me preocuparia tanto.

—Tá, demonstrou o quanto desgosta viver no limite, ao deixar que Jennings te metesse em seus joguinhos — Disse Ian com uma pitada de ironia enojada — Pensei que tinha mais sentido comum.

Khalid ocultou um sorriso. Ian e Zach Jennings dificilmente ficavam de acordo no que Ian descrevia como o uso sem escrúpulos de Zach do conhecimento e informação que conseguia do Clube. Mais de uma vez Ian protestou seriamente quando o diretor do FBI conseguia introduzir um membro do Clube em uma operação. A razão pela que Jennings se livrava daquilo era o fato que, até o momento, não teria colocado ninguém em um perigo real.

— Eu agradeço Ian — Khalid se levantou do assento quando terminou a bebida — Melhor voltar para a festa. Marty deveria chegar logo.

— E Courtney me chutará o traseiro se me esconder aqui toda a noite. —Soltando um forte suspiro Ian se levantou da cadeira, com um brilho de irritação nos olhos.

— Ela chutará o nosso traseiro — Recordou Khalid com um sorriso — Não é do tipo agradável e domesticável que estava acostumado a ser normal em você, meu amigo.

— Definitivamente não — A gargalhada substituiu à irritação quando abandonaram o escritório e se dirigiram ao salão de festas — E isso é o que faz minha vida com a Courtney muitíssimo mais divertida.

O duendezinho fazia rir todo mundo que a rodeava, pensou Khalid quando voltou a entrar no salão e encontrou Marty no outro extremo da sala.

A sensação bateu em suas vísceras, fazendo arder por dentro e imediatamente unidas.

Merda, fazia com ele o que nenhuma outra mulher podia. Novamente indefeso contra o desejo que sentia por ela.

— Senhor Mustafa, o senhor Sinclair envia uma bebida — Um garçom ficou frente a ele com a bebida na mão.

Entregando a Khalid, o garçom se afastou. Khalid levou-a aos lábios, deteve-se e jurou que ficou sem respiração quando observou o giro de Marty, olhou seu perfil e o sorriso que curvava seus lábios enquanto ela e Shayne estavam entre um grupo de amigos.

Ela era um farol de luz na escuridão, o cabelo loiro escuro longe do rosto e brilhando com safiras. O vestido curto que usava era de seda cor safira, acima do joelho e combinando com os saltos da mesma cor que realçavam sua altura o suficiente para quase igualar a de Shayne. Suas elegantes curvas femininas eram inclusive mais sensuais pelo vestido e os saltos. Levava os ombros nus, os seios fartos pressionando tentadoramente contra o tecido que os cobria.

Shayne permanecia a seu lado, a mão repousando na parte inferior das costas com os dedos abertos e com um ponto de possessividade.

Khalid ocultou o sorriso. Shayne queria brincar de casinha um tempo e em sua opinião a relação com Khalid e Marty o permitiria.

Bem, sempre era melhor deixar um homem aprender da maneira difícil que tais planos não teriam sucesso. O coração de Marty era seu, Khalid sabia, assim como Shayne. O ciúme não era necessário, mas isso não significava que Khalid não colocaria silenciosamente o homem em seu lugar quando fosse necessário.

 

— Posso sentir a faca em minhas costas — Sussurrou Shayne a Marty no ouvido quando ela levou a taça de champanhe para os lábios, enquanto escutava pela metade uma companheira de escola voltar a contar sua última viagem às Bahamas.

Ignorando o alegre comentário de Shayne, centrou-se em troca na conversa que em realidade dava a mínima, só para demonstrar, incorretamente que realmente dava à mínima. Não teve a menor graça que Khalid fizesse Shayne ir busca-la para o baile em vez de ir ele mesmo. Quando ligou e pediu que o acompanhasse esta noite, ela aceitou com cautela, interessada em ver onde ia parar com isto. Estava tramando algo. Podia sentir isso. E queria saber que demônios era.

— O iate do Andrew é simplesmente delicioso — Exclamou Tanya, quando Marty sentiu a mão de Shayne pressionando com mais firmeza contra a parte baixa das costas em advertência — E Andrew sabe como dar uma festa. Deveria se juntar a nós no próximo mês, Martha. É tão divertido.

Ia amordaça-la. Martha. Sua mãe havia colocado o apelido que seria usado quando era um bebê, e em todos os anos em que Marty conhecia a Tanya, esta nunca teve o bom senso de utilizá-lo. Martha era o nome de sua avó. Chamaram na Martha para cumprir com o desejo de sua avó moribunda e Marty estava orgulhosa de levá-lo. Mas seu nome era Marty. Tinha sido Marty toda sua vida e não gostava que a voz exagerada de Tanya desdenhasse seu nome de batismo.

— Tenho certeza de que é mega maravilhoso, Tannie — Sussurrou Marty em resposta — Mas acredito que terei que trabalhar. Já sabe como é. Ter que pagar o aluguel.

Os olhos da Tanya aumentaram, embora nem por um segundo captasse o pequeno insulto que Marty lançou.

— Querida, estou certa que seu fundo fiduciário te cobriria — Disse Tanya arrastando as palavras com seriedade e autossuficiência — Depois de tudo, sei que sua avó te deixou muito bem, mesmo que seus pais não estão inclinados a fazê-lo.

Marty rangeu os dentes. Seus pais a ensinaram que o trabalho duro e a ética, era algo pouco comum entre os mimados que reluziam o com fideicomisso e anjos com colheres de prata com os quais cresceu.

Pessoas como Tanya não percebiam o trabalho que custaram as fortunas das que agora eles viviam e raramente contribuíam.

— E ainda assim prefiro pagar minhas próprias despesas — Os olhos de Marty se arregalaram zombeteiramente — Imagine.

Tanya piscou a ela em resposta antes de virar-se para seu marido, como confusa. O marido, um executivo da empresa de engenharia do pai de Tanya, ocultou um sorriso.

— É uma aberração, querida — Seu marido, Mike Collie, suspirou, como se ele, também, estivesse confuso pela Marty — Recorda como estávamos acostumados a acariciar a cabeça quando pequena e rezávamos por ela antes de ir dormir?

Tanya a olhou com compaixão.

— Sim, e agora, Mike, eu rezo por você — Expôs Marty docemente, enquanto ele ria entre dentes, claramente sem ofender-se por seu comentário.

— E eu agradeço cada oração, querida — Os olhos azuis brilhavam com alegria. Era um dos bons. E raro hoje em dia.

Tão sumptuosos e arrogantes como eram alguns de seus amigos da infância, a maioria ainda tinham senso de humor quando se esperava.

— Me perdoem, tenho que encontrar o meu pai um momento — Disse Marty quando ela olhou para os lados e viu que Khalid conseguiu se afastar do intrometido e reduzido grupo de homens que o atrasaram e agora estava tentando abrir caminho através do salão.

Muito oportuno, pensou ela. Ninguém atravessaria tão de pressa esta multidão, o qual dava poucos instantes antes que a alcançasse. Mantendo Khalid cuidadosamente em sua visão periférica enquanto escondia o sorriso diante da frustração no rosto dele. Marty e Shayne abriram caminho para onde Joe e Zach permaneciam junto com Ian Sinclair e os proprietários do Delacourte-Conovers, uma empresa crescente no desenvolvimento e fabricação de sistemas eletrônicos na área. Os Delacourte e os Conover eram importantes doadores dos recursos políticos de seu pai, assim como amigos.

— Marty — Joe recuou, dando espaço para ela e Shayne quando entraram no pequeno grupo — Vejo que a final veio — Virando-se para o Shayne estendeu a mão — Me alegra te ver de novo, Shayne.

— Não podia ao menos se juntar com o nosso ramo de agentes da lei? — Murmurou Zach ao lado dela, embora ouvisse a diversão em sua voz.

— Acho que é melhor ter amigos em todos os ramos. Além disso, não é mal olhar para o outro lado — Respondeu, elevando o olhar para ele com um sorriso.

— Você sempre pode olhar — Lembrou Zach, passando o olhar por cima de sua cabeça antes de voltar — Isso não significa que tenha êxito.

Ela pôde sentir Khalid agora. Como se sua própria aura a alcançasse, envolvesse-a e reclamasse. Notou-o movendo-se atrás dela.

— Shayne. Obrigado por escoltar minha encantadora companhia. Agora vou tira-la de suas mãos — Sua voz era sombria, taciturna, enviando uma de onda de sensações subindo pela coluna quando ela e Shayne se viraram para ele.

— Boa noite, Khalid. E tenho que dizer que foi um prazer.

Havia dias quando parecia estar a mercê do que gostava de acreditar não eram mais que os hormônios. Depois de tudo, como podia amar um homem que deixava louca cada vez que o via? Não podia ser amor, portanto tinha que ser uma reação biológica de feromônio o que a prendia a ele.

— Marty — Então Khalid se virou para ela, a força desses olhos escuros olhando fixamente os seus roubaram a respiração e o último pedaço de sentido comum que houvesse possuído enquanto ele baixava a cabeça e roçava com seus lábios os dela.

— Khalid — Ela tentou fingir que a reação a ele não existia, mas o toque de seus lábios contra os dela roubou a respiração e enfraqueceu os joelhos em resposta.

— Dance comigo — O tom em sua voz quando a segurou pela mão e a puxou para ele, fez que o coração de Marty se acelerasse enquanto o calor começava a formar redemoinhos em seu corpo.

A borda escura de fome em seu tom foi não era escondido, mas foram seus olhos, veludo cor meia-noite, tão profundos e cheios de promessas sensuais os que sensibilizaram a sua pele, incharam seus seios e de repente seu clitóris pulsou em reação.

 



 

— Devo admitir Khalid, não esperava que fizesse que seu terceiro me buscasse esta noite — Resmungou ela enquanto Khalid a atraía para ele e começava a levá-la pela pista de dança — Começava a me perguntar se mudou de opinião referente à sua relação comigo. Outra vez — A inocência se acusou em seu rosto e não deixou aparecer o deboche sutil em seu tom.

— Desculpe-me de novo, amor —Murmurou os longos cílios ocultando qualquer emoção que estivesse em seus olhos.

—Já que me recolheu esta noite, fez dele meu encontro oficial — Marty manteve a voz calma, doce. Inocente — Acredito como tal, tem direito a certos privilégios. Você não acha?

— Eu não acho que esteja de acordo com essa afirmação — Não ande por entre os ramos — Não jogue comigo, Marty. Fomos muito longe para isso.

— Sério? — Arqueando as sobrancelhas com curiosidade se obrigou a reprimir a felicidade que queria sentir. Queria o que ela tinha direito, tudo dele ou nada — Então me diga, Khalid, o que joga quando me convida para vir como você a esta festa, apenas para enviar Shayne a me pegar?

— Esta é uma explicação para outro momento — Respondeu em tom sombrio.

— Então talvez esta relação pela que lutei tanto também seja para outro momento. Não quero ser entregue como uma responsabilidade relutante. Tenho certeza que há outras partes interessadas que estariam mais que felizes de me escoltar eles mesmos — Marty encolheu os ombros com descuido, embora prestasse particular atenção ao fato de que Khalid os estava aproximando, enquanto dançavam, para o corredor em sombras que levava a casa principal.

— Apenas rejeitaria quando fizessem o convite — Grunhiu enquanto baixava o olhar para ela, a expressão obscurecendo — Raramente frequenta a estas festas com um encontro.

O qual, infelizmente, não era mais que a verdade.

— Nem sempre as rejeito — Recordou — Só a algumas. Aceitei várias ao longo dos anos.

— Homens que não tinham nenhuma possibilidade de te controlar — Assinalou ele — Você saia com homens que não tinham nenhuma possibilidade de qualquer decisão que tomasse.

As palavras a fizeram abrir a boca indignada quando ele se deteve na entrada do corredor antes de agarrá-la pelos antebraços e arrastá-la dentro deste.

— Não podiam me controlar? — Ela o fulminou com o olhar enquanto ele se dirigia para uma porta aberta, entrando em uma pequena biblioteca antes de fechar a porta atrás deles — Khalid, nenhum homem pode me controlar.

Soltando o braço de seu agarre o rodeou, cada insulto no que pôde pensar saindo de seus lábios, preparado para soltá-los pela boca.

— Eu posso.

Exigente, arrogante, sua voz acendeu a mecha de seu temperamento, fazendo abrir os lábios para informá-lo do contrário, com contundência. Em troca, encontrou-se em seus braços, os lábios nos seus, o alto e amplo corpo inclinado sobre ela enquanto a fome e a necessidade apenas controlada no melhor dos casos, ardia fora de controle.

Aqui era onde precisava que estar. Todos os argumentos jogados de lado. Todo o orgulho de lado. Que Deus a ajudasse, mas precisava estar em seus braços.

Apertou os dedos no magnífico tecido de seda de seu casaco enquanto sentia as mãos abertas contra suas costas, atraindo-a mais perto. Pequenos e marcados beijos marcaram uma já crescente demanda de seu toque enquanto Marty se esforçava por aproximar-se, para avançar para o duro e ardente corpo que a sujeitava forte em seu torso, a seu beijo.

Sentia-se como se estivesse voando. O prazer açoitou o corpo, cortando qualquer vacilação, qualquer acanhamento. Este era Khalid. O homem de que foi muito consciente desde que era muito jovem inclusive para entender o que significava.

Já não era muito jovem. Era uma mulher e embora possivelmente tecnicamente era inocente isso não significava que não soubesse o que queria, o que ele quereria, a final.

— Deus, o que me faz — Afastou os lábios dela, viajando por sua mandíbula e pescoço — Me destroça Marty.

Não era menos do que aquilo a fazia.

Raspou com os dentes a pele sensível justo debaixo da mandíbula, provocando uma explosão de sensações em suas terminações nervosas. Os mamilos se endureceram sob o tecido do sutiã, entre as coxas o clitóris pulsava, os sucos se derramavam na seda de suas calcinhas.

O calor alagou o seu corpo, as coxas. Os seios formigavam. As mãos de Khalid percorriam por suas costas, seus ombros, agarrando o fechamento do zíper nas costas, baixando lentamente.

A fraqueza a inundou, uma sensual e ardente corrente de prazer balançou o corpo e enviou chamas de sensações diretamente a zonas erógenas que não sabia que possuía.

A sensação do sutiã de seda deslizando sobre os mamilos endurecidos foi tão agradável que roubou o fôlego. Doíam com o mesmo sentido de necessidade em brasa que se apoderou de seu clitóris, o núcleo de seu corpo.

Podia sentir a necessidade rasgando-a como nada que houvesse sentido antes.

— Você me faz esquecer — O forte e perigoso grunhido foi seguido por uma pequena mordida na orelha, enquanto o ar frio se encontrava com as ardentes pontas de seus seios e a obrigaram a afogar um grito que escapava de seus lábios.

Ela queria seus lábios por todo o corpo. Desejava que suas mãos baixassem que a tocassem, e acariciassem.

Deslizando os dedos sob as lapelas de seu casaco, Marty tratou de encontrar o caminho para o calor da pele baixo. Necessitava seu contato. Precisava tocá-lo.

— Doce. Doce Marty.

Ele agarrou-a pela cintura com as mãos e a levantou até que sentiu a madeira fria da mesa contra as coxas, enquanto os dedos ela abriam os botões da camisa para mostrar os duros e musculosos contornos de seu peito.

Isto era o que desejava. O que necessitava. Os dedos enrolados contra o peito ligeiramente coberto de ásperas ondas, passando as unhas entre eles enquanto sentia a mão dele deslizando-se para cima, para o lado da curva do seio.

— Preciso de você — Sussurrou ela, enquanto o arrastava mais perto, levando-o entre suas coxas e inclinando-o sobre ela até que Marty notou a mesa encontrando-se com suas costas.

Não era o momento de pensar onde estavam. Que podiam ser apanhados. Qualquer um poderia entrar.

Então sua cabeça caiu.

Marty sentou-se, os dedos indo para o laço de couro que segurava os longos e grossos fios de cabelo negro no pescoço. Quando o soltou, caiu entre seus dedos enquanto os lábios dele se posavam sobre a elevação de seu peito, a língua lambendo e provando a pele, sempre indo mais perto da ponta dolorida de um seio.

Fincou os dedos no cabelo, jogando a cabeça ainda mais para trás, o turbilhão de prazer em seu corpo enquanto se agarrava em seus quadris com os joelhos, a vagina acomodando o duro vulto do pênis sob as calças.

Mudando a posição dos quadris embaixo dele, Marty sentiu a grosa pressão da ereção quando empurrou contra ela. Khalid abriu os lábios, a língua lambendo o mamilo antes de arrastá-lo a quente umidade de sua boca.

A carícia da língua, a flexão e sucção de sua boca sobre a ultrassensível ponta, fez apertar as mãos em seu cabelo mais forte, sujeitando-o para ela enquanto se arqueava mais perto do golpe de sua língua sobre a ponta ardente.

O prazer era uma tortura. Sentiu uma sensação abrasadora de completo abandono nos braços de Khalid. O controle não fazia sentido. O sentido comum se perdeu ha muito. Não foi só isso, este homem, neste momento, esta fantasia que nunca foi capaz de abandonar.

— Sabe o que faz comigo? — A áspera carícia de sua voz penetrou nos sentidos enquanto elevava o olhar para olhar dentro da negra paixão em seus olhos.

— Sei o que você me faz — Esforçou-se por respirar através do prazer, através das sensações que a rasgavam enquanto ele esfregava a bochecha sobre o mamilo, a ligeira barba sobre sua pele abrasando com aspereza sensual.

Ao olhá-lo, Marty lutou por não render-se a seus sentidos quando sentiu a palma deslizando ao longo da perna para a coxa. A sensação das pontas calosas foi um toque sensual de delicioso prazer.

— Khalid — Ofegou seu nome, esforçando-se por acalmar o tremor de seu corpo enquanto ele se inclinava para trás o suficiente para observar o progresso de seus dedos.

— Sabe quanto tempo te desejei? — A voz era sombria, faminta — Muito mais do que deveria, Marty. Muito mais do que pensei que fosse possível desejar a uma mulher.

Umedecendo os lábios com a língua, ela inspirou um forte e profundo fôlego com esses dedos aventureiros que se moviam com o passar do elástico das calcinhas de seda em sua coxa.

— Deveria parar — A expressão em seu rosto, a fome escura nos olhos não eram os de um homem com a intenção de deter-se.

Os dedos que entraram sob a perna elástica de suas calcinhas definitivamente não eram os de um homem com a intenção de deter-se. Marty não fez nada a não ser conter a respiração quando esses dedos peritos e travessos começaram a brincar sedutoramente sob a seda.

Abrindo as sedosas dobras de carne, travou os olhos com os dela enquanto esta continha a respiração diante da sensação de seus dedos deslizando-se através da escorregadia umidade acetinada ali reunida. Abriu a boca, um grito preso em sua garganta, Marty não pôde fazer nada exceto gemer enquanto esses dedos diabólicos se deslizavam a cima para rodear o tenro e apertado nó de seu clitóris, torturando-o ainda mais.

— Em tudo o que posso pensar é em foder — Sua voz foi um ofego rouco de fome que fez encolher a matriz em reclamação — Dia e noite, durante anos, o desejo por isso me atormentou.

Ela mordeu o lábio, soltando pequenos gemidos que abandonaram sua garganta enquanto ele baixava a cabeça, os lábios encontrando o duro mamilo, chupando-o em seu interior enquanto com a mão livre começava a subir o vestido pelas coxas.

— Te saborear — Respirou contra o seio quando sua cabeça começou a descer pelo corpo — Tenho que provar você, Marty.

Marty olhou para o teto sem ver, quando sentiu a calcinha sendo afastada e um segundo depois sentiu o apaixonado toque de uma língua faminta enquanto lambia ao longo de sua vagina.

Pulsações de prazer brutal a atravessaram, estremecendo o corpo enquanto a língua se movia em seus clitóris, cercando e o sugando antes de descer novamente.

Quis gritar para as sensações que a rasgavam. A dor desesperada da consequência de cada lambida era uma tortura. Uma agonia de sensações a alagaram enquanto sua língua dava golpezinhos e lambia, deixando-a louca com a necessidade de mais.

Khalid devorou a carne macia como um gourmet saboreando o néctar. Um pequeno gemido vibrou contra o macio broto, quase levando a explosão seus sentidos antes que seus lábios se movessem outra vez. A língua seguiu lambendo, junto à apertada entrada, logo com um quente e perverso deslizar de língua, entrou na apertada e ultrassensível abertura com um suave e quente impulso.

Os pés de Marty pressionaram contra o bordo da mesa, seus quadris elevando-se em um movimento desesperado enquanto agarrava o cabelo com as mãos para segura-lo nela. Não pôde reprimir o grito que saiu da garganta, assim como não pôde deter a rajada ardente de sua resposta que se derramou na língua de Khalid.

Impulsos famintos e peritos de sua língua a levaram desesperadamente a um orgasmo que ele manteve justo fora de seu alcance enquanto agarrava seu traseiro com as mãos para levantá-la mais perto dele.

Marty se sentiu perdida, suspensa entre o prazer e a tortura enquanto sensação atrás sensação atacavam suas terminações nervosas. O fogo a atravessou ardendo pelo corpo, rasgou-lhe a mente. A sensação de sua língua fodendo-a a levou para um precipício que não sabia que existia enquanto lutava por encontrar a liberação.

Gemidos masculinos vibravam contra sua pele enquanto se arqueava, apertando-se mais perto, soluços desesperados saíam de seus lábios enquanto sentia a ardente sensação formando-se no interior de seu corpo.

Nesse momento, abriu-se a porta e Shayne Connor entrou.

A vergonha deveria havê-la queimado. Enquanto este fechava a porta rapidamente, com a mão pressionada na maçaneta, seu olhar se voltou de curiosidade a uma chama de excitação. Algo se acendeu e flamejou dentro dela quando Shayne fechou a porta rapidamente e se aproximou.

O prazer era um martírio. Estava rasgando o corpo, queimando suas terminações nervosas quando Shayne se deteve seu lado, as mãos embalando os seios, os dedos encontrando os mamilos e acariciando eles deliciosamente enquanto movia os lábios a seu pescoço.

Khalid escolheu esse momento para deslizar um dedo ao longo da fenda por baixo da vagina. Arrastando seus sucos, acariciando, massageando, a ponta do dedo se deslizou dentro da apertada abertura do ânus enquanto Shayne lambia os lábios com avidez. As sensações explodiram. Os lábios de Marty se abriram com um grito que teria reverberado pela sala, mas Shayne estava ali. Seus lábios a cobriram, seu beijo roubou o gritou enquanto ela o agarrava pelos ombros com força e se arqueava no orgasmo que a percorria.

Apertou as coxas ao redor da cabeça de Khalid. Com a mão livre no cabelo dele enquanto começava a tremer, e tremer. Uma onda de pura descarga elétrica subiu pela coluna e irradiou um êxtase que a sacudiu inteira. Era como voar, cair, incendiar-se, gelar-se. Nada importava, nada existia exceto o prazer e a onda de pura liberação ardente que a atravessava.

Nada importava exceto os homens que a tocavam e o conhecimento da fome da qual sabia nunca poderia escapar.

 

Khalid ia se queimar vivo nas chamas da necessidade que se acenderam dentro de seu corpo quando sentiu o orgasmo de Marty derramando em seus lábios. Os doces e quentes sucos eram como néctar, como o mais fino e sedoso xarope. Ficou meio doido com a prova de sua inocência, a virginal defesa que nenhum outro tinha ultrapassado, tal como sentiu, saboreou o mel quente de sua resposta.

Fixando o olhar nela, viu o desesperado aperto no ombro de Shayne, a forma que os gritos se introduziram no beijo do outro homem e quase experimentou seu próprio orgasmo com nada mais que o toque da roupa contra o pênis.

A resposta dela o destruiu. Em lugar de se envergonhar quando Shayne a tocou, tinha explodido com uma força que o teve estremecendo por quase trinta minutos mais tarde, enquanto se esforçava para mover-se pela pista de dança sem tropeçar com seus próprios pés.

Ao lado dela, Shayne não parecia mais estável. Juraria que ambos pareciam bêbados.

— Iremos logo — Tomou a decisão quando a percorreu com o olhar, vendo ainda as feições ruborizadas, em vez da expressão sempre composta. O olhar dela era ainda sonolento, diminutas mechas de cabelo jogados sobre a testa, ainda úmidos pelo suor que antes havia coberto sua pele.

A queria quente e úmida, o corpo brilhante por seus sucos e o suor dele e de Shayne combinados. Queria ouvi-la gritar em vez de senti-la amortecendo os gritos.

— Já era hora — Resmungou Shayne.

— Por que iríamos fazê-lo? — Havia um traço de sorriso no rosto de Marty quando cravou o olhar — Ainda não consegui dançar com meu encontro — Lançou um divertido e provocador olhar a Shayne antes de unir o olhar com Khalid uma vez mais.

— Vou procurar Abdul — Shayne não se incomodou em ocultar o malicioso sorriso enquanto se afastava rapidamente e se dirigia para as amplas portas do salão de baile que tinham sido totalmente abertas com antecedência.

— Não haverá dança com ele tampouco — Grunhiu ele — Pelo menos não aqui.

Um sorriso pairou nos lábios de Marty ao devolver o olhar. Não havia dúvida da transparente e escura possesividade no tom.

O sorriso tão marcadamente feminino e cheio de satisfação o teve reagindo de uma maneira que não esperava. Podia sentir a dilaceradora excitação o atravessando, aumentando, ardendo mais quente e mais brilhante que nunca.

Jurou que seu pênis nunca esteve tão duro, nem suas bolas tão apertadas. O sangue pulsava através da carne tensa e grossa, recordando que podia fazê-lo arder de desejo como nunca tinha ardido de desejo por outra mulher.

— Está me pressionando — E isso a levaria a lugares que estava certo ela não queria ir.

Zach tinha assegurado anos atrás que Marty não era do tipo de mulher que compartilhava. Que quando se tratasse de uma relação, advertiria ao homem que finalmente amasse, de não tentar arrastá-la ao estilo de vida de compartilhar mulheres dos membros do clube.

— Como estou pressionando Khalid? — Sussurrou com malícia — Não seria difícil pressionar mais do que já te pressionei durante anos? Ou mais do que está tentando me empurrar você? Não imagine nem por um momento que tolerarei mais disso.

Estava excitada. Podia ver a fome nos seus olhos e no suave sorriso dos lábios.

Era mais decidida e absolutamente mais teimosa do que jamais imaginou.

Quando atravessaram as portas abertas do salão de baile, Khalid sentiu a entristecedora necessidade por ela o rasgando de novo. Seu autocontrole estava deteriorando rapidamente. Se não a tivesse logo, se não a marcasse, reclamasse, então ficaria louco.

Teve que admitir um pingo de surpresa quando ela o seguiu. Movendo-se através do salão para o vestíbulo, sem procurar Ian ou Courtney, deixaram a festa.

Shayne estava esperando fora, apoiado preguiçosamente contra a alta coluna da varanda, enquanto os observava com curiosidade.

— Shayne virá conosco — Disse Khalid, o corpo se esticando ao ponto de romper-se.

Marty assentiu, sem fôlego.

— Embora quando chegarmos em casa, só seremos nós — Disse ele com firmeza.

Marty pareceu confusa, mas disse:

— De acordo.

Shayne assentiu rapidamente para mostrar que entendia, embora com uma pergunta no olhar.

Marty tinha se reservado para ele e Khalid não compartilharia esse presente nem com o homem que tinha escolhido como terceiro. Não obstante, queria que ela fosse se acostumando ao toque de Shayne, ao de ambos dando prazer.

Marty quis fechar os olhos para se agarrar à fantasia, se é que era isto e nunca deixá-la ir. Sentia-se como se devesse beliscar-se, deveria fazer algo, qualquer coisa, para demonstrar que era real. O corpo zumbia sensível quando os dois homens a escoltaram pelas escadas até a entrada de veículos onde Abdul estava detendo a limusine. A mão de Khalid apoiada sobre as costas, o braço de Shayne roçando seu ombro.

As quentes sensações que a invadiam eram sufocantes. A intenção clara no olhar deles, a cuidadosa posição dos corpos contra o dela era inconfundível.

Finalmente ia acontecer. Tantos anos passados sonhando com isso, fantasiando com isso. E agora o momento tinha chegado e tinha pânico em despertar mais uma vez para descobrir que era simplesmente um sonho.

— Courtney vai te esfolar vivo — Disse, ouvindo o sufoco de sua voz, o nervosismo enquanto deslizava na parte traseira da limusine.

— Courtney sobreviverá — Informou Khalid quando Adbul fechou a porta atrás deles.

O interior escuro os rodeou quando Khalid pulsou o botão para levantar a divisão entre eles e Abdul.

Junto a ela, Shayne a olhava silenciosamente, a expressão tensa, cheia de luxúria. Só luxúria. Não havia emoção além do carinho de um amigo ou de um amante. Khalid não podia assinalar nada no outro homem que parecesse ser uma ameaça para sua posse do coração de Marty.

Apertou a mandíbula quando Marty girou, fazendo que o sutiã esticasse sobre os seios. Queria baixar o tecido, queria sentir o peso firme dos túrgidos seios nas mãos de novo.

Enquanto observava, a mão de Marty se levantou, as pontas esmaltadas dos dedos acariciaram as curvas superiores de seus seios brincalhonas. Os dedos tremiam, mas a expressão, embora precavida, o encheu de curiosidade.

Olhava sua mão, como sabia que Shayne estava olhando também.

Levantou os olhos para os dela, o corpo apertado com tanta força que achou que seus ossos quebrariam. Encontrou-se com um brilho zombador no olhar dela.

— Me mantive afastado o maior tempo possível — Disse brandamente — Recorde quando começar a se inteirar de coisas que você não gosta, florzinha. Tentei te proteger.

— Poderia esclarecer — Havia um sombrio fio de tristeza na sua voz.

Khalid deu uma olhada em Shayne e leu a advertência no olhar. Se não dissesse, se não explicasse, podia perdê-la e não só pelas repercussões de seu trabalho com o padrinho de Marty ou pelo passado. Podia perdê-la ao não avisá-la, a deixando enfrentar o perigo sem estar preparada.

Inclinou a cabeça de um lado.

— Cresceram chifres em você e por alguma razão não os vejo, Khalid? —Perguntou — Ou possivelmente não está dizendo a verdade.

— Possivelmente os chifres estavam ali bem antes que fosse suficientemente velha para imaginar o que quero de você. E confiaria em você com minha vida.

Havia sangue no passado de Khalid, sangue de uma inocente, sangue de alguém que se atreveu a confiar nele, se atreveu a amá-lo.

Mas só Deus sabia que se perdesse Marty da forma que se permitiu perder Lessa, poderia viver com a culpa.

Era consciente de Shayne observando, escutando, esperando. Não tinha mais remédio que dizer a verdade. O perigo em que se converteria para ela a partir desta noite em adiante exigia que soubesse a verdade de seu passado, que o visse como o homem que era, em vez do homem que queria ser para ela.

— Não sei, Khalid — Disse em voz baixa — Mas duvido que encontrasse um monstro. Provavelmente só encontraria um homem que descobriu que não pode controlar o mundo como a princípio pensou que poderia fazer.

Khalid suspirou.

— Não fui tão cuidadoso como deveria no trabalho que fiz para seu padrinho. Meus dois meios-irmãos descobriram que fui parte de uma recente operação que saiu cara no dinheiro, assim como também no pessoal. Por isso suspeito que logo farão um movimento para me golpear. Não queria te expor ao perigo, Marty. Te queria segura e essa segurança já não é algo que possa garantir.

Shayne observava como Khalid se debatia entre revelar só a informação que Marty necessitava e nada da dolorosa verdade do que tinha acontecido antes que ele abandonasse a Arábia Saudita dez anos atrás. Realmente sentiu pena pelo pobre bastardo. Tão forte e tão arrogante como podia ser, Marty ainda podia pô-lo de joelhos. E a maneira como o via era algo contra o que Khalid ainda lutava.

Queria ser um cavalheiro branco perante seus olhos, não o cavalheiro negro. E havia momentos em que ele não compreendia que era o cavalheiro negro quem realmente terminava salvando o dia, a princesa e o mundo em que acreditava.

Mas o que Shayne sabia e Khalid ainda não tinha visto, era a mulher que Marty realmente era. Com a explicação dele, o olhar de Marty se aguçou, os olhos se estreitaram e a agente em que se converteu com os anos deslizou às escondidas na cena.

— Qual foi a operação?

Shayne teve que dissimular o sorriso. Agora ela teria um monte de perguntas e ocultar o resto da verdade seria mais difícil a cada dia para Khalid. Tal como seria mais duro para estes dois continuar negando os sentimentos que tinham um pelo outro. Outros os viam. Shayne via em ambos. Mas nem Marty nem Khalid se inteiraram ainda.

Também duvidava que Khalid visse a profundidade do amor de Marty, mas era algo que ele via e quase invejava. Se estivesse disposto a amar, então definitivamente teria que enfrentar Khalid por esta mulher.

E Marty não reconhecia esse sentimento em si mesma porque, pelo que Shayne sabia, tinha-o sentido por Khalid durante tanto tempo, que simplesmente se converteu em uma parte dela. Atualmente era tão natural como respirar.

— Assim acha que Ayid e Amam Mustafa vão tentar te assassinar como resultado da missão aqui em D.C.?

Marty sabia muito mais do que aparentava. Entretanto, não estava disposta a se deixar distrair agora. Enquanto falava, deixava que os dedos passassem susurrantes sobre o início dos seios por cima do sutiã do vestido.

De um lado ao outro, acariciando-se, tocando a pele até que quase não podia pensar para observá-la.

— É uma explicação razoável — Murmurou Khalid.

Shayne quase riu pelo inesperado tom distraído na voz de Khalid. Não que culpasse o outro homem, observar as pontas dos dedos de Marty acariciando os montículos de seus seios também o estava deixando louco.

— E é por isso que se manteve afastado de mim todos estes anos?

Bem, ali o tinha pego. Shayne teria se preocupado com a reação de Khalid se não estivesse bastante seguro que a atenção dele ainda estava cravada nesses dedos enquanto ela se acariciava.

— Devemos ser prudentes então? — Perguntou — Devo escolher outro amante, Khalid, esperar que pertença ao seu ilustre Clube e então esperar que escolha você como terceiro? — Os dedos brincavam mais perto da bordo do tecido que mal cobria os mamilos — Então não teria que se preocupar, verdade?

A boca de Shayne começou a fazer água inclusive enquanto admirava a maneira tão delicada e sutil que ela aprendia exatamente como assegurar-se que Khalid se apaixonasse por ela. Perguntou-se se era consciente de que ele já o estava.

Maldição, ela dava medo. Deveria ser uma interrogadora. Porque ia arrancar todas e cada uma das verdades dos lábios se ele não tivesse muitíssimo cuidado.

— Você gostaria de me ver cometer um assassinato? — Murmurou Khalid e mal conteve a respiração quando ela apertou os dedos embaixo do sutiã e lentamente o baixou sobre os firmes e amadurecidos seios.

Os mamilos rosa pálidos, duros e ruborizados, encontraram o ávido olhar de Khalid, enquanto sentia que a boca enchia de água por saboreá-los.

Uma rápida olhada a Shayne demonstrou que o outro homem estava igualmente hipnotizado. Igualmente impaciente, igualmente faminto por saboreá-la como ele agora.

— Assassinaria por mim? — A pergunta não era mais que um som distante no aturdido cérebro de Khalid.

— Se outro homem tentasse te tocar sem meu inequívoco consentimento, então sim, acredito que o faria. — Afirmou, sua atenção não fraquejou enquanto os dedos de Marty começavam a brincar sobre os inchados mamilos.

Maldição, isso era bonito. Observá-la se tocar era quase tanta tortura como tocá-la. Conhecia a forma, a sedosa doçura, o calor da carne firme. Conhecia o sabor, a sensação deles contra sua língua e desejava mais.

A pressão sobre seu controle era reveladora. Não queria nada mais que puxá-la para ele, atirá-la sobre seu colo e liberar a dolorida longitude de seu pênis antes de empurrar dentro dela. Melhor ainda, fazer que Shayne a abraçasse, acariciasse, sujeitasse amavelmente enquanto separava suas coxas e deixava que o outro homem o observasse possuí-la. Acariciá-la, empurrá-la faria o prazer mais alto do que jamais poderia conhecer com um só amante.

O fato que fosse virgem era só o que o detinha. Entretanto, quando se inclinou mais perto, os dedos indo aos joelhos, enquanto o rosto dela começava a se ruborizar de prazer, não estava seguro se algum eles teria a força para recuar.

— É formosa — Sussurrou Khalid quando Shayne se moveu lentamente para separar suas coxas e deslizar a saia curta do vestido quase até os quadris.

Deslizando os dedos sobre a perna úmida das calcinhas, Khalid teve que apertar os dentes para deter a necessidade de fodê-la imediatamente. Como diabos ia conseguir esperar?

— Khalid — A voz entrecortada acariciou seus sentidos enquanto tirava o sedoso material das dobras nuas de sua vagina e passava os dedos sobre a sedosa e escorregadia carne.

— Nos deixe te ver brincar com esses bonitos mamilos, doce flor — Disse quando a excitação alagou seus dedos — Vou acariciar sua suave e doce vagina durante um minuto. Só um minuto, Marty, então estaremos em casa.

A cabeça de Marty caiu para trás contra o assento enquanto beliscava os mamilos.

Aproximando-se mais, Khalid apoiou um joelho no assento junto dela enquanto os dedos de sua mão se meteram na delicada e estreita abertura de seu sexo. A outra mão abriu suas calças, os olhos devorando a visão dela beliscando os mamilos quando Shayne começou a tocá-la, a acariciar as coxas, a relaxá-la mais enquanto Khalid retirava brandamente os dedos da vagina para permitir que o outro homem tocasse, experimentasse a carne mais suave do mundo.

Soltando a muito dolorida longitude de seu pênis, teve que refrear um gemido. Necessitava dos lábios dela nele. Necessitava que o tomasse. Shayne começou a acariciar as delicadas dobras da vagina. Agora mesmo, o controle de Khalid estava, no melhor dos casos, cambaleante.

— Merda! — Enquanto esse pensamento passava pela cabeça, e fechava os olhos para deter a necessidade, Marty tinha tomado a iniciativa por si mesma.

Baixando o olhar viu a língua beirando a inchada ponta do pênis. Delicadamente rosada e úmida, era como uma carícia de fogo quando o lambeu como seu manjar predileto.

Observou quando Shayne introduziu dois dedos na apertada malha de sua vagina com um empurrão superficial, enquanto se esforçava para respirar.

— Não poderemos chegar em casa antes de te foda — Khalid grunhiu a advertência quando os lábios dela se separaram e começou a devorá-lo.

Calor úmido. Labaredas de vermelho vivo. Os lábios envoltos ao redor da ampla ponta de seu pênis, afogando seus sentidos de prazer quando começou a chupá-lo com delicada avareza.

Nada poderia tê-lo preparado para vê-la tomando-o tão intimamente. O rosto ruborizado pelo prazer, pela faminta necessidade, os olhos fechados enquanto os dedos de uma mão tentavam envolver a base do pênis.

Nada poderia tê-lo preparado para o prazer. A erótica sensação dos lábios, da língua, passando pela inchada ponta e chupando-a profundamente dentro do cômodo e confortável calor de sua boca enviou velozes raios de elétrico prazer através de suas bolas, de sua coluna vertebral. Sentia o corpo inteiro rodeado pela sensação estática enquanto formigava pela pele, roçando-a com uma fantasmal carícia conforme a língua açoitava a ponta do pênis como um fogo úmido.

Esqueceu de Shayne no momento. Ouvia os gemidos de Marty, sentia-os no pênis, enquanto Shayne a acariciava, tocava e não distinguia nada mais que o puro êxtase.

— Deus, sim — Vaiou lutando pelo controle — Doce, doce Marty. Assim, assim.

Adorava a forma em que afundavam suas bochechas, chupando-o avidamente, a língua lambendo-o gulosamente. Nenhuma experiência com qualquer outra mulher foi tão sensual como observar esta mulher tomando-o como se estivesse morrendo de fome por seu sabor.

 

Os dedos de Shayne acariciavam o interior da vagina enquanto ela chupava o pênis de Khalid. Sentiu o abundante jorro de sucos quando gemeu ao redor da carne que fodia sua boca. Ao pressionar contra a frágil barreira de sua virgindade Shayne se retirou, ignorando o giro dos quadris dela, o leve arco do corpo enquanto procurava uma carícia mais profunda. Maldição, era doce e quente, puro fogo quando a tocava enquanto Khalid desfrutava do doce prazer de sua boca.

O presente de sua virgindade era unicamente para Khalid. Era uma responsabilidade que ele não queria, um compromisso que não tinha intenções de compartilhar. Sua inocência era o presente que tinha para o homem que amava. Só desfrutaria dos prazeres que ela compartilhava. E isso era suficiente para ele.

Acariciar, tocar. Deus, desejava saboreá-la.

Movendo-se para o chão entre suas coxas elevou o olhar, encontrou o de Khalid e teve que lutar para deter o gemido quando o outro homem o brindou um rápido e duro movimento de cabeça assentindo.

Diabos sim, a saborearia. Foder essa doce vagina com a língua e sonhar com os lábios de Marty envolvendo seu pênis.

 

Khalid sentiu o coração se esticando, pulsando rapidamente fora de controle quando cravou o olhar no rosto excitado de Marty, os sentidos explodindo com o completo abandono em sua expressão enquanto o tomava na boca e olhava como a cabeça de Shayne baixava para lamber o doce manjar de sua vagina.

Podia-a ver em sua imaginação, estendida, a mercê do toque de ambos, embebida em um prazer tão rico, tão delicioso que não poderia fazer nada mais exceto cavalgar as ondas de excitação enquanto a alagavam.

Observando seu pênis empurrar dentro da boca, sentindo os gritos de Marty vibrando ao redor dele. A escuridão dentro dele se debilitou com o doce prazer que sabia só encontrar com ela agora.

— Maldição — Ele a amaldiçoou e se amaldiçoou quando a língua esfregou eroticamente contra a parte inferior do pênis.

— Não a tomarei aqui. Não assim — Gemeu, sabendo que estava muito perto de fazer precisamente isso. Estava pronta para fodê-los até a inconsciência aqui e agora. Se o fizesse, então Shayne a teria também. O outro homem pressionaria sua passagem na entrada ultra ajustada de seu traseiro e a introduziria em um prazer que só deveria conhecer mais adiante.

Esta primeira vez. Deus o ajudasse, esta primeira vez tinha que ser para ela, para ele. Não poderia suportar o pensamento de outro a compartilhando.

Marty levantou as pestanas. Os suaves olhos cinzas se tornaram tormentosos, quase negros com a necessidade que a enchia quando ele se retirou. Vendo sair seu pênis, perguntou com agonizante apetite como seria foder sua vagina com os mesmos movimentos suaves e simples.

— Está me matando — Sussurrou quando agarrou bruscamente seu pênis e esfregou a cabeça contra os inchados lábios avermelhados como uma cereja.

 

Shayne estava desesperado. Lambendo sobre as curvas doces e ruborizadas de sua vagina, seu sabor como néctar contra a língua, era quase impossível de suportar.

Era tão sensível, tão doce.

Ao levantar a vista viu como Khalid esfregava a cabeça do pênis contra os lábios de Marty e não pôde resistir. Embalando as bandas do traseiro em um firme apertão, levantou-a mais perto e empurrou a língua, fundo e duro na entrada ardente de sua vagina.

O sabor explodiu na língua. Sedoso, um pingo de doçura e de delicada essência de prazer feminino. Misturavam-se em um sabor sutil e aditivo que se filtrou por seus sentidos e o deixou dolorido por fodê-la quando os músculos se apertaram ao redor da língua.

— Uma vez que chegue em casa vou te comer com a mesma fome, como Shayne está te comendo agora — Gemeu Khalid — Está fodendo sua vagina com a língua, neném, como eu fiz antes? Está te deixando louca para sentir meu pênis te estirando, tomando como nenhum outro homem se atreveu?

Ela lambeu a ponta do pênis quando ele a afastou, gritando de necessidade e prazer quando estremeceu, o corpo balançando no aperto de Shayne.

Estava perto. Tão perto do orgasmo. Um orgasmo que sabia que Shayne segurava.

— Maldição — A cabeça de Shayne levantou — Merda. Tem sabor de fogo puro, Khalid. Tão malditamente quente que queima.

Nesse mesmo instante, a limusine entrou no caminho da entrada da propriedade. Khalid se afastou dela enquanto Shayne lentamente a soltava, depois lutou para enfiar o pênis dentro das calças.

Marty se via eroticamente drogada quando Shayne a soltou. Cravou o olhar em Khalid com a expressão aturdida e confusa de uma mulher que realmente não sabia como lutar com as sensações que a percorriam. Deus sabia, entendia exatamente como se sentia. Nunca tal prazer tinha torturado o corpo de Khalid.

— Te necessito. — A voz de Marty era tênue e ofegante quando puxou o sutiã do vestido para endireitá-lo enquanto a limusine entrava no caminho de acesso da propriedade — Não poderia sobreviver pelo desesperadamente que te necessito.

Ajudando-a arrumar o tecido do vestido sobre os seios, Khalid fixou o olhar nela, mas ficou humilhado pela impotência que viu em seu rosto.

Independente, voluntariosa, sua Marty não era uma mulher fraca. Não obstante o prazer que compartilhavam a deixava cambaleante e com as mãos tremendo. O corpo estremecendo quando acomodou brandamente o vestido sobre as coxas.

Ele se inclinou para frente para tocar os lábios com os seus.

O que era a intenção de ser um beijo suave e terno se transformou em algo mais. Os lábios se separaram, os dele assim como os dela e segundos depois as línguas estavam se lambendo, acariciando, os lábios unidos como se estivessem tentando consumir um ao outro.

Khalid recuou, sabendo que tinham que sair do carro agora mesmo. Abdul não estava exatamente apressado. Mantinha-se pacientemente de pé depois de abrir a porta, esperando que Khalid e Shayne saíssem do veículo antes que Khalid estendesse a mão para Marty e a ajudasse a sair do carro.

O abafadiço calor do verão o envolveu enquanto ajudava Marty, apoiando a mão em suas costas e como o calor do corpo dela, misturado com a umidade, afundou na pele e esquentou lugares dentro dele que estavam frios até que ela o tocou.

— Abdul, pode se retirar por esta noite — Informou Khalid enquanto conduzia Marty para as escadas de mármore da porta principal, com Shayne se adiantando — Os verei pela manhã.

O guarda de segurança abriu a porta, o olhar impassível passando sobre eles quando Khalid escoltou Marty para dentro.

Ela não disse nada conforme ele a guiava dentro da casa, para cima pela escada caracol até o quarto enquanto Shayne se encaminhava silenciosamente para o lado contrário da casa. Os dedos que segurava na mão ainda tremiam e a respiração dela, assim como a dele, era ainda um pouco forçada.

O coração pulsava acelerado no peito. Como um adolescente, a pura excitação por tocá-la, por saber que logo pertenceria a ele era quase a última pressão que seu controle podia aguentar.

— Quer uma bebida? — Perguntou quando abriu a porta da suíte e a fez entrar.

— Não — A voz era tão instável como ele sabia seria a sua se não a controlasse.

— Tem fome? — Fechou a porta atrás deles antes de se aproximar, agarrar seu quadril e empurrá-la para ele.

Graciosas mãos aterrissaram contra seu peito, recordando que a camisa estava aberta. Diabos, nem sequer tinha lembrado de abotoá-la antes de deixar a limusine. Ao menos a braguilha das calças estava corretamente fechada.

— Tenho muita fome — O tom de voz assegurou que não era comida o que queria.

As mãos de Marty se elevaram, puxando os lados da jaqueta até que ele a tirou encolhendo os ombros. Seguiu a camisa deixando-o nu da cintura para cima enquanto seus dedos se moviam ao zíper na parte posterior do vestido.

Despi-la levou muito pouco tempo. O suave material deslizou pelo corpo enquanto os lábios dele se moviam para os dela uma vez mais, cobrindo-os, inundando os sentidos de Khalid no delicado calor e fome da excitação de Marty.

Nunca tinha conhecido o desespero pelo toque de outro como sentia agora pelo toque de Khalid. Durante anos o tinha desejado, necessitado, mas nunca com tanta força que fizesse tremer seu corpo e a deixasse fraca com seu toque. Tão fraca que tinha que lutar para manter-se em pé. Para respirar. Os pulmões se esforçaram quando um dilacerador e frágil gemido saiu do peito. As mãos se seguraram nos ombros dele. Lutando por apertá-lo quando a levantou contra ele, movendo-se, deslizando para a enorme cama no extremo mais afastado da suíte.

Não se deteve quando a colocou sobre a colcha negra. Ouviu os sapatos de Khalid cair pesadamente contra o suave carpete, sentiu as mãos abrindo as calças quando os beijos ficaram mais exigentes, mais afiados com uma aspereza sensual que duplicou seu ritmo cardíaco.

Em questão de segundos estava se movendo sobre ela, duro, quente, nu. Os joelhos separaram suas pernas quando os lábios se moveram para a mandíbula, para o pescoço. Lábios famintos foram aos seios, onde os beijou com delicada avareza antes de tragar a ponta ultrassensível do mamilo com boca faminta.

Estremeceu com a onda de eufórico e dilacerador prazer que a atravessou. Fragmentos de descargas elétricas foram diretamente do mamilo ao seu útero; que se esticou quando o clitóris começou a pulsar com excitação.

Era a sensação mais incrível. Como se a mais fina das terminações nervosas conectasse os mamilos, o útero e o clitóris. Cada puxão da dura ponta causava uma onda de prazer, que se movia abaixo sacudindo-a com a força do dilacerador prazer que a atravessava.

— Está acabando com meu controle — Gemeu Khalid, quando os dedos de Marty se enroscaram na grossa ereção entre as coxas.

— Quem precisa de controle? — Mal podia forçar as palavras além dos lábios quando ele se moveu para o outro seio e meteu esse desatendido mamilo dentro da boca.

Arqueou-se bruscamente, um dilacerador grito saiu da garganta quando a necessidade ficou dolorosa.

Separou as pernas quando sentiu as mãos de Khalid baixar acariciantes pelo estômago, rezou por seu toque na carne atormentada entre as coxas. Sua vagina pulsava pela necessidade, a dor concentrada e profunda no ventre, florescendo com prazer quando os dedos dele deslizaram dentro da estreita fenda entre as dobras da suave carne.

— Khalid! — Gritou o nome quando rodeou seu clitóris, nunca dando o toque que precisava enquanto os lábios começaram a descer por seu corpo.

— Vou te comer como um caramelo, neném.

Deslizando entre as coxas, separou amplamente as pernas, as mãos pressionando por baixo do traseiro para rodeá-lo e levantá-lo para ele.

O primeiro toque de seus lábios a fez esticar todo o corpo e um lastimoso gemido ressoou de seu peito. Rodeou-lhe o clitóris, aspirou e então começou a deixá-la louca quando começou a chupar o pequeno nó.

A língua de Khalid o acariciou por cima, rodeou-o. Nenhum dos toques era firme o suficiente, bastante rápido para enviá-la velozmente ao orgasmo que ela sentia justamente fora de seu alcance.

Os dedos apertaram o traseiro, separando as nádegas e inundaram a estreita fenda dali. Levando os sucos que derramavam da vagina para trás, para a redonda abertura, começou a massageá-la firmemente.

Muito prazer. Muitas emoções. Marty não podia manter os cambaleantes sentidos no lugar quando a acariciou em lugares onde seus dedos nunca se aventuraram. A diminuta espetada de prazenteira dor no ânus a fez pressionar mais contra a carícia. A sucção da boca no clitóris a destruiu, as dilaceradoras ondas de prazer a atravessaram enquanto ela se retorcia sob a destruição que a boca e língua criavam.

Seus sentidos formavam redemoinhos com o extremo das sensações. O tato das mãos ásperas na carne sensível de seu traseiro a teve se retorcendo em seu aperto, o áspero delas acariciando terminações nervosas que não sabia que podiam ser tão sensíveis.

Foi seu dedo acariciando, massageando, pressionando contra a tenra abertura de seu traseiro enquanto os lábios e a língua chupavam e lambiam as sensíveis dobras de sua vagina o que a levou até a borda da prudência.

Precisava… Não estava segura do que precisava. Nunca havia sentido isto. Nunca tinha conhecido tal prazer. E aumentava e aumentava. Queimava e doía.

— Khalid — Arqueou-se no aperto quando a língua rodeou o clitóris com carícias rápidas e quentes. Vibrou sobre o inchado broto antes de sugá-lo uma vez mais. Ao mesmo tempo, o dedo se introduziu na apertada entrada de seu traseiro. As sensações alternadas, abrasadoras foram muito para processar, impossíveis de suportar.

Enquanto o dedo a estirava analmente e a língua acariciava rapidamente o clitóris, algo estalou, explodiu. Um esbanjamento de sensações, um prazer de vermelho vivo que não podia resistir, o prazer a penetrou e pôs-se a voar, enquanto um grito estrangulado, quebrado saía da garganta.

Estava morrendo. Não podia suportar. Não podia sobreviver. O êxtase era uma conflagração brilhante açoitando a mente e o corpo.

Marty lutou para recuperar o fôlego, para tranquilizar os rápidos batimentos do coração. O corpo estremeceu nas garras de um arrebatamento que não podia explicar e um que não podia escapar.

— Doce neném. — A voz a acariciava enquanto passava as mãos brandamente pelos lados, os lábios subindo do estômago aos seios.

Quando alcançaram os lábios, a necessidade ardia dentro dela de novo.

Abrindo os olhos, Marty fixou o olhar, a respiração entrecortada com a fome extrema e sensual que esticava o rosto de Khalid. Esse olhar era tão excitante como qualquer toque que a tivesse brindado até agora. A pura luxúria desesperada, a tensão das feições, a tensão nos lábios, a sonolência nos olhos, o fio de suor que descia pelo rosto moreno. A combinação era como um golpe de afrodisíaco que atravessou o corpo.

— Khalid — Sussurrou o nome quando as coxas dele deslizaram entre as dela, a ampla ponta de sua ereção pressionando contra sua vagina.

— Maldição. Nunca fiz isto antes — A respiração era pesada, rude, quando fixou o olhar com divertido assombro.

— Poderia ter me enganado — Ofegou, as mãos segurando os duros ombros quando ele se aproximou, girando os quadris, o pênis estirando a entrada não provada de seu sexo.

Esteve a ponto de sorrir.

— Nunca tomei uma virgem — Grunhiu quando segurou seus quadris e se aproximou ainda mais.

Marty mordeu os lábios quando o florescente desejo entre as coxas enviou rápidas espetadas de prazer/dor através de seu sistema nervoso.

— Ainda não o fez— Particularizou ela, enquanto lutava para não gemer com o êxtase aumentando dentro dela uma vez mais.

— De maneira que não o fiz — A cabeça de Khalid baixou, os lábios roçando contra os dela quando falou — Se prepare, preciosa.

O gemido que estava tentando reprimir se soltou quando a ponta do pênis começou a estirar o delicado tecido, a acariciar as terminações nervosas nunca antes tocadas.

Uma multidão de sensações começaram a rasgá-la. O ardente prazer da penetração, o giro e o impulso da ponta do pênis dentro dela, nunca indo suficientemente longe, nunca a possuindo completamente enquanto o prazer começava a ressurgir dentro dela uma vez mais.

Marty perdeu o sentido do que sabia se aproximar. Só sabia o que queria, o que necessitava. Necessitava-o mais profundo dentro dela. Necessitava a carícia e a estocada dele contra as tenras terminações nervosas repentinamente ardendo pelo toque.

Arqueou os quadris, envolveu seus quadris com as pernas enquanto se retorcia debaixo dele, tentando desesperadamente alcançar mais.

— Suave — Gemeu Khalid — Lento e suave, Marty.

— Não — Sacudiu a cabeça quando se apertou ao redor dele, lutando por arrastá-lo mais fundo dentro dela — Foda-me, Khalid. Agora. Por favor Meu Deus, agora.

Os quadris de Khalid sacudiram, enterrando a ereção mais fundo dentro dela, o ardor repentinamente aumentando, intensificando quando primeiro recuou antes de entrar com uma dura e cegadora estocada.

O prazer e a dor se fundiram. O fogoso desejo e a fome desesperada se misturaram enquanto Marty gritava seu nome, apertando os braços ao redor do pescoço dele quando se enterrou nela até o punho.

Prazer torturante. Não havia nenhum outro modo de descrever, de sentir. Um prazer que bordeava a dor. Um prazer que bordeava o êxtase.

— Merda. Estou queimando vivo — Gemeu Khalid contra seus lábios enquanto ela sentia a ereção pulsando em seu interior.

— Agora — Marty podia sentir o inferno começando a flamejar dentro dela, as crescentes sensações, o desespero e a necessidade que ele simplesmente se movesse.

— Agora — Um beliscão suave nos lábios de Marty e ele estava se movendo.

Marty elevou o olhar, observando como a expressão de crescente prazer esticava seu rosto, sentindo o delicioso êxtase movendo-se rapidamente dentro dela quando começou a fodê-la com profundos e fortes movimentos.

O prazer começou a se incrementar dentro dela, a açoitá-la através das terminações nervosas quando seu corpo começou a pedir mais, seus sentidos se perderam com a dilaceradora fome que atravessava Khalid.

Apertando os quadris dele com as pernas e inclinando seus quadris para os movimentos e estocadas dele, deixou o crescente prazer se incrementar. Não se incomodou em lutar contra ele. Sabia que não devia tentar controlá-lo. O êxtase estava a só um batimento do coração de distância, uma última entrega para obtê-lo. Se entregou. O corpo apertado ao redor dele, os delicados músculos o rodeando e espremendo o pênis quando cada investida se fez mais dura, empurrando dentro dela, estirando-a, penetrando-a com a paixão da fome quando as explosões começaram a se desencadear pelo corpo.

O grito que ressoou ao redor, era dela. O corpo se esticou, arqueou, logo começou a tremer quando impulsos de sensações candentes, dilaceradoras, começaram a atravessá-la.

Passando as unhas ao longo das costas, gritou seu nome enquanto sentia acelerar cada estocada até que um sufocado e dilacerador gemido saiu da garganta de Khalid. Sentiu os jorros quentes e furiosos de sua ejaculação dentro dela. A sensação provocou outra chamejante rajada de prazer através do corpo, outro orgasmo que a atraiu apertada aos braços dele e arrancou um grito dos lábios.

Era o êxtase. Estava morrendo e renascendo. Era agonia e êxtase, Marty soube nesse momento que tinha perdido algo em seus braços que nunca seria capaz de recuperar de novo. Havia, com toda possibilidade, perdido seu coração.

Meigamente, Khalid limpou o corpo exausto enquanto ela cochilava. Com um pano suave e quente lavou o suor do rosto, do pescoço e dos seios. De entre as coxas limpou os doces sucos e o excesso da paixão de ambos, antes de secá-la com uma toalha e puxar os lençóis delicadamente sobre seu corpo.

Vestido com cômodas calças de algodão, sentou na borda da cama durante um bom tempo, tentando falar, tentando contar o resto da verdade, os enganos que tinha cometido. O porquê era tão importante que não a perdesse.

Estava cansada, disse a si mesmo. Poderia contar quando o sol se levantasse, quando talvez tivesse mais informação sobre seus irmãos.

Seus contatos deveriam saber algo já, se assegurou. Falaria com eles primeiro, depois falaria com ela. Inclinou-se para beijar sua testa meigamente, então se levantou da cama e em silêncio saiu do quarto para a permitir dormir.

Tinha que saber onde estavam seus meios-irmãos, quais eram seus planos e se tinham Marty na mira. E se a tinham, então devia tomar uma decisão. Planos para concretizar. Matar a sangue frio era muito diferente de derrubar uma célula terrorista.

Não se deteriam com nada para matar Marty. E isso era algo que nunca poderia permitir.

Agora tinha que protegê-la, inclusive se isso significava transformar-se no assassino a sangue frio que seus irmãos o acusavam de ser.

 

Não ia sobreviver aos sentimentos que a rasgavam. Quando Marty fugiu do imóvel horas depois que Khalid abandonasse a cama e desaparecesse em seu estúdio, teve que reprimir a vergonha. Não era vergonha pelo que tinham feito. O prazer tinha sido tão intenso, tão alucinante que não havia maneira que pudesse sentir-se envergonhada por isso.

A vergonha provinha do fato de que por alguma razão ele não foi capaz de se deitar ao seu lado, dormir com ela, uma vez acabado o ato sexual. A ira a invadiu quando se deu conta que não tinha intenção de ficar com ela, ardendo como um fogo descontrolado provocando dor até a profundidade da alma.

Na tarde seguinte ainda não tinha conseguido dominar a dor e a ira.

Aquela tarde, Khalid tinha ligado mais de uma vez e as mensagens na secretária eletrônica ficavam mais frias e evidentemente mais furiosas. E ela ia ficando mais nervosa. Khalid não era o tipo de homem a quem uma mulher dizia não tão fácil. Pelo menos, o amargo pensamento permaneceria em suas lembranças durante mais anos do que deveria.

E não o faria através da intimidação física. Claro que não, Khalid utilizaria sua sexualidade, sua experiência e as ânsias de uma mulher para se assegurar que não escaparia dele até que estivesse disposto a soltá-la. E isso a aterrorizava quase tanto como o fazia a intensidade de seus sentimentos. Seu corpo estava em conflito com sua mente e esse estava morrendo por mais de Khalid.

O telefone soou de novo. Girando para contemplar o maldito aparelho, Marty esperou até que entrou a secretária eletrônica.

— Marty, é Shayne. — A diversão de seu tom a fez franzir o cenho — Parece que Khalid está zangado com você, querida. Poderia ligar para ele? Temo que está a ponto de perder logo esse lendário controle dele se não o fizer.

Marty estremeceu. Sim, a paciência de Khalid era lendária.

— Vamos, carinho, não faça mais difícil do que é. — Terminou bem quando a secretária eletrônica desligou.

Fantástico. Agora Shayne. Deveria ter escutado seus instintos no que se referia a ele. Era simplesmente muito dominante.

Mordeu uma unha enquanto caminhava pelo salão, lutando entre o que desejava fazer e a crescente ira e temor dentro dela. Que merda fez ontem à noite? Diabos, foi só sexo. Não? Não era como se tivesse saído duas cabeças e tentado roubar sua alma.

Bem, não tinha saído duas cabeças, pensou, com um suspiro de cansaço. Mas a parte de roubar o coração… Não estava tão segura disso. Tinha o corpo inteiro muito sensível, como se ficar afastada de Khalid a fizesse passar por algum tipo de abstinência.

Desejava-o outra vez. Tinha a vagina úmida, os seios sensíveis, os braços doíam por abraçá-lo, as coxas formigavam com a lembrança de senti-lo entre elas.

Quase zombou da ideia de um vício, mas por Deus, necessitava-o. Tinha-o necessitado por anos. Os sentimentos que a arrasavam estavam amplificados por aqueles que tinha antes que ele a tivesse tomado nessa enorme cama. Antes que seu orgasmo se derramasse dentro dela. Antes que a tivesse limpo com meticuloso cuidado ao acabar.

Por que não tinha acreditado nos rumores de que Khalid nunca dormia com uma amante? Na maioria dos casos os membros do Clube que frequentemente tomavam o lugar de terceiro o faziam porque as responsabilidades, tais como dormir com suas amantes, eram as mesmas responsabilidades das que fugiam em uma relação.

Entretanto tinha precisado dessa sensação de intimidade. Morria por ela com a mesma força que morria por seu toque, sua posse. Agora o vazio a deixou lutando com a ira e o orgulho.

O problema era que não tinha nem ideia do que fazer a respeito. O máximo que tinha conseguido talvez fosse ficar de saco cheio porque o tinha abandonado antes que estivesse preparado para deixá-la partir.

E não havia dúvida que estava furioso. Negou-se a responder ao telefone toda a manhã, mas continuou ligando. Várias vezes. Sua voz ficava mais apagada e taciturna a cada vez. Pelo menos obteve um pouco de satisfação. Embora fosse leve.

O telefone soou outra vez.

— Te surraram alguma vez? — O tom de Khalid era sombrio, taciturno — Porque estou pensando que é isto o que precisa, neném. Pegue o maldito telefone, Marty. Agora.

Contemplou-o como se fosse uma serpente enroscada e sibilando. A secretária eletrônica desligou enquanto uma onda de nervos começou a percorrê-la. Se ficasse ali, sem dúvida nenhuma Khalid chegaria logo. Afinal teria que o enfrentar, mas tinha esperado dominar o que demônios fosse que sentia e superar a ira antes de lidar com a situação.

Se só soubesse o que fazer agora. Como fazer para que um homem a provesse da intimidade necessária quando claramente parecia estar contra? A outra parte desse problema da intimidade eram as verdades pela metade que tinha devotado na noite anterior. Tinha-lhe dado o bastante para adverti-la do perigo que logo chegaria, mas não o suficiente para proporcionar uma imagem clara do porquê.

Essa verdade completa, a intimidade de compartilhar mais com ela do que simplesmente tinha a compartilhar, era obviamente algo que não podia oferecer.

Estava atrás dele desde que era uma adolescente. Agora que se colocou em sua cama aprendeu que ali havia muito mais para seduzir do que tinha pensado. Teria que descobrir as regras antes de ir mais longe.

Infelizmente, tinha o pressentimento que seu apartamento não era o lugar idôneo para fazê-lo. Khalid era o dono do maldito edifício. Pegando a bolsa e a mala que tinha feito com uma muda de roupa, Marty saiu precipitadamente do apartamento para a garagem.

Sua mãe ainda estava fora, mas seu pai estava em casa. Não teria que entrar em detalhes; nunca tinha que fazê-lo quando os sentimentos eram como uma caldeira a ponto de estourar. E tratando-se de Khalid, imaginou que seu pai seria uma fonte de informação, se quisesse. O convencer a dar umas quantas pistas não deveria ser muito difícil.

Seu pai sempre a tinha entendido. Entenderia agora.

Deslizando dentro do BMW negro, Marty ligou o motor e pôs o carro em movimento. Conduzindo através da saída da garagem, devolveu a saudação do segurança.

Quando passou se deu conta que a mão dele pegava o telefone e revirou os olhos. Sem dúvida estava informando Khalid que deixava o apartamento. Deu-se conta que Khalid tinha um costume bastante arraigado de vigiar todo mundo ao seu redor. Não que tivesse muitos amigos, mas os que tinha também pareciam girar na mesma esfera social, pessoal e de negócios que ele, o que facilitava fazê-lo. Agora tinha se convertido em alguém que ele sentia a necessidade de vigiar.

Não precisou da proteção de um homem desde que abandonou a casa de seus pais. Agora não precisava da proteção de Khalid. O que precisava era muito mais importante, algo, que temia nunca possuir.

Entretanto ontem à noite tinha recebido mais. Simplesmente tinha que descobrir como conseguir que se desse conta que queria dar-se a ela. Então descobriria exatamente como dirigi-lo.

A noite anterior tinha sido uma revelação em muitos aspectos. Desde o segundo em que Shayne entrou na biblioteca dos Sinclair, Marty sentiu que sua vida estava mudando. Algo que antes tinha sido só curiosidade floresceu dentro dela. E nos olhos de Khalid viu uma afirmação do que estava por chegar. Se permitisse que essa relação avançasse, então seria muito mais do que tinham compartilhado na noite anterior.

Sentiu uma sacudida em resposta ao pensamento de ser a amante de dois homens. Durante muitos anos, só tinha tido uma curiosidade remota, mas saber que isso aconteceria se continuasse, de repente a fazia perguntar-se o que significaria para sua própria sexualidade e para os sentimentos que sentia a torturando agora.

Durante anos, Marty conseguiu informação suficiente para formar certa imagem do Clube e dos homens que sabia serem membros dele.

Homens que andavam em certos limites escuros, que encontravam a emoção e sobrecarga de adrenalina em várias formas de estilo de vida. Fossem executivos, líderes de países ou agentes de uma das agências do alfabeto do mundo, todos compartilhavam um laço em comum: uma escuridão e um sentido de perigo que conduziam como um escudo invisível.

O som do telefone móvel no assento ao lado acelerou seu coração outra vez. Pegou-o, deu uma olhada no número, se encheu de coragem e abriu o telefone para responder.

— Deixe-me só agora — Ordenou energicamente, rogando que soasse mais decidida do que estava na realidade.

— Escolheu o momento perfeito para sair — A risada de Shayne chegou pela linha — Khalid estava a caminho de seu apartamento enquanto você saía pela garagem.

— Isso é mais ou menos o que imaginava — Informou — Preciso de um pouco de tempo.

— Deveria ter pensado nisso antes de compartilhar sua cama ontem à noite — O tom de Shayne ficou mais firme — Que porra está acontecendo, Marty? Não é uma menina caprichosa. Por que porra foge dele?

Porque não sabia o que dizer, o que fazer. Porque queria o sonho de felizes para sempre e tinha um medo absoluto que aquilo não existisse nos braços de Khalid. Não pôde abraçá-la depois de tomar a inocência que tinha reservado para ele. Só pôde oferecer verdades pela metade. Porque pensaria que faria algo mais que fodê-la?

Deveria ter considerado; deveria ter pensado nisso. Mas teria jurado que ele sentia mais por ela que simples luxúria.

— Preciso pensar — Soltou afinal bruscamente — Ligarei mais tarde.

Shayne grunhiu a isso.

— Khalid parece um homem que possa deixar pendurado por um fio, carinho? Pensei que tinha mais juízo.

Sim, tinha mais juízo. E tinha o pressentimento que Khalid reforçaria essa impressão.

— Não pedi sua opinião — Resmungou.

— Dei voluntariamente — Expôs com voz como seda escura — Se fosse você, voltaria para o apartamento.

Ela riu com a ordem.

— Vá ao inferno. Olhe, estou segura que falará logo com Khalid, se ainda não está no apartamento. Diga que ligarei mais tarde. Tenho que arrumar algumas coisas e não posso fazê-lo em sua cama.

— Talvez não tenha opção — Grunhiu.

— Sim. Claro. — Riu ao telefone enquanto fazia uma curva e entrava na rua para a casa de seus pais — Quando não tiver mais opções será quando me enterrar, Shayne. Agora vá. Tenho coisas a fazer que não o incluem.

— Por agora — Embora baixo, o tom foi muito sério, autoritário.

— Adeus, Shayne — Fechando o telefone, cortou-o com tanta efetividade quanto possível e ignorou o estridente timbre quando o deixou no assento do passageiro.

Nenhum homem lhe dava ordens e que a amaldiçoassem se ia permitir que Shayne ou Khalid o fizessem.

Podia ver essa situação se deteriorando rapidamente e sabia que era culpa dela. Não deveria ter fugido. Deveria tê-lo confrontado; deveria ter enfrentado Khalid e exigido o que sabia merecer como amante. Para ela, passar a noite no estúdio não era nem de longe aceitável para o comportamento de um amante.

Mas possivelmente não era só culpa de Khalid. No momento que a intensidade de seu orgasmo começou a amainar, Marty soube que tinha entrado em um mundo de sensações e emoções para o que não estava preparada.

De repente se aterrorizou por um coração quebrado. Nos momentos depois do orgasmo final teve a sensação que já se permitiu cruzar uma linha. Tinha comprometido muito mais de si mesma por um homem do que tinha intenção.

Parando num cruzamento, esperou que o carro do sentido contrário passasse primeiro, com a mente ainda a todo vapor para averiguar como lidar com sua vida pessoal.

Estava distraída e tinha mais juízo que permitir-se fazer isso. Khalid e Shayne a tinham deslocado, mas não tão deslocada que não visse o carro negro que saiu rapidamente da posição de estacionado mais acima na rua ou a boca do rifle que saía da janela traseira.

As balas fizeram em pedaços a frente de seu veículo enquanto Marty girava bruscamente o volante para a direita, pisava no acelerador e começava a rezar enquanto a janela se fazia em pedacinhos. Um grito saiu de seus lábios enquanto se agachava e com o pé apertava o acelerador mais fundo.

Outra rajada saiu voando da janela traseira e um segundo depois ouviu um chiado de pneus, buzinas soando e o som de vozes se elevando horrorizadas. O veículo parou com um forte e estremecedor golpe, lançando-a para frente no volante. Por um momento mundo pareceu inclinar-se em um eixo louco. Podia ouvir as sirenes a distância. Seu telefone móvel soava de novo, esse tom maluco com a canção “Quem será agora” ressoando em sua cabeça enquanto tentava se orientar.

Alcançou o telefone com dificuldade no assento do passageiro enquanto se estendia pelo painel, o mundo ainda inclinado ao seu redor.

— Olá? — Sua voz era rouca, débil.

Não soava como ela, inclusive para seus ouvidos.

— Marty? — A voz de Shayne ficou preocupada imediatamente — O que aconteceu?

Tentou se endireitar.

— Já te ligo. Alguém acaba de tentar fazer minha cabeça voar — Ia vomitar — Adeus, Shayne.

Pôde ouvir ele gritando seu nome enquanto desligava o telefone tomando uma forte e profunda respiração. Tinha o estômago virado. Uma sensação de vertigem a assolou enquanto lutava para sentar-se direita.

Não tinha batido a cabeça. Não tinha recebido nenhum tiro. Embora o carro se chocou contra uma árvore.

— Senhorita, está bem? — Perguntou uma voz do exterior da janela quebrada.

Marty se obrigou a abrir os olhos e se concentrar no oficial.

— FBI — Obrigou-se a soltar as palavras através dos lábios enquanto tentava recuperar os sentidos.

Tirando a carteira do bolso da jaqueta, mostrou a identificação e respirou profundamente uma vez mais.

De acordo, ia sair dessa. Não estava ferida, só um pouco sacudida.

— Agente Mathews, uma ambulância está a caminho — O oficial abriu a porta do carro e se ajoelhou ao seu lado.

— Testemunhas. — Respirou pelo nariz para superar a crescente náusea — A placa desse carro.

— Meu companheiro está com as declarações — Assegurou, levantando-se e recuando quando ela tentou sair por si mesma do carro — Deveria permanecer quieta até que chegue a ambulância, agente Mathews — Aconselhou — Estão a caminho.

— Estou bem — Não fez caso do conselho mas aceitou seu braço quando a ajudou a sair do veículo — Escaparam?

É obvio que escaparam. Não poderia ter tido a sorte que ficassem por ali para serem presos e interrogados. Claro que não.

— Sinto senhora — O oficial manteve uma firme sujeição sobre ela quando balançou por um segundo — Precisa que a examinem, senhora — Havia um olhar de preocupação em seu rosto — Tem machucados. Um pouco desse vidro a atingiu.

Ela negou com a cabeça de novo.

— Contate com o diretor Zachary Jennings, FBI, imediatamente. É meu padrinho.

O oficial reagiu quando Marty deu o nome de seu padrinho. Uma reação instantânea que produziu resultados instantâneos.

Em vinte minutos havia dois detetives na cena assim como uma caminhonete de criminalística e o pessoal necessário para reunir qualquer pequena evidência que pudesse deduzir da cena.

Fotos das marcas da derrapada, declarações de testemunhas, as balas que tinham rasgado seus assentos de couro.

Tampouco demorou muito para seu padrinho chamar seu pai. Trinta minutos depois da chegada dos detetives, Marty girou ao som de um chiado de pneus e observou o Porsche de seu pai parar em um inclinação brusca.

Bem o que precisava, o senador Mathews feito uma fera. Seu gênio não explodia frequentemente, mas não tinha nenhuma dúvida que hoje o faria.

Desejou ter se permitido desmaiar.

— Senador Mathews — Os detetives foram rápidos, teve que lhes dar o mérito por isso quando optaram pelo porta-voz resistente — Sua filha está bem. Recusou uma ambulância, mas permitiu que os paramédicos a examinassem.

— Saia de uma vez de meu caminho — Seu pai passou o esgotado detetive e um segundo depois se encontrava encerrada no abraço de seu pai enquanto este começava a tentar levá-la de volta ao carro.

Assim era seu pai. Já estava tentando jogá-la de volta nesse mundo pais/filhos onde podia mimá-la e consolá-la.

— Chega! Basta! — Afastar-se não foi fácil — Não funciona desta maneira.

Ele estava glacialmente furioso. Marty se afastou o suficiente para ver a fria e precisa raiva ardendo agora em seu olhar. Não tinha nem ideia do que tinha acontecido, por agora, nem importava. Tudo o que importava era levá-la a um lugar seguro.

— Não me diga o que funciona — Grunhiu seu pai — Estou te tirando daqui —Disse — Onde estão Khalid e Shayne? Malditos sejam!

— Não importa onde estão — Disse com firmeza. Teve que lutar para reafirmar a independência que de repente ele estava tentando arrebatar. O que acontecia com seu pormenorizado pai? — Tenho trabalho a fazer.

Odiava-o. Rompia-lhe o coração não permanecer ali e consolar seu pai, o assegurar que estava bem. Ser uma filha. Mas ser uma filha agora mesmo significaria deixar escapar a independência que tanto apreciava. Era seu pai e entendia sua necessidade de protegê-la. Mas agora mesmo, não precisava de seu amparo. Precisava fazer seu trabalho.

Seu passo era vacilante, doloroso, enquanto se afastava dele, só para parar de novo quando não fez nada a não ser bater no peito de Khalid.

Não podia lutar contra ele. Olhando fixamente esses intensos olhos negros, seus traços grosseiramente esculpidos, sabia que não podia lutar contra ele. Ao invés, elevou o olhar, dando-se conta que devia ter quebrado vários limites de velocidade para chegar ali tão rápido.

Quando a calidez de Khalid a rodeou, de repente fez o que não pôde fazer com seu pai. Teve que obrigar-se a ser forte em vez de apoiar-se em sua força e isso foi tudo o que pode fazer para não afundar em seus braços. Estava decidido a protegê-la. Por alguma razão, lutar contra aquilo seria muito mais difícil com Khalid.

Em troca, permaneceu quieta quando este tirou um lenço do bolso e com ternura o aplicou nos cortes do rosto.

Olhando-o nos olhos, sentiu-se mais conectada a ele agora que na noite anterior quando esteve em sua cama e perdeu a virgindade em seus braços.

— Está sangrando, preciosa — Disse com calma, embora os olhos negros estavam repletos de fúria e preocupação.

Preocupação por ela.

— Não é grave — Assegurou.

Ele assentiu antes de dar uma olhada a Shayne, que acabava de saltar do carro e agora se dirigia para eles.

— Faça o que precisa. Distrairei seu pai e te darei a oportunidade de fazer seu trabalho. Terei meu médico pessoal pronto quando acabar e depois falaremos. De acordo?

Ela engoliu seco.

— De acordo.

Estava presa. Não havia maneira de escapar disso e a sensação de alívio que sentiu foi quase tão espantosa como saber que verdadeiramente já não queria fugir dele mais tempo.

— Falar não será fácil — Disse em voz baixa.

— A maioria das coisas pelas quais vale a pena lutar raramente são fáceis, amor — Disse, antes de pousar um suave beijo em seus lábios — Mas pensaremos em algo, estou certo.

A conduta calma e tranquila desmentia as chamas de raiva que ardiam em seus olhos.

— Vá — Soltou-a lentamente — Nosso momento chegará logo.

Merda. Definitivamente estava em problemas.

Soltá-la foi talvez a coisa mais difícil que Khalid já tinha feito em sua vida. Meteu no bolso o branco lenço de seda, agora tingido com seu sangue e observou com os olhos meio fechados quando ela e Shayne partiram.

— Má ideia — Espetou Joe atrás dele — Está ferida.

Khalid girou para ele lentamente.

— Saberia se estivesse ferida com gravidade — Disse ao outro homem e rogou para ter razão — Está em pé e tomando decisões lógicas. Enquanto o faça, não temos direito a interferir.

Então fez um longo silencio atrás dele. Podia notar a fúria emanando do outro homem enquanto observavam Marty e Shayne entrar na refrega de testemunhas e oficiais de polícia que se reuniu. Shayne ia passar um monte de tempo lidando com o Jennings uma vez este também chegasse. Zach Jennings possivelmente utilizasse Shayne quando precisava, em seu próprio terreno, mas concernente a sua filha seria outra história. A CIA não era exatamente a amiga da alma de Zach. Simplesmente Shayne gostava mais que as outras agências desse ramo em particular de operações encobertas.

— Que porra aconteceu? Pensei que tinha saído com você ontem à noite. Não ficou com ela?

A fúria golpeou as costas quando Joe se aproximou um passo.

— Te adverti que não ia ser tão fácil de controlar como você pensava. Que necessitaria de mais atenção se desse o passo de ter um caso com ela.

Não havia nada de desinteresse no que Khalid sentia por Marty. Mas também havia temor. Mais temor que nunca tinha conhecido em sua vida. Temor por sua vida, por sua segurança.

Imóvel, Khalid assentiu lentamente.

— Fez. É uma situação que não se repetirá. Mas sinceramente, senador, nunca expus o desejo de controlá-la, nem a mínima negligência com ela. Meu único desejo era me assegurar que nunca fosse ferida.

— Se descobrir que seu passado está por trás deste ataque, Khalid, então não desfrutará lidando comigo — Grunhiu Joe, agora ao seu lado enquanto expressava os próprios temores de Khalid.

Khalid girou para o senador, observando-o com frieza antes de girar o olhar para a mulher.

— Se me inteirar que isto aconteceu por culpa de meu passado, então lidarei com isso como devo — Disse — É uma mulher. Minha mulher. E prometo, que desta vez protegerei o que é meu — Olhou Joe de novo — Sem importar de quem a tenha que proteger.

Protegeria-a, fosse de seu passado ou de um pai que não queria nada mais que jogar uma manta de proteção sobre ela. Seus pais tinham tentado. Tinham-na colocado na esfera dele e ali o perigo sempre existia. Embora não esperava que o perigo chegasse tão cedo.

Se afastando do senador, o pai preocupado que não queria nada além da proteção de sua filha, Khalid foi para seu elegante Lexus negro.

Abdul estava esperando, os traços marcados se enrugaram em um cenho enquanto observava Marty, as mãos colocadas casualmente no bolso da jaqueta que usava… E ainda por cima do que levava ali.

— Contate com Azir — Ordenou — Olhe se pode averiguar se Ayid e Amam estão metidos nisto. Meus contatos não tinham informação esta manhã, nem sabem o paradeiro dos bastardos de meus meios-irmãos.

Abdul sacudiu a cabeça.

— Isto não é algo que tratará comigo. Seus irmãos não falam de seus planos com ele. Trabalham ao redor dele, debaixo dele, mas nunca onde ele possa deter seus planos.

— Então contata os bastardos — Espetou — Diga que irei atrás deles, Abdul. Os caçarei e morrerão se ela tiver o mínimo arranhão.

Abdul o olhou fixamente, com a expressão atormentada e cheia de temor.

— Isto só dará uma satisfação maior e esporeará seus esforços — Advertiu Abdul — Vá por eles e irá com debilidade. Permanece silencioso, quieto e encontrará com eles com força.

Os lábios de Khalid se apertaram de fúria.

— Prefiro sair para caçar.

Abdul sacudiu a cabeça de novo antes de fazer um gesto para Marty.

— Seduza sua mulher. Ame-a. Utilize este tempo para atá-la a você, assim uma vez que seus erros se revelem não fugirá de você. É uma mulher delicada, Khalid e uma que merece seu tempo e seu cuidado — Houve então um pingo de censura em sua voz — Também é forte. É uma mulher de verdade e honra, meu amigo. O dia chegará em que isto talvez seja tudo o que a prenda a você. Então, quando seus irmãos se moverem, se encontrará com eles forte e não fraco. Este é meu conselho.

E era um conselho que deveria considerar. Khalid observou enquanto Marty e Shayne trabalhavam juntos. Reconheceu que o outro agente estava cobrindo cuidadosamente as costas dela, em guarda e observando todo mundo de perto.

Shayne era um homem de integridade; Khalid o tinha eleito como terceiro por essa razão. Estaria ali quando Marty estivesse em perigo. E Khalid estaria ao seu lado como o homem que sustentava seu coração.

Compartilhá-la era algo que não podia retirar. O perigo sempre a rodearia, sempre seria uma pesada carga sobre sua alma. Se fosse ferida, ou Deus não o quisesse, se a matassem, então poderia sobreviver à perda?

Não poderia. Sabia. Compartilhar sua vida com outro homem, escolhido por ele, um que talvez não controlasse mas que estava de acordo com isso, era a única alternativa. E com sorte seria uma alternativa com a que estaria satisfeito.

— Contate Abram — Disse a Abdul — O faça saber como estão as coisas. Também deve procurar proteção.

Abdul assentiu.

— Tentarão destruir Abram, mas só depois que acabem com você. Azir no momento protege Abram, é o herdeiro eleito.

Isso era o que suspeitavam, não que estivessem seguros.

— Não importa — Khalid sacudiu a cabeça — Farão o que possam quando se apresente a ocasião. Abram tem que saber o que pode estar acontecendo para se proteger deles. Se assegure que tem a informação que precisa e trabalharemos em nossos objetivos para assegurar nosso amparo.

Khalid não era um assassino. Tentou distanciar-se das políticas e das sangrentas lutas internas do mundo de seu pai a maior parte de sua vida. Khalid tinha renegado toda a família depois dos horrores que tinha presenciado dez anos atrás. E ainda, não era suficiente para seus meios-irmãos decididos a se apoderar do trono que seu pai ostentava.

Observar Marty, recordava-lhe essa vida anterior e o que perdeu ali. Recordou como era fácil tirar alguém e a raiva que o consumiria. Não podia se permitir de novo. Não permitiria que a maldade que infectava a vida de seu pai e seus meios-irmãos poluísse mais tempo a sua.

Era um juramento que fez a si mesmo dez anos atrás e era um juramento que não romperia agora.

 

Algo estava mudando em seu interior.

Marty sentou na borda da cama depois de um rigoroso e extenuante exame do médico de Khalid, enquanto Khalid, Shayne e seus pais esperaram fora do quarto.

Nos olhos de Shayne não só viu preocupação, mas também afeto. Ela não sabia o que tinha acontecido, não tinha nem ideia de por que estava no ponto de mira.

Agora, se conhecesse o resto da história, os retalhos que Khalid e Shayne estavam ocultando sobre o passado de Khalid com seus meios-irmãos. Até que tivesse essas respostas, tinha outras coisas com que se ocupar. Não só seu amparo, mas também o de Khalid. Tinha que chamar alguns de seus contatos e ver o que podia descobrir sobre Ayid e Amam Mustafa. Não os tinha investigado além do que havia no arquivo que a agência tinha entregue. Tinha sido um engano de sua parte. Talvez soubesse mais sobre a vingança que tinham contra Khalid.

Guardou para si mesma as perguntas, assim como as suspeitas, quando assegurou a seus pais que estava bem. Escutou-os destrambelhar uma e outra vez, depois fingiu um cansaço que em realidade não sentia para os convencer a partir.

Amava-os com loucura, mas sua ira sobreprotetora estava a ponto de asfixiá-la.

Soube a maior parte de sua vida, referente às relações, que acabaria, o mais provável, envolta igual sua mãe: com dois homens, em vez de um socialmente aceitável. A maioria dos homens que conhecia eram membros do Clube que seus pais formavam parte. Era um legado, uma tradição de séculos para os homens de algumas famílias.

Era bom para Marty saber que sua mãe era uma das mulheres mais felizes que conheceu na vida. Seus pais estavam igual de satisfeitos, interpretando papéis nas vidas de sua mãe e dela que tinham mantido Marty e sua mãe a salvo e amadas.

Nunca pensou em quem interpretaria o papel de terceiro em sua relação. Nunca esperou que fosse Shayne.

Mas desejava os dois. A verdade é que desejava mais Khalid; era sua metade, a causa de uma fome que se deu conta de que não podia escapar. Deu-se conta disso no momento que soube que Khalid tinha eleito Shayne como terceiro. E agora, só horas depois de escapar da morte, encontrou-se necessitando-o, morrendo por aquilo.

Poderia ter morrido. Poderia ter perdido tantos momentos preciosos em seus braços.

Enquanto levantava notou o robe de seda cinza pálida sobre o corpo e caminhou para a ampla janela que estava bem fechada. Uma tela escura e privada tinha sido desdobrada sobre a janela, bloqueando a vista do exterior. Também bloqueava as imagens de infravermelhos e o calor. Um pequeno invento incrível criado por uma das pequenas companhias que Khalid tinha comprado no transcurso dos anos.

Pelo que podia ver, o homem não trabalhava nem um dia em sua vida mas tinha os dedos metidos em tantos lugares que era verdadeiramente assombroso.

— Está inquieta.

Sua voz a fez girar para a porta aberta. Não o tinha ouvido abrir a porta, não o tinha ouvido entrar, nem ele nem Shayne, mas ali estavam.

— Inquieta? — Quase ofega ante a descrição — Isto é dizer pouco.

Seu olhar foi de um ao outro e a fome em seus rostos.

Khalid assentiu ligeiramente, a expressão, sobretudo as escuras profundidades de seus olhos, cheias também com compreensão e preocupação. Mas havia amor? Era inclusive possível que houvesse satisfação no amor?

Estava obcecada com esse sentimento quando se prometeu que não tomaria esse caminho. Prometeu a si mesma que não pediria nada mais que ser sua amante. Se tinha que acontecer, então o amor chegaria. Se não, também lidaria com isso.

Embora seu coração não estivesse seguindo essa linha. Estava sofrendo, exigindo que fizesse mais e neste ponto, não tinha nem ideia do que mais podia fazer.

— Conseguiu descobrir por que fui atacada? — Disse a Shayne, sabendo que já teria ligado aos seus contatos.

— Nada concludente — Negou com a cabeça — Já sabe como funciona, Marty. Leva mais que umas poucas horas.

— Saber não ajuda — Resmungou com irritação.

— Posso entender seu aborrecimento — Khalid se aproximou, a sensualidade e a sexualidade que tanto formavam parte dele pareciam rodeá-la — Embora me pareça que devo assinalar que se não tivesse fugido de mim esta manhã, isto não teria acontecido, Marty. Agora estaria em minha cama, saciada de prazer em vez de saber que está em perigo.

— Obrigado por me assinalar isso — Disse com falsa doçura — Como consegui sobreviver sem você dividindo suas pequenas gotas de sabedoria?

— Não tema, florzinha. Agora estou aqui — Seu sorriso era tenso, o olhar entrecerrado sobre ela — Me assegurarei de que não esqueça.

A risada afogada de Shayne valeu um olhar fulminante. Não precisava de seu particular senso de humor nesse momento. Olhando furiosa a Khalid, perguntou-se exatamente o que custaria desprender essa pessoa afável que insistia em levar posta.

— O último que ouvi é que não tem relações convencionais, Khalid — Disse ela — Como poderia saber sua preferência que eu ficasse em vez de mostrar a porta, como faz com suas outras mulheres?

Agora a brincadeira cobriu a expressão de Khalid.

— Nunca mostrei a porta a uma amante, preciosa, como estou seguro que sabe. Como terceiro, normalmente me mostram a porta.

— Pobrezinho, foi tão desprezado — Shayne sorria enquanto se apoiava contra a penteadeira e cruzava os braços sobre o peito, observando-os com curiosidade.

Definitivamente ele ia começar a chateá-la logo.

— Isso é sua culpa — Informou ela a Khalid enquanto ignorava Shayne, agora com voz crispada — E prefiro não ter nada a ver.

Dando as costas, passou os dedos pelo cabelo e lutou por reprimir as sensações que tentavam rasgá-la.

— Preciso pensar — Disse afinal, antes de girar outra vez, a silenciosa paciência a deixando nervosa — E tenho que trabalhar. Quero descobrir quem porra pensou que poderia me disparar e sair impune disto.

— É muito tarde para lamentar sua decisão de vir para minha cama — Disse com um brilho de dominação — Se isto formar parte do que precisa pensar, então já pode esquecer.

Infelizmente essa dominação não fez nada para sossegar a excitação que ardia nela.

Marty arqueou uma sobrancelha.

— Disse que lamentava? Acredito que deixei minha postura bastante clara, Khalid. Foi minha intenção durante anos me colocar em sua cama. Foi você o único decidido a me manter fora dela.

— E agora permanecerá nela — O grunhido em sua voz a surpreendeu — Não sou descartável, amor. Não quer tentar jogar isso comigo.

Tinham público e gente se divertindo. Não que fosse começar a se preocupar. Mais cedo ou mais tarde, Shayne também aprenderia a lição que Khalid ia meter nessa dura moleira. Nenhum homem lhe dava ordens.

— Então talvez deveria se incomodar também em permanecer nessa cama —Espetou em resposta — Eu tampouco sou descartável, Khalid, e não me farão sentir como tal.

Sentia-se tão delicada, tão feminina ao seu lado. Não se sentia como uma agente bem treinada; sentia-se como uma mulher rogando por ser tocada. Uma mulher disposta a entregar ao homem que queria tudo o que este desejasse e não podia decidir se estava furiosa ou resignada com aquilo.

— Paciência, Marty — Khalid sacudiu a cabeça com a acusação — Há muito com o que devo lidar agora que está aqui. Coisas que devo me encarregar logo. Isso requererá muitas horas afastado de você. E possivelmente de nossa cama.

— A paciência não é uma de minhas virtudes — Lançou-lhe um olhar fulminante antes de se afastar, só para girar e o enfrentar — O que acontece, Khalid? Todas essas advertências, as predições funestas. Estou farta de esperar a verdade de você. Em que tipo de problema está metido?

Estava se aproximando. A verdade estava ali; ao menos nesse momento ele estava disposto a admitir que ali estava ocorrendo muito mais que em qualquer outro trabalho que estivesse realizando para seu pai.

— A paciência de uma mulher é uma inspiração igual sua tenacidade — Um sorrisinho inclinou os lábios de Khalid enquanto observava o brilho de suspeita nos olhos dela. Estava evitando a pergunta e ambos sabiam.

Dando uma olhada em Shayne, também viu que sabia. Que porra estavam ocultando?

— Não faça jogos de palavras comigo, Khalid. Quer muito de mim para me insultar dessa maneira.

Observou seus olhos. Estes piscaram com a verdade de sua afirmação assim como com um pingo de remorso.

— Daria minha vida para salvar a sua — Disse com voz rouca — E logo, darei as respostas que necessita. Até que possa, somente peço que permaneça aqui, na casa e me permita brindar não só as respostas, mas também, com um pouco de sorte, o conhecimento de quem te pôs no ponto de mira e por que.

Queria estar furiosa com ele. As respostas estavam ali, em seus olhos e ela sabia; nem sequer tentava ocultar.

— Não pode me confiar seus segredos e ainda assim pede que confie meu corpo e meu coração — Disse com um fio de ira — Onde está a justiça nisso, Khalid?

— Não disse que era justo, Marty — A frustração estava começando a revestir sua voz — Muito em breve, as respostas serão dadas. Prometo isso.

— Não pode me dar essas respostas agora, mas quer meu corpo agora. Você e Shayne. Juntos.

Deu uma olhada em Shayne, observou como se escurecia seu olhar, a luxúria intensificando-se em sua expressão.

Khalid esmagou os lábios.

— Não, não é simplesmente seu corpo o que quero, mas se for tudo o que posso ter neste momento, então com muito gosto tomarei o que me dá.

Esta resposta a surpreendeu.

Havia um pingo de algo em sua voz que não pôde perceber. Uma fome, uma necessidade que não soube como interpretar. Um pouco mais profundo do que esperava dele.

— E o que acontece se só quero você? — Pressionou. Ambos sabiam a verdade, mas a combinação de excitação e aborrecimento a fizeram pressioná-lo, desafiá-lo.

Olhou-a durante o que pareceram minutos eternos.

— Se acreditasse que só me deseja, então com muito gosto tomaria o que me oferece — Disse por fim — Mas ambos sabemos que não é verdade.

Não pôde evadir; nem sequer tentou. Curvou-lhe o braço ao redor da cintura, aproximou-a e baixou a cabeça, seus lábios tomaram os dela sem vacilação.

No instante que seus lábios tocaram os dela, Marty se sentiu derreter, incapaz de lutar contra a necessidade ou consigo mesma durante mais tempo. Desejava este beijo. Desejava este homem. Havia algo em seu toque que a enfraquecida, que arrancava os escudos que tinha construído ao seu redor durante tanto tempo. Fazia Khalid inalcançável para ela e ao fazê-lo só aumentava a fome por ele.

Saciaria-se dele. Não tinha que ser amor, pensou com desespero, quando seus lábios e seu beijo começaram a devorá-la. Não tinha que ser toda uma vida de lutas e conflitos. Seria só isto. Só o que eles desejavam, o que ambos desejavam. E quando terminasse, seguiria com sua vida.

Podia fazê-lo.

Rodeou-lhe o pescoço com os braços, abriu os lábios ainda mais, um encontro de línguas em um baile sensual e erótico que se voltou ardente, desesperado.

Seus dedos se encontraram com o espesso cabelo negro e os entrelaçou nos sedosos cabelos com o propósito de aproximá-lo mais. O duro corpo magro e musculoso lhe deu proteção, rodeando-a, enquanto os braços a prendiam perto do peito, inclinando a cabeça para a dela.

Sentiu-se absorvida a outro mundo. Um mundo onde nada importava, nada existia exceto a repentina fome que a rasgava.

O prazer percorria seu corpo com cada beijo devorador que Khalid compartilhava com ela. Aumentava, se fazia mais quente, cada terminação nervosa do corpo mais sensível enquanto notava as mãos dele movendo-se sobre suas costas, sentindo o calor de sua pele através do tecido fino de seu robe.

Desejava suas mãos sobre o corpo nu, tocando-a, pele com pele. Desejava seu corpo cobrindo-a, as mãos acariciando-a. Um forte fôlego obstruiu sua garganta ao sentir os dedos moverem-se para o cordão do robe. Dedos experimentados o soltaram e afastaram as bordas. Passando as mãos sobre os quadris nus.

Shayne simplesmente observava. Este não era um momento para compartilhar com ele, ainda não. Os sentimentos entre Khalid e Marty estavam muito perto da superfície. Muito desespero os enchia, muitos segredos inquietantes ameaçavam separá-los. Por agora, os deixaria sozinhos e simplesmente observaria enquanto a fome que rodeava ambos enchia o quarto.

— Faz que um homem se desespere por você — Gemeu Khalid, a voz espessa pela fome — Tão desesperado que arriscaria tudo o que é para te ter.

Ela elevou as pestanas, seu estômago se encolheu quando leu em sua expressão a necessidade de tocá-la, de tê-la.

Tinha sido alguma vez desejada com tal ferocidade por alguém?

— Marty, minha doce florzinha — O som de sua voz, rouco, profundo, as palavras ternas provocaram que encolhesse seu coração enquanto ele levantava as mãos para tirar o robe dos seus ombros.

A seda caiu aos seus pés e observou como a expressão dele se esticava, os olhos negros ardendo de luxúria.

O calor se reuniu entre suas coxas, preparando-a ainda mais.

Tinha passado muito tempo desde que a tinha tomado, algo sussurrou dentro de sua cabeça. Muito tempo desde que soube o que era possuí-la.

Ficou sem respiração quando ele moveu as mãos para os seios, embalando-os, os polegares roçando os mamilos, criando uma fricção excitante, enviando chamas diretamente para as terminações nervosas.

Sentiu-se arder pela necessidade que percorria seu corpo.

Dedos desesperados foram para os botões da camisa, só para agarrar o tecido em vez de tirá-la enquanto ele baixava os lábios para ela de novo. Como se essa ação houvesse soltado uma avalanche de luxúria dentro de Khalid, seu beijo se tornou mais rude, mais territorial. Uma sensação de fogo descontrolado correndo por suas veias enquanto lutava para reter o controle suficiente. Mas ali não havia resistência. Agarrou os ombros com as mãos, um duelo de línguas, enquanto ambos lutavam por dominar o beijo.

Desfizeram-se das roupas de Khalid com rapidez. A camisa foi jogada no chão, o resto aterrissou onde fosse que caísse. Marty não sabia onde, nem importava.

Tudo o que importava era sentir seu corpo contra o dela, o leve toque do pelo do peito contra os mamilos sensíveis, a sensação de seus lábios nos dela, as mãos acariciando o corpo, embalando os seios, beliscando os mamilos.

O edredom de seda da cama se encontrou com suas costas antes de dar-se conta de que a tinha movido. Roçando sua pele, outra carícia para fazendo arder seus sentidos enquanto lutava por tocá-lo. Os lábios de Khalid foram para o pescoço, beijos e dentadas esticaram os músculos enquanto arqueava o pescoço soltando gemidos e choramingações.

Nada importava agora, exceto o toque sensual, sedutor e ardente. Saborear. O sabor da pele de Khalid enquanto ela levantava a cabeça, levando os lábios para os ombros, lambendo com a língua, levando uma amostra do salgado sabor masculino.

Havia mais dele que desejava provar, mais dele que precisava provar.

Os lábios de Khalid desceram pelo pescoço, sobre o ombro e para os seios. As mãos embalaram os montes cheios, os polegares acariciaram os mamilos um segundo antes de cobrir uma dura ponta com os lábios.

Marty ficou imóvel. O prazer foi uma rajada de adrenalina e sensualidade debilitadora. Foi uma cacofonia de sensações tão incríveis que se perdeu entre as quebras de onda.

Com os dentes arranhou a ponta; com a língua a acariciou. Fechou os lábios sobre a auréola, chupando-a profundamente, com medidos puxões de boca.

— Khalid — Surpreendeu-se com o som de sua própria voz. Havia uma súplica nela, um desespero que não pôde ocultar.

Tinha a vagina em chamas de necessidade. O clitóris tão inchado, doendo com tal intensidade que jurou que podia notar o ar formando redemoinhos ao redor dele.

A antecipação a rasgou. Ele a acariciou com a mão do seio até o quadril, depois a coxa. Um gemido escapou dos lábios de Marty com a crescente necessidade de seu toque no lugar onde estava tão úmida.

Os lábios, dente e língua se moveram sobre o seio dela enquanto levava os dedos para a parte interior da coxa. Um grito saiu de seus lábios e abriu os olhos de par em par enquanto lutava para recuperar o equilíbrio em um mundo que de repente saía do eixo.

Não a atormentou. Abriu-lhe as dobras da vagina e um segundo depois dois dedos começaram a empurrar dentro dela, estirando-a, queimando-a.

— Khalid! — Gritou seu nome enquanto arqueava os quadris, abrindo ainda mais as coxas quando a penetração inicial enviou uma descarga às ocultas terminações nervosas, as expondo, as sensibilizando ainda mais.

Retorceu os quadris com a penetração. Empurrando, querendo mais, uma carícia mais profunda e mais forte com que a brindou imediatamente.

Os dedos se moviam dentro dela, empurrando devagar, depois forte. Suave, depois ferozmente. Não era a sensação que esperava, nem a carícia que pensava que chegaria. Abriu os dedos em seu interior, estirando-a mais enquanto um grito esmigalhado escapava dos lábios de Marty.

— Deus sim, Marty — Seu gemido a envolveu, o desespero neste a rasgou.

Desejava-a. Estava faminto dela. Em sua vida nunca tinha conhecido tal desejo por um homem até Khalid.

O conhecimento dessa fome, o prazer que a rasgava, a sensação do corpo dele empapado pelo suor, sua própria transpiração deslizando entre eles, combinada com uma força tão poderosa que o orgasmo a partiu em duas sem avisar.

Não houve tensão inicial de seu corpo. Não houve rajada de iminente força. Estava ali. Um repentino e explosivo assombro a encheu de luz e som enquanto os dedos de Khalid seguiam movendo-se nela, acariciando-a mais forte, lançando-a para um fogo abrasador que parecia não ter fim.

— Doce Marty, arde para mim — Sua voz era um eco de prazer na cabeça. Uma carícia sensual e mental que enviou uma onda de réplicas do orgasmo através de seu corpo.

Nesse momento, enquanto o prazer se acalmava e outra ânsia se formava, o suspiro de um pensamento, um desejo, comocionou seus sentidos. Deveria ter sido mais quente. Faltava algo, algo que sabia que podia obter, algo que a aterrorizava alcançar.

Refreando esse pensamento, foi pelo homem que destroçava seus sentidos e seu sentido comum. Quando se elevou de joelhos diante dela, abrindo as coxas, Marty se reincorporou, agarrando o quadril com uma mão, a outra curvada ao redor da inchada e escura protuberância de seu pênis.

Khalid ficou imóvel na frente dela.

Jamais tinha conhecido tal prazer. Nunca tinha conhecido uma mulher que pudesse oferecer o prazer como ela fazia com o simples ato de gozar em seus dedos.

Agora seus dedos finos e frágeis agarravam seu pênis com uma força de seda.

— E agora o que, preciosa? — Lutando contra o impulso de dominar, de soltar o animal sexual que existia em seu interior.

Embora fosse difícil, incrivelmente difícil. A mão acariciava a longitude de seu pênis, o polegar roçava levemente a inchada crista reunindo as gotinhas de pré-ejaculação que a umedeciam.

— Sempre consegue acabar com meu controle.

Ele ouviu a emoção na voz de Marty. Esse ponto de temor que encolhia seu coração.

— O que faz ao meu? — Khalid flexionou os dedos pela necessidade atual de dominá-la — Não sabe o limite a que me empurra, amor.

A língua espionava sobre os lábios, tão perto da ponta da pênis, a carne tão perto de um prazer tão extremo.

— O que faria se pedisse que soltasse esse controle?

Khalid ficou em silêncio com a pergunta. Havia algo em sua expressão, no ardor de seus olhos, que esticou suas vísceras de antecipação.

— É isso o que deseja, preciosa? — Tocou-lhe o rosto, as pontas dos dedos deleitando-se com a pele acetinada —. Sem controle? Sem limites?

— O que faria?

— Acredito que sabe o que faria. Te proporcionaria prazeres que nem sua imaginação perceberia. Me Asseguraria disso.

Não entregaria só a si mesmo, mas também Shayne. Quando ela o desejasse, de maneira que o mais provável nem imaginasse. Khalid sabia, inclusive se ela não o suspeitava, que sua sexualidade, suas ânsias sensuais estavam muito mais longe do que ela, o mais provável, nem tivesse considerado, inclusive sabendo quão sexual ele podia chegar a ser.

— Agora mesmo — Sussurrou ela, esse fio de antecipação e desespero ainda presente na voz — Agora mesmo, Khalid, o que faria sem controle?

Uma parte dele sentiu o que ela desejava. Era uma mulher forte, uma mulher que tinha feito suas próprias regras tempo atrás e tinha vivido com elas, sem importar o custo ao seu coração. Mas agora, neste preciso momento, a uns segundos de seu orgasmo, estava se perguntando o que havia custado esse controle.

Havia custado conhecer sua própria força feminina, pensou Khalid. Sua Marty se negou a si mesma esse intrépido e sensual núcleo de feminilidade que estava à espreita, justo abaixo da superfície de seu controle.

Khalid deslizou a mão pelo seu cabelo.

— Quer isto? — Perguntou, endurecendo a voz, obrigando-se a se reprimir —. Tudo o que sou agora mesmo, doce flor? É isso o que deseja?

Ela lambeu os lábios de novo. Ele esperava ver a indecisão em seus olhos, um brilho de arrependimento ou negativa. Em troca viu uma excitação, um brilho de fome e luxúria que estava seguro, espreitava dentro dela inconscientemente.

— Sim.

Apertou os dedos no cabelo dela, puxando-os, agarrando as mechas com força suficiente para enviar o que sabia, seria uma rajada de feroz e doloroso prazer através de seus já sobrecarregados sentidos.

Marty gemeu. Fechou as pestanas com uma revoada.

Agarrando a base de seu pênis a empurrou para os lábios abertos.

— Me chupe o pênis, preciosa. Devagar e com calma. Quero sentir essa doce linguinha movendo-se sobre a ponta. É minha fantasia favorita. Seus bonitos lábios envoltos ao redor de meu pênis.

Apertou os dentes ao soltar a última palavra quando ela fez justo o que ordenou. Abriu os lábios enquanto o chupava para dentro, a língua açoitando sobre a sensível glande enquanto um grunhido grave saía de seu peito.

— Merda, sim — As palavras saíram dele.

Chamas acesas de delicioso prazer começaram a correr pelo corpo enquanto seguia com os dedos flexionados no cabelo de Marty, puxando com delicadeza.

A expressão dela se voltou uma imagem de perfeito prazer sensual. As pestanas fecharam lentamente sobre os suaves olhos cinzas, a cara ruborizou, de um sutil rosa tingindo a pele cremosa.

Ao observá-la, seu corpo se esticou pela necessidade do orgasmo e a exigência de conter-se, e Khalid controlou os movimentos dela. Uma mão no cabelo, a outra envolvendo a base de seu pênis, fodendo a boca com lentos e suaves impulsos, deixando que o prazer alagasse seus sentidos.

Embora, a profunda e medida sucção da boca sobre a crista sensível fosse quase mais do que podia suportar. Em todos os seus anos de atividade sexual nunca tinha conhecido a corrente de prazer que Marty conseguia enviar através do corpo. Ela era como uma droga, imediatamente aditiva, sempre desejada.

Apertando os dentes, lutou contra a tensão de suas bolas enquanto ela o chupava mais fundo, a língua lambendo sobre o pênis enquanto tomava na boca com tenra avidez.

Tirando a mão do pênis, observou quando ela envolveu os dedos de ambas as mãos ao redor da engrossada carne. Desejava tocá-la, seguir a curva de seu seio, sentir a dureza dos mamilos.

Como sensíveis pedras vivas, os mamilos estavam escuros e duros, sedosos e quentes. Com o primeiro toque sentiu o pequeno gemido de sua garganta vibrar contra o pênis e então quase perdeu o controle.

Moveu os quadris bruscamente, sua capacidade de recuar quase se desintegrou sob as ardentes carícias de sua língua e a forte sucção de sua boca.

— Sua doce boca está acabando comigo — Gemeu, apertando ainda mais as mãos em seu cabelo — Está segura de que quer isto?

Havia muito mais que queria fazer a ela. Faria muito mais se lhe desse a oportunidade.

A resposta foi um gemido, um giro de língua sobre o pênis e a correia se partiu.

Marty não sabia o que esperava, mas quando ele recuou, sua expressão, os olhos selvagens, esteve certa que não era exatamente isto, embora “isto” enviou um alarido de quebras de onda de prazer e antecipação através do corpo.

— Se vire — É certo que não esperava que a virasse, empurrasse a parte superior do corpo para a cama enquanto elevava seus quadris.

— Khalid.

— Pediu tudo — Sua voz soava rasgada, escura e perigosa — Me dê isso agora, porque necessito tudo de você.

Sentiu o pênis meter-se nas dobras de sua vagina, afastando a carne enquanto começava a empurrar dentro, abrindo-a, abrasando terminações nervosas que pareciam ter esquecido a última vez que a tinha tomado.

— Carinho. Merda, está tão apertada e doce — Sua voz era mais rude, mais grave, mais escura — Te foder é como afogar no prazer.

Entrou nela. Enterrou dentro a metade da longitude de seu pênis, com um único e firme empurrão, fazendo que levantasse a parte superior do corpo da cama em reação.

Uma ampla e calosa mão a empurrou para baixo, sujeitou-a ali enquanto ele recuava, logo entrava de novo. Com cada longo empurrão enterrava a carne mais fundo nela, estirava-a ainda mais, fazendo estalar uma explosão de sensações.

Era como ser queimada viva por dentro e por fora com um prazer tão incrível que não havia forma de adaptar-se a ele. Só podia tomá-lo, amá-lo, empurrar para trás em busca de mais.

— Fique assim — Levantou a mão das suas costas — Mantenha esse bonito traseiro elevado para mim, carinho. Me deixe te mostrar uma mera sombra do prazer que posso te dar.

Marty conteve a respiração quando os dedos dele se moveram ao longo da fenda de seu traseiro. Delicados, firmes e exigentes, seus dedos acariciaram os sucos de sua vagina da espessa capa que cobria a pênis e as dobras de seu sexo.

Escorregadios, ardentes, os dedos sempre voltavam para seu traseiro enquanto o sentia como uma grosa cunha vivente, enterrado nela. O sangue enfurecido se concentrava no pênis, palpitava em sua vagina enquanto o toque ardente dos dedos começava a empurrar contra a delicada abertura do ânus.

Antes de Khalid nunca tinha sido tocada ali.

Marty estremeceu de prazer.

Nunca tinha sido tomada dessa maneira.

Um gemido desesperado saiu de seus lábios.

Khalid moveu os quadris, tirando o pênis enquanto deslizava um único dedo dentro da sensível abertura do traseiro.

— Khalid. — Só pôde ofegar seu nome.

Empurrou dentro dela outra vez enquanto retirava o dedo. Segundos depois se retirou uma vez mais, deslizando o dedo mais fundo no traseiro. Marty perdeu o último e frágil fio de controle.

— Maldição — Gritou, sentindo os sucos saindo a fervuras entre eles um segundo antes que seu dedo saísse todo para juntar mais. Deslizou o dedo dentro, cobrindo a abertura, depois saiu uma vez mais.

— Khalid — Estava exigindo. Necessitava-o. Sabia que havia mais que a suave carícia que estava oferecendo. Sabia que havia mais que ele desejava dar. Muito mais do que estava disposta a aceitar.

— Então toma, carinho — Insistiu, enquanto enchia sua vagina de novo, cada grosso e duro centímetro de seu pênis enterrado nela — Aceita o que tenho a te oferecer.

Retirou-se e desta vez deslizou dois dedos no traseiro, fazendo cambalear seus sentidos.

Prazer/dor. O mais incrível, ardente e agonizante prazer a rasgou enquanto deslizava os dedos dentro de seu traseiro. O delicado e ultrassensível tecido gritou em êxtase e agonia. Um prazer feroz a envolveu, um êxtase brutal ameaçou os limites de seus sentidos.

Não pôde evitar apertar as invasões enquanto gritava com as sensações, as carícias alternas fodendo-a com perversa intensidade, arrancando o controle e a vontade de resistir.

Empurrando para trás, tomou o que lhe dava e exigia o que ele guardava. Cravou as unhas nas mantas enquanto a transpiração cobria sua pele, quebras de onda de luxúria e fome saíram dela em um maremoto de sensações.

— Mais duro — Seu grito foi uma mistura de rogo desesperado e paixão exigente — OH Deus, Khalid. Foda-me mais duro. Mais duro.

Necessitava mais. Precisava levar esta onda incrível até o puro céu que podia sentir fora de alcance. O pináculo de prazer a aguardava e queria voar nele.

Minúsculas descargas de sensações começaram a acender-se nela com cada impulso alternado dentro da vagina e do traseiro. Pôde notar a explosão chegando, formando-se. Estava ali. Era uma bola dourada de puro calor candente, isso a arrastou a tal estalo de sensações que temeu não poder sobreviver.

A pressão a agarrou, esticou-a. Os músculos se aferraram ao seu pênis, sugando como dedos e a conflagração ao vermelho vivo de sensações formando-se nela estourou. Sentiu Khalid empurrando com força, seu orgasmo propulsando-se dentro dela, esquentando-a, enchendo-a. O gemido de Khalid foi um som ao longe, seu corpo duro levando-a a outro prazer misturando-se com a corrente de sensações que já a partiam em duas.

Estava gritando ou simplesmente tentando gritar?

Estremeceu debaixo dele, gritando, encerrada nos fortes pulsos de sensações agonizantes que ainda a rasgavam. Era dela. Nesse momento, nesse segundo, sentiu-o como um animal sente seu companheiro.

Pertencia por inteiro a Khalid.

 

Três dias mais tarde, Khalid olhava para o exterior pela janela de sua biblioteca com um cenho que danificava sua testa. Observava o movimento da brisa que atravessava as árvores que rodeavam os jardins. Parecia cansado, pensou ao ver seu reflexo na janela. Nada a ver com o encantado sedutor que se supunha que era. Ou o amante despreocupado que tentava ser com Marty. Embora, tinha que admitir, no melhor dos casos, que era tudo menos despreocupado.

Trabalhar para Joseph Mathews e Zachary Jennings tinha feito isso, pensou, com uma pontada de diversão. Inclusive acreditava que tinha vislumbrado um fio branco ou dois nos grossos fios negros de seu cabelo.

Certamente, saber que seus irmãos iriam contra ele não ajudava nada. Um homem podia envelhecer antes do tempo tendo que olhar por cima de seu ombro tão frequentemente como tinham forçado Khalid a fazer. Para não mencionar a tensão que sobre ele durante todos aqueles anos, lutando contra o desejo esmagante por uma mulher que estaria em perigo no momento em que se metesse em sua cama.

Marty estava agora no meio e sua proteção era sua principal prioridade. Seus irmãos tinham jurado que destruiriam qualquer mulher que amasse e temia que agora cumprissem sua promessa.

Ayid e Amam deveriam ter morrido depois da explosão no quartel geral terrorista em Riad há vários anos, já que o relatório inicial tinha declarado que não houve sobreviventes. Abram e Khalid baixaram a guarda durante umas poucas horas. Só umas poucas horas, mas tempo suficiente para que o pai de Abram, Azir, exigisse que Abram fosse correndo a Riad para descobrir o que acontecia. Tempo suficiente para que os irmãos ficassem em contato com seus seguidores na região e retivessem Khalid sequestrado.

Passou a mão pelo rosto e se afastou da janela. Só umas poucas horas. Tinha sido suficiente para permitir aos irmãos voltar ao palácio para torturar e matar à mulher que Khalid e Abram estavam compartilhando em segredo. A mulher que Abram tinha reclamado como própria, a esposa que tinha amado.

Lessa tinha pago com uma morte angustiosa pela participação de Khalid na destruição daquela célula terrorista. Simplesmente porque Ayid, de algum jeito, inteirou-se da parte que Khalid teve no ataque contra o quartel da célula terrorista em Riad.

Depois que Khalid deixasse a Arábia Saudita, Abram voltou a ser o filho que Azir sempre quis. Era a única maneira de manter Khalid a salvo, tinha alegado. Embora Khalid soubesse que Abram simplesmente estava ganhando tempo, esperando até que pudesse destruir seus irmãos mais jovens sem a ameaça que Khalid pagasse de algum modo por seus delitos.

Entretanto, isso não tinha funcionado. Khalid nunca esteve a salvo e agora Marty também estava em perigo. Havia aberto caminho até seu desejo, depois até seu coração. Estava em perigo por sua culpa. Podia sentir. O atentado no carro tinha sido uma clara mensagem. Ayid e Amam estavam cansados de esperar para se vingar. Por alguma razão, agora estavam em ação.

E não podia apaziguar o temor de que apesar de seu treinamento e suas capacidades, ainda assim a perderia. Sua Marty estava decidida a estar sempre correndo riscos. Ao menos em determinadas áreas. Infelizmente, pôr em risco sua vida não encaixava bem com suas possessivas tendências masculinas.

O som da porta se abrindo atrás dele, fez que detivesse suas reflexões e saísse da janela. Observou como Joe e Zach entravam na sala, olhando-o com expressões pensativas.

— Khalid, parece cansado — Joseph não andava com rodeios quando a situação o requeria.

— Não tenho nem ideia do que causaria isso — Respondeu com sarcasmo — Possivelmente são as últimas noites que passei.

Noites tentando rastrear a informação que tinha chegado de que Ayid e Amam estavam cansados que Khalid levasse anos interferindo em suas atividades terroristas. Isso, acrescentado às mortes de suas mulheres, tinha esgotado sua paciência. Zach foi para o bar e começou a servir bebidas. Ainda não tinha falado, mas Khalid tinha o pressentimento de que uma vez que começasse, as necessitariam.

— Sente-se — Joseph assinalou a área de cadeiras diante da fria lareira.

— São más notícias? — Khalid pegou uma cadeira ao lado de Joseph enquanto Zach se movia para ele e estendia o uísque que tinha servido.

Em efeito, a situação devia ser grave. A reunião que os dois homens tinham pedido tinha surpreendido Khalid, sobretudo quando pediram que Marty não se inteirasse de que iam.

— Os informes que chegam não são concludentes no momento — Declarou Joe. Zach sentou no pequeno canapé em frente a lareira — Ayid e Amam cruzaram a fronteira com o Iraque na noite passada. Há rumores de que enviaram a alguém à zona, mas não contra você. Um só terrorista, em vez de uma célula enviada para golpear um objetivo estratégico.

Khalid sorveu o uísque.

— O xeque Azir Mustafa contatou com o consulado sobre as notícias do ataque contra Marty e seu nome foi mencionado ao chegar à cena do atentado. Exige uma prova de que está bem.

Khalid soprou com a ideia. O velho bastardo esperava usar o ataque para pôr em cena uma demonstração de amor paternal que não existia. Se o ancião se importasse um pouco com seu filho mais velho e o mais novo, seus outros dois filhos, que tinham atentado contra eles, estariam mortos, não se beneficiando da benevolência de seu pai.

— Diga que se foda — Resmungou, sabendo que seu pai só tinha pedido provas de seu bem-estar porque temia que atrás de Khalid estivessem Ayid e Amam. Se ficasse público, de algum jeito, que os filhos do rei Saudita Azir eram terroristas, Mustafá perderia todas as posses que tinha na região que governava.

— O embaixador acredita que possivelmente uma confirmação de sua saúde, cortesmente redigida seria o mais conveniente neste momento — Replicou Zach com expressão neutra — Requer muito menos esforço e muito menos papelada burocrática.

Khalid o fulminou com o olhar.

— Passaram vários anos desde que houve algum indício de que estivessem atrás de você, Khalid — Indicou Zach — Só porque Shayne ouviu rumores de que agora estão preparados para fazer algum movimento não significa que seja mais importante para eles que qualquer objetivo estratégico que tenham escolhido. Temos tempo para averiguar.

— Pense o que quiser. Conheço meus meios-irmãos. O atentado contra Marty foi ordenado por eles. Posso sentir. Quem quer que seja seu solitário terrorista, qualquer que seja sua agenda, me acredite, estou muito acima em sua lista de prioridades e Marty seria o objetivo perfeito para me fazer sofrer antes de virem por mim — Apontou levantando-se da cadeira e movendo-se ao bar para substituir sua bebida.

— Se suas suspeitas forem corretas, teria que ter se afastado dela quando te pediu, assim Marty não estaria implicada nisto — Acusou Zach duramente.

Khalid acalmou a si mesmo antes de levantar a licoreira e encher o copo. Fazer recuar a fúria que o golpeava estava perto de ser impossível. Às vezes, Zach era como um grilhão ao redor de seu tornozelo, quando Marty estava implicada. Pena que esse grilhão não fosse suficiente para mantê-lo afastado dela.

— É muito tarde para encher o dia com acusações — Disse Khalid girando de volta aos dois homens — Tratarei com meus irmãos assim como com qualquer outra ameaça contra Marty a minha maneira.

As sobrancelhas de Joe se elevaram em tom zombador.

— De verdade? E o que está esperando para se ocupar da situação com seus irmãos? Seu funeral?

Khalid lançou um escuro e reflexivo olhar ao senador.

— Preferi parar bem antes de cometer assassinato — Informou o outro homem — Esperava conseguir suas mortes graças à operação que preparamos.

— Elogiável — Disse com sarcasmo Zach, arrastando as palavras com um pingo de sarcasmo — Mas nossa atenção agora está dividida, o qual é algo que não podemos nos permitir neste momento. Shayne tenta localizar o terrorista que enviaram seus irmãos a Alexandria ou ao D.C. Enquanto isso, se não entendi mal, também o escolheu como seu terceiro. Me diga, Khalid, como supõe que ajudará a protegê-la se não está aqui para fazer seu trabalho?

A censura enchia a voz de Zach, obscurecendo ainda mais o cenho franzido no rosto de Khalid.

— Estará aqui quando for necessário — Assegurou ao outro homem — Demonstrará que minhas suspeitas estão certas e logo estará disponível quando for requerido. Isso é tudo o que importa.

Até agora, Khalid e Shayne, juntos, tinham conseguido manter Marty distraída e protegida da verdade. Khalid sabia que não podia continuar ocultando isto muito tempo. Não ia durar muito mais, supunha Khalid. Duvidava que funcionasse nesse momento. Não o surpreenderia nada se soubesse que Marty simplesmente estava passando o tempo com a informação que ela mesma conseguiu por seus próprios meios.

— Está a arrastando para o meio de toda esta puta merda — Disse Zach furiosamente enquanto se adiantava na borda da cadeira e fulminava Khalid com o olhar — Não é assim? Já disse o suficiente da verdade para despertar sua curiosidade.

Khalid sorveu sua bebida antes de responder.

— Ela não vai agradecer a nenhum de nós por protegê-la — Declarou — Uma companhia de segurança privada contatou com ela. E sei que está considerando sua proposta. Uma vez que abandone sua agência e firme com a outra, já não estará sob seu controle nem sua proteção. Shayne é nossa única esperança de assegurar que esteja sempre vigiada enquanto realiza os sonhos que tem. Não os que você tem.

Agora Joe e Zach se olharam estupefatos.

— Shayne é da CIA. Não deixará a agência — Disse Zach duvidoso.

— Uma vez que resolva o problema de meus meios-irmãos, Shayne deixará a agência — Informou Khalid — Uma vez que Marty aceite o posto que ofereceram, ela também sairá dali.

— Filho de uma cadela! — Disse Zach levantando-se furiosamente enquanto fulminava com o olhar Joe — Está metido nisto? Combinamos que depois que voltasse de suas férias a convenceríamos para que ficasse no escritório. Esse era o plano.

Joe soltou o ar pesadamente enquanto devolvia o olhar.

— Ela não vai ficar, Zach.

Zach se voltou para seu amigo.

— Deerfield não estará ali — Gritou Zach furiosamente — Me assegurarei disso.

Joe negou brandamente com a cabeça.

— Ela sabe que a protege. Mantendo-a na retaguarda. Marty sabe que não consegue os casos que quer porque você move os fios. Agradeça que decidiu sair da equação em vez de nos dar as costas.

— Não nos daria as costas.

— Decidirá por si mesma o que queira fazer — Interpôs Khalid firmemente — É adulta.

— E você vai conseguir que a matem — Gritou Zach — Por que porra acredita que te adverti que se mantivesse afastado dela? Sabia o que faria. Você e sua maldita determinação de que todo mundo tenha direito a escolher. Isto é uma puta merda, Khalid. Sua escolha conseguirá que a matem.

Khalid o olhou duramente, vendo o temor e a raiva de um pai e não podia o culpar por isso. Marty era a filha que nunca teve por si mesmo, pela razão que fosse. Ela era sua menina e sempre seria a pequena que tinha cuidado.

Era difícil para Zach recuar e arriscar sua própria alma tal e como estava sendo obrigado a fazer. Perdê-la, sem importar como acontecesse, poderia destroçá-lo.

— Shayne cuidará dela quando eu não puder — Declarou Khalid. Essa é a razão por que o escolhi como terceiro.

— Não posso acreditar que tomasse essa decisão sem nos consultar — Declarou Zach ofendido na outra ponta da sala com os braços cruzados sobre o peito em um gesto de cólera frustrada.

— Por que deveria os consultar? — Perguntou Khalid zombateiramente — Me advertiu contra ela por anos. Por que pensaria que ia estar de acordo com qualquer decisão que tomasse quanto a ela?

— Pode acreditar neste bastardo? — Disse assombrado girando para Joe — Se acredita Deus.

— Ou o homem que ela ama — Sentenciou Joe levantando e olhando a ambos — Estou de acordo com ele. Marty vai sair dos limites onde podemos protegê-la. Desta maneira, pelo menos alguém a vigiará.

— Falou disto com Virginia? — Perguntou Zach.

Joe elevou uma sobrancelha.

— Falei com você? Virginia e você parecem esquecer que também é minha filha. E não é estúpida. Sabe o que acontece no escritório. Sabe porquê permitiu estar vigiando Khalid durante os dois últimos anos. E, me acredite, já suspeita de que advertiu Khalid que se mantivesse afastado dela. Não vai ficar nada contente com nenhum de nós se isto continuar, Zach, porque está condenadamente cansada do fato de que tudo o que se importa é mantê-la fora da linha de fogo.

— Estará a salvo — Arguiu furiosamente Zach — Não há oportunidade de que consigam matá-la.

Joe riu.

— Isso é o que dissemos sobre Virginia quando tentamos manipulá-la para mantê-la longe de certo caso durante seus primeiros anos como fiscal — Recordou Joe — Então quase a perdemos. Não permitirei uma possibilidade assim com minha filha.

Zach fez uma careta antes de jogar a Khalid um duro olhar.

— Te culpo disto.

Khalid encolheu os ombros. Realmente não preocupava a quem culpasse Zach desde que Marty não o culpasse.

— Senhores, a reunião acabou — Informou Khalid — Marty voltará logo do almoço com suas amigas e preferiu que não nos pegue nesta pequena reunião secreta. Sua cólera não é algo com o que queira tratar agora.

O arqueamento de lábios de Zach se cobriu com uma débil satisfação. Um sorriso rapidamente escondido, uma que fez Khalid suspeitar.

Manipulando e calculando, Zach era um perigoso adversário. Era um sujo lutador de rua quando sentia necessidade e, agora mesmo, definitivamente a sentia.

E enquanto pensava isso, a porta se abriu e Marty entrou na sala.

Seu olhar gelou quando compreendeu que o outro homem tinha preparado isto.

Não era nada pessoal contra Khalid. Era o fato de que Khalid sempre tinha insistido que Marty deveria ter a liberdade que necessitava, sem seus superprotetores pais a restringindo.

Isso era algo que Zachary Jennings nunca tinha compartilhado.

Isso era algo que agora podia ocasionar mais problemas do que nenhum deles queria realmente confrontar.

Marty contemplou os três homens silenciosamente enquanto entrava na biblioteca. Seu pai parecia culpado, Khalid francamente zangado e seu padrinho mais que satisfeito, se a diminuta curva de seus lábios era algo a que ater-se.

— Papai — Se dirigiu ao seu pai, beijou-o na bochecha, depois se moveu para Zach — Papai. O que estão fazendo aqui? — Beijou seu padrinho antes de recuar e olhar Khalid.

Observou Khalid com olhos entrecerrados, notando o gelado olhar em seus olhos negros, a fúria que brilhava sob o frio invernal de suas negras profundidades.

— Uma reunião — Respondeu Zach encolhendo os ombros para tirar importância.

Entretanto, ela conhecia seus pais e sabia que era muito mais que uma simples reunião.

— Uma reunião? — Olhou seu pai — Sobre o que?

— Já que Zach é tão comunicativo, por que não deixamos que explique isso? — Disse Joe, embora seu tom fosse tenso, quase zangado.

Ela voltou a olhar fixamente Khalid.

— Quer me dizer o que está acontecendo aqui?

— Estamos discutindo o atentado contra sua vida — Respondeu Khalid — Tentamos entender a origem e a melhor maneira de neutralizá-lo.

Olhou de novo cada homem. Não duvidava que estivessem falando sobre isso, mas apostava que discutiam sobre muito mais. Não tinha nenhuma dúvida que discutiam sobre ela.

— Já vejo. E, descobriram algo?

— Acreditam que Khalid é um paranoico e que prefere não fazer caso do sentido comum — Grunhiu Zach — E que esta pequena reunião acabou. Talvez seu namorado queira dar os detalhes.

— Khalid? Paranoico? — Bom, bom. Definitivamente algo gordo estava passando.

Zach estava furioso, coisa que raramente deixava entrever. Apoiando uma mão no quadril, analisou de novo cada homem durante um longo momento.

Não ia cair, disse a si mesma. Já tinha muitos problemas tentando seguir a pista de Shayne sem que se desse conta. Não necessitava mais. Não tinha tempo para solucionar os problemas, fossem quais fossem, que tinham seus pais.

— Completamente paranoico — Disse bruscamente seu padrinho.

— Eu acredito que não — Corrigiu seu pai.

Acreditava em seu pai. Dos dois, era Joe em quem podia confiar para que dissesse a verdade na maioria das vezes, não importava quão zangada a pusesse nem o muito que queria ocultar as coisas. Infelizmente, Zach não tinha nenhum problema para mentir se pensasse que podia protegê-la ou assegurar sua felicidade. De fato, não teria remorsos em romper seu coração se com isso pensasse que a protegeria de algum modo.

Joe e Zach fulminaram um ao outro enquanto ela sopesava, confirmando suas suspeitas.

— Parece que vocês dois deveriam estar mais preocupados de porquê um agente da CIA leva a cabo uma operação em casa — Sugeriu brandamente — Não há regras contra isto em algum lugar?

Perguntava-se exatamente quanto estavam implicados seus pais e Khalid no que estivesse Shayne metido hoje.

Não a tinham informado do que estava fazendo. Ninguém disse nada absolutamente nos últimos três dias sobre o ataque contra ela, nem de como ia a investigação.

Ela fazia seus próprios deveres, embora isso não importasse. Pelo menos Shayne não estava mentindo, mas sim, ocultava muito para sentir-se cômoda.

Zach deu a volta. Seu pai passou a mão sobre o rosto, enquanto Khalid se apoiava brandamente sobre o bar e bebia tranquilamente sua bebida, como intrigado pelo enfrentamento.

— Não há operações da CIA em marcha por aqui — Zach se voltou para ela antes de fixar-se em seu pai — Está preparado para ir Joe?

Joe assentiu com a cabeça enquanto sufocava um sorriso.

— Mais preparado do que nunca — Assegurou ao outro homem antes de se dirigir a Marty — Venha me ver logo, pequena. Sinto sua falta.

Beijou sua bochecha antes de piscar o olho brandamente e afastar-se dela.

— Ambos sentimos sua falta — Declarou Zach, indo para ela e beijando também sua bochecha antes de se endireitar e caminhar para a porta.

— Vamos Joe, tenho outras coisas a fazer hoje.

Quando deixaram a sala, Marty girou para Khalid e o contemplou com curiosidade.

— Começo a pensar que meus pais e você estão conspirando contra mim —Disse sem rodeios — O que acha?

— Acredito que deveria perguntar aos seus pais — Respondeu encolhendo os ombros — Não conspiraria contra você, pelo menos pessoalmente. Essa arma que leva me intimida.

— Intimida? — Perguntou apertando os lábios pensativamente — Não sei por que, mas duvido.

Ele sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos. Em troca, seu olhar era pensativo.

Pousando a bebida no bar, aproximou-se dela com sua expressão evoluindo de curiosa a francamente sexual.

— Como foi o almoço? — Perguntou colocando sua mão sobre o quadril de Marty e aproximando-a devagar.

Seu coração começou a acelerar.

— Courtney continua tão curiosa como sempre, Alyssa tão tranquila como sempre, Terrie está segura que está metido em algo e Tally quer saber se seu quarto está realmente cheio de travesseiros de seda e tapeçarias.

— E estou certo que a informou que estava, sim? — Sussurrou a pergunta baixando a cabeça e acariciando com os lábios sua testa.

— Na realidade disse que dormíamos em uma tenda do deserto no pátio traseiro e que deveria provar algum dia. Parecia mais que intrigada.

Estava manipulando-a. Podia sentir e o odiava.

Recuando um pouco para trás e saindo de seu abraço, olhou-o com cautela.

— Sobre o que era a reunião com meus pais?

Olhou-o, com temor que mentisse.

— Seus pais são a última coisa de que quero falar — A informou causticamente — Tampouco quero falar de porquê estavam aqui.

Ao menos não mentia.

— Infelizmente para você, eu quero — Informou tranquilamente enquanto se afastava dele — Ninguém me disse que estariam aqui até que chamei o escritório de Zach para perguntar se tinha notícias de mamãe, além disso agiam muito estranho quando cheguei.

— Pois pergunte a eles — Respondeu com impaciência — Não tenho vontade de falar de seus pais nem de seus assuntos. Tenho outras coisas em mente quando estou com você.

Marty cruzou os braços sobre o peito.

— O que? Acaso vai usar o sexo para me distrair?

E podia fazer um maldito bom trabalho, pensou ela. Consumia-se por ele. Estava se consumindo por ele desde antes de chegar ao imóvel. Mas também estava cansada de se sentir como se fosse a única pessoa que não sabia um segredo muito importante. Um segredo que implicava a ela.

— Tenho o pressentimento de que nem os sabujos do inferno poderiam te distrair uma vez joga o laço em algo — Arguiu tristemente — É bastante obstinada, meu amor.

— Isso é tenacidade — Informou docemente — É o que conseguiu me tendo longe de você. Lamenta?

— Lamentar você?

Ela lamentava não poder evitar aqueles ardentes olhares tão facilmente como podia evitar seu toque.

— O que eu sinto neste momento não afeta em nada a discussão — Respondeu com um brilhante sorriso enquanto usava uma de suas próprias táticas em resposta a sua pergunta — Acredito que será só do que falaremos. Por que acreditam meus pais que está paranoico?

— Joe não pensa que eu seja paranoico — Disse se movendo ao seu redor até que seu peito esteve em suas costas, então, baixou a cabeça até poder acariciar a bochecha contra seu cabelo.

Sutil. Tentador. Usava a técnica dela para seduzi-la e funcionava.

— Meu padrinho acredita. E geralmente, é bastante preparado quando se preocupa com algo. E era mais que óbvio que tentava argumentar algo. E pelo muito que tenta esconder de mim, deve ser algo em que estou muito implicada — Parecia sem fôlego. Estava sem fôlego.

As mãos de Khalid baixaram acariciando seus braços nus. Seus lábios roçaram a pele de um ombro descoberto pelo Top sem mangas que usava.

— Zach está zangado — Sussurrou, seus dentes arranharam a arredondada curva de seu ombro.

Uma sensação desceu por sua coluna, explodindo em seus clitóris. Estava ficando tão molhada, tão escorregadia que teve que apertar as coxas para não gemer.

— Por que Zach está zangado? — Perguntou baixando as pestanas quando as mãos de Khalid a tomaram pelos quadris aproximando-a.

Sentir a dura longitude de seu pênis sob os jeans quando a pressionou mais abaixo, a fez conter o fôlego em resposta.

— Porque me nego a ficar afastado da cama de sua filha — Declarou com um tom quente que a fez derreter-se — Porque me nego a te distrair de investigar sua tentativa de assassinato. Porque me nego a te fazer escutar minha necessidade de te proteger em vez de seus próprios instintos.

Os lábios de Khalid foram de seu ombro ao pescoço. Sua língua tocava sensualmente a pele. Odiava o fato que sua explicação era uma clara tentativa de livrar-se dela, mesmo assim, enviou uma rajada de prazer percorrendo seu corpo ouvir sua aparente vontade de entender sua necessidade de viver sua própria vida.

— Isso soa a Zach — Ofegou Marty. Sua cabeça caiu a um lado pelo prazer ao mesmo tempo que reconheci a silenciosamente que tinha conseguido distraí-la sem mentir.

Não tinha que mentir. Tinha o poder de seu toque. Um toque capaz de fundir seu cérebro.

— E bem, é culpada de abandonar minha cama esta manhã — Disse Khalid mordiscando seu pescoço em vingança.

— Ah, sim? Foi mesmo. Tinha coisas a fazer — Coisas como seguir Shayne para averiguar que porra estava ocultando.

As mãos de Khalid se moveram de seus quadris, os dedos enroscaram no tecido de sua camisa para tirá-la dos jeans. Muito devagar. A seda deslizou por seu estômago, sobre o sutiã de encaixe e finalmente saiu pela cabeça.

Caiu como um pequeno monte no chão enquanto as mãos de Khalid se moveram para cobrir os elevados montículos de seus seios.

O prazer a encheu quando a pura alegria que sentiu com suas carícias começou a crescer em seu interior. Tinha esperado muito. Tinha fantasiado, sonhado, sofrido por ele e finalmente compartilhava sua cama. Possivelmente ainda não seu coração, mas definitivamente sim seu prazer e não como terceiro. Ele era seu amante. Era em sua cama que ela dormia, seus braços os que a rodeavam e a sustentavam durante a noite quando os rumores diziam que não mantinha uma amante toda a noite.

Seus dedos rodearam os mamilos, puxando, enviando aceleradas faíscas de deliciosas sensações acaloradas correndo diretamente até seus clitóris. Ia arder em seus braços. Ia se converter em um monte no chão e suplicar que a fodesse em segundos.

— Que tipo de coisas teve que fazer, florzinha? — Perguntou abrindo o fecho dianteiro do sutiã depois de abandonar seus mamilos para despojá-la da restritiva roupa.

— Coisas. — Quase gemeu a palavra quando seus dedos acariciaram os sensíveis lados dos peitos antes de roçar delicadamente seus mamilos.

— Que tipo de coisas teve que fazer, preciosa? — Voltou a perguntar. Nesse momento decidiu exercer a pressão exata em seus mamilos, o que a fez arquear-se para trás com um grito estrangulado saindo de sua garganta.

Tentando o alcançar com a mão, desesperada agora para o tocar, para sentir mais desse incrível prazer que estava dando, Marty soltou um gemido baixo, extasiado enquanto lutava em busca de mais prazer.

— Ainda não, florzinha — Sussurrou agarrando os pulsos com a mão, as imobilizando em suas costas, mantendo-a arqueada contra ele enquanto levava sua outra mão ao zíper dos jeans — Tire as sandálias — Ordenou com um tom cheio de luxúria.

Tropeçando, devido aos seus joelhos fracos, Marty fez o que tinha ordenado enquanto o zíper de seu jeans assobiava ligeiramente quando o baixou.

— Agora bem, estávamos falando das coisas que teve que fazer esta manhã —Recordou.

— Não — Ofegou quando sua mão livre deslizou entre o tecido aberto, metendo-se sob o elástico de suas calcinhas — Você estava falando disso.

Sua risada era baixa, escura.

— Está sendo muito travessa.

— Pois me açoite… OH, Deus, Khalid! — Não pôde conter o gemido quando as pontas de seus dedos acariciaram brandamente o nó inchado de seus clitóris.

Era delicioso. O prazer que corria através de sua vagina, ao redor de seus clitóris, encheu seu corpo.

— Te surrar. Poderia fazê-lo — Assegurou enquanto tirava a mão de seu jeans, unicamente para começar a baixar o tecido por seus quadris — Realmente poderia fazê-lo, Marty. Ver o rubor de seu bonito traseiro, te ouvir pedir mais.

Já estava pronta para pedir mais. Não tinha que a surrar para conseguir.

Baixou seus jeans pelas coxas e os joelhos.

— Tire os jeans, preciosa.

Ela tirou a roupa, ficando só com as calcinhas molhadas de desejo. A seda se agarrava às curvas nuas de seu sexo quando a mão de Khalid deslizou por sua coxa.

Suas mãos ainda estavam imobilizadas atrás de suas costas e ela ansiava o tocar, sentir sua carne sob as palmas, contra sua pele.

— Formoso — Sussurrou e a girou até que ficou de frente ao antigo espelho de corpo inteiro que estava no canto da biblioteca.

Parecia tão sensual. Arqueada para trás em seus braços, com os seios inchados e os mamilos avermelhados. Uma calcinha de pálido rosa que mal cobria o montículo de seu sexo e além disso podia ver a umidade no meio.

Viu como a mão de Khalid se movia sobre suas calcinhas. Esperava que ele as tirasse passando sobre as coxas, mas pegou um lado e com um rápido movimento o frágil tecido se rasgou e desapareceu. Um grito afogado surgiu de seus lábios quando o movimento causou uma labareda de puro prazer que atravessou seu útero.

Estava nua. Sua vagina brilhava por causa dos fluidos, a pele resplandecia de necessidade.

— Abre as pernas — Sussurrou ao ouvido.

Atrás dela, Khalid estava totalmente vestido, mas sua expressão estava tão repleta de ânsia que não parecia importar.

Abriu as pernas, olhando no espelho quando seus dedos deslizaram entre elas, separando a inchada carne e mostrando o reluzente broto de seus clitóris.

— Observe — Respirou contra seu ouvido — Olhe o que vejo quando te toco. Veja o prazer com que se cobre seu corpo.

A ponta do dedo começou a rodear seu clitóris, roçando contra ele, ao redor dele, enviando sensações elétricas pulsando através dela até que seus quadris se moveram contra a carícia.

— Formosa, formosa florzinha — Gemeu ele com voz cada vez mais escura, mais remota, mais estranha — Se Abra para mim, amor. Me deixe ver tomar com os dedos o que meu pênis morre por ter.

Liberou seus braços, permitindo que se abraçassem ao seu pescoço enquanto seus dedos deslizaram mais abaixo, rodeando a sensível abertura. Logo, pressionou dois energicamente dentro da ardente vagina.

A repentina penetração estirou a delicada malha revelando as sensíveis terminações nervosas e fazendo fluir seus sucos sobre os dedos de Khalid, provocando que diminutos focos de calor começassem a flamejar em seu interior.

Os músculos femininos apertados rodeando seus dedos tremeram contra a penetração e tentaram introduzi-los mais fundo em seu interior.

— Khalid, por favor — A súplica foi arrancada de sua garganta — Não me torture.

Sentia-se muito sensível. O quarto estava muito quente. O suor formava redemoinhos em sua testa, em seus seios. O sopro do ar condicionado em seus mamilos era quase doloroso. O toque das roupas de Khalid contra suas costas fazia sua pele ansiar pela pele nua dele.

— Te torturar? — Perguntou com voz aveludada, roçando seus sentidos com intenção erótica — Ai, doce amor! A tortura é a última coisa em que estou pensando.

 

Quase bastava.

Khalid olhava fixamente a imagem no espelho, vendo como dois de seus dedos fodiam o doce calor da vagina de Marty. Com os dedos livres manteve as dobras de seda separados, oferecendo uma melhor vista da penetração em seu corpo.

Os doces e suaves fluidos derramavam por seus dedos, sua carne mais escura brilhando contra o tom pêssego pálido das dobras íntimas dela.

Esfregou a borda da palma contra seus clitóris, perfeitamente cronometrado com cada empurrão dentro das apertadas profundidades de seu sexo. Era delicioso. Os pequenos gemidos que saíam da garganta de Marty fizeram que seu pênis palpitasse, suas bolas apertando o suficientemente tensa até que a erótica dor era quase impossível de suportar.

Ele não queria nada mais que afundar a grossa amplitude de seu pênis dentro dela, mas este… Este era um prazer que não queria que acabasse.

O corpo de Marty estava ficando quase rígido enquanto tremia com as sensações que rasgavam através dela. Seu olhar se prendeu no espelho, nos dedos dele, enquanto Khalid brincava com as entradas íntimas de seu corpo.

— Eu adoro como parece sua doce vagina — Gemeu enquanto acariciava os músculos internos e os sentia se apertar estreitamente ao redor de seus dedos — Isso, preciosa. Chupa meus dedos dentro de você. Me mostre o muito que adora meu pênis quando estou dentro de você.

As palavras explícitas causaram que um intenso rubor tingisse as bochechas e seus fluidos emanaram ao redor dos dedos de Khalid.

— Eu adoro te ver — Sussurrou ao ouvido — Ver seu prazer, escutar seus rogos por mais. Eu adoraria te ver ficando louca com meu pênis em seu traseiro. Te estirando apertadamente ao meu redor e gritando pelo prazer disso.

Ele juraria que ela se apertou até o ponto de romper enquanto mais de seus deliciosos fluidos alagavam seus dedos.

— Você gosta disso, não, Marty? — Beijou seu pescoço brandamente, todo o tempo movendo o olhar entre seu rosto e sua inchada vagina — Cada vez que te vejo caminhar, a imagino inclinada, esse doce e formoso traseiro levantado para mim, meu pênis empurrando dentro enquanto grita meu nome.

Ele também imaginava muitas mais coisas.

Seus dedos acariciaram dentro dela outra vez e soube que não ia durar muito mais tempo. Terminaria gozando nos jeans se não colocasse logo seu pênis nela.

Mantendo os dedos dentro dela, Khalid utilizou sua mão livre para desabotoar os jeans e liberar a torturada longitude de seu pênis.

Olhou-a enquanto movia a mão pelo agonizante eixo, sentindo a resposta do corpo do Marty enquanto se retirava o suficiente para pôr a pesada longitude contra a fenda de seu traseiro. Os olhos dela se dilataram com antecipação e prazer. Pequenos tremores de resposta sacudiram seu corpo enquanto sua vagina chupava os dedos dele e o voltava louco por fodê-la apropriadamente.

— Você gostaria, não acha? Ser tomada, por trás e por frente. Saber que seu corpo é o centro de um prazer absoluto?

Ela estava ofegando em busca de ar e Khalid se deu conta de que ele mesmo estava a ponto de ofegar. Deus, o pensamento disso. Seus quadris empurrando, abrindo caminho com seu pênis profundamente dentro da estreita fenda de seu traseiro.

— Desejo-o logo — Sussurrou ele — Te observar, te sustentar, enquanto Shayne te fode. Como seu pênis se desliza dentro enquanto te toco, te acaricio. Enquanto vejo a resposta de seu corpo e o prazer rasgando através de você. Ele também está morrendo por isso, Marty. Simplesmente observar o está deixando louco por você. Quando a tomarmos juntos, você foderá como um homem enlouquecido pela sensação de sua doce vagina ou o ajustado agarre de seu tenro traseiro.

Um gemido abandonou os lábios de Marty, depois um grito, enquanto ele deslizava seus dedos fora lentamente dela e a girava de frente para ele.

Tinha a intenção de levantá-la, de penetrá-la. Em vez disso, sua formosa e aventureira Marty ficou de joelhos enquanto envolvia os dedos ao redor de seu pênis.

Seus lábios se separaram e, enquanto ele olhava, o escuro e inflamado pênis desapareceu dentro das quentes e úmidas profundidades de sua boca.

— Por Deus. — A cabeça dele caiu para trás enquanto deslizava os dedos no cabelo do Marty e a agarrava desesperadamente.

Poderia jurar que a ponta de seu pênis tocava sua garganta enquanto o chupava. As vibrações dos gemidos dela contra a sensível carne eram destrutivas. Ele estava muito perto da borda, o catalisador de seu orgasmo era muito suscetível.

Ia encher sua boca.

— Marty — O gemido que saiu dele foi denso e áspero pela agonizante necessidade que o rasgava — Doce amor. Continue assim e encherei sua boca. É isso o que quer, carinho?

Ela não se deteve. Os dedos de sua mão livre fecharam ao redor de suas bolas, acariciando e massageando enquanto sua doce e quente boca sugava com faminta determinação.

A língua se curvou sob a cabeça, lambendo contra a zona ultrassensível o fazendo apertar os dentes para conter o orgasmo.

— Chupa — Agora não podia conter as explícitas palavras, a necessidade de demonstrar da única maneira que sabia, o delicioso prazer que rasgava através dele — Sim, fode-me neném. Chupa profundamente. Diabos, chupa até que goze, Marty. Me dê essa doce e quente boca — Sua voz era mais tensa, mais áspera e escura.

Pôde sentir o orgasmo iminente construindo-se em seus bolas. Como um apertado nó de energia que começava ali, estalava, corria por sua coluna vertebral e logo disparava de novo para explodir em seu pênis.

Seus quadris sacudiram, empurrando para frente, e a sensação brilhante e candente de prazer torturado o consumiu enquanto começava a encher sua boca com sua liberação.

Ela a aceitou. Aceitou a ele. Cada duro jorro de luxurioso líquido que disparou em sua boca, gemendo e tomando mais. Isto era como se fosse durar para sempre. Uma agonia, um prazer que não queria que terminasse mas que jurava que não podia suportar. Enquanto o último estremecimento de prazer corria a toda velocidade através de seu pênis, retirou-se das doces e sugadoras profundidades de sua boca.

Ainda estava duro. Ainda faminto.

Que Deus o ajudasse, poderia alguma vez ter o suficiente dela?

Pondo a de pé, não houve tempo para a suave consideração que normalmente oferecia com tanta facilidade. Estava morrendo por ela. Um homem enlouquecido pelo prazer que existia dentro desta mulher.

Empurrando-a contra o sofá, agarrou seus quadris, dobrando seus joelhos e posicionando-se antes de conduzir-se dentro do líquido fogo de sua vagina.

Enterrou-se até a metade no primeiro golpe, detendo-se para sentir a resposta fulminante que viajou através do corpo dela, então, com um gemido grave, enterrou-se até o punho.

Era o êxtase. Era o maior prazer que alguma vez conheceu em sua vida. Um punho apertado, suave veludo, esticando-se ao redor do tortuosamente sensível eixo de seu pênis, sua quente vagina começando a sugar, a ordenhar a grossa carne que a estirava.

O suor caía pelo rosto de Khalid e umedecia o peito enquanto lutava contra o calor que consumia seu corpo, o prazer rasgando através dele.

Nunca tinha conhecido nada tão erótico e perfeitamente sensual. Embora sabia que teve, não podia recordar uma só vez em que outra mulher criasse uma fome tão violenta em seu interior.

— Formosa — Gemeu enquanto suas mãos a levantavam e a acariciavam, dos ombros trementes até os quadris — Carinho.

Ele começou a mover-se lentamente, os gemidos desesperados de Marty e seus gritos acalorados o estimulando até que a esteve fodendo com investidas desesperadas, o êxtase consumindo a ambos enquanto procuravam o orgasmo.

Khalid jurou que poderia morrer dentro de seu aperto, que quando gozasse de novo, poderia tocar sua própria alma.

Agarrando-se aos quadris dela, viu como seu pênis empurrava dentro das apertadas profundidades de sua quente vagina. O calor formava redemoinhos ao redor dele, através dele. Que Deus o ajudasse, o que estava fazendo Marty? Estava roubando partes de si que não sabia que existiam. Das que tinha estado seguro que carecia.

As emoções derramaram através dele. A agonizante liberação correu a toda pressa por seu pênis e rasgou por seu corpo. A eletricidade aflorou através de sua pele e quando sentiu sua vagina se fechando ao seu redor, apertando, acariciando seu pênis enquanto começava a tremer com o orgasmo que ele podia sentir estalando por ela, rendeu-se às explosões que detonaram em suas bolas.

Luz e som chocaram dentro da cabeça de Khalid. Podia jurar que o coração trovejava dentro do peito, brotando de seus ouvidos como uma parte dentro dele que não tinha conhecido, que tinha encerrado, emergindo aberta.

Como a caixa de Pandora, lançou-se através dele, o destruindo, o refazendo. Ali mesmo, enterrado no mais doce aperto que jamais conheceu, Khalid sentiu como se perdia enquanto sua liberação bombeava dentro dela.

Deu-lhe mais que sua semente. Deu-lhe mais que seu prazer.

Deu-lhe sua alma.

 

Marty olhou fixamente para Khalid minutos mais tarde, depois que a levasse para sua cama. Com um pano morno e úmido, limpou sua transpiração e o escorregadio excesso de sexo do corpo.

Limpou-a docemente entre as coxas, o pano suave raspando contra a tenra carne enquanto limpava os fluidos e sua própria liberação, do sexo e das coxas de Marty.

Foi cuidadoso, seu escuro rosto carregado de latente sensualidade enquanto seu cabelo comprido e escuro como a meia-noite caía ao redor do rosto em fios lisos e úmidos.

Era o homem mais atrativo que conhecia. Não atrativo no sentido tradicional, mas absolutamente magnífico de uma forma grosseiramente masculina que roubava o fôlego.

Quando acabou de secá-la, ela se estirou languidamente, seu olhar permaneceu no rosto de Khalid enquanto ele punha o pano e a toalha de lado antes de voltar a permitir que seus olhos percorressem o corpo dela.

— Aonde foi hoje? — Perguntou ele outra vez.

Marty quase sorriu. Ela não se atrevia a dizer onde esteve, mas tampouco queria mentir.

— Tinha coisas a fazer, Khalid — Encolheu os ombros antes de se obrigar a sair da cama. Tentou mudar de assunto — Suponho que tenho que me aventurar a descer as escadas outra vez para encontrar minha roupa?

Khalid, levantando também, colocou o jeans antes de ir a um armário alto e pegar um roupão. Sustentando o fino roupão de seda com ambas as mãos, foi para ela e indicou que devia permitir que a ajudasse vestir.

Enquanto colocava os braços pelas largas mangas, girou e deixou que ele o atasse com delicadeza.

— Buscarei sua roupa mais tarde ou Abdul a trará. — Observou-a com ceticismo —. Está evitando minhas perguntas, Marty. O que significa que esteve fazendo algo que não pode me dizer. Como está de férias, só posso assumir que não está relacionado com o trabalho.

— Assim por isso tem direito a saber o que é? — Disse ela, a contra gosto — Não funciona dessa maneira, Khalid. Só porque nos deitemos juntos não significa que seja meu dono.

Seguir Shayne Connor não era perigoso, a menos que Khalid descobrisse. Ela sabia que Shayne estava procurando informação de Ayid e Amam, e era informação que estava bastante certa que não compartilhariam com ela.

Não tinha intenção de contar a Khalid o que estava fazendo, simplesmente porque sabia que ele podia advertir Shayne, avisando de que ela, em efeito, estava o seguindo sempre que era possível.

— Significa que tenho direito de saber quando está se pondo em perigo. —Ninguém havia dito que ele não era incrivelmente inteligente — O mero feito de que se negue a falar sobre seu paradeiro comigo, me diz que possivelmente não o aprovaria.

— E sua aprovação deveria afetar o que estou fazendo? Desde quando? — Ela se ergueu com sua completa arrogância, sem mencionar a dominação a que acreditava ter direito.

— Foi uma boa ideia desde que decidiu me seduzir. — Ele a olhou, sua expressão agora de pedra.

— Uma coisa não tem nada a ver com outra — Declarou ela, mantendo sua voz calma enquanto falava contra sua teima — Me deito com você; não estou casada com você.

— Deitar comigo vem com um certo compromisso. Esse compromisso tem uma responsabilidade subjacente, Marty. Não finja não ser consciente das regras de uma relação.

— Temos uma relação? — Cruzou os braços sobre seus seios e inclinou o quadril enquanto a irritação aumentava nela — Mal estivemos juntos uma semana, Khalid. Isso não faz exatamente uma relação em meu registro. E além disso há o fato de que espera eu dormir para deixar nossa cama até quase a luz do dia. Você não me disse o que está fazendo. Por que deveria dizer o que estou fazendo?

Khalid só se sairia com a sua se permitisse sair-se com a sua, recordou a si mesmo. No que concernia a ela, não haveria relação até que ele atuasse mais como um amante e menos como um homem arranhando uma coceira e ocultando segredos como fazia.

— Tenho trabalho a fazer. — Disse ele através dos dentes apertados.

Surpreendeu-lhe o tão irritado que estava. Khalid nunca ficava nervoso por nada. Até suas amantes juravam que era o homem mais paciente e adorável que jamais tinham conhecido. Era considerado o melhor terceiro. A intimidade durante o sexo era seu segundo nome, e as carícias e os abraços eram seu selo.

Agora, ela tinha a intimidade. Tinha as carícias e os abraços enquanto deslizava no sono. Mas ainda não tinha os segredos que estava ocultando.

— Tem trabalho a fazer. — Assentiu — Pois hoje, eu também tinha algum trabalho a fazer. Simplesmente porque estou de férias não quer dizer que já não tenha responsabilidades com que me ocupar. E até que você cumpra sua parte do papel na relação, não temos nenhuma.

A suspeita fez os olhos de Khalid se estreitarem.

— Está me pressionando — Advertiu, sua voz profunda — Não finja que não há mais entre nós que qualquer prazer que encontre em meus braços.

Ela inclinou a cabeça para um lado com curiosidade.

— O que poderia ser isso? Talvez precise explicar isso Khalid. Você é, depois de tudo, meu primeiro amante e possivelmente as regras não estejam realmente claras para mim.

Ele apertou os lábios.

— Que responsabilidades estou passando por cima? — Continuou — Dormir em sua cama? — Agitou a mão para a cama desordenada — Você não dorme ali toda a noite, então por que deveria me preocupar? A intimidade, possivelmente? Não tive muita experiência com isso; talvez deveria me ensinar o que é, assim o faria bem.

Como pista, isso era como um taco de beisebol contra a parte posterior de sua cabeça. Embora ele nem sequer piscou. Strike. Perguntou-se quantos desses teve até o momento.

Ela observou como seu olhar piscava, seus pensamentos percorrendo as possibilidades. Ele morria por perguntar mas também podia ver a vacilação. Se perguntava e estava errado, então as suspeitas que despertaria nela poderiam voltar-se contra ele.

— Depois do ataque que mal sobreviveu, acreditava que seria mais cuidadosa. — Ele a olhou com pose régia.

Diabos. Ele podia fazer a aristocrata pose arrogante realmente bem.

— Estou sendo muito cuidadosa — Assegurou — Fui cuidadosa antes, o qual é a razão de que ainda esteja viva hoje. E estive o suficientemente atenta nos últimos três dias para identificar, não só o homem que tem me seguindo, mas também o homem que meus pais têm me acossando. Considero-me muito bem vigiada neste momento.

Os assassinos estavam perto de saltar sobre ela. Se não fosse atenta, teria recebido uma bala na cara.

— Assim não deveria estar preocupado porque sobreviveu ao que poderia ter sido simplesmente a primeira tentativa? — Perguntou ele com um sarcasmo cortante — Perdoe se me preocupa que sua sorte possa se esgotar, especialmente quando sou muito consciente de que hoje conseguiu se perder durante várias horas dos homens que a vigiavam. Onde porra estava?

— Não foi sorte, foi treinamento. — Ela se dirigiu à porta da sala e a abriu antes de abandonar o cômodo, dessa maneira evitando o interrogatório sobre seu paradeiro essa manhã.

Necessitava de sua roupa. Era hora de partir. A honestidade, a completa verdade do passado de Khalid, a intimidade que vinha da confiança, isso não estava ocorrendo até agora, assim também podia partir para casa e limpar o apartamento. Não era como se desse muito de si mesmo até este momento. Ela não vivia aqui, tampouco foi convidada a fazê-lo e isso era algo pelo que não ia rogar. Podia passar a melhor parte de suas noites na cama dele, mas seus dias eram um assunto diferente.

Possivelmente daria uma pista no dia seguinte, pensou mal-humorada, enquanto descia as escadas. Teria sido agradável se ele tirasse a roupa, deitasse junto dela e desse mais que o sexo mais incrível que podia imaginar.

Não ia implorar. Não ia ser uma puta por isso. Nunca tinha visto sua mãe tendo que rogar por nada. Virginia Mathews tinha aconselhado seus amigos ao longo dos anos, que se um amante não dava seu carinho de boa vontade, então não tinha sentido.

Khalid tinha dado seu carinho a mulheres que pertenciam a outros homens, mas até o momento, não tinha dado a ela na mesma medida e ela sabia. Uma vez mais, desejou que sua mãe não estivesse de férias. Poderia utilizar algo dessa sabedoria feminina agora.

— Aonde porra vai? — Seu tom era afiado atrás dela enquanto Marty se dobrava e recolhia sua roupa.

— Para casa — Manteve a resposta breve e a profunda dor, oculta.

Se tinha que lutar com ele por seu carinho, então não tinha sentido, recordou. Deveria ser dado livremente. Não deveria ter que enfurecer-se com ele por isso.

Teve que repetir o estribilho enquanto lançava a roupa sobre o respaldo de uma cadeira e se vestia.

— Poderia se mudar para cá.

A sugestão a deteve em seco. Vestida com o sutiã e o Top, estava de pé com o jeans na mão quando girou sua cabeça para o olhar.

— Onde dormiria? — Pondo os jeans, subiu-os pelas pernas enquanto esperava sua resposta.

— Em minha cama. — A resposta foi mais um grunhido que uma sugestão.

Marty deu uma olhada ao conjunto tenso de seu corpo, a forma que ele mantinha os braços dos lados, os olhos entrecerrados.

— Onde você dormiria? — Perguntou bruscamente e fechou seu jeans antes de calçar suas sandálias — Odiaria te expulsar de sua cama.

— A que tipo de fodido jogo está jogando? — Sua voz era um duro e tenso grunhido enquanto cruzava os braços sobre o peito em um gesto de ira crescente — Além do tempo que passo trabalhando, estou nessa maldita cama com você.

— Não estou jogando. — Ela estava nisto para sempre, não para se divertir. Não gostava da ideia de afastar-se dele, sem dúvida logo, com um coração quebrado, mais do que gostava da ideia de viver sem o carinho que necessitava dele se isto fosse mais à frente.

— Claro que está jogando — Disse, sua expressão endurecendo enquanto a arrogância se fazia mais intensa — Acha que pode me enganar, preciosa? É uma aficionada aqui. Se quiser jogos, só diga. Posso jogar e mostrar como fazer bem.

— Não tenho nenhuma dúvida — Pegando sua bolsa da pequena mesa onde a tinha posto anteriormente, pendurou a alça de pele sobre o ombro e o olhou com um doce sorriso.

Ela se sentia algo exceto doce.

— Tenho que ir. Tenho que limpar meu apartamento e mais tarde, pensei que poderia ver se Courtney quer se encontrar comigo para jantar. Uma saída noturna de garotas seria muito agradável neste momento.

— Almoço e agora jantar? — Perguntou bruscamente — Me diga, Marty, não queria mais disto que sexo? Ou era isso tudo o que tinha em mente todos estes anos que esteve me perseguindo tão diligentemente?

Isso a deteve na porta. Girando para ele, olhou-o durante longos e dolorosos instantes antes de falar.

— Você quer mais disto que sexo, Khalid? Porque se quer, então tem uma maneira muito má de demonstrar.

Dando as costas, caminhou com passo majestoso através da porta e pelo corredor, até o vestíbulo principal. Ele não a seguiu.

Esperava que o fizesse. Poderia tê-la arrastado a seus braços, sustentá-la, dar mais dele do que essa sexualidade tão experimentada. Se realmente se preocupasse com ela, também teria dado as explicações que necessitava. Teria falado dele, também de seu passado, sem fazer que se sentisse como se fosse entrar em um território proibido quando realmente considerou perguntar.

Khalid parecia ter um sexto sentido de quando estava a ponto se submeter ao terceiro grau, porque sempre encontrava algo a fazer nesse momento. Sacudindo a cabeça com o pensamento e as lágrimas que queria derramar, caminhou a grandes passos através das portas que Abdul tinha aberto e quase foi correndo até seu carro.

Isto era o inferno. Necessitava mais que os poucos momentos que levava para ele limpar o sexo de seu corpo. Necessitava mais que o erotismo que dava tão livremente. Necessitava algo a que se aferrar. Enquanto saía conduzindo do imóvel, lutou contra as lágrimas e recordou que isto não tinha terminado. Deu-se três semanas para capturar seu coração. Três semanas antes de tomar a decisão final para onde dirigiria sua vida a partir daqui.

Olhando no espelho retrovisor, viu os veículos que a seguiam. Podia enviar outros atrás dela para vigiá-la, mas não podia perder tempo ou fazer o esforço de se assegurar que permanecia ao seu lado.

Maldito fosse. Havia dias em que estava começando a se perguntar se ele na realidade não romperia seu coração.

 

Khalid fulminou com o olhar o BMW negro enquanto acelerava pelo caminho de entrada para as portas de segurança que protegiam a propriedade. Seus dentes estavam apertados, seu corpo vibrando com frustração… E não era de tipo sexual.

Estava o deixando louco.

Sabia o que queria e isso era algo que não podia dar, ainda não. Explicações. Detalhes de seu passado que não queria recordar e muito menos falar. Mas nos olhos de Marty houve uma clara mensagem que já não aceitaria nada menos.

Khalid conhecia as mulheres e sabia que ao evitar as perguntas diretas de Marty, a estava ferindo. E Deus sabia que odiava feri-la.

Enquanto passava a mão pela nuca, esteve a ponto de soltar uma maldição antes de tirar seu telefone móvel da cintura de suas calças jeans. Marcando um número de discagem rápida, o levou a orelha e esperou.

Shayne respondeu à chamada no primeiro tom com um breve:

— Sim.

— Descobriu algo? — O assaltante que tinha atacado Marty era mais esquivo do que tinham previsto.

— Ainda não. — A ira enchia a voz de Shayne — Agora sei que aspecto tem o bode, Khalid. Conheço a área geral onde supõe que está escondido. Mas que me condenem se posso encontrá-lo.

— Não há informação em tudo o que chegou? — Perguntou Khalid, pensando nos contatos que tinha enviado a Shayne para o ajudar.

— Muita informação — Suspirou Shayne — Quem quer que seja, definitivamente foi enviado por seus irmãos para fazer algo mais que matar Marty simplesmente. Está procurando um objetivo e preparando o golpe. Entretanto, nenhuma palavra sobre que objetivo é, além do fato de que o consideram um golpe estratégico.

— Isso poderia ser algo — Suspirou Khalid — Alguma noticia sobre se Ayid e Amam estão nos Estados Unidos?

— Nenhuma — Declarou Shayne firmemente — E estive perguntando. Tudo o que sei de certo é que enviaram alguém para acabar a missão. Estou assumindo que é a missão que o FBI e você terminaram no D.C. Além disso, realmente não posso fazer uma merda. No momento, estamos concentrados no objetivo e deixando que Zach Jennings e você se concentrem em proteger Marty.

Khalid franziu o cenho com isso.

— Pensei que estava sozinho.

— Estava até que o bode decidiu brincar de homem invisível. Jennings me emprestou alguns homens — Grunhiu Shayne — Estou disponível se for encontrado e justamente acabo de terminar de comprovar a pista que consegui descobrir ontem à noite. Até que faça um movimento ou seja visto, minhas mãos estão atadas.

— Viu Marty enquanto estava seguindo suas pistas? — Perguntou Khalid.

Shayne riu entre dentes.

— Estive vigiando-a, mas não a vi. Imagino que se ela não suspeita ainda, então o fará logo. Conheço-a muito bem. O simples fato de que passei tanto tempo longe de vocês dois, disparará seu radar. E acredite, o fará. Ela é suspicaz como o demônio.

Pelo menos ficou à margem da missão de Shayne até agora. Khalid tinha pesadelos com o pensamento de que ela começasse a colocar o nariz dentro das atividades criminais de seus irmãos.

— O que escutou da agência? Conseguiram averiguar algo?

— Estou contando tudo o que sei, cara. — Suspirou Shayne — A agência averiguou sua identificação apoiando-se na descrição que me deu um contato. Agora tenho uma foto e definitivamente é ele. Mas até agora está tão escorregadio como manteiga.

— Terá um pouco de tempo livre até que o terrorista faça um movimento?

— Não tenho nada a não ser tempo até que o filho de puta mostre seu asqueroso rosto — Disse Shayne.

— Possivelmente gostaria de se unir a Marty e a mim amanhã de noite —Sugeriu.

Houve silencio na linha. Até agora, não tinha convidado Shayne além das poucas noites passadas, em que simplesmente tinha vindo ao imóvel. O que estava oferecendo neste momento era muito mais importante. Agora, Khalid podia sentir que Marty estava preparada, a tensão a enchendo, a necessidade, o desejo de ter seu terceiro finalmente, Completamente, unindo-se a eles. E possivelmente isso a distrairia das perguntas que sabia que clamavam dentro dela.

— Acha que está preparada para aceitar neste momento? — Perguntou Shayne — É muito cedo, Khalid.

— Acredito que está mais que preparada, como estou eu. Acredito que é hora de que vejamos aonde a leva seu espírito aventureiro. — Ele girou e caminhou para a janela, franzindo o cenho enquanto olhava o jardim que se estendia a frente da fachada da casa.

Era isso o que queria? Ele sabia que estava preparada sexualmente. Estava há anos. Para Marty, o conhecimento do estilo de vida que ele tinha era tão familiar como o conhecimento da intimidade sexual para outras mulheres.

Não podia imaginá-la tensa pelo ato de um ménage em si mesmo, mas possivelmente a preocupava que ele não tivesse mencionado já que seu compromisso com ela o requeria.

— Estarei disponível — Prometeu Shayne — Seja o que for o que esteja fazendo nosso atroz terrorista, não está se movendo rapidamente. Mas se colocar o focinho fora de seu buraco, então estarei na perseguição.

— De acordo — Assentiu Khalid — Arrumarei tudo. Se encontre conosco no Defacto às sete para tomar algo antes do jantar.

— Estarei ali — Assegurou Shayne — Apenas me diga, Marty sabe algo sobre este pequeno encontro para jantar?

Khalid fez uma careta.

— A mulher está me deixando louco, Shayne. Veio a minha casa e surpreendeu seus pais aqui. Deveria ficar zangada. Entretanto, em lugar do aborrecimento, foi uma sedutora me roubando a alma, só para estalar de repente uma hora mais tarde.

— Em outras palavras, fugiu de sua cama tão rápido como você fugiu na primeira vez? — A diversão de Shayne irritou os nervos de Khalid.

— Não, quero dizer exatamente o que disse — Grunhiu, inseguro do que fazer com a frustração que rasgava por ele.

— Marty é bastante sincera — Expôs Shayne — Se tiver um problema, finalmente dirá isso. Finalmente compreenda que é muito estúpido para se entender a si mesmo. E eu diria que um homem inteligente já teria adivinhado que ela aprecia a verdade. Adivinho que ainda não encontrou a ocasião para falar sobre Lessa.

Não tinha feito. Tinha tentado. Cada dia planejava fazê-lo, mas diabos se queria ver a adoração, inclusive sob o aborrecimento, mudar para decepção.

A culpa de que não tinha protegido Lessa, de que não tinha considerado o que poderia acontecer se seus irmãos escapavam da armadilha que tinha armado. Pesava sobre ele. A culpa estava com ele. Tinha falhado, tinha falhado a Abram e a ideia de ver esse conhecimento nos olhos de Marty era quase mais do que podia suportar.

Khalid fulminou com o olhar os jardins, embora o olhar estava dirigido mais para o comentário de Shayne assim como também a seu próprio passado. Um passado que não podia mudar, não importava quanto desejasse que fosse possível.

— Ela está bem protegida. Sabe que está em perigo. Não há nada no passado que possa ajudá-la a se proteger.

— Não é tão inteligente como acreditava — Declarou Shayne friamente —Ocultar isto não fará que consiga todos os pontos ganhos quando ela descobrir toda a verdade, meu amigo.

— Está dormindo em minha cama, não? — Estalou laconicamente.

— Não, não está. Está tendo sexo em sua cama. Tira uma soneca nela até que você levanta e deixa o quarto. Está dormindo em sua própria cama — Shayne riu enquanto repetia os argumentos de Marty — Pensa nisso. Te vejo amanhã.

A chamada terminou enquanto Khalid afastava o telefone da orelha e o olhava fixamente com olhar assassino.

Comparar-se com os idiotas incompetentes que tinham farejado atrás de Marty através dos anos estava o deslocando. Ela podia não dormir em sua cama, mas, definitivamente era dele. Tinha devotado o presente que nenhum outro homem tinha conhecido nunca dela. Tinha entregue sua inocência.

Seus olhos se estreitaram com o pensamento. Tinha dado a ele, mas seguro que não tinha entregue o compromisso que suportava.

E isso acabaria agora.

Marty lhe pertencia e, decidiu, era o momento de que ela descobrisse essa preciosa informação.

Era hora de seduzir à sedutora.

 

Khalid achou o jantar surpreendentemente bom. Marty e Shayne mantiveram uma conversa tranquila e suave, um conhecimento um do outro que, no caso de Marty, só se revelava na presença de Khalid.

Entretanto, uma nova tensão pareceu invadir Marty enquanto comiam e depois quando se atrasaram com as taças para discutir uma variedade de temas. Era como se ela soubesse o significado de facilitar essa noitada, de estabelecer um nível de comodidade dentro da excitação que estalou do princípio ao fim da noite.

Ela estava pronta para isto, assegurou-se. Mas uma coisa era segura. Se não estivesse pronta para isso, teria informado isso muito antes.

Khalid nunca tinha compreendido a razão de que sua sexualidade se tornou tão escura, por que a fome de compartilhar uma amante se tornou tão profunda. Era algo que tinha deixado de se perguntar há anos. Simplesmente vivia dentro dele, como uma entidade própria.

Quando o jantar acabou, Khalid convidou Marty para voltar a propriedade, assim como Shayne. A antecipação alimentava o fogo e essa antecipação amplificaria o prazer de Marty se essa noite incluísse os prazeres sexuais que estava negando. Desejava-a mais que preparada para ambos. Desejava-a úmida e selvagem, preparada e disposta a aceitar qualquer prazer que concedessem.

Enquanto entravam na limusine, a vibração do móvel no bolso da jaqueta o fez apertar os dentes com irritação. Tirou-o do bolso interior de jaqueta, deu uma olhada no identificador e quis amaldiçoar com ira.

— Sim? — Respondeu.

— Venha ao clube — Ordenou Zach, sua voz tensa, enérgica — Temos algo.

— Isso poderia ser um problema — Disse com cuidado, consciente que Marty o olhava com um pingo de suspeita.

— Sei que Marty está com você — Grunhiu Zach — Tenho permissão de Ian para permitir entrar na zona de estacionamento. Diga que mantenha o traseiro na limusine. Com sorte, você e Shayne não demorarão muito.

Muito para seduzir à sedutora esta noite, pensou em tom zombador, enquanto desligava e se esforçava para conter a irritação que crescia em seu interior.

— Problemas? — Ela se recostou no assento e o olhou quase com cumplicidade.

Olhou Shayne.

— Temos que fazer uma parada — Informou ao outro homem.

Shayne o olhou com curiosidade.

— Uma parada?

— No Clube.

A tensão encheu a limusine quando voltou seu olhar a Marty.

— Ficará na limusine, Marty. Conhece as regras. Faça um favor a todos e por favor refreie suas intenções de entrar como tem feito estes anos.

Durante os últimos dois anos que esteve seguindo Khalid ela tinha feito várias tentativas de entrar no Clube para ver com quem se encontrava, o que fazia. Segundo Zach, as ordens tinham vindo diretamente de seu chefe, Vence Deerfield.

Não tinha tais ordens esta noite.

— É obvio. — Esse sorriso doce não enganou Khalid.

Baixando o vidro entre as áreas do condutor e dos passageiros, tomou uma decisão que rezou a manteria sob controle

— Abdul, pararemos no Clube um momento. Se assegure que a senhorita Mathews fique na limusine enquanto estamos ali. Se deixar o carro, me notificará isso imediatamente.

— Sim, senhor. — O tom de Abdul refletiu sua vacilação em incomodar Marty.

Com os anos, Marty e Abdul tinham desenvolvido uma amizade que tinha causado a Khalid mais de uma dor de cabeça.

— Sai do carro e Abdul será o que pagará por isso — A advertiu.

Ela levantou a sobrancelha.

— Você gosta de jogar sujo, Khalid.

— Às vezes é só o que compreende. — Suspirou quase com cansaço.

Sem dúvida, a levaria para casa depois desta reunião em vez da sua cama como ele esperava.

Ela sorriu outra vez. Esse sorriso doce açucarado nunca falhava em provocar um picor no pescoço.

O silêncio encheu a limusine enquanto Abdul conduzia fora da cidade para o Squire Point, a área exclusiva cheia de propriedades com árvores e mansões a beira do oceano.

Marty cruzou as pernas e olhou fixamente aos dois homens sentados na frente dela, quase esfregando as mãos com alegria.

Como babá, Abdul era um asco. O tinha mais envolto ao redor de seu dedo mindinho que seus pais.

— Fique quieta, Marty — Advertiu Khalid, enquanto voltavam para a propriedade de Sinclair e conduziam pelo caminho bem iluminado com árvores de ambos os lados que levava a casa onde estava o exclusivo clube masculino.

— É obvio. — Sorriu inocentemente —. Estou de férias, lembra?

Ambos os homens a observaram com desconfiança. Como bem deveriam fazer, porque uma vez que estivesse nos terrenos da propriedade, entrar ia ser brincadeira de criança. Não tinha nem ideia do que encontraria depois de violar realmente esses vestíbulos santificados. Mas ia se divertir descobrindo.

Sentou em silêncio enquanto Abdul estacionava na área onde Khalid o dirigiu, uma área muita bem iluminada e protegida do estacionamento. Se Ian Sinclair sabia que Khalid a tinha na limusine, então não duvidava que haveria guardas de segurança extras no lugar.

— Seja boa, preciosa — Advertiu Khalid outra vez, enquanto Shayne abria a porta e dava um passo fora.

Khalid a surpreendeu quando se inclinou adiante, curvou os dedos ao redor do pescoço para mantê-la no lugar para um breve e duro beijo. As pontas dos dedos acariciaram a nuca enquanto se atrasava uns momentos, logo os afastou quando saiu do veículo.

Ela sentou em silêncio e olhou como Khalid e Shayne desapareciam pela entrada que o Clube tinha conseguido manter em segredo para o grande público durante mais de dois séculos. O fato que seu verdadeiro propósito nunca houvesse saído à luz surpreendia um pouco. O Clube era mais reservado com respeito a sua associação que o Serviço Secreto em proteger o presidente. E isso dizia muito.

Uma vez que as portas se fecharam e o silêncio encheu a noite uma vez mais, girou para o vidro que tinha sido baixado entre as zonas do condutor e os passageiros.

Apoiando os braços no respaldo do assento dianteiro, sorriu para Abdul quando ele girou e a olhou com cautela. Conhecia-a, soube no momento em que lhe deram as ordens que as romperia.

— Adivinho que está preso pela honra a contatar com ele se saio — Indicou ao guarda-costas que tinha devotado amizade quando começou a seguir Khalid desde a primeira vez.

Abdul era mais velho, aproximando-se possivelmente dos cinquenta. O cinza salpicava seu negro cabelo curto e umas rugas danificavam o rosto bronzeado. Recordava um carinhoso e benévolo avô, embora soubesse que não tinha mulher nem filho. Ele estava comprometido com a família de Mustafa, e Khalid, sendo jovem e não permitia que nada interferisse entre ele e a tarefa que tomou a seu cargo de protegê-lo.

Abdul a olhou silenciosamente durante uns longos momentos, sua expressão reflexiva enquanto a olhava. Abdul era o que gostava de chamar um "pensador". O mais seguro é que já teria considerado este problema em algum ponto no passado. Era um homem que gostava de pensar no futuro enquanto deliberava.

— É como um filho para mim — Indicou em seu inglês hesitante, antes de suspirar profundamente.

— E é como um espinho em meu traseiro — Disparou ela com desgosto, mais para ver a incredulidade que atravessou os olhos dele que para ser simplesmente rude. Embora houve vezes que era definitivamente certo. Mas adorava sacudir o pequeno mundo de Abdul.

Abdul era um amigo, mas um que podia ser bastante dissimulado às vezes.

— É uma garotinha muito travessa — Riu, depois de quase se afogar pela surpresa. Em meu país cortariam sua língua — E provavelmente não brincava.

— Em seu país já teria sido apedrejada por minha boca pronta — Informou ela — Seja honesto, Abdul.

Este sacudiu a cabeça quando uma risada mais ligeira saiu de seus lábios.

— Mantê-lo nas pontas dos pés é uma coisa boa às vezes. Não muitas mulheres oferecem o desafio que frequentemente necessita.

— Supõe que as mulheres são um desafio? — Bateu as pestanas — Pensei que achava que tínhamos que ser submissas e adequadamente treinadas.

Às vezes, Abdul era um enigma para ela. Podia rir de si mesmo assim como dos muitos mal-entendidos com respeito a seu país e sua religião. No que se referia a Khalid, entretanto, tomava sua responsabilidade de vigiá-lo muito a sério.

— Uma mulher tem que saber seu lugar, não importa onde esteja esse lugar —Disse por último, suspirando — Khalid nunca encaixou na vida que seu pai teria devotado. Se fosse assim, teria sido um líder pelo que nossa gente morreria.

Não cabia nenhuma dúvida. Teria seguido essa linha de conversa se não soubesse por experiência que não daria as respostas que desejava.

— Então, quanto a minha pergunta. — Sorriu docemente, inclinou a cabeça e ofereceu seu olhar mais inocente — Vai informar sobre mim quando sair do carro?

— Vai deixar o carro quando te advertiu que ficasse nele? — Perguntou em troca, brindando-a com um cenho simulado de desaprovação.

Ia fazê-lo?

— Quase que sim — Respondeu enquanto franzia os lábios e assentia firmemente — Vamos, Abdul, é uma oportunidade muito boa para deixar passar. Sabe.

Abdul suspirou pesadamente, embora pudesse ver o sorriso que lutava para conter retorcendo os lábios.

— Se fizesse a promessa de não sair do carro, então tiraria um cochilo. —Bocejou enormemente, como se estivesse verdadeiramente cansado, antes que os dente brancos cintilassem em seu velho rosto bronzeado pelo sol — Está fazendo essa promessa?

Ela assentiu rapidamente, todo o tempo oferecendo um sorriso enganosamente inocente. Realmente, adorava Abdul. O melhor a respeito dele era sua boa vontade para conspirar, de pequenas formas, contra seu chefe.

— Durma, Abdul. Estou segura que Khalid retornará logo.

Duvidava seriamente.

Permanecendo quieta, olhou como a cabeça de Abdul desaparecia e escutou os sons enquanto ficava cômodo.

Nem pela porra ia dormir, mas tampouco estava disposto a encarar a completa força da ira de Khalid. Pelo menos teria uma desculpa se Marty fosse apanhada. Isso era um consolo.

Demônios, não era como se fosse matá-la, pensou ela, quando o som do primeiro ronco fingido chegou de Abdul. Podia desejar estar morta. Podia chiar como se estivesse morrendo e essa fosse uma possibilidade muito real, mas não faria mal realmente. Bem, pelo menos não uma dor da qual não desfrutaria.

Abriu a porta em silêncio, o clique metálico a fez sorrir quando Abdul soltou um forte suspiro.

Bom, podia ser mais silenciosa mas não importava, simplesmente porque sabia que não tinha porquê.

Em segundos deslizava fora do carro, mantendo-se agachada.

Conhecia os movimentos dos guardas de segurança dentro do terreno e sabia que a área perto da casa tinha muito menos segurança, além dos guardas de segurança adicionais, comparado com o que se dirigia diretamente aqui. Ainda assim, fechou a porta silenciosamente e se manteve agachada.

Olhando como o pessoal de segurança se movia pelo frente da casa, levou um tempo extra estudando suas pautas e os vazios em suas rotações.

Muitos minutos mais tarde, segura de ter sob controle as fraquezas da segurança, moveu-se.

Não havia música baixa, nenhuma atividade que pudesse ser ouvida ou vista da casa. A propriedade se estendia como algum tipo de santuário, cuidadosamente protegida e extremamente secreta.

O estacionamento estava cheio de limusines e condutores que acompanhavam muitos dos membros. Lexus, Mercedes, Jaguares e Bentleys estavam estacionados no lado contrário. Não foi fácil permanecer nas sombras e fora da vista dos motoristas, bem como dos guardas de segurança.

Levou mais tempo do que gostaria para abrir caminho pelo estacionamento, enquanto se mantinha nas poucas áreas sombreadas disponíveis.

Movendo-se lentamente, com cuidado, virtualmente se arrastou pelos arbustos de folha perene e em flor que delineavam o estacionamento.

Já tinha decidido a melhor entrada na casa meses antes. Tinha observado cada ângulo que pôde ver de uma atalaia no alto do terreno principal.

Cada ângulo exceto o estacionamento e a entrada traseira do Clube podiam ser vistos de uma maneira ou de outra. As câmaras de segurança e o pessoal mantinham um horário meticuloso e asseguravam a casa contra todos os intrusos.

Até recentemente, não havia realmente um ponto débil na casa, até que o proprietário, Ian Sinclair, construiu sua residência do outro lado da propriedade. O que uma vez tinha sido uma janela larga na parte traseira da casa se converteu em uma porta de serviço.

Com a quantidade adequada de sorte e um pouco de habilidade, teria uma oportunidade de deslizar dentro quando um dos empregados saísse para fumar um cigarro. Nem sempre fechavam bem a porta, e do lado da porta havia uma área de folhagem escura e em sombras que seria perfeita como cobertura.

Só tinha que chegar ao lugar.

Depois de deslizar nos matagais junto à porta, só era questão de esperar. Havia câmaras de segurança nesta zona assim como nas outras, mas a arquitetura da paisagem aqui era mais um perigo que uma ajuda para a segurança. Surpreendeu-se que Sinclair não houvesse limpo isto ainda, embora fosse uma tela efetiva para esses empregados com necessidade de fumar.

Não tinha a menor ideia do que ia enfrentar se conseguisse entrar. Conhecia a disposição da casa por uns poucos documentos históricos que tinha conseguido descobrir. A mansão Sinclair era considerada monumento histórico. Tinha sido construída antes da Guerra Civil, e inclusive antes disso tinha sido conhecida como um lugar de reunião de indivíduos com opiniões afins.

Homens que compartilhavam suas mulheres. Um lugar onde tal homem encontrava um terceiro que compartilhava seus valores assim como suas crenças.

Era uma maravilha que não fosse queimada até os alicerces há séculos.

Enquanto um sorriso zombador curvava seus lábios, esticou-se de repente com o som da fechadura ao soltar-se por dentro. Foi bastante simples esperar até que a porta abriu e uma figura escura passou. Utilizando várias folhas dobradas, deslizou rapidamente a folhagem sobre a fechadura quando a porta fechou.

Quando passaram os empregados, Marty voltou a abrir a porta e entrou. Esmagou-se contra a parede e se agachou rapidamente atrás de um imenso armário antigo no vestíbulo.

Não havia câmaras de segurança no vestíbulo, o que a surpreendeu. Perguntou-se quão bem custodiado estava o interior do clube. Tinha esperado muito mais do que encontrou até o momento.

Inalando profunda e lentamente, comprovou a zona com rapidez, começou avançar pelo vestíbulo e encontrou que era o sonho de um intruso. Havia vãos na parede, proporcionando pequenas e cômodas áreas para o trabalho ou a conversa. Os grandes móveis antigos estavam por todos os salões unidos que em sua maior parte estavam nas sombras e eram privados.

Chegar à escada que levava ao segundo andar, e a muitos dos salões privados de reuniões assim como aos quartos, não foi tão difícil como tinha esperado.

Soava como se a maior parte da atividade fosse abaixo, no que se dizia que era um bar e várias salas de bilhar, televisão ou um lugar para se reunir.

Não tinha visto Shayne nem Khalid. Em cada cômodo tinha conseguido encontrar um lugar onde agachar-se e ver o interior quando as portas se abriam. Levou um momento, mas conseguiu eliminar a possibilidade de que estivessem embaixo.

Isso significava uma reunião privada e esses cômodos estavam acima.

Enquanto subia os degraus, olhou e escutou com cuidado. Rodeando a parte superior da escada, agachou-se a um lado e se ocultou atrás de um pesado aparador.

Isto era simplesmente muito fácil.

Mais adiante podia ver que uma luz derramava por baixo de uma porta fechada. Não havia guardas no exterior, ninguém patrulhando pelo andar. Evidentemente Ian Sinclair nunca teve ninguém dentro sem ser detectado antes. Era uma falha brutal de segurança que tinha permitido que ela chegasse tão longe.

Permitiu que um pequeno sorriso de satisfação curvasse seus lábios. Podia dizer que era uma das poucas mulheres que tinha violado a santidade dos vestíbulos deste estabelecimento de elite.

Deslizando ao redor da antiga mesa de cerejeira, avançou com cuidado para onde a luz refletia nos polidos chãos de madeira. Podia ouvir vozes dentro, e se não estava equivocada, uma dessas vozes era de Khalid. Era um som retumbante, mas não podia ouvir nenhuma palavra completa. Ainda parando do outro lado da porta e se esforçando para ouvir, não podia captar mais que pedacinhos e partes de palavras.

Não podia estar segura de quem estava na sala, embora soasse como se houvesse vários ocupantes, nem tanto em uma discussão mas em um desacordo acalorado.

Mordendo o lábio, agarrou o trinco da porta, com a intenção de girá-lo lenta e sutilmente, e abrir uma fresta no painel o bastante para poder saber quem estava falando. Enquanto apertava a mão na maçaneta de latão, um clique familiar e a pressão do metal frio contra sua cabeça a imobilizou.

Marty sentiu o jorro de adrenalina pelas veias. Um véu gelado de puro instinto de sobrevivência a percorreu.

Apertaria o gatilho a pessoa que blandía a arma? Duvidava muito seriamente que Ian Sinclair empregasse alguém que não usasse outros meios ao seu dispor antes de matar um intruso.

Embora, a pressão do frio aço contra a parte posterior da cabeça fosse malditamente convincente.

— Solte o trinco — O sotaque marcado e pesado do Oriente médio chutou esses instintos de sobrevivência a superfície.

Não era um dos guardas de segurança de Ian Sinclair. Era outra pessoa, alguém que tampouco deveria estar aqui.

Marty se moveu. Um giro rápido como um raio do pulso no trinco não produziu resultados, mas baixar rapidamente a cabeça enquanto balançava, agarrar o pulso e balançar o joelho para a virilha teve uma resposta terminante nele.

Era enorme. Uma montanha assassina fazendo-se passar por um homem. Ele mudou de posição só para evitar que o joelho golpeasse suas partes sensíveis e ao mesmo tempo a mão voou, o dorso conectou com o lado da cabeça de Marty e esta caiu contra o chão.

Simultaneamente a porta se abriu de repente, a montanha veio sobre ela e a arma foi apertada sob sua mandíbula enquanto atrás dele, enfurecidos, Shayne e Khalid apontavam à sua cabeça uma arma cada um.

— Mohammed! — Uma voz forte com um marcado acento falou da porta.

Um jorro de árabe saiu da montanha chamada Mohammed enquanto apertava mais forte a arma contra a mandíbula. Merda. Agora estava em problemas.

— Solte-a, tem dois segundos antes que o mate — Não havia acento, nenhuma inflexão na voz de Khalid. Havia a morte fria e dura.

Marty se encontrou com os olhos de Mohammed e viu pura fúria quando Abram gritou outra ordem em árabe.

— Arrisca sua vida desnecessariamente, mulher, assim como a minha — Grunhiu Mohammed, como um urso que tivesse que lutar para encontrar as palavras. Inclusive sua voz dava medo.

A arma se afastou da mandíbula lentamente enquanto o gigante levantava de joelhos e se afastava dela. Marty olhou fixamente aos homens que tinham saído apressadamente da sala e teve que lutar para não engolir seco.

Abram El Hamid-Mustafa estava na porta, vestido surpreendentemente com jeans e uma camiseta negra. Era quase uma cópia exata de Khalid. Os mesmos olhos negros, o mesmo cabelo escuro e espesso, exceto que Abram usava uma barba pulcramente recortada e um bigode que dava uma aparência mais libertina e desalinhada.

Era suficiente olhar rapidamente de Khalid para Abram, depois outra vez para sua imaginação começar a voar e se perguntar o que seria… A não, não ia por aí.

Khalid tinha seu terceiro e ela estava de acordo com a decisão que ele tinha tomado. De maneira nenhuma queria, ou necessitava, outro Khalid como terceiro. Sua vida já era o bastante complicada como estava.

Khalid e Shayne ficaram lentamente de lado quando Mohammed ficou de pé e ao lado da porta, olhando com quantidades iguais de horror, ira e possivelmente uma luz trêmula de orgulho estavam seus pais.

— Alguém deveria ter me dito que era uma reunião importante em vez de simples diversão — Observou, enquanto saltava ficando de pé olhando os seis homens cautelosamente — Poderia ter tirado uma soneca em vez de entrar para ver tudo o que tinha de interesse aqui e se deveria ficar ciumenta ou não.

— Se deveria ser curiosa ou não — Bufou Shayne — Diria que não, se tivesse pedido minha opinião.

— Mas não pedi sua opinião, não é?

Não se atreveu a encontrar com o olhar de Khalid. Girou para seus pais em vez disso.

— Realmente, papais, deveriam ter advertido a Khalid sobre me deixar na limusine. Conhecem-me muito bem.

Joe cobriu a boca com a mão como se prendesse a frustração. Ela esperava que estivesse lutando contra um sorriso. Zach continuou olhando-a fixamente como se não tivesse a menor ideia de quem demônios era ela ou de onde tinha saído. Estranho, tinha ajudado a treiná-la. Deveria conhecê-la melhor.

Khalid e Shayne a olhavam fixamente com a promessa de um certo enfrentamento em seus olhares enquanto Mohammed a fulminava. Abram Mustafa era o único que não parecia desconcertado, de fato, parecia um pouco divertido. Dirigiu-lhe um de seus sorrisos enganosamente doces enquanto metia as mãos nos bolsos detrás de seu jeans e se perguntava se o rosto já teria começado a arroxear. Evidentemente não, porque Khalid não tinha assassinado Mohammed ainda.

— Assumirei que temos uma adição em nossa breve reunião, cavalheiros? —Abram se dirigiu a ela, com um sorriso nos lábios bem moldados. A barba negra curta que cobria a parte inferior do rosto lhe dava um aspecto de pirata, e a cintilação de seus profundos olhos negros a animavam a se unir à brincadeira as suas custas.

Enquanto ela olhava Khalid e Shayne com cautela, Abram agarrou seu braço e a convidou a entrar na sala.

— Venha, querida, não vadie no vestíbulo onde este leve enfrentamento pode ser presenciado, vamos entrar?

Marty o seguiu, embora a contra gosto, enquanto olhava como Khalid e Shayne deslizavam lentamente suas armas de volta aos coldres sob as jaquetas. Como Khalid conseguiu usar esse coldre sem que ela soubesse, não podia explicar. Tinha que ter colocado ali depois de entrar no Clube.

— Me convidando a entrar agora? — Olhou seus pais, notando o sorriso de Zach quando todos exceto Mohammed voltaram para a sala.

— Espero que Mohammed não tenha deixado machucados em sua delicada carne quando apertou a arma contra o pescoço. — Abram dirigiu outro sorriso, enquanto seu malicioso olhar escuro percorria seu rosto — Me assegurarei que nunca cometa tal engano outra vez.

— Abram — A voz de Khalid tinha uma nota de advertência.

— Ai, os irmãozinhos frequentemente podem ser bastante exagerados, verdade? — Abram sorriu outra vez enquanto soltava seu braço e ia para o bar — Você gostaria de beber algo, possivelmente?

Ela olhou atrás para Khalid quando Abram colocou a mão contra a parte baixa das suas costas e a dirigiu ao bar.

— Isto não é uma reunião social — Disse com brutalidade Khalid — Deixe de fingir que é.

Bem, estava furioso. Teria sido divertido se o ar de perigo que o rodeava não fosse tão denso.

— Eu nunca finjo tais coisas. — Abram estava claramente divertido enquanto servia duas bebidas — Foi tão resistente a me permitir conhecer sua formosa mulher durante tantos anos, que decidi aproveitar esta oportunidade que se apresentou tão belamente. Estou seguro que Ian me perdoará por permitir este ligeiro desvio das regras.

Entregou uma bebida a Marty enquanto brindava com a própria.

Marty levou o pequeno copo aos lábios, cheirou um pouco e logo entrecerrou seu olhar sobre Abram quando se deu conta de que verdadeiramente era uma de suas favoritas. Um pouco de uísque caro com gelo. Brindou com ele antes de beber. Continuou olhando os outros homens cautelosamente.

— Vai conseguir que a matem — Murmurou Zach a Joe, enquanto ela os olhava.

— E acaba de descobrir? — Khalid fulminou os pais dela antes de caminhar a pernadas até o bar, servindo ele mesmo um gole de uísque e bebendo de repente. Continuou olhando-a com o cenho franzido.

— Estive a advertindo — Disse com brutalidade Zach enquanto fulminava o pai e o amante — Mas algum de vocês se incomodou em escutar alguma vez?

— E todos vocês parecem estar esquecendo em que trabalha — Seu pai, Joe, a surpreendeu quando gritou a todos — É uma agente treinada e todos estavam advertidos que não ficaria quieta uma vez que suspeitasse algo. Pelo amor de Deus, Zach, ajudou a treiná-la. Deveria saber que entraria aqui.

Isso era o que pensava ela exatamente.

Olhou fixamente Zach, sem estar realmente surpreendida de sua ira. Ele não queria que se unisse à agência para começar e era bem consciente de que era sua influencia que a tinha mantido afastada das missões que pedia.

— Como convenceu Abdul de que te deixasse sair da limusine? — Khalid passou os dedos pelo cabelo antes de apoiá-los nos quadris.

— Está dormindo. — Ela encolheu de ombros, cobrindo seu amigo — Prometi que ficaria quieta.

— E ele sabe que é melhor não acreditar — Ladrou Khalid.

— E você sabia que era impossível que vocês quatro deslizassem aqui para uma de suas pequenas reuniões secretas. E desde quando o FBI trabalha tão intimamente com os espiões? — Espetou ela, mantendo a voz baixa em vez de gritar enquanto disparava um olhar duro a Shayne — Me dê um tempo, Khalid. Você e meus pais estiveram conspirando contra mim desde o começo. E você. — Girou para Shayne — Tem que estar doente. Estive te seguindo durante dias e não me viu nem uma vez. Onde tem a cabeça? No traseiro?

O pequeno sorriso que curvou seus lábios a assegurou que não esqueceria essa observação. Não que importasse uma merda. Ele poderia ter conseguido que lhe arrancassem a cabeça se ela fosse o inimigo.

— Touché — Murmurou Shayne — Embora, lembro que se sobressaiu em manobras subversivas durante sua instrução.

— Estou segura que há terroristas que se sobressaem nisso também — O informou ela — Não esteve cobrindo suas costas. Poderia ter te chutado mais de uma vez e nem seria informado.

— Protegê-la se converteu de repente em um trabalho — Disse Khalid a seus pais, a ira acentuava sua voz agora — E estou cansando deste jogo de puxa e estica constante entre minha amante e os homens que querem fingir ser meus chefes.

— Eu não preciso de sua proteção — Marty levantou o queixo enquanto os encarava, agora não zangada mas com confiança. Conhecia seu treinamento e suas limitações, conhecia seu trabalho e se algum deles pensava que poderia mudar isso, então era hora de que se inteirassem.

— E se não estivéssemos aqui para afastar a arma de Mohammed de seu rosto? — Khalid passou os dedos pelo cabelo outra vez enquanto os olhos escuros resplandeciam com ira — Então, o que, Marty? Que demônios teria feito então?

— Nunca saberemos, não é? Mas, ele estava a segundos de perder suas bolas quando pôs essa arma em meu pescoço — Respondeu, com cuidado em manter a voz fria — O que remete a pergunta, Ian Sinclair sabe que tem uma montanha raivosa vagando pelos corredores fingindo ser um homem? Ou nosso bom Mohammed é um membro daqui, também? — Viu-os a fulminando com o olhar — O último que ouvi é que há algum tipo de regra contra os membros que batem nas mulheres. Ou são só as mulheres que entram escondidas? — Esfregou a mandíbula — Podemos o expulsar por me bater, não acham?

Não poderia esperar o que aconteceu depois. No segundo que as palavras pareceram conectar com o cérebro de Khalid que Mohammed a tinha golpeado, o punho voou e aterrissou na cara de seu irmão. Um momento depois os dedos estavam agarrando o pescoço do outro homem enquanto jogava Abram contra a parede. Pura raiva sangrava por seus poros e um grunhido bestial parecia rasgar sua garganta.

— O matarei — Grunhiu no rosto surpreendido de Abram.

E Marty já teve o bastante. Era como tratar com uma turma de esportistas universitários. Nenhum deles tinha o bom senso de a encarar com a verdade e tudo o que podiam fazer era golpear um ao outro, andar com rodeios e tentar fingir que não estavam ocultando coisas.

Furiosa. Ninguém mentia realmente, mas se asseguravam em extremo em fazer o quanto podiam para que permanecesse na escuridão sempre que fosse possível.

Enquanto os outros homens corriam para afastar Khalid, ela apertou os dentes enquanto girava e saía da sala. Batendo a porta atrás dela, encontrou-se com toda a força de segurança que subia correndo pela escada, dirigida pelo formidável e muito atrativo Ian Sinclair.

Parou de repente e a olhou com surpresa, como se a vista de uma mulher nos vestíbulos carregados de testosterona de seu clube fosse muito para aceitar, o que estava além da verdade. Sua mulher, Courtney, tinha conseguido entrar escondida frequentemente quando vivia no que tinha sido uma vez a casa privada de Ian.

— Não se preocupe já vou — Informou ela friamente — Embora se fosse você, poria algumas câmaras nestes vestíbulos e cortaria os matagais da porta de trás. Entrar aqui foi tão fácil como tirar doce de uma criança enquanto dorme. — Roçou-o ao passar antes de descer a escada rapidamente, consciente que todos os olhos giraram para observá-la.

Abaixo havia mais homens. A equipe de segurança completa. As portas estavam fechadas firmemente nas salas de baixo, mas alguns dos membros olhavam curiosos de suas posições, apoiados contra a parede.

Cole Andrews, o marido de Tally Conover, Lucian, que se dizia que também era seu marido, Devril e vários outros da elite social, que pareciam despreocupados pelo fato de que ela os tinha visto. Homens com quem havia dançado nas festas, com cujas mulheres foi à escola ou às vezes almoçava.

Não era surpreendente. Sabia que esta gente se mantinha unida mas isto deveria ter sido ridículo.

— Perdão pela intrusão. — Dirigiu um tenso e falso sorriso doce —. Os vejo na próxima festa.

A pernadas atravessou o vestíbulo e saiu pelas portas duplas que um porteiro carrancudo mantinha abertas.

Não tinha intenção de voltar para a limusine. Iria para sua casa primeiro, mas por sorte, o Lexus negro que parou no caminho da entrada resultou muito familiar.

O ex-agente do FBI Mac McCoy. Isso realmente não deveria surpreendê-la, embora o fez. Mac estava casado e vivia supostamente em uma granja a vários estados de distância.

Saiu do veículo, os olhos cinzas se encontraram com os dela enquanto a brisa brincava com seu espesso cabelo negro.

— Marty? — A incredulidade encheu sua voz, confirmando a repentina suspeita dela de que ele sabia exatamente sobre que era este clube. É obvio que sabia, estava aqui e isso significava que era membro.

— Preciso de um transporte. — Moveu-se rapidamente à porta do passageiro — Por favor, Mac, mais ou menos rápido, se não se importa. Me leve a casa de meus pais.

Ele voltou a entrar no carro quando ela abriu a porta e saltou dentro. Um segundo depois acelerava pelas portas principais enquanto Khalid e Shayne permaneciam emoldurados pela luz atrás deles, as expressões cobertas com vários graus de ira, preocupação e frustração.

O Lexus acelerou pelos terrenos do Clube enquanto o silêncio enchia o veículo. Marty sentia o peso em seu peito quando se expandia, enchendo-a, afundando nos músculos e tendões, fazendo que as profundidades de sua alma doessem.

Era uma agente treinada, como tinha indicado. Tinha aprendido a não só procurar as mentiras, mas também a viver uma mentira se fosse necessário. Sabia que Khalid e Shayne ocultavam algo, mas o que não esperava realmente é que seus pais participassem disso.

— Estranho, não posso recordar ter visto jamais uma mulher sair por essa porta — Comentou Mac, quando o carro girou para Alexandria e para a casa de seus pais.

Havia uma nota de curiosidade em seu tom. Mac tinha sido um formidável agente durante seu tempo no FBI. Estranho, ela nunca imaginou que pudesse ser um membro. Havia vezes em que tinha parecido tão dissimulado e legal.

— Estou segura que nunca verá outra vez — O tranquilizou enquanto cruzava os braços e os esfregava acima e abaixo rapidamente.

Sentia-se gelada até os ossos apesar do calor do verão. A confusão a tinha forçado a fugir, mas sabia que deveria ter ficado. Queria saber que demônios estava acontecendo e por que Abram Mustafa, um suspeito simpatizante terrorista, se encontrava em segredo com seus pais bem como Khalid e Shayne.

Sabia que Khalid estava comprometido com o que tramava Shayne. Deveria ter-se dado conta que era muito mais profundo do que suspeitava. Assumiu que ele estava ajudando Shayne com sua operação, mas não esperava que seus pais também estivessem implicados.

Khalid poderia reclamá-la. Podia fodê-la. Mas não podia dormir de noite com ela e certo como o inferno que não se incomodava em falar com ela. Deus nos livre que tivesse que rebaixar-se a explicar suas ações para ela.

— Shayne e Khalid não pareciam contentes — Comentou Mac pouco depois, quando ela não disse nada mais.

— Isso me incomoda tanto. — Disparou um olhar fulminante. Era um homem, um membro do clube e portanto provavelmente estava na conspiração que governava atualmente a vida de seus pais.

— Já vejo. — Assentiu com seriedade, como se não estivesse zombando.

— É um membro do clube — Indicou.

— Eu não. — Houve agora uma insinuação de risada em sua voz — Me ia encontrar com uns amigos para beber algo.

— Só entram membros. — Fulminou-o por mentir.

Com isso, Mac sacudiu a cabeça.

— Ou ex-membros. Sério, ia encontrar com uns amigos para beber algo, agente Mathews, nada mais. E acabei bancando o cavalheiro branco. — Mostrou o que ela estava certa que pensava que era um sorriso encantador.

Marty apertou os dentes com esse humor. A diversão não estava no alto de sua lista de prioridades esta noite.

— Deixe, Mac — Advertiu — Não estou de humor.

— O trabalho de um cavalheiro branco nunca acaba. — Estalou a língua enquanto sacudia a cabeça e olhava para trás — Estranho, não imaginava que Khalid pudesse se meter em tantos problemas com você. Acredito que esteve te reclamando durante tanto tempo que esqueceu o que é dar-se conta de que possivelmente não pertence a ele realmente.

Marty girou e o olhou com surpresa e ira.

— Que porra quer dizer com isso?

Por um momento, o silêncio encheu o carro. Mac fez a curva que levava a casa de seus pais e parou lentamente no caminho. Estacionando o Lexus no parque, girou para olhá-la pensativamente uns longos momentos.

— Tinha dezoito anos — Disse por fim — Khalid fez saber a todos aqueles que poderiam ser uma ameaça para sua futura relação com você que considerava seu coração como dele. Ele era uma pessoa muito mais sombria então, Marty. Um homem com muitos demônios. Um homem que inclusive seus pais receavam naquele momento.

Marty negou com a cabeça.

— Não acredito.

Ele encolheu os ombros com indiferença.

— Acredite no que queira. Mas pode contar com isto. Khalid te alcançará. Quando o fizer, mostrará exatamente por que esperou até que não pôde mais para tomá-la. Te mostrará os demônios que o enchem. Só espero que seja o bastante mulher para aceitar.

— O bastante mulher para aceitar um terceiro que deseja nessa relação? Que tal o bastante mulher para descobrir quando me mente? — Mofou —. Tem alguma ideia de quão pomposo soa neste momento?

— O bastante mulher para ver sob as ações e para aceitar a verdade do homem que possivelmente não se deu conta de que te entregou seu coração — Disse brandamente — E isso, Marty, requer uma mulher que não só seja forte mas também pormenorizada. Pergunto-me se pode ser ambas.

Ela não podia ser ambas, pensou, quando se dispôs a sair do carro.

Dando as costas, abriu a porta e caminhou para a casa a pernadas enquanto a porta dianteira da casa se abria e sua mãe parava no marco da porta.

Sua mãe estava em casa. Seu pai devia tê-la chamado, devia ter contado o que estava acontecendo. Virginia parecia bem descansada, mas preocupada e zangada. Os olhos cinzas pousaram em Marty com um cenho que marcou a ainda suave testa.

Marty não discutiria isto com ela. Ainda não. Mas poderia se esconder aqui até que seus pais chegassem e averiguasse exatamente o que tramavam com Khalid e Shayne.

 

Khalid permaneceu calmo, embora não fosse tão fácil, como desejava, viajar na parte traseira da limusine de Joe Mathews, minutos depois que Mac tirasse Marty do clube. Joe, Zach e Shayne estavam silenciosos. O silêncio crispava seus nervos, nervos que nunca tinham sido postos a prova até esta noite, até que se enredou com Marty.

O único homem que parecia não estar afetado era Joe, recostado no assento de couro simplesmente olhando Khalid.

— Esta é uma confusão de merda — Resmungou Zach para Joe, sentado ao seu lado.

— É obvio — Esteve de acordo Joe — Deixamos que nossas emoções se implicassem. Quando o permitimos sempre é uma confusão.

A diversão soava na voz de Joe enquanto Khalid o olhava com frieza. Ao seu lado, podia sentir a tensão que irradiava de Shayne. Os ânimos ferviam a fogo lento e Khalid tinha o pressentimento que seu próprio controle não duraria muito tempo.

— Maldição, Joe — Blasfemou Zach, em voz baixa — Ela pensa que tramamos contra ela.

— O fizeram — Indicou Joe — Todos o fizeram ao não dar as respostas que exigia. Eu não cometi esse engano.

— Treinou-a muito bem, Zach, se não queria que colocasse o nariz onde não devia — Shayne os olhava, com os braços cruzados no peito e o cenho franzido — E Khalid poderia nos ter economizado todo o problema se houvesse dado os detalhes em vez de uma parte insignificante dos sucessos.

— Não pedi sua opinião, maldito espião — Disse Zach zangado — Só voltou aos Estados Unidos para informar Khalid sobre seus irmãos, esperando que escolhesse você como seu terceiro. Não creia que não estamos conscientes disso.

— Já basta — Khalid observou como Joe o olhava com interesse quando devolveu o olhar — Isto terminará agora. Uma vez que cheguemos à casa lhe direi o que precisa — Não é que queria fazê-lo. Merda, uma pergunta ia conduzir a outra e antes que soubesse, sairia a verdade de seu próprio passado.

A sobrancelha de Joe se arqueou.

— Eu diria que é um pouco tarde para isso. Se estivesse em seu lugar, usaria um Kevlar . Está pronta para atirar em todos.

— Se ela não o fizer, faço eu. — Khalid se obrigou a manter as mãos de lado, em vez do pescoço de Zach por obrigá-lo a ir a essa reunião, sabendo que Marty estava com Khalid e Shayne.

— Sinto que estou lançando minha filha aos fodidos lobos. — Zach fulminou com o olhar Khalid e Shayne.

Era exatamente o que tinha feito; o fez há anos, quando deu a Marty a oportunidade de unir-se ao FBI.

Tinha permitido que sua amante, a esposa de Joe, o convencesse. Cedeu diante a mulher e a menina que amava e Khalid suspeitava que lamentou todos os dias depois.

— Agora é sua mulher — Disse Shayne em voz baixa — Faria algo diferente? E enquanto pensa na resposta, me diga Khalid, pensou em contar sobre Abram e Lessa?

— É muito tarde para pensar no que fiz ou no que ainda tenho a fazer — Tinha que ter feito antes. Nunca deviria ter se afastado dela. Deveria tê-la tomado quando tinha dezoito anos, e era bastante jovem para ser convencida a ser amante em vez de guerreira.

Porque Marty era exatamente isso, uma guerreira e tinha anos de treinamento frente à guerra que tinha eleito. Tirá-la agora do fogo não era possível.

— Não a culparia se atirasse em todos — Joe passou a mão cansativamente pela cara quando a limusine entrou no meio-fio de sua casa — Deus nos ajude. Agora vamos lamentar não estar mortos. Virginia está em casa.

— Então se prepare para começar a rezar — Advertiu Zach.

— Comecei há semanas — Disse Joe irritando seu amigo — Entretanto, ela vai te matar primeiro. Pense nisso. Sabe que nunca teria ajudado a tramar contra ela. Nunca soube mais que detalhes.

— Por que se negou a ler os arquivos — Disse Zach furioso.

— Pela razão que seja — Joe encolheu de ombros tranquilamente — De todo modo, cobri minhas costas. Espero que você também. Deus te ajude se ela perguntou e você mentiu.

— Nunca menti — Grunhiu Zach.

A limusine começou a parar ao mesmo tempo que Khalid se endireitava lentamente, captando a atenção de ambos os homens.

— Sua proteção já não é seu assunto — Declarou. O tom gelado, deixando clara sua intenção.

— Khalid... — Uma pequena ruga apareceu entre as sobrancelhas de Zach. Em primeiro lugar ele era seu pai, Khalid sempre soube, mas em seus esforços para proteger sua filha só tinha lhe feito mal.

— Agora é minha — Declarou ele, com voz áspera — Não interferirá nisto, nem tampouco em sua vida por mais tempo. A próxima reunião que convoque, será em um estabelecimento em que ela possa assistir. Sem mais segredos, entendido?

Mas ele era culpado de seus próprios segredos e Khalid sabia.

Joe gemeu.

— Tentar levá-la agora será impossível.

— E agora poderia estar enfrentando um pesadelo se meus irmãos conseguissem pôr as mãos em cima dela. — A raiva carcomia Khalid como um ácido corrosivo ao pensar no mal que seus meios-irmãos tinham centrado nele — É meu passado o que a põe em perigo e me assegurarei de que já não continue.

Com um movimento rápido e irritado de pulso abriu a porta, sem esperar o chofer e saiu do carro. Detendo-se, Khalid observou os outros homens saírem do veículo. Shayne foi o último a sair. Seu olhar percorreu a zona, com os olhos entrecerrados e penetrantes procurando qualquer ameaça.

Marty também era assim. Onde quer que fosse, independentemente do que fizesse, sempre estava particularmente alerta de seu redor e do que estava acontecendo.

— Hora de sofrer as consequências — Ouviu o murmúrio de Joe para Zach quando se dirigiram à casa — Virginia não vai ficar contente conosco. Sabe, se prestasse atenção mais frequentemente, não nos meteríamos em tantos problemas.

Eles frequentemente discutiam como irmãos. Desde jovens.

— Ninguém sustenta uma arma em sua cabeça — Soprou Zach — Se fazer de inocente não vai muito longe com ela.

— Mais longe do que você. — Havia uma diversão implícita que fez Khalid sacudir a cabeça.

Naquele momento a porta principal se abriu e Khalid quase se detém de repente quando Virginia Mathews fulminou os quatro com o olhar.

Com os ombros tensos e jogados para trás, seu delicado corpo tremia de ira, seus olhos cinzas lançando adagas furiosas a todos.

— Vamos Ginny, não é tão mau como ela pensa — Começou Joe. Tinha as mãos em alto como se pudesse parar as zangadas palavras antes que emanassem de seus lábios.

— Não posso acreditar nos quatro. — Não limitou sua cólera ao seu marido, seu amante ou aos homens na vida de sua filha. Caramba, não! Estava zangada com todos.

Ao entrar na casa, os quatro homens enfrentaram não só uma mãe zangada, mas também uma filha furiosa. Marty estava de pé no outro extremo da entrada, com os braços cruzados no peito, o olhar cinza entrecerrado sobre eles.

— Terminou sua curta visita? — Dirigiu sua ira a Khalid.

— No momento — Ele encolheu de ombros como se essa irritação não o perturbasse, quando na realidade podia sentir que suas bolas se encolhiam com um medo visceral. Parecia pronta para matar — Entretanto, estou seguro que haverá mais no futuro.

— Vamos à cozinha — Joe dobrou os ombros como se temesse que uma chicotada caísse sobre eles — Diabos, vou precisar de um café para isto.

— Pensa que as explicações vão resolver? — Virginia perguntou com incredulidade — Joe, te adverti sobre brincar com sua vida. Adverti os dois. —Também lançou um olhar fulminante a Zach — Penso em fazer minhas malas e me mudar com minha filha. Só Deus sabe quantas vezes, durante anos, ambos me utilizaram.

Khalid manteve uma expressão neutra, fria. Notou que Joe e Zach faziam o mesmo. Não serviria para nada liberar o elegante e, ainda célebre, caráter de Virginia Mathews. Era uma fera e uma que sabia cortar até os ossos a carne de um homem a quarenta passos.

— Café — Quando entraram na cozinha Zach se dirigiu à cafeteira; Marty manteve uma ampla distância entre ela e todos os outros.

Ela fazia isto frequentemente, pensou Khalid.

— Marty, Virginia, por favor — Joe assinalou as cadeiras da mesa de cozinha — Sentem-se.

Sentaram-se, embora a contra gosto, enquanto contemplavam os outros dois homens como se tivessem adquirido presas e chifres nas últimas horas.

— As coisas são um pouco complicadas — Finalmente expôs Joe, quando Zach passou por trás da mesa e todos sentaram — Tudo isto é culpa do Zach.

Zach lhe lançou um olhar vingativo.

— Com vocês dois implicados, não me surpreende — Espetou Virginia — Faz as coisas difíceis de propósito. Nem se incomode em bancar o inocente comigo, Joe.

— Fazemos o que temos que fazer, Ginny. — O reflexo de cansaço no tom de Zach fez que o olhar de Khalid saísse da expressão zangada de Marty para a decidida determinação de Joe.

— Basta — Joe se inclinou para frente, seu olhar penetrante estava agora fixo em Marty — Está zangada, mas sem razão, Marty. Ninguém mentiu. Tentamos simplesmente te manter a salvo tentando deter os meios-irmãos de Khalid, e a quem enviaram para te matar no dia que dispararam em seu carro. Sabemos que estão implicados, mas saber e provar são duas coisas distintas.

— Papai, odeio quando fala pelas minhas costas. — Marty se inclinou para frente, pondo os braços na mesa enquanto fulminava Joe com o olhar — Convocou a reunião desta noite, sabendo que não podia ser incluída pelo lugar que era. Poderia ter trazido o irmão de Khalid aqui, ou em sua casa e ninguém saberia. Ao invés, manteve-o ali, onde Khalid não tinha nenhuma outra opção se não me mentir, ou me deixar tão curiosa que o seguiria. Usou-o. — Ela se inclinou, com a ira gravada em seu rosto — E eu não gosto — Seu olhar se dirigiu a Khalid, seus escuros olhos irradiavam cólera — E você. Permitiu isso a maior parte de sua vida.

— Ninguém me usou, preciosa — Assegurou com um vislumbre resistente em seu tom — Em todo caso, eu os usei para conseguir meu propósito de destruir Azir Mustafa. Simplesmente não conseguimos ainda — Seu olhar se estreitou sobre ela.

— E a reunião desta noite não tinha nada a ver com você — Terminou Zach por ele — Assim simples.

— Tinha que entrar no clube — Grunhiu Khalid — Assim como inteirar-se da reunião, apesar de minhas melhores tentativas de te manter afastada — Olhou-a fixamente — Não podia esperar que explicasse; não podia perguntar. Não, sentiu a necessidade de penetrar como se mentisse em vez de me perguntar isso diretamente.

Marty o olhou, perguntando-se se de algum modo o mundo se inclinou sobre seu eixo, ou se havia alguma praga mental que só afetava os machos das espécies.

— Como se as perguntas fossem me levar a algum lugar — Soltou — Esquece Khalid, sei exatamente como é reservado e que cada vez que faço uma pergunta, convenientemente tem algo mais a fazer.

— Algo como te proteger. É culpa minha que esteja em perigo. É meu trabalho resolver.

Khalid parecia totalmente sério e ninguém ao redor da mesa contestou sua declaração.

— Khalid, qual o jogo agora? — A indignação se elevou em seu interior —. Pareço estúpida? Que não sou consciente das tentativas de desviar minha atenção? Que me esconde coisas? Possivelmente se não fosse tão condenadamente evasivo poderia ser mais fácil de acreditar.

Os olhos negros piscaram com impaciência quando ela o fulminou com o olhar, negando-se a ruborizar com a certeza de que seus pais conheceriam exatamente a tática que ele usava.

— É francamente difícil te dizer a verdade. Sua natureza suspicaz torna muito difícil contar o que suspeitamos — Grunhiu ele — Entretanto, é exatamente assim, a verdade. As reuniões entre Abram, seus pais e eu são para trocar informação e assuntos de segurança. Entretanto, certas facções suspeitam. Para dissipar essas suspeitas, encontramo-nos no clube, nos assegurando que não pareça que Abram e eu trabalhamos juntos outra vez, como fizemos no passado com seu padrinho.

Ela se recostou na cadeira e o contemplou em silêncio. Poderia estar dizendo a verdade, mas nada disto tinha sentido para ela.

— Por que importa se os dois são amigos ou não? São irmãos — Indicou ela.

Khalid lançou um olhar ao seu padrinho Zach, antes de exalar profundamente.

— Essa era a impressão que queríamos dar uma vez que abandonei a Arábia Saudita. Cortei todos os laços com a família quando meus irmãos, Ayid e Amam, descobriram meus elos com o FBI e começaram a planejar sua vingança. A informação que dava às forças sauditas e americanas para localizar o quartel general que meus irmãos tinham em Riad, e que tinham planejado um atentado contra a família real Saudita por seus laços com a América. Aquela informação conduziu a um ataque onde conforme parecia meus irmãos tinham morrido. Em vez disso, eles escaparam. Suas mulheres não o fizeram. Eu mal saí vivo da Arábia Saudita.

Khalid conseguiu ocultar a informação sobre a morte de Lessa e seu fracasso em protegê-la, enquanto esperava que tivesse dado suficiente informação para dissipar suas suspeitas. A esposa de seu irmão tinha sido então sua responsabilidade. Ele tinha sido crédulo, havia-a fodido e ela pagou com sua vida. Como esperava que Marty pusesse sua confiança nele se sabia como tinha falhado a outra mulher? Uma mulher que tinha acreditado nele para protegê-la.

E sabia, sem dúvida, que finalmente seus irmãos golpeariam outra vez. A menos que ele golpeasse primeiro e se assegurasse que não se levantassem para devolver o golpe.

Marty o contemplou então com atenção, como fez sua mãe. Quase pôde ver as engrenagens trabalhando em suas cabeças, processando a informação, dissecando e examinando.

— E sabe sem sombra de dúvida, que seus irmãos me atacaram? — Perguntou Marty. Podia notar a escassez de informação, as peças que faltavam, mas não podia assinalar exatamente o que não diziam. Uma coisa estava clara: se não fizesse a pergunta correta, então nunca saberia o que ele ainda ocultava.

— Não há dúvida — Assegurou.

— Esta é a razão pela qual não me reclamou?

Ela observou como o olhar de Khalid se fechava.

— O fiz porque não podia te pôr em perigo devido a minha determinação de destruir à família Mustafa.

Mas havia mais. Com Khalid, sempre havia mais.

— O que não está me dizendo?

Khalid suspirou.

— Tenho trinta e cinco anos, preciosa. Estou seguro que se inteirará de coisas sobre mim mas, não é parte da atração em uma relação?

Ela lambeu os lábios, de repente consciente da seriedade de sua expressão, a tênue luz de emoção em seus olhos Podia de repente prometer algo mais que só sexo?

— Não minta — Sussurrou — Me destruiria.

— Sem mentiras. — A sinceridade encheu sua voz.

Ainda escondia algo, podia notar, sentir e Marty sabia em seu coração que isto era uma mentira em si. Mas não podia se afastar dele. Não podia suportar pensar em perdê-lo, ainda não, não até que tivesse que deixá-lo ir.

— Marty, minha vida não foi encantada — Declarou ele brandamente — Levei uma vida cheia de sangue e pesadelos que frequentemente desejo só esquecer. Pode me culpar por não querer arejar aqueles pesadelos ainda? Posso tomar um momento de minha vida para desfrutar simplesmente de minha mulher? Em vez de arrastá-la a um passado que lamento ter.

Mas ela o amava. Tinha direito a ser parte de sua vida. Olhou Shayne, notando que, como seu pai, tinha encontrado algo mais a que dirigir sua atenção. Parecia que o desenho do papel de parede da cozinha o tinha hipnotizado.

Voltando-se para Khalid, ela assentiu devagar.

— Se não houver nada mais.

— No momento, juro, não há nada mais importante que te abraçar.

Marty tinha o pressentimento de que aqueles pesadelos eram a chave das respostas que necessitava. A razão pela qual uma parte de Khalid permanecia distante. Porque ela não tinha o coração do homem, quando ele sustentava seu coração. Zach ficou de pé e se dirigiu para a cafeteira para encher as xícaras que tirou da mesa.

Depois de encher as xícaras com café e as levar até a mesa, voltou a tomar assento e olhou Virginia.

— Fizemos todo o possível para protegê-la, Ginny. Ela pode estar zangada conosco, mas a mantivemos a salvo.

Marty teve que rir de sua sarcástica mãe, pelo pouco elegante bufo.

— Por que não me contou o que acontecia? — Ela olhou então Khalid e Shayne.

— Porque não estamos seguros do que acontece; ainda não estamos —Respondeu Shayne — Vim aqui com informação para Khalid, rumores de que seus meios-irmãos suspeitam que ele ajudou a dissolver a célula que enviaram atrás de você e que ele trabalhava outra vez para destruí-los. Agora, estou fazendo o impossível para descobrir quem te tirou da estrada e tentou te acertar, e se Ayid e Amam estão mais perto do que deveriam estar.

— Marty, não há nada mais — Prometeu seu pai, com o olhar cheio de amor e sinceridade — Eu diria isso.

— Se soubesse — Lançou um olhar furioso ao seu padrinho.

— Juro, é em tudo o que Khalid está comprometido — Jurou Zach — Diria se houvesse algo mais. Desde o ataque contra você, pus dois homens constantemente te vigiando. Não me arrisco com sua vida.

Sua mandíbula se esticou quando entrelaçou os dedos e os apertou um contra o outro. Ela havia se sentido vigiada, mas como Shayne, era incapaz de assinalar quem a vigiava ou o que eles queriam.

— Não posso acreditar — Sua mãe falou antes que ela tivesse oportunidade, elevando a voz com fúria maternal — Suspeitava que a estavam seguindo e nunca me chamou e me advertiu que minha filha estava em perigo.

— Ele tampouco tinha compartilhado comigo o fato de que a estavam seguindo. — O tom baixo de Joe se fez mais profundo quando tentou mudar o foco de seu próprio conhecimento, que Marty tinha estado em perigo e que não tinha chamado sua esposa.

— Que demônios pensa que faz ao me ocultar informação?

Agora, isto era familiar. Este foi um dos motivos pelos quais Marty saiu da casa de seus pais quando se graduou na escola secundária. Brigavam por ela, constantemente. Era filha única e a fonte de seus maiores desacordos.

Geralmente, não era que sua mãe não tivesse razão quando discutia com eles, mas uma vez que começavam, seus pais não podiam evitar sepultar um ao outro mais fundo no problema.

— Tive o bastante — Marty se levantou rapidamente, com a intenção de sair da casa tão rápido como fosse possível. Olhando seu padrinho, o homem que considerava seu outro pai, Marty sentiu a ferida recrudescer nela — Possivelmente quando responder a minha mãe, possa me avisar por que não me advertiu que seus homens me seguiam. Teria sido agradável saber, no caso de me perguntar se tinha a mira de uma arma sobre mim outra vez.

— Fiz o que pensei que era melhor — Ele ficou de pé, com as mãos sobre a mesa — Igual ao seu pai, não tinha nenhum desejo de arruinar as férias que esperou durante dois anos com tanta ilusão, a menos que não houvesse outra opção — Então olhou Khalid — E tanto como desaprovo que Khalid a arrastasse para sua vida, quis que tivesse o tempo necessário com ele. Já era bastante mau que estivesse em perigo. Eu te queria cômoda e a salvo.

Veio aos lábios uma resposta mordaz, mas a conteve. Amava seus pais, os três. Não tinha nenhum desejo de os machucar, apesar da arbitrariedade de Zach.

— Vou para casa.

Khalid e Shayne se levantaram também. Era fácil ver que tinham a intenção de segui-la. Ela esperava que se contentassem dormindo no carro, no exterior de seu apartamento, porque era para aí onde se dirigiam.

— Você fica com Khalid. — Zach fez soar como uma ordem.

Marty soltou uma ligeira risada.

— Não acredito papai, mas deixarei se acredita que dormirei melhor esta noite. — Estava zangada. Sua afiada língua era impossível de controlar em melhores circunstâncias, mas a dor que se fortalecia em seu interior fez impossível detê-la nesse momento.

— Marty, deveria ficar — Sua mãe se levantou e se dirigiu a ela, estendendo as mãos com carinho — Dê a seus pais uma oportunidade para descobrir o que está acontecendo antes que saia. — Lançou um olhar fulminante a Zach — E eles descobrirão, prometo.

— Então podem me avisar assim que o façam. — Beijando a bochecha de sua mãe, respirou profundamente antes de se dirigir ao seu pai Joe — Poderia me emprestar o carro, papai?

— Abdul chegou com a limusine — Disse Khalid — Te levarei para casa.

— Boa tentativa Khalid. — Agora seu sorriso era tenso, zangado — Mas dispenso. Você e Shayne podem ter um agradável passeio a sós esta noite. Considere como tempo de estreitar os laços.

— Amor, fica esta noite — Joe ficou de pé, com a cara sulcada de rugas pela preocupação — Chegaremos ao fundo disto, prometo.

— Por que está tão preocupado papai? — Soltou uma ligeira e fácil risada cheia de amarga diversão — Depois de tudo, os agentes de papai Zach mantêm um olho cuidadosamente em mim, recorda? Estarei bem.

— Me dará mais cabelos brancos — Resmungou Zach — Deveria nos escutar Marty. Fica aqui esta noite.

— Tenho uma casa e é onde vou ficar — Tomando as chaves do carro de seu pai, deixou que seu olhar percorresse os quatro homens, outra vez — Sabe, penso que tomou uma decisão por mim que só estive considerando. Terá minha demissão em sua mesa no final da semana. Sinto papai, mas se pôs seus homens sobre mim sem meu consentimento, então não tenho nada a fazer exceto sair da agência.

— Maldito seja o inferno, Marty, não faça isto — Zach se endireitou pela sacudida quando ela, não fazendo caso de sua surpresa, abandonou a cozinha.

Atrás dela, Joe e Zach começaram a discutir ferozmente. Khalid e Shayne espreitavam atrás dela; podia senti-los enquanto andava rapidamente para a porta.

— Marty — A mão de sua mãe lhe tocou o braço, detendo-a na porta principal — Não tome uma decisão precipitada.

Girando, Marty exalou asperamente, olhando sobre o ombro de sua mãe para onde Khalid e Shayne a olhavam com a mesma quantidade de intensidade reflexiva.

— Saiam — Pediu a ambos com cansaço — Me deixem só de uma vez.

— Esperaremos lá fora — Foi uma grande concessão por parte de Khalid, algo que poderia contar. Ela observou como saíam.

Voltando para sua mãe, ela meneou a cabeça com cansaço e lutou para conter as lágrimas.

— Sabe mamãe, odeio que brinquem com minha vida.

O sorriso de Virginia era de amor, de compreensão.

— A gente aprende a lutar com isso — Disse brandamente — Quando está casada com eles. Os amo, Marty, mas às vezes não posso esperar para ter minhas férias só e escapar deles.

Envolvendo os braços ao redor de seu peito, Marty inclinou sua cabeça durante um longo instante, como se uma sensação de impotência se apoderasse dela.

— Penso que sair da agência é o melhor — Disse afinal — Eles não podem me vigiar como uma mamãe galinha se não estiver ali. Duvido que Braque Sawyers se importe um nada com o que meus pais queiram referente às missões que tenha.

A empresa de investigação privada de Braque era uma multinacional. Marty tinha certeza que Braque não discutiria o salário que pedisse se houvesse uma possibilidade de ceder ao Diretor do FBI. Marty tampouco estava preocupada que cedesse ante Khalid.

— É adulta — Declarou Virginia tristemente — Só recorde, Marty, eles te amam. Nos amam.

— E os amo, mamãe — Suspirou — Mas para continuar amando-os, tenho que pôr distância deles.

— E Khalid? — Perguntou Virginia — Tem que se afastar dele também?

Ela?

— Espero que ele seja domesticável.

Marty gemeu; sabia que as possibilidades disto eram quase nulas. Bem, domesticá-lo realmente não estava na equação.

Ela duvidava muito seriamente que Khalid fosse domesticável no mínimo. Se o ceticismo de sua mãe dizia algo, então ela também duvidava.

Os lábios de Marty se arquearam com um pouco de zombadora diversão segurando uma risada triste. Sua mãe não se incomodou em segurar sua própria diversão, nem sua risada. Ambas sabiam exatamente a batalha que Marty confrontava.

Alcançou sua mãe, deu-lhe um forte abraço, logo se dirigiu à porta.

— Ligarei amanhã, mamãe.

— Faça-o — Ordenou sua mãe brandamente — Depois de tudo, interrompi o sol, a diversão e a areia para vir para casa e tentar controlar seus pais para você. Pelo menos, mereço uma ligação, assim como uns almoços e um dia de compras.

Marty gemeu quando deixou a casa e fechou a porta atrás dela. Odiava os almoços e os dias de compras com sua mãe. Esgotavam-na.

Sem fazer caso dos dois homens que a esperavam, desceu as escadas e se dirigiu decidida ao Jaguar negro de seu pai, que estava estacionado ao lado do meio-fio circular.

Foi consciente deles entrando na limusine, bem como a todo momento da limusine atrás dela enquanto se dirigia para casa. Estava exasperada, cansada e seu gênio pendia por um fio. Tratar esta noite não com um, mas com dois homens incrivelmente arrogantes, não era sua ideia de uma noite de diversão. Mas parecia que não era algo de que pudesse livrar-se, tampouco.

 

Khalid observou as luzes traseiras do carro de Joe Mathews quando acelerou através do escasso tráfico noturno de Alexandria. De sua posição na parte de trás da limusine, olhando para frente, conservou a vista enfocada nessas luzes e na mulher que se dirigia da casa de Joe à sua.

Shayne sentou no assento em frente, as costas apoiadas no canto, o olhar entrecerrado enquanto o observava.

Khalid sabia que havia muitas coisas em seu passado que este homem tinha tido acesso. No momento em que se havia sentido invencível e indestrutível, Shayne esteve nas imediações.

Como agente secreto do FBI, trabalhou com ele na zona fronteiriça da Arábia Saudita e Iraque em várias ocasiões. Shayne tinha sido o agente da CIA na região. Tinham intercambiado informação várias vezes, trabalhado ombro a ombro e lutado para identificar os terroristas e descobrir os diversos complôs para atacar os Estados Unidos e aliados.

Até esse último dia brutal e sangrento. Até que Khalid tinha se dado conta de que nada era sagrado e ninguém vivia para sempre.

— Nunca a deveríamos ter levado aos terrenos do Clube — Disse Shayne pensativamente — Sabia que não permaneceria quieta. Acredito que você sabia também.

Khalid lhe disparou um olhar fulminante.

— Acredita que queria me ocupar disto esta noite? Ter à mulher que tento convencer a se mudar para minha cama, vendo que ainda conspiro com seus pais pelas costas dela?

Não podia acreditar que algo tão insensato pudesse ter saído dos lábios do outro homem. Tinham posto em perigo sua filiação dando a oportunidade de se meter às escondidas no Clube. A única garantia que tinha de que não haveria repercussões era o fato de que tanto Joe como Zach estavam no comitê judicial que fiscalizava o possível castigo a tais delitos.

— Que melhor maneira para fazê-la sair de sua vida? — Perguntou Shayne quando a limusine girou na rua residencial onde se encontrava o apartamento de Marty.

Os lábios de Khalid se curvaram desgostados pela observação.

— Não seria nenhuma dificuldade escolher outro terceiro, Shayne — Informou bruscamente ao outro homem.

A expressão de Shayne não mudou o mínimo. Divertida, a condescendência estava firmemente arraigada.

— Experimenta escolher alguém que aguente suas exigências como eu o faço —Riu Shayne, enquanto levantava os dedos de uma mão e começava a enumerar —: Esquecer seu coração. Não tocá-la a menos que esteja presente. Conhecer cada movimento que faz — Sacudiu a cabeça — Diabos, sei que há mais, mas está começando a me encher o saco.

A limusine se deteve na rua diante do apartamento de Marty, bem atrás do carro de seu pai.

— Espere aqui, Abdul — Ordenou Khalid sem dignar-se a reconhecer a zombadora referência de Shayne às regras que tinha estabelecido.

Abrindo a porta, saíram do veículo e expressamente avançaram a pernadas para a porta de segurança do edifício. O ferrolho se abriu com um clique quando Khalid tentou alcançar o trinco, o pessoal de segurança o reconheceu imediatamente.

— Boa noite, senhor Mustafa. — O guarda saudou com a cabeça enquanto eles avançavam para os elevadores.

Khalid assentiu em resposta antes de apertar o botão e esperar impaciente.

— Alguma regra para esta pequena reunião? — Perguntou Shayne zombateiramente.

— Fecha a boca antes que quebre seu maldito pescoço — Disse Khalid quando as portas se abriram.

O elevador se deslocou com rapidez parando no andar de Marty a tempo de apanhá-la quando deslizava a chave na fechadura.

Volteando a cabeça, cravou o olhar neles por um bom momento antes de revirar os olhos e girar a chave.

— Sabe, este puxa e estica vai me crispar os nervos — Afirmou quando se aproximaram — Estou realmente cansada, Khalid. Teria a bondade de pegar seu amigo e desaparecer por um tempo?

Khalid se deteve a centímetros dela.

— Sugiro que faça a mala — Disse — Ficará no imóvel por um tempo.

Ele ignorou o forte suspiro de Shayne.

— Sabe Marty, realmente pensei que tinha melhor gosto para homens — A diversão enchia a voz do outro homem enquanto o olhar dela permanecia cravado no de Khalid — Sabe, este não é exatamente do tipo amável e terno.

— Sério, pensei que era mais sensato — Disse zombateiramente.

— Parece que não — Shayne encolheu os ombros quando Khalid cruzou os braços sobre o peito e devolveu o olhar a Marty com exigência.

Sacudindo a cabeça, Marty abriu a porta.

Khalid teve só um segundo de advertência. Viu a sombra pela extremidade do olho ganhando velocidade enquanto se aproximava da porta e de Marty.

Houve essa fração de segundo em que a adrenalina rasgou através dele, em que a força o percorreu a toda pressa o corpo. Agarrando-a pelo braço, atirou-a bruscamente para trás, jogou-a para Shayne, tentando atacar o intruso jogando-se sobre eles.

— Merda! — Shayne gritou atrás dele quando Khalid sentiu que uma escavadeira batia contra seu peito, jogando-o para Shayne e escutando Marty gritar sobre armas e abaixar-se.

Uma rápida e apagada réplica de disparos o fez tentar atirar-se sobre ela. Por desgraça, Marty estava um passo adiante dele e de Shayne.

Quando o intruso vestido de negro se precipitou para o canto do vestíbulo, Marty estava perseguindo a forma em fuga, a arma estreitamente sujeita contra a coxa quando o seguiu correndo.

Tirando bruscamente a Glock debaixo da jaqueta, Khalid foi atrás dela, com Shayne correndo a toda velocidade atrás dele quando todos se detiveram no canto.

Levantando a mão, Khalid a olhou furioso quando ela começou a agachar-se e a dar à volta no canto.

Agachando-se, Khalid também deu uma olhada, atirando-se para trás quando o disparo soou da janela aberta e da escada de incêndios exterior.

Com um rápido gesto indicando que se dirigia ao seguinte andar pelas escadas, Shayne saiu correndo de sua posição e abriu caminho pelas portas no vão da escada.

— Agora o que? — Marty girou a cabeça e arqueou uma sobrancelha zombateiramente.

— Você vai por baixo, eu irei por cima. — A adrenalina percorreu o corpo de Khalid quando ela esboçou um sorriso brilhante e endiabradamente honesto antes de assentir rapidamente com a cabeça.

Atrás deles, as portas dos apartamentos se abriam, as vozes pediam explicações e tudo o que ele podia fazer era perceber uma estranha e desconhecida sensação de plenitude.

Nunca tinha tido uma amante que pudesse se igualar neste aspecto a ele. Esse lado que estava sedento de perigo.

— Por cima, por baixo — Respondeu gesticulando com a boca — Um. Dois…

No três, moveram-se.

Marty se jogou no chão, começou a rodar e chegou ao outro lado do vestíbulo com a arma apontando à janela agora vazia e à parada escada de incêndios.

Quase simultaneamente, ficaram em pé e correram ao mesmo tempo para a janela. Marty por baixo, ele por cima. Ambos ficaram olhando a vazia escada de incêndios durante um longo momento.

— O filho da puta se foi — Gritou Shayne do andar abaixo — Nenhum carro, nada, só desapareceu.

Desaparecido. Isso significava que quem quer que fosse o diabo que estava atrás dela, ainda estava ali fora.

— Sobe — Ordenou Khalid, a voz áspera quando agarrou seu braço e começou a tirá-la do vestíbulo.

Os residentes nas portas abertas dos apartamentos os olhavam curiosos e comocionados.

Ignorando-os, Khalid continuou arrastando-a para o apartamento.

— Tudo está bem — Marty agitou as mãos para eles — Podem voltar para seus lares. Brindem por mim. Não se preocupem, este é o dono do edifício. Nada com que preocupar-se.

— Shayne estará aqui em um minuto. — A voz de Khalid era mais dura e exigente — Junte um pouco de roupa ou fique sem ela, você escolhe, mas depressa.

A porta se fechou de um golpe atrás deles.

— É obvio que sim — Marty liberou o braço com um puxão enquanto refreava a necessidade de revirar os olhos — Me deixe adivinhar: um membro do clube pode te ajudar a sair disto sob as circunstâncias corretas.

Deslocou-se ao quarto e tirou de um puxão a bolsa de viagem que tinha a mão debaixo da cama. Tinha várias mudas de roupa e os itens necessários, assim como também uma arma adicional e munições.

— Seus pais podem se encarregar de tudo que diga respeito à polícia — Informou a Marty — Simplesmente prefiro estar em terreno familiar.

— Bem. Estou preparada — Jogou a correia da pesada mochila sobre o ombro enquanto se voltava para ele — Vamos.

O olhar dele se moveu rapidamente à mochila, mas a surpreendeu quando não fez comentários. Em troca, estendeu a mão.

Ficou olhando a mão durante um bom momento antes de depositar a sua nela. Ao sentir os dedos dele rodeando os seus enquanto a levava rapidamente pelo apartamento para a porta, uma estranha sensação de calidez a atravessou.

Não a tinha agarrado pelo braço e arrastado. Tinha estendido a mão e a tinha convidado a sair. Existia uma diferença e essa diferença enviou uma onda de desconhecida emoção que a percorreu.

— Abdul tem o carro esperando — Shayne se reuniu com eles no elevador quando as portas se abriram — Chamei Joe Mathews. Está louco para correr até o imóvel, mas o convenci de que aguente até amanhã. Alguém deverá buscar seu carro esta noite.

A viagem até o vestíbulo se fez rapidamente. Quando as portas do elevador se abriram, o gerente saiu correndo do posto de segurança para Khalid.

— Senhor Mustafa, o pessoal de segurança foi enviado ao andar da senhorita Mathews e já chamamos à polícia.

— Cancele a chamada à polícia e devolva o pessoal de segurança a seus postos, tudo está bem — Ordenou Khalid, enquanto abria caminho através do vestíbulo a passo rápido — Contatarei logo com você.

— Mas senhor Mustafa…

Khalid empurrou a porta e puxou Marty.

Ela sentiu a mais estranha sensação de irrealidade quando atravessou essas portas, como se tivesse entrado em outro mundo e não simplesmente saído de um edifício.

Abdul esperava junto à limusine, a preocupação gravada no rosto quando se precipitaram dentro. A porta se fechou atrás deles, envolvendo-os na intimidade enquanto ele rapidamente se sentou ao volante e arrancou o veículo.

O som das sirenes se aproximando podiam se ouvir quando a limusine se afastou velozmente do edifício de apartamentos.

— Mathews quer um relatório o quanto antes — Disse Shayne, a expressão tensa e fechada quando olhou para Khalid antes de voltar o olhar para o tráfego que os rodeava.

— Somos dois. — Marty inspirou bruscamente — Nem sequer tive a oportunidade de dar uma olhada em sua cara.

— Tinha a cara coberta — Afirmou Khalid.

— E meu apartamento foi revistado por um profissional — Informou — Havia a quantidade suficiente de coisas fora do lugar para mostrar que estava apressado.

O que podia estar procurando? Marty nunca trazia relatórios para sua casa; o computador só era usado para correios eletrônicos pessoais e registros comerciais. Escrevia e armazenava os relatórios no computador do escritório.

— A busca foi uma cortina de fumaça — Informou Khalid — Não estavam procurando informação.

— Foram atrás de Marty — Terminou Shayne.

Cravou o olhar neles enquanto tentava dar sentido ao que falavam.

— Estava ali para me matar — Soube imediatamente o que estava acontecendo.

Os disparos foram baixos; a arma do assaltante tinha um silenciador. Reconheceu o som desse pop-pop quando as balas foram disparadas da escada de incêndios.

Algo cintilou no rosto de Khalid então. Não era só fúria; era dor, uma agonia que ia muito além do pensamento do que poderia ter acontecido.

Esteve ali e se foi tão rapidamente que não pode estar segura da emoção que tinha visto ali.

— Estava ali para te matar — Lembrou finalmente Khalid — Temos que descobrir o que diabos está acontecendo — Olhou furioso a Shayne — Quando retornarmos ao imóvel quero que nos dê a maior quantidade possível de informação de suas fontes. Não regule, Shayne; não temos muito tempo. Esse assassino estava muito perto. Se seguirem os padrões anteriores, então estão aqui em Alexandria. Eles estarão perto. Iriam querer me ver sofrer. Não esperariam na Arábia e se limitariam a adivinhar minha reação.

— Se seus irmãos o odeiam tanto, então por que vêm atrás de mim em vez de você? — Perguntou Marty.

— Farão. — Prometeu — Mas primeiro querem me ver sofrer, Marty. A matando se assegurariam desse sofrimento, inclusive mais do que poderiam imaginar. Antes de me matar, querem que saiba que levaram minha mulher, que a aniquilaram. Não vão ficar satisfeitos com nada menos.

— Ameaçaram às moças que cuida?

Havia seis mulheres jovens que o pai tinha enviado há anos como escravas sexuais; ao menos, esse era o rumor. Em troca, Khalid as tinha adotado.

— As moças nunca foram ameaçadas porque foram um presente de meu pai — Zombou Khalid, a voz mais grave, obscurecendo-se com uma agonia rota que rasgou a alma de Marty — Até que ele morra, Ayid e Amam não testarão sua paciência as machucando.

— Mas suas amantes são bom alvo?

— Minhas amantes são um bom alvo — Admitiu em voz baixa, mas o eco de fúria na voz era claro — Durante anos custei a meus irmãos um montão, carinho. Ainda mais importante, trabalhei constantemente para destruí-los. A última célula que capturamos era mais importante para eles que a maioria. A missão em que estavam era uma que teria trazido glória a Ayid e Amam entre a comunidade terrorista. Tirar isso garantiu que me atacariam.

Devolveu o olhar, não com espanto, mas confusa.

— Por que? — Marty escrutinou a expressão de Khalid cuidadosamente olhando as sutis emoções que titilavam nos olhos — Quando foi pela primeira vez a Arábia há quinze anos, segundo o relatório que tinha de você, existia uma aliança entre você e seus três irmãos. O que aconteceu, Khalid?

— Descobriram que estava trabalhando contra eles — Declarou francamente — E ao fazê-lo, fui responsável pelo ataque ao quartel general contra uma pequena célula com sede em Riad que estava planejando enviar espiões ao palácio real e fazê-lo explodir ao inferno. O ataque que o governo fez contra esse quartel deu lugar à morte de suas esposas. Eles juraram que destruiriam a qualquer mulher que reclamasse como minha. E não ajudou o fato de que continuei tentando aniquilá-los durante anos.

O silêncio encheu a limusine enquanto Marty o olhava com surpresa e dor. O sofrimento que parecia envolvê-lo abriu uma brecha de dor dentro do peito. Ao olhá-lo, os olhos negros titilando com pesar, a rasgaram. Uma tristeza que seus irmãos tivessem destruído toda esperança de um futuro com qualquer mulher a que pudesse amar, qualquer filho que pudesse ter.

Marty viu a angústia que ele sentia, que nunca, em nenhum momento tinha estado a salvo. Que os amigos, a família, todo mundo que amava podia ser ferido a qualquer momento. O peso do conhecimento deve ter sido horrendo.

Inspirando tremulamente, considerou as opções que tinham.

— Então, o que fazemos agora?

— Amanhã, agora estou te levando ao Clube — Disse, fazendo que os lábios dela se separassem, primeiro surpreendidos, logo indo às nuvens — Ian concordou em te dar permissão para permanecer em uma área especialmente preparada debaixo do Clube para as amantes dos membros, esposas e filhos que estejam em perigo. Estará segura até que isto termine.

Marty não podia acreditar no que acabava de sair de sua boca.

— Ian não vai me conceder permissão de novo nesse clube — O informou — Não depois desta noite.

— O acerto foi feito — Respondeu — Os quartos debaixo do Clube são seguros, Marty. Nem Ayid, nem Amam, nem seus assassinos, podem se aproximar de você ali. Estará completamente protegida.

Ela olhou Shayne. Outra vez, tinha encontrado alguma outra coisa para onde dirigir sua atenção.

— A paisagem de merda não é tão interessante — Explodiu quando ele ficou olhando para fora pela janela — Estava informado disto? Estavam meus pais?

Shayne se voltou para ela e pigarreou.

— É uma regra. Todos os membros têm que estar informados pela eventualidade disto. Não se dão nomes, nem o lugar onde vai ficar. Simplesmente que vai ficar na propriedade e que sua proteção está garantido pelo Clube. Isso significa que todos somos responsáveis por sua segurança e bem-estar — Ele cravou diretamente os olhos nela então — E levamos muito a sério.

— Bem, felicidades para você e os membros de seu Clube! — Zombou —. Mas pode me descartar. Acredito que tenho outros planos.

— E esses planos são? — Khalid não estava contente, mas neste momento, importava um nada. Não podia acreditar que se atrevesse a tentar escondê-la em um lugar seguro enquanto ele e Shayne corriam daqui para lá divertindo-se apanhando terroristas. Não ia ser assim.

— Anger Thornton dará uma festa dentro de duas noites — Os informou enquanto se recostava e cruzava os braços sobre os seios — Tenho que ir, como o resto dos muito poderosos e da elite aqui em D.C. Há suficiente fofoca nessas festas, que se uma pessoa esperta escuta os cochichos corretos, pode ter uma ideia do que está acontecendo.

— Iremos à festa e o que fazemos? — Perguntou Shayne — Não temos ideia de quem vigiar, interrogar ou matar. Estará se servindo de bandeja Marty.

— Enquanto me esconda, Ayid e Amam nunca mostrarão seus rostos ou suas intenções — Respondeu bruscamente — Me mostre ali. Mostre que não temos medo, que temos a intenção de contra-atacar e os irritar. Os fará jogar a ficha.

— E arriscar sua vida? — Disse Khalid enquanto se inclinava para frente e quase empurrava o nariz contra o dela — Acredito que não.

Marty o observou. Não funcionaria sem cooperação, sem a ajuda dele. Tinha que estar ali com ela, assim como também Shayne para apresentar a imagem correta e instigar os irmãos que o odiavam com tanto desespero.

— Não necessito sua permissão — Disse friamente — Não cometa esse engano, Khalid. Pode trabalhar comigo. Inclusive posso seguir sua direção. Mas não sou uma pequena e necessitada dona-de-casa que vai se contentar e sentar em algum porão, girando os malditos polegares enquanto se divertem apanhando os meninos maus.

— Não posso acreditar que ela se irritou porque acredita que vamos nos divertir! — Disse Shayne.

— Chame como quer. — Encolheu os ombros com descuido enquanto Khalid se recostava lentamente — De qualquer maneira, podem trabalhar comigo ou posso trabalhar sozinha. A festa de Anger é perfeita para isto. Há sempre um bom número de homens de negócios sauditas dentro da concorrência e confie em mim, esses tipos mexericam mais que qualquer outro homem que alguma vez tenha conhecido.

Khalid a fulminou com o olhar. Ela respondeu jogando faíscas pelos olhos. Não recuaria. Não ia se esconder, nem se fazer de morta e ter a esperança de que os monstros partissem. Merda, ia assassiná-los. Um momento mais tarde a euforia penetrou através dela diante a lenta inclinação de cabeça de Khalid.

— Sob as circunstâncias corretas e condições perfeitamente controladas —Concordou — E com a supervisão de seus pais.

Quis revirar os olhos diante a ideia mas uma parte dela também estava de acordo com ele. Seus pais podiam garantir sua segurança assim como também tender uma armadilha que poderia apanhar qualquer um que pudesse estar vigiando ou os seguindo de perto. Se pegavam o assassino, se os irmãos estavam nos Estados Unidos, então o espião seria descoberto, era assim simples. Sabia que o estilo de vida sexual de Khalid era um assunto espinhoso na família real, tendo em conta que tinha um parentesco longínquo com eles. Sua religião não permitia os extremos que Khalid tinha chegado na vida.

— Papai e Zach podem organizar a segurança que necessitamos assim como também qualquer vigilância extra para espiar seus irmãos e seus assassinos — Disse — Poderia ser a oportunidade que necessitamos para pôr fim a isto.

— Se engolirem a isca — Particularizou Khalid, a voz e a expressão escura e ameaçadora agora.

— Somos a isca — Disse — Só o fato de que alguém se abateu sobre mim o confirma.

— Minha sugestão original está vigente — Disse Shayne arrastando as palavras, o tom agora perigosamente baixo — Alguém estaria fazendo um favor ao mundo se Ayid e Amam simplesmente desaparecessem.

Marty não podia evitar estar de acordo, de um ponto de vista pessoal. Como um agente da ordem pública, entretanto, era um anúncio mais difícil.

Khalid simplesmente não disse nada. O olhar permaneceu cravado nela, os olhos negros, um brilho de luz, como chamas vermelho vivo, reluzindo em diminutos pontinhos com as cruas e dilaceradoras emoções que ela podia perceber atravessando-o.

— Veem — Estendeu a mão para ela uma vez mais — Se tiver que arriscar sua vida desta maneira, então ao menos terei o que esteja disposta a me dar por agora.

Marty reprimiu um instintivo pulo diante o tom rude da voz. Mas não podia negar. Sabia como se sentia. Conhecer o perigo que enfrentava, que tinha enfrentado a maior parte da vida, deixou suas vísceras tremendo de medo.

Avançando lentamente, ela cortou a distância entre eles, permitindo abraçá-la.

Assim que o fez, derreteu. A calidez que a rodeava mitigou a raiva prévia e avivou as chamas da excitação que ferviam a fogo lento, sempre presentes, dentro dela.

A intimidade que tinha faltado em sua cama estava ali agora, como se precisasse abraçá-la, protegê-la contra o peito para certificar-se que estava a salvo, que era sua para tocá-la.

E tinha a intenção de tocá-la.

Inclinando sua cabeça para trás, não pediu permissão para beijá-la. Como se só a ideia do perigo que ela poderia enfrentar estimulasse a necessidade que sentia por ela, os lábios e a língua se apropriaram dos seus com uma fome abrasadora que a atravessou.

Grudando-a a ele com mãos desesperadas, aproximando-a, devorou seus lábios, lambeu-os. Levou-a a um mundo sensual e apaixonado onde nada importava, exceto seu toque e os raivosos desejos movendo-se por ela agora que estava em seus braços.

Sentia-se como se tivessem passado anos. Séculos. Tinha sido condenadamente longo. Tinha sido desde a tarde e no que se referia a ela, isso era toda uma vida. Enquanto a beijava, enquanto as mãos perambulavam pelas costas, sentiu o toque de outras mãos nas coxas.

Shayne.

Não foi uma surpresa; foi um agregado ao prazer, uma sensual e erótica tentação que avivou o fogo ardendo em seu interior mais intenso, mais quente.

— Perguntei-me quem tinha seu coração — A voz de Shayne era uma carícia contra os sentidos enquanto os lábios de Khalid se moviam acariciantes de sua boca até a mandíbula, para o pescoço — Então me perguntei se existia uma oportunidade de ser terceiro.

Uns dedos tiraram a blusa dos jeans; não sabia de quem, não importava. Tudo o que importava era o toque, o prazer e Khalid.

Tudo o que importava era a sensação dos dedos desabotoando lentamente a blusa, afastando as bordas e revelando os seios contidos no sutiã enquanto os lábios de Khalid passavam roçando do pescoço até o ombro nu.

Uma sensual fraqueza encheu seus músculos, fazendo-a sentir-se atordoada, hipnotizada. O toque de ambos a fascinava. Tinha esperado prazer, mas não tinha esperado o que estava sentindo agora.

O fecho dianteiro do sutiã foi aberto, o encaixe afastado dos inchados montículos. A cabeça de Marty se inclinou para trás sobre os ombros quando Khalid a apoiou, abraçou-a contra o peito e ficou olhando os dedos passar roçando em cima, contra, ao redor dos seios. A janela entre a parte dianteira e traseira tinha sido erguida. Não soube quando o tinham feito; não importou.

Não a despiram, embora sentia como se o tecido dos objetos fosse muito áspero contra a carne sensível. O calor queimou a pele nua quando as pontas dos calosos dedos masculinos a rasparam delicadamente.

— Quero olhar — Sussurrou Khalid ao ouvido — Quero ver seu prazer, Marty. Quero ver a fome nos seus olhos. Quero ver sua cara ruborizada pelo prazer.

O desejo entristecedor, a necessidade, punha rouca a voz e percorreu velozmente seu corpo como um rastilho de pólvora fora de controle.

Abriu os olhos ao sentir o braço dele segurando a nuca, levantando a cabeça para encontrar seu olhar. Sentia-se muito sonolenta, muita alagada com o delicioso prazer derramando-se através dela para protestar por algo que quisesse neste momento. Talvez, tampouco mais tarde.

Não pretendia entender a necessidade que os homens do Clube tinham por compartilhar suas mulheres. No momento, não importava. No momento o prazer percorrendo-a era tudo o que importava.

— Tão bonita — Sussurrou, o olhar movendo-se da face para onde Shayne estava acariciando os seios. As mãos embalavam os montículos inchados, os polegares os roçavam quando Khalid se recostou e girou seu corpo até que ficou de frente para Shayne.

Ele se inclinou para frente, o olhar azul escuro com as pálpebras cansadas, as bochechas ruborizadas pela luxúria quando a palma da mão de Khalid lhe rodearam o lado do seio, levantando o apertado e duro mamilo para ele como um convite.

Um gemido saiu dos lábios dela quando a cabeça de Shayne baixou. Segurou-se à parte exterior das coxas de Khalid e jogou a cabeça para trás contra seu ombro quando os lábios de Shayne cobriram o ultrassensível bico do seio.

A quente umidade rodeou seu mamilo quando o chupou dentro da boca, arrastou-o, atraindo-o, a língua movendo-se tremulamente sobre ele com perversa intenção enquanto Khalid levantava seus braços para cima e para trás até que os enroscou no pescoço.

O tenso arco do corpo pareceu sensibilizar mais seus mamilos, como se esticasse as terminações nervosas, expondo-os mais para que Shayne os torturasse com as sensuais lambidas de sua malvada língua.

— Sente-se bem? — Os lábios de Khalid roçaram seu pescoço quando um rouco e dilacerador grito brotou da sua garganta.

— Khalid, por favor… — Cada quente sucção da boca de Shayne enviava crepitantes sensações através dos nervos, dos mamilos ao clitóris. Jurou que podia sentir cada passada de língua no tenso e duro nó de terminações nervosas entre as coxas.

— OH, tenho a intenção de te satisfazer, neném. — Os dentes mordiscavam o pescoço — Shayne e eu temos a intenção de te agradar por toda parte.

Por toda parte. Estava tremendo, tremendo de prazer enquanto tentava arquear-se mais perto, para enterrar o mamilo mais profundo dentro da boca de Shayne enquanto o chupava com avidez.

— Maldição, isso é bonito — A voz áspera do homem quando uma mão lhe rodeou o outro seio e os dedos começaram a puxar a ponta endurecida.

Tentou retorcer-se contra seu colo, a sensação da quente longitude do pênis pressionando contra as calças de Khalid fez sua vagina pulsar e derramar seus fluidos nas calcinhas.

Quando Shayne se voltou para atrás, observou-o em uma agonia de necessidade enquanto ele lentamente voltava a colocar as taças do sutiã sobre os seios e o fechava.

O olhar cravado no dela, juntou as bordas da camisa e a abotoou.

Marty lutava por respirar, o fato de ter Shayne vestindo-a enquanto Khalid a sujeitava quieta era quase tão erótico como ser despida por eles.

— Estamos em casa — Disse Khalid em voz baixa e o último botão passou através da casa.

A limusine se deteve diante da casa quando Khalid deixou que os lábios acariciassem a pele sensível justo debaixo da orelha. Queria gritar diante a intromissão da realidade. Queria ordenar a Abdul que seguisse conduzindo, permanecer dentro do carro, que desse só uns poucos momentos mais de um prazer que nunca tinha imaginado ser tão delicioso.

Queria só uns poucos minutos mais entre os braços de ambos.

 

Khalid tinha se prometido há anos que nunca se permitiria amar uma mulher… não esse amor verdadeiro, eterno que podia destruir um homem quando a mulher partia, como tinha destruído Abram. Entretanto, enquanto se aproximavam da casa estava começando a se perguntar se tinha quebrado essa regra sem sequer saber quando ou como tinha ocorrido.

O pensamento de perder Marty produzia suores frios. Ao pensar no que teriam feito seus irmãos se o capanga tivesse conseguido levá-la dava cãibras nas vísceras de medo.

Na limusine, sentada em seu colo, tinha sido a mulher mais formosa do mundo. Absorta no prazer, o corpo flexível e esbelto arqueando-se, tentando alcançar mais. Quase o tinha feito gozar nos jeans.

Quando saíram da limusine a observou enquanto piscava, tentando obrigar sua mente a se limpar, os sentidos se equilibrarem. Soube quase o instante em que conseguiu voltar para a realidade. E se quando começaram a subir as escadas para a porta principal, o pensativo e repentinamente contemplativo olhar no rosto era algum indício, então ia vir com mais perguntas.

— Me diga, Anger Thornton é membro do Clube?

De todas as perguntas que esperava que fizesse, essa era uma que não tinha previsto.

— Sabe que não posso responder isso — Quase sorriu diante os olhos entrecerrados pela ira que cobriu o olhar.

— Sabe, os membros desse maldito clube dificultam bastante para suas mulheres — Resmungou.

— Nunca prometi que seria fácil.

Não era fácil. Poucas coisas na vida de Khalid alguma vez tinha sido, entretanto, podia assegurar, que qualquer problema com o Clube seria uma minúcia em comparação com os outros.

Ela voltou o olhar para Shayne.

— Precisará se coordenar com meus pais. Necessitaremos várias equipes de vigilância e custódia para os convidados árabes que estiverem aqui, para ver se algum deles se reúne com Ayid ou pareça estar atuando para eles.

— Acredita que quero seus pais me gritando por isso? — Levantou zombateiramente uma sobrancelha — Dificilmente.

— Chame-os, Shayne — Ordenou com firmeza — Confie em mim, gritarão mais forte e então me enfurecerei e ficarei angustiada quando chegarmos à festa.

Shayne sorriu quando Khalid lançou um olhar de advertência. Nenhum dos dois queria seus pais gritando com ela.

— Chamarei-os — Afinal riu entre dentes quando se detiveram no patamar—. Mas não prometo que me vão escutar mais do que escutariam você.

Khalid sabia que escutariam Marty com mais presteza, mas ainda estava insegura de sua postura com seus pais neste ponto. A raiva prévia e os erros por parte deles, tinham-na deixado cautelosa no momento.

Quando as pesadas portas se abriram e o mordomo se pôs de lado, Khalid entrou na casa, com a mão pousada na parte baixa das costas de Marty.

— Veem ao meu quarto — Disse a Shayne, enquanto se voltava para subir as escadas, insistindo para Marty ir na frente — Eu gostaria de falar sobre a festa do Thornton.

Realmente não tinham nada a discutir no que concernia à festa até a manhã seguinte. Mas às vezes uma mulher era mais suscetível do que aparentava.

— Tenho muitas dúvidas de que se leve bem com o AT — Suspirou Marty com diversão quando usou o apelido de Anger — Normalmente, não gosta dos homens tão arrogantes como ele.

— Há alguém tão arrogante como Anger? — Shayne bufou quando alcançaram o patamar — De algum modo duvido.

Havia um ar de informal de rivalidade entre eles, mas Khalid era consciente de que ambos tinham as mãos perto das armas enquanto iam para o quarto.

Shayne abriu a porta e entrou primeiro. Quando Marty o seguiu, Khalid a atraiu para ele, logo muito elegantemente a deslizou atrás de sua figura maior.

Esses poucos segundos dariam vantagem em caso de que houvesse problemas dentro do quarto.

Empurrando-o, Marty o fulminou com um duro olhar antes de seguir Shayne e rapidamente revisar o quarto. Depois de fechar com chave a porta, Khalid observou como os dois revistavam o quarto e logo revisavam em busca de algum dispositivo de escuta antes que Shayne ligasse o estéreo e deixasse que os sensuais e eroticamente intensos compassos da música filtrarem.

Esta era sua vida, pensou Khalid. Tinha sido sua vida durante muitos anos e estava cansando disso. A clandestinidade, assegurar que ninguém soubesse se tinha uma amante, procurando que simplesmente nunca importasse.

Girando para o bar, serviu bebidas para todos antes de recolher a sua, a de Marty e avançar para ela.

— Vamos nos sentar — Assinalando a disposição dos assentos no centro do quarto, Khalid passou diante dela.

Sem dúvidas o seguiria. Às vezes era muito curiosa para seu próprio bem.

Quando sentou na cadeira na frente dele, em vez de ao seu lado no sofá, Khalid teve que conter um sorriso. Havia vezes em que sua inocência recordava muitíssimo Lessa, em um tempo longínquo, em um país longínquo, a jovem mulher que tinha enfeitiçado Abram e ele.

Lessa tinha tido esse mesmo entusiasmo, valentia e coragem. Os de Marty estavam melhor afinados, o sentido de cautela mais elaborado e a paixão mais intensa, mais quente. Mas essa familiaridade ainda estava ali.

Às vezes o aterrorizava com sua coragem. Era uma agente treinada, entendia, mas também era sua mulher, uma mulher em que ele confiava conhecer seus limites e sua segurança. E tinha que ignorar essa vozinha na cabeça que o advertiu que havia oficiais de polícia com o mesmo treinamento e os mesmos limites morrendo a cada dia.

Suspirando, cravou os olhos nela.

— Sinto muito, florzinha — Disse quando Shayne sentou no sofá ao lado de Khalid.

— Por que? — Agora o estava observando com essa cautela, como se decidisse se o deixava viver outro dia.

— Pelos impulsos protetores que sempre a irritarão — Disse finalmente — É uma parte de minha natureza, embora tento reprimi-los sempre que é possível.

Os olhos cinzas de Marty se obscureceram antes que as pestanas descessem por um segundo, para dar uma oportunidade de esconder as emoções.

— Ajudaria se ele não estivesse tentando encontrar maneiras para te proteger durante os últimos oito anos — Disse Shayne arrastando as palavras, provocando um olhar surpreendido de Marty — Khalid não confia excessivamente no destino.

— Não necessito sua proteção ou a dele — Disse categoricamente a ambos enquanto os olhava fixamente.

A frustração a consumia. Khalid podia ver em seus olhos. Ela precisava seguir os sonhos sem importar o perigo inerente que enfrentava.

— Isto é uma loucura — Ficando de pé, afastou-se vários centímetros antes de dar a volta e olhá-los furiosa — Esteve atento a mim desde que tinha dezoito anos e entretanto, não me deixou saber disso. Teve que esperar até que fui designada para te investigar? Pelo amor de Deus, isto é como uma noite no inferno. Que outros pequenos segredos está ocultando?

Khalid podia ouvir a dor na sua voz. A atração estava ali entre eles, inclusive quando ela era mais jovem, mas não a maturidade que necessitava para tratar com os desejos dele.

— Precisava amadurecer — Respondeu Khalid brandamente — Simplesmente era muito jovem para o que necessitava de você, Marty. Muito jovem e inocente.

Instantaneamente como se as palavras acendessem uma tocha, a sexualidade flamejou através do quarto. A luxúria começou a pulsar na veias de Khalid quando observou seus olhos obscurecidos, o rosto ruborizado. Ela sabia e o desejava.

— Está morrendo por me compartilhar — Afirmou com voz enrouquecida, docemente excitada.

— Desejo-o mais que meu seguinte fôlego — Revelou Khalid, embora uma parte dele lamentasse a dor que poderia lhe causar.

— Protestei? — Sussurrou agora com voz cheia de excitação.

— Nenhum protesto — Assegurou Khalid a seguir, com voz suave enquanto a olhava fixamente.

Khalid sabia que Shayne estava convencido que Marty estava apaixonada por ele. Tinha-o advertido em muitas ocasiões dos perigos de romper seu coração.

— Nenhum absolutamente — Prometeu antes de avançar lentamente, com soltura, para Shayne.

Khalid a observava enquanto se movia, a determinação que flamejava nos olhos, a excitação e a energia que parecia fluir de seu corpo. Ia tirar a prova, assim como também eles dois, podia ver em seu rosto.

— Tome cuidado, amor — Advertiu Khalid, observando quando Shayne se levantou do sofá — Poderia levar a provocação muito longe.

De todo modo, meneou-se contra o outro homem, passou roçando seu doce e flexível corpo contra o lado de Shayne.

— Sério? — A tentadora começou a aflorar.

Khalid sentiu o pênis endurecer dolorosamente, as bolas apertadas de pura luxúria, em vermelho vivo.

— Então, veremos qual é seu limite? — Perguntou enquanto retornava para Shayne, observando-os como eles a observavam, o corpo movendo-se sinuosamente com a música que fazia eco pelo quarto.

Enquanto Khalid a olhava, levantou as mãos, moveu os dedos para os botões da blusa e ele sentiu secar a boca. Deus tivesse piedade dele. A aceitação cobrindo repentinamente seu rosto quase o fez gozar nas calças.

Ficando em pé, deteve-se, esperando, enquanto Shayne avançava, caminhando a passos largos para ela, os dedos deslizando no suave cabelo de Marty quando a blusa caiu dos ombros. Apertando as mãos nos sedosos fios jogou a cabeça dela para trás e baixou a sua.

Khalid observou como os lábios se moviam sobre os dela. Como se a eletricidade os conectasse a todos eles, sentiu a ardência de prazer, a fome dilaceradora e a demanda de mais.

Deslocando-se para o casal, chegou atrás de Marty, as mãos tocando os ombros enquanto os músculos dali se esticaram parecendo apertar quase ao ponto de ruptura.

Ao ouvir o lastimoso gemido que escapou do exigente beijo com que Shayne a sujeitava, Khalid desabotoou o sutiã de encaixe que usava antes de passar as alças pelos ombros.

As mãos de Shayne agarraram seus pulsos, baixando os braços de seus ombros enquanto Khalid a despojava do delicado objeto.

— Khalid — Afastou-se do beijo, ofegando quando Shayne a girou para ele.

Shayne baixou a cabeça ao pescoço, à curva do ombro. As mãos deslizaram ao redor do corpo para rodear os seios, os dedos brincando com os duros mamilos enquanto Khalid lentamente se ajoelhava.

Sustentou seu olhar, observando como escureciam seus olhos, como respirava bruscamente enquanto tirava os sapatos e as meias. As mãos dele se levantaram para o botão dos jeans de Marty, ao zíper e quando um grito apagado ressoou ao seu redor, lentamente puxou o tecido dos quadris.

Estava molhada. Podia ver o doce orvalho pegando-se à pele suave que cobria a vagina e teve que esforçar-se para refrear-se. Nenhuma mulher jamais o tinha posto tão excitado assim rápido. Estava desesperado por ela. O pelo dos braços formigava pelo prazer precipitando-se por ele, o prazer que podia ver no seu rosto quando os dedos acariciavam a parte interna das coxas.

Liberando-se da tentação dos quentes fluidos, ergueu-se, rodeou-lhe o pescoço e a manteve imóvel quando baixou os lábios para os dela. Beijá-la abrasou os sentidos. Os lábios eram como seda, a doce língua como cetim com toques de açúcar. Pequenas unhas se cravaram nos ombros quando ela os agarrou. O pênis pressionava contra o suave calor do ventre, a carne acomodando a ereção dura como aço que o torturava.

Ao baixar as mãos pelas costas, Khalid desfrutou com a dificuldade para respirar de Marty, esta o lambia enquanto rodeava o traseiro e a levantava para ele. Era uma curta distância até a cama, mas pareceu durar uma eternidade. Precisava deitá-la, para ver o prazer, para ver a selvagem excitação que podia perceber alcançando-a.

Atrás dele estava consciente de Shayne despindo-se rapidamente. Podia sentir sua temperatura aumentando enquanto o ar no quarto se voltava quente, abafado.

— Merda, é bonita, Khalid — Gemeu Shayne atrás de Marty.

Levantando a cabeça, Khalid deu uma olhada onde Shayne estava ajoelhado na cama, esperando, excitado.

Voltando o olhar para Marty, levantou a mão para tocar a ruborizada bochecha.

— É formosa — Sussurrou, quando ela lambeu os lábios antes de engolir nervosamente — Sem medo. Não haverá dor, nenhuma razão para apreensão, carinho.

— É obvio que não há. — A voz era ofegante, cheia de cautela e fome quando ele a apoiou brandamente na cama e o outro homem a esperava.

Era incrivelmente sensual. Não havia coisa mais erótica que dar um passo atrás e observar como uma mulher começava a se afogar em sua sensualidade. E Marty estava se afogando.

O olhar travou com o de Khalid quando Shayne rodeou seus seios, baixando a cabeça para levar um duro mamilo à boca.

Khalid começou a despir-se, desesperado por unir-se e ajudar sua amante a entrar em puras chamas candentes de excitação. Despojando-se das roupas, deslocou-se ao lugar onde ela deitava contra os travesseiros, ajoelhou-se enquanto capturava seus pulsos com uma mão e as imobilizava por cima da cabeça.

Retorceu a cabeça no travesseiro quando os lábios de Shayne se moveram dos seios para baixo. Beijou-a, mordeu e lambeu o caminho para o estômago enquanto Khalid observava com crescente necessidade.

Calafrios de feroz excitação atravessaram velozmente a pele quando os dedos de Marty agarraram seu pulso. Arqueando-se diante a carícia de Shayne, os olhos abertos em meras frestas quando olhou Khalid.

Ele necessitava isto. Este prazer, esta incrível excitação emanando de sua amante. Igual a um homem que gostava de doces e era privado deles, estava morto de fome por isso. O olhar se deslocou do rosto delicado, mais abaixo. Shayne se movia entre as coxas, as mãos estendendo-as bem amplas, o queixo roçando os úmidos cachos entre elas. O clitóris era como uma pequena jóia rosada entre as dobras, brilhante e quente. Khalid queria o ver acariciá-lo, queria ver seu corpo, sentir sua resposta.

Quando Shayne separou a carne saturada, ele estremeceu, o olhar voltando rapidamente para Marty quando ela passou a língua pela ponta do seu pênis.

— É valente, amor? — Gemeu, liberando as mãos dela para permitir tocar como queria — Tome cuidado, pode levar a tentação muito longe.

Recebeu um gemido quebrado e a sensação da boca envolvendo a cabeça do pênis como resposta.

Era como morrer, pensou Khalid. Isto devia ser o que se sentiria ao morrer. Uma sensação de voar, de liberdade, o açoite do sol contra a pele quando lambeu a sensível coroa.

Enquanto o chupava um dilacerador grito saiu da garganta quando arqueou o corpo quase violentamente. Khalid arrancou o olhar da vista do pênis fodendo a boca para observar como Shayne flagelava a pérola úmida do clitóris.

—Sim, preciosa — Disse com voz rouca — Sente como é bom. Sente o prazer que podemos te dar, neném.

O gemido dela enviou elétricas chamas que abrasaram suas bolas, apertando-as ainda mais. Tanto prazer. Uma fome que não podia negar. Sua mulher finalmente rendendo-se às fantasias, aos desejos.

Marty estava perdida. Sabia que se perdia e se perguntava vagamente se encontraria de novo enquanto o prazer sexual fazia arder as terminações nervosas.

Desejava, precisava tocar, dar prazer a Khalid. Precisava aniquilar seus sentidos como ele estava deixando que outro homem aniquilasse os dela.

Um grito quebrado saiu da garganta quando sentiu as mãos de Shayne deslizando por baixo do seu traseiro e um instante mais tarde, a língua fodia sua vagina.

Pulsantes, destrutivas sensações dispararam de seu núcleo até a alma. Não podia processar o bastante rápido os prazeres se alternando; tinha o cérebro frito pelo açoite de prazer abrasando seu corpo. Os dedos de Khalid brincavam com os mamilos, acariciando, esfregando, puxando as sensíveis pontas. Os dedos de Shayne deslizavam dentro de sua vagina, enquanto a língua retornava para torturar o clitóris e uma fome sexual pura e concentrada estava ardendo em seu interior.

A adrenalina percorria seu corpo, correndo veloz por sua corrente sanguínea como um fogo descontrolado pelo bosque. Não sabia que podia ser assim. Não estava segura se poderia sobreviver.

— Tão fodidamente bom — Gemeu Khalid em cima dela, enquanto chupava seu pênis mais fundo e lutava por simplesmente manter o suficiente controle para torturá-lo em troca, de algum jeito — Me chupe o pênis, carinho. Tão quente e apertada.

Estava fodendo sua boca lenta e brandamente quando sentiu os dedos de Shayne deslizando pelo seu traseiro. Estavam frios, excessivamente escorregadios.

Uma aguda labareda de conhecimento atravessou velozmente seu corpo um segundo antes que esses dedos esfregassem sobre a entrada do traseiro, lubrificando-a, relaxando-a, depois retirando-se.

Cravou o olhar em Khalid enquanto lutava por respirar. Ele estava olhando os dedos de Shayne e Shayne estava se assegurando que pudesse ver quando desapareciam entre as coxas.

Uma e outra vez voltaram, enganadores, deslizando com mais firmeza contra o traseiro enquanto ela se sacudia e estremecia contra as sensações. Estava aterrorizada, eufórica e ardendo de luxúria.

— Me olhe — Exigiu Khalid quando as pestanas de Marty se fecharam tremulamente — Sinta o prazer, Marty. Olhe em meu rosto. Observar sua excitação é a coisa mais malditamente erótica que jamais vi.

O dedo de Shayne deslizou fundo dentro de seu traseiro quando um grito quebrado saiu dos seus lábios e se arqueou com uma brusca sacudida que só o levou mais dentro.

— Sinta-o ali. Seu traseiro é tão quente, Marty. Tão doce e apertado. O pensamento de afundar meu pênis dentro dele me deixa louco. O pensamento de te foder enquanto Shayne põe o pênis nesse traseiro pequeno e estreito me deixa louco de necessidade.

Antes que ela pudesse detê-lo separou-se de seus lábios, tocando-os brandamente com o polegar antes de passear lentamente por todo o seu corpo.

— Khalid, por favor — Apertou as mãos no travesseiro — Não posso suportar isto.

— Só um pouco mais, neném — A voz era tão grave pela luxúria que Marty sentiu o som diretamente até a alma.

Só um pouco mais? Sobreviveria a um pouco mais?

Não poderia.

Gritou quando Shayne empurrou dois dedos dentro do sensível traseiro, enviando abrasadoras e dilaceradores ondas elétricas movendo-se velozmente, atravessando-a.

Estava morrendo. Podia sentir o prazer a destruindo e não tinha nem ideia de como detê-lo. Tinha que ter mais. Necessitava mais. Nada importava exceto o êxtase incrível e a fome honesta na voz de Khalid.

Velozes chamas se moviam através dela, aumentando, pulsando. O orgasmo estava a só um fôlego de distância quando, de repente, desapareceu. Abriu repentinamente os olhos para olhar abaixo de seu corpo quando Shayne se moveu. Puseram-na de lado enquanto um gemido saía da garganta.

A sorte estava lançada.

Cravou o olhar em Shayne quando os lábios se moveram aos mamilos uma vez mais, chupando-os, mordendo-os enquanto sentia Khalid situar-se atrás dela.

Shayne levantou a cabeça, travando o olhar com o dela, quando se moveu contra ela, alinhando ambos os corpos. Khalid levantou sua perna, estendendo-a sobre a coxa de Shayne quando sentiu o pênis golpear contra as escorregadias dobras da vagina.

— Tão bonita — Cantarolou Khalid, quando os quadris de Shayne começaram a mover-se — Essa doce e estreita vagina é tão quente, verdade, carinho? É tão doce, tão, tão apertada.

Estava sendo estirada, abrasada. Estava tremendo quando sentiu Shayne empurrando dentro dela, aliviando o inflamado tecido entre as coxas.

— Tão apertada. — Os dedos de Khalid se moviam na fenda do traseiro — Meu pênis tem que te estirar. Arde, amor?

As pestanas se abriram tremulamente para cravar o olhar em Shayne enquanto a voz de Khalid a invadia.

— Foda docemente. Lento e suave — Disse Khalid ao outro homem.

Shayne se empurrou dentro dela pouco a pouco, tomando-a com lentas estocadas para alargá-la e ela sentiu que sua entrada traseira se estirava lentamente quando Khalid começou a deslizar os dedos em seu interior. As ardentes penetrações para dilatá-la eram muito. Marty sentiu que cravava as unhas nos ombros de Shayne enquanto um grito quebrado e áspero saiu da garganta.

— Mais — Não podia conter-se, não podia lutar contra isso. Necessitava tudo, agora — Por favor, Khalid. Mais.

Um segundo depois Shayne empurrou duro e profundo em seu interior enquanto sentia os dedos de Khalid afundar em seu traseiro, ultrapassando o apertado anel de músculos sensíveis, para acariciar a carne repleta de terminações nervosas.

Estava pronta para gozar. Podia sentir. Apertou-se sobre os dedos de Khalid, sobre o pênis de Shayne.

— Ainda não — Disse Khalid bruscamente.

Shayne ficou imóvel. A um segundo do orgasmo, Shayne parou, o grosso pênis enterrado dentro dela, pulsando enquanto os dedos de Khalid saíam brandamente de seu traseiro.

— Khalid, por favor — Tentou gritar, mas o som era mais um gemido ofegante.

— Sim, amor — Pressionou seus lábios contra o ombro quando o sentiu ficar atrás dela, o pênis pressionando contra a fenda do traseiro — Estou bem aqui.

Estava bem aí.

A cabeça do pênis se esfregou contra a abertura anal enquanto levantava a perna, o corpo inclinado mais perto do peito de Shayne enquanto a ponta começava a estirar a abertura sensível.

O prazer e a dor começaram a atravessá-la velozmente. Era como um narcótico, uma droga que hipersensibilizava cada terminação nervosa e a mantinha sob o jugo de uma sensação que não sabia se poderia suportar.

Deveria a dor ser prazerosa? Deveria a ardente e abrasadora sensação do pênis estirando-a, abrindo-a, afundando dentro de seu traseiro a ter pedindo mais a gritos?

Cada avanço do pênis dentro do corpo de Marty enviava ondas de agônico prazer através dela. Podia sentir Shayne sepultado dentro da vagina, o pênis pulsando, o corpo úmido e tenso enquanto Khalid manipulava a grossa carne de sua ereção dentro dela.

— Mais — Ofegou — OH Deus, Khalid, por favor. Por favor.

Lentas penetrações, retrocessos, avanços. Seu pênis a penetrava com calma e suavidade até que finalmente, felizmente, sentiu-o empurrar integralmente dentro dela antes que Khalid ficasse quieto.

Estava. Tomada. Possuída.

— Sabia que seria tão quente que me queimaria vivo — Sussurrou ao ouvido — Tão estreita e fodidamente quente que morreria por você.

O imprevisto e feroz desespero na voz a fez apertar a vagina e o traseiro em torno dos intrusos, sugando-os e desatando uma resposta na luxúria dos homens que repentinamente arderam fora de controle.

De repente estava encerrada em um mundo que pulsava com um arco íris de cor e chuvas de fogo. O prazer era agonia, acariciava-lhe completamente a vagina, o clitóris, dentro de seu traseiro. Apertava as palpitantes ereções enquanto eles empurravam fundo e duro dentro dela.

Não houve clemência e não a queria. Estavam fodendo-a como se estivessem morrendo por ela, como se ela morresse sem isso. E talvez fosse assim.

Com cada ardente penetração podia sentir o êxtase aumentando. Levantando-se dentro dela como uma onda gigantesca, emergindo, abrangendo seus sentidos até que se sentiu explodindo como uma estrela ardendo fora de controle. Gritou diante o êxtase. Estremeceu, tremeu. As sensações a açoitaram como adagas afiadas rastelando sobre as terminações nervosas e queimando através da pele.

Era apenas consciente dos gemidos de Shayne; mas foi a voz de Khalid que ouviu em seu ouvido enquanto o notava bombeando dentro de seu traseiro, o pênis ardente e palpitante um segundo antes que gemesse seu nome e se esticasse contra ela. Não tinha notado que puseram camisinhas. Sentiu seus orgasmos, ouviu o prazer dos dois, mas o banho de úmido calor esteve ausente.

Nesse segundo se deu conta até onde deslizou dentro deste prazer e exatamente o aditivo e destrutivo que era. O suficientemente destrutivo para esquecer de proteger-se. O suficientemente aditivo para agora estar aterrorizada de que fosse um prazer que sempre ansiaria.

 

A sonolenta e irritada queixa que Marty proferiu quando Khalid terminou de limpá-la com um tecido úmido o fez sorrir.

Ela não tinha saltado da cama um segundo depois de terminar para tomar banho. Murmurou algo sobre dormir uma hora, e imediatamente adormeceu. Sentado na cama ao seu lado, vestido com a calça que tinha usado essa mesma noite, afastou o sedoso cabelo de seu rosto e lutou contra o impulso de abraçá-la tão forte que nenhum homem seria capaz de separá-los.

Era consciente que Shayne permanecia do outro lado da cama e os olhava pensativo. Às vezes Shayne pensava muito, refletiu Khalid. Ele sempre procurava ângulos, sempre em busca de respostas e soluções. Às vezes simplesmente não havia nenhuma solução.

— Quem diria que podia nos queimar vivos dessa maneira? — Shayne finalmente falou, com voz reflexiva —. Acredito que ela me esgotou.

Khalid passou os dedos ao longo da mandíbula.

— Eu sabia. — Khalid sempre soube exatamente o que faria a seus sentidos, enchia-o. Queimava-lhe a mente até a alma e deixava sua estampagem de modo que sabia que nunca seria livre.

— A ama — Comentou Shayne.

Khalid permaneceu em silêncio. Não podia se permitir amá-la, mas tampouco podia negar tal declaração. Ela era importante para ele, isso era certo. Era uma parte dele. Mas não significava que fosse amor; mas sim simplesmente queria dizer que era muito, muito bom mentindo a si mesmo, possivelmente.

— Não é Lessa, Khalid. Marty pode se proteger. Ela sabe o que está fazendo.

Khalid apertou a mandíbula diante a declaração.

— Sei — Mas uma parte dele não podia esquecer o passado e as lições aprendidas.

Um profundo suspiro saiu do outro homem, como se tivesse ficado sem argumentos ou explicações. Shayne tinha advogado durante anos que Marty era bastante amadurecida para dirigir a fome que atormentava Khalid. Tinha impulsionado Khalid em mais de uma ocasião em a assegurar antes que outro homem o fizesse.

Afastar-se dela tinha sido às vezes quase impossível.

— Vou deitar — Anunciou finalmente Shayne, quando Khalid não disse nada mais — Tomaremos cuidado, Khalid, de uma ou outra forma.

Logo, teria que fazer algo sobre seus irmãos, Khalid suspeitava que o chefe de Marty trabalhava com eles, que estavam decididos a destruí-lo, Deerfield estava arriscando sua vida nas mãos de Khalid. Agora se atreviam a tentar machucar Marty; se Joe Mathews e Zach Jennings não terminassem isto logo, então Khalid se veria obrigado a fazê-lo.

Apertando a mandíbula com o pensamento, levantou da cama, jogou os lençóis sobre sua adormecida amante e se dirigiu à ducha.

Depois de se despir outra vez, ajustou a água da grande ducha e depois entrou. O calor líquido acariciou sua carne, recordando o toque de Marty, da chuva aveludada e doce de sua liberação. Realmente o tinha queimado vivo. Já podia sentir as bolhas em sua alma.

Nem Lessa o tinha queimado tão agradavelmente, tão brilhantemente.

Aquele pensamento o tinha gesticulando quando uma quebra de onda de culpa rasgou suas vísceras. Lessa toda cheia de risadas, de vida, deixou-o meio doido com esses risonhos olhos escuros e paixão embriagadora, mas não foi capaz de tocar o interior do homem, essa parte que Marty parecia encher.

Lessa o amava, amava ele e Abram com todo seu ser e aquele amor a matou.

Aqueles anos no deserto com seu pai se converteram em um pesadelo, Khalid reconheceu. A doce Lessa. Foi a primeira esposa de Abram. Seu primeiro amor e ele tinha compartilhado esse amor com Khalid.

Khalid conhecia há anos os desejos escuros que assolavam o interior de seu irmão. Era impossível não saber quando seu pai o repreendia frequentemente por eles. De todo modo, na escuridão da noite, longe de olhares indiscretos, Abram frequentemente cedia diante aquela fome, e convidava Khalid a compartilhar o calor.

No final aqueles desejos quase destruíram Abram e Khalid. Com a ajuda de seu pai, a maldade de seus irmãos os tinha golpeado com uma força terrível e inesperada que os deixou cambaleando comocionados.

Khalid foi drogado, sequestrado, espancado, abandonado e dado por morto no deserto que tanto amava seu pai, enquanto enviavam Abram a fiscalizar a volta dos cadáveres de seus irmãos. Irmãos que não estavam mortos. Durante três dias Khalid lutou para retornar ao palácio de seu pai. Uma costela quebrada, profundas contusões e a desidratação tinham debilitado sua força. Não teria sobrevivido se não fosse por Shayne que o procurava.

Khalid retornou ao palácio de seu pai com a segurança que a justiça seria repartida aos homens que se atreveram a golpear o filho mais jovem do xeque, só para se inteirar de que seus irmãos foram os que o espancaram. Eles descobriram seu erro, sua traição e devolveram o golpe a Khalid e o que eles consideravam o ímpio assunto com a esposa de seu irmão Abram.

Khalid apoiou a cabeça contra o biombo da ducha, recordando. Tropeçando pelo palácio, ouviu o grito enfurecido de Abram. Não fazendo caso dos criados, Khalid entrou na suíte de seu pai ouvindo as palavras indiscutíveis que saíam dos lábios do Abram.

— Bastardo, deixou que a matassem!

A cara de Abram estava úmida. O estoico e frio herdeiro do trono menor, estava chorando.

—Uma puta. Uma praga em sua vida! — Gritou seu pai a Abram — Ela está melhor morta, como você está melhor sem a praga que trouxe para sua alma. Deixou que seu irmão a tocasse. Ela permitiu que outro profanasse o jardim que você cuidava.

Khalid os contemplou com horror. Abram girou bem quando Azir Mustafa percebeu o que havia dito no segundo em que Khalid entrou no aposento.

— Lessa — Sussurrou Khalid contemplando Abram, rezando que tivesse ouvido mau. Rezou que estivesse a salvo.

— Mataram-na — Grunhiu Abram, seus olhos escuros ardiam com tal raiva furiosa que Khalid se separou dele — Esse bastardo deixou que a matassem.

Abram saiu com passos majestosos do aposento, jurando que os mataria com as mãos nuas. Quando as grandes portas se fecharam as suas costas, Azir suspirou cansadamente, como se tratasse da manha de criança de um menino.

— Não os encontrará — Disse finalmente, encolhendo os ombros — Não voltarão até que tenha recuperado o juízo. É deplorável, mas a moça o atraiu com seus desejos profanos — Tinha fulminado com o olhar Khalid — Tais mulheres não merecem a vida que lhes damos.

Até agora, aquela lembrança era tão viva, tão clara em sua cabeça. O aroma de sândalo, a brisa que soprava através das janelas abertas, os traços bronzeados de seu pai retorcidos em um cenho, com os olhos negros ardendo com o julgamento fanático.

Algo morreu dentro de Khalid nesse dia. Recordou contemplar o homem que o tinha criado e pensar que os monstros realmente existiam no mundo.

Então o fixo olhar de Azir pousou nele, como se apenas se desse conta que Khalid estava ferido. Com o cenho franzido estendeu a mão para seu filho. Khalid estremecendo, girou e partiu. Sua costela quebrada não era mais que uma dor. A angústia em sua alma o fez em pedacinhos.

Banhou-se e trocou de roupa, depois roubou um veículo da garagem do palácio e conduziu até Riad, onde chamou sua mãe na América. Que providenciou sua volta. Esperando-o enquanto se curava o suficiente para voar e tentava curar as feridas que tinham sido infligidas em sua alma.

Khalid tentou deixar o passado atrás; deixando atrás seu pai e renegando o bode, assim como seus meios-irmãos que nunca receberam o castigo pelo que tinham feito a Lessa. Abram cuidou de seu corpo. A limpou, vestiu e sepultou como sua fiel esposa. Tinha ido ao seu enterro e quando escreveu a Khalid não muito tempo depois, tinha sepultado sua alma com ela.

Deveria ter terminado. Seus laços com o deserto e a família que odiava sobre todas as coisas tinham que ter quebrado. Assim tinha que ter sido, até a suspeita morte da segunda esposa de Abram e seu menino não nascido.

Ayid e Amam estavam decididos a garantir que Abram e Khalid pagassem pelas mortes das mulheres que chamavam esposas, as víboras do deserto que tinham sido tão desumanas, tão malvadas como seus maridos poderiam esperar ser alguma vez. Mas o que mais queriam era se vingar pela perda do respeito e o dinheiro que Khalid havia tirado cada vez que localizava e destruía uma das células terroristas que seus irmãos controlavam.

Depois de terminar de tomar banho, Khalid se secou e depois, nu, retornou à cama. Marty ainda dormia pacificamente na mesma posição em que a tinha deixado. Enroscada no meio da grande cama, parecia muito pequena, muito frágil para ser a amante que tinha sido há pouco tempo. Levantando a coberta, meteu-se na cama junto dela. Seu coração encolheu quando se moveu, gemendo um pouco antes de girar e rodar dentro de seus braços.

Ela se ajustou contra seu corpo com perfeição. Com a cabeça descansando sobre seu coração, as esbeltas pernas entrelaçadas com as suas. Era um peso quente, precioso, um ao que temia mais do que queria confessar.

Protegeria-a, prometeu-se. Seus pais cuidariam dela, como Shayne. Não estava sozinho a protegendo e diferente de Lessa, sabia do perigo. Ele não a perderia. Eles não tomariam esta mulher e a vida que construiu nos últimos dez anos. Mataria-os antes de permitir.

Seus irmãos se marcaram quando a atacaram. Agora, não descansaria, nunca baixaria a guarda ou sua determinação de destruí-los. Se tinha que destruir o trono para destruir a eles, então o faria. Era melhor Abram se preparar e melhor que contribuísse rapidamente. Porque Khalid já não estava brincando.

 

Depois da reunião de Shayne com os pais dela, no dia seguinte a primeira hora da manhã, Marty escreveu sua demissão, pondo todos os pontos sobre os ís, conferindo e se assegurando que redigiu o correto, depois a estendeu a seu padrinho depois da reunião com Shayne.

A expressão de Zach estava tranquila antes de olhá-la fixamente, o olhar com brilho de pena e arrependimento antes de fazer um brusco gesto com a cabeça e se afastar.

Não havia nada mais a fazer exceto entregar a carta ao seu chefe. O protocolo a chateava. Deerfield era uma moléstia que teria preferido não se ocupar agora mesmo. No instante em que Marty entrou no escritório de Deerfield, soube que deveria ter ficado essa manhã na cama com Khalid.

Deerfield tinha tirado a jaqueta e a gravata. Tinha as mangas enroladas e o cabelo em pé, como se tivesse passado os dedos por este inumeráveis vezes. Os olhos verde avelã a contemplaram com um quê de censura e perturbadora indignação quando foi para a mesa deixando em cima sua demissão.

— Considerarei o resto de minhas férias como a antecipação de aviso de minha decisão de me demitir — Expôs, enquanto o olhava com arrepiante consideração — Não voltarei.

— Sente-se — Ordenou, em tom calmo mas resistente com uma fúria apagada.

Sentando, Marty o observou com cautela, perguntando-se pelo rubor no pálido rosto e o brilho em seus olhos. Quase podia jurar que estivera bebendo.

— Foi correndo ao papai, não, agente Mathews? Como, segundo nosso último encontro, não o fez desde que era menina.

Ela levantou o queixo diante do insulto.

— A perseguição neste escritório foi além dos limites aceitáveis — Disse, enquanto cruzava as pernas e punha as mãos com confiança sobre o colo — Seus agentes estão nervosos e seu escritório está cheio de fofoqueiros traidores políticos, com a maioria deles lutando para ganhar sua aprovação e o apoio que necessitam para fazer seu trabalho. Nego-me a continuar trabalhando nesta atmosfera de completa falta de respeito e indiferença pelas leis que estamos defendendo.

Ele pôs cara de desprezo quando levantou o papel e a fulminou de novo com o olhar durante um longo instante.

Afinal, Deerfield se reclinou na cadeira e simplesmente a observou depreciativo.

— Estou seguro que é consciente que este escritório está agora sob investigação — Disse — Seu padrinho, nosso estimado diretor, decidiu que não gosta de como funciona. Não tenho nenhuma dúvida que está atrás da informação que recebeu.

Marty negou com a cabeça e deixou que um pequeno sorriso zombador inclinasse seus lábios.

— Não fui consciente de seus planos até que comecei as férias e me inteirei —Assegurou, embora realmente esperava que não acreditasse — Qualquer decisão que tomou, fez sem minha contribuição. Mas não estou em desacordo com isso.

— Você e seu pai são uma praga — Mostrou os dentes em um desdobramento de fúria primitiva — Nenhum de vocês quer aceitar que não estamos a salvo. Que o país pelo que morrem nossos agentes está sob ameaça e esse Khalid forma parte desta doença que paira.

Marty sentou em silêncio; já não ia discutir mais a inocência de Khalid. Seu último relatório expôs tudo o que tinha a dizer a respeito.

— Sua demissão — Voltando para sentar na cadeira outra vez enquanto dava golpezinhos com os dedos sobre o papel que ainda jazia sobre a mesa — A apresentarei. Recolha seus pertences e saia de uma maldita vez daqui. Mas quando estiver olhando nos olhos desse monstro e enfrentando à morte, não diga que não avisei.

Marty se apressou a levantar da cadeira.

— Agente Mathews — Inclinando-se para frente, Deerfield a fez sentar lentamente na cadeira — O ataque contra você na semana passada está ligado diretamente com a família Mustafa. É consciente disso? Está a ponto de se livrar de você e nem sequer pode ver.

Marty não falou. Olhou-o fixamente em silêncio, seguindo o conselho de seu padrinho de permitir cavar seu próprio buraco para ver quão profundo estava metido nisto.

— Se sua família não te matar, outros o farão. Mustafa tem inimigos — Este fez uma careta quando, suspeitou Marty, deu-se conta que se importava muito pouco com o que tivesse a dizer — Esses inimigos a matarão, simplesmente porque está relacionada com ele.

— Conheço Khalid a maior parte da minha vida — Um sorrisinho cúmplice inclinou os lábios femininos — O segui durante os últimos dois anos, e sei coisas sobre sua vida que estou segura inclusive de que ele não é consciente. Acredito que já conheço exatamente o homem que este departamento esteve perseguindo.

— Perseguindo? — Sua voz se afinou pelo aborrecimento enquanto se inclinava para frente — Este fodido escritório não persegue ninguém. Somos investigadores, agente Mathews. Somos tudo o que há entre a maldade deste mundo e o país que juramos proteger, os Estados Unidos da América — Gritou em resposta — Esse filho da puta nunca soube o que é sofrer. Brigar para sair da pobreza ou lutar pela justiça. Não conhece uma merda exceto a colher de prata que lhe colocaram pelo traseiro quando nasceu.

O suor empapou sua testa enquanto ruborizava a cara de um vermelho escuro e corado. A ira jogando faíscas em seu olhar, apertando os lábios e fulminando-a quando ela se negou a falar.

Estava sentada tão tranquila, embora permitisse que o desprezo se refletisse no rosto. Era melhor não discutir com ele. Chegado a este ponto, seria muito mais produtivo permitir que sua paranoia aumentasse.

— Saia de uma fodida vez daqui — Grunhiu, quando ela não disse nada — Espero que durma bem esta noite — Afastando o papel com violência para um lado da mesa com a mão.

Foi despedida assim fácil. O desprezo brilhava no olhar de Deerfield, igual um quê de temor.

Ficando em pé, Marty foi para a porta.

— Ele não é mais que uma fodida enfermidade e não quer ver — Disse quando ela agarrou o trinco da porta.

— Se for tal monstro, então seus inimigos teriam que tomar cuidado, não? —Perguntou — Khalid é inocente, Deerfield. Simplesmente se nega a aceitá-lo.

Não deu tempo de responder. Puxando o trinco, abandonou o escritório rapidamente e passou a grandes passos à secretária que a observava com receio enquanto partia.

O escritório estava repleto de receios e complôs. Todo mundo observava a outros com o conhecimento que uma reunião com Deerfield significaria outra avalanche de perseguição ou receios por suas pessoas ou suas investigações.

Ninguém estava a salvo ali quando tinha a ver com dissecar pessoas.

Enquanto entrava no elevador, Marty apertou os dentes para reprimir o insulto que tremia na sua língua. Maldito Deerfield. O bode a fez querer lhe tirar os olhos. Era condescendente, superior e completamente neurótico. Nunca esteve tão segura de sua decisão de se demitir como estava nesse momento.

Depois de sair do elevador, Marty caminhou rapidamente pela saída para o estacionamento exterior. A luz do sol transpassava o refúgio de árvores que ocupavam as barreiras entre cada seção e faziam um pouco de sombra no dia muito caloroso.

Dando um passo para o meio-fio, esperou enquanto a limusine se detinha na frente dela. Indo rapidamente para o lado do acompanhante, Abdul, rodeou rapidamente o veículo e abriu a porta com um floreio.

Marty deslizou no interior onde Khalid e Shayne a esperavam em silêncio, os olhares sobre ela.

— Posso ver que passou um bom momento nos escritórios do FBI — Disse Khalid arrastando a voz intencionadamente — Deerfield está ainda com vida ou deveria começar a procurar um álibi e conseguir os vídeos da vigilância federal?

Parecia tão seguro que pudesse fazer exatamente isso e com sua experiência, oferecendo dinheiro suficiente, a maioria das coisas podiam ser conseguidas.

— Ainda está vivo — Soltou o ar bruscamente enquanto passava os dedos pelo cabelo. A ira ainda se arrastava nela como ondas, infundindo uma tensão ardente no ar que fez as terminações nervosas de Marty de repente ficarem mais sensíveis do que deveriam.

Ou talvez fosse simplesmente o fato que os dois homens estavam juntos na parte traseira da limusine. Depois da noite anterior, encontrou a si mesma muito consciente deles, muito consciente de si mesma. Não tinha sido um problema antes abandonar a limusine para entrar no edifício federal. Essa sensibilidade se evaporou como se nunca tivesse estado presente. Embora no momento de voltar para a limusine, incrementou-se em intensidade e profundidade.

— Caminha por uma linha muito fina — Marty engoliu seco enquanto tentava ignorar a intensidade sexual que a envolvia — O faz durante um tempo. E é uma pena, porque uma vez foi um agente respeitado. Nunca devia ter subido a chefe de departamento.

— Me ter marcado como um traidor e preso sob custódia faria muito mais fácil para meus irmãos chegar em mim — Khalid encolheu os ombros — Também implicaria Abram e quase asseguraria sua execução. Não sinto simpatia por ele, amor, e você tampouco deveria.

— Não sinto simpatia por ele — Suspirou com força — Só pelos agentes trabalhando sob suas ordens.

— Estou de acordo — Assentiu para ela — E é algo que Zach terá em conta na investigação que começou. Deerfield arruinou sua própria carreira quando tropeçou com você.

Khalid se moveu para sentar ao seu lado, levantando e curvando a mão ao redor da parte posterior do pescoço para acariciar a carne sensível dali suavemente.

A carícia das pontas calosas sobre a pele produziu um calafrio nas costas. Ainda estava sensível, não dolorida exatamente, mas a carne entre as coxas sabia que tinha sido montada na noite anterior.

O pensamento disto a fez apertar as coxas, enquanto uma repentina quebra de onda de calor ruborizava o corpo. Pôde notar a vagina sensibilizando-se, inchada e necessitada.

Respirando profundamente, elevou o olhar, de repente travando com o de Shayne.

— Shayne fica muito tenso quando permite liberar a ira — Disse Khalid, enquanto Marty sentia que seu coração começava a acelerar — Está furioso por ter ido ao escritório, Marty, e estar exposta aos seus insultos sozinha.

— Posso dirigir Deerfield — Teve que obrigar-se a dizer as palavras — E não sou um brinquedo com que aliviar o stress — Disparou a Khalid um olhar desafiante, sabendo o que faria a sua luxúria. Desejava ser o brinquedo de ambos durante um pouquinho. Um brinquedo favorito. Um brinquedo muito amado.

— Eu serei seu brinquedo — Disse Shayne, quando notou a mão de Khalid mover-se ao lado, os dedos recolhendo o tecido da camiseta para começar a levantá-la.

— Permita me ver o delicadamente que ele brincaria com seu perfeito corpo, preciosa — Cantarolou Khalid, a escura voz agora de luxúria.

Não podia respirar. Sentia o peito encolhido quando Khalid a mudou de posição, elevando-a ao seu colo enquanto tirava a camiseta do corpo.

Não podia permitir. OH, Deus, estava derretendo ali mesmo por eles, permitindo fazer o que bem entendessem, como se fosse o brinquedo que havia dito que não seria.

Embora tinha que admitir, o pensamento do peralta que ele poderia ser na parte posterior da limusine a estava acendendo.

— Faltam várias horas para chegar à propriedade de minha mãe e assegurar a proteção de minha família — Sussurrou Khalid contra seu ouvido, enquanto Shayne agarrava o fecho do sutiã e desprendia o encaixe dos seios — De quantas maneiras diferentes podemos fazer que goze?

Um montão, estava segura.

— Desta vez quero seu traseiro — Shayne embalou os seios enquanto ela o olhava, aturdida — Quero observar meu pênis te estirando, observar como toma enquanto grita por mais.

Gemeu. Tinha a vagina tão úmida que jurou estar empapando os jeans.

Não levou muito tempo para despi-la, depois se despiram. Em minutos a parte posterior da limusine estava empanada com a tensão sexual enquanto Shayne a levantava para seus joelhos, separava suas coxas e passava os dedos pelos abundantes e suntuosos sucos reunidos entre as dobras da vagina.

Ela só tinha olhos para Khalid. Uma ampla mão se curvou ao redor da base de seu pênis antes de acariciá-lo para cima, tocando-se enquanto observava os dedos de Shayne encontrando o clitóris.

Marty estremeceu diante a quebra de onda de excessivo prazer que a alagou enquanto observava a grossa largura de sua proeminente ereção e recordava senti-la na boca.

— Uma vagina tão doce — Murmurou Khalid, enquanto assentia para Shayne.

Um segundo depois Shayne deslizava para o canto do assento, recostando-se e puxando Marty contra seu peito enquanto com os joelhos segurava as coxas femininas bem abertas.

Khalid esticou a mão, os dedos deslizando através dos espessos fluidos enquanto os dedos de Shayne começavam a atormentar seus mamilos.

Khalid separou as dobras, esfregando o clitóris, depois deslizando para baixo para encontrar a apertada entrada de sua vagina.

— OH Deus! — Gritou Marty um segundo depois quando afundou dois dedos profundamente dentro dela e começou a acariciá-la, a fodê-la com dominantes e poderosos impulsos.

— Goze para mim — Disse bruscamente, os olhos negros chamejantes de luxúria.

Marty estremeceu, os quadris tentando mover-se pela força de seus dedos afundando enquanto sentia o corpo voando mais perto do orgasmo.

— Foda meus dedos, neném — Agora ele era poderoso, exigente — Toma-os como tomaria meu pênis. Por completo, Marty. Me dê isso neném — Afundou mais os dedos dentro dela, acariciando sob o clitóris, fazendo-a explodir com tal força inesperada que ela não pôde fazer nada exceto se deixar ir.

Notou seus sucos empapando os dedos masculinos, a tensão do orgasmo fazendo-a girar em muitas sensações aveludadas.

— Carinho — Tirou os dedos enquanto ajoelhava no chão entre os assentos — Vejamos se pode gozar de outra maneira. Com minha língua fodendo essa doce vagina e meus dedos enterrados em seu apertado traseiro. Quero-te preparada, preciosa. Quando Shayne se incline para você e se meta nesse especial e pequeno lugar, quero-te preparada.

A imagem que plantou em sua mente foi muito: inclinado, Shayne tomaria por trás. Quase gozou pela intensidade da resposta enquanto sentia os dedos lubrificados de Khalid entrando na fenda.

Desta vez, foi lento e suave.

A língua lambendo suas dobras, rodeando o clitóris e depois sugando-o suavemente na boca enquanto a ponta do dedo penetrava em seu ânus.

— Está tremendo, Marty — Sussurrou Shayne no pescoço, os lábios sobre sua pele — Está bem, neném? Eu sei bem o que está saboreando. A vagina mais doce que jamais pousei os lábios.

Marty se moveu bruscamente em seu agarre, gritando enquanto Khalid sussurrava um gemido contra o clitóris. Outro dedo se uniu ao primeiro, penetrando no ânus, depois transpassou a entrada repleta de nervos.

— Seu bonito traseiro está sensível? — Os dedos de Shayne puxaram seus mamilos — Percebi ele te montando, com o pênis fundo dentro enquanto eu fodia sua preciosa vagina.

Ela negou com a cabeça. Não podia falar. Arqueou-se para a boca de Khalid, a língua, os dedos movendo-se dentro dela, estirando-a.

Não podia aguentar. A cada retirada Khalid lubrificava os dedos de novo, depois voltava a penetrar. Podia notar seus músculos sugando os dedos para dentro, desejosos de mais.

Ansiosos pelo pênis de Shayne. Desejava mais… O ardente, agonizante prazer que enviava afiadíssimas bordas de êxtase a rasgando.

A língua de Khalid afundava dentro da vagina enquanto seus dedos empurravam dentro dela outra vez. Ia gozar. Estava lambendo dentro dela, fodendo com a língua, cravando-se entre os músculos apertados, vacilante sobre eles com lambidas carinhosas e exigentes.

Quando a golpeou não pôde respirar. O orgasmo a sacudiu, poderoso, deslumbrante enquanto sentia os dedos de Khalid entrando mais fundo dentro de seu traseiro. Não podia com isso. Era muito. Estava choramingando do êxtase que emanava dela. Quando as ondas de doloroso prazer se apaziguaram, abriu as pestanas lentamente. Khalid a observava, acariciando o pênis, os negros olhos do demônio brilhantes.

— Monta seu pênis — Sussurrou — Toma-o nesse doce e apertado cuzinho enquanto observo. Me deixe ver seu rosto, Marty. Quero observar enquanto permite te estirar, tomar desta maneira.

Ela estava, nesse momento, mais que disposta a fazer tudo que pedisse. Tremula, choramingando pela intensidade do prazer perverso que a rasgava, deixou que Shayne a levantasse e assim pudesse por uma camisinha. Ajoelhando-se em cima dele, notou como a mão se envolvia ao redor da base do pênis antes de alinhá-lo e colocá-lo na entrada muito apertada que Khalid tinha preparado, antes de puxá-la de novo contra seu peito.

Ela observou o rosto de Khalid. Apoiando as costas contra o peito de Shayne enquanto sujeitava a ereção com firmeza, empurrou para baixo sobre a grossa largura invadindo-a.

O olhar de Khalid flamejou. Com os dedos apertados no pênis enquanto a observava aceitar a penetração, observava como a tenra carne se estirava, ardia.

— Khalid! — Esfregou a cabeça contra o peito atrás dela enquanto sentia o agonizante prazer aflorando em seu traseiro, estendendo-se por sua vagina.

— Formoso — Gemeu Khalid — Toma-o, preciosa. Toma-o dentro de si. Até o fundo, neném.

Os quadris de Shayne se arquearam enquanto com as mãos agarrava os quadris femininos, segurando-a no lugar. Cada impulso pouco profundo o levava mais dentro, estirando-a mais enquanto Marty se esforçava por segurar a penetração.

— Khalid, não posso…

Não podia tomar mais. Não podia suportar as sensações.

— Pode — Cantarolou ele, enquanto agarrava seus tornozelos com as mãos, arrastando-os para cima até que os pés descansaram sobre os joelhos de Shayne. O pênis de Shayne deslizou mais dentro, cravando-se nela com um impulso violento que a fez gritar e lutar contra as mãos que seguravam os quadris.

Estava ofegando, tremendo, enquanto uma quebra de onda de intensas sensações passava sobre suas terminações nervosas e enchia seus sentidos.

— Merda, se apresse Shayne — Disse Khalid, ofegando — Me deixe ver como a fode. Não durarei muito mais.

Ela estava morrendo pela sensualidade, a luxúria candente e a ardente necessidade que a envolvia.

Shayne fez o que pediu. Com as mãos apertadas nos quadris femininos começou a fodê-la, recuando, depois se enterrando no traseiro com cuidado, carícias profundas que provocaram uma quebra de onda de dilaceradoras sensações a atravessando.

— Marty, neném — Khalid se aproximou, com uma careta de agonia no rosto enquanto colocava o pênis nas dobras da vagina, quando Shayne ficou quieto — Carinho. Me diga se isto for muito — Começou a estirá-la, abrindo as tenras dobras e entrando lentamente na apertada abertura enquanto Shayne permanecia quieto atrás dela, ainda enchendo seu traseiro, estirando-a quando Khalid começou a penetrar uma entrada que já parecia transbordar.

Marty se estirou para ele, agarrando seus ombros com as mãos enquanto a ampla crista penetrava a entrada de sua vagina enviando um puro e doloroso êxtase a percorrendo.

Não doía e ainda assim era um martírio. Estava ardendo, congelando. Com cada movimento de quadris, cada centímetro adicional empurrando na vagina muito estreita. Agarrou-o muito forte, gritando em uma agonia que era puro êxtase.

Nunca teria imaginado. Um prazer que beirava a dor. Uma agonia que era uma inundação de puro êxtase. Apertada entre dois corpos duros, penetrada pelas ereções grossas e duras, Marty se sentiu uma mulher autêntica. A mercê deles. Uma parte integral deles e seu prazer.

Denominou-se um brinquedo e tinha menosprezado o que sentia no momento que ambos a encheram. Sentia-se poderosa e ainda assim total. Era o prazer deles, igual a eles eram o seu. Estavam entrelaçados, conectados por muito mais que só a carne.

Mantendo o olhar de Khalid viu algo em seus olhos que nunca tinha visto antes, enquanto empurrava a ereção até o punho em seu interior. Agora estava em paz. Agora, envolto no prazer que oferecia, era mais que só um homem. Era seu homem. E neste instante, soube que seu corpo e sua alma lhe pertenciam.

— Tão apertada. — Desceu os lábios para ela enquanto esta se esforçava por adaptar-se a forte presença de dois pênis penetrando-a — Doce Marty. Tão apertada, é um martírio.

E ainda assim se movia. Lentamente. Ambos se moviam dentro dela. Cada impulso dentro, fora, empurrando em profundidade, depois retirando-se, levando-a mais alto, enviando-a a voar nas escuras e sensuais profundidades desta aventura, dando-se conta que quase a perdia.

Tinha o corpo hipersensível, cada empurrão fodendo a fez ofegar, gritar. As unhas cravadas nos ombros de Khalid, esfregando a cabeça contra o peito de Shayne.

— Marty — A voz de Khalid era rasgada, desesperada — Deus, neném. Não posso aguentar.

Inclinando-se para trás, também jogou atrás a cabeça quando os quadris começaram a mover-se mais duro, mais rápido. Eles se moviam de uma vez, retirada e impulso, fodendo dentro e fora, incrementando os impulsos, acelerando até que ela estava gritando, tentando gritar, ofegando por respirar e depois explodiu com tal sobrecarga sensorial que se perguntou se sobreviveria.

Shayne estava gozando. Notou-o esticando-se, ouviu o gemido atrás dela e a poderosa vibração de seu pênis no traseiro. Um segundo depois abriu de repente os olhos, o olhar travado em Khalid enquanto este expulsava a jorros sua liberação dentro dela.

Esta não era a primeira vez. Com o primeiro jorro ardente de seu sêmen dentro, a vagina se esticou ao redor dele ainda mais e seu corpo tremeu com outro orgasmo que a deixou em uma espiral fora de controle. Cada dura vibração de seu pênis enviava outra onda de ardente calidez em seu interior e outra intensa explosão.

Não sobreviveria a este prazer exagerado, pensou. Não sobreviveria se perdia este prazer e esse pensamento enviou uma quebra de onda de temor pelo corpo.

O prazer de Khalid afetava o dela. Sua necessidade, sua fome, cada toque e conhecimento de seus desejos avivavam as próprias fantasias de Marty.

Isso a fazia fraca. A fazia desejar se entregar; fazia que ansiasse mais. E aterrorizava que Khalid não tivesse mais a dar que isto. Seu corpo, seus desejos, sua fome e mais prazer do que nunca imaginou que pudesse existir.

O que faria se chegasse a perder aquilo?

Agora agarrada a ele enquanto a elevava de Shayne e a punha suavemente em seu colo, sentando-se no assento em frente, Marty tentou dizer a si mesma que estaria bem quando isto terminasse. Todas as coisas começavam e terminavam, recordou. Ao menos para ela.

— Veem aqui, preciosa — Sua voz era um cantarolar aveludado enquanto levantava seu queixo e a tocava com os lábios. O beijo foi doce, suave. Enviando um desassossego sentimento de calidez através da alma, quase dissipando os dolorosos pensamentos que enchiam sua cabeça.

— Me deixa sem respiração — Sussurrou contra os lábios — Me rouba o controle quando ninguém nunca conseguiu.

Ela levantou as pestanas para olhar fixamente sua expressão de sexual satisfação. Nada tinha sido tão sexy como a sexualidade saciada de Khalid.

— Que porra vou fazer com você? — Sussurrou ela então, elevando a mão para acariciar a áspera mandíbula enquanto um sorrisinho saia dos sexys lábios masculinos.

— Tomar mais frequentemente? — Sugeriu ele — Me mantenha preguiçoso e satisfeito e te seguirei como um cachorrinho rogando uma carícia de sua sedosa mão.

Marty quase soprou com as palavras. Sim, imaginava Khalid seguindo-a como um cachorrinho mulherengo. Não.

— Sei, tem uma ducha escondida por aqui? — Suspirou ela, desesperada para evitar se afundar na armadilha emocional que a aguardava.

— Nenhuma ducha — Deu-lhe um beijo rápido nos lábios — Embora confie em mim, carinho, sei como limpar esse doce e bonito corpo.

Esperava que sim, porque estava pegajosa, úmida e definitivamente necessitava uma ducha. Inclusive mais, necessitava uma sensação de equilíbrio. Alguma maneira de colocar uma defesa entre seu coração e este homem que podia sentir roubando toque a toque.

Se não fosse muito, muito cuidadosa, ia acabar com o coração partido e uma vida muito solitária.

 

A lista de convidados de Anger Thornton era composta de quem era quem na política e poder de D.C. e Alexandria. Não regulou em vinho, champanha ou no bufê. Havia o melhor do melhor e tudo era perfeito.

O grupo de música era sutil e excelente, a música flutuava no ar com uma suave presença. O lugar estava repleto do tinido de copos, o murmúrio de conversas, assim como uma atmosfera de privilégio e refinada arrogância… Semelhante ao próprio Anger.

De um metro noventa e cinco, traços musculosos, com penetrantes olhos azuis e um espesso cabelo negro, Anger era um homem com o qual a maioria sabia que teria que tomar cuidado. De traços toscos; ninguém o chamaria atraente. Era mais chamativo e completamente dominante do que “atraente”, poderia descrever.

A família Thornton tinha estado na elite social do local do início das colônias. Tinham prosperado, crescido, cimentado seu controle e se obstinado a este com garras reforçadas de aço. Anger seguia a tradição, assim como a tradição de fazer dinheiro, com os negócios de importação e exportação, que tinham estado em funcionamento desde que a família pôs um pé nas colônias.

A mansão de três andares em que residia Anger dispunha de dois grandes salões de baile conectados. Essa noite, os convidados davam voltas em ambas as salas, assim como nos grandes salões exteriores e os jardins bem iluminados. Era um baile que a maioria das convidadas femininas planejavam com um ano de antecipação. O vestido adequado, os sapatos adequados e é óbvio o acompanhante perfeito se não estavam casadas ou essa opção estava disponível.

Para Thornton, era o acontecimento de negócios do ano. Com os anos, conseguiu fechar com muitos contratos governamentais por causa da qualidade desta única festa.

Ao entrar no salão de baile principal, Marty teve que conter um sorriso de diversão zombadora quando as cabeças se voltaram, a chegada foi cotada e olhares variados apareceram em muitos dos rostos. Marty não era uma habitual nas festas que mantinham as matronas sociais rumorejando durante anos. Esta noite, usando um vestido de noite que Khalid tinha conseguido no último momento, Marty soube que competia tranquilamente inclusive com as mulheres ali vestidas com o mais caro. De algum modo ele tinha conseguido conseguir um original de um dos desenhistas mais exclusivos do mundo.

Nunca subestime um homem decidido, pensou ela. A confecção de seda e tafetá cor azul real deixava ao descoberto as curvas superiores dos seios, elevando e embalando os arredondados seios antes de prender-se sob eles e moldar os quadris. Dali caía até o chão em uma formação magnífica de tecido e anáguas rígidas. As safiras reluziam em suas orelhas e garganta, enquanto o longo cabelo loiro escuro tinha sido recolhido para cima em um solto e elegante estilo exaltando o pescoço e os ombros.

A seu lado, Khalid ia vestido com um traje negro de seda e uma gravata que combinava à perfeição com seu vestido. Shayne ia vestido de forma similar, embora a gravata fosse cinza piçarra em vez de azul real.

Flanqueavam-na, um a cada lado e Marty soube que as línguas se meneariam essa noite e à manhã seguinte.

— Marty Mathews, por fim decidiu abençoar uma de minhas festas — Anger deu um passo de um grupo próximo de homens de certa idade, seus traços dignos e dominantes contrastando com as rugas e o cabelo grisalho que o emoldurava — Khalid, Shayne, alegro-me de vê-los de novo.

Marty quase arqueou as sobrancelhas diante a familiaridade que Anger cumprimentou Shayne. Outro membro do clube, supôs ela. Deu uma olhada a Shayne e quase suspirou diante o olhar divertido que este lançou.

— Anger, uma assistência impressionante — Disse Khalid enquanto davam as mãos.

— Como sempre — Anger riu entre dentes.

Soou divertido, mas com o Anger, as pessoas nunca podiam estar seguras. Seu olhar de olhos azuis era frio, a expressão aprazível, mal registrando emoção.

— Ouvi que também se traçam as felicitações — Disse Khalid — Um contrato muito lucrativo com o departamento de Estado?

Um vislumbre de sorriso se formou nos cantos dos lábios de Anger.

— Alguém tem que transportar sua roupa suja, melhor que seja eu.

Khalid inclinou a cabeça em reconhecimento quando Marty viu seus pais do outro lado do salão. Joe e Virginia Mathews permaneciam com um reduzido grupo de amigos e conhecidos. Um dos quais poderia ser um contato dos irmãos Mustafa.

Não tinha nenhuma dúvida que alguém estava em contato com Ayid e Amam. Não se moveriam com tal confiança, tanta tranquilidade, a menos que tivessem ajuda dentro de seu próprio governo como nos Estados Unidos.

Embora seus pais estivessem ali, assim como seu padrinho, estariam disfarçados. Só rogava que tivesse razão. A suspeita de que Ayid e Amam teriam amigos entre a concorrência tinha surgido só depois de ler o arquivo da operação da Arábia Saudita. Alguém tinha enviado essa mensagem aos irmãos e essa pessoa só poderia ter estado entre um grupo muito reduzido de indivíduos do governo.

— Se me perdoarem — Marty sorriu ao grupo — Vejo meus pais.

— É óbvio — O olhar do Anger piscou com curiosidade durante um breve instante — Falei antes com seu pai e seu padrinho. Parecem bastante contentes de sua relação com o Khalid. Desejo a ambos o melhor.

Marty quase se engasga diante os bons desejos. Seus pais estavam obviamente doentes esta noite. Ambos estavam igualmente furiosos com Khalid e Shayne, por sua demissão assim, como sua negativa a permanecer na casa de seus pais enquanto os irmãos de Khalid ainda andassem soltos.

— Obrigada AT — Murmurou — Se me perdoam.

— E a mim também — Disse Khalid atrás dela — Acredito que escoltarei a minha encantadora companheira.

Anger riu entre dentes. A mão de Khalid pousou de novo na parte mais estreita das costas de Marty enquanto cruzavam o salão.

— Seus pais se comportarão — Murmurou, enquanto inclinava a cabeça por volta dela — Ninguém acreditará erroneamente que agora não compartilha minha cama.

Lançou um olhar para Khalid. Estava tão tranquilo, tão confiante. Teve vontade de pisar nos dedos dos pés só para ver sua reação quando essa divertida arrogância se mostrasse.

O teria feito se não tivesse visto brevemente Vence Deerfield afastando-se lentamente do grupo no qual estavam seus pais. Lançou-lhe um olhar indicando que queria reunir-se com ela. Tinha os olhos entreabertos sobre ela e Khalid, seguindo seus movimentos através do salão de dança enquanto se separava deles, dirigindo-se do salão para o corredor do outro extremo, que ela sabia conduzia aos banheiros dos convidados assim como a uma pequena biblioteca e uma sala de estar.

Que merda queria?

Tomou a decisão de segui-lo, esperando que se o deixava desafogar-se do que fosse de uma vez por todas, não teria que preocupar-se com uma demonstração pública de imbecilidade.

Era capaz.

— Perdoe-me, acredito que preciso fazer uma visita ao banheiro de senhoras.

Desculpou-se com o Khalid enquanto olhava ao redor, vendo Shayne indo para o corredor desde outro ângulo, lançando um olhar para sua direção.

— Vá com cuidado — Advertiu Khalid em voz baixa, enquanto retirava o contato em suas costas.

— Sempre.

Lançando-lhe um olhar irônico, foi em direção ao corredor enquanto Khalid se aproximava do grupo onde estavam os pais dela.

Uma vez no corredor, caminhou ao longo dele com a rapidez que seus saltos de dez centímetros permitiram, perguntando-se por onde havia desparecido Deerfield e se Shayne também o tinha seguido.

Quando rodeou um canto vislumbrou uma porta afastada no corredor que tinha sido deixada aberta. Ao aproximar-se, ocultou a surpresa quando seu antigo chefe apareceu na soleira e fez gestos.

O pequeno escritório tinha um desenho simples. Havia uma escrivaninha grande, estantes e a um lado da sala um sofá luxuoso com cadeiras combinando.

Fechando a porta atrás dela se girou para encará-lo. Vence Deerfield a fulminou com o olhar.

— Todo mundo se pergunta quanto tempo vai mantê-la em sua cama — Espetou — Perdeu a cabeça, agente Mathews? Não posso acreditar sua ostentação tão pública desta aventura. Merda, não podia acreditar que a sério estivesse metida nisto até ouvir a intriga esta noite.

— Outros podem perguntar o que diabos quiserem — Disse energicamente — Agora, o que quer? Tenho que encontrar um banheiro de senhoras e supunha que já não tínhamos nada mais que falar.

O homem disparou um olhar malévolo e cruzou a passos largos o escritório para o pequeno bar do outro extremo.

— Sempre supus que tinha mais classe para permitir se misturar com esse bastardo, sem importar os rumores que circulavam referente a seu interesse por você. Tem seu próprio harém, pelo amor de Deus.

Tem seis garotas que seu pai enviou ainda meninas, às quais adotou e agora cuida como irmãs, pensou Marty. Infelizmente Deerfield nunca acreditou, sem importar as provas que tinham oferecido em contrário.

— Espero que desfrute da festa — Disse ela ao final, encolhendo os ombros — Ele sentirá minha falta se não me apressar. O que quer?

Deerfield bebeu de um gole a bebida fazendo um gesto duro antes de deixar o copo com um golpe sobre a reluzente madeira escura.

— Seu padrinho parece particularmente orgulhoso desta relação que todo mundo assume, se desenvolveu entre você e Mustafa — Disse — Neste sentido esperava mais de Zach Jennings. Nunca imaginei que te permitiria tomar tal decisão.

Marty arqueou as sobrancelhas lentamente.

— Por que não deveriam estar orgulhosos? Nem meu pai nem meu padrinho vivem minha vida por mim, Vence.

A utilização do nome de batismo foi um insulto deliberado e uma lembrança de que já não tinha nenhum poder sobre ela.

— Sabe seu pai que o bastardo compartilha a suas mulheres? — Perguntou sarcasticamente — Você sabia?

Ela o olhou como se tivesse perdido a cabeça.

— Do que está me acusando, Vence? — Perguntou cautelosamente.

Passando com desassossego os dedos pelo curto cabelo castanho, entrecerrou os olhos e a contemplou zangado.

— Não tente negar que compartilha a suas mulheres — Ordenou.

Não houve negativa.

— Isso simplesmente significa que tem um passado.

Ela encolheu os ombros. Assim como um futuro, mas não tinha sentido em persistir nisso mais do que tinha feito.

Ele grunhiu diante aquilo.

— Esperava que fosse mais inteligente — Embora, não soou como se acreditasse que ela o fosse — Entretanto, tomaria cuidado, se a levasse para seu irmão de visita. Assassinaram a última mulher que compartilharam.

Ela não tentou ocultar sua surpresa ou incredulidade.

— E isso não está em nossos arquivos, por quê?

Deerfield sorriu abertamente.

— Porque foi eliminado por seu padrinho — Disse adotando um ar depreciativo — “Nenhuma prova, só hipóteses”, foi seu maldito argumento. Não pudemos encontrar provas.

Certo, não era isso um cenário familiar?

— Possivelmente não existiam provas — Sugeriu enquanto furiosa agarrava com força a pequena bolsa que segurava nas mãos.

— Mas havia provas, provas que não foram aceitas pelas implicações internacionais — Disse Deerfield com desprezo — E suspeito porque seu padrinho pensa mais em sua amizade com Mustafa que em seu país.

— Eu tomaria cuidado, Vence. Meu padrinho não encobriria um assassinato. Nem tiraria informação que acreditasse fosse relevante — Expôs ela.

Este retorceu os lábios com fúria enquanto dava a volta e se servia outro gole antes de girar-se de novo para ela.

— Não aceitaria as provas — Disse com voz brusca — Informe de testemunhas oculares. Testemunhas que viram o corpo da garota, viram o abuso sexual que infligiram. Tinha sido violentada, agente Mathews, de um modo horrível. Uma autópsia confirmou que tinha sido violentada até a morte por dois homens de uma vez. E as depravações de Khalid e Abram eram bem conhecidas. Era a esposa de Abram e evidentemente se cansou dela.

Embargou-a o sobressalto.

— Esta não é informação que encobriria e investiguei cada faceta da vida de Khalid.

— Então não investigou o bastante — Espetou — Abram é tão depravado quanto Khalid. Dá asco inclusive a sua própria gente. Nunca sucederá seu pai como governante, porque os radicais religiosos nunca aceitarão um rei solteiro que permite a outros foder às suas putas enquanto observa. Sua segunda mulher morreu inclusive antes de dar a luz a seu filho e ele não tem intenção de procurar outra mulher. Cansa-se delas e as mata. Os homens como ele e Khalid são uma praga, Marty. Uma que requer uma cura.

O ódio se refletia em seus olhos enquanto a fúria parecia crescer nele.

— Isso não lhe diz respeito, Deerfield — Sustentou ela — E os gostos sexuais de um homem não o definem, nem o convertem em um assassino.

— Faz quando mata às putas estúpidas dispostas a que as foda ele e seu irmão ao mesmo tempo. Tolas putinhas que enganam a si mesmas ao acreditar que esses homens as amam, só para inteirar-se que não são mais que um brinquedo. Então tem toda a razão, isso o define.

— Está perdendo a objetividade — Disse ela, recuando lentamente para a porta — Nada do que disse aqui justifica a perseguição da Agência sobre ele. Se não tiver muito cuidado, vai levar a pleito a Agência inteira.

Deerfield sorriu com suficiência diante a advertência.

— Preocupe-se por você, eu me preocuparei com a Agência. Esse é meu trabalho e sou muito bom nisso.

Não está estável, pensou ela. Está deslizando sobre uma beira que pode acabar provocando um dano irreparável entre os Estados Unidos e um aliado em potência.

— Meu trabalho está quase terminado — Advertiu a ele — Khalid não é um traidor nem um assassino…

Deerfield interrompeu seu argumento com uma cortante e desdenhosa gargalhada.

— Está apaixonada por ele, não? Não estaria seu pai orgulhoso de saber o muito arrasada que acabará por esse bastardo? Trairia seu país por ele, agente Mathews? Deixaria-o observar enquanto outro homem a fode?

— Você perdeu a cabeça — Disse, soltando ar de maneira violenta.

— Pergunte a ele sobre isso — Grunhiu, a expressão retorcendo-se em linhas de fúria — Seu nome era Lessa. Era a esposa de Abram. Uma diminuta coisinha que eles quebraram — Voltou o olhar para ela com desdém — Espero que nunca experimente o horror que deve ter enfrentado enquanto a fodiam até a morte.

— Não tenho que perguntar nada. Khalid não é um monstro e nunca faria mal a uma de seus amantes, nem a ninguém. E te recordo, que foi você o que me pôs nessa missão de vigiá-lo. Era sua responsabilidade me contar isso tudo, sem importar o fato de que alguém acreditasse que a informação era irrelevante.

— Não disse a você que o fodesse!

— Fale comigo desta maneira outra vez e o lamentará. — Os dedos do Marty se apertaram na bolsa inclusive mais forte enquanto a ira a percorria — Já aguentei seus ofensivos ataques o tempo suficiente, Deerfield.

— Pelo amor de Deus, pensa que me incomodaria em repreender se não pensasse que se converteria em uma magnífica agente algum dia? — A surpresa parecia refletir-se agora em sua expressão enquanto estendia as mãos em súplica — Está arriscando sua vida e sua carreira com este homem.

— E eu vou recordar a você que já não é da sua conta.

Pôde notar como acelerava seu coração, a adrenalina se precipitava nela ao reconhecer o fato que de seu chefe ia embora a prudência.

— Pensava que era mais inteligente. — Negou com a cabeça lentamente — Maldição. Pensava que era melhor agente.

Marty agarrou o trinco da porta atrás dela e o contemplou com fúria.

— Penso que deveria se sentar e pensar sobre o que está fazendo, Deerfield —Disse com frieza — É o único que arrisca sua vida. É o único ao que sua carreira está a ponto de ir ao inferno. Não o piore.

Ele sorriu lentamente, com confiança.

— Ao final ganharei.

— Não esteja tão seguro.

Enquanto abria a porta de repente lhe lançou um duro olhar enfurecido antes de girar-se e sair ao corredor.

Estava tremendo de ira quando fechou a porta com uma pancada e foi dar de encontro com Shayne.

Os olhos azuis estavam tão frios como o gelo, o corpo tenso de ira enquanto a olhava fixamente, depois à porta.

— Ouviu-o? — Perguntou.

Tinha a mandíbula apertada.

— Era difícil não fazê-lo. E é malditamente afortunada de que Khalid não o escutasse. Teria matado o canalha por falar com você desta maneira.

Enquanto se afastava da estadia, Marty jogou uma olhada à porta, perguntando o que Deerfield estaria fazendo dentro.

Marty sacudiu a cabeça diante a instabilidade que tinha vislumbrado em seu antigo chefe antes de respirar uma forte baforada e perguntar:

— Quem é Lessa Hadad, Shayne?

Sua pergunta se encontrou com um longo silêncio.

— Era a esposa de Abram — Disse a final — Se tiver outras perguntas referentes a ela, deveria perguntar a Khalid.

— Khalid ainda não a mencionou — Assinalou friamente — O que significou para ele?

Deteve-a antes de retornar ao salão de baile.

— Pergunte a Khalid, Marty. Deixe-o explicar sobre Lessa. Mas tenha muito cuidado. Recorda, Khalid é da maneira que é por uma razão. Às vezes, uma vez que a escuridão se apodera de você, não quer jamais voltar para as lembranças que a causaram.

Quando Marty se afastou dele, essa declaração permaneceu com ela. Definitivamente havia uma atroz escuridão dentro de Khalid, uma com a qual ele tinha lutado frequentemente quando se tratava de permanecer à margem em vez de interferir na carreira que Marty tinha escolhido.

Seria difícil para ele, admitiu. Um homem como Khalid não se faria a um lado enquanto sua mulher ficava em perigo. Entretanto, fazia exatamente aquilo em mais de uma ocasião.

Tinha-lhe permitido ser o que ela precisava ser. Sem importar seu desacordo com isso, permanecia à margem. Podia ver a tortura em seu rosto quando o fazia, como tinha vislumbrado seu temor por ela mais de uma vez.

Enquanto cruzava o salão de baile, captou o olhar de vários rostos familiares. Homens que sabia eram membros do clube, reunidos ao redor de AT do outro lado do salão. Estavam falando tranquilamente entre eles, vários assentindo com seriedade.

AT sempre estava tramando e planejando.

Ian Sinclair formava parte desse grupo. Observou AT com o penetrante olhar entrecerrado antes de assentir com cuidado e jogar uma olhada pelo salão e vê-la. A diversão marcava sua expressão. Evidentemente ali não havia ressentimentos pelo fato que ela tivesse conseguido penetrar em seu clube.

Voltou onde estava Khalid com seus pais e mãe.

Havia uma sensação de preparação cobrindo os três homens. Quando Shayne uniu-se a eles segundos depois, essa preparação se intensificou.

— Tudo está a ponto — Seu padrinho se inclinou aproximando-se dela — Captamos duas transmissões daqui, ao chegar você e Khalid. Falaram com o Ayid, que prometeu estar em um avião para D.C. o mais breve possível, já que o homem que enviou aqui não parece fazer o trabalho corretamente. Temos ativos vindo para aqui para nos fazer saber quando se transferir.

Olhando pelo salão de baile, Marty esperava que a operação se desenvolvesse com rapidez. Tinha o pressentimento que se não o fazia, Khalid e ela poderiam enfrentar a mais perigos de que tinha imaginado.

— Então ainda não está nos Estados Unidos? — Perguntou enquanto se girava para Khalid.

Puxou-a para seu lado com os dedos, segurando os quadris possessivamente.

— Ainda não.

Marty assentiu lentamente. Não demoraria muito, disse a si mesma. Ayid Mustafa aproveitaria qualquer oportunidade que tivesse para destruir Khalid.

Enquanto permanecia ao lado de Khalid, deu-se conta de algo. A maneira em que a segurava, perto de seu lado. A maneira em que seu corpo se girava nela. Nunca o tinha visto segurar outra mulher desta maneira. Nunca ouviu que mantivesse alguém a seu lado.

Amava-o.

Olhou-o fixamente, admitindo em silêncio que ela o tinha amado a maior parte de sua vida. Tinha-o amado com uma certeza, uma confiança de que chegaria o dia quando ela teria pelo menos a oportunidade de roubar seu coração.

Tinha conseguido?

Havia vezes em que pensava que era possível. Havia vezes que temia que ficava muito por fazer.

Sentindo a mão assentada possessivamente na parte inferior das costas outra vez, girou-se e elevou o olhar para ele com todos os temores, todas as necessidades que se faziam mais e mais difíceis de conter em seu interior.

— Dança comigo — Tomando da mão recuou, observando-a, esperando que ela aceitasse — Shayne tem uma reunião com um contato esta noite, mas iremos logo, sozinhos.

Era dominante, mas não prepotente. Era arrogante, mas sua arrogância sempre tinha um matiz de lógica, de razão.

— Sempre — Com a mão bem apertada na sua enquanto a deixava tirá-la para a pista de dança.

Quando a tomou nos braços, Marty sentiu o calor familiar que Khalid prendia dentro dela de novo. Ele era a faísca dentro de sua alma.

Pousando a cabeça em seu ombro, Marty fechou os olhos e se permitiu desfrutar simplesmente de seu contato, o lento deslizar de seu corpo, a calidez de seus braços.

Não entendia a necessidade aumentando nela simplesmente por estar ali, agarrando-se a este momento todo o possível, guardando as lembranças em seu interior.

— Acabará logo.

O sussurro contra seu ouvido foi baixo, embora o tom de sua voz refletisse uma força de aço que a fez levantar a cabeça, encontrando-se com seus olhos.

Não era medo o que vislumbrou neles; era uma certeza que se não acabasse com seus irmãos, então poderia perder mais do que poderia suportar.

Perderia-a.

— De uma maneira ou de outra, acabará logo — Esteve de acordo ela.

— Não os deixarei ganhar, Marty.

— Sei que não o fará.

A confiança se refletiu em seus olhos e isso o aterrorizou.

Decepcionou Lessa. Como poderia suportar falhar com Marty da mesma forma?

Khalid não podia suportar o pensamento de perdê-la. Enquanto a olhava soube que nada em sua vida, nenhuma outra mulher, tinha sido jamais para ele o que Marty estava começando a ser.

A força brilhava em seus olhos cinzas, misturada com a compaixão e uma sensação de diversão. Ela nunca se tomava muito a sério e nunca deixou fazer o mesmo. Embora, ao mesmo tempo, entendia o perigo centrando-se nela. Não havia maneira de negá-lo. Não podia combatê-lo. Merda não, saltava diretamente ao perigo para tentar solucioná-lo.

Elevando o olhar, Marty viu os sentimentos refletidos em seus olhos. Sentimentos escuros e desesperados que ela não queria nada mais que aliviar.

Quando terminou a canção, Khalid a levou de volta a seus pais.

— Identificamos à pessoa que ligou — Joe avançou para eles, mantendo a voz baixa — Forma parte do séquito do embaixador saudita — Assinalou para o árabe alto e vestido muito formalmente, falando com o embaixador — Recebeu uma chamada faz dois minutos. Pensamos que está preparando-se para encontrar-se com o assassino.

— Por que? — Perguntou Marty em voz baixa — Que informação pode ter?

Zach negou com a cabeça.

— Isso é o que tentamos descobrir.

— Igual iremos — Expôs Khalid — Faça-nos saber no instante que tiver algo.

— No segundo — Esteve de acordo Zach, antes de inclinar a cabeça para beijar a testa de Marty suavemente — Tenha cuidado, pequena — Sussurrou — Sua mãe me matará e com razão, se acontecer algo com você.

Despedindo-se de seu anfitrião vários minutos depois, Marty se perguntava o que teria justificado uma reunião tão repentina.

Não tinha as respostas que necessitava e as perguntas a atormentavam. Como a nova para acrescentar à lista.

O que tinha acontecido a Lessa e o que significou para Khalid? Amava-a? Já tinha perdido à mulher que sentia que pertencia seu coração, inclusive se era a esposa de seu irmão? Inclusive se tinha sido o terceiro em vez do primeiro?

Jogando uma olhada a Khalid a seu lado, assimilou na expressão tranquila, o brilho inexpressivo quase sem sentimentos em seus olhos. Esse olhar tinha estado ali do momento que saíram da pista de dança.

— Meus pais nos convidaram para almoçar na próxima semana — Disse tranquilamente, enquanto a limusine se aproximava da propriedade — Disse a eles que teria que me assegurar que sua agenda está disponível.

Viu como alargavam as fossas nasais ao respirar profundamente.

— Estou disponível — Disse a final.

Observou-o com curiosidade, perguntando-se pelo ar reservado que estava vendo.

— Ficaram alegres de ouvir isso.

Começou a afastar-se dele, a distância que sentiu a rodeando a deixou ligeiramente incômoda.

— Onde diabos vai?

Antes que se movesse mais de um centímetro estava puxando suas costas para ele, depois um pouco mais e a levantou para seu colo.

— O que faz?

A surpresa a atravessou quando sentiu seus braços rodeando-a de repente, a calidez de seu peito contra ela.

— Acha que a deixarei partir tão tranquilamente?

Agora havia algo definitivamente escuro e perigoso em sua expressão.

— Não era consciente de que te pertencia.

Não fingia ser ignorante do fato que ele estava tentando ficar totalmente dominante.

Assim por que diabos tinha o coração acelerado como se estivesse excitada, como se uma briga potencial com ele a deixasse excitada? E por que estava ficando tão molhada?

Khalid baixou o olhar para ela, sentindo coisas que nunca imaginou sentir enquanto estas o enrolavam. A mais surpreendente, foi o fio de possessividade. Nunca conheceu uma obsessão tal como a que tinha por esta mulher.

Tinha-a compartilhado com facilidade. O prazer, o puro erotismo de cada aventura tinha sido mais do que nunca conheceu com outra mulher, em nenhum outro momento. Embora, ao vê-la sair desse corredor com Shayne, com a mão nas costas enquanto permanecia protetoramente atrás dela, Khalid sentiu um raio de luxúria possessiva diferente a qualquer coisa que tivesse esperado.

Shayne não a amava. Não desejava ter nada a ver com o amor ou a possessividade. Shayne queria permanecer fora olhando, formando parte da relação, mas sem comprometer-se nunca de verdade nela.

— Nunca disse que me pertencia. — Grunhiu, sentindo endurecer o pênis com dolorosa rigidez quando seu traseiro se meneou contra ele — Simplesmente disse que não a deixaria partir tão tranquilamente.

— E eu digo a você que se decidir partir, então não tem nada que dizer.

Sua voz foi doce, mas sob ela ele pôde ouvir uma ameaça decidida e a luxúria fervendo em seu interior.

— Não ache que não tenho nada a dizer — Respondeu, ouvindo a dureza apontando em sua voz — Não comecei esta relação com você, Marty, para perdê-la tão facilmente.

Ela abriu os olhos de par em par. Definitivamente havia luxúria. Excitação, corrigiu-se ele. A paixão no olhar de Marty continha emoção, sombras de aborrecimento, fome e um brilho de sentimento que nunca tinha visto nos olhos de outra mulher.

Ou simplesmente desejava estar vendo ali esse sentimento? Quando se tratava de Marty, nunca estava seguro do que ele sentia ou do que ela estava sentindo.

— Não, você começou esta relação porque estava sob suspeita por trair meu chefe — Jogou em resposta.

É uma coisinha rápida, pensou ele. Mas isso não era exatamente verdade.

— Não, comecei esta relação com você porque permanecer longe de você já não era uma opção — Disse, agarrando-a pelos quadris para segurá-la no lugar quando ela começou a mover-se como se quisesse sair de seu colo.

Gostava dela exatamente onde estava, em seus braços.

— Age como se eu não tivesse nada a ver com a decisão — A cólera flamejava em seus olhos cinzas e enviou uma quebra de onda de pura luxúria que atravessou suas bolas — Desculpe, senhor Mustafa, mas eu fiz o primeiro movimento, não você. Eu o seduzi, recorda?

— Isso fez — Passou os dedos através do cabelo, jogou sua cabeça para trás, olhando-a fixamente, morrendo para devorá-la — E que me condenem se não me custou Deus o ajudar a empurrá-la a fazê-lo.

Antes que ela pudesse argumentar contra semelhante declaração, tomou seus lábios e roubou o beijo que necessitava. Sua língua empurrou, atravessando os lábios separados, acariciando-os contra os seus e provou a doce e pura mulher um segundo antes de sentir a pequena e aguda dentada de seus dentes contra a língua.

Recuou bruscamente, olhou-a fixamente com olhos entrecerrados. Depois introduziu os dedos na parte posterior de sua cabeça, deixando cair os grossos e sedosos fios sobre a mão. Apertando, manteve-a sujeita, baixou a cabeça e beliscou o exuberante lábio inferior, antes de passar a língua brandamente por cima.

Beijou o bico de seus lábios, mantendo ainda sua cabeça presa e quando a olhou diretamente, aos escuros e famintos olhos, beijou-a outra vez. Sua língua golpeou ligeiramente sobre seus lábios, tentando e acariciou os entreabertos lábios de novo, o que fez que ela estendesse a língua para ele, tratando de alcançar.

A fome era uma dor arrasadora em seu testículo. Tinha o pênis duro, palpitando com tal necessidade que se perguntou como o suportaria. Nunca havia sentido uma dor como esta, nunca tinha tido uma fome assim.

Girando-a, acomodou suas costas contra o assento, ficando sobre ela com um silencioso gemido atravessando sua garganta. Beijá-la era como banhar-se em fogo, em um doce e candente prazer. Seus lábios tomaram os dela uma e outra vez, sentindo a crescente necessidade florescer dentro dela, o rugido do sangue trovejando por seu corpo, o calor emanando de sua doce pele.

Baixando uma mão, subiu o pesado tafetá e a seda de seu vestido pela perna, sobre sua coxa. A acetinada pele se encontrou com a carícia de sua mão ao dobrar o joelho. As coxas se abriram sob seu toque e enquanto a abraçava firmemente, os lábios a devoraram.

Podia sentir o doce calor molhado de sua vagina a só centímetros de seus dedos. A nata ensopava sua calcinhas. O pensar em afundar-se em seu interior, quase o tinha tremendo como um jovenzinho.

A sensação dos dedos dela sobre seu cabelo, puxando as grossas mechas, era um prazer que estava seguro, nunca antes tinha experimentado. Ao menos, nunca tinha obtido semelhante prazer disso.

Tocá-la era a coisa mais erótica que tinha feito em toda sua vida. Fodê-la era o nirvana. Era o prazer maior do mundo.

Que fazia esta mulher tão diferente? Esse pensamento foi apenas uma presença em sua mente quando arqueou os quadris para seus dedos, os quais acariciavam o tecido úmido da calcinha de seda. Um frágil gemido passou entre eles quando sentiu que se ensopava ainda mais baixo ele.

— Sabe o que me faz? — Gemeu enquanto arrancava seus lábios dos dela e os passava suavemente sobre sua mandíbula — Faz-me perder o controle, Marty. Algo que jurei que nunca faria.

— É justo — Ofegou enquanto mordia o pescoço — Eu também jurei que nunca te deixaria fazer as coisas que me faz.

Como compartilhá-la. Como o deixar ver como tomava o pênis de outro homem e ver o erótico prazer que cobria seu rosto. Seu pênis se endureceu mais e nunca teria pensado que fosse possível.

— E entretanto te dou tanto prazer… — Disse com sua fome amplificando-se ao pensar nisso — Diga-me se não é assim, preciosa.

Não podia, ele sabia que não podia.

— O prazer é suficiente, Khalid? — Perguntou.

A voz enrouquecida se arrancou de sua garganta quando Khalid roçou o clitóris contra a seda de sua calcinha.

— Conosco? — O polegar acariciou sobre o doce clitóris — Ai amor! O prazer nunca será suficiente. Porque não acredito que possa alguma vez tocá-la o bastante, tomar o suficiente. Você é minha fome eterna.

E ele era seu prazer culpado, pensou Khalid com uma pontada de insatisfação. Marty nunca estava segura de se o que ela estava fazendo danificaria seu sensível coração ou o reforçaria.

— Sempre me assegurarei de te dar o maior prazer possível — Prometeu enquanto baixava sua cabeça para esfregar os lábios contra os seus, sabendo que tinham tempo para pouco mais.

Sentiu o grito afogado de Marty quando acariciou o clitóris entre os dedos, a barreira de seda de suas calcinha se acrescentava à fricção. Era tão sensível, sempre tão pronta para seu toque.

Elevando a vista, reteve uma maldição quando a limusine entrou no imóvel. Não sabia quanto tempo mais poderia esperar para tê-la, a afundar a pênis dentro da aveludada e rodeada compressão de sua vagina. A maneira em que ela tomava, absorvia sua carne e o acariciava até a culminação era uma fome que parecia não poder saciar.

Endireitando-se sobre ela, ajudou-a a sentar-se devagar, afastando o olhar de Marty só o suficiente para ver como os portões se abriam e o pessoal de segurança dava luz verde para sair do veículo. Abdul abriu a porta da limusine.

Confiava nos homens que tinha contratado, homens que sabia não poderiam ser comprados por seus irmãos e cuja lealdade estava atada a ele pelo Clube.

— Khalid — O comandante saiu ao exterior, bem armado, seu penetrante olhar escaneando a escuridão em busca de ameaças antes de voltar-se para seu chefe.

— Algum problema esta noite, Braque? — Perguntou Khalid enquanto saía da limusine.

Girou-se e ajudou Marty a sair do carro.

— Tivemos alguns visitantes na parte norte — Braque desceu a longos passos os degraus junto a um de seus homens. Flanqueando Khalid e Marty enquanto iam para a casa — Ninguém conseguiu entrar, mas eu mesmo quero estar aqui em caso de que o tentem de novo.

Assassinos de olhar frio, que era como alguns homens descreviam a elite das forças de segurança de Braque. Khalid os considerava mais que uma apólice de seguros. Melhor a morte de seus inimigos que a Marty fizessem mais dano.

Braque e seu homem os escoltaram ao interior da casa. Khalid notou divertido que Marty não mostrou mais que uma mínima prova de reconhecimento para Braque. Sabia que o outro homem tinha feito a oferta de entrar em sua equipe de segurança. Oferta que ela estava considerando.

— Comprovamos constantemente tanto sua suíte como o resto dos cômodos do andar superior — Assegurou Braque enquanto Marty e ele iam por volta das escadas atrás de um dos outros guardas — Subirão agora?

— Sim, retiraremo-nos agora — Assegurou Khalid — Se deixarmos a suíte, o informaremos.

Braque assentiu.

— Tomei a liberdade de enviar uma bandeja a seu quarto para quando chegasse. Sei como é o bufê de Anger.

— Cheio de calorias, mas sem consistência — Remarcou Marty com um ligeiro sorriso.

— Exatamente — Respondeu Braque com um sorriso cheio de diversão

E gostava de manter seus clientes vivos. O mais fácil era mantê-los na mesma área, a que preferisse. Por isso a comida os estava esperando na suíte. Isso impediria Khalid e Marty de vagar pelos corredores em busca de um lanche a meia-noite.

Enquanto subia as escadas, Khalid mantinha os olhos sobre os homens que os rodeavam. Estavam desdobrados, eram menos aborrecidos que outros guarda-costas que tinha tido ao longo dos anos e muito melhores em seu trabalho de manter-se em segundo plano.

Ao princípio tinha duvidado em aceitar a sugestão de Ian de que os contratasse até que a situação resolvesse. Agora estava agradecido de tê-lo feito. Alguém tinha tentado entrar no imóvel a mesma noite em que Shayne não tinha estado com eles para proteger a casa.

Inclusive Abdul não tinha sabido que Shayne não estaria ali até que se foram. A quem quer que seus irmãos tinham contratado para atacar Marty não tinha preocupado em ter que enfrentar-se com Khalid nem com os dois agentes do FBI. Por sorte para Khalid, ninguém soube até essa tarde que Braque e seus homens vigiavam o imóvel.

— Quando os contratou? — Perguntou Marty, quando entraram na suíte.

Deu a volta para olhá-lo fixamente como se tratasse de antecipar a leitura de qualquer resposta que desse.

— Faz vários dias — Informou — Não estiveram à vista até esta noite.

— Não confiava em que Shayne e eu o protegeríamos? — Perguntou colocando seu pequeno moedeiro sobre a antiga mesa ao lado da porta.

— Contratei-os como reforço, não como proteção. Além disso, você é minha amante, não minha guarda-costas — Respondeu — Os fiz assegurar a casa quando soube que Shayne não voltaria conosco esta noite.

— Já vejo — Murmurou, afastando-se dentro do quarto — Assim estarão aqui permanentemente?

— Imagino que sim. Ao menos um tempo — Disse — Durmo mais facilmente com você na cama deitada comigo. Desta maneira, nenhum de nós terá que preocupar-se da segurança do imóvel.

Khalid a seguiu devagar, levando-a mais perto da enorme cama ao outro lado do quarto.

— Tem algum problema com isso? — Perguntou suavemente.

— Serviria-me de algo ter um problema com isso? — Replicou arqueando uma sobrancelha zombeteiramente.

— Poderíamos falar disso, é óbvio — Prometeu enquanto se desfazia da jaqueta do traje.

— Ah, aposto que sim — Comentou com olhos entrecerrados enquanto via como tirava os sapatos dos pés com a ponta dos dedos.

— Sempre estou disposto a falar de qualquer problema que possa ter, querida — Assegurou, enquanto começava a afrouxar os botões de sua camisa.

— De algum jeito duvido que fosse uma discussão aceitável — O tom zombador de sua voz fazia que seus lábios se inclinassem apoiando-o.

— Sempre faria todo o possível por leva-la em conta — Prometeu enquanto seu olhar se desviava sobre o traje de festa que ainda tinha posto — Sem importar o que necessitar.

— E se minhas necessidades não incluem sexo neste momento? — Inclinou a cabeça e cruzou os braços sobre o peito — E se o assunto a discutir é algo que requer palavras em vez de ações?

Suas sobrancelhas se arquearam com surpresa.

— Acreditava que todas as discussões requerem mais palavras que ações. Mudaram as regras?

— Sempre que você decide muda-las. — Espetou.

Khalid quase riu em silêncio. Ela era uma fera, gostava disso nela. Nunca conseguiria superar sua Marty, sempre o veria como o homem que era. Se isso realmente isso era uma boa coisa, não estava seguro neste momento.

Mas sim o que estava seguro era da fome completa que rugia por ele. Necessitava-a. Seu pênis era um ardente batimento do coração, seus lábios ansiavam beijá-la. Como uma droga sem a que tivesse estado muito tempo, seu corpo inteiro estava tenso por ela.

— Deveria me informar quando toma esse tipo de decisões — Disse enquanto ele se aproximava — Não finja que sei tudo que o acontece aqui. E esta decisão de contratar uma força mercenária sem meu conhecimento é uma babaquice. Deveria ter me consultado primeiro.

Incharam suas fossas nasais.

— Não tenho que consultar com ninguém quando se trata de minha proteção e a proteção da minha mulher.

Ele viu como sua expressão se endurecia. Seu queixo se levantou em um ângulo de obstinação, seu olhar se obscureceu. Não tinha pensado que pudesse sentir-se mais excitado, mas aquilo demonstrou quão equivocado estava.

— Estou perfeitamente treinada — Disse entre dentes remarcando cada palavra com ira — Esqueceu-se disso?

Khalid pisava em uma linha muito fina e teria o bom senso se soubesse. Tal como sabia que se as diretrizes não eram estabelecidas agora, os problemas subjacentes só aumentariam.

— Enquanto estiver em minha cama, dormindo em meus braços, eu sou sua proteção — Disse enquanto a agarrava pela cintura e a aproximava dele — Ouça bem isto, Marty. Coloque isso na cabeça. Pode ter a última palavra em qualquer outro momento. Mas durante essas horas em que é minha amante, protegerei você com minha vida.

Não deu tempo para discutir. No que a ele concernia, não havia argumento possível. Seus lábios cobriram as palavras prontas para sair dela, sua língua acariciou ao longo das acetinadas curvas, antes de empurrar seduzindo sua pequena língua tentadora.

— Esta não é maneira de ganhar uma briga — Ofegou enquanto ele puxava a saia de seu vestido, subindo-a pela perna permitindo que sua mão acariciasse debaixo dela.

— Esta briga já foi ganha — Informou, tentando respirar através da fome que palpitava em seu interior — A unidade está aqui, estão de guarda e por Deus, está em meus braços. Eu ganho.

Estava seguro de que ela teria dito mais. A mulher podia argumentar durante horas, sabia. Para não dar a mais mínima oportunidade, sua mão se deslizou ao molhado triângulo de seda entre suas coxas e o cobriu com firmeza.

Imediatamente, suavizou a expressão, um estremecimento de puro prazer sacudiu o corpo e Khalid não pôde conter o grunhido surgindo em sua garganta ante a resposta.

— Quero estar dentro de você — Baixou a cabeça a seu ouvido, mordeu-a no lóbulo ao mesmo tempo que seus dedos encontravam o pequeno nó delicado de seus clitóris e o esfregava sensualmente — Quero ver meu pênis afundar-se no ajustado calor de sua vagina, Marty. Desejo-o com cada fôlego dentro de mim.

Ela se derretia em seus braços. Quando afastou o elástico que se envolvia ao redor de seu quadril e deslizou a mão dentro do minúsculo tecido de suas calcinhas, sentiu-a derreter-se contra ele.

Separando as dobras de carne, descobertos de cachos, seus dedos se deslizaram instintivamente à apertada e rodeada fenda que procurava.

Marty sabia que deveria lutar contra isso. Deveria exigir sua independência aqui e agora, porque depois poderia ser muito tarde. Mas, por Deus, o prazer. A cabeça caiu sobre os ombros, as mãos se agarraram ao pescoço de Khalid enquanto os lábios masculinos viajavam a seu ombro para beijar a sensível pele dali.

Os dedos, grandes e quentes, as pontas calosas e sensualmente rudes, separaram sua carne e começaram a mover-se dentro, com semelhante prazer sensual que Marty sentiu voar seus sentidos.

A quente umidade derramada por sua vagina, estendia-se ao longo dos dedos masculinos enquanto se moviam em seu interior, acariciando e esfregando os lugares mais sensíveis com erótica destruição.

Era como aproximar um fósforo do fogo. Seu coração pulsava estrondosamente enquanto o suor cobria a pele e o sexo ficava mais quente, mais escorregadio.

— Oh sim, querida! — Cantarolou. A áspera e sexual vibração de seu tom fez que seu útero se encolhesse — Poderia fazer que gozasse agora mesmo. Senti-la apertar meus dedos e derramar todos esses doces fluídos, para que os lambesse um pouco mais tarde.

Quase gozou naquele segundo. O que ele fazia deveria estar proibido. Não deveria ser possível. Seu joelho se dobrou, sua perna se levantou ao longo da sua, enquanto lutava por um toque mais profundo, um impulso mais duro daqueles dedos diabólicos.

— Assim, preciosa, abra-se para mim.

A aprovação ressoou em sua voz enquanto se afundava mais profundo dentro dela. Seus dedos a fodiam lento e suave; ela começou a estremecer-se de prazer. Uma distante parte dela era consciente dele movendo-a. Levantou-a com o braço livre, inclinando suas costas enquanto seus dedos continuavam possuindo-a.

Esperava sentir a cama quando ele parou. Um surpreso ofego abandonou seus lábios quando em troca a levantou, empurrando suas costas ao longo da mesa atrás do sofá e se situou entre suas coxas estendidas.

— Deus, sim. — Disse quando subiu a saia do vestido até a cintura, apinhando o tafetá em cima de suas coxas.

Seu olhar se centrou na parte em que seus dedos se afundavam em seu interior.

— Khalid — Gritou seu nome e agarrou com sua mão o pulso que tinha ao lado da mesa, enquanto seus quadris se arqueavam em um duro e feroz empurrão quando o polegar se deslizou sobre seus clitóris.

— Tão condenadamente linda. — Exaltou rudemente — Não tem nem ideia, Marty, da linda que é para mim.

Seus dedos a acariciavam, moviam-se lentamente, estiravam-na. As chamas a rodearam, candentes e intensas enquanto abrasavam suas terminações nervosas, deixando-a ofegando, estremecendo-se quase de doloroso prazer.

— Assim — Disse elevando a mão, rompendo seu agarre sobre ele antes de agarrar o pulso e pôr os dedos entre suas coxas — Brinca com seu bonito clitóris para mim. Deixe-me olhar, meu bem. Deixe-me ver como seus bonitos dedos lhe dão prazer.

Ela nunca tinha feito isto. Nunca tinha tido ninguém olhando como se masturbava ou ajudava a dar-se prazer enquanto se tocava. Um rubor entusiasmou o corpo, fazendo-a arder, quando deixou que seus dedos rodeassem o nó sensível de nervos e sentiu seus dedos mover-se dentro dela.

Arqueou as costas diante a primeira carícia contra o clitóris ao mesmo tempo em que ele decidia empurrar os dedos em seu interior. A sensação se disparou através de sua coluna do sensibilizado sexo, banhando seu corpo em ardentes labaredas.

Sua cabeça golpeou contra a mesa, um longo e baixo gemido escapou de seus lábios. Era muito bom. Passou brandamente os dedos sobre seus clitóris outra vez. Mordiscou com os dentes seu próprio lábio quando os dedos de Khalid afundaram dentro dela, profundo e forte, quase enviando-a a voar quando a estiraram e encheram.

Era delicioso. O prazer era uma carícia contínua de sensações intensas, a vitalidade roubando o fôlego enquanto a saturava, logo se orvalhava sobre suas terminações nervosas como uma chuva de paixão.

Seus sentidos começaram a aturdir-se, a perder-se no prazer quando moveu os dedos mais rápido sobre seu clitóris, enquanto os dele a fodiam mais forte, empurrando dentro de sua vagina com firmes e profundas carícias. A explosão quando chegou, fez que a parte superior de seu corpo se elevasse e a mão livre apertasse seu ombro, enquanto seus olhares se entrelaçavam e uma selvagem sensação começou a estender-se por ela.

Ofegando, gritando, Marty estremeceu em resposta, sacudindo-se com a intensidade de uma tormenta em seu interior, quando Khalid retirou os dedos, agarrou o pênis, puxando Marty para ele.

A ponta atravessou as tremulas dobras de carne, para pinçar na apertada e rodeada entrada de sua vagina. Suas mãos se agarraram a seu traseiro, levantando-a, mantendo-a estável quando começou a empurrar dentro dela, estirando-a com sua ereção, enchendo-a, enquanto abrasava ao longo da malha sensível e estirava suas terminações nervosas.

O clitóris, palpitando no orgasmo, começou a alcançar seu ponto gélido e explodiu em um puro êxtase inimaginável. A explosão atravessou seu corpo enquanto sentia os lábios em seus seios, afastando com o queixo o apertado sutiã de seu vestido, para encontrar a dura ponta e colocá-la no interior de sua boca.

— Sim. Por favor. Oh Deus! Khalid.

Os gritos desesperados saíram de seus lábios quando seus quadris começaram a corcovear, o pênis a golpear dentro dela, separando-a, abrasando-a. Apertou-se mais ainda ao redor dele, derretendo-se, consumida pela crescente quebra de onda de prazer. Era destrutivo, interminável. O puro êxtase da posse de Khalid sobre ela roubou seus sentidos e consumiu sua mente até que se sentiu explodir outra vez, apertando-se sobre ele. Seus sucos fluíam entre os dois quando ele deu o último e duro empurrão. Enterrado até o punho, sentiu-o sair a jorros em seu interior, sentiu palpitar seu pênis, sacudindo-se contra a sensível carne interior de sua vagina e alcançando seu orgasmo mais intenso.

Gritando seu nome, Marty se agarrou a ele; certa que sem ele estaria perdida em algum lugar entre a escuridão e o fogo eterno que a consumia.

Nunca houve algo tão intenso, tão intensamente quente e assolador, como explodir nos braços de Khalid.

Enquanto se esforçava para respirar o sentiu retirar-se dela. Um surdo gemido vibrou em sua garganta quando seu pênis se liberou e um estremecimento percorreu o corpo.

— Venha, preciosa — Sua voz era sensualmente áspera, roçando ao longo de seus sentidos como uma suave carícia — Podemos tomar banho juntos.

Durante a semana passada se deu conta de que gostava de tomar banho com ele. Ele sempre colocava o jorro quente, usando panos incrivelmente suaves, para limpar cada centímetro de seu corpo.

Deslizou-se fora da mesa com sua ajuda, olhando-o enquanto abria o zíper do vestido e a ajudava a tirá-lo pelos pés. Deixando-a em nada mais que sapatos de salto e meias, seu escuro olhar flamejou outra vez com um decidido interesse masculino.

— Não posso ter suficiente de você — Suspirou enquanto também tirava o resto da roupa.

Não tinha nem ideia de como tinha obtido ele desfazer-se dos sapatos e das calças sem que ela se desse conta.

Tirando os sapatos dos pés, Marty se afastou devagar, dirigindo-se à ducha.

— Temos que conversar — Disse, muito consciente de que ele, atrás dela, via como caminhava.

— Algumas discussões têm que esperar até a luz do dia — Respondeu divertido.

— Esta não — Replicou girando-se para ele.

Marty o olhou enquanto sentia que a dor em seu coração começava a intensificar-se.

Era o homem mais arrogante, o mais dominante, o mais sexual. Alto e grande, escuro e protetor. Ele era o epítome do animal sexual masculino. Tanto que seu útero se encolheu com uma ardente e renovadora necessidade movendo-se em espiral.

Como poderia deixa-lo ir algum dia? Khalid não era conhecido por ter relações longas. E se ela não era mais que outro entalhe sobre sua cama? Era algo para o que tinha que estar preparada.

E isto podia acontecer, mas bem antes que depois, se não obtivesse respostas às suas perguntas. Tinha que poder confiar nele. Tinha que saber que sem importar quão forte fosse sua necessidade de protegê-la, ele sempre seria honesto com ela.

Detendo-se diante a cama, desfez-se das meias antes de continuar para a ducha. Odiava saber que tinha que enfrenta-lo para conseguir informação. Algumas coisas deveria dar-se voluntariamente.

Se tinha sido acusado de assassinar a uma jovem, era uma informação que ela deveria saber. Era uma informação que poderia tê-la ajudado na investigação sobre quem tentava assassiná-lo e por que.

E falando disso: por que não o haviam dito seus pais?

 

Khalid se encontrou apertando os dentes enquanto seguia Marty para dentro da ducha. Ele deveria estar por cima da ardente luxúria que sentiu quando olhou o arredondado traseiro de Marty apertar-se e mover-se enquanto caminhava diante dele. Merda, acabava de fodê-la até que ambos estiveram quase exaustos e ainda podia sentir a candente dentada de fome apertando seus bolas e esticando seu pênis.

Que merda ela tinha feito com ele? O que havia em Marty que tinha que apertar os dentes para bloquear o impulso de incliná-la e afundar-se dentro dela outra vez? As bolas afundadas, seu pênis rodeado pelo escorregadio veludo das profundidades de sua vagina apertadas como punhos.

Merda. Agora estava malditamente perto de suar pela necessidade.

— Deerfield tinha uma informação muito interessante quando me reuni com ele — Comentou ela, ainda de costas a ele enquanto se movia para a porta da ducha e passava dentro para ajustar a água.

— Tinha-a? — Ele esperou impacientemente, esmigalhado entre a necessidade de tirá-la do escritório com o canalha e protegê-la e a necessidade de conceder a independência que sabia que ela exigia.

Enquanto entrava na ducha com ela, Khalid viu como recuava, agarrava o xampu e começava a ensaboar o cabelo.

O silêncio, salvo pelo ruído da água, encheu o cubículo da ducha enquanto Khalid observava sua expressão atentamente. Ela escondia suas emoções quando considerava que a situação o justificava. Seu rosto estava tranquilo e sereno; não havia nada exceto a estranha sensação de fatalidade iminente que dava voltas em sua cabeça para o advertir do perigo que se morava.

— Não me perguntou sobre a reunião. — Ela deu um passo sob o jorro da ducha para enxaguar o cabelo enquanto falava — Está esperando por Shayne para discuti-lo com ele?

— Estivemos bastante ocupados — Disse ele — Há algo que deva me preocupar mais que pela forma em que ele falou com você?

Havia uma armadilha na pergunta de Marty; Khalid podia senti-la e não gostava.

— Isso é tudo o que se preocupa? — Ela abriu os olhos quando o último do xampu se escorria pelo cabelo e o olhou fixamente, com os cílios cheios de umidade.

— Por que não chega à questão, Marty? — Grunhiu — Obviamente tem algo em mente.

Nem sequer a sensação de fatalidade iminente afetou em nada a ereção que se sobressaía apontando para ela. Maldito pênis obstinado. A mulher tinha um efeito nele com o qual simplesmente não podia lutar.

— Por que não me contou o que aconteceu na Arábia Saudita antes de partir? O que ocorreu com a esposa de seu irmão, Khalid? — Perguntou enquanto pegava um tecido suave do toalheiro e o molhava.

As fossas nasais de Khalid se alargaram quando colocou a cabeça sob o jorro da ducha, fechou os olhos e se concentrou na pergunta por um momento.

— Não tem que inventar uma mentira para mim.

Os olhos de Khalid se abriram de repente enquanto alcançava o xampu e tratava de ocupar-se da ducha em vez de fodê-la contra a parede desta e acalmar a ira que podia sentir fervendo dentro dela.

— Nunca menti para você — Espetou.

— Então não tem que encontrar uma forma de atrasar ou evitar a pergunta. —Marty encolheu seus pequenos ombros despreocupadamente, embora seu comportamento indicasse justamente o contrário.

Esfregando o tecido sobre o sabão perfumado, sua pequena amante luxuriosa começou a lavar sua delicada e sedosa pele com ásperas carícias. Khalid quase se contraiu de dor pela força que ela utilizava. Ele a teria esfregado delicadamente, acariciado e banhado com delicada sensualidade e muito prazer.

— Deerfield acredita que seu irmão Abram e você, compartilhavam a sua primeira esposa, que depois assassinaram.

O olhar de Khalid se sacudiu em estado de choque.

— Isso não tem nada a ver com a investigação.

Marty olhou enquanto Khalid dava as costas e ensaboava um tecido com uma barra de cremoso sabão que ela sabia que estava feito especialmente para ele.

Quando acabou, deixou-o de repente contra o pequeno suporte de azulejo. Com ásperas e furiosas passadas começou a lavar a si mesmo em silêncio, seus ombros tensos, o ar na ducha de repente carregado de tensão.

— Não é sua função decidir se isso pertence ou não à investigação — Informou ela — Vince Deerfield sabe sobre você e é especialmente volátil sobre o assunto. Quero saber o que aconteceu, Khalid.

— Isso não tem nada a ver conosco — Seu tom era gelado. Apesar da calidez da água que corria sobre ela, Marty podia sentir o frio sobre sua pele.

— Realmente quer que obtenha as respostas por outros meios, Khalid? Tenho que busca-las?

Ela viu como o pano parava por um momento. Quando continuou, fez isso com eficiente deliberação. Ele se lavou e atirou o pano no canto da ducha, depois deu um passo debaixo do jorro uma vez mais para limpar-se.

Assombrosamente, ele estava rígido. Seu pênis destacava duro e pesado de seu corpo, a grossa e comprida cabeça palpitando sedutoramente enquanto rios de água e sabão fluíam ao redor.

Marty resistiu o impulso de lamber os lábios enquanto transferia bruscamente o olhar para seu rosto.

Um rubor tingiu seu rosto quando pegou Khalid olhando-a, os olhos negros entrecerrados, um indício de emoção em sua expressão brilhou com fome neles.

— Não há necessidade de que procure as respostas — Disse ele, sua voz ainda fria —Disse isso. Lessa não tem nada a ver com isto mais do que Abram e eu temos a ver com sua morte. Não necessita mais explicações.

— Sinto, mas não é assim tão fácil — Depois de escorrer o excesso de água de seu cabelo, alcançou a porta da ducha enquanto olhava Khalid atentamente — Preciso saber o que aconteceu, Khalid e necessito mais do que me deu como explicação para o comportamento de seus irmãos. De outra maneira, procurarei as respostas tanto se quiser como se não.

— É uma ameaça? — Perguntou ele, seu tom cortante pela ira.

— É uma alternativa — Informou ela — É uma informação que mereço saber, tanto se for parte da investigação como se não. Se uma mulher morreu porque era sua amante e de seu irmão, então como sua amante atual, é algo que preciso saber. Mereço sabê-lo.

— Maldição, não tem nada a ver com você — Grunhiu ele, a ira que ela sabia que estava gerando-se nele obscurecendo sua voz.

— Tem tudo a ver comigo — A emoção explodiu enquanto elevava a voz ligeiramente, a dor que estava começando a sentir rasgando-se agora através dela —Você tem tudo de mim, Khalid. Tem partes de mim que jurei que nunca daria a um homem e você as compartilha. Não me diga que não tenho maldito direito às respostas que necessito. Não se atreva nem sequer a acreditar que tem direito a me negar essas respostas.

Marty estava tremendo. Sentiu as lágrimas subindo para seus olhos e saiu rapidamente da ducha, fechando de repente a porta atrás dela enquanto punha um domínio absoluto sobre a estridente dor que começava a irradiar através dela.

Porque isto doía tão desesperadamente que não podia explicá-lo totalmente. Estava lutando para protegê-lo. Tinha arriscado sua própria carreira inclusive antes de transformar-se em sua amante para proteger a inocência em que acreditava. Para proteger o homem que já tinha uma parte de seu coração.

Ele tinha rejeitado categoricamente inclusive discutir sobre o tempo que tinha passado com sua família no Oriente Médio. Ela tinha suposto que era pelos maus sentimentos que abrigava para eles. Nunca imaginou que fosse porque alguém tinha morrido, que tinha sido uma mulher, uma a que tinha compartilhado com seu irmão, a quem não tinha podido esquecer.

Isso era o que a feria. Tinha visto o olhar nos olhos dele, a repentina frieza que tinha enchido sua expressão. Khalid sentia algo pela misteriosa Lessa. Havia uma parte dele que ainda pertencia a esta.

Como merda se supunha que tinha que lutar por seu coração, contra uma mulher morta?

Envolvendo a toalha ao redor de seu corpo, secou-se rapidamente antes de dirigir-se para o quarto. Também se vestiu rápido. Calcinhas; uma calça de pijama azul escuro folgado; e uma camiseta do conjunto que caía muito por debaixo de seus quadris. Sentando-se na beira da cama, apertou as meias grossas que tinha na mão e lutou para respirar mais à frente da dor.

Sentia-se fria, insegura. Indefesa.

Deus, o que estava fazendo a si mesma? Sentia como se sua parte estivesse estilhaçando-se em seu interior pela dor.

— Por que é tão importante para você? — Sua voz foi baixa e perturbadora, quando ela jogou as meias.

Marty levantou a cabeça e o olhou fixamente com dor.

— Tenho o direito a saber — Possivelmente não o tinha; podia estar equivocada. Seu coração assegurou que não estava. Ele estava se transformando em uma parte tão importante dela que não estava segura de onde acabava ela e onde começava ele dentro de sua alma.

Removendo os dedos sobre seu cabelo úmido, um pesado suspiro saiu do peito de Khalid enquanto se movia pelo quarto e vestia um par de calças brancas folgadas sobre suas escuras e musculosas pernas.

O silêncio encheu o dormitório. Estava viciado, carregada de tensão, enquanto Marty esperava para ver o que dizia ele ou o que faria.

— Ela era nossa amante. — Disse a final em voz baixa.

Marty se levantou devagar, girando-se para ele somente para encontrar-se olhando suas costas enquanto Khalid permanecia de pé diante das janelas tintas.

— De Abram e sua — Disse ela.

Ele assentiu com a cabeça.

— Mais de Abram. Era sua esposa. — Ele encolheu os ombros como se não tivesse importância.

Ela observou seu perfil enquanto ele esfregava sua face e fazia caretas em excesso.

— O que aconteceu?

Agarrou-se o pescoço fortemente durante muito tempo antes de soltar uma forte respiração e girar-se para ela.

— Como te contei antes, nós pensamos que Ayid e Amam, assim como suas esposas, tinham sido assassinados na explosão. Não sabíamos que Ayid e Amam tinham sobrevivido. Atacaram-me horas mais tarde, levaram-me ao deserto e quase me assassinaram. Abram foi a Riad por pedido de nosso pai para saber o que tinha acontecido com o Ayid e Amam. Uma vez que ambos estivemos fora do caminho, Ayid e Amam voltaram para o palácio. — Fechou os olhos enquanto se separava dela e reprimia a tensão em suas vísceras pelo conhecimento de como tinha encontrado Lessa.

— Fizeram-no Ayid e Amam? — Perguntou ela.

Assentiu com a cabeça.

— Eles não estavam onde se supunha que tinham que estar. Suas esposas estavam ali, mas eles não. No momento em que o edifício foi bombardeado, souberam que os tinha traído. Souberam porque eu tinha estado em sua casa e tinha visto o papel que tinha a localização apontada. Sabiam isso. Ayid me pegou lendo-o. Disse-lhe que quase era minha cafeteria favorita. Rimos daquilo.

Marty sentiu a crua agonia que brilhava nos olhos dele.

— Não havia nenhuma razão para que eles acreditassem que eu podia pensar nada disso — Exalou asperamente — Nenhuma razão para pensar que podia afetar a seus planos. Depois de tudo, eu não era mais que o irmão bastardo que não queria nada mais que fazer do mundo meu pátio de recreio.

Marty se sentou em silêncio, observando as emoções que revoavam através de seu rosto.

O ódio e a fúria brilharam em seus olhos durante um segundo antes que sacudisse a cabeça e fosse da janela até o sofá que estava frente à cama.

Sentando-se, pôs os braços nos joelhos e olhou fixamente ao chão durante muito momento.

— Shayne me encontrou no deserto — Continuou com cansaço — Quando consegui voltar para o castelo foi para encontrar Abram gritando com raiva a nosso pai. Tão forte como era ele, tão inflexível como podia ser, entretanto gritou quando Azir chamou a sua esposa de puta. Depois admitiu que sabia que Abram tinha compartilhado a sua esposa comigo e que esse era o porquê de que não faria nada a Ayid e Amam pelo assassinato de Lessa. — Separou-se dela durante muito tempo antes de continuar com uma voz espessa pela dor — Jurei protegê-la como o teria feito com minha própria esposa. Jurei amá-la como amaria à minha. E falhei com ela. — Quando se girou para ela seu olhar estava escurecido pela dor — Você sempre me olhou com tanto orgulho, com tanta confiança em minha força. Fazer que soubesse a verdade, que soubesse que falhei com Lessa quando jurei protegê-la, amá-la com tudo o que era… — Sacudiu a cabeça com força — Era uma verdade que não queria que soubesse.

— E acha que isso influi em como vejo você? — Sussurrou com muita dor — Ou que eu o culparia?

— Eu me culpo — Declarou simplesmente — Falhei quando deveria ter sido mais diligente.

— Seu pai falhou — Uma lágrima deslizou por sua bochecha enquanto interpretava a dor em seus olhos, em seu rosto. Ele tinha feito uma promessa, um voto e o conhecimento de que o destino tinha conspirado contra ele, evidentemente tinha estado perto de destruí-lo.

— Vi um velho bastardo louco esse dia. Vi um monstro que tinha ajudado a me criar e quis vomitar — Ficou de pé e caminhou pelo quarto de novo enquanto Marty o olhava, sofrendo por ele.

— Era tão jovem — Girou-se para ela, seu olhar torturado — Éramos tão jovens — Uma risada aguda saiu de sua garganta — Tão estúpidos por acreditar que podíamos inclusive mudar o que não podia mudar na história do mundo.

— Amava-a? — Perguntou ela.

Ele negou com a cabeça lentamente.

— Preocupava-me com ela, profundamente, mas era a esposa de Abram. Abram a amava. E vi sua cara esse dia. Ele estava perdido por dentro. Um homem agora livre, sem a âncora que o sustentava — Encolheu seus ombros pesadamente — Fui embora essa noite. Fui a meus aposentos, tomei banho e me arrumei o melhor que pude antes de chamar a minha mãe. Ela arrumou meu transporte para casa. Deixei o palácio essa noite, entrei em contato com Shayne e deixei as terras de Azir. Nunca voltei. Azir se negou a fazer algo com meus irmãos até que o ordenou a família governante. Depois apelou a Abram, rogando que salvasse suas terras e a sua gente em um momento no qual Abram estava fazendo planos para deixar a Arábia Saudita e emigrar para cá, a América.

Essa era informação nova para ela.

— Sabia Azir que Abram planejava partir? — Perguntou ela.

— Ele não podia ter sabido. Se o tivesse feito, teria matado Abram ele mesmo.

— Como reagiriam Amam e Ayid diante essa informação? — Perguntou ela.

— Eles o matariam mais rápido — Declarou Khalid — Isso desonraria a família. Haveria uma mancha em sua honra que danificaria para sempre sua linhagem. Quando a segunda esposa de Abram e seu filho não nato morreram sob misteriosas circunstâncias, Azir enviou Abdul aqui, supostamente para me proteger — Zombou ele.

— Por que se encobriram os fatos de sua morte?

Khalid suspirou com cansaço.

— Para proteger Abram. Se se fizesse público o conhecimento de que a tinha compartilhado, teria sofrido. Teria sido açoitado por isso. Ayid e Amam permaneceram em silêncio porque sempre e quando não se soubesse, poderiam estar sobre sua cabeça ou o castigar de todas as formas que escolhessem. Embora Deerfield não deveria saber isso.

— Bem, me acredite, sabe — Declarou ela.

— Não importa que saiba ou quanto me odeie — Moveu-se para ela enquanto estendia a mão — Venha para a cama, florzinha. Deixe-me abraça-la durante um momento.

Ofereceu-lhe sua mão e o permitiu leva-la à cama. Quando se instalaram nela, com a cabeça em seu ombro, Marty não pôde tirar de cima de si a sensação de que ali havia algo, embora ainda não soubesse exatamente o que. E um pressentimento, uma intuição, de que se estavam gerando coisas ao redor dela que não podia controlar.

Uma escura nuvem estava envolvendo-se sobre eles e se não o descobrisse, se não neutralizassem os irmãos de Khalid, então a escura nuvem poderia destruí-los.

E tinha o pressentimento de que não tinha muito tempo para ocupar-se disto.

 

À manhã seguinte, ao terminar sua ducha, Marty secou o cabelo antes de envolver a toalha ao redor do corpo e entrar no quarto. Shayne e Khalid tinham ido a duchas separadas mais cedo. Tinham estado silenciosos, observando-a atentamente.

Havia algo especialmente vigilante em torno deles esta manhã que tinha posto todo seu organismo em sobrecarga. Os sentidos se puseram em alerta máximo, o corpo zumbia com antecipação até que eles deixaram o quarto.

Ainda estava deslocada. Era impossível tirar da cabeça a melancólica sensualidade na expressão de Khalid. A forma em que seu olhar a tinha percorrido antes de encontrar-se com seus olhos. Tinha havido uma mensagem neles, uma que não pôde decifrar antes que ele saísse do quarto.

Ao mesmo tempo que sacudia a cabeça, foi para a cômoda. Enquanto tentava alcançar a primeira gaveta, girou a cabeça ao abrir a porta, Khalid e Shayne entraram de novo; olhando os dois homens, sentiu que encolhia o útero com uma pequena e lenta descarga elétrica que se disparou diretamente a seus clitóris.

Sem camisa, Shayne usava umas calças de moletom soltos; Khalid ia vestido com a calça do pijama de seda negro. As diferenças entre os dois homens nunca tinham sido mais evidentes. Khalid possuía uma refinada e perigosa sofisticação que ocultava ao animal espreitando por debaixo, enquanto que Shayne não se incomodava em ocultar nada.

Havia algo muitíssimo mais imponente no fato que a fria sofisticação encobria ao homem que Khalid era. O fazia menos previsível, mais intrinsecamente sexual do que nunca tinha parecido Shayne.

Respirando profundamente, voltou-se para a gaveta e tirou umas calcinhas de renda cor bronze e o sutiã combinando.

— Não necessitará isto de jeito nenhum — Foram arrancados das mãos quando Khalid se aproximou dela — Não durante um bom tempo.

— Tenho coisas a fazer — Informou com voz ofegante.

Maldição. Estava ofegando por ele e ambos sabiam.

— Não por algum tempo.

A toalha deslizou do seu corpo quando ele puxou a dobra entre os seios.

Os seios ficaram imediatamente sensíveis, inchados, os mamilos endurecendo-se até o ponto da dor.

Ela teria protestado. Deveria ter protestado.

A mão de Khalid se deslizou por seus cabelos, os dedos enredados nos fios úmidos enquanto agarrava o quadril e lentamente dava volta de frente a Shayne.

— Primeiro quero olhar — Grunhiu no ouvido enquanto o mordiscava — Quero observá-lo fodê-la. Ver sua cara enquanto seu pênis se afunda dentro de seu doce corpo e te leva a orgasmo.

Marty quis gemer enquanto Shayne se despojava das calças de moletom, a expressão tensa pela luxúria, os olhos turvando-se por isso. Entre as coxas, seu pênis se sobressaía, grosso pelo desejo, a cabeça escura e rígida.

— Quero amarrá-la, controla-la. — Murmurou Khalid ao ouvido — Quero me assegurar de que sabe quem controla seu máximo prazer — Deslizou uma mão entre as coxas enquanto usava o pé para afastar as pernas — Eu a controlo — Dura, rouca de luxúria, a voz de Khalid acariciava os sentidos enquanto as mãos de Shayne se deslizavam entre as coxas, seus dedos abrindo-a.

— Está molhada? — Grunhiu Khalid quando os dedos de Shayne deslizaram pela carne escorregadia e sensível.

— Molhada. E quente. — Uma tensa careta retorceu o rosto de Shayne quando Marty se arqueou e gritou diante o repentino impulso de dois dedos profundos dentro de sua dolorida vagina.

Ela sentiu o instantâneo fio de resposta que se esticava entre sua vagina, seus clitóris e o iminente orgasmo. Os dedos de Shayne se deslizaram para trás, empurrando-se na vagina uma vez mais. Durante um longo momento a foderam, pondo-a nas pontas dos pés enquanto um grito de lamento brotava dos lábios.

— Basta — Ordenou Khalid quando Marty voou até o própria beira do orgasmo.

Assim rapidamente Shayne se deteve. Seus dedos estavam ainda incrustados nas apertadas profundidades de sua vagina, os músculos do braço e do peito esticando-se enquanto ela se estremecia entre eles.

— Vou observá-lo fodê-la assim — A mão de Khalid se deslizou sobre o ventre de Marty, acariciando os tensos músculos do abdômen — Tão duro e profundo, que estará gritando por mais, implorando que se detenha.

Ela estava pronta para gritar agora e não desejava nada mais que implorar que a deixasse gozar.

— Desejo você — Um terno e suave beijo percorreu lisonjeador o pescoço enquanto ela se esforçava para respirar.

Os dedos de Shayne se flexionaram dentro dela, extraindo um grito sufocado da garganta enquanto a ponta dos dedos esfregava dentro dela, acariciando forte e profundo, roubando a respiração com as sensações.

— Desejo observar seu rosto, escutar seus gritos, ver sua doce vagina ou esse apertado ânus estirar-se até que esteja gritando pelo agudo prazer.

Os dedos de Shayne se deslizaram das profundidades doloridas de seu sexo enquanto Khalid a levantava e a levava a cama. Foi deitada com delicadeza, mas o beijo que chegou imediatamente depois foi qualquer coisa, menos delicado.

Estava cheio de fome, de necessidade. Khalid lhe devorou a boca e roubou os sentidos com os lábios e a língua enquanto se estendia ao lado dela, as mãos acariciando-a do pescoço até os seios.

O mundo de Marty se limitou aos dois homens e às quatro mãos.

O beijo de Khalid era como um rastro de pólvora que se afundava nela. Devorava-lhe os lábios, mordiscava-os, enquanto os lábios de Shayne percorriam o seios que Khalid deixou livre.

Não podia concentrar-se em um só toque; era impossível. Lábios esfomeados tomaram os dela enquanto lábios sugadores meteram um tenso e sensível mamilo na boca quente e começaram a chupá-lo junto com uma faminta língua.

As mãos tocavam, acariciavam.

Eles separaram as coxas.

Marty se arqueou quando o desespero começou a cravar-se dentro dela. Dois dedos marcadamente masculinos se afundaram dentro de sua vagina, movendo-se na carne apertada enquanto Shayne começava a beijar seu percurso para baixo por seu corpo.

Um dilacerador fogo a atravessou. Envolveu-se ao redor de seus clitóris, flamejou através de suas terminações nervosas e a deixou tremendo, estremecendo-se pela necessidade.

Quando os lábios de Khalid se levantaram dos dela, os olhos de Marty se abriram para cravar o olhar nos olhos famintos do homem rudemente esculpido que possuía seu coração.

— Sabe o que me faz? — Sussurrou ele.

Poderia alguma vez fazer mais do que o fazia a ela? Roubava-lhe a mente com seu toque e a razão com seus beijos.

— Faz-me sonhar, Marty — Seus lábios se instalaram na orelha, a voz um sopro de som.

Ela o fazia sonhar?

A respiração de Marty se obstruiu no peito. Ele era seu sonho, sua maior fantasia.

— Faz que meu mundo se desmorone.

— Oh Deus — O grito rasgou dela no mesmo momento, ao sentir a língua de Shayne explorando nas dobras de sua vagina.

Um segundo depois se foi e os ferozes lábios masculinos estavam beijando as coxas, os dentes raspando a pele.

Os lábios de Shayne viajaram mais abaixo, beijando-a atrás dos joelhos enquanto as mãos a acariciavam e reconfortavam a pele, do mesmo modo que avivava ainda mais o fogo dentro dela, mais ardente.

— Khalid — Estava aturdida, em chamas, quando levantou os cílios e o olhou — Está me matando.

— Dando prazer a você — A masculina satisfação brilhava nos olhos quando os dela se abriram amplamente ao sentir os dedos de Shayne entrando brandamente em sua vagina uma vez mais, enquanto a língua retornava ao inchado nó do clitóris.

Ela estava estirada tão tensa que tremia, o corpo estremecendo-se de prazer.

— Aí, florzinha — A tranquilizou Khalid enquanto baixava a cabeça uma vez mais e seus lábios se moveram suavemente pelo pescoço, depois para o inchado mamilo que tinha mais perto.

Lambendo-o sensualmente, olhou-a, os exóticos planos e ângulos do rosto de Khalid oferecendo uma expressão travessa e faminta.

Ofegando, Marty tratou de aferrar-se a seus sentidos o suficiente para entender que amante estava tocando que parte de seu corpo. Entretanto, estava perdendo essa capacidade. Os cílios foram fechando e a erótica sensualidade do momento tomava o controle.

O prazer aumentava e ardia dentro dela.

Shayne lambia a vagina, rodeando o clitóris com vibrantes e rápidas carícias que a tiveram entregando-se, lutando por lançar-se sobre o bordo do êxtase enquanto os dedos a estiravam e penetravam brandamente nas delicadas malhas de sua vagina.

Os quadris se arquearam, as mãos se enterraram no cabelo de Khalid e gemeu seus nomes enquanto o prazer em contínuo aumento açoitava os sentidos.

Jamais teria imaginado que podia ser tão bom, tão erótico.

— Amor — Gemeu Khalid quando levantou a cabeça, levando os lábios para os dela uma vez mais — Florzinha. Que linda é! Está perdida, não é, Marty? Perdida no prazer. Vejo-o em seus olhos, sinto-o em seu corpo.

Ficou olhando-a, com uma expressão que refletia tal fome, tal prazer que ela teve que perguntar-se o que o conduzia a esses extremos.

— Nada importa, exceto isto — Sussurrou ele — Vê-la. Observar o prazer te transformar. Sabendo que o êxtase que encontra nisto nunca será esquecido.

Era para ela. Não era só para ele. Quando cravou o olhar essa dilaceradora compreensão a atravessou. Ele amava observar seu prazer. Amava vê-la alcançá-lo, esticar-se pelo orgasmo em vez de perder-se nisso com o Marty nesses momentos.

— Aí, preciosa — A voz de Khalid era espessa, áspera enquanto ela lutava agora contra o clímax, querendo refreá-lo, para fazer que este momento durasse para sempre, para ver essa expressão no rosto de Khalid eternamente.

Sorriu-lhe.

— Não a permitirei se opor a isto, meu bem.

Os lábios de Shayne se fecharam sobre o clitóris enquanto os dedos começaram a mover-se mais rápidos, mais duros dentro das apertadas curvas de sua vagina.

— Deixe-me vê-lo, meu bem. Deixe-me que a veja gozar para nós.

Shayne deu um golpezinho com a língua sobre o clitóris enquanto o chupava profundamente, sua faminta boca rodeando-o com paixão enquanto os dedos a fodiam com golpes compassados.

Não pôde conter-se. Queria-o. Desejava-o.

O mundo explodiu a seu redor. Brilhantes prismas de luz detonaram na frente dos olhos quando poderosas ondas de descargas elétricas começaram a eletrificar a pele.

Chispou, uma carícia fantasma que resultou impossível de suportar, jogou-a através dessa barreira de luz e a lançou dentro de um mundo de tais sensações extremas que queria gritar em agonia, mas só pôde ofegar de prazer.

— Sim, meu bem. — A voz de Khalid agora era gutural — Goze para nós, Marty. Chupa seu pênis com sua doce vagina. Toma-o, meu bem. Toma-o todo.

Ela estava morrendo dentro do excesso de sensações. Estava desarticulando-se, desfazendo-se de prazer.

Mal a onda do orgasmo alcançou seu ponto máximo e começou a ceder, então eles começaram a fazê-la voar.

Não estava segura de quem ficou entre as coxas. Os olhos de Marty estavam fechados com força, os dedos apertados em punhos sobre os lençóis debaixo dela.

Levantaram-lhe as coxas, colocando-as sobre coxas poderosas.

Khalid. Ela conhecia seu corpo, conhecia o toque de seu pênis contra as sensíveis dobras de sua vagina.

Os olhos de Marty se abriram em meras frestas quando sentiu Shayne instalar-se junto a ela. Os lábios dele cobriram um mamilo enquanto ela olhava Khalid, olhava como levantava os quadris aproximando-a mais dele, o olhar enfocado na dolorida carne de sua vagina quando começou a empurrar dentro dela.

Marty arqueou as costas. Isto era puro êxtase. A sensação do toque de Shayne era erótica, excitante, mas a sensação de Khalid tomando-a era como sentir descargas elétricas por todo o corpo. Seu pênis a penetrava suavemente, atravessando com dificuldade os músculos apertados, acariciando-os, tocando-os docemente com o largo extremo de sua ereção e logo com o resto do pênis sulcado de veias.

Os quadris de Marty se arquearam mais perto, os gritos começaram sair de seus lábios quando as entristecedoras sensações começaram a descarregar-se por seu corpo. Eram como maremotos, nunca terminavam, destruindo qualquer esperança que pudesse ter tido de conservar alguma parte de sua alma no que a ele se referia.

Mas já não havia nenhuma esperança. Tinha-a roubado junto com seu coração.

— Merda. Doce Marty — Gemeu enquanto se metia mais profundo, mais profundo dentro dela — Tão fodidamente estreita. Como um punho ao redor de meu pênis.

Ela apertou mais forte, a involuntária reação a suas palavras golpeando através de seu útero com espasmos de uma sensação que limitava com a dor. O prazer era muito intenso, muito incrível.

Os lábios de Shayne se fecharam com mais força sobre seu mamilo quando Khalid começou a mover-se dentro dela, mais profundo, mais duro. Montou-a em uma montanha russa de tal incrível potência que não pôde fazer outra coisa exceto segurar-se forte para a viagem.

E a viagem foi incrível. Enquanto o pênis de Khalid empurrava e acariciava dentro dela, os lábios de Shayne brincavam com os mamilos e os dedos se deslizaram para baixo do estômago até o inchado molho de nervos entre suas coxas.

Ela estava sendo acariciada, tomada, tocada brandamente de maneira que não tinha esperado. Eles a levavam mais alto, enviando-a a um torvelinho através de um sensual universo tão cheio de prazer que quase era um martírio.

Estava soluçando, tentando gritar. Retorcia-se e arqueava nos controlados movimentos do pênis de Khalid enquanto se esforçava por tomá-lo mais profundo, mais forte.

— Já vai, querida — Começou a cantarolar a voz de Shayne a seu ouvido — Merda, está linda, tomando esse pênis. Toda aberta como uma flor, escorregadia e doce — Apertando os dedos contra o clitóris, levando a sensação através de seu centro até a vagina apertada ao redor da pênis possante de Khalid.

Não podia suportar. Estava morrendo. Havia muito prazer, muitas sensações. Meu Deus, nunca tinha imaginado que pudesse haver muito prazer. Começou a alagá-la. A sensualidade a afogou. Não podia respirar. Não podia mover-se.

O corpo tenso até o ponto de ruptura, começou a estremecer-se mais forte, a apertar-se até que o orgasmo a atravessou com uma violência que a arrojou por cima do bordo da razão.

Não foi suave, nada suave.

Foi catapultada dentro de um reluzente mar de brilhantes e pulsantes sensações e de explosivo êxtase.

Gritando o nome de Khalid, Marty o sentiu golpear profundamente justo antes que a forte e intensa pulsação de seu pênis assinalasse os ferozes e quentes jorros de seu gozo brotando dentro dela, levando-a mais alto.

Ao lado dela sentiu o punho de Shayne mover-se sobre seu pênis enquanto os dedos da outra mão acariciavam o clitóris até uma liberação abrasadora. Ele gemia seu nome a seu lado, como Khalid gemia em cima dela, o corpo arqueado para trás, o suor brilhando nos ombros e no peito, enquanto as chamas do prazer continuavam vibrando sobre eles.

Quando os violentos tremores finais do orgasmo foram cessando, Marty se derrubou na cama, tentando recuperar a respiração enquanto a invadia o esgotamento.

Agora como diabos se supunha que conseguiria passar o resto do dia? Tudo o que queria era aconchegar-se de novo nos braços do Khalid e ir dormir.

Foi só lentamente consciente de Shayne gemendo quando finalmente se moveu.

Khalid se desabou a seu lado, o braço sobre sua cintura enquanto também ofegava por ar.

— Merda — Exalou Shayne bruscamente — A este ritmo terei um ataque ao coração.

Saiu da cama, tropeçou e depois caminhou sem fazer ruído até o banheiro.

— Meninos, necessito uma sesta — Anunciou muitos minutos depois, enquanto entrava no quarto e voltava para a cama — Descansa, doçura — Beijou-a nos lábios com delicadeza antes que ela o sentisse afastar-se. Segundos depois sentiu a porta do quarto fechar-se suavemente.

— Acredito que tive um ataque do coração — Murmurou Khalid a seu lado — Senti meu coração se arrancar do peito.

Ela voltou a cabeça e não pôde evitar o sorriso que curvava os lábios enquanto perguntava:

— Por que diz isso?

Ao levantar a cabeça Khalid cravou o olhar com expressão taciturna e séria.

— Perdi meu coração — Disse então — Você o roubou, Marty. Quando eu não estava olhando, tirou-o diretamente de meu peito.

O que estava dizendo? Marty lhe devolveu o olhar surpreendido.

— Amo você, Marty — Ele disse então e ela viu a verdade em seus olhos, na expressão — Amo tanto que não há nenhum amanhã sem você. Até acredito que morreria de uma morte fria e solitária sem você.

Amava-a.

Devolveu-lhe o olhar ainda não totalmente segura de estar acordada. Tinha adormecido? Tinha obtido de algum jeito penetrar em sua máxima fantasia de ouvir as palavras que ela tinha necessitado escutar durante tanto tempo?

— Não diz nada, Marty — Ele estendeu a mão, as pontas dos dedos acariciaram a bochecha, depois a mandíbula — O que tem de errado?

Ela teve que engolir com força para falar.

— Diga-o outra vez — Essa era sua voz? Tão desesperada, tão cheia de esperança — Por favor, Khalid, diga-o outra vez.

— Amo você, Marty Mathews — Disse simplesmente em voz baixa — Com todo meu ser, amo você.

Amava-a.

Não estava sonhando. Isto não era uma fantasia. Era real e não estava enlouquecendo.

— Você me ama?

— Amo você — A brindou um pequeno e suave sorriso — Mais do que possa nunca imaginar.

Não pôde conter as lágrimas. Encheram seus olhos e escorregaram lentamente pelas bochechas enquanto ele a olhava com um pequeno e confuso franzimento do cenho que obscurecia a testa.

— Amo você desde que tinha quinze anos — Sussurrou — Tanto, Khalid. O amo tanto.

Marty rodeou o pescoço com os braços enquanto enterrava o rosto no seu peito, lutando para conter as lágrimas. Não queria chorar. Não queria seu rosto impreciso por causa das lágrimas. Queria recordá-lo. Queria conservar este momento no tempo.

— Ele a ama tanto.

Ambos se congelaram por um segundo antes de voltar-se rapidamente para olhar surpreendidos à figura que estava de pé na porta, com um fuzil automático embalado nos braços.

Amam Mustafa.

Marty reconheceu o rosto marcado de cicatrizes imediatamente. O cabelo negro e grosso estava recolhido em um rabo-de-cavalo; uma barba espessa, andrajosa e mau cuidada cobria a parte inferior do rosto.

Ela não podia mover-se. Cravou o olhar no cano do fuzil que apontava para seu peito, o diabólico sorriso na cara enquanto entrava no quarto, aterrou-a.

Não havia piedade nesse olhar. Não havia compaixão. Havia somente maldade. Perversa e pura maldade.

— Isto foi tão fácil — Riu deles enquanto entrava, uma arrogante jactância no passo que clamava a gritos presumida confiança.

A arma de Marty estava colocada debaixo da beira do colchão, tão longe. Jazia contra Khalid em seu lado da cama ultra extragrande, na beira a um bom corpo de distância da arma.

— Amam — A voz de Khalid era gelo, o corpo tenso contra ela.

O homem observou o quarto com curiosidade antes de mover-se para ficar parado aos pés da cama.

— Surpreende-me que não tenham nenhum terceiro com vocês. Esperava isso.

Não sabia que Shayne estava ali.

— Hoje não necessitava um — Khalid a segurou mais perto enquanto se levantava completamente e devolvia o olhar a seu irmão.

— Ah, certamente não está se privando de tais prazeres? — Apoiou o pé ao pé da cama — Pensei com toda segurança que se não renunciou a eles em memória de Lessa, então não os deixaria por nenhuma mulher.

Marty mantinha os olhos em Amam, mas os sentidos completamente concentrados em Khalid. Amam estava tentando enfurecê-lo, de machucá-lo. A lembrança de Lessa era uma que Khalid nunca se permitiu esquecer, nem jamais se perdoou por sua morte.

Havia também uma certa esperança. Shayne estava na casa. Havia uma possibilidade, uma muito escassa no melhor dos casos, mas uma possibilidade de que pudesse retornar ao quarto e distrair Amam.

— Importa por que o deixei? — Perguntou Khalid, colocando mais ainda Amam na crença de que ninguém mais estava AL i— Diga-Me, Amam, como superou a meus guardas de segurança?

— Foram fáceis. — Amam sorriu enquanto encolhia os ombros — Muitos seguros de si mesmos por suas habilidades e tecnologias. Infelizmente, eu estava aqui muito antes que a força completa realmente chegasse. Seu pobre cozinheiro me penetrou pela tarde, pouco depois que você e sua preciosa agente Mathews saíssem da casa.

— E a chamada que o assistente do embaixador da Arábia fez da festa ontem à noite? — Perguntou Khalid.

Amam sorriu.

— Ao Ayid, como estou seguro sabe. Estive aqui durante um tempo, irmão — O olhar se deslizou para Marty — O suficiente para quase matar a sua puta na noite que por pouco me apanhou em seu apartamento.

Não foi um assassino anônimo. Amam tinha estado aqui todo o tempo.

Khalid respirou profundamente atrás dela. Uma respiração controlada e paciente enquanto Marty segurava mais forte o lençol contra os seios.

— Os americanos me assombram — Amam suspirou como se fossem crianças que ele não entendia — Eles acreditam que estão tão repletos de sabedoria e respostas. Mas a vida é a compreensão de que tais coisas não podem ser controladas. Em troca, Alá controla tudo e se retira, nos abandonando quando nós merecíamos vingança — Então olhou furioso para Khalid — Devia-me a vingança, Khalid. Alá me proporcionou uma maneira de golpear.

— Acreditei que disse que quem proporcionou isso foi o cozinheiro? — Disse arrastando as palavras Khalid.

O olhar furioso de Amam se intensificou.

— Zomba de mim, Khalid? — Grunhiu — Zomba de Alá também? As alianças ímpias nas quais participa com as esposas de outros homens é um pecado contra todos os homens. Deveria ter sido apedrejado quando menino. Destruído antes que pudesse infectar a outros com suas perversões.

E Amam acreditava nisso, viu Marty. Em seus profundos olhos marrons viu a convicção que tinha.

— Ouvi tudo isto antes, Amam — Suspirou Khalid — Está se tornando aborrecido.

— Então escuta isto, traidor…

O rifle disparou.

Marty escoiceou de susto, depois gritou quando a bala fez um buraco no travesseiro a não mais de um sopro de sua cabeça.

— Vá à merda, Amam! — Gritou Khalid furioso enquanto aproximava Marty mais a ele apesar das tentativas dela de lançar-se para o outro lado da cama e à arma ao alcance da mão se ela justamente pudesse cobrir a distância.

— Talvez só trato de animar as coisas — Zombou Amam — Como tentou animá-las no dia que matou a minha esposa e a de Ayid. No dia que você e Abram acreditaram que poderiam destruir nossas vidas e nossos planos, para sempre.

Marty cravou as unhas nos pulsos de Khalid em uma tentativa de obrigá-lo a soltá-la.

— Abram não fez nada — Espetou Khalid.

O rifle disparou de novo. Uma descarga de balas rasgou o colchão ao lado de Marty enquanto Amam gritava com fúria.

— É um bastardo mentiroso! Nós estamos bem a par disso! Sempre estivemos bem a par! Esta noite devia matar a sua puta. Ayid estará com Abram agora, assegurando-se de que nunca respire outra noite. Mas você, irmão, viverá para sofrer como ninguém no mundo jamais sofreu.

Estava louco.

Marty se esforçou em manter-se quieta, para acalmar a necessidade de lutar contra o agarre de Khalid até que o afrouxasse o suficiente para desprender-se de seus braços na próxima oportunidade.

Estava pela metade atrás dele quando a moveu de um puxão para trás e ficou na frente. Seus músculos estavam tensos e avultados enquanto sustentava a ira sob controle, obviamente esperando.

— Não viverá para me fazer sofrer — Assegurou Khalid — Confia em mim, Amam. Caçarei a ambos como cães raivosos.

Amam riu disso.

— Posso morrer, mas você sofrerá. Você sofrerá a verdade. O saber que suas ações causaram a perda da única mulher que alguma vez amou realmente. Ah, sim. — Ele riu — Escutei sua promessa de devoção eterna a sua pequena vagina. As palavras que nunca brindou a outra mulher. Elas assinaram sua sentença de morte em vez do mero estupro que tinha projetado para ela.

Morreria antes de deixar que a tocasse com seu toque demoníaco.

— Não me obrigue a destruí-lo, Amam — Advertiu Khalid com voz enérgica apesar da suavidade — O farei. Machuque-a e me assegurarei de que morra em agonia.

— Não mais agonia que a que você conhecerá, irmão — O rifle se levantou de novo e apontou para o quadril de Marty.

— Amam! — Khalid gritou o nome quando a arma disparou.

A agonia passou como um raio pelo quadril de Marty quando ela se catapultou de Khalid para a beira da cama. Sua mão voou para a separação entre o colchão e a cama, os dedos enroscando-se ao redor da culatra da arma enquanto a tirava.

Simultaneamente, Khalid jogou seu peso sobre o corpo de Marty enquanto soavam mais disparos.

Lutou contra ele. Tentando ignorar a horrenda agonia no quadril, Marty lutava para girar e apontar a arma que tinha conseguido agarrar para o canalha que se atrevia a pôr em perigo ao homem que amava.

— Mova-se! — Ela foi recolhida do chão como uma boneca de pano enquanto Khalid se equilibrava para a porta do banheiro.

As maldições de Amam foram como os gritos de um demônio quando Khalid fechou a porta violentamente, jogou a chave e depois impulsionou Marty para a parte de trás do banheiro e dentro da banheira.

Cravou-lhe o olhar surpreendido enquanto vislumbrava a arma de proteção pessoal P90, pequena e letalmente poderosa, que ele levava em uma mão.

— Ponha isto — Jogou-lhe um roupão branco ao mesmo tempo que agarrava umas calças brancas e cômodas que tinha usado no quarto e as vestia de um puxão.

— Não escapará tão facilmente, Khalid. — O som da arma de Amam esmurrando a porta era como escutar a Satã golpeando as unhas contra ela. Enviava calafrios pela coluna e o horror encheu sua alma.

— Está bem? — Khalid a cortava com o olhar enquanto amarrava o roupão.

Ela assentiu mentindo. Não estava bem. Estava sangrando como um maldito porco preso e seu maldito quadril queimava como se as chamas do inferno oscilassem sobre ela.

— Não brinque com isto, Khalid.

Khalid se lançou à banheira, cobrindo-a das balas que atravessaram a porta do banheiro, destroçando a fechadura. Um pé contra o painel e Amam os estava olhando com um sorriso no rosto antes de jogar-se em um lado, mal escapando do disparo que Khalid fez para ele.

— Ah, está progredindo — Gritou Amam — Saia e joguemos, Khalid. Venha, irmão e talvez compartilhe sua mulher contigo antes de arrancar a depravada vagina do corpo.

 

Onde merda estava Shayne?

Khalid se encurvou sobre o corpo de Marty, lutando para protegê-la, para dar tempo a Shayne de ouvir os disparos e vir correndo.

Sabia que ela estava mentindo. Tinha-a acertado. Seu sangue tinha salpicado a coxa quando a bala atravessou o quadril. Saltar ao lado oposto da cama muito provavelmente tinha salvado a vida de Marty quando Amam tinha estado esperando conseguir outro disparo inclusive enquanto ela se movia.

— Fez uma merda, Amam — Ele gritou ao outro homem — Não sairá vivo daqui.

— Acha que vim sozinho? — Amam ria — Vim com amigos. Um deles amarrou Abdul para mantê-lo a salvo, os outros revistam agora sua casa para assegurar que não deixamos ninguém. Está sozinho, Khalid. Ninguém o ajudará agora.

Khalid respirou bruscamente. Shayne era um agente condenadamente bom. Não era tão fácil apanhá-lo despreparado.

— A seu pai não gostará que Abdul seja machucado, Amam — Recordou Khalid.

— Pai é um velho tolo e sentimental — Respondeu Amam — Mas Abdul viverá, segundo suas ordens, igual a você, irmão. Embora duvide que papai derrame muitas lágrimas pelo Abram. Sabe que nos enviou atrás dele?

Khalid se calou. Isso era impossível. Azir nunca teria enviado a seus filhos para matar seu herdeiro.

— Abram acreditou que poderia abandonar seu lar, seu país — Gritou Amam — Pensou que poderia abdicar ao futuro trono e que papai toleraria semelhante traição. Azir ordenou a morte de Abram. Tal como um dia ordenará a sua.

Notava Marty movendo-se debaixo dele, a respiração entrecortada pela evidente dor enquanto se deslizava a seu redor.

— Vamos, Khalid, não deixemos que isto se estenda além do necessário — O repreendeu Amam — Deixa matar a sua pequena puta e depois desaparecerei de sua vida de novo. Ao menos, até que encontre outra cadela doente que aceite seu depravado pênis.

— Filho da puta — Grunhiu Marty — Merda, quero cortar seu pênis.

Ele a olhou quase surpreso. Marty, sua pequena garota, tinha uma boca que provavelmente poderia igualar à sua. Teria que discutir isto com ela.

Se sobrevivessem.

Deus, se sobrevivessem.

Ele entreabriu os olhos sobre o umbral da porta, observando a sombra que se movia justo pelo exterior. A luz se derramava sobre Amam de uma maneira que permitia Khalid rastreá-lo, seguindo a pista da sua sombra. Seu irmão ainda não tinha aprendido a cuidar do traseiro. Sempre tinha dependido de seu pai para cuidar das suas costas. Seu pai não estava aqui agora.

— Temos que distraí-lo — Sussurrou Marty em voz baixa atrás dele — Precisamos atraí-lo para perto do umbral. A P90 atravessará a parede, Khalid.

Khalid negou com a cabeça.

— Está reforçada. Suspeito que Amam sabe, já que meus empregados sabiam. Não servirá disparar a nada fora da porta. As balas serão detidas pela capa de aço dentro das paredes.

Ela suspirou profundamente atrás dele.

— Meu telefone celular está no dormitório — Disse Marty — Estamos fodidos se tivermos que ficar aqui.

Suas munições eram limitadas, enquanto que ele tinha observado a mochila que Amam trazia. Sem dúvida seu irmão estava completamente abastecido.

— Teremos que aproveitar cada bala — Disse Khalid em voz baixa.

— Acredito que antes de matar a sua puta, quero fodê-la — Amam estava tentando pressionar cada botão que pensava que Khalid tinha — Fui eu quem arrancou a traiçoeira vagina de Lessa de seu corpo, Khalid. Estava viva enquanto o fiz. Chorou e suplicou e ao final chamou a gritos o seu depravado marido e a seu amante bastardo. Mas vocês não estavam lá, não é? — Riu com crueldade — Acha que minha esposa me chamou a gritos quando morreu?

— Acredito que morreu imediatamente — Respondeu Khalid — Duvido que inclusive pensasse em você, Amam. Imagino que estava feliz por deixar atrás esta vida e a seu marido demente.

Sem dúvida, pensou Khalid, a mulher tinha estado tão louca como Amam. Fabricou muitos dos explosivos que se metiam nos coletes dos terroristas suicidas e ajudou a Amam a tramar vários dos atentados desumanos que tinham sido feitos pela célula terrorista que ele liderava.

— E você acha que pode dizer semelhantes mentiras e me machucar — Respondeu Amam em tom furioso — Alá me enviou para castiga-lo, Khalid. Eu sou a vingança.

— Duvido que Alá tenha algo a ver com sua loucura. Amam. Seu pai deveria te tê-lo afogado como a um cão doente quando nasceu.

As palavras se encontraram com o silêncio. Khalid ficou cautelosamente atrás do rebordo da banheira, rogando que o desenho submerso desta os protegesse uma vez que Amam entrasse no banheiro para disparar de novo.

— Você é parte de Satanás — O acusou Amam com tristeza — Papai se nega a acreditar nisso. Você o enfeitiçou. Mas não durará muito tempo.

Não, não o faria. Khalid ia matar Amam antes que deixasse esta casa, depois iria em busca de Ayid. Só tinha que armar-se de paciência, advertiu a si mesmo.

Atrás dele Marty trocou de posição, uma baixa maldição saiu de seus lábios pela dor que a ação sem dúvida causou. A ferida no quadril seria uma profunda, pensou. O sangue que o tinha salpicado não tinha sido pouco.

— Verifique a janela — Ordenou Khalid em voz baixa — Olhe se há alguém fora.

Ela se moveu atrás dele. As amplas janelas davam à parte de trás do imóvel e aos jardins de baixo. Havia um pequeno balcão exterior, um de adorno em vez de ser usado realmente, mas sustentaria seus pesos se pudessem sair sigilosamente.

— Nada — Sussurrou a sua vez.

— Khalid, aborreço-me deste jogo. — Gritou Amam.

— Então, venha, Amam. Deixe-me fritar seu traseiro e acabar de uma vez — Respondeu Khalid enquanto olhava por cima do ombro.

Marty estava lutando com a fechadura, tentando desenganchar o pesado fecho de metal.

— O que está fazendo, Khalid? — A suspeita enchendo a voz de Amam — Acha que pode escapar de mim?

Estendendo a mão por atrás dele, Khalid agarrou o roupão de Marty e a atirou para trás quando todo o inferno pareceu desatar-se.

Amam se jogou dentro do banheiro, corpo à terra quando sua arma começou a cuspir uma rajada de disparos que parecia não acabar nunca.

Agachando-se sobre Marty, Khalid apoiou o cano da P90 sobre a borda da banheira e começou a disparar. Conhecia o terreno. Só tinha uma oportunidade.

Os vidros se esparramaram ao redor deles quando as balas destruíram a janela. Foi consciente de Marty agachando-se, cobrindo a cabeça enquanto ele jazia sobre ela, o coração pulsou acelerado, o medo obstruiu sua garganta quando a arma começou a fazer clique.

Tinham esgotado as munições.

Mantendo-a no chão da banheira, Khalid esperou.

O silêncio encheu o banheiro quando pouco a pouco afrouxou o agarre de Marty sobre a Glock, seus olhos encontrando-se com os dela enquanto esta girava a cabeça para olhá-lo.

— Amo você — Disse silenciosamente, os lábios movendo-se enquanto o pálido rosto refletia seu medo de que Amam só estivesse preparado à espera de ver se suas balas tinham acabado antes de mover-se de novo.

Apoiando uma mão ao lado da cabeça de Marty, Khalid começou a levantar-se para verificar.

O que viu causou que um suspiro de alívio saísse dos pulmões.

Amam jazia de barriga para cima, os olhos cravando o olhar silenciosamente, enquanto o sangue encharcava a seu redor.

Shayne estava de pé na porta olhando o corpo com gélidos olhos enquanto Khalid calculava a quantidade de disparos que seu irmão tinha recebido.

Seu objetivo, apesar de sua incapacidade para fazer algo mais que apoiar a arma sobre a borda da banheira, tinha acertado no alvo.

Shayne levantou o olhar do corpo de Amam para Khalid.

Levantando-se da banheira, com a Glock agora pendurada relaxadamente na mão, ajudou Marty a levantar-se.

— Merda — Exalou Shayne grosseiramente — Sabe quantos destes bastardos tive que atravessar para chegar até aqui? — Ele assinalou a silhueta imóvel de Amam — Aposto que tinha uma dúzia de homens nesta fodida casa.

Passando por cima do corpo, Shayne agarrou o braço de Khalid e o ajudou a sair da banheira enquanto ele elevava Marty.

— Necessitaremos um médico — Ordenou Khalid — Recebeu um disparo. Chama seus pais e descubra sobre Abram. Ayid foi enviado para matá-lo.

— Em seguida — Shayne se moveu rapidamente quando Khalid fez girar Marty em seu abraço e a levou para cama.

Olhando-o, Marty estendeu a mão, tocou-lhe a bochecha, depois os lábios.

— Acabou — Sussurrou.

Quando a pôs sobre a cama, sentou-se lentamente a seu lado, o olhar demorado em seu rosto enquanto Shayne falava pelo telefone atrás dele.

— Acabou-se — Coincidiu ele.

Um trêmulo sorriso moldou os lábios dela.

— Ainda me ama?

— Como o sol ama as flores que iluminam seu dia — Sussurrou no ouvido —Como um corpo ama o coração que pulsa por sua vida. Que Deus me ajude, Marty, amo você inclusive sabendo que morreria sem você.

Ele não poderia viver sem ela. Não havia vida, nem coração, nem alma se ele perdia o espírito que o mantinha com vida. Marty era a vida, o coração, a alma que o tinha mantido tratando de alcançar um novo dia desde que a tinha conhecido quando não tinha mais de quinze anos.

Uma parte dele tinha sabido então. Sua alma sabia agora. O prazer que dava, a calidez com que o enchia, o toque que o mantinha centrado na terra era mais do que poderia suportar perder.

Ela era seu coração. Sua alma. Um prazer que não ia acompanhado nem de culpa, nem de vergonha. Um prazer que satisfazia ao dele, igualava-o e enfraquecia até na noite mais fria.

Sua Marty.

— Amo você, Khalid — Sussurrou.

E ele sorriu. Pela primeira vez em mais anos dos que podia recordar, verdadeiramente sorriu.

— E eu, preciosa. Amo você.

 

                                                                                Lora Leigh  

 

                      

O melhor da literatura para todos os gostos e idades

 

 

              Voltar à Página do Autor