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Planeta Criança



Poesia & Contos Infantis

 

 

 


UM HOMEM DE NEGÓCIOS / Brenda Jackson
UM HOMEM DE NEGÓCIOS / Brenda Jackson

 

 

                                                                                                                                   

 

 

 

2° livro - UM HOMEM DE NEGÓCIOS

 

 

Desde que conheceu Tag Elliot, Renee Williams não consegue pensar em outra coisa, a não ser imaginar como seria sentir os lábios quentes dele sussurrando em seus ouvidos, tocando seus lábios, explorando seu corpo. Mas Tag é membro da família mais rica de Manhattan, por isso, Renee acredita que ele está muito longe de sua realidade.

Contudo, ele está disposto a enfrentar qual­quer escândalo para ter Renne como sua es­posa. Afinal de contas, Tag a queria. E ele sem­pre tinha o queria.

 

 

 

 

— Sra. Williams, o sr. Teagan Elliot está aqui para vê-la.

Renee Williams respirou fundo, tirou os óculos de leitura e colocou o relatório sobre Karen Elliot de lado, tomando coragem para receber o filho da mulher, que, pelo que Renee soubera, estava provocan­do problemas.

Desde que soubera do câncer de seio da mãe, Tea­gan Elliot estava agindo mal, fazendo pressão desne­cessária sobre os funcionários do hospital por que seu último nome era Elliot.

Ela apertou o botão do telefone e disse:

— Por favor, mande-o entrar, Vicki.

Renee rezou em voz baixa para que tudo desse cer­to em seu confronto com ele. Ela não queria se lem­brar da última vez que opusera resistência a um ho­mem que achava que seu sobrenome era a chave para abrir todas as portas.

Seu trabalho como assistente social no Hospital Universitário de Manhattan era auxiliar a todos e ga­rantir que fossem tratados de forma justa, inde­pendente do poder econômico, de sua formação edu­cacional e cultural.

Uma batida na porta fez os pensamentos de Renee voltarem para o trabalho que tinha em mãos.

— Entre.

Ela levantou-se e colocou um sorriso no rosto quando o homem que conhecia como Teagan Elliot, da Editora Elliot, um dos maiores conglomerados de revistas do mundo, entrou em sua sala vestido como se tivesse acabado de posar para uma foto na revista GQ. Renee tinha de admitir que ele era um homem bonito, com olhos expressivos, feições simétricas, um nariz perfeito e um maxilar bem delineado.

Dando a volta em sua mesa, foi ao encontro dele e estendeu-lhe a mão. Ele pegou-a automaticamente.

— Sr. Elliot?

— Sim, e você é a Sra. Williams, eu presumo.

O sotaque do Nordeste dos Estados Unidos era re­finado.

— Sim, sou eu. Você gostaria de sentar-se para que possamos conversar sobre sua mãe?

Ele franziu a testa.

— Não. Não quero me sentar para falar sobre nada. Só quero que você me diga o que vai ser feito por ela.

Renee ergueu uma sobrancelha e olhou fixamente para seus olhos azuis. Então ele estava querendo complicar o encontro? Bem, ele logo descobriria que quando se tratava de lidar com pessoas difíceis, saía-se muito bem. Ela cruzou os braços.

— Fique à vontade se preferir ficar de pé, mas eu tive um dia exaustivo e pretendo me sentar.

Dizendo isso, ela voltou a sua cadeira. O olhar dele era curioso, e se não fosse pela seriedade da si­tuação, Renee teria curvado os lábios em um sorriso. Evidentemente, não era todo mundo que se sentava e o deixava de pé.

— Agora, sobre sua mãe — disse Renee depois de dar um gole em seu café, que já estava frio. — A ci­rurgia dela está marcada para...

— Acho que preciso me desculpar.

Renee colocou a xícara na mesa e olhou-o.

— Acha?

— Sim.

Um sorriso esboçou-se nos lábios dele. Para Re­nee, eram lábios bem desenhados.

— Normalmente sou um cara agradável, mas sa­ber pelo que minha mãe vai passar é um pouco difícil. Não era minha intenção ser um idiota arrogante. Só quero ter certeza de que ela vai ter o melhor de tudo — disse ele indo sentar-se perto de Renee.

Uma parte de Renee perguntou-se se havia alguma situação em que Elliot não tinha o melhor de tudo.

— É para isso que estou aqui, Sr. Elliot. Meu traba­lho é garantir que não só sua mãe, mas todos aqueles que venham a prejudicar sua recuperação. Muitos fa­miliares precisam de ajuda para lidar com problemas emocionais relacionados a essas questões.

Ele balançou a cabeça e o sorriso alargou-se.

— Você conheceu minha mãe?

Renee retornou o sorriso. Por alguma razão, foi le­vada àquilo.

— Sim, tive a oportunidade de falar com ela há al­guns dias. Achei-a uma pessoa muito bonita, tanto externa quanto internamente.

Ele deu uma risada.

— Ela é.

Renee pôde perceber que ele amava muito a mãe. Ao falar com Karen Elliot, Renee descobrira que a mulher tinha três filhos e uma filha. Teagan, com 29 anos, era o terceiro filho, o mais novo dos filhos ho­mens e o editor de uma das revistas da família. Pulse. Durante sua conversa com Karen, Renee também soube que, de todos os filhos, ela e Teagan tinham o relacionamento mais próximo.

— Então, me diga, quais são os problemas que va­mos ter de enfrentar, Sra. Williams?

A pergunta de Teagan interrompeu os pensamen­tos de Renee.

— Agora que o médico já fez o diagnóstico de sua mãe e decidiu operá-la, o que Karen mais precisa é do apoio da família. Entendo que alguns de vocês não compreendam as razões para ela fazer uma mastectomia dupla, quando o tumor foi encontrado em apenas um seio. Ela quer ter os dois seios removidos por pre­caução. Foi uma escolha dela, e deve ser aceita como tal. Karen também vai precisar de todo o amor e apoio de vocês depois da cirurgia e durante o período de recuperação, antes de começar o tratamento de quimioterapia. Novamente, embora não haja sinais de que o câncer tenha se espalhado pelos gânglios linfáticos, ela decidiu se submeter à quimioterapia por precaução. A previsão ainda é cautelosa, mas eu realmente acredito que tudo vai dar certo, pois o tu­mor foi descoberto cedo.

Renee recostou-se em sua cadeira. Agora que era óbvio que Teagan Elliot estava apenas tentando aju­dar a mãe, embora tivesse iniciado o contato de modo inconveniente, ela estava se afeiçoando a ele. Era ad­mirável um filho preocupar-se tanto com a mãe.

— Você faz idéia de quando vai ser a cirurgia? — ele perguntou.

— Neste momento, está marcada para terça-feira. Teagan suspirou e levantou-se.

— Muito obrigado por reservar este tempo me ex­plicando o que a família deve fazer. E, mais uma vez, eu me desculpo por minha atitude quando cheguei.

Renee sorriu enquanto se levantava.

— Está perdoado. Entendo muito bem como uma situação dessas, inesperada, pode fazer até mesmo a mais calma das pessoas ficar transtornada.

Ele sorriu.

— Eu disse que normalmente sou um cara agradá­vel, mas não disse nada em relação a ser calmo.

Renee deu um sorriso. Ninguém lhe falara que ele era um pedaço de mau caminho, mas a prova estava ali. Com porte atlético, mais de l,80m, olhos azuis, ela desejou saber se alguém já lhe dissera que ele era parecido com Pierce Brosnan quando novo. Não po­dia dispensar um segundo olhar, mas sabia que um olhar era tudo o que teria. Homens com a fortuna dos Elliot não saíam com pessoas que não fossem de sua classe social. Além disso, ele era branco e ela, negra.

— Aqui está o meu cartão de visitas, Sr. Elliot. Como a assistente social de sua mãe, estou aqui sem­pre que precisar. É só me ligar.

Teagan pegou o cartão e colocou-o no bolso da ja­queta.

— Obrigada. Vou reunir a família para falarmos sobre o que conversamos. Nesse momento, o mais importante é a saúde e a tranqüilidade de minha mãe. Obrigado por tudo.

Renee observou-o sair da sala.

 

Teagan, mais conhecido pelos amigos como Tag, entrou no elevador contente por estar sozinho. Soltou um suspiro profundo que veio bem de dentro. O que tinha acontecido com ele enquanto estava na sala de Renee Williams? A mulher era, definitivamente, uma beleza, e irradiava uma força feminina que quase o derrubou. Nada daquilo acontecera com ele antes, en­quanto na presença de uma mulher.

Quando ela falava, sua voz de seda era suficiente para atingir tudo de masculino que havia dentro dele. Tinha sido como uma carícia física em seus sentidos. E quando as mãos se tocaram naquele aperto de mão, Tag precisou controlar-se ao máximo para não puxá-la para perto dele. Ele imaginava que ela devia ter cerca de 1,70m sem os sapatos de salto, e a roupa que usava, um terninho cor de tangerina, definitivamente, realçara suas curvas.

E havia também a cor da pele dela, uma cor cremo­sa que o fazia lembrar-se de caramelo. Combinada com um cabelo negro e longo que caía em seus om­bros e olhos castanho-escuros que olhavam fixamen­te para ele. Além da aparência impressionante, ela ir­radiava inteligência e compaixão.

Ele realmente teve de rir quando pensou no que ela dissera quando se recusara a se sentar. Ele daria qual­quer coisa para conhecê-la melhor, mas sabia que se­ria impossível. Um envolvimento romântico com al­guém era a última coisa para a qual dispunha tempo. Desde que seu pai decidira, e com razão, que passar o tempo com a mãe de Tag era mais importante do que o que estava acontecendo no escritório, Tag se envol­vera mais do que nunca com a revista. E havia aquele maldito desafio lançado por seu avô, Patrick Elliot, que levara a uma disputa entre as quatro revistas mais importantes da editora.

Cada uma das revistas era gerenciada por um dos filhos de Patrick. Havia a Pulse, gerenciada pelo pai de Tag, Michael, uma revista de informações; Snap, uma revista de celebridades gerenciada pelo tio de Tag, Daniel; Buzz, que se concentrava nas fofocas do showbiz e era chefiada por Shane, tio de Tag; e Charisma, uma revista de moda gerenciada por Finola, tia de Tag.

No mês passado, Patrick anunciou que estava pronto para se aposentar e que quem fizesse de sua revista o maior sucesso até o fim do ano ganharia a posição de presidente da empresa.

Quando o elevador parou no térreo, Tag não con­seguiu evitar a ansiedade pelo dia em que o caminho dele e de Renee Williams se cruzariam novamente.

 

— Então, aqui está a essência do que a assistente social disse para mim hoje — disse Tag para os ir­mãos durante o jantar. Os quatro encontraram-se em um restaurante em Manhattan, não muito longe do prédio ocupado pela Editora Elliot. Gannon, aos 33, estava abaixo de seu pai no comando da revista Pul­se; Liam, aos 31, estava trabalhando no departamen­to financeiro e Bridget, que tinha 28, era a editora fo­tográfica de Charisma.

— E você está certo de que essa assistente social sabe do que está falando? — perguntou Bridget dan­do um gole em seu vinho. Havia uma expressão de preocupação em seu rosto. — As decisões de mamãe ultimamente não combinam com ela. É como se ela estivesse indo aos extremos.

Tag balançou a cabeça, sabendo do que sua irmã estava falando, especialmente a decisão que a mãe to­mara de fazer uma dupla mastectomia. Mas tudo o que ele tinha de fazer era lembrar-se do encontro com Renee Williams para saber que a mulher realmente sabia do que estava falando. Ela parecia muito com­petente, profissional... e linda. Mesmo agora, não conseguia parar de pensar nos sorrisos que conseguira tirar dela quando se desculpara por seu comporta­mento.

— Sim, ela sabe do que está falando — disse ele finalmente, respondendo à pergunta de Bridget. — Mas, como me lembraram hoje, a decisão era de ma­mãe, e o que ela precisa de todos nós é amor e apoio.

Tag sentia que ele e seus irmãos sempre tinham tido um bom relacionamento, e uma crise como essa estava os aproximando ainda mais. Depois de agra­decer a garçonete que lhes trouxera o menu, ele virou-se para o irmão mais velho, Gannon, que ficara noivo recentemente, e Tag, como todo mundo, estava feliz por ele. Erika era exatamente o que Gannon pre­cisava, para não mencionar, como editor, que ela era uma peça importante da Pulse.

— Como papai está lidando com isso tudo? — Tag perguntou para Gannon.

Gannon, que estava olhando para o menu, olhou para o irmão mais novo.

— Está bem. Hoje ele cancelou uma reunião im­portante com um representante dos distribuidores St. John para ir com mamãe a Syracuse checar um dos trabalhos de caridade dela por lá.

— É difícil acreditar que ele esteja colocando o trabalho de lado — disse Liam, balançando a cabeça.

Todos sabiam como Michael Elliot era um traba­lhador compulsivo, mas também sabiam do casamen­to consistente de seus pais.

— Isso mostra o quanto mamãe significa para ele — disse Bridget sorrindo, emocionada como seu pai estava dedicando seu tempo a sua esposa.

Bridget olhou para Tag.  

— Essa assistente social com quem você esteve hoje, o que você nos diz sobre ela?

Tag encostou-se na cadeira e sorriu.

— O nome dela é Renee Williams. Ela é afro-descendente, provavelmente da sua idade. É muito pro­fissional e, definitivamente, sabe o que faz. Tem a ca­pacidade de ser calma, o que faz qualquer um sentir-se seguro.

Liam balançou a cabeça.

— Parece ser exatamente o tipo de pessoa que ma­mãe precisa. A doença a fez desanimar. E isso me in­comoda mais do que qualquer coisa.

Também incomodava Tag, mas ele acreditava que Renee poderia ajudá-la a passar por esse estágio emocional.

— A sra. Williams também é muito bonita. Assim que a afirmação saiu dos lábios de Tag, ele soube que cometera um erro, pois imediatamente chamou a atenção dos irmãos.

Gannon ergueu uma sobrancelha para Tag.

— Ah, você notou isso, não?

Bridget e Liam deram risadas. Todos sabiam como Tag era no que dizia respeito às mulheres. Ele ocupa­va sua cabeça mais no trabalho do que com conquis­tas amorosas.

Tag sabia o que seus irmãos estavam querendo di­zer e sorriu.

— Sim, notei.

A última coisa que ele queria era estar pensando em uma mulher, especialmente uma mulher tão boni­ta quanto Renee Williams. Mas não conseguia evitar. Havia alguma coisa em relação a ela que o fascinava.

Humm. Salmão me soa bem para esta noite.

Tag olhou para a irmã, que estava olhando o menu. No entanto, seus irmãos ainda o olhavam com curio­sidade. Desconfortável por ser o centro das atenções, ele franziu a testa.

— Caramba. Foi só uma observação. Gannon deu risada.

— Se assim você diz, tudo bem.

 

— Sra. Williams? Que agradável surpresa.

Renee tirou os olhos do romance que estava lendo para fitar os olhos azuis de Reagan.

— Sr. Elliot, como vai? — disse ela, sorrindo e ajeitando os óculos de leitura no nariz. — E como vai sua mãe?

— Não está com o humor habitual nem fala muito sobre a cirurgia com qualquer um de nós. Falei com meu pai, e ele comentou que ela age do mesmo jeito com ele.

Renee balançou a cabeça.

— Dá para entender. Apenas lhe dê algum tempo para absorver tudo isso. Tem muito com o que lidar nesse momento.

Tag balançou a cabeça.

— Eu sei que você está certa, mas mesmo assim estou preocupado com ela.

— Isso é normal. Vocês vão superar isso, assim como sua mãe.

Tag não conseguiu evitar retribuir o sorriso dela. Exatamente como dissera a seus irmãos, Renee Wil­liams transpirava tranqüilidade. Desde a primeira vez que encontrara com ela, alguns dias atrás, concluíra imediatamente ser ela a pessoa perfeita para cuidar de pacientes. Ele sabia que sua mãe gostava de Re­nee, pois sempre falava muito bem dela.

— Então, o que traz você a Greenwich Village? Você mora aqui por perto? — perguntou ele. Tag es­tava caminhando pela calçada olhando os quadros de vários artistas quando a avistou em uma cafeteria. A princípio, não tivera certeza de que era ela, mas de­pois, pelo jeito como seu corpo reagiu, ficou absolu­tamente certo. Gostasse ou não, estava definitivamente atraído por essa mulher, e vê-la hoje não estava aju­dando muito.

No consultório dela seu comportamento profissio­nal a envolvia, mas aqui, sábado de manhã, sentada a uma mesa próxima da janela de uma cafeteria, com saia de lã e suéter azul, fez com que ele tivesse ainda mais certeza de como ela era bonita. Mesmo seu rabo-de-cavalo não diminuía a beleza. A temperatura estava alta, uma daquelas inexplicáveis ondas de ca­lor que aquecia Nova York no inverno.

— Não, eu moro em Morningside Heights. Vim encontrar uma pessoa de manhã, mas ela ligou cance­lando na última hora. No entanto, decidi vir de qual­quer maneira.

— Ah, sim. — Tag não conseguiu deixar de se per­guntar se a pessoa que ela deveria encontrar era um homem. — Bem, vou deixar você voltar a sua leitura. Não quis interrompê-la.

Ela virou o rosto, os olhos fixos nele.

— Você não me interrompeu. Na verdade, fico contente por ter encontrado com você — disse ela.

Ele deu um sorriso maroto.

— Nesse caso, você se incomoda se eu sentar? Ele pôde perceber a surpresa dela com a pergunta, mas imediatamente respondeu:

— Não, não me incomodo.

Assim que ele puxou uma cadeira, um garçom veio para anotar seu pedido.

— O senhor gostaria de pedir alguma coisa, sr. Elliot?

— O Maurice de sempre.

O homem balançou a cabeça e rapidamente saiu. Tag olhou a sua frente e viu que Renee o olhava com curiosidade.

— Alguma coisa errada, sra. Williams? Ela balançou a cabeça.

— Não, mas presumo que você vem sempre aqui. A boca de Tag curvou-se em um sorriso.

— Sim, tenho um apartamento em Tribeca e nor­malmente venho aqui aos sábados de manhã. Eu amo arte e não há nada melhor do que ver os artistas traba­lhando.

Ele observou-a sorrir novamente e desejou saber se ela fazia idéia de como seu sorriso era sedutor.

— Eu também gosto de arte. Até mesmo me aven­turo a fazer alguma coisa de vez em quando.

— É mesmo?

Ela deu uma risada.

— Sim, sério. E quando digo me aventuro, falo sé­rio. Nunca fiz qualquer curso ou coisa parecida. Acho que tenho jeito. Acredito ser algo que herdei de minha mãe. Ela era formada em arte e dava aula de artes em uma escola em Ohio.

— Ohio? Você é de lá?

— Sim. Também fiz faculdade lá. Tag rencostou-se em sua cadeira.

— O que a trouxe para Nova York?

Renee respirou fundo. Não queria pensar em Dionne Moore, o homem que partira seu coração. Depois de se formar na faculdade, conseguira empre­gar-se em um hospital em Atlanta, onde conhecera Dionne, um cardiologista. Ela achava que o rela­cionamento dos dois era especial, sólido, até desco­brir que Dionne estava tendo um caso com uma en­fermeira.

A parte triste era que vários outros médicos — amigos de Dionne — sabiam e apostavam quando ela descobriria. Assim que descobriu, foi um escândalo. As pessoas falaram sobre o assunto durante dias.

Para cicatrizar a ferida e ficar longe de Dionne, ela agarrara a chance de vir para Nova York quando Debbie Massey, sua melhor amiga da faculdade, dis­sera-lhe que abrira uma vaga no Hospital Universitá­rio de Manhattan. Isso aconteceu há quase dois anos, e desde então ela evitava qualquer relacionamento.

— Foi uma oferta de trabalho irrecusável e não me arrependo — disse ela, e concluiu: — Eu amo Nova York.

— Eu também.

Nesse momento foram interrompidos pelo gar­çom, que voltava com a garrafa de cerveja de Tag, que tomou um gole e colocou a garrafa na mesa.

— Então, sra. Williams, como você...

— Eu me sentiria melhor se você me chamasse de Renee.

— Tudo bem — disse ele. — E gostaria que você me chamasse de Tag, como todos me tratam.

— Tudo bem então.

Ele olhou para o copo dela. Estava quase vazio.

— Você gostaria de uma outra bebida?

— Não, obrigada. O ponche de frutas daqui é deli­cioso, mas engorda muito. Vou ter de caminhar mui­to para queimar as calorias.

— Sinto muito pela pessoa que você iria encontrar não ter vindo.

Renee deu risada.

— Não sinta. Não é a primeira vez que Debbie faz isso. Quando a obrigação nos chama, tempos de ir. Ela é uma amiga que trabalha na revista Times.

— Nossa, a maior rival da Pulse. Renee deu risada.

— É o que ouço falar.

— Mas somos melhores.

Renee jogou a cabeça para trás e riu.

— E é claro que eu esperava que você fizesse essa afirmação.

Tag tomou outro gole de cerveja. O som da risada de Renee fazia com que de imediatamente tivesse desejo. Se ela despertava esse tipo de reação nele só com sua presença, não queria nem pensar o que acon­teceria se a tocasse. Beijasse. Ou, melhor ainda, fi­zesse amor com ela.

— Acho que está na hora de eu me levantar e co­meçar a dar uma olhada nas lojas.

Ele olhou para ela.

— Você se importa se eu for junto? Tem algumas exposições particulares onde você talvez tenha inte­ressasse em ir.

O que ele não dissera era que o único modo de ter acesso a essas exposições era com ele. O nome Elliot possuía muito peso. Ela suspirou e mordeu a parte de dentro da bochecha. Ouvira falar dessas exposições de arte particulares e sabia que agora era sua chance para ir a uma. Então, por que estava hesitando? Ela era a assistente social da mãe dele e ele estava sendo gentil. Ponto final.

Ela esvaziou o copo antes de responder.

— Você tem certeza de que não se importa em ir­mos juntos?

Ele colocou a garrafa de cerveja na mesa.

— Claro que não. E, de qualquer forma, gostaria de passar algum tempo com você.

Ela mordeu os lábios.

— Por quê?

Ele tentou não se concentrar na boca de Renee. Em vez disso, olhou diretamente para os olhos dela.

— Porque tenho trabalhado muito ultimamente e essa é a primeira oportunidade que tenho para dedicar um tempo para mim. E porque, realmente, gosto da sua companhia.

O sorriso que ela deu foi discreto, mas ele sabia ser sincero.

— Obrigada. Também gosto de sua companhia, Tag.

— Então — disse ele calmamente —, está fecha­do.

Houve um minuto de silêncio e Renee desejou sa­ber se as coisas entre eles não iriam ficar um tanto agitadas.

 

— Oh, meu Deus, isso é simplesmente lindo! Tag olhou para o quadro ao qual Renee estava se referindo e teve de concordar. A obra, denominada Cores, representava uma criança afro-americana de pé ao lado de um arco-íris. O artista conseguira cap­tar com perfeição todas as cores, incluindo o tom de pele da criança, assim como o azul do oceano, ao fun­do. A felicidade que irradiava do rosto da criança era indescritível, e a moldura, de madeira preta, fazia com que as cores vivas se destacassem ainda mais.

— É mesmo.

Ele pegou a etiqueta presa ao quadro e olhou.

— É um Malone, e o preço não está nada mau, considerando que ele já possui certo nome. Comprei vários de seus quadros em uma exposição privada quando ele começou.

Renee conseguia visualizar os quadros enfeitando as paredes do apartamento de Tag. Alton Malone, que tinha ascendência caucasiana e afro-americana, possuía uma variedade de estilos, mas ela pessoal­mente gostava mais dos quadros étnicos.

Era óbvio que Tag gostava de arte. Ela também. A única diferença era que o dinheiro para adquiri-las vi­nha mais fácil para ele do que para ela.

Nesse momento, a diferença dos rendimentos en­tre eles não era a única coisa em sua cabeça. A cor da pele deles também. Embora Nova York fosse uma das cidades mais miscigenadas do mundo, a opinião de algumas pessoas em relação ao namoro de duas pessoas de cores diferentes simplesmente não se alte­rava. Mais de uma vez, enquanto caminhavam juntos, entrando e saindo de várias lojas, Renee percebeu o olhar curioso de algumas pessoas. Não sabia se era de aprovação ou de reprovação. No entanto, ele não pa­recia incomodado com o fato de as pessoas estarem achando que eles formavam um casal.

— Já são quatro horas — disse ele. — O que você acha de comermos alguma coisa antes de eu levá-la para casa?

Renee olhou para Tag. Mais cedo, ele perguntara como ela havia ido para Greenwich Village e ela res­pondera que tinha pegado o metro.

Ele se oferecera levá-la para casa, informando que seu carro não estava estacionado muito longe. Ela re­cusara graciosamente a oferta. Passear com ele sába­do era uma coisa, mas ela não tinha a intenção de que ele saísse de seu caminho para levá-la em casa.

—- Tag, obrigada, mas estou acostumada a pegar o metro para ir a qualquer lugar.

— Tenho certeza disso, mas não tenho nada para fazer. Além disso, já vai estar tarde quando terminar­mos de comer.

Renee balançou a cabeça com um sorriso tímido.

— Queria saber quando vai entender que não con­cordei em comer com você.

Ele sorriu.

— Sim, você concordou. Foi nosso acordo, lem­bra-se?

Renee levantou uma sobrancelha enquanto cami­nhavam pela calçada.

— Que acordo?

— Você não lembra?

Ela olhou para ele de forma interrogativa.

— Não, não lembro.

— Então você deve estar tendo um lapso de me­mória.

— Não, acho que não — disse Renee, gostando dessa camaradagem entre os dois. — Tenho 28 anos e sou jovem demais para ter lapsos de memória.

— Nem tanto — disse ele, implicando com ela. — Tenho 29, mas costumava...

— Ei, Tag! Espera aí!

Tag e Renee pararam de caminhar quando a pessoa chamou por ele. Eles viraram de costas e viram um homem — que parecia ter quase a idade de Tag, com roupas e tênis para correr — vindo rápido na direção deles.

— Ei, cara, onde você tem se escondido? — o ho­mem perguntou para Tag quando ele finalmente al­cançou-os e os dois trocaram um aperto de mão. — Faz séculos que eu vi você lá no clube.

— O trabalho tem me mantido ocupado. — E en­tão ele olhou para Renee. — Renee, quero que você conheça um amigo meu da faculdade, Thomas Bonner. Thomas, esta é Renee Williams.

Renee aceitou a mão do homem.

— Prazer, Thomas.

Ela imediatamente sentiu uma frieza no aperto de mão dele e observou-o colocar um sorriso falso no rosto.

— Uh, sim, prazer também.

Depois, como se ela tivesse pouca importância, ele ignorou-a e olhou para Tag com uma expressão de desaprovação nos olhos.

— Evidentemente, você não está ocupado demais para arrumar um tempo para se divertir.

Renee entendeu imediatamente a censura na ex­pressão dele. Sem dúvida, Thomas Bonner achava que ela não tinha a cor que uma mulher deveria ter para ser vista com Tag. Mas essa insinuação de que ela não era nada além de um objeto de diversão para Tag realmente atingiu-a. Respirando fundo, ela engo­liu a raiva, decidindo que aquele homem não a mere­cia. No entanto, Tag evidentemente não concordava. Ele colocou a mão na cintura dela e puxou-a para mais perto dele.

Ela podia sentir a frieza na voz dele quando disse:

— Você deveria saber que sou um cara sério de­mais para até mesmo entrar em uma brincadeira. Além disso, quando um homem encontra com al­guém tão bonita assim, ele não perde seu tempo agin­do como um idiota. Se ele for inteligente, usa seu tempo para impressioná-la. E o que eu estou tentando fazer, Thomas, é impressionar. Deseje-me sorte.

Renee pôde sentir que o comentário de Tag deixa­ra o homem sem palavras.

— Bem, acho melhor voltar a minha corrida. Man­de lembranças a sua família — disse Thomas final­mente, antes de voltar a correr, sem olhar para trás.

Renee já podia imaginar os comentários que se­riam formuladas no círculo social de Tag, na manhã seguinte. Talvez ele agüentasse um escândalo, mas ela, não. Já passara por um. E não queria passar por isso nunca mais.

Ela olhou para Tag.

— Por que você deu a impressão de que estávamos tendo um envolvimento?

Os cantos da boca dele curvaram-se e ela odiava ter de admitir o quanto gostava daquilo.

— Incomoda você?

Ela balançou os ombros.

— Pude suportar o comentário dele porque não foi a primeira pessoa preconceituosa que encontrei, e não vai ser a última. Durante anos fui bastante intole­rante — disse ela com calma.

— Bem, isso é algo que não vou tolerar. Ela acreditava nele.

Eles começaram a caminhar e ninguém falou por um tempo, depois Renee decidiu quebrar o silêncio, e olhou para ele.

— Você não disse por que fez isso.

Tag suspirou. Ele não iria dizer que não consegui­ra se controlar. Não queria deixar que Thomas pen­sasse que suas intenções em relação a ela — se hou­vesse alguma — não eram honradas. Insinuar que ela não era alguém com quem poderia manter um rela­cionamento sério irritou-o, porque estava muito lon­ge da verdade. E isso, concluiu ele, era o xis do pro­blema. Renee era alguém que ele consideraria, se es­tivesse livre para envolver-se em um relacionamento. Mas não estava. A situação com a mãe estava péssi­ma, para não falar da situação na Editora Elliot.

Sabendo que ela aguardava uma resposta, ele deci­diu dar-lhe uma.

— Thomas iria pensar qualquer coisa sem que eu dissesse nada. Você é uma mulher linda e não me considero um cara feio, então, o mais natural é que as pessoas pensem que somos um casal.

— E isso não incomoda você?

— Não, mas claramente incomoda você. Aprendi desde cedo, Renee, a não me preocupar com que os outros pensam.

Renee parou de caminhar e apertou de modo firme o braço de Tag.

— E essa, provavelmente, é uma entre as muitas diferenças em nossa criação. Fui criada para me preo­cupar com o que os outros pensam.

Tag balançou a cabeça.

— Nesse caso, conosco, agora, hoje, por que im­portaria?

Ela olhou para o alto. Teria de pronunciar com to­das as letras? Não importava se fosse hoje ou ama­nhã. As circunstâncias ainda seriam as mesmas.

— Porque eu sou negra e você é branco, Tag.

Ele sorriu e seus olhos cintilaram como se tives­sem lhe falado algo escandaloso, simplesmente ina­creditável.

— Você está brincando — disse ele, fingindo sur­presa. Pegou a mão dela, colocou ao lado da dele, para evidenciar o contraste da cor da pele deles.

— Sério? Eu nem havia percebido.

Ela não conseguiu evitar o riso. E naquele momen­to decidiu que gostava dele.

— Fala sério.

— Estou falando. E o que é sério é que gosto de sua companhia. Faz muito tempo que não me sinto tão relaxado, especialmente desde que soube do cân­cer de seio de mamãe e assumi mais responsabilidades no trabalho. E não vou deixar um bando de idio­tas preconceituosos decidirem com quem eu deveria sair ou não. Tive de lidar com o falso juízo das pes­soas minha vida inteira. Acham que só porque meu nome é Elliot tudo é mais fácil.

Ela odiava ter de admitir, mas havia pensado a mesma coisa.

— E não é?

— Longe disso. Não existe essa palavra quando se tem um avô como Patrick Elliot.

Renee olhou para Tag.

— Fale-me sobre ele.

Eles chegaram à cafeteria sobre a qual Tag comen­tara que seria um bom lugar para comerem alguma coisa. Sentaram-se imediatamente, pois o movimen­to do dia j á havia diminuído.

— Patrick Elliot é um homem duro. Foi criado por imigrantes irlandeses que impregnaram nele um forte senso de ética. Trabalhou para poder estudar e aca­bou indo trabalhar em uma editora de revistas, fun­dando mais tarde seu próprio império.

Ele fez uma pausa quando a garçonete chegou com a água e entregou-lhes o menu. Renee, que evidente­mente estava com sede, deu um longo gole e lambeu os lábios molhados. Nesse momento, uma onda de desejo atingiu Tag. Era tão irresistível que ele teve de desviar o olhar.

— E?

Ele piscou com a pergunta de uma só palavra.

— E o quê? Ela sorriu.

— Você estava me falando sobre seu avô, mas acho que não terminou.

Ele deu uma risada, pensando em como fugira do assunto.

— Ah, é. Onde eu estava? — perguntou ele, rencostando-se na cadeira depois de beber um pouco d'água. — Quando estava na Irlanda visitando a família, ele se apaixonou por uma jovem costureira chamada Maeve O'Grady. Eles se casaram e criaram muitos filhos juntos. No entanto, eu acredito que o medo da pobreza de meu avô o fez se dedicar com afinco aos negócios.

Tag fez uma pausa, refletindo sobre quais seriam suas próximas palavras.

— Embora meu avô amasse muito minha avó, não passava muito tempo com os filhos, nem com os ne­tos, e ele não é muito expansivo. Mas sabemos que nos ama. Nós aceitamos que o amor verdadeiro dele era a empresa. Todos os filhos trabalham para ela, e ele é linha dura. Também insiste que todos os mem­bros da família, incluindo os netos, devem traçar o caminho até o topo dando duro em vários níveis do negócio. Sem exceções.

Renee bebeu um pouco d'água e perguntou:

— Quantos anos você tinha quando começou a tra­balhar na empresa?

Ele sorriu, lembrando-se daqueles tempos.

— Tinha 16 quando comecei, no setor de corres­pondência. E não tinha tratamento especial algum por meu sobrenome ser Elliot. Mais tarde me formei em jornalismo na Universidade de Colúmbia.

Então, a garçonete voltou, para anotar o pedido de­les. Pediram hambúrgueres, milkshakes e batata frita. Quando ela saiu, Tag virou-se para Renee e disse:

— Não me lembro da última vez em que comi bes­teira. Geralmente estou tão ocupado.

Renee pareceu surpresa.

— Você está brincando. A maioria das pessoas come besteira porque não tem tempo para comer di­reito. Então, o que você come?

— Comida nutritiva. O cara que mora na porta ao lado da minha é chefe de cozinha e mantém minha geladeira cheia.

— Meu Deus, isso deve ser bom — disse ela com um sorriso despontado. — Especialmente porque você pode me chamar de a rainha do forno de micro­ondas. Não tenho tempo para cozinhar. Sou tão ocu­pada que mal tenho tempo de trocar de roupa depois do trabalho antes de resolver um problema ou outro. É mais fácil para mim colocar algo no microondas.

Tag engoliu em seco. Ele imaginava Renee cor­rendo pela casa depois de um dia longo e exaustivo, despindo-se. Desejou saber o que ela usava por baixo das roupas. Depois blasfemou por ter deixado aquela especulação guiar seus pensamentos.

— Eu falei sério quando disse que você não preci­sa me levar em casa.

Tag olhou para ela. Então voltaram àquele assunto novamente. Não a deixaria em hipótese alguma en­trar em um metro quando não haveria problema al­gum em levá-la para casa.

— Você disse que conheceu minha mãe, não dis­se? — perguntou ele, olhando bem dentro dos olhos de Renee.

O olhar azul dele quase a deixou enfeitiçada.

— Sim. Por quê?

— Ela tem um traço que você talvez ainda não te­nha percebido, e, de todos os filhos, fui eu quem mais puxou tal traço.

Interessada, Renee perguntou:

— E que traço é esse?

— Teimosia.

— Ah — disse ela —, e se eu disser que provavel­mente posso ser tão teimosa quanto você?

Ele examinou-a por um instante e depois sorriu.

— A única coisa que posso dizer é que um empate entre nós deve ser muito interessante.

 

— Tudo bem, admito a derrota. Você venceu este round, Teagan Elliot.

E ele tinha de admitir que ela estava linda sentada em seu carro.

Agora, fala sério, Renee. Você realmente achou que o cavalheiro dentro de mim deixaria você peram­bulando por Nova York à noite?

Ela olhou para ele, frustrada, quando ele parou o carro, um Lexus SUV, no sinal.

— Não vejo por que não, pois sempre faço isso. E pegar um metro não é perambular, é sair do ponto A e chegar ao ponto B.

Tag balançou a cabeça e admitiu para si mesmo que adorara o tempo que haviam passado juntos hoje. Tinha sido bom e muito divertido. Embora tivesse de admitir que se envolver com ela estaria no topo da lista de qualquer homem, não era o caso dele. Não ti­nha tempo. Pulse era seu único envolvimento. Pulse e sua família.

— Moro no próximo quarteirão.

A voz dela trouxe-o de volta à realidade.

— Ótimo lugar. Costumava correr nesse parque quando estava na universidade.

Ela sorriu para ele.

— Corro bastante por lá agora. Faço parte da Coli­gação do Parque Morningside. Trabalhamos com a prefeitura para preservar e melhorar o parque.

Quando ele parou na frente do prédio, ela disse:

— Você não precisa me levar até a porta.

Uma parte de Tag desejou saber se era por que ela não queria ser vista com ele. Por alguma razão, esse pensamento o incomodou. Ele curvou o corpo e colo­cou a mão no rosto dela.

— Sinto muito, mas não existe a possibilidade de eu deixá-la no meio do caminho. Minha tarefa só es­tará completa se eu levá-la até a porta para ter certeza de que você chegou bem.

— Obrigada. Não queria fazer você sair do carro. — Ela sorriu para ele, que imediatamente sentiu o calor dela. Ficou aliviado por ela não estar sentindo-se mal em ser vista com ele. No entanto, ele sentia o ner­vosismo dela. Ela estava preocupada achando que ele fosse beijá-la para se despedir? E se beijasse? Ela responderia ao beijo? Só havia uma maneira de des­cobrir.

Renee observou Tag dar a volta no carro para abrir-lhe a porta. Não podia deixar de pensar nas di­ferenças que existiam entre ele e Dionne. Além da cor de pele, havia a maneira como viam as mulheres. Dionne tinha sido criada por uma mãe solteira que havia sido uma supermãe.

— Obrigada — disse ela quando Tag abriu a porta do carro e estendeu a mão para ajudá-la a sair do veículo. Seu coração palpitou quando as mãos se toca­ram e ela desejou saber se só ela sentira aquilo. Evi­dentemente, não fora apenas ela, pois ele continuou segurando-a enquanto caminhavam até os degraus da portaria do prédio.

Ele continuou a segurar sua mão enquanto subiam as escadas até o apartamento dela.

Ele deu um passo para o lado enquanto ela abria a porta. Desejou saber se ele estava esperando que o convidasse para entrar. Passaram o dia juntos sem qualquer tipo de paquera ou alusão a se conhecerem melhor, então, por que seu coração estava batendo a mil por hora?

Ela limpou a garganta.

— Obrigada novamente, Tag. O dia foi muito agradável.

— Também acho. E se cubra bem esta noite. A temperatura vai cair.

— Tudo bem.

Ela pensou na enorme cama onde estaria deitada sozinha, e pela primeira vez em dois anos essa idéia incomodou-a. Também a fez pensar que Dionne tinha sido o último homem com quem tivera alguma coisa séria. Assim que se mudou para Nova York, passava mais tempo cuidando da carreira do que tentando al­gum relacionamento que valesse a pena. Ficava di­zendo para si mesma que só tinha 28 anos e que não havia pressa. Mas, de repente, sentiu-se... apressada. — Você janta comigo amanhã à noite?

Ela piscou e depois olhou para os penetrantes olhos azuis de Tag.

— Jantar?

— Sim. Jantar. Amanhã à noite.

Renee suspirou. Tudo bem, ele fizera a pergunta de um milhão de dólares. Como ela podia responder? Se ele fosse afro-americano, ela provavelmente não teria hesitado, mas havia questões a serem considera­das em relação ao fato de ele ser branco. A diferença entre a raça deles era o fator mais importante, mas também havia a diferença social. A família dele pos­suía uma editora que ocupava um quarteirão inteiro de Manhattan. Ele morava em Tribeca, uma área co­nhecida por seus condomínios de alto nível, ruas cal­mas, boas escolas e um estilo de vida caro. Para pes­soas como os Elliot.

— Renee?

Ela olhou para ele.

— Sim?

— Podemos entrar em seu apartamento para termi­narmos esta conversa? Acho que estamos chamando atenção.

Renee olhou à volta, percebendo que a afirmação de Tag era verdadeira. Um casal estava olhando cu­rioso para eles.

— Sim. Vamos entrar.

Ela abriu a porta, e assim que entraram o calor in­vadiu-a como nunca antes.

— Aceita alguma coisa para beber?

Ele encostou-se contra a porta fechada. Colocando as mãos nos bolsos dos jeans, respondeu:

— Não, estou bem, mas o que você pode fazer é responder minha pergunta sobre jantarmos amanhã à noite.

Renee lambeu os lábios com nervosismo.

— Não faça isso.

— O quê?

— Lamber os lábios assim. Você já fez isso várias vezes hoje e sempre eu tive vontade de substituir sua língua pela minha. Mesmo agora, estou me seguran­do para não fazer isso.

O coração dela de repente começou a bater mais rapidamente. Por força do hábito, ela automatica­mente lambeu os lábios novamente, e quando perce­beu o que havia feito, rapidamente disse:

— Oops. Não tive a intenção.

Os olhos dele ficaram colados no rosto dela.

— Tarde demais, você já fez.

Ele desencostou da porta lentamente, reduzindo a distância que os separava. Quando parou na frente dela, examinou-a com uma intensidade que ela sentiu de cima a baixo.

— Isso é loucura — disse ele em uma voz grossa e rouca —, mas estou louco para beijar você.

Sim, era loucura. Ela concordou consigo mesma, porque também estava louca para que ele a beijasse. Mais cedo, fizera uma lista mental com todos os mo­tivos impeditivos de envolvimento entre eles, mas nesse exato momento a única coisa na qual conseguia concentrar-se era em como ele a estava olhando. O calor parecia tomar conta de seu corpo e o desejo, cir­culando em suas veias. Nenhum homem a fizera se sentir desse jeito.

Ele a olhava tão atentamente quanto ela para ele. Os dois sabiam que o próximo passo não seria esque­cido por um longo tempo — se é que algum dia o con­seguiriam. Tag olhou para os lábios dela, viu-os tre­merem de nervoso e soube o momento exato em que ela iria lambê-los novamente. Ele estava pronto.

A língua dele capturou a dela do lado de fora da boca, entrelaçou-a na dela e explorou-a por inteiro, levando esse prazer íntimo a um nível jamais atingi­do. Beijar era uma maneira especial de comunicar-se sem palavras, e o que não estava dizendo fazia com que ficasse mais incendiado, despertando emoções negadas a si mesmo há muito tempo. Afeição, paixão e desejo guiavam seu pensamento, sua mente, seu corpo.

Ele achava os lábios dela lindamente desenhados, e sua reação tinha sido espontânea. Ele estava gostan­do do sabor dela, afogando-se em sua fragrância, le­vando o beijo a um nível absurdo.

Renee ficou, literalmente, sem ar, mas não queria pensar em suas línguas se desconectando. Nunca ha­via sido beijada assim. O beijo dele estava deixando-a sem ar, de pernas bambas, gemendo alto.

Uma parte dela queria acabar com tudo o que esta­va sentindo. Tentou lembrar-se de que não estava fazendo algo correto: ele era branco, rico, a mãe dele era sua paciente... e assim por diante. Mas nesse exa­to momento a única coisa em que pensava era no ar­repio que sentia, de cima-a baixo, e o calor que se acumulara entre suas pernas. E também a ereção dele, que sentia fortemente contra seu corpo. E seus mamilos sensíveis, pressionando o sólido peitoral dele.

Lentamente, ele afastou-se, respirando fundo. O som infiltrou-se nela como um carinho. Os olhos azuis que a observavam continham tanta intensidade que sua pulsação acelerou-se ainda mais.

— Esse — disse ele — foi meu primeiro.

— Seu primeiro o quê? — ela, de alguma maneira, conseguiu perguntar com um sussurro.

— Meu primeiro beijo de verdade — ele franziu a testa como se estivesse incomodado com seus pensa­mentos. — Nunca me entreguei tanto a uma mulher.

As palavras dele eram intensas e profundas, como o beijo. Ele esticou o braço e levantou o queixo dela com a ponta de um dedo.

— Você é simplesmente linda — então ele balan­çou a cabeça. — Não. Retiro o que disse. Não tem nada de simples em relação a isso.

Ele curvou-se e beijou os lábios dela novamente.

— Agora, para repetir a pergunta que fiz antes, você janta comigo amanhã à noite?

Renee soltou a respiração. Sua mente, graças a Tag, estava totalmente confusa, mas o fato de que não poderiam se ver assim de novo, por inúmeras razões, sobre as quais não queria discorrer no momen­to, estava bem claro.

— Não acho que jantar com você seja uma boa idéia.

Ele ergueu uma sobrancelha e perguntou:

— Por que não?

Ela respirou fundo. Ele estava dificultando as coi­sas. O que era óbvio para ela, evidentemente não era óbvio para ele. Aquele beijo revelara muita coisa. Mais beijos, e ela entregar-se-ia sem preocupar-se com as diferenças entre eles.

Sabendo que ele esperava por uma resposta, ela decidiu sair pelo caminho mais fácil.

— Sua mãe é minha paciente. Não deveríamos nos envolver.

Tag abriu a boca para dizer que jantar com ele não era envolver-se, mas não estaria sendo totalmente ho­nesto. Se jantassem juntos, ele iria querer dar-lhe um beijo de boa noite, e um outro beijo como o que ti­nham acabado de dividir poderia fazer com que ele implorasse por algo mais. Quando se beijaram, e suas línguas se acariciaram, sentiu que os lábios dela eram tão macios, o gosto tão doce...

— Por quanto tempo? — perguntou ele encostan­do-se na porta.

Renee piscou.

— Por quanto tempo o quê?

— Por quanto tempo minha mãe vai ser sua pa­ciente?

Renee colocou as mãos nos bolsos da saia, ner­vosa.

— Oficialmente, até depois da cirurgia, e depois que receber alta. Mas ainda estarei disponível para o que ela precisar quando começar a quimioterapia.

Ele balançou a cabeça.

— E essa regra de não se envolver com a família de um paciente é sua ou do hospital?

Renee engoliu em seco. O olhar dele parecia quei­má-la. Nesse momento estava nos lábios dela, e sua boca sentia o calor. Ela lambeu os lábios e lembrou-se da reação dele sempre que fazia isso.

— É minha, mas eu acho que é o melhor.

— Acha? — o sorriso que de repente apareceu no rosto dele era desafiador, sexy e audacioso. — Então eu acho que vou ter de provar que não é a melhor de­cisão.

Ele puxou-a para perto dele, abraçou-a e sussurrou no ouvido dela:

— Pense em mim esta noite. Depois se virou e foi embora.

— E então, Tag, como foi de fim de semana? Tag, que servia dois copos de vinho, olhou para o irmão. Liam tinha passado para uma visita.

— Foi bom. Decidi passar um tempo longe do tra­balho e visitei algumas exposições de arte no Village.

Liam passou a mão no rosto. Cansado. Frustrado. Agitado. Os três.

— Bom saber que alguém pode colocar o trabalho de lado para se divertir um pouco.

— Você também pode — disse Tag. Liam, o ope­rador financeiro da editora era conhecido como exí­mio conhecedor do setor de finanças. — Parar um pouco para relaxar não vai colocar a empresa no ver­melho, Liam. Você merece.

Liam suspirou.

— Falando em colocar a empresa no vermelho — disse ele, depois de bebericar seu vinho —, estou preocupado com esse desafio do vovô. Pessoalmente, não vejo como isso pode ajudar a empresa. Na verda­de, creio que pode nos prejudicar no longo prazo. No que ele estava pensando quando nos colocou um con­tra os outros dessa forma? Ontem eu estava andando pelos corredores e, assim que virei a esquina, qual­quer conversa que tia Finola e Sacarlet estavam ten­do, praticamente morreu nos lábios dela quando me viram. Era como se me considerassem um espião ou coisa assim.

Tag balançou a cabeça para o que Liam estava di­zendo. Ele passara por uma situação parecida na sema­na anterior, quando entrou na conversa de tio Daniel e da prima Summer. Era estranho como todos tinham passado a agir em segredo por causa do desafio do avô.

— O vovô é um homem esperto — disse Tag. — Embora eu não entenda por que faria uma coisa des­sas, penso que nunca faria algo que pudesse prejudicar o negócio. Você sabe a relação dele com a empre­sa. É o bebê dele.

Liam teve de concordar.

— E, então, você está pronto para terça-feira? — perguntou ele, dando outro gole em seu vinho.

Tag balançou a cabeça. Terça-feira era o dia mar­cado para a cirurgia da mãe deles.

— Não, mas o quanto antes mamãe passar por isso, o mais rapidamente pode se recuperar.

Liam fechou os olhos por um instante, completa-mente exausto.

— Sim, você está certo — ele então olhou para o relógio e levantou-se. — Acho que vou passar no es­critório para resolver umas coisas antes de ir para casa.

Depois de Liam partir, sem nada para fazer, Tag tomou banho e se arrumou para dormir. Assim que entrou debaixo dos cobertores, pensou em Renee. Ele não tinha a intenção de beijá-la, mas beijara, e isso foi o começo de seu problema.

Ele não esperara desenvolver alguma coisa em re­lação a ela, mas o fizera. Ele queria ter continuado a beijá-la, sentindo-a. Os lábios dela estavam quentes, contra os dele.

E hoje mais cedo, enquanto estava com ela em Greenwich Village, falaram sobre uma série de coi­sas. Ela contara que os pais eram falecidos. Quando tinha dez anos de idade, o pai dela morrera em um acidente de trabalho e, a mãe, de câncer de colo quan­do Renee estava no último ano do ensino médio. Ela lembrara-se de como as assistentes sociais e os fun­cionários do hospital tinham sido legais com ela e com sua mãe, e, finalmente, seguiu os passos delas, obtendo um diploma em assistência social, com espe­cialidade em serviços de saúde.

Durante o tempo que passaram juntos hoje, ele a observara e ficara sensibilizado com o fato de que a menor coisa podia fazê-la sorrir. Observara a manei­ra como ela interagia com as pessoas: sempre respei­tosa, cortês, educada e atenciosa. Mesmo quando não precisara ser... como com Thomas Bonner.

O homem vira uma coisa em Renee que Tag não vira. A cor. Para Tag, Renee era uma mulher linda. Ele não a via como uma mulher com uma cor de pele em particular, mas uma mulher desejável. Mas ele ti­nha a sensação de que não era assim com ela. Depois de passar um dia inteiro em sua companhia, ele acre­ditava que estavam construindo uma amizade. Mas depois de beijá-la, sentir o sabor dela, ele queria mais, queria algo sobre o qual não pensava há muito tempo. Ele queria um relacionamento. Droga.

Como ele podia decidir uma coisa dessas depois de passar um dia com ela? Depois de apenas um bei­jo? Ele não tinha certeza de quão profundo queria que o relacionamento fosse, mas sabia que desejava. Pre­tendia levá-la para jantar, ao cinema, ao teatro... e muitas outras coisas. Queria aparecer no apartamento dela algumas tardes para conversar sobre como tinha sido o dia dele e também para saber como havia sido o dela. Queria convidá-la para ir a sua casa e cozinhar para ela... ou pedir para Lewis, o vizinho, chefe de cozinha. E ele adoraria levá-la para o Une Nuit, o res­taurante de seu primo Bryan, e apresentá-la para sua família inteira.

Ele balançou a cabeça e respirou fundo. Jamais pensara em apresentar qualquer mulher para sua fa­mília, mas queria apresentar Renee, dividir todas as coisas com ela.

Ele passou a mão pelo rosto, frustrado, porque ela não queria nada daquilo. Ele sabia que tinha de dar um tempo para ela. Eles teriam um caso inter-racial. Pelo menos, era assim que ela o veria. Ele os conside­rava apenas um homem e uma mulher atraídos um pelo outro decidindo levar essa atração para um outro nível.

Mas teria de esperar! Nesse momento, tinha de fi­car satisfeito em vê-la terça-feira no hospital. Mas aquilo não era o suficiente.

 

— A cirurgia da sua esposa foi um sucesso, sr. Elliot.

Tag pôde perceber o profundo alívio no rosto do pai e no dos seus irmãos, reunidos na sala de espera.

— E você acha que tirou tudo — perguntou Michael Elliot.

O dr. Chaney balançou a cabeça.

— Sim, embora tenhamos de observar sua reação por algum tempo, acredito que tiramos todo o câncer. Ela vai permanecer aqui por alguns dias.

— Quando podemos vê-la? — perguntou Gannon, com a noiva ao lado.

— Por enquanto ainda não. Daqui a uma hora mais ou menos. Ela está sedada e permanece na sala de re­cuperação. Sugiro que comam alguma coisa. Quando voltarem, ela deve estar acordada.

Depois que o médico saiu, Michael encontrou os intensos olhares dos filhos.

— A mãe de vocês vai ficar bem. Quando receber alta, vou levá-la ao Tides para que se recupere.

Tag balançou a cabeça. O Tides era a propriedade de quatro acres da família Elliot em Long Island. O av.ô dele comprara a propriedade 40 anos atrás e se mudara de lá com a família, porque o lugar o fazia lembrar da avó. Tag concordava que seria o lugar perfeito para sua mãe descansar e se recuperar.

— Gosto da assistente social da sua mãe — disse Michael Elliot. — Foi gentil da parte dela passar aqui antes para nos ver. ,

Tag levantou a cabeça.

— Renee esteve aqui?

Ele percebeu o jeito que seu pai olhou para ele, provavelmente surpreso com o uso do primeiro nome dela, o que indicava alguma familiaridade.

— Sim, há uma hora mais ou menos, quando você, Gannon e Liam desceram para tomar café.

Tag balançou a cabeça, absorvendo aquela afirma­ção em silêncio. Ele queria ter estado presente quan­do ela apareceu. Ele olhou para o relógio, tomando uma decisão rápida.

— Já que o médico disse que vai levar ao menos uma hora para podermos ver a mamãe, acho que vou dar uma volta. — Ele olhou para os irmãos e a ex­pressão deles claramente dizia: Dar uma volta? Sim, está bem.

Ignorando-os, Tag pediu licença e seguiu em direção ao elevador mais próximo.

— É verdade que você é a assistente social de Karen Elliot?

Renee tirou os olhos de seu sanduíche e deu de en­contro com o olhar curioso de Diane Cárter. Diane era enfermeira da área de trauma e uma das maiores fofoqueiras do hospital. Renee, normalmente, a evi­tava a todo o custo, mas quando ninguém o fazia, ela, de vez em quando, sentava-se com Diane para almo­çar.

Renee tinha de admitir que com seus olhos azuis e cabelos louros ela era naturalmente bonita. Mas os rumores diziam que, além de ter problemas de língua destravada, também, às vezes, era grudenta demais, o que afastava muitos homens.

— Sim. Sou a assistente social de Karen Elliot — disse Renee finalmente, depois de beber um pouco de sua limonada.

— Cara, você é uma sortuda — disse Diane com um sorriso afetado. — Você já encontrou com os fi­lhos dela?

Renee pensou em Tag.

— Só conheci um. Teagan Elliot.

— E o que você achou dele?

A última coisa que Renee faria era dizer a Diane o que realmente pensava sobre Tag.

— Ele é simpático.

Diane encostou-se na cadeira e olhou para ela como se, definitivamente, ela tivesse algum parafuso solto.

— Só simpático? Vi fotos dele na coluna social do jornal algumas vezes e ele é tão bonito que chega a doer.

Logo que as palavras saíram dos lábios de Diane, a mão de Renee ficou imóvel no copo de limonada prestes a ser levado à boca quando Tag entrou na lanchonete do hospital. Ele olhava a sua volta como se procurasse por alguém, depois os olhos iluminaram-se ao vê-la. A conexão de seus olhares fazia coisas engraçadas com o corpo de Renee. Não demorou muito para lembrar-se do beijo de três dias atrás; um calor que ainda a aquecia inteiramente sempre que pensava nele.

— Renee, está tudo bem?

Ela olhou rapidamente para Diane. Não, não esta­va tudo bem, mas Diane seria a última pessoa para a qual diria o porquê.

— Sim, estou bem.

E com o máximo de esforço possível bebericou sua limonada e depois deu uma mordida no sanduí­che, tentando não notar que Tag estava do outro lado, olhando para ela.

Tag respirou fundo logo que seu olhar encontrou Renee. Ele a queria. Como ela poderia não querê-lo? Por que se convencera de que por não ter tempo não se envolveria com alguém? A quem ele estava enga­nando? Definitivamente, queria envolver-se quando o objeto de sua atração era Renee.

Ele então atravessou a lanchonete. Ele tinha ido ao consultório dela e a secretária dissera que talvez esti­vesse almoçando por lá. Ele esperara encontrá-la so­zinha, mas parecia que ela estava com outra pessoa. Mas isso não o impedia de querer vê-la.

Renee só percebeu que Tag caminhara em sua direção quando ele estava a seu lado. Ela levantou o rosto e sentiu a corrente de sensualidade que imedia­tamente se estendeu entre eles, então desejou saber se Diane também a percebera.

Ela logo assumiu sua postura profissional, limpou a garganta e, no melhor tom formal, disse:

— Sr. Elliot? Como vai? E como está sua mãe?

Tag sentiu o nervosismo dela, viu seu olhar caute­loso e observou-a colocar o lábio inferior entre os dentes. Ele lançou um olhar superficial para a compa­nheira dela, mas rapidamente registrou que ela o exa­minava com grande interesse. Ele sabia o que Renee pedia em silêncio.

— Minha mãe está bem, sra. Williams — disse ele, com seu tom formal. — O médico comentou que a cirurgia foi um sucesso. No entanto, é sobre isso que quero conversar, e lamento ter de interromper seu almoço, mas gostaria de conversar em particular.

Renee sentiu o olhar de Diane e ficou feliz que Tag tivesse percebido sua advertência silenciosa. A últi­ma coisa de que precisava era que a enfermeira fizes­se comentários pelos corredores.

— Sim, claro. Já estava terminando. Podemos vol­tar a meu consultório.

Sentindo um chute de leve nas pernas, sob a mesa, Renee percebeu que Diane estava ansiosa para as apresentações.

— Sr. Elliot, esta é Diane Cárter. Uma de nossas enfermeiras da área de trauma.

Diane sorria radiante quando ofereceu a mão a Tag.

— Sr. Elliot, um prazer.

— Prazer também, sra. Cárter. Desculpe por tirá-la de você, mas preciso falar sobre um assunto impor­tante.

— Ei, não há razão para se desculpar. Eu entendo. Renee duvidava que Diane tinha entendido, pois nem ela tinha.

O calor espalhou-se por suas veias assim que os dois entraram no elevador. Sozinhos. Nenhum deles falou coisa alguma, e enquanto subiam até o sexto an­dar ela tentava se lembrar de todos os motivos pelos quais eles não deviam se envolver.

— Sinto muito por não estar lá quando você foi ver como estava minha família.

— Faz parte do meu trabalho falar com a família dos pacientes durante a cirurgia para ver se posso fa­zer algo por eles.

— Bom saber, pois tem uma coisa que você pode fazer por mim.

— E o que eu posso fazer por você, sr. Elliot?

— Para começar, como estamos sozinhos agora, você pode parar de fingir que sábado à noite não exis­tiu. Que nós nunca nos beijamos. Que nunca nos to­camos. Que não nos entregamos à paixão.

Ele percebeu o tremor que atravessou o corpo dela, mas antes que pudesse fazer algum outro co­mentário, o elevador parou.

Quando a porta abriu, Tag deu um passo para trás para deixar Renee sair. Nenhum dos dois disse nada enquanto caminhavam pelo corredor até o consultório dela, lado a lado. A secretária olhou para os dois e sorriu, depois voltou sua atenção para o computador. Renee gostava da secretária, de cinqüenta e poucos anos, que trabalhava com ela nos quase dois anos que Renee estava ali. Vicki era eficiente, confiável e al­guém que respeitava a privacidade de Renee.

Renee abriu a porta e entrou no consultório. Tag seguiu-a, e fechou a porta. Ele observou-a atravessar rapidamente a sala e não pôde deixar de admirá-la em seu terno marrom-chocolate. A saia ia até a altura dos joelhos, e seu primeiro pensamento era de que ela, definitivamente, tinha umas pernas lindas.

— Fico feliz que a cirurgia de sua mãe tenha sido um sucesso.

O olhar de Tag moveu-se das pernas para o rosto dela. Ela estava no meio do consultório, olhando para ele, nervosa.

— Eu também.

— Você disse que precisava falar comigo sobre ela.

Ele deu de ombros, decidindo ser sincero.

— Disse isso para ficar sozinho com você.

Ele observou os olhos dela estreitarem-se. Tudo bem, ela não tinha ficado satisfeita em ouvir a verda­de, mas vê-la aqui sozinha na sala com ele levava-o a concluir que a mentira valera a pena. Ele sorriu.

Renee desejava poder eliminar a visão de Tag na­quele terno de sua mente, o epítome da fantasia de qualquer mulher. Mas tinha de admitir, mesmo que ele estivesse usando camiseta e jeans, estaria lindo.

E também havia o jeito como ele sorria.

— Sr. Elliot, vou ter de ser estritamente profissio­nal.

— Como você quiser.

Renee estava ficando frustrada, e Tag não estava cooperando.

— Tenho de trabalhar. Ele sorriu.

— Você não precisa fazer com que eu me lembre disso, pois o trabalho foi o que nos fez ficar juntos.

— Nós não estamos juntos.

— Depende de sua definição para a palavra — dis­se ele.

Decidindo que já havia falado o suficiente, ele mo­veu-se para ela, diminuindo a distância entre os dois, e parou na sua frente.

— Tenho de voltar. Minha mãe deve estar acor­dando, e quero estar lá.

Ele fez uma breve pausa e depois acrescentou:

— Mas eu queria ver você, só para me assegurar de que sábado foi real e não parte de minha imaginação.

Renee cruzou os braços e levantou o queixo.

— E o que que tem se foi real? Sábado foi sábado, hoje é hoje. Não deveria ter deixado as coisas saírem do controle daquele jeito.

— Você tem certeza? — perguntou Tag. Ele que­ria apagar aquela mentira da boca de Renee com um beijo. Ela não conseguiria convencê-lo de que se ar­rependia do que haviam compartilhado no sábado.

— Sim, tenho certeza.

— E você não quer me beijar de novo?

— Claro que não! Em primeiro lugar, gostaria que você nunca tivesse me beijado!

Renee olhou para ele furiosa e percebeu que o olhar dele parecia mais intenso do que nunca. Ela res­pirou fundo quando ele curvou o corpo e posicionou sua boca perto da dela.

— Agora me diga novamente que você queria que eu nunca tivesse beijado você —- sussurrou ele, perto dos lábios dela.

Renee abriu a boca para falar, mas não conseguiu fazer com que as palavras saíssem. Então, rapida­mente, fechou-a.

— Diga — sussurrou ele.

Ela inspirou com força quando uma sensação late-jante tomou conta de seu corpo, parecendo começar nos mamilos e ir direto para o meio das pernas.

Não era para isso estar acontecendo, ela nunca se sentira atraída por um homem dessa forma. Nunca ti­vera um relacionamento sério com um homem bran­co. Mas tinha alguma coisa em Tag que desafiava a razão. Pelo menos, a dela. E ele parecia achá-la tão sexualmente atraente quanto ela o achava.

E ela queria beijá-lo novamente.

Sabendo que se arrependeria dessa decisão, ela le­vantou o queixo, o que fez com que suas bocas se unissem. Mas ele não se mexeu. Permaneceu imóvel, o olhar preso ao dela, enviando tremores deliciosos para seu corpo. Os tremores, combinados com a bati­da acelerada de seu coração, estavam tendo um efeito infernal nela. Mas ele continuou lá, imóvel, deixan­do-a saber que, se quisesse o beijo, ela teria de dá-lo. Com um gemido que não sabia que iria soltar, aproxi­mou-se dele e capturou sua boca.

Ela pegou os ombros dele e recebeu sua língua com agrado quando entrou em sua boca, acarician­do-a e enviando tremores de prazer para todo o seu corpo.

E, então, o ritmo do beijo mudou, quando ele assu­miu o comando. O beijo transformou-se de suave e calmo para quente e possessivo. E ela respondeu automaticamente, sentindo os músculos abdominais se contraírem. Um calor intenso acumulou-se entre suas pernas.

A campainha do telefone interrompeu-os, e Renee afastou-se, interrompendo o beijo. Respirando fun­do, ela esticou o braço e apertou o botão do telefone.

— Sim, Vicki — ela conseguiu dizer, apesar de o calor continuar a se mover em sua barriga.

Ela olhou para Tag. O olhar firme nela a queimava de desejo, e ele ficou parado esperando, como se não tivesse acabado.

— Seu paciente das 13h está aqui, sra. Williams. Renee umedeceu os lábios de nervoso. Beijar Tag fizera com que ela esquecesse de tudo, incluindo o fato de que este era seu consultório e de que ela esta­va no meio dele beijando Tag. E se alguém tivesse entrado? Podia imaginar o escândalo!

— Obrigada, Vicki. Dê-me mais alguns minutos para terminar a entrevista com o sr. Elliot.

Renee voltou a atenção para Tag, ainda no mesmo lugar, olhando fixamente para ela. Tudo bem, então tinha sido ela quem tivera a iniciativa do beijo dessa vez. Mas isso não mudava o fato de que não podiam se envolver, e ela precisava fazer com que ele enten­desse isso. Ela iria perder mais do que ele.

— Um relacionamento entre nós não vai dar certo, Tag — disse ela calmamente.

— Você acha?

— Acho.

— Por ser minha mãe sua paciente?

— Entre outras razões tão importantes quanto — disse ela, decidida a revelar, já que parecia não dar si­nal algum de que tinha alguma pista. Com certeza, ele era tão capaz quanto ela de ver os obstáculos que enfrentavam como um casal.

Ela cruzou os braços.

— E quais são essas outras razões?

— Não acredito em casos fortuitos. O que inclui envolver-me em uma relação que sei de antemão não irá a lugar algum. Você é branco e eu negra. Você é um executivo rico, e eu uma assistente social cuja renda não vai chegar perto da sua nem em um milhão de anos.

Ele continuou a olhá-la fixamente.

— E?

Como ele podia perguntar quando estava tão cla­ro? Mas se ele queria que ela explicasse ainda mais, ela explicaria.

— E daí que eu nunca namorei alguém que não fosse da minha cor? Prefiro ficar em minha zona de segurança. Eu sou uma mulher que nunca sonhou em se casar com um cara rico.

Ele deu risada, mas ela podia perceber que ele não estava achando engraçado, que sim estava irritado.

— Você está dizendo que está baseando sua deci­são na cor da minha pele e no meu dinheiro?

Ela imediatamente levantou as defesas.

— Por que você iria querer se.envolver comigo, Tag? Vamos cair na real. Eu sou o tipo de mulher que sua família esperaria que você levasse para jantar?

Os olhos dele ficaram escuros de raiva.

— Em primeiro lugar — disse ele em um tom de voz irritado —, não me lembro de ter pedido que você tivesse um relacionamento com minha família, somente comigo. Segundo, minha família nunca di­tou, nem nunca vai ditar, como devo viver minha vida, e com quem. É claro que estaria mentindo se dissesse que não fui criado dentro de certos valores, mas um dos pontos que meus avós e meus pais insis­tiram comigo mais do que qualquer outra coisa foi julgar as pessoas pelo caráter, não pela aparência ex­terna. E é óbvio que você não está fazendo isso. Se você está me julgando por minha aparência e pelo ta­manho da minha conta bancária, então não temos mais nada para falar.

Ele virou-se e saiu.

Esse era um dos dias que Renee ficou feliz por não ter mais nenhum compromisso marcado depois do das 13h. Queria arejar a cabeça. As palavras que Tag pronunciara, a acusação, ainda estavam em sua cabe­ça, e recusavam-se a sair. Por que ele complicara tan­to as coisas? Por que não entendia que a decisão dela era para poupá-los da dor e das fofocas desnecessá­rias?

Oh, sim, ela sabia que havia muitos casais inter-raciais apaixonados e dando certo, apesar dos contras. E eram esses contras que a incomodavam, mais do que qualquer outro fator. Ele não morava em outro planeta, sabia as regras que a sociedade impunha e os problemas que você podia encontrar se decidisse ir contra elas.

Ela lembrava-se muito bem de Cheryl Hollis, de como ela agira sem o consentimento dos pais e namo­rara um cara branco enquanto estava no colégio. Che­ryl ficara grávida. Os pais dele tinham dinheiro e ameaçaram deserdá-lo caso ele assumisse o filho. Então, ele fizera exatamente o que os pais mandaram: deixou Cheryl sozinha, grávida e de coração partido.

Tag não era o estudante dependente dos pais, mas ainda era um Elliot. A influência e a fortuna da famí­lia estavam no mesmo nível das do Kennedy e Bush. Droga, a avó dele, provavelmente, podia convidar Oprah para jantar pessoalmente. Renee colocou uma das mãos no rosto, triste. Recusava-se a deixar que Tag colocasse a culpa nela. Ela não era preconceituo-sa, era prevenida.

Mas, no entanto, quando desligou o computador, não conseguia apagar da mente que Tag Elliot provocara nela alguma coisa que nenhum outro homem fora capaz, desde Dionne. Ele a fizera lembrar-se de que era uma mulher — uma mulher com emoções, vontades, necessidades físicas e desejos. Só não esta­va acostumada que um homem a fizesse perder o con­trole. A palma das mãos estavam suadas só de pensar naquele beijo que deram mais cedo.

Ela respirou fundo. Não importava o que, ela pre­cisava acreditar que fizera a coisa certa permitindo que Tag soubesse como se sentia. Mas, se era esse o caso, por que fazer a coisa certa a deixava sentindo-se tão mal?

 

— Eu não entendo o que você está dizendo, pai. Mamãe não quer nos ver? — perguntou Tag, completamente confuso.

Michael Elliot olhou para as expressões confusas de seus quatro filhos. Ele sabia que a conversa seria difícil, mas precisava fazer com que entendessem como estavam as coisas com a mãe deles.

— Como vocês sabem, sua mãe está recebendo alta do hospital hoje, e eu vou levá-la para o Tides, para recuperar-se. Ela pediu para ficar sozinha por um tempo, quando estivesse lá. Não quer ver nin­guém. Nem vocês.

— O quê? — Tag, Liam, Gannon e Bridget excla­maram simultaneamente, com expressões chocadas.

— Você tem certeza de que foi isso que ela disse, pai? — perguntou Gannon, balançando a cabeça e achando difícil acreditar no pedido da mãe.

Michael balançou a cabeça com tristeza.

— Sim, e espero que vocês entendam como Karen está se sentindo. Ela passou por muita coisa, tanto emocional quanto fisicamente. Precisa desse tempo sozinha.

— O que ela precisa é de tempo com a família — disse Bridget. — Precisamos fazer alguma coisa, já que ela se sente assim. Não podemos chamar a assis­tente social dela já que é óbvio que mamãe está em um estado de depressão?

— Concordo com Bridget — disse Liam. — Deve haver alguma coisa que possamos fazer para animá-la.

— Também concordo — Tag falou. — Vou falar com Renee Williams para ver o que pode ser feito.

Só em pronunciar o nome Renee, Tag sentia uma alteração no corpo. Fazia quase uma semana desde o dia em que saíra irritado do consultório dela. Ele sa­bia que ela fora ver sua mãe algumas vezes no hospi­tal, mas a visitara quando ele não estava por perto.

— Quando podemos encontrar com a sra. Wil­liams? — perguntou Gannon, olhando para Tag pen­sativo.

— Vou falar com ela hoje.

Foi um daqueles dias que Renee precisara ficar no consultório até mais tarde para terminar algumas coi­sas. Olhou para o relógio e desligou o computador. Eram quase sete horas. Vicki também ficara para aju­dá-la a terminar um relatório.

— Estou indo — disse Vicki sorrindo, colocando a cabeça na porta.

Renee devolveu-lhe o sorriso.

— Obrigada pela ajuda. Estou contente por termos terminado tudo para a reunião de amanhã.

— Eu também. Vejo você amanhã de manhã. Não fique até muito tarde.

Renee sorriu.

— Não se preocupe.

Minutos depois, Renee já colocara tudo o que pre­cisava na pasta, ouviu então uma batida na porta. Pensando que fosse o pessoal da limpeza, não olhou para cima quando disse:

— Pode entrar, já estou terminando e...

Ela levantou a cabeça e o restante das palavras morreu em seus lábios quando viu que a pessoa de pé a sua porta era Tag. De repente, o calor percorreu seu corpo. Ele não disse nada. Nem ela. O silêncio entre eles estendeu-se.

Renee deu um suspiro fundo e trêmulo. Ela não o via há alguns dias e não conseguia imaginar por que ele estava ali. Já tinham dito tudo o que havia para di­zer.

Suspirando, ela fechou a pasta e, instintivamente, endireitou os ombros, colocando seu escudo de proteção no lugar.

— Tag, o que você está fazendo aqui? Ele entrou na sala e fechou a porta.

— Vi sua secretária lá embaixo e ela disse que você ainda estava aqui. Preciso falar com você.

Renee balançou a cabeça.

— Não acho que ainda tenha alguma coisa a ser dita.

— Não quero falar sobre nós, Renee. Quero falar sobre minha mãe. — Levantando a sobrancelha, ele acrescentou: — E dessa vez não é mentira.

E foi então que Renee percebeu algumas coisas em relação a ele. Os ombros rígidos, a falta de brilho nos olhos, a expressão tensa. Ela rapidamente atravessou a sala na direção dele.

— O que houve, Tag? Aconteceu alguma coisa com sua mãe?

— Não — disse ele calmamente. — Nada aconte­ceu com mamãe.

— Então, o que há de errado?

Ele limpou a garganta, ainda achando difícil acre­ditar.

— Ela disse a papai que não quer ver nenhum de nós, enquanto estiver se recuperando na casa de meus avós.

Renee balançou a cabeça devagar, compreenden­do. A última vez que estivera com a mãe dele, perce­beu que ela estava entrando em depressão. Fora no mesmo dia que o médico tirara as ataduras do peito dela para mostrar-lhe como cuidar delas depois que tivesse alta do hospital, embora Renee soubesse que Michael Elliot contratara uma enfermeira particular para cuidar da esposa.

— Nenhum de vocês deveria levar o pedido de sua mãe para o plano pessoal, Tag.

As sobrancelhas de Tag uniram-se em irritação.

— O que você quer dizer com isso? Ela é nossa mãe e...

— Também é uma mulher com muitos problemas para enfrentar nesse momento. Ter os seios removi­dos não é algo com o qual uma mulher lida com faci­lidade. Enquanto seus seios estiveram enfaixados, ela vivia um momento de recusa. Mas agora que viu o resultado da cirurgia, voltou à realidade e está com­batendo-a do único jeito que sabe: com raiva, medo e isolamento. Eu estava com ela no dia em que ficou brava. O dr. Chaney e eu estávamos preparados. Também estávamos preparados para os dias em que sentiria um terrível medo, pensando que talvez o mé­dico não tivesse retirado todo o câncer e que voltaria para outras partes de seu corpo, e que também perde­ria essas partes.

Renee respirou fundo, sabendo que tinha de fazer com que Tag aceitasse o estado mental de sua mãe. Aceitasse e entendesse.

— Agora quer afastar-se de tudo e de todos, mes­mo daqueles que ama. Se pudesse, impediria seu pai também, mas ele não permitiria. Mas sei que também tentou.

Tag fechou os olhos, não querendo acreditar no que escutara. A mãe sempre fora a pessoa forte da fa­mília. Como sua avó, era ela quem conseguia agüentar as pontas nas crises. Agora que passava por sua própria crise pessoal, ele estava achando difícil reu­nir um pouquinho da força que sua mãe parecia ter.

Ele encostou-se na porta, sentindo-se, de repente, exausto.

— Então, o que devemos fazer? Nada? Renee balançou a cabeça.

— Não. Para começar, vocês deveriam atender ao pedido dela e dar-lhe o espaço que precisa, enquanto fazem alguma coisa que possa animá-la.

— Como o quê?

Renee deu de ombros.

— Qualquer coisa que faça com que aprecie o fato de estar viva. Sei que ela é uma pessoa caridosa. Vo­cês podem se organizar para que ela continue com suas obras de caridade mesmo em convalescença. Lembre-se de que ela está passando por um momento de recuperação física e emocional. O mais importan­te é fazer com que ela se concentre em outra coisa.

Renee observou a expressão de Tag e percebeu que ele havia absorvido suas palavras. No entanto, a pergunta seguinte dele surpreendeu-a:

— Você vai ajudar, Renee?

Ela balançou a cabeça. A última coisa da qual preci­sava era complicação, e Tag significava complicação.

— Não. Eu não acho que...

— Por favor.

Renee mordeu a parte de dentro da boca. Ela podia fazer o que ele estava pedindo? Sim, podia, se isso significasse ajudar Karen. Durante as últimas sema­nas, ela e Karen desenvolveram um relacionamento além do de assistente social e paciente. Ela admirava Karen por todas as coisas boas que fazia para os ou­tros, especialmente suas obras de caridade.

— Você vai, Renee?

Ela olhou para o rosto de Tag e viu um apelo ver­dadeiro em seus olhos.

— Sim, Tag. Vou ajudar sua mãe da maneira que eu puder.

Alívio e agradecimento resplandeceram em seu rosto.

— Obrigado, Renee. Você pode encontrar com meus irmãos e explicar tudo para eles também? Ama­nhã à noite nós vamos jantar no Une Nuit, o restau­rante de meu primo Bryan. Tem como você nos en­contrar lá?

Qualquer pessoa que morasse em Nova York já havia ouvido falar no Une Nuit, o restaurante cujos clientes, frequentemente, eram celebridades. Agora que concordara em ajudá-lo a animar Karen, Renee sabia que tinha de seguir adiante. Pelo menos, ela e Tag não jantariam sozinhos. Ela não sabia quantas vezes conseguiria ficar sozinha com ele sem querer confortá-lo e assegurar de que tudo ficaria bem com sua mãe. Mas sabia que confortá-lo significava que também iria querer beijá-lo, tocá-lo...

— Sim, ficarei contente em poder encontrar com você e seus irmãos amanhã à noite.

Tag balançou a cabeça.

— Pego você por volta das sete.

— Você não precisa...

— Sim, preciso. Não quero que você pegue o me­tro para nos encontrar. Tudo bem?

Ela suspirou, sabendo que era inútil discutir com ele.

— Tudo. Ele sorriu.

— Que bom. E você quer uma carona para casa agora?

— Não. Vou me encontrar com Debbie em um res­taurante não muito longe daqui. Ela vai para Londres amanhã, então decidimos sair.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ela nunca conhecera um homem tão preocupado com seu bem-estar. Tag era muito atencioso.

— Então, eu posso pelo menos caminhar com você até lá.

Ela sabia que lhe dizer que não precisava seria per­da de tempo. Pegando sua pasta, ela saiu com ele, pa­rando para apagar as luzes. Logo depois entraram no elevador e não pôde deixar de desejar que Diane Cár­ter já tivesse ido embora. A última coisa de que pre­cisava era encontrar com ela. Sem dúvida alguma, te­ria uma idéia errada em relação a eles dois.

Quando o elevador parou, Tag esperou-a sair pri­meiro.

— Você não precisa mesmo ir comigo até o restau­rante, Tag. Fica a apenas alguns quarteirões daqui — disse ela. — Tenho certeza de que você tem coisas mais importantes a fazer.

— Não, não tenho.

A escuridão os abraçou quando saíram do hospital e começaram a caminhar. As calçadas estavam con­gestionadas e, mais de uma vez, ele gentilmente pu­xou-a para mais perto para evitar que ela fosse atro­pelada por alguém que passava apressado.

Quando chegaram ao destino dela, ela virou-se para ele:

— Obrigada.

— Obrigado você, Renee, por tudo. Vejo você amanhã às sete.

— Tudo bem.

Ela entrou rapidamente no restaurante e, quando virou para trás e olhou pela janela, ele ainda estava parado, olhando para ela.

 

Tag apoiou-se na mesa de conferência olhando para o homem e para a mulher que estavam ali senta­dos.

— Quero tudo que vocês puderem encontrar sobre o senador Vince Denton, especialmente sobre suas atividades no ano passado. Ninguém se afasta da po­lítica depois de 30 anos sem uma boa razão, especial­mente alguém tão próximo do governo atual.

— Ele nos apresentou seu motivo: eleja estava en­volvido com a política tempo suficiente e queria vol­tar para sua fazenda na Carolina do Sul e viver os úl­timos dias de vida em paz e harmonia. Parece-me uma ótima decisão — disse Peter Weston, o editor es­pecial da Pulse. Peter era o responsável pelas campa­nhas e pesquisas de opinião.   -

Tag olhou para a expressão desinteressada do ho­mem.

— Não me importo que seja uma ótima decisão. Não estou engolindo isso e sugiro que você também não engula.

Ele suspirou. Já estava na hora de seu pai e ele te­rem uma conversa sobre a falta de interesse de Peter. Peter trabalhava para a Pulse tinha mais de 15 anos, tendo começado como repórter investigativo, um dos melhores da revista. Ultimamente, vários colegas de trabalho haviam percebido sua falta de entusiasmo.

Os rumores diziam que Peter estava tendo um caso, com uma dançarina de rádio e que estava sacrifican­do tudo, inclusive um bom casamento, para ficar atrás da mulher.

O interesse de Peter pela Pulse começara a decli­nar alguns anos atrás quando Gannon ocupara uma posição que Peter evidentemente achava que deveria ser dele. Sua opinião era de que o nome de Gannon, não seu trabalho, colocara-o onde ele estava, o que não era verdade.

— Também achei a renúncia dele bem estranha — disse Marlene Kingston, examinando as anotações que fizera durante uma reunião. Aos 27 anos, ela tra­balhava para a Pulse desde a faculdade, e sempre ti­vera um bom faro para as notícias.

— Acho estranho ele ter renunciado exatamente uma semana antes da votação sobre aquela denúncia da companhia de petróleo — acrescentou ela.

Tag gostava da astúcia da mulher. No entanto, ele podia dizer pelo olhar raivoso que Peter lançara para a mulher, que este não gostava.

— Esse é um bom tema, Marlene, e devemos exa­miná-lo. Só tenha certeza de que as informações que você colher são precisas e a fonte confiável. — Ele respirou fundo e acrescentou: — Vamos investigar para ver o que conseguimos descobrir. Vamos mar­car nova reunião para daqui a alguns dias, no mesmo horário e no mesmo lugar, com algumas respostas.

Meia hora depois, Tag estava entrando na sala, onde o cheiro de tinta irritava suas narinas. Passando por antigas edições de Charisma, latas de tinta e res­mas de papel, para não falar da quantidade de fotos de Elizabeth Taylor coladas na parede, ele foi até o cubículo de Edgar Rosewood e sentou-se na cadeira ao lado dele.

O homem sentado à mesa olhou para ele. Edgar, que estaria comemorando seu aniversário de 70 anos dentro de alguns meses, tinha sido contratado por Patrick um mês após a empresa abrir as portas e recusa­va-se a se aposentar. Para Tag, tudo bem, pois Edgar sempre fora o mentor do pai de Tag, assim como o de Gannon, Liam e dele mesmo. Tag sempre considera­ra e sempre consideraria o homem alguém especial e uma peça fundamental para a Pulse. Até hoje, uma coisa que Edgar conservava era um olhar aguçado para as manchetes.

— O que está incomodando você, garoto? — per­guntou Edgar, franzindo os olhos. — Pessoal ou tra­balho?

Sem vontade de falar sobre problemas pessoais, nem mesmo com Edgar, Tag disse:

— Trabalho. Acho que tem mais coisa em relação à renúncia do senador Denton do que os olhos podem ver.

Edgar desviou os olhos do computador.

— Eu também.

Tag tirou o peso de papel das páginas da revista do mês anterior. Ele sentiu-se bem em saber que Edgar concordava com ele.

— Espero que consigamos descobrir antes que a Times descubra.

— Vamos sim, desde que você deixe Marlene Kingston fazer a investigação. Eu, pessoalmente, gosto dela.

Tag não conseguiu segurar o riso.

— Por quê? Porque ela faz você lembrar a Eliza­beth Taylor quando jovem?

O velho homem sorriu.

— Sim, essa é uma das razões. A outra é que ela é uma boa jornalista. A melhor coisa que você pode fa­zer é tirá-la de sob as ordens de Peter e colocá-la para trabalhar com Wayne Barnes. Peter já levou crédito pelo trabalho duro de Marlene tempo suficiente. O único interesse que ele parece ter é em um par de seios. Ele não está fazendo nada além de reprimir o crescimento de Marlene.

Tag tinha de concordar, pois era também sobre isso que queria falar com Gannon. Edgar olhou para ele e examinou-o.

— Você tem certeza de que não tem mais nada in­comodando?

Tag sacudiu os ombros.

— É claro que o problema de mamãe está em mi­nha cabeça o tempo todo.

— Isso é compreensível, mas eu acho que você está com outro problema.

— Qual?

— A ausência de uma boa mulher em sua vida. Tag sorriu. Edgar fizera o mesmo discurso para ele e para Liam depois que Gannon anunciara seu noiva­do com Erika no mês passado.

— Ainda tentando me casar, não é?

— Não há nada de errado nisso. Estou com Martha por mais de 50 anos e tendo um caso com Elizabeth há 40, desses 50 anos.

Tag deu uma risada e olhou para cima.

— Em seus sonhos.

Ele levantou-se e olhou para o relógio. Uma parte dele mal podia esperar para encontrar com Renee mais tarde. Ele pensara nela o dia inteiro. Gannon, Liam e Bridget também estavam ansiosos para en­contrá-la, para ouvir o que ela iria dizer.

— Hora de voltar ao trabalho — disse Tag, cami­nhando em direção à porta. Parou na porta e olhou fi­xamente para um enorme pôster de Elizabeth Taylor na parede.

— No que você pensa quando olha para ela? — perguntou Tag.

Ele pôde ouvir a risadinha de Edgar.

— Paixão e desejo. Tag virou-se.

— E no que você pensa quando olha para Martha? Edgar esticou as pernas, rencostou-se na cadeira e cruzou as mãos atrás da cabeça.

— A mesma coisa, mas acrescentando, a esses dois, o amor. E é essa a chave, garoto. Encontrar uma mulher que consiga inflamar você de paixão e desejo e que também preencha seu coração com amor.

Tag resmungou. Duvidava que existisse uma mu­lher capaz de preencher seu coração com amor. Mas, no que dizia respeito à paixão e ao desejo, um rosto vinha a sua cabeça. O de Renee.

— Obrigada por me buscar — disse Renee entran­do no carro de Tag.

— Você não precisa me agradecer, Renee.

Ele fechou a porta, deu a volta e sentou-se no as­sento do motorista. Olhou para ela.

— Você está bonita. Mas isso você sempre está. O elogio dele fez com que ela sorrisse.

— Obrigada.

— De nada.

Ele colocou o carro no trânsito.

Ela ficou em silêncio, o olhar contemplando os prédios e as pessoas pelos quais passavam. Embora nunca tivesse ido ao Une Nuit, ouvira muitas coisas boas sobre o restaurante. De acordo com o que Tag lhe dissera antes, seu primo Bryan saíra dos negócios da família alguns anos atrás para entrar no ramo dos restaurantes. A mudança na carreira fora bem-suce­dida. Tag também mencionara que Bryan viajava bastante, e que o restaurante, então, era gerenciado por um francês muito competente, Stash Martin.

— Minha irmã e meus irmãos estão ansiosos para encontrar com você. Eles gostaram muito do que você fez por nossa mãe quando ela esteve hospitalizada.

Dizer que o que fizera era meramente seu trabalho soaria um tanto frio, pensou Renee, especialmente quando considerava o tempo que passava com Karen muito mais valioso que isso. Ela olhou para Tag.

— Também não vejo a hora de encontrar com eles e estou ansiosa para fazer o possível para animar sua mãe.

Quando o veículo parou no sinal vermelho, ela dis­se, calmamente:

— Fale-me sobre eles.

Ela respirou fundo quando ele se virou e os olhares encontraram-se. As profundezas de seus olhos azuis brilhavam com as luzes do trânsito. Ele provocava uma intensa reação nela todas as vezes que a olhava, quisesse ela ou não.

— Gannon, tem 33 anos, é meu irmão mais velho e o segundo no comando da Pulse, depois de meu pai. Ele sempre amou seu estilo de vida de solteiro, mas mês passado ficou noivo de uma mulher com quem tinha um caso há mais de um ano, chamada Erika Layven. Você também vai conhecê-la hoje à noite.

Tag pisou nos freios quando um táxi passou negli­gentemente à frente de seu Lexus.

— Liam — continuou ele — tem 31 e trabalha na área financeira da editora. — Ele riu. — Implicamos com ele dizendo que é o neto favorito, pois ele con­trola o dinheiro e, acredite em mim, faz um ótimo tra­balho. Ele é preciso quando se trata de dinheiro.

"Última, mas não menos importante, é Bridget, que tem a sua idade. É editora fotográfica da Charisma e, de acordo com o que me diz, ainda está tentan­do se encontrar."

Ele olhou para Renee.

— Aí está.

E com aquele final oportuno, o carro parou na frente do Une Nuit.

 

Se Renee se sentira estranha e desconfortável quan­do entrara no Une Nuit com Tag, logo essas sensa­ções ficaram para trás. Os irmãos dele fizeram com que ela se sentisse relaxada e pôde perceber que os quatro tinham um relacionamento muito íntimo.

O interior do restaurante era sensacional, e o lugar estava lotado, inclusive com algumas celebridades. Ela e Tag passaram por uma longa fila de clientes es­perando e foram acompanhadas até a "Mesa Elliot", onde Gannon, Liam e Bridget estavam esperando. A noiva de Gannon, Erika, juntou-se ao grupo alguns minutos mais tarde.

Tag rapidamente explicou-lhe que, com tantos membros da família freqüentando o restaurante, Bryan designara uma mesa ao fundo "Mesa Elliot". Renee piscou duas vezes quando encontrou o dono do restaurante: de cabelos negros e olhos azuis, ela podia dizer com facilidade que Tag e ele eram paren­tes. E ele era muito simpático e tranqüilo.

— Você tem certeza de que não prefere vinho, Re­nee? — perguntou Gannon sorrindo.

Renee gostou dos irmãos de Tag e de Erika. Ela não achou Erika nem um pouco pretensiosa e, como os outros, fez o que podia para ela se sentir con­fortável.

— Não, obrigada — disse Renee. — Prefiro ficar só no café, pois trabalho amanhã.

— Sim, tem café aqui. E queremos agradecer por sua boa vontade em ajudar mamãe — disse Gannon, agindo como o porta-voz do grupo. Os outros balan­çaram a cabeça concordando.

O sorriso de Renee alargou-se.

— Nenhum de vocês tem de me agradecer. Sua mãe é uma pessoa maravilhosa, fico feliz em fazer o que puder para ajudá-la.

Ela antes explicara exatamente o que Karen preci­sava. Todos escutaram com atenção e deram ótimas idéias e sugestões, mas foi a sugestão de Gannon e de Erika que todos decidiram ser a melhor.

Considerando o câncer de seio de Karen, o casal decidira ir para Las Vegas e casar-se no fim do mês, em vez de fazer um casamento tradicional. No entan­to, se planejar um casamento daria a Karen algo a fa­zer e a animaria, certamente mudariam seus planos. Decidiram que Erika falaria com Karen e pediria sua ajuda no planejamento do casamento. A família tam­bém fizera planos de reunir-se na propriedade de Patrick e Maeve Hampton no fim do mês para celebrar o aniversário de casamento do casal. Gannon e Erika acharam que seria especial fazerem os votos no mes­mo dia que os avós de Gannon fizeram há 50 anos. Como todos sabiam o quanto Karen gostava de planejar eventos especiais, esperavam que ajudar Erika no casamento a animaria.

— Pronta para partir?

Renee deu um salto quando Tag inclinou-se e sus­surrou em seu ouvido. Ela levantou os olhos, mas não ousava mover o rosto. Se movesse, seus lábios prati­camente se encostariam. Mas estavam tão próximos um do outro que não havia como as respirações não se misturarem quando ela falou:

— Sim, estou pronta.

Ela sentia por ter de dizer boa noite a todos, e ficou surpresa quando Bridget entregou-lhe seu cartão de visitas, e disse-lhe para ligar um dia desses para que as duas pudessem almoçar.

— Gostei da noite — disse Renee para Tag quando estavam no SUV a caminho da casa dela. — Você tem irmãos especiais, e depois de conhecer seus pais posso entender o porquê. Eles fizeram um ótimo tra­balho na educação de vocês.

Tag olhou para ela e sorriu.

— Obrigado.

Embora ela tivesse feito um elogio, ele não podia esquecer que apenas alguns dias atrás ela estivera em seu escritório e praticamente afirmou que não pode­ria ter um relacionamento com ele por causa da dife­rença de raça e do dinheiro da família Elliot.

— Que brincadeira é essa sobre a rivalidade na fa­mília?

A pergunta de Renee interrompeu os pensamentos de Tag. Ele olhou para ela.

— Não é brincadeira, é verdade. Meu avô está se aposentando no fim do ano e decretou que quem fizer de sua revista o maior sucesso até a data de sua apo­sentadoria vai receber a presidência da editora.

Renee olhou para ele com os olhos arregalados.

— Você está brincando, não está? Tag riu.

— Não. Gostaria de estar, mas estou falando sério. E o que é mais louco, é que, embora as revistas sejam gerenciadas por filhos diferentes, o pessoal está mis­turado. Por exemplo, Bridget não trabalha comigo, Gannon e meu pai na Pulse. Trabalha com tia Finola na Charisma. Então, no fundo, tentando colocar a Charisma no topo, não vai estar competindo ao lado do meu pai na tentativa de ganhar a presidência.

— Oh-oh, isso pode ser um tanto difícil de se lidar — disse Renee, desejando saber por que o avô de Tag faria uma coisa dessas, colocando os membros da fa­mília uns contra os outros daquele jeito.

— Já é, e, pessoalmente, não gosto. A disputa en­tre as diferentes revistas está deixando as coisas ten­sas no escritório.

Renee virou o rosto e reconheceu a mercearia na esquina. Estavam a um quarteirão da casa dela. Me­xeu-se no assento, ficando de repente nervosa. Quan­do Tag fora buscá-la, mais cedo, já estava vestida e pronta para sair, e saíra do apartamento antes que ele tivesse a chance de bater na porta. Não podia deixar de pensar, considerando a conversa no escritório dela há mais de uma semana, se ele a deixaria no acosta­mento e iria embora. Ela precisava ser realista o sufi­ciente para saber que a única razão pela qual passara em seu escritório na noite de ontem era para pedir ajuda para sua mãe.

Quando o carro virou a esquina e parou na frente do apartamento dela, Renee começou a desafivelar seu cinto de segurança. De certa forma, estava triste por terem chegado.

— Obrigada novamente pela noite.

— Sou eu quem deveria estar agradecendo, e agra­deço — disse ele, segundos antes de abrir sua porta e rapidamente dar a volta no carro para abrir a porta para ela. Ele ofereceu-lhe a mão.

Ela aceitou-a e imediatamente sentiu seu corpo aquecer-se de cima a baixo. Tudo o que precisou para saber que ele sentira a mesma coisa foi olhar para seus olhos. Zunidos eletrificavam o espaço entre os dois. Uma sensação ardente espalhava-se por ela, que de re­pente desejou sentir a boca de Tag na dela. Ela piscou, forçando-se a afastar aqueles pensamentos, e sabia que tinha de controlar o que estava acontecendo dentro de si. Colocar um freio naquilo imediatamente.

Eles não disseram nada enquanto a acompanhava até seu apartamento, e quando chegaram à porta, ele ficou em silêncio enquanto ela pegava a chave na bolsa. Virou-se para ele e disse:

— Obrigada por me acompanhar até a porta, Tag.

— Você não tem de me agradecer, Renee.

Se ela tivesse prestado mais atenção a sua volta do que em Tag, Renee não teria percebido o timbre gra­ve da voz dele, ou a intensidade daqueles olhos azuis. Mas ela percebeu essas coisas, embora desejasse o contrário, porque, fazendo isso, sentiu ainda mais ca­lor invadindo-a.

Ela lembrou-se da conversa que tinham tido aque­le dia em sua sala. Sabia cada palavra que lhe dissera, podia, provavelmente, repeti-las. Mas agora, nesse exato momento, nada daquilo tinha importância. Es­tava lidando com uma emoção desconhecida, e sabia que, querendo que acontecesse ou não, apaixonara-se por Tag.

Amor proibido.

Ela respirou fundo com essa percepção e desejou saber como tinha deixado uma coisa dessas aconte­cer. A grande questão não era como ele ultrapassara suas defesas tão rapidamente, mas como conseguira de fato ultrapassá-las. Não eram feitos um para o ou­tro. Estavam em lados opostos do espectro, mundos diferentes. Jamais poderiam ter uma vida feliz juntos sem receber olhares e franzir de olhos. Não havia possibilidade de pensar em um futuro com ele, mas havia algo que poderiam dividir esta noite e que seria deles, só deles.

— Boa noite, Renee. — Tag inclinou o corpo e beijou-lhe o rosto antes de virar-se para ir embora. Ele deu alguns passos, parou e então, como se tivesse sido compelido a olhar para ela só mais uma vez, virou-se.

Assim que os olhares reencontraram-se, ela soube que estava perdida. Ela o amava e o queria. Era sim­ples. Pelo menos por uma noite seria simples.

— Você gostaria de entrar para tomar um drinque ou algo assim? — perguntou ela calmamente, inca­paz de ficar em silêncio por mais tempo.

Com um sorriso que teria feito Tag amá-la para o resto da vida, seja não estivesse apaixonado, ele re­cuperou a distância que os separava e sussurrou:

— Você tem certeza de que quer ficar sozinha co­migo esta noite, Renee?

As emoções obstruíram sua garganta. Ela sabia o que ele estava perguntando.

Ele tentara afastar-se, mas não conseguiu. Como ela, ele estava no limite. O desejo anuviou a mente dos dois, tomara o controle de seus pensamentos e os deixara à flor da pele. No momento que entrasse no apartamento dela, não haveria volta, e os dois sabiam disso.

— Sim, tenho certeza — disse ela, a decisão completamente tomada. Passariam a noite juntos. Com a decisão tomada, um alívio inesperado e um prazer in­vadiu-a, acabando com qualquer resistência de sua mente. Ele era um homem. Ela, uma mulher. E nesse momento ele era o homem que ela amava e desejava.

— Se você tem certeza — disse ele, abrindo lenta­mente a porta.

— E tenho — disse ela com um sorriso confiante se esboçando em seus lábios.

— Nesse caso, acho que devemos entrar.

Ele segurou a porta para que ela entrasse primeiro e depois a seguiu, fechando porta.

 

Realmente havia alguma coisa sexual e pura em estar sozinho com uma mulher que você desejava desesperadamente, pensou Tag, encostando-se na porta fechada.

Observou Renee andar e parar no meio da sala. Ela estava nervosa, podia perceber. E ele estava excitado, e sabia que ela também podia perceber isso. Não ha­via como seu corpo manter isso em segredo. De re­pente, sentiu vontade de tê-la em seus braços, de sen­tir o calor do corpo daquela mulher contra o seu.

Ele estendeu-lhe a mão.

— Vem aqui, Renee — disse, com uma voz que queria manter o controle, mas que lentamente o per­dia.

Ela colocou a bolsa na mesa e cruzou a sala, para ficar na frente dele. As mãos dele automaticamente deslizaram para a cintura dela.

— Quero abraçar você um pouco — disse ele, pu­xando-a.

Renee, automaticamente, apoiou a cabeça sobre o peito dele.

Tag sabia que ainda havia questões não resolvidas entre eles, mas ela estava em seus braços, nada im­portava além de ficarem juntos desse jeito. O que importava era que, com relação à paixão e ao dese­jo, eles estavam de acordo.

Paixão e desejo.

As palavras de Edgar soaram alto nos ouvidos de Tag. Ele pensou em todas as outras mulheres com quem namorara, algumas, as mais deslumbrantes possível, mas havia alguma coisa diferente em Re­nee. Ela era tão linda quanto as outras, mas havia esse senso de bondade e decência arraigados e autênticos que sempre o atraíam para ela.

— Tag? — sussurrou logo depois, o calor de sua respiração espalhando-se no rosto dele.

— Humm?

— Vamos ficar aqui assim a noite toda?

Os lábios dele abriram-se em um sorriso. Só Re­nee faria uma pergunta desse tipo em uma hora des­sas. Em vez de respondê-la, ele curvou-se e puxou-a no exato momento em que a boca dele fixou-se fa­minta na dela.

Ela gemeu e o som intensificou o desejo profundo que havia dentro dele. Tag afastou brevemente a boca para perguntar:

— Onde fica o quarto?

— No final do corredor, à direita. Segurando-a com firmeza, ele moveu-se naquela direção. Quando chegaram à porta do quarto, ele vol­tou a beijá-la, permitindo que sua boca explorasse e devorasse cada centímetro da dela. Com os lábios in­terligados, foram até a cama. Ele ficou agradecido por ela ter deixado a lâmpada do quarto acesa.

Ela deu uma risada nervosa e puxou-o para o col­chão macio da cama. Ele levantou o rosto e olhou para ela, pensando no fato de que nunca desejara uma mulher tanto quanto desejava Renee. A antecipação preencheu seu corpo inteiro quando ele saiu da cama para tirar as roupas.

Ele viu que ela o observava tirar a camisa. Depois esticou os braços e puxou-a para fora da cama, na direção dele. Tirou-lhe os sapatos, e virou-a de costas para abrir o zíper do vestido dela. Tag gostava daque­le vestido, um vestido de seda azul que ressaltava seu corpo bem delineado. Definitivamente, gostara de vê-la dentro dele, mas gostaria ainda mais de vê-la fora dele.

— Desejei você desde o primeiro dia que entrei em seu consultório — sussurrou ele, dando um beijo úmido no ombro dela. Ele sentiu um arrepio percor­rer o corpo de Renee e exultou com o fato de ter sido ele quem o detonara.

— Desejou?

— Sim, e me perturbou um pouco porque nunca desejei tanto uma mulher.

Ele abriu o zíper e depois tirou o vestido de seus ombros. Tudo o que Renee precisou fazer foi um mo­vimento sensual de quadris e o vestido caiu, amon­toando-se a seus pés. Em seguida, com um joelho do­brado, retirou a meia-calça dela e deixou-a apenas de sutiã e calcinha, os mais sensuais que já vira. Além disso, havia suas lindas pernas e as unhas vermelhas dos dedos dos pés, que combinavam com as unhas das mãos. Ele era da opinião de que ela levava a pala­vra sexy a uma dimensão inteiramente nova. Ela era o epítome de toda a fantasia masculina, da dele, defini­tivamente. Sua mente começou a girar, o sangue fi­cou quente e denso em suas veias e ele desafivelou o cinto e começou a tirar a calça.

Desde o primeiro beijo que deram, Tag lutava con­tra o desejo de fazer amor com ela. Ela estava constantemente em seus pensamentos, mesmo quando ele não queria que estivesse. Fantasiar a respeito de Re­nee tornara-se seu passatempo predileto.

Ele atirou a calça para o lado e ficou apenas de cueca. De repente, sentiu um ímpeto de desejo quan­do ela esticou o braço e passou a mão no peito dele, percorrendo-o lentamente até seus dedos passarem sob a cintura elástica da cueca e fecharem-se em vol­ta de sua rígida ereção. E quando ela começou a aca­riciá-lo, ele achou que ia perder o controle. Ele sabia que perderia o controle se ela não parasse.

— Renee...

— Sim?

A resposta dela foi a mais inocente possível. Ele sentou-se na beira da cama e puxou-a gentilmente, para que se encaixasse em seus quadris. Suas mãos estenderam-se sobre a cintura dela, logo antes de co­meçarem a apertar-lhe as nádegas. Gostava de sentir a pele macia de Renee, de sentir seu cheiro. Caramba, o cheiro dela era muito bom.

E quando curvou-se e começou a acariciar o quei­xo dele com os lábios e passar as mãos em seus om­bros e no peito, ele respirou fundo, agarrando-a pelo quadril e levantando-a, querendo que ela sentisse exatamente o que estava fazendo com ele, o quanto estava excitado.

A boca de Tag capturou a dela, e ele deitou-se, tra­zendo-o para cima dele, a maciez daquela pele more­na afundando-se nele. Momentos depois, ela afastou a boca e olhou fixamente para ele.

— Ainda estamos vestindo alguma roupa — sus­surrou ela no silêncio do quarto.

Colocou-a debaixo dele, levantou-lhe o corpo e começou a tirar seu sutiã. Ao desnudar os seios de Renee, seus sentidos foram ativados e o desejo apo­derou-se dele. Os seios estavam arrepiados, sensual­mente desenhados, com mamilos negros protuberantes que pareciam implorar por sua língua. Não havia como resistir.

Ele pegou um seio com uma das mãos, enquanto a boca ávida começou a devorá-lo com um prazer pro­fundamente masculino, e uma fome arrebatadora que tentava sugar toda a doçura que continha. Um arque­jo extasiado rompeu de dentro dela e, minutos de­pois, quando estremeceu e gritou o nome dele, ele fi­cou surpreso por ela ter chegado ao clímax apenas com os beijos nos seios.

Bom. Faria com que fosse ainda mais divertido para os dois. Ele afastou-se um pouco, passou as mãos nas coxas dela, colocando os dedos na extremi­dade da calcinha. Tocou em seu centro de feminilida­de e sentiu o tecido úmido. Estava, decididamente, grato por aquilo.

Sem perder tempo algum, tirou a calcinha dela e rapidamente curvou-se para tirar a cueca. Ele olhou-a e imediatamente pensou em um sundae de chocolate, sua guloseima favorita. Ele abaixou a cabeça e come­çou a acariciar com o nariz a pele macia da barriga lisa de Renee, lambendo a área ao redor do umbigo. Seu cheiro feminino o envolvia, fazendo seu corpo enrijecer ainda mais.

— Tag, o que você está fazendo? — perguntou ela, quase sem conseguir pronunciar as palavras.

Ele ergueu o rosto tempo o suficiente para dizer:

— Estou prestes a comer você viva, querida. Você é linda, sexy e deliciosa.

Assim que as palavras saíram de sua boca, ele co­locou a cabeça entre as pernas abertas dela e captu­rou-a com sua boca, beijando-a lá.

— Tag!

Ele não olhou para cima, e quando ela começou a se retorcer contra sua boca, ele agarrou os quadris dela para mantê-la imóvel, enquanto sua língua con­tinuava a devorá-la dessa maneira íntima. O suculen­to sabor dela levou-o ao limite e deixou-o ainda mais ávido. O desejo invadiu seu sangue, fazendo-o gemer intensamente.

Ele sentiu os músculos femininos de repente fica­rem tensos sob sua boca, e ela gozou. A boca de Tag saboreou as vibrações orgásticas de Renee, uma a uma, e sentiu-se ainda mais preenchido pelo sabor dela, que jogou sua pélvis para cima ao mesmo tempo em que gritava o nome dele novamente.

Antes que pudesse recuperar o fôlego, ele rapida­mente colocou uma camisinha e posicionou seu cor­po sobre o dela, colocando sua ereção próximo à pele sedosa, ajeitando seu quadril entre as pernas dela.

— Abra os olhos e olhe para mim, Renee.

Os olhares cruzaram-se, e quando ele viu os olhos dela embaçados por uma paixão violenta, ficou completamente satisfeito.

— Não veja cor quando você olha para mim — sussurrou ele quando começou a entrar nela. — Não pense em status social quando me sentir dentro de você — continuou ele, a voz grave. — Pense em pai­xão, em desejo. Pense em mim... no homem que a quer.

Ele continuou entrando nela, cada vez mais fundo, o olhar preso a ela.

— Diga meu nome, linda.

Renee mordeu o lábio. Ela sabia que se dissesse o nome dele agora, quando estavam assim, esse nome ficaria preso a sua alma para sempre. Eleja encontra­ra um caminho até seu coração, mas fazer parte de sua alma...

— Diga.

Tag inclinou a cabeça para cima e encarou-a. Ele estava completamente dentro dela. Não queria ma­chucá-la, mas ela estava tão apertada que penetrar não tinha sido fácil. Ele ficou parado, negando-se a mover os quadris até que ela reconhecesse que o que estavam compartilhando era paixão entre homem e mulher, e que cor e status social não tinham nada a ver com isso. Nesse ponto ele estava determinado a fazer com que ela concordasse com ele. Em uma voz ainda mais grave, ele sussurrou:

— Fale meu nome.

Renee afundou as unhas nas costas dele, incapaz de resistir por mais tempo. Tag era tão intensamente masculino que ela sabia quem ele era e o que repre­sentava para ela, quisesse admitir ou não. Admitiria, mas do seu próprio jeito.

— Fale você meu nome — opôs ela.

Ele olhou-a fixamente, sorriu e passou os dedos no rosto dela.

— Renee — disse ele com intensidade.

O carinho dele era tão terno que ela sentiu-se com­pletamente apaixonada por ele nesse exato momento.

— Tag.

E quando cada célula de seu corpo vibrou em reação ao toque dele, ela disse seu nome novamente:

— Tag.

Ele abaixou-se e afundou o rosto na curva do pes­coço dela, mantendo-a próximo de si. Agora que ha­viam colocado as coisas em perspectiva, pelo menos por enquanto, Tag começou a mover-se dentro de Re­nee, unindo-se a ela de um jeito que nunca fizera. Ele sentia o tremor de dentro do útero a cada impulso. Ele deleitou-se na boca de Renee, nos seios dela enquan­to aumentava a pressão, multiplicava os impulsos e intensificava o ritmo de seus corpos.

Minutos depois, quando ela despencou, ele despencou junto. Um alívio, de uma magnitude jamais sentida antes, rompeu-se dentro dele, despedaçando-o de tal forma que suas pernas tremeram. O som gra­ve e gutural de sua garganta foi necessário para evitar que as veias não saltassem de seu pescoço quando jo­gou a cabeça para trás. Ele estava venerando o corpo dela, reivindicando-a como dele.

E ele soube, quando um outro clímax de repente invadiu-o, que não importava os protestos que Renee fizesse em relação a eles terem um relacionamento, não a deixaria, de jeito nenhum.

 

— Não quero deixar você esta noite — a voz de veludo de Tag murmurou suavemente no ouvido de Renee, acordando-a.

Ela abriu os olhos e viu aqueles olhos azuis, lan­çou-lhe um sorriso sonolento quando pensou em tudo o que tinham feito nas últimas horas.

— Então não deixe.

— Isto é um convite? — perguntou ele, abaixan­do-se e beijando-a, saboreando a linha em volta dos lábios dela com a língua.

Os sentidos de Renee imediatamente reagiram.

— Sim — disse ela entre os lábios. — É um con­vite.

Ela envolveu os braços em volta do pescoço dele e abriu a boca para receber sua língua quente e forte, que começou a seduzi-la novamente, roubando sua respiração. Ao mesmo tempo, a mão dele passava por seu corpo nu e ia até o vértice de suas coxas. Dentro de minutos ele a tinha contorcendo-se e gemendo em sua boca.

Ele afastou lentamente os lábios dos dela e os olhos dele percorreram seu rosto.

— Não consigo ter você o suficiente, Renee. É como se você tivesse se infiltrado em cada poro meu.

Ela observou-o levantar-se para tirar outra camisi­nha da carteira e rapidamente colocá-la no lugar. Quando ele voltou para a cama, encarou-o fixamente enquanto posicionava seu corpo sobre o dela mais uma vez, suas coxas abrindo-se automaticamente. O corpo dela inflamou-se imediatamente, quando se juntou ao dele, e Renee podia sentir a tensão cres­cendo por dentro à medida que corria rápida e furiosa em direção ao alívio que estava induzindo.

Minutos depois, gritou o nome dele, quando sentiu que estava despedaçando-se em milhares de pedaços. Ele continuou os movimentos íntimos, contendo seu clímax com um extremo controle, enquanto fazia ain­da mais pressão. O êxtase alcançou-a mais uma vez, e ela soltou um grito sensual ao mesmo tempo em que sentiu-o arquear os quadris e gritar o nome dela.

Tag continuou a murmurar seu nome repetidas ve­zes, e soava como música aos ouvidos dela. Renee deslizou as mãos sobre os músculos tensos de suas costas masculinas, apertando-os enquanto saboreava o prazer que sentia depois do que haviam comparti­lhado. Uma parte sabia que já estava na hora de co­meçar a se retirar. Estava cada vez mais apaixonada por Tag e começando a precisar dele, desesperada-mente.

Sabia que, se não começasse a ser racional, iria de­frontar-se com um grande problema. Mas, nesse mo­mento, a única coisa sobre a qual queria pensar era em Teagan Elliot, o que ele significava para ela e como ele estava fazendo-a se sentir.

 

Tag começou a despertar lentamente com a primeira luz da manhã iluminando o quarto. Ele respirou fun­do quando o perfume sensual e feminino de Renee penetrou seu nariz.

Girando o corpo, ele olhou para o espaço vazio na cama, mas relaxou com o som do chuveiro. Ele olhou para o relógio. Eram seis e pouco. Deitou-se de cos­tas e colocou uma das mãos sobre o rosto para prote­ger-se da luz que passava através da persiana da jane­la. Instintivamente, passou a língua sobre o lábio in­ferior e descobriu que o gosto de Renee ainda estava lá, e sem controle algum soltou um gemido de prazer com a lembrança.

A noite fora especial em vários sentidos, e ele sen­tia o corpo exausto até agora, enfraquecido pela pai­xão. Mas se ela saísse do banheiro, ele despertaria e iria querê-la novamente.

Mas de maneira alguma, independente do quanto sexualmente compatíveis fossem, ele pensava que o que estavam vivendo era apenas sexo, nada mais. Ele já tivera outras mulheres, mas Renee era diferente. Suspirou, e uma inexplicável sensação começou a crescer dentro de seu peito, e uma respiração que ele não havia percebido que estava contendo, forçou pas­sagem em seus pulmões. Ele não tinha certeza do que isso significava, mas sabia que não importava os pro­blemas que ela pensasse que tivessem, eles os resol­veriam, pois nunca quisera uma mulher tanto quanto queria Renee.

Com esse pensamento em mente ele virou-se de barriga para baixo, afundou a cabeça no travesseiro e caiu no sono novamente.

 

Renee ajeitou a touca de banho na cabeça quando estava sob o jato de água. O dolorido de suas coxas e na área entre suas pernas era um ruidoso lembrete de quanto tempo não fazia amor com um homem, e com a intensidade com que fizera com Tag.

Ela perdera as contas de quantas vezes se possuí­ram durante a noite, mas, a cada vez, o prazer intensi­ficava-se. Ela dormira apenas com outros dois ho­mens: um cara que namorara na faculdade e Dionne. Nenhum deles tivera tempo ou inclinação para pro­longar o ato de amor, e nunca consideraram adiar o próprio prazer para certificarem-se de que ela havia chegado ao ponto mais alto.

Mas Tag sim.

Ele provara que não havia traço de egoísmo em seu corpo no que dizia respeito a satisfazê-la, e ne­nhuma mulher poderia querer mais do que aquilo. Só de pensar em tudo que ele fizera a fazia tremer.

Ela respirou fundo. Era um novo dia, e com ele vi­nham as inseguranças do dia anterior. Nada mudara.

Ele era branco, ela, negra; ele era rico, ela era uma mulher que dava duro. Mas nada disso podia impedir que pensasse em como ele combinava bem com sua cama quando saiu dela com cuidado para não acordá-lo. Embora fosse sexta-feira, era um dia de trabalho atribulado para ela. Tag desfrutava de uma posição na empresa que permitia que ele fizesse as próprias horas de trabalho, e como não dormira muito durante a noite, não havia como dizer quando ele iria acordar. Fechando a água, ela saiu do boxe. Teria reuniões a maior parte do dia, e não podia chegar atrasada. Se­ria o mais silenciosa possível enquanto se vestisse para ir trabalhar. Não estava acostumada a ter hóspe­des em casa, especialmente um hóspede como Tag.

Tag acordou com um sobressalto ao ouvir o baru­lho de um carro dando partida. Sentou-se e olhou para o espaço vazio a seu lado na cama e viu um bi­lhete preso ao travesseiro.

Tive de sair para trabalhar. Obrigada por tudo na noite passada. Renee.

Um sorriso esboçou-se em seus lábios. Ela estava sempre agradecendo, quisesse ele ou não. Mas, nesse caso, era ele quem deveria estar agradecendo. Tudo que compartilhara tinha s,ido especial, e ele dormira bem como não dormia há muito tempo, desde o início da indevida disputa entra as revista e a doença de sua mãe.

Na noite anterior, ele e Renee tiveram uma noite de paixão, mas desejava saber no que ela estava pen­sando hoje: permitiria que o relacionamento entre os dois fosse para o nível seguinte, sem querer compli­car as coisas? Talvez fosse apenas uma tendência possessiva de sua parte, mas não tinha a intenção de ficar esperando para que ela assumisse o comando. Queria estar com ela, continuar a compartilhar esse relacionamento especial, e recusava-se a deixar que Renee terminasse uma relação entre os dois antes mesmo que começasse. De alguma maneira, tinha de mostrar para ela, que com eles, cor e status social não importavam. E ele tinha a intenção de começar a fa­zer isso hoje.

Saindo da cama, atravessou o quarto para pegar o telefone celular no bolso de sua calça. Minutos de­pois, estava com a secretária na linha.

— Joanne, cancele todos os compromissos e reu­niões que eu tiver esta manhã. Não vou chegar antes de meio-dia. E diga a Gannon para me ligar assim que voltar da reunião com Rick Howard.

Em seguida, ele ligou para o pai para obter notícias sobre sua mãe. Elas não eram muito animadoras: a mãe ainda estava distante, sem falar muito, e ainda não estava preparada para ver os filhos.

Respirando fundo, ele ligou para uma floricultura e pediu uma dúzia de rosas vermelhas, para serem en­tregues a Renee. E, por último, mas não menos im­portante, discou o número de seu bom amigo Alton Malone.

— Oi, Al, é Tag. Sabe aquele quadro que você ex­pôs na Hollis, no sábado. Eu o quero.

Ele sorriu quando o amigo brincou que Tag já ti­nha suficientes quadros seus.

— Não é para mim. É para alguém que conheci. Alguém especial.

Tag deu risada quando ouviu Alton fingir estar sem ar. Como os irmãos de Tag, Alton sabia como o tempo dele era limitado no que dizia respeito a entre­gar-se a um relacionamento.

— Tudo bem, pare com isso, e, sim, acho que ela é especial. Acho que é muito especial.

 

Renee encostou-se na cadeira e olhou fixamente para o vaso de flores que chegara. Dizer que eram lin­das seria pouco, e não demorou muito para começa­rem a falar que Renee, a tranqüila e discreta assisten­te social que nunca namorava, finalmente tinha en­contrado um namorado, pois recebera flores — uma dúzia de rosas vermelhas.

Ela estava contente por ter tirado o cartão e o colo­cado na gaveta da mesa antes de Diane entrar em seu consultório para ver as flores sobre as quais todos es­tavam falando. Diane olhara o cartão de cima abaixo, evidentemente se achando no direito de lê-lo.

Mas era um cartão para Renee ler sozinha, e como tinha alguns minutos disponíveis agora, tirou-o da gaveta e releu as palavras de Tag.

A noite passada significou mais para mim do que você pode imaginar. Jante comigo esta noite para que eu possa agradecer deforma adequada. Tag.

 

Renee suspirou. Segundo Vicki, Tag telefonara duas vezes enquanto ela estava em reuniões. Era mais do que provável que estivesse querendo confirmar que ela estaria livre para jantar com ele à noite.

Ela levantou-se e foi até a janela. Embora não hou­vesse como se arrepender do que dividira com Tag na noite passada, em parte ela sabia que talvez ele tives­se entendido errado. Sua opinião e seus sentimentos em relação a eles não haviam mudado. Ela queria que as coisas fossem diferentes, mas não eram, e ela de­via aceitar esse fato. Se ao menos ele aceitasse!

Ela virou-se quando o telefone tocou em sua mesa e rapidamente atravessou a sala para atendê-lo.

— Sim, Vicki?

— O sr. Teagan está na linha.

Renee fechou os olhos brevemente e respirou fundo.

— Tudo bem, coloque-o na linha.

As pernas dela estavam bambas quando se sentou na cadeira de sua mesa.

— Renee.

Ela engoliu em seco ao ouvir seu nome pronuncia­do por Tag, aquela mesma boca que fizera amor com ela. A habilidade e a virilidade dele no quarto ultra­passaram qualquer coisa que ela algum dia conhe­cera.

— Sim, Tag. É Renee.

— Como você está se sentindo?

Ela sabia por que ele estava perguntando. Nenhu­ma mulher fazia sexo tantas vezes como ela fizera na noite anterior sem sentir algum desconforto. Mas ela não se importava com o desconforto.

O prazer que usufruíra fazia qualquer desconforto valer a pena.

— Tudo bem, e você?

— Eu me sinto melhor do que nunca, e você é o motivo.

Ela lambeu os lábios, nervosa, e olhou para as flo­res do outro lado da sala.

— Obrigada pelas rosas. São lindas.

— Como você. E eu acho que não existe um centí­metro de seu corpo que não seja lindo.

Ela ficou completamente ruborizada e desviou o olhar das flores, lembrando-se do quanto ele tinha visto de seu corpo, tocado, sentido o sabor. O calor que surgiu dentro dela forçou-a a se lembrar de cada momento, cada íntimo detalhe.

— Tag, não acho que...

A voz dela morreu. A verdade era que não conse­guia pensar. Só conseguia recordar, e a lembrança es­tava dominando-a.

— Jante comigo esta noite, Renee. Quero levá-la a um lugar especial.

Ela encostou-se a cadeira e fechou os olhos.

— Tag, não acho que seja uma boa idéia.

— Mas eu acho que é uma ótima idéia, a não ser... Ela involuntariamente abriu os olhos.

— A não ser o quê?

— Que você tenha vergonha de ser vista comigo. Ela sentou-se ereta na cadeira.

— Não é isso, e você sabe — ela defendeu-se, in­sistente. — Fui vista com você. Estive com você no sábado passado e, novamente, ontem à noite.

— Mas eu não os considero verdadeiros encon­tros. Quero levar você para jantar e para dançar.

— Mas eu já disse que não acho uma boa idéia le­var isso adiante — implorou ela, querendo desesperadamente que ele entendesse. Por que ele não conse­guia entender que eles eram de mundos diferentes?

— Tarde demais, querida. Já levamos as coisas adiante. No meu livro, elas não podem ir mais adiante do que foram ontem à noite. Você pode considerar uma simples noite de paixão, uma noite em que nos entregamos ao desejo, mas considero-a algo mais só­lido e substancial. Se você não acha, então vou ter de convencê-la do contrário. Não tente fingir que ontem à noite não significou nada além de algo casual e di­vertido. Foi mais do que isso, e você sabe muito bem.

Renee balançou a cabeça positivamente. Ela tam­bém sabia algo que ele não sabia: ela o amava.

— Jante comigo, Renee. Por favor.

Renee levantou a cabeça. Qual o problema em jan­tar com ele? Talvez pudesse usar o encontro para convencê-lo de que havia muitas questões a serem enfrentadas se fossem manter um relacionamento. Mas havia o fato de que gostaria muito de estar com ele novamente, de fazer amor com ele novamente, embora não devesse.

— Tudo bem. Vou jantar com você.

— Ótimo! Vou fazer uma reserva à bordo do navio Harbor.

Renee engoliu em seco. O Harbor não era apenas um jantar em um navio de cruzeiro, ele navegava pelo rio Hudson. Ela ouvira falar que você precisava ser sócio de um clube particular para até mesmo pisar no convés, e que os preços eram tão altos que nunca conseguiria ir com seu salário.

— O Harbor está funcionando? Mesmo em feve­reiro?

— Desde que o tempo ajude, ele navega. E eu gos­taria que nós dois estivéssemos nele. O que você acha?

Renee soltou o ar. Como poderia dizer não para ele?

— Tudo bem.

— E eu pego você por volta das sete. Tudo bem?

— Sim. Às sete está bem.

— Ótimo. Até mais tarde.

Depois de desligar o telefone, Renee perguntou-se se não tinha ido além do que deveria. Afinal de con­tas, quanto mais longe fosse, mais difícil seria sair da situação.

 

Tag olhou primeiro para Gannon e depois para Marlene Kingston, sem saber exatamente o que dizer.

Ele tinha a intuição de que a renúncia do senador Denton não havia sido tão inocente quanto parecia.

— E você tem certeza disso, Marlene? Podemos confiar nas fontes?

Tag sabia muito bem como o uso de fontes anônimas por organizações de notícias estava sob enorme vigilância nos últimos anos.

— Sim, mais do que você imagina. Aqui está o nome — disse ela, entregando-lhe um pedaço de pa­pel.

Tag pegou o papel e olhou-o, depois ergueu uma sobrancelha antes de passá-lo para Gannon. Depois de lê-lo, Gannon assoviou. O nome no papel era o nome da sobrinha do senador.

— Essa fonte é estritamente confidencial. Como você conseguiu?

Marlene sorriu.

— Jeanette e eu estudamos juntas em Georgetown. Assim que comecei a fazer perguntas, ela desabafou e me contou tudo. É uma pessoa muito ética e há anos que encontra irregularidades que não aprova no com­portamento do senador. Ela sempre se sentiu forçada a ficar em silêncio, mas essa última foi a gota d'água. Como você pode ver, temos uma história confiável aqui, Tag. E o que é ainda mais especial é que parece que a Times não faz nem idéia, o que nos coloca em vantagem.

Tag suspirou. A fonte de Marlene indicava que o senador Denton participara de um acobertamento de fatos da pior maneira possível, e cabia à Pulse revelar ao público. Os americanos não tinham apenas o direi­to de saber, mas Tag sabia o que aconteceria com as vendas se fossem os primeiros a publicar o artigo. Definitivamente, colocaria a Pulse à frente na com­petição de seu avô. Grandes manchetes atraíam os leitores, e leitores aumentavam os lucros.

Gannon levantou-se e passou uma das mãos no rosto.

— Vamos ter de organizar bem as coisas. As pes­soas gostam do senador Denton, e o respeitam, e algo dessa magnitude vai provocar um escândalo. Mas quero que a Pulse exponha os fatos.

Tag sorriu, sentindo a adrenalina correr como sempre corria quando estava prestes a revelar uma história. E ainda tinha o jantar com Renee. Sentia-se nas nuvens.

— Vou finalizar a reportagem e colocá-la na mesa de Peter até segunda-feira — disse Marlene, inter­rompendo os pensamentos dele.

Tag balançou a cabeça.

— Não. Essa história vai ser sua. Estamos fazendo todas as investigações e a sobrinha do senador é um contato seu. Você escreve o artigo.

Gannon balançou a cabeça concordando.

— E, de qualquer maneira, onde está Peter?

— Ainda está no almoço — disse Marlene, juntan­do todos os papéis para colocá-los em sua pasta.

Depois de Marlene partir, Tag olhou para Gannon e disse:

— Vamos ter de fazer alguma coisa em relação a Peter. Ele sabia dessa reunião.

Gannon estava quase respondendo quando o telefo­ne tocou. Ele rapidamente atendeu-o quando viu que era sua linha privada. Tag, que imaginou ser, provavel­mente, Erika, e não queria meter-se na vida privada do irmão, atravessou a sala para olhar pela janela. O dia estava lindo, e ao ver todos os papéis vermelhos dis­postos na vitrine da loja do outro lado da rua lembrou-se de que quinta-feira era Dia dos Namorados.

— Era papai.

Tag virou-se e viu um sorriso no rosto do irmão. Evidentemente, o pai ligara com boas notícias.

— E? Gannon sorriu.

— Ele ligou para dizer que Erika falou com ma­mãe e ela concordou em ajudar com o casamento.

O sorriso de Gannon alargou-se ainda mais quan­do ele acrescentou:

— Papai também queria que eu dissesse para você, Liam e Bridget que mamãe quer nos ver domingo no jantar.

Um sorriso apareceu no rosto de Tag. Embora Renee tivesse explicado para ele pelo que sua mãe esta­va passando, não era fácil ser rejeitado.

— Isso é maravilhoso! Gannon deu risada.

— Sim, é. E nós temos de agradecer a Renee por ter nos ajudado. Agradeça quando a vir novamente.

Tag ergueu uma sobrancelha de curiosidade.

— E o que faz você pensar que vou vê-la nova­mente?

Gannon olhou para Tag e sorriu.

— Você vai. Vi o jeito que você olhava para ela no jantar aquele dia. Você está interessado nela. Eu gos­to dela, e você está certo, ela é linda.

— Vou levá-la para sair esta noite. Ao Harbor. Ele estava animado com o encontro oficial com Re­nee e não se importava em dividir isso com o irmão.

Gannon levantou uma sobrancelha quando se en­costou na cadeira.

— Ao Harbor! Então estou certo ao supor que você está interessado nela.

Tag foi até a porta e lançou um último olhar para o irmão.

— Sim. Definitivamente, estou interessado.

 

De onde estava em seu quarto, Renee pôde ver uma Mercedez esporte cinza parar em frente a seu prédio. Pelo jeito com que seu coração começou a ba­ter, ela soube que o carro era diferente, mas o ho­mem, o mesmo.

Tag.

Ele disse que a pegaria às sete, mas por alguma ra­zão ela sabia que ele chegaria alguns minutos antes.

Ela ficou observando-o entrar na portaria do pré­dio com os passos apressados, coisa rara para um ho­mem que não estava atrasado. Tag usava um terno preto. Parecia um astro de Hollywood.

De repente, como se sentisse que estava sendo ob­servado, Tag olhou para cima e os olhares encontra­ram-se. Ele sorriu e os pêlos do braço dela arrepia­ram-se, e quando ele acenou, ela não conseguiu fazer nada além de levantar uma das mãos e acenar de vol­ta. Saindo da janela, tomou coragem para encontrar o homem que estava fazendo seu mundo girar.

Minutos depois, ela ficou de pé em frente à porta, um frio no estômago, os seios ficando sensíveis, uma dor suave em alguns músculos. Esforçando-se para controlar as emoções, abriu a porta.

O que Renee havia esperado, não era Tag puxá-la para os braços dele e depois fechar a porta com os pés e, em seguida, beijá-la ardentemente. Ela ficou ime­diatamente louca de desejo e então envolveu os bra­ços em volta dele.

Renee chegou rapidamente à conclusão que podia ficar sem jantar se pudesse permanecer em contato com Tag. Quando ele finalmente soltou Renee e co­locou-a de volta ao chão, ela pressionou o rosto con­tra o peito dele, pensando no fato de nunca a terem beijado daquele jeito como cumprimento.

Ela olhou para ele quando sentiu sua mão em seus cabelos, e então levantou o queixo para dar-lhe um outro beijo. Não havia como não corresponder. A ele. Em relação a Tag, não havia limites, mas a sensação dela era de que havia um território desconhecido que ele planejava que explorassem. Juntos.

— Pensei muito em você hoje — disse ele, a voz contida. Quando sussurrou no ouvido dela, colocou a língua para fora para sentir o sabor de sua pele.

— Eu também pensei muito em você — respondeu ela honestamente. Ela se odiava por admitir uma coi­sa dessas, mas sabia que devia admitir.

Lentamente, ele deu um passo para trás e olhou-a, depois pegou sua mão, colocou-a sobre a cabeça dela e girou-a.

— Você está linda.

Ela sabia que ele era sincero em todas as suas pa­lavras.

— Se nós não sairmos agora, vamos nos atrasar — disse ela com a pulsação acelerada.

Tag sorriu.

— Você está certa. Mas, então, eu tenho algo a es­perar com ansiedade depois do jantar, não tenho?

Renee balançou a cabeça positivamente. Ela tam­bém teria.

 

O Harbor era um lindo navio de cruzeiro, e assim que entraram um garçom uniformizado acompanhou-os até a mesa que lhes foi reservada na Sala Tropicana.

Renee olhou à volta, tentada a se beliscar. O navio era novo, tudo era elegante, incluindo o piso de már­more. Tag apertou a mão dela e sorriu.

— Espero que você tenha gostado. Ela lançou-lhe um sorriso.

— Acredite em mim, gostei.

A mesa deles tinha uma vista panorâmica para o rio Hudson. Depois de entregar-lhes o menu, o gar­çom deixou-os sozinhos, e logo depois o navio come­çou a se movimentar. Estava tocando uma música suave e, não muito longe, havia uma pista de dança. Conversas em baixo volume dominavam o ambiente. Renee nunca estivera em um cruzeiro antes, e quando sentiu o movimento do navio plantou seu pé no chão com firmeza.

— Não posso acreditar que estamos nos movendo de verdade — disse ela nervosa.

Tag deu risada.

— Estamos. E vamos passear pelo Hudson por duas horas ou mais.

Ela balançou a cabeça.

— Você vem com freqüência aqui? Ele sorriu para ela.

— Já jantei aqui com várias pessoas da família. E, então, porque ele queria que ela soubesse como essa noite era especial para ele, Tag acrescentou:

— Mas é a primeira vez que trago uma mulher. Renee abriu a boca e imediatamente fechou-a quando não conseguiu dizer nada. O fato de ser a pri­meira fazia seu corpo arrepiar-se.

— Obrigada — disse ela polidamente. O sorriso dele alargou-se.

— Você está sempre me agradecendo.

— Porque você está sempre fazendo alguma coisa agradável.

Ele inclinou-se e sussurrou:

— Você desperta o melhor que há em mim.

— E eu devo acreditar nisso? — perguntou ela rin­do.

— Espero que sim, porque é a verdade.

Nesse exato momento o garçom voltou, com uma garrafa de vinho.

— Pedi uma garrafa de vinho antes do jantar para que possamos brindar a boa notícia — disse-lhe Tag,

— E que boa notícia é essa?

Ela percebeu que ele estava com ótimo humor, mas não lhe dissera o motivo enquanto estavam no carro.

— Boas notícias sobre mamãe. Papai ligou para dizer que ela concordou em ajudar Erika para o casa­mento, e que quer nos ver domingo.

O rosto de Renee iluminou-se de alegria. Ela sabia o quanto a depressão da mãe perturbava Tag.

— Oh, Tag, que maravilha! Vai fazer com que se concentre em outra coisa além de sua condição. Eu disse que planejar o casamento de Erika seria maravi­lhoso para ela.

— Sim, nos disse. E Gannon pediu que eu lhe agradecesse. Estaremos sempre em dívida com você.

— Nem você nem sua família me devem nada, Tag. Como disse naquela noite, gosto de sua mãe, eu a considero uma pessoa especial, e simpatizei com todos vocês. Só quis ajudar.

Era exatamente isso que ele achava tão especial em Renee. Ela era doce e apaixonante.

Havia muita coisa acontecendo em sua vida, mas não conseguia imaginar não arrumar esse tempo para ficar com Renee.

— Vamos fazer um brinde — disse ele levantando o copo.

— À saúde de minha mãe.

Renee ergueu o copo na direção do dele.

— Sim, à saúde de Karen.

Renee estava achando a noite perfeita. O homem, o navio, o clima agradável. Durante o jantar, eles fa­laram mais sobre a mãe dele, sobre a proposta do avô e algumas informações sobre seus primos. O que mais a intrigou foi a informação sobre o avô dele.

— As coisas vão dar certo, Tag. Tenho certeza. Pelo que você me disse, a família é muito importante para seu avô. Não imagino que faça intencionalmente algo para destruí-la. Deve haver uma razão para o que você e sua família vêem como loucura. As coisas nem sempre são como parecem.

Tag perguntou-se se ela sentia isso em relação a eles dois. Lembrou-se claramente do que ela dissera dias antes. No entanto, ela teve de concordar em sair com ele esta noite, e ele esperava que aquela noite te­nha significado tanto para ela quanto significou para ele, que estava convencido de que deveriam conti­nuar se vendo, mas sabia que convencê-la disso não seria fácil. Mas ele não desistiria.

 

— Você gostaria de uma sobremesa? — perguntou ele, depois que o garçom voltara para tirar a mesa.

O rio era lindo e o navio preparava o clima para o romance. Durante vários momentos, o calor e o dese­jo circundaram-nos. Ele sentira e sabia que ela tam­bém tinha sentido.

Renee sorriu.

— Não. Duvido que consiga comer mais alguma coisa. Tudo estava delicioso, Tag. Obrigada por me trazer aqui.

— O prazer foi meu. Você quer dançar?

Renee escutou a música suave e percebeu vários casais indo para a pista de dança durante a noite. Ela sempre gostara de dançar, mas não conseguia lem­brar-se da última vez. Dionne nunca a levara para dançar. A idéia dele de um bom jantar era o jantar na casa dela. Desde que terminaram, analisava a relação que tiveram e sabia exatamente o que havia de erra­do. Na cabeça de Dionne, ele era o rei e ela a rainha que devia atender a todos os seus caprichos.

— Renee?

A voz de Tag tirou-a dos pensamentos sobre o pas­sado. Ela sorriu.

— Sim, Tag. Quero dançar com você.

Tag levou-a para a pista de dança entre todos os outros casais. Ela podia sentir vários olhares na di­reção dele, mas não se importou. Só queria pensar em Tag e em ser envolvida por sua gentileza, força e calor. E quando ele puxou-a para si, Renee pensou que fosse derreter e sentiu um tremor passar por seu corpo.

— Você está com frio? — perguntou ele, inclinan­do-se e sussurrando a pergunta no ouvido dela.

Ela balançou a cabeça.

— Não, não estou.

Não podia dizer para ele que estava sentindo exa­tamente o contrário. Ela estava queimando por dentro, com um calor que recentemente descobrira que só ele conseguia gerar.

Renee tirou sua atenção de Tag e olhou para os ca­sais bem vestidos que estavam na área de jantar. Fi­xou o olhar em um casal em particular quando a mu­lher curvou o corpo e sussurrou alguma coisa no ou­vido do marido, antes de virar-se para olhar para Re­nee e Tag, franzindo a testa. Ela podia imaginar o que a mulher tinha dito, pois agora o marido estava olhando para eles com um olhar de desaprovação.

Não querendo contemplar os olhares de desprezo, Renee virou-se e afundou o rosto no peito de Tag. Ela recusava-se a permitir que qualquer um estragasse a noite deles. Hoje a noite era dela e de Tag, e sua in­tenção era aproveitá-la.

Ela suspirou quando sentiu o calor dele e as mãos ternas deslizarem de sua cintura para o meio das cos­tas. Ele inclinou-se e começou a cantarolar a melodia que a banda estava tocando. A voz dele era muito sexy.

O navio ancorou e depois de algumas danças ele pegou a mão dela, levando-a até os lábios.

— Espero que você tenha gostado da noite. Um tremor passou por ela.

— Gostei. Foi tudo perfeito. Ele sorriu.

— Você foi a coisa mais perfeita daqui e eu estou orgulhoso por ser você quem está comigo, ninguém mais.

Renee não conseguiu evitar o sorriso. Se ele estava usando toda sua habilidade para seduzi-la mais tarde, era um ótimo trabalho.

— Também estou feliz por estar aqui com você esta noite.

Ele olhou fixamente para ela antes de pegar sua mão e conduzi-la por entre as pessoas.

Quero que sejamos os primeiros a sair deste na­vio — disse ele, levando-a de volta à mesa. — Nossa noite ainda está longe do fim, e como amanhã é sába­do, imagine as possibilidades...

Ela as imaginava, o que a fazia ficar ainda mais apaixonada por ele.

 

Renee afundou nas macias almofadas de couro do sofá de Tag e fixou seu olhar nele, que estava do ou­tro lado da sala, em frente ao aparelho de som, e no momento em que apertou o botão um jazz suave preencheu o ambiente.

Ela olhou à volta e viu alguns quadros de Alton Malone na parede, além de outros artistas. Todos lin­dos. Todos caros. Os móveis de carvalho eram de bom gosto e em harmonia com a decoração contem­porânea.

Além dos quadros de Malone, a sala de estar esta­va decorada com várias estatuetas asiáticas. Tag co­mentara que ganhara de presente do Museu Watari de Tóquio após ter feito um artigo sobre o museu alguns anos atrás.

Tag fizera um pequeno tour com ela pelo primeiro andar, mas não se preocupara em mostrar-lhe o quar­to. Ela estava um tanto ansiosa para vê-lo, e sabia que o veria na hora certa.

A julgar pelo calor que emanava dos dois, uma vi­sita ao quarto dele era inevitável. Depois do que ha­viam compartilhado na noite anterior, estava an­siosa.

Quando ele saíra com ela às pressas do navio, per­guntou se ela gostaria de passar na casa dele. Ela qua­se recusara, lembrando-se do olhar frio e de desapro­vação que o casal lançara-lhe quando dançavam ain­da a bordo, mas depois decidira que gostaria de pas­sar o maior tempo possível, esta noite, com Tag. Quando ele a levasse para casa, ela explicaria por que não poderiam se ver de novo.

— Você gostaria de algo para beber?

. Ele exigiu sua atenção e ela o encarou. Segurando a respiração. A luz do abajur parecia ressaltar a viva­cidade daqueles olhos de um azul tão intenso que, por um momento, parecia que ela estava afundando no oceano.

— Não, não quero nada para beber.

— E o que você quer?

Renee ficou em silêncio. Não havia uma resposta que a fizesse sentir-se confortável para dizer em voz alta. O silêncio entre eles era tão caloroso e potente como o próprio ar que respiravam. Não demorou muito para que se lembrasse da noite passada e do jei­to como o corpo dele possuíra o dela. E havia tam­bém a boca, doce e suculenta, dele. E a maneira como ele tocava sua pele, provocando sensações que come­çavam na barriga e espalhavam-se para outras partes de seu corpo.

— Renee?

Ela continuou presa ao olhar dele, ouvindo o som de sua voz, tenso, rouco, e algo mais. Urgência. De­sejo.

— Por que você não descobre o que eu quero? — disse ela de modo convidativo. Ela então passou deliberadamente a língua nos lábios, sabendo que este movimento estava provocando nele.

Um desejo descarado brilhava nos olhos dele. Ela baixou o olhar, passou-o dos músculos da barriga dele até o gancho da calça, e viu a ereção pressionan­do o zíper. Ela de repente ficou com calor, e o ar con­dicionado não estava fazendo nada para abrandar a sensação de sua pele.

— Acho que vou.

Ela voltou o olhar para o rosto dele enquanto Tag lentamente se deslocava na direção dela, com um sor­riso que fez sua pulsação acelerar.

— Você vai o quê? Descobrir o que eu quero?

— Não, seduzi-la para que você me diga.

Em vez de sentar-se no sofá, puxou-a e posicionou o corpo dela contra o seu, o que a fez sentir ereção. Com o olhar preso ao dela, sussurrou:

— Eu quero você, Renee.

— Eu também quero você, Tag.

Como se aquelas palavras fossem o sinal verde que ele estava esperando, cobriu-lhe a boca com um beijo ardente que fez Renee gemer de desejo quando ele interrompeu-o abruptamente.

Olhos questionadores encontraram os dele, e ele sorriu.

— Quero que me diga o que você quer, querida. Seu desejo será uma ordem.

Renee não conseguia imaginar uma coisa assim. Ela nunca tivera alguém que acatasse exclusivamente seus desejos. Nunca conhecera alguém como Tag. Dizer-lhe o que queria e tê-lo realizando todas as suas fantasias era um pensamento incrivelmente eró­tico.

— Diga — repetiu ele. Ela olhou para ele e disse:

— Para começar, leve-me até seu quarto e tire mi­nha roupa.

Renee viu os olhos azuis dele pegarem fogo e se­gundos depois ele curvou-se e pegou-a nos braços para carregá-la até o andar de cima. Sentia um arre­pio na barriga só de pensar no que aconteceria quan­do chegassem ao quarto. Mesmo enquanto se movi­mentavam, ela conseguia sentir o cheiro dele. Mascu­lino. Sensual.

Quando entraram no quarto, ela olhou à volta. A cama dele, king-sized, tinha uma armação de platina preta e ficava no centro do quarto, com mesas-de-cabeceira dos dois lados. Havia uma cômoda e um baú do outro lado do quarto. O quarto a fazia lembrar de Tag: organizado e masculino.

— Agora vamos tirar o vestido.

Colocou-a no chão e imediatamente começou a ti­rar o vestido dela, abrindo o zíper e passando os de­dos na pele quente de suas costas. Ela não estava usando sutiã. Ele tirou o vestido do ombro dela e dei­xou-o cair até a cintura, o olhar fixo nos seios dela.

— Sinta-os novamente, Tag.

Ela não tinha de pedir duas vezes. Ele colocou um mamilo intumescido na boca. Quando ouviu o gemi­do de Renee e sentiu os joelhos dela bambearem, ele segurou-a pela cintura. Lembrava-se do orgasmo que tivera quando ele fizera amor com seus seios, mas dessa vez ele queria prolongar o prazer dela, fazer com que o quisesse tanto quanto ele a queria.

Ele pegou-a nos braços e carregou-a para a cama, colocando-a de costas, depois levantou o quadril dela para tirar a meia-calça e a calcinha. Guiado por um desejo cuja intensidade não conseguia entender, sen­tiu vontade de tocá-la, e seus dedos instintivamente foram até os pêlos úmidos do meio de suas pernas.

Ela fechou os olhos enquanto ele se concentrava em satisfazê-la com os dedos, que a tocavam implacavelmente. Ele observou os lábios dela contraírem-se levemente, e ela gemeu. Sua respiração arfante protestava para que ele saciasse seu desejo.

— Muito cedo ainda, querida — disse ele, afastan­do-se para tirar as próprias roupas.

Quando ela abriu os olhos para observá-lo, eles es­tavam quentes, dilatados. Ele não perdeu tempo ar­rancando a camisa e tirando as calças. Com o olhar preso ao dela, começou a despir a cueca, e assim que ficou nu, na frente da cama, a concentração dela mu­dou do rosto para a ereção dele.

— Agora me diga o que você quer — disse ele, quase perdendo o controle. Estava determinado a dar-lhe tudo que ela quisesse.

— Quero você dentro de mim — sussurrou ela an­tes de deitar-se.

Não querendo perder mais tempo, ele pegou rapi­damente uma camisinha da mesa-de-cabeceira. Ele as guardava ali embora nunca tivesse usado com nin­guém, pois Renee era a primeira mulher que levava para casa com ele. Sempre considerara sua casa um lugar íntimo, e nunca quis ter a lembrança de uma mulher ali. Mas com Renee pensava diferente. Que­ria a lembrança dela aqui. Queria a presença dela.

Ele ajoelhou-se ao lado dela na cama, ansioso para unirem seus corpos. Deu-lhe outro beijo ardente. Sa­bia que teria de fazer amor com ela nesse exato mo­mento, e posicionou seu corpo sobre o dela. Ele per­cebeu a diferença da pele dele com a dela. E a única palavra na qual conseguia pensar para descrever a di­ferença na cor deles era linda.

Tag interrompeu o beijo e olhou bem dentro dos olhos castanhos dela.

— Pronta?

Ela sorriu e disse:

— Só para você.

As palavras de Renee, sussurradas sedutoramente, liberaram uma onda de calor dentro dele, e, cerrando os dentes, ele entrou nela com um movimento suave. Respirou fundo, sentindo o perfume sensual do corpo dela, e ela curvou as costas, pressionando seus mús­culos femininos, exatamente como fizera da última vez. Tag sentiu-a à beira do abismo, e sabia que tinha de ir adiante. Ele começou a impor um ritmo, primeiro lento e, depois, entrou e saiu dela, glorificado com a combinação perfeita dos dois. Tag só conseguia se concentrar na mulher que estava abaixo dele, como pareciam ter sido feitos um para o outro. Ele dizia o nome dela quando sentia que ela demandava por mais prazer.

E ele lhe dava.

Um orgasmo tão intenso, que fez seu corpo inteiro tremer, arrebatando-o no exato momento em que ela gritou seu nome, arqueando seu corpo sob o dele. De repente, ele perdeu a noção de tudo, menos de Renee.

Com um último forte movimento, ele gemeu, sen­tindo o corpo dela estremecer.

Um êxtase cedeu lugar lentamente a um doce con­tentamento, e ele moveu seu corpo, mas permaneceu dentro dela, sem estar pronto para romper a conexão íntima dos dois.

Tag olhou para Renee em admiração; pensando no fato de que Renee Williams era, definitivamente, um sonho. Deu-lhe um beijo suave, precisando senti-la, absorvê-la, apreciá-la. E agradecer às forças que co­locaram essa linda mulher na vida dele.

Depois de Tag terminar de se vestir, virou-se para ver Renee colocar o vestido. Ele observou-a pensati­vo, sentindo um forte aperto no coração.

A paixão entre eles era arrebatadora, de tirar o fô­lego, mas ele não a queria apenas sexualmente. Tam­bém gostava de fazer coisas com ela, de levá-la a lugares e de dividir seus pensamentos. Hoje, durante o jantar,.falara sobre seu trabalho e o desafio que ele, o pai e o irmão estavam enfrentando na Pulse. Ela es­cutara, e depois fizera vários comentários que o dei­xaram pensativo.

Renee chamara a atenção para o fato de que, se o desafio proposto pelo avô estava deixando-os tensos, então imagine os funcionários. Eles estavam preocu­pados com o que aconteceria com seus empregos se a revista para a qual trabalhavam não lucrasse o sufi­ciente? E que mudanças na nova estrutura da empre­sa o novo presidente faria?

Ela sabia que seus comentários eram apenas o re­sultado de sua preocupação inata com as pessoas. Ela era uma pessoa que se preocupava em como as pes­soas eram tratadas, como se sentiam e o que pensa­vam. O último item era a raiz de seus problemas e a razão pela qual continuava a colocar um obstáculo no caminho para uma relação entre eles. A tensão agi­tou-se dentro dele ao reconhecer como ainda estavam longe de ficarem juntos. Precisavam conversar.

Ele encostou-se na cama e observou-a lutar com o zíper do vestido. Ele gostava da roupa dela. O vestido preto sensual parecia ter sido feito especialmente para ela, e o franzido na borda da saia valorizava suas lindas pernas. Ele sentiu como se pudesse ficar ali olhando-a para sempre.

— Precisa de ajuda? — finalmente perguntou. Ela lançou-lhe um olhar e sorriu.

— Só se você me ajudar a fechá-lo.

Ele deu risada, indo em sua direção.

— Oh, acho que posso resolver isso.

Ele puxou o fecho com facilidade e depois envol­veu a cintura dela com os braços, puxando-a para per­to dele, gostando de sentir suas nádegas.

— Você tem certeza de que não posso convencê-la a passar a noite aqui? — ele curvou-se e incitou-a, fa­lando no ouvido dela. — Prometo fazer com que va­lha a pena.

Renee respirou fundo e encostou-se no corpo de Tag, deleitando-se com a sensação de ter os braços dele em volta dela. Mais do que qualquer coisa, ele queria passar a noite e acordar ao lado dela na manhã seguinte, como na noite anterior. Mas ela sabia que isso dificultaria as coisas depois.

— Não, Tag, não creio que seja sábio eu passar a noite aqui — disse ela com um balanço de cabeça.

— Por quê? — perguntou ele, virando-a para que o olhasse, embora já soubesse o argumento que ela usaria. Mas hoje estava pronto para ele.

— Explique por que você não vai passar a noite aqui.

Ela olhou para cima.

— O que seus vizinhos vão pensar quando me vi­rem?

— Que eu sou um sortudo.

Renee suspirou. Tudo em relação a essa noite ti­nha sido lindo, e ela não queria destruir aquele mo­mento encantador, mas precisava fazê-lo entender.

— Nem todo mundo vai pensar isso, Tag. Alguns não vão gostar do fato de estarmos namorando.

Ele franziu a testa e cruzou os braços.

— Então eu diria que isso é um problema deles, não nosso.

Renee sacudiu a cabeça.

— E sua família?

Ele lembrou-se que ela usara a família dele como argumento antes.

— Achei que tivesse esclarecido bem as coisas em relação a minha família. Eles não ditam com quem devo sair.

Renee cruzou os braços e ergueu o queixo.

— Não, mas ficariam preocupados. E foi você mesmo quem disse que seu avô enfiou na cabeça de todos vocês para nunca fazerem algo ofensivo em re­lação ao nome da família.

Tag franziu ainda mais a testa.

— E você vê nosso namoro como uma ofensa?

— Não, mas tem gente que pensaria assim.

Ela conseguia lembrar-se com clareza da última vez que seu nome tinha sido ligado a fofocas. Não fora uma sensação boa saber que era assunto da con­versa de todo mundo.

Frustrado, Tag passou a mão na nuca.

— Você não acha que está exagerando, Renee? Quase todos os lugares que você vai encontra casais de cores diferentes. Estamos em Nova York, pelo amor de Deus! O que você acha de olhar o mundo a sua volta? A maior parte dos americanos não está mais preocupada com isso. Têm muito mais com o que se preocupar, como economia, segurança do país, saúde, liberdade. E isso que está na cabeça de­les, Renee, não quem está ultrapassando a barreira ra­cial.

— Para sua informação, Teagan Elliot, muitas pessoas no mundo real se preocupam com quem ul­trapassa a barreira racial.

— E você quer ceder a eles?

— Não é ceder.

— Então, como você chama isso? Gosto de você. Você gosta de mim. Você não quer namorar comigo pelo que as pessoas vão pensar ou dizer? Eu chamo isso de ceder a um segmento da sociedade que não consegue andar para a frente e aceitar as pessoas como elas são, não padronizar uma cor para elas.

— Talvez um dia as coisas sejam diferentes, mas...

— Não quero esperar por esse dia, Renee. A única coisa que quero é hoje, este momento. Não me impor­to a mínima que sua cor seja mais escura do que a mi­nha. O que importa é que eu gosto de você. Quero es­tar com você, conhecer você melhor, passar mais tempo com você. E quero que me conheça. E quanto mais você me conhecer, mais vai ver que sou dono de mim mesmo. Tomo minhas próprias decisões. Esco­lho minha mulher.

Ele esticou a mão para ela.

— Você vai me dar uma chance? Você vai nos dar uma chance? — Um sorriso esboçou-se nos cantos da boca de Renee. — Você é uma mulher muito linda e eu, pessoalmente, não acho que seja tão feio assim. O que você acha?

Nesse momento Renee achou que o coração dela fosse arrebentar com o amor que sentia por aquele homem. Ela olhou para os olhos azuis dele e viu sin­ceridade brilhando em suas profundezas.

Eu acho — disse ela com a voz trêmula quando pegou a mão que ele ofereceu — que você apresentou um bom argumento.

— E? — perguntou ele, puxando-a para perto de si. Ela se movimentou até ele com boa vontade, o que para Tag era um bom sinal. Ela sorriu quando colo­cou a palma das mãos no peito dele, o que para ele também era um outro bom sinal. A pulsação do cora­ção de Tag acelerou.

— E? — disse ela, dando um outro passo para mais perto dele, encostando seu corpo contra o dele.

Acho que vamos fazer as coisas do seu jeito e ver o que acontece.

— Posso dizer o que vai acontecer — disse ele em voz baixa, abaixando a cabeça na direção dela.

— E o que você prediz? — perguntou ela, ficando na ponta dos pés para alcançá-lo.

— Que algum dia vamos nos perguntar por que ti­vemos essa discussão.

Renee abriu a boca para discordar, mas a boca de Tag foi até a dela, bloqueando qualquer palavra que estava prestes a ser pronunciado. Ele abriu a boca de Renee com sua língua e reivindicou o que esperava por ele no lado de dentro.

Algum tempo depois, ele afastou sua boca para sussurrar:

— Você vai passar a noite comigo?

— Sim — murmurou ela com os lábios inchados pelo beijo. — Vou passar.

Ele sorriu e beijou-a novamente, colocando as mãos em volta do pescoço dela e começando a abrir o vestido que fechara minutos antes.

 

Gannon estalou os dedos na frente do rosto de Tag.

— Ei, Tag, você está aqui?

Tag saiu de seu devaneio e piscou. Olhou primeiro para Gannon e depois para Erika, Liam e Bridget. Os quatro estavam com sorrisos bobos nos rostos ao pe­garem o sempre alerta Teagan Elliot sonhando acor­dado.

Eles estavam sentados na sala de estar do Tides, a residência principal de seus avós, e onde sua mãe atualmente se recuperava. Quando criança, ele ama­va visitar seus avós aqui. Situada em um terreno de cinco acres em um penhasco acima do oceano Atlân­tico, a residência dos Elliot tinha sua própria estrada privada. Na propriedade havia a casa, uma enorme piscina, a casa da piscina, um lindo jardim de ro­sas e um heliporto. O que ele mais gostava na casa era uma escada entalhada na pedra que ia dar na praia particular onde havia uma doca para barcos. A partir daquela doca seu pai e seu avô ensinaram-no a velejar.

— Tag?

Ao ouvi seu irmão falar com ele uma segunda vez, Tag achou que seria melhor responder.

— Sim, estou aqui, embora esteja bastante ente­diado — disse ele sorrindo. — Falem sobre alguma coisa que não vai me dar sono, tudo bem?

Bridget fez uma careta.

— Humm, o que você acha de falarmos sobre o fato de que você foi visto em uma peça da Broadway sábado à noite — disse ela, levando o copo de vinho aos lábios.

Tag revirou os olhos, sabendo que sua irmã tinha obtido essa informação de Caroline Dutton, uma amiga de escola dela conhecida por sua língua solta. Ele encontrara com Caroline no teatro, no sábado, e se Bridget sabia que ele tinha visto a peça, então tam­bém sabia a pessoa que o acompanhara.

Tag encostou-se na cadeira e sorriu. Acordar ao lado de Renee tinha sido uma experiência maravilho­sa no sábado de manhã. Depois de fazerem amor no­vamente, tomaram banho juntos e depois ele a levara em casa, para que trocasse de roupa.

Ele a convidara para ir assistir O Rei Leão. Os dois adoraram. Depois ele a levara para casa e passara a noite lá.

— Seu sorriso está completamente repugnante. O sorriso alargou-se quando olhou para Liam.

— Está? Desculpe.

Ele sabia que todos estavam curiosos, mas não ti­nha a intenção de dividir o motivo de seu contenta­mento com ninguém.

— O jantar está pronto.

Tag levantou-se, agradecido pelo anúncio no mo­mento oportuno. Olive e o marido, Benjamin, trabalhavam há anos para seus avós. Olive, aos 55 anos, era a governanta, e Ben, aos 57, cuidava do jardim. Os dois gerenciavam os outros funcionários e manti­nham tudo em ordem.

— Quando mamãe vai descer? — perguntou ele quando os outros já tinham saído da sala.

— Está vindo — disse Olive, dando um sorriso ra­diante. — De quem quer que tenha sido a idéia para que ela ajudasse no casamento de Gannon e Erika, certamente foi a idéia certa. O humor dela, definitiva­mente, melhorou.

Tag ficou feliz ao ouvir aquilo. Estava preocupado que ela pudesse querer isolar-se novamente.

— Estou ansioso para vê-la.

Ele não a via desde antes de receber alta.

— E sei que ela também está ansiosa para ver todos vocês. As últimas semanas foram difíceis para ela.

Tag balançou a cabeça.

— Quando você acha que meus avós vão voltar? Ele sabia que tinham ido para a Flórida a passeio para encontrar outros casais que pertenciam à Socie­dade Histórica de Americanos Irlandeses.

— Até o final da semana, a tempo para o casamen­to de Gannon e de organizar as coisas para o jantar de aniversário de casamento. Eles ligam todos os dias para saber como está sua mãe e ter certeza de que ela está repousando o necessário antes de começar a qui­mioterapia.

Tag suspirou e passou a mão no rosto. Ele tentava não pensar nessa fase adicional da recuperação da mãe. Quando ouviu vozes, foi até o foyer e olhou na direção da escada. Seus pais estavam de pé no topo da escada, e o que seu pai tinha dito para sua mãe, a fez sorrir.

Embora estivesse um pouco pálida e parecesse exausta, ela lutava pela alegria. Ele percebera, mais de uma vez, que seu pai tinha a habilidade de provo­car o sorriso dela.

Tag admirava o que os pais dividiam por mais de 30 anos, e pela primeira vez na vida teve certeza de que queria a mesma coisa para si. A chance de dividir a vida com alguém que não seria apenas sua esposa, mas também sua amante e melhor amiga.

— Venha para a cozinha e deixe-os sozinhos um pouco mais — sussurrou Olive em seu ouvido.

Tag balançou a cabeça e seguiu Olive até a cozinha.

Tag só podia ficar agradecido por sua mãe estar tão bem quanto estava. Por um lado, o jantar tinha sido exatamente como nos velhos tempos. Uma coisa diferente era que seu pai não havia saído no meio da refeição, e nem teve algo para fazer no escritório. A outra era que depois do jantar ninguém teve pressa para ir embora e, o mais importante, a mãe era o cen­tro da atenção.

— Então, com vão as coisas, Tag? — a mãe per­guntou, lançando-lhe um sorriso carinhoso enquanto caminhavam pelo jardim, as mãos agarradas na man­ga da camisa dele, os passos mais lentos do que o nor­mal.

Ele olhou para ela e sorriu.

— Estou melhor agora, porque sei que você está bem. — Os irmãos tinham ido embora e ele ficara, precisando desse tempo sozinho com a mãe. Os dois sempre haviam tido um ótimo relacionamento. Quan­do criança, ele sempre a achara linda. E ainda achava. E também tinha a convicção de que ela era a pessoa mais inteligente do mundo, pois todos os conselhos que lhe dava eram necessários e formuladas na hora certa — quisesse ele recebê-los ou não.

— Como vão as coisas no escritório? — perguntou ela.

Tag reconheceu a estratégia da mãe.

— O trabalho está uma loucura, e eu estou um pouco irritado com vovô por causa do jeito como as coisas estão. Mais de uma vez tive a impressão de que algumas decisões que ele toma baseiam-se mais em manter as aparências do que colocar a família em primeiro lugar, e acho essa última doideira um tanto bizarra. Não consigo imaginar no que ele estava pen­sando. Papai é o mais velho, então, quando ele se aposentar, ele deveria imediatamente tornar-se o pre­sidente. Todo mundo imaginava isso. Não consigo entender.

Karen balançou a cabeça concordando.

— Nesse momento, nenhum de nós entende, Tag. Acho que a decisão de Patrick magoou Michael, mas você conhece seu pai. Vai se submeter à vontade de seu avô.

Karen parou de caminhar por um momento e olhou para Tag, fixando seus olhos negros nele.

— E, agora, me diga, como vai indo sua vida pes­soal?

Tag tinha certeza de que sua mãe estava sondando. E embora sempre tenha sido curiosa em relação à vida pessoal dele, mantinha as perguntas objetivas ao mínimo. Por alguma razão, ele sentiu que ela estava perguntando mais do que por curiosidade e rapida­mente perguntou-se se alguém mencionara alguma coisa para ela. Um de seus irmãos? Seu pai?

Ele lembrou-se daquele dia na sala de espera do hospital quando ele referira-se a Renee pelo primeiro nome e seu pai lançara um olhar surpreso. Uma coisa que Tag descobrira em sua vida era que Michael não era lento. Tag concluíra que seu pai dissera alguma coisa.

Ele olhou para a mãe e sorriu, decidindo ser hones­to, a única maneira que conseguia ser com ela.

— Minha vida pessoal está ótima, embora eu tenha tido alguns problemas com uma certa pessoa que não estava me levando a sério, mas finalmente convenci-a do contrário.

— É Renee?

Tag levantou uma sobrancelha, sabendo que era o que suspeitara. Seu pai contara para ela. O sorriso dele alargou-se e ele decidiu não perguntar como ela havia sido informada. Já era o suficiente ela saber.

— Sim, é Renee. Estamos nos vendo. Karen sorriu.

— Ela é linda e sei de primeira mão como ela é uma pessoa boa. Ela me ajudou a passar por um momento difícil e sou muito grata por isso. Acho que ela combina com você e que vocês formam um lindo ca­sal.

Depois de um breve momento de silêncio, ela disse:

— Você comentou que Renee não estava levando você a sério. Isso significa que ela não está aceitando um relacionamento intenso com você?

Tag deu risada, pensando que era uma maneira de colocar as coisas.

— Estava bem relutante no início, mas está come­çando a ceder. Consegui fazer com que concordasse em nos dar uma chance para ver o que acontece. Por­que somos de cor diferente, está preocupada com o que as pessoas vão dizer.

— A família?

— Sim, entre outras pessoas. Já recebemos alguns olhares enviesados quando estamos juntos. Consigo ignorá-los bem mais do que ela.

Karen balançou a cabeça.

— Não vejo problema. Mas você conhece seu avô. Ele pode levar a proteção ao nome da família a níveis inegociáveis.

Tag franziu a testa, controlando a repentina onda de raiva que o invadiu com esse simples pensamento.

— Sim, e quando acontecer, vou resolver isso com ele se for preciso. De modo algum vou deixar que ele, ou qualquer outra pessoa, dite regras de como devo viver minha vida e com quem.

Karen olhou para o filho, sentindo o ressentimento dele.

— Gostaria de dar-lhe um conselho, posso?

— Com certeza.

Embora tivesse perguntado, Tag sabia que ela da­ria seu conselho de qualquer maneira.

— Desde que soube que estava com câncer, desco­bri como o tempo que temos na Terra para fazer o que queremos, e para estar com as pessoas que queremos, é curto. E isso me fez perceber que não existe nada — prestígio, poder, orgulho — pelo qual valha a pena sacrificar as coisas que você quer de verdade, as coi­sas que você realmente ama. A vida é curta demais. Faça o que o faz feliz, independente do que os outros pensem.

Tag respirou fundo. Ele sorriu. Sua mãe ainda era a mesma.

— Obrigada pelo conselho. Pretendo segui-lo.

 

— E, então, como está sua mãe? — perguntou Renee sentando-se na beira do sofá. Assim que o telefo­ne tocou, ela sentiu um frio no estômago. Por alguma razão, sabia que era Tag.

— Considerando tudo o que ela passou, acho que está bem animada. A saúde parece estar melhorando a cada dia.

-— Que bom!

— E está animada com os preparativos para o ca­samento de Gannon e Erika, embora entenda que eles queiram uma coisa simples, só para a família. Papai disse que ela está sempre no telefone com floristas, o pessoal do bufe, e eu posso dizer, só de falar com ela, que está adorando.

Houve uma pausa, e ele então comentou:

— Mamãe e eu passamos algum tempo sozinhos e contei-lhe que estávamos nos vendo.

Um tremor desconfortável passou pela espinha de Renee.

— Contou?

— Sim.

— E o que ela disse? — perguntou ela, tentando manter a voz calma.

— Ela sorriu e disse que achava que formávamos um belo casal.

Renee ergueu uma sobrancelha.

— Ela só disse isso?

— Não. Também disse o quanto gostava de você e o quanto você a tinha ajudado. Ela acha que você combina comigo.

Renee ficou nervosa de felicidade.

— Ela realmente disse isso?

— Sim. E foram exatamente essas suas palavras. Renee suspirou.

— Obrigada por dividir isso comigo.

— Gostaria de dividir muito mais.

Ela balançou a cabeça, sorrindo ao pensar em tudo o que tinham feito no fim de semana, especialmente a intensidade com que ele fizera amor com ela.

— Já não dividiu o suficiente?

— Você ainda não viu nada. Gostaria de fazer pla­nos para terça à noite. Você sairia comigo?

— Terça?

— Sim. É o Dia dos Namorados.

— Oh — ela não tinha razão para celebrar o Dia dos Namorados há tanto tempo que se esquecera. — E você quer sair comigo?

— É claro. Quero planejar uma noite especial só para você.

Renee moveu o corpo na almofada do sofá.

— Você tem certeza? Tag deu risada.

— É claro que tenho certeza, não há ninguém além de você com quem eu gostaria de passar uma noite especial. Posso passar para pegar você às sete?

Ela soltou um suspiro, lembrando-se da decisão que tinham tomado.

— Sim, às sete está bom. Devo me vestir de algu­ma forma especial?

— Semiformal. Vai ser o baile anual da casa de ca­ridade predileta de mamãe, a Associação do Coração.

Renee engoliu em seco. Isso significava que mui­tas pessoas iriam. Tinha acabado de decidir tentar um relacionamento, mas não tinha certeza de que estava pronta para lidar com algo dessa magnitude. O pâni­co assomou. A última coisa que queria fazer era dar motivo para as pessoas falarem.

— Tag?

— Sim, linda?

O carinho dele acalmou-a de repente. Ela faria como prometera e daria uma chance a eles.

— Nada. Nos vemos na terça.

— Mal posso esperar. Ela sorriu.

— Eu também. Boa noite.

Assim que concluíram a ligação, ela colocou os braços na barriga quando começou a ficar tensa. Não, ela não daria espaço para nenhum ataque de pânico. Iria seguir seu coração e ver onde ia dar.

 

— E, então, o que você acha, Erika? — perguntou Tag.

Erika apertou os lábios e suspirou. Ela olhou para Gannon, Tag e Marlene Kingston na sala de confe­rência da Pulse, depois encostou-se na cadeira e sor­riu.

— Eu acho que um trabalho excelente foi feito com esse artigo, e que deveríamos colocar como capa.

Gannon ergueu uma sobrancelha.

— Na edição do mês que vem? Erika balançou a cabeça.

— Não. Sugiro uma edição especial. Podemos cor­rer o risco de Times lançar primeiro. Você não vai me convencer de que mais cedo ou mais tarde alguém não vai suspeitar da renúncia do senador.

Tag balançou a cabeça.

— Tudo bem. Concordo — disse ele com anima­ção, e virou-se para Marlene: — E devo acrescentar meus parabéns a Erika pela história bem escrita.

— Obrigada — disse Marlene radiante. — Obriga­da pela oportunidade.

Depois que Marlene saiu, Erika levantou uma so­brancelha e perguntou:

— Onde está Peter? Gannon suspirou.

— Não sei. Esta foi mais uma reunião importante que ele perdeu.

Ninguém disse nada, mas Tag sabia que seu irmão estava sendo forçado a lidar com um assunto que ti­nha evitado.

Tag levantou-se.

— Tudo bem, então. Está tudo combinado — disse ele animado.

Mais tarde naquele dia Tag encontrou-se com Liam, Bridget e sua prima Scarlet no Une Nuit. Ape­sar do sorriso de todos, podia sentir a tensão na mesa assim que se sentou.

— O que está acontecendo? Soltando o ar, a irmã disse:

— Nada, além de que hoje mais cedo eu vi Cullen no escritório e perguntei como estavam as coisas na Snap, e pareceu que eu estava querendo saber um se­gredo sério e obscuro.

— Eu, pessoalmente, acho que o desafio de vovô nos pegou de surpresa — disse Bryan, na defesa do irmão mais novo quando puxou uma cadeira e jun­tou-se a eles. — É por isso que fico feliz por ter saído dos negócios da família e montado este lugar. Mesmo naquela época, havia muita pressão. Não quero nem pensar como as coisas devem estar loucas agora.

Tag balançou a cabeça.

— Bryan está certo. O desafio de vovô nos deixou tensos. Sempre trabalhamos juntos pelo bem da em­presa como um todo, nunca nos lançamos uns contra os outros dessa forma. Mas não podemos nos esque­cer que, acima de tudo, somos uma família. Liam deu um gole na sua bebida.

— Concordo com Tag. Scarlet revirou os olhos.

— E deveria, pois sua posição na área financeira não liga você a nenhuma revista específica.

Liam franziu a testa.

— É, mas não torna meu trabalho mais fácil quan­do tenho de controlar os gastos de vocês quatro. Ten­tar trabalhar.

— Não se preocupe, irmão — disse Bridget. — Não conheço ninguém que possa fazer isso melhor do que você. É que as coisas já estão loucas e só estamos no segundo mês. Não quero nem pensar no que vai acontecer no verão, que é quando as coisas começam a esquentar.

 

Renee olhou-se no espelho de corpo inteiro e não acreditou na transformação que uma visita ao salão e a uma butique exclusiva podiam fazer. Mas queria estar especial.

O dia começara promissor quando recebera flores de chocolate no trabalho. O cartão de Tag simples­mente dizia Seja minha namorada.

E quando chegara em casa, recebera o quadro de Malone pelo qual se apaixonara naquele sábado que ela e Tag passaram juntos. Não queria pensar no quanto Tag pagara pelo quadro, e sua primeira reação foi de que não havia como aceitá-lo. Mas quando falou com ele no telefone, soube que não haveria como devolvê-lo; o quadro era dela.

Ela deu risada quando afastou o cabelo do rosto. Em vez de usá-lo liso como de costume, ela o havia cacheado.

O vestido era de veludo vermelho e parecia sofis­ticado, chique, feito sob medida. A gola em "v" res­saltava seus seios e acentuava ainda mais as alças. O jeito como o vestido caía em seu corpo destacava com elegância suas curvas.

Quando a campainha tocou, a pulsação de Renee acelerou. Eram exatamente sete horas.

 

A dama de vermelho...

Os olhos de Tag percorreram Renee em aprecia­ção. No vestido lindo que estava usando, ela real­mente causava uma impressão especial, e ele ficou feliz por ser o homem que estaria com ela nos braços.

— Você está linda — disse ele, entrando no apar­tamento e entregando-lhe uma única rosa vermelha.

— Obrigada.

Renee levou a rosa ao nariz e inspirou. E então olhou para o homem que estava na frente dela. Tag estava elegantemente vestido em um smoking que provavelmente tinha sido feito sob medida. A camisa branca e a gravata borboleta preta eram os toques fi­nais.

— Você também está lindo — disse ela.

— Acho que você nunca me disse que sou lindo.

— Bem, eu estou dizendo — ela falou, levando a rosa ao nariz novamente. Ela sabia que se não saíssem naquele instante, chegariam ao baile inapropriadamente atrasados.

— Pronto para partir? — ela decidiu perguntar. Um sorriso esboçou-se na boca de Tag e ela teve a sensação de que ele tinha lido o pensamento dela.

— Acho que é melhor.

 

A primeira coisa que Renee notou assim que che­garam no Centro Rockefeller foi que a entrada princi­pal estava cercada pela imprensa.

— Por causa da importância desse evento, algu­mas celebridades vão estar presentes — sussurrou Tag no ouvido dela minutos antes de ela ver John Travolta e a esposa no estabelecimento, e flashes vi­rem de todas as direções.

Renee balançou a cabeça, já se sentindo nervosa. Nunca estivera em um baile antes, nem em uma limusine. Tag a surpreendera quando aparecera em seu apartamento em uma limusine, dando motivo para seus vizinhos falarem.

Quando a limusine parou em frente ao Centro Rockefeller, um porteiro uniformizado abriu a porta para eles. Assim que saíram do veículo, os flashes dispararam. Evidentemente, alguém imaginara que eles também eram celebridades. Renee sentiu-se bem quando, assim que viram que eles não eram famosos, as fotos pararam. Ela sorriu para Tag quando ele pe­gou seu braço e, juntos, entraram no prédio.

As primeiras pessoas que Renee reconheceu no sa­lão foram Gannon e Erika. Por algum motivo, eles não pareceram surpresos por ela ser a acompanhante de Tag aquela noite.

— Esse lugar não está fabuloso? — disso Erika. Renee balançou a cabeça. Ela só podia concordar.

A decoração era vermelha e branca, tudo lembrando amor e romance. Havia cravos vermelhos e brancos em praticamente todos os lugares. Além disso, uma orquestra tocava músicas de amor. Não havia dúvida de que haveria dança mais tarde, e Renee estava an­siosa para dançar com Tag.

Renee e Tag passaram mais ou menos uma hora andando e fazendo a parte social. Ele mantinha a mão no braço dela, bem perto dele, enquanto a apresenta­va para as pessoas que conhecia. E parecia que quase todo mundo o conhecia como um Elliot e imediata­mente perguntava sobre a saúde de sua mãe e onde estavam seus avós. Ele respondia dizendo que a mãe estava se recuperando bem e que os avós ainda não ti­nham voltado da Flórida.

O jantar estava extravagante e delicioso. Eles sen­taram-se à mesa com Gannon, Erika, Cullen, o primo de Tag, e sua namorada.

— Dança comigo — sussurrou Tag no ouvido dela assim que abriram a pista de dança.

Ela fez que sim com a cabeça e ele imediatamente levou-a para a pista.

Ele colocou os braços na cintura dela, puxando-a para perto dele, e Renee concluiu que até aquele mo­mento a noite estava perfeita. Havia celebridades suficientes para que a atenção não se concentrasse nela e em Tag.

— Obrigada por ter vindo comigo — disse ele com os lábios encostados em sua orelha.

O carinho amoroso provocou arrepios de desejo em seu corpo.

— Obrigada por me convidar.

— Se estivéssemos sozinhos, agradeceria da for­ma adequada.

Ela olhou para ele e sorriu.

— E que forma é essa?

Ele aproximou-se mais dela e sussurrou, dizendo-lhe sobre seu mais íntimo desejo para mais tarde. Re­nee sorriu levemente e comentou:

— Ainda bem que eu não fico envergonhada com facilidade.

— Sim, é bom.

Depois da dança, eles estavam voltando para a mesa quando alguém chamou-o pelo nome.

Eles viraram-se a tempo, de uma mulher atirar-se nos braços de Tag e beijar-lhe a boca com uma fami­liaridade que fez Renee piscar os olhos.

— Onde você andou se escondendo, Tag? Faz me­ses que não vejo você.

— Oi, Pâmela — disse ele com um sorriso seco. Esticando o braço, ele puxou Renee para mais perto. — Renee, gostaria que você conhecesse Pâmela Hoover, uma velha amiga — disse Tag.

— Oi — a mulher disse com frieza, depois voltou toda a atenção para Tag. Ignorando Renee completamente. E acrescentou: — O que você vai fazer sexta à noite? Tenho ingressos para... Tag interrompeu-a.

— Sinto muito, mas Renee e eu temos planos para sexta à noite.

Embora Renee soubesse que ela e Tag não tinham planos para sexta, ela decidiu não mencionar o fato.

— Oh — a mulher lançou um olhar pouco amigá­vel para Renee e depois se virou para Tag. — Então talvez pudéssemos nos encontrar um outro dia, pelos velhos tempos. Você sabe o meu número. — E então partiu.

Evidentemente, Tag sentiu necessidade de expli­car.

— Pâmela e eu namoramos, há mais de um ano.

— Ah, sim.

— Tem umas pessoas que conheço ali. Vamos lá dizer oi — disse Tag, conduzindo-a para o outro lado do salão.

— Imaginei que fosse encontrar você aqui esta noite — disse um homem que caminhava atrás de Tag.

Tag virou-se e sorriu.

— E eu estava esperando ver você — ele puxou Renee para mais perto para fazer as apresentações. — Renee, este é um velho amigo meu, Alton Malone.

Renee sorriu quando ofereceu a mão.

— Sr. Malone, Tag nunca me disse que era um grande amigo seu.

Alton seu risada, balançando a cabeça.

— Sei que você gosta do meu trabalho.

— Sim, gosto e fiquei feliz em ganhar de presente um quadro seu.

— Então eu espero que vocês venham a minha ex­posição particular esta sexta à noite no Museu Harlem.

Renee olhou para Tag, perguntando-se se esse era o encontro que ele insinuara que tinham. O sorriso malicioso permitiu que soubesse que sim. Ela balan­çou a cabeça, sorrindo.

— Obrigada, Alton. Acho que vou.

Meia hora depois, Renee pediu licença a Tag para ir ao toalete. Ela estava quase entrando quando uma voz de dentro parou-a.

— Você pode acreditar que Tag tenha vindo com ela? — perguntou Pamela para sua companhia.

Uma outra mulher deu risada.

— Eu vi quando entraram juntos. Não pude acredi­tar.

— Eu também não. Procurei pelo avô de Tag para ver sua reação, mas me disseram que ele não está na cidade. Ele vai morrer quando descobrir que Tag está namorando uma mulher negra. Pense no falatório que isso vai provocar. A coisa que Patrick Elliot mais de­testa é ver o nome dele ligado a algum escândalo.

Renee afastou-se lentamente da porta. Concluindo que não tinha urgência em usar o banheiro, voltou ao salão.

Não demorou a encontrar Tag. Ele estava do outro lado do salão, conversando com seu irmão e com o primo Cullen. E como se tivesse sintonizado com a presença dela, olhou em sua direção.

Ele cometeu o erro de manter seu olhar por tempo demais nela. Quanto mais tempo olhasse para ela, mais sentia o desejo irradiando dele. O amor por Tag apossou-se de sua mente, apagando as palavras cor­tantes e malévolas de Pamela Hoover.

Ela observou-o pedir licença para o grupo e, sem olhar para os lados, caminhar em sua direção, como se fosse a única pessoa que tinha sua atenção inte­gralmente.

Quando ele parou na frente dela, Renee umedeceu os lábios, sabendo que o gesto sensual e provocativo mandaria uma mensagem silenciosa para ele.

Funcionou.

Ele deslizou os braços em volta da cintura dela e aproximou seus corpos, e sem preocupar-se com quem estava olhando, plantou um beijo afetuoso nos lábios dela.

— Você está pronta para ir embora? — sussurrou ele.

Ela gostava da sensação de estar nos braços dele. Gostava de ter a atenção dele.

— Só se você estiver.

— Estou.

E sem dizer mais nada, ele pegou a mão dela e con­duziu-a até a chapelaria para que ela pegasse seu manto.

Renee lembrava-se muito pouco da viagem de limusine de volta para casa. Também não conseguia se lembrar dos momentos que ela e Tag compartilharam até a porta do apartamento dela, de mãos dadas. Mas lembrava-se de quando a mesma porta foi fechada e ele sussurrou o nome dela logo antes de puxá-la para seus braços.

E lembrava-se de que ele a carregara para o quarto, colocando-a na cama e despindo-a, e depois se ocu­pou consigo mesmo.

Ela nunca se esqueceria do jeito como atirou a cal­ça no chão, confiante em sua sexualidade. E quando chegou na cama, ajoelhou-se na frente dela, abriu suas pernas, abaixou a cabeça e colocou a língua em seu âmago feminino. Ela achou que tinha morrido e isso era o paraíso.

Quando ergueu a cabeça, não tinha tido apenas um orgasmo, mas dois, e ele lançara-lhe um olhar que a deixava saber que antes de a noite acabar haveria um terceiro, e um quarto.

— Cuidado — sussurrou ela, depois que ele colo­cou a camisinha no lugar e moveu seu corpo para cima do dela. — Você está se tornando um vício.

Ele sorriu para ela.

— Fico feliz. Eu quero entrar em seu sistema Re­nee. Muito.

Ela esticou o braço e acariciou o rosto dele.

— Por quê? — perguntou ela desesperada para sa­ber.

— Porque... — disse ele enquanto entrava lenta­mente nela — ...você já é minha.

— Talvez. Mas não o suficiente.

Nesse momento, ela não sabia o que estava aconte­cendo, mas queria ser a única mulher na qual Tag pensasse esta noite, amanhã, possivelmente pelo res­to da vida. Talvez tivesse alguma coisa a ver com as palavras que Pamela Hoover falara, sugerindo que uma vez que Patrick Elliot soubesse do relaciona­mento entra ela e Tag, tudo acabaria. Renee não o fa­ria sujeitar-se a algum tipo de confronto com sua fa­mília, e sabia o que tinha de fazer se isso viesse a se tornar uma possibilidade. Mas, hoje à noite, ela que­ria somente o homem. Precisava dele.

Ela envolveu as pernas em volta dele e depois co­meçou a deslizar os dedos em seu peito, parando no mamilo.

— O que você está fazendo? — perguntou ele.

— Estou tentando ver o quanto consigo entrar em seu sistema — disse ela, acariciando o mamilo dele sensualmente.

— Acredite em mim — disse ele entre os dentes — você já está nele.

— Mas quero ter certeza.

— Você sabe o que dizem sobre dar o troco?

— Não. Não sei o que dizem, mas esta noite decidi que não vou me preocupar com o que dizem. A única coisa que tenho em mente é nós dois e o que estamos fazendo neste exato momento.

Dando risada, ela virou-se e, depois de uma mano­bra rápida, Tag estava deitado de costas com ela montada nele.

Ele olhou para si mesma através de olhos azuis in­tensos.

— Oh, você está pedindo.

— Parece que é você que está pedindo, sr. Eliott, e eu pretendo dar tudo que você quiser.

E então ela começou a se movimentar sobre ele.

De repente aconteceu, ela logo sentiu seu corpo explodir sob o dela. Com um último impulso, ela gri­tou o nome dele e despedaçou-se em milhares de pe­daços.

Minutos depois, Tag beijou-a intensamente, e nes­se momento Renee soube que em vez de entrar no sis­tema dele ele a invadira completamente.

 

O contentamento movia-se como ondas em todas as partes do corpo de Tag, enquanto ao pé da cama observava Renee dormir. A intimidade que sempre compartilhavam era diferente de tudo o que conhe­cia. Ela levava o desejo sexual dele ao extremo, e com ele havia algo profundo que o deixava sem ar só de pensar nisso.

Ele começou a se vestir, olhando para ela. A mu­lher tinha algo mais — teimosa, orgulhosa, linda, sexy. Ela combinava com ele em todos os sentidos. Agradava-o de tal forma, que o deixava sôfrego.

Ele suspirou enquanto abotoava a camisa. Mais do que qualquer coisa, queria voltar para a cama e estar ali quando Renee acordasse, mas não podia. A edição especial da Pulse chegaria às bancas no dia seguinte e ele tinha muito o que fazer. Durante as próximas 48 horas, passaria a maior parte do tempo no escritório. Assim que a revista chegasse às ruas, teria de estar à disposição para responder perguntas sobre a legitimi­dade da história.

Querendo tirar a mente do trabalho, olhou nova­mente para Renee e fez uma coisa que nunca fizera antes: começou a imaginar, imaginar como seria ter isso todos os dias, ter a chance de dormir com ela, acordar com ela, passar todo o tempo que quisesse com ela.

Uma emoção que nunca sentira antes se apoderou de repente dele e a única coisa na qual não conseguia pensar era em sua vida sem ela. Ele sabia que gostava dela, mas até esse momento não sabia o quanto.

Estava apaixonado por Renee.

Imaginava dividir sua vida inteira com ela. Casar e fazer dela sua mulher. A mãe de seus filhos.

Queria acordar e dizer como se sentia, mas sabia que não podia. Ainda estava resolvendo algumas coi­sas, e embora ela tivesse concordado em dar-lhe uma chance, ainda podia sentir sua cautela, sua incerteza. A melhor coisa que deveria fazer era continuar o ca­minho atual. Tag tinha de provar-lhe que o relaciona­mento entre os dois poderia dar certo, e que não havia nada no mundo capaz de separá-los.

Depois de estar completamente vestido, voltou e mordiscou o pescoço daquela maravilhosa mulher. Não podia sair sem dizer adeus.

— Estou me arrumando para sair, querida. Renee abriu os olhos lentamente e respirou fundo antes de dizer:

— Como? A limusine...

— Chamei um carro — a editora tinha seu próprio transporte. — Vai chegar daqui a alguns minutos. — Olhando para ela, percebeu que aquela mulher pos­suía seu coração e ela ainda não sabia. Beijou-a ternamente.

Com os lábios ainda presos aos dela, Tag deslizou a mão sob os joelhos da amada e levantou-a. Então se sentou na beira da cama, com Renee no colo. Ele pre­cisava dessa conexão. Precisava disso. Só ela conse­guia provocar essas sensações nele.

Ele afastou a boca da dela com relutância, só de­pois de estar completamente certo de que lhe tinha dado algo para pensar nos próximos dias, quando es­taria ocupado com a revista.

— Aquela edição especial sai amanhã — Tag co­municou dando beijinhos em volta dos lábios dela. — Preciso estar a postos.

— Eu sei — disse ela.

— Vou estar ocupado nos próximos dois dias. Pro­vavelmente, não vou poder ver você antes de sexta à noite.

Ela colocou a mão sobre a camisa dele, ajeitou a gravata-borboleta e sussurrou:

— Entendo.

— Vou sentir saudades. Ela sorriu.

— Eu também.

Aproveitando os lábios entreabertos, colocou a língua dentro da boca de Renee para sentir seu gosto pela última vez.

— Se eu não for agora, não vou mais.

— Eu sei disso.

Tag olhou-a por um instante e depois tirou o celu­lar do bolso de sua calça. Ele conseguiu apertar al­guns botões, e quando o despachante atendeu, disse:

— Atrase o carro para Morningside Heights por duas horas.

Desligou o telefone e colocou-o de lado, depois começou a tirar as roupas.

Ele era um homem muito apaixonado e queria aquela mulher mais uma vez. Ela era o objeto de seu desejo, a dona de seu coração. Ele queria fazer amor com ela com essa realização guiando seus pensamen­tos, suas ações e suas palavras.

Quando estava completamente nu, juntou-se a Re­nee na cama, sabendo que era o lugar onde gostaria de estar.

 

Quando Renee entrou no Hospital Universitário de Manhattan naquela manhã, teve a sensação de que es­tava sendo observada. Parecia que todos os olhares estavam voltados para ela, e vários rostos especulati­vos viraram-se para olhá-la quando percorreu o habi­tual caminho até o elevador.

Torcendo por estar imaginando coisas, colocou os pés em seu andar e imediatamente viu Vicki na mesa dela olhando-a fixamente.

— Tudo bem. Eu desisto — disse Renee cami­nhando até a mesa de Vicki. — O que está aconte­cendo?

— Presumo que você não tenha visto o jornal de hoje — disse sua secretária, entregando-lhe o tablóide.

Renee ergueu uma sobrancelha antes de olhar para o jornal. Seu coração quase parou. Havia fotos do baile na primeira página e bem no centro havia duas fotos com ela e Tag. A primeira era a fotografia dos dois saindo da limusine. A outra havia sido tirada quando ele a beijara — um pouco antes de saírem do baile. Sob as fotos, as legendas perguntavam: “O Es­quivo Teagan Elliot Foi Finalmente Capturado?"

Renee engoliu em seco. Não queria seu relaciona­mento com Teagan Elliot exposto para o mundo da­quele jeito, especialmente quando ainda não era um relacionamento sólido.

— Com tudo o que está acontecendo neste país, não pensei que o baile merecesse primeira página —-disse ela, sem saber o que mais dizer.

Vicki sacudiu os ombros.

— É verdade. — Ela então acrescentou: — E devo adverti-la que Diane Cárter já ligou três vezes. Eu fa­lei que você ia chegar mais tarde. Prepare-se. Tenho a sensação de que vai ligar novamente ou, melhor ainda, vai subir aqui na primeira chance que tiver.

— Obrigada pelo aviso.

Renee estava quase entrando em sua sala quando Vicki perguntou:

— Você se divertiu ontem à noite?

Ela viu uma preocupação e um interesse verda­deiros naqueles olhos. Não havia censura ou julga­mento.

— Sim, foi maravilhoso. Vicki sorriu.

— Fico contente. Você é uma mulher linda, Re­nee, e uma ótima pessoa. Devia sair mais para se di­vertir.

Renee levantou uma sobrancelha.

— E Teagan Elliot? Vicki sacudiu os ombros.

— Eu não o conheço pessoalmente, mas parece uma pessoa muito boa — ela olhou para o jornal que ainda estava aberto sobre a sua mesa. — E vocês dois ficam lindos juntos.

Renee sorriu. Uma coisa que sabia em relação a Vicki era de ela ser sincera e direta.

— Obrigada, Vicki.

Em seguida, ela entrou em seu consultório e fe­chou a porta.

 

Diane irrompeu no consultório de Renee instantes depois do almoço.

— Vicki não estava ali fora, então entrei. Esta é a primeira oportunidade que tive de dar uma escapada desde que vi você no jornal. Em que você estava pen­sando para sair com Teagan Elliot? Definitivamente, não foi um passo inteligente, Renee.

Renee encostou-se na cadeira, decidindo dar cré­dito a Diane. A mulher, sem dúvida não tinha proble­mas em expressar o que sentia.

— E por que você pensa isso? Diane franziu a testa.

— Você, com certeza, está brincando. Renee, vol­te para a realidade. Pessoas como Elliot não se envol­vem com pessoas como nós. Não estamos no nível social deles, e com você é ainda mais sério. Tem a questão...

— Da raça?

— Sim, isso — Diane sorriu apologeticamente. — Encare o fato. Você é, provavelmente, uma novidade para ele, uma coisa nova e diferente. Espero que não esteja levando as coisas a sério, pois, se estiver, vai se machucar.

— Obrigada pelo aviso, Diane, mas sou uma mu­lher adulta e posso tomar conta de mim sozinha. — Ela pegou uma ficha da mesa, esperando que Diane entendesse o sinal.

O sorriso de Diane esvaiu-se.

— Espero que saiba, pois vai precisar ser forte quando ele perder o interesse por você e jogá-la fora.

Sem dizer mais nada, Diane virou-se e saiu do consultório de Renee.

 

Renee ficou de pé, perto da janela olhando para a rua movimentada. A hora do almoço terminara há al­gum tempo atrás, mas as calçadas ainda estavam cheias.

Renee preferira almoçar sozinha, então comera um sanduíche que a secretária trouxera da lancho­nete.

Ela suspirou. Não quis se apaixonar por Tag por diversas razões, e esta era uma delas: odiava ser o centro das atenções, detestava ver seu nome ligado a fofocas. Trazia tantas lembranças ruins de quando Dionne a humilhara da pior maneira possível.

Ela ficou tensa quando o telefone tocou, e espera­va que não fosse Tag. Não falara com ele o dia todo e queria saber se ele tinha visto as fotos.

Ela atravessou a sala e pegou o telefone.

— Sim, Vicki?

— A sra. Elliot está na linha.

— Sra. Elliot?

— Sim, sra. Bridget Elliot.

Renee engoliu em seco. Os irmãos de Tag tinham sido legais com ela a noite inteira, mas não podia dei­xar de se perguntar se tinham visto as fotos no jornal de hoje como um risco para a reputação da família.

— Por favor, coloque-a na linha. Bridget surpreendeu-a perguntando:

— Gostaria de saber se poderíamos almoçar ama­nhã.

— Almoçar?

— Sim, poderíamos nos encontrar em algum lugar perto do hospital. O que você acha do Carmine? Aquele restaurante italiano na Broadway? Meio-dia?

Renee olhou o calendário. Encontrado o horário li­vre, ela disse:

— Meio-dia está bom.

Assim que Renee terminou a ligação, atirou-se em sua cadeira. Bridget estava convidando-a para almo­çar para dizer-lhe que não era uma boa idéia ela sair com Tag? A última coisa da qual precisava era outra pessoa criticando seu relacionamento com Tag.

 

Tag olhou para a edição especial da Pulse. Na pri­meira, página havia a silhueta do senador Denton. Tag passou a mão no rosto. Pulse conseguira a prova indiscutível de que um dos guardas militares na pri­são Abu Ghraib escrevera para o senador e mandara fotografias dos abusos que estavam acontecendo, mas o senador Denton não fizera nada em relação àquilo, e transferira o soldado informante para uma base militar no coração da luta no Iraque. Aquele mesmo indivíduo foi morto dias depois no front de guerra.

Embora o incidente em Abu Ghraib tivesse final­mente sido divulgado, as ações do senador não. O plano era que ele renunciasse antes que alguém des­cobrisse a verdade. Por sorte, sua sobrinha tinha es­cutado o senador dar ordens para um de seus funcio­nários para destruir as cartas e as fotografias, e antes de qualquer um, ela as leu. Horrorizada, decidiu des­mascarar o tio. A perda da vida daquele jovem solda­do não podia ser perdoada.

Tag olhou para seu relógio. Eram quase dez horas da noite. Ele estava no escritório desde as nove da manhã, depois de forçar-se a sair da cama de Renee, ir para casa tomar banho e trocar de roupa.

Encostando-se na cadeira, colocou a revista na mesa e pegou o jornal que Gannon colocara sobre sua mesa pela manhã. Tag sorriu quando viu as fotos com ele e Renee, pensando em como ficavam bem juntos. Tentara ligar para ela várias vezes durante o dia, mas era sempre interrompido.

Ele olhou para as fotografias e lembrou-se exata-mente do momento em que desceram da limusine e quando a beijara no baile. Não havia nada de errado em demonstrar afeto pela mulher que amava.

A mulher que amava.

 

— Não consigo acreditar que Renee pense que Teagan Elliot esteja interessado nela.

— Não é hilário? Ouvi dizer que Diane Cárter ten­tou adverti-la, mas que ela recusou-se a escutar. Vai desejar ter escutado quando levar um fora dele. A culpa vai ser só dela.

Renee continuou andando, recusando-se a olhar para ver quem estava falando. Teve vontade de virar-se para mandar quem quer que estivesse falando para aquele lugar, mas era profissional demais. Além dis­so, seria perda de tempo.

Entrou no elevador, feliz por estar deixando o pré­dio mesmo que fosse por pouco tempo. Ela esperava não se arrepender em ter aceitado o convite da irmã de Tag. Embora ele tivesse dito que estaria ocupado demais para ligar, ela queria saber o que ele havia achado das fotos.

Ela pensara em ligar para ele, mas sabia o quanto estava ocupado. Ela, como todo mundo, vira a edição especial da Pulse e ficara chocada com o artigo sobre o senador Denton. Tinha sido o assunto do metro na­quela manhã.

Seus pensamentos voltaram-se para a conversa que havia tido com Diane ontem. Noite passada, deitada na cama, forçou-se a reconhecer que Diane provavelmen­te estava certa. Tag acabaria perdendo o interesse nela. Conseguiria agüentar uma dor dessas?

Não. E se não tomasse uma decisão antes de Tag finalmente tomar, teria apenas sofrimento.

 

Quando Renee entrou no Carmine, ficou surpresa quando não viu apenas Bridget, mas as irmãs gêmeas idênticas, primas de Tag, Summer e Scarlet. Ela co­nhecera as duas no baile. Ela agarrou a alça da bolsa com nervosismo enquanto o host a conduzia para a mesa.

— Obrigada por me convidar para almoçar — dis­se Renee com o primeiro sorriso verdadeiro que con­seguira dar nos últimos dois dias, depois de ser rece­bida pelas três com uma simpatia verdadeira.

Bridget sorriu.

— Era para ser só nós duas, mas encontrei-as, por acaso no escritório e convidei-as também. Espero que não se importe, mas Summer tem um bom moti­vo para comemorarmos — disse Bridget, levantando seu copo de vinho.

Renee olhou para Summer e rapidamente viu o motivo: uma linda aliança de casamento enfeitava o quarto dedo da mão esquerda dela.

— Parabéns! É uma linda aliança. Summer retribui o sorriso de Renee.

— Obrigada. John me pediu em casamento no Dia dos Namorados. Só demos uma passada no baile, pois tínhamos mesa reservada para jantar em outro lugar. Foi quando ele fez o pedido.

— Vocês já marcaram o dia? — perguntou Renee, erguendo seu copo de vinho depois que o garçom veio e serviu-a.

— Não, ainda não marcamos uma data — a futura noiva respondeu.

Renee balançou a cabeça e tomou um gole de seu vinho. Summer não parecia estar tão contente como deveria. Ela colocou o copo sobre a mesa, deixando a questão de lado, pois ela tinha uma outra questão maior: Tag. Ela perguntou-se quanto tempo Bridget demoraria a falar nele.

Uma hora depois, elas já tinham terminado suas refeições e Bridget ainda não falara no irmão. Falara sobre as melhoras da mãe e fizera perguntas sobre o que esperar durante a quimioterapia de Karen. O nome de Tag nunca veio à tona. Em vez disso, Renee teve um almoço agradável conhecendo a irmã e as primas dele.

Somente quando estava saindo do restaurante Bridget sorriu e sussurrou para Renee:

— Oh, a propósito, achei você e Tag lindos no bai­le e no jornal de ontem.

 

No dia seguinte, Renee chegou em casa não com o melhor dos humores. Os olhares e comentários nega­tivos no trabalho hoje tinham sido piores do que nun­ca, e ela não tinha certeza se hoje à noite seria um bom momento para sair com Tag. Ela falara com ele brevemente antes de ele ser interrompido por alguém que entrara em seu escritório.

No metro de volta para casa, ela repassara tudo o que teve de enfrentar nos últimos dois dias. Estivera tão preocupada com que os outros estavam pensando e dizendo que não conseguira trabalhar direito. Esse tipo de preocupação e de aborrecimento acrescentava uma tensão a um relacionamento que já era difícil.

Mais do que nunca, estava convencida de que suas diferenças sempre estariam em questão.

Ela olhou para o relógio. Tag a buscaria às sete, e já sabia que ele seria pontual. Se fosse cancelar o en­contro, agora era a hora. Ela pegou o telefone, deci­dindo ligar para o escritório dele, caso ainda estives­se lá. A voz familiar da secretária dele atendeu.

— Poderia falar com o sr. Elliot?

— Está em uma reunião. Gostaria de deixar um re­cado?

— Sim, por favor, diga que Renee Williams ligou e...

— Aguarde um instante, sra. Williams, recebi or­dens de passar a ligação para ele se a senhora ligasse. Só um momento.

Renee encostou-se na pia da cozinha, esperando Tag entrar na linha. Segundos depois, ele atendeu.

— Renee?

Só de ouvir a voz dele podia lembrar-se vivida-mente como a acordara duas manhãs atrás, beijando-a e sussurrando seu nome repetidas vezes. Antes mesmo de abrir os olhos, ele a envolvera com seu abraço caloroso, acordando todos os seus sentidos.

Diane estava certa? Ela era apenas uma novidade para ele? Algo diferente? Alguém por quem acabaria perdendo o interesse? E se ela significasse alguma coisa para ele? Ele iria contra os desejos da família se eles decidissem que não queriam que ela fizesse par­te? Havia alguma chance de terem um final feliz?

— Renee?

— Sim, sou eu. Liguei para avisar que não acho uma boa idéia sairmos hoje à noite. E talvez seja uma boa idéia esfriarmos as coisas entre nós.

— Do que você está falando, Renee? O que acon­teceu?

— Nada aconteceu, Tag. Eu, eu não consigo lidar com o falatório, com a negatividade. Olha, sei que você está ocupado, então vou desligar. Tchau.

Ela desligou o telefone e engoliu as lágrimas, di­zendo a si mesma que não ficaria em pedaços. Mas quando as lágrimas começaram a chegar, sem parar, sabia que estava acontecendo exatamente aquilo.

Tag ficou segurando o telefone, com a testa franzi­da. O que diabos havia acontecido? Ele respirou fun­do, sabendo que o que acontecera devia ter uma liga­ção com as fotos que saíram no jornal.

— Está tudo bem, Tag?

Ele olhou para a expressão preocupada de Gan­non.

— Não, não está tudo bem. É Renee, está com dú­vidas em relação a nós dois novamente.

Na noite passada, quando os dois ficaram até tarde no escritório, Tag se abriu para Gannon, e até mesmo admitiu que amava Renee.

— Talvez esteja na hora de você apagar esses pen­samentos da cabeça dela.

— E como vou fazer isso se ela continua dando importância ao que as pessoas dizem?

— Então, depende de você convencê-la que isso não importa. Se você a ama tanto quanto diz, vai en­contrar um jeito de convencê-la.

Tag balançou a cabeça.

— Odeio ter de deixar você assim, mas preciso ir ver Renee.

— Vá e faça o que for preciso para ganhar o cora­ção de sua amada.

Tag estava agradecido pelo apoio do irmão.

— Se algo mais acontecer com a história de Denton, ligue para meu celular — disse ele correndo em direção à porta.

— Falo com você mais tarde.

Renee deveria ter previsto que Tag apareceria. Quando a campainha tocou, ela teve de lutar para controlar as lágrimas. Enxugando o rosto, respirou fundo antes de abrir a porta.

Ela olhou para Tag e imediatamente viu raiva nas profundezas de seus olhos. E não havia como ele não perceber que ela estava chorando.

— Posso entrar?

Em vez de responder, ela deu um passo para trás e observou-o passar, depois fechou a porta.

— Precisamos conversar, Renee — disse ele bran­damente, colocando a mão sob o queixo dela para olhar seus olhos inchados.

As lágrimas que estava segurando ameaçavam cair com a mudança repentina dele de raiva para ternura.

— Não há nada a ser dito, Tag — Renee disse sim­plesmente. — Nós tentamos, mas não deu certo.

— Não. Você desistiu cedo demais.

— Sinto muito que você pense assim, mas as pes­soas estão falando sobre nós e não gosto de ser assun­to de fofoca no trabalho. Estão, provavelmente, fa­zendo apostas, como da última vez.

— Eu não dou a mínima para o que as pessoas es­tão... — ele parou de repente de falar e ergueu uma sobrancelha. — O que você quer dizer com estão pro­vavelmente fazendo apostas como da última vez? Que última vez?

Renee queria se matar por ter deixado aquele co­mentário escapar.

— Nada.

Ele olhou-a com intensidade.

— Não, acho que é alguma coisa. Conte-me.

Renee desviou o olhar do rosto dele. Talvez deves­se fazer o que ele estava pedindo e contar-lhe sobre Dionne e o motivo pelo qual saíra de Atlanta. Só as­sim ele entenderia por que estar no meio de um es­cândalo a incomodava tanto.

— Vamos nos sentar. Você está certo. Está na hora de contar para você.

Quando ele sentou-se ao lado dela no sofá, Renee rapidamente disse:

— Não, por favor, sente-se lá.

Ela apontou para a poltrona de frente para o sofá. Não estava certa de seu controle e precisava de uma certa distância de Tag. Não conseguiria lidar com a situação se ele sentasse a seu lado, a tocasse, respi­rasse perto dó seu rosto.

Olhou-a fixamente por alguns instantes antes de fazer o que ela havia pedido. Assim que se sentou, olhou para ela e esperou que falasse.

Renee enroscou-se no sofá, sentando sobre os pés.

— Antes de vir para Nova York, trabalhava no hospital de Atlanta e namorei um médico durante quase um ano, até descobrir que ele também estava namorando uma enfermeira que trabalhava no turno da madrugada. A outra não sabia sobre mim, mas al­guns médicos sabiam e estavam fazendo apostas so­bre quando eu descobriria. Finalmente descobri, e foi um falatório no hospital. Parecia que a todos os luga­res onde eu ia havia cochichos, olhares de pena, e até mesmo risadas. Foi humilhante. Quando vim para cá, prometi a mim mesma que não iria me envolver em situação alguma onde eu fosse o centro das atenções novamente. Mas parece, mais uma vez, que sou.

Tag não disse nada, apenas ficou olhando para ela, e Renee sabia que estava tentando formular em sua mente o que dizer.

— Sinto muito pelo que seu ex-namorado fez com você, Renee, mas eu não sou ele — afirmou. — Não estou envolvido com ninguém além de você.

Ela suspirou devagar.

— Não é por isso que as pessoas estão falando, você sabe.

— Tudo bem, então vamos conversar sobre o que as pessoas estão falando.

Ele inclinou o corpo em sua direção e fixou o olhar no dela.

— Então talvez devêssemos conversar por que você se sente assim com as fofocas. Por que você não consegue enxergar além da minha cor e da minha conta bancária. -— Ele continuou falando, com a voz calma: — E antes que você me responda, quero que saiba o que sinto por você, Renee. Eu a amo. Acho que me apaixonei por você a primeira vez que a vi em seu consultório. Quero um futuro com você. Um fu­turo muito feliz.

Com a confissão de seu amor, Renee não conse­guiu mais segurar as lágrimas que começaram a es­correr. Lutando para recompor-se, falou com o cora­ção:

— Eu também o amo, Tag. Não queria me apaixo­nar por você, mas me apaixonei nesse mesmo dia. Mas é só isso. Não podemos ter o futuro feliz que você quer. Tudo o que consigo ver é um futuro reple­to de tensão para provarmos ao mundo nosso amor. E se tivermos filhos? Pelo que vão ter de passar?

Tag levantou-se e foi até o sofá. Ele pegou a mão de Renee e levantou-a gentilmente.

— Nosso amor vai estar lá para nos sustentar. E quanto aos filhos, vão crescer orgulhosos do que são e de quem são. Os tempos mudaram, Renee. E ainda estão mudando. Sempre vai haver gente contra, mas você vai descobrir que existe um número muito maior que vê uma união desse tipo como um indica­dor positivo de como a vida vai ser.

— Caramba, Tag, não posso contar com um futuro incerto. Só com o que existe agora.

Tanto fúria quanto dor surgiram nos olhos de Tag.

— Então você está dizendo que não pode aceitar a mim ou meu amor porque vai ser um problema para os outros aceitarem? Você está dizendo que vai de­sistir do que podemos ter juntos por causa do que os outros acham? E o que sentimos, Renee? Não é igual­mente importante?

— Sim, é importante, mas você não entende que estou tentando protegê-lo também? Ouvi cochichos no baile de como seu avô vai ser contra, e eu me recu­so a ser motivo de discórdia entre você e sua família.

O rosto dele ficou tenso.

— Eu já disse a você que o que minha família pen­sa não importa. Não busque desculpas, Renee.

Ele soltou a mão dela e deu um passo para trás.

— Não sei o que mais posso dizer. Eu amo você. Quero me casar com você. Quero um futuro a seu lado — disse ele calmamente. — É nisso que você tem de acreditar e aceitar. Mas o fato de eu querer todas essas coisas não significa nada se você não as quiser tam­bém. Tudo o que peço é para colocarmos o amor no teste e mandar quem seja contra para o diabo.

— Tag, eu não acho...

— Não — disse ele, interrompendo-a, lutando para conter sua raiva. — Daqui a uma semana é o ca­samento do meu irmão e o aniversário de casamento do meu avô no Tides. Quero você comigo, e não que busque a aprovação de minha família. Quero que es­tejamos lá como duas pessoas que se amam muito e que estão prontas para fazer um anúncio em relação ao futuro juntos.

Renee balançou a cabeça com tristeza quando as lágrimas começaram a encher seus olhos novamente. Com a voz repleta de frustração, ela disse:

— Não posso fazer isso, Tag. Sinto muito, mas não posso.

E antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela correu para o banheiro e fechou a porta.

 

Renee andava de um lado para o outro. Seu rosto es­tava marcado por lágrimas, os olhos inchados e ator­mentados.

— O que você quer dizer quando acha que estou cometendo um erro?

Debbie Massey olhou para a amiga entregando-lhe um lenço.

— Renee, você me conhece bem o suficiente para saber que eu sou direta. Você pediu que eu fosse ho­nesta, e eu fui.

Debbie, que estivera fora do país a trabalho, apare­cera na casa de Renee uma hora atrás e a encontrara arrasada por causa de Tag. Com um jeito dominador que Renee duvidava algum dia se acostumar, Debbie a fez correr para o banheiro e lavar o rosto enquanto lhe contava tudo.

— Você não escutou nada do que eu disse em rela­ção a todos os problemas que teremos de enfrentar? Como você pode dizer que estou cometendo um erro?

— Do mesmo jeito que você disse quando termi­nei tudo com Alan ano passado. Não segui meu cora­ção e me arrependo disso todos os dias.

Renee balançou a cabeça. Alan Harris era um co­lega de Debbie 15 anos mais velho. Preocupada com o que iriam dizer sobre o fato de ela estar namorando um homem muito mais velho, Debbie terminara a re­lação depois de um breve caso. Isso aconteceu há mais de um ano e essa era a primeira vez que Renee ouvia Debbie admitir que talvez tivesse cometido um erro deixando Alan partir.

Antes que pudesse fazer perguntas, Debbie conti­nuou.

— Em determinado momento de sua vida, você tem de fazer o que faz você feliz e não se preocupar com o que os outros podem pensar. Você admitiu que está apaixonada por Teagan Elliot e ele admi­tiu que está apaixonado por você. Ele é um homem — muito rico, devo acrescentar — que quer se casar com você e fazê-la feliz. Se o resto de nós pudesse ter tanta sorte...!

Renee caiu sobre uma cadeira da mesa da cozinha, lutando para controlar as lágrimas que ameaçavam desabar novamente.

— Mas você não estava lá para ouvir o que as pes­soas estavam falando quando viram nossas fotos.

Debbie franziu a testa.

— E é bom que eu não tenha escutado. As pessoas têm de tomar conta das próprias vidas e pararem de se preocupar com o que está acontecendo na vida dos outros. Já está na hora de você parar de dar importân­cia para o que as pessoas estão dizendo e pensando. Você não vai conseguir fazer com que mudem de opi­nião, então, para que se incomodar?

Debbie olhou para ela atentamente através de seus óculos.

— Mas tudo que estou dizendo não significa nada se você não ama Tag Elliot tanto quanto diz que ama.

— Eu realmente o amo. Eu o amo com todo meu coração.

— Então, aja de acordo. Havia uma época em que você costumava lutar pelo que queria, pelo que acre­ditava. Lembro-me daquele dia na faculdade quando o professor Downey lhe deu um B e você achava que merecia um A. Enquanto eu aceitaria o B e ficaria atordoada com ele — já que era aula de física —, você não deu ao homem um dia de descanso até que ele recalculasse seus pontos para descobrir que tinha cometido um erro. Você recebeu seu A e provou que estava certa. Talvez esteja na hora de provar alguma coisa novamente, Renee. Só você, mais ninguém, pode decidir sobre seu destino.

Renee tomou um gole de café enquanto pensava nas palavras de Debbie. E então perguntou:

— Você já decidiu sobre seu destino, Debbie? A amiga sorriu.

— Acho que sim. Alan estava por acaso em Lon­dres quando eu estava lá. Assim que o vi, percebi que ainda o amava. Passamos algum tempo juntos e deci­di que não vou deixar que o que os outros pensam atrapalhe minha felicidade. Talvez você deva tomar a mesma decisão.

— Ei, você está bem?

Tag olhou para a expressão preocupada de Gannon. Era sábado de manhã e eles tinham ido ao escri­tório para a uma conferência pelo telefone com o es­critório do senador. Haveria uma coletiva com a im­prensa na casa do senador ao meio-dia, na qual ele iria admitir que as afirmações da Pulse eram verda­deiras.

A edição especial da Pulse já se esgotara e estava sendo impressa uma nova. Havia realmente motivo para celebrar. Tanto o pai quanto o avô — que retor­nara essa manhã — ligaram para parabenizá-los pelo bom trabalho. A única parte ruim era que Gannon teve de dizer a Peter que ele não trabalharia mais na empresa. Depois de todos os anos de dedicação de Peter, a decisão foi difícil, mas necessária.

— Sim, estou bem — respondeu Tag, passando a mão no rosto. Na semana seguinte era o casamento de seu irmão, e a última coisa que queria era que Gan­non ficasse preocupado com ele. — Você está nervo­so com o casamento? — ele decidiu perguntar.

Gannon deu risada.

— Não, só ansioso. Mal posso esperar. Tag balançou a cabeça.

— E você já decidiu onde vão passar a lua-de-mel?

— Sim, mas estou mantendo em segredo para Erika. Vou levá-la para Paris.

Gannon deu um gole em seu café e depois de al­guns instantes de silêncio disse, com os lábios na bor­da da xícara:

— Não perguntei como foram as coisas entre você e Renee ontem à noite, mas tenho a impressão de que não saíram como você esperava. Deixe-me lhe dar um conselho, garoto: não importa o que aconteça, não a deixe escapar sem ter lutado por ela. Se você a ama tanto quanto eu acho que ama, estará cometendo um grande erro se desistir dela.

Tag passou a mão pelos cabelos.

— Não sou eu quem está desistindo dela, Gannon. É Renee que está desistindo de mim. Ela sabe que eu a amo. É ela quem tem de decidir se vale a pena en­frentar todos os desafios que talvez tenhamos de en­carar por nosso amor — ele soltou o ar e acrescentou. — E é o meu maior desejo.

 

Até quarta-feira Renee ainda estava tentando colo­car sua vida em ordem. Em vez de cochicharem sobre ela e Tag, todo mundo estava comentando sobre o es­cândalo do senador Denton e a coletiva para a im­prensa que ele dera no fim de semana admitindo to­das as alegações da Pulse.

Ela suspirou quando pegou o elevador para o déci­mo andar para ver um de seus pacientes. Nos últimos dias, repassara a conversa que havia tido com Debbie várias vezes. Estava sentindo uma falta louca de Tag. Ela pensava nele o tempo inteiro.

Ninguém conseguia fazê-la ver seus erros melhor do que Debbie. Desde a conversa que tiveram, pensa­va em como o futuro com Tag seria quando compara­do ao futuro sem ele, e sempre que pensava em sua vida sem ele era duro demais imaginá-la. Recusava-se a deixar que os pensamentos dos outros a levassem a perder a melhor coisa que acontecera com ela. Amava Tag e era correspondida, e juntos enfrenta­riam qualquer coisa. Ela sorriu para si mesma, pen­sando que mais tarde o visitaria, para que ele soubes­se exatamente o que ela sentia.

Renee saiu do elevador e estava quase fazendo a curva quando ouviu o som da voz de Diane.

— Sim, ela tem se escondido no consultório, total­mente envergonhada. Também ficaria. Talvez tenha aprendido a ficar em seu lugar. Ousadia dela achar que poderia passar para o outro lado, e não com qual­quer pessoa, mas com o membro de uma das famílias mais ricas de Nova York. Você pode imaginar al­guém sendo tão estúpido?

A raiva consumiu Renee. Ela continuou cami­nhando, lembrando-se da última conversa com Tag e o conselho que ele lhe dera. Diane estava de costas para Renee, e a outra pessoa com quem Diane estava conversando viu Renee além dos ombros de Diane. A enfermeira pediu licença rapidamente e saiu corren­do, deixando Diane sozinha.

— Diane?

A mulher virou-se, surpresa ao ver Renee ali de pé. Ela ergueu uma sobrancelha.

— Sim?

— Faça-me um favor.

Diane relaxou e teve a audácia de sorrir.

— Claro, Renee, do que você precisa?

— Que você vá para o inferno, e fique lá. Renee passou pela mulher e depois pensou em ou­tra coisa, virando-se e dizendo:

— E a única estupidez que cometi foi não ter acei­tado o pedido de casamento de Tag.

Satisfeita com o olhar chocado de Diane, Renee virou-se e continuou caminhando com a cabeça er­guida. Ela não podia sair por aí mandando todo mun­do para o diabo, como Tag sugerira, mas sentia-se bem em ter mandado Diane.

 

Tag levantou-se do sofá para desligar a televisão. Não importava que os Knicks estivessem vencendo, nem mesmo o jogo de basquete estava prendendo sua atenção. A única coisa que o consumia era o pensa­mento em Renee.

Renee.

Mais de uma vez perguntou-se se havia mais algu­ma coisa que pudesse fazer para que ela aceitasse o amor que ele estava oferecendo. Precisava dela em sua vida tanto quanto precisava respirar.

Ele virou-se quando a campainha tocou, achando que provavelmente era Liam. Por mais que amasse o irmão, não estava a fim de companhia.

Abrindo a porta, disse:

— Liam, não creio...

— Olá — disse ela, sorrindo de forma tentadora para ele. — Posso entrar?

Tag ficou tão feliz em vê-la que teve vontade de tomá-la nos braços. Mas sabia que não podia. Ele não estava certo do motivo que a levara até ali, mas sabia que ainda havia coisas mal resolvidas entre eles.

— Claro que você pode entrar — disse ele, dando um passo para trás para deixá-la passar. E fechou a porta.

— Posso pegar seu casaco?

— Sim, obrigada.

Ele observou-a tirar o casaco de couro e revelar um lindo suéter turquesa e uma calça preta. Os dois ficavam bem nela.

— Você quer beber alguma? — perguntou ele, pe­gando o casaco que ela lhe entregava.

— Não, estou bem.

Ele balançou a cabeça e foi até o cabide pendurar o casaco. Ele podia sentir a tensão no ar.

— É bom ver você, Renee — disse ele caminhan­do para ela.

— Obrigada. É bom ver você também. Queria sa­ber se podíamos conversar.

Ele fez que sim com a cabeça.

— Claro, vamos nos sentar na sala.

Ele esperou Renee sentar-se no sofá e, lembrando-se do pedido que ela fizera na última vez que conver­saram, ocupou uma poltrona de frente para ela.

Renee cruzou as pernas, sentindo o olhar penetran­te de Tag. Nos últimos dias, tomara muitas decisões e queria dividi-las com ele.

— Você tem certeza de que não quer nada para be­ber?

— Não, estou bem. — E, então, depois de alguns instantes, ela disse: — Não, isso é mentira. Eu não es­tou bem. — Ela levantou-se e começou a caminhar pela sala. Tag não disse nada enquanto a observava.

— Não sei por onde começar — disse ela final­mente, parando não muito longe de onde ele estava sentado e olhando para sua expressão concentrada.

— Sei por onde você pode começar — disse ele calmamente. — Pode começar me assegurando que estava falando sério quando disse que me amava na sexta-feira à noite.

As palavras dele foram pronunciadas com tanta ternura que os lábios de Renee começaram a tremer. Como podia não amar um homem desses? E esta era apenas uma das coisas que pretendia confirmar.

— Sim, eu estava. Eu amo você e sempre vou amar... o que justifica porque estou aqui.

Ela deu um passo para trás, precisando dizer o que queria sem ter a tentação de curvar-se para beijá-lo. Isso viria mais tarde, se ele ainda a quisesse.

— Pensei sobre tudo que você disse naquela noite, e tomei algumas decisões.

— Tomou?

— Sim.

— E que decisões você tomou? Ela olhou para ele.

— Se você ainda me quiser, se você ainda me amar, então faço qualquer coisa para ter um futuro a seu lado, Tag. Não estou mais preocupada com o que os outros possam dizer. Só o que importa é o que meu coração está dizendo. Neste exato momento, está me dizendo que você é a melhor coisa que já me aconte­ceu, e que eu preciso de você em minha vida. Agora e sempre.

Ela recuperou o passo que tinha dado antes para fi­car na frente dele, esticou os braços, pegou a mão dele e puxou-o da cadeira.

— Sei que as coisas nem sempre vão ser fáceis, mas desde que tenhamos um ao outro, isso não im­porta. Nosso amor vai ser forte o suficiente para lidar com tudo. Eu realmente acredito nisso agora. Quero me casar com você, Tag. Quero um futuro com você. Quero ter filhos seus. Quero tudo.

Tag sorriu, respirou aliviado e puxou Renee para seus braços.

— Obrigado por chegar a essa conclusão. E, sim, eu ainda amo você. Sempre vou amar, Renee. E que­ro me casar com você, ter um futuro com você, ter fi­lhos com você para crescerem e se nutrirem do nosso amor. Eu...

Renee sorriu e em vez de deixá-lo falar, ficou nas pontas dos pés e tocou com sua boca a dele. Tag, pre­cisando tanto do beijo quanto ela, começou a devorar a boca de Renee assim que se conectaram. Ele puxou-a mais para perto e comprimiu o corpo dela contra o seu, precisando desesperadamente senti-la em seus braços, perto de seu coração.

Ela colocou a mão no ombro dele, lutando para controlar as emoções que ele despertava nela.

E quando o beijo ficou mais intenso, ele pegou-a nos braços e sussurrou:

— Quero fazer amor com você.

O beijo a excitara também, e imaginar-se nua em sua cama, juntando seu corpo ao dele, selando o amor deles para todo e sempre, fez com que Renee sussur­rasse de volta:

— Também quero fazer amor com você.

Tag seguiu em direção ao quarto e minutos depois o desejo dela tornou-se realidade. Estavam nus na cama e Tag a olhava com o amor brilhando intensa­mente no seus olhos. Quando esticou o braço para pe­gar a camisinha, ela interrompeu-o.

— Não tem necessidade, a não ser que você quei­ra. Tomo pílula já faz alguns anos para regular minha menstruação.

Os olhares cruzaram-se e ele atirou o pacote de volta à gaveta.

— Nunca transei sem usar camisinha — ele deci­diu admitir —, mas estou louco para fazer isso com você. E você sabe que estou limpo. Faço exames re­gulares, pois é uma exigência da editora.

Voltando para a cama, ele sussurrou.

— Amo você com todo meu coração.

Logo depois, ele abaixou-se e posicionou seu cor­po sobre o dela, pegando os lábios dela em movimen­tos sensuais. Deliberadamente estimulando os senti­dos dela, ele penetrou lentamente nela, fundindo o corpo deles em um, pele com pele.

A presença de Tag dentro de seu corpo evocava um prazer tão grande que Renee ergueu os quadris e envolveu as pernas em volta da cintura dele. Queria que ele ficasse preso a ela. Um desejo mais forte que tudo começou a consumi-la, preenchendo sua mente com todos os tipos de sensações, e os olhos fecha­ram-se por conta própria.

— Abra os olhos, querida — pediu Tag com um tom de voz grave e rouco. — Olhe para mim e diga o que você vê.

Renee obedeceu e olhou para ele, contemplando o lindo seu rosto, o azul majestoso de seus olhos e os longos cílios que os cobriam. Seus músculos internos tremeram só de olhar para ele.

Ela levantou a mão e tocou os lábios dele com as pontas dos dedos, acariciando a boca que conseguia deixá-la louca.

— O que eu vejo quando olho para você — sussur­rou ela — é o homem que é minha alma gêmea, mi­nha fantasia que se tornou realidade, o único homem que amo e com quem quero passar o resto da minha vida, o futuro pai dos meus filhos.

Ela era tão linda, cativante... e era dele.

— Eu amo tanto você — murmurou ele, antes de capturar a boca dela. Ele começou a movimentar a parte de baixo do corpo, sentindo os mamilos duros dela contra seu peito.

Ele estabeleceu um ritmo e começou a se mover dentro dela. E então aconteceu. Ele jogou a cabeça para trás como se um alívio de proporções gigantescas se apoderasse dele. Gritou o nome dela à medida que todo seu ser se entregava à mais rica e intensa das paixões. E à mulher que amava.

Como se sentir ele desmoronando, explodindo dentro dela fosse o que precisasse, ela seguiu-o rumo ao abismo.

— Eu não acredito nisso — ela suspirou, no ponto máximo de seu prazer. Ela gritou o nome dele e le­vantou os quadris, apertando suas pernas em volta dele.

— Acredite, linda — sussurrou ele. — Este é só o começo do resto de nossas vidas juntos. Para sempre.

Enquanto outras sensações eram liberadas dentro do corpo de Renee, a única coisa que podia fazer era encontrar seu olhar e dizer:

— Sim, para sempre.

 

— Renee, fico feliz que você tenha vindo — disse Karen Elliot, sorrindo e pegando a mão de Renee. Renee retribuiu-lhe o sorriso.

— Também fico feliz em ter vindo.

Ela olhou à volta. Era o casamento de Erika e Gannon, que embora tivesse sido feito em pequena esca­la, contava com muitos convidados. Tudo estava lin­do; especialmente a noiva, e lágrimas tocaram os olhos de Renee quando percebeu a intensidade do amor por Erika brilhando nos olhos de Gannon.

Ela olhou para Tag. Decidiram casar-se no próxi­mo ano, no Dia dos Namorados, pois era um dia mui­to especial para eles. Ainda faltava um ano, mas vale­ria a pena. Decidiram anunciar suas intenções naque­la noite somente para os pais e avós, pois o dia era de Gannon e Erika. Mas quando o casal voltasse da lua-de-mel, Tag e Renee planejavam fazer um anúncio oficial para todos.

— Para onde papai e vovô escaparam? — Tag per­guntou para a mãe. Ele permanecera o casamento in­teiro ao lado de Renee, sempre a tocando de alguma forma, fazendo com que soubessem, caso tivessem alguma dúvida, que ela era especial para ele.

Karen olhou à volta.

— Provavelmente, para a biblioteca. Por quê?

— Preciso falar com ele e quero você e vovó nessa conversa.

O sorriso de Karen alargou-se.

— Tudo bem. Deixe-me buscar Maeve e nos en­contramos lá em alguns minutos.

Quando Karen saiu, o sorriso que Tag deu para Renee foi tranqüilizador.

— Você está bem? — perguntou ele, detectando nervosismo nela.

Ela sorriu de volta para ele.

— Sim. Como posso não estar? Estou apaixonada por um homem maravilhoso que me ama também.

— Sempre — sussurrou Tag, pegando a mão dela e levando-a dos lábios. — Vamos dar os parabéns a Gannon e Erika, caso não tenhamos a chance de fazer depois.

Renee fez que sim com a cabeça. O que Tag não disse, mas ela sabia, era que depois de contar para os avós e para os pais sobre seus planos, se alguém pare­cesse, o mínimo que fosse, discordar, ele tinha a in­tenção de ir embora. Ele falava sério quando dissera que não tolerava nada além do total consentimento do avô no que dizia respeito a seu futuro casamento.

Renee não tinha certeza de que o teriam. Ela vira a expressão dos olhos de Patrick assim que Tag entrou na sala com ela. A avó de Tag demonstrara uma simpa­tia genuína quando as apresentações foram feitas, logo antes de o casamento começar. Mas Patrick Elliot tinha sido reservado. Tag sentira a mesma vibração, e colocara uma mão protetora em volta da cintura dela, reiterando silenciosamente que não precisava, nem es­tava buscando, a aprovação do avô.

Tag e Renee entraram na biblioteca algum tempo depois.

— Soube que você quer falar conosco, Tag — dis­se Patrick Elliot com uma voz intensa.

Renee observou-o. Alto, porte médio, na verdade parecia dez anos mais novo do que a idade que Tag dissera que ele tinha. O cabelo era completamente grisalho e os olhos possuíam o mesmo tom do azul de Tag. E percebeu que não havia nenhum vislumbre de sorriso no rosto dele.

— Sim, tenho um anúncio a fazer — disse Tag, se­gurando a mão de Renee e fechando a porta atrás de­les. Os pais dele estavam sentados em um sofá cinza e o observavam expectantes. A avó de Tag estava sentada em uma poltrona a alguns centímetros de onde Patrick estava de pé, com um cotovelo apoiado no mantel de uma imensa lareira.

— E que anúncio é esse? — perguntou Patrick. Tag olhou para Renee e sorriu.

— Só queria que todos vocês soubessem que amo muito Renee e que a pedi em casamento. E ela acei­tou se casar comigo no ano que vem, no Dia dos Na­morados.

Os pais de Tag, assim como sua avó, imediata­mente abraçaram o casal e deram os parabéns. No en­tanto, uma rápida olhada para Patrick indicava que ele não tinha se mexido um centímetro e estava com uma expressão de surpresa.

— Casar? — perguntou ele finalmente, a voz gra­ve abafando o som de todos os outros. — E vocês dois têm certeza de que é isso que querem fazer?

A mão de Tag apertou a cintura de Renee.

— Sim. Casamento é exatamente o que queremos e o que planejamos fazer — disse ele, olhando para o avô.

Estava um tanto óbvio que Patrick não estava en­tusiasmado com a notícia e era visível que Tag não estava permitindo que a falta de alegria do avô o in­fluenciasse.

— Vou contar para o resto da família quando Gannon e Erika voltarem da lua-de-mel, mas queria que vocês quatro soubessem.

Foi a avó de Tag, que conhecia seu marido melhor do que ninguém, que insistiu que a melhor coisa a ser feita era obter que o avô lhe desse a bênção. Ela foi até o marido.

— Esta é uma noite de celebrações. Em nosso ani­versário de casamento, um de nossos netos casou-se e o outro anunciou seu noivado com uma moça muito bonita. Isso é especial, você não acha?

Patrick olhou para a esposa e todos viram que a mulher que ele amava mais do que tudo estava o de­safiando a contradizê-la. Ele hesitou por um breve momento antes de falar:

— Sim, querida, é especial.

Saindo do lado da esposa, ele foi até o casal.

— Desejo tudo de bom para você — disse ele, apertando a mão de Tag e depois puxando Renee para um abraço.

— Bem vida à família, Renee — disse ele, em um tom de voz ainda mal-humorado. — E depois desse casamento espero que vocês comecem a providenciar netos para que eu e Maeve possamos aproveitar.

Ele deu um passo para trás.

— Agora precisamos voltar para a festa. Sem dizer mais nada, ele saiu.

Mais tarde naquela noite, Renee estava deitada nos braços de Tag, os corpos nus, depois de terem acaba­do de fazer amor. Ela suspirou de prazer. O casamen­to de Gannon e Erika tinha sido lindo, e a festa de aniversário de casamento que se seguiu foi requintada.

— Você tem certeza de que quer esperar até feve­reiro? — perguntou Tag, mordiscando a orelha dela. — Falta muito.

Renee sorriu.

— Menos de um ano, mas vou encontrar um jeito de manter você ocupado até lá... Não que você já não tenha trabalho suficiente no escritório. Pelo menos, até nosso casamento essa disputa entre as revistas já vai ter terminado.

Tag concordou, ansioso por esse dia.

— O que você acha de um grande casamento no Tides?

Renee sorriu. A sugestão, definitivamente, agra­dou-a. Ela apaixonara-se pela casa dos avós de Tag.

— Acho uma ótima idéia — disse ela tocando nos lábios dele. — E é claro que vamos deixar sua mãe planejar tudo.

Tag deu uma risada.

— Claro.

O sorriso no rosto de Renee desvaneceu-se quando ela disse:

— Seu avô não aceitou completamente nosso ca­samento, Tag.

— Não, mas isso é um problema dele, não nosso — disse ele furioso. — No entanto, tenho a sensação de que até o dia do casamento ele terá mudado. Nada vai me impedir de fazer você se tornar uma Elliot da­qui a um ano.

Com um sorriso, Renee beijou-o.

— Gosto da sua determinação.

— Gosta? — perguntou ele. — E do que mais você gosta?

Ela colocou o braço para baixo e seus dedos en­contraram-no rígido, grande e pronto novamente.

— Hummm, eu, definitivamente, gosto do jeito como você lida com as coisas — disse ela, virando o corpo para que ele soubesse o que ela queria e preci­sava.

Beijou-a, e reagir a ele era tão natural que recebia tudo o que ele oferecia, e muito mais. E quando ele entrou lentamente nela, não pensou em mais nada, exceto em uma coisa: sim, ela realmente gostava do jeito como ele tomava conta dos negócios.

 

 

                                                                                Brenda Jackson 

 

 

                      

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