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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


RECEITA PARA AMAR / Carol Lyne
RECEITA PARA AMAR / Carol Lyne

 

 

                                                                                                                                   

 

 

 

 

 

Depois de anos vivendo no medo, Jay De Luca finalmente encontrou um refúgio seguro em Cattle Valley. Embora esteja começando a abrir-se em torno de seus amigos, ele está longe de estar pronto para se envolver em outro relacionamento. Quando o bonito Erico Morrelli tenta contratá-lo afastando-o de um trabalho que ama, Jay recusa a oferta do dono do restaurante, com medo de gastar seu tempo com o playboy da cidade.

Envergonhado de dizer a seus amigos que ele está doente, Erico tenta levar ‘La Canoe’ por conta própria, apesar dos protestos de seu médico. Quando ele cai no trabalho, Erico começa a reavaliar seu futuro. Assusta-o a atração que sente por um homem que sabe que deveria ficar longe.

Erico pode inventar uma receita para o amor ou ele irá enfrentar seu maior desafio sozinho?

 

 

 

 

                                   Capítulo Um

 

Erico abaixou a faca e se apoiou na mesa. Fechou os olhos e se tranqüilizou até a respiração e o enjôo passar. Abriu os olhos, olhou ao redor para assegurar-se de que ninguém tivesse notado o episódio.

Estavam se tornando mais e mais freqüentes. Era um contínuo aviso que precisava encontrar um chef qualificado rapidamente ou se veria forçado a fechar o restaurante no que tinha posto sua alma e coração.

Retornando sua atenção à rosa de rabanete que estava elaborando, seus pensamentos foram para Jay. Sabia que o homem tinha a habilidade de converter-se em um excelente chef, e o mais importante, confiava em poder deixar Jay no ‘La Canoe’ em sua ausência.

Mario lhe tinha advertido que se mantivesse afastado de Jay e isso lhe incomodava. Desde quando se converteu, no tipo de pessoa a que tem que se manter afastada. Terminou o cenário e o colocou em um pote hermético, antes de colocá-lo no refrigerador.

Uma grande parte dele estava feliz por ter uma fodida tempestade de neve lá fora. Ao menos ele poderia trabalhar mais lento quando necessário. Com apenas alguns clientes que tinham enfrentado o frio e a neve, Erico tinha conseguido manter-se. Com a maioria dos preparativos terminados, e limpa a área do trabalho, lavou as mãos e se dirigiu à área do bar. Sentou-se em sua usual cadeira alta, ao final do balcão. “Troy, por favor, pode me servir um copo com água?”

“Pois não.” Troy ficou de pé de sua cadeira alta e foi atrás do balcão e serviu a bebida de Erico. “Espero que isto melhore, estou aborrecido até os ossos.”

Normalmente Erico teria sugerido a Troy que limpasse as taças, mas as taças que estavam penduravam no bar já brilhavam, ele já tinha feito. “Nada bom na televisão?”

Troy negou. “Repetições. Isso é tudo entre Natal e Ano Novo.” Troy sorriu “A menos que você goste dos desenhos animados de Natal. Com certeza posso encontrar um.”

“Passo.” Erico tomou um grande gole de água. Um olhar ao relógio lhe indicou como seria longo o dia. Apesar de sentir-se a ponto de render-se, eram apenas seis. “Ouviu a previsão do tempo?”

“A neve continuará durante três dias. Neve, neve e mais neve. Na próxima semana talvez a temperatura suba a aproximadamente quinze graus. Isso ajuda?”

Erico tamborilava seus dedos no balcão. “Possivelmente devamos ir para casa. Talvez devêssemos fechar igual a todo mundo na cidade.”

“Estou totalmente de acordo com isso.” Troy adicionou.

Erico deu outra olhada ao restaurante e esvaziou. “Antes de ir, fala com Ellen e Chip e lhes diga que esta noite fecharemos a cozinha.”

“Quer que fiquemos perto até que o faça?” Troy perguntou.

“Não há necessidade. Provavelmente durma no sofá do escritório.” Era algo que fazia freqüentemente quando o tempo estava ruim. Sua casa não ficava longe, mas Erico gostava de ficar suficientemente perto para ligar os geradores, em caso de problemas elétricos.

Erico pegou o controle remoto e desligou a televisão. “Ligue-me antes de vir amanhã. Se o tempo seguir assim não tem sentido que venha. Se nós tivermos um cliente, eu posso atender.”

Troy pegou sua grande bolsa debaixo do balcão. “Obrigado. Farei isso.”

Erico se dirigiu à cozinha. Não havia muito que fazer, desligou as panelas das sopas. Precisava as deixar no refrigerador, mas faria antes de ir dormir. Depois de verificar a cozinha, desligou as luzes e se dirigiu para fechar a porta da frente.

Estava na porta da frente puxando o ferrolho, quando um movimento captou sua atenção. Viu uma mulher apressar-se cruzando a rua para o restaurante. “Maldição.”

A forma se deteve na calçada. Erico estava preparado para abrir a porta e dar a bem-vinda ao cliente, quando a mulher escorregou, como se fosse em câmara lenta ele viu o cliente cair na calçada e golpear a cabeça.

Erico se apressou a abrir a porta e descer os degraus. Ouviu um gemido, quando se ajoelhava a lado da mulher. “Está você bem?”

A mulher machucada se endireitou e retirou o cachecol da cara. “Acredito que estou bem.”

Erico estava impactado de ver o formoso rosto de Jay frente a ele. “Pode ficar em pé?”

Jay assentiu, e Erico lhe ajudou a levantar-se.

“Vamos entrar, onde está quente.” Erico envolveu seu braço ao redor da pequena cintura de Jay e o ajudou com os degraus. Erico se sentia incrivelmente culpado. Sabia que se estivesse na cidade, seria culpado por tudo o que tivesse causado o acidente. Apesar de que eles tinham limpado os degraus e a calçada durante o dia, era quase impossível as manter limpas com a tempestade de neve.

Depois de que eles entraram pela porta, Erico deixou Jay em um dos assentos acolchoados na área de espera.

Jay se sentou e começou a tirar roupa de inverno. “Acredito que vou ter um bonito galo na cabeça, mas nada muito sério.”

Erico sentou-se ao lado de Jay. “Se incomodaria se eu desse uma olhada?”

Jay negou, e tirou sua boina. Erico viu o brilhante cabelo castanho. Quantas vezes, tinha pensado passar seus dedos através do sedoso cabelo? Verificou a parte detrás da cabeça de Jay. Não demorou em sentir o galo do tamanho de um ovo de ganso.

“Tem um galo enorme. Quer que chame os médicos?”

Jay levantou seus dedos finos e roçou os de Erico. “Onde?”

Erico moveu a mão de Jay à lesão. “Sente isto?”

“Sim.” Jay respondeu.

“Quer que chame alguém?” Erico perguntou.

“Não. Estou bem.” Jay moveu suas mãos à cintura. Esticou seu torso várias vezes.

“Machucou as costas também?” Erico perguntou. Ele sabia que estava mal, mas não podia evitar acovardar-se ante o que uma lesão nas costas faria a seu seguro.

As mãos de Jay brandamente começaram a passar por suas costas. “Acredito que me esfolei com a calçada.”

Com a preocupação sobre a demanda do seguro aliviada, a culpa começou a afundá-lo. Que tipo de pessoa era? Erico fechou as mãos em um punho em um intento de controlar-se.

Jay se sobressaltou e fechou os olhos, evidentemente viu os punhos de Erico.

“Não. OH, Deus, não. Não vou te machucar.” Mario lhe tinha advertido do passado de Jay. Completamente zangado consigo mesmo, Erico colocou seus cotovelos em seus joelhos e cobriu sua cara com suas mãos. “Sinto muito. Eu estou zangado comigo, não com você.”

Depois de um momento, Jay colocou sua mão nas costas de Erico. “Porque está zangado contigo? Eu fui quem caiu.”

Erico sentiu o toque de Jay como uma marca em sua pele. Que tinha esse tímido homem que lhe atraía? O gesto falava muito do tipo de pessoa que era Jay. Erico não tinha escolha, tinha que ser perfeitamente honesto para corresponder. “Sou um desprezível ser humano. Meu primeiro pensamento foi o risco de perder meu negócio devido a que tivesse alguma lesão séria.”

“OH. Bom, acredito que isso é muito compreensível. Quero dizer tem um lugar aqui, que te faz se sentir orgulhoso. Acredito que é natural que tenha medo de perdê-lo.”

Erico girou a cabeça. “Você é quem se machucou, porque está tentando me fazer sentir melhor?”

Jay sorriu. “Não sei. Pareceu-me que o necessitava.” Jay olhou ao redor, provavelmente pela primeira vez. “Onde está todo mundo?”

Erico verificou o restaurante vazio. “Mandei todos para casa. O clima mantém todos em suas casas. Quem deveria comer?”

Jay olhou ao longe, chupando o lábio inferior. “Eu estou louco. Sean fechou o bar por duas semanas, enquanto visitava seus pais na Irlanda. Ethan me deu de presente de Natal um cupom para o ‘La Canoe’. E pensei…” Jay sacudiu a cabeça. “Não importa. Posso retornar outro dia.”

“Não seja ridículo.” Erico ficou de pé e lhe ofereceu a mão.

Jay olhou a mão de Erico um momento, antes de ficar de pé por si mesmo. Erico tentou não tomar o gesto como ofensa pessoal. “Você gostaria de comer aqui ou no bar?”

Jay se encolheu de ombros.

Erico notou que parecia que isso era muito. Ao menos ele tinha falado mais do que falava quando chegou a Cattle Valley. “Tenho uma bonita mesa na cozinha, que tal se me fizer companhia, enquanto trabalho?”

Jay pareceu vacilante, mas finalmente assentiu. “Está bem. Eu gostaria de te ver cozinhar.”

Erico sabia que era a oportunidade perfeita para ver como poderiam trabalhar juntos na cozinha. “Ou pode me ajudar? Você me ajuda a cozinhar nosso jantar e guarde o cupom de presente para outra ocasião.”

Jay surpreendeu a Erico negando-se. “OH, não, eu não posso…”

“Não quer cozinhar comigo?” Erico sabia que Jay se sentia intranqüilo com ele, mas seu rechaço lhe doía.

“Não tenho formação.” Jay continuou. “Eu acabaria me fazendo de ridículo.”

Erico ficou de pé e empurrou a porta da cozinha. “Não seja tolo. Eu comi sua comida, e já te disse antes que penso que é um fantástico cozinheiro.”

“Sim, mas você tem formação de chef. Não é a mesma coisa.”

Erico entrou na cozinha. Ele viu o lugar que facilitava a arte. Sabia que poderia ser um pouco intimidante para alguém acostumado a trabalhar em pequenos restaurantes. A última coisa que queria era fazer Jay se sentir incomodado. “Estou de humor para carne com batatas. Que tal isso?”

Jay sorriu. “Bom.”

Erico caminhou para o refrigerador e tirou dois grossos filés. Quando retornava à cozinha, viu Jay esfregando-se suas embaixo de suas costas de novo. Foi então que Erico notou a mancha de sangue na camisa. Erico deixou a carne. “Posso dar uma olhada?”

“Huh?”

Erico apontou as costas de Jay. “Acredito que pode estar sangrando.”

Jay se viu preocupado tentando de girar-se para ver suas costas. “Manchou minha camisa?”

Erico estava parado atrás de Jay. “Sim. Sinto muito. É nova?”

Jay assentiu. “Nate me deu de presente de Natal, antes que eles se fossem a Nebraska.”

“Se não conseguir limpar, comprarei uma nova.” Vacilou antes de levantar a barra da camisa. “Posso ver que tão esta mal, te sentiria cômodo com isso?”

Olhando sobre seu ombro, Jay fez contato visual com Erico, antes de levantar sua camisa. “Está bem.”

Erico levantou o tecido e se estremeceu ao ver o raspão na pele de Jay sob sua coluna. “É apenas um raspão, mas pode necessitar um pouco de limpeza e possivelmente um anti-séptico.”

Erico não pôde evitar roçar com o dorso de sua mão a pálida e suave pele. Ele fechou os olhos e apertou os dentes, enquanto lutava com a urgência de seu corpo de continuar. Retirou a mão e se afastou de Jay. “Vou pegar o estojo de primeiro socorros.”

Enquanto caminhava para o quarto, esfregava o peito, seu coração estava se acelerando, precisava acalmar-se antes de envergonhar-se. O fato de que ele tinha apenas o tocado dizia mais que as palavras poderiam dizer. Havia até filtrado suas ações para um homem do que se sentisse interessado?

Abriu o primeiro gabinete e tirou a água oxigenada, gazes, anti-séptico e ataduras. Quando voltou à cozinha, Jay estava frente ao fogo da grande cozinha de gás. Temperava os filés que estavam no prato.

Erico engoliu saliva a primeira olhada no abdômen de Jay. Ele vestia jeans de cintura baixa, muita baixa, Erico tinha certeza que esse homem depilou a virilha. Lambeu seus lábios e olhou para a profunda greta no abdômen para a terra prometida.

“Espero que não se incomode.” Jay disse apontando a chama.

“Não.” Levantou os acessórios. “Preparado para isto?”

“Deveria pôr as batatas no forno primeiro.” Jay disse.

“Que tal se comermos apenas carne e salada?”

“Está bem.”

Erico entrecerrou os olhos e Jay começou a tirar as coisas para a salada do refrigerador.

“Está arrependido?”

“Huh?”

Erico deixou os acessórios. “Prometo que não doerá.”

Jay sorriu. “Nunca fui bom para esse tipo de coisas.”

Erico deixou os acessórios no balcão e levantou a água oxigenada. “Esta coisa não arde, juro.”

Jay sentou-se no lugar indicado. “Espera.” Levantou a camisa e a atou alto em seu peito.

Erico nunca tinha visto um homem fazer isso com a camisa. O que poderia ter causado risadas em outro homem a ele deixava babando. Engoliu saliva e se acomodou em sua posição atrás de Jay vendo um par de centímetros do traseiro que Jay mostrava.

Limpou a garganta. “Tenho que ir pegar uma toalha úmida, para primeiro limpar a área.”

Erico correu como o diabo ao quarto. Pegou um pano para secar pratos do armário e entrou no banheiro dos homens. Abriu a água quente, o viu seu reflexo no espelho.

“Mantenha o controle, ou nunca terá uma oportunidade com ele.” viu seu reflexo. Ficou assombrado da veemência com que sentiu essas palavras. Uma oportunidade com Jay significava tudo para ele. Apoiou seus braços no lavabo e abaixou os olhos. Por quê? Porque este homem em particular? Porque agora? Ele tinha muitas coisas nas que tinha que concentrar-se.

“Está tudo bem?” Jay perguntou do outro lado da porta.

Erico abriu os olhos e se endireitou. “Sim. Sinto muito. Dê-me alguns minutos.”

“Estou pronto para colocar os filés, como quer o seu?” Jay perguntou.

A voz de Jay era suave e insegura e Erico queria envolvê-lo e protegê-lo do mundo. “Ao ponto, por favor.”

Jay assentiu e saiu o quarto.

Erico respirou profundamente colocou a toalha na água quente. Perguntava-se quanto tempo tinha passado em seus profundos pensamentos, em vez de atender Jay, como tinha prometido. Erico se girou, tirou a toalha da água quente e a espremeu tirando o excesso de água. Jantar e primeiros socorros. Ele se repetia uma e outra vez, enquanto se dirigia à cozinha.

 

Jay provou os filés tocando-os com seu dedo. “Perfeito.”

Ele tinha os filés em um prato com um pouco de salada, quando Erico chegou à cozinha. Desejava saber o que incomodava ao normalmente desenvolto homem. Jay piscou várias vezes, quando uma idéia lhe chegou. Erico tinha perdido seu frio externo quando viu as costas de Jay. Inclusive pior, quando ele levantou a camisa expondo suas costas inteiras.

Jay levou os pratos à mesa de trabalho. Era óbvio que seu magro corpo incomodava Erico. Essa não era a primeira vez que seu ossudo corpo tinha apagado um homem. Inclusive mulheres idosas tinham se aproximado dele na rua e tinham se oferecido para engordá-lo. Seu tamanho não era sua escolha. Se ao olhar seu abdômen Erico se desiludia, ele não podia fazer nada sobre isso.

Com Erico parado ao final da mesa, Jay liberou o nó de sua camisa e a arrumou. Ele não queria nada mais além de sair dali, mas uma habilidade que tinha dominado era não demonstrar a ninguém que o tinham ferido. “Comemos aqui?”

Erico inclinou a cabeça. “Está bem?”

“Bem. Onde quer comer?” Jay caminhou mantendo seu temperamento sob controle. Poucas vezes mostrava ira, estava surpreso de que algo tão pequeno o tivesse incomodado dessa maneira.

Erico tinha o pano úmido. “E suas costas?”

“Não se preocupe com isso, vou tomar um banho quando chegar em casa.” Jay se encolheu de ombros. “Não está tão ruim.”

Erico olhou Jay por um momento antes de responder. “Comemos no bar.”

Jay levantou os pratos e deu um a Erico. “Espero que você goste como o cozinhei.”

Erico levou seu prato ao bar. Em vez de sentar-se no bar, escolheu uma das pequenas mesas, entrou no bar e encheu dois copos com gelo. Que você gostaria de tomar?”

“Água está bom.” Jay respondeu.

“Dois copos com água.”

Jay se sentou e colocou o guardanapo em seu colo. Ficou secretamente feliz de que Erico tivesse escolhido esse lugar para jantar. Apesar de querer provar a comida do ‘La Canoe’ desde que chegou à cidade, ele nunca se sentiu cômodo no convívio social. As maneiras à mesa, não eram o problema, sua avó lhe tinha ensinado tudo desde a precoce idade. Era mais a sensação de não pertencer era o que lhe incomodava. Sem o cupom presente de Ethan não tinha maneira de que Jay pudesse ser capaz de pagar por aquilo.

Jay viu Erico cortar o filé. Segurou a respiração para esperar a reação do chef. Jay cozinhava filés quase toda noite da semana. Mas era sua falta de formação era o que o fazia sentir-se inferior.

“Mmm. Está perfeito.” Erico disse.

Apesar da raiva anterior, Jay sorriu ante o elogio. “Obrigado.”

“Tem planos para a noite de Ano Novo?” Erico perguntou.

Jay esperou até terminar de engolir sua comida. Quando aceitou o jantar, não tinha considerado que Erico quisesse iniciar uma conversa. Jay nunca tinha sido grande falador com pessoas que não conhecia. Pensou que a melhor maneira era manter-se tranqüilo a fazer o ridículo dizendo algo estúpido ou inapropriado. Estava tendo uma conversa com alguém que conhecia. “Cuidar das crianças no hotel, enquanto seus pais celebram no salão de baile.”

“Estará sozinho?” Erico perguntou.

“Ethan retornará de visita a seu pai.” Apesar de que seu melhor amigo só se foi uma semana, Jay sentia saudades. Ethan lhe ajudava a manter-se na terra. Se seu amigo estivesse aqui, Jay nunca teria visitado o ‘La Canoe’ sozinho. Sabia que foi a solidão mesclada com uma boa quantidade de curiosidade que o tinha empurrado a vestir sua camisa nova e seus jeans favoritos para jantar no restaurante.

 

 

“Realmente você gosta de crianças, huh?” Erico perguntou depois de tomar um gole de sua água.

Jay assentiu. Freqüentemente se perguntava se era um pervertido, por amar as crianças. Realmente se perguntou uma ou duas vezes. E chegou à conclusão de que não era errado gostar de crianças. Não havia nada sexual em sua necessidade de ser abraçado por elas. Eles o faziam sentir-se normal, gostava disso, eram parte de sua família. Se lhes agradava, não era porque pensassem obter algo dele. Jay sabia que não podia explicar isso sem soar como um completo louco, por isso não nem tentou.

Jay olhou para seu prato, tinha conseguido comer a metade de seu filé e um terço de sua salada. Sentia-se satisfeito. Limpou a boca e deixou o guardanapo a um lado de seu prato.

“Não vai terminar?” Erico perguntou.

“Já estou satisfeito. Vou levar o resto para o jantar de amanhã.” Jay respondeu.

“A salada não estará boa amanhã. Porque não tenta comer um pouco mais?”

Jay fechou seus punhos sob a mesa. As pessoas sempre eram iguais. “Sou um homem adulto. Acredito que sei quando comi o suficiente.” Jay ficou de pé e retirou a cadeira. “Sinto muito se ao me olhar você adoece.”

Sem dar uma oportunidade a Erico de responder, Jay saiu do bar à entrada do restaurante onde tinha deixado seu casaco, boina, cachecol e luvas.

“Espera um minuto.” Erico disse sua voz brusca como Jay nunca tinha ouvido antes.

Jay continuou vestindo o casaco. Pela expressão na cara de Erico, Jay sabia que ele tinha que sair rápido. Antes que Erico pudesse alcançá-lo, Jay pegou o resto da roupa de inverno e abriu a porta da frente.

Jay estava na calçada, quando Erico o alcançou. “Espera um maldito minuto. Não pode dizer algo assim e sair correndo. Eu nunca disse que seu corpo me adoecia. Sou um fodido chef, sei que a salada não dura nada depois de temperada.”

Jay se deteve em meio da rua para colocar boina. “Esquece isso.”

“Não quero esquecer!” Erico gritou. “Necessitei todo meu controle para manter minhas mãos longe de seu corpo. E agora me pinta com a tinta que não tem nada que ver comigo.”

Jay ficou de boca aberta. Apesar de que seu corpo formigava ante a declaração, isso não o fazia sentir-se menos nervoso. Quente e zangado, o homem estava preocupado de perder o controle de si mesmo, o que preocupava Jay.

Continuou seu caminho pela rua. Infelizmente, a cidade inteira parecia deserta exceto pelos dois. “Muito agradecido pelo jantar, mas preciso ir agora.”

Com essas palavras, Jay correu para seu apartamento em cima da floricultura. Quando chegou às escadas de seu apartamento, Jay estava tremendo, e não só pelas baixas temperaturas. Fez um completo ridículo e sabia. Já não importava sua pequena disputa com Erico. Duvidava que o homem falasse com ele de novo. “Isso acontece por sair de minha área de conforto.”

 

 

                                 Capítulo Dois

 

Erico mandou outro email ao chef contratando-o como empregado. Batia com seus dedos na mesa, esperava estar tomando a decisão certa. Ele tinha entrevistado Francios Tilmont seis meses antes, mas na ocasião tinha decidido por outro candidato.

Agora que Francios estava contratado, Erico esperava que pudessem liquidar as diferenças rapidamente. O homem tinha paquerado com ele durante a entrevista inicial e de novo nos emails. Em um dado momento, que até Erico ficou surpreso, tinha informado rapidamente a seu novo chef que eles teriam somente uma relação empregado versus patrão e nada, além disso.

Erico pegou a foto que estava no arquivo de Francios. O homem era quente, não havia dúvida nisso, apenas que o pênis de Erico não o notava. O cabelo negro com corte militar e profundas covinhas provocadoras, mas Erico não podia deter a obsessão do homem de seus sonhos.

Pensou sobre o filé que envolveu e guardou no refrigerador na noite anterior. Erico ainda não podia imaginar que era o que tinha feito de errado para Jay se zangar. Perguntava-se se as pessoas freqüentemente incomodavam Jay por causa de seu tamanho. Erico sabia que o corpo de menino abandonado, não era o que mais gostava, até que conheceu Jay, nunca teria acreditado, mas em Jay ficava bem, havia algo sobre o corpo desse homem que fazia Erico sonhar lambendo cada centímetro quadrado dele.

O pênis de Erico começou a endurecer-se dentro de suas calças. Parecia que tinha passado uma eternidade desde que fodeu ou foi fodido. A última realmente boa fodida que tinha desfrutado foi antes da tragédia das arquibancadas. Erico fechou os olhos, tentando tirar as imagens do momento da tragédia fora de sua mente.

Ainda estava envergonhado de recordar que estava enterrado até as bolas dentro do traseiro do Ethan, quando Jay chamou a seu melhor amigo, desesperado com as notícias do desastre. Erico ainda não podia acreditar que tivesse fodendo com o recém-chegado. Isso inclusive não era o pior a não ser imaginar a cara de Jay entrando em seu inconsciente cada vez que fodia.

Depois, Ethan tinha feito Erico prometer que nunca mencionaria seu encontro com Jay. Essa não foi uma promessa difícil de fazer. Erico estava envergonhado consigo mesmo de usar ao jovem como tinha feito. A razão de ter levado Ethan ao seu escritório em primeiro lugar tinha sido para tirar informação sobre Jay. Pouco sabia que terminaria entrando em Ethan de maneira diferente.

Vendo a maneira em que Jay cuidou dos habitantes da cidade nesse horrível dia, fazia mudar seus sentimentos a respeito de Jay. Já não somente queria entrar nas calças de Jay ele queria entrar em seu coração. Essa foi uma revelação totalmente caída do céu para Erico. Nunca quis se apaixonar. Viu como sua amada mãe se quebrou, quando seu pai morreu. Prometeu-se nessa ocasião que nunca deixaria que alguém tivesse o controle sobre sua felicidade. Tinha levado essa resolução durante os últimos dezessete anos de sua vida até esse dia fatal de julho.

Fechou a imagem de Francios e abriu o álbum de fotos de seu laptop. Navegou através de várias imagens, a maioria de seus ex-amantes nus, chegou à fotografia de Jay que pegou em segredo no picnic na primavera.

Tinha sido um dia especialmente cálido e a maioria vestia shorts. Jay não foi exceção, só que seus shorts eram quase indecentemente curtos. Esses deliciosos shorts faziam par com uma ajustada camiseta branca sem mangas, e Erico tinha ficado aceso em um instante. Passou o dia inteiro olhando secretamente o incrivelmente sexy homem.

A parte estranha a respeito disso era que ninguém pareceu tomar como ofensa a escolha da roupa de Jay. Quando Jay chegou pela primeira vez à cidade, tinha ouvido rumores sobre o formoso homem que usava maquilagem. Jay não usava muito, mas o homem desfrutava pintar-se como um perito os olhos e ocasionalmente rubor em suas bochechas.

Enquanto Erico olhava a fotografia de Jay, deslizou a mão dentro de suas calças. Sempre sentiu atração por homens musculosos, agora era inegável seu desejo por um homem que se maquilava e usava shorts tão curtos que entravam em seu traseiro todo momento.

Acariciou suas bolas por um momento antes de acariciar lentamente seu pênis enquanto olhava a fotografia de Jay parado ante a mesa de picnic. Imaginava que o arrancava do assento lhe tirava os shorts e colocava seu pênis dentro do lubrificado buraco frente à cidade inteira marcando ao homem como dele.

O cálido disparo dentro de sua mão o pegou de surpresa. Levou os dedos a sua boca e lentamente os lambeu limpando-os.

O toque do telefone o fez saltar. Rapidamente alcançou um lenço descartável e começou a limpar-se enquanto atendia a ligação. “Olá?”

“Como está meu menino hoje?”

Erico sorriu e olhou para o desastre de suas calças. “Estou bem, Mamãe. Como está?”

“Não tiveste enjôos?” Rosa perguntou.

“Não. Estou forte hoje. Por favor, não se preocupe por mim.” Sua mamãe insistia em ligar diariamente para verificar sua cada vez mais débil saúde. Sabia que estava preocupada e a amava por isso. “Já contratei alguém para que ajude no restaurante. Ele vai começar na segunda-feira.”

“Avisa-me, quando marcar a cirurgia?”

“Sim, Mamãe. Prometo-te que o farei.”

“Seu pai, que Deus o tenha no céu, sentia-se como um homem novo depois da angioplastia. Tenho certeza de que também será com você. Mas isso não é tudo. Sabe? Deve aprender a se cuidar melhor.”

“Eu sei mamãe. É por isso que estou tentando encontrar alguém que possa se encarregar do restaurante. Ter mais tempos livre me ajudará.”

Sua mãe suspirou no telefone. “Amo-te. É o trabalho de uma mãe preocupar-se.”

“Eu sei. Amo-te também.”

“Pode marcar a consulta com o cardiologista e me avisar. Quanto mais cedo compre a passagem, mais barato me sai.”

“Eu compro sua passagem. Já te disse isso.” Erico sorriu. Essa era uma batalha entre eles. Erico tinha conseguido ter uma saudável conta de economias, mas sua mãe se recusava a receber ajuda para pagar seus gastos.

Rosa fez um ruído com sua garganta. “Não necessito que meu filho me cuide. Apenas me ligue quando marcar a consulta.”

“Farei isso. Telefono depois, mamãe.” Erico desligou o telefone e se recostou em sua cadeira negra de couro. Duvidava que chegasse alguém para jantar, mas decidiu que seria melhor limpar-se. Alegrava-se por ter um guarda-roupa completo no armário de seu escritório.

 

Jay estava olhando através de sua janela o ‘La Canoe’. Sentia um entristecedor desejo de desculpar-se com Erico pelas ações da noite anterior. Quando chegou a sua casa, se deu conta que se precipitou nas conclusões. A declaração de Erico de que tinha lutado para manter suas mãos longe de Jay, tinha-o deixado em completo choque.

A única coisa que o manteve em seu apartamento foi o medo do que pudesse acontecer se visse Erico de novo. Conhecia a reputação de Erico, como todos. O homem era o playboy de Cattle Valley. Jay se perguntava se sua solidão e a atração de Erico eram o suficientemente profundas para conduzi-lo dos braços à cama do formoso homem.

Já tinha passado perto de um ano desde que sentiu a calidez da invasão do pênis de um amante. Para alguém que era sexualmente ativo dos quinze, o período de seca crispava seus nervos. Ter um namorico seria tão ruim? Sabia que teria que manter a relacionamento para si mesmo. Ethan poderia ter uma fodida depressão, se soubesse que Jay tinha deixado que Erico o fodesse.

Jay ainda não sabia por que Ethan odiava tanto Erico. Cada vez que perguntava a Ethan a respeito disso, seu amigo mudava de assunto ou dizia algo como que Erico não era melhor que um cão procurando uma cadela quente.

A imagem de Erico fodendo-o ao estilo cachorrinho chegou a sua mente, fazendo que o pênis de Jay estivesse tão duro como uma rocha. Sim. Pensou que possivelmente dois round com Erico pudesse arranhar o comichão que tinha tido durante meses.

Comprovou que o caro veículo de Erico continuava estacionado em seu lugar de sempre ao lado do restaurante. Sem outros carros à vista ele sabia o que ia fazer, agora era o momento. Com sua resolução feita saiu do quarto. Verificou a roupa de seu armário e sorriu. Apesar de que não tivesse muito dinheiro extra para comprar roupa, tinha encontrado ofertas na internet. Não se incomodava usar roupa usada, enquanto seu dinheiro lhe permitisse formar seu guarda-roupa. Escolheu uma das camisas que tinha conseguido em um desses lugares. Tinha comprado num impulso. Não podia imaginar que alguém em Cattle Valley fosse capaz de vestir uma impecável camiseta de seda branca, no momento que a viu, sabia que era a necessária para isso.

Jay mordeu seu lábio inferior e pegou a camiseta. Antes de mudar de idéia, tirou o preço da loja da camiseta e vestiu sua branca e ajustada camiseta. Quanto mais a olhava mais gostava, queria ver o efeito completo tirou suas calças folgadas e vestiu uns jeans velhos ajustados. O jeans rasgado lhe ajustava como uma segunda pele e tinha certeza fazia um grande contraste com a cara camiseta.

Entrou no banheiro, ligou a luz e se olhou no espelho. “Você é uma putinha.”

Cobriu sua boca com a mão, enquanto ria. Que diriam os bons cidadãos de Cattle Valley dele se o vissem agora. Embora soubesse que conheciam muitos de seus segredos sexuais, duvidava que alguém suspeitasse que tivesse sido um prostituto, apenas para dar prazer sexual.

Depois de rapidamente arrumar o cabelo e uns toques de maquilagem, Jay estava preparado. Esperava como o inferno não fazer nada ridículo desta vez. Enquanto o humor de Erico estivesse sob controle, pensava que estaria seguro com o homem.

As lições de autodefesa que Mario tinha lhe dando estavam em caminho de fazer dele um homem forte, entendia tudo isso quando tentasse de afastar um atacante. Jay sabia que devia lhe colocar uma joelhada nas bolas ou pressionar os olhos com seus polegares. Duvidava poder fazê-lo, mas ao menos sabia que poderia fazê-lo se precisasse. Além disso, se Erico quisesse machucá-lo, provavelmente teria feito na noite anterior, quando Jay se zangou.

Antes de deixar o apartamento, Jay entrou no quarto e pegou sua velha camisola cinza. Imaginou que era melhor não anunciar o propósito de sua visita imediatamente.

Sorriu quando fechou o apartamento. Erico era provavelmente o tipo de menino que gostava de sentir que estava no comando. Jay poderia deixar ao formoso homem feliz deixando que acreditasse se era algo que necessitava.

Em vez de colocar um chapéu, Jay colocou sua jaqueta e acomodou a boina sobre sua cabeça e correu cruzando a rua até o ‘La Canoe’. Ficou levemente surpreso de ver o sinal de aberto na porta, quando a empurrou e entrou.

“Em um momento estou aí.” Erico gritou.

Jay tirou o casaco e acomodou seu duro pênis nos ajustados jeans. Pôs suas luvas dentro do casaco e esperou.

Erico saiu de um canto e sorriu quando viu Jay.

“Vim me desculpar.” Sua resolução se veio abaixo dramaticamente. Isso acontecia sempre com ele. Quando decidia mostrar sua puta interior e algo acontecia que destruía sua confiança. A expressão de confusão na cara de Erico fez com que Jay se sentisse um idiota.

“Imaginei que nunca poria um pé aqui de novo.” Erico murmurou.

Jay se encolheu de ombros. “Sou suficientemente crescido para admitir quando me equivoco.”

“Como estão suas costas?” Erico perguntou.

“Estão bem. Alguns hematomas, mas o raspão não foi tão ruim.”

Erico apontou para a cozinha. “Envolvi o resto de seu filé. Quer levar?”

Jay assentiu. “Posso te acompanhar, se não se incomodar.”

“Uhh, claro.”

Jay seguiu Erico à cozinha. Quando esteve atrás do homem que notou os cachos da nuca de Erico úmidos. Evidentemente acabava de sair da ducha ou estava trabalhando e suou. Jay passou sua mão frente a seus jeans. Ambas as imagens renovaram sua resolução de seduzir o homem sem inclusive conhecê-lo.

Enquanto entravam na cozinha, abriu alguns botões de sua camisa. Mesmo que ele não o tomasse. Abriu a frente o suficiente para seduzir Erico com a pele que se via através do tecido. Apoiou-se na mesa e centrou seu olhar no traseiro de Erico.

Erico se girou e quase deixou cair o pacote de alumínio. “Linda camiseta.”

Jay sorriu e abriu sua camisa completamente. “Você gosta?”

Com a boca meio aberta Erico assentiu. “Muito.”

Jay se encolheu de ombros e deixou cair a jaqueta ao chão. Tinha se visto no espelho e sabia exatamente o que Erico estava vendo. Seus pequenos mamilos castanho escuro, aparecendo através do tecido transparente, os olhos de Erico pareciam presos a eles.

Erico levantou a cabeça para olhar os olhos de Jay. “Que está fazendo?”

E BAM, só com isso a confiança de Jay saiu do restaurante e se foi de retorno ao seu solitário apartamento. Inclinou-se e levantou a jaqueta do chão. “Eu… uh…”

Antes que Jay pudesse dar um passo em direção da porta, Erico o alcançou e colocou sua mão ao redor da parte detrás do pescoço de Jay segundos antes que suas bocas se unissem. Isso foi como a explosão que ambos esperavam para iniciar a paixão entre eles.

Repentinamente Jay não podia estar o bastante perto para ter sua língua profundamente dentro da boca de Erico. Suas mãos agarravam a camisa de Erico apartando a de sua pele. “Tire, tire.”

Erico rasgou sua camisa abrindo-a. Os botões saltaram contra a superfície de aço inoxidável da cozinha industrial. Jay passou seus dedos pelo peito levemente peludo enquanto de novo devorava a boca do homem.

Jay estava completamente fora de sua cabeça com a grande restaurada luxúria. Queria ser despido, queria ser fodido, e mais que tudo, queria ser desejado. Fortes braços o levantaram do chão e o sentaram à mesa de preparação.

Jay abriu suas pernas e se permitiu ser empurrado de costas sobre a fria superfície de metal. Sabia que ele ia ser um suculento festim para o chef e felizmente lhe dava a bem-vinda aos lábios e a língua de Erico em sua pele.

“É fodidamente sexy.” Erico grunhiu, enquanto lambia o mamilo através da camiseta.

Jay olhou para baixo e gemeu enquanto Erico tomava o outro duro mamilo deixando o primeiro visivelmente claro no agora transparente tecido. Ele passava seus dedos através do encaracolado cabelo castanho de Erico.

Erico levantou o olhar e olhou fixamente Jay. Jay podia dizer que Erico estivesse marcado pela luxúria como ele estava, mas havia algo mais no olhar desse homem. Era quase como se lhe preocupasse ir muito rápido. Sabia que Mario tinha falado com Erico e começava a perguntar-se que exatamente lhe havia dito seu amigo ao chef.

“Não vou quebrar-me.” murmurou-lhe passando seus dedos por um lado da bochecha de Erico.

“Não quero te machucar.” Erico murmurou, capturando os dedos de Jay e levando-lhe a sua boca, dando uns beijos a cada um antes de liberá-los.

Jay pegou respirou profundamente quando a mão de Erico foi à frente de seus jeans. Em lugar de imediatamente desabotoar as calças de Jay, Erico se inclinou e roçou com seus lábios a pele acima do cinto dos jeans.

“Tão sexy” Erico gemeu de novo, abrindo o botão superior dos jeans de Jay. Tomava seu tempo, lavando cada centímetro de pele que descobria com beijos e lambidas.

O pênis de Jay estava tão duro que começava a ser mais e mais doloroso conter sob o jeans. “Por favor.” ele pediu.

Erico continuou tomando seu tempo, mas pegou o pênis de Jay e o manipulou tirando-o de sua posição ao frio ar da cozinha. “Melhor?”

Jay suspirou. “Não faz idéia.”

Com uma suave risada, Erico pegou a cabeça do pênis de Jay em sua boca.

“OH, Merda!” Jay alcançou e abaixou seus jeans fora do caminhou. Havia algo na quente boca que tomava seu pênis que estava levando Jay à loucura. Erico era o melhor dos que o chuparam e também malditamente comprido.

Jay chutou seus jeans, tentando estar completamente livre. Sem perder o ritmo Erico tomava seu tempo, Jay estava completamente nu. Colocou seus pés na beira da mesa e abriu as pernas, convidando Erico a explorar.

A sutil raspagem dos dentes de Erico contra as sensíveis veias que percorriam o pênis de Jay quase o jogou de orbita. “OH, Merda!”

Erico grunhiu ante a intervenção e retirou sua boca do pênis de Jay o suficiente para cuspir em sua mão.

Jay segurou a respiração, sabia o que Jay planejava fazer com a saliva lubrificando seus dedos. Agarrou-se na beira oposta da mesa. “Faça.”

Os lábios de Erico envolveram o pênis de Jay, enquanto o golpeava o enrugado buraco do traseiro de Jay. Com a ponta do primeiro dedo empurrou para seu interior, o corpo de Jay se arqueou.

Mais. O solitário dedo somente servia para seduzir o buraco de Jay com a promessa de mais. O ardor do segundo dedo deslizando-se em seu interior fez que as bolas de Jay se preparassem. Queria o pênis que ainda estava dentro das folgadas calças de Erico.

“Foda-me.” ele gritou.

Erico liberou o pênis de Jay e negou. “Não tenho as coisas.”

Jay freneticamente apontou com sua mão. “No bolso traseiro.”

Erico retirou seus dedos do traseiro de Jay e pegou os jeans do chão. Jay se sentou e procuro dentro da frente das calças de Erico. Deslizou-se rapidamente, Jay abaixou o fechamento e cuidadosamente pegou o monstro tentando se liberar da boxer de Erico.

Sabia. Uma vez exposto o pênis de Erico o contemplou. Comprido e grosso, a pele de seu pênis era muito mais ricamente escura que a pele de Erico. Enquanto Erico rasgava o pacote da camisinha, Jay pegou sua oportunidade de provar o pré-sêmen que descia pelo eixo de Erico.

Por um luxurioso momento, Erico permitiu Jay saborear o grande pênis antes de retirá-lo. “Fique em pé.”

Sentindo as pernas como de borracha, Jay sabia que não tinha opção a mesa era muito alta para foder.

Erico o ajudou a descer da mesa e girar-se.

Jay esticou seu traseiro e descansou seus braços e cabeça na brilhante superfície de trabalho. Ouviu Erico cuspir de novo, esta vez o quente fluido foi diretamente ao buraco de Jay. “Dê-me isso.”

“Gostosamente.” Erico grunhiu, pressionando a cabeça do pênis contra o enrugado buraco de Jay.

Jay se sustentou quando a bulbosa cabeça passou o anel de músculos. Seu corpo inteiro zumbia como o fogo, quando levantou seu traseiro. Com um firme agarre pelos quadris de Jay, Erico lentamente se deslizou no interior.

Um momento depois, Jay estava assustado de ter que dizer ao homem que esperasse, apenas apertou os dentes e tolerou a dor, sabendo o que estava do outro lado. Quando sentiu o golpe das bolas de Erico contra sua pele, soube que o homem estava completamente dentro.

Uma vez que as mãos de Erico roçaram o peito de Jay e seus duros mamilos. Jay girou a cabeça e procurou o beijo que desesperadamente necessitava. Isso foi torpe e envolveu mais língua e lambidas que beijo verdadeiro, mas foi quente como o inferno e era como Erico.

“Foda-me duro.” Jay murmurou.

As sobrancelhas de Erico se uniram. “Não quero te causar hematomas”

“Marque-me de negro e azul.” Jay lhe ordenou quando sua necessidade ameaçava ultrapassá-lo.

A respiração de Erico se acelerou ligeiramente, antes que empurrasse seu pênis e golpeasse com toda sua força profundamente dentro do buraco de Jay. Jay liberou um grunhido de satisfação, enquanto se movia. Seu corpo poderia ser magro, mas podia tomar uma dura fodida como qualquer um. Amava o duro. Era só um pouco de dor, quando seus homens sabiam entrar incontroláveis dentro, perdendo o controle.

Jay queria esse controle. Procurava levar seus amantes à loucura com seu corpo. Seu único problema era encontrar um amante que fosse o suficiente louco na cama, mas o bastante normal fora da cama.

Jay tinha a esperança de que Erico o levantasse do chão com cada impulso que o homem maior lhe dava. Quanto tempo tinha passado desde que tinha posto seu traseiro a ser penetrado da maneira em que o estava recebendo. Possivelmente nunca, um tapa rapidamente o trouxe de retorno à terra.

“De novo.” Jay pediu.

Outro tapa seguiu causando uma ligeira dor nas lesões causadas a noite anterior.

“OH, merda!” ele gritou quando seu pênis fez erupção. Algo da quente semente se derramou na superfície de aço inoxidável, fazendo um erótico deslizamento.

“Você gosta disto?” Erico lhe perguntou com um grunhiu.

Antes que Jay tivesse tempo de responder, Erico levantou os pés de Jay do chão com uma série de rápidos empurrões, finalmente se enterrou até o punho antes de gritar o nome de Jay.

Jay conseguiu baixar os pés ao chão antes que Erico paralisasse contra suas costas. Jay podia sentir o pêlo do peito de Erico raspando contra sua pele sobre o raspão da noite anterior e seu pênis ameaçava endurecendo-se de novo.

Jay sorriu. Sim, ele podia definitivamente acostumar-se a montar o pênis de Erico umas duas vezes na semana, durante alguns meses.

Notou que a respiração de Erico mudou e começou a perguntar-se se o homem tinha adormecido. “Precisa sair, antes que adormeça.”

Erico se deslizou ao piso e Jay se endireitou e se girou. Erico estava completamente pálido e suas mãos sustentavam seu peito.

Sinais de advertência soaram na cabeça de Jay. Ajoelhou-se ao lado do homem que o havia fodido ficando inconsciente. “Está bem?”

Erico negou. “Pílulas em minhas calças.” Erico ofegou com o queixo tenso.

Que droga? Jay levantou as calças de Erico e tirou uma pequena caixa chapeada de comprimidos. Abriu o pote e tirou um comprimido. Sabia exatamente o que eram essas coisas sua avó as tinha usado durante os últimos anos de sua vida. Nitro-glicerina. Que infernos tinha acontecido?

 

 

                             Capítulo Três

 

Depois de ajudar Erico a chegar ao sofá de seu escritório, Jay retornou à cozinha e recolheu sua roupa. Ainda não sentia correto não chamar o 9-1-1, mas Erico insistia que estava bem.

Jay rapidamente foi ao banheiro, antes de vestir-se. Levantou a roupa de Erico e voltou ao escritório. Essa era uma situação completamente única para ele. Nunca tinha tido um sexo tão fantástico, só que seu amante tinha algum tipo de angina de peito. Sentou-se no piso ao lado do sofá. “Há algo que possa fazer por você?”

Erico sorriu e roçou um lado do rosto de Jay com o dorso da mão. “Só preciso ficar deitado uns minutos, estarei bem.”

Jay girou sua cabeça e beijou os carinhosos dedos. “Não sabia…”

Erico negou. “Ninguém sabe. Bom, exceto Isaac, mas ele prometeu guardar segredo.”

“Por quê?” não tinha sentido para Jay. Se Erico tinha problemas cardíacos, deveria alguém saber em caso de que necessitasse assistência.

Erico sorriu. “Não vai bem tendo gente ao redor. Se os poucos amigos que tiver se inteiram, eles estariam todo o tempo sobre mim, para que fizesse algo”

“Porque não o faz? Quero dizer tem feito algo.”

“Estou tentando. Preciso realizar um procedimento, mas não posso fazê-lo se estou preocupado com ‘La Canoe’. É pelo que tinha estado insistindo para que trabalhasse comigo.” Erico explicou.

Jay rompeu o contato. Não somente se sentia uma merda por ter rechaçado Erico em cada oportunidade, mas sim sempre esperou que a oferta do trabalho fosse porque Erico se sentia atraído por ele. “Então você realmente me quer na cozinha não em sua cama.” o conjeturou.

Ainda nu Erico lentamente se sentou. “Quero-te em ambos os lugares. Ainda o quero, entretanto renunciei ao sonho de que trabalhasse para mim. Esta manhã eu contratei a um chef. Deve chegar no domingo e começar a trabalhar na segunda-feira.”

Jay tentou afastar as faíscas dos ciúmes. Era bem conhecido na cidade que Erico fodia seus chef regularmente. “Então já não me necessita mais.”

Erico se inclinou e descansou sua mão na coxa de Jay. Puxou Jay para ele. “Vêem aqui.”

Apesar de que Jay freqüentemente desfrutava de aconchegar-se depois de uma fodida, duvidava que Erico estivesse fisicamente preparado para isso. “Não acredito que seja boa idéia.”

“Merda. Vivi com esta condição até agora. Estou bem, me acredite.”

Jay se uniu a Erico no sofá. Vacilava em tocar ao homem, preocupava-lhe causar outro ataque de angina.

Erico não tinha nenhuma dúvida e puxou Jay a seu colo. Jay se acomodou com as pernas aos lados de Erico.

“Não tive oportunidade de dizê-lo antes, mas... wow!” Erico riu. “Acredito que finalmente encontrei um par no departamento de fodidas.”

Apesar do cru, Jay aceitou o cumprimento. “Posso facilmente dizer o mesmo de você.”

Erico lhe deu vários suaves beijos nos lábios de Jay. “O que quero saber é o que aconteceu ao tímido menino que se faz passar todo este tempo como Jay De Luca?”

Jay sorriu. Sabia que era uma pessoa difícil para a maioria das pessoas. Era sua natureza ser modesto, mas porque teria que levar essa particular personalidade ao quarto? “Acredito que todo homem desfruta de um bibliotecário fora do quarto e uma puta dentro”

Erico riu. “Sim, gostamos, simplesmente não costumam vir juntos.”

“Bom, tem-nos agora.” Jay comentou orgulhosamente. “Amo o sexo e uma vez que seu coração seja reparado, eu gostaria de me ocupar desse lado de mim, mais freqüentemente.”

Jay começou a preocupar-se de que Erico pudesse pensar que ele queria mais do que realmente queria. “Não se preocupe. Não estou procurando um namorado, só um companheiro para foder.”

Erico enrugou a testa. “Porque não um namorado?”

“Os namorados querem te controlar, eu nunca permitirei a ninguém que me controlem novamente.”

Erico circulou um dos mamilos de Jay através da fina camiseta que ele tornou a pôr. “As pessoas tentam tomar o controle só se você os deixar. Não somos todos iguais.”

“Isso é pelo que eu nunca vou lhes dar uma oportunidade. Não. O sexo está bem sem toda a merda que vem com isso.” Jay se inclinou e empurrou sua língua dentro da boca aberta de Erico durante uns momentos antes de apartar-se. “Eu gostaria de mantê-lo em segredo se não se incomodar.”

“Uma razão em particular?” Erico perguntou. Pressionando o traseiro de Jay.

Jay sabia que Ethan odiava Erico e isso era uma grande razão, isso poderia ser um problema para ambos. Além disso, se as pessoas da cidade os encontravam começariam a considerá-lo par de Erico, e Jay não queria isso. “Eu gosto da idéia de ter um amante secreto. Põe-me duro pensar em todas as saídas furtivas para montar seu pênis em um instante.”

Erico abriu os olhos amplamente. “Relações secretas? Eu gosto da idéia.”

Jay lambeu o pescoço de Erico. “Então que procedimento necessita, antes que possamos fazer todas as coisas imorais que quero fazer?”

“Angioplastia. Eles querem limpar umas veias. O tempo de recuperação não é mau.”

“Sim, mas quanto tempo passará para que possa me foder como fez há momentos?” Jay perguntou.

“Deveria ser capaz de foder em uns dias, mas como o fiz faz alguns instantes, provavelmente leve duas semanas até estar totalmente recuperado.”

Jay se perguntava quanto demoraria Erico a retornar a seu trabalho e começar a foder o novo chef. Não sabia por que lhe preocupava isso. Mas lhe preocupava. “E o novo chef, qual é seu nome?”

“François.” Erico respondeu.

“Planeja foder com ele?” Jay perguntou diretamente.

“Não. De fato lhe disse que nossa relação seria puramente profissional.”

“Porque havia necessidade de dizer isso quando recém o contratou?” Jay não podia imaginar o tipo de entrevista onde o tema do sexo saísse à luz.

“Quando o entrevistei ele se insinuou. Essa foi uma das razões pela que não o contratei alguns meses atrás, quando se candidatou a primeira vez.” Erico explicou.

“Então, que faz diferente a este tipo dos outros chef que fodia?” Jay tinha que perguntar.

“Não tinha acesso a seu traseiro, então. Espero ter agora.”

Jay assentiu. “Está bem. Eu posso desfrutar de ser uma puta, mas eu não fodo a mais de uma pessoa. Espero o mesmo de meu par.”

Os dedos de Erico começaram a roçar as nádegas de Jay. “Não tenho nenhum problema com isso, há outro assunto que temos que falar. Minha mãe virá à cidade por alguns dias quando o procedimento se realize.”

Jay fez gestos. “Não é bom. Não agrado às mães. Permanecerei fora enquanto a sua mãe esteja na cidade.”

“Tolices. Quer que sofra de bolas azuis, enquanto ela esteja aqui?”

Jay sorriu e negou. “Não podemos permitir isso.”

“Não, não podemos. Além disso, minha mãe é agradável. E ficará um longo período.”

Jay sacudiu a cabeça. Sabia que não havia maneira. “As mulheres não entendem que um homem use maquilagem, especialmente as mães. Acredito que lhes recorda muito que a seus filhos gostam de chupar pênis.”

Erico começou a rir e puxou Jay ao seu lado no sofá. “Fique esta noite.”

Jay não tinha certeza se era adequado. Isso era o começo de ser um casal. Sabia que não deveria deixar que Erico o fodesse de novo, depois do episódio anterior. Se eles não podiam foder, qual era o ponto de ficar. Por outro lado, possivelmente Erico estivesse nervoso de ter outro episódio estando sozinho no restaurante.

“Bem, fico pelo resto do dia.” finalmente respondeu.

Erico começou a beijar o pescoço de Jay. “Bom, tenho toda à tarde para te convencer que fique a noite.”

 

Jay viu o táxi frente à padaria cruzando a rua. Ficou olhando da janela quando Ethan saiu do táxi e esperava que o motorista tirasse sua mala do porta-malas.

Ethan viu Jay na janela de seu apartamento e lhe cumprimentou com um gesto da mão.

Jay se afastou da janela e pegou seu casaco, boina e luvas antes de sair. Tinha passado uma semana desde que Ethan tinha ido a Virginia passar o Natal com seu pai. Enquanto ele descia as escadas seu corpo lhe recordou suas atividades dos dias anteriores com Erico. Ele não só tinha passado à noite, mas ficou até depois da meia-noite. Jay estava feliz consigo mesmo por ter força para retornar a sua casa quando havia dito.

“Hei!” Ethan gritou a Jay.

Jay esperou que o táxi se afastasse e abraçou seu amigo. “Como foi sua viagem?”

“Tudo bem. Claro o táxi quase acaba com minhas economias do banco, mas valeu à pena”.

Jay ajudou seu amigo com uma das malas pequenas e seguiu Ethan ao interior. Subiu os degraus da padaria e esperou que Ethan abrisse a porta.

Quando entraram, Ethan rapidamente cruzou a pequena sala e ligou a calefação. “Com certeza não senti saudades da neve.”

“Virginia também tem neve.” Jay recordou a Ethan.

“Sim, mas nada comparado a isto.”

Jay se encolheu de ombros. “Não é tão ruim. Eu realmente desfruto do descanso do trabalho.”

Ethan deu a Jay um olhar de soslaio. “Aconteceu algo interessante enquanto estive fora?”

Droga! “Não. Porque pensa assim? Olhe ao redor a cidade esta virtualmente vazia.”

Ethan o olhou por um momento antes de apartar o olhar. “Qual o horário que precisamos estar no hotel?”

“Chad vem nos pegar às seis. Ele até reservou um quarto para nós, leva uma bolsa para passar a noite.” Essa era a parte mais excitante da tarde para Jay. Nunca ficou em um hotel que não precisasse pagar por horas.

“Depois dos oitenta dólares que paguei ao táxi por me trazer do aeroporto, estou quebrado.” Ethan comentou.

Jay sacudiu a cabeça. “Não. É completamente grátis. É parte do pagamento por trabalhar cuidando dos meninos durante a festa.”

“OH. Bom, nesse caso é lindo.” Ethan disse entre bocejos.

“Bom te deixo, para que durma uma sesta. Necessitará toda sua energia depois.”

“Aceito sua oferta.” Ethan se estirou e bocejou de novo. “Vemos-nos antes das seis?”

“Claro.” Jay lhe disse adeus com a mão e saiu.

Quando esteve na calçada, olhou para a janela de Ethan para assegurar-se que seu amigo não o estivesse olhando e correu para a calçada do ‘La Canoe’. Não sabia se Erico teria tempo para vê-lo, mas valia à pena arriscar-se.

 

Erico colocava as últimas costelas no forno, quando ouviu alguém entrar no restaurante. Olhou o relógio e franziu o cenho. Seus empregados chegariam dali a uma hora.

Fechou a porta do forno e desamarrou seu avental, deixando-o na mesa de preparação.

“Olá?” ele gritou da porta da cozinha.

“Sou eu.” Jay respondeu, entrando do restaurante, na área do bar.

Erico sorriu e abriu os braços. A raiva de Jay se fora a noite anterior, mas tinha mantido sua boca fechada.

Jay caminhou direto aos braços de Erico e o beijou.

Jay deslizou a língua contra a de Erico sem pretender aprofundar, apenas seduzir. Não havia problema. O pênis de Erico ficou duro em questão de segundos. Pressionou sua ereção contra a de Jay, quando o beijo aumentou de intensidade fodendo a boca.

Separando-se para tomar ar, Erico olhou para os olhos castanhos que ele tinha sonhado toda a noite. “Lindo. Que te traz por aqui?”

“Saí para receber Ethan que retornou a casa. Pensei me deter te desejar Feliz Ano Novo com um beijo agora que tinha oportunidade.”

“Mmm.” Erico gemeu, esfregando seu pênis contra Jay. “Feliz Ano Novo.”

Os compridos e elegantes dedos se trancavam no cabelo de Erico, enquanto olhava o salão. “Espera uma multidão esta noite?”

“Não. Somente trabalhamos até as nove. Temos apenas perto de quinze reservas.” Ele se inclinou para outro beijo. “Claro isso significa que terminarei mais cedo, quer vir?”

“Não posso. Lembra que te disse que trabalharia cuidando das crianças. Chad alugou um quarto para mim e Ethan para a noite.”

“Bem então eu vou até você.” Erico disse beijando o comprido pescoço de Jay.

Jay se estremeceu. “Não pode, compartilho quarto com Ethan.”

Erico sentiu como se o tivessem golpeado. Envolveu Jay em seus braços apertando mais forte e o olhou em seus olhos. “Compartilhar igual a compartilhar?”

Jay sorriu e negou. “Compartilhar igual dormir em um mesmo quarto com camas separadas.” Jay mordeu o lábio inferior de Erico. “Se eu quisesse foder com o Ethan, poderia estar fazendo agora.”

Erico se sentiu melhor que Jay ficasse no hotel, mas odiava pensar em passar sozinho o fim de ano. “Tem certeza de que não poderá afastar-se alguns minutos? Posso ir ao Grizzly Bar depois que fecharmos o restaurante.”

Jay acariciou com seu nariz o pescoço de Erico. “Duvido. Vai abrir amanhã?”

“Não. Pensei ir para casa e lavar algo.” Erico não pôde esconder a desilusão em sua voz. Não podia evitar se perguntar se Jay realmente não poderia escapar ou Jay se assustava que o vissem com ele.

“Posso vir?” Jay perguntou.

“Claro. Quer que te pegue?” Erico ofereceu.

“Não é necessário, não é longe.”

Erico entrecerrou os olhos. “É por isso que o faz ou não quer que lhe vejam comigo?”

Jay sorriu. “Em parte. Ser alguém, com uma longa lista de homens da cidade aos que fodeu, não é exatamente algo que me agrade.”

Erico liberou Jay e deu um passo para trás. “Sente vergonha em estar comigo?”

Jay negou. “Não disse isso. Se soou dessa forma, me desculpe. Apenas quero que estejamos juntos, não que toda a cidade murmure sobre isso. Isso é tudo.”

Apesar de rezar que Jay estivesse dizendo a verdade, Erico ainda tinha suas dúvidas. Quando Jay o abraçou e se aconchegou contra Erico, Erico admitiu sua derrota. Não sabia se poderia ser capaz de zangar-se com Jay por muito tempo.

“Estava pensando que tenho outra semana livre, e me perguntava se poderia te ajudar com o chef novo antes que vá. Ao menos o tempo suficiente para que se estabeleça.”

“Parece bom. Telefonei para o médico e ele me disse que pode realizar o procedimento dia cinco, mas provavelmente devo me internar dia quatro para fazer os exames de sangue e outros.”

Jay assobiou. “Uau. Tão cedo?”

Erico se encolheu de ombros. “Ele espera por há meses. E agora que eu lhe pedi uma data, ele marcou. Minha mamãe chegará também dia quatro. Vou ao aeroporto de Sheridan pega-la antes de me internar no hospital.”

“Se eu conseguir um carro emprestado, posso te visitar no hospital.” Jay disse.

“Minha mãe ficará em minha casa. Com certeza que não se incomodasse em te levar.” Erico ofereceu.

Jay tinha deixado claro que não queria ficar perto da mãe de Erico, mas Erico sabia que sua mãe não se incomodaria. Ela tentaria ser a mãe de Jay, mas ela certamente não deixaria passar a oportunidade de colocar seu nariz.

“Já veremos.” foi tudo o que disse Jay.

Erico passou suas mãos pelo traseiro de Jay detendo-o nos globos gêmeos que apertou. “Tem certeza que não mudará de opinião sobre esta noite?”

“Tenho certeza, mas passarei dia de amanhã todo com você.”

“E a noite?” Erico pediu.

“Possivelmente.” Jay respondeu, enquanto passava sua mão pela frente da calça de Erico.

 

Com a última costela preparada, Erico decidiu fazer um percurso pela sala de jantar. Viu Nate, Ryan e Rio e imediatamente se dirigiu para eles. “Hei. Como foram de viagem?”

“Bem.” Nate respondeu, tomando um gole de seu vinho tinto. “Lilly pediu para te dizer que não vê a hora de retornar aqui, mas por causa de seu creme brulée.”

“Ela é um doce.” Erico reconheceu.

“Sente-se e bebe um gole conosco.” Nate convidou, indicando a cadeira vazia.

Erico olhou ao redor da sala para assegurar-se de que tudo estava bem, antes de sentar-se. “Tiveram sorte em perder a grande tempestade de neve.”

“O inferno que o fizemos.” Ryan soltou uma gargalhada. “Nós tivemos que dirigir através de toda essa merda, Nate chorava e Rio roncava…” Ryan sacudiu a cabeça. “Apenas te digo que me alegro muito de chegar em casa.”

“Então, como foi seu Natal? Foi para casa?” Nate perguntou obviamente ignorando as queixas de Ryan.

“Não fui para casa, mas minha mãe vem à cidade daqui dois dias, então celebraremos.” Odiava não ter visto suas irmãs, sobrinhos e sobrinhas da semana de páscoa, mas o doutor lhe aconselhou não viajar, além disso, ele precisava cuidar do restaurante.

“Eu gostaria de conhecê-la. Leva-a a prefeitura quando chegar.” Nate disse.

Erico tamborilava seus dedos na mesa. Sabia que tinha chegado o momento de dizer a verdade a seus amigos. “Bom, realmente, ela vem à cidade para me ajudar.”

Nate se inclinou para frente. “OH?”

Erico respirou fundo. “Vou realizar uma angioplastia no dia cinco.” Viu como cada um de seus amigos ficava com a boca aberta.

“Por isso o enjôo e o suor no dia de Ação de Graças.” Rio disse, sendo o primeiro em falar.

“Sim.”

“Que é isso de enjôos e suor?” Nate perguntou golpeando o estômago de Rio. “Porque não disse nada?”

Rio encolheu os ombros e esfregou o estômago. “Eu pensei que fosse gripe ou algo assim.”

“Não é muito jovem para uma angioplastia?” Nate perguntou.

“As enfermidades do coração são comuns em minha família. Todos os homens morreram jovens.” Com uma repentina emoção que ameaçava ultrapassá-lo, Erico sabia que tinha que sair dali. “Será melhor que retorne à cozinha.”

“Espera.” Ryan disse, antes que Erico pudesse deixar a mesa. “Necessita ajuda em algo?”

Erico sorriu, enquanto mordia o interior de sua bochecha. Essa era precisamente a razão por que esperou tanto para dizer a seus amigos. “Não. Já tenho tudo arrumado.”

Antes que pudessem questioná-lo mais, saiu do salão com um sorriso no rosto. Empurrou a porta da cozinha e imediatamente abriu o refrigerador. A sobremesa era o último que faltava servir.

Erico respirou fundo quando ligou o mini maçarico e começou a terminar o creme brulée da maneira que sabia. Enquanto ele trabalhava em cristalizar o açúcar, se deteve várias vezes para secar seus olhos. Maldição!

 

Cansado até os ossos, Jay pegou o telefone logo que Ethan entrou na ducha. Telefonou para o celular de Erico, esperando não incomodar.

“Olá?”

“Estava dormido?” Jay perguntou.

“Hmmm, sim, mas tudo bem. Que bom que ligou.”

“Só queria te dizer Feliz Ano Novo.”

“Obrigado, bebê.” Erico respondeu, sua voz soava profunda e adormecida.

Jay não sabia o que pensar do adjetivo carinhoso. Decidiu deixar quieto. Possivelmente Erico estivesse meio dormindo. “Estava pensando no muito que desejo que esteja enterrado profundamente dentro de mim e por isso te liguei.”

“Mmm, Isso é bom.” Erico gemeu. “Claro que eu teria que começar, por comer esse teu lindo buraco.”

O pênis de Jay ficou dolorosamente duro ante a imagem. “Não. Eu te rogaria que me fodesse com a língua.” Jay começou lentamente a acariciar seu pênis. Ouviu a ducha se fechar, Ethan poderia sair a qualquer momento.

“Está duro?” Jay perguntou a Erico.

“Porra, sim.”

“Tenho-me que ir, fique assim até manhã.”

Erico gemeu. “Vai me matar.”

Jay pensou no episódio com Erico no dia anterior. “Não é divertido.”

“Eu sei.”

“Vemo-nos amanhã.” Jay murmurou.

“Estarei te esperando.”

Jay ouviu a porta abrir-se e rapidamente terminou a chamada, deixando o telefone de novo em sua base.

Ethan entrou no quarto, ainda secando seu cabelo loiro com uma toalha. “Estava falando com alguém?”

Jay negou, enquanto ria. “Provavelmente ainda esteja ouvindo os ecos do quarto cheio de crianças.”

Ethan retirou a toalha ao redor de sua cintura e se meteu na cama.

Jay se girou de lado esperando que seu amigo não notasse sua ereção. “Vi que falava com o novo delegado esta noite, você gosta dele?”

Ethan se deu a volta e ligou o abajur entre eles. “Brian? Tudo bem, ele é uma criança. É a única razão pela que falei com ele.”

“Bem. Ele é uma criança linda. Seu pai é tudo de bom.”

Ethan grunhiu e jogou um travesseiro em Jay. “Não sou um cachorro no cio.”

Jay ria. “Eu não estou falando do que necessita, apenas fiz uma observação. Deve-lhe perguntar isso”.

“Não obrigado. Eu estou bem com meus brinquedos. A última coisa que preciso é um que fale.”

Jay lançou o travesseiro em Ethan. “Os brinquedos não são um substituto aceitável para uma língua ou um pênis e ambos sabemos. Precisa voltar a ter encontros, antes que seja muito velho para levantar alguma coisa.”

Ethan riu. “Sim, olhe quem fala.”

“Hei, eu sou seis anos mais novo que você.” Jay disse, tentando de esquivar o travesseiro. Odiava mentir a seu amigo, mas sabia que ele não poderia manter a amizade e continuar vendo Erico se dissesse a verdade.

Ethan se acomodouu na cama. “Que pena que tenhamos que deixar tudo isto pela manhã. Poderia me acostumar com isto.”

Jay olhou ao redor do quarto. “Sim. Algum dia nós retornaremos para passar todo um fim de semana.”

“Claro, companheiro. Logo que ambos fiquemos ricos.”

Enquanto Jay se encolhia de ombros, pensava em passar um fim de semana com Erico em um quarto frente à lareira. Afastou essa idéia romântica. Vivia no mundo real e o verdadeiro romance só acontecia a alguns sortudos. Jay nunca teve um dia de sorte em sua vida, não podia imaginar porque que as coisas mudariam logo agora.

 

 

                               Capítulo Quatro

 

Jay acabava de deixar sua bolsa para a noite no chão, quando bateram à porta. Voltou e abriu a porta. “Oi.” ele cumprimentou com um sorriso.

“Te vi do restaurante e esperava para te levar para casa.” Erico disse.

Jay deu um abraço apaixonado e o beijou. Ele se abriu imediatamente para dar a bem-vinda à língua exploradora de Erico. Apesar de ter apreciado o tempo com as crianças, decidiu na metade da noite que preveria ter feito planos com Erico.

Erico quebrou o beijo. “Tem roupa quente aí dentro.”

“Por quê?”

Erico sorriu e sacudiu a cabeça. “Não vou dizer é uma surpresa.” Jay recebeu o tapa brincalhão. “Vamos.”

Esfregando seu traseiro, Jay se apressou a ir a sua habitação. Tirando os jeans. Olhou a roupa íntima larga que tinha comprado na primeira semana de inverno. Decidiu seduzir Erico e entrou na sala vestindo apenas a roupa íntima larga. “Tenho que usar camisa?”

Erico quase colidiu com Jay, deitando-o no chão. Jay ria estando sob o grande homem, enquanto Erico mordia e lambia seus mamilos. “Não podemos permitir que estas pequenas belezas se congelem.”

“Ooh.” Jay rapidamente cobriu seus mamilos com as mãos. “Não, não podemos permitir isso.”

“Não, não podemos.” Erico concordou. Depois de outro profundo beijo, Erico se levantou e puxou Jay do piso.

“Porque não me diz aonde vamos?” Jay perguntou.

Erico girou Jay em direção ao quarto e lhe deu uma cotovelada. “É Ano Novo, tempo de experimentar coisas novas.”

Jay se deteve e olhou as costas de seu novo amante. “Está parecendo que é um encontro.” Jay não sabia o que pensar sobre isso.

“Não é um encontro. É uma excursão.”

Uma excursão. Jay assentiu. “Bom, então tudo bem.”

 

Erico parou em um sinal vermelho. Uma alta colina estava frente a eles. Era óbvio que era uma pista para descidas, Erico estava agradecido de que estivesse deserta nesse momento. “Bom, que pensa?”

“Eu… penso que é uma grande colina.” Jay respondeu confuso.

Erico riu e lhe deu um rápido beijo. “Tem razão. Vamos.”

Erico saiu do veículo abriu o porta-malas e tirou um brilhante escorregador azul. Caminhando frente do veículo, bateu no teto. “Vem?”

Jay abriu a porta. “Escorregar? Sério?”

“Sim. Por quê? Não me diga que não desfruta descer zumbindo a colina coberta de neve à velocidade da luz sobre uma fina coberta de plástico”

Jay se inclinou contra o capô do veículo. “Acredito que não escorrego desde que tinha dez anos. Tem certeza que quer subir nisso?” Jay sorriu, seu rosto se iluminou. “Já não é mais uma criança.”

“Morda a língua.” Erico riu. E ofereceu a mão e esperou que Jay se unisse a ele.

Ambos subiram a colina, levando o escorregador azul brilhante com eles. Quando chegaram ao topo, Erico sentou-se na parte detrás do escorregador deixando espaço na frente para Jay. “Coloca essa linda bundinha aqui e me deixe te levar a montar.”

Jay se sentou escarranchado no escorregador e lentamente abaixo seu traseiro no ninho entre as pernas abertas de Erico. Erico não pôde evitar gemer, quando sentiu o rebolado de Jay contra seu frio, mas ainda saudável pênis.

“Pronto” Jay disse.

“Se segure em minhas pernas.” Erico disse ao ouvido de Jay. Colocou suas mãos na neve e se empurrou a beira da rampa. Com um último e mais poderoso impulso o escorregador se deslizou costa abaixo.

O cabelo de Jay golpeava a cara de Erico. E Erico não se incomodou nem um pouco. A fascinação do jovem pagava com acréscimo qualquer aborrecimento causado pelo açoitamento de seu cabelo em seu rosto ou por seu ossudo traseiro contra seu endurecido pênis.

Erico envolveu seus braços ao redor da cintura de Jay, enquanto deslizavam até parar.

“Isso foi fantástico!” Jay gritou.

“Sim, foi”, Erico adicionou. Em vez de levantar-se imediatamente, Erico levou um momento para saborear a sensação de ter Jay em seus braços. Tinha passado muitos invernos em Cattle Valley e nunca desfrutou de um só momento como o que acabava de desfrutar deslizando-se pela colina.

“Podemos fazer de novo?” Jay perguntou.

“Claro. Podemos fazer todo o dia se quiser.”

Jay saiu do escorregador e ficou em pé. “Apesar de que isto foi genial, há um montão de coisas que quero fazer contigo hoje.”

Erico seguiu Jay e se colocou em pé na fria neve. “Fazer o quê?” Pressionou seu pênis contra Jay.

“Sim.” Jay remexeu seus quadris. “Isto envolve grandes bolas.”

“Mmm, eu gosto disso.”

Jay lançou uma bola de neve à cara de Erico. “Bem, porque não faço um boneco de neve desde que era menino.”

Rindo, Erico sacudiu a neve de sua cara. “Um boneco de neve? Pensei que estava falando de minhas bolas.”

Jay se aproximou e pegou as bolas de Erico. “Dê-me outra viagem pela colina, façamos um boneco de neve e tomarei esta com minha boca quando chegarmos a casa.”

Erico ficou em pé e ofereceu a mão a Jay, puxando-o para seus braços, e o beijou. “Que homem sensato pode discutir com isso?”

 

“Não está enxergando, certo?” Erico perguntou, entrando na sala.

Jay tocou a fenda que Erico tinha lhe posto sobre os olhos. “Não, não vejo nada.”

Erico abaixou a tigela e rapidamente tirou a roupa. Jay já estava gloriosamente nu, sentado com as pernas cruzadas no chão frente à lareira. Depois de tirar a roupa, Erico pegou a tigela e se sentou frente à Jay.

Colocou a colher dentro da fria e cremosa surpresa e a encheu. “Tudo bem, abre a boca.”

Com uma suave risada, Jay o agradou. O simples gesto significava muita confiança para Erico.

Erico o alimentou com o frio creme e esperou pela reação de seu amante.

“Mmm.” Jay gemeu e abriu a boca por mais.

Erico lhe deu outra colherada. “Está bom?”

“Está muito bom.” Jay tirou a atadura. “Tem outra colher?”

Erico lhe deu a colher extra que tinha levado com ele. “Acho que sabe de que é feita?”

Jay pegou outro pouco. “Hmmm, leite e açúcar, claro baunilha. Assumo que ovos.”

“Tem razão, mas deixou fora o ingrediente mais importante.”

Jay enrugou a testa e pegou outro pouco do creme gelado. Parecia que estava fazendo uma lista mental dos ingredientes. Qual é o que falta?”

“Neve!” Erico riu.

“Nem pensar.” Jay disse, empurrando-se contra o peito de Erico.

“Se houver maneira.” Erico continuava rindo. “Sabe qual é a melhor parte a respeito da neve gelada e cremosa?”

“O sabor?” Jay supôs.

Erico negou. “Tem que comê-lo realmente rápido, antes que se derreta porque não pode ser congelado”.

“Neste caso traga a tigela até aqui.” Jay começou a rir. Tinha passado muito tempo desde que Erico tivesse ouvido abertamente a alegria de outro homem.

Quando a tigela ficou vazia, Jay se deitou de costas no tapete e esfregou seu abdômen. “Com certeza não serei capaz de comer ao menos em uma semana.”

Erico deixou a tigela de lado e estendeu um cobertor sobre eles. Passou a mão sobre a pequena protuberância no abdômen de Jay e sorriu. “Com certeza engordou um quilo depois disto.”

O corpo de Jay ficou tenso. Tentou tirar a mão de Erico de seu abdômen, mas Erico se recusou.

Aproximandou-se de Jay, Erico olhou nos olhos. “Pensei que já tínhamos superado isso, mas posso ver que precisamos esclarecer isso de novo. Amo seu corpo, cada afundamento e cada elevação. E sim, cada fodido osso. Não se afaste porque pensa o contrário.”

Jay deixou de tentar retirar a mão de Erico do abdômen. “Sempre achei divertida a maneira como você me vê.”

Depois que eles retornaram da brincadeira na neve, eles tomaram um banho quente juntos. Erico queria lhe dizer nessa ocasião quão diferente Jay se via sem sua maquiagem. Não pior, apenas diferente. E se perguntava se seria bom momento para falar sobre isso. O que queria era que Jay se sentisse mais livre e confiante.

“Posso te perguntar algo?” Erico apoiou sua cabeça na mão e olhou para Jay.

“Não sei. Depende”. Jay respondeu honestamente.

Erico utilizou passou a mão livre sob o olho de Jay. “Quando começou a usar maquilagem?”

A expressão de Jay se nublou. “Você não gosta?”

Erico negou. “Não disse isso. Em primeiro lugar se eu não gostasse não me sentiria atraído por você. É só curiosidade.”

Jay guardou silêncio um momento antes de finalmente falar. “Quando eu era pequeno, minha avó vivia conosco. Ela era minha babá, enquanto meus pais trabalhavam.”

Erico notou o completo olhar de paz na cara de Jay quando falava de sua avó. Sabia que sua avó tinha morrido quando ele tinha quase treze anos, um ano antes que seus pais o jogassem de casa.

“Lembro de estar sentado no lavabo do banheiro, enquanto ela aplicava maquilagem. Perguntei-lhe porque ela fazia aquilo, ela me respondeu que o que Deus não lhe deu, o deu Maybelline[1].” Jay olhou Erico e sorriu. “Minha avó era muito divertida.”

“Eu gosto como se ouve.” Erico comentou.

“Segundo minha avó a maquilagem foi inventada para ajudar às pessoas a se sentirem melhor consigo. Inclusive aos quatro anos eu sabia que queria isso. Perguntei-lhe se algum dia ela me maquilaria. Depois de olhar-me por uns momentos, minha avó me disse que eu deveria me concentrar sempre nos olhos, porque sempre seria meu melhor rasgo. Ela os delineou e aplicou máscara para cílios.”

Jay começou a rir. “Lembro que disse que era incrivelmente injusto que um menino tivesse os cílios tão longos que a maioria das mulheres morreriam por ter.” Jay se encolheu de ombros. “Claro não saí da casa assim, mas sempre que estávamos sozinhos, ela me deixava que fizesse o que necessitasse para me sentir melhor de como me via.”

Erico passou sua mão pela bochecha de Jay. “Sabe que é formoso com ou sem isso, não sabe?”

Jay se encolheu de ombros. “Eu estava na sétima série quando minha avó ficou doente. Uma manhã eu entrei em seu quarto, antes de ir à escola e a maquiei.” Jay olhou Erico nos olhos. “Isso a fazia feliz.”

Erico se inclinou e lhe deu um suave beijo. “Sinto que ela tenha te deixado.”

“Eu, também. Depois que ela se foi, eu retornava da escola a casa e vestia sua roupa e me maquiava. Nós éramos parecidos, e dessa maneira eu sentia que ela continua comigo quando me olhava no espelho. Meus pais nunca entenderam isso.”

“Eles o apanharam? É por isso que lhe expulsaram?” Erico perguntou.

Jay negou. “Não dessa maneira. Lembro de ter chegado em casa e me vestir como de costume depois de um dia ruim na escola. Meus irmãos estavam no outro quarto, eles tampouco me aceitavam.” ele disse, sacudindo a cabeça.

“De qualquer modo, ouvi que eles estavam brigando, não só discutindo, uma briga série, eu saí correndo à sala e tentei separá-los quando meu pai chegou a casa. Ele me viu maquilado e vestido com a roupa da vovó, brigando com meus irmãos e simplesmente explodiu.”

Jay suspirou. “E isso foi tudo.”

Erico podia dizer que Jay estava farto de reviver seu passado. Beijou seu amante de novo e sorriu. “Para deixar registrado, acredito que seus lábios são seu melhor rasgo.”

Jay sorriu e fez um beicinho com seu lábio inferior. “OH, sério?”

Erico se girou em cima de Jay. “Sim, sério.” disse antes de explorar com um profundo beijo.

 

 

                                   Capítulo Cinco

 

Jay esticou seus braços sobre a cabeça e bocejou quando o ruído do liquidificador o despertou. Esfregou os olhos e sorriu. Retirou os cobertores e se sentou na beira da grande cama.

Quando ficou em pé seu corpo começou a protestar, o movimento e o desconforto eram ditosos, lhe recordando as atividades do dia anterior. Embora Erico admitisse que seu corpo não estivesse ao máximo de sua capacidade, Jay sabia que nunca encontraria outro amante que pudesse competir com Erico na intensidade da cama.

Encontrou um grosso roupão de algodão no quarto e se encolheu de ombros, não se preocupou em fechar o cinturão. Uma das coisas que Erico era diferente de seus antigos amantes, era sua necessidade de ver e tocar o corpo de Jay.

Jay chegou à cozinha e viu o chef cozinhando. Encostou-se contra o batente da porta e viu o professor cozinhar. Erico estava ocupado preparando ovos Benedict, sua habilidade como chef se notava em cada movimento que fazia.

“Você sabe que eu só como torradas e café.” Jay disse.

Erico se girou e lhe sorriu. “Esta será provavelmente a ultima vez que eu faço o café da manhã até mais ou menos uma semana, pensei em fazer algo especial.”

Jay caminhou para Erico, seu corpo protestava a cada passo que dava. Odiava recordar a loucura da semana frente a eles. Quando ele tentava perguntar a Erico sobre o procedimento, Erico rapidamente mudava a conversa. Jay podia dizer que Erico estava mais assustado do que admitia, mas não se sentia com direito para falar sobre isso. A relação dos dois era apenas sexual, nada mais.

Enquanto caminhava ao abraço de Erico, suspirou. Apesar de Erico não ser um homem de grandes músculos seus braços faziam Jay sentir-se mais seguro do que jamais tinha sido. Perguntava-se se Erico teria batido em alguém com raiva. Quis lhe perguntar mais de uma vez, mas ele não tinha direito.

Jay passou suas mãos pela suave pele das costas de Erico. Desejou que seu amante não tivesse a calça de seu pijama, mas ao menos seu peito estava nu. “Mmm. Sente-se bem.”

Com sua mão dentro do roupão de Jay, Erico passava ligeiramente seus dedos acima e abaixo das costas e da bunda de Jay. “Nem a metade de bem como você se sente.”

Erico se girou à chama, “Se não terminar isto se arruinará”.

Jay soltou Erico com um rápido beijo. “Deixarei-te trabalhar.”

Erico olhou sobre seu ombro. “Isto não é trabalho para mim, eu amo cozinhar.”

Jay fechou seu roupão e se sentou em uma das altas cadeiras do balcão. “A que hora chega o cara francês ao aeroporto?”

Erico olhou o relógio da parede. “O vôo de Francois chega às onze. Ele vai alugar um carro e chegará à cidade por si mesmo.”

Jay se inclinou contra a negra superfície de granito e apoiou seu queixo na mão. “Ele é quente?”

Erico terminou os dois pratos e os levou ao balcão. “Francois? Sim. Mas já te disse não estou interessado nele.”

Jay notou uma grande diferença entre seus ovos Benedict e o branco omelet de Erico. Isso era outro aviso da saúde de Erico. “Vai dizer ao francês a respeito de nós?”

Erico deteve o garfo a metade do caminhou para sua boca. “Posso, mas pensei que não queria que ninguém soubesse.”

“Tem razão disse isso.” Jay rapidamente emendou.

“Eu seria muito feliz de falar sobre você. Sabe isso, verdade?”

Jay odiava sentir os ciúmes que estava experimentando. Tinha medo de que estivesse querendo Erico mais do que devia. Apaixonar-se por um homem que-amava-e-deixava-aos tipos não era algo inteligente de fazer. Cortou um pedaço de sua omelete e colocou na boca. “OH, diabos, isto é bom.”

“Alegra-me que você goste.” Apesar de Erico sorrir, Jay viu que era forçado.

“Pode fazer isto para mim quantas vezes queira.” Jay pegou outro pedaço, permitindo que o rico molho holandês cobrisse o interior de sua boca antes de engolir.

“Não faça essas declarações se não está preparado para a resposta.”

Embora Erico tentasse dizer de uma maneira brincalhona, Jay podia notar a seriedade no olhar do homem. Jay limpou a boca e tomou um gole do suco que Erico lhe tinha servido. Decidiu mudar de assunto. Ter discussões sobre um futuro juntos era algo que Jay se recusava a fazer. No que concernia a sua vida ele deveria viver o dia a dia. Desejar coisas só lhe tinha deixado desilusões.

“Então quem te ensinou a cozinhar?” Jay perguntou.

Erico pegou um pedaço de seu omelet enquanto pensava na pergunta. “Bom, acho que minhas primeiras lições foram de minha irmã Ana. Meu pai estava quase sempre doente e minha mãe trabalhava. Ana se encarregava do jantar todas as noites. Acho que eu tinha oito anos, quando ela decidiu que era o momento de que eu aprendesse a ajudar.”

Erico tomou um gole de água. “Foi natural me inscrever na escola de chef depois da graduação.”

“Minha avó me ensinou tudo o que sabia. O resto eu aprendi trabalhando na cozinha do hotel em DC.” Jay rara vez tinha compartilhado informação de si mesmo. Estava surpreso do que havia dito a Erico.

Erico deixou o garfo e colocou sua mão sobre o braço de Jay. “Sei que seus pais lhe expulsaram de casa quando era muito jovem. Foi porque é gay?”

Jay retirou seu braço, rompendo a conexão. “Acho que em parte sim. Eles não entendiam um filho que gostava de roubar a maquilagem de sua mãe. Eles disseram que eu era um pervertido e que estavam preocupados de que eu quisesse fazer algo de mal a um de meus irmãozinhos.”

Jay se levantou da cadeira e levou seu prato pelo meio de comida à pia. Não podia acreditar que houvesse dito isso. Ele não era a única pessoa além de sua família que sabia por que exatamente tinha sido expulso por seus pais. A outra pessoa era seu ex-namorado. Randy que tinha usado a informação em inúmeras ocasiões contra ele, ameaçando ir à polícia e dizer que Jay tinha incomodado seus próprios irmãos, isso não era certo claro; ele nunca tinha posto uma mão em seus irmãos.

“Hei.” Erico envolveu seu braço ao redor da cintura de Jay e deu um suave beijo no pescoço. “Sinto o que lhe fizeram.”

Jay se encolheu de ombros. Compaixão não era algo que o fizesse sentir cômodo. Ele se girou e deu um beijo em Erico, antes que pudesse dizer algo mais. Gostava toda vez que eles se beijavam e antes que Jay se desse conta seu pênis estava duro e na mão de Erico.

“Mmm.” Jay gemeu e levantou a perna ao redor do quadril de Erico. O roupão de Jay caiu de seus ombros quando a mão livre de Erico começou a vagabundear pela bunda de Jay. Apesar de ser delicioso, o primeiro toque do dedo de Erico em seu buraco, fez que Jay se sobressaltasse.

Erico retirou seu dedo e quebrou o beijo. “Ajuda-me com os pratos?”

Jay assentiu. “Claro.”

 

Erico estava sentado no bar tomandou um grande copo de água, quando Ellen, a anfitriã, entrou na sala. “Francois ao telefone para você, na linha um.”

“Obrigado.” Erico ficou em pé e rodeou o bar. “Francois?”

“Olá, Erico. Estou na cidade e me perguntava se devo ir ao restaurante ou vou diretamente a sua casa a deixar minhas coisas?”

“Realmente, reserve uma habitação na casa Apple Valley Inn, B&B[2].”

“OH. Tinha entendido que ficaria com você até ter meu próprio lugar.”

Erico girou os olhos. Ele não tinha oferecido nada desse tipo, e Francois sabia. “Não. Disse-te que encontraria um lugar para que ficasse, mas nunca mencionei minha casa.”

Francois riu. “Suponho que presumi…”

“Sinto muito, mas presumiu errado.” Erico deu a direção a Francois do B&B.

“Addie está lhe esperando, porque não vai primeiro, a refeição começará em um minuto será melhor que nos vejamos depois disso.”

Depois de uma breve pausa Francois respondeu. “Está bem, estarei aí daqui duas horas.”

“Parece-me bom, até lá.” Erico desligou e olhou para Troy quem tinha um grande sorriso em seu rosto. “Cale a boca.”

Troy continuou limpando o balcão do bar. “Não disse uma palavra.”

“Mas está pensando.” Erico disse com um sorriso.

Troy levantou as mãos em sinal de rendição. “Sério chefe, pode culpar o caro por assumi-lo.”

Erico mordeu a língua. Sabia que Troy tinha razão, mas isso não o fazia sentir-se melhor. Ele era o único responsável por sua reputação e sabia. Só uma coisa mais a desprezar de todos esses anos que tinha sido jovem e estupido. Terminou o resto de sua água. “Pode se encarregar do copo por mim?”

“Claro.”

Erico caminhou de retornou à cozinha e pegou o telefone. Depois de vários toques respondeu o correio de voz de Jay. “Hei bebê. Francois estará aqui em duas horas, acredito que seria boa idéia que estivesse aqui e lhe apresentar já que vão trabalhar juntos durante uma semana.” Erico se movia de um lado para outro. “Então… uhh… pode me ligar ou só vir. Obrigado.”

Desligou o telefone e suspirou. Odiava ter prometido manter sua relação em segredo. Jay poderia classificá-la como apenas um corpo para foder, mas Erico sabia que começava a ser mais que isso, ao menos para ele. Possivelmente pudesse dar a Francois insinuações de que estava saindo com Jay sem realmente dizê-lo.

 

Jay estava estirado na poltrona de Ethan vendo seu filme favorito em branco e preto quando o telefone tocou. Tirou do bolso e sorriu quando viu na tela aparecer o nome de Erico. Ele desligou e o retornou ao seu bolso.

“Não vai responder?” Ethan perguntou, entrando no quarto com uma tigela recém feita de pipocas.

Jay tinha tomado a decisão nesse dia de não mentir completamente a Ethan sobre sua relação com Erico, mas isso não queria dizer que estivesse preparado para uma conversa aberta. “Era Erico. Ele vai se internar no hospital na próxima semana e me pediu se podia jogar um olho a seu novo chef. Acho que o cara chega hoje à cidade. Erico provavelmente só quer me avisar que ele já está aqui.”

“Erico? Desde quando fala com ele?” Ethan perguntou, acomodando-se na poltrona.

“Fui jantar faz dois dias. Aí foi quando me falou do procedimento que iria realizar. Penso que essa é a razão que tentava me convencer em trabalhar com ele.” Jay se encolheu de ombros. “Não é grande problema. Sean vai estar fechado na próxima semana, não me incomoda ter algo que fazer.”

Ethan pegou um punhado de pipocas e as levou a boca, seus olhos ainda entrecerrados. Jay orava por que seu amigo deixasse o assunto de lado.

“Sabe que vai tentar entrar em suas calças.” Ethan disse com sua boca ainda cheia de pipocas.

A maneira como Ethan disse fez Jay perguntar… “Acredita que ele tentará meter-se em minhas calças? É isso por que o odeia tanto?”

Ethan rompeu o contato visual e começou a ver o filme.

“Ethan? Fiz uma pergunta?” Jay insistiu sentando-se no sofá.

A cara de Ethan estava vermelha de raiva, algo que Jay poucas vezes tinha visto nos anos que conhecia seu amigo. “Eu o odeio por que tentou meter-se em suas calças através de mim.”

O estômago de Jay ficou tenso. “O que?”

Ethan jogou a tigela de pipocas à mesa de café salpicando pipocas por toda a mesa e ao piso. “Ele me fodeu, está bem? Acreditei que gostava de mim, mas então descobri que ele gostava de você.”

As notícias impactaram tanto Jay, que ele não sabia o que dizer. Continuava assombrado com a boca aberta. Esse fato dava sentido ao porque de Ethan odiar tanto Erico. Seu melhor amigo estava apaixonado pelo homem com quem Jay estava fodendo. Merda.

“Quanto tempo vocês saíram?” Jay perguntou. Ele repentinamente não se sentiu tão mal de ocultar seu namorico de Ethan, aparentemente ambos tinham segredos.

“Só uma vez. O dia da tragédia.”

Ethan cruzou seus braços em postura defensiva. Jay se perguntou se Ethan ainda continuava saindo com Erico. Odiaria machucar seu amigo, mas uma pequena parte dele estava esmigalhada por tudo isso. Se Erico tinha querido Jay todos esses meses, porque não tinha feito alguma coisa? Jay já sabia a resposta, Erico desfrutava viajar de cama em cama, isso não era uma grande surpresa. Porque ele repentinamente estava ciumento de seu amigo.

Jay passou seus dedos pelos cabelos. Pegou um rabicó e recolheu em um rabo-de-cavalo. Tinha desejos de ferir seu melhor amigo e lhe falar que recentemente esteve na cama de Erico. Isso o fez sentir-se envergonhado.

Jay se recostou no sofá. “Terminamos de ver o filme?”

 

Quando Jay chegou ao ‘La Canoe’, continuava se sentindo desconcertado. Ele ainda não tinha certeza de tentar ou não confrontar Erico por haver fodido seu melhor amigo. Entrando na cozinha, viu Erico dando umas folhas a um homem que ele assumiu ser Francois, quem estava muito perto de Erico para a comodidade de Jay.

“Hei.” Jay disse anunciando sua presença.

Erico levantou a vista e sorriu. Jay podia jurar que o homem se sentiu aliviado em vê-lo. “Alegra-me que tenha chegado.”

Erico apontou Jay. “Francois, esse é Jay. Ele é o amigo de quem te falei, ele deverá ajudar de vez em quando esta semana. Jay, este é Francois Tilmont.”

Jay se adiantou e ofereceu a mão ao homem. Não estranhou a maneira como Francois o olhou de acima a baixo antes de tomar sua mão. Evidentemente, Erico não tinha notado o olhar lascivo. Duas vezes Jay tentou retirar a mão, e isso fez com que Francois o apertasse mais forte. Jay olhou para Erico.

“A apresentação terminou vamos ver o menu da semana.” Erico disse em um tom brusco.

Francois finalmente liberou a mão de Jay. “Sim.” disse e voltou a sua posição original ao lado de Erico.

Erico puxou Jay para o outro lado contra ele. Enquanto começava a ver o menu, Jay sentiu a mão de Erico em suas costas, formandou círculos na pele de Jay.

Jay olhou Erico e sorriu. Sabia o que Erico estava fazendo e extranhamente não lhe incomodava nem um pouco. Para provar que os dois estavam juntos, Jay respirou fundo e colocou sua mão nos ombros de Erico. Estava preparado para que sua relação com Erico fosse de domínio publico? Sabia que isso era um enorme passo, especialmente ante alguém que inclusive não conhecia, mas se recusava a ter esse olhar lascivo ao seu redor.

Jay sentiu o corpo de Erico relaxar-se sob sua mão. Jay começou a perguntar-se que teria acontecido antes que ele chegasse. Era mais que óbvio que havia tensão entre os dois homens. Possivelmente Francois tivesse feito um movimento para Erico. Jay orava se por acaso isso aconteceu que Erico tivesse rechaçado o arrumado homem.

Jay deslizou sua mão para a parte detrás do pescoço de Erico, e distraídamente começou a brincar com os suaves cachos que desfrutava tanto. Viu que Francois notou e se alegrou. “Sim?”

Francois fez um ruído antes de limpar a garganta. “Nada.”

“Acredita que pode lidar com isto?” Erico perguntou a Francois.

“Sou bom no que faço.” François declarou aborrecido.

“Sim. Tenho certeza disso. De outra maneira não teria te contratado.” Erico disse, deixando claro ao chef os términos do contrato para fazer o trabalho, não para esquentar sua cama.

Jay queria abraçar Erico e beijá-lo, até que ambos ofegassem por falta de oxigênio. Em vez disso, sutilmente roçou sua ereção contra um lado de Erico.

Francois simplesmente assentiu ante a declaração de Erico. “Pode ficar no turno do jantar?”

“Claro.” Erico respondeu. “Também estarei aqui amanhã.”

“Vou verificar algumas coisas em meu escritório com Jay, porque não espera o pessoal e se apresenta? Os assistentes devem chegar a qualquer momento.”

Assentindo, Francois saiu da cozinha. Erico guiou Jay à porta da cozinha para seu escritório. Jay o seguiu roçando a mão de Erico contra a frente de seus jeans.

“Deixa-me quente.” Jay confessou a Erico abrindo a porta.

Erico o puxou dentro e empurrou Jay contra a sólida porta de madeira. “Droga, estava me levando à loucura.”

Jay suspirou, quando Erico imediatamente caiu de joelhos e começou a desabotoar os jeans de Jay. Enquanto Erico trabalhava em baixá-los, Jay tirava os sapatos. Deixar que chupassem seu pênis era agradável, mas tinha mais em mente.

O rosto de Erico se pressionou contra as genitálias de Jay. O primeiro raspão dos dentes contra as bolas de Jay lhe tirou um gemido. “Necessito seu pênis.” Jay pediu.

“Toma isto.” Erico disse, lambendo a ereção de Jay.

Jay queria discutir mais era fantástica a sensação da quente boca envolvendo seu pênis. Subiu um de seus pés no ombro de Erico, esperando que seu amante pudesse entrar no buraco que necessitava atenção.

Entendendo a dica, Erico levantou uma mão à boca de Jay, quem rapidamente lhe cuspiu antes de esfregar a saliva através dos dedos longos, Erico levou os dedos facilmente para o buraco de Jay. Quando ele pressionou dentro, Jay quase perdeu o equilíbrio.

Erico liberou o pênis de sua boca e puxou Jay para o tapete ao chão com ele. “Mãos e joelhos.”

Jay alegremente assumiu a posição e gemeu quando sentiu a língua de Erico tomando seu buraco. “Aahhh, sim, me coma.”

Jay não tinha demorado muito tempo dar-se conta que falar sujo fazia que as sessões com Erico ficassem mais intensas. Jay estava bem com isso. Amava falar sujo. Imaginava que era algo para contrabalancear sua natureza tímida fora da cama.

“Vai colocar seu grosso pênis em meu traseiro?” ele perguntou.

“Mmm hmm.” Erico respondeu sem tirar sua cara do traseiro de Jay.

Jay se balançava para frente e para trás enquanto a língua de Erico entrava nele. “Precisa dizer ao francesinho que essa língua é minha.”

Erico tirou a língua e mordeu a sensível pele ao redor do buraco de Jay. “Se quiser o trago aqui agora e faço que veja como te fodo até te tirar o cérebro.”

Jay riu. Poderia ser uma puta, mas não era exibicionista. “Uhhh, acredito que apenas lhe falar seja suficiente. Agora me foda como realmente eu gosto.”

Erico rapidamente tirou as calças, tirando a camisinha de um dos bolsos. Jay descansou seus ombros no piso, mantendo seu traseiro no ar e pegando seu pênis.

“Necessito-te.” pediu gemendo, quando Erico tomava mais tempo do que Jay considerava que devia.

“Tem-me, bebê.”

Jay sentiu o primeiro toque do pênis de Erico um segundo antes que se impulsionasse profundamente dentro dele. Ele gritou enquanto seu corpo se acostumava à longitude e circunferência do pênis de Erico. “Tão bom, fodidamente bom.” Jay balbuciou.

Erico apenas deu Jay um momento para respirar, quando começou um duro e rápido ritmo. Essa não era uma fodida calma, isso era um completo ataque a seu buraco, e Jay amava isso. “Mais rápido, mais duro.”

Jay pos uma mão em seu rosto para evitar que o tapete lhe raspasse. Ouviu um alto gemido de Erico e assumiu que seu amante ia gozar, mas Erico caiu rapidamente ao seu lado.

Jay viu que o homem estava tendo um momento difícil. Erico se pressionava o peito e olhava Jay desamparado. “Merda!”

Jay ficou de pé e procurou as pílulas no bolso da calça de Erico. Em seu desespero por abrir a caixa, caíram várias. “Tudo bem. Tudo bem. Eu peguei.” Ele pegou uma do tapete e a colocou debaixo da língua de Erico.

Jay podia ver pela expressão no rosto de Erico que este ataque era diferente. Ele ficou em pé e correu ao telefone do escritório de Erico, e discou para 9-1-1.

“9-1-1 operador.”

“Necessito uma ambulância no ‘La Canoe’. Erico Morrelli está tendo um ataque cardíaco.” Jay sabia que devia ficar na linha, mas saiu do telefone e voltou ao lado de Erico. Passou sua mão pela testa de Erico. “Agüenta, eles estão vindo.”

“Se vista.” Erico ofegou.

Jay sacudiu a cabeça. Que se foda a roupa. Ele não ia deixar de estar ao lado de Erico até que chegassem os paramédicos. “Não se preocupe comigo, fique calmo e respira fundo.”

Erico assentiu. “Estou melhor.” ofegou.

Jay continuou arrulhando Erico com suaves toques e palavras até que ouviu a batida na porta. Saiu de perto de Erico e pos a chave na porta. “Cuidado.” ele gritou. “Ele está no caminho da porta.”

Jay tentou mover o corpo de Erico o suficiente para deixá-los entrar. A primeira pessoa que atravessou a porta foi Zac Alben, seguido rapidamente pelo Sammy Lee. Jay deu as costas aos homens que trabalhavam e vestiu seus jeans. Agradeceu de que nenhum dos homens perguntasse o que aconteceu. Era óbvio o que ele e Erico estavam fazendo.

Quando eles interrogavam Erico a respeito de sua condição cardíaca, Jay se deslizava dentro de seus jeans. Viu Francois com um sorriso em seu rosto. O estúpido sorriso zangou Jay. “Se foda, idiota. Deveria estar mais preocupado com seu novo patrão que com meu pênis”.

Todas as caras no quarto se giraram para Jay. Ele os olhou fixamente até que eles retornaram ao seu trabalho. Quando George Manning e Collin Zeffer entraram no escritório com uma maca, Jay começou a andar. Isso não é bom se o levarem ao hospital. Erico se via mais alerta quando eles o transladaram à maca.

“Aonde o levam?” Jay perguntou.

“À clínica e provavelmente ao hospital de Sheridan.” Sammy informou a Jay.

“Posso ir com vocês?” Jay perguntou.

Sammy negou. “Sinto muito.”

“Minhas chaves.” Erico murmurou apontando a suas calças.

“Quer que pegue seu veículo?” Jay estava impactado. O orgulho e a alegria de Erico custava mais que muitas casas da cidade.

Erico assentiu. “Necessito-te.”

Jay tentou sorrir. Não estava preparado para admitir que ele também necessitasse Erico, mas tinha uma forte sensação de que assim o fez. Jay foi até as calças de Erico pegou as chaves e o telefone, ouviu que Erico dizia algo a François, enquanto o tiravam do escritório.

“Ele é meu.” Erico murmurou.

Jay seguiu os paramédicos fora do restaurante, agradecido de que eles lhe tivessem colocado uma manta sobre a parte inferior do corpo de Erico em vez de subir a maca à ambulância, eles a empurraram pelo estacionamento à clínica.

Depois de guardar as chaves, Jay abriu o telefone e procurou o numero da mãe de Erico. Não sabia o que dizer exatamente à mulher com quem falaria pela primeira vez, mas Jay sabia que a mãe de Erico precisava saber. Apenas esperava que a senhora não o culpasse por causar a seu filho um ataque cardíaco.

 

 

                                     Capítulo Seis

 

Jay estava sentado na sala de espera do hospital, sozinho. Rosa, a mãe de Erico tinha tentado que entrasse com ela ao quarto de Erico, só que Jay não se sentia bem com isso. Ele ainda estava zangado consigo mesmo por levar Erico ao ponto de ter um pequeno ataque cardíaco.

Droga. Ambos deveriam ter aprendido a lição depois da primeira vez. Com seus pés na cadeira, Jay abraçava suas pernas. Depois de que a ambulância levou Erico ao hospital de Sheridan, tinham-lhe feito uma série de exames para prepará-lo para o procedimento no dia de hoje. O telefonema à mãe de Erico tinha sido uma das coisas mais difíceis da vida de Jay. A bendita mulher não estava zangada, era quase como se estivesse esperando a ligação.

Jay a tinha recolhido essa manhã no aeroporto e a tinha levado ao hospital a tempo para ver Erico, antes que entrasse em cirurgia. Rosa tinha se oferecido para ficar e que Jay podia ir primeiro, mas ele recusou. Seus sentimentos estavam nesse lugar. A culpa e a confusão ainda estão brigando dentro dele.

Segundo o doutor de Erico, a angioplastia resolveria imediatamente o problema de Erico, mas ele precisava fazer uma mudança completa em seu estilo de vida se quisesse ter uma vida longa e produtiva.

Jay se perguntava se era a boa comida, o álcool e o stress as únicas coisas que o doutor esperava que Erico deixasse.

“Jay?”

Jay levantou a vista e viu o rosto de Rosa.

“Erico despertou e quer te ver.”

Jay negou. “Não sei se devo especialmente com o que aconteceu ontem.”

Rosa se sentou a lado de Jay e bateu em seu braço. “Pensa que sua dor foi sua culpa?”

Bom, ele estava empurrando seu rabo no momento. Em vez da voz de seus pensamentos, Jay só assentiu.

“Meu filho viveu imprudentemente a maior parte de sua vida. É sua culpa que esteja nessa cama, neste hospital e ele sabe. Ele viu seu pai morrer quando era um jovenzinho, em vez de aprender com isso, Erico meteu em sua cabeça viver cada dia como se fosse o ultimo.”

Jay piscou. Dessa maneira era como ele sempre tinha tentado viver. “Isso é algo bom, acredito”

Rosa negou. “Isso é algo perigoso, algo egoísta. Ele deve cuidar melhor de si mesmo, em vez de viver como estava fazendo. Infelizmente, seus maus hábitos o apanharam. Isso é o que ele tem aqui, não porque ele tenha… intimidade com você.”

“Sabe?” Jay perguntou. Ele inclusive estava mais envergonhado que antes.

Rosa apertou o braço de Jay. “Suspeitei. Por isso se sente culpado?”

“Sinto muito.” Jay tentou desculpar-se.

Rosa se inclinou. “Eu não. Quando meu filho acordou instante atrás, você foi a primeira pessoa por quem ele perguntou. Eu nunca soube que se preocupasse com alguém.” Rosa liberou o braço de Jay. “Agora vai vê-lo enquanto ainda está acordado.”

Jay se sentia enjoado. Ele não tinha certeza de como tomar a declaração de Rosa. Era muito cedo em sua relação com Erico para que tivesse desenvolvido reais sentimentos pelo ele. Não é assim?

Ele entrou no quarto e ficou junto à porta, enquanto a enfermeira falava tranqüilamente com Erico. Apesar de que Erico parecia pálido, aparentava um inferno melhor que o dia anterior. A enfermeira sorriu para Jay quando saiu do quarto.

“Hei você.” Erico disse, sua voz soava cansada.

Jay entrou e parou incomodado ao lado da cama. “Como se sente?”

Erico sorriu. “Como se amasse mover as pernas. Sabe é como quando alguém diz que não pode fazer algo, é quando justamente quer fazê-lo mais.”

Erico estava de bom humor, isso de algum jeito tranqüilizou Jay. Enxergou a cadeira ao lado da cama e se sentou. “Quanto tempo vai ficar aqui?”

“Estou cruzando os dedos para que me deixem sair amanhã. Tenho que estar quieto alguns dias, mas realmente me sinto melhor que em anos.” Erico lhe ofereceu as mãos.

Jay olhou as palmas de Erico um momento antes de aceitar o gesto. “Alegra-me que esteja melhor. Realmente estava muito assustado ontem.”

Erico levantou a mão de Jay a seus lábios e o beijou. “Também estava assustado, mas me alegro estar com você.”

Uma vez mais Jay se sentiu incomodado. Ele via reais sentimentos no olhar de Erico e o assustava. Sua nova relação se supunha que estava apoiada apenas no sexo. Os sentimentos não eram parte do negócio.

Jay sabia que tinha muito em que pensar, ele não estava preparado para nada mais que uma paquera. A enfermidade era um violento giro no plano, mas Jay imaginava que eles poderiam retornar aos encontros sexuais em algumas semanas. A expressão de Erico lhe dizia que as coisas seriam completamente diferentes.

“Alegra-me que esteja bem.” Jay disse, sutilmente retirando suas mãos. “Decidi ir ao ‘La Canoe’ esta tarde a verificar as coisas por você. Sean retorna na quinta-feira, então terei que trabalhar no bar.”

“Irá a minha casa para ver-me?” Erico perguntou, confundido com a testa enrugada.

“Provavelmente deve descansar. Com sua mãe aí, você realmente não me necessita.” Jay disse a Erico. Odiava isso, mas ele precisava retornar e reagrupar-se.

“Acontece algo errado?” Erico perguntou.

Jay estudou Erico alguns momentos. Era melhor ser honesto agora “Acredito que as coisas estão se movendo muito rápido. Sei que fodeu muitos corpos através dos anos.” Jay sacudiu a cabeça. “Sinto muito. Acho que não estou pronto para mais.”

“Nunca considerei que fosse um corpo para foder. Sei que não te contradisse a primeira vez que mencionou, mas é que nunca foi minha intenção ter um breve namorico com você.” Erico tentou estabelecer contato, mas Jay mantinha suas mãos dentro de seus bolsos. “Fiquei te olhando durante meses, tentando encontrar a melhor maneira de me aproximar.” Erico continuou.

Em um defensivo gesto Jay arremeteu. “E pensou que a melhor maneira era colocar seu pênis dentro do cú do meu melhor amigo.” Jay sacudiu a cabeça. “Sinto muito. Eu não compro isso. Homens como você não mudam. Você sempre estará em busca do próximo rabo.”

“Não!” Erico gritou.

Jay se sobressaltou com a veemência da voz de Erico. Sabia que zangar-se não fazia bem para o homem, assim deu um passo atrás. “Vou tentar te ligar durante a semana.”

“Por favor, não vá. Sinto o que aconteceu com Ethan. Isso não era o que queria. As coisas com ele apenas aconteceram.”

Jay se deteve na porta e se girou. “Exatamente esse é o ponto. Sempre, ‘apenas acontece’. Adeus, Erico.”

Controlando suas emoções, caminhou para a sala de espera e tirou as chaves do veículo de Erico. “Vou verificar o restaurante pode retornar por si mesma a Cattle Valley?”

Rosa ficou de pé e assentiu pegando as chaves de Jay. “Que aconteceu?”

Jay não ia entrar em detalhes de sua relação com a mãe de Erico. Ele sacudiu a cabeça. “Nada. Nós apenas precisamos arrumar algumas coisas. Vou ligar para um amigo vir me buscar.”

Podia dizer pela expressão de Rosa que não acreditou. Jay se encolheu de ombros e saiu da sala de espera. Odiava machucar as pessoas, mas conhecia não só seus próprios limites, mas também os de Erico.

 

“Hei pervertido.” Mario ria, enquanto entrava no quarto de Erico.

“Que está fazendo aqui?” Erico perguntou, tentando levantar as pernas. Deus queria mover-se.

“Vim buscar Jay, e pensei subir e ver como estava.” Mario pegou a cadeira ao lado da cama de Erico. “Pensei que Jay disse que sua mãe estava aqui.”

“Ela estava. Pedi que fosse à cafeteria e que comesse alguma coisa.” Erico tento ignorar a dor ante a menção do nome de Jay.

Mario cruzou seus braços e pernas e estudou Erico. “Então, penso que não ouviu minha advertência a respeito de não pressionar Jay.”

Erico levantou as mãos. “Ele fez o primeiro movimento, não eu.”

“Jay? O doce e tranqüilo Jay?” Mario bufou.

Erico queria dizer a Mario a verdade a respeito dos apetites sexuais de Jay, mas sabia que defender-se com a verdade só prejudicaria a reputação de Jay. Em vez de abrir uma lata de vermes, Erico se encolheu de ombro. “Acredite no que quiser. Todo mundo faz isso de qualquer maneira.”

“O que quer dizer?” Mario perguntou.

“Quero dizer que quando as pessoas metem certas idéias na cabeça sobre o tipo de pessoa que é, eles nunca vão ver nada, além disso.” Erico murmurou. No passado, Erico não se importava com o que as pessoas pensassem dele e maldição isso lhe tinha dado a volta e mordido seu traseiro.

“Está falando de sua reputação ou a de Jay?”

“Principalmente da minha, mas ambas, acho.” Erico apontou o copo com água frente a sua cama. “Poderia me dar uma mão com isso?”

Mario alcançou o copo a Erico quem dobrou o copo antes de pô-lo entre seus lábios. Erico tomou um grande gole de água antes de deixar o copo. “Obrigado.”

Mario assentiu, e pôs o copo em seu lugar. “Realmente você gosta dele, huh?”

Erico respirou fundo. “Sim.”

“Mas, penso que ele não sente o mesmo.” Mario cogitou.

“Ele me chama de corpo para foder. Penso que isso é tudo o que o quer.” Erico admitiu. Sentindo uma opressão em seu peito, que começou a lhe preocupar antes de dar-se conta que era emocional e não físico.

Mario tentou esconder um sorriso. “De quem ouvi esse termo antes? OH, sei, de você.” Mario sacudiu a cabeça. “Realmente não pode culpar o cara de não querer envolver-se emocionalmente contigo.”

“Vá se foder!” Erico disse irritado.

A porta se abriu e a enfermeira pôs a cabeça no quarto. “Está tudo bem?”

“Sim. Sinto muito, Debbie.” Erico se desculpou.

Debbie assentiu e fechou a porta, depois de garantir de que tudo estava bem.

Erico retornou sua atenção para Mario. “Sinto muito, que você e eu não tenhamos nos apaixonado, não significa que não seja capaz de fazê-lo.”

“Amor? Está me dizendo que está apaixonado por Jay?” Mario perguntou.

“Acho que sim.” Erico girou sua vista para a janela, as persianas estavam abaixadas, mas se via o suficiente para ver cair a neve lá fora.

“Penso que o disse e ele não reagiu bem às notícias.”

Erico negou. “Não disse, mas acredito que sabe. Tudo parecia genial entre nós, e então hoje repentinamente ele se retirou.” Erico retornou o olhar para Mario. “Ele esteve aqui todo o tempo desde que me internei e repentinamente ele diz que as coisas vão muito rápido. Que merda é isso?”

“Parece que está assustado.”

“Comigo?” Erico perguntou.

“Sério. Você não desconhece que toda a cidade sabe que fodia com tudo o que chegasse em suas mãos. O que esperava? Jay não aprendeu exatamente a confiar nas pessoas. Não esqueça que leva suas próprias cicatrizes.”

Uma vez mais sua reputação lhe golpeava na cara. Sabia que Mario não dizia com malícia. Seu amigo só estabelecia os fatos. Erico sabia que ele tinha dado às pessoas muito boas razões para pensar isso a respeito dele

“Como faço para que as pessoas mudem de idéia sobre mim?” Erico perguntou. “O mais importante, como eu faço para que Jay entenda que um homem pode mudar?”

Mario ficou em pé e apertou a mão de Erico. “Não tenho certeza. Um passo de cada vez? O mais importante é que deixe que Jay saiba sem que o pressione.”

Mario riu. “A propósito. Se você começar a pressioná-lo, eu retornarei a te pressionar.”

“Não quero magoá-lo. Quero que confie em mim.” Erico murmurou.

Mario parecia pensar no que Erico havia dito naqueles minutos. “Sinto muito, companheiro. Realmente não sei o que te dizer, apenas deixe a porta aberta.”

Erico assentiu. “Acho que vou pensar em alguma coisa.”

Mario assentiu e se dirigiu à porta. “Irei te ver em sua casa em dois dias.”

“Adeus.”

Depois de que Mario se foi, Erico fechou os olhos. Sabia como ter os encantos de Jay de volta, mas como faria sem o deixar saber o muito que o queria?

 

Mario chegou à frente do ‘La Canoe’’ e estacionou a velha caminhonete. Jay pegou o trinco da porta. “Obrigado pela carona.”

“Quando quiser.” Mario respondeu.

Antes que Jay pudesse sair da caminhonete, Mario pegou seu braço. “Nunca acreditei que fosse possível, mas acredito que você conseguiu mudar alguém.”

“A quem?” Jay perguntou, se fazendo de lerdo.

“Sabe a quem. Ele realmente parece interessado em você.”

Jay se encolheu de ombros. Realmente não queria discutir o status de sua fodida relação com Mario. “Dizer e fazer são duas coisas completamente diferentes e ambos sabemos.” Jay sacudiu a cabeça. “Melhor conformar-se com uma fodida a arriscar-se a terminar magoado.”

Mario abriu amplamente os olhos. “Nunca tinha te ouvido falar dessa maneira.”

“Isso é porque nunca discutimos minha vida sexual antes.”

Mario riu. “Você realmente parece ser duas pessoas num mesmo corpo, assim é?”

“Não. Sou uma pessoa, que as pessoas entendem apenas a metade.” Jay terminou sua declaração com um sorriso.

Desceu da caminhonete e foi à porta da frente. Entrou e esperou que Ellen terminasse de atender um grupo de quatro pessoas. Perguntava-se como cumprimentaria depois do desastre do dia anterior. Jay notou vários olhares no caminho. Evidentemente a notícia de seu encontro com Erico já corria pela cidade.

Quando Ellen retornou de atender aos clientes sorriu. “Como está Erico?”

“Bem. Ele disse que se sente melhor do que em anos.”

Ellen sacudiu a cabeça. “Não posso acreditar que ninguém soubesse que tinha problemas de saúde.”

“Acredito que ele queria dessa maneira.” Jay apontou para a cozinha. “Como está se saindo François?”

Ellen girou os olhos. “Ele é um bom cozinheiro.”

“Mas…?” Jay Pressionou ao notar que ela queria dizer mais.

“Colocamos dessa maneira se eu não fosse lésbica, eu estaria considerando-o seriamente depois de passar dois turnos com ele.”

“Ele está te assediando?” Jay perguntou.

“OH, não. Acredito que sabe o suficiente para não fazê-lo, mas acredita que é um presente de Deus para a humanidade.” Ellen atuou um exagerado tremor. “Ao menos Erico era realmente encantador. Este imbecil só pensa que é.”

Jay riu. “Direi a Erico para ele repensar. Agora me perguntou se será boa idéia.”

“Só detenha no bar e diga a Troy que entre para te resgatar se você demorar.” Ellen lhe disse e lhe piscou um olho.

Jay assentiu e foi para o bar. Troy estava preparando uma margarita, quando ele chegou ao brilhante balcão. Descansou seus braços no bar e esperou.

Troy imediatamente reconheceu Jay e lhe cumprimentou com um movimento de cabeça. “Estarei contigo em um momento.”

“Não tem pressa.” Jay lhe respondeu. Tamborilava com seus dedos e olhava ao redor. Apesar de não estar em sua total capacidade, havia clientes suficientes no restaurante. Jay não pôde evitar perguntar-se se o rumor tinha algo que ver com a repentina mudança no negócio.

Troy finalmente chegou até Jay. “Hei homem.”

“Hei.” Jay cumprimentou. “Tenho que verificar a cozinha e Erico. Alguma notícia?”

Troy sorriu. “A demais das notícias óbvias, dando voltas neste lugar a respeito de você?”

Jay sentiu seu rosto esquentar. Não podia culpar Troy. Essa era sua própria culpa por foder no escritório e ele sabia. “Pode pular essa parte. Algo sobre o novo chef?”

“Umm, bem, eu quase o tiro aos socos hoje por agarrar meu pênis.”

“O que?”

Troy sorriu e assentiu. “Ele é um fodido insistente. Pensa que todo mundo o quer ao menos uma vez, já lhe esclareci que não estou interessado.”

Merda. “Supõe-se que tenho que observá-lo.”

Troy olhou para o relógio. “Deve estar seguro. Bobby e Les estão trabalhando lá dentro com ele agora. Eles frequentemente vão para casa entre nove e dez ao menos estará tranqüilo até então.”

Jay começou a caminhar para a cozinha, quando Troy o deteve. “Uhh, Jay, há algo mais. Não acredito que deva dizer a Erico, mas ouvi dois clientes queixar-se da comida.”

“O que acontece com a comida?” perguntou.

Troy se encolheu de ombros. “Só que não é boa suficiente. Vi muitos pratos serem recolhidos com a metade de seu jantar esta noite.”

Jay assentiu. “Verei que está fazendo.” Ele não era um chef, mas Jay esperava ser capaz de dizer o que estava errado.

Quando entrou na cozinha, notou a expressão de culpa na cara do Bobby, antes que o cozinheiro encontrasse algo que fazer na prateleira dos mantimentos.

“Hei.” Jay disse a maneira de saudação. Verificou a cozinha e não viu nada desconjurado. “Está tudo bem?”

Francois olhou sobre seu ombro. “Tudo bem.” ele grunhiu. “Seu amante te enviou para me espiar?”

“Erico te disse ontem que eu estaria aqui enquanto ele não estivesse.” Jay não se deteve no comentário de amante.

Henry, um dos garçons entrou na cozinha e pegou os dois pratos de pedidos da cozinha, antes de voltar a sair. Ao que tudo indicava Henry não falava com Francois. Interessante. Jay sabia que Henry era um empregado leal desde que Erico abriu o ‘La Canoe’.

Jay seguiu o garçom fora da cozinha. Pensou que podia obter mais de Henry que de Francois e havia definitivamente tensão entre eles. “Hei.” falou com Henry. “Podemos falar um segundo?”

Henry apontou ao salão. “Tenho clientes.”

Jay olhou ao redor antes de assentir. “Pode ao menos, me dizer o que acontece?”

“Verifique a lata de lixo. Este idiota tentando fazer acontecer comida congelada como própria.”

Jay agradeceu a Henry e foi direto à porta detrás. Levou uns minutos procurando na lata de lixo, rasgando bolsas de lixo, mas valeu a pena. Com a evidência na mão entrou na cozinha.

Jay levava as vasilhas vazias de ravióli congeladas em umas mãos e as latas de tamanho industrial de molho de spaghetti na outra. “Que merda é esta?”

Francois olhou Jay com desdém. “Que parece que é?”

“Isto não fala muito bem a respeito de seu trabalho.” Jay contra-atacou.

“Não gosto de fazer massa. Decidi utilizar isso para me ocupar no resto.” Francois se deu a volta obviamente ignorando Jay.

Jay estava tão zangado que lançou as vasilhas vazias através da cozinha. Se esse fosse seu restaurante despediria o fodido nesse momento. Infelizmente, esse era o lugar de Erico e eles não estavam em bons termos nesse momento. Tomou uma decisão sobre a marcha esperando que não arrependesse.

Respirou fundo, ele se dirigiu a Francois. “Até que Erico retorne, eu prepararei as massas e molhos para que as utilize.”

Francois se encolheu de ombros sem lhe dar a cara. “Como preferir.”

Jay respirou fundo, novamente. “A única razão pela que faço isto é porque Erico não esta suficientemente são para vir a te despedir, porque me acredite ele fará isso. Ele leva a preparação dos alimentos neste lugar muito a sério, e francamente você está abaixo de suas normas.”

Francois se girou e entrecerrou os olhos. “Imagino que desde que o pênis dele esteja em seu traseiro, você conhece suas normas.” Francois deixou sair um bufo. “Se você for regular em sua cama. Eu tenho certeza de estar acima das normas de Erico.”

Jay mordeu o lábio e se dirigiu à porta. Antes de sair o olhou sobre seu ombro. “Eu tenho certeza que você não se incomodaria em procurar um lugar permanente onde ficar.”

 

Quando Jay retornou ao seu apartamento ele estava completamente esgotado. Depois de passar a maior parte dos dois últimos dias na sala de espera do hospital, e a briga com o Francois, Jay queria se desconectar do mundo e colocar a cabeça sob os cobertores.

Logo que entrou no apartamento, ele começou a tirar a roupa. Quando entrou na ducha já estava completamente nu. Jay entrou e abriu a água quente. Seria pela briga com Francois ou pela confusão de emoções sobre Erico, não tinha certeza, mas ele estava morto de frio. Tinha aprendido que o melhor remédio era meter-se na ducha quente.

Entrou sob o jorro de água quente gemendo, quando sentiu que a água quente quase lhe escaldava a pele. Jay ficou onde estava não se preocupou em abrir a água fria. Ele se acostumaria a isso, sempre se acostumava.

Os dois dias seguintes não foram problemas em preparar a massa e o molho, mas se perguntava como lidaria com isso quando retornasse ao seu trabalho. Ele podia ir antes de seu horário no ‘O’Brien’s’ e preparar as massas, mas isso significaria compartilhar a cozinha com Francois. Jay finalmente decidiu que seria melhor ir ao ‘La Canoe’ depois de seu turno no bar. Isso significaria que teria que dormir o máximo possível durante o dia, mas sabia que poderia lidar com isso durante duas semanas.

Quando a água começou a esfriar-se, desligou a água e pegou uma toalha. Estava se secando quando ouviu que bateram à porta. Jay girou os olhos. Sabia quem era. Apesar das várias mensagens telefônicas durante o dia, Jay não tinha falado com Ethan, desde que as notícias de seu namorico obviamente correram por Cattle Valley.

“Sei que está em casa.” Ethan gritou através da porta fechada.

Jay suspirou envolveu a toalha em sua cintura. Abriu a porta e olhou seu amigo. “Estava no banho. Espere enquanto visto alguma coisa.”

Jay retornou ao seu quarto.

“Que está acontecendo? Ouvi por toda a cidade que estava fodendo com Erico, quando lhe deu o ataque cardíaco.”

Jay entrou em seu closet e pegou cueca e umas calças. Tirou a toalha e começou a vestir-se, ignorando a pergunta de Ethan até que se vestiu. Pegou meias três-quartos e uma camisa, antes de retornar à sala. “Foi isso que aconteceu.”

“Sério?” Ethan perguntou. “Porque não me disse?”

Enquanto Jay calçava as meias três-quartos, notou um grande buraco em uma delas. Olhava o buraco e se perguntava como tinha chegado até aí.

“Jay?” Ethan insistiu.

“Porque sei que o odeia.” ele murmurou. Jay se recostou no respaldo e fechou os olhos. A conversa que não queria ter estava levando suas emoções à flor da pele.

A expressão no rosto de Erico ainda lhe incomodava. Erico se pensava que não desenvolvia sentimentos, isso era parte do plano. Jay acreditava que estaria seguro com Erico. Diabos, toda a cidade brincava a respeito que Erico trocava de amantes igual à maioria dos homens trocam de roupa.

“Ele vai te magoar, sabe disso?” Ethan finalmente disse.

Jay abriu os olhos e olhou seu melhor amigo. Seu estômago feito nó, quando se deu conta que a verdade era o oposto. “Acredito que é o reverso.”

Ethan riu. “Sim, bem.”

Jay se encolheu de ombros. Sabia que não ganharia nada em tentar convencer Ethan que Erico tinha sentimentos por ele. Jay até não era capaz de admitir para si mesmo.

“Vamos, Jay. Erico é um egoísta e ambos sabemos.”

Jay entrecerrou os olhos. “Sinto muito que Erico tenha te magoado, mas ele não é um egoísta. Ao menos não comigo.”

O nariz de Jay começou a arder, momentos antes que seus olhos se enchessem de lágrimas. Piscou rapidamente, não estava preparado para mostrar seus sentimentos a ninguém, nem sequer a seu melhor amigo. Erico era diferente com ele. Porque Jay não podia deixar de pensar nele?

A verdade seja dita, ele era muito jovem para o dono do restaurante e o sabia. Foi forçado a crescer rápido pelos antigos amantes, mas aos vinte, Jay não tinha certeza de que ele pudesse estabelecer-se. Seus problemas com Randy o tinham provado da maneira dura.

Levantando-se da poltrona, Jay foi à cozinha. Abriu a geladeira e pegou uma garrafa de água. Ouviu Ethan entrar na cozinha e esperou, sabia que Ethan não tinha terminado.

Jay se surpreendeu, quando Ethan envolveu seus braços ao redor de sua cintura por trás. Ethan beijou um lado da molhada cabeça de Jay. “Eu estava lá e vi os resultados de seu amor por Randy, não esqueça. Nós lhe dávamos as más notícias sobre o imbecil, mas você dizia o mesmo a respeito dele. Jay, só porque alguém é encantador contigo, não significa que seja uma pessoa agradável. Sinto muito se descobriu da maneira mais difícil. Apenas não quero que cometa o mesmo erro com Erico.”

“Erico nunca me bateu.” Jay respondeu.

“Possivelmente não, até não acredito que Randy tenha te amado, e ambos sabemos quão difícil foi te afastar dele. Se sentir-se sozinho e precisar encontrar a alguém. Há muitos homens realmente encantadores por aqui.”

Jay fechou a porta do refrigerador e deu meia volta. Olhou nos olhos de Ethan, mas não sabia o que dizer. Sabia que seu amigo tinha razão. Havia um montão de homens em Cattle Valley. Porque ele queria o único que potencialmente poderia magoá-lo como tinham feito anteriormente?

“Na tarde, disse a Erico que eu precisava de um tempo.” Jay sacudiu a cabeça. “Sei que ele quer mais de nossa relação, e não tenho certeza se posso confiar nele nessa parte ainda.”

“Sim? Isso quer dizer que está considerando?” Ethan perguntou.

Quande Jay não respondeu, Ethan suspirou e beijou a testa de Jay. “Apenas me faça um favor. Não confunda uma boa fodida com amor. Acredite, não é a mesma coisa.”

Jay assentiu. Estava se dizendo a mesma coisa durante toda a semana. “Obrigado por estar sempre comigo.”

Ethan sorriu. “Onde poderia estar?”

 

 

                                       Capítulo Sete

 

“Vou ao The Gym’s caminhar na esteira.” Erico disse a sua mamãe.

Rosa levantou a vista do livro que estava lendo. “Não exagere.”

Erico girou os olhos. “Prometo.”

Saindo, Erico respirou fundo. Amava sua mamãe muito, mas ela estava começando a lhe encher o saco. Ela parecia sempre estar se incomodando com seus maus hábitos alimentar ou perguntando a respeito de Jay.

Subiu em seu SUV e saiu. As perguntas sobre a dieta ele conseguia lidar bem, mas ainda não sabia o que dizer a respeito de Jay. Erico tinha falado com Jay em duas ocasiões nos quatro dias que estava fora do hospital e cada vez Jay parecia mais distraído.

Chegando ao estacionamento do The Gym’s, Erico estacionou ao lado da caminhonete de Mario. Esperava que seu amigo não estivesse dando aulas, porque ele estava precisando de conselho.

Pegou sua bolsa de academia e entrou no edifício, olhando ao redor, enxergou Rio em seu habitual lugar em uma cadeira no balcão dos sucos. “Mario está ocupado?”

Rio abaixou seu copo. “Ele está trabalhando com Ethan no quarto três.”

“Sabe quando vai terminar?” Erico perguntou.

Rio olhou o grande relógio na parede. “Outros dez minutos mais ou menos.”

Erico levantou sua bolsa. “Vou me trocar. Pode dizer a ele que estou aqui, quando o vir.”

“Posso.”

Cumprimentou Gill com um movimento de cabeça, quando passou pela área de pesos. O quarto dos vestiários estava vazio, e começou a tirar a roupa. Erico sentou-se nos bancos e tirou os sapatos, antes de tirar sua roupa e vestir uns shorts, a camiseta da academia e tênis para correr.

Depois de vestido, ele continuou sentado, finalmente pegou o telefone. Discou o número de Jay e esperou.

“Olá?” Jay murmurou ao telefone.

“Acordei-te?” Erico olhou o relógio. Porque Jay continuava na cama às doze e meia?

“Sim, mas tudo bem. Preciso ir trabalhar de qualquer maneira. Como se sente?” Jay perguntou.

“Evidentemente melhor que você que está dormido tão tarde. Está doente?”

“Não. Apenas cansado.” Jay respondeu.

“Mamãe vai para casa amanhã à tarde. Perguntava-me se queria ir a minha casa depois do trabalho?” Erico bateu os nódulos contra a madeira dos bancos, enquanto esperava a resposta de Jay.

“Uhh, bom, amanhã à noite não posso, mas no domingo tenho o turno de dia, posso ir depois disso se estiver tudo bem pra você”.

Erico afastou o telefone de seu ouvido e olhou a tela, queria ter certeza de estar falando com o mesmo homem com quem ele tinha passado um bom tempo fantástico apenas uns dias antes. “Que esta acontecendo, Jay?”

“Nada. Quero dizer, sinto muito. Eu realmente estou muito ocupado agora.”

“Sinto sua falta.” Erico admitiu.

Houve um silêncio durante um momento. “Sinto sua falta também e te prometo que farei tudo o que possa para estar aí no domingo à tarde. Pode, por favor, dizer adeus a sua mamãe por mim?”

Apesar das palavras que Jay disse, Erico ainda sentia que não estava bem. Perguntava-se o que acontecia realmente com Jay. Mario havia dito a Erico que não pressionasse Jay, mas ele repentinamente se assustou de perder sua chance de ter algo mais se não fizesse algo logo.

“Vou levar mamãe esta noite ao ‘O’Brien’s’ para jantar. Preciso ir até o ‘La Canoe’ de qualquer maneira e recolher todos os recibos. Decidi começar a verificar os livros, enquanto estou aqui sem nada que fazer.”

“Será a primeira vez que vai ao ‘La Canoe’ desde que saiu?”

“Sim. Prometi ao doutor estar completamente fora desse lugar ao menos por uma semana.” Erico riu. “Penso que ele me conhece muito bem.”

O estresse era algo que Erico sabia que tinha que aprender a lidar. Esperava que ao ter François no restaurante ajudasse.

“Porque vem ao ‘O’Brien’s’ depois, porque não só come no ‘La Canoe’?” Jay perguntou.

“Porque você não está no ‘La Canoe’’. Não estou brincando quando digo que sinto saudades.”

Erico podia ouvir a respiração de Jay do outro lado da linha. “Está bem?” Erico perguntou.

“Sim.” Jay disse com uma suave voz que Erico quase não ouviu. “Vai ser bom vê-lo.”

A porta do quarto do vestiário se abriu e Mario entrou. Erico levantou um dedo para Mario e voltou sua atenção para Jay. “Estou olhando para frente.”

“Eu, também.” Jay desligou, e Erico roçou seus lábios com o telefone.

“Jay?” Mario perguntou, sentando-se ao lado de Erico.

“Sim. Levarei minha mamãe ao O’Brien’s para jantar.”

“Repentinamente tem desejo pela comida que não pode comer?” Mario brincou.

“Não me importa. Aprendi minha lição de maneira difícil. Meus dias de ricos molhos e comidas fritas se acabaram.”

Mario repentinamente ficou sério. “Há algo que precisa saber, mas não sou a pessoa indicada para lhe dizer isso”.

A primeira coisa que passou por sua cabeça foi Jay. Estaria ele com alguém mais? Era por isso que ele não tinha tempo de ligar ou ir a sua casa? Desenvolver sentimentos por alguém era uma coisa, mas Erico se recusava fazer papel de ridículo. “Diga-me.”

“Francois não trabalha. Ele está esperando que retorne ao trabalho, mas precisa começar a procurar um substituto.” Mario informou Erico.

“O que? Porque Jay não me disse isso? Eu especificamente lhe pedi que vigiasse as coisas.” Estaria Jay muito ocupado, inclusive para fazer isso?

“Porque Jay fica paranóico de que lhe de outro ataque cardíaco se te disser. Ele esteve tentando resolver o problema a sua maneira.” Mario explicou.

“Como?” Pensar que Jay brigasse com François, enquanto tentava ajudar ao restaurante fazia Erico ver tudo em vermelho.

Mario notou a repentina mudança na conduta de Erico. Pôs sua mão no ombro de Erico e Pressionou. “Vê? Esta é exatamente a razão porque ninguém te disse nada. Tem que aprender a se acalmar.”

“O que tem feito Francois?” Erico grunhiu com as mandíbulas tensas.

“Não é grande coisa, garanto isso. Além de ser um imbecil de grau maior. Jay o encontrou servindo massa congelada e molho de lata.”

“O que? Pensa que isso não é grande coisa? Francois é um chef altamente qualificado. Que diabos pensou ao servir massa congelada em meu restaurante?” Erico sentia a veia em sua testa começar a pulsar. Ficou em pé e começou a caminhar pelo vestiário, tentando usar as técnicas que o psicólogo lhe tinha dado para lidar com o estresse.

Á merda com isso. “Eu nunca serei uma pessoa que não se zangue quando as coisas estão erradas. Eu sou o que sou”. Uma idéia o golpeou. “É por isso que Jay esteve me evitando?”

Mario se encolheu de ombros. “Provavelmente uma das razões. Acredito que em conjunto, ele está confuso a respeito de seus sentimentos. Misturado com a confusão no restaurante que esteve tentando dirigir e não é de surpreender que ele tente evitá-lo.”

“O que ele está fazendo no restaurante?” Erico perguntou.

“Jay vai depois de seu turno preparar o molho e as massas. Acredito que as horas extras estão começando a esgotá-lo. Ele parece realmente cansado nos últimos dias, e acredito que Ethan está preocupado com ele.”

Ethan. O tipo que o despreza. Erico se perguntava que tipo de merda que murmuraria ao ouvido de Jay. “Vou falar com Jay. Não há razão de que ele deva corrigir o descuidado trabalho de Francois.”

“Só me faça um favor e não vá o ver zangado. Ele está se matando por fazer isto, não despreze todo seu duro trabalho com uma conversa.” Mario lhe disse com um sorriso de entendimento em seu rosto.

Pensar que Jay tinha chegado a esse extremo para manter a verdade longe dele. Fez com que Erico se sentisse melhor a respeito de sua relação. Jay não estaria cuidando tanto da saúde de Erico se seus sentimentos fossem apenas o de foder.

“Vou guardar meu temperamento para a pessoa que merece.” Erico tirou sua roupa do vestiário e começou a despir-se.

“Primeiro terá que contratar um novo Chef.” Mario caminhou para a porta dando privacidade a Erico para trocar-se.

Enquanto ele vestia seus jeans contemplava suas opções. Sabia que se deixasse Francois trabalhando no ‘La Canoe’’, isso lhe daria um nível de estresse não muito bom. Possivelmente ele não necessitava um novo chef. Erico começou a verificar todas as coisas do restaurante que o estressavam. No topo da lista estava a papelada que envolvia manter seu próprio negócio. Quanto mais pensava mais claras via as coisas. Saiu do vestiário com uma idéia clara de como dar um giro em sua vida.

 

“Pedido pronto.” Jay disse a Kitty através da janela.

Pegou o próximo pedido e sorriu. Frango assado sem pele e salada. Jay caminhou para as portas giratórias e olhou para a multidão. Enxergou Erico sentado sozinho em uma mesa. Jay se perguntava onde estava Rosa. Voltou ao trabalho e rapidamente preparou o jantar de Erico. Estava satisfeito de ver que não havia outros pedidos em que trabalhar. Jay decidiu levar a comida a Erico, detendo-se no bar para perguntar a Sean se estava de acordo.

“Não se incomoda que tome um breve descanso? Todos as pedidos estão prontos.” ele adicionou.

“Claro. Se algo se apresenta envio a Kitty por você.” Sean lhe piscou um olho.

Jay finalmente se quebrou e tinha explicado ao seu chefe, porque ele estava tão cansado nos últimos dias. A diferença da maioria das pessoas de Cattle Valley, Sean parecia feliz por Jay, quando Jay tinha assegurado ao seu chefe que ele não planejava ir trabalhar no ‘La Canoe’’.

“Hei.” Jay disse, deixando a comida de Erico na mesa. “Onde Rosa está?”

Jay se sentou frente à Erico. Maldição, Erico parecia realmente bonito. Sentia saudades mais do que queria admitir, inclusive para si mesmo. Jay repentinamente desejou estar sozinho e não em um concorrido restaurante.

“Disse-lhe que precisava falar contigo em particular.” Erico respondeu.

Jay sorriu e olhou ao redor da sala. “Não muito particular.”

Erico sorriu e se encolheu de ombros. “É o melhor que pude fazer.” Erico tocou a bochecha de Jay. “Parece cansado.”

“Acho que vou pegar alguma coisa.” Jay disse rapidamente.

“Talvez apenas esteja se excedendo.” Erico disse com a voz suave a que usava com Jay.

Jay começou a perguntar-se se Erico sabia. A expressão na cara do homem dizia mais que as palavras. “Vem do ‘La Canoe’?”

Erico assentiu. “Despedi-me do Francois esta tarde. Devia falar com você, mas vi que estava ocupado e decidi esperar.”

Jay fechou os olhos. Perguntava-se se Erico estava aborrecido com ele pelo engano. “Está zangado?”

“Droga, sim, estou zangado, mas não com você.” Erico ficou em pé e rodeou a mesa para sentar-se ao lado de Jay. “Obrigado por fazer tudo o que pôde. Em primeiro lugar sinto muito ter te posto nessa situação.”

Jay inclinou a cabeça, apoiando-a no ombro de Erico. “Que vai fazer agora?”

“Cozinhar. Isso é o que faço. Isso é o que me faz feliz.”

Estando tão perto, Jay não pôde evitar, beijou a mandíbula de Erico. “É muito cedo para isso. Talvez devesse fechar por uma semana.”

“Fechei hoje depois de mandar Francois ao inferno, mas reabro para o jantar de amanhã. Estou bem, sério. Decidi trabalhar horário reduzido outra semana, enquanto tento encontrar um administrador, então retornarei ao horário habitual.”

Jay se pressionou contra um lado de Erico. Deus sentia saudades a calidez de Erico. “E a respeito de um novo chef?”

Erico envolveu seu braço ao redor de Jay e o beijou. “Decidi que não necessito um. Isso é pelo que estou procurando um administrador que se encarregue da papelada e os empregados. Deixando-me livre para cozinhar.” Erico beijou Jay de novo. “Para mim não existe estresse em cozinhar.”

Jay pôs suas mãos nas coxas de Erico e apertou. “Parece que pensou bastante.”

“Fiz isso.” Erico olhou Kitty chegar à mesa.

“Sinto muito, querido, mas tenho um pedido de hambúrguer com batatas esperando por você.” Kitty disse com tom de desculpa.

“Sem problema. Obrigado, Kitty.” Jay olhou de novo Erico. “Bom, já que não tenho que fazer mais massa, possivelmente possa te ver amanhã depois do turno.”

Antes de sair dos bancos, Erico embalou o rosto de Jay. “Sei que te assusta que eu possa te magoar, mas necessito que me dê a oportunidade de te provar que não o farei.”

Jay pressionou sua bochecha contra a palma de Erico. “Tentarei.”

 

Jay entrou no escritório do prefeito e sorriu a Carol. “Hei. Posso roubar seu menino um momento?”

Carol sorriu a Ethan. “Claro. Ele não tem que me dar outra massagem nas costas até dentro de trinta minutos.”

Ethan girou os olhos e saiu atrás da mesa. “Você era mais agradável antes de ficar grávida.”

Carol inclinou a cabeça e riu. “É um mentiroso.”

Ethan riu. “Sim, sou.”

Jay pensou que talvez nunca entendesse a relação de Ethan com Carol. Apesar de que Carol fosse apenas dez anos mais velha que Ethan, ela o tratava mais como seu filho que como seu colega de trabalho. Jay não invejava isso de Ethan. Sabia que seu melhor amigo tinha crescido sem uma mãe, então imaginava que o cara merecia um pouco de atenção maternal.

Eles saíram do escritório e subiram as escadas que levavam aos outros escritórios administrativos. Jay sentou-se em um dos degraus. “Acredito que deveria saber que continuo vendo Erico.”

Ethan, que tinha seu braço apoiado no corrimão se negava olhar Jay. “Imaginei muito isso.”

“Imaginou?”

“Claro. Realmente você não foi trabalhar todas essas horas no ‘La Canoe’’ se não se interessasse pelo homem.”

Jay estudou Ethan tentando ver se havia decepção em seu amigo. Percebeu com surpresa a ira não falada na expressão de Ethan.

“Realmente quero que isto funcione.” Jay adicionou.

“Sei que quer.” Ethan suspirou e se sentou no degrau ao lado de Jay. “Mais que ninguém, sei que merece ser feliz. Eu apenas não acredito que seja o homem que necessita.”

Mesmo quando eles nunca tinham falado sobre isso, Jay sabia que o abuso de Randy tinha afetado genuinamente Ethan. Seu melhor amigo tinha sido atingido pelo punho de Randy, apenas o sentimento de amor por Ethan foi devastada pela ação do ex-amante de Jay.

"Eu não pretendo ir cego, a um relacionamento sério. Eu só me decidi abrir o suficiente para ver por mim mesmo se eu posso."

"E vi os hematomas nas costas. Fazem parte dessa abertura? "Ethan perguntou.

Jay bateu de frente. "Isto é tudo? Você acha que Erico os fez?"

"Eu sei o que eu vi Jay. Não tente inventar desculpas como fez com Randy.”

Jay não sabia se foi insultado ou animado, por Ethan vai continuar lhe defendendo. Levantou-se, e mostrou-lhe a camisa de volta. "Contusões e arranhões que eu fiz quando escorreguei no gelo. Os outros três que você pode ver são marcas de mordida."

Jay baixou a camisa e se girou para seu amigo. “Tenho certeza que pensa que estou totalmente doente e fodido, mas eu gosto de sexo rude. Eu gosto de sentir que um homem golpeia seu pênis dentro de mim. Isso não quer dizer que Erico abuse de mim. Acredite-me, aprendi a lição com Randy. E Deus me livre, se Erico puser uma mão em mim, estando zangado, tenho um montão de amigos na cidade a quem ir pedir ajuda.”

Ethan mantinha as mandíbulas fortemente fechadas quando Jay terminou. “Porque não sabia isso a respeito de você?”

Jay pegou suas mãos. “Porque é meu melhor amigo, não meu amante.”

“Só não entendo como alguém que foi abusado, pode desfrutar…” Ethan sacudiu a cabeça. “Você sabe. Essas coisas que você gosta.”

Jay sacudiu a cabeça e caminhou para a porta. “Não preciso explicar essa parte minha. Embora seja meu amigo ou não. Como desfruto ser fodido não entra nisso.”

Jay caminhou para fora do edifício. Não se surpreendeu de manter essa parte de si mesmo em segredo. Se seu melhor amigo o via dessa forma, que pensaria as pessoas dele se soubessem?

“Jay!” Ethan lhe gritou dos degraus.

Jay se girou. “O que?”

“Amo-te, não importa nada. Sabe disso, não sabe?”

Jay sabia que ele não podia zangar-se com Ethan. “Sim. Eu sei.”

 

Erico entrou no bar e cumprimentou Jay, através do guichê de entregas.

“Quase terminei.” Jay disse.

Erico assentiu e sentou-se no bar. “Um copo de chá gelado, por favor.”

“Cafeína?” Sean perguntou.

Erico girou os olhos. Parecia que desde que seu estado de saúde se fez publico, toda a cidade se converteu em nazistas da comida. Ele inclusive estava excluído da padaria. “Deixe o licor, minha comida favorita, não tive sexo por uma semana. Penso que mereço um pouco de chá gelado, não acha?”

Rindo, Sean deu o copo ao Erico. “Melhor tomar antes que Jay o veja. Ele esteve em meu traseiro durante dois dias para adicionar mais mantimentos saudáveis ao menu.”

Erico se emocionou com o comentário. Era assombroso como algo tão simples podia fazer que se apaixonasse mais por Jay. Como um jovem de vinte anos podia estar pensando em planejar menus saudáveis? “Ele realmente é admirável.”

Sean sorriu. “Eu sou um cínico bastardo, a maioria das pessoas não me impressiona, mas Jay é… especial.”

Antes que Erico pudesse responder, Sean se inclinou sobre ao balcão e olhou fixamente nos olhos de Erico. “Assegure-se de ser sério antes de continuar com ele.”

Erico não se incomodou com a advertência de Sean. Tinha notado durante os dois dias anteriores como a maioria das pessoas da cidade protegia Jay, e devidamente. Jay tinha chegado a Cattle Valley como um assustado homem de dezenove anos, tentando desesperadamente encontrar um lugar seguro onde pudesse ser ele mesmo e a cidade o tinha imediatamente acolhido com os braços abertos.

Erico assentiu, entendendo. “Nunca estive mais sério em minha vida.”

“Realmente pensa que pode deixar seus velhos costumes?” Sean perguntou a Erico.

Erico olhou direto aos olhos de Sean. “Se tivesse um homem como Jay em sua vida, se incomodaria em procurar algo melhor?” Erico sacudiu a cabeça. “Para meus olhos ele é o único e o melhor.”

Sean saiu do bar e golpeou o ombro de Erico. “Isso é o que eu queria ouvir.” E se dirigiu à cozinha. “Deixa disso, Jay. Tem um homem aqui fora que quer suicidar-se com um copo de chá gelado.”

Jay saiu da cozinha antes inclusive de que Sean fechasse a boca. “O que?” Jay se apressou ao balcão e pegou o copo de chá.

Erico sorriu e sacudiu a cabeça. “Talvez em vez de me acusar, devesse comprar algo descafeinado.”

“Vou pensar nisso.” Sean disse rindo.

Jay pegou o casaco do gancho justo à saída da cozinha. “Tudo está feito exceto esterilizar o fatiador.”

“Eu me encarrego disso.” Sean adicionou.

Erico ficou em pé e lhe ofereceu a mão. Quande Jay a pegou, o coração de Erico finalmente ficou em paz. Sabia que eles tinham falado muito a respeito disso, mas esperava que Jay realmente pudesse lhe dar uma oportunidade.

 

Entrando na casa de Erico, Jay sentia como se fosse seu lar. Apesar de que apenas tivesse passado algumas noites ali, seu corpo se tranqüilizava quando entrava pela porta. Ele ainda não estava totalmente convencido de que estivesse fazendo o certo, mas definitivamente estava seguro de estar pronto para dar uma oportunidade.

“Vou acender a lareira.” Erico disse depois de ajudar Jay com seu casaco.

Jay seguiu Erico ao interior da sala e se sentou no sofá. “Como vão as coisas no restaurante?”

Erico acomodou os lenhos e acendeu o gás. “Estou muito bem em retornar à cozinha.”

“Não está se excedendo, não é?” Jay esteve preocupado toda à tarde. Cada vez que o telefone soava no bar, ele saltava pensando que poderiam ser más notícias. Várias vezes ele se deteve de pegar o telefone e ligar para checar Erico.

“Que nada. Estive só concentrado em cozinhar e nada mais. Bom, coloquei dois anúncios procurando administrador para o restaurante.” Erico ficou em pé e sacudiu as mãos. “O que você gostaria de tomar?”

“Água está bem para mim.” Jay respondeu.

Erico saiu da sala e Jay pegou o cobertor no respaldo do sofá e se envolveu nele. Aconchegou-se em um canto do sofá e suspirou. Sentia-se tão incrivelmente cômodo com Erico. Essa foi à razão pela que decidiu aceitar a recente relação.

Erico retornou a sala e deu a Jay seu copo com água e gelos.

“Você não se importa?” Erico perguntou, indicando o lugar ao lado de Jay no sofá.

“Não.” Jay respondeu honestamente.

Jay sabia que Erico merecia uma explicação pela maneira em que tinha atuado nos últimos dias, mas ele não tinha certeza por onde começar. “Não é fácil para mim confiar nas pessoas.”

Erico tomou um gole de sua água, antes de deixar o copo na mesa de café. “Posso entender isso.”

O suave veludo na ponta do cobertor chamou a atenção de Jay e começou a passar seus dedos, enquanto tentava organizar seus pensamentos. “Eu nunca fui amado. Quero dizer, eu amei minha família, mas acredito que isso seja diferente. Supõe-se que a família te ama não importa o que aconteça, não é?”

Erico descansou seu braço no respaldo do sofá e começou a brincar com as pontas do cabelo de Jay. “E ao final não o fizeram.” ele conjeturou.

“Sim, algo como isso.” Jay respirou fundo. “Randy acostumava me dizer o muito que me amava depois de cada surra.”

“Isso não é amor, bebê.” Erico disse rapidamente.

“Agora eu sei. Mas naquele momento eu pensava que isso servia para fortalecer minha convicção de que o amor não era algo real, ao menos não para alguém como eu.”

“Alguém como você? Você é o mais amoroso e gentil homem que conheço. Se alguém for fácil de amar é você.” Erico embalou a bochecha de Jay.

Depois de um rápido beijo, Erico continuou. “Eu nunca quis me apaixonar. Eu vi como ficou devastada minha mamãe, quando meu pai morreu e decidi que eu nunca faria isso a ninguém. Possivelmente eu seja um egoísta por me apaixonar por você agora. Mas é o único homem que transpassou as barreiras que tinha posto ao redor de meu coração.”

“Você está são agora, não está?” Jay perguntou.

“Agora? Sim. Bom tudo quão são pode estar alguém com minha história genética, Penso. Mas não posso predizer o futuro.”

Jay assentiu e se deslizou mais perto de Erico. “Penso que ajudaria que tivesse um namorado que mantivesse um olho em você, huh?”

Erico sorriu. “Isso pode definitivamente ajudar. Conhece alguém interessado em tomar esse posto?”

Jay envolveu seus braços ao redor de Erico e se aconchegou em seu peito. “Penso que posso conhecer alguém que gostaria de se candidatar para o cargo.”

“Acredito que assumir isso com naturalidade requererá um pouco de formação.” Erico beijou o topo da cabeça de Jay. “Estou bastante seguro de saber como me sinto com respeito a você, mas prometo não dizer uma palavra de novo até que esteja preparado para escutá-las.”

Jay fechou os olhos e suspirou. “Leva-me a cama.”

 

Depois de levar Jay à cama, Erico retornou à sala e desligou o gás, antes de verificar que tudo estivesse fechado. Ao voltar ao quarto e começou a tirar a roupa, enquanto olhava o homem que esperava por ele.

A expressão no rosto de Jay era uma que Erico nunca esqueceria. Era uma combinação de luxúria e medo. Erico esperava ser capaz de ajudar seu amante em ambos os aspectos.

Nu, Erico se deslizou entre as cobertas e se pressionou contra o cálido corpo de Jay. Apesar do que Jay pensava, Erico sabia que o homem o amava. Jay. Poderia levar tempo para entender seus sentimentos o suficiente para saber a verdade, mas Erico podia esperar. Enquanto eles estivessem juntos, a etiqueta que utilizassem para descrevê-los não fazia diferença para ele.

Erico se girou acima de Jay e se insinuou entre as pernas de seu amante. Erico não tinha intenções de foder Jay como no passado. Apesar de que ele não pudesse dizer por seu nome, ele queria fazer amor com Jay. Sua maior esperança era mostrar a Jay um lado diferente do sexo. Erico gostava de sexo rude e Jay combinava muito bem nesse aspecto, só que ele queria expressar mais do que podia expressar-se com uma dura fodida.

“Senti muitas saudades.” Erico roçou seus lábios contra os de Jay.

Jay envolveu suas pernas ao redor de Erico e o beijou, chupando a língua de Erico em sua boca.

Desfrutava de cada momento que estivessem juntos, a intensidade era imediata e Erico empurrava a si mesmo. Ele quebrou o beijo e começou a trabalhar seu caminho pelo corpo de Jay com sua língua. Enquanto lavava os escuros mamilos de Jay, pode sentir o duro pênis de seu amante pressionar sobre seu abdômen.

Raspou um dos duros mamilos com seus dentes e recebeu o delicioso som de prazer da parte de Jay. Erico substituiu sua boca com seus dedos e beliscou os sensíveis mamilos, enquanto continuava lambendo para baixo pelo abdômen de Jay. Deteve-se no umbigo de Jay e colocou sua língua na ligeira fenda, aplicando inclusive mais pressão aos mamilos entre seus dedos.

Jay grunhiu e empurrou a cabeça de Erico, silenciosamente pedindo a Erico que tomasse seu pênis.

Agradar seu amante não era problema para Erico. Deslizou-se mais abaixo, chupando a sensível pele ao redor do pênis de Jay.

“Oohhhh.” Jay gemeu, quando Erico continuou marcando-o com pequenos chupões.

Erico fazia cócegas à base do pênis de Jay com sua língua, enquanto continuava o assalto aos mamilos de Jay. Lambeu seu caminho pelo eixo de Jay para a coroa. Mantendo o contato visual, Erico engoliu o doce pré-sêmen que caía em copiosa quantidade do buraco na cabeça do pênis de Jay.

Jay tinha as cobertas em um punho. “Foda-me.” ele pediu.

Erico chupou mais da doce essência dentro de sua boca, antes de acariciar com seu nariz o buraco de Jay. Lambeu a sensível área com a ponta de sua língua enquanto roçava seu próprio pênis contra as cobertas abaixo dele. Erico não podia decidir se era o sabor ou os continuados sons de seu amante os que o acenderam mais.

Sentiu a garrafa de lubrificante pressionando-o na mão e sorriu.

“Necessito-te dentro de mim.” Jay murmurou. “Sinto-me vazio se não está dentro de mim.”

A declaração impactou Erico. Olhando o rosto de Jay e se sentou. Sabia que passaria muito tempo até que Jay confiasse o suficiente para fazê-lo ao natural, então pegou em sua mão a camisinha. Algum dia.

Depois de colocar a camisinha em seu eixo, abriu a garrafa de lubrificante e verteu em seus dedos. Jay ia girar-se, mas Erico o deteve com uma mão no torso. “Fique assim.”

Uma vez mais um flash de medo cruzou a expressão de Jay.

Erico sorriu, tentando facilitar a entrada a seu amante com seus dedos. Sabia que a intimidade que envolvia o sexo cara a cara era algo novo para Jay. Droga. Era algo pouco comum para ele também. Erico preferia a profundidade que alcançava estando atrás, mas esta cópula não era apenas enchê-lo sexualmente.

Depois de trabalhar com dois dedos o buraco de Jay, Erico posicionou a cabeça de seu pênis. Deitando-se acima de Jay, Erico apoiou a maior parte de seu peso sobre seus braços e lentamente foi enterrando seu pênis até a raiz.

Olhando Jay aos olhos, Erico se conteve de dizer as palavras que sentia profundamente em seu coração. Em vez disso ele se saiu e entrou uma e outra vez, começou lento, mas a intensidade e o ritmo aumentaram.

“Amo sentir seu corpo ao redor de meu pênis.” ele disse balançando seu pênis dentro e fora do buraco de Jay.

Jay assentiu e finalmente falou. “Nunca me senti tão completamente cheio.”

Erico sorriu, ele sabia que inclusive sem palavras, Jay estava falando mais que de seu pênis, nesse momento Erico se estava ultrapassando com as sensações, ele sentia as lágrimas nublarem sua visão. Olhando os olhos fortemente delineados de seu amante, Erico engoliu o nó em sua garganta. “É incrivelmente formoso.”

Um suave rubor cobriu as bochechas e o pescoço de Jay. “Você faz com que me sinta formoso.”

Erico se baixou mais para roçar com seu abdômen o duro pênis de Jay, apanhando o eixo entre eles. Inclinou-se e mordeu um lado do pescoço de Jay, enquanto tentava deter sua rápida aproximação ao clímax.

Enquanto Erico marcava Jay com seus dentes, seu amante gritava seu nome. A quente semente de Jay entre eles apontou seu orgasmo.

Erico conseguiu bater duas vezes mais, antes de empurrar tudo quão duro pôde contra o buraco de Jay. Gozou sentindo que enchia a camisinha ao ponto do risco. Sem dar-se tempo a paralisar, Erico pegou a base a camisinha, enquanto saia.

Sabia quando deu um nó na camisinha e a jogou ao lixo, que ele fez o certo. Então finalmente se permitiu cair no colchão ao lado de Jay puxando-o a seus braços enquanto as emoções ameaçavam ultrapassar. A promessa que fez a Jay chegou à mente de Erico e fechou os olhos com força, quanto tempo poderia estar sem dizer ao homem em seus braços que o amava?

Erico optou por uma versão diferente de palavras, embora significassem a mesma coisa. “Você é meu.”

 

 

                                           Epilogo

 

Em quinze de fevereiro, Cattle Valley se prepara para seu baile anual do dia de São Valentin no salão de festa do hotel ‘Twin Pines Lodge’. Jay estava estupidamente nervoso, enquanto brincava nervosamente com o nó de sua gravata. “Tem certeza de eu que pareço bem?”

“Parece fantástico.” Nate disse, detendo-se ajustar a gravata de seda vermelha. “Porque está tão nervoso? Você já foi há vários destes eventos.”

Jay sorriu. “Nunca tive um encontro.”

Nate deu um passo atrás e inclinou a cabeça revisando a gravata de Jay. “Perfeito.”

Jay se via no traje negro que Nate e Wyn lhe ajudaram a escolher. Ele nunca tinha ido ao baile de graduação, mas em seu coração, sabia que inclusive o baile de graduação não se podia comparar a ir a este baile de braço com Erico.

“O amor faz você parecer bem.” Nate comentou com um tolo sorriso em seu rosto.

Jay sorriu e pressionou um dedo em seus lábios. “Shhh, é um segredo.”

“Não é”, Nate lhe informou.

“Sim é. Vou dizer-lhe esta noite pela primeira vez.” Jay esclareceu.

Nate sacudiu a cabeça. “Sinto muito carinho, mas toda a cidade sabe, basta ver seus olhos quando vocês dois estão juntos.”

Jay pôde sentir o calor e o rubor que cobria seu rosto e pescoço. “Acha que Erico sabe?”

Nate assentiu. “Tenho certeza disso.”

“Então porque não disse nada?” Jay perguntou, calçando seus novos e brilhantes sapatos negros. Nate já tinha raspado as solas com uma lixa para evitar que escorregasse na úmida calçada exterior.

Nate riu, pegou o rosto de Jay entre suas mãos e lhe deu um beijo. “Não acredito ser a única pessoa na cidade que lhe advertisse para que não te pressionasse. Imagino que é sua maneira de auto-preservação.”

Jay não gostou como ouviu aquilo. “As pessoas o ameaçaram?”

Nate caminhou para trás e levantou um elegante casaco. “Não exatamente ameaçado. Mas, bem mantemos um olho nele. Tem muitos amigos em Cattle Valley. Gente que te quer bem. É natural para eles querer te proteger de alguém com a reputação de Erico.”

“Ele não merece isso. Erico me deu mais neste mês e meio do que recebi em toda minha vida.”

Nate se aconchegou dentro de seu casaco e abriu a porta do apartamento de Jay. “Sei disso. Posso dizer que vi uma grande diferença nele, desde que vocês dois estão juntos. Talvez seja tempo de que o resto da cidade saiba.”

Nate saiu sem dizer outra palavra e Jay ficou perguntando-se que esperava seu amigo que fizesse.

 

“Espera aí”, Erico disse antes de sair de seu veículo e rodeá-lo para abrir a porta de Jay. Ele não podia acreditar quão formoso seu amante estava naquele traje. Enquanto sua relação progredia, Erico estava admirado de ver que Jay somente parecia usar maquilagem em ocasiões especiais. Erico esperava que fosse um sinal de que Jay estava lentamente sentindo-se bem com ou sem a ajuda de Maybelline.

Erico ofereceu a mão a Jay, quem imediatamente pegou. Quando Jay esteve frente a ele, Erico levantou a mão de seu amante e a beijou.

“Obrigado, amável senhor.” Jay disse com uma rápida risada.

“Esta noite é tua.” Erico respondeu. Sentiu-se mal de não haver dado um dia apropriado de São Valentin na noite anterior. Porque o dia esteve muito ocupado em ambos os restaurantes, e ambos tiveram que trabalhar, embora eles se encontrassem depois.

Enquanto Erico guiava Jay para o hotel, não podia apartar os olhos dele. Recordou-se de agradecer a Nate e Wyn por ajudar Jay com seu traje.

“Poderia deixar de olhar-me dessa forma?” Jay ria e suas bochechas se ruborizavam.

“Sinto muito, mas não posso fazer isso.” Erico declarou honestamente. “Prometa ter olhos só para mim esta noite.”

Jay sorriu e apoiou a cabeça no ombro de Erico enquanto esperavam entrar no salão de baile. “Não sei. Joey e Gracie devem estar aqui e você sabe quanto eles gostam de seu tio Jay.”

Jay se pressionava contra Erico. “Embora possa prometer te reservar todas as danças.”

Erico pareceu refletir. “Está bem. Eu posso te compartilhar com menores de sete anos, mas essa é minha linha.”

Erico entregou os ingressos e guiou Jay ao fundo da linda decoração do salão. “Uau. Isto parece como se tivesse toda a floricultura aqui dentro.”

“Acredito que tem razão.” Jay adicionou.

“Onde você gostaria que nos sentássemos?” Erico perguntou.

Jay olhou ao redor do salão e indicou uma grande mesa redonda. “Ali há duas cadeiras vazias.”

“Parece bom, terei oportunidade de conhecer um pouco mais Asa.” Erico pôs sua mão na pequena cintura de Jay e o seguiu à mesa. “As cadeiras estão ocupadas?”

“Agora estão”, Mario disse. “Vou pegar bebidas, acompanha-me?”

Erico ajudou Jay com sua cadeira, antes de lhe dar um ligeiro beijo nos lábios. “Que você gostaria?”

Jay mordeu o lábio inferior. “Bom, eu gostaria de provar o champagne, mas se vir Ryan por aí, será melhor que traga ponche.”

Erico sorriu e assentiu antes de dirigir-se para o bar ao lado de Mario.

“Não tinha pensado a respeito de que seu acompanhante não tinha idade legal para beber?” Mario perguntou.

Erico sacudiu a cabeça. “Jay não tem idade para mim, apenas não pensei nisso.”

Mario bateu em suas costas tão forte que quase tombou Erico. Espantado entrecerrou os olhos. “O que diabos foi isso?”

Mario apoiou o cotovelo no bar. “Boa resposta.”

Erico arrumou seu traje. “Na próxima vez só diga está bem, ok?”

Mario ria. “Adoentado.”

Erico pediu duas taças de champagne. Se Ryan perguntasse, Erico poderia jurar que ambos eram para ele.

“Uh OH. Estão levando seu acompanhante.” Mario disse, apontando para o salão.

Erico não se surpreendeu ao ver o Jay carregando Joey. Sabia o muito que Jay amava o pequeno menino. “Esta cidade vai ter que encontrar uma nova babá.”

“Se eu fosse você me apressaria.” Mario disse, quando Gracie correu para Jay.

“Ao menos esperou que deixasse a mesa.” finalmente disse. Podia pretender estar ciumento, mas Erico amava ver Jay com as crianças. Essa foi uma das principais razões pelas que se apaixonou por esse homem. Bom, essa e ao vê-lo naqueles sexys shorts que Jay adorava usar.

Com as taças na mão se dirigiu para a mesa.

“Sinto muito.” Asa ria. “Jay viu Joey em seu pequeno traje e não pôde resistir.”

Erico deixou as taças de champagne e se dirigiu à mesa de Bo e Rance. Cumprimentou Lark e Kade antes de entrecerrar os olhos para Bo. “Droga, Bo, Jay é meu par esta noite.”

Bo ria e se encolhia de ombros. “Nunca subestime o poder de um bebê companheiro.”

“Joey é viciado nas canções de Jay.” Rance adicionou. “Pedimos a Jay que grave algumas canções para quando Joey estiver inquieto. Agora que você está tomando todo o tempo livre de Jay, Joey se retraiu.”

Erico tinha ouvido pequenas partes da voz de Jay cantando, mas nunca tinha ouvido Jay cantar toda a canção. Caminhou para o canto da sala onde Jay estava sentado no piso com Joey entre suas pernas com a cabeça descansando em seu abdômen, enquanto Jay jogava patty cake[3] com Gracie.

Erico ficou de pé frente aos três e cruzou os braços sobre seu peito. “Você vai enrugar seu traje.”

Jay olhou para Erico e sorriu. “Não me incomoda.”

“Estamos brincando.” Gracie informou a Erico com aborrecimento em sua voz.

“Estou vendo isso, mas talvez eu possa brincar com Jay um pouco.”

Jay terminou o jogo de patty cake e se inclinou para beijar Gracie. “Veremo-nos depois.”

Gracie enrugou o nariz para Erico, antes de sair procurar Tyler e Hearn. Jay sustentou Joey e ficou de pé. O bebe estava inquieto e Jay começou a lhe esfregar as costas. “Tudo bem pequeno.”

Jay caminhou em círculos tentando acalmar Joey.

Erico se inclinou contra a parede, quando Jay começou a cantar uma canção de berço. Em um momento Joey adormeceu com sua cabeça apoiada no ombro de Jay.

“Porque não canta para eu dormir?” Erico perguntou.

Jay riu. “Porque tenho coisas melhores para te fazer ao invés de dormir.” Jay disse passando a mão pela frente da calça de Erico. “Verdade?”

Erico assentiu. “Não posso discutir com isso.”

 

Com os braços de Erico envolvendo-o, Jay suspirou. “Esta é a melhor noite de minha vida. Obrigado.”

Erico continuou guiando Jay pela pista de baile, enquanto o beijava. “Feliz são Valentin.”

Jay se inclinou e deu um suave beijo em Erico. “Amo-te.” murmurou contra os lábios de Erico.

Erico se aproximou e empurrou sua língua dentro da boca de Jay. Jay não pôde evitar gemer, quando sentiu o duro pênis contra ele.

Rompendo o beijo, Erico se apartou o suficiente para olhar aos olhos de Jay. “Amo-te, mais que tudo no mundo.”

“Inclusive mais que ‘La Canoe’?” Jay tentou brincar.

“Muito mais. Desde nosso primeiro beijo, entendi que era realmente importante em minha vida. Cozinhar alimenta minha parte criativa, mas você alimenta minha alma.”

“Nate disse que os moradores da cidade te deram momentos difíceis.” Jay deixou que seus dedos brincassem com os cachos no pescoço de Erico.

“Eles fizeram isso, mas você vale à pena.” Erico disse em um tom de é-um-fato.

Jay viu Nate e Rio dançando bochecha com bochecha. Pensou no que Nate lhe havia dito na tarde e sorriu. Agora que havia dito a Erico que o amava, era momento de lidar com todos seus protetores na cidade.

Jay deixou de dançar. “Se incomodaria se descanso um pouco? Há algo que preciso fazer.”

“Não, bebê, estou bem.” Erico guiou Jay fora da pista de baile. “Quer um copo de ponche ou água?”

“A água está genial.” Jay disse a Erico. Deu em seu amante um rápido beijo, antes de afastar-se através da multidão do salão de baile.

Jay se dirigiu ao estrado onde estava Trick Allen e sua banda, The Cowboys, tinham terminado a canção e evidentemente estavam preparados para um descanso. Esperou até que Trick o notasse e levantou a mão saudando-o.

“Hei, Jay.” Trick cumprimentou.

“Hei, Senhor Allen.” Jay respondeu.

“Trick.”

Jay assentiu. “Trick. Perguntava-me se seria possível que dedicasse uma canção por mim.”

“Claro. Qual é a ocasião?” Trick perguntou.

Jay apontou por volta do salão. “Pensei que seria mais fácil dizer assim a todos meus amigos que estou apaixonado, que ele é um grande homem e que posso me cuidar sozinho.”

Trick sorriu. “Alguma canção em particular?”

“Há uma canção que eu canto quando estou na ducha só pensando em Erico, mas é da Ann Murray, não tenho certeza se posso fazer isso.”

Trick sorriu. “Conheço a canção da que falas e sim posso fazê-lo.”

“Obrigado, senhor.”

“Trick!”

Jay sorriu e assentiu. “Sinto muito. Trick.”

 

“Vejo que o perdeu de novo.” Asa ria.

Erico olhava a multidão procurando seu amante, “Sim. Ele disse que tinha algo importante para fazer, mas Bo e Rance já não estão aqui, então sei que não está com Joey.”

“Falando do diabo.” Asa ria, enquanto Jay sentava-se ao lado de Erico.

Erico envolveu seus braços ao redor de Jay e o puxou para um beijo. “Estava começando a me preocupar que me abandonou.”

Jay sacudiu a cabeça. “Nunca farei isso.”

Erico olhou diretamente aos olhos de Jay. Deus. Sou um estúpido apaixonado. “Espero que seja assim.”

Jay ficou de pé e pegou a mão de Erico, “A banda vai começar, dança comigo?”

“Claro.” Erico seguiu Jay à pista de dança, e envolveu a cintura de seu amante.

“A próxima canção Jay dedica a Erico. Jay também quer dizer a todos que aprecia seu amparo, mas que ele já pode cuidar-se daqui.” Trick anunciou, antes de começar a canção, Can I Have This Dance[4].

Erico puxou Jay mais perto e o beijou ninguém tinha feito algo tão especial para ele. “Amo-te.”

“Amo-te. Agora me deixe cantar para você.” Jay descansou seu queixo no ombro de Erico e brandamente cantou para ele.

Quande Jay chegou à parte em que perguntava a Erico se seria seu par toda a noite, Erico fechou seus olhos. Amar Jay era um sonho do qual ele não queria despertar. Sabia que eles ainda tinham um longo caminho que percorrer em sua relação, mas Erico olhava para frente construindo um futuro com o homem que tinha em seus braços.

Uma mão em suas costas sobressaltou Erico. Estava tão perdido em seu amor que tinha bloqueado o salão inteiro, exceto o homem que tinha em seus braços. Erico olhou sobre seu ombro a Ethan.

“Só queria te agradecer por dar ao Jay tudo o que ele merece.” Ethan disse.

Erico sabia que tinha sido difícil para Ethan admiti-lo, considerando a adversidade que o jovem lhe tinha há muito tempo. Assentiu e sorriu. “Obrigado. Isso significa muito para nós.”

Jay se afastou de Erico o suficiente para dar um abraço em seu amigo. “Amo-te.”

Ethan beijou a bochecha de Jay. “Amo-te antes e sempre o farei.”

Quando Ethan se afastou, Erico puxou Jay, uma vez mais contra seu peito. “Tem certeza de que nenhuma vez houve algo romântico entre vocês?”

Jay sorriu e negou antes de beijar Erico. Erico se abriu imediatamente e chupou a língua de Jay. A canção terminou e eles finalmente romperam o beijo. Jay continuava olhando fixamente os olhos de Erico. “Há alguém para cada um. Ethan apenas não o encontrou ainda, mas um dia o fará.”

“Eu tive sorte ao te encontrar.” Erico disse enquanto eles caminhavam de retorno a sua mesa.

“O sortudo fui eu.” Jay afirmou.

Quando eles retornaram a sua mesa, Leo estava contando uma história a Mario e Asa. Erico não conhecia bem o novo assistente do chefe de bombeiros, sabia apenas que rapidamente se converteu em bom amigo de Mario.

“Boa declaração.” Mario disse ao Jay.

Jay se aconchegou contra Erico. “Estou feliz, e pensei que era tempo de que todos soubessem.”

Erico notou que Leo olhava para as taças vazias frente a eles.

“Não vai precisar ser resgatado depois?” Leo perguntou.

“Não.” Erico beijou a têmpora de Jay. “Já fui resgatado.”

 

 

[1] A história de Maybelline começou quando Maybel Williams, uma jovem adolescente americana, se divertia testando receitas de beleza em sua modesta casa nos arredores de Chicago. Uma dessas experiências – aplicar vaselina e carvão (responsável pela cor) sobre os cílios – chamou a atenção de seu irmão, TL Williams, que observava com curiosidade as travessuras de Maybel. "É para aumentá–los", justificou a irmã. Resultado: TL Williams, um rapaz de apenas 19 anos, transformou a receita de Maybel em um grande sucesso comercial, criando Maybelline em 1915.

[2] Bath e bedroon, casa de hóspedes que oferecem banho e cama.

[3] Jogo em que se aplaude e se golpeia as mãos da outra pessoa enquanto se canta uma música.

[4] Posso ter este baile. Música country romântica.

Eu sempre recordo a canção de nosso primeiro baile, eu sabia quando nos movíamos com a música que éramos tudo um para o outro, e que estava apaixonado por você, poderia dançar toda a vida com você. Você gostaria de ser meu par a cada noite? Quando estamos juntos tudo parece certo, posso ter este baile toda a vida. Sempre recordo o mágico momento que estive perto de você, a razão de morarmos juntos, eu sabia que era para sempre que estar com você era uma necessidade, poderia ter esta dança pelo resto de minha vida, quer ser meu para a cada noite.

 

 

                                                                                Carol Lyne 

 

 

                      

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