Translate to English Translate to Spanish Translate to French Translate to German Translate to Italian Translate to Russian Translate to Chinese Translate to Japanese

  

 

Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


RENDIÇÃO POR AMOR / Penny Jordan
RENDIÇÃO POR AMOR / Penny Jordan

 

 

                                                                                                                                   

 

 

 

 

 

 

                                             Capítulo 1

Olá mamãe, a que não adivinha uma coisa? encontrei a mulher perfeita para o tio Marcus. chama-se Suzi Howell. Conhecemo-la quando Chris e eu estávamos jantando com seus pais. A mãe do Suzi é a madrinha do Chris. Suzi é preciosa. É alta, loira... Já sabe, uma mulher elegante, como gosta ao tio Marcus. E além disso tem a idade perfeita. Terá perto dos trinta. E está no negócio dos hotéis. Y...

- Briony... - a voz do Polly Fraser interrompeu o relato de sua filha. Polly tirou a cabeça das profundidades do armário de cozinha que estava limpando.

por que sua filha sempre escolhia os momentos menos oportunos para fazer esse tipo de comentários? Polly pôs tudo o que estava guardado no armário em cima da mesa.

-Te vai encantar. É a mulher perfeita para o tio Marcus -continuou Briony entusiasmada, embora acrescentando uma advertência-. Tome cuidado, mamãe -agarrou o bote de geléia que Polly tinha deixado na mesa e que esteve a ponto de cair.

-Mmm -comentou Briony-. Minha geléia preferida. me posso levar isso ao colégio? a da loja não sabe igual.

-Claro que não -respondeu Polly lhe tirando o pote, sem fazer caso da expressão de contrariedade que pôs sua filha-. Já sabe as normas -recordou-lhe com firmeza-. Os clientes são os primeiros. O qual me recorda que se quer ganhar um pouco de dinheiro enquanto está em casa, essa geléia que fiz o ano passado saiu muito boa...

-Mamãe... -protestou Briony-. Poderia deixar de pensar no hotel e nos clientes por um momento e escutar o que te estou dizendo?

Polly se deixou levar por sua filha à mesa.

 

 

 

 

 

Ela tinha dezoito anos, a mesma idade do Briony, quando tinha conhecido e se apaixonou pelo Richard Fraser. A seus vinte e dois anos, quatro maior que ela, tinha-a assanhado.

Tinha-o conhecido quando ele foi ao despacho do advogado onde ela trabalhava. Seu avô tinha morrido, o geral Leão Fraser, e tinha deixado em herança a seus dois netos um casarão uso georgiano que tinha pertencido durante várias gerações à família, mas que nenhum de seus filhos, que também estavam no exército, nem suas algemas, tinham querido.

Ao Richard tinham deixado encarregado dos aspectos burocráticos da herança, porque Marcus estava trabalhando no estrangeiro, em uma multinacional do petróleo. Embora Polly tinha ouvido muitas vezes falar do primo maior do Richard, não o tinha conhecido até depois de casar-se, o que tinham feito aos três meses de conhecer-se. depois de tantos anos, ainda podia recordar a impressão que lhe causou ao conhecê-lo. Richard, seu marido, era um homem bonito e encantador. Um homem com normas de cortesia aprendidas nas escolas de mais prestigio do país. Mas Marcus... Dizer que Marcus era bonito não era suficiente.

Marcus, em outras palavras, tinha um estilo próprio. Era um homem que, embora na atualidade já tinha completo os quarenta, era tão atrativo que ao Polly ainda lhe secava a boca e o pulso lhe acelerava cada vez que ele entrava na habitação. Richard era como o senhor Bingley das novelas do Jane Austen, um herói fisicamente atrativo e muito simpático. Enquanto que Marcus era como o senhor Darcy. Era um homem com uma potente virilidade. Cada vez que o olhava lhe vinham à mente imagens de vulcões em erupção. Tinha tanta energia sensual que ao Polly, a seus dezenove anos e recém casado, parecia-lhe muito difícil ignorá-lo.

De nada tinha servido que naquele tempo Marcus tivesse manifestado sua desaprovação pelo fato de que Richard se casasse com uma garota tão jovem e de forma tão precipitada. E embora ela se deu conta de seu rechaço, em nenhum momento tinha deixado que vissem o doída que se sentia.

Desde o começo, nada mais conhecer-se, Polly se tinha dado conta de quão importante era para o Richard a opinião de sua primo maior. Os dois tinham ido ao mesmo colégio e tinham crescido mais como irmãos que como primos. Richard era o mais jovem, embora solo os separavam dezoito meses. Mas era natural que pusesse ao Marcus em um pedestal.

Polly, que se tinha ficado órfã a seus quatro anos e tinha sido criada pela irmã de seu pai, não tinha querido fazer nada que pudesse provocar a separação dos duas primos. Se a aprovação do Marcus era importante para seu querido, amado e maravilhoso Richard, faria tudo o que estivesse em sua mão para não contrariá-lo, embora isso supusera sua própria desdita.

-Por Deus bendito, Rick, se for uma cria -tinha ouvido o Marcus lhe dizer a seu marido, quando os dois acreditavam que não os estava ouvindo.

-É uma garota adorável e a quero -ouviu o Richard lhe responder.

Marcus suspirou. Não teve que ver nada para imaginá-la expressão de irritação que pôs em seu rosto. Era difícil de acreditar que alguém como Marcus pudesse entender alguma vez o amor que se professavam Richard e ela.

depois de casar-se, ela se transladou ao pequeno piso que Richard tinha alugado. Era pequeno, mas com um apartamento de cobertura com a luz que todos os pintores valoram tanto. Porque Richard era um pintor que lutava por dar-se a conhecer e que pensava que um dia seria rico e famoso.

Nnaquele tempo, naquele tempo, viviam da pequena pensão que Richard recebia de seus pais, além disso do dinheiro que tirava dos encargos que recebia dos amigos de seus pais. Além disso, também tinham o dinheiro que ela ganhava como secretária. Não era muito, mas suficiente. E quando Richard e Marcus vendessem Fraser House...

Então ocorreu... um acidente... um azar do destino.

Durante o fim de semana na luxuosa casa de campo a que Marcus os havia convidado, como presente de bodas, Polly se havia posto doente, bem porque o fruto do mar que tinham comido não tinha estado fresco, ou pelo champanha que tinha bebido. Mas Richard a tinha cuidado com tanto carinho e doçura que muito em breve se recuperou.

Mas às poucas horas depois voltou a sentir-se enjoada, justo no momento em que Marcus estava falando com o Richard de que tinham que encontrar um comprador para a casa. E foi Marcus o que primeiro se deu conta da verdadeira razão de seu estado.

-Por Deus Rick, não te dá conta de que está grávida?

-Grávida?

Os olhos do Polly se encheram de lágrimas, sentindo no peito a pressão da ansiedade.

O que foram fazer se Marcus estava no certo? Porque naquele momento não se podiam permitir ter um filho. Nem sequer ganhavam suficiente dinheiro para manter-se eles.

Quase não pôde provar bocado da comida que tinha preparado ela mesma para o Marcus. Ao Polly adorava preparar novas receitas. Sua tia era muito boa cozinheira, e como a nenhuma de suas filhas lhes tinha interessado aprender suas habilidades na cozinha, concentrou-se em acostumar-lhe a sua sobrinha.

Ao Polly nunca lhe teria ocorrido pensar na possibilidade de ficar grávida tão logo.

Enquanto ela estava na cozinha, podia ouvir a conversação do Marcus e Richard.

-Por Deus bendito, Rick! -ouviu exclamar ao Marcus-. Em que diabos está pensando? Mas se essa garota é quase uma menina...

-Não penso... Quando está apaixonado, não pensa -ouviu o Richard responder.

-Apaixonado! -exclamou Marcus-. Não acredito que nenhum dos dois saibam o que é o amor de verdade.

Ao momento, Marcus se foi, sem querer lhe dar o beijo na bochecha que timidamente lhe ofereceu, seus olhos obscurecidos pela intensidade de sua ira.

-Não parece que goste muito ao Marcus -confessou ao Richard horas mais tarde. Estavam sentados no sofá e Richard estava lhe dando colheradas do jantar que ela tinha preparado. O aroma da comida lhe produzia náuseas.

-Claro que gosta -respondeu-lhe Richard, sem sequer olhá-la aos olhos-. Seguro que tivesse desejado te conhecer ele primeiro -acrescentou-. Embora bem é verdade que não é seu tipo....

-E que tipo de garotas gosta? -tinha-lhe perguntado Polly, mais para esquecer-se de seu mal-estar que por outra coisa.

-Pois as garotas altas e sofisticadas. Esse tipo de mulher que olhe como se soubesse já tudo da vida, se souber o que quero dizer.

Claro que sabia. O tipo de mulher que estava descrevendo Richard era completamente diferente ao que ela era, ou poderia ser. Para começar, ela era baixa e tinha o cabelo castanho, não loiro. E pelo que se referia a experiência na vida...

Um mês mais tarde, quando já sabiam com toda certeza que se ficou grávida, Richard tinha entrado em casa e a tinha encontrado chorando e preocupada com seu futuro.

-Não se preocupe -consolou-a enquanto a abraçava-. Já nos arrumaremos isso de alguma forma...

Imediatamente se sentiu melhor, mais confiada no futuro. Richard era uma pessoa alegre e carinhosa e contagiava seu otimismo e confiança no futuro.

Uma comissão pela venda de um quadro que tinha conseguido vender Marcus, além de um cheque por uma soma generosa que os pais do Richard lhes tinham enviado por Natal, ajudou-os a pagar algumas dívidas que tinham acumulado. Mas o piso no que viviam era um piso frio e úmido. Richard pilhou gripe, a contagiou a ela e não pôde ir trabalhar. Recebeu uma carta do trabalho em que lhe diziam que, como estava grávida e logo ia dar a luz, o melhor que podia fazer era concentrar-se em sua saúde e não voltar para trabalho. A carta tinha chegado um dia triste do mês de fevereiro, quando estava de sete meses e o dinheiro que tinham recebido por Natal o haviam já gasto na renda.

A Balita do piso no que viviam estava abarrotada de coisas que tinham comprado para o bebê, todas de segunda mão, incluída o berço que Richard estava pintando. Polly estava sentada na desgastado tapete que cobria o chão, chorando a lágrima viva, quando Marcus apareceu de forma inesperada.

Quando tentou levantar-se, Polly tropeçou no tapete e caiu para diante, emitindo um grito de protesto e medo, sossegado imediatamente na muito caro jaqueta de cachemira que Marcus levava posta, impedindo assim sua queda. Durante uns segundos, enquanto permanecia abraçada a ele, Polly teve a sensação de sentir-se segura e protegida, inclusive aceita.

Mas foi tão solo um segundo. Porque ela nunca se sentou cômoda com o Marcus e menos no estado de embaraço avançado no que se encontrava. Pela forma em que a olhava, Polly se dava conta de que ele pensava que aquele embaraço tinha imposto responsabilidades sobre o Richard que lhe impediam de expressar seu talento artístico. Como então podia ter sentido o que havia sentido? Seguro que tinha sido uma alucinação, algum efeito secundário por estar grávida e não ter dinheiro. Marcus a soltou e lhe deu as costas. Depois, foi ao apartamento de cobertura onde Richard estava trabalhando.

Não tinha transcorrido sequer uma semana, quando Richard tinha entrado em casa muito excitado e lhe havia dito a magnífica idéia que Marcus tinha tido. Levantou-a em braços e começou a lhe dar voltas no ar, apesar de avançado estado de embaraço em que se encontrava.

-Que idéia? -perguntou-lhe ela.

-Em vez de vender Fraser House, Marcus diz que por que não nos ficamos...

-Mas necessitamos o dinheiro que possamos tirar por ela -protestou Polly. Uma das coisas que tinha descoberto de seu marido era que era um sonhador. Não era uma pessoa precisamente prática.

-É verdade que necessitamos o dinheiro -acessou Richard-. Mas ao Marcus lhe ocorreu uma forma de que ganhemos um pouco. Já sabe que o ascenderam e que vai ter que passar mais tempo aqui no Reino Unido.

Polly assentiu com a cabeça. Ao Marcus tinham feito responsável pelo departamento e tinha que ir todos os dias a trabalhar aos escritórios que a empresa tinha na cidade, para pela tarde voltar para luxuoso apartamento que tinha no povo de onde era a família do Richard. Polly sabia, pelas conversações que ele tinha mantido com o Richard, que passava muito tempo em reuniões com seus colegas do estrangeiro.

-Parece que o chefe do Marcus acaba de chegar de uma larga estadia na sede central da empresa nos Estados Unidos e há dito ao Marcus que ali a tendência é que os executivos se hospedem nas casas de seus colegas. Parece que quer introduzir esse mesmo sistema aqui. Ao Marcus dariam um pagamento extra para ajudar os custos, mas conforme me contou, seria-lhe impossível oferecer, como homem solteiro que é, a hospitalidade necessária. Por isso lhe ocorreu que a solução perfeita seria que todos nós...

-O que quer dizer? -perguntou-lhe Polly assombrada.

O bebê lhe estava dando patadas e ainda estava um pouco congestionada pela gripe. O que mais desejava era ir-se à cama, a uma cama calentita em uma habitação calentita... não na incômoda e úmida cama que Richard e ela compartilhavam.

-Pois o que acabo de dizer -respondeu-lhe Richard-. Que seria uma idéia magnífica que os três transladássemos ao Fraser House e que você e eu... bom mais você que eu -admitiu-, cuidasse dos companheiros do Marcus. Já sabe, limpar as habitações, cozinhar e esse tipo de coisas -disse-lhe em tom vago-. E Marcus nos pagaria por isso. O também viveria conosco e teria que cozinhar também para ele. Embora ele se passaria o tempo viajando...

-Richard... -interrompeu-lhe Polly.

-O que? Não se sente bem? -perguntou-lhe com ansiedade, assim que viu sua palidez -. É o bebê? Ainda é logo...

Não era o bebê, embora aquela notícia bem podia ter provocado um parto prematuro, pensou Polly pouco mais tarde, enquanto procurava as palavras para lhe dizer que a sugestão do Marcus era inviável. Por uma só razão. E era que não se imaginava ao Marcus compartilhando casa com um recém-nascido e menos com ela.

Durante a noite, quando estavam na cama, o teto da casa começou a cair em pedaços. Richard disse que não podiam continuar vivendo assim. Além disso, à manhã seguinte teria que ir-se trabalhar fora dez dias, no regimento de seu pai. Tinham-lhe encarregado que pintasse o mascote do regimento, uma cabra que estava no quartel do Aldershot.

Enquanto Polly recolhia os pedaços que se cansado do teto, Richard chamou por telefone ao Marcus. Este chegou ao momento, viu o estado em que se encontrava o piso e disse que ali não podia viver ninguém, e menos uma menina grávida.

-Eu não sou uma menina -respondeu-lhe Polly, fazendo um gesto desafiante-. Já tenho dezenove anos.

-Pois isso... uma menina -replicou Marcus enquanto seguia dando instruções-. Não, deixa isso e vê o carro.

Assim foi como chegou ao Fraser House. Tiraram o pôster que anunciava sua venda e em um abrir e fechar de olhos apareceu um exército de limpadores que se encarregou de pô-la em perfeitas condições para viver.

Foi a cozinha a que convenceu ao Polly de que a idéia do Marcus podia funcionar. Era uma cozinha grande, espaçosa e bem equipada. Apesar da idade e solidão do general, ainda possuía um ambiente quente. Tinha calefação central e produzia litros e litros de água quente, a diferença do piso no que tinham vivido. E também tinha jardim, espaçoso para albergar um exército de meninos. E habitações, às que solo terei que dar uma mão de pintura, com móveis de estilo rústico,y suficientes armários e cômodas.

O estudo era enorme, ao igual ao comilão, no que havia uma mesa e vinte e quatro cadeiras. Havia também uma biblioteca e uma habitação que Marcus lhe contou era a preferida de sua avó. Também estava o salão, o porão, outro piso acima e um apartamento de cobertura.

Quando Marcus lhe disse quanto estava a disposta a pagar sua empresa pelas visitas dos executivos, com suas algemas, Polly esteve a ponto de deprimir-se.

-Tanto? -perguntou-lhe com os olhos abertos de Forma desmesurada.

-E terá que preparar comida para eles -advertiu-lhe Marcus-. Boa comida, Polly. Porque esta gente está acostumada a comer nos melhores restaurantes. Embora não acredito que tenha nenhum problema a respeito -acrescentou para lhe fazer um completo.

-Eu... -começou a dizer Polly-. Eu... -começou de novo. Estavam caminhando pelo corredor. Marcus ia diante dela. Já se imaginava aquele corredor cheio de flores recém cortadas do bosque. Os detalhes decorativos os deixaria ao Richard, quem não tinha nenhum prejuízo em assumir esse papel. O mural que tinha pintado para a que ia ser a habitação do menino no piso tinha deixado sem respiração a mais de um por sua delicadeza e imaginação.

-Sim, Richard poderia... OH... -a dor tão aguda que sentiu lhe deixou sem respiração.

-O que ocorre? -perguntou-lhe Marcus.

-Nada -mentiu-lhe, rezando para que fora realidade e lhe acontecesse a dor tão penetrante que sentia a intervalos cada vez mais regulares. Preferia pensar que era tão solo um falso alarme. Era muito logo para que nascesse o bebê. Ainda ficava um mês para sair de contas...

forçou-se a caminhar ao lado do Marcus. Subiram a inspecionar as habitações do piso de acima, para decidir quais foram ser as dos convidados.

Já tinham decidido tacitamente que Marcus ia ficar com a habitação maior, que tinha sido a de seu avô, sobre tudo porque tinha quarto de banho e um pequeno saloncito, que era tudo o que ele necessitava. Polly tinha eleito duas habitações no outro extremo da casa, não só para manter sua privacidade, mas sim para que o bebê não o incomodasse.

No fundo de seu coração, sentia que o que menos desejava era viver sob o mesmo teto que o primo de seu marido, apesar do muito que ao Richard gostasse da idéia. Mas não tinha outra opção.

retorceu-se de dor ao sentir outra contração, mais agudo que a anterior e que durou mais tempo. Marcus se deu conta. de repente, a cabeça começou a lhe dar voltas. Sentiu medo. O que mais queria era estar com o Richard. Mas ele se foi ao Aldershot a pintar o mascote do regimento. Ao dar-se conta, Marcus começou a levar-lhe para a porta.

-Não... onde...? o que...? -começou a dizer, mas a dor lhe impedia de terminar as frases.

-Pois onde vamos? Ao hospital! Crie que pode chegar até o carro, ou quer que...?

Só pensar que Marcus podia levá-la até o carro em braços lhe deu forças para chegar por si mesmo. Em questão de segundos chegaram ao hospital.

Quando chegaram, as contrações eram cada vez mais freqüentes. Puseram-na em uma maca e a levaram a sala de partos.

Duas horas mais tarde, quando Briony Honey Fraser viu a luz, Polly abriu os olhos e olhou os do homem a cuja mão tinha estado arranca-rabo durante todo o tempo que durou o parto e se deu conta de que não era Richard, a não ser Marcus. Mas antes de que pudesse abrir a boca, dormiu do esgotamento. Quando despertou tinha a sua adorável filha em um berço aos pés da cama e a seu adorável marido sentado a seu lado, com um sorriso de orelha a orelha. E se disse a si mesmo que devia haver-se imaginado que tinha sido Marcus o que a tinha acompanhado durante o parto.

Continuou pensando o mesmo até que Richard foi à manhã seguinte às levar ao Briony e a ela a casa.

-Vá sorte que Marcus estivesse contigo quando começou a ter as contrações... Hei-lhe dito que queremos que seja o padrinho da menina. Ao fim e ao cabo, ele estava ali quando nasceu.

Polly fechou os olhos e ficou vermelha de vergonha. Não tinha sido um sonho... um pesadelo mas bem. Marcus tinha estado a seu lado todo o tempo. Tinha sido Marcus o que lhe tinha secado o suor da frente, que a tinha animado a empurrar, que lhe havia dito que acabava de trazer para o mundo à menina mais bonita do mundo. Tinha sido Marcus, não Richard.

Ninguém poderia haver-se imaginado o alívio que sentiu quando foi ao Fraser House e se inteirou de que Marcus se foi de viagem e que não ia retornar até ao cabo de um mês. Era o tempo suficiente para que lhe esquecessem tudas essas lembranças.

Mas ocorreu algo que ninguém pôde evitar. E foi que Briony nada mais nascer olhou à primo de seu pai e se converteu no ser mais querido para ela.

Foi ao Marcus a quem lhe deu de presente seu primeiro sorriso. Foi o nome do Marcus o que pronunciou primeiro. E foi para o Marcus ao primeiro ao que se dirigiu quando começou a caminhar.

Ao Richard todo aquilo não parecia lhe importar. De fato, estava encantado de que sua filha adorasse ao Marcus. Quando Briony cumpriu os três anos, Polly não teve mais remedeio que admitir que a idéia que tinha tido Marcus de converter aquela casa em um lugar onde pudessem ficar quão executivos vinham de visita país tinha trocado para bem suas vidas.

Os convidados estavam encantados com a forma de cozinhar do Polly, até o ponto de que Marcus lhe disse um dia que o presidente estava empezandoo a protestar por não ter tido a oportunidade ainda de passar uns dias no Fraser House, acrescentando que o conselho de administração tinha decidido acontecer os Natais desse ano ali.

Pouco a pouco, foi adquirindo mais habilidades culinárias. Devorava os livros de cozinha com a mesma avidez que os convidados os jantares que preparava. Nunca tinha sido mais feliz em sua vida.

Richard foi conseguindo mais trabalho. Ainda sonhava com que um dia seus quadros estariam na Royal Academy, embora ela estava começando a pensar que nunca o conseguiria. Entretanto, aqueles sonhos eram importantes para ele e ela sozinho queria sua felicidade.

Quão murais tinha pintado para a casa eram excelentes. Mas embora tecnicamente eram perfeitos, faltava-lhes algo. Mas ele era feliz e, se Richard era feliz, ela também o era. Muitas vezes se perguntou o que pensava Marcus do talento de sua primo. Marcus colecionava obras de arte e saberia avaliar seu trabalho. Suspeitava que, ao igual a ela, Marcus queria muito ao Richard para lhe fazer danifico.

E então ocorreu a tragédia. Uma noite, quando retornava a casa depois de ter realizado um encargo, Richard teve um acidente e morreu. A polícia o comunicou enquanto estava deitando ao Briony. Estava sozinha em casa, porque Marcus estava de viagem. Soube o que lhe foram dizer no momento em que abriu a porta e viu a cara do policial.

Richard, seu amado, bonito, jovial, querido marido estava morto. E com ele se foi essa parte de seu coração que solo pertencia a ele.

Marcus voltou da Austrália ao funeral do Richard. Chegou pálido e com olheiras.

No funeral, sua tia, com toda a intenção de ser amável sem dúvida, disse-lhe:

-Polly, já sei que isto te pode parecer o fim do mundo, mas é jovem e pode te apaixonar outra vez.

-Nunca -respondeu-lhe Polly-. Nunca me apaixonarei por outro homem -disse-lhe de forma apaixonada-. É impossível. Estou apaixonada pelo Richard e sempre o estarei.

Marcus, que tinha ouvido a conversação, olhou-a de uma forma que ela recordou durante muito tempo. Pensaria Marcus, ao igual a sua tia, que ela era tão superficial e imatura para esquecer-se do Richard? Pois, se o pensavam, lhes ia demonstrar quão confundidos estavam.

 

                                                 Capítulo 2

E FOI o que fez. dedicou-se ao Briony e a seu trabalho, de forma exclusiva. Quando Briony cumpriu os sete anos, um dos colegas do Marcus e sua esposa lhe sugeriram converter a mansão em uma casa rural do impressionados que se ficaram com as comodidades da casa e com a qualidade da comida. Polly o disse ao Marcus e, para sua surpresa, ele acessou.

Assim começou sua inesperada ocupação de co-proprietária e diretora do Fraser House, uma casa rural de uso georgiano, onde os que sabiam apreciar os prazeres da vida podiam desfrutar de sua comida. Isso foi o que apareceu no artigo que tinha escrito um crítico de restaurantes, depois de uma visita.

Com o passo dos anos, não só tinham construído uma piscina e um ginásio de luxo, mas sim além disso as habilidades culinárias do Polly se ampliaram.

Na atualidade, Fraser House aparecia como um dos melhores hotéis rurais do país, e seu restaurante era conhecido por sua excelência.

Ao pouco tempo de abrir o hotel, um de seus clientes lhe tinha pedido se podiam celebrar ali as bodas de sua filha. Polly pensou que tinha chegado ao topo de seu êxito empresarial.

Como proprietário da casa, Marcus sempre se manteve à margem da rotina diária, embora para ser justos com ele, Polly não tinha mais remedeio que admitir que sempre a tinha ajudado em tudo o que lhe tinha pedido. Estava no conselho de administração de sua empresa, era um dos diretores mais jovens e tinha estado vivendo dois anos e meio na Rússia, para ajudar ao estabelecimento da empresa nessa parte do mundo.

Depois, tinha ido a China. Briony lhe tinha convencido para que a levasse a visitar a Grande Muralha a China se aprovava o curso.

A morte do Richard tinha deixado ao Polly sem o amor e companhia de um marido, mas ao Briony nunca tinha faltado uma figura paterna em sua vida. E essa figura tinha sido Marcus. Briony o adorava da mesma maneira que o tinha adorado Richard.

De fato, havia vezes que Polly sentia que os dois formavam um círculo especial no qual ela, embora era a mãe do Briony, era excluída. Seria porque ao Marcus alguma vez tinha gostado? Seria porque de algum jeito Marcus a culpabilizaba da morte do Richard?

Quando Briony começou a sair com o primeiro menino de sua vida, Chris Johnson, a garota começou a preocupar-se de que seu amado tio Marcus não tivesse companheira e após se esteve devanando a cabeça para encontrar a garota perfeita para ele.

Ao parecer, Polly acabava de encontrar a alguém e pela forma em que estava descrevendo-a, Suzie Howell parecia ser a garota perfeita para o Marcus. Alta, loira, de pernas largas... a esposa perfeita para a casa que Marcus tinha anunciado, de forma inesperada fazia só seis semanas, tinha intenção de comprar.

-Mas por que? Sempre viveste aqui -tinha protestado Polly, pálida como a parede, quando lhe tinha dado a notícia-. Esta sempre foi nossa casa. A tua, a do Briony e a minha.

-Assim é -respondeu-lhe-. Mas Briony está agora na universidade, e como me disse faz sozinho umas semanas, vê-te obrigada a rechaçar clientes. Se eu for, disporá de duas habitações mais para alugar...

Polly não podia acreditá-lo que estava ouvindo. Nunca tivesse pensado que poderia querer ir-se do Fraser House.

-Necessito uma casa própria, Polly -disse-lhe ele-. Necessito uma vida própria. E agora que Briony se pode valer por si mesmo, meu dever para com ela...

-Seu dever para com ela? -interrompeu-lhe-. Por isso era pelo que ficou vivendo aqui? Pelo Briony?

produziu-se uma pausa que lhe fez perder a cor de seu rosto, cor que voltou quando lhe disse da forma mais afável:

-Bom, claro, não pensaria que me estava ficando por ti?

-Não claro -não teve mais remedeio que reconhecer. Parecia que de verdade tinha chegado o momento de que Marcus se fora do Fraser House e formasse uma família.

-Sabe Marcus que lhe está procurando noiva para casar-se? -perguntou a sua filha nesses momentos enquanto se levantava e se limpava o pó.

A seus trinta e sete anos, ainda conservava a mesma figura que tinha tido aos dezoito, embora para manter-se ia três vezes à semana ao ginásio. Inclusive sua cor de cabelo tinha melhorado. Uma semana antes sua cabeleireira lhe tinha convencido para que o cortasse à altura dos ombros, com um penteado mais moderno, que tinha insistido era perfeito para ela.

-Muito juvenil? -tinha-lhe perguntado a cabeleireira, quando Polly lhe tinha manifestado suas dúvidas-. Polly, tem trinta e sete anos, não cinqüenta e sete -o habíaa respondido com carinho-. Uma mulher aos trinta e sete é jovem...

-Isso diga-lhe ao Briony -tinha comentado Polly-. Tem dezoito anos e seguro que não gosta de uma mãe que possa parecer sua irmã maior.

-me escute -havia-lhe dito sua cabeleireira com firmeza-. Digo-te que este corte de cabelo é perfeito para ti.

Tão perfeito como a mulher que tinha encontrado Briony para o Marcus? Tomou o trapo para limpar o armário que tinha acabado de esvaziar.

-Dá igual, o que queria te dizer... -Briony tomou uma maçã do fruteiro que havia na mesa, uma maçã da árvore que havia no jardim de detrás da cozinha, uma variedade inglesa que era impossível de encontrar em nenhum outro sítio e que ao Polly adorava por seu sabor-. Poderíamos celebrar uma festa e convidar ao Suzi e assim conheceria tio Marcus Y...

-Uma festa! -interrompeu Polly a sua filha-. Briony, este é um hotel, Y...

-E estamos a metade de temporada, que é quando menos clientes há -recordou-lhe Briony-. Além disso, Suzi pode te recomendar às pessoas que conhece e assim terá mais clientes -tentou convencê-la-. Porque quando o tio Marcus se vá, terá duas habitações mais...

Polly deu um suspiro. Organizar uma festa com tão pouco tempo era o que menos gostava de em aque-. llos momentos, mas conhecendo sua filha, seria melhor ceder que opor-se, porque ao final a ia convencer.

Briony era muito teimosa e decidida. Polly não sabia a quem tinha saído, porque Richard tinha sido uma pessoa doce, ao que nunca lhe tinham gostado dos enfrentamentos.

-Não sei se ao Marcus vai gostar da idéia -advertiu ao Briony-. Já sabe que não gosta que o manipulem.

-Já sei -respondeu-lhe Briony-. Mas se lhe digo que é um jantar especial para mim e que Chris vai vir... -fez um gesto malicioso-. Já sabe os reparos que tem com os meninos com os que saio. Além disso, ainda não o conhece.

Polly não teve mais remedeio que reconhecer que sua filha tinha razão. Ao Marcus não lhe podia acusar de ser um pai muito severo com o Briony, mas tendia a protegê-la em excesso.

-E a quem se supõe que tenho que convidar para essa festa? -perguntou-lhe Polly.

Briony sorriu de brinca a orelha e lhe começou a enumerar os nomes.

-Pois ao tio Marcus, ao Suzi e a seus pais. Eles são os padrinhos do Chris -recordou-lhe-. Chris fica em sua casa quando seus pais estão fora. Isso fazem quatro. E você e eu, é obvio... -fez uma pausa e se mordeu o lábio-. Também poderíamos convidar ao chefe do Suzi, porque se não vai se ficar sozinho Y...

-Ao chefe do Suzi? -interrompeu-lhe Suzi com assombro-. Não me há dito que trabalhava no Caribe?

-Bom sim, mas parece ser que seu chefe tem interesses comerciais aqui -assegurou Briony a sua mãe-. Já verá como te vai gostar -assegurou-lhe sua filha-. É mais jovem que você. Suzi me há dito que tem trinta anos e está solteiro. Suzi e ele saíram faz tempo, mas já não.

Polly repreendeu a sua filha com o olhar.

-Seremos oito. A menos que queira convidar a alguém mais...

-Não, acredito que não...

-Não? Possivelmente à tia avó e ao tio avô do Chris, ou a sua primo -sugeriu Polly.

Briony a olhou perplexa.

-Chris não tem tio avô, nem tia avó... -começou a lhe responder muito séria, mas de repente se deteve e sorriu-. Bom, tem razão. É possível que esteja sendo um pouco mandona -reconheceu-. Mas é por uma boa causa, mamãe. O tio Marcus necessita uma esposa. E você sabe...

-De verdade? -perguntou-lhe Polly pondo gesto de dúvida-. Suponho que não te paraste a pensar que ao melhor ele é perfeitamente capaz de pôr remédio a essa situação. Não acredito que lhe tenham faltado candidatas ao longo de sua vida -acrescentou.

Briony a olhou.

-Sabe mamãe? Parece que está ciumenta.

-Ciumenta das amigas do Marcus? Absolutamente -declarou Polly imediatamente.

-Bom, não ciumenta delas -corrigiu Briony-. Refiro-me a que parece ciumenta de que o tio Marcus possa ter a alguém em sua vida...

-Não a alguém, a não ser a muitas -recordou-lhe Polly.

-Mamãe. Não está sendo justa -objetou Briony-. houve várias, mas nenhuma lhe durou muito. É que você alguma vez quiseste conhecer ninguém? Já sei que você estava muito apaixonada por papai -acrescentou rapidamente-. Todos sabemos. Mas deve ter havido vezes em que... -fez uma pausa para morder o lábio antes de continuar-. Foi muito jovem quando papai morreu e hoje em dia as mulheres podem....

-Se o que me está perguntando é se tiver sentido falta de uma relação sexual.. -interrompeu-a Polly-, tenho que te confessar que em ocasiões sim. Mas nunca com tanta força como para... Eu amava muito a seu pai -disse ao Briony, sem querer ficar a analisar em profundidade sua decisão de manter seu celibato.

-Bom, já sei que nunca foi uma mulher a que gostasse de muito o sexo. Recorda aquela vez que celebrávamos uma festa no hotel em que o tio Marcus te deu de presente um bracelete? Quando lhe pôs isso e foi te dar um beijo, você te retirou como se acabasse de ver o diabo em pessoa -contou-lhe sua filha renda-se-. Pobre tio Marcus. Devia ser a primeira vez que tinha visto uma reação assim em uma mulher...

Recordá-lo? Polly as arrumou para esboçar um sorriso ao tempo que baixava a cabeça e começava a limpar o armário. Claro que o recordava. Mas nunca tivesse imaginado que Briony se deu conta. Ao fim e ao cabo, era muito pequena para havê-lo notado...

-E quando pensaste que podíamos celebrar esse jantar? -perguntou a sua filha.

-Hoje é quarta-feira, que tal na sexta-feira? -sugeriu Briony-. Chris e eu teremos que voltar para classe na segunda-feira Y...

-Muito bem, na sexta-feira então -acessou Polly.

-Bem! vou chamar ao Chris para que o organize tudo. A que hora lhes digo que venham? Às sete?

-Sim -respondeu Polly.

Enquanto via sua filha correr para a porta da cozinha, pensou que não era o jantar da sexta-feira a que a inquietava, a não ser as lembranças que aquele comentário inocente do Briony tinha evocado.

Ainda conservava o bracelete de ouro que Marcus lhe tinha agradável. Tinha-o comprado em uma de suas viagens ao oriente Médio. Um bracelete de ouro com incrustações de diamantes da melhor qualidade. Um presente com o que qualquer mulher se haveria sentido adulada, um sentimento que ela não se podia permitir. Se fechava os olhos, ainda podia recordar à perfeição aquela tarde da primavera. Inclusive podia cheirar o aroma da erva recém atalho através dos ventanales da sala de estar que Marcus tinha insistido em que ficassem mãe e filha para seu uso pessoal.

-Mas se não necessitarmos uma sala de estar -tinha protestado para ouvir os planos do Marcus sobre a casa.

-Ao melhor você não, mas Briony sim -insistiu Marcus-. Fraser House é sua casa, Polly. E tem que crescer sabendo que é sua casa. É o que Richard tivesse desejado -disse-lhe com convicção. E ela tinha acessado. Anos mais tarde, alegrou-se de havê-lo feito ao comprovar que para o Briony era muito importante sentir que havia uma parte da casa que pertencia exclusivamente a sua mãe e a ela.

-OH, Marcus -tinha protestado Polly enquanto desembrulhava o presente que lhe tinha dado-. O que...?

-É para celebrar nosso primeiro ano de negócio juntos -havia-lhe dito com frieza.

Tinha chegado muito cedo essa manhã. Ela não o tinha visto chegar porque estava na cama. Mas tinha ouvido o táxi que o tinha levado. Não o viu até pela tarde. Durante todo o dia esteve nervosa, perguntando-se quando ia ver o. E de repente o teve diante, com uma camiseta branca e jeans, muito moreno...

Teve que retirar em seguida o olhar, ao comprovar a forma em que seu corpo respondia ao vê-lo.

Por sorte, Marcus não se deu conta, porque naquele momento se foi dar um abraço ao Briony. Mas Polly se teve que cruzar de braços para que ele não visse como seus mamilos se endureciam e levantavam ligeiramente o fino tecido de sua camiseta. Deu-lhe o presente depois de dar outro ao Briony, um bracelete idêntico ao que deu a ela, mas em miniatura.

Quem teria eleito os presentes por ele? Seguro que outra mulher. Deu-lhe as obrigado de forma um tanto atropelada. Ele se levantou, pô-lhe suas mãos nos ombros e a olhou.

-emagreceste.

-Não, não emagreci -negou ela, antes de admiti-lo, ao ver a reação em seus olhos-. Bom, um pouco. É que tive muito trabalho.

-Mamãe come muito depressa -informou-lhe Briony.

-Isso não é verdade -começou a dizer, girando a cabeça e dando-se conta de que ele estava mais perto do que ela tinha imaginado. Tão perto, de fato, que tinha a boca quase pega A...

ficou tensa e tragou saliva. Ao ver que lhe era impossível introduzir ar em seus pulmões, abriu a boca e Marcus pareceu não interpretar de forma correta o significado daquele suspiro. Porque inclinou a cabeça e lhe pôs a boca na sua.

Richard, como marido e amante, tinha sido carinhoso e gentil, e o sexo para o Polly tinha sido uma experiência agradável, uma experiência durante a qual nunca se havia sentido insegura. Mas por instinto sabia, e sempre tinha sabido, que Marcus não era como seu marido, que era um homem muito mais apaixonado e viril.

O sexo com o Marcus não teria sido uma experiência superficial, a não ser algo profundo. Ela tinha fechado sua mente à sexualidade do Marcus, não querendo admitir que era algo que se apalpava. Mas quando sentiu sua boca, foi plenamente consciente disso.

Entrou-lhe pânico e retirou imediatamente a cabeça, levantando o tempo as mãos para lhe jogar para atrás.

Durante uns segundos, antes de soltá-la, Marcus a tinha cuidadoso aos olhos. Ele os deixava quase negros, com uma ira que não se preocupava com ocultar. E sua boca, a mesma boca que acabava de beijá-la, torcida em um rictus de desagrado.

-Já é uma mulher, Polly, não uma menina -ouviu que lhe dizia zangado-. Richard está morto Y...

-Isso não importa -interrompeu-lhe, o coração lhe golpeando o peito com força-. Para mim é ainda meu marido e sempre o será.

-Nobres sentimentos -burlou-se Marcus-. E ingênuos também. Richard era seu marido, Polly, mas duvido muito que te fizesse te sentir mulher de verdade. Porque de havê-lo feito...

-Como te atreve a me falar assim? -quase lhe gritou, retrocedendo como um animal ferido-. Richard era meu amante. Como te crie se não que Briony...?

deteve-se, engasgando-se quase com suas lágrimas, dando-se conta de que Briony estava vendo e escutando o que se estavam dizendo.

-Era seu marido, sim, e concebeu a sua filha, sim, mas disso faz muito. Nnaquele tempo, naquele tempo, Richard era um menino -respondeu-lhe Marcus antes de continuar com uma voz lhe hipnotizem-. Mas fixa lhe em ti agora. Está tremendo como uma menina que fora a ter sua primeira experiência sexual, e só porque te beijei. É assim como cria que reagem as mulheres que já têm experiência?

Começou a mover em sentido negativo a cabeça, mas Polly não queria seguir escutando. Levantou em braços ao Briony e lhe respondeu:

-Não tem direito a me falar dessa maneira. Eu amava e ainda amo ao Richard. mais do que você possa pensar ou imaginar.

O olhar que lhe dirigiu quando passou a seu lado e saiu da habitação perdurou em sua mente durante muito tempo.

Pelo menos Briony tinha tido razão em uma coisa, pensou Polly um par de horas mais tarde, uma vez terminou de limpar os armários de cozinha. O hotel estava relativamente tranqüilo naqueles momentos. E lhe vinha bem. Porque o Natal se aproximava. Tinham hóspedes que reservavam habitações para Natal e Ano Novo. Se as habitações do Marcus estavam terminadas para essa época, poderia-as alugar também. O Natal no Fraser House era algo especial.

alegrava-se de que Marcus tivesse decidido ceder suas habitações, pensou enquanto olhava a cozinha, e não só porque assim poderia alojar a mais clientes. O arquiteto que tinham contratado lhes tinha sugerido que fizessem obras de ampliação, mas Polly não tinha querido, porque a casa perderia encanto. Para sua surpresa, Marcus tinha estado de acordo com ela.

Ainda não tinha ido visitar a casa que tinha alugado, mas Briony sim o tinha feito. Ao voltar lhe havia dito a sua mãe que era uma casa preciosa.

Uma casa que tinha pertencido aos Fraser e que era de estilo vitoriano.

Era uma casa que a família tinha vendido ao finalizar a primeira guerra mundial. Marcus tinha a oportunidade de comprá-la, junto com o terreno que havia ao redor.

De algum jeito, Polly o invejava, por ter a ocasião de recuperar e reformar aquela casa. A casa levava anos abandonada.

Por suas cinco habitações e espaçoso salão, era a casa ideal para uma família. Estaria Marcus pensando em sentar a cabeça? A seus quarenta e dois anos, estava no melhor da vida. Tinha o futuro assegurado. Era um homem atrativo, inteligente. Nenhuma mulher duvidaria um instante em casar-se com ele e convertê-lo no pai de seus filhos. Era um dado científico que as mulheres escolhiam de forma instintiva aos homens mais fortes e bonitos para conseguir os melhores gens para sua descendência. Seguro que Marcus escolheria também a uma moça, inteligente e, é obvio, bonita. Segundo Briony, a candidata reunia todos esses requisitos.

Perdida em seus pensamentos, Polly se dirigiu a seu sítio favorito naquela casa, um pequeno rincão no jardim, rodeado de árvores, no que havia um pequeno lago natural. Não se via da casa, e se chegava por um caminho estreito e privado. Ao Richard tinha encantado aquele sítio. Um dos presentes que lhe tinha dado foi um quadro daquele lugar na primavera. Agora era outono e as folhas das árvores estavam caindo, dando ao lugar um aspecto melancólico, que estava a tom com os sentimentos do Polly.

Durante anos, tinha ido ali a desafogar suas penas. Mas nenhuma delas se podia comparar com a magnitude do desespero agonizante que estava sofrendo naquele momento.

Sua vida estava trocando. Briony se tinha partido de casa e se estava convertendo em uma pessoa adulta. Já tinha deixado de necessitá-la. Os empregados que tinha eram tão eficazes, que havia vezes que pareciam não necessitá-la. E logo estava Marcus...

Marcus...

Fechou os olhos e se apoiou no tronco de uma das árvores.

Sempre tinha sabido que algum dia Marcus se casaria.

Que algum dia conheceria uma mulher da que se apaixonaria...

-Polly.

Abriu os olhos em tom de surpresa, revelando as lágrimas que os umedeciam enquanto olhava emudecida ao homem que tinha sido o centro de seus pensamentos.

-O que está fazendo aqui sem casaco?-ouviu que lhe perguntava em tom de desaprovação. O, é obvio, levava casaco, ou mas bem jaqueta, uma de couro que Briony e lhe tinham comprado como presente em um de seus aniversários.

-Marcus -exclamou ela, quando pôde encontrar as palavras. Depois sentiu um calafrio para justificar a crítica que lhe tinha feito.

-Tem frio -ouviu que dizia-. Toma, ponha isto...

antes de que ela o pudesse impedir, ele se estava tirando a jaqueta e a estava colocando sobre seus ombros. Polly fechou os olhos e se deixou levar por seu inconfundível aroma.

-Não, não a quero -respondeu-lhe, tirando-lhe e devolvendo-lhe o mais rapidamente que pôde.

Ouviu sua exclamação de desespero quando a recolheu. E não lhe surpreendeu que lhe respondesse:

-Não seja infantil, Polly. Já sei que não quer aceitar nada meu. Mas não tem por que te castigar.

-Isso não é verdade -defendeu-se Polly-. Eu sei o muito que lhe devemos Briony e eu, e te estou muito agradecida por tudo o que tem feito por nós.

Ao ver que ele não respondia, ela acrescentou:

-Este era um dos sítios preferidos do Richard...

-Já sei -respondeu-lhe Marcus de forma cortante, tão cortante que Polly se deu a volta e o olhou. Tinha uma expressão austera e afastada que lhe dava esse ar tão distante, típico nele.

-adorava pintar aqui -continuou Polly dizendo-. Y...

-E você segue guardando o quadro que te pintou deste sitio nesse dormitório teu que parece mas bem a cela de um convento.

-Não é uma cela -protestou Polly.

-Não, tem razão, não o é -respondeu Marcus com gesto tenso-. É mas bem um santuário dedicado a um homem, mas bem um menino, ao que lhe havia asombradoo que queria convertê-lo em uma espécie de santo...

Polly começou a tremer. por que sempre reagia dessa maneira ante ele? por que sempre tinham que discutir? por que tinha feito Marcus tanto por ela, se no fundo a odiava tanto? Mas ela sabia a resposta. Tinha-o feito pelo Richard, e quando morreu, tinha-o feito pelo Briony.

-Richard era meu marido -recordou-lhe ela com um leve tremor de voz.

-Era, Polly, era -enfatizou Marcus-. passaram muitos anos desde que morreu.

-Briony quer que organize um jantar privado -disse-lhe, trocando de tema-. Quer...

-Já sei -interrompeu-lhe Marcus.

Polly o olhou, procurando alguma expressão. O que lhe teria contado Briony? Haveria-lhe dito que tinha encontrado a garota perfeita para que fora sua esposa? Não lhe surpreenderia. Marcus aceitava propostas do Briony que não aceitava de ninguém mais. levavam-se muito bem, até o ponto de que havia vezes que sentia inveja. Inveja de sua própria filha? Não queria nem pensá-lo.

-Tenho que voltar -disse ao Marcus tentando separar-se dele quando antes. Um dos ramos de uma árvore se enganchou em seu cabelo.

-te esteja aquieta -disse-lhe Marcus quando se deu conta do que tinha ocorrido e estirando uma mão para desenganchá-la.

Estava muito perto dela. Muito perto. Começou a sentir-se enjoada... a cabeça lhe dava voltas.

-Quieta -repetiu Marcus em tom irritado enquanto tentava lhe desenganchar o cabelo. Sua proximidade a punha nervosa.

Senti-lo tão perto dela era como se a estivesse abraçando. Polly começou a sentir como a pele lhe punha em tensão. Quase nem podia respirar. Se não lhe desenganchava o cabelo logo e se afastava dela poderia cometer qualquer estupidez.

-Já está. Já está livre...

Livre... Polly esteve a ponto de lhe dizer quão impossível era para ela sentir-se livre da carga que suportava sobre seus ombros, mas preferiu não fazê-lo.

-Muito obrigado -respondeu-lhe. A garganta lhe doeu ao pronunciar aquelas duas palavras.

Começou a lhe doer a cabeça, uma dor que não era nada comparado ao do coração.

Marcus a provocava, irritava-a, punha-a furiosa. Algumas vezes sentia que a hostilidade que havia entre eles era mais do que podia suportar.

-Não tem por que me acompanhar -disse-lhe ela em tensão-. Conheço o caminho.

-Polly, nunca te ocorreu pensar que..? -deteve-se.

-O que me ocorreu pensar? -perguntou-lhe ela. Mas ele se limitou a mover em sentido negativo a cabeça.

-Nada.

Já de volta à casa, Polly se foi direita à cozinha. Gostava de muito cozinhar.

-Mamãe, deveria ter uma dúzia de filhos -dizia-lhe Briony muitas vezes.

Talvez era verdade. Possivelmente o amor com que tratava Fraser House e aos convidados era uma forma de terapia, uma forma de tirar de dentro o amor e carinho que já não podia dar a seu amado Richard.

Ao melhor Marcus era igual a ela. Embora gostava da comida sã e da melhor qualidade, não era um sibarita. Por isso talvez a seus quarenta e dois anos conservava um corpo ágil e musculoso. A última vez que se ficou na casa, ela tinha ido muito cedo à piscina, a dar um banho antes de começar a preparar o café da manhã dos hóspedes. Quando chegou, viu que Marcus estava ali.

ficou olhando-o perplexa como completava um comprido com um estilo magnífico. Quando chegou ao outro extremo da piscina, deu-se a volta e a olhou. Ela começou a dá-la volta e a caminhar para a saída. Mas, para sua desgraça, Marcus já tinha saído

e se estava aproximando aonde ela estava.

-Leva um traje de banho precioso -tinha comentado enquanto a olhava de acima a abaixo-. É um dos que já não quer Briony?

Furiosa com ele por sua grosseria, e consigo mesma por deixar-se provocar, tinha apertado os lábios para não lhe responder verbalmente, embora tinha sabido que ele se deu conta, pela expressão de seu rosto, de seus sentimentos.

Ao melhor o traje de banho que levava estava passado de moda, mas o biquini que Briony tinha insistido em que comprasse era muito descarado para ficar o diante dele.

Polly ficou olhando as gotas de água escorregando pelo corpo musculoso do Marcus. E até que ele não se começou a secar com a toalha, ela não se deu conta da intensidade com a que o estava observando. Ao dar-se conta, ruborizou-se.

-O que te ocorre, Polly? É que te tinha esquecido o aspecto de um homem? Há-te posto vermelha... -tocou-lhe o rosto com a mão-. Crie que, se as coisas tivessem ocorrido ao reverso, Richard teria guardado o celibato como o está guardando você?

-O celibato é fácil quando solo há um homem ao que amas -respondeu-lhe. O qual, em certa forma, era verdade.

 

                                               Capítulo 3

ESTRAGA... Já me imaginava! Não estou disposta a que ponha isso -exclamou Briony entrando na habitação do Polly enquanto se estava subindo a cremalheira do vestido negro que tinha decidido ficar para o jantar.

O jantar a tinha deixado a cargo de seu jovem aprendiz, Andrew, e antes de subir a sua habitação, tinha ido fiscalizar a mesa em que ia se servir.

Uma mesa redonda, muito mais pequena que a que havia no comilão, com faqueiro de prata e candelabros que tinha comprado para a ocasião.

As cortinas de musselina que tinha colocado nas janelas lhe davam um ar especial à estadia.

-A que diabos te refere? -respondeu-lhe-. Sempre me ponho este vestido para as festas.

-Por isso -replicou Briony-. É um vestido triste, anônimo, o típico vestido com o que se sentem seguras as mulheres de cinqüenta e tantos.

-Bom, pode que tenha razão... -acessou Polly-. Em certa medida por isso me comprei isso.

-Mas, mamãe, você não tem cinqüenta e tantos. Se Marcus te vir com esse vestido, seguro que se zanga. A última vez que lhe viu posto me disse que deveria queimá-lo.

-Disse-te isso? -perguntou-lhe Polly com expressão carrancuda-. Bom, em tal caso...

-Não teria que haver dito isso, verdade? -exclamou Briony-. O que é o que lhes passa ultimamente ao tio Marcus e a ti? Quando eu era pequena eu gostava de imaginar que o tio Marcus era meu pai. Fechava os olhos e desejava com força que os dois lhes casassem.

-Isso nunca -respondeu-lhe Polly imediatamente-. Eu...

-Isso mesmo me respondeu o tio Marcus -murmurou Briony-. Bom, que mais dá. Olhe o que te trouxe.

tirou-se uma bolsa que tinha estado escondendo detrás e tirou com um movimento da mão seu conteúdo.

-Não esperará que me ponha isso? -protestou Polly, quando viu o minúsculo vestido em forma de tubo que sua filha lhe estava ensinando.

-Claro -respondeu-lhe Briony com um sorriso.

-Mas se não me vale -replicou Polly.

-Se te valer, porque estira -informou-lhe Briony.

-Briony, eu não me vou pôr isso -insistiu Polly ao ver que além disso o tecido do vestido se transparentaba.

-Tranqüila, mamãe -riu Briony-. Tem um forro. Anda, te tire isso tão horrível que leva e lhe ponha isso

Polly tentou protestar, mas Briony estava tão decidida a sair-se com a sua que não teve mais remedeio que acessar.

-É que não quer dar uma boa impressão? -dizia-lhe para convencê-la-. Sobre tudo ao Suzi e a seu chefe.

-Eu pensava que era Marcus o que tinha que impressionar a essa Suzi -recordou-lhe Polly com os dentes apertados, enquanto se fixava na hora e pensava que, se não baixava logo à cozinha, o cozinheiro ia perder os nervos e os convidados foram ter mais de um motivo para protestar.

ficou o vestido e teve que admitir que Briony tinha razão, porque não se o transparentaba nada.

-Já te disse que era de sua talha -comentou Briony enquanto a olhava.

-Já vejo -Polly se olhou no espelho. Estaria tão magra? Tinha uma figura frágil, quase etérea. Ao ficar o se soltaram alguns cabelos do coque que se feito. Tentou recolher-lhe

-Não lhe deixe isso assim -disse-lhe Briony-. Parece...

-Despenteada -respondeu-lhe Polly.

-Não, não -replicou Briony com um sorriso-. Anda mamãe, vamos, os convidados estão a ponto de chegar.

Sua filha tinha razão e ela sabia. olhou-se uma vez mais no espelho e a seguiu.

O vestido um era especialmente curto, mas ressaltava sua figura, o decote revelava a cremosa pele de seu pescoço e seus ombros e suas largas mangas ressaltavam a magreza de seus braços.

Quando viu a cara de alívio que pôs Andrew ao vê-la entrar na cozinha, Polly se esquecimento de seu penteado e seu vestido. Estava tranqüilizando ao Andrew e lhe assegurando que tudo ia sair bem quando Briony entrou na cozinha e anunciou que os convidados tinham chegado.

-Pobres convidados -murmurou Polly enquanto seguia a sua filha.

A quem primeiro viu foi ao Marcus, ou melhor dizendo seu olhar. Estava de pé, junto à mesa onde tinham colocado as bebidas, sonriendo a uma mulher loira, que devia ser Suzi. Quando a viu ela, sua expressão trocou. Seria por seu vestido?

-Polly -ouviu lhe dizer aproximando-se dela.

-Você gosta de meu vestido? -perguntou-lhe nervosa-. Escolheu-o Briony. É...

-«me gostar de» não é precisamente a palavra que eu teria eleito -começou a lhe dizer Marcus, mas não continuou, ao sentir que Suzi se aproximava e lhe punha a mão em seu braço.

Era uma mulher muito elegante e parecia que Marcus gostava. Polly observou como se retirava da cara umas mechas de seu cabelo loiro e se aproximava um pouco mais ao Marcus enquanto lhe perguntava o que queria tomar.

Ao Chris já o conhecia e seus padrinhos eram um casal de uns cinqüenta e tantos anos, mais ou menos a classe de gente que Polly estava acostumada a tratar como hóspedes na casa.

detrás deles e observando-a estava um homem que devia ser o chefe do Suzi.

Um homem alto, muito bonito, com o cabelo curto. Quando viu o Polly, deu-se a volta para observá-la, primeiro a cara e depois todo seu corpo.

Polly se deu conta de que seu olhar se dirigia ao Marcus. Para que? Marcus estava muito interessado no Suzi para dar-se conta do interesse que mostrava o outro homem por ela. Seria porque procurava sua aprovação?

-Apresento-lhes ao Polly, minha mãe -anunciou Briony, colocando ao Polly no centro da habitação.

Enquanto Briony a apresentava, Polly não pôde evitar fixar-se em que Marcus lhe dava as costas, enquanto o chefe do Suzi, Phil Bernstein, aproximava-se dela e estreitava sua mão. E não a soltou enquanto lhe dizia:

-Briony me advertiu de que tinha uma mãe muito jovem, mas...

-Por favor, não lhe diga que poderia ser minha irmã -grunhiu Briony.

Phil se pôs-se a rir.

-Não ia dizer isso. Briony não se parece com ti -continuou dizendo-. Você é... -olhou-a fixamente enquanto pensava em alguma palavra que a pudesse definir.

-Phil, está envergonhando à senhora Fraser -interrompeu-lhe Suzi.

Parecia querer pôr as coisas em seu sítio, ao referir-se a ela como «senhora».

-Acredito que vou aceitar seu convite de me ensinar o hotel -disse, afastando-se do Polly e continuando sua conversação com o Marcus-. Não parece que seja tão grande como Gifford's Cay -acrescentou em um tom um tanto altivo-. Mas acredito que parece interessante. Embora o estilo inglês de casa rural se está ficando um pouco passado de moda, pelo menos no segmento superior do mercado...

Polly escutou o tom ácido da voz do Suzi. Não havia a menor duvida de que aquela mulher estava tentando mostrar-se superior, mas o que mais a incomodava era que Marcus se ofereceu a lhe ensinar a casa sem lhe consultar a ela primeiro.

Porque ao fim e ao cabo, ela era a responsável por todo aquilo, embora compartilhasse aos cinqüenta por cento a responsabilidade financeira com o Marcus.

-Não obstante, seguro que estão conseguindo bons benefícios -seguiu comentando Suzi enquanto Polly assentia com a cabeça para que os garçons retirassem os canapés e os copos vazios-. O outro dia, quando fui às compras a Londres, vi esse vestido no Knightbridge. Não é uma desenhista que eu goste. Eu sou mais do estilo do Gucci. É um pouco formal para mim. São as mangas o que lhe dão o aspecto de ser para uma mulher mais maior, verdade? Suponho que quando já me aproximar aos quarenta...

Aproximando-se dos quarenta! Polly suspirou indignada. Para sua surpresa, foi Phil Bernstein o que saiu em sua defesa.

-Pois a verdade é que eu acredito que Polly está mais nos trinta e cinco que nos quarenta, Suzi.

Mas o que mais preocupava ao Polly, entretanto, era como Briony tinha podido pagar um vestido tão caro.

Cinco minutos mais tarde, quando se anunciou que ia se servir o jantar, manifestou-lhe suas preocupações a sua filha.

-Não se preocupe por isso. Não gastei o dinheiro de minha beca -respondeu-lhe Briony-. Pagou-o o tio Marcus.

-Marcus? -repetiu Polly assombrada-. Pediu-lhe ao tio Marcus que me comprasse o vestido?

-Bom, eu o escolhi -assegurou-lhe Briony-. Disse-lhe que, como não lhe comprássemos algo, acabaria por te pôr esse vestido tão horroroso que sempre te põe e ele acessou a comprá-lo.

Polly não pôde lhe responder. depois de fiscalizar a mesa, disse aos garçons que podiam começar a servir o jantar.

-Esta sopa está deliciosa -Phil Bernstein comentou entusiasmado.

-Obrigado -sorriu Polly-. É uma receita meu Y...

-No Gifford's Cay temos três dos melhores cozinheiros e os menus são fabulosos -interrompeu Suzi de forma grosseira-. Todos os artistas de cinema vão ali, verdade, Phil?

-Sim, é verdade. O verão passado esteve Meg Ryan -disse ao Polly sonriendo-. Tenho que te dizer que você te parece com ela...

-Não me diga isso... -comentou Polly, sentindo-se adulada.

-Fez uma conquista, mamãe -comentou-lhe Briony muito mais tarde essa mesma noite-. Sabe que é milionário? E o hotel é sozinho um de seus interesses comerciais. Suzi não quererá reconhecê-lo, mas veio aqui a tentar comprar hotéis para estender seu império.

-Sempre e quando não tentar comprar Fraser House -respondeu-lhe Polly.

-Sabe uma coisa, mamãe? Há vezes que não sei a quem quer mais, se ao hotel ou a mim -queixou-se Briony.

-Não sei por que o duvida -respondeu Polly muito séria-. Ao hotel, é obvio.

Mãe e filha estavam ainda renda-se quando Phil lhes perguntou:

-Do que lhes riem?

-De nada, em realidade. Uma piada entre mãe e filha -informou-lhe Polly.

-Ainda não posso me acreditar que seja a mãe do Briony -disse-lhe ele-. Se parecer inclusive mais jovem que ela, em especial com esse penteado.

-O que? -Polly levantou uma mão, dando-se conta muito tarde de que não se recolheu o cabelo.

-Não, deixe-lhe isso assim. Eu gosto -suplicou Phil-. Dá-te um aspecto como se te acabasse de levantar da cama, da cama de seu amante...

-OH! -exclamou Polly, ruborizando-se.

-Polly, acredito que já podemos dizer que nos sirvam o seguinte prato.

A voz do Marcus a devolveu à realidade.

-Mas se não haver mais pratos -informou-lhe franzindo o cenho-. Tão solo fica o café, que tinha pensado que nos servissem no salão.

-Surpreende-me -respondeu Marcus-. Porque Bernstein te estava comendo com o olhar.

-Tão solo estava sendo galante.

-Galante? Mas se te há dito que parecia que acabava de sair da cama de seu amante. Se crie que isso é galante...

-Não é isso o que quis dizer -começou a lhe rebater Polly, mas de repente se deteve. Já conhecia o Marcus quando ficava a criticá-la, quando nada do que dizia ou fazia estava bem. E embora o que lhe estava dizendo o dizia ao ouvido, para que outros não o pudessem ouvir, pela extremidade do olho viu que tanto Phil como Suzi estavam pendentes deles.

-Quer alguém mais café? -convidou-lhes Polly olhando-os. Todos responderam movendo em sentido negativo a cabeça.

-foi um jantar excelente -comentou Phil. Enquanto os familiares do Suzi lhe agradeciam a excelente janta que lhes tinha servido, Polly observou como Suzi lhe dirigia um olhar assassino.

-Temo-me que eu não sou a que melhor posso julgar. Nosso cozinheiro deixou atrás este tipo de comida e evoluiu tanto que... -deteve-se e se encolheu de ombros, como se não pudesse encontrar as palavras para descrever o abismo que havia entre os pratos que acabava de degustar e as maravilhas que ela normalmente comia.

Embora sabia que seu rosto se estava avermelhando pela ira, Polly preferiu não entrar no jogo da provocação. Mas não foi necessário, porque tanto Phil como o pai do Suzi exclamaram:

-Suzi!

-foi um jantar excelente -comentou o pai do Suzi-. muito melhor que essas verduras crudas e saladas quentes que às vezes me obriga a comer.

-Papai, estas defasado -interrompeu-lhe Suzi. Polly não pôde fazer outra coisa que sorrir.

-Bom, prometeu-me que me foste ensinar o hotel -recordou- Suzi ao Marcus quando Polly disse a seus convidados se foram à sala de estar.

-Podemos acompanhá-los -Phil Bernstein sugeriu.

Polly aceitou a contra gosto. Pela forma em que os olhavam Suzi e Marcus, estava claro que não queriam que os acompanhassem.

Phil abriu a porta do salão para que saísse. Aquele gesto a fez sentir-se muito mais confiada.

Ela, ao fim e ao cabo, tinha tanto direito como Marcus a lhes ensinar o hotel e tanto direito como ele a desfrutar da companhia de um membro atrativo do sexo oposto. Não só Marcus tinha o direito exclusivo de desfrutar das cuidados de outra pessoa. E Phil.estaba sendo muito atento com ela, tinha que admitir.

O estaria imaginando, ou Phil estava diminuindo o passo para separar-se pouco a pouco do casal que ia por diante? Polly se dava conta de que caminhava mais pego a ela do que era a norma enquanto admiravam a maravilhosa arquitetura dos ventanales que havia a metade da escada.

-Phil, o que está fazendo? -perguntou Suzi dando-a volta de repente, utilizando um tom de voz que Polly pensou como pouco apropriado para ser sua empregada. Mas parecia que Phil tinha uma personalidade doce e amável, não como Marcus, que os estava olhando com gesto irado ao final da escada.

-Estava admirando as vistas -respondeu-lhe Phil.

-Mas se for de noite -informou-lhe Suzi franzindo o cenho.

-Sim -respondeu Phil. Mas se deu a volta e olhou ao Polly.

Polly não pôde evitá-lo. Não pôde evitar ruborizar-se como se fora uma- colegiala enquanto Suzi apertava os dentes e se dava a volta de novo.

Polly aliviou um pouco o passo, para tentar alcançá-los, mas Phil lhe pôs uma mão no braço.

-Deixa-os que partam -disse-lhe em tom tranqüilo-. Tenho que me desculpar pelos comentários do Suzi no jantar...

-Suponho que está um pouco cansada da viagem -respondeu-lhe Polly muito diplomática.

Foi um gesto de amabilidade o que Phil se desculpasse pela atitude do Suzi, mas Polly suspeitava que a outra mulher não o ia agradecer absolutamente.

-Os pais do Chris mencionaram que ficou viúva muito jovem.

-Sim -respondeu Polly.

-E que não te tornaste a casar. Seguro que não por falta de pretendentes -sorriu de forma galante Phil.

-A verdade é que não tive muito tempo para pensar mais que no Briony e neste sítio -respondeu Polly,

-E imagino que também terá dificuldades para que seu cão guardião te deixe sair com outros homens -comentou Phil, fazendo um gesto com a cabeça em direção ao casal que tinham diante.

-Meu cão guardião? -repetiu Polly assombrada-. Refere ao Marcus? Ele não é...

-Como sócio deste negócio e co-proprietário lhe interessa que siga solteira para que atenda o negócio -continuou Phil sonriendo-. Eu em seu lugar estaria tentado a fazer o mesmo.

Polly não respondeu. Não podia. Marcus nunca lhe impediria de ter uma relação com outro homem se fosse o que ela desejasse. Que lhe ocorresse fazê-lo! Ela não tinha que responder a ninguém de seus atos quanto a sua vida pessoal se referia. E quanto ao negócio, eram sócios aos cinqüenta por cento. Incomodava-o que não só Suzi, mas também Phil, pensassem que Marcus fora o que mandasse ali.

-Não responde? -pressionou Phil.

Polly se deteve e o olhou. Ele a estava olhando também, com uma expressão inquisitiva, mas também de franco interesse.

-Eu sou livre -disse-lhe-. E pelo que se refere a meu cão guardião... -fez uma pausa e continuou-. dentro de pouco se irá a uma nova canil.

Que inseto a teria picado para adotar uma conduta tão descarada? Nada mais lhe dar aquela resposta, começou a arrepender-se.

-Melhor será que os alcancemos -disse ao Phil com a voz rouca.

Marcus tinha terminado de lhe ensinar ao Suzi a primeira das habitações, quando eles chegaram.

Embora as habitações haviam as tornado a decorar desde que havia falecido Richard, Polly tinha mantido muitas conversações mentais com seu marido ao as reformar. Não só tinha querido conservar sua lembrança, mas também sua arte. E quando viu o olhar de admiração nos olhos do Phil, Polly se sentiu orgulhosa.

-Não, essa porta não -disse, quando chegaram ao final do corredor e Phil estava a ponto de entrar na última das habitações-. Essas são as habitações do Marcus -explicou-lhe.

-OH, é uma pena que não possamos entrar, porque a habitação de um homem diz muito de como é esse homem em realidade... -comentou Suzi em tom arteiro.

O que tinha querido dizer em realidade era como se comportava na cama. Embora seguro que, se Marcus tivesse decidido lhe ensinar seus aposentos, haveria-se sentido decepcionada.

Tinha uma habitação fria e impessoal, porque estava todo o tempo viajando e quase nunca estava nela. Além disso, nunca tinha levado a uma mulher ali.

Polly sabia que tinha havido mulheres em sua vida. Tinha visto fotografias de mulheres muito bonitos; agarradas a seu braço.

-Uma amiga -tinha-lhe respondido ao Briony quando a menina de forma inocente lhe perguntava quem era a que estava a seu lado. Às vezes, ela mesma respondia as chamadas de mulheres que davam sozinho seus nomes com a absoluta segurança de que ele as reconheceria.

-O hotel é realmente pequeno -comentou Suzi-. É mais uma casita rural.

Polly se sentiu cheia de ira ao escutar aquelas palavras. Tanto seus empregados, como ela mesma, tinham trabalhado muito para que aquele lugar fora reconhecido como um dos melhores pequenos hotéis do país.

Mas, antes de que lhe pudesse responder, Marcus comentou:

-Pode que Fraser House não seja um hotel no estrito sentido da palavra. Como já haveria observado, não dispomos de muitas habitações. De fato não podemos atender toda a demanda que recebemos. Por isso é pelo que decidi ceder minhas habitações.

-Eu pessoalmente prefiro ficar em um destes hotéis que não em um desses maiores e impessoais -comentou Phil.

-Temos um par de habitações mais no seguinte piso -informou- Polly ao Suzi-. Além disso, não acredito que encontre casas rurais com os serviços que nós oferecemos. Não só dispomos de um ginásio totalmente equipado, mas sim de uma piscina olímpica.

-Pois teria que ver as piscinas que temos no Gifford's Gay -comentou Suzi-. O melhor arquiteto de instalações esportivas a desenhou para nós, a que sim, Phil?

-Eu gostaria de ver o resto das habitações -disse Phil ao Polly, sem emprestar atenção ao comentário do Suzi.

As habitações que havia no piso de acima eram amplas e tinham sido decoradas para tirar o máximo proveito dos tetos abuhardillados.

Quando estavam na última das habitações, Phil se aproximou da janela e olhou por ela.

-De quem são as terras? -perguntou.

-Minhas -informou-lhe Marcus. Os dois homens intercambiaram olhadas. Polly se deu conta da rivalidade que havia entre eles.

-foi uma velada maravilhosa -disse Briony ao Polly enquanto a ajudava a recolher as coisas do jantar-. Seguro que vais sentir falta de ao tio Marcus quando se for.

-Seguro que não -respondeu-lhe Polly imediatamente.

Briony baixou a cabeça e sorriu. Tinha-lhe prometido ao Chris que não ia se meter nos assuntos de sua mãe, mas não podia evitá-lo. Ao fim e ao cabo, o fazia por seu próprio bem.

-Estou cansada, Briony. Acredito que será melhor que vá à cama.

depois de abraçar e lhe dar um beijo de boa noite a sua mãe, Briony perambulou pela habitação. Ao cabo de uns segundos, lançou um murro ao ar e exclamou:

-Sim!

 

                                                       Capítulo 4

POIS eu acredito que se pusermos o salão entre as duas habitações dobre, com uma porta que as comunique com o salão, poderia ter uma dobro suíte com duas habitações dobre e um salão, ou uma única suíte com uma habitação dobro e um salão, mais outra habitação dobro. trouxe também os planos da pequena sala de conferências que me encarregou.

-Polly, poderia por favor ver isto?

Polly se sobressaltou e se deu conta de que o arquiteto e Marcus estavam esperando sua resposta. Olhou os planos que havia na mesa.

-Bem, me parece bem.

Levava quase três noites sem pegar olho. Da noite do jantar. Durante o dia, sentia-se nervosa. Se não tivesse sido pela energia que tinha, duvidava muito que tivesse podido permanecer acordada.

Piscou um pouco e se obrigou a centrar-se nos planos. O arquiteto, Neil Harland, fazia um bom trabalho. Suas sugestões eram excelentes, mas ela tinha perdido o entusiasmo que normalmente mostrava para todas as coisas. Cada vez que fechava os olhos seguia vendo o Suzi falando mal do hotel, falando mal dela e mostrando às claras sua admiração pelo Marcus.

-Não parece estar muito entusiasmada -disse Neil.

-Não... Sim, estou-o. Acredito que tem feito um bom trabalho, Neil -assegurou-lhe Polly imediatamente.

Neil começou a lhe explicar ao Marcus e a ela onde tinha pensado construir o centro de conferências.

-me parece muito bem -disse-lhe Polly-. Mas acredito que é um pouco caro -acrescentou, olhando com tom de dúvida ao Marcus-. Teremos que pedir um empréstimo para financiá-lo e não acredito que...

-O primeiro que terá que fazer é apresentar estes planos para que os passem -recordou-lhe Marcus-. Tínhamos falado de que isto ia ser um projeto a longo prazo.

-Também tenho os planos para esta casa, Marcus -disse Neil, pondo fim ao tenso silêncio que se produziu entre eles.

Polly estava desejando partir, mas o problema era que tinha ficado com o Marcus depois dessa reunião para falar do estado financista do hotel e por isso tinha que ficar.

Estava claro que Marcus não parecia regular gastos. Mas, claro, ele ganhava um bom salário, além de ter herdado um pouco de dinheiro de seus pais; sua mãe provinha de uma família acomodada. Os pais do Richard, por outra parte, que estavam aposentados e viviam no Cheltenham, solo dispunham da pensão que lhe tinha ficado ao pai.

Ela não invejava ao Marcus pelo dinheiro que tinha. Com o hotel não só ganhava um bom salário, mas sim além disso tinha um sítio onde viver. Quando Briony terminasse seus estudos, as coisas iriam inclusive melhor. Embora a verdade, não tinha tido que financiar os estudos de sua filha, porque Marcus tinha contribuído em grande medida. Mas nunca lhe tinha gostado. Tinha seu orgulho. O qual o fazia recordar que tinha que averiguar o que lhe havia flanco o vestido que lhe tinha comprado, porque queria lhe devolver o dinheiro assim que pudesse.

Neil e Marcus tinham terminado de falar e Neil estava preparando-se para partir.

-Já te contarei os projetos sobre essas duas novas habitações -disse ao Polly-. Quando crie que podem começar os trabalhos?

-Isso depende do Marcus -respondeu-lhe Polly-. Mas se pudessem estar terminadas para Natal...

-Para Natal? -Neil arqueou as sobrancelhas-. Com muita sorte...

-Em tal caso, pode-se deixar até o ano que vem.

-Acredito que será o melhor -respondeu Neil. Depois lhes deu as graças aos dois e partiu.

-Apesar de que houve uma ocupação total durante todo o ano e estamos tendo benefícios, nossos márgenes diminuíram -comentou-lhe Marcus depois de revisar os livros de contabilidade.

-Já sei -respondeu Polly-. Uma das razões é que a comida cada vez está mais cara. além da eletricidade, o gás, a água...

-Suzi me contou que no Gifford's Cay limitam a água que os hóspedes têm para banhar-se e lhes cobram quando excedem desse limite...

-O problema é que a Inglaterra não é o Caribe -comentou Polly um pouco molesta-. E duvido muito que, depois de um verão tão chuvoso, aos hóspedes goste de muito que lhes digamos que lhes vamos cobrar pela água que consomem. além de que NC sei se recordar que no Gifford's Cay têm três piscinas -não pôde evitar acrescentar com certo sarcasmo-. Faz-se tudo o que se pode para reduzir os custos e aumentar a margem de benefícios, Marcus -contínuo lhe dizendo-. Mas os que vêm a esta casa esperam um certo nível de comodidades e se começarmos a fazer recortes...

-Já sei, Polly -respondeu Marcus-. Mas recorda que este ano não subimos os preços...

-Este ano não -respondeu rapidamente PollyPero os subimos o ano passado. ia comentar te a possibilidade de aumentá-los o ano que vem. Eu cria que nossas hóspedes aceitariam melhor um aumenta no preço se não ser algo que se faz cada ano de forma regular.

-Você crie? 0 é uma idéia que te tem proposto Phil Bernstein? -perguntou-lhe Marcus em tom ácido.

-Eu não tenho que consultar ao Phil para tomar decisões com respeito ao Fraser House, embora a ti sim que parece que você gosta de ouvir o que pensa Suzi -respondeu ela.

produziu-se um silêncio tenso.

-Não sei como não me dei conta antes. Não é a experiência profissional do Bernstein o que você procura, não?

Polly suspirou fundo, tentando não deixar-se levar pela ira. Não era o momento, nem o lugar para discutir com o Marcus, apesar de que pensava que aquele comentário era uma provocação deliberada.

-O que eu queira ou não queira não é teu assunto -respondeu-lhe, quando encontrou forças suficientes para falar de novo.

-Por uma parte não, mas por outra... -fez uma pausa para pensar as palavras que ia utilizar-. Ao fim e ao cabo, somos sócios e se nossa conduta pessoal pode influir no negócio... Suzi me contou que Bernstein tem uma muito boa reputação. E acredito que te terá dado conta de que é...

Aquilo já era muito.

-É o que? -interrompeu-lhe muito zangada-. Mais jovem que eu? Já me dei conta, Marcus. Mas não acredito que seja estranho nestes tempos que uma mulher maior... -fez uma pausa-. Mas também sabe que Suzi é mais jovem que Phil e que você é mais maior que eu, mas claro isso não importa, verdade?

-E o que é o que te atrai dele, Polly? -perguntou-lhe Marcus-. O que é o que tem que...?

Preferiu não terminar a pergunta. Fez um silêncio e depois lhe perguntou de novo:

-Paraste-te a pensar no que pode pensar Briony se começar a sair com ele?

-O que pense ou deixe de pensar Briony o terá que falar comigo -respondeu-lhe Polly de forma apaixonada, mordendo o lábio, consciente de que Briony com toda probabilidade considerava o Marcus quase seu pai.

-Eu o único que te digo é que não te deixe enganar... -advertiu-lhe Marcus-. Por isso diz Suzi, é um mulherengo.

-Se crie que me vou deixar enganar sozinho porque um homem me diga uns quantos adulações...

-Vejo que você gosta -comentou Marcus-. Suponho que é agradável nas mulheres que chegam a uma certa idade sentir que homens mais jovens se fixam nelas.

Polly abriu a boca, assombrada por aquele ataque tão impróprio nele. Marcus normalmente era uma pessoa mais sutil, mais amável. Algo devia lhe haver acontecido para que lhe respondesse dessa forma, ou alguém devia lhe haver influenciado. Talvez era pelo Suzi. Como Briony tinha mencionado, entre os dois havia algo mais que uma relação chefe empregado. Ao melhor Marcus estava ciumento dele.

-Como te atreve A...? -começou a lhe dizer quase sem fôlego. Tentou procurar as palavras corretas. Tomou fôlego antes de lhe responder-. Ao contrário do que te possa parecer, uma mulher aos trinta e sete anos não está se desesperada, Marcus.

-Não? -perguntou-lhe ele em tom discordante-. Então por que esse interesse em ir à cama com ele quando aconteceste os últimos quatorze anos sem querer te aproximar de nenhum homem?

-Você não sabe nada de minha vida, Marcus. E só porque... -preferiu morder o lábio. Não queria mentir, mas tampouco queria que ele pensasse que não se deitou com ninguém da morte do Richard.

-Sempre há dito que nenhum homem podia substituir ao Richard em sua vida -recordou-lhe ele.

-Isso é certo -acessou Polly, sem dar-se conta muito bem do perigoso terreno que estava pisando.

-Pode então que não em sua vida, mas sim na cama. É isso o que está tratando de dizer?

Polly ficou olhando-o fixamente. Não tinha querido dizer tal coisa. colocou-se em um beco sem saída do que não sabia como escapar.

-Teria-me isso que haver dito antes -continuou Marcus com voz sedosa-. Se tivesse sabido que sua frustração sexual chegava a esses extremos, faria isto antes...

E antes de que ela se imaginasse o que ia fazer, Marcus havia talher a distância que os separava. Ela retrocedeu uns passos, mas sentiu a parede em suas costas. De forma instintiva levantou as mãos para que não a tocasse, mas ele pôs as suas na parede e aproximou seu corpo ao dela.

-Isso está melhor -disse-lhe Marcus-. Os dois sabemos que isto é o que necessita, verdade?

-Não! -protestou Polly. Não podia acreditá-lo que estava ocorrendo, que ele se estivesse comportando daquela maneira. Marcus, o homem que...

Foi muito tarde. Já tinha pego seu corpo ao dela e tinha colocado suas mãos em seus ombros enquanto aproximava a boca com uma decisão que a fez tremer.

-Não! -sussurrou, mas entretanto começou a fechar os olhos e deixou que lhe acariciasse o corpo.

por que? por que tinha que ocorrer aquilo? por que naquele momento?

-Quantos homens lhe hão meio doido ou lhe beijaram assim desde que morreu Richard? -perguntou-lhe Marcus enquanto lhe acariciava os braços e lhe mostrava com claridade o efeito físico que aquele contato tinha produzido em seu corpo.

Os homens era tão diferentes das mulheres. Os homens se excitavam com tanta facilidade. Não precisavam sentir nenhuma emoção. Enquanto que ela...

-Abre a boca. me beije como terá que beijar -exigiu-lhe Marcus.

Rezou para poder resistir, para que ele não se imaginasse o muito que o estava desejando.

-Marcus... -começou a protestar, mas de nada lhe serve. No momento em que abriu a boca, ele se apoderou dela, devorando-a.

Polly se deu conta de que todas suas objeções abandonavam seu corpo.

-Marcus...

Enquanto pronunciava seu nome pôs as mãos em seus braços, apertando seus dedos, lhe acariciando os músculos. Notou o palpitar de seu coração.

Não sabia como deter todo aquilo.

Marcus lhe pôs as mãos nos peitos, seus polegares massageando seus endurecidos mamilos.

Quando lhe colocou a língua na boca, ela emitiu um gemido de prazer e tentou apartar-se, mas ele não a deixou. Pô-lhe as mãos nos ombros e a aprisionou contra seu corpo. Obrigou-a a girar-se, apoiou-se ele na parede e a colocou entre as pernas...

Sentiu seu membro em ereção incluso antes de que lhe pusesse as mãos nas costas e a apertasse com mais força.

Polly ouviu o timbre da porta na distância. Marcus apartou a boca e jurou entre dentes.

Polly estava muito alterada, muito impressionada para emitir uma só palavra.

-Alguém está chamando. É possível que seja Suzi -disse-lhe Marcus-. Ao parecer queria ver a casa.

Polly tentou dizer algo, mas não pôde. Estava tão alterada que lhe custava inclusive respirar. Não podia nem tão sequer olhar ao Marcus. Não podia...

Enquanto Marcus se dirigia à porta, ela olhou a mesa do escritório, onde tinha deixado a bolsa e o casaco. Viu-os como objetos mundanos, pertencentes a um mundo que não tinham muita importância. Mas os estava observando como se nunca antes os tivesse visto. Ouviu os passos do Marcus enquanto caminhava pelo corredor. Seu cérebro lhe dizia que tinha que escapar dali, fugir antes de que Suzi entrasse.

Estirou uma mão para recolher suas coisas. Estava tremendo tanto, que inclusive teve que fazer três intentos. Na habitação em que estava havia três janelas. Abriu uma e saiu fora. Respirou fundo e se dirigiu para seu carro médio cambaleando-se.

Já lhe dava igual o que pensasse Marcus. imaginou que quão único faria sua presença seria envergonhá-lo ante o Suzi, a menos que ele desfrutasse com a idéia de ter duas mulheres ao mesmo tempo...

Polly deteve seu carro, respirou fundo e tratou de acalmar-se.

por que estava arriscando o que tanto lhe havia flanco conseguir ao longo de todos aqueles anos? Fechou os olhos e tentou não chorar.

Ainda podia recordar o sabor dos lábios do Marcus, seu aroma, o calor de seu membro em ereção.

Os olhos lhe encheram de lágrimas. Não podia recordar em que momento tinha começado a dar-se conta de seus sentimentos para o Marcus, depois da morte do Richard. Tampouco recordava quando se deu conta de que o amor podia supor dor, se esse amor se dirigia ao homem que não se tinha que dirigir.

O coração lhe tinha começado a pulsar com força. Fechou os olhos para impedir que lhe saíssem as lágrimas. Levava muito tempo apaixonada pelo Marcus, mas não tinha querido reconhecê-lo. Tinha tido que ser a presença do Suzi a que lhe tinha feito abrir os olhos à realidade.

Mas não podia deixar que Marcus se desse conta de seus verdadeiros sentimentos. Porque o certo era que o desejava com todas suas forças, com uma paixão superior a que havia sentido jamais pelo Richard. O que sentia pelo Marcus era mais...

Abriu os olhos. Estava pálida pela tensão. Se ele tivesse querido, poderiam inclusive haver... Tragou saliva. Se tivesse querido, poderiam ter feito o amor ali mesmo onde estavam. Solo de pensá-lo seu corpo começou a tremer.

O que lhe estava ocorrendo? Ao melhor Marcus tinha razão depois de tudo. Talvez estava passando uma espécie de crise. O certo era que solo de pensar em que estava com o Suzi ficava...

Apertou os dentes e arrancou de novo o carro. Tinha tido muitos anos para acostumar-se ao que sentia pelo Marcus, para acostumar-se a que seu amor nunca seria correspondido. por que então tinha naquele momento aquela sensação de perda?

Colocou uma marcha no carro e se dirigiu para o hotel.

O telefone estava soando quando entrou em seu escritório. Tinham ocorrido muitas coisas aquele dia. levantou-se muito em breve para se despedir do Briony. partiu-se o último hóspede e ficavam uns dias de descanso antes do fim de semana.

-me diga -respondeu quando levantou o auricular.

-Polly, sou Phil, Phil Bernstein -ouviu o outro lado da linha-. Ao melhor parece muito atrevido por minha parte, considerando que quase nos conhecemos, mas queria te pedir um favor...

-Um favor? -repetiu Polly em tom de dúvida-. Bom, depende do que seja -respondeu-lhe em tom precavido.

-É que estou em negociações para comprar um hotel em Londres e quisesse que o visse para que me desse sua opinião de perita.

Durante uns segundos, permaneceu em silêncio, sem saber o que responder.

-Mas eu não sou nenhuma perita nessa matéria, Phil! -respondeu-lhe-. Você é proprietário de hotéis e seguro que tem melhor critério que eu.

-Não neste caso. É um hotel diferente. Além disso... -fez uma pausa-. Escuta, não quero falar disto por telefone, mas eu gostaria de saber sua opinião. Fiquei muito impressionado com o que tem feito no Fraser House.

-Muito obrigado, Phil, mas...

-Escuta, o único que te peço é que venha a Londres e jante comigo. Pode passar a noite no hotel, se quiser. Com gastos pagos, é obvio...

-Não poderia aceitar isso -protestou Polly imediatamente-. Se fosse, preferiria ficar a dormir onde eu quisesse.

-Mas deverias jantaria comigo? -insistiu Phil-. De verdade que eu gostaria de ouvir sua opinião.

Polly duvidou uns segundos. Sabia que Phil era um mulherengo e, se aceitava sair para jantar com ele, depois queima mas coisas.

-Phil, eu adoraria jantar contigo, mas... -começou a lhe dizer. Nesse momento, ouviu o som da porta.

ficou geada ao ver que Marcus entrava na habitação. Sem saber por que, sentiu-se culpado, como se estivesse fazendo algo mau.

-Tenho que pendurar... -disse-lhe. Mas antes de que o fizesse, Phil lhe disse:

-Escuta, não tem que me responder agora. pense-lhe isso e te chamarei mais tarde. De verdade que eu gostaria de saber sua opinião, além de jantar contigo -acrescentou em um tom suave.

-Quem era? -perguntou-lhe Marcus quando Polly pendurou o auricular.

-Phil Bernstein -respondeu Polly automaticamente-. Embora não acredito que seja teu assunto.

-O que queria? -insistiu Marcus.

-Chamava-me para me convidar para jantar em Londres.

-O que? Haverá-lhe dito que não, é obvio...

-Ainda não lhe hei dito nada -informou-lhe, mói ta por sua resposta-. vai chamar me mais tarde. E quando chamar...

-Quando chamar lhe diz que não -replicou Marcus-. Esse homem é um mulherengo, Polly. E você...

Os dois ficaram em tensão quando o telefone voltou a soar. Polly respondeu. Era para o Marcus. Chamavam-no da companhia petrolífera. Saiu da habitação; para deixá-lo falar a sós. por que não tinha que aceitar o convite do Phil? por que não podia divertir-se um pouco, se queria? Se queria. Esse era o problema. Que não queria, e menos com o Phil...

Esperou até estar segura de que Marcus tinha terminado de falar. Depois, entrou no despacho. Tinha aspecto de preocupação.

-Estou muito ocupada, Marcus -disse-lhe-. Queria lombriga para algo em concreto?

Por sua expressão, comprovou que a maneira fria e distante com a que se dirigiu o tinha incomodado. Apartou seu olhar e ficou a colocar os papéis de seu escritório. Mas ao Marcus aquilo o deixou indiferente. Pôs as mãos na mesa.

-Deixa já de jogar, Polly. O que pretende com tudo isto? -perguntou-lhe, tirando um sobre de sua jaqueta e acostumando-lhe

O coração lhe deu um tombo ao reconhecer sua escritura. Sabia o que era. Era o sobre no que lhe tinha enviado o cheque com o dinheiro que havia flanco o vestido.

-É pelo vestido -informou-lhe com toda a calma do mundo-. Briony me disse o que custou.

Estava-a olhando fixamente, com o cenho franzido e a boca apertada.

-O que é o que está tratando de fazer, Polly? -perguntou-lhe em tom muito irritado.

-Eu sozinho quero te devolver o dinheiro que gastou no vestido -respondeu-lhe Polly como sem lhe dar importância-. Não sei por que te põe assim, Marcus.

-E se te digo que não aceito este cheque? -perguntou-lhe ele, com voz sedosa.

Polly o olhou alarmada. Já conhecia aquele tom de voz. Mas não estava disposta a deixar-se dominar pelos nervos.

-Pois, se não o aceitar, verei-me obrigada a te devolver o vestido -replicou com decisão.

-Mas se era um presente... -respondeu Marcus.

-Não quero teus presentes -replicou Polly. Nada mais olhá-lo e vê-lo sorrir, deu-se conta de seu engano.

-Não foi meu presente, Polly. Foi um presente do Briony. Se eu te queria comprar roupa...

-Já sei -espetou-lhe ela, perdendo a serenidade-. Compraria-me algo mais apropriado para uma mulher de minha idade.

-Assim é. Algo muito mais apropriado -respondeu-lhe ele com voz suave-. Faz o que queira com o vestido, Polly. Se o que quer é ferir os sentimentos do Briony, por mim não há nenhum problema. Não lhe posso impedir isso...

deu-se a volta e saiu do despacho. Era típico dele o dizer a última palavra, pensou Polly zangada.

Mas o pior era que tinha razão. Ao Briony não gostaria de inteirar-se de que lhe havia devolvido o vestido e não queria ficar o nunca mais.

Ainda lhe fervia o sangue de ressentimento, quando Phil chamou de novo.

-me diga o que quer por aceitar sair para jantar comigo e lhe dou isso -disse-lhe Phil. Polly não teve mais remedeio que sorrir para ouvir seu descaramento.

-Não tem que me dar de presente nada -começou a lhe dizer-. irei ver o hotel se quiser...

-E logo deverás jantará comigo? -insistiu Phil. Polly ficou pensando.

-Bom -acessou-. Mas já me encarrego eu de procurar um sítio onde passar a noite, Phil -disse-lhe.

-Muito bem -respondeu ele.

O que diria Marcus quando se inteirasse?, perguntou-se nada mais pendurar o telefone. Mas imediatamente se disse que ele não tinha nenhum direito a meter-se no que ela fazia, ou com quem saía.

 

                                           Capítulo 5

SINTA-LHE muito bem.

-Não acredita que pode ser um pouco juvenil para mim? -perguntou Polly em tom de dúvida a dependienta.

A garota arqueou as sobrancelhas.

-Absolutamente -assegurou ao Polly-. De fato, a roupa desta desenhista está dirigida às mulheres de trinta e tantos. Eu diria inclusive que lhe dá um aspecto incluso de maior. É uma de minhas desenhistas preferidas. Eu tinha pensado comprar um vestido assim quando cumprir os trinta.

Era evidente que a dependienta pensava que tinha mais ou menos a mesma idade que ela, o qual a fez me sentir muito mais confiada. Por isso comprou o vestido e além disso um par de sapatos que foram a jogo.

O vestido era de lã e tinha um amplo decote. sentia-se como se fora uma atriz de cinema. Mereceu a pena pagar o preço que lhe custou.

Seguro que Marcus teria posto objeções se o tivesse visto posto, porque pensaria que era muito atrevido. Mas por sorte, Marcus não o ia ver posto. Fechou os olhos e ficou pensando. comprou-se aquele vestido sozinho para desafiá-lo. além de substituir o que lhe tinha agradável ele, que tinha jurado não ficar nunca mais. E além disso, de vez em quando estava bem conceder-se algum luxo.

Felizmente não tinha visto o Marcus desde que tinha aceito o convite do Phil.

Sentiu um calafrio. Ainda lhe palpitava o coração cada vez que recordava a forma em que Marcus a tinha beijado.

Não era sozinho porque não tinha tido a suficiente força de vontade para opor-se, mas sim pelo sentimento de prazer que havia sentido, a necessidade que tinha despertado nela; ainda a fazia sentir-se excitada e vulnerável.

Não o tinha visto após, apesar de que tinha ido um par de vezes ao hotel, quando ela não estava ali. Mas tinha sonhado com ele. E em seus sonhos o que tinha ocorrido entre eles não era como tinha ocorrido na realidade. Em seus sonhos, o desejo físico que havia sentido tinha alcançado sua conclusão natural e Marcus...

Com o rosto ruborizado, Polly se recordou o sítio onde estava. Talvez era porque se esqueceu quase do que era estar com um homem. Talvez tinha que pensar em...

No que?

Em deitar-se com alguém para liberar sua tensão sexual? Apesar do muito que amava ao Marcus, não gostava de pensar que seu comportamento estivesse condicionado pela necessidade sexual. Talvez era um pensamento muito antiquado,, mas era assim como se sentia. Quando preparou a bolsa de viagem para passar a noite em Londres, alegrou-se de que Briony não estivesse por ali.

Não era que sentisse que estava fazendo algo mau. De fato, nem sequer tinha pensado ficar no mesmo hotel que Phil e embora assim o tivesse feito... O que estava fazendo era perfeitamente aceitável. Entretanto, não podia deixar de ter um sentimento de culpabilidade.

A culpa de todo a tinha Marcus, decidiu. Tinha sido Marcus o que tinha insinuado que Phil e ela...

A dependienta envolveu o vestido e os sapatos e os meteu em uma bolsa que entregou ao Polly com um sorriso.

-Que o desfrute.

-Obrigado -respondeu-lhe Polly.

Quando saiu da loja, Polly se olhou o relógio. Eram quase as quatro. Tinha ficado com o Phil às sete. Não tinha querido que a recolhesse no hotel onde ia se alojar e tinha ficado no vestíbulo do hotel onde foram jantar, que era onde ela supunha que ia se ficar ele.

Tinha tempo para chegar a seu hotel e deixar suas coisas, tomar um chá, que sempre a tranqüilizava e preparar-se para a entrevista.

A entrevista... sorriu e parou um táxi.

recordou-se que aquilo era simplesmente um jantar de negócios. Quão único queria dela era sua opinião. Embora ao melhor não só queria isso, teve que admitir quando entrou no táxi e viu o olhar de aprovação que lhe dirigia o taxista enquanto lhe dizia onde ia.

O hotel no que tinha reservado habitação era pequeno, mas tinha todas as comodidades necessárias para que o viajante se sentisse a gosto. O trato era excelente, segundo Polly pôde comprovar por si mesmo.

Havia um grupo de pessoas em recepção que estavam perguntando a melhor forma de chegar ao British Museum. Esperou pacientemente no mostrador e ao cabo de um momento a atendeu a recepcionista.

Polly sorriu e lhe disse seu nome e direção.

-Sinto havê-la feito esperar -desculpou-se a garota quando deu ao Polly a chave da habitação.

Polly lhe deu as obrigado e se foi ao elevador. Sua habitação estava no terceiro piso. depois de vários intentos infrutíferos para entrar na habitação com o cartão que lhe deram, estava a ponto de dá-la volta quando o botões apareceu com a bagagem.

Polly lhe explicou o problema que tinha e, depois de comprovar que era a habitação que lhe tinham atribuído, o botões lhe abriu a porta.

O hotel estava situado em uma das zonas com mais encanto de Londres. A habitação era muito espaçosa. Havia uma cama de matrimônio e um par de poltronas a cada lado da chaminé, com uma mesa entre os dois, assim como um escritório.

O quarto de banho tinha todo o necessário. As paredes e o estou acostumado a eram de mármore, com o qual era muito singelo de manter limpo. A banheira era imensa. Uma banheira de época com patas.

Os acessórios eram de uma marca que ela mesma tinha eleito também para o Fraser House. Gostou de comprovar que no hotel, a diferencia do dele, não punham a disposição do cliente azeites de banho, nem velas. Nem tampouco dispunha das almofadinhas flutuantes de banho que a suas hóspedes gostava tanto.

Desfez a mala, o qual não lhe levou muito tempo, porque solo se levou um vestido e roupa mais cômoda para a viagem de volta pela manhã. Fechou o armário com a chave que lhe tinham entregue e a guardou na bolsa.

depois de tomar o chá pela tarde, Polly subiu a sua habitação para trocar-se de roupa e ir-se jantar.

ficou o vestido que se comprou e se olhou ao espelho. Abriu a porta da habitação justo no momento em que uma faxineira com roupa de cama estava a ponto de chamar. Polly sorriu e deixou que fizesse seu trabalho.

O hotel que Phil estava pensando comprar estava ao outro lado da cidade, mas por fortuna, quando subiu ao táxi que tinha pedido, o tráfico tinha diminuído bastante e não demorou muito em chegar.

Quando entrou no vestíbulo, viu que Phil já a estava esperando. aproximou-se dela e tomou a mão que lhe estava oferecendo. Phil atirou dela e lhe deu um beijo na bochecha.  e

Polly o olhou um pouco assombrada por aquele atrevimento.

-É tua culpa o que não possa apartar nem meu olhar, nem minhas mãos de ti -comentou ele. Mas depois seu olhar risonho se desvaneceu e se dirigiu a ela mais a sério-. Agora a sério, Polly, tem algo que...

Polly moveu em sentido negativo a cabeça.

-Isso é muito adulador -respondeu-lhe-. Mas...

Mas o que?

Esteve a ponto de lhe dizer que estava apaixonada pelo Marcus, que levava quatorze anos apaixonada por ele, apesar de que tinha sabor de ciência certa que seu amor não seria correspondido.

-Mas o que? -perguntou-lhe Phil.

-Que sou maior que você, Phil. Que tenho uma filha bastante crecidita Y...

O som que fez lhe fez deter-se.

-Maior que eu? Quanto, quatro ou cinco anos?

-Por isso diz Marcus... -começou a lhe dizer Polly.

-Marcus? -Phil franziu o cenho-. O que tem ele que ver em tudo isto?

-Nada. É sozinho que... -Polly se deteve-. É uma pessoa encantadora, Phil, mas eu sozinho quero uma relação de amizade.

-Isso pode trocar -insinuou-lhe Phil-. E isso é o que eu tento. Quer tomar algo primeiro, ou prefere ir diretamente para jantar? -perguntou-lhe.

-Tomarei algo primeiro -respondeu-lhe Polly-. Ao fim e ao cabo, disse que queria saber minha opinião sobre o hotel.

-É certo -respondeu Phil.

Uma hora mais tarde, quando o garçom lhes levou o primeiro prato, Polly lhe disse que o hotel lhe estava causando uma muito grata impressão.

A decoração era minimalista para seu gosto, mas a julgar pela quantidade de homens e mulheres de negócios que havia no bar, era evidente que era um sítio muito popular.

O espaço do restaurante estava muito bem pensado. Os comensais que queriam ser vistos se sentavam nos lugares onde todos os podiam ver. Mas os que não, podiam desfrutar de espaços privados. Era um sítio muito de moda. De fato, reconheceu a alguns famosos.

-O que tenho em mente é oferecer aos hóspedes a possibilidade de trazer para seu acompanhante, já que todas as habitações são duplas. E o único custo adicional entre escolher uma habitação dobro e uma individual é o custo do café da manhã do acompanhante. poderiam-se oferecer extras como entradas para espetáculos, visita museus de arte, viaje para comprar antiguidades, com o assessoramento de um perito e condutores se forem necessários.

-vai ser impressionante -respondeu Polly.

-Será-o -replicou Phil.

-Muito impressionante e muito caro também -voltou a comentar ela.

-Nesta cidade há muito dinheiro -comentou Phil. de repente franziu o cenho e comentou-. Que diabos estão fazendo esses aí?

Polly girou a cabeça e seu corpo ficou em tensão. A três mesas de distância da que estavam eles viu o Marcus e ao Suzi; estava-os acomodando o garçom chefe.

Ao parecer, eles ainda não se deram conta de sua presença. Quando o garçom lhes entregou as cartas com o menu, Polly sentiu que lhe revolvia o estômago ao ver que Suzi estirava a mão e a punha em cima da do Marcus.

-Suponho que não sabia que foram dever jantar aqui -comentou Polly, tentando tranqüilizar-se. Parecia que Suzi se feito muito amiga do Marcus. Seguro que Briony se alegraria ao sabê-lo.

Polly de repente perdeu o apetite.

-Eu não sabia... -começou a dizer Phil, mas se deteve-. Tenho uma suíte aqui -comentou encolhendo-se de ombros-. Dado que é minha secretária, Suzi pode utilizar a habitação vazia. Mas se acreditar que... -não terminou a frase ao ver a forma em que Polly estava dando voltas à comida de seu prato.

-Ocorre-te algo? -perguntou-lhe preocupado-. Se quiser outra coisa... -olhou a seu redor para localizar ao garçom. Mas Polly moveu em sentido negativo a cabeça.

-Não, não se preocupe. É que não tenho fome -respondeu-lhe sonriendo enquanto se mordia o lábio. Seguro que ele já se imaginou a verdadeira razão de sua perda de apetite.

-Se quiser, podemos dizer que nos levem o jantar a minha habitação, ou podemos ir a outro sítio.

-Não, não se preocupe -assegurou-lhe ela.

-Maldita seja -exclamou ele-. Viram-nos -empurrou para trás a cadeira e se levantou. Quando Polly girou a cabeça, viu o Suzi avançar para eles.

-Phil.., senhora Fraser -sorriu com atitude falsa ao Polly

Ao dirigiu a ela como «señorá Fraser» queria deixar claro que às dois lhes separava uma geração.

-Quando me disse que tinha um jantar de negócios esta noite, não imaginava que fora com a senhora Fraser -disse ao Phil. pôs-se entre os dois, dando as costas ao Polly. Levava um vestido comprido, com tão pouco tecido nas costas que era impossível não dar-se conta de que não levava prendedor.

-Nem eu tampouco sabia que quando disse que foste sair para jantar com um amigo, fosses sair com o senhor Fraser -respondeu Phil, com tal aborrecimento, que Polly sentiu saudades de que entre eles sozinho houvesse uma relação de trabalho.

-Meus amigos são meu assunto -respondeu-lhe ela-. Entretanto, eu sim deveria saber que jantares de negócios tem, dado que sou sua secretária.

deu-se a volta e olhou ao Polly de cima abaixo.

-Não a conheço muito, senhora Fraser, mas me dão pena as mulheres maiores que se apaixonam por homens mais jovens. Não acredita que fazem um pouco o ridículo?

-Os seres humanos podem fazer o ridículo de muitas formas e por uma grande variedade de razões -replicou Polly-. Pode que eu esteja um pouco defasada em meus pensamentos, mas eu gosto de julgar a outros com a mesma compaixão com a que quero que me julguem -continuando, olhou ao Phil e lhe disse-. Por isso vi deste hotel, acredito que é um bom investimento. Agora, se me perdoarem, me vou retirar, porque estou um pouco cansada.

antes de que eles pudessem responder, ficou em pé e começou a caminhar para a saída.

por dentro estava tremendo de ira e de dor. Como se tinha atrevido aquela mulher a insultar a dessa forma? Como se atrevia a lhe esfregar pela cara sua relação com o Marcus, questionando ao mesmo tempo a seu com o Phil? Mas o que mais a assombrava era a dor e o ciúmes que todo aquilo lhe causava.

Essa mesma noite, Marcus estreitaria entre seus braços ao Suzi, beijaria-a, tocaria-a, enquanto que ela...

-Polly.

ficou geada quando sentiu a mão que sujeitava seu braço, mas ao comprovar que era Phil, ficou um pouco mais tranqüila. Tinha estado tão absorta em seus sentimentos que durante uns segundos pensou que Marcus tinha ido atrás dela.

-Não te pode partir assim. Não sei por que Suzi se atreveu a te falar dessa maneira.

-Pois porque parece que compartilha a opinião do Marcus de que sou uma mulher maior que está tão se desesperada por estar com um homem que...

Os olhos lhe arrasaram de lágrimas, muito a seu pesar.

-Você não é maior, Polly -assegurou-lhe Phil-. Por favor, não chore... Se chorar... Não te pode imaginar o muito que desejo me deitar contigo.

-Para que? -perguntou-lhe em tom desesperado-. Para contar minhas rugas?

-Polly -protestou-. Escuta. Vamos a minha habitação. Pedirei que nos levem ali o jantar, Y...

Polly fechou os olhos, envergonhada pela tentação de aceitar seu convite. Sabia quais eram as intenções do Phil. Não queria jantar, a não ser uma noite de paixão. E o mais grave era que ela também queria o mesmo. Não porque se apaixonou por ele, nem sequer porque queria fazer o amor. A razão pela que esteve a ponto de aceitar era uma pessoa sentada naqueles momentos no restaurante.

Marcus. Essa era a razão. Queria lhe demonstrar que, embora ele pensasse que não era uma mulher atrativa, desejável, outros homens pensavam o contrário. Mas o sentido comum foi a seu resgate.

Ao longo de todos aqueles anos, lhe tinham apresentado ocasiões de aceitar uma oferta como a que lhe estava fazendo Phil, mas nunca se permitiu cair na tentação.

E por muito doída e zangada que estivesse com o Marcus, não ia passar por cima seus valores morais, entre os que se incluía não deitar-se com alguém do que não estivesse apaixonada.

Pôs a mão no braço do Phil e o olhou aos olhos.

-Não, Phil. Muito obrigado, mas...

Contra sua vontade, o olhar foi para o restaurante. De onde estava podia ver o Marcus. Estava sentado de costas a ela, conversando com o Suzi. Suspirou e olhou para outro lado.

-Não sente saudades seu entusiasmo por este hotel -comentou ao Phil.

-Quando acabarem as negociações ficarei uns meses aqui em Londres. Se trocar de opinião...

-No que se refere para jantar juntos? -perguntou-lhe Polly sonriendo.

-No que se refere a algo -respondeu Phil com tom firme.

-Não vou trocar de opinião -disse-lhe-. O garçom chefe seguro que vai preocupar se se não terminar de jantar.

-Ao igual a você, perdi o apetite -respondeu-lhe-. Pedirei que me subam algo mais tarde à habitação. Vou trabalhar um pouco. Mas antes chamarei um táxi.

Quando chegou a seu hotel, voltou a ter o mesmo problema para poder entrar em sua habitação. A garota da recepção, uma distinta a que a tinha atendido antes, chamou o botões para que a abrisse.

-Ocorre com freqüência com estes cartões -disse-lhe-. Sinto muito.

Não eram nem as dez, mas estava tão cansada, que o único que queria era ir-se à cama.

tirou-se a roupa, pendurou o vestido no armário e o fechou com chave. Nesse momento se deu conta de que faltava a chave da outra porta. Não era que importasse, porque não a ia necessitar, mas estava segura de havê-la deixado posta. Ao melhor lhe tinha cansado por acidente à garota que tinha ido trocar os lençóis.

Quando ao cabo de um momento entrou no quarto de banho, deu-se conta de que alguém tinha utilizado um par de toalhas e as tinha posto na barra para secar-se.

Aquilo era muito estranho. Não eram as toalhas que ela tinha utilizado e não estavam postas da forma que ela as punha na barra. Ao melhor a faxineira não as tinha trocado.

Decidiu dar um banho quente e meter-se na cama. levou-se um livro, assim leria até ficar dormida.

Abriu os grifos do banho e preferiu não pensar no que Marcus estaria fazendo naqueles momentos.

Seguro que já teriam terminado de jantar. Ao melhor se foram ao bar depois, ou diretamente à habitação do Marcus.

Havia certos dores que nem sequer a água quente podia mitigar, pensou Polly se desesperada.

Saiu da banheira e se envolveu em uma toalha. foi à bolsa de viagem a procurar uma camisola e se deu conta de que não o tinha metido.

Que mais dava!

Uma pastilha de ervas relaxantes seguro que lhe serviam para fechar os olhos quanto antes. meteu-se na cama nua e apagou a luz.

Ao cabo de meia hora, estava dormida.

 

                                                 Capítulo 6

Me perdoe um momento desculpou-se Marcus, levantando-se da mesa e dirigindo-se para o vestíbulo. deteve-se em seco ao comprovar que Polly e Phil não estavam ali. Do momento em que tinha chamado ao Fraser House perguntando pelo Polly, e lhe haviam dito que se foi a Londres, imaginou-se com quem estava. E lhe dava uma certa satisfação saber o impressionada que se ficou.

-Posso ajudá-lo em algo, senhor?

Marcus franziu o cenho quando viu a sorridente recepcionista.

-Sim. O senhor Bernstein Y...

-O senhor Bernstein se acaba de ir a sua habitação. E há dito que não lhe incomode.

Marcus dirigiu seu olhar para o elevador. A tentação de subir à habitação do Phil Bernstein e tirar o Polly dali era tão forte, que teve que apertar os punhos para não fazê-lo. Não era o homem que lhe convinha. Tinha sido uma sorte ter aceito o convite do Suzi para jantar com ela. Embora em princípio tinha rechaçado o convite, alegrou-lhe ter trocado de opinião. Mas o que nunca se teria imaginado era que Polly pudesse passar a noite com o Phil Bernstein. Muito a seu pesar, não podia ir separar os, porque ele não tinha nenhum direito sobre ela.

-Marcus...

Marcus ficou em tensão para ouvir a voz do Suzi.

-Ocorre-te algo? -perguntou-lhe.

-Não -respondeu ele-. É que queria falar com o Polly.

-Não sente saudades que queira falar com ela -respondeu Suzi, arqueando as sobrancelhas em gesto de desprezo-. Está fazendo uma tolice. Não acredito que de verdade pense que Phil se fixou nela. Phil tem um montão de mulheres mais jovens onde escolher -continuou em tom depreciativo.

Quando viu que Marcus franzia o cenho, trocou de tática.

-Embora entenda que queira defendê-la. Ao fim e ao cabo é tua família -disse-lhe olhando-o-. A verdade é que me dá um pouco de pena. Quando Phil a deixe, o golpe que vai se levar vai ser muito duro. Mas não deixemos que isso danifique a noite -disse-lhe enquanto o agarrava por braço-. Não te posso convidar a que subidas a minha habitação, porque não seria correto, mas podemos ir à tua, se quiser.

-Não acredito que seja muito boa idéia -respondeu Marcus, movendo em sentido negativo a cabeça.

O que menos gostava de era ir-se à cama com o Suzi, quando não podia tirar-se ao Polly da cabeça. E Suzi não o queria a ele. Queria a um homem, qualquer lhe valia. O que estaria fazendo Polly naqueles momentos? Estaria bem?

antes de que Suzi pudesse protestar, soltou-se dela e lhe disse:

-Será melhor que vá porque amanhã tenho que viajar a China.

Sua empresa estava negociando com os chineses uma exploração mineira e o que menos gostava de naqueles momentos era criar-se mais complicações.

Saiu do hotel e chamou um táxi. Uma vez dentro, disse-lhe ao condutor que o levasse a hotel onde tinha reservado habitação. Um hotel similar ao Fraser House, que estava ao outro lado da cidade.

Quinze minutos mais tarde, saía do táxi e se dirigia ao vestíbulo, onde a recepcionista estava falando com outro hóspede. Marcus comprovou que levava seu cartão e se dirigiu para o elevador. Sua habitação estava no terceiro piso.

Deslizou o cartão pela ranhura e esperou a que se acendesse a luz verde. A seguir entrou.

O primeiro que lhe surpreendeu foi que a habitação cheirava ao perfume do Polly, um perfume que ele conhecia tão bem, que pensou que o estava imaginando. Mas quando entrou no dormitório viu um vulto na cama.

Estava dormida como um menino, abraçada ao travesseiro. O coração começou a lhe pulsar a toda velocidade. Pouco a pouco, foi acalmando-se. Que diabos estava fazendo Polly em sua habitação e em sua cama?

Franziu o cenho, caminhou para a porta e saiu ao corredor, fechando a porta atrás dele.

foi à recepção a pedir explicações.

-A senhora Fraser? Sim, está alojada na habitação 113.

A habitação 113 era sua habitação. Evidentemente tinha havido um engano. Estava a ponto de dizer-lhe a recepcionista quando um casal de média idade se aproximou da recepção.

-Estamos alojados na habitação 204 -explicou-lhe o homem a recepcionista-. Mas há uma luz na rua que molesta a minha mulher. Poderia nos trocar de habitação?

A recepcionista moveu em sentido negativo a cabeça.

-Sinto-o muito, senhor, mas o hotel está completo. Não temos nenhuma habitação livre.

Não havia nenhuma habitação livre. Com o qual ele tampouco podia alojar-se em outra habitação. E na sua estava Polly.

deu-se a volta e se dirigiu ao elevador.

Cinco minutos mais tarde, estava de volta na habitação olhando o corpo do Polly.

Ao igual a ele, tinha reservado habitação naquele hotel. O qual significava que, depois de partir do restaurante, não foi se dormir com o Phil Bernstein: teriam brigado? Teria ousado ele...? O ciúmes o estavam destroçando. Já tinha tido que sofrer de ciúmes por sua primo já falecido. Mas aquilo...

Pronunciou o nome do Polly, mas estava tão dormida que nem despertou.

O mais sensato e correto seria insistir e despertá-la, lhe explicar a situação e oferecer-se a passar a noite em uma cadeira.

Mas ao pensar que ao dia seguinte tinha que fazer um comprido viaje o que menos gostava de era dormir em uma poltrona.

Abriu o armário onde tinha guardado a bolsa de viagem, pendurou a jaqueta e se meteu no quarto de banho. As toalhas que tinha utilizado para tomar banho estavam bem dobradas. Sorriu ao imaginar-se que tinha sido Polly as que as tinha dobrado.

O som da água despertou ao Polly. Confusa e meio dormida, pensou que tinha começado a chover. Mas quando esteve mais acordada, deu-se conta de que o que a tinha despertado era o som da água no quarto de banho. Olhou a porta, viu a luz. Estava claro que havia alguém tomando banho no quarto de banho de sua habitação.

Sem pensar sequer no perigo ao que se expor, saiu da cama, ficou o penhoar do hotel, foi por volta do quarto de banho e abriu a porta.

Quando a porta se abriu, Marcus ficou a toalha e fechou o grifo.

-Marcus! -exclamou Polly sem acreditá-lo que estava vendo-. O que está fazendo aqui?

-Você o que crie que estou fazendo? -perguntou-lhe Marcus lacónicamente.

-Esta é minha habitação -informou-lhe Polly muito zangada-. Como entraste? O que está fazendo em minha ducha?

-Tenho que te informar que é nossa habitação -disse-lhe Marcus muito sério-. Parece que houve um engano e nos alojaram na mesma habitação. É possível que tenha sido porque demos o mesmo sobrenome. A verdade é que já me dá no mesmo saber por que se produziu esse engano. Mas antes de que siga falando, tenho que te informar que o hotel está completo e que não têm mais habitações.

-O que? -Polly se esfregou os olhos. Parecia estar metida em um sonho surrealista. Parecia uma coincidência estranha que lhes tivessem atribuído a mesma habitação. A verdade, não tinha motivo para acreditar que lhe estivesse mentindo, porque não teria o menor sentido.

-Não terá vindo com ninguém a dormir? -perguntou-lhe Polly.

-Não.

-OH...

Bocejou. Embora o ruído da água da ducha a tivesse despertado, ainda estava sob os efeitos da pastilha que se tomou. Sentia as pálpebras pesadas e estava desejando voltar outra vez à cama. ficou a mão na boca e bocejou de novo. Naquele movimento, abriu-se o penhoar pela metade, expondo à vista seus peitos.

Marcus se sentiu como se lhe tivessem dado uma patada no estômago. Esteve a ponto de abraçá-la e esconder sua cabeça na cremosa pele de seu pescoço, deslizar suas mãos por seus quadris e acariciar seus peitos. Teve que recordar-se a que tinha ido Polly a Londres para não fazê-lo.

-E você o que faz aqui? O menos que Bernstein teria podido fazer é te oferecer uma habitação no hotel, se não queria que compartilhasse sua cama.

Polly não podia acreditá-lo que acabava de ouvir.

O que acabava de lhe dizer a ofendia. Desde não ter sido pelo sonífero que se tomou, teria se posto a chorar ali mesmo.

-Não cria que outros são como você, Marcus. Phil me ofereceu uma habitação. De fato... -seus lábios se curvaram com um triste sorriso-... inclusive me propôs dormir com ele.

Sentiu que seus olhos se enchiam de lágrimas.

-Pode que pense que sou uma mulher de média idade, tão desesperada pelo sexo que aproveito qualquer oportunidade que me apresenta para me deitar com um homem -disse-lhe ruborizando-se-. Mas isso não significa que o seja.

-Polly -protestou Marcus, estirando o braço para agarrá-la, ao ver que se dava a volta. Mas ela se moveu com tanta rapidez, que ele sozinho pôde agarrar o tecido do penhoar.

Marcus ficou com o penhoar nas mãos e Polly sem nada em cima. Durante um segundo, nenhum dos dois se moveu. Polly se deu conta DELL desejo com o que Marcus a estava olhando. Um desejo que se apalpava quase no ar. Seus mamilos se endureceram. Aquele grau de sensualidade não só a surpreendia mas sim a atormentava.

E então Marcus se moveu e ela voltou para a realidade.

-Não! -gritou enquanto retrocedia, não só de sua presença física, mas sim de seu perigoso calor e de seu aroma também.

Poderia ter tido tão pouca roupa como ela tinha, mas sua nudez era distinta, era a nudez de um homem, que em vez de lhe privar de controle e de poder, parecia reforçar-lhe quão mesmo reforçava sua masculinidade.

-Polly -repetiu Marcus enquanto agarrava seu braço.

Só queria lhe devolver o penhoar. Isso era tudo. Mas nada mais sentir a suavidade de sua pele, esqueceu-se de suas intenções e ficou presa de seu próprio desejo. Em vez de tampá-la com ele, deixou-o cair ao chão e a cobriu com seu corpo.

Polly tentou apartá-lo, mas já era muito tarde. Quando tinha rechaçado ao Phil Bernstein, tinha-o feito sabendo o que fazia, mas com o Marcus era diferente. Ante o Marcus se encontrava indefesa. Desejava-o, queria-o, necessitava-o tanto...

Em sua garganta se formou um gemido de recriminação e dor, mas seu corpo, suas emoções e seu amor não queriam escutar.

Era Marcus o que a estava abraçando, tocando, querendo-a...

Mas não queria que ocorresse ali. Porque para ele certamente ela sozinho era uma substituição da mulher com a que desejava estar naqueles momentos. Não sabia por que tinha voltado para hotel sem o Suzi. Porque aquela mulher tinha deixado bastante claro quais eram seus sentimentos. Por isso estava tão excitado. Por isso a estava tocando daquela maneira, beijando-a com tanta paixão em seu pescoço.

Através de seus entreabridos olhos pôde ver o reflexo de seus corpos no espelho do quarto de banho. Marcus estava abraçando-a. Sua pálida pele lhe pareceu frágil comparada com a mais bronzeada, escura e masculina dele. Mas de algum jeito pareciam compensar-se. Macho e fêmea. Fragilidade e força. Formavam um casal perfeito.

Seu corpo se estremeceu de prazer e sua garganta emitiu um gemido quando sentiu que as mãos do Marcus acariciavam seus peitos. Quão sacudidas dava seu corpo eram tão intensas, que quase não as podia suportar.

Tinha trinta e sete anos e em sua vida tinha vivido nada igual, nem sequer com o Richard. Não estava preparada para aquelas sensações tão fortes.

Mas desejava todo o prazer que Marcus lhe pudesse dar. Tudo o que lhe pudesse oferecer.

Levantou as mãos e começou a lhe acariciar os ombros e os braços. Sua pele. Os movimentos de seus músculos eram tão diferentes aos dela... Fechou os olhos. Mas ao cabo de uns segundos os teve que voltar a abrir porque queria ver o que ocorria na realidade.

-Polly.

Notou a urgência em sua voz e respondeu lhe dando mais agradar. Levantou a mão e lhe acariciou o rosto, lhe passando os dedos pela mandíbula, sentindo a aspereza de sua barba. Continuando, acariciou-lhe a boca. Seus olhos estavam iluminados pela emoção. Separou os lábios. Sua respiração era rápida e entrecortada.

Nenhum dos dois se movia. Ela estava médio hipnotizada. Seguiu lhe acariciando a boca, e ele mordiscou seus dedos, até que em um momento determinado emitiu um gemido de prazer. Era o som de uma mulher.

Uma mulher... Porque isso era o que ela era. Tinha deixado de ser uma menina. Era uma mulher e Marcus era seu homem.

Incapaz de deter-se, voltou a olhar o espelho. Marcus ainda tinha a toalha com a que tinha saído do banho.

-tire-lhe isso disse-lhe com voz rouca, tocando-lhe com a mão que tinha livre-. Quero verte nu.

Marcus fez o que lhe pediu e Polly conteve o fôlego e pouco a pouco foi expulsando o ar. Levantou um braço para tocá-lo, acariciando com seus dedos os músculos de seus ombros e seus braços, registrando o débil tremor de seus músculos quando lhe acariciou o antebraço e um tremor um pouco mais intenso quando lhe pôs a mão na cintura e seu traseiro...

-Polly! -ouviu-o dizer apertando os dentes. O som de sua voz a deixou imóvel-. Por isso mais queira. Se não...

Se não o que? Seu corpo começou a tremer sozinho de pensar na possibilidade de que lhe dissesse que deixasse de tocá-lo. Mas quando foi se separar dele, seu rosto avermelhado ao pensar no que estava fazendo, Marcus estirou a mão e o impediu.

-Polly, não vá. Olhe como me puseste -apartou-se um pouco dela e Polly pôde comprovar a razão pela que ele não se aproximou mais a ela. Sentiu que o corpo lhe ardia quando viu a proporção de sua ereção. Era o estado mais primitivo de um homem, o mais potente. Solo de vê-lo-a fazia sentir-se...

No mais fundo de seu corpo, sentiu um vazio que precisava encher quanto antes, de uma intensidade tal que quase lhe saltavam as lágrimas. aproximou-se dele, arqueando seu corpo, lhe convidando a que a possuísse, seus olhos carregados de desejo e de amor.

Marcus a abraçou e apertou seu corpo contra o dele. Baixou a cabeça e acariciou seu rosto. Polly lhe beijou a palma da mão.

-Marcus, por favor... -sussurrou ela, sabendo que ele se imaginaria o que queria que lhe fizesse.

-Polly... -disse-lhe com voz atormentada-. Não imagina quanto tempo passei desejando isto -ouviu que lhe dizia enquanto a levantava em seus braços e a levava a dormitório-. Mas nem sequer em meus sonhos, nem em meus pensamentos, tinha-me imaginado que pudesse ser assim... -disse-lhe com voz rouca enquanto a deixava na cama e punha a cabeça em seu ventre. Beijou-lhe a pele e a acariciou. Cada carícia e cada beijo a inflamava ainda mais, levando-a a uns limites de prazer que ela jamais tinha pensado que pudessem existir.

Sentiu sua boca em seus peitos, sua língua percorrendo seus mamilos. Aquele tipo de prazer lhe dava inclusive medo. Não era capaz de deixar-se levar pelo que estava sentindo. Mas já não podia voltar-se atrás.

Sem emitir uma só palavra, tratou de lhe comunicar o que estava sentindo, estirando uma mão e pegando-se mais a ele.

-Faz tanto tempo que o desejava -ouviu-lhe lhe dizer.

-Sim, faz tanto.

Polly arqueou seu corpo, oferecendo-lhe para que entrasse dentro dela. Entretanto lhe dava um pouco de medo. Porque como ele havia dito, fazia já muito tempo.

Não era nada comparável ao que tinha feito com o Richard, nem tampouco queria que o fora. Aquela era a primeira vez que o fazia como mulher. Sua primeira vez com um homem e não com um menino. Com cada movimento de seu corpo lhe introduzia mais dentro dela, mais perto de onde ela queria que estivesse. Seus movimentos começaram a fazer-se mais rítmicos, mais rápidos, mais profundos. Ela o acompanhava nesse ritmo.

sentia-se como se estivesse flutuando, voando. Não podia expressar com palavras a magnitude do que estava experimentando.

Seu corpo começou a estremecer-se, a ter convulsões como se fora um terremoto, até alcançar a plenitude.

Pouco a pouco foi voltando para a realidade. Marcus lhe estava dizendo algo. Ela sorriu e se acurrucó junto a ele. Estava muito esgotada, muito plena para entender o que lhe estava dizendo. Era muito difícil manter uma conversação naqueles momentos.

Ao Marcus tremeu a mão quando apartou o cabelo úmido do rosto do Polly.

Tinha esperado tanto tempo, tinha-a amado desde fazia tanto. Mas nunca se imaginou que poderia haver sentido um pouco parecido. O não era um homem promíscuo, mas se tinha deitado com outras mulheres, tinha tido relações de prazer. Entretanto, com nenhuma tinha sentido o mesmo.

Agarrou com as duas mãos o rosto do Polly, querendo lhe dizer o que sentia, o muito que a amava, o ciumento o que se havia sentido essa noite quando a tinha visto com outro homem, mas quando ia dizer se o se deu conta de que se dormiu.

Quão último pensou antes de apagar a luz foi que ainda não se acreditava que tivessem compartilhado o que acabavam de compartilhar.

Polly estava tendo o sonho mais feliz de sua vida. Em seu sonho estava na cama com o Marcus, pega a ele, envolta em seu calor e em seu amor. De pura euforia, aproximou-se mais e murmurou seu nome, saboreando o aroma de sua pele, lhe lambendo o ombro nu.

-Mmm... Marcus...

Ele moveu seu braço para aproximar-lhe mais e ela sentiu como sua boca esboçava um sorriso quando a tocou.

Marcus!

Polly abriu os olhos. No.era um sonho. Estava de verdade na cama com o Marcus.

Quando se tentou incorporar, ele se sorriu, como se o estar ali com ela fora o mais natural do mundo, como se tivessem estado compartilhando a mesma cama durante anos.

-Mmm... agora que me despertaste, o que vais fazer comigo? -perguntou-lhe ele em tom zombador. Pela forma em que sua mão lhe estava acariciando seu peito e brincando com ele, parecia claro o que queria. Pouco a pouco se foi despertando, recordando o que tinha ocorrido a noite anterior.

Não era estranho que Marcus se dirigisse a ela nesse tom depois do que ela havia dito e feito.

-Não me diz nada? -perguntou-lhe enquanto lhe chupava o peito, dava-lhe beijos no pescoço, na boca e com suas mãos lhe acariciava o corpo.

Polly não era uma pessoa ingênua e sabia que se podia fazer o amor em diferentes posicione. Mas Richard e ela... bom, os dois tinham sido muito jovens e inexperientes.

-eu adoro fazê-lo assim -sussurrou-lhe ao ouvido-. Desta maneira te posso acariciar o corpo.

Polly abriu a boca quando sentiu seus dedos lhe acariciar a parte mais íntima de seu corpo. Seu corpo estava reagindo a suas carícias. Fechou os olhos e se deixou levar pelo desejo.

-Fica aquieta -estava-lhe dizendo Marcus-. Me deixe que eu te faça... assim...

Polly gemeu de prazer incapaz de silenciar seus sentimentos. Marcus a moveu outra vez, retirando os lençóis para que ela pudesse ver o que ele estava fazendo. colocou-se em cima. Ao senti-lo dentro seu corpo começou a dar uma série de pequenas convulsões.

-Marcus...

abraçou-se a ele, incapaz de fazer outra coisa que não fora deixar-se levar pelas quebras de onda de prazer que ameaçavam afogando. O mínimo movimento de seu corpo dentro do dela desencadeava pequenos tremores que mais pareciam uma forma refinada de tortura.

Levantou suas mãos e lhe agarrou os braços, obrigando-o a que se metesse mais dentro dela. Sua reação foi tão imediata que a surpreendeu ao princípio, deixando-a quase sem respiração quando o sentiu completamente dentro. Começou a mover-se a seu ritmo, abrindo suas pernas cada vez mais.

Nessa ocasião a plenitude foi muito mais profunda, mais intensa, até o ponto de que seus olhos se arrasaram de lágrimas, surpreendendo-a com as emoções que estava sentindo, deixando-a tremente, desejando que Marcus lhe dissesse que ele sentia quão mesmo ela sentia por ele. Mas ao mesmo tempo não queria admiti-lo, por medo de que aquele sentimento a deixasse exposta e vulnerável.

-Não deveríamos estar fazendo isto -disse ao Marcus.

-E por que não? -perguntou-lhe ele-. Os dois somos livres, não?

Ao ver que Polly não respondia, agarrou seus braços com força.

-Polly... -começou a lhe dizer como se a estivesse arreganhando.

Aquilo era muito. Tinha-o visto com o Suzi. Suzi, a mulher que Briony tinha proposto para que se casasse com ele. Briony! O que ia pensar sua filha de todo isso?

Polly começou a ver na confusão no que se colocou, o que a esperava, as mentiras que teria que contar. E por que? Solo por saborear um trocito de céu que lhe ia deixar um sabor amargo na boca. Como ia poder suportar ver o Suzi com o Marcus, depois de ter sentido o que acabava de sentir em seus braços? Como ia poder olhar à cara ao Marcus sem pensar... recordar...?

-Polly? -perguntou-lhe Marcus.

Fechou os olhos, pondo seu corpo em tensão. Ouviu-o jurar pelo baixo e logo a soltou. No momento em que o fez, ela se deu a volta. Não queria estar na cama com ele, mas estava tão esgotada que não podia mover-se. Fechou os olhos de cansaço. Em seu pescoço notou o fôlego do Marcus.

por que demônios não lhe tinha respondido quando lhe havia dito que eram duas pessoas livres? É que haveria algo entre o Bernstein e ela? Estaria apaixonada por esse homem? O teria utilizado a ele sozinho para desafogar seu desejo por aquele homem? Esteve tentado a despertá-la e obrigá-la a que lhe dissesse a verdade.

Polly emitiu um suspiro enquanto dormia. Marcus franziu o cenho e se aproximou dela. Na escuridão viu suas lágrimas e lhe passou seu aborrecimento. Queria-a tanto, tinha estado apaixonado por ela durante tanto tempo... Quase desde a primeira vez que a tinha visto. Mas era a mulher do Richard e não teve mais remedeio que ocultar seus sentimentos. Era um homem ao que não gostava da traição e Richard era sua primo e os dois tinham estado muito unidos.

Mas não tinha sido o sentimento de lealdade para sua primo o que lhe tinha impulsionado a aceitar a sugestão do Richard de ficar com o Fraser House. Tinha aceito pelo Polly. Se não tivesse sido a mulher de sua primo e não tivesse estado grávida dele...

Mas pelo menos tinha conseguido que à morte do Richard, Polly e Briony pudessem viver em um sítio cômodo e digno.

Briony... Marcus piscou quando recordou o nascimento do Briony. No hospital, tinham pensado que ele era o pai da menina e o tinham deixado entrar na sala de partos.

Polly se tinha agarrado com tanta força a seu braço durante o parto que até lhe fez mal.

Ele tinha estado tão assustado por ela e tão zangado com o Richard, que lhe exigiu ao médico que fizesse algo para mitigar a dor do Polly, mas ela tinha movido em sentido negativo a cabeça, insistindo que estava bem, tão concentrada no que estava fazendo que certamente não se deu conta de que era ele o que estava ali. E ao cabo dos poucos segundos, chegou o momento milagroso do nascimento do Briony.

Ao longo dos anos, perguntou-se se não seria porque tinha presenciado sua vinda ao mundo a razão pela que aquela menina significava tanto para ele. Era como se fora sua própria filha.

Possivelmente isso mesmo explicava o que Briony também o quisesse tanto. O laço que os unia era muito especial.

depois da morte do Richard, tinha mantido certas esperanças, esperanças que se desvaneceram quando Polly deixou muito claro que Richard era o único homem ao que amava e ao que ia amar.

Ele tinha tentado ocultar, seus sentimentos adotando um ar de indiferença para ela, mas havia vezes que estar com ela era tão doloroso que tinha que partir de seu lado. Razão pela qual tinha decidido partir do Fraser House.

Ao melhor, a sua idade as emoções teriam que ser diferentes, menos impulsivas, mas ao longo daqueles anos seu amor por ela tinha aumentado. Entretanto, esses sentimentos não eram nada, comparados com o que sentia cada vez que pensava que ela amava a outro homem.

Quando pensava em todas as vezes que tinha tido que lutar para não lhe dizer o que sentia, e em todas as vezes que ela tinha insistido que não havia sitio em seu coração para um homem que não fora Richard, em todos os anos que se obstinado ao amor de seu marido...

Marcus se tinha acostumado a pensar que ela estava tão obstinada ao que sentia pelo Richard, que a ele sozinho o considerava o primo de seu marido.

Sentiu tensão nos olhos pela falta de sonho. Em um par de horas, teria que ir-se ao aeroporto. O que menos gostava de naqueles momentos era apartar-se do Polly, ausentar-se de seu lado e deixar o terreno livre para o Phil Bernstein, sabendo que a bombardearia com suas cuidados.

O que tinha esse homem que ele não tivesse? por que Polly se fixou no Phil e não nele? Apartou os lençóis e se levantou. Polly estava dormida. Se ficava um minuto mais a seu lado, sabia que não resistiria a tentação de despertá-la e lhe perguntar o que era o que via naquele tipo.

Seria melhor vestir-se e partir ao aeroporto, disse-se. Não ia ganhar nada ficando ali, despertando ao Polly e discutindo, porque sabia que ia defender seus sentimentos pelo Phil Bernstein.

Meia hora mais tarde, fechou a porta do dormitório com muito cuidado para não despertá-la. Não podia deixar de pensar no outro homem. Esse homem não tinha os mesmos sentimentos que ele tinha por ela. Embora deveria sentir-se orgulhoso por ser ele o que tinha conseguido deitar-se com ela e não Phil Bernstein. Mas o que queria não era seu corpo, a não ser seu amor.

Duas horas mais tarde, quando soou o telefone à hora que tinha pedido Marcus que despertassem, foi Polly a que respondeu. Uma voz feminina anunciou:

-É uma chamada para despertar ao senhor Fraser, para que possa chegar a tempo ao vôo que tem programado a China.

China... foi-se Marcus a China? Polly voltou a deixar o auricular em seu suporte.

Imagens do que tinha ocorrido a noite anterior alagavam seu cérebro. Como tinha podido fazer o que tinha feito? Sabia que as mulheres modernas pensavam que tinham o mesmo direito a expressar-se sexualmente que os homens. Mas ela não era uma mulher moderna e menos nesse aspecto. Doía-lhe pensar que tinha traído suas crenças e se deixou levar por suas emoções.

Agora Marcus já saberia o que sentia por ele. Por isso se tinha partido sem despedir-se dela. Em tão solo uns segundos tinha destruído todas as defesas que tinha construído ao longo dos anos.

O contaria ao Suzi? ririam dela quando estivessem juntos?

Nem sequer sua filha tinha sabido o que sentia pelo Marcus.

-encontrei a mulher perfeita para o tio Marcus -havia-lhe dito, sem dar-se conta de que ela sozinho podia pensar em uma mulher que pudesse compartilhar a vida com o Marcus.

Não era necessário ficar a pensar por que Marcus se partiu sem despertá-la. Estava muito claro.

 

                                               Capítulo 7

depois de pedir o café da manhã, que foi incapaz de comer-se, Polly começou a fazer as malas para voltar para casa. Nesse momento, soou o telefone.

Com gesto de cansaço, levantou o auricular, sabendo que a única voz que queria escutar era a do Marcus e que certamente não era ele.

-Polly?

-Olá, Phil, estava a ponto de partir.

-Alegra-me de te haver pilhado a tempo -respondeu-lhe ele em tom carinhoso, acrescentando antes de que ela pudesse responder-. Eu gostaria de falar contigo para te fazer uma proposta.

-Uma proposta?

-Um negócio... mais ou menos -assegurou-lhe Phil, antes de acrescentar em tom zombador-. Não tema, não vou propor te nada pessoal, embora seja o que mais me prova. É um negócio. Contarei-lhe isso se vier. Estarei-te esperando em minha suíte.

-Phil... -começou a dizer Polly, mas muito tarde, porque ele já tinha pendurado.

Franzindo o cenho, Polly se perguntou o que seria o que queria lhe dizer. A pesar do tom zombador que tinha adotado, Phil era um homem muito sério. Estaria pensando, como lhe havia dito, expandir seu império às casas de campo inglesas? teria se fixado no Fraser House? De ser assim, teria que falar com o Marcus, em vez de com ela.

Esteve a ponto de não ir à entrevista e partir diretamente ao Fraser House para poder curar ali as feridas que se produziu com seu comportamento. Mas nunca lhe tinha gostado de desfrutar-se em suas penas e, além disso, se Phil estava pensando em lhe fazer uma oferta pelo Fraser House, tinha direito ou seja o.

Havia-lhe dito que subisse diretamente a sua suíte. Isso foi o que fez. Bateu na porta, que Phil abriu imediatamente. Levava umas calças jeans e uma camisa. Tinha um aspecto despreocupado.

-Polly, alegra-me que tenha vindo.

Fez um gesto com a mão para que entrasse na sala. Na mesa havia uma grande seleção de frutas frescas e cereais.

-Se gosta de tomar o café da manhã -ofereceu-lhe, dirigindo-se para a mesa e servindo duas taças de café-. Bom, sente-se -acrescentou, esperando até que ela o fizesse antes de acrescentar em tom um tanto desconcertante-. Deixemos de andar pelos ramos. cheguei a um trato com os proprietários deste hotel e o vou comprar. Mas eu não posso ficar aqui para dirigir um negócio como este. Este hotel tem que dirigi-lo um bom gestor, alguém que conheça a fundo o negócio, alguém que combine a experiência com a inteligência e além disso tenha intuição determinada do que os hóspedes desejam.

-Se o que quer é que recomende a alguém... -começou a lhe dizer Polly em tom dúbio. Ao princípio tinha pensado que Suzi era a que ia se fazer cargo do negócio, mas a julgar por suas palavras se confundiu.

-Não necessito que recomende a ninguém. Eu sei quem quero que dirija este negócio.

-Sim? -respondeu-lhe Polly pondo uma expressão de desconcerto. Pois se já sabia, por que então a tinha chamado a ela?

-Sim -replicou Phil olhando-a diretamente aos olhos-. Quero que o você dirija, Polly. Você e ninguém mais que você. Vi no que converteste Fraser House e observei... a forma em que trabalha, a forma em que trata aos hóspedes. É a melhor. E o melhor é o que eu quero para este sítio.

Polly ficou muda. Era o que menos se esperava que lhe dissesse.

-Phil... espera um momento, Phil -protestou Polly, tremendo-. Não falará de verdade a sério. É...

-É obvio que falo a sério -insistiu Phil.

-Sinto-me adulada de que tenha pensado em mim -começou a lhe dizer Polly-. Mas não posso. Estou à frente do Fraser House...

-Fraser House? -interrompeu-lhe Phil, encolhendo-se de ombros-. Fez maravilhas nesse sitio Polly, mas é capaz de fazer muito mais, em especial agora que Briony estará na universidade. Não me diga que não gosta de uma aventura como esta. Seguro que gosta de estender suas asas, Polly. Além disso, não há nada que te ate agora ao Fraser House.

Tinha razão no que lhe estava dizendo. Briony estava na universidade e Marcus ia se partir. O único que ficaria a ela seriam as lembranças de seus ridículos sonhos e esperanças, a dor do que pudesse ter sido, enquanto que não muito longe Marcus iniciaria uma nova vida, com uma nova mulher e uma nova família.

E o que ia sentir ela quando os visse os dois entrar juntos no Fraser House? Marcus e Suzi, a comer com os meninos. Suzi seria a que desfrutaria de do amor do Marcus enquanto que a ela sozinho ficaria a solidão.

Sim. Se ficava no Fraser House teria que agüentar cenas como essa. Mas se partia teria que renunciar a lembranças maravilhosas, lembranças da infância do Briony, daqueles anos tão difíceis nos que Marcus e ela tinham conseguido montar o negócio juntos, anos nos que Marcus tinha trabalhado cotovelo com cotovelo com ela, tinha-a ajudado, tinha estado ao lado do Briony. Tantas lembranças, lembranças agridoces de seu amor por ele... Mas de algum jeito lembranças que ela apreciava muito.

podia-se levar aquelas lembranças com ela, mas no fundo sentia que não queria abandonar Fraser House. Era feliz ali. Era seu lar e seu meio de vida. Por muito mal que soasse, não era uma pessoa especialmente ambiciosa. Gostava de saber que tinha feito um bom trabalho. Gostava de saber que seus clientes se sentiam a gosto e cômodos. Não lhe atraía muito atacar uma empresa de maior envergadura e em um sítio maior. E aquele hotel era muito grande para ela, muito impessoal para seu gosto.

-Phil, agradeço-te- muito a oferta que me faz, mas... -começou-lhe a dizer.

-Mas? -interrompeu-lhe ele, arqueando as sobrancelhas-. Não irás dizer me que rechaças -a oferta? -perguntou-lhe assombrado, ante o qual Polly não teve mais remedeio que sorrir-. Dirigir um sítio como este não tem ponto de comparação com o Fraser House. Pensa no que pode supor para seu currículum. Dirige este hotel, Polly, e o mundo ficará a seus pés. Todas as cadeias de hotéis chamarão a sua porta para te fazer uma proposta.

-Sonha muito tentador -respondeu Polly-. Mas...

-pense-lhe isso e me dê uma resposta quando quiser -recomendou-lhe.

-Phil -protestou Polly, desejando lhe dizer que já o tinha pensado e que o tinha decidido, mas ao ver que ele movia a cabeça, preferiu guardar silêncio. Além de que, nesse momento, começou a soar o telefone.

-Escuta, tenho que responder a chamada -disse-lhe-. É do banco de Nova Iorque. Rogo-te que pense o que te hei dito. Não tem que me dar agora mesmo a resposta. Dou-te uma semana ou mais...

Esteve a ponto de lhe perguntar por que não o propunha ao Suzi. Mas ele já se deu a volta. Pensando que queria falar em privado, Polly partiu.

Tomou o elevador até o vestíbulo quase atordoada pelos pensamentos. A oferta que lhe tinha feito Phil não a rechaçaria ninguém, nem em sonhos.

Quando saiu do elevador, estava tão ensimismada em seus pensamentos, que quase não viu o Suzi.

Mas a outra mulher sim a tinha visto e se estava dirigindo para ela. deteve-se justo a seu lado, tão perto que Polly teve que retroceder uns passos para sentir-se um pouco mais cômoda.

-Por fim te encontro -anunciou-se-. Queria falar contigo.

-Suzi -protestou Polly-. Penso que...

-Já sei o que você pensa -interrompeu-a Suzi quase de forma grosseira-. Pensa que porque ele tenha passado a noite contigo, porque dormiste com ele, interessa-lhe. Mas me temo que está muito confundida. Eu não gosto de ter que ser eu a que te arruíne os planos de futuro que te terá feito, mas alguém tem que te dizer a verdade. Você para ele não é nada -disse-lhe com crueldade-. Nada absolutamente. deitou-se contigo, solo porque eu não estava ali -disse-lhe sonriendo.

Com olhos cheios de ira e desprezo, continuou:

-É um homem ao que gosta de muito o sexo e tem muita experiência na cama -encolheu-se de ombros-. Mas minha relação com ele não só se apóia no sexo. Nós dois temos uma relação muito forte e, se pensar que vou deixar que qualquer, e menos uma mulher como você, interponha-se entre posotíos, está muito confundida. De fato já me pediu que me case com ele. Não lhe contou isso?

Começou a rir ao ver a cara de desconcerto que pôs Polly.

-Não só me pediu isso, mas sim me suplicou isso -acrescentou-. E lhe posso dar muito mais do que você possa lhe dar. Porque, quantos anos tem? Perto dos quarenta, não?

-Trinta e sete -corrigiu-lhe Polly.

-Trinta e sete -encolheu-se de ombros de forma depreciativa-. Pois eu tenho vinte e seis. Pensa de verdade que pode sentir algo por ti? Claro, que ao verte tão desesperada, seguro que te há dito algo por te consolar -acrescentou com veneno em seu tom-. Suponho que te terá imaginado que, como tem tanto dinheiro, teria assegurada assim sua pensão.

Sua pensão? Desde não ter estado tão surpreendida, Polly se teria posto-se a rir. Poderia ter dez anos mais que aquela garota, mas ainda ficava muito para pensar nessas coisas. Nunca em sua vida se fixou em um homem pela segurança econômica que lhe pudesse dar.

-deitou-se contigo solo porque lhe dá pena -continuou Suzi.

Polly sentiu que ficava má. Pensar que Marcus tinha estado falando dela com outra pessoa era como se lhe arrancassem de coalho o coração.

Mas por muita dor que sentisse, tinha que defender-se, e isso foi o que fez.

-Diz-me que se deitou comigo porque você não quis. Agora que foi porque lhe dava pena. Poderia te esclarecer um pouco e me dizer com claridade quais foram seus motivos.

-Eu sei quais foram seus motivos -assegurou-lhe Suzi-. Se não te tivesse insinuado a ele da forma em que te insinuou, nunca o teria feito. Não sente saudades que Marcus tenha a opinião que tem de ti.

Polly teve que morder o lábio para não tornar-se a chorar de dor. Não tinha nem idéia como se inteirou do da noite anterior, embora estava claro que solo havia uma forma e era que o houvesse dito Marcus.

Polly sentiu ódio para si mesmo. Era por isso pelo que se foi tão cedo? teria ido por remorso do que tinha feito, para contar-lhe ao Suzi e assim descarregar sua consciência antes de partir a China? Para pedir seu perdão?

-Pode que pense que é muito lista -continuou Suzi-. Mas não o é. O que tem feito é uma estupidez. O sexo é sozinho um jogo para os homens. E você supõe um desafio nada mais. Como já te hei dito antes, a mim é a que ama e com a que vai se casar.

Polly começou a sentir que a cabeça lhe dava voltas. Sentiu náuseas pelos insultos do Suzi. Estava-a agredindo, o qual era normal, se se tinha em conta sua relação com o Marcus.

No hotel tinha tido que enfrentar-se a situações um pouco tensas, mas nada comparado com aquela. Possivelmente ela fora uma pessoa débil e ingênua. Possivelmente tivesse vivido muito apartada e em seu mundo. Mas junto à vergonha que sentia pelo que tinha feito e como tinha sucumbido a seu amor pelo Marcus, sentia uma certa aversão por aquela mulher. Porque Suzi era a mulher que Marcus amava.

-Agradeço-te que me diga isso -respondeu-lhe Polly-. Mas não crie que isto o deveria falar com ele?

-Deixam-me impressionada suas boas maneiras -interrompeu-a-. Levou-te dessa mesma forma na cama? Pois me deixe que te dê um conselho. de agora em diante não te aproxime dele. É meu. E a menos que não queira que se inteire todo mundo do que tem feito... Estou segura de que ao Briony adoraria que a família do Chris se inteirasse dos valores morais de sua mãe, por exemplo -ameaçou-a.

Polly começou a sentir uma terrível dor de cabeça, produzido pela tensão em suas têmporas, uma dor tão intensa que quase lhe impediu de enfocar com claridade e nem sequer pensar.

-Já sei que deveria sentir pena por mim mesma, mas no fundo sinto pena por ti, Suzi...

Continuando, e sem lhe dar tempo à outra mulher a lhe responder, dirigiu-se para a saída do hotel, com a cabeça muito alta e o corpo rígido enquanto tratava de que não lhe tremessem as pernas.

Mas uma vez fora, não pôde seguir fingindo. Tinha o estômago revolto e lhe tremia todo o corpo. Tinha o rosto pálido como uma folha de papel. Tão mal se encontrava, que uma mulher que passava por ali se deteve lhe perguntar se se sentia bem.

-Não, é que me dói a cabeça -mentiu-lhe Polly enquanto parava um táxi.

Ainda tinha que acontecer o hotel a recolher suas coisas. A habitação, muito a seu pesar, ainda cheirava ao Marcus.

As lágrimas que ameaçavam saindo as sentia como se fossem ácido.

Não estava disposta a chorar por um homem que não só tinha conseguido que traísse seu moral, mas sim além lhe tinha contado o que tinha ocorrido entre eles a outra mulher.

Nunca se tivesse imaginado que Marcus fora capaz de uma coisa assim.

-Quando vais aprender? -disse-se olhando-se no espelho-. Estava-te utilizando, abusando de ti, e você permitiu que o fizesse. Merece-te o que tem. Merece-te a ira e o desprezo do Suzi. E agradecida tinha que estar de saber que a ama a ela e não a ti.

Suzi lhe havia dito que se deitou com ela sozinho porque ela não estava ali. Apesar de ser consciente disso, que o expressassem em palavras, ouvir que Marcus não sentia nada por ela, tinha-lhe deixado o coração com uma ferida tão lhe sangrem que nunca voltaria a fechar-se. Nunca.

Não podia seguir vivendo no Fraser House. Não teria por que ficar, se aceitava a oferta que lhe tinha feito Phil.

Pensar que tinha que partir do Fraser House lhe produzia uma dor imensa, mas era o castigo que se merecia por ter feito o que tinha feito.

Quando chegou a casa, já o tinha decidido. Era uma pessoa proprietária de seus atos. por que tinha que passar aquela humilhação? antes de poder trocar de opinião, chamou a seu advogado, ao advogado da família do Richard, para ser mais precisos.

-Quer vender sua participação no Fraser House -repetiu ele, quando lhe disse o que queria.

-Sim -insistiu ela, lhe contando meias verdades-. Briony está na universidade e Marcus se vai viver a outra casa. Além disso, ofereceram-me dirigir um hotel maior, Y...

-Falaste-o com o Marcus? -perguntou-lhe Tim Webb.

-Ainda não. Está na China, de viagem de negócios. E esta oferta me têm feito isso recentemente, mas...

-Eu falaria com ele antes, Polly. Marcus e você são os dois únicos proprietários do Fraser House, mas...

-Já sei, Tim. O único que te estou pedindo é seu conselho sobre como posso vender minha participação e deixar a gestão do hotel -recordou-lhe com muito tato.

-Bom, o contrato que assinou quando te fez cargo do hotel é bastante flexível e informal, como você sabe. Nesses momentos, quão único queria Marcus era garantir seu futuro. Já sabe quão atadas Richard deixou as coisas.

Polly se ruborizou, ao notar a recriminação do Tim.

A morte do Richard tinha sido tão traumática para ela, que nem sequer se pôs a pensar no lado prático das coisas. Marcus se tinha feito cargo de tudo.

-Eu não quero prejudicar ao Marcus, Tim -respondeu-lhe Polly-. Solo quero saber o que é o que tenho que fazer para poder aceitar a proposta que me estão fazendo. Marcus já tem feito planos de futuro e seguro que se alegra de não ter nenhuma relação comigo.

Assombrada pelo que acabava de dizer, e o que Tim tivesse podido imaginar-se por suas palavras, Polly preferiu não continuar lhe contando mais.

-Nesse caso, acredito que quão único posso fazer é lhe escrever ao Marcus lhe comunicando sua decisão. Por isso se refere a suas responsabilidades como co-proprietária, entretanto...

Fez uma pausa.

-Se tem pensado vender sua parte, tem que saber que Marcus tem preferência para a compra. Se o que tinha pensado era vendê-la a qualquer outra pessoa...

-Não, não. Não tinha pensado isso -assegurou-lhe Polly-. A oferta que me têm feito é uma oferta de trabalho e não tem nada que ver com o Fraser House.

-Nesse caso, acredito que te convém manter sua participação no hotel. Marcus e você poderiam nomear outro diretor e assim poderia aceitar a oferta de trabalho.

Outro diretor para o hotel... Polly manteve a respiração. Suzi era a pessoa mais qualificada para esse posto, porque já exercia essas funções para o Phil Bernstein. Quereria Marcus que a mulher com a que ia casar se encarregasse do Fraser House?

-Não...

-O que há dito? -perguntou-lhe Tim Webb.

-Não, nada, Tim -desculpou-se Polly-. Estava pensando em outra coisa. O que me estava dizendo?

-Pois te estava sugiriendo que poderia redigir uma carta e enviar-lhe ao Marcus, lhe informando de forma oficial que desejas pôr fim a seus trabalhos de gestão, e outra em que lhe ofereça a venda de suas ações, sujeitas a uma valoração por parte de um profissional, é obvio.

-Parece uma boa idéia -confirmou-lhe Polly.

Quando pendurou o telefone, disse-se a si mesmo que era o melhor que podia ter feito e que não ia voltar se atrás. Teria que chamar o Briony e também ao Phil Bernstein para lhe comunicar sua decisão.

Chamou o Phil em primeiro lugar.

-Alegra-me de que tenha trocado de opinião. Quando pode começar?

Polly não pôde fazer outra coisa que rir, apesar do desgraçada que se sentia.

-Primeiro terei que finalizar de forma formal meu contrato com o Marcus -advertiu-lhe ela.

-Isso não é problema. lhe diga que lhe pagarei o que queira por que te deixe livre quanto antes. De fato poderia me dar seu número de telefone e o direi eu mesmo.

-Não posso. Está na China, de viagem de negócios -respondeu-lhe Polly-. Mas se não te importa, prefiro fazer as coisas de forma legal. Meu advogado está redigindo uma carta para enviar-lhe

-Está bem. Mas se tiver algum problema, diga-me isso Meus advogados são os melhores...

-Estou segura disso -respondeu-lhe Polly.

-Assim, se Marcus começar a te pôr as coisas difíceis...

-Duvido muito que faça isso -respondeu-lhe, enquanto dava um suspiro-. De fato, acredito que inclusive se alegrará de que terminemos o contrato.

-Já me contou Suzi que não lhes levavam muito bem, mas eu pensei... por certo, viu o Suzi quando te partiu do hotel está amanhã?

-Sim, no vestíbulo -disse-lhe Polly.

-Já. Ao melhor se esqueceu de que tínhamos uma reunião.

Polly esteve tentada de lhe dizer que Suzi parecia adotar uma atitude muito relaxada quanto a suas responsabilidades profissionais, mas preferiu mordê-la língua. Briony lhe tinha contado que, no passado, Suzi e Phil tinham sido algo mais que chefe e empregada. Ao melhor, por essa razão Suzi se comportava daquela forma, uma atitude que para ela era impensável com uma pessoa que ao fim e ao cabo era seu chefe.

-Quando vai voltar Marcus da China? -perguntou-lhe Phil.

-Não estou muito segura -confessou Polly, por não querer admitir que nem sequer se inteirou daquela viagem. E não porque Marcus tivesse que contar-lhe mas no passado, quando Briony tinha estado em casa, sempre lhe tinha informado de onde estava, e lhe tinha dado um número de telefone onde o podia localizar no momento que quisesse.

Briony...

depois de rechaçar o convite que lhe fez Phil de comer juntos para celebrá-lo, Polly voltou a levantar o auricular e marcou o número de telefone de sua filha.

O telefone esteve soando durante tanto tempo, que Polly esteve a ponto de pendurar outra vez, assumindo que Briony devia ter saído a algum sítio. Mas quando ia pendurar, sua filha respondeu.

-Olá... Acabo de entrar...

-Briony, tenho que te dizer algo...

Polly descobriu que não só estava nervosa, mas sim além lhe dava um pouco reparo lhe comunicar a sua filha sua decisão. Mas tomou fôlego e começou a contar-lhe

O silêncio com o que Briony a escutou foi preocupe-se. Polly soube por intuição materna que ia ter problemas com sua filha. Assim que acabou, Briony lhe respondeu:

-Está brincando, mamãe? Não pode abandonar ao tio Marcus de qualquer jeito. Não pode...

-Briony... -começou a lhe dizer Polly, mas sua filha parecia não estar disposta a escutar.

-Como te ocorreu fazer algo assim, depois de todas as coisas que o tio Marcus fez por nós... e por ti? Pensei que Suzi estava dizendo tolices quando comentou que ao melhor apaixonava pelo Phil por sua idade, mas parece que tinha razão. Y...

-Briony! -exclamou Polly horrorizada-. Isto não tem nada que ver com o Phil. Ofereceu-me um trabalho, isso é tudo.

-Isso é tudo? Mas se você já tem trabalho. Você já tem Fraser House -protestou Briony.

-O trabalho que me está oferecendo Phil é muito mais importante -explicou-lhe Polly com toda a calma que pôde.

-Mais importante para que? -perguntou-lhe Briony em tom amargo-. Para poder te deitar com o Phil Bernstein? O que opina o tio Marcus de tudo isto?

-Não sabe. Ainda não -Polly teve que admitir.

-Não o contaste! -Polly não só percebeu o tom de reprovação em sua voz, mas também de surpresa-. Mamãe, não posso me acreditar que...

-antes de que continue, acredito que tem que saber a razão pela que não o contei ao Marcus ainda. Está na China e não sei quando vai voltar.

-E não o perguntaste ao Suzi? -perguntou-lhe Briony-. Pode que saiba.

-Seguro que sabe -replicou Polly em tom tenso-. Tim Webb está redigindo uma carta em que lhe comunica minha decisão de terminar minha relação de negócios. Por certo, não sei como te vai sentar isto, mas decidi vender minhas ações no Fraser House.

-O que? Não pode fazer isso!

Polly se sentiu descorazonada ao notar o pânico na voz de sua filha. Não queria fazê-la sofrer, mas não podia lhe contar a razão pela que não queria seguir mantendo uma relação com o Marcus.

-Fraser House é nosso lar, mamãe. O nosso e o do tio Marcus.

-Briony -interveio Polly-. Sei como se sente, carinho, mas me escute. Marcus já tem feito planos para partir da casa. Você está na universidade. Seguro que compreende que goste de também seguir com minha vida, igual a vós.

-Sim, entendo-o. Mas, onde te quer ir, mamãe? À cama do Phil Bernstein?

-Já basta, Briony! -arreganhou-lhe Polly-. Já te hei dito que Phil me ofereceu um trabalho. Compreendo o que sente pelo Fraser House, mas...

-Não, não o entende -respondeu-lhe Briony de forma apaixonada-. Você não entende nada... -e antes de que pudesse lhe responder, Briony tinha pendurado o telefone, deixando-a em silêncio.

Polly pôs o auricular em seu suporte. Já desde menina, Briony tinha sido muito impetuosa. Polly sabia muito bem que não demoraria para chamá-la, e lhe diria que estava arrependida. Entretanto, sua reação lhe doía.

Parecia claro onde Briony tinha postas suas lealdades e simpatias.

Polly se esfregou as têmporas com os dedos. Seu coração podia lhe doer de pena e desolação, mas tinha que dirigir um hotel. o melhor que podia fazer para esquecer-se de tudo era concentrar-se em seu trabalho.

Mas lhe ia custar muito esquecer-se do Marcus. Porque não havia outra pessoa no mundo com a que desejasse estar tanto.

Mas Marcus amava ao Suzi. Isso foi o que aquela mulher lhe havia dito.

 

                                         Capítulo 8

Marcus fez um gesto de dor com a cara, seus tensos músculos protestando quando se inclinou para levantar a mala que tinha posto no chão, antes de entrar em sua habitação.

As negociações na China tinham durado mais do que ele tinha esperado e, depois da viagem tão larga, estava tenso e esgotado.

Colocou a mala na habitação e fechou a porta. A quem estava enganando? A única razão pela que se sentia tão tenso não tinha nada que ver com as negociações na China. O verdadeiro motivo estava mais perto de seu lar.

Eram mais das doze da noite e o hotel estava às escuras, mas ele estava completamente acordado e o que menos gostava de era ir-se à cama. Não tinha passado um dia em que não tivesse pensado no Polly. O qual não era de sentir saudades. Todos os dias, a quase todas as horas, voltava a reviver os momentos mais íntimos da noite que tinham acontecido juntos.

Ele sabia o muito que a amava, mas o que lhe tinha surpreso era descobrir a intensidade de sua resposta. Tinha dado quase a impressão de estar apaixonada por ele, de necessitá-lo tanto como ele a necessitava a ela, com a mesma força e intensidade.

Mas seria melhor não enganar-se. Porque Polly não tinha estado pensando nele, a não ser no Phil Bernstein, que era ao homem ao que queria.

Quando entrou em sua habitação, viu as cartas que tinham deixado para ele na mesa.

Levantou-as e começou às ver. ficou paralisado quando abriu e leu a que lhe dirigia Tim Webb. Leu-a uma segunda vez, logo uma terceira.

A habitação do Polly estava ao final do corredor. Marcus se dirigiu a ela, esmurrou a porta e lhe perguntou:

-Poderia me explicar de que demônios vai isto?

Polly acostumava a dar um banho pelas tardes para relaxar-se. Depois se ia a seu escritório e trabalhava durante um momento sem interrupção. inteirou-se da volta do Marcus, quando ele esmurrou e abriu a porta de repente. aproximou-se muito zangado a ela e lhe atirou na mesa a carta do Tim Webb, lhe pedindo explicações.

Não era justo que estivesse tão zangado com ela. E menos justo que a única resposta dela fora sentir-se excitada, desejar que a estreitasse em seus braços e que lhe dissesse...

O que lhe tinha que dizer; que estava apaixonado por ela?

-explique-me isso exigiu-lhe Marcus, pondo a carta na mesa.

Tratou de guardar a calma e lhe respondeu:

-Não parece que haja nada que explicar. É uma carta te comunicando de forma formal que quero deixar a gestão do hotel. Ofereceram-me outro trabalho Y...

-Outro trabalho? -explorou Marcus de forma selvagem-. Não será mas bem que lhe ofereceram outro posto, Polly?

-O que quer dizer? -perguntou-lhe um tanto confusa.

-Pois um posto que requer que esteja na cama do Bernstein...

Polly se levantou imediatamente, jogando com isso a cadeira para trás. deu-se a volta para enfrentar-se ao Marcus e rechaçar o que ela considerava um comentário injusto e humilhante.

-Não te atreva a me falar assim -gritou-lhe-. O trabalho que Phil me ofereceu é para dirigir o hotel que comprou em Londres, não tem nada que ver com..:

-Com o que? -desafiou-a Marcus-. Com sexo? Está mentindo, Polly. Tem que ver com sexo. Devo admitir que me surpreende que esteja disposto a tantos esforços por conseguir que vá à cama com ele. Eu pensava...

-O que pensava? -interrompeu-lhe ela, com o rosto avermelhado-. que me tenha deitado contigo, Marcus, não significa que...

Preferiu não continuar. O que menos gostava de naqueles momentos era um enfrentamento com o Marcus. Desde o começo, imaginou-se que não lhe ia gostar de sua decisão, porque ao fim e ao isso cabo supunha que teria que procurar a outra pessoa para que se encarregasse do hotel. Mas com as perspectivas que tinha de futuro com o Suzi, aquilo não era nenhum problema.

-Contaste ao Briony todo isto? -perguntou-lhe Marcus, ao cabo de uns segundos.

-Sim.

-E?

-Não gostou de muito a idéia -admitiu Polly, levantando o queixo, antes de continuar-. Mas sim entende que como ela está na universidade e faz sua vida, chegou o momento para mim de que faça algo para meu currículum...

-Fazendo o que? te convertendo na querida do Bernstein? -desafiou-a Marcus.

-Por última vez te digo que tudo isto não tem nada que ver com o sexo -protestou Polly-. O trabalho que Phil me ofereceu...

-É uma ceva para que pique e te deite com ele -concluiu Marcus por ela-. E deve sabê-lo tão bem como eu sei. Se o que te está imaginando é que te vai propor depois que te case com ele, será melhor que se inteire de que esse Bernstein tem em sua cabeça outros planos que você não conhece. Ao parecer é o único homem de sua geração na família e, segundo o que me contou Suzi, está obcecado por ter um descendente que possa herdar sua fortuna. Quando se casar, se é que se casa, será com alguém mais jovem que lhe dê os filhos que ele necessita.

Todo aquilo já era muito. Não estava disposta a que a tratassem daquela maneira. Dava-lhe igual o que ele pensasse ou deixasse de pensar. Mas não estava disposta a que continuassem lhe falando daquela maneira.

-Pode que tenha uma filha já em idade adulta, mas te posso assegurar que ainda sou o suficientemente jovem para dar um filho ao Phil. E mais de um, se for o que quer.

-Seria capaz de fazer algo assim, seria capaz de...? -Marcus se deteve. Ao parecer não era capaz de dizer as palavras. Tinha a voz tensa. Seu comentário deveu afetá-lo bastante, porque tinha reagido como se lhe tivesse ameaçado matando a alguém.

Pois se o que acaba de dizer lhe tinha surpreso, não sabia como ia se sentir se lhe contava que no fundo o que desejava era ter um filho dele. O sonho que a tinha atormentado com freqüência nos primeiros anos de seu viudedad era que tinha seu filho na mesma habitação do hospital onde tinha dado a luz ao Briony, com o Marcus a seu lado. E ali estavam os três. Marcus, Briony, o novo menino e ela.

-Mas e se em vez de filho é filha? Não te puseste a pensar nisso? -perguntou-lhe Marcus-. O que faria então, Polly? Bernstein não quer filhas e se não, pregúntaselo ao Suzi. meu deus, não sei o que te está acontecendo ultimamente. Suzi já me tinha advertido de que uma mulher de média idade pode começar a ter uma crise e comportar-se...

Suzi o tinha advertido? Aquilo já era muito. Ela era uma pessoa muito tranqüila por natureza, uma pessoa equilibrada, que evitava os enfrentamentos e as discussões. Mas todos aqueles comentários a estavam superando.

-Parece que Suzi se aconteceu ultimamente todo o tempo advertindo às pessoas -respondeu-lhe enfurecida-. Inclusive o fez comigo um dia. Mas tenho que te dizer que, com respeito a isso da crise da média idade, você está mais perto de sofrê-la que eu, Marcus. Ao fim e ao cabo, é o primeiro candidato para...

-Para que? -interrompeu-a Marcus.

«Para manter uma relação com uma mulher mais jovem», esteve Polly a ponto de lhe responder. Mas a idéia de que qualquer mulher, de qualquer idade, que não encontrasse ao Marcus irresistivelmente atrativo era tão absurda que nem sequer pôde verbalizarla. Porque tinha visto como o olhavam as mulheres que se hospedaram no hotel. Não, Marcus não era a classe de homem que precisasse encontrar a uma mulher muito mais jovem que ele sozinho por satisfazer seu ego.

Entretanto, não quis deixar as coisas como estavam, por isso lhe perguntou com atitude petulante:

-E o que passa se quero ter um filho?

-É que quer ter um filho?

Marcus pôs cara de não acreditá-lo que estava ouvindo.

-por que não? por que não vou desejar ter a meu lado a alguém que me queira... um filho que essa pessoa e eu tenhamos criado juntos?

As lágrimas lhe fecharam a garganta, porque se imaginou tanto ao homem como ao filho que ela realmente queria. Tinha sido uma semana exaustiva, cheia de emoções. Quanto mais tinha que suportar?

-É que sente saudades que fale assim -respondeu-lhe Marcus-. O que passou com aquela Polly que dizia que solo podia amar a um homem e que nenhum outro ia poder substitui-lo, nem em sua vida, nem na cama?

-pensaste o que supõe viver com o Bernstein, Polly? Além do fato de que é mais jovem que você, por isso me contou Suzi, utiliza às mulheres como- lenços descartáveis, inclusive ela... Já sabe que os dois estiveram...

-Sei que foram amantes, sim -respondeu-lhe Polly-. Mas se não te importa, por que me tem que importar para mim? Ao fim e ao cabo...

-Não pode aceitar esse trabalho, Polly -interrompeu-a Marcus-. Você pertence ao Fraser House.

-O que? Disso nada! -respondeu-lhe Polly enfurecida-. Eu não pertenço a nada nem a ninguém, Marcus. Eu sou livre e, se quero trabalhar para o Phil, ou me quero ir à cama com ele, posso fazê-lo. E se quero ter um filho dele, pois também, Marcus -insistiu.

De repente, aproximou-se dela, levantou a carta que lhe tinha atirado ao escritório e a rompeu em pedaços. Apertou os dentes e lhe respondeu:

-Você crie? Sinto te desiludir, mas não vais aceitar o trabalho que te ofereceu Bernstein.

-Marcus -protestou Polly-. Não me fale assim. Eu...

-Você o que? me faça uma oferta que não possa rechaçar? -a boca do Marcus adquiriu um tom cínico-. Todo homem tem seu preço, Polly, mas você não tem o que terá que ter para pagar o meu.

Com o rosto pálido por seu insulto, Polly lhe respondeu:

-Não sei por que está fazendo tudo isto, Marcus. Pensei que te ia alegrar que me fora de seu lado.

-Pode que me alegre que vá de meu lado -concedeu-lhe Marcus-. Mas alguém tem que dirigir o hotel.

Polly ficou boquiaberta. Nunca teria pensado uma resposta desse tipo.

-pode-se encarregar Suzi -respondeu-lhe.

-A quem lhe ocorreu essa idéia? Ao Bernstein ou a ti? Não sente saudades que lhes sentiriam felizes de lhes liberar dela, embora por diferentes raciocine. Não crie que o trabalho que lhe estão oferecendo é mais indicado para uma mulher como Suzi?

-Não estou disposta a seguir escutando -respondeu-lhe Polly-. Não pode impedir que vá. E te comuniquei formalmente minha decisão de deixar de trabalhar aqui.

-Tem-no feito -respondeu-lhe Marcus-. Mas estou seguro de que sabe, se tiver lido o contrato, que tem que me comunicar isso com seis meses de antecipação. Seis meses é muito tempo na vida de um homem como Bernstein, Polly. Está segura de que quererá esperar tanto tempo?

-Seis meses? -Polly ficou boquiaberta-. Não pode ser tanto -mas devia ser certo, reconheceu ela. Porque do contrário não o haveria dito. Seis meses.

Em seis meses, Marcus e Suzi poderiam estar casados e Suzi grávida, enquanto que ela se teria que ficar ali a vê-los os dois juntos. Seis meses! Fechou os olhos. Duvidava muito de que pudesse suportar aquele tortura emocional.

Sentiu que as lágrimas lhe arrasavam os olhos. Tentou as controlar. O peito e a garganta lhe doíam da tensão.

Enquanto a olhava, Marcus pensou com amargura que, quando tinham redigido aquela cláusula no contrato, tinha sido para proteger ao Polly. Tinha-lhe preocupado que, se o hotel não partia bem, por orgulho começasse a procurar outro trabalho em vez de ficar, sob a suspeita de que ele fora a lhe pagar o salário de seu próprio bolso, que era o que em princípio tinha pensado fazer. Mas o hotel tinha sido um êxito e não houve necessidade disso. E a cláusula que tinham posto para protegê-la financeiramente a ia proteger emocionalmente.

Era evidente que Bernstein a tinha convencido de que a amava e que queria casar-se com ela. Marcus conhecia o Polly e sabia que era impossível que queria partir do Fraser House e menos ter um filho com o Bernstein. Marcus sabia, por isso lhe tinha contado Suzi, que Phil Bernstein tinha outra faceta que a que tinha visto Polly. E que esse homem poderia ser tão desumano em sua vida sentimental como o era nos negócios. Mas de nada servia dizer-lhe ao Polly, e menos quando parecia estar totalmente encaprichada dele.

Marcus sabia melhor que ninguém o que era amar a uma pessoa por cima da lógica e a razão.

-por que me está fazendo isto, Marcus? -perguntou-lhe Polly-. Que motivos tem para isso?

-Parece esquecer que tenho interesses econômicos nisto. E me esquecendo do que possa pensar de suas outras habilidades, tenho que reconhecer que é uma pessoa que seria muito difícil de substituir no Fraser House. É a proprietária da metade do negócio Y...

-Quero vender minha parte -respondeu-lhe Polly imediatamente-. Se quiser... Marcus... Marcus... me solte -protestou quando ele a agarrou pelos braços.

Quase a estava sacudindo quando lhe perguntou:

-Que quer o que?

-Que quero vender minha parte -repetiu Polly tremendo, quando sentiu a tensão de seu corpo.

-Já sei que lhe tenho isso que oferecer a ti primeiro Y...

-Vejo que está muito inteirada -interrompeu-a Marcus-. É por isso pelo que te deitou comigo, Polly, para me convencer?

-OH...! -Polly ficou quase sem fala. A angústia a estava afogando-. Eu não... Você foi... -tratou de lhe explicar meio tremendo, mas Marcus moveu em sentido negativo a cabeça para silenciá-la.

Sabia perfeitamente o que lhe ia dizer. Não tinha querido fazê-lo. Não tinha querido fazê-lo com ele. Porque queria ao Bernstein. Mas como ele estava ali e a tinha pilhado em um momento de desespero, pois não tinha tido mais remédio. Mas ele tinha sido o que a tinha abraçado, acariciado e amado. Ele tinha sido o que lhe tinha feito gritar de prazer. Estava já farto de ser o menino bom do filme.

Tinha conseguido excitá-la uma vez. Lhe ia demonstrar o que era prazer. Lhe ia demonstrar que era melhor ficar com ele, que ir-se com o Bernstein. Lhe ia demonstrar o que a queria. Inclusive estava disposto a lhe dar o filho que tanto queria.

Não podia ela entender o muito que o tinha ferido lhe ouvir dizer isso? Ele tinha tido que estar presente quando tinha nascido a filha do Richard, desejando que tivesse sido dela. Não estava disposto a que ficasse grávida de outro homem. Não poderia suportá-lo.

Começou a soltá-la e nesse momento lhe olhou o corpo. fixou-se no apertado vestido de algodão que tinha posto. fixou-se em seus peitos e no contorno de seus endurecidos mamilos no tecido.

-Polly...

Marcus levantou uma mão e a pôs no peito, lhe acariciando o mamilo.

-Não -disse-lhe Polly.

Mas mas bem parecia uma súplica de que seguisse tocando-a que um rechaço.

-Não -protestou Polly pela segunda vez. Mas não serve de nada.

-O que é o que tem Bernstein para que queira partir daqui? Uma vez me disse que depois do Briony, Fraser House era o mais importante em sua vida porque era uma parte do Richard.

Havia dito isso? Era possível, mas não o recordava. Seguro que tinha sido um comentário para defender do amor que sentia por ele.

-Se o que quer é uma satisfação física -sussurrou-lhe com voz rouca no ouvido-, eu posso fazê-lo também.

Polly não podia acreditá-lo que estava ouvindo e menos que o estivesse dizendo Marcus.

-Eu não quero... -começou a lhe responder com voz rouca, mas Marcus não lhe deixou terminar.

-Sim, sim quer -corrigiu-a-. E eu também, Polly. Eu também o quero. E muito.

E enquanto lhe dizia todo aquilo, tirou-lhe o vestido e começou a lhe lamber o peito, fazendo-a estremecer-se de prazer.

Naquela ocasião estava sendo diferente ao que tinha sido pela primeira vez. Seu corpo o reconhecia, desejava-o, respondia a suas carícias.

Tentou resistir, reunir forças para lutar contra o desejo que a estava consumindo.

Mas todos e cada um de seus suspiros indicavam ao Marcus sua debilidade e seu desejo. Apartou a boca de seu peito e começou a beijá-la, transportando-a a um mundo no que perdeu todas suas defesas, criando um aura de intimidade em torno dos dois que fazia que inclusive parecessem estar respirando o mesmo ar, como se o sangue que percorria suas veias a estivesse bombeando o coração dele. Deixou de ter vontade própria. sentia-se como se lhe tivesse arrebatado o poder.

Marcus começou a despir-se, deixando cair a roupa ao chão.

-Parece como se acabasse de vir de férias -comentou ela, incapaz de resistir a lhe tocar a pele.

-É de todos os anos nos que estive trabalhado no Oriente Médio -respondeu-lhe ele.

-Minha pele é tão pálida -queixou-se Polly com um pequeno suspiro-. Quando era jovem a odiava. Parecia tão...

-É preciosa -disse-lhe Marcus-. Suave e frágil. Tão feminina...

Na mão que lhe tinha posto contra seu peito, Polly começou a sentir os batimentos do coração de seu coração. Estava pulsando como se se o fora a sair de seu sítio.

Era estranho. Porque Marcus não sentia nada por ela. Marcus estava apaixonado pelo Suzi... Marcus...

-OH, Polly, Polly -ouviu-o lhe dizer enquanto a estreitava entre seus braços, com tanta força que quase a deixa sem respiração.

Queria que lhe lambesse outra vez os peitos, sentir sua boca quente em seus mamilos. Seu corpo se estremecia de prazer.

Polly começou a lhe acariciar o corpo. Acariciou-lhe os músculos de seus braços enquanto ele a beijava de forma apaixonada. E de repente abriu os olhos de forma desmesurada quando sentiu a dureza de seu membro em ereção contra seu corpo.

-É que me acariciaste tão brandamente o braço e me beijaste que forma tão íntima... -explicou-lhe Marcus.

-Não -replicou Polly imediatamente.

-É que não lhe crie isso?

-Não, não é isso...

-Não te crie que possa me haver excitado com solo me tocar?

-Não -protestou Polly-. Eu o que quero...

-Já sei o que você quer. Quer ao Bernstein. Mas está comigo e seu corpo responde ante mim.

-Não -repetiu Polly.

-Quer que pare? Não quer que te faça isto? -desafiou-a Marcus, inclinando a cabeça e lhe chupando de novo os mamilos.

Polly tentou lhe dizer que não seguisse, mas não podia. Porque suas carícias e seus quentes beijos a excitavam muito. Acariciaria ao Suzi da mesma forma? Faria-a sentir-se da mesma forma...?

Não podia suportá-lo. Não podia suportar pensar em todo aquilo, mas tampouco podia lhe dizer que não continuasse. Queria-o muito, estava apaixonada por ele. Mas ele parecia querê-la castigar para lhe demonstrar o fraco e vulnerável que era.

-Não -voltou a repetir. Mas foi muito tarde, porque seu corpo já se estava acomodando na cama, para que ele a penetrasse e estirou suas mãos para abraçá-lo e obrigá-lo a que entrasse mais.

Polly se deixou levar pelo desejo que não podia controlar. Suplicou ao Marcus que a abraçasse, pegou-se a ele para que sufocasse o fogo que sentia por dentro. Até que chegou o momento em que o conseguiu.

ficou tombada, com ele em cima, completamente esgotada. Marcus se separou dela e lhe disse:

-Pelo que estou convencido é de que Bernstein não te satisfaz na cama.

-E você como sabe?

-Quer que lhe demonstre isso outra vez?

Sentiu um nó na garganta da dor que lhe produziu. Mas havia algo que tinha que lhe pedir.

-Marcus... tem que deixar que me parta antes.

-por que, porque te deitaste comigo? -se Rio de forma selvagem enquanto movia a cabeça e se sentava no bordo da cama.

-Não, Polly, não. O momento de fazer esse tipo de petições é antes... mas antes solo parecia estar em condições para me pedir uma coisa -disse-lhe com tanta crueldade que quase a deixou sem respiração-. Terá que ficar seis meses. Assim terá que te fazer à idéia. Durante os próximos seis meses, é minha e terá que dizer-lhe assim ao Bernstein. Se não o diz você, farei-o eu.

 

                                             Capítulo 9

SEIS meses? Mas...

Polly notou a irritação no tom de voz do Phil ao outro lado da linha. -Em que demônios estava pensando quando assinou esse contrato? Seus advogados deveriam te haver assessorado...

-Marcus e eu temos os mesmos advogados -respondeu-lhe Polly imediatamente-. São os advogados da família do Richard Y...

-Não me diga mais. Já imagino a situação. Pois se Marcus não está disposto a que vá...

Polly suspirou fundo médio esperando que Phil fora a dizer que tinha trocado de opinião e que teria que procurar a outra pessoa para dirigir o hotel, mas se limitou a responder:

-Pois então não terei mais remedeio que ser paciente. Ficam ainda férias? Solo dessa forma se poderia cortar esse período de seis meses.

-Não sei. Normalmente não tirar férias... -respondeu-lhe em tom dúbio-. Não recordo se o pus no contrato, porque faz já tanto tempo...

-Eu gostaria que meus advogados jogassem uma olhada a esse contrato. Pode que descubram tantos buracos legais nele que...

-Não, Phil -protestou Polly. Meter-se em confusões legais era o que menos desejava naqueles momentos, além de que tinha a sensação de que Marcus encontraria a forma de sair-se com a sua.

-Bom, pelo menos poderá acontecer uns dias em Londres e preparar tudo para quando chegar o momento de começar a trabalhar -informou-lhe Phil.

-Sim, irei assim que possa -respondeu Polly de forma obediente.

Mas duas semanas mais tarde, não teve mais remedeio que pensar que a possibilidade de poder-se tomar uns dias de descanso era cada vez mais remota.

O hotel estava ao completo. Marcus lhe tinha surpreso lhe dizendo que queria que um profissional fizesse uma valoração do negócio. E não só isso, mas sim além disso tinha contratado uma consultoria para que fizessem um estudo sobre a eficácia de sua gestão também. Por isso Polly não só se tinha que encarregar da gestão diária do hotel, a não ser além de chamar os diferentes profissionais, que queriam estudar até o mínimo detalhe, que parecia que solo ela podia responder.

A gota que encheu o copo foi uma quinta-feira pela manhã, que era a manhã que trabalhava com o chefe de cozinha para decidir os pratos da semana seguinte. Mas não podia fazê-lo, porque a equipe de consultores não só queriam saber quanto pagava aos jardineiros, a não ser além por que tinha eleito plantar flores cujo custo de manutenção era muito alta, em vez de arbustos, que eram muito mais baratos.

-Essas novelo as plantou a bisavó de meu marido -respondeu-lhe à garota que lhe estava fazendo as perguntas, apertando os dentes-. A nossas hóspedes gosta de saber que se estão hospedando em um sítio que antigamente foi uma casa. Gostam de saber a história da casa e dos jardins. E não acredito que gostassem tanto se plantássemos arbustos mais modernos e menos caros de manter. Como já lhe hei dito, o encanto deste hotel é que antes era um lar. Nossas hóspedes querem sentir-se como se estivessem vivendo em uma casa privada.

Ao ver que a garota arqueava as sobrancelhas em uma atitude um pouco petulante, Polly começou a perder os nervos.

-Nós não somos uma cadeia de hotéis que vende habitações como uma hamburguesería vende seus produtos -continuou lhe dizendo-. Porque se fizéssemos isso... -Polly respirou fundo.

-Eu sozinho intento fazer meu trabalho -respondeu-lhe a garota à defensiva.

-Já sei. Mas suponho que também se dá conta de que tenho muito trabalho e que agora mesmo teria que estar decidindo com o chefe de cozinha os menus da semana que vem. Assim se me perdoa...

-Mas ainda não falamos que custo de limpeza das janelas -protestou a garota.

Aquilo já era muito.

-Pois não, tem razão -respondeu-. por que não o pergunta ao senhor Fraser? Estou segura de que adorará lhe responder, além de ver os esforços que está você realizando.

E depois partiu com gesto decidido para a porta, abriu-a e a garota não teve mais remedeio que partir.

Duas horas mais tarde, quando Polly tinha terminado com o chefe de cozinha, viu o Marcus entrar no vestíbulo.

-Quero falar contigo -disse-lhe ele.

-E eu também -respondeu ela.

-por que demônios me hass enviado a essa garota para que me pergunte o dos jardins?

-Eu poderia te fazer a mesma pergunta -comentou Polly-. Hoje é quinta-feira, Marcus. E as quintas-feiras pela manhã os passo com o chefe de cozinha preparando os menus da semana que vem. Isso já sabe. Pode que te tenha esquecido, mas estamos ao completo e dois dos empregados se hão posto doentes. Nestes momentos, não posso começar a responder perguntas sobre a eficácia dos jardins.

Marcus se encolheu de ombros.

-Pode, mas o que queira comprar isto, terá que saber os custos de manutenção do sítio.

-que o vá comprar?

-Ainda não há ninguém, mas o haverá e será melhor estar preparados.

-Por isso mandaste aos consultores, porque vais vender Fraser House? -perguntou-lhe Polly em tom acusatório.

-É uma possibilidade, sim -respondeu Marcus.

-Mas não pode vender... e menos sem meu acordo. Eu possuo cinqüenta por cento do negócio.

-Eu não necessito seu consentimento para vender minha parte do hotel -corrigiu-lhe Marcus.

-E estaria disposto a vendê-la? -Polly precisava sentar-se quanto antes. Era ilógico sentir-se tão impressionada. Era como se a tivessem traído, ou abandonado.

-por que não? -Marcus se encolheu outra vez de ombros-. A razão principal pela que quis converter a casa em um hotel já não existe.

-A principal razão...? Quer dizer que agora que Briony já está na universidade, já nada te ata aqui? -perguntou-lhe Polly.

-Eu não tenho que te dar nenhuma explicação, Polly -recordou-lhe-. Você já tem feito planos de como quer viver no futuro.

-Tenho direito a ter uma vida própria -protestou Polly-. Pense o que pense, a meus trinta e sete anos sou muito jovem para me sentar a esperar a velhice.

-Muito jovem para isso, sim -acessou Marcus, fazendo um gesto amargo com a boca-. Mas...

-Mas o que? -pressionou Polly-. Muito velha para ter uma relação com o Phil? Muito velha para ter outro filho?

-Senhor Fraser, se me permitir um minuto...

Os dois se deram a volta, quando apareceu a garota que lhe tinha estado fazendo perguntas ao Polly.

-Tenho descoberto que em uma das partes do jardim se plantam tulipas todos os anos e me estava perguntando...

-Parece que está ocupado -disse-lhe Polly sonriendo-. Já terminaremos esta discussão mais tarde.

-Polly! -advertiu-lhe Marcus, mas Polly partiu sem escutá-lo. Que fora ele o que explicasse a razão pela que se plantavam os tulipas cada outono, para que florescessem a primavera seguinte, porque ocorreu a ele, para celebrar o aniversário do Richard. Uma forma alegórica de dizer que a beleza, a felicidade e o amor nunca morreriam enquanto nascessem essas flores, nem tampouco a lembrança do Richard.

Richard. O que pensaria ele de todo aquilo se o visse? Richard. Fazia já tanto tempo... Quando se lembrava dele, recordava-o quase como um menino. Seu amor para ele era quase maternal, porque ela tinha crescido e maturado sem ele. Não tinha podido vê-lo jamais como um homem, porque para ela sozinho havia um. Marcus. Não sabia se o amava ou o odiava. Quão único sabia era que a estava fazendo muito dano.

-Olá mamãe. ouviste as notícias?

-Que notícias? -perguntou- Polly ao Briony com gesto de cautela. Lhe teria contado Marcus que estava procurando a alguém que comprasse o hotel? Porque isso era tarefa dela, não dele.

-Porque Suzi se ficou grávida e vai se casar. Os pais dela estão aterrorizados. São um pouco chapados à antiga, sabe? Suponho que lhes tivesse gostado que tudo tivesse sido um pouco mais tradicional. Mas nestes tempos os casais têm filhos sem necessidade de casar-se.

-Briony -interrompeu Polly a sua filha-. Está segura?

-Claro que o estou. Chris me chamou ontem à noite e me contou isso. estava-se queixando porque Suzi quer celebrar as bodas por todo o alto, com madrinhas e todo isso. E você terá que te preparar. Já sei que você nunca quiseste que se celebrem bodas no hotel, mas segundo Chris, Suzi convenceu ao Marcus e acredito que acessou a que se celebre no hotel.

-Está aí, mamãe? -perguntou-lhe Polly, ao ver que ela não comentava nada.

-Sim, estou aqui -conseguiu lhe responder.

Marcus ia se casar. Marcus ia ser pai.

Marcus...

Marcus...

A dor que percorreu seu corpo foi a pior dor que havia sentido desde que tinha dado a luz ao Briony. Mas entretanto aqueles dores foram o prelúdio de uma nova vida, a felicidade de ser mãe. Esta nova dor era mas bem de desespero, por saber que Marcus a abandonava para sempre. Aquela dor o ia sentir até o final de seus dias.

-Briony, tenho que ir -disse a sua filha.

-Mamãe? -ouviu que sua filha protestava. Mas Polly já tinha pendurado o telefone.

-Senhora Fraser.

Polly olhou como atordoada à garota que a tinha chamado. Reconheceu-a na distância, mas as perguntas que lhe estava fazendo a garota pareciam provir de um túnel muito comprido. Dizia-lhe não sei quanto as toalhas. O que lhe importavam as toalhas?

Sem responder, Polly se deu a volta e se foi para a porta que dava ao jardim privado. Mais à frente estava o bosque, por onde tinha passeado quando Briony era pequena. Os dias anteriores aos natais, tinham saído a recolher lenha para a chaminé.

E quando tinha estado em casa, Marcus tinha ido com eles, agarrado da mão do Briony. Em suas lembranças, Polly se via si mesmo como sempre, um pouco separada deles, sozinha, sem o carinho do Marcus. O mesmo que lhe ocorria naqueles momentos.

Marcus se tinha comportado como um pai com o Briony. Mas logo ia ter seu próprio filho. Um filho com o Suzi.

A dor golpeou seu corpo como seu fora um raio. Teve que apoiar-se em uma árvore para não cair. Seus joelhos se dobraram e caiu. As lágrimas começaram a lhe brotar dos olhos. Levantou uma mão e as limpou. A seguir se olhou a mão. Solo era água. Por alguma razão tinha pensado que teria a mão ensangüentada, porque assim era como se sentia, como se se estivesse sangrando.

-Polly? Polly?

Polly ficou tensa para ouvir a voz do Marcus. Para que a estaria procurando?

-Polly.

Notou a irritação em sua voz quando ele a viu. Deu-lhe a mão para levantá-la. Nesse momento, deu-se conta de que se dobrou o tornozelo quando se cansado. Não o tinha quebrado, mas lhe doía o bastante.

-O que acontece? O que é o que te ocorreu? -ouviu-lhe que lhe perguntava enquanto a levantava.

-A ti o que te parece? -respondeu-lhe muito zangada-. Porque me torci um tornozelo.

-te apóie em mim -disse-lhe Marcus, sem fazer caso de seus empurrões para que a deixasse.

-Inteiraste-te que o do Suzi e o menino? -perguntou-lhe enquanto a sujeitava para que pudesse caminhar.

-Sim... -respondeu ela muito tensa-. Briony me chamou por telefone. Eu... -tomou fôlego, tentando reunir forças para lhe felicitar, mas não pôde.

-Já sei -comentou Marcus-. Chamou-me também. Estava muito preocupada com ti. Alguém me disse que lhe tinham visto sair e imaginei que estava aqui, porque sei que é um dos sítios que mais você gosta.

Polly ficou à defensiva.

-O que quer dizer? Eu estava acostumado a vir aqui com o Briony, mas...

-E também quando queria estar sozinha. Por exemplo no aniversário da morte do Richard -informou-lhe Marcus-. Vi-te o primeiro ano...

-Isso foi porque... -preferiu não terminar a frase-. Não podia lhe dizer, e menos nesses momentos, que tinha ido ali a pedir perdão ao Richard por estar apaixonada por sua primo-. Briony me há dito que quer que as bodas se celebre no Fraser House.

-Isso é o que Suzi quer Y...

-E o que Suzi quer, você o dá, não? -perguntou-lhe Polly, tentando adotar um tom desenvolto.

-Escuta, Polly, sei como te deve sentir -disse-lhe Marcus, lhe confirmando seus temores-. De verdade que o sinto. Tentei te advertir.

-Tentou me advertir? Quando, quando te deitou comigo? Quando estava fazendo o amor comigo? Contaste-lhe...?

Conseguiu deter-se a tempo.

-Sinto muito. Teria que estar te felicitando. Agora entendo a razão pela que quer vender o hotel -disse-lhe com muito tato-. Em vista das circunstâncias, não acredito que Suzi queira fazer cargo de sua gestão. Quando eu tive ao Briony também foi difícil para mim, embora claro, as circunstâncias eram distintas. Eu tinha que trabalhar -disse-lhe em tom muito tranqüilo.

-Suzi não o vai ter tão fácil -comentou Marcus-. Seu embaraço não estava planejado.

-Não, mas não te pilhou por surpresa -comentou Polly.

-Não -respondeu Marcus-. Dadas as circunstâncias, era algo inevitável, embora sinta muito que tenha tido que... Cria-o ou não, Polly, não quero que sofra e se houvesse alguma forma de que pudesse...

-Eu em seu lugar me preocuparia mais de se eu me posso ter ficado grávida também,, que da dor que me tenha podido causar -respondeu-lhe Polly. Quando viu a expressão que pôs, preferiu não ter respondido de forma tão impetuosa. Era evidente que não lhe tinha ocorrido que tivesse podido deixá-la grávida. Possivelmente tinha pressuposto que ela estava tomando a pílula, mas não era assim, porque não se deitava com ninguém.

-Está-me dizendo que há alguma possibilidade de que te tenha ficado grávida, Polly?

-Não -o negou-. Não...

-Polly...

Polly fez um gesto de dor com a cara, quando ele a sacudiu, esquecendo-se de seu tornozelo torcido. Era evidente que estava ansioso por saber a verdade.

-Polly?

A urgência em sua voz poderia havê-la feito sorrir, embora bem era verdade que em outras circunstâncias. Porque naquele momento o que lhe provocou foram vontades de chorar. Que ironia que se preocupasse com ela. Mas não estava preocupado por ela, estava preocupado pelo Suzi, preocupado de que estivesse em jogo sua felicidade...

-Não sei -admitiu ela-. É logo para sabê-lo. Não é fácil ficar grávida quando se tem certa idade -comentou ela com muita tranqüilidade-. Não acredito que...

-O que faria se...?

-Pois já o veria, quando chegasse o momento -respondeu-lhe Polly-. Será melhor que volte para hotel. Estarão-se perguntando onde estou. Sinto muito que Briony te tenha incomodado, Marcus. Suponho que estará muito ocupado, como para em cima te ter que ocupar de mim. Seguro que Suzi e sua mãe quererão vir ao hotel a falar dos preparativos. vais vir você com eles, O...?

-Não sei -respondeu-lhe Marcus com voz rouca-. Dadas as circunstâncias... Isto não é fácil para mim, Polly.

-E você crie que o é para mim? -perguntou-lhe ela em tom amargo enquanto tentava separar-se dele e pondo gesto de dor ao notar a espetada em seu tornozelo.

-Fica aquieta -disse-lhe Marcus-. Quer que te termine rompendo? te apóie em mim, anda.

Era inútil lhe dizer que não. Polly sabia que sem sua ajuda ia ser impossível chegar até o hotel. Tinha o tornozelo inchado e cada vez lhe doía mais.

Demoraram quinze minutos em chegar ao hotel. Quando chegaram, em vez de entrar na casa, Marcus a levou a carro.

-O que faz, Marcus? -perguntou-lhe.

-Te vou levar a hospital -informou-lhe Marcus-. Têm-lhe que ver esse tornozelo.

-Pode, mas não é necessário que me você leve. Eu posso...

-Você pode o que? Conduzir até o hospital? Não acredito.

Era impossível discutir com ele. Além disso, o tornozelo cada vez lhe doía mais. Assim deixou que Marcus a ajudasse a entrar no carro.

-Suponho que não te enjoará... -perguntou-lhe, ao ver que ela fechava os olhos, para agüentar a dor.

-Não, tranqüilo -respondeu-lhe.

-Boa garota -ouviu que lhe dizia-. Não se preocupe, que em um minuto estamos no hospital.

E em questão de minutos chegaram ao hospital. Marcus era um bom condutor. Quando chegaram, ele se baixou e lhe disse:

-Fique aqui, que vou procurar a alguém para que te ajude a baixar.

 

                                               Capítulo 10

TENHO que estar em repouso uma semana? Não posso -protestou Polly ao médico que a tinha examinado, enfaixado o tornozelo e receitado uns calmantes-. Tenho que trabalhar.

-Sinto-o muito, mas para que lhe aconteça a inflamação terá que ter a perna em repouso -insistiu o doutor Jarvis.

-Não se preocupe, doutor Jarvis. Eu me encarregarei disso -respondeu-lhe Marcus, sem fazer caso da cara que punha Polly-. Até que não lhe tirem a atadura a semana que vem, ficará comigo.

-Ficar contigo, Marcus? É que não ouviste o que acabo de dizer? Tenho que me encarregar do hotel.

-Sim, já te ouvi e pode trabalhar durante o dia... sempre e quando estiver sentada na cadeira. Mas não poderá trabalhar vinte e quatro horas ao dia, tal e como faz agora.

-Pois se não poder, não é por minha culpa. Eu não fui a que chamou a esses consultores A...

-Polly, não tem nenhum sentido que siga discutindo. Te vais ficar comigo até que ponha bem esse tornozelo. E se vir que faz mais esforço de que deve, não terá mais remedeio que...

-Que o que? -desafiou-lhe.

-Pois ficar as vinte e quatro horas, se fosse necessário -respondeu-lhe Marcus.

Vinte e quatro horas ao dia com o Marcus. Polly fechou os olhos só de imaginar-lhe

E Suzi? Esteve a ponto de perguntar-lhe mas não lhe saíram as palavras. Não pôde lhe perguntar o que era o que ia pensar sua futura esposa de que ela vivesse na casa que logo foram compartilhar.

-O que te ocorre? Dói-te mais o tornozelo? -perguntou-lhe Marcus ao ver a expressão do rosto do Polly ao imaginar-se ao Suzi e ele juntos.

Polly moveu em sentido negativo a cabeça e deixou que Marcus a levasse até o carro.

-Pararemos no hotel para que recolha o que necessite -deu-lhe, enquanto esperavam em um semáforo.

-Não posso dirigir o hotel desde sua casa, Marcus. Tenho que estar no hotel -protestou Polly, tratando de forma se desesperada que trocasse de opinião.

-Sério? É estranho. de repente o hotel se converteu no mais importante, quando recentemente tempo queria deixá-lo.

-No momento, ainda sou responsável pelo hotel -insistiu Polly.

-Por certo, falaste com o Bernstein ultimamente?

-Não, não falei com o Phil -admitiu Polly-. Acredito que está no Caribe.

-Já sei. Suzi se foi ali a vê-lo.

Suzi estava com o Phil! A verdade, não era nada estranho. Ao fim e ao cabo, Suzi era sua empregada. Mas sentia saudades que Marcus reagisse daquela maneira, sabendo que a mulher a que amava e com a que ia ter um filho estivesse em um sítio tão romântico com um homem como Phil.

-A secretária do Phil me há dito que ia voltar logo -disse-lhe Polly.

-Já sei -respondeu ele. Chegaram ao hotel e deteve o carro-. Espera aqui, que irei por suas coisas.

-Não sou uma inválida, Marcus. Posso ir eu mesma a por minhas coisas.

Ele não se opôs, mas sim a ajudou a chegar até o vestíbulo.

Entretanto, a dor que sentia no tornozelo era tão intenso que lhe era muito difícil poder caminhar e se deu conta também de que, se ficava no hotel, ao final ia terminar fazendo o que o médico lhe tinha proibido fazer.

-Não é necessário que venha comigo -informou ao Marcus quando se foi para o elevador.

Em sua habitação, começou a meter em uma bolsa o que pensava que ia necessitar, recordando-se não obstante que solo ia ficar uma noite. À manhã seguinte voltaria para fazer seu trabalho. E dentro de pouco convenceria ao Marcus para que a deixasse trabalhar mais tempo.

Quando voltou para vestíbulo, Marcus estava falando com seu assistente, Pat Chorlton.

-Marcus me estava contando o de seu tornozelo -disse-lhe Pat quando Polly se aproximou deles.

Pat era uma mulher de uns sessenta anos, excelente trabalhadora, tão boa, que Polly a tinha convencido para que ficasse depois de sua aposentadoria, embora solo fora a trabalhar a meia jornada.

-É o pior momento, dado que temos que organizar as bodas.

A1 parecer Marcus o tinha contado. O qual não era nada estranho. Como qualquer homem apaixonado, o que mais queria era falar de sua amada. Polly tentou esquecer-se do ciúmes que sentia.

-Não se preocupe, amanhã pela manhã virei.

-Virá se estiver bem -recordou-lhe Marcus.

-Marcus... -começou a lhe dizer Polly, mas ele já estava levantando a bolsa de viagem que ela tinha preparado, pondo um gesto de esforço ao fazê-lo.

-Que demônios...? -começou a lhe perguntar.

-Livros -respondeu-lhe ela antecipando-se. Tenho que trabalhar no balanço Y....

-O que é o que faz? -protestou Polly quando viu que ele punha a bolsa no chão, abria-a e começava a tirar os livros.

-O médico te disse que tinha que descansar, recorda?

-Disse-me que tinha que descansar meu tornozelo, não meu cérebro -disse-lhe Polly-. Você foi o que encarregou o trabalho de auditoria, e não acredito que lhes agrade muito ver que não parecem as contas.

-Pois se não lhes agrada que falem comigo -respondeu Marcus, enquanto Pat, que estava escutando, movia a cabeça e sorria.

-Parecem um casal que leva anos casada.

Seu comentário impressionou ao Polly, quem ficou em -silêncio. Certamente Pat, que sempre tinha sido tão discreta e com tanto tato, deveu dar-se conta de que aquele comentário não vinha a conto, dado que Marcus fazia público seu compromisso.

-Um matrimônio como um inferno -murmurou Marcus enquanto voltava a fechar a bolsa e a levantá-la. Polly, por uma vez, preferiu não responder.

Assim que se sentisse melhor, falaria com o Marcus para que a deixasse partir do trabalho antes daqueles seis meses. Dadas as circunstâncias, seguro que não a queria muito perto.

O caminho até a casa do Marcus o fizeram em completo silêncio. Em um par de ocasiões, Polly o olhou de esguelha, perguntando-se se estaria pensando no Suzi. Seguro que era a ela a que gostaria de levar a casa naqueles momentos.

-Espera aqui -ordenou-lhe Marcus quando a deixou no vestíbulo da casa-. Levarei a bolsa acima e logo voltarei por ti.

-Marcus, posso subir por meu mesma as escadas -protestou Polly.

Tinha pintado a casa da última vez que esteve. As cores mediterrâneos que tinha eleito Marcus eram do mais apropriado, ao igual às cortinas de cor nata e os spots que tinha eleito. O salão o tinha decorado com uma mescla de móveis modernos e antigos.

Era fácil imaginar-lhe naquela casa. Mas por alguma razão, Polly não se imaginava ao Suzi vivendo ali. Seguro que lhe gostava mais das coisas como o cristal, a seda, a porcelana e outro tipo de mobiliário. Mas, tal e como estava, era uma casa em que qualquer menino se sentiria cômodo.

Com o coração quebrado, ao dar-se conta da solidão em que ia se ficar, Polly começou a caminhar para as escadas. Nesse momento, Marcus suspirou de impaciência e se aproximou dela.

-Não, posso eu sozinha.

Que simbólicas eram aquelas palavras. A partir desse momento as teria que arrumar sozinha. Não ia ter que preocupar-se do Briony, nem tampouco do Marcus.

-É esta habitação -informou-lhe Marcus mantendo-se a certa distância dela. Abriu a porta do dormitório e se apoiou na parede para que entrasse ela, lhe deixando bastante claro que não tinha a menor intenção de tocá-la, ao igual a tampouco ela o queria tocar a ele. Embora por diferentes raciocine. Ela, porque não queria que notasse seu amor por ele. O porque estava comprometido já com outra pessoa.

Quando entrou no dormitório, Polly se deteve, deu-se a volta e o olhou:

-Mas esta é sua habitação!

Embora não a tinha visto antes, soube pelos pequenos detalhes que havia nela.

-Não posso dormir aqui -protestou Polly.

-Não se preocupe -assegurou-lhe Marcus em tom lacônico-. Não pensava compartilhar a cama contigo. O que ocorre é que as outras ainda não estão arrumadas. Os pintores ainda não terminaram e até a semana que vem não vão pôr o carpete.

-E onde vais dormir você? -perguntou-lhe Polly.

-Abaixo. Há um sofá muito cômodo no salão. Arrumarei-me isso ali.

-Marcus, não acredito que caiba no sofá -protestou Polly-. É melhor que eu durma nele. Isto é ridículo -acrescentou-. Estaria perfeitamente no hotel. Se tivesse sabido que vindo aqui te foste ficar sem habitação...

-Está-me propondo que compartilhemos cama? -burlou-se Marcus dela.

-Não acredito que seja necessário -respondeu-lhe ela-. Não posso ficar aqui, Marcus. Eu...

-Pois não tem outra eleição -disse-lhe ele-. Não pode conduzir e eu não te vou levar.

-Não posso te tirar a cama -insistiu ela.

Não podia dormir nela sabendo que dentro de pouco a ia compartilhar com o Suzi, que dentro de um ano seu filho estaria também ali. Não poderia suportar essa dor. E menos naqueles momentos.

-Está perdendo o tempo, Polly -disse-lhe Marcus, olhando o relógio, antes de acrescentar-. Vou abaixo a preparar algo de comer. Se, quando voltar, não te tiraste a roupa e te colocaste na cama, juro-te que...

-O que vais fazer? -desafiou-lhe.

-Porque te tirarei a roupa eu e te meterei na cama -respondeu-lhe ele. Ao ver como seu rosto trocava de cor, acrescentou-. Pensei que ia ser um incentivo. A última vez que te tirei a roupa pareceu muito mais disposta que agora. De fato...

-Não siga. Não siga -protestou Polly tampando-os ouvidos com as mãos e girando a cabeça.

por que tinha que lhe recordar aquilo na habitação que dentro de pouco ia compartilhar com outra mulher, com sua esposa? Polly tinha pensado que ele nunca ia mencionar de novo o que tinha ocorrido entre eles, que o sentiria como uma traição ao Suzi. Ela em seu caso... Ela em seu caso nunca teria feito o que ele tinha feito. Nunca se teria deitado com alguém ao que não amasse.

-Dou-te quinze minutos, Polly -disse-lhe Marcus e se deu a volta.

Quinze minutos. Não era muito tempo, decidio Polly enquanto ficava a camisola. acaba-se de meter na cama, quando Marcus entrou de novo com uma bandeja na mão.

-O jantar -disse-lhe colocando a bandeja na cama. Ao Polly lhe fez a boca água quando viu o que tinha preparado. Ovos esquentados e salmão defumado. Era sua comida preferida, que sempre comia o dia de Natal, com uma garrafa de champanha, enquanto Briony, Marcus e ela abriam os presentes.

-Obrigado -disse-lhe. Teria recordado que era sua comida preferida? Preferia não perguntar-lhe

-Não se esqueça de tomar as pastilhas -recordou-lhe enquanto se dirigia à porta.

A ia deixar que jantasse sozinha. Polly conseguiu calar seu protesto. Era melhor assim. Porque o que menos gostava de era que ficasse com ela a lhe falar das virtudes do Suzi e lhe contasse os planos de futuro com ela.

Quando partiu, ela começou a comer, mas de repente e, apesar de que a comida cheirava muito bem, descobriu que não tinha fome. Tinha um nó na garganta que lhe impedia de tragar. meteu-se uma pastilha na boca e deu um gole de água.

Doía-lhe o tornozelo e estava médio enjoada. Pôs a bandeja no chão e se apoiou no travesseiro. A cama estava recém feita e não tinha o aroma do Marcus. Não, esse privilégio o reservava para o Suzi. As lágrimas foram a seus olhos. Mas não queria chorar. Não estava disposta.

A luz ainda estava acesa quando Marcus entrou na habitação a recolher a bandeja. Polly estava dormida com um braço nos olhos, para proteger-se da luz. Marcus franziu o cenho quando olhou a bandeja e viu que não tinha provado bocado.

Era evidente que a notícia a tinha deprimido. O tinha tratado de lhe advertir. Suzi lhe havia dito quais eram seus planos. ficou-se grávida e o futuro do bebê era o primeiro.

-vai ser um menino -havia-lhe dito Suzi.

Marcus confiou em que estivesse no certo, embora ainda era logo para sabê-lo.

Levantou a bandeja, saiu da habitação e fechou a porta.

Polly fechou os olhos e ficou as mãos nas têmporas. A manhã estava sendo exaustiva. Ainda lhe doía o tornozelo, embora se estava recuperando bastante bem. Não obstante era muito difícil ficar quieta, porque os consultores que tinha contratado Marcus a estavam bombardeando a perguntas.

Mas sua dor de cabeça não era nada comparado com a dor que sentia no coração. Aquilo sim que era dor, uma dor que não se curava com nenhuma pastilha.

-Polly? veio Suzi -comunicou-lhe Pat-. Quer falar contigo sobre as bodas.

-veio Marcus com ela? -perguntou ao Pat.

-Sim -confirmou-lhe ela.

-Agora mesmo vou -disse-lhe Polly a sua secretária, esperando a que se foi para tomar fôlego e esboçar um sorriso forçado.

-Suzi... Marcus... -saudou-os com falso prazer.

-Marcus, não sei por que tenho que vê-la a ela -disse-lhe em tom grosseiro-. Não acredito que te tenha esquecido o que te hei dito de pôr uma marquise no jardim. Quero que me tirem as fotos ali. Tampouco te terá esquecido que não tem que haver nenhum outro hóspede no hotel. Quero receber aos convidados no vestíbulo principal. As floristas o decorarão. Chamarei a melhor floricultura de Londres Y...

Enquanto a escutava, Polly se sentia cada vez mais zangada. Aquele jardim era seu domínio, era seu jardim particular, ao que não podiam acessar os hóspedes do hotel. Doeu-lhe muito que Marcus houvesse dito ao Suzi que podia utilizá-lo sem haver o perguntado antes a ela.

-Traremos para nosso próprio cozinheiro. Phil o vai trazer do Caribe. Tudo o que haja na marquise tem que ter a mesma cor que meu vestido. E os convidados terão que ir de branco ou de negro. Y... ainda não o contaste? -perguntou ao Marcus e olhou ao Polly pela primeira vez.

Sem esperar a que Marcus respondesse, disse ao Polly:

-vamos ocupar todo o hotel, assim não é necessário que você esteja aqui. Phil me há dito que poderia te alojar no Cay, embora não acredito que seja de seu estilo -disse-lhe com desprezo.

Enrugou o nariz e olhou de novo ao Marcus, lhe pondo a mão em seu braço de forma possessiva.

-Disse ao Phil que poderíamos alugar a ilha do Richard Branson, mas não quis, dado meu estado... -retirou-lhe a mão e a pôs na tripa-. Parece que perdeu a cabeça quando se inteirou de que vai ter um filho. Viu os pendentes que me comprou?

Moveu a cabeça para que lhe visse os diamantes que penduravam de suas orelhas.

-Vai... te vais casar com o Phil? -interrompeu-a Polly-. São Phil e você os que lhes ides casar?

-Claro. Já te disse que era meu -respondeu ao Polly sonriendo-. Faz tempo que Phil e eu estamos saindo. E agora se alegra de que tenha ocorrido o que tinha que ocorrer. Os dois sentimos te haver desiludido, mas agora Phil quer que eu me encarregue de administrar o hotel de Londres. De fato, ele vai se transladar a viver a Londres durante nos próximos anos. Aqui temos mais oportunidades de levar ao Philip aos melhores colégios. A educação é o mais importante nos filhos, não crie? -perguntou ao Marcus sonriendo.

-Acredito que é o mais importante para um menino é sentir-se amado -respondeu Marcus em tom tranqüilo enquanto Polly estava ainda tentando assimilar a informação que acabava de conhecer.

Suzi ia se casar com o Phil e não com o Marcus. Suzi ia ter um filho do Phil e não do Marcus. por que então a tinha atacado Suzi daquela forma quando a tinha visto no hotel do Phil?

O hotel do Phil. de repente, Polly o entendeu tudo. Suzi tinha pensado que ela tinha passado a noite com o Phil, e não com o Marcus e essa era a razão pela que...

Ao cabo de um momento, Suzi terminou a lista das coisas que necessitava. Quando se dirigia à saída, deu-se a volta e disse ao Polly em tom autoritário:

-Por certo, Phil me comentou que, se se inteira de algo para ti, comunicará-lhe isso, embora eu sinceramente penso que está melhor aqui... Bom, tenho-me que ir, porque se não ir chegar tarde. fiquei para ir jantar a Paris. Logo vou às compras com o Phil.

Assim que partiu, o vestíbulo ficou tranqüilo. Marcus, que se tinha ido com ela para acompanhá-la ao carro, voltou e Polly lhe disse:

-Suzi vai se casar com o Phil.

-Sim -respondeu Marcus-. Escuta uma coisa, Polly, sei que não te vai sentar bem que lhe diga isso, mas acredito que Phil não era o homem que mais te convinha.

-Possivelmente porque sou mais velha que ele? -perguntou-lhe ela.

-Não -respondeu Marcus zangado-. A idade não tem nada que ver.

-Pois isso foi o que disse quando...

-Não é o homem que mais te convém e isso é tudo. Já sei que está apaixonada por ele e agora está doída... Sei como se sente, porque eu passei pelo mesmo...

De repente, Polly recordou que Marcus estava apaixonado pelo Suzi e que o alívio que ela havia sentido quando se inteirou de que Suzi ia casar se com o Phil não era um sentimento compartilhado.

Estirou uma mão de forma instintiva e lhe tocou o braço, incapaz de ocultar a calidez em seus olhos, nem em sua voz enquanto lhe dizia:

-Eu poderia te dizer o mesmo, Marcus. Suzi não é a mulher que mais te convém...

-Quél

-Já sei que quando te deitou comigo estava pensando nela -continuou ela querendo lhe dizer o que lhe tinha que dizer antes de perder a coragem-. Teria que haver lhe impedido isso, mas...

-Mas era mais fácil fingir que era Bernstein -respondeu Marcus por ela.

Polly moveu em sentido negativo a cabeça.

-Não. O que te hei dito sobre o Phil é verdade, Marcus. Para mim não é mais que uma pessoa que podia me haver dado trabalho.

-Mas Suzi disse...

-Dá-me igual o que dissesse Suzi -interrompeu-o Polly-. Eu nunca hei sentido nada pelo Phil, simplesmente o considero um amigo. Mas certamente nunca me teria ocorrido chegar a intimar com ele.

Marcus ficou olhando com a boca aberta.

-Então por que...?

-Escuta, eu acredito que é melhor que o esqueçamos tudo -disse-lhe.

-Esquecê-lo? Esquecer as horas mais bonitas de minha vida? -respondeu-lhe Marcus-. Sabe o que me está pedindo, Polly? esperei anos para que chegasse a te fixar em mim, a me querer, me tocar da forma em que o fez, e quer que me esqueça do prazer que me deu... Já sei que não está apaixonada por mim, Polly. Sempre o soube. Só Deus sabe como tentei provocar alguma reação emocional em ti, destruir esse muro de indiferença que levantaste contra mim. Para mim, estar apaixonado por ti foi quase uma forma de vida...

-Estáss apaixonado por mim? -perguntou-lhe Polly com voz tremente.

Marcus ficou olhando-a fixamente.

-Pois claro que estou apaixonado por ti -disse-lhe com voz rouca-. Amo-te desde a primeira vez que te vi, e se não me tivesse apaixonado por ti então, Polly... Estar junto a ti quando nasceu Briony foi a experiência mais emotiva que tive em minha vida. Uma experiência comparável solo com o que tem suposto te ter entre meus braços. Não te pode imaginar o muito que desejei que Briony fora minha filha, o muito que desejei que tenha meu filho...

-Desejado? -perguntou-lhe Polly, mantendo a respiração-. Fala a sério?

-Se falar a sério? -repetiu Marcus, franzindo o cenho enquanto tratava de imaginá-lo que queria dizer.

Agarrou-a por braço, atirou dela e a abraçou.

-Não, Marcus, aqui não, que nos podem ver.

-me dá igual quem me veja -respondeu Marcus enquanto a beijava. Depois, sentiu que sua boca se abria e comentou-. Embora possivelmente seja boa idéia procurar um pouco de privacidade.

-Uma muito boa idéia -informou-lhe Polly enquanto se separava dele e se dirigia para as escadas.

-Tenho uma idéia melhor -disse-lhe Marcus, agarrando a da mão e atirando dela.

-Onde me leva? -perguntou-lhe Polly enquanto ele a levava a carro.

-A casa -respondeu-lhe Marcus-. Lhes vou levar aos duas a casa.

-OH -Polly o olhou surpreendida enquanto ele abria a porta do carro.

-0 não me comentou que era possível que te tivesse ficado grávida?

-Sim -comentou Polly-. Não estou segura, mas poderia ser...

A verdade era que se havia sentido enjoada durante toda a semana. Inclusive tinha chamado ao hospital a perguntar se as pastilhas que lhe tinham receitado estavam contra-indicadas em caso de embaraço. O médico lhe havia dito que deveria fazer uma prova de embaraço.

Os sintomas eram claros, mas ao ter pensado que havia outra mulher que levava em seu seio o filho do Marcus não tinha querido dar esse passo. Tinha temido que os filhos que ela tivesse estivessem destinados a não ter um pai.

-A ver que diz Briony quando se inteirar de tudo isto -disse ao Marcus um par de horas mais tarde enquanto lhe apartava o cabelo da cara e a beijava. Ao princípio, ele não tinha querido fazer o amor com ela, no caso de estava grávida, mas Polly lhe tinha assegurado que não havia nenhum perigo-. Quero-te tanto, Marcus... Tudo isto é novo para mim... Eu nunca... Richard e eu... Os dois fomos uns pirralhos...

Respirou fundo e depois continuou:

-O que compartilhamos era muito bonito, mas não era amor. Não era nem a décima parte do que sinto por ti. Não me posso acreditar que tenhamos podido esbanjar tantos anos. Eu pensei que você não gostava. Foi sempre tão crítico comigo.

-Tão crítico que não podia me apartar de seu lado -protestou Marcus.

-Eu pensava que era pelo Briony.

-Eu quero muito ao Briony -disse-lhe Marcus-. E sempre a quererei. Espero que o que tenhamos seja um menino, Polly, mas não porque deseje, como Bernstein, um herdeiro. É sozinho porque Briony significou muito para mim e me preocupa que outra menina não chegue A...

-Teme querer mais a teu filho? -sugeriu-lhe Polly. Marcus moveu em sentido negativo a cabeça.

-Não poderia querer a um filho mais do que quero ao Briony. Não, estava pensando que uma segunda filha poderia sentir-se deslocada pelo Briony, enquanto que um filho...

-OH Marcus, não posso me acreditar que tenhamos tido tanta sorte. E tudo pelo Phil e Suzi. Como pôde pensar que eu queria ao Phil? -reprovou-lhe.

-E como pôde pensar você que eu estava apaixonado pelo Suzi? -replicou Marcus.

-Mas seguro que te deu conta de meus sentimentos quando...

-Quando fizemos o amor? -perguntou-lhe Marcus-. Dava-me conta de sua resposta, mas queria ouvir de seus lábios que me queria.

-Quando se inteirar Briony de tudo isto. Ela queria que te casasse com o Suzi -disse-lhe Polly.

-Pois parece que não lhe saíram bem as coisas -respondeu Marcus-. De todas maneiras, disse-me que pensava que estava fazendo uma tolice te apaixonando pelo Bernstein e me pediu que cuidasse de ti porque não se confiava em suas intenções...

-Desde aí tirou você a idéia de que estava passando uma crise? Já falarei eu com ela...

-Briony, querida. Que surpresa. Não estávamos... não esperava que viesse este fim de semana -disse-lhe Polly a sua filha quando esta a abraçava, confiando em que sua filha não se desse conta de quão alterada estava.

Não era que não queria ver o Briony, mas sim Marcus e ela tinham pensado acontecer o dia comprando as coisas para o bebê e depois foram sair para jantar a falar de seu futuro juntos. Polly suspeitava que lhe ia dar de presente um anel de compromisso, algo que não era necessário dadas as circunstâncias. E logo falariam de como foram celebrar as bodas. Ela queria que fora uma cerimônia o mais íntima possível.

Já sabiam que estava grávida. Marcus estava como na lua e a tratava como se se fora a romper.

O foram contar ao Briony, é obvio, mas queria preparar o discurso antes.

-Como leva os preparativos para as bodas? -perguntou-lhe Briony.

-As bodas? -Polly se mordeu o lábio. Nesse momento, lembrou-se de que sua filha lhe perguntava pelas bodas do Suzi e Phil-. Bem. Marcus decidiu que não podemos satisfazer todos os requisitos do Suzi e acredito que vão se casar em alguma ilha do Caribe ao final...

-E seu trabalho com o Phil?

-Pois não... decidi ficar aqui -Polly suspirou fundo-. Briony, querida, será melhor que falemos.

-Marcus, não me posso acreditar isso disse-lhe. Polly, quando lhe relatou o incidente mais tarde-. Eu pensava que Briony ia se zangar quando lhe contasse que não te foste casar com o Suzi e o nosso, e o que fez foi sorrir de brinca a orelha. Parece que ela tinha querido desde fazia muito que nos casássemos, mas como nenhum dos dois dava o primeiro passo, decidiu nos pôr ciumentos...

-Não posso me acreditar que tenha sido tão malvada. Disse-me que ela via claro que nos queríamos desde fazia muito, mas que fomos incapazes de nos dar conta...

-Sei. Chamou-me faz um par de horas para me dizer quão contente estava.

-Eu pensei que lhe ia surpreender o do menino, mas também ficou muito contente.

-Pode parar já de me olhar como me está olhando? -murmurou Marcus enquanto ela sorria-. Estamos em um restaurante e o que quero fazer agora contigo é algo que solo se pode fazer muito mas que muito em privado.

-Marcus -protestou Polly ruborizando-se.

-Polly -respondeu ele.

antes de ir ao restaurante, tinha-lhe dado o anel que lhe tinha comprado e depois a tinha despido e feito em amor com ela. Beijou-lhe todo o corpo e em um momento determinado lhe beijou o dedo no que levava o anel.

-Meu anel... meu bebê -disse-lhe lhe beijando a tripa-. Meu amor... -beijou-a na boca. Polly se sentiu como se seu corpo se convertesse em líquido, um delicioso líquido carregado de desejo e felicidade.

-O que te passa? -perguntou-lhe Marcus ao ver que ela apartava o prato sem tocar a comida.

-Nada -respondeu-lhe Polly suspirando-. É que gosta de estar a sós contigo, Marcus...

 

                                                 Epilogo

JÁ TE inteiraste? Suzi teve uma menina - informou-lhe Briony a sua mãe quando entrou na habitação.

dirigiu-se diretamente ao berço onde sua mãe estava arrulhando ao bebê.

-Estava convencida de que ia ser um menino. Parece que Phil está muito aborrecido, porque as provas que lhe fizeram disseram que ia ser um menino. Mas nos dá igual, verdade hermanito? -disse-lhe Briony tomando-o em braços-. Parece que cresceu desde ontem. Pesa mais.

Polly sorriu. O bebê tinha sido prematuro e todos tinham estado muito preocupados com o peso. Mas seus temores eram lhes embainhem porque Alistair era um bebê muito são com muito bem apetite.

Como quando nasceu Briony, Marcus tinha estado a seu lado, lhe oferecendo a mesma ternura e o mesmo apoio que lhe tinha devotado quando nasceu sua filha.

-Mas eu sempre serei seu favorita -havia-lhe dito

Briony a sua mãe o dia que nasceu Alistair-. Os pais sempre têm debilidade por suas filhas enquanto que as mães tendem a querer mais a seus filhos...

Suas filhas? A verdade, isso era Briony para o Marcus, uma filha muito querida.

Meia hora mais tarde, quando já se partiu Briony, Marcus entrou na habitação, justo no momento em que Polly o estava pondo no berço. Quando o deixou, olhou ao Marcus e lhe disse:

-Obrigado.

-por que? -perguntou-lhe.

-Por ser como é -disse-lhe Polly-. E por me dar tudo...

-Se de verdade quer me dar as obrigado      e disse Marcus atirando dela para o dormitório...

 

                                                                                Penny Jordan 

 

 

                      

O melhor da literatura para todos os gostos e idades

 

 

              Biblio"VT" Séries