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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


SEGREDO SOMBRIO / Christine Feehan
SEGREDO SOMBRIO / Christine Feehan

 

 

                                                                                                                                   

  

 

 

 

 

- Vamos, Colby. - Falou o Xerife Ben Lassiter, sentindo-se como um tolo, enquanto corria junto ao trator. - Tem que ser razoável. Desça dessa maldita coisa e me ouça pelo menos uma vez em sua vida. Está sendo teimosa!

O antigo trator bamboleava sobre o terreno, lançando nuvens de poeirenta terra sobre o imaculado uniforme de Ben. Colby esperou até que ele ficou totalmente sem fôlego e em completa desvantagem, antes de deter o trator e se sentar, olhando para o campo. Lentamente tirou as luvas de trabalho.

- Estou me cansando destas visitas, Ben. De que lado está? Conhece a mim e conhecia meu pai. A família Cheves não pertence a este lugar e certamente não tem direito a tentar me obrigar a lhes entregar meu irmão e minha irmã.

Ben sacudiu o pó que o cobria, rilhando os dentes com frustração. Respirou várias vezes, antes de responder.

- Não digo que você esteja bem, Colby, mas a família Cheves tem os irmãos Da Cruz de sua parte, o que significam dinheiro e poder. Não pode ignorá-los, sem mais. Você tem que falar com eles ou a levarão aos tribunais. Pessoas como os irmãos Da Cruz não perdem em tribunais. – Ele levantou as mãos para pegá-la pela por sua cintura estreita, antes que ela pudesse saltar do trator. Resistindo a urgência de sacudi-la, a fim de colocar um pouco de sentido comum em sua cabeça, baixou-a com facilidade, retendo-a durante um momento. - Tem que falar com eles, Colby. Estou falando sério, carinho. Não posso te proteger dessa gente. Não os postergue por mais tempo.

Colby trouxe-o afastando-se, um pequeno gesto de impaciência, balançando a cabeça de forma que seu cabelo despenteado esparramou sob o chapéu, ocultando o brilho repentino de lágrimas em seus olhos. Ben a deixou partir rapidamente, fingindo não ter notado. Um homem teria que matar por ela, se a visse chorar e não era provável que ninguém que presenciasse suas lágrimas, quisesse enfrentar sua fúria.

- Bem. - Colby começou a andar pelo campo, a passo rápido. – Presumo que tenho vários deles acampados em minha varanda?

- Sabia que Ginny e Paul estariam fora esta noite. - Ben havia se assegurado de que sua cunhada convidasse os irmãos de Colby para um sorvete caseiro.

- Como se isso fosse ajudar. - Colby lançou as palavras sarcásticamente sobre o ombro. Conhecia Ben desde a creche. Estava segura de que ele seguia pensando nela como uma menina selvagem, indomável e não muito brilhante, quando era perfeitamente capaz de cuidar do rancho sozinha. O que vinha fazendo há algum tempo. Gostaria de poder colocar isso em sua cabeça dura.

- Colby, não entre aí como um barrio de pólvora. Essa gente não é do tipo que se empurra de um lado a outro. - Ben mantinha facilmente o passo.

- Empurrar de um lado a outro? – Ela parou tão bruscamente que ele teve que dar um passo para trás para evitar atropelá-la. - Eles estão tentando empurrar a mim, de um lado para o outro. Como se atrevem a vir aqui agindo tão arrogantemente? Tenho vontade de atiçar os cães neles! Homens! – Ela olhou-o fixamente. - E outra coisa, Ben. Em vez de beijar o traseiro do Senhor Saco De Dinheiro e sua corte, poderia considerar o que está acontecendo aqui. Minha equipe continua desaparecendo e algum pequeno duende está sabotando o maquinario. Esse é seu trabalho, não é?... E não escoltar ricos e infames por aí. – Colby começou a caminhar novamente. Seu pequeno corpo irradiava fúria.

- Colby, nós sabemos que é um bando de pirralhos fazendo suas brincadeiras. Provavelmente amigos de Paul. - Disse Ben, tentando acalmá-la.

- Brincadeiras? Eu não acredito que roubar seja uma brincadeira. E o que me diz de minha denúncia sobre pessoas desaparecidas? Ao menos tentaste procurar o Pete para mim?

Ben passou uma mão pelo cabelo, de puro desespero.

- Pete Jessup é um bêbado itinerante. Por isso sabe que esse velho pôde roubar suas coisas para pagar sua bebida.

Colby parou outra vez e desta vez Ben teve que se segurar em seu ombro, para evitar atropelá-la. Ela afastou suas mãos com um tapa, ardendo de fúria, ante a afronta.

- Pete Jessup deixou de beber quando morreu meu pai, imbecil! Ele é de valor incalculável por aqui.

- Colby. - Disse Bem, com voz persuasiva e gentil. - A verdade é que você acolheu a esse velho indigente pela bondade de seu coração. Duvido que ele fizesse mais que comer a cada dia. É um vaqueiro acabado, um bêbado. Simplesmente se longou em algum outro lugar. Voltará cedo ou tarde.

- Isso diz você. – Ela falou, verdadeiramente ofendida com ele. - Simplesmente deixa o desaparecimento de um velho e de procurar ladrões de lado, para poder se misturar com alguns idiotas ricos que estão aqui tentando me roubar meus irmãos.

- Colby, vamos! Eles rovaram ser parentes e reclamam querrer o melhor para os irmãose de coração. O menos que pode fazer é ouví-los.

- Provavelmente está de acordo com eles, não é? Paul e Ginny não ficarão melhor com esse grupo. Você não sabe nada do assunto, ou deles. Paul terminaria como eles, tão arrogante que ninguém poderia lhe agüentar e a pobre pequena Ginny cresceria pensando que é uma cidadã de segunda classe porque é uma mulher. Podem todos eles irem direto para o inferno, no que me diz respeito!

Embora fosse cedo de noite e ainda tinha luz, o céu súbitamente se escureceu enquanto ameaçadoras nuvens escuras ferviam, saídas de nenhuma parte. Um vento frio chegou sobre as asas da escura massa, fustigando com força as roupas de Colby. Um tremor de apreensão viajou por seu corpo. Por um momento algo tocou sua mente. Ela sentiu. Sentiu a luta enquanto tentava entrar.

- O que é?

Colby pôde notar Ben claramente intranqüilo, enquanto girava num lento círculo para esquadrinhar a área circundante. Ele estava com a mão sobre a arma, inseguro de que estavam sendo espreitados ou de onde chegava à ameaça, mas obviamente também ele a sentia.

Colby ficou calada, sem mover um só músculo, como um cervo preso sob a mira de um caçador. Imediatamente sentiu que estava em perigo mortal. A coisa não era hostil a Ben, mas ela podia sentir a malevolência dirigida para ela. O que fosse, golpeava diretamente sua mente, procurando uma entrada. Respirou fundo, forçando a sua mente a permanecer em branco, pensando numa parede alta, impenetrável... Numa fortaleza em que nada podia entrar. Concentrou-se completamente na parede, mantendo-a forte e impenetrável.

A coisa pareceu retirar-se durante um momento, assombrada possivelmente por sua força, mas depois golpeou novamente, num empurrão duro que pareceu lhe atravessar o crânio e dirigir-se diretamente para seu cérebro. Colby gemeu de dor e caiu sobre um joelho segurando-a cabeça, enquanto se obrigava a respirar pausada e tranqüilamente. Sua mente era forte, invencível, com um muro tão grosso e alto que ninguém nunca o derrubaria. Não importava que a coisa malevolente fosse atrás dela, não lhe permitiria abrir uma brecha em suas defesas.

Ficou consciente, depois de alguns minutos, da grande mão de Ben sobre seu ombro. Ele se inclinava sobre ela, solícitamente.

- Colby, o que está acontecendo?

Cautelosamente, ela levantou a cabeça. A presença havia desaparecido.

- Minha cabeça, Ben. Tenho uma dor de cabeça infernal. – E estava mesmo, não era mentira. Nunca havia experimentado nada como este ataque. Realmente sentia o estômago revolto e não estava segura de poder andar. O que lhe acontecera havia sido forte e aterrador.

Ben a pegou pelo cotovelo e a ajudou a ficar em pé. Ela estava tremendo... Ele podia sentie, pelos contínuos tremores sob sua mão... Assim que a segurou. Colby não o afastou como teria feito normalmente e isso o preocupou.

- Quer que chame uma ambulância?

Os olhos verdes esmeralda sorriram para ele mesmo cheios de dor.

- Está louco? Tenho uma dor de cabeça, Ben. A simples ideia de entrar em contato com a família Cheves me dá enormes dores de cabeça.

- Seu irmão e sua irmã são membros da família Cheves, Colby. Você também teria sido, se a adoção tivesse se concretizado.

Colby baixou a cabeça, as palavras de Bem golpearam seu coração. Armando Cheves nunca a adotara. Havia confessado suas razões em seu leito de morte, baixando a cabeça envergonhado e com lágrimas brilhando em seus olhos, enquanto ela lhe sustentava a mão. Queria que seu avô se aplacasse, que o aceitasse de volta na família. Devido às circunstâncias do nascimento de Colby, Armando soubera que se a adotasse, seu avô no Brasil, nunca lhe permitiria voltar para a família. Já era muito tarde, então, para acelerar a papelada. Armando Cheves se envergonhava de ter traído amor incondicional dela por uma família, que nunca havia respondido à carta de um homem moribundo. Colby permanecera leal e amorosa, cuidando-o e lendo para ele. Reconfortando até o dia de sua morte. E ainda seguia lhe sendo leal. Não importava que houvesse morrido antes da adoção... Armando Cheves não era seu pai biológico, mas era seu pai de todas formas. Ele era seu pai em seu coração, onde importava.

A forma em que a família Cheves a odiava nunca lhe importara, mas ela amava Armando com cada fibra de seu ser. Amava-o com a mesma ferocidade com que amava seu irmão e sua irmã. Por isso a ela concernia, que a família Cheves não merecia Armando e nem a seus filhos. E os dois irmãos Da Cruz, guardiães e valentões da família Cheves, podiam voltar por onde haviam vindo, de volta ao inferno que tantos deles haviam engendrado. Eram diretamente responsáveis pelo amargo ódio do avô de Armando para com ela. Ela não era o bastante boa para ser membro da família Cheves. Nem tampouco sua amada mãe. O avô de Armando tinha proclamado que ela nunca seria aceita em sua ilustre família e suas razões haviam ficado abundantemente claras. A mãe de Colby nunca se casou com seu pai, não havia nome na certidão de nascimento de Colby e o avô de Armando nunca aceitaria uma rameira anglo-saxã e sua filha bastarda, em sua família de sangue puro.

Enquanto ela e Ben rodeavam a horta, com suas verduras para a casa do rancho, Colby desacelerou o passo, sua mente voltada para dentro durante um momento, para concentrar sua força de vontade em se controlar. Era importante permanecer calma, relaxada e respirar naturalmente. Elevou o queixo e avançou com a cabeça erguida, para enfrentar aos todo-poderosos irmãos Da Cruz e os membros da família Cheves vieram lhe roubar seus irmãos e seu rancho.

Estavam agrupados em sua pequena varanda. Juan e Julho Cheves se pareciam tanto com Armando, que Colby teve que piscar para conter as inesperadas lágrimas. Tinha que recordar que esta era a família que tão cruelmente haviam rechaçado sua mãe, porque deraa luz a Colby, fora do matrimônio. Esta era a mesma família que tão insensivelmente haviam ignorado as súplicas de seu padrasto e o deixaram morrer sem sequer uma palavra, por sua parte. Pior ainda, estavam ali, para levar Paul, Ginny e confiscar o rancho, o último legado de seu pai.

Ben a viu elevar o queixo e suspirar pesadamente. Conhecia Colby quase toda a vida. Ela possuía uma veia teimosa de uma milha de largura. Se estes homens a subestimavam porque era jovem e formosa, porque parecia pequena e frágil, iriam levar uma grande surpresa. Colby quando se propunha, podia mover montanhas. Nunca tinha visto ninguém tão decidido e com tanta força de vontade. Quem mais teria cuidado de um homem moribundo e levado um rancho enorme, somente com a ajuda de um velho vaqueiro acabado e duas crianças?

Colby avançou direta para os dois homens, com seus esbeltos ombros e sua pequena forma tão alta, como podia fazê-la.

- O que posso fazer por vocês, cavalheiros? - Sua voz era cortês e distante, enquanto gesticulava para as cadeiras do alpendre em vez de convidá-los a entrar em sua casa. - Examinei cuidadosamente os papéis que enviaram e acredito que já lhes dei minha resposta. Ginny e Paul são cidadãos dos Estados Unidos. Este rancho é seu legado, crédulo a mim para preservá-lo para eles. Esse é um documento legal. Se desejarem disputá-los, podem me levar aos tribunais. Não tenho intenção de entregar meus irmãos a completos estranhos.

Um homem se moveu atrás, entre as sombras. O olhar de Colby foi para seu rosto e seu coração palpitou. Era estranho que não se fixou nele imediatamente. Ele parecia impreciso, uma parte das sombras. Enquanto se colocava sob a luz do alpendre, pôde notar que ele era alto e musculoso, imponente. Seu rosto mostrava uma sensualidade arruda e seus olhos eram negros e frios. Seu cabelo era longo, mas estava preso na nuca. Cada sentido seu, de autoconservação, gritou. Ele levantou a mão, silenciando efetivamente Juan Cheves, antes que este pudesse falar. Esse gesto imperioso, detendo o brasileiro orgulhoso e muito rico, fez com que o coração dela palpitasse. Colby tinha o pressentimento de que ele podia ouvi-la. Os irmãos se afastaram para um lado, enquanto ele se deslizava silenciosamente para frente. A separação do Mar Vermelho, pensou Colby um pouco histéricamente.

Havia um toque de medo nos olhos dos irmãos Cheves?

Colby manteve sua posição, tremendo e temendo que suas pernas não pudessem mantê-la em pé. Este homem a assustava. Havia um toque de crueldade em seus lábios e ela nunca tinha visto olhos tão frios, como se não tivessem alma. Obrigou-se agüentar, sem se voltar para o Bem, em busca de tranqüilidade. Estava claro que este homem podia acabar com uma vida sem pensar duas vezes. Isso a decidiu mais ainda, a manter a seus irmãos com ela. Se a família Cheves lhe utilizava como amparo, o que dizia isso deles? Olhou-o desafiantemente. Ele se inclinou mais perto, seus olhos negros olhando diretamente aos verdes dela. No momento, sentiu um empurrão magnético. Reconheceu esse toque, do ataque mental em seu campo. Alarmada, saltou para trás, para longe dele, para se concentrar nas botas de Ben.

“Este homem tinha habilidades psíquicas como ela”!

- Sou Nicolas Da Cruz. - Ele pronunciou seu nome brandamente, sua voz tão hipnotizadora como seus olhos. – Desejo que você ouça com atenção estes homens. Vieram de muito longe para vê-la. Os irmãos são de seu sangue.

A forma em que ele disse "sangue" enviou um tremor por todo seu corpo. Ela não havia elevado a voz, absolutamente. Soava perfeitamente tranqüilo e razoável. Sua voz era uma arma poderosa e hipnótica e ela a reconhecia como tal. Se ele a utilizasse num tribunal com o juiz, poderia lhe combater? Honestamente não sabia. Até mesmo ela era de algum modo suscetível. Palpitava-lhe a cabeça e ela pressionou uma mão sobre as têmporas. Ele estava exercendo uma pressão sutil para que ela fizesse o que ele ordenava.

Colby sabia que não seria capaz de resitir a essa força implacável, durante muito tempo. Sentia a cabeça como se fosse se fazer em pedaços. O orgulho era uma coisa, a estupidez outra completamente distinta.

- Vou ter que lhes pedir que partam cavalheiros. Infelizmente, este é um mau momento para mim. Temo que estou doente. – Ela pressionou uma mão sobre a cabeça palpitante e se voltou para o Ben. - Importaria-se de escoltá-los fora daqui em meu lugar? Tentarei conversar com eles, quando me sentir melhor? Sinto muito.

Ela abriu a porta de sua casa e fugiu para dentro, até a segurança de seu santuário. Nicolas Da Cruz seria um poderoso inimigo. A pulsação de sua cabeça, por causa da resistência contra seu ataque mental, estava colocando-a fisicamente doente. Enterrou a face contra sua colcha e respirou profundamente, esperando até que sentiu que a pressão se tranqüilizava, retraindo-se lentamente. Ela ainda ficou ali um longo momento, aterrorizada por seu irmão e sua irmã e aterrorizada por si mesmo.

 

 

 

 

O enorme baio soprou, os olhos giraram rudemente em sua cabeça.

- Segure-o, Paul. – Colby advertiu rapidamente seu irmão. O cavalo estava avançando de lado nervosamente, jogando a cabeça para trás e estirando as patas.

- Não posso, Colby. - Gritou Paul, enquanto com uma onda de selvageria o animal se revolvia, livrando-se da precária garra do moço... Paul fez uma careta, sua pele olivácea empalideceu,, sob o tom escuro. Colby foi esmagada contra a cerca duas vezes mais antes de cair no chão e rodar em busca de segurança.

- Está bem, Colby? - Exigiu Paul, ansiosamente, precipitando-se de joelhos junto a ela, no chão poeirento.

Colby gemeu e se virou, para olhar para o céu escurecido, um sorriso sem humor curvava seus lábios.

- Que forma tão estúpida de ganhar a vida. - Disse ausentemente, a Paul. - Quantas vezes me atirou no chão, este animal inútil? – Ela se sentou, afastando as mechas úmidas que escapavam de sua trança ruiva. O dorso de sua mão deixou um rastro de sujeira em sua frente.

- Hoje ou sempre? - Brincou Paul, depois apagou apressadamente o sorriso de sua face, quando ela voltou todo o poder de seus olhos para ele. - Seis. - Respondeu solenemente.

Colby ficou em pé cautelosamente, sacudindo o pó de seus gastos e descoloridos jeans Levi'S. Com arrependimento, examinou sua camisa andrajosa.

- Quem é o dono desta fera? Quem quer que seja deve ser alguém que eu goste.

Paul escovou cautelosamente o pó do chapéu, evitando o olhar de sua irmã. A menos que um cavalo estivesse sendo treinado para ser montado em rodeio, Colby permitia que Paul se ocupasse de todos os detalhes. Pior sorte impossível.

- Da Cruz. – Ele murmurou, apreensivamente. Aos desesseis anos era bem mais alto que sua irmã. Bronzeado e já com os músculos de um homem, Paul era forte para sua idade. Seu rosto levava marcas de alguém muito mais velho. Ele estendeu o chapéu de pele de aba larga, quase como uma oferta de expiação para sua irmã.

Fez-se um pequeno silêncio enquanto o vento parecia conter a respiração. Até o baio deixou de bufar e corcovear, enquantColby olhava com horror para seu irmão.

- Estamos falando do mesmo Da Cruz que veio a este rancho e me insultou? O mesmo que exigiu que empacotássemos nossas coisas e deixássemos o rancho de nosso pai porque sou uma mulher e você um menino? Esse Da Cruz? O Da Cruz que me ordenou que entregasse você e Ginny à família Cheves e me provocou uma enorme dor de cabeça com seu insultante, dominante, repugnante e chovinista comportamento? - A suave voz rouca de Colby era quase de veludo, a delicada perfeição de sua face completamente imóvel. Somente seus grandes olhos traíam seu humor. - Me diga que não estamos falando desse Da Cruz, Paul. Minta para mim, para que eu não cometa um assassinato. - Seus brilhantes olhos lançavam faíscas.

- Bem. – Paul pesou nos riscos. - Foi Juan Cheves quem comprou os cavalos, dezesseis deles. Tivemos que pegá-los, Colby. Pagamento máximo e necessitamos do dinheiro. Você mesma disse que Clinton Daniels está nos apressando com a hipoteca.

- Não seu dinheiro. - Espetou Colby, impacientemente. - Nunca seu dinheiro. É dinheiro doado para tranqüilizar sua consciência, para lavar seus pecados. Encontraremos outros modos de pagar a hipoteca. – Ela sacudiu a cabeça para clarear a mente da fúria que a tomava. Batendo seu chapéu contra a coxa envolta no jeans, Colby resmungou em voz baixa, palavras impróprias para uma dama. - Juan não tinha direito de oferecer os cavalos a minhas costas. - Olhou fixamente à cara miserável de seu irmão e instantaneamente a fúria evaporou como se nunca estivera ali.

Ela estendeu a mão e afetuosamente passou pelo cabelo negro do moço.

- Não é tua culpa. Deveria ter esperado algo como isto ter te advertido. Desde que essa família apareceu, esse Da Cruz não dá mais que problemas. Escrevi a carta à família Cheves por papai a quase três anos. Não é milagroso que finalmente pararam para responder? - Colby deu a volta para encarar o baio, estudando-o cuidadosamente, com olhos precavidos. - Provavelmente este cavalo é sua forma de se livrar de mim, para poderem ficar com vocês. Comigo fora de caminho poderiam ter uma oportunidade levá-los com eles de volta a seu infernal buraco na América do Sul. E lhes roubar sua herança, enquanto isso.

Colby era baixa e magra, mas cheia de curvas e com grandes e profundos olhos verdes emoldurados por escuros cílios e um abundante cabelo comprido e sedoso. Seus braços ocultavam fortes músculos. Cicatrizes brancas marcavam o profundo bronzeado de seus braços e suas pequenas mãos, demonstrando os anos de trabalho duro. Paul, observando a covinha no canto de seus lábios, sentiu uma onda de orgulho. Sabia como odiava ela as cicatrizes, suas mãos, embora fossem tão parte dela. Pouco ortodoxa, livre e indomável, natural. Não havia ninguém comColby.

- Vivem em um rancho multimilionário. – Assinalou, Paul. - De luxo. Provavelmente com piscina, nada de trabalho e muitas mulheres bonitas. Seria uma vida muito dura. Possivelmente é uma conspiração e eu estou nela.

- Está me dizendo que pode ser subornado?

Ele encolheu seus ombros tensos, piscando um olho para ela, com um pequeno sorriso travesso.

- Se o preço for apropriado, nunca se sabe. – Ele tentou menear as sobrancelhas e fracassou. - Não tem que se preocupar, Colby. - Falou Paul, repentinamente. - Não acredito que o Senhor Da Cruz saiba que Juan nos trouxe os cavalos. Em qualquer caso... – Ele encolheu os ombros, pragmáticamente. – O dinheiro é o dinheiro.

- Assim é, menininho. – Suspirou, Colvy.

Aos dezessete anos, Colby havia assumido sobre seus ombros a responsabilidade do rancho, de seu irmão de onze anos e de sua irmã de seis ,depois de que um pequeno acidente de avião matara sua mãe e deixara Armando paralisado. Dois anos depois do acidente, seu padrasto insistira que Colby escrevesse a sua família no Brasil e lhes pedisse que viessem rapidamente. Sabia que estava morrendo e tinha deixado de lado o orgulho pelo bem de seus filhos. Ninguém havia respondido e seu amado pai morrera rodeado de seus filhos, mas sem seus irmãos e irmãs. Agora, aos desesseis anos, Paul podia apreciar o que estes últimos cinco anos havia feito a Colby. Fazia tudo o que podia para tomar um pouco da carga, sabendo pela primeira vez em sua vida, o que era realmente se preocupar com alguém mais. Cada vez que Colby pegava um cavalo, notava que seu coração acelerava de apreensção.

Colby nunca se queixava, mas ele podia ver os sinais de tensão e o cansaço crescente nela.

- Quer dar uma pausa? O sol está se pondo. - Sugeriu esperançosamente. Não lhe restava dúvida de que Colby estava machucada da cabeça aos pés. Seus olhos de águia notavam que sua irmã segurava o braço esquerdo.

- Logo, céu. - Colby sacudiu a cabeça ruiva, com pesar. - Não posso deixar que este aí ache que ele é o chefe. Vamos ao trabalho. - Sem rastro de medo, ela entrou no curral e pegou as rédeas do enorme animal.

Paul a observou como tinha feito milhares de vezes no passado, sua pequena figura esbelta, parecia frágil junto ao cavalo meio selvagem, embora totalmente confiada. Ela havia feito reputação como treinadora, que muitos dos melhores cavaleiros de rodeio lhe traziam suas últimas aquisições, de todos os Estados Unidos. Normalmente, passava semanas ou meses, domando-os pacientemente. Tinha uma afinidade especial com os animais, com os cavalos em particular. Os métodos de Colby normalmente eram mais duros para ela, que para os cavalos. Era quando tinha que domá-los com rapidez, como agora, que mais preocupava Paul.

Seu rancho era pequeno, principalmente de cavalos. As poucas cabeças de gado e acres de feno que tinham eram para uso pessoal. Era uma vida dura, mas boa. Seu pai, Armando Cheves, havia chegado ao país, para comprar cavalos para sua rica família do Brasil, procurando novas linhas de sangue para os enormes ranchos que tinham na América do Sul. Conhecera e se casara com a Virginia Jansen, mãe de Colby. União que não havia sido carinhosamente aceita pela família dele e virtualmente o desertaram. Colby nunca contou a seu pai que tinha encontrado a carta do patriarca Cheves declarando que devia abandonar à "promíscua americana faminta de dinheiro, com sua filha bastarda" e voltar para casa em seguida ou toda a família o consideraria morto. Colby não sabia quem era seu pai biológico e não se importava. Amava Armando Cheves e pensava nele como seu verdadeiro pai. Ele a amara, protegera e cuidara dela como se fosse de seu próprio sangue. Paul e Ginny eram sua família e ela os protegia ferozmente. Estava decidida que tivessem o rancho quando fossem maiores de idade, como Armando Cheves havia planejado. Era o menos que Colby podia fazer.

Tinha sido uma longa manhã e ao que parecia ia ser uma tarde interminável. Paul apertava os dentes e amaldiçoava em voz baixa, enquanto uma e outra vez o grande baio se livrava de seu apertão sobre a brida e Colby era lançada contra o chão ou contra a cerca, com força suficiente para lhe sacudir todos os ossos.

Ginny chegou e colocou uma cesta de lanche, que continha limonada e frango frito frio no chão, depois se sentou fora do curral esperando pacientemente, com parte da mão nos lábios e seus grandes olhos castanhos, cheios de ansiedade, fixos em sua irmã.

Colby apertou sua garra sobre as rédeas, seus delicados traços tensos por causa da determinação. Baixando a cabeça, limpou com a manga o fino rastro de sangue do canto dos lábios. Sob ela, podia sentir os poderosos músculos do cavalo que começavam a se apertar e a esticar. Paul deu um passo para frente, sua mão tão apertada sobre as rédeas que os nódulos estavam brancos. A enorme cabeça do animal tentou baixar. Colby lutou para elevá-la expertamente. Mesmo enquanto a luta acontecia, Paul se maravilhou do controle de Colby. Então a cabeça do animal se liberou novamente, da mão de Paul e se lançou de lado, revolvendo-se e corcoveando.

Ginny saltou sobre seus pés, enquanto observava com temor reverencial a perícia com a qual Colby se antecipava a cada movimento do baio. Duas vezes Paul esteve seguro de que o cavalo ia se lançar para trás. Mas Colby estava decidida a manter o controle, todo seu ser estava concentrado no cavalo.

Rafael Da Cruz estacionou sua caminhonete perto do escarpado, com vistas a todo o vale. Depois dele, as montanhas se elevavam abruptamente, espessamente cobertas de pinheiros e abetos. A mulher junto a ele o tocou com uma unha pintada de vermelho, que lembrava muito a uma garra ensangüentada. Ele olhou a unha durante um momento, depois se inclinou sobre ela bruscamente e desapaixonadamente lhe afastou o cabelo do pescoço. Tentou recordar seu nome, alguém que se achava importante no pequeno mundo no qual habitava no momento, mas ninguém que despertasse seu interesse. Tudo o que lhe importava era o som firme do batimento de seu coração, chamando-o.

Era uma presa como o resto deles. Saudável e forte. Uma mulher que queria dormir com alguém rico e poderoso. Havia tantas delas, mulheres que se sentiam atraídas pelos irmãos Da Cruz, como traças às chamas. Ela inclinou a cabeça para ele e imediatamente Rafael prendeu seu olhar, hipnotizando-a. Viu quase mais problemas dos quais valia a pena.

Rafael cravou as presas profundamente no pescoço dela e se alimentou. Bebeu até mais não poder mais, enquanto lutava para conter à fera que ameaçava elevar-se, exigindo a morte, sussurrando sobre o poder último, sussurrando sobre emoções, sobre sentir. Somente sentir uma vez mais, por um átimo, valeria a pena. A mulher não era nada, inútil para ele mais que como presa. Fácil de controlar e fácil de matar. Ela caiu contra ele e o movimento lhe tirou do feitiço da fera. Fechou as diminutas marcas, curando as marcas com sua língua. Olhou-a por um momento, depois desdenhosamente a trouxe para longe dele, para deixá-la caída no assento. Era como todas as demais. Disposta a se vender pelo melhor. A se deitar com um completo desconhecido, porque era rico e poderoso. Vestia-se com roupa decotada, que revelava sua intenção de atrair os homens. Havia tantas delas. Tinha atraído um predador, pensando que estava lhe atraindo com enganos a sua rede sexual. Saiu da cabine da camionete, para o ar noturno. Rafael passeou pela beirada do escarpado, seus traços sensuais esculpidos com uma dura e cruel confiança. Estava acostumado à obediência instantânea, utilizando-a para manipular a mente de sua presa humana.

Rafael e Nicolas queriam voltar para casa, para a América do Sul e o bosque pluvial do Amazonas. De volta a seu mundo, de volta a seu rancho onde eles mandavam e sua palavra era lei. De volta à selva vizinha onde podiam mudar para a forma que quisessem, sem medo de serem vistos. De volta aonde a vida não era complicada. Mas tinha um pequeno trabalho a fazer, antes de poder voltar. Deviam persuadir uma mulher humana a fazer o que a família Cheves queria.

Rafael e Nicolas, respondendo à chamada de seu príncipe centenas de anos atrás, caçavam o vampiro na América do Sul. Era o pouco que podiam fazer por sua raça moribunda. Queriam voltar para o país que havia sido seu lar e à forma de vida que tinham seguido durante centenas de anos. Era muito mais difícil para eles agüentar tanto neste país pouco familiar. Mas a família Cheves, que tinha servido fielmente à família Da Cruz durante séculos, precisava de sua ajuda agora e eles estavam obrigados por honra, a proporcioná-la. O problema era uma pequena mulher humana.

Nicolas tinha ido a ela e ordenado sua conformidade, "empurrando" sua mente com uma dura ordem, mas para sua surpresa e desagrado, não funcionara. Ela havia se tornado inclusive mais dura, negando-se a falar com algum membro de sua família. Em todos os séculos de sua existência, semelhante coisa nunca havia acontecido. Todos os humanos podiam ser controlados, podiam ser manipulados. Agora era questão de Rafael, mesmo se isso significava tomar seu sangue, para forçar sua conformidade. Quando os irmãos queriam algo, conseguiam. Ela não atravessaria seu caminho. Por um momento um músculo se mexeu em seu queixo escurecido. De uma forma ou de outra, conseguiriam o que queriam.

Suspirou enquanto olhava para as estrelas. Não havia nada que aliviasse as noites desumanas. Alimentava-se. Existia e lutava contra o vampiro. Experimentava os movimentos da vida diária, mas não sentia nada mais que fome. Fome insaciável. A chamada sussurrante do poder de matar. Ser capaz de sentir. O que seria afundar seus dentes profundamente na carne humana e drenar sua presa para sentir algo, sentir sensações, durante alguns momentos. Voltou o olhar para a mulher da caminhonete, a tentação sussurrava insidiosamente.

- Rafael! - A voz de Nicolas era uma aguda reprimenda. – Devo ir até você?

Rafael sacudiu a cabeça, negando essa tentação onipresente. - Não cairei esta noite.

Rafael deslizou o olhar pelo céu escuro, sem ver nada mais que morcegos mergulhando na noite, levando a cabo seu balé noturno. O vento lhe trouxe infomações não expressas. Estava intranqüilo e seus sentidos lhe diziam que um vampiro podia estar perto, mas era incapaz de sentir o não-morto em sua guarida, se, de fato estava na região. Provavelmente se escondera na terra, no instante em que Nicolas e Rafael apareceram e estava esperando que fossem se elevar.

O vento lhe trouxe o som distante de vozes. Alarmadas e suaves. Uma formosa cadência que tocava algo profundo dentro dele. Ouviu a voz, uma voz melodiosa, mas não pôde entender as palavras. Aproximou-se do escarpado. Captou algo pela extremidade do olho e estudou a cena lá embaixo. Seu olhar ardente se fixou no cavalo e no cavaleiro. Observou lá embaixo, à pequena mulher sobre o grande cavalo e uma espécie de choque intumesceu sua mente. Haviam passado quase setecentos anos da última vez que ele vira cores ou sentido emoções. Agora, no piscar de um olho, observando o drama que se desdobrava no pequeno curral, o cavalo e cavaleiro envoltos na batalha, tudo mudou.

Viu o cabelo brilhante, uma chama de cor. Viu o azul descolorido de seu jeans e o rosa pálido de sua camisa. Viu o cavalo, de um vermelho brunido, erguendo a cabeça, revolvendo-se e corcoveando. O tempo pareceu ralentizar-se fazendo que cada detalhe ficasse gravado em sua mente. A forma em que as folhas das árvores brilhavam com um brilho prateado, as cores da terra e do feno. Viu os tons prateados da água que brilhava num lago distante. O ar abandonou seus pulmões e ele ficou quieto, uma parte da montanha sobre a qual estava em pé, congelado pela primeira vez em toda a sua existência.

Atrás dele, a mulher da caminhonete se moveu, mas ela não importava. Estava despertando segura de que haviam feito amor. O adolescente e a jovenzinha perto do curral, não importavam. Seus irmãos esperando em casa em seu rancho no Brasil, Nicolas esperando aqui neste país lotado ou a família Cheves, nenhum deles importava. Somente aquela cavaleira solitária.

Colby Jansen. Instintivamente soube que a cavaleiro era Colby. A desafiante. Fogo e gelo como as montanhas entre as quais vivia. As montanhas que amava e às que tão ferozmente se apegava. Estudou-a, com seu olhar negro e faminto. Não se moveu durante vários momentos, sua mente era um caos, emoções amontoando-se com velocidade e fúria. Emoções armazenadas em alguma parte durante centenas de anos vertendo-se através dele como lava ardente, obrigando-as seguir a um passo escandaloso.

Possuia quatro irmãos e todos eles eram telepáticos, podiam tocar uns aos outros à vontade. Rafael se estendeu, pelo vínculo comum que utilizavam com seus irmãos, para compartilhar as cores, o furor pouco familiar em seu corpo, a crescente onda de fome. Nicolas não tinha experiência com algo semelhante. – Só pode ser sua companheira. - Respondeu.

- É humana, não Cárpato.

- Dizem que há algumas que podem ser convertidas. A companheira de Riordan não era Cárpato.

As emoções e o desejo sexual elevando-se juntos eram assustadores, uma bola de fogo atravessando seu estômago, ardendo em seu sangue, agudizando seus apetites. Estirou-se, reminiscências de um grande felino da selva. Sob a fina seda de sua camisa, os músculos se contraíram. Colby Jansen pertencia a ele e a ninguém mais. Não queria nenhum outro perto dela, nem à família Cheves, nem Nicolas que a vira primeiro. Sentia à fera elevando-se em seu interior, rápida e feroz, ante a idéia dela com outro homem, mortal ou imortal. Rafael ficou quieto, obrigando-se a se manter sob controle. Perigoso em qualquer momento, reconhecia que seria bem mais, em seu estado atual.

- É mais que incômodo, Nicolas. Duvido que possa suportar ver outros homens próximos a ela. Nunca experimentei semelhantes emoções. Nunca havia sentido semelhantes ciúmes ou medo.

Era uma advertência e ambos os irmãos a reconheceram como tal. Fez-se um pequeno silêncio. - Partirei daqui, Rafael e irei para montanhas altas, para o este. A fazenda está vazia e esperarei que supere isto.

Como sempre Nicolas se mostrava tranqüilo e sereno, uma calada e certa confiança que movia os outros na direção em que queria que fossem. Nicolas não expressava sua opinião com freqüência, mas quando fazia, seus irmãos o ouviam. Ele era um escuro e perigoso lutador, posto a prova centenas de vezes. Os irmãos estavam conectados e sempre permaneceram perto uns dos outros, nos séculos passados, confiando uns nos outros, em busca das lembranças que mantinham seu código de honra intacto. Confiando uns nos outros, para manter os insidiosos sussurros de poder da morte, a raia.

- Obrigado.

Os dedos de Rafael se fecharam e os nódulos ficaram brancos, enquanto ele observava o drama sob a colina. Esta mulher, pequena e frágil... Humana... Insistia em realizar um trabalho perigoso e arriscado. Havia limites que um homem podia agüentar quando sentia emoções. Descobria de repente que não podia ficar observando como ela era lançada para trás, pelo animal. Ela caiu com força, seu corpo pequeno e frágil e o enorme baio, poderoso e perigoso, golpeando a centímetros dela. Rafael deixou de respirar, seu coração paralisou.

Colby rodou livrando-se por pouco, disse algo a seu irmão, que pegou as rédeas do cavalo. Instantaneamente estava de volta na sela.

Rafael já tinha tido suficiente.

Foi Ginny quem primeiro deu ciencia dos intrusos, da caminhonete quatro por quatro nova e brilhante, que rugia pela poeirenta estrada. O condutor estacionou o veículo sobre a colina coberta de erva a poucas jardas da série de currais. Os dois ocupantes observavam pelas janelas, a luta entre cavalo e cavaleiro.

O grito de de advertência de Ginny fez com que Paul virasse. Todo vestígio de cor abandonou sua face, deixando-o pálido e tenso. Instintivamente subiu e colocou seu corpo alto ante o de sua irmã menor, rodeando sua cintura com a mão, protetoramente.

O condutor estava saindo do carro e cruzando a poeirenta estrada, movendo-se com fluída graça, poder e coordenação, combinados. Uma ondulação de músculos felinos emprestava ao desconhecido uma aparência predadora. Parecia um homem duro, frio e perigoso. Ele era alto e de ombros largos, com músculos firmes sob uma fina camisa de seda. Possuía o cabelo espesso, ondulado e negro. Eram longos e estavam presos na nuca. Traços rudes e implacáveis eram fortes e sensuais. Ele parecia elegante e rude ao mesmo tempo. Este tinha que ser Rafael Da Cruz. Haviam conhecido Nicolas ele era bastante intimidante, mas este homem parecia exsudar ameaça por cada um de seus poros.

Rafael saltou com a facilidade de um felino, passando o último tablado, por vários centímetros. Pegou o cavalo, fazendo-o girar sua cabeça e exigindo obediência com uma autoridade que o animal pareceu reconhecer.

Surpreso, Paul só pôde olhar e só Deus sabia o que faria Colby. Paul tinha o mau pressentimento de que ela poderia lançar um punho para o desconhecido e ele não podia ver a si mesmo ganhando uma briga a punho limpo com este homem, quando se visse obrigado a defender a sua irmã. Podia notar que o desconhecido era do tipo de homem que tiraria Colby de suas casinhas.

O baio atuava agora como um cordeirinho e quando Rafael retrocedeu para lhe deixar espaço, Colby colocou expertamente o cavalo a passo. Com seus traços mostrando uma máscara de indiferença, Rafael rodeou a cintura de Colby com um braço, levantando a da cadeira.

Ginny se segurou em Paul, ofegando ruidosamente. Como ele se atrevia a fazer tal coisa! Humilhar Colby assim! Consternada, olhou para a mulher que os observava da caminhonete, com um ar de irritação e fingido aborrecimento.

No momento em que o braço rodeou sua cintura, Colby sentiu uma inesperada conexão. Um calor proveniente dele se infiltrou por seus poros e se estendeu por sua corrente sangüínea. Um rubor coloriu a face de Colby, enquanto se liberava do abraço. Elevou o queixo, seus olhos esmeralda faiscando perigosamente.

- Obrigado, Senhor...

Sua voz foi aveludada pela exagerada paciência. Sabia muito bem que este devia ser o outro aborrecido irmão Da Cruz.

Quem mais ia ser a não ser ele? Isto era justo o que precisava esta noite. Mais miséria!

Ele se inclinou ligeiramente, num gesto cuidadosamente cortês.

- Da Cruz. Rafael Da Cruz, a seu serviço. Acredito que já conheceu meu irmão Nicolas e, é obvio, a Juan e Julho Cheves. Você, indubitavelmente, é Colby Jansen.

Pegando o chapéu que Paul lhe oferecia, ela o bateu contra a perna para sacudir o pó. Seus olhos deslizaram sobre a imponente figura de Rafael uma vez mais, depois voltou para seus ombros largos.

- A que devemos esta honra? - Até Paul teve que fazer uma careta ante o mel que gotejava sarcásticamente de sua voz. - Acredito que seu irmão e eu falamos todo o necessário em nossa última discussão, amigável.

Os frios olhos negros moveram pensativamente sobre a face dela, descansando nos lábios exuberante, no fino rastro de sangue no canto dos lábios. Seu estômago se esticou apaixonadamente e por um momento o desejo flamejou em seus olhos.

- Acreditou que se livraria de nós tão facilmente? - Sua voz lhe sussurrou sobre a pele, suave e hipnótica. Colby realmente lhe sentiu tocá-la, as pontas desses dedos deixando um rastro sobre sua pele fazendo com que pequenas chamas parecessem dançar através dela, embora ele mantivesse as mãos dos lados do corpo. Ela sacudiu-se dos efeitos de sua voz, com os olhos concentrando-se na mulher da cabine da caminhonete.

- Sua amiga está doente?

Ante suas palavras a mulher elevou a cabeça e olhou fixamente para Colby. Abriu a porta da cabine e mudou de posição para poder virar-se cuidadosamente no assento, mostrando longas pernas e seus pés sapatos de salto agulha. Era alta e loura, de pele branca e maquiagem perfeita. Em seu fresco vestido de cor lavanda parecia uma modelo. Não se incomodou em ocultar o desprezo que sentia, enquanto se aproximava, deslizando seus olhos sobre Colby, tomando nota de seus poeirentos jeans desbotados, sua camisa rasgada, seu rosto coberto de pó e da trança despenteada.

Colby, bem consciente do contraste de suas aparências, das cicatrizes de suas mãos e braços produto de dentadas e maliciosos coices, levou uma mão ao cabelo revolto. Antes de poder tentar colocá-lo em ordem, Rafael segurou sua mão, lhe baixando o braço facilmente, com expressão dura. A eletricidade se arqueou entre eles, saltando de sua pele para a dela, outra mais. Esse lento fogo estava de volta, esquentando e espessando o sangue. Por um momento seus olhares se encontraram, se chocaram e um terrível desejo sexual saltou entre eles, devorando-os. O queixo de Colby se elevou da forma desafiante e familiar, que seu irmão e sua irmã reconheceram. Afastou a mão dele, pois não gostava da forma em que seu corpo parecia ter mente própria a seu redor.

- Louise Everett. - Apresentou-se a mulher, posando uma mão possessiva sobre o antebraço de Rafael. - Conhece meu irmão Sean e sua mulher, Joclyn. Os Da Cruz, seus funcionários e eu estamos hospedados no rancho de Sean. – Ela fez com que soasse como se tivesse chegado com a família Da Cruz. - Quando ouviram que Rafael e eu vínhamos vê-la, me pediram que te entregasse uma mensagem. - Por um momento, ela observou desdenhosamente a sujeira no rosto de Colby. - Joclyn gostaria que sua filha recebesse aulas de equitação. – Ela examinou suas longas unhas, em busca de algum dano. - Embora me pareça que esse cavalo te atirou no chão, mais de uma vez. Quero que minha sobrinha aleijada aprenda com alguém qualificado, alguém competente.

A profunda inspiração de Paul foi audível. Colby era uma profissional. A melhor em sua área. Sua reputação como treinadora de cavalos era conhecida em todos os estados. Queria esses esnobes fora dali antes de perder a paciencia e fazer algo absurdo. Ele deu um passo agressivo para frente, com suas mãos fechando-se. Não se importava se Da Cruz era um homem perigoso e podia lhe golpear até lhe converter em uma polpa sanguiñolienta, mas ninguém iria colocar Colby em semelhante posição, sem ganhar uma resposta à altura, não enquanto ele estivesse perto. E quanto aos funcionários dos Da Cruz... A mulher queria dizer, os irmãos Cheves. Paul era um Cheves, igual a Ginny. Isso significava que se a família conseguisse levá-los para o Brasil, seriam funcionários, em vez de proprietários do rancho? Pela extremidade do olho captou o olhar de Ginny. Ela estava tão zangada como ele.

- Houve algum engano. – A voz de Colby era, se acaso pudesse, mais suave do que normal. Ela pegou o recipiente térmico de limonada... Mais nada. Paul estava seguro que era para evitar dar um murro em Da Cruz, que por qualquer outra razão. Ela estava com um olhar, que Paul conhecia muito bem. - Eu não dou aulas de equitação, Senhorita Everett. Não tenho tempo para disso. - Seus olhos verdes esfaquearam os duros traços de Rafael. - Evidentemente, o senhor Da Cruz tem tantos serventes trabalhando seu rancho por ele, que esqueceu o que realmente é o trabalho duro. - Sobrinha aleijada. As palavras ressoavam em sua mente fazendo com que lhe desse vontade de cobrir os ouvidos com as mãos e afogar o som e a imagem da pobre menina a quem obviamente sua tia não queria.

Os olhos negros de Rafael pareciam arder mas os traços rudes permaneciam impassíveis. Ele moveu-se então. Ela piscou e estava a seu lado, encurralando-a, inclinando-se para apagar o fino rastro de sangue do canto de seus lábios, com o toque de seu polegar. O coração dela saltou ante seu toque. Seu corpo realmente ansiava pelo dele. Era endemoniadamente enloquecedor e Colby queria acabar com isso. Reconheceu que ele seria sexualmente dominante. Estava impresso em seu sangue. Ele seria o homem que exigiria tudo de sua mulher, possuiria-a, até que não houvesse volta atrás... E, para sempre. E odiava ser tão suscetível a sua escura sensualidade, quando se orgulhava de sua independência.

- Louise interpretou mal a mensagem. - Disse ele, suavemente, mas seus olhos negros não piscaram enquanto seguiam fixos sobre a face de Colby. Queimando. Devorando. Famintos. Parecia estar olhando diretamente o interior de sua alma. Colby tinha o incômodo pressentimento de que ele realmente podia ler seus pensamentos. Observou como ele elevava uma mão até os lábios e tocava o polegar com a língua, quase como se estivesse saboreando-a.

Seu corpo inteiro se arrepirou. Encontrou-se olhando quase que impotentemente para ele. A idéia deveria ser repelente para ela, mas era pecaminosamente sexy e estava hipnotizada por ele, pela forma em que se movia, a forma em que seus olhos se mostravam tão famintos, enquanto seu olhar lhe percorria seu rosto. Ele possuía a habilidade de fazer que uma mulher se sentisse como se fosse a única mulher sobre a face da terra. Também a fazia sentir como se fosse a pegá-la, colocar sobre o ombro e partir com ela, se o rechaçava. Era lhe desestabilizante... E, que Deus a ajudasse.

- Colby. - Ginny pegou a mão de sua irmã, temendo súbitamente por ela. O desconhecido olhava sua irmã como se ela o pertencesse, como se fosse um malvado feiticeiro disposto a lhe lançar um feitiço.

Colby se sacudiu da rede sexual que Rafael estava tecendo, amaldiçoando silenciosamente. Este homem era verdadeiramente perigoso. Possuiria uma mulher, convertendo-a em uma escrava sexual que não pensasse em mais nada, que em lhe agradar. Ele era uma tentação erótica a qual nenhuma mulher poderia se permitir sucumbir. Ele enviara primeiro seu irmão para lhe ordenar entregar o rancho e seus irmãos à família Cheves e quando viu que não funcionou, obviamente enviavam à primeira onda para tratar com ela. Elevou o queixo desafiante.

- Que mensagem exatamente deviam entregar?

- Joclyn gostaria que se encontrasse com ela esta noite, mais tarde no saloon. - Sua voz era tão formosa que ela ansiou por ouvi-la mais. Forçou suas mãos a permanecer ao lado do corpo, em vez de pressioná-las sobre os ouvidos. - Acredito que ela queria ter a cortesia de falar por si mesmo.

Colby se encontrou segurando a mão de Ginny, em busca de distração.

Rafael Da Cruz era capaz de lançar feitiço, pois era um escuro feiticeiro tecendo sua magia negra e ela era altamente suscetível. Queria que ele se fosse antes de cair nas profundezas de seus olhos negros. Ele inclinava-se tão perto dela, que podia sentir sua fragrância masculina. Ele cheirava a ar livre e sexo. Definitivamente masculino.

- Parece ser importante para ela.

- Estou muito ocupada nesta época do ano. - Disse Colby, um pouco desesperadamente. Não podia afastar o olhar dele, nem por um momento. Seus olhos eram tão famintos, tão necessitados e tão exigentes. E seu corpo realmente ansiava pelo dele. Sobrinha aleijada. Não podia se desfazer da imagem.

- Então terei que ficar e convencê-la. - Disse ele, seu sorrir era muito evidente. Tudo nele, cada célula, seu coração e sua alma, seu cérebro e mesmo o demônio enterrado em seu interior, rugiam que a encadeasse a seu lado. Podia fazer, tomá-la sem mais. Não havia ninguém capaz de detê-lo. Estava acostumado a que nada e nem ninguém mostrasse oposição a sua vontade. Certamente não uma pequena mulher. Uma mulher humana.

- Às oito horas, então. - Disse ela impacientemente, tentando não parecer tão assustada como se sentia. Nunca ninguém a tinha feito sentir tão confusa e nervosa, como ele. Havia algo possessivo em seus olhos, algo que parecia reclamá-la. Nunca havia sentido verdadeiramente medo de ninguém antes. - Se me perdoarem, tenho que voltar para trabalho. - Ele era seu inimigo. Proximamente associado à família que não queria nem ela nem a sua mãe. Alguém que consideraria seus irmãos empregados, numa terra da qual não sabiam nada. Tinha que se lembrar disso. Tinha que recordar o quanto seu pai havia lutado e duro, para dar a seus filhos um legado próprio. Rafael Da Cruz possuia esse encanto latino do qual tanto tinha ouvido falar, mas nunca tinha experimentado. O homem era letal. Deliberadamente, Colby olhou para a Louise. Obviamente, ela ronronava como um gato domesticado. Parecia como se os dois acabassem de fazer amor. Louise estava lhe acariciando o braço e olhando-o com uma expressão singularmente absorta na face, uma que a Colby, revolveu o estômago.

Rafael gesticulou imperiosamente para a caminhonete e Louise lhe lançou um sorriso, que iluminou seu rosto, ante a atenção e obedientemente foi para o veículo. O movimento fez Colby rilhar os dentes. “Por que não estala simplesmente os dedos”? Os irmãos Da Cruz tinham uma forma de agir, como se as mulheres fossem inferiores a eles e os irritassem endemoniadamente. Isso não era totalmente certo. Mas bem era como se cada homem ou mulher, cada ser humano sobre a face da terra, fosse considerado inferior a eles.

Rafael girou a cabeça e a olhou quase como se pudesse ler seus pensamentos. Por um momento, ela ficou gelada, quase temendo se mover. Nunca vira olhos tão duros ou frios. Se os olhos eram o espelho da alma, este homem era verdadeiramente um monstro. Ele não fez nenhum movimento para seguir Louise, em vez disso, seu olhar percorreu a esbelta figura de Colby, com seus traços implacáveis e sem expressão.

- Por que persiste neste sem sentido? Este é trabalho para um homem, não para alguém como você. É óbvio que passou a maior parte da tarde no chão.

- Isso não é assunto teu, Da Cruz. - A pretensão de Colby de boas maneiras, desapareceu com o vento. Não tinha nem idéia do por que se sentia tão ameaçada, mas lhe dava a impressão de estar presa e ao alcance de um grande perigo.

- Acredito que é um de meus cavalos o que está domando. Como o conseguiu? – Perguntou ele, como se não pudesse lhe incomodar, que ela estivesse irritada por seu desacordo.

- Como um ladrão na noite, me arrastei até seus currais e me fiz com um bom número deles. - Brincou ela, sarcásticamente. - Tente não ser mais imbecil do que possa se permitir. Juan Cheves enviou dezesseis cabeças. Deve ter sido algo consciente.

- A família Cheves sofreu muito por causa deste mal-entendido. - Replicou ele, pacientemnte. - Não de Sean nada mais que curar a brecha na família. Como considero a sua família parte da minha e estão sob meu amparo, isso é de igual importância para mim. - Seu negro olhar não piscou nem uma vez enquanto penetravam os olhos verdes. Colby sentia-se perseguida. Mais de uma vez havia descoberto um gato montês atrás de seus cavalos e estes a cuidara, como esse mesmo olhar direto.

- Volte para o Brasil, Senhor Da Cruz e leve sua família com você. Isso fará muito, por curar a brecha.

Os dentes dele se mostraram, muito brancos, num sorriso de lobo. Sem razão alguma, Colby estremeceu. Continuou afastando-se dele, dando espaço a si mesma, numa delicada retirada feminina, mas ele deslizou com ela como um felino espreitando uma presa. Sua mão se fechou ao redor da nuca dela, seus dedos quase gentis, embora ela sentiu sua imensa força, sabia que não poderia se livrar de sua garra, sabia que ele poderia lhe romper o pescoço no instante, se quisesse. Um tremor de apreensão correu por seu corpo e ela se imobilizou sob a mão, seu olhar foi para o rosto dele. Os olhos negros se mostravam súbitamente famintos, uma fome escura que lhe roubava o fôlego, enquanto ele olhava sua pulsação, quase fascinado.

Por que pensara que seus olhos eram duros e frios como o gelo? Agora ardiam com muita emoção, estavam vivos de desejo, de fome e uma intensidade que a abrasava até sua alma.

“Não vais escapar de mim, pequena. Não importa o quanto fuja, não importa o quanto lute, nada disso importará”.

As palavras brilharam tenuemente em sua mente, embora Colby não fazia idéia se haviam sido reais ou não. Ele não tinha falado. Somente a olhava com seus ardentes olhos negros.

Ela empalideceu visivelmente, repentinamente muito assustada. De si mesma e dele. Da escura promessa de paixão em seus olhos eloqüentes.

- Não é bem-vindo aqui, Da Cruz. - Exclamou Paul, sua face brilhava vermelha sob o bronzeado. Deu um passo para o homem alto, com os punhos cerrados, mas Ginny segurou seu braço e o reteve, como um pit bull. – Solte minha irmã, agora mesmo.

Rafael balançou a cabeça lentamente, seu olhar abandonando relutantemente a face de Colby, para poder olhar para Paul. O menino notou que os olhos negros de Rafael não piscaram, nenhuma vez. Por um momento Paul não pôde pensar ou se mexer, ficou congelado no ligar, com seu coração palpitando. Rafael lhe sorriu então, sem humor, somente um relâmpago de dentes brancos e depois se dirigiu para sua caminhonete.

Eles observaram-lhe, hipnotizados por sua fluida graça. Ninguém falou até que a caminhonete foi elgolida por uma nuvem de pó, então Paul se jogou na grama.

- Devo ter perdido a cabeça! Por que não me amordaçaram? Ele poderia ter me matado com o dedo mindinho.

Ginny riu, nervosamente.

- Felizmente salvei sua vida, contendo-o.

- Pela qual estou agradecido do fundo de meu coração. - Disse Paul, olhando para o céu da tarde, já escurecido.

Colby se deixou cair no chão junto a seu irmão, arrastando Ginny com ela. Abraçaram-se e riram ante sua audácia, ligeiramente histéricos de alívio. Colby foi à primeira em se recompor.

- O orgulho vai nos sair muito caro esta vez. Com Daniels nos pressionando com o pagamento total da hipoteca, temo que este será um sério reverso. Só tenho dois meses para fazer o pagamento e ele me disse em termos muito claros, que não vai me dar uma prorrogação.

- Não disse que devolveriamos os cavalos. - Assinalou Ginny, pragmáticamente. – Vamos mantê-los e lhe passe a fatura pelo trabalho.

- Brigaremos com ele, se não pagar. - Explodiu Paul, indignado. – Voce trabalhou duro nesses cavalos e eles comeram nossas provisões. Da Cruz não encontrará ninguém melhor aqui nos Estados Unidos ou no Brasil. Não pode esperar conseguir seus serviços por nada.

- Provavelmente é assim que se enriqueceram, em primeiro lugar. - Disse Colby sarcásticamente, depois imediatamente se envergonhou. Agradecida aceitou uma parte do frango frito, da prática Ginny. - Maldito seja esse homem por vir aqui! Embora, para ser estritamente honesta, nunca teria aceitado esses cavalos, se soubesse que eram deles.

Paul lhe sorriu, sem arrependimento.

- Por isso não lhe disse.

Colby derramou todo o poder de seu olhar esmeralda sobre seu irmão.

- Isso não é algo que devesse admitir ante mim. Rafael Da Cruz é pior que seu irmão e nunca me ocorreu que isso fosse possível. - Ela tocou a nuca, onde a calidez do tato dele parecia ainda estar ali.

- Desejaria que todos eles fossem embora. - Declarou Ginny, claramente e olhou aColby com olhos assustados. - Realmente podem me afastar de voce e me levar para outro país? Não quero ir com eles. – A joven soava desamparada.

Imediatamente, Colby a abraçou. - Por que me pergunta algo semelhante, Ginny? – Ela olhou Paul. - Ouviste isso em algum lugar?

- Não fui eu. - Defendeu-se, Paul. - Foi Clinton Daniel. Nós o encontramos no mercado e ele disse a Ginny que a família Cheves ia levar nós dois para Brasil e você não poderia detê-los. Disse que nunca ganhou a custódia num tribunal e que a família Da Cruz tinha influencis políticas e muito dinheiro para lutar contra eles. Que com a família Da Cruz respaldando a família Cheves, voce não tinha nenhuma possibilidade de nos manter aqui.

Colby contou silenciosamente até dez, ouviu pulsar seu coração seguindo num ritmo errático e irregular. Por um momento e com muita dificuldade, pôde respirar, com muita dificuldade pôde pensar. Se perdesse seus irmãos, não teria mais nada e ninguém.

“Pequena?” A palavra foi uma suave pergunta em sua mente. Uma terna carícia consoladora. Ouviu-a claramente, como se Rafael Da Cruz estivesse junto a ela, com os lábios contra seu ouvido. Pior ainda, sentia seus dedos descendo por sua face e tocando sua pele, tocando seu interior, até que sentiu que seu corpo reagia de uma forma puramente sensual.

Colby estava surpreendida e assustada pela forma em que sua voz parecia familiar e correta. Íntima. Pela forma em que seu corpo se arrepiava e esquentava em resposta. Tentou sorrir tranquilizadoramente para Ginny, enquanto tentava construir a parede em sua mente, para manter Rafael fora dela.

- Clinton Daniels sempre parece encontrar tempo para fofocar sobre todo mundo, não acha? Acredito que esse homem precisa de um trabalho de jornada completa, que o mantenha ocupado. – Ela abraçou Ginny. - É uma cidadã legal deste país, carinho. Os tribunais não vão te entregar a alguém a quem sequer conhece. Isso nunca acontecerá. Daniels só estava tentando brincar contigo. Essa gente retornará ao Brasil e tudo voltará à normalidade. – Eles tinham que voltar para o Brasil e Rafael com eles. Logo. Imediatamente.

- Sim. - Acrescentou Paul e afundou um dedo nas costelas de sua irmã pequena. - O normal, trabalho duro, mais trabalho duro, trabalhando desde cedo da manhã até tarde na noite. Levantando no meio da noite e trabalhando mais.

- Gostaríamos todos, que você fizesse isso. – Brincou, Colby. - Sério, voces dois, esqueçam este problema com os irmãos Da Cruz. Eu não gosto mais do que gostam . Esses homens são positivamente arcaicos. Posso vê-los, como uma espécie de senhor das masmorras, no século quatorze, quando as mulheres eram propriedade de seus pais e maridos.

- Seriamente? - Ginny pareceu sonhadora durante um minuto. - Eu os imagino como reis num castelo, grandes senhores ou algo assim. São bonitos.

Colby enrugou o nariz.

- Você acha? Não notei. – Ela tentou se manter séria durante três segundos antes de desfazer-se em gargalhadas com sua irmã, enquanto Paul olhava-as, com desgosto exasperado.

 

Ginny tocou na porta do quarto de Colby alguns minutos depois de ouvir que ele terminava o banho. Colby tinha passado muito tempo com o gado, depois no jardim e no campo de feno e Ginny temia que ela pudesse ter esquecido a entrevista com Joclyn Everett.

Colby estava secando os cabelos longos com uma toalha e sorriu para Ginny, quando esta apareceu pela porta.

- Estabeleci um record de velocidade?

Ginny entrou ansiosamente no pequeno quarto, sentando-se sobre a cama.

- Enviou minha inscrição para o Rodeio Redbluff? – Perguntou, esperançada.

- Disse que quando voce tivesse doze anos poderia viajar um pouco. O rodeio local é suficiente, até então.

- Já tem uma garota de onze anos que compete. – Protestou, Ginny. - Está fazendo dinheiro suficiente, para sua educação universitária. - Astutamente, ela tirou uma revista e leu rapidamente o artigo, decidida a provar seu ponto de vista.

- Basta, maninha. Estou cansada e faminta. Em meu estado atual vou chegar tarde à reunião com a Senhora Everett. Que acha? Deveríamos aceitar sua filha?

- Não me importaria, se fosse agradável. - Admitiu Ginny. - Seria genial ter uma amiga. Possivelmente poderia ir para sua casa, de vez em quando. Paul me disse que o Senhor Everett só é um sócio de negócios, da família Da Cruz e não são realmente amigos íntimos ou algo assim. Se eu fosse amiga da filha do Senhor Everett e o Senhor Da Cruz queira fazer negócios com ele, começaria a ser amável com voce. Colby não queria que Rafael Da Cruz fosse amável com ela. Não o queria perto dela.

- Não conte com isso, carinho. - Colby sorriu, travessamente. - Tenho o forte pressentimento de que os irmãos Da Cruz desfariam seus negócios com Everett, no minuto em que este fosse amável comigo. Eles não gostam de mulheres independentes. - Era estranho comColby pensava que Nicolas era frio, o homem mais frio que tinha conhecido, mas achara Rafael o contrário, um caldeirão fervente de perigosas emoções, intensas e escuramente eróticas. Rafael Da Cruz era um homem realmente sensual e a assustava infernalmente.

Ginny lhe franziu o cenho misteriosamente.

- Nunca fala a sério, Colby. - Repreendeu-a.

- Não diga isso. - Colby colocou uma camisa de algodão de manga comprida, para cobrir as marcas brancas que arruinavam sua pele bronzeada.

- Notou o quanto Rafael é bonito? É um bombom. - Assinalou Ginny solenemente. - Seu irmão também é um bombom. E são afrontosamente ricos, Colby. Está desperdiçando uma grande oportunidade.

Soprando de forma pouco elegante, Colby colocou o pé, em suas botas gastas.

- Alguma vez já viu o tipo de mulher que revoa ao redor desses homens? - Jogando os quadris para diante e os ombros para trás, ela bateu os cílios. - Querido.- Ronronou, imitando perfeitamente a voz de Louise. - É tããããããão forte! Meu pobre coraçãozinho revoa sempre que coloco meus olhos em voc~e. - Segurando o coração dramaticamente, Colby caiu sobre a cama.

Ginny, gargalhou e abandonou sua busca.

- De acordo, de acordo. - Rendeu-se. - Mas não seria mal ter uma sobrinha ou sobrinho,com o qual brincar. Serei velha quando chegarem os de Paul.

- Então serei eu, sacrificada. Não obrigado, jovenzinha. - Colby enrugou o nariz. - Sou perfeitamente feliz sendo uma solterona. Saia daqui ou nunca chegarei a tempo. – Ela olhou seu relógio. - Já se foi a hora.

Ginny lhe pegou na mão, com os olhos sérios.

- Realmente eu gostaria de ter uma amiga, Colby. Sinto-me sozinha no verão. Estamos tão longe de todo mundo... – ela interrompeu-se, odiando se queixar, quandColby trabalhava tão duro.

Colby lhe deu um abraço rápido.

- Sei disso, carinho. Paul e eu estamos tão ocupados que esquecemos que está aqui fazendo todo o trabalho de cozinhar e limpar. Verei o que posso fazer.

- Obrigado. - Ginny a abraçou com força. - Está genial esta noite. Joe vai estar lá? - Havia uma nota esperançada em sua voz.

- Joe? Joe Vargas? Ginny, não se atreva a tentar enredar esse pobre homem comigo. Ele estaria perdido. - Sorrindo, Colby pegou sua bolsa e se apressou para a caminhonete.

Paul já estava abrindo a porta.

- Conduza com cuidado, Colby. Os peneus estão completamente lisos. - Advertiu. - Acabados. Totalmente desgastados.

- Tudo está. - Comentou ela, enquanto tentava persuadir à caminhonete que arrancasse. Quando finalmente conseguiu, ambos ovacionaram. - Boa menina, ainda agüentando. - Aplaudiu o carro com avaliação e saudando o Paul e Ginny, arrancou em meio a uma nuvem de pó. Ricocheteando alto a cada sulco e buraco, os amortecedores protestavam, ela subiu o volume do rádio e cantou alegremente todo o caminho até a cidade.

Encontrou um estacionamento na lateral do edifício e saiu do veículo. Eram quase perto das nove horas e havia boas probabilidades de que Joclyn Everett pensasse que ela a havia deixado plantada, esperando. Colby estava muito cansada para que se importasse. Com um suspiro e uma apressada prece para que Da Cruz não estivesse no bar, com uma multidão de fãs femininas, ela abriu a porta. Não foi difícil divisar Joclyn, apesar da multidão. Seu vestido branco gritava dinheiro, sua maquiagem e cabelo eram perfeitos. Em meio a um grupo de jeans, ela destacava como um polegar machucado e parecia claramente incômoda. Colby podia imaginar o mau momento que estava passando, as brincadeiras e os convites, os maliciosos comentários sarcásticos que somente as mulheres faziam a outra mulher. Colby compensou da única forma que sabia.

- Joclyn! – Saudou. - Pensei que estivesse esperando por mim. Joe, fora de meu caminho, está bem? – Ela acrescentou, quando um homem alto e moreno a apanhou num abraço de urso.

- Ah, Colby, quando vais casar se comigo? – ele queixou-se, beijando-a sonoramente enquanto a sustentava balançando-a, a vários centímetros do chão.

Ela sorriu.

- Qualquer hora destas, vou arrastar até aqui um pregador e voce sairá correndo para as colinas. - Enquanto ele a baixava, ela limpou os lábios com o dorso da mão. - E deixe de me beijar em público.

Todo mundo no bar sorriu ante as travessuras de Joe e a saudaram, enquanto ela se empurrava, passando o vaqueiro para atravessar a massa de pessoas.

- Sinto chegar tarde. - Colby se deixou cair numa cadeira.

- Temia que não fosse, depois que Louise admitiu que foi grosseira contigo. - Aventurou Joclyn, parecendo mais incômoda que nunca.

- Colby! - Outro homem tirou o chapéu enquanto caía na cadeira junto a ela. - É uma mulher difícil de rastrear.

- Olá, Lance. Esta é Joclyn Everett, a mulher de Sean. Joclyn, Lance Ryker. Lance, estamos em meio a uma discussão de negócios, ou - Corrigiu Cobly com um sorriso pesaroso. - a princípio.

- Comprei o cavalo. Finalmente fechei o contrato. Voce prometeu que me ajudaria a treiná-lo. - Suas palavras baixaram de tom. – Fechei o negocio, me apoiando nessa promessa.

- Quando ele estará aqui? - Perguntou Colby, com um pequeno sorriso de desculpas para Joclyn.

- Em um mês ou mais. Queria que o acolhesse em seu rancho.

- Claro. Ligue-me. Paul agenda as entrevistas, se eu não estiver, deixe uma mensagem para ele ou Ginny.

- Obrigado, Colby. - Lance se inclinou para beijar sua face, antes de acenar para Joclyn, enquanto partia.

- Conhece todo mundo. – Comentou, Joclyn.

- É um povoado pequeno e este grupo em particular são todos de rancheiros. Cresci com a maioria deles. - Explicou Colby, sorrindo agradecida à garçonete que colocava um copo alto diante dela.

Joclyn sorriu.

- Pedi uma cerveja porque estava segura de que beberia cerveja mas vejo que cometi outro engano.

- Seven-Up. Algumas vezes me sinto realmente ousada e acrescento suco de laranja. - Riu Colby. - Todos eles me fazem passar um mau pedaço, por isso.

Os olhos escuros de Joclyn, de repente ficaram sérios.

- Sei que sente que foi um insulto que Rafael te pedisse que ensinasse minha filha a montar. E depois soube que não foi Rafael quem pediu. Foi Louise, com suas costumeiras maneiras cativantes. Por favor não se desculpe... Entendo-a. Trabalha duro e se orgulha muito do que faz. Rafael não queria que lhe pedíssimos. Disse que estaria muito ocupada.

- É mais provável que tenha feito vários comentários sobre mim, tentando calçar as botas de um homem. - Disse Colby. - É um homem tão chouvinista.

Joclyn não se incomodou em negar. Havia algo muito frio nos irmãos Da Cruz que a incomodava, mas não ia discutir com os sócios de negócios de seu marido.

- Tinha que pedir, de toda forma. Desde que meu marido e eu nos mudamos para cá, tudo o que ouço é que Colby é a melhor domadora, a melhor treinadora, guia. Tudo o que tenha a ver com cavalos. Dizem que voce tem um dom.

O sorriso de Colby foi positivamente mau.

- Espero que tudo isso foi dito na presença dos irmãos Da Cruz, especialmente Rafael.

- Invariavelmente. - Riu Joclyn.

Colby queria ser estritamente justa e dar ao diabo, seu castigo.

- Ouvi dizer que esse Rafael e seu irmão, Nicolas, são excelentes com os cavalos.

Joclyn assentiu lentamente, pensativamente.

- Isso é certo. Eles mantêm um horário estranho para serem rancheiros, entretanto. São corujas noturnas. Acredito que vivem bastante bem no Brasil. Mas observei Rafael se aproximar diretamente de um cavalo seriamente ferido e acalmá-lo com um toque de sua mão. Foi assombroso. – Ela sacudiu a cabeça para clarear a lembrança. - Mas não são bons com pessoas. Ao menos não com crianças. Não acredito que nenhum deles tenha visto minha filha. Possivelmente, seus problemas físicos, os repele. Algumas pessoas são assim. Tanya foi atropelada por um carro faz dois anos e deve utilizar muletas para caminhar. As crianças da escola que frequentava foram muito cruéis com ela, que se tornou retraída e calada.

Joclyn encheu seu copo, evitando o desconcertante olhar fixo de Colby.

- Sei que levaria tempo. E o tempo que utiliza para treinar cavalos. Estamos dispostos a pagar o que ganha normalmente por treinar um cavalo. Dessa forma não perderia nada. – Ela estava falando rapidamente, temendo a reação de Colby. - É tão importante para ela. É a primeira coisa pela qual expressou interesse.

Colby estendeu a mão para segurar a de Joclyn, consoladoramente. Sua compaixão pela pequena, já despertada. - Não é tanto questão de dinheiro, como de tempo. Ela precisará trabalhar a seu próprio passo, não se sentir apressada por meu horário. Possivelmente Ginny poderia nos ajudar. Ela monta cavalos desde que tinha dois anos. Eu poderia começar a lição e depois deixar que Ginny fizesse cargo e eu simplesmente fiscalizasse um pouco. E voce, por que não a ensina?

Joclyn baixou a cabeça, ruborizando-se.

- Os cavalos me aterrorizam. - Admitiu. - Sou toda uma garota de cidade. Quando meu marido sugeriu mudarmos para cá e comprarmos um rancho, quase morro de medo. Mas eu não gostava que Tanya ficasse interna numa escola e viajávamos tanto, que não tínhamos escolha. Pelo menos esta será uma oportunidade para que estejamos juntos.

- Eu nunca conheci nenhuma outra forma de vida. - Disse Colby, pensativa. - Minhas primeiras lembranças são de meu pai me colocando ante ele, sobre seu cavalo e cavalgando por todo o rancho. É assombroso pensar no que todos esses anos dei por certo. Estaria perdida numa cidade.

- E eu estou perdida aqui. - Joclyn tentou um risinho, que não enganou a nenhuma delas.

- Fique tranqüila, não vou te atirar à garupa de qualquer cavalo. Tenho animais maravilhosos e muito confiáveis. Poderia muito bem tomar aulas com a Tanya, Isso, se ela gostar de montar, depois de provar que realmente estará disposta. - Colby se comprometeu, tentando não pensar no que Paul diria.

- Ela não fala em outra coisa, aprender a montar, quero dizer. - O alívio na face de Joclyn era tão patente que Colby teve que afastar o olhar. Enquanto o fazia, encontrou um par de olhos negros como o carvão e uma sobrancelha arqueada, numa espécie de zombeteira diversão.

Logo, seu coração palpitou com força contra seu peito e seus lábios secou. Realmente podia ouvir seu coração palpitando acelerado.

- Por que não me disse que ele estava aqui? - Colby não podia afastar o olhar desses olhos que não piscavam. Havia visto muitos predadores, ursos e leões de montanha. Rafael Da Cruz tinha o mesmo estranho olhar fixo. Seu sistema interno de alarme havia falhado ao não fazê-la sentir que estava sendo observada, mas agora estava trabalhando rapidamente, fazendo com que cada terminação nervosa gritasse.

- Rafael? Sinto muito, Colby. Deve ser difícil para voce, quando sabe que a família Cheves está tentando tirar seus irmãos, mas Sean tem que entretê-los de algum modo. São sócios nos negócios. Rafael insistiu em vir esta noite e Sean não achou uma razão boa para negar seu pedido.

Com tremenda força de vontade, Colby afastou seu olhar dos hipnotizadores olhos de Rafael. Ele podia hipnotizar o lugar inteiro, com seus brilhantes olhos negros, ela pensou enquanto ficava em pé e empurrava ineficazmente seu cabelo revoltoso longe do rosto.

- Às três horas da quarta-feira, está bem para voces? - Até sua voz era tremula. Colby sabia quando soltar as amarras e fugir. Rafael Da Cruz era mais do que ela podia.

- Obrigado, Colby. - Joclyn era sincera, intuitivamente não tentou retê-la mais. O que fosse que havia entre Colby e Rafael, deixava Colby visivelmente nervosa.

Colby havia chegado quase à porta, quando os dedos de Rafael, como grilhões, lhe rodearam a parte superior do braço. Ele movera-se com todo o silêncio e o sigilo de um predador, veloz e infalivelmente, derrubando sua presa.

- Uma dança ou uma cena, é sua a escolha. - A voz espalhou sobre sua pele, como uma luva de veludo, tentando numa pecaminosa incitação masculina, quando suas palavras estavam em contradição com a sedução de sua voz. Não se importava em lutar, pois cada homem do bar viria em sua defesa e não ia renunciar a seu pedido. Soube instintivamente. As pessoas... Seus amigos... Seriam feridos, se tentassem interferir.

Havia um fio em Rafael essa noite, uma advertência clara na forma em que a segurava. Seu corpo estava duro como uma rocha, mas sua pele era quente. Havia uma crua posse nas profundezas de seus olhos, na enorme força de seus braços. Colby estava acostumada a homens rancheiros. Homens fortes que estavam acostumados a erguer enormes bolas de feno. Rafael Da Cruz era enganoso em seu aspecto. Era alto e esbelto, mas corria aço por seu sangue. Logo que Colby sentiu o calor de seu peito, através da fina seda de sua camisa onde sua face roçava, soube que dançar com ele era um grande engano. Seu coração deu uma inclinação brusca e amalucada. Ela tentou se manter longe dele.

Rafael simplesmente a trouxe mais perto. Tão perto que ela podia sentir sua respiração contra a têmpora e... Sentir o volume de sua ereção pressionada contra ela. Casualmente. Como se ele não se importasse que ela conhecesse a urgência das demandas de seu corpo. Os dedos dele fecharam em volta de sua mão, mantendo-a apertada contra o coração dele.

- Sssh. – Ele advertiu, seu sorrir profundo, sua voz tão rouca que o corpo inteiro de Colby tremeu de desejo. - Não vai querer que estes homens se apressem a resgatá-la.

- Ainda assim o fariam. – Ela obrigou as palavras a sairem de seus lábios. Por um terrível momento pensou que suas cordas vocais estavam paralisadas. Ele era muito potente num espaço fechado como este. Nunca tinha visto um homem tão sensual. Mas era mais que seu bom aspecto. Mais que seu puro sex appeal. Havia uma perigosa aura indômita obstinada a ele. Cheirava-a nele, sentia-a perto dele. Como um animal, um predador selvagem. Era muito perigoso, não só para ela, mas também para os outros. O conhecimento era profundo em seu interior, elementar e infalível. Não sabia de onde vinha, mas confiava em seus instintos.

Ele inclinou sua cabeça para a dela, enquanto a música pulsava através de seus corpos e se apressava através de seu sangue.

- E se te digo que posso ler sua mente? – Ele sussurrou as palavras, seus lábios contra a pele que tão freneticamente pulsava em seu pescoço. Pequenas chamas começaram a lamber o pescoço e os ombros de Colby.

Ela fechou os olhos. A música os envolvia, encapsulando-os em lençóis de cetim e fazia com que ardesse de desejo. Ardiam juntos, sentia no corpo dele. Dançar com ele era uma espécie de tortura sexual. Podia ouvir seu próprio sangue palpitando nos ouvidos e seu corpo, se sentia derreter em fogo líquido.

- Teria que lhe chamar de mentiroso, Senhor Da Curz. Se houver algo que sei, seguramente é que não pode ler minha mente. - E por isso estaria eternamente agradecida. Porque o desejava com cada célula de seu corpo. Desejava sentir os lábios perfeitamente esculpida esmagando a sua e suas mãos movendo-se sobre ela, possuindo-a.

Rafael a manteve perto, seu corpo dolorido por novas demandas. Esta mulher era a que lhe pertencia. E ele a teria. Nunca negara nada a si mesmo nenhuma só coisa que desejasse em seus séculos de vida. Nada, nenhuma coisa, havia despertado seu interesse em mil anos, mais inclusive. Agora cada momento de vigília era ocupado com pensamentos sobre ela. Tortura. Pura e simplesmente ela era uma tortura. Colby Jansen era dele e ninguém a tiraria ousepararia dele. Nem agora, nem nunca.

O que havia dito era verdade. E era surpreendente. Podia ler mentes facilmente, mas a dela estava parcialmente fechada para ele. E ela sabia. O fato o enlouquecia, fazia com que seu temperamento vagasse em seu sangue misturando-se com o anseio sexual e a luxúria que ascendia gradualmente. Teria-a. Teria toda ela, não importava o que custasse. Guardaria-a para si, fazendo amor quando assim decidisse. Alimentaria sua fome dela, a possuiria. Ela o obedeceria e nunca mais fecharia sua mente a ele, uma vez que ele desentranhasse seus segredos.

Rafael se inclinou mais perto da tentação da pele acetinada. Quando inalou sua fragrância, sentiu o cheiro da primavera e de bosques. Das montanhas altas. Colby era diferente de qualquer outra mulher que tivesse conhecido. Um quebra-cabeça intrigante, que desfrutaria resolvendo-o. Levaria tempo, mediria seu caminho nesta situação pouco familiar. Se fosse necessário, simplesmente a tomaria e voltaria para sua terra natal. A família de Rafael mandava lá e ninguém tentaria interferir. De qualquer modo, ela não escaparia dele.

Colby cometeu o engano de levantar o olhar para os sensuais e arrumados traços. Havia uma rudeza em seu queixo, um toque desumano em seus lábios. Nesse momento seus olhos estavam vazios, duros e frios. Ela estremeceu e imeditamente ele a trouxe mais perto ainda, fazendo com que seu corpo suave ficasse impresso contra a dureza do dele.

- Não posso respirar. – Colby tentou falar sarcásticamente, mas sua voz a traiu e saiu num sussurro, rouco, ofegante e surpreso.

Rafael a guiou entre o tráfico sobre a pista, diretamente para as sombras mais escuras. Sua cabeça se inclinou, até que seus lábios desceu contra o pulso tentador dela. Seus corpos balançavam juntos com a música, um escuro e erótico tango que compartilhavam. Ele inalou profundamente, tomando sua fragrância nos pulmões, em se corpo e alma, assim a conheceria em qualquer lugar, encontraria-a em qualquer parte. Profundo, em seu interior, o demônio elevou a cabeça e rugiu reclamando a supremacia. Ela podia saciar sua fome onipresente. Deteria o vazio, o frio mundo cinza, poderia apagar a tormenta de fogo que ardia fora de controle em seu sangue. Teria-a, a qualquer preço. Ela lhe pertencia.

- Pode respirar, querida. - Sua voz era suave e gentil, enquanto seus braços eram como correntes de aço. - Tem medo de me tomar dentro de seu corpo, medo de minha posse, mas chegará a aceitá-la. - Seu sorrir era, sexy, uma tentação e ninguém a tentara tanto, antes. Soltou um pequeno gemido ante a opção de palavras dele, mas seu polegar lhe acariciou o lábio inferior, detendo eficazmente seu protesto. A mente dele estava trabalhando em seus segredos. O que a protegia de sua invasão? Protegeria-a para sempre. Se tomasse seu sangue, a teria. Ela nunca escaparia dele. – Nunca, sabe que nunca. - Disse em voz alta, como se ela pudesse ler seus pensamentos, colocando-a a prova, enquanto inclinava a cabeça para seu pescoço.

Colby sentiu os dentes brincar sobre sua pulsação, mordiscando e acariciando. Seu corpo inteiro se arrepiou em resposta. Seu ventre pulsou e doeu. Seus seios se incharam, os mamilos endureceram. Ofegando de puro choque, ante sua própria resposta, Colby ergueu a cabeça para fitá-loar. Seu rosto estava marcado pelo desejo, seus olhos agora fumegantes pela crua intensidade da fome. Ele estava com o olhar de um predador inato. Não tentava esconder ou suavizá-lo, simplesmente se fixava em seu olhar horrorizado. Novamente, teve a estranha sensação de estar caindo, de se mover para ele, de lhe abraçar, lhe convidando a entrar em sua mente e alma.

- Se afaste de mim! - Vaiou as palavras entre seus pequenos dentes, repentinamente aterrorizada por estar num lugar cheio de gente. Um lugar cheio de amigos, cada um dos quais lutaria para protegê-la. Profundamente, onde contava, Colby sabia que não eles ganhariam contra ele. Ninguém o derrotaria. Nem em sozinho e nem juntos. Ninguem seria capaz de salvá-la dele, se ele decidisse tê-la à força. Rafael Da Cruz era verdadeiramente um homem perigoso sob um verniz muito fino de civilização. O conhecimento estava ali, poderoso em sua mente.

Ele a sustentou por outro longo momento, saboreando a sensação de seu corpo pressionado tão perto do dele. Seus olhos eram formosos, faiscando com um indício do gênio forte, mas nada temerosos.

- Pensa em escapar de mim, pequena, mas não tem nenhuma oportunidade. Pode aceitá-lo como aceita o ar que respira. E eu não gosto que me digam não. Ninguém me diz que não e você menos que ninguém.

Nem era o que ele estava dizendo que a perturbava era a forma em que dizia. Era o som de sua voz, sexy e rouca, com um pesado sorrir. Era a intensidade de seus olhos negros enquanto se moviam tão possessivamente sobre seu rosto.

- Então será melhor que se acostume. Volte para sua casa, Senhor Da Cruz. Não pode ter meus irmãos e certamente não os conseguirá tentando me seduzir. - Disse Colby insultantemente, mas suas palavras se viram amortecidas pela fina seda da camisa dele.

Ele deixou-a partir. Sua risada foi suave, uma zombeteiroa diversão que entrou nos ouvidos de Colby com uma espécie de ameaça, uma promessa. Ela elevou o queixo com expressão desafiante enquanto girava sobre os saltos de suas botas desgastadas e atravessava a pista abarrotada. A meio caminho da porta, Joe a pegou despreparada em sua garra de urso. Joe, o palhaço perpétuo. Conhecia-o de toda a vida. O acomodado, o seguro Joe. Joe não movia a terra ou fazia montanhas em pedaços com um toque. E ela entrou na segurança de seus braços, lhe concedendo sua dança, agudamente consciente de um par de olhos zombeteiroes que os seguiam pela pista. Não falou, não podia, de tão sacudida como estava por seu encontro com Rafael. Solo queria aconchegar-se a alguém familiar e seguro.

Nenhuma só vez os olhos negros abandonaram sua face. Haviam voltado a ocultar toda emoção. Voltaram a ser frios, duros e vazios. O olhar direto e concentrado de um caçador prendendo sua presa. Havia algo de muito perigoso nesses olhos, quando fixavam o rosto de Joe. Colby estremeceu, temendo de repente pelo grande homem que sempre fora seu amigo. Colby tentou aparentar tanta normalidade como foi possível enquanto ficava nas pontas dos pés para beijar a face dele, antes de deslizar-se para fora, para o ar livre.

Cruzando o estacionamento para o santuário de sua caminhonete, Colby amaldiçoava em voz baixa, barbaridades impróprias para uma dama que era fielmente educada, desde jovem. Era impossivel. Vira Rafael do outro lado do bar quando saía, mas ele agora estava apoiado contra o capô de sua caminhonete. Parecia indolente, contente e não um feixe de nervos como ela. Suas longas pernas estavam estiradas e cruzadas à altura dos tornozelos, sua roupa estava impecável. Vestia calça jeans e camisa negra de seda, seus braços cruzados no poderoso peito.

- Sabe o que é perseguição? - Ninguém deveria ter tão bom aspecto. Não era justo. Colby não era uma mulher que pedia tempo admirando jeans bonitos. Era uma mulher ocupada, não tinha tempo para deprimir-se a seus pés. Além disso, ela era do tipo mandão e independente, segundo Paul. E todo homem a cem milhas em volta, a temia por sua língua afiada. - Não sei se em seu país, mas no meu, isso é contra a lei.

- E voce tem muita fé nessas leis? - Sua voz era tranqüila, uma pergunta humilde, quase gentil, mas ela ouviu a faísca de humor.

- Suponho que você está acima da lei. - Exclamou ela, abrindo bruscamente a porta da caminhonete. Ela não ia funcionar e arrancar, sabia. Nunca arrancava à primeira tentativa.

Ele se moveu então e logo estava de pé junto a ela, acossando seu corpo com seu peso superior, o calor de sua pele fez com que o sangue de Colby captasse o fogo. Ele parecia deslizar-se sobre o solo, silencioso como um gato, sua atenção fixa nela com a mesma intensidade que uma fera caçando uma presa noturna.

- Temos um código da honra pelo qual se rege minha família. Essa é a lei que me prende. – Ele tocou-lhe o cabelo com a ponta dos dedos, pegando os fios de fina seda em sua mão, quase que hipnotizado. - Alguma vez já sentiu seu cabelo? Sentiu realmente? É verdadeiramente formoso.

Colby ficou ali, em pé, temendo se mover ou falar, seu corpo intranqüilo por demandas pouco familiares. Segurou-se a porta da caminhonete tão forte como pôde, precisando sentir algo sólido.

- Tenho que voltar para casa com meus irmãos. - Não estava completamente segura nesse momento, se estava pedindo sua permissão ou não. Ele era assim, potente, poderoso.

Os dentes brancos perfeitamente corretos, brilharam. Ali na escuridão, ele parecia um senhor da noite. Seu reino. Invencível.

- Senhorita? - A voz foi suave, mas tirou Colby de seu estado hipnótico. Ela se voltou e viu uma jovem vacilando perto deles. – Precisa de ajuda?

Colby a reconheceu como a nova garçonete, porque era uma desconhecida em uma cidade pequena e cheio de pessoas que Colby conhecia bem. Nenhuma só vez ela olhou para Rafael, mesmo quando se produziu uma pequena onda de poder e Colby soube que ele estava influenciando a mulher, para que partisse.

Rafael estendeu a mão e pousou seus dedos ao redor do braço de Colby.- Você não quer que ninguém saia ferido.

A mulher voltou à cabeça então e se concentrou completamente em Rafael.

- Poderia tentar me fazer mal. - Disse ela, como se houvesse falando em voz alta. - Mas receberia mais do que desse. Se tentar fazer mal a ela, encontrarei uma forma de fazê-lo pagar.

Colby estudou o rosto da mulher. Era jovem, mas seus olhos eram velhos. De um surpreendente verde, quase verde mar, profundos e irreais.

- Obrigado. - Disse Colby, sériamente. - Posso lhe dirigir. Ele é do Brasil onde as mulheres caem a seus pés todo o tempo. Está surpreso de que eu não faça o mesmo. Sou Colby Jansen.

Os dedos de Rafael se apertaram sobre Colby, mas ele estava observando à outra mulher com um olhar escuro e preocupado. Colby de repente teve medo por ela.

- Possivelmente te veja por aí, Colby. - Disse a mulher, que se voltou e se afastou lentamente, sem dar seu nome.

- Ouviu-a. - Disse Colby. - Quando falou, telepáticamente, ela te ouviu. Em toda minha vida, você e seu irmão são as primeiras pessoas que conheço que são como eu. E Agora esta mulher. Não é uma estranha coincidência?

- Não acredito em coincidências. - Disse Rafael. Sua mão deslizou pelo braço dela enquanto olhava a saída da outra mulher.

Colby sentiu uma agulhada de ciúmes. Era irracional e estúpido... Francamente, devia estar ficando louca. Queria se afastar de Rafael Da Cruz mais que tudo, então se lançou no interior da cabine, segurando o volante em busca de apoio. A caminhonete pegaria e ela sairia dali. Absolutamente, ela pegaria na primeira tentativa. Respirou fundo e girou a chave. O motor a levou a seu acostumado protesto. Ela forçou-o, decidida a que pegasse. Nada desafiava Colby Jansen quando estava com esse humor. O motor arrancou, ela o acelerou cuidadosamente e um veloz e triunfante sorriso iluminou sai face. Não pôde evitar fitar Rafael com ar satisfeito, enquanto dava marcha ré, saindo do estacionamento.

Rafael observou pensativamente como a velha caminhonete desaparecia na esquina. A repentina onda de poder que vibrou no ar, quando o motor funcionou, teria sido impossível passar por cima. Sabia ela o que estava fazendo? Colby Jensen era única entre os humanos. Possuía qualidades e talentos que ele não esperava. Ouvira rumores de que sua família estava completamente isolada. Havia ouvido, embora nenhum deles acreditara realmente até que Riordan havia encontrado sua companheira, que havia mulheres humanas que possuíam estranhos dons que as capacitavam como companheiras, para os homens de sua raça. Colby não só era telepática, mas tambem podia fazer uma variedade de coisas. E quem era a misteriosa mulher que desafiara sua autoridade sobre Colby? Amiga ou inimiga?

Rafael e seus quatro irmãos eram imortais. De seu lar, nas Montanhas dos Cárpatos, haviam viajado voluntariamente para a América do Sul quando era uma terra selvagem e sem, lei infestada de vampiros, longe de sua terra natal e sua raça. Os antepassados da família Cheves de hoje, cuidavam de suas vastas fazendas durante as horas diurnas. Em troca, os irmãos Da Cruz proporcionavam amparo e riqueza aos membros da família Cheves que permaneciam leais a eles. Nos anos seguintes, Rafael certamente caçara incontáveis vampiros. Homens de sua raça que deliberadamente escolheram a escuridão e se tornaram totalmente perversos.

Percorreu o estacionamento com o olhar, nublando sua imagem para que as poucas atrasadas pessoas que saiam do bar não pudessem vê-lo e com a facilidade da longa prática, lançou-se para o céu, mudando de forma sobre o vento, voando pelo céu noturno. Colby Jansen era diferente de tudo o que conhecia. Era a primeira vez em sua longa vida, que pudesse se lembrar, que não estava seguro de como proceder. As emoções eram novas e cruas, as cores vívidas e luminosas, seu corpo estava vivo e infestado de uma implacável fome sexual. Era assombroso estar em sua companhia, tê-la em seu mundo. Queria passar cada momento com ela, mas não podia controlá-la, como fazia com tudo e todos em seu reino de existência. “Mas a controlarei”. Enviou esse pensamento adiante dele, na noite. Uma promessa, necessidade. Um voto.

Colby segurou sombríamente o volante, sua mente era um completo caos. Algo estava errado, muito mal com Rafael Da Cruz. Certamente ele era o epítome do encanto latino. Podia tirar uma mulher de “suas casinhas” a cinqüenta passos de distância. Tudo nele gritava pecado e sexo. Resmungou em voz baixa. Ela era uma mulher prática, certamente não alguém fácil de derrotar pela atração física. Este homem estava utilizando seu encanto para sair-se com as suas. Queria Paul e Ginny e com eles e seu rancho. E era cruel o bastante para utilizar qualquer método possível, para conseguir o que queria.

Colby gemeu em voz alta. Certamente havia demonstrado ser totalmente suscetível a seu sex appeal. Havia atuado como qualquer outra mulher, lançando-se sobre ele. Olhou fixamente para espelho retrosivor para ver se seu rosto estava avermelhado, pela pela vergonha. Durante uma fração de segundo viu olhos fitando-a. Totalmente negros e sem piscar. Gelados. Os olhos de um caçador implacável. Nas profundezas desses olhos fixos, havia chamas vermelhas titilando e crescendo. O olhar estava fixo nela. Ela era sua presa, indefesa e fraca ante tão implacável força.

O coração de Colby pulsou forte e ruidoso. Quase saiu da estrada ao virar a cabeça, olhar atrás, para o assento traseiro da caminhonete. Não havia nada ali. Vira antes essa chama vermelha e sentira o estremecimento de medo e de apreensão. O vento vinha das montanhas, refrescando sua face através da janela aberta, num ameaçador portento das coisas por vir.

Resolutamente, pressionou o pedal do acelerador no fundo, avançando aos troncos, as molas do banco chiaram entoados com a rádio que ela acessara. Por mais que tentasse, Colby não podia evitar comprovar continuamente o retrovisor em busca dos olhos implacáveis. Já possuia preocupações suficientes, sem ver coisas estranhas. Tantos detalhes iam mal no rancho ultimamente... O desaparecimento de Pete quando precisava tão desesperadaemente de uma mão extra, o pagamento total da hipoteca, e o grupo da América do Sul exigindo seus irmãos. Ela passou uma mão pelo cabelo, afastando-o do rosto. O vento soprava os sedosos fios de volta para ela.

Algo estava terrivelmente errado no rancho. Sabia, sentia-o, mas como podia fazer que Ben entendesse que ela simplesmente sabia das coisas? Como o acidente de avião. Soubera no momento que havia um problema e que sua mãe estava morta. Havia sido quem encontrara os restos, sabendo que seu amado padrasto estava aferrando-se vida e esperando por ela. Como podia explicar como sabia as coisas? Como podia explicar as coisas que podia fazer?

Por um momento uma emoção selvagem fluiu, cegando-a inesperadamente, quando ela cuidava tanto em ser controlada. Sentia as lágrimas ardendo em seus olhos, a garganta apertada e o peito pesado como uma pedra. A solidão a golpeou com força. Estava tão isolada e sozinha. Não havia ninguém com quem pudesse compartilhar o que ou quem era ela. Colby lutou desesperadamente para controlar o ardor de seu peito. Não se atrevia a perder o controle. Podia ser perigoso, muito, muito perigoso.

A estrada que conduzia a seu rancho surgiu adiante, com a grade fechada e assegurada. Olhou ao redor, na região solitária só uma vez mais, assegurando-se de estar completamente sozinha. Freando a caminhonete, Colby se inclinou para fora e pela janela, olhou com intensidade o ferrolho e a pesada corrente que rodeava a grade. Esta tremeu e depois caiu. A grade balançou abrindo-se para dentro, limpando o caminho. Com a unha, tamborilou um ritmo na porta da camionete, enquanto empurrava-a para frente. Voltou a aparecer na janela, concentrada em fechar a grade atrás dela, agradecendo ter certos talentos úteis. Vinham em meio da chuva, nas noites nas quais estava muito cansada, para fingir que era normal.

O vento soprou uma vez mais e ela sentiu olhos sobre ela. O aroma de um caçador. Algo ou alguém estava fora, na escuridão e havia voltado sua atenção para ela. Possivelmente era a perturbação de poder no ar quando ela utilizava seus estranhos talentos, o que atraía atenção indeseada em sua direção. Colby só sabia que algo estava muito errado. A maldade espreitava a sua família. Ela era o único amparo que Paul e Ginny tinham. Queria-os e os protegeria ferozmente. De qualquer coisa. De tudo.

Com um suspiro conduziu o resto da distância, até a casa do rancho. King, o cão de Ginny, um collie escocês, apressou-se a ladrar uma saudação. Ela descansou a cabeça contra o volante durante um momento, tentando absorver as vibrações no céu noturno. O que estava aí fora, vigiando seu rancho e marcando sua família? Por que não podia determinar a direção de onde provinha? Sabia que algo estava vigiando, mas não podia precisar o problema. Colby sabia das coisas. Sabia que a vaca do celeiro logo ia dar a luz e não ia ser um parto fácil. Sabia quando ia chover e quando tinha que tirar o feno dos campos.

Acariciou ao cão e abriu passo para o alpendre. Paul estava esperando por ela. Sua forma alta estava estirada, tinha o chapéu sobre os olhos e os braços dobrados sobre o peito. Colby ficou olhando-o, amor por ele fluindo de dentro dela. Ele era um irmão assombroso. Parecia tão jovem e vulnerável quando estava dormido. Tocou-lhe o ombro, gentilmente.

Paul despertou, com um sobressalto.

- Só estava descansando os olhos. – Disse e seu sorriso lhe iluminava a face enquanto jogava o chapéu para trás, com o polegar. Tinha visto o gesto em um filme do oeste e o copiara, após. Devia ter uns sete anos e Colby não tinha coragem para lhe recordar as orígens desse gesto e achava-o cativante.

- Joclyn Everett é uma mulher muito agradável, Paul. Encontrei-me com seu marido muitas vezes, mas nunca com ela. O que acha deles?

O suspiro foi audível, no silêncio da noite.

- O que acho é que disse a essa mulher que daria aulas a sua filha, apesar de estar completamente cheia de trabalho. Isso é o que acredito, Colby.

Colby esfregou a testa, evitando seus olhos.

- A garota tem a idade de Ginny e Ginny está muito sozinha.

- Colby, você não pode! Já está se matando. Acha que não sei que se levanta no meio da noite? Não pode com mais trabalho.

- Ofereceram um bom dinheiro, Paul e Ginny precisa de uma amiga. Pensei que podia passar cada lição com a garota e depois deixar que Ginny tome conta dela. Não deve levar muito tempo.

Paul gemeu em voz alta.

- Está realmente louca Colby, mas não se ganha nada discutindo contigo. – Ele manteve a porta aberta. - Comprovei as cercas, fiz a ronda e agora, pode ir dormir.

Ela lhe lançou um sorriso rápido.

- Obrigado, Paul. Esta noite estou cansada. – Ela se inclinou para lhe beijar o rosto. - Aprecio-o, seriamente.

- Poderia te dar um sermão. – Disse, ele. - Mas eu gosto de Sean Everett. Já que é nosso vizinho, podemos ser amigáveis.

Colby estalou em gargalhadas, o foi som suave e bastante cativante. Paul se encontrou com um grande sorriso no rosto.

- Só diz isso porque quer outra vítima para encasquetar nossa equipe avariada.

- Está me acusando de ter um motivo ulterior? – Paul tentou aparentar inocência.

Colby assinalou King e o celeiro. Normalmente o collie dormia no chão do quarto de Ginny, mas Colby estava tão preocupada ultimamente, que o utilizava como guarda noturno. Paul a observou assinalar o cão, com o cenho franzido.

- Realmente está preocupada, não é, Colby?

- Simplesmente acredito que é melhor se assegurar, que lamentar, Paul. Ben diz que acredita que são um bando de adolescentes com suas brincadeiras.

Paul bufou seu protesto.

- Ben sempre culpa os adolescentes.

Colby riu novamente, enchendo a casa com seu som quente.

- Deveria tê-lo conhecido quando era adolescente. Era o menino mau da escola. Simplesmente pensa que todos são como ele era.

Paul sacudiu a cabeça e abriu a porta de seu quarto.

- Não posso imaginar Bem um adolescente. Nem sabe como sorrir. Boa noite, Colby. Realmente, você precisa ir para a cama.

Ela inclinou a cabeça ocultando sua diversão ante o tom autoritário do rapaz.

- Boa noite, Paul.

 

Colby suspirou e jogou as cobertas para trás. Por um momento sua mão se atrasou na formosa colcha feita à mão, que cobria sua cama. Sua mãe a trouxera de Paris. Uma desenhista muito famosa, mas esquiva, a confeccionara. Lembrava vividamente sua necessidade de possuir a colcha, depois de tê-la visto num anuncio de uma revista. Colby sabia que tinha algo especial, quase como se possuísse um poder próprio. Sua mãe e seu padrasto a presenteram por seu décimo aniversário e Colby a apreciava, acima de todas suas demais posses. Junto com a estranha beleza e sensação única de conforto e segurança que ela proporcionava, a colcha era um símbolo de amor de seus pais, por ela.

Estirou-se languidamente e vagou pelo assoalho de madeira, até sua janela aberta. O vento soprou as finas cortinas de renda. Colby vestia a parte baixa de um pijama e uma pequena camiseta ajustada. Soltou lentamente o cabelo comprido enquanto olhava pela janela, para a noite. Adorava olhar para as montanhas à noite, sempre místicas e misteriosas. Um véu de fina névoa branca amortalhava as altas cordilheiras. Estava rodeada de gigantes, com seu rancho entranhado num profundo vale. Estendeu os braços para a alta fila de montanhas, elevando a face para a brilhante meia lua.

Preocupavam-na tantas coisas, que não podia dormir. Estava exausta e ainda assim decidida a estar em pé às quatro e meia. Apoiou-se no suporte da janela, contemplando as estrelas. Não havia dito a Paul, mas depois de alimentar o gado, tinha intenção de ir às colinas e procurar o velho Pete. Estivera dando batidas pelo rancho nos últimos três dias, levantando-se antes do horário e dedicando tanto tempo como podia em procurar os rastros dele. Apesar do que dizia Ben, Colby não acreditava que Pete saiu do rancho, para se embebedar.

Pete estava no final da setenta anos eseu corpo atacado pela artrite por causa de seus dias de rodeio. Tinha um lar com Colby, uma cama quente, um teto e boa comida. O trabalho do rancho o fazia sentir-se útil. Era um homem que conhecia o significado da palavra lealdade. Estava segura de que ele nunca abandonaria o rancho, especialmente sabendo que Colby estava em perigo de perder sua casa. Nunca desertaria. Pete não faria isso. Colby temia que ele estivesse doente ou ferido, em alguma parte da propriedade.

No grande carvalho do outro lado do pátio de sua janela, um pássaro bateu suas asas, atraindo sua atenção. Um pássaro tinha uma cara redonda como um disco e com uma plumagem muita pronunciada. Não era uma coruja, mas algo maior. Muito grande. Colby olhou-o fixamente e pasma, notou que ele lhe devolveu o olhar. Podia ver seus olhos redondos e de um negro brilhante. Estava familiarizada com os pássaros de seu rancho e nunca tinha visto um como esse. Se não soubesse que era impossível, pensaria que era uma águia real. Colby se inclinou sobre o suporte da janela, concentrando-se no pássaro.

Estudou-o atentamente, enquanto sintonizava sua mente com ele. O bico era de aspecto mau, curvado e afiado e as garras enormes se fechavam ao redor do grosso galho da árvore. Havia uma aguda inteligência brilhando nos olhos dele. O fôlego de Colby ficou preso em sua garganta e seu coração pulsou com excitação. As águias reais viviam no bosque pluvial do Amaregiãos, no Brasil e voavam graciosamente, agilmente entre as árvores. Eram inquestionavelmente os pássaros mais formidáveis do mundo, capazes de pegar serpentes e até a preguiça, como presa. Não era possível, mas quando mais o estudava, mais segura estava. O que faria uma águia da América do Sul em perigo de extinção, nas Montanhas Quebradas?

Colby continuou olhando à criatura, mantendo o contato visual, suspirando brandamente, mais com a mente que com a voz. Com freqüência atraía toda classe de animais até ela, que falava com os cavalos, com ovelhas e atraia animais selvagens quando estava sozinha. Chamou o pássaro, surpreendida por seu tamanho. Era bastante formosa, selvagem e indomável. Poderosa. Temia que pudesse estar ferida de algum modo, por vagar tão longe de seu território nativo.

Profundamente dentro o corpo do pássaro, Rafael Da Cruz sorriu. Colby havia mordido o anzol. Estava chamando o pássaro a ela, utilizando um vínculo mental pouco familiar para ele, mas o rastro de poder conduzia diretamente de volta à mente dela e lhe proporcionava a abertura que necessitava. Era a chave para desentranhar suas lembranças, para tomar o controle. Ela não lhe convidaria a entrar em sua casa voluntariamente, mas agora estava convidando um pássaro. Uma vez convidado a entrar, teria mais controle sobre ela. No corpo da grande águia, ele estendeu suas enormes asas e saiu do galho da árvore. Viu a face dela, alarmada pelo súbido movimento, bebendo da beleza da águia real em vôo. Voando alto em círculos, desceu em espiral em uma lânguida demonstração e aterrissou no parapeito da janela, afundando as garras profundamente na madeira. Lentamente, majestosamente, a águia baixou as asas.

A via formosa, à luz da lua. Sob a débil luz prateada, ela parecia uma jovem deusa pagã oferecendo um sacrifício, uma comemoração aos altos picos. Sua pele parecia suave, brilhava para ele com um convite a ser tocada. Dentro do corpo do pássaro, ele a olhou apaixonadamente. O desejo era uma febre em seu sangue. Escura e fora de controle, quando mais precisava se refrear. A inocência dela o sacudia, mas o atraía. Era dele. Feita sob medida e exclusivamente, para ele. Somente Colby Jansen poderia lhe liberar das sombras escuras de sua alma.

Colby cravou os olhos no pássaro, encantada. Era um pouco atemorizante ter à ave predadora tão perto. Já não estava totalmente segura de estar a salvo. Cuidadosamente deu dois passos para trás, com o som de seu coração batendo alto em seus ouvidos. Era um pássaro assombroso enormes e intimidante. Colby obrigou sua mente a se acalmar, enquanto o examinava. Não parecia estar ferido e não dava a impressão de estar faminto. Olhava-a tão intensamente, como ela o olhava.

Rafael observou a língua de Colby umedecer o lábio inferior. A ação esticou seu corpo ainda mais e converteu seu sangue em lava ardente. Não podia controlar sua reação a ela. Era bem consciente de que isso o deixava mais perigoso do que já era. Precisava manter o controle todo o tempo. Não queria se arriscar a fazer mal a ela, que era uma tentação, com os pés descalços e com aparência tão jovem, bela e ligeiramente assustada. Sentiu que seu coração batia forte e cada instinto protetor fluiu. Não sabia que possuia instintos protetores. Ela estava lhe fazendo coisas tão rápidamente, que não conseguia se ajustar.

Rafael estava decidido a tê-la sob seu controle. Queria-a para si, longe de todos outros, onde pudesse se ocupar lenta e cuidadosamente do que queria fazer com ela. Encarceraria-a, decidiu. Era a única forma de que fosse dele, sob seu cuidado, sob seu domínio. Havia uma feroz necessidade nele, faminta e crescendo a cada momento, Precisava prendê-la a seu lado.

Colby poderia sentir seu coração palpitando com força, mas era mais que a excitação do medo. Devia ser medo, o pássaro era um verdadeiro predador, mas era magnífico. Trabalhou duro em encontrar um caminho até seu cérebro, enviando ondas de tranqüilidade, tentando lhe manter tranqüilo. A ave saltou do suporte da janela até o assoalho, mantendo ainda os olhos fixos nela.

Ela possuia olhos negros! Redondos, brilhantes e inteligentes olhos negros. Cravou o olhar neles durante dois minutos completos. Não era normal, estava segura. Lentamente, para não sobressaltar a criatura, retrocedeu pelo quarto, até sua prateleira de livros. Ainda olhando o pássaro, deslizou os dedos sobre os livros até encontrar o que procurava. Tirando-o da prateleira, folheou as páginas até a encontrar o que sua mente estava procurando. Estranhamente, o pássaro continuava observando-a fixamente, com inteligência no olhar enquanto observava as páginas do livro aberto em sua mão. Colby colocou o livro ante ela e baixou o olhar para examinar a gravura da águia real. Os olhos eram redondos e brilhavam com inteligência, mas não eram negros. Os olhos da fotografia eram de um âmbar brilhante com pupilas negras. Conteve o fôlego lentamente. Algo estava errado com seu pássaro.

- Ainda assim não está cega, não é? - Enviou as palavras e a imagens à criatura, que estava observando-a atentamente, para ser cega.

Esta se moveu, quase triunfante. O coração de Colby saltou em resposta. Por um momento se sentiu ameaçada, de algum modo indefinido. Acreditou ter captado uma expressão fugaz nos olhos da águia e então esta voou de volta à janela e se lançou ao céu. Para ser um pássaro tão grande, assombrava-a o quanto era perfeitamente silenciosa. Voou em círculos durante um momento, subindo mais e mais alto até converter-se em um simples ponto. Colby observou-a, até que ela desapareceu.

Colby se sentia inexplicavelmente solitária enquanto voltava a deitar. Seus dedos acariciaram a colcha, procurando conforto. O livro jazia sobre a cama a seu lado. Tamborilou sobre a capa com os dedos, antes de colocá-lo com um gesto da mão, de volta à prateleira. A telequinesia era um talento muito útil. Descobrira que a possuia, ainda era pequena. Com freqüência fazia com que seus brinquedos dançassem pela casa, quando estava sozinha. Uma vez havia mostrado a sua mãe, orgulhosa de sua habilidade. Sua mãe aparentara deleite, mas Colby pôde ler a preocupação em sua mente. Aprendeu ainda pequena, que era "diferente" e as pessoas não toleravam bem, as diferenças. Olhou para a janela aberta, tristemente. “Estou tão sozinha”. Enviou o lamento sincero, fazendo com que ele deslizasse nas asas da noite.

Havia outras coisas que podia fazer. Não coisas agradáveis. Sobre as quais sua mãe a advertira muitas vezes. Colby era mais velha agora e sabia que o controle era necessário. Nunca tinha bebido álcool em sua vida e nunca o faria. Não podia permitir-se que algum de seus incomuns dons aflorasse inesperadamente.

Suspirou e enterrou a face no travesseiro. Seria tão agradável ter a alguém com quem conversar. Com quem ser ela mesma. Somente uma vez. Só por um momento, ser quem e o que era, em vez de ter tanto medo de trair-se a si mesma. Sentia falta de sua mãe. As lágrimas fluíram e Colby odiava isso.

- Querida, por que está tão triste esta noite? - A voz era pesada por causa do sorrir musical, um sussurro de incitação. Ouviu-a tão claramente como se as palavras fossem pronunciadas em voz alta.

Colby se arrepiou. Abriu os olhos, procurando entre as sombras em seu quarto. Pareciam vazias a princípio, mas então sentiu uma mão roçar uma persistente carícia em sua face, às pontas dos dedos deixaram um rastro sobre sua pele, enquanto afastavam mechas dos cabelos sedosos de sua testa. Sentou-se, empurrando à sombria figura inclinada sobre ela. O peito amplo era real e bem sólido. Como podia não ter notado sua presença?

- O que está fazendo em minha casa? - Aussurrou as palavras, temendo que Paul a ouvisse e irrompesse o quarto com uma arma.

- Voce me chamou. - Deliberadamente, Rafael utilizou o método mais íntimo de comunicação telepática, decidido a fortalecer seu vínculo. - Ouvi sua chamada. Senti suas lágrimas. Por que está tão triste esta noite?

Ele era bem real e sólido nos limites de seu pequeno quarto. Sua fragrância masculina se apegava ao ambiente e sua voz lhe roçava a pele, como veludo. Não eram comente as palavras, mas era literalmente o som de sua voz. Uma sedução, uma intimidade furtada da noite que se espalhou sobre ela e nela, para confundi-la. Ninguém nunca a tinha feito sentir tão consciente de seu corpo, tão feminina, tão flagrantemente sexual.

Piscou para se manter enfocada. Parecia substancial ao tato, mas no escuro quarto, sua figura sombria se rabiscava como se fosse parte da noite. “Não é real”. Colby teve o bom sentido de sentir medo. Era como um sonho, tanto que ela cravou as unhas nas palmas das mãos, para se assegurar de estar acordada.

- Como entrou aqui? - No momento em que falou em voz alta, desejou não ter feito. Sua voz era rouca, sexy, não completamente a voz dela. “Um convite”. Seu coração troou a um ritmo veloz. O calor de seu corpo se amontoava tão perto dele, esquentando sua pele apesar do vento. Deveria ficar furiosa, estar procurando sua arma, ela mesma. Mas, estava hipnotizada por ele, por sua assustadora sexualidade.

A mão masculina se fechou sobre da nuca de Colby, possessivamente. Como se tivesse direito sobre ela. Seu corpo se tornou flexível e suave, em reação. Em toda sua vida, nunca tinha respondido tão sexualmente a ninguém. Ansiava-o a ponto de parecer ser um desejo que não podia controlar. Colby se sentou indefesa, presa nas profundezas de seus olhos negros. Estava caindo cativa, para sempre sua prisioneira. Nesse momento estava disposta a ser sua prisioneira. A cabeça escura se inclinou lentamente, implacavelmente para a dela que pôde notar seus lábios pecaminosos e a sombra azulada de seu queixo. Sentia o corpo pesado e dolorido e exigindo coisas das quais pouco sabia. Ele estava totalmente fora de sua liga. Um homem como Rafael a consumiria, a usaria e faria-a tão completamente dele, que nunca poderia pertencer a outro homem. Deveria ter gritado para Paul e sua arma.

Mas, fechou os olhos e permitiu que os lábios dele tomasse posse da sua. Sob ela, a cama ondeou como se a terra se movesse. Colby foi varrida por uma onda gigante de pura sensação, por um mundo sensual além de sua compreensão. Seu corpo já não pertencia a ela, mas a ele. As cores se formavam e dançavam e o quarto girava. E estava viva. Não era simplesmente seu corpo que ardia pelo dele, mas sua mente ofegante estendendo-se para ele, sua alma gritando por ele. Sentiu uma curiosa mudança em seu interior, uma fusão, duas metades encaixando-se perfeitamente. Sentiu seus braços dele apertarem-na, uma selvageria crescente nele. Compreendeu que ele não só estava ganhando posse sobre ela, mas também controle. Colby estava perdendo, desejando fundir-se profundamente nele, desejando ser o que ele precisasse, fazer o que ele quisesse.

Rafael se perdeu em sua doçura. Ela era calor e mel, fundindo-se com ele, envolvendo-se em volta de seu coração, até que soube que nunca estaria completo sem ela. Seus lábios se moveu para a dela, ao longo do queixo, até a garganta vulnerável. Queria-a ardendo como ele ardia. Sua pulsação o chamava. Ela pensava que era um sonho erótico e ele alimentou a neblina em sua mente, alimentou a ilusão de um sonho, mesmo enquanto seu corpo pulsava de desejo e excitação. Permitiu que sua fome se agudizasse, enquanto forçava o corpo feminino contra o colchão. Ela lutou somente durante um momento, num esforço de resistência, mas ele tomou cruelmente sua mente, beijando-a até que Colby ficou flexível e disposta. Seus lábios era implacável sobre a dela, exigindo beijos, tomando sua resposta em vez de pedi-la. Ele estendeu-lhe os braços sobre a cabeça e segurou suas mãos, para mantê-la cativa sob ele.

Colby Jansen possuía uma mente com uma guarda complexa, uma guarda que precisava atravessar para reclamá-la, como dele. Obtivera êxito ao ser convidado a entrar em sua casa, de forma voluntária. Tinha obtido com êxito, encontrar o caminho até sua mente. Agora ia tomar o que necessitava para abrir a porta que ela mantinha fechada. Nada o deteria. Nem o rapaz que dormia tão inquietamente no quarto ao lado. Nem sequer a própria Colby, meio sacudida por seus desejos e necessidades pouco familiares.

Colby estava tão firmemente envolta em seu corpo, que não estava segura de onde terminava e começava ele. Os lábios dele deixou um rastro de fogo por sua garganta, até seu pescoço. Sentiu o contato dos dentes fortes, a carícia de sua língua e uma onda de calor líquido a chamava e era incapaz de detê-la. Girou a cabeça, desejando seus lábios, desejando que ele a beijasse outra vez, mas ele a segurou com facilidade, seus olhos negros vagavam possessivamente sobre seu rosto. Às escuras necessidades dele a faziam estremecer. Havia fome sexual e uma paixão implacável em seus olhos pesadamente encobertos. O coração lhe palpitava rudemente, pensou em lutar com ele. Antes de poder se mover, ele inclinou novamente a cabeça com deliberada lentidão, para seu pescoço esbelto. Logo, ela sentiu uma dor feroz, uma labareda branca estendendo-se por seu sangue que a fez gemer, fazendo com que seu corpo se ondeasse de prazer, com um desejo tão intenso que quis gritar.

Rafael apertou sua garra sobre ela, prendendo-a contra ele enquanto tomava a essência de sua vida para sempre, a seus cuidados. Desejava-a, deseva tomar seu corpo, possui-la completamente. Não era simplesmente desejo. Era necessidade. Era uma urgente demanda tão elementar como a terra e o céu. Sua mão deslizou sob o fino tecido da blusa, acariciando acariciando um de seus seios. O sangue dela fluiu em seu interior como néctar e ele se permitiu desfrutar da deliciosa beleza, do sabor e da fragrância dela. Da sensação de sua pele suave contra a dele.

Rafael sentiu o corpo endurecer, com um desejo selvagem e pouco familiar. Em seguida seu apetite sexual aumentou, desejos eróticos encheram sua mente e suas células, lhe enchendo com imagens de tomá-la de todos os modos possíveis, de tê-la onde e quando quisesse. Nunca pensara nas coisas que necessitaria ou queria de uma mulher, mas ela provocava paixões escuras e uma fome enervante nele.

Rafael nunca precisara de nada ou de ninguém em sua vida. Havia dedicado sua vida a proteger os mortais dos demoníacos vampiros. Conservava lembranças de seu amor por seus irmãos. Conservava lembranças vagas de sua terra natal. E possuia sua honra. Alimentava-se de honra e existia. Seus irmãos eram exatamente como ele. Mas agora ele estava abrindo a mente de Colby Jansen e o que estava encontrando ali, o assombrava.

Surpreendia-lhe. Ela era toda amor e compreensão. Seus pensamentos eram principalmente para os outros, com sua necessidade de servir e ajudar. Ali onde ele desejava sair-se com as suas, em tudo, onde acreditava que os outros eram inferiores a ele, ela era luz e bondade e o fazia se envergonhar de sua natureza predadora.

Colby já não estava segura de estar sonhando. Nunca poderia ter conjurado uma fantasia tão erótica, como Rafael Da Cruz. Ele a mantinha totalmente numa dominação sexual que era de uma vez arruda e terna. E exigia sua resposta, procurava sua resposta, em vez de persuadi-la. E ela parecia ser incapaz de deter a gigantesca onda de paixão que ele desatava nela.

Começou a lutar, temendo perder, quem e o que era. Ele parecia estar deslizando-se no interior de sua mente e enredando-se profundamente em seu interior fazendo com que temesse não voltar a ser livre, nunca mais. Ele era enormemente forte e quanto mais movia seu corpo contra ele, mais forte se voltava seu agarre. Não lhe fazia mal, mas se negava a soltá-la. Tentou sair do sono, temendo a forma em que seu corpo respondia a ele, mesmo quando ele estava sendo bruscamente dominante, mas não conseguia despertar e salvar-se a si mesma. E uma parte dela sabia que despertar seria salvar-se.

Rafael elevou a cabeça lentamente, seus olhos negros ardiam com feroz posse. Inclinou a cabeça para captar as gotas de sangue que corriam. Sua língua brincou sobre a marca que havia deixado deliberadamente. Uma marca. Sua marca de propriedade. O agente curador de sua saliva fechou as diminutas marcas. Seus braços a sustentaram facilmente, sua força era enorme e ela era muito pequena e surpreendentemente forte para seu tamanho, embora suas lutas não eram nada para ele.

Rafael pegou-lhe o queixo firmemente e obrigou os profundos olhos verdes a encontrar-se com os seus e sua mente se sintonizou para o vínculo com a dela, empurrando afiada e profundamente, tomando o controle. - Tomará o que te ofereço.- Deu a ordem enquanto utilizava uma unha alongada para abrir o peito. Pressionando-lhe os lábios para o escuro líquido que os uniria para semrpe, Rafael a obrigou a engolir, cruelmente. Fechou os olhos quando os lábios dela se moveram contra ele, o corpo dela era tão ardente que ele não pôde se conter. Um gemido lhe escapou e suas mãos se moveram sobre a pele feminina explorando as suaves curvas.

Tão perdido que estava em suas próprias necessidades e desejos, Rafael quase perdeu o movimento da jovenzinha no quarto do outro lado do vestíbulo. Os pesadelos aconteciam e ela gritava, removendo-se sobre sua cama, com lágrimas lhe banhando o rosto. Seu corpo estava tão duro e tenso de desejo, que ele quase não ouviu a intrusão.

Surpreendentemente, Colby se moveu, atravessando a escura neblina de seu estranho sonho. Começou a lutar contra a névoa, sentindo o sono inquieto de Ginny. Rafael amaldiçoou eloqüentemente em voz baixa, enquanto fechava a abertura de seu peito, com a própria saliva. Gentilmente, quase meigamente estendeu Colby de volta aos travesseiros. Ela estava muito pálida e seu cabelo vermelho estendido em volta de seu rosto, como um halo de luz. Tinha-lhe dado de seu poderoso sangue ancestral, suficiente para um intercâmbio, mas não para substituir o volume que havia perdido. Incapaz de deter-se, inclinou a cabeça escura para a marca inchada do arredondado seio. O coração dela troou sob os lábios errantes, enquanto injustificavelmente, ele a marcava pela segunda vez.

Rafael nunca estivera tão dolorido e tão necessitado em toda sua existência.

Com um suspiro de resignação, fundiu-se nas sombras, ondeando a mão para tranqüilizar os sonhos da menina e enviar Colby a um sono profundo. Inclinando-se, roçou um beijo sobre a testa dela, enquanto que com grande satisfação deixava uma carícia sobre sua marca no pescoço e uma segunda sobre o seio, com a ponta de um dedo. Sem outro som se dissolveu em névoa, num fino vapor insubstancial. Saiu através da janela até o ar noturno. Enquanto emanava para as árvores, as gotas se agruparam para tomar a forma da grande águia real. Aterrissou sobre o galho do carvalho e olhou pensativamente para a casa.

Colby tentou sair à superfície para chegar até sua irmã, mas Ginny se tranqüilizou à ordem de Rafael, então cedeu, entregando-se a sua necessidade de dormir.

- Colby!

O som apavorado da voz de Ginny atravessou os sonhos inquietos nos quais Colby estava presa. Sentia o corpo pesado e os lábios secos. Estranhamente, lhe doíam os seios e os sentia machucados. Tentou com empenho acordar, quando tudo o que queria era domir. - Colby, desperta rápodo. – Ginny, com voz assustada estava sacudindo seu ombro.

- Estou acordada. - Murmurou Colby pastosamente, despertando. Abrindo as pálpebras pesadas. - O que está acontecendo, carinho? Está doente? - Olhou além de Ginny para ver Paul de apoiado contra a parede, observando-a. - O que aconteceu? - Perguntou de novo.

- O alarme de seu despertador soou há muito, levantei-me para ver o que estava errado e então não pude te despertar. - Disse Ginny, chorosa.- Sacudi-a... Sacudi-te...

- Então você despertou. - Acusou Paul, mas havia medo em sua voz.

Colby obrigou seu corpo a mover. Sentou se, para jogar para trás os cabelos que estavam em seu rosto.

- Sinto muito. Suponho que estou mais cansada do que pensei. Coloquei o alarme para despertar as quatro e meia, para poder fazer umas tarefas extras.

- Sabia que voce estava madrugando! - Exclamou Ginny, ante isso. - Não pode fazer isso todo o tempo, Colby. Precisa dormir como todos outros.

- Eu preciso dormir. – Corrigiu, Paul. - Falando disso, volto para a cama. Colby, se Ginny passou tanto tempo tentando te despertar, não acha que isso significa que não deveria se levantar? – Ele soava muito superior.

- Provavelmente. - Admitiu Colby, desejando enrodilhar-se sob as cobertas. Seu corpo não estava cooperando, sentia-o pesado e intumescido, seus olhos desejavam se fechar novamente. Estava tão sedenta que sentia os lábios secos. Tinha um sabor fracamente acobreado na boca. - Estou começando a acreditar que sou a louca, que família Cheves e os irmãos Da Cruz acreditam. – Ausentemente, ela elevou uma mão e a apertou contra o pulso que palpitava em seu pescoço.

- Bem, é. - Estabeleceu Paul, dando sua opinião final.

- Com isso, vá alimentar a todos os cavalos enquanto eu exercito Domino. Fica difícil se não o montar todo dia. Quero dedicar algum tempo a comprovar as cercas e se você se encarregar de alimentá-los, terei um pouco de tempo extra. – Ela falou entre um bocejo nada elegante.

Paul franziu o cenho.

- Deveria te livrar desse cavalo. É realmente perigoso. Até Joe Vargas disse, todo mundo diz.

Ginny pegou a mão de sua irmã.

- Domino é perigoso? É um assassino como dizem?

A cabeça de Colby se elevou, o olhar sonolento súbitamente desapareceu de seu rosto, deixando seus olhos verdes flamejarem para seu irmão.

- Você disse isso a ela?

Paul teve a decência de parecer envergonhado.

- Joe me disse que Domino tinha matado um homem e Ginny ouviu a conversa às escondidas. Já conhece Joe, estava preocupado.

- Domínio foi maltrado, Ginny. - Explicou Colby, tranqüilamente. - Pode ver as cicatrizes que tem. Pode ser difícil em certas situações, mas posso lhe dirigir. Realmente posso. Não subestimo minhas habilidades.

- Sinto muito, Cobly. - Paul se apressou em oferecer desculpas. - Nunca deveria ter permitido que Ginny ouvisse isso.

- Não sou um bebê. - Ginny jogou para trás o cabelo negro azulado, seu queixo se elevou, numa pequena réplica de Colby. - Não precisam me esconder nada. Tampouco sou estúpida, Paul Cheves. Trabalhar com qualquer cavalo pode ser perigo se você não saber o que está fazendo. Colby sabe. - Acrescentou ela, incondicionalmente. - Ninguém é melhor que ela.

- Assim fala uma voz imparcial. - Riu Colby brandamente, revolvendo meigamente o cabelo de Ginny. - Carinho, mais tarde, se tiver tempo, pode começar a preparar a região norte para uma pista. Janna Wilson trará seu cavalo, Roman, na quinta-feira. Janna quer ganhar o mundial este ano.

- Claro. - Ginny estava excitada. Janna Wilson era uma corredora de Oklahoma, a ganhadora feminina e a heroína de Ginny. Ginny estava decidida a se dedicar a carreira profissionalmente e não num futuro muito longínquo.

- Voltem para a cama, voces dois. – Aconselhou, Colby. - Já sairá o sol.

- Não tem que me dizer isso duas vezes. - Disse Paul, agradecido. - Colby, na verdade, você já estava ressabiada antes que esses imbecis chegassem aqui. Vamos, Ginny, já é bastante embaraçoso ter uma irmã louca, não quero ter que admitir que tenho duas delas.

Colby ainda ria, enquanto sonolenta, cambaleou a caminho do banheiro. Realmente se sentia fraca e apática. Não era surpreendente, depois de semelhantes sonhos estranhos. Rafael Da Cruz entrando às escondidas em seu quarto, beijando-a... Suas mãos tocando seus seios, seu corpo. Instantaneamente, o calor a atravessou e seus seios doíam de desejo. Colby gemeu e fechou os olhos contra a humilhação de semelhante sonho erótico e suas seqüelas. Permitiu que a água caísse diretamente sobre seu rosto, esperando lavar o aroma dele de seu corpo, o sabor dele de seus lábios, a sensação de sua dura ereção contra a pele. “Provavelmente, ele deve ser o diabo disfarçado”.

Limpou o vapor do espelho e depois desejou não ter feito. Estava tão pálida que seus olhos pareciam enormes e vívidos. Enquanto penteva os cabelos para trás, a fim de trançá-los, notou a estranha marca em seu pescoço. Parecia um morango,ou a mordida amorosa de um adolescente. Quando ficou nas pontas dos pés para examiná-lo mais de perto, notou que havia duas diminutas marcas no centro. Ardia, não dolorosa, mas intimamente, cobriu a marca com a palma da mão, para mantê-la perto. Não fazia idéia do que era, mas a fazia sentir intranqüila depois de seu estranho sonho. Enquanto examinava seu reflexo, viu a segunda marca. O ar ficou preso na garganta e seu coração começou a palpitar. A marca estava em seu seu peito, um vívido vermelho destacando rigorosamente contra sua branca pele. Como havia chegado ali? Não era a picada de um inseto. Pior ainda, enquanto olhava sua mão, pressionada com força contra o pescoço, divisou débeis marca em suas mãos, que pareciam marcas de dedos. Deixou cair à mão, sem alento. Não era possível que ele tivesse entrado em seu quarto.

Teria permitido Rafael entrar em seu quarto? Beijá-la ou tocá-la. Obrigou-se a examinar as marcas totalmente reais. Uma marca sobre sua pele. Era sua marca de propriedade? Gemeu em voz alta, seu rosto flamejando de vermelho. Preferia acreditar que tinha sido um sonho erótico. Sacudiu a cabeça e se vestiu apressadamente, sem estar disposta a pensar muito no que parecia um sonho nebuloso.

Domino era um cavalo grande e ficava nervoso quando o selava. Trabalhou rapidamente, com movimentos hábeis e reconfortantes. Enquanto todo o tempo lhe cantarolava com afeto, ela levou-o para o estreito caminho que conduzia às montanhas.

Ele era difícil de ser dirigido, pois nunca podia se recostar, relaxar ou desfrutar da cavalgada. Domino possuía mais truques que a maioria dos cavalos de rodeio. O estreito caminho quase era impossível de distinguir, eliminando efetivamente um de seus hábitos favoritos.

Colby literalmente tinha arrancado o rifle das mãos de seu anterior proprietário, salvando a vida de Domino. Meio louco pela dor e o medo das horrendas surras que havia recebido, o cavalo tinha arrasado tudo e todos os que se aproximavam. Não podia lembrar exatamente o que havia dito ou feito para convencer o proprietário de que lhe vendesse o cavalo, ou sequer como conseguido lhe carregar no transporte, em sua terrível condição.

Havia levado três anos de paciente amor, centenas de horas passadas sentada perto dele, dizendo palavras tranqüilizadoras. Agora ele a buscava ansiosamente, empurrando a cabeça para ela, apregoando alegria quando a via. Mas montá-lo... Colby sacudiu a cabeça, sorrindo. Montar-lhe nunca era fácil, mas era exatamente o que precisava. Manteria sua mente longe de Rafael Da Cruz.

Depois de quarenta e cinco minutos subindo pelas montanhas desmontou, preferindo conduzir Domino e desfrutar da tranqüilidade que a rodeava, enquanto procurava sinais de Pete. As montanhas possuiam setecentas milhas de longitude, estendendo-se da Califórnia através do Oregón e Washington até o Canadá. A cordilheira nascera do fogo e depois fora esculpida pelo gelo. Juntamente com uma cadeia de vulcões, a cordilheira dispunha de espessos bosques, uma multidão de cascatas e cataratas ao longo de milhas de campos nevados. O rio Columbia literalmente cortava a cadeia montanhosa pela metade. Guardada por três vulcões de altura imponente, riachos de água branca rasgavam os desfiladeiros rochosos, com velocidade. Escarpados de lavas, lagos, riachos e exuberantes bosques de árvores perenes. As montanhas eram inigualáveis em beleza e ferocidade.

Colby permaneceu em pé a beira do escarpado, para olhar para cima, à afiada parede montanhosa que se elevava sobre ela. Exigia respeito. Essas montanhas eram berço de muitas lendas. Milhas de terra selvagem e indômita, o homem raramente penetrava nas profundezas dos imponentes bosques ou os canhões traiçoeiros, as colinas que se elevavam milhas após milhas. As histórias de terror se repetiam ao redor dos fogos de acampamento, sobre uivos que reverberavam no interior, sobre o legendário Bigfoot levando aos intrusos, que nunca voltavam a ser vistos.

Colby soltou um pequeno suspiro e se inclinou para recolher uma flor silvestre, que lutava corajosamente por sobreviver entre as rochas. Ela amava a quietude das montanhas. Podia se sentar durante horas, simplesmente absorvendo a sensação. Isso não significava nem por um momento que se permitisse ser descuidada. Nem Colby, que estava familiarizada com as montanhas que quase qualquer outro lugar, tornava-se complacente. Tendo um rancho aninhado num pequeno vale nos arredores das montanhas nascentes era muito consciente dos misteriosos sucessos, sem explicação. Um mau cheiro se elevava chegado de alguma parte, ofensivo e nocivo. Estranhos silêncios que mesmo os insetos respeitavam. Muitas vezes sentia-se observada, um estranho pressentimento ocupado pela sensação da pele arrepiando-se.

A maior parte dos ranchos estavam montanha abaixo, a várias milhas de distância do rancho Cheves. A propriedade de Clinton Daniels limitava com a de Colby para o sul, mas só vinte mil acres de Sean Everett se estendiam além da propriedade de Colby, com a terra do estado atrás dele. Everett havia brigado com o estado pela maior parte da terra, comprando o resto de rancheiros de pequena importância. ComColby, ele parecia preferir as montanhas, levando uma existência mediana e auto-suficiente. Sua frota de veículos, sem mencionar o pequeno avião Piper e o helicoptero, que deixavam-na verde de inveja.

Os trabalhadores do Everett viviam em confortáveis casas com suas famílias, principalmente mantendo-se por si mesmos embora ela os conhecia todos por seu nome e podia chamar algum, de amigos. Pareciam trabalhar duro. O rancho Everett definitivamente havia prosperado e seu gado permanecia gordo mesmo nos maus tempos. Alguns de seus trabalhadores, a maioria dos quais nunca tinha trabalhado em um rancho até que Sean lhes tinha proporcionado um lar, estavam começando a se interessar pela competição em rodeio.

Colby sorriu enquanto recolhia as rédeas de Domino. Havia passado grande parte de seu tempo fazendo negócios com homens, ganhando uma reputação como ranchera confiável e sagaz, com um excepcional talento com os cavalos. Isso lhe tinha proporcionado uma tranqüila confiança em si mesmo, uma alegria de viver. Era uma dessas pessoas afortunadas que aceitavam sua forma de vida e simplesmente viviam o melhor que podiam.

Ela subiu facilmente na sela, desfrutando do familiar chiado do couro. Colocando seu chapéu em um ângulo melhor para proteger os olhos dos raios do sol, girou suas rédeas, para a parte mais longe de sua propriedade. A cerca estava ruim há muito tempo e para desgosto de Colby, o gado preferia esta região remota e acidentada. Pete, possivelmente tinha ido reparar a cerca. Ela esfregou os olhos várias vezes. O sol não estava alto, mas sentia-os doloridos, excessivamente sensíveis à luz.

Enquanto Domino elegia seu caminho cuidadosamente sobre as rochas soltas, seus cascos eram o único som na quietude absoluta, Colby alternava entre esquadrinhar ansiosamente o chão em busca de rastros e franzir o cenho nervosamente para as proeminentes montanhas. A rocha pronunciada guardava uma série de escuras e proibidas cavernas que conduziam às vísceras da montanha. Não gostava muito esta parte da propriedade e a evitava, com qualquer desculpa possível. Havia uma sensação de maldade, um escuro temor, como se a terra ali estivesse viva, esperando pacientemente, implacavelmente para reclamá-la. Nunca tinha sido capaz se aproximar, sem que seu coração pulsasse a um ritmo mais rápido que o normal e o estômago se agitasse. Uma terrível sensação de mau presságio sempre a sobressaltava, um temor que possuia desde de sua infância. Nunca se esqueceria de ter ficado presa no velho poço de mina abandonado, uma guarida primitiva, de cem anos. Tudo viera abaixo, sufocando seus gritos de menina de nove anos. Ficara enterrada viva, presa na úmida terra putrefata durante onze horas. Havia sido uma eternidade. Nem com seus talentos especiais conseguira mover a terra e a rocha. Havia esperado sozinha e assustada na terrível escuridão, que seu padrasto viesse resgatá-la.

Algo se movera nas escuras vísceras das cavernas, um pouco não humano. Tinha visto chamas vermelhas em olhos brilhantes e sentido o cheiro de carne morta. A coisa zombou dela, com sua voz grave e com a pele estirada sobre sua caveira. Tinha visto dentes afiados manchados de sangue e longas garras, no lugar das unhas. Seus pais juravam, quando despertava gritando na noite, que tinha sido sua imaginação. Colby ainda passava mal, acreditando que podia ter conjurado à horrenda criatura.

Armando Cheves fechara as minas e ela não havia tornado às explorá-las, sentindo que o lugar era como uma gigantesca teia de aranha, que esperava seu retorno. Foi depois de que Armando ficou paralisado por causa do acidente de avião, que Colby voltou para declarar as minas inseguras e totalmente proibidas para Paul e Ginny. Negava-se a permitir que Paul patrulhasse esta área da cerca, fazendo ela mesma ou encarregando o trabalho a Pete.

A cerca estava no chão, com o arame farpado enrolado em torno de um poste caído. Pôde ver uma luva de couro enganchada no arame. Desmontou rapidamente e se apressou até a luva. Os três ranchos se uniam neste ponto. A propriedade Everett subia pronunciadamente atrás a dela, errupcionando em densos e espessos bosques selvagens. A propriedade de Daniels ia para o sul, inclinando-se gradualmente em suaves colinas cobertas de erva. Ele havia pontilhado a região, com uma série de pequenas choças e maquinas velhas. Sua estupidez, pensou ela sardônicamente, era uma agradável ofensa ao ambiente do lugar.

Cuidadosamente liberou a luva do arame farpado e a sustentou para examiná-lo. O som de uma rocha caindo fez ela se voltar, justo quando Domino elevava a cabeça, com as orelhas para trás, bufando. Colby se aproximou de seu cavalo, tirando facilmente o rifle de sua cartucheira. Voltou-se, com o coração na garganta. A várias jardas de distância um homem estava em pé, segurando seu cavalo, tão assombrado como ela.

Lentamente ela relaxou, quando reconheceu o capataz do rancho de Clinton Daniels.

- Aparece nos lugares mais estranhos, Tony. – Saudou-o. - Obrigado por me tirar dez anos de vida.

Ele continuou avançando para ela, seu olhar escuro ia da luva que ela tinha na mão e o rifle que segurava.

- Eu tampouco esperava te encontrar aqui. A cerca teve que estar tendida no chão, antes que você a reparasse.

Ela montou a Domino. Não gostava de parecer tão pequena junto a Tony. Jogo o chapéu para trás, encolhendo os ombros, indiferente ante a acusação. Nunca gostara de Tony Harris. Conhecia-o há anos, muito antes que Daniels o contratasse. Ele possuia uma veia indefinida. Sua reputação de valentão era legendária, quase tanto como sua fama com as mulheres. Nunca tinha entendido seu encanto fatal, consternava-a o número de mulheres que sofriam física, mental e emocionalmente por ele, mas que como mariposas por uma chama, sempre voltavam por mais. Já ela, sentia-se nervosa.

Colby pendurou a luva no cinturão e arqueou uma sobrancelha para Tony.

- Quer me dizer o que está fazendo em minha propriedade? - Obrigou-se a sorrir, embora a forma em que os olhos dele percorriam seu corpo a fazia muito consciente de seu isolamento.

Ele sorriu, maliciosamente.

- Possivelmente estava te procurando A princesa de gelo. A pequena virgem sacrificando-se pelos irmãos. Todos querem saber quem derreterá seu coração. – Ele gargalhou, mas o som saiu áspero na quietude das silenciosas montanhas.

- Você não, Tony. - Assegurou-lhe ela, serenamente. - É muito mau para meu gosto.

- Quer dizer muito homem. – Contratacou ele pavoneando-se, enquanto se aproximava mais de seu cavalo.

Colby arqueou uma sobrancelha para ele.

- Ouvi dizer que estavam procurando cômicos no Wayside Saloon. Por que não candidata?

- Pode ser que o faça. – Ele estava diante dela, perto o bastante para que lesse as idéias que espreitavam em seu rosto. - Sempre quis ter voce para mim, um par de horas, nada mais. - Disse ela maciamente, como se pensasse em voz alta. - Sempre está sentada nesse pedestral e seria agradável ter você se arrastando a meus pés.

Colby riu, abertamente.

- Tem uma imaginação muito ativa, Tony. É uma fantástica fantasia, mas terei que ir embora. Tenho muito trabalho a fazer. O que me lembra. O que está fazendo em minha propriedade? Não está procurando bezerros perdidos, não é?

- Está me acusando de algo? - Espetou ele, instantaneamente furioso, dando outro passo ameaçador para ela.

Domino se moveu intranquilamente, não gostava da proximidade do homem. Colby girou casualmente o cavalo de lado, descansando o rifle com naturalidade em seu corpo, com o cano baixo, mas indiscutivelmente apontado para a grande forma de Harris.

- Hey, Tony, conseguiu esse prêmio de volta? - Uma voz gritou, das rochas próximas.

Colby manteve os olhos em Harris. Não reconheceu a voz, mas ele parecia triunfante, mais malévolo que nunca.

- Claro, mas a Senhorita Jansen não está nem de perto tão agradecida como deveria. Possivelmente precisa de uma lição sobre como tratar apropriadamente um homem.

O segundo homem, um completo desconhecido, com barba de um dia e olhos sagazes, apareceu entre as rochas e entrou em sua linha de visão. Seus olhos estavam avermelhados e semicerrados, constantemente. Colocou os óculos escuros, mas não antes que ela visse sua expressão. Enquanto Tony Harris lhe era irritante, este homem a assustava. Harris era um valentão e este homem era o mal autêntico. Daniels havia feito uma feia aquisição. O mais provável é que estivessem lhe roubando às escondidas.

- Então está devolvendo meu gado. – Disse, pensativamente.

- Isso, Colby. Esses pequenos não queriam voltar. - Tony deu outro passo mais, aproximando-se de Colby, observando-a cuidadosamente com olhos ardentes.

- Que demônios está te atrasando tanto? - Daniels chegou cheio de pressa, olhando a seu capataz. - Volte para trabalho, Harris. Não deveria ter levado tanto tempo para devolver um par de novilhos. E poderia ter arrumado a cerca. – ele despachou os dois homens com um ondeio da mão, ignorando o áspero grunhido de Harris e a zombeteiroa insolência do outro homem. - Sinto muito, Colby, não me ocorreu que não arrumariam a cerca. - Pela primeira vez, ela pareceu fixar-se no rifle. - Não estavam lhe dando problemas, não é?

Colby o enfrentou através da cerca. Suave, encantador. Um tubarão. Clinton Daniels tinha utilizado deliberadamente o terrível acidente de seu padrasto em benefício próprio. As faturas do hospital estavam aumentando e Colby aceitara um empréstimo utilizando o rancho como aval, os termos eram quase impossíveis de respeitar. Seu olho captou um movimento. Sobre a cordilheira, um dos taciturnos e silenciosos trabalhadores de Everett permanecia em pé junto a Juan Cheves, observando a cena abaixo. O trabalhador elevou uma mão para ela, ainda observando de sua posição avantajada.

Colby estalou em gargalhadas.

- Foi montada uma convenção aqui. Pensava que estava sozinha, mas somos suficientes para montar uma festa.

Daniels franzia o cenho para os dois homens silenciosos.

- Eu não acredito que seja tão divertido, Colby. Há algo estranho nos trabalhadores de Everett. Até o último deles é um ex-convicto. Deixa-me nervoso saber que estão sentados, observando tudo o que fazemos.

- Só querem que os deixemos em paz.

- Não é seguro que ande só por quí. - Daniels lançou outro olhar feroz aos dois homens. - E esses estrangeiros são também um povo estranho. Acredito que estão tramando algo.

Colby recolheu as rédeas, quando Domino avançou de lado, nervosamente.

- Obrigado por devolver meu gado, Clinton. Lamento sobre a cerca. Conseguirei alguns materiais logo que seja possível e não voltaremos a ter este problema.

- Poderia deixá-la assim alguns meses, te economizaria tempo e dinheiro.

Colby elevou o queixo.

- Não tem que se preocupar, terá seu dinheiro.

- Colby – Ele sacudiu a cabeça, estalando a língua para ela. - Sei que foi ao banco e a rechaçaram. Como esperas....

- Rechaçaram-me por causa de você, Daniels. Acredita que não sei? E não é teu assunto como conseguirei o dinheiro. Você receberá.

Ele estendeu a mão e pegou as rédeas, evitando que ela se movesse.

- Está sendo muito teimosa, Colby. Deixa que os Cheves levem seus irmãos. Case-se comigo. Ainda terá seu rancho, sem nada de trabalho. Não deveria estar se matando tanto. Olhe-se, está pálida e cansada. Têm círculos negros sob os olhos. E perdeu peso. Deixe-me cuidar de você.

Ela fez Domino retroceder, para longe de Daniels.

- Ninguém vai levar meus irmãos a nenhum lugar. Agora se me perdoa, tenho trabalho a fazer. – Bruscamente, ela girou o cavalo, urgindo-o a voltar para as rochas, enquanto colocava o rifle na cartucheira. Automaticamente seus olhos foram para o chão, recolhendo sinais, notando que os cavalos de Harris precisavam de uma ferradura nova na pata traseira esquerda. Levou alguns minutos para se precaver que não tinha visto nenhum rastro de gado acompanhando o cavalo de Tony.

Levantou o olhar uma última vez para os altos escarpados, sentindo essa sensação familiar no fundo de seu estômago. Já estava atrasada em seus trabalhos. Enquanto começava a retroceder para o rancho, divisou um abutre dando voltas pelo céu. Observou seu avanço, girando Domino para poder segui-lo através das grandes rochas ao longo dos profundos escarpados. Rodeava uma rocha particularmente afiada, viu mais dos enormes pássaros. Estavam congregados perto da base de um dos escarpados.

Logo sentiu um terrível temor, seu corpo se enrijeceu. Domino começou dançar nervosamente. A linguagem corporal de Colby se comunicava instantaneamente ao animal. Ela mordeu o lábio inferior, esquadrinhando o lugar para se assegurar de estar sozinha esta vez.

Colby se aproximou a pé, sem confiar na reação de Domino frente aos pássaros e o mau cheiro. Levou o rifle com ela, mas utilizou sua pistola, disparando para o ar, a fim de assustar os abutres e alertar aos cavaleiros de Everett, que precisava de ajuda.

Rodeou o lugar, cuidando em não perturbar nada, procurando os rastros que indicariam o que havia acontecido. Soube antes de alcançar o corpo, que se tratava de Pete. Estava morto há dias. Parecia como se estivesse subindo e deslizou, caindo. À parte de atrás de sua cabeça devia ter batido na rocha perto de onde estava. Havia sangue sobre a rocha e mais lhe manchava a camisa ao longo dos ombros.

Colby viu os cacos de uma garrafa de uísque, ao redor. Fechou os olhos, súbitamente cansada, a garganta lhe fechou por causa das lágrimas não derramadas. Por um breve momento descansou a mão sobre o braço do Pete. Imediatamente a afastou, voltando a afastar-se do corpo, olhando ao redor, muito assustada.

Sentiu, no instante em que tocou. Soube que não tinha sido um acidente, que Pete tinha sido assassinado. Não sabia quem ou por que, somente que alguém o matara. As seqüelas da violência ainda impregnavam a terra e as rochas, especialmente o corpo. Colby examinou tudo cuidadosamente, desejando ler as mensagens que a terra podia lhe proporcionar, mas não querendo perturbar a cena do crime.

Afastou-se do corpo, de volta para Domino e enterrou a cara contra o animal. Este por uma vez ficou quieto, imóvel, como se soubesse que a consolava com sua presença.

- Colby? - Seu próprio nome brilhou tenuemente em sua mente. Uma calidez se verteu no frio de seu corpo. - Pequena, sinto sua dor. Não posso ir a você. Compartilhe-a comigo. Deixe-me te ajudar.

As palavras estavam ali, suaves e reais. Ouviu-as. Sabia que era a voz de Rafael, pois sentia sua presença. Também sentia o tremendo esforço que ele estava fazendo para alcançá-la, através do que devia ser uma grande distancia. Deveria tê-la surpreendido, mas o aceitava. Ela era diferente. Ele era diferente. Pela primeira vez em anos, queria lançar-se nos braços de alguém e romper a chorar. Nem se importava que ele a tivesse chamado de "pequena".

 

- Isto não está bem, Colby. - Disse Ben enquanto caminhava além de onde ela estava sentada, sobre uma rocha grande e redonda. - Sinto muito, céu, sei que queria bem a esse velho. Deveria ter te escutado. - Colocou sua mão sobre o ombro dela, numa tentativa de consolá-la.

- Não é tua culpa, Ben. Certamente estava já morto quando informei de seu desaparecimento. - Colby esfregou as têmporas latentes, enquanto olhava para o xerife. - Não foi um acidente, não é?

Ben suspirou pesadamente. Colby sempre fora trasparente como o cristal. Podia ver sua dor, como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros.

- Trataremos como um homicídio até que saibamos algo mais. Forografamos tudo e finalmente terminamos. Sei que foi uma manhã longa para você, mas temos que fazer isto antes de poder mover o corpo.

- Posso ler os rastros, Ben. Ele não caiu desse escarpado. Golpearam-lhe por trás. As salpicaduras de sangue não coincidem com uma queda. E seu corpo não está machucado para tanto. Seus joelhos golpearam primeiro chão, como se as pernas se dobrassem sob ele. - Um soluço embargou sua voz e ela afastou o olhar, pressionando uma mão sobre a boca.

Ben amaldiçoou, brandamente.

- Está com mau aspecto. Você e as crianças devem tomar cuidado, Colby. Não sei o que está acontecendo, mas eu não gosto disso.

Ignorando sua mão estendida, Colby saltou da rocha e se afastou dele, limpando-as lágrimas que corriam por seu rosto.

- Quem lhe faria algo assim, Ben? Ela tinha mais de setenta anos. Não faria mal a uma mosca. Não tinha nenhum dinheiro. Por que alguém faria isto?

- Vá a casa, carinho e deixe-me ocupar disto. Precisa estar com as crianças. - Ben estava suprimindo a própria raiva. O fato acontecera muito perto de casa. Alguém tinha assassinado Pete, não havia forma de negar o fato. Ben havia examinado cada centímetro do escarpado. Alguém estivera lá encima e começado uma pequena avalanche de rochas, para que parecesse que Pete houvesse caído, mas ele estava justo onde fora assassinado. Ben apostaria sua reputação. Colby era uma boa rastreadora e tinha razão, que Pete tinha caido de joelhos antes de cair de costas.

Ben tinha examinado as unhas do velho. Não havia nenhuma bolinha de sujeira que indicasse que Pete havia tentado se segurar nas rochas, como faria se tivesse caído. E as manchas de sangue não coincidiam com uma queda e um posterior golpe na cabeça. Os pássaros haviam desgarrado o corpo, o que não tinha ajudado a preservar a cena do crime, mas Ben tinha encontrado outras lacerações perturbadoras no corpo de Pete, que não discutira com Colby. Havia marcas de dentes... Marcas de mordidas humanas... Como se alguém tivesse tentando comer o corpo depois que Pete morrera. Estava seguro de que as mordidas eram posteriores à morte. Era estranho e aterrador, quando raramente aconteciam crimes graves na região. Colby devia ter visto as perturbadoras mordidas, mas não ia obrigá-la a admitir. Ben amaldiçoou novamente enquanto estudava fixamente a pequena figura de Colby. - Vá para casa, carinho, chamarei você quando souber mais.

Colby assentiu, estremecendo de repente. O que realmente estavam fazendo Tony Harris e o outro vaqueiro em sua propriedade? O que estavam fazendo o cavaleiro de Everet e um dos irmãos Cheves, tão longe da casa principal? Um de seus vizinhos havia assassinado Pete? Quem se beneficiaria de semelhante brutalidade? Ela passou a mão pelo cabelo, temendo ter que contar a Ginny e Paul.

- Colby, não pode fazer nada por ele. Vá para casa. Só se tortura ficando por aqui. - Ben foi inflexível. - Passarão alguns dias antes que o corpo esteja disponível. Prometo que a chamarei e te ajudarei com os acertos finais, enquanto isso, fique perto da casa... Nada mais de cavalgadas por aí, sozinha.

Colby assentiu lentamente, girando-se pesadamente, seus ombros capidos pela derrota. Ben tinha razão, não podia recuperar Pete e não tinha sentido postergar contar aos irmãos. Provavelmente Paul já soubesse, tinha um rádio e vira o xerife e sua gente chegando ao rancho. Ela subiu no cavalo e se dirigiu resolutamente para casa.

Profundamente clandestino, preso no rico chão, Rafael jazia incapaz de consolá-la. O laço de sangue assegurava que podia tocar a mente dela e conhecer seus pensamentos à vontade. Ela precisava dele, necessitava que ele a abraçasse, que a consolasse. Estava tentando ser muito valente por seus irmãos. Mas estava chorando. Em seu coração e em sua alma, ela estava chorando. Sua dor era tão grande que havia penetrado seu sono rejuvenescedor, despertando-o para compartilhar seu sofrimento. Doía-lhe o peito, o peso da angústia dela pressionava seu coração, como uma pesada pedra. Ansiava, desejava abraçá-la e poder reconfortá-la.

Era uma experiência singular para ele, sentir algo por outra pessoa. Emoção autêntica. Havia esquecido a sensação. Humilhava-o, pensar nela e só ela lutando por manter a palavra dada a seu padrasto. Estava sozinha, assustada e lutava com um inimigo invisível. Não sabia o que queriam ou por que a atacavam, mas estava corajosamente disposta a defender seu rancho e seus queridos irmãos. Rafael se concentrou em manter o vínculo aberto entre eles. Sua mente era complexa. Havia salvaguardas naturais, barreiras que ainda estava lutando para atravessar. Mas ela era a única e era sua companheira. Seu sangue o chamava. Sua alma clamava pela dele.

Rafael compartilhava seu coração e sua alma. Seu dever era cuidar de sua saúde e felicidade sobre todas as coisas. Acima de sua própria felicidade. Estava começando a entender o que isso significava. Preso pelo elevado preço de sua imortalidade, jazia à espera, precisando estar com ela, incapaz de consolá-la. No momento, o que mais importava era consolá-la, mais que possui-la. Precisava apertá-la a salvo em seus braços. Aprendera e aprendia duras lições enquanto jazia na terra. E aprendeu cada uma delas, com sua ignorante companheira.

Ela conversava amorosamente com seus irmãos com um mundo de confiança em sua voz, enquanto profundamente dentro de sua mente Rafael podia ouvir seus gritos aterrados. Deu atenção a cada um deles, respondendo suas perguntas e tranqüilizando-os. Era paciente, quando sabia que tinha uma longa lista de tarefas que deviam estar prontas antes do anoitecer, apesar da tragédia. Enquanto durava tudo isso, se perguntava continuamente se poderia ter encontrado Pete antes, se poderia ter feito algo para lhe salvar a vida.

Trabalhou duro, numa tarefa de uma vez, dedicando a cada trabalho o mesmo esmero, sendo fácil ou difícil, se desfrutasse ou o odiasse. Era rápida e eficiente e sempre pensando no trabalho seguinte, revisando mentalmente a lista. Para Rafael foi o período mais longo e mais difícil de sua vida. Se via indefeso e preso sob a terra, com seu corpo débil, sua enorme força drenada, enquanto que em alguma parte sobre ele, Colby exausta pela falta de sono e a perda de sangue, trabalhava até tarde.

Ela havia utilizado seus talentos únicos para arrancar o trator e mantê-lo em funcionamento enquanto trabalhava um dos campos. Era extenuante utilizar seus poderes mentais para manter a maquina funcionando. Palpitava-lhe a cabeça, quando foi do campo ao curral dos cavalos inquietos. Seu irmão se uniu a ela para ajudar a segurar os cavalos selvagens.

Rafael estava dividido entre a admiração absoluta por ela e uma lenta fúria apaixonada. Ela era uma mulher jovem e vulnerável. Por que estava sozinha e desprotegida? Por que realizava um trabalho que exigia tanto, física e mentalmente? Sentia a dor de cada queda quando ela golpeava o chão. Cada choque contra a cerca. Era perigoso, incrivelmente perigoso. Deteria-a. Nunca permitiria que ela continuasse, quando ele podia lhe tornar a vida bem mais fácil. Aguardou seu momento, esperando que o sol entrasse.

Colby estava além do cansaço, tropeçava na luz decrescente através do celeiro, até ficar olhando os arreios. A maior parte deles precisavam ser limpos e remendados. Era trabalho de Paul. Provavelmente ele o passou a Ginny e ela havia esquecido. Alguém teria que arrumá-los logo ou viria abaixo, como todo o resto no rancho.

- Virá abaixo. - Murmurou em voz alta, apoiando um quadril contra o marco da porta. – Virá abaixo rapidamente. - Todo o rancho viria abaixo com rapidez e ela não podia com todo o trabalho. Era só uma pessoa e não tinha tanto tempo. Não tivera fome em todo o dia e não procurara comida, utilizando o tempo extra para compensar as horas que havia passado com o corpo de Pete. Parecia ter estado terrivelmente sedenta todo o dia, mas não tinha fome e a idéia da comida a deixava nauseada, doente.

Durante um momento ouviu o som de vozes sorrindo, chegando do alpendre. Esteve tentada a chamá-los para que a ajudassem, mas soavam tão inocentes e jovens, que não teve coragem de chamar os irmãos, depois de um dia tão terrível. Os dous estavam tristes por Pete e se podiam encontrar alguns momentos para rir juntos, não ia lhes tirar isso. A morte do Pete estava ali, em sua mente, despedaçando-a e esmagou a repentina urgência assustadora de unir-se a eles. De sentir-se jovem e despreocupada durante um momento, em vez de outra vez causar dor.

Com um pequeno suspiro se moveu através do enorme celeiro para o diminuto quarto, mais afastado. Estava escuro no quarto dos arreios sem as janelas que permitissem entrar os últimos raios de luz. O peso do mundo parecia estar sobre seus ombros. Irritada por estar se autocompadecendo, Colby ergueu os ombros resolutamente, dando um passo para o interruptor da luz.

Uma mão passou junto a sua cabeça, batendo o interrumptor, iluminando o pequeno quarto dos arreios. Colby ofegou, virando-se rapidamente para enfrentar o intruso, embora seu corpo já sabia exatmente quem era. Rafael. Ele havia fechado a porta atrás dela e sabia positivamente que não havia ninguém no quarto, quando entrara.

- O que está fazendo entrando furtivamente em meu celeiro? – Exigiu ela, esperando desesperadamente que ele não pudesse ouvir o frenético palpitar de seu coração. Por alguma razão a marca em seu pescoço começou a pulsar e arder. Defensivamente, colocou a mão sobre ela enquanto levantava o olhar para ele.

Ele era incrivelmente intimidante. Grande e musculoso, seus ombros largos enchiam o quarto pequeno. Mais que isso, ele exsudava uma escura rede sexual da qual não podia se liberar. Seus olhos estavam cheios de promessas, cheios de desejo e fome. Por um momento esse olhar ardente descansou pensativamente sobre a mão que cobria sua marca. Um lento sorriso suavizou a crueldade latente de lábios dele, seus olhos negros se fixaram na pulsação frenética da garganta de Colby.

- Estou afinando minhas habilidades. - Disse ele, lenta e gentilmente, quase zombeteiramente, para não assustá-la. - Parece algo selvagem, a ponto de se colocar a voar. - Viu-a elevar o queixo, num gesto que se encontrara esperando, inconscientemente.

- Que habilidades? – Perguntou, Colby que tremia tanto, que colocou as mãos para trás para que ele não notasse, embora ele parecia notar até o mínimo detalhe sobre ela. Colby retorceu os dedos para mantê-los imóveis. Era irritante agir como a proverbial provinciana, cada vez que estava perto dele.

Rafael deu um passo para frente, deslizando-se facilmente sobre o assoalho forrado de palha. Colby teve a impressão de ver um gigantesco felino, silencioso sobre qualquer superfície. Os olhos negros ardiam sobre sua figura. Recostou-se contra a parede, olhando-o, quase impotente. Somente sentia que vê-lo, fazia sentir que queria desmanchar-se em lágrimas. Não podia lutar contra sua autoridade de aço. Não agora. Não esta noite. Ele era forte e ela não estava condições de enfrentá-lo emocionalmente.

- Senhor Da Cruz. - Disse, tentando encontrar sua voz. - Hoje tive um dia particularmente duro. Realmente não quero brigar.

Ela tinha intenção de soar firme, Rafael lera em sua mente, mas soou tão rendida que seu coração bateu forte. Quis tomá-la nos braços e acorbertá-la em seu coração.

- Eu a ouvi. - Replicou ele com sua voz mais tranqüilizadora. - Não tenho intenção de brigar contigo, querida.

Seus olhos já não eram frios e duros, mas ardiam com tanta intensidade, que se sentia como se realmente ele a tocasse fisicamente, quando dirigia seu olhar para ela. Seu sorrir penetrava através dos sentidos de Colby, enterrando-se tão profundamente que ela o respirava. Era aterradora a forma em que seu corpo reagia perante ele, a sua aparência. Ao som de sua voz.

- Que habilidades tem, exatamente? - Insistiu, precisando de palavras que destruíssem a perturbadora eletricidade que se acumulava no pequeno espaço do quarto. Parecia estar arqueando-se e rangendo entre eles, saltando de sua pele a dele.

Realmente ele parecia estar tocando-a com seus dedos lhe acariciando a pele. Suas mãos penduravam frouxamente, inocentemente ao lado de seu corpo. A sensação era tão real que Colby se encontrou ruborizando-se.

- Suas habilidades para acossar mulheres. - Tentou soar severa. Seus lábios traidores já estavam secos. Colby esfregou as mãos pelos jeans descoloridos, tocando uma parte de palha com a ponta da bota enquanto evitava olhar para ele. Seria um grande momento para um terremoto, para que a terra se abrisse e a tragasse.

A risada dele foi suave e incitante, enquanto chegava mais perto, obrigando deliberadamente Colby a retroceder, precipitadamente.

- Você é a única mulher que persigo.

Colby continuou retrocedendo até estar quase contra a parede. Rafael estendeu uma mão e a afastou dos ganchos de metal, por segurança.

- Quer algo em particular ou simplesmente veio para me irritar? – Mais uma vez, ela tentou soar intimidante. Podia acreditar facilmente que ele nunca precisasse perseguir mulheres. A nenhuma mulher. Provavelmente elas se avançavam sobre ele.

O sorriso de Rafael se ampliou, revelando dentes assombrosamente brancos.

- É isso o que acha que faço, pequena, te irritar? – Ele se inclinou ainda mais perto, descansando uma mão sobre a parede junto a sua cabeça, aprisionando-a efetivamente. - Eu não descreveria sua reação a mim, precisamente assim.

Colby conteve a respiração, quando a forma assombrosamente musculosa dele roçou tentadormente a sua. Fraquejaram-lhe as pernas, doeram-lhe os seios e cada terminação nervosa saltou à vida, formigando para a consciencia. O calor do corpo dele era assombroso. Parecia que a temperatura do quarto aumentara algumas centenas de graus.

A mão dele pegou um dos arreios de seu lugar de armazenagem na parede. Colby poderia jurar que ele ria brandamente, enquanto se voltava para sentar num dos fardos de feno, mas quando levantou os olhos, a máscara inexpressiva de Rafael não revelava nenhuma emoção.

- Vai aí me olhando ou vais me ajudar? - Perguntou ele, segurando o arreio.

Colby olhou-o como se tivessem duas cabeças. Suas mãos estavam ocupadas no couro e seus dedos eram seguros e hábeis. Observou-o, contando os batimentos de seu coração. Finalmente, contra vontade, deu os dois passos que a levavam para seu lado.

- Vai me ajudar com os arreios? Qual é a armadilha, Da Cruz?

- Acredito que seria um bom momento para que começasse a me chamar de Rafael. - Disse ele, tranqüilamente.

Colby pensou um momento e depois se sentou, evitando cuidadosamente tocar seu corpo. Mesmo assim, podia sentir o calor que ele irradiava para. Calor corporal.

- Rafael, então. - Repetiu com um suspiro. - Qual é a armadilha? - Pegou a brida que ele deixou cair em seu colo, desesperada para fazer algo que distraísse sua atenção.

- É essa sua filosofia de vida? - Replicou ele, brandamente. - Sempre tem que haver uma armadilha? Uma forma muito interessante de viver. É uma tradição americana?

Colby o repreendeu com um olhar.

- Sabe muito bem que não é nada semelhante. Aconteceu-me mais de uma vez, ao longo dos anos e há um preço a pagar por quase tudo.

As sobrancelhas negras se arquearam.

- Incluindo a simples amizade?

Não a olhou enquanto trabalhava o couro, seus dedos seguros e rápidos.

- Não acredito que saiba o que significa ser simples. O que é que quer de mim, Da Cruz?

- É tão difícil usar meu nome? - Perguntou ele maciamente e o som de sua voz se espalhou sobre ela, roçando suas vísceras e causando uma sensação funda em seu estômago.

- Não acredito em confraternizar com o inimigo. – Ela olhou seus traços perfeitamente cinzelados e rapidamente afastou o olhar. – Você é meu inimigo, Rafael. – Deliberadamente, ela utilizou seu nome para provar que não o temia. Foi um engano. Criou mais intimidade ainda entre eles no pequeno quarto. - Quer meus irmãos. Quer o rancho. - Seus olhos de repente se encontraram com os dele. - Acima de tudo quer voltar para casa e eu me interponho em seu caminho. - Olhou-o intensamente como se procurasse algo além do que lhe dizia.

Rafael sentiu a súbita onda de poder no quarto. Era forte e concentrada. Soube imediatamente que ela se estendia em busca de informação em sua mente, procurando respostas ante a repentina mudança nele. O júbilo o atravessou, mas manteve seu triunfo profundamente enterrado. Estendeu a mão casualmente para a seguinte peça de couro e seu braço roçou deliberadamente o corpo dela.

- Isso era certo a um par de dias. Agora já não é assim.

- O que mudou? - Havia grande ceptisismo em sua voz.

- Conheci-a. – Ele falou, tranqüilo e sério. Tudo havia mudado. Voltaria para casa, mas a levaria com ele. Nada mais lhe importava, teria-a, custasse o que custasse. Deveria levar-lhe sem mais delongas. Tinha poder para raptá-la, levá-la a seu território, mas seus sentimentos evitavam que agisse assim. Ela parecia triste e cansada. Queria abraçá-la e reconfortá-la. Rafael era um caçador de vampiros, um homem de decisões e ações rápidas. Após mil anos de vida, encontrava-se num território novo. - Sinto muito por seu amigo. Sean me contou o quanto era unida a esse homem. Sinto muito, não sei seu nome.

- Pete. Pete Jessup. - A garganta lhe fechou, mas ela lutou para superar a emoção e continuar. - Era um bom amigo. Não estou segura de poder levar o rancho sem ele. Nem sempre podia fazer o trabalho, mas me dava conselhos valiosos. Todo mundo pensava que era um caso de caridade, mas Pete sabia muito sobre como levar um rancho. Ele trabalhou em ranchos toda sua vida e estava disposto a me ensinar. - Tinha-lhe proporcionado companheirismo e conselhos.

Colby pendurou a brida em que estivera trabalhando e encontrou outra peça, para evitar olhar para ele. Sentia-se morta de calor e ligeiramente envergonhada por ter compartilhado uma informação tão privada. Rafael Da Cruz era perigoso para ela. Em com tanta proximidade, podia sentir seu desejo de consolá-la, de protegê-la e isso era perigoso para sua paz mental.

- É uma mulher, Colby, não deveria ter que levar um rancho, sozinha. – Disse Rafael com voz tão tranqüila, tão gentilmente, que as palavras quase não foram registradas.

Por um momento ela ficou ali sentada junto a ele, até que as palavras penetraram em seu cérebro. Rafael sentiu outra vez, a veloz onda de poder, enchendo o quarto até que as paredes quase se curvaram para fora, num esforço por contê-la. Colby lutou por controlar seu temperamento, passando a mão pelo cabelo espesso e repirando fundo, enquanto lutava consigo mesma.

- Acredito que seria melhor que partisse, Rafael. – Sugeriu ela, finalmente. - Avalio tua intenção de amizade, mas nunca vamos ser amigos.

Os olhos negros irreais e brilharam para ela, ocultando milhares de segredos.

- Acredito que aprenderemos a ser bons amigos. - Seu sorriso foi francamente sexy, seus dentes eram muito brancos. - Será necessário que primeiro perca todo esse rancor.

Apesar do terrível dia, de suas preocupações pelo rancho, apesar de quem era ele, Colby se encontrou desejando sorrir ante sua escolha de palavras. Ambos, seu irmão e Ben Lassiter, com freqüência a acusavam exatamente do mesmo.

- Não sou rancorosa. - Quando seus olhos negros continuaram olhando fixamente para ela, encolheu os ombros. - De acordo, possivelmente um pouco no que a você concerne. Eu não gosto.

Ele inclinou-se para ela de forma que sua coxa roçou a dela.

- Adula a todos os homens ou sou eu o único privilegiado?

- Sinto muito, isso foi bastante grosseiro. Normalmente não sou grosseira. – Colby esfregou a testa. - Ao menos não acredito ser. Tá, concordo que possivelmente sou, às vezes. O que está fazendo aqui?

- Estou te cortejando. – Ele soava antiquado.

Seus vívidos olhos verdes saltaram para o rosto do homem.

- Me cortejando? Para que?

Ele voltou o poder de seus olhos negros sobre seu rosto. Hipnóticos e sexys como o pecado.

- Por que os homens cortejam normalmente às mulheres, Colby? Acredito que pode imaginar por si mesma. - Sua voz era brandamente aveludada e ligeiramente rouca, o sotaque lhe dava uma tremenda vantagem.

Colby pôde sentir sua pele arder. Pequenas chamas pareciam estar lambendo cada terminação nervosa. Com os olhos, lançou-lhe uma rápida reprimenda.

- Acredito que está tão acostumado que as mulheres caiam a seus pés, que não pode suportar que uma não o faça. Sou uma pessoa prática, Rafael. Homens como você não cortejam mulheres como eu.

O olhar negro deslizou sobre ela, da cabeça aos pés, como um sussurro de veludo, deixando sua pele ardente e o rubor arrastando-se lentamente por seu rosto.

- Aí está, disso mesmo estou falando. – Ela, acusou. – Passa sua vida seduzindo às mulheres e só pensa nos homens como amigos, colegas. Não saberia como tratar a uma mulher como amiga. E eu não saberia o que fazer com alguém que queira me seduzir.

Os dentes dele se mostraram mais brancos que nunca, seu sorriso era ligeiramente zombeteiro.

- Não acredito que entenda de todo a situação em que se encontra, pequena. Estou te cortejando como um homem corteja a sua futura esposa, não procurando uma mulher que passe algumas noites em minha cama. Não tem ou não sabe o que fazer com a sedução. Eu sei suficiente por nós dois.

Sua respiração abandonou seus pulmões e ela o olhou boquiaberta, silenciosamente consternada. Durante um momento só conseguiu olhar para ele.

- Alguma vez já se ouviu dizer essa tolice? – Colby saltou para colocar distancia entre eles, não estrangulá-lo com a brida. - Supõe-se que me escolheria para ser sua futura esposa mas não sua amante? Quantas amantes tiveste exatamente? Há um número determinado, para depois que se case ou deixa abertas as possibilidades?

Ela estava tão bonita que lhe roubava o fôlego. Havia uma veia de aço percorrendo seu pequeno e suave corpo, um orgulho feroz, duramente adquirido. Olhava-a e via si mesmo através de seus olhos. O que havia feito ele com sua vida? Ela não conhecia dele mais que a imagem que tão cuidadosamente tinham cultivado, de poderosos e ricos playboys.

A quem amava? Os membros da família Cheves viviam com ele durante séculos, ocupando-se de seus assuntos durante as horas diurnas, seus próprios irmãos, amados somente através de escuras lembranças... Sentia-a agora, essa intensa e protetora emoção, mas Colby lhe havia visto frio e indiferente. Vira que tinha pouco interesse nos outros. Pessoas em quem pensava como seu gado, sua propriedade. Era necessário protegê-los, mas era seu dever, uma questão de honra, nada mais. As mulheres estavam para serem seduzidas, utilizadas na realidade, presa fácil para um homem tão atraente e sedutor como Rafael. Colby Jansen estava olhando-o como se não fosse mais que um mulherengo inútil. Pensava que era bonito, sexy, mas mas frio e cruel. Inútil. Encontrou o mais ligeiro dos desprezos em sua mente, quando conseguiu deslizar por sua mente, passando sua guarda. Um amante latino. Pensava que sua vida era uma vida de festas intermináveis e mulheres. Os longos dedos de Rafael se apertaram sobre o couro gasto.

Colby sabia o que era amar feroz, apaixonada e protetoramente, Trabalhava duro sem se queixar, sem pensar em nada mais que naqueles dos quais cuidava. Rafael compreendeu que desejava desesperadamente ser um desses poucos que ela contava como dela. Levá-la a suas terras e reclamá-la, não ganharia seu amor verdadeiro. Ela era sua companheira e seu corpo lhe dava todas as respostas de uma companheira, mas em seu coração e sua mente ela o via com um indivíduo inútil. Compreendeu que não gostava de sua opinião sobre ele, absolutamente e mais importante ainda, que sua opinião tinha importância para ele.

Rafael e seus irmãos haviam sido enviados das Montanhas dos Cárpatos em tempos de turbulentas guerras e massacres. Havia passado muito desde que perderam suas habilidades para ver cores ou sentir emoções, mas serviram seu príncipe o melhor que suas habilidades lhes permitiam e mantido seu rígido código de honra. Era tudo o que restava num mundo cinza e vazio, de interminável existência. Mas através dos longos séculos, as lembranças se escureceram mais e a escuridão se arrastou até eles.

Os olhos de Colby de repente, lhe lançaram fogo.

- E se esquece de minha desafortunada estirpe? Por isso lembre-se, foi à razão pela qual a família Cheves não pôde encontrar em seus chamados corações, o perdão para aceitar Armando de volta ao seio familiar. Conforme sei, sou ilegítima. Um Da Cruz não deveria se associar com alguém como eu e muito menos me cortejar. Poderia arruinar seu bom nome.

Os olhos negros passaram de uma intensidade puramente negra até o mais frio gelo, tão rápido que Colby estremeceu.

- De onde tirou essa idéia? - Sua voz era muito suave, embora carregada de ameaça. Ele não se moveu, mas no momento estava muito perto, erguendo-se sobre ela.

Colby defendeu seu território, mas de repente este pareceu mover sob ela.

- Li a carta. A carta do patriarca da família ordenando Armando livrar-se de minha mãe e de mim, antes de trazer a desgraça ao nome dos Da Cruz. Estava na gaveta de minha mãe. Encontrei-a depois de que ela morreu.

Ele a olhou durante um longo momento sentindo a dor que tanto ela tentava esconder. Sentindo-a ferida.

- Ah, isso explica tudo. Para deixar as coisas bem claras, meus irmãos e eu temos nossas próprias e estranhas reputações. Não nos importa o que outros dizem de nós ou de ninguém mais. – Ele ondeou uma mão, descartando o assunto e Colby teve que acreditar. Ele era muito casual, muito arrogante e seguro de si mesmo, para se preocupar com o que outros pudessem pensar. - O velho Cheves era um homem que tomava muito a peito, sua posição na comunidade. Acreditava que se nos trouxesse a desonra, nos vingaríamos contra sua família de algum modo. Não era assim. - Rafael suspirou. - Não intervimos quando deveríamos. – Admitiu ele, pesadamente. Lamentava por ela, por essa jovenzinha que havia encontrado uma carta escrita por um velho orgulhoso que não entendia os costumes do novo mundo.

Colby poderia ter jurar que vira uma ternura fugaz em sua expressão, ao fitá-la.

- De todos os modos, não acredito que esse velho teria ouvido você. - Concedeu Colby, ligeiramente envergonhada de si mesmo. - Possivelmente seu pai, mas certamente não você.

Rafael esqueceu-se por um momento, de ser cuidadoso com as seqüências do tempo. Sempre advertia a seus irmãos, que deviam tomar cuidado ao falar do passado como se estivessem pressente ou tivessem vivido o momento. Escolheu suas palavras, com voz bem suave.

- Lamento que sua família tenha saído ferida pela pomposa atitude de um homem inflexível. Quando ele morreu e os irmãos do Armando descobriram a carta, não descansaram até virem em pessoa e tentar emendar o mal. A seu favor, tenho que lhe dizer que eles não sabiam que Armando havia se casado e tinha filhos. Não sabiam que sua mulher havia morrido num acidente de avião e que ele estava tão gravemente ferido. Se eles soubessem ou se meus irmãos ou eu soubéssemos, teríamos acudido-os no ato.

Era certo. Os Da Cruz consideravam Armando um membro de sua família. Se fossem informados de suas necessidades, teriam audido-o, com absoluta contundência. Deveriam ter sabido, deveriam ter cuidado em lhe monitorar a distância. Rafael teria que viver com esse conhecimento.

- Isso me faz sentir bem melhor, mas ainda não estou disposta a deixar que perfeitos desconhecidos levem meus irmãos. - Mesmo a seus próprios ouvidos, ela soava desafiante.

- Você não leu toda a carta que te enviou o advogado, não é? - Perguntou ele amavelmente, seu olhar negro fixo na face de Colby.

Ela elevou o queixo.

- Li o que necessitava e dei uma olhada rápida no resto. O rancho está em meu nome, pertencia a minha mãe. A família Cheves sabe disso? Ele esteve na família de minha mãe durante cem anos. Não vou entregar a eles. Armando recuperou todos os acres perdidos ao longo dos anos e trabalhou para convertê-lo numa propriedade próspera. Este é seu legado para seus filhos e tenho intenção de mantê-lo, para eles. Queria-o, muito. Ele merecia algo melhor.

Rafael assentiu lentamente, seus olhos nunca abandonaram a cara dela.

- Assim o fez, querida. A família Cheves queria que acompanhasse Ginny e Paul. São parentes, Colby e não são responsáveis pela terrível tragédia que seu avô precipitou sobre a família. Estão fazendo o que podem para lhes desagravar. - Sua voz escondia a mais gentil das recriminações. - Não precisam deste rancho, quando são ricos por direitos próprios. Cada um deles tem uma propriedade e controlam também nossas terras.

Colby passou uma mão pelo cabelo, num gesto nervoso.

- Estou cansada e foi um dia muito duro. Admitirei que me ajudou bastante e afastou minha mente da morte de Pete, mas realmente acredito que deve ir, Rafael. - Tinha alcançado o ponto no qual não era consciente de nada mais no quarto, exceto do corpo masculino. Seu sangue parecia surgir e palpitar com calor e fogo. Seu corpo inteiro se sentia intranqüilo e estranho. Não queria conhecer esta faceta dele. Nem a faceta amável e gentil. Era muito mais fácil resistir a ele se acreditasse que tinha um coração de gelo.

Ele fora até ela em sua hora mais escura, quando estava sozinha, cansada e vulnerável. Devotara sua ajuda com voz melódica. Somente sua voz podia consolar ao coração mais pesaroso. Não pediu que gostasse nem dele nem da família Cheves. Isso significaria que teria que ser justa e razoável.

Rafael podia sentir o cansaço nela. Seu corpo estava dolorido e cansado, doíam-lhe os músculos. Ela levantara muito cedo, para procurar seu amigo perdido e o dia tinha sido interminável. Colby se encontrava na ponta dos dedos, esperando que alguém a salvasse, quando ninguém podia vê-la. Ficou em pé lentamente e cuidadosamente colocou cada peça de ferragem de volta a seu lugar original, na parede.

Quando voltou a cabeça para fitá-la, Cobly deixou de respirar. Seus olhos eram negros e famintos. Vivos de puro desejo. Olhou-o bastante indefesa, congelada no lugar como um coelho hipnotizado. Incapaz de se mover. Nunca tinha visto olhos tão vivos, tão ardentes e famintos com uma intensidade que a assustava, embora a atraíam como um ímã. Como podia ter pensado que ele era frio? Rafael estendeu a mão lentamente, segurando a sua e arrastando-a lenta e inexoravelmente para seu lado.

Logo a eletricidade estava ali, faiscando e rangendo, fumegando ardente. Apenas lhe chegava à altura do peito e tinha que erguer a cabeça para ele. Ele simplesmente se inclinou, sem que seu olhar negro abandonasse nunca o pequeno e pálido rosto, enquanto se aproximava. Podia ver seus lábios sedutores. O coração começou a palpitar num ritmo frenético, igualando o pulsar exato do dele. Uma mão deslizou por suas costas, numa longa e lenta carícia. Observou como os lábios dele cercavam os seus.

- Não posso fazer isto. - Sussurrou Colby brandamente em voz alta, enquanto se aproximava de seu calor cativante. Ele era fogo, ela era gelo, como as imponentes montanhas que os rodeavam. Duas metades de um mesmo tudo. - Não posso fazer isto. - Repetiu mais para si mesma, que para ele. Uma última tentativa de se conservar. Seu corpo se derretia contra o dele, sem ossos e flexível como lava ardente, quando precisava permanecer longínqua, a princesa de gelo, como alguns de seus amigos a etiquetavam.

As palavras brilharam em sua mente, brilharam entre eles, em seu coração e alma. - Preciso fazer isto. - Necessitava dele, mais que o ar que respirava, mais que o sangue que lhe dava vida. - Você precisa. - A mão de Rafael lhe envolveu a nuca. Seus dedos eram quentes, fortes e firmes, atraindo-a para mais perto dele. Arrastou-a pelos últimos escassos centímetros que os separavam. – Preciso. - A crua e extrema verdade. Ela não confiava nele, o inútil, o playboy. Pior ainda, via-o como um homem que tentava seduzi-la para conseguir seus irmãos e o rancho. Doía, a imagem que tinha dele estava no mais alto em sua mente, feria mais do que estava disposta a admitir, mas nesse momento não importava a nenhum dos dois.

Havia uma diferença entre esperar algo e precisar desesperadamente. Rafael precisava da sensação dos sedosos lábios dela de seu corpo suave e flexível. Apressou seus lábios sobre os dela, numa fusão de veludo e seda, ainda mais ardente. O que exisatia entre eles parecia mais forte que nenhum dos dois. Um calor que espessava seu sangue e que fazia com que seus corações palpitassem freneticamente. A terra pareceu mover sob seus pés e ele a abraçou mais ainda, protetoramente, possessivamente.

Colby se sentia pequena e frágil junto a ele, mas ainda assim uma chama viva e que respirava.

Todas as boas intenções de Rafael se consumiram com em fogo que dançava tão ardente, que parecia varrer para o lado, sua prudência. Seus lábios se moviam sobre os dela, dominando e explorando, mesclando-os num mundo de pura sexualidade. Ele alimentou-se de sua doçura, desejando devorá-la, tomando-a em seu próprio corpo e encerrando-a em sua alma, para sempre. Ela tinha uma natureza apaixonada e se entregava ao puro prazer erótico.

As mãos masculinas moveram sobre seu corpo possessivas, precisando acolher cada polegada de sua pele. Ele afastou o decote da camisa para que seus lábios pudessem deixar um rastro de fogo ao passarem por seu pescoço, atrasando-se um momento sobre a tentação de sua pulsação. A mão dele subiu a fim de acariciar seus seios sob o soutien de renda, enquanto seus lábios encontravam a oferta amadurecida.

Os lábios dele eram ardentes e úmidos através da renda, a língua persuadiu seu mamilo até endurecê-lo, brincando, deixando-a tão selvagem que seu corpo pulsava tomado por um terrível desejo. Rodeou-lhe o pescoço com os braços, enquanto as ondas de sensação dançavam através de todo seu corpo. Puro prazer, ardente necessidade, uma torrencial resposta líquida que não podia evitar. Era surpreendente para Colby e totalmente inesperado. E inaceitável. Deixou escapar um som como um animal assustado, surpreendida de que entre os braços dele já não fosse uma pessoa que pensava por si mesma. De que facilmente ele podia fazê-la jogar de lado suas crenças. Sequer sabia se gostava.

- Rafael. - A voz dolorida de desejo lhe saiu entrecortada e sexy, absolutamente o que pretendia. - Pare. - Uma palavra que ela conseguiu articular com dificuldade. Seu corpo não queria que ele parasse, queria que seguisse para sempre, jogar de lado as advertências de seu cérebro e que a levasse simplesmente até as chamas. Nunca havia experimentado semelhante prazer, não tinha idéia de que nada ou ninguém pudesse fazê-la sentir como ele.

- Você não quer que eu pare. - Sussurrou ele, uma pecaminosa tentação contra seus seios, a calidez de seus lábios incitando-a.

Que Deus a ajudasse, não queria que parasse, nunca. Colby reuniu forças e o empurrou.

- Preciso que pare. Não posso fazer isto. – Ela pegou sua camisa para cobrir seus seios doloridos. As lágrimas brilhavam, tornando seus olhos de um profundo verde esmeralda. - Sinto muito, não sei o que me passou. Nunca fiz isto. Tem que ir agora. - Nunca poderia voltar olhar para você. Nunca.

- Colby. - Ele pronunciou seu nome, com voz suave, mas as chamas se estendiam rapidamente nela e aterrorizou-a. Aterrorizou-a totalmente.

Colby retrocedeu para longe dele, virou-se e correu como se Rafael fosse o demônio. Ela correu pelo pátio, até a segurança de seu alpendre.

Ele ouviu-a conversar rapidamente com seu irmão e sua irmã, mas ficou entre as sombras e obsevou-os entrarem na casa.

Ficou sozinho na escuridão. Sozinho, como sempre havia estado. Dentro dessa casa havia cor e vida, emoções e paixões. Dentro dessa casa estava sua vida, seu mundo. Permaneceu em pé na escuridão a qual pertencia os demônios, sem estar seguro de poder controlar a escuridão que se acumulava dentro dele, estendendo-se rapidamente. Ela estava ferida por dentro, uma ferida aberta e dolorosa, insegura de si mesma. E ele sabia que não podia deixá-la assim.

 

Rafael esperou até que a casa estivesse tranqüila. Não podia afastar-se de Colby. Embora a fome o golpeasse furiosamente, exigindo satisfação, negava-se a prestar atenção a sua chamada. Alimentaria-se depois. Não podia abandonar Colby. Descobria que cada vez menos tinha o controle no que a ela concernia. Desejava-a, seu corpo rabiava em busca de alívio, precisava desesperadamente completar o ritual, para fazê-la completamente dele. Era a única forma de encadear sua fera interior que estava se fazendo mais forte, que rugia continuamente reclamando liberdade. Sentia-se a beira da loucura, sabia que estava perto de cair por esse precipício. Sentia-o a cada movimento, estando acordado. E seu irmão sentia também. Nicolas lhe monitorava atentamente, lhe emprestando força quando a fera o apegava com força.

Uma por uma, as luzes que brilhavam através das janelas se apagaram. Ouviu os suaves desejos de boa noite sussurrados e se sentiu mais só e nervoso que nunca. Quando esteve seguro de que os residentes da casa estavam dormindo, deslizou pelo pátio e ganhou sua entrada na casa, através da janela aberta de Colby.

Quase insustancial, Rafael flutuou silenciosamente pelo chão de madeira, uma sombra na noite. Colby estava profundamente adormecida, com seu cabelo longo estendido sobre o travesseiro, fios de flamígera seda vermelha dourada. Uma mão estava fechava e a outra estava estendida como se procurasse alguma coisa. Inclinou-se sobre ela, scom eu olhar ardente descansando em sua marca sobre o pescoço delgado. Apoiou seu peso sobre a cama e suas mãos a encontraram sob as cobertas, enquanto alimentava deliberadamente seus sonhos eróticos, desejando excitá-la, preparar seu corpo para ele, pois Colby era uma inocente.

- Acorde, meu lindo amor, preciso que esteja comigo esta noite.

Colby, mesmo dormindo sentiu seus olhos tentarem se abrir, mas não estava de tudo acordada. Parecia sexy, uma tentadora.

- Outra vez está aqui? Não consigo deixar de sonhar contigo.

- Não posso evitar, quando sei que é somente minha.

As palavras brilharam em sua mente para que o som de sua voz não a perturbasse mais ainda. Ela sacudiu a cabeça, com um débil sorriso de alegria. Parecia tão formosa que ele se inclinou para beijá-la. A pele de Colby era incrivelmente suave e não pôde resistir a tocá-la. Rafael se deitou junto a ela, lentamente, prazerosamente, num movimento sem pressa. Dispunha de toda à noite com ela. Logo, sentiu o poder oculto na colcha que a cobria. Seus dedos encontraram os símbolos e os traçaram cuidadosamente. Eram salvaguardas, proteções cárpatas, tecidas nos padrões da colcha. Onde ela havia adquirido semelhante bem? Era um trabalho feito a mão, estranho e precioso, como a mulher a que guardava.

Rafael se virou de lado, estudando Colby. Precisava passar cada momento em sua companhia, enquanto pudesse. Ela era um raio de luz em seu mundo escuro, sol e risos. Fazia muito tempo que esquecera suas lembranças de tais coisas, mas agora se apegava à luz, nela. Não sabia se alguma vez fora gentil ou terno com outra pessoa, mas sentia algo próximo a essas sensações, cada vez que a olhava.

Ela murmurou seu nome brandamente, seu fôlego foi quente contra o pescoço de Rafael. O corpo dele endureceu mais, até fazê-lo gemer baixinho,num protesto contra a urgente demanda que não podia controlar. Baixou a cabeça no travesseiro perto da dela e abraçou. Somente o fino pijama de Colby o separava de sua pele e do refúgio de seu corpo. - Desejo-a, querida. Desejo-a, quase tanto como preciso de você. - Desejava-a, as palavras que os vinculariam por toda a eternidade rondavam sua mente e sua língua, fazendo com que as saboreasse a cada respiração.

Um sorriso curvou a boca feminina, um convite. Seu corpo se moveu intranqüilo contra o dele.. Não havia nada mais em sua vida, precisava desesperadamente dela. Necessitava-a. Com um juramento, envolveu seus braços firmemente e acariciou com o rosto, o fino tecido que cobria seu corpo, abrindo passo até expor os seios ao arejado ar noturno. Era tão formosa e tão vulnerável.

- Preciso te tocar, meu lindo amor, somente por alguns minutos. Permita-me te tocar. - Sua voz era ofegante por causa de seu desejo. Ofegante por causa de sua fome. Uma suave sedução aveludada.

Os olhos de Colby se abriram, verdes esmeralda e sonolentos, sensuais, encontrando o olhar faminto, com sua escura paixão. Sem uma palavra, voltou-se para ele, rodeando-o com os braços, seu corpo flexível em rendição.

Colby sabia se estava acordada ou dormindo em meio a um sonho erótico ou uma fantasia, mas não podia dar as costas ao desespero que ardia nesses olhos escuros. Em seus sonhos, podia ter a quem quisesse, fazer o que quisesse, não estava presa por suas responsabilidades. Desejava-o. Desejava a sensação da pele dele perto da sua. Desejava os lábios dele nos seus, suas mãos sobre ela. Desejara-o quase no primeiro momento em que o vira e em seus sonhos, não tinha que temer que ele pudesse controlá-la.

O fôlego de Rafael ficou preso na garganta ante a visão dela a seu lado, com a blusa elevada para expor os seios perfeitamente formados. Sua mão parecia escura contra a pele branca dela, sua palma sobre as costelas nuas, com seus dedos totalmente abertos. Colby era delicada, quase frágil, em contraste com seus próprios ossos e músculos. Embora a seu modo, Colby era tremendamente forte.

As palavras rituais de união estavam impressas nele muito antes de seu nascimento e ardiam em sua mente, enquanto seu corpo queimava, doloroso e incômodamente. No quarto do outro lado do vestíbulo, a irmã dela se moveu. Sua mão se fechou possessivamente sobre o seio de Colby e sua mente procurou a de Ginny. Ela estava abrindo a janela, para chamar o cão. Ginny sofria com pesadelos, por causa da morte de seus pais, pesadelos nas quais algo acontecia a Colby. Rafael ouviu o cão entrar no quarto e imediatamente enviou-lhe uma ordem, para que ele ficasse cama da menina, lhe proporcionando consolo, mas sem detectar sua presença na casa. Nada podia deter o que aconteceria. Nada. Sua mente e seu corpo clamavam por Colby e sabia que não podia parar. Defendeu Paul e Ginny evitando que despertassem, lhes enviando a um sono profundo.

Inclinou a cabeça para a maciez da pele de Colby, sua língua serpenteou prazerosamente pelos seios dela, permitindo-se ser indulgente em sua fome, por ela. Sentiu sua resposta, a forma em que seu corpo se apertava e enrijecia, a forma com que seu sangue se esquentava. Moveu as mãos sobre ela lentamente, centímetro a centímetro, empurrando sua roupa para o lado, para ter acesso a seu corpo. Queria conhecer cada centímetro dela, queria tocá-la, saboreá-la, respirá-la. Seus lábios eram macios ao baixarem para tomar posse do seio dela, novamente. Sem pressa, sugou demoradamente o mamilo tenro, enquanto sua mão deslizava ao longo das costelas dela, sobre o abdomem plano para se atrasar alguns momentos, traçando a débil silhueta de uma marca de nascimento. Era bastante intrigante, para garantir um rápido percurso de sua língua, antes de voltar para os seios que o enlouqueciam, enquanto sua mão baixava para encontrar a entrada do paraiso do corpo dela. Encontrou-a úmida e quente quando a acariciou longamente, incitantemente. Logo, os quadris dela se arquearam contra ele, em resposta.

Colby tinha sonhos com seu amante escuro. Ele estava excitando seu corpo, suas mãos exploravam cada centímetro dela, seus lábios ardentes e necessitados, lhe sugavam os seios, roçando e acariciando até que lhe suplicou alívio. Seus lábios estavam em todas as partes, beijando e acariciando, conhecendo seu corpo, mais intimamente do que ela conhecia. Ardia por ele, precisava do corpo dele tomando o seu. Abriu outra vez os olhos, para fitá-lo. Ele era real, sólido e estava nu com seu corpo forte e seus músculos ondeando-se sob sua mão. Seu cabelo longo e negro deslizava sobre seus seios doloridos e sensíveis, enquanto a língua acariciava em volta de seu umbigo. Colheu-os, com ambas as mãos.

- O que está fazendo? - Sussurrou as palavras enquanto seu corpo ardia. - E por que estou te deixando fazer? - O medo troou em seu coração e sua mente. Nunca havia se sentido tão necessitada, tão dolorosamente excitada. Deveria estar gritando, mas não podia tirar o véu que cobria sua mente.

Ele sorriu contra sua pele.

- Estou te cortejando. - Seus dentes mordiscaram a curva de seu quadril, encontrando a estranha marca de nascimento. - Te persuadindo. - Sua língua aliviou a dor. Logo, suas mãos lhe abriram as coxas, roçando, acariciando-as até seus dedos encontraram o sexo ardente, umidecido pelo fogo líquido queimando e apertando, quando ele inseriu lentamente um dedo profundamente em seu corpo. - Quero meu corpo dentro de seu corpo. É isso o que quer, querida? Deseja-me do mesmo modo que eu a você? - Os delicados músculos dela se retraiam a seu redor. Ela estava quente. Úmida de desejo. Observando seu rosto, Rafael retirou o dedo, inserindo cuidadosamente dois, abrindo-a um pouco mais. – Diga-me o que me deseja, Colby. Preciso ouvi-la dizer. – Precisava ouví-la dizer, porque tinha que estar com ela e compartilhar seu corpo, compartilhar sua mente e sua alma.

Colby sacudiu a cabeça, atormentada além da razão. Sim, desejava-o. Cada célula de seu corpo clamava por ele e a pressão era insuportável fazendo-a pensar que não sobreviveria sem ele. Mas ele estava exigindo tudo. Não uma parte dela, tudo.

- E você me dará isso tudo. – Foi uma ordem.

- Não. – Ela pronunciou a palavra, mesmo enquanto ele pressionava os dedos profundamente em seu interior, enquanto seu corpo estirava e ameaçava romper-se em um milhão de pedaços, lutou por manter o que era intacto.

Rafael pôde sentir a resposta de seu corpo. Ela lhe desejava e movia-se inquietamente, sua cabeça virava de um lado a outro sobre o travesseiro e um suave gemido escapava de sua garganta. Colby tentou protestar novamente. Ele o sentiu fluindo nela, enquanto lutava para se afastar do desejo nascente. Ele retirou os dedos e os substituiu com seus lábios, com sua língua. Ela gritou e sobressaltou-se, mas seu corpo saltou para a vida, fragmentando-se, implorando, fazendo com que se surpreendesse da intensidade das ondas de prazer que a tomavam. Tentou se afastar, se retorcendo, mas o prazer a destroçava e Rafael passou o braço sobre seus quadris e a manteve imóvel, bebendo dela. Negava-se a parar, empurrando-a mais à frente, desejando que o desejo dela se elevasse em proporção direta a sua própria e voraz fome.

Colby lutou pulso a pulso contra a sensação que atormentava seu corpo, levando-a para longe, quando precisava estar limpa. Moveu-se agitada sob ele, incapaz de sufocar o fogo que corria por seu corpo. Não podia respirar, não podia pensar com claridade. O medo a segurou. O lençol se atou em seus punhos, enquanto tentava se afastar do assalto que os lábios dele estava executando, com a língua dele brincando e acariciando-a, até que seus nervos gritaram pedindo alívio.

- Tem que parar. – Ofegou, ela. Colby estava completamente perdida na tormenta de fogo e prazer que a percorria. Ele estava tomando o poder. Não podia escapar de seus lábios e de sua língua. Seu corpo simplesmente se apertava mais, ardendo até que esteve segura de que explodiria. Pior ainda, a luxúria se elevou, aguda e mortal, a necessidade de sentí-lo, tão forte que a aterrava.

Não podia reter um só pensamento, sequer para se salvar. O prazer beirava a dor, a pressão crescia cada vez mais. Não queria que acabasse nunca, queria fragmentar-se em um milhão de pedaços. Queria ser o que que ele precisasse, ir aonde ele a conduzisse. Um grito escapou dela, quando a língua dele acelerou o ritmo e entrou mais no interior de seu corpo. Ele era voraz, conduzindo-a cruelmente ao limite enquanto seu corpo se retorcia sob ele, até que o orgasmo se encadeou a outro e sua mente se dissolveu e seu corpo explodiu.

Rafael se ergueu sobre ela, lhe abrindo as pernas, até separá-las para lhe receber. Abrindo-a completamente para ele. Sua ereção era grossa, pesada e se pressionava em sua escorregadia entrada. Colby pôde sentí-lo estirando-a, simplesmente esperando, enquanto seu corpo inteiro se estirava frustrado, pulsando de desejo. Sentiu o louco desejo de empalar-se nele, mas ele mantinha seus quadris imóveis, com mãos duras. Sua expressão era de puro desejo, seus lábios uma navalhada desumana.

- Vais me dizer novamente, Colby? Vai negar-me o que é meu, verdaderametne? - Sua voz era arruda e áspera, seu temperamento forte, sobre os dois.

Ela deixou escapar um pequeno grito atormentado. Estava ele lhe dando uma última oportunidade para se salvar? Como podia dizer que não quando agora precisava dele, quando tudo nela gritava para tê-lo profundamente dentro de seu corpo?

- Vai me negar? - Insistiu ele.

Colby sacudiu a cabeça. Não podia falar, não podia respirar eseu corpo ardia, o medo fluía como lava através de suas veias, ante a idéia do que estava por vir. Ele a estava destroçando-a e reconstruindo-a, fazendo com que o desejasse para sempre, que sempre precisasse dele. Uma parte dela reconhecia, mas não podia deter a fome que estava se elevando nela.

- Nunca mais.

Era um decreto, que surgiu um pouco apagado entre seus dentes apertados.

Rafael penetrou-a com força, conduzindo-se profundamente nela, com uma dura investida, mesmo sabendo que ela era inocente para o que ele estava fazendo, mas incapaz de parar. Eram séculos de fome acumulada, uma fome escura que saia fora dele, erupcionando numa febre de feroz frenesi. Ela estava quente e muito apertada e se apegava nele, com fogo que quase o deixava louco.

- É muito. É muito. - Gritou Colby, tentando desesperadamente empurrá-lo para fora dela. Rafael estava matando-a, conduzindo seu corpo tão alto e as sensações tão elétricas, que estava perdendo completamente.

Ele pegou suas mãos, as segurando contra a cama, dos lados de sua cabeça, seus lábios tomaram os dela e sua língua penetrou profundamente sua boca, enquanto com o corpo penetrava-a duro, profundo, desejando mais, tomando mais.

A chamada estava agora sobre ele, selvagem e primitiva, uma necessidade tão antiga como o tempo, de uni-los por toda a eternidade. Ela era sua companheira. Sua outra metade. As palavras lhe golpeavam, surgindo de sua alma, enquanto se enterrava profundamente em seu sexo pequeno e ardentemente feroz, com o mundo ardendo em chamas e girando fora de controle. Colby deixava escapar pequenos gemidos e podia sentir como seus músculos se apertavam e se estiravam, enquanto mudava o ritmo, a um tempo palpitante que alimentava sua fome voraz.

A necessidade de saboreá-la cresceu forte, exigente até que seus lábios abandonaram os dela, movendo-se para a maciez do pescoço dela, traçando um rastro erótico para mordiscar a tentadora pulsação sobre seu coração. Seu corpo se estirou, empapado de suor e seu coração troou. O demônio rugiu pedindo liberação, urgindo-o a continuar. Estava tremendo com tal necessidade, que pensou que seu corpo inteiro poderia explodir em combustão espontânea. Com um gemido, Rafael se rendeu, cravando profundamente os dentes.

Colby gemeu em voz alta quando látegos ardentes como relâmpagos dançaram através de seu corpo. Rafael acalmou-a, sua mente agora firmemente encaixada na dela. Manteve-a imóvel, possessivamente, enquanto se permitia ser indulgente com seu apetite e seu corpo seguia fundo, profunda e rudemente dentro do dela. Ela posuuia o sabor das mais finas especiarias. Não queria parar nunca, a terrível fome que havia lhe açoitado durante séculos se via pela primeira vez, saciada por ela. Por Colby e o sangue em suas veias. Colby sua vida. Seu mundo.

O demônio rugiu pedindo mais, pedindo tudo, insistia em que ele estabelecesse sua reclamação. Durante um segundo, um batimento de seu coração as palavras rituais fluíram, desesperadas por derramarem-se. Era um instinto, algo profundo em seu interior o urgia para frente, instruindo no ritual. No momento diminutas faíscas saltaram a seu redor, cores de azul profundo e prata, pequenas estrelas elevavam-se da colcha para saltar a seu redor numa brilhante reprimenda. As palavras o golpeavam precisando ser pronunciadas, exigindo que ele a reclamasse, mas Rafael pensou. As pequenas estrelas deslumbravam seus olhos e o alertavam. Ele estaria clandestino e ela levando o rancho durante as horas diurnas, incapaz de lhe tocar quando seu coração e sua alma, quando sua mente a urgisse a fazê-lo. Seria um inferno para ela, conduzindo-a a beira da loucura, enquanto ele dormia profundamente sob a terra.

Imediatamente Rafael passou a língua pelas marcas do seio dela e elevou a cabeça, respirando com dificuldade, apertando os dentes enquanto lutava por se controlar. Pronunciou sua ordem brandamente para ela, mantendo o feitiço. Baixou seu corpo até que os lábios dela estiveram quase contra seu peito, esperando que ela tomasse sangue para um verdadeiro intercâmbio. Abriu um corte em seu peito e pressionou os lábios dela contra ele, para repor o que tinha tomado, lhe segurando a nuca para que não pudesse escapar, seu corpo aprisionava o dela. Em seguida, os lábios dela moveram contra sua pele. Rafael estremeceu e o corpo dela se apertou. Ela se apegava a ele. O fogo consumia seu sangue e ele introduziu-se mais duro e mais rápido, seu corpo escorregava com suor, com prazer.

Com uma pequena maldição apertou os dentes para evitar que as palavras deslizassem através deles, enquanto a detinha. Fechou o corte de seu peito, inclinou-se para tomar posse de seus lábios, liberando-a do feitiço para que seus lábios pudessem dominar os dela, limpando todo rastro de seu sabor, do sedoso interior. Penetrou-se profundamente nela, movendo-se incitantemente, reclamando seu corpo já que não podia tomá-la, como sua espécie demandava.

Colby começou a lutar contra ele, uma batalha instintiva, quase sem pensar, contra o prazer tão intenso, que sentia que não poderia sobreviver a ele. Não entendia como seu corpo podia estar tão fora de controle, seus quadris se elevavam desesperadamente encontrando os dele e ela soluçava gemendo e suplicando por ele. Por que? Por mais? Sempre por mais. Ele a tomava com prazer. Podia sentir como seu corpo se envolvia em volta do dele, seus músculos se apertavam até que sentiu fluir um grito. O orgasmo explodiu sobre ela, interminável e impensável, varrendo-a de tal forma, que já não houvia Colby sem Rafael. Sentiu-o inchar mais ainda, até que suas mãos seguraram os quadris dela com força e entrou apressadamente em suas apertadas e escorregadias dobras, uma e outra vez, enviando-a a outro orgasmo, enquanto erupcionava profundamente dentro de seu corpo.

Rafael se aquietou sobre ela, suas veias cantavam de excitação, de exaltação. Podia estar satisfeito no momento, mas queria mais. Viveria e respiraria para tê-la novamente, para sentir seu corpo o envolvendo. Enterrou o rosto em seu pescoço, sentindo como o corpo dela estremecia, sentindo os tremores secundários apertar os músculos a seu redor. Ela estava respirando com dificuldade, seu coração corria. Apoiou-se nos braços e elevou seu corpo cuidadosamente. A forma em que seu calor escorregadio se verteu sobre ele quando emergiu dela, fez com que o sangue lhe palpitasse uma vez mais.

Colby tocou os lábios machucados com a língua. Doíam-lhe os seios. Estava machucada entre as coxas. Não podia fitá-lo e não podia afastar o olhar dele. Não fazia idéia de que o sexo podia ser um prazer tão profundo, que realmente beirava a dor. Uma fome tão potente que beirava a loucura.

As pontas dos dedos dele tocaram sua face e seu pescoço, deixando um rastro sobre seus seios. Seus mamilos entumesceram e entre suas pernas sentiu uma pulsação em resposta. Colby voltou o rosto para longe dele.

- O que fez? - Sussurrou, agradecendo a escuridão. - O que fez comigo? - As lágrimas ardiam sob suas pálpebras. Nunca se veria livre de sua rede sexual. Colby, que sempre tinha sido livre, sempre comandara sua vida, seria para sempre uma viciada nas coisas que este homem podia fazer a seu corpo. E isso a aterrorizava.

A língua de Rafael acaricou a parte inferior de seu seio, inundando-se em seu umbigo e desceu acariciando sua marca de nascimento uma vez mais, pausadamente. Mantinha seu corpo firmemente sobre o dela. Ela estava exausta e machucada, mas Colby ainda poderia tentar alguma coisa.

Podia sentir seu medo, vivo e respirando no quarto com ele.

- Você foi minha.

- Não entendo isto. - Havia lágrimas em sua voz. - Como conseguiu entrar aqui? Como permiti que acontecesse isto?

Ele elevou a cabeça, o preguiçoso olhar havia desaparecido.

- Não chore. – Deus!. Se ela chorasse o destroçaria. Suavizou sua voz. – Conte-me por que tem tanto medo de mim?

- Como pode me perguntar isso? Estou nua em meu próprio quarto com você, que está manuseando meu corpo como se te pertencesse. Tomou o controle de mim de alguma forma. Não posso me afastar de você. – Ela não estava lutando com ele. Jazia sob ele como um sacrifício, uma oferenda. Não podia sequer arrumar-lhe para reunir a energia suficiente para lutar porque sabia que não importaria. Nunca ganharia. Rafael era muito poderoso e possuía seu corpo e possivelmente sua alma. - Não tem nem idéia do que me fez, não é?

O desespero de sua voz o rasgou. Rafael tocou sua mente. Colby tinha intenção esperar o homem perfeito. Queria que sua primeira vez fosse com alguém a quem amasse. Seria uma união terna prevista e romântica.

Emoldurou-lhe o rosto com as mãos.

- Sei que fui brusco, pequena. Mas sou o homem perfeito para você. Senti seu prazer. Afogava-se de prazer. - E era certo. Ela estava desiludida porque tinha sido tão brusco sexualmente? Demônios, se assegurara em lhe agradar. Por que ela sonharia com algum homem domesticado que raramente a satisfaria, como ele podia? Se inclinasse a cabeça e tomasse seu seio nos lábios, ela estremeceria de desejo. O desejo se acenderia instantaneamente. Sabia. Por que ela não? Quem era esse outro homem que ela desejava? Rafael podia sentir as presas explodir dolorosamente, mas lutou para conter a urgência, esforçando-se por compreender. Sua dor o machucava. Seria tão impossível era para ela amá-lo? Amava Paul e Ginny. Amara seu padrasto. E até amava a Ben. E ele estava começando a detestar Ben.

- Estava me sufocando. - Disse ela, com voz tranqüila. - Tomaste-me sem meu consentimento, Rafael. Não tenho orgulho e nem escapatória. Deixou-me sem nada.

Ele se preparara para a fúria, mas não para este mudo desespero. Colby era uma lutadora. Ele podia converter a fúria em desejo sexual. Não sabia o que fazer com ela ali, olhando para o teto, com o coração tão pesado que lhe doía por dentro.

Quando era um jovem Cárpato, pensava com freqüência em como seria sua companheira. Mais tarde, sonhara tendo uma mulher própria. Enquanto passavam os intermináveis séculos, até se desesperou por ter a alguém. Colby era um presente inesperado e prezado embora não sentisse que ele sentia. Acreditava que ela o amaria, que desejaria. Uma parte dele se revolveu furiosa, o animal nele que exigia uma companheira. O homem tentava averiguar que estava errado. Ela lhe pertencia. Tinham compartilhado um sexo incrível, seus corpos eram tão compatíveis, que não podia imaginar nada melhor. Já estava ansiando por mais, mas ela se afastava dele, em sua mente. Acreditava que ele podia possuir seu corpo, mas estava decidida a que nunca tocasse seu coração. Não tinha forma de combater isso. O que estava fazendo de errado?

- Não entendo o que me diz. Fundimo-nos. Senti-o. Sei o que você sentiu. Como pode significar isso, que não te deixei nada?

Colby queria se afastar dele. Queria que ele a deixasse sozinha para averiguar que estava fazendo. Não havia fuga. Não fingindo que não tinha acontecido ou que não aconteceria novamente.

- Não tive escolha. Você não me deixou escolha.

Sua dor o golpeou. Teria preferido sua fúria.

Só pôde assentir. É obvio que não lhe tinha deixado nenhuma escolha. Não havia escolha para nenhum deles. Ela havia nascido para ele.

- Não pôs objeções a que te tocasse.

- É obvio que o fiz. - A fúria estava começando a arder no fundo de seu estômago. Escurecia seus olhos e pequenas faíscas saltavam ao redor da colcha.

O calor se acendeu instantaneamente, a mandibula de Rafael se apertou.

- Nos Memorize, a mim e a você mesma. - Sua mão deslizou possessivamente sobre o seio dela, acariciando um mamilo. Inclinou a cabeça, estudando seu rosto, estudando o desejo impotente em seu olhar, sentindo como o corpo dela se arqueava sob seus lábios. Deliberadamente deslizou a mão entre suas pernas, para encontrar a umidade. Elevou a cabeça para fitá-la. - Seu corpo não mente.

Ela o esbofeteou tão forte como pôde. Não tinha um bom ângulo ou muito espaço para se mover, mas o som foi ruidoso no quarto.

- O que me fez foi o mesmo que uma violação. Não me importa o quanto minta a você mesmo, mas foi. E pode fazer outras vezes, mas a menos que tenha meu consentimento, o qual não tem, é uma violação cada vez que me tocar. Desprezo-o. Desprezo o que pode me fazer. Não o desejo. Nem sequer gosto de você e muito menos quero que toque meu corpo.

A fúria era ardente e horrível, agitando-se em seu intimo, emanando como uma fonte ante seu atrevimento ao lhe desafiar, ela se atrevera a esbofeteá-lo, pior ainda, atrevia-se a lhe chamar de violador. Que sempre seria vampiro era a pior condenação na qual podia pensar. Segurou-lhe as mãos sobre os lençóis, erguendo-se sobre ela, seus lábios baixando com força sobre a dela. Queria que fosse um castigo, mas no momento em que a tocou, no momento em que sua língua deslizou dentro dos lábios dela, também deslizou dentro de sua mente.

Havia muita dor. Ela estava desolada. Não gostava e não confiava nele. Não tinha sentimentos ternos por ser sua companheira, como ela os tinha para ela. Surpreso, Rafael se separou dela e se sentou, passando os dedos pelo cabelo. Ela estava falando sério, não estava mentindo. Seu corpo respondia, mas era somente seu corpo. Havia excitado-a, sabendo que não possuia experiência, pensando que ela se sentiria incômoda quando estivessem juntos. Não desejara que a primeira vez deles fosse dolorosa para ela, mas ela não o desejara, absolutamente. Ela não tinha desejado a ele. Rafael pressionou os dedos sobre as têmporas.

O que havia feito? Os companheiros tinham que estarem juntos por toda a eternidade. As reações dela para ele não tinham sentido. Ele pensava nela a cada momento de sua existência. E ela o queria fora de sua vida.

- Rafael. Está chorando.

A voz de Nicolas se moveu através dele, fazendo-lhe consciente do ardor de seu peito. Rafael tocou a rosto e encontrou uma lágrima de sangue. Ele não chorava. Era um homem. Um Cárpato. Um caçador de vampiros. - Não entendo nada disto. Ela está magoada, sinto muito. Tomei algo precioso para ela.

- Sua virgindade te pertencia. - Nicolas era pragmático sobre o assunto. - Não tinha outra escolha que te aceitar. Converte-a, leva-a para casa e cedo ou tarde se acostumará.

Rafael fez uma careta. Não havia sido sua virgindade. - Estamos os dois tão perto de nos converter, que não podemos nos comportar de forma honorável? Se esse for o caso, já não pertencemos a esta terra.

Colby rodou para longe dele, lhe dando as costas. Seu corpo pulsava e ardia e ela se sentia doente por lhe desejar. Como ia suportar o resto da noite? O resto de sua vida? Podia lhe saborear em seus lábios. Sentir-lhe em sua pele. Desejava-o entre suas pernas. Podia não lhe desejar, mas precisava dele, como um viciado em sua droga. A terrível tensão de seu corpo nunca desapareceria sem ele. Não importava para que homem se voltasse, a posse de Rafael empanaria qualquer relação. Ardia. Não havia outra palavra para isso. Ficou quieta chorando, com as lágrimas correndo por seu rosto, desprezando-o, desprezando-se a si mesma, mas o desejava enterrado profundamente em seu corpo, duro e quente e levando-a além de qualquer lugar que pudesse ir. Ela a convertera em sua puta, pura e simplesmente.

- Não é minha puta. - Rafael estava consternado ante a idéia que ela tinha metido na cabeça. - De onde provêm esses pensamentos? - Colocou sua mão gentilmente sobre a parte baixa das costas dela, com os dedos abertos. - Sinto muito, Colby. Não entendi o que estava tentando me dizer. Não vi nada além de minha necessidade de você. – Ele lamentava a dor que havia causado, de tê-la tomado sem sua permissão, mas por mais que tentasse, não podia lamentar por tê-la possuido. Doía-lhe por dentro. Queria encontrar uma forma de emendar seu engano, mas sem saber o por que dela não estar lhe respondendo mais que fisicamente, não havia forma de fazê-lo. Desejava mais que seu amor físico. Ela era sua companheira e acreditava que devia lhe amar completamente.

A mão, que pretendia reconfortar, queimou-lhe. Enviando eletricidade através de suas veias. Colby sentiu que seu corpo o desejava. Enterrou o rosto na frescura de seu travesseiro, com um suave e desesperado lamento de protesto.

- Colby. - Rogou ele, brandamente. – Olhe para mim.

- Não posso. Não posso deixar de chorar. Vá embora. - Suas palavras ficaram amortecidas.

- Sabe que é impossível para mim te deixar assim. Você precisa de mim. Deixe-me te ajudar. – Ela afastou-lhe o cabelo da nuca e pousou ali um beijo. Não podia partir, não quando ela chorava e seu corpo clamava por ele. Cada instinto que possuía exigia que cuidasse de suas necessidades. Com carinho, beijou suas costas. – Permita-me cuidar de você.

- Nunca poderei voltar a olhar para você depois de esta noite, não quero vê-lo nunca mais. - Colby virou e seus olhos brilhavam por causa das lágrimas. - Nunca serei capaz de enfrentar você, se tiver que fazer isto. – Precisava dele. Aterrava-a permitir que ele a tocasse. No momento em que o fizesse, estaria perdida. Sabia. Estava segura disso.

Rafael não esperou que tirasse do todo a decisão. Já estava maldito de todas formas. Se a deixasse frustrada sexualmente, ela o odiaria e se a satisfizesse ela o odiaria também. Seu corpo estava já duro e quente e fazia suas próprias demandas.

- Colby, não sou um cavalheiro. - Era a única forma em que podia acautelá-la. Não podia encontrar a emoção, nem sequer quando desejava, não quando se tratava de sexo. Era dominante e apaixonado e exigia que ela seguisse sua liderança. Passou a mão dos lábios dela até os seios, fazendo-a estremecer em resposta.

- Que grande noticia, nunca teria acreditado. - Sussurrou ela e fechou os olhos, quando ele se inclinou para tomar seu mamilo ereto nos lábios.

Nomomento Rafael levantou a cabeça, para imobilizá-la com seu olhar.

- Não se afaste de mim. Tenho que saber se não estou simplesmente tomando, querida. Não sem seu consentimento. - A dor dela estava lhe matando. Doía-lhe por dentro. Era uma sensação terrível, como se garras arranhassem seu coração. Tocou uma lágrima dos olhos dela, levando-a a boca.

Até nisso ele era sensual. Tudo nele, seus olhos, seus lábios, sua expressão ardente. Rafael não tinha que tocá-la para fazer seu corpo voltar para a vida.

- Está me tirando todo meu orgulho, Rafael. – Disse, ela.

Ele ignorou a tristeza da voz dela. Ouviu seu próprio lamento, profundamente em sua mente, um grito de dor, quando seu desprezo se fundiu ao dela.

- Acusa-me de algo vil, meu amor. Para mim, você é a única mulher que haverá em minha vida. Eu pensava que era um sentimento mútuo. - A surpresa ainda o fazia cambalear.

Enquanto falava, suas mãos se moveram sobre ela. Grandes, fortes mãos que embalaram seus seios e brincaram com seus mamilos. Que traçaram pequenos círculos em seu estômago e se deslizaram entre suas coxas. Colby o deixou fazer porque não havia outra escolha. Estava desesperada por seu corpo. Se ele não apaziguasse o terrível desejo que se acumulava em seu interior, não sabia o que ia fazer.

- Como pode me fazer sentir assim, Rafael? Tenho tanto medo, mas é pior sem você.

Ele lhe beijou a garganta, seu cabelo deslizou sobre sua pele sensível fazendo-a estremecer de prazer.

- Nunca terá que estar sem mim, Colby. A união entre companheiros é para sempre. Esta noite é meu mundo com minhas leis. Não posso fazer outra coisa que me ocupar de sua felicidade. Seu bem-estar, suas necessidades e desejos estarão sempre acima dos meus. Meu mundo era de escuridão até que você me devolveu à vida. Sei com absoluta certeza que você é tudo para mim. Sempre será tudo. Pode ser que eu te controle na cama... – Ele bincou com a língua ao redor de seu adorável umbigo. - Mas você me controla em todo o resto. - Sua voz era uma suave sedução. - Posso te levar a lugares aos quais nenhum outro homem poderá e sempre cuidarei de sua segurança. Nenhum homem poderia te querer mais. Nenhum homem poderia sequer te desejar ou precisar de você, como eu. Estou tão prisioneiro como acredita estar você. A necessidade de estar contigo é tão profunda e elementar, como sua necessidade de estar comigo. Encontre uma forma de me amar um pouco, Colby.

Sua língua acariciou e brincou, movendo-se sobre sua pele, os dentes mordiscaram, acrescentando um pingo de dor que somente realçou o prazer. As mãos moldaram seu corpo, os dedos encontraram cada ponto sensível fazendo-a retorcer sob ele, flamejando para a vida. Seu sangue se apressou com fogo líquido. Não podia encontrar as forças para fazer mais que ficar ali, enquanto ele examinava cada centímetro dela, saboreando cada centímetro, memorizando, conhecendo intimamente seu corpo. As lágrimas queimavam seus olhos por causa da dor na voz de Rafael. Havia honestidade e pureza em seu tom. Era sério às coisas que dizia. Suas palavras e sua absoluta segurança, assustavam-na, mas a atraíam para ele, mais perto do fogo. Tentou segurar-se a esse pensamento, entender, mas suas mãos e seus lábios a estavam destruindo, tornando impossível que retivesse uma só idéia.

O calor a tomou, as chamas dançaram sobre sua pele, lambendo cada centímetro até que gemeu, sem se conter mais. Por ele. Precisando dele, que estava em todas partes. Rafael estava em volta dela, sobre ela e, que Deus a ajudasse, desejava-o dentro dela. Ele segurou seus quadris enquanto se pressionava firmemente contra ela, que sentiu sua invasão. Ralentizando esse momento. Estirou-a com um fogo incrível. Rafael observou seu rosto, observou como ela o tomava dentro de seu corpo, como entrava cada vez mais profundo dentro dela.

Colby estava hipnotizada pela expressão de seu rosto, a dura sensualidade e a pura paixão. Ele afundou-se nela até que estar tão firmemente agasalhado que ela se sentiu cheia, muito estirada.

Não pôde evitar a forma em que seus músculos se enredaram em volta do membro dele. A ação aumentou seu prazer, mas ele gemeu e lhe segurou os quadris.

- É tão estreita, Colby. Sente o que eu sinto, quando a tomo assim? – Ele fundiu sua mente a dela e a deixou sentir seu raivoso fogo. Sentir sua necessidade de submissão, a necessidade de sua pele deslizando-se contra seu corpo duro. Os pequenos gemidos que lhe arrancava, se acrescentavam ao êxtase acumulado.

Colby ouviu o nome dele ressoando em sua mente. Gritou-o, não em voz alta, mas intimamente.

- Mais. Dê-me mais. - Ordenou ele conduzindo-se em seu interior.

E Colbby o obedeceu. Seu corpo possuia vontade própria, arqueando os quadris e apertando os músculos, o que fazia com que pulsasse ao redor dele. O braço masculino a segurou pelos quadris e a ajudou a baixar enquanto investia dentro dela, enviando ondas através de seu corpo. A tensão se estendeu, cresceu e o calor se acumulou sem se aplacar. Ele foi desumano, mesmo enquanto Colby implorava alívio, mesmo quando lhe suplicou. Cada frenética investida fendia seu corpo até que sentiu uma estranha neblina em sua mente. Não sobreviveria a este prazer atormentador.

- Rafael. - Ele era seu único refúgio na tormenta de luxúria e desejo. Não podia suportar mais e não podia sobreviver. As sensações tomaram seu corpo e construíram um inferno nela. Seu corpo se apertou em volta dele, o orgasmo a rasgou, tomando-a, destroçando seu corpo até que Colby gritou de prazer. Durou uma eternidade, mantendo-a escravizada, enchendo-a enquanto o sentia enchê-la com seu ardente alívio.

As lágrimas ardiam em seus olhos. Colocou as mãos nos lábios para evitar gritar em voz alta. Já era bastante ruim que ele a ouvisse em sua mente.

- Novamente, Colby, diga meu nome. Sabe quem sou. Sabe o corpo de quem está profundamente enterrado dentro do teu. – Ele sussurrou as palavras contra seu seio.

- Sei quem é. - Disse ela.

Seus olhos arderam ferozmente, num escuro aviso de que ele era um predador ao qual tinha deixado entrar em sua casa, em seu corpo e em sua vida. Colby suspirou. Seu corpo estremecia em pequenas sacudidelas que não podia controlar. As coisas que ele dizia não fazia sentido, embora ela as pressentisse corretas. Rafael acreditara que ela sentia o mesmo ele, quando havia entrado no quarto. Viu-se conduzido a possuí-la por alguma lei de sua gente da qual ela não tinha conhecimento.

- Rafael. - Murmurou seu nome, sentia o corpo tão exausto que não podia pensar. - Não entendo nada disto. Não sei por que acredito nessas coisas ou por que as sinto corretas em minha mente e meu corpo. Entretanto, tentarei. Isso é tudo o que posso prometer. Tentarei entender. Mas não esta noite. Estou muito cansada. – Ela voltou a cabeça longe dele, divagando enquanto ele permitia que lentamente seus corpos se separassem. Sentiu os lábios dele em seu seio, suas mãos lhe acariciando o traseiro. Cada sugada enviava sensações que dançavam através de seu corpo, mas desta vez estava muito cansada para fazer algo mais que ficar tranqüilamente quieta, vagando para o sono enquanto ele beijava seu corpo antes de permitir que se separassem de tudo. Estranhamente, poderia ter protestado de ter tido energia. Em vez disso se aconchegou em seu corpo e dormiu.

Rafael ficou a seu lado até que a luz cinzenta se arrastou através da janela do quarto e soube que já não podia esperar mais para caçar uma presa. Saiu contra a vontade da cama, colocando o corpo exausto dela numa posição bem mais cômoda e envolveu-a protetoramente com a colcha.

Inclinou-se uma vez mais para seu pescoço, desejando refrescar sua marca nela, uma marca para que o resto do mundo a visse. Para que ela a visse. Seu sangue ancestral fluiria ardentemente pelas veias de Colby, lhe chamando, sua fragrância se aferraria a ela. A mente de ambos, fundidas seria mais forte que nunca. Saberia onde estava ela a cada momento.

Para evitar desonrar-se a si mesmo unindo-os antes de ter se ocupado da segurança dos irmãos dela, Rafael a deixou para caçar sua presa. Devia se alimentar logo se quisesse ter alguma esperança de manter seu autocontrole. Procuraria a terra logo que fosse possível, para evitar voltar para ela e tomá-la à força.

No momento em que saiu e inalou a noite, sentiu a perturbação. Era sutil. Uma pequena sensação de poder no ar. Uma busca. Era tão ligeira que não pôde determinar a direção, mas sentiu a mancha do mal. Em seguida, se estendeu em busca de seu irmão.

- Um vampiro, Nicolas. Um poderoso e antigo. Está quase amanhecendo embora ainda não foi para a terra e sabe que estamos perto dele. Seu poder é sutil, algo que não posso localizar para a caça.

- Sua mulher o atrai. Deve convertê-la e levá-la para nossa casa.

Havia cansaço na voz de Nicolas, como se sua luta com a escuridão estivesse se tornando muito difícil, demasido longa e ele sucumbisse lentamente.

- Esteve utilizando sua força para me guardar da escuridão. – Supôs, Rafael.

- Está tão perto. Ela não está te ajudando em sua luta. Tome à mulher, abandonemos este lugar e vamos voltar para onde pertencemos. Caçarei o vampiro enquanto você assegura à mulher.

Rafael pensou na oferta. A cada morte, a escuridão poluía suas almas, assumia o controle até que não restava nada de quem e o que simbolizavam. Nicolas estava muito vazio, tinha passado muito tempo sem distração. Rafael possuia uma âncora. Se tomasse posse de Colby, atando-a a ele para toda a eternidade, poderia caçar com segurança o vampiro e liberar à região do perigo. Nicolas e ele estariam a salvo do perigo de abraçar a vida do não-morto.

- Eu o caçarei, Nicolas. É forte e fugidio, mas tenho seu aroma e ele não escapará à justiça de nossa gente. Não está atuando de forma normal. Não há assassinatos, nem mortes inexplicáveis. O homem assassinado morreu nas mãos de um humano, não de um vampiro. E conheci uma mulher com talento psíquico, uma forte telépata. Sabia o que eu era. Aqui está acontecendo algo não entendo.

- Acudirei se precisar.

Rafael queria Nicolas longe do perigo de uma caça. - Chamarei se precisar de ajuda. – Ele rompeu a conexão com seu irmão e se moveu veloz afastando-se do rancho, em busca do vampiro, procurando um ponto em branco que indicaria a guarida do não-morto. O mal estava em suas fossas nasais, o mau cheiro era pestilento e sujo, mas não podia conseguir que permeara o ar. Não havia direção. Nada absolutamente que definisse o rastro. Só o conhecimento seguro de que um poderoso vampiro estava na região. Todo mundo estava em perigo.

Encontrou alimento no pequeno povoado, bebendo até não poder mais, para reabastecer sua força. Precisaria muito dela nos dias vindouros. E necessitaria de toda sua coragem para enfrentar Colby, depois de mudar sua vida para sempre.

 

Colby se removeu intranqüila, um som deslizava dentro e fora de seus sonhos. como um persistente alarme. Levou um momento para abrir passo até a superfície, palpitava-lhe a cabeça e sentia um ligeiro sabor acobreado em seus lábios. Sentia seu corpo, pouco familiar, machucado e dolorido, utilizado. Mas soube imediatamente o que a despertara de sua sonolência induzida pelo sexo. Seus instintos chiavam enquanto despertava bruscamente. Um guincho longínquo, ressoava perturbadoramente com um ruidoso ranger que a fez sentar, jogar de lado as cobertas e pegar seu pijama que havia ficado a um lado.

- Paul! Ginny! – Ela já estava correndo, com os pés descalços golpeando brandamente sobre o assoalho de madeira.

Sua habilidade para ouvir e cheirar parecia magnificada dez vezes. Sentia-se enjoada e trêmula, com os lábios secos. O terror a segurou. Abrindo de um puxão a porta dianteira, deteve-se no alpendre, olhando com horror para o raivoso inferno que era seu estábulo.

- Paul! Os cavalos! - Seu grito de agonia deu asas a seu irmão, que apareceu quase a jogando por terra.

A fumaça era já espessa no pátio e as chamas se elevavam para o céu. Voavam faíscas em todas direções. Colby, soluçando de medo, conduzida pelos gritos de pânico dos cavalos, segurou a barra de metal que fechava a porta do estábulo com as mãos nuas. Ouviu seu próprio grito de agonia, sentiu o eco da voz de Rafael em sua mente, mas a dor não importava, os cavalos sim. As chamas lambiam vorazmente o marco da porta, dançando pelo teto, subindo pelas paredes. Os sistemas de aspersores pareciam impotentes contra semelhante inferno. O que havia acontecido com o alarme de incêndios?

- Ginny, fique atrás, não se aproxime! – Ordenou, quando sua irmã chegou correndo.

- Colby! Não! - Paul a pegou pelo braço, evitando que ela entrasse no inferno de fumaça e chamas. O calor em suas peles era quase insuportável.

Ela deu a volta, tentando manter à calma. Não havia como respirar, sem arrastar a espessa fumaça para os pulmões.

- Ginny, chame o 911 e depois Sean Everett. - Os Everett eram o rancho vizinho mais próximo. - Paul, continue jogando água nesta entrada, mas fique atrás. O estábulo vai vir abaixo a qualquer momento. Não se atreva a entrar, não importa o que aconteça. É uma ordem. – Ela voltou-se e se apressou para a entrada do edifício em chamas.

- Não! - Gritou Paul, mas Colby já havia desaparecido. Uma fumaça espessa se formava a seu redor como uma enorme capa negra, tragando-a.

Ela se concentrou nas portas dos cubículos, tentando conseguir que sua mente funcionasse, para abri-las. Elas se negavam a ceder sob a pressão. Não sabia se era seu desespero ou o grito dos animais que evitava que se concentrasse apropiadamente, mas não tinha mais escolha que deixar tudo de lado.

Dezenove. Tinha dezenove cavalos nos cubículos. Colby obrigou a sua mente intumescida a se concentrar. Os olhos ardiam pela fumaça e o fogo rugia em seus ouvidos. No meio da fumaça negra, espessa e perigosa era impossível ver absolutamente nada. O calor era intenso e o ruído alto e aterrador. Os cavalos estavam além da razão, animais perigosos e desesperados.

Colby mediu seu caminho para a longa fila de cubículos. Um por um, abriu as portas, tentando conter o fôlego, enquanto seus olhos choravam. Seus pulmões ardiam e ela tossia horrivelmente. Estava começando a se desorientar. Domino apareceu, com os olhos girando rudemente. Colby estava muito engasgada para lhe tranqüilizar. O cavalo encabritou, seus cascos passaram a centímetros da face dela, que cambaleou para atras, tropeçou e caiu. Domino passou a seu lado como um trovão, sem pisoteá-la por pouco, mas seu casco traseiro produziu um ferimento em sua coxa, enquanto fugia.

O ar perto do solo era melhor e seus doloridos pulmões o tragaram. Colby tentou se levantar, ipulsionando suas trêmulas pernas, obrigando-se se levantar, propulsando-se para frente. Ondeando os braços, gritanto roucamente, ela correu para os cavalos aterrorizados que loucamente se apressavam para a entrada. A porta principl estava também ardendo, mas não com a mesma intensidade que as paredes. Colby cambaleou atrás deles, caindo, tossindo e vomitando.

Mãos ásperas a pegaram, empurrando-a longe da entrada para braços seguros. Rafael a arrastou liberando-a da fumaça e das chamas. Cheirou o sangue nela proviniente da ferida da coxa e algo horrendo e demoníaco dentro dele elevou a cabeça e rugiu pedindo vingança.

Parte do teto desabou e em algum lugar profundo do interior do rugiente inferno, um animal gritou com uma agonia tão intensa, que se fez um silêncio mortal no pátio. Colby foi primeira a reagir, saindo do abraço de Rafael, correndo diretamente para a chamejante entrada dos estábulos.

- Paul, o rifle!

Sem preâmbulos, Rafael a pegou nos braços, enquanto gritava uma ordem aos homens que estavam no pátio. Colocou-a sobre o alpendre e baixou o olhar para seus olhos aterrados.

- Fique aqui. Não se mova. Ouviu-me? - Rafael pegou o rifle que lhe lançou Juan Cheves e desapareceu dentro das chamas que saltavam ambiciosas, devorando o estábulo.

Paul se ajoelhou junto a Colby. Parecia deslumbrado, em estado de choque. Não pôde evitar admirar a eficiência de Rafael... Helicópteros para o transporte, homens ocupando-se dos animais feridos e aterrorizados. Era óbvio que Rafael dirigia a bem coordenada operação. Ele pegara o rifle no ar e entrou tranqüilamente no edifício que se desintegrava rapidamente.

Ouviu-se um disparo e os penosos gritos cessaram bruscamente. Consciente de que estivera contendo o fôlego, Paul o deixou escapar lentamente, inclinando-se solícitamente sobre Colby, apoiada contra o poste do alpendre. Ela estava com o rosto manchado de fuligem e lágrimas. Havia um hematoma em sua testa e vários em suas costelas. Supôs, pelo estado de sua blusa, que ela estava ferida, provavelmente pelos cavalos. A calça de seu pijama estava rasgada e ensangüentada. O sangue empapava sua coxa. Suas mãos eram uma feia massa de bolhas. Ela lutava por respirar com a terrível fumaça já fundo em seus pulmões. Torpemente, Paul tentou reconfortá-la, rodeando seus esbeltos ombros com um braço.

Logo, Rafael estava ali, inclinado sobre eles, levantando Colby em seus braços, com delicioso cuidado.

- Se ocupe de sua irmã menor. - Ordenou brandamente a Paul. – Ela está muito assustada. Eu cuidarei de Colby. - Assinalou para o capataz de Everett, que dirigisse os homens no salvamento do celeiro. Colby estava aturdida em seus braços, incapaz de aceitar a enormidade do que havia acontecido. Levou-a a uma distância segura da fumaça e da atividade, pousando-a sobre a grama, para examinar seus ferimentos. Defendendo-a com seu corpo de qualquer olhar curioso, Rafael ergueu seu rosto, para estudar sua fisionomia.

- Sinto muito, pequena. Não podia salvar o cavalo, nem permitir que sofresse. - Enquanto falava, ele pousava sua mão sobre a laceração de sua coxa. Estranhamente, o ardor cessou imediatamente. Sua mão deslizou, ligeira como uma pluma, pela garganta dela, tocando suas têmporas latentes. Depois mão moveu para o golpe da cabeça. - Vim no momento em que a ouvi despertar.

- Não posso acreditar que esteja acontecendo isto. - Sussurrou Colby roucamente, temendo chorar, temendo que se começasse, nunca pararia.

Rafael jogou o cabelo vermelho para trás, com dedos gentis. Ela estava com algumas queimaduras menores, o golpe e a ferida, mas eram suas mãos, que haviam segurado a barra de metal, o que lhe preocupava. Murmurou-lhe suavemente, enquanto elevava as mãos dela para a calidez curadora de seus lábios. Sua língua dançou num movimento sensual, assegurando que o agente curador lhe banhasse cada bolha e marca de queimadura. Onde deveria ter ardido, Colby sentiu um quente formigamento que consolava. Queria entrar dentro dele e se esconder, onde estaria segura.

- Tenho que ajudar. - Disse ela, tentando afastar as mãos. Não podia respirar, a fumaça estava profundamente presa em seus pulmões. O peito ardia e ofegava, em busca de ar limpo.

Rafael assinalou para Juan Cheves para que se ocupasse das faíscas que saíam, saltando para a casa principal. Sabia que os irmãos Cheves estavam preocupados com ele, já que deveria ter ido à terra com as primeiras luzes da manhã. Podia suportar as horas matutinas se fosse necessário, mas sua força estava decaindo lentamente e cedo ou tarde sucumbiria às limitações de sua espécie. O sol já queimava sua pele, convertendo-a em bolhas e seus olhos ardiam por causa da luz. Rafael mantinha as nuvens no alto para que ajudassem a lhe defender, mas o sol cobrava seu pedágio. Os irmãos Cheves sabiam que restava pouco tempo antes que seu corpo tomasse o controle e ele ficasse completamente vulnerável.

Rafael se inclinou para Colby.

- Olhe-me, querida. Mas deve me olhar realmente desta vez. - Seus olhos negros eram mágnéticos, impossíveis de ignorar e Colby os fitou, impotente, sabendo que estava caindo nos escuros charcos, mas incapaz de reunir as forças suficientes para deter-se. Rafael tomou posse de seus lábios dela, respirando em seu corpo, tirando a negra fumaça, tentando regular o fluxo de ar nela. Suas mãos deslizaram sobre o corpo de Colby, tocando os hematomas de suas costelas, enquanto velava a presença de ambos de olhos indiscretos.

Elevou a cabeça relutantemente, seu olhar negro ainda a mantinha cativa. Enfocando a maneira de sua gente, concentrando-se até que separou seu espírito de seu corpo, até que virou energia, entrando no corpo dela para ajudar a tirar a fumaça, curar a ferida e as queimaduras. Manteve-a sob seu feitiço até que ficou seguro de que cada ferimento tinha sido tratado e não havia perigo de infecção. Nem perigo para os pulmões. Lentamente, soltou-a. Na realidade, com sua mente, estava dirigindo a vários encarregados trabalhadores e aos que chegavam ante o pedido de mais ajuda.

- Temos tudo sob controle, Colby. - Murmurou ele, brandamente. - Não a quero dando voltas por aí e se colocando em perigo. Entrar no estábulo foi valente mas estúpido. Nem pense em voltar a fazer uma coisa dessas. Não posso tolerar semelhante perigo para você.

Ela se segurou a ele um momento mais, apreciando sua força e seu ar de completa confiança. Não tinha que conhecer seus próprios sentimentos para admirar a eficiência e completa autoridade dele. Este homem, com toda segurança sabia como conseguir que fizessem as coisas.

As horas seguintes foram um pesadelo, Colby e Paul tratavam as feridas dos cavalos, enquanto os homens lutavam por evitar que o fogo se estendesse para a casa e outros edifícios exteriores. Algumas vezes ela levantava o olhar, para encontrar Rafael olhando-a com seu intenso olhar negro. Ele parecia estar em todas as partes. Parecia uma máquina que trabalhava incansavelmente.

Quando o fogo ficou reduzido a brasas e colunas de fumaça e os animais estavam atendidos, Paul e Ginny foram a ela em busca de consolo... De respostas. Com seu pijama andrajoso e chamuscado, Colby examinou a destruição.

- Como pôde acontecer isto? - Gemeu brandamente, mas com desespero. - Não havia possibilidade de salvar o estábulo. O fogo estava por toda parte, completamente fora de controle. Não soou nenhum alarme, os aspersores não funcionaram. - Sacudiu a cabeça, incapaz de acreditá-lo.

Colby estava devastada. Quatorze dos cavalos alojados no estábulo, incluído o que Rafael havia abatido, não lhe pertenciam. Estava arriscando-se e treinando-os. Eram de valor incalculável para seus proprietáriose eram criados para propósitos específicos. Agora estavam traumtizados e queimados, cobertoes de cortes e queimaduras, sofrendo por causa da inalação de fumaça e Colby seria responsabilizada.

Paul a abraçou, num gesto simples de apoio, enquanto seus olhos foram automaticamente para a única pessoa que parecia com o controle da caótica situação. Rafael e os irmãos Cheves haviam lutado duro junto com aos trabalhadores do rancho de Sean Everett e o departamento florestal, para evitar que todo o rancho ardesse em chamas. Paul não queria que seus tios o arrastassem até um país estrangeiro longe do lar que amava e temia muito Rafael Da Cruz, mas não podia negar que sem eles teriam perdido tudo.

Rafael leu a súplica desesperada na jovem face de Paul e imediatamente disse algo ao pequeno grupo de homens com os quais estava falando, desculpando-se facilmente. Tomou o braço de Colby, guiando-a gentilmente através do pátio e escada acima, até o alpendre da casa do rancho. Empurrando-a gentil mas firmemente até o balancim, serviu-lhe um copo de água do cântaro que Ginny havia mantido cheio para os homens que lutavam contra o fogo. Colby parecia deslumbrada.

Levantou o olhar para ele impotentemente.

- Como não funcionaram os detectores de fumaça? Havia vários... Como puderam falhar todos eles? - Murmurou. - E os aspersores? - Acabava de revisar os aspersores. - Como pôde arder o estábulo inteiro tão rápido? Não entendo.

- Averiguaremos, meu amor. - Rafael estava pegando amavelmente uma xícara de chá doce e quente que Ginny trazia e pressionando-a entre as mãos de Colby.- Está em estado de choque, pequena, quero que beba isto. Ajudará. – Ele passou uma mão pelo cabelo. - Parece que começou com querosene. Guardava querosene, lá?

- No estábulo? - Disse Colby, incrédulamente. Inquietamente saltou sobre seus pés. Tentando passar junto à grande forma de Rafael, ela entrou na cozinha. - Nunca guardaria querosene no estábulo. Realmente deve pensar que sou idiota.

Ela era tão frágil, estava tão perto das lágrimas. Rafael estava em sua mente, lendo suas emoções e o horror pelo que tinha acontecido, o medo de encarar o futuro e suas frenéticas tentativas de juntar as peças, para descobrir o que poderia ter acontecido. Seguiu-a pacientemente, um silencioso felino atrás dela.

- Não é o que te perguntei, querida. Estou dizendo que acredito que o fogo foi provocado. Acredito que o chefe dos bombeiros também acredita que esse é o caso. Você tem seguro?

Colby ficou quieta, com o rosto meio voltado para ele.

- É isso o que acha? Que queimaria meu próprio estábulo com os cavalos ainda dentro, pelo dinheiro do seguro? É isso o que está sugerindo? – Ela ondeou a mão para abranger o pátio cheio de vizinhos. - É isso o que todo mundo acha? Que seria capaz de machucar os animais por dinheiro? - Seus olhos verdes começaram a arder, perigosamente. - Ou possivelmente é isso o que você e os irmãos Cheves querem que pense todo mundo. Que eu seria capaz de semelhante atrocidade. Isso certamente ajudaria seu caso, que eu acabasse na cadeia, não é? Ninguém se colocará em seu caminho para conseguir meus irmãos.

- Basta. – Rafael pronunciou as palavras através dos dentes brancos apertados. Seus olhos negros novamente eram frios como o gelo e seus lábios uma navalhada implacável. Parecia bastante cruel e rude, o que fez que Colby retroceder afastando-se dele, com o coração palpitando de repentino medo. - Está irritada e não sabe o que está dizendo. Melhor ficar calada que lançar acusações infundadas. Está assustando sua irmã, Colby.

Envergonhada por sua falta de controle, Colby sacudiu a cabeça e olhou pela janela evitando o penetrante olhar dele. Não tinha como saber que Rafael já tinha descoberto a chave de sua mente e era bem consciente de que ela era incapaz de semelhante ato traiçoeiro, como começar um fogo em seu próprio estábulo cheio de animais vivos.

Rafael chegou junto a Ginny. Seu tom de voz foi mais gentil.

- Tudo irá bem, mocinha. Ninguém nunca acreditaria em semelhante coisa, de Colby. Não pareça tão assustada.

- Vamos perder o rancho? - Explodiu Ginny, ansiosamente. – Você vai nos levar longe de Colby e entregar nosso rancho a esse homem horrível? - As lágrimas estavam marcando um rastro através da fuligem, sobre seu rosto.

- Não, amorzinho. - A voz de Colby era extraordinariamente gentil. - Não se preocupe, Ginny. Já tivemos tempos piores e os superamos. Paul e você estão vivos e ilesos, isso é tudo o que realmente importa. - Mesmo em seu desassossego, Colby era reconfortante.

- Que homem horrível, Ginny? - Perguntou Rafael, seu negro olhar procurando e encontrando à menina, munidos de firme compulsão, para que ela respondesse.

- Tudo está bem. - Interrompeu Colby, soando cansada a seus próprios ouvidos. Ela estendeu a mão para Ginny, tentando romper o olhar fixo que Rafael tinha sobre ela.

Rafael deslizou-se, aparentemente sem se mover, mantendo seu corpo inserido entre Colby e Ginny. A pequena levantou o olhar para ele, confidencialmente.

- Ele quer nos tirar o rancho. Sempre está vindo e dizendo a Colby que lhe dê dinheiro. – Ginny chegou mais perto, confidencialmente. - Quer se casar com ela. Ouvi-lhe dizer que não perderíamos o rancho se ela cooperasse.

- Ginny! - Colby falou bem afiadamente do que pretendia, totalmente humilhada. Rafael Da Cruz era a última pessoa que necessitava que soubesse de seus assuntos. Durante um momento cobriu o rosto com as mãos. Deitara-se com ele. Ela, havia se deitado com ele. Nem sequer eram as palavras corretas para o que fizeram juntos. E ele era um completo desconhecido que ela havia permitido tocá-la, devorá-la. Tomara-lhe dentro de seu corpo. Sentia-se nua, vulnerável e lentamente baixou as mãos para encontrar os seus olhos negros. Ele havia possuído-a, marcado e ela estava tão ansiosa por seu corpo e por seu toque. Faria tudo por ele. Deus! Tinha-lhe suplicado, gritado seu nome, na mente. O que estava acontecendo com ela?

Rafael liberou à menina de seu transe, descansando o olhar pensativamente sobre a face de Colby. Os olhos dela estavam vivos de orgulho, mas ele era uma sombra em sua mente e podia ler sua humilhação e o medo. Rodeou a frágil mão com sua forte garra, cuidando em manter sua força sob controle.

- Quem é esse homem que manteve uma ameaça sobre sua cabeça de tal maneira? – Falou suavemente. Seus dentes muito brancos e quase animalescos. Era bem consciente de que o tempo lhe escapava. Havia empurrado sua resistência muito além do normal, para estar com Colby.

- Não assunto teu. - Colby tentou retorcer, para se liberar, sentindo-se tola embora ele não parecia notar. - Estou muito alterada para fazer frente a um interrogatório. - Murmurou rebelde, lutando para conter as lágrimas. Não ajudou a sua paz mental, notar que seus vários ferimentos não doíam mais, desde que Rafael a tinha atendido antes.

O fôlego de Rafael saiu num lento vaio.

- Responda-me, Colby. - Era uma ordem e sua voz saiu tão baixa, tão envolta em veludo, que ela a sentiu em vez de ouvi-la. Contudo, era uma ameaça. Seus brilhantes olhos negros não piscaram nem uma vez.

- De acordo, então. - Incitada além do suportável, com seu controle habitual em pedaços, Colby o olhou. - Cometi um enorme engano quando meu pai estava doente. Precisávamos de dinheiro. Todo mundo sabia que ele estava doente e o banco não nos emprestaria nada. Não podia manter o rancho em funcionamento, porque ele precisava de mim. Havia muitas faturas. Meus irmãos precisavam de roupa para a escola. – Ela elevava o queixo, beligerantemente. – Eu só tinha dezenove anos, ninguém se arriscaria a me emprestar o dinheiro e o banco não nos concederia outra hipoteca por causa das faturas do hospital e a paralisia de meu pai. Era medianamente de conhecimento comum. – Ela afasstou de sua mão, outra vez. - Odeio te contar isto.

Ela não tinha que lhe contar mais nada. Podia "ver" as lembranças em sua mente. Colby havia amado Armando Cheves com a mesma lealdade feroz e paixão que dava aos irmãos. Para Colby, Armando Cheves tinha sido seu pai, com ou sem seu sangue. Afligida pela morte de sua mãe, tomara a tarefa de se ocupar de seu pai paralisado, dos dois irmãos e do enorme rancho. Havia ficado muito assustada, sem ninguém a quem recorrer e todo mundo dependente dela.

Rafael lamentou por ela, seus olhos arderam com uma emoção pouco familiar. Segurou sua mão até que o corpo dela descansou perto do refúgio protetor do dele. Precisava consolá-la mais do que ela precisava ser consolada. Colby se retorceu para se liberar e se dirigiu para a porta da cozinha. Rafael se moveu com ela, fluídico, pura energia. Não produziu nenhum som sobre o piso de azulejo.

Colby o olhou sentindo-se presa e muito vulnerável.

- Pedi emprestado o dinheiro a um vizinho. Sabia como era ele, mas precisávamos. Primeiro enviei a carta à família Cheves, eles eram nossa última esperança, mas não houve resposta. Acudi Clinton Daniels e lhe pedi emprestado o dinheiro que precisávamos para seguir funcionando. - Quando ele continuou olhando-a-se, ela encolheu os ombros. - Não era estúpida... Sabia que ele queria o rancho e sabia que era responsável por que o banco me voltou às costas. E também sabia que nos daria tempo se pensasse que poderia ter uma posiblidade comigo. - Seus olhos verdes pensaram e a culpabilidade crepitou neles. - Peguei o dinheiro, para cumprir com os pagamentos a cada mês, mas temos um pagamento vencido. A menos que possa vender parte de nossa terra rapidamente, perderemos o rancho. Infelizmente não é tão fácil, quando o rancho é parte de um aval.

Paul os havia seguido até cozinha, com a pretensão de servir uma xícara de café. Colby devia estar destroçada pelos eventos da manhã, para revelar semelhantes detalhes pessoais um homem que nem sequer conhecia. Devia estar em estado de choque. Ele se voltou, preparado para endireitar as coisas.

- Faz que soe como que tenha se vendido, Colby. Tudo o que fez foi nos manter em pé, quando nossa família não se incomodou sequer em entrar em contato conosco depois de que papai morreu. Trabalhou duro para nos tirar das dívidas, fez mais do que poderiam ter feito dois homens! Não tem nada do que se envergonhar!

- Compreendo que sua irmã é tão teimosa como uma mula. - Disse Rafael. - Mas tinha melhor opinião de você, rapaz. Deveria ter me dito ou a seus tios imediatamente, em vez de permitir que sua irmã se matasse de trabalhar. - Sua voz muito baixa, mas havia nela uma chicotada.

- Não se atreva a lhe falar assim! - Colby voltou para a vida e seus olhos verdes flamejavam. Irradiavam fúria, seus punhos já apertados. Até deu um passo para Rafael.

Ele sentiu a onda de poder vibrando no ar. Era tão forte que várias caçarolas que estavam penduradas nos ganchos, balançaram, tilintando e fazendo com que ela as olhasse ,alarmada. Sua pele empalideceu sob a fuligem e imediatamente ela respirou fundo, a fim de se acalmar.

A diversão esquentou os olhos de Rafael.

- Pense duas vezes, pequena, antes de te lançar sobre mim. Se me fizer mal, como vou assinar o cheque?

- Emprestaria-nos o dinheiro? - Paul ofegou, ansiosamente.

- De nenhuma maneira, Paul! Absolutamente não. - Colby estava ultrajada ante a idéia. - Não vou vender minha alma ao diabo, sequer para manter o rancho. - A nenhum preço! - Sentiria-se como uma prostituta e como podia explicar isso a Paul ou Ginny?

- Não tem nem rastro de boas maneiras. - A voz baixa de Rafael tornou-se subitamente de aço. Um músculo saltou em seu queixo. - A verdade é que já fez um trato com o diabo e você goste ou não, precisa de ajuda.

Seu queixo se elevou para ele, com seus olhos verdes vivos de orgulho.

- Não de você ou da família Cheves. Tiveram sua oportunidade de nos ajudar e permitiram que meu pai morresse.

As advertências soaram no cérebro de Paul. Colby era bastante capaz de tentar colocar Da Cruz na rua. Não podiam se permitir fazer de Rafael Da Cruz, um inimigo.

- Um momento, Colby. Eu gostaria de ouvir este homem. Que tipo de termos está oferecendo?

Colby olhou para seu irmão.

- Quais sejam os termos, não podermos confrontá-los, Paul. Não aprendee com meus enganos?

- Eu quero ouvi-los. - Insistiu Paul teimosamente, provando que podia ser exatamente como sua irmã, quando a situação requeria. - Acha que não sei que dorme só quatro horas por noite? Olhe-se, Colby, está só ossos.

- Muito obrigado. - Espetou ela, outra vez humilhada. - Se vocês me perdoam, vou tomar um banho. - Colby roçou Rafael, seu corpo esbelto tremia de desaprovação. Não pôde olhar para ele, ao dizer que iria tomar banho, já que a atenção de Rafael de repente estava em seu corpo. Podia sentir o peso de seu olhar sobre ela, podia recordar a sensação de seus lábios. As mãos dele haviam estado por toda parte sobre ela, dentro dela. Seus lábios, sua língua e seu corpo. Pronunciara seu nome, rogara e suplicara por mais posse. Uma e outra vez. Havia queimado por ele toda à noite. Ainda ardia por ele.

A água quente ardeu em suas mãos e as pequenas queimaduras que não havia notado antes em seus braços e pernasErgueu o rosto, para deixar que a água lavasse suas indesejáveis lágrimas. Estava exausta, já havia passado meia amanhã e suas tarefas esperavam. Tudo estava esperando. Lavou a fumaça do cabelo, tremendo incontroladamente todo o momento. Por que havia contado a Da Cruz sobre a hipoteca? Seria uma arma mais no crescente arsenal que ele poderia utilizar contra ela. E o que ele dissera? Alguém tinha provocado o fogo? Com os cavalos dentro do estábulo, alguém tinha provocado deliberadamente o fogo?

Secou-se lentamente, com o assunto na cabeça. Era difícil de acreditar, mas duvidava que Rafael tivesse mentido. Obviamente se o incêndio fosse provocado como se suspeitava, haveria uma investigação a grande escala. Ela seria a suspeita número um. Todo mundo sabia que precisava de dinheiro. Colby gemeu e pegou uma calça de descoloridos jeans Levi'S. Por que alguém queria queimar seu estábulo? O dinheiro do seguro não cobriria suas perdas completamente e muito menos seria bom para qualquer outro.

Teria ela iniciado o fogo? Colby se sentou lentamente sobre a cama. Poderia? Poderia ter começado o fogo, inadvertidamente sem saber? Era possível? Estava no estábulo mais cedo da noite com Rafael. Lembrava a onda de poder apressando-se através de seu corpo como uma bola de fogo. Seu poder enchera o quarto. Ardera por ele toda à noite. Era muito poder e energia. Colby pressionou a mão trêmula sobre os lábios.

- Agora está sendo verdadeiramente tola, querida. Você não poderia ter feito isto. Se seus poderes tivessem começado o fogo, teria sido combustão espontânea, não querose nas paredes. Isto foi deliberado. Sei o que são os monstros, Colb, e você não é um deles. Venha aqui e me resgate de seus irmãos. Estão com medo e tentam ser valentes por você. Precisam que os tranqüilize.

Colby se endireitou, enfrentando seu reflexo no espelho. Seus olhos eram enormes, o verde vívido de surpresa. Rafael Da Cruz possuia tremendos talentos. Já não podia negar que havia entre eles uma conexão. Uma forte conexão. Não podia fingir que não estava lhe ouvindo, mente a mente. Não podia fingir que cada vez que ele se aproximava dela, mesmo em meio a uma crise, seu corpo reagia ao dele. De repente, no espelho, seus olhos se abriram com surpresa. “Ele podia ler seus pensamentos. Não estava lhe falando simplesmente. Ele estava respondendo seus pensamentos. E nem sequer estava no mesmo quarto que ela!”

Colby se sentou quieta, temendo se mover. Podia ouvir seu coração pulsando ruidosamente nos pequenos limites de seu quarto. Foi então quando compreendeu que ouvia muito mais que seu coração. Podia ouvir os homens no pátio e suas conversas, o contínuo passear inquieto dos cavalos. Podia ouvir os insetos zumbindo. Pior ainda, podia ouvir os sussurros provenientes dos bombeiros perto do estábulo. Pressionou as mãos sobre as orelhas, temendo de repente estar perdendo a cabeça.

Desta vez, sentiu o movimento de uma sombra em sua mente. Uma calidez a encheu. O conforto e a tranqüilidade que ele projetava.

- Este é um dom como qualquer outro. Trabalhe com ele durante alguns momentos. Pode controlar o volume com sua mente, Colby. Não há nada a temer. Baixe o volume até que se sinta cômoda.

- O que está acontecendo? – a pergunta- brilhou em sua mente, uma súplica de ajuda em meio a loucura de sua mente. Não só a audição. Tudo o que estava sentindo. Mesmo sua atração por ele era estranha. Não confiava nela. Era muito violenta, muito apaixonada, quando sequer gostava. Também ela estava tocando sua mente e sentiu seu terrível cansaço. A necessidade de seu corpo de cessar todo movimento. Sua pele ardia dolorosamente e sentia seus olhos como se os estivessem perfurando com agulhas candentes. - O está acontecendo com você? Por que sente tanta dor? - De repente, estava muito assustada por ele.

- Colby? - Paul bateu na porta, hesitantemente. – Você está bem? – ele abriu a porta, o suficiente para colocar sua cabeça dentro do quarto.

Vendo seu rosto jovem e preocupado, a nua preocupação por ela, Colby sentiu que sua força e resolução voltavam mais forte que nunca.

- Resisto, Paul. - Tranqüilizou-o, brandamente. - E você, como está? - Me responda. - Poderia gritar se não soubesse que Rafael ia ficar bem. Queimou-se?

- Acredito que me pegará esta noite ou amanhã. Ainda estou em estado de choque. - Paul cruzou o quarto, para afastar seu cabelo da faceente. - Tem hematomas por toda parte. - Assinalou sua coxa, envolta nos jeans. - O corte era feio? Havia muito sangue. – Ela falou, numa tentativa de demonstrar seu amor.

- Estou bem. É bom que se preocupe.

- Sou dura, Paul. Fui escoiceada por cavalos e atirada ao chão com muito mais força que isso. E Ginny? Como está? - Rafael tinha razão. Concentrando-se, ela podia baixar o volume de sua audição e o assalto a seus sentidos diminuía. Não podia deixar de pensar nele, não podia evitar que sua mente tentasse sintonizar-se com a dele.

- Ginny tem comida e bebida preparada para as tropas. - Disse Paul e limpou a garganta. - Acredito que será melhor que saia. O chefe dos bombeiros quer falar com você. Sean Everett averiguou algumas coisas que deveria saber. Havia vasilhames de querosene, enegrecidos, dentro do estábulo.

Colby assentiu e seguiu silenciosamente seu irmão de volta à cozinha. Respiroi fundo e diversas vezes, para permanecer firmemente controlada.

- Alguém os colocou lá. - Disse as palavras em voz alta para prová-las. Era impossível de acreditar. - Quem faria semelhante coisa?

Sean sacudiu a cabeça.

- Não sei, Colby, mas o sistema de alarme estava completamente desmantelado e os aspersores foram manipulados. Quem quer que tenha agido foi muito profissional, consciencioso. Tivemos sorte de salvar o celeiro e os edifícios exteriores.

Fez-se um comprido silencio enquanto Colby digeria as implicações de suas palavras. Ela elevou a cabeça, olhou ao redor para o círculo de sombrias faces masculinas, aos traços pálidos de Paul e à pequena Ginny encolhida inseguramente a um canto. Rafael permanecia junto a ela, com seu corpo defendendo protetoramente a jovenzinha dos olhos dos outros homens.

Instantaneamente, envergonhada de si mesma, Colby embalou Ginny contra ela e roçou a testa imunda de sua irmã, com um beijo tranqüilizador.

- Acredito que tudo foi muita excitação para você, carinho. - Disse Colby, firmemente. - Obrigado por toda sua ajuda, pelo café e a comida para todo mundo. Eu nunca teria pensado nisso. Tome um banho vá para a cama por algumas horas. Teremos muito trabalho duro, reparando tudo. - Colby olhou para Rafael. - Obrigado por cuidar dela.

Imediatamente sentiu o toque de dedos sobre seu rosto, na mais leve das carícias, embora Rafael não se movesse, não a havia tocado fisicamente. Podia ver a fadiga gravada em seu rosto. Seus olhos estavam cobertoes por óculos negros e as lentes eram tão escuras que não podia ver através delas. Colby ainda podia sentir o quanto estava cansaço e drenado e a dor que sentia, embora o sentia elevar uma barreira para que ela não pudesse sentir sua dor real. Podia ver que os irmãos Cheves estavam preocupados com ele. Permaneciam diante da janela, com os rostos ansiosos, enquanto o observavam.

- O que podemos fazer? - Ginny implorava. - Perderemos o rancho.

- Não, carinho. - O olhar de Colby saltou para encontrar o de Rafael sobre a cabeça da menina. - Não perderemos nossa casa. Corra agora, estarei lá para te agasalhar, num momento.

Tranqüilizada, Ginny percorreu o vestíbulo, para seu quarto. Colby não podia enviar Paul para a cama, isolando-o das más notícias ou dos sobressaltos. Altamente inteligente, ele mostrava seu grande sentido da responsabilidade em quase tudo o que fazia.

- Colby. - Começou Ben, elevando uma mão para detê-la antes que pudesse falar. - Ninguém acredita que você tenha provocado o fogo. Conhecemos você de toda uma vida. Poderia queimar seu próprio estábulo se ficasse bastante louca, mas não pelo dinheiro do seguro e não com os cavalos dentro. Entretanto alguém o fez. Quem poderia se beneficiar?

- Tem algum inimigo? - Perguntou Rafael, tranqüilamente.

Seu olhar verde foi até a face dele, seu queixo elevado beligerantemente. - Não até recentemente. - Rafael havia passado a noite com ela no rancho. Não estava lá quando ela despertou. A idéia chegou inesperada e indeseada.

- Cuide-se muito ao dizer coisas que logo não poderá retirar, meu amor. Não envenene a mente de seu irmão contra seus tios ou contra mim.Voce é mais que isso.

Parte dela podia sentir que estava perdendo a cabeça.

- Não que eu saiba.

Sean esfregava a ponta do nariz, pensativamente.

- Você monopoliza noventa por cento do negócio de treinamento de cavalos por aqui. Qualquer um que queria trabalhar com cavalos estaria passando um mau pedaço.

- A maior parte dos rancheiros amansam e treinam seus próprios cavalos. Em qualquer caso, a maior parte dos ranchos são de gado. Não vejo como poderia estar lhes tomando terreno, treinando cavalos. Faço isso há anos.

- E esse homem, Daniels, do qual me falava Ginny? - Rafael se endireitou de onde estava apoiado casualmente contra a pia, num movimento fluído de pura graça e poder. - Não teria maiores probabilidades de conseguir o rancho?

- Clinton Daniels é possivelmente o maior verme do mundo, mas é um homem rico. Não lhe importa ter este rancho ou não. Já eu gostaria que fosse assim, simples.

Julho Cheves limpou a garganta.

- Dom Rafael, o sol está se elevando e o senhor está acordado a noite toda. Possivelmente Juan e eu deveríamos ficar aqui e nos ocupar de tudo, enquanto volta com o Senhor Everett, no helicóptero. – Ele sugeriu.

Colby o olhou. Pela primeira vez notou realmente o quanto era parecido com seu irmão, Armando Cheves. Também notou que ele estava nervoso e que tinha algo a ver com Rafael Da Cruz. Estudou os irmãos Cheves. Eram homens bonitos como havia sido Armando, como certamente seria Paul. Obviamente eram ricos por direito próprio e muito educados. Ambos estavam estudando Rafael cuidadosamente e estavam definitivamente tensos.

Diante de todo mundo, Rafael estendeu a mão que se fechou possessivamente sobre a nuca de Colby.

- Me permitam deixar claro que esta mulher e seus irmãos estão sob meu amparo. Devem saber que se lhes sobrevir qualquer outra tragédia, ocuparei-me pessoalmente da caça da pessoa responsável. – Ele pronunciou as palavras quase formalmente, como se fossem um ritual que ela não entendia. Mas se ela não entendia, os irmãos Cheves sim. Olharam-se um para o outro intranquilamente e fizeram o sinal da cruz, enquanto assentiam sua confirmidade, com essas palavras.

Rafael se inclinou mais perto dela.

- Querida, me ocuparei da papelada legal e voltarei logo que seja possível. Deve tentar comer alguma coisa. - Mesmo através das lentes escuras, ela podia sentir seu olhar penetrante e memorizante. Tão cansada como estava, Colby estava temendo cair para frente e se afogar na forte personalidade de Rafael. Sem voltar à cabeça, Rafael assentiu. - Paul, diga a Ginny que faça uma sopa de verduras e insista para que Colby coma. Nenhum de voces devem vagar muito longe da casa em minha ausência. Juan e Julho os ajudarão no trabalho de hoje.

Colby tentou sacudir a cabeça.

- Não será necessário.

O polegar dele se moveu sobre sua pulsação, numa longa e lenta carícia que fez com que seu sangue palpitasse.

- É necessário, meu lindo amor. Já que não posso fazer outra coisa que proteger o que é meu. - Bruscamente ele a soltou, seu olhar negro encontrando e retendo os irmãos Cheves. - Conversaremos enquanto vou para o helicóptero. - Rafael tinha rodeado o lugar do incêndio, estudando-o com mais que os sentidos humanos. A mancha do não-morto estava ali, mas o vampiro não havia sido ele que começara o fogo. Podia ter sido sua vontade, mas não levara a cabo o trabalho, em pessoa. Rafael não tinha forma de fixar o aroma do incendiário quando tantos voluntários haviam aparecido para ajudar. Os homens, que provinham de vários ranchos e do povoado, estavam em todas as partes. Poderia esperar à próxima vez, pois Rafael estava seguro de que haveria uma próxima vez. Poderia estar indefeso, preso na terra, mas se ocuparia de que Colby estivesse protegida enquanto ele dormia.

As sobrancelhas de Paul se elevaram enquanto observava o pequeno grupo de homens caminhando para o helicóptero, Sean falava ansiosamente com o chefe dos bombeiros, Rafael e os irmãos Cheves permaneciam a certa distância. Rafael tinha o braço pousado afetuosamente sobre os ombros de Julho, mas obviamente estava lhe dando ordens.

- Proteger o que é meu? O que significa isso, Colby?

Ela tinha subido de novo o volume de sua audição, achando-a agora, uma ferramenta útil.

- Ssh, espere um minuto. - Podia ouvir o chefe assegurando a Sean Everett que estava seguro de que Colby não havia provocado o fogo e lhes agradecendo sua ajuda. Mas não podia ouvir o que Rafael estava dizendo aos irmãos Cheves. E estranhamente, não podia ouvir o que eles respondiam. Mas estavam falando sobre Paul, Ginny e sobre ela. Estava bem segura disso. - Confia nele, Paul, o suficiente para colocar o rancho em suas mãos? Porque se aceitarmos esse dinheiro, isso será exatamente o que estaremos fazendo.

Rafael Da Cruz tirou os óculos escuros e virou a cabeça para fitá-la diretamente, com seus brilhantes e desumanos olhos. Ela estremeceu e se aproximou mais de seu irmão, em busca de amparo. O helicoptero era muito ruidoso, mas sabia que ele havia ouvido sua pergunta a Paul. Colby elevou o queixo para ele, fingindo não se sentir intimidada. Mas estava. Os irmãos Cheves não eram empregados. Eram ricos homens de negócio, homens fortes e orgulhosos. Sabiam do ganho e obviamente trabalhavam seus ranchos. Mas haviam exibido sinais de algo muito próximo ao medo, quando Rafael havia falado. Quem era ele para lhes causar semelhante efeito?

- Se ele voltar com os termos que me disse, não haverá problema. - Disse Paul.- Não disse que teriamos que partir para algum outro país, será um empréstimo em toda regra. É obvio, que você terá que revisar tudo cuidadosamente, eu vejo que não temos muitas escolhas.

- Tem razão, Paul. Isso é tão horrível. E ele não é homem de dar alguma coisa em troca de nada. – “Ela deitara-se com ele e suas mãos haviam estado sobre seu corpo enquanto tomava posse dela”. - Não confio nele. – “Suas mãos haviam estado por toda parte, seu corpo profundamente enterrado dentro dela”. – Mesmo que nos empreste o dinheiro da hipoteca, de onde vamos tirar um novo estábulo? Todos os cavalos parecem um desastre e seus proprietários vão ficar bravos e com razão. E Shorty... O que vou lhe lhe dizer? Butane era sua esperança na competição de laço do bezerro. Agora está morto. Shorty não se mostrará pormenorizado com o fato de que o fogo foi provocado. - Estava divagando e sabia. Normalmente teria protegido Paul de seus medos, mas precisava falar, pensar em voz alta. Manter sua mente longe da surpreendente noite que passara com um desconhecido. Evitar pensar que alguém os odiava o suficiente para queimar um estábulo cheio de cavalos. Evitar pensar no violento assassinato de Pete.

- Como sempre nos diz, cada coisa há seu tempo. - Recordou-lhe ele. - Superamos a morte de mamãe. E superamos que papai ficasse confinado numa cama. E depois superamos sua morte. Podemos fazer isto também, Colby. Você somente está cansada.

O sol da manhã luzia brilhante, mantendo a escuridão a raia, um dia mais. Sorriu ante isso, sabendo que a vida do rancho continuava sem importar o drama. Os animais tinham que ser alimentados. O mundo não parava porque Colby Jansen estivesse cansada e deprimida. Sequer porque seu pequeno lugar do mundo balançasse acordo do desastre.

Observou como o helicóptero se elevava até tornar-se um pequeno ponto na distância, depois virou para olhar para as fumegantes ruínas de seu estábulo. Era muito para assimilar. Lentamente Colby se sentou no balancim do alpendre, abraçando os joelhos, descansando a cabeça sobre as pernas. Quem podia lhes odiar tanto? Quem poderia ter feito tal coisa? Primeiro Pete e agora isto. Gemendo brandamente enterrou a face entre as mãos. Tinha que ter um estábulo. Um empréstimo do banco? E se aceitasse o dinheiro de Rafael e o empréstimo fosse executado...?

Paul passou uma mão sobre seu ombro.

- Deixa de ficar olhando-o, ficará louca. Entre e come alguma coisa ou ao menos durma uma hora ou duas. Rafael deixou esses dois homens, meus... – Ele interrompeu-se.

- Tios. - Inseriu ela, firmemente. - Poderíamos tentar conhecê-los. - Sua voz se suavizou. - Parecem-se com papai. - E Rafael se fora. Fora de sua vista. Seu corpo doía, machucado em lugares sobre os quais sequer tinha conhecimento, lhe recordando continuamente sua posse. Seu coração batia forte e ressoava em seus ouvidos, na garganta. A dor fluiu, numa pressão firme em seu peito. Queria acreditar que era pena por seu estábulo queimado, pela perda de um animal, mas temia que fosse por sua separação de Rafael Da Cruz.

 

Paul passou uma mão pelo rosto e examinou os rastros negros que ficaram em seus dedos.

- Primeiro vou tomar um banho. Se for passar um momento com os parentes, o menos que posso fazer é ter uma aparência meio decente. Já sabe como era papai com os detalhes.

- Nunca esquecer as pequenas coisas. - Repetiram ambos em coro e depois riram. O som foi surpreendente no meio do aroma das ruínas de seu estábulo.

- Não se preocupe tanto. - Paul se inclinou e inesperadamente lhe deu um beijo no alto de sua cabeça. - Poderemos com isto, como fazemos com tudo.

Colby o observou desaparecer no interior da casa, com o coração transbordante de amor por ele. Paul não compreendia as implicações de ambos os incidentes sobre o rancho. Todas as pequenas moléstias como o desaparecimento de ferramentas podiam ser consideradas pequenos furtos ou coisas mal colocadas. A grade rota e as cercas derrubadas podiam ter sido a causa da deterioração. Podia descartá-las, como coincidências. Mas o assassinato de Pete e que alguém queimasse seu estábulo, não podia ser tão facilmente descartado. De algum modo estavam conectados uns nos outros e significava que Paul e Ginny poderiam estar em perigo.

Baixou alguns degraus, com o olhar sobre os irmãos do Brasil. Estavam falando tranqüilamente um com o outro, ainda a alguma distância. Sem o amparo de Rafael podia ouvi-los claramente e ouviu dessvergonhadamente, às escondidas. Estes homens vieram de milhas de distância para reclamar Paul e Ginny e tomar posse do rancho. Não acreditavam que uma mulher pudesse se ocupar de um negócio semelhante. Não sabia nada deles e só Deus sabia se eram capazes das terríveis atrocidades cometidas contra sua propriedade. Ambos falavam em português, mas Colby havia aprendido o idioma com seu padrasto.

Foi o chamado Juan quem falou.

- Nunca antes o vi assim, com ninguém. Nicolas e Rafael nunca toleram estar longe de nosso lar por muito tempo. E agradeceu minha ajuda. Colocou seu braço ao redor de meus ombros. Não me lembro de nenhuma uma só vez em que tenha feito algo semelhante em toda minha vida.

- Comigo fez o mesmo. – Respondeu, Julho. - Aqui há algo diferente e acredito que é Colby. Não está nada bem, Juan. Eles precisam da liberdade do bosque pluvial, longe de tanta gente. Nicolas foi à fazenda para ficar sozinho, mas Rafael não partirá agora. - A voz de Julho traía sua preocupação.

- Não sei o que está acontecendo, mas aqui ele é diferente. Não é tão frio, embora seja mais perigoso. E eu também acredito que seja Colby. Haverá sangue e morte se isto não se resolver. Agora devemos permanecer vigilantes dia e noite. – Acrescentou, Juan.

Colby parou nos degraus, seus dedos se fecharam firmemente ao redor do corrimão, até que os nódulos ficaram brancos. Sangue e morte? Eles estavam se referindo a Rafael? Seria capaz de provocar sangue e morte, que estavam obviamente preocupados? Rafael tinha sido amaldiçoado com inesperados talentos igual a ela. Os dons especiais nbem sempre eram fáceis de controlar, especialmente quando se estava rodeado por muita gente. As emoções tinham muito a ver no assunto. Ela “fizera" coisas antes, quando era muito mais jovem. Havia se irritado e provocado fogo, simplesmente olhando furiosamente algo durante um momento. Havia sido responsável pelo terrível desmoronamento que havia bloqueado a entrada da mina, que a prendera durante tantas horas. Foram acidentes, enganos e verdadeiramente aterradores.

Colby podia entender por que Rafael não queria estar rodeado de pessoas e por que preferia a liberdade da selva.

O bombardeio contínuo de aromas e sons sobre os sentidos intensificados era difícil e exaustivo. Ela adorava as montanhas e precisava de sua paz. O irmão, Nicolas, devia ter os mesmos talentos. Ambos haviam parecido notavelmente frios e cruéis quando os conhecera pela primeira vez. Não gostava de Nicolas, mas Rafael... Deu uma volta para inspecionar os cavalos. Seu coração deu um curioso e pequeno salto. O calor percorreu seu corpo. Ainda não tomaria uma decisão sobre ele.

Pensou na forma em que seus olhos a olhavam com uma fome tão intensa. Então notara que não eram frios. A forma em que se comportara com Ginny. Ele fora amável e carinhoso. Protetor. Rafael possuia habilidades curativas. Havia trabalhado com os animais, depois de curá-la. Suas mãos tinham sido rápidas e seguras, os cavalos se mostravam tranqüilos ao redor dele, enquanto ele conversava baixinho com eles. Mas depois, uma vez mais, Rafael podia parecer tão frio como o gelo, tão intimidante como um felino da selva espreitando sua presa.

Colby examinou novamente os cavalos. As queimaduras estavam com melhor aspecto e eles estavam menos nervosos. Todos mostravam ainda sinais de trauma, tremendo, suando, mas nenhum mostrava sinais de inalação de fumaça. Passou uma hora com eles, examinando as feridas e consolando-os. O perigo de infecção era alto e ela tomou nota mental de chamar o veterinário uma segunda vez só para se assegurar de que estavam fazendo tudo certo. Os animais estavam acostumados a ela e confiavam nela. Era óbvio que se sentiam reconfortados por sua presença.

Colby era consciente de que os irmãos Cheves estavam trabalhando em alimentar os animais. Eram bons trabalhadores, não se sentavam no alpendre, mal humorados, porque Rafael ordenara ficar e vigiar os irmãos. Pareciam poderosos por direito próprio, mas faziam o que Rafael ordenava. Por que decidiriam fazer o que ele dizia? Era por própria vontade? Ou por que tinham medo?

Colby foi até o curral para selar um de seus cavalos de trabalho. Selou-o com a facilidade da longa prática, mas estava tão cansada, que teria utilizado a telequinesia, se os irmãos Cheves não estivessem observando-a tão atentamente. Juan vagou até ela para apoiar seu peso casualmente contra a grade. De perto, ele se parecia tanto com Armando, que Colby temeu que se o olhava poderia tornar a chorar. Estava se tornando muito emocional. Não era seguro.

- O que posso fazer por você? - Não permitiu que seus olhares se encontrassem.

- Que cavalo devo utilizar? – Perguntou ele, gentilmente.

Seu sotaque e sua voz se pareciam muito aos de seu padrasto. Afastou o olhar dele para dirigi-la sobre a garupa de seu cavalo, até os escuros contrafortes. Eram escuras mesmo sob o sol brilhante.

- Está planejando me seguir?

- Sim, senhorina... Poderia não ser seguro montar a cavalo. Dom Rafael disse que estava você sob seu amparo. Isso não é pouca coisa. Em qualquer caso, a família de meu irmão é minha família. Desejo cuidar de sua segurança.

Colby pensou em discutir mas um olhar a seus traços decididos lhe disse que não faria nenhuma diferença, ele simplesmente a seguiria. Por outro lado, sentia curiosidade. Gesticulou, para Pingo.

- É um cavalo estável e há uma sela no celeiro, que pode utilizar. - Tinha sido a sela de seu pai, mas não lhe disse isso. Não tinha pensado em todos os arreios que perdera ou na sela feita à medida de Ginny. Ginny não havia dito nenhuma palavra. Como ia poder substituir?

Colby colocou de lado a necessidade de explodir de dor e pena. Quem fizera isto? Rafael tinha estado no quarto dos arreios com ela. E King, o cão de Ginny. por que não havia ladrado? Havia lhe enviado para dormir ao celeiro. Tinha-lhe visto mais cedo na manhã, observando aos bombeiros. Não havia ladrado quando Rafael foi visitá-la. Lembrava claramente. Cautelosamente, colocou o chapéu sobre os olhos e lançou um rápido olhar a Julho. Presumidamente, ele ficava para cuidar dos irmãos. Confiava nele?

Enquanto Juan selava Pingo, ela desmontou e se apressou pelo pátio de volta à casa. Paul e Ginny tinham voltado para a cama e estavam dormindo, King estava enrroscado sobre a cama de Ginny. Colby emitiu ao cão uma ordem firme de protegê-los. O collie estava bem treinado e sabia que os alertaria, se Julho se aproximasse da casa. No último minuto, embainhou a pistola que com freqüência utilizava quando comprovava as cercas. Algumas vezes o gado pisava num buraco de esquilo e rompia uma perna, outras vezes, as serpentes cascavel os mordiam. Tinha que levar a arma se por acaso houvesse uma emergência. Pegando seu rifle, ela se apressou a voltar para seu cavalo. Desta vez Juan estava preparado. Parecia ter nascido para montar, fácil, natural, um cavaleiro fluido. Arqueou a sobrancelha quando viu o rifle, mas não disse nada.

- Meu irmão era um excelente cavaleiro. - Disse, lendo facilmente a dor em seus olhos. - Mesmo sendo o mais jovem podia tomar a dianteira da maioria de nós.

Colby afastou o olhar dele rapidamente, engolindo o nó de sua garganta.

- Estava acostumado a me colocar diante dele, desde que era um bebê e montávamos juntos por todo o rancho. Ele me ensinou a montar.

- Você faz o mesmo ritual que ele realizava sempre antes de montar. - Juan sorriu ante a lembrança. - Acostumávamos a fazer brincadeiras sobre isso. Sempre aplaudia o pescoço do cavalo e passava a mão pelo peito e as patas dianteiras, aplaudia-o uma segunda vez, depois se balançava e montava. A maior parte das vezes sem utilizar sequer os estribos.

Colby sentiu ascender à lembrança, vívida e dolorosa. Armando tinha sido um cavaleiro assombroso e adorava os animais. Tinha inspirado esse mesmo amor em Colby. – Ele era incrível com os cavalos. - Disse ela. - Nunca vi ninguém melhor.

- Ele gostaria que seus filhos conhecessem sua família. - Disse Juan, sua voz amável.

Colby se inclinou para baixo para abrir uma grade.

- Que espera, que entregue meus irmãos sem mais? A perfeitos desconhecidos? Tão má opinião tem de mim que acredita que permitiria que desconhecidos arrastassem minha família para um país estrangeiro? Diga-me, você faria isso?

Juan jogou o chapéu para trás.

- Não, senhorita. Eu nunca entregaria minha família a pessoas que não conhecesse. Armando nos escreveu de seu leito de morte para que viéssemos por seus filhos. Por todos seus filhos. Foi seu último desejo que viessem conosco. Meu irmão deixou claro que a considerava sua filha e sua herdeira. Viemos por todos vós.

- Chegaram cinco anos mais tarde. Escrevi a sua família quando aconteceu o acidente e ninguém respondeu. E três anos depois escrevi outra carta quando ele estava em seu leito de morte. Não havia nenhuma só frase nela sobre mim. - Seus olhos verdes tocaram a face, afastando-se. Teria desejado que houvesse algo na carta, mas ela havia escrito palavra por palavra, o que Armando lhe tinha ditado. Não queria que Juan visse refletidas em seu rosto transparente, sua desilusão por não ter sido adotada por Armando ou a fúria que sentia antes as mentiras de Juan.

O sol estava começando a se erguer través do espesso banco de nuvens que rodeava as montanhas e por alguma razão, os olhos de Colby eram ultrasensiveis. A luz a machucou, fazendo com que baixasse a aba do chapéu, para escurecê-la. Mesmo assim, doíam-lhe os olhos, no sol da manhã.

Juan fechou a grade atrás deles.

- Armando deve ter acrescentado depois à carta. Sua mão era trêmula e não teríamos sabido de não ter sido por ele.

- Não poderia ter feito. Não podia se mover. - Disse Colby rigidamente. Seu padrasto lhe pedira que deixasse a carta em sua cabeceira, para poder repassá-la no caso de ter algo mais a dizer. Na manhã seguinte, a carta já estava dobrada e Colby a tinha inserido no envelope e a enviado. Desejaria que Juan estivesse dizendo a verdade, mas descobrir que Armando não a tivesse incluído lhe romperia o coração e se o tivesse feito, poderia chorar um rio de lágrimas.

- Soube alguma vez que Armando te dissesse uma mentira? - Perguntou Juan tranqüilamente, enquanto o couro de suas sela rangia e os cascos dos cavalos estalavam contra a rocha. Uma melodia que ela achava consoladora, uma que lembrava de sua infância com seu padrasto.

Colby sacudiu a cabeça, silenciosamente.

- Tampouco eu desonraria a lembrança de meu irmão te mentindo.

Colby montou alguns minutos em silêncio, dando voltas à informação em sua mente.

- Por isso seu avô se negou a lhe responder, não é? – Adivinhou, astutamente. - Não me incluiu na carta mesma porque não queria que eu soubesse que sua família o rechaçava por minha causa.

- Não se equivoque, isso não foi à família.

Olhou-o nos olhos. Os seus, verdes vivos e com um feroz orgulho.

- A família Da Cruz então? Não queriam que eu arruinasse sua impoluta reputação com minha falta de sobrenome?

Juan suspirou, brandamente.

- Os irmãos Da Cruz não se interessam por semelhantes coisas. Não se preocupam com a vida dos outros. Isso foi somente responsabilidade de meu avô. Não falou com meu pai nem a nenhum de nós sobre as cartas de Armando. Se tivesse falado, teríamos vindo imediatamente. Não posso te dizer quanta dor isso causou a nossa família.

- Armando foi feliz com minha mãe. - Disse-lhe Colby, abrindo o caminho através de um estreito canhão que terminava nas esplanadas onde estava reunida a maior parte do gado. Cavalgou diretamente para o pequeno celeiro onde se armazenava o feno e urgiu a entrar. Agora o sol lhe incomodava os olhos verdadeiramente e as sombras do celeiro lhe proporcionaram um pouco de alívio. Devia ter sofrido algum dano com o fogo, sem notar. Até sua pele parecia ultrasensivel, ardendo ferozmente onde quer que tocasse a luz do sol.

Juan a seguiu, amaldiçoando silenciosamente o esnobismo de seu avô.

- Estou seguro de que foi assim. Armando nunca teria permanecido em outro país longe de sua família, se não tivesse encontrado algo melhor.

Colby desmontou, o movimento foi veloz e fluído apesar do fato de ser baixa. Ela se movia eficientemente, sem esbanjar movimentos. Juan teve que admirar suas habilidades, quando ela começou a reunir montes de feno.

- Como encaixa a família Da Cruz em tudo isto? - Perguntou Colby, com estudada despreocupação.

Fez-se um pequeno silêncio revelador. Colby sabia que o homem estava escolhendo suas palavras cuidadosamente, enquanto trabalhava a seu lado.

- Sua família é antiga, como a nossa. As duas famílias estiveram juntas durante centenas de anos. Quem sabe até quando se remonta isso? Nós cuidamos de suas fazendas e eles cuidam de nós. Coexistimos assim durante tanto tempo, que nos convertemos em uma família.

- Mas vocês têm seu próprio dinheiro e terras.

- É certo. Mas nossas famílias têm uma relação simbiótica. O que é bom para Os Da Cruz é bom para nós. Eles têm habilidades especiais e nós os ajudamos em outras áreas.

Ele estava lhe contando alguma coisa, mas não tudo. Por alguma razão inexplicável, algo em sua voz provocou um calafrio na espinha de Colby.

- Como são?

- Há cinco irmãos Da Cruz. Os outros se parecem muito a Rafael e Nicolas. - Juan parou durante um momento. - Faz este trabalho sozinha a cada dia?

Havia um toquede censura em sua voz, embora Colby pôde notar que ele tratava de eliminá-lo.

- Meu irmão me ajuda e tinha um senhor que me ajudava. Pete Jessup estava trabalhando para mim.

Juan se apoiou em sua forca.

- O homem que encontrou morto. – Ele fez o sinal da cruz, reverentemente. - Esse não era um bom lugar para que estivesse montando sozinha.

- Faço isso todo o tempo. Alguém tem que fazê-lo.

Juan sacudiu a cabeça.

- Não é seguro. Esse não é um bom lugar. Senti...- Ele se benzeu, pela segunda vez. - Senti-o malvado. Não acredito que esses homens a tivessem deixado partir, se o cavaleiro do Senhor Everett e eu não estivesse observando.

- Posso dirigi-los. - Disse Colby, sem estar segura de estar dizendo a verdade.

- Isto não pode continuar. As coisas que faz são muito perigosas.

Ela passou uma mão impacientemente pelo cabelo.

- Felizmente para mim, não tenho que responder perante a ninguém. - Havia um desafio em sua voz e uma ameaça aberta. - Eu levo este rancho, Senhor Cheves. Isso significa que tenho que montar por toda parte e trabalhar como um homem.

- Mas não é um homem. - Assinalou Juan, pacientemente. - Dom Rafael não permitirá que isto continue. É um homem acostumado a fazer o que é certo e não é boa idéia se opor a ele. Se ele decretar outra coisa, não o desafie.

Colby deixou de trabalhar e olhou diretamente e pela primeira vez, para ele. Seus olhos verdes flamejavam para ele.

- Rafael Da Cruz pode ser um grande homem lá, de onde vocês vêm, mas aqui, em meu rancho, em meu pequeno mundo, não vale mais que isto. – Ela estalou os dedos. - Não me controla e nem a meus irmãos.

Juan sacudiu a cabeça, lentamente.

- Não conhece dom Rafael, senhorita. Ele não é como o resto dos homens. É a filha de Armando e por conseguinte minha sobrinha. Não quer reconhecer o parentesco, mas eu devo cuidar de você como ele queria que fizéssemos. Não quero que coloque este homem a prova.

Ela ouvia novamente, o débil toque do medo em sua voz?

- Por que se preocupa? Rafael Da Cruz não tem nada a ver comigo. Com sorte, ele irá embora brevemente. - Logo que as palavras saíram de seus lábios, um medo que chegava quase ao ponto do terror, a segurou. A idéia era insuportável. Era mais que dor, uma dor inconsolável. A marca de seu pescoço palpitou e queimou, em protesto.

- Dom Rafael é um homem muito influente e poderoso. Não é como os outros homens. - Era óbvio que Juan estava procurando as palavras corretas. - Os irmãos Da Cruz não são como nós. São formidáveis oponentes. duros e implacáveis inimigos.

Colby manteve para si seus sorrisos. Obviamente Juan sabia que Rafael e seus irmãos estavam dotados com talentos únicos, que ela tinha começado a descobrir através de seu próprio contato com esses dons. Ele não queria trair uma confidência, embora estivesse tentando adverti-la. Achava-o bastante comovedor.

- Duvido que possa fazer alguma coisa, para que Rafael me considere o suficiente importante, para fazer dele meu inimigo. Vi-o em ação. Todo um sedutor. - Mesmo dizer as palavras parecia fazer mal, mas Colby não quis examinar muito atentamente, o por que.

- Equivoca-se com ele, Colby. – Disse, Juan. - Dom Rafael é um homem de honra. E há algo diferente nele desde que se mostra tão interessado em você. Vi-o com a pequena. Foi muito amável e protetor com ela. Dom Rafael nunca mostrou muito interesse pelos irmãos. Resgatou-os quando era necessário, mas como uma questão de dever, não como foi com sua irmã. Nunca havia observado este incomum comportamento nele. E está diferente comigo, mais aberto com suas emoções.

Não queria pensar muito em Rafael. Ela esfregou os olhos, que podia dizer estavam começando a inchar severmente. As lágrimas lhe corriam pela face e ela não conseguia detê-las.

- Acredito que o fogo, de certa forma me danificou os olhos. – Murmurou, como explicação. - Se vocês forem para casa, Rafael irá também. Tenho a impressão que de ambos os irmãos estão ansiosos para irem embora daqui, imediatamente.

Juan a olhou atentamente, com seus olhos se atrasando sobre a estranha marca de seu pescoço.

- Temo que seja muito tarde para isso. – Disse, ominosamente. Parecia bem alarmado, seu olhar permanecia sobre a marca, especulativo.

Colby suspirou pesadamente e para evitar cobrir a marca como uma adolescente envergonhada, acrescentou outro monte de feno à pilha.

- Senhor Cheves, não pode ficar pela metade. Não pode insinuar num minuto que sou uma boa influência para ele e no seguinte, que ele poderia estar tentando me fazer mal, de algum modo. Se houver alguma razão pela qual pensa que estou em perigo por causa de Rafael Da Cruz, poderia me dizer. – Ela fixou o olhar em seu rosto. - Não tenho medo dele. - Essa era uma terrível mentira, mas persistiu, tentando forçar uma admissão de Juan. – Ele está me ameaçando, de algum modo? Não acredita que é o responsável pelo acontecido no estábulo, acredita? - Ela o teria fitado desafiantemente, mas tinha os olhos muito inchados. E estava cansada. Sentia os braços e as pernas pesados. Queria estender-se sobre o feno e dormir.

- Dom Rafael nunca faria algo semelhante. - Juan pareceu horrorizado ante a mera sugestão. Mas tão horrorizado, ele parecia preocupado. - Acredito que deveríamos voltar para a cas. Você não está bem.

Um protesto se iniciou em sua mente, mas ela se sentia terrivelmente mal, a pele de seu rosto e braços ardiam ferozmente. Sentia os olhos como se fossem atravessados por agulhas incandescentes. Mesmo dentro do refúgio do celeiro, sentia a luz preparada para atacar. Pior ainda, estava pensando constantemente em Rafael. Ele invadia sua mente até o ponto de afugentar cada pensamento prático que tivesse. Não importava quão forte fosse, não parecia capaz de deixar de pensar nele, de precisar vê-lo. Colby nunca se considerou o tipo de mulher que precisava de um homem até o ponto de ficar consumida por ele, mas desejava desesperadamente ouvir sua voz, tocá-lo e ver por si mesma que ele estava vivo e bem.

- Por favor, senhorita, o sol está queimando sua pele. Estou sobre tudo preocupado, poderia levá-la de retorno a casa. - Juan já havia decidido levá-la de volta. Podia ver que ela estava com problemas e estava sendo tão cortês como lhe era possível. Se lhe acontecesse alguma coisa, Rafael o faria responsável. Estava muito preocupado. A pele de Colby enchia-se de bolhas sob o sol e seus olhos eram muito sensíveis à luz. Estava parecendo-se muito com o que acontecia aos irmãos Da Cruz. Juan nunca tinha visto esse fenômeno num humano. Agora estava realmente alarmado e queria falar com Julho.

- Deveria comprovar que meus irmãos estão bem. – capitulou, Colby. - E conseguir que o veterinário examine os cavalos. - Desejava o alívio da frescura da casa do rancho. Queria embalar Ginny e Paul em seus braços e fazer com que tudo voltasse de novo para a normalidade. Mais que isso, precisava desesperadamente ver Rafael, lhe tocar. Saber que estava vivo.

- Onde está?

Rafael estara profundamente dentro da terra. A sua volta, a terra rejuvenescedora oferecia um conforto consolador para as terríveis queimaduras de seus braços e rosto, onde o sol implacável o tinha abatido. Não fora capaz de deixar Colby até estar seguro de que o perigo para ela havia passado e então ficou até bem tarde na manhã, coisa que nunca havia confrontado antes. Seus olhos, mesmo sob a terra, ardiam e choravam pela luz do sol. Ainda protegido pela pesada covertura das nuvens, pagara um alto preço por estar com ela.

Por que o aroma do vampiro havia permanecido perto do estábulo, embora o causador do incendio fosse um humano? Estava o vampiro utilizando uma marionete humana para destruir Colby? Nicolas tinha razão, teria que trazê-la completamente a seu mundo onde poderia protegê-la todo o tempo.

Ante esse pensamento, chegou outro muito mais desagradável. Era difícil estar indefeso na terra enquanto Colby enfrentava o perigo sem seu amparo. Como se sentiria ela, junto a ele dentro da terra e com a pequena Ginny em perigo ou necessidade? Seu coração deu uma estranha inclinação. O tema era muito mais complexo do que havia considerado a princípio. Era bem mais simples quando pensava em si mesmo, em suas próprias necessidades e desejos. Uma fúria selvagem pareceu arder em sua alma. Colby pioraria sob a terra, sua alma gentil e compassiva ficaria devastada ante uma separação entre ela e seus irmãos pequenos. Amava-os como se fossem seus próprios filhos. Um amor feroz e protetor, com cada fibra de seu ser. Da forma em que ele queria ela o amasse.

Seu juramento foi eloqüente, as palavras ressoaram asperamente em sua mente. Trouxera-a parcialmente a seu mundo, sem pensar no que isso significaria para ela e sua vida. Para seus sonhos. Para o realmente importava. Ela sentia-se incômoda sem ele, estava intranqüila e o sol estava começando a subir alto. Colby era uma mulher independente, não estava segura de que gostasse. Confundia-o, sua incapacidade para deixar de lhe desejar, a necessidade de tocar sua mente, de saber que estava a salvo. Rafael sentia-se impotente sabendo que havia contribuído para o desassossego de Colby. Não, era mais que isso. Ele era diretamente responsável por seu desassossego.

Tinha ido à terra perto da casa de Colby, para sentir melhor as primeiras vibrações de perigo para ela. Havia se sentido tão perto dela na noite anterior, estendido a seu lado na cama, ouvindo sua respiração. Colby era linda, formosa. Não só seu corpo, mas seu coração e sua alma tambem. Parecia brilhar de dentro para fora. Nenhum dos bombeiros que a conheciam e nenhum dos rancheiros, acreditaram na idéia de que ela poderia ter provocado o fogo, pelo dinheiro do seguro. Havia algo em Colby que simplesmente atraía às pessoas como um ímã. E os fazia acreditar nela.

E ele, com seu corpo como em peso morto, incapaz de mover um músculo, enquanto contemplava os problemas que encarava. Não queria Colby sobre terra onde não podia protegê-la. Queria estar com ela. Não queria, precisava estar com ela. Não passaria outro dia incapaz de dormir o sono reparador de sua gente, aterrorizado, temendo perdê-la. Não faria. Completaria o ritual e a arrastaria esperneando e gritando até seu mundo. As conseqüências seriam loucas, mas o lugar dela estava com ele. Ela nascera para ele e era sua outra metade. Tinha direito a ela. Quando estivessem no Brasil poderia desagravá-la e ganhar seu amor. E ela estaria presa a ele para sempre. Eternamente. Não poderia lhe deixar e Colby teria que aprender aceitar seu destino.

Rafael tentou forçar sua mente a se afastar dela tentando fechar-se a si mesmo e recuperar sua força. Podia ouvir o coração dela pulsando. Podia senti-la sobre a terra e como seu coração procurava a tranqüilidade do dele. Podia sentir sua mente sintonizando-se na tentativa de encontrar a sua. Havia completado com êxito, dois intercâmbios de sangue. Ela já estava parcialmente em seu mundo. O alarme o golpeou com força. A pele dela seria sensível ao sol, seus olhos lacrimejariam e arderiam.

Colby estava acostumada a estar sob a dura luz do sol, não pensaria em se proteger. Fez um esforço de concentração e a tocou, mente a mente, aliviando seu desassossego e parcialmente o seu próprio. Logo, sentiu a dor e o ardor de sua pele e olhos. Estava faminta, mas tinha problemas para comer. Precisava lhe tocar com freqüência e se sentia terrivelmente confusa por esta necessidade tão pouco familiar. Escapou-lhe um som baixo, um gemido de desespero. Como podia ter sido tão egoista? Só havia pensado em suas necessidades, em seus desejos. Não se detera para pensar nas conseqüências para ela. Colby sofreria terrivelmente este dia e era por causa de seu próprio egoismo. Nesse momento, odiou-se a si mesmo.

Rafael não tinha escolha, teria que levar ao Brasil com ele onde podia protegê-la adequadamente, mas ela não seria feliz sem Ginny e Paul. Nunca poderia fazê-la feliz sem seus irmãos. A idéia se arrastou inesperada até sua mente e ali ficou, como um espinho. A verdade. Ouviu-a então, o suave lamento de seu coração ao dele. - Onde está?- Requereu-lhe uma tremenda força e poder de vontade, sobrepor-se à paralisia e a letargia de sua raça na hora em que o sol estava mais alto. Estendeu-se para ela com seu coração e mente.- Colby? - O mais ligeiro dos toques. Uma pergunta.

Colby tentou lutar contra a terrível dor em seus olhos, mais a cegadora dor de cabeça que era tão implacável, que se sentia como sua cabeça estivesse presa num torno. Seus olhos estavam tão inchados, chorosos e doloridos que os mantinha fechados a maior parte do tempo contra o ataque do sol. Seus antebraços estavam vermelhos e já se formavam pequenas bolhas. Colby era ruiva, mas sua pele há muito que se acostumara ao sol. Não podia acreditar que fosse tão sensível. Aumentou sua velocidade e cobriu os olhos com a mão, incapaz de guiar o animal. Juan estendeu a mão e tomou as rédeas em silêncio, conduzindo a de volta à casa do rancho.

Ouviu o som de uma voz movendo-se delicadamente em sua mente, em revoada contra as paredes de sua mente. Rafael. A voz dele era incrivelmente terna e seu coração se anexou a ele imediatamente. Por que sentira tanto medo de que tivesse acontecido algo terrível, a ele? Era como uma pesada pedra que a curvava, esmagando-a, até que não podia pensar com claridade.

- Rafael! - Não pôde conter o alívio em sua voz e em sua mente.

- Estou descansando. Estarei com você esta noite. Durma e permita que Juan e Julho ajudem Paul com o trabalho de hoje. – Ele deslizou um ligeiro "empurrão" em sua voz, mas já sua força havia desaparecido, fluindo fora de sua mente.

Colby sabia que algo estava errado com ele, podia sentir sua necessidade de descansar, de se curar. - Está ferido. Posso sentir dor em sua mente.

- É sua dor.

- Não minta para mim.

- Os companheiros não mentem uns aos outros, Colby. Sinto sua dor como minha. – Ele soltou um pequeno suspiro. - O sol também me afetou negativamente. Curarei-me com rapidez. Devo dormir, querida.

Colby tentou indagar mais ainda na mente dele para avaliar seus ferimentos, mas foi impossível. Rendeu-se, a tarefa era muito difícil em vista de sua força decrescente. - Acredito que nós dois precisamos dormir, Rafael. - Surpreendia-a o quanto era fácil se comunicar com ele. O bem que se sentia. Como se eles se pertencessem, duas metades do mesmo tudo. - Lavou-me o cérebro.

A terrível pressão que lhe esmagava o peito havia desaparecido e no momento se sentiu bem mais feliz. Doíam-lhe muito os olhos para abri-los e sua pele estava ardente. O estábulo desaparecera, mas ela era inexplicavelmente feliz só em ouvir sua voz. Sabendo que ele lia seus pensamentos e provavelmente se sentiria orgulhoso, dirigiu-lhe uma última mensagem. – Como você me adoece.

Embora Colby tenha entrado no celeiro para escapar do sol, descobriu que não podia abrir os olhos sequer no interior escurecido. tentou desmontar, mas se viu obrigada a segurar-se cegamente no cavalo, até que Juan tranqüilizou o animal, segurando as rédeas.

- Entre, eu me ocuparei do cavalo.

- Colby! - Paul entrou correndo no celeiro, vendo sua irmã cambalear enquanto desmontava. - O que aconteceu? – Ele olhou seu tio, enquanto envolvia um braço ao redor de sua pequena figura. - O que fez a ela? - Sua voz estava cheia de suspeita.

- Paul... - A voz de Colby foi uma amável advertência. - Meus olhos doem. Não posso ver muito bem. Devo ter me prejudicado com o fogo. Seu tio só estava tentando me ajudar. – Ela apoiou-se nele, confiando em que ele a levasse em casa. - Não seja grosseiro. – Ela enterrou a cara na camisa de seu irmão, tropeçando cegamente contra ele através do pátio até a casa do rancho. Não se atrevia a abrir os olhos, pois agora que estava em casa, parecia doer ainda mais.

Ginny se apressou a seu lado.

- O que aconteceu? Está queimada, Colby! – Em seguida, Ginny molhou uma toalha na água fria e a pressionou sobre as mãos de sua irmã.

Colby sustentou a toalha fria sobre seus olhos inchados e sentou-se numa cadeira.

- Não posso acreditar o quanto isso dói. Nunca me alegrei tanto por estar em casa.

- Posso te levar para a cidade e procurar o médico. - Ofereceu-se Paul.

Colby respirou fundo e sacudiu a cabeça.

- Acredito que só quero me deitar durante uma hora ou algo assim. – Ela sentia-se exausta, a necessidade de dormir era tão grande, que se temia que pudesse sucumbir ali mesmo, no meio da cozinha. Esfregou as têmporas latentes. - Tenho tanto a fazer.

- Chamei o veterinário. – Disse, Ginny. – Ele virá novamente esta tarde. As galinhas estão alimentadas e o jardim está regado. O chefe de bombeiros enviará a alguém para investigar como começou o fogo. Paul fez todas as chamadas dos proprietários dos cavalos. Bem, exceto Shorty. - Ginny vacilou um momento, olhando seu irmão. Colby nunca ficava doente. Fora ferida em várias ocasiões, mas raramente ia para a cama durante o dia, nem depois de ajudar algum animal num parto longo e particularmente difícil. – Oh! Chamei Tanya Everett e lhe perguntei se sua mãe e ela podiam vir ao anoitecer, em vez de pela tarde. – Ela baixou a cabeça e seus olhos vagaram longe dos de Paul. – Eu ia cancelar a visita também, mas ela soava tão solitária que pensei que poderia montar com ela no curral. Se quiser que cancele, eu o farei, Colby.

- Não, é obvio que não, carinho. - Colby pressionou o pano frio ainda mais, tentando desesperadamente acabar com o calor de sua pele e de seus olhos. - Estou tão cansada, que realmente preciso descansar um pouco. Voces me chamam mais tarde?

- Vamos. - Paul a ajudou a se levantar e a conduziu até seu quarto. - Não se preocupe com nada, posso me ocupar disso.

Colby tirou o pano dos olhos para olhar seu irmão. A luz que brilhava através da janela a atingiu com um brilho alarmante. Imediatamente, ela apertou os olhos com firmeza e os escondeu sob o úmido e consolador pano. - Feche a cortina, Paul.

Ele obedeceu-a, fechando as pesadas cortinas sobre a abertura, ebscurecendo o quarto.

- Está segura de que não deveríamos te levar a médico, Colby? Possivelmente seus olhos se queimaram no fogo. – Ela soava muito jovem e assustado.

- Acredito que só estão sensíveis, Paul. Estou tão cansada. – Ela deitou-se sobre sua cama e estendendo a mão cegamente para ele. - Preciso falar contigo sobre Juan e Julho Cheves. Estão aqui para te ajudar e acredito que deveria ser receioso já que são os irmãos de seu pai. Por outro lado, com todas as coisas estranhas que estão acontecendo por aqui, acredito que deveríamos mantê-los vigiados. Assegure-se de que Ginny e você fiquem a salvo. – Ela se contorceu incômoda, até que Paul estendeu a mão e lhe desabotoou o cinto que carregava a arma.

Colby ainda podia cheirar Rafael em seus lençóis e travesseiro. Desejou pressionar o rosto no travesseiro e inalar.

- Não acredito que levar uma arma para a cama esteja de moda este ano. Onde deixou seu rifle? - Perguntou Paul, bruscamente. Sua irmã parecia de repente, muito frágil.

- Na capa. Acredito que Juan esta cuidando do cavalo. Devolva a arma no lugar, Paul e se assegure de descarregá-la.

Ginny entrou agitada, empurrando Paul para um lado, com seu pequeno quadril.

- Trouxe um pouco de aloe beira. Você fique quieta e me deixe refrescar um pouco com ele. – Ela olhou preocupada para Paul. – Ela está sempre tão cansada, Paul. Acha que está doente? Não comeu nada todo o dia de ontem e nem esta manhã. Nem sequer tomou uma xicara de chá.

Um sorriso apareceu nos lábios de Colby.

- Estou aqui, Ginny. Não precisa falar de mim em terceira pessoa.

- Já conhece Colby. - Disse Paul com decisão, sem querer que Ginny se preocupasse. - Levantou-se um par de horas antes para ir em busca de... – Ele se interrompeu, consciente de que Pete Jessup era um assunto perigoso. – Cuide dela, Ginny e fica com ela em casa. Mantenha King contigo. – Ele falou, sentindo-se de repente, tremendamente responsável por suas duas irmãs.

Ginny ergueus os olhos enquanto o via partir, com a pistola de Colby nas as mãos.

- Grande engano, Colby, lhe dar todo esse poder. Logo saberá que será impossível viver com ele. – Ela recolheu o cabelo de Colby. Surpreendentemente Colby não se moveu. Ginny se inclinou mais perto, para confirmar que sua irmã já havia adormecido. Ginny se sentou na beirada da cama, olhando intensamente sua irmã, enquanto seus dedos trançavam automaticamente as mechas do cabelo intensamente vermelho, numa trança solta. Havia algo diferente em Colby. Era tão sutil que Ginny não podia dizer o que era exatamente. Apesar da terrível queimadura, Colby parecia diferente, mais... Tudo. Ginny se sentia reconfortada, sentada junto a Colby, mas desejaria que sua irmã não dormisse tão rapidamente. Precisava falar com ela.

Inclinou-se, aproximando-se.

- É todo minha culpa, Colby. Desejaria que pudesse me ouvir. - Sussurrou as palavras contra o pescoço de sua irmã, contra a estranha marca que havia em sua pele - Eu fiz... Colby.

Colby estava imóvel e sua respiração firme e regular, parecia um anjo em seu sono. Uma lágrima filtrou dos olhos de Ginny e rodou por seu rosto, até cair sobre o pescoço de Colby, sobre a marca distintiva. No momento, Colby se moveu e sua mão se estendeu até que encontrou a de Ginny.

- Você nunca poderia ter feito algo semelhante. - Sua voz era suave e sonolenta. Havia um débil sorriso no tom.

- Eu não o provoquei. - Admitiu Ginny. - Mas chamei King para que entrasse. Esperei até que você dormiu e o chamei a meu quarto e fechei a porta. Odeio dormir sem ele. Ainda tenho pesadelos sobre Mamãe e Papai morrendo. Sobre a morte. Não quero que te aconteça nada. Jamais.

Colby fez um tremendo esforço para se mover. Nunca havia se sentido tão cansada, com seu corpo tão pesado. Tentou e conseguiu entrelaçar os dedos firmemente com aos de Ginny.

- Pequena, por que se faria responsável? Provavelmente lhe salvou a vida. Quem quer que tenha começado esse fogo não pensou nos cavalos encerrados lá dentro. Não teriam duvidado em matar nosso cão, se ele tivesse tentado nos alertar. - Tão cansada como estava, Colby não estava censurando suas palavras como faria normalmente

- Não deveria ter lhe chamado... Se não o tivesse feito, o cavalo do Shorty não teria morrido. - Ginny enterrou o rosto no pescoço de Colby, fazendo com que a marca palpitasse como o batimento de um coração.

Colby se avivou mais, deslizando seu braço em volta de Ginny.

- Não fique tão assustada, carinho. Não vamos perder nossa casa. Ninguém nos separará. Quero demais você e Paul. Isto não foi tua culpa.

- Mamãe e Papai se foram. - Ginny se engasgou, contendo um fluxo de lágrimas.

- Sei, coraçãozinho. Papai tentou ficar conosco tanto quanto pôde. Sei que foi duro para você, mas ninguém vai nos separar.

- E se essa gente te leva aos tribunais e nos obriga a ir para o Brasil com eles? - O pequeno corpo de Ginny estava tremendo.

Colby colocou parte da colcha sobre ela, envolvendo as duas com suas propriedades cálidas e consoladoras. - Não acredito que o façam, Ginny. Mas se fizerem, não acredito que ganhem. E se de algum modo conseguirem, bem. Falei com Juan hoje. Ele é seu tio, o irmão de Papai e disse que queriam que eu fosse também. Nunca deixaria que voces fossem, sem que fosse também.

- Poderia se casar com Rafael Da Cruz. - Disse Ginny, de repente. - Se o fizesse, nunca poderiam nos separar porque ele é o chefe.

O alarme se estendeu por Colby, seu corpo se enrijeceu. A idéia de estar casada com o Rafael Da Cruz era assustadora. Ele a controlaria absolutamente. Podia notar na imagem de arrogância de seu rosto, no calor de seus olhos tão ardentes. Não tinha forma de combater sua garra sobre ela. Colby ainda não abrira os olhos e não queria fazê-lo.

- Ele esteve falando contigo?

- Só esta manhã na cozinha, quando todo mundo estava me olhando e eu estava tão assustada. Ele foi agradável comigo. Falou sobre papai e de quando papai era pequeno. Disse que não estava tão gravemente ferida e que eu não me preocupasse, que as coisas se arrumariam por si mesmo. Disse que vocè é bonita. - Ginny pegou firmemente à mão de Colby. - Fez-me sentir a salvo e ficou diante de mim quando eu estava chorando, para que ninguém pudesse ver.

- Isso foi muito amável de sua parte. Rafael parecia estar em todas as partes esta manhã. Lutando contra o fogo, curando os cavalos, me ajudando e agora me inteiro de que também estava cuidado de voce. - A voz de Colby era longínqua como se deslizasse de volta ao sono. Girou o rosto para a frescura do travesseiro, inalando a fragrância de Rafael e cobriu a marca do pescoço com a mão, segurando-a como uma carícia contra sua pele.

- Disse que não era minha culpa e que eu falasse contigo. – Insistiu, Ginny.

- E ele tinha razão, pequena. Não foi tua culpa. Alegra-me que tenha chamado o cão ontem à noite. A partir de agora se precisar de King adiante, chame-o a cada noite. Ginny? Realmente estou cansada, carinho. Preciso dormir.

- Você gosta?

- De quem? - Perguntou Colby, vagando mais para o sono.

- Rafael. Você gosta dele?

Colby sorriu novamente.

- Não. - Sua voz foi suave e sensual.

Ginny se aconchegou mais, com um sorriso feliz no rosto.

- Sim, você gosta, Posso dizer por sua voz.

 

O sol demorou em desaparecer atrás das montanhas e escuras nuvens ameaçadoras começaram a flutuar pelo céu. O céu parecia vivo, com tons de laranja e vermelho, como se estivessem em chamas. Profundamente sob a terra um só coração começou a pulsar e Rafael despertou, seus olhos se abriram de repente e seu primeiro fôlego saiu num comprido e lento vaio de fúria. Em alguma parte sobre ele, o desassossego de Colby havia lhe despertado de sua sonolência rejuvenescedora. Ela lutava para conter as lágrimas e sua mente era um caos de medo.

Rafael esquadrinhou a região para se assegurar de estar completamente só, antes de explodir através da superfície. O pó foi arrojado no ar como um geyser. Elevou-se alto no meio do ar, já mudando de forma, escolhendo a forma familiar da forte e poderosa águia real. Estendendo suas asas, voou alto, agradecendo a pesada cobertura das nuvens que protegiam seus olhos sensíveis. Sobrevoou o rancho, inspecionando a região atentamente, procurando o problema potencial.

O rancho parecia bastante tranqüilo, mas sabia que Juan tinha encontrado uma vitela horrivelmente mutilada. Mataram o animal recentemente. Tinha sido um ato brutal e selvagem e a vitela tinha sido abandonada no poço de água. Tinha obtido a informação da mente de Colby. Leu a mente de Paul enquanto o menino permanecia entre as sombras do alpendre, observando o entardecer vermelho, com sua irmã. Dentro do corpo do pássaro, Rafael voou mais e mais alto, ouvindo desavergonhadamente cada palavra da conversa que fluia sob ele, seus olhos agudos tomavam nota de cada movimento sobre o chão, procurando encontrar o perigo oculto para sua companheira.

- Estava com Juan quando encontrou a vitela? – Insistiu, Colby. Quanto tempo ele esteve fora de sua vista? – Ela ainda lutava contra os efeitos do sono, fazendo um esforço por se concentrar e estar alerta, a cada detalhe das inquietantes notícias.

- Estava perto do campo, Colby. - Disse Paul, com sua jovem voz rendida. - Disse ao Juan que podia me arrumar sozinho. São trabalhadores rápidos e sabem o que estão fazendo. Queria deixá-la dormir. Pensei que se nos separávamos, conseguiríamos fazer mais. Sei que me disse que mantivesse um olho sobre os dois, mas trabalhei com eles a maior parte do dia. – Ele interrompeu-se. - Sinto muito, Colby.

Ela estendeu o braço para lhe baixar o chapéu, num gesto amoroso que pretendia tranqüilizá-lo.

- Mas você gosta. – Terminou, por ele. – Na verdade, não acredito que Juan tenha matado à vitela, Paul. Não teria sentido matar uma vitela, atirá-la ao poço e depois "encontrá-la" bem a tempo, para tirá-la. O animal poderia ficado ali, o tempo suficiente para poluir o poço. O que suponho é que quem quer que tenha feito isto, tinha essa intenção e Juan a encontrou logo.

- Mas ele poderia ter feito.

Colbys suspirou.

- Possivelmente. Procurou rastros? Deu uma olhada em suas roupas? Sua faca?

A face de Paul avermelhou ligeiramente.

- Deveria ter feito. Não a deixou na água. Tirou o cadáver antes de vir a mim. - Paul gostava de seus tios, dos dois. Eram bons trabalhadores e sabiam o que faziam. Tratavam como a um igual e lembravam seu pai. Paul estava começando a sentir afeto e grande quantidade de respeito pelos dois e queria que eles sentissem o mesmo por ele. Não procurara evidências ou rastros, porque não acreditava que nenhum deles pudesse ser o responsável, mas agora estava confuso.

Colby assentiu.

- Também tiramos uma cabeça de gado morto, da água. Dificilmente podemos lhe culpar por isso. - Sacudiu a cabeça. - Estou muito preocupada. Definitivamente alguém está tentando nos sabotar. Agora mesmo, estamos operando com uma magra margem financeira. - Olhou a seu redor para se assegurar de que Ginny não estava perto e baixou a voz. - Já não é um menino, Paul. Não sei em quem podemos confiar e a quem deveríamos temer. Mas alguém assassinou Pete. Não foi um acidente. Ele não tinha dinheiro, não havia razão para tentar lhe roubar. Alguém queimou nosso estábulo e agora mataram a uma de nossas vitelas e a deixaram num poço para poluí-lo, deliberadamente.

- O que diz Ben? - Paul tirou o chapéu e passou uma mão pelo cabelo.

- Chamei-o, é óbvio. Deve chegar a qualquer momento. Os Everett estão também a caminho, para a aula de equitação. - Quando Paul riu disimuladamente, Colby o olhou. - Espero que se comporte o melhor que possa. Isto significa muito para Ginny, que quer uma amiga. Nós dois esquecemos o quanto é duro tudo isto para ela. Você pode visitar seus amigos, mas ela está presa aqui.

Paul chutou uma pedra.

- Tenho muitas oportunidades de ver meus amigos, Colby. Trabalho do amanhecer ao atadecer.

- Sei que o faz, Paul. - Colby afastou o olhar dele, lutando para não chorar. Não podia recordar um só dia em sua vida durante os últimos cinco anos, nos quais não estivesse trabalhado do amanhecer ao entardecer e com freqüência também durante a noite. - O que disse o veterinário sobre os cavalos?

- Fizeram um trabalho fantástico. Você e Da Cruz. Ele estudou-os cuidadosamente em busca de infecção e principalmente as cicatrizes, que serão emocionais, não físicas. Estão traumatizados e precisarão trabalho. – Ele olhou-a. - Seu trabalho, Colby. Você é a boa com os cavalos. Notou como eles reagiram a Da Cruz? Acalmavam-se ao redor dele que parecia saber realmente o que estava fazendo. Seu advogado o chamou, por certo. - Sua voz se tornou casual. Tentou não notar como Colby se revolvia. - Trouxe os papéis para o empréstimo e eu os enviei a Sean Everett para que desse uma olhada. Da Cruz virá mais tarde, esta noite.

- Provavelmente está entretendo a loura alta com a qual gosta de ficar. - Disse Colby. Precisava manter a perspectiva com Rafael. Ele era um mulherengo. Só porque a fazia sentir coisas que nunca antes havia sentido, somente porque lhe sussurrava coisas bonitas no meio da noite, não significava que não estivesse fazendo ou dizendo as mesmas coisas a outras mulheres. Colby estava bastante segura de que ia despertar uma manhã e não muito longe, com a cabeça cheia de cabelos brancos, de tanto se preocupar com tudo.

- Certamente você tem as idéias mais estranhas.

Os dedos de Colby se fecharam ao redor do corrimão do alpendre, ante o sussurro de intimidade em sua mente. Olhou ao redor cuidadosamente, sentindo que ele estava perto. Doía-lhe o corpo. Seus seios de repente estavam inchados, ante o som de sua voz sexy e pecaminosa. Seu sangue começou a se esquentar. – Vá embora. Não quero falar contigo agora. - Era uma flagrante mentira, mas não queria enfrentá-lo. Não queria enfrentar a noite com a lembrança de seu corpo no dela. Enfrentar as acusações que havia feito enquanto ele a estava ajudando ou o fato de que fosse pegar seu dinheiro para salvar o rancho.

- Falará, sim. Estou em sua mente.Por que você, pelo menos uma vez, não tenta entrar na minha?

Colby olhou culposamente para seu irmão. Não podia se conter. Sentia-se atraída por Rafael apesar de tudo o que temia. Apesar do fato de que ele estava ali para tirar a sua família. Ocultara seus talentos estranhos e únicos durante muito tempo e sempre estava presente o temor de ser descoberta. Algumas vezes sentia tanta solidão em meio à noite. Colby contemplava as estrelas e desejava simplesmente poder desaparecer. E o trabalho. O trabalho era interminável. Rafael sustentando-a em seus fortes braços. Tomando o controle e dirigindo todo mundo em meio a uma crise. Sua força já era a atraente e sedutora. E seu corpo...

- Acredito que o que tenha em sua mente, me assustaria. Fez-me alguma coisa, para fazer com que precisasse dormir tanto? – Colby ruborizou ante a idéia dos sonhos eróticos que não parecia poder deixar de recrear durante o dia ou enquanto dormia, mais do que podia evitar a forma em que seu corpo o desejava e necessitava de uma forma tão pouco familiar.

A voz de Rafael continha calidez e risos, absoluta satisfação. Quase ronronava. - Fizemos várias coisas, que puderam fazer com que precisasse dormir.

Colby pôde sentir o rubor estendendo-se por seu pescoço até seu rosto. Deveria ter tido mais julgamento para tocar em semelhante assunto com ele. Era humilhante falar com ele ou enfrentá-lo, pensar nas coisas que tinha lhe permitido fazer, mas quando estava sozinha, pensava continuamente em seu corpo.

- Não vais me perguntar o que disse o Senhor Da Cruz sobre os termos do empréstimo? - Estalou Paul, incapaz de se conter mais. A atenção de sua irmã parecia longínqua e estava com um olhar peculiar, quase sonhador, na face. Colby pareceu sobressaltada, como se tivesse esquecido que ele estava ali. Até se ruborizou. - Isto poderia salvar o rancho, Colby. – Ele tocou os degraus, com a ponta da bota.

- Poderíamos perder tudo, Paul. Rafael Da Cruz veio aos Estados Unidos com um propósito. Podem estar vendendo cavalos e fazendo negócios aqui e lá, mas vieram levar Ginny e você, para o Brasil com eles. Homens como Da Cruz conseguem o que querem de uma forma ou outra. Faça negócios com eles e perderá sempre. – Ela fechou os olhos, sentindo as mãos de Rafael movendo-se sobre seu corpo. Tinha-lhe permitido seduzi-la. Seria uma completa idiota?

- Não está sendo muito cortês meu amor. - Rafael soava mais divertido que nunca, nada perturbado por suas palavras.

- Não é verdade? Vai tomar o que quer e ninguém se colocar em seu caminho. - De repente sentia o peito apertado.

- Isso é verdade, querida. E você sabe exatamente o que quero.

Sabia? Colby não se sentia como se soubesse muito.

- O que de pior pode ocorrer, Colby? – Exigiu, Paul. - Que fique com nosso rancho, não? Ao menos ele é família, de certo modo. Se deixarmos que Clinton Daniels nos tire o rancho, nunca o recuperaremos. Sabe disso. Se um deles tem que ter o rancho, quem seria melhor?

Os olhos verdes repentina e astutamente, elevaram-se até o rosto de Paul.

- Juan ou Julho Cheves lhe disseram isso, verdade?

Paul encolheu de ombros, incômodado.

- O que importa quem? É certo. – Ele olhou para a estrada abaixo, para onde o collie estava ladrando furiosamente. - Os Everett estão chegando.

- Perguntou por que seus tios não ofereceram um empréstimo quando têm dinheiro para fazê-lo? Eles também são ricos, Paul. – Assinalou, Colby. - Por que deixam que Rafael nos empreste o dinheiro em vez de fazê-lo eles mesmo? - Por que não o fizeram?

- Porque não se atrevem a cruzar-se em meu caminho, pequena. E tampouco você deveria. - Rafael pronunciou as palavras quase complacentemente. - Sabem bem que não devem interferir em meus assuntos.

Colby ficou em silencio durante um momento, pensando na idéia. Um tremor percorreu seu corpo e ela e resistiu ao desejo de esfregar os braços em busca de calor. - Qualquer pessoa pensaria que esta família seria assunto dos Cheves, não seu.

- Ah, isso foi em outro tempo, mas agora você é assunto meu.

Rafael estava perto, ela sentia a curta distância, mas não o avistava na caminhonete que se aproximava do pátio. Paul desceu do alpendre para evitar lhe responder, dirigindo-se para os campos de feno, para não se ver apanhado a dar lições de equitação a uma principiante. Colby o observou cruzar o pátio, com o coração pesado. Era muito jovem para suportar a carga do rancho e seus problemas financeiros e o conhecimento de que alguém estava tentando destrui-los.

- Igual a você.- As palavras brilharam em sua mente, um hálito quente brincou em sua nuca e dois braços lhe rodearam a cintura possessivamente, de trás.

Colby quase saltou fora de sua pele, mas ele a abraçava com força e seu corpo era protetor e agressivo, ao mesmo tempo. O dorso de suas mãos roçavam deliberadamente, a parte inferior de seus seios. Ela podia sentir sua ereção, firmemente pressionada contra ela. Aprisionada contra sua dureza, ela inalou o aroma masculino com seus sentidos intensificados. Ele cheirava a montanhas, selvagem e indomável.

- Temos companhia, pelo que vejo. E a te quero toda para mim. – ele Sussurrou as palavras maliciosamente contra sua pele. Seus lábios deslizaram pelo pescoço dela e encontraram sua marca, seus dentes brincaram nela, gentilmente.

- Não se atreva! Pareço uma adolescente. Se Paul nos ver... - Colby girou a cabeça para fitá-lo. - Tenho algumas coisas a te dizer sobre seu comportamento. - Exceto que não podia recordar o queria dizer, as palavras terríveis que o afastaria. Queria o calor e o fogo do corpo dele, suas mãos sobre ela, os lábios sobre os seus. Seu corpo enterrado profundamente dentro do dela. Encontrou-se ruborizando, evitando seu olhar.

- Que idade tem? - Perguntou ele, de repente. - Me parece uma adolescente. - Seus olhos estavam devorando-a, negros e intensos, com essa fome que somente parecia estar presente quando ela olhava para ela. Olhos que ardiam com sensualidade, que a devoravam. Quase podia sentir a eletricidade rangendo entre eles. Chamas ardentes lambiam sua pele e profundamente em seu interior, seu sangue se espessava.

Colby deveria ter se movido. Se lhe restasse algum sentido de conservação, se seu cérebro estivesse funcionando, teria fugido. Mas, permaneceu em seus braços, deixando que os lábios dele provocasse um caminho de chamas ao longo de seu pescoço, até o decote. Ele tocou seu antebraço, gentilemnte, levando-o aos lábios. Colby sentiu o áspero da língua dele lhe raspando a pele. Em vez de fazer arder às queimaduras, sentia-as, aliviadas.

- O que está fazendo? - Além de me fazer arder, por que deixo que me faça isto? Hipnotizou-me? - Parte dela sentia o familiar desespero de não poder controlar sua reação ante ele, mas a outra parte flamejava de excitação, de antecipação.

- Estou te curando, pequena. Você se queimou. Deve usar óculos escuros para proteger seus olhos quando sair ao sol. E cobrir sua pele. Tente encontrar uma forma de permanecer fora da luz direta do sol. - Ele usou deliberadamente, o método mais íntimo de comunicação, enquanto seus lábios se moviam sobre a pele de Colby, sua saliva curadora acabava com a dor de suas queimaduras. Ele voltou-a e beijou suas pálpebras, atrasando-se para se assegurar de ter feito um trabalho consciencioso, curando-a.

Durante um momento, Colby se permitiu derreter-se na força e refúgio do corpo dele. Sua voz cantarolava em outro idioma, não em português, mas em algo bem mais antigo e as palavras eram belas e consoladoras. Podia ouvir o canto em sua mente, em vez dos ouvidos.

- Por que me queimei hoje ao sol? - Ele sabia. Com suas mentes fundidas, captava sombras e ecos dos pensamentos dele. Suas lembranças. Nada disso tinha sentido para ela. - Vivo num rancho, não posso permanecer precisamente, fora do sol!

A caminhonete estava entrando no pátio e trás estava o carro do xerife Ben, uma quatro por quatro necessária para viajar pelas estradas dos ranchos. Colby se afastou do calor do corpo de Rafael, permanecendo firme para enfrentar os visitantes. Rafael sorriu e seu hálito mexeu com os fios do cabelo da nuca dela. Deliberadamente a pegou, apressando seus lábios sobre os dela, unindo-os, fazendo com que durante um momento ela se fundisse em seu corpo. Sem pressa, sua língua encontrou-se com a dela, enquanto pequenas chamas lambiam seus corpos. Ele acariciava o espesso cabelo de Colby, enquanto seguia no controle de seus lábios. Lentamente, elevou a cabeça, seu olhar negro flamejava com uma escura intensidade, que se arqueou como um relâmpago através do corpo dela.

Colby piscou e tentou se recuperar, depois o olhou e se afastou, saindo do alpendre, mas ele se moveu facilmente junto a ela, descansando a mão possessivamente na parte baixa de sua cintura. Sua mão ardia como fogo e entre suas coxas seu sexo palpitava e suplicava por ele. Sabia exatamente o que ele estava fazendo, estabelecendo uma reclamação sobre ela, diante das pessoas de seu mundo. E a fazia saber que não havia nada que pudesse fazer a respeito.

Joclyn os observava, especulando com o olhar. Sean tinha um sorriso aberto na face, mas a expressão de Ben era sofrida, quando fechou de repente a porta de seu Jipe. Colby era consciente de sua desaprovação, enquanto falava com Joclyn e sua filha. Rafael não ajudava, falava com facilidade com Sean, discutindo sobre o fogo, atuando como se esse fosse seu lugar. Parecia aproveitar cada oportunidade para tocá-la ou acariciar seu cabelo, deslizar os dedos ao longo de sua nuca até que chegou a pensar que Ben ia disparar em alguém.

Olhar fixamente para Rafael ou se afastar dele, não parecia ajudar muito. Podia ouvir a risada suave e zombeteiroa em sua mente. Estava obrigada a reconhecer, apesar de estar decidida a não cair em sua armadilha. - Pare! - Ela semicerrou os olhos para ele, em advertência.

Rafael a olhou com zombeteiroa inocência. - Não estou fazendo nada.

Colby voltou sua atenção para Tanya, a filha do Joclyn, enquanto Ginny chegava correndo e enredava o braço ao redor de Colby, como amostra de apoio. Rafael colocou sua mão sobre o ombro da menina, com um sorriso alentador e Ginny lhe sorriu agradecida, obviamente hipnotizada por ele.

- Vou te atirar alguma coisa. - Colby tentou não rir ante a situação, mas pela primeira vez em sua vida, sentia que estava compartilhando algo com outra pessoa. Como se lhe pertencesse. Era parte de alguém. Não parecia se importar que seu cérebro lhe gritasse um milhão de advertências, desfrutava de sua atenção. Era uma experiência nova para ela.

- Tenho um horário apertado, Colby. - Espetou Ben, atraindo sua atenção de volta para ele. - Se é que pode me dedicar tempo para me contar o que está acontecendo por aqui. – Ele soava acusador.

Imediatamente, Rafael rodeou os ombros de Ginny com um braço. A menina parecia a ponto de começar a chorar.

- Vá, Colby, informe o oficial. Ginny e eu poderemos nos ocupar, não é Ginny? – Ele soava supremamente crédulo em Ginny. - Tanya me conhece. Ginny e eu começaremos a aula e quando Colby terminar com seu assunto, se unirá a nós. Parece-te aceitável? – Rafael virou-se, com um sorriso superpoderoso.

Colby sacudiu a cabeça estudando Rafael. Definitivamente, ele dava a impressão de estar em casa, de ser parte da família. Ben a pegou pelo braço rudemente, atraindo novamente a atenção de Rafael. Colby o olhou sobressaltada, como alguém que estivesse despertando, emergindo de um sono.

Um grunhido de advertência brilhou tenuemente no ar, fazendo com que os cavalos se revolvessem intranqüilos e os adultos olhassem ao redor cautelosamente. Todos o ouviram e a maior parte deles pensaram que podia ter sido o cachorro de Ginny, que estava sentado percorrendo a todos com olhos curiosos ante a súbita atenção. Colby estava mais bem informada. Colocou o cabelo atrás da orelha e lançou a Rafael um olhar de advertência.

- Vamos para a varanda, Ben. Posso te oferecer um pouco de café?

Ele esperou os cinco degraus completos, antes de explodir.

- Quer me dizer que demônios é isso?

A sobrancelha dela se arqueou.

- Do que está falando?

- Antes que negue a ceninha do alpendre, Colby. Poderia olhar seu pescoço no espelho? Está perseguindo esse homem.

Colby mordeu o lábio para evitar sorrir. Se não, poderia chorar. Seu comportamento com Rafael era completamente inadequado. Sabia, igual a Ben.

- Por que joga a culpa em mim? Acredita que é ele que me perseguiu . – Corrigiu, ela. Claro não era a mulher mais bonita do povoado, mas significava isso que não havia possibilidade de que Rafael se sentisse atraído por ela? - Alguns homens se sentem atraídos por mim, tão estranho te parece esse conceito, Ben. Nem sempre tenho que atacá-los.

- Isto é próprio de você, escolher ao homem errado. Um homem como Rafael Da Cruz te comerá viva e te cuspirá fora! Está brincando com fogo. Não pode fazer isto com alguém como ele. Demônios, Colby! Por que não se estabelece com um homem decente como Joe Vargas?

- Joe Vargas! Céus! O que tem todo mundo com o pobre Joe? Ele odiaria estar casado comigo.

- Qualquer homem em seu são julgamento odiaria estar casado contigo. – Ele arrastou-a para o interior do alpendre, profundamente entre as sombras, para lhe dar uma pequena sacudidela. - Isto é por dinheiro? O que está tramando?

- Ben, me deixe! Está me fazendo mal. - Disse Colby olhando os dedos que envolviam seu braço. - Sempre se esquece o quanto é forte.

- Solte-a, agora. - A voz era bem suave, e ameaçadora. Um látego de malevolência, uma escura promessa de vingança. Colby nunca ouvira nada parecido antes. Rafael havia coberto de algum modo, à distância entre eles, cruzando completamente o longo espaço do pátio e se confundia com as sombras, fazendo com que seu grande forma logo pudesse ser vista, mas seus olhos negros quase brilhavam na escuridão com uma incrível ameaça.

Um tremor de medo lhe percorreu a espinha e ela levou a mão protetoramente à garganta. Rafael parecia desumano e cruel, um predador. Nesse momento não parecia completamente humano. Havia uma qualidade animal nele. Um animal feroz, perigoso e indomável.

Ben deixou cair os braços e teria se afastado dela, com a mão deslizando até sua arma ,enquanto seus instintos tomavam o controle, mas Colby permaneceu firmemente entre os dois homens.

- Conheço o Ben desde que tinha três anos, Rafael. É como um irmão para mim. Ele nunca me faria mal, nunca. Estou segura de que parecia que estivesse sendo rude, mas não é assim, absolutamente. Ele estava somente... Bem... – Ela titubeou tolamente por um momento, Seu coração lhe palpitava na garganta. A sensação de ameaça, de morte era tão forte que realmente se sentiu aterrada durante um momento. Aterrada por Ben.

Rafael foi o primeiro a se mover, segurou sua mão para atraí-la gentilmente até ele.

- Então devo me desculpar por não entender a relação entre homens e mulheres em outros paises. - Seus braços rodearam o corpo dela, para sujeitá-la contra ele, protetoramente. - Ssh, meu amor. Seu coração pulsa muito rápido. Ouça o ritmo do meu.

Ben ficou em silêncio, observando o outro homem se inclinar possessivamente sobre Colby. Havia uma postura protetora em seu corpo, enquanto abraçava Colby, suas mãos era gentis, apesar de sua tremenda força. Rafael exsudava poder e ameaça, a arrogância de alguém longamente acostumado a mandar nos outros, com completa autoridade. Parecia um homem que sabia o que queria e Ben podia ver claramente que Rafael Da Cruz desejava Colby Jansen. Da Cruz era um homem, não um moço, e Colby parecia jovem e vulnerável a seu lado. Parecia um pouco assustada e muito confusa como se estivesse numa situação para a qual não estava preparada. E Ben conhecia Colby, sabia que nunca estaria preparada para um homem como Rafael Da Cruz.

- Nunca faria mal a Colby. - Disse Bem, tranqüilamente. - Somos velhos amigos e suponho que costumo a ser um pouco brusco com ela.

Rafael sorriu, mostrando brilhantes dentes brancos. Não havia humor em seu sorriso, mas uma sutil advertência.

- Possivelmente ela se está tornando muito maior para tais coisas. - Sua voz foi mais suave que nunca e fez com que o pulso de Colby acelerasse uma vez mais. Rafael soava mortal.

Colby respirou, decidida a retomar o controle da situação.

- Obrigado por se preocupar por mim, Rafael, mas como pode ver, estou perfeitamente bem. Na realidade, tenho bastante o que discutir com Bem. Se nos desculpas...

Rafael se inclinou com uma cortês e elegante reverencia, longamente esquecida no mundo moderno. Durante todo esse tempo seu olhar nunca abandonou a face de Ben, seus olhos seguiam fríamente gelados. Ben observou como o homem se inclinava para roçar um beijo no alto do sedoso cabelo de Colby antes de se afastar, de volta ao pátio com os Everett e Ginny.

Ben baixou o olhar para Colby, seus traços eram duros e soberbos.

- Está louca se acredita que pode controlá-lo. Ele é perigoso, Colby. Poderia me arrancar o coração com as mãos nuas. Deveria ter mais julgamento e não se enredar com alguém assim.

Colby ficou olhando-o, impotente. Não sabia se estava enredada com Rafael. Tudo em sua vida parecia estar fora de controle quando estava perto de Rafael. Sacudiu a cabeça e se deixou cair no balancim do alpendre, com os joelhos súbitamente trêmulos.

- Não sei que acontece comigo ou com o rancho, agora mesmo, o mundo está de pernas para o ar, Ben.

Era a primeira vez que a ouvia soar tão perdida. Logo, ele se aproximou do balancim e colocou amão sobre seu joelho, para reconfortá-la.

- Ouça-me, carinho. Não precisa vender assim sua alma. Tenho dinheiro, se precisar. Umas poucas economias, nada de especial. – ele respirou fundo. Seu rosto estava masculinamente inexpressivo, enquanto levava a cabo o último sacrifício. - E demônios! Se precisar que eu me case com você, suponho que podemos fazer isso, também.

Colby o olhou durante alguns segundos antes se lhe lançar os braços em volta de seu pescoço e lhe abraçar com força, sorrindo calorosamente.

- O que eu faria sem você, Ben?

Rafael ouvia toda a conversa, o sangue surgia com tal poder através de seu corpo que se manteve imóvel, temendo que o demônio se liberasse. Seus irmãos moveram em sua mente, questionando a fúria que o alagava. Rafael olhava fixamente a mão que tocava o joelho de Colby, observou como ela se lançava nos braços de outro homem, ouviu-a sorrir para ele, com a camaradagem de um homem e uma mulher que conheciam um ao outro há muito tempo.

Sentiu a fera elevar a cabeça, rugir. Era a reação bestial sob o fino verniz de civilização que tão duramente havia trabalhado para obter. As presas explodiram em seus lábios e seus olhos arderam rudemente. Uma neblina vermelha parecia consumir seu cérebro.

- Chame-a. - Era Nicolas. Tranqüilo, ela ordenava. A voz da razão quando a escura chamada de sua natureza estava lhe consumindo. – Rafael. - Deliberadamente, Nicolas usou o nome de seu irmão para chamá-lo de volta, a beira do desastre. - Chame-a agora.

A fera só podia ver seu rival abraçando sua companheira. Não os unira ainda, por temor ao desconforto dela, agora a fera tinha um mando firme sobre ele.

- Chame-a. - Era o vento frio da razão movendo-se através de sua mente. Rafael se segurou à prudência que seu irmão lhe proporcionava.

- Colby. Afaste-se dele imediatamente. Por mim. Faça isto por mim.

A voz normalmente suave era uma ameaça na mente de Colby. Mais perigoso que um animal selvagem. A ameaça estava ali, como a vez que se encontrou com um enorme gato montês depois de que este caçara uma presa. Sentiu o medo dele, de que ela não o escutasse, de que não visse o perigo, mas Colby estava mais acostumada a ler às coisas selvagens, do que ele acreditava. E escolheu precisamente esse momento para tocar sua mente.

Colby se afastou de Ben, com a mente trabalhando a dois níveis. Queria aparentar normalidade ante Ben, mas compartilhava o caldeirão de escuras e violentas emoções com Rafael.

- Odiaria estar casado comigo e você sabe. - Cruzou os braços e tentou conter um tremor. Em algum lugar lá fora na crescente escuridão havia algo poderoso e ameaçador. Escondia-se muito perto, observando-os com os olhos fixos de um tigre. – Ficaria louco, Bem. Sabe disso. Mas foi muito meigo de sua parte se oferecer. Estou segura de que esta noite, você tenha ganhado sua entrada no céu.

Ben ficou em pé lentamente, tentando que não parecesse como se acabasse de se esquivar de uma bala.

- Sabe que me casaria, se precisar, colby. Simplesmente não faça nada desesperado.

Ela baixou os degraus do alpendre e percorreu o pátio com o olhar casualmente. Sentia o perigo como uma entidade de carne e osso. - O que é, Rafael? Você o sente também? - Era Rafael? Ou simplesmente ele estava sintonizado com o perigo? Rafael estava ameaçando-a?

- Nunca poderia te fazer mal, querida. Nunca. Não há perigo para você ou os teus, eu saberia. Está me deixando com ciúmes. - A voz era tranqüila.     Ela o avistou no curral, conversando tranqüilamente com Sean e Joclyn como se não tivesse acontecido nada, enquanto Ginny conduzia o cavalo de Tanya para um amplo círculo.

- Ciumento? Eram ciúmes? - Colby olhou-o por um longo tempo. Ele lhe parecia completamente normal, um estrangeiro bonito e encantador, muito atraente. Estava ficando completamente louca? No que estava pensando? Que ele era mais que um homem? Tinha poder do mesmo modo que ela e era bastante fácil perder o controle. Ela entendia isso melhor que ninguém. Mas havia captado uma uma fera rugiente, não humana, algo muito mais perigoso.

- Pode projetar tanto perigo simplesmente quando está com ciumes? E não por uma razão muito boa, poderia acrescentar. - Tinha que preguntar, pois não sabia se queria que ele mentisse ou lhe dissesse a verdade. Mas tinha que perguntar.

- Quando estivermos sozinhos e eu possa te voce nos braços, conversaremos. - As palavras haviam sido pronunciadas como uma suave carícia e entranhavam por sua pele nua, provocando que tocasse o próprio braço. Atônita, ela baixou o olhar. As bolhas e as vermelhidões haviam desaparecido. Sua pele estava lisa e imaculada. Ele curara sua terrível queimadura solar.

- Vai falar comigo ou ficar olhando esse estrangeiro a noite toda? - Exigiu Ben, chegando até ela. - Acredito que tem outro problema aqui. – Ele soava quase beligerante e Colby se voltou para enfrentá-lo.

- Ben, não acredito que consiga entender os homens nem em um milhão de anos. Não são tão lógicos como tentam fazer acreditar as mulheres, lavando seus cérebros. - Colby se voltou afastando-se dele e contemplando o céu escurecido. - Paul está terminando no campo de feno. Eu ainda não comprovei o problema por mim mesma. Juan Cheves encontrou a vitela e Paul a viu. Posso te levar lá, mas está escurecendo muito rápido. Não sei dará tempo.

- Estou começando a me preocupar com você e seus irmãos aqui sozinhos. Estou fazendo tempo, Colby, não vou permitir que lhes aconteça nada.

Ela sorriu-lhe sobre o ombro, com seu cabelo caindo em uma brilhante cascata por suas costas. Estava tão bonita que Ben ficou ligeiramente surpreso. Parecia quase etérea, fantasticamente sexy e um pouco misteriosa. Considerava-a sua irmãzinha, desde pequena. Os sentimentos de Ben por Colby estavam muito misturados e ele não queria vê-la sob esta nova luz. Eles não se encaixavam, absolutamente. Nunca antes prestara atenção se ela era atraente ou sexy, nem uma vez em todos os seus anos juntos.

Ben olhou para o estranho e pegou o homem lhe olhando-o, por sua vez. Rafael não afastou o olhar, seus olhos ardentes brilhavam estranhos com uma luz de advertência. A Bem, lembravam os olhos de um felino, mais preparados para a visão noturna que para o dia. Seus olhos não piscavam e Ben afastou a vista, não gostava do olhar intenso que arrepiava até seus cabelos. Rafael Da Cruz estava deixando perfeitamente claro que Colby estava proibida para qualquer outro homem. Ben não confiava nele, pressentia algo violento e perigoso sob a calma exterior. E Da Cruz parecia do tipo playboy, adquirindo facilmente as mulheres e deixando-as de lado, com a mesma rapidez. Colby não era feita para aventuras de uma noite. Era uma mulher que se entregaria completamente a alguém a quem amasse. E Ben não queria que esse homem fosse como Da Cruz.

Colocando o chapéu na cabeça, ela falou a Colby.

- Encontrarei Paul e falarei com Cheves. Colby, mantén seus irmãos perto de voce e não ande por aí sozinha.

- Tenho um rancho a atender, Ben. - Disse ela, tranqüilamente. - Não vou deixar que ninguém me assuste.

- Disse que Juan Cheves encontrou a vitela. O que ele estava fazendo cavalgando em seu rancho? - Ben soava casual, mas Colby não se deixou enganar, conhecia-o há muito.

- Depois do incêndio, Rafael não queria que ficássemos aqui sozinhos. Ele não podia ficar e então pediu a Juan e Julho que nos ajudassem. – Ela baixou o olhar para suas mãos, envergonhada de ter que admitir sua debilidade ante ele. - Foi uma sorte que ficassem. Fiquei doente esta tarde e dormi a maior parte do dia.

- E Da Cruz os ordenou ficar.

- Eles queriam ficar, Ben. São os tios de Paul e Ginny, depois de tudo. Estavam preocupados com seu bem-estar.

Ele girou seus descoloridos olhos azuis para ela.

- Tente me fazer acreditar que Colby Jansen não suspeita disto? Dessa gente que apareceu de um nada reclamando seus irmãos e querendo que entregasse o rancho? Que acha que são somente sócios de negócios e estão hospedados com seu vizinho Sean Everett? E que justo no momento de sua chegada, toda tipo de acidentes começam a ocorrer em seu rancho? É tudo coincidência, Colby? E agora Juan Cheves encontra uma vitela morta e mutilada enquanto está cuidando de voces por ordem de Da Cruz. Parece-me um pouco inverossímil.

- Não tivemos esta conversa antes e era eu que dizia essas coisas a você? Disse-me que estava sendo teimosa e que superasse. Disse-me que estava exagerando quando tentei te mostrar que as coisas que estavam acontecendo em meu rancho não eram acidentes.

- Sim... Bem, a morte de Pete não foi um acidnete, Colby e não foi um acidente que os cavaleiros de Everett e Cheves estivessem sobre essa colina. Ou que Clinton Daniels e essa escória do Harris estivessem lá também, junto com esse novato, Ernie Carter. Esse sim, que é um verdadeiro ganhador. Que demônios estava fazendo lá fora sozinha?

- Ben – Colby pousou a mão sobre seu braço. - Não estará sugerindo que todo mundo conspira contra mim, não é?

Ben sentiu o peso dos peculiares olhos, olhando-o malévolamente. Não levantou o olhar para comprová-lo, pois sabia instintivamente que gozavam da completa atenção de Da Cruz e sabia que era porque ela havia levantado a voz para Colby e porque ela estava lhe tocando.

- Acredito que está em grande perigo, Colby, não só de perder o rancho. Isso é o que acredito e faria bem em levar a sério.

- Farei isso, Ben. - Concedeu Colby, com um pequeno suspiro. - Eu também estou preocupada. Não sei o que pensar, mas não quero que aconteça nada a Paul ou Ginny. Prometo ser cuidadosa. - Quando ele continuou olhando-a, ela suspirou outra vez. - Muito, muito cuidadosa.

- E não confie em ninguém. – Advertiu, ele.

- E não confiarei muito em ninguém. - Acrescentou ela ,obedientemente.

Ben caminhou para o campo de feno, e ela o observou até que ele desapareceu rodeando o enorme celeiro. Então, cravou os olhos no celeiro, perplexa. Teria tido bem mais sentido que o incendiário queimasse o celeiro. Ele estava localizado mais longe da casa e não tinha aspersores. O celeiro teria ardido mais rápido com o feno dentro. Por que não escolhera o celeiro?

- Colby! - Chamou Ginny e sua voz traía irritação. Queria desesperadamente causar uma boa impressão. Tanya era muito agradável e ela queria que Colby lhe atenção, para que ela quisesse voltar.

Colby se apressou, ignorando o ardente olhar de Rafael e concentrando-se totalmente em Jocly e Tanya. Era consciente de que Rafael a observava intensamente cada vez que dava instruções, mas se obrigou a evitar devolver seu olhar. Desejava olhar para ele, precisava olhar para ele. Podia sentir sua mente procurando a dele, continuamente. Tinha tido essa sensação antes, agora a reconhecia. E com freqüência ele tocava sua mente. Como uma sombra. Quase procurando tranqüilidade. No momento em que ele a tocava, ela podia relaxar e respirar. Sorria para Joclyn e conversava normalmente. Abraçava Ginny com freqüência, fingindo sentir-se interessada e excitada por seu bate-papo. Prodigalizava atenção a Tanya, mas todo o tempo era intensamente consciente de Rafael. Esperando e observando.

Sean estendeu um papel a Rafael através da janela da caminhonete antes que partissem, prometendo a Ginny que voltariam em alguns dias. Colby viu como Rafael o colocava casualmente no bolso da camisa. Estudou-o realmente então, permitindo-se o luxo. Sua roupa estava imaculada, apesar do fato de que ele havia estado comprovando as queimaduras dos cavalos no curral e ajudando com a lição de equitação. Parecia como se nem sequer a sujeira e o pó do rancho se atrevessem a sujá-lo, como faziam com todos outros. E sempre cheirava tão bem.

Rafael encontrou seu olhar sobre a cabeça de Ginny e sorriu. Ele podia lhe roubar o fôlego sem fazer muito mais que isso. Colby baixou a cabeça e começou a caminhar com Ginny para a casa.

- E o que te pareceu, carinho. Você gosta de Tanya?

- Ela é realmente agradável, Colby. - Disse Ginny, entusiamada. - Paul deveria ter vindo ao menos se apresentar.

- Seriamente? - A sobrancelha de Colby se arqueou - Você acga? Pensei que ele poderia dizer algo horrível e nos mortificar... Conhece o Paul.

Ginny considerou a idéia, depois sacudiu a cabeça.

- As garotas acreditam que ele é bonito. Ele anfou falando com algumas delas por telefone e sempre são elas que ligam para ele. Ele nunca liga para elas. De noite quando você está trabalhando ele está no telefone da cozinha.

- Seu irmão fala por telefone com garotas enquanto sua irmã está trabalhando? - Perguntou Rafael, tranqüilamente. Não havia expressão real em sua voz, esta era suave e tranqüila como sempre, mas ocultava uma ameaça.

Colby o olhou fixamente, perguntando-se como ele podia fazer isso, não elevar a voz ou mudar a inflexão, mas soar tão aterrador.

- Paul é muito jovem, Rafael. Tem só dezesseis anos.

- E quando Armando sofreu o acidente e te deixou um rancho para cuidar e a responsabilidade de cuidar dele, quantos anos tinha você? Dezessete? - Os olhos negros moveram pensativamente sobre seu rosto.

Ela subiu os degraus do alpendre traseiro rapidamente, súbitamente furiosa com ele.

- Paul ajuda muito, Rafael. E, em qualquer caso, não é assunto teu.

Ele deslizou junto dela, a sua maneira silenciosa, irritando-a ainda mais. Sua mão se estendeu para a porta da cozinha exatamente ao mesmo tempo em que ela. Colby tirou sua mão para trás, quando os dedos dele roçaram os seus.

- Acha que mimando o rapaz vai convertê-lo num homem, Colby? No final, ele terá que cuidar do rancho. Era o sonho de seu pai manter o rancho para seus filhos, mas tenho certeza de que não gostaria que voce se matasse para conseguir.

Colby era consciente dos olhos totalmente abertos de Ginny, olhando de um para o outro, repentinamente muito adulta.

- Também era meu sonho. - Colby soou desafiante até para seus próprios ouvidos. Atravessou a cozinha até o refrigerador e olhou dentro.

O sorriso de Rafael foi amável. Ele colocou uma mão sobre o ombro dela. - Estive em sua mente, pequena e não vi tal lembrança.

Havia estado em seu corpo também. As palavras não pronunciadas brilharam no meio do ar. Ela se voltou e o olhou.

- Então não procurou bem. - Espetou, odiando saber que ele a tinha no bolso e que não tinha outra escolha que aceitar sua ajuda. Ela ia pegar seu dinheiro e dormira com ele. - Eu também queria o rancho.. Quero-o.

- A lembrança não está aí, querida e você, mais que eu, sabe que é verdade. Nunca esteve nem lembrança semelhante, porque não existia tal desejo ou sonho.

 

- Ben estava com um humor de cão. - Saudou Paul, enquanto atravessava a porta da cozinha como um animal maltratado. Foi direto para a pia e lavou as mãos. Colby era uma fera com a limpeza. - Juro-lhe, alegrei-me ao vê-lo ir embora. Por que ele está tão arrasado? O que lhe disse, Colby?

Ela se voltou, olhando-o fixamente.

- O que ele lhe disse? – Repetiu, com calma. - E por que acha que lhe disse algo? Ben é um homem. – Ela fez a frase soar como um palavrão. - Isso deveria dizer tudo.

Paul assobiou baixinho.

- Ninguém me chamou? - Perguntou ele, esperançado. Ninguém se metia com Colby quando ela estava com o plano de amassar os homens. Alguém ou alguma coisa a tirara de suas casinhas e esperava não ter sido ele.

- Não, mas esperava que deixasse Ben lá fora.

As sobrancelhas de Paul se arquearam ante o humor de Colby e depois olhou de sua irmã para Rafael, especulativamente.

- Suponho que trouxe os papéis do empréstimo. Você os viu, Colby? - Era uma boa hipótese de sua parte, depois de ver a expressão sua irmã.

Rafael extraiu os papéis do bolso e os estendeu a Colby.

- Não, ainda não. Possivelmente poderia examiná-los enquanto nos conhecemos melhor. – Ele gesticulou para o salão, conduzindo Paul e Ginny diante dele, para dar a Colby, mais privacidade.

Colby congelou, o som de seu coração era ruidoso em seus ouvidos.

- Espere! – Ela estava totalmente atacada pelo pânico. Sentia-se em estado de pânico absoluto. Realmente estendeu a mão para evitar que seus irmãos saíssem sozinhos com Rafael.

Rafael se voltou para fitá-la, seus olhos negros lhe percorrendo a face com dura autoridade, enquanto ela retrocedia longe dele.

- O que está acontecendo, meu amor? – Ele falou gentilmente e sua voz soava como uma aveludada carícia, mas Colby estremeceu. Ele estava ardendo. Ardendo. Podia sentir o vulcão formando-se dentro dele, de tão unidos que estavam. Seus olhos permaneciam sobre ela, sérios e frios, mas ardiam com uma terrível intensidade. Fogo e gelo. O paradoxo. Não o entendia. Não entendia a si mesma. Mas primeiro e acima de tudo, apesar do que ela pudesse precisar, desejar ou sentir, tinha que saber que Ginny e Paul estavam a salvo de todo mal. Rafael era uma sombra em sua mente e viu seu medo.

- Colby? - Havia preocupação na voz de Paul. - O que está acontecendo?

- Cuidado com o que diz ao rapaz, pequena. Não quero que ele me tema desnecessariamente como você parece me temer. - As palavras ronronaram em sua mente, numa ameaça.

A mão de Colby foi até a garganta, num gesto protetor, movendo-se para cobrir a marca que tão freneticamente palpitava em seu pescoço. – Está me deixando louca? Sinto-me como se já não soubesse o que é real ou não. Sou diferente. – Ela estava chorando as palavras, precisava de seu conforto, mesmo enquanto tentava afastá-lo, com suas acusações.

- Logo estaremos sozinhos Colby. Não há necessidade de todo este medo. Seus irmãos e você estão sob meu amparo. Isso não é pouca coisa. Se não acredita em mim, então acredite em Armando. Ele a orientou a procurar à família. São homens de honra. Se acreditassem que te faria mal, acha que permitiriam semelhante coisa?

- Não sei. Eles sãos muito leais a você. - Não sabia. Honestamente não sabia. Como podia se sentir tão atraída por alguém que sequer confiava? Como podia ter permitido a ele fazer as coisas em seu corpo e ainda desejar mais? Não tinha sentido para ela. E os irmãos Cheves o temiam. Sentia o desassossego neles cada vez que a conversa virava para Rafael. Ele era bem mais que um homem com talentos únicos, como os que ela tinha. Era muito mais poderoso. E havia uma escuridão nele que com freqüência podia vislumbrar. Por mais que se sentisse atraída por Rafael, também se sentia igualmente repelida, seu sentido de defesa a chutava com força. Ele a estava controlando, pouco a pouco, célula a célula. Seu coração. Seu corpo, pulmões. Dava a sensação de que não podia respirar sem ele. Ninguém mais a olhava com esse ardente olhar faminto e nem a tocava com semelhante autoridade, com tal necessidade. Ele era dominante em tudo e alguma coisa nela não podia evitar lhe responder, de lhe necessitar, mesmo quando não estava segura de quem ou o que ele era.

- Revise os papéis, Colby. - Rafael soou terno. - Estaremos na sala. Ginny está interessada em receitas de sopa vegetarianas e eu sou bastante bom nesse assunto, em particular.

Colby olhou para Rafael, quase temendo tomar uma decisão. - Você não... - Não poderia formular realmente uma acusação. E se ele dirigisse suas mentes para fazer algo de errado? Poderia fazer tal coisa?

Os olhos negros se acenderam de fúria durante um momento. – Sim. Poderia, mas não fiz. – Rafael saiu rapidamente da cozinha.

Paul deslizou o braço em volta dos ombros de Ginny.

- Não vou fingir que sei o que está acontecendo entre voces, mas ele nos ofereceu um enorme empréstimo virtualmente por nada, Colby. Se não conseguirmos o dinheiro, logo vamos perder o rancho.

Colby encolheu os ombros.

- Bom, provavelmente esteja sendo muito crédulo, Paul. Já deveria saber que ninguém dá nada de graça. Não funciona dessa forma.

- Possivelmente seja assim, Colby, mas da outra vez foi você que confiou em Daniels, o suficiente para pegar um empréstimo. - Soltou-lhe Paul.

Colby fez uma careta como se ele a tivesse golpeado. Para sua surpresa, seus olhos realmente brilharam de lágrimas. Ginny correu para ela, abraçando-a protetyoramente, olhando abertamente a seu irmão.

- Não deixe que eu te ouça voltar a falar assim com sua irmã, Paul. - A grande forma de Rafael enchia a soleira da porta. Ele sempre parecia materializar-se de um nada, movendo-se invisível e silencioso, para aparecer e assumir o controle. Olhava diretamente para o adolescente. - É muito grande para gritar acusações quando não dispõe de todos os fatos. Colby merece muito mais respeito de sua parte. - Havia um látego na tranqüila força em sua voz. - Pense antes de falar, rapaz. Sou bastante capaz de te introduzir conceito de boas maneiras. - Rafael retrocedeu, num convite para permitir Paul precedê-lo. Seu olhar era acerado.

Paul pareceu desafiante durante um momento, depois lentamente sua face avermelhou. Ginny se moveu, apressando-se rapidamente junto ao Rafael, para entrar na no outro aposento, detendo-somente para lançar a seu irmão um olhar indignado. Colby, por uma vez, não ajudou Paul, baixando o olhar para as pontas roçadas de suas botas, como se não pudesse suportar olhar para ele. Como se ele a magoara tão profundamente com sua acusação, que não podia olhar nem a ele nem a ninguém mais.

- Colby. - Ele pronunciou seu nome suavemente, lamentando realmente tê-la repreendido. Nem estava seguro de por que havia feito, só que não gostava da forma em que Rafael estava olhando para Colby ou a forma em que ela devolvia o olhar.

Ela sacudiu a cabeça sem levantar o olhar. Paul seguiu Ginny até o salão. Colby desdobrou os papéis contra a vontade e estendeu o documento sobre a mesa da cozinha. Era um contrato estritamente de negócios, legal e muito sério. Não pôde encontrar enrosco algum nele. Rafael a tinha deixado sem saída, nem razão lógica para se negar em aceitar. A soma era a quantidade de dinheiro que precisava para pagar Daniels e suficiente para reconstruir o estábulo e acrescentar novo equipamento. Colby não tinha a aula de efetivo da qual dispunham Daniels ou Da Cruz e nunca o teria.

- Está planejando ficar de cara amarrada todo o dia ou o assinaremos logo e acabaremos com isto? - Rafael interrompeu seus pensamentos, apoiado contra o marco da porta, com os braços cruzados sobre o peito.

Ela olhou-lhe.

- Estou revisando-o, procurando armadilhas ocultas.

- Isso não vai funcionar, sabe disso . - Disse Rafael, em voz baixa.

-O que é o que não vai funcionar? – Replicou, ela.

- Tentar começar uma briga. Comigo não funcionará, Colby. Está pensando em me fazer voltar para minha terra. Não compreende que já é muito tarde para isso?

Colby passou a mão pelo cabelo e o avaliou, com olhos sérios.

- Temos que conversar, Rafael.

Ele assinalou os papéis, com um gesto da mão.

- Realmente é tão duro se decidir? Preferiria que eu voltasse às costas a você e seus irmãos? É somente dinheiro. Daria-lhe esse valor, mas voce não aceitaria. O dinheiro não significa nada para mim, nunca significou. – Ele suspirou, seu olhar negro apressando-se sobre o expressivo rosto feminino. – Você odeia o fato de que te ofereça o dinheiro, mas na realidade, querida, você já havia me catalogado de qualquer forma. Se não tivesse devotado isso a você, que tipo de homem seria? - Não havia nota de censura em sua voz. Rafael, simplesmente estabelecia um fato.

Colby ficou instantaneamente envergonhada. Ele estava certo. Estaria ressentida com ele de qualquer forma. E não confiava em seus motivos. Rafael extraiu uma caneta de ouro de seu bolso e a estendeu, seus olhos escuros eram eloqüentes. Colby sacudiu a cabeça ante a loucura que estava fazendo, mas pegou a caneta. Seus dedos roçaram os dele, enviando um arrepior de consciencia para seu cérebro. Ele podia lhe fazer isso, mas não seria simplesmente química? Colby não sabia por que se sentia tão atraída por ele. Acreditava que ele era frio, mas algumas vezes ardia com tanta intensidade, que tudo a seu redor se derretia. Qual era o Rafael real? Acreditava-o um egoísta e arrogante, mas foi o primeiro a ajudar desinteresadamente no rancho, numa crise. Havia defendido Ginny em meio a uma crise, apesar de estar sofrendo um desconforto extremo. E estava lhe oferecendo dinheiro em termos mais que razoáveis, para que ela pudesse manter o rancho. Estaria tão equivocada a respeito dele?

- Não, pequena. Você não estava tão equivocada sobre mim. - As palavras lhe roçaram a mente, quase meigamente.

Colby o olhou, assombrada. Ele era desconcertante tê-lo lendo cada um de seus pensamentos.

- Acho que temos que conversar. Tem que me explicar o que está acontecendo exatamente entre nós, porque eu sei o que é. - Não ia se dar por vencida. Ele havia prometido conversar com ela, que tinha intenção de fazer com que ele cumprisse.

- Realmente acredita, que tenho algo a ver com os problemas deste rancho? - Rafael se moveu pela primeira vez, num preguiçoso e casual movimento, enquanto se endireitava e caminhava até ela, enchendo imediatamente toda a cozinha com sua presença.

O telefone tocou e eles puderam ouvir Paul e Ginny correr para atender. Colby abriu a porta. Precisava do ar noturno, dos espaços abertos. Não voltou a cabeça e não ouviu Rafael caminhando, mas o sentiu movendo-se justo a ela.

Enquanto caminhavam pelo pátio, sua mão roçou a dela. No momento o coração dela bateu acelerado, palpitando rudemente antes que pudesse evitar. Fitou-o, colocando as mãos nas costas.

- Por que veio para cá, Rafael? Na verdade, por que está aqui? Este não é seu lugar, não é?

- Meus irmãos e eu raramente viajamos. Preferimos ficar perto do bosque. – Ele elevou o olhar para a cordilheira de montanhas que se erguiam, escurecendo o rancho. – Precisamos de liberdade. Mesmo juntos sempre fomos uns solitários.

Sua voz era muito calma, quase hipnótica. Colby se encontrou com o olhar fixo nas montanhas. Tudo parecia mais intenso. As cores vívidas na noite, a brisa trazendo até ela fragrâncias e sons que nunca antes havia experimentado. Inalou profundamente, atraindo ar a seus pulmões.

- Por que desejo estar com você, quando sequer eu gosto? - Não o olhou enquanto formulava a pergunta. - Você sabe, não é? - Ela sabia das coisas, sempre soubera das coisas. Sabia que não lhe mentiria sobre o que havia entre eles.

Rafael andou junto a ela que podia sentir seu poder, em silêncio, com seu corpo fluído e poderoso. Atravessaram o grande jardim que tão arduamente havia trabalhado para manter. Notou ausentemente que Paul esquecera de regá-lo. Logo que o conhecimento brilhou em sua mente, Rafael ondeou a mão e a água começou a fluir dos aspersores. Casualmente, quase como se não tivesse notado o que fazia.

- Por que preciso tocar sua mente com a minha. Vê-lo, quando nunca precisei de um homem em toda minha vida?

A mão dele voltou a roçar a sua e desta vez os dedos de ambos se entrelaçaram.

- Realmente quer respostas a suas perguntas, Colby? Deve estar bem segura de que é isso o que quer. As respostas que obterá não são as que espera.

Ela parou de caminhar, seu corpo estava muito perto do dele. Tinha que erguer a cabeça para fitá-lo. Colby pensou. Pressentia que ela ia revelar algo grandioso e aterrador. Era o bastante forte para aceitá-lo? Mas, precisava saber. Respirou fundo e assentiu.

- Acredito que tenho mistérios em minha vida. Conte-me a verdade.

As mãos dele emolduraram seu rosto e seus dedos foram incrivelmente gentis quando lhe roçaram a pele.

- Olho para você Colby e vejo a mulher mais bela sobre a face da terra. Por dentro e por fora você é bela. Conheço-a melhor, que nunca, nenhum outro poderá te conhecer, porque posso ler seus pensamentos e ver suas lembranças. A própria luz em você e sua tremenda capacidade de amar.

Ela olhou-o com firmeza, tentando não cair nas profundezas de seus olhos negros. Rafael a olhava tão intensamente e a fome era tanta, que era impossível não acreditar no que ele estava dizendo e suas palavras lhe roubavam o fôlego e sua habilidade de permanecer concentrada. Sacudiu a cabeça para se liberar de seu feitiço.

- Me fale de sua vida. - Encontrou-se contendo a respiração. Não queria ouví-lo falar de outras mulheres. Queria saber dele. Quem era, o que pensava, o que lhe importava.

- Você me importa. Ginny e Paul me importam. A honra me importa. - Seus olhos negros estavam escuros e pensativos, quando lhe percorreram a face. Seus dedos vagaram pela sedosa cortina do cabelo dela, antes de liberá-la,m relutantemente. - A honra era o único que restava, Colby, antes que você chegasse a minha vida. – Ele afastou o olhar dela, evitando seus olhos para contemplar os sombreados picos das montanhas que os rodeavam. - Pertenço ao bosque pluvial, acima entre as montanhas, longe das pessoas, onde é muito mas seguro para eles... E para mim.

Colby manteve os olhos sobre seu rosto, decidida a averiguar a verdade. Havia algo realmente solitário nele, algo tão solitário que lhe chegava até o coração. Sentia o desejo de abraçá-lo e lhe reconfortar.

- Não vejo nada de mal em que precise seu próprio espaço. Algumas vezes, é tal o bombardeio de informações que me aflige, que não que posso suportar. Você é bem mais sensível que eu, posso dizer. As mentes e as emoções devem ser assustadoras.

- Naturalmente daria uma razão plausível para meu comportamento. Mas não é assim, pequena. Não tenho a desculpa de me sentir bombardeado pelas emoções. Na realidade, embora possa ler mentes, não sentia emoção alguma, até que te conheci.

Colby continuou caminhando. A suave brisa era consoladora, uma cortina de fundo perfeita para a serenidade, enquanto ela lutava para entender o que Rafael estava lhe contando.

- Não entendo. O que quer dizer “não podia sentir nada”? Quer dizer que nunca se apaixonou? O que quer dizer com isso?

- Digo em sentido literal, Colby. - Continuou ele, gentilmente. - Toque minha mente, procure entre minhas lembranças. – Ele não soava envergonhado, mas realista, como se desse à casualidade de que discutissem seus pecados a cada dia, não como se estivesse despindo sua alma para ela, como se não estivesse arrancando o coração e lhe oferecendo

Sabia que já não podia continuar sem ela. Sabia que era muito egoista para terminar sua vida e tinha que prendê-la a ele. Não fazia idéia das conseqüências que teria sua separação para ela. Não os havia vinculado oficialmente com as palavras rituais, mas intercambiara sangue com ela em duas ocasiões. Ela estava parcialmente em seu mundo. E precisava dele. Estava sozinha em meio a sua amada família. E eles a usavam. Usavam sua generosidade, natureza compassiva e dons únicos. Sem esses talentos, não teria sido possível para Colby cuidar do rancho, com suas máquinas defeituosas, como estava fazendo nos últimos anos.

Havia um vampiro na região, provavelmente atraído pela utilização de seu talento psíquico. E Nicolas estava tão perto de se converter, que era aterrador. E Rafael não sabia, na verdade, o quanto ele mesmo poderia resistir sem reclamá-la. Acima de todas essas razões, Rafael sabia que nunca desejara nada para si, em todos os seus longos anos. Desejava Colby e a teria.

Ela se estendeu para ele, notando realmente e pela primeira vez, além de sua máscara inexpressiva. Seu rosto era diferente quando o estudava realmente. Havia linhas esculpidas em seus traços sensuais que não estavam ali, antes. Havia dor nas profundezas de seus olhos, como se ele estivesse sofrendo. Instantaneamente, o coração de Colby amoleceu e ela apertou a mão sobre o braço dele.

- O que é o que não quer me contar, Rafael? Não acha que seria melhor ir logo ao assunto?

Colby. Direta no assunto. Rafael colocou as espessas mechas sedosas do cabelo vermelho dourado, atrás de sua pequena orelha.

- Tem tanto aqui, Colby. Está disposta a dar tanto de si mesma a aqueles a quem ama. Quero que me ame e não mereço seu amor. Não tenho feito nada para merecê-lo, em vez disso tenho feito sua vida mais difícil. Preciso de voce e sei que nem sempre será fácil estar comigo. Sou um homem muito dominante, tanto sexualmente, como de qualquer outra forma. Quero que seja minha. Toda minha. – Rafael se pronunciou, rigorosamente, sem embelezamentos, mas totalmente vulnerável, consciente de que ela podia lhe dobrar facilmente com uma palavra ou um olhar. - Mas quero que me ame, preciso que me ame, Colby.

Tudo em Colby respondeu à franqueza de sua súplica. Rafael parecia solitário, alto e ereto, com seus olhos negros vivos, com alguma terrível dor interior.

- Por quê? Por que precisa que eu te ame, Rafael? Você tem tudo. – Ele não estava afligindo-a com embelezamentos românticos, ou sequer utilizando a química sexual altamente carregada que compartilhavam, para persuadi-la, mas obteve sua completa atenção.

- Não tenho nada sem você. Antes de para cá Colby, minha vida consistia num momento vazio e interminável, um atrás do outro. Sinto-me vivo quando estou a seu lado. Posso sentir emoção e sei que me importa a família Cheves. Sinto afeto por eles, importa-me o que pode acontecer a eles. Sinto amor por meus irmãos, por minha gente. Não quero retornar a um mundo ermo. Não posso. - Seus olhos negros se moveram sobre a face dela. - É um milagre e você nem sequer é consciente disso.

- Não tenho feito nada para ser um milagre. - Recordou-lhe Colby, silenciosamente. Esperou, ali na escuridão, que chegasse o inevitável. Sabia que havia algo mais, algo que ele não queria lhe contar.

- Você existir é um milagre para mim, Colby. – Rafael gesticulou, num largo gesto, num amplo círculo. - Este é meu mundo Colby, à noite. Vivi muito tempo e já não posso continuar vivenmdo. – Ele inclinou a cabeça como se estivesse imensamente cansado. - Pensei que poderia ser o bastante forte para permitir que se separasse de mim. Pensei muito nisto, mas não posso. - Olhou-a diretamente então. A cabeça elevada, alto e poderoso e seus olhos marcando a fogo, uma marca no interior da mente dela. - Não posso, Colby.

- Rafael, deixe de rodeios. O que é? – Ela podia ouvir como o próprio coração pulsava rudemente. Podia sentir o desespero em sua própria mente e corpo, como se cada célula dele, precisasse de conforto e segurança. Mas ele estava mudando sua vida. Sabia instintivamente. Sabia que ele estava advertindo-a, não tranqüilizando. O que ele não lhe estava contando era algo terrível. Então, simplesmente ficou lhe contemplando. Esperando.

Rafael permaneceu em pé um momento, com aspecto curiosamente vulnerável e logo sua expressão era sombria, decidida. Arrogante. Abraçou-a e tomou posse de seus lábios. Ela saboreou uma desesperada necessidade, uma terrível fome e algo bem mais aterrador. Entregou-se a ele, segurando-se a ele, devolvendo a fome de seu beijo, tranqüilizando-o, mesmo enquanto temia saber onde ele a estava conduzindo. Ergueu os braços para seu pescoço, acariciando seu cabelo com os dedos.

- Conte-me, Rafae. Não pode sentir o quanto te desejo? - Queria lhe dar coragem para que ele contasse, dar-se a si mesma a coragem necessária para ouví-lo. Sussurrou as palavras nos lábios dele, contra seus lábios, mantendo seu corpo preso ao dele.

Rafael elevou a cabeça então, seus olhos negros brilhavam. Cada centimetro dele parecia um alto e escuro predador.

- Não pode somente me desejar, Colby. Você tem que me amar. - Havia uma finalidade em suas palavras, algo em sua voz a advertia de que estava em perigo.

Colbt ficou em silêncio, ouvindo o vento lhe sussurrar, sentindo-o em seu rosto, em seu corpo. A face dele estava imóvel e esculpida, com uma profunda dor, que ela não podia compreender. Ele lhe parecia tão solitário como suas amadas montanhas. Colby elevou uma mão até os lábios dele, seus dedos alisaram gentilmente os traços dos lábios perfeitos.

- O que é, Rafael? Diga em voz alta. Fale aqui, na noite onde somente estamos nós dois, enquanto estamos juntos. Agora.

Diminutas chamas vermelhas titilaram nas escuras profundezas dos olhos dele. Seus dedos seguraram a frágil mão de Colby, ligeiramente, como se a encadeasse esperando que ela fugisse dele.

- Sou da noite, Colby. Sou do vento e da terra. Posso voar como uma águia ou tomar a forma de um felino da selva. Minha gente é tão velha como o próprio tempo. Não sou humano.

Durante um momento Colby ficou imóvel, sem compreender, não querendo aceitar o que ele dizia. Piscou enquanto as palavras se assentavam em sua mente. Seu olhar estava fixo nas chamas desses olhos.

- Se não é humano, Rafael. O que é? - Não deveria ter acreditado, mas sentia o perigo nele, o predador. Sentia suas diferenças, a forma em que agiam os irmãos Cheves. De repente fazia sentido. Eles sabiam que ele era diferente. E o temiam.

Não estava fugindo dele, sequer tentava se afastar, mas Rafael ouvia o palpitar de seu coração e via a apreensão em seus olhos.

- Sou um Cárpato. Minha terra natal original está nas Montanhas dos Cárpatos. No século treze, nosso príncipe pediu voluntários para ir para terras distantes a proteger o mundo do mal que se estendia. Meus irmãos e eu já éramos guerreiros com muita experiência e respondemos à chamada.

Colby ficou muito quieta. As palavras "século treze" ressoavam em sua mente.

- Parecíamos bastante com irmãos humanos normais, nos primeiros anos de nossas vidas. Quando nos convertemos em adolescentes nossos dons e talentos começam a emergir. Os mais velhos nos ensinaram a mudar de forma, a utilizar nossos dons. Nesse momento o sol começa a se converter num problema para nós.

Colby respirou agudamente, mas seus olhos não abandonaram o rosto dele.

- Como está acontecendo comigo. Não foi o fogo a causa, não é? - Mudar de forma. Ele utilizara o termo casualmente, do mesmo modo que mencionara o século treze. Ele não estava louco e Colby desejava que estivesse. Deu um passo involuntário para trás e sua mão subiu para cobrir a marca que palpitava em seu pescoço.

Rafael sacudiu a cabeça lentamente.

- Não, Colby. Sua sensibilidade ao sol não é a causa do fogo. Atraí-a parcialmente a meu mundo e não tenho mais escolha que te trazer para ele, completamente. – Ele disse tranqüilamente, mas implacavelmente, irrevogavelmente. Seus olhos negros a estudavam cuidadosamente. Sentia-o em sua mente, essa mesma imobilidade vigilante, julgando sua reação.

Manteve seu terreno, olhando-o firmemente.

- Acredita que simplesmente vou deixar que voce tome o controle sobre mim? - Suas palavras eram suaves, como o vento noturno, mas era uma ameaça. A primeira ameaça real que Colby fazia em sua vida. - Quero meu irmão e minha irmã e nunca te permitirei me afastar deles. Espero que nos entendamos.

Ele assentiu, seus olhos muito negros e muito vazios.

- Tem fortes dons, Colby, mas não tem nem idéia do alcance de meu poder. Falo sério quando digo que não tenho escolha. Não tem nem idéia quanto é forte o impulso da escuridão, o insidioso sussurro de poder. A chamada do sentir. Somente sentir. Um sentimento tão pequeno que os humanos dão por pronto. Acreditava que não há nada pior, mas não é assim. As emoções me bombardeiam e já não posso procurar a distração da terra, porque você está sobre terra e minha alma clama pela tua. Não tenho âncora. Não posso agüentar muito mais. É muito arriscado.

Ela elevou o queixo.

- Não sei do que está falando exatamente, Rafael. Admitirei-o, mas isso não importa, não vê? Eu não importo, você não importa, somente importam Paul e Ginny.

Os dentes brancos brilharam na escuridão, a advertência de um predador.

- Acha que permitirei que troque nossas vidas pelas deles? - Sua voz era um sussurro.

O coração de Colby troou dolorosamente e durante um longo momento, não pôde respirar. Ele realmente estava ameaçando seus irmãos? Parecia invencível ali na escuridão e não sabia sequer o que ele era e o que era capaz de fazer. Sentia seu poder, sentia o poder obstinado a ele, vibrando no ar a seu redor.

- O que está dizendo, Rafael? Eu não gosto de rodeios.

A mão dele subiu para lhe emoldurar a face. Colby se afastou antes que os dedos dele pudessem lhe roçar a pele, antes que seu tato pudesse induzi-la a aceitar. A mão dele caiu a um lado.

- Sou incapaz de fazer mal a seus irmãos. - Disse ele, brandamente, mas sua voz foi uma chicotada. - São partes de você. Ofereci-lhes meu amparo. Persiste em me ver como seu inimigo, quando está rodeada de inimigos reais.

Ela ficou quieta com o vento lhe frisando o cabelo e o coração tão pesado como uma pedra. Era sua a dor ou o dele? Colby não estava segura de que não eram a mesma.

- Sinto muito, Rafael. – Ela passou uma mão trêmula pelo cabelo. - A terra parece mover sob meus pés e honestamente não sei o que pensar. - Elevou uma mão para abranger as montanhas que os rodeavam. - Este é meu mundo. Este rancho e meus irmãos. Meu mundo inteiro. O que acontece entre nós é aterrador. Comporto-me de forma diferente perto de você. Não sou eu. Tem que entender. Não sou o que quer.

Ele sorriu-lhe, gentilmente.

- Colby. - Seu nome era uma dor suave em meio da escuridão da noite. - Esperei quase dois mil anos por você, somente por você. Sem esperança, sem cor ou emoção. Não posso voltar para um mundo vazio. Você está aqui diante de mim e este é nosso momento. Não permitirei que deslize entre meus dedos. Não pode imaginar o monstro no qual poderia me converter, sem você. Sei que o sente escondido, observando, esperando, mas não compreende seu potencial.

- Tem a habilidade de hipnotizar com sua voz.

- Não vejo razão para negar. Não te seduzi com minha voz. Vocè é minha outra metade, eu sei. Vivo em você e sua necessidade é tão forte como a minha. – Ele moveu-se então, deslizando, um predador silencioso e seus braços a embalaram contra seu corpo e sua cabeça desceu até que seus lábios dela e a reclamou. Ardente, dominante e faminto. Uma urgente demanda.

No momento em que seus lábios tomaram os dela, Colby sentiu as chamas lhe lamber a pele, dentro da pele, profundamente dentro de seu corpo. O calor se acumulou num inferno feroz que converteu seu sangue em líquido fundido e se espalhou por seu corpo e consumiu sua mente com um escuro desejo do qual nunca escaparia. Moveu-se através de seu corpo, malicioso e pecaminoso, um desejo traiçoeiro que aprofundou e se estendeu, até que ela se sentiu consumida pela necessidade de lhe tocar, de lhe saborear. De dar-lhe tudo. Suas negativas desapareceram, perdidas no fogo de sua ardente boca e de seu corpo duro.

Não era suficiente ter seus lábios soldados aos dela. Tinha que sentir o calor de sua pele sob seus dedos, explorando cada centímetro. Não queria nada entre eles, nem sequer o tecido que amortecia a evidência de seu desejo por ela. A onda de poder vibrou no ar. Era tanta eletricidade que rangeu e estalou. A camisa dele flutuou até o chão enquanto suas mãos encontravam o ziper da calça. Tirou impacientemente os ofensivos jeans, querendo-os fora de seu caminho, precisando que desaparecessem. Uma vez mais o ar rangeu e ele ficou nu à luz da lua, os raios prateados iluminavam os duros ângulos de seu corpo. Ele parecia magnificamente masculino, uma escultura masculina dedicada ao puro prazer carnal. Feito para ela.

Colby ofegou com respeito, percorrendo-o com as mãos, enquanto profundamente em seu interior a dolorosa necessidade floresceu numa fome feroz que a mordeu e arranhou até que seu corpo tremeu. Estava compartilhando a mente dele, sabia que ambos estavam mais à frente do controle, mas não se importava. Olhou seus olhos negros e implacáveis, olhos vivos com fome e desejo, uma luxúria insaciável que beirava a obsessão. Entendia-o, ela sentia o mesmo.

Rafael separou as duas partes de sua blusa de algodão fazendo com que os botões saíssem voando em todas as direções. Suas mãos moveram para cima, para lhe soltar o soutien, jogando-o para o lado, junto aos pequenos botões arredondados. Suas mãos deslizaram pelo torso dela, acariciando seus seios enquanto baixava a cabeça para festejar-se na suave carne. O gemido de Colby ficou amortecido na garganta quando os lábios dele se fecharam sobre o mamilo e sugou. Um calor líquido em resposta palpitou e queimou profundamente dentro dela, cativada antecipação.

As mãos de Rafael navegaram sobre a curva de seus quadris, afastando seu jeans, deixando-a aberta a seu faminto olhar. A onda de poder chegou novamente quando ela tirou o calçado e jogou-o junto de suas roupas deixando seu corpo pele contra pele, com o dele.

- Toque-me, Colby. - Ordenou ele cheio de desejo, enquanto seus dentes brincavam com a pele sensível. – Preciso de suas mãos sobre mim. Toque-me.

As mãos de Colby, acariciaram seis quadris, os músculos definidos e duros e gemeu quando o membro dele cresceu mais ainda, mais pesado, ante o toque de sua mão.

- Quero te tocar, Rafael. - Respondeu ela, verdadeiramente. Adorava a forma em que ele empurrava com sua mente para dentro da dela, imagens eróticas vívidas, gráficas.

Os lábios dele sobre seu seio intumescia sua mente, convertendo seu corpo em calor líquido, num fogo tão delicioso que ela desejou arder fora de controle, que somente podia arder fora de controle. Deliberadamente deixou que seus dedos acariciassem o comprimento e a grossura do membro dele, embalando seu peso na mão, apertando-o gentilmente, até que ele elevou a cabeça com um suave grunhido de prazer animal.

Não era suficiente, queria-o de joelhos. Queria-o sob seu domínio, esta criatura de escuro poder, um professor da sedução que havia deixado sua marca profundamente dentro dela, fazendo com que nenhum outro tivesse possibilidade de tomar seu lugar. Queria que ele sentisse o mesmo que fazia ela sentir. Tão perto do fogo que ardia nele. Colby prendeu os quadris dele, trazendo-o mais perto de forma que seu hálito o fez apertar os dentes. Sua língua o saboreou numa lenta e sedutora caricia, deliberadamente íntima, seguindo os lisos contornos de seu membro, explorando-o, antes de seus dentes mordiscarem, incitarem. Não tinha uma idéia real do que fazer, mas podia seguir as instruções da mente dele e o guia de suas mãos. Cada respiração rasgada lhe dava coragem.

As mãos dele pousaram em seu cabelo e o grunhido aprofundou em sua garganta. Queria-o deste modo, a beira da violência e desenfreado. Ali, no meio da noite com as estrelas espalhadas no alto e o poderoso corpo tremendo por causa dela. Por causa do sedoso calor de seus lábios, apertada e úmida, tomando-o como finalmente ele tomaria seu corpo. Profundamente, sugando-o como ele havia feito com ela. Seu corpo lhe pertencia para seu prazer e estava levando-o a um ponto febril, capaz de lhe arrancar grunhidos guturais e sentir seu corpo se empurrar impotentemente nela. As mãos dele se crisparam em seus cabelos, enquanto deliberadamente ela o conduzia a beira do delírio.

Ele disse alguma coisa, algo ardente e erótico e ergueu-a, para encontrar seus lábios com os dele. Ondeou a mão e uma manta de espessa grama se estendeu sob ela enquanto a deitava, seguindo-a com seu corpo duro. Segurando suas pernas, abriu-as de par em par, deixando-a aberta e vulnerável para ele. Ajoelhando-se, ele colocou-as sobre seus ombros largos e se inclinou para encontrar o ardente e úmido centro, com sua língua serpenteante.

O corpo de Colby implodiu, fragmentou-se, balançando-se entre as mãos dele. Ela gemeu e seus dedos aferraram a grama, em busca de algo ao qual segurar-se.

- Não é o bastante. - Disse ele baixo e impacientemente. - Outra vez, Colby. Diga meu nome. Tem que saber quem sou. Diga. - Era uma ordem e uma ameaça. Seus lábios encontraram novamente os dela e sua lingua serpenteou e acariciou, brincalhona. Delicadamente, ele deslizou um dedo dentro dela. Logo seu corpo lhe respondeu, fazendo-a girar fora de controle e ofegar pedindo misericórdia, rasgando a grama em busca de uma âncora.

Ele deixou o dedo profundamente em seu interior, empurrando mais de forma que sua mão pressionasse contra o calor de seu sexo. Rafael inclinou-se para beijar o estômago plano e seus dentes mordiscaram a peculiar marca de nascimento. Em resposta, os músculos dela se contraíram firmemente em volta de seu dedo.

- Isso é o que preciso sentir, meu amor. Quero que precise de mim, mais ainda. - Observando seu rosto, Rafael inseriu um segundo dedo, estirando seu apertado sexo, pressionando profundamente nela, enquanto inclinava a cabeça para o seio que ela empinava tentadoramente para ele. O corpo de Colby estremeceu, umidecendo os dedos dele e ondeando de vida.

- Rafael. – Ela ofegou seu nome, dolorida, ardente e necessitada.

Rafael sugou seus seios, deliberadamente, penetrando-a com os dedos, investindo e voltando. Era de satisfação o gemido dela, quando seus movimentos provocaram o orgasmo selvagem. Colby quase soluçava enquanto seu corpo se arqueava contra a mão dele.

Rafael se inclinou sobre ela, pressionando seu corpo palpitante contra o dela, grosso e duro, desejando que ela o sentisse.

- Ainda não, Colby. Quem sou eu? Diaga meu nome, me nomeie. Diga-me o que quer de mim. Somente eu. Ninguém mais. - Sua voz era a arma de um feiticeiro, suave veludo, uma sedução aos sentidos, rouca por sua própria fome. Brincou com a língua sobre o mamilo dela, seus dentes mordiscaram sua pulsação numa carícia, enquanto seus dedos a estiravam mais, penetrando-se profundamente.

Os olhos de Colby se encheram de lágrimas.

- Não posso fazer isto, não posso mais. É muito. - Seu corpo estava vivo, com suas milhares de terminações nervosas, diminutos pontos de prazer enchendo-a até o ponto da dor.

- Pode sim, meu amor. - Seus dentes brincaram ma pulsação do pescoço de Colby, o hálito quente em seu ouvido. – Se Entregue a mim, em todos os sentidos, com tudo o que é. Não aceitarei nada menos. Toda você. Deseja-me. Precisa de mim, do mesmo modo que preciso de você. Seu corpo precisa do meu.

A respiração de Colby ficou presa em sua garganta e a sensação dos lábios dele contra sua pele era mais do que podia suportar.

- Sim, Rafael, agora. – Ela se engasgou com as palavras enquanto seu corpo se ondeava e estremecia subindo numa espiral fora de controle.

Rafael colocou suas pernas ao redor de sua cintura, empurrando os quadris contra ela, mantendo suas coxas abertas para acomodar seu corpo, enquanto pressionava seu membro em seu ardente, úmido e acolhedor sexo. Um suave som escapou da garganta dela quando entrou em seu interior. Mesmo com os dedos preparando-a, estirando-a, seu corpo era apertado e resistia contra seu grosso e duro membro.

- Sou todo seu, querida. Tome tudo. - Urgiu ele brandamente, insistentemente. Sua formosa voz estava rouca de desejo, seu rosto estava esculpido de desejo e fome, seus olhos ardiam com intensidade.

Ela gemeu alto e sua voz se pulverizou pelo céu, quando Rafael aprofundou a investida, unindo seus corpos. Era dele o nome, sua mente estava cheia dele e sua alma o reclamava enquanto ele tomava posse de seu corpo. O alívio foi rápido e feroz, alcançando-a como tornado, antes que pudesse tomar fôlego.

Rafael não se apiedou, trouxe-a mais para ele, enterrando-se profunda e intensamente dentro dela, numa tormenta de fogo que os consumiu. Precisava dela toda, da essência dela fluindo em suas veias e deliberadamente se inclinou, sabendo que os olhos dela estavam fixos em seu rosto. Ele estava desejando que ela visse quem era, que soubesse o que ele era.

 

Colby lia a fome nos olhos de Rafael, chama predadora saltando à vida. Havia uma certa fascinação impotente em observar as presas dele se alongarem em seus formosos lábios, seus dentes brancos brilhando enquanto a cabeça descia lentamente para seu corpo. Os quadris dele moveram, numa dura e longa investida que a deixou ofegando enquanto seus dentes brincavam em sua pulsação. Seu coração acelerou, seu corpo se envolveu ao dele ardia em chamas, seus músculos o apertaram. Sua respiração pareceu parar.

Os dentes dele cravaram nela num látego ardente de dor e de prazer, um relâmpago dançou através de seu corpo, aumentando seus sentidos. Era tão erótico que atravessou seu corpo fragmentando-o em milhares de pequenos pedaços. O cabelo dele roçou sua pele como sedosas línguas, e seu corpo a estava tomando selvagemente, tão deliciosamente, que as lágrimas assaltaram seus olhos ela ficou sob ele, seus quadris elevando-se para encontrar-se com ele, a cada frenético impulso.

Ele era tudo para ela nesse momento, pertencia a ela, com seu corpo, sua mente, seu coração e sua alma. Aceitava-o como nenhuma outra poderia fazer, nunca. A parte selvagem e indomável dele que era puro predador, o homem revestido do fino verniz de civilização, a criatura da noite que devia obter sangue para sobreviver. E ele a aceitava, com sua natureza que exigia cuidar de seus irmãos e carregar com a responsabilidade do rancho.Aceitava suas estranhas diferenças, a telequinesia, os acidentes de sua juventude, os fogos e o rígido controle que mantinha sobre si mesma. Total e incondicional aceitação.

A língua de Rafael percorreu as diminutas marcas e fechou seus lábios sobre os dela, compartilhando seu sabor exótico, compartilhando sua necessidade, enquanto as chamas começavam a arder fora de controle, sobre eles e através deles. Sentiu-a apertar e se estirar e rugiu com seu próprio alívio, suas mãos a seguraram possessivamente enquanto o corpo dela o levava mais à frente do limite de todo controle, de toda razão. De toda prudência.

Colby estava sob ele, consciente do palpitar mistura de seus corações pulsando exatamente ao mesmo ritmo. Consciente do espesso tapete de erva sob ela que não estava ali antes. Consciente das estrelas que brilhavam no alto como uma canopia de jóias. Consciente do corpo duro, ainda unido ao dela. Não podia se mover, seu corpo estava tão satisfeito, tão completamente drenado que se sentia em paz, serena em meio da violência de sua união. Colby estava relaxada, apesar do sexo tão intenso para sacudir a terra e as revelações que ele havia feito.

Foi Rafael quem se moveu primeiro, liberando seu corpo do dela, afastando seu peso. Suas mãos lhe emolduraram a face, mantendo-a imóvel enquanto inclinava sua escura cabeça. Beijou-a gentil e cmeigamente.

Ela saboreou o fio de fome nele e um débil sorriso curvou seus lábios.

- Afaste-se antes que me mate.

- Novamente. - Disse Rafael brandamente, mas numa exigência. A necessidade de introduzi-la em seu mundo era um monstro vivente em sua mente e em seu corpo. Sabia que queria que ela o aceitasse, mas se não, se a persuasão não funcionasse, tomaria o que era dele e ao demônio com as conseqüências. - Desejo-a outra vez.

Colby se retorceu afastando-se dele, empurrando-se para cima com mãos e os joelhos no suave tapete de relva, num esforço por levantar-se.

- Está me matando, não posso nem me mover. - Seu corpo ainda estremecia com tremores secundários e estava com os lábios machucada por seus beijos.

Ele se moveu com uma velocidade sobrenatural. Um grande felino abatendo sua presa e seu corpo cobriu o dela, seus braços rodearam a estreita cintura, atraindo seus quadris para trás, contra ele. Os músculos firmes do traseiro de Colby pressionavam firmemente contra sua ereção, provocando-a para que aumentasse aunda mais.

- Nunca terei suficiente de você, nem em todos os longos séculos que virão. – Ele inclinou a cabeça até a linha lisa das costas feminina, deixando um rastro de beijos ao longo de sua espinha dorsal. - Isto é para sempre, querida. Pode sentir? O quanto você é adequada? O quanto nos encaixamos perfeitamente . - Rafael fechou os olhos e lentamente se introduziu nela, centímetro a centímetro. Assombrou-o, o quanto ela continuava apertada e ardente, como seus músculos embora delicados ainda o apegavam, ordenhando seu corpo com a perícia natural de uma autêntica companheira.

Colby se entregou completamente, sem inibições, movendo-se com ele, encontrando cada poderosa estocada, com uma própria. Era impossível pensar ou manter alguma coisa em sua mente, quando só havia espaço para a pura sensação. Seu corpo possuia mente própria com ele, movendo-se em perfeita sintonia, enquanto o relâmpago dançava e a eletricidade se arqueava através dela. Era a primeira vez em sua vida que estava completamente fora de controle, entregando-se a ele, vertendo nele tudo o que era, por ele e por si mesma. Sentiu como seu corpo se apertava ao redor do membro dele e a impactem liberação que chegou numa série de intermináveis espasmos, fragmentando corpo e alma. A única âncora segura eram os braços de Rafael que a abraçava firmemente e seu corpo e sua alma remontando-se com os dela.

Colby se paralisou para frente, sobre o estômago, exausta e incapaz de se mover. Seus dedos sovavam o tapete de grama.

- Já que é tão, tão velho, não é possível que isto seja bom para sua saúde. – Ela virou a cabeça ligeiramente para lhe olhar e seus olhos dançavam, tomados pelo riso. - Alguma vez se registrou uma morte por excesso de atividade sexual?

Rafael se estendeu sobre ela, com a cabeça junto à sua. Seus olhos negros brilhavam de diversão.

- Não acredito lembrar um evento semelhante, mas se quiser, podemos tentar.

As pálpebras dela flutuaram.

- Não posso me mover. Acredito que ficarei aqui mesmo nesta erva inexistente, que por certo, está muito fria. Pode converter minha grama inteira, esse feio emplastro marrom, nisto? – Ela evidenciou a grama, com suas mãos apertadas.

Rafael beijou-lhe o ombro, saboreando a sensação de seu pequeno e suave corpo sob o dele e a impressão de seu traseiro firme, de sua estreita cintura. Poderia viver para sempre enterrado profundamente dentro dela e com seu corpo sob o dele.

- Posso ordenar à terra que se mova para você ou trazer a chuva se precisar.

- Deixe-me primeiro recolher meu feno. - Disse ela, pragmáticamente e virou a cabeça para fitá-lo. - O que é você Rafael, um vampiro?

Ele moveu seu peso para deitar tranqüilamente junto a ela e seus braços a levaram com ele. Não havia medo na mente dela. Deliberadamente, ele a tinha permitido lhe ver em sua autêntica natureza predadora e ainda assim não temia o que ele pudesse ser. Rafael esfregou o nariz contra seu pescoço.

- Não sou o não-morto, Colby. Não sou um vampiro. Sou um Cárpato e uma vez unido a você não há possibilidade de que possa me converter em semelhante criatura nefária.

- Achas que pode se converter em um vampiro honesto, como Deus manda? – Ela abriu os olhos estudando seu rosto, embora não movesse um músculo, muito cansada para fazer o esforço.

- Existe tal monstro, sim. Nossos homens podem se converter em vampiros e fazer presa sobre a raça humana e sobre nossa própria espécie. São inteiramente malvados e devem ser destruidos. Temos caçadores em cada terra. - Sua mão lhe encontrou o traseiro, precisando tocá-la, enquanto lhe falava de seu mundo. Seus dedos começaram uma lenta e tranqüilizadora massagem. - Há um vampiro em alguma parte, perto, nesta região. Cacei-os toda minha vida e lhe sinto. São capazes de matar e dos atos mais vis.

- Pete? – Ela conteve o fôlego, esperando. Se não tivesse visto as presas de Rafael alongando-se, se não tivesse lido sua mente, pensaria que ambos estavam loucos.

Ele inclinou a cabeça e mordiscou a suave extensão de carne fazendo-a saltar sob seus afiados dentes.

- Pete, não. Um vampiro o teria matado... De forma distinta. Mas o vampiro teve algo que ver com a morte dele. Nicolas, meu irmão, está muito perto de se converter, para que eu lhe permita esta caça. Precisa voltar para bosque pluvial, perto de meus outros irmãos onde podemos nos ajudar uns aos outros.

- Por que ele estaria perto de se converter? Quer dizer converter-se em vampiro? - Colby não pôde evitar a repentina lembrança de Nicolas invadindo sua mente, de seus olhos frios e sua expressão desumana. Nesse momento de toque de mentes, soube que Nicolas Da Cruz estava tão perto de virar uma máquina de matar, como ela nunca gostaria ver. O coração lhe vibrou dolorosamente no peito. Havia tocado a mente de Rafael e uma grande parte dele se parecia muito a Nicolas.

- Colby. - Disse ele, gentilmente. - Conto estas coisas para aliviar seus temores, não para aumentá-los. Nossos homens perdem as emoções e cores depois de duzentos anos. Existimos, mas não vivemos. Eu fui enviado fora para matar vampiros, mas cada vez que levamos a cabo uma morte, o sussurro da escuridão nos chama com mais urgência. Quando a morte acontece ao tomar sangue, sentimos. Para alguém com emoções, isso não é nada, mas quando não sente nada, século ápos século, é tudo. Não quero que Nicolas mate.

- Tem que ser você, Rafael?

- Você é minha âncora. Evitará que me converta. É muito mais seguro para mim que para Nicolas. – Rafael se inclinou sobre ela. - Por que está acreditando em mim com tanta facilidade? Como pode aceitar as coisas que lhe conto tão facilmente, sem temor?

- Porque te toquei, Rafael. Vi sua mente e toquei suas lembranças. Não pode me ocultar algo tão intenso quando está compartilhando minha mente. Admito que não entendo tudo o que toquei, mas você não é um assassino de humanos. E é poder... As coisas que pode fazer são bem mais extremas que as que posso fazer. – Ela descansou a cabeça sobre seus braços. - De certo modo é muito reconfortante. – Colby sentia as mãos dele movendo-se sobre seu traseiro, seus dedos lhe massageando os músculos, aliviando seu corpo deliciosamente machucado, mesmo ainda profundamente em seu interior, acumulando um calor que sentia pecaminosamente malvado. Ela estava relaxada, muito saciada para que lhe importasse.

Estar sob as estrelas, nua e com os dedos dele marcando seu corpo e deixando rastros de sua posse a cada centímetro, proporcionava uma luxuriosa e primitva satisfação. Podia sentir o peso de seus olhos, a ardente intensidade que enchia o terrível vazio de seu interior. Por um momento, pensou em como seria sua vida quando ele se fosse, quando ele voltasse para sua própria terra. Seu coração quase deixou de pulsar. A respiração abandonou seus pulmões numa terrível rajada. Ficou muito quieta. Esta noite teria que durar para sempre.

A mão dele se enredou em seu cabelo.

- Esta noite quero te mostrar meu mundo, para que entenda por que não tenho mais escolha que fazer as coisas que faço.

Seu tom a advertia. Suave, mas havia aço nele. Algo implacável.

- Por que tenho o pressentimento de que não vou gostar? - Fez um supremo esforço para se voltar e poder olhar às brilhantes estrelas, sobre sua cabeça. Quando a mão dele se estendeu para a sua e entrelaçou os dedos. - Não pode estar sob o sol, não é, Rafael? Por isso os irmãos Cheves estavam preocupados esta manhã quando você ajudou a lutar contra o fogo... O sol já havia saído. – Colby se recostou contra ele, para lhe roçar o ombro com os lábios. - Sofreu por ficar e me reconfortar, não foi?

- Tinha que estar contigo, Colby. - Sua voz era rouca, tocando-a profundamente em seu interior, como fizera seu corpo. - Não posso suportar sua infelicidade. E se estiver em perigo, não posso fazer outra coisa que cuidar de sua segurança e em primeiro lugar. A dor é parte da vida e se aprende muito em séculos de vida. A dor é momentânea, mas suportar cada momento de uma existência erma é intolerável. Não posso voltar para semelhante coisa. Estava mais perto de me converter do que acreditava. Sei porque agora sinto em meu irmão Nicolas. Você sente a escuridão, quando ele está perto de você. Assusta-a... Leio sua lembrança de seu encontro com ele.

Colby sabia que ele estava dizendo muito mais do que ela ouvia, pelo que estava entendendo. Não tocou sua mente, preferindo permitir que seu cérebro processasse a informação a seu próprio passo. Não queria ter medo dele e não agora quando seu corpo vibrava com milhares de sensações, quando estava mais relaxada e feliz do que havia estado em toda sua vida.

- Se por acaso não voltar a conversarmos, Rafael, obrigado por esta noite. Obrigado por preocupar-se o suficiente para nos emprestar o dinheiro para salvar o rancho. E obrigado por me aceitar como sou, por me fazer sentir aceita.

- Isso soa a despedida, Colby. - Sua voz era gentil. - Te ocorreu se perguntar por que sua pele se queima ao sol? Por que seus olhos são tão sensíveis? Por que precisa dormir no meio do dia?

Ela se sentou endireitando-se, com a palma da mão sobre a escura marca de sua posse. Podia ouvir o repentino palpitar do próprio coração, ruidoso no silêncio da noite. Fazia com que soasse como se se estivesse convertendo no que ele era.

- Tomar meu sangue faria isso? O que está dizendo? – Ela esmagou o pânico, lutando para manter a calma. Havia algo aterrador na forma em que os olhos negros percorriam seu corpo. Olhou ao redor em busca de sua roupa, sentindo-se de repente mais vulnerável que nunca.

- Tomar seu sangue não te afetaria assim. Existimos com o sangue dos outros. As mulheres com as que acha que me deitei, não revestem nenhum interesse para mim, mais que como presas. – Rafael pronunciou as palavras bruscamente, estudando sua reação atentamente. - Se estivesse em minha mente, sabe que me alimento dos humanos.

Colby alcançou sua camisa, sentindo-se mais ameaçada que nunca. A mão dele a pegou pela cintura, mantendo-a imóvel. Seu olhar era direto, muito negro e lhe percorria pensativamente o rosto. - Seu lugar é comigo, Colby. Esta noite nos provou isso.

Havia uma enorme força nele. Mais que nos dedos que se fechavam como grilhões, era a sensação de freio, como se fosse uma prisioneira, não uma amante. Ela engoliu o nó apertado de medo que fluía.

- Solte-me.

- Há um momento você me agradecia esta noite, agora me teme.

- Tenho razões para temer. - Assinalou ela e esperou que ele negasse.

O olhar de Rafael não abandonou seu rosto.

- Soube na primeira vez que me viu, mas isso não evitou que me desejasse. Alguma vez se perguntou o por que?

Colby cometeu o engano de lutar. Não sabia por que o fazia. Rafael era o tipo de homem que responderia agressivamente a uma luta e era bem mais forte. Logo, encontrou-se na espessa relva, olhando fixamente para a pedra esculpida que era o rosto dele. Juraria que ouvira um grunhido retumbar em sua garganta e seus olhos brilharem com fogo.

- Não faça isso. – Vaiou, ele e subiu a mão para estendê-la ao longo da delicada garganta e inclinou a cabeça lentamente para lhe deixar um beijo no canto dos lábios. - Nunca te faria mal, Colby. Nunca. Sou incapaz de te fazer mal.

Colby respirou forte, obrigando sua mente a afastar o pânico.

- Te aceitei, Rafael. Admito o que você é. Por que me assusta deliberadamente deste modo? Que mais quer de mim? Acha que me deito com qualquer homem que aparece? Fiz coisas contigo que nunca pensei que faria. Deixei-te me fazer coisas que nunca consideraria fazer com nenhum outro homem. Permiti-te tomar meu sangue. Observei como se alongavam as presas em seus lábios e deixei cravá-las em mim.

Os lábios dele moveram sobre o ponto em seu pescoço e sua língua brincou.

- E achou erótico, não foi? – Ele inclinou a cabeça para a marca de seu seio. – Quero tudo de você. Está me dando somente uma parte e me nego a aceitar.

- Isso é tudo o que tenho para te dar. Lamento que não seja suficiente para você, mas sabia que tinha responsabilidades quando se meteu nisto. Disse a você que não trocaria o futuro de Ginny e Paul por nada do mundo.

A língua dele lambeu sua marca nela. Ele elevou a cabeça e seus olhos negros brilhavam.

- E o que acha que faria um vampiro a Ginny e Paul?

Por alguma razão, inesperadamente lhe chegou à lembrança de estar presa na mina, com um monstro vivo. Ele estava preso como ela sob os escombros, mas arranhando a terra para se aproximar dela. Recordou o som, o gorgolejo e os olhos brilhantes, demoníacos na escuridão da mina. O mau cheiro era horrível e a maldade permeando o poço da mina a deixava doente. Inadvertidamente havia queimamo à coisa. Seu medo provocou chamas que lamberam o corpo disforme e preso fazendo com que este gritasse horrivelmente. Ainda despertava com pesadelos, molhada de suor, ouvindo os ecos dos gritos. Havia sido um vampiro? Poderia ter se encontrado com um deles em sua juventude? Ginny e Paul nunca sobreviveriam a semelhante criatura.

- Protegerei-os. – Sussurrou, ferozmente. - De você, de seu irmão, dos irmãos Cheves e de um vampiro se for necessário. Deixe-me me levantar, Rafael. Falo sério.

Ele não se moveu e seus ombros largos bloqueavam o céu. Seus músculos roçavam sua pele provocando que cada terminação nervosa do corpo de Colby voltasse para a vida. Se era possível, seus olhos se escureceram mais, lhe roubando o ar.

- Não feche os olhos para o que há entre nós. Disse que obteria tudo de você e também falei sério. Se te beijar e tomar seu corpo agora, quando tem medo e está zangada comigo, deixará porque me deseja. Necessita-me do mesmo modo que eu necessito de você. – Rafael se inclinou para que seu hálito tocasse os lábios dela. - Não está completa sem mim. Por isso me permite ter seu corpo, Colby. É a única razão. Você precisa de mim e desejaria que o sexo fosse suficiente, mas não é e nunca será.

- Então o que? – Ela formulou-lhe a pergunta tranqüilamente, sem render a seu olhar desafiante. Não trocaria seus irmãos por sua própria vida. O que ele estava pedindo, o preço era muito alto.

- Vou levá-la completamente a meu mundo.

Colby poderia ter esperado. Considerara brevemente que pudesse pedir-lhe, mas a forma em que ele falava, com sua dura e implacável resolução era aterradora. Ouvir as palavras em voz alta era bem diferente de dar voltas à idéia, embora fosse brevemente, em sua própria mente. Durante um momento ficou paralisada sob ele ,como um sacrifício. Seu corpo havia traído-a a muito, suave e complacente, pertencendo-o, vivo sob suas mãos e sob seu corpo, preparado para ele mesmo enquanto a mantinha cativa.

- O que me fez? – Não se reconhecia. Ele poderia tomá-la ali mesmo, em meio a seu medo, com o coração quebrado e desfrutaria. - Isto não é amor, Rafael. Não importa o que acredita, não é amor.

- Para mim é amor. - Suas mãos alisaram a pele nua, dando forma a suas curvas, sentindo sua resposta a ele. - Tem meu corpo e minha alma. Tem tudo de mim. Eu quero tudo de você. Não tomarei menos.

- O que me fez? – Ela repetiu, negando-se a ceder à histeria.

- Para trazer para uma companheira humana completamente a nosso mundo, se requerem três intercâmbios de sangue. A mulher deve ser psíquica, iguam a você.

Colby olhou-o com horror.

- Intercambiou sangue comigo?

- É claro. É minha companheira. É natural. Converteu-se em sangue em minhas veias como eu nas suas.

Colby fechou os olhos brevemente, para bloquear sua visão.

- Deu-me seu sangue? - Era um sussurro, possivelmente uma súplica. Não queria que fosse verdade, mas seus olhos haviam ardido à luz do sol e sua pele enchera de bolhas. Sua mente precisava tocar a dele e ainda assim, precisava dele. - Maldito seja, Rafael. Você não tinha direito de me dar seu sangue. Sabia que tenho um rancho que cuidar. Não tinha direito de tomar decisões por mim, arbitrariamente. Não me importa o que é, tenho direitos e você se limita a pisoteá-los. Quantas vezes? Quantas vezes fez isso?

- Não me julgue segundo seus padrões humanos, Colby.

Ele a trouxe para seu peito.

- Me largue, demônios. Saia de cima de mim ou gritarei até que alguém me ouça e venha correndo. – Ela estava furiosa, mais furiosa que temerosa dele.

- Acha que eu permitiria que alguem a separasse de mim? Sou mais animal que homem. Mais monstro que guardião. Sou capaz de coisas que você não pode conceber.

- E acha que me dizendo isto fomenta sua causa? Saia de cima de mim!

Com uma das mãos ele a segurava pelas mãos e ergueu seus braços sobre a cabeça.

- Beije-me, Colby.

- Vá para o inferno, Rafael. Não me importa o que me faça. Não fará diferença. Eu dito meu destino, não você.

Ele se inclinou para seus lábios. Colby virou a cabeça afastando-se e lhe mordeu o ombro com força. Logo, rapidamente o calor flamejou entre eles. O fogo correu através de seus corpos. Era enlouqueceder e perverso e ela não queria se entregar a isso. Rafael beijou-a, da garganta até os seios. Seus lábios eram firmes e cálidos e ele mordiscava sua pele, acrescentando uma mistura de dor ao prazer. Seu corpo reagiu com mais calor, com mais fogo. Com urgente demanda. A pressão se acumulou rápida e aguda, profundamente dentro dela, precisando de alívio.

Rafael se negou a dar-lhe, atendendo seus seios com seus lábios ardentes e massageando-a com as mãos, provocando pequenas mordidas e aliviando-as com a língua. Sustentou-a com facilidade enquanto ela lhe arranhava as costas, seus quadris tentando freneticamente alinhar-se ao corpo dele, em busca de alívio. Deliberadamente, ele alimentou o frenesi sexual na mente dela, aumentando seu prazer e compartilhando o próprio, o que sentia ao ter a pele dela contra a sua, movendo-se sob ele como cetim e pele. O que sentia ao tomar seu seio na boca, acariciando seu corpo, até que ela clamou por ele. Compartilhou a sensação de sujeitá-la sob ele, fazer sua vontade com seu corpo. Um corpo que lhe pertencia. Compartilhou o que ela o fazia sentir com suas unhas na pele dele, desejando mais.

Beijou todo o corpo de Colby, enquanto suas mãos lhe acariciavam os seios e sua coxa a retinha no lugar. Ela soluçou quando ele mergulhou o dedo profundamente em seu sexo úmido. Moveu-se contra sua mão, mas ele se negou a lhe permitir alivio. Amaldiçoou-o, arrastando-se para ele, que sacudiu a cabeça negando, desejando que ela soubesse como era a terrível fome de seu interior, cada vez que a olhava. Que sentisse as necessidades, escuras e intensas, essas que beiravan a loucura quando crescia duro e grosso e precisava do corpo dela sob o seu. Não queria que ela fosse a ele inconsciente de sua natureza exigente. Tentaria aprender a ser terno por ela, mas sabia exatamente como era e insistiria em que ela seguisse seu ritmo.

- Se entregue a mim. – Rafel sussurrou, erguendo suas pernas para coloc´-las em seus ombros. Seus olhos brilhavam como obsidianas negras, quando se encontraram os dela. Depois, ele baixou a cabeça para seu centro ardente e ofegante.

Colby gritou, lhe arranhando as costas.

- sim.... – Ela suplicou, quando ele parou depois de um momento, mantendo-a balançando-se a raia da liberação.

- Estou tomando o que é meu. – Replicou, ele. - Há uma diferença.

- Está sendo um bastardo. – Assinalou, ela e gritou outra vez, quando deliberadamente ele renovou seu ataque.

Quando ela estava soluçando, segura de não poder suportar mais, Rafael levantou-lhe as pernas no alto, segurando firmemente seus tornozelos enquanto penetrava com força dentro dela. Uma longa e profunda investida de posse. Enterrou-se dentro dela, mais fundo do que nunca havia tentado, forçando-a a tomar tudo. Encheu-a, investindo através das suaves e machucadas dobras, mas úmidas e acolhedoras, ardentes de desejo. Na posição em que a mantinha, ela não podia se mover, somente podia elevar os quadris para tentar encontrar as duras e profundas investidas dele. O fogo dançava em seu sangue, queimando em seu corpo. O trovão rugiu em sua cabeça. Ela era tão ardente e apertada que pensou que explodiria. Seu corpo já não era dele, mas parte do dela e se sacudiu com o prazer e a dor de sua enérgica união.

- Reclamo-te como minha companheira. – Rafael mordeu as palavras, ofegando-as em voz alta, enquanto se introduzia no apertado canal, seguidamente, desejando não parar nunca. A feroz conflagração ardia fora de controle, estendendo-se como uma tormenta de fogo que o atravessava. – Pertenço a você. Ofereço-te minha vida. Dou-te meu amparo, minha lealdade, meu coração, minha alma e meu corpo. Tomo em mim os teus, para cuidá-los.

Ele estava matando-a de prazer. As ondas colidiam sobre ela e através do corpo e da mente dela. Chegou ao climax tantas vezes e com tanta intensidade, que estremeceu enquanto as sensações a rasgavam. Enquanto o ouvia sentiu uma curiosa contração no coração e na alma. Como se algo os estivesse unindo-os dentro dela. Como se seu feroz ato de amor e suas palavras combinadas, os soldassem como uma só e completa pessoa.

- Alto! - O pânico fluiu.

Ele sustentava-lhe os tornozelos firmemente, mantendo-a aberta, destroçando-a, separando-a para refazê-la tão completamente, que nunca haveria forma de voltar atrás, ao que fora.

Implacavelmente, ele a penetrava com cruéis, ardentes e duras investidas. Cada uma desenhada para conduzí-la mais profundamente, para atá-la a ele de qualquer forma possível.

- Sua vida, sua felicidade e seu bem-estar serão aprecidados e colocados sobre meus, sempre. É minha companheira e está unida a mim por toda a eternidade e sempre aos meus cuidados.

Colby olhou seu rosto. As sensuais linhas profundamente esculpidas, a convicção e implacável resolução e soube que ele fizera algo terrível. Sentiu. Soube. Notou no brilho negro de seus olhos e na dureza de sua expressão enquanto a fazia perder a cabeça de tanto prazer. Sentiu como o corpo dele endurecia e se tornava mais grosso em seu interior. Viu-o jogar para trás a cabeça e captou o brilho de suas presas brancas enquanto gemia roucamente, dentro dela, enchendo-a, enviando seu corpo a um orgasmo tão selvagem que a fragmentou num milhão de pedaços.

Depois de um momento, ela foi consciente de estar ainda deitada sobre a grama, com as pernas estendidas, no ar, enquanto os dedos dele rodeavam seus tornozelos como grilhões. Tentou se liberar. A respiração de Rafael era ofegante como à dela. Lentamente ele soltou-a e lhe baixou as pernas antes de deitar-se sobre ela.

Colby ficou sob o Rafael. Seu coração palpitava tão forte que ela temia que lhe atravessasse o peito. Seu corpo continuava sacudindo-se com tremores, o prazer a destroçava de forma que não podia se mover. Continuava deitada sobre a relva, temendo que o terrível desejo das necessidades sexuais dele se estabelecessem nela. Jamais poderia encontrar alguem que fizesse a mesma coisa com seu corpo e sua alma. Como poderia ficar acordada na noite e não sentir as mãos dele sobre seu corpo? Não lhe sentir tomá-la uma e outra vez até que os dois gritassem pedindo misericórdia? As lágrimas encheram seus olhos, mas ela não sabia se eram pelo puro êxtase ou por causa do profundo desejo que a impregnava até os ossos e que somente Rafael poderia apaziguar.

- Te machuquei? - Rafael não acreditava que pudesse encontrar nunca a força necessária para voltar a se levantar. Seus dedos tocaram gentilmente as lágrimas dela.

- Não sei. Não saberei nem dentro de algumas horas. – Ela estava deslumbrada pelas cores do céu, das estrelas e da lua, das variações que nunca havia notado antes. Seu corpo cantava, ainda obstinado às seqüelas de sua frenética união.

Ele elevou a cabeça de seus seios e a olhou nos olhos.

- É uma mulher muito teimosa.

- E você um homem muito cheio de si. – Ela afastou-lhe as mechas do cabelo negro de seu rosto. - Você não gosta que ninguém te diga que não, certo?

Um pequeno sorriso lhe curvou os lábios.

- Não há razão para me dizer não. E especialmente não quero que você me diga. É minha mulher, Colby, minha companheira.

- Mas isso não significa propriedade. - Disse-lhe ela. Seus dedos eram gentis sobre a face masculina. - Não pode me forçar a te amar, Rafael. Preciso saber mais de você. Vejo o interior de sua mente e há coisas que não têm sentido para mim.

- O que vê em minha mente não deveria fazer nenhuma diferença, querida.

Colby se moveu, empurrando seu corpo, irritada com sua arrogância.

- Voce pesa demais, Rafael. Mova-se. - Suas presas não se retraíram e ela estava ficando nervosa.

Ele beijou-lhe a garganta e se afastou para sentar.

- Só porque você é muito pequena. Precisa comer mais.

Colby olhou-o sob as pálpebras.

- Ultimamente não posso comer nada. Tem algo a ver com isso?

- Sim. – Sua gente não mentia a sua companheira.

- Tome-a. Faça-a tua para que possamos abandonar este lugar e voltar para casa.

Nicolas estava caçando sua presa. Sua voz sussurrou na mente de Rafael. Era óbvio que não entendia por que seu irmão não obrigava simplesmente à mulher a fazer sua vontade.

- É complicado.

Nicolas suspirou. - Esquece quem e o que é. Quer que o vampiro a mate? Que destrua as pessoas deste rancho? Se permitir que esta rebelião continue, ela será a morte para todos nós. Não teremos honra.

Colby tentava encontrar sua blusa, embora não fazia idéia de onde estava seu soutien.

- Está falando contigo?

- Meu irmão? Sim.

Ela deslizou os braços no interior da camisa, fazendo uma pequena careta. Estava machucda pela força dos dedos dele. Seu corpo ainda sofria o selo de sua posse.

- O que me disse? O que eram essas palavras que me disse? Soavam como um ritual, de algum tipo. – Ela lançou-lhe um olhar precavido enquanto se arrastava para seu jeans, descuidadamente descartados. - O que fez exatamente? - Os botões haviam desaparecido de sua blusa e ela atou-a sob os seios.

- Uni-nos à maneira de minha gente.

Rafael soava presumido, arrogante até. Colby pegou suas calcinhas e mostrou a ele. – Você rasgou-as.

- Não precisa delas. - Seus braços a envolveram e ele a puxou contra o peito, enquanto ela tentava colocar a calça jeans. Seus dentes mordiscaram e lhe arranharam o pescoço. - Não deveria vestir roupa nunca.

- Isso terá grande êxito com o resto do mundo. Que ritual? – Colby se apoiou contra ele em busca de equilíbrio, enquanto subia o jeans sobre o traseiro. Estava sensualmente machucada por toda parte, por dentro e por fora. E é claro que as mãos dele estavam diretamente em seus seios, embalando o peso em suas mãos, através da abertura de sua blusa. – Não foi suficiente para você?

- Aparentemente não. Possivelmente não deveria se vestir ainda.

Ela virou o rosto, para sua garganta e se apoiou contra ele, saboreando estar entre seus braços. Em outras poucas horas teria que trabalhar sem descanso, mas ficava a noite com ele. Tudo o que tinha que fazer era lhe convencer de que não a mordesse mais.

- Tal como está a coisa, não estou segura de poder andar. – Ela ficou em pé, utilizando o ombro dele como âncora enquanto colocava suas pernas a prova. Era estranho olhar para ele, saber as coisas que haviam feito, saber que gritara seu nome, que lhe suplicara, rogado que a consumisse e não se sentir o mínimo, envergonhada.

Rafael ficou em pé com um só movimento casual, vestindo-se à maneira de sua gente. Ela soltou um pequeno gemido e retrocedeu.

- Como faz isso? Até seu cabelo parece límpo e penteado. – Ela levou uma mão a seu próprio cabelo, com uma pequena careta. – Temo que estou parecendo um pouco usada. Preciso de uma ducha e uma cabeleireira.

- Está preciosa, Colby. Sempre está preciosa, especialmente quando está gemendo sob meu corpo. - Havia satisfação em sua voz. Rafael estendeu os braços para ela, com o olhar fixo em seu rosto. Sua pele ondeou e irromperam plumas em sua pele, enquanto desenvolvia uma asa. Uma asa enorme que se parecia muito a de uma águia real.

Colby conteve a respiração.

- Foi você. Deixe você entrar em minha casa.

- Em seu quarto. - As plumas desapareceram, deixando atrás músculos e pele. Rafael se inclinou para ela, suas presas eram bem mais evidentes. - Em seu corpo. Estou te roubando o coração.

“Porque em realidade ele já tinha sua alma”. Ela sabia agora, com uma estranha certeza, como sabia sempre das coisas. Ele era dono de seu corpo e de sua alma. Não terminaria nem ficaria satisfeito. Ele queria seu coração e queria sua mente. Colby sacudiu a cabeça.

- Não está pensando com clareza, Rafael. Pense com o cérebro, não com as partes superexcitadas de sua anatomia. Sendo realista, como acha que terminará isto? - Com o braço, ela abrangeu o rancho e os altos picos das montanhas. - Você adora o Brasil e o bosque pluvial. Você e seu irmão querem voltar. Precisam voltar. Esta é minha casa. É tudo o que conheci. Tenho que conservá-lo para Paul e Ginny. Lutei uma boa parte de minha vida para manter este rancho em funcionamento. Realmente acha que vou me afastar e fugir com um homem que mal conheço porque desfrutamos de um excelente sexo? Posso ser uma garota de rancho, mas tenho um cérebro na cabeça.

Rafael se aproximou dela, a postura de seu corpo era súbitamente agressiva.

- Sou realista, Colby. Realmente acredita que vou me afastar da única coisa neste mundo que se interpõe entre eu e a perda de minha alma? Que se interpõe entre eu e a mais absoluta escuridão? O monstro ruge para mim a cada sublevação. Sussurra-me em meio à noite, chama-me tomo o sangue de minha presa. Nunca a deixarei. Levarei-a comigo quando voltar para minha terra natal. Virá comigo como minha companheira, queira ou não.

Colby olhou-o fixamente.

- Você é um arrogante selvagem. É assim que os homens conseguem suas mulheres, no Brasil?

- Não. É a forma em que os homens dos Cárptos conseguem a suas mulheres. As palavras rituais de união estão impressas neles antes de nascer. Uma vez encontrada sua companheira, podem prender sua mulher se ela se negar a atender as razões. É o que salvaguarda nossos homens e mantém viva nossa espécie.

Colbt saboreou o medo nos seus lábios. Ele estava falando sério. E agora estava mais perto e ela não o vira se mover, mas ele estava ali, a um fôlego de distância, e havia algo terrível em seus olhos. Não podia afastar o olhar dele, hipnotizada pela pura força de sua personalidade. Engoliu com força e sacudiu a cabeça.

- Não, Rafael. Não tente. Lutarei contigo e posso ser destrutiva. Um de nós poderia sair ferido e não quero isso, não depois do que compartilhamos. Eu não tenho o controle que tem você.

Os dedos dele se fecharam ao redor de seu pescoço com deliciosa gentileza. Colby sabia que ele poderia lhe romper o pescoço, se quisesse.

- Então não lute comigo, meu amor.

Uma pontada de ansiedade percorreu sua medula. Secou-lhe os lábios e seu coração palpitou fora de controle. Deu um passo para trás. Ele deslizou com ela, quase uma dança, igualando cada um de seus movimentos.

- Rafael. - Ouviu seu próprio protesto através de um rugido repentino em seus ouvidos.

O corpo dele se sacudiu e seus olhos se abriram com surpresa, enquanto jogou-a longe dele com força, que literalmente a levantou no ar e voou para trás. Viu o sangue salpicando o peito de Rafael. O grito de Colby se viu talhado quando aterrissou com tanta força que lhe arrancou a respiração. Ficou a vários metros dele, notando com horror como ele se voltava para encarar algo que estava longe dela. Viu o buraco aberto em suas costas e o rio de sangue. Não ouvira nenhum som de arma e estava segura de que ela não havia feito algo semelhante.

 

- Boa noite, Rafael.

O sedoso mal na voz cantarina fez com que a respiração de Colby ficasse presa na garganta. Sacudiu a cabeça ao redor para ver com horror o monstro que permanecia perto da claridade.

- Paul! - Um gemido baixo escapou de seus lábios, quando viu o Paul sujeito como um escudo, ante da criatura.

Os olhos de seu irmão estavam cheios de medo, sua respiração estava ofegante. Havia machucados em seu rosto e lacerações em seus dedos. Sua camisa estava rasgada e podia ver marcas em seu peito. Uma mão poderosa, encordada com tendões de aço, segurava-lhe a garganta numa garra inquebrável. Uma longa unha afiada pressionou contra o jugular de Paul e mesmo a distância, Colby pôde ver o sangue gotejando pelo pescoço de dele.

- Rafael! Oh! Deus, o que é isso?

Nunca vira nada tão maligno em toda sua vida. Parecia um homem ou algo que uma vez havia sido um homem, mas a carne apertada e salpicada de púrpura que pendurava da caveira, parecia mais morta que viva. Os olhos vermelhos brilhavam como brasas, acesos na horrenda face e compridas e terríveis presas saiam da navalhada sem lábios, que era a terrível boca da criatura. Dúzias de serpentes se enroscavam ao redor das extremidades do monstro, parecendo surgir de sua carne. Filas de afiados dentes como os de uma piranha enchiam as mandibulas abertas das serpentes que sibilavam e se ondulavam com aberta ameaça.

Uma das serpentes, completamente estendida do braço do monstro, retraía-se lentamente de volta para seu amo. Brilhante sangue vermelho cobria a horrível cabeça da serpente e a mente intumescida de Colby realizou a conexão. A serpente mudada havia atacado Rafael, rasgando com os dentes a carne de suas costas, apontando diretamente para seu coração.

- Isso é um vampiro. - A voz de Rafael resultou cortante por causa da dor.

- Está ferido gravemente?

Ele ignorou sua pergunta. - Não atraia sua atenção.

Enquanto ele pronunciava a advertência, a garra do vampiro sobre Paul se apertou. Seu irmão gritou e Colby elevou a mão, desejando que o tempo se detivesse, desejando que seu mundo voltasse para o que era momentos antes.

- Não. - Expressou a suave súplica enquanto ficava em pé. Seu olhar se moveu para Rafael. Não imaginava como ele estava ainda em pé com o buraco aberto nas costas e o sangue correndo por seu corpo.

- Estava tão centrado em você, que não senti sua presença, querida. Não havia cometido semelhante engano desde que era um jovem. - Sua voz era cansada, mas tranqüila. - Fique trás de mim onde ele não possa ter um campo de visão claro de você.

- Colby? - Paul soava jovem e apavorado.

O vampiro o sacudiu, afundando sua unha mais fundo fazendo com que o menino gritasse de terror e de dor. Mais sangue gotejou. Com um pequeno soluço, Colby se apressou para frente. Rafael a segurou, quando tela entava passar e a trouxe atrás dele.

- Oh! Deus! Rafael, e Ginny? Eles estavam juntos em casa enquanto eu estava com você. - Havia culpa e medo em sua mente.

- Ginny está a salvo. Está dormindo em sua cama com seu cachorro guardando-a. - Tranqüilizou-a, Rafael.

- Kirja Malinov. - Rafael fez uma pequena reverência. – Já se passaram muito tempo desde a última vez que nos vimos.

A criatura riu secamente, o som perfurou os ouvidos de Colby.

- Sabia que se lembraria. Tornou-se descuidado, Rafael.

- Conhece-lhe? - Colby não podia acreditar, incapaz de afastar o olhar de seu irmão e do horrendo vampiro que o segurava.

- Fomos amigos uma vez.

- Assim vieste em busca de justiça, Kirja. Se imaginasse, não teria me ocupado em outra coisa e teria preparado uma recepção apropriada. - Havia completa confiança na voz de Rafael. Colby olhou fixamente para o sangue que corria por suas costas e estremeceu de terror.

Suas palavras ou possivelmente sua conduta, pareceram enfurecer a criatura.

- Olhe sua irmã, menino. - O vampiro sacudiu Paul. - Agora puta dele. Fará algo por ele, inclusive sacrificar sua vida por ele. – Ele assinalou para uma parte de tecido sobre a grama, para as calcinhas rasgadas de Colby que flutuaram para o rosto de Paul. Seu soutien saltou de um arbusto e serpenteou obscenamente ao redor do braço do menino.

Paul olhou para a sedosa roupa intima, com uma expressão congelada na face.

- Pode fazê-la fazer algo por ele. Olhe-a, observe as marcas dele sobre ela. Olhe o que lhe tem feito. Disse a você que ele a faria sua escrava.

Havia dor e surpresa nos olhos de Paul e condenação em seu rosto. Colby ofegou ante o desgosto de sua expressão. Antes que a dor e a vergonha pudessem tomar o controle, permitiu que seu poder natural alagasse seu corpo e seu cérebro. Precisava salvar Paul, mais do que precisava defender sua escolha de amantes.

- O maligno está utilizando sua voz para persuadir Paul. - Ela ouviu o que lhe dizia Rafael. - Este é um antigo professor vampiro, quase impossível de derrotar. Espere até que eu possa unir meu poder ao teu.

Rafael suspirou em voz alta.

- Canso-me de seu jogo, maligno.

- Diga-me o que fazer para te ajudar. - Colby estava surpreendida de poder falar mente a mente. Parecia produzir-se naturalmente como se agora estivessem tão conectados que fossem uma só pessoa. Se Rafael era um exterminador de vampiros, deixaria-o tomar a dianteira, mas seria melhor que não demorasse muito tempo. Não podia conter eternamente o crescente poder estando furiosa. Agora estava perto da raiva. A visão da malvada criatura acariciando o lado do pescoço de Paul com suas afiadas garras tirava a luz, cada instinto protetor... E mais raiva da qual nunca se acreditou capaz.

O vampiro vaiou entre os dentes afiados e marrons.

- O grande caçador Cárpato derrotado por seus próprios prazeres carnais. Há um pouco de justiça nisso, acredito. - Seus olhos sanguinolentos olhavam fixamente para Colby. - Pode escolher a quam salvar. Seu amante ou seu amado. - Cacarejou ele, como se fizesse uma grande brincadeira e o som saiu tão roufenho, que Colby sentiu que sua pele lhe arrepiava.

- Recolha punhados de terra, tão rica como pode encontrar e utilize sua saliva para misturá-la. Meu sangue flui em suas veias então carregará o mesmo agente curador. Coloque a terra sobre a ferida de minhas costas, mas não permita que o vampiro veja o que faz. Lembre-se, seu poder é maior do que era, enbalsado por que você caminha parcialmente em meu mundo. Não há dúvida de que devemos salvar Paul. Pense nisso, não em mim.

Nada do que dizia Rafael tinha sentido. Amassar terra com saliva para cobrir uma ferida aberta? Estremeceu ao pensar nas bactérias que introduziria nele. Rafael deveria ter se desacordado, não estar em pé com aspecto tão frio, tranqüilo e completamente controlado. Sua mente estava fimemente alojada na dela, sentia-lhe ali, lhe ordenando que fizesse o que pedia. Colby tentou não olhar para Paul, obrigar a sua mente a se afastar da visão dessa maliciosa e afiada unha, envenenada para matar.

Retrocedeu, sacudindo a cabeça, tropeçando e caindo nas mais profundas sombras noturnas, arranhando com as mãos a terra fresca sob um tronco caído. Colby deixou que um soluço lhe escapasse, enquanto inclinava a cabeça, fingindo estar doente enquanto cuspia na terra que tinha recolhido. Aterrada por Rafael, amassou-a apressadamente enquanto o vampiro grunhia e tagarelava para ela com seus espantosos dentes manchados.

- Levante-se! – Ele uivou. - Levante e faça sua escolha antes que a eu faça por ti.

Colby lutou para ficar em pé, mas manteve Rafael entre ela e a visão de seu irmão enquanto avançava. Fechando os olhos, colocou o emplastro de terra na ferida aberta de Rafael. Ele não fez sequer uma careta. Não indicou a dor que devia estar atravessado seu corpo. Em vez disso, enviou-lhe calma e tranqüilidade.

- Não há necessidade de escolha. - Disse Rafael, tranqüilamente. Sua voz era formosa, clara e forte e roçava a magia. - Nunca permitiria que ninguém trocasse minha vida pela de um menino. - Não olhou para Colby, mas a sentiu mover em sua mente. - Arrancarei Paul de seus braços. Ele esperará que o ataque venha de mim, mas utilizarei você. Continue olhando-o. Os irmãos Cheves e Nicolas estão a caminho, então não se desespere.

Foi à completa confiança que ele exudava, que permitiu que Colby mantivesse o pânico a raia. Sempre pensara que sua voz era formosa, mas quando ele falava com vampiro, não podia evitar desejar ouví-lo falar sempre. Havia um encantamento e convicção em sua voz. Pesando todas as faltas de Rafael era consciente de estar vendo a diferença entre o bem e o mal.

- Não é tua decisão. Nos deixe ver se sua mulher prefere te manter com vida. - Espetou o vampiro. Sua longa garra riscou uma linha ao redor da garganta de Paul e deixou atrás dela um fino rastro de sangue.

Colby gritou e se adiantou novamente para ele, o poder varrendo através dela, mas Paul estava no meio e poderia sair ferido. Não se atrevia a tomar represálias.

Paul começou a soluçar, chamando Colby, rogando-lhe que o ajudasse.

Lendo a agitação de Colby, Rafael ondeou a mão para Paul. Imediatamente o menino ficou calado, com o rosto sem expressão e os olhos brilhantes. – Ele não saberá o que está acontecendo, então não pode ter medo. - Rafael tratou de confortar Colby.

- Que possibilidades temos de lhe salvar? – a Colby requeria cada grama de autocontrole para não se lançar para o vampiro. Estranhamente, confiava em que Rafael salvasse Paul. Estava em sua mente e via sua resolução, sua absoluta determinação. Ele sacrificaria sua vida pela de seu irmão. Girou a cabeça para fitá-lo e levou a mão à garganta. Estava em sua mente. Fosse o que fosse que ele estivesse planejando, provavelmente acabaria em sua morte, mas Tafael tinha intenção de que Paul vivesse. Fluiu um protesto.

- Olhe-o. Não afaste os olhos dele. - A ordem foi afiada e imperiosa, de um ditador acostumado à obediência absoluta.

Rafael era muito mais que humano e ela sentia seu poder. Colby manteve o olhar fixo sobre o vampiro. A que estava esperando? Por que prolongava a agonia?

- Eles se alimentam do terror e da dor dos outros. Está desfrutando de seu momento observando o medo em você, enquanto espera para ver qual de nós matará. É o poder absoluto sobre a vida e a morte, o controlar os outros, o que lhe alimenta agora.

Um trovão retumbou e o relâmpago a deslumbrou, através do céu noturno. As nuvens teciam escuras redes no alto. Sua pele arrepiou e ela soube que em algum lugar nas sombras sobre eles estavam os irmãos Cheves. Obrigou-se a se abster de olhar inquisitivamente para Rafael. Em sua mente, ele havia proporcionando a informação, o conhecimento de que tinham rifles de longo alcance apontados para o vampiro.

- Escolha! - Grunhiu o vampiro, segurando sua garra envenenada sobre a garganta de Paul. As serpentes mutantes começaram imediatamente a se agitar, desejando matar, desejando sangue, levantando suas feias cabeças e ondulando-se de excitação. Algo se moveu sob a terra. Colby sentiu o ondeio sob seus pés e soube imediatamente que mais dessas espantosas criaturas que protegiam o vampiro, se preparavam para atacar. Apertou os punhos. - A que está esperando? Tem mais dessas coisas horrendas, sinto-as mover sob nós.

Rafael a ignorou.

- Maligno, acha que tomará esta mulher e recuperará sua alma com ela? Isso não tem sentido. Ela nunca se submeteria e algum dia acabaria te arrancando o coração.

O vampiro gargalhou e o som saiu feio e áspero depois da pureza da voz de Rafael. - Ela não me é útil. Não tem o talento que procuro. Por que desejaria ser como você? Servindo os outros quando deveria estar reinando sobre eles? - O desprezo agudizava seus traços e aumentava sua malvada aparência.

- Você? Procurando um talento? - Havia diversão na voz de Rafael. - Por que precisaria um antigo, do talento de um humano? Adquiriste uma certa reputação e se começar ou seja, se precisa de um humano para que seus planos tenham êxito, é um bobo.

Colby deu um coice. Rafael estava avivando deliberadamente o vampiro, até maiores alturas de agitação. Mas também estava ganhando tempo.

- Não me importa nada o que os caçadores pensem de mim. Não sinto respeito por aqueles que têm poder e se subjugam a si mesmos a seres inferiores. - O vampiro ondeou a mão para abranger o rancho. - Eu tomo os humanos como pasto, como o gado que eles utilizam como alimento. Os uso e os rejeito. Fazem o que quero como farei eu. Vivem ou morrem a minha vontade. Você é tão fraco que sequer toma a sua companheira, colocando voluntariamente sua vida, a dela e a de seu irmão em perigo. Você não merece viver. – Brincou, ele. - No que se converteu, Rafael? Sempre foi um líder, mas permitiu que Vlad o enviasse longe, se apressando a fazer sua vontade.

As serpentes de dentes afiados irromperam através do chão a seus pés, investindo para Rafael e Colby, com tremenda força. Simultaneamente, grossas videiras cobertas de espinhos explodiram através da terra para envolver-se ao redor das serpentes. Ela pôde sentir Rafael gerando a defesa por meio das videiras. Colby cambaleou para trás mas Rafael manteve seu território, ainda encarando o vampiro.

- Agora!

Ele enviou a ordem, mas não só para Colby. Esta se deu conta de que estava conectada, através de Rafael, com ambos os irmãos Cheves e com Nicolas. As videiras atravessaram a superfície, procurando avidamente por Paul, arrastando-o para longe do vampiro e envolvendo-o num grosso casulo. As furiosas serpentes se chocaram contra as plantas, ansiosas para chegar até o rapaz, mas logo que rompiam os fibrosos caules, outros os substituíam e cobertss por espinhos que esfaqueavam as serpentes e se incrustavam profundamente.

Quando Paul caiu, Colby sentiu que Rafael e Nicolas tomavam o controle de seu poder, cruelmente, jogando com terrível força para o vampiro. O fogo estalou através do céu, uma tocha de calor branco e chamas vermelho-alaranjadas, gerada por Colby e alimentada pelos irmãos Da Cruz. Colby ouviu seu próprio grito e soube em que momento Rafael e Nicolas dirigiam os irmãos Cheves para que disparassem seus rifles de longo alcance.

O fogo incinerou várias serpentes, mas o vampiro desaparecera, sem deixar nada para trás, sequer um rastro de vapor ou um ponto negro que indicasse onde estivera. Rafael ondeou a mão para o céu, girando em um círculo. Colby se encontrou contendo a respiração, esperando algo terrível que sabia estar por vir.

O relâmpago se arqueou num violento desdobramento e as nuvens se pulverizavam, emagrecendo como se um véu gigante estivesse estirando através do céu ante a ordem de Rafael. Colby piscou várias vezes para tentar ver o que tanto interessava a ele. Ela acreditava que deveria se preocupar com as serpentes que ondeavam pelo chão, para ele, a grande velocidade. Mas, ele observava o céu pacientemente. Suas mãos continuavam fluindo com um ritmo gracioso e ela ouvia sua voz sussurrando palavras que não entendia.

Algo se moveu perto de uma nuvem, algo escuro e feio. Juraria que Rafael dava ordens ao relâmpago, dirigindo um raio do chão para o céu, que se moveu a grande velocidade, como uma lança, para o ponto escuro. Uma maldição vaiada indicou um impacto, mas a represália foi rápida. A terra se sacudiu. Colby ficou rígida.

- Rafael, você está lançando o gado em disparada. - As serpentes e as videiras pareciam estar por toda parte, dificultando o caminho entre ela e Paul. Havia pensado que seu irmão estava seguro, encerrado dentro dos grossos e fibrosos caules, mas ele estava indefeso frente aos animais sem discernimento, que resfolegavam para eles.

Rafael voltou sua atenção para o chão, ondeando a mão para que as videiras se murchassem e as criaturas se enegrecessem, fumegando, mas ainda vivas, com as bocas totalmente abertas, estalando os dentes com frustração, enquanto continuavam lutando por chegar ao caçador.

- Vá, querida. Libere-o. Juan, Julho! Ajudem Colby.

Colby pensou um momento. Rafael estava fraco, mas decidido a salvá-los. Odiava lhe deixar, mas Paul não tinha nenhuma oportunidade contra o gado em disparada. Correu para ele, rodeando as serpentes reptantes enquanto estas tentavam obedecer a seu professor mesmo enquanto o calor as chamuscava. Ela conhecia o terreno e sabia que o gado se dirigiria para baixo, pelo pronunciado pendente que conduzia diretamente onde eles estavam. Podia ouví-los mugindo e podia ver à distância, sob a cordilheira, um ameaçador brilho vermelho-alaranjado.

- Paul. - Sem prestar atenção aos espinhos, começou a tirar bruscamente as videiras afastando-as de seu irmão.

O ataque veio por trás de Rafael, numa rajada de vento e um bater de asas. Grandes morcegos antinaturais escureciam o céu investindo para Rafael, batendo ferozmente o ar a seu redor com as asas abertas e as garras estendidas tentando lhe alcançar.

Colby não podia olhar, aterrada como estava, de que ele pudesse cair sob o peso de tantas criaturas. Apoiou-se na tranqüila calma de Rafael e se concentrou em liberar Paul. Rafael havia permitido que seu irmão despertasse do encantamento e o mesmo estava e tentando escapar da prisão de plantas. Ela concentrou-se nas videiras, bloqueando seus medos e pensando somente em mover os grossos caules. As videiras se abriram e estiraram-se, se afastando para permitir espaço para que Paul engatinhasse para fora. Ele cambaleou sobre seus pés e segurou a mão de Colby enquanto ela o arrastava rapidamente fora do caminho do gado que se aproximava.

Enquanto corriam, ela pediu a gritos para que Rafael saísse do caminho do gado. A terra tremia sob as pesadas patas e ela podia ver o gado apavorado enquanto mugiam e corriam descendo a ladeira para eles. Boquiaberta ante a visão do rebanho enlouquecido de medo enquanto grandes chama anarajandas saltavam entre cada animal, trouxe Pual sobre uma beira rochosa e se voltou em busca de Rafael.

- Não o distraia. - Nicolas era igual em tranqüilidade, crédulidade e igualmente imperioso como Rafael. Tinha sua voz na mente, uma lembrança da cercania dos irmãos. Havia algo muito arrepiante em Nicolas e em vez da intimidade, só se acrescentava à ameaça que sentia a sua volta.

- Colby! - Paul a pegou, arrastando-a para cima, sobre a borda, enquanto o gado varria o vale.

Ela não podia afastar os olhos de Rafael. Ele exsudava poder e confiança frente à correria. Sua expressão não mudou enquanto controlava os elementos, com o corpo devastado pela perda de sangue. Não se dobrou nem por um momento à dor ou ao medo. Ela estava em sua mente, compartilhando a batalha. E sabia que Nicolas compartilhava as mentes dos dois. Podia sentí-lo enroscado, preparado para abater. Sabia, através de Rafael, que Nicolas se movia para eles a grande velocidade, voando através do ar.

Brilhos de luz fluíram da cobertura das nuvens, para Rafael. Este desviou as lanças ardentes e lançou seu próprio ataque, enviando prateadas lascas de relâmpago, de volta para o vampiro. Uma árvore foi arrancada trás de Rafael, caindo para ele com seus enormes ramos estendidos.

Colby tentou gritar uma advertência, mas Paul apertou a mão sobre seus lábios rudemente e quase a golpeou contra a rocha. Não teve tempo de repreendê-lo, enquanto captava uma lança chamejante dando voltas através do ar, dirigida diretamente para seu coração. Chutou para trás, lutando contra a incomum força de Paul que a mantinha imóvel.

Sentiu a súbita mudança na atenção de Rafael ao compreender que ela estava em perigo. Imediatamente colocou a barreira oculta que a protegia das criaturas morcego do vampiro, entre ela e a lança que se aproximava. A lança ricocheteou na barreira, mas ele ficou instantánemente coberto de morcegos, que arranharam e rasgaram sua pele e rosto.

Colby afundou o cotovelo nas costelas de seu irmão com a intenção de saltar da rocha e ir em ajuda a Rafael. A primeira parte das cabeças de gado se apressava pela ladeira, outras seguiam pelo estreito passo cheio de grandes e pesados corpos. Tentou proteger seu irmão da massa de corpos enormes enquanto estas se apressavam a passar, apertando-se contra ele enquanto a terra se sacudia. A chuva caía muito, extinguindo os fogos e levantando colunas de fumaça. Sentiu que lhe agarravam os ombros com força, que dedos a apertavam cruelmente. Antes de poder gritar um protesto, Paul a levantou e a lançou ao centro da correria.

Instintivamente, Colby se enrodilhou numa apertada bola, com as mãos sobre a cabeça protegendo-se das patas doa animais. Assombrosamente, nada a tocou. A terra se sacudia, mas nem um só animal a chutou enquanto passavam como um trovão. Ouviu o som de vozes e soube que os irmãos Cheves estavam dirigindo o rebanho, tentando acalmá-los antes que alcançassem os pronunciados escarpados que se elevavam ao este.

Colby levantou cautelosamente a cabeça. Nicolas estava de pé junto a ela, seu rosto era uma máscara sombria. Baixou-se e a colocou em pé com uma força casual. A princípio, ela sentiu as pernas trêmulas, negando-se a sustentá-la, mas ele não prestou atenção, arrastando-a com ele quase as carreiras, para seu irmão.

Rafael permanecia em pé, embora Colby não podia ver seu corpo devido às centenas de criaturas que se apegavam a ele, arranhando sua carne, cevando-se nas feridas de seu corpo. Com um grito se afastou de Nicolas, tratando de alcançar um dos animais peludos que lhe rasgavam a face. Antes de poder tocá-lo, Nicolas bateu as mãos e emitiu uma ordem. Os morcegos caíram no chão, já incinerados. O aroma nocivo fez com que Colby tampasse os lábios e o nariz, mas elacorreu para o Rafael.

Rafael cambaleou e Colby lhe enredou o braço ao redor de sua cintura.

- Levarei você a um médico - Não sabia como era possível que um médico o ajudasse. A maior parte de sua pele estava arrancada do corpo. Nunca tinha visto feridas semelhantes. Olhou em volta freneticamente em busca do vampiro, esperando um ataque iminente.

- Aonde ele foi? Pode lhe ver?

- Há muito que se foi. – Disse, Nicolas. - Não lutará com todos nós. - Suas mãos eram gentis quando as estendeu para Rafael.

Paul correu para eles, balançando um ramo de árvore para a cabeça de Rafael.

- Dom Nicolas! - Gritou Julho Cheves, em advertência. Nicolas apanhou a madeira e a retorceu com facilidade, arrancando-a das mãos do rapaz, tombando-lhe no chão.

- Ele está corrompido, Rafael. Presta ajuda ao vampiro. Não é mais que uma marionete humana. Despacharei-o rapidamente e converterei à mulher por você. Vá para à terra e se cure apropiadamente. - Havia absoluta resolução em Nicolas.

Colby podia notar que ele já havia despachado ao Paul e o mataria sem o mínimo remorso. Precipitou-se para se colocar diante de Paul.

- Não se atreva. Não se aproxime dele. - Paul era mais alto que ela, mas estendeu os braços e evocou cada grama de poder que havia nela. Não queria proteger Paul, queria ir com Rafael, salvá-lo, fazer alguma coisa por ele. Odiava ficar ali, protegendo seu irmão, quando Rafael estava tão destroçado. Sentia que seu coração rompia em um milhão de pedaços, quando notou seu rosto devastado.

- Meu amor, não permitirei que Paul sofra nada nas mãos de meu irmão. Deveria me conhecer melhor. - O movimento em sua mente foi débil, como se Rafael estivesse abandonando-a.

Ela estava assustada, sem saber para quem correr, a quem proteger.

- Rafael está morrendo, Nicolas. – Disse, ela. - É isso o que quer, que tenha que lutar contra ti com seu último fôlego? Que tipo de pessoa é?

A alta e musculosa forma de Rafael se encurvou e ele caiu ao chão sobre os joelhos, mantendo-se cambaleante por um momento, com os olhos frágeis antes de cair para frente.

Colby não lembrava ter saltado para pegá-lo, mas estava sob ele, amortecendo sua queda, sua grande forma esmagando-a baixo ele. Surprendentemnte, ele não se estrelou contra o pó, como esperava. Nicolaso fez flutuar Rafael gentilmente até o chão, virando-o, antes que seu corpo golpeasse o dela e lhe deixando a cabeça recostada em seu regaço. Não pôde conter o tremor de medo quando Nicolas se ergueu sobre ela.

Juan e Julho se colocaram dos lados de Paul.

- Dom Nicolas, por favor não nos obrigue a fazer semelhante escolha. Este menino é da família. Está sob o amparo de Dom Rafael, igual a Colby. Esse amparo deveria ser também o nosso.

Produziu-se um pequeno silêncio. Mesmo a noite pareceu conter a respiração. Os insetos cessaram suas chamadas selvagens e o gado deteve seu intranqüilo movimento.

- Talvez possa tirar o veneno de seu sistema, mas terei que tomar seu sangue. - Nicolas fez uma ameaça, olhando diretamente para Colby.

Não confiava nele e desejou que Rafael estivesse completamente acordado para lhe indicar o que fazer.

- Rafael diz que ele não pode me mentir... Você pode?

- Adianta o sim ou o não. - Replicou Nicolas, asperamente. – Ele sofrerá com o ácido do sangue do vampiro e desejará o sabor da carne humana. Apodrecerá de dentro para fora e o vampiro poderá utilizá-lo para derrotar a nós todos.

Paul explodiu em lágrimas, pressionando-as mãos contra o estômago.

- Ardo por dentro, Colby. E há um zumbido em minha cabeça que me deixa louco. Está dizendo que vou me converter num canibal?

- Então faça o que tenha que fazer, mas não lhe faça mal ou o perseguirei e o atravessarei diretamente com uma estaca seu gelado coração. – Advertiu, Colby.

Nicolas ignorou sua ameaça e se ajoelhou junto ao Rafael. Colby viu com incredulidade como ele rasgava a mão com os dentes e empurrava o corte contra os lábios de Rafael. Olhou-a com olhos negros e vazios enquanto obrigava seu irmão a engolir o sangue ancestral.

- Deveria ter tomado imediatamente em vez de te atender, como fez. - Sua voz era um látego afiado, açoitando-a enquanto segurava a cabeça de Rafael em seu colo, com os dedos enredados na longa cabeleira dele e seu sangue lhe empapando os jeans.

- Eu tampouco gosto de você. – Ela espetou. - O que te diferencia desse monstro? Meu irmão é inocente. Não pediu a essa horrível criatura o seqüestrasse e o infectasse com seu veneno. Eu não pedi ser a companheira de seu irmão. Tenho minha própria vida aqui, minhas próprias responsabilidades. Por que deveriam seus direitos ser mais importante que os meus?

Nicolas se inclinou aproximando-se dela com olhos frios, de um duro diamante.

- Se não encontrar a sua companheira, ele se converterá num monstro absolutamente perverso que vive da morte e da dor dos outros. É o que me acontecerá. Não sou humano. Rafael não é humano. Lutamos durante séculos contra a escuridão. Você pode aliviar sua dor tão facilmente. Poderia assegurar que nunca enfrentasse o momento em que pudesse sucumbir à escuridão, mas é muito teimosa, muito egoísta para lhe dar o que precisa. E por causa disso, estupidamente arrisca a vida de seus irmãos, de seus vizinhos e de outros que sequer conhece. Pior ainda, arrisca a alma de meu irmão e as almas de minha família e a minha própria. Ao final, ele a terá, então se arriscar desta forma não tem sentido. Eu a tomaria, se fosse minha e terminaria de uma vez. – Ouviu-se um estalo agudo de dentes, como se ele pudesse se inclinar e lhe morder o pescoço ali mesmo.

O coração de Colby palpitou com mais força em seu peito, mas lhe enfrentou firmemente, tentando ser honesta com ele. Lutando por entender. Queria entender quando lhe via dar seu próprio sangue a seu irmão cansado. Mais ainda, a idéia de Rafael convertendo-se em tão horrendo monstro como a criatura que os tinha atacado era inconcebível.

- Posso vê-lo, de seu ponto de vista. Pode vê-lo você, do meu? Não sou Cárpato. Nem sequer sabia que existiam, até recentemente. Não conheço Rafael. Não sei muito sobre ele além de que é diferente, com tremendos poderes e que pode me controlar, de forma que me assusta mortalmente. Tenho um irmão e uma irmã aos quais quero e um rancho que jurei a meu pai em seu leito de morte que manteria para eles. Não fazia nem idéia das conseqüências que está descrevendo. Não vivi séculos e não sei nada de vampiros além do que se vê nos filmes.

- Agora já viu um. Agora conhece as conseqüências para Rafael e sabe que o que digo é certo. O que vais fazer a respeito?

- Nem sequer sei que quer que faça, Nicolas. - Respondeu ela, honestamente. - Como proteger Rafael? Falou-me de me trazer completamente a seu mundo. O que significa isso?

- Pode afirmar que o maligno não te atacou? Se tiver êxito em te matar, terá também destruído Rafael. Ele utilizou ao menino para tentar acabar com você. – Assinalou, Nicolas.

- Não tentei matá-la. - Negou Paul, com a face muito pálida.

- Sim. Você tentou. - Disse Nicolas, tranqüilamente. - E se o veneno não se eliminar de seu sistema, tentará novamente até que tenha êxito. Colby, enquanto for humano, o vampiro sabe que é vulnerável e terá oportunidade de matar Rafael através de você.

- Como minha morte acabaria com Rafael? – Colby perguntou-o, mas já conhecia a resposta através de seus próprios medos e dores. Lutava para contê-las, mas não podia suportar a idéia de perder Rafael. Sua mente negava a possibilidade porque seu coração sabia que não sobreviveria a isso.

- Sabe disso. - Disse Nicolas brandamente.

- Não pense nisso, Colby. - Exclamou Paul. Ele se dobrava pela dor, segurando o estômago. - Não deixe que lhe façam nada. Não pode ver o que são?

Julho deslizou um braço ao redor dos ombros do menino.

- São grandes homens e nos protegeram do vampiro, Paul. Nicolas é o único que pode te salvar do ácido de seu interior. Nenhum médico poderia curar os efeitos.

Nicolas deteve a alimentação de Rafael, fechando a ferida de sua mão com uma passada da língua. Colby não pôde evitar o tremor que percorreu seu corpo, ante um gesto tão prático.

- Devo levar Rafael a um lugar onde estará a salvo e possa lhe curar. – Disse, Nicolas. – Você se uniu a ele e sofrerá muito pela separação. Posso evitar isso, a convertendo, mas então teria que descansar na terra com ele. Decida agora. Ele precisa cuidados imediatamente.

- Se tiver que fazer uma escolha imediata então tenho que ficar com meus irmãos e me ocupar de sua segurança. - Disse Colby. Havia desafio em sua voz.

- Sofrerá por ele. Acreditará que está morto e sentirá uma forte chamada a te unir a ele. Não pode fazer mal a si mesma, não importa o quanto esesperada se sinta. Alcance-me e a ajudarei se for necessário. - Nicolas baixou e recolheu facilmente seu irmão em seus braços.

- Espere! - Disse Colby, freneticamente. - E Paul? - Seu irmão já não podia agüentar mais de pé e estava sendo ajudado por seus tios. Dobrado, encurvava-se impotentemente, gemendo de dor.

- Voltarei para eliminar o veneno nele. Mas deve saber disto, cunhada. Ao fazê-lo, ele estará preso a mim para sempre.

A Colby soou como uma advertência, possivelmente uma ameaça. Ela levou a mão à garganta num gesto de defesa.

- Deveria esperar Rafael? – Ela manteve o olhar fixo no dele, negando-se a se sentir intimidada, desejando a verdade.

- Isso depende de você. – ele recolheu Rafael em seus braços, quase como se seu irmão fosse um menino pequeno em vez de um homem muito grande e perigoso.

Colby estendeu a mão para tocar a face de Rafael. Ele estava frio e sem vida. Um grito fluiu em sua mente, mas ela obrigou-o a retroceder.

- Está vivo?

- Não permitirei que morra. Volto esta noite?

Colby olhou à face de seu irmão e viu o ódio em seus olhos e se estremeceu.

- Por favor. - Murmurou, afastando o olhar de Paul. – Se apresse.

- Traidora! Puta! - Paul se lançou para ela, com o punho elevado e uma expressão demoníaca.

Julho o segurou e o arrastou para longe dela.

Vamos levá-lo para casa, senhorita?

Paul lutava contra seus tios, grunhindo e apertando os dentes para eles. Depois repentinamente se afundou, olhando ao redor, piscando para limpar a visão.

- Colby? – Ele soava jovem e confuso. - O que está me acontecendo?

- Está doente, carinho. – Colby tentou lhe consolar, mas as lágrimas enchiam seus olhos e a dor fechava sua garganta. Já não podia tocar a mente de Rafael. Sentia-se a perdida profundamente, como se alguém lhe tivesse arrancado o coração. Não podia respirar e muito menos pensar. Queria gritar e arranhar a terra, cavar um caminho até onde o corpo dele descansaria. Mas, levantou a cabeça para encontrar os irmãos Cheves olhando-a com compaixão.

- Levem-no para casa. - Dissen cansada.

- Juan se ocupará do gado. - Disse ,Julho. - Eu velarei por você, Paul e Ginny.

Colby cambaleou atrás dele. Podia ver melhor na escuridão do que nunca tinha sido capaz de ver, mas estava desfocada, sentindo-se cega e surda.

- Este tipo de coisa acontece com freqüência? - O que eram essas terríveis criaturas o quanto são gravse os ferimentos dele, Nicolas? Ele estava tão destroçado, perdeu tanto sangue.- Não o beijara, não tentara segurá-lo. E se Nicolas era mais monstro que homem?

- Sou mais monstro que homem. – Confirmou, Nicolas. A voz era suave em sua mente e a distraía. Podia ouvir um canto repetitivo, antigas palavras ancestrais com um consolador ritmo de poder. - Estou lhe curando, lhe proporcionando mais sangue e depois o colocarei nos braços da terra, a pra se curar.

Julho voltou a fitá-la, enquanto empurrava Paul para frente.

- Precisa de ajuda, Colby? - Quando ela sacudiu a cabeça, ele continuou. – Sim. Presenciei muitas batalhas entre o vampiro e os caçadores. Este vampiro não é como outros. É bem mais poderoso e ardiloso.

Colby se abraçou, enquanto caminhava pelo atalho de volta à casa do rancho. Rafael percorrera este caminho com ela, segurando sua mão, fazendo-a sentir a mulher mais formosa e desejável do mundo. Quando se concentrava nela, nada mais parecia importar. Tentou rememorar o que havia dito Nicolas sobre a conversão, mas sua mente esta muito dispersa.

- São feridos com freqüência? – Perguntou, Colby.

Julho sacudiu a cabeça.

- Os vampiros são todos diferentes. Os caçadores são muito poderosos, muito experimentados. Rafael é um grande lutador... Igual a Nicolas ou qualquer de seus irmãos, raramente o ferem. Este... – Ele sacudiu a cabeça. - Este é um dos chamados professores vampiros. Um antigo que escapou da justiça há muitos anos. Zacarias, o mais velho dos irmãos Da Cruz, acredita que seja um professor vampiro de sua raça. Um que esteve por muito tempo no mundo e um perito em batalha, que finalmente sucumbiu à chamada escura. O professor não ficará e lutará, mas utilizará marionetes humanas para fazer sua vontade. Chamará vampiros menores e os usará como peões. E mudará outras espécies a um mal encarnado. Viu uma amostra de seu trabalho.

- Está muito nervoso. O que é que não me está contando?

Julia a olhou com olhos escuros e preocupados.

- Nicolas pode tomar o sangue e ajudar com a dor, mas até que o vampiro morra, Paul estará conectado a ele. Ele ainda poderá tentar utilizar Paul. Nicolas será o único que se colocará entre Paul e o que o vampiro dele queira. Nicolas é poderoso e antigo, mas está muito perto do final de seu tempo. Também deve descansar durante as horas diurnas. É perigoso para ele fazer o que lhe pede. Se não o fizer, Paul morrerá cedo ou tarde e o agradecerá.

Colby pressionou os dedos sobre a cabeça palpitante. Precisava do toque reconfortante de Rafael.

– Ele está seguro clandestinamente.- Respondeu Nicolas, com sua tranquilidade habitual - Tenho que me alimentar e me encontrarei com vocês no celeiro. Não quero que sua irmã veja o que devemos fazer para ajudar seu irmão. Deve estar segura. Ele pode e te fará mal se o vampiro o alcançar e o programar. Eu posso criar uma interferência e eliminar a dor, mas não posso romper o laço entre eles.

Ele estava se oferecendo para matar a seu irmão. Sua voz, tão plaina e vazia a deixou doente. Fez com que sentisse a árida existência de Rafael, rigorosamente. Quase podia ver a escuridão avançando dentro dele, manchando sua alma, tomando-o. Fechou os olhos mas não pôde bloquear o que estava em sua mente.

- Vigiarei-o, até que tenham a oportunidade de matar o vampiro. – Ela tomou sua decisão.

- Rafael tem muito a responder. - Havia mordacidade na voz de Nicolas.

- Rafael tentou me dar tempo. É tão terrível? - As lágrimas ardiam em seu coração. Ela havia causado tudo isto? Era culpa dela que Rafael estivesse como morto, clandestinamente?

- Sinto seu amor por você. Isso me sustenta, mas não pode me suavizar. Ele me deu esperança compartilhando comigo o que sente por você. Suas emoções são intensas e difíceis de dirigir. Ele sente-se incômodo com a presença de outros homens perto de você, incluíndo eu mesmo, embora tente ignorar essas perigosas emoções e te dar o espaço que precisa para vir a ele.

- É minha culpa?- Persistiu ela.

O silêncio respondeu sua pergunta enquanto ela abria a porta do celeiro, para enfrentar Nicolas e seu negro e desumano olhar.

 

Paul se sentou silenciosamente nun canto, com seu tio muito perto dele. Colby não pôde deixar de notar a protetora postura deste. Nesse momento, Julho se parecia tremendamente com seu padrasto. Olhou ansiosamente para a casa.

- Quero ir ver Ginny.

- A menina está bem, está dormindo pacificamente. – Disse, Nicolas. - Se quiser que eu faça isto, façamos agora.

Colby tentou não se encrespar, ante a atitude abrasiva.

- Não me repreenda. Acontece que estou genuinamente preocupada. Até agora esta não foi a melhor noite de minha vida. Pode ser que você lide com vampiros todos os dias, mas sua existência é novidadeira para nós. – Ela lançou um sorriso tranqüilizador para seu irmão.

Ele tentou responder seu sorriso, baixou o olhar e notou o soutien de cor salmão ainda em volta de seu braço. Logo sua expressão mudou, tornando-se escura e feia. Paul desatou o objeto, segurando-o longe, com dois dedos, levantando-ao para que todo mundo pudesse vê-lo. Isso fez Colby agudamente consciente do fato de que não vestia nada sob sua camisa e que os botões da mesma haviam desaparecido. Mesmo assim, em meio a sua completa humilhação, sua mente tentou alcançar Rafael. Em seguida compreendeu que não podia lhe tocar, somente havia vazio e dor. O medo sacudiu seu coração.

Seguiu o movimento de seu soutien quando Paul o atirou longe dele como se fosse tão repugnante que não pudesse suportar olhá-lo. De repende o menino cambaleou afastando-se de Julho e alcançou uma forca, lançando-se para Colby num só movimento.

Colby não viu Nicolas se mover, mas ele estava diante dela, tirando a arma de Paul e lhe arrastando em seu terrível abraço. O ar abandonou precipitadamente os pulmões de Colby quando viu que as presas dele se alongavam e sem preâmbulos cravava os dentes no pescoço de Paul. Seu irmão ficou quieto, sob a influência da mente de Nicolas. Ela estremeceu, sentindo como se essas afiadas presas estivessem introduzindo-se em seu próprio pescoço. Nesse momento odiou Nicolas. Odiou-se a si mesma e odiou ao Rafael. Como podia ficar ali enquanto uma criatura que não conhecia tomava o sangue de seu irmão, tão fríamente?

- O que está fazendo? - Rafael estava débil, muito fraco. Podia sentir a pulsaçãoo de sua vida enquanto ele se movia em sua mente.

Seu alarme não era por Paul. Era por seu próprio irmão, por Nicolas. Colby a sentia como se fosse seu próprio alarme. Sentiu a onda de amor e calidez que arrastava séculos. Fluiu em seu corpo, tomou o controle de seu coração e sua alma fazendo que desejasse estender a mão para Nicolas, detê-lo. O que estava fazendo era perigoso para Nicolas, não para Paul. Nicolas estava ingerindo deliberadamente o sangue do vampiro, quando já lutava a cada minuto de cada dia contra a fera que manchava sua alma e lutava pelo controle.

- Espere! - Colby não podia escolher entre os dois irmãos. O seu próprio, ou o de Rafael. Estavam entrelaçados, ambos confundidos agora em sua mente. A vida de Paul contra a alma de Nicolas. Era uma terrível escolha.

- Não esbanjem sua preocupação comigo, nenhum dos dois. - A voz de Nicolas roçou as paredes de sua mente. - Resistirei e voltarei com nossos irmãos por seu bem, Rafael. Compartilhe comigo as emoções que sente por esta mulher e este rapaz. É suficiente para me permitir continuar até que chegue em casa. Vá dormir, Rafae, e permita que a terra o cure.

Realmente, ela sentiu o amor de Nicolas por seu irmão, através de seu laço com Rafael. Era um estranho vínculo compartilhado. Pela primeira vez pôde lhe ver como algo mais que o monstro de coração frio que tentava lhe arrebatar seus irmãos. Nicolas foi real para ela. Pôde lhe ver através do coração de Rafael. Lembranças de Nicolas fluíram e soube que era um pouco deliberado por parte de Rafael.

Quantas vezes ele havia se interposto entre os humanos e a morte, arriscando sua vida e sua alma? Quantas vezes havia tentado proteger Rafael e seus irmãos menores das terríveis batalha? Fora ferido incontáveis vezes. Havia matado incontáveis vezes, cada morte arrancava pedaços de sua alma.

Colby fechou os olhos. Não queria vê-lo, não queria lhe ver como outra coisa que o predador sem emoções que pensou que era a primeira vez. Já estava confusa o suficientemente. E estava Paul, unido a ele em seu abraço, enquanto Nicolas tomava mais sangue até que a face de Paul ficou pálida e ele caiu entre os braços do caçador, enjoado e débil, mas tranqüilo e antinaturalmente disposto a fazer o que Nicolas requeria dele.

Sentiu exatamente o momento em que Rafael sucumbiu a sua necessidade de descansar e curar. Ele saiu de sua mente e a deixou vazia. Colby deixou-se cair sobre o feno e pressionou ambas as mãos sobre o estômago revolto, enquanto uma vez mais observava Nicolas com seu irmão. Ele deslizou a língua pelo pescoço de Paul, fechando as marcas como se nunca estivessem ali. Não havia marca. Nenhuma. Sua mão se arrastou até a marca de seu próprio pescoço que nunca parecia empalidecer, nunca desaparecia.

- Podemos deixar uma marca se quisermos ou não deixar evidência se assim preferirmos. - Nicolas lia seus pensamentos tão facilmente como Rafael, mas onde com Rafael era intimidade, com Nicolas parecia invasão. Os frios olhos negros se deslizaram sobre ela, diferentes de Rafael. Tão absolutamente solitário e isolado de tudo o que o rodeava. - Rafael decidiu deixar sua marca de uma vez como advertência e como amostra de seu compromissoProtegerá você mesmo quando ele deve descansar sob a terra.

Colby reconheceu a suave censura, mas pela primeira vez foi capaz de voltar os olhos ao passado e ver a terrível carga que Nicolas suportava.

- O que tem que fazer agora, Nicolas? - Perguntou.

- Tirar o veneno através de meus poros e liberar meu corpo da corrupção do vampiro. - Seu irmão estava imóvel e sob seu encantamento. Nicolas o ajudou a sentar no chão do celeiro. - O sangue do vampiro queima como ácido. O rapaz não teria durado muito. Há algo aqui com o qual nunca cruzei antes. - Os olhos de Nicolas se fecharam e ele procurou dentro de seu corpo para destruir o composto que infectara Paul e agora residia dentro de suas próprias veias. - Há algo mais aqui, um pequeno parasita que não deveria estar. Está mudado, como a serpente que o vampiro utilizou para atacar Rafael.

- Desde onde veio o vampiro? - Perguntou Colby, doente ante a visão das gotas de sangue que começavam a aparecer através dos poros de Nicolas. Era uma visão que nunca esqueceria, nunca a tiraria da cabeça. Tentou distrair seus pensamentos, algo para evitar gritar enquanto o sangue empapava o chão do celeiro e manchava o feno de um vermelho escuro. Não era afetada... Criara-se num rancho... Mas seu estômago deu inclinações bruscas, de todos os modos.

- Não olhe. - Disse Nicolas, severamente. - Vai voltar a tirar Rafael de sua sonolência e seu ferimento é profundo. Deve ter tempo para curar.

- Sinto muito. Nunca tinha visto algo semelhante. - Precisava tocar Rafel. Não era somente que desejasse, tudo nela se estendia para ele, mas somente havia o vazio. Já não estava segura de poder agüentar longe dele e isso era alarmante, especialmente com Nicolas lhe dizendo que seus ferimentos eram graves e ele precisava de tempo para se curar. Não era uma pessoa egoista, mas lhe parecia tão imperativo perturbá-lo, chamá-lo para poder sentir o toque de sua mente na dela.

Nicolas suspirou.

- ele deveria tê-la convertido e liberado-a do inferno que terá que suportar. Não deve fazer mal a se mesma.

- Não sou mulher desse tipo. - Disse Colby, mas estava começando a se perguntar se era verdade. - Dói-te? - Não podia imaginar Paul tendo que passar semelhante coisa.

- Sim. - Sua voz não mostrava inflexão. Gesticulou em volta do sangue que empapava o feno e Julho imediatamente afastou tudo o que não havia sido tocado, deixando um círculo de madeira nua exposta com o feno ensangüentado no centro. Nicolas abriu a porta do celeiro de um empurrão e levantou o olhar para o céu. No momento o relâmpago se arqueou.

Para horror de Colby, uma bola de fogo alaranjada se moveu a grande velocidade para eles, atraída por Nicolas. Ele incinerou o sangue do vampiro, que ardeu por um instante e depois simplesmente desapareceu, como se nunca havia estado ali. Ela piscou várias vezes para se assegurar de não estar alucinando.

- Isto é muito extravagante para mim. – Retrocedeu, afastando-se de Nicolas. - Paul ficará bem agora? Posso lhe colocar na cama?

- Quero tentar lhe curar. O vampiro lhe infectou com seu sangue e ele sente as vísceras como se alguém tivesse colocado fogo. – Replicou, Nicolas.

Colby podia ver o quanto ele estava pálido e cansado. As linhas de seu rosto estavam mais profundas que nunca e seus olhos frios como o gelo. Ela estremeceu.

- Precisa se alimentar.

- Sim.

Colby olhou impotentemente de volta a Julho. Depois do que Nicolas havia feito por Paul, sentia que não tinha mais escolha que fazer a oferta e essa era a última coisa que desejava fazer.

Julho sacudiu a cabeça.

- Eu proporcionarei sangue a Dom Nicolas enquanto você coloca o jovem Paul na cama. Depois ajudarei Juan a atender o gado.

- Julho, Juan e você devem ficar aqui. – Decretou, Nicolas. - Vigiem o menino, particularmente durante as horas diurnas. Tenho que descansar e não serei capaz de lhe monitorar.

Colby parou, quando estendia a mão para Paul.

- O que significa isso? Não acaba de eliminar dele o sangue do vampiro?

- Até que o vampiro esteja morto, Paul sempre estará preso a ele.

Colby queria fazer mais perguntas, mas Nicolas liberou Paul do encantamento. Seu irmão conseguiu levantar-se sobre os pés, forçando-a a lhe rodear com um braço e lhe ajudar a sair do celeiro.

Paul se apoiava pesadamente nela.

- Sinto-me terrivelmente mal, Colby.

- Eu sei, carinho. Você precisa dormir.

Ele se apegava enquanto ela o conduzia para a casa e seu quarto.

- Estou realmente assustado, Colby. Nunca tinha visto nada como isso.

- Eu tampouco. Mas temos Rafael, Nicolas e a Juan e Julho para nos ajudar. Estaremos a salvo. Tirarei suas botas, Paul. Deite-se e durma.

Ele fechou os olhos no momento em que sua cabeça descansou no travesseiro, sem mover sequer quando ela tirou suas botas e as meias. Parecia pálido e seu cabelo escuro se sobressaía contra sua pele. Ela afastou-lhe umas algumas mechas da testa com dedos gentis e se inclinou para deixar um beijo breve em sua cabeça. Paul se removeu, lhe tocando a mão.

- Amo você, Colby.

Ela não o ouvia dizer isso em anos.

- Eu também o quero, Paul. - Murmurou, lamentando-se por ele.

Colby voltou para celeiro e encontrou Nicolas apoiando a Julho, contra a parede.

- Você está bem?

Nicolas se voltou para fitá-la e seu olhar deslizou sobre ela fazendo com que tivesse que lutar para evitar estremecer.

- Sim, é obvio, Julho é minha família e está sob meu amparo. Ordinariamente não tomamos o sangue de nossos companheiros humanos. Ele foi generoso ao se oferecer, quando a necessidade era grande.

- Nicolas, Rafael conhecia vampiro. E o vampiro o chamou por seu nome. Senti a tristeza de Rafael, mais que tristeza enquanto lutava.

Pela primeira vez Nicolas a avaliou com algo mais que sua fria expressão. Havia uma fraca expressão que lembrava os olhos de Rafael, como se ele lutasse para entender seu mundo, ganhasse um maior grau de aceitação por sua parte.

- Nós o conhecemos quando eramos jovens, lá nas Montanhas dos Cárpatos. - Nicolas se sentou junto a Julho, o primeiro gesto realmente humano que ela o tinha visto fazer. Era estranho... Não podia deixar de pensar em Rafael como humano, mas nunca pensava em Nicolas em termos humanos. Observou como ele tomava a mão de Julho e comprovava sua pulsação.

- Estou bem, Dom Nicolas. – Protestou, Julho.

- Deve beber muita água e dormir.

- Tenho trabalho a fazer. – Protestou, Julho. - Devo vigiar o menino.

- Juan pode vigiar o rapaz. – Disse, Nicolas. – Vá para a cama.

- Não se preocupe, Julho. – Concordou, Colby. - Eu posso vigiar Paul. Sei que pode ser perigoso, mas serei cuidadosa.

- Deve fazer o que Juan te diz. – Instruiu, Julho.

Juan entrou no celeiro enquanto Julho falava e imediatamente ajudou seu irmão a se levantar.

- Levarei-o para casa.

- A quarto de hóspedes é o quarto do meio. – Disse, Colby. Queria aprender mais. Precisava aprender mais e de algum modo à presença de Nicolas ajudava a liviar a dor que a afligia. Ela observou os irmãos Cheves sair do celeiro. - São bons homens.

- Eles são. - Disse Nicolas. - Posso ler seus pensamentos e sei que a honra e a integridade vivem nesses homens.

- Conte-me sobre o vampiro. Quem é?

- Quem era seria uma pergunta melhor. A primeira coisa que se aprende como caçador é separar o homem que conhecia e amava como amigo, do monstro que luta com toda intenção de te matar. Kirja é um homem semelhante. Seus irmãos e os meus eram os melhores amigos. É incomum em nossa sociedade ter irmãos tão próximos, mas nossas duas famílias possuiam. Nossos pais eram amigos e crescemos juntos. – Ele soltou um suave suspiro. - Eramos muito competitivos, um pouco rudes e muito desafiantes ante as regras de nossa sociedade, então permanecemos juntos. Kirja e Rafael eram particularmente bons amigos. Estavam sempre se metendo em confusões e sempre competindo para ver quem podia fazer algo primeiro. Foram bons tempos, embora minhas lembranças desvanecem. Rafael e Riordan mantiveram essas lembranças vivas para o resto de nós. - Nicolas deixou cair à cabeça entre as mãos, esfregando-as têmporas.

- Nicolas. - A voz de Rafael uma vez mais roçou suas mentes compartilhadas.- Está se debilitando. Deve descansar.

- ela sonha tão fraco e tão longe de nós. - O coração de Colby palpitou com alarme.

Nicolas elevou a cabeça, recostando-a contra a parede. – Ele não está descansando apropiadamente. - Terei que ordenar você dormir, Rafael? Por que persiste em dormir tão ligeiramente quando sabe que está mortalemente ferido? - A mordacidade estava de volta na voz de Nicolas, fazendo uma careta para Colby.

- Aqueles a quem amo estão vulneráveis sobre terra e quero ouvir se tiverem precisando de mim. Começando por ver por que minha companheira é relutante a comprometer sua vida com a minha. É uma forma de inferno ficar indefeso sob a terra quando aqueles aos quais ama estão em perigo. - A voz de Rafael era um fio, mas ele estava tranqüilo, quase em paz.

- Vá descansar, Rafael ou farei a única coisa que me pediu que não fizesse e romperei a promessa que te fiz.

Colby estudou as linhas tão profundamente esculpidas na face de Nicolas. Via-o através dos olhos de Rafael e agora sabia que essas linhas eram distintivos de um homem preso pela honra, um homem marcado por seu destino mas decidido a continuar, para proteger às pessoas que amava, somente na lembrança.

- Você alivia sua carga, querida. Somente por isso sempre te amarei.

Colby fechou os olhos e saboreou sua voz, a carícia em sua mente que se deslizava através de seu corpo e se enredeva em volta de seu coração. Desejava lhe tocar. Assegurar-se de que estava completamente bem. Mesmo agora, mesmo com seus terríveis ferimentos, ele estava acariciando sua mente e seu corpo, estendendo-se para consolá-la, estendendo-se para seu irmão.

Piscou para conter as lágrimas. Estava começando a se apaixonar por ele. Não sabia como havia acontecido! Ele não era o tipo de homem no qual nunca se permitiu fixar-se.

- Sou o único homem para você.

- É muito dominante. Você gosta que suas mulheres digam sim a tudo o que dita.

- Só quando se trata de sexo. E quando tenho razão.

O fôlego de Nicolas saiu num lento suspiro.

- Funda sua mente completamente com a dele. - Foi mais que uma ordem, um desafio.

Sem se dar tempo para pensarlo atentamente e voltar atrás, Colby fundiu sua mente completamente com a de Rafael. Instantaneamente esteve flutuando em dor, uma dor dilaceradora que lhe arranhava as vísceras, a pele e a mente. Viu mais que isso. Viu as lembranças de sua infância, de um pequeno moço correndo com um amigo pelas colinas, tentando mudar de forma e caindo dos ramos das árvores, gargalhando juntos. Sentiu a terrível carga de saber que teria que matar esse amigo, arrancar seu coração do peito, com a lembrança desse sorriso juvenil e séculos de parentesco pesando sobre ela.

Com um pequeno grito, arrancou-se da mente de Rafael, cambaleando para trás, estendendo a mão atrás dela em busca de apoio. Nicolas estava lá, embora ela não o vira se mover, e acudiu-a num monte de feno.

- Colby! - O grito de Rafael ecoou ao dele.

- Não fazia idéia de que você sofria tal dor. Vvá dormir de uma vez, Rafael. - Como podia alguém sobreviver a semelhante ferimento? Ela pressionou a mão sobre o coração. O vampiro tentara arrancar o órgão através das costas de Rafael, utilizando as mandíbulas fortes da serpente e seus dentes afiados.

- Não deveria ter ditoo que fizesse isso. – Disse, Nicolas. - Arrependo-me de poucas coisas, mas isso não foi digno de mim. Meu irmão tomará represálias.

- O que significa isso?

Um débil sorriso tocou os lábios de Nicolas, depois desapareceu.

- Me repreenderá severamente e isso não será adequado para seus ouvidos. – Ela deixou-se cair junto a ela. - Na verdade, não havia pensado nas Montanhas dos Cárpatos em anos. América do Sul se converteu em nosso lar. Nem sequer me lembro da aparência do atual príncipe de nossa gente. Era jovem quando nos enviaram fora, para caçar aos vampiros.

- Enviaram Kirja fora também?

Nicolas assentiu.

- Vlad Dubrinsky era príncipe nesse momento. Era um grande governante e todos nós o admirávamos. Enviou-nos, os cinco para a América do Sul e aos cinco da família Malinov a Ásia.

- Cinco?

Nicolas assentiu, em confirmação.

- Os cincos se converteram em vampiros? - Perguntou Colby. Por que os irmãos Da Cruz resistiram tantos séculos contra o sussurro do poder escuro, mas os irmãos Malinov sucumbiram?

- Pensava que haviam morrido a muito. Não ouço nada deles há séculos. A maior parte dos caçadores ouvem rumores dos quais se converteram em vamiro e a família Malinov nunca foi mencionada. Meus irmãos e eu estivemos tão separados de nossa gente que não pareceu incomum. O Brasil, nosso rancho e o bosque pluvial se converteram em nosso mundo.

- E nenhum de vocês tem esposa?

- Companheira. - Corrigiu ele. - Temos companheiras e devemos encontrá-las. Você é a companheira de Rafael. Meu irmão menor, Riordan, encontrou sua companheira no bosque pluvial, o que surpreendeu a todos, mas nos deu uma pequena esperança para continuar.

- Como sabem com segurança? Eu não estou segura. Sinto-me atraída por Rafael... De fato, estou obcecada com ele e isso me assusta. Não estou acostumada a responder aos homens dessa maneira.

- Não é uma obsessão, embora haja ouvido que é assim como se sente. Quando toco sua mente, sinto a confusão e o medo. Somos todas as coisas que acredita que somos... PMderosos, perigosos e capazes de grande destruição... mas não de fazer mal a nossas companheiras.

- Somente de controlá-las?

- Não está acostumada a ser total com um homem.

- Não sou total. Não é meu caráter. Como é possível sermos compatíveis? É possível que haja um engano?

- Não pode haver engano. Você restaurou as cores para ele e através dele, para mim. Não pude ver em cores durante anos. Deu-lhe emoções e através dele, deu-me isso . Posso sentir o que ele sente por você, o tremendo amor em seu coração e sua necessidade de te proteger e velar por você. Desejo sentir essas emoções por mim mesmo.

- Como é possível que eu seja sua... - Pensou e depois provou a palavra- Companheira, quando nasci humana?

- Só sei que as mulheres que são psíquicas podem ser convertidas com êxito nos Cárpatos e essas mulheres podem também ser companheira de nossos homens. Ainda não conheci à companheira de Riordan, mas o que me conta que é descendente da raça do jaguar.

Colby sorriu.

- Meu irmão diz que posso ser uma tigresa, mas seu qie não existe nenhum jaguar dentro de mim. Não podia saltar muito alto quando praticava esportes no instituto.

- Nós também tivemos que aprender toda classe de coisas - Nicolas cruzou os braços sobre seu peito. - Primeiro tivemos que aprender a mudar de forma. Não foi nem remotamente tão fácil como pensamos que seria.

- Isso deve ser genial. – Admitiu, Colby. - Eu gosto da idéia de voar. Estava acostumada a desejar poder voar. Acredite-me, quando se fica sobre um cavalo oito horas, sente-se velha.

- Lembro-me a primeira vez que Rafael tentou converter-se em lobo. Era a primeira coisa que tentava e em que não tinha êxito. Parte dele estava coberta da pelagem e parte tinha pernas onde não deveria. Estavamos todos lá, por sorte. Todos estávamos acostumados a andar juntos, os irmãos Da Cruz e os irmãos Malinov. Todos rolávamos pelo chão, rodando como idiotas, mas então Ruslen, o mais velho dos Malinov, começou a rir e assinalar. Meu irmão Zacarias, foi trás de Ruslan por se divertir nas costas de Rafael. Terminamos todos numa enorme rixa. Enquanto isso, todo o tempo, Rafael estava ainda preso entre homem e fera.

Coly não pôde evitar sorrir enquanto Nicolas lhe relatava a história. Ele proporcionava vívidas imagens do incidente para ela. Rafael parecia tão jovem e inseguro, absolutamente diferente do homem dominador ao qual estava presa.

- E você? Qual foi a primeira coisa em que tentou se converter?

Fez-se um pequeno silêncio. A máscara voltou a deslizar sobre a face de Nicolas. Ele encolheu os ombros descuidadamente, mas ela não acreditou que fosse um gesto descuidado.

- Não me lembro.

- Mas se lembra da primeira vez de Rafael, muito vividamente. - Inclusive as cores das árvores, as folhas individuais, os aromas e os sons. Ouvia o zumbido dos insetos na mente dele.

Nicolas ficou em pé.

- Era a lembrança de Rafael, não a minha. Você lhe devolveu essas coisas e ele que as compartilha comigo.

Colby estudou seus lábios. Havia um traço cruel neles.

- Está muito perto de se converter num desses monstros, não é? - Perguntou. Seu coração se lamentava por ele. Lamentava-se por Rafael.

- Sim. Sem as lembranças que meu irmão compartilha comigo, perderia esta batalha.

- E ainda assim veio em sua ajuda, apesar de saber que lutar contra o vampiro o colocaria um passo mais perto. E tomou o sangue do vampiro de Paul, quando isso poderia ter feito ultrapassar o limite. Por que o fez, Nicolas? Eu nem fui agradável contigo.

- É família. É uma companheira Cárpato e deve ser protegida por todos os Cárpatos. E eu amo meu irmão. Já não posso sentir nada desse amor, mas sei que está aí, profundamente enterrado e não permitirei que te aconteça nada.

- Nunca esquecerei o risco que correu por nosso bem, Nicolas e se isto se torna muito difícil e você precisa ver cores e sentir emoções, não me importa muito compartilhar nossas mentes.

Fez-se um pequeno silêncio.

- Não é pouca coisa o que oferece, cunhada. - Disse ele, brandamente. - Os homens dos Cárpatos não compartilham com outros, sequer com os parentes. Meus irmãos e eu somos incomuns porque não tivemos outra escolha que permanecer juntos para vencer a chamada da fera. Sei que teme o poder de Rafael sobre você e ainda não comprometeste sua vida com a dele. Por que me oferece isto?

Era complicado. Não sabia se era por lhe ver empurrar o sangue venenoso através de seus poros depois de tomá-lo de Paul ou lhe observar dar sangue a seu irmão, sentia um grande conflito. Estava segura de que não ia se comprometer a viver uma vida de viver clandestinamente e chupar sangue de seres humanos vivos... A idéia a fazia estremecer... Mas não podia lhe deixar tão absolutamente só, muito mais do que podia deixar de pensar em Rafael.

- Estpa conversando comigo, porque sabe que eu não seria capaz de resistir esta noite sem ele, não é?

- Sim..

- Aí tem sua resposta, Nicolas. Possivelmente sinto a necessidade de te proteger por ele, de igual modo que você sente por mim.

Houve um momento de silêncio. Depois ele falou novamente.

- Tenho um vampiro a capturar.

- Como pode lhe encontrar?

- Agora que sei quem é, será fácil lhe rastrear. Conheço seus costumes. Passaram centenas de anos, mas certamente tem padrões, todos nós os temos e manterá alguns deles.

- Rafael quer que você o espere. - Havia sentido a preocupação de Rafael e não tinha sido somente porque tivesse medo de que Nicolas levasse a cabo outra morte e isso o aproximasse mais a sucumbir ao insidioso sussurro de poder.

- Não posso lhe dar oportunidade de atacar voc~e. Ele estará preso na terra durante as horas diurnas, muito mais de que estarei eu, mas ele pode utilizar suas marionetes humanas para tentar te matar.

- Quer dizer Paul.

- Estou sugerindo que pode ter mais de uma. Este vampiro é antigo e ardiloso. É um lutador hábil e conhece todos os truques. Um professor vampiro não tem orgulho que guardam a diferença de um principiante ou de um vampiro ligeiramente experiente. Está disposto a fugir, a sacrificar peões para poder viver e o chamamos professor, porque é hábil na batalha e na magia de nossa raça.

- Por que gostaria de viver uma existência tão terrível?

- A dor e o terror que provoca o sofrimento dos outros, o matar, dá-lhe um grau bastante alto. Como uma droga humana. É aditivo. Ele vive para esse único momento.

- Como mato um vampiro? – Ela estava tentando retê-lo. Quase estava amanhecendo. Surpreendentemente, ela não estava cansada. Teria muito tempo, antes que o sol estivesse muito alto, para fazer as tarefas matutinas.

- Você não fará isso. - A voz dele foi muito severa.

- Suas mulheres lutam com o vampiro?

- Em qualquer espécie sempre há exceções, mas nossas mulheres sustentam a luz para nossa escuridão. Lutam para defender suas vidas e a vida de nossa gente, mas elas não caçam. Temos poucas mulheres e nossos caçadores são solitários. Se dividirmos nossa atenção para manter uma mulher a salvo, é um risco adicional para nós mesmos.

- Pude sentir a resolução de Rafael. Estava disposto a morrer para me manter viva, para manter Paul vivo. Sabia que se lutasse contra o vampiro podia sair derrotado.

- Kirja é um lutador muito poderoso. Tinha reputação como caçador. Cresceu em força após. Seu sangue era diferente e eu gostaria de muito saber por que. Algo não encaixa aqui, Colby.

- Ainda quero saber como matar um deles. Sentiria-me melhor se soubesse que posso fazere.

- Não com um rifle. Juan e Julho poderiam ter lhe atrasado, disparando em seu coração, mas isso não o mataria. O coração tem que ser completamente arrancado e incinerado ou encontrará a forma de voltar para seu perveso anfitrião. Depois o corpo é incinerado para que não fique esperança de regeneração. O sangue do vampiro queima como ácido Colby e este pode dar ordens com sua voz, igual Rafael e eu podemos. Deixe-lhe em paz.

- Rafael usou sua voz para me seduzir? - Olhou-o diretamente nos olhos, precisando de uma resposta honesta.

- Não sei o que Rafael decidiu fazer para uni-la ele, mas se eu tivesse uma companheira Colby, utilizaria minha voz, meu olhar e qualquer outra coisa que tivesse a minha disposição, para fazê-la minha. Não correria riscos. Minha mulher fará o que supõe que se tem que fazer.

- Espero que sua mulher seja uma amazona. - Murmurou ela por baixo. Podia notar que lhe tinha retido tanto como era capaz. Nicolas saiu ao frio da noite e ela o seguiu. - Já sinto a necessidade de tocar Rafael outravez. - Confessou, esfregando as mãos sobre os braços. - Vai ser assim o tempo todo?

Odiava a debilidade e lamentar-se por Rafel como se ele estivesse morto só por que não estava tocando sua mente era uma terrível fraqueza.

- Sim. Eu te ajudarei durante as noites, mas fique perto de Julho e Juan durante o dia. Eles a ajudarão como seja possível. Lembre-se de tudo o que te disse. Você deve sobreviver.

- Não descida nenhuma outra coisa. – Colby assegurou-lhe.

Colby observou com surpresa como Nicolas simplesmente se dissolvia. A princípio sua forma humana reluziu, tornando-se transparente, podia ver através dele. Diminutas gotas de névoa se formaram e logo ele não foi nada mais que vapor, flutuando longe dela, para as colinas. Piscou várias vezes, tentando fazer com que sua mente aceitasse o que acabava de ver.

No momento em que Nicolas foi embora, deixou escapar um suspiro de alívio. Não tinha notado quão tensa estava. Precisava ficar sozinha, se ocupar de tarefas familiares que poderia fazê-la sentir normal novamente, embora fosse somente por alguns momentos.

Colby foi para o estábulo provisório, surpreendida de todo o trabalho que os irmãos Cheves realizam enquanto ela dormia essa tarde. Sean Everett devia ter enviado materiais e homens adicionais para levantar um refúgio, tão rapidamente. Suspirou, desta vez por causa de seu orgulho. Este parecia ter desaparecido diretamente pela janela. Já nem sequer sabia o que estava acontecendo em seu rancho.

Ela passou o seguinte par de horas atendendo os cavalos e tratando suas queimaduras. A maior parte das queimaduras estavam quase curadas e eles já pareciam outra vez estáveis, um lucro incrível quando haviam estado tão traumatizados. Foi consciente de ouvir um ligeiro ruído, a porta da cozinha se abrindo e fechando. Viu o cachorro subindo a costa as carreiras e respirou fundo. O dia já estava começando. Juan e Julho se levantariam logo, apesar de sua necessidade de dormir. E em umas poucas horas ela teria que ir para a cama e deixar Paul e Ginny em suas mãos.

Esfregou-se a mão sobre os olhos. Rafael não tinha direito a trazê-la parcialmente a seu mundo, quando ela possuia semelhantes responsabilidades. Agora estava presa entre dois mundos e sem nenhum caminho claro para deixar nenhum dos dois e não sabia o que fazer a respeito.

Colocou feno para os cavalos e encheu as cubas de água fresca. O refúgio construído para mantê-los longe do calor era sólido e quando o sol ficasse alto no céu, protegeria sua pele. Tudo enquanto pensava em Rafael. Seu corpo o desejava e sua mente se negava a pensar em nada mais. Colby não tinha nenhuma possibilidade de resolver problemas quando tudo no que podia pensar era em que desejava tocar Rafael, vê-lo e saber que estava vivo e bem. Estava desgostosa consigo mesmo, mas isso não evitava as lágrimas que corriam por seu rosto ou a terrível dor que fluía inesperadamente e com freqüência sacudia seu interior. Trabalhou firmemente, tentando fazer tarefas normais, para sentir-se novamente normal. Foi o único que lhe ocorreu fazer.

Acabava de terminar e ia para o campo de feno, quando ouviu novamente a porta da cozinha. Desta vez os passos firmes de Paul puderam ser ouvidos, enquanto ele cruzava o pátio para ela.

Colby se sacudiu do súbito medo. Precisava de algumas a sós sem se preocupar se seu irmão ia ou não se converter em um mosntruo, ante seus olhos. Não queria lhe vigiar a cada minuto. Virou-se para lhe saudar com um sorriso decidido, agradecendo sua aguda audição.

- Voce esteve chorando. - Disse ele, imediatamente.

- Sinto lástima de mim mesma, nada mais. – Explicou, ela. - E você? Deveria estar na cama. Não pode dormir? Não está ferido, está? - Colby jogou o cabelo para trás. Paul parecia bem, mas a deixava nervosa saber que o vampiro ainda podia utilizá-lo. Era difícil esquecer a lembrança de sua jovem face retorcida de ódio, enquanto a atirava entre o rebanho de gado em disparada. O que dizer a um menino que fora mordido por um vampiro e que havia tentado matar sua própria irmã? Como lhe consolaria? Estava nadando em águas profundas.

- Estou bem, mas tive muitos pesadelos. Não quero dormir, mesmo apesar de estar exausto. – Ele lhe ofereceu uma parte de pael. - Ginny já saiu para passear esta manhã. Levou King com ela. Diz que regará o jardim e fará o café da manhã quando voltar. É difícil pensar em coisas tão mundanas como o café da manhã e as tarefas.

- Vi King sair e pensei que ela o havia soltado e voltado para a cama. Gosta de recolher frutas para o café da manhã, mas eu não gosto que ela se afaste tanto, com tudo o que está acontecendo.

- Poderia ir atrás dela. - Ofereceu-se, Paul. - Tampouco eu gosto.

Colby não queria perder Paul de vista.

- Vamos deixá-la dar um curto passeio e se não voltar em meia hora, passearemos casualmente atrás dela para que não acha que algo está errado.

- E o vampiro? - Perguntou ele, ansiosamente.

- Não pode ficar em pé a esta hora do dia. A luz da manhã é muito para ele. Deveríamos estar totalmente a salvo. - E Paul estava com ela, então ele não podia ser usado, sem que ela soubesse. O sol não tinha saído mas sua pele já o sentia. Ela esfregou os braços. Havia um constrangimento entre eles que nunca existira antes.

Paul acariciou vários dos cavalos enquanto estes se removiam intranquilamente.

- Ajudei a levantar este refúgio ontem com os homens de Sean e Juan e Julho. - Havia orgulho em sua voz.

- É magnífico. - Não mencionou o dinheiro. Paul precisava sentir-se bem por alguma coisa.

- Como vai aos cavalos?

- Parecem se recuperar rapidamente. Eu gosto de ver Juan e Julho trabalhando com eles, sussurrando para eles, como papai era acostumado a fazer. - Colby intercambiou um sorriso com seu irmão. - Eu adoro vê-los fazer isso.

- Eu também. – Admitiu, ele. - Voltaram para rancho Everett para dormir?

- Não, estão os dois em casa. Coloquei Juan no quarto de Papai e a Julho no de hóspedes. – Colby sorriu para ele.

- Não posso acreditar que os cavalos estejam tão bem já. Como eles fazem isso?

- Acredito que foi Rafael. - Disse Colby. - Cada vez que ele os visita, melhoram. Acredito que ele usa algum tipo de técnica curativa com eles.

Um silêncio caiu sobre eles. Paul pressionou a mão contra a garganta.

- Ainda posso lhe sentir, Colby.

- Eus ei, Paul. Estou tentando averiguar com o que estamos lidando aqui. Não podemos ir precisamente a Ben e lhe contar que há um vampiro aqui... Ele nos internaria num hospital psiquiátrico.

Paul tentou um sorriso.

- Ele esteve tentando fazer isso durante anos. Não seria nada novo.

Colby virou a cabeça, pois um movimento atraiu sua atenção na costa, justo sobre seu rancho. Ardiam-lhe os olhos e isso que ainda era cedo da manhã. O sol não estava alto, mas podia sentir a luz preparada para apunhalá-la. Semicerrou os olhos.

- O que é, Paul? Um animal arrastando-se?

Paul deu meia volta, seus olhos rastreando a costa. Imediatamente ficou rígido.

- É King, Colby. E está ferido. – Ele começou a correr, cruzando velozmente o pátio, para o cão ferido.

 

O cão engatinhava para eles, arrastando seu corpo pelo chão. Quando King os viu aproximar-se, deixou-se cair entre o pó e gemeu, seus olhos escuros os olharam com confiança.

Paul se ajoelhou junto a ele e passou as mãos gentilmente por sua pelagem.

- Não tem nenhuma ferida que possa encontrar.

Um calafrio desceu pela espinha dorsal de Colby, que se baixou para olhar o animal nos olhos.

- Está drogado, Paul.

Fez-se um pequeno silêncio. Paul sacudiu a cabeça inflexivelmente.

- Não fui eu. Juro. Despertei lembrando-me de tudo esta manhã, Colby. Não recordo as coisas que Nicolas me mostrou que fiz enquanto eliminava o sangue do vampiro, mas perdi poucos lapsos de tempo. Não fui eu desta vez. Eu não droguei o cão.

Colby colocou uma mão sobre seu ombro.

- Agora isso não tem importância, Paul. O importante é que King estava com Ginny. Leve King para casa e o deixe sobre a cama de Ginny e acorde seus tios. Diga-lhes que selem um par de cavalos e nos siga, volte rápido aqui. Não esperarei muito.

Paul recolheu o cão e correu para a casa. Colby conteve o medo. Provavelmente Ginny estava recolhendo frutas perto do lago. Ignorando seus sentidos intensificados e o alarme que a percorria, Colby tirou os arreios, apressando-se a colocar a brida na égua. Sem se incomodar em selar, montou-a. Paul já estava esperando por ela. Juan estava em pé atrás dele, com a camisa desabotoada e a preocupação estampada na face.

- O que aconteceu? Onde está a menina?

- Vou procurá-la agora. - Colby estendeu a mão para baixo e Paul tomou, montando atrás dela. - Drogaram o cachorro e eu estou realmente preocupado. Procure Julho e tragam os rifles. Posso pecisar de toda a ajuda que puder conseguir. - Sem esperar nem um momento mais, ela cravou os pés nos flancos do animal, dando a volta e urgindo-o a uma carreira mortal, para o riacho.

Enquanto coroavam a ascensão, Colby diminuiu a marcha, esquadrinhando a região. Não havia sinais de vida. Tudo estava tranqüilo, muito demais. Seu coração batia forta contra suas costelas. O medo a estrangulou. Ginny não. Não podia permitir que nenhum mal sobreviesse aao Ginny. Se algo lhe acontecesse, Colby não sabia o que faria. Lutando para conter um soluço, atirou as rédeas, empurrando Paul virtualmente fora do cavalo.

- Busque algum rastro. Se vir algo, grite mas fica a coberto. Entende, Paul? Fica a coberto. Se me acontecer alguma coisa, vá ver Ben. Não confie em ninguém mais.

- Mas... Colby? - Com a face branca, ele levantou o olhar para ela. - Eu não pude fazer isto. Não lhe fiz mal, fiz?

- Não foi você. – Disse, ela. - Está muito mais em perigo que Ginny. Tome cuidado, Paul e não confie em ninguém. Desejaria saber o que está acontecendo.

- E se lhe acontecer algo horrível? Não acredito... - interrompeu-se. Não podia enfrentar o vampiro novamente. Nem por Colby e nem por Ginny. Por nada.

- Faça o que te digo. – Ela esporeou novamente à égua, cavalgando pelo prado até a longínqua ladeira, onde começou a procurar algum rastro.

- Meu amor, por que tem tanto medo? Seu terror me despertou do mais profundo dos sonos. - A voz de Rafael foi uma carícia consoladora em sua mente. Quase se rompeu em pedaços no momento em que ele tocou sua mente. Realmente sentiu sua mão lhe acariciar a face e notou que estava chorando.

- É Ginny. Drogaram o cachorro e ela saiu sozinha a dar um passeio. Deveria ser seguro. O vampiro está preso na terra, não é? – Precisava que ele a tranqüilizasse.

- Está, mas pode usar marionetes humanas. Onde está Paul? – Perguntou ele, cautelosamente, sabendo como ela reagiria.

- Não foi Paul. Se tivesse sido ele, não estaria tão preocupada... Sei que ele lutaria contra isso. Mas posso sentir que algo está errado, Rafael.

- Irei a você.

- Não! O olhar de Colby estava preso ao chão, procurando rastros. – Você está gravemente ferido e não posso me ocupar de nada mais agora. Fique onde está e me deixe encontrá-la.

- Estou indo para você e a pequena. - Seu tom era implacável.

Paul comprovou primeiro a pradaria. Se Ginny tivesse chegado tão longe estaria sedenta. A primeira coisa que faziam sempre que saíam para passear era ir ao lago para beber um gole de água. Não tinha marcas das pequenas botas de Ginny no chão úmido, mas o coração dele quase parou quando viu a clara marca da bota de um homem. Botas duas vezes maiores que seu próprio pé, Paul sabia que nem ele nem Colby haviam deixado esse rastro. Poderia ser de um de seus tios, mas ambos calçavam uma bota inconfundível com uma sola diferente e nenhum tinha o pé tão grande. Alarmado, ele esquadrinhou o chão em busca de algo que lhe desse uma pista de que caminho o homem havia tomado.

Depois de alguns minutos de explorar ao redor encontrou um rastro débil. Não muito, um rastro parcial, uma folha retorcida, um galho pisado e encontrou a bituca de um cigarro. De repente caiu de joelhos junto aos rastros do chão e um grito de alarme lhe escapou. Suas mãos se estenderam para tocar a pequena pegada. Era definitivamente o rastro de Ginny. Reconheceria-o em qualquer lugar. A bota maior a cobria. Durante alguns minutos a indecisão lutou nele... Queria gritar chamando Colby, mas temia que quem havia pegado Ginny ouvisse e lhe fizesse mal. O rastro era fresco. Começou a seguí-los, mantendo-se baixo, a coberto, cuidando em não perturbar o chão e encher o ar de pó. Esperava que seus tios ou Colby viessem logo atrás dele.

Rafael explodiu atravessando a terra. Soltou um grito gutural quando os raios do sol raiaram sua pele como facas. Mudou de forma imediatamente para proteger seus olhos sensíveis e o corpo do ardente sol. O retorcer de músculos e ossos abriu suas feridas fazendo com que gotas de sangue salpicassem o céu e caíssem sobre a terra Escolheu a forma de vapor para não ter que continuar protegendo seus olhos. Manter estava forma em seu fraco estado era precário e lhe deixava com pouca energia para proporcionar uma cobertura de nuvens. Nicolas tinha encontrado a terra curadora profundamente no interior das montanhas, muito longe do rancho e colocara Rafael na terra ali, com a esperança de que os ricos minerais o curariam mais rápido. Era uma terra perfeitamente curativa, mas isso significava viajar uma grande distancia com seu corpo já drenado das forças. Utilizando sua tremenda força de vontade, Rafael jogou de um lado a dor e atravessou o céu para Colby, deixando atrás um rastro de neblina vermelha.

Colby desmontou, soltando as rédeas para que a égua não se movesse muito enquanto ela estudava o chão com um olhar assombrado. Algo estava errado, mas ela não podia decidir que era. Percorreu com a mão a terra seca, como se ela fosse dar uma pista. Abrigou-se a tranqüilizadoras respiradas. A histeria não a ajudaria neste momento. Tinha acreditado que Ginny estaria brincando em alguma parte, completamente ignorante de sua preocupação. Examinou a terra cuidadosamente, franzindo o cenho ao descobrir um espaço num diminuto arbusto. Tocou-o.

À altura de Ginny. Ela o teria roçado ao passar correndo. Mas onde estava o rastro? Uma folha rota a alguns pés a convenceu de que Ginny tinha vindo por este caminho. Sacudiu a cabeça. Isto era uma loucura, teria que ter mais. Onde estava o rastro? Era muito elusivo, como se Ginny tivesse flutuado e só tocado ligeiramente os pontos escuros, como um pequeno fantasma. Ela estremeceu, sossegando sua imaginação e o terror que ameaçava consumi-la de um momento para o outro.

- Estou a caminho. Não vejo por que cresce seu temor quando vê que ela passou por esse caminho. - Rafael era uma rocha tranqüila e estável. Colby apoiou-se em sua força como se fosse uma âncora.

- Os rastros não são assim, Rafael. Teria que ver as pisadas de suas botas no pó e mais adiante, uma rocha chutada. Haveria sinais mais óbvios de seu passo. – Ela tentou lhe convencer do que queria dizer, mostrando-lhe suas lembranças de rastrear animais.

- Onde estão Juan e Julho? Todos deveriam estar armados e deveriam permanecer juntos. - Sua voz não tinha mudado, mas ela sentia sua intranqüilidade.

- Estão a caminho. - Esperava que fosse certo.

- Colby! - Era um grito, uma súplica, dum garotinho procurando a tranqüilidade de um adulto. Não ouvia Paul utilizar essa voz desde que tinha seis anos. Saltou sobre seus pés e se voltou para onde estava Paul. O menino cambaleava para ela, seu rosto era uma máscara pálida e retorcida de angústia. Caiu sobre um joelho, enterrando a face entre as mãos

A mente de Colby ficou misericordiosamente em branco, enquanto cobria a distância entre eles, lançando-se junto a ele, atraindo o corpo pesado e trêmulo contra o seu, protetoramente.

- Me conte, Paul. - Incrivelmente gentil, sua voz escondia autoridade.

Sentiu Rafael ficar imóvel, sentiu seus braços rodeando-a para lhe proporcionando sua força.

- Os rastros, o dela e o dele. Segui-os. Há... Há um... Uma... – Paul se interrompeu, soluçando rudemente, as lágrimas banhavam seu rosto e ele o enterrou nas mãos, negando-se a fitá-la.

Colby lhe segurou os ombros, lhe sacudindo com força.

- Conte-me! - O medo a estava estrangulando, lhe tornando impossível respirar. - Paul! Pelo amor de Deus, encontrou Ginny?

Paul levantou a face, olhando-a com olhos arregalados. Colby conteve o fôlego. Rafael conteve o fôlego.

- Paul. - Colby lhe tocou as lágrimas na face. - O que aconteceu?

- Uma tumba! – Gritou, Paul. - Encontrei uma tumba.

fFz-se um súbito silêncio. Surpreendida, Colby ficou completamente imóvel durante um minuto, o pulsar de seu coração golpeava em seus ouvidos e um grito foi arrancado de seu coração.

- Não acredito. - Disse, empurrando-o e levantou-se cambaleante.

- Espere por mim.

Rafael redobrou seus esforços para se apressar, apesar de seus ferimentos. Ela estava quase histérica. Deveria ter tomado o sangue dos irmãos para poder saber onde estavam em qualquer momento. A idéia da pequena menina, ferida ou possivelmente morta, golpeou seu coração e sua alma.

Colby correu na direção da qual Paul viera. Viu as pisadas de onde um homem pesado havia alcançado Ginny, os arbustos quebrados e maltratados onde ela tinha lutado, pisadas mais profundas do homem enquanto a carregava. Os rastros voltavam para refúgio de um canhão sem saída. Fora, à esquerda entre duas grandes rochas, havia um pequeno montículo de terra fresca empilhada e mais dela pulverizada ao redor, pequenas pedras colocadas cuidadosamente no alto para evitar que os animais desenterrassem alguma coisa.

- Rafael. Rafael. Oh!, Deus, acredito que ela está morta. - Colby correu para frente, gritando uma negativa, jogando as pedras em meio de uma terrível fúria, rasgando a terra com as mãos nuas.

- Não faça isto você mesma. Estou tão perto, meu amor. Deixe-me fazê-lo por ti.

Ela não parou, não pôde parar até que seus dedos tocaram algo sólido. Deixou de respirar, deixou de pensar, sua mente estava quase intumescida. Então tomou consciencia de tudo, das lágrimas em seu rosto, do pó em suas roupas, do tecido entre suas mãos. Relutantemente afastou o resto do pó, para descobrir o saco.

Ficaria doente.

- Não, não ficará. - Sequer tinha ouvido Rafael chegar. Simplesmente ele estava a seu lado, com uma mão sobre seu ombro, seu fôlego quente e tranqüilizador contra a nuca. - Olhe atentamente o saco, Colby.

Ela não podia ver através das lágrimas. Então começou a soluçar ruidosamente, incontrolavelmente, agradecidamente, jubilosamente.

- É um saco de aveia. Não é Ginny. É aveia. – Ela virou-se no refúgio dos braços dele, enterrando a face contra seu peito e chorou de puro alívio.

- Ela está viva. – Disse, Rafael. - Escaneei a região e há algo mau aqui, mas ela está viva. Sinto sua presença.

- Paul não... - Sussurrou ela, segurando-se em sua camisa.

- Paul não, querida. – Confirmou, ele. Suas mãos eram gentis enquanto a ajudava a ficar em pé.

Colby se virou para olhar para Paul. Ele estava a várias jardas de distância, encostado a uma árvore em busca de apoio, com a face enterrada no braço.

- Não é Ginny. – Ela gritou. - Não é ela, Paul. Era um engano. Graças a Deus, era um engano.

Paul levantou a cabeça, olhando-a como se estivesse louca, depois correu para frente com pernas trêmula, tropeçando sobre o terreno acidentado para ver por si mesmo. Abraçaram-se, rindo histéricamente. O alívio era tão grande que eles se sentiram loucos durante alguns momentos.

Colby se controlou primeiro, estendendo a mão em busca de Rafael. Foi então que o notou realmente. Seu rosto estava devastado e sulcado pelas profundas garras das criaturas do vampiro. Sua camisa pendurava-se em tiras e a pele de seu peito estava avermelhada e rasgada. O sangue manchava sua camisa e gotejava de suas feridas. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, mesmo à luz fraca da manhã, um testemunho de sua perda de forças.

Estava em pé alto, ereto, mas tão machucado, que as lágrimas começaram a descerem pela face de Colby.

- Rafael, não deveria ter vindo. – Ele estava tão ferido, sua grande força mais que diminuída, mas ainda assim viera em sua ajuda. Ela mordeu o lábio, desejando tocá-lo, desejando lhe abraçar e aliviar o pior de sua dor. - Nem colocou osóculos escuros.

- E onde estão os teus? - Tomou a mão, seu polegar lhe acariciou a pele, procurando queimaduras ou bolhas.

- Não sei, esqueci-os. Ainda tenho que encontrar Ginny. Deveria saber. Estava diante de mim, mas estava tão assustada. Que estaria tão assustada que acreditaria no óbvio. - Tocou-lhe a face gentilemnte. - Rafael, tem que voltar. Julho e Juan estarão aqui. Agora não estou sozinha. – Ela não pôde se conter e abraçou-o, tomando cuidado com suas feridas. - Obrigado por querer estar aqui por mim.

- Deve descansar, Dom Rafael. - Disse Juan, desmontando. Reparou nos rastros, no buraco aberto e o saco de aveia. Rafael permanecia muito perto de Colby, um gesto puramente protetor. - Encontraram a jovem Ginny?

Paul se lançou nos braços de Juan.

- Eu não fiz isto. Não fiz isto.

Rafael o tranqüilizou com um toque.

- Não, Paul. Você não o fez. Este é o trabalho de uma marionete, um ser muito malvado. Não partirei até que encontre à menina. Ela está em alguma parte nessa direção. - Assinalou para trás, para a região onde Colby estivera procurando rastros. - Juan e Julho procurem terreno elevado e utilizem as miras telescópicas. Possivelmente pareça que estão percorrendo a região em busca de gado.

- Acha que alguém nos está observando. – Disse, Paul. - Não entendo isto. Ginny ainda está desaparecida. Ele deve tê-la.

Rafael assentiu.

- Não acredito que estejam juntos. Ginny lutaria delatando sua posição. Acredito que vocês dois foram atraídos aqui, deliberadamente.

Paul encontrou os olhos avermelhados.

- Acha que querem fazer mal a Colby. O vampiro pode me utilizar para fazer mal a alguma de minhas irmãs?

- Paul. – Objetou, Colby.

Rafael colocou uma mão sobre as pequenas costas dela.

- Durante as horas diurnas o vampiro não pode te dar nenhuma ordem. Pode te programar com antecipação, mas não pode continuar fazendo-o durante o dia. Nicolas te vigia. Não permitirei que nada aconteça a nenhum de voces.

Paul quadrou os ombros.

- O que quer que eu faça? Este homem tem Ginny, temos que recuperá-la.

Colby sacudiu a cabeça firmemente.

- Não, ela fugiu na outra direção. De alguma forma a atraíram aqui, não estou segura, mas a encontraremos por esse caminho. Eliminaram seu rastro e fizeram um trabalho endemoniadamente bom.

- Como? – Perguntou, Paul.

Colby respondeu.

- Tudo o que tiveram que fazer foi esperar por ela no princípio da pradaria e de algum modo a fizeram mudar de direção. Uma vez que esteve fora de vista, apagaram seus rastros nesse lado e qualquer evidência de que tivesse passado por esse caminho. Deixaram rastros que conduziam nesta direção, cobriram-nos com os seus próprios, e esmagaram arbustos para que parecessem que ela havia lutado.

- E utilizaram o saco de aveia para fazer suas pegadas mais profundas sobre o pó, para que pensassemos que carregavam Ginny. - Disse ,Paul.

Ela assentiu.

- Deveria ter me figurado isso nesse momento. Nos teria economizado muita dor.

- Por que, Colby? - Perguntou Paul, cheio de lástima. - Por que o vampiro nos faz isto? De onde vem e o que quer?

Colby olhou para Rafael.

- Essa é uma boa pergunta Paul e não tenho a resposta. Não tem sentido.

Rafael suspirou.

- O vampiro efetivamente destruiu o cérebro do homem. Está apodrecendo-se de dentro. Para ele, o que está fazendo tem perfeito sentido, embora para nós seja elaborado e perverso. Já não pode pensar com claridade. Ele tenta obedecer às ordens de seu professor. Mas provavelmente seu professor não lhe disse que matasse a menina, então ele se concentra em atrair a seu objetivo.

Por mais que quisesse que Rafael estivesse ali, ele cambaleava de cansaço e podia ver as bolhas elevando-se em sua pele. Tocou sua mente, uma sonda tão suave e delicada como pôde. Instantaneamente caiu de joelhos. A dor era tão excecravel que o coração dela gaguejou.

As mãos de Rafael eram gentis quando a levantaram para ele, mas seus olhos eram severos.

- Não volte a fazer isso.

Ela piscou para conter as lágrimas. Lágrimas por não poder encontrar Ginny e porque não podiam evitar a dor de Rafael.

- Paul, preciso de meu rifle. Pegue a égua, volte para a casa e traga minha arma, munição extra e um cantil.

- Encontrará Ginny?

- Absolutamente. Encontrarei Ginny.

Paul pensou.

- Mas o que vai fazer com o rifle?

- Não sei ainda. - Replicou Colby, honestamente. - Mas isto não vai acabar assim. Vá agora.

Ele virou, deu dois passos e se voltou.

- E se voces estão equivocados, Colby? E se ele a tem?

- Não estou equivocada, Paul. – Ela lhe disse. Colby lia rastros a maior parte de sua vida e estava segura de que encontraria a sua irmã.

- Sabe o que somos através de seu vínculo com Nicolas. – Assinalou, Rafael. - Digo-lhe agora, Ginny não está com o servente do vampiro e podemos estar todos agradecidos por isso. Sinto sua presença em uma direção e a dela em outra. Colby tem a esperança de me afastar porque não estou em plena forma, mas não a deixarei até que todo mundo esteja a salvo. Tem minha palavra de honra.

Paul abraçou Colby, Precisando de sua força, extraindo consolo e tranqüilidade dela, como fazia a maior parte de sua vida.

Colby observou Paul sair do canhão e começar a volta para casa do rancho, antes de voltar-se para o Rafael.

- Sou boa atiradora, Rafael. Se não se tratar do vampiro, posso me ocupar disso.

- Eles comem carne humana, Colby. - Disse ele, gesticulando na direção que pensavam que Ginny havia tomado. - Você encontra sua irmã e eu destruirei a malvada criação do vampiro.

- O que vai fazer?

- Vou lhe deixar pensar que está sozinha. Ele irá trás de você. Eu não gosto de te utilizar como isca, mas é a única forma quando estou tão fraco, meu amor.

- Não me importa ser a isca para recuperar Ginny. Está seguro de que Ginny está viva?

Ele respirou fundo, cheirando o ar.

- Está viva, sim. - A enorme forma de Rafael reluziu. - Será mais fácil para mim suportar a luz em forma de névoa. Estarei perto, Colby.

Sabia que ele estaria. Rafael sofria uma dor excecrável, mas ainda assim a acudira quando lhe necessitava.

- Está correndo um terrível risco. - A voz de Nicolas foi áspera em sua mente. - Logo a letargia o afligirá e será incapaz dese mover e sem cubertura, morrerá.

- Não o deixarei morrer. - Não podia fazer com que Rafael mudasse de idéia uma vez que a decisão estava tomada. Mas podia tentar localizar Ginny rapidamente para que todos saíssem do sol.

Colby começou uma lenta e metódica busca no chão. Manteve os olhos pegos ao pó, movendo-se num amplo círculo. Em uma depressão pouco profunda depois das rochas descobriu um rastro parcial com o pé esquerdo desgastado e uma velha pá oxidada. Uma que reconhecia. Ela e Paul a tinham descartado meses atrás depois de que havia se quebrado.

Levou-lhe vinte preciosos minutos para encontrar onde o homem estivera à espera, as duas impressões de seus cotovelos na erva sobre a colina. Tinha vigiado o caminho suficiente tempo para fumar três cigarros. Consciente da posição do sol, examinou cuidadosamente a terra, segura de que a marionete do vampiro dispunha de algum meio de transporte. De novo utilizou um tempo precioso. Tempo que sabia que Rafael não tinha desentranhando o rastro. A umas poucas jardas de seu ponto avantajado descobriu onde ele havia deixado o cavalo.

- Rafael. Vi estes rastros antes. Pertencem ao homem que trabalha para Clinton Daniels... Seu nome é Ernie Carter. Tropecei com ele quando encontrei o corpo de Pete. Seus olhos estavam avermelhados e inchados e o pressenti mau. Ele pode ter matado Pete? - A idéia de que esse homem estivesse perto de Ginny a aterrava.

- É provável.

Colby examinou a erva pisoteada, encontrou onde o cavalo tinha pastado e seus excrementos e soube que Ernie tinha passado ali algum tempo. Pôde ver uma impressão clara onde o pesado saco de aveia tinha descansado contra as rochas. O peso tinha esmagado a erva sob ele. Ela mordeu o lábio lendo a história facilmente, as pernas curtas que se afastavam do cavalo, obviamente curvadas. Ernie tinha permanecido fora de cena e havia voltado para a ladeira, para observar seu trabalho. Encontrou os rastros delatores, a marca distintiva de seu pé onde tinha divisado que ela o rastreava e tinha dado voltas ao redor, os longos passos indicavam que tele havia se deslocado para seu cavalo.

- Está em algum lugar aqui perto. Definitivamente me divisou e poderia estar me espreitando agora. - Durante um momento lhe picaram os ombros, esperando o impacto em qualquer momento.

- Está ao norte de você, em pé agora, movendo-se através dos arbustos. Nem Juan e nem Julho tem uma visão clara dele.

Colby lançou a cabeça para cima, um calafrio pouco familiar a percorria, uma resolução de ferro. O vampiro não só tinha feito mal a ela, havia misturado Paul em algo pelo qual ninguém e muito menos um menino, deveria passar. - Não posso pensar nele, Rafael, tenho que encontrar Ginny. Por favor não deixe que aconteça nada a Paul. prometa-me isso

- Querida, Paul não sofreria dano por parte desta perversa criatura. Já a tenho, e o destruirei. Paul se aproxima com seu rifle.

No momento o coração dela se paralisou. Rafael estava decidido a entrar em batalha e estava mortalmente ferido. Para todos os efeitos deveria estar morto, não correndo a caçar um servente do vampiro. Estendeu a mão em busca do rifle que Paul lançou. O menino deixou cair às rédeas da égua e desmontou, lhe oferecendo uma caixa de munição.

- Ainda não encontrou seu rastro? – Perguntou, ele.

Colby sacudiu a cabeça.

- Este homem é um hábil rastreador. Eliminou seu rasto durante um bom quarto de milha através dos arbustos. Quero que siga o rastro, Paul, mas será perigoso. Terá que fingir que sou eu e será a isca. Eu abrirei passo através dos arbustos para avançar sobre ele. Rafael está lhe perseguindo, mas está gravemente ferido e o sol já está alto. Posso sentir o quanto está cansado e difícil de se locomover.

- E se ela estiver...? - Paul se interrompeu.

Colby sacudiu a cabeça enquanto carregava o rifle.

- Não está, Paul. Rafael diz que está seguro de que está viva. O que tem você? – Colby parou e seu olhar se encontrou com o dele, solidamente. - Pode resistir a algo que o vampiro possa ter programado você a fazer?

- Estou com ele.

- Foi o que disse Nicolas, mas foi suficiente para lhe tranqüilizar.

Paul assentiu.

- Não farei mal a Ginny. Nada poderia me obrigar a lhe fazer mal. – Ele tirou a correia do cantil do pescoço. - E Nicolas Da Cruz está em minha mente. Está acordado, então suponho que estarei bem.

- Tome meu chapéu e minha camisa de manga comprida. Fique entre os arbustos para que ele ache que sou eu. Tem que acreditar. Paul, pode fazer isso?

Paul tomou o chapéu e a camisa, franzindo o cenho.

- Está realmente queimada.

Colby ignorou seu comentário.

- Conto contigo então. – Ela começou a correr, mantendo o corpo baixo, utilizando tanto do terreno disponível para se cobrir como podia, abrindo passo para o norte. Sabia que Ernie abria passo para ela com a esperança de matá-la ou capturá-la. Era bom, mas cometia enganos e um deles era sua contínua necessidade de nicotina. Podia cheirar o charuto ardendo enquanto ele fumava em alguma parte diante dela.

Sem mangas longas para proteger seus braços, os ramos arranhavam sua pele e mesmo com a cobertura das nuvens no alto, podia sentir como formavam as bolhas. Ardiam-lhe os olhos, num rasgo contínuo e ela sabia que Rafael estava sofrendo inclusive mais. Aplanou o corpo entre os arbustos, engatinhando como um animal através dos ramos.

- O que acha que está fazendo?- Havia um som distinto na voz de Rafael, como se ele tivesse despido os dentes.

- Estou te protegendo. Paul está fazendo se passar por mim e é quase tão bom rastreador como eu. Este homem não vai se aproximar de nenhum de voces.

- Proíbo-a.

- Sempre proibindo. - Murmurou ela em voz alta. Ele estava fraco, quase um morto Vico, com seu corpo atormentado, mas também era muito orgulhoso para admitir. Precisava de que ela o ajudasse, soubesse ou não. Engatinhou mais perto de onde estava sua presa se colocou entre as rochas, esperando por ela. Esperando para matá-la. Um calafrio percorreu sua espinha, compreendeu que o objetivo do homem não era somente chegar até ela.

- Colby... - Havia uma nota de advertência na voz de Rafael, uma promessa de represálias.

- Você faça sua parte e me deixe fazer a minha. Assim é como sou, Rafael. Se estiver pensando em se unir a mim ou comigo por qualquer período de tempo, se acostume.

- Assim é como sou, Colby. Coloque-se em perigo em qualquer momento e eu a envolverei numa barreira impenetrável onde nada poderá te tocar. Requererá uma grande quantidade de minha força quando a necessito em outra parte.

Ela murmurou uma imprecação em voz baixa, chamando-o de várias coisas, nenhuma das quais era boa. Este homem era impossível, mesmo estando à beira da morte.

Ela já havia atravessado os arbustos um pouco mais e via a marionete do vampiro. Definitivamente era o mesmo homem que estava com Tony Harris em sua propriedade perto das minas. O estômago lhe deu uma inclinação brusca quando lhe chegou o inesperado pensamento de que ela havia tentado se alimentar do corpo de Pete e que devia ter sido ele quem o matou. Ernie Carter parecia enormemente forte, mas descuidado, suas roupas estavam rotas e enrugadas. Babava incontrolavelmente e tinha um tic nervoso num dos olhos. Observava Paul através de um par de binóculos, mas limpava continuamente os olhos chorosos.

Colby se sentia doente mas tinha que fazê-lo de todos os modos. De algum modo estava relacionada ao homem. Uma vez, ele havia sido como Paul, inocente, até que o vamiro o apanhara.

- Não tão inocente. – Negou, Rafael. - Sua mente e suas lembranças são pútridas. Fica quieta. Ele suspeita de algo. Paul não se move como você e ele nota que algo não está indo bem.

De repente Ernie amaldiçoou em voz alta, atirou o charuto no chão e elevou o rifle até seu ombro, apontando para Paul.

Colby colocou seu rifle em posição, com o dedo no gatilho. Era uma excelente atiradora, mas nunca antes tinha matado a alguem. Com um encolhimento no coração, seus dedos começaram a encolher-se. Sabia que não tinha escolha. O sol a cegou, saindo de trás das nuvens e golpeando seu rosto. Fez tudo o que pôde para não gritar de dor quando milhares de agulhas pareceram atravessar seus olhos. Piscou rapidamente para limpar a visão, desesperada para fazer o disparo antes que o acechador pudesse ferir o Paul.

- Paul! Abaie-se! - Gritou a advertência, sabendo que estava revelando sua posição, mas sem preocupar.

Imediatamente Ernie girou para o som de sua voz e realizou vários disparos. As balas sulcaram o ar, golpeando na terra a seus pés. Colby apertou o gatilho, meio cega pelo sol, mas decidida a proporcionar fogo de cobertura a seu irmão.

Simultaneamente, ela ouviu disparos de rifle, de outras duas armas e soube que Julho e Juan estavam fazendo o mesmo. O servo do vampiro deslizava para trás entre as árvores, arrastando-se pelo pó, para seu cavalo. Colby conseguia vê-lo, mas não podia conseguir uma visão total. Seu coração quase parou quando Rafael se interpôs em sua linha de fogo, de costas para ela. O sangue formava um gigantesco charco em suas costas.

- Não! Não, Rafael. - Ele estava muito fraco. Podia sentir a terrível perda de energia. - Nicolas! Por favor, me diga o que fazer! – Ela gritou pedindo ajuda ao irmão dele com sua mente. Colby ficou em pé e correu, segurando sua arma, decidida a ajudar Rafael. Podia ver o Juan e Julho correndo terreno baixo abaixo, convergindo den duas direções distintas, tentando chegar até ele. Colby golpeou algo sólido e caiu para trás, encontrando-se sentada no chão, uma barreira que a bloqueava. Podia tocá-la, mas não podia vê-la.

Ernie cambaleou ficando em pé, com os olhos avermelhados inchados e quase fechados e investiu para Rafael. Conseguiu lhe rodear com os braços, afundando os dentes no peito do caçador e o punho na ferida de suas costas. Arrancou uma parte de carne sobre o coração de Rafael e o cuspiu.

Colby tentou utilizar o rifle, disparando contra a barreira, com a esperança de fazê-la em pedaços, mas esta permaneceu imóvel. Podia observar com horror como o mutante rasgava Rafael uma segunda vez.

Rafael não se afastou sobressaltado, mas pegou a cabeça do homem entre as mãos e torceu com força. O som do pescoço de Ernie ao se romper, foi ruidoso no ar da manhã. Colby atraiu ar para seus pulmões com alívio, mas para seu horror, Ernie não caiu. Rafael o trouxe para trás. A criatura zumbi se lançou para diante, com a cabeça torcida num ângulo peculiar. Rugiu, arrojando baba enquanto atacava.

O coração de Colby palpitou em seu peito. Seus punhos apegavam o rifle tão forte que suas mãos estavam intumescidas. Nunca havia se sentido tão indefesa em sua vida.

Surpreendentemente, o servo do vampiro era rápido, mas Rafel se afastou para um lado, afundando o punho profundamente no peito do homem. Ficou olhando nos olhos da marionete, com a mão profundamente enterrada em seu peito e então a retirou. O som foi ruidoso no ar imóvel da manhã, um som de sucção que fez Colby adoecer. Rafael ficou ali em pé com o coração de Ernie na mão e o sangue correndo por seu braço. O corpo cambaleou e dobrou sobre si mesmo num movimento lento.

Colby girou a cabeça, longe da visão, com o coração acelerado no peito. Ela não pertencia a um mundo onde os homens arrancavam os corações do peito, mordiam uns aos outros no pescoço e convertiam seres humanos em canibais e marionetes. Sentia-se enjoada e fraca, pressionou uma mão sobre a testa, limpando as gotas de suor.

- Lamento que tenha tido que presenciar semelhante destruição de vida, meu amor.

A voz de Rafael roçou suas terminações nervosas, num toque de veludo sobre sua pele, em sua mente. Seduzindo seus sentidos. Ela sacudiu a cabeça, desejando poder pensar com claridade. Precisava poder pensar com claridade. Parte dela sentia que poderia estar ficando louca.

O brilho de um relâmpago chamou sua atenção. Rafael atraiu do céu a mesma bola de energia laranja que Nicolas tinha manipulado, incinerando o homem que uma vez havia sido um ser humano. Atirou o coração dela ao chão e fez o mesmo com ele, lavando-se também as mãos e braços com a energia.

Deu vários passos para Colby e cambaleou. Ofegando, ela golpeou a barreira com a culatra do rifle.

- Baixe isto agora mesmo! - Seu terceiro golpe não encontrou resistência e ela correu para ele. - Maldito seja! Não volte fazer isso nunca mais. Não elimine minhas escolhas dessa forma. Poderia te disparar eu mesma.

Juan e Julho se aproximavam deles.

- Encontrem Ginny. – Ela gritou e pegou Rafael. - Tome meu sangue agora mesmo. Neste mesmo segundo.

Ele sacudiu a cabeça.

- É muito perigoso, meu amor. Preciso de muito. A fome me corrói. Poderia te fazer mal. Não me arriscarei.

Colby estava tão zangada que a adrenaliza corria por sua corrente sangüínea. Ela tirou a faca do cinturão em seu corpoe cortou a mão.

- Demônios, não me diga que não. - Doía como o demônio e lhe revolvia o estômago fazendo com que tivesse que lutar contra as ondas de nausea. Trouxe o braço contra seus lábios. - Tome o sangue antes que eu desmaie ou me torne tão louca, que te apunhale e termine o trabalho.

O aroma do sangue lhe golpeou forte e antes de poder deter-se, Rafael pegou sua mão e se lançou sobre ela. O sangue cheio de adrenalina o golpeou como uma bola de fogo, entrando através de seu sistema, lhe proporcionando um falso poder, instantaneamente. Ele engoliu o líquido, suas células demandavam alimento. A neblina vermelha se estendeu por sua mente e a fera se elevou, rugindo em busca de mais. Seu corpo raivoso exigia a regeneração do sangue vertido nele, quente, doce e aditivo.

Ela sentiu a drenagem, realmente sentia o sangue apressando-se de seu corpo ao dele. Sua mão ardia e pulsava e podia sentir a espetada dos dentes. Não pôde evitar o puxão involuntário ao tentar recuperar sua mão. A garra dele se apertou dolorosamente e os dedos se afundaram em sua pele com uma força destruidora. Colby fechou os olhos e tentou não olhar nem sentir nada, absolutamente.

- Detenha-o. - A voz de Nicolas era tão distante e débil que Colby quase não pôde captá-lo. - Obrigue-o a parar antes que seja muito tarde.

- Rafael. – Ela puxou sua mão com força, tentando se liberar de sua garra. - Me deixe. Faz-me mal. - Suas pernas falharam e ela se deixou cair sentada.

- Dom Rafael. - Juan Cheves colocou o cano de seu rifle sob o queixo de Rafael. - Deixe-a ou dispararei.

Houve um momento de silêncio. O coração de Colby palpitou. Por dentro, podia ouvir a si mesmo gritando uma negativa. Preferia morrer a perdê-lo, mas o medo vivia nela quando Rafael passou a língua por sua mão e elevou a cabeça para olhar Juan. Havia morte em seus olhos negros e algo mais.

O braço de Colby caiu livre de sua garra e antes de poder pensar saltou sobre seus pés e afastou o rifle para longe de Rafael.

- Não, Juan. Ela não sabe o que está fazendo. - Tentou tocar a mente de Rafael, mas somente podia ouvir um estranho rugido e muito distante, um retorcido grito de pesar. Os dedos de Rafael se fecharam ao redor de sua garganta e o tempo parou. O coração lhe pulsava muito rápido e o ar abandonou seus pulmões.

Sem advertência Rafael se paralisou, caindo com força e arrastando-a com ele. Havia abandonado sua mente. Colby tomou o pulso dele, freneticamente.

- Está morto? Juan, não há pulso. Não pode estar morto. - Tentou lhe voltar, para lhe fazer os procedimentos de primeiros socorros.

Juan a deteve com uma mão sobre o ombro.

- É o sol. Está muito fraco e deve ser protegido, colocado na terra. Temos que atender seus ferimentos o melhor que possamos e lhe cobrir de terra. Quando Dom Nicolas se elevar esta noite, levará-o a algum lugar seguro.

Ela elevou a cabeça de Rafael e para sua surpresa, seus olhos negros a olhavam, cheios de inteligência e remorso. Parecia paralisado, incapaz de mover. Seu coração e seus pulmões pareciam não estar funcionando, mas ele permanecia alerta.

- Deveria cobrir suas feridas como fiz ontem à noite? - Não queria olhar os olhos de Rafael ou queria tocar sua mente.

Enquanto Juan cavava um lugar na terra fresca perto do lago, ela cobriu os ferimentos de Rafael com terra e sua própria saliva. Ele não falou nem uma vez e ela se sentia intumescida. Seus ferimentos eram terríveis. Não parecia possível que alguem se recuperasse de algo assim. Odiou ajudar Juan a lhe colocar na cova pouco profunda e ter que olhar como seu corpo era coberto.

Colby cambaleou, depois se aprumou e começou a correr através dos arbustos, sem se preocupar com os galhos afiados e os espinhos que arranhavam sua pele e roupa. Precisava encontrar Paul e Ginny. Precisava estar com alguém cordato, alguém normal. Sua mente não podia aceitar o que Rafael fazia. Deveria estar morto, mas tinha arrancado um coração com suas mãos nuas. Quase a tinha matado e poderia ter matado Juan. Em vez de levá-lo a um médico, cobrira seus ferimentos abertos, com saliva e terra e o havia enterrado em seu rancho.

Paul e Ginny estavam sentados no pequeno arvoredo de pinheiros. Julho permanecia de guarda. Ambos pareciam cansados, sujos e tão familiares que ela explodiu em lágrimas.

Rafael não podia consolá-la, preso sob a terra, com o corpo realmente pesado e seu coração que havia cessado de pulsar. Podia ouvi-la chorar, sabia que quase a tinha matado e que ela também sabia. Juan lhe tinha obedecido, antepondo o amparo dela a todo o resto e por isso estaria eternamente agradecido a ele. Estava tão perto, o monstro crescia nele quando as palavras rituais deveriam lhe ter colocado a salvo. Teria esperado muito? Queria estender-se para ela, abraçá-la, beijar as lágrimas de seu rosto e lhe assegurar que nunca lhe faria mal, mas já não sabia se isso era verdade. estando sob a terra, compreendeu que sua angústia por Colby doía mais que qualquer de suas feridas físicas.

Sobre terra, Colby apegava-se a Paul e Ginny, desesperada em tirá-los de um mundo que não entendia. Ginny começou a lhe contar tudo sobre sua aterradora experiência, como tinha seguido o som de um animal ferido, caindo na armadilha. O som de sua voz não fez nada para evitar o terrível medo que invadia o coração de Colby.

 

- Temos trabalho a fazer. - Gritou Paul, golpeando com a palma da mão, a porta do quarto de Colby. - Vai ficar te na cama para sempre? Passou o meio-dia! Julho levou Ginny para visitar os Everett e Juan e está trazendo o feno. Vamos!

Colby afastou as cobertas para trás, sombreando s olhos com as mãos. A cada dia que passava a sensibilidade de sua pele ao sol parecia piorar. Tomou banho rapidamente com água fria, tentando conseguir que a terrível dormência que invadia seu corpo desaparecesse. Três noites haviam passado desde que Rafael tinha sido abandonado para se curar na terra. Três dias e noites de puro inferno. Tentava dormir durante o dia, das dez da manhã até perto das quatro horas da tarde. Deveria ter sido um alívio, mas seus sonos estavam infestados de intermináveis pesadelos. Havia visitado o lugar onde Juan o enterrara, mas ele já não estava. Fora levado para algum lugar por seu irmão, para se curar.

Colby sonhava direito que Nicolas tirava o sangue do vampiro do corpo de Paul. Era um pesadelo macabro que a deixava trêmula e assustada. No momento em que fechava os olhos, podia ver o sangue pressionando-se através dos poros de Paul e algum tipo de parasitas em sua corrente sangüínea, retorcendo-se como vermes sobre seu corpo. Quando não estava sonhando com Paul, sonhava com Ginny em uma cova rasa, com os olhos totalmente abertos acusadores. Algumas vezes sonhava com Rafael sorrindo-lhe, enquanto lhe rasgava a garganta com os dentes. A maior parte das horas diurnas ficava na cama, esperando que passasse a letargia, tentando não pensar em Rafael e o quanto estava ferido. Rogava por um sono tranqüilo, com sua mente sempre correndo para encontrar uma forma de manter a salvo a seus irmãos.

Com freqüência despertava chorando, com seu coração convertido numa dolorosa massa no peito, sua mente inchada pelo pesar. Estava adoecendo de dor e medo. E odiava a forma em que todos a olhavam, como se pudesse fazer mal a si mesma, a qualquer momento.

- Vamos, Colby. Tem que se levantar! Disse-me que a levantasse custasse o que custasse, então saia daí. - A porta da cozinha se fechou com força e Colby fez uma careta. Com Ginny visitando o rancho dos Everett com sua nova amiga, os pratos de Paul do café da manhã e do almoço estavam na pia. A visão da comida parcialmente devorada, enquanto atravessava lentamente a cozinha, bastou para fazê-la sentir náuseas. Seu corpo odiava trabalhar a esta hora do dia sem importar o quanto pretendesse ser normal.

Colby não podia fazer frente à separação de Rafael. A metade do tempo sentia que ia ficar louca. Nicolas a tranqüilizava nas longas noites e os irmãos Cheves a acalmavam durante o dia. E ela estava segura de que Nicolas estava compartilhando sua mente, ajudando-a nas horas de vigília e o sentia como uma invasão, cada vez que pensava muito nisso. Silenciosamente pedia a gritos por Rafael, pensava nele e que outra pessoa soubesse o quanto estava obcecada por ele era humilhante. Não e nada podia funcionar de tanto que estava afligida.

Rafael tinha muito a responder. Como demônios esperava que ela levasse um rancho e cuidasse de dois irmãos sendo semelhante desastre? Podia precisar vê-lo, mas temia o momento em que tivesse que enfrentá-lo e lhe que tudo se acabara. Tinha que acabar. Não podia viver em seu mundo. Era muito perigoso e violento.

Cambaleou-se pelo pátio, para o curral onde Paul segurava as rédeas de um baio de olhar firme. Agora que era tão sensível à luz, que usava óculos escuros para proteger seus olhos mesmo sendo a tarde já alta. Requeria coragem enfrentar a luz e se encontrou perguntando-se como Rafael conseguira ficar com ela quando o estábulo tinha queimado ou pior ainda, quando Ginny havia desaparecido. Devia ter sofrido uma agonia. Ela estava somente parcialmente em seu mundo e sentia como se milhares de agulhas apunhalassem seus olhos.

Observou o cavalo dançar nervosamente, com olhos avermelhados e artentos. Paul já o havia selado. Colby sempre acreditava em ir primeiro ao cavalo mais rebelde e obviamente Paul seguia sua filosofia ao pé da letra.

- Tem-lhe? - Colby olhou o animal, a forma em que estava atirando a cabeça, a forma em que seus olhos a avaliavam com uma maliciosa intenção. Tentou um suave sussurro, sua mente procurou consolar o animal, mas ele se afastou de seu acostumado efeito pacificador.

- Tenho-lhe. - Tranqüilizou-a ,Paul.

Respirando fundo, ela subiu à sela. No momento em que seu peso caiu sobre o couro, o animal explodiu rude e violentamente, a cabeça desceu e ele levantou as ancas, relinchando furiosamente. Esticou as patas, elevando-se e golpeando o chão com uma força que sacudia os ossos, retorcendo-se como um demônio possuído. Sem estar completamente montada, Colby não teve oportunidade de se manter no lugar e foi lançada como um míssil, seu corpo esbelto golpeou contra o poste de amarração. Colby se viu lançada e aterrissou no pó.

- Colby, cuidado! - O grito rouco de Paul a fez rodar instintivamente para a segurança da cerca, com as mãos elevadas para proteger a cabeça. A terra se sacudiu sob os cascos quando o animal se encabritou e a golpeou repetidamente. Um coice cortante a golpeou na coxa enquanto ela levava a cabo sua fuga.

Instantánemanete ouviu o eco de dois gritos em sua mente. Rafael. Sua voz foi um bálsamo consolador e valeu a pena pagar qualquer preço. Ele estava vivo. E Nicolas, repreendia-a uma vez mais.

Sua perna inteira estava dura e ela ficou imóvel, olhando para o céu, tentando recuperar o controle de seu coração e sua respiração acelerada. Embora já estava bem entrada a tarde, pôde sentir o último raio do sol queimando sua pele e o corpo ainda pesado e esgotado. Deveria ter esperado outra meio hora antes de tentar trabalhar.

- Deus, Colby. - Realmente havia lágrimas nos olhos de Paul quando se lançou a seu lado. - Está sangrando muito... Diga-me o que faço. Não sei o que fazer.

Colby se escorou alegremente sobre um dos cotovelos, para olhar fixamente para a feia navalhada que empapava sua perna de sangue. Amaldiçoou brandamente, lutando por controlar as náuseas.

- Sobreviverei, Paul, mas vou precisar de pontos. – Ela uniu as beiradas do corte, forçando-se a pressionar com força. – Consiga toalhas e gelo. Terá que conduzir a caminhonete até o povoado. Ligue antes e diga ao Doc Kennedy que espere em seu consultório... Não quero ir ao hospital e me sobrecarregar com outra fatura. - Espetou as palavras entre os dentes. Sua perna havia passado de intumescida a uma ardente tortura.

Paul correu para a casa. Seu rosto estava tão pálido que parecia um fantasma. Nunca esqueceria a visão do pequeno corpo frágil no pó, sob o enorme e enlouquecido animal, o som doentio de um um coice rasgando sua carne. Abriu a porta da geladeira, pegando as toalhas e as chaves da caminhonete, fazendo a apressada chamada e voltando para junto de Colby em questão de minutos.

- Dói muito? - Perguntou ansiosamente, enquanto a observava aplicar o gelo à ferida. Em todas as vezes que saíra ferida, Paul nunca tinha visto tanto sangue sobre sua irmã. Era de um vermelho brilhante e Colby estava pressionando com força, seus dentes mordiam profundamente o lábio inferior.

Tentou dar um sorriso, arrumando o cabelo alvoroçado, afastando-o do rosto enpoeirado. A ação deixou um aroma de sangue.

- Precisarei que me ajude, Paul. Minha perna está dura pelo golpe. – Colby apertava os dentes. Era melhor do que dizer a Paul que estava passando mal pela dor e a perda de sangue. - Aproxime a caminhonete e serei capaz de entrar.

- Colby. - Seu nome chegou suave e formoso, enredando-a em braços seguros. As lágrimas queimaram seus olhos ante a carícia da voz de Rafael em sua mente. Desejava-o. Só em ouvir sua voz a fazia sentir-se completa.

- Estou bem. Ainda me parece cansado. - Rafael soava longínquo e fazia um óbvio esforço por alcançá-la. Isto a fez sentir apreciada como ele pretendia. Sabia que seus ferimentos ainda não estavam completamente curados e que a fome rabiava nele, mas se estendia em busca dela. Odiava essa sensação, quando estava tão zangada com ele por lhe causar problemas. Não queria precisar ouvir sua voz ou sentir seu tato. E não queria pensar na violência da qual ele era capaz.

- Não posso ir a você agora. Mostre-me o que aconteceu. Sinto a dor em você. É bastante severa, para me fazer despertar de minha sonolência.

Colby fez um esforço para olhar o tremendo corte de sua coxa, elevando a mão e a toalha com gelo longe de sua pele. Ouviu o gemido de alarme dele e imediatamente cobriu a ferida. - Paul vai me levar a médico. Não é nada. Um par de pontos e estarei curada.

- Irei a você logo que seja capaz.

Colby se recostou para trás porque requeria muita energia fazer algo mais e virou a cabeça para observar o cavalo. Este tremia, chutando o chão poeirento, ainda lutando com a sela. Seu corpo estava escurecido pelo suor. Logo que a caminhonete se aproximou dela e Paul saltou, Colby assinalou o animal.

- Olhe-o, Paul, algo está errado com ele. Não está agindo normalmente.

- É um assassino. - Exclamou Paul, olhando fixamente o cavalo, totalmente alheio a seu caracter com os animais. - Alguém deveria acabar com ele.

- Está drogado, Paul. Olhe-o outra vez! Ele não sabe o que está acontecendo.

- A quem importa, Colby? Esqueça o maldito cavalo, vamos ao médico.

- Ainda não. Chame o Doutor Wesley e diga que estamos saindo e que traga com ele um pouco de ajuda. Quero que se ocupem do cavalo.

- Você está me gozando, dizendo que tenho que chamar o veterinário enquanto você está aqui sangrando por todo lugar? - Protestou Paul, com preocupação em seus olhos.

- Paul. - Havia um cansaço infinito na voz de Colby.

Relutantemente Paul obedeceu, relatando os detalhes apressadamente ao atônito veterinário. Pareceu passar uma eternidade antes que Paul fosse capaz de levar Colby até o interior da caminhonete. Tremendo e estralando, a velha caminhonete acelerou para o povoado.

Colby gritou mais de uma vez enquanto o médico limpava, dava pontos, e enfaixava a ferida de sua coxa. Suportou os sermões do médico e uma enfermeira lhe aplicava uma injeção, recitando os perigos do tétano. O corte era profundo e a ferida inflamara grandemente. Colby deveria sentir-se incômoda, mas havia sofrido feridas piores.

Com o apoio de Paul coxeou de volta à caminhonete, baixando o olhar para seu jeans sujo, ensangüentado e rasgado. Sabia que seu rosto estava coberto de pó e o cabelo lhe caía numa confusão desordenada pelas costas. Olhou fixamente para seu irmão.

- Alguma vez notou como que me as acerto para parecer sempre tão maravilhosa? - Perguntou-lhe com um meio de sorriso. Ela mostrou uma loja perto dali.

Paul seguiu seu olhar, reconhecendo à mulher que desaparecia dentro de uma pequena e cara boutique. Passou o olhar da perfeição de Louise para sua irmã, fixando o olhar nela durante um momento. Sob o pó e o sangue, havia algo extraordinário em Colby, algo que realmente nunca tinha visto antes.

- Você é muito mais bonita que ela, Colby. Não há comparação. Seriamente, não há.

Colby se encontrou sorrindo, apesar do que se sentia.

- Você é um irmão estupendo, sabia? Vou ficar aqui e descansar enquanto você vai comprar os medicamentos e considerarei o quanto perfetamente maravilhoso você é.

- Chegarei com o carro um pouco mais perto. - Disse ele, procurando as chaves.

- Não vais se aproximar dessa loja... A farmácia é a seguinte porta depois de seu perfeito Porsche. Poderia te fazer bem o exercício.

- O sacrifício máximo. – Gemeu, Paul. - Acho que seu jeans não vai caminhando a parte alguma. – Ele guardou a receita no bolso e a ajudou a se colocar numa posição mais cômoda. - Parece um pouco verde sob todo essa poeira, Colby. Está segura de que está tudo bem e que posso te deixar sozinha?

- Estou bem, Paul. – Ela tranqüilizou-lhe. Deixe a porta aberta para que eu não ceda ao pânico e tente sair pela janela.

- Voltarei em seguida. – Ele se apressou a descer a rua.

Colby observou-o partir, o cansaço a alagava. O pior era que todo esse interminável trabalho estava ainda esperando por ela. Com o Juan e Julho ajudando, finalmente estavam começando a colocar o trabalho em dia. Um ferimento como este interferiria em sua habilidade para a equitação e o treinamento de cavalos e o dia a dia no rancho.

O que devia estar errado com o baio? Podiam tê-lo drogado como King? Ernie estava morto. Ele não podia ter feito. Não queria pensar que Paul pudesse ser o responsável. Tentou recordar exatamente que aspecto tinha tido o cavalo antes de montá-lo. Era indesculpável. O desassossego do animal não havia advertido-a. Estava muito alterada por Rafael. Sempre voltava para o mesmo. Rafael e sua influência sobre ela.

- Olá, novamente. - Uma voz suve a tirou de seu sono.

Colby levantou o olhar para ver a mulher dos faiscantes olhos verdes que lhe tinha devotado ajuda quando Rafael se colocou tão possessivo, na noite no bar. Lançou-lhe um rápido sorriso.

- Sempre pareço estar metida em problemas, não é? Sou Colby Jansen.

- Natalya Shonski. - A mulher sorriu e seu rosto se iluminou. Assinalou a perna de Colby. - Parece doloroso.

- Confia que é. Queria agradecer o que fez outra noite. A maior parte das pessoas passariam por longe.

- Você estava com medo dele. – Disse, Natalya. - Pude sentir.

Colby afastou o cabelo dos olhos e dedicou a mulher um sorriso macilento.

- Ainda tenho medo dele.

Natalya se apoiou na porta, para examinar o pescoço de Colby.

- É um dos caçadores, não é? Tem idéia do quanto são perigosos?

A mão de colby pressionou instantaneamente a marca, segurando Rafael contra ela.

- Como sabe deles?

Natalya vacilou, escolhendo suas palavras cuidadosamente.

- Tive a má sorte de cruzar com suas contrapartidas em mais de uma ocasião. - Natalya a observou atentamente para ver se Colby entendia.

- Eu tive meu primeiro encontro a lagumas noites atrás. - Colby estremeceu. - É agradável saber que não estou perdendo a cabeça. Pensei que possivelmente havia imaginado todo o assunto. - O alívio a encheu, um anseio por falar com esta mulher que sabia pelo que estava passando, que não acreditaria que tinham que interná-la. - Como se encontrou com eles? A metade do tempo ainda não acredito em tudo isto.

- O que quer de você, o caçador?

Os dedos de Colby pressionaram profundamente a marca de Rafael, nela. Estava sempre ali, tão fresca como o dia em que ele a fizera, nunca empalidecia e sempre pulsava como se o chamasse. O que ele queria dela? Sexo? Se somente fosse um sexo estupendo. Poderia dirigir isso. Lembrava o som de sua risada percorrendo sua mente. Baixa e sensual. Uma tentação. Suas pálpebras deslizaram para baixo. Ele controlava-a sexualmente. Era certo. Não podia sobrepor-se a seu desejo por ele.

- Não estou completamente segura. - Tentou ser sincera. Para sua completa surpresa, Colby se encontrou piscando para conter as lágrimas. - Pareço uma confusão, Natalya. Uniu-me a ele de algum modo e não posso suportar me separar dele. Odeio me sentir assim.

Natalya olhou ao redor e manteve a voz baixa.

- Desejaria poder te ajudar, Colby. Aqui tem meu número de telefone. Partirei logo. Se quiser falar comigo, me ligue. Não posso ficar no mesmo lugar muito tempo.

- Tenho um irmão e uma irmã a quem proteger.

- Se houver um caçador na região, há um vampiro por perto. Não pode lhes proteger de um vampiro.

- Como sabia que Rafael era um caçador?

Natalya baixou a voz ainda mais.

- Tenho uma marca de nascimento, sobre meu ovário no flanco esquerdo. Parece um dragão respirando fogo e quando um vampiro está perto ou um caçador ou mesmo uma das marionetes humanas, a marca queima, arde.

Colby inalou agudamente e tocou o flanco esquerdo.

- De onde saiu?

Natalya encolheu os ombros.

- Nasci com ela. Salvou-me a vida em mais de uma ocasião.

Colby esfregou a coxa, sob a laceração, com a esperança de aliviar a dor.

- Há um vampiro na região e Rafael diz que é diferente dos outros, mais poderoso.

Natalya franziu o cenho.

- Podem lhe matar?

- Não sei. Rafael estava ferido e o vampiro partiu. Acredito que Rafael também o feriu.

Natalya suspirou.

- Eu gosto de saber disto. Realmente não queria partir ainda. Ainda não aprendi a matar um vampiro. Continuam vindo atrás de mim. Ver filmes do Dracula todo o tempo não me foi útil.

- Rafael e seu irmão, Nicolas, são originários das Montanhas dos Cárpatos. Poderia encontrar ajuda lá,. - Sugeriu Colby. - Nicolas me disse que eles têm que ser incinerados. Foi bastante áspero. Disse que lhes arrancavam o coração do peito e o incineravam também.

Natalya se endireitou lentamente e olhou para Colby.

- Desejaria não ter perguntado. Está segura de que está totalmente bem? Pode dirigir isto? Foi duro para mim e não quero que se sinta tão só como er estive.

- Honestamente não sei. Ele fala de conversão.

Natalya franziu o cenho.

- Conseguindo que sobrevivesse? Podem fazer isso? Sei que os vampiros normalmente matam. Com freqüência mantêm mulheres a sua volta por um tempo, desfrutando de seu medo, mas sempre as matam. Um par de vezes tentei resgatá-las, mas ficam loucas. Quiseram me morder e tentavam beber meu sangue e tive que ver como tentavam beber sangue humano. Não sei, Colby. Soa perigoso.

- Pressente-se perigoso. Estou tendo problemas com a luz do sol e logo estão os irmãos Cheves... Eles vieram do Brasil com Rafael... Não seria capaz de manter em marcha o rancho. Agora tenho que dormir durante o dia.

- Quer se afastar dele? - Perguntou Natalya.

Colby suspirou, sentindo-se próxima às lágrimas.

- Não acredito que possa. Honestamente não sei o que quero. Tenho muito medo, mas estou tão obcecada com ele. Se estiver longe, fica em minha mente até que acredito que vou ficar louca. – Ela olhou para Natalya. - Não desejo nenhum tipo de comida e muito menos carne humana.

- Ele não é um vampiro. - Tranqüilizou-a, Natalya. - Mas estes caçadores são perigosos. Ele não é humano, Colby e não importa o quanto humano te pareça, ainda é diferente, com umas regras totalmente diferentes.

- Tenho medo. - Admitiu Colby em voz baixa, surpreendida do medo que tinha realmente. Rafael a seduzira, deliberadamente. Atraíra-a parcialmente a um mundo do qual ela não sabia nada e a tinha tirado parcialmente do mundo com o qual estava familiarizada. Era aterrador e mesmo assim não podia imaginar sua vida sem ele. E era isso o que tanto a assustava.

- Podem vir todos comigo. - Ofereceu Natalya. - Não é muito divertido fugir sozinha. E poderíamos estar mais a salvo juntos.

- E eu a encontraria. Não há nenhum lugar aonde possa ir e onde eu não possa te encontrar. - Havia amargura na voz de Rafael, uma advertência. Colby sentiu um calafrio.

- Ele pode ouvir-me. - Natalya se afastou instantaneamente, olhando ao redor cautelosamente. - Tenho que ir. Não me atrevo a ficar aqui. Boa sorte. – Ela retrocedeu afastando-se da caminhonete.

Colby lutou contra a urgência de segurá-la e mantê-la ali.

- Tome cuidado, Natalya. - Gritou, colocando o pequeno pedaço de papel com o número do celular de Natalya, no bolso. Também ela queria fugir. Havia medo nos olhos da Natalya e uma absoluta resolução de se alongar. O que os vampiros queriam dela, não ia dar, se Colby só podia desejar que tudo voltasse magicamente para a normalidade. Fechou os olhos outra vez e contou até dez, sabendo que Paul teria encontrado com um de seus amigos e estaria conversando em vez de lhe trazer a medicação para a dor.

- Não me diga que Annie Oakley caiu de seu cavalo! - Tony Harris se apoiou na caminhonete, seus traços eram zombeteiroes.

- Só faltava você para completar o dia, Toni. - Disse-lhe Colby, cansadamente.

- O que aconteceu? – Ele se aproximou mais para manter a porta aberta, seu peso atravessando o corpo dela enquanto se inclinava para examinar a vendagem grossa e bastante ensangüentada. Estava imobilizando-a contra o assento e seu braço pressionava firme e deliberadamente sua cintura. Assobiou, levantando o olhar para ela, seus olhos negros satisfeitos revelavam sua diversão ante o apuro de Colby. - Possivelmente deveria olhar isso. Parece estar sangrando. - Ela tinha a mão sobre sua coxa e seus dedos pressionavam a carne machucada.

- Se eu gritar Tony, meio povoado virá correndo.

- Ninguém pode ver você, comigo bloqueando a visão. – Disse, ele. – Grite e direi que sua perna doía e eu estava tentando ajudar.

- Como se fossem acreditar em sua palavra contra a minha. Vá para o inferno, Tony. E afaste suas mãos de mim. - Colby tentou empurrá-lo, mas seus movimentos se viram tolhidos pela falta de espaço.

Ele esquivou o golpe e riu dela.

- Deixou seu rifle em casa, Colby? Muito mal, onde está todo o frio desdém arrogante que você gosta de mostrar? - Sua mão voltou para vendagem, atrasando-se ali enquanto a estudava atentamente, desfrutando de seu estado indefeso.

Vá embora daqui, Tony.

Os dedos avançaram mais perto da ferida de sua perna, pressionando um pouco mais forte.

- Isto não tem graça, Tony. - Colby tentou não olhar sua mão.

- Oh! Sim. Eu acredito que é realmente divertido. Sempre pensou que era melhor que eu, não é, Colby? Então, agora se consegue um homem rico e acha que isso prova que é muito boa para alguém como eu, mas sabe o que eu acredito? Acredito que não é mais que sua puta. Vou mostrar o que a faria sentir um homem de verdade.

Antes dela poder evitar, Tony se inclinou, apertando seus lábios contra a dela, apertando deliberadamente os dentes contra o suave lábio inferior. Uma mão permanecia sobre sua perna, justo junto à laceração inflamada em forma de advertência.

Colby o esqueceu tudo. Esqueceu sua debilidade, a dor de sua perna, o fato de que estava num carro estacionado na rua principal do povoado. Uma coisa era suportar as doentias insinuações de Tony e sua fanfarronice e outra bem diferente, que ele estivesse fisicamente em posição de tocá-la. Seu feudo tinha começado no pátio do colégio quando Tony, dois cursos adiante dela, judiava sem piedade de um menino de sua classe. Tinha-lhe golpeado diante de todo mundo. Quando ele se vingou, Joe Vargas, Ben e Larry Jeffries haviam saltado instantaneamente em sua defesa. Através dos anos Harris a ameaçara e a acossava, mas nunca havia colocado um dedo sobre ela.

Com o cotovelo direito golpeou seu queixo e sua mão esquerda pegou o cabelo encaracolado de sua nuca em uma maliciosa garra, na tentativa de afastar sua cabeça para trás. Para seu horror ele foi catapultado da caminhonete como se mãos invisíveis o tivesse elevado fisicamente e o atirado longe. Então ela se viu olhando os negros, negros olhos de Rafael. Conteve o fôlego ante a ameaça concentrada neles. Diminutas chamas vermelhas brilhavam, ferozes e antinaturais. Ele parecia um demônio, um predador, vicioso e ardiloso, mais animal que homem. Nada em sua vida a tinha assustado tanto como o sombrio vazio que revelavam seus olhos. Ela estava olhando para a morte. E sabia que ele podia facilmente matar Tony Harris.

- Não! Não, Rafael, não pode. – Deliberadamente, ela utilizou o modo mais íntimo de comunicação para chamar o homem de volta a seu corpo, a seu cérebro. Estava em frente a um predador natural que já estava se afastando dela, de volta para Harris que estava deitado na rua.

- Rafael, deixe que se vá. - Chamou em voz alta, lutando para deslizar fora do assento. Seu coração palpitava cheio de terror. Amaldiçoou brandamente em voz baixa ao apoiar o peso na perna, o que lhe sacudiu o corpo inteiro.

Tony saltou, preparando os punhos, enquanto cuspia na rua.

Rafael frio e bastante brutalmente golpeou Tony Harris com a mão aberta, num golpe duro e poderoso que o fez cambalear quando o lançou para frente. Rafael continuou lhe esbofeteando, golpe atrás de poderoso golpe, guiando o vaqueiro, rua abaixo. Cada golpe fazia Tony tropeçar e perder o equilíbrio, num castigo chocante e humilhante. Colby havia presenciado dezenas de rixas, mas esta era completamente diferente. Era um ataque selvagem, a sangue frio, numa demonstração de poder brutal que manteve todo mundo imóvel, em pé nas calçadas, boquiabertos ante o drama.

Colby foi coxeando atrás deles, a fúria começava a arder enquanto seu coração se acelerava ante a compressão de que Rafael poderia ter descartado Tony Harris de um só golpe. Isto era um castigo público. Rafael teria matado Tony, fríamente e sem remorso. Preferia matá-lo, mas se continha porque Colby nunca desculparia um assassinato.

Não a ajudava estar bebendo dele. Que seu corpo estivesse voltando para a vida. Podia sentir cada célula, cada fibra de seu ser estendendo-se para ele, precisando dele, desejando-o como uma droga. Destestava o controle que ele tinha sobre seu corpo e mente. Será que mostrava isso aos outros? Natalya olhara-a com pena e sentia desprezo por si mesma cada vez que pensava em como se comportara tão afligida, quase até o ponto de fazer mal a si mesma. Viu-se forçada a procurar Nicolas, alguém em quem não confiava de tudo, para poder suportar cada noite.

- Deixe-os. – Chiou, Paul, segurando-a pelo braço e ainda sem fôlego por causa de sua corrida através da rua. Ela coxeava e não parecia notar que apertava os dentes por causa da dor.

Colby se sacudiu de seu irmão.

- Cale! - Espetou.

Paul parou imediatamente. O cabelo de Colby era vermelho por uma razão. Podia virar chamas se alguém a empurrasse. Ele avaliou a Da Cruz com intensa satisfação. Seria publicamente colocado em seu lugar. A multidão era certamente grande.

Colby capturou o braço de Rafael, tomada momentaneamente por surpresa pela pura dureza do mesmo. Era como pegar uma barra de ferro.

- Pare, Rafael, agora mesmo! - Tentou se colocar entre os dois homens, mas Rafael deslizou a sua volta com facilidade mantendo seu corpo diretamente entre ela e Harris. O gesto zangou mais ainda Colby. - Não quero que se ocupe de meus problemas. Entenda-me, nunca mais. Isto é assunto meu. - Ela entendia o poder, entendia-o melhor que a maior parte das pessoas e necessitava permanecer em contínuo controle, mas estava tão zangada com os dois homens que tentou arrastar Rafael pelo braço, longe de Toni, sem muito êxito.

Harris aproveitou a oportunidade para se afastar trôpegamente, segurando o rosto machucado com as mãos. Sobre a cabeça de Colby, Rafael o observou partir, chamas vermelhas ainda titilavam nas profundezas de seus olhos.

- Demônios, Rafael. – Ele estava fazendo com que Colby se sentisse como uma mosca zumbindo a seu redor. Golpeou-o no peito, com toda sua cólera expressa num murro bem dirigido.

Ele se ergueu sobre ela, piscando como se a visse pela primeira vez. Lentamente, a diversão se arrastou por seus sensuais traços, esquentando o amargo gelo de seus olhos. – Você me bateu, querida?- Sua voz era suave, sexy e íntima, ali no meio da rua, fazendo com que o sangue de Colby se esquentasse e o corpo se arrepiasse e isso a fez se zangar o suficiente para desejar lhe golpear novamente.

- Não tem graça. - Não se deixaria seduzir por ele. Não sentiria seu corpo se derreter e como um calor ardente se acumulava nele. - Não se meta em meus assuntos. Se não quiser que Tony Harris me maltrate, ocuparei-me disso eu mesma. Você piorou a situação dez vezes mais, todo mundo sabe que ocorreu algo, graças a você. Se por acaso se esqueceu, você está nos Estados Unidos e não no Brasil. Nós aqui chamamos o xerife.

Ele a levantou facilmente, casualmente, diante de todo mundo, embalando-a contra o peito, percorrendo a rua de volta para a caminhonete com longos passos e sem nenhum esforço.

- Sabia que não me manteria longe quando está ferida, Colby. - Sua voz sussurrou sobre ela, irresistível. Mágica. Havia posse em seu olhar e algo mais, algo selvagem e primitivo, como se ainda não tivesse terminado com Tony Harris. - E não vou permitir que outro homem coloque suas mãos sobre você.

Colby levantou a mão e tocou seus lábios. Seus dedos traçaram as linhas esculpidas, linhas de cansaço e debilidade que não estavam ali antes, recordando-se que ele havia despertado antes que Nicolas dissesse que podia fazê-lo. Havia débeis marcas em seu rosto, cedendo lentamente mas evidência das garras que o tinham lacerado. Tinha sofrido terrivelmente para proporcionar a ela uma barreira. Passou a mão sobre seu coração, perguntando-se se as marcas da mordida ainda estavam ali. Algo se suavizou em seu interior embora ela não queria.

- Posso dirigir Tony Harris. – Disse mais amavelmente do que pretendia. - Nossas leis não permitem que a gente saia por aí matando alguém, porque não gostamos do que faz.

- Nossas leis são muito claras. - Não havia emoção na voz dele, somente uma calma mortal e uma navalhada implacável em seus lábios.

- Tony é um valentão.

- Tony vai aprender uma lição que deveria ter aprendido há muito tempo ou não ficará por aqui para voltar a incomodar às mulheres.

- Não, Rafael. Sei que realmente pode lhe fazer mal, mesmo à distância, mas não é certo. Não faça. - Seu temperamento estava se elevando em proporção direta à dor de sua perna e a implacável posição do queixo dele.

- Se quiser que diga que não tocarei esse homem, não posso te mentir e então que me nego a fazer semelhante promessa. Se este homem voltar a tentar colocar suas mãos sobre você, não terá outra oportunidade. Nunca. – Ele disse com absoluta convicção.

- Muito macho. Estou realmente impressionada. Igual à Louise. Pelo amor de Deus, coloque-me no chão, sinto-me como uma estúpida. Sou bastante capaz de caminhar. - Para seu horror as lágrimas fluíram em seus olhos. Maldito homem. Todo o povoado estava olhando, sorrindo zombeteiramente para ela, sob o olhar de Louise.

- Deixa de lutar Colby ou te ordenarei que o faça. – Ele espetou. - O que esperava que fizesse, querida? Não podia permitir que essa pobre desculpa de homem a tocasse. Estava sangrando e teu ferimento doía. Sou seu companheiro e é meu dever e meu direito velar por seu bem-estar. Tenho intenção de fazer isso mesmo.

Sentiu-o então, profundamente dentro dele, a raiva vulcânica a qual não havia permitido se aproximar da superfície, enquanto enfrentava Harris. Não atada, Não controlada. Os grandes olhos de Colby nadavam em lágrimas e isso se somou à fúria que ardia no olhar dele, enquanto estes vagavam sobre seu rosto.

- Só quero ir a casa, Rafael. - Longe daqui, longe de você. - Escapou-lhe o pensamento antes de poder evitar.

Um músculo saltou na garganta dele. - Nunca, nunca, a deixarei. Nem agora, nem nunca. Já deveríamos ter superado isto. - Havia um estalo no látego tranqüilo de sua voz.

- Superado isto? Está louco? Tenho alguns reparaçõea a fazer. Como o que arrancasse o coração de um homem diretamente de seu peito. Isso não se faz, Rafael.

Ele a depositou gentilmente no assento da caminhonete, ignorando o cenho de Paul.

- Mova-se menino. Eu conduzirei. - Disse brandamente, mas havia algo em sua voz, uma nota de advertência que fez com que Paul encolhesse impotentemente os ombros para sua irmã, antes de pular para a parte de atrás da caminhonete.

Ninguém se atreveu a desfiar o poder de Rafael e a caminhonete arrancou imediatamente.

- Sabe dirigir? - Perguntou Colby.

Os olhos negros moveram sobre ela e depois olhou para a estrada, conduzindo diretamente através do povoado, desviando por pouco Tony Harris, enquanto o homem permanecia em pé junto a seu carro.

- Estas pensando em me abandonar. E defende a essa pobre desculpa de homem.

- É obvio que estou pensando em te abandonar. - Olhou-o fixamente. - Acha que sou tola? E maldito Tony Harris. Acha que isto é por ele? Não é pelo Tony Rafael, é porque quase me mata. Acredita que vou cair em seus braços e confiar em você não só com minha vida, mas as vidas de Paul e Ginny?

Fez-se um pequeno silêncio.

- Posso explicar isso, Colby.

Pela primeira vez Rafael pareceu vacilar. As sobrancelhas dela se arquearam.

- Não quero arriscar que Paul possa nos ouvir. Vamos esperar até estar em casa. Mas vais se explicar sim. Em tudo o que penso agora é em como me dói a perna. – Ela acrescentou e golpeou a janela. Pual deslizou para um lado. - Me alcance os comprimidos para a dor. Vou tomar todas.

Paul colocou o vidro em sua mão e Rafael tomou.

- Não precisa isto.

- Como sabe? Dói como o inferno. - Olhou-o fixamente. – Está me deixando louca. Seriamente Rafael. Fez alguma coisa para nos prender e depois que quase que matem e me deixa para ir dormir na terra. Dê-me os comprimidos.

- Não. E não precisa me castigar. Eu já tenho feito isso por nós dois.

- Possivelmente foi suficiente para você, mas nunca será para mim. – Ela deixou escapar o fôlego lentamente e se recostou contra o assento. - Realmente me dói a perna, Rafael.

- Sou consciente disso. Sinto o que você sente, lembra? Não é bom utilizar tais medicamentos. Está parcialmente em meu mundo e seu corpo rechaçará tais coisas.

- Como rechaço a comida? - Perguntou ela, olhando-o fixamente, depois olhou para a vendagem.

- O médico te costurou a perna. Muito bárbaro.

- Deveria havê-la coberto com terra e saliva? Possivelmente me colocar em uma cova e me deixar ali alguns dias?

- Guarde silêncio. – Rafael sabia que ela sentia o louco desejo de pular da caminhonete. Estava confusa e agitada e a dor a adoecia. - Estacionarei para poder aliviar a dor de sua perna.

Colby não discutiu. Se ele podia, estaria mais que agradecida. Rafael encontrou uma pequena área protegida na sinuosa estrada e estacionou para poder concentrar sua atenção completamente em Colby. Enviou-se fora de seu corpo, permitindo que este se afastasse e deixando atrás uma luz, pura energia, viajando ao interior do corpo dela para curá-la de dentro para fora. Demorou em reparar a perna cuidadosamente, assegurando-se de que o inchaço desaparecesse e o ferimento fechasse sem cicatriz. Os ferimentos dos músculos estavam curados.

Quando voltou para o próprio corpo, se inclinou sobre ela, tocando sua perna com dedos gentis.

- Sente-se melhor?

Colby só podia olhar seus olhos escuros, afogando-se neles como uma idiota quando queria ser forte. Sentia a perna perfeitamente bem, mas as rugas na face dele eram mais profundas que nunca.

- Não deveria ter feito isso.

- Não tinha escolha. – Ele se inclinou para lhe beijar os lábios, as pálpebras e a ponta do nariz. - Assustou-me. Não volte a fazer isso, nunca mais. – Ele estendeu a mão em busca da dela. A que ela cortou para lhe salvar a vida. A levou os lábios, sua língua se moveu sobre a débil cicatriz.

A intimidade disso enviou um calor que se enroscou por todo o corpo de Colby.

- Rafael, precisa curar mais a você mesmo. - Podia sentir a fome golpeando-o, um monstro que rugia pedindo atenção. - Deveria se ocupar de suas próprias necessidades.

- Estou-me ocupando de minhas necessidades. - Sua voz era baixa e rouca, uma sedução a todos os seus sentidos.

Uma sombra foi à única advertência. Uma escura, ameaçadora e cheia de negra maldade enquanto se erguia sobre os dois. A porta se abriu de uma vez atrás dela, quase tirando Colby da caminhonete, que gritou de surpresa e horror quando seu irmão, com a face retorcida numa máscara de ódio, equilibrava-se sobre ela com uma faca.

 

Rafael se moveu rápidamente para ser visto, colocando-se entre Colby e Paul. Selvagens grunhidos emergiam da garganta de Paul que esfaqueava rudemente. Rafael segurou com força a mão, lhe tirando a faca com facilidade e imediatamente a expressão de Paul mudou. Piscou rapidamente, seus olhos se abriram desmesuradamente e ele recuperou a consciência e soltou um grito alarmado de recriminação, que destroçou o coração de Colby.

- Colby! – Ele soava como um menino perdido, o pequeno o que tanto amara, de que tinha cuidado toda sua vida. - O que estou fazendo? O que tenho feito? – Ele não lutava contra a sujeição de Rafael. As lágrimas enchaim seus olhos e sulcavam seu rosto. Seu corpo inteiro estremecia.

- Carinho. - Colby estendeu os braços para ele, desejando lhe consolar.

Paul se tornou para trás, fora de seu alcance.

- Sou eu! O vampiro me fez algo quando me mordeu, não é? Por isso Nicolas queria me matar. Sabia que eu ia tentar te fazer mal. – ele voltou-se para olhar Rafael diretamente nos olhos. - Poderia fazer mal a Ginny? Fui eu que manipulei o cavalo para que fizesse mal a Colby?

Rafael explodiu as lembranças do menino e viu quando ele encontrara o soutien de sua irmã no celeiro onde havia ficado esquecido. O objeto de roupa intima havia disparado a compulsão profundamente enterrada em Paul, de matar Colby. Viu o rapaz preparar uma seringa e drogar completamente ao cavalo antes de selá-lo e despertar Colby. Arrancou-se da mente do rapaz e deixou o ar escapar de seus pulmões.

- Paul. – Disse, gentil. – Este é um dos tipos de coisa com as quais o vampiro cresce. Não é você. Eles tomam alguém bom e tentam conseguir que leve a cabo atos que a pessoa nunca conceberia. Não pode lembrar, por que é contra sua natureza fazer mal a alguma de suas irmãs. Ele não poderia te retorcer até se converter em algo perverso. Somente pode te utilizar quando é vulnerável.

Paul retrocedeu afastando-se da caminhonete. Não lembrava ter saltado da parte traseira ou de abrir a porta. Nem sequer sabia de onde havia saído à faca.

- Quero minhas irmãs. Preferíría estar morto a ferir qualquer delas.

Colby deixou escapar um som de desassossego que rasgou o coração de Rafael. Ela tentou sair da caminhonete e ir trás de Paul, mas Rafael pegou sua mão e a reteve, sem afastar os olhos do menino. - Querida, me permita tantar. Ele se sente envergonhado pelo que tem feito e aterrorizado porque poderia ter tido êxito.

- Paul, sabemos que ama sua família e que nunca faria mal a nenhuma delas.

- Mas o fiz - Paul se virou como se fosse correr, mas Rafael foi mais rápido, mantendo seus braços fechados em volta do rapaz.

- Ouça-me. - Colby reconheceu a compulsão na voz de Rafael. - Agora que sabemos o que tem feito e quem é, podemos lhe deter melhor. Ele não pode ter você. Pertence-nos. É família, nossa família. Será você que provocará sua queda se ele contínuar tentando te utilizar.

Paul estalou em lágrimas, soluçando rudemente, enterrando a face contra o Cárpato. Rafael se encontrou consolando o adolescente, um menino humano, seu coração reagia igual ao de Colby, ao incontido pranto de Paul.

- Vi o que o vampiro te fez. Era horrendo. E seus dentes penetrando em minha pele. - Paul se sacudiu com repulsão. - Tenho pesadelos.

- Cacei vampiro muito tempo. Sei que você acha que ele é invencível, mas já destruído a mais do que pode imaginar através dos anos. Fui descuidado, sentia muitas emoções e não fui cauteloso como deve ser um caçador. O vampiro o tomou com a intenção de te utilizar contra nós, mas descobriu que você é muito mais forte do que esperava. Poderia ter matado Colby enquanto ela dormia, a qualquer momento durante à tarde. - Isso não era estritamente verdade. Paul poderia ter tentado, mas Nicolas tinha colocado salvaguardas no quarto dela enquanto dormia e os irmãos Cheves vigiava Paul atentamente. Paul nunca tentara, apesar da compulsão do vampiro. - Seu caracter resultou ser muito forte para ele. Em todos os dias e noites que passaram, foi somente agora, quando eu estava já aponto de me elevar, que sucumbiu a suas demandas.

- Mas lhe fiz mal.

- Tinha que lhe obedecer, Paul. Olhe-me. – Gentilmente, Rafael o segurou pelos braços até que o olhar trêmulo do menino encontrou o seu. - Sabe que sou muito mais forte e mais rápido que você, mas atacou quando eu esta aqui para te deter. Ele não o derrotou apesar ser um menino, um humano frustrando seus planos.

Paul se encrespou um pouco ao ser chamado menino, seu orgulho apareceu de repente.

- Tenho dezesseis anos. - Disse e retrocedeu, limpando-os olhos.

- Certo e conto com o fato de esteja carregando sobre seus ombros as responsabilidades de um homem. Definitivamente é suficientemente amadurecido para entender os riscos e o que temos que fazer.

Paul olhou para Colby, com um rápido e nervoso movimento de seus olhos. Quadrou os ombros.

- Me diga como deter isto.

- Temos que matar o vampiro para que seu poder sobre você desapareça completamente, Paul. – Explicou, Rafael. - Enquanto isso, posso ajudar como faz Nicolas.

- Nicolas não foi que muita ajuda até agora. - Colby se viu forçada a assinalá-lo.

- Nicolas evitou que ele o matasse diretamente. - Rafael foi amável, mas firme. - Sem sua interferência, Paul estaria agora em muito má forma.

- Você está em má forma. Eu estou em má forma. Meu rancho está em má forma. Minha vida é um desastro desde que todos vocês chegaram aqui. Esse vampiro seguiu-lhes até aqui? - Colby se interrompeu, sua mente corria a toda velocidade. Os acidentes em seu rancho haviam começado muito antes que os irmãos Cheves chegassem para reclamar Ginny e Paul. Não podia lhes culpar.

- Custe o que custar. – Disse, Paul. - Seja o que for que queira que eu faça.

- Isso poderia significar partir daqui, Paul. – Disse, Rafael.

Colby se esticou.

- Não vamos partir, Rafael.

- Não temos escolha, Colby. – Disse, ele. - Até que o vampiro seja destruído, todos vocês estão em perigo. Paul, sobre tudo. Precisamos colocar distância entre eles.

Colby se sentiu presa de repente. Afastou a face de Rafael e contemplou os picos escarpados de suas amadas montanhas.

- Está falando em enviar Paul para o Brasil, com a família Cheves, não é?

Não havia absolutamente nenhuma expressão em sua voz, mas Rafael sentiu a onda de adrenalina, a resolução.

- Na América do Sul seremos cinco para proteger Paul e sua prudência. A semelhante distancia, o vampiro não poderia lhe dirigir facilmente quando é vulnerável. Terá seus tios e primos que cuidarão dele durante as horas de sol e a todos nós quando o sol se pôr.

- Paul, entre na caminhonete. - Disse Colby.

O menino vacilou, mas lhe dirigiu seu olhar feroz e subiu na parte traseira, ainda inseguro, confuso e transtornado.

Rafael arrancou o veículo.

- Colby, não pode fugir de seus sentimentos por mim. Os vampiros são completamente malvados. Esta é uma situação perigosa.

- Sou bem consciente de que estamos todos em perigo. - Replicou ela, velozmente. Os olhos negros dele percorreram seu rosto uma vez, mas provocou um tremor em seu corpo. Tinha medo dele, medo de seu controle sobre ela. Fechou a janela de atrás, para lhes dar privacidade. - Não sei o que sinto por você. Temos sexo. Um sexo estupendo, mas ainda assim, na realidade não te conheço. Seduziu-me deliberadamente, Rafael. Não negue. Eu estava sozinha e era uma presa fácil.

- Não tenho intenção de negar que a seduzi. Por que deveria? Mas não me teria respondido como fez se não fosse minha companheira.

- Rafael, qualquer mulher se deixaria seduzir por você. É muito sexy e um amante incrível. Não tem nada a ver com companheiros.

- A mim não poderia me seduzir nenhuma outra mulher. - Disse ele, tranqüilamente. - Seu lugar é comigo. O resto chegará.

- Que resto? À parte em que faço tudo o que diz?

- Não, essa tem que chegar já.

Colby olhou-o fixamente, para ver se ela havia tentado fazer uma piada. Não sentia nenhuma diversão de sua parte e ela tinha o pressentimento de que falava a sério.

- Aí está, Rafael. Deixando vampiros e Cárpatos de um lado, acredito na compatibilidade. Tenho vontade própria, tomo minhas próprias decisões e sigo meu próprio caminho. Também penso muito nas coisas. Você quer tomar minhas decisões, por mim. Por que acredita que seremos remotamente compatíveis?

Os olhos negros a percorreram uma segunda vez, ardentes e possessivos. Ele roubava-lhe o fôlego só com esse olhar sedutor. Colby teve que olhar para outra parte, pela janela, retorcendo-os dedos com força. Ele podia ver diretamente através dela. Se a beijasse, ela parecia perder a vontade. Colby esfregou as têmporas palpitantes.

Tentativamente tocou sua mente. As emoções formavam redemoinhos e eram violentas e turbulentas. Nada para o que ela pudesse estar preparada. Rafael tinha intenção de tê-la a qualquer preço. Era tão rude como havia pensado a princípio, possivelmente até mais. As coisas seriam feitas a seu modo e ele faria o que pensava que era melhor para protegê-la, apesar de seus medos e dúvidas. Colby saiu de sua mente, mais assustada que nunca. Rafael não gostava que ninguém lhe dissesse não e acreditava ter direito a ela.

Como poderia sobreviver com ele? Viviam e pensavam de formas diferentes. Ele era uma mistura de instinto animal, homem latino e perigoso caçador Cárpato. Ela era o epitome da mulher independente, mas já não podia confiar em seu próprio julgamento com ele a sua volta. Queria estar com ele mais que tudo, mas estaria perdendo a si mesma. Precisava estar com ele mas sabia que ele a controlaria. Ela não era o tipo de mulher que pudesse ser controlada. Fechou os olhos, tentando manter a mente em branco, sem desejar que ele lesse sua confusão.

Rafael pensou em centenas de argumentos, centenas de explicações, mas nenhuma delas importaria. Colby temia o que ele era e temia seu poder sobre ela. Após ter presenciado sua quase perda de controle, tinha todo o direito de temê-lo. Sequer confiava em suas intenções para com seus irmãos e na realidade não podia culpá-la. Ele e seu irmão haviam chegado com a única intenção de transladar à família de Armando Cheves ao rancho no Brasil e esse propósito permanecia inalterado. Colby lera claramente essa resolução em sua mente. Estava tentando evitar pensar, não queria que ele lesse seus pensamentos, mas planejava chamar o xerife logo que chegasse em casa e lhe contar uma série de coisas. Confiava em Ben como não fazia com ninguém mais.

Sentiu como algo escuro e mortífero se elevava dentro dele. A fera rugiu e as presas explodiram em seus lábios. Manteve o olhar fixo na estrada, abrindo a grade com um ondeio da mão e fechando-a atrás deles com um ruído metálico e o estalo continuado de uma corrente, enquanto esta deslizava em seu lugar.

Conduziram em absolutamente silencio até a casa do rancho. Colby saiu da caminhonete e abriu passo para a casa, irritada por que sentia a perna completamente boa. Não podia ignorar que Rafael a tinha curado, que quase tinha morrido para salvá-la e a Paul, do vampiro. Que ele fora até ela apesar de sofrer uma terrível dor, quase morto, para ajudar a encontrar Ginny. Mas podia ter manipulado sua mente de alguma forma para fazê-la acreditar que essas coisas haviam acontecido quando não tinham acontecido realmente? Era possível que tudo fora uma ilusão? De pé só no salão, tocou a marca palitante do pescoço com a ponta dos dedos, roçando uma carícia sobre as marcas. Rafael e Nicolas eram capazes de poderosas explosões mentais. Vira-os usar a compulsão e enfeitiçar os outros. Seus olhos, suas vozes, tudo neles gritava poder.

Sentiu os cabelos da nuca se arrepiarem. Os seios começaram a doer e um calor se acumulou em certos lugares secretos. Fechou os olhos brevemente antes de se voltar, pois sabia que ele estava ali com ela, no salão. Rafael apoiava um quadril contra a parede e seus olhos negros a observavam.

- Onde está Paul? - Era essa sua voz? Não podia falar, estava com os lábios secos. Não podia olhar para ele e não lhe desejar. Tinha que ser compulsão. Nunca fora mulher de se obcecar por um homem. Manteve a mão sobre a marca da mordida que parecia nunca empalidecer em seu pescoço.

- Os irmãos Cheves o levam para a casa dos Everett. Vai ver Ginny e se acalmar. Sean é bom para ele, um homem muito firme e seus tios o vigiarão. Isso lhe dará algumas horas de alívio. O veterinário te deixou uma nota. Ele levou o cavalo para sua clínica. Assegurei-me de que as tarefas sejam feitas por esta tarde. – Ele estendeu-lhe a nota do veterinário.

Cautelosa, Colby ficou onde estava. Ele era bonito, firme e duro embora completamente sensual e seu olhar era ardente e possessivo quando descansava sore ela. E faminto por ela. A fazia sentir como se só visse ela. Como se somente ela existisse para ele. Seu corpo respondeu à escura intensidade de seu olhar, sem importar o que dizia seu cérebro.

- Ainda tenho coisas a fazer. Preciso fazer umas ligações e comprovar as algumas notas e faturas. - Disse ela. Sua voz sequer soava como sua. Ele colocou a mão atrás dela sobre a parede e a segurou tão forte como pôde.

- Não vou partir.

- Se só estivesse pedindo meu corpo, Rafael, daria-lhe. Mas está tentando obter tudo de mim e não quero isso. – Ele estendeu as mãos dela e baixou o olhar para as pequenas cicatrizes brancas, de reparar muitas cercas e lidar com cavalos selvagens.

- Não vou partir.

- Preciso de espaço. Não me deixa pensar ou respirar. Tenho que tentar averigar o que há entre nós. Lamento se não é o que quer ouvir, mas tenho que te pedir que vá.

Ele arqueou uma sobrancelha.

- Por que persiste em pensar que a deixarei?

Colby tentou encolher os ombros e só conseguiu elevá-los. Não queria que ele se fosse, mas também que não ficasse. Rafael devorava-a, comia sua personalidade e ela não reconhecia essa mulher que faria tudo por ele.

- Possivelmente porque parece humano e uma pessoa medianamente responsável. Se uma mulher te pedir que te vá embora eu imaginaria que aceitaria.

- Não posso te deixar e na realidade você não quer que eu vá. Posso cheirar sua fragrância me chamando. Sou como os grandes felinos do bosque ou o lobo que corre livre. Reclamo o que é meu e o retenho. Seu medo é uma pequena conseqüência.

- É esse o tipo de linha de comportamento que segue com as mulheres com as quais sai?

- Só saio contigo então, aí tem a resposta. – Ele endireitou-se de repente, numa amostra de músculos e fluída força.

- Não, voce não encaixa comigo, absolutamente. Quero que vá. - Porque se ele não fosse e ficasse olhando-a como estava, ele se prenderia em chamas. Era bem consciente da reação de seu corpo para com ele. Tinha que decidir se acreditava nele ou não, se confiava nele ao menos, antes que avançassem muito mais.

Ele sacudiu a cabeça.

- Acha que vai se liberar de mim. Não tem nem idéia do poder que possuo ou do longe que iria te conservar.

- E você não tem nem idéia de mim. – Disse, ela. - Mas tem razão, não tenho idéia de seu poder. Como posso confiar em que tudo isto seja real?

- Crê que tudo isto seja uma ilusão?

- Não sei no que acreditar. Voce chega aqui para levar Paul e Ginny. De repente estamos em perigo e meu mundo inteiro fica de pernas para o ar. Mas surpresa... A grande solução é que nos ao Brasil contigo. Não acha conveniente? Não vou aceitar tudo simplesmente sem pensar realmente nisso. É como sou. Viva com isso. - Seus olhos o enfrentaram, desafiadores. Precisava de Ben, precisava falar com ele desesperadamente. Estava fora de controle, provocando Rafael como estava.

- Sugiro que deixe de pensar nesse outro homem. - A voz dele era muito baixa, quase um ronronar, mas o medo floresceu profundamente no estômago de Colby e se estendeu.

- Ben é meu amigo. Se ficasse fora de minha cabeça não saberia que estava pensando nele. – Assinalou, ela.

Os olhos dele não haviam piscado nem uma vez e estavam totalmente enfocados nela. Ele estava hipnotizando-a tão eficientemente como uma cobra hipnotizava sua presa. Manteve seu terreno porque não tinha escolha. Não lhe deixaria tomar o controle.

- O que acredita que aconteceria se eu desaparecesse? Passou um inferno sem mim nestas últimas sublevações, mas agora parece mais que disposta a fazer tudo novamente. Poderia ter conseguirdo sem a ajuda de meu irmão?

Ela se sobressaltou visivelmente.

- Aí está, Rafael. Não, não teria conseguido e isso me diz algo importante. Não é normal não ser capaz de passar alguns dias sem ver alguém. Ou lhe sentir dentro de sua mente. Aí é onde está, dentro de minha mente e eu não posso te tirar. Não é certo.     - Como sabe o que está bem? Você mantém nossa relação em um plano físico, a propósito. Não toca minha mente para averiguar quem e o que sou. Não quer saber.

Seu tom era humilde mas o estômago dela se contraiu ante a forma em que ele continuava olhando-a. De repente notou que estava completamente só em casa e que ele conseguirra que fosse assim.

- Você a mantém no plano físico, Rafael. A forma em que me olha e me toca. É um homem muito físico e não aceita um não como resposta, não quando me deseja.

- Bem, ao menos entendemos um ao outro. – Disse, ele.

- Não, não nos entendemos. – Explodiu ela. Passeando pela sala. – Você age tão tranqüilamente, como se tudo fosse normal, Rafael. Você tentou me matar. De acordo, vamos deixar de lado o fato de que você arrancou o coração de um homem do peito, da bola de fogo que tirou do céu. Deixemos isso de lado no momento e vamos ao fato de que quase me mata. Vi em seus olhos. Poderia ter matado também a Juan.

O olhar escuro de Rafael se encontrou com o dela.

- É certo.

- Disse-me que nunca poderia fazer mal a sua companheira. Se eu for essa pessoa, como é possível? Suas próprias palavras lhe convertem num mentiroso ou voce está muito equivocado sobre tudo isto. – Ele havia assustado-a demais. Mesmo agora, só em pensar no que acontecera, a fazia tremer de medo.

- Para que entenda como é possível semelhante coisa, tenho que te falar de mim e de meus irmãos. Mesmo quando éramos jovens, ainda antes dos duzentos anos, sabíamos que eramos diferentes da maior parte dos homens Cárpatos. Desafiavamos cada regra, extravasávamos cada limite. Celebrávamos nosso poder e força e quando o príncipe nos dava uma ordem, obedecíamos, mas questionávamos. Zacarías era nosso líder reconhecido, primeiro e sempre antes que nosso príncipe.

- Então voces eram os irmãos maus da comunidade.

- Mais que irmãos maus. Irritavam-nos as restrições colocadas sobre nossa raça. Nossos mais próximos amigos eram os irmãos Malinov. Jogavam tão duro como nós, celebramos batalhas, desafios e tínhamos longas discussões sobre o por que nossa espécie devia dominar à humanidade. Sabímos que tínhamos poder e nos parecia mal permitir que nosso príncipe mantivesse nossa força em segredo. Quando crescemos em força, lutando contra os vampiros e aprendendo em nosso desenvolvimento como guerreiros, unimo-nos mais e questionamos a autoridade de nosso lider. Inclusive discutimos a possibilidade de derrocar a família Dubrinsky e assumir a liderança.

Colby se sentou numa cadeira, sentindo que as pernas pareciam de borracha. Nada do que ele contara até o momento a fazia confiar nele e em sua relação.

- Realmente conspiraram para derrocar seu governante?

- Em um interessante debate. Aconteceu muito antes que algum de nós pensasse seriamente. Finalmente, à noite em que nosso príncipe nos enviou para longe de nossa terra natal sem possibilidade de encontrar nunca uma companheira... Era o que pensávamos então... Discutimos sobre nos converter em vampiros e em se seríamos o suficientemente fortes como unidade, para evitar nos voltar uns contra os outros, como fazem os vampiros. Poderíamos nos separar e nos dispersar para recrutar outros de nossa raça, utilizando um nome chave. Dessa forma, pareceria como se a mesma pessoa estivesse em vários lugares ao mesmo tempo.

Colby pensou no horrível mostro que tinha mantido Paul ante dele, afundando os dentes em seu irmão, as criaturas mudadas ondulando a seu redor. Pressionou a mão sobre o estômago.

- Aonde chegamos à parte que tenho que entender?

- Digo que nossa natureza era mais escura, mais animal, inclusive mais predadora que a de muitos Cárpatos. Só considere o fato de que meus irmãos e eu permanecemos unidos, que tenhamos um pacto e o mantenhamos. Discutimos estas coisas, mas no final, tudo se reduziu a uma. Honra. Negamo-nos a viver sem honra. Os irmãos Malinov sentiam o mesmo. Nossa decisão não nos fez mais fácil nos conformar com as normas. Tenho uma natureza predadora. Você não comprometeu sua vida com a minha. Preciso de você como âncora. Preciso deste compromisso para que nossas almas possam se fundir completamente.

Ela se levantou de um salto.

- Agora está me culpando do que aconteceu. Sua natureza predadora poderia simplesmente voltar a aparecer e a próxima vez me matará ou matará Paul ou minha irmã.

Um gemido de impaciência acompanhou à exalação dele.

- Contei a você, coisas que nunca contei a nenhuma outra pessoa e ainda assim não vê que compartilhando esta vergonhosa parte de mim, te oferecendo um presente. Nunca o teria encontrado tão profundamente enterrado como está, dentro de mim. Decidi ser honesto. Nicolas tem razão, não há mais remedeio que te obrigar.

Ela se umedeceu os lábios secos com a ponta da língua. Rafael bulia sob sua conduta enganosamente preguiçosa. Ele era uma caldeira de calor e fogo. E a fazia arder, simplesmente olhando-o. Seus olhos queimavam a fogo lento num momento e no seguinte tornavam-se frios como o gelo. Colby deixou escapar o fôlego lentamente.

- O que vai fazer? - Odiava que a voz lhe saísse num sussurro.

- Felizmente para você, seu bom amigo o xerife chegou sem que o chamasse. Ganhou outra trégua temporária?

O alívio a encheu instantaneamente e ela se afundou numa cadeira. Não tinha nem idéia da tensão que acumulara tão firmemente. Piscou e ele já não estava perto da porta, mas a seus pés, levantando o olhar para ela.

- Seja cuidadosa com este homem, Colby. Estou zangado além de sua imaginação e preciso de você de mais formas das quais pensa. Não quero que um homem inocente sofra porque me empurrou para longe.

Colby retorceu os dedos. Perversamente, uma parte dela se sentia desiludida e era o bastante honesta para reconhecer o fato. Estava se afogando no desejo por ele. Sua mente deseva tocar a dele. Desejava-o, desejava seus braços envoldendo-a. Manter-se longe dele era difícil e exaustivo.

- Não faça mal a Ben. - Sussurrou.

Os dedos dele seguraram firmemente seu queixo.

- Então não faça nada que me provoque. Admita que não sou humano. Permita-se admitir e será muito mais fácil aceitar que não tenho completamente características humanas. Nasci e me eduquei como caçador, perseguidor de presas. É o que faço e pelo que vivo. Cada instinto que tenho é de um predador.

- De acordo. - Seu olhar deslizou para longe dele. - Não está ajudando a sua causa. Por que tenta me assustar deliberadamente? Já estou assustada.

- Porque deve estar assustada. Voce não enfrenta um homem civilizado que entende as leis e as respeita. Nossas próprias leis, apoiadas em nossa natureza, regem-nos. Se não fizer o que ditam meus instintos, coloco em perigo muita gente. Pese isso contra sua relutância, quando sei que no final o resultado será o mesmo...

- Você não sabe. – Ela o interrompeu, tentando se livrar. Sempre se surpreendia com sua força, mas ele nunca parecia lhe fazer mal, mesmo quando era rude. Seu toque era gentil e provocante.

- Sei. A única forma em que mudará é se eu morrer.

Suas palavras a deixaram sem fôlego. Enviando um escuro temor arrastando-se por sua mente. Piscou para conter as lágrimas, odiando que a só idéia de sua morte destroçasse suas emoções.

A batida na porta da cozinha foi ruidosa, mas breve. A voz de Ben a chamou.

- Colby? Está em casa? Doc disse que você estava com um corte feio na perna e o veterinário disse que o cavalo estava drogado. – Ele já estava atravessando a casa.

Rafael franziu o cenho com desgosto ante a familiaridade do outro homem. Contra vontade permitiu que Colby se afastasse e ficou em pé, parecendo mais que nunca um felino.

- Estou no salão, Ben. - Respondeu Colby, com o olhar sobre o Rafael. Não podia afastar o olhar, nem que o tentasse. Ele era muito forte e enchia o aposento com sua presença, respirando todo o ar e ocupando todo o espaço.

- Como está desta vez, carinho? - Perguntou Ben enquanto entrava e parou durante um momento quando viu o Rafael recostado contra a mesa, com os braços cruzados e as pernas estendidas ante ele. Imediatamente a tensão subiu vários graus.

Colby passou a mão pelo rosto. .

- Estou bem, Ben. Obrigado por se preocupar por mim. Paul e Ginny estão no rancho de Sean Everett neste momento e eu estava descansando. - Por que não diz alguma coisa?- Ela pressionou os dedos sobre as têmporas palpitantes e sacudiu a cabeça ante sua própria estupidez. Não possuia a força necessária para tirar Rafael de sua vida. Talvez poderia fazê-lo por seus irmãos, mas não por si mesmo. Estava começando a se desprezar.

- Querida. - A voz dele era suave, compelidora. Um sussurro terrivelmente íntimo em sua mente. - Está começando a entender, a aceitar. Enfrenta tanto pelos outros sem medo e ainda assim não pode aceitar nada para você mesma.

Quando ele fazia isso, quando falava em sua mente, virava-a do avesso. Queria entrar dentro dele e ser tudo o que ele queria e precisava.

- Tivemos problemas por aqui, Colby. Deveria ter te ouvido, quando falou de todos os acidentes que aconteciam em seu rancho e do desaparecimento do velho Pete. – Ele tirou o chapéu e se afundou numa de suas cadeiras de balanço. - Desapareceram três pessoas no povoado e outras dois dos ranchos.

Colby olhou para Rafael. Obviamente as notícias não o surpreendiam.

- Os vampiros têm que se alimentar e quando se alimentam, matam sua presa.

Um calafrio percorreu sua espinha. Rafael estava tranqüilo sobre a questão, resignado. – Fácil assim. - Como se seus sentimentos não se vissem envolvidos.

- Não tive emoções durante séculos. Não sinto nada quando caço o vampiro. Mas não seria capaz de matar o que é meu amigo.

- Há evidência de jogo sujo? - Perguntou Colby, estudando Rafel. Sentia alguma vez pelas vítimas? Pelas famílias? Não podia ver provas disso. - O que sentiu quando arrancou o coração daquele pobre desafortunado? - Porque poderia ter sido o coração de Paul. Poderia ter caçado seu irmão. O vampiro o mordera, tentado lhe utilizar do mesmo modo que utilizaria uma marionete.

- Não sinto nada. - Não lhe mentiria. Ela insitía em assustar-se a si mesma e fazer sua vida muito mais difícil que o necessário.

- Teria sido tão desapaixonado fosse Paul?

- Não foi Paul.

- Colby, ouça ao menos uma palavra do que estou dizendo? – Exigiu, Ben.

- Sinto muito. É... É tão horrendo. Nunca tínhamos assassinatos e desaparecimentos por aqui.

- Falei com Tony Harris. - O olhar duro de Ben recaiu sobre Rafael.

Colby teve que admitir que Rafael não parecia impressionado ou arrependido.

- Não faço idéia do que possuiu Tony. Estava pior que o normal.

- Felizmente para o Senhor Da Cruz, ele admitiu que a tinha inportunado. – Disse, Ben. – Eu mesmo teria gostado de lhe dar uma boa surra.

- Tony admitiu? - Colby estava surpreendida. Olhou pensativa para Rafael. Teria ele plantado uma compulsão no homem para que contasse a verdade? Os duros traços de Rafael permaneceram inexpressivos.

Ben assentiu.

- Tive uma longa conversa com ele sobre isso e sobre tudo o que esteve acontecendo por aqui. Suspeitava que seu chefe queria seu rancho e que era o causador de alguns de seus acidentes.

- Eu também pensei, Ben. - Disse Colby. - Mas por mais valentão que seja Tony, é rancheiro. É um de nós. Não posso imaginar fazendo isso a irmãos e a mim. O conheço desde pequena.

- E sempre se sobressaiu sobre ele.

Colby estendeu os dedos ante ela.

- Talvez seja verdade. Ele sempre foi um valentão. Odeio a forma em que fala comigo.

- Ele esteve te rondando durante anos, Colby. – Disse, Ben.

Ela olhou para Rafael. Não podia se conter, mas também não queria olhar. Podia sentir seu olhar, ardente e possessivo sobre seu corpo. - Deixe de me olhar assim. - A prece surgiu dela antes de poder detê-la. Ele a fazia desejá-lo, sem tocá-la. Em pé e do outro lado do aposento, com aspecto tão frio e quase aborrecido, ele podia fitá-la e reduzi-la a raivosos hormônios. - Odeio-o. Odeio o que faz comigo.

- Não acredito, Ben. Sempre foi asqueroso comigo. Asqueroso e sarcástico. Sempre me chama princesa de gelo.

- Todo mundo sabe que ele não tem nada a fazer contigo, Colby. Ele é asqueroso e sarcástico. Não estou dizendo que Tony Harrys seja um grande tipo... É traiçoeiro como uma serpente... Mas parece pensar que você deveria ficar com ele e está furioso de que não esteja. Estava bem quando não tinha a sensação de ter um rival, mas todo mundo sabe já que está presa a Da Cruz. - Ben assinalou com seu polegar para Rafael. - E o nariz de Tony está hiperventilando.

- Isso não lhe dá direito a colocar as mãos em mim.

- Não, não dá e eu o teria detido se voce o denunciasse. E se eu tivesse visto o que ele fez teria feito o mesmo que Da Cruz. - Olhou para Rafael. – Ganhaste um inimigo de por toda vida. Tony não respeita muito a lei.

Rafael se encolheu de ombros, despreocupadamente.

- Ele teve algo a ver com os acidentes que aconteceram no rancho de Colby?

- Acredito que sim. – Diss,e Ben. – Ele evitou o assunto, mas tampouco negou. Acredito que o verme de seu chefe tentava conseguir o rancho a preço baixo e Tony o ajudou. Duas vezes, no curso da conversa, disse que possivelmente Colby não seria tão altiva e poderosa quando compreendesse que ´precisava de um homem que a ajudasse. Acredito que a sua maneira distorida, Tony pensa que poderia obrigar Colby a lhe pedir ajuda.

- Como se o tivesse feito! - Quase bufou Colby. - Nunca pediria ajuda a esse rato. Deveria ver como ele agiu quando pensou que eu estava sozinha nas minas. Ele e esse... – Ela se interrompeu, mordendo com força o lábio. Não queria falar de Ernie Carter ou pensar em Rafael em pé, ferido e com o punho enterrado no peito do homem. Fechou os olhos, sentindo-se doente.

- Tony tinha falsas ilusões, Colby, mas acredito que teve oportunidade e a seu próprio modo distorcido, motivo.

- Você suspeita que ele matou Pete, não é? - Tony era muitas coisas, mas não um assassino. Não queria tentar contar a Ben que havia vampiros e humanos que eles usavam como marionetes, em seu condado. Ele e internaria num hospital de loucos, mas não podia deixar que prendessem Tony por assassinato.

- Tony não é o bastante preparado para cometer um assassinato e sair impune. Bebe muito e fala muito quando está bêbado. Ninguém o ajudaria a encobrir um assassinato.

Colby deixou escapar lentamente a respiração.

- Se esse verme do Clinton Daniels está causando todos os acidentes em meu rancho, como vamos apanhá-lo? Enviaria Tony ou outro de seus outros homens... Nunca sujaria as próprias mãos.

- Seja o que for o que está pensando, Colby. - Advertiu ,Ben. - ão o faça.

- Bom, alguém tem que lhe deter. Não vou me contentar colocando Tony na cadeia se Daniels o incitou.

Rafael, sempre uma sombra em sua mente, tocou seus planos. Irritava-lhe que Ben pudesse ler Colby tão facilmente. Captou seus pensamentos de se encontrar com Daniels por acaso, paquerar com ele, tentar lhe surrupiar informação e gravá-la. Poderia beijá-lo? Não estava segura de poder chegar tão longe.

- Eu não acredito. Teria que lhe matar. - Declarou Rafael. - E depois teria que se ver com minha fúria.

- Economize-me o drama masculino, Rafael. Isto é sério. Clinton Daniels é uma serpente.Llutei durante meses tentando manter isto em pé.

- Permanecerá longe de Daniels, Colby. - Disse Ben. - Não quero ver seu trazeiro em assuntos de cadáveres e desaparecimentos.

Colby lhe sorriu. Ben havia utilizado sua voz mais severa, com ela.

- Ben, carinho. Ninguém mais diz "trazeiro".

Ela então sentiu a escuridão, ouviu o rugido de uma fera. Rafael virou o rosto para longe dela, olhando para fora, pela janela. Dando-lhe as costas, mas ela sabia que suas presas estavam à mostra, em seus lábios. Estava lutando contra um escuro instinto que parecia estar jogando duro.

- O que houve? – Ela passou a mão pelo cabelo, irritada uma vez mais.

- Chama este homem com um apelido carinhoso quando sequer contempla a possibilidade de sentir afeto por mim. Como esperas que reaja seu companheiro?

Foi quase um grunhido. O coração lhe troou com força entra o peito. - Ben? Está com ciumes de Ben? Está louco? Ben acredita que estou louca e me quer como a uma irmã. E eu lhe quero do mesmo modo.

- Não me fale de querer outro homem, quando nega a me amar.

- Rafael, Ben não tenta controlar minha mente ou me dar ordens como se eu fosse uma mulher sem cérebro. Possivelmente deveria tentar aprender algo com ele.

- Ben não tenta porque você não lhe pertence.

- Oh! Pelo amor de Deus! - Exasperada, Colby ficou em pé de um salto. - Os homens são estúpidos. Não posso mais com isto. Realmente não posso. Ben, vá embora e leve Rafael contigo.

Ben parecia completamente confuso.

- Nunca tem nenhum sentido, Colby.

- Tenho sentido perfeito, Ben. São os homens que não têm sentido. Preciso descansar. Estou zangada e não é nada fácil me zangar, francamente se voces não sairem de minha casa, soltarei o cachorro em voces dois. – Ela olhou fixamente para Rafael, com as mãos nos quadris.

Ele se endireitou lentamente. Foi um movimento preguiçoso, mas felino e sensual. Ou predador e sensual. Colby não podia se decidir. Fosse o que fosse, não podia respirar com ele olhando-a, devorando-a. Arrancando sua roupa e reclamando-a com seus famintos olhos negros. Ele deu um passo para ela e parou bruscamente, uma intensidade de vermelho vivo flutuou em seu olhar, sendo substituída pelo frio cálculo. Instantaneamente, ela sentiu a escuridão arrastando-se pelo do céu, invadindo suas terras.

- O que é? - Mas ela já sabia. Estava lá fora, talvez vigiando, outra vez atrás de Paul. - O vampiro se elevou?

- Sabe que não estou ainda em plena forma e quer me colocar a prova em batalha. O vampiro sempre aproveita a vantagem.

- Então não vá. Fique aqui comigo. - Colby cruzou a pequena distância entre eles e segurou seu braço. - Espere até que esteja mais forte. - Era perverso e uma mudança totalmente radical de atitude, mas suas emoções balançavam rudemente fora de controle ante a idéia de que Rafael estivesse em perigo. Não pôde evitar segurar-se a ele , apesar ter desejado ficar sozinha momentos antes.

Ben lançou as mãos no ar, com exasperação.

- Há dois minutos estava nos atirando à rua e nos ameaçando com o cão e agora quer que fiquemos. Colby, coloque o freio em suas emoções.

Rafael inclinou a cabeça para Colby emoldurou-lhe o rosto com as mãos.

- Sabe que tenho que ir, meu amor. Paul esta em perigo para deixar acontecer isto.

- Então cham eNicolas.

Ele pressionou sua testa contra a dela, deixando Bem e o vampiro fora, para que ficassem os dois. Colby e Rafael.

- Sabe que não posso. Ele está muito cansado, foi muito longe. Luta contra a escuridão a cada momento.

- Terá que lutar mais ainda se te acontecer alguma coisa. - Sussurrou, ela. - Rafael, não vá sozinho. Isso é o que ele quer.

- Sabe algo sobre esses desaparecimentos, Da Cruz? – Exigiu, Ben. - Se for enfrentar algo perigoso, irei contigo.

Rafael não virou a cabeça, mas manteve o olhar fixo no de Colby.

- Obrigado por sua preocupação Bem, mas devo me ocupar deste problema sozinho. Talvez possa ir para o rancho Everett e levar Colby contigo. Diga a Juan e Julho que vigiem Paul.

Rafael beijou-a. Tomou posse de seus lábios sem persuadir com rogos, sem a mais ligeira brincadeira, mas reclamando-a, marcando-a. Seus lábios eram ardentes e famintos e exigiam resposta. Colby lhe envolveu, com os braços em volta de seu pescoço e seu corpo fundiu ao dele, complemente alheia à presença de Ben.

Rafael a afastou e saiu. Colby foi até a janela para vê-lo partir. Ele simplesmente se dissolveu, já não estava mais ali, mas ela conseguiu ver uma águia real atravessando o céu.

- Maldita seja!. Espero que saiba o que está fazendo, Colby. – Espetou, Ben.

- Eu também espero. - Disse ela, ausentemente.

- Vamos. Levarei-a ao rancho Everett.

- Não vou, Bem. Mas se assegure de que Paul e Ginny fiquem a salvo?

- Está segura? – Bem colocou o chapéu sobre a cabeça.

- Muito. - Não queria voltar à cabeça, simplesmente observou pela janela até que o pássaro gigante desapareceu. Seu coração se afundou.

- Tenho muito que fazer.

- Tome cuidado, Colby e cuide dessa perna.